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CITOLOGIA ONCÓTICA

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Caderno de Referência 1
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Figura 1 - George Papanicolaou (1883-1962). 
Papanicolaou introduziu e desenvolveu o método 
conhecido pelo seu nome (teste de Papanicolaou) 
para a detecção de lesões pré-malignas e câncer 
de colo uterino através do exame citológico.
 Esses estudos iniciais mereceram pouca divulgação e destaque na comunidade científica. O 
sentimento da época é expresso pelo proeminente oncologista James Ewing, que considerava o exame 
citológico supérfluo, já que o colo era acessível com a biópsia. Assim, os trabalhos pioneiros de Babes e 
Papanicolaou permaneceram no limbo por mais de uma década. Apesar das opiniões pouco encorajadoras, 
Papanicolaou foi estimulado por Joseph Himsey, diretor do departamento em que trabalhava, a continuar 
a sua pesquisa, inclusive colocando um laboratório à sua disposição. 
 Em 1943, foi publicada a monografia agora clássica, intitulada “Diagnóstico de câncer uterino 
pelo esfregaço vaginal”, escrita com a colaboração de Herbert Traut, um ginecologista treinado em 
Patologia. Esse volume (48 páginas de texto e 11 ilustrações coloridas com descrições) introduziu a 
técnica de diagnosticar câncer uterino e lesões precursoras pela citologia (método chamado Pap test em 
homenagem ao próprio Papanicolaou) com ênfase na possibilidade de sua aplicação em grande escala. Dr. 
Papanicolaou expandiu as fronteiras do seu trabalho em 1954 com a publicação do “Atlas de Citologia 
Esfoliativa”, com observações minuciosas acerca das características celulares em espécimes ginecológicos 
e não ginecológicos (escarro, urina, entre outros), em condições normais e patológicas. 
 É conhecida a dedicação de Papanicolaou ao trabalho ao longo da sua vida, chegando a trabalhar 
14 horas por dia, 6,5 dias por semana, gozando férias somente uma vez em 41 anos. Quando questionado 
sobre esse tema ele justificava: “O trabalho é interessante demais e há tanto para ser feito...”. 
 O proeminente pesquisador, detentor de inúmeras premiações e honrarias, morreu subitamente em 
1962 de infarto miocárdico, deixando um importante legado para o conhecimento médico. Outro marco 
importante para o desenvolvimento da citopatologia foi a modificação da técnica de colheita das amostras 
citológicas, que passou a utilizar uma espátula (espátula de Ayre) para raspar diretamente as células do 
colo. A espátula foi especialmente projetada para esse fim e foi desenvolvida pelo médico canadense 
Ernest Ayre, na década de 1940. Ainda hoje utilizamos o modelo proposto por Ayre, em substituição à 
colheita das secreções vaginais espontâneas, preconizada pioneiramente por Papanicolaou.
 O sucesso do teste de Papanicolaou se deve fundamentalmente a seu baixo custo, sua simplicidade 
técnica e eficácia diagnóstica, sendo introduzido numa época em que o câncer de colo uterino representava 
a principal causa de morte relacionada ao câncer em mulheres nos Estados Unidos. A prática da citologia 
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Médicale. O mesmo estudo havia sido apresentado anteriormente em 23 de janeiro de 1927, durante uma 
conferência da Sociedade de Ginecologia de Bucareste. Babes estabeleceu claramente que o método era 
aplicável no diagnóstico de cânceres precoces, que ainda não tinham invadido o estroma. Ele descreveu 
as alterações citológicas no câncer cervical de modo tão detalhado que as suas informações são válidas 
ainda hoje, mais de 80 anos depois. 
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gerou um grande impacto, modificando o perfil dessa situação. Já na década de 1970, a incidência e a 
mortalidade por câncer de colo no Estados Unidos diminuiu para quase metade dos casos em relação 
às taxas de 1930. Apesar do grande sucesso do teste de Papanicolaou nesse e em outros países ricos, 
infelizmente o procedimento ainda não é aplicado rotineiramente, de forma sistemática, em muitos países 
em desenvolvimento. Prova disso é que 500 mil mulheres são diagnosticadas com câncer de colo no 
mundo, com aproximadamente 200 mil mortes pela doença a cada ano. Análises estatísticas mostram que 
85% desses casos ocorrem nos países em desenvolvimento. No Brasil, no ano de 2010, a incidência de 
câncer de colo foi de 49.240, e a mortalidade chegou a 18.430 casos. Já nos Estados Unidos, em 2010 a 
incidência de câncer de colo foi de 12.200, e a mortalidade de 4.210 casos. Esses dados comprovam que o 
exame de Papanicolaou ainda é a estratégia mais eficaz na detecção de câncer e dos seus precursores, não 
existindo na atualidade nenhum teste superior na erradicação do câncer cervical.
 A citopatologia foi incorporada à prática médica da contemporaneidade no diagnóstico de doenças 
em vários órgãos e sistemas, sendo uma disciplina bem estabelecida.
1.3 Tipos de descamação celular
 A descamação celular pode ser de dois tipos: espontânea ou natural e artificial. Como exemplos 
de descamação natural, temos a urina e o escarro. Na descamação artificial, as células são removidas 
com a utilização de algum instrumento. É o que acontece no teste de Papanicolaou, em que as amostras 
citológicas são obtidas através do raspado da ectocérvice e do escovado da endocérvice, utilizando-se a 
espátula de Ayre e a “escovinha”, respectivamente. As células viáveis que são traumaticamente esfoliadas, 
são menores e com menor grau de maturação que as células descamadas naturalmente. 
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Figura 2 - Material para colheita de amostras. 
a; b - Espátula e “escovinha”, respectivamente, utilizadas na colheita das amostras citológicas do colo uterino. 
c - Lâminas de vidro onde as amostras são espalhadas (esfregaços).
d - Recipiente de plástico contendo etanol a 95% para a fi xação. Posteriormente o esfregaço é corado e encaminhado 
para o exame microscópico.
Introdução a Citopatologia
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a b c d
1.4 Objetivos e limitações do exame citpatológico
Os objetivos do exame citopatológico incluem: 
• Identificação de doenças não suspeitadas clinicamente. 
• Confirmação de doenças clinicamente suspeitas.
• Acompanhamento da evolução ou resposta ao tratamento de determinada doença.
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Caderno de Referência 1
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 Por se tratar de um procedimento diagnóstico não invasivo sem complicações para a paciente, 
além do seu baixo custo e eficácia diagnóstica, a citopatologia é considerada o método de eleição no 
rastreamento do câncer cervical.
 Contudo, limitações são comuns a todos os métodos diagnósticos. Com relação à citopatologia, 
os seus aspectos negativos compreendem o tempo excessivamente longo na interpretação das amostras, a 
natureza algo subjetiva da interpretação e a impossibilidade de assegurar a invasão ou extensão da invasão 
no caso de lesão maligna. Deve ser realçado que a avaliação histopatológica é essencial no diagnóstico 
definitivo das lesões pré-cancerosas e malignas do colo uterino, detectadas pelo exame citológico. 
1.2 Princípios básicos da anatomia do trato genital feminino
 O sistema genital feminino é constituído por um conjunto de órgãos que apresenta como função 
principal a reprodução feminina. É anatomicamente composto por:
• Órgãos genitais externos, ou vulva. 
• Gônadas, ou ovários.
• Tubas uterinas.
• Útero.
• Vagina.
• Clitóris e bulbo do vestíbulo.
• Glândulas anexas: vestibulares maiores e menores.
 
 A genitália externa contém um conjunto de formações que protegem o orifício externo da vagina e 
o meato uretral ou urinário. Pode ser dividido nas seguintes partes: clitóris, vestíbulo, pequenos e grandes 
lábios.
Figura 3 - Estrutura da genitália externa feminina.
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 Os ovários são as gônadas femininas, que apresentam variações de tamanho de acordo com cada 
indivíduo ou com a fase do ciclo