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PDF Cosmiatria Aplicada

Material sobre Cosmiatria Aplicada (Universidade Positivo, 2019) que reúne capítulos sobre fotoproteção, peelings químicos/enzimáticos, discromias e acne, com objetivos, tópicos de estudo, mecanismos, tratamentos, propostas de atividade e referências.

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Prévia do material em texto

Flávia Garramone
Nicole de Almeida Nunes Meira 
Rubia Caleffi
COSMIATRIA
APLICADA
© Universidade Positivo 2019
Rua Prof. Pedro Viriato Parigot de Souza, 5300 – Campo Comprido 
Curitiba-PR – CEP 81280-330
*Todos os gráficos, tabelas e esquemas são creditados à autoria, salvo quando indicada a referência.
Informamos que é de inteira responsabilidade da autoria a emissão de conceitos. 
Nenhuma parte desta publicação poderá ser reproduzida por qualquer meio ou forma sem autorização.
A violação dos direitos autorais é crime estabelecido pela Lei n.º 9.610/98 e punido pelo artigo 184 do Código Penal.
Imagens de ícones/capa: © Thinkstock / © Shutterstock.
Presidente da Divisão de Ensino 
Reitor
Pró-Reitor 
Coordenação Geral de EAD
Coordenação de Metodologia e Tecnologia
Autoria
Parecer Técnico
Supervisão Editorial
Projeto Gráfi co e Capa
Prof. Paulo Arns da Cunha 
Prof. José Pio Martins
Prof. Carlos Longo
Prof. Everton Renaud
Profa. Roberta Galon Silva
Profa. Flávia Garramone
Profa. Nicole de Almeida Nunes Meira 
Profa. Rubia Caleffi
Profa. Ana Carolina Pareja 
Felipe Guedes Antunes 
Regiane Rosa
Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP)
Biblioteca da Universidade Positivo – Curitiba – PR
DTCOM – DIRECT TO COMPANY S/A
Análise de Qualidade, Edição de Texto, Design Instrucional, 
Edição de Arte, Diagramação, Design Gráfico e Revisão.
Sumário
CAPÍTULO 1 - FOTOPROTEÇÃO 10
Objetivos do capítulo 16
Tópicos de estudo 16
Contextualizando o cenário 17
1.1 Fotoprotetores 17
1.1.1 A importância da radiação solar 17
1.1.2 Espectro solar e permeação cutânea da RUV 18
1.1.3 Fototipos da classificação de Fitzpatrick 21
1.1.4 Benefícios e malefícios da exposição ao sol 22
1.2 Aspectos gerais dos filtros solares 22
1.2.1 Mecanismo de ação dos filtros físicos 23
1.2.2 Mecanismo de ação dos filtros químicos 24
1.2.3 Fator de proteção solar (FPS) 25
1.2.4 Persistent Pigment Darkening (PPD) 26
1.3 Escolha do filtro solar 26
1.3.1 Consenso de Fotoproteção da Sociedade Brasileira de Dermatologia 27
1.3.2 Orientações de uso de produtos solares 27
1.3.3 Testes de eficácia e segurança dos fotoprotetores 28
1.4 Produtos solares na atualidade 29
1.4.1 Filtros solares orais 29
1.4.2 Roupas com proteção antissolar (FPU) 30
1.4.3 Películas protetoras para vidros 30
1.4.4. Conceitos de cosméticos multifuncionais 31
Proposta de atividade 31
Recapitulando 31
Referências 32
CAPÍTULO 2 - PEELINGS QUÍMICOS E ENZIMÁTICOS 34 
Objetivos do capítulo 35
Tópicos de estudo 35
Contextualizando o cenário 35
2.1 Princípios gerais 35
36
38
2.1.1 Histórico e conceito dos peelings
2.1.2 Indicações e contraindicações 
2.1.3 Tipos de peelings 38
2.2 Classificação e tipos 40
40
44
45
2.2.1 Profundidade dos peelings 
2.2.2 Relação do pH e do PKA dos ácidos utilizados nos peeling 
2.2.3 Velocidade de permeação dos peelings 
2.2.4 Hidro e lipofilicidade 46
2.3 Ativos, mecanismos e procedimentos 46
2.3.1 Hidróxiácidos 46
2.3.2 Hidróciácidos 49
2.3.3 Poli-hidroxiácidos 49
2.3.4 Retinóides 49
2.4 Cuidados 51
52
53
53
2.4.1 Cuidados da pele pré-peeling e pós-peeling
2.4.2 Frosting 
2.4.3 Neutralização 
2.4.4 Termo de consentimento livre e esclarecido 53
Proposta de atividade 55
Recapitulando 55
Referências 55
CAPÍTULO 3 - DISCROMIAS 57 
Objetivos do capítulo 58
Tópicos de estudo 58
Contextualizando o cenário 58
3.1 Alterações da pigmentação 59
3.1.1 Sistema Melanocítico 59
3.1.2 Hiperpigmentação periocular 62
3.1.3 Melasma ou cloasma gravídico 64
3.1.4 Hiperpigmentação pós-inflamatória e efélides 65
3.2 Avaliação cutânea 67
3.2.1 Cromóforos: melanina, hemoglobina, caroteno 67
3.2.2 Avaliação e diagnóstico das hipercromias 68
3.2.3 Tratamento cosmético em consultório 69
3.3 Melanogênese 69
3.3.1 Fatores extrínsecos que podem estimular a melanogênese 69
3.3.2 Mecanismos de despigmentação 70
3.4 Clareadores e despigmentante 71
3.4.1 Princípios ativos tópicos 71
3.4.2 Princípios ativos orais 74
3.4.3 Restrições dos clareadores 76
3.4.4 Fórmulas despigmentantes 76
Proposta de atividade 80
Recapitulando 80
Referências 80
CAPÍTULO 4 - ACNE 82 
Objetivos do capítulo 83
Tópicos de estudo 83
Contextualizando o cenário 83
4.1 Etiologia 84
4.1.1 Unidade pilossebácea 84
4.1.2 Hipersecreção sebácea 85
4.1.3 Flora bacteriana saprófita e patogênica 87
4.1.4 Hiperqueratinização folicular 88
4.2 Fisiopatologia 89
4.2.1 Acne Inflamatória X não inflamatória 90
4.2.2 Graus de Acne 92
4.2.3 Fatores agravantes 95
4.2.4 Fatores atenuantes 95
4.3 Cosmetoterapia 95
4.3.1 Ativos queratolíticos 96
4.3.2 Ativos antissépticos 97
4.3.3 Ativos anti-inflamatórios 98
4.3.4 Ativos adstringentes 98
4.4 Tratamentos 99
99
101
101
4.4.1 Nutracêuticos orais para o tratamento da acne 
4.4.2 Tratamentos cosméticos no home care 
4.4.3 Tratamentos cosméticos no consultório 
4.4.4 Fórmulas 102
Proposta de atividade 102
Recapitulando 102
Referências 103
CAPÍTULO 5 - ENVELHECIMENTO CUTÂNEO 104 
Objetivos do capítulo 105
Tópicos de estudo 105
Contextualizando o cenário 105
5.1. Tipos 106
5.1.1. Intrínseco ou cronosenescência 106
5.1.2. Extrínseco ou actinocênescencia 109
5.1.3. Envelhecimento entre os gêneros e etnias 110
5.1.4. Envelhecimento patológico 112
5.2. Fisiopatologia 114
5.2.1. Estresse oxidativo e os radicais livres 114
5.2.2. Fatores agravantes ou aceleradores 117
5.2.3. Hormônios e o envelhecimento 118
5.2.4. Aspectos psicológicos e nutricionais 118
5.3. Alterações 119
5.3.1. Hidratação e função de barreira 120
5.3.2. Renovação celular prejudicada 121
5.3.3. Flacidez e perda do contorno 121
5.3.4. Pigmentação desuniforme 123
5.4. Ativos cosméticos 123
5.4.1. Antioxidantes 123
5.4.2. Renovadores celulares físicos, químicos e biomiméticos 128
5.4.3. Ativos preenchedores 130
5.4.4 Ativos Dermorelax, neurocosméticos entre outras classes de ativos 
antienvelhecimento cutâneo 134
Proposta de atividade 138
Recapitulando 139
Referências 139
CAPÍTULO 6 - LIPODISTROFIA 141
Objetivos do capítulo 142
Tópicos de estudo 142
Contextualizando o cenário 142
6.1 Tecido adiposo 143
6.1.1 Estrutura 143
6.1.2 Fisiologia 145
6.1.3 Biotipo androide x Ginoide 147
6.2 Processos 149
6.2.1 Etiopatogenia 149
6.2.2 Adipogênese 150
6.2.3 Lipogênese 151
6.2.4 Lipólise 154
6.3 Tratamentos 156
6.3.1 Ativos lipolíticos tópicos 159
6.3.2 Ativos antilipogênicos tópicos 160
6.3.3 Ativos Antiadipogênicos tópicos 162
6.3.4 Fórmulas 163
Proposta de atividade 165
Recapitulando 165
Referências 165
CAPÍTULO 7 - FIBROEDEMA GINÓIDE (FEG) 167 
Objetivos do capítulo 168
Tópicos de estudo 168
Contextualizando o cenário 168
7.1 Etiopatogenia 169
7.1.1 Alterações anatômicas e hormonais 170
7.1.2 Alterações Vasculares 171
7.1.3 Fatores inflamatórios 173
7.1.4 Fatores histopatológicos 173
7.2 Classificação 174
7.2.1 Graus 174
7.2.2 Tipos 176
7.2.3 FEG inflamatório e não inflamatório 177
7.2.4 Fatores agravantes para o desenvolvimento da FEG 177
7.3 Avaliação e Diagnóstico 178
7.3.1 Ativos termogênicos orais 179
7.3.2 Ativos antioxidantes orais 179
7.3.3 Ativos firmadores orais 180
7.3.4 Ativos drenantes orais 181
7.4 Tratamentos 182
1837.4.1 Tratamentos em home care 
7.4.2 Tratamentos em consultório 183
Proposta de atividade 186
Recapitulando 186
Referências 186
CAPÍTULO 8 - ESTRIAS 188 
Objetivos do capítulo 189
Tópicos de estudo 189
Contextualizando o cenário 189
8.1 Fisiopatologia 189
8.1.1 Alterações 190
8.1.2 Incidência 194
8.1.3 Causas e fatores agravantes 198
8.1.4 Tipologia 199
8.2 Tratamentos 202
8.2.1 Avaliação e diagnóstico 202
8.2.2 Ativos e seus mecanismos de ação 203
8.2.3 Fórmulas 205
8.2.4 Protocolos 207
Proposta de atividade 208
Recapitulando 208
Referências 208
COSMIATRIA APLICADA
CAPÍTULO 1 - FOTOPROTEÇÃO
Nicole de Almeida Nunes Meira
10
Compreenda seu livro: Metodologia
Caro aluno,
A metodologia da Universidade Positivo apresenta materiais e tecnologias apropriadas que permitemo
desenvolvimento e a interação entre alunos, docentes e recursos didáticos e tem por objetivo a comunicação
bidirecional entre os atores educacionais.
O seu livro, que faz parte dessa metodologia, está inserido em um percurso de aprendizagem que busca direcionar
a construção de seu conhecimento por meio da leitura, da contextualização teórica-prática e das atividades
individuais e colaborativas; e fundamentado nos seguintes propósitos:
• valorizar suas experiências;
• incentivar a construção e a reconstrução do conhecimento;
• estimular a pesquisa;
• oportunizar a reflexão teórica e aplicação consciente dos temas abordados.
Compreenda seu livro: Percurso
Com base nessa metodologia, o livro apresenta os itens descritos abaixo. Navegue no recurso para conhecê-los.
1. Objetivos do capítulo
Indicam o que se espera que você aprenda ao final do estudo do capítulo, baseados nas necessidades de
aprendizagem do seu curso.
2. Tópicos que serão estudados
Descrição dos conteúdos que serão estudados no capítulo.
3. Contextualizando o cenário
Contextualização do tema que será estudado no capítulo, como um cenário que o oriente a respeito do assunto,
relacionando teoria e prática.
4. Pergunta norteadora
Ao final do Contextualizando o cenário, consta uma pergunta que estimulará sua reflexão sobre o cenário
apresentado, com foco no desenvolvimento da sua capacidade de análise crítica.
5. Pausa para refletir
São perguntas que o instigam a refletir sobre algum ponto estudado no capítulo.
6. Boxes
São caixas em destaque que podem apresentar uma citação, indicações de leitura, de filme, apresentação de um
contexto, dicas, curiosidades etc.
7. Proposta de atividade
Sugestão de atividade para que você desenvolva sua autonomia e sistematize o que aprendeu no capítulo.
8. Recapitulando
É o fechamento do capítulo. Visa sintetizar o que foi abordado, retomando os objetivos do capítulo, a pergunta
norteadora e fornecendo um direcionamento sobre os questionamentos feitos no decorrer do conteúdo.
•
•
•
•
11
9. Referências bibliográficas
São todas as fontes utilizadas no capítulo, incluindo as fontes mencionadas nos boxes, adequadas ao Projeto
Pedagógico do curso.
Boxes
Navegue no recurso abaixo para conhecer os boxes de conteúdo utilizados.
Afirmação
Citações e afirmativas pronunciadas por teóricos de relevância na área de estudo.
Assista
Indicação de filmes, vídeos ou similares que trazem informações complementares ou aprofundadas sobre o
conteúdo estudado.
Biografia
Dados essenciais e pertinentes sobre a vida de uma determinada pessoa relevante para o estudo do conteúdo
abordado.
Contexto
Dados que retratam onde e quando aconteceu determinado fato; demonstram a situação histórica, social e
cultural do assunto.
Curiosidade
Informação que revela algo desconhecido e interessante sobre o assunto tratado.
12
Dica
Um detalhe específico da informação, um breve conselho, um alerta, uma informação privilegiada sobre o
conteúdo trabalhado.
Esclarecimento
Explicação, elucidação sobre uma palavra ou expressão específica da área de conhecimento trabalhada.
Exemplo
Informação que retrata de forma objetiva determinado assunto abordando a relação teoria-prática.
Apresentação da disciplina
A utilização de produtos cosméticos pela humanidade remonta há pelo menos 30.000 anos, quando os homens da
pré-história pintavam e tatuavam os seus corpos para guerra e por questões religiosas (MATOS, 2014).
Com o passar do tempo, os cosméticos se tornaram cada vez mais populares e o uso deles pela população
apresenta crescimento ano após ano. Atualmente, as pessoas se preocupam com a beleza, independentemente de
serem adeptas da vertente do “natural” e dos cosméticos com apelos de sustentabilidade ou de fazerem parte do
grupo que não mede esforços para se submeter a procedimentos estéticos.
Seguindo essa tendência, a Sociedade Brasileira de Dermatologia define cosmiatria como uma área da medicina
cujo objetivo é estudar e tratar a beleza de forma ampla, ética e profissional. O especialista habilitado com
conhecimento específico e técnico está apto a prescrever tratamentos e procedimentos cosméticos com o intuito
de melhorar a qualidade de vida das pessoas.
A autoria
Nicole de Almeida Nunes Meira
A professora Nicole de Almeida Nunes Meira é mestre em Ciências Farmacêuticas pela Universidade Federal da
Bahia (2017). É especialista em Cosmetologia pelo Instituto de Cosmetologia (2015). É graduada em Farmácia pela
Universidade do Estado da Bahia (UNEB) (2012).
Currículo Lattes: http://lattes.cnpq.br/0792316645910036
13
http://lattes.cnpq.br/0792316645910036
Dedico este trabalho a minha família que sempre me apoiou e me incentivou em todos os momentos da minha vida. 
Flávia Garramone
A professora Flávia Garramone é especialista em docência no Ensino Superior pela Universidade Católica Dom
Bosco (2014) e em Acupuntura pela Faculdade de Medicina Chinesa (2017). É graduada em Estética e Cosmetologia
pela Universidade Anhembi Morumbi (2006).
Currículo Lattes: lattes.cnpq.br/3431096845669776
14
Aos que sentem o sabor do conhecimento compartilhado que possibilita o pensar, o refletir e o compreender, para
construir uma rede intelectual, vinculada as experiências pré-existentes, ampliando-as e modificando-as, buscando
saber o que, saber por que e para quê, em um processo rico e agregador. 
Rubia Caleffi
A Professora Rubia Caleffi é especialista em Terapias Integrativas Complementares pela Faculdade IBRATE (2017).
Graduada em Tecnologia em Cosmetologia e Estética pela Universidade do Vale do Itajaí (2009).
Currículo Lattes: <http://buscatextual.cnpq.br/buscatextual/visualizacv.do?id=K8643521H9>.
15
Dedico esta obra a todos que tem sede de conhecimento, em especial aos que não tem medo de se arriscar.
Objetivos do capítulo
Ao final deste capítulo, você será capaz de:
• Conhecer os cosméticos, sua interação com a pele e anexos, assim como entender os processos básicos de 
utilização destes nos tratamentos estéticos.
Tópicos de estudo
• Fotoprotetores
• A importância da radiação solar
• Espectro solar e permeação cutânea da RUV
• Fototipos da classificação de Fitzpatrick
• Benefícios e malefícios da exposição ao sol
• Aspectos gerais dos filtros solares
• Mecanismo de ação dos filtros físicos
• Mecanismo de ação dos filtros químicos
• Fator de Proteção Solar (FPS)
• Persistent Pigment Darkening (PPD)
• Escolha do filtro solar
• Consenso de Fotoproteção da Sociedade Brasileira de Dermatologia
• Orientações de uso de produtos solares
• Testes de eficácia e segurança dos fotoprotetores
• Produtos solares na atualidade
•
•
•
•
•
•
•
•
•
•
•
•
•
•
•
•
16
• Filtros solares orais
• Roupas com proteção antissolar (FPU)
• Películas protetoras para vidros
• Conceito de cosmético multifuncional
Contextualizando o cenário
Os protetores solares são cosméticos desenvolvidos com o objetivo de prevenir danos à pele provenientes da
radiação solar. Devem ser utilizados diariamente, desde a infância, para que se possa evitar o fotoenvelhecimento
e o surgimento de lesões mais graves. Um bom protetor solar deve apresentar um amplo espectro de ação,
protegendo contra as radiações ultravioleta A e B, além de apresentar um sensorial agradável, facilitando o seu uso.
A fotoproteção não se limita à utilização dos filtros. Engloba um conjunto de medidas que, juntas, preservam a
pele. Portanto, exposição solar em horários adequados, roupas e acessórios apropriados, pele sempre hidratada e
vidros com proteção UV são outras formas de prevenção.
Assim, considerando o fato de a radiação solar atuar tanto com efeitos benéficos quanto maléficos e os indivíduos
estarem em constante exposição ao sol, como fazer para se beneficiar desses efeitos e reduzir os danos?
1.1 Fotoprotetores
Os fotoprotetores são produtos cosméticos que podem auxiliar efetivamente na prevenção contra possíveis danos
das radiações oriundas de energia luminosa, tanto provenientes de fonte natural quanto as de fontes artificiais.
Dentre estasúltimas, podemos citar alguns tipos de lâmpadas, telas de computadores, de e de tablets 
smartphones.
A fonte natural é o sol, responsável por emitir espontaneamente radiações solares que são fundamentais para que
qualquer espécie viva se desenvolva na superfície terrestre. Estas podem ser caracterizadas como toda radiação
eletromagnética oriunda do Sol que atinge a terra sob a forma de ondas (TOFETTI; OLIVEIRA, 2006). Dentre elas,
pode-se citar a radiação ultravioleta, conhecida com a sigla RUV ou simplesmente UV. Neste caso, a exposição
excessiva pode provocar alterações na pele, como o fotoenvelhecimento e mutações no DNA que podem provocar
o surgimento de cânceres. Portanto, o uso dos fotoprotetores é de extrema importância a fim de se evitar o
surgimento destas doenças.
1.1.1 A importância da radiação solar
A radiação solar é responsável por permitir importantes fenômenos físicos, químicos e biológicos, tanto em
organismos animais quanto nos vegetais. Clique e confira, os principais benefícios e também malefícios deste tipo
de radiação.
Benefícios
De acordo com Querino (2011), estes raios têm influência direta na disposição da energia primária para todos et al. 
os processos terrestres, desde a fotossíntese até a síntese de vitaminas imprescindíveis para a manutenção da vida
humana. Vanzin e Camargo (2011) também destacam a importância da luz do sol para processos fisiológicos, como
a produção da vitamina D, além de citarem a exposição solar como um método terapêutico para patologias como
psoríase, dermatites e, até mesmo, depressão.
Malefícios
•
•
•
•
17
Entretanto, mesmo diante de diferentes benefícios, é importante reforçar que a exposição à radiação solar de
modo excessivo pode trazer uma série de malefícios. Aos seres humanos, por exemplo, pode-se ter danos no DNA e
o aparecimento de câncer cutâneo.
Portanto, a radiação solar é imprescindível para a manutenção da vida e saúde dos seres humanos. Porém,
também pode resultar em diferentes malefícios. Dessa forma, deve-se compreender as características do espectro
solar e sua capacidade de permeação cutânea.
1.1.2 Espectro solar e permeação cutânea da RUV
A luz solar é uma radiação eletromagnética composta por energias que possuem diferentes comprimentos de
ondas na constituição de seu espectro solar. Estas dimensões variadas fazem com que a luz solar apresente
múltiplos comportamentos físicos e provoque diversos resultados químicos e biológicos. Diante desta
multiplicidade, para que o homem pudesse compreender melhor as reações, padronizou-se representar o espectro
solar em intervalos de comprimentos de onda. Como pode ser observado na figura a seguir, dentre as
classificações das radiações solares em intervalos de comprimento de onda (indicado em nanômetros (nm) estão a
radiação ultravioleta (100-400 nm), a radiação visível (400-700 nm) e o infravermelho (>700 nm).
18
Faixas de comprimentos de onda das principais radiações solares.
Fonte: © Fouad A. Saad / / Shutterstock.
A radiação ultravioleta (RUV) compreende o espectro de 100 a 400 nm, apresentando potencial carcinogênico e
elevada capacidade de provocar danos à pele dos seres humanos, como o envelhecimento precoce e o
aparecimento de discromias (manchas cutâneas). Okuno e Vilela (2005) citam que a pele, assim como os olhos,
destacam-se no corpo como as regiões mais atingidas pela RUV pelo fato desta radiação apresentar uma pequena
capacidade de penetração no corpo humano como um todo. Porém, deve-se compreender que na pele esta
penetração é considerável, chegando a ocorrer a permeação cutânea, já que parte da RUV pode alcançar a derme.
Portanto, os raios UV penetram de maneira desigual na epiderme, já que esta é formada por muitas camadas
dispostas de maneira irregular. Além disso, parte da radiação UV é absorvida pelas primeiras células epidérmicas,
os queratinócitos, e também pelos melanócitos.
A compreensão da permeação cutânea da RUV é de extrema importância para entender seus malefícios e o
processo de fotoproteção, uma vez que esta é dependente dos comprimentos de onda das radiações UV. A tabela a
seguir apresenta as principais características da RUV de acordo com seus tipos: UVA, UVB e UVC.
19
A radiação ultravioleta é classificada em UVA, UVB e UVC devido as suas diferentes características em relação aos
intervalos de comprimentos de ondas específicos, seus picos de exposição e efeitos na pele. Vamos conhecer esses
tipos clicando a seguir.
• UVC
De acordo com Vanzin e Camargo (2011), a radiação com menor comprimento de onda e, portanto, a mais
energética, é absorvida quase que na sua totalidade pela camada de ozônio, o que não ocorre com as
radiações UVA e UVB, que atingem a superfície da Terra de modo considerável.
• UVB
A radiação UVB apresenta comprimento de onda capaz de agir de modo efetivo na epiderme e provocar
queimaduras solares em pequeno período de tempo devido a sua alta energia. Este fator também faz com
que a radiação UVB seja uma das principais responsáveis pelo câncer de pele.
• UVA
Já a UVA compreende um intervalo com comprimentos de onda maiores. Logo, é uma radiação menos
energética. Porém, a radiação UVA é capaz de alcançar a região dérmica, provocando o estímulo de células
como os melanócitos e ocasionando dano o de estruturas como os fibroblastos. A ação nos melanócitos
pode gerar desde uma intensificação na melanogênese, resultando no bronzeamento ou, até mesmo,
causar um dano celular que promova uma desordem na produção de melanina e resulte em discromias.
A tabela a seguir mostra as principais características da radiação ultravioleta.
Principais características da RUV.
Fonte: LOPES; CRUZ; BATISTA, 2012 (Adaptado).
De acordo com Okuno e Vilela (2005), as proteínas e outros constituintes celulares presentes na primeira camada
da pele são capazes de absorver a maior parte da energia de radiações com comprimentos de onda inferiores a 320
nm (como é o caso das radiações UVB e UVC). O mesmo não se observa no caso das radiações com as dimensões
acima de 320 nm (UVA1 e UVA2).
•
•
•
20
Para Araujo e Souza (2008), observa-se forte geração de radicais livres na pele devido aos raios UVA, favorecendo o
envelhecimento precoce da pele e o aparecimento de fotossensibilidade. Esta radiação pode, ainda, contribuir com
a indução de cânceres.
Para compreender melhor as reações das peles mediante a exposição à radiação UV, Fitzpatrick elaborou uma
classificação das peles em chamados fototipos, conforme veremos a seguir.
1.1.3 Fototipos da classificação de Fitzpatrick
A classificação de Fitzpatrick, criada pelo médico norte-americano Thomas B. Fitzpatrick, configura a mais famosa
dos fototipos cutâneos utilizados atualmente. Ela classifica a pele em seis deles e se baseia na capacidade de
bronzeamento, sensibilidade e vermelhidão dos indivíduos ao sol. A tabela a seguir apresenta a descrição da
classificação de Fitzpatrick para fototipos cutâneos.
Classificação de Fitzpatrick dos fototipos de pele.
Fonte: Sociedade Brasileira de Dermatologia (s.d)
Baseando-se na classificação dos fototipos de Fitzpatrick, pessoas de diferentes fototipos sofrem diferentes efeitos
quando expostos ao sol, resultando em variadas alterações na coloração natural dos indivíduos. De acordo com a
Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), diversos fatores intrínsecos e extrínsecos influenciam na coloração da
pele dos seres humanos, assim, existe a pigmentação constitutiva e a pigmentação facultativa. Clique nas abas a
seguir para conhecê-las.
ESCLARECIMENTO
A pele é o maior órgão do corpo humano, sendo composta principalmente pela epiderme
(camada mais externa rica em queratina) e a derme (camada vascularizada e responsável pela
sustentação da pele). De modo geral, este órgão apresenta várias funções, entre elas, de barreira
protetora do meio externo (MATOS, 2014).
21
Pigmentação
constitutiva
No caso da pigmentação constitutiva, tem-se a coloração dada pelos pigmentos de melanina
segundo processos naturais e oriundos de herança genética, não sofrendointerferências
externas.
Coloração
facultativa
Já a coloração facultativa é aquela resultante da exposição solar ou de fontes de
bronzeamento artificial, sendo, portanto, reversível.
Após compreender as diferentes respostas das peles em relação ao bronzeamento, queimaduras solares e
sensibilidade às radiações UV, vamos discutir os malefícios e benefícios da exposição ao sol.
1.1.4 Benefícios e malefícios da exposição ao sol
A radiação solar oferece diferentes benefícios para a saúde dos seres humanos. Dentre este benefícios pode-se
citar seu efeito cicatrizante (OKUNO; VILELA, 2005); sua indução à sensação de bem-estar físico e mental (FLOR;
DAVOLOS; CORREA, 2007); e seu estímulo à produção da vitamina D3, que participa do metabolismo ósseo e tem
ação no sistema imunológico (CAIXÊTA, 2014).
No entanto, o aspecto saudável que o bronzeamento oferece ao indivíduo nem sempre é verdadeiro, pois a
exposição ao sol está diretamente relacionada ao surgimento de eritema, dor, edema, assim como do
fotoenvelhecimento precoce e do câncer de pele (SOUZA; ANTUNES, 2009). Esses malefícios podem variar
dependendo da duração e frequência de exposição ao sol, assim como a intensidade da radiação e a sensibilidade
da pessoa exposta (CAIXÊTA, 2014). Flor, Davolos e Correa (2007) citam como efeitos nocivos que podem ser
causados na pele pelas radiações ultravioletas a ocorrência de distúrbios imunológicos, lesões de DNA, ativação de
proteínas de estresse, elevação dos níveis das espécies reativas de oxigênio e redução da eficácia dos sistemas
antioxidantes naturais.
Após discutirmos sobre as principais características e efeitos das radiações solares, é possível compreender a
necessidade da fotoproteção. Por isso, a seguir serão discutidos os aspectos gerais das substâncias responsáveis
por minimizar a intensidades das radiações UV que terão contato com o nosso corpo.
1.2 Aspectos gerais dos filtros solares
Os filtros solares são substâncias químicas capazes de reduzir a entrada das radiações ultravioletas em locais como
pele, cabelos e lábios, por exemplo. Para promover esta prevenção, são incorporados nas formulações de produtos
cosméticos ou dermatológicos, criando os chamados protetores solares ou fotoprotetores. De modo geral, tem-se
dois tipos de filtros: físicos e químicos. Esta classificação se deve ao fato de o mecanismo de ação do filtro estar
relacionado a fenômenos físicos ou químicos. Os físicos envolvem, por exemplo, absorção, dispersão e/ou reflexão
da radiação UV, enquanto os químicos podem envolver uma absorção seguida de uma transformação química.
PAUSA PARA REFLETIR
Se a exposição solar inadequada é de amplo conhecimento, por que tantas pessoas se expõem
de maneira inadequada a ela?
22
Outro aspecto geral a ser destacado é que os filtros solares podem ser substâncias químicas inorgânicas ou
orgânicas, sendo que geralmente as primeiras realizam a proteção solar por fenômenos físicos, enquanto as
segundas o fazem por fenômenos químicos. No entanto, independentemente da origem do filtro solar e do seu
mecanismo de ação para proteção contra as radiações ultravioletas, de acordo com Souza e Antunes (2009), está
comprovado que o uso de protetores solares traz benefícios como a prevenção e a redução do fotoenvelhecimento
da pele causado pela exposição à RUV.
Portanto, os filtros solares podem apresentar diversas características específicas e agir de diferentes formas,
conforme será detalhado a seguir por meio da discussão sobre os mecanismos de ação dos filtros físicos.
1.2.1 Mecanismo de ação dos filtros físicos
Os filtros físicos são substâncias químicas capazes de realizar fenômenos físicos capazes de dificultar a entrada das
radiações UV nos locais em que estes filtros estiverem presentes. Estes fenômenos envolvem mecanismos como
formação de barreira insolúvel, dispersão e reflexão da radiação UV. Portanto, estes filtros protegem a região do
corpo que estiver com o produto aplicado. Geralmente, as substâncias utilizadas como filtros físicos são o óxido de
zinco e o dióxido de titânio. Por isso, devido à classificação química das moléculas destes elementos, os filtros
físicos são também conhecidos como inorgânicos ou minerais. A figura a seguir representa o mecanismo de ação
destes óxidos que resultam na proteção solar.
Mecanismo de ação dos filtros inorgânicos.
Fonte: VANZIN; Camargo (2011, p. 122).
A seguir, clique para conhecer as principais dimensões envolvidas na ação dos filtros físicos.
• Tamanho das partículas
Flor, Davolos e Correa (2007) destacam a importância do tamanho adequado das partículas que
constituem o filtro físico. Esta dimensão é capaz de influenciar tanto no aspecto esbranquiçado do produto
sobre o local de aplicação quanto na absorção da radiação UV e na capacidade de espalhamento dessa luz.
Estes autores discutem que a máxima eficiência é obtida na presença de filtros físicos com partículas cujos
diâmetros sejam aproximadamente iguais aos comprimentos de onda da radiação que se deseja difundir.
• Impermeabilidade
Ribeiro (2006) destaca ainda que o espalhamento da luz por diferentes direções ou o processo de reflexão
estão relacionados com a impermeabilidade do filtro solar à radiação que se deseja refletir ou dispersar.
Portanto, os filtros físicos efetivos são impermeáveis tanto à radiação quanto ao local que se queira
proteger, como a pele, por exemplo.
•
•
23
De acordo com Vanzin e Camargo (2011) e Flor, Davolos e Correa (2007), esta impermeabilidade à pele faz
com que os filtros físicos sejam considerados seguros e com baixo potencial de irritação cutânea. Esta
característica também faz com que eles tenham maior aplicabilidade em fórmulas cosméticas infantis e
para peles sensíveis. Estes dois óxidos são substâncias químicas consideradas semicondutoras e, por isso,
quando em contato com a radiação ultravioleta, realizam fenômenos de reflexão e dispersão, fazendo com
que ofereçam uma proteção efetiva contra as radiações UVA e UVB. Desta forma, são empregados com
frequência em formulações de protetores solares (CABRAL , 2011; FLOR; DAVOLOS; CORREA, 2007).et al.
Ferreira (2008) cita talco, carbonato de cálcio, caolin, óxido de ferro e petrolato vermelho como
substâncias com grande empregabilidade em fotoprotetores, porém, menos importantes em relação ao
óxido de zinco e ao dióxido de titânio.
• Aspectos visual e sensorial
Também é importante compreender o aspecto visual e o sensorial que podem ser influenciados pela
presença dos filtros físicos nos protetores solares. O tamanho das partículas influencia não somente a
capacidade de espalhamento e prevenção, mas também no aspecto do produto. Flor, Davolos e Correa
(2007) indicam a importância do uso de partículas com diâmetros inferiores a 400 nm para minimizar a
possibilidade de formação de um filme esbranquiçado sobre a superfície de aplicação do protetor solar, já
que os fragmentos tendem a ficar suspensos na formulação, podendo afetar inclusive o sensorial do
produto. Ademais, os autores também destacam que não devem ser utilizadas partículas cujos diâmetros
possuam a mesma ordem de grandeza da faixa de comprimento de onda da radiação visível.
Após compreendermos as principais características e mecanismos de ação dos filtros físicos, será discutido a seguir
o mecanismo de ação dos filtros químicos empregados dos protetores solares.
1.2.2 Mecanismo de ação dos filtros químicos
Os filtros químicos são classificados desta forma pelo fato de seu mecanismo de ação envolver fenômenos
químicos, ou seja, a fotoproteção ocorre por meio de transformações químicas. São também conhecidos como
orgânicos devido as suas características moleculares. De modo geral, são compostos aromáticos com um grupo
carbonila e apresentam um grupo doador de elétrons (amina ou metoxila) na posição orto ou para do anel
aromático (FLOR; DAVOLOS, CORREA, 2007; CABRAL, ., 2011).et al
Quanto ao mecanismo de ação específico dos filtros químicos, observa-se que suas moléculas orgânicas absorvem
os fótons da RUV, que possuem altaenergia e as transformam em radiações com energias menores e inofensivas
para os seres humanos, promovendo a fotoproteção. Na grande maioria das vezes, as RUVs absorvidas e
transformadas pelos filtros químicos possuem comprimentos de onda de 290-320 nm, que é o espectro UV
conhecido por promover principalmente eritema e queimadura solar (FLOR; DAVOLOS; CORREA, 2007; CABRAL et al.
, 2011; CAIXÊTA, 2014). Porém, com o crescimento do interesse da população em prevenir o processo do
envelhecimento cutâneo, muitas empresas cosméticas estão investindo em fotoprotetores que atuam em
comprimentos de onda acima de 320 nm. Desta forma, protege-se a pele da radiação UVA que é a principal
responsável pelo fotoenvelhecimento.
•
24
Fonte: © SNeG17 / / Shutterstock.
Outro aspecto importante a ser discutido é o visual e o sensorial dos cosméticos que possuem filtros químicos nas
suas formulações. Geralmente, este tipo oferece um sensorial gorduroso devido às características das suas
moléculas. Porém, com os avanços da cosmetologia, as indústrias conseguem produzir fotoprotetores com filtros
químicos e toque seco. Para isto, podem ser empregados filtros químicos encapsulados ou aditivos para efeito
mate, por exemplo. Quanto ao visual, diferentemente dos filtros físicos, que resultam em aspecto esbranquiçado
no local de aplicação, os químicos têm a vantagem de formar filmes totalmente transparentes após a aplicação
(RIBEIRO, 2006).
Além disso, deve-se compreender que a maioria das formulações dos fotoprotetores utilizam misturas de filtros
físicos e químicos para alcançar a proteção e o aspecto desejado para os produtos. Porém, independentemente
dessas misturas, todos os fotoprotetores devem apresentar uma capacidade de proteção. Essa capacidade pode
ser indicada por um fator de proteção solar conforme será discutido a seguir.
1.2.3 Fator de proteção solar (FPS)
A pele apresenta naturalmente uma capacidade de proteção contra a radiação UV. Esta capacidade se deve à ação
das moléculas de melanina, um pigmento natural presente em seres humanos capaz de absorver parte da radiação
ultravioleta e transformá-la em energia menor e não danosa. Dependendo das características específicas da
melanina (tipo, cor e quantidade), a pele terá seu determinado tempo de proteção. Após este período, começa a
sofrer os danos das radiações UV. Por isso, o uso dos fotoprotetores é importante, visto que estes produtos são
capazes de aumentar o tempo. Este acréscimo depende de uma série de quesitos, como o fator de proteção solar
dos fotoprotetores, por exemplo.
O fator de proteção solar, conhecido com a sigla FPS, é um termo utilizado para indicar a capacidade de
fotoproteção do cosmético contra a radiação UVB. De modo mais específico, o fator, ou seja, o número do FPS,
indica quantas vezes mais a pele está protegida contra os raios UVB em relação ao tempo natural. Assim, caso o
período de proteção da pele seja 15 minutos, ao se utilizar um cosmético com FPS 10, o índice saltará para 150
minutos. Veja o exemplo a seguir de como proceder o cálculo para determinar o FPS: um filtro solar que proteja
durante 600 minutos a pele de uma pessoa, cuja defesa natural é de 30 minutos, apresentará FPS 20.
25
Portanto,
Quanto à determinação deste fator pelas empresas fabricantes de protetores solares, de acordo com Vanzin e
Camargo (2011), o FPS é determinado por testes de dose eritematógena mínima (DEM). Estes exames relacionam o
tempo de formação do eritema na pele com protetor solar com o período de formação do eritema na pele sem
fotoproteção.
Este teste de determinação de FPS é realizado “ ” e envolve a aplicação de fotoprotetores na pele humana nain vivo
concentração de (quantidade de produto/área da pele). De acordo com Caixêta (2014),
considerando um indivíduo adulto, a cada aplicação do fotoprotetor deve-se utilizar cerca de 30 a 40 gramas do
produto no corpo deste indivíduo.
É importante reforçar que a sigla FPS está relacionada à radiação UVB. Porém, testes semelhantes são realizados
envolvendo a radiação UVA e fotoprotetores que apresentam filtros específicos para esta radiação. Neste caso,
existe o fator PPD oriundo da expressão como veremos a seguir.Persistent Pigment Darkening,
1.2.4 (PPD)Persistent Pigment Darkening
Persistent Pigment Darkening é uma expressão utilizada para representar o teste realizado pelas empresas
cosméticas para definir o fator de proteção dos fotoprotetores para a radiação UVA. De acordo com Vanzin e
Camargo (2011), este teste não apresenta uma padronização mundial, como ocorre nas avaliações de FPS. Porém,
as empresas seguem determinados padrões para realizá-lo “in vivo” e “in vitro”. Enquanto as análises de FPS se
baseiam em eritemas, as de PPD se fundamentam na pigmentação imediata e tardia oriunda da fotoxidação
sofrida pela melanina pré-formada durante exposição ao UVA. De acordo com Azulay (2017) e Pinto (2014), as
observações de pigmentação são realizadas após 2 a 24 horas da exposição à radiação UVA, sendo que a razão
entre os índices correspondentes à pele com filtro e sem proteção representa o fator conhecido como PPD.
1.3 Escolha do filtro solar
Na escolha do filtro solar deve-se levar em consideração alguns aspectos como: o espectro de proteção (proteção
UVA e UVB), o tempo de exposição a que o indivíduo irá se submeter, o fototipo de pele e se será utilizado para
atividades recreacionais ou apenas ocasionalmente. O FPS é de extrema importância no momento da escolha,
assim como os dizeres de rotulagem, que especificam a presença do PPD e se o produto possui amplo espectro de
proteção.
26
Outro fator importante a ser considerado na escolha é a forma farmacêutica que pode ser creme, gel e loção. Os
veículos mais utilizados são as emulsões não-iônicas água em óleo (A/O) ou óleo em água (O/A), os géis não-
iônicos, que conferem sensação lubrificante, e carbômero que confere toque seco. As emulsões reduzem a
agressão do sol pois possuem agentes emolientes que aumentam a hidratação (SOUZA; ANTUNES, 2009).
Portanto, diferentes aspectos devem ser considerados no momentos da escolha do fotoprotetor ideal. Para
favorecer esta escolha, veremos a seguir algumas orientações do Consenso de Fotoproteção da Sociedade
Brasileira de Dermatologia.
1.3.1 Consenso de Fotoproteção da Sociedade Brasileira de Dermatologia
De acordo com o Consenso de Fotoproteção da Sociedade Brasileira de Dermatologia (2012), fotoproteção pode
ser definida como o conjunto de medidas direcionadas e reduzir a exposição ao sol e a prevenir o desenvolvimento
do dano actínico agudo e crônico.
O Consenso defende, por exemplo, a educação em fotoproteção, a proteção por meio de coberturas e vidros,
proteção por meio de roupas e acessórios, fotoprotetores tópicos e orais.
É importante compreender que o Consenso Brasileiro de Fotoproteção foi o primeiro documento oficial do Brasil
que apresentou um conjunto de orientações sobre as formas de exposição saudável ao sol. Parte destas
orientações serão discutidas a seguir.
1.3.2 Orientações de uso de produtos solares
A exposição solar é importante e deve ocorrer em todas as fases da vida. Porém, deve-se ter atenção ao clima e
horário do local, ao fototipo do indivíduo que está se expondo ao sol e às condições de exposição. Dentre estas
condições de exposição, destaca-se o uso de protetor solar. A eficiência deste uso é dependente de uma série de
fatores.
De acordo com Toffeti e Oliveira (2006), algumas orientações devem ser consideradas para que se possa ter a
fotoproteção adequada. Clique nas abas a seguir para conhecê-las.
Evitar a exposição entre os horários das 10h e 16h.
O fotoprotetor deve ser aplicado de 20 a 30 minutos antes da exposição solar para que haja tempo de ser absorvido
e desempenhe seu efeito.
PAUSA PARA REFLETIR
Se existe um consenso de fotoproteção no Brasil, como fazer para que as medidas de proteção
solar sejam mais amplamente divulgadas para população?
27
Aplicação liberal em toda área de exposição, com exceção dos olhos.
A área ao redordos olhos deve ter aplicação cuidadosa, evitando as pálpebras inferiores e superiores. Caso haja
irritação da conjuntiva ocular, os olhos devem ser lavados imediatamente e abundantemente.
Os protetores devem ser colocados sob as roupas, pois a radiação solar pode penetrar alguns tipos de tecidos,
principalmente se estiverem molhados. Vale salientar que as roupas brancas oferecem pouca proteção, pois
permitem a passagem da RUV principalmente se estiverem molhadas.
A Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) recomenda que se utilize protetores solares com FPS de no mínimo
30. FPS maiores são indicados para grupos específicos, como pessoas com maior sensibilidade, com histórico de
câncer de pele, em tratamento de problemas dermatológicos e em casos de exposição prolongada a RUV. FPS
menor que 30 são indicados para população étnica. Outra importante recomendação refere-se ao uso de um
fotoprotetor com amplo espectro de ação contra a RUV, que atenda à legislação brasileira de fotoproteção e que
possua no rótulo frases como “Proteção UVA e UVB” e “Proteção de amplo espectro”. Recomenda-se, ainda, o uso
de produtos resistentes à água durante atividades recreacionais e a reaplicação do protetor solar a cada 2 horas ou
após longos períodos de imersão.
Após conhecer as principais orientações sobre o uso dos protetores solares, serão discutidos a seguir os testes de
eficácia e segurança dos fotoprotetores.
1.3.3 Testes de eficácia e segurança dos fotoprotetores
Os fotoprotetores são produtos cosméticos com grau de risco 2, portanto, para serem aprovados pela Agência
Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA), devem realizar todos os testes de segurança e eficácia exigidos para os
devidos registros antes do processo de comercialização.
Os principais testes de eficácia e segurança dos fotoprotetores são: determinação do FPS, fator de proteção UVA
(FP-UVA) e resistência à água. Clique a seguir e conheça cada um deles.
Teste de FPS
O teste de FPS mede a razão entre a dose eritematosa mínima da pele protegida e a da pele desprotegida.
Representa quanto tempo a mais é possível se expor ao sol com a pele protegida de protetor solar.
Teste FP-UVA
Nesse caso, o produto deve apresentar no mínimo 1\3 do FPS declarado. Este teste consiste na determinação da
mínima dose de pigmentação persistente na pele desprotegida e na pele protegida. Avalia-se a formação de
melanina. A pigmentação analisada neste método é conhecida como pigmentação persistente (PPD).
Teste de resistência à agua
Já o teste de resistência à água envolve uma metodologia que se baseia no índice de proteção após imersão na
água ou então pelo índice de proteção antes e a após imersão.
28
Deve-se destacar que os testes citados (FPS, FP-UVA e resistência à água) são testes básicos. Porém, outros testes
podem ser exigidos caso o protetor solar apresente a existência de alguma outra função específica que exija
comprovação.
Além de compreender a existência e importância dos testes exigidos pela ANVISA para os protetores solares
tradicionais, deve-se compreender também que diferentes produtos com fotoproteção estão surgindo no mercado
atual, desde orais até vestimentas, por exemplo. Para compreender um pouco deste novo mercado, serão
discutidos a seguir os produtos solares da atualidade.
1.4 Produtos solares na atualidade
Seguindo a tendência de evolução do mercado cosmético, os protetores solares vêm se apresentando de diversas
formas diferentes a fim de poder atender e agradar uma gama maior do seu mercado consumidor de diferentes
regiões do mundo.
Sabe-se que proteção solar não se resume apenas ao uso dos filtros solares. Mais medidas estão sendo utilizadas e
incentivadas pelos profissionais da área com o objetivo de se obter uma prevenção mais completa e eficaz
reduzindo, assim, os danos à saúde.
Produtos contendo filtro solar na sua composição são diferentes de cosméticos fotoprotetores. Enquanto o
primeiro possui diversas funções e a proteção solar é uma delas, não protegendo necessariamente de todo tipo de
radiação UV, os cosméticos têm ação principal de proteção ao sol e deve ser de amplo espectro de ação.
No entanto, sabe-se que, seja nos cosméticos com mais funções ou especificamente nos protetores solares, os
filtros solares tem seus efeitos por meio de uma aplicação tópica. Porém, nas últimas décadas, outras formas de
proteção tem sido pesquisadas como, por exemplo, a proteção solar por meio da ingestão oral dos chamados
filtros solares orais, os quais serão discutidos a seguir.
1.4.1 Filtros solares orais
Uma nova tendência que surgiu no mercado dos cosméticos são os filtros solares orais. Diferente dos de uso
tópico, que são aplicados na pele e atuam na absorção, radiação ou dispersão da UV, estes são ingeridos e agem
após a exposição ao sol.
Segundo a Sociedade Brasileira de Dermatologia (2012) a fotoproteção oral é feita pela ingestão de um ou mais
ativos que desempenham ação celular ou molecular a fim de reduzir os danos provocados pela radiação solar. Na
maior parte, são compostos por alimentos, porém, quando possuem dose superior à ingestão diária recomendada
pelos órgãos regulatórios, passam a ser considerados medicamentos. Exemplo de filtros orais são as vitaminas C e
E, os polifenóis, os carotenóides, ácidos graxos essenciais e probióticos.
CURIOSIDADE
O Guia de Estabilidade de Produtos Cosméticos da ANVISA é um importante material que auxilia
na formulação de todos os produtos cosméticos, inclusive com testes que são obrigatórios para
assegurar a eficácia e segurança dos produtos desenvolvidos (BRASIL, 2004).
29
Assim como a proteção solar por meio de substâncias orais vem crescendo a cada ano, cresce também o número
de pesquisas e tecnologias para garantir a proteção solar por meio dos tecidos. A seguir será discutida a proteção
solar em roupas e outros tipos de vestimentas.
1.4.2 Roupas com proteção antissolar (FPU)
O tipo de roupa utilizado configura uma importante medida protetora à exposição solar, visto que a composição
química do material do tecido e sua cor promovem forte influência física na interação deste material com a
radiação ultravioleta. Roupas com cores claras, por exemplo, protegem menos e devem ser evitadas nestes casos.
Diante desta influência e da preocupação dos seres humanos em se proteger dos raios UV, cada vez mais se
observa o surgimento de roupas que possuem proteção contra a RUV. Vamos clicar a seguir para acompanhar essa
relação.
Vestimentas fotoprotetoras
As empresas têxteis desenvolvem tecidos contendo filtros solares para blusas, roupas de banho, chapéus e calças,
entre outros. Destaca-se que estes tecidos com fotoproteção existem há décadas, porém eram produtos mais
voltados para atletas expostos constantemente ao sol. Nos últimos anos, com a crescente preocupação da
população a respeito dos malefícios causados pela exposição excessiva à radiação solar, a fabricação e o uso de
vestimentas fotoprotetoras tornaram-se comuns entre a população geral, desde os bebês até os idosos.
Graus de proteção
Deve-se compreender que as vestimentas com fotoproteção são confeccionadas com materiais específicos que
passaram por processos físico-químicos para conter na sua composição química substâncias capazes de filtrar os
raios UV. Dependendo deste processo e do tipo e quantidade de filtros solares utilizados, pode-se obter diferentes
graus de proteção. Esta escala é indicada pelo Fator de Proteção Ultravioleta (FPU). Segundo Balogh . (2011), oet al
FPU tem o mesmo conceito do FPS (Fator de Proteção Solar) utilizado para produtos cosméticos. Ou seja, o FPU
indica quantas vezes mais, em relação ao seu tempo de proteção natural, o usuário estará seguro com a
vestimenta fotoprotetora. Além disso, da mesma forma que as indústrias cosméticas, as indústrias têxteis podem
utilizar filtros solares para a radiação UVA e/ou UVB de acordo com a proteção almejada.
Assim como criaram um meio de proteção por meio das roupas, também desenvolveram um meio de proteção
para automóveis e casas, por exemplo.De modo geral, para esta proteção são utilizadas películas protetoras,
conforme será discutido a seguir.
1.4.3 Películas protetoras para vidros
Pelo fato de grande parte da população passar longos períodos da vida em automóveis, muitas vezes em horários
não recomendados pela Sociedade Brasileira de Dermatologia, as películas protetoras de vidros com ação anti-UV
são altamente recomendadas, pois, desta forma, juntamente com o uso adequado de roupas e protetores solares,
os danos causados pela exposição solar são reduzidos.
Essas películas também podem ser utilizadas nos domicílios e nos locais públicos com exposição ao sol. Neste
caso, pode-se destacar o que é um tipo de quebra-sol muito empregado nas fachadas das casas comobrise soleil, 
um meio auxiliar de controle de luz solar e temperatura ambiente. De acordo com Silva (2007), este controle se
deve à redução da incidência solar sobre o local desejado, já que o é um dispositivo que auxiliará nabrise soleil
formação de sombras.
30
Dessa forma, é possível compreender que existem muitos meios de proteção contra os efeitos danosos das
radiações UV. A preocupação com esta proteção é tão grande que a indústria cosmética vem inserindo filtros
solares em muitos de seus produtos, conforme será discutido a seguir nos conceitos dos cosméticos
multifuncionais.
1.4.4. Conceitos de cosméticos multifuncionais
A população tem cada vez menos tempo para cuidar da beleza em meio a tantas outras atividades do cotidiano.
Diante desta realidade, as indústrias começaram a desenvolver produtos que oferecem vários cuidados ao mesmo
tempo, ou seja, múltiplas funções. Estes cosméticos ficaram conhecidos como multifuncionais. Atualmente
existem diferentes cosméticos com várias funções ao mesmo tempo, como por exemplo, maquiagens ou produtos
de tratamento facial com proteção solar.
Muitos consumidores preferem obter a proteção solar por meio de produtos que já usam diariamente como base,
pó, sombra, hidratantes, cremes entre outros. Desta forma, há a praticidade de encontrar num únicoanti-aging,
produto todos os benefícios necessários para cuidar da pele. Daí o crescente consumo dos cremes alfabeto (BB
, dentre outros), que trazem esses benefícios associados. Dentre as vantagenscream, CC cream, DD cream
oferecidas por estes produtos estão a fotoproteção, hidratação, ação antioxidante, regeneradora, além de
poderem atuar como maquiagem. Vamos clicar a seguir e conhecer mais sobre esse tipo de cremes. 
BB cream (Blemish Balm Cream) 
Recebeu este nome por representar um bálsamo da beleza. Este produto pode ter diferentes composições
químicas, porém, para ser chamado de deve apresentar várias funções ao mesmo tempo. Dragonetti,BB cream, 
Gomes e Moraes (2016) citam a hidratação, o efeito corretivo e a proteção solar (com FPS geralmente entre 20 e 40)
como as principais funções presentes no BB cream.
CC creams (Color Correction Cream)
Também são cosméticos multifuncionais, entretanto, possuem vasodilatadores que melhoram a circulação
sanguínea da pele, trazendo-lhe um efeito mais luminoso, e substâncias capazes de atuar na correção do tom das
peles. Possuem ainda ação antioxidante e ativos para condições específicas como a acne, por exemplo.
DD cream (Daily Defense Cream) 
É um creme multifuncional para ser utilizado diariamente com funções principais de forte hidratação e proteção
com os danos do processo de envelhecimento cutâneo.
Proposta de atividade
Agora é a hora de recapitular tudo o que você aprendeu nesse capítulo! Elabore um mapa conceitual destacando as
principais ideias abordadas ao longo do conteúdo. Ao produzir o seu mapa, considere as leituras básicas e
complementares realizadas.
Recapitulando
A exposição solar é fundamental para o desenvolvimento humano, porém deve ser feita de maneira consciente
para que não haja o surgimento do fotoenvelhecimento precoce e de lesões.
31
O conhecimento acerca da radiação ultravioleta é essencial para que as pessoas se tornem mais conscientes a
respeito dos malefícios de uma exposição inadequada. A divulgação mais ampla e massiva sobre o uso correto dos
protetores solares, assim como das medidas de proteção complementares, são primordiais para o sucesso de um
programa de fotoproteção.
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COSMIATRIA APLICADA
CAPÍTULO 2 - PEELINGS QUÍMICOS E 
ENZIMÁTICOS
Flávia Garramone
34
Objetivos do capítulo
Ao final deste capítulo, você será capaz de:
• Compreender o procedimento de peeling químico.
• Identificar os principais agentes indutores e seus modos de ação, bem como desenvolver protocolos.
Tópicos de estudo
• Princípios gerais
• Histórico e conceito dos peelings
• Indicações e contraindicações
• Tipos de peelings
• Profundidade dos peeling
• Classificação e tipos
• Relação do pH e do PKA dos ácidos utilizados nos peeling
• Velocidade de permeação dos peelings
• Hidro e lipofilicidade
• Ativos, mecanismos e procedimentos
• α- hidróxiácidos
• β- hidróciácidos
• Poli-hidroxiácidos
• Retinóides
• Cuidados
• Cuidados da pele pré-peeling e pós-peeling
• Frosting
• Neutralização
• Termo de consentimento livre e esclarecido
Contextualizando o cenário
A possibilidade de retardar a perda de funções da pele e controlar suas alterações movimenta a busca por
procedimentos estéticos diferenciados. Entre eles, um dos mais indicados por dermatologistas e esteticistas é o 
.peeling
A técnica se destaca graças a sua boa resposta, facilidade de acesso e de manuseio. Apesar dos diferentes tipos de
agentes esfoliantes, o objetivo é atuar na superfície da pele para estimular a síntese de colágeno dérmico,
promovendo a formação de uma nova pele.
Dessa forma, é indispensável ter conhecimento sólido das características dos diferentes tipos de e seuspeeling
níveis de permeação para garantir os resultados esperados e evitar intercorrências. Diante desse cenário,
questiona-se: quais são os peelings disponíveis e como eleger o mais adequado no procedimento estético?
2.1 Princípios gerais
A tecnologia de desenvolvimento cosmético sempre busca inovações, ofertando diferentes tipos de para apeeling 
estética. O local de ação do é a pele corporal, impactando sobre esta por meio dos agentes indutorespeeling
•
•
•
•
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•
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•
•
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•
•
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•
•
•
35
esfoliantes que atuam em suas diferentes camadas e estruturas para desencadear efeitos fisiológicos, resultando
em uma aparência cutânea renovada e saudável.
Fonte: © transurfer / / Shutterstock.
Para atingir esse propósito, a formulação para o deve ter características específicas para fisiologicamentepeeling
vencer a barreira cutânea podendo, assim, o ativo penetrar nas camadas da pele conforme a necessidade,
estimulando os fibroblastos a renovarem as fibras colágenas e células epidérmicas e os queratinócitos basais à
induzir o processo de renovação celular.
2.1.1 Histórico e conceito dos peelings
A palavra é originária do inglês e significa descamar, esfolar e esfoliar. Historicamente, os benefícios do peeling
 são conhecidos desde a medicina egípcia (a.C), mas os dermatologistas só se interessaram muito tempopeeling
depois, sendo a primeira publicação científica oficial em 1940, com a descrição do uso de ácidos para peeling
profundo no tratamento de cicatrizes (YOKOMIZO, ., 2013).et al
36
Fonte: © Inga Ivanova / / Shutterstock.
Segundo Pereira (2013), o é definido como uma técnica estética que utiliza agentes tópicos capazes depeeling
promover uma esfoliação epidérmica controlada, estimulando a renovação celular, com proliferação e
regeneração de colágeno, para melhorar a qualidade e a aparência da pele.
Com relação à cosmiatria, esses agentes tópicos representam o princípio ativo contido na formulação específica,
classificando seu uso para três tipos de Clique nos itens e veja quais são eles.peeling. 
•
Físico
•
Químico
•
Enzimático
Além disso, conforme o pH da formulação e a concentração do ativo, será a profundidade da esfoliação atingida
nas camadas da pele que fará a diferenciação entre os tipos de que podem ser classificados em muitopeeling, 
superficial, superficial, médio e profundo.
•
•
•
37
Dessa forma, percebe-se que a técnica estética assume um eixo de conhecimento profundo, habilidade e
responsabilidade, que são pontos indispensáveis na conduta clínica do profissional para a indicação e
contraindicação do como veremos a seguir.peeling, 
2.1.2 Indicações e contraindicações
Dentro da estética, o tem várias aplicabilidades. Clique nos itens a seguir e saiba mais sobre as indicações epeeling
contraindicações.
•
Indicações
É indicado para melhorar rugas e linhas de expressão, clareamento de melanoses, melasma,
hiperpigmentação pós-inflamatória, tratamento de acne e suas sequelas, queratoses actínica e
capilar, cicatrizes atróficas, estrias e fotoenvelhecimento (BORGES, 2010).
•
Contraindicações
É contraindicado de forma absoluta, conforme Lupi (2012), principalmente em peles lesionadas,
cicatrizes de pós-operatório recente, herpes zoster, alergia aos ácidos e a quem fez uso de
isotretinoína oral há menos de seis meses. O peeling é contraindicado de forma relativa em peles
sensíveis, eritema solar ou após depilação imediata, pele inflamada, eczematosa, gravidez e
lactação e histórico de queloides.
Assim, para entendermos melhor as razões das indicações e contraindicações precisamos conhecer as
características dos agentes indutores da esfoliação que diferenciam os tipos de , como veremos a seguir.peeling
2.1.3 Tipos de peelings
A diferenciação do tipo de oferece maior aplicabilidade, podendo utilizar os diferentes tipos de formapeeling
isolada ou associados em vários procedimentos, facilitando a permeação de outros ativos conforme o objetivo do
tratamento (PEREIRA, 2013). Na tabela a seguir, podemos conhecer as características gerais dos tipos de peeling
conforme o agente indutor da esfoliação usado nos procedimentos estéticos.
PAUSA PARA REFLETIR
Qual a diferenciação desses ativos na formulação do cosmético?
•
•
38
Características dos tipos de peeling.
Fonte: BORGES, 2010; PEREIRA, 2013 (Adaptado).
Conforme o pH e a concentraçãodo ácido, o peeling se divide em duas categorias, os de uso médico, porquímico 
conta de possíveis intercorrências na sua aplicação, e os que se destinam ao uso estético.
Dessa forma, ácidos em baixa concentração e pH controlado se destinam ao esteticista, entre eles, os α e β-
hidroxiácidos, polihidroxiácidos, retinóides, os quais serão descritos adiante. Já ácidos em alta concentração e pH
variáveis são de uso médico, pois são mais fortes e agressivos, necessitando de cuidados diferenciados por conta
das complicações decorrentes como, por exemplo, o fenol e ATA (tricloroacético).
Conforme Azulay (2017), o fenol é um ácido tóxico, utilizado em concentrações de 45% a 88% em peelings
profundos, sendo capaz de remover toda a epiderme e atuar nas camadas mais profundas da derme. É absorvido
sistemicamente e provoca toxidade cardíaca, renal, hepática e depressão do sistema nervoso central, sendo
preciso monitoramento e acompanhamento do paciente.
Para Yokomizo, . (2013), o ácido tricloroacético (ATA) é utilizado em soluções, nas concentrações de 10% aet al
50%, o que permite a esfoliação em diferentes níveis estruturais da pele, alcançando um uniforme, ou seja,frosting
uma reação de necrose por coagulação da queratina, o que causa grande risco de formação de cicatrizes
indesejáveis. Porém, é um versátil com excelente ação no rejuvenescimento.peeling
DICA
Para entender como as complicações dos peelings químicos podem ser imprevisíveis e
relacionadas à má indicação ou técnica e orientações deficientes, leia o artigo Revisão
sistemática sobre peelings químicos, de Bagatin (2009). 
39
Conforme exposto, percebemos que as características estruturais do agente indutor dos tipos de peeling,
promoverão a esfoliação por mecanismos distintos e em diferentes níveis da pele. A profundidade da esfoliação
alcançada é um dos critérios de classificação mais importantes do e requer conhecimento técnicopeeling
aprofundado para a correta eleição nos tratamentos estéticos, garantindo os resultados almejados.
Dessa forma, vamos conhecer a seguir a classificação dos peelings e as características físico-químicas das
formulações desse cosmecêutico.
2.2 Classificação e tipos
Dado o objetivo no tratamento estético, os podem ser utilizados para causar o desprendimento daspeelings
células epiteliais que compõem a pele em profundidades diferenciadas chegando até a derme reticular, ou seja,
uma estrutura bem abaixo da epiderme. Ao longo desse trajeto todas as camadas epidérmicas superiores são
removidas como, por exemplo, no de fenol usado pelos médicos.peeling 
Para ter esse poder de ação, conforme Vanzin e Camargo (2011), há especificidade na formulação cosmética,
principalmente dos químicos e enzimáticos como o pH, a concentração e solubilidade dos diferentespeelings ,
ácidos, que determinam seu mecanismo de atuação fisiológica. Sendo assim, vamos conhecer detalhadamente
essas características dos peelings e os efeitos fisiológicos conforme sua profundidade.
2.2.1 Profundidade dos peelings
Fisiologicamente, a pele é uma estrutura complexa que representa uma barreira de proteção do organismo contra
a ação de agentes externos. A primeira estrutura com que o agente indutor do tem contato é o mantopeeling
hidrolipídico que cobre a camada córnea da epiderme e oferece resistência à permeação dos ativos químicos.
Conforme Vanzin e Camargo (2011), as formulações destinadas ao são desenvolvidas para que os agentespeeling
indutores presentes possam atuar em três estruturas primárias: o a e a manto lipídico, camada córnea, camada
, não necessariamente em todas ao mesmo tempo e nem se limitando a elas.espinhosa
Nesse sentido, fatores como o pH e a concentração do ácido influenciam o nível de profundidade de esfoliação das
camadas da pele e classificam os de muito superficiais a profundos. A tabela a seguir elucida o nível depeelings
esfoliação atingida pelos tipos de citando as formulações mais indicadas.peeling
PAUSA PARA REFLETIR
Como é possível, então, os princípios ativos alcançarem as camadas mais profundas? Será que a
formulação do cosmético é que influencia? 
40
Classificação do peeling conforme a profundidade de ação do ativo indutor.
Fonte: AZULAY, 2017; REBELLO, 2004 (Adaptado).
Dentro deste contexto, os que agem somente na epiderme, são os que muito superficiais e superficiais,peelings
estão , já os médio e profundo são exclusivos para profissionais disponíveis para o uso do esteticista peelings
habilitados por seus conselhos, incluindo médicos, pois requerem cuidados diferenciados durante sua aplicação e
no pós- (BORGES, 2010).peeling 
 físicoPeeling
Conforme Pereira (2013), no físico, cujo agente abrasivo são grânulos sintéticos/naturais, a ação ocorre porpeeling 
meio mecânico de arraste das células superficiais, não havendo permeação e mantendo a profundidade em nível
muito superficial.
 enzimáticoPeeling
Já as enzimas proteolíticas do enzimático agem por meio da hidrólise de aminoácidos que formam apeeling 
queratina, causando a descamação dessas células e diminuindo a espessura da epiderme. Esse ativo abrasivo está
nas formulações em concentrações variáveis, porém, com pH entre 6 e 7, um pouco superior ao da pele, mas
suficiente para permitir que as enzimas penetrem na epiderme e atinjam profundidade em nível superficial
(REBELLO, 2004).
 químicoPeeling
Contudo, nopeeling químico, segundo Yokomizo,et al. (2013), seu agente indutor é o ácido, uma substância capaz
de penetrar na pele causando a quebra de coesão entre os queratinócitos, por isso, são considerados
queratolíticos, podendo atingir profundidade em todos os níveis, desde muito superficial até profundo,
dependendo do pH e da concentração em que está na formulação cosmética.
Nas imagens a seguir, podemos ver a ação queratolítica do peeling químico, com pH baixo e ácido em alta
concentração, de uso médico e feito por profissionais habilitados, causando descamação cutânea profunda,
espessa e escura. 
41
42
Fonte: © KKulikov / / Shutterstock.
Os para o esteticista possuem formulações específicas, sob a autorização da Agência Nacional depeelings
Vigilância Sanitária (ANVISA). Conforme Pereira (2013), o pH é controlado (pH= 3,5) e os ácidos mantidos em baixa
concentração (10%) para -hidroxiácidos. Por isso, a profundidade se limita ao máximo em nível superficial,a
tornando a técnica com menor risco de complicações e rápida recuperação cutânea.
Diante do exposto, e agora que pudemos compreender os níveis de profundidade anatômicas dos diferentes 
, podemos nos aprofundar nas propriedades fisico-químicas das formulações, entendendo aspeelings
características e inter-relações do pH; da concentração, força, disponibilidade e permeação do ácido na pele para
promover esses níveis de esfoliações cutâneas.
DICA
Recomenda-se que o esteticista tenha o histórico dos procedimentos estéticos de cada cliente
arquivado, contendo a ficha de anamnese, fotografias de antes e depois e o termo de
consentimento assinado, garantindo credibilidade e segurança na relação profissional-cliente.
43
2.2.2 Relação do pH e do PKA dos ácidos utilizados nos peeling
A intensidade das reações desencadeadas pelos ácidos do químico depende do pH e da concentraçãopeeling
desse ativo. Quanto menor for o pH e quanto maior for a concentração do ácido, maior será a reação, já quanto
maior for o pH, independentemente da concentração, mais irritante será a reação contato com a pele (BORGES,
2010). 
Outra questão relevante é a solubilidade no meio fisiológico e a usado no químico,força do ácido peeling
representada por uma grandeza de medida denominada , sendo Ka a constante de acidez. Nessa escala, pKa
 Os ácidos que utilizamos possuem o pKa entre 3 e 5. Por exemplo, oquanto maior o pKa, mais fraco é o ácido.
ácido mandélico tem pKa=3,41, o ácido salicílico, pKa= 2,8 e o ácido glicólico, pKa de 3,83.
Essa diferença pode parecer sutil na graduação, mas de extrema importância na aplicação prática. Na formulação
cosmética do , o pH e o pKa do ácido estabelecemuma relação química muito importante, pois apeeling
introdução do ácido desequilibra o pH, aumentando ou diminuindo seu potencial.
Conforme Gomes e Damázio (2013), isso ocorre porque, quimicamente, quando o ácido entra em contato com a 
água, seus átomos se dissociam e há liberação de íons de hidrogênio (H ), estabelecendo a reação química que+
modifica o pH ou seja, o pH da solução se torna mais básico ou mais ácido, comprometendo o objetivo do .peeling
Fonte: © ghost design / / Shutterstock.
DICA
O pH das formulações cosméticas afeta a biologia da pele e, para compreender esse processo,
leia o artigo Entenda como se dá a relação entre o pH da pele e o pH do produto” (CORAZZA,
2006). Nele o autor aponta diversas formulações e sua interação com a nossa pele.
44
Fonte: © ghost design / / Shutterstock.
Entretanto, há um sistema que permite o equilíbrio da solução, conhecido por tampão ou tamponamento, que
consiste numa dinâmica química capaz de neutralizar essa alteração no pH, elevando seu nível para valores entre 3
e 5, tornando o mais seguro para as interações fisiológicas com a pele. Conforme Borges (2010), geralmentepeeling
o valor de pH 3,5 é o ideal para uma boa esfoliação. A medida em que o pH aumenta, diminui a capacidade de
renovação da pele.
Assim, é importante dizer que, anatomicamente, é na camada basal da epiderme que estão as células com rápida
capacidade de divisão celular ( ) para promover a renovação fisiológica. O objetivo do é ativá-lasturn over peeling 
por meio da permeação do ativo, como veremos a seguir.
2.2.3 Velocidade de permeação dos peelings
A velocidade de permeação do ácido na pele depende do seu peso molecular, ou seja, do tamanho da molécula do
princípio ativo. Para Borges (2010), quanto menor o peso molecular, mais rápido o ácido penetrará na pele; e
quanto maior, mais lentamente penetrará na pele. Na tabela a seguir, podemos conhecer o peso molecular de
alguns ácidos, comumente utilizados no estético.peeling
Massa atômica do ácido do peeling químico.
Fonte: REBELLO, 2004 (Adaptado).
Segundo Yokomizo . (2013), é possível perceber a profundidade e o grau de penetração dos ácidos observandoet al
os sinais visuais, como eritema e branqueamento ( ) que surgem na pele, podendo interceder a tempo defrosting
neutralizar sua ação e evitar o aprofundamento desnecessário do .peeling
No entanto, as formulações que permitem uma permeação gradual e uniforme do ácido na pele oferece menor
chance das intercorrências citadas acima, pois, a velocidade de penetração desse agente ativo é controlada.
A permeação representa a capacidade de dissolução e difusão do ativo esfoliante no meio intercelular, ou seja, a
habilidade do ácido ser dissolvido nas estruturas da pele. Sendo assim, a afinidade dos ácidos por gorduras,
lipofilicidade, ou por água, hidrofilidade, influenciam o mecanismo de penetração do , como veremos apeeling
seguir.
45
2.2.4 Hidro e lipofilicidade
As substâncias hidrofílicas são aquelas que possuem afinidade por água, se dissolvendo neste meio e, como
exemplo, temos os ácidos glicólico, lático, a glucanolactona e o ácido lactobiônico, cujo aspecto característico é se
difundir livremente na fase aquosa intercelular sem precisar de proteínas plasmáticas carreadoras.
As substâncias lipofílicas, por sua vez, são aquelas que têm afinidade por lipídios e dissolvem-se neste meio. Como
exemplo temos os ácidos retinóico, salicílico, mandélico, assim, sua característica é se interligar aos receptores
específicos de membrana, removendo os lipídeos intercelulares para promover a descamação.
Dessa forma, o esteticista possui diversos tipos de e agentes indutores para elaborar procedimentospeeling 
estéticos eficientes. Além de identificar as especificidades da formulação, conforme foi descrito, conhecer o
mecanismo de ação dos ativos garante o diferencial para a escolha adequada no tratamento das diferentes
afecções cutâneas, como veremos a seguir.
2.3 Ativos, mecanismos e procedimentos
Os ativos indutores do químico e enzimático são os que possuem mecanismos de ação diferenciados empeeling
relação aos peelings físicos, principalmente na promoção da esfoliação e indicação técnica específica para os
procedimentos estéticos.
São substâncias com estrutura química parecida com as que o nosso corpo produz, sendo capazes de interagir com
a pele e proporcionar benefícios estéticos. Segundo Vanzin e Camargo (2011), são substâncias orgânicas, derivadas
de frutas e alimentos com propriedades ácidas, ou seja, ácidos orgânicos. Apresentam em sua estrutura átomos de
carbono (C) agrupados em cadeia carboxila (carbono + oxigênio), ligados a um grupo de hidroxila (OH-).
Com essa estrutura físico-química, penetram na pele e produzem esfoliação epidérmica, desencadeando como
mecanismo de ação o processo de cicatrização, uma resposta fisiológica do organismo ao trauma epidérmico
provocado. Nessa indução de reparação tecidual, a fase de inflamação local aguda ativa os fibroblastos a
produzirem novas fibras colágenas, formando, portanto, um novo tecido cutâneo, sendo esse o efeito fisiológico
esperado no para tratar as disfunções estéticas a que se destinam.peeling
Tanto as enzimas quanto os α- hidróxiácidos (AHAs), β- hidróxiácidos (BHAs) e retinóides utilizados no peeling
químico compõem a categoria de ácidos orgânicos. Sendo assim, conheceremos a seguir as características
estruturais que os diferenciam.
2.3.1 - hidróxiácidos
Os α-hidróxiácidos (AHAs) possuem a hidroxila na posição , que quimicamente, os diferenciam de todos os outrosa
ácidos, por terem menor tamanho da molécula e permearem a pele com facilidade. São utilizados durante todo o
ano por não serem fotossensíveis. A imagem a seguir representa a estrutura química molecular dos α-
hidróxiácidos.
46
Molécula do α- hidróxiácidos (AHAs)
Fonte: RIBEIRO, 2010 (Adaptado).
Segundo Vanzin e Camargo (2011), são gerados a partir dos aminoácidos das frutas e vegetais e classificados como
umectante e esfoliante, com efeitos únicos sobre a pele, pois, além de queratolíticos, são capazes de aumentar a
hidratação da pele. Na tabela a seguir podemos verificar as características e propriedades dos ácidos que
compõem os AHA’s, usados em formulações profissionais e de uso .home care
47
α- hidroxiácidos do peeling químico.
Fonte: REBELLO, 2004; YOKOMIZO, ET AL., 2013 (Adaptado).
48
Entre os mais utilizados, no peeling químico estético, estão o ácido glicólico e o mandélico. Segundo Pereira (2013),
o ácido glicólico diminui a coesão entre os corneócitos por destruir as ligações iônicas dessa proteína, causando a
descamação. Estimula a produção de glicosaminoglicana, cuja ação é de fixar a água, conferindo hidratação à pele
e, ainda, aumentando a síntese de colágeno por estimular os fibroblastos.
O ácido glicólico é recomendado para fototipos I a III, pois promove eritema, o que pode causar hipercromia em
peles escuras, de fototipo de IV ou maior. Já o ácido mandélico é o indicado para fototipos IV, V, VI, pois sua
penetração e efeito biológico é uniforme, minimizando essa complicação, além de diminuir o risco de causar
cicatrizes inestéticas decorrentes da rápida penetração (VANZIN; CAMARGO, 2011).
Otimizando a ação do químico, Yokomizo . (2013) cita os peelings combinados, ou seja, a associação depeeling et al
dois ácidos na mesma sessão ou na mesma formulação. Nesse sentido, um dos ácidos mais utilizados e que
estabelece grande sinergia, tanto com o ácido glicólico como o mandélico, é o ácido salicílico, um β- hidróciácidos
muito utilizado no tratamento, principalmente, da acne, que veremos a seguir.
2.3.2 - hidróciácidos
O ácido salicílico é um β-hidroxiácido porque, quimicamente, seu carbono ocupa uma região conhecida como ,b
que o torna lipofílico e, por ter grande afinidade por gordura, age removendo os lipídios intercelulares, garantindo
maior ação queratolitica. Apresenta propriedade anti-inflamatória, antimicrobiana, ação bacteriostática e
fungicida nas concentrações a partir de 1 a 5 % (BORGES, 2010).
Osde ácido salicílico são bem tolerados por todos os fototipos de pele. Aproximadamente 2 a 3 camadaspeelings 
de aplicação desse ácido são necessárias para o , com tempo de permanência de 3 a 5 minutos,peeling
dispensando a neutralização com produto específico. Após a aplicação ocorre a produção visível de um precipitado
branco sobre a pele do paciente, que não pode ser confundido com o , uma reação indesejada para esse frosting
.peeling
Uma revolução nos estéticos, principalmente por evitar o desconforto dos AHA’s, é uma classe de ácidospeelings
composta por poli-hidroxiácidos, como veremos a seguir.
2.3.3 Poli-hidroxiácidos
Os poli-hidroxiácidos possuem várias hidroxilas na sua estrutura química. Portanto, tem maior peso molecular,
apresentando penetração mais lenta e uniforme, conferindo ação umectante, sem os efeitos indesejáveis muitas
vezes causados pelos AHA’s e BHA’s, como sensação de coceira, queimação e ardor. Os PHA’s mais comuns são a
glucanolactona e o ácido lactobiônico (VANZIN , 2011).
A gluconolactona ( ) é obtida pela oxidação da glicose do milho, cuja forte ação hidratante e antioxidantePHA G4
que possui reestrutura a epiderme e diminui a inflamação crônica, sendo indicada para tratamentos de acne,
rosácea, combate ao envelhecimento. Está disponível em cosméticos profissionais em concentrações de 20% a
30% e em produtos de , 1 a 10% (GOMES; DAMÁSIO, 2013).home care de
O ácido lactobiônico, obtido da oxidação da lactose, tem estrutura molecular e funcionalidade semelhante às da
gluconolactona. É um poli-hidróxiácido complexo que possui ação antioxidante, hidratante, rejuvenescedora e
cicatrizante. Está disponível em cosméticos em concentrações de 2,0 a 10,0%, com pH entre 3,5 e 4,0 para .peelings
Finalizando os agentes disponíveis para peeling químico, vamos compreender as propriedades dos ácidos
retinóides, um grupo de substâncias naturais ou sintéticas, derivado da vitamina A ácida.
2.3.4 Retinóides
Os retinóides compreendem o retinol, o palmitato de retinol, o betacaroteno, a tretinoína e a isotretinoína. Trata-
se de moléculas hidrofóbicas que associam-se a receptores específicos das células epiteliais estimulando a
produção de fatores de crescimento epidérmico (EGF), a síntese de colágeno e reduzindo a produção de sebo pelas
glândulas sebáceas, tendo ação importante na acne (LUPI, 2012).
49
Além dos ácidos, há enzimas orgânicas que constituem farmacologicamente o enzimático utilizado pelopeeling
esteticista. Na tabela a seguir, podemos conhecer alguns agentes proteolíticos do enzimático, suaspeeling
características, a descrição cosmetológica e de aplicação.
Agentes do peeling enzimático.
Fonte: REBELLO, 2004; DAMÁZIO, 2013 (Adaptado).
A vantagem das enzimas, segundo Rebello (2004) é que elas são mais sutis do que os ácidos, respondendo bem em
peles sensíveis e sendo utilizadas em qualquer estação do ano. Elas são ativadas pela água em técnica de aplicação
manual ou com vaporizador, algumas são friccionadas na pele até terem contato com a água tecidual.
Permanecem por cerca de vinte minutos, sendo retiradas com água.
Agora que conhecemos as características e mecanismos de ação dos peelings químicos e enzimáticos, é hora de
entendermos como aplicá-los nos procedimentos estéticos. Na execução do procedimento, a técnica de aplicação
do segue critérios específicos e deve-se respeitar as unidades anatômicas, iniciando pela região frontal,peeling
seguida da região malar direita e esquerda, dorso nasal, região supralabial, região mentoniana, pálpebras superior
e inferior, com extrema cautela nessas últimas localizações (AZULAY, 2017).
Na figura a seguir, vemos essa sequência, destacando as regiões de atenção durante a aplicação para evitar
intercorrências.
50
A faixa triangular central indica em: 4.a- dorso nasal; 4.b- supralabial; 4.c- infralabial e mento; ainda em 5.a- 
pálpebra superior e 5.b- pálpebra inferior, aplicação nessa sequência.
Fonte: SMALL; HOANG; LINDER, 2014 (Adaptado).
É preciso ficar atento durante a aplicação com a região de lágrima, ou seja, os cantos dos olhos, pois é possível
haver escorrimento dessa secreção interferindo/neutralizando a ação do . Assim, deve-se secar e reaplicar opeeling
cosmético. Outra questão é o acúmulo de ácido nas zonas frágeis, como o canto da boca e a curva da asa do nariz,
que causa forte eritema, descamação mais intensa e até ferimento.
O procedimento de , tanto facial quanto corporal, envolve além da técnica correta de aplicação dos agentespeeling
esfoliantes, uma rotina de cuidados que deve ser rigorosamente seguida para garantir o sucesso do tratamento
estético a que se destina, como veremos a seguir.
2.4 Cuidados
O fundamental e indispensável é começar pela avaliação criteriosa do paciente, através da ficha de anamnese,
para a escolha do peeling mais adequado à afecção cutânea, segundo sua queixa. Em seguida, esclarecer e dirimir
todas as dúvidas quanto ao procedimento por meio do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido. Outro item
importante é a documentação fotográfica, antes e após o peeling.
51
Na ficha deve constar o histórico médico do paciente, pois, mesmo o peeling sendo de nível superficial,
antecedentes de herpes simples, tratamento com isotretinoína nos últimos seis meses, tendência para queloides e
hiperpigmentação pós-inflamatória, podem restringir a escolha da técnica e dos ácidos, por precaução.
O foco dos cuidados que compete ao esteticista é analisar o fase a fase, iniciando pelo procedimento pré-peeling 
peeling, um preparo prévio da pele que caracteriza um dos conceitos mais importantes da terapêutica. Durante a
aplicação dos ácidos, ficar atento aos sinais de eritema e frosting e, por fim, orientar os cuidados home care
indispensáveis no período pós . Veremos estas etapas a seguir.peeling
2.4.1 Cuidados da pele pré-peeling e pós-peeling
A avaliação cutânea é fator decisivo na escolha do peeling a se utilizar. O esteticista deve observar as caraterísticas,
como o biotipo e o fototipo de Fitzpatrick, e as condições da pele, como o nível de hidratação e a presença das
lesões conforme a afecção cutânea, pois essas especificidades interferem na ação do .peeling
Sendo assim, é necessário, portanto, preparar a pele antes de proceder a técnica de para atender àspeeling
expectativas do cliente em relação ao resultado e, ainda, esclarecê-lo quanto às possibilidades de maneira realista.
Clique nas abas para saber quais cuidados devem ser tomados durante todo o processo.
•
Pré-peeling
O preparo da pele caracteriza o pré- . Somente os muito superficiais o dispensam.peeling peelings
Esse procedimento é realizado para limpar, desengordurar e condicionar a pele, com o objetivo de
otimizar os resultados, auxiliar a melhor permeabilidade dos ativos e diminuir efeitos indesejáveis
dos químicos e enzimáticos, reduzindo também o tempo de cicatrização da pele.peelings
Segundo Borges (2010), conforme as afecções cutâneas presentes, para o pré- é indicado apeeling
limpeza de pele profunda até três dias antes, para retirar as lesões acnéicas. Já utiliza-se cosméticos
que contenham hidroxiácidos em sua formulação, para condicionar a pele ao químico.peeling
Associa-se, ainda, ativos hidratantes e/ou despigmentantes para evitar a hiperpigmentação pós-
inflamatória
•
Aplicação do peeling
No dia da aplicação do , é indispensável que o esteticista higienize a pele para retirar apeeling
oleosidade e sujidades usando, por exemplo, formulações alcoólicas. Durante a aplicação do ácido,
o principal cuidado do esteticista é se manter atento aos sinais visuais de eritema e parafrosting
evitar complicações no procedimento, como infamação intensa, lesões profundas e hipercromias.
•
Pós-peeling
No pós- , o paciente deve hidratar para recuperar a superfície da pele, não interferindo nopeeling
processo de descamação, que pode durar até cinco dias e usar, impreterivelmente, fotoprotetor
 alto todos os dias, reaplicando várias vezes.com FPS
No tópico a seguir falaremos sobre o efeito . Acompanhe!frosting•
•
•
52
2.4.2 Frosting
É natural, os ácidos do superficial provocarem, de maneira leve, eritema, ardência e pinicação. Porém,peeling 
alguns podem causar logo após sua aplicação, ou seja, uma coloração esbranquiçada que surge devido àfrosting 
coagulação das proteínas da epiderme, podendo ocorrer como rendilhado, ou seja, de maneira dispersa,frosting
ou uniforme.frosting
Conforme Azulay (2017), o , pode significar uma lesão da junção dermoepidérmica, e quanto mais branco efrost
intenso for, mais profunda é a penetração do ácido. A consequência dessa reação é a formação de crostas que,
quando eliminadas, podem deixar lesão inflamatória residual, que deve ser tratada imediatamente para que não
deixe cicatrizes e hipercromias no local. Desta forma, ao aparecimento de na prática clínica, o ácido devefrosting 
ser neutralizado para não se aprofundar mais que o necessário, como veremos a seguir.
2.4.3 Neutralização
A função do agente neutralizador é inverter o pH do ácido. Assim, a formulação precisa ser básica para causar a
reação química. O esteticista dispõe de formulações especificas contendo bicarbonato de sódio de 1% a 15%.
Outra forma de neutralizar é a aplicação de água em abundância e, neste caso, o que ocorre é a diluição do ácido.
Segundo Yokomizo, . (2013), o ácido glicólico precisa ser neutralizado utilizando solução de bicarbonato deet al
sódio e após, lava-se a pele com água, removendo o sal formado. Para os demais AHA’s e o ácido salicílico não há
essa necessidade, apenas remoção com água. Já para remover cosméticos que contenham retinol ou ésteres de
retinila necessita-se da higienização com água, sabonete ou loções suaves de limpeza.
Ressalta-se que os para uso estético profissional têm um protocolo de aplicação muito bem estruturadopeelings
pela indústria cosmética e, caso necessite de algum procedimento de neutralização diferente, esta indicação e
forma de conduta são descritas no cosmecêutico, garantindo a segurança no procedimento.
Como vimos, o é um cosmecêutico diferenciado das outras formulações para os procedimentos estéticos.peeling
Seu uso é criterioso e necessita de cuidados de ambas as partes envolvidas. Sendo assim, o esteticista, profissional
qualificado e conhecedor da técnica, garante os resultados e os assegura ao paciente por meio de documento de
ciência, conforme veremos a seguir.
2.4.4 Termo de consentimento livre e esclarecido
Para manter afastada qualquer situação de conflito na relação profissional-cliente, é obrigatório obter o termo de
consentimento informado pelo paciente e não esquecer da documentação fotográfica. A imagem a seguir mostra
um modelo desse termo contendo as informações de conhecimento esclarecido antes de realizar o .peeling
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Modelo de termo de consentimento esclarecido para procedimento de peelings estéticos.
Fonte: BELCOL (2019).
É indispensável seu preenchimento integral e necessário fornecer uma cópia ao cliente. O esteticista deve guardá-
lo mesmo depois de terminado o tratamento, podendo, assim, ter respaldo jurídico caso haja questões que
abordam insatisfação, arrependimento ou qualquer outro aspecto por parte do cliente.
54
Proposta de atividade
Agora é a hora de recapitular tudo o que você aprendeu nesse capítulo! Elabore uma síntese sobre a aplicação
combinada dos de ácido mandélico e glicólico, especificando os benefícios e efeitos fisiológicos que essapeelings 
associação proporciona no tratamento estético, destacando as principais ideias e conceitos abordados ao longo do
capítulo. Ao produzir sua síntese desse combinado, considere as leituras básicas e complementarespeeling 
realizadas.
Recapitulando
O procedimento de é capaz de promover a renovação celular de forma progressiva, estimulando apeeling 
regeneração biológica dos tecidos por meio da aplicação de agentes esfoliantes na superfície da pele. Para esse
processo existem vários tipos de agentes esfoliantes com propriedades físico-químicas especificas em formulações
cosméticas adequadas para o esteticista utilizar no tratamento das afecções cutâneas.
O superficial é o disponível para o uso de esteticista, a esfoliação se limita à epiderme e oferece segurançapeeling 
para o profissional. Pode ser realizado com agentes cosmecêuticos físicos, químicos ou enzimáticos que, apesar de
possuírem mecanismos de ação diferentes, induzem o processo inflamatório para desencadear os efeitos
fisiológicos que promoverão a renovação da pele.
Para a escolha adequada devemos levar em consideração fatores que interferem na penetração dos ácidos e
enzimas, como o pH da formulação, o peso molecular e concentração da substância, observando as
contraindicações na aplicação da técnica.
Por mais que pareça uma técnica muito simples, não se engane. Seguir os critérios pertinentes ao procedimento do 
 são indispensáveis e demonstram o comprometimento e a habilidade do esteticista.peeling
Referências
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BAGATIN, E.; HASSUN, K.; TALARICO, S. Revisão sistemática sobre peelings químicos. Surgical & Cosmetic
. v. 1. 1. ed. 2009. Disponível em: <Dermatology www.surgicalcosmetic.org.br/exportar-pdf/1/1.../Revisao-
>. Acesso em: 03/04/2019.sistematica-sobre-peelings
BORGES, S. F. . 2. ed. São Paulo: EditoraDermato Funcional. Modalidades Terapêuticas nas Disfunções Estéticas
Phorte, 2010.
CORAZZA, S. Entenda como se dá a relação entre o pH da pelo e o pH do produto. Rev. Sociedade Brasileira de
. 2006. Disponível em: <Medicina Farmacêutica www.sbmf.org.br/pdf_eventos/multi_24agos06
>. Acesso em: 03/04/2019./artigo_evento24ago01.pdf
GOMES, R. K.; DAMAZIO, M. G. . 4. ed. São Paulo: LivrariaCosmetologia: descomplicando os princípios ativos
Médica Paulista Editora, 2013.
LUPI, O.; BELO, J.; CUNHA, P. Rotinas de Diagnóstico e Tratamento da Sociedade Brasileira de Dermatologia -
 2. ed. São Paulo: AC Farmacêutica, 2012.SBD.
PEREIRA, M. de F. L. (Org.). . v. 1. São Paulo: Difusão Editora, 2013.Recursos Técnicos em Estética
REBELLO, T. 9. ed. São Paulo: Editora Senac, 2004.Guia de produtos cosméticos.
VANZIN, S. B.; CAMARGO, C. P. – Diagnósticos e Tratamentos. São Paulo: Santos, 2011.Entendendo Cosmecêuticos
55
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http://www.sbmf.org.br/pdf_eventos/multi_24agos06/artigo_evento24ago01.pdf
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YOKOMIZO, V. M. F. . Peelings químicos: revisão e aplicação prática. . v. 5. n. 1.et al Surgical Cosmetic Dermatology
Rio de Janeiro. 2013. Disponível em: <www.surgicalcosmetic.org.br/...pdf/.../Peelings-quimicos--revisao-e-
>. Acesso em: 26/03/2019.aplicacao-pratica
56
http://www.surgicalcosmetic.org.br/...pdf/.../Peelings-quimicos--revisao-e-aplicacao-pratica
http://www.surgicalcosmetic.org.br/...pdf/.../Peelings-quimicos--revisao-e-aplicacao-pratica
COSMIATRIA APLICADA
CAPÍTULO 3 - DISCROMIAS
Prof. Flávia Garramone
57
Objetivos do capítulo
Ao final deste capítulo, você será capaz de:
• Identificar alterações da pigmentação cutânea.
• Reconhecer o despigmentante adequado para o tratamento, bem como. entender os efeitos das radiações 
sobre a pigmentação da pele.
• Compreender o mecanismo fisiológico da lipodistrofia localizada.
• Aplicar os ativos de acordo com o mecanismo de ação mais apropriado.
Tópicos de estudo
• Alterações da pigmentação.
• Sistema Melanocítico.
• Hiperpigmentação periocular.
• Melasma ou cloasma gravídico.
• Hiperpigmentação pós-inflamatória e efélides.
• Avaliação cutânea.
• Cromóforos: melanina, hemoglobina, caroteno .
• Avaliação e diagnóstico das hipercromias.
• Tratamentos cosméticos em consultório.
• Melanogênese.
• Fatores extrínsecos que podem estimular a melanogênese.
• Mecanismos de despigmentação.
• Clareadores e despigmentantes.
• Princípios ativos tópicos.
• Princípios ativos orais.
• Restrições dos clareadores.
• Fórmulasdespigmentantes.
Contextualizando o cenário
A exposição solar moderada é importante para a biossíntese de substâncias essenciais ao organismo. Entretanto, a
radiação solar (UVA-UVB) tem efeitos cumulativos, que podem desenvolver o câncer de pele e, também, o
fotoenvelhecimento e manchas escurecidas na pele, as quais são denominadas hipercromias.
A hipercromia é uma dermatose desencadeada por alterações na produção ou distribuição da melanina, um
pigmento que tem como a mais importante função proteger o DNA celular da radiação ultravioleta solar. Dentre as
principais queixas inestéticas estão o melasma/cloasma, a hiperpigmentação pós-inflamatória, efélides,
hiperpigmentação periocular e os lentigos senis.
Para o tratamento dessas melanoses, a técnica estética de primeira eleição é a cosmetoterapia, que dispõe de
agentes despigmentantes com mecanismos de ação sobre as etapas de síntese de melanina, sendo capazes de
promover o clareamento da hipercromia. Diante desse cenário, surge o seguinte questionamento: como os
despigmentantes agem no processo de melanogênese a fim de evitar ou amenizar a hipercromia?
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3.1 Alterações da pigmentação
Os distúrbios da pigmentação refletidos na pele são, dermatologicamente, distintos. Clique a seguir para conhecer
as categorias em que são classificados.
Acromia
Quando há ausência total de melanina.
Hipocromia
Em que há áreas onde há ausência desse pigmento.
Hipercromia
Que são áreas com excesso de melanina.
Essas alterações pigmentares ocorrem por falhas no processo fisiológico de (síntese de melanina),melanogênese
que ocorre no melanócito.
Esses aspectos relacionados à cor da nossa pele são determinados, principalmente, pela quantidade de melanina
presente na pele. Do contrário, ou seja, sem ela, a pele seria transparente, refletindo o sangue que flui logo abaixo
dela. Assim, depois de sua síntese, esse pigmento é distribuído entre os queratinócitos da epiderme, difundindo-se
de maneira uniforme, conforme veremos a seguir.
3.1.1 Sistema Melanocítico
A unidade epidérmico-melânica que compõe o sistema melanocítico, segundo Tortora (2012), é constituída, nos
humanos, por um melanócito para cerca de trinta e seis queratinócitos (1:36), em que a melanina produzida é
distribuída conferindo a cor da pele, cabelos e olhos. Na figura a seguir, é possível observar as características
histológicas do melanócito e da unidade epidérmico-melânica.
Características histológicas do melanócito e da unidade epidérmico-melânica.
Fonte: © CHEN I CHUM / / Shutterstock.
59
A pigmentação da pele e a dos cabelos são dependentes da atividade funcional do célula especial demelanócito, 
morfologia dendrítica e citoplasma globoso, localizado na camada basal da epiderme, ocasionalmente na junção
dermoepidérmica, e também presente na retina. O número de melanócitos na pele é de aproximadamente 2000
/mm2 na cabeça e no antebraço e de 1000/mm2 no restante do corpo, (GUIRRO; GUIRRO, 2002).em todas as raças 
Dessa forma, as alterações pigmentares não se devem à quantidade de melanócitos, mas sim, às características e à
natureza química da melanina que essa célula produz. A taxa de síntese de melanina, bem como o tamanho,
número e distribuição dos melanossomas, ou seja, as vesículas que contêm esse pigmento, ocorre pelo processo
fisiológico conhecido por melanogênese.
Assim, esse processo de síntese de melanina, conforme Tortora (2012), ocorre no citoplasma do melanócito, em
organelas especializadas denominadas , que contém a tirosina, o elemento inicial de todo omelanossomas
processo biossintético. Pela ação da , a tirosina sofre uma cascata de reações de oxidação que aenzima tirosinase
transforma em DOPA (3,4-diidroxifenilalanina) e esta, em DOPA-quinona.
A partir desse momento, a presença ou ausência de cisteína (glutadiona), segundo Guirro e Guirro (2012),
determina o rumo da reação para conversão da DOPA-quinona em dois tipos principais de melanina: a eumelanina
e a . Isto porque o melanócito sempre as sintetiza em taxas proporcionais e, conforme a característicafeomelanina
dos receptores de seus melanossomas, essa combinação definirá o fototipo do indivíduo.
Segundo Miot (2009), o receptor de membrana plasmática do melanócito é omelanocortina do tipo 1 (MC1-R)
maior determinante do fenótipo do indivíduo, pois ele é o responsável por mediar as interações dos hormônios
estimulantes de melanócitos (α-MSH e β-MSH) e do hormônio adrenocorticotrópico (ACTH), controlando a síntese
de melanina dentro dos melanossomas.
Além disso, o influencia a síntese de eumelanina, que tem maior função fotoprotetora por ser um polímeroα-MSH,
marrom-preto, produzido na ausência de cisteína, sendo presente em indivíduos com maior pigmentação, ou seja,
naqueles que têm pele, cabelos e olhos escuros. Logo, a ação fisiológica do α-MSH é elevar a síntese de
nos melanócitos e aumentar o transporte dos melanossomos derivados, por meio dos queratinócitos,eumelanina 
para a superfície epidérmica (VANZIN, 2011).
Na figura a seguir observa-se a interação do hormônio melanócito estimulante (α-MSH) com o receptor
melanocortina (MC1-R), resultando na formação de diferentes proporções de eumelanina e feomelanina.
CONTEXTO
A cor da pele é um dos fatores mais variáveis. Segundo Miot . (2009), pouco se conhece sobreet al
as bases genéticas, evolutivas e os aspectos culturais relacionados ao estabelecimento dos
padrões de cor da pele humana.
PAUSA PARA REFLETIR
Como podemos saber qual tipo de melanina prevalece em nossa pele?
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Interação do hormônio melanócito estimulante (α-MSH) com o receptor melanocortina (MC1-R) para a formação
da melanina.
Fonte: MIOT, 2019 (Adaptado).
No entanto, o contrário também ocorre, ou seja, a maior quantidade de feomelanina disponível, a presença de um
pigmento amarelo-vermelho, com grande potencial em gerar radicais livres e causar danos fototóxicos ao DNA
celular. Veja que a feomelanina, segundo Tortora (2012), está presente em indivíduos de pele mais clara, e pode,
ainda, diferenciar-se, bioquimicamente, resultando em tons de cabelos: loiro, ruivos e castanhos.
Agora, a responsável pela maior taxa de feomelanina, segundo Miot (2009), é a proteína AGOUTI, uma sinalizadora
endógena (ASP) que antagoniza a melanocortina (MC1-R), e diminui a ação do α-MSH na síntese de eumelanina. E
isto é o que gera a maior presença de feomelanina. Em melanócitos, onde os MC1-R são baixos, a ASP bloqueia
totalmente a ação do α-MSH, ou seja, não há síntese de pigmento escuro.
Diante disso, após a síntese da melanina, os prolongamentos dendríticos dos melanócitos depositam no interior
dos queratinócitos adjacentes, da unidade epidérmico-melânica, os grãos de melanina, que se distribuem no seu
citoplasma e sobre a parte superior do seu núcleo celular. Somente após a fixação da melanina nos queratinócitos
é que haverá a revelação da cor na pele.
E, conforme Azulay (2007), na coloração da pele, além da melanina, há também a contribuição de outros
pigmentos, como o (carotenoides), o (hemoglobina oxigenada nosamarelo exógeno vermelho endógeno
capilares da derme) e (hemoglobina reduzida nas vênulas). Porém, vários fatores estãoazul endógeno
relacionados a isso, como a síntese de vitamina D, degradação de ácido fólico, resistência à exposição solar direta.
Nesse sentido, segundo Guirro e Guirro (2002), o dermatologista Thomas B. Fitzpatrick classificou a cor natural da
pele de duas formas, que você conhece clicando a seguir:
61
Constitutiva Em que os genes herdados atuam em todas as etapas da melanogênese, fornecendo as
características específicas do indivíduo.
Facultativa
Que reflete a capacidade geneticamente determinada de bronzeamento em resposta à
radiação UV, sendo esta a base para a divisão nos padrões de fototipos cutâneos, estabelecida
por ele.
A figura abaixo mostra as características constitutivas e as respostas adaptativas da pele normal à radiação UV, na
classificação dos fototipos de Fitzpatrick, que serve de orientação para o tratamentoestético das discromias
(alterações pigmentares da pele).
Classifificação dos fototipos de Fitzpatrick.
Fonte: © Naeblys / / Shutterstock.
Dessa forma, percebe-se que os fatores genéticos são determinantes no processo de melanogênese, pois os genes
herdados influenciam o sistema melanócito- melanina. Isto quer seja na estrutura química da melanina quer seja
nas características estruturais do próprio melanócito, como o número de melanocortina (MC1-R), a qualidade dos
melanossomas e sua capacidade de distribuição aos queratinócitos adjacentes.
Sendo assim, disfunções genéticas, hereditárias ou adquiridas nos melanócitos, levam às patologias discrômicas
como o albinismo, vitiligo, leucodermia por fotodano (pinta branca) e as hipercromias, os quais estudaremos a
seguir.
3.1.2 Hiperpigmentação periocular
A pele das pálpebras é a mais fina do corpo, o que lhe confere uma transparência característica. Segundo Lupi
(2012), a epiderme e derme periocular são extremamente delgadas e há escassez de tecido gorduroso. Dessa
forma, o acúmulo de melanina e/ou a dilatação dos vasos sanguíneos podem ser observados, caracterizando a
popular clinicamente denominada como (HPO).olheira, hiperpigmentação periocular
Em sua etiopatogenia, a HPO apresenta causa multifatorial, envolvendo fatores intrínsecos, como a predisposição
genética, e extrínsecos, como insônia, estresse físico e emocional, os quais proporcionam ao olhar um aspecto
cansado e envelhecido. A HPO acomete pessoas de qualquer idade, independentemente do sexo, porém é mais
comum nas mulheres e nos indivíduos de pele, cabelos e olhos mais escuros (MIOT, 2009).
Para Palermo (2013), a HPO possui alta distribuição de melanina e baixa taxa de oxihemoglobina, diferenciando-se
em: e Clique e conheça cada um destes tipos.HPO vascular HPO melânica.
HPO vascular
62
A HPO vascular é de origem hereditária e surge na infância ou adolescência. Segundo Vanzin (2011), o pigmento
predominante é a hemossiderina, que se deposita na pele devido às discretas hemorragias dos vasos da pálpebra.
Além do tom amarelado, pode gerar também tons violeta, azul e roxo.
HPO melânica
Já a HPO melânica ocorre devido aos depósitos de melanina na derme. Conforme Palermo (2013), pode ser
causada por fator congênito ou ambientais como o fotoenvelhecimento, o que ocasiona um maior afinamento da
pele e perda da gordura, facilitando o depósito de melanina. Também pode ser gerada pelo tabagismo, pela ação
vasoconstrictora da nicotina, o etilismo e a privação de sono, que causam vasodilatação palpebral.
Misto
Porém, a maioria dos casos possui componente misto, ou seja, associação dos pigmentos de melanina e
hemossiderina, um pigmento amarelo/castanho, que constitui a principal forma de armazenagem de ferro no
sangue.
A figura a seguir mostra as características de coloração dos diferentes tipos de HPO, uma queixa comum na rotina
do esteticista.
Características estéticas da hiperpigmentação periocular.
Fonte: © ALEX_UGALEK / / Shutterstock / © Phatplus / / Shutterstock / © Misha Beliy / / Shutterstock.
As figuras acima representam as hiperpigmentações perioculares: HPO vascular (a), HPO melânica (b) e HPO mista
(c).
Ainda, contribuem para a HPO melânica, segundo Miot (2009), a dermatite alérgica e rinites que causam
inflamação; as desordens da tireoide; a terapia de reposição hormonal (estrógeno e progesterona), o uso de
anticoncepcionais, o período menstrual, a gravidez e a amamentação e a fotosensibilidade causada por
medicamentos.
Sendo assim, na avaliação clínica da hiperpigmentação periocular, é necessário diferenciar o tipo de pigmento
envolvido e, por se tratar de um fenômeno de causa fisiológica maior, como diagnóstico diferencial, é
imprescindível distingui-la principalmente do melasma, que pode acometer a região zigomática, próxima ao
orbicular dos olhos.
63
3.1.3 Melasma ou cloasma gravídico
Os termos melasma e cloasma embora tenham sentidos próximos, suas designações não são as mesmas. Melasma
deriva do grego , significando , por sua vez, é usado com o mesmo sentido, porém, aproxima-melas negro cloasma
se de esverdeado, (advindo do grego ). Veremos, portanto, que a denominação melasma é uma designaçãocloazein
mais adequada para essa hipermelanose.
Segundo Lupi (2012), o melasma é uma hipercromia adquirida, dispostas em áreas fotoexpostas, como o rosto,
colo e membros superiores. É caracterizado por manchas simétricas, castanhas claro/escuras, de contornos
irregulares e limites nítidos, sendo a melanina o principal pigmento envolvido na sua gênese.
Dermatologicamente, o melasma é classificado em: sendo o mais frequente; também e centrofacial, malar
 Na figura a seguir, vemos as regiões faciais acometidas pelo melasma, bem como o delineamento damandibular.
lesão e a diferença de coloração da hipercromia.
Áreas faciais acometidas pelo melasma.
Fonte: © Oats.chumnak / / Shutterstock / © Ngukiaw / / Shutterstock.
Em sua etiopatogenia, há inúmeros fatores envolvidos, mas nenhum pode ser responsabilizado isoladamente pelo
seu desenvolvimento. Clique a seguir e conheça esses fatores.
•
Exposição à radiação solar
Segundo Azulay (2019), o fator mais relevante é a exposição à radiação solar. Sendo assim,
indivíduos de fototipos altos, os latinos, orientais ou hispânicos são os mais predispostos, por conta
da resposta facultativa da pele à radiação UVA e B.
A relevância da radiação UV no melasma se dá pela ação de mediadores pró-inflamatórios que
alteram a melanogênese. Entre eles a Endotelina-1 (ET-1), que se liga aos receptores β-endotelina na
superfície dos melanócitos, promovendo em resposta à radiação UVB o eritema. Isso ocorre porque
a ET-1 é liberada pelos queratinócitos e está diretamente envolvida na síntese da enzima tirosinase e
na proliferação, migração e formação dos dendritos dos melanócitos (VANZINI, 2011).
•
Outras influências na fisiopatologia do melasma
•
•
64
Outras influências na fisiopatologia do melasma são a genética, as endocrinopatias, a medicação
fotossensibilizante, o uso de anticoncepcionais, as terapias hormonais, a gravidez e o período pós-
menopausa. Dessa forma, segundo Lupi (2012), as mulheres, entre 30-55 anos de idade representam
90% dos casos de melasma por conta da influência hormonal nesta hipercromia.
•
Melasma durante a gestação 
Cabe ressaltar que o aparecimento de melasma durante a gestação é bastante comum porque há
altos níveis de estrógeno, progesterona e de hormônio α-MSH, que expressa fator chave na
formação dele. Conforme Miot (2009) a ação do α-MSH altera a estrutura do melanócito, alargando
seus dendritos e aumentando o número de melanossomos, os quais depositam o excesso de
melanina na epiderme e derme. Sendo assim, o melasma não apresenta cura, somente controle.
Dessa forma, percebemos que a fisiopatologia do melasma é complexa e que as alterações provocadas no
melanócito são irreversíveis, por isso, sua reincidência é frequente. Ainda assim, pode ter um excelente controle,
porém, seu tratamento é a longo prazo e deve seguir à manutenção constante do processo de clareamento das
hipercromias. O diagnóstico diferencial inclui a hiperpigmentação pós-inflamatória, assunto que veremos a seguir.
3.1.4 Hiperpigmentação pós-inflamatória e efélides
A inflamação é uma reação protetora do organismo com finalidade de eliminar o agressor e iniciar o processo de
cicatrização. Há participação de várias estruturas orgânicas e mediadores químicos como histamina e citocinas,
ativados em resposta à lesão. Neste sentido, os melanócitos têm participação importante por protegerem o DNA
celular por meio da produção de melanina.
Conforme Azulay (2017) toda inflamação deixa manchas na pele que desaparecem lentamente. Mas, na
hipercromia pós-inflamatória (HPI), isto é mais intenso e duradouro, pois são manchas pigmentares residuais que
se alocam tanto na epiderme como na derme. Além disso, são adquiridas como sequela de dermatoses
inflamatórias crônicas. Veja que a HPI acomete todos os fototipos, principalmente os IIIe IV, e tem como fator
agravante a exposição solar.
Na figura a seguir, podemos observar as características da HPI, sendo que as lesões podem variar em tons de
vermelho, castanho ou pretas, por causa da intensidade e profundidade do processo inflamatório decorrente da
dermatose presente.
•
CONTEXTO
As citocinas interferem na melanogênese porque ativam processos celulares essenciais na
inflamação, agindo na imunorregulação, crescimento e reparo tecidual, já que realizam a
comunicação das células da epiderme sob a derme (BECHARA; SZABÓ, 2006).
65
Hipercromia pós-inflamatória como sequela de acne.
Fonte: © Ngukiaw / / Shutterstock / © KirinIsHappy / / Shutterstock.
Veja que a intensidade da inflamação (crônica ou aguda) é determinada pela ação dos mediadores químicos nas
etapas do processo de cicatrização. Portanto, esse é o principal aspecto envolvido na patogênese da HPI, já que as
citocinas são capazes de estimular os melanócitos. Repare, ainda, que isso resulta na produção acentuada de
melanina ou depósito irregular dela após dispersão aos queratinócitos (MIOT, 2009).
Sendo assim, em dermatoses crônicas e recorrentes, como na acne, a camada basal pode ser danificada e os
melanófagos (células fagocitárias da derme) podem aprofundar a melanina na derme, persistindo em seu interior
durante anos. Ao final do processo inflamatório, as HPI residuais variam conforme o tamanho da lesão anterior,
podendo ser confundidas com efélides ou lentigo solar, lesões de etiologia completamente distintas
respectivamente. Saiba o que são efélides e lentigos solares clicando a seguir.
Efélides
São caracterizadas por pequenas máculas castanhas-claro, salpicadas, localizadas na face e ombros, que se
tornam mais pigmentadas após exposição solar. Surgem desde a infância, ou seja, tem etiologia genética,
especialmente em indivíduos de fototipo I e II, de pele branca, muito sensível ao sol, normalmente em ruivos ou
pessoas de cabelos e olhos claros (AZULAY, 2017).
Lentigos solares
São manchas um pouco maiores que as efélides e a HPI. Sua etiologia está relacionada à idade e ao fotodano
celular causado ao longo do tempo. Além da face, essas lesões podem ser encontradas no dorso das mãos, colo,
costas e ombros. Uma característica que o diferencia das efélides é que sua cor não muda com a fotoexposição
(MIOT, 2009). Na figura a seguir observa-se a diferença da aparência das lesões hipercromicas, efélides e lentigo
solar.
Diferença da aparência das lesões hipercromicas. Hipercromias: efélides e lentigo solar, respectivamente.
Fonte: © Alessandro Romagnoli / / Shutterstock / © srisakorn wonglakorn / / Shutterstock.
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Fonte: © Alessandro Romagnoli / / Shutterstock / © srisakorn wonglakorn / / Shutterstock.
Na fisiopatologia das efélides, conforme Azulay (2017), variações genéticas do receptor MC1-R desempenham um
papel fundamental em sua formação, que não promove aumento no número de melanócitos, mas origina
melanossomos esféricos aumentados de tamanho e queratinócitos adjacentes já hiperpigmentados. Enquanto
isso, nos lentigos, há aumento de melanócitos ativos e de melanina na epiderme.
Sendo assim, as principais hipercromias aqui estudadas apresentam-se com características morfológicas variadas,
de etiologia e fisiopatogênia distintas. Porém, o que há em comum entre elas é a presença pronunciada de excesso
de melanina. Dessa forma, a avaliação criteriosa da lesão é de extrema importância para o tratamento estético e
elemento decisivo na adequada escolha dos ativos cosméticos.
3.2 Avaliação cutânea
A é o ponto inicial de qualquer tratamento estético. No caso das discromias, a avaliação cutânea é aindaanamese 
mais importante para que o profissional possa afastar a presença de outras patologias, já que algumas lesões
podem se tornar malignas. Por isso, é preciso levantar o histórico clínico do paciente e seus hábitos de vida,
principalmente a frequência de exposição solar anterior e no presente.
Na avaliação das hipercromias, utiliza-se a (luz específica, que permite uma resposta delâmpada de Wood 
fluorescência conforme os pigmentos presentes na pele onde ela é aplicada). Assim, para analisar a profundidade,
ou seja, se a hipercromia é epidérmica, dérmica ou mista, nesse exame, verifica-se a resposta emitida pelos tipos
de cromóforos presentes na mancha.
3.2.1 Cromóforos: melanina, hemoglobina, caroteno
A pele do nosso corpo possui moléculas especiais com função fotorreceptivas denominadas cromóforos. Conforme
Veasey (2017), cada cromóforo absorve a luz em um comprimento de onda específico. Ao se aplicar a luz de Wood,
eles geram como resposta fisiológica luminescência, em cores distintas, conforme sua especificidade.
A luz de Wood é um equipamento com uma lâmpada especial, que emite radiação ultravioleta, filtrada na faixa
entre 320nm e 400nm (UVA) e se mostra como recurso eficiente para o exame avaliativo das hipercromias por
promover a luminescência dos pigmentos envolvidos nas lesões. Mas, para essa visualização, é necessário que o
exame seja realizado em ambiente totalmente escuro. Na figura a seguir podemos conhecer a lâmpada de Wood.
Fonte: © YJPTO / / Shutterstock.
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Fonte: © YJPTO / / Shutterstock.
Os principais pigmentos presentes nas hipercromias são cromóforos que absorvem a radiação ultravioleta (UV) de
comprimento de onda baixo, emitida pela luz de Wood, nas seguintes faixas: em 340 nm; ,melanina hemoglobina
em 300 nm e luz azul a 400 nm e os , na região de 400nm a 500nm (BORGES, 2010). carotenos 
Sendo assim, a luminescência emitida por esses cromóforos pode apresentar coloração específica para cada
dermatose e essa resposta determina o diagnóstico que diferencia as hipercromias presentes. Dessa forma, é
preciso que o esteticista saiba interpretar o que a luz de Wood está realçando, como veremos a seguir.
3.2.2 Avaliação e diagnóstico das hipercromias
Na avaliação pela luz de Wood, os fótons emitidos pelas hipercromias da pele possuem uma reflexão por
fluorescência que nos permite perceber, inclusive, manchas ainda não vistas a olho nu. Ela também permite,
segundo Veasy (2017):
• fazer a distinção entre tecidos sãos e os lesionados;
• identificar e localizar pigmentos;
• evidenciar com precisão os limites e características das lesões.
Clique nas abas a seguir e conheça mais sobre as hipercromias.
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Hipercromias cujo pigmento se encontra somente na epiderme
Em hipercromias cujo pigmento se encontra somente na epiderme, a luminescência na área
pigmentada, em resposta à luz de Wood, intensifica-se e há aumento de contraste da cor. Isso
significa que há um excesso de melanina nos queratinócitos, oriundo do aumento do número de
melanossomas do melanócito.
•
Hipercromias cujo pigmento se encontra na derme
Já naquelas em que o pigmento se encontra na derme, não há fluorescência em resposta à luz de
Wood, pelo contrário, na área que a olho nu apresentava-se pigmentada, com a aplicação radiação
UVA aplicada, há o esmaecimento, ou seja, não é mais observada. Isso significa que os melanófagos
da derme fagocitaram a melanina e ainda estão com ela contida em seu interior (BORGES, 2010).
•
Hipercromias cujos pigmentos se encontram tanto na epiderme como na derme
Ainda há hipercromias cujos pigmentos se encontram tanto na epiderme como na derme, sendo
considerado do tipo misto. Sendo assim, à luz de Wood, observa-se as duas respostas citadas acima,
áreas com luminescência intensificada e aquelas com luminescência atenuada, sendo as bordas da
lesão muito bem notadas.
Sendo assim, essa interpretação da resposta ao exame da lâmpada de Wood orienta o profissional na escolha do
cosmecêutico e na conduta de tratamento adequado, pois as hipercromias epidérmicas são mais fáceis de tratar e
respondem mais rápido, enquanto as dérmicas são mais lentas e necessitam de ativos despigmentantes completos
e disciplina do paciente.
A seguir, veremos com mais propriedade sobre tratamento cosmético em consultório.
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3.2.3 Tratamento cosmético em consultório
A cosmetoterapia é o recursomuito utilizado para o tratamento das hipercromias. Os cosméticos destinados a isso
possuem agentes clareadores e despigmentantes capazes de atuar na melanogênese e suavizar as lesões
escurecidas. No entanto, existem várias vias para a produção de melanina e, portanto, o tratamento não é igual
para todo tipo de hipercromia e nem para todos os pacientes.
Dessa forma, esse aspecto deve ser considerado e, dependendo do tipo de influenciadores no processo de síntese
de melanina, como outro recurso, as terapias combinadas podem favorecer a obtenção de melhores resultados.
Sendo assim, as fórmulas cosméticas podem conter uma combinação de ativos com mecanismos de ações
diferentes, abrangendo todas vias da melanogênese, como veremos adiante.
3.3 Melanogênese
Estruturalmente, a melanina diverge da maioria dos outros pigmentos naturais, pois não pode ser descrita como
uma estrutura química única e bem definida, tanto que se divide, basicamente, em e .eumelanina feomelanina
Em sua formação, diferentes aminoácidos sofrem oxidação e catalisam outras reações por diversas rotas sintéticas
para degradar a dopaquinona e, enfim, resultar em melanina.
Todo esse processo bioquímico envolvido na melanogênese, ou seja, a síntese da melanina deve ocorrer em
condições ideais e especificas, pois, pequenas modificações na reação podem afetar as estruturas e,
consequentemente, as propriedades da melanina. Sendo assim, um fator externo de grande importância é a
radiação ultravioleta solar, como entenderemos adiante.
3.3.1 Fatores extrínsecos que podem estimular a melanogênese
Além da genética e da influência dos hormônios endógenos, a melanogênese pode ser estimulada pela radiação
ultravioleta. Isso porque o sistema melanocortina (MC1-R) consiste de várias formas de hormônios estimulantes de
melanócitos - MSH (alfa, beta e gama) e ACTH, ligados à proteína G – as quais influenciam a síntese de melanina,
sendo a radiação solar um agravante.
As radiações ultravioletas, segundo Miot (2009), estimulam a produção de melanocortina, α-MSH e ACTH, dentro
dos melanócitos e queratinócitos. Sendo assim, o α-MSH aumenta a atividade da tirosinase e, por consequência, a
síntese de melanina via MC1-R. Por outro lado, o UVB, é responsável por causar eritema, ou seja, uma reação
inflamatória que aumenta a endotelina-1 (ET-1).
Sendo assim, observamos que ao estimular a melanogênese, por meio da exposição solar, o bronzeado adquirido
pode trazer como consequências inestéticas as hipercromias. Ainda, a radiação UV, aumenta o número de
melanócito ativos e, associados às alterações hormonais, promove a instalação do melasma, melanose que requer
tratamento constante como já vimos.
CURIOSIDADE
Após uma única exposição a RUV, há aumento no tamanho dos melanócitos, acompanhado de
aumento da atividade da tirosinase (MIOT, 2009).
69
Dessa forma, é preciso cosméticos com mecanismos de ação capazes de atuar nas alterações promovidas nos
melanócitos e suas estruturas, bem como na dispersão da melanina acumulada, sendo estes os despigmentantes.
3.3.2 Mecanismos de despigmentação
O objetivo dos ativos despigmentantes é tratar a causa da hipercromia e não apenas o excesso de melanina
depositado. Dessa forma, segundo Vanzin (2011), inibir a ação da enzima tirosinase e dificultar a migração da
melanina formada para os queratinócitos resumem o mecanismo de ação da maioria dos despigmentantes
utilizados nas formulações cosmecêuticas.
Existem vários tipos de ativos despigmentantes disponíveis que agem em uma ou simultaneamente em todas as
etapas da melanogênese. Na tabela a seguir, podemos visualizar o mecanismo de ação de alguns ativos na
melanogênese.
Mecanimos de ação dos despigmentantes nas etapas de síntese de melanina.
Fonte: VANZIN, 2011, p.245.
PAUSA PARA REFLETIR
Será que os químicos e enzimáticos podem ser úteis na hipercromia?peelings
70
Existem ativos despigmentantes capazes de diminuir a ação da endotelina-1 na melanogênese e, desta forma,
tratar a principal causa da hipercromia cutânea, que é a mancha decorrente do fotoexposição. Há ainda outros
agentes com ação de grande relevância, que antagonizam e bloqueiam a ligação do hormônio α-MSH aos
receptores de melatropina, para diminuir produção e a fixação da eumelanina nos queratinócitos.
Já o agente despigmentante que inibe a atividade da tirosinase também induz modificações estruturais nas
membranas das organelas dos melanócitos, acelerando a degradação dos melanossomos. Além da melanina,
existem ativos despigmentantes que têm a propriedade de absorver óxido de ferro da hemoglobina e agir como
quelantes de bilirrubina e ferro (PALERMO, 2013). A seguir, veremos um pouco mais sobre esse assunto.
3.4 Clareadores e despigmentante
Os princípios ativos clareadores e depigmentantes removem o pigmento melânico da pele e interrompem a
produção de novo pigmento, enquanto o antigo vai sendo eliminado por mecanismos fisiológicos tradicionais.
Sendo assim, os químicos podem atuar de forma eficaz, pois têm como função aumentar o peelings turn over
(renovação) celular e eliminar queratinócitos pigmentados mais superficiais.
Uma formulação clareadora considerada completa é aquela em que os ativos despigmentantes estão classificados,
conforme seu mecanismo de ação na melanogênese em aqueles que diminuem a expressão de ET-1 ou queantes,
são antagonistas de melatropina; , os que bloqueiam a enzima tirosinase; e que diminuem adurante após, 
migração da melanina formada aos queratinócitos.
3.4.1 Princípios ativos tópicos
Cada princípio ativo possui características próprias nas formulações cosméticas de uso tópico. Sendo assim, os
ativos clareadores e despigmentantes atuam tanto no depósito de melanina como de hemossiderina. Porém, as
pigmentações por hemossiderina são difíceis de ser tratadas, requerendo o uso de associados aquelantes de ferro
agentes que estimulam a circulação periférica.
Clique a seguir e conheça mais sobre os princípios ativos.
Arnica, vitamina
K1 e rutina
Segundo Vanzin (2011), ativos como arnica, vitamina K1 e rutina são utilizados em formulações
para a área dos olhos com a finalidade de estimular a circulação periorbital, sem a associação
de ativos despigmentantes, sendo capazes de reduzir a olheira pigmentada, pois o depósito de
hemossiderina se deve, principalmente, pela fragilidade capilar.
Antioxidantes
Com relação ao fortalecimento e proteção da parede dos vasos sanguíneos, Costa (2012) cita os
antioxidantes que ainda estimulam a circulação periocular, favorecendo a dispersão da
hemossiderina. Entre os antioxidantes, tem-se a vitamina C e seus derivados, que também são
despigmentantes, o e retinol, vitaminas E K1.
Peelings
Para o clareamento da hipercromia por depósito de melanina, Borges (2010) cita os peelings
cujas funções são aumentar o celular e eliminar queratinócitos pigmentadosturn over
superficiais. Há, ainda, ativos anti-inflamatórios e antioxidantes que atuam em diferentes
estágios da formação da melanina, diminuindo a produção dela.
Na tabela a seguir podemos reconhecer as concentrações de uso e propriedades dos clareadores e
despigmentantes para o tratamento das hipercromias.
71
72
Ativos clareadores e despigmentantes.
Fonte: COSTA, 2012; VANZIN, 2011; BORGES, 2010 (Adaptado).
Observe que o é derivado natural da hidroquinona ligado à glicose (hidroquinona-beta-D-glicopiranosídeo)arbutin
e metilbutina, ambos com propriedades clareadoras da pele. Quando estes estão associados à Aloensina inibem a
síntese de melanina induzida pela RUV. Uma maneira de potencializar seu efeito despigmentante é por meio de
pequena modificação molecular, transformando-o em α-arbutin, utilizado na concentração de 0,2 a 2%.
Os derivados da vitamina A, como o e são ativos amplamente utilizadas no tratamentoretinol palmitato de retinol
das desordens pigmentares. Seus mecanismos de ação baseiam-se na capacidade de dispersar os grânulos de
melanina dos queratinócitos e aumentar a sua perda por meio do aumentodo epidérmico Além doturn over 
tratamento tópico, há nutricosméticos com ativos capazes de auxiliar o tratamento das hipercromias.
73
3.4.2 Princípios ativos orais
A utilização de tecnologia de ponta e o aumento do conhecimento científico disponível tem permitido introduzir no
mercado dos produtos cosméticos diferenciados, como os despigmentantes de uso oral. Na tabela a seguir,
podemos conhecer alguns ativos de administração oral para o tratamento das hipercromias.
74
Clareadores e despigmentantes de uso oral.
Fonte: COSTA, 2012; GONÇALVES, 2016 (Adaptado).
75
Fonte: COSTA, 2012; GONÇALVES, 2016 (Adaptado).
O uso de antioxidantes por vias oral e tópica é importante para a diminuição da fragilidade capilar, principal causa
da recidiva de hiperpigmentação por hemossiderina. Tratamentos combinados potencializam os efeitos
clareadores, por isso, o uso de nutricosméticos antioxidantes e minerais, com adequada fotoproteção tópica,
culminam em resultados satisfatórios no clareamento das hiperpigmentações, predispondo também ao
rejuvenescimento da pele.
Porém, há ativos clareadores que culminam em restrições de uso por causa da toxicidade ou reações indesejadas,
como veremos a seguir.
3.4.3 Restrições dos clareadores
Para o tratamento das hipercromias, há precauções no uso de , por causa do seu potencial de provocarpeelings
reação inflamatória, com posterior ativação da formação de melanina. Outra opção terapêutica consolidada no
tratamento de hipercromia é a hidroquinona. Porém, seu uso é cauteloso, pois, é uma substância tóxica para os
melanócitos, que pode gerar acromias despigmentação em confete.
Além disso, a hidroquinona, um composto fenólico quimicamente conhecido como 1,4 di-hidroxibenzeno
funciona por meio da inibição da tirosina, uma substância fundamental na produção da melanina.
Especificamente, liga-se de modo covalente à histidina ou interage com o cobre no local ativo da tirosinase.
Também inibe o ácido ribonucleico (ARN) e ácido desoxirribonucleico (ADN) e pode alterar a formação de
melanossomas e danificar os melanócitos. Estas atividades suprimem o melanócito, causando uma diminuição
gradual da produção de melanina. Há, ainda, as fórmulas despigmentantes, as quais veremos a seguir.
3.4.4 Fórmulas despigmentantes
Pensando nos mecanismos de ação dos ativos despigmentantes que vimos, para formular um cosmético clareador
eficaz e potente, é preciso associá-lo, buscando, assim, por meio de diferentes mecanismos, um melhor resultado
na redução da formação da melanina.
Nas formulações, segundo Costa (2012), a combinação de ativos antioxidantes, inibidores da tirosinase e do
transporte de melanosomas, anti-inflamatórios e renovadores celular, constituem um cosmecêutico clareador e
despigmentante potente e seguro por ser hidroquinona-free. Na tabela a seguir, demonstra-se algumas
formulações para tratar as hipercromias.
76
77
Formulações clareadoras e despigmentantes.
Fonte: VANZIN, 2011; COSTA, 2012 (Adaptado).
Essas formulações para o tratamento tópico da hipercromia se apresentam na forma de géis, emulsões, creme, em
que são incorporados os ativos clareadores e os despigmentantes. Agora, cabe ressaltar aqui que, ao fazer uso
dessas fórmulas, a área facial que requer atenção especial é a dos olhos, por conta das características histológicas
diferenciadas de sua pele.
Para Vanzin (2011), além dos ativos a base da formulação é muito importante, pois, devido à carência da secreção
sebácea nessa região, a pele se torna mais seca e sensível. Por isso, indica bases cosméticas do tipo emulsão, em
especial aquelas biocompatíveis com a pele ou que sejam precursoras de agentes hidratantes.
Ainda, as formulações para o tratamento das HPO (olheiras) devem conter ativos que promovam a ativação da
circulação periférica, antioxidantes, estimulantes da síntese de matriz extracelular e/ou relaxantes da contração
muscular, ou seja, ativos cosmecêuticos multifuncionais.
Na tabela a seguir conheceremos algumas formulações especialmente desenvolvidos para a área dos olhos que
reúnem a maioria das propriedades citadas.
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Formulações para a área dos olhos.
Fonte: VANZIN, 2011, p. 375.
Além da eficiência dos ativos e formulações despigmentantes que estudamos, para um melhor resultado no
tratamento estético, é preciso que o paciente evite a exposição solar e use fotoprotetores ou bloqueadores solares
com fator de proteção solar (FPS) alto para proteger-se e diminuir o desenvolvimento de hiperpigmentações
adicionais.
Neste contexto, reconhecemos que a cosmetoterapia é um importante aliado para o tratamento estético da
hiperpigmentação adquirida. Mesmo sendo uma afecção cutânea que representa um desafio, pois, o tratamento é
longo e requer adesão total do paciente, o controle e amenização da aparência inestética é possível com o uso
regular do agente despigmentante.
79
Proposta de atividade
Agora é a hora de recapitular tudo o que você aprendeu nesse capítulo! Elabore um resumo sobre o processo
fisiopatológico da hipercromia justificando as alterações no sistema melanócito-melanina que causam essa
disfunção estética. Ao produzir seu resumo, considere os principais conceitos abordados ao longo do capítulo e as
leituras básicas e complementares realizadas.
Recapitulando
As hipercromias são disfunções estéticas caracterizadas por alteração da cor natural da pele, que se apresentam de
forma localizada, difusa, regional ou circunscrita no corpo e estão diretamente relacionadas a distúrbios do
sistema melanócito-melanina. A estimulação do melanócito por fatores internos ou externos leva a produção
excessiva de melanina epidérmica ou dérmica o que origina manchas escurecidas.
Vimos que a melanina é originada da oxidação da tirosina pela enzima tirosinase para a diidroxifenilanina (DOPA)
dentro de células especializadas denominadas melanócitos. Neste processo são formados dois tipos de melanina;
a eumelanina e a feomelanina em taxas proporcionais, sendo a base da diferenciação dos diferentes fototipos de
pele.
Além disso, estudamos que a produção de melanina é influenciada por diversos fatores, como radiação solar,
hormônio estimulador de melanócitos (MSH), endotelina-1, fator de crescimento dos fibroblastos basais e
atividade de enzimas e proteínas estabilizadoras da tirosinase.
E, para um tratamento eficiente das hipercromias, é necessário em primeiro lugar avaliar qual o tipo de pigmento e
camada da pele, epiderme ou derme, fora atingida pela patologia. Os cosmecêuticos utilizados são à base de
substâncias despigmentantes ou clareadoras, que podem agir por diferentes mecanismos de ação, mas todos
ligados à produção ou transferência de pigmentos melânicos na pele.
Por fim, entendemos que as características físico-químicas e terapêuticas dos princípios ativos devem ser
observadas no momento da escolha de uma formulação clareadora ou despigmentante, bem como a
etiopatogenia da hipercromia a ser tratada. Dessa forma, obtemos a eficácia do tratamento e satisfação do
paciente.
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COSMIATRIA APLICADA
CAPÍTULO 4 - ACNE
Flávia Garramone
82
Objetivos do capítulo
Ao final deste capítulo, você será capaz de:
• Compreender as alterações na patologia, seus tipos e graus.
• Identificar o tratamento adequado.
Tópicos de estudo
• Etiologia.
• Unidade pilossebácea.
• Hipersecreção sebácea.
• Flora bacteriana saprófita e patogênica.
• Hiperqueratinização folicular.
• Fisiopatologia.
• Graus de acne.
• Acne inflamatória X não inflamatória.
• Fatores agravantes.
• Fatores atenuantes.
• Cosmetoterapia.
• Ativos queratolíticos.
• Ativos antissépticos.
• Ativos anti-inflamatórios.
• Ativos adstringentes.
• Tratamentos.
• Nutracêuticos orais para o tratamento da acne.
• Tratamentos cosméticos no .home care
• Tratamentos cosméticos no consultório.
• Fórmulas.
Contextualizando o cenário
A adolescência é uma fase marcada por transformações físicas, emocionais e estéticas, com o surgimento das
populares “cravos e espinhas”, que afetam a autoestima pela aparência da face, sendo que, por muito tempo
acreditava-se ser uma condição natural, pertinente da puberdade. Hoje, sabe-se que é uma doença dermatológica,
multifatorial, denominada .acne
O principal fator desencadeante da acne é a ação dos hormônios androgenéticos, ou seja, os sexuais, sobre a
fisiologia da unidade pilossebácea, desencadeando uma condição patológica que ocasiona a formação das lesões
não inflamatórias (comedões) e das inflamatórias (pápulas e pústulas), respectivamente cravos e espinhas ditos
comumente.
Conforme a quantidade e gravidade dessas lesões, e ainda, sua distribuição, pois, além da face, a acne pode
acometer também o pescoço, tórax e as costas, é possível diferenciá-la em diferentes tipos e graus. Com isso, é
possível dizer que há uma conduta terapêutica tanto para médicos quanto para esteticistas para o tratamento
adequado de cada um deles.
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Sendo assim, o conhecimento sobre a etiopatogenia da acne, pelo esteticista, é fundamental para a elaboração de
procedimentos eficientes para o tratamento dessa doença utilizando os principais recursos estéticos disponíveis,
mas tendo como de primeira eleição a cosmetoterapia.
Diante deste cenário, questiona-se: quais seriam as prioridades e os recursos cosméticos ideais no tratamento de
cada grau de acne?
4.1 Etiologia
A acne é uma das doenças dermatológicas mais comuns, de etiologia que engloba fatormultifatorial e crônica
hormonal prevalecente, alterando a fisiologia da unidade pilossebácea, causando hipersecreção sebácea, distúrbio
de queratinização folicular e importante ação da bactéria na formação e agravamento dasPropionibacterium acnes
lesões especificas da doença.
A unidade pilossebácea é uma estrutura anexa da pele, que está inserida na derme e distribuída na pele do corpo
humano, à exceção das regiões palmoplantares, lábios e glande nos homens. É conhecida como óstio, por onde é
secretado o sebo. Nela ocorre também a atividade mitótica do pelo e é local onde encontra-se o melanócito,
sendo, portanto, responsável pelo crescimento e pigmentação dos pelos, como veremos a seguir.
4.1.1 Unidade pilossebácea
Esta unidade é constituída pela anexa ao , com ou sem pelo, a partir de onde oglândula sebácea folículo piloso
sebo secretado alcança a superfície epidérmica para compor e manter o manto hidrolipídico, revestindo os pelos e
inibindo o crescimento de algumas bactérias.
Conforme Lupi (2012), os folículos pilosos são invaginações da epiderme na derme que têm como função revestir e
produzir o pelo, uma estrutura constituída de células de queratina a partir do bulbo e papila pilosa. Já a glândula
sebácea anexa é formada por células epiteliais que secretam o sebo, que é uma mistura de triglicerídeos,
colesterol, proteínas e sais inorgânicos.
O tamanho da glândula sebácea é inversamente proporcional ao pelo do folículo correspondente, sendo que as
maiores são encontradas em áreas onde o sistema piloso é menos desenvolvido, como nariz, tórax e dorso
corporal, local de predomínio da acne.
DICA
Para entender como um fator externo pode alterar a fisiologia do manto hidrolipídico, leia o
estudo sobre as alterações na pele da face de profissionais de unidades produtoras de refeição
do município de Tijucas – SC (Eufrasio, , 2011), que trata da composição do mantoet al.
hidrolipídico e como ele origina os tipos cutâneos (seca, normal, mista ou oleosa).
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Estruturas da pele - unidade pilossebácea
Fonte: © Designua / / Shutterstock.
Ademais, as células da unidade pilossebácea contêm e sofrem a influência receptores androgênio-dependentes
do desequilíbrio hormonal, causando aumento da produção sebácea, alteração da flora bacteriana da pele e
hiperqueratinização folicular, tendo uma resposta inflamatória que caracteriza a fisiopatologia da acne.
Um dos fatores principais para a formação da lesão primária da acne, ou seja, o microcomedão, é a hipersecreção
sebácea, sendo a partir desse desequilíbrio fisiológico que ocorre a instalação dos eventos seguintes da patologia
da acne, como veremos a seguir.
4.1.2 Hipersecreção sebácea
As glândulas sebáceas têm maior atividade na época da puberdade, pois são ativadas devido à ação hormonal
androgênica, principalmente da testosterona. Os hormônios androgênicos são produzidos nos testículos, ovários e
glândulas suprarrenais, e estimulam a hiperplasia dessa glândula, aumentando sua produção de sebo, o que torna
a pele, tanto de homens como de mulheres, mais oleosa.
PAUSA PARA REFLETIR
Seria a limpeza da pele com sabonetes, pelo menos duas vezes ao dia, uma rotina para conter o
excesso de oleosidade da pele?
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Segundo Lupi (2012), a glândula sebácea é sensível à presença dos andrógenos, pois a enzima 5-alfa-redutase,
presente no folículo piloso, transforma a testosterona livre em di-hidrotestosterona (DHT), uma forma mais ativa
que estimula a hipersecreção sebácea. O sebo, rico em matéria orgânica, como triglicerídeos, quando processado
pelos micro-organismos naturais residentes na pele, liberam ácidos graxos livres que irritam o folículo piloso,
causando inflamaçãolocal.
As mulheres podem ter a produção de sebo aumentada também durante os ciclos menstruais, pela redução dos
níveis de progesterona comum no período de ovulação, surgindo a acne que regride após a menstruação ou se
torna persistente, indicando uma possibilidade de que se tenha ovário policístico.
Metabolismo da produção de sebo pela glândula sebácea a partir da puberdade
Fonte: SOUZA, 2009 (Adaptado).
Pode ainda contribuir para a hipersecreção sebácea a ingestão de esteroides anabolizantes derivados da
testosterona, usados, por exemplo, em terapias de reposição hormonal para homens, que denota também outros
efeitos sistêmicos, como o aumento na performance e desenvolvimento muscular. Como recurso cosmetológico
para o tratamento da oleosidade excessiva, segundo Vanzin e Camargo (2011), existem ativos multifuncionais 
 contidos em formulações específicas que, além de desengordurar a pele, normalizam a atividade daadstringentes
glândula sebácea e bloqueiam a ação da enzima 5 α-redutase, uma das principais causas da acne, contribuindo
para normalização do tamanho dos óstios e do processo inflamatório da pele, evitando a hipersecreção sebácea
rebote.
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Os ativos adstringentes também atuam sobre a flora bacteriana residente da epiderme, exercendo efeitos
principalmente sobre os micro-organismos presentes na pele facial que causam a acne, como veremos a seguir.
4.1.3 Flora bacteriana saprófita e patogênica
No corpo humano há numerosas espécies de , ou seja, aquelas residentes habituais quebactérias saprófitas
apenas se nutrem de dejetos presentes no organismo. Estas são opostas às , que penetrambactérias patogênicas
no organismo, desenvolvem-se dentro dele e são responsáveis pelas infecções.
A maioria das bactérias que compõem a flora residente são benéficas e interrompem a ação de patogênicos, numa
rivalidade que mantém a homeostase da pele, estabelecendo um estado resistente à infecção. Algumas são
prejudiciais por conta das toxinas que liberam.
Na superfície da epiderme e na unidade pilossebácea, conforme Lupi (2012), se localizam as bactérias residentes
(saprófitas) , e a ., por precisarem de água e Propionibacterium acnes Staphylococcus epidermidis Malassezia spp
nutrientes sebáceos para seu desenvolvimento e proliferação.
Envolvido na patogênese da acne está o , um micro-organismo anaeróbico, alocado no folículo piloso, queP. acnes
se nutre do sebo nele depositado, participando da formação da lesão primária acneica, sendo capaz de rompê-la
por meio de suas enzimas, liberando ácido graxo livre e promovendo a degradação tecidual que estimula a
inflamação e agravamento do quadro clínico. Na imagem a seguir, podemos ver as alterações da unidade
pilossebácea que levam à formação dos graus de acne.
CURIOSIDADE
A acne localiza-se em regiões com maior número de folículos pilossebáceos. A face tem em
média 300 a 900 folículos pilossebáceos por cm2, sendo que esta área é a mais acometidas por
lesões, seguida do tórax, ombro e costas, com média 100 foliculos pilossebáceos por cm2
(GUIRRO, 2002).
87
O efeito e a ação da proliferação da bactéria P. acnes na evolução das lesões acneicas
Fonte: © Designua / / Shutterstock.
A indicação cosmética adequada para o controle bacteriano da acne são os que, conforme Vanzin e antissépticos
Camargo (2011), são formulações com função de eliminar ou inibir o crescimento de e P. acnes S. epidermidis
quando aplicados sobre a pele.
Esses ativos são classificados conforme seu mecanismo de ação biocida em: , devido à capacidade debactericidas
destruir, causar a morte das bactérias, e , porque inibem o crescimento da bactéria sem destruí-la,bacteriostáticos
sendo sua eliminação tarefa do sistema imunológico corporal.
Um exemplo são os tônicos compostos por ácidos orgânicos suaves, pois este ativo reduz o pH da pele criando um
meio inóspito para a proliferação bacteriana, além de auxiliar na redução da inflamação local e da
hiperqueratinização folicular, outra condição associada à formação da acne, assunto que será tratado a seguir.
4.1.4 Hiperqueratinização folicular
No folículo piloso normal, de uma forma cíclica, os queratinócitos se desprendem e descamam como células únicas
e são excretados, juntamente com o sebo, por meio do lúmen folicular até a superfície da pele.
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Alteração de crescimento e descamação das células das paredes foliculares
Fonte: © Akadet Guy / / Shutterstock.
Na acne, segundo Lupi (2012), as alterações na composição da secreção sebácea, como a redução do ácido
linoleico, e a participação de citocinas e interleucinas na comedogênese, podem irritar os queratinócitos dos
folículos pilososs, levando ao aumento de sua descamação e consequente inflamação pelo rompimento da
integridade da barreira folicular que facilita a penetração de bactérias e ácidos graxos pró-inflamatórios na derme.
Essa descamação excessiva leva à hiperqueratinização folicular, ou seja, acúmulo e compactação dos
queratinócitos no lúmen folicular que, aliado ao excesso de sebo, bactérias e resíduos celulares, formam a lesão
inicial de todas as outras existentes na acne, o microcomedão.
Para diminuir a hiperqueratose folicular, recomenda-se o uso de agentes ativos esfoliantes químicos e enzimáticos
nas formulações cosméticas, cujo objetivo é favorecer a uniformidade da capa córnea, desobstruindo os folículos,
liberando seu conteúdo na superfície ou favorecendo sua remoção manual (VANZIN; CAMARGO, 2011).
Nesse sentido, os químicos e enzimáticos são indicados, já que contém ativos como, por exemplo, peelings
retinóides, alfa e beta-hidroxiácidos, e enzimas proteolíticas de ação , que promovem a remoçãoqueratolíticas
controlada das camadas epidérmicas e agem nos mecanismos que induzem a acne, demonstrando, ainda, ações
anti-inflamatórias, antissépticas e antisseborreicas.
Entendendo a anatonofisiologia das estruturas que compõe a unidade pilossebácea e a etiologia da acne, o
esteticista pode compreender melhor a fisiopatologia da doença e reconhecer, na elaboração do procedimento
estético para seu o tratamento, a importância de optar por recursos cosméticos eficientes tanto em cabine como
em indicação para home care.
4.2 Fisiopatologia
A acne é uma doença inflamatória e crônica da unidade pilossebácea, que se desenvolve sob a influência
hormonal, cuja fisiopatologia tem quatro fatores primários que interagem de modo complexo.
Clique nos ícones e conheça esses fatores.
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Hiperqueratinização folicular.
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Hiperplasia sebácea.
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Colonização por P. acnes.
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Resposta imunológica com libertação de mediadores inflamatórios, formando a lesão 
inicial, o microcomedão.
O desequilíbrio causado pelos fatores fisiopatológicos agrava essa lesão primária que evolui, constituindo outras
lesões elementares diferenciadas em não inflamatórias e inflamatórias que definem sua gravidade em graus de
acne entre I a V, estabelecendo, ainda, os critérios de tratamento conforme a quantidade e severidade dessas
lesões.
4.2.1 Acne Inflamatória X não inflamatória
Entende-se por acne não inflamatória a primeira evolução do microcomedão, uma lesão elementar denominada 
, que surge em consequência da coesão dos produtos provenientes da hiperqueratinização folicular ecomedão
hiperplasia sebácea retidos no folículo pilossebáceo, ou seja, essencialmente constituídos de sebo e queratina,
diferenciado em dois tipos.
Clique nos termos e fique por dentro desses dois tipos.
Tipo 1
Comedão fechado - Manifesta-se como pequeno grão esbranquiçado coberto pela pele da
superfície do óstio.
Tipo 2
Comedão aberto - Surge pela dilatação do orifício folicular que expõe a superfície de seu
conteúdo sebáceo, que se oxida, tornando-se um ponto negro na pele (LUPI, 2012).
As lesões inflamatórias, surgem decorrentes da inflamação do comedão, proveniente da degradação do sebo
retido, do desequilíbrio da colonização do e da liberação dos mediadores químicos, caracterizando-se daP. acnes
seguinte forma. Para conhecê-las clique na interação.
Pápula
Surge como pequenaárea (até 3 mm) de eritema e edema ao redor do comedão. É o que se
conhece popularmente por “espinha interna”.
Pústula Sobrepõe-se à pápula pela sua inflamação e apresenta conteúdo purulento.
Nódulo Tem estrutura idêntica à pápula, porém maior, até 2 cm de diâmetro.
Cisto
Também conhecido como quisto. É grande comedão que sofreu várias rupturas e
recapsulações. É globoso, tenso, saliente e com conteúdo pastoso.
Acompanhe a seguir a ilustração com lesões inflamatórias e não inflamatórias da acne.
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Principais lesões inflamatórias e não inflamatórias da acne
Fonte: © Osckay Bence / / Shutterstock.
Na figura, vemos em A - comedão aberto; B - comedão fechado; C - pápula e D - pústula, observa-se os sinais
inflamatórios de eritema e congestão tecidual.
A presença das lesões inflamatórias da acne, conforme Vanzin e Camargo (2011), podem deixar sequelas
importantes na pele como cicatrizes e hipercromias pós inflamatórias, sendo que estas representam o acúmulo
pigmentar residual decorrente do processo inflamatório em forma de manchas castanhas claras ou escuras nas
áreas ao redor do acometimento acneico.
No tratamento da acne, a limpeza de pele profunda é a técnica de primeira escolha do esteticista, pois, com a
correta retirada do comedão, evita-se a instalação das lesões inflamatórias e, com os recursos cosméticos
específicos, é possível atuar nos fatores fisiopatológicos, controlando a doença (PEREIRA, 2013).
Outra técnica importante é o , principalmente químico, já que os ácidos são capazes de atuar ativamente na peeling
unidade pilossebácea e no mecanismo de ação do P. acnes, e ainda, prevenir ou tratar as sequelas, por
reorganizarem as fibras colágenas. Esta técnica diminui a aparência inestética das cicatrizes por conter ativos
despigmentantes que atuam na melanogênese, suavizando a hipercromia pós-inflamatória.
Para o manejo das lesões, o esteticista dispõe de técnicas adequadas para evitar danos à pele, porém, há um limite
para sua atuação independente, ou seja, graus específicos de acne em que se pode intervir com segurança na
execução do procedimento de tratamento estético, como veremos a seguir.
AFIRMAÇÃO
Toda inflamação deixa manchas na pele que desaparece lentamente, porém a hipercromia pós-
inflamatória é mais intensa e seu tratamento representa um desafio, além de ser de longa
duração (BECHARA; SZABÓ, 2006).
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4.2.2 Graus de Acne
O predomínio das diferentes lesões elementares da acne permite diferenciá-la em . Já a quantidade dessa tipos
lesões, a extensão e sua gravidade permitem classificá-la em diferentes , o que define a estratégia degraus
tratamento clínica. O quadro a seguir resume as características dessas classificações.
Classificação da acne segundo o tipo e grau de suas lesões
Fonte: LUPI, 2012 (Adaptado).
A acne pode ocorrer também, fisiologicamente, no período neonatal devido aos hormônios maternos,
caracterizando a , que acomete o recém-nascido e pode se estender na infância, sinalizando a precoceacne infantil
elevação hormonal androgênica. Normalmente a remissão é espontânea, mas aponta a tendência do paciente
desenvolver algum grau de acne até a idade adulta.
Fonte: © Vitalinka / / Shutterstock.
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Fonte: © Vitalinka / / Shutterstock.
Ainda sob influência hormonal está, conforme Pereira (2013), a , uma variação clínica comacne pré-menstrual
características da acne vulgar, agravada na fase pré-menstrual. Esse caso deve ser submetido à investigação
hormonal, pois pode revelar ovários policísticos.
Fonte: © Ocsay Bence / / Shutterstock.
De acordo com Pereira (2013), outras condições externas incluem formas de acne desencadeadas e não hormonais.
Clique na interação e saiba mais a respeito.
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Acne escoriada
Causada pelo trauma da manipulação compulsiva da pele, com ou sem lesões, pelo paciente com
distúrbios emocionais, ocasionando escoriações, crostas e cicatrizes.
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Acne ocupacional
Derivada da substância que o trabalhador tem contato, por exemplo, óleos de cozinha e minerais,
clorofenóis presentes em inseticidas, herbicidas e fungicidas, ou pelos acessórios, como capacetes
de motociclistas.
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Acne tropical
Ocorre em locais de clima quente e úmido, que afeta principalmente tronco e glúteos. Em geral a
face é poupada. Ocorrem também em pessoas que operam fornos.
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Acne medicamentosa
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Surge pelo uso de medicamentos andrógenos, anabolizantes, corticoides tópicos ou sistêmicos,
alguns tipos de anticoncepcionais, vitamina B12, fluconazol etc.
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Acne oclusiva ou cosmética
Ocorre por uso de cosméticos com base oleosa, os quais são oclusivos e comedogênicos. Comum na
região frontal e pré-auriculares da face, também em regiões corporais com contato do creme.
A sintomatologia da acne inclui prurido ou dor, em função do caráter inflamatório. Para definir sua cronicidade,
segundo Lupi (2012), é preciso observar o curso prolongado, padrão de recorrência e remissão, manifestação de
surtos agudos ou início insidioso e impacto psicossocial, afetando a qualidade de vida dos pacientes.
O tratamento da acne pode ser em nível estético e/ou médico, sendo a acne de graus I e II de atuação do
 e graus III, IV e V, do médico. No entanto, é sempre uma boa prática orientar o paciente a procurar umesteticista
dermatologista para acompanhar o quadro clínico, sendo que a acne é uma doença.
Níveis de atuação do esteticista para o tratamento da acne
Fonte: © Valeriokoye / / Shutterstock. © frank60 / / Shutterstock. © frank60 / / Shutterstock.
Na figura, vemos em a) e b), a presença e distribuição das lesões referentes aos graus de acne em que o esteticista
pode atuar isoladamente se desejar e em c), o grau e tipos de lesões em que há ação de tratamento em parceria
com o dermatologista.
O esteticista dispõe de vários recursos isolados ou associados para o tratamento da acne. Entretanto, é importante
eleger cosméticos para controlar ou reduzir o grau e a presença das lesões, sendo essencial formulações de baixo
teor de óleo, não comedogênicos, na forma de gel, gel-creme, sérum, fluidos e emulsões, contendo princípios
ativos, principalmente, queratolíticos, anti-inflamatórios, adstringentes e antissépticos para atuar na patogenia da
doença.
•
PAUSA PARA REFLETIR
Seria adequado associar recursos complementares à cosmetoterapia para o tratamento da
acne? Com que objetivo?
94
É preciso, ainda, investigar durante a anamnese as condições psicológicas/emocionais do cliente e os hábitos de
vida para observar os fatores agravantes, orientando sua mudança e apontando os fatores atenuantes que
contribuem para o tratamento da acne, como será visto a seguir.
4.2.3 Fatores agravantes
O principal fator desencadeante da acne é a influência hormonal dos andrógenos circulantes, que iniciam na
puberdade e podem continuar até os 25 anos ou mais, podendo ter curso de recorrência frequente. Contribuem
como agravantes, antecedentes familiares, uso de certos medicamentos e anabolizantes, as alterações do período
pré-menstrual e a presença de ovário policístico.
Considera-se como contribuição para o agravamento da acne alguns hábitos inadequados como, por exemplo,
alimentação desbalanceada, sedentarismo, o uso de cosméticos não específicos e o estresse emocional, condição
em que pode aumentar a secreção hormonal e alterar a produção e secreção de sebo.
Dessa forma, percebe-se que o tratamento estético da acne não se baseia somente na melhora da aparência física,
se preocupa com as condições de saúde relacionadas com o agravo ou indução externa da formação de lesões.
Sendo assim, é preciso por parte do esteticista conhecer os fatores atenuantes para contribuir com o paciente e o
sucesso da terapia estética, de acordo com o que será exposto a seguir.
4.2.4 Fatores atenuantes
Como os efeitos emocionais/psicológicos são significativos e vão além dos impactos físicos da acne, o esteticista
deve observar o estado da ansiedade, depressão, as relações sociais e a excessiva preocupação do cliente com sua
aparência estética, podendo orientar a busca porajuda médica especializada para melhorar sua qualidade de vida
e auxílio ao tratamento da acne.
A mudança no estilo de vida, com horas de sono apropriada, atividades físicas, rotina de higiene e cuidados home
 adequados, contribuem para a melhora do quadro clínico da acne. Além desses, o fator atenuante decare
destaque é o tratamento tópico precoce das lesões acneicas, sendo utilizado nos procedimentos estéticos,
formulações cosméticas com princípios ativos específicos e adequados para a acne como veremos a seguir.
4.3 Cosmetoterapia
A cosmetoterapia se refere à aplicação de cosméticos com finalidade terapêutica e estética, o que a torna um
recurso aliado e indispensável para o esteticista na elaboração, desenvolvimento e aplicação de protocolos de
tratamento para várias disfunções estéticas, entre elas, a acne em todos os graus, bem como suas sequelas, as
cicatrizes e hipercromias.
PAUSA PARA REFLETIR
A limpeza de pele profunda pode contribuir de que forma?
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Para o tratamento da acne, as formulações cosméticas tópicas disponíveis são coadjuvantes, auxiliares ou até
mesmo preventivas, cujo objetivo é agir na sua fisiopatologia, para isso, são desenvolvidas em base adequada,
com ativos multifuncionais, queratoliticos, antissépticos, adstringentes, entre outros.
4.3.1 Ativos queratolíticos
Os ativos queratolíticos são substâncias capazes de desorganizar quimicamente a molécula de queratina,
removendo as células epiteliais em níveis dependentes da concentração do ativo (REBELLO, 2004).
A tabela a seguir indica os principais agentes dessa categoria, porém, há vários outros que a constituem e alguns,
não necessariamente queratoliticos, que também contribuem para a remoção da capa córnea, como os ativos dos
esfoliantes físicos. Entretanto, os esfoliantes físicos devem ser evitados a partir da acne de grau II, pois podem
aumentar o processo inflamatório.
Principais ativos queratolíticos em formulações cosméticas para acne
Fonte: LUPI, 2012; REBELLO, 2004 (Adaptado).
96
Fonte: LUPI, 2012; REBELLO, 2004 (Adaptado).
O objetivo dos ativos queratoliticos é promover um , atuando na desobstrução do folículo piloso parapeeling
excretar o comedão, auxiliando no controle bacteriano e inflamatório, o que o torna multifuncional por integrar
efeito fisiológicos secundários. Sendo assim, percebe-se que esses agentes podem estar associados em
formulações cicatrizantes, anti-inflamatórias, antissépticas e adstringentes, entre outros.
4.3.2 Ativos antissépticos
São usados em sabonetes, tônicos e secativos, contribuindo para combater o . Na tabela a seguir, podemosP. acnes
observar as características e função fisiológica de alguns ativos antissépticos utilizados nas formulações
cosméticas.
Principais ativos antissépticos em formulações cosméticas para acne
Fonte: LUPI, 2012; REBELLO, 2004 (Adaptado).
Uma característica importante dos ativos antissépticos é seu mecanismo de ação antimicrobiana, bactericida e
bacteriostática sobre as bactérias, que no caso da acne é o , que interfere na função da unidadeP. acnes
pilossebácea.
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Para Rebello (2004), uma diferenciação de ativo multifuncional inclui o , um α-hidróxiácidoácido mandélico
queratolítico que pode ser utilizado em com ação antibacteriana, indicado para acnes não císticaspeeling
inflamatórias, agregando várias funções em um único cosmético.
4.3.3 Ativos anti-inflamatórios
Os ativos anti-inflamatórios são imprescindíveis no tratamento da acne inflamatória para diminuir o eritema e dor
e controlando as reações excessivas do processo.
Na tabela a seguir, podemos verificar a origem, as ações e concentrações apropriadas para as formulações a que se
destinam.
Principais ativos anti-inflamatórios em formulações cosméticas para acne
Fonte: LUPI, 2012; REBELLO, 2004 (Adaptado).
A ação anti-inflamatória desses ativos controla os sinais cardinais de dor, rubor, calor e edema, agindo como
descongestionantes da pele e atuando na reparação dos tecidos afetados pela inflamação desencadeada pelos
fatores fisiopatológicos da acne, que é outra função agregada que podemos perceber ação cicatrizante.
Dessa forma, é importante relembrar que a inflamação começa a ocorrer com a liberação dos ácidos graxos
presentes no sebo, assim, controlar a hiperatividade da glândula sebácea para reduzir a oleosidade da pele é um
fator imprescindível para o tratamento da acne, como veremos a seguir.
4.3.4 Ativos adstringentes
Os ativos adstringentes são normalizadores cutâneos que diminuem a oleosidade excessiva e agem bloqueando e
inibindo a ação da enzima 5α-redutase. Na tabela a seguir, podemos conhecer alguns ativos disponíveis,
identificando sua concentração e as principais ações fisiológicas para o tratamento da acne.
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Principais ativos adstringentes em formulações cosméticas para acne
Fonte: VANZIN; CAMARGO, 2011; REBELLO, 2004 (Adaptado).
Um ativo multifuncional é a , derivado da condensação do ácido azelaico com o aminoácido glicina.azeloglicina
Tem várias ações, incluindo despigmentante, sebonormalizadora, bacteriostática, queratolítica e hidratante. É
utilizada nas concentrações de 3% a 10%.
Diante do entendimento das formulações cosméticas, da origem e características funcionais dos princípios ativos
que atuam na fisiopatologia da acne, o esteticista tem subsídio para elaborar procedimentos aproveitando a
sinergia dos efeitos fisiológicos promovidos pelas categorias citadas, tornando o tratamento eficiente.
4.4 Tratamentos
Há vários tratamentos que são escolhidos de acordo com a tipologia e grau de acometimento da acne. De modo
geral, o tratamento profilático inclui os cuidados higiênicos e alimentares; o medicamentoso, uso de anti-
inflamatórios, antibióticos e isotretinoína, tanto oral quanto tópico. O estético, inclui, limpeza de pele,
eletrofototerapia e cosmetoterapia com o objetivo de minimizar os danos psicológicos e físicos da acne.
A acne apresenta padrão de recidiva e curso prolongado, sendo que os avanços no conhecimento de sua
fisiopatologia propiciaram uma abordagem de tratamento mais moderna que inclui terapias combinadas para
obter resultados favoráveis e duradouros.
Com isso, a indústria cosmética reuniu a combinação do conceito de alimento, fármaco e cosmético, originando os
nutracêuticos que contribuem para o tratamento da acne, como veremos a seguir.
4.4.1 Nutracêuticos orais para o tratamento da acne
São conhecidos como “cápsulas da beleza”, tratando-a de dentro para fora. Segundo Vanzin e Camargo (2011), são
suplementos alimentares nutricionais contidos em formulações em pó, cápsulas e/ou líquidos cuja finalidade é
ofertar o metabólito ativo à pele e órgãos para melhorar suas funções e conferir benefícios estéticos.
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A ação combinada do cosmético com um nutricosmético é uma tendência forte no tratamento estético, porém,
pouco conhecida por pacientes e muitos profissionais. A reposição oral de ativos metabólitos contribui, por
exemplo, para aumentar a síntese de colágeno e de glicosaminoglicanas, com a finalidade de melhorar a qualidade
e vitalidade da pele, unhas e cabelos, combatendo o envelhecimento cutâneo e discromias, auxiliando no
tratamento da obesidade e “celulite”, entre outras afecções.
A tabela a seguir dispõe alguns ativos nutracêuticos presentes nas formulações em cápsulas, pó ou líquidos, bem
como a dosagem de consumo diária recomendada por nutricionistas.
Ativos metabólitos em formulações nutracêuticas
Fonte: VANZIN; CAMARGO, 2011 (Adaptado).
No tratamento da acne, uma dieta ou função intestinal desequilibrada diminuem a absorção de vitaminas e
minerais, aumentando a retenção hídrica, e a inflamação celular. Alguns suplementos são coadjuvantes ao
100
tratamento tópico, por exemplo: , nutriente essencial que diminui a inflamação, previne aômega-3
hiperqueratinização dos folículos sebáceos; , que inibe a ação da 5α-redutase diminuindo a produção de sebozinco
pela glândula sebácea e também a , , , .vitamina A B6 selênio biotina e magnésio
A inserção de bioativos com função antioxidantes,anti-inflamatórios e hidratantes também são indicados para o
controle da acne, pois são reparadores da barreira cutânea, uma atividade essencial para a saúde da pele.
Além de melhorar sua nutrição, o paciente acneico deve ter consciência da necessidade de cuidados diários com a
saúde de sua pele, sendo importante estabelecer uma rotina de higiene e uso de cosméticos específicos para o
tratamento e controle da patogenia da doença, como veremos a seguir.
4.4.2 Tratamentos cosméticos no home care
Qualquer tratamento cosmético feitos em deve seguir uma sequência adequada de etapas quehome care
promovem a correta higienização da pele. O objetivo para a pele acneica é prevenir a proliferação bacteriana,
principalmente da pele lipídica, auxiliar a oxigenação tissular, facilitar a manutenção do manto hidrolipídico e
melhorar a absorção dos ativos cutâneos específicos.
Cabe ao esteticista orientar o cliente e indicar os cosméticos destinados para cada etapa, priorizando formulações
com ativos combinados, contribuindo, assim, na continuidade do tratamento a longo prazo pelo paciente. Com
relação à rotina de higienização facial, conforme Pereira (2013), deve-se incluir as etapas na seguinte sequência.
Clique na interação e confira.
1) Higienização
Deve ser realizada com formulações em gel, emulsão, sabonetes faciais e demaquilante com ativos adstringentes,
antissépticos e/ou queratolíticos, objetivando a remoção de impurezas, excesso de oleosidade, maquiagem e
poluição presentes na epiderme. Acompanhada, pode ser realizada no máximo duas vezes por semana a esfoliação
suave com ativos físicos, no caso da acne não inflamatória (apenas comedões), e químicos e/ou enzimáticos em
todos os outros graus, em baixas concentrações nas mesmas formulações citadas.
2) Tonificação
Indispensável por conta da função de reequilibrar o pH da pele, agindo, portanto, sobre a proliferação bacteriana.
As formulações são líquidas e contém ativos, antissépticos, adstringentes, hidratantes e/ou anti-inflamatórios.
3) Hidratação
Pode ser realizada com cosméticos em base gel, emulsão e/ou sérum contendo além dos ativos específicos, os de
ação emoliente, hidratante e reparadora da barreira cutânea.
4) Fotoproteção
É a finalização da sequência, realizada com formulações , contendo FPS mínimo 30.oil free
É comum o portador de acne demonstrar preocupação com a etapa de hidratação, por associá-las ao uso de
cremes. Orientá-lo, nesse sentido, é fundamental, esclarecendo sobre as formulações específicas e seus
mecanismos de ação hidratante sobre a pele, contendo, ainda, ativos cicatrizantes, secativos, seborreguladores e
despigmentantes que evitam a instalação das sequelas dessa afecção.
4.4.3 Tratamentos cosméticos no consultório
O tratamento de primeira eleição para acne realizado pelo esteticista é a limpeza de pele profunda, promovendo
em sua etapa de extração a correta remoção das lesões inflamatórias e não inflamatórias para evitar a evolução da
afecção. Nesse manejo, utiliza-se a técnica de extração manual, dispondo do auxílio de curetas e agulhas de
lancetagem para traumatizar o menos possível as áreas circunjacentes, devendo estas ser manejadas somente por
profissionais experientes.
Aliados e parte integrante dessa técnica estão os recursos eletroterapêuticos com objetivo específico em cada
etapa, como vapor de ozônio, que causa emoliência, facilitando a extração da acne, bem como a assepsia pela
101
presença do ozônio; o equipamento de alta frequência, que elimina o ; os lasers; os LEDs; asP. acnes
microcorrentes, entre outros, porém, todos promovem aumento da permeabilidade de membrana celular,
favorecendo a permeação dos princípios ativos dos cosméticos tanto no quanto em cabine.home care
Com relação à cosmetoterapia, há formulações destinadas para cada etapa da sequência de limpeza de pele
profunda, sendo que os cosmecêuticos são indispensáveis na realização dessa técnica, elegendo para o tratamento
da acne os que possuem princípios ativos que atuam na fisiopatologia da doença para restabelecer as funções da
unidade pilossebácea e/ou controlar de maneira efetiva o seu agravamento.
A etapa de aplicação da máscara cosmética é muito importante, pois possui alta concentração de ativos para acne
e são oclusivas, permitindo maior penetração destes e sedimentação dos efeitos fisiológicos das etapas anteriores.
Os cosméticos disponíveis possuem base cosméticas variadas, mas específicas, já os ativos principais devem atuar
na acne para dirimir os efeitos da sua patogenia e, ainda, possuir mecanismo de ação efetivo sobre os fatores
fisiopatológicos, por isso, as formulações integram o conceito cosmecêutico, como veremos a seguir.
4.4.4 Fórmulas
Nas formulações tópicas especificas para o tratamento da acne, o ativo é adicionado aos limpadores, hidratantes e
bases faciais. O principal deles é o , um β-hidroxiácido solúvel em óleo capaz de penetrar no folículoácido salicílico
piloso rico em sebo e induzir a esfoliação para soltar o tampão comedoniano, exercendo também um efeito anti-
inflamatório (VANZIN; CAMARGO, 2011).
O é um α-hidroxiácido utilizado similarmente, mas por ser solúvel em água, não é um comedolíticoácido glicólico
potente. Outro desta categoria é o , um poli-hidroxiácido que previne danos à barreira da peleácido lactobiônico
provocados pela acne.
Os eliminam e previnem a formação de microcomedões e, apesar de serem vendidos sem prescrição, oretinóides
acompanhamento médico é importante (LUPI, 2012). Quando utilizados em terapia combinada com um
antimicrobiano tópico ou oral, seus resultados são mais rápidos e melhores. Outros ativos comumente utilizados
são o enxofre e os sulfatos de zinco e de potássio, cujas formulações são conhecidas como magistrais para o
tratamento da acne.
Proposta de atividade
Agora é a hora de recapitular tudo o que você aprendeu nesse capítulo! Para tal, elabore um caso clínico de acne
grau II e um procedimento de tratamento utilizando na sequência de limpeza de pele as formulações
cosmecêuticas adequadas e estabeleça os cosméticos que indicaria como . Justifique suas escolhas comhome care
base no que foi visto ao longo do capítulo e leituras complementares.
Recapitulando
A prioridade no tratamento da acne é atuar na inflamação crônica da unidade pilossébacea promovida pela
doença. Tem como fator fisiopatológico a alteração hormonal androgenética que altera a produção sebácea e
queratinização dos folículos pilosos, favorecendo a ação do . Isso causa a formação de lesões inflamatóriasP. acnes
e não inflamatórias, com acometimento cutâneo em vários graus de acne.
Os cosméticos para o tratamento de cada um desses graus contêm ativos com ação direta sobre o mecanismo
fisiopatológico, reduzindo e eliminando os comedões, pápulas, pústulas e evitando a cicatrizes e hipercromias
sequelares, sendo que, para isso, possuem ação adstringente, antisséptica, bactericida, bacteriostática, anti-
inflamatória, cicatrizante e hidratante.
102
Porém a adesão do cliente é de extrema importante para o sucesso dos procedimentos profissionais, pois os
cuidados e mudança de estilo de vida são arsenais também prioritários no controle da acne. Umahome care
conduta comum, por exemplo, é o excesso de lavagem facial com sabonetes alcalinos para tentar reduzir a
oleosidade excessiva na intenção de reduzir também a acne. No entanto, esses agentes são agressivos e
contribuem para desestabilizar o pH da pele, intensificando a hipersecreção sebácea, proliferação do e a P. acnes
inflamação, ou seja, um efeito rebote que piora o quadro da acne.
Técnicas cosméticas isoladas como os químicos e enzimáticos são opções favoráveis e muito utilizadas. As peelings
estéticas associadas à cosmetoterapia são utilizadas pelos esteticistas no tratamento da acne, entre elas, a limpeza
de pele profunda para adequada remoção das lesões, e eletroterapia que, além de auxiliar o tratamento, altera a
permeabilidade cutânea, facilitando a permeação dos ativos para atingirem o local específico de sua atuação, a
epiderme, derme eunidade pilossebácea.
Referências
BECHARA, G. H.; SZABÓ, M. P. J. FaculdadeProcesso Inflamatório. 1. Alterações Vasculares e Mediação Química. 
de Ciências Agrárias e Veterinárias. Universidade Estadual Paulista, Departamento de patologia. 2006. Disponível 
em: <www.fcav.unesp.br/Home/departamentos/patologia/GERVASIOHENRIQUEBECHARA
. Acesso em: 15/02/2019./inflam_aspectosvasculares2006.pdf>
EUFRÁSIO, B.; BRITO, P. L.; PIAZZA, F. C. P. Estudo sobre as alterações na pele da face de profissionais de
 Universidade Vale do Itajaí, UNIVALI.unidades produtoras de refeição do município de Tijucas, SC. Ano 2011.
Disponível em:
< > Acesso em: 22/03siaibib01.univali.br/pdf/Bruna%20Eufrasio%20e%20Patricia%20Laus%20de%20Brito.pdf . 
/2019.
LUPI, O.; BELO, J.; CUNHA, P. Rotinas de Diagnóstico e Tratamento da Sociedade Brasileira de Dermatologia -
 2. ed. São Paulo: AC Farmacêutica, 2012.SBD.
PEREIRA, M. F. L. (Org). . v. 1. São Paulo: Difusão Editora, 2013.Recursos Técnicos em Estética
GUIRRO, E.; GUIRRO, R. 3. ed. São Paulo:Fisioterapia dermato-funcional: fundamentos, recursos, patologias.
Manole, 2002.
VANZIN, S. B.; CAMARGO, C. P. – Diagnósticos e Tratamentos. São Paulo: Santos, 2011.Entendendo Cosmecêuticos
REBELLO, T. 9. ed. São Paulo: Editora Senac, 2004.Guia de produtos cosméticos.
103
http://www.fcav.unesp.br/Home/departamentos/patologia/GERVASIOHENRIQUEBECHARA/inflam_aspectosvasculares2006.pdf
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http://iaibib01.univali.br/pdf/Bruna%20Eufrasio%20e%20Patricia%20Laus%20de%20Brito.pdf
COSMIATRIA APLICADA
CAPÍTULO 5 - ENVELHECIMENTO CUTÂNEO
Flávia Garramone
104
Objetivos do capítulo
Ao final deste capítulo, você será capaz de:
• Diferenciar o envelhecimento extrínseco e intrínseco;
• Identificar as alterações na pele decorrentes do envelhecimento;
• Correlacionar com a fisiopatologia, bem como desenvolver o tratamento mais adequado.
Tópicos de estudo
• Tipos.
• Intrínseco ou cronosenescência.
• Extrínseco ou actinocenescência.
• Envelhecimento entre os gêneros e etnias.
• Envelhecimento patológico.
• Fisiopatologia.
• Estresse oxidativo e os radicais livres.
• Fatores agravantes ou aceleradores.
• Hormônios e o envelhecimento.
• Aspectos psicológicos e nutricionais.
• Alterações.
• Hidratação e função de barreira.
• Renovação celular prejudicada.
• Flacidez e perda do contorno.
• Pigmentação desuniforme.
• Ativos cosméticos.
• Antioxidantes.
• Renovadores celulares físicos, químicos e biomiméticos.
• Ativos preenchedores.
• Ativos Dermorelax, neurocosméticos entre outras classes de ativos antienvelhecimento cutâneo.
Contextualizando o cenário
A busca pelo rejuvenescimento cutâneo, principalmente o facial, tem aumentado muito nos últimos anos,
demonstrando o interesse cada vez mais precoce das pessoas. O envelhecimento é um processo natural,
degenerativo e progressivo de todos os órgãos. E, como não poderia deixar de ser, também da pele, o maior órgão
em peso e extensão do corpo humano, através do qual podemos nos comunicar com o meio ambiente.
Apesar da continua renovação, a fase de senescência, ou seja, de envelhecimento, sujeita a pele às manifestações
clínicas como rugas, aumento de espessura, pigmentações, entre outras, provocadas por alterações bioquímicas
ao nível de suas estruturas que levam ao declínio funcional metabólico. Esse envelhecimento cutâneo pode ser
intrínseco (cronológico), ou extrínseco (actínico).
Felizmente, a cosmetoterapia é uma área científica que se interessa muito em desenvolver cosméticos, cada vez
mais eficientes, para retardar os efeitos do processo de envelhecimento. Não só na investigação de ativos
multifuncionais, como no desenvolvimento de veículos igualmente eficazes e biocompatíveis. Diante desse
cenário, questiona-se: como esses cosmecêuticos atuam tratando e prevenindo o envelhecimento cutâneo?
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5.1. Tipos
O processo de envelhecimento faz parte da biologia natural de todos os seres vivos. Na face, inicia-se ao redor dos
20 anos, quando a taxa de renovação celular se torna mais lenta, mas as manifestações demoram anos para serem
percebidas e são determinadas pela depressão de tecidos moles, com perda de tecido muscular, tecido celular
subcutâneo e atrofia da pele (AZULAY, 2017).
A pele, por estar em contato direto com o meio ambiente, ainda recebe estímulos externos que promovem e/ou
aceleram o envelhecimento. Dessa forma, definem-se dois tipos de envelhecimento: o intrínseco, que corresponde
à idade cronológica de cada indivíduo, e o extrínseco, que engloba dentre vários fatores o fotoenvelhecimento. A
seguir, conheceremos melhor seus aspectos diferenciais.
5.1.1. Intrínseco ou cronosenescência
Cada indivíduo reage de forma única ao avanço da idade. Justificando esse processo, há várias teorias que
explicam o envelhecimento, dentre elas a , que o examina sob a ótica do declínio e da degeneração da biológica
função e estrutura dos sistemas orgânicos e das células, caracterizando a senescência. Segundo Farinatti (2002), a
teoria biológica subdivide-se em duas vertentes que você conhece clicando a seguir:
Teoria genética
Na qual o envelhecimento é desencadeado por uma programação puramente genética, explicada pelos fatores
somáticos e imunológicos, a expressão dos genes e ação das telomerases, enzimas capazes de repor, até certo
ponto, os segmentos dos telômeros perdidos durante as divisões celulares.
Teoria estocásticas
Que relaciona o envelhecimento com a acumulação sucessivas de lesões ao DNA, inibindo o funcionamento celular
e a expressão apropriada dos genes, justificada pelos processos associados à ação nutricional, ambiental de
estresse oxidativo e radicais livres, das radiações ao DNA mitocondrial que causam a morte celular.
No entanto, há sobreposição desses fatores. Segundo Azulay (2017), o fator mais apontado para influenciar o
envelhecimento celular é o genético somado aos fatores ambientais e culturais os quais atuam, de modo aleatório,
no tempo de vida das células, conduzindo a morte celular por apoptose ou necrose. Assim, fatores como
alimentação, qualidade do ar, radiações podem interferir na funcionalidade da célula, acelerando seu
envelhecimento e conduzindo à morte.
Conforme a teoria genética, o envelhecimento é programado do nascimento até a morte, ou seja, é de origem
genética, metabólica, celular ou molecular. Para Guirro e Guirro (2002), pode ser entendida como uma perda
progressiva da capacidade de homeostase orgânica, devido à deterioração intrínseca dos mecanismos fisiológicos.
A esse tipo de envelhecimento intrínseco denomina-se ou , cronosenescência cronoenvelhecimento.
106
As alterações cutâneas, causadas pelo envelhecimento cronológico, conforme Azulay (2017), são mais suaves,
lentas e graduais. Isto resulta em uma pele mais fina, frágil, seca, com perda progressiva da elasticidade, atrofia
cutânea e aumento das linhas de expressão e rugas. Geneticamente, é influenciada pelas informações que
caracterizam e individualizam cada indivíduo, ou seja, os cromossomos.
Segundo Guirro e Guirro (2002), os cromossomos possuem porções terminais chamadas telômeros. A cada ciclo de
renovação celular (mitose), ocorre o . Essa perda sucessiva atua como um relógio encurtamento desse telômeros
biológico que determina o tempo de vida celular. No entanto, a (transcriptase reversa), é uma enzimatelomerase
capaz de repor os segmentos dos telômeros perdidos durante as divisões celulares, estabilizando e compensando
a perda até certo tempo.
Navegue no recurso a seguir e conheça mais sobre o envelhecimento intrínseco:
Redução da
telomerase
Ainda para o autor, no envelhecimento intrínseco, à medida que a idade avança, há uma
redução progressiva da enzima telomerase e, com isso, o telômero atinge um tamanho
crítico, perdendo a capacidade de divisão celular. Esse processo deflagra a morte das
células, geralmente, por , ou seja, autodestruição, desencadeado devidoàsapoptose
alterações geradas na que levam à ativação das as proteínas maismitocôndria, caspases,
importantes no processo de apoptose.
Intensificando
o processo
Intensificando esse processo, Azulay (2017) explica que os telômeros são lesionados pelas
espécies reativas de oxigênio (ROS), ou seja, os radicais livres decorrentes do metabolismo
oxidativo mitocondrial. Quando em excesso, os radicais livres levam à oxidação do DNA
resultando em mutações genéticas, comprometem o funcionamento da mitocôndria e da
sinalização transmembrana.
Morte celular
programada
Dessa forma, a ação dos radicais livres endógenos ou exógenos levam a lesões necróticas
celulares, como estudaremos adiante. No entanto, junto com a célula lesionada, o DNA
oxidado e uma via de sinalização defeituosa, o telômero ativo inicia a morte celular
.programada
Com o encurtamento dos telômeros dos cromossomos, o ciclo de divisão celular se interrompe e há morte celular.
A figura abaixo, demonstra o processo descrito.
PAUSA PARA REFLETIR
Será possível retardar o envelhecimento natural com ativos de dentro para fora?
107
Relação do encurtamento dos telômeros no envelhecimento.
Fonte: © Designua / / Shutterstock.
Sendo assim, todo esse processo progressivo de deterioração morfológica e funcional do organismo, causa
alterações intrínsecas nas células e estruturas da pele refletindo as características do cronoenvelhecimento. No
entanto, a pele está exposta e em contato direto com o meio externo, havendo a superposição dos fatores
ambientais, os quais são inevitáveis.
108
Entre eles o de maior relevância são os efeitos da radiação ultravioleta (UVA/UVB), proveniente da exposição solar
excessiva, que não só interferem no envelhecimento gradual, como desencadeiam o envelhecimento actínico ou
precoce, conforme entenderemos a seguir.
5.1.2. Extrínseco ou actinocênescencia
Enquanto o envelhecimento intrínseco surge gradualmente ao longo da vida, o envelhecimento extrínseco, se
caracteriza como precoce. Esse tipo de envelhecimento é influenciado pelos fatores externos ao organismo,
conforme postula a teoria estocástica, citada por Farinatti (2002), predominantemente pelos efeitos da radiação
ultravioleta solar (RUV), caracterizando o fotoenvelhecimento ou actinocênescencia.
Dessa forma, Vanzin (2011) afirma que a radiação solar excessiva é o principal fator envolvido na patologia do
fotoenvelhecimento. Porém, a radiação ultravioleta não provém somente da luz do sol, lâmpadas fluorescentes e a
luz de monitores de computadores também são fontes emissoras.
Segundo Costa (2012), a característica prejudicial da radiação UVA/UVB, é interagir ativamente com as células da
pele, sendo o DNA um dos seus principais alvos. Isto porque, como fontes geradoras de radicais livres, culminam no
estresse oxidativo, um fator limitante para a vida da célula. O excesso de radicais livres pode comprometer o
funcionamento celular e/ou lesionar o DNA, levando à necrose e posterior morte celular.
No entanto, segundo Azulay (2017), essas lesões são continuamente reparadas pelas polimerases, enzimas que
atuam no processo de replicação do DNA. Porém, quando não conseguem mais repará-las na mesma velocidade
com a qual são produzidas, as células entram no estado de morte, ou seja, Nesse processo, a rupturanecrose.
celular libera o conteúdo rico em proteases (enzimas que quebram outras proteínas), e outras substâncias tóxicas
para o tecido vizinho.
Sendo assim, clinicamente, segundo Lupi (2012), a pele fotoenvelhecida ou actínica manifesta diferenças
significativas quando comparada à pele naturalmente envelhecida. Esta, apresenta maior espessura, é mais
enrugada, com pigmentação irregular e tendência a desenvolver hiperpigmentações, dada a ação da radiação.
Então, já desencadeada por ela, a ação enzimática aumenta a flacidez cutânea, a perda do contorno facial e a
elastose.
No cronoenvelhecimento as alterações aparentam conformidade com a idade, já no fotoenvelhecimento, há
exacerbação incompatível com a faixa etária. Na figura abaixo podemos observar as diferenças estéticas do
envelhecimento intrínseco e extrínseco.
CONTEXTO
A fotoproteção previne os efeitos danosos da radiação ultravioleta. Segundo Balogh l. (2011),et a
diversas moléculas na pele podem absorver a radiação UV e sofrer alterações químicas. A
primeira linha de defesa é a utilização dos fotoprotetores, também denominados protetores
solares.
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Diferenças estéticas do envelhecimento intrínseco e extrínseco.
Fonte: © Evgeny Atamanenko / / Shutterstock.
Além das diferenças estéticas do crono e do fotoenvelhecimento, evidenciamos as principais alterações
 e desses dois processos fisiológicos, sendo o acúmulo de radicais livres pelas célulasmoleculares bioquímicas 
senescentes a característica marcante. Cabe ressaltar que esse traço em comum altera a morfologia e função da
mitocôndria celular, conduzindo inevitavelmente a morte celular por apoptose ou necrose.
Dessa forma, detalharemos melhor esses eventos celulares, assim como a renovação celular ( ) prejudicadaturn over
no envelhecimento cutâneo, quando estudarmos o estresse oxidativo.
Contudo, na actinosenescência, o aspecto da pele é variável entre os indivíduos e conforme Costa (2012), depende
da frequência e duração da exposição solar no decorrer da vida, além, da resposta individual, quanto a
pigmentação cutânea. Assim, veremos a seguir que indivíduos de fototipos baixos, por exemplo, apresentam maior
envelhecimento relacionado com a fotoexposição solar.
5.1.3. Envelhecimento entre os gêneros e etnias
Embora os tipos de pele pareçam semelhantes do ponto de vista anatômico, funcional e bioquímico, existem
variáveis entre elas, principalmente quando se trata das etnias. As diferenças mais importantes são o fototipo, a
estrutura da camada córnea e os fatores do manto hidrolipídico. Esse conjunto determina as diferentes alterações
cutâneas inestéticas com relação ao envelhecimento.
110
Quanto ao fototipo, este indica a resposta da pele na presença da radiação solar. Segundo Vanzin (2011), a
radiação UVB penetra o estrato córneo e a epiderme que respondem com o eritema cutâneo. Já a radiação UVA,
penetra a derme, afeta o melanócito, a lâmina dermo-epidérmica e as estruturas da matriz extracelular. Sendo,
portanto, a radiação UVA, a principal responsável pelo fotoenvelhecimento.
Para Peyrefitte (1998), o envelhecimento cutâneo ocorre tardiamente em negros, devido o maior conteúdo deet al.
melanina e a distribuição dos melanossomas. Esses fatores em conjunto com a camada córnea mais coesa
resultam em diferenças na transmissão da luz através da epiderme. A transmissão epidérmica de radiação UVA é de
17,5% em negros e de 55,5% nos brancos, devido à maior transparência da pele branca, o que contribui para o
envelhecimento precoce.
Em relação à espessura epidérmica, Costa (2012) cita que os homens apresentam maior espessura durante a vida,
com progressivo adelgaçamento ao longo dos anos. Já as mulheres se mantêm com espessura quase constante até
os 50 anos de vida, com posterior adelgaçamento. Isso decorre da ação, principalmente, da testosterona que
aumenta a queratinização das células epidérmicas.
Conforme Guirro e Guirro (2002), a raça negra apresenta mais camadas celulares e maior conteúdo lipídico. Porém,
quando comparados à raça branca e à asiática, apresentam maior perda de água e uma pele mais ressecada. Há,
ainda, maior filme lipídico no sexo masculino, devido ao maior número e capacidade funcional das glândulas
sebáceas e a maior espessura da epiderme.
No entanto, segundo Vanzin (2011), as agressões externas interferem na integridade da barreira cutânea, em
ambos os sexos, por reduzirem a quebra enzimática da filagrina em aminoácidos do fator de hidratação natural e
prejudicarem o processo de descamação natural dos corneócito, causando desidratação.
A imagem abaixo, nos mostra pessoas de diferentes etnias e ambos os sexos. Nela podemos observar algumas das
características citadas.
CONTEXTO
O Brasil é conhecidopor sua miscigenação racial. Segundo Batistela (2007), trata-se de umet al.
aspecto em ascensão e na mira de empresas que apostam em estratégias e novos cosmecêuticos
direcionados às diferenças fisiológicas e às características histológicas desses consumidores.
111
Envelhecimento entre os gêneros e as etnias.
Fonte: © sirtravelalot / / Shutterstock.
Dessa forma, as características individuais quanto ao gênero e etnia constituem no crono e fotoenvelhecimento,
tendência ao prevalecimento de certas alterações. Nos caucasianos, evidencia-se maior presença de rugas,
elastose e melanoses, enquanto nos negros há tendência maior a hipercromias, a lentigos e a queratoses, sendo o
aparecimento de rugas finas mais tardio.
Contudo, independente do gênero ou da etnia, as modificações promovidas pelo envelhecimento determinam a
nível do organismo humano, conduzindo-o a uma perda da capacidade de adaptação ao meio ambiente. Isto
ocasiona mais vulnerabilidade e maior incidência de patologia crônica a qual se traduz em um processo de
envelhecimento do ponto de vista patológico, como veremos a seguir.
5.1.4. Envelhecimento patológico
O padrão genético do organismo determina não só o fenótipo individual, mas também as patologias. Conforme
Azulay (2017), há síndromes e condições patológicas, denominadas progeroides, as quais os sinais de
envelhecimento se manifestam fora do período normal. Constituem patologias de causas genéticas raras e
distintas, com características particulares.
A mais comum com manifestação na infância é a Síndrome de Hutchinson-Gilford. Segundo Silva e Nunes progeria
(2019), é uma doença genética extremamente rara que acomete crianças a partir de um ano de idade. Ela acelera o
processo de envelhecimento em cerca de sete vezes em relação à taxa normal. Embora a criança não possua
atrasos mentais, apresenta grave atraso no crescimento, perda de cabelo, características faciais típicas, pele fina e
enrugada, gordura subcutânea diminuída e restrita mobilidade articular.
Ainda, Kaiser (2008), cita a mutação e perda de função do gene WRN que leva Síndrome Hereditária deet al.
Werner. Uma doença autossômica recessiva rara associada à envelhecimento precoce em pessoas muito jovens. O
quadro clínico apresenta aparência senil, alopecia ou cabelos grisalhos precoce, pele esclerótica ou atrófica,
hiperqueratose, catarata, aterosclerose, diabetes melito tipo 2, hipogonadismo e risco de neoplasias raras.
Conforme a teoria genética do envelhecimento citada por Farinatti (2002), as expressões gênicas influenciam a
senescência, a incidência de processos patológicos hereditários e, também, outras patologias predominantes do
envelhecimento. Ainda, determinam a longevidade, demonstrando a interligação desses mecanismos.
112
Segundo Alberte (2015), os genes da longevidade atrasam o processo de envelhecimento ao diminuir aet al.
senescência celular através de mecanismos de reparação ou aumentando a resistência celular aos fatores
agressores do organismo. Clique a seguir e conheça mais sobre os genes envolvidos nesse processo:
• Genes do envelhecimento
Os genes do envelhecimento, de acordo com Costa (2012), são aqueles que de alguma forma aceleram o
processo. Eles atuam diretamente no órgão ou indiretamente, em nível celular, contribuindo para o
aparecimento de patologias comuns como o Alzheimer, doença cardiovascular, disfunção hepática e a
diabetes tipo 2. Ainda modulam a resposta individual às agressões ambientais e às terapêuticas
farmacológicas.
• Estresse oxidativo e envelhecimento
Corroborando Farinatti (2002), este cita que o estresse oxidativo é um fator envolvido em várias doenças
crônicas associadas ao envelhecimento, além das já apontadas, doenças como síndrome metabólica,
artrite reumatoide e doença de Parkinson. Porém, com a melhor compreensão do processo de
envelhecimento foram descobertos nos últimos anos que, genes envolvidos em algumas dessas
patologias, também se relacionam à longevidade, ou seja, o mesmo gene que desencadeia certas doenças,
também pode diminuir a senescência celular.
• Genes da longevidade
Nesse sentido, Alberte (2015), citam como exemplo de genes da longevidade, a et al. apolipoproteína E
 e as relacionados ao desenvolvimento patológico da doença de Alzheimer e diabetes. Os(APO E) sirtuinas
genes das sirtuinas estão envolvidos nas reações celulares de resposta ao estresse oxidativo, por regular a
ação dos antioxidantes fisiológicos. Com a restrição calórica, a expressão das sirtuinas aumenta e esses
genes passam a prevenir o desenvolvimento de patologias e aumentar a longevidade celular.
• Mecanismos fisiológicos e patológicos do envelhecimento
Diante desse contexto, demonstra-se a interligação dos mecanismos fisiológicos e patológicos do
envelhecimento, conforme indicado por Farinatti (2002), apontando inclusive, possíveis intervenções
preventivas, como a prática de exercício físico, a dieta e a restrição calórica, os quais aumentam a
expressão dos genes da longevidade, agem no eixo hormonal de fatores de crescimento, os quais têm
papel importante na promoção da proliferação celular e na inibição da apoptose.
Sendo assim, observa-se que não existe um processo único de envelhecimento. As influências são multifatoriais,
sejam elas intrínsecas, genéticas, metabólicas, adquiridas ou extrínsecas provenientes do ambiente. No entanto,
todas implicam nas estruturas da pele e interferem em seu metabolismo homeostático. Portanto, entenderemos a
seguir a fisiopatologia do envelhecimento.
PAUSA PARA REFLETIR
Qual a importância da alimentação e atividade física para o envelhecimento?
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•
•
113
5.2. Fisiopatologia
O envelhecimento é um processo observado pelo aparecimento de linhas de expressão facial, flacidez da pele,
manchas de idade, aumento da limitação física, perda de memória, entre outros. Entretanto, isso representa a
expressão da redução gradual da atividade celular, refletida nos tecidos e órgãos do organismo. Assim, a
fisiopatologia do envelhecimento se concentra no papel das mitocôndrias celulares.
O declínio das funções do complexo epiderme-derme no envelhecimento levam a redução do ritmo de renovação
celular; diminuição da espessura epidérmica e da junção derme-epiderme, como resultado de lesões celulares
/moleculares, cuja raiz está na acúmulo de radicais livres que afetam principalmente, o colágeno, seja por fatores
intrínsecos ou extrínsecos, os quais agravam ou aceleram o processo de degradação. Este é o assunto que veremos
a diante.
5.2.1. Estresse oxidativo e os radicais livres
A atividade celular não está restrita somente ao controle do DNA ou perda da capacidade ditada pelo
encurtamento telomérico, a mitocôndria é o seu centro gerador de energia (ATP). Conforme Farinatti (2002), se a
atividade mitocondrial for alterada ou comprometida, as funções celulares também serão, conduzindo células e
tecidos à morte, conforme preconiza a teoria estocástica.
Segundo Azulay (2017), decréscimo da produção de ATP provoca o aparecimento de doenças características do
envelhecimento. Esse fato está relacionado à ação de radicais livres, provocado pelo estresse oxidativo que atua
sobre a mitocôndria, danifica o DNA, aumenta o acúmulo de lesões celulares e reduz a capacidade fisiológica dos
reparos.
O segundo Costa (2012), é uma condição biológica em que existe um desequilíbrio, comestresse oxidativo, 
predomínio da formação de espécies reativas do oxigênio (ROS), ou seja, radicais livres. Estes são, por sua vez,
moléculas químicas bastante reativas, derivadas da redução parcial do oxigênio, apresentando um número não
pareado de elétrons.
Destaca-se ainda que a formação dos radicais livres pode ser de origem endógena ou exógena. Vamos conhecê-las
clicando nas abas a seguir,
Produção endógena
Conforme Vanzin (2011), a produção endógena ocorre pela atividade da mitocôndria na produção de ATP e está
envolvida em vários processos fisiológicos de sinalização e regulação metabólica. Sendo assim, são gerados desde
o momento da concepção e asua produção é contínua durante toda a nossa existência.
Formação exógena
Segundo Guirro e Guirro (2002), a formação exógena se dá devido aos fatores externos, principalmente pela
radiação ultravioleta (UVA-UVB), o tabagismo, poluição, estresse físico e emocional, além das características
nutricionais. Porém, o organismo é capaz de neutralizar os radicais livres produzidos por um sistema endógeno
antioxidante, dado pelas vitaminas C, E, tocoferóis e enzimas como a glutadiona peroxidase (GPx), catalase (CAT),
entre outros, as quais previnem e corrigem a lesão oxidativa celular, conforme mostrado na figura abaixo.
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Radicais livres e Estresse oxidativo.
Fonte: © Oleksandr Khoma / / Shutterstock / © CLUSTERX / / Shutterstock.
Na figura acima, observamos a molécula de radical livre (ROS) endógeno sendo neutralizada pelo agente
antioxidante fisiológico, ao lhe fornecer um elétron. Porém, quando há excesso de formação ROS, o mecanismo
endógeno não supre a necessidade e ocorre o acúmulo de ROS, conduzindo ao estresse oxidativo que lesiona e
incapacita a célula.
Porém, segundo Farinatti (2002) este mecanismo de defesa natural é facilmente perdido, conduzindo ao acúmulo
de radicais livres que geram o estresse oxidativo, comprometendo as estruturas proteicas, lipídicas e o DNA,
expressando-se como um fator de toxicidade para as células que levam ao processo de morte celular.
A morte das células pode ocorrer por apoptose e por necrose. Clique a seguir para compreender como isso ocorre 
nestes dois casos.
• Apoptose
Conforme Azulay (2017), a representa uma perda celular benéfica que ocorre sem danos aoapoptose
organismo, pois, seu mecanismo ocorre através da ativação de processos bioquímicos, sem desencadear
processo inflamatório. É uma condição fisiológica normal, de remoção das células danificadas para a
reposição por novas células.
Uma característica marcante no processo apoptótico é a manutenção da integridade das organelas,
principalmente em relação à mitocôndria. Repare que todas as alterações morfológicas relativas ao
processo são determinadas pela ação das E, essas proteínas estão presentes no citoplasmacaspases.
celular ou no interior das mitocôndrias e compreendem um grupo de enzimas baseadas em cisteína,
capazes de fragmentar outras proteínas estruturais para a remoção da célula do tecido.
• Necrose
Já a conforme Azulay (2017), está relacionada a agressões severas que comprometem a produçãonecrose,
de ATP mitocondrial, a integridade da membrana celular, a síntese proteica e a capacidade de
multiplicação celular (RNA e DNA). Dessa forma, a autodestruição celular é seguida da desorganização
progressiva, com desintegração completa da região acometida.
•
•
115
Observa-se, então que a desorganização das estruturas celulares, leva ao derrame dos componentes as
células e tecidos vizinhos os quais ativam as e atraem , causandoproteinases células do sistema imune
intensa reação inflamatória.
A figura abaixo mostra a diferença entre o processo de morte celular por apoptose e por necrose.
Mecanismos histológicos de apoptose e de necrose.
Fonte: © Designua / / Shutterstock.
Na figura acima, observa-se os processos fisiológicos que conduzem à morte celular, em que: a alteração na
morfologia celular conduz à apoptose, um processo de autodestruição programado, cuja ação das caspases,
permite a remoção total das estruturas celulares sem danos ao organismo, já as graves lesões celulares, provocam
a perda da homeostase interna que conduz a necrose, um processo de autodestruição desorganizado, que causa a
desintegração completa da região acometida (autólise celular). Fonte: Shutterstock, 2019
116
Dessa forma, segundo Guirro e Guirro (2002), o estresse oxidativo é responsável por uma cascata de reações que
promove a ativação de enzimas , como a colagenase e elastase. Estasmetaproteinases de matriz (MMPs)
destroem o colágeno, a elastina e as proteínas das matrizes extracelulares dérmicas. Além disso, provocam
hiperplasia epidérmica, ou seja, aumento da espessura da pele, resultando em hiperqueratose.
Sendo assim, percebe-se que os radicais livres são gatilho para os processos patológicos do estresse oxidativo, o
qual se mostra mais decisivo para a longevidade celular. Seu dano se manifesta no núcleo celular, no citoplasma,
nas organelas e na membrana plasmática, onde a peroxidação lipídica altera a estrutura e a funcionalidade,
modificando a fluidez, o potencial e os transportes transmembrana.
Contudo, o acúmulo de radicais livres pelas células senescentes é uma característica marcante no processo de
envelhecimento. Entretanto, um número elevado de radicais livres também pode ser observado em células mais
jovens, quando essas sofrem ação de radiações, agentes químicos, intoxicações por gases, entre outros como
veremos a seguir.
5.2.2. Fatores agravantes ou aceleradores
Grande parte dos sinais de envelhecimento é decorrente da ação da radiação ultravioleta (UVA-UVB), isso é fato. No
entanto, a ação conjunta de raios UV, do tabagismo e dos agentes poluentes presentes no ar, principalmente das
grandes cidades, potencializa e acelera os danos à pele. Ainda, fatores como má alimentação e estresse, agravam e
impactam a pele de forma negativa.
Conforme Costa (2012), a poluição libera metais tóxicos, como mercúrio e chumbo. Esses agentes estimulam a
atuação de citocinas pró-inflamatórias na pele, como o fator de necrose tumoral (TNF-α), interleucinas (IL-1β e IL-
6), fator nuclear kappa beta (NFk- β), fator de crescimento transformador beta (TGFβ), que reduzem a síntese de
colágeno. Além disso, diminuem a renovação celular, devido ao encurtamento dos teômeros. Dessa forma,
desencadeiam o processo de envelhecimento precoce.
A seguir, clique nas abas e conheça mais sobre a ação de alguns destes fatores no processo de envelhecimento.
A poluição
Conforme Guirro e Guirro (2002), a poluição ativa as metaloproteinases (MMPs) que fazem o
processo de ruptura e destruição das fibras elásticas e do colágeno. Há também
micropoluentes mais agressivos, oriundos de gases, como a fumaça dos combustíveis,
queimadas até as frituras feitas em casa, as quais se depositam na pele, causando danos à
barreira cutânea, promovendo a formação de diversos radicais livres e o envelhecimento
celular. Dessa forma, conclui-se que a poluição é uma fonte externa de estresse oxidativo,
com grande impacto sobre a pele e suas estruturas celulares.
O tabagismo
Por sua vez, o tabagismo é fator relevante no envelhecimento extrínseco. Segundo Vanzin
(2011), a nicotina trafega pela corrente sanguínea, causando a vasoconstrição que atua de
forma similar à radiação ultravioleta, conduzindo à destruição de fibras, exacerbando o
processo de elastose e induzindo ao aumento de metaloproteinases.
Sendo assim, segundo Costa (2012), esses fatores exercem alterações na pele, afetando a integridade da epiderme
por reduzir a hidratação e a função barreira cutânea, o que leva ao desenvolvimento de rugas. Para o tratamento,
recomenda o uso de cosméticos que formam barreiras de proteção biomimética e de reparadores e antioxidantes
cutâneos tanto oral quanto tópicos. Além, do uso de fotoprotetor solar.
Conheceremos a ação dos fatores agravantes, alimentação e estresse mais adiante. A seguir, estudaremos a ação
dos hormônios no envelhecimento.
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5.2.3. Hormônios e o envelhecimento
A pele, assim como outros órgãos corporais é influenciada pelo sistema neuroendocrinológico. Segundo Vanzin
(2011), o período da menopausa na mulher afeta diretamente a pele, gerando os aspectos do envelhecimento
cutâneo. Isso ocorre porque, nessa fase, os níveis de estrógeno diminuem drasticamente. O estrógeno se relaciona
ao colágeno e o fator de crescimento TGF-β, o qual promove o crescimento, diferenciação e biosíntese de matriz
extracelular.
Para Costa (2012), alguns dos mecanismos bioquímicos do fotoenvelhecimento são semelhantes aos mecanismos
de cicatrização. Sendo assim, é necessário o controle inflamatório com a participação dos fatoresde crescimento e
citocinas, como TGF-β, TNF-α, PDGF, IL-1, IL-6 e IL-10. Desse modo, a senescência celular leva ao declínio desses
agentes, porém, há ativos cosmecêuticos para o tratamento.
Outro hormônio relevante no envelhecimento cutâneo é a insulina e o fator de crescimento semelhante à insulina
(IGF). Segundo Farinatti (2002), a teoria das glicosilações explica que, com a idade, há perda de sensibilização à
insulina, o que conduz a uma glicemia aumentada, conduzindo a um aumento gradativo das ligações cruzadas, ou
seja, adição de sacarídios em proteínas como o colágeno.
Desse modo, as alterações hormonais contribuem para uma pele mais seca, com alteração da qualidade do manto
hidrolipídico e redução do funcionamento das células dérmicas e epidérmicas.
Sendo assim, manter hábitos saudáveis, boa alimentação e uso de ativos orais ajudam a manter o equilíbrio
hormonal. Além disso, os ativos tópicos são grandes aliados, como os neurocosméticos, entre outros.
Reforçaremos mais sobre isso a seguir.
5.2.4. Aspectos psicológicos e nutricionais
O envelhecimento varia de indivíduo a indivíduo, pois depende de vários fatores, entre eles a dieta alimentar.
Segundo Azulay (2017), a dieta hipercalórica é fator para o aumento do estresse oxidativo, pois o excesso de
gordura e de açúcares aumentam a produção de radicais livres, causando modificações de proteínas e de
lipoproteínas, podendo induzir tanto a diabetes quanto a aterosclerose.
A restrição dietética, aliada a uma nutrição balanceada, segundo Alberte (2015), induz o aumento daet al. 
longevidade, preserva o colágeno, aumenta a ação antioxidante e o reparo celular, protegendo o indivíduo do
estresse oxidativo. Além de aumentar o nível das , que inibem a expressão do NFkB, reduzindo asirtuinas
inflamação, a imunossenescência e o envelhecimento celular.
O estresse físico e emocional causa uma mudança bioquímica considerável no organismo. Envolvidos em seu
mecanismo está liberação de adrenocorticotrofina (ACTH) e corticoides. Conforme Guirro e Guirro (2002), os
corticosteroides inibem a proliferação de fibroblastos, a deposição de colágeno e ainda, aumentam a degradação
de colágeno por necrose.
DICA
Os suplementos nutricionais são aliados no cuidado com a pele. Assim, leia Abordagem
nutricional do envelhecimento cutâneo: correlação entre os efeitos em fibroblastos e os resultados
(ADDOR, 2011). O artigo avalia essa terapêutica na melhora de sinais declínicos 
fotoenvelhecimento.
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O exercício físico e a restrição calórica são fatores que aumentam a defesa orgânica, a qual é mediada pela
expressão das sirtuínas que, por sua vez, inibem a morte celular, estimulam a biogênese mitocondrial e melhoram
a estrutura e a função das mitocôndrias, ainda, aumentam a capacidade antioxidante, diminuindo o
envelhecimento.
5.3. Alterações
Independente dos fatores que geram o envelhecimento, seus sinais são nítidos na pele. As características das
alterações provocadas pelo envelhecimento têm grande importância na terapêutica. A partir da análise das
alterações aparentes é possível se ter diagnóstico preciso e assim, proceder a escolha correta dos diversos ativos
anti-aging para o tratamento individualizado.
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Alterações estéticas do envelhecimento cutâneo.
Fonte: © elenabsi / / Shutterstock.
No entanto, todas as alterações são resultando da diminuição das funções da pele. Ao longo dos anos, a taxa de
renovação celular diminui, há deficiência na função de barreira imunológica, aumenta a flacidez muscular e
tissular, levando a perda do contorno facial, além da instalação de rugas, linhas de expressão e aprofundamento
do sulco nasogeniano, conforme entenderemos a seguir.
5.3.1. Hidratação e função de barreira
A função mais conhecida da pele é proteger o organismo. No entanto, com o envelhecimento, a epiderme
desenvolve anormalidades, comprometendo a função barreira, a qual é responsável por manter a hidratação
cutânea.
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Disfunções
Dentre as disfunções, Costa (2012), cita a perda progressiva dos lipídios que constituem o estrato córneo,
diminuição de citoquinas, como a interleucina (IL1) e de hormônios androgênicos, que agravam a permeabilidade
da barreira com o processo de envelhecimento.
Desorganização da camada basal da epiderme
Devido ao achatamento das papilas dérmicas (junção entre derme e epiderme), compromete a transferência de
nutrientes para as camadas superiores, afetando a barreira mecânica, as funções imunológicas da epiderme e a
hidratação (GUIRRO; GUIRRO, 2002). A manutenção e reforço na hidratação cutânea é a base para uma pele jovem
e saudável.
Função barreira
Devido as agressões externas à pele, como poluição, radiação solar, entre outros, a função barreira é prejudicada.
Assim, para tratar e proteger a pele, é indicado o uso tópico de antioxidantes e hidratantes com ativos
biomiméticos, os quais fornecem nutrientes biocompatíveis para restaurar a função barreira. Seu uso é indicado na
faixa etária dos 20 aos 30 anos (25+).
A constituição da epiderme é basicamente de queratinócitos. Com o envelhecimento, estas células perdem a
capacidade de renovação, como veremos a seguir, acumulando-se na superfície e resultando no espessamento
cutâneo que contribuir para uma menor permeabilidade cutânea e maior desidratação.
5.3.2. Renovação celular prejudicada
A epiderme é constituída de várias camadas e está em constante renovação celular. Para Vanzin (2011), o processo
de renovação celular ocorre em torno de 21 dias. Nesse período, o queratinócito originado na camada basal se
diferencia e chega a camada córnea, representando o final do ciclo em que ocorre a apoptose e perda da célula
para o meio, dando início ao ciclo novamente, ou seja, um celular. turn over 
Com o envelhecimento cutâneo, a renovação celular ocorre em um prazo maior e de maneira irregular,
principalmente no fotoenvelhecimento. Assim, a superfície cutânea se torna opaca, ressecada e sem elasticidade.
Além do que, a renovação celular prejudicada interfere na hidratação fisiológica, na função barreira epidérmica e
na atividade os fibroblastos que sintetizam principalmente o colágeno.
Assim, remover a capa córnea irregular e estimular a renovação celular é um dos primeiros objetivos no tratamento
do envelhecimento cutâneo. O uso tópico de ativos renovadores físicos e biomiméticos na faixa etária dos 20 aos
30 anos (25+), e dos químicos na faixa etária dos 30 aos 50 anos (45+), previne e trata também, as rugas e linhas de
expressão que podem se instalar.
5.3.3. Flacidez e perda do contorno
Com o declínio da atividade celular, verifica-se danos ao manto hidrolipídico e o fator natural de hidratação da
pele, deixando por consequência a pele desprotegida, acelerando o processo de envelhecimento intrínseco e
extrínseco, gerando o aparecimento de rugas, causando perda e reposicionamento da gordura facial, que levam a
flacidez e a perda do contorno facial.
Para Dal’Asta Coimbra et al. (2014), na juventude, o rosto é aparenta um triângulo invertido, com o ápice voltado
para baixo, ou seja, há um terço médio bem definido. Com o processo de envelhecimento, há mudança na
estrutura facial em que os contornos e o volume são perdidos, em que as formas faciais se apresentam como rostos
ovais, redondos, em forma de coração e quadrados, entre outros, conforme figura abaixo.
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Diferença dos contornos faciais decorrentes do envelhecimento cutâneo.Contornos faciais. A: formato de
triangulo invertido. B: perda do contorno facial, decorrente da flacidez.
Fonte: VANZIN, 2011, p. 149.
Para Costa (2012), a flacidez facial é decorrente da perda extensibilidade, elasticidade e tensão, devido ao declínio
dos componentes bioestruturais da pele, ou seja, o colágeno e a elastina. No envelhecimento o colágeno começa a
aumentar o ou seja, perdem sua estrutura e não desempenham corretamente sua função e as fibrascross-linking,
elásticas progressivamente perdem a habilidade para retornar ao comprimento original.
Dessa forma, surgem as rugas que, segundo Guirro e Guirro(2002), podem ser classificadas em rugas estáticas,
dinâmicas e gravitacionais. As estáticas são consequências da fadiga estrutural da pele, em decorrência da
repetição dos movimentos musculares. As dinâmicas ou linhas de expressão surgem somente com os movimentos
repetitivos da mímica facial. Já as rugas gravitacionais são consequentes da flacidez da pele, culminando com a
ptose das estruturas da face.
Com a perda do tônus muscular, conforme Dal’Asta Coimbra (2014), a gordura subjacente à face profunda,et al.
sofre deslocamento e é expulsa por detrás dos músculos, fazendo com que a gordura superficial aumente. Dessa
forma, o conjunto das alterações levam ao aumento de sobra de tecido cutâneo na face e no pescoço, mudando o
contorno facial.
O desenvolvimento de ativos cosmecêuticos multifuncionais mudou o conceito de rejuvenescimento facial da
simples diminuição de rugas para um enfoque em que se faz o relaxamento muscular e volumização com
restauração do contorno facial. Seu uso tópico, a partir da faixa etária dos 50 anos (65+), previne e trata o
envelhecimento global.
A seguir, veremos a pigmentação desuniforme.
122
5.3.4. Pigmentação desuniforme
As alterações histopatológicas epidérmicas no envelhecimento são acompanhadas de atípias locais, como a
presença de melanócitos hiperplásicos no fotoenvelhecimento. Estes estão irregularmente distribuídos na
membrana basal e sua dispersão melânica é localizada entre os queratinócitos, o que ocasiona a presença de
hiperpigmentação, como o lentigo solar.
No entanto, no cronoenvelhecimento, os melanócitos enzimaticamente ativos tendem a se atrofiar causando
manchas acrômicas na pele pela redução da produção de pigmentos em certas áreas.
Os procedimentos para o tratamento do envelhecimento cutâneo proporcionam alternativas para atenuar a
aparência das linhas de expressão, rugas e manchas senis. Assim, a cosmetoterapia dispõem de ativos com
atuação na manutenção da barreira cutânea e hidratação; neutralização dos radicais livres e, principalmente, no
aumento a síntese de colágeno e na elastina dérmicos, como descritos a seguir.
5.4. Ativos cosméticos
As formulações cosméticas , ou seja, cosmecêuticos destinados a tratar e a prevenir o envelhecimentoanti aging
cutâneo se tornaram uma categoria importante e influente no mercado da beleza. Dessa forma, pesquisas
inovadoras e desenvolvimento tecnológico se tornaram extremamente necessários para garantir o objetivo clínico
e a eficiência dos resultados esperados pelo consumidor.
A pele envelhecida não pode ser considerada saudável. Logo, os cosmecêuticos constituem não só uma maneira de
reduzir os aspectos instéticos, como de melhorar as funções fisiológicas perdidas. Sendo assim, veremos a seguir
que o conhecimento sobre as interações biomoleculares dos ativos cosméticos, os diferenciam em categorias anti-
mais específicas para essas alterações estruturais cutâneas.aging 
5.4.1. Antioxidantes
Como parte do processo natural de envelhecimento, ocorre diminuição dos mecanismos de defesa endógena
contra a ação dos radicais livres e para fortalecê-los a cosmiatria possui uma categoria de ativos antioxidantes para
vários tipos de formulações cosméticas, as quais não têm idade para começar.
Sendo assim, a função dos antioxidantes é prevenir o envelhecimento e os danos cutâneos causados pela RUV.
Segundo Vanzin (2011), atuam na prevenção de formação de rugas e eritemas pós inflamatórios. Alguns são
despigmentante, dificultando a via de síntese de melanina, prevenindo e tratando, assim, as hipercromias
causadas pelo fotoenvelhecimento.
Para o uso tópico de antioxidantes ser efetivo na prevenção do envelhecimento da pele, Costa (2012) considera
que as formulações devem manter a estabilidade do ativo, pois os antioxidantes são muito instáveis e tornam-se
inativos antes de alcançar seu objetivo. Ainda, precisam ser bem absorvidos na pele, permanecendo nela tempo
suficiente para atingir os efeitos desejados. Os antioxidantes lipossolúveis atuam nas membranas biológicas para
travar a peroxidação lipídica da formação de radicais livres e os antioxidantes hidrossolúveis dificultam as reações
de oxidação desencadeada pelos radicais livres preservando a integridade dos componentes celulares.
Classificando-os conforme a tabela abaixo.
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Classificação dos antioxidantes conforme a solubilidade.
Fonte: COSTA, 2012, p. 317. (Adaptado).
Ativos antioxidantes têm ação anti-radicais livres e aumentam a defesa antioxidante natural da peleanti-aging
para reverter os danos, resultando em melhora de rugas e flacidez, na tabela abaixo, temos as propriedades dos
ativos antioxidantes derivados das vitaminas A,B,C,E e de extratos botânicos e sua disponibilidade para
formulações.
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125
Ativos Antioxidantes.
Fonte: COSTA, 2012, p. 318; VANZIN, 2011, p. 152. (Adaptado).
Além do uso tópico, a suplementação oral, seja pela ingesta de alimentos ricos em antioxidantes ou através de
formulações balanceadas e evitar a exposição a agentes geradores de radicais livres é fundamental para tratar o
envelhecimento e/ ou prevenir o crono ou fotoenvelhecimento. Na tabela abaixo, temos os principais ativos
antioxidantes usados em formulações nutracêuticas.
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Princípios Ativos Orais Antioxidantes.
Fonte: VANZIN, 2011, p. 329. (Adaptado).
Com o envelhecimento, a pele adquire mudanças ao nível da textura cutânea facial, adquire-se ainda,
hiperpigmentações, telangiectasias, cicatrizes, poros dilatados, entre outros sinais, indicando também que as
células epidérmicas estão mais lentas no seu processo de diferenciação e renovação. A seguir, estudaremos os
ativos que auxiliam essa função para combater o envelhecimento.
127
5.4.2. Renovadores celulares físicos, químicos e biomiméticos
O processo fisiológico de renovação celular é importante para hidratação, flexibilidade e integridade do tecido
cutâneo. Conforme Costa (2012), o envelhecimento prejudica o ritmo de renovação epidérmico levando a
alterações cutâneas de aparência desvitalizada e favorecendo a instalação de rugas e linhas de expressão.
No entanto, conforme Vanzin (2011), para o tratamento há os renovadores celulares, uma categoria de ativos anti-
 ampla que representa uma ferramenta importante para acelerar a renovação celular. Normalmente, sãoaging
ativos utilizados para os Por isso, é importante lembrar que os limites de atuação ao esteticista, situa-se peelings.
na esfoliação epidérmica, ou seja, superficial.peeling 
A classificação desses ativos se distingui conforme sua composição e mecanismo de ação. Estudaremos a seguir os
renovadores celulares físicos, químicos e biomiméticos com atuação Ativos renovadoresanti-aging. anti-aging
celulares físicos agem pela ação do atrito de suas partículas insolúveis sobre a pele causa a esfoliação da epiderme,
induzindo o processo fisiológico de renovação celular, auxiliando no rejuvenescimento, conforme a tabela abaixo.
Renovadores celulares físicos.
Fonte: VANZIN, 2011, p.173. (Adaptado).
Segundo Vanzin (2011), os renovadores físicos podem também ser obtidos de sementes de frutas trituradas ou à
base de polietileno, poliamidas, com formatos e tamanhos diversificados. Além dos ativos físicos, os peelings
químicos se constituem em grandes aliados renovadores celulares para o combate do envelhecimento.
Para Yokomizo (2013), os químicos têm capacidade de promover a esfoliação das células daet al. peelings 
epiderme e desencadear o processo inflamatório que favorece, assim, o aumento do celular, da síntese deturn over
componentes da matriz extracelular e da hidratação profunda.
Neste caso, os principais renovadores celulares químicos são os ácidos orgânicos, α-hidroxiácidos, β-hidroxiácidos,
poli-hidroxiácidos e os retinóides, que se encontram em pH = 3,5 para o e em formulações cosméticas empeeling
pH de 4,0 a 6,0. Ativos renovadores celulares químicos fazem uma descamação controlada , sendo umaanti-aging 
opção poderosa para tratar a hipercromas, cicatrizes e as alterações cutâneas do envelhecimento,os quais serão
descritos na tabela seguir.
128
129
Renovadores Celulares Químicos.
Fonte: YOKOMIZO et al., 2013, p. 100; VANZIN, 2011, p.165; COSTA, 2012, p. 366. (Adaptado).
Por fim, com o avanço no desenvolvimento de ativos cosméticos, é possível promover a renovação celular
utilizando substâncias que imitam a fisiologia da pele e, com isso, pode-se obter maior tolerância ao tratamento
com menos efeitos colaterais. Essa categoria de ativos é conhecida por renovadores celulares biomiméticos,
conforme veremos na tabela a seguir.
Renovadores Celulares Biomiméticos.
Fonte: VANZIN, 2011, p. 176. (Adaptado).
Além desses ativos, as enzimas proteolíticas do enzimático, também exercem a função de renovação peeling
biomimética, pois, possuem elevada compatibilidade epidérmica e dérmica, constituindo maior biodisponibilidade
e capacidade hidratante.
Em contraste com a pele jovem, a pele madura apresenta mudanças clínicas e histológicas bem estabelecidas, as
quais requerem cosmecêuticos com ativos específicos e diferenciados em suas formulações, como veremos a
seguir.
5.4.3. Ativos preenchedores
A pele envelhecida apresenta alterações que se manifestam como rugas profundas, perda da elasticidade,
ressecamento e mudanças de textura. Para Costa (2012), originam do afinamento da derme, perda do colágeno
dérmico e diminuição da produção lipídica. Isto é agravado pelo dano oxidativo causado por poluição, estresse,
tabagismo e exposição solar cumulativa.
Para Vanzin (2011), histologicamente, as fibras elásticas são fragmentadas, o colágeno diminuído com alteração na
proporção de colágeno tipo I e III e os glicosaminoglicanos também estão reduzidos, especialmente o ácido
hialuroânico, um componente da matriz extracelular, cuja molécula é capaz de fixar água até́ 1.000 vezes o seu
volume.
130
No entanto, há uma categoria de ativos preenchedores que, através de mecanismos de ação específicos,
aumentam a firmeza e a elasticidade da pele, favorecendo uma pele mais hidratada, com superfície cutânea mais
homogênea, rugas menos profundas ou visíveis. Eles são divididos em ativos de efeito , ativos Cinderela injection in
e ativos inibidores de metaloproteinases de matriz.
Segundo Vanzin (2011), a categoria são ativos tensores de efeito imediato, compostos porefeito Cinderela
substâncias proteicas/poliméricas de alto peso molecular, que formam um filme sobre a pele. Este retrai com a
secagem da base de formulação, dando a sensação de repuxamento, deixando a pele mais firme e lisa.
Alguns desses tensores tem propriedades secundárias são conhecidos pelo efeito pois promovem odouble-lifting,
aumento de matriz extracelular (MEC), constituindo um efeito tensor a médio prazo. Sendo assim, é um ativo
multifuncional agregando o efeito tensor imediato ao efeito tensor de médio prazo.
A tabela abaixo, descreve as propriedades de alguns ativos tensores de efeito Cinderela e double-lifting.
Ativos De Efeito Cinderela.Ativos tensores de efeito imediato e/ou de efeito tensor a médio prazo double-lifting,
os quais podem estar sinergicamente na mesma formulação.
Fonte: VANZIN, 2011, p. 207; COSTA, 2012, p. 402.
Os ativos cosmecêuticos possuem um mecanismo de ação capaz de aumentar a síntese de matriz injection in
extracelular, ou seja, aumentam a espessura da derme. Segundo Costa (2012) eles têm efeito volumizador e
preenchedor, com a redensificação dérmica. Há ainda o aumento da fixação de água na pele, resultando em maior
hidratação.
131
Na tabela a seguir conheceremos melhor os ativos ou que, para Vanzin (2011), tratam a patologiainjection in free
do envelhecimento cutâneo, pois, com a reposição da matriz extracelular. Por meio deles, há o aprimoramento das
funções celulares, incremento da nutrição das células, melhor desempenho das fibras elásticas e maior resistência
da pele contra as agressões do meio ambiente.
Ativos injection in ou injection free.Ativos anti-aging preenchedores ou volumizadores não invasivos.
Fonte: VANZIN, 2011, p.184; COSTA, 2012, p. 423. (Adaptado).
Para o processo de redensificação dérmica, Vanzin (2011) cita a necessidade de reposição oral e tópica de silícios
na forma orgânica, já que esse ativo faz parte da estrutura da elastina, do colágeno, dos proteoglicanos e das
glicoproteínas. Dessa forma, a diminuição de silício conduz a uma desestruturação do tecido conjuntivo. Na tabela
abaixo, identificamos alguns dos principais ativos indicados pela autora.
132
Ativos Contendo Silício.Ativos de silício orgânico especialmente indicados como anti-aging .
Fonte: Adaptado de VANZIN, 2011, p. 200.
Ao pensarmos em redensificação dérmica, imediatamente nos remetemos ao aumento da síntese proteica dos
fibroblastos. Segundo Costa (2012), no processo fisiológico de síntese desses componentes da matriz extracelular,
deve haver reparo, feito pelas enzimas proteolíticas denominadas metaloproteinases (MMPs), cuja ação é essencial
para o crescimento, a renovação e o reparo do tecido cutâneo.
133
No entanto, desencadeado pela ação dos fatores intrínsecos e extrínsecos do envelhecimento há um aumento e
ativação das metaloproteinases de matriz (MMP). Conforme Vanzin (2011), disso resulta o dano ao colágeno,
ocorrendo a quebra das fibras de colágeno pelas colagenases e a quebra das fibras de elastina pelas elastases,
como consequência há formação de um tecido flácido e frágil.
Dessa forma, na cosmiatria há ativos anti-metaloproteinases de matriz (MMPs), os quais atuam nesse desequilíbrio
fisiopatológico para tratar as condições do envelhecimento, conforme nos mostra a tabela abaixo.
Ativos anti-metaloproteinases de matriz.Ativos anti-aging que combatem a ação patológica das
metaloproteinases.
Fonte: VANZIN, 2011, p.184; COSTA, 2012, p. 423. (Adaptado).
Para Costa (2012), também são ativos antimetaloproteinase, os polifenóis do chá verde, a soja, o polypodium
, a e , que inibem ou reduzem a atividade enzimática excessiva.leucotomos chlorella astragaloside
A atuação cosmiátrica para devolver as substâncias fundamentais dérmicas e estimular a atividade dos
fibroblastros combate muitos sinais do envelhecimento. Porém, existe ainda, a possibilidade da melhora das rugas
e linhas de expressão com o uso de ativos específicos considerados toxina botulínica-like, conforme veremos a
seguir.
5.4.4 Ativos Dermorelax, neurocosméticos entre outras classes de ativos 
antienvelhecimento cutâneo
A contração repetida dos músculos faciais é responsável pelo aparecimento de rugas dinâmicas, conhecidas como
linhas de expressão, que acometem face e pescoço. Para o relaxamento da musculatura e a redução da
profundidade dessas rugas, principalmente da área dos olhos e as glabelares, Vanzin (2011) recomenda a
associação de ativos dermorelax em formulações.
Fisiologicamente, conforme Guirro e Guirro (2002), o músculo só se contraí quando a membrana plasmática pré-
sináptica, recebe o neurotransmissor acetilcolina, liberado de dentro da vesícula sináptica na fenda da junção
neuromuscular. São as proteínas SNARE ( ), um complexo ternário formado pelas proteínasSNAp Receptor
Sinaptobrevina, Sintaxina e SNAP-25 ( ) que realizam a fusão dessas vesículas comsynaptosomal Associated Protein
a membrana do terminal pré-sináptico.
134
Os ativos cosmecêuticos dermorelax, segundo Vanzin (2011), são peptídeos cujo objetivo é diminuir a liberação de
acetilcolina na junção neuromuscular, ou ainda, impedir a ligação da acetilcolina a receptores nicotínicos de
membrana. Sua conformação molecular se dá conforme seu encaixe junto ao receptor a que pertence, iniciando
uma cascata de modificações ocasionando alterações bioquímicas e fisiológicas na pele
Na tabela abaixo, conheceremos o mecanismo de ação e os diferenciais de cada ativo da categoria dermorelax.
Ativos Dermorelax.Ativos anti-aging miorrelaxantes.
Fonte: VANZIN, 2011, p. 207; COSTA, 2012, p. 402. (Adaptado).
Dessa forma, percebe-se que os ativos têm efeitosde toxina botulínica, porém tópica. Porém, Costadermorelax
(2012) afirma que o objetivo não é substituir a utilização da técnica injetável, mas sim, prolongar os efeitos deste
procedimento.
A pele também é dotada de atividade neuroendócrina capaz de produzir neurotransmissores locais. Segundo
Vanzin (2011), os neurotransmissores cutâneos são liberados tanto de neurônios como dos queratinócitos,
fibroblastos e melanócitos, estabelecendo uma comunicação celular que participa da resposta inflamatória e
imune, da pigmentação, renovação celular, crescimento piloso e cicatrização.
135
Diante dessa importante função fisiológica, os compreendem uma categoria de ativos queneurocosméticos 
apresentamos a você nas abas a seguir. Clique e confira.
Proteção de terminações nervosas
Os neurocosméticos são ativos que, segundo Costa (2012), visam à proteção das terminações nervosas
epidérmicas que se fragilizam com o envelhecimento cutâneo, pois são altamente sensíveis ao estresse oxidativo,
bem como objetivam restaurar atividade neuroendócrina e reforçar os mecanismos de defesa naturais delas.
Síntese de endorfinas
Outro aspecto fisiológico dos neurocosméticos, conforme Vanzini (2011), é promover o aumento da síntese de
endorfinas na pele. Devido à presença de receptores beta-endorfina/opioide, em várias células cutâneas, a ligação
da endorfina promove a estimulação da proliferação de fibroblastos, renovação celular e efeitos calmantes,
melhorando a aparência da pele como um todo.
Beta-endorfinas
Os melanócitos e queratinócitos produzem beta-endorfinas e também podem se ligar a elas. Por outro lado, os
neurônios que sintetizam e liberam beta-endorfinas influenciam a migração, a diferenciação e a produção de
citocinas, importantes para o processo de cicatrização.
Na tabela abaixo, conheceremos os principais ativos que promovem efeitos neuroestimulantes, neuroprotetores e
aumento na formação de endorfinas na pele.
136
Ativos Neurocosméticos. Neuroativos anti-aging.
Fonte: VANZIN, 2011, p. 216. (Adaptado).
Em suma, a variedade de ativos disponíveis para formulações cosmecêuticas, resulta num produto final anti-aging 
de qualidade, encorajando a adesão do paciente ao tratamento anti-envelhecimento o mais precocemente
possível. Assim, a indústria cosmiátrica busca ingredientes ativos inovadores, como por exemplo peptídeos, fatores
de crescimento e células tronco para prevenir e reverter os efeitos do envelhecimento extrínseco e intrínseco da
pele.
Brevemente, conforme Vanzin (2011), são proteínas (citoquinas) produzidas por células dafatores de crescimento
pele e o seu destino é a pele. são fragmentos de fatores de crescimento, um sequenciamento dePeptídeos 
aminoácidos, na forma mais concentrada, que confere funções específicas.
Atualmente, esses ativos são obtidos por biotecnologia de produção de proteínas recombinantes, umanti-aging 
sequenciamento de aminoácidos obtidos do DNA humano que agem contra proteases endógenas. São, então,
nanoencapsulados a fim de viabilizar a permeação cutânea.
A tabela abaixo, relaciona os ativos Nanofactor e os peptídeos derivados, seu uso em formulações tem por objetivo
aumento de matriz extracelular, substituição de células danificadas e surgimento de células jovens.
137
Fatores de Crescimento e Peptídeos como Ativos Cosméticos. Fatores de crescimento e peptídeos anti-aging.
Fonte: VANZIN, 2011, p. 227. (Adaptado).
Sendo assim, as interações entre os cosmecêuticos e a pele envelhecida são muito complexas e dependentes de
ativos específicos, características da pele e propriedades físico­químicas dessas formulações.
As pesquisas continuam e o desenvolvimento cosmetológico as acompanham, segundo Costa (2012),
possibilitando inovações no tratamento , como a recente possibilidade de terapias tópicas com base naanti-aging
tecnologia de , derivadas de extratos vegetais como a maçã, uva Gamay e tomate, cuja propriedade células-tronco
fundamental é retardar a perda das células-tronco epidérmicas e dérmicas durante o envelhecimento cronológico
ou o fotoenvelhecimento.
Proposta de atividade
Agora é a hora de recapitular tudo o que você aprendeu nesse capítulo! Elabore um resumo conceitual sobre as
categorias de ativos priorizando sua ação fisiológica no tratamento do envelhecimento. Ao produzir seuanti-aging,
resumo, considere os principais conceitos abordados ao longo do capítulo e as leituras básicas e complementares
realizadas.
Recapitulando
O envelhecimento é um fenômeno multifatorial caracterizado pela diminuição da habilidade dos sistemas
orgânicos em responder ao estresse endógeno ou exógeno. Na pele da face, essas alterações são mais evidentes.
Atrofia, enrugamento, ptose e lassidão representam os sinais mais aparentes de uma pele senil.
O envelhecimento ocorre de forma gradual e pode ser intrínseco, denominado cronosenescência, decorrente de
fatores biológicos inerentes à passagem do tempo; ou extrínseco, a actinocenescência, decorrente da exposição do
indivíduo a fatores externos que precipitam a degradação celular, sendo o mais relevante, a radiação solar
ultravioleta.
138
Várias teorias procuram explicar o envelhecimento. Algumas enfatizam o possível controle genético do
envelhecimento celular, outras as agressões externas a que são permanentemente expostas. Em ambos os casos, o
resultado fisiopatológico é uma síntese proteica deficiente, com consequente disfunção dos tecidos e sistemas que
o compõem.
Dessa forma, as formulações cosmecêuticas buscam inovações e desenvolvimento de ativosanti-aging,
multifuncionais antioxidantes, renovadores celulares, ativos , ativos dermo-relax, neurocosméticos e pró-lifting
fatores de crescimento, cujos mecanismos de ação substâncias têm como prioridade a profilaxia e o tratamento
das principais alterações estruturais ligadas ao envelhecimento cutâneo.
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COSMIATRIA APLICADA
CAPÍTULO 6 - LIPODISTROFIA
Flávia Garramone
141
Objetivos do capítulo
Ao final deste capítulo, você será capaz de:
• Compreender o mecanismo fisiológico da lipodistrofia localizada e aplicar os ativos de acordo com o 
mecanismo de ação mais apropriado.
Tópicos de estudo
• Tecido adiposo.
• Estrutura.
• Fisiologia.
• Biotipo androide X ginoide.
• Processos.
• Etiopatogenia.
• Adipogênese.
• Lipogênese.
• Lipólise.
• Tratamentos.
• Ativos lipolíticos tópicos.
• Ativos antilipogênicos tópicos.
• Ativos Antiadipogênicos tópicos.
• Fórmulas.
Contextualizando o cenário
No tocante aos contornos corporais, aquelas que se acumulam em certas regiões, representam umgordurinhas
pesadelo, principalmente para as mulheres. Nem a dieta e os exercícios físicos conseguem eliminá-las. Por isso, é
crescente a divulgação de tratamentos estéticos, que prometem acabar de vez com esse problema, sem
intervenção cirúrgica. O que por vezes são falsas promessas.
Na verdade, essa gordura localizada representa uma disfunção nos processos fisiológicos de distribuição do tecido
adiposo, clinicamente conhecida por (LDL). Sua etiopatogenia advém, principalmente doslipodistrofia localizada
fatores genéticos, metabólicos, hormonais e, também dos hábitos de vida do paciente.
Sendo assim, os tratamentos estéticos adequados para LDL, visam à homeostase do tecido adiposo. Para isso, a
tecnologia cosmética desenvolve ativos que atuam na adipogênese, lipogênese e lipólise, dentre os quais se
destacam os ativos lipolíticos que combatem o acúmulo excessivo de lipídeos nas células adiposas.
Dessa forma, é indispensável ao esteticista apropriar-se do conhecimento sobre a fisiopatologia da LDL, para
compreender o mecanismo de ação dos cosmecêuticos utilizados em seus protocolos de tratamento. Diante desse
cenário, questiona-se: como é o processo de acúmulo e degradação de gordura em nosso corpo?
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6.1 Tecido adiposo
Por muito tempo, acreditou-se que a função do tecido adiposo era apenas a reserva energética, regulação térmica
e proteção à órgãos internos. Atualmente, sabe-se que ele é um órgão endócrino metabólico. No entanto, apesar
dessas funções importantes, o excesso de tecido adiposo pode desencadear sérios problemas para a saúde do
indivíduo (QUEIROZ, ., 2009).et al
Os tratamentos estéticos para redução de medidas, visam atuar diretamente no tecido adiposo. Por isso,
compreender sua anatomofisiologia e conhecer as características das células adiposas que o constituem,
possibilita ao profissional a reflexão para diferenciar a prática clínica e a abordagem terapêutica de maneira
incisiva e mais efetiva. Sendo assim, veremos a seguir a estrutura do tecido adiposo. Acompanhe!
6.1.1 Estrutura
Anatomicamente, segundo Tortora (2012), o ou , localiza-se logo abaixo da derme etecido adiposo hipoderme
constitui a tela subcutânea que conecta a pele aos órgãos subjacentes. É formado por tecido conjuntivo
especializado, com predomínio de adipócitos (células adiposas/adipocitárias), cuja principal característica é
armazenar lipídios em seu citoplasma.
A figura abaixo, mostra a morfologia do tecido adiposo e as estruturas citológicas do adipócito que o constitui.
Características histológicas do tecido adiposo.
Fonte: © Kateryna Kon / / Shutterstock. © Designua / / Shutterstock.
O tecido adiposo é muito vascularizado, com pouco espaço intercelular, contendo vários tipos celulares, os mais
importantes são os pré-adipócitos, que se diferenciam para originar os adipócitos maduros. Esse , é dividotecido
em dois subtipos diferentes entre si, anatômica e funcionalmente: o tecido adiposo multilocular e o tecido adiposo
unilocular.
143
Conforme Tortora (2012), o está presente no recém-nascido e possui coloração pardatecido adiposo multilocular
(castanha/marrom). Seu adipócito apresenta características diferenciadas, o núcleo está localizado no centro da
célula; em seu citoplasma, há várias gotículas de lipídios ocupando o espaço interno e suas mitocôndrias são
especializadas na produção de calor.
Tecido adiposo multilocular.
Fonte: Victor Josan / / Shutterstock.
Nos adultos, praticamente todo o é do tipo . Sua coloração é amarela/branca, porquetecido adiposo unilocular
seus adipócitos contém uma única gotícula de lipídio ocupando seu citoplasma, marginalizando assim, o núcleo
celular. Esse tecido é responsável pela produçãode hormônios e, ainda, se subdivide histologicamente, conforme
mostra o diagrama abaixo.
PAUSA PARA REFLETIR
Será pela presença de dois tipos de tecido adiposo que engordamos e a gordura fica localizada
em algumas regiões?
144
Diferenciação do tecido adiposo unilocular. Na figura acima, identificamos as características dos dois subtipos de
tecido adiposo unilocular: o visceral, que é profundo, e o subcutâneo, que ainda se subdivide em: camada areolar,
próxima da derme (tela subcutânea) e a camada lamelar, onde ocorre a reserva energética, pelo acúmulo de
lipídeos no interior dos adipócitos.
Fonte: TORTORA, 2012, p. 57. (Adaptado).
A transição histológica do tecido adiposo da infância para a fase adulta, ocorre devido a e hiperplasia hipertrofia
das células adipocitárias. Segundo Queiroz (2009), com a ingesta calórica na infância, ocorre a , ou seja, hiperplasia
, com durabilidade até a adolescência.aumento no número de células adiposas
Esses adipócitos formados, após a puberdade, acompanham os indivíduos na fase adulta e, além da influência
genética, com a alimentação inadequada essas células sofrem uma , ou seja, hipertrofia aumento do conteúdo
.lipídico interno
Como vimos, o tecido adiposo é importante e considerado a maior reserva de energia para as atividades vitais do
corpo. Suas características funcionais e estruturais são garantidas, principalmente, pelos adipócitos, células
diferenciadas e especializadas fisiologicamente em armazenar energia (ATP), na forma de lipídeos, como veremos
a seguir.
6.1.2 Fisiologia
O tecido adiposo é importante para as funções corporais, pois, supre as necessidades metabólicas, fornecendo
energia imediata, como, por exemplo durante as atividades físicas ou nos períodos de jejum. Além de também
absorver impactos, preencher os espaços internos, moldar a superfície corporal e atuar como isolante térmico.
A fisiologia desse tecido está baseada, principalmente, nos processos físico-químicos que ocorrem nos adipócitos,
cujo conteúdo lipídico citoplasmático, segundo Guirro (2002), é formado por 20% de colesterol e 80% de
triglicérides, molécula composta de ácidos graxos e glicerol, caracterizando a função de reserva energética do
tecido adiposo amarelo.
145
Fonte: © molekuul_be / / Shutterstock.
Já, o tecido adiposo marrom, apesar de ser quase ausente em adultos, é responsável pela produção de calor
(termogênese), favorecendo a termorregulação, a fim de conservar as funções metabólicas do nosso organismo.
Entretanto, conforme Fonseca-Alaniz (2006), os adipócitos possuem vários tipos de receptores hormonais e,
também, secretam diversos hormônios mensageiros para a comunicação celular, conferindo a função endócrino
metabólica do . Esses hormônios adipocitários levam informações que modulam funções dostecido adiposo
próprios adipócitos ou de outros tecidos do organismo.
146
Clique nos itens e veja exemplos dessa comunicação celular.
Adipocinas
Mensageiros químicos associados à adiposidade, síndromes metabólicas e doenças
cardiovasculares (QUEIROZ, et al., 2009).
Leptina
Um hormônio produzido pelos adipócitos que transmite informação de saciedade ao sistema
nervoso. Os obesos podem apresentar altas concentrações de leptina, porém, isso gera uma
resistência que impede a ação desse hormônio (QUEIROZ, ., 2009).et al
Dessa forma, esses mediadores acima citados participam da formação do tecido adiposo e determinam sua
quantidade e distribuição por todo o corpo, sendo diferente em homens e mulheres. Em pessoas com peso ideal, o
tecido adiposo pode representar de 20 a 25% do peso total na mulher e de 15 a 20% no homem.
Em relação à distribuição do tecido adiposo, origina-se a classificação dos diferentes biotipos corporais, sendo as
clássicas e principais os biotipos comum dos homens , das mulheres, como compreenderemos a, androide e ginoide
seguir.
6.1.3 Biotipo androide x Ginoide
Apesar da miscigenação populacional e das diferentes formas do corpo, as classificações básicas do biotipo servem
de referência para distinguir as características de distribuição do tecido adiposo nos homens e mulheres. No
entanto, não é exclusiva, significando que se pode encontrar mulheres androides e homens de biotipo misto.
Clique nas abas e saiba mais.
Biotipo ginoide
No , característico no sexo feminino, há maior volume de gordura na região dos quadris, sendobiotipo ginoide
estes mais largos e com a cintura fina, similar ao formato de uma pera.
Biotipo androide
Já no , comum no sexo masculino, a gordura se distribui em maior proporção no abdome e poucobiotipo androide
/sem no quadril, similar ao formato de uma maçã.
Na figura a seguir, vemos as diferenças morfológicas dos biotipos corporais.
CONTEXTO
O tecido adiposo, além da função de adipogênese, também é responsável pela regulação dos
padrões do sono, por estabelecer uma relação com a glândula pineal que produz melatonina
(FONSECA-ALNIZ, 2006).
147
Biotipos corporais.
Fonte: HOLMES PLACE, 2019, p. 39. (Adaptado).
Como vimos na imagem acima, no biotipo androide há propensão ao acúmulo de gordura visceral, com risco para
complicações metabólicas, já no biotipo ginoide há acúmulo de gordura não visceral, com aumento de disfunções
circulatórias na região inferior do corpo. Para entendermos melhor isso, a figura a seguir mostra a localização do
acúmulo de gordura visceral do biotipo androide.
148
Fonte: © DenisProduction.com / / Shutterstock © solar22 / / Shutterstock.
Segundo Borges (2010), fisiologicamente, essas características dos biotipos estão associadas, principalmente, à
genética do indivíduo. No entanto, hábitos alimentares, sedentarismo e fatores hormonais, contribuem para a
hipertrofia dos adipócitos e, consequentemente, para o maior volume do tecido adiposo, tanto em homens como
mulheres.
Dessa forma, surgem várias alterações inestéticas corporais, entre elas, a lipodistrofia localizada (LDL).
Entretanto, o processo de formação do tecido adiposo envolve mecanismos complexos e além desses fatores
citados, alterações fisiopatológicas em suas etapas, levam a disfunções que contribuem para o acúmulo de
gordura em certas regiões corporais. Vamos compreender esse processo fisiológico?
6.2 Processos
A lipodistrofia se caracteriza por alterações na distribuição corporal do tecido adiposo, podendo ser localizada ou
não. Sua fisiopatologia, advém de alterações nos mecanismos dos processos fisiológicos de adipogênese,
lipogênese e lipólise, onde os adipócitos apresentam uma quantidade maior de triglicérides, aumentando o
depósito de lipideos e o seu tamanho (FONTAN, 2015).
Dessa forma, a lipodistrofia localizada (LDL) dificilmente é corrigida com reeducação alimentar e/ou atividade
física, por isso, o paciente busca recursos terapêuticos a fim de melhorar essa disfunção estética. Sendo assim, é
preciso conhecer os fatores etiopatológicos, para entendermos sua interferência no processo metabólico de
formação do tecido adiposo.
6.2.1 Etiopatogenia
Os fatores etiológicos que levam a LDL são múltiplos. Além dos hábitos alimentares e o sedentarismo, na 
 da LDL, as principais causas são de origem genética-hereditária, metabólica e hormonais. Osetiopatogenia
149
hormônios influenciadores são, em especial, o estrogênio e a progesterona. Também, a leptina e a insulina que
incrementam a hiperplasia e hipertrofia adipocitária (BORGES, 2010).
Portanto, entende-se a razão das mulheres serem mais acometidas pela LDL e essa disfunção persistir após a
gestação e menopausa.
Fonte: © A. J. Photos / / Shutterstock.
Sendo assim, esses fatores etiológicos, principalmente os genéticos e hormonais, são capazes de atuar na fisiologia
do tecido adiposo, modificando o mecanismo metabólico do adipócito com relação a ,síntese e acúmulo
 de triglicérides, dando origem a adiposidade.degradação
Dessa forma, antes de avançarmos no entendimento do processo de incorporação ou liberação de lipídeos pelo
adipócito, precisamos compreender a origem, formação e características do próprio adipócito, ou seja, a 
como veremos a seguir.adipogênese,6.2.2 Adipogênese
Até pouco tempo acreditava-se que os adultos tinham um número fixo de adipócitos e que o aumento do tecido
adiposo decorria do volume de gordura da célula. Segundo Queiroz (2009), os adipócitos se renovam intensaet al.
e constantemente com capacidade de gerar novas células durante toda a vida do indivíduo. Eles são gerados a
partir de células-tronco multipotentes por um processo denominado adipogênese.
Na adipogênese, há uma complexa integração bioquímica do organismo que faz com que ocorra a diferenciação
das células embrionárias em , precursores que, pela ação de diferentes mediadores químicos,pré-adipócitos
proteicos e não proteicos, darão origem aos que formam o tecido adiposo.adipócitos maduros
150
Dessa forma, segundo Fonseca-Alaniz (2006), o tecido adiposo amarelo se expande rápido após o nascimento e o
potencial de gerar novas células persiste na fase adulta. A regulação desse processo ocorre pelos hormônios
endócrinos secretados pelo próprio tecido adiposo, como as (leptina, adipsina, adiponectina, etc.) eadipocinas
por nutrientes advindos da necessidade energética do indivíduo.
Sendo assim, o processo de formação do tecido adiposo evolui à lipogênese, ou seja, a síntese de lipídeos no
adipócito, o qual compreenderemos detalhadamente a seguir.
6.2.3 Lipogênese
Após a diferenciação das células adipocitárias, os adipócitos maduros iniciam o processo de , em quelipogênese
ocorre a síntese endógena de ácidos graxos no interior do seu citoplasma. A principal fonte a partir da qual o
organismo sintetiza ácidos graxos são os carboidratos, na forma de Acetil-CoA (UCKO, 1992). 
Os carboidratos são degradados em moléculas menores, originando a glicose que é direcionada para a corrente
sanguínea e, fisiologicamente, é convertida em glicogênio no fígado, quando na presença da insulina. Como esse
armazenamento é limitado, a glicose entra para a via bioquímica das pentoses-fosfato ou a glicolítica, quando na
presença do glucagon (FONTAN, 2015).
Sendo assim, o piruvato, produto da via glicolítica, é convertido em acetil-CoA, por meio do complexo enzimático
desidrogenase, em uma reação irreversível. Então, o fígado passa a produzir ATP, via Ciclo do Citrato, também
conhecido por ciclo de Krebs.
Porém, com a ingestão elevada de carboidratos, começa acumular citrato na mitocôndria, o qual é enviado para o
citoplasma celular, e é a partir daí que o organismo sintetiza ácidos graxos e colesterol (UCKO, 1992).
No diagrama abaixo, podemos entender melhor a transformação dos produtos consumidos na dieta alimentar,
bem como a origem do seu armazenamento na forma de lipídeos nos adipócitos.
DICA
A adiposidade leva a alterações funcionais que compõem a síndrome metabólica. Para entender
esse processo, leia o artigo Controle da adipogênese por ácidos graxos, de Queiroz et al.(2009). O
estudo mostra como o balanço entre adipogênese e adiposidade que determina o grau de
obesidade do indivíduo.
PAUSA PARA REFLETIR
Será que com a dieta sem carboidratos a gordura localizada não se formará?
151
Lipogênese - Ciclo de Krebs.
Fonte: UCKO, 1992, p. 406. (Adaptado).
152
Fonte: UCKO, 1992, p. 513. (Adaptado)
Dessa forma, além da possibilidade de entrar no Ciclo de Krebs, o Acetil-CoA é o precursor na .síntese de lipídios
Interessante é que, a maioria dos lipídeos ingeridos na dieta gera, no seu catabolismo, apenas acetil-CoA e não
pode, portanto, contribuir para a formação de glicose. Pelo contrário, o excesso de glicose que não foi convertido
em glicogênio no fígado pode dar origem aos ácidos graxos.
153
A biossíntese de ácidos graxos no organismo ocorre no citoplasma, a partir de duas substâncias primordiais: acetil-
e , um composto sintetizado a partir da própria acetil-CoA, pela ação da enzima co-fator biotina.CoA Malonil-CoA
Esses dois compostos fundamentais sofrem várias reações bioquímicas realizadas a partir de um complexo
enzimático chamado de (TORTORA, 2012)Ácido Graxo Sintetase 
O complexo Ácido Graxo Sintetase, segundo Ucko (1992), é um conjunto de enzimas com múltiplas atividades,
apresentando dois sítios de ligação distintos, onde no sítio ativo 1, através do aminoácido , se liga a acetil-cisteína 
CoA; e no sítio ativo 2, através da e ao , sempre se liga oproteína carreadora de acila (PCA) ácido pantodêmico 
melonil-CoA.
Dadas essas interações bioquímicas da acetil-CoA e do melonil-CoA, inicia-se a condensação desses compostos,
através de ciclos de reações químicas de redução e desidratação, dados pelas ações das enzimas cetoacil,
desidrase, enoil e somente a partir da ação da , forma-se ácido graxo. O principal ácido graxo enzima tioesterase
produzido pelo organismo é o ou .ácido palmítico palmitato (Palmitoil-CoA)
Segundo Ucko (1992), a síntese desse ácido graxo ocorre no reticulo endoplasmático celular e envolve sete ciclos
enzimáticos. A cada ciclo, a proteína carreadora de acila (PCA) se liga ao melonil-CoA, para formar o palmitoil-PCA,
que após é hidrolisado, formando o palmitato.
A ativa e libera o palmitoil-CoA que, no fígado, se esterifica com o glicerol, formando os enzima tioesterase
. Porém, poucos TAGs são armazenados no fígado, sendo a maior parte exportadatriglicerídios endógenos (TGA)
pela , junto com o colesterol, ésteres de colesterol e fosfolipídeos, para seremapolipoproteína B (Apo-B100) 
armazenados no citosol dos adipócitos no tecido adiposo (UCKO,1992).
O principal hormônio regulador da síntese de ácidos graxos é a insulina. E, nesse sentido, alterações em sua taxa
fisiológica leva a instalação de patologias variadas. No tocante a disfunção estética LDL estudada, essas alterações
se dão por conta da dieta alimentar, que elevam a taxa glicêmica e pela característica endócrina do tecido adiposo
que também leva a resistência à insulina e obesidade.
Quando a glicemia está alta, a insulina liberada pelo pâncreas, induz no fígado aumento enzimático do complexo
ácido graxo sintetase, estimulando a lipogênese, favorecendo o maior estoque de triglicerídeos nos adipócitos.
Segundo, Queiroz (2009), o tecido adiposo, como órgão endócrino, produz citocinas pró-inflamatórias, comoet al.
a adipocina, leptina, adiponectina, entre outros que influenciam a sensibilidade à insulina, interferindo na
homeostase glicêmica. Essas citocinas estão relacionadas aos estados de excesso e distribuição da gordura
corporal.
A resistência à insulina, ou síndrome metabólica, acontece quando as células passam a precisar de cada vez mais
insulina para absorverem a glicose do sangue, ou seja, esse hormônio não mais consegue regular a lipogênese e o
destino dos lipídeos produzidos favorece, principalmente, o acúmulo de gordura abdominal e visceral.
Sendo assim, em dietas ricas em ácidos graxos saturados, por exemplo as proteicas, exercem ações endócrinas que
perpetuam a inflamação local no tecido adiposo e induzem a resistência à insulina, favorecendo o processo de
lipogênese tanto quanto a dieta com carboidratos, ou seja, glicose.
Agora que entendemos como se forma a gordura nos adipócitos, vamos compreender o processo inverso,
denominado lipólise, ou seja, a degradação da gordura armazenada no adipócito, sobre o qual trataremos a seguir.
6.2.4 Lipólise
O processo de liberação de lipídeos das células adipocitárias, caracteriza a lipólise. Segundo Vanzin (2011), o
objetivo da lipólise é a hidrólise do TAGs em uma molécula de glicerol e três moléculas de ácidos graxos, para
fornecer energia ao corpo. Esse estímulo lipolítico é dado pelos neurotransmissores de catecolaminas (adrenalina)
e o hormônio glucagon, porém, não são únicos.
As catecolaminas ligam-se à receptores β de superfície dos adipócitos e estimulam as vias lipolíticas, através do
neutrotransmissor segundo mensageiro, denominado AMPc (adenosina-monofosfato-cíclico). O AMPc, ativa a 
, a qual tem acesso ao TAG intracelular. Dessa forma, o processo favoreceenzima lipase hormônio sensível (HSL)
a degradação dos TAGs, em ácidos graxos e glicerol, os quais são liberados na corrente sanguínea (FONSECA-
ALANIZ,2006)
154
Já o glucagon, também secretado pelo pâncreas, é hormônio contrarregulatório da insulina. Quando há baixos
níveis de glicose no sangue, o glucagon atua no tecido adiposo liberando os TAGs armazenados para a corrente
sanguínea. E então, os TAGs são transportados até o fígado por meio de lipoproteínas (VLDL e LDL), onde são
degradados em ácidos graxos e glicerol.
Na figura a seguir, podemos observar a ação lipolítica das catecolaminas e do glucagon a partir de sua ligação aos
receptores específicos dos adipócitos.
Lipólise influenciada por déficit energético. A figura acima, resume a ação dos neurotransmissores adrenérgicos,
catecolaminas e do hormônio glucagon, a partir de sua interação com os β- receptores dos adipócitos, para
promoverem o processo de lipólise.
Fonte: FONSECA-ALANIZ, 2006, p. 231. (Adaptado).
Após a lipólise, o glicerol liberado, por ser uma substância hidrossolúvel, dissolve-se no plasma sanguíneo e é
direcionado ao fígado para ser reutilizado posteriormente. Os ácidos graxos, por serem substâncias lipossolúveis,
ligam-se à proteína albumina para serem levados até o músculo e serem utilizados como fonte de energia. Caso
não haja queima energética, os ácidos graxos serão novamente acumulados em outros adipócitos (UCKO, 1992).
Clique nas abas a seguir e veja os fatores que prejudicam e contribuem para a lipólise.
•
Fatores que prejudicam a lipólise
Entre os fatores que prejudicam a lipólise, Queiroz et al. (2009), destaca a cronologia e os hormônios.
Com o passar do tempo, há diminuição de catecolaminas e perda de receptores de insulina na
superfície celular. O estrógeno causa nos adipócitos um aumento na resposta dos receptores α-
adrenérgicos (inibem a lipólise), que são antilipolíticos e estimulam a lípase lipoproteica (LPL),
responsável pela lipogênese.
•
Fatores que contribuem para a lipólise
Já um fator que contribui para a lipólise é a prática de atividade física, pois aumenta a produção de
catecolaminas e diminui a de insulina, especialmente durante o exercício prolongado.
Diante do exposto, concluímos que o processo metabólico do tecido adiposo é complexo e os aspectos
etiofisiopatológicos são multifatoriais. Sendo assim, ao compreender o processo adipogênico, o esteticista dispõe
da para a efetividade do tratamento estético, elegendo técnicas e cosmetoterapia adequada, a concorde,chave
para atuar nos fatores geradores da LDL, como veremos a seguir.
•
•
155
6.3 Tratamentos
O início do tratamento da LDL, se dá com a realização da anamnese detalhada do paciente. Além do histórico
clínico e dos hábitos de vida, é o que guiará o esteticista na escolha do protocolo e cosmetoterapiaexame físico
adequados, pois, a partir da análise dos resultados, terá certeza de se tratar de LDL.
Na tabela abaixo, constam os principais critérios que devem ser realizados no exame físico para a constatação de
LDL.
Exame físico para a constatação de LDL. Na tabela acima, preconiza-se testes e medições nas regiões corporais
para avaliar as condições físicas do paciente com LDL, descartando patologias como a obesidade e síndrome
metabólica. Os valores dos índices relacionados estão de acordo com o que a OMS estabelece.
Fonte: MOURA et al., 2013, p. 130. (Adaptado).
Outra medição, referente a avaliação da lipodistrofia localizada, é o , para verificaríndice de massa corporal (IMC)
os parâmetros ideais, conforme a estatura do paciente. É calculado pela relação entre o peso corporal (Kg) dividido
pelo quadrado da altura . Na tabela a seguir, podemos encontrar o que o resultado do IMC(IMC = Peso/Altura²)
apresentado indica.
156
Classificação do estado clínico conforme IMC. Na tabela acima, observa-se que além do risco de comorbidade, os
índices apontam que até sobrepeso (com IMC=25) podemos considerar algumas regiões com LDL, acima desses
valores a lipodistrofia é considerada generalizada. Cabe ressaltar que, em situações especificas como gravidez,
essa tabela não se aplica, já que o único tratamento liberado é a drenagem linfática.
Fonte: RICARDO; ARAÚJO, 2002, p. 75. (Adaptado).
Em seguida, verifica-se o , calculado a partir da medida da circunferência doíndice de adiposidade corporal (IAC)
quadril e da estatura, cujo objetivo é obter a porcentagem de gordura corporal de homens e mulheres adultos de
etnias diferentes. Na tabela a seguir, temos a fórmula para o cálculo do IAC, que segue os critérios da OMS, a
interpretação e classificação do resultado obtido.
Classificação do índice de adiposidade corporal (IAC). Na tabela acima, considera-se LDL se a classificação
estiver até sobrepeso igual a 35. O qual requer também reeducação alimentar, atividade física e avaliação médica
para eximir patologias de origem hormonais ou de outros fatores.
Fonte: SEGHETO et al., 2016, p. 77. (Adaptado).
Além das regiões tratadas acima, outras áreas corpóreas podem ser acometidas pela lipodistrofia localizada.
Segundo Guirro e Guirro (2002), para uma avaliação mais fidedigna, proceder a perimetria corporal contribui para
verificar a resposta ao final do tratamento. Isto deve ser feito de forma comparativa às medidas iniciais, todas
relacionadas em ficha de anamnese. A tabela abaixo, relaciona a maneira adequada de se realizar as medições de
circunferência das regiões corpóreas de tratamento.
157
Regiões anatômicas para perimetria corporal. Na tabela acima, destaca-se as referências anatômicas para a
apometria com a fita/trena de medição. Ressalta-se, que para fins comparativos, antes e após o tratamento, a
medição deve ser realizada nas mesmas circunstâncias.
Fonte: GUIRRO; GUIRRO, 2002, p. 318-319.
Veja que a mensuração corporal é importante para o tratamento da LDL, pois, com o acompanhamento
antropométrico, percebe-se as alterações de medidas, refletindo a mudança no acúmulo da gordura e a eficácia do
protocolo proposto. Ainda, se constatar associação de disfunções estéticas, como flacidez muscular ou
hidrolipodistrofia ginoide (popular celulite), é possível agregar técnicas e cosméticos que atuem sinergicamente no
quadro clínico do paciente.
Na cosmetoterapia para a lipodistrofia localizada, segundo Vanzin (2011), os dois principais mecanismos de ação
envolvidos são o bloqueio ou estímulo dos receptores dos adipócitos e ações enzimáticas que favorecem a lipólise
ou a inibição da lipogênese. Assim, a prioridade é a utilização de ativos lipolíticos tópicos, sendo que a maioria
desses ativos agregam funções conjuntas antilipogênicas e antiadipogênicas.
Segundo Guirro e Guirro (2002), o mecanismo de ação dos ativos lipolíticos, age no estímulo dos receptores
nervosos dos adipócitos, pois, o sistema nervoso central (SNC) exerce efeito direto sobre o tecido adiposo pelos
sistemas simpático e parassimpático.
DICA
Para entender a aplicação prática da antropometria, leia Métodos de Avaliação da composição
Corporal (LEITE, 2004). O artigo mostra como determinar as condições físicas do paciente
realizando vários critérios de medição para qualquer programa de emagrecimento e tratamento
estético.
158
A inervação simpática do SNC, está relacionada às ações lipolíticas e são mediadas pelos receptores β-
 dos adipócitos, que quando estimulados, favorecem as ativações enzimáticas para a degradação doadrenérgicos
TAG. Já a inervação parassimpática, relaciona-se ao efeito lipogênico, mediado pelos receptores -2 adrenérgicosa
dos adipócitos, que exercem função inibitória.
Na figura abaixo, vamos entender o mecanismo de ação dos ativos lipolíticos no interior dos adipócitos.
Mecanismo de ação dos ativos tópicos lipolíticos. Na figura acima, observa-se que os ativos lipolíticos bloqueiam
o receptor α2-adrenérgicos, inibindo a enzima fosfodiesterase. Ao acessar o adipócito pelo receptor β-
adrenérgico, aumenta o AMPc, a enzima lipase TG emulsiona os triglicerídeos intra-adipocitários. Como
consequência, ocorre a lipólise. X
Fonte: VANZIN, 2011, p.304.
Ao observarmos esse mecanismo de ação, questiona-se a razão de algumas regiões corporais responderem melhor
ao tratamentodo que outras. Isso ocorre, segundo Fonseca-Alaniz (2006), devido a diferença na expressão dos
receptores dos adipócitos dessas regiões. Por exemplo, no abdome há maior presença de receptores β-
adrenérgicos, que favorecem a lipólise, se comparados ao glúteo e coxas onde há maior quantidade de receptores
α-adrenérgicos, que inibem a lipólise.
Agora que conhecemos os critérios avaliativos iniciais para o tratamento da LDL e o mecanismo de ação dos
cosmecêuticos adequados para combatê-la, a seguir, conheceremos os ativos mais indicados, não se limitando a
eles. Por fim, sua sinergia em formulações para o tratamento profissional e .home care
6.3.1 Ativos lipolíticos tópicos
Os princípios ativos são substâncias químicas capazes de interagirem com os tecidos biológicos e, no caso dos
ativos lipolíticos, promoverem como efeito fisiológico a indução da lipólise. Nos cosmecêuticos lipolíticos, segundo
Vanzin (2011), as são os principais ativos indutores da lipólise, destacando: a cafeína, a teofilina, ametilxantinas
aminofilina e a teobromina, porém, não são os únicos.
A tabela abaixo apresenta as características e propriedades dos ativos lipolíticos, bem como sua ação no ciclo de
lipogênese.
159
Ativos lipolíticos. Na tabela acima, observa-se que o mecanismo de ação dos ativos, causam a lipólise nos
adipócitos por meio da inibição da fosfodiesterase e aumento da adenosina monofosfato cíclica (AMPc), por meio
do estímulo aos receptores β-adrenérgicos.
Fonte: VANZIN, 2011; GOMES; DAMÁZIO, 2013. (Adaptado).
O efeito das metilxantinas podem ser intensificados, conforme Guirro e Guirro (2002), pela coenzima-A e pelo
aminoácido L-carnitina, que estimulam a mobilização e destruição de ácidos graxos livres e induzem seu
transporte ativo por meio das membranas das mitocôndrias. Esses efeitos agregados se constituem como ativos
antilipogênicos, como veremos a seguir.
6.3.2 Ativos antilipogênicos tópicos
Enquanto os ativos lipolíticos causam a lipólise pelo estímulo β-adrenérgicos, os ativos antilipogênicos são
capazes de auxiliar na redução da LDL, pelo seu mecanismo antagonistas α-adrenérgicos, ou seja, inibidor da
160
lipogênese. No entanto nos dois mecanismos a lipólise é causada por meio da inibição da fosfodiesterase, para
aumentar os níveis de AMPc disponível e favorecer a degradação dos TAGs intra adipocitários.
A tabela a seguir apresenta as características dos ativos antilipogênicos e sua ação lipolitica.
Ativos antilipogênicos. Na tabela acima, observa-se que o mecanismo de ação dos ativos, causam a lipólise nos
adipócitos por meio da inibição da fosfodiesterase e aumento da adenosina monofosfato cíclica (AMPc), por meio
do bloqueio dos receptores α-adrenérgicos.
Fonte: COSTA, 2012; MATIELLO, et al., 2018. (Adaptado).
Como vimos, os ativos lipolíticos e antilipogênicos se completam em seu mecanismo de ação. Há ainda, outros
ativos de significante importância para o tratamento da lipodistrofia localizada, que compreendem os ativos
antiadipogênicos, os quais veremos a seguir.
161
6.3.3 Ativos Antiadipogênicos tópicos
Os ativos lipolíticos e antilipêmicos tem em seu mecanismo de ação o objetivo de facilitar a lipólise para reduzir a
adiposidade na LDL. No entanto, há ativos cuja característica de ação é inibir a diferenciação dos pré-adipócitos,
conhecidos por ativos antiadipogênicos tópicos.
Na tabela a seguir, conheceremos alguns ativos antiadipogênicos, suas propriedades e mecanismo de ação na LDL.
Ativos antiadipogênicos. Na tabela acima, observa-se que os ativos antiadipogênicos têm como característica um
comportamento biológico para inibir a diferenciação do adipócito, ou seja, evitar a formação extracelular de
Acetil-CoA e de Malonil-CoA,que resultaria em hiperplasia do adipócito.
Fonte: COSTA, 2012; MATIELLO, et al., et.al, 2018. (Adaptado).
Dessa forma, ao entendermos as propriedades dos ativos lipolíticos, antilipêmicos e antiadipogênicos,
reconhecemos que o principal mecanismo de ação consiste em atuar na fisiologia do adipócito para restaurar suas
funções metabólicas e favorecer a degradação do deposito excessivo de gordura no seu citoplasma.
Sendo assim, a figura abaixo resgata todo o conceito abordado sobre os diferentes mecanismos de ação, sobre o
adipócito, dos ativos estudados.
162
Mecanismo de ação dos ativos lipolíticos sobre os adipócitos. Na figura acima, observa-se que o mecanismo de
ação dos ativos lipolíticos, atuam sobre os receptores de membrana, para acessar o citoplasma adipocitário e
atuar sobre as estruturas químicas internas e causarem a hidrolise dos TGAs, liberando ácidos graxos e glicerol à
corrente sanguínea.
Fonte: VANZIN, 2011; GUIRRO; GUIRRO, 2002. (Adaptado).
Em suma, seja por qual mecanismo for, o princípio básico dos ativos lipolíticos, antilipogênicos e antiadipogênicos
é estimular fisiologicamente a promoção da lipólise, tão importante para o tratamento da lipodistrofia localizada.
Pensando nisso, a indústria cosmecêutica combina em sinergia esses ativos para obter o melhor do efeito
fisiológico, em formulações únicas multifuncionais, que reduzem o depósito de gordura, ativam a lipólise e limitam
a formação de novas células de gordura.
6.3.4 Fórmulas
Associar os ativos lipolíticos, antilipogênicos e antiadipogênicos em formulações para o tratamento tópico da
lipodistrofia localizada, agrega aos protocolos de tratamento uma ampla possibilidade de eficácia. Essas
formulações estão disponíveis na forma de géis, emulsões e creme, inclusive para uso , permitindo ahome care
manutenção dos resultados pelo paciente.
Na tabela a seguir podemos identificar a sinergia dos ativos nas formulações lipolíticas para tratar a LDL.
163
164
Formulações lipolíticas para lipodistrofia localizada. As formulações da tabela acima, reúnem em um único
produto ativos específicas que agem no metabolismo das células adipocitárias.
Fonte: VANZIN, 2011, p. 274. (Adaptado).
Dessa forma, vimos que os cosmecêuticos utilizados para o tratamento da lipodistrofia localizada são eficazes,
pois, atuam na fisiopatologia que leva à disfunção do tecido adiposo. As formulações do recurso cosmetoterápico,
ainda possibilitam associar os efeitos fisiológicos da eletroterapia, potencializando, assim, sua ação no adipócito e
tornando o resultado satisfatório.
Sendo assim, vale ressaltar que os resultados dependem também da manutenção de uma dieta baixa em calorias e
prática diária de atividade física pelo paciente, pois, a tendência dos ácidos graxos liberados é retornar ao
adipócito caso não haja gasto energético, comprometendo o resultado do procedimento estético realizado,
levando a falsa constatação de ineficiência.
Proposta de atividade
Agora é a hora de recapitular tudo o que você aprendeu nesse capítulo! Elabore um protocolo cosmetoterapêutico
para lipodistrofia localizada em paciente de 35 anos, com gordura localizada em abdome inferior, decorrente do
período gestacional cinco anos atrás, justificando a escolha dos princípios ativos utilizados. Ao produzir seu
protocolo, considere os principais conceitos abordados ao longo do capítulo e as leituras básicas e
complementares realizadas.
Recapitulando
A lipodistrofia localizada é uma alteração morfofuncional do tecido adiposo que leva ao acúmulo de gordura em
certas regiões do corpo. Constitui uma das principais queixas que leva à grande procura por tratamentos estéticos.
Sendo assim, ao esteticista, é preciso embasamento científico da fisiopatologia da disfunção para eleger
cosmecêuticos com ações fisiológicas sobre o processo de lipogênese e lipólise.
De etiologia multifatorial, os fatores genético-metabólicos se destacam por influenciarem diretamente na
hiperplasia e hipertrofia dos adipócitos, células constituídas, basicamente, por triglicerídeos, que formam o tecido
adiposo, cuja principal função é a reserva energética e hoje reconhecido também como um órgão metabólico.
O mecanismo de ação dos cosmecêuticos para a lipodistrofia localizada, se fundamenta no bloqueio ou no
estímulo dos receptoresespecíficos dos adipócitos, assim como em ações enzimáticas, as quais favorecem a
lipólise ou a inibição da lipogênese. Dessa forma, os princípios ativos utilizados nas formulações possuem efeito
lipolítico e agregam funções antilipogênicas e antiadipogênicas que interferem nos processos fisiológicos de
síntese dos lipídeos.
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COSMIATRIA APLICADA
CAPÍTULO 7 - FIBROEDEMA GINÓIDE (FEG)
Rubia Caleffi
167
Objetivos do capítulo
Ao final deste capítulo, você será capaz de:
• Reconhecer alterações da fibroedema ginóide em seus diferentes graus, assim como diagnosticar e tratar 
da forma mais adequada.
Tópicos de estudo
• Etiopatogenia
• Alterações anatômicas e hormonais
• Alterações vasculares
• Fatores Inflamatórios
• Fatores histopatológicos
• Classificação
• Graus
• Tipos
• FEG inflamatório e não inflamatório
• Fatores agravantes para o desenvolvimento do FEG
• Avaliação e diagnóstico
• Ativos termogênicos orais
• Ativos antioxidantes orais
• Ativos firmadores orais
• Ativos drentantes orais
• Tratamentos
• Tratamentos no home care
• Tratamentos em consultório
Contextualizando o cenário
O fibroedema gelóide (FEG), popularmente conhecido como celulite, se dá por um processo de distrofia, ou seja,
uma desordem a nível celular e substancial dos líquidos, células e gorduras, no tecido conjuntivo, que provoca
modificações estruturais nas camadas da pele (hipoderme, derme e epiderme) e acomete principalmente as
mulheres nas regiões de glúteos e coxas. Cria o aspecto inestético de “casca de laranja” e deve ser analisado como
um evento multifatorial, ou seja, acomete por um conjunto de causas que acabam por deixar a pele com aparência
irregular.
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Fonte: Cunaplus_M.Faba / / Istock.
Quando se dá a falta de oxigenação celular e um comprometimento tanto da circulação sanguínea quanto da
linfática no tecido local por conta do acúmulo de gordura ou líquidos nos tecidos, formam-se bolsas que se
prendem a uma rede de aderências e de tecidos esclerosados, que vem a ser o fibroedema ginóide ou gelóide
(celulite).
Sabemos que cada pessoa é única e deve ser analisada de forma global e personalizada quando busca pelo
atendimento estético. Pensando desta forma, como você como profissional capacitado pode tornar o seu paciente
/cliente um caso de sucesso na obtenção do resultado esperado no processo de redução da celulite (FEG)?
7.1 Etiopatogenia
O fibroedema ginoide possui vários fatores que contribuem para o seu desenvolvimento, portanto, multifatorial,
complexo e incompreendido por completo, o que dificulta no seu tratamento definitivo. A celulite ocorre a nível
celular do tecido subcutâneo, onde a microcirculação do tecido adiposo está prejudicada.
Pode-se dizer que etiopatologicamente estão envolvidas nas causas do aparecimento da celulite as alterações
hormonais e anatômicas, processos inflamatórios crônicos e fatores de microcirculação, além dos fatores de
predisposição genética e outros agravantes, como tabagismo, sedentarismo, estresse, alimentação etc. Contudo,
não são fatores interdependentes, ou seja, não é necessário que todos estejam envolvidos para que haja o
desenvolvimento do FEG.
169
Fatores agravantes.
A celulite é incidente na grande maioria das mulheres principalmente nas fases em que se encontram os picos de
alterações hormonais, como veremos a seguir.
7.1.1 Alterações anatômicas e hormonais
As alterações hormonais estão intimamente relacionadas com o aparecimento e/ou agravamento dos quadros de
celulite, visto que é na fase reprodutiva da mulher que a concentração do estrogênio se intensifica.
De acordo com Afonso (2010, p. 215) “[...] a hipótese anatômica da celulite é baseada nas diferenças entre homens
e mulheres em relação às características estruturais dos lóbulos de gordura subcutânea e dos septos de tecido
conjuntivo que os separam”.
Acometem especialmente as mulheres devido aos septos fibrosos do tecido conjuntivo serem verticais, que
permite que a gordura se movimente na interface dermo-hipodérmica, ocasionando as irregularidades no aspecto
da pele, diferente dos homens, que possuem esses septos nas orientações horizontal e diagonal, o que dificulta a
lesão do tecido e, por consequência, a incidência da celulite.
170
Pode-se dizer que a questão hormonal desempenha papel fundamental na etiopatogenia da celulite e,por isso,
podemos dizer que se trata de uma alteração anatômica. De acordo com Vanzin e Camargo (2011, p. 302)
O fator hormonal apresenta um papel fundamental no desencadeamento da lipodistrofia ginoide, mas
também desempenha papel agravante do processo já iniciado. Evidências do envolvimento do
estrógeno são: (a) a presença de lipodistrofia ginoide quase que exclusivamente em mulheres; (b) o
principal fator patológico após a puberdade; (c) agravação dessa condição durante a gravidez,
menstruação e reposição hormonal estrogênica ou utilização de contraceptivos contendo componente
estrogênico; (d) interação do estrógeno com outros hormônios.
O estrogênio afeta a circulação sanguínea aumentando a permeabilidade de líquidos e posterior acúmulo destes e
diminuição do tônus muscular. Ainda podemos citar hormônios como a insulina (lipogênica) e a prolactina
(aumenta a retenção de líquidos), que contribuem para o aparecimento ou agravamento da celulite.
Homens e mulheres apresentam diferentes estruturas teciduais e hormonais, o que explica, então, a maior
incidência de celulite nas mulheres em relação aos homens. As alterações hormonais estão diretamente ligadas às
vasculares visto que interferem na circulação venosa e linfática, como veremos a seguir.
7.1.2 Alterações Vasculares
Quando a microcirculação é afetada, fisiologicamente temos os fluxos venoso e linfático do tecido adiposo cada
vez mais deficitários, reduzindo a vascularização cutânea. Tem-se uma compressão destes sistemas (linfático e
venoso), levando a uma retenção de fluidos entre a derme, os adipócitos e os septos interlobulares, como podemos
esquematizar no quadro a seguir.
CURIOSIDADE
Cerca de 95% das mulheres apresentarão algum grau de celulite em algum momento da vida
(CUNHA, 2015).
171
Sistemas linfático e venoso.
Há, ainda, uma proliferação das fibras de colágeno e elastina no interior do tecido fibroedematoso, que também
comprometem a microcirculação e então acarretam em modificações celulares e falta de oxigenação tecidual
(hipóxia). Ainda, de acordo com Afonso (2010, p. 215)
O aumento da resistência lipolítica resultante da hipóxia e o aumento da lipogênese, causada pela
ação do estrógeno, prolactina e dietas rica em carboidratos levariam à hipertrofia dos adipócitos. Os
adipócitos alargados, juntamente com a hipertrofia e hiperplasia das fibras reticulares periadipócitos,
formariam micronódulos cercados por fragmentos de proteínas que, posteriormente, causariam
esclerose dos septos fibrosos, levando ao aparecimento da celulite.
Como exemplo podemos observar na imagem a seguir a diferença entre a pele sem celulite e com a presença da
celulite.
Fonte: Istock
172
Fonte: Istock
Quando as células adiposas se alargam por conta do acúmulo de gordura, as paredes capilares tornam-se muito
permeáveis, causando acúmulo de fluidos que não conseguem ser drenados naturalmente, gerando um
agrupamento das células adiposas que ficam ligadas pelas fibras de colágeno e elastina, prejudicando a circulação
de sangue. Dessa forma, há um endurecimento das fibras do tecido conjuntivo, puxando a pele para baixo e
ocasionando o “furinho” da celulite (FEG).
Dessa forma, podemos dizer que o aumento do índice de gordura no corpo pode ocasionar ou agravar os sintomas
do FEG por estarem diretamente relacionados entre si, afetando todo processo de vascularização procedente,
como veremos a seguir.
7.1.3 Fatores inflamatórios
Os fatores inflamatórios da celulite são apenas sugestivos. Clique nas abas a seguir e entenda o porquê.
Infiltração
Para algumas literaturas, não há processo de inflamação do tecido, ou seja, a celulite é
caracterizada somente como uma infiltração edematosa seguida de uma polimerização da
substância fundamental, acarretando em uma reação de fibrose.
Inflamação
Já outras literaturas sugerem que as membranas fibrosas seriam responsáveis por uma leve
inflamação do tecido e, consequentemente, a quebra dos adipócitos e atrofia cutânea.
Controvérsias
A falta de uma base de estudos sobre a fisiopatogenia do FEG faz com que haja controvérsias
sobre ter ou não fatores inflamatórios e ainda dificulta no desenvolvimento de um tratamento
adequado para tal. Devido a essas contradições, devemos nos ater aos fatores comprovados
que interferem no desenvolvimento ou agravamento do FEG.
7.1.4 Fatores histopatológicos
O fibroedema ginoide é considerado como uma alteração na saúde do tecido conjuntivo que começa com um
episódio de edema e evolui de forma fibroesclerótica (formação de tecido fibroso), levando ao comprometimento
do tecido adiposo.
Histologicamente, a celulite não é considerada uma inflamação, mas uma infiltração edematosa seguida de uma
reação química nas moléculas da substância fundamental do tecido conjuntivo, que quando infiltrada em sua rede,
produz uma reação fibrótica.
173
O FEG está associado histopatolgicamente, a três fases: 1 - Alteração dos adipócitos associada à estagnação da
linfa e proliferação de fibroblastos; 2 - Edema moderado que pode causar o aspecto irregular na pele; e; 3 - Nódulos
no tecido subcutâneo que causam o aparecimento dos “furinhos”.
Somados à isso, podemos observar a celulite e classificá-la conforme seu aspecto e os sintomas que são
apresentados pela pessoa afetada.
7.2 Classificação
A celulite pode ser classificada em 3 ou 4 graus distintos, dependendo da literatura. Aqui abordaremos a
classificação em 4 graus, que são avaliados a partir das alterações na pele e a sensibilidade à dor local, o que
norteará o tratamento mais adequado em cabine conforme o tipo de FEG.
7.2.1 Graus
Os 4 graus do FEG podem ser classificados de acordo com o aparecimento dos sintomas e alterações representadas
na pele.
174
• – Quando não há alteração na pele quando se está em repouso, mas as irregularidades aparecem Grau I 
quando tem contração de musculatura ou quando pinça a pele com a mão. É considerado um grau leve. 
Diminui a temperatura local da pele e sua elasticidade.
Fonte: © dimid_86 / / Istock
• Grau II – Quando há aspecto de casca de laranja sem que precise contrair a musculatura ou pinçar a pele. É 
considerado um grau moderado. Quando se apalpa a pele, é possível sentir a presença de micronódulos, 
área um pouco dolorida, com redução da elasticidade, da temperatura e da coloração local.
Fonte: © Staras / / Istock
• Grau III – Quando as características do grau II se associam à presença de depressões mais profundas na 
pele, presença de vasinhos visíveis, maior retenção de líquidos e um pouco de dor.
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Fonte: © miljko / / Istock
• Grau IV – Grau severo. Há intensificação de profundidade nas depressões, inchaço, nódulos e fibrose. 
Geralmente vem acompanhado de dor local e se torna visível sobre roupas mais finas.
Fonte: © Anetlanda / / Istock
Cada grau tem sua particularidade e pode ser analisado em atendimento de forma peculiar e fácil, pois se
apresentam distintos entre um e outro. Além dos graus apresentados, ainda existem tipos a serem classificados,
que também se fazem importantes para formação de uma linha de tratamento, como veremos a seguir.
7.2.2 Tipos
Clinicamente podemos classificar a celulite principalmente conforme a faixa etária e estilo de vida. Está dividida
em: dura, flácida, edematosa e mista, e pode ser diagnosticada por meio da palpação e observação. Clique a seguir
e conheça cada classificação.
1. Dura
•
176
O FEG duro tem incidência maior sobre mulheres jovens que geralmente se exercitam e a aparência de casca de
laranja independe da contração ou repouso muscular. Sua consistência é dura ao tato por conta do predomínio de
fibrose.
2. Flácida
A celulite flácida aparece mais em mulheres sedentárias, geralmente com mais de 40 anos e que perderam peso
sem exercício físico ou com musculatura pouco desenvolvida, raramente é dolorosa e o aspecto flácido muda
conforme a posição (sentada, deitada, em pé).
3. Edematosa
Apresenta aspecto de edema tecidual, pele mais fina e vem acompanhada de sintomas como dores, câimbras,sensação de peso nas pernas e a sua percepção ao toque é de endurecimento. Pode ser encontrada em qualquer
faixa etária ou de peso com sistema circulatório desequilibrado que possa desencadear o edema.
4. Mista
O FEG misto que é a associação de mais de um tipo no mesmo indivíduo, deve ser analisado em cabine de acordo
com os aspectos dominantes.
O FEG tem formas diferentes de se apresentar e nem sempre serão encaixados nas mesmas condições como
fórmulas prontas, por isso deve ser analisado de forma séria e criteriosa.
7.2.3 FEG inflamatório e não inflamatório
Para muitos autores a celulite é um termo mal empregado, pois indicaria uma inflamação celular, e as literaturas
relatam que não há inflamação na presença do FEG e que se trata de um processo de edema com a função venosa e
linfática alteradas. Clique nas abas a seguir e acompanhe a discussão.
Estudos recentes
Alguns estudos recentes têm mostrado que um pequeno grau de inflamação crônica pode desempenhar um
importante papel no desenvolvimento da fibrose, que poderia estar ligado ao ciclo menstrual da mulher devido à
atividade hormonal que ocorre neste período, que pode causar deterioração da malha de colágeno pelo processo
inflamatório que ocorre todos os meses, tornando a derme mais fraca e permitindo a invasão do conteúdo adiposo
subcutâneo. De acordo com Afonso (2010, p. 216) “[...] observou-se um aspecto difuso do processo inflamatório
celular crônico, com macrófagos e linfócitos, nos septos fibrosos, a partir de biópsias de pele. Os septos seriam os
responsáveis pela inflamação leve que resultaria em lise dos adipócitos e atrofia cutânea”.
Falta de consenso
Em todo caso, não existe consenso na literatura sobre a ação inflamatória ou não no processo de desenvolvimento
da celulite, mas há agravantes para o seu desenvolvimento, como veremos a seguir.
7.2.4 Fatores agravantes para o desenvolvimento da FEG
Alguns fatores como obesidade, tabagismo, má alimentação, acúmulo de gordura, sedentarismo, alteração
hormonal, retenção de líquido, uso de anticoncepcionais, consumo de açúcares, mau funcionamento do intestino
e estresse, entre outros, podem agravar e/ou piorar o quadro de desenvolvimento da celulite.
Para entendermos como tudo isso agrava o quadro, é importante raciocinarmos sobre a interferência de cada
quadro, por exemplo, como a ingestão de água pode interferir no processo da celulite. Quando ingerimos a
quantidade necessária de água, nosso corpo tende a excretar mais líquido, o que significa que haverá maior
eliminação de toxinas. Da mesma forma pensamos na alimentação, onde temos o sal que, em excesso, causa
retenção líquida; o açúcar e a gordura, quando em demasia, levam à lipogênese, assim como o estresse e o
tabagismo; e; a baixa ingestão de fibras e água, que altera o funcionamento intestinal e leva à estase venosa (má
circulação que acarreta em edema e piora o grau de celulite).
177
Fonte: © margouillatphotos / / Istock
A maior parte dos fatores agravantes ou condicionantes do FEG estão nos hábitos do indivíduo. Dessa forma, é
indispensável que haja uma criteriosa avaliação e investigação da pessoa como um todo para chegar em um
diagnóstico preciso, como veremos a seguir.
7.3 Avaliação e Diagnóstico
A avaliação do FEG, assim como com qualquer outro problema estético, deve ser trabalhada no primeiro momento
com uma anamnese estruturada e bem aplicada, onde serão pontuados os principais problemas, deficiências e os
pontos positivos de cada um. A anamnese é quem dará norte à escolha do tratamento e um possível diagnóstico
clínico a partir das respostas do paciente e da avaliação clínica. Segundo Vanzin e Camargo (2011, p. 304)
[...] clinicamente, a lipodistrofia ginoide pode ser analisada por medidas antropométricas (peso, índice
de massa corporal – IMC –, medidas circunferenciais), bioimpedância, ecografia bidimensional
(ultrassom que capta imagens de diferentes camadas da pele) e termografia.
Não existe melhor método para avaliação e diagnóstico, visto que tudo depende de algumas variáveis como custo,
acessibilidade, grau de riscos etc. Uma boa avaliação da celulite pode ser realizada pela anamnese, junto com os
recursos que se tem em mãos, mas sempre serão de extrema importância entender os hábitos de vida do indivíduo
e conseguir distinguir o grau e o tipo de FEG que este apresenta, para que então possa ser traçada uma linha de
tratamento clínico e por meio da indicação de ativos que possam auxiliar para o resultado final.home care 
PAUSA PARA REFLETIR
O que você oferece ao seu organismo é realmente o que ele precisa para funcionar em harmonia
com a sua pele?
178
7.3.1 Ativos termogênicos orais
Além da alimentação adequada, podemos agregar algumas substâncias que podem auxiliar na melhora do quadro
do FEG instalado, porém não há estudos comprobatórios que os utilizados em via oral melhorem o aspecto da
celulite, mas a sua ação termogênica pode atuar na aceleração do metabolismo e influenciar na prevenção ou no
retardamento do quadro da celulite, como veremos a seguir.
Ativos termogênicos orais.
Os ativos termogênicos orais geralmente são fitoterápicos e podem ser consumidos sem prescrição, sempre se
atendo para o equilíbrio de consumo. Podem ser associados a outros ativos.
7.3.2 Ativos antioxidantes orais
Os antioxidantes são substâncias que combatem e/ou inibem o processo de envelhecimento celular pela
neutralização de radicais livres que, quando em excesso, provocam danos nas células. Alguns exemplos se
encontram listados abaixo:
179
Ativos antioxidantes orais.
Fonte: VANZIN; CAMARGO, 2011 (Adaptado).
Encontramos na natureza e na indústria farmacêutica uma gama de produtos que podem ser eficientes no auxílio
ao organismo para combater radicais livres e melhorar a saúde no geral, especialmente na saúde da pele.
7.3.3 Ativos firmadores orais
Podemos dizer que os ativos firmadores são aqueles que estimulam e favorecem a regeneração celular, hidratação
e elasticidade da pele. Podemos citar como ativos firmadores de uso oral:
180
Ativos firmadores orais.
Fonte: VANZIN; CAMARGO, 2011 (Adaptado).
Os ativos firmadores são basicamente influenciadores na produção de colágeno, que garantem uma melhora no
aspecto de sustentação e elasticidade da pele.
7.3.4 Ativos drenantes orais
Os ativos drenantes são aquelas substâncias que tem a capacidade de atuar na circulação venosa e linfática,
melhorando a absorção de edemas, hematomas e infiltrações. Podemos citar alguns ativos como drenantes orais:
181
Ativos drenantes orais.
Fonte: VANZIN; CAMARGO, 2011 (Adaptado).
Além de todos esses ativos, o principal e que faz grande diferença na saúde do organismo como um todo é a água,
elemento aliado mais importante para bons resultados.
Quando associamos tratamentos, as chances de sucesso são consideravelmente maiores, já que temos em mãos
uma gama de produtos via oral, ativos tópicos e equipamentos que se inovam a cada dia.
7.4 Tratamentos
Os tratamentos para celulite estão divididos entre invasivos e não invasivos. Para os não invasivos, temos
procedimentos em cabine de massagens, drenagem linfática manual e eletroterapia aliados a produtos tópicos
que podem auxiliar no estímulo para melhorar o FEG. Os métodos invasivos ficam a cargo de profissionais
autorizados a tais procedimentos (médicos, enfermeiros e fisioterapeutas).
Ainda contamos com uma linha muito vasta de dermocosméticos que são essenciais para associação de
tratamento em cabine pois potencializam a permeação dos ativos na pele.
182
7.4.1 Tratamentos em home care
Para tratamentos , podemos indicar o consumo de princípios ativos estimulantes de uso oral que ajudemhome care
na drenagem, circulação e hidratação da pele e também cosméticos de uso tópico que auxiliem na ativação da
circulação sanguínea local, como é o caso dos ativos hiperemiantes, por exemplo.
Contudo, para um resultado potencializado, deve-se, ao realizar a anamnese do paciente, perceber quais as
principais características individuais e particulares que se sobressaem, analisaro grau e o tipo do fibro edema
ginoide, diagnosticar as falhas multifatoriais e, então, indicar os produtos tópicos ou orais e procurar esclarecer
quais as mudanças necessárias nos seus hábitos para que o resultado esperado seja realmente efetivado.
Fonte: © M_a_y_a / / Istock.
Além disso, deve-se destacar que o profissional sempre deve indicar como a ingestão de líquido, a boahome care 
alimentação e a regularidade em atividades físicas. É aliando os tratamentos em cabine aos hábitos fora de
consultório que os resultados se fazem mais eficazes.
7.4.2 Tratamentos em consultório
Em cabine, devemos antes de qualquer procedimento, fazer uma boa anamnese e ter convicção de tipo e grau que
se encontra a patologia do paciente/cliente. Fazendo isso, o profissional tem em mãos condições para traçar um
protocolo de tratamento seguro e eficaz.
183
Fonte: © rusak / / Istock
Como na maioria dos tratamentos personalizados, devemos observar e associar terapias. Além de indicar a seu
paciente que procure auxílio nutricional (se for o caso), indicar produtos para home care e apresentar algumas
alternativas via oral para serem coadjuvantes nesse processo, intercalamos o tratamento em consultório com uma
das opções das quais cabe ao profissional de estética. Clique a seguir para conhecer essas opções.
•
Drenagem linfática
Método manual que proporciona a drenagem de líquidos e estimula a defesa do sistema
imunológico, além de aumentar a diurese e, consequentemente, eliminar toxinas. Como no quadro
da FEG há um “estacionamento” da linfa e da circulação venosa, a drenagem é de grande valia.
•
Massagem modeladora
Massagem de manobras intensas e rápidas que ativam a circulação sanguínea local por conta do
estímulo e hiperemia da pele, melhorando a oxigenação celular e tecidual e o tônus muscular, e
deve ser agregada a produtos que contenham ativos estimulantes para que os efeitos sejam
potencializados, como uso de cosméticos lipolíticos e hiperemiantes.
•
Ultrassom
Indicado para quebra de gordura (lipólise) pelo aumento da temperatura nos tecidos por meio das
ondas de vibração mecânica, estimulando a circulação sanguínea periférica e acelerando o
metabolismo e a remoção de resíduos locais. O ultrassom auxilia no aumento da elasticidade do
tecido e é muito indicado nos processos de fibro edema, fibroses, pós operatórios etc, pela sua ação
cicatrizante, além de diminuir dores e promover reabsorção de hematomas e aderências fibróticas. É
contraindicado para lactantes, mulheres com cistos, miomas, endometriose, tumores, distúrbios
cardíacos, varizes, infecções, tromboflebites, marca passo, hiper ou hipotensão descontroladas,
problemas crônicos renais, entre outros.
•
Endermologia
•
•
•
•
184
Também chamado de vacuoterapia, que por meio de sucção vai em sentido da drenagem linfática, e
permite a estimulação desse sistema eliminando toxinas e melhorando a nutrição celular. Ainda tem
efeito positivo sobre a elasticidade e tônus muscular. É eficiente no combate ao fibro edema geloide
(FEG) e gordura localizada, pois evita a formação de fibrose tecidual. Fortalece os vasos sanguíneos
e linfáticos e melhora as estruturas das fibras de colágeno e elastina, e ainda desobstrui possíveis
congestionamentos de circulação.
•
Laser
Recurso fototerápico com efeito anti-inflamatório, analgésico, estimulante celular e atua na
regeneração e modulação do tecido conjuntivo.
•
Corrente galvânica
Nutre tecidos pelo aumento da circulação local e pode ser associada à iontoforese, que faz penetrar
no organismo alguns fármacos ionizáveis por meio do revestimento cutâneo por meio de uma
corrente elétrica.
•
Eletrolipoforese
Consiste em um procedimento que veicula ondas elétricas de intensidade e frequência definidas.
Tem efeito eletrolítico, estimula a circulação, modifica o meio intersticial e favorece as trocas
metabólicas, inclusive a lipólise. É um processo invasivo, portanto, de uso médico.
•
Correntes excitomotoras
Têm por finalidade fortalecer a musculatura, aumentar a circulação de sangue e a linfática,
colaborando com a melhoria do trofismo dos tecidos que acarreta em tonificação muscular e por
consequência redução de gordura e estimulação do metabolismo.
•
Acupuntura
Por meio de agulhas, tem a finalidade de estimular o fluxo de líquidos e regularizá-lo, já que para a
medicina tradicional chinesa, a celulite é vista como uma estagnação de líquido interno. Somente
pode ser feita por profissionais acupunturistas.
•
Criolipólise
Vem ganhando espaço no mercado estético pela sua ação quase que instantânea, não invasiva e
consiste no resfriamento do tecido adiposo local variando entre -5º e -15º ocasionando morte
adipocitária. Esse processo resulta na diminuição da camada adiposa, reduzindo a infiltração
inflamatória, tamanho e número de adipócitos e, consequentemente, promovendo a redução da
camada de gordura, abrindo espaço para oxigenação celular e espessamento dos septos fibrosos,
melhorando, assim, o quadro do FEG.
•
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185
Radiofrequência
É uma forma de corrente elétrica alternada que age por aquecimento na derme profunda enquanto
a epiderme se preserva por meio de resfriamento. Ocorre uma contração das fibras de colágeno por
meio desse aquecimento, estimulando a formação de novas fibras e potencializando seu efeito de
sustentação da pele, além de reduzir edemas e melhorar o quadro de fibrose.
•
Uso de dermocosméticos associados a tais terapias
Potencializa o efeito esperado de tratamento. Alguns protocolos utilizados em massagens e/ou na
eletroterapia como, por exemplo, formulações que possuem ativos como a cafeína, o nicotinato de
metila, pimenta, cravo, canela etc são termogênicos que estimulam a lipólise pela hiperemia
(aumento da temperatura local e consequente circulação sanguínea) e inibem a estocagem de
gordura e por meio de nanotecnologia, permitem uma permeabilização profunda na camada das
células adiposas. Podemos citar também outros ativos presentes em cosméticos que fazem o
resfriamento tecidual como mentol e canfora fazendo com que o organismo busque energia nas
células adiposas para voltar a temperatura corporal normal e quando associados à outros como a
cavalinha, castanha da índia, centella asiática, chá verde etc., tendem a estimular ainda a
microcirculação local. Cada protocolo de cada marca presente no mercado, não é composto de
apenas um único produto milagroso, são etapas a serem seguidas, cada produto com sua
especificidade e momento para ser utilizado. A união dos dermocosméticos aos tratamentos
estéticos profissionais, os resultados serão consequências de protocolos bem escolhidos e
avaliados.
Os tratamentos em consultório na área da estética se fazem atualizados a todo tempo, sendo que equipamentos
novos são lançados e protocolos atualizados, portanto, deve-se manter sempre em constante estudo para
entender o que funciona ou não e da forma com que acontece para poder oferecer eficiência na hora do
atendimento.
Proposta de atividade
Agora é a hora de recapitular tudo o que você aprendeu nesse capítulo! Elabore uma anamnese e um protocolo de
atendimento para uma paciente que chega até você com FEG nodular e apresenta flacidez, com agravantes
condicionais de má alimentação e sedentarismo. Não esqueça que a otimização do tratamento vai além do
consultório.
•
PAUSA PARA REFLETIR
Muitos tratamentos são disponibilizados no mercado sem que nenhum seja efetivamente
comprovado para acabar com a celulite, somente conseguindo amenizar sintomas e situações.
Sendo assim, como podemos vender protocolos eficazes sem uma solução realmente definitiva?
186
Recapitulando
O fibroedema ginoide (celulite) é um problema que acomete quase que na sua totalidade as mulheres e um dos
principais fatores está na questão hormonal, pois que acarreta tanto pessoas obesas quanto para magras,
concluindo que não se trata apenas de obesidade. Quando vamos analisar um paciente, devemos ter consciência
de que aquele ser é único, que tem suas particularidades e que tambémespera por um tratamento personalizado.
Analisar, perguntar, investigar e observar faz parte do diagnóstico e é preciso estar atento às variantes para poder
enxergar qual o melhor caminho a seguir para satisfazer o paciente. Perceber o tipo do FEG, o grau, os hábitos de
vida, alimentares e físicos faz com que o seu protocolo esteja mais perto de ser bem sucedido, já que é este é o
caminho para traçar o melhor tratamento. Poder escolher ativos orais e tópicos para auxiliar como coadjuvantes e
orientar o paciente quanto a sua saúde são de extrema importância para o sucesso do tratamento.
Referências
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/2019.
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http://www.redalyc.org/articulo.oa?id=265541072002
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http://www.braspen.com.br/home/wp-content/uploads/2016/12/10-Lipodistrofia-gin%C3%B3ide-conceito-etiopatogenia-e-manejo-nutricional.pdf
COSMIATRIA APLICADA
CAPÍTULO 8 - ESTRIAS
Flávia Garramone
188
Objetivos do capítulo
Ao final deste capítulo, você será capaz de:
• Entender o mecanismo desencadeador das estrias.
• Identificar sua tipologia.
• Atenuar seu aspecto e processo inflamatório quando se fizer presente.
Tópicos de estudo
• Fisiopatologia.
• Alterações.
• Incidência.
• Causas e fatores agravantes.
• Tipologia.
• Tratamentos.
• Avaliação e diagnóstico.
• Ativos e seus mecanismos de ação.
• Fórmulas.
• Protocolos.
Contextualizando o cenário
O desenvolvimento tecnológico de cosmecêuticos que tratem e previnam os efeitos da degradação celular está em
crescente expansão. Sendo assim, é possível ao esteticista obter em seus protocolos a eficácia almejada, utilizando
ativos multifuncionais, mesmo em tratamentos mais desafiadores, como no caso das estrias. Estas, por sua vez,
exigem também disciplina e persistência do paciente.
As estrias são lesões, parecidas com cicatrizes de diferentes espessuras, as quais se formam em regiões corporais
onde houve intensa e/ou rápida distensão da pele. Ao surgimento, são avermelhadas e evoluem para uma cor
nacarada, ou seja, esbranquiçada e brilhante. Conforme o fototipo do indivíduo, elas ficam mais evidentes,
tornando-se um problema estético de grande impacto psicológico.
As estrias ocorrem em ambos os sexos, porém são muito mais frequentes nas mulheres e representam uma
condição inestética com resultados terapêuticos pouco satisfatórios em grande parte dos casos. Diante desse
cenário, questiona-se: quais os cosmecêuticos ideais para a prevenção e o tratamento das estrias?
8.1 Fisiopatologia
Existe uma combinação de fatores que origina as estrias, como estiramento mecânico da pele, hereditariedade e
influência hormonal. Para Vanzini (2011) a desidratação cutânea também contribui para a formação e o
agravamento das estrias. Embora sua etiologia não seja totalmente definida, é sabido que tem forte correlação
com ganho importante de peso, em curto espaço de tempo.
Tais fatores ocorrem em diferentes situações fisiológicas, como a puberdade, gestação, crescimento estatural,
obesidade e rápido aumento de massa muscular. Condições patológicas também corroboram com surgimento das
estrias entre elas diabetes; lúpus eritematoso; tratamentos com corticosteroides, via tópica ou oral; entre outros.
Diante disso, compreenderemos a seguir as alterações histológicas dessa anomalia cutânea.
•
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189
8.1.1 Alterações
Morfologicamente, na pele afetada pelas estrias há a perda da capacidade cutânea em sintetizar fibroblastos,
anormalidades no tecido conectivo e significativa diminuição na quantidade de colágeno e fibras elásticas, em
comparação à pele normal. Ou seja, a pele se encontra em estado de atrofia, pela redução da atividade dos
fibroblastos na síntese de matriz extracelular de boa qualidade, e ruptura das fibras já existentes (COSTA, 2012).
Na imagem abaixo, observa-se a diferença morfológica das estruturas da pele na presença das estrias, em
comparação a pele saudável.
Diferenças morfológicas das estruturas da pela na presença de estrias
Fonte: © Cessna 152 / / Shutterstock.
Na figura você observou as alterações histológicas da pele com estrias.
Dessa forma, nota-se que a estrutura do tecido cutâneo mais atingida pelos fatores etiopatogênicos da estria é a
derme, uma camada intermediária da pele, altamente vascularizada e responsável por nutrir a epiderme. Sendo
assim, é preciso entender melhor as características das estruturas que compõem a derme, para identificarmos
como as suas alterações levam à formação das estrias.
Histologicamente, a derme é formada por tecido conjuntivo frouxo, constituído por diferentes células:
macrófagos, fibroblastos, plasmócitos, entre outras, separadas por grande quantidade de matriz extracelular e
três tipos de fibras. Segundo Guirro e Guirro (2002), a composição diferenciada dessa substância fundamental
extracelular faz com que a derme absorva impactos, resista à tração e dê elasticidade à pele.
Nota-se que fibroblasto é a célula mais importante da derme. Conforme Molinaro (2009), ele é responsável pela
produção e manutenção da matriz extracelular e da síntese de colágeno, que origina as fibras colágenas,
elásticas e reticulares. Além disso, produz fatores de crescimento. Clique nos ícones para conhecê-los.
•
FGF (fibroblast growth factor).
•
TGF-β1 (transforming growth factor β1).
•
•
190
•
PDGF (platelet-derived growth factor).
Fatores esses que controlam a proliferação e a diferenciação celular, contribuindo para a cicatrização cutânea.
Assim, a matriz extracelular é composta de glicosaminoglicanos que dão à substância fundamental amorfa uma
consistênciade gel. Além disso há fibronectina, a glicoproteína mais abundante que, segundo Lupi (2012), é
responsável pela adesão dos próprios componentes da própria matriz ou com as células. E, por fim, as
proteoglicanas que fazem a sinalização celular pela membrana plasmática, ao ligarem-se aos fatores de
crescimento, aumentando ou inibindo a sua atividade.
As fibras dérmicas são constituídas principalmente de , uma proteína da matriz extracelular que, segundocolágeno
Azulay (2017), é composta de três cadeias polipeptídicas enroladas em uma configuração em tríplice hélice. Estas
se distribuem em duas regiões: a e . Veja que a função do colágeno é fornecerderme papilar derme reticular
resistência e integridade estrutural a diferentes tecidos e órgãos corporais.
Assim, segundo Guirro e Guirro (2002), variações na sequência de aminoácidos de suas cadeias, origina os 
colágenos tipo I, II, III, V e XI, que se apresentam, estruturalmente, como moléculas individuais ou associadas em
redes, fibrilas ou fibras. Na figura abaixo, observa-se a diferença estrutural do colágeno.
•
DICA
A derme é rica em água a qual se encontra ligada principalmente ao ácido hialurônico, um
glicosaminoglicano (GAG). Para entender a importância dos GAGs, leia o artigo de Freitas e Salvi
(2018) O uso do ácido hialurônico na harmonização facial: uma breve revisão.
191
Diferença estrutural do colágeno
Fonte: © Designua / / Shutterstock.
Na figura você pôde observar a morfologia e origem molecular do colágeno.
Conforme Molinaro (2009), o é o de maior abundância presente em diversas estruturas corporais,colágeno tipo I
entre elas a derme. Ele é capaz de formar fibras espessas. Por sua vez, o é encontrado nas cartilagens, formatipo II
fibrilas e atua como molas biomecânicas. Já o , forma finas fibrilas as quais compõem as fibras reticulares. E,tipo III
por fim, o são fibrilas muito mais finas presentes na lâmina basal.tipo IV
192
Neste sentido, as representam 95% do tecido da derme. Segundo Azulay (2017), da superfíciefibras colágenas
para a profundidade da derme, as fibras de colágeno se espessam, sendo mais delgadas na derme papilar,
tornando-se feixes espessos, entrelaçados e paralelos à superfície na derme reticular. Ainda para o autor, as fibras
de colágeno são inelásticas, muito resistentes e dispostas em várias direções para fornecer ao tecido resistência à
tração e força tênsil aos ferimentos na fase de cicatrização.
As são compostas por colágeno do tipo III. Sendo assim, não se constituem realmente em fibras,fibras reticulares
mas sim, segundo Guirro e Guirro (2002), em fibrilas finas e delicadas dispostas em rede de trançado firme que
constituem o arcabouço dos órgãos e compõem a lâmina reticular da membrana basal. Formam, ainda, a tela de
sustentação em torno das células adiposas, dos vasos sanguíneos, dos nervos e músculos.
Já as são constituídas por fibrilas da glicoproteína que confere elasticidade ao tecido.fibras elásticas fibrilina, 
Segundo Molinaro (2209), para formar a fibra, as fibrilas formam um arcabouço que é preenchido pela proteína 
, muito mais resistente que o colágeno. A síntese de elastina e de colágeno ocorre pelos fibroblastos e porelastina
células musculares lisas da parede dos vasos, simultaneamente.
A figura abaixo, consolida as estruturas da derme que foram vistas, denotando sua distribuição morfológica para
compor a sustentação da epiderme.
Morfologia que compõe a sustentação da epiderme
CONTEXTO
A “vitamina C é importante para a síntese do colágeno, pois, é cofator de enzimas da
hidroxilação da prolina. Sem ela não há formação da tripla hélice da molécula do colágeno”
(MOLINARO, 2009).
193
Morfologia que compõe a sustentação da epiderme
Fonte: © / / Shutterstock.
Na figura você acompanhou as características da composição da derme.
Dessa forma, dentre as disfunções que acometem a derme estão as estrias. Trata-se de uma atrofia tegumentar
adquirida que se apresenta como lesões lineares paralelas. Elas têm a superfície enrugada transversal ao seu maior
eixo, as quais desaparecem à tração, caracterizando, assim, a degeneração e as alterações das fibras elásticas e
colágenas da substância fundamental amorfa e dos fibroblastos.
Segundo Costa (2012), na fisiopatologia da estria atrófica, as alterações dérmicas consistem na diminuição do
metabolismo dos fibroblastos, resultando na menor síntese de colágeno, elastina e fibronectina. Em relação à
qualidade das fibras existentes, as elásticas se tornam mais finas e se rompem. Já as colágenas se tornam
alongadas e espessadas, em disposição única, paralelas à superfície da pele.
Em geral, as estrias são múltiplas e linearmente bem definidas. Além disso, segundo Azulay (2017), no início há
presença de um infiltrado linfocítico perivascular profundo e superficial, caracterizando o processo inflamatório
das estrias eritematosas, ou mesmo as violáceas.
Sendo assim, essas alterações culminam em atrofia tanto da derme, quanto da epiderme, tornando-se frágeis.
Além disso, há retificação das cristas epiteliais, semelhante ao encontrado em cicatrizes cutâneas.
Agora, quais são os locais do corpo de maior incidência de estrias, bem como a epidemiologia delas? Isto é o que
veremos a seguir.
8.1.2 Incidência
As estrias acometem tanto homens quanto mulheres, trazendo insatisfação em relação à sua autoimagem,
ocasionando inclusive, problemas psicossociais como, por exemplo, a dificuldade e o constrangimento da
exposição corporal. No entanto, a incidência delas é 2,5 vezes mais frequente nas mulheres que nos homens.
Segundo Borges (2010), as estrias acompanham as linhas de clivagem da pele (linhas de Langer). São linhas de
tensão corporal perpendiculares e correspondem à orientação natural das fibras de colágeno na derme. Nestas
áreas, a resistência da pele está diminuída. Ademais, geralmente, as linhas estão paralelas à orientação das fibras
musculares subjacentes e há um certo acúmulo de tecido adiposo.
194
Linhas de clivagem da pele
Fonte: ARNDT, 1990, p. 306. (Adaptado).
Na figura você acompanhou as Linhas de Langer.
Dessa forma, as estrias tendem à simetria e à bilateralidade, sendo as áreas corporais mais atingidas o abdome, o
glúteo, as coxas e a região inguinal. Podem acometer também a raiz dos membros superiores, das axilas e do tórax,
em casos de obesidade ou de aumento rápido de massa muscular (COSTA, 2012).
195
De acordo com Azulay (2017), nas mulheres, ocorrem principalmente nas mamas e em áreas como flancos, glúteos
e abdome, com pico de incidência na adolescência, entre os 14 e 20 anos, e ainda, em 90% das gestantes. Nos
homens, ocorrem frequentemente no dorso, na região lombossacra e na parte externa das coxas.
Sendo assim, apesar de multifatorial em sua etiopatogenia, os fatores desencadeantes das estrias podem ser
compreendidos como fatores mecânicos, dados pela hiperextensibilidade da pele; fatores bioquímicos, referentes
aos hormônios e, ainda, a predisposição genética, como veremos a seguir.
8.1.3 Causas e fatores agravantes
Embora as estrias surjam em condições de distensão da pele, como no estirão da adolescência, na obesidade, no
efeito sanfona ou na gravidez, para Rivitti (2011), os fatores fisiopatológicos que têm influência decisiva são os
hormonais endógenos ou exógenos e a predisposição genética.
Segundo Guirro e Guirro (2002), as alterações principalmente dos hormônios corticoides influenciam de forma
direta a presença das estrias. Para ele, isso explica a ocorrência de estrias serem menos frequente em crianças até
nove anos, mesmo que obesas, pois a secreção desse hormônio só se inicia na puberdade.
Corroborando a afirmação, Azulay (2017) cita que a corticoterapia tópica ou oral desencadeia o surgimento das
estrias. Isso porque os corticoides inibem a ação de fatores de transformação do crescimento (TGF-β) e, também,
do fator derivado de plaqueta (PDGF), os quais estimulam a síntese de colágeno pelos fibroblastos.
Na figura abaixo, podemos observar as estrias características da adolescênciae da obesidade.
196
Características das estrias da adolescência e da obesidade
Fonte: © Vladimir Gjorgiev / / Shutterstock. © kittiwat chaitoep / / Shutterstock. © BLACKDAY / / Shutterstock.
© Nikolay Litov / / Shutterstock.
Na figura você pôde ver as estrias por distensão ( ).striae distensae
Agora, quanto à ocorrência de estrias na gravidez, trata-se de um fenômeno multifatorial, decorrente da
hiperextensibilidade mecânica da pele, da influência genética e de combinação de fatores hormonais que
promovem a ruptura de fibras elásticas e a adelgaçamento das colágenas do tecido conjuntivo da derme.
Para Costa (2012), na gravidez há maior atividade e quantidade de receptores de hormônios adrenocorticais,
estrógenos e glicocorticoides nas células dérmicas. Isso influencia o metabolismo da matriz extracelular, causando
PAUSA PARA REFLETIR
Manter a pele bem hidratada durante a gravidez é uma terapêutica adequada para a prevenção
das estrias?
197
a formação de estrias. Ainda ocorre a influência do hormônio relaxina que provoca o remodelamento do tecido
conjuntivo para proporcionar a evolução normal da gestação.
Na figura abaixo, podemos observar as estrias características da gravidez.
Características oriundas da gravidez
Fonte: © papamafia / / Shutterstock. © Rinelle / / Shutterstock.
Na figura você observou as estrias gravídicas ( ).striae gravidarum
Por fim, entre as causas etiológicas das estrias está o fator genético o qual influência a resistência dérmica ao
rompimento das fibras elásticas, bem como o de reconstrução tissular.
Conforme Guirro e Guirro (2002), os indivíduos predispostos às estrias possuem redução dos genes que
determinam a formação do colágeno, da elastina e da fibronectina, ocasionando uma alteração no metabolismo
do fibroblasto para a síntese dessas fibras. Eles também possuem taxas de migração e de proliferação mais lentas
em fibroblastos.
Corroborando isso, Costa (2012) cita a presença de alterações nos genes que produzem as proteínas Fibrilina-1 e
Fibrilina-2 da matriz extracelular. Essas proteínas compõem as fibras elásticas da derme. Também, aponta a
mutação no gene da elastina (ELN) que induz a produção de fibras elásticas imaturas, ou seja, que não são capazes
de fornecer a firmeza e a elasticidade adequadas para a pele, favorecendo, assim, a formação das estrias.
Além dessas causas, um fator agravante pelo qual a pele tende a formar estrias é a desidratação cutânea. Para
Vanzini (2011), os biotipos alípicos de pele têm maior predisposição à sua formação, pois, fisiologicamente, já há
escassez de substratos no manto hidrolipídico, espessura epidérmica diminuída e pouca elasticidade.
Dessa forma, concluímos que esses fatores levam a alterações morfológicas do tecido cutâneo e causam a perda da
capacidade de síntese de proteínas estruturais da derme nas áreas corporais que sofreram distensão da pele,
instalando-se as estrias. Sendo, assim, vamos compreender a seguir, como se dão as fases do processo biológico
que diferencia a tipologia das estrias.
198
8.1.4 Tipologia
As estrias distribuem-se em diferentes localidades corporais. Contudo, esteticamente, segundo Azulay (2017), o
comprimento dela pode variar de alguns milímetros até 30 cm, e a largura, de 2 a 5 mm, podendo chegar, em casos
excepcionais, a 3 e 6 cm. Isto porque a patologia das estrias é semelhante à de uma cicatriz, ou seja, decorrente do
processo de cicatrização que dará origem as estrias albas e rubras.
Para Vanzini (2011), a coloração da estria varia conforme a fase evolutiva do processo de cicatrização fisiológico, o
qual ocorre como resposta ao dano sofrido pela pele com a ruptura das fibras dérmicas. O resultado da coloração
depende da associação do componente microvascular e da atividade dos melanócitos.
Morfologicamente, as estrias cutâneas podem ser classificadas em: eritematosas (rubras), azuladas (cerúlea),
brancas (albas) e enegrecidas (nigra). Segundo Costa (2012), as estrias recentes cerúleas são decorrentes do uso
prolongado de corticoides e, as nigras, são comuns pacientes de fototipo mais alto, pois o processo inflamatório
altera a melanogênese, causando a hipercromia pós-inflamatória.
Na figura abaixo, observa-se a presença das estrias rubras, bem como as diferentes dimensões das lesões.
DICA
“Na cicatrização, as fibras reticulares são as primeiras a serem sintetizadas pelos fibroblastos.
Gradualmente são substituídas pelas fibras colágenas, que são mais fortes”. (MOLINARO, 2009)
PAUSA PARA REFLETIR
Quais tipos de estrias respondem melhor ao tratamento?
199
Diferentes dimensões das lesões provocadas pelas estrias
Fonte: © sweetheart studio / / Shutterstock. © SOMCHAI DAENGNGAM / / Shutterstock. © baipooh / /
Shutterstock.
Você observou na figura exemplos de estrias recentes/iniciais ( ). Para Borges (2010), normalmente emstriae rubrae
indivíduos de fototipo baixo (caucasianos), as estrias se iniciam como lesões avermelhadas de superfície lisa e
tensa, caracterizando as estrias rubras. Após um período que varia entre 4 a 18 meses, perdem a pigmentação e
tornam-se albas/nacaradas, apresentando flacidez central, fibras elásticas rompidas e as lesões evoluem para
fibrose.
Na figura abaixo, observa-se a presença das estrias alba ou nacaradas, bem como, as diferentes dimensões das
lesões.
Diferenças nas dimensões das lesões
Fonte: © iamtui7 / / Shutterstock. © Monning27 / / Shutterstock.
200
Na figura você acompanhou as estrias tardias, fibróticas ( ).striae albae
As estrias recentes, ou seja, as rubras, apresentam resultados mais efetivos e satisfatórios no tratamento estético.
Isso, porque, elas se encontram na fase inflamatória do processo de cicatrização. Sendo assim, é indispensável
uma melhor compreensão do processo biológico envolvido na cicatrização e na regeneração tecidual para a
elaboração de protocolos de tratamento eficazes.
Para Lupi (2012), a cicatrização é um processo complexo que envolve a presença de várias células, mediadores
químicos e formação de matriz extracelular. Isto porque o objetivo é o de reparar o tecido lesionado de forma
rápida, bem como obter uma cicatriz funcional e esteticamente satisfatória. Esse processo é composto por fases.
Clique nos ícones e conheça as características dessas fases.
•
Interdependentes.
•
Simultâneas.
•
Dinâmicas.
•
Com sobreposição entre elas.
A é a mais importante para a atuação do esteticista. Conforme Azulay (2017), as célulasfase inflamatória
inflamatórias produzem , que abrangem os fatores de crescimento tissular como: PDGF, β-TGF, VEGF, EGF.citocina
Além disso, as citocinas pró-inflamatórias α-TNF e a Interleucina-1 produzem enzimas proteolíticas (ECM), 
denominadas de (MMPs) que degradam as proteínas danificadas da matrizmetaloproteinases de matriz
extracelular.
Dentre essas (MMPs), têm-se a colagenase cuja função é desnaturar a tripla hélicemetaloproteinases de matriz
das fibras de colágeno para que outras proteases, como a gelatinase – A e B; e a metaloelastase, possam degradá- 
lo para serem fagocitados e substituídos por novas fibras. A ação dessas enzimas se estende também à elastina e à
fibronectina danificadas (BECHARA; SZABÓ, 2006).
Há um controle muito regulado dessa atividade proteolítica, dado por vários mediadores, entre eles os próprios
fatores de crescimento β-TGF que, simultaneamente controlam e estimulam a síntese das proteínas da fase
proliferativa. Note que o objetivo predominante, neste caso, é a substituição da matriz fundamental extracelular da
derme (AZULAY, 2017)
Na , os fibroblastos produzem o colágeno tipo III que formará o tecido de granulação. Nele, osfase proliferativa
miofibroblastos, células de mecanismo contráctil, segundo Lupi (2012), alinham-se fazendo a junção célula a
célula, e gerando força de tensão, em que os feixes de miosina encurtam as bordas do tecido para diminuir o
tamanho da lesão, ou seja, preparar uma cicatriz mais delicada e quase imperceptível (LUPI, 2012).
•
•
•
•
201
Os fibroblastos também são responsáveis pela síntesede fibrina, fibronectina e ácido hialurônico, estruturas que
conferem a arquitetura da pele e compõem a nova matriz extracelular. E, por fim, há ainda a angiogênese, com
formação de novos vasos sanguíneos a partir de células endoteliais de vasos adjacentes para a melhor nutrição e
oxigenação do novo tecido (BECHARA; SZABÓ, 2006).
A última fase da cicatrização é a em que ocorre a reestruturação das fibras de colágeno, ou seja, aremodelação
substituição progressiva do colágeno III, por colágeno tipo I e diminuição da ação de todos os elementos celulares
envolvidos. Este processo pode prolongar-se por até dois anos após o encerramento da lesão (BORGES, 2010).
Dessa forma, mesmo as estrias sendo uma disfunção do tecido dérmico, que não represente qualquer risco à saúde
física, e gere preocupação por parte de seus portadores somente no tocante ao aspecto estético, o processo de
desenvolvimento fisiopatológico delas não é tão simples e irrelevante como possa se pensar.
Sendo assim, o esteticista embasado em todos os aspectos biológicos relacionados às estrias, em seu olhar clínico,
sabe que o diferencial no tratamento é uma abordagem multitécnica. Logo, deve valer-se de recursos
eletroterápicos e técnicas diferenciadas de indução de colágeno, todos aliados à cosmetoterapia de excelência,
com ativos biomiméticos e multifuncionais os quais conheceremos melhor adiante.
8.2 Tratamentos
As estrias são queixas comuns nas clínicas de estética. Porém, não há um tratamento padronizado e efetivo que as
elimine por completo. Entretanto, há uma boa perspectiva de amenização, envolvendo combinações de
tratamentos. Segundo Vanzini (2011), ativos de ação fisiológica, são a primeira opção terapêutica para as estrias
recentes, já para as nacaradas, alia-se técnicas no procedimento estético.
Esses tratamentos visam melhorar o aspecto das lesões estriadas. O objetivo é eliminar o tecido fibroso,
substituindo-o por células novas, restabelecendo a elasticidade e o aspecto saudável da pele. Para Borges (2010), a
escolha do tratamento para as estrias é caso a caso e definida pelo esteticista, conforme avaliação das
características das lesões, antecedentes fisiopatológicos e condições clínicas do paciente.
8.2.1 Avaliação e diagnóstico
Antes de iniciar os protocolos de tratamento para estrias, o esteticista deve realizar uma detalhada anamnese e
examinar as condições gerais da pele, verificando a localização e as características das estrias, bem como outras
alterações cutâneas.
Considerando-se a multiplicidade de fatores envolvidos na etiopatogenia das estrias, a avaliação deve buscar
entender os hábitos e o estilo de vida do paciente, pois o sobrepeso, a obesidade, o efeito sanfona e o tabagismo
contribuem para o surgimento das estrias. Há ainda os antecedentes patológicos, principalmente quanto ao uso de
corticoides orais/tópicos e terapias hormonais. Também vale observar a faixa etária em que surgiram ou a que está
iniciando a presença delas.
Uma atenção especial na avaliação é em relação à gestante, pois outros fatores, além dos hormonais e genéticos,
podem favorecer a presença das estrias, como a faixa etária, número de gestações e peso do bebê. Clique na
interação e veja o que dizem os especialistas a respeito dessa questão.
Maia
Segundo Maia (2010), as estrias gravídicas surgem, normalmente, durante o 6º e o 9º mêset al.
da gravidez, coincidindo com o aumento de crescimento do bebê, sendo mais comuns em
primigestas, ou seja, mulheres em primeira gestação. Porém, também é possível que surjam
pela primeira vez em gestações subsequentes, sendo que as mais jovens têm maior
predisposição ao surgimento das estrias.
Azulay
Para Azulay (2017), a quantidade de estrias, bem como o comprimento e a largura delas, pode
variar entre as pacientes e, de acordo com o número de gestações. As estrias gravídicas têm
coloração rubra no início, sendo comum prurido local, devido à inflamação dérmica. As lesões
esmaecem no puerpério e permanecem como estrias nacaradas.
202
No entanto, durante a gestação, há restrição da maior parte dos tratamentos envolvendo eletroterapia estética,
mas a hidratação cutânea é indispensável. Aliás, esta é indicação terapêutica e orientação preventiva para todos os
casos em que há estrias instaladas.
Sendo assim, entender as características e os mecanismo de ação dos ativos contidos nas formulações cosméticas,
possibilita ao esteticista atuar sinergicamente no processo fisiológico de cicatrização, melhorando as condições
químicas e as nutricionais do paciente para a formação de uma matriz extracelular de qualidade. Isso tudo
contribui para a orientação das novas fibras de sustentação da pele.
A seguir, veremos os ativos e os mecanismos de ação.
8.2.2 Ativos e seus mecanismos de ação
Os cosmecêuticos para o tratamento das estrias, segundo Costa (2012), contêm ativos que agem na manutenção
da hidratação cutânea e são capazes de estimular a produção de colágeno e componentes da matriz extracelular.
Eles previnem a atrofia epidérmica em estrias recentes, bem como o agravamento e o surgimento de novas.
Em relação aos hidratantes para o tratamento das estrias, Vanzini (2011) indica cosméticos de hidratação
fisiológica, pois ativos deles são biomiméticos, ou seja, possuem características físico-quimicas, biologicamente,
idênticas ou compatíveis aos componentes da pele.
A tabela abaixo relaciona os ativos biomiméticos. Por serem substâncias presentes no manto hidrolipídico, o
mecanismo de ação delas têm a capacidade de suplementação e a de reposição dos elementos essenciais para a
pele com estrias.
Reposição dos elementos essenciais para pele com estrias
Fonte: VANZINI, 2011, p.323.
Acima você acompanhou os ativos hidratantes biomiméticos.
Corroborando a afirmação, Costa (2012) cita que, apesar de ampla utilização, não há evidências científicas de
eficácia da aplicação de óleos naturais sobre a pele, para o tratamento/prevenção das estrias. Desse modo, a
indicação são os hidratantes fisiológicos.
Além deles, é preciso estimular os fibroblastos para a neocolagênesse e reestruturação dermoepidérmica. Para
isso, Vanzini (2011) destaca dois anti-aging que apresentam indicação e comprovação de eficácia em estrias: o
Aosaine® e Hydroxyprolisilane CN®.
No entanto, na tabela abaixo, entenderemos também as características e propriedades de outros ativos para o
tratamento das estrias.
203
Características e propriedades de ativos para estrias
Fonte: COSTA, 2012, p. 227; VANZINI, 2011, p. 324.
Acima você pôde observar os ativos multifuncionais para o tratamento das estrias.
No tratamento das estrias, segundo Borges (2010), os são grandes aliados. O objetivo do uso dos ativos peelings
esfoliantes é estimular a produção de matriz extracelular, manifestando-se um processo inflamatório local, além
de contribuir para a redução da aspereza na superfície dessas estrias. Na tabela abaixo, relaciona-se os ativos para 
químicos mais indicados.peelings 
204
Ativos para peelings no tratamento das estrias
Fonte: GOMES; DAMAZIO, 2013, p.125; VANZINI, 2011, p. 207. (Adaptado).
Acima você pôde verificar os ativos de para o tratamento das estrias.peelings
Dessa forma, entendemos que os ativos agem nas estruturas mais atingidas pela fisiopatologia da estria. Sendo
assim, ainda é possível, agregar em sinergia, vários ativos, obtendo um cosmecêutico com formulação completa,
como veremos a seguir.
8.2.3 Fórmulas
Buscando incrementar os resultados, a associação de ativos nas formulações, contribuem na multifuncionalidade
do cosmecêutico e obtém-se, assim, maior eficiência, por tratar mais de uma sintomatologia da estria ao mesmo
tempo. Na tabela abaixo, conheceremos algumas dessas formulações.
205
Formulações, concentração e propriedades
Fonte: VANZINI, 2011, p. 382. (Adaptado).
Acima você acompanhou as formulações para o tratamento das estrias.
Outra possibilidade são os ativos eutróficos que reúnem características de ação importantes para o tratamento
integral das estrias, conformesegue na tabela a seguir.
206
Princípios ativos eutróficos usados topicamente para o tratamento de estrias
Fonte: VANZINI, 2011, p.166. (Adaptado).
Você observou acima os ativos eutróficos para o tratamento das estrias.
Dessa forma, conclui-se que a cosmetoterapia para o tratamento estético das estrias se mostra eficaz. No entanto,
o controle e a amenização da aparência requerem disciplina e adesão do paciente, com uso regular de hidratantes
para a continuidade do sucesso do tratamento. Agora que entendemos os mecanismos de ação dos ativos, vamos
colocar em prática seu uso nos protocolos para estrias.
8.2.4 Protocolos
Na prática clínica, o tratamento das estrias constitui um desafio ao esteticista, já que são marcas permanentes e
irreversíveis. Nossa atuação é importante para estimular a neocolagênese e a reestruturação dermoepidérmica.
Assim, obtém-se a melhora não só da aparência, mas, principalmente da qualidade do tecido acometido pelas
lesões.
O sucesso no tratamento de estrias recentes é maior em comparação com as estrias antigas. Os protocolos de
tratamento incluem, além de recurso cosmetoterápico, técnicas de dermoabrasão, luz intensa pulsada, , rlasers
adiofrequência, microagulhamento e microcorrentes.
207
Proposta de atividade
Agora é a hora de recapitular tudo o que você aprendeu nesse capítulo! Elabore uma sequência de aplicação
cosmetoterápica para o tratamento da estria nacarada, utilizando três cosmecêuticos em etapas distintas.
Justifique sua escolha para a indução do processo inflamatório e a reestruturação dermoepidérmica. Ao produzir
seu protocolo cosmecêutico, considere os principais conceitos abordados ao longo do capítulo e as leituras básicas
e complementares realizadas.
Recapitulando
Após a abordagem fisiopatológica das estrias, compreendemos que estas se tratam de atrofias da pele, adquiridas
devido ao rompimento de fibras elásticas e colágenas da derme. A princípio são avermelhadas (rubras), devido ao
processo inflamatório e evoluem para as esbranquiçadas, estrias nacaradas.
Apesar da etiologia multifatorial, as estrias surgem dos fatores mecânicos que causam a distensão da pele, como
durante a adolescência, ou pela obesidade, pelo efeito sanfona e na gravidez. Porém, são os fatores hormonais e os
genéticos que têm influências decisivas na sua patologia. Também vimos dentre as causas agravantes está a
desidratação cutânea.
Os hormônios envolvidos são os corticoides, adrenocorticais e estrógenos que influenciam o metabolismo da
matriz extracelular, a atividade do fibroblasto e a síntese das fibras colágenas e elásticas. Já os fatores genéticos se
dão pelas mutações nos genes da elastina, colágeno, fibronectina e a morfofisiologia do fibroblasto.
Apesar de surgirem em ambos os sexos, as estrias predominam no sexo feminino e é uma das queixas comuns em
clínicas de estética. Clinicamente, o sucesso no tratamento de estrias rubras é maior em comparação com as
estrias albas. Para a elaboração de protocolos eficientes, a cosmetoterapia dispõe de ativos multifuncionais.
Sendo assim, os cosmecêuticos visam a manutenção da hidratação cutânea, através de ativos biomiméticos e
ativos funcionais. Eles estimulam a capacidade fisiológica do fibroblasto para a reestruturação dérmica, superficial
e profunda, melhorando a síntese de colágeno, elastina e matriz extracelular. Sendo assim, previne-se o
agravamento e o surgimento de novas estrias.
Referências
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	COSMAP_C0
	COSMAP_C01
	Compreenda seu livro: Metodologia
	Compreenda seu livro: Percurso
	Boxes
	Apresentação da disciplina
	A autoria
	Nicole de Almeida Nunes Meira
	Flávia Garramone
	Rubia Caleffi
	Objetivos do capítulo
	Tópicos de estudo
	Contextualizando o cenário
	1.1 Fotoprotetores
	1.1.1 A importância da radiação solar
	1.1.2 Espectro solar e permeação cutânea da RUV
	UVC
	UVB
	UVA
	1.1.3 Fototipos da classificação de Fitzpatrick
	1.1.4 Benefícios e malefícios da exposição ao sol
	1.2 Aspectos gerais dos filtros solares
	1.2.1 Mecanismo de ação dos filtros físicos
	Tamanho das partículas
	Impermeabilidade
	Aspectos visual e sensorial
	1.2.2 Mecanismo de ação dos filtros químicos
	1.2.3 Fator de proteção solar (FPS)
	1.2.4 Persistent Pigment Darkening (PPD)
	1.3 Escolha do filtro solar
	1.3.1 Consenso de Fotoproteção da Sociedade Brasileira de Dermatologia
	1.3.2 Orientações de uso de produtossolares
	1.3.3 Testes de eficácia e segurança dos fotoprotetores
	1.4 Produtos solares na atualidade
	1.4.1 Filtros solares orais
	1.4.2 Roupas com proteção antissolar (FPU)
	1.4.3 Películas protetoras para vidros
	1.4.4. Conceitos de cosméticos multifuncionais
	Proposta de atividade
	Recapitulando
	Referências
	COSMAP_C02
	Objetivos do capítulo
	Tópicos de estudo
	Contextualizando o cenário
	2.1 Princípios gerais
	2.1.1 Histórico e conceito dos peelings
	2.1.2 Indicações e contraindicações
	Indicações
	Contraindicações
	2.1.3 Tipos de peelings
	2.2 Classificação e tipos
	2.2.1 Profundidade dos peelings
	2.2.2 Relação do pH e do PKA dos ácidos utilizados nos peeling
	2.2.3 Velocidade de permeação dos peelings
	2.2.4 Hidro e lipofilicidade
	2.3 Ativos, mecanismos e procedimentos
	2.3.1 α- hidróxiácidos
	2.3.2 β- hidróciácidos
	2.3.3 Poli-hidroxiácidos
	2.3.4 Retinóides
	2.4 Cuidados
	2.4.1 Cuidados da pele pré-peeling e pós-peeling
	Pré-peeling
	Aplicação do peeling
	Pós-peeling
	2.4.2 Frosting
	2.4.3 Neutralização
	2.4.4 Termo de consentimento livre e esclarecido
	Proposta de atividade
	Recapitulando
	Referências
	COSMAP_C03
	Objetivos do capítulo
	Tópicos de estudo
	Contextualizando o cenário
	3.1 Alterações da pigmentação
	3.1.1 Sistema Melanocítico
	3.1.2 Hiperpigmentação periocular
	3.1.3 Melasma ou cloasma gravídico
	Exposição à radiação solar
	Outras influências na fisiopatologia do melasma
	Melasma durante a gestação
	3.1.4 Hiperpigmentação pós-inflamatória e efélides
	3.2 Avaliação cutânea
	3.2.1 Cromóforos: melanina, hemoglobina, caroteno
	3.2.2 Avaliação e diagnóstico das hipercromias
	Hipercromias cujo pigmento se encontra somente na epiderme
	Hipercromias cujo pigmento se encontra na derme
	Hipercromias cujos pigmentos se encontram tanto na epiderme como na derme
	3.2.3 Tratamento cosmético em consultório
	3.3 Melanogênese
	3.3.1 Fatores extrínsecos que podem estimular a melanogênese
	3.3.2 Mecanismos de despigmentação
	3.4 Clareadores e despigmentante
	3.4.1 Princípios ativos tópicos
	3.4.2 Princípios ativos orais
	3.4.3 Restrições dos clareadores
	3.4.4 Fórmulas despigmentantes
	Proposta de atividade
	Recapitulando
	Referências
	COSMAP_C04
	Objetivos do capítulo
	Tópicos de estudo
	Contextualizando o cenário
	4.1 Etiologia
	4.1.1 Unidade pilossebácea
	4.1.2 Hipersecreção sebácea
	4.1.3 Flora bacteriana saprófita e patogênica
	4.1.4 Hiperqueratinização folicular
	4.2 Fisiopatologia
	4.2.1 Acne Inflamatória X não inflamatória
	4.2.2 Graus de Acne
	Acne escoriada
	Acne ocupacional
	Acne tropical
	Acne medicamentosa
	Acne oclusiva ou cosmética
	4.2.3 Fatores agravantes
	4.2.4 Fatores atenuantes
	4.3 Cosmetoterapia
	4.3.1 Ativos queratolíticos
	4.3.2 Ativos antissépticos
	4.3.3 Ativos anti-inflamatórios
	4.3.4 Ativos adstringentes
	4.4 Tratamentos
	4.4.1 Nutracêuticos orais para o tratamento da acne
	4.4.2 Tratamentos cosméticos no home care
	4.4.3 Tratamentos cosméticos no consultório
	4.4.4 Fórmulas
	Proposta de atividade
	Recapitulando
	Referências
	COSMAP_C05
	Objetivos do capítulo
	Tópicos de estudo
	Contextualizando o cenário
	5.1. Tipos
	5.1.1. Intrínseco ou cronosenescência
	5.1.2. Extrínseco ou actinocênescencia
	5.1.3. Envelhecimento entre os gêneros e etnias
	5.1.4. Envelhecimento patológico
	Genes do envelhecimento
	Estresse oxidativo e envelhecimento
	Genes da longevidade
	Mecanismos fisiológicos e patológicos do envelhecimento
	5.2. Fisiopatologia
	5.2.1. Estresse oxidativo e os radicais livres
	Apoptose
	Necrose
	5.2.2. Fatores agravantes ou aceleradores
	5.2.3. Hormônios e o envelhecimento
	5.2.4. Aspectos psicológicos e nutricionais
	5.3. Alterações
	5.3.1. Hidratação e função de barreira
	5.3.2. Renovação celular prejudicada
	5.3.3. Flacidez e perda do contorno
	5.3.4. Pigmentação desuniforme
	5.4. Ativos cosméticos
	5.4.1. Antioxidantes
	5.4.2. Renovadores celulares físicos, químicos e biomiméticos
	5.4.3. Ativos preenchedores
	5.4.4 Ativos Dermorelax, neurocosméticos entre outras classes de ativos antienvelhecimento cutâneo
	Proposta de atividade
	Recapitulando
	Referências
	COSMAP_C06
	Objetivos do capítulo
	Tópicos de estudo
	Contextualizando o cenário
	6.1 Tecido adiposo
	6.1.1 Estrutura
	6.1.2 Fisiologia
	6.1.3 Biotipo androide x Ginoide
	6.2 Processos
	6.2.1 Etiopatogenia
	6.2.2 Adipogênese
	6.2.3 Lipogênese
	6.2.4 Lipólise
	Fatores que prejudicam a lipólise
	Fatores que contribuem para a lipólise
	6.3 Tratamentos
	6.3.1 Ativos lipolíticos tópicos
	6.3.2 Ativos antilipogênicos tópicos
	6.3.3 Ativos Antiadipogênicos tópicos
	6.3.4 Fórmulas
	Proposta de atividade
	Recapitulando
	Referências
	COSMAP_C07
	Objetivos do capítulo
	Tópicos de estudo
	Contextualizando o cenário
	7.1 Etiopatogenia
	7.1.1 Alterações anatômicas e hormonais
	7.1.2 Alterações Vasculares
	7.1.3 Fatores inflamatórios
	7.1.4 Fatores histopatológicos
	7.2 Classificação
	7.2.1 Graus
	7.2.2 Tipos
	7.2.3 FEG inflamatório e não inflamatório
	7.2.4 Fatores agravantes para o desenvolvimento da FEG
	7.3 Avaliação e Diagnóstico
	7.3.1 Ativos termogênicos orais
	7.3.2 Ativos antioxidantes orais
	7.3.3 Ativos firmadores orais
	7.3.4 Ativos drenantes orais
	7.4 Tratamentos
	7.4.1 Tratamentos em home care
	7.4.2 Tratamentos em consultório
	Drenagem linfática
	Massagem modeladora
	Ultrassom
	Endermologia
	Laser
	Corrente galvânica
	Eletrolipoforese
	Correntes excitomotoras
	Acupuntura
	Criolipólise
	Radiofrequência
	Uso de dermocosméticos associados a tais terapias
	Proposta de atividade
	Recapitulando
	Referências
	COSMAP_C08
	Objetivos do capítulo
	Tópicos de estudo
	Contextualizando o cenário
	8.1 Fisiopatologia
	8.1.1 Alterações
	8.1.2 Incidência
	8.1.3 Causas e fatores agravantes
	8.1.4 Tipologia
	8.2 Tratamentos
	8.2.1 Avaliação e diagnóstico
	8.2.2 Ativos e seus mecanismos de ação
	8.2.3 Fórmulas
	8.2.4 Protocolos
	Proposta de atividade
	Recapitulando
	Referências
	Blank Page
	Blank Page
	Blank Page
	Blank Page
	Blank Page
	Blank Page
	Blank Page

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