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Embargos de Terceiros

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EXECELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DE DIREITO DA 15ª VARA CÍVEL DA CIDADE DO RIO DE JANEIRO-RJ
Distribuição por dependência ao Processo nº_ - execução.
Katia (embargante), nacionalidade, casada no regime de comunhão universal de bens, profissão, portadora da cédula de identidade RG nº_, inscrita no CPF sob o nº_, endereço completo, vem, por meio de seu advogado (procuração – doc. 1), com fulcro nos artigos 674 e seguintes do Novo Código de Processo Civil, a presença de Vossa Excelência, opor Embargos de Terceiro, em face de Beatriz (embargada), nacionalidade, estado civil, profissão, portadora da cédula de identidade RG nº_, inscrita no CPF sob o nº_, endereço completo, pelos fatos e fundamentos a seguir expostos:
I – Gratuidade Judiciária
Art. 5º, LXXIV da CF assegura às pessoas que possuem insuficiência de recursos, o acesso gratuito ao Judiciário. A embargante, informa que é pobre na acepção legal do termo, não possuindo condições de arcar com as custas de um processo e honorários advocatícios, sem prejuízo de seu sustento e de sua família, razão pela qual faz jus a justiça gratuita, nos termos do art. 98 do NCPC. 
II – Tempestividade
O art. 675 do NCPC dispõe que os Embargos de Terceiro podem ser opostos no processo de execução, até 5 (cinco) dias depois da adjudicação, da alienação por iniciativa particular ou da arrematação, mas sempre antes da assinatura da respectiva carta.
No presente caso, é inequívoco que o processo de conhecimento ainda não transitou em julgado, razão pela qual se encontra em curso o prazo para a oposição dos competentes Embargos de Terceiro. Dessa forma, dúvidas não há sobre a tempestividade da presente medida.
III – Fatos
Kátia e Paulo trabalhavam juntos e tornaram-se amigos em 2010. Kátia estava noiva de Fábio e Paulo era casado com Beatriz e tinha um filho de 1 (um) ano, Glauco. Com o passar do tempo, Kátia terminou o noivado e aproximou-se de Paulo, este separou-se de sua esposa.
Kátia e Paulo casaram em 2015 no regime da comunhão universal de bens e em 2017, Paulo se desfez dos imóveis que possuía para adquirir um novo para residirem. Em 2018, com a crise no Brasil, Paulo ficou desempregado e começou a ter dificuldades para pagar a pensão alimentícia de seu filho, menor impúbere, tendo deixado de quitá-la.
Em razão disto, a embargada ajuizou uma demanda de execução de alimentos a fim de garantir os direitos de seu filho. Durante a execução o único imóvel adquirido pela embargante e seu marido é penhorado, sendo cabível Embargos de Terceiro.
IV – Fundamentos
Ante o exposto é importante ressaltar que a embargante é parte legítima para ajuizar a medida em razão da sua condição de terceira, pois é cônjuge, portanto, sofre ameaça sobre o bem que possui, conforme art. 674, § 2º, I, do NCPC e Súmula nº 134 do STJ.
Assim sendo, a embargante pleiteia a desconstituição da penhora, tendo em vista que é meeira do imóvel objeto da execução, em razão do casamento em regime de comunhão universal de bens (certidão de casamento – doc. 2), ditado pelo Art. 1.667 e seguintes do CC. Deste modo, todos os bens presentes e futuros são comunicados entre os cônjuges, tal qual o imóvel que Paulo adquiriu para residirem.
Pleiteia-se também, a ineficácia da penhora em relação à meação, em razão da prova da propriedade e da posse, bem como da qualidade de terceiro, pela embargante, na forma do Art. 678 do NCPC.
A redação da Lei nº 8.009/90 em seu art. 1º, caracteriza o imóvel como bem de família, e em seu art. 3º, III, afirma que, apesar de a dívida decorrente de pensão alimentícia ser exceção aos casos de impenhorabilidade, devem ser resguardados os direitos, sobre o bem, do seu coproprietário que, com o devedor, integre união estável ou conjugal, consequentemente o imóvel é impenhorável.
V – Pedidos
Diante do exposto, requer-se:
a) sejam recebidos, autuados e processados os presentes Embargos de Terceiro, com o apensamento à mencionada execução, nos termos do artigo 676 do NCPC;
b) seja deferida a embargante o benefício da justiça gratuita, nos termos do art. 98 do NCPC;
c) juntada da prova sumária da posse ou do domínio e da qualidade de terceira, nos termos do Art. 677 do NCPC;
d) seja deferida LIMINARMENTE A MANUTENÇÃO DA POSSE do bem penhorado a embargante, eis que provada a propriedade e posse do bem, na forma do Art. 678 do NCPC;
e) julgado procedente os Embargos de Terceiro, o ato de constrição – antes suspenso, conforme o art. 678 do NCPC – seja cancelado, reconhecendo o domínio, a manutenção ou reintegração da posse definitivamente ou do direito ao embargante, conforme art. 681 do NCPC;
f) a indicação oportuna de testemunhas para justificação prévia, se necessário;
g) a citação da embargada através de seu advogado, não o tendo, pessoalmente conforme art. 677, § 3º, do NCPC, para responder no prazo legal aos termos da presente ação, sob pena de confissão e efeitos da revelia;
h) a condenação da embargada em custas processuais e honorários advocatícios a serem fixados na proporção dos artigos 85 e 546 ambos do NCPC.
VI – Provas
Protesta-se provar, por todos os meios de provas em direito admitidos, especialmente a documental, testemunhal, pericial e inspeção judicial, além da juntada de novos documentos e demais meios que se fizerem necessários.
Dá-se o valor da causa, R$_.
Nestes termos,
Pede deferimento.
Local, data
Assinatura do advogado
Inscrição OAB nº_.

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