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Impactos dos distúrbios do sono na qualidade de vida da população

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Impactos dos distúrbios do sono na qualidade de vida da população
	Nos primórdios, apenas as espécies que exibissem ritmos biológicos, preparavam-se de forma antecipada, eficiente e sincronizada para interagir com as sequências recorrentes e periódicas do meio em questão. Logo, mais adaptadas ao mundo cíclico temporal, essas espécies teriam maior chance de sobreviver (PALUDETTI, 1988), de modo que, o ciclo circadiano representava a principal vantagem desse ritmo temporal e biológico. 
	Hoje, sabe-se que o sono é um mecanismo biológico fundamental em que a sincronização-dessincronização das ondas do eletroencefalograma (EEG) do sono NREM-REM e vigília é conseqüência da atividade neural nos circuitos tálamo-corticais (núcleos reticulares do tálamo e córtex cerebral), decorrentes da interação entre os núcleos monoaminérgicos e colinérgicos do tronco encefálico (SAPER et al., 2001). De maneira geral, o sono tem papel importante na consolidação da memória, na visão binocular, na termorregualação, na conservação e restauração de energia; e na restauração do metabolismo energético cerebral. 
	De um modo geral, o sono normal é constituído pela alternância dos estágios REM e NREM. O sono NREM é caracterizado pela presença de ondas sincronizadas no EEG, podendo ser subdividido nas quatro fases seguintes: estágio 1, 2, 3 e 4 (3 e 4 equivalem ao sono de ondas lentas ou sono delta). Já o eletroencefalograma (EEG) de sono REM é caracterizado por ondas dessincronizadas e de uma baixa amplitude. Porém, distúrbios que afetam esses dois estados podem levar à piora na qualidade de vida e à instalação, a longo prazo, de diversas doenças de ordem cardiovascular, metabólica e neurológica. São os chamados distúrbios do sono. 
	Nos dias atuais, variações do ciclo circadiano são muito comuns em crianças, adultos e idosos. A prevalência dos distúrbios do sono entre a população adulta está entre 15% a 27%, com aproximadamente 70 milhões de pessoas sofrendo algum tipo de distúrbio só nos Estados Unidos (MARTINEZ, 1999). No Brasil, essa estimativa de transtornos de sono é de cerca de dez a vinte milhões de pessoas na população geral, de modo que, os distúrbios mais recorrentes são a apneia do sono, bruxismo, distúrbio de comportamento do estágio REM, enurese noturna, insônia, narcolepsia, paralisia do sono, ronco, sexomnia, síndrome da cabeça explosiva, síndrome das pernas inquietas, síndrome do sono insuficiente, sonambulismo, terror noturno e transtorno alimentar noturno. 
	Dentre tais distúrbios, aqueles de maior prevalência na população mundial são a síndrome da apnéia obstrutiva do sono e a insônia. A insônia é definida como a queixa de “dificuldade para iniciar ou manter o sono”, “sono não reparado’’, já a apneia é uma síndrome caracterizada por paradas respiratórias totais ou parciais recorrentes durante o sono, ronco excessivo e despertares que fragmentam o sono e causam hipersonolência diurna. Na literatura, esse e outros numerosos distúrbios do sono são definidos em três principais sistemas de classificação: Classificação Internacional de Doenças – CID10, Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais - DSM-IV-TR e Classificação Internacional dos Distúrbios do Sono (ICSD). 
	De um modo geral, tal situação de distúrbios do sono, a qual vem crescendo na população mundial devido à iluminação, à mudança nos hábitos alimentares e à inserção da população nos meios digitais; pode estar associada à doenças cardiovasculares, metabólicas, obesidade, ansiedade e tabagismo, por exemplo. Logo, esse cenário poderá surtir em consequências graves na sociedade, de modo que, o presente estudo objetiva: relatar os principais impactos do distúrbio do sono na qualidade de vida da população a partir de um levantamento bibliográfico.
CONCLUSÃO
	Diante do exposto, infere-se que os distúrbios do sono estariam relacionados à desordem do circuito tálamo-cortical e ao consequente distúrbio das ondas do encefalograma, afetando os estágios REM e NREM do sono. Logo, tal situação de desordem implica em impactos negativos para a qualidade de vida da população, visto que, a qualidade de sono e a qualidade de vida estão intimamente relacionadas.
	De um modo geral, os impactos dos distúrbios do sono se desenvolvem em três níveis sequenciais. No primeiro nível, as consequências ao organismo são chamadas de imediatas e incluem alterações neurofisiológicas como falhas de memória e dificuldade de concentração, as quais podem vir acompanhadas por cansaço, fadiga, hipersensibilidade para luz e para sons, alterações do humor e taquicardia. No segundo nível, as consequências do distúrbio do sono são consideradas secundárias às consequências primárias, ou seja, tais impactos são observadas à médio prazo. Os impactos são os seguintes: aumento de riscos de acidente no trânsito com a presença de cochilos ao volante, problemas nos relacionamentos interpessoais e o aumento do absenteísmo no trabalho. Já no terceiro nível, estão as variáveis consideradas extensivas ou distais e que são observadas apensas a longo prazo. Tais variáveis incluem o surgimento e o agravamento de problemas de saúde relacionadas ao distúrbio do sono, sequelas de acidentes, a perda de empregos e o rompimento de relações afetivas. 
	Em se tratando das consequências do terceiro nível apresentadas, o agravamento dos problemas de saúde pode ser considerado um dos mais relevantes no impacto da qualidade de vida da população, tendo a obesidade o foco principal das discussões mais recentes. Nesse sentido, acredita-se que noites de restrição do sono afetam significativamente os níveis de cortisol e de grelina, o que favorece, a redução no gasto energético e o crescimento de tecido adiposo. O inverso também vem sendo verificado: o excesso de peso afeta a qualidade do sono de diferentes formas a exemplo da apneia obstrutiva do sono, em que o excesso de tecido adiposo na região do pescoço afeta o trânsito de ar, e consequentemente, a respiração. 
	As consequências dos distúrbios do sono também envolvem questões econômicas relacionadas ao aumento de gastos na área da saúde. Tal situação está relacionada ao fato de que, com o aumento do absenteísmo, dos riscos de acidentes no trânsito e do desenvolvimento de distúrbios mentais, intensifica-se o uso de medicamentos para sanar os problemas e aumenta o número de internações hospitalares. Esse fato torna-se ainda pior pelo motivo de que a maioria dos distúrbios não são detectados e tratados logo no início, pois as pessoas desconhecem que essa condição é clínica e tratável. Assim, em função desse desconhecimento, o paciente deixa de relatar distúrbios durante o sono nas primeiras consultas médicas, o que dificulta o acesso do profissional às informações que permitiram o diagnóstico e o tratamento na sua fase inicial.
	
REFERÊNCIAS
MARTINEZ, D. Prática da medicina do sono. São Paulo: BYK. 1999
PALUDETTI, L.A. A origem dos ritmos biológicos e seu papel na evolução e adaptação dos seres vivos. In: CIPOLLA-NETO, J.; MARQUES, N.; MENNA BARRETO, L.S. (ed) Introdução ao estudo da cronobiologia. São Paulo, Ícone, 1988, p.29-34.	
SAPER, C et al. The sleep switch: hypothalamic control of sleep and wakefulness. Trends Neurosci. 2001;24(12):726-31.