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Marcar tópico CONCEITOS E PRINCÍPIOS Esta aula estudará os conceitos de inclusão e exclusão bem como os princípios básicos da Educação Inclusiva. Esperamos que, ao final da aula, você possa: - Distinguir criticamente práticas educacionais fundamentadas nos conceitos de inclusão e de exclusão; - Reconhecer os princípios da Educação Inclusiva de modo que ao observar e analisar situações recorrentes na escola, você possa propor práticas que contemplem a inclusão a partir de seus princípios. AUTOR(A) PROF. LIS ANGELIS PADILHA DE MENEZES Introdução A Constituição Federal Brasileira (CF88), em seu artigo 205, declara que a educação é direito de todos e deve garantir o “pleno desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho”, Bueno (2008) lembra que o termo inclusão está presente em discursos políticos, produções científicas, mas o elitismo e a seletividade constituíram-se como marcas da educação moderna no Brasil. De acordo com análise realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 2011, 31,2 % da população ainda não tinha acesso à escolarização e se encontravam entre os 58,4 % que enfrentam carências relativas a serviços básicos. Dados apresentados pelo Instituto Nacional de Pesquisas Anísio Teixeira (BRASIL, MEC.INEP, 2001) apontam que, do total de alunos que ingressam no ensino fundamental, 59% o concluíam e 26% terminaram o ensino médio. NESTE TÓPICO Referências Neste sentido, temos o desafio de envidarmos esforços para garantir a entrada, a permanência e o aprendizado não só de crianças com deficiência, mas de todos os deserdados sociais, assim como, apontar alternativas atreladas ao compromisso entre conhecimento e encantamento, acompanhado de esperança. Exclusão / Inclusão O debate sobre o tema Exclusão/inclusão não é recente, a divisão e a exploração entre classes sociais é descrita nos trabalhos de Marx (1984); a marginalização dos considerados loucos está presente nos estudos de Foucault (2004); a segregação das pessoas com deficiência é analisada por Amaral (1995); e as diversas formas de racismo são indicadas por Baran e Sweezy (1986). Iniciaremos nossos estudos lançando luz sobre os conceitos de Exclusão e Inclusão e seus princípios, afinal INSERIR CITAÇÃO COM RECUO: Os conceitos são fundamentais para o entendimento das práticas sociais. Eles moldam nossas ações. E nos permitem analisar nossos programas, serviços e políticas sociais, pois os conceitos acompanham a evolução de certos valores éticos, como aqueles em torno da pessoa com deficiência. Portanto é imprescindível dominarmos bem os conceitos relacionados à inclusão, para que possamos ser participantes ativos na construção de uma sociedade que seja realmente para todas as pessoas, independentemente de sua cor, idade, gênero, tipo de deficiência e qualquer outro atributo pessoal. (SASSAKI, 2010, p.27) Jodelet (2006) lembra que a exclusão se revela por meio da segregação, da marginalização e da discriminação. Sendo que o conceito de segregação indica afastar o indivíduo do grupo; o de marginalização, manter o indivíduo dentro do grupo, mas à parte; e a discriminação está relacionada ao “tratamento injusto dado a alguém por causa de características pessoais, intolerância e preconceito” (HOUAISS, 2004, p. 1053). A discriminação está presente tanto na segregação, quanto na marginalização e o preconceito a justifica e (re) produz. As três formas de expressão da exclusão podem ocorrer em diversas esferas da vida, no caso da escola, mesmo as ações direcionadas à inclusão podem gerar o seu contrário. Por exemplo, a inclusão crescente dos negros, das mulheres e dos deficientes na escola, nos últimos anos, não significou, necessariamente, ausência de discriminação e marginalização. Já o conceito de sociedade inclusiva indica a convivência entre todos, sem eliminar as diferenças. A educação em uma sociedade inclusiva constitui-se, portanto, em uma busca de soluções para a equiparação de oportunidades e implica em princípios de aceitação da diversidade, acessibilidade, currículo multicultural crítico, avaliação formativa, aprendizagem por meio da cooperação e convivência dentro da diversidade humana – representada por gênero, etnia, classe social, idade, religião e deficiência. Macedo (2005) reitera que pensar em inclusão é pensar em relação, compreensão, formas de interagir, de organizar o conhecimento, de se colocar na perspectiva do outro e que, em se tratando de Educação Inclusiva, o desafio é de todos. De acordo com Adorno (1995) uma educação para a autonomia, para a emancipação, pode trazer uma consciência que atuaria como anteparo ao preconceito, ao fortalecer o sujeito por meio da compreensão do que essas condições suscitam e da ciência dos caminhos de não violência e resistência. Portanto a Educação Inclusiva deve pressupor emancipação que, nas palavras de Adorno (1995) não diz respeito apenas à incorporação das minorias às classes regulares dos sistemas de ensino, mas à problematização acerca de uma formação padronizada, competitiva e não crítica. Valores inclusivos A Educação, para que se faça inclusiva, fundamenta suas práticas em princípios vinculados à participação democrática, sustentabilidade ambiental, cidadania global, promoção da saúde e não violência, e assume um compromisso com a consolidação de valores coerentes com esses princípios. Sendo assim, em uma Educação Inclusiva os detalhes do fazer pedagógico – as atividades de ensino e aprendizagem, a interação entre as pessoas nos diversos espaços – têm como objetivo promover e garantir igualdade de direitos, não violência, convivência na diversidade, coragem, esperança, sustentabilidade e alegria. Booth e Ainscow relembram que “igualdade não significa que todos sejam iguais, nem tratados da mesma forma, mas que todos sejam tratados como sendo de igual valor” (2011, p. 22), ou seja, uma visão inclusiva não implica em igualdade de oportunidades, por exemplo, para pessoas em situações econômicas e sociais distintas, mas na construção conjunta de caminhos que reduzam as desigualdades. Cabe lembrar que as pessoas são igualmente detentoras de direitos, ou seja, todas possuem direito à alimentação, saúde, abrigo, proteção, cuidados e participação cidadã. O direito à educação é incondicional em virtude de nossa humanidade, portanto, não pode, por exemplo, ser garantido apenas às crianças que “têm bom comportamento”, que tem facilidade para aprender; ou negado às que apresentam qualquer deficiência. PARA REFLETIR Ampliando conhecimentos sobre o tema Para ampliarmos nosso conhecimento sobre os conceitos e princípios relacionados à educação inclusiva, convidamos você a assistir aos filmes “Entre os muros da escola” (2008) e “Preciosa” (2009). Entre os muros da Escola Filme dirigido por Laurent Cantet e produzido na França em 2008, retrata uma escola pública na periferia de Paris e aponta uma série de limitações de um sistema educacional que, por não analisar de forma crítica a crise em que se encontra, oscila entre a responsabilização individual dos alunos e a coletiva direcionada aos professores. Observe como os professores veteranos apresentam os alunos para os professores mais novos; se o processo de ensino e aprendizagem leva em consideração a diversidade étnica e cultural presente na sala de aula e se no Conselho de classe há um exercício de democracia. Dentre as muitas reflexões que o filme suscita, uma é fundamental: as desigualdades não se anulam dentro da escola. Entretanto, será que a conscientização desse problema e a busca de soluções coletivas pode promover uma mudança, abalar uma estrutura que exclui e consolidar uma Educação Inclusiva? Preciosa – Uma história de esperança Trata-se da história de Claireece Preciosa Jones, uma adolescente de 16 anos, negra, obesa, mãe, vítima de múltiplas formas de violência em casae de bullying pelos colegas da escola. O filme retrata, de forma realista, o pesadelo, a desesperança e as adversidades de vítimas de violência doméstica, assim como, as falhas existentes na rede de proteção. Observe atentamente como a escola regular lidou com a apatia, a dificuldade de aprendizado e a notícia da segunda gravidez da adolescente. Material de Formação Docente Educar na Diversidade Considerando a importância do papel do(a) docente no desenvolvimento de sistemas educacionais inclusivos, a Secretaria de Educação Especial do Ministério da Educação do Brasil, coordenou o Projeto Educar na Diversidade nos Países do Mercosul, que envolveu os Ministérios da Educação da Argentina, Chile, Paraguai e Uruguai e vinte e cinco escolas distribuídas igualmente nestes países. Um dos principais produtos deste projeto foi a publicação do Material de Formação Docente Educar na Diversidade. Material de dominio público disponível em: http://portal.mec.gov.br/seesp/arquivos/pdf/educarnadiversidade2006.pdf (http://portal.mec.gov.br/seesp/arquivos/pdf/educarnadiversidade2006.pdf) CONCEITO X PRECONCEITO X PRINCIPIO X VALORES Conceito Tem origem no latim conceptus, que significa coisa concebida ou formada na mente. Pode ser uma ideia, juízo ou opinião que se concebe no pensamento sobre algo ou alguém. Preconceito Constituída etimologicamente por duas partes: Pré, que dá a ideia de algo que precede, e conceito. Portanto, trata-se de um julgamento formulado sem exame prévio. Princípios São convicções, regras ou pressupostos considerados universais, pelos quais a sociedade se orienta. Valores São preceitos, mas diferente dos princípios são subjetivos, portanto podem ser equivocados, depende do caráter da pessoa que os adota. (HOUAISS, 2004; JODELET, 2006) PARA REFLETIR Nas imagens acima, todos são tratados como sendo de igual valor? Como podemos: Colocar valores em ação? http://portal.mec.gov.br/seesp/arquivos/pdf/educarnadiversidade2006.pdf Reduzir a discriminação e as barreiras à aprendizagem e à participação? Reestruturar culturas, políticas e práticas para responder à diversidade de modo a valorizar cada um igualmente? Quiz Exercício Final CONCEITOS E PRINCÍPIOS INICIAR Referências ADORNO, Theodor W. Educação e Emancipação. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1995. AMARAL, Lígia. Conhecendo a deficiência, em companhia de Hércules. São Paulo: Robe Editorial, 1995. BARAN, Paul; SWEEZY, Paul. El capitalismo monopolista y las relaciones raciales. In: BARAN, Paul; SWEEZY, Paul. El capitalismo monopolista. 19 ed. México: Siglo Veintiuno Editores, 1986. BOOTH, Tony; AINSCOW, Mel. Index para a inclusão: desenvolvendo a aprendizagem e a participação nas escolas. 3 ed. Tradução Mônica Pereira dos Santos e João Esteves (LaPEDE), 2011. BUENO, José G. S. Deficiência e escolarização: novas perspectivas de análise. Brasília, DF: CAPES, 2008. FOUCAULT, Michel. História da Loucura. 7 ed. São Paulo: perspectiva, 2004. HOUAISS, Antônio; VILLAR, Mauro S. Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa. Rio de Janeiro: Objetiva, 2004. JODELET, Denise. Os processos psicossociais da exclusão. In SAWAIA, Bader (Org.). As artimanhas da exclusão: análise psicossocial e ética da desigualdade social. 6 ed. Petrópolis: Vozes, 2006. MACEDO, Lino. Ensaios Pedagógicos. Porto Alegre: Editora Artmed, 2005. MARX, Karl. O Capital: crítica da economia política. 4 ed. Livro I, Volume I, São Paulo: Difel, 1984. PATTO, Maria H. de S. A produção do fracasso escolar: histórias de submissão e rebeldia. 4 ed. São Paulo: Intermeios, 2015. SASSAKI, Romeu K. Inclusão: construindo uma sociedade para todos. 8 ed. Rio de Janeiro: WVA, 1997. Avalie este tópico PRÓXIMO FUNDAMENTOS HISTÓRICOS ÍndiceBiblioteca (https://www.uninove.br/conheca- a- uninove/biblioteca/sobre- a- biblioteca/apresentacao/) Portal Uninove (http://www.uninove.br) Mapa do Site ® Todos os direitos reservados Ajuda? (https://ava.un idCurso=) https://www.uninove.br/conheca-a-uninove/biblioteca/sobre-a-biblioteca/apresentacao/ http://www.uninove.br/ https://ava.uninove.br/seu/AVA/help/help.php?idCurso=