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FORMAÇÃO PROFISSIONAL COM QUALIDADE 
AUXILIAR VETERINÁRIO 1
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
APOSTILA 2 
FORMAÇÃO PROFISSIONAL COM QUALIDADE 
AUXILIAR VETERINÁRIO 2
 
Auxiliar Veterinário 
 
MÓDULO II 
 
Sumário 
 
 
Etapas da Vida do Cão 03 
Desenvolvimento do Cachorro 09 
Desenvolvimento do Gatinho 19 
Nutrição dos Animais 24 
Alimentando os Gatos 37 
Medicina Preventiva 40 
Calendário de Vacinação 46 
Endoparasitos 50 
Ectoparasitos 55 
Doenças dos Cães 59 
Principais Enfermidades dos Gatos 70 
Zoonoses 76 
Os Sinais Vitais 81 
Primeiros Socorros 84 
Princípios Cirúrgicos 100 
Aplicação de Medicamentos 104 
Os Diferentes Estabelecimentos Veterinários 114 
Pet Shop e Banho e Tosa 118 
Contenção e Transporte de Animais 121 
Espécies Exóticas e alguns Pássaros 125 
Trabalho em Equipe 131 
Atendimento ao Público 136 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
2º edição – maio/2009 
 
FORMAÇÃO PROFISSIONAL COM QUALIDADE 
AUXILIAR VETERINÁRIO 3
 
2o MÓDULO 
 
AAuullaa 2211 As etapas da vida do 
cão 
 
A amamentação 
 
O final do metaestro (período correspondente à 
gestação ou à pseudogestação) é caracterizado por uma 
queda dos níveis de progesterona no sangue e por uma 
elevação temporária dos estrógenos, permitindo a 
dilatação do colo do útero e um aumento da prolactina, 
hormônio que permite a produção do colostro e depois 
do leite. 
 
Estas variações hormonais são idênticas numa cadela gestante e numa cadela 
não gestante, o que explica a freqüência de "lactação nervosa" ou "lactação de 
pseudogestação". Este fenômeno é observado em matilhas de cães selvagens e atinge 
essencialmente as cadelas de posição hierárquica inferior que podem então servir de 
"amas de leite" em caso de perturbações na lactação de cadelas dominantes. Assim, 
como em muitas outras espécies de mamíferos, a pseudogestação ressalta de forma 
evidente a importância do fator psicológico no desencadeamento da lactação. 
 
A lactação na cadela 
 
Dada a importância do fator psíquico, é compreensível que uma cadela que não 
se sente à vontade com a sua maternidade, contrariada pela escolha do seu ninho ou 
até anestesiada por uma cesariana, apresenta um atraso no aparecimento do leite. 
Este problema pode ser contornado, modificando as condições ambientais, 
utilizando produtos fito-homeopáticos ou ainda administrando medicamentos 
antieméticos que estimulam a secreção de prolactina pelo sistema nervoso central. 
 
Uma vez expulsos os primeiros cachorros, a excreção 
do leite é mantida por um reflexo neuro-hormonal. O ato de 
mamar ou a massagem dos mamilos, estimulam a secreção 
de uma outro hormônio, a ocitocina, que por sua vez lança o 
leite nos canais galactóforos. Este mecanismo é proporcional 
ao número de cachorros amamentados e permite que a 
produção de leite seja adaptada ao seu apetite. Os cachorros 
tornam-se de certa forma, prioritários em relação à saúde da 
mãe. 
 
 
FORMAÇÃO PROFISSIONAL COM QUALIDADE 
AUXILIAR VETERINÁRIO 4
A produção de leite 
 
O primeiro leite, chamado colostro, é secretado pela mãe nos dois primeiros dias 
após o parto. Não tem nem o aspeto nem a composição do leite clássico. Na verdade, 
ele é amarelado e translúcido a ponto de se poder confundir com pus. 
 
O colostro é muito mais rico em 
proteínas do que o leite: além das suas 
qualidades nutritivas, ele permite estimular a 
primeira defecação dos cachorros e fornece-
lhes 95% dos anticorpos (imunoglobulinas) 
necessários para ficarem protegidos contra 
as infecções. Assim, a mãe transmite-lhes de 
forma passiva a sua "memória imunológica", 
por um período de cinco a sete semanas, 
enquanto os cachorros se vão tornando 
capazes de se defender das infecções. 
 
Os cachorros são capazes de absorver estas "defesas maternas" durante um 
período que não vai além das 48 horas após o parto. Após o qual estes anticorpos 
seriam destruídos pelo estômago antes da sua absorção e perderiam assim toda a sua 
eficácia. Nesse caso, os cachorros estariam protegidos apenas pelos anticorpos que 
atravessaram a barreira placentária durante a gestação (não mais de 5 %). 
 
Em poucos dias o colostro é substituído por leite, cuja composição depende do 
tamanho da raça da cadela (raças grandes têm um leite mais rico em proteínas), das 
aptidões genéticas individuais e da mama em questão (as mamas posteriores são mais 
produtivas). 
 
A lactação tem uma duração média de seis semanas 
após o parto, com o pico de produção máxima às três 
semanas. 
 
Nas semanas seguintes, o decréscimo da produção 
de leite incita a mãe a regurgitar alimentos para 
complementar a alimentação dos cachorros. Estes começam 
a ficar interessados no alimento que a mãe consome. Este 
período assinala o início de um desmame progressivo, que 
terminará por volta da sexta semana com a passagem para a 
alimentação de crescimento. 
 
 
Alimentação da cadela em lactação 
 
Em resumo, a escolha do alimento de "lactação" deve ter em consideração os 
seguintes critérios:] 
 
FORMAÇÃO PROFISSIONAL COM QUALIDADE 
AUXILIAR VETERINÁRIO 5
- A apetência do alimento: dependendo particularmente da qualidade e da quantidade 
de gorduras e de proteínas de origem animal, 
 
- a alta digestibilidade, que permite uma boa assimilação do 
alimento num volume razoável (evita as dilatações 
abdominais após as refeições, reduz o volume e melhora a 
consistência das fezes), 
 
- o elevado conteúdo energético, que orienta a escolha 
para uma alimentação seca, 
 
- a qualidade e a quantidade das proteínas, 
indispensáveis para o desenvolvimento esquelético e 
muscular dos cachorros, 
 
- os níveis de cálcio, magnésio e vitamina D, que devem ser suficientes para diminuir 
os riscos de eclampsia (crises convulsivas durante a lactação), principalmente nas 
cadelas de raças pequenas com ninhadas numerosas. 
 
Aleitamento artificial complementar 
 
Quando a produção de leite durante as primeiras três semanas de lactação for 
insuficiente para satisfazer as necessidades de todos os cachorros (freqüente nas 
cadelas primíparas), é aconselhável fornecer a toda a ninhada um substituto do leite 
em vez de retirar e alimentar um ou dois cachorros exclusivamente com um leite 
artificial. 
 
Como os cachorros mamam espontaneamente 
mais de vinte vezes por dia, será difícil para o 
proprietário manter este ritmo de aleitamento. É 
suficiente alimentá-los a cada três horas na primeira 
semana, adotando um ritmo regular e respeitando 
imperativamente os tempos de sono (durante primeira 
semana de vida, os cachorros passam de mais de 90% 
do tempo dormir) indispensáveis aos fenômenos de 
ligação e impregnação. 
 
 
 
Embora seja possível para um 
proprietário adaptar o leite de vaca para 
alimentar os cachorros, a utilização de um 
substituto artificial do leite materno mostra-se 
muito mais adequada, principalmente devido 
ao fornecimento controlado em lactose. 
 
A fim de economizar tempo e dinheiro, 
os substitutos do leite materno apresentam-se 
sob a forma de pó. Além disso, esta apresentação seca diminui os riscos de ocorrer 
FORMAÇÃO PROFISSIONAL COM QUALIDADE 
AUXILIAR VETERINÁRIO 6
diarréias nos cachorros, cuja acidez gástrica ainda é insuficiente para esterilizar o bolo 
alimentarde um modo eficaz. 
 
Depois da adição de água e do seu aquecimento a 37o C, o leite é administrado 
através de um biberon, ou, se o animal se recusar a mamar, através duma sonda (tipo 
sonda urinária). Quando o leite é administrado por via oral com a ajuda de uma seringa, 
ele deve ter uma consistência de papa mais espessa, para estimular o reflexo de 
deglutição e diminuir os riscos de "falso trajeto" (passagem para a árvore respiratória, 
responsável por uma pneumonia por aspiração). 
 
 Quando o proprietário não tiver condições de adquirir um suscedâneo do leite do 
tipo comercial, pode-se fazer receitas caseiras, tendo o cuidado de não armazenar o 
produto por mais de 2 dias na geladeira. 
 
Exemplo de substituto de leite para cachorros: 
- meia lata de creme de leite 
- 1 lata de leite de vaca 
- 1 gema de ovo 
- 1 grama de suplemento vitamínico em pó 
 
Outra opção seria a adoção dos filhotes por outra fêmea em lactação, tomando o 
cuidado de verificar a aceitação dos mesmos pela cadela. 
 
 
O desmame 
 
Como em qualquer mudança nos hábitos 
alimentares, o desmame é uma fase progressiva 
que possibilita uma transição lenta da dieta láctea 
para um alimento de crescimento. É a 
alimentação que se deve adaptar à evolução da 
capacidade digestiva do cachorro e não o inverso. 
 
 
 
O início do período de desmame é naturalmente 
imposto pela diminuição da produção de leite pela 
cadela. Tendo atingido o seu nível máximo de 
produção, esta torna-se incapaz de satisfazer as 
necessidades crescentes dos cachorros. 
 
Nos cães de raças pequenas, a lactação cobre 
o período de crescimento mais intenso dos cachorros, 
satisfazendo assim as suas necessidades máximas. 
 
Por outro lado, os cachorros de raças médias e 
grandes são desmamados mais cedo, e o leite materno é "abandonado" num momento 
crítico do seu crescimento. Assim, embora o período de lactação seja mais penoso 
FORMAÇÃO PROFISSIONAL COM QUALIDADE 
AUXILIAR VETERINÁRIO 7
para as cadelas de raças pequenas do para as gigantes, ocorre o inverso para os 
cachorros. 
 
Qualquer que seja o modo de aleitamento, o desmame deve 
ser sempre uma transição alimentar progressiva, que começa por 
volta das três semanas de idade e termina em torno das 7 a 8 
semanas. Durante este período a mãe começa a tornar-se menos 
solidária com os cachorros, afirmando inclusivamente a sua 
precedência alimentar. Não é recomendado separar 
completamente os cachorros da sua progenitora antes desta 
data, para evitar mais uma fonte de stress a um período que já 
é por si só, muito sensível à drástica variação da dieta. 
 
Uma solução consiste em isolar progressivamente os 
cachorros durante o dia, e juntá-los novamente à mãe 
durante a noite. 
 
As exigências nutricionais dos cachorros no período de 
desmame são comparáveis qualitativamente às exigências da mãe 
no final da lactação (período de reposição das suas reservas), o que 
facilita consideravelmente a tarefa do proprietário. 
 
Com efeito, se não houver a possibilidade de fornecer "papas de desmame", o 
proprietário poderá colocar à disposição dos cachorros alguns croquetes para cães 
(alimento de crescimento) misturados com água morna ou leite de substituição. 
Progressivamente, este alimento será cada vez menos diluído para que no final do 
desmame seja fornecido sem qualquer tipo de manipulação. 
 
É necessário reter que a utilização de uma 
alimentação caseira requer sempre uma adição de 
minerais ao alimento base, sob a forma de 
suplementos comerciais: casca de ovo esmagada ou 
farinha de osso, para que a mineralização do esqueleto 
se processe de forma adequada. O reajuste diário que 
é necessário realizar com esta suplementação, torna 
esta prática rara nos dias de hoje. 
 
Inversamente, o acréscimo de um suplemento 
mineral a um alimento já equilibrado (comercial) 
apresenta o risco, mesmo nas grandes raças, de 
calcificações precoces e irreversíveis comprometendo 
gravemente o futuro dos cachorros. 
 
As necessidades em cálcio são avaliadas em 
função do peso dos cachorros: cerca de 400 mg/kg no 
início do crescimento, atingindo no final do crescimento 
as necessidades de adulto, estimadas em 200 mg/kg. 
 
A título de exemplo, um cachorro em crescimento com 30 kg terá necessidades 
de cálcio seis vezes superiores às de cachorro com 5 kg no mesmo estágio de 
FORMAÇÃO PROFISSIONAL COM QUALIDADE 
AUXILIAR VETERINÁRIO 8
desenvolvimento. Em compensação, as suas necessidades energéticas serão apenas 
quatro vezes superiores. 
 
É por este motivo que é de extrema importância alimentar o cachorro com um 
alimento cuja relação cálcio/energia esteja adaptada ao seu potencial de crescimento. 
 
A alimentação da ninhada com uma ração seca ad libitum evita habitualmente a 
disputa de alimento entre os cachorros, controlando assim as diarréias por consumo 
excessivo. Durante o início do desmame, é aconselhável repartir a quantidade diária do 
alimento em três ou quatro refeições diárias, durante um tempo limitado (15 minutos), 
para prevenir a ocorrência de obesidade. 
 
Após o desmame, é recomendado um ritmo de 
duas refeições por dia. 
 
A obesidade que surge quando as células de 
gordura estão a sofrer uma multiplicação rápida 
(conhecida como obesidade hiperplásica), é muito mais 
difícil de tratar do que um excesso de gordura 
adquirida na idade adulta (conhecida como obesidade 
hipertrófica). Durante o período de crescimento, 
qualquer desequilíbrio nutricional vai afetar os tecidos 
em formação. 
 
Como os cachorros de raças pequenas são desmamados em pleno período de 
constituição do tecido adiposo, estão predispostos à obesidade se consumirem 
alimentos em excesso. Uma ligeira subalimentação é por isso menos prejudicial do que 
uma sobrealimentação. Além disso, enquanto que um pequeno atraso ponderal pode 
ser compensado posteriormente, a obesidade, quando ocorre durante o período de 
crescimento será dificilmente reversível na idade adulta. 
 
Nos cachorros de raças grandes, pelo contrário, o desmame ocorre durante a 
fase de crescimento esquelético. Uma insuficiência alimentar em proteínas ou em 
cálcio vai afetar a formação dos ossos (osteofibrose). Inversamente, um consumo de 
energia em excesso acelera o crescimento, o que torna o cachorro vulnerável a várias 
perturbações, como por exemplo displasias articulares ou osteodistrofia hipertrófica. 
 
O Desmame do Gatinho 
 
Constitui uma necessidade fisiológica, tanto 
para o gatinho como para a mãe. O gatinho 
evidencia necessidades nutricionais crescentes 
enquanto que a lactação começa a decrescer por 
volta da 5» ou 6» semana após o parto. A 
alimentação láctea passa então a ser insuficiente 
para satisfazer as exigências da ninhada. 
Paralelamente, o gatinho desenvolve-se, as suas capacidades digestivas evoluem e o 
seu organismo prepara-se para uma alimentação sólida. 
 
FORMAÇÃO PROFISSIONAL COM QUALIDADE 
AUXILIAR VETERINÁRIO 9
A partir das 4 a 5 semanas de vida, o gatinho pode demonstrar interesse pela 
alimentação da mãe, começando por lamber o alimento que está perto da boca desta. 
De forma a que os jovens tenham acesso ao comedouro, este deve ser largo e com 
rebordos bastante baixos. Para além disso, se a apresentação do alimento for sob a 
forma de croquetes, estes devem ser de pequenas dimensões para facilitar a preensão 
dos gatinhos. Desde que se trate de um alimento adaptado, é aconselhável administrar 
à mãe, durante a lactação, um alimento idêntico ao que os gatinhos irão receber no 
pós-desmame. Evitar-se-á assim adicionar outro fator de stress ( a mudança de 
alimentação) ao período de desmame. 
Evolução da capacidade 
digestiva do cachorro 
À medida que o cachorro se desenvolve, 
ocorrem várias mudanças graduais que são 
responsáveispela evolução da sua capacidade 
digestiva. Citando apenas um exemplo, a 
quantidade de enzimas digestivas capazes de 
digerir a lactose diminui progressivamente, 
enquanto que a aptidão para digerir o amido cozido é desenvolvida muito mais 
lentamente. 
 
Estas variações explicam o fato de alguns cachorros não tolerarem o leite de 
vaca (que é três vezes mais rico em lactose do que o leite de cadela), bastando 
diminuir a quantidade fornecida para controlar a diarréia, causada por uma saturação 
da capacidade enzimática. Estas alterações são essencialmente determinadas 
geneticamente e dependem pouco dos hábitos alimentares impostos aos cachorros. 
 
AAuullaa 2222 As primeiras etapas 
no desenvolvimento do 
cachorro 
Desenvolvimento físico 
 
Os cachorros crescem devido à construção e 
maturação de vários tecidos. Estes tecidos, de natureza 
diferente, não se formam todos ao mesmo tempo nem à 
mesma velocidade, o que explica a variação das 
necessidades alimentares dos cachorros, tanto no plano qualitativo quanto quantitativo. 
 
Poderíamos comparar o desenvolvimento físico à construção de uma fábrica. 
Esta, começa por um projeto (o sistema nervoso) e prossegue pela instalação de 
máquinas (o esqueleto). Para fazer funcionar estas "máquinas", serão então 
FORMAÇÃO PROFISSIONAL COM QUALIDADE 
AUXILIAR VETERINÁRIO 10
necessários operários (os músculos) que irão reivindicar em seguida uma proteção 
social (a gordura). 
 
Esta imagem, apesar de ser demasiado simplista, visto que estas fases são 
naturalmente progressivas e simultâneas, apresenta o interesse de sublinhar os riscos 
inerentes a cada estágio de desenvolvimento do cachorro e ilustra: 
 
- a razão pela qual existe uma insuficiente reserva 
energética no cachorro ao nascimento. A gordura só 
é depositada numa fase mais tardia do 
desenvolvimento do cachorro, apesar de ser a 
principal fonte de armazenamento de energia. A 
única fonte de energia que o recém-nascido contém 
é constituída pelas pequenas reservas de glicogênio 
(fígado e músculos), as quais cobrem apenas as 
necessidades referentes às doze horas após o 
parto. O cachorro, fica deste modo dependente das 
condições térmicas exteriores, até ao aparecimento 
do reflexo do calafrio (depois do 6¼ dia), 
desenvolvimento do tecido adiposo (final da terceira 
semana) e aparecimento dos mecanismos de 
regulação térmica. 
 
- a variação existente entre as necessidades alimentares das várias raças e, para um 
mesmo indivíduo, durante as diferentes fases do seu desenvolvimento. A composição 
do corpo evolui durante o crescimento no sentido de uma diminuição do seu teor em 
água e em proteínas, para favorecer um aumento das gorduras e dos minerais. 
 
- a obesidade, que ameaça as raças pequenas de forma muito mais precoce que as 
raças grandes. 
 
Uma pesagem diária dos cachorros, 
sistematicamente à mesma hora, permite 
controlar o seu crescimento. Os cachorros de 
raças grandes, que multiplicam o seu peso por 
100 até atingir a idade adulta, merecem uma 
atenção e uma vigilância especial. 
 
De uma forma geral, um cachorro que 
não ganhe peso durante dois dias consecutivos 
deve ser cuidadosamente vigiado. A causa 
responsável pelo atraso de crescimento deve 
ser rapidamente pesquisada. Esta causa pode 
estar relacionada com a mãe se toda a ninhada 
apresentar o mesmo problema (leite 
insuficiente ou tóxico), ou a fatores individuais se apenas alguns cachorros apresentam 
este atraso (fenda palatina, competição alimentar). 
 
Visto que durante este período a morbidade e a mortalidade da ninhada podem 
aparecer de forma rápida e inesperada, o proprietário deve controlar outros 
FORMAÇÃO PROFISSIONAL COM QUALIDADE 
AUXILIAR VETERINÁRIO 11
parâmetros, nomeadamente: observação dos cachorros a mamar, escuta de gemidos, 
a observação do comportamento materno, a apreciação da vitalidade, da temperatura 
retal e do estado de hidratação dos cachorros. 
 
Desenvolvimento comportamental dos cachorros 
 
Antes do desmame, a mãe assume, 
muito mais do que o pai, uma parte ativa no 
desenvolvimento físico e comportamental dos 
cachorros, parte que se mostrará 
determinante para o equilíbrio e integração 
posterior destes no seu novo meio social. 
 
 
Sem estudar aqui o conjunto das 
etapas do desenvolvimento do cachorro, já 
que a sua cronologia difere substancialmente 
de raça para raça (as raças pequenas são 
mais precoces), um elevado número de erros 
ou de inconvenientes podem ser evitados, 
pelo simples conhecimento dos períodos mais 
favoráveis à aprendizagem ou sensíveis à 
aversão. 
 
O desenvolvimento nervoso do cachorro não está completo ao nascimento. Com 
efeito, ele nasce surdo, cego, dotado de muito pouco olfato e de um sistema nervoso 
desmielinizado, ou seja incapaz de conduzir rapidamente os impulsos nervosos. O 
conhecimento das etapas do seu desenvolvimento motor, psíquico e sensorial, é útil 
para o diagnóstico precoce de certas anomalias, mas principalmente para dirigir o 
desenvolvimento do cachorro no sentido da sua eventual utilidade. Assim, a partir da 
quarta semana, é possível proceder ao diagnóstico precoce da surdez nas raças 
predispostas (Dálmata, Dogue argentino, etc). 
 
Durante as duas primeiras semanas de idade, é 
útil verificar o instinto materno da reprodutora 
(especialmente a limpeza dos cães, indispensável para 
os seus reflexos de defecação e de micção) e vigiar o 
aleitamento, colocando os cachorros menos vigorosos 
ou os mais subordinados nas mamas que produzem um 
leite mais rico. Por vezes, é necessário controlar as 
unhas dos cachorros, as quais podem traumatizar as 
mamas e levar a uma recusa de aleitamento. 
 
Os etologistas têm por hábito dividir o período de 
maturação do cachorro em quatro etapas sucessivas: 
 
FORMAÇÃO PROFISSIONAL COM QUALIDADE 
AUXILIAR VETERINÁRIO 12
O período pré-natal 
 
Os fetos no útero não estão totalmente isolados 
do meio exterior. O desenvolvimento das técnicas de 
ecografia permitiu observar as várias reações dos 
fetos quando se realiza na mãe, uma palpação 
abdominal a partir da quarta semana de gestação. O 
seu sentido do tacto desenvolve-se portanto muito 
cedo, e nada impede pensar que seriam sensíveis às 
festas feitas à mãe durante a gestação. Da mesma 
forma, o stress da mãe pode aparentemente ser 
sentido pelos cachorros, podendo levar a abortos, 
atrasos de crescimento intra-uterino, dificuldades de 
aprendizagem depois do nascimento ou até a 
deficiências imunológicas. 
 
Finalmente, embora o olfato se desenvolva apenas após o nascimento, o sentido 
do gosto aparece mais precocemente: parece que a alimentação consumida pela mãe 
durante a sua gestação, pode de alguma forma orientar as posteriores preferências 
alimentares dos seus cachorros. 
 
O período neonatal 
 
O período neonatal tem início no 
nascimento e termina com a abertura das 
pálpebras. Foi frequentemente chamado "fase 
vegetativa", visto que a vida do cachorro 
parece estar dominada pelo sono e por 
algumas atividades reflexas. Durante esta 
fase, o cachorro apenas reage aos estímulos 
tácteis e move-se em direção às fontes de 
calor, rastejando. Este tipo de movimento é 
possível pelo desenvolvimento do sistema 
nervoso central que se mieliniza na direção 
anterior-posterior permitindo, desta forma, a 
motricidade dos membros anteriores antes da 
dos membros posteriores. 
 
 
Se excluirmos os fenômenos reflexos, a 
percepção dolorosa é a última a aparecer no 
desenvolvimento neurológico, o que explica 
que algumas pequenas intervenções cirúrgicas podem ser realizadas sem anestesia 
durante este período. 
 
Durante o período neonatal, basta confinar a mãe e a sua ninhada numa 
maternidade quente e acolhedora. Se o instinto materno parece falhar, ou se a ninhadafor pouco numerosa, é possível completar os estímulos tácteis dos cachorros 
explorando a normalidade dos seus reflexos (reflexos de micção, de defecação, de 
FORMAÇÃO PROFISSIONAL COM QUALIDADE 
AUXILIAR VETERINÁRIO 13
mamar, educação gustativa). Os outros estímulos (música, brinquedos, cores, etc.) 
ainda são inúteis nesta idade e apenas perturbam o sono da ninhada. 
 
O Período de Transição 
 
 
Também chamada "fase de despertar", 
corresponde ao período de abertura das pálpebras 
(por volta dos 10 a 15 dias de idade). Este período 
termina assim que o cachorro começa a ouvir, ou 
seja, a reagir aos ruídos (perto da quarta semana). 
Mesmo que a visão ainda não esteja perfeita nesta 
fase, a persistência de comportamentos tais como o 
escavar ou as explorações tácteis, permitem 
suspeitar de perturbações na visão. 
 
 
O Período de Socialização 
 
Como o seu nome indica, o período de 
socialização representa para os cachorros uma 
fase de aprendizagem da vida social. Começa por 
um período de atração (não têm medo de nada) e 
prossegue geralmente por um período de aversão 
(medo de tudo o que é novo). Os cachorros 
tornam-se progressivamente capazes de 
comunicar, e adquirem o sentido da hierarquia 
interpretando as represálias maternas, os sinais 
olfativos e de postura. 
 
Se, por falta de tempo ou de observação, 
não se aproveita o período de atração do cachorro 
(geralmente 3 a 9 semanas) para o acostumar ao 
seu futuro ambiente, será muito mais difícil retificar 
os maus hábitos adquiridos. 
 
Este período, extremamente sensível e 
maleável, pode ser explorado pelo proprietário ou 
criador para: 
 
- favorecer os contactos com os futuros proprietários (em especial com as crianças) 
caso se trate de um animal de companhia, e com os indivíduos com os quais deverá 
conviver em paz (carteiros, gatos, ovelhas), 
 
- habituar o cachorro aos estímulos que encontrará na sua vida futura (barulhos, odores 
de roupa, tiros se tratar de um cão de caça como o Setter ou o Perdigueiro, carros, 
helicópteros, etc.), 
FORMAÇÃO PROFISSIONAL COM QUALIDADE 
AUXILIAR VETERINÁRIO 14
 
- reforçar a aprendizagem da hierarquia, impondo-lhe, se 
necessário, posturas de submissão (segurando-o pelo 
dorso ou pela pele do pescoço). Pelo mesmo método, é 
possível reforçar os comportamentos desejados e 
reprimir as atividades indesejadas; 
 
- motivar os contactos entre cachorros, sancionando 
aqueles que ainda não controlam bem a intensidade da 
sua mordida, 
 
- observar o comportamento dos cachorros para poder 
orientar a escolha dos futuros proprietários, em função 
do caráter de cada um. As tendências para a dominância 
podem ser percebidas a partir desta época, através de 
jogos, de imitações sexuais e dos comportamentos 
alimentares. Em algumas raças (Cocker, Golden), a 
agressividade tornou-se mesmo um motivo de não 
confirmação. 
 
- muitas atitudes ditas "naturais" podem ser adquiridas durante este período, 
principalmente se a mãe estiver habituada a esses estímulos e de evidenciar uma 
postura calma junto da sua ninhada durante o período de aversão. 
 
 Posto isto, aconselham-se classicamente dois períodos propícios para a venda 
dos cachorros: 
 
- a partir da 7° semana, se o proprietário 
entende de educação canina e deseja 
adquirir um cachorro "maleável"; 
 
- no final do período de aversão (pela 12° 
semana), se o cliente procura um cachorro 
"pronto", que já tenha sido socializado e 
ensinado por um profissional. 
 
Em todos os casos, será sempre útil 
orientar a escolha do futuro proprietário, de 
modo a obter um cachorro adaptado às 
suas exigências. Também devem ser 
dados conselhos de socialização que 
deverão ser posteriormente reforçados pelo apoio do Médico Veterinário durante a 
consulta pós-compra. 
 
Para evitar uma ligação demasiado forte do cão ao seu dono (que 
frequentemente se traduz em danos ambientais quando o cão é deixado sozinho), será 
bom lembrar do fenômeno natural de "desligamento" que ocorre antes da puberdade 
quando o cachorro é deixado com a mãe. 
 
FORMAÇÃO PROFISSIONAL COM QUALIDADE 
AUXILIAR VETERINÁRIO 15
AAuullaa 2233 O crescimento do cachorro 
 
O crescimento constitui o período mais crítico da vida do cão, visto que 
condiciona o seu desenvolvimento futuro e inclui fases de elevado risco patológico, 
nomeadamente a fase de crescimento que se segue ao desmame, que é a mais 
intensa. Esta fase é muito delicada porque corresponde ao período em que se 
sucedem numerosas exigências (nutricionais, de medicina preventiva com as primeiras 
vacinações, de desenvolvimento do comportamento), e condiciona: 
 
– o próprio crescimento (ganho de peso que determina o peso atingido na idade adulta) 
e a velocidade de crescimento (ganho de peso por unidade de tempo); 
 
– o desenvolvimento (aquisição da conformação e das 
várias características do adulto) em relação com a 
precocidade do cachorro (ou seja, a velocidade de 
desenvolvimento que permite atingir mais ou menos 
rapidamente o estado adulto fisiológico). O início deste 
período é também o momento em que o cachorro é 
adquirido, separando-o da sua mãe, e levando 
frequentemente a diversas alterações alimentares, do 
modo de vida e das ligações afetivas. 
 
Os cães têm velocidade de crescimento diferente 
 
O crescimento de um cachorro não é linear com o tempo: ou seja, o seu ganho 
de peso diário evolui com o decorrer do tempo. Assim, o ganho de peso diário aumenta 
após o nascimento para alcançar um patamar de duração variável, diminuindo depois, 
à medida que o animal se aproxima da sua maturidade (idade e peso adulto). No plano 
estritamente matemático, a evolução desta velocidade de crescimento (fala-se em 
FORMAÇÃO PROFISSIONAL COM QUALIDADE 
AUXILIAR VETERINÁRIO 16
GMD, ou ganho médio diário) corresponde a uma derivada da função sigmóide 
representada pela curva de crescimento (evolução no peso em função do tempo). 
 
As diferenças entre as raças de 
cães são observáveis desde o 
nascimento: uma cadela Caniche, por 
exemplo, dá à luz três cachorros 
pesando cada um 150 a 200 gramas, 
enquanto que o peso à nascença de 
cachorros Terra Nova (oito a dez 
cachorros) oscila entre 600 e 700 
gramas. Mesmo que um cão adulto de 
raça gigante pese 25 vezes mais que um 
cão de raça pequena, a relação dos seus 
pesos à nascença não ultrapassa um 
fator de 1 para 6. Isto significa que as 
diferentes raças têm diferentes padrões 
de crescimento, sendo a amplitude e a 
duração do crescimento, proporcional ao 
peso final do cão. 
 
O envelhecimento 
 
O envelhecimento é um processo biológico 
progressivo que, na verdade, começa a 
desenvolver-se desde o nascimento do cão, 
intensificando-se até à sua morte. Qualquer que seja 
a espécie, é responsável por modificações celulares, 
metabólicas e orgânicas cuja importância começa a 
ser melhor entendida no cão. 
 
A mudança mais importante é sem dúvida, o 
aumento da variabilidade dentro de uma população 
canina já bem heterogênea, sendo o tamanho 
individual um dos fatores mais importantes. Daqui 
resulta a necessidade de ter uma abordagem crítica 
em relação às tendências gerais baseadas em 
médias, porque, apesar do exame físico pôr em 
evidência uma desaceleração de numerosos processos biológicos no cão idoso, 
algumas afecções patológicas podem também mostrar-se responsáveis por estas 
variações. 
 
Além disso, o recurso a novas teorias fisiológicas que têm os seus fundamentos 
naquilo que se chama a "dinâmica caótica", pode por vezes pôr em causa aquilo que a 
sensatez médica atribui classicamente ao envelhecimento, a saber que este seria 
apenas conseqüência da desregulagem de um sistema vivo ordenado e automático. 
Resultaria no aparecimento de efeitos aleatórios que modificariam osritmos periódicos 
normais do organismo. Mas paradoxalmente, um coração jovem e sadio pode ter um 
comportamento mais fortemente caótico do que um coração velho: um funcionamento 
FORMAÇÃO PROFISSIONAL COM QUALIDADE 
AUXILIAR VETERINÁRIO 17
mais regular acompanha por vezes, sem que isto seja evidentemente a norma, o 
envelhecimento. 
 
 
Mas antes de envelhecer, o cão torna-se "maturo". De fato, biologicamente 
falando, existem duas fases sucessivas na vida de um cão adulto, sendo a fase de 
envelhecimento precedida pela segunda fase. 
 
A maturidade 
 
Antes de atingir a velhice, o cão passa por uma fase 
de maturidade, comparável a um segundo período da sua 
idade adulta (para simplificar, poderíamos falar em fase 
adulta 1 – entre o final do crescimento e a maturidade – e 
fase adulta 2 – período que precede a velhice). A 
maturidade é um período de realização do cão, durante a 
qual se instalam modificações celulares. Apesar destas 
modificações não serem ainda observáveis a olho nu, são 
uma indicação de idade avançada. 
 
O envelhecimento e suas conseqüências 
 
No que diz respeito à composição 
global do organismo, no cão idoso verifica-se : 
 
- um aumento dos depósitos adiposos, sendo 
o animal mais gordo e metabolizando pior os 
seus lipídios; 
 
- uma diminuição na hidratação do organismo, 
comparável a uma desidratação crônica, que 
é prejudicial ao seu bom funcionamento. 
 
Algumas funções não digestivas estão alteradas : 
 
- redução da proteção imunológica, 
 
- diminuição da resistência ao frio e das 
capacidades de luta contra o calor, 
 
- redução gradual da função renal, 
 
- desmineralização lenta do esqueleto, 
 
- destruição das membranas celulares devido ao 
"stress oxidativo membranário", 
 
- aumento dos casos de insuficiências hepáticas 
FORMAÇÃO PROFISSIONAL COM QUALIDADE 
AUXILIAR VETERINÁRIO 18
ou cardíacas, 
 
 
- aumento evidente da freqüência de tumores, malignos ou benignos, 
 
- o pêlo torna-se baço e a pele laxa. 
 
 As funções digestivas também são atingidas : 
 
- a dentição pode-se tornar um problema para o animal, com o aumento da formação 
de tártaro (o qual deve ser tratado), podendo causar inflamações e infecções nas 
gengivas que podem conduzir à perda dos dentes; 
 
- à medida que o cão engorda, a saliva é produzida em menor quantidade pois o tecido 
adiposo invade as glândulas salivares; 
 
- a passagem dos alimentos através do 
trato intestinal é mais lenta, devido a um 
decréscimo do tônus muscular 
intestinal. Assim, o cão pode evidenciar 
fases obstipação, às quais se seguem 
frequentemente episódios de diarréias; 
 
- o intestino torna-se progressivamente 
menos capaz de se adaptar a uma 
modificação do alimento. Por esta 
razão, a alimentação deve permanecer 
constante. A absorção dos nutrientes é 
menos eficiente, sendo necessário 
fornecer um alimento hiperdigerível. 
 
Finalmente, os sentidos e o 
comportamento do cão também sofrem modificações: 
 
- queda da acuidade visual e perda da visão são freqüentes, 
 
- o sentido do olfato pode estar diminuindo, 
 
- o animal torna-se apático, pois fica mais fraco e menos resistente. Assim, deve-se 
fornecer um alimento com baixo teor energético. 
 
EXERCÍCIOS 
 
1. Um cão da raça Pinscher cresce da mesma maneira que um São 
Bernardo? Por que? 
 
2. O que acontece com o animal na velhice? Explique resumidamente. 
 
FORMAÇÃO PROFISSIONAL COM QUALIDADE 
AUXILIAR VETERINÁRIO 19
AAuullaa 2244 O desenvolvimento do gatinho 
 
Entre o nascimento e a idade adulta o gatinho 
adquire inúmeras capacidades. As principais 
modificações podem ser observadas antes do 
desmame, ou seja, enquanto ainda são amamentados 
pela mãe. 
 
 
Os 5 sentidos 
 
Quando nasce, o gatinho possui já um olfato 
bastante desenvolvido, o que lhe permite encontrar a 
mãe num raio de 50 cm. De igual forma é capaz de 
diferenciar os 3 sabores fundamentais: doce, salgado 
e amargo, sendo estes dois últimos pouco 
apreciados. Por outro lado, o gatinho nasce cego e 
surdo. 
 
O animal adquire estes dois sentidos quase em 
simultâneo. A audição surge por volta dos 5 dias de 
idade, mas a orientação em função do som só é 
conseguida por volta dos 14 dias. O animal só irá 
adquirir as capacidades auditivas da idade adulta ao 
atingir 1 mês de vida, passando então a reconhecer a 
voz da mãe. 
 
 
O gatinho abre os olhos 
entre os 7 e os 15 dias após o 
nascimento. Precisará ainda de 
mais 3 a 4 dias para adquirir a 
noção de profundidade de 
campo. A adaptação à aquisição 
simultânea da visão e da 
audição requer vários dias. O 
gatinho possui desde muito cedo 
o sentido de equilíbrio, ainda que 
de início se mostre um pouco 
desajeitado. 
 
 
 
Até às 2 semanas de idade, o gatinho tem alguma dificuldade em coordenar os 
movimentos. A locomoção sobre as 4 patas inicia-se por volta dos 17 dias e a 
aquisição da agilidade suficiente para conseguir coçar as orelhas com a pata posterior 
aproximadamente às 3 semanas. 
FORMAÇÃO PROFISSIONAL COM QUALIDADE 
AUXILIAR VETERINÁRIO 20
 
As grandes regiões anatômicas não se desenvolvem todas ao mesmo ritmo. 
Assim, o gatinho nasce com uma cabeça relativamente grande, seguidamente observa-
se um alongamento dos membros: o animal parece ser muito alto, com uma locomoção 
desengonçada. Finalmente, o resto do corpo desenvolve-se, apresentando as 
proporções típicas do adulto. 
 
O crescimento do gatinho 
 
O crescimento do gatinho pode ser 
acompanhado através do seu aumento de peso. O 
peso é um critério facilmente registável. Deve ser 
obtido diariamente, à mesma hora, em todos os 
gatinhos da ninhada. Este registro permite visualizar 
a evolução do peso, gatinho a gatinho, e compará-
los entre si. 
 
Um gatinho deve aumentar de peso todos os 
dias. Alguns pontos de referência permitem avaliar 
se o crescimento se está a processar de forma 
normal. Se um gatinho não aumentar de peso 
durante dois dias consecutivos, ou perder peso, 
será conveniente determinar a causa: 
subalimentação da mãe, doença… 
 
O crescimento normal de um gatinho desde a 
concepção até ao tamanho adulto processa-se em 3 
fases: 
 
• No período neo-natal aproximadamente os 4 primeiros dias 
de vida, a velocidade de crescimento pode ser muito variável, 
principalmente em função das condições do parto. Se este tiver 
sido difícil, os gatinhos poderão evidenciar uma estagnação, 
mas raramente perdem peso. Durante o período exclusivamente 
de amamentação, representado pelas quatro primeiras 
semanas, o crescimento é regular, linear e permite para além 
disso prever o peso em função da idade. Assim, o peso do 7° ao 
10° dia é igual ao dobro do peso à nascença. O peso à 4° 
semana é igual a 4 vezes o peso de 
nascimento. 
 
• O período pré-desmame : período de transição 
alimentar que vai da 4a à 7a semana de idade. Por volta 
das 4a a 5a semanas, observa-se uma redução da 
velocidade de crescimento, correspondente a um 
decréscimo da lactação, associada a um subconsumo 
transitório de alimentos. Por volta da 7» semana, é 
observável um novo impulso no crescimento, que assinala 
o final do período de desmame: o gatinho consome uma 
FORMAÇÃO PROFISSIONAL COM QUALIDADE 
AUXILIAR VETERINÁRIO 21
grande quantidade de alimentos sólidos que permitem a sua evolução. Atenção, 
mesmo durante este período de transição o gatinho continua a engordar. Geralmente, o 
peso às 8 semanas é igual a 2 vezes o peso à 4» semana, ou seja, 8 vezes o peso à 
nascença; 
 
• O período pós-desmame : ao fim de 8 semanas inicia-se o período de autonomia do 
gatinho, que corresponde à expressão das suas potencialidades genéticas. A 
variabilidade individual expressa-se então plenamente. O gatinho passaa alimentar-se 
por si só, à descrição, e cresce então até ao seu tamanho de adulto. Uma vez atingido 
o tamanho adulto, por volta dos 10-12 meses, o gato deve normalmente conservar o 
peso constante. 
 
Fatores que influenciam o crescimento do gato 
 
 Dentre os fatores que influenciam o 
crescimento do gatinho distinguem-se os 
fatores intrínsecos, dominados pela genética 
(raça, sexo, patrimônio genético dos pais, 
mecanismos hormonais), e os fatores 
extrínsecos constituídos pelo meio ambiente 
no sentido mais amplo, representado 
fundamentalmente pela alimentação da mãe e 
depois do gatinho, influenciado por condições 
sanitárias e sociais (condições de criação, tipo 
de vida e qualidades maternais). 
 
Fatores intrínsecos 
 
• A raça : tal como na maioria das espécies vivas, quanto 
mais pesada for a raça, mais rápido é o crescimento; 
 
• O sexo : pouco nítido à nascença, o dimorfismo sexual 
aumenta com a idade, os machos tornam-se 
significativamente mais pesados do que as fêmeas entre as 
6 e as 12 semanas de vida. O macho evidencia assim um 
potencial de crescimento superior ao da fêmea, mas também 
mais tardio, uma vez que o seu crescimento se prolonga 
algumas semanas para além do das fêmeas; 
 
• Os fatores familiares : o gatinho recebe, metade do 
seu material genético da mãe e a outra metade do pai e 
este conjunto vai remodelar-se entre si. Os caracteres 
familiares podem assim, dentro de uma mesma raça, 
traduzir-se em indivíduos de corpulência, tamanho ou 
tipo morfológico diferente, fator amplamente utilizado na 
seleção; 
 
• O peso da mãe : este parâmetro não é independente 
da raça e dos fatores familiares. Quanto mais pesada 
FORMAÇÃO PROFISSIONAL COM QUALIDADE 
AUXILIAR VETERINÁRIO 22
for a mãe (simultaneamente de grande porte e em bom estado físico) mais rápido será 
o crescimento, o que se explica em parte pelas qualidades do leite materno. 
 
• Os fatores genéticos individuais : a mistura dos genótipos materno e paterno leva à 
formação de um indivíduo único, criando variações individuais dentro da mesma 
ninhada. É por este motivo que, para calcular melhor o crescimento do jovem animal, é 
preferível utilizar a média das medidas dos pais. 
 
• Os fatores hormonais : a seguir ao nascimento 
determinadas hormônios sintetizadas pelo jovem orientam o 
seu crescimento. Contrariamente ao que se passa na espécie 
humana, as perturbações hormonais endógenas passíveis de 
perturbar o crescimento são raras no gatinho. A diabetes 
juvenil é mais marcada por distúrbios metabólicos do que por 
problemas de crescimento. O hipotiroidismo é muito raro, o 
nanismo um caso excepcional. Finalmente as raras 
anomalias responsáveis por uma secreção anormal dos 
hormônios sexuais parecem perturbar muito pouco o 
crescimento do gatinho. Aliás, a esterilização precoce não 
altera nem o aumento ponderal nem o crescimento em 
termos de "estatura", ou seja, o porte adulto definitivo. 
 
Em contrapartida, a utilização terapêutica de 
hormônios no gatinho pode perturbar de forma assinalável o equilíbrio endócrino 
natural e, consequentemente, modificar o crescimento. Deve ser realizada com grande 
prudência e unicamente por razões médicas. 
 
Fatores ambientais 
 
• A higiene do gatil e o stress ambiental : O 
período de amamentação é muito exigente 
para a mãe e sensível para o gatinho. Como 
tal, a higiene deve ser rigorosa a partir do 
período que antecede o parto, incluindo quer o 
material colocado à disposição da gata quer o 
local onde se encontrem os gatinhos. Uma 
higiene deficiente pode fragilizar a mãe e a 
ninhada. Para além disso, quando a gata é 
constantemente perturbada, a amamentação 
ressente-se. 
 
O crescimento do gatinho processa-se, como no caso de todos os animais 
jovens, durante o sono. Durante os primeiros dias de vida, o gatinho dorme quase 
continuamente e mama sempre que é acordado pela mãe através de lambidelas. 
Durante o crescimento, passa mais tempo a brincar e a explorar o meio envolvente e 
menos tempo a dormir. Contudo, a qualidade do seu sono continua a ter um papel 
muito importante. Além disso, sob o efeito do stress, são segregadas certos hormônios 
que podem perturbar gravemente o equilíbrio hormonal e o seu crescimento. Assim, um 
ambiente gerador de stress pode perturbar o bem-estar tanto das crias como da mãe, 
FORMAÇÃO PROFISSIONAL COM QUALIDADE 
AUXILIAR VETERINÁRIO 23
comprometendo um crescimento que à partida parecia ser ótimo. O ambiente do 
"ninho" e da ninhada deve ser preservado de qualquer agitação ao nível das 
instalações, de grandes alterações de temperatura, de presenças estranhas… 
 
• Dimensões da ninhada : As ninhadas 
numerosas são usualmente constituídas por 
gatinhos com menos peso do que as ninhadas 
de dimensões mais reduzidas. Esta diferença de 
peso tende mesmo a aumentar durante as 
primeiras semanas de vida (numa ninhada 
numerosa a mesma quantidade de leite é 
partilhada por um número superior de gatinhos). 
Os gatinhos provenientes de ninhadas 
numerosas (6 ou mais) têm menos peso até 
atingirem aproximadamente os dois meses de 
vida. Só depois do desmame, quando o gatinho 
passa a receber uma alimentação sólida, é que 
esta diferença se atenua. 
 
 
Fatores nutricionais 
 
A alimentação da mãe durante a gestação influencia o 
peso à nascença e a viabilidade dos gatinhos. Do nascimento 
até ao desmame, a alimentação do jovem resume-se ao leite 
materno. Como tal a sua qualidade e quantidade são fatores 
determinantes do crescimento e saúde dos gatinhos. Deve ser 
tomada em consideração tanto a alimentação materna como a 
alimentação das crias. 
 
As necessidades de uma gata em lactação aumentam muito. Durante a 
gestação a gata acumula reservas. No início do período de aleitamento, as reservas 
maternas são utilizadas para a produção de leite. Como o organismo materno está 
vocacionado em primeira instância para a produção de leite, se a gata estiver 
subalimentada começará a perder peso. O efeito seguinte será a diminuição da 
quantidade de leite produzido. Uma gata alimentada ad libitum durante a fase de 
gestação e lactação regressa ao seu peso inicial (antes da gestação) no momento do 
desmame (6 a 7 semanas após o nascimento dos gatinhos). Quando a gata recebe 
apenas 50% das suas necessidades no período que vai das 5 semanas antes do parto 
até ao final da lactação, chega a perder até 33% do seu peso inicial. A conseqüência 
desta subnutrição materna é, em primeiro lugar, a falta de atenção em relação aos 
gatinhos, a gata evidencia uma grande irritabilidade sempre que estes tentam mamar. 
 
Esta alteração do comportamento materno, acrescido da subnutrição dos 
gatinhos por falta de leite, vai comprometer o futuro da ninhada. 
 
FORMAÇÃO PROFISSIONAL COM QUALIDADE 
AUXILIAR VETERINÁRIO 24
A subnutrição dos gatinhos durante a fase de 
amamentação pode dever-se a diversas causas: à 
subnutrição da mãe, tal como acabamos de ver, 
mas também a uma lactação insuficiente (ninhada 
muito numerosa, mãe que produz pouco leite) ou 
mamadas insuficientes (a mãe não deixa as crias 
mamarem o tempo necessário, demasiados 
gatinhos, ambiente estressante, pouco calmo). 
 
Em todas as circunstâncias referidas os 
gatinhos enfraquecem rapidamente. Observa-se 
desidratação, hipoglicemia, diminuição da 
temperatura corporal a que se sucede a morte. 
Vários fenômenos explicam este enfraquecimento 
muito rápido : 
 
• O fígado do gatinho não atingiu ainda a sua maturidade e depende como tal de uma 
fonte de açúcar externa, resultante da digestão da lactose que fornece a glicose. Em 
caso de subalimentação, a hipoglicemia é inevitável e pode conduzir ao coma. 
 
• Os rins do gatinho são imaturos à nascença. O recém-nascido não possui ainda a 
capacidade de regular as trocas de água e minerais,pelo 
que deve beber frequentemente e em pequenas 
quantidades. Qualquer fator que restrinja a 
amamentação vai expô-lo a uma desidratação rápida. 
 
• O gatinho - principalmente o recém-nascido - não 
possui reservas de gordura que lhe permitam lutar 
contra temperaturas demasiado baixas e é incapaz de 
regular a sua temperatura corporal. A ingestão regular e 
suficiente de leite, assim como os cuidados maternos 
durante a amamentação (lamber) e o "ninho" (calor da 
mãe) são fatores indispensáveis para evitar a hipotermia. 
A temperatura retal dos gatinhos deve ser vigiada, 
especialmente se o seu peso estagnar repentinamente. 
 
AAuullaa 2255 A nutrição dos animais 
 
A alimentação caseira 
 
 Sob o termo "alimentação caseira" está agrupado um conjunto heterogêneo de 
modos de alimentação, desde a utilização exclusiva de sobras de refeições até à 
elaboração de alimentações sofisticadas, mas preparadas pelo dono, e que têm em 
conta todos os dados dietéticos indispensáveis ao equilíbrio nutricional. 
 
 Os Veterinários dispõem até mesmo de programas informáticos muito 
completos, elaborados por professores investigadores das escolas de Veterinária de 
FORMAÇÃO PROFISSIONAL COM QUALIDADE 
AUXILIAR VETERINÁRIO 25
Alfort e de Toulose, que lhes permitem prescrever aos seus pacientes caninos dietas 
perfeitamente adaptadas a todos os tipos de porte. 
 
 No sentido mais clássico, a ração doméstica compõe-se de uma mistura "carne-
arroz-cenoura", à qual deve sempre ser acrescentado um complemento mineral e 
vitamínico específico. É evidente que podem ser utilizados outros ingredientes 
substitutos, desde que o seu valor nutritivo seja equivalente. Mas, será necessário 
conhecê-los bem para não cometer erros. 
 
 No caso mais simples de manutenção, a 
associação "produtos de carne + fontes de amido + 
legumes + suplementos" pode concretizar-se de 
maneira extremamente diferente, conforme os 
ingredientes escolhidos e as proporções respeitadas. 
 
 No plano prático, os conselhos clássicos do tipo: 
 
- um terço de carne, um terço de arroz não cozido, um 
terço de legumes, associados a um suplemento 
mineral e vitamínico (modelo "1/3-1/3-1/3"); 
 
- quatro partes de carne, três partes de arroz não cozido, duas partes de legumes, uma 
parte de um suplemento composto por um terço de levedura dietética, um terço de 
osso desidratado, um terço de azeite (modelo"4-3-2-1") são muito simplistas e devem 
ser questionados, pois não levam em conta, por exemplo, as variabilidades de tamanho 
das diferentes raças de cães. 
 
 Por outro lado, substituindo a carne gorda por carne magra, o valor energético 
de uma ração, como a definida acima, passará de cerca de 2000 kcal para 
aproximadamente 1250 kcal/kg de alimentação! 
 
A relação "proteína/caloria", 
expressa em gramas de proteínas por 
megacaloria de energia, bastante 
importante para o cão, depende 
estreitamente da fonte de carne utilizada: 
peixe magro ou gordo, tipo de carne. 
Assim, o conteúdo em lipídeos da carne 
pode variar de 0,5% a 35%, o seu conteúdo 
em proteínas de 10% a 20% e em água de 
45% a 80%! 
 
 
 
 
Na alimentação caseira também é importante determinar se as fontes de amido 
a serem utilizadas estão cruas ou cozidas nas proporções utilizadas, pois o arroz 
absorve até três vezes o seu peso em água durante o cozimento. 
FORMAÇÃO PROFISSIONAL COM QUALIDADE 
AUXILIAR VETERINÁRIO 26
 
Enfim, neste contexto de alimentação tradicional, é evidente que o complemento 
vitamínico-mineral incorporado não pode ter em conta as ingestões vitamínicas e 
minerais específicas para cada tipo de dieta e a imprecisão da dosagem ponderal pode 
perturbar o equilíbrio nutricional global da mistura. 
 
Caso seja adotada esta solução, o dono deverá utilizar um complemento no qual 
a relação Ca/P (relação dos conteúdos em cálcio e em fósforo) seja obrigatoriamente 
igual a dois. 
 
A alimentação industrializada 
 
Derivados das indústrias agro-alimentares humana e dos 
animais de produção, os alimentos industriais são classificados 
em função do seu conteúdo em água: 
 
• Alimentos úmidos (70% a 85% de umidade): 
 
- alimentos enlatados, carnes e legumes frescos; 
 
- carnes cozidas para conservação no frio. 
 
• Alimentos semi-úmidos (25% a 60% de umidade): 
 
 - alimentos cozidos e estabilizados graças à presença de conservantes e mantidos 
sob refrigeração. 
 
• Alimentos secos (menos de 14% de umidade): 
FORMAÇÃO PROFISSIONAL COM QUALIDADE 
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 - croquetes, biscoitos, flocos de cereais, massas, arroz tufado. 
 
 Os diferentes alimentos podem ser "completos" ou "complementares", estes 
últimos devendo ser associados a outros para assegurar o suprimento das 
necessidades fisiológicas. 
 
As técnicas de fabricação 
 
As latas 
 
As latas (conservas) são alimentos 
esterilizados durante o processo de enlatamento (1 
hora e 30, dos quais 55 minutos a 120°C) e 
acondicionados em recipientes estanques a líquidos, 
gases e microorganismos. Os produtos são 
constituídos principalmente por carnes e miúdos 
derivados daquilo a que chamamos "subprodutos" 
(alimentos não consumidos pelo homem), tratados 
sob a forma fresca ou congelada. A indústria de 
alimentos em lata surgiu em 1923 nos Estados Unidos e teve o seu maior 
desenvolvimento a partir dos anos 50. 
 
Alimentos semi-úmidos 
 
 Estes produtos não são esterilizados mas são: 
 
- estabilizados com a ajuda de açúcar, sal ou aditivos químicos 
(ex.: propilenoglicol), 
 
- ou conservados sob refrigeração. 
 
Alimentos secos (croquetes) 
 As tecnologias utilizadas são originadas directamente 
das utilizadas na alimentação humana: 
 
- as massas são preparadas a partir da sêmola de trigo duro, 
triturada a vácuo, comprimida e depois cozida a vapor; 
 
- os biscoitos, que apareceram pela primeira vez na Grã 
Bretanha em 1885 e em França em 1920, são feitos de farinha 
amassada e, em seguida, cozida em forno tubular a vapor após o corte; 
 
- os cereais em flocos são preparados como os destinados aos humanos para o 
pequeno-almoço, por cozimento a vapor, trituração e secagem. 
 
 Massas, biscoitos e flocos são alimentos complementares destinados a serem 
misturados a uma fonte de carne. 
FORMAÇÃO PROFISSIONAL COM QUALIDADE 
AUXILIAR VETERINÁRIO 28
 
os croquetes são alimentos "extrudidos": o efeito conjugado da pressão na 
extrusora e da temperatura (90 a 150° C) durante um tempo muito curto (20 a 30 
segundos), que atua sobre a mistura de ingredientes, permite a obtenção, após a 
secagem, de um produto homogêneo, em seguida envolvido em gordura de acordo 
com o objetivo fisiológico.Esta última categoria de produtos domina totalmente o 
mercado americano, de longe o mais evoluído na atualidade (80% de alimentos secos, 
66% de croquetes extrudidos), e impõe-se progressivamente em todos o mundo, 
devido às suas qualidades nutricionais reconhecidas em todos os testes efetuados 
pelas organizações de consumidores e às suas qualidades de custo e aspectos 
práticos (alimentos geralmente utilizados pelos profissionais, ou seja, os criadores, ou 
preconizadas por aqueles que prescrevem, ou seja os Médicos Veterinários). 
 
 
 
Tipos de ração comercial 
 
 Falar sobre alimentação de cães e gatos, mais especificamente ração comercial, 
pode parecer um tema bastante simples, afinal estamos falando de uma embalagem 
que se compra com o alimento pronto para servir. Mas não é bem assim, já que 
existem inúmeros tipos e marcas de rações diferentes. Mas qual é a melhor para o 
animal? 
 
Qual a diferença entre ração premium e ração super 
premium? 
 
 Vamos começar falando em qualidade do alimento. As rações 
estão agrupadas conforme o tipo da matéria prima utilizada na sua 
fabricação(veja a tabela abaixo com as principais marcas em cada 
categoria). As chamadas super premium são as que possuem melhor 
fonte, seguidas pelas rações premium. Vamos usar como exemplo as 
fontes de proteínas: o cão apresenta um aproveitamento maior se a 
base da proteína for frango ou ovo. Essa proteína do frango pode ser 
dos pés, das vísceras, da carcaça ou da carne propriamente dita. É 
claro que exite proteína em todas estas partes, mas a existente na carne é de 
qualidade superior a todas as outras. Sendo assim, temos uma matéria prima de 
melhor qualidade na ração que utiliza essa fonte do que as rações que usam as outras, 
embora todas contenham proteína na sua formulação. É por isso que muitas vezes 
achamos uma ração muito cara perto de outras, mas se formos procurar saber o 
porquê dessa diferença é muito provável que a matéria prima utilizada por uma seja 
bastante superior a outra, isso com certeza é um dos fatores. 
FORMAÇÃO PROFISSIONAL COM QUALIDADE 
AUXILIAR VETERINÁRIO 29
 
 Agora que escolhemos uma ração de boa qualidade, 
ela estará dividida em diversos sub-tipos, como filhote, adulto, 
alta energia, light, tamanho do cão... 
 
 De maneira geral um cão é considerado filhote até 1 
ano de idade, salvo em algumas raças muito grandes onde 
podemos considerar até 1 ano e meio, nesse período ele 
deverá comer a ração apropriada para sua idade e porte da 
raça quando adulto, isso acontece porque um filhote de 
Maltês não tem as mesmas necessidades de um filhote de 
Dog Alemão, tanto no aporte de nutrientes, quanto no 
tamanho do grão da ração. 
 
 
 
Exemplo de rações comerciais para cães 
 
Super premium Premium Standard 
Eukanuba (IAMS) Big Boss (Total) Bonzo (Purina) 
K & S Equilíbrio (Total) Faro (Guabi) Croc Dog (Socil) 
Hills Science Diet (Hill’s) Friskies (Nestlé) Deli Dog (Purina) 
Linha size Royal Canin Golden Fórmula 
(Premier) 
Frolic (Effem) 
Ossobuco (Nutron) Max (Total) Herói (Guabi) 
Premier Pet (Premier) Pedigree (Effem) Pedigree Champ (Effem) 
Pro Plan (Nestlé) Premium dog (Royal 
Canin) 
Selection (Royal Canin) 
Guabi Natural (Guabi) Tutano (Nutron) Nutridog (Provimi) 
 
EXERCÍCIOS 
 
1. Cite as vantagens e desvantagens da alimentação 
caseira 
2. Cite as vantagens e desvantagens da alimentação 
industrializada. 
3. Perante estas respostas, qual tipo de alimentação você indicaria 
para um proprietário? 
 
 
 
AAuullaa 2266 Alimentando os cães nas diferentes 
etapas da vida 
FORMAÇÃO PROFISSIONAL COM QUALIDADE 
AUXILIAR VETERINÁRIO 30
 
 
Alimentando Cães Adultos 
 
 Quando um cão atinge a maturidade total, 
ele entra no período de manutenção. Os animais 
saudáveis normais que não estão prenhes, 
amamentando ou trabalhando pesado têm 
necessidades nutricionais relativamente baixas 
para manter um estado corporal apropriado. Um 
bom estado corporal é aquele em que o animal 
está bem proporcionado, com uma cintura 
perceptível atrás das costelas, podendo-se, ao 
apalpá-las, sentir uma fina camada de gordura 
sobre elas. 
 
 Com a variedade de alimentos para cães nutricionalmente completas e 
balanceadas existentes no mercado, proporcionar uma dieta apropriada para um cão 
adulto pode ser simples, sem a necessidade de nenhum tipo de suplemento. Se carne 
ou sobras de comida forem administradas como suplemento, elas deverão perfazer não 
mais de 10% da dieta total. Níveis mais elevados podem diluir o valor nutricional da 
dieta comercial, predispor um animal à obesidade e levar um animal a ficar exigente 
para comer. 
 No caso de cães com necessidades 
calóricas mais baixas e/ou cães que são 
menos ativos, deve-se atentar para a 
possibilidade de um ganho de peso 
excessivo. Freqüentemente, o peso de um 
cão pode ser reduzido simplesmente 
eliminando-se as sobras de comida e 
snacks da dieta e evitando-se alimentos 
para cães de alto teor calórico. Cães com 
excesso de peso podem ter mais 
problemas de saúde e uma expectativa de 
vida mais curta. 
 As recomendações para a alimentação de cães adultos podem variar, 
dependendo da raça, da atividade, do metabolismo e da preferência do dono do cão. 
Independentemente do fato de um animal ser alimentado uma ou duas vezes ao dia, 
ele deve ser alimentado na mesma hora e ter sempre água potável fresca à sua 
disposição. Assim como acontece com os seres humanos, o apetite de um cão pode 
variar de dia para dia. Isto não deve constituir nenhum problema, a menos que a perda 
de apetite persista ou o cão apresente sinais de doença ou perda de peso. Nestas 
situações, o cão deve ser examinado por um veterinário. 
Alimentando Durante a Prenhez 
FORMAÇÃO PROFISSIONAL COM QUALIDADE 
AUXILIAR VETERINÁRIO 31
 Independentemente da raça, a fêmea deve ter pelo menos um ano de idade e 
estar pelo menos no segundo período de cio antes de acasalar. É importante o estado 
corporal tanto dos machos como das fêmeas utilizados em um programa de 
reprodução. Se os machos estiverem com excesso de peso, eles poderão ser 
fisiológica e anatomicamente ineficientes para o acasalamento. As fêmeas com 
excesso de peso podem ter taxas de concepção mais baixas e mais problemas no 
momento do parto. 
 A ingestão de alimentos variará de acordo com a idade, atividade, metabolismo 
corporal e ambiente. Se possível, cada cão deverá ser alimentado individualmente a 
fim de atingir e manter o estado corporal normal. 
 As necessidades de nutrientes da fêmea 
durante as primeiras seis ou sete semanas de 
prenhez não são maiores do que para os cães na 
manutenção. Durante as últimas duas ou três 
semanas, as necessidades para todos os 
nutrientes aumentarão e as necessidades 
calóricas poderão ser atendidas durante o último 
terço aumentando-se, gradualmente, a ingestão de 
alimentos pela fêmea. Recomendam-se dietas 
contendo mais de 3.500 calorias metabolizáveis 
por quilo de alimento e, pelo menos, 21% de 
proteína. A forma mais fácil de assegurar uma 
nutrição apropriada consiste em dar ao cão um 
alimento para cães de boa qualidade que seja rotulado como completo e balanceado 
para reprodução e crescimento ou para todas as etapas da vida. Quando estas dietas 
dadas, não é necessária a suplementação de vitaminas e minerais. Problemas podem 
ocorrer com o excesso de suplementação, particularmente quando níveis elevados de 
vitamina A ou cálcio são acrescentados. 
 A menos que uma fêmea tenha tendência para engordar demais durante a 
prenhez, pode-se dar a ela todos os alimentos que ela quiser comer. Não é raro que 
uma fêmea prenhe diminua sua ingestão de alimentos, temporariamente, por volta da 
terceira ou quarta semana de prenhez. 
Normalmente, ela comerá mais durante a 
última fase da prenhez. Todavia, se isto não 
ocorrer e o estado corporal começar a 
deteriorar-se, medidas deverão ser tomadas 
para aumentar a ingestão de alimentos. Isto 
pode ser feito umedecendo-se o alimento seco 
com água morna a fim de melhorar a 
palatabilidade ou adicionando-se pequenas 
quantidades de alimentos enlatados para cães 
ao alimento seco e alimentando-se a fêmea 
várias vezes ao dia. À medida em que o 
momento do parto se aproxima, a fêmea pode perder o apetite. Isto é considerado 
como um comportamento normal e, a menos que ela pareça estar com um problema de 
saúde, não será necessária nenhuma alteração no programa de alimentação. Em 
muitos casos, a rejeição ao alimento durante a última semana é uma indicação de que 
FORMAÇÃO PROFISSIONAL COM QUALIDADE 
AUXILIAR VETERINÁRIO 32
o parto ocorrerá dentro das próximas 24 a 48 horas. Usualmente, dentro de 24 horas 
pós-parto, o apetite da fêmea retornará. Após o nascimento dos cãezinhos, ela deverá 
receber todo o alimento que quiser. 
 Durante a reprodução, a água serve como um meio de transportede nutrientes 
para o feto em desenvolvimento e remove os resíduos para serem eliminados. As 
outras funções importantes da água dietética consistem em ajudar a regular a 
temperatura corporal e em auxiliar na produção de leite. Manter as vasilhas de água 
limpas e trocar a água freqüentemente tendem a encorajar o consumo de água. Água 
fresca em uma vasilha limpa deve estar disponível durante todo o tempo. 
Alimentando Durante a Lactação 
 A produção de leite é uma das etapas que 
apresentam maiores necessidades nutricionais na 
vida de uma fêmea. Uma dieta completa e 
balanceada para a reprodução e crescimento ou 
para todas as etapas da vida proporcionará a 
nutrição de que uma fêmea precisa durante este 
tempo. A necessidade de leite dos cãezinhos que 
estão mamando continuará a aumentar durante 
cerca de 20 a 30 dias. Conseqüentemente, as 
necessidades de alimento e água da fêmea 
aumentam neste período. No pico da lactação, a 
ingestão de alimento da fêmea pode ser duas a 
quatro vezes maior do que sua ingestão de 
alimento usual ou de manutenção. Pode acontecer 
que fêmeas muito atenciosas raramente deixem 
seus filhotes para comer ou beber e precisarão de 
encorajamento. A mesma dieta utilizada durante o 
período de gestação pode ser dada durante a lactação. A fim de manter um bom 
estado corporal e fornecer amplas quantidades de leite aos seus filhotes, as fêmeas 
lactantes devem receber todo o alimento que quiserem. 
 Umedecer com água o alimento seco 
para cães ajudará a aumentar a ingestão de 
alimento durante a lactação. Uma outra 
importante razão para oferecer alimento 
seco umedecido é que, com três a quatro 
meses de idade, os filhotes normais 
começam a lambiscar alimentos sólidos. 
Acostumar os filhotes a uma dieta comercial 
de boa qualidade o mais cedo possível 
ajudará a evitar que se tornem enjoados 
para comer. 
Alimentos preparados em casa devem ser evitados. À medida em que os filhotes 
começam a comer mais alimento sólido, a necessidade de produção de leite da fêmea 
diminui. Normalmente, os filhotes são desmamados entre seis e oito semanas de idade 
FORMAÇÃO PROFISSIONAL COM QUALIDADE 
AUXILIAR VETERINÁRIO 33
e, na época da desmama, o consumo de alimento pela fêmea deve ser de menos de 
50% acima do seu nível usual ou de manutenção. A fim de ajudar a reduzir o fluxo de 
leite e evitar problemas nas glândulas mamárias, recomenda-se o seguinte 
procedimento para a desmama: 
 No dia em que os filhotes são 
desmamados, a fêmea não deve receber 
nenhum alimento, mas deve ter bastante água 
fresca para beber. Deve-se separar os 
cãezinhos da mãe e oferecer-lhes alimento e 
água. Alimento seco umedecido com água 
morna pode ajudar a estimular os cãezinhos a 
ingerirem alimento. No dia após a desmama, a 
mãe deve receber ¼ da quantidade de alimento 
que lhe era oferecida antes dela ser acasalada. 
A mãe e os filhotes podem ser mantidos juntos 
por várias horas no dia após a desmama de 
modo que os filhotes possam mamar até acabar 
com o leite da mãe. No terceiro dia, a fêmea 
deve receber ½ da quantidade que recebia 
antes do acasalamento e, no quarto dia, ¾ da 
referida quantidade. No quinto dia, deve-se 
oferecer a ela seu nível de alimentação de 
manutenção usual. Se a ninhada for grande, a 
fêmea poderá estar bem magra quando os filhotes forem desmamados. Neste caso, 
deve-se dar a ela uma quantidade extra de alimento após o quinto dia da desmama e 
até o seu estado corporal voltar ao normal. 
Alimentando os Filhotes 
 
 Embora as fêmeas sejam, em sua 
maioria, excelentes mães, algumas mães 
nervosas ou descuidadas podem precisar de 
uma atenção especial que as ajude a se 
acalmar e aceitar sua nova prole. Para isto 
pode ser que tenhamos que trabalhar junto à 
mãe e/ou filhotes e colocar os filhotes junto 
ao mamilos da mãe. Os filhotes mal 
amamentados poderão ter um tamanho 
menor, uma temperatura corporal mais baixa 
e menos peso. Ao cuidar, rotineiramente, 
dos filhotes você terá uma oportunidade de 
verificar seu estado e progresso, embora 
cuidados excessivos possam ser 
estressantes para a mãe e os filhotes e devam ser evitados. 
FORMAÇÃO PROFISSIONAL COM QUALIDADE 
AUXILIAR VETERINÁRIO 34
 Usualmente, a maneira típica de um filhote começar a comer alimentos sólidos 
(cerca de 3 a 4 semanas) é correndo por cima e em volta da vasilha de alimento da 
mãe e lambendo o alimento seco umedecido que fica em suas patas. Por causa disto, 
o alimento tenderá a ficar compactado, razão porque se deve considerar a necessidade 
de mexer a dieta compactada ou oferecer quantidades frescas periodicamente. Com 
seis semanas de idade, a maioria dos filhotes está pronta para ser desmamada. Se os 
filhotes tiverem começado a comer alimentos sólidos da vasilha da mãe, não é raro que 
comecem, eles próprios, a se desmamarem com cerca de quatro a cinco semanas de 
idade. 
 
 
 As necessidades de nutrientes para o 
crescimento e desenvolvimento normais dos filhotes 
são maiores do que aquelas de um cão adulto. Por 
esta razão, as dietas nutricionalmente completas e 
balanceadas destinadas ao crescimento e reprodução 
ou todas as etapas da vida são recomendadas. Não é 
necessária nenhuma suplementação adicional na 
forma de vitaminas, minerais, carne ou outros aditivos. 
A capacidade do estômago de um filhote não é 
grande o bastante para conter alimento suficiente, 
ingerido em uma "refeição", para atender à sua 
necessidade diária de nutrientes requeridos. Os 
filhotes novos devem ser alimentados pelo menos três 
vezes ao dia até que suas necessidades alimentares 
comecem a equilibrar-se à medida em que vão amadurecendo. Os filhotes devem ter 
água fresca em uma vasilha limpa à sua disposição durante todo o tempo. 
FORMAÇÃO PROFISSIONAL COM QUALIDADE 
AUXILIAR VETERINÁRIO 35
 
 Estabelecer hábitos alimentares rotineiros 
alimentando um filhote no mesmo lugar e à 
mesma hora todos os dias é recomendável e pode 
ajudar a treiná-lo a se comportar bem em sua 
casa. Oferecer alimentos humanos da mesa não é 
recomendável porque isto encorajaria o animal a 
pedir comida e poderia a torná-lo enjoado para 
comer. Os filhotes que consomem uma dieta 
completa e balanceada não precisam de 
vitaminas, minerais ou carne suplementares. Na 
realidade, o excesso de suplementação provou 
ser prejudicial para o desenvolvimento apropriado 
dos filhotes novos e em crescimento. 
 A quantidade de alimento oferecida a um filhote variará, dependendo do seu 
tamanho, atividade, metabolismo e ambiente. Não se deve deixar que os filhotes 
fiquem com excesso de peso. O excesso de peso não só dá ao filhote uma má 
aparência, mas também pode causar anormalidades ósseas. Se um filhote parece que 
está engordando demais, sua ingestão de alimento deve ser reduzida. Se um filhote 
parece que está magro demais e não há nenhum problema de saúde, sua ingestão de 
alimento deve ser aumentada. Toda vez que os donos tiverem perguntas a fazer ou 
preocupações a respeito do estado corporal do seu animal, eles devem consultar seu 
próprio veterinário. 
Alimentando Cães de 
Trabalho 
 
 Independentemente da temperatura ambiental 
sazonal ou do estado fisiológico de um cão, quando 
tudo mais é igual, quanto mais ativo for um cão, de 
mais alimento ele precisará. Todos os nutrientes 
serão requeridos em quantidades maiores do que 
para um cão adulto em manutenção, não 
simplesmente proteína adicional ou minerais extra, 
tais como cálcio e fósforo. A atividade física é o 
resultado externamente visível de uma seqüência 
complexa de contrações musculares. A combustão 
de combustíveis dietéticos, tais como gordura, 
proteína e carboidratos proporciona a energia para o 
trabalho muscular. Água, vitaminas e minerais 
participamna utilização da energia para trabalho. 
 
FORMAÇÃO PROFISSIONAL COM QUALIDADE 
AUXILIAR VETERINÁRIO 36
 Os cães de trabalho são, usualmente, aqueles 
utilizados para caçar, pastorear ovelhas, bem como 
cães que, rotineiramente, correm longas distâncias 
(isto é, mais de 20 milhas por semana). Estes grupos 
de cães de trabalho podem ter uma maior necessidade 
de nutrientes quando estão treinando ou efetivamente 
trabalhando. A necessidade de nutrientes adicionais 
dependerá do nível de atividade de um cão em 
particular. Um ponto de referência é o fato de que eles 
são completos e balanceados com alta densidade de 
nutrientes, incluindo, pelo menos, 26% de proteína, 
10% de gordura, 30% de carboidratos e 3.000 
quilocalorias por quilo de alimento seco. 
 
 Nos períodos em que um cão não está treinando nem 
trabalhando, é recomendável que a quantidade da ração 
de treinamento/trabalho do cão seja reduzida ou que o 
cão passe, gradualmente, para uma alimentação com 
menos calorias e menos densa em nutrientes (contendo, 
pelo menos, 20% de proteína e 3.300 quilocalorias por 
quilo de alimento). Manter os cães em um bom estado 
corporal no período em estão fora de atividade ajuda a 
tornar menos estressante o seu condicionamento para os 
períodos de treinamento ou trabalho. 
 Não se deve dar aos cães que estão trabalhando 
ou treinando uma refeição imediatamente antes ou 
imediatamente após uma sessão de atividade extenuante. Alimentar os cães quase na 
hora dos exercícios pode resultar em um mau desempenho ou distúrbio gástrico ou 
desconforto (evidenciado por vômitos ou fezes soltas) e aumentar o risco de dilatação 
gástrica. A utilização apropriada de alimentos (tais como snacks ou snacks) durante os 
períodos de maior atividade pode evitar desconforto de fome e fadiga nos cães de 
trabalho. A utilização apropriada de alimentos consiste em oferecer o snack ou snack 
após um período de repouso, em pequenas porções, com água fresca e fria e seguido 
de um período de repouso. 
Alimentando Cães Mais Velhos 
 
 Os cães são definidos como mais velhos ou geriátricos quando atingiram os 
últimos 25% do seu período de expectativa de vida, que está diretamente relacionado 
com o tamanho ou raça, bem como cuidados recebidos durante toda sua vida: 
 
• Cães de raça pequena com mais de 12 anos de idade 
FORMAÇÃO PROFISSIONAL COM QUALIDADE 
AUXILIAR VETERINÁRIO 37
• Cães de raça média com mais de 10 anos de idade 
• Cães de raça grande com mais de 9 anos de idade 
• Cães de raça gigante com mais de 7 anos de idade 
Estudos mostraram que os cães mais velhos 
saudáveis utilizam a proteína do mesmo modo 
que o cão adulto jovem e que os cães 
geriátricos podem precisar de, 
aproximadamente, 50% a mais de proteína do 
que os cães adultos mais jovens. Entretanto, 
as dietas comerciais atuais formuladas para 
cães adultos em manutenção, geralmente, 
proporcionam proteína adequada. Os 
animais menos ativos podem ter baixas 
necessidades calóricas, razão porque se 
deve ter cuidado ao se administrar dietas 
densas em calorias a fim de evitar o 
risco de um ganho excessivo de peso. 
 
 
AAuullaa 2277 Alimentando os gatos 
Quem tem um gato quer estar sempre seguro de que as refeições que serve a 
ele são não apenas apetitosas, mas também balanceadas para atender as 
necessidades de nutrição do animal. 
lsso é possível com o uso do alimento especialmente preparado para ele. Hoje, 
existe no mercado, vários alimento completos e balanceados, que atende totalmente ás 
necessidades de nutrição dos gatos. 
FORMAÇÃO PROFISSIONAL COM QUALIDADE 
AUXILIAR VETERINÁRIO 38
O alimento industrializado (Ração) deve ser introduzido aos poucos na 
alimentação dos gatos, para que eles se acostumem a mudança no paladar e na 
textura. Água fresca deve estar sempre á disposição do gato, qualquer que seja a 
dieta. 
 
Os gatos diferem muito quanto a quantidade de alimento que necessitam, que 
varia conforme o tamanho, a raça, o estado e as características de cada animal. A 
maioria dos gatos está bem adaptada para controlar o alimento que ingerem em 
relação ás suas necessidades. Como , normalmente, os alimentos industrializados tem 
uma alta aceitação, poderá ocorrer do gato comer em excesso. Por esta razão, é 
sempre recomendável observar as indicações nas embalagens dos pacotes de ração. 
Gatos obesos 
Os gatos raramente se tornam gordos, mesmo sendo animais bastante 
preguiçosos. Mas os gatos castrados podem muitas vezes tornar-se obesos. Para 
evitar isso, é aconselhável reduzir a quantidade de comida e alimentá-los de forma 
mais equilibrada. 
FORMAÇÃO PROFISSIONAL COM QUALIDADE 
AUXILIAR VETERINÁRIO 39
Você pode dar ao seu gato metade da quantidade habitual de 
ração e observar se isto reduzirá o peso do animal de modo 
satisfatório. Em caso contrário, o regime alimentar deverá ser feito 
sob a supervisão de um veterinário. 
Se normalmente você dá ao seu gato algum tipo de 
guloseima durante as refeições, suprima este hábito. Ele pode ser 
responsável pelo excesso de peso. Se o seu gato, além de gordo, 
parecer em más condições, leve-o sem demora ao veterinário, pois 
ele poderá estar precisando de tratamento. 
Leite 
A maioria dos gatos aprecia uma tigela de leite, mas alguns têm dificuldade de 
digeri-lo, o que poderá causar diarréia. Nestes casos, você deve reduzir a quantidade 
ou eliminar o leite. Assegure-se de que o seu gato tenha à disposição água fresca. 
Gatas gestantes 
A gata necessitará de mais alimento 
quando tiver filhotes. Por esta razão, deve ser 
fornecida uma quantidade maior de alimento 
para o crescimento antes e após o nascimento 
dos filhotes, para assegurar a produção do 
leite. 
Desde o inicio da gestação, a gata 
prenhe necessitará de mais alimento, cuja 
quantidade deverá ser aumentada 
gradativamente. Durante as últimas 2 ou 3 
semanas do período de 9 semanas de 
gestação, ela estará comendo 
aproximadamente o dobro da quantidade 
normal. 
Uma gata em período de lactação 
poderá necessitar até três vezes mais a 
quantidade normal de alimento quando os 
filhotes atingirem 3 ou 4 semanas e precisará ser alimentada com mais freqüência, 
variando a dieta para assegurar a nutrição adequada. É aconselhável dar á gata tanto 
leite quanto ela queira beber, desde que possa ser digerido convenientemente. 
Filhotes 
Quando em fase de crescimento, os gatinhos têm necessidades maiores de 
alimentação: proteínas para criar músculos, mais cálcio e fósforo para o 
desenvolvimento dos ossos e uma enorme quantidade de outros sais minerais e 
vitaminas. Pode ser dado alimento em grande quantidade, bem como leite. 
FORMAÇÃO PROFISSIONAL COM QUALIDADE 
AUXILIAR VETERINÁRIO 40
Mesmo quando é dado leite aos filhotes, é importante que eles tenham sempre 
água fresca disponível. 
Em geral os filhotes são suficientemente ativos e bem 
constituídos para iniciar a ingestão de alimentos 
suplementares com quatro semanas Nesta fase, a mãe terá 
menos leite para dar Os filhotes nesta idade poderão comer 
ração adicionado ao leite. 
Os filhotes desmamados de 7 ou 8 semanas devem ser 
alimentados ao menos três vezes ao dia. 
Lembre-se que os filhotes crescem muito rapidamente e 
que o seu apetite e necessidade de alimentação aumentam 
também. É difícil super alimentar um filhote em crescimento se 
as refeições forem fornecidas conforme o indicado. 
Alimente os filhotes sempre que achar conveniente e nunca menos que três 
vezes ao dia até eles completarem 6 meses. Caso haja sobra de alimento no 
comedouro, o mesmo deverá ser retirado em no máximo 15 minutos. 
AAuullaa 2288 A medicina preventiva 
Vários parasitas externos (ectoparasitos) 
de origem animal, como as pulgas, sarnas, 
piolhos e ácaros, ou de origem vegetal, comotinhas e ainda as sarnas, podem modificar 
profundamente a pele e a pelagem do cão. As 
infestações internas devidas a endoparasitos, 
frequentemente veiculadas pelas pulgas, sarnas 
ou mosquitos, e as doenças virais podem atingir 
gravemente a saúde do cão e desenvolver 
doenças infecto-contagiosas, das quais algumas 
beneficiam hoje em dia de uma profilaxia por 
vacinas. A vigilância e uma boa higiene de vida 
podem evitar a maioria destas afecções da saúde 
do cão das quais algumas podem tornar-se fatais. 
 
 
A vacinação dos animais 
 
As vacinações permitem evitar doenças infecto-contagiosas fatais. Algumas são 
obrigatórias. Só podem ser eficazes se forem administradas em determinada 
circusntância, ou seja, respeitando um calendário preciso. 
 
Imunidade do cão 
 
FORMAÇÃO PROFISSIONAL COM QUALIDADE 
AUXILIAR VETERINÁRIO 41
O cachorro recebe uma primeira imunidade da mãe: são os anticorpos presentes 
no colostro. Estes são transmitidos pelo leite materno, durante as primeiras horas de 
vida do cachorro (24 horas no máximo) e caso a mãe possua uma boa imunidade. 
Estes anticorpos desaparecem entre a quarta e a quinta semana. Então, o cachorro já 
não está protegido na ausência de medidas de vacinação. Além disso, deve-se saber 
que o sistema imunológico do cão não está completamente desenvolvido ao 
nascimento e só estará maturo pela sexta semana. Nas primeiras semanas de vida, o 
cachorro só pode combater as infecções através dos anticorpos fornecidos pela mãe. 
 
Ao vacinar o cão pela primeira vez deve-se 
tomar cuidado para não interferir com os anticorpos 
maternos, fenômeno que pode persistir até às 10 a 12 
semanas de idade. Portanto, pode-se começar a 
implementar protocolos de vacinação a partir das 8 a 
10 semanas de idade. 
 
É preferível que o cão seja vacinado contra 
todas as doenças infecciosas que poderiam ser-lhe 
fatais. Além da vacinação anti-rábica, legalmente 
obrigatória, o cachorro deve ser vacinado contra: a 
cinomose, a hepatite contagiosa, a leptospirose e a 
parvovirose. 
 
Os diferentes tipos de vacinas 
 
 A administração de uma vacina a um cão baseia-se na 
inoculação de microrganismos patogênicos ou de frações 
destes, de forma a que o animal possa produzir uma 
imunidade contra esses vírus ou bactérias. 
 
 Algumas vacinas são ditas "de agentes vivos", o que 
significa que os microrganismos ainda se podem multiplicar no 
organismo do cão, sem, no entanto, possuírem caráter 
patogênico. Distinguem-se: 
 
• As vacinas de agentes atenuados. Trata-se de 
microrganismos – vírus ou bactérias – cujo poder patogênico 
está diminuído após mutações obtidas, para os vírus, por meio 
de passagens sucessivas em culturas de células pertencentes 
a animais de outras espécies (galinha, porquinho-da-índia). A 
capacidade do vírus em provocar uma reação no cão é, então, atenuada 
progressivamente. No que diz respeito às bactérias, são utilizados outros 
procedimentos visando obter esses mesmos efeitos. 
 
FORMAÇÃO PROFISSIONAL COM QUALIDADE 
AUXILIAR VETERINÁRIO 42
 As vacinas são ditas homólogas se os 
agentes com os quais se pratica a vacinação 
forem os mesmos do que os responsáveis pela 
doença. São denominadas heterólogas quando 
se utiliza um microrganismo diferente, menos 
virulento que o primeiro, mais próximo do 
agente patogênico selvagem. 
 
• Outras vacinas, cujos agentes patogênicos 
foram modificados geneticamente, perdendo a 
sua virulência. 
 
Também existem vacinas com agentes 
inertes incapazes de se multiplicar no 
hospedeiro. São elas: 
 
• Vacinas com agentes inativados, nas quais o 
agente patogênico foi morto por ações 
químicas. 
 
• Vacinas sub-unitárias, que contêm unicamente a parte do microrganismo responsável 
pelo aparecimento da doença. 
Estas vacinas de agentes inativados possuem uma maior inocuidade do que as 
vacinas vivas, mas uma eficácia menor. Por este motivo, são frequentemente 
associadas a um adjuvante com a função de prolongar o contacto com o organismo. No 
caso da vacina anti-rábica, a presença de um adjuvante dispensa uma segunda injeção 
após a primeira vacinação. 
 
De modo a evitar a aplicação de muitas 
injeções, utilizam-se com freqüência várias valências, 
ou seja, o cão é vacinado contra várias doenças 
infecciosas ao mesmo tempo. No entanto, é 
necessário tomar o cuidado de não misturar vacinas 
provenientes de diferentes fabricantes. 
 
Acidentes pós-vacinais 
Um cuidado importante dos profissionais de 
Clínicas Veterinárias e Pet shops é prestar 
importantes esclarecimentos aos proprietários de 
animais de estimação, quanto aos riscos dos 
procedimentos de imunização (vacinação) de seus 
animais, sem a devida orientação e/ou supervisão médico veterinária; considerando 
que esta vem se tornando uma prática, cada vez mais comum e temerosa, com o 
advento da comercialização de vacinas em Pet shops e lojas de produtos 
agropecuários. 
FORMAÇÃO PROFISSIONAL COM QUALIDADE 
AUXILIAR VETERINÁRIO 43
Não somente os aspectos abaixo apresentados 
seriam os fatores únicos de nossa preocupação com a 
vacinação praticada por leigos, mas também aqueles 
que proporcionam interferências negativas nas respostas 
imunológicas às vacinas; tais como, interferência de 
anticorpos maternos, verminoses e doenças 
intercorrentes. Fatores estes também, que só poderão 
ser detectados e resolvidos por médicos veterinários. 
Existem três formas principais de manifestações 
sintomáticas que caracterizam os acidentes pós-vacinais; 
reações alérgicas locais, reações alérgicas sistêmicas 
(choque anafilático) e acidentes neuro-paralíticos. 
• Reações alérgicas locais 
 As reações alérgicas locais que podem ocorrer após a aplicação de vacinas 
estão associadas a presença de um adjuvante de imunidade, necessário para 
aumentar a resposta imunogênica. A maioria das vacinas inativadas contém adjuvantes 
e a reação pós-vacinal está relacionada com uma questão de sensibilidade individual. 
Estas reações locais se caracterizam por uma alopecia (queda de pelo) no local de 
aplicação da vacina, como resultado de uma paniculite granulomatosa focal ou de uma 
vasculite, podendo se apresentar hiperpigmentada. 
• Reações alérgicas sistêmicas (Choque Anafilático) 
 A anafilaxia é uma síndrome determinada por um 
choque sistêmico, que se manifesta minutos após a 
disseminação do alérgeno nos animais sensibilizados. 
Dentre os alérgenos que podem induzir a uma anafilaxia 
estão as vacinas. Os órgãos envolvidos na anafilaxia, na 
maioria dos animais, são o baço e os pulmões. A 
liberação de aminas vasoativas resulta em uma 
vasodilatação esplênica, colapso vascular periférico, e 
em casos severos, coma e morte. Os sinais clínicos 
incluem náusea, vômitos, diarréia, inquietação, ataxia, 
ataques epileptiformes, palidez das membranas 
mucosas, taquipnéia e taquicardia. Alguns animais 
podem mostrar sinais de hipersalivação, tenesmo e 
defecação. 
 Anafilaxia pode também ocorrer em formas localizadas, referidas como edema 
angioneurótico ou facio-conjuntival e reações urticariformes. O edema angioneurótico é 
tipicamente manifestado por inchaço dos lábios, pálpebras e conjuntiva, e é gerado 
pelo mesmo tipo de alérgeno que induz a anafilaxia sistêmica. As lesões urticariformes 
são lesões salientes e pruriginosas da pele, que ocorrem alguns minutos após à 
exposição ao alérgeno. 
• Acidentes neuro-paralíticos 
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 São afecções nervosas desmielinizantes ou mielinoclásticas, determinantes de 
uma encefalomielite alérgica, cujo substrato é a desmielinização do Sistema Nervoso 
Central. Estas afecções têm maior importância no cão, que é mais sujeito a tais 
encefalites, pela freqüência com que é imunizado com determinadas vacinas anti-rábicas. Está evidenciado que a substância responsável pela encefalite alérgica existe 
na substância branca do cérebro de mamíferos. Quando injetada esta substância, 
haveria a formação de anticorpos que se ligariam a uma parte não determinada da 
mielina, causando sua degradação e conseqüente estabelecimento da encefalite 
alérgica. Em condições naturais, o processo aparece sobretudo em animais e em seres 
humanos, que inesperadamente exibem sintomas de paralisia, alguns dias após à 
administração de suspensões de tecido nervoso (vacinas anti-rábicas). A afecção se 
inicia, comumente, por paralisia de um ou mais membros, com rápida progressão por 
todo o corpo. A morte é o desfecho habitual, nas formas graves da enfermidade. 
Podemos ver desta forma, que todo processo de imunização em animais 
domésticos de estimação deve passar pelo crivo da responsabilidade técnica de um 
profissional médico veterinário, que avalie primeiramente a condição básica de saúde 
deste animal que será submetido à vacinação; analisando seu nível de infestação 
parasitária, sua condição nutricional e elaborando um programa de vacinação que 
obedeça as possíveis condições de imuno-interferências, para definição do quantitativo 
adequado de doses seriadas em relação a faixa etária de aplicação do mesmo. Por 
conseguinte, em decorrência dos riscos de acidentes pós-vacinais descritos, a 
exigência de uma supervisão e acompanhamento do ato de aplicação deste programa 
de vacinação, fica clara e evidentemente demonstrada neste relato técnico. 
Fatos, verdades e mentiras sobre 
a vacinação de cães 
 1. Em filhotes pequenos, 95% de sua 
imunização é obtida através do consumo do 
colostro, que é o primeiro leite produzido pela 
mães durante um tempo curto logo após o 
nascimento. 
VERDADE Se a mãe é imunizada contra as 
principais doenças infecciosas caninas, seus 
filhotes também irão se proteger por 6 a 16 
semanas após o nascimento se eles consumirem o 
colostro logo após o nascimento. 
2. Fêmeas revacinadas antes da cobertura 
passam mais anticorpos para seus filhotes pelo colostro do que as fêmeas não 
vacinadas. 
 VERDADE Quanto mais alta for a concentração de anticorpos contra doenças 
infecciosas na mãe, maior será a proteção que ela passará para seus filhotes. A 
revacinação causa um aumento na produção de anticorpos maternos. 
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3. Enquanto estão presentes, os anticorpos recebidos da mãe não vão interferir 
com a vacinação permanente dos filhotes. 
FALSO : Os anticorpos recebidos da mãe vão 
interferir na produção de anticorpos produzidos 
pelos filhotes por algumas semanas após o 
nascimento. 
4. A via de administração (usualmente 
intramuscular ou subcutânea) não tem efeito 
no nível de proteção produzido em cães com 
idade para serem vacinados. 
FALSO : O efeito da via de administração na 
resposta vacinal depende da vacina que é 
aplicada. Por exemplo, a vacina anti-rábica é mais 
efetiva se for administrada pela via intramuscular 
do que a via subcutânea. Com a vacina contra 
Cinomose, ambas as vias são igualmente efetivas. 
 
 
5. Cães idosos(mais de sete anos de idade) podem ter uma diminuição na 
habilidade de produzir anticorpos após vacinação, então devem ser revacinados 
anualmente. 
VERDADE Cães idosos não produzem anticorpos vacinais tão bem como cães mais 
jovens. A duração da proteção com uma vacinação única será mais curta em animais 
idosos. A revacinação anual impede que os níveis de anticorpos de proteção diminuam 
deixando o animal exposto a doenças. 
6. A vacinação de animais que já estão 
doentes, irá prevenir a progressão da 
doença. 
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FALSO : A vacinação de animais doentes não irá prevenir a progressão da mesma, 
pois os anticorpos vacinais 
demoram vários dias até atingirem 
níveis de proteção que impeçam a 
progressão da doença. 7 dias a 
duas semanas são necessários para 
que o organismo produza 
quantidades suficientes de 
anticorpos para proteger os animais 
contra as doenças. Os anticorpos 
devem estar presentes antes da 
exposição do paciente ao agente 
causador da doença. 
7. Filhotes vacinados devem ser 
protegidos do frio, pois a friagem 
reduz a qua ntidade de 
anticorpos produzidos após a 
vacinação. 
VERDADE Pesquisas recentes em 
ninhadas separadas por sexo, idade 
e peso, demostraram níveis 
significativamente maiores de anticorpos em filhotes que não ficaram expostos ao frio 
durante o tempo de formação de anticorpos após a vacinação. 
8. Cães não devem ser vacinados contra Cinomose, Hepatite, Leptospirose, 
Parainfluenza e Parvovirose, pois eles irão adquirir naturalmente imunidade. 
FALSO : Todas as doenças citadas acima podem ser fatais. Quando o animal se 
recupera de uma desta doenças, o seu organismo pode realmente ficar imune a esta 
doença, mas as lesões nos orgãos e sistemas pode ser tão severas que podem 
predispor o animal a ter inúmeras outras doenças. 
AAuullaa 2299 Calendário de vacinação de cães 
 Antes de vacinar um animal, devemos ter alguns cuidados importantes, para 
garantir a integridade da saúde do nosso paciente. É preferível não vacinar os cães em 
más condições de saúde, especialmente aqueles que estejam com febre ou fortemente 
infestados por ectoparasitas ou endoparasitas. Neste caso, é preferível tratar o cão 
contra os parasitas. Se o calendário não pôde ser seguido desde a 7a ou 9a semana, 
ele deverá ser retomado na sua totalidade o mais rapidamente possível, 
independentemente da idade do cão, com o mesmo ritmo de espaçamento entre 
vacinações. 
Quadro de vacinas obrigatórias para o cão 
45 dias 1a dose da óctupla (décupla) 
66 dias 2a dose da óctupla (décupla) 
87 dias 3a dose da óctupla (décupla) 
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120 dias 1a dose da anti-rábica 
Reforço anual para a óctupla (décupla) e para a anti-rábica 
O quadro de vacinação dos cães pode variar conforme as necessidades de cada 
animal, situação de risco ou região, podendo ser alterado apenas pelo Médico 
Veterinário. 
Doenças imunizadas 
• Óctupla 
Vacina que imuniza cães contra cinomose, hepatite infecciosa, Adenovírus tipo 
2, parainfluenza, parvovirose, coronavirose e leptospirose, sendo esta contra a 
Leptospira icterohaemorrhagiae e Leptospira canicola. 
• Décupla 
Imuniza conta as mesmas doenças da óctupla, porém contra mais 2 sorovares 
de leptospirose, sendo eles a Leptospira grippotyphosa e Leptospira pomona. 
Existem outras vacinas polivalentes, porém de atuação menos eficaz: 
• Sextupla 
Imuniza contra cinomose, hepatite infecciosa, parvovirose, parainfluenza e 2 
sorovares de leptospirose, sendo a Leptospira icterohaemorrhagiae e Leptospira 
canicola. 
• Tríplice canina 
Vacina esta que imuniza contra cinomose, hepatite infecciosa e leptospirose, 
sendo os sorovares Leptospira icterohaemorrhagiae e Leptospira canicola. 
 
 
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 Existem ainda inúmeras vacinas contra as mais variadas doenças, sendo as 
chamadas vacinas monovalentes. Dentre estas existem vacinas contra parvovirose, 
leptospirose, coronavirose, raiva, giardíase, leishmaniose, tosse dos canis, etc. 
Outras vacinas importantes 
 Para o conforto do cão e quando existem riscos realmente grandes pode-se 
considerar a vacinação contra o tétano, a giardíase e a tosse dos canis. 
• Tétano 
A toxina tetânica, produzida pelo bacilo 
tetânico, age sobre os centros nervosos. É 
segregada no local de entrada da bactéria, 
geralmente uma ferida minúscula. O tétano é 
caracterizado por contrações musculares 
involuntáriasque se estendem 
progressivamente por todo o corpo do animal. 
Vacinam-se essencialmente os cães de trabalho 
ou aqueles que freqüentam locais onde se 
podem ferir com facilidade (ruínas, obras). 
Não existe vacina contra o tétano específica para o cão; utiliza-se então a vacina 
destinada aos cavalos, que contém a toxina tetânica purificada. A primeira vacinação é 
realizada em duas injeções com intervalos de duas semanas. Os reforços devem ser 
feitos um ano mais tarde, depois a cada três anos e em caso de traumatismo. 
• Tosse dos canis 
A vacinação é realizada em animais que vivem em canil ou que freqüentam 
exposições. A quarentena antes de introduzir um novo animal numa coletividade 
previne eventuais contágios. 
Existem diferentes tipos de vacinas no 
mercado: vacinas compostas por vírus e bactérias 
inativas (Parainfluenza, Bordetella bronchiseptica), 
injetáveis, mas de eficácia aleatória. A primeira 
vacinação é realizada em duas injeções com 3 
semanas de intervalo e, depois, o reforço é anual. 
Um outro protocolo, mais recente, parece dar 
melhores resultados: trata-se de uma vacina viva 
atenuada, administrada por via intra-nasal. 
• Giardíase 
GiardiaVax ®, a primeira vacina mundial contra Giardíase Canina. Trata-se de 
uma vacina inativada que protege os cães contra a infecção causada pelo protozoário 
giardia duodenalis. A vacinação com GiardiaVax é indicado para filhotes (a partir de 2 
meses) e adultos, sendo um reforço 21 dias após a primeira dose, e reforços anuais. 
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Calendário de vacinação de gatos 
Qualquer dono, consciente da saúde do seu gato, 
deve preocupar-se em protegê-lo de doenças graves 
através da vacinação. 
A prevalência de diversas doenças graves do gato 
tem vindo a diminuir ao longo dos anos graças à 
disponibilidade de várias vacinas. Se por um lado, o número 
de gatos vacinados tem vindo a aumentar de forma regular, 
por outro lado, em França, os gatos vão menos às consultas 
médico-veterinárias em comparação com os cães e, como 
tal, estão menos protegidos pela vacinação preventiva. 
De entre as doenças que podem afetar os gatos, algumas são fatais. Outras 
raramente colocam em risco a vida do animal. No entanto, é sempre preferível evitar o 
seu aparecimento vacinando o animal. Infelizmente, não existem hoje em dia vacinas 
eficazes para todas as doenças identificadas no gato. 
De modo geral, está contra-indicada a vacinação de 
gatos doentes, parasitados ou em fase de tratamento com 
um imunossupressor. Em regra, todos os gatinhos devem 
ser submetidos a desverminação antes da administração 
da primovacinação. Além disso, a administração de 
vacinas modificadas é contra-indicada nas fêmeas em 
gestaçã o, pois existe um risco potencial de induzir 
anomalias no feto. 
O calendário de vacinas deve ser estabelecido pelo médico veterinário, em 
função de diversos parâmetros, tais como o modo de vida do gato, idade e meio 
ambiente. Entretanto, todos estes programas correspondem aos princípios gerais que 
seguidamente passamos a res umir. 
A maior dificuldade da primovacinação, 
consiste em conseguir vacinar o gatinho da 
melhor forma e com a maior rapidez possível, 
imediatamente a seguir ao desaparecimento 
da imunidade passiva. Isto obriga à aplicação 
de duas inoculações sucessivas: a primeira, 
administrada entre as 6 e as 10 semanas de 
idade – habitualmente às 8 semanas – e a 
segunda 3 a 4 semanas após a primeira – de 
forma geral entre as 12 – 14 semanas. Existe 
uma legislação específica referente à 
vacinação anti-rábica, pelo que esta não pode 
ser aplicada antes dos 3 meses de vida. A 
administração de uma dose de reforço aos 
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gatos que foram vacinados muito jovens é indispensável para a manutenção de um 
nível de imunidade eficaz. 
IDADE DO GATO VACINA 
2 meses 1a dose da tríplice felina 
2 meses e 3 semanas 2ª dose da tríplice felina 
3 meses e 2 semanas 3ª dose da tríplice felina 
4 meses 1ª dose da anti-rábica 
Deve-se proceder o reforço anual de todas 
A tríplice felina imuniza contra Rinotraqueíte, 
Calicivirose e Panleucopenia Felina. 
Existe também a chamada vacina 
quádrupla felina (Rinotraqueíte, Calicivirose, 
Panleucopenia e Clamidiose felinas) e 
quíntupla felina (Rinotraqueíte, Calcivirose, 
Clamidiose, Leucemia e Panleucopenia 
Felina). 
 
AAuullaa 3300 Os endoparasitos (verminoses) 
Esófago e estômago 
 Tratam-se, principalmente, de 
espirocercoses, causadas na espécie canina por 
Spirocerca lupi, um nematode presente na parede 
do esôfago ou, mais raramente, do estômago, por 
vezes até mesmo na parede da artéria aorta. Estes 
parasitas causam uma doença grave, presente 
essencialmente nos países tropicais, na África do 
Norte e na Europa meridional. Os cães infestam-se 
ingerindo os hospedeiros intermediários, ou seja 
coleópteros, mas, principalmente, pequenos 
vertebrados. 
 Os animais atingidos apresentam sintomas digestivos esofágicos (regurgitações, 
por vezes impossibilidade de deglutir) e gástricos (vômitos recorrentes, aumento da 
sede). Podem ser observadas dificuldades respiratórias quando o parasita se encontra 
na parede da aorta. O tratamento é muito difícil e baseia-se em anti-helmínticos sob 
forma injetável, como a ivermectina. Dada a diversidade de hospedeiros intermediários 
(vetores do parasita) responsáveis pela infestação do cão, é praticamente impossível 
considerar a possibilidade de qualquer profilaxia. 
Estômago e intestino 
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 Estes parasitas são estrôngilos, principalmente Ancylostoma caninum, nas 
regiões quentes e Ancylostoma braziliense, nos países tropicais. Afetam, 
principalmente, os animais que vivem em coletividade (fala-se, frequentemente, de 
anemia de cães de matilha), mas outros cães também podem ser infestados. As larvas 
dos estrôngilos do gênero Ancylostoma penetram através da pele ou são ingeridas 
pelos cachorros com o leite materno. A infestação desenvolve-se em várias fases, 
correspondentes às migrações das larvas no organismo. Inicia-se com uma fase 
cutânea, durante a qual surgem pequenas borbulhas no abdômen do cão, que 
desaparecem espontaneamente após cerca de dez dias. Em seguida, o 
desenvolvimento dos adultos no intestino delgado é acompanhado por sintomas 
digestivos, tais como a alternância diarréia/prisão de ventre e, depois, uma diarréia 
persistente de odor fétido. Finalmente, o estado geral do cão degrada-se por causa da 
anemia que se instala. Nas formas graves, a evolução pode resultar na morte do cão, 
nquanto que nas formas benignas é possível uma cura espontânea. 
Ancylostoma caninum 
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AUXILIAR VETERINÁRIO 52
 
 Os parasitas exercem uma ação de espoliação sanguínea: os adultos fixam-se 
à mucosa intestinal; absorvem um pouco de sangue e provocam um efeito de sangria. 
É provável que exerçam também uma ação tóxica e uma ação no sistema imunológico, 
tendo como conseqüência uma reação cutânea mais pronunciada em caso de 
reinfestação, impedindo a migração das larvas. Por isso, o cão torna-se mais ou menos 
resistente a estes estrôngilos. 
 As medidas de prevenção consistem, primeiramente, numa desinfecção do local. 
As fêmeas gestantes podem ser tratadas preventivamente com fenbendazole, que 
destrói as larvas. Os cachorros com 10 a 45 dias de idade também podem ser tratados 
uma vez por semana e, em seguida, na 8° e 12° semanas nas áreas fortemente 
atingidas por estes parasitas. 
Intestino delgado 
Os parasitas do intestino delgado incluem nematódeos da família dos 
Ascarídeos (Toxascaris leonina) e Toxocarídeos (Toxocara canis), sendo estes últimos 
transmissíveis aos seres humanos.Este parasita afeta principalmente os cães jovens 
até um ano de idade. A infestação é realizada pela ingestão de ovos embrionados, 
presentes na água ou nos alimentos, ou pela transmissão no útero da mãe aos seus 
filhos, ou através do leite materno quando este contém larvas. Os animais em más 
condições físicas gerais são mais receptivos, bem como aqueles que apresentam 
determinadas carências alimentares. 
 
 
 
 
 
Uma infestação maciça é responsável por sintomas gerais, tais como atraso no 
crescimento, emagrecimento, mortalidade significativa nos cachorros de 3 a 7 semanas 
de idade que foram maciçamente infestados antes do nascimento. Evidentemente, 
estes cachorros apresentam sintomas digestivos: diarréia alternada com períodos de 
prisão de ventre, vômitos levando à eliminação de parte dos parasitas, bem como um 
inchaço abdominal mais ou menos acentuado. Outras complicações podem surgir sob 
a forma de obstrução intestinal (por uma bola de vermes), ou até mesmo por uma 
perfuração intestinal que levará a uma hemorragia ou a uma peritonite. 
 Além destes sintomas, os parasitas ingerem sangue e conteúdo intestinal, que 
contêm elementos essenciais ao crescimento do cachorro. O diagnóstico é geralmente 
fácil: o cachorro apresenta uma saúde geral debilitada, o seu abdômen está distendido 
e é possível encontrar parasitas nas fezes ou nos vômitos. Por vezes, um exame 
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coprológico pode ajudar no diagnóstico. Há vários antiparasitários disponíveis, sendo 
os mais freqüentes o pamoato de pirantel, o nitroscanato e a ivermectina. A prevenção 
consiste em tratar sistematicamente os cães jovens e destruir os vermes adultos 
presentes nas mães. A destruição dos ovos no meio ambiente é extremamente difícil, 
pois são de uma grande resistência. 
Os cestódeos também parasitam esta parte do tubo digestivo. Tratam-se de 
tênias, como o Dipylidium caninum, transmitido pela ingestão de pulgas. Este parasita 
atinge cães de todas as idades, provocando-lhes um prurido anal intenso. O cão 
esfrega a parte traseira no chão. Existem sintomas digestivos associados, como a 
eliminação de anéis de parasitas – com a forma de grãos de arroz – nas fezes, que 
podem ter um aspecto mais ou menos diarréico. As reinfestações são freqüentes e 
favorecidas pelo fato dos ovos poderem colar-se aos pêlos e serem assim ingeridos 
pelo cão. A ação de espoliação é extremamente fraca, os parasitas exercem 
principalmente uma ação de irritação e de inchaço das glândulas anais. 
 
 
A profilaxia consiste, em primeiro lugar, na eliminação dos hospedeiros 
intermediários, ou seja, as pulgas e, em menor grau, os piolhos. Nos animais 
parasitados, aconselha-se a utilização de cestocidas específicos, tais como o 
praziquantel, ou de anti-helmínticos polivalentes, como o nitroscanato. 
 
Intestino grosso 
 
Os principais parasitas desta parte do tubo digestivo, mais exatamente do ceco e 
do cólon, são nematódeos do gênero Trichuris. Os cães infestam-se pela ingestão dos 
ovos, presentes no meio ambiente, sendo que os adultos aparentemente são mais 
afetados. Quando existe uma infestação maciça, surgem sintomas como diarréia (que 
pode ser hemorrágica), anemia, emagrecimento, etc. 
Dipylidium caninum 
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Os tricuros são hematófagos, exercendo por isso uma ação espoliadora, mas, 
pelas lesões que causam, também podem permitir o desenvolvimento de bactérias. O 
diagnóstico baseia-se no exame coprológico, revelando a presença dos ovos dos 
parasitas nas fezes do cão. O tratamento consiste na administração de benzimidazois, 
como o febendazole, durante três dias consecutivos ou de febantel durante o mesmo 
intervalo de tempo. Contudo, as reinfestações permanecem freqüentes. Portanto, é 
fundamental cuidar da higiene dos locais e dos alimentos. 
Vermífugos 
A título preventivo, os cachorros podem ser desverminados a partir das duas 
semanas de idade. Utiliza-se um vermífugo polivalente – geralmente uma associação 
de vários anti-helmínticos, o que permite obter um espectro de ação muito amplo – cuja 
dose é adaptada ao peso do cão. Em seguida, trata-se o cão uma vez por mês até à 
idade de 6 meses, depois 3 a 4 vezes por ano, dependendo se o cão sai muito ou não. 
 
 
Também é possível proceder a um exame coprológico de ovos de helmintos e, 
desta forma, identificar o antihelmíntico mais adaptado ao caso observado. Além disso, 
deve-se considerar o temperamento do cão para adaptar a forma de administração do 
vermífugo. Alguns estão disponíveis sob a forma de comprimidos, outros sob a forma 
de pasta ou de líquido; são administrados numa única ou em várias vezes, o que pode 
também influenciar a escolha do vermífugo. 
Trichuris vulpi 
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De qualquer forma, é essencial desverminar regularmente o seu cão, 
especialmente nos casos em que vários cães vivem juntos e, principalmente, porque 
existe um risco de transmissão aos seres humanos. 
 
AAuullaa 3311 Os ectoparasitos 
As afecções parasitárias externas atingem, essencialmente, a pele e a pelagem. 
Elas podem causar eczemas, prurido ou queda de pêlo acentuada. 
As pulgas 
 São insetos desprovidos de asas, cujo corpo é achatado lateralmente. As pulgas 
do cão pertencem às espécies Ctenocephalides canis ou Ctenocephalides felis, dos 
quais somente os adultos são parasitas. Encontram-se principalmente nos lugares 
freqüentados pelo cão: estima-se que, num determinado momento, apenas 10 % das 
pulgas estejam presentes na pelagem (o restante está no ambiente!). As pulgas são 
muito prolíferas: as fêmeas põem numerosos ovos (às vezes mil ou dois mil) em alguns 
meses. Como estes ovos não aderem à pelagem, caem ao solo e acumulam-se nos 
tapetes, no chão, etc. Os ovos eclodem, libertando larvas que sofrem metamorfoses, 
realizam mudas e transformam-se em ninfas. Depois, em condições favoráveis, o 
adulto formado sai do casulo e torna-se um parasita no cão, chamado hospedeiro 
definitivo. 
A pulga adulta perfura então a pele do cão, utilizando as suas peças bucais, e 
suga sangue, graças à sua probóscide, após ter inoculado saliva anti-coagulante. A 
presença de pulgas é revelada pelos seus excrementos: trata-se de pequenos grãos 
pretos que se encontram na pele do animal, especialmente na região dorso-lombar. 
Correspondem ao sangue absorvido e, depois, digerido pelas pulgas. 
 
 
As pulgas causam várias patologias no cão. Em 
primeiro lugar, têm um papel patogênico direto, em 
geral pouco incomodativo, que se limita às comichões. 
No entanto, o cão pode desenvolver uma dermatite por 
hipersensibilidade às picadas de pulga (DAPP), que se 
traduz por um prurido intenso, levando à queda de pêlo 
ou, até mesmo, feridas ao coçar, localizadas na parte 
superior do corpo (sobretudo na região lombar). Esta 
afecção é mais rara na estação fria, quando a atividade 
das pulgas é menor. O seu papel patogênico indireto 
consiste na transmissão de agentes patogênicos: 
bactérias (como a responsável pela peste humana) e 
parasitas do tubo digestivo (transmissão por ingestão 
de pulgas adultas). 
 
 
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AUXILIAR VETERINÁRIO 56
Porque e como combater as pulgas do cão ? 
 Para combater um parasita é preciso 
conhecer o seu desenvolvimento para poder agir 
nas suas diferentes etapas. A larva desloca-se 
para se abrigar da luz (numa casa: nos tapetes, 
almofadas, rodapés, frestas do piso, cantos). 
Depois de uma vida de 1 a 2 semanas, a larva 
transforma-se em casulo que é muito resistente 
ao tratamento e pode sobreviver cinco meses. A 
eclosão do adulto a partir do casulo deve-se à 
presença de animais oude seres humanos. 
Numa casa desabitada durante vários 
meses, a eclosão de vários casulos pode ser simultânea, levando a uma invasão de 
pulgas em algumas horas. Na maioria das vezes, o adulto ataca um gato ou um cão e 
pica-o para se alimentar de sangue. As fêmeas são as mais vorazes: ingerem 
aproximadamente 15 vezes o seu próprio peso em sangue (70 fêmeas ingerem 1 ml de 
sangue por dia !). Durante os repastos sanguíneos, as fêmeas defecam e podem ser 
encontrados excrementos de pulga na pelagem, como pequenos pontos pretos que se 
tornam vermelhos em contacto com um papel úmido. 
Além da espoliação sanguínea, as pulgas são frequentemente responsáveis por 
alergias e também podem transmitir aos cães e aos gatos um verme achatado, muitas 
vezes visto nos carnívoros adultos. 
 A maioria dos tratamentos anti-pulgas 
aplicados aos animais (coleira, spray, pós...) 
diminui o número de pulgas, mas esses 
tratamentos geralmente não são suficientes para 
as eliminar todas porque muitas vezes estas 
ficam no meio ambiente. Por isso, recomenda-
se geralmente associar dois tratamentos. O 
primeiro, à base de inseticida, visa matar todas 
as pulgas adultas nos cães e nos gatos que 
vivem no local a ser tratado. Para tal, utilizam-se 
produtos antiparasitas (piretróides) sob a forma 
de spray ou spot-on, ou seja, através da 
colocação na pele do cão de algumas gotas de 
uma solução muito concentrada, contendo o 
mesmo produto que o spray. Esta solução 
difunde-se então por todo o corpo do animal e 
permite matar todas as pulgas quando estas se 
alimentam. 
Este tratamento deve ser renovado todos os meses como manutenção. Existe 
um outro método que visa esterilizar as pulgas durante o seu repasto sanguíneo, que 
se realiza administrando ao cão um comprimido uma vez por mês. O segundo visa 
matar as pulgas (com um inseticida) ou bloquear o seu desenvolvimento (com um 
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regulador de crescimento de inseto, o IGR, que significa "Insect Growth Regulator") no 
meio ambiente. 
Os carrapat os 
Os carrapatos são ácaros de grandes dimensões (de 
2 a 10 mm). Existe um grande dimorfismo sexual 
relacionado com o fato do abdômen das fêmeas ser 
fortemente dilatável, ao contrário do que acontece com os 
machos. O seu corpo, de cor vermelho acastanhado, é 
achatado, exceto depois de se alimentarem, quando se 
torna globuloso. São parasitas intermitentes, estritamente 
hematófagos, exceto alguns machos de algumas espécies 
que não se alimentam. 
Os carrapatos parasitos do cão são principalmente da espécie Rhipicephalus 
sanguineus. São muito específicas do cão, visto que procuram fixar-se neste 
hospedeiro (e apenas nele), em qualquer estado evolutivo (larva, ninfa ou adulto). O 
carrapato fixa-se à pele do cão, de preferência onde esta é mais fina. Então, introduz 
as suas peças bucais na pele e inocula uma saliva especial que se solidifica, formando 
uma área de fixação muito resistente. Assim, o carrapato pode alimentar-se de sangue, 
o que é facilitado pela injeção de uma saliva com propriedades anticoagulantes e 
vasodilatadoras. Esta refeição é parcial para as larvas e as ninfas, bem como para as 
fêmeas não fecundadas, mas torna-se muito significativa (até alguns mililitros) para as 
fêmeas fecundadas. 
 As larvas, ninfas e adultos fazem apenas um 
repasto sanguíneo, ao contrário dos machos, que se 
alimentam em pequenas quantidades e várias vezes. O 
carrapato pode libertar-se no final do repasto sanguíneo 
graças a uma outra saliva, que dissolve a primeira. A este 
período de vida parasitária sucede uma fase de vida livre, 
dependendo das condições do meio ambiente. 
No ciclo evolutivo do carrapato o período de 
vida livre é consideravelmente mais lo ngo do que 
o de vida parasitária. O carrapato do cão reproduz-
se geralmente no seu hospedeiro, depois a fêmea 
enche-se de sangue e cai ao solo. Após várias 
semanas, a fêmea põe alguns milhares de ovos e 
morre. Conforme as condições do meio ambiente, 
os ovos incubam durante um período mais ou 
menos longo de algumas semanas, depois 
eclodem. De cada ovo surge uma larva, que 
aguarda sobre as folhagens a passagem do seu 
futuro hospedeiro, o cão. Ela pode, então, fixar-se 
nele e fazer a sua refeição de sangue, que dura 
alguns dias e, depois, deixa-se cair novamente ao 
solo. Após algum tempo no chão, a larva transforma-se em ninfa. O processo repete-
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se: a ninfa alimenta-se, cai novamente ao solo e faz a muda para adulto, macho ou 
fêmea. O ciclo completo é longo, considerando que requer a fixação do carrapato em 
três hospedeiros; se as condições não forem ideais, pode durar até quatro anos. Além 
disso, nem todos os ovos chegam ao estado adulto porque podem ser ingeridos em 
diferentes fases do seu desenvolvimento por vários animais, principalmente durante a 
sua vida livre. 
Os carrapatos desempenham um papel patogênico direto importante, pela 
irritação que provoca a penetração do carrapato e a sua saliva. Depois do carrapato se 
desprender do hospedeiro, a pele do cão fica fragilizada. A lesão provocada pela 
fixação pode tornar-se um foco de penetração de bactérias, conduzindo a mais 
infecções. O repasto sanguíneo constitui uma espoliação sanguínea mais ou menos 
intensa para o cão, podendo causar uma anemia severa em caso de infestação 
maciça. Finalmente, a presença de carrapatos no cão pode provocar uma reação 
tóxica, tanto local quanto generalizada. Conhecem-se, por exemplo, paralisias por 
carrapatos na Austrália causadas pela espécie Ixodes holocyclus; sem tratamento, 
levam à morte por paralisia dos músculos respiratórios. 
A presença de carrapatos também tem 
influência sobre a imunidade do cão. Quando 
ocorre uma nova infestação, surge uma 
hipersensibilidade que se manifesta por reações 
violentas (prurido) no ponto de fixação, 
dificultando a presença carrapatos que, aos 
poucos, vão diminuindo em número. Observa-se o 
aparecimento de uma imunidade adquirida. Os 
carrapatos também podem transmitir vários 
agentes causadores de doenças, seja através de 
uma fêmea à sua descendência, seja de um 
estado de desenvolvimento a outro, seja pela 
combinação dos dois. Os carrapatos são 
responsáveis pela transmissão de: 
• Babesia canis, agente da babesiose (também chamada piroplasmose) 
• Hepatozoon canis, responsável pela hepatozoonose 
• Ehrlichia canis, agente da erliquiose 
• Zoonoses, (doenças transmissíveis aos seres humanos) tais como a febre 
escaro-nodular da Ásia, da África e da Europa meridional, causada pela 
Rickettsia conori, e a febre maculosa, doença que ocorre no Brasil e estados 
como Minas Gerais e São Paulo, causado pela Rickettsia riquettsi. 
Como eliminar os carrapatos? 
Se o cão estiver pouco infestado, é possível extrair os carrapatos uma a uma 
com o auxílio de uma pinça, de preferência após ter deitado um pouco de éter sobre o 
carrapato ou depois de passar um papel absorvente embebido em ivermectina.. Na 
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verdade, é essencial que esta seja retirada, sob pena de ocorrer a formação de um 
abscesso no local de implantação do parasita. 
Se a infestação for muito intensa, deve-se então proceder a lavagens, utilizando, 
por exemplo, piretróides ou amitraz, substâncias contra carrapatos. É aconselhável 
cimentar o solo e as paredes dos canis e pulverizar com um insecticida adequado, de 
modo a prevenir as infestações a outros grupos de animais. Existe também uma 
vacina, cuja duração é de seis meses, que visa prevenir as parasitoses quando o cão 
se desloca frequentemente a locais onde a população de carrapatos é grande, como 
nas florestas ou matas. 
EXERCÍCIOS 
1. Cite algumas doenças transmitidas por pulgas aos cães. 
2.Cite uma doença transmitida pela pulga ao ser humano. 
3. Cite algumas doenças transmitidas por carrapatos aos cães. 
4. Cite uma doença transmitida por carrapatos ao ser humano. 
 
AAuullaa 3322 As doenças dos cães combatidas por 
vacinação 
Leptospiroses 
São doenças contagiosas devidas a bactéiras 
do gênero Leptospira; envolvem diversas espécies e 
são transmissíveis ao ser humano. No cão, há dois 
grupos principais, chamados sorotipos: são denominados 
Leptospira icterohaemorragiae e Leptospira 
canicola. Estas doenças ocorrem no mundo 
inteiro, em particular nas regiões úmidas e nos 
agrupamentos de cães. 
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AUXILIAR VETERINÁRIO 60
As leptospiroses manifestam-se sob 
diferentes formas clínicas, conforme o 
sorotipo envolvido. Em primeiro lugar, o 
cão pode apresentar uma gastroenterite 
hemorrágica, causada pelos sorotipos 
acima citados. Esta gastroenterite existe 
sob uma forma aguda: depois de cinco dias 
de incubação, o cão torna-se abatido, 
prostrado, anorético, com polidipsia 
(aumento da sede). Apresenta uma 
hipertermia significativa durante dois a três 
dias, ocorrendo depois uma hipotermia. A 
palpação abdominal é muito dolorosa. Em 
seguida, começa o período crítico, com 
uma duração de cinco a seis dias, durante 
o qual aparecem sinais digestivos (vômitos 
que se tornam sanguinolentos, diarréias hemorrágicas), bem como hemorragias nas 
mucosas e na pele, uma inflamação da mucosa bucal, que exala um odor fortemente 
desagradável, e uma insuficiência renal aguda (diminuição da quantidade de urina 
excretada, podendo esta estar manchada de sangue). Podem também surgir 
complicações nervosas, oculares, cardíacas e pulmonares. Instala-se, então, uma fase 
de coma que evolui para a morte. 
Esta gastroenterite também pode existir sob uma forma hiperaguda: a doença 
evolui para a morte em 48 horas, depois de um período de hipotermia acompanhado 
por vômitos e diarréia, antes do cão entrar em coma. 
Existe uma outra forma subaguda, com uma duração aproximada de duas 
semanas, que pode resultar na cura do cão após a fase de gastroenterite. 
Existe uma segunda forma, devida, neste caso, 
unicamente à Leptospira icterohaemorragiae, denominada 
de leptospirose ictérica. A incubação dura entre cinco a 
oito dias, depois o cão apresenta febre durante dois dias 
que é substituída, em seguida, por hipotermia, abatimento 
e dores abdominais. O cão torna-se anorético. Ocorre, 
então, a fase crítica, em que as mucosas assumem um 
tom vermelho alaranjado, característica da icterícia. A ela 
estão associados sintomas digestivos, diarreia e vómitos. 
Esta forma evolui para a morte em cinco a quinze dias. 
A terceira forma existente deve-se à Leptospira 
canicola. Trata-se da nefrite por leptospira. Esta doença pode evoluir conforme duas 
modalidades: rápida, com predominância de uma gastroenterite, ou lenta. Neste último 
caso, a doença só pode ser diagnosticada na sua fase terminal, a uremia (forte 
aumento do teor de uréia no sangue). O cão morre no final de uma fase de coma 
urêmico. 
Hepatite infecciosa canina 
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O vírus responsável pela doença é denominado CAV 1: é um adenovírus canino 
do tipo 1. Pode resistir durante aproximadamente dez dias no meio ambiente, mas é 
destruído pelo calor e pelos raios ultravioletas. A doença pode existir numa forma 
hiperaguda, aguda ou subaguda. 
A contaminação pode ser obtida por simples contato entre um animal doente e 
um cão sadio ou por contacto indireto, por intermédio de objetos contaminados ou 
pelos alimentos. A cadela que amamenta também pode transmitir o vírus aos seus 
cachorros, desencadeando a forma hiperaguda da doença. O vírus penetra 
principalmente por via digestiva ou acessoriamente por via aérea. Apenas o cão e a 
raposa são sensíveis a este vírus. Durante toda a doença, eles podem propagar o vírus 
no meio ambiente através do sangue e das excreções. A urina pode ser responsável 
pelo contágio durante vários meses após a cura. No organismo, o vírus multiplica-se 
primeiramente nas amídalas e em diversos gânglios, e depois pode ou não disseminar-
se. O fato deste vírus poder permanecer localizado em certas regiões explica o grande 
número de formas não aparentes. 
A parvovirose 
A parvovirose é uma doença contagiosa, 
surgida nos Estados Unidos e na Austrália em 1978, 
e que atualmente existe no mundo inteiro. É 
causada por um vírus da família dos Parvoviridae, 
muito resistente no meio ambiente. As espécies 
sensíveis são exclusivamente os Canídeos. 
Em geral, esta doença traduz-se por uma 
gastroenterite hemorrágica. Depois de três ou quatro 
dias de incubação, começa a fase crítica. Durante 
esta fase, o cão está inicialmente prostrado e 
anorético. Surgem, então, vômitos que precedem, 
por pouco, o aparecimento da diarréia de aspecto 
hemorrágico. Depois de quatro a cinco dias de evolução, as fezes assumem um 
aspecto rosa-acinzentado, característico desta doença infecciosa. 
A evolução pode ser hiperaguda, na qual o cão se desidrata de forma muito 
significativa e morre em dois ou três dias, e aguda, com diminuição do volume 
sanguíneo, ocasionada pela diarréia e vômitos. Neste caso, as infecções bacterianas 
suplementares levam o animal à morte em cinco a seis dias. Os animais que não 
morrem no quinto dia ficam curados. 
A mortalidade mais significativa que se 
observa é a dos cachorros de pouca idade com seis 
a doze semanas, ou seja, no momento em que a 
proteção conferida pelos anticorpos de origem 
materna desaparece. Existe também uma forma 
cardíaca, muito rara, que afeta exclusivamente os 
cachorros de 1 a 2 meses de idade que não 
receberam imunidade da sua mãe. Após um curto 
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período de dificuldades respiratórias, a doença evolui geralmente para a morte. Os 
cachorros que sobrevivem conservam seqüelas cardíacas. Finalmente, vários cães 
podem estar infectados sem apresentarem sintomas. 
O contágio de um cão a outro pode ser direto, por contato entre os dois animais, 
ou indireto, por intermédio dos objetos contaminados pelas fezes de um animal 
contaminado. 
A raiva 
 Esta doença infecciosa, inoculável, é 
causada por um vírus da família dos 
Rhabdoviridae. Este vírus é sensível ao calor e 
desativado pela luz e pelos raios ultravioletas. É 
conservado pelo frio. O vírus rábico possui uma 
afinidade muito acentuada pelos tecidos 
nervosos. A sua virulência depende da 
glicoproteína G, molécula situada no vírus. Na 
maioria dos casos, este vírus é inoculado no cão 
quando ocorre um traumatismo (dentada, 
arranhão) e multiplica-se localmente. Depois de 
uma multiplicação no músculo, o vírus difunde-se 
por todo o organismo e penetra nos nervos. 
Os sintomas que se seguem à infecção pelo vírus são de origem nervosa, 
levando sempre à morte do cão. Várias evoluções são possíveis após um contacto com 
o vírus. Pode-se observar uma contaminação sem sintomas ou até mesmo, em casos 
muito raros, uma infecção que se traduz por sintomas, mas tendo como resultado a 
cura, com ou sem seqüelas e finalmente, em praticamente 100 % dos casos, uma 
infecção normal levando a uma evolução para a morte. 
Os animais perigosos são aqueles que se 
encontram na última fase da incubação, quando o vírus é 
eliminado pela saliva, bem como os animais que mostram 
sinais clínicos da doença. Vários tecidos e órgãos 
representam fontes do vírus rábico. Alguns deles contêm o 
vírus que permanece no organismo, enquanto outros são 
responsáveis pela excreção do vírus sendo, 
consequentemente, perigosos para os outros cães. Trata-
se principalmente da saliva; nela, a concentração em vírus 
é muito elevada, o que explica o perigo das dentadas para 
os outros animais. Os cadáveres dos animaismortos com 
raiva também são perigosos, uma vez que o vírus 
permanece muito mais tempo neles do que no meio 
ambiente ou do que em objetos contaminados por um 
animal raivoso. O contágio está essencialmente associado 
às mordeduras, mas nem todas elas são necessariamente 
contagiosas. 
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A cinomose 
A cinomose atinge o cão em qualquer 
idade e a sensibilidade à infecção varia de um 
indivíduo a outro. Os cães contaminam-se na 
maioria dos casos de forma direta, sendo que o 
vírus é inalado e atravessa as vias respiratórias. 
Depois da penetração do vírus no organismo, 
este multiplica-se nas amídalas e nos 
brônquios, disseminando-se a seguir por todo o 
organismo em, aproximadamente, oito dias. A 
partir desse momento, existem três modalidades 
de evolução. Em metade dos cães, a resposta imunológica desenvolvida depois da 
infecção é suficiente e o vírus desaparece. 
Os animais curam-se após terem apresentado alguns sintomas relativamente 
discretos. Entretanto, outros animais têm uma imunidade deficiente e estes cães 
apresentam os sintomas característicos da doença. Finalmente, uma minoria parece 
curar-se, mas está sujeita a sintomas nervosos após um mês. 
A forma mais clássica da doença ocorre 
da seguinte forma: a incubação dura entre três 
a sete dias; durante esta fase, o cão não 
apresenta nenhuma manifestação da infecção. 
Depois, o vírus dissemina-se pelo organismo e 
observa-se uma hipertermia (40° C), um 
corrimento de líquido localizado nos olhos e no 
nariz, por vezes, o aparecimento de pequenas 
pústulas no abdômen. Esta etapa, que dura 
dois a três dias, é seguida por uma fase 
durante a qual o cão parece voltar ao estado 
normal, exceto pela persistência de uma 
conjuntivite. 
 Em seguida, entra-se na fase crítica, durante a qual se observa o maior número 
de sintomas que evocam um ataque pelo vírus da cinomose. A temperatura permanece 
elevada (aproximadamente 39,5°C), as mucosas estão inflamadas, depois observa-se 
um corrimento nasal e ocular, diarréia e uma inflamação traqueobronqueal que se 
traduz em tosse. O vírus pode localizar-se em diferentes locais: quando ocorrem 
complicações devidas à presença de bactérias, estaremos em presença de uma rinite e 
de uma conjuntivite, de uma broncopneumonia (que se traduz por tosse e dificuldades 
respiratórias), de uma gastroenterite (provocando diarréia e vômitos) e de uma ceratite 
(inflamação da córnea), podendo ocorrer complicações pelo aparecimento de úlceras. 
Mais tarde, após a reação do sistema imunológico, o cão apresenta sintomas nervosos 
que evoluem segundo duas modalidades. 
Os sintomas podem aparecer rapidamente e observam-se então dificuldades de 
coordenação locomotora, paralisias, convulsões e contrações musculares involuntárias. 
Quando o aparecimento destes sintomas é mais demorado (até alguns meses), o cão 
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também tem dificuldades em coordenar os seus movimentos locomotores e esta ataxia 
evolui progressivamente para a paralisia; além disso, o cão apresenta contrações 
musculares involuntárias e perturbações da visão. Existem diferentes modos de 
evolução: o cão pode curar-se sem seqüelas e sem ter passado pela fase crítica; ele 
pode curar-se, porém com seqüelas da doença, que podem ser nervosas, respiratórias 
ou dentárias. 
Existem formas diferentes da doença, que são chamadas de formas atípicas. 
Uma variação é conhecida como uma forma cutâneo-nervosa, que se traduz por um 
espessamento da trufa e das almofadinhas, escorrimento nasal e ocular e uma 
hipertermia persistente. A evolução é lenta: em algumas semanas surge uma encefalite 
que evolui para a morte. Existe também uma outra forma de encefalite que se instala 
progressivamente nos cães idosos. 
A tosse dos canis 
Esta doença, designada de tosse 
dos canis ou traqueobronquite infecciosa, é 
uma afecção respiratória contagiosa, 
caracterizada por uma tosse que pode 
durar várias semanas. Esta síndrome deve-
se à ação de um conjunto de 
microrganismos (bactérias e vírus). É 
encontrada, essencialmente, nos locais em 
que estão reunidos cães de diversas 
origens, mas, por vezes, também surge em 
animais isolados, como após uma 
exposição de cães, por exemplo. A principal 
bactéria responsável é a Bordetella 
bronchiseptica. 
Ela intervém com freqüência em paralelo com uma infecção viral. O estado geral 
do cão não se encontra debilitado: depois de aproximadamente três dias de incubação, 
o animal apresenta tosse e um fluxo nasal de aspecto mais ou menos purulento. Vários 
vírus também podem ser responsáveis por uma parte dos sintomas. O vírus da 
Parainfluenza pode provocar uma ligeira inflamação da região rinofaríngea, bem como 
uma tosse de alguns dias. Este vírus é muito contagioso. A doença é transmitida aos 
cães presentes em redor. Finalmente, os Micoplasmas podem potencializar a ação dos 
outros microrganismos, sem, no entanto, serem responsáveis pelo aparecimento dos 
sintomas quando agem isoladamente. 
A giardíase 
 A Giardíase é uma infecção causada por 
protozoários que acometem, principalmente, a porção 
superior do intestino delgado. É considerada uma 
zoonose, ou seja doença transmitida ao homem pelos 
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animais. 
 Os sintomas mais comuns da doença nos animais são fezes moles, odor fétido e 
algumas vezes diarréia acompanhada de dor abdominal, que pode ser intermitente e 
aguda e muitas vezes associada à desidratação. Outros sinais incluem vômito, 
cansaço, falta de apetite, perda de peso e anemia. O ser humano pode apresentar a 
mesma sintomatologia canina, ou seja: diarréias freqüentes, vômitos, desidratação, 
fraqueza, dores abdominais, podendo evoluir para problemas mais graves quando não 
tratados. 
AAuullaa 3333 Outras importantes doenças que 
acometem os cães 
A babesiose 
Esta doença é causada por um parasita da família dos Protozoários (seres 
formados por uma única célula), chamado piroplasma e, mais particularmente, Babesia 
canis. Durante o seu ciclo, este parasita necessita de passar por um hospedeiro vetor 
de forma a garantir a transmissão da doença de um cão a outro. Esse vetor é o 
carrapato fêmea. 
A incubação, correspondente ao período de 
multiplicação dos parasitas no organismo do cão, dura 
entre dois dias a duas semanas aproximadamente. 
Durante esta fase, não se encontra nenhum piroplasma no 
sangue. Após esta fase, os parasitas surgem no sangue e 
os sintomas aparecem quase simultaneamente. Na forma 
aguda da doença, o cão apresenta uma hipertermia muito 
pronunciada, acompanhada por abatimento; a crise febril 
dura, em média, seis a dez dias. Concomitantemente, 
aparecem sintomas de anemia (descoloração das 
mucosas), causada pela destruição dos glóbulos 
vermelhos frente à multiplicação dos parasitas no seu 
interior. Depois de alguns dias de doença, ocorre uma 
hemoglobinúria: a urina cora-se de sangue (urina de 
“coca-cola”). 
Existem sinais clínicos atípicos, que podem ser manifestações de ordem 
nervosa, respiratória, digestiva, cutânea ou ainda ocular. A evolução é curta, de no 
máximo uma semana. Na ausência de tratamento, o estado do cão agrava-se e evolui 
para o coma e, depois, a morte. Existe uma forma crônica que afeta principalmente os 
adultos, podendo seguir-se à forma aguda. A febre é menos pronunciada, até mesmo 
ausente, e, na maioria das vezes, o estado geral de saúde permanece bom. A anemia 
está sempre presente e é bastante nítida. A evolução desta forma de babesiose é lenta 
e existem possibilidades de complicações. Esta forma pode evoluir durante várias 
semanas e resultar na morte do cão. 
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A ehrlichiose 
 A ehrlichiose canina é uma importantedoença infecciosa cuja prevalência tem 
aumentado significativamente em várias regiões do Brasil. É transmitida pelo carrapato 
Rhipicephalus sanguineus, e tem como agente etiológico a Erhlichia canis. Os sinais 
clínicos observados são conseqüências da resposta imunológica face à infecção. De 
acordo com estes sinais clínicos e patológicos, a doença pode ser dividida em três 
fases: aguda, sub-aguda e crônica. O sucesso do tratamento depende de um 
diagnóstico precoce. Varias drogas são utilizadas no tratamento da ehrlichiose sendo 
que a doxiciclina é o antibiótico de escolha no tratamento desta infecção. 
 O ciclo da Ehrlichia é constituído de três fases 
principais: (1) penetração dos corpos elementares nos 
monócitos, onde permanecem em crescimento por 
aproximadamente 2 dias; (2) multiplicação do agente, por 
um período de 3 a 5 dias, com a formação do corpo 
inicial; e (3) formação das mórulas, sendo estas 
constituídas por um conjunto de corpos elementares 
envoltos por uma membrana. Em uma mesma célula 
podemos ter mais de uma mórula. Estas permanecem na 
célula hospedeira por 3 a 4 dias para então serem 
liberadas com a lise celular, e conseqüente morte desta. 
Os diabetes 
A "diabetes mellitus" caracteriza-se por um 
aumento da concentração de glicose ("a çúcar") 
no sangue e pela sua presença na urina do cão. 
Em termos de sintomas clínicos, o cão diabético 
aumenta significativamente a ingestão de líquidos, 
urina em grande quantidade, come bastante e 
sofre, por vezes, de cataratas a nível ocular. 
Quando a doença evolui, o cão torna-se muito 
magro e a urina adquire um odor característico 
adocicado. Na ausência de tratamento, acaba por 
entrar em coma e morrer. Um simples exame ao 
sangue e à urina permite detectar esta doença. 
Sem fornecer todos os detalhes de uma classificação médica complexa, 
assinalemos que existem, no cão adulto, dois grandes tipos de diabetes mellitus, a 
segunda resultando, aliás, da evolução da primeira: a diabetes não insulino-
dependente (para a qual a dieta por si só permite combater a doença) e a diabetes 
insulino-dependente (neste caso, o animal deve receber diariamente uma ou várias 
injeções de insulina e a alimentação – em especial o horário das refeições – adapta-se 
a ela(s)). 
No caso mais simples (no plano da alimentação, mas não no plano médico) da 
diabetes dependente de insulina, uma alimentação tradicional, sem excesso de 
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lipídeos, é suficiente: pode ser utilizado com sucesso um alimento hiperdigerível, como 
alimentos rehidratáveis ou secos, o que permite aumentar o tempo de absorção de 
carboidratos. Os açucares de rápida absorção (sacarose) não são recomendáveis; é 
imperativo respeitar perfeitamente as horas das refeições definidas pelo Médico 
Veterinário, em função do tipo de insulina utilizada, e nunca mudar a alimentação uma 
vez estabilizada a diabetes. 
Para a diabetes não insulino-dependente, o cão conserva uma certa capacidade 
para regular a glicemia e é importante manter o nível de açúcar no sangue o mais baixo 
possível depois das refeições, de forma a não forçar em demasia o pâncreas ao pedir-
lhe que produza grandes quantidades de insulina. Para tal, deve-se utilizar tanto um 
alimento seco dietético completo hipocalórico ou um alimento a rehidratar, como uma 
alimentação caseira composta por: 
- glícidos de absorção lenta (arroz, massas), 
- proteínas de excelente qualidade (carnes magras brancas ou vermelhas), 
- fibras (alface, feijão verde, farelo, evitando as cenouras que são bastante 
açucaradas). 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
As diarréias 
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 A alimentação pode intervir a dois níveis num problema de diarréia: 
- pelo seu papel indutor, se estiver mal 
preparada. 
- pelo seu papel paliativo, se ajudar no 
tratamento da diarréia em causa. 
Desta forma, a alimentação pode 
desencadear uma diarréia quando: 
- a alimentação do cão é bruscamente 
alterada, de um dia para o outro, sem 
respeitar a necessária transição alimentar de uma semana; 
- a quantidade de alimento fornecida é excessiva, ultrapassando as capacidades de 
digestão do cão; 
- a alimentação contém em excesso glicídios pouco digeríveis, o que conduz a uma 
diarréia de odor azedo; acontece em determinados cães que não suportam o leite ou 
que já não estão adaptados a ele, ou quando o amido do arroz ou das massas está 
insuficientemente cozido. Os cães mais frágeis a este problema são as raças próximas 
dos cães selvagens (cães nórdicos, Pastores alemães); 
- a alimentação é rica em proteínas pouco digeríveis (carnes de má qualidade, tendões, 
aponeuroses, cereais crus, carnes muito cozinhadas) que, ao chegarem ao intestino 
grosso, vão "fermentar" e provocar a produção de diversas substâncias tóxicas, 
causadoras de diarréias de odor pútrido. 
No entanto, a alimentação pode igualmente 
ajudar a prevenir ou a tratar certas diarréias, desde 
que seja convenientemente utilizada. Assim, no 
caso de uma diarréia aguda, impõem-se as 
seguintes medidas: 
- dieta de líquidos de 24 horas (sem sólidos mas 
bastantes líquidos), de modo a prevenir qualquer 
desidratação e permitir o repouso do intestino; 
- fracionamento da alimentação (assim que cessa a 
dieta, o fornecimento de pequenas refeições 
permite um melhor funcionamento do sistema 
digestivo); 
- fornecimento de um alimento hiperdigerível de grande qualidade. 
Os casos de diarréias crônicas (com uma duração de várias semanas) são mais 
complicados de avaliar porque, conforme os casos, a adaptação da alimentação será 
diferente; uma diarréia que tem por origem o intestino delgado, requer uma alimentação 
hiperdigerível, enquanto que uma diarréia proveniente do intestino grosso necessitará 
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de um maior suplemento de fibras celulósicas, para aproveitar os seus efeitos 
higiênicos. Na verdade, toda a arte do "nutricionista Médico Veterinário" revela-se no 
tratamento alimentar de uma diarréia crônica. 
As afecções oculares 
O ectropion e o entropion 
 O ectropion é a eversão da pálpebra, estando a 
borda livre separada da pálpebra. Assim, o olho está 
constantemente exposto ao ar. É frequente no São 
Bernardo, Cocker inglês e americano e nas raças de 
lábios pesados e pendentes. O entropion é a 
interiorização da borda livre da pálpebra em direção à 
córnea. As raças atingidas são o Chow-Chow, o São 
Bernardo, os Caniches pequenos, o Dogue Alemão, o 
Shar-pei. 
No entropion, a irritação local e a inflamação da córnea e da conjuntiva 
provocam uma vermelhidão da conjuntiva e um corrimento transparente que pode se 
tornar muco-purulento. O incomodo e a dor levam a um fechamento das pálpebras e a 
um prurido que agrava os sintomas clínicos. Tardiamente, pode surgir uma erosão da 
córnea. Os sinais clínicos do ectropion são uma congestão da conjuntiva com um 
corrimento que pode infectar e tornar-se muco-purulento. As complicações são 
nitidamente menos graves do que as do entropion. 
Apenas uma cirurgia pode ser benéfica. Entretanto, aconselha-se a limpeza 
regular (várias vezes por dia) dos olhos do cão com uma solução ocular fracamente 
anti-séptica. 
As cataratas 
Refere-se à opacificação de uma ou de todas as 
estruturas do cristalino, que impede os raios luminosos de 
atingirem a retina. A brancura do cristalino e a diminuição da 
visão são os únicos sinais da catarata. Só a consulta de um 
Médico Veterinário pode melhorar a evolução da catarata. De 
acordo com a gravidade, deverá ser adoptado um tratamento 
médico ou cirúrgico. 
O glaucoma 
 Trata-se de um conjunto de afecções que têm em 
comum um aumento da pressão intra-ocular, colocando 
em risco a visãoe o futuro do olho. O olho parece 
grande, como se estivesse a sair da cavidade ocular: 
uma midríase total (pupila muito dilatada) com perda do 
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reflexo fotomotor (a pupila não se contrai sob o efeito da luz); congestão significativa da 
vascularização das conjuntivas (o olho está muito vermelho, os vasos grandes e 
sinuosos). Consultar rapidamente o Médico Veterinário; o futuro da visão e do olho 
estão em perigo. 
As conjuntivites 
São afecções inflamatórias das conjuntivas e da membrana nictante. As causas 
podem ser alérgicas, infecciosas ou parasitárias. Sintomas: Vermelhidão, edema (por 
vezes) e corrimento ocular que pode ser fluido, mucoso ou muco-purulento. Uma boa 
higiene do olho com a utilização de um colírio de limpeza irá acalmar a inflamação. 
Contudo, as causas só são realmente eliminadas após um tratamento recomendado 
pelo Médico Veterinário. 
As úlceras de córnea 
 São perdas de substância córnea, podendo afetar as diferentes camadas da 
córnea. As suas origens podem ser diversas. A dor predomina (coçar ou esfregar o 
olho no solo). Segue-se um fechamento do olho e um corrimento fluido de aspecto 
muco-purulento. A córnea perde o seu aspecto brilhante e torna-se menos 
transparente. Limpar os olhos com uma solução ocular ligeiramente anti-séptica que irá 
acalmar a inflamação. Principalmente, não utilizar colírio ou pomada à base de 
corticóides, que agravam a úlcera. É aconselhável consultar um Médico Veterinário, 
que saberá diagnosticar com precisão e adotar um tratamento adequado. 
AAuullaa 3344 Principais enfermidades dos gatos 
Leucose e imunodeficiência felina 
Os gatos são sensíveis a diversos agentes infecciosos responsáveis por 
doenças por vezes fatais. À cabeça destes flagelos encontram-se três vírus: o da 
leucose felina (FeLV), o da imunodeficiência felina (FIV) e o da peritonite infecciosa 
felina (PIF). 
O FeL.V. é veiculado por ocasião de 
contactos, lambidelas e utilização de caixas 
de areia comuns. Os animais mais expostos 
são os gatinhos e adultos jovens com acesso 
ao exterior e/ou que vivam em grupos. 
A transmissão do F.I.V processa-se 
essencialmente através de mordeduras. A 
infecção por este vírus, raro nos locais de 
criação, é mais frequente nas populações de 
gatos vadios. O tipo de gato de maior risco é 
o macho adulto não-castrado, com acesso 
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ao exterior. 
Os sintomas são muito variáveis e surgem após uma fase assintomática, durante 
a qual o gato é contagioso. Surge depois anemia, com palidez das mucosas, o doente 
cansa-se e perde o fôlego rapidamente. Devido a uma deficiência ao nível das defesas 
imunitárias, o gato infectado pode sofrer todo o tipo de complicações: viroses 
respiratórias, abscessos, diarréias crônicas ou ainda afecções cutâneas. Qualquer gato 
que evidencie doenças reincidentes ou uma afecção resistente ao tratamento deverá 
ser submetido a um teste de rastreio de retrovírus. São classicamente observadas 
alterações reprodutivas assim como tumores, principalmente linfossarcomas. 
Peritonite infecciosa felina 
 Familiarmente designada por P.I.F, deve o seu 
nome a uma das formas que pode assumir: uma ascite, 
ou seja, a acumulação de líquido no abdômen. O 
agente causal pertence à família dos coronavírus. 
A P.I.F. constitui um problema real e bastante 
grave para os criadores, abrigos e gatis onde existe 
uma grande concentração de gatos, principalmente se 
entre estes também existirem crias. 
A P.I.F. surge em gatos de todas as idades, com especial incidência nos jovens 
(gatinhos e adultos até ao ano e meio). O vírus transmite-se principalmente por via oro-
fecal: um gato sensível é contaminado pela boca (lambidelas, contactos com secreções 
ou fezes do animal doente). Pode ocorrer transmissão aérea, mas ignora-se se as 
pulgas ou outros insetos podem funcionar como agentes de contágio. 
É provável que uma determinada proporção de gatos, uma vez contraído o vírus, 
se tornem portadores sãos e que, ocasionalmente, o excretem durante uma situação 
de stress, uma doença ou durante a reprodução. O vírus da P.I.F é muito resistente em 
meio exterior (diversas semanas). 
Afecções oculares e das 
vias aéreas superiores 
As mais graves são causadas por 2 
vírus e uma clamídia, dos quais, apenas os 
calicivirus conseguem resistir por mais de 
48 horas no meio exterior (10 dias), apesar 
do meio ambiente ter pouca influência no 
contágio que se processa 
fundamentalmente gato a gato. 
Os sinais clínicos são geralmente 
designados pelo termo familiar e global 
"coriza". Os sintomas comuns são a febre, 
rapidamente seguida de conjuntivite, 
lacrimejamento, espirros que, por vezes, 
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se complicam com secreções serosas a purulentas (secreções nasais abundantes) e 
tosse. Alguns sinais particulares permitem distinguir, ocasionalmente, os diferentes 
agentes mas as infecções mistas não são raras. 
O herpesvirus do tipo 1 é responsável pela rinotraqueite viral, caracterizada por 
espirros paroxísticos, descarga nasal e conjuntivite purulentas com úlceras na córnea e 
lesões na língua. 
Os sintomas da calicivirose, provocada 
por um calicivírus, são variáveis dependendo 
da estirpe e da resistência do animal. Nos 
casos menos graves, a doença limita-se ao 
aparecimento de úlceras na língua, no palato, 
nos lábios e sulco mediano do nariz. A dor que 
a acompanha, desencadeia a anorexia total: o 
animal deixa de se alimentar. É observável 
igualmente o corrimento ao nível dos olhos e 
do nariz. Nas formas mais graves, desenvolve-
se também uma pneumonia que pode conduzir 
à morte (em 100% dos casos nos gatinhos 
jovens). De forma menos típica, pode 
observar-se claudicação em conseqüência de 
dores articulares e musculares, ou contração 
dos dedos. 
 
A reovirose, por ação de um reovírus, provoca sobretudo conjuntivite; as 
complicações são raras. Não existe vacina. 
 
Asma felina 
O termo asma é utilizado para descrever os episódios reincidentes de tosse 
paroxística, respiração sibilante e dispnéia. Esta síndrome evidencia muitas 
semelhanças clínicas com a asma humana. A origem da asma felina inclui, 
provavelmente, uma reação de hipersensibilidade à inalação de pneumoalergenos, que 
provoca a contração dos músculos lisos das vias respiratórias e uma inflamação das 
vias aéreas. Por vezes, a tosse é tão violenta que acaba por desencadear o vômito ou 
a rejeição de líquidos digestivos. Alguns episódios graves requerem um tratamento de 
urgência. Um gato em crise fica prostrado no solo, com os cotovelos afastados, o 
pescoço esticado, de boca aberta e língua de fora, evidenciando por vezes uma 
coloração azulada por efeito da cianose (oxigenação insuficiente). A afecção resulta de 
uma hiperatividade das vias respiratórias que se traduz pela contração dos músculos 
lisos (broncoespasmo) e uma inflamação por contacto com alérgenos aéreos. Os 
antibióticos revestem-se de fraca utilidade neste tipo de afecção respiratória visto que a 
origem não é infecciosa, exceto em caso de infecção secundária. Os anti-inflamatórios 
esteróides geralmente permitem controlar a crise e a melhorar o estado do doente. 
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Parasitoses e micoses externas 
As doenças cutâneas do gato 
provocadas por parasitas ou fungos são 
numerosas e variadas. Os ácaros são 
organismos microscópicos responsáveis 
pela sarna ou pseudo-sarna. 
As doenças cutâneas do gato 
provocadas por parasitas ou fungos são 
numerosas e variadas. Os ácaros são 
organismos microscópicos responsáveis 
pela sarna ou pseudo-sarna. Podem 
existir insetos, como pulgas ou piolhos, na 
pelagem dos gatos que dão origem a 
doençascomo a pulicose e a ftiriose. Os 
dermatófitos são fungos filamentosos e 
microscópicos que se alimentam da 
queratina presente nos pêlos ou na 
superfície da pele. Os dermatófitos são os 
agentes responsáveis pela tinha. Alguns 
agentes patogênicos atrás citados podem 
ser transmitidos ao homem. Os ácaros 
cheiletiela provocam o aparecimento de 
pequenas pápulas no corpo (referimo-nos 
ao "Prurigo da sarna"): a comichão é tão 
intensa que frequentemente obriga a 
consultar um dermatologista. É o médico 
que, face às lesões observadas, 
aconselha o dono a recorrer a um médico veterinário para eliminar os parasitas do 
gato. 
As pulgas dos carnívoros domésticos podem, 
ocasionalmente, alimentar-se do sangue humano. 
Finalmente, os dermatófitos, nomeadamente a espécie 
observada no gato, são facilmente transmissíveis ao 
dono. Estes podem provocar lesões na pele glabra, 
designadas por herpes circinado, que consistem em 
lesões circulares, mais freqüentes nos antebraços, 
rosto ou pescoço. Ao contrário do que se passa com o 
animal, a inflamação e o prurido deixam marcas. 
De entre todas as afecções do gato, a infestação 
por pulgas (pulicose) e a tinha merecem uma atenção 
especial. Estas afecções são muito freqüentes e a sua 
prevenção é bastante difícil, por vezes mesmo 
impossível, principalmente quando se trata de uma 
comunidade de gatos e não de um animal isolado. 
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Hemobartonelose felina 
 Hemobartonelose (haemobartonellosis, anemia infecciosa felina) é causada por 
uma ricketsia: Haemobartonella felis. É um parasita microscópico que invade as células 
vermelhas do sangue, causando sua destruição. 
Ele nem sempre produz doença, podendo 
o gato ser portador assintomático. 
Quando produz doença, se acopla a parede das 
hemácias de forma cíclica. 
A anemia que causa é regenerativa, 
porque não causa dano à medula óssea, o que 
deve ser levado em conta na hora do 
diagnóstico. 
Em muitos gatos a hemobartonelose 
ocorre após stress. 
O hematozoário é transmitido pela picada 
do carrapato ou pulga. Outros modos de transmissão são via placentária, da mãe para 
os filhotes, por mordidas e transfusão de sangue. 
Fases da Doenças: 
 
- Fase aguda: Esplenomegalia (aumento do baço) 
- Fase crônica: febre; hematúria (sangue na urina); 
mucosas descoradas pela anemia profunda; 
epistaxe (perda de sangue pelo nariz); perda de 
peso; redução do apetite; petéquias (pequenas 
hemorragias subcutâneas); podendo ocorrer 
hemorragia gastrintestinal (devido ao rompimento 
de pequenos vasos) e icterícia; histórico de 
infestação por carrapatos, pulgas. 
Cerca de 1/3 dos gatos não tratados morrem 
da infecção. 
Os animais se tornam portadores para o resto 
da vida, mesmo se recuperando da doença. Em 
casos de comprometimento do sistema imunológico, 
por causa viral, stress ou administração de 
corticosteróide, a doença retorna. 
Quando o gato está bebendo muita água 
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A poliúria–polidipsia é um sintoma que se manifesta em inúmeras afecções, 
entre as quais: 
- Afecções renais (insuficiência renal crônica ou por vezes aguda, nefrite intersticial, 
pielonefrite, reações após a remoção da obstrução); 
- Afecções genitais (Piometra, Metrite); 
- Afecções hepáticas (Insuficiência hepática); 
- Afecções endócrinas (doença das supra-renais, diabetes mellitus, diabetes insipidus, 
hipertiroidismo); 
- Desequilíbrios eletrolíticos (hiper ou hipocalcemia;hiponatremia, hipocalemia) 
- Conseqüências do tratamento (corticóides, diuréticos, alguns antibióticos); 
- Excesso de sal nos alimentos 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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Aula 35 - Zoonoses 
Definição 
Zoonoses são doenças de animais 
transmissíveis ao homem, bem como aquelas 
transmitidas do homem para os animais. Os 
agentes que desencadeiam essas afecções podem 
ser microrganismos diversos, como bactérias, 
fungos, vírus, helmintos e rickéttsias. 
O termo antropozoonose se aplica a doenças 
em que a participação humana no ciclo do parasito 
é apenas acidental, ou secundária, como ocorre na 
hidatidose. Nessa p arasitose, o ciclo se completa 
entre cães, que hospedam a forma adulta do 
parasito, e carneiros, que abrigam a forma larvária. 
 
O homem, ao ingerir os ovos provenientes do cão, passa a comportar-se como 
hospedeiro intermediário, no qual só se desenvolve a forma larvária. O termo 
zooantroponose se aplica a parasitoses próprias do homem, que acidentalmente 
podem transferir-se para animais. É o exemplo da amebíase causada pela Entamoeba 
histolytica, que acidentalmente pode manifestar-se em cães. 
Existem, no entanto, muitos parasitos que não causam doenças em animais, 
mas que, transmitidos ao homem, encontram nesse novo hospedeiro melhores 
condições de desenvolvimento e multiplicam-se ativamente, aproveitando-se das 
insuficiências defensivas desse último e acarretando graves lesões. As variantes dessa 
situação, envolvendo o homem, o agente etiológico e os animais reservatórios, são 
muito freqüentes na natureza. 
Vias de transmissão 
A transmissão das zoonoses pode 
ocorrer através das seguintes vias: 
1 ) TRANSMISSÃO DIRETA: Um hospedeiro 
vertebrado infectado transmite o parasita a 
outro hospedeiro vertebrado suscetível através 
do contato direto. Ex.: a raiva, brucelose, 
carbúnculo hemático, sarnas, microsporidioses, 
tricofitoses. 
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2) TRANSMISSÃO INDIRETA: Pode ocorrer através de diferentes vias: 
2.1) Alimentos - Ex.: leptospirose, botulismo, carbúnculo hemático, brucelose, 
tuberculose, salmoneloses, teníases, triquinelose. 
2.2) Secreções - Ex.: Raiva, brucelose. 
2.3) Vômitos - Ex.: leptospirose, peste, sarna, brucelose. 
2.4) Artrópodes - Ex.: febre amarela, encefalomielite equina, tifo e peste. 
Zoonoses de importância em Saúde Pública 
 Nos países em desenvolvimento a canalização de recursos está dirigida para a 
assistência médica, resultando em inversões mínimas para a medicina preventiva. A 
ocorrência de "doença" na população acarreta a baixa produção de bens e serviços 
com a conseqüente redução dos níveis salariais. 0 baixo poder aquisitivo da população 
conduz a padrões deficientes de alimentação, moradia inadequada e à diminuição do 
nível de educação. Este ciclo vicioso, chamado de "ciclo econômico da doença", fecha-
se com a ocorrência de mais doença, diminuindo ainda mais o potencial de trabalho da 
população humana. Colateralmente, verifica-se uma pequena inversão de capital e de 
conhecimento técnico na pecuária, favorecendo a ocorrência e disseminação de 
doenças entre os anim ais, muitas delas de Caráter Zoonótico, agravando ainda mais a 
já deficiente condição de saúde do homem. Em decorrência deste fato, verifica-se 
baixa natalidade e elevadas morbidade e mortalidade nos rebanhos, gerando, em 
conseqüência, a produção de bens e serviços cada vez mais baixos. 
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Para se aquilatar a importância das zoonoses em Saúde Pública, basta lembrar 
que, das seis doenças em que a notificação dos casos é exigida universalmente, duas 
pertencem a este grupo, a Peste e a Febre Amarela, e ambas ocorrem no Brasil. 
Das doenças obrigatoriamente notificáveis de acordo com as Normas Técnicas 
Especiais relativas à Preservação da Saúde, dez pertencem ao Grupo de Zoonoses a 
saber: Febre Amarela, Peste, Leptospiros e, Raiva Humana, Carbúnculo Hemático, 
Tuberculose, Brucelose, Ricktesioses, Arboviroses e Doença de Chagas. 
De maneira geral, não existem muitos dados estatísticos disponíveise 
fidedignos sobre a ocorrência das diferentes zoonoses no Brasil. Vários fatores 
contribuem para agravar esta situação, tais como, a grande extensão territorial, a 
escassez dos serviços de saúde e de recursos médicos em muitas regiões, a deficiente 
educação sanitária de grande parte da população e diversos problemas de esfera 
administrativa e política. 
Algumas zoonoses não constituem problema de saúde pública propriamente 
dito, porque raros são os casos humanos até hoje descritos. A Febre Aftosa enquadra-
se neste contexto; embora não acarrete prejuízos diretamente à saúde pública é 
responsável por grandes perdas na pecuária, e, implicitamente, à economia nacional. 
A Raiva Urbana, por outro 
lado, apresenta coeficientes de 
morbidade e mortalidade baixos, 
porém, constitui um grande problema 
para a Saúde Pública em função de 
letalidade no homem ser de100%. Via 
de regra, nos casos de acidentes com 
animais suspeitos, várias pessoas 
são envolvidas, o que acarreta um 
grande ônus ao Estado com o 
tratamento preventivo aos expostos 
ao risco de infecção. Em saúde 
animal, na raiva silvestre (rural) os 
prejuízos são decorrentes da perda, 
às vezes, de grande número de 
animais de um mesmo rebanho. 
A raiva humana é doença extremamente grave, pois admite-se que todas as 
pessoas acometidas por ela morrem, a despeito das medidas terapêuticas, inclusive de 
caráter intensivo, instituídas. Por isso, a correta adoção de providências preventivas é 
essencial. A raiva humana se manifesta após um período de incubação usualmente 
compreendido entre 20 e 60 dias, com sintomas inespecíficos mal definidos: febre 
moderada, cefaléia, insônia, ansiedade e distúrbios sensoriais, sobretudo ao nível da 
mordedura. Em 24 - 48 horas, aparece a sintomatologia típica que, na raiva furiosa, 
assume decurso dramático, caminhando inexoravelmente para a morte em 2-6 dias: 
excitação cerebral, com crises de delírio e de agressividade, espasmos musculares 
dolorosos, convulsões, paralisias, hiperemia (41-42o C) e asfixia terminal. Na 
denominada paralítica, são pouco intensos os fenômenos espasmódicos e predomina a 
paralisia, que pode ser ascendente (tipo Landry) ou descendente. 
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A Leptospirose, a Raiva, as Salmoneloses, a Brucelose e as Teníases ocorrem 
em todos os Estados da Federação. As arboviroses apresentam elevada prevalência 
nas zonas de matas, Amazônia principalmente, mas, levantamentos epidemiológicos 
demonstram infecções humanas com ou sem manifestações clínicas, em outras 
regiões, tal como o sul do país, Mato Grosso, Minas Gerais e Rio de Janeiro. 
A Hidatidose tem incidência primordial no Rio Grande do Sul atingindo ainda 
Santa Catarina e Paraná e representa um grave problema de Saúde Pública. O mesmo 
ocorre com a Cisticercose, que ainda constitui um risco permanente para os 
consumidores de carne suína. 
A Leptospirose apresenta prevalência moderada nos rebanho: bovino e suíno. 
Por sua vez a Brucelose apresenta alta morbidade e baixa mortalidade; todavia é um 
problema de saúde ao nível de grupos profissionais, tais como empregados de 
matadouros, granjas leiteiras, veterinários e tratadores de animais, embora acarrete, 
anualmente, consideráveis prejuízos à pecuária e a suinocultura. Sintomas no humano: 
pode variar, desde casos leves quase sem sintomas, até outros com dor de cabeça, 
febre, vômitos, mal estar geral, conjuntivite, “manchas escuras “na pele (petéquias 
hemorrágicas), as vezes icterícia (“pele amarelada”), meningite, encefalite, e casos que 
pode m chegar até a morte. 
A Tuberculose, além dos prejuízos à indústria animal, determina a redução da 
mão de obra humana disponível para o trabalho, porquanto após a alta hospitalar o 
indivíduo nem sempre pode voltar às suas atividades anteriores como é o caso dos 
trabalhadores braçais. Em razão dos fatos apresentados, pode-se concluir que 
qualquer que seja a zoonose considerada, de maior ou menor gravidade para o homem 
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e para os animais, esta sempre contribuirá para diminuir a produção de bens e serviços 
com todas as suas conseqüências. 
 
Infecção e doença são coisas diferentes. A pessoa infectada é aquela que se 
contaminou com o bacilo da tuberculose, mas não chegou a desenvolver a doença. 
Doente é a pessoa que se contaminou e apresenta os sintomas gerais da tuberculose: 
febre, canseira, emagrecimento, tosse e suadeira à noite. Nos casos em que a 
tuberculose compromete outros órgãos que não sejam os pulmões (tuberculose extra-
pulmonar), os sintomas vão depender da localização da doença. Na tuberculose 
intestinal podem aparecer, além dos sintomas gerais, queixas relacionadas com o 
aparelho digestivo. Na tuberculose urinária aparecem sintomas relacionados com o 
aparelho urinário e assim por diante. 
 
 
 Na tuberculose extra-pulmonar não existe risco de contágio. Como já dissemos, 
e insistimos, a tuberculose só se transmite pelo ar, através da tosse. O 
comprometimento de outros órgãos pelo bacilo da tuberculose é sempre secundário ao 
processo pulmonar. 
 
 Outra importante zoonose, que não é de 
notificação obrigatória é a toxoplasmose. É 
uma doença infecciosa causada por um 
protozoário chamado Toxoplasma gondii, ele 
pode ser encontradado em fezes de gatos e na 
carne de animais contaminados. 
Diferentemente do que se pensa, os gatos não 
é o grande vilão desta doença, o protozoário 
da toxoplasmose é liberado quando os gatos 
infectados defecam na terra ou nas plantas. Se 
as fezes forem ingeridas por outros animais, 
este animal também estará infectado. 
 
 Apenas o contato com os gatos não transmite a doença, e sim o solo por ele 
contaminado. 
 
 Os gatos domésticos dificilmente possuem o protozoário da toxoplasmose, já que 
em geral, eles se alimentam de ração industrializada, assim o risco de um gato 
doméstico contraria o protozoário é muito pequeno. 
A doença pode determinar quadros variados, desde ausência de sintomas até 
doença com manifestações graves. Os sintomas são muito variados, dependentes 
também da imunidade do paciente. 
O início dos sintomas pode variar de cinco a 30 dias após a contaminação. 
Podemos distinguir algumas manifestações mais chamativas: 
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• Doença febril: febre e manchas pelo corpo como sarampo ou rubéola; podem 
haver sintomas localizados nos pulmões, coração, fígado ou sistema nervoso. A 
evolução dos sintomas tem curso benigno, isto é, autolimitado. 
• Linfadenite: são as famosas ínguas pelo corpo, mais localizadas na região do 
pescoço e raras vezes disseminadas. 
• Doença ocular: é a doença mais comum no paciente com boa imunidade, inicia 
com dificuldade para enxergar, inflamação, podendo até terminar em cegueira. 
• Toxoplasmose neonatal: infecção que ocorre no feto quando a gestante fica 
doente durante a gravidez, podendo ser sem sintomas até fatal dependendo da 
idade da gestação; quanto mais cedo se contaminar, pior a infecção. Por isso a 
importância do pré-natal. 
• Toxoplasmose e AIDS/Câncer: como a imunidade do paciente está muito 
diminuída, a doença se apresenta de forma muito grave, causando lesões no 
sistema nervoso, pulmões, coração e retina. 
 
Exercícios 
1. Você conhece alguma outra zoonose que não foi citada anteriormente? Qual? 
Aula 36 - Os sinais vitais 
Sinais vitais são aqueles que evidenciam o funcionamento e as alterações da 
função corporal. Dentre os inúmeros sinais que são utilizados na prática diária para o 
auxílio do exame clínico do animal, destacam-se pela sua importância e por nós serão 
abordados: a auscultação cardíaca, o pulso, a temperatura corpórea e a respiração. 
Por serem os mesmos relacionados coma própria existência da vida, recebem o nome 
de sinais vitais. 
Auscultação cardíaca 
 Para realizar a auscultação cardíaca utilizamos um aparelho denominado 
estetoscópio. Existem vários modelos, porém os principais componentes são: Olivas 
auriculares: são pequenas peças cônicas que proporcionam uma perfeita adaptação ao 
meato auditivo, de modo a criar um sistema fechado entre o aparelho e o ouvido. 
- Armação metálica: põe em comunicação as peças auriculares com o sistema flexível 
de borracha; é provida de mola que permite um perfeito ajuste do aparelho. 
- Tubos de borracha: possuem diâmetro de 0,3 a 0,5 cm. e comprimento de 25 a 30 
cm. 
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- Receptores: existem dois tipos fundamentais: o de campânula de 2,5 cm. que é mais 
sensível aos sons de menor freqüência e o diafragma que dispõe de uma membrana 
semi-rígida com diâmetro de 3 a 3,5 cm., utilizado para ausculta em geral. 
 
Técnica: realize a auscultação em uma sala quieta, 
sem barulho e com o paciente calmo. Posicione o paciente 
em pé, se possível, de forma que o coração fique em sua 
posição normal. Avalie o coração independentemente dos 
pulmões; se for preciso segure o focinho do animal para 
prender a respiração por alguns segundos. Primeiro 
ausculte do lado esquerdo do tórax, depois do lado direito. O 
local correto de se colocar o diafragma do estetoscópio é 
embaixo das axilas do animal, ou onde você sentir a 
pulsação do coração (faça isso colocando a mão sobre a 
parede do tórax e procurando onde o coração “bate mais 
forte”). 
 
Conte as batidas durante 15 segundos e 
depois multiplique por 4 para saber quantas 
batidas por minuto (bpm) aquele animal 
apresenta. Se auscultar algum ruído estranho 
(um sopro por exemplo) avise ao veterinário. 
 
 
 
Freqüências cardíacas Cão Gato 
Calmo (ou adormecido) 50 a 90 bpm 90 a 120 bpm 
Durante o exame 80 a 160 bpm 140 a 220 bpm 
Exercício 230 bpm 230 bpm 
 
Pulso 
 A palpação do pulso é um dos procedimentos clínicos mais antigos da prática 
médica, e representa também um gesto simbólico, pois é um dos primeiros contatos 
físicos entre o médico ou enfermeiro e o paciente. 
Fisiologia: com a contração do ventrículo esquerdo há uma ejeção de um volume 
de sangue na aorta, e dali, para a árvore arterial, sendo que uma onda de pressão 
desloca-se rapidamente pelo sistema arterial, onde pode ser percebida como pulso 
arterial. Portanto o pulso é a contração e expansão alternada de uma artéria. 
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 Local: o melhor local para aferir o pulso nos animais é na artéria femoral, do 
lado interno da coxa. Pode-se tentar aferir também nas carótidas (ao lado da veia 
jugular) no pescoço. Conte as pulsações também em 15 segundos e multiplique por 4. 
Verifique também se o pulso é forte ou se está fraco. 
Temperatura 
Sabemos ser quase constante, a 
temperatura no interior do corpo, com uma 
mínima variação, ao redor de 0,6 graus 
centígrados, mesmo quando expostos à 
grandes diferenças de temperatura externa, 
graças à um complexo sistema chamado 
termorregulador. Já a temperatura no exterior 
varia de acordo com condições ambien tais. A 
mesma é medida através do termômetro 
clínico. 
Local: o melhor local para medir a temperatura dos animais é no ânus, pois é a 
que melhor reflete a verdadeira temperatura corporal. 
O aparelho deve ser cuidadosamente introduzido, às vezes com uso de vaselina, 
de modo que o depósito de mercúrio fique em contato com a mucosa do intestino (o 
reto). Como muitos animais oferecem resistência à tomada de temperatura é 
conveniente que a operação dure pouco tempo, com o emprego de termômetros 
clínicos que em trinta segundos marcam a temperatura corretamente. É preciso que a 
coluna do mercúrio seja previamente baixada de pelo menos um grau abaixo da 
temperatura normal do animal em exame. Para facilitar a colocação, o termômetro deve 
ser lubrificado com vaselina, óleo ou mesmo água. A introdução jamais deve ser 
forçada a fim de que o animal não se assuste e quebre o aparelho com movimentos 
violentos. 
 
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AUXILIAR VETERINÁRIO 84
A temperatur a retal dos cães é: 35 a 37,2ºC na primeira semana de vida; 37,2 a 
37,8ºC na segunda e terceira semanas; 37,5 a 39ºC na quarta semana; e 38,5 a 39ºC 
da quinta semana em diante, inclusive nos animais adultos. Em cães adultos de grande 
porte, vai de 37,4ºC a 39ºC, e em cães de pequeno porte de 38ºC a 39ºC. A 
temperatura retal de gatos oscila entre 38ºC a 39,5ºC, sendo que em filhotes ela é um 
pouco mais baixa. 
Quando a temperatura dos animais está acima do normal ele está com febre, e o 
termo técnico que deve ser utilizado é hipertermia. Quando a temperatura está abaixo 
do normal, o animal está em hipotermia. Ambos os casos deve ser imediatamente 
comunicado ao veterinário. 
Freqüência respiratória 
O ritmo respiratório, que também deve ser 
regular, é verificado por meio da contagem do 
número de modos dos movimentos do flanco ou do 
tórax, por minuto. O número de movimentos 
respiratórios aumenta muito após um exercício ou 
esforço pesado, assim como em conseqüência do 
susto, do medo e da excitação e quando o frio ou o 
calor são extremos, em lugares de atmosfera 
confinada e durante um ataque de febre, convulsão 
ou eclampsia. 
O normal para um cão de grande porte é de 14 
a 30 movimentos por minuto, para um cão pequeno é 
de 16 a 35, e para os gatos é de 20 a 40 movimentos 
por minuto, quando os animais estão cal mos. 
 
Aula 37 - Primeiros socorros para 
Cães e Gatos 
 
Introdução 
 
 A vida dos cães e gatos tem se tornado muito mais longa nos últimos anos por 
várias razões tais como o progresso da terapêutica e utilização dos medicamentos 
adequados, vacinações regulares com vacinas mais eficazes, as quais controlam as 
doenças infecto-contagiosas, a alimentação cada vez mais aperfeiçoada, as visitas 
regulares aos veterinários, etc. 
 
 Hoje em dia mais do que nunca, nossos animais de estimação gozam de mais 
segurança, vivendo até dentro de casa, muitas vezes longe dos riscos de acidentes de 
trânsito, traumas em geral e brigas com outros animais. Inclusive os proprietários 
também começaram a se conscientizar de uma posse mais responsável de seus 
animais, procurando controlá-los de uma forma mais segura através de confinamentos 
FORMAÇÃO PROFISSIONAL COM QUALIDADE 
AUXILIAR VETERINÁRIO 85
adequados, ou mesmo a utilização de guias, tudo isso colaborando diretamente no 
aumento da expectativa de vida. 
 
 Entretanto é indispensável que 
estejamos a par de medidas de emergência 
que se devem tomar quando é preciso prestar 
primeiros socorros. Quantas vidas de animais 
não se veriam livres de complicações 
ocasionadas por cortes, fraturas, 
envenenamentos, queimaduras e outros 
acidentes, se houvesse no momento oportuno 
alguém que pudesse prestar-lhes os devidos 
cuidados! 
 
 Esta seção de Primeiros Socorros para 
Cães e Gatos tem o intuito de dar uma primeira 
noção ao auxiliar de veterinária do que fazer 
num momento de emergência, enquanto não 
consegue localizar seu veterinário de 
confiança. 
 
 Obviamente não se tem a pretensão de esgotar todos os assuntos e muito menos 
de, com estas breves informações, dispensar a completa atenção e experiência de um 
atendimento veterinário. 
 
 Os objetivos dos primeiros socorros aqui descritos estão relacionados com 
aquelas situações inesperadas de emergências, tendo como finalidade básica de 
abranger as seguintes situações: de preservar a vida do animal, diminuir a dor e o 
sofrimento, de se evitar outros ferimentos, de favorecer a recuperação e finalmente de 
transportaro animal com segurança, segurança esta para o animal e para o 
proprietário, a fim de receber o tratamento de um profissional. 
 
Definição 
 
 Primeiro socorro é o tratamento imediato e provisório dado em caso de acidente 
ou enfermidade imprevista. Geralmente se presta no local do acidente e, com exceção 
de certos casos leves, até que se possa por o animal a cargo de um veterinário para 
tratamento definitivo. 
 
Exame do Animal 
 
 Geralmente se vê de imediato qual é o sintoma e/ou a lesão presente. No 
entanto, sempre é conveniente um breve exame do animal para observar outros 
sintomas e/ou lesões importantes, além daquelas evidentes. Com uma observação 
mais cuidadosa, rapidamente se poderá determinar se há hemorragia, vômitos, 
diarréia, perturbação na respiração, batimentos cardíacos fracos, perda dos sentidos, 
FORMAÇÃO PROFISSIONAL COM QUALIDADE 
AUXILIAR VETERINÁRIO 86
estado de choque. Obviamente deve se dar uma prioridade de atenção aos sintomas 
mais graves, em vez de se buscar outras lesões de menor gravidade. 
 
 
 Primeiramente observe qualquer 
mudança de comportamento: se o animal é 
normalmente assustado e passa a querer 
ficar ao lado do proprietário, pode ser que 
não esteja se sentindo bem. 
 
 Examine a pelagem e os pelos do 
animal, veja se está uniforme, se apresenta 
regiões com falhas, prurido, lesões, 
aumentos de volume, odor, etc. 
 
 Observe a posição do corpo, examine os membros. Se um membro apresenta 
posição muito anormal, provavelmente há fratura ou luxação. Se a fratura for de 
coluna, o caso é bastante sério podendo haver perda de movimentos dos membros 
posteriores ou mesmo anteriores. 
 
 Examine o pescoço, a cabeça, se há ferimentos, saliências, depressões, 
hemorragia. Observe os olhos, a boca, se há dentes quebrados, coloração das 
gengivas, o hálito do animal, presença de queimaduras provocadas por algum produto 
cáustico, corpos estranhos que possam prejudicar a respiração de um animal semi-
consciente, os quais devem ser retirados imediatamente, se visualizados. 
 
 Se o animal não perdeu os sentidos e estiver com 
muita dor, cuidado ao tocá-lo. Mesmo que seja bastante 
manso, se a sensibilidade for grande, animal pode se 
tornar perigoso. Sempre é bom salientar que nestes 
casos de animais assustados ou sentindo dores, convém 
limitar seus movimentos, aproximando-se com calma e 
tranqüilizando-os com palavras de carinho, para se evitar 
maiores acidentes. A primeira providência, em caso de 
cães, é amordaçá-los com uma tira de tecido macio, 
barbante ou algo semelhante. No caso de um gato 
assustado, o mesmo pode ser contido com auxílio de 
uma toalha, deixando uma pequena abertura para 
respirar e evitando que ele arranhe, enrolando-o 
completamente. 
 
 Observe o tórax, poucas vezes se vêem deformações do tórax por afundamento 
das costelas, mas com freqüência, se houver fraturas das mesmas num caso de 
atropelamento, por exemplo, produzirão muita dor até quando o animal respirar. 
 
 No abdômen um dos pontos mais importantes de ser observado é se há ou não 
rigidez dos músculos da parede abdominal. Se houver poderemos estar diante de um 
caso grave de ruptura de alguma víscera oca. Neste caso somente uma cirurgia 
urgente poderá salvar o animal. 
 
FORMAÇÃO PROFISSIONAL COM QUALIDADE 
AUXILIAR VETERINÁRIO 87
 Examine a cauda, o ânus, os órgãos genitais de seu 
animal quando ele estiver saudável para reconhecer odores 
normais e a anatomia das regiões. Qualquer aumento de 
sensibilidade, variação na cor ou alteração nos odores é 
importante de ser avaliado. 
 É preciso agir com rapidez, mas sem precipitação e ao 
atuar com calma e segurança poderemos com estas 
observações anteriores, as quais podem ser feitas em poucos 
minutos, ajudar o animal até que um veterinário possa dar 
continuidade ao que foi iniciado. 
 
Sinais de choque 
 
 Independente da causa especifica, o choque é a emergência com o qual 
podemos nos deparar com maior probabilidade e constitui uma grande ameaça à vida 
do animal. 
 
Em todas as emergências deve-se considerar sempre os sinais de choque 
porque indica a gravidade do caso em questão. Sempre num momento de choque é 
fundamental se manter a calma. 
 
Os sinais de choque são os seguintes: 
 
• Gengivas descoradas ou brancas. 
• Freqüência cardíaca rápida (nos cães, superior 
a 150 batimentos por minuto e nos gatos 
superior a 250 batimentos por minuto). 
• Freqüência respiratória acelerada (mais de 30 
movimentos por minuto no caso dos cães e nos 
gatos respiração com mais de 40 respirações 
por minuto). 
• Inquietação ou ansiedade. 
• Letargia ou fraqueza. 
• Temperatura corporal abaixo do normal (verifique a temperatura corporal 
tocando o animal e observando se está mais frio do que o normal). 
 
Providências para minimizar os efeitos do choque: 
 
• Deite o animal de lado com a cabeça estendida. 
• Erga a parte traseira do animal usando travesseiro ou toalha. 
FORMAÇÃO PROFISSIONAL COM QUALIDADE 
AUXILIAR VETERINÁRIO 88
• Estanque qualquer hemorragia evidente fazendo pressão com uma compressa 
absorvente ou se necessário aplicando um torniquete. 
• Evite a perda de calor corporal cobrindo o animal com cobertor aquecido. 
• Importante: Não ofereça nada para beber ou comer. 
• Não permita que o animal, se consciente, fique perambulando, mantenha-o 
confinado. 
• Leve o animal ao veterinário mais próximo, urgentemente. Se o animal estiver 
em choque profundo, mantenha o animal deitado com os membros acima do 
nível do coração. 
 
Choque Anafilático 
 
 O choque anafilático é causado 
principalmente por picadas de insetos ou 
aranhas, medicamentos e às vezes também 
por alimentos. Difere do choque anterior 
porque o animal pode apresentar um 
quadro destes somente após uma causa 
específica como por exemplo: picada de 
inseto ou aranha, ingestão de um 
medicamento (oral ou injetável) ou produto 
químico. 
 
Os sintomas característicos que o animal pode apresentar são os seguintes: 
vômitos e/ou diarréia repentinos, dificuldade respiratória, erupções na pele, sinais de 
choque (como descrito anteriormente) e até óbito dependendo do caso. Tome as 
seguintes medidas: 
 
- Mantenha as vias aérea s desimpedidas. 
- Se necessário faça respiração artificial e massagem cardíaca (caso ocorra 
parada cárdio-respiratória). 
- Se perceber que existe líquido nas vias respiratórias (quando animal respira 
percebe-se sons de material atrapalhando a passagem do ar), levante o animal 
pelos membros posteriores para tentar, por gravidade, que as vias aéreas 
fiquem desimpedidas. 
- Procure o veterinário urgentemente, para a utilização de medicamentos e 
procedimentos que interrompam a ação dos sintomas alérgicos. 
 
FORMAÇÃO PROFISSIONAL COM QUALIDADE 
AUXILIAR VETERINÁRIO 89
Respiração Artificial e Massagem Cardíaca 
 
 Se por um curto período de tempo o 
cérebro do animal não receba o suprimento 
adequado de Oxigênio devido a uma parada da 
respiração ou do coração, danos irreversíveis 
ocorrerão, geralmente acarretando na morte do 
animal. Num caso destes poderemos salvar a 
vida do animal se aplicarmos as medidas que se 
seguem. 
 
 São as seguintes situações que poderão 
exigir uma respiração artificial ou massagem 
cardíaca: hemorragia intensa, traumatismo grave, 
principalmente na cabeça, envenenamento, 
inalação de fumaça, parada cardíaca, choque, 
asfixia, choque elétrico. 
 
 Uma observação importante é a de que somente faça estes procedimentos se for 
evidente que o animal esteja inconsciente com uma parada cárdio-respiratória e que a 
morte esteja iminentecaso nada seja feito. Lembre-se: caso o quadro seja muito grave, 
até os socorros mais adequados feitos por um profisional podem ser insuficientes para 
salvar a vida de um animal. 
 
Respiração Artificial 
 
Caso o animal tenha parado de respirar: 
 
- Deite-o de lado, puxe a língua para fora e desobstrua as vias respiratórias. 
- Com uma da mãos ao redor do focinho e mantendo a boca do animal fechada, 
sopre as narinas com sua boca até que o peito do animal se expanda 
(respiração bo ca-a-focin ho). 
- Retire a boca até que os pulmões 
esvaziem. 
- Repita este procedimento umas 15 
vezes por minuto (conte 
aproximadamente até 4 entre uma 
soprada e outra). 
- Se o coração não estiver batendo, 
faça massagem cardíaca 
juntamente com a respiração 
artificial (ver abaixo). 
- Chame o veterinário o mais 
FORMAÇÃO PROFISSIONAL COM QUALIDADE 
AUXILIAR VETERINÁRIO 90
depressa possível. 
 
Massagem cardíaca 
 
Quando o coração do animal pára 
de bater, este quadro também influi na 
coloração das gengivas, as quais deixam o 
seu tom róseo normal para um tom pálido 
ou azulado. Faça o seguinte se perceber 
que o coração do animal parou de bater: 
 
 
 
- Deite o animal de lado, de preferência com o lado direito para baixo e com a 
cabeça mais baixa que o corpo. Segure o peito logo pós o membro anterior com 
o polegar de um lado e os outros 4 dedos do outro lado, se o animal for 
pequeno. Se o animal for de porte médio, faça a massagem com uma mão de 
um lado e a outra do outro. Se for de porte grande ou obeso, deite o animal de 
costas no chão e faça a massagem com ambas as mãos (uma em cima da 
outra), sobre o esterno (osso que está no meio do peito). 
- Em qualquer dos casos acima aja com vigor (mas não com violência) tentando 
impelir o sangue para o cérebro. Se não houver nenhum ferimento no animal na 
região torácica, não se preocupe em estar machucando o animal. 
- Repita esta operação de 80 a 120 vezes por minuto. Nos animais pequenos o 
coração bate mais depressa que nos animais maiores, leve esta informação em 
consideração. 
- Faça a massagem cardíaca durante 15 segundos aproximadamente, em 
seguida faça 10 segundos de respiração boca-a-focinho (ver acima). 
- Verifique o batimento cardíaco. Continue a fazer a massagem cardíaca até o 
batimento normalizar, quando isso acontecer, preocupe-se com a respiração. 
- Chame urgentemente um veterinário. 
 
 Lembre-se: este tratamento é o chamado tratamento heróico. Muitas vezes 
apesar de todos os esforços não se consegue salvar o animal, pois quando o quadro 
chega neste ponto sempre podemos considerá-lo bastante grave. Entretanto, faça o 
que puder e caso não tenha êxito, não se culpe. 
 
 
Aula 38 – Primeiros Socorros para Cães e 
Gatos (Continuação) 
 
FORMAÇÃO PROFISSIONAL COM QUALIDADE 
AUXILIAR VETERINÁRIO 91
 
Abordaremos em seguida algumas situações emergenciais mais comuns e 
algumas dicas de procedimento (em ordem alfabética): 
 
 
 
Afecções dos olhos 
 
 Todas as afecções dos olhos são 
potencialmente perigosas. Um arranhão de menor 
importância na superfície do olho, quando não 
tratado pode infeccionar e causar perda da visão. 
 
 
 
Olho está fora da órbita: 
 
 - Não tente recolocar o olho no lugar. 
 - Cubra com uma esponja ou pano limpo embebido em solução de água 
açucarada e mantenha preso levemente à cabeça. 
- Mantenha o animal mais imóvel possível e procure ajuda veterinária rápida. 
 
Secreção verde ou amarela: 
 
 - São sinais de infecção, limpe os olhos com água morna ou colírio. 
- Fique atento a outros sinais de doença. 
 Queimaduras com produtos químicos: 
 
- Lave o olho afetado com água limpa durante vários minutos. 
- Proteja o olho com uma atadura até a chegada do veterinário 
 
Afogamento 
 Embora a grande maioria dos animais saiba nadar, estas emergências ocorrem 
quando eles caem em locais que não consigam sair como piscinas, canais ou poços 
ficando exaustos ou em pânico. 
FORMAÇÃO PROFISSIONAL COM QUALIDADE 
AUXILIAR VETERINÁRIO 92
 
- Se possível salve o animal com uma vara ou galho de ponta curva, ou 
aproxime-se dele de barco. Entre na água somente em ultimo caso, pois poderá 
colocar em risco sua própria vida principalmente em se tratando de animais de 
grande porte. Em caso de animais de pequeno porte leve algo com você para que o 
animal possa agarrar. 
- Se possível e se o animal estiver consciente, leve-o para terra firme e 
mantenha-o aquecido. Se estiver inconsciente, drene a água dos pulmões, segurando-
o, no caso de animais de pequeno porte, de cabeça para baixo de dez a vinte 
segundos e dando várias sacudidas para baixo. 
- Se o animal for maior e mais pesado, deite-o de lado com a cabeça num 
plano inferior a dos pulmões, limpe resíduos da boca e puxe a língua para fora, caso 
tenha parado de respirar ou o coração tenha parado de bater, faça respiração artificial 
e/ou massagem cardíaca, conforme explicado no texto. 
-Podem ocorrer problemas graves ou fatais horas após um acidente com 
afogamento, se possível procure um veterinário imediatamente após o acidente para ser 
avaliado. 
 
Asfixia 
 
 Normalmente é um quadro que pode ser bastante grave a ponto de poder levar o 
animal à morte. Entretanto precisamos tentar rapidamente descobrir a causa da asfixia 
e ajudar o animal a respirar urgentemente. É importante lembrar que a asfixia pode ser 
perigosa a quem estiver socorrendo o animal porque ele está num quadro 
desesperador e de um estado normalmente calmo, pode se tornar agressivo. Tome as 
seguintes medidas: 
 
FORMAÇÃO PROFISSIONAL COM QUALIDADE 
AUXILIAR VETERINÁRIO 93
- Abra a boca do animal com cuidado para descobrir se há algum corpo estranho 
e remova-o se possível. Às vezes um cabo de colher pode ajudar a arrancar um 
osso preso no céu da boca. 
- Se o cão estiver inconsciente e for de pequeno porte, segure-o pelos quadris e 
balance-o de cabeça para baixo para que a gravidade auxilie. 
- Faça respiração artificial e/ou massagem cardíaca se perceber que o caso é 
grave (ver texto). 
 
Choque elétrico 
 
 Se for forte, o choque elétrico pode causar 
de imediato uma parada cardíaca, além de 
queimaduras na parte afetada do corpo. 
Freqüentemente, a causa mais comum para a 
eletrocussão em animais de pequeno porte está 
ligada a mastigação de fios elétricos, porém os 
contatos com linhas de força ou relâmpagos 
também causam acidentes fatais. 
 
 Eventualmente, fios desencapados no chão, 
ao entrar em contato com urina, podem causar um 
choque grave. 
 
• Verifique se os movimentos cardíacos e respiratórios estão presentes, caso 
contrario faça respiração artificial pressionando o costado do animal em 
movimentos rítmicos por alguns minutos (ver no texto anotações sobre 
respiração artificial e massagem cardíaca). 
• Se houver apenas lesões ou queimaduras na mucosa oral, trate com 
compressas de água fria. 
 
Bicheira (Miíase) 
 
 Afecção bastante comum nas regiões em que apresentam vegetação e criações 
de animais domésticos como por exemplo, bovinos, eqüinos, suínos, aves, cujas 
instalações sejam atrativos para moscas. 
 
 A popularmente chamada bicheira é uma lesão ou lesões causadas por larvas de 
moscas que acometem os animais muitas vezes enfraquecidos, debilitados e com 
pelagem molhada. Seus locais favoritos para colocar os ovos são a região perinasal, 
periocular, peribucal, perianal e a genitália, ou as proximidades de ferimentos 
negligenciados. As moscas varejeiras (apresentam várias espécies, algumas delas 
parasitas obrigatórios de tecidos vivos) aproveitam ferimentos já existentes e colocam 
seus ovos,havendo então uma infestação larval. Estas larvas são altamente 
destrutivas produzindo lesões com forte odor, muitas vezes formando verdadeiras 
FORMAÇÃO PROFISSIONAL COM QUALIDADE 
AUXILIAR VETERINÁRIO 94
“cavernas” sob a pele. A gravidade deste tipo de lesão está relacionada ao local onde 
existe o processo e a sua extensão. A miíase quase sempre é o reflexo de negligência 
no tratamento do animal. 
 
 Existe também outro tipo de miíase provocada pela mosca do berne, cujas larvas 
não necessitam de que o tecido do animal apresente lesão. As larvas penetram 
ativamente na pele íntegra e desenvolvem abscessos císticos, encimados por um poro 
respiratório e por onde as larvas, depois que completam seus ciclos, saem para 
empupar. 
 
 O tratamento, obviamente dependendo do tamanho da lesão, é relativamente fácil 
de ser feito. Entretanto muitas pessoas querendo tratar o animal sem o saber ou 
seguindo palpites de leigos pioram o quadro utilizando produtos cáusticos, cuja ação 
agrava ainda mais o processo. 
 
 Deve-se tentar retirar o máximo de larvas possíveis, com o auxilio de uma pinça e 
de produtos larvicidas. Dependendo do local e da agressividade do animal, o mesmo 
deve ser sedado. 
 Constipação 
 Também conhecido como prisão de ventre é mais freqüente em animais velhos 
devido ao funcionamento intestinal ser mais lento, porém os jovens também podem ser 
acometidos no caso de ingestão de objeto não digerível como por exemplo, pedaço de 
osso grande, brinquedos de crianças , chupetas, etc. Alterações anatômicas como 
hérnias, aumento do volume prostático ou mesmo uma bola de pêlos que se forma no 
intestino dos felinos devido o ato de se lamber constantemente também podem causar 
a constipação. 
 
 - Nos casos leves poderemos adicionar óleo mineral no 
alimento dos animais na proporção de uma colher das de 
chá para cada 5 kg de peso corporal até percebermos a 
diminuição dos sintomas. Entretanto sempre é bom 
informar ao veterinário sobre o caso assim que puder 
para ver se há necessidade de uma Radiografia ou Ultra-
som abdominal (pode haver algum tipo de obstrução 
intestinal e num caso destes a saúde se deteriora 
rapidamente). 
 
 - Nos casos graves onde há distensão abdominal evidente, esforço para 
evacuar sem conseguir, dor deve-se avisar imediatamente ao veterinário. 
 
 
Convulsões e ataques 
 
 De forma geral as convulsões são comuns a uma variedade enorme de situações 
que provocam o distúrbio neurológico, porém quando os quadros aparecem de forma 
freqüente podemos estar diante de uma epilepsia. Outras possibilidades que poderiam 
FORMAÇÃO PROFISSIONAL COM QUALIDADE 
AUXILIAR VETERINÁRIO 95
causar as convulsões são intoxicações, alterações metabólicas como hipoglicemia 
(diminuição do teor de glicose do sangue), infecções virais ou bacterianas, tumores 
cerebrais etc, de qualquer forma muitas vezes fica difícil determinar a causa com 
exatidão, sendo somente possível através de exames. 
 
 
 A crise convulsiva pode ser 
classificada como grande mal ou pequeno 
mal. Grande mal quando o quadro é forte, 
muitas vezes ocorrendo com o animal 
deitado, contorcendo-se e batendo as patas 
como se estivesse pedalando. Pequeno mal 
quando a convulsão é mais fraca, de forma 
que o animal fica andando em círculos, 
compulsivamente, aparentemente cego e 
contorcendo-se levemente. 
 
 
- Proteja o cão com almofadas para evitar o atrito com superfícies duras e 
mantenha-o em confinamento em ambiente pequeno em silencio e a meia luz. 
- Cuidado, não ponha a mão dentro da boca do animal no momento da crise; num 
momento de convulsão o animal pode fechar a boca vigorosamente e pode 
machucá-lo. 
- Se o ataque durar mais de quatro minutos, envolva-o em pano de algodão para 
evitar a hipertermia e chame imediatamente o veterinário. Registre o tempo do 
ataque e o que o animal fazia antes do seu início, porque isto poderá ajudar no 
diagnostico. 
- Uma outra situação singular é a da fêmea em lactação. Podemos ter um quadro 
de incoordenação e tremores musculares com aumento do ritmo respiratório. 
Isto ocorre devido a problemas metabólicos (eclâmpsia), sendo necessário neste 
caso socorro veterinário de imediato, pois o quadro é fatal se não socorrido a 
tempo. 
 
Aula 39 - Primeiros Socorros para Cães e 
Gatos (continuação) 
 
 
Ferimentos 
 
 Ferimentos com lesão da pele provocando uma solução de continuidade com o 
meio externo geralmente infeccionam e necessitam de tratamento à base de 
antibióticos e antinflamatórios. Os ferimentos profundos devem ser tratados sempre 
como potencialmente fatais. Os ferimentos superficiais (escoriações, contusões e 
FORMAÇÃO PROFISSIONAL COM QUALIDADE 
AUXILIAR VETERINÁRIO 96
lacerações) apresentam graus diferentes de gravidade a qual somente um profissional 
pode saber. 
 
Mordedura de animais: 
 
 Se o animal estiver em choque ou com perfuração do abdômen e órgãos 
internos expostos, evite que o animal se lamba e leve-o imediatamente ao veterinário. 
 
 
Ferimentos à bala: 
 
 Acalme o cão, amordace-o e contenha as hemorragias. 
 
Fraturas 
 
 As fraturas ou lesões nos ossos são quase tão comuns como os ferimentos e 
freqüentemente estão a eles associadas. Podem ser causadas por quedas, brigas, 
atropelamentos, etc. A fratura pode ser exposta (quando a pele fica aberta), geralmente 
mais grave pois pode infeccionar ou fratura comum, em que o osso não atravessa a 
pele. Existem também os entorses, quando a articulação é apenas forçada, mas não há 
desarticulação e a luxação, em que o osso escapa da articulação, provocando uma 
verdadeira desarticulação e neste caso o processo é tão doloroso e perigoso quanto 
uma fratura. Sempre é aconselhável se evitar que uma fratura comum fique se torne 
uma fratura exposta. 
 
 Em se falando de fraturas, entorses ou luxações 
orientamos as seguintes providências: 
 
 - Amordace o animal para evitar maiores acidentes. 
- Se possível observe qual a região do corpo que 
está afetada, se o animal apóia o membro, se apóia 
mas claudica (manca), etc. 
- Se o membro afetado está muito dolorido enrole 
uma atadura para que não fique balançando 
enquanto transporta o animal. 
 
 
 Em todos os casos de fraturas, como norma geral, deve ser providenciado um 
apoio para diminuir a dor. Não tente reparar a fratura e muito menos faça massagem 
ou utilize anti-sépticos. Uma tala mal colocada pode prejudicar a circulação sangüínea 
e provocar danos mais sérios. Todos estes serviços devem ser feitos por um 
veterinário, acompanhado de anestesia e chapas radiográficas. 
 
FORMAÇÃO PROFISSIONAL COM QUALIDADE 
AUXILIAR VETERINÁRIO 97
 
Hemorragias 
 
 As hemorragias podem ser internas e externas. As internas embora não são 
evidentes como as externas, mas também são igualmente importantes. Dependendo 
do local em que houve a lesão e dos vasos comprometidos obviamente a hemorragia 
será mais ou menos intensa. 
 
- De forma geral as pequenas 
hemorragias se forem devidamente 
estancadas com compressas frias ou 
faixas compressivas podem ser 
contidas. 
- Já as grandes hemorragias 
necessitam de intervenções mais 
drásticas como suturas, cirurgias 
mediante anestesias gerais 
cuidadosas devido à perda de sangue. 
Caso o animal apresente hemorragia 
severa o animal pode entrar em 
choque. 
 
Acidentes por animais peçonhentos 
 
 Cobras: 
 
 Os animais mais freqüentemente 
são picados por cobras do que os 
humanos. Dependendo do tipo da 
peçonha da cobra varia a ação do 
veneno. As do gênero Crotalus, as 
cascavéis costumam provocar sintomas 
neurológicos, as dogênero Bothrops, 
abrangendo as jararacas, jararacuçus, 
urutus, etc. costumam provocar uma forte 
lesão e posterior necrose local devido a 
ação proteolítica do veneno. Em ambos 
os casos de picada de cobra, poderemos 
ter os seguintes sintomas: tremores, 
excitação, vômitos, prostração, salivação, 
pupilas dilatadas, pulso acelerado. 
 
FORMAÇÃO PROFISSIONAL COM QUALIDADE 
AUXILIAR VETERINÁRIO 98
 Aranhas e Escorpiões: 
 
 As aranhas e escorpiões picam com mais dificuldade os animais do que as 
cobras devido à proteção que os pelos proporcionam. Entretanto em casos de 
acidentes com estes artrópodes os sintomas mais comuns são dor intensa no local, 
inflamação, vômitos, convulsões, espasmos musculares, dificuldades respiratórias e 
em casos mais graves até paralisia. 
 
 Em todos estes casos de Mordeduras e Picadas, as principais providências a 
serem tomadas são as seguintes: 
 
- Procure reduzir ao mínimo o movimento do animal. 
- Se souber onde foi o acidente lavar o ferimento cuidadosamente com água fria. 
- Mantenha o animal calmo e chame rapidamente um veterinário para uso de soro 
anti-ofídico (no caso das picadas de cobra) e medicamentos apropriados, os 
quais se forem ministrados a tempo podem salvar a vida do animal. 
 
Parada Cardíaca 
 
 A parada cardíaca é mais freqüente em algumas raças de cães de grande porte 
ou aquelas que tenham uma predisposição genética. Entretanto, geralmente quando 
estamos diante de uma parada cardíaca, ela se deve a alguma outra crise mais grave 
que precisa ser superada para que o animal sobreviva. Enquanto se chama o 
veterinário, deve-se fazer massagem cardíaca e se parou de respirar, também 
respiração artificial (ver texto de massagem cardíaca e respiração artificial). 
 Perda dos Sentidos 
 
 É raro ocorrer este tipo de 
problema nos animais, um suprimento 
deficiente de energia (hipoglicemia) ou 
Oxigênio para o cérebro ou alterações 
cardíacas podem provocar um quadro 
deste. Entretanto as principais 
providên cias a serem tomadas numa 
situação dessa são as seguintes: 
 
- Puxe a língua do animal para fora 
para garantir uma boa respiração. 
- Avalie a coloração das 
gengivas para ver se há um 
FORMAÇÃO PROFISSIONAL COM QUALIDADE 
AUXILIAR VETERINÁRIO 99
bom suprimento de Oxigênio (quando falta Oxigênio as gengivas e outras 
mucosas ficam arrocheadas). 
- Se o animal recobrou-se dos sentidos, informe urgentemente o veterinário 
fornecendo se possível os dados do desmaio, ou seja: duração, momento, local 
do episódio, etc. 
 
Queimaduras 
 
 As queimaduras podem ser provocadas 
principalmente pelas seguintes causas: calor, produtos 
químicos ou eletricidade. As queimaduras mais graves 
podem levar o animal a um estado de choque e óbito, 
portanto necessitam de um tratamento veterinário urgente. 
Num momento de emergência, faça o seguinte: 
 
 - Imobilize o animal. 
- Lave a região afetada com água fria, de preferência com um suave jato de 
chuveiro imediatamente após o acidente para reduzir os danos nos tecidos. 
- Remova o produto químico, caso seja o causador da queimadura (use luvas). 
- Coloque sobre a queimadura alguma atadura que não cole na lesão (evite 
colocar algodão). 
Torção de Estômago ou Timpanismo 
 
 Ocorre frequentemente nos cães de grande porte como fila-brasileiro, dog 
alemão, mastim napolitano, mastiff, etc. Este quadro é provocado pela ingestão 
excessiva de alimentos ricos em carboidratos (principalmente quando o animal é 
alimentado uma só vez ao dia) e logo após exercício físico. É mais comum em cães 
mais velhos, mas também pode ocorrer nos jovens, pois fatores genéticos e ambientais 
também influem. 
 
 O estômago se enche de gases e o animal impossibilitado de eliminá-los. Com o 
passar do tempo, estes gases começam a empurrar o diafragma (músculo que separa 
o tórax do abdômen) para frente afetando a respiração. É um quadro bastante grave, 
procure um veterinário urgentemente, pois caso o animal não seja socorrido a morte é 
certa e rápida. 
Venenos 
 
Ingestão de venenos: 
 
FORMAÇÃO PROFISSIONAL COM QUALIDADE 
AUXILIAR VETERINÁRIO 100
 Os cães são muito mais susceptíveis a envenenarem-se do que os gatos, pois os 
gatos são bem mais prudentes com o que comem. Entretanto todos podem estar 
sujeitos a se intoxicarem e dependendo do porte do animal, do veneno e da quantidade 
ingerida, teremos a gravidade do caso. Alguns produtos podem provocar efeitos 
desagradáveis temporariamente, outros podem ser fatais após sua ingestão num curto 
período de tempo, caso o animal não seja socorrido a tempo. 
 
 Como medidas gerais faça o seguinte: 
 
- Verifique se as vias respiratórias estão desimpedidas 
- Se o veneno ingerido nas últimas 2hs não foi um produto alcalino, ácido ou 
derivado de petróleo provoque vômito dando sal grosso ou Água Oxigenada 10V 
(2,5ml a 5,0ml a cada 15 minutos), até que ocorra o vômito. Somente dê algo 
oral se o animal estiver consciente. 
- Dê carvão ativado em água (encontrado em farmácia, não é o carvão de uso 
domiciliar). 
 
Sintomas produzidos por Inseticidas a 
base de Carbamatos: Agitação, Contrações, 
Salivação, Convulsões e Coma. 
 
Sintomas produzidos por Inseticidas a 
base de Organofosforados: Fraqueza dos 
Membros Posteriores, Dificuldade 
Respiratória, Tremores Musculares, 
Salivação e Aumento na Produção de Urina e 
Fezes. 
 
Raticidas: 
 
 Há vários tipos de raticidas, os mais comuns são os que produzem hemorragia 
interna (anticoagulantes). Geralmente na embalagem contêm especificações com 
relação ao tipo de produto. O animal pode se intoxicar ingerindo a própria isca ou 
comento o rato envenenado. 
 
Os sintomas principais produzidos pelos raticidas são os seguintes: Vômitos, 
Letargia, Anemia, Sinais de hemorragia interna, gengivas pálidas e feridas na pele. 
 
- Se o animal acabou de ingerir o veneno provoque vômito e dê carvão ativado, 
até a chegada do veterinário; 
 
Aula 40 - Princípios cirúrgicos gerais 
FORMAÇÃO PROFISSIONAL COM QUALIDADE 
AUXILIAR VETERINÁRIO 101
O sucesso de uma operação cirúrgica depende não só da compreensão dos 
princípios básicos de divisão de tecidos, hemostasia e fechamento da ferida (atributos 
do médico veterinário), como também de um centro cirúrgico bem equipado, mantido 
por equipe treinada, que tem uma rotina organizada e estabelecida para esterilização 
de instrumentos e para preparo e assistência ás operações. 
Nenhum centro cirúrgico fornece todas as exigências ideais, mas isto não é 
desculpa para não se procurar os padrões de assepsia, os mais aceitáveis possíveis, 
dentro das instalações do cent ro e do equipamento disponível. 
São vários os tipos de operações além daquelas realizadas em tecidos 
normalmente não-infectados, como ováriohisterectomia de rotina e a maioria dos 
procedimentos ortopédicos; operações no aparelho gastrointestinal, durante as quais o 
contudo intestinal pode contaminar tanto os instrumentos como as mãos do cirurgião e 
do assistente; e finalmente exploração de tecidos excessivamente infectado, como 
abscessos e fístulas. 
 
Deve ser regulamento 
preestabelecido que nenhuma pessoa 
terá permissão para entrar no centro 
cirúrgico sem primeiro vestir a 
indumentária protetora apropriada, que 
deve incluir sapatilhas, gorro, máscara 
e avental. 
 
 
Preparação do pessoal 
Todos que adentrarem o centro cirúrgico devem passar por uma rigorosa 
assepsia, que inclui limpeza com escova, sabão iodado, colocação de avental e luvas. 
Primeiramente deve-se retirar todos os anéis, alianças, pulseiras, relógios, ou 
qualquer outro objeto que seja potencialmente contaminante. Os antebraços e mãos 
são esfregadoscom uma escova de unhas convencional, no mínimo 3 minutos, com 
atenção especial às unhas e entre os dedos. Deve-se enxaguar as mãos e antebraços 
de cima para baixo, de modo que o fluxo de água vá das mãos para o cotovelo. 
Preparação das mesas de instrumentos 
 Se as mesas são preparadas para uma série de operações é impossível garantir 
sua esterilização mesmo se forem cuidadosamente cobertos; portanto, as mesas de 
instrumentos devem ser preparadas antes de cada operação. 
FORMAÇÃO PROFISSIONAL COM QUALIDADE 
AUXILIAR VETERINÁRIO 102
 Deve-se limpar a superfície da mesa com solução anti-séptica, como por 
exemplo álcool 70%, álcool iodado, solução de cloro, etc. Depois cobre-se a mesa com 
um pano de campo esterilizado. 
 
 A bandeja esterilizadas com todos 
os instrumentos necessários para aquele 
tipo de cirurgia só deve ser aberta no 
momento da preparação dos 
instrumentos na mesa. Estes devem ser 
“derramados” sobre a mesa já coberta 
pelo pano de campo, para só depois, 
alguém já com luvas estéreis, possa 
arrumar os instrumentos de forma 
adequada. 
 
Na hora de secar, comece pelos dedos, depois as mãos, punhos, antebraço e 
por último os cotovelos, seguindo sempre esta ordem. As toalhas também devem estar 
esterilizadas. 
Preparação para a cirurgia 
 Tendo o (a) enfermeiro(a) ou auxiliar preparado a mesa de instrumentos, 
colocado o avental esterilizado e calçado as luvas, deve agora arrumar os 
instrumentos. Estes devem ser dispostos de maneira que se possa dar assistência ao 
cirurgião durante toda a operação. 
 A mesa deve conter pinças hemostáticas (também chamadas “mosquito”), 
pinças de Allis, pinças de Kocher, cabos de bisturi, tesouras de Mayo (retas e curvas), 
pinças de dissecação (lisas e denteadas), afastadores, porta-agulhas além de 
compressas de reserva e materiais de sutura para o fechamento. 
Alguns instrumentos cirúrgicos mais utilizados: 
 
 
 
 
 
 
 
1 2 
FORMAÇÃO PROFISSIONAL COM QUALIDADE 
AUXILIAR VETERINÁRIO 103
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
3 
5 6 
7 8 
4 
9 10 11 
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AUXILIAR VETERINÁRIO 104
 
 
 
 
 
 
 
1. Afastador de Farabeuf 
2. Cabo de bisturi 
3. Pinça Kelly 
4. Pinça de Kocher 
5. Afastador de Weitlaner 
6. Pinça de Halstead reta (mosquito) 
7. Pinça de Halstead curva (hemostática) 
8. Pinça Backhaus 
9. Pinça dente de rato 
10. Pinça Allis 
11. Pinça Mayo-Robson 
12. Tesoura Mayo reta 
13. Tesoura Metzembaum curva 
14. Tesoura para corte de cauda 
 
EXERCÍCIOS 
1. Descreva a seqüência correta de eventos que antecedem uma cirugia. 
2. Pesquise e traga o nome de mais 3 instrumentos cirúrgicos que não foram 
citados aqui. 
 
Aula 41 - Aplicação de medicamentos 
 
Os medicamentos podem ser administrados por diversas vias: pela boca (oral); 
por injeção em uma veia (intravenosa) ou em um músculo (intramuscular) ou sob a pele 
(subcutânea); inseridos no reto (retal); instilados no olho (ocular); borrifados dentro do 
nariz (nasal) ou dentro da boca (inalação); aplicados à pele para efeito local (tópica) ou 
sistêmico (transdérmica). Cada via tem finalidades, vantagens e desvantagens 
específicas. 
Via Oral 
12 13 14 
FORMAÇÃO PROFISSIONAL COM QUALIDADE 
AUXILIAR VETERINÁRIO 105
A administração oral é, em geral, a mais conveniente, segura e barata, e 
portanto a mais comum. Contudo, a via oral tem suas limitações. Muitos fatores, como 
outros medicamentos e a alimentação, afetam a forma de absorção dos medicamentos 
depois de sua ingestão oral. Assim, alguns medicamentos apenas devem ser tomados 
com o estômago vazio, enquanto outros devem ser ingeridos com o alimento ou 
simplesmente não podem ser tomados por via oral. Os medicamentos administrados 
por via oral são absorvidos pelo trato gastrointestinal. 
A absorção começa na boca e no estômago, mas ocorre principalmente no 
intestino delgado. Para chegar à circulação geral, o medicamento precisa 
primeiramente atravessar a parede intestinal e, em seguida, o fígado. A parede 
intestinal e o fígado alteram quimicamente (metabolizam) muitos medicamentos, 
diminuindo a quantidade absorvida. Em contraposição, os medicamentos injetados por 
via intravenosa chegam à circulação geral sem atravessar a parede intestinal e o 
fígado, e assim oferecem uma resposta mais rápida e consistente. 
Alguns medicamentos administrados por via oral irritam o trato gastrointestinal: a 
aspirina e a maioria das outras drogas antiinflamatórias não-esteróides, por exemplo, 
podem prejudicar o revestimento do estômago e do intestino delgado e causar úlceras. 
Outros medicamentos são absorvidos de forma deficiente ou errática no trato 
gastrointestinal ou destruídos pelo ambiente ácido e pelas enzimas digestivas do 
estômago. A despeito dessas limitações, a via oral é utilizada com freqüência muito 
maior que as demais vias de administração. 
As outras vias geralmente são reservadas para situações em que o paciente não 
pode ingerir nada pela boca, em que o medicamento deve ser administrado 
rapidamente ou em dose muito precisa ou quando a droga é absorvida de forma 
deficiente e errática. 
Comprimidos 
Tente colocá-los dentro de uma pequena 
porção do alimento preferido do cão. Ele vai engolir 
sem mastigar e não perceberá a medicação. 
 
 
 Se não for possível fazer isso, a segunda 
opção é mais agressiva. Abra a boca do cão, segure 
a sua língua e coloque o comprimido bem próximo da 
garganta. Feche a boca, mantenha-a assim por um 
tempo, de forma que fique um pouco elevada. Faça 
uma ligeira pressão na região da garganta, até que 
você perceba que ele tenha engolido. 
 
Líquidos 
 
 Coloque a medicação em uma seringa 
FORMAÇÃO PROFISSIONAL COM QUALIDADE 
AUXILIAR VETERINÁRIO 106
descartável (plástica), sem a agulha. Segure o focinho do animal, com a boca fechada, 
puxe a bochecha para o lado, para formar uma bolsa, introduza a seringa e vá 
empurrando o êmbulo, e liberando o líquido, lateralmente aos dentes. 
 
 Como a cabeça deve estar elevada, o líquido 
chegará mais fácil à garganta e estimulará a deglutição. 
Mantenha a boca segura, fechada, e a cabeça elevada 
até perceber que a medicação foi engolida. 
 
Vias Injetáveis 
A administração por injeção (administração parenteral) compreende as vias 
subcutânea, intramuscular e intravenosa. No caso da via subcutânea, a agulha é 
inserida por baixo da pele. Depois de injetada, a droga chega aos pequenos vasos e é 
transportada pela corrente sangüínea. A via subcutânea é utilizada para muitos 
medicamentos protéicos, como a insulina, que poderiam ser digeridos no trato 
gastrointestinal se fossem tomados pela boca. 
Os medicamentos podem ser preparados em suspensões ou em complexos 
relativamente insolúveis, de modo que sua absorção se prolongue por horas, dias ou 
mais tempo, não precisando ser administrados com tanta freqüência. 
A via intramuscular é preferível à via subcutânea quando há necessidade de 
maiores volumes do medicamento. Levando em consideração que os músculos estão 
situados mais profundamente que a pele, é utilizada uma agulha mais comprida. No 
caso da via intravenosa, a agulha é inserida diretamente em uma veia. Em pequenos 
animais usa-se a região entre os músculos semimembranoso e semitendinoso. Deve-
se ter o cuidado para aspirar o êmbolo da seringa antes de aplicar o remédio, pois se 
vier sangue terá que mudar a agulha de lugar. Outro cuidado muito importante é fazer a 
injeção no local correto, pois se ocorrer um erro e a agulha perfurar o nervo ciático, oanimal poderá nunca mais movimentar a perna! 
 
A aplicação intravenosa pode ser mais difícil que as demais parenterais, 
especialmente em animais obesos. A administração intravenosa, seja em dose única 
ou em infusão contínua, é o melhor modo de administrar medicamentos com rapidez e 
precisão. Em situações corriqueiras utiliza-se as veias cefálica e safena, porém numa 
situação emergencial, qualquer veia que se conseguir canular (até mesmo a jugular) 
pode ser usada para a aplicação de algum medicamento de emergência. Esta via é 
perigosa se for utilizada de forma incorreta. Só pode ser usado medicamentos com 
indicação para aplicação endovenosa, e em alguns casos, se o medicamento vazar e 
cair fora da veia pode levar a sérios problemas como flebite e necrose. Outro cuidado é 
nunca aplicar ar junto com o remédio, uma vez que isso pode levar a uma embolia 
pulmonar ou cerebral, por exemplo. 
Via Retal 
FORMAÇÃO PROFISSIONAL COM QUALIDADE 
AUXILIAR VETERINÁRIO 107
Muitos medicamentos que são administrados por via oral podem também ser 
administrados por via retal, em forma de supositório. Nessa forma, o medicamento é 
misturado a uma substância cerosa, que se dissolve depois de ter sido inserida no reto. 
Em razão do revestimento delgado e da abundante irrigação sangüínea do reto, o 
medicamento é rapidamente absorvido. 
 
Supositórios são receitados quando o 
animal não pode tomar o medicamento por via 
oral em razão da náusea, impossibilidade de 
engolir ou alguma restrição à ingestão, como 
ocorre em seguida a uma cirurgia. Alguns 
medicamentos são irritantes em forma de 
supositório; para essas substâncias, deve ser 
utilizada a via parenteral. 
 
 
Via Transdérmica 
Alguns medicamentos podem ser administrados pela aplicação de um emplastro 
à pele. Essas substâncias, às vezes misturadas a um agente químico que facilita a 
penetração cutânea, atravessam a pele e chegam à corrente sangüínea. 
A via transdérmica permite que o medicamento seja fornecido de forma lenta e 
contínua, durante muitas horas ou dias, ou mesmo por mais tempo. Mas alguns 
animais sofrem irritação onde o emplastro toca a pele. 
Além disso, a via transdérmica fica limitada pela velocidade com que a 
substância pode atravessar a pele. Apenas medicamentos que devem ser 
administrados em doses diárias relativamente pequenas podem ser dados por via 
transdérmica. Alguns exemplos são: nitroglicerina (para problemas cardíacos), 
escopolamina (contra o enjôo de viagem), clonidina (contra a hipertensão) e fentanil 
(para o alívio da dor). 
Inalação 
Algumas substâncias, como os gases 
utilizados em anestesia e os medicamentos 
contra a asma em recipientes aerossóis de 
dose medida, são inaladas. Essas 
substâncias transitam através das vias 
respiratórias diretamente até os pulmões, 
onde são absorvidas pela circulação 
sangüínea. 
Um número pequeno de 
medicamentos é administrado por essa via, 
FORMAÇÃO PROFISSIONAL COM QUALIDADE 
AUXILIAR VETERINÁRIO 108
porque a inalação precisa ser cuidadosamente monitorada para garantir que o paciente 
receba a quantidade certa do medicamento dentro de determinado período. 
Os sistemas de dose medida são úteis para os medicamentos que atuam 
diretamente nos canais condutores do ar até os pulmões. Considerando que a 
absorção até a corrente sangüínea é muito variável no caso da inalação por aerossol, 
raramente esse método é utilizado na administração de medicamentos que atuem em 
outros tecidos ou órgãos além dos pulmões. 
 
EXERCÍCIOS 
1. O que é perigoso no fato de uma pessoa sem treino ou experiência fazer injeções 
intramusculares ou endovenosas? 
 
Aula 42 – Aplicação de Medicamentos 
(Continuação ) 
Via intravenoso 
 A via intravenosa só deve ser 
utilizada por pessoas devidamente 
capacitadas, com treinamento prévio, uma 
vez que usada de forma inadequada pode 
até levar à morte do animal por embolia, 
tromboembolia, choque anafilático 
(dependendo do tipo da droga 
administrada) ou intoxicação (uma vez que 
aplicado o remédio não tem mais como tirá-
lo do organismo). 
 
Até mesmo os medicamentos utilizados por esta via devem ser prescritos 
unicamente pelo médico veterinário, mesmo que você saiba que aquele determinado 
remédio seja de aplicação intravenosa. Antes de cateterizar qualquer vaso, deve-se 
fazer tricotomia da área e uma assepsia cuidadosa. 
O acesso venoso periférico, com cânula metálica (escalpe ou agulhas) ou 
plástica (cateter), de preferência em membros anteriores (veia cefálica principalmente), 
possibilita a infusão de medicamentos como antibióticos, antiinflamatórios, vitaminas, 
soros, etc. Na impossibilidade de uma veia periférica (por exemplo em casos de 
emergência), esses fármacos podem ser administrados por um vaso de maior calibre, 
como a jugular; nos filhotes existe ainda a alternativa da via intra-óssea. Os escalpes 
metálicos devem ser trocados a cada 48 horas, já os cateteres podem permanecer no 
vaso do animal por até 4 dias, dependendo da marca. 
FORMAÇÃO PROFISSIONAL COM QUALIDADE 
AUXILIAR VETERINÁRIO 109
 
 
 Para a fluidoterapia, além de um escalpe ou 
um cateter, é necessário o equipo do soro e o 
frasco do soro. Existe 2 tipos de equipos: o macro-
gotas (possibilita uma maior infusão de fluidos por 
minuto) e o micro-gotas (permite uma menor 
infusão de fluidos por minuto). 
 
 
 Existem diversos tipos de soros, cada um com 
fórmula diferente, e a determinação do tipo de soro que o 
animal vai utilizar quem faz é o médico veterinário. Um 
soro errado pode até levar o animal à morte. Os mais 
comuns e mais utilizados na rotina de uma clínica 
veterinária são: solução fisiológica 0,9 % de cloreto de 
sódio, solução glicosada 5%, solução de Ringer simples e 
solução de Ringer-Lactato. Existe também diferentes 
tamanhos de frascos, sendo que a maioria das marcas 
comerciais varia de 100 ml a 1litro. 
 
 As principais complicações da cateterização de veias são: 
 
a) hematomas: ocorre pelo insucesso da punção sem a devida compressão do local 
abordado, ou quando a coagulação sanguínea do paciente está seriamente 
comprometida; 
 
b) infiltração: observada quando a cânula se encontra fora da veia ou uma punção 
posterior sem sucesso foi realizada proximal à mesma; 
 
c) celulite e flebites: que podem ser prevenidas com o emprego da boa técnica de 
punção, assepsia local, cateter adequado e menor tempo de uso; 
FORMAÇÃO PROFISSIONAL COM QUALIDADE 
AUXILIAR VETERINÁRIO 110
 
d) sepse: especialmente por germes de pele, podendose diminuir a chance dessa 
complicação com emprego de técnica correta de punção, reconhecimento de infecção, 
tratamento com antibióticos e retirada do acesso precocemente, bem como da 
formação de eventuais abscessos; 
 
e) embolia gasosa: evitada com o uso de sistemas fechados. A punção venosa pode 
ser realizada por agulhas hipodérmicas, agulhas tipo borboleta ou cateter plástico, que 
pode ser inserido sobre ou dentro da agulha. 
 
Na rotina de tratamento do paciente grave, os cateteres plásticos são os eleitos, 
já que ficam mais bem ancorados, permitem ao paciente melhor mobilização sem 
trauma de parede dos vasos, e na reposição volêmica de emergência poderá ser usado 
cateter de grande calibre e curto, que são os que possibilitam maiores fluxos. 
 
 
 
Tricotomia 
 Tricotomia nada mais é que depilar uma 
certa área do corpo do animal para a 
realização de alguma intervenção médica, 
como cirurgias, cateterização de vasos, 
realização de curativos, etc. Pode ser feito com 
máquina de tosa ou com lâminas de gilete. 
 
 
 
 
 
Curativos 
 
 Curativo é o tratamento de qualquer tipo de lesão da pele ou mucosa. 
 
FINALIDADES 
 
1. Prevenir a contaminação. 
2. Facilitar a cicatrização. 
3.Proteger a ferida. 
4. Facilitar a drenagem. 
5. Aliviar a dor. 
 
TIPOS DE CURATIVOS 
 
 O curativo é feito de acordo com as características da lesão. 
 
• Aberto: curativo em feridas sem infecção, que após tratamento permanecem 
abertos (sem proteção de gaze). 
 
FORMAÇÃO PROFISSIONAL COM QUALIDADE 
AUXILIAR VETERINÁRIO 111
• Oclusivo: curativo que após a limpeza da ferida e aplicação do medicamento 
é fechado ou ocluido com gaze ou atadura. 
 
• Compressivo: é o que faz compressão para estancar hemorragia ou vedar 
bem uma incisão. 
 
• Com irrigação: nos ferimentos com infecção dentro da cavidade ou fistula, 
com indicação de irrigação com soluções salinas ou anti-séptico. A irrigação é 
feita com seringa. 
 
• Com drenagem: nos ferimentos com grande quantidade de exsudato. 
Coloca-se dreno de (Penrose, Kehr), tubos, cateteres ou bolsas de colostomia. 
 
MATERIAL 
 
Bandeja contendo: 
 
• Pacote de pinças para curativo (usamos 
2 anatômicas – 1 com dentre e outra 
sem e 1 Kocher) e espátula com gaze. 
 
• Frascos com anti-sépticos. 
 
• Esparadrapo, fita crepe ou micropore. 
 
• Tesoura. 
• Pacote com gazes. 
 
• Quando indicados: pomadas, ataduras, 
chumaços de algodão, seringas, cubas. 
 
 
MÉTODO 
 
- Lavar as mãos. 
 
- Separar e organizar o material de acordo com o tipo de curativo a ser executado. 
 
- Levar a bandeja com o material 
 
- Colocar o animal em posição apropriada, contendo-o se necessário 
 
- Abrir o pacote de curativo e dispor as pinças com os cabos voltados para o 
executante, em ordem de uso – da esquerda para a direita: pinça anatômica sem 
dente, Kocher, anatômica com dente, e a espátula montada com gaze. 
 
- Abrir o pacote de gaze e colocá-la no campo. Se necessário colocar também 
chumaços de algodão. 
FORMAÇÃO PROFISSIONAL COM QUALIDADE 
AUXILIAR VETERINÁRIO 112
 
- Retirar o curativo anterior utilizando a espátula montada com gaze embebida em 
benzina ou éter, e a 1ª pinça antômica com dente. 
 
- Retirar o esparadrapo no sentido dos pêlos; 
 
- Com a 2ª pinça (Kocher, Pean ou Kelly) limpar as bordas da lesão com gaze 
embebida em soro fisiológico. 
 
- Secar com gaze e desprezar a pinça. 
 
- Com a 3ª pinça (anatômica sem dente) limpar a 
lesão com gaze embebida em soro fisiológico 
 
- Obedecer o princípio: do menos contaminado 
para o mais contaminado, usando tantas gazes 
forem necessárias; 
 
- Usar técnica de toque com movimentos rotativos 
com a gaze, evitando os movimentos de dentro 
para fora da ferida, tanto quanto os de fora para 
dentro; 
 
- Remover ao máximo os exsudatos (secreções – 
pus, sangue), corpos estranhos e tecidos 
necrosados; 
 
- Secar com gaze e passar o anti-séptico indicado 
(ou pomada, creme, etc.) 
 
 - Proteger com gaze e fixar com adesivo (se 
indicado). 
 
 
PRODUTOS MAIS UTILIZADOS NO TRATAMENTO DE FERIDAS 
 
- Açúcar cristal ou fino – utilizado como cicatrizante, bactericida das feridas infectadas. 
Em regiões de difícil aderência dos cristais, como proeminências ósseas, região 
perineal e inguinal, utiliza-se uma pasta constituída de 10% de furacin ou vaselina e 
90% de açúcar cristal. 
 
- Água e sabão – emoliente utilizado para limpeza. 
 
 - Benzina – utilizada para desprendimento do adesivo. 
 
 - Clorexedine – anti-séptico. 
 
 - Éter – anestesia levemente a superfície da pele e serve também para desprender o 
adesivo. Por ser volátil precisa ficar sempre em recipiente bem fechado. 
 
FORMAÇÃO PROFISSIONAL COM QUALIDADE 
AUXILIAR VETERINÁRIO 113
 - Nitrato de prata – utilizado na cicatrização de pequenas lesões; apresenta-se 
especialmente em forma de spray. 
 
 - Permanganato de Potássio – anti-séptico útil nas supurações com infecção 
secundária. É oxidante e cicatrizante. Remove exsudatos e odores. 
 
 - Solução fisiológica – usada para limpeza de lesões. 
 
 - Vaselina – emoliente utilizado para retirar crostas e impermeabilizar a pele. 
 
 - Violeta de Genciana 1 ou 2% - substância germicida e fungicida utilizada em micoses 
ou lesões da pele e mucosas. 
 
 
Cuidados com o lixo hospitalar 
 
Dentro de um hospital, nem todo o lixo hospitalar é hospitalar propriamente dito, 
haja vista que o lixo proveniente dos setores administrativos se comporta como se 
fosse da classe dos lixos urbanos. 
Mas o que se quer dizer como lixo hospitalar é aquela porção que pode estar 
contaminada com vírus ou bactérias patogênicas das salas de cirurgia e curativos, das 
clínicas dentárias, dos laboratórios de análises, dos ambulatórios e até de clínicas e 
laboratórios não localizados em hospitais, além de biotérios e veterinárias. 
 
A composição de tal lixo é a mais 
variada possível, podendo ser 
constituída de restos de alimentos de 
enfermos, restos de limpeza de salas de 
cirurgia e curativos, gazes, ataduras, 
peças anatômicas etc. 
É importante estar atento ao 
manuseio deste lixo, pois as pessoas 
que o manipulam podem ficar sujeitas a 
doenças e levarem para outras, vários 
tipos de contaminação. 
 
O lixo hospitalar contaminado deve ser embalado de forma especial, segundo a 
Norma EB 588/1977 (sacos plásticos branco-leitosos, grossos e resistentes). 
O depósito desses sacos deve ser em vasilhames bem vedados e estes 
colocados fora do alcance de pessoas, até a chegada do carro próprio para a coleta. 
Nunca tais lixos devem aguardar a coleta em locais públicos; nas calçadas, por 
exemplo. 
FORMAÇÃO PROFISSIONAL COM QUALIDADE 
AUXILIAR VETERINÁRIO 114
A melhor forma de destruir o lixo hospitalar é a incineração, desde que os 
incineradores possuam tecnologia adequada e estejam em locais que não causem 
incômodos à população. A pior forma, e que deve ser evitada, é levar o lixo hospitalar 
para usinas de lixo urbano, aterros sanitários e lixões, o que é praxe. 
Os custos do tratamento do lixo hospitalar são elevados e seria, de todo 
interessante, a formação de consórcios de geradores, para a adoção de uma solução 
comum na destinação. 
 
Aula 43 - Os diferentes estabelecimentos 
veterinários 
 De acordo com o Conselho Federal de Medicina Veterinária, os 
estabelecimentos médico veterinários são assim classificados: 
Consultórios veterinários 
São estabelecimentos destinados ao 
ato básico de consulta clínica, curativos e 
vacinações de propriedade de Médico 
Veterinário regularmente inscrito no Conselho: 
A) Setor de Atendimento: 
• 1 - sala de recepção; 
• 2 - mesa impermeabilizada de fácil 
higienização; 
• 3 - consultórios; 
• 4 - pias convencionais; 
• 5 - arquivo médico. 
B) Equipamentos necessários para: 
- manutenção exclusiva de vacinas, antígenos e outros produtos biológicos; 
- secagem e esterilização de materiais. 
Clínicas veterinárias 
São estabelecimentos destinados ao atendimento de animais para consultas e 
tratamentos clínicos-cirúrgicos, podendo ou não ter internamentos, sob a 
responsabilidade técnica e presença de Médico-Veterinário. No caso de internamentos, 
é obrigatório manter, no local, um auxiliar no período integral de 24 horas e, à 
disposição, um profissional Médico-Veterinário durante o período mencionado. 
FORMAÇÃO PROFISSIONAL COM QUALIDADE 
AUXILIAR VETERINÁRIO 115
A) Setor de atendimento: 
• 1 - sala de recepção; 
• 2 - consultório; 
• 3 - sala de ambulatório; 
• 4 - arquivo médico 
B) Setor Cirúrgico: 
• 1 - sala de esterilização de materiais; 
• 2 - local para preparo dos pacientes; 
• 3 - local de antissepsia de uso exclusivo com pias de higienização; 
• 4 - sala cirúrgica: 
• 4.1 - mesa cirúgica impermeabilizada e de fácil higienização; 
• 4.2 - oxigenoterapia; 
• 4.3 - sistema de iluminação emergencial próprio; 
• 4.4 - mesas auxiliares. 
C)Setor de Internamento (opcional), deve dispor de: 
• 1 - mesa e pia convencionais; 
• 2 - baias, boxes ou outras acomodações individuais e de isolamento, para as 
espécies destinadas e de fácil higienização e com coleta diferenciada de lixo. 
D) Setor de sustentação: 
• 1 - local para manuseio de 
alimentos; 
• 2 - instalações para repouso de 
plantonista e auxiliar (qunado 
houver internamento); 
• 3 - sanitários e vestiários 
compatíveis com o número de 
funcionários; 
• 4 - lavanderia (quando houver 
internamento); 
• 5 - setor de estocagem de 
drogas e medicamentos. 
E) Equipamentos indispensáveis para: 
• 1 - manutenção exclusiva de vacinas, antígenos e outros produtos biológicos; 
• 2 - secagem e esterilização de materiais; 
• 3 - conservação de animais mortos e restos de tecidos. 
Hospitais Veterinários 
São estabelecimentos destinados ao atendimento de pacientes para consultas, 
internamentos e tratamentos clínicos-cirúrgicos, de funcionamento obrigatório em 
FORMAÇÃO PROFISSIONAL COM QUALIDADE 
AUXILIAR VETERINÁRIO 116
período integral (24 horas), com a presença permanente e sob a responsabilidade 
técnica de Médico-Veterinário. 
A) Setor de Atendimento: 
• 1- sala de recepção; 
• 2 - consultório; 
• 3 - sala de ambulatório; 
• 4 - arquivo médico; 
B) Setor Cirúrgico: 
• 1 - sala de esterilização; 
• 2 - local de antissepsia com pias de higienização; 
• 3 - local de preparo de pacientes; 
• 4 - sala cirúrgica: 
• 4.1 - mesa cirúrgica impermeável de fácil higienização; 
• 4.2 - oxigenoterapia e anestesia inalatória; 
• 4.3 - sistema iluminação emergencial própria; 
• 4.4 - mesas auxiliares. 
C) Setor de Internamento: 
• 1 - mesa e pia convencionais; 
• 2 - baias, boxes ou outras acomendações individuais e de isolamento 
compatíveis com os animais a elas destinadas, de fácil de isolamento 
compatíveis com os animais e elas destinadas, de fácil higienização, obedecidas 
as normas sanitárias municipais e/ou estaduais. 
D) Setor de Sustenção: 
• 1 - lavanderia; 
• 2 - cozinha; 
• 3 - depósito/almoxarifado; 
• 4 - instalações para repouso de plantonistas 
• 5 - sanitários/vestiários compatíveis com o número de funcionários; 
• 6 - setor de estocagem de medicamentos e drogas (farmácia) 
E) Setor Auxiliar de Diagnóstico: 
• 1 - serviço de radiologia e/ou análises clínicas próprio ou conveniado, realizados 
nas dependências do hospital, obedecendo as normas para instalação e 
funcionamento da Secretaria de Saúde do município ou estado. 
F) Equipamentos Indispensáveis para: 
• 1 - manutenção exclusiva de vacinas, antígenos e outros produtos biológicos; 
• 2 - secagem e esterilização de materiais; 
• 3 - respiração artificial; 
FORMAÇÃO PROFISSIONAL COM QUALIDADE 
AUXILIAR VETERINÁRIO 117
• 4 - conservação de animais mortos e restos de tecidos. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 Recepção Consultório 
 Farmácia Sala de radiologia 
 Laboratório Sala de cirurgia 
 Sala de internação Sala de preparação do animal 
FORMAÇÃO PROFISSIONAL COM QUALIDADE 
AUXILIAR VETERINÁRIO 118
 
 
 
 
 
Aula 44 - Pet shops e banho e tosa 
Pet shop 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
O estabelecimento denominado "Pet Shop" inclui a comercialização de produtos 
destinados a cães e gatos, salão de banho e tosa de pêlos, hotel, e pode ou não ter um 
consultório veterinário. 
 Cozinha Quarto do plantonista 
FORMAÇÃO PROFISSIONAL COM QUALIDADE 
AUXILIAR VETERINÁRIO 119
Os estabelecimentos veterinários deverão ser mantidos nas mais perfeitas 
condições de ordem e higiene, inclusive no que se refere ao pessoal e material. É 
necessário que conste no quadro de funcionários do Pet Shop, obrigatoriamente, 
faxineiro que deverá estar presente durante todo o período de expediente. 
 
As instalações mínimas necessárias para funcionamento dos Pet Shops são: 
1. loja com piso impermeável; 
2. sala para tosa (“trimming”); 
3. sala para banho com piso impermeável; 
4. sala para secagem e penteado (“grooming”); 
5. as instalações para abrigo dos animais expostos à venda deverão ser separadas das 
demais dependências; 
6. abrigo para resíduos sólidos. 
 
Banho e tosa 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Os animais de estimação exigem cada vez mais cuidados. E isso inclui o item 
beleza. Muitas vezes os proprietários adquirem um “animalzinho” e acreditam que os 
mesmos necessitam somente de alimentação, vacinas e carinho. Não sabem, porém 
que seu cão necessita de ter higiene de uma forma ampla, que inclui periodicamente 
banhos e tosas, corte de unhas, limpeza dos ouvidos, dos olhos e escovação dos 
dentes. 
FORMAÇÃO PROFISSIONAL COM QUALIDADE 
AUXILIAR VETERINÁRIO 120
A tosa ou grooming é uma arte que se desenvolveu com o passar do tempo, 
tendo a função não só da estética (como esconder alguns defeitos e ressaltar outras 
qualidades), mas também, função de higiene e conforto para o animal. 
Banho, tosa, condicionamento do pêlo e tratamento das orelhas e unhas são os 
itens básicos de qualquer tratamento de beleza de pets. No caso de algumas raças, o 
banho talvez seja um dos mais importantes. Isto porque um banho inadequado para 
uma raça pode prejudicar o aspecto do pêlo ou mesmo deixá-lo impróprio para a tosa. 
O ideal é que o animal vá desde cedo (filhote) para os serviços de banho e tosa, 
para assim ir se acostumando com o tosador e as práticas de higiene. A partir de 3 
meses ele já pode frequentar fazendo tosa higiênica. Não se recomenda mais de um 
banho por semana, sendo em animais de pelos longos (poodle, shi-tzu, lhasa apso etc) 
a necessidade semanal para evitar que se embole os pelos e nos animais de pelos 
curtos (dachshund, pinsher, basset hound) pode ser espassar para cada 10-15 dias. 
• O banho 
Quantas vezes um cão deve 
banhar-se? A resposta difere de acordo 
com a raça. O poodle, por exemplo, deve 
ser banhado a cada quatro ou seis 
semanas. Já o pointer pode esperar 
aproximadamente três meses por um 
bom banho. 
Em geral, cães mantidos em casa 
pedem banhos freqüentes por questões 
de higiene. Antes do banho, deve-se 
escovar bem o pêlo, a fim de remover os 
pêlos mortos e desemaranhar a pelagem. 
 O desemaranhamento do pêlo é melhor realizado com uma rasqueadeira e um 
pente de nós. Os utensílios normalmente usados para a prática são xampu (existem 
aqueles especiais para acondicionar o pêlo e os próprios para cada cor de pelagem), 
escova de cerdas, esponja, esteira de borracha para a banheira, duas toalhas de 
tamanho grande, corrente e “enforcador” (para não deixar que o animal escape da 
banheira), mangueira com spray (esguicho) e creme rinse (para cães de pêlo longo, 
exceto poodles e terriers). Muitos desemaranhamentos devem ser feitos antes do 
banho, porque a água tende a apertar os nós, dificultando sua remoção. 
 
• A secagem 
Existem várias maneiras de se secar o pêlo. O primeiro 
método (embora o mais difícil) é afofá-lo, usando um secador de 
chão de alta velocidade. Muito usado em cães de raça poodle, 
afghan, sheepdog e maltês, é importante não só porque seca mas 
também por estreitar o pêlo. 
FORMAÇÃO PROFISSIONAL COM QUALIDADE 
AUXILIAR VETERINÁRIO 121
 
O segundo método de secagem é conhecido como secagem em canil ou gaiola 
e é geralmente usado em cães de pêlo curto ou em cães que não exijam uma 
aparência de pêlo esticadaou felpuda. O terceiro método é a toalha e é adotado para 
raças pequenas e de pêlo duro, como o chihuahua, o pinscher miniatura e o 
manchester terrier toy. 
• A tosa 
Existem dois tipos de tosa: o trimming 
(especial para exposição) e o grooming (mais usado 
para cães domésticos). Para o grooming, ou tosa 
comum, usa-se tanto a tesoura como o cortador. 
Quando for usar o cortador, é importante manter o 
pulso flexível no caso de o cão mover-se 
subitamente. Usa-se o cortador, em geral, seguindo a 
direção do pêlo. Cortar com a tesoura é uma arte um 
pouco mais lenta de se adquirir e requer mais horas 
de prática. 
• As unhas 
Muitas raças precisam de um corte de unhas a 
cada quatro ou seis semanas. Para isso, há uma 
grande variedade de cortadores: o tipo tesoura (para 
cães pequenos), o tipo guilhotina (para cães médios) 
e o tipo alicate pesado (para cães grandes). 
 
Para um profissional ser qualificado para realizar banho e tosa ele deve fazer 
cursos específicos neste ramo. 
 
Contenção e transporte 
de animais 
A adoção de medidas que visem o bem-estar animal é de suma importância 
durante todos os procedimentos de contenção e transporte, a fim de lhes proporcionar 
tranqüilidade, sem comprometimento de sua saúde e a dos membros das equipes de 
trabalho. 
Equipamentos de recolhimento, contenção e manejo 
Guia/corda ou laço de contenção: pode ser tecido em fibra de algodão 
ou outro material macio, resistente e maleável, com espessura mínima de 1,5 cm (para 
FORMAÇÃO PROFISSIONAL COM QUALIDADE 
AUXILIAR VETERINÁRIO 122
não ferir o animal). Deve-se aproximar calmamente do animal, acompanhando seus 
movimentos, mantendo a corda feito um arco na mão direita. Quando o animal estiver 
mais tranqüilo, passar o laço por sua cabeça até o pescoço e puxar rapidamente a 
ponta livre para segurar o animal, deixando que ele ande alguns metros para se sentir 
seguro. 
Mordaça: corda macia em fibra de algodão, com 1,5 m de comprimento, 
utilizada para cães. A mordaça deve ser colocada segurando-se a corda com a mão 
esquerda, passando-a pela região dorsal do pescoço e, com a mão direita, passar a 
outra ponta da corda em volta do focinho por três vezes. Na última volta, posicionar o 
braço embaixo da cabeça do animal. Segurar as duas pontas da corda com a mão 
direita; libera-se a mão esquerda, que passa embaixo do ventre do animal para pegá-lo 
no colo; 
Cambão: trata-se de um tubo rígido produzido com diferentes materiais, 
resistente ao peso dos animais, devendo ser leve, revestido na extremidade de contato 
com o animal por borracha ou outro material atraumático e macio. No interior do tubo 
rígido é inserida uma corda de material flexível, como couro, algodão, aço, borracha ou 
outro similar. A corda, quando de aço, deverá ter um revestimento de material 
atraumático, resistente. Deverá, preferencialmente, possuir uma trava de segurança 
para facilitar o manejo e evitar o enforcamento do animal. O material deve ser leve e 
ergonômico. 
 
 
Puçá: rede de malha de algodão trançado, fixa a um 
aro de material leve e rígido, com cabo, geralmente 
confeccionado em alumínio. Este equipamento é utilizado 
para manejar gatos em situações especiais e, também, 
alguns animais silvestres de pequeno porte. Ao retirar o 
animal da malha deve-se escolher ambiente calmo e 
fechado e utilizar luvas de material resistente (borracha 
grossa ou raspa de couro) para evitar acidentes com unhas 
ou dentes de felinos. 
 
FORMAÇÃO PROFISSIONAL COM QUALIDADE 
AUXILIAR VETERINÁRIO 123
Luvas: podem ser confeccionadas em diversos 
materiais, tais como raspa de couro, borracha, silicone, tecidos 
tipo lona ou mistos. Devem ser utilizadas as confeccionadas 
em material resistente, espesso, macio e flexível, podendo 
apresentar diferentes comprimentos de cano, curto a longo, e 
ser aprovadas pelo Ministério do Trabalho. São empregadas 
na contenção de animais como proteção individual, devendo 
ser utilizadas para recolhimento de animais de pequeno porte, 
filhotes, gatos adultos em locais de difícil acesso ou com 
pequeno espaço para manipulação, em especial de animais 
agressivos ou arredios, a fim de evitar mordeduras e 
arranhaduras. 
 
Gaiola de contenção: utilizada para administração de 
medicamentos injetáveis ou tratamento de ferimentos. Possui 
parede retrátil para restringir ao mínimo a movimentação do animal. 
 
 
Gaiola ou caixa de transporte: confeccionada em 
material leve, lavável, preferencialmente impermeável, resistente e 
com ventilação, sistema externo de fechamento seguro e alças para 
facilitar o transporte. Sendo utilizada para o alojamento temporário ou 
transporte do animal recolhido. O tamanho da caixa ou gaiola deve 
ser compatível com o do animal, de forma a permitir movimentos 
naturais e transporte confortável. 
 
Focinheiras: devem ser de material flexível, macio e adaptáveis aos 
diferentes tipos de focinhos, mantendo a respiração e salivação normais. Seu emprego 
será necessário em diversas situações e existem no mercado vários modelos. Para 
gatos pode-se utilizar uma toalha de rosto ou pano largo dobrado, colocado ao redor do 
pescoço, e unidas suas pontas pela mão do funcionário no alto da cabeça, mantendo 
as patas imóveis por outro operador. Deve-se sempre observar que as narinas do 
animal permaneçam livres. Também existem máscaras especiais para os gatos. 
 
 
 
 
FORMAÇÃO PROFISSIONAL COM QUALIDADE 
AUXILIAR VETERINÁRIO 124
Transporte: o veículo 
Recomenda-se que: 
� o veículo esteja em perfeitas 
condições para utilização e 
corretamente higienizado; 
 
� o compartimento específico 
destinado ao transporte de animais 
(carroceria) seja fechado, com 
sistema de ventilação permanente 
para circulação de ar, 
proporcionando conforto e 
segurança, e seja adaptado para 
desembarque no local de alojamento 
dos animais recolhidos; 
 
� em veículos sem sistema de controle de temperatura e ventilação interna, o 
recolhimento dos animais seja realizado somente nos períodos mais frescos do 
dia; 
� a altura do veículo seja compatível com a atividade, considerando-se aspectos 
ergonômicos, no embarque e desembarque dos animais; 
� o veículo exiba: a identificação do órgão a que pertence (logotipo, nome); 
telefone e endereço empresa. 
Manejo para o transporte de animais 
Recomenda-se: 
� transportar pequeno número de animais, 
não excedendo a capacidade prevista; 
 
� evitar a permanência prolongada dos 
animais nos veículos; 
 
� que os cães sejam transportados em 
caixas/gaiolas ou compartimentos 
individuais, de tamanho adequado ao porte, 
permitindo que possam realizar pequenos 
movimentos de acomodação no seu interior; 
 
 
� que as gaiolas ou caixas de transporte 
possam ser removíveis e, durante o 
transporte, mantidas fixas no veículo; 
 
FORMAÇÃO PROFISSIONAL COM QUALIDADE 
AUXILIAR VETERINÁRIO 125
� que os gatos sejam transportados apenas em gaiolas ou caixas de transporte , 
nunca soltos nos compartimentos específicos destinados ao transporte de 
animais dos veículos; 
 
� que não sejam transportadas espécies diferentes na mesma viagem; 
 
� que as mães sejam mantidas com as ninhadas; 
 
� que animais acidentados, com suspeita de doenças infecto-contagiosas, feridos, 
idosos ou cegos sejam rapidamente encaminhados para a clínica veterinária. 
 
Aula 45 - Espécies exóticas e alguns 
pássaros 
 
Furão ou Ferret 
Os Ferrets são animais carnívoros pertencentes à família Mustalidae, sendo 
parentes próximos do cachorro. Possuem grande quantidade de glândulas sebáceas 
espalhadas pelo corpo todo. Os machos têm um peso que variade 1 a 2 kg. As fêmeas 
são menores e pesam de 600g a 950 g. São animais que enxergam bem preto e 
branco e tonalidades do cinza, sendo que podem distinguir cores que não são muito 
próximas. Assim como o seu parente, o cão, possuem um olfato muito apurado. Os 
Ferrets são monoéstricos estacionais (apresentam 1 cio por ano), são fotoestimulados 
e o cio persiste na presença do macho. 
 
Os ferrets são animais que costumam 
morder quando provocamos dor, portanto, a 
sua contenção é muito importante para o 
exame. Devemos segura-lo pela prega do 
pescoço, assim como fazemos com o gato. 
Mas é importante mantê-lo sem o apoio das 
patas traseiras, em posição vertical. Não 
devemos estranhar seu comportamento 
nessa posição, pois adquirem um certo ar 
sonolento, facilitando a anamnese. A 
aplicação do medicamento deve ser feita 
segurando os membros posteriores e 
esticando o animal a fim de não deixa-lo 
movimentar-se. As vias de administração de 
medicamentos podem ser oral, intra-
muscular, intra-venosa, ou sub-cutânea. 
FORMAÇÃO PROFISSIONAL COM QUALIDADE 
AUXILIAR VETERINÁRIO 126
 
Podemos utilizar, também, a via intraóssea. 
Para aplicação de medicamento SC, deve-se utilizar a 
prega do pescoço, facilitando a aplicação do 
medicamento pelo próprio médico veterinário que o 
está contendo. Para aplicação de medicamento IM 
deve-se ter muito cuidado ou usar pequenos volumes 
de medicamentos, pois eles possuem pouca massa 
muscular. Para aplicação de medicamento IV, 
podemos utilizar a veia jugular. Em machos, por 
serem maiores pode-se tentar a cefálica. 
Papagaios 
Na natureza vivem em bandos, mas podem separar-se em casais na época 
reprodutiva. O papagaio sacode vigorosamente a plumagem como sinal de alerta ou 
como forma de cumprimento a uma pessoa conhecida que se aproxima. Os papagaios 
normalmente são canhotos. Gostam de banhar-se na chuva, às vezes pendurados de 
cabeça para baixo. Dormem empoleirados. Gostam de brincar com objetos. São aves 
inteligentes que necessitam de muita atividade, caso contrário se entendiam e podem 
apresentar comportamentos anormais. 
O que os papagaios comem em cativeiro? Essa é uma dúvida comum à maioria 
das pessoas que mantêm aves em residências. A alimentação a ser fornecida deve ser 
balanceada nutricionalmente para permitir uma vida saudável e longa à ave . O termo 
dieta aqui utilizado refere-se à soma de alimentos e nutrientes que formam a 
alimentação de uma ave. Portanto, não tem nada a haver com aquele regime alimentar 
elaborado para o emagrecimento ("fazer uma dieta"). 
É muito comum encontrar pessoas que fornecem às suas aves café, pão, fubá, 
sementes de girassol, doces ou somente frutas. Não é preciso ser um especialista para 
saber que essa alimentação é incorreta e trará sérios prejuízos à saúde da pobre ave 
de estimação. 
Infelizmente, grande parte das aves tratada em 
clínicas veterinária apresenta alguma patologia 
decorrente da desnutrição. Podemos citar as doenças 
respiratórias e renais decorrentes da hipovitaminose-
A (deficiência de vitamina A), o raquitismo (em 
decorrência da falta de cálcio e vitamina D), mau 
empenamento, emagrecimento, obesidade, distúrbios 
e tumores hepáticos, distocia, infecções, parasitismo 
e tantos outros problemas diretos ou indiretos. 
Sabe-se que sementes de girassol e amendoim 
são normalmente contaminadas com aflatoxinas, ou 
seja, toxinas produzidas por fungos que crescem 
naturalmente nas sementes. Em longo prazo, as 
aflatoxinas podem causar degeneração e mesmo 
FORMAÇÃO PROFISSIONAL COM QUALIDADE 
AUXILIAR VETERINÁRIO 127
tumores no fígado. 
 
Além disso, essas sementes são ricas em gordura, que podem levar ao 
aparecimento de aterosclerose, ou seja, a deposição de colesterol nos vasos do 
coração. Outros alimentos usualmente fornecidos aos papagaios são pobres em 
nutrientes. É o caso das frutas, que têm algumas vitaminas, mas são pobres em 
proteínas, gorduras e outros nutrientes essenciais. O pão e fubá são alimentos ricos 
em carboidratos (energéticos), mas pobres em nutrientes essências para o crescimento 
da ave. Filhotes criados com fubá não crescem satisfatoriamente e podem morrer logo 
nas primeiras semanas de vida. 
As dietas balanceadas para papagaios (tipo ração) são fabricadas no Brasil e 
podem ser encontradas nas lojas especializadas. 
Canários 
O canário da terra (Sicalis flaveola) é o pássaro canoro mais popular do Brasil, 
uma verdadeira paixão nacional. Ele se distribui por todo o País em muitas de suas 
formas. O mais comum é o que se estende do Nordeste até o Norte do Paraná. 
Embora tenha alta taxa de natalidade está extinto em certas regiões onde outrora era 
abundante. 
É difícil criar os canários? Não, não é. O canário-da-
terra, especialmente, é o pássaro brasileiro de mais fácil 
manejo. Come de tudo e se adapta com facilidade a 
qualquer tipo de ambiente. Suporta bem o frio e calor 
ocorrentes em todas a regiões do Brasil. Temos, 
contudo, se quisermos obter sucesso, que escolher 
um local adequado para que eles possam exercer a 
procriação. Esse local deve ser claro, arejado e sem 
correntes de vento. A temperatura ideal deve ficar na 
faixa de 20 a 35 graus Celsius e umidade relativa entre 40 e 
60%. O sol não precisa ser direto, mas se puder ser, melhor. A 
melhor época para a reprodução no Centro Sul do Brasil é de novembro a maio, 
coincidente com o período chuvoso. 
Pode-se criar em viveiros, mas pela dificuldade de todo o manejo, notadamente 
do controle do ambiente e da higiene é melhor criar-se em gaiolas. 
Essas devem ser de puro arame, com medida de 60cm comprimento X 30cm 
largura X35 cm altura, com quatro portas na frente, comedouros pelo lado de fora. No 
fundo ou bandeja colocar papel, tipo jornal para ser retirado todos os dias logo que o 
canária tomar banho, momento esse que se deve retirar a banheira para colocá-la no 
outro dia de manhã cedo. 
FORMAÇÃO PROFISSIONAL COM QUALIDADE 
AUXILIAR VETERINÁRIO 128
O ninho (caixa tipo ninheira feita de madeira) 
tem as seguintes dimensões: 25cm comprimento X 
14 cm largura X 12 cm. altura, e tem que ser 
colocado pelo lado de fora da gaiola para não ocupar 
espaço. Terá uma tampa móvel e outra gradeada 
para o manuseio de filhotes e de ovos. O substrato - 
material para o canário confeccionar o ninho - deve 
ser o saco de estopa (usado para ensacar café) e 
cabelo de cavalo cortados a 15 cm. Colocar o 
material no fundo da gaiola que a fêmea, quando 
estiver na hora, carrega sozinha para a caixinha do 
ninho. O número de ovos de cada postura varia entre 
4 e 6, e cada canária choca 4 vezes por ano, 
podendo tirar até 20 filhotes por temporada. 
A alimentação para as aves em processo de reprodução é a seguinte: Alpiste 
50%, painço amarelo 30%, senha 10% e niger 10%. Além disso, ministrar ração de 
codorna pura adicionando "proprionato de cálcio" à base de 1 grama por kilo de ração. 
 
A criação de cobras e lagartos como animais de estimação!? 
De repente você vê o filho do seu vizinho com uma serpente enorme enrolada 
no pescoço, ou então assiste estarrecida, à reportagem do "Fantástico" sobre a nova 
moda da garotada em ter aqueles lagartos verdes, as Iguanas, penduradas nos ombros 
ou de coleirinha como se fossem cachorrinhos. "Meu Deus", você pensa, "será que o 
mundo enlouqueceu de vez?" ou será que não? 
 
 
 
 
 
 
 
 
No mundo moderno, a criação de répteis como "Hobby" (Herpetocultura) é uma 
prática relativamente recente, mas vem crescendo de maneira vertiginosa, já sendo 
considerada hoje a 30 maior industria "PET" nos E.U.A. e na Europa , perdendo 
somente para os gatos e cães, tendo superado em muito as aves ornamentais e a 
aquariofilia, entre outros. 
FORMAÇÃO PROFISSIONAL COM QUALIDADE 
AUXILIAR VETERINÁRIO 129
No Brasil, apesarde muito recente, o mercado "Herpe" vem seguindo esta 
tendência e cresce muito rapidamente. 
Os répteis porém, exigem cuidados bastante distintos daqueles exigidos pelos 
demais animais domésticos e por isto é fundamental conhecermos a biologia, a 
fisiologia e as peculiaridades de cada espécie que se pretende criar. 
A atual inter-relação entre os répteis e os homens nos traz questões de 
relevância: São os répteis bons animais domésticos? Os répteis podem ser perigosos 
para os seres humanos transmitindo doenças ? 
Quanto à primeira pergunta, a resposta depende do conceito que se pretende 
adotar como animal doméstico. Nunca espere que a sua Iguana ou a sua Python (Um 
tipo de serpente muito procurada como animal doméstico) venha correndo fazer 
festinha e abanando o rabo assim que você chega em casa do serviço, mas saiba que 
elas vão lhe reconhecer e ficarão satisfeitas em receber um afago! Existem outras 
espécies que serão apreciadas em belos terrários sem que se tenha contato físico mais 
"íntimo", assim como peixes ornamentais em um aquário. Outro fato é que nos dias 
atuais, com este corre-corre em que vivemos, muitos de nós não dispõem de tempo 
para passear com um cão, limpar suas fezes, escovar seus pelos, enfim, dar toda a 
atenção que este animal solicita. Neste aspecto os répteis são indiscutivelmente mais 
práticos. 
Quanto à Segunda pergunta, quem já não escutou as avós dizendo, "meu filho, 
não encoste na lagartixa porque ela transmite cobreiro!" Puro folclore. É obvio que 
répteis podem sim transmitir doenças aos seres humanos mas se compararmos com 
os outros animais domésticos os répteis são de longe os mais seguros animais 
domésticos que existem. Devido à grande distancia evolutiva que nos separa, as 
doenças que acometem um praticamente não acometem o outro (salvo algumas raras 
exceções que falaremos mais tarde). Portanto do ponto de vista zoonótico, os répteis 
são considerados muito seguros. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
FORMAÇÃO PROFISSIONAL COM QUALIDADE 
AUXILIAR VETERINÁRIO 130
Mas para o sucesso e segurança destes novos hospedes, é absolutamente 
fundamental, a orientação de um profissional médico veterinário que detenha o 
conhecimento sobre o assunto e que assim possa transmitir ao novo herpetocultor as 
instruções fundamentais para a saúde e o bem estar do animal bem como dos seus 
proprietários. 
O Camundongo 
O camundongo, Mus musculus, é um roedor 
da família Muridae. Atualmente estão 
disseminados por todo o mundo, a partir de um 
presumível foco de origem na Ásia temperada, 
para regiões atualmente correspondentes à 
Turquia e China. 
Os camundongos são geralmente brancos, 
mas existem outras variações de cores os quais 
são utilizados como pet. Um camundongo adulto 
pesa aproximadamente 30 g. São boas 
companhias para crianças acima de 10 anos de 
idade. Raramente mordem, mas podem escalar rapidamente, e por isso crianças muito 
pequenas não são capazes de manuseá-los. São tímidos, embora de comportamento 
social e territorial. O hábito alimentar caracteriza o camundongo como um animal 
onívoro. Apresentam tendência à fuga e necessitam apenas de uma caixa com 
pequeno espaço e poucas quantidades de alimento e água (por favor, não confundam 
isso com privação de água e alimento!). Enquanto o camundongo silvestre tem hábitos 
distintamente noturnos, os de laboratório e de estimação apresentam períodos de 
atividade e repouso tanto durante o dia quanto à noite. As fêmeas são mas indicadas 
do que os machos, porque possuem um odor mais suave. 
Os camundongos são animais resistentes e raramente sofrem de doenças 
infecciosas; contudo infestações são comuns e muito difíceis de serem tratadas. As 
brigas ocorrem quando são alojados machos adultos estranhos na mesma caixa. Da 
mesma forma, quando se desestabiliza a hierarquia social em caixa com vários machos 
alojados. 
O relativo estado hierárquico dos machos 
em uma caixa pode, amiúde, ser determinado 
pelo número e gravidade das feridas causadas 
por mordeduras na cauda e região lombar. 
Portanto os machos devem ser alojados 
separadamente para evitar brigas. De um modo 
geral os camundongos mordem ou tentam 
morder quando grosseiramente manipulados ou 
assustados. 
 
 
FORMAÇÃO PROFISSIONAL COM QUALIDADE 
AUXILIAR VETERINÁRIO 131
AAuullaa 4466 Trabalho em Equipe 
 
Clientes cada vez mais exigentes, concorrência acirrada, guerra de preços, 
pressões diversas... São palavras muito conhecidas de profissionais e organizações 
que atuam no mercado em geral. 
 
Nesse cenário competitivo, as empresas buscam, constantemente, novas 
maneiras de conquistar a preferência dos clientes e realizar as vendas necessárias 
para a obtenção do lucro. 
 
Para isso é importante, entre outros 
fatores, a qualidade de produtos e serviços, a 
excelência no atendimento, uma política de 
preços coerente com a realidade do mercado, 
a compreensão das necessidades dos 
clientes e a existência de uma equipe disposta 
a vencer os desafios e obstáculos que surgem 
a todo o momento. 
Mas como desenvolver este espírito de equipe? 
Por que ele é tão importante? Quais os 
benefícios para a empresa e os profissionais? 
Muitas questões surgem quando se trata desse tema e esse texto tem a 
finalidade de apresentar aspectos relacionados ao trabalho em equipe. 
 
6.1 Práticas das equipes vencedoras 
 
Quando um cliente chega a uma empresa, a diferença proporcionada pela 
atuação em equipe é sentida já no próprio ambiente, caracterizado por profissionais 
entusiasmados, otimistas e dinâmicos e reflete-se em todos os processos. Desde a 
anotação clara de um simples recado, até a busca de auxílio junto a um colega de 
trabalho, quando não se tem certeza de uma informação a ser passada para o cliente. 
E essa diferença contribui, e muito, para a realização de negócios. Essa atmosfera de 
equipe, de confiança e de compartilhamento, é conseguida por um árduo trabalho de 
liderança, capaz de conciliar os aspectos individuais dos profissionais com as 
expectativas da empresa e dos clientes. E cada empresa tem o seu estilo, as suas 
peculiaridades. Assim, não existe uma receita pronta. Entretanto, algumas práticas 
podem ser inspiradoras para o desenvolvimento de equipes vencedoras: 
 
6.1.1- Definição de metas: saber aonde se quer chegar. 
 
Esse é um fator relevante em qualquer organização. As metas são importantes 
porque definem para a equipe o que se espera dela. Geralmente não são muitas. 
Não adianta que apenas um seja excelente, pois o sucesso da empresa é condicionado 
aos bons resultados de todos. 
As metas devem ser passíveis de serem atingidas, desafiadoras e acompanhadas 
periodicamente. Além disso, a própria equipe pode ser encarregada de encontrar 
soluções quando as coisas não vão bem. Para isso, também é importante incentivar a 
participação em encontros e reuniões, que podem ser bem rápidos e constantes, por 
FORMAÇÃO PROFISSIONAL COM QUALIDADE 
AUXILIAR VETERINÁRIO 132
exemplo, 15 minutos no início do expediente ou da semana. Essa participação contribui 
para a motivação dos profissionais e para o compartilhamento de informações. 
 
6.1.2- Praticar constantemente o "feedback": uma palavra colocada de forma 
correta faz toda a diferença; comunicação é tudo. 
 
Alguma coisa não deu certo, um cliente 
reclamou, um balconista não está em condições 
de desempenhar bem sua função por algum 
motivo, ou então é preciso dar uma boa notícia. 
Situações como essas podem ser resolvidas pelo 
exercício do "feedback", palavra que quer dizer 
"retorno" e que é a alma da comunicação 
empresarial. Não é fácil realizá-lo, tanto por quem 
emite, quanto por quem recebe, mas tudo é uma 
questão de treino e consciência. O importante é 
comunicar, de uma forma transparente e honesta, 
visando melhoriasdos processos e das pessoas. 
 
6.1.3- Reconhecimento: satisfação pessoal e profissional. 
 
Reconhecer, premiar e investir nos profissionais da empresa é também muito 
importante. Isso pode ser feito de várias formas: participação nos lucros ou resultados 
(verificar legislação), homenagens (colaborador do mês), apoio para participação em 
cursos de atualização e de desenvolvimento pessoal - e também em atitudes simples, 
como por exemplo, dar os parabéns quando algo tiver sido bem feito. O 
reconhecimento tem um forte significado para o funcionário, pois dá sentido de utilidade 
e valorização, aumenta a auto-estima e também cria energias para que ele vença os 
próximos desafios. 
 
6.1.4- Liberdade para pedir ajuda: a importância da confiança. 
 
Quantas vendas são perdidas por falta de uma orientação correta, decorrente de 
desconhecimento sobre o produto? Uma equipe plena consegue desenvolver um 
ambiente de confiança, no qual o resultado do conjunto de profissionais é maior do que 
a soma individual. 
Pedir ajuda significa a intenção de não errar, e a atenção dispensada por quem 
pode ajudar significa ensinamento e apoio. Esse efeito se multiplica e reflete-se em 
processos eficazes e clientes satisfeitos. 
 
6.1.5- Delegar responsabilidades e apoiar realizações: autonomia e 
tomada de decisão. 
 
Em uma equipe vencedora, as funções são distribuídas entre seus integrantes, 
que assumem a responsabilidade de executá-las. Também são estabelecidos graus de 
autonomia para tomada de decisão, como por exemplo, as possibilidades de descontos 
e condições especiais. Essas atitudes facilitam a realização de negócios, além de 
conferirem transparência e segurança ao negociador. Essas práticas de equipes 
vencedoras deixam claros os benefícios para a organização, principalmente no que diz 
FORMAÇÃO PROFISSIONAL COM QUALIDADE 
AUXILIAR VETERINÁRIO 133
respeito à melhoria das condições para realização de negócios, aumento da sinergia 
entre os funcionários, melhoria no ambiente de trabalho e aumento da satisfação dos 
clientes. 
 
Por outro lado, as empresas que não atuam 
com o sentido de equipe têm maior propensão para 
desenvolverem aspectos como burocracia interna e 
confusão, em uma atmosfera de desconfiança e 
individualismo, o que pode influenciar 
negativamente em seu relacionamento com os 
clientes, diminuindo as suas condições de 
competitividade. 
É por isso que desenvolver equipes nas 
organizações é tão importante no acirrado mercado 
contemporâneo. 
 
 
6.2 Dez ótimas dicas para o trabalho em equipe 
 
Cada vez mais o trabalho em equipe é valorizado. Porque ativa a criatividade e 
quase sempre produz melhores resultados do que o trabalho individual, já que "1+1= 
3". Por tudo isto, aqui ficam dez dicas para trabalhar bem em equipe. 
 
1. Seja paciente 
 
Nem sempre é fácil conciliar opiniões diversas, afinal "cada cabeça uma 
sentença". Por isso é importante que seja paciente. Procure expor os seus pontos de 
vista com moderação e procure ouvir o que os outros têm a dizer. Respeite sempre os 
outros, mesmo que não esteja de acordo com as suas opiniões. 
 
 
2. Aceite as idéias dos outros. 
 
As vezes é difícil aceitar idéias novas 
ou admitir que não temos razão; mas é 
importante saber reconhecer que a idéia de 
um colega pode ser melhor do que a nossa. 
Afinal de contas, mais importante do 
que o nosso orgulho, é o objetivo comum 
que o grupo pretende alcançar. 
 
3. Não critique os colegas 
 
As vezes podem surgir conflitos entre 
os colegas de grupo; é muito importante 
não deixar que isso interfira no trabalho em 
equipe. Avalie as idéias do colega, 
independentemente daquilo que achar dele. 
Critique as idéias, nunca a pessoa. 
FORMAÇÃO PROFISSIONAL COM QUALIDADE 
AUXILIAR VETERINÁRIO 134
 
4. Saiba dividir 
 
Ao trabalhar em equipe, é importante dividir tarefas. Não parta do princípio que é 
o único que pode e sabe realizar uma determinada tarefa. Compartilhar 
responsabilidades e informação é fundamental. 
 
5. Trabalhe 
 
Não é por trabalhar em equipe que deve 
esquecer suas obrigações. Dividir tarefas é uma 
coisa, deixar de trabalhar é outra completamente 
diferente. 
 
6. Seja participativo e solidário 
 
Procure dar o seu melhor e procure ajudar os 
seus colegas, sempre que seja necessário. Da 
mesma forma, não deverá sentir-se constrangido 
quando necessitar pedir ajuda. 
 
7. Dialogue 
 
Ao sentir-se desconfortável com alguma situação ou função que lhe tenha sido 
atribuída, é importante que explique o problema, para que seja possível alcançar uma 
solução de compromisso, que agrade a todos. 
 
8. Planeje 
 
Quando várias pessoas trabalham em conjunto, é natural que surja uma 
tendência para se dispersarem; o planejamento e a organização são ferramentas 
importantes para que o trabalho em equipe seja eficiente e eficaz. É importante fazer o 
balanço entre as metas a que o grupo se propôs e o que conseguiu alcançar no tempo 
previsto. 
 
9. Evite cair no "pensamento de grupo" 
 
Quando todas as barreiras já foram ultrapassadas, e um grupo é muito coeso e 
homogêneo, existe a possibilidade de se tornar resistente a mudanças e a opiniões 
discordantes. É importante que o grupo ouça opiniões externas e que aceite a idéia de 
que pode errar. 
 
10. Aproveite o trabalho em equipe 
 
Afinal o trabalho de equipe, acaba por ser uma oportunidade de conviver mais 
perto de seus colegas, e também de aprender com eles. 
FORMAÇÃO PROFISSIONAL COM QUALIDADE 
AUXILIAR VETERINÁRIO 135
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
6.3 Check-list do bom trabalho em equipe 
 
 
 Como saber se a sua equipe está no 
caminho certo e vai atingir os resultados 
esperados? Assinale as alternativas das quais 
você conhece a resposta e que acontecem na 
sua equipe de trabalho. Quanto mais opções 
marcar, maior serão as chances de sucesso. 
1. Os objetivos e metas estão claros? 
2. A qualidade de comunicação é boa e eficaz? 
3. A equipe está preparada para encontrar um 
problema e resolver? A capacidade de 
resolução de conflitos é real ou fica apenas no 
projeto? 
4. A equipe é auto-motivada? 
5. Há confiança estabelecida entre todos os 
membros da equipe? 
6. E a cooperação, todos se ajudam 
mutuamente ou é cada um por si? 
7. As pessoas buscam trazer respostas criativas para a solução dos problemas? O 
nível de projetos implantados a partir de idéias da equipe é alto? 
8. Os colaboradores sabem superar adversidades, como um cliente perdido ou uma 
meta não alcançada? Eles têm uma boa capacidade de aceitação da derrota e de 
superação? 
9. Há um bom relacionamento interpessoal entre os membros? 
FORMAÇÃO PROFISSIONAL COM QUALIDADE 
AUXILIAR VETERINÁRIO 136
10. A equipe é orientada para a obtenção de resultados ou para a resolução dos 
problemas? 
 Este check-list é mutável e a empresa 
deve batalhar para conseguir nota 10 em todos 
os quesitos, mesmo que o desafio seja difícil. 
Para formar uma equipe de sucesso acima de 
tudo, é fundamental ter um objetivo bem 
definido, compartilhado e dimensionado. É 
preciso garantir um compromisso comum, 
assumido entre os membros da equipe, para 
se construir e transformar o sonho em 
realidade. O dia-a-dia do grupo deve ser 
orientado por quatro princípios básicos: união, 
disciplina, trabalho e profissionalismo. Com 
eles, é possível fazer com que a equipe renda 
o desejado. 
 No livro "Os 5 Desafios das Equipes", da Editora Campus, o autor Patrick 
Lencioni fez o oposto e listou cinco atitudes que definem como os membros das 
equipes verdadeiramente coesas se comportam. Confira: 
1. Eles confiam uns nos outros. 
2. Eles se envolvemem conflitos de idéias sem qualquer censura. 
3. Eles se comprometem com as decisões e planos de ação. 
4. Eles chamam uns aos outros à responsabilidade quando alguma coisa não sai de 
acordo com seus planos. 
5. Eles se concentram na realização dos resultados coletivos. 
Parece simples, não? E é, pelo menos na teoria. Na prática, as coisas complicam, mas 
não são impossíveis. Experimente! 
 
 
AAuullaa 4477 Atendimento ao 
Público 
 
7.1 Conceitos: 
 
Atendimento: 
 
Ato ou efeito de atender; 
 
Maneira como habitualmente são atendidos 
os usuários de determinado serviço. 
 
 Cliente: 
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AUXILIAR VETERINÁRIO 137
 
• Na antiga Roma indivíduo que estava sob a proteção de um patrono 
(cidadão rico e poderoso);… 
• Cada um dos indivíduos sócio-economicamente dependentes que fazem 
parte de uma clientela (conjunto de indivíduos dependentes), 
• Comprador assíduo... 
 
 
 
7.2 Como atender clientes: Preceitos Básicos 
 
Você é a primeira pessoa a manter contato com o público. Sua maneira de falar e 
agir vai contribuir muito para a imagem que irão formar sobre sua empresa. Você é o 
cartão de visita da empresa. Preste atenção a todos os detalhes do seu trabalho: 
 
• Voz: deve ser clara, num tom agradável e o mais natural possível. 
• Calma: às vezes pode não ser fácil, mais é muito importante que você mantenha 
a calma e a paciência. 
• Interesse e iniciativa: cada pessoa que você atende merece atenção especial. 
• Polidez: seja simpática, atenciosa e procure demonstrar interesse em ajudar. 
• Tratamento adequado: não use de intimidade seja formal (Sr., Sra., Por favor, 
Queira desculpar). 
• Evite gírias e conotações de intimidade. 
• Sigilo: às vezes é preciso saber de detalhes importantes, lembre-se, eles são 
confidenciais e pertencem somente às pessoas envolvidas. Seja discreta e 
mantenha tudo em segredo. 
• Postura / Apresentação pessoal: Atenda as pessoas com um sorriso, olhe nos 
olhos. 
 
Filosofia: Ao atender a um cliente devemos ter em mente: 
 
• O bom atendimento deve gerar auto-realização 
• Uma reclamação é uma nova oportunidade de se fazer certo na próxima vez. 
• Uma reclamação é uma ajuda e não um transtorno 
• Uma reclamação bem atendida vale mais do que uma boa venda 
• O cliente é a razão da existência da empresa 
• O atendente é a empresa perante o cliente 
• O bom atendimento envolve: presteza, bom 
humor, boa vontade e COMPROMETIMENTO. 
• Atender ao cliente é responsabilidade de todos 
nós. 
 
 
7.3 Direitos Do Consumidor: 
 
1. À SEGURANÇA Contra Produtos ou Serviços que 
Possam ser Nocivos à Saúde. 
2. À ESCOLHA entre Vários Produtos e Serviços de 
Qualidade Satisfatória e Preços Competitivos. 
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AUXILIAR VETERINÁRIO 138
3. A Ser Ouvido. 
4. À Indenização. 
5. À Educação Para O Consumo. 
6. A Um Meio Ambiente Saudável. 
7. À Informação 
8. À Proteção Contra A Publicidade Enganosa. 
9. À Proteção Contra Contratos Abusivos. 
 
7.4 Por Que Se Perde Um Cliente? 
 
! 1% morte 
! 3% mudam 
! 5% adotam novos hábitos 
! 9% acham o preço alto demais 
! 14% estão desapontados com a qualidade dos produtos 
! 68% estão insatisfeitos com a atitude do pessoal (má qualidade do serviço) 
 
 
7.5 Razões Para A Excelência No Atendimento Ao Cliente 
 
* O cliente bem tratado volta sempre. 
* O profissional de atendimento tem 70% da responsabilidade sobre a satisfação 
do cliente . 
* Nem sempre se tem uma segunda chance de causar boa impressão. 
* Relações eficazes com os clientes, aliadas à qualidade técnica e preço justo, 
fortalecem a opinião pública favorável à Empresa. 
* Opinião pública favorável suscita lucros e boas relações profissionais geram 
produtividade. 
* Recuperar o cliente custará pelo menos 10 vezes mais do que mantê-lo. 
* Cada cliente insatisfeito conta para aproximadamente 20 pessoas , enquanto 
que os satisfeitos contam apenas para cinco. 
 
7.6 Técnicas Para Garantir A 
Satisfação Dos Clientes: 
 
• Leve as coisas pelo lado profissional, 
não pessoal. 
• Detecte o estresse prematuramente e 
previna-o. 
• Trate cada pessoa como um cliente 
para conseguir mais cooperação. 
• Vise à satisfação do cliente e não 
apenas ao serviço. 
• Solucione problemas sem culpar a si 
próprio ou aos outros. 
• Pratique técnicas comprovadas. 
• Estimule o feedback continuo. 
 
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AUXILIAR VETERINÁRIO 139
7.6.1 As 15 Competências Fundamentais Para A Linha de 
Frente 
 
1 - Desenvolver a confiança e fidelidade dos clientes. 
2 - Colocar-se no lugar do cliente = empatia. 
3 - Comunicar-se bem. 
4 - Dominar a tensão. 
5- Prestar atenção. 
6 - Estar sempre alerta. 
7 - Trabalhar bem em equipe. 
8 - Demonstrar confiança e lealdade. 
9 - Demonstrar motivação pessoal. 
10- Resolver problemas. 
11- Manter o profissionalismo. 
12- Entender a empresa e o setor. 
13- Conservar a energia. 
14- Aplicar conhecimentos e habilidades técnicas. 
15- Organizar as atividades de trabalho. 
 
 
7.7 Inteligência Emocional 
 
H AUTOCONSCIÊNCIA 
H AUTOCONTROLE 
H AUTOMOTIVAÇÃO 
H EMPATIA 
H HABILIDADE NOS RELACIONAMENTOS 
 
7.7.1 Que Irritações Podemos Evitar ? 
 
$ PROMETER E NÃO CUMPRIR 
$ INDIFERENÇA E ATITUDES INDELICADAS 
$ NÃO OUVIR O CLIENTE 
$ DIZER QUE ELE NÃO TEM O DIREITO DE 
ESTAR “IRADO” 
$ AGIR COM SARCASMO E PREPOTÊNCIA 
$ QUESTIONAR A INTEGRIDADE DO CLIENTE 
$ DISCUTIR COM O CLIENTE 
$ NÃO DAR RETORNO AO CLIENTE 
$ USAR PALAVRAS INADEQUADAS 
$ APRESENTAR APARÊNCIA E POSTURA 
POUCO PROFISSIONAIS 
 
7.7.2 O Que Querem Os Clientes 
Irritados? 
 
• SER LEVADOS A SÉRIO. 
• SER TRATADOS COM RESPEITO. 
FORMAÇÃO PROFISSIONAL COM QUALIDADE 
AUXILIAR VETERINÁRIO 140
• QUE SE TOME UMA AÇÃO IMEDIATA. 
• GANHAR COMPENSAÇÃO/ RESTITUIÇÃO. 
• VER PUNIDO OU REPREENDIDO QUEM ERROU COM ELES. 
• TIRAR A LIMPO O PROBLEMA, PARA QUE NUNCA ACONTEÇA OUTRA VEZ. 
• SER OUVIDOS. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Boa Sorte!!!