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AO MM. JUÍZO DA XXXX VARA CÍVEL DO FÓRUM REGIONAL DE XXXXXXXXXXX- DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO /RJ PROCESSO Nº XXXXXXXXXXXXXXX XXXXXXXXXXXXXXX, já qualificado nos autos do processo em epígrafe, que move em face, do F. AB. ZONA OUSTE S/A (ZONA OESTE MAIS SANEAMENTO), Também já qualificada, vem, tempestivamente e respeitosamente à presença de V. Exª., apresentar manifestação à defesa apresentada na forma de contestação, e dos respectivos documentos, oferecer RÉPLICA À CONTESTAÇÃO, o que o faz pelos motivos de fato e de direito a seguir aduzidos. I - DAS ALEGAÇÕES Sob infundados argumentos a parte Ré busca desvencilhar da responsabilidade pelos danos causados ao Autor. Em síntese, a ré apresentou as seguintes alegações: (i) - Ilegitimidade passiva da Ré FAB – Quanto ao abastecimento de água – fragrante de improcedência; (ii) Ausência de pretensão resistida – Questão verificada administrativamente; (iii) Da realidade dos fatos - ausência de ato ilícito da Ré; (iv) Ausência de prova mínima – a parte autora não faz prova mínima nos autos; e (v) –Dano moral indevido – parte autora não comprova como o suposto problema lhe causou abalos extraordinários. Em que pese o esforço do Réu, seus argumentos não merecem ser acolhidos. Apesar disso, eles merecem algumas considerações. DAS RAZÕES DE IMPROCEDÊNCIA DOS ARGUMENTOS DA PARTE RÉ DA LEGITIMIDADE DA PARTE NO POLO PASSIVO Introdutoriamente cumpre argüir sobre a malograda tentativa da requerida em desvirtuar a realidade dos fatos, por meio de falácias descompassadas, com fito de descaracterizar o direito nítido do Autor. Em primeiro lugar, alega a Ré, em sua contestação a ilegitimidade de configurar no pólo passivo da presente demanda. Não há que se falar em ilegitimidade passiva alegada for pela Ré, deve a mesma ser afastada, considerando que o convênio realizado entre a CEDAE e a empresa FAB ZONA OESTE S/A traz a existência de cooperação entre as concessionárias. Destarte, aplicando-se o teor do Art.7º, parágrafo único do CDC, a legitimidade passiva recaí sobre ambos os réus, em função da evidente parceria comercial existente, sendo ambas componentes da mesma cadeia de consumo. Ademais, a cobrança dos serviços de esgotamento sanitário quanto do abastecimento de água, é efetuada e realizada de forma conjunta, mediante emissão de único documento, do qual constam a logomarca da CEDAE seguida da Foz Águas, lado a lado. Assim, as Rés são partes legítimas para responder perante o consumidor, conforme os documentos que instruem a inicial, nos quais constam seu logotipo. Por fim, o termo firmado com ente federativo não pode ser invocado para afastar a incidência das normas do CDC. Portanto, resta claro que o F. AB. ZONA OUSTE S/A (ZONA OESTE MAIS SANEAMENTO), ora 1ª Ré, é parte da relação de consumo, assim, legitimada para figurar no pólo passivo, refutada, portanto, sua preliminar. DA ALEGAÇÃO DE AUSÊNCIA DE PRETENSÃO RESISTIDA A ré contestou o feito, contudo, não assiste razão aos fundamentos do Réu. Isto, pois não lagrou êxito em desacreditar os argumentos trazidos na petição inicial. Com efeito, sustenta a Ré a ausência de interesse processual, por não haver resistência da Ré à pretensão Autora. Ocorre que, conforme a propria Ré alega em sua peça contestatória, comprova-se que o Autor moveu processo anterior que tramitou sob nº XXXXXXXXXXXXXX, com o objetivo de falta de bastecimento, sendo este extinto sem a reslução do mérito por entender o Juiz pela imcompetencia do rito sumarrimo, haja vista a complexidade do caso. Dessa forma não procedem as alegaçoes do Réu, no sentido que não há interresse processual. Pois a presente lide versa acerca do fornecimento de água não está sendo prestado pelas rés, que continuam realizando a cobrança indevidamente referente a um consumo que não existe, ou seja, cobrando por um serviço não prestado. Verifica-se que de dez/2018 até agosto/2019 muito embora o autor não estivesse recebendo o abastecimento de água, inexplicavelmente, existiu leitura de consumo, contudo, verifica-se que a partir de set/2019 as contas apresentam-se com as leituras zeradas, contudo, indevidamente, com valor lançado e cobrado do autor. Vale salientar, que o autor procurou por inumeras vezes solucionar administrativamente o problema, conforme protocolo anexo, com isso, devido a inumeras reclamações do autor, a Ré realizou umas duas visitas ao local, uma no dia XXXX, como a propria Ré relata, mas, nada foi resolvido e o autor continuou sem água, passando pela dificuldade de ter que trabalhar sem uma gota de água e na outra visita em XXXXXX retirou o hidrômetro que existia instalado dentro do terreno do imóvel, e instalou um novo hidrômetro, contudo, na calçada do lado de fora do imóvel (foto anexa). Diante de uma verdadeira afronta aos direitos do cidadão e resguardada pela legislação pátria, bem como às proprias provas acostadas aos autos, vislumbra-se o quanto inexiste resposta satisfatoria para o caso, devido ao proprio descaso da empresa ré em da uma justificativa do motivo do abastecimento não esta sendo realizado, ou seja, não se atentar para a falha na prestação do serviço prestado pela mesma. Portanto, considerando que não houve sequer a uma justificativa e tampuco o restabelecimento do serviço, o presente processo é medida indispensavel para a garantia dos direitos do Autor. Desse modo, está caracterizado o Interesse Processual do Autor. Em vista disso, a preliminar sucistada deve ser afastada. DA REALIDADE DOS FATOS E DOS PROCEDIMENTO ACERCA DAS LIGAÇÕES DEFINITIVAS DE ABASTECIMENTO DE AGUA A ré, ao responder a presente demanda, trouxe fundamentos que não merecem prosperar, falta com a verdade em toda a sua defesa. Cabe esclarecer que, o Autor não está questionando quem implantou a matricula, e sim está questionando o fato de se encontrar sem o fornecimento de água desde dez/2018, desconhecendo o motivo da suspensão do serviço. Mas adiante o réu argumenta que a parte autora reclama a falta de abstecimento e não o corte do fornecimento, ocorre que na verdade, o autor não sabe se o serviço foi cortado, ou se o abastecimento não está sendo feito por qualquer outra razão, o que seria injustificável, pois suas contas estão todas pagas. Exelência, os elementos constante nos autos demonstram a desidia da empresa Ré em atender a solicitação do consumidor para o restabelecimento de água em sua residência. Quanto a alegação de culpa exclusivamente da CEDAE, é completamente descabida, mesmo considerando que a 2ª. ré seja responsável pelo abastecimento, a 1ª ré, ora contestante, alega ser responsável pelo faturamento do consumo, que está sendo feito indevidamente, haja vista não existir consumo, pois não tem fornecimento do serviço. São infrutíferas tais alegações de ausência de responsabilidade da ré, pois isso, não descaracteriza ou exime à prestadora de serviço da adequação as disposições do CDC, uma vez que houve claramente uma falha na prestação de serviço. Ora, é inaceitável encontrar-se sem o fornecimento de água, seja por ter sido suspenso o serviço indevidamente, seja por qualquer outra razão que o abastecimento não esteja sendo feito. A falta de água no seu local de trabalho está acarretando sérios problemas ao autor, além do fato de estar pagando por um serviço que não tem. Com efeito, não há nada que justifique a tese da Ré, pois diante de todos os fatos narrados, o Autor não pode ser penalizado por pagar por um serviço que não tem. A negligencia e a falta de desorganização da Ré esta caracterizada com a má prestação de serviços prestados pela Empresa, pois não resta duvida da responsabilidade do Réu para o caso em apreço. DA ALEGAÇÃO DE CULPA EXCLISIVA DE TERCEIROS A companhia fornecedora de água tem o dever de cumprir o decreto 6.523/2008, conhecido como Lei do SAC. A lei estabelece que as ligações devem ser gratuitas e as opções de contato com o atendente e reclamação devem constar na primeira mensagem eletrônica. As informações solicitadas pelo consumidor devem ser prestadas de imediato e as queixas têm queser resolvidas dentro de cinco dias úteis a partir da data do registro. Resta evidente que o fornecimento de serviços água encanada em áreas urbanas, é considerado serviço público essencial, assim definido pela Lei 7.783 de 28.6.89. Como todo e qualquer serviço público, o fornecimento de água está sujeito a cinco requisitos básicos: a) eficiência; b) generalidade; c) cortesia; d) modicidade e finalmente e) permanência. A permanência, principalmente no que diz respeito aos serviços públicos essenciais, está ainda sedimentada no artigo 22 "caput - in fine" do Código de Defesa do Consumidor: "Art. 22: Os órgãos públicos, por si ou suas empresas, concessionárias, permissionárias ou sob qualquer outra forma de empreendimento, são obrigados a fornecer serviços adequados, eficientes, seguros e, quando essenciais, contínuos". Assim, resta claro e evidente que o serviço de fornecimento de água, por ser essencial, não pode ser interrompido sobre qualquer pretexto. Claro, que a empresa concessionária pode utilizar de todos os meios juridicamente permitidos para fazer valer seu direto de receber pelos serviços prestados. Uma vez que é isso que deve ser feito quando não há o pagamento de algum tributo ou alguma dívida, a justiça deve ser acionada para que resolva a lide. Destarte, a dignidade da pessoa humana, encontra-se entre os princípios fundamentais de nossa Nação, como se encontra no artigo 1º, inciso III, da Carta Magna. O artigo 6º da Constituição Federal de 1988 reconhece que a saúde e o lazer são direitos sociais assegurados a todos os cidadãos e que incumbem ao Estado conforme se vê do artigo 196 da Constituição Federal, in verbis: "A saúde é direito de todos e dever do Estado, garantido mediante políticas sociais e econômicas que visem à redução do risco de doenças e de outros agravos e ao acesso universal e igualitário às ações e serviços para sua promoção, proteção e recuperação". A matéria novamente foi referendada pelo CDC na primeira parte do inciso I do artigo 6º: "Artigo 6º - São Direitos básicos do consumidor: I - a proteção a vida, saúde A Constituição Federal de 1988, no título II, que versa sobre "Direitos e Garantias Fundamentais", no capítulo I, que cuida dos "Direitos e Deveres Individuais e Coletivos", especificamente no artigo 5º, incisos XXXII, determina que o Estado promoverá a defesa do consumidor. O Código de Defesa do Consumidor utiliza técnica de enunciar os direitos básicos da parte vulnerável dessa relação jurídica. Assim, o artigo 6º, incisos VI e VII, do Código de Defesa do Consumidor, em harmonia com o comando constitucional acima registrado, reconhece como um dos direitos básicos do consumidor a efetiva prevenção e reparação dos danos materiais e morais, inclusive facilitando o acesso ao Poder Judiciário. Os dispostos do Código de Defesa do Consumidor adequam a via mandamental, como a mais eficiente para o exercício dos direitos derivados da relação de consumo. Nesse sentido, uma vez provado que o Código de Defesa do Consumidor protege a relação entre o consumidor e a fornecedora de serviços de água encanada, muito embora também protegida por outras legislações, inclusive constitucionais, quis a lei, que a via processual adequada para que o Estado Resguarde o Direito, e retribua com a necessária Justiça. A interrupção indevida no fornecimento de serviços essenciais, como água e energia configura falha na prestação de serviço, o que gera compensação por danos morais, sobretudo por serem essenciais a diversas atividades do cotidiano, entre elas a mantença da saúde, da higiene, etc.. A interrupção indevida na prestação de serviço essencial configura dano moral, não podendo ser considerada mero inadimplemento contratual, na medida em que gera desdobramentos que afetam a dignidade da pessoa humana. Restou demonstrado (Id. 828868) que não houve violação de hidrômetro, razão pela qual a cobrança da multa e consequente corte de fornecimento de água foram indevidos, consistindo em falha na prestação do serviço e gerando direito à reparação por danos morais in re ipsa.” Acórdão n. 991167, Relator Juiz JOÃO LUIS FISCHER DIAS, 2ª Turma Recursal, Data de Julgamento: 1º/2/2017, Publicado no DJe: 16/2/2017. O fornecimento de água potável é um serviço essencial à vida e, por isso, não pode sofrer interrupções. Nenhuma pessoa consegue viver sem água e a falha na prestação do serviço gera um dano moral passível de indenização O entendimento jurisprudencial pátrio consolidado posiciona-se no sentido de que o mero aborrecimento ou dissabor cotidiano é o fato contumaz e imperceptível que não atinge a esfera jurídica personalíssima do indivíduo, sendo um fato da vida e, portanto, não repercutindo ou alterando o aspecto psicológico ou emocional. É de suma importância destacar os impactos da desvalorização e o retrocesso dos Direitos dos Consumidores, desencadeando um fenômeno negativo da atualidade que é chamado por alguns doutrinadores de “ Mero aborrecimento”, que vem desvalorizando o sofrimento, prejuízos e aborrecimentos causados ao Consumidor, por culpa exclusiva da má prestação de serviços das grandes empresas, que prestam serviços de baixa qualidade, muitas vezes atuam de má-fé, sempre colocando o lucro acima da Lei e, consequentemente, dos valores Sociais e a Dignidade da Pessoa Humana. Sendo certo que invalidar um sofrimento peculiar, como a 1ª ré está fazendo em suas alegações se torna lesivo aos direitos e garantias constitucionais dos consumidores, como, no caso em tela. Diminuir direitos legítimos não atinge a finalidade protetiva pretendida com a entrada em vigor do Código de Defesa do Consumidor. Quando os consumidores que são lesados pela má prestação de serviços das grandes empresas e concessionárias reconhecidamente envolvidas na relação de consumo, e se tais empresas e concessionárias possuem volume significativo de demandas contra si, deve significar que os serviços prestados ao consumidor estão sendo executados com descaso e de forma abusiva, mediante condutas ilegais que ferem a Lei. O Estado através do judiciário Brasileiro tem por missão assegurada em sua carta Magna de 1988 que garante aos cidadãos, o que inclui os consumidores, o direito a indenização por danos Morais, conforme dispõe o artigo 5ª, inciso x, que diz: “são invioláveis a intimidade, a vida privada, a honra e a imagem das pessoas, assegurado o direito a indenização pelo dano material ou moral decorrente de sua violação”. A responsabilidade objetiva apresenta-se como obrigação de reparar determinados danos causados a outrem, independentemente de qualquer atuação dolosa ou culposa. Nesse contexto, imperiosa a responsabilização da Ré, independentemente da existência da culpa, nos termos do que estipula o Código de Defesa do Consumidor. Existiu, em verdade, defeito na prestação de serviços, o que importa na responsabilização objetiva do fornecedor. Ora, as legações feitas pelo Réu de que não faz parte da relação jurídica, revelam tentativa de levar o feito à improcedência, contudo com fundamentação frágil, pois não restam dúvidas que a situação em tela gerou transtornos a Autora que ultrapassou o mero aborrecimento, quando não houve boa- fé por parte da empresa Ré. Diante dos fatos acima relatados, mostra-se patente a configuração da Responsabilidade da 1º Ré, embora alegue ser ingerente sobre o bastecimento de àgua, sendo a mesma responsável solidariamente JUNTAMENTE com a 2ª ré. DA ALEGAÇÃO DE AUSÊNCIA DE PROVA MINIMA Alega ainda a Ré em sua contestação, que inexiste comprovação efetiva de documentos, e que competia a Autora o ônus de tal incumbência. Ora, tal responsabilidade fica à cargo da empresa prestadora do serviço, detentora por todos os dados técnicos que a Autora não possui. Ainda, por estarmos diante de relação consumerista, recai sobre A Ré o ônus da prova, conforme preconiza o art. 6º, VIII, da Lei n. 8.078/90, até mesmo porque, a Ré, no presente caso, deveria no mínimo comprovar a origem da falta de abastecimento de água na residência do autor. Diante disto, é insofismável que a Réferiu os direitos do Autor, ao agir com total descaso, desrespeito e negligência, configurando má prestação de serviço, o que causou danos de ordem domiciliar, social e profissional. Ainda, apesar do alegado pela ré em sua contestação, não há que se falar em prova negativa. Quanto à existência do não restabelecimento do serviço, demonstrou o autor vários protocolos, bastando oferecer a Ré a transcrição das referidas ligações. O fato é que essas condutas demonstram que a empresa ré sequer se atentou para o caso e a satisfação dos autos necessários para a resolução da lide. Mais uma vez, a autora teve sua expectativas frustradas frente à empresa ré, recorrendo ao judiciário que, por intermédio de Vossa Excelência clama para que dê fim a este martírio e, enfim, que se manifeste justiça. Além de inverídicas as alegações da Requerida, a mesma não oferece nenhum elemento capaz de comprovar suas teses, o que, por si só, já dão ensejo a improcedência dos seus pedidos. No mais, cabe a Ré o ônus de provar fato impeditivo, modificativo e extintivo do direito do Autor, conforme art. 373 do Novo Código de Processo Civil. Assim, conclui-se que todos os argumentos trazidos pela parte Ré na peça contestatória restam incabíveis, razão pela qual não devem ser levados em consideração por este juízo. DA DEVOLUÇÃO EM DOBRO Deve-se ressaltar que no caso de falta do serviço, o consumidor tem o direito de pleitear reparação pelos prejuízos sofridos, e requerer o abatimento proporcional dos valores pagos indevidamente na conta ou requerer a devolução em dobro face a cobrança indevida, e o ressarcimento do que gastou para suprir a falta de água, conforme estabelece o Código de Defesa do Consumidor. Os fatos documentados e provados na exordial demonstram claramente que existe COBRANÇA INDEVIDA, POR UM SERVIÇO NÃO PRESTADO por parte da Ré, ao gerar conta de água e esgoto, sendo que não estão fornecendo tais serviços. Nesse contexto, há de se demonstrar que são condutas flagrantemente ilegais, as quais vão de encontro às normas consumerista. Nesse sentido, vem decidindo o Egrégio Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro: 0074990-40.2013.8.19.0021 - APELACAO 1ª Ementa JDS. DES. CINTIA SANTAREM CARDINALI - Julgamento: 28/09/2016 - VIGESIMA QUARTA CAMARA CIVEL CONSUMIDOR APELAÇÃO CÍVEL. CEDAE. AÇÃO REVISIONAL C/C OBRIGAÇÃO DE FAZER. SENTENÇA DE PROCEDÊNCIA QUE DETERMINOU O RESTABELECIMENTO DO FORNECIMENTO DE ÁGUA, DECLAROU A INEXISTÊNCIA DO DÉBITO REFERENTE ÀS CONTAS IMPUGNADAS E CONDENOU AO PAGAMENTO DE INDENIZAÇÃO POR DANOS MORAIS EM R$ 10.000,00 (DEZ MIL REAIS). RECORRE A CONCESSIONÁRIA RÉ, PUGNANDO PELA REFORMA DO JULGADO OU, ALTERNATIVAMENTE, PARA QUE OS VALORES CONTESTADOS SEJAM REFATURADOS DE ACORDO COM A TARIFA MÍNIMA. SENTENÇA QUE MERECE PARCIAL REFORMA. PARTE RÉ QUE NÃO COMPROVOU A INEXISTÊNCIA DE FALHA NA PRESTAÇÃO DO SERVIÇO, QUE GEROU A COBRANÇA DE VALORES EXCESSIVOS E A INTERRUPÇÃO INDEVIDA DO FORNECIMENTO DE ÁGUA. CONCESSIONÁRIA DEVE PRESTAR O SERVIÇO ESSENCIAL, DE FORMA CONTÍNUA, EFICIENTE E ADEQUADA. ENTRETANTO, AS CONTAS EM ABERTO DEVEM SER REFATURADAS CONFORME TARIFA MÍNIMA, VEZ QUE A CONSUMIDORA DESFRUTOU DO FORNECIMENTO DE ÁGUA. OBSERVÂNCIA DO EQUILÍBRIO CONTRATUAL. DANO MORAL IN RE IPSA. VERBA COMPENSATÓRIA ADEQUADAMENTE FIXADA E EM OBSERVÂNCIA AOS PRINCIPIOS DA RAZOABILIDADE E DA PROPORCIONALIDADE. PRECEDENTES DESTE E. TRIBUNAL. INTELIGÊNCIA DAS SÚMULAS 192 E 343. RECURSO A QUE SE DA PARCIAL PROVIMENTO. Logo, os serviços de utilidade pública – tais quais o fornecido pela concessionária ré - devem ser prestados de maneira adequada, eficiente, segura e, por se tratar de serviço essencial, de modo contínuo. O fornecedor de serviços ao surpreender o Autor com a falta de compromisso, lealdade e respeito ao deixar de prestar um serviço confiável, age com deslealdade, desrespeito e abuso manifesto, merecendo uma firme reprovação do Poder Judiciário. Diz o CDC: Art. 39. É vedado ao fornecedor de produtos ou serviços, dentre outras práticas abusivas: (Redação dada ao "caput" pela Lei nº 8.884, de 11/06/1994) Desse modo a Ré violou os Princípios que regem as relações de consumo, constantes do art. 4º, I, III e IV do CDC, quais sejam a Boa-fé, equidade, o equilíbrio contratual e o da informação. O Código de Defesa do Consumidor, Lei nº 8.078/90, assim dispõe: Art. 4º- A Política Nacional de Relações de Consumo tem por objetivo o atendimento das necessidades dos consumidores, o respeito à sua dignidade, saúde e segurança, a proteção de seus interesses econômicos, a melhoria da sua qualidade de vida, bem como a transparência e harmonia das relações de consumo. (grifamos) Portanto, configurada a falha no serviço, nasce o dever de indenizar, conforme preconiza os art. 186 e 187 do Código Civil. Afinal, trata-se de proteção expressamente prevista no Código de defesa do Consumidor, que dentre as normas previstas, dispõe: Art. 6º são direitos básicos do consumidor: (...) IV - a proteção contra a publicidade enganosa e abusiva, métodos comerciais coercitivos ou desleais, bem como contra práticas e cláusulas abusivas ou impostas no fornecimento de produtos e serviços; V - a modificação das cláusulas contratuais que estabeleçam prestações desproporcionais ou sua revisão em razão de fatos supervenientes que as tornem excessivamente onerosas; VI - a efetiva prevenção e reparação de danos patrimoniais e morais, individuais, coletivos e difusos; VII - o acesso aos órgãos judiciários e administrativos com vistas à prevenção ou reparação de danos patrimoniais e morais, individuais, coletivos ou difusos, assegurada a proteção Jurídica, administrativa e técnica aos necessitados; VIII - a facilitação da defesa de seus direitos, inclusive com a inversão do ônus da prova, a seu favor, no processo civil, quando, a critério do juiz, for verossímil a alegação ou quando for ele hipossuficiente, segundo as Com efeito, não há nada que justifique a tese da Ré, pois diante de todos os fatos narrados, o Autor não pode ser penalizada por pagar por um serviço em que não utilizou. A negligencia e a falta de desorganização da Ré esta caracterizada com a má prestação de serviços prestados pela Empresa, pois não resta duvida da responsabilidade do Réu para o caso em apreço. Assim, conclui-se que todos os argumentos trazidos pela parte ré na peça contestatória restam incabíveis, razão pela qual não devem ser levados em consideração por este juízo, pois caracterizada esta a ausência de seriedade da empresa Ré, e em razão do risco da atividade, responde o mesmo pela cobrança de valores por serviço não utilizados pelo Autor. Por todo o exposto fica perfeitamente demonstrado que para fundamentar seus argumentos o Réu não trouxe qualquer prova ou elementos suficientes para desconstruir o direito do Autor, razão pela qual não merecem acolhimento. DO DANO MORAL INDENIZAVEL Todo o histórico dos fatos já exaustivamente relatado gerou danos de ordem moral e patrimonial para o Autor. Nas palavras do Professor Arnoldo Wald, in Curso de Direito Civil Brasileiro, São Paulo: Revista dos Tribunais, 1989, p. 407: “Dano é a lesão sofrida por uma pessoa no seu patrimônio ou na sua integridade física, constituindo, pois, uma lesão causada a um bem jurídico, que pode ser material ou imaterial. O dano moral é o causado a alguém num dos seus direitos de personalidade, sendo possível à cumulação da responsabilidade pelo dano material e pelo dano moral”. Os fatos ora narrados, sem dúvida alguma, causaram CONSTRANGIMENTO e TRANSTORNOS ao autor, que sempre honrou com todas as suas obrigações de forma pontual, se vê coagido a pagar por contas de água cujo o fornecimento não está sendo realizado desde de dez/2018. Não se pode aceitar que a má prestação dos serviços seja um mero aborrecimento do cotidiano com as prestadoras de serviços tendem a argumentar. A realidade é que a situação apresentada na presente ação já transcendeu esta barreira, razão pela qual a parte autora busca uma devida reparação por todos os danos, aborrecimentos, transtornoscausados pelas Rés, que agem com total descaso com seus consumidores, haja vista ter suspendido o fornecimento de água do autor e ainda estar cobrando por consumo inexistente. Diante dos fatos acima relatados, mostra-se patente a configuração dos “danos morais” sofridos pelo Autor, que está sendo alvo de cobranças indevidas de consumo, haja vista que, que não está recebendo o serviço, contudo, continua a pagar pelas contas cobradas. A Magna Carta em seu art. 5º consagra a tutela do direito à indenização por dano material ou moral decorrente da violação de direitos fundamentais, tais como a intimidade, a vida privada e a honra das pessoas: Art. 5ºCF- “Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes: (...) V - é assegurado o direito de resposta, proporcional ao agravo, além da indenização por dano material, moral ou à imagem; (...) X - são invioláveis a intimidade, a vida privada, a honra e a imagem das pessoas, assegurado o direito a indenização pelo dano material ou moral decorrente de sua violação; A Responsabilidade Civil tem seu fundamento no fato de que ninguém pode lesar interesse ou direito de outrem. Descreve o art 927 do Código Civil brasileiro que “aquele que, por ato ilícito (art 186 e 187), causar dano a outrem, fica obrigado a repará-lo” e segue em seu parágrafo único “haverá obrigação de reparar o dano, independentemente de culpa, nos casos específicos em lei, ou quando a atividade normalmente desenvolvida pelo Autor do dano implicar, por sua natureza, risco para os direitos de outrem.” Art.186. Aquele que, por ação ou omissão voluntária, negligência ou imprudência, violar direito e causar dano a outrem, ainda que exclusivamente moral, comete ato ilícito. Art. 187.Também comete ato ilícito o titular de um direito que, ao exercê-lo, excede manifestamente os limites impostos pelo seu fim econômico ou social, pela boa-fé ou pelos bons costumes. Art. 927.Aquele que, por ato ilícito (arts. 186 e 187), causar dano a outrem, fica obrigado a repará-lo. ” Também, o Código de Defesa do Consumidor, no seu art.6º, protege a integridade moral dos consumidores: Art. 6º - São direitos básicos do consumidor: (...) VI– a efetiva prevenção e reparação de danos patrimoniais e morais, individuais, coletivos e difusos. Com efeito, restaram evidenciadas nos autos - além de serem manifestas no seio da sociedade - as falhas por que passa o sistema da empresa ré no que tange à possibilidade de perfectibilizar as chamadas que se almejam levar a efeito. Dessa forma, é previsto como ato ilícito aquele que cause danos, ainda que exclusivamente moral. A responsabilidade objetiva apresenta-se como obrigação de reparar determinados danos causados a outrem, independentemente de qualquer atuação dolosa ou culposa. Nesse contexto, imperiosa a responsabilização das Rés, independentemente da existência da culpa, nos termos do que estipula o Código de Defesa do Consumidor. Existiu, em verdade, defeito na prestação de serviços, o que importa na responsabilização objetiva do fornecedor. No Direito brasileiro, especificamente no âmbito de tutela do consumidor, adota-se a responsabilidade objetiva como regra, insculpida entre os artigos 12 e 14 do CDC. Art. 14. O fornecedor de serviços responde, independentemente da existência de culpa, pela reparação dos danos causados aos consumidores por defeitos relativos à prestação dos serviços, bem como por informações insuficientes ou inadequadas sobre sua fruição e riscos. A razão para esta mencionada adoção baseou-se na teoria do risco da atividade profissional, pela qual o responsável por introduzir um novo risco na vida social deve arcar com eventuais consequências lesivas a outrem, de forma integral. A reparação deve proporcionar uma compensação pelo desgosto, dor e tristeza sofridos, ao mesmo tempo em que representa uma sanção ao infrator. DA ALEGAÇÃO DE INDENIZAÇÃO DISPROPORCIONAL Ademais, a empresa Ré alega xxxxxx, ora Excelêcia, ratificando a inicial, inegavelmente, a responsabilidade civil do fornecedor pelo fato do serviço, nas palabras James Marins “ é a causa objetiva do dano ocasionado ao consumidor em função de defeito na prestação de serviços, isso é, a repercussão do defeito do serviço, causadora do dano na esfera de interesse juridicamente protegido do consumidor.” O valor da indenização para garantir compensação à lesionada e penalidade ao lesionador, por certo, não pode se descurar da capacidade econômica de cada envolvido no litígio. E válido mencionar, desta feita, que tanto na doutrina quanto na Jurisprudência, o valor deve ser fixado com caráter dúplice, tanto punitivo do agente, quanto compensatório em relação a vitima. Quanto à sanção, atende-se ao grau da ilicitude da conduta, à condição econômica do ofensor e à função preventiva do direito que, em se tratando de relações de consumo, encontra positivação no art. 4º, inciso VI, da Lei 8.078/90, que prevê a coibição e a repressão dos abusos praticados no mercado de consumo, com princípios regentes da Política Nacional das Relações de Consumo. Diante dos fatos acima relatados, mostra-se patente a configuração dos “danos morais” sofridos pelo Autor, que em clara boa-fé procurou a empresa Ré, conforme protocolo em anexo para a solução do presente litigio. Não se pode aceitar que a má prestação dos serviços seja um mero aborrecimento do cotidiano com as prestadoras de serviços tendem a argumentar. A realidade é que a situação apresentada na presente ação já transcendeu esta barreira, razão pela qual a parte autora busca uma devida reparação por todos os danos, aborrecimentos, transtornos causados pelas Rés, que agem com total descaso com seus consumidores. DA INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA Alega ainda a Ré em sua contestação, que inexiste comprovação efetiva de documentos, e que competia ao Autor o ônus de tal incumbência. Ora, tal responsabilidade fica à cargo da empresa prestadora do serviço, detentora por todos os dados técnicos que o Autor não possui. Diante disto, é insofismável que a Ré feriu os direitos do Autor, ao agir com total descaso, desrespeito e negligência, configurando má prestação de serviço, o que causou danos de ordem domiciliar, social e profissional. No mais, cabe a Ré o ônus de provar fato impeditivo, modificativo e extintivo do direito do Autor, conforme art. 373 do Novo Código de Processo Civil. Ainda, por estarmos diante de relação consumerista, recai sobre A Ré o ônus da prova, conforme preconiza o art. 6º, VIII, da Lei n. 8.078/90, até mesmo porque, a Ré, no presente caso, deveria no mínimo comprovar a origem da cobrança, bem como a autorização dos descontos realizados. Além de inverídicas as alegações da Requerida, a mesma não oferece nenhum elemento capaz de comprovar suas teses, o que, por si só, já dão ensejo a improcedência dos seus pedidos. O Código Consumerista dar ao consumidor o direito a ter a seu favor aplicação da inversão do ônus de provar o que pleiteia quando presente a verossimilhança de suas alegações ou sua hipossuficiência perante a parte contrária, já que é o fornecedor que possui os meios de provar o que de fato houve naquela relação, ficando muitas vezes o consumidor sem meio algum de comprovar os defeitos e falhas praticados contra ele. A inversão do ônus da prova a favor do consumidor é admitida de forma quase automática em diversos Juizados e Varas Cíveis como algo inerente à propositura das ações envolvendo relação de consumo. O art. 6º do CDC prevê entre seus direitos básicos: “a facilidade da defesa de seus direitos, inclusive com a inversão do ônus da prova, a seu favor, no processo civil, quando, a critério do juiz, for verossímil a alegação ou quanto for ele hipossuficiente, segundo as regras ordinárias de experiências.” Portanto, sendo verossímeis os fatos narrados na exordial, e sendo este de difícil comprovação, entende-se suficientemente verossímilo direito de não serem cobrados, sem prova contraria, por aquilo que afirma não dever, e pela clara falha na prestação de serviço. Assim, conclui-se que todos os argumentos trazidos pela parte Ré na peça contestatória restam incabíveis, razão pela qual não devem ser levados em consideração por este juízo. Requer, assim a inversão do ônus da prova, por tratar-se de relação de consumo, e, adicionalmente, a produção de todos os meios de prova admitidos no direito, em especial o documental, pericial e testemunhal. VIII - DOS PEDIDOS Portanto, IMPUGNA o Autor o inteiro teor da peça contestatória, tendo em vista que os fatos ali articulados não se coadunam com a realidade fática dos fatos, conforme restará comprovado no decorrer da instrução processual. Ante todo o exposto, o Autor reporta-se aos pedidos proferidos na inicial, requerendo que sejam acolhidos, se dignando Vossa Excelência em receber á presente. Aproveito ainda a oportunidade para renovar a Vossa Excelência os protestos da minha alta estima e mais distinta consideração. Termos em que pede TOTAL PROCEDÊNCIA do feito, nos termos da peça vestibular. Rio de Janeiro, XXX de março de 20XX. XXXXXXX XXXXX