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Conteúdo Investigação forense e perícia criminal

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27/05/2021 Disciplina Portal
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Teoria Geral da Investigação
e Perícia
Aula 1 - Aspectos Gerais e Introdutórios
INTRODUÇÃO
Para estudarmos a sistemática da investigação e suas rami�cações com aplicabilidades será importante aprofundar
algumas noções sobre con�ito e a �nalidade contemporânea com que os juristas compreendem a investigação na pós-
modernidade.
OBJETIVOS
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Examinar o conceito e o alcance da investigação forense;
Compreender o signi�cado do con�ito como fenômeno social e o direito como mecanismo de seu controle;
Esclarecer que a investigação não deixa de ser um mecanismo de busca para a solução de con�itos, por meio da
descoberta da verdade.
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CONSTRUÇÃO HISTÓRICA DO CONFLITO
O homem, por ser um animal gregário, somente pode viver em sociedade. Organizando-se em grupo, o homem busca a
obtenção de �ns comuns:
Ao se reunir em sociedade, busca alcançar o que alguns nomeiam de “felicidade”. (glossário)
Nesse contexto surge o Estado. Os homens renunciam parcela de sua liberdade com o �m de criar esse ente �ctício
chamado Estado, com seus três elementos: povo, território e governo. Este conceito foi extraído da obra o ilustre
�lósofo e teórico político Jean-Jacques Rousseau. (glossário)
Saiba Mais
, Tourinho Filho, lecionando sobre o tema, a�rma: “visando à continuidade da vida em sociedade, à defesa das liberdades
individuais, em suma, ao bem-estar geral, os homens organizaram-se em Estado. Desde então eles se submeteram às ordens dos
governantes, não mais fazendo o que bem queriam e entendiam, mas o que lhes era permitido ou não proibido”.
É certo que a criação do Estado e a reunião do homem em sociedade não têm o condão de eliminar as intempéries
externas por completo, mas podem reduzi-las para níveis controláveis. Contudo, a própria evolução da sociedade,
acompanhada da evolução cientí�ca e do domínio do homem sobre a natureza, �zeram nascer novos fatores de risco à
sobrevivência do ser humano, enquanto raça humana. Foi o que o sociólogo Ulrich Beck chamou de “sociedade de
risco”. (glossário)
CONFLITO DE INTERESSES
No entanto, não foram apenas os riscos externos que atemorizaram os homens no viver em sociedade. A própria
convivência gera con�itos internos que ameaçam sua própria existência. Aqui sobressai a relevância ao que os
processualistas chamam de con�ito de interesses.
Frequentemente, surge no âmbito social con�itos entre seus integrantes. O sentido comum do vocábulo interesse nos
remete à ideia de desejo, anseio, aspiração, cobiça, ambição, ou seja, a coisa que o homem quer. Não raro duas
pessoas desejam o mesmo bem, ou seja, possuem interesse pelo mesmo objeto, inclusive acreditando terem direito a
tal bem.
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Atenção
, Entretanto, os bens são limitados à porção do mundo exterior e que possam satisfazer a necessidade do homem, enquanto esta
mesma necessidade é ilimitada, fazendo surgir um con�ito de interesses, pois um depende do outro, há uma ligação entre esses
dois termos, daí a decorrência do con�ito. E sendo os bens limitados e a vontade humana ilimitada, a sociedade precisou
disciplinar tal con�ito que surgiam em torno dos bens.
Surge o con�ito de interesses quando a situação favorável à satisfação de uma necessidade excluir a situação
favorável à satisfação de uma necessidade distinta. Isso é vislumbrado quando uma pessoa possuir mais de um
interesse que se sobrepõe ao interesse do outro.
Quando uma das partes envolvidas nesse con�ito resiste à pretensão da outra, diz-se que existe o con�ito de
interesses ou litígio.
Pois bem, o con�ito está intimamente ligado à ideia de interesse, uma vez que deste decorre. Cada ser humano possui
a sua necessidade e procura a sua satisfação. Ocorre que muitas vezes a busca por essa satisfação se dá por meio de
um bem, confrontando ao interesse de outrem, pois os bens são limitados. Segundo orientação de Schnitman (1999):
MODOS DE SOLUÇÃO DOS CONFLITOS
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Fonte da Imagem: Supoj Pongpancharoen / Shutterstock
Para a solução de con�itos, os homens desenvolveram, ao longo da história, inúmeras formas de resolução de
con�itos, inicialmente relegadas ao próprio particular, conhecida como justiça privada.
A primeira delas e, talvez, a mais usual, era o uso da força, conhecida tecnicamente como autodefesa ou autotutela.
Dito de outra forma, quando a decisão do con�ito depende da força dos competidores, o mais forte sempre terá a
razão ao seu lado.
A autodefesa sempre apresentou graves inconvenientes, pois a solução do con�ito estaria ligada diretamente à
superioridade de forças de uma das partes.
Considerando os inconvenientes da justiça privada e da autotutela, nasceu a necessidade de que a solução dos
con�itos na sociedade fosse realizado de forma pací�ca e justa, e que o ato de decidir �casse a cargo de uma terceira
pessoa, não interessada diretamente no litígio, pois assim poderia solucioná-lo com equidade e justiça. Mas não
poderia ser qualquer terceira pessoa. Haveria a necessidade de termos um terceiro forte o su�ciente para que pudesse
ter sua decisão aceita espontaneamente ou imposta coercitivamente, principalmente aos integrantes do con�ito.
Dessa necessidade, surgiu o monopólio da administração da justiça (glossário) pelo Estado. A tutela pelo Estado.
Nesta feita, ele avoca para si a tarefa de compor os con�itos da sociedade, afastando a possibilidade da vingança
privada, que somente passa a ser possível de forma excepcional.
Atenção
, O Estado detém, portanto, o monopólio da administração da justiça , cabendo a ele, na pessoa do Juiz, dizer o direito no caso
concreto de maneira de�nitiva. Para tanto, se utiliza do processo, visto como instrumento que dispõe o Juiz e as partes para
reconstruírem os fatos objeto do con�ito, possibilitando que o Juiz possa aplicar a lei ao caso concreto, ou seja, solucionar os
con�itos.
Nesta linha, a investigação criminal e a consequente instrução processual passam a ser instrumentos para a busca da
verdade, possibilitando ao julgador (juiz) decidir o con�ito.
Aqui utilizaremos a investigação criminal como norte já que foi desta espécie de investigação que se rami�cou as
demais investigações que estudaremos nesta disciplina.
A VERDADE COMO FORMA DE SOLUÇÃO DO CONFLITO
A verdade nem sempre foi a forma encontrada pela sociedade para a composição do con�ito. Outras fórmulas foram
utilizadas ao longo da história da sociedade.
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Por exemplo, na Alta Idade Média (século V a X) a composição do con�ito se dava por meio da denominada justiça
privada, pelo mecanismo da autodefesa; pelo duelo; ordálios ou juízos de Deus.
Já na Baixa Idade Média (séculos XI a XIV) o con�ito ocorria pela sujeição e submissão do suserano ao vassalo, com
fortes in�uências da Igreja, período denominado de Feudalismo. Na Idade Moderna, o Estado absolutista (séculos XV a
XVIII) substitui pela ideia dos contratualistas a dominação por uma pessoa na �gura de um ente �ctício, qual seja o
Estado, como acumulando todos os poderes de legislar, executar e julgar, até os dias de hoje com a idade
Contemporânea (século XIX até hoje), na qual esses poderes são divididos em três.
A ideia de verdade surge no Estado absolutista como mecanismo