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UNIVERSIDADE PAULISTA
CURSO PSICOLOGIA
Adam’s Rezende Ferreira, RA: D58HJH-2
Resenha crítica do filme: Nise- O coração da loucura.
Araraquara – SP
2021
Resenha crítica: Nise- O coração da loucura.
O filme Nise – O Coração da Loucura retrata a história de Nise da Silveira, uma psiquiatra atuante na década de 1950 sobre o tratamento convencional da esquizofrenia. A longa metragem fora lançada em 2016 dirigida por Roberto Berliner estreando a atriz Glória Pires como Nise, uma mulher que parecia bem à frente de seu tempo ao ir contra as formas de tratamento desumano diante pessoas que sofriam transtornos esquizofrênicos, formada na faculdade de Medicina da Bahia em 1926 Nise era a única mulher em uma turma de 157 alunos.
A história se inicia quando Nise, após um tempo de afastamento no qual ficara presa por longos meses devido a um envolvimento com o comunismo, voltou a trabalhar no Centro Psiquiátrico Nacional Dom Pedro II, onde de forma retrógrada e desumana os métodos usados na época diante o início da medicina psiquiátrica os pacientes eram tratados de forma bárbara e inclemente sobre tratamentos de choque e cativos sobre suas macas.
O Centro Dom Pedro II tinha aparência abandonada e sórdida quando Nise iniciou suas funções repleta de ideias para mudanças, a psiquiatra tenta introduzir a Terapia Ocupacional diante os métodos usados como forma de tratamento, o lugar com poucos funcionários capacitados e disponíveis a ajudar parecia uma tarefa impossível de início, mas Nise não pareceu desistir mesmo que desgostada diante o que via, ela insistira diante seus clientes que clamavam por ajuda.
Junto a Almir que dera a ideia de estudarem as artes plásticas, Nise iniciou um projeto usando a arte para com seus clientes, com a ajuda da enfermeira Ivone o projeto desenvolveu-se de uma forma pura e radiante. E a cada desenrolamento do projeto com o passar dos dias e das semanas já podia-se ver o sorriso sobre o rosto de cada cliente e a arte nascendo sobre coisas tão simples. Usando painéis, papéis, tintas, pincéis, lápis e até mesmo argila cada arte se desenvolvia melhorando cada quadro de cada cliente.
Historicamente a reforma psiquiátrica se demorou um pouco mais no Brasil, enquanto ocorria nos outros países, como retratado no filme a psiquiatria da época não se interessava por possíveis melhoras, apenas pela cura permanente das doenças mentais o que gerou a Nise complicações durante a execução de seu trabalho, restrições e objeções eram feitas perante os outros médicos do hospital mesmo que suas abordagens não funcionassem como deveriam eles ainda insistiam que as ideias de Nise não eram a coisa certa o que não fizera a psiquiatra desistir nem por meros instantes mesmo que para isso tivesse de quebrar algumas regras. A Terapia Ocupacional proposta por Nise provinha resultados de melhora e não a cura que o avanço feito pela medicina na época desejava. Como estudado no Brasil, os hospitais psiquiátricos por muitos anos seguiram com tratamentos desumanos que visavam uma cura permanente da doença psíquica, sua demanda era tamanha e os tratamentos tão bárbaros que chegou a ser comparado com o holocasto Brasileiro. 
E mesmo sobre todas as proibições e restrições impostas pela época o tratamento proposto por Nise da Silveira tornou-se histórico e revolucionário, um trabalho que começou em pequenos detalhes, como no uso da arte que os fez rebuscar seus sentimentos, e então terem a liberdade para se expressarem, para falarem sem nem mesmo ser necessário dizer uma única palavra, pois a muitos que julgam não querer ouvir esses indivíduos, pois acabam por não falar “coisa com coisa”, as obras feitas por seus clientes foram expostas em museus e aclamadas pelo público diante o belo trabalho que desencadeou a Terapia Ocupacional nos tratamentos realizados até os dias atuais, sua terapias levou a uma ampliação do cuidado e a possibilidade do resgate dos direitos da cidadania, promovendo o protagonismo social dos sujeitos. 
 
“Não se cura além da conta. Gente curada demais é gente chata. Todo mundo tem um pouco de loucura. Vou lhes fazer um pedido: vivam a imaginação, pois ela é a nossa realidade mais profunda. Felizmente, eu nunca convivi com pessoas muito ajuizadas”. (Nise da Silveira)

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