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INÍCIO: contato entre o espermatozoide e o óvulo 
FIM: ativação do zigoto (quando ele é capaz de coordenar suas divisões celulares sozinho) 
 
ETAPAS DA FERTILIZAÇÃO 
 
1. Ligação do espermatozoide à zona pelúcida 
2. Reação do acrossomo 
3. Penetração através da zona pelúcida 
4. Fusão das membranas 
5. Conteúdo citoplasmático do espermatozoide adentra o 
ovócito 
 
 
 
 
 
ALTERAÇÕES PÓS-EJACULATÓRIAS 
São alterações fisiológicas que tornam os espermatozoides mais funcionais 
− Capacitação 
▪ Remoção dos fluidos seminais que recobrem os receptores na superfície da membrana 
▪ Ocorre no útero (passagem) 
▪ Processo que torna o espermatozoide capaz de fertilizar o óvulo 
▪ Como → pH ácido da vagina – coagulação das proteínas seminais 
− Hiperativação 
▪ Ocorre no oviduto (tuba) 
▪ Ligação de peptídeos do líquido folicular aos receptores de membrana do 
espermatozoide – induz a abertura de canais de Ca+2 na peça intermediária 
▪ Aumento da motilidade (movimentos lineares → não lineares – helicoidais) 
MITO: os espermatozoides não chegam a tuba “certa” por acaso, eles são guiados por substâncias 
químicas 
 
Como o espermatozoide encontra o ovócito? 
− Termotaxia → a diferença de temperatura entre o istmo e a ampola é de 2C (devido ao aumento 
da vascularização) 
− Quimiotaxia → o fluido folicular contém moléculas (secretadas pelo cumulus ooforo) que 
sensibilizam o sptz – “atraem” 
 
COMO OCORRE? 
ZONA PELÚCIDA + CORONA RADIATA → atrapalham a fecundação (são um envoltório espesso) 
− Espermatozoide → hialuronidase – desprende as células da corona radiata (desnuda o ovócito) 
− Receptores que reconhecem a zona pelúcida desencadeiam a liberação da vesícula acrossomal 
Glicoproteínas da zona pelúcida 
− ZP1 → estabilizadora 
− ZP2 → globular 
− ZP3 → globular/deflagradora do reconhecimento espermático 
Espermatozoide + ZP3 → entrada de íons cálcio na vesícula acrossomal → arrasto → fusão de 
membrana → liberação de enzimas (tripsinas e digestoras de glicoproteínas) 
 
Depois que ocorre a reação acrossomal, a cabeça do espermatozoide fica denudada, pronta para 
interagir com a membrana do ovócito 
 
OBS.: o ovócito ainda precisa terminar a meiose II antes da conclusão da fecundação! 
− Após a fusão das membranas, ocorre uma cascata de comunicação celular → ativação da 
fosfolipase C 
▪ Inositol bifosfato → fosfolipase C → diacilglicerol + inositol trifosfato 
− DAG (translocação) → abertura de canais de Na+/H+ (entra sódio e sai hidrogênio) → aumento 
da alcalinidade → estimula a retomada da divisão celular 
− Inositol → abre canais de Ca+2 na membrana do REL 
 
 
FORMAÇÃO DOS PRÓ-NÚCLEOS 
− O pH alcalino causa a degradação das proteínas que mantém a cromatina em estado inativo 
(condensinas e coesinas) → causa a descondensação 
− Ocorre o pareamento dos cromossomos homólogos → permite a formação de um núcleo 2n 
 
MOVIMENTO DOS PRÓ-NÚCLEOS 
− O espermatozoide fornece o centríolo → se posiciona entre os pró-núcleo masculino e feminino 
− O fuso permite a migração dos pró-núcleos em direção um ao outro 
− SINGAMIA (fusão) → formação do ZIGOTO 
 
 
OBS.: a fecundação não significa sucesso → 30% de chance 
 
RESULTADOS DA FERTILIZAÇÃO 
1. Restauração do número de cromossomos (2n = 46) 
2. Variabilidade 
a. Herança biparental 
b. Crossing-over 
3. Determinação cromossômica do sexo 
4. Ativação do zigoto → controle das divisões celulares 
 
BLOQUEIO DA POLIESPERMIA 
Por que são necessários tantos espermatozoides se apenas um fecunda o ovócito? 
− O sistema reprodutor feminino representa um ambiente inóspito para os espermatozóides 
▪ Passagem pelo ambiente ácido da vagina e muco espesso do cérvix (300 mi → 3 mi) 
▪ Chegam na ampola 200 
O bloqueio da poliespermia tem como função manter o número de cromossomos da espécie e ocorre 
após a fusão das membranas 
 
Bloqueio rápido → alteração do potencial de membrana (ativação da fosfolipase C) → repele os outros 
espermatozoides 
Bloqueio lento 
− Inositol → REL → onda de cálcio → liberação de grânulos que contém enzimas e moléculas 
hialinas → agregam água → formam uma pequena cobertura sobre os receptores de ZP3 → 
“escondem” a zona pelúcida do espermatozoide 
− É bastante duradouro (± 48 horas) 
 
 
 
PRIMEIRA SEMANA DO DESENVOLVIMENTO 
Zigoto → Blastocisto 
 
− É marcada por processos de sucessivas divisões celulares 
− A organização celular muda de unicelular para multicelular 
 
SINGAMIA: final da fertilização 
1ª estratégia: coordenar as divisões celulares 
− Demora aproximadamente 8h para ocorrer a primeira divisão após a formação do zigoto (24h 
após a fusão dos gametas) 
 
CLIVAGEM 
Processo pelo qual se forma um novo indivíduo multicelular, começa ocorrer 24h após a singamia e 
termina quando o concepto atinge 64 células (BLASTOCISTO – após ± 5 dias) 
− O zigoto se divide SEM aumento de volume/tamanho 
− A cada divisão, o número de células aumenta e o tamanho 
diminui 
o Por quê? 
▪ É consequência de ciclos celulares curtos sem fase de crescimento (G1 e G2) → o 
citoplasma do zigoto é dividido em porções menores a cada divisão 
− Durante a clivagem, as células do concepto são denominadas blastômeros 
Onde ocorre? Ao longo da tuba uterina → o concepto é transportado através dos movimentos tubários 
(peristalse e cílios) 
 
Resultado → embrião multicelular com células morfologicamente indiferenciadas 
 
BLASTOCISTO 
 
− É formado por 64 células 
− Possui uma grande cavidade preenchida por líquido 
− Arranjo funcionalmente dividido em duas populações de células: 
▪ Mais externas → TROFOBLASTO 
▪ Mais internas → EMBRIOBLASTO 
▪ Cavidade → BLASTOCELE 
 
Por que é preciso separar assim? 
− Para garantir o processo de IMPLANTAÇÃO 
o O trofoblasto entra em contato com o endométrio materno 
o Início da relação entre as células da mãe e do embrião 
 
1ª SEMANA 
As células do concepto se nutrem (por difusão) das secreções uterinas na qual estão imersas. Conforme 
o aumento exponencial do número de células, também aumentam as necessidades para o crescimento. 
− Nutrientes principais: O2, glicose e Na+ 
O concepto precisa se implantar no endométrio para garantir os nutrientes necessários para seguir o 
crescimento. 
 
OBS.: 
− 8 células → mórula 
− 64 células → blastocisto 
 
NECESSIDADES EMBRIONÁRIAS 
− Fazer trocas gasosas 
− Nutrição (macro e micronutrientes) são atendidas após a implantação 
− Água (evitar a desidratação) 
− Proteção contra choques mecânicos 
− Eliminação de excretas vão sendo atendidas conforme 
− Evitar o colabamento dos tecidos o embrião vai se desenvolvendo 
− Temperatura adequada 
 
OBS.: controle das divisões celulares = sucesso na implantação 
 
A implantação está relacionada com a continuidade do processo de gestação 
− Tecido uterino no final da 1ª semana: fase secretora/lútea (3ª semana do ciclo menstrual) 
o Aumento da concentração de estrogênio e progesterona (produzida pelo corpo lúteo) 
o Preparação do endométrio para a implantação → ocorrem alterações metabólicas, 
imunitárias e morfológicas 
 
REAÇÃO DECIDUAL 
A progesterona causa uma série de alterações 
1. Células do estroma (tecido conjuntivo) → células deciduais (processo de epitelização) 
▪ Tornam-se ricas em glicogênio e lipídios (moléculas de reserva) 
▪ Glicocálix → polissacarídeos sulfatados (importantes no processo de reconhecimento do 
embrião) 
▪ Surgem junções adesivas entre as células (características do tecido epitelial) 
Por que tantas alterações? 
Essa alterações são uma preparação para a implantação 
 
IMPLANTAÇÃO: processo lento de reconhecimento e invasão dos tecidos maternos pelo embrião 
− É mediada pelas células do trofoblasto 
ETAPAS 
1. Hatching (ou eclosão) 
A zona pelúcida bloqueia as interações entre as integrinas do concepto e o glicocálix do endométrio, 
então há a necessidade de degradá-la ou se desligar dela 
a) As células do trofoblasto bombeiam Na+ para o blastocele 
b) Ocorre a entrada de água, causando um aumentona pressão no blastocele 
c) Ocorre um aumento de volume que ocasiona um aumento da tensão na zona pelúcida 
d) Secreção de proteases → tornam a zona pelúcida frágil e porosa 
e) Ocorre então o rompimento e subsequente desligamento da zona pelúcida do blastocisto 
f) As moléculas de reconhecimento ficam livres 
2. Implantação inicial 
A superfície do endométrio possui L-selectinas que vão interagir com o glicocálix do endométrio 
materno (rico em polissacarídeos sulfatados) 
 
Sequência da implantação 
 
− Hatching → apposition → adhesion → invasion 
 
3. Adesão 
Em resposta à ligação ao endométrio, as células do trofoblasto secretam proteases (colagenase, 
estromelisina, ativador de plasminogênio) que digerem a matriz extracelular do endométrio, visando 
alcançar uma região rica em vasos. Ocorre então a penetração na região decidual. 
 
4. Invasão 
Então, as células do trofoblasto começam a se proliferam e formam prolongamentos digitiformes que 
ampliam a capacidade invasiva → trofoblasto mitoticamente ativo (sem citocinese) 
− Ocorre a formação do sincício → vários núcleos sem individualização das células 
O trofoblasto é dividido em duas regiões: 
1. Região que invade → sinciciotrofoblasto 
2. Trofoblasto original → citotrofoblasto 
As integrinas do trofoblasto se ligam à MEC da camada funcional do endométrio → progresso da invasão 
embrionária. 
 
BLOQUEIO IMUNITÁRIO DA REAÇÃO DECIDUAL 
− Próximo ao sinciciotrofoblasto ocorre a digestão das células deciduais, o que colabora na 
nutrição do embrião 
− Ocorre a formação de desmossomos o redor do concepto → barreira mecânica para evitar a 
rejeição 
 
JANELA DE IMPLANTAÇÃO: período que o embrião leva para sair da luz do útero e alcançar o espaço 
do compartimento mesenquimal/estromal 
− Dura em torno de 6 dias (vai do 6º ao 12º dia após a fertilização, aproximadamente) 
 
Após a ocorrência da implantação, o embrião começa a secretar B-HCG (gonadotrofina coriônica), que 
induz o processo de estimulação secundária do corpo lúteo, ocasionando aumento na concentração de 
progesterona, o que evita a degradação do endométrio. 
− O B-HCG tem que ser produzido antes do 25º dia do ciclo menstrual materno (+/- final da 2ª 
semana de gestação) → ocorrem os primeiros sintomas da gravidez (enjoo, aumento do apetite, 
etc.) 
− O pico da produção embrionária se dá no 2º mês de gestação 
− Após o 2º mês, a placenta mantém os níveis de progesterona até o dia do parto, quando ocorre 
uma queda brusca. 
 
FINAL DA 2ª SEMANA 
− O embrião tem que estar completamente implantado 
− Pode ocorrer sangramento devido ao encontro de vasos sanguíneos pelo embrião 
− Já ocorre a detecção de B-HCG em exames 
 
IMPLANTAÇÕES ECTÓPICAS 
São implantações que ocorrem fora do local adequado, são sempre ao redor do trato reprodutor da 
mulher. 
− Mais frequentes: tubárias e ovarianas 
As implantações ectópicas podem seguir por um tempo, no entanto, não silenciam o processo de 
rejeição, ocorrendo então dores abdominais, febre, etc. 
CAUSAS 
− Oclusão da luz da tuba uterina 
− Tortuosidade tubária (causa por infecções abdominais) 
− Síndrome dos cílios imóveis (pode ser por causa do tratamento para artrite reumatoide, 
quimioterapia, entre outros fatores) 
− Peristaltismo reverso (causa as implantações ovarianas e intramurais) 
 
IMPLANTAÇÃO SECUNDÁRIA 
 
− Acontece entre a segunda à quarta semana do desenvolvimento. 
Ocorre durante o processo de invasão dos tecidos maternos. Durante a invasão embrionária, muitas 
células deciduais degeneram e colaboram para a nutrição do embrião → PRIMEIRAS TROCAS 
MATERNO-FETAIS 
Objetivo da progressão da invasão: alcançar os vasos maternos para obtenção eficiente de oxigênio e 
nutrientes → FORMAÇÃO DAS LACUNAS MATERNO-FETAIS 
Lacunas materno-fetais → centro organizador para a estrutura da placenta 
− Espaços cavitários no sinciciotrofoblasto preenchidos por sangue da mãe 
− A evolução do sinciciotrofoblasto degrada as tênues paredes dos vasos sanguíneos da decídua 
− O fluxo materno impulsiona o sangue pare estes espaços onde correm, POR DIFUSÂO, as trocas 
gasosas e metabólicas → esse processo se mantém até o início da estruturação da placenta 
(demora em torno de 2 a 3 semanas – vai se tornando mais amplo e complexo com o passar dos 
dias – só se estabelece depois da circulação embrionária – 4ª sde) 
− Fonte de nutrientes renovável (não finita) 
− À medida que aumenta o suprimento de sangue, aumenta também consideravelmente o aporte 
de oxigênio para os tecidos da primeira frente de migração → CITOTROFOBLATO E 
MESODERMA EXTRAEMBRIONÁRIO 
− À medida que essas células do mesoderma extraembrionário começam a ter carência de alguns 
nutrientes, elas começam a entrar em apoptose em quase toda a cavidade exceto na região do 
pedículo (região mais concentrada), entorno do córion e na borda do embrião propriamente 
dito. 
− A proliferação é espacialmente dirigida → tanto o citotrofoblasto quanto o mesoderma 
extraembrionário progridem em direção ao sincício formando espículas (projeções 
digitiformes) 
− Projeção de citotrofoblasto + sincício + mesoderma extraembrionária → VILOSIDADE 
CORIÔNICA → progressões dos tecidos embrionários em direção ao sinciciotrofoblasto 
− As vilosidades coriônicas são fundamentais para a formação da parte fetal da placenta 
 
Obs.: PLACENTA → porção fetal + porção materna 
− Porção fetal → aumento da complexidade das vilosidades coriônicas 
− Porção materna → decídua 
 
Classificação das vilosidades coriônicas 
− Primárias → se forma a partir da 2ª sde → 2 tecidos – cito e sinciciotrofoblasto 
− Secundárias → 3ª sde → 3 tecidos – cito e sinciciotrofoblasto + mesoderma extraembrionário 
− Terciárias → 4ª sde → secundária + vasos sanguíneos embrionários (dentro do mesoderma 
extraembrionário) → sistema otimizado de transferência (aporte grande de nutrientes 
distribuídos a partir de uma rede circulatória) 
 
 
A partir da 4ª sde existe um arranjo necessário para as trocas fisiológicas entre o embrião e a mãe 
(sistema circulatório rudimentar) → início formação da placenta 
Maior exigência metabólica → vilosidades mais complexas 
− Reorganização do córion pelo aumento da complexidade das vilosidades e o crescimento 
embrionário 
− As vilosidades coriônicas cobrem todo o saco coriônico até o início da 8ª semana 
− As vilosidades se tornam ramificadas e mais elaboradas na área circunvizinha ao PÉDICULO DO 
EMBRIÃO 
Região de contato entre as VILOSIDADES CORIÔNICAS e A DECÍDUA BASAL → PLACENTA 
 
Os anexos embrionários (ou membranas fetais) são estruturas membranosas extraembrionárias que 
estão relacionadas fisicamente ao embrião, não fazem parte do disco embrionário bilaminar 
− Formam-se pela diferenciação de células do embrioblasto, a partir da metade da segunda 
semana do desenvolvimento (fazem parte do sistema gestacional) 
− Participam de diversas funções no atendimento das necessidades do embrião 
 
Necessidades embrionárias 
− Trocas gasosas 
− Nutrição 
− Hidratação (água) 
− Proteção contra choques mecânicos 
− Eliminação de excretas 
− Evitar o colabamento dos tecidos 
− Temperatura adequada 
Enquanto a implantação progride, o embrioblasto vai se modificando → as células se polarizam → 
começam a se organizar em um disco embrionário bilaminar (2 camadas: epiblasto e hipoblasto) 
− Surgimento de uma nova cavidade 
 
Anexos embrionários (disco embrionário bilaminar) 
− Saco amniótico → bolsa de líquido → manter a hidratação e absorção de choques 
− Vesícula umbilical (saco vitelínico) → vesícula com líquidos do blastocele → formação do 
intestino, guardar células primordiais (gametas) e eritropoiese (não participa da nutrição do 
embrião) 
− Alantoide → acúmulo de excretas nitrogenadas → não tem função → participa da formação de 
ligamentos e da movimentação das células germinativas 
− Córion (mesoderma extraembrionária) → porção fetal da placenta 
Âmnio 
 Córion 
 
 
 Blastocele 
 
 Amnioblastos Cavidade amnióticaEpiblasto 
 Hipoblasto Vesícula umbilical 
 
 
 
 Trofoblasto 
* 3 folhetos 
Obs.: www.devbio.com → Development Biology – Scott Gilbert 
 
 
ÂMNIO E LÍQUIDO AMNIÓTICO 
− LÍQUIDO AMNIÓTICO 
▪ Semelhante ao fluido dos tecidos fetais (líquido intersticial dos tecidos) 
 
 
Disco embrionário 
bilaminar 
http://www.devbio.com/
▪ Determinante do crescimento e desenvolvimento do embrião → possibilita a hidratação 
e desenvolvimento equânime 
▪ O feto deglute e aspira o fluido → preenchimento visceral → evita o colabamento, 
principalmente durante os eventos de dobramentos embrionários 
▪ Participa da homeostase de líquidos e controle de temperatura 
▪ Livre movimentação do embrião no líquido → desenvolvimento equilibrado e membros 
livres para correta extensão e rotações 
▪ Absorção de impactos e choques mecânicos 
− ÂMNIO → membrana delgada e firme 
▪ Se adere ao cordão umbilical → evita o extravasamento do líquido amniótico 
▪ Todo preenchido pelo líquido amniótico 
▪ Não tem função no desenvolvimento 
 
Formação do líquido amniótico 
− Secreção pelos amnioblastos entre a 2ª e 4ª semana 
− Entre a 4ª e a 10ª sde: fluidos maternos (basicamente água e eletrólitos) são drenados através 
da placenta e aumentam rapidamente o volume de líquido 
− Os tecidos fetais participam da incorporação de líquidos a partir da 9ª semana de 
desenvolvimento pela transferência pela pele (até a queratinização – 6º mês), urina (início da 
produção do filtrado gromerular) e secreções 
▪ 10 semanas → 30 mL 
▪ 20 semanas → 350 mL (já preenche toda a cavidade coriônica) 
▪ 38 semanas → 700-1000 mL (a partir da 36ª semana, o valor máximo pode diminuir por 
causa da absorção de água → coleções granulares (precipitados proteicos) → mostra no 
US que a gestação está evoluindo para o trabalho de parto → indicam a maturação do 
líquido amniótico 
 
Medicina diagnóstica: amniocentese 
− Detecção de espinha bífida, maturidade dos pulmões e síndrome de Down 
Bandas amnióticas → mal-formação onde dentro do âmnio se formam agregados de proteínas bastante 
rígidos e inelásticos (causa desconhecida) → durante os movimentos embrionários, as bandas podem 
aértar dedos, membros e outras partes do corpo, chegando a amputar. 
 
VESÍCULA UMBILICAL (ou saco vitelínico) 
− Surge do revestimento do blastocele pelas células do hipoblasto 
− Até o início da 4ª sde é ampla, mas os dobramentos comprimem as paredes e modificam a sua 
forma 
− 5 semanas → saco vitelino grande 
− 10 semanas → resquício piriforme ligado ao intestino 
− 20 semanas → muito pequena e de difícil visualização 
− É preenchido por um fluido que NÃO tem função nutritiva 
FUNÇÕES 
− Eritropoiese da 4ª a 6ª semana de desenvolvimento (função primária) – a partir da 6ª semana, 
o fígado assume essa função 
− Formação do intestino primitivo através da incorporação das paredes durante o dobramento 
− Origem e manutenção das células germinativas primordiais (células que darão origem às gônias) 
até a 6ª sde 
− NÃO PARTICIPA DA NUTRIÇÃO DO EMBRIÃO! 
 
ALANTOIDE 
− Anexo transitório 
− Pequeno divertículo do endoderma da vesícula umbilical 
− Se projeta para o pedículo do embrião para formar os cordões hemangiogênicos que darão 
origem aos vasos umbilicais (carrega um tecido que é favorável à formação de vasos sanguíneos) 
− Mais tarde, em torno da 8ª sde, participada formação de parte da bexiga urinífera (parte dele vai 
ser incorporado nas paredes anteriores) 
 
CÓRION 
− É o tecido responsável pela parte fetal da placenta 
− Surge da proliferação e reabsorção do mesoderma extraembrionário → a proliferação do 
mesoderma extraembrionário provoca a expansão do trofoblasto, formando a cavidade 
coriônica 
− Cavidade coriônica → tem como objetivo permitir que o embrião se dobre 
− Delimita a cavidade coriônica 
− Permite a formação de uma rede de vasos coriônicos 
 
MESODERMA EXTRAEMBRIONÁRIO 
− Revestimento do blastocele pelas células do hipoblasto → 
membrana exocelômica (1A) 
− Uma vez formada a vesícula umbilical primária, células da 
membrana exocelômica (4) e do citotrofoblasto (6) se 
PROLIFERAM (3B) 
− O tecido oriundo desta proliferação dá origem ao mesoderma 
extraembrionário (5C) 
− A reabsorção da maior parte de mesoderma 
extraembrionário faz surgir a cavidade coriônica (2D) → formação 
do saco gestacional 
− Importância da manutenção desse tecido nas bordas do 
córion → formação da placenta (mesoderma extraembrionário + 
citotrofoblasto) 
 
 
 
 
GASTRULAÇÃO 
- folhetos embrionários e seus derivados - 
 
As células do embrioblasto se reorganizam formando o disco embrionário bilaminar e anexos 
embrionários 
− Disco embrionário (início da 3ª semana) → bilaminar (epiblasto e hipoblasto) 
▪ Epiblasto → âmnio e embrião 
▪ Hipoblasto → vesícula umbilical 
 
A partir do pedículo do embrião, ocorrerá um grande aporte de oxigênio no sistema, o possibilita a 
formação da linha primitiva – região de alta proliferação celular 
− Evento de proliferação e ingressão (projeção de células recém produzidas para o espaço abaixo 
do epiblasto) → GASTRULAÇÃO (não é o único evento da 3 sde) 
 
FOLHETOS EMBRIONÁRIOS 
Os três folhetos embrionários derivam do epiblasto a partir da gastrulação 
1. Ectoderme 
2. Mesoderme 
3. Endoderme 
 
Quando tem início a gastrulação? 
No início da 3ª semana, ocorre o surgimento de das cristas germinativas, que provocam o surgimento 
da região da linha primitiva (faixa opaca e bem adensada na extremidade caudal e dorsal do embrião – 
dorso-caudal – intensa proliferação celular) 
− A migração das células para baixo da linha primitiva (ingressão) forma a endoderme e a 
mesoderme 
− Células do EPIBLASTO proliferam, migram e substituem o HIPOBLASTO, formando a 
ENDODERME (as células do endoderma se intercalam com as do hipoblasto levando à apoptose 
destas – o hipoblasto é completamente substituído pela endoderme) 
− Uma segunda onda de células migra e se deposita entre os dois folhetos: MESODERME 
− O ECTODERME não passa por nenhum processo de proliferação, são as células do epiblasto que 
não se movimento, modificam e permanecem no tecido de origem. 
Com a gastrulação, surgem outras estruturas que são importantes para coordenar a movimentação 
correta do embrião na etapa dos dobramentos e funcionarão como centros organizadores das 
extremidades embrionárias. São elas: 
− Membrana bucofaríngea (ecto+endo) 
− Membrana cloacal (ecto+endo) 
Obs.: não existe infiltração da mesoderme nessas regiões 
Estas estruturas determinam a organização das extremidades do embrião e os planos céfalo-caudal e 
dorso ventral 
 
Além da formação dos três folhetos, a gastrulação é o gatilho par uma sequência coordenada de eventos 
que caracterizam a 3ª semana do desenvolvimento: 
1. Gastrulação (primeiro evento da 3ª sde) 
2. Formação da notocorda 
3. Formação do tubo neural 
4. Desenvolvimento inicial do sistema cardiovascular 
5. Desenvolvimento dos somitos 
 
 
 
 
FORMAÇÃO DA NOTOCORDA 
A notocorda é a primeira estrutura indutora do embrião. É uma estrutura de sustentação e determina 
o eixo céfalo-caudal. 
− É uma massa celular densa em forma de bastão 
− A partir do nó primitivo se estende uma faixa de tecido que vai para a “frente” → caracterizam a 
notocorda 
− A notocorda endente-se em direção à membrana bucofaríngea, à medida que o embrião se alonga 
no sentido anteroposterior 
− A região caudal não sofre influência da notocorda 
− A notocorda é responsável pela determinação dos eixos anteroposterior e médio-lateral 
− Induz a formação do TUBO NEURAL e diferenciação da NEUROECTODERME 
− Induz a segmentação da mesoderme 
Concluída a formação da notocorda e da mesoderme, a linha primitiva perde a função, a proliferação 
celular cessa e a linha primitiva desaparece. 
 
CASO CLÍNICO 
Teratoma sacrococcígeo → as células da linha primitiva não param de se dividir e não morrem. 
− Neoplasia decorrente da manutenção das células da linha primitiva 
− Tumor benigno, pode ter diferente dimensões e sempre estápresente na região sacrococcígeo 
− Pode-se encontrar dentro do tumor, células mesenquimais, tecido conjuntivo, dentes, pelos, 
ósseos e/ou fragmentos musculares (as células da linha primitiva são indiferenciadas e podem 
dar origem a muitos tipos celulares diferentes) 
 
NEURULAÇÃO 
À medida que a notocorda se estende, ela secreta fatores (fatores notocordais) que agem em cima dela 
na ectoderme. Isso faz com que surja uma faixa em cima que é molecularmente e morfologicamente das 
estruturas adjacentes → PLACA NEURAL 
− Conforme a notocorda se estende, também aumenta a placa neural (na direção cefálica) 
− A placa neural vai se dobrar e dá origem ao tubo neural 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
− Começa no 18º dia e vai até o 25º dia de desenvolvimento 
 
 
 
 
 
Epiderme 
Fatores notocordais Ectoderme 
Neuroectoderme 
(placa neural) 
Tubo neural 
SNC 
Crista neural 
SNP e outros 
PLACA, TUBO E CRISTA NEURAL 
 
− Muitos defeitos de tubo neural surgem da falta de comunicação entre 
a notocorda e a neuroectoderme 
 
 
 
 
 
 
 
 
SEGMENTAÇÃO DA MESODERME 
− É mediada pela notocorda e pelo tubo neural 
− Se divide em três regiões distintas 
▪ Mesoderme paraxial (somitos) → próxima do tubo neural e da notocorda 
▪ Mesoderme intermediária → entre a paraxial e a lateral 
▪ Mesoderme lateral → na borda do corpo do embrião e separada pelo celoma 
A segmentação é necessária para a separação de uma população de células – os somitos – que terão um 
destino específico para a formação de algumas estruturas entre 5ª e a 7ª semana, além da necessidade 
da criação de um espaço vazio entre os dois folhetos – celoma embrionário 
− Celoma → cavidade que vai separar a mesoderme em 3 camadas com o propósito de criar 
cavidades para o desenvolvimento de órgãos (cavidades corporais) e possibilitar o dobramento 
do embrião 
2º processo de indução → fragmentação da mesoderme paraxial em blocos celulares → somitos que 
darão origem às vertebras, aos músculos esqueléticos e derme. A somitogênese ocorre no sentido 
cefálico-caudal (é mediada principalmente pelo tubo neural) 
 
DESTINO DA NOTOCORDA 
4ª sde → indução da formação dos corpos vertebrais 
6ª sde → início da degradação ao longo do corpo do embrião, exceto no núcleo pulposo de cada disco 
intervertebral 
 
CASO CLÍNICO → Cordoma 
As células remanescentes da notocorda não se diferenciam em células secretoras de matriz e 
permanecem com atividade notocordal (tecido embrionário com característica proliferativa) se 
proliferam e dão origem a tumores ao longo de todo sistema nervoso central (cavidade cefálica ou canal 
medular). É um tumor benigno que pressiona as estruturas, provocando dor e perda de algumas 
funções. 
 
Ao final da 3ª semana... 
O embrião contém os três folhetos embrionários, notocorda, placa neural e vasos primitivos. 
 
 
− São eventos da quarta semana de desenvolvimento embrionário. 
 
Embrião discoidal → embrião cilíndrico 
 
Os dobramentos (ou curvaturas) do embrião são movimentações de estruturas de referência, induzidas 
pelo crescimento (rápido) dos folhetos. Esses dobramentos resultam no reposicionamento e 
ventralização de estruturas craniais, dorsais e caudais 
− Estruturas de referência: membranas bucofaríngea e cloacal, área cardiogênica, septo transverso 
e pedículo do embrião. 
▪ Estruturas craniais: septo transverso e área cardiogênica 
▪ Estruturas dorsais: membrana bucofaríngea e placa neural 
▪ Estruturas caudais: membrana cloacal e pedículo do embrião 
− Principal consequência: mudança drástica na forma do embrião 
Como consequência dessa mudança de forma do embrião, há mudanças nos planos corporais: 
estruturas que eram dorsais passam a ser anteriores (membrana bucofaríngea), craniais passam a ser 
mediais (área cardiogênica), caudais passam a ser posteriores. 
 
Ao final da 3ª semana, o embrião contém os 3 folhetos, notocorda, placa neural e vasos primitivos. 
A partir do início da quarta semana, o embrião se dobra em dois sentidos de forma simultânea, porém 
o resultado é sempre o mesmo: ventralização das bordas 
 
DOBRAMENTO LONGITUDINAL 
− Ocorre no sentido craniocaudal 
− O rápido crescimento do disco no eixo longitudinal provoca o arqueamento das extremidades 
− As estruturas das extremidades cefálica e caudal movimentam-se em direção à vesícula 
umbilical 
− Ventralização: 
▪ Área cardiogênica 
▪ Septo transverso 
▪ Membrana bucofaríngea 
▪ Membrana cloacal 
▪ Pedículo do embrião 
 
EXTREMIDADE CEFÁLICA 
− A parte cefálica do tubo neural cresce anteriormente, projetando-se sobre a 
membrana bucofaríngea 
− O crescimento do encéfalo empurra o coração em desenvolvimento e o septo 
transverso no sentido ventro-medial 
− A membrana bucofaríngea se torna anterior e será o centro organizador da boca 
− Quando a área cardiogênica se movimenta para o futuro mediastino, parte do 
endoderma da vesícula umbilical é incorporado ao embrião, originando o intestino 
anterior. A prega cefálica se projeta para baixo formando o prosencéfalo, primeira 
estrutura que vai determinar a formação da cabeça do embrião 
 
 
 
1. Pregas cefálicas 4. Celoma pericárdico 7. Borda do âmmio 
2. Notocorda 5. Coração primitivo 8. Luz do intestino anterior 
3. Tubo neural 6. Membrana bucofaríngea 9. Septo transverso 
 
 
 
EXTREMIDADE CAUDAL 
− A parte caudal do tubo neural se entende em direção ao pedículo, empurrando a 
membrana cloacal para baixo e para o meio (neurulação secundária) 
− A movimentação da membrana cloacal traciona o pedículo e modifica sua posição, 
obrigando-o a se estender também (força o pedículo para a posição do cordão 
umbilical). Essa movimentação do pedículo é importante para aproximar o pedículo 
do embrião da área cardiogênica. 
− Parte do endoderma da vesícula umbilical é incorporado ao embrião, originando o 
intestino posterior 
− A membrana cloacal é o centro organizador do ânus 
 
 
 
 
 
Obs.: O dobramento longitudinal provoca a expansão do âmnio e a constrição da vesícula umbilical. 
Também causa o alongamento do pedículo do embrião. 
 
CELOMA EMBRIONÁRIO (intraembrionário) 
Também durante a 4ª sde, a mesoderma lateral e da área cardiogênica é dividida em duas camadas. O 
espaço entre as lâminas forma o CELOMA EMBRIONÁRIO. 
A lâmina de mesoderma que está ancorada à ectoderme formará a SOMATOPLEURA (ou mesoderma 
somática). Já a que está ancorada à endoderme formará a ESPANCNOPLEURA (ou mesoderma 
esplâncnica) 
Como a delaminação do mesoderma ocorre em direção à área cardiogênica, o celoma embrionário 
assume a forma de ferradura, suas duas extremidades no mesoderma lateral se comunicam com a 
cavidade coriônica. 
 
 
 
1. Notocorda 4. Linha primitica 7. Alantoide 
2. Tubo neural (caudal) 5. Endoderme 8. Pedículo do embrião 
3. Saco amniótico 6. Membrana cloacal 9. Luz do intestino posterior 
 
 
DOBRAMENTO LATERAL 
Durante a 4ª semana, os somitos formados no final da 3ª sde se desagregam e as células dos somitos 
migram rapidamente para as bordas da placa somática 
− O desenvolvimento da medula espinhal também contribui para a ampliação da porção medial do 
embrião 
− A placa somática cresce mais rápido do que a placa esplâncnica, causando o dobramento 
 
PLANO MEDIAL 
− As bordas da placa somática se alongam e 
começam a se dobrar no sentido ventral 
− Esse movimento ajuda na compressão das 
paredes laterais da vesícula umbilical 
− Tal compressão provoca o dobramento do 
endoderma de forma distinta nos seguimentos anterior 
médio e posterior do intestino primitivo 
− A comunicação entre a vesícula umbilical e o 
intestino se mantém (a constrição não é completa) → 
ducto onfaloentérico 
 
 
Com todas as estruturas no lugar, começa a organogênese (período que caracteriza o 
desenvolvimento embrionário – 4 semanas finais) → os folhetos se transformam em tecidos, tecidos 
em órgãos, etc. 
 
 
Definição: estrutura transitória composta responsável por trocas metabólicas, secreção de hormônios 
e síntese de moléculas nutridoras 
A placenta é compostapor duas porções: materna e fetal 
 
DECÍDUA – PORÇÃO MATERNA 
− Preparo endometrial em resposta à PROGESTERONA, ocorre em toda a extensão do útero. 
− O concepto irá encontrar tecido favorável ao desenvolvimento em toda cavidade uterina → 
DECÍDUA 
− Nessa porção materna é encontrada a relação direta entre o embrião e os tecidos coriônico para 
o estabelecimento da placenta 
 
Classificação decidual 
Classificação feita apenas do ponto de vista anatômico, as três porções são funcionalmente e 
morfologicamente iguais 
− Decídua basal → local direto de interação entre o 
sinciciotrofoblasto e o endométrio (onde o embrião se 
implanta → o sincício destrói e penetra o tecido materno) 
→ Aumenta conforme a progressão da gestação 
− Decídua capsular → porção da decídua que reveste a 
porção abembrionária da cavidade coriônica, separa o 
concepto da cavidade uterina (polo oposto ao polo 
embrionário) → endométrio reconstituído 
− Decídua parietal → endométrio gravídico que não tem 
contato com o embrião (restante da cavidade uterina que 
não estabeleceu relação direta com o embrião) 
 
CÓRION – PORÇÃO FETAL 
− As vilosidades coriônicas se estendem e se desenvolvem recobrindo todo o saco coriônico 
− O contato com os tecidos maternos faz com que se ramifiquem, invadam e se encrustem nos 
tecidos da mãe 
 
A placenta se constitui na região de contato entre a decídua basal (tecido materno) e o córion (parte 
fetal) (colocar imagem) 
− Toda a rede vascular que está presente dentro do vilo coriônico está anastomosado com os vasos 
da parede coriônica, que por sua vez se anastomosam e progridem para a região do cordão 
umbilical 
− Há contato direto entre os ambientes maternos e fetais para que ocorram as trocas (interação 
entre os tecidos) 
− Para que aconteça a regulação das funções entre as funções nutritivas e hormonais, é preciso 
que ocorra a interação. A placenta precisa produzir/acumular moléculas (parte materna) que 
vão ser transferidas para o embrião e desencadearão processos proliferativos ou ainda a 
sensibilização hormonal de alguns tecidos 
 
EVOLUÇÃO PLACENTÁRIA 
A progressão do córion e o aumento da complexidade das vilosidades coriônicas ampliam a placenta 
em área e espessura (da 4ª a 18ª sde) → aumenta a capacidade de trocas metabólicas 
Na 18ª semana, é alcançada as principais características da placenta 
 
Placenta em números 
A termo: 
− Recobre de 15 a 30% da decídua 
− Tem aproximadamente 1/6 do peso do feto (400-500g) 
− Diâmetro = 25cm e espessura = 2,5 – 3 cm (o aumento do diâmetro se dá pela proliferação do 
número de vilosidades enquanto a espessura se dá pelo tamanho destas) 
 
SEPTOS E COTILÉDONES 
− Cotilédones → arranjos de vilos coriônicos encerrados numa 
porção da placenta que está delimitada por uma pequena capa 
de mesoderme extraembrionária e uma capa de citotrofoblasto 
→ associação de vilos 
− Septos → estruturas que ficam entre dois cotilédones → 
caracterizados por uma grande massa de sinciciotrofoblasto 
(espaço interviloso) 
 
Após algum tempo, as vilosidades coriônicas desaparecerão da 
maior parte do córion, formando o córion liso (porção oposta 
da placenta), onde permanecem as vilosidades denomina-se 
córion viloso (placenta) 
 
ANATOMIA PLACENTÁRIA 
 
Capa de mesoderme extraembrionária 
 
 
Vilosidades coriônicas 
 
 
Camada decidual 
 
Septos do tecido conjuntivo materno 
 
Placa basal → cito + sincício → revestimento que cria uma 
membrana separando os tecidos fetais dos maternos 
 
 
 
Obs.: a formação de desmossomos ocorre na parte externa da camada decidual, formando uma barreira 
mecânica 
− O sangue materno vem pela artéria uterina, alcança a artéria espiralada e vaza para o espaço 
entre a vilosidade coriônica, é nesse momento que ocorrem as trocas. Das vilosidades, o sangue 
segue pela veia umbilical e chega no embrião 
− 2 artérias umbilicais trazem sangue pobre em O2 para a placenta e uma veia umbilical leva 
sangue rico em os para o embrião 
− A circulação materna é aberta, o sangue é livre nos espaços cotiledonários 
− A circulação fetal é fechada 
− O sangue volta para rede vascular materna através de pressão negativa 
 
 
 
 
MEMBRANA PLACENTÁRIA – BARREIRA HEMATO-PLACENTÁRIA 
− Conjunto de células que estão associadas entre si 
− É através dessas células que todos os componentes 
que chegarão até o feto devem passar 
 
 
 
 
 
 
 
 
FUNÇÕES DA PLACENTA 
− Trocas metabólicas e nutrição 
− Função endócrina 
− Bloqueio da rejeição 
 
CIRCULAÇÃO PLACENTÁRIA 
 
Ao final da 4ª sde, a rede circulatória 
embrio-placentária já está estabelecida. 
− O arranjo é caracterizado pela presença 
de alguns vasos do embrião: aortas 
dorsais, veias cardinais, artérias e veias 
vitelínicas, veia umbilical, artérias 
umbilicais 
− Essa rede que se forma está em 
comunicação com as artérias umbilicais 
− As aa. umbilicais se anastomosam com 
os vasos do cordão umbilical (que foram 
produzidos pela vasculogênese do 
alantoide) 
− Os vasos umbilicais se anastomosam 
com a rede coriônica (que está em continuidade com a rede vascular dos vilos coriônicos) 
O que é encontrado: 
− Vasos do embrião anastomosados aos vasos umbilicais 
− Vasos umbilicais anastomosados aos vasos coriônicos 
− O arranjo anatômico necessário para as trocas fisiológicas (materno-fetais) se estabelece na 4ª 
sde 
 
CIRCULAÇÂO MATERNA (PARTE MATERNA DA PLACENTA) 
1. O sangue materno vem das artérias uterinas para as artérias espiraladas (endométrio) 
2. Das artérias espiraladas, o sangue vaza para o espaço interviloso/intercotiledonário (o sangue é 
impelido em jatos pela pressão sanguínea materna) 
3. O sangue então flui em torno das vilosidades coriônicas, possibilitando as trocas metabólicas 
4. O sangue então retorna por pressão negativa às veias endometriais e então volta para a 
circulação materna 
 
CIRCULAÇÃO DA PARTE FETAL 
1. Sangue pouco oxigenado do feto vai para a placenta pelas artérias umbilicais 
2. O sangue se espalha pelas artérias coriônicas nas ramificações das vilosidades coriônicas 
3. O sangue fetal alcança a membrana placentária 
4. Ocorrem as trocas de nutrientes e rápida difusão do oxigênio 
5. Sangue oxigenado retorna para o feto através da veia umbilical 
 
TROCAS METABÓLICAS E NUTRIÇÃO 
− Chegada de grande quantidade de sangue vinda do feto pelas artérias umbilicais e alcança as 
ramificações dos vilos coriônicos → pobre em oxigênio e nutrientes/ grande quantidade de co2 
e metabólitos 
− Sangue da mãe → altamente oxigenado e rico em nutrientes 
− Ocorre a difusão facilitada na região de proximidade entre estruturas embrionárias e o sangue 
da mãe → vilo coriônico 
− O sangue volta para o embrião através da veia umbilical agora rico em oxigênio e nutrientes 
− Papel fundamental da absorção: citotrofoblasto (primeiro trimestre) → caracterizam a porção 
ativa e seletora da membrana placentária, fisiologicamente funcionam como enterócitos (fazer 
relação entre fármacos e gestação → se a droga é absorvida pelo intestino, muito provavelmente 
é absorvida pelo citotrofoblasto) 
− Essa membrana não é 100% seletiva, algumas coisas prejudiciais conseguem passar, como 
alguns vírus 
− Ocorrem endocitose de fase líquida e sólida, além da presença de transportadores para 
transporte facilitado na membrana do citotrofoblasto 
o Mãe → feto: 
▪ Oxigênio 
▪ Água e eletrólitos 
▪ Nutrientes 
▪ Hormônios 
▪ Anticorpos 
▪ Drogas → álcool, mercúrio, moléculas pequenas e lipossolúveis em geral 
▪ Patógenos → rubéola, citomegalovírus, toxoplasmose (protozoário) 
▪ Vitaminas 
o Feto → mãe 
▪ CO2 
▪ Água e ureia 
▪ Metabólitos → ácido úrico, bilirrubina 
▪ Hormônios fetais 
− Não atravessam a barreira: bactérias, heparina, IgM, IgS 
 
FUNÇÃO ENDÓCRINA 
O gatilho para a manutenção da gestação é a presença do β-HCG, que age sobre o corpo lúteo, que 
continua produzindo a progesterona e o estrogênio. 
O β-HCG é um hormônio embrionário, ou seja, só encontrado quando há a presença de um embrião. 
Quem secreta: trofoblasto 
A progesteronacontinua aumentando até a 38ª semana, quando começa a decair, o que é um indicativo 
do trabalho de parto 
− Imprinting hormonal → manutenção da viabilidade do corpo lúteo para secreção de 
progesterona até que a placenta se estabeleça como órgão endócrino 
− Ocorre a transferência gradual do controle hormonal do corpo lúteo para a placenta 
− Quando há uma quantidade superior de progesterona maior do que a corpo lúteo consegue 
produzir, o corpo lúteo começa a regredir e o controle hormonal fica exclusivamente da placenta 
− Abortamentos espontâneos entre a 6ª e 10ª semana estão ligados à falência precoce do corpo 
lúteo 
− Abortamentos espontâneos após a 10ª semana → morte fetal ou problemas de produção de 
progesterona pela placenta 
 
HORMÔNIOS PLACENTÁRIOS 
− β-HCG → mantém o corpo lúteo 
− Progesterona → mantém o revestimento uterino, inibe contrações uterinas. 
− Estrogênio → mantém o revestimento uterino, estimula as glândulas mamárias 
− Lactogênio placental → estimula as glândulas mamárias e a síntese de prolactina, além de ser 
um hormônio anabólico para o feto (fornece energia) 
− Paratormônio placentário → aumenta a concentração do Ca+2 no sangue 
− Relaxina → produzida mais perto do parto, trabalha sobre a flexibilização e elasticidade do 
cérvix uterino e da sínfise púbica (aumenta a concentração de GAGs, que “carregam” água e 
deixam a fibrocartilagem mais mole para a distensão do canal de parto) 
− Hormônio liberador de corticotrofina → aumenta a taxa de batimentos cardíacos, a pressão 
sanguínea, a concentração sanguínea de glicose e estimula o parto (hormônio de estresse) 
A produção de estrogênio e progesterona estimulam a produção de dois hormônios na neurohipófise 
no final da gestação: prolactina e ocitocina 
 
MODULAÇÃO DA RESPOSTA IMUNITÁRIA 
A placenta é classificada como um haloenxerto natural. Durante o processo de formação da parte fetal 
da placenta, o trofoblasto se encarrega de modular a resposta imunitária da mãe. Isso ocorre, pois, as 
células do trofoblasto não apresentam MHC de classe I, o que as “camuflam” do sistema imune (não são 
reconhecidas pelas células apresentadoras de antígeno da decídua materna). Além disso, essas células 
apresentam formas polimórficas do complexo HLA (HLA-G e HLA-C) que também não são reconhecidas 
pelos linfócitos T. 
 
BLOQUEIO DA REJEIÇÃO 
− Secreção local de PGE2 (prostaglandina 
E2), TGF-β e IL-10 (interleucina 10) → 
imunomodulam o reconhecimento das 
células fetais pelas células NK (linfócitos 
natural killers – combate célula a célula e 
eliminação de células sem compatibilidade) 
− Os macrófagos uterinos bloqueiam a 
ação dos linfócitos T 
− As células de defesa da mãe também 
secretam outras coisas que ajudam no 
processo, como fator de crescimento 
derivado de endotélio, interferon-gama → 
auxiliam na modulação das células de defesa 
− É como se ocorresse uma supressão 
imunológica igual quando se faz transplante, 
só que aqui é feita de forma natural 
 
♥ ♥
 
 
É organizado a partir da organização de um sistema vascular rudimentar, é o primeiro sistema do 
embrião a ser formado e a apresentar atividade 
− 3ª semana → formação do coração primitivo e sistema vascular rudimentar 
− 4ª semana (22º - 23º dia) → primeiros batimentos cardíacos → não são batimentos 
propriamente ditos, nessa etapa existem pequenas fibrilações que são capazes de propelir as 
células sanguíneas pelo embrião (a força é pequena devido ao tamanho diminuto do embrião, 
que é aproximadamente do tamanho de um grão de arroz nesse período) 
 
VASCULOGÊNESE 
As células mesenquimais do mesoderma esplâncnico se 
proliferam e formam aglomerados isolados → ilhotas 
hemangiogênicas → estas vão se anastomosando e 
dão origem aos cordões sanguíneos (ou 
hemangiogênicos). As células mesenquimais do 
mesoderma que revestem externamente a vesícula 
umbilical também passam por esse processo. 
As células mesenquimatosas que permanecem no 
interior dos cordões (desconectadas das peroféricas) 
diferenciam-se em 
células sanguíneas primitivas → hemangioblastos (células nucleadas). 
As células que ficam em contato com a endoderme se pavimentam e 
formam células de aspecto epitelial (formam o endotélio) 
− O sangue do embrião é diferente, as hemácias não possuem a 
conformação bicôncava e não há a presença de células de defesa 
 
Cavitação dos cordões 
Mesoderma indiferenciado → hemangioblastos → Agregado hemangioblástico → Ilhota sanguínea 
(células precursoras de endotélio + células progenitoras hematopoiéticas) → capilar (células 
endoteliais + eritrócitos primitivos) 
 
Distribuição dos cordões 
Existem dois grandes cordões principais (ao lado do tubo neural), que se localizam no mesoderma 
esplâncnico, que vão se anastomosar ao plexo cardíaco (forma a estrutura de vasos na área 
cardiogênica). Esses tubos formarão as aortas dorsais (principais vasos) e o plexo cardíaco formará o 
coração primitivo. 
Esses vasos são contínuos e se comunicam com os vasos que estão se formando na parede da vesícula 
umbilical → vasos vitelínicos. Há também a continuidade com os vasos que se formam no pedículo do 
embrião, que formam os vasos do cordão umbilical. Por sua vez, os vasos do cordão umbilical são 
contínuos aos vasos que estão presentes do córios, que formam a rede coriônica responsável pelas 
trocas. 
 
Resuminho 
− No mesoderma esplâncnico e na área cardiogênica → aortas dorsais e coração primitivo 
− Na parede da vesícula umbilical →vasos vitelínicos 
− No pedículo do embrião → vasos do cordão umbilical 
− No córion → vasos placentários 
Com esta rede formada, conectada e cavitada, o sistema circulatório rudimentar está concluído. 
Agora é necessário criar um órgão responsável pelo bombeamento do sangue. 
Após a formação deste sistema circulatório, ocorrerão dois eventos simultaneamente: o 
desenvolvimento do coração e as adaptações circulatórias e o processo de angiogênese à medida que 
vão surgindo novos órgãos e estruturas 
 
Formação do Coração 
 
FASES DO DESENVOLVIMENTO CARDÍACO (CARDIOGÊNESE) 
− Fase de plexo → cordões angiogênicos da área cardiogênica envoltos por mesoderma 
esplâncnico (manto miocárdico → na fase da configuração do coração, formará as células 
precursoras do miocárdio) 
− Fase de tubo → fusão dos dois tubos endocárdicos que surgem do remodelamento dos vasos do 
plexo – coração tubular 
− Fase de alça → formação da alça bulboventricular devido ao crescimento do ventrículo – 
coração sifonado 
 
1. FASE DE PLEXO (18 dias) 
Rede de vasos curtos e bastante emaranhados → coração plexiforme 
Os cordões sanguíneos, na região da área cardiogênica, se anastomosam e formam dois tubos, um ligado 
à aorta dorsal direita (porção cranial) e à veia vitelínica direita (porção caudal), outro ligado à aorta 
dorsal esquerda (porção cranial) e à veia vitelínica esquerda (porção caudal) 
 
2. FASE DE TUBO ENDOCÁRDICO (20 a 22 dias) 
Os dobramentos causam algumas modificações no coração, o longitudinal causa a ventralização e o 
lateral faz com que os tubos endocárdicos se aproximem e se fundem. 
Essa fusão não prossegue indefinidamente ao longo de todo embrião, porque já na porção cranial, as 
alças das artérias dorsais estarão separadas pelo intestino anterior. 
Após a formação do tubo, a próxima etapa é a do crescimento das sub-regiões do tubo cardíaco. 
 
Sub-regiões do tubo cardíaco 
 
1. Bulbo cardíaco 
2. Ventrículo primitivo 
3. Átrio comum 
4. Seio venoso 
 
 
 
 
 
− Região pela qual chega o sangue → seio venoso 
− O sangue sai bo bulbo cardíaco para fora do coração através das duas artérias dorsais 
F
L
U
X
O
 D
E
 
S
A
N
G
U
E
 
A conformação do coração é invertida, no coração do adulto, o átrio está sobre o ventrículo, já no 
coração do embrião, acontece o contrário, o sangue precisa ser bombeado para o ventrículo ao invés de 
descer pela gravidade (isso é resolvido na fase de alça cardíaca) 
 
3. FASE DE ALÇA CARDÍACA (23 a 28 dias) 
Ocorre o crescimento e movimentação do ventrículo e do bulbocardíaco 
− O tubo cardíaco se torna um sifão 
− Ocorre o reposicionamento do átrio e do seio venoso 
− O coração cresce e vai indo para baixo e para trás 
− Surgimento das veias cardinais em contato com o seio venoso 
 
O crescimento do bulbo e do ventrículo junto associado a essa movimentação vai mudar a estrutura 
cardíaca de tubo para um sifão. Esse sifonamento cria o mecanismo de ascensão relativa dos átrios que 
vai produzir o reposicionamento das câmaras atriais. As paredes lisas dos átrios de um coração pronto 
têm a ver com a incorporação das paredes do seio venoso à estrutura do teto do átrio em decorrência 
do aumento do volume de sangue (débito cardíaco) nesse sistema circulatório. 
Junto com o processo de sifonação do coração, também ocorre um aumento da complexidade do sistema 
circulatórios (aumento da quantidade de vasos). Das aortas dorsais, emanam várias estruturas: 
− Projeção da região cranial que invade a região da prega cefálica para formar o sistema vascular 
encefálico 
− Formação de dois arcos aórticos → arcos faríngeos → estão relacionados à vascularização da face 
− Várias espículas → artérias intersegmentares → cada uma está relacionada à um somito e irá 
formar a vascularização de um segmento vertebral 
− Na extremidade caudal, partem as artérias umbilicais, que levam o sangue do embrião para a 
placenta, onde irão sofrer as trocas metabólicas 
Como se formou uma rede vascular arterial, em paralelo também se forma uma rede venosa, as veias 
cardinais vão sofrer alterações e darão origem às veias cava superior e inferior. 
Após a fase de alça, o coração tubular possui uma luz única contínua às quatro regiões. Nas próximas 4 
semanas, vai ocorrer a construção de septos para a divisão da luz. 
Obs.: débito cardíaco → quantidade de sangue que chega no coração → aumenta conforme o feto vai 
crescendo. 
 
Septação cardíaca 
Ocorre da 4ª à 8ª semana do desenvolvimento 
Importante: a região do tronco arterioso dá origem posteriormente 
à 2 principais vasos arteriais, a artéria tronco pulmonar e a artéria 
aorta. 
Com o crescimento da alça cardíaca, ocorre um estrangulamento na 
região do canal atrioventricular → ocorre a proliferação do 
mesênquima que está entre o endocárdio e o miocárdio → formação 
dos coxins endocárdicos 
Os coxins empurram o endocárdio, projetando duas cristas na região 
do canal atrioventricular 
 
Septação atrioventricular → ocorre na metade da 4ª semana 
 
 
 
 
 
 
 
 
Obs.: Fase de alça cardíaca 
O ventrículo se movimenta e se 
posiciona à frente e abaixo do átrio. 
Com o crescimento do ventrículo, 
formam-se 2 grandes câmaras com 
uma única luz. 
Fluxo sanguíneo 
• O sangue chega no seio 
venoso 
• Preenche o átrio comum 
• Desce pelo canal 
atrioventricular 
• Chega no ventrículo 
primitivo e banha a 
cavidade 
• Sai pelo tronco arterioso 
Coxins endocárdicos ventrocefálico e 
dorsocaudal 
Canais ventriculares direito e 
esquerdo 
 
 
SEPTAÇÃO ATRIAL 
Ocorre primeiro (antes da septação ventricular) 
− Com a compressão do trato de saída, a região média do teto do átrio comum sofre uma 
compressão 
− A partir deste ponto, uma crista de tecido endocárdico se estende do teto do átrio em direção ao 
coxim → SEPTO PRIMÁRIO 
A cavidade delimitada pelas bordas do septo primário denomina-se forame primário. À medida que o 
septo vai descendo e alcança o coxim, o forame primário vai diminuindo até desaparecer. Antes do 
desaparecimento do forame primário, surge no teto do átrio uma segunda cavidade, o forame 
secundário, caracterizado por pequenos forames que depois se fundem. 
 
É necessário o forame para a passagem do sangue do átrio direito para o esquerdo, pois ainda não 
existem veias pulmonares no átrio esquerdo para a chegada do sangue vindo do pulmão. 
Para evitar a passagem se sangue arterial para o lado direito do coração após o nascimento, começa a 
se formar o septo secundário, que irá fechar o forame, impedindo a mistura de sangue. O septo 
secundário se direciona em direção à parede posterior do átrio (seio venoso). À medida que o septo 
secundário se estende, ele se sobrepõe ao forame secundário, fazendo com que o sangue não flua mais 
livremente entre o átrio direito e esquerdo (esse processo ocorre durante toda vida embrionária e fetal, 
essa passagem só será interrompida quando o bebê respirar pela primeira vez – 3º dia pós natal) 
Forame oval é delimitado pelas bordas do septo secundário (é fechado depois do parto, formando a 
fossa oval, impedindo a passagem de sangue). É fechado devido ao aumento da pressão sanguínea 
relativa no átrio esquerdo após as primeiras respirações. 
Obs.: fossa oval → cicatriz do forame oval 
 
Resuminho 
− Septo primário: teto – dorsal → coxim 
− Septo secundário: teto – ventral → seio venoso 
 
 
 
 
 
 
 
SEPTAÇÃO VENTRICULAR 
No meio da alça cardíaca, entre os dois ventrículos, ocorre a proliferação de um septo muscular, que é 
uma elevação produzida pela dilatação das laterais da câmara → primórdio do septo ventricular 
Gradativamente vai ocorrendo a proliferação de células musculares que migram e formam o septo 
interventricular. Assim como no septo atrial, há uma movimentação em direção ao coxim. No final do 
processo, há adição de uma porção membranosa, que é formada por migração de células do coxim. A 
partir da formação dessa porção membranosa, há a separação definitiva das duas cavidades. As câmaras 
são separadas, mas o sangue ainda se mistura, pois, a saída de sangue dos dois ventrículos é pelo tronco 
arterioso. Da estrutura do coxim, surgem também células que circundar a região do canal 
atrioventricular para a formação das válvulas mitral e tricúspide (vão se formar em torno da 7ª semana, 
que é quando também se forma a parte membranosa do septo) 
 
Resuminho da sequência de eventos 
1. Septo muscular se estende do assoalho por elevação 
2. Se estende pela adição de mioblastos 
3. Doação de células do coxim endocárdico para a formação da porção intermembranosa 
 
SEPTAÇÃO DO TRONCO ARTERIOSO 
Células da crista neural migram através do mesogástrio (tecido de ancoramento do intestino) dorsal 
até a área cardiogênica e se depositam nas paredes do cone cardíaco e do tronco arterioso formando os 
coxins conotruncais. 
A deposição de células da crista neural ocorre em regiões de alívio de pressão decorrente do fluxo 
sanguíneo (fluxo helicoidal), ocasionando elevações endocárdicas em espiral. Essas cristas se estendem 
em direção à luz do tronco e são contínuas à porção anterocefálica do septo interventricular. Ocorre a 
formação de um septo espiralado. Há então a divisão, sendo um lado responsável pela grande circulação 
(coração-corpo) e o outro, pela pequena (coração-pulmão). 
− A região medial é onde as cristas do septo se encontram 
primeiro 
Ocorre a divisão do tronco arterioso em dois segmentos: 
− Venoso → sangue impelido do ventrículo direito (circulação 
pulmonar) 
− Arterial → sangue impelido pelo ventrículo esquerdo 
(circulação sistêmica) 
As válvulas troncoaórticas (impedem que o sangue volte para o 
ventrículo quando o coração relaxa) também são formadas pela doação 
de células da crista neural. 
 
 
Circulação embrionária 
Na 4ª semana (vasos formados pela vasculogênese) → sistema circulatório primário (3 vasos → veia 
umbilical, veias vitelínicas e aortas dorsais) 
Vasos embrionários que trazem sangue para o coração: 
− Veia umbilical → responsável pelo aporte de sangue para o corpo do embrião 
− Veias vitelínicas 
− Veias cardinais 
Tem-se 2 fluxos primários de sangue para o coração, um proveniente da veia umbilical (que traz o 
sangue da placenta) e outro das veias vitelínicas (sangue recirculado) 
Vasos embrionários que levam sangue do coração: 
− Aortas dorsais 
 
 
 
Desenvolvimento circulatório 
O sangue que e formado na vasculogênese (3ª sde) começa a ser impelido pelos batimentos cardíacos 
(22º-23º dpf) em direção às aortas dorsais. Na região caudal, as aortas dorsais se anastomosam aos 
vasos do alantoide e do pedículo→ formação das artérias umbilicais 
 
DESENVOLVIMENTO ARTERIAL SEGMENTO EMBRIONÁRIO 
A rede arterial é desenvolvida primeiro. O surgimento de dois vasos principais, as aortas dorsais, 
permite a formação de uma rede arterial (por angiogênese). Esses vasos se formam por vasculogênese 
paralelamente ao intestino primitivo 
− Arcos aórticos → segmentos cefálicos 
− Artérias intersegmentares – pequenos segmentos espiculados pareados com os somitos → 
segmentos corporais (todo o procedimento de formação de vasos relacionados com a parede 
corporal vai ser derivado das artérias intersegmentares → artérias vertebrais, artérias 
intercostais, etc.) 
− Artérias vitelínicas → segmentos viscerais (ramos vasculares que vão nutrir as vísceras dos 
sistemas digestório, respiratório e urogenital) 
 
Remodelamento arterial 
Anastomose e angiogênese nas artérias vitelínicas forma: 
− Tronco celíaco 
− Artéria mesentérica média 
− Artéria mesentérica inferior 
 
DESENVOLVIMENTO VENOSO SEGMENTO EMBRIONÁRIO 
Por mecanismo de sinalização celular, parte da rede capilar formada pelas aortas dorsais se remodela 
e sofre intuscepção, separando-se da rede arterial. 
Dois sistemas bilaterais de vasos trazem sangue venoso do polo cefálico e corporal do embrião para o 
seio venoso → veias cardinais superiores e inferiores 
O sistema venoso se origina de quatro veias cardinais (2 superiores e 2 inferiores) com simetria 
bilateral, que se desenvolvem ao lado das aortas dorsais. As veias cardinais não formam um sistema 
contínuo e sim dois fragmentos, um cefálico e outro corporal. 
Chega no seio venoso: 
− Veia umbilical → sangue rico em oxigênio (vem da placenta) 
− Veias vitelínicas → sangue com teor intermediário de oxigênio 
− Veias cardinais → sangue com teor baixo de oxigênio 
 
Remodelamento da rede cardinal 
As veias cardinais, supracardinais e subcardinais. As veias cardinais e supracardinais desaparecem 
enquanto as subcardinais se mantém como sendo segmentos das veias cavas inferior e superior 
O sistema subcardinal vai sendo remodelado e se liga ao sistema porta-hepático, isso garante a 
formação da veia cava inferior 
 
Remodelamento venoso hepatogênese 
Na 5ª semana do desenvolvimento começa o desenvolvimento 
hepático. O tecido do broto hepático (surge do endoderma do 
intestino anterior → o endoderma se prolifera na parede anterior 
do intestino) se estende e ocupa os espaços que eram da rede 
vitelínica, então o tecido do fígado usa o leito dos veias vitelínicos 
como molde para assentar o mesênquima que depois vai ser 
diferenciado em hepatócitos. Então a rede vitelínica vai formar a 
rede vascular hepática. O ramo da veia vitelínica que era ligado à 
estrutura do pedículo e do ducto onfaloentérico vai dar origem ao 
sistema porta-hepático 
− Veias vitelínicas → sistema porta-hepático e sinusoides hepáticos 
SISTEMA VENOSO DEFINITIVO 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Adaptações fisiológicas do sistema circulatório 
Circulação fetal 
Pulmão colabado e que não faz hematose → Alta pressão 
arterial na pequena circulação 
Hepatogênese → grande vaso (seio venoso + veia cardinal) 
sendo ramificado numa rede capilar ampla e de pequeno 
calibre → elevada pressão arterial no fígado (aumento da 
resistência vascular) 
Para resolver os problemas de alta resistência, são criados dois 
ductos: 
− Ducto arterioso 
− Ducto venoso 
Com a criação desses ductos, há o balanço entre a pressão da 
circulação e das câmaras cardíacas, há também um desvio de 
sangue mais oxigenado para regiões do corpo com maior 
necessidade de oxigênio. 
No ponto de conexão entre a veia umbilical e a veia cava 
inferior, há a diminuição do teor de oxigênio do sangue (fica 
entre 62% e 67%), pois o sangue com alto teor de O2 (90%) que 
vem da placenta pela veia umbilical se mistura com sangue carbonilado (25-30% de O2) vindo da veia 
cava inferior que direciona o fluxo para o átrio direito. 
Nas câmaras atriais, há a mistura de sangue com mais O2 e com menos O2. No átrio direito chega sangue 
da veia cava superior, ali ele se mistura em parte com o sangue mais oxigenado que veio da veia cava 
inferior e desce para o ventrículo direito. Já o átrio esquerdo vai receber sangue com alto teor de O2 
vindo da veia cava inferior que se mistura com sangue que veio dos pulmões e vai descer para o 
ventrículo esquerdo. 
A quantidade de oxigênio que vem da veia cava superior é um pouco menor do que o do sangue vindo 
do sistema pulmonar, então, a quantidade de O2 no ventrículo esquerdo será um pouco menor do que 
no direito. 
− Ventrículo direito → 52% de O2 
− Ventrículo esquerdo → 62% - 67% de O2 
O sangue que vem da veia cava inferior vai direto para o forame oval e chega no átrio esquerdo, já o 
sangue proveniente da veia cava superior desce quase que verticalmente no átrio direito, descendo para 
o ventrículo direito (a pressão sanguínea da veia cava inferior é maior que a superior, então o sangue é 
propelido para o átrio esquerdo) 
O sangue que vai pelo arco aórtico sai com um pouco mais de oxigênio do que o que vai para a artéria 
tronco pulmonar, o que garante com que os segmentos cerebrais, coronariano e dos membros 
Obs.: Vasos vitelínicos 
• Artérias → rede arterial do 
intestino 
• Segmentos venosos → 
sistema porta-hepático + 
sinusoides hepáticos 
superiores recebam sangue com teor maior de O2. Já as vísceras abdominais e os membros inferiores 
receberão sangue com teor menor de O2. 
Nesse cenário, surgem três adaptações: o ducto arterioso, o forame oval e o ducto venoso. 
 
Como essas estruturas funcionam? 
− Ducto venoso → vaso acessório que conecta o sangue vindo da placenta diretamente na região 
da veia cava inferior. Isso permite com que o sangue que vem da placenta seja distribuído sem 
passar completamente pelo fígado. Isso ocorre para que ocorra a preservação da rede vascular 
hepática, é criado para aliviar a pressão (o sangue vem em grande quantidade por uma veia 
calibrosa e seria empurrado com grande pressão para uma rede de pequeno calibre, podendo 
ocasionar rupturas), faz com que 50-60% do sangue em alta pressão, que está vindo da placenta, 
vá para um vaso de alto calibre (veia cava) 
− Forame oval → permite o desvio de sangue 
para o ventrículo esquerdo, com isso 
aumenta a disponibilidade de oxigênio (evita 
que a totalidade do sangue rico em oxigênio 
vá para o tronco pulmonar, onde encontraria 
uma grande resistência e seria um gasto 
“desnecessário”, é preciso que o sangue 
oxigenado vá para o lado esquerdo do 
coração para evitar hipoxia) 
− Ducto arterioso → tem como função desviar o 
restante do sangue do ventriculo direito que 
seria utilizado para a circulação pulmonar → 
desvia do tronco pulmonar para o arco 
aórtico (apenas 10% do sangue do ventrículo 
direito vai para os pulmões devido à 
resistência e o colabamento dos tecidos 
pulmonares) 
 
Circulação neonatal 
1. Interrupção do fluxo placentário → redução da pressão arterial na estruiura do ducto venoso e 
aumento da passagem de sangue pela veia cava. A ausência de sangue dentro do ducto faz com 
que suas paredes colabem → fechamento do ducto venoso → forma o ligamento venoso 
a. Obs.: o segmento abdominal da veia umbilical dá origem ao ligamento hepático ( no 
começo tem luz mas depois fica obliterado – é importante nos casos de eritroblastose 
fetal, é usado para transfusão de sangue) 
2. Expansão pulmonar → quando ocorre o insuflamento dos pulmões, ocorre uma dilatação das 
paredes, ocasionando um adelgaçamento da rede vascular e acaba ocorrendo um recrutamento 
de sangue muito maior a partir da artéria tronco pulmonar → aumento do fluxo de sangue para 
os pulmões e aumento da pressão no ventrículo esquerdo → colabamento das paredes do ducto 
arterioso e fechamento do forame oval (se dá pelo aumento da pressão) → forma o ligamento 
arterioso 
Com isso, a circulação finalmente é dividida em dois segmentos paralelos, não há mais mistura de 
sangue oxigenado e sangue carbonilado. 
 
Malformações cardíacas 
As malformações cardíacasacometem entre 6 a 8 crianças a cada 1000 nascidos vivos. Podem ser de 
causas gênicas, por teratógenos (substâncias químicas ou agentes patogênicos) ou de causas idiopáticas 
(ocorrem ao acaso sem relação com nenhum outro fator). Elas se agrupam de acordo com a etapa do 
desenvolvimento elas ocorrem: 
− Formação da alça cardíaca 
− Septação atrial e ventricular 
− Septação do tronco arterioso 
− Septação ventricular e do tronco arterioso 
 
Defeitos na fase de alça cardíaca 
Desvio lateral à esquerda 
− Dextrocardia → espelhamento das câmaras cardíacas apenas, o ápice do coração fica voltado 
para a direita 
− Situs inversus → o espelhamento completo de todas as vísceras abdominais → isso ocorre porque 
o coração secreta fatores indutores da 
hepatogênese, então, como o coração muda 
de posição, também mudam as vísceras 
 
Formação da alça sem desvio lateral 
− Ectopia cardíaca → o coração está 
completamente exposto, a única correção é 
cirúrgica. No caso da ectopia, ao invés da alça 
acontece para baixo e para a região ventral, 
ela vai fazer um dobramento sifonado 
apenas, passando por cima do celoma e se 
expões em uma região fora da possível 
parede corporal do embrião. 
 
Defeitos do septo interatrial (são os mais prevalentes) 
Qualquer orifício que provoque a comunicação entre os dois átrios 
− Forame oval patente → quando não há a sobreposição do septo secundário sobre o forame 
secundário 
 
Defeitos de septo interventricular 
− Falência da migração de células do coxim → porção membranosa ausente 
− Apoptose de miócitos → defeitos na porção muscular (normalmente associado à teratógenos) 
 
Defeitos do septo do tronco arterioso 
− Transposição de vasos de base → formação do septo do tronco 
arterioso anômalo → cristas lineares e descontínuas ao septo 
interventricular → força com que a aorta surja do ventrículo direito e 
a tronco pulmonar do ventrículo esquerdo (o sangue oxigenado 
circula de novo pelo pulmão enquanto o sangue carbonilado circula 
novamente pelo corpo) 
 
 
 
 
 
 
 
Tetralogia de Fallot 
Condição que envolve quatro defeitos cardíacos conjuntos, são eles: 
− Alteração e malformação do septo interventricular → o septo emana pela lateral direita ao invés 
da base do coração, o que impede a união das pontas do septo helicoidal com o septo 
interventricular → defeito de septo interventricular 
− Dextroposição da aorta → causa a compressão da abertura da artéria tronco pulmonar 
− Estenose tronco pulmonar → o sangue do ventrículo encontra muita resistência para sair da 
artéria tronco pulmonar (resistência aumentada no ventrículo direito) 
− Hipertrofia do ventrículo direito 
 
O sistema nervoso tem seu desenvolvimento tão precoce quanto o o desenvolvimento do 
sistema cardiovascular 
 
Formação do tubo neural 
A neurulação é um processo que começa em torno em torno do 
18º dia de desenvolvimento e termina em torno do 25º-27º dia. 
Esse processo corresponde a um processo de indução de 
transformação da ectoderme em neuroectoderme e, a partir 
dessa transformação, uma sequência de eventos vai transformar 
a neuroectoderme em um tubo neural fechado. São 4 etapas que 
compões esse processo: 
1. Indução: ectoderme → neuroectoderme 
2. Modelagem 
3. Dobramento 
4. Fechamento do tubo neural 
 
1. INDUÇÃO 
Notocorda → fatores notocordais → ectoderme → epiderme e neuroectoderme 
− Fatores notocordais → noguina e cordina 
 
2. MODELAGEM 
A modelagem da neuroectoderme se inicia na região mais próxima do nó primitivo e vai se estender 
tanto para frente quanto para trás. À medida que ocorre o desenvolvimento dos somitos (a 
somitogênese ocorre da cabeça para a cauda do embrião), cada novo bloco somítico formado faz com 
que a placa neural cresça. A neuroectoderme vai passar pela expressão diferencial de caderinas (e-CAM 
e n-CAM) em ambos os sentidos. 
Na região onde há a influência dos fatores notocordais, ocorre o bloqueio da expressão das caderinas 
do tipo E (e-CAM) e ocorre a expressão de n-CAM (caderinas neurais). Nessa região, há um 
remodelamento das células da ectoderme, ocorrendo um espessamento, ocorrendo então a 
movimentação da porção basal dessas células para baixo, “envergando” a placa para baixo em direção 
à notocorda. As n-CAM também provocam proliferação celular, com isso, a placa cresce e as bordas se 
elevam, fazendo um movimento de dobradiça na região central, causando a formação da goteira (ou 
sulco) neural. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
3. DOBRAMENTO 
Quanto maior a proliferação, mais a placa se dobra e o dobramento fica mais evidente. Ocorre então 
uma adaptação das moléculas de n-CAM, porque a medida que as bordas da placa neural se elevam, 
ocorre uma alteração na expressão das moléculas de n-CAM. Na região da crista neural, não há a 
expressão nem de moléculas de n-CAM nem de e-CAM, não há indução suficiente da notocorda para a 
expressão de n-CAM nem ocorre um retrocesso para que haja a expressão de e-CAM, então ocorre a 
separação das células da borda da placa neural (células da crista neural). O principal reflexo da etapa 
de dobramento é a aproximação das pontas da placa 
 
 
 
4. FECHAMENTO 
A separação da placa e tubo neural ocorre por expressão diferencial de e-CAM e n-CAM, fazendo com 
que o tubo neural se separe à medida que se fecha. Ao redor do 22º dia do desenvolvimento, quando há 
a presença de oito somitos, inicia-se o processo de fechamento do tubo neural (que ocorre por 
expressão diferencial das caderinas, ocasionando a reconstituição da ectoderme e fechamento do tubo). 
Na região do 5º somito (região cervical) é onde ocorre o primeiro ponto de contato do tubo neural, a 
partir daí ocorre um movimento de zíper para frente e para trás, fechando todo o tubo. 
Ao final do processo, o tubo neural será constituído por um canal central – canal neural – e uma camada 
de células que formam a parede – neuroepitélio – que será responsável pela formação de todas as 
células do sistema nervoso. O neuroepitélio formará os neuroblastos e os glioblastos. 
 
NEUROECTODERME 
e-CAM 
n-CAM 
ESPESSAMENTO DAS CÉLULAS 
↑ PROLIFERAÇÃO CELULAR 
Durante o progresso do fechamento, vai chegar um momento em que há duas regiões abertas em 
contato com o líquido amniótico, os neuróporos. Os neuróporos permitem a circulação de líquido 
amniótico, o que evita o colabamento do tubo, além de ser responsável por nutrir as células e remover 
as excretas. Os neuróporos ficam abertos por poucos dias (em torno de 3-5 dias), o neuróporo rostral 
(extremidade cefálica se fecha no 25º dia, já o caudal se fecha no 27º dia. O fechamento dos neuróporos 
coincide com o estabelecimento de uma circulação sanguínea para o tubo neural (ramos arteriais 
cefálicos). 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Obs.: outros = tecidos conjuntivos, tecido muscular, tecidos da face, 
arcos faríngeos, medula da glândula adrenal, melanócitos, odontoblastos, etc 
 
Defeitos de fechamento do tubo neural 
Compreendem um conjunto de mal formações específicas do sistema nervoso que ocorrem durante a 
4ª semana do desenvolvimento. Decorrem do não fechamento das extremidades do tubo neural 
(neuróporos) ou do não fechamento do tubo em outra região. 
− A falta de adesão nas margens é provocada por falha na expressão diferencial de n-CAM 
− Falta a modelagem e a proliferação celular, sem a proliferação não há a formação da crista neural, 
impedindo a separação completa da ectoderme 
− O tubo neural não se separa da ectoderme e o desenvolvimento celular é interrompido 
− As principais causam são deficiência materna de ácido fólico (vitamina B9), quanto maior a 
deficiência, maior a extensão dos danos 
− Existem 5 possíveis pontos de problemas de fechamento que são os chamados centros indutores 
do fechamento do tubo neural: 
▪ Região do 5º par de somitos (3) 
▪ Neuróporos rostral (1) e caudal (5) 
▪ 2 regiões entre os neuróporos e o 5º par de somitos (2 e 4) 
 
 
 
 
1. Anencefalia 
2. Encefalocele 
3. Raquisquise 
4. Raquisquise 
5. Espinha bífida 
(3 tipos) 
PLACA NEURALTUBO NEURAL 
CRISTA NEURAL 
SNC (medula e cérebro) 
SNP (gânglios e nervos) e outros 
ANENCEFALIA 
A anencefalia se caracteriza pela ausência de vesículas encefálicas (formam o córtex neural). Ocorre 
devido ao não fechamento do neuróporo anterior (rostral) devido à interrupção da expressão de n-
CAM, provocando a exposição do encéfalo e morte do feto ou neonato 
 
ENCEFALOCELE 
Ocorre devido à ausência de expressão de n-CAM num segmento cranial ao 5º par de somitos (occipital) 
ou no ponto mais anterior do neuróporo cranial (frontal). 
− Formação de cisto occipital ou coronal contendo apenas LCR ou protrusão de tecido nervoso 
(quando não há tecido nervoso, há apenas LCR, a recuperação é bem fácil) 
− As sequelas variam com a extensão de tecido neural herniado 
 
CRANIORAQUISQUISE 
Ocorre a ausência de expressão de n-CAM ao longo de todo o tubo neural (ocorre a indução e a 
modelagem, mas não ocorre a proliferação, não há formação da crista neural) 
− Segmentos neurais expostos 
− Diversas malformações associadas (faciais, cardiológicas e algumas alterações de SNA) 
− Os fetos são geralmente natimortos ou prematuros 
− É detectado via ultrassom e confirmado na amniocentese a partir da detecção da proteína alfa-
fetoproteína (fator preditor de defeitos de tubo neural) 
 
ESPINHAS BÍFIDAS 
Quanto mais alta a lesão, maior o risco de ela ser aberta 
 
Mielomeningocele 
− Interrupção da expressão de n-CAM no neuróporo posterior 
− Exposição de raízes neurais e exsudação de LCR 
− Sequelas: 
▪ Motricidade 
▪ Sensibilidade (dermátomos) 
▪ Incontinência urinária e fecal 
− Relacionado com pé de cavalo (o pé não sofre o imprinting e não fica em 90 graus), o bebê não 
chuta 
 
Meningocele (cística) 
− O tubo neural se fecha, mas não há a separação dele da ectoderme, não há a formação do arco 
vertebral (não há extravasamento de tecido nervoso) 
− Não há a formação adequada das células da dura-máter 
− Formação de significativo cisto meningeal (quanto maior a região de não disjunção do tubo, 
maior a extensão do cisto) 
− Sequelas: 
▪ Motricidade (formação de uma escoliose) 
▪ Sensibilidade (devido à compressão) 
Oculta 
Há a formação de todo o processo, mas as células da crista neural não se desprendem da ectoderme, 
ocasionando a não formação do arco vertebral. É caracterizada por uma mancha (sinal mongol), pela 
presença de um lipoma e de um tufo de pelos. 
− Não tem nenhum tipo de sequela 
 
 
 
Células da crista neural e seus destinos 
As células da crista neural têm origem do fechamento e separação do tubo neural. Elas se formam a 
partir das extremidades do tubo pela ausência de um ambiente que determinem que elas sejam 100% 
neurais e nem 100% epidérmicas. Esse cenário cria uma zona de conflito e essas células não sabem a 
quem responder, então elas não expressam nenhum tipo de caderina, o que permite que a ectoderme 
se separe completamente do tubo neural. 
As células da crista neural migram e formam muitos tipos de neurônios, além de células secretoras e 
dérmicas. O que determina a diferenciação dessas células em neurônio ou não neurônio é a posição que 
elas ocupam no tubo neural. 
 
 
POPULAÇÕES DE CÉLULAS DA CRISTA NEURAL 
Há presença de células da crista neural desde a região sacral até a região frontal. Essas células formam 
algumas famílias, são elas: 
− Craniais 
− Vagais 
− Truncais → tem migração diferente, migram tanto pela periferia quanto entre o tubo neural e os 
somitos (se aproximam do mesoderme esplâncnica → importante para a formação de gânglios 
simpáticos) 
− Sacrais 
Onde há somitos, as células truncais, vagais e sacrais participarão da formação dos gânglios da raiz 
dorsal. 
 
Craniais 
− Se originam dos neurômeros anteriores ao 4º par de somitos 
− São de fundamental importância para a formação dos elementos craniofaciais → mesênquima 
craniofacial 
− Formam os arcos faríngeos → estruturas transitórias que servem como rota de migração 
− Saliência fronto-nasal → células da crista neural que migraram ao redor do prosencéfalo 
− Estão relacionadas a deficiências craniofaciais e cardiológicas (formação do septo tronco 
arterioso) 
− Migram pela via dorsolateral (migração entre a placa somática e a estrutura do tubo neural 
 
 
Vagais 
Existem duas subfamílias: as cardíacas e as vagais 
− Cardíacas: ficam mais próximas da área cardiogênica 
▪ Participam da formação do endotélio da aorta e do septo tronco arterioso 
− Vagais → ficam em uma região mais cranial 
▪ Formam os gânglios parassimpáticos do trato digestório 
Ambas migram pela via dorsolateral. 
 
Truncais 
Fazem migração dorsolateral e ventromedial. São responsáveis pela infiltração em vários tecidos, são 
muito plásticas 
− Formam os gânglios da raiz dorsal (1 gânglio por somito) 
− Migração dorsolateral → se relacionam com a derme e infliltram o mesoderma somático, se 
desenvolvendo em melanócitos 
− Migração ventromedial → encontram o mesentério dorsal, que serve como substrato migratório 
para que essas células alcancem diferentes regiões, como o plexo submucoso do intestino, a 
medula da adrenal e regiões de gânglios simpáticos por todo o tronco 
▪ Neurônios sensoriais e simpáticos 
▪ Células cromafins (medula adrenal) 
▪ Células de Schwann 
▪ Gânglios submucosos parassimpáticos do intestino 
 
Sacrais 
São vinculadas aos últimos somitos, vão participar da formação de gânglios parassimpáticos do trato 
digestório (intestino posterior → cólon sigmoide, reto e ampola retal). A migração incorreta pode 
ocasionar megacólon congênito – a diminuição da motilidade provoca um acúmulo de fezes (fazem 
migração dorsolateral) 
 
Histogênese neural 
 
Sistema nervoso central 
Tubo neural → neuroepitélio simples → bilhões de neurônios e células da glia 
Obs.: 1 neurônio para 10 células da glia 
 
HISTOGÊNESE 
Se caracteriza como um período de produção de células e organização dessas células em uma forma 
espacialmente favorável. Esse processo se inicia logo após a neurulação e se segue por todo período 
fetal. 
 
NÍVEL TECIDUAL: da neurulação ao período fetal 
− Formação de populações de células dentro do tubo neural transformando o neuroeptélio simples 
em uma estrutura estratificada (as populações de células se organizam em camadas na parede 
do tubo neural) 
− Ocorre rearranjo e migração para formar as diferentes pré-regiões funcionais 
▪ Proliferação + migração → estratificação do tubo neural 
− Nesse momento, as células são chamadas de neuroblastos. São células de origem neural, porém 
com identidade indiferenciada. Conforme essas células vão se proliferando, elas vão se 
organizando em diferentes camadas que permitem a identificação de pré-regiões que ainda não 
são funcionais, mas futuramente vão determinar a forma como essas células vão se orientar e se 
organizar. 
 
 
 
 
 
 
 
Neuroblastogênese 
Quando o tubo neural se forma, ele é um epitélio colunar simples. As células 
irão passar pelas fases do ciclo celular e então ocorre a divisão celular. Se 
essa divisão ocorrer de uma forma que as duas células filhas não percam o 
contato com o lúmen do canal medular, elas vão permanecer como sendo 
duas células progenitoras. Depois que essas células se dividem, elas utilizam 
a membrana da célula vizinha para se manterem ancoradas no lúmen. Já 
quando uma das células filhas perde o contato com a lâmina basal, uma célula 
será mantida como célula progenitora e a outra entra em rota de migração 
(neuroblasto). 
 
− Essas duas formas de divisão celular aumentam 
o diâmetro e a espessura do tubo. 
− A estratificação do tubo neural vai surgir das divisões celulares 
assimétricas 
− As divisões simétricas provocam o aumento do calibre do tubo 
 
As células neuroepteliais se proliferam e formam um extenso substrato de 
neuroblastos e glioblastos. O processo de migração reorganiza as células em 
três principais regiões, que constituem um substrato posicional (as células das 
diferentes regiões receberão informações diferentes na sua circunvizinhança) 
para o desenvolvimentodiferenciado entre cérebro e medula. Esse processo 
cria uma identidade posicional, que é importante para o direcionamento e reorganização dessas células, 
principalmente na medula. 
 
Sub-regiões do neuroeptélio 
1. Zona ventricular → os neuroblastos estão em 
contato com o lúmen do canal neural, margeia 
todo o canal neural → formam o epêndima 
(produzem LCR) 
2. Zona intermediária → células em contato 
célula-célula, onde ocorre a maior parte da 
diferenciação em neurônio e célula da glia 
3. Zona marginal → tem o ancoramento na região 
da dura-máter (oriunda do mesênquima) 
 
As células das zonas intermediária e marginal serão diferenciadas em neuroblastos (dão origem aos 
neurônios) e glioblastos (dão origem as astrócitos e oligodendrócitos). 
A posição mais os mensageiros químicos vão determinar a diferenciação células nas diferentes sub-
regiões. 
 
 
 
 
 
 
 
Micróglia 
As células da micróglia têm 
origem não neural, elas 
fazem parte do sistema 
fagocitário mononuclear e 
derivam do mesênquima 
adjacente ao tubo neural. 
As células microgliais 
invadem o SNC lentamente à 
medida que a rede vascular 
cerebral se desenvolve. 
Invadem o plexo subdural e 
migram para o SNC conforme 
este vai se desenvolvendo 
Desenvolvimento da medula espinhal 
Nesse processo, basicamente há a transformação das regiões do neuroeptélio conforme os sinais que as 
células vão receber. 
 
DESTINOS DO NEUROEPITÉLIO 
− Zona marginal: recebe informações do mesênquima, migram para a borda e se diferenciam em 
glioblastos 
▪ Glioblastos → oligodendrócitos → substância branca 
▪ O contato com os axônios dos neurônios e a ausência de neurotransmissores faz com que 
essas células se diferenciem em oligodendrócitos 
− Zona intermediária: ocorre tanto a diferenciação de neuroblastos quanto de glioblastos 
▪ Glioblastos → células gliais → astrócitos protoplasmáticos (substância cinzenta) ou 
astrócitos fibrosos (substância branca) + oligodendrócitos (são poucos, principalmente 
em regiões onde há um grande feixe de axônios saindo da substância cinzenta) 
▪ Neuroblastos → neurônios 
▪ Nessa região, vão existis fortes concentração emigração das células para organizar os 
cornos medulares 
− Zona ventricular: todas as células que permanecerem margeando a zona ventricular vão se 
diferenciar em células ependimárias (produtoras de líquor) 
▪ Glioblastos → células ependimárias (revestem o canal medular) → plexo coroide 
 
DESENVOLVIMENTO ANATÔMICO 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Flechas vermelhas (dorso do embrião – epiderme) → BMP (proteínas morfogenéticas do osso) → atuam 
criando um gradiente que quimioatrai os axônios das células da crista neural que estão formando o 
gânglio de raiz dorsal → induzem a polarização do gânglio da raiz dorsal (faz com que os axônios 
cheguem até os neuroblastos e glioblastos que estão na placa alar) → formam o corno dorsal 
Flechas azuis (ventre do embrião - notocorda) → SHH (Sonic Hedgehog – moléculas que formam 
espículas em organismos modelo) → formação do corno ventral e reorganização da rede para permitir 
os arcos reflexos 
 
 
 
 
Desenvolvimento cerebral 
 
VESÍCULAS ENCEFÁLICAS 
Na região cefálica, o tubo neural deixa de ser uma estrutura tubular para formar vesículas. O encéfalo é 
o maior movimentador do dobramento longitudinal através da prega cefálica, então essa movimentação 
do tubo neural (arqueamento), forma 3 regiões de resistência, que servem para demarcar as três 
vesículas primárias. 
As vesículas primárias são regiões onde o tubo neural se torna tridimensionalmente mais amplo, ocorre 
o abaulamento das paredes do tubo neural (as paredes se 
dilatam, formando bolsas). As vesículas ficam restritas entre 
os três pontos de pressão. 
 
Vesículas primárias: 
− Rombencéfalo 
− Mesencéfalo 
− Prosencéfalo 
 
A partir do momento em que ocorre o fechamento do tubo 
neural (5ª sde), ocorre o aprisionamento de fluidos dentro 
do tubo (inicialmente, líquido amniótico). Em torno da 
metade da 5ª sde, já começa a produção líquor por algumas 
células do epêndima e o acúmulo desse líquido começa a 
fazer pressão nas paredes do tubo neural, causando a 
dilatação. O líquido se acumula pois o sistema de drenagem 
(sistema ventricular e aqueduto cerebral) ainda não está 
constituído. 
 
Destino das vesículas 
 
Com o aumento do acúmulo de líquido, algumas outras endentações surgem, causando a divisão do 
rombencéfalo em duas vesículas (metencéfalo e mielencéfalo) e o prosencéfalo em três (2 telencéfalos 
e diencéfalo) 
 
Vesículas secundárias e seus destinos 
− Telencéfalo (2) → hemisférios cerebrais 
− Diencéfalo → tálamo, hipotálamo e epitálamo 
− Mesencéfalo → tronco cerebral 
− Metencéfalo → ponte e cerebelo 
− Mielencéfalo → bulbo (medula oblonga) 
 
Fechamento do tubo + produção 
de LCR 
Pressão 
Abaulamento das paredes do tubo 
neural 
Formação das vesículas 
encefálicas 
 
Em contato com o telencéfalo e diencéfalo surgem os placódios, regiões do tubo neural diferenciadas 
para a formação dos órgãos do sentido 
− Vesículas ópticas → organização anatômica das estruturas formadoras do bulbo ocular 
− Placódio nasal → forma o epitélio olfativo 
− Placódio ótico → dá origem à membrana timpânica 
 
O aumento da luz do tubo através das vesículas permite que o aumento das paredes, ou seja, a parede 
vai engrossando e empurrando o sistema ventricular cada vez mais para dentro. 
 
FLEXURAS 
À medida que o sistema nervoso vai crescendo, é preciso organizar e reposicionar as estruturas. A 
proliferação de células ocorre de forma desigual nas diferentes 
partes do tubo, causando uma grande concentração em algumas 
partes, o que “empurra” e flexiona as estruturas. Esses movimentos 
causam as flexuras cerebrais, que são movimentos do tubo neural 
provocados pelo crescimento diferenciados entre determinadas 
regiões do tubo (placas alar e basal), o que movimenta as partes do 
tubo em direções diferentes. As duas primeiras flexuras que surgem 
são a pontina e a cefálica. 
1. Cefálica: é causada pelo crescimento do tubo neural 
sobre a membrana bucofaríngea (prega cefálica) 
2. Cervical: é a última a acontecer, ocorre no mesmo 
sentido da cefálica e na região onde ocorre a transição 
entre a medula e as estruturas do cérebro. Nessa região 
existe uma grande densidade e um processo migratório 
grande dos nervos cranianos, o que propicia a extensão da 
porção superior do tubo 
3. Pontina: a área cardiogênica forma uma barreira 
física para o crescimento do sistema nervoso, então 
começa ocorrer essa flexura na parte superior, pois o que 
estava indo em direção ao centro do embrião é “puxado de 
volta”, então, o encéfalo fica sobre a boca e não mais a 
frente. 
 
As flexuras tem um papel importante para adequar o sistema nervoso para se alcançar as corretas 
posições anatômicas necessárias para encontrar melhores estratégias posicionais para formar as vias 
de comunicação. 
 
CÉREBRO E CEREBELO 
Destino do neuroepitélio 
A proliferação e migração é diferente do que acontece na medula, os longos processos de proliferação 
produzem muito mais camadas de células 
− Zona marginal: bloqueio da via de divisão e de transformação em células da glia, vai ocorrer 
principalmente a migração de neuroblastos que poderão se diferenciar em neuroblastos que 
darão origem a neurônios ou a glioblastos que por enquanto não tem função nem de astrócitos 
e nem de oligodendrócitos. Esses glioblastos formarão os trilhos de movimentação (glia radial), 
ou seja, as células não estão na região cortical, mas emitem seus prolongamentos, formando os 
trilhos. 
▪ Neuroblastos → placa cortical (é mais substancial na região do telencéfalo) 
− Zona intermediária: todas as células que estão da placa cortical para baixo pode se desenvolver 
tanto em células gliais quanto em neurônios. 
▪ Glioblastos → células gliais 
▪ Neuroblastos → neurônios 
Obs.: ocorre um maior 
desenvolvimento da placa 
basal no rombencéfalo e da 
placa alar nas regiões do 
mesencéfalo e prosencéfalo 
Córtexcerebral e cerebelar 
▪ As células da glia serão necessárias aqui no córtex para a formação da barreira 
hematoencefálica, mielinização dos axônios, etc. 
− Zona ventricular → tem o mesmo destino que na medula 
▪ Glioblastos → células ependimárias → plexo coroide 
 
SISTEMA VENTRICULAR 
Durante a formação das vesículas, existem forças hidrostáticas que empurram as paredes, causando a 
dilatação das vesículas, formando uma luz dilatada que forma os ventrículos. 
O sistema ventricular é extremamente 
importante para manter a homeostase e a 
hidratação tanto da parte mais interna 
quanto da parte externa do sistema nervoso 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
PONTE E BULBO 
Ocorrem modificações mais dramáticas em regiões onde a placa alar e basal estão em transição entre 
encéfalo e medula. Ocorre gradativamente uma movimentação das fibras e das estruturas fazendo com 
que não haja uma definição completa de placa alar e basal 
− Ponte: existe uma mistura, tudo que era oriundo à placa alar é 
movimentado para baixo, como se incrustasse a placa alar entre a placa 
basal e o canal medular. Ocorre a formação dos núcleos das aferências 
somáticas e viscerais (mais acima e mais externas), além das eferências 
somáticas e viscerais (mais no meio e mais para baixo). Os tratos 
olivares inferiores são estruturas que surgem em decorrência da 
reorganização de outros grupos neuronais que não nem relação com as 
placas alar e basal 
− Bulbo: ainda existe uma pequena 
analogia entre o que seriam as placas 
alar e basal. As aferências continuam 
na metade alar e as eferências na metade basal, no entanto, 
não ocorre a organização dos cornos, já ocorrem pequenas 
alterações que surgem devido às maneiras que essas rotas se 
relacionam com os nervos cranianos. 
São regiões onde gradativamente se reorganiza as estruturas do 
encéfalo e da medula para que elas se conectem. 
 
 
 
 
 
 
 
CRONOLOGIA DO DESENVOLVIMENTO ENCEFÁLICO 
O telencéfalo cresce muito e encobre o diencéfalo e o mesencéfalo 
 
 
Condições clínicas de origem embriológica 
 
MICROCEFALIA 
É a condição produzida pela redução ou interrupção da proliferação neuronal, em especial no córtex. 
Ocorre morte neuronal (está vinculada aos casos do zika vírus) ainda na fase fetal provoca diferente 
grais de severidade da microcefalia. Há o fechamento do tubo neural mas não há a progressão do 
desenvolvimento das vesículas 
 
 
 
Problemas 
decorrentes: 
− Menor avanço cognitivo 
− Problemas somato-sensoriais 
 
Microcefalia ≠ merocefalia 
 
Merocefalia: o telencéfalo não se forma, desenvolve-se apenas uma parte 
do encéfalo (bulbo e ponte) 
Microcefalia: córtex (telencéfalo) não prolifera 
Diâmetro cranial 
entre 30 e 32 cm 
Pressão Diâmetro cranial 
entre 33 e 35 cm 
Diâmetro cranial 
inferior a 30 cm 
Caso Jaxon Buell 
Microcefalia (20% de massa 
encefálica) associada à 
hidranencefalia. 
Expectativa de vida: 
algumas horas ou dias 
Tempo de vida: 5 anos 
HIDROENCEFALIA 
Provoca um auemto do diâmetro crainal 
acompanhado de desproporções entre face e crânio. 
Ocorre a dilatação das suturas e fontanelas pelo 
aiuemto da pressão hidrostática e acúmulo de LCR 
nos ventrículos. Esse acúmulo causa dilatação 
ventricular (ventrículos encefálicos) que causa as 
deformidades. Podem ser de dois tipos: 
comunicante ou não comunicante. Isso siguinifica 
que nem sempre vai ser provada por uma obsturção 
no sistema de circulação, pode ser produzida por um 
tumor de plexo coroide ou por toxicidade. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
A hidrocefalia é uma condição tratável, não é debilitante, no entanto, é necessário intervenção rápida. 
Pode ser tratada a partir de um procedimento cirúrgico onde há a implantação de um cateter ventricular 
que desemboca na cavidade peritoneal, onde será metabolizado e drenado pelos rins. Pode desembocar 
também no ducto torácico, liberando o líquido no sistema linfático. Esse cateter é constituído de uma 
válvula que pode ser aberta ou pode se abrir conforme o aumento da pressão. 
Ventrículos 
dilatados 
Comunicante Não comunicante 
Sem obstrução da 
capacidade absortiva 
de LCR 
Obstrução da 
capacidade absortiva 
do LCR (a circulação é 
normal, porém a 
reabsorção é 
prejudicada) 
Obstrução da 
circulação de LCR (ou 
no forame ventricular 
ou no aqueduto 
cerebral) 
Tipos especiais 
 
São causadas por um 
agente patogênico, 
como as provocadas 
por rubéola, sífilis ou 
toxoplasmose 
Hidrocefalia 
comunicante 
Obs.: circulação do líquido 
cefalorraquidiano 
ventrículo lateral → forame 
ventricular → 3º ventrículo → 
aqueduto cerebral → 4º 
ventrículo → canal medular 
Hidrocefalia não 
comunicante 
 
Origem dos tecidos 
Sempre há uma dependência dos tecidos mesodérmicos para formar o “recheio” dessa estrutura → 
tecidos conjuntivos e musculares. Esse tecido mesenquimal tem origem a partir da rediferenciação das 
células da crista neural da região cefálica do embrião, fazendo com que essas células sejam 
reprogramadas (deixam de estar comprometidas com os tecidos de origem ectodérmica e passam a 
formar esse mesênquima). Essas células invadem toda a porção ventromedial por migração 
dorsolateral, então ocorre deposição de tecido entre a ectoderme e o tubo neural. 
 
O prosencéfalo vai ser o principal centro organizador 
da cabeça porque ele vai garantir a migração das 
células que estão na região do mesencéfalo, formando 
o manto que se estende por cima do tubo neural. 
Quando essas células começam a se projetar para 
frente, começa a ter um preenchimento que vai 
distendendo a ectoderme e vai projetando-a por cima 
do prosencéfalo, que por sua vez, se projeta por cima 
da boca. Essa projeção constrói a primeira porção da 
cabeça do embrião, a saliência frontonasal (também 
participa em partes da formação da face) 
O rombencéfalo é determinante no desenvolvimento 
da face, as células originadas dos rombômeros (1 a 7) 
vão migrar dos arcos faríngeos. 
 
O mesênquima vai dar origem a todos os tecidos conjuntivos e musculares da cabeça e da face. As células 
se dividem em dois conjuntos, um que vai migrar de forma laminar sobre o prosencéfalo, formando o 
mesoderma da cabeça, que dará a origem a região do neurocrânio, o outro conjunto de células migra 
de forma concentrada (correntes migratórias da região do rombencéfalo em direção a região ventral) 
forma o aparelho faríngeo, que dá origem ao viscerocrânio (é de onde surgem as estruturas ósseas que 
irão organizar a face) 
 
 
 
 
 
 
 
 
CRÂNIO E FACE 
− Crista neural prosencefálica → mesoderma 
da cabeça → neurocrânio 
− Crista neural romboencefálicas → arcos faríngeos → 
viscerocrânio 
 
 
 
 
MESÊNQUIMA 
Tecidos 
conjuntivos da 
cabeça e da face 
Mesoderma da 
cabeça 
Aparelho 
faríngeo 
NEUROCRÂNIO 
VISCEROCRÂNIO 
Neurocrânio 
A partir do mesênquima, irá ocorrer a formação de ossos, cartilagens, músculos, tendões e ligamentos. 
A movimentação das estruturas começa no final da 4ª sde e irão formar lâminas de mesênquima ao 
redor do prosencéfalo e mesencéfalo. Ao redor da 7ª sde é que começa a diferenciação do tecido ósseo, 
depois disso é que ocorrerá a distinção do que será cartilagem e do que será músculo (neurocrânio 
membranoso). A região do neurocrânio terá duas formas de ossificação: 
− Neurocrânio cartilaginoso → processo de indução de 
condrificação → ossificação endocondral → ossos da base do 
crânio 
− Neurocrânio membranoso → ossificação intramembranosa → 
ossos planos da caixa craniana (abóbada craniana) 
O crânio possui muito mais ossos durante o período de desenvolvimento 
do que quando neonato 
 
 
 
 
NEUROCRÂNIO CARTILAGINOSO (CONDROCRÂNIO) 
 
Vai dar origem a um conjunto de osso que forma a base do 
crânio. As principais peças cartilaginosas que irão evoluir e 
dar origem aos ossos da base do crânio são: 
− Cartilagens trabeculares 
− Cartilagens hipofisárias 
− Cartilagem paracondral 
− Esclerótomos occipitais (o primeiro e o segundo 
somitos participam da formação dessas peças) 
 
A fusão dacartilagem paracordal com os esclerótomos 
occipitais organiza toda a parte posterior do crânio. As 
células dos esclerótomos migram em volta da medula para 
encontrar as a cartilagem paracordal, formando o forame magno. 
 
Aproximadamente na 9ª sde, inicia-se o processo de condrificação, não há nada revestindo o tubo neural 
a não ser a membrana de tecido mesenquimal. A ossificação se inicia antes nas peças cartilaginosas, os 
centros membranosos são posteriores. 
 
NEUCRÂNIO DERMAL (INTRAMEMBRANOSO) 
Se forma mais tarde que a parte cartilaginosa e é composto por 5 regiões de ossificação 
intramembranosa: 
− Uma região que dá origem ao ramo esquerdo do osso frontal 
− Uma região que dá origem ao ramo direito do osso frontal 
− Uma região no lado esquerdo que dá origem ao osso parietal 
− Uma região no lado direito que dá origem ao osso parietal 
− Uma faixa de ossificação que forma a parte escamosa/trabecular do osso occipital 
− Obs.: Começa pelas regiões frontais e occipital 
Além disso, também vão participar da fusão dessas estruturas alguns elementos do viscerocrânio (que 
também passam por ossificação intramembranosa): 
− Osso zigomático 
− Maxila 
− Parte escamosa do osso temporal 
− Cartilagem de Meckel (saliências mandibulares do 1º arco faríngeo) 
 
FONTANELAS E SUTURAS 
Suturas: regiões em que ocorre a transformação do 
tecido mesenquimal em um tecido parecido com uma 
membrana tendínea 
− Sutura sagital 
− Sutura metópica 
− Sutura coronal 
− Sutura lamboide 
Essas suturas (linhas de fusão) são resultado do processo 
de crescimento e transformação das estruturas ósseas 
durante toda primeira infância da criança. São onde um 
centro de ossificação encontra o outro, não pode ocorrer 
na vida fetal para que ocorra o crescimento do encéfalo. 
Fontanelas: regiões de encontro de várias peças ósseas 
(“moleiras”) onde não a o desenvolvimento de tecido 
ósseo. Fontanela anterior 
− Fontanela posterior 
− Fontanela mastoide 
− Fontanela esfenoide 
Nas suturas e fontanelas, o tecido membranoso vai se manter e vai sendo gradativamente se 
diferenciando para permitir o crescimento do encéfalo no período pós natal. Uma outra função é a 
modelagem do crânio para o parto. 
A ausência da sutura sagital significa que houve ossificação precoce. A ossificação precoce na vida fetal 
ou na primeira infância está relacionada diretamente com a principais más formações do crânio, as 
craniossinostoses. 
 
CRANIOSSINOSTOSES 
São formadas por um processo de ossificação precoce de 
uma das suturas ou fontanelas, ocorrendo crescimento 
apenas onde não houve ossificação, causando uma série de 
deformidades craniais que são determinadas de acordo 
com a sutura/fontanela que se ossificou precocemente. 
− Sinostose sagital → ausência da sutura sagital → 
provoca uma escafocefalia (formação do crânio estreito e 
alongado) 
− Sinostose metópica → ausência da sutura metópica → 
deforma o osso frontal, causando uma trigonocefalia 
− Sinostose coronal bilateral → braquicefalia (cabeça 
chata, não tem curvatura dorsal) 
− Sinostose coronal unilateral → deformidades faciais 
− Sinostose lamboide → deformidades faciais 
 
Nesses casos, a correção é feita de forma cirúrgica 
 
PLAGIOCEFALIA POSICIONAL 
Ocorre quando ou o bebê é grande e a mãe é pequena ou não está encaixado (passa a gestação sentado, 
não faz os giros) ou o parto é feito com fórceps. É diferente da sinostose lamboide pois a sutura não foi 
ossificada precocemente, apenas ocorreu uma deformidade devido às placas ósseas mal posicionadas. 
A correção é feita por órteses (capacetes). 
 
Aparelho faríngeo 
 
O aparelho faríngeo é a principal estrutura responsável pela doação de 
tecidos que vão formar os elementos faciais. 
 
CRISTA NEURAL E ARCOS FARÍNGEOS 
Os arcos faríngeos serão formados principalmente pela migração de 
células da crista neural (migram da região de fechamento do tubo neural 
em grandes grupos para a região ventral). Essas massas formam projeções 
em forma de dedo que se projetavam ao lado do tubo neural em direção à 
região ventral do embrião, formando a cabeça. 
− Rombômeros 1 e 2 → 1º arco faríngeo 
− Rombômeros 3, 4 e 5 → 2º arco faríngeo 
− Rombômeros 5 (porção caudal), 6 e 7 → 3º arco faríngeo 
− Rombômero 8 → 4º arco faríngeo 
Essas células da crista neural migram pelo espaço entre a ectoderme e a 
endoderme, formando grandes protuberâncias. Essas células projetam a 
ectoderme na superfície corporal do embrião e a endoderma para a luz do intestino anterior, formando 
os arcos faríngeos. Entre a 4ª e a 5ª sde, vai ocorrer o surgimento dos quatro arcos faríngeos. 
Os arcos faríngeos sempre irão migrar da região dorsal até a região ventral, delimitando a futura região 
do pescoço, até que as duas metades se encontrem, formando aas paredes da faringe primitiva (exceto 
pelo primeiro arco, a sua migração será interrompida pela membrana orofaríngea - abertura do 
estomodeu). O estomodeu (boca primitiva) será o principal centro organizador da face. 
A migração das células em correntes individualizadas faz com que cada arco permaneça separado dos 
demais. O espaço existente entre dois arcos é recoberto externamente pela ectoderme, formando os 
sulcos. A migração dos arcos também modela a endoderme, formando evaginações entre cada arco que 
são denominadas bolsas. 
Cada arco faríngeo é constituído por uma massa mesenquimal que vai gradativamente se diferenciando, 
desenvolvendo alguns outros elementos. 
 
O mesênquima dentro do arco começa a se diferenciar e forma: 
1. Bastão cartilaginoso → ossos e cartilagem → ossos da face, do ouvido (1º arco) e cartilagens 
laríngeas (3º e 4º arcos) 
2. Componente muscular → musculo esquelético → músculos da face (2º arco) e do pescoço (3º e 
4º arcos) 
3. Vaso sanguíneo → arcos aórticos oriundos do saco aórtico (responsável pela nutrição do arco 
enquanto as estruturas estão em diferenciação) → vasos ou pequenos segmentos de vasos da 
face 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Bastão cartilaginoso 
Nervo 
Vaso sanguíneo 
Componente muscular 
Cordão de mesênquima 
No primeiro arco, há um predomínio do bastão cartilaginoso, já no segundo arco, há um predomínio do 
componente muscular. 
 
DERIVADOS DO BASTÃO CARTILAGINOSO 
Os elementos dos arcos faríngeos migram e circundam a orofaringe e cedem tecidos para a formação 
das estruturas faciais e do pescoço 
− 1º arco → cartilagem de Meckel (principal centro organizador da mandíbula), dois ossos 
responsáveis pela formação do côndilo e ATM (maleus e incus) 
− 2º arco → processo estiloide do osso temporal e o corno menor do osso hioide 
− 3º arco → corno maior do osso hioide 
− 3º e 4º arcos → cartilagens tireoide, cricoide, aritenoide 
 
DERIVADOS DO COMPONENTE MUSUCULAR 
− 1º arco → m. temporal, m. masseter e ventre anterior do m. digástrico 
− 2º arco → todos os músculos da face, ventre posterior do m. digástrico, mm. auriculares, m. 
occipital 
− 3º arco → mm. faríngeos 
− 4º arco → m. estilofaríngeo 
 
VASCULARIZAÇÃO 
A vascularização de cada arco faríngeo será feita por um arco aórtico. Cada arco aórtico está conectado 
à aorta dorsal ipsilateral e ao saco aórtico cranial do tronco arterioso. Do primeiro segmento do arco 
aórtico, surgem dois ramos que saem perpendicularmente e vão em direção à prega cefálica, formando 
as artérias carótidas comuns. Quando chegar na região das primeiras placas do osso temporal, esse 
ramo vai se dividir, formando o seio carotídeo, dando origem às artérias carótidas internas e externas, 
garantindo a circulação da cabeça. Os arcos aórticos em si vão perdendo a funcionalidade à medida que 
a vai ocorrendo a progressão dos dias e ocorre a remodelação musculoesquelética da cabeça. A principal 
estrutura do saco aórtico passa a fazer 
parte do tronco arterioso. 
 
INERVAÇÃO 
À medida que as células da crista neural 
craniais migram, elas trazem consigo 
terminais axonais dos nervos cranianos (o 
corpo celular fica no rombencéfalo), então 
cada arco apresenta seu próprio segmento 
de inervação. Cada nervo cranianoirá 
inervar os elementos faciais do 
mesênquima no mesmo arco 
correspondentes, assim como os 
dermátomos, ou seja, a inervação de 
determinados grupamentos musculares da 
face deve-se a diferentes nervos. 
− 1º arco → nervo trigêmeo (V) 
− 2º arco → nervo facial (geniculado - 
VII) 
− 3º arco → nervo glossofaríngeo (IX) 
− 4º arco → nervo vago (X) 
 
 
 
 
 
 
DESTINOS DOS SULCOS FARÍNGEOS 
À medida que os arcos vão se tranformando em ossos e musculos, 
gradativamente o aparelho faríingeo (os arcos) vai desaparecendo. 
− O crescimento do mesênquima do segundo arco se projeta sobre o 3º e 4º 
sulcos, encobrindo-os e formando o seio cervical 
− Apenas o 1º sulco contribui para formação de uma estrutura crânio-facial, 
ele auxilia na formação do meato acústico externo 
− Do encontro entre ectoderme do primeiro sulco e a endoderme da primeira 
bolsa forma-se a membrana timpânica 
 
Ao final do período embrionário, as estruturas do aparelho faríngeo foram 
modificadas e adaptadas para novas funções ou desaparecem. 
 
 
Desenvolvimento maxilar e nasal 
 
Viscerocrânio = 1º arco faríngeo (os elementos da mandíbula e da maxila derivam exclusivamente deste 
arco) 
 
Saliências mesenquimais 
Com a migração e proliferação de células da crista neural ocorre a formação de cinco saliências faciais 
que estão muito próximas da estrutura da boca primitiva (estomodeu). A boca primitiva vai ser o 
principal determinante de como essas saliências faciais vão se estabelecer e a partir da proliferação das 
células da crista neural, já como mesênquima, irá ocorrer a formação dessas saliências. 
− 2 saliências maxilares (direita e esquerda) 
− 2 saliências mandibulares (direita e esquerda) 
− Saliência (ou proeminência) frontonasal → não deriva dos arcos faríngeos, é derivada de células 
da crista neural da região prosencefálica e diencefálica. 
 
 
PLACÓDIOS NASAIS E SALIÊNCIAS NASAIS 
À medida que vai ocorrendo a migração das células da crista neural, vai surgindo da região frontal do 
embrião duas regiões de adensamento da ectoderme, os placódios nasais. Os placódios determinam e 
organizam as saliências nasais, pois na região do placódio, o mesênquima não consegue ultrapassar 
essas estruturas, que vai se depositando ao redor. A medida que vai se proliferando, o mesênquima vai 
se projetando e internalizando os placódios, formando a saliência nasal 
− Fim da 4ª sde → formação dos placódios 
− Da 5ª até 10ª sde → deposição de mesênquima e crescimento das saliências 
As saliências são divididas em 2 porções, uma lateral e uma medial. A saliência lateral forma a aba do 
nariz (cartilagem elástica) e a medial forma o septo (cartilagem hialina). Existem algumas fases de 
crescimento: 
− Independente do encéfalo → os tecidos crescem e se organizam de forma autônoma 
− Crescimento do córtex induz o refinamento anatômico (da 9ª semana até a 16ª) 
À medida que as saliências nasais se aproximam, elas se fundem primeiro na parte superior. Essa fusão 
vai progredindo à medida que as saliências vão crescendo. Entre a 7ª e a 10ª semana, as saliências nasais 
medias se fundem, formando o septo nasal (tabique, estrutura de divisão). O septo cresce do teto da 
cavidade oral em direção à língua. O septo ainda sofre um processo secundário, principalmente durante 
o período neonatal, aonde vai ocorrer o crescimento de pequenas projeções para formar efetivamente 
as conchas nasais e o seios da face. 
 
SALIÊNCIAS MAXILARES 
As saliências maxilares organizam as partes 
laterais do lábio superior, as bochechas e a 
maxila. Entre a 6ª e a 12ª semana, as saliências 
maxilares se projetam para o espaço da 
cavidade oral (processos palatinos laterais) na 
direção medial, formando o palato. Os 
processos palatinos são formados por duas 
cristas de tecido mesenquimal da própria 
saliência maxilar e tendem a se organizar em 
direção um ao outro para depois se fundir. 
Entre a 8ª e 9ª semana, ocorre o aumento da 
expressão de glicosaminaglicanos (GAGs → tem função de atrair água), faz com que esses processos 
laterais elevem em direção ao septo nasal, essa elevação faz que eles continuem crescendo em direção 
um ao outro, ocorrendo o fechamento e a formação do palato. 
O palato é formado por: 
− Palato primário → resultado da fusão das duas saliências nasais mediais 
− Palato secundário → saliências maxilares 
▪ Palato mole → tecido conjuntivo denso 
▪ Palato duro → processos palatinos → ossificação 
O crescimento das saliências maxilares empurra as estruturas nasais, afinando o nariz, e esse canal 
formado pela invaginação das duas bordas formadas pelas saliências maxilares e nasal lateral formam 
o canal nasolacrimal. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Fendas labiais 
A estrutura palatina está completa, formada, mas não ocorreu a fusão das saliências maxilares e 
saliências nasais mediais → defeito no lábio superior e filtro do lábio separados, pode ser bi ou 
unilateral (antigamente conhecida como lábio leporino). 
 
Fendas palatinas 
Ocorre falha na união das saliências maxilares entre si (os processos palatinos não se desenvolvem ou 
não se conectam – falha na deposição de GAGs) → palato incompleto 
Fendas labiopalatinas 
Falha na união das saliências maxilares entre si e das saliências maxilares e nasais mediais. Podem ser 
uni ou bilaterais, completas ou incompletas. As fendas incompletas se apresentam em apenas uma parte 
da estrutura. 
 
 
Mandíbula e síndromes do primeiro arco 
 
SALIÊNCIAS MANDIBULARES 
Ao final da 4ª semana, já podem ser identificados dois semiarcos que 
passam por baixo do estomodeu (boca primitiva). As saliências 
mandibulares se formam antes das maxilares, no entanto, elas só vão 
ter crescimento e consolidação das estruturas ósseas no período fetal, 
no período embrionário só ocorre deposição dos tecidos e organização 
citoarquitetônica. 
Enquanto os terços superior e médio se consolidam no período 
embrionário o terço inferior (que é formado pelas saliências 
mandibulares) só se consolida no período fetal. 
 
Destino do mesênquima das saliências mandibulares 
As extremidades ditais dos arcos se encontram ao contornar o estomeodeu e se fundem medialmente, 
formando a cartilagem de Meckel (não é o precursor da mandíbula, que é formada por ossificação 
intramembranosa, portanto, não precisa de suporte cartilaginoso), que é uma cartilagem de sustentação 
do mesênquima para a formação das lâminas membranosas responsáveis pela consolidação do arco 
mandibular (participa da organização do desenvolvimento do lábio inferior, gengiva inferior e também 
vai ser importante para modelar a região orofacial do embrião, pois vai receber as lâminas de 
mesênquima que posterior ossificação intramembranosa. 
A cartilagem de Meckel vai formar: 
− No segmento médio-distal → molde mandibular 
− Segmento → proximal centro organizador dos ossículos do ouvido → ATM e martelo 
▪ O 2º arco → estribo e bigorna 
O mesênquima da crista neural sofre um processo de ossificação endocondral formando a cartilagem 
de Meckel. Na cartilagem, ocorre a deposição de lâminas mesenquimais que formarão os ossos da 
mandíbula. É um suporte migratório e anatômico para consolidação dos diferentes ramos do nervo 
mandibular e deposição de ameloblastos (dentes) 
 
6ª SDE: DOIS CENTROS DE OSSIFICAÇÃO → OSSIFICAÇÃO INTRAMEMBRANOSA → 10ª SDE: MANDÍBULA RUDIMENTAR 
 
IMPORTANTE!!! → lembrar que a ossificação 
da mandíbula é intramembranosa, apesar 
da existência da cartilagem que dá a falsa 
ideia de ossificação endocondral (cartilagem 
de Meckel é gradativamente reabsorvida 
conforme as lâminas membranosas vão 
envolvendo-a) 
 
 
 
 
Osso mandibular 
A proliferação das membranas mesenquimais na região medial induz o crescimento do arco mandibular 
para a região posterior. É a partir do período fetal que ocorre o crescimento e remodelação, alcançando 
a proporcionalidade entre os dois terços superiores e o terço inferior. Esse crescimento provoca a 
inflexão do osso mandibular e a movimentação do meato acústico (ascensão e movimentaçãopara trás) 
 
FORMAÇÃO DO OUVIDO 
O ouvido depende de três estruturas, a bolsa, o sulco e a membrana faríngeas (do 1º arco), porção 
proximal da cartilagem de Meckel (arco mandibular) e porção cartilaginosa do 2º arco (cartilagem de 
Reicht) 
− 1º arco → martelo 
− 2º arco → bigorna e estribo 
Enquanto esses ossos estão se desenvolvendo, vai 
ocorrendo a movimentação dessas estruturas. Os 
ossos vão empurrando esses ossículos para cima e 
para trás. Aonde a borda da primeira bolsa faríngea 
(tuba auditiva) e a ectoderme do primeiro sulco 
(meato acústico externo) se encontram, há a 
formação da membrana timpânica. 
A princípio as orelhas se localizam na região do 
pescoço. O crescimento da mandíbula, no período 
fetal, desloca o meato acústico e as orelhas para as 
laterais da cabeça, na altura dos olhos. 
 
 
 
Síndrome de Treacher Collins 
É uma herança autossômica dominante. Causada por uma mutação no gene TCOF1 do cromossomo 5, 
causando uma proteína treacle mutante. Causa alteração do desenvolvimento de ossos do rosto e 
tecidos relacionados ou dependentes do tecido ósseo para o seu desenvolvimento. É classificada como 
síndrome do primeiro arco faríngeo, justamente porque todos os tecidos derivados do primeiro arco 
não se desenvolvem corretamente. Os indivíduos afetados apresentam: 
− Hipoplasia malar 
− Hipertelorismo (aumento da distância interocular) 
− Defeitos palpebrais 
− Falta de proporção facial (estreitamento da face) 
− Hipognatia 
− Implantação auricular baixa → devido ao não crescimento da mandíbula 
− Deformidades auriculares 
− Surdes ou baixa acuidade auditiva 
− Podem apresentar fendas palatinas (80%) 
DESENVOLVIMENTO DA LÍNGUA 
Também é oriunda do primeiro. Na 4ª semana, já ocorre a 
determinação das duas regiões das saliências linguais. A partir 
da 6ª sde, ocorre a proliferação das saliências. Existe também o 
tubérculo ímpar que é formado por células das saliências do 
primeiro e segundo arcos. 
Durante a proliferação, as saliências linguais se expandem no 
sentido medial e posterior, provocando a extensão da língua. 
Entre a 5ª e 7ª semana, a língua é maior do que a boca e pode ser 
bífida ( ). O crescimento das estruturas mediais se sobrepõe e 
esconde a eminência hipobranquial e o tubérculo ímpar (derivados do 2º e 3º arco). Só o terço posterior 
da língua será formado por doações de células do mesênquima do terceiro arco faríngeo. Os miótomos 
dos primeiros somitos se infiltram depois e se encarregam de formar a musculatura da língua, às células 
do tecido mesenquimal se encarregam da formação os vasos, o tecido conjuntivo e o tecido adiposo da 
língua 
 
Sequência de Pierre-Robin 
É causada por uma mutação ainda não identificada, é uma herança autossômica recessiva, causa 
alteração na migração ou proliferação de células que vão formar as estruturas ósseas da mandíbula (há 
a formação do primeiro arco, mas não há a evolução do mesmo), ocasionando falha no desenvolvimento 
ósseo da saliência mandibular. Apresenta três sinais característicos: 
− Micrognatia 
− Implantação auricular baixa → decorre do erro na formação do osso maxilar 
− Fenda palatina posterior em “U” → se estabelece porque, como a mandíbula não se estende, a 
língua vai crescendo e ocupando toda boca, impedindo o fechamento do palato 
 
 
Derivados da endoderme 
 
BOLSAS FARÍNGEAS 
São quatro projeções endodérmicas que se 
formam como reflexo da formação dos 
arcos faríngeos. Se localizam entre os arcos 
e não tem relação com a formação de 
nenhum dos tecidos da cavidade oral, elas 
dão origem a tecidos endócrinos e linfoides 
(exceto a 1ª bolsa que participa da 
formação do recesso timpânico). Vão se 
movimentar e ocupar lugares muitos 
distantes da sua origem. As bolsas são 
responsáveis pela formação: 
− 1ª bolsa → membrana timpânica 
− 2ª bolsa → tonsilas palatinas (tecido linfoide) 
− 3ª bolsa → paratireoides inferiores e timo (tecido endócrino e tecido linfóide) 
− 4ª bolsa → paratireoides superiores e corpo ultimofaríngeo (tecido endócrino) → o corpo 
ultimofaríngeo vai se diferenciar nas células C, que são secretoras de calcitonina na tireoide) 
 
Num primeiro momento, acontece a proliferação de 
tecido endodérmico que preenche a bolsa faríngea em 
sua totalidade. Depois, à medida que a língua e a 
mandíbula crescem, essas estruturas são empurradas 
em direção posterior da cabeça e para baixo – 
movimentação ventro-posterior (como se 
escorregassem na base da língua em direção ao 
pescoço). O crescimento da própria estrutura faz com 
ela vá se projetando para a região de mesênquima 
facial e vá se desprendendo do intestino anterior (se 
ocorresse a manutenção da endoderme ligada ao 
intestino as glândulas seriam exócrinas, mas como 
ocorre a separação, elas são endócrinas). 
 
DESENVOLVIMENTO DA TIREOIDE 
Surge da cavidade oral, um outro divertículo entre os 2º e 3º arcos 
faríngeos, aproximadamente no 24º dia após a fecundação. Ocorre 
uma invaginação do epitélio da língua, formando o divertículo 
tireóideo, que posteriormente dará origem à tireoide. 
Assim como nos tecidos das outras bolsas faríngeas, o crescimento 
da mandíbula e da língua empurra o divertículo para uma posição 
posterior. Enquanto o divertículo se prolifera ele se afasta do 
epitélio de origem, formando o ducto tireoglosso (estrutura 
temporária). Por um curto período de tempo, a tireoide fica 
conectada à língua pelo ducto tireoglosso. 
A tireoide assume sua posição definitiva na 7ª semana do desenvolvimento 
(ancorada nas cartilagens laríngeas – tireoidea e cricoidea). À medida que a 
mandíbula continua crescendo durante toda a vida fetal associada ao 
crescimento das vértebras, ocorre um afastamento cada vez maior da tireoide 
da língua. 
A secreção de hormônios da tireoide começa na 9ª semana. Os hormônios da 
tireoide estão intimamente ligados ao desenvolvimento da face e do encéfalo. 
 
 
 
O sistema respiratório vai se formar a partir de um divertículo respiratório que é uma estrutura 
caracterizada por uma evaginação da endoderme no assoalho da faringe primitiva (aproximadamente 
no 23-24º dpf – 4ª sde), fazendo com se inicie um processo de extensão de um divertículo. No início, o 
local do divertículo é uma depressão na região do 4º arco faríngeo. Essa depressão vai se alongando em 
direção à área cardiogênica, formando um broto da endoderme na região mais caudal do embrião. Então 
pode-se dizer que o divertículo se movimenta em duas direções, uma que o afasta do intestino primitivo 
e outra que o alonga. 
A partir dessa extensão do divertículo, vai ocorrendo a formação da 
árvore respiratória. 
 
SULCO LARINGOTRAQUEAL 
Quando o divertículo começa a se 
estender, pode ser observado no 
assoalho da laringe a formação do 
sulco laringotraqueal, que representa a abertura do divertículo na 
faringe primitiva (que vai se tornar laringe), além de ser uma abertura 
comum à traqueia e esôfago primitivos. Nessa região do sulco é que vai 
existir a possibilidade de comunicação com os tratos digestório e 
respiratório. Depois vai ocorrer a formação do septo traqueoesofágico, 
que é uma estrutura que se projeta da borda do divertículo em direção 
à região oral da laringe para que possa ocorrer a separação das 
estruturas. É só no período fetal que vai ocorrer a modelagem da laringe e a separação completa dos 
tratos esofágico e respiratório. 
 
Origem dos tecidos 
 
O divertículo respiratório é uma estrutura endodérmica, mas, à medida que ele 
se estende, ele vai modelando as estruturas de mesênquima que estão ao seu 
redor (mesênquima dos 3º e 4º arcos faríngeos e mesoderma esplâncnico). O 
endoderma será responsável pela formação epitélio (de revestimento e 
secretor) da laringe enquanto o mesênquima do 4º e 6º arcos faríngeos formará 
as cartilagens laríngeas, os tecidos conjuntivos e os músculos da laringe. Vai 
existir também, no futuro, a adição de mioblastos dos primeiros somitos que irão 
participar da formação de outros grupos musculares. 
Então, a musculatura da laringeé predominantemente formada pelo mesênquima dos arcos faríngeos 
(4º e 6º), mas também existe a infiltração de mioblastos provenientes dos somitos para a formação de 
feixes musculares em diferentes direções. 
À medida que o divertículo se estende, ele vai migrando em direção à área cardiogênica. Em torno do 
26-28º dia pós fertilização (fim da 4ª sde), o divertículo sofre a primeira dicotomização (primeira 
divisão em dois segmentos), caracterizando o primeiro momento de separação dos tecidos, de forma 
que sempre vai existir nesse epitélio uma porção que será pulmonar e outra que será brônquica. Desta 
forma, nas próximas divisões, os novos brotos serão formando pelos dois epitélios e à medida que isso 
vai se estendendo, o a região dos brônquios fica mais predominante e a região pulmonar fica reservada 
para ser dividida nas próximas dicotomizações. O processo de dicotomização da árvore respiratória vai 
continuar acontecendo durante todo o período embrionário, fetal e pós-natal. O desenvolvimento dos 
pulmões envolve uma longa etapa de maturação que se estende com pequenos ciclos de divisão 
Várias estruturas se 
originam da endoderme do 
intestino anterior, como a 
tireoide, a língua, as bolsas 
faríngeas e o divertículo 
respiratório. 
 
dicotômica durante os primeiros 3 anos de vida. Essas dicotomização sempre irão resultar em dois 
segmentos, um que dará origem ao broto brônquico e outro aos pulmões. 
A extensão do divertículo endodérmico provoca a distensão do mesoderma esplâncnico. Apesar do 
divertículo endodérmico (fonte de tecidos epiteliais) se alongar e dicotomizar, ele está sempre 
envolvido por mesoderma esplâncnico (representa sempre uma fonte de tecidos mesodérmicos). 
A parte de endoderme originará 
todos os tecidos epiteliais (de 
revestimento e secretor) e o 
mesoderma esplâncnico, as 
cartilagens (principalmente do 
trato traqueal e bronquiolar), 
tecidos conjuntivos e músculos lisos 
em todo o trato respiratório. Existe 
um gradiente de diferenciação, sendo que na porção cranial, há uma maior deposição de cartilagens 
(para evitar o colabamento das vias aéreas) e depois, à medida que se aproxima da extremidade caudal, 
predomínio do desenvolvimento de estruturas musculares lisos e estruturas não cartilaginosas. 
Cada brônquio segmentar, com sua massa de mesênquima, vai formar um segmento broncopulmonar. 
Esse segmento representa uma fonte para a formação de estruturas epiteliais e de outras naturezas, 
que vão garantir que, à medida que vão ocorrendo as divisões subsequentes no desenvolvimento 
anatômico, exista sempre o aprofundamento tanto de tecido endodérmico quanto mesodérmico. A cada 
segmentação do endoderma, o mesoderma esplâncnico também se divide e envolve o novo broto. Se as 
dicotomizações são interrompidas, obrigatoriamente vai ocorrer a redução do desenvolvimento 
pulmonar. 
 
 
Desenvolvimento anatômico 
Anatomicamente, o sistema respiratório está dividido em algumas partes: 
− Faringe 
− Segmento traqueal 
− Segmento brônquico 
− Segmento pulmonar 
 O mesoderma esplâncnico participa da formação dos segmentos traqueal, brônquico e pulmonar, no 
entanto, a faringe é formada pelo mesênquima do 4º e 6º arcos traqueias. As estruturas epiteliais são 
todas derivadas da ectoderme. 
A extensão do divertículo respiratório permite o desenvolvimento das diferentes estruturas. A 
dicotomização organiza anatomicamente os pulmões. 
Na 8ª semana do desenvolvimento, já é possível identificar os segmentos traqueal, brônquico e 
pulmonar. Esses segmentos tem um período de crescimento bastante longo, durando do até a primeira 
infância. O crescimento das vértebras, durante todo o período fetal e pós natal, garante a expansão da 
caixa torácica. Como os pulmões estão ancorados na estrutura da laringe através da traqueia e dos 
brônquios, à medida que o gradil costal vai se ampliando, vai ocorrendo a liberação de espaço na base 
dos pulmões, que é onde vai ocorrer as divisões ainda durante o período pós-natal. 
 
DESENVOLVIMENTO DA LARINGE 
Na laringe, vai ocorrer a abertura de um sulco laringotraqueal, com aspecto de uma fenda estreita. As 
células da crista neural que irão formar os arcos faríngeos envolvem o sulco, quando este for 
completamente envolvido, o mesênquima começa a se proliferar formando duas tumefações ao lado do 
divertículo que acabam mudando a sua posição. A abertura deixa de ser uma abertura em sulco e passa 
a ser em T. Na região anterior, existe a saliência da epiglote (ou hipofaríngea), que vai provocar o 
desenvolvimento de uma terceira tumefação. As tumefações laterais crescem em direção à boca 
(anterior) e saliência hipofaríngea cresce em direção à região posterior. 
− O mesênquima dos 4º e 6º arcos faríngeos é responsável pela formação das cartilagens 
laríngeas → tireóidea, cricoidea e aritenoideas 
− As saliências aritenoides provocam a principal deformação na abertura da laringe → crescem em 
direção à língua e obliteram a luz da glote (durante o período embrionário), ou seja, todo o 
líquido amniótico que entra na boca do embrião não consegue seguir adiante no trato 
respiratório. 
Com o período fetal, vai ocorrer um crescimento significativo de outras estruturas, o que leva a um 
remodelamento na região da traqueia também. Em torno da 10ª sde, por motivo da reorganização das 
cartilagens, ocorre a recanalização da faringe (as células das tumefações migram e se espalham, abrindo 
espaço), ocorrendo: 
− Modificação na abertura da laringe 
− Formação dos primórdio das cordas vocais → durante a proliferação das células das tumefações, 
a endoderme também é deformada em direção a luz da laringe, quando ocorre a migração das 
cartilagens, sobram duas pregas de endoderme no entorno da região onde as tumefações 
estavam dispostas. Essas duas pregas são responsáveis pela formação dos primórdios das cordas 
vocais. Em resumo, as cordas vogais se formam pela presença de tecido que sobra depois que as 
tumefações aritenoides se desfazem 
− Saliência hipofaríngea transforma o mesênquima na cartilagem da epiglote → epiglote 
 
FORMAÇÃO DA TRAQUEIA 
Primeiro vai ocorrer a extensão do broto da traqueia e depois ocorre a dicotomização acontece a 
separação, dentro divertículo respiratório, do que vai ser traqueal e do que vai ser broncopulmonar. 
Tudo que estiver a partir da dicotomização vai ser broncopulmonar e o que estiver entre a laringe 
primitiva e a dicotomização será traqueal. Esse segmento traqueal segue se estendendo entre a 7ª e a 
10ª sde, toda a endoderme desse segmento vai dar origem ao epitélio de revestimento e glandular da 
traqueia – epitélio pseudoestratificado ciliado + células caliciformes. Vai ocorrer a indução da 
diferenciação do mesoderma esplâncnico em cartilagens e tecido conjuntivo (anéis cartilaginosos). A 
medida que a traqueia se expande a partir do período fetal, vai ocorrendo o remodelamento das 
estruturas do mesênquima e o crescimento das cartilagens. 
 
FORMAÇÃO DOS BROTOS BRÔNQUICOS 
À medida que os brotos brônquicos vão 
infiltrando o tecido, vão ocorrendo as divisões 
dicotômicas. A primeira é a divisão do 
assoalho, que é a responsável pela formação 
dos brônquios primários e depois cada um 
desses vai se dividindo, expandindo a árvore 
respiratória. Entre o 26º-28º dpf, ocorre a 
primeira dicotomização do divertículos 
respiratórios, formando os brotos 
brônquicos primários (um direito e um 
esquerdo). À medida que esses brotos vão se estendendo, eles vão se dividindo, dando origem aos 
outros segmentos bronquiais, permitindo que essa estrutura se amplie em três direções (a arvore 
respiratória se espalha por todo o espaço do mediastino e não só se aprofunde em direção à região 
caudal do embrião) 
A divisão dos brotos brônquicos primários 
produz os secundários e depois vão ocorrendo 
sucessivas divisões. 
− Brônquios secundários (lobares) → 3 
ramos direitos e 2 esquerdos 
− Brônquios terciários (lobulares - 
divisões dos secundários) → de 4 a 5 segmentos 
por brônquio secundário 
 
 
Formaçãodos bronquíolos segmentares 
Após a formação dos brônquios lobulares (terciários), vão 
ocorrer sucessivas divisões endodérmicas que se projetam 
para dentro da mesoderme. Essas divisões prosseguem até a 
24ª sde, dando origem a 17 ordens de ramificações 
endodérmicas para cada abertura lobular → formação dos 
bronquíolos respiratórios (a árvore respiratória aumenta 
circunferencialmente), a extremidade mais distal dessas 
estruturas permitem que os tecidos encontrem o contato 
com os vasos sanguíneos para constituir a barreira 
hematoaérea e iniciar o processo de trocas gasosas e 
hematose. Enquanto não ocorrer o mínimo contato de 
alguma estrutura cranial ou média com vasos sanguíneos, 
não será possível a sobrevivência do feto. 
 
CANAIS PERICARDIOPERITONIAIS 
Existem dois canais que passam ao lado do celoma cardíaco, os canais pericardioperitoniais (porque 
a extremidade caudal está em contato com a cavidade peritoneal e a cranial, com a cavidade 
pericárdica). Inicialmente, o divertículo respiratório se estende no estreito espaço entre o intestino 
anterior e a área cardiogênica, mas a extensão dura por pouco tempo porque logo o divertículo se 
divide. Após a divisão, cada broto brônquico irá ocupar um canal pericardioperitoneal 
 
 
 
 
 
PREGAS PLEUROPERICARDICAS E SEPTO TRANSVERSO 
No início, os canais são amplos e lineares, então o pulmão em desenvolvimento se projeta para a borda, 
invadindo e se ramificando, formando as camadas pleurais (o pulmão não perdura a parede do celoma, 
ele a empurra conforme cresce), formando as pleuras parietal e visceral. Conforme o pulmão se 
desenvolve e vai ocupando o canal pericardioperitoneal, surgem as pregas pleuropericárdicas que são 
estruturas responsáveis por separar a cavidade 
pleural da pericárdica (delimitam os espaços do 
pulmão e do coração dentro da septação do celoma). 
Existe uma outra estrutura limitante, o septo 
transverso, não para o desenvolvimento pulmonar, 
mas para que as estruturas que estão se 
desenvolvendo na cavidade peritoneal e não ocupem o 
canal percardioperitoneal. 
 
DIAFRAGMA 
Durante o dobramento longitudinal do embrião, o septo transverso, que era uma estrutura cefálica, dá 
a volta e se estabelece dividindo a parede anterior da cavidade peritoneal ( vai ser centro organizador 
de todo o resto da estrutura diafragmática). A porção caudal das pregas pleuroperitoneal encosta no 
septo transverso, com isso, a divisão das cavidades pleural e peritoneal fica incompleta, então a partir 
dessas estruturas, muitos mioblastos de origem somítica) vão migrar pela parede corporal durante a 
formação das estruturas das costelas e dos músculos intercostais, gradativamente fechando os espaços. 
O fechamento do diafragma deve acontecer na 
8ª sde. Depois, conforme o bebê vai crescendo, 
a expansão dos pulmões, a presença de líquido 
no interior do pulmão e os movimentos 
respiratórios fetais ampliam o tórax. 
Conforme o tórax vai sendo ampliado, novos 
mioblastos vão preenchendo as membranas 
pleuropericárdicas e com isso o diafragma 
também se amplia. 
 
 
 
Suprimento vascular e inervação 
CIRCULAÇÃO PULMONAR 
A partir da artéria troncopulmonar emanam os ramos arteriais que infiltram o tecido do parênquima 
pulmonar em desenvolvimento através das estruturas bronquiolares que estão se desenvolvendo → 
formação dos ramos arteriais lobares e lobulares. Dessa forma, conforme vão ocorrendo as 
dicotomizações e extensão dos ductos respiratórios, também vai 
ocorrendo a modificação da rede vascular, garantindo que haja 
uma rede tanto de influxo quanto de refluxo de sangue para a 
região pulmonar. As projeções endodérmicas servem de 
substrato migratório para os vasos que estabelecem a pequena 
circulação. O grade problema é que essa rede pulmonar é baseada 
na ideia da ocorrência da hematose, porém, neste momento, esta 
rede não é funcional no sentido de não fazer hematose, então até 
isso se estabelecer, as artérias do pulmão vão conduzir sangue 
carbonilado (pCO2 > pO2) e não oxigenado. 
A rede circulatória inicial tem fluxo circulatório preparado para 
hematose ao nascimento, não é necessário fazer nenhuma 
adaptação após o nascimento, é só encher o pulmão de ar. A partir 
das artérias lobulares se estabelece uma intrincada rede de vasos que se ramificam até as extremidades 
dos dutos respiratórios (alvéolos). Basicamente, a rede circulatória que predomina durante o período 
embrionário é a que prepara o pulmão para a sua função, que é realizar trocas gasosas. 
 
REDE VASCULAR BRÔNQUICA 
Essa rede vascular garante a chegada de sangue rico em oxigênio aos 
tecidos traqueais, dos brônquios e bronquíolos a partir de vasos que 
emanam diretamente da aorta descendente. Então, vai existir um 
sistema circulatório relacionado à 
funcionalidade pulmonar e uma rede 
paralela de nutrição dos tecidos. Para 
isso, emanam diretamente da aorta 
dois vasos que representam as 
artérias brônquicas direita e 
esquerda. Além da nutrição dos 
brônquios, também é importante 
perceber que a partir das artérias 
brônquicas surgem ramos vasculares 
que nutrem a pleura. 
A função dessa rede brônquica é a nutrição das células que 
estruturam os segmentos condutores do sistema respiratório. 
 
INERVAÇÃO PULMONAR 
A inervação do pulmão se dá através do ramo laríngeo recorrente 
do nervo vago. O estabelecimento das células da crista neural do 
6º arco respondem pela inervação de várias estruturas, como os 
músculos intrínsecos da laringe, as cartilagens laríngeas, a 
traqueia. À mediada que ocorre a formação do broto pulmonar, 
alguns segmentos vagais se estabelecem e vão se reorganizando 
conforme o pulmão cresce. 
A inervação pulmonar é vagal (deriva do 6º arco faríngeo), 
começa na 5ª sde e vai sendo modelada durante todo o período 
fetal. 
− Nervo vago → segmento parassimpático → controle da 
frequência respiratória 
− Nervos torácicos → segmento simpático 
− Nervo frênico → diafragma → controlador do enchimento 
e esvaziamento pulmonar 
− Nervos intercostais → regulação do processo de força de 
expiração e capacidade respiratória do indivíduo 
O brônquio serve como uma guia física para a migração de estruturas, como a artéria bronquial, o nervo 
motor, os vasos linfáticos e os nervos vasomotores (a estrutura do brônquio garante a expansão da 
estrutura de todo o controle neural, além da rede arterial e linfática) 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Resuminho: 
As redes vasculares 
alveolar e brônquica se 
estabelecem 
simultaneamente, sendo 
que a primeira se origina 
da artéria troncopulmonar 
e a segunda da aorta 
descendente 
INERVAÇÃO DIAFRAGMÁTICA 
É feita através do nervo frênico (faz parte do plexo cervical 
– raízes de C3, C4 e C5). Ele migra através da estrutura do 
mesentério dorsal até encontrar o septo transverso> quando 
ele encontra essa estrutura começa um processo de migração 
desses nervos que se espalham pela cúpula do diafragma. 
Primeiramente vai ocorrer a invasão do nervo frênico pelas 
bordas da caixa torácica, onde estão as pregas 
pleuropericárdicas, depois ele migra pela região do núcleo 
tendinoso e então se amplia à medida que vai ocorrendo o 
fechamento dos canais pleuroperitoneais pela migração de 
células musculares. 
 
Basicamente, a inervação do sistema respiratório vai vir de 
duas fontes: uma inervação que se restringe ao pulmão – 
nervo vago – e outra responsável pelo controle da 
funcionalidade, que é a inervação diafragmática – nervo 
frênico. 
 
Maturação pulmonar 
Ao longo do processo do desenvolvimento, existem diversas etapas da maturação pulmonar. Estas 
etapas são decorrentes da evolução da rede endodérmica e principalmente de contatos entre o epitélio 
desses ductos e a rede vascular, que é responsável por trazer o oxigênio até os pulmões. 
Basicamente, a maturação do pulmão envolve: 
− O estabelecimento de uma barreira hematoaérea funcional → contato do pneumócito com o 
endotélio → só é possível a ocorrência de trocas gasosas após o estabelecimento desse contato 
(enquanto houver a presençade 
estroma, não será possível a 
respiração) 
− Produção de surfactante → líquido que 
forma um pequeno filme na luz dos 
alvéolos e tem como função diminuir a 
tensão superficial entre a superfícies 
de troca da luz do alvéolo e da célula 
pulmonar 
 
MOVIMENTOS RESPIRATÓRIOS FETAIS 
Durante a expansão da caixa torácica e o desenvolvimento dos pulmões e dos alvéolos, vai ocorrendo 
gradativamente o estabelecimento de pressões negativas dentro das vias aéreas, é como um movimento 
de fole, a caixa torácica se amplia, o diafragma se afasta puxando a pressão no entorno dos pulmões. 
Quando essa movimentação é feita, acaba-se criando uma aspiração mecânica. Ao invés do feto encher 
os pulmões de ar, ele enche de líquido amniótico (o pulmão fica cheio de líquido durante todo o período 
fetal). A presença de líquido no interior dos pulmões í importante pois cria uma pressão hidrostática 
evitando o colabamento. Resumindo: 
− Provocam pressão negativa no interior das vias aéreas 
− Aspiração de líquido amniótico 
− Vias preenchidas por líquido durante todo o desenvolvimento 
− Começam ocorrer a partir da 9ª-10º sde 
Auxiliam no processo de crescimento dos pulmões. São 3 os fatores determinantes do crescimento: 
1. Espaço torácico → é necessária a expansão do gradil costal 
2. Movimentos respiratórios fetais 
3. Volume de líquido amniótico 
Os movimentos começam só a partir da 9-10ª sde porque até esse período a entrada da laringe estava 
obliterada, impedindo a passagem de líquido para as vias aéreas. 
 
5 PERÍDOS DE DESENVOLVIMENTO DOS PULMÕES 
1. Embrionário → 4ª a 8ª semana → formação da árvore brônquica 
2. Pseudoglandular → 8ª a 16ª semana → formação dos bronquíolos respiratórios 
3. Canalicular → 16ª a 26ª semana → formação dos bronquíolos respiratórios 
4. Saco terminal → 26ª semana ao nascimento → ampliação da extremidade dos bronquíolos, 
formação dos sacos aéreos 
5. Alveolar → 32ª semana até os 8 anos de idade → estabelecimento dos contatos e produção de 
surfactante (capilar + pneumócito + surfactante) 
Os períodos se sobrepões porque os segmentos cefálicos amadurecem antes que os caudais ( o 
crescimento do pulmão se dá no sentido céfalo-caudal). Essa disparidade de maturação é o motivo pelo 
qual bebês prematuros conseguem respirar. 
 
Período embrionário 
− 4ª a 8ª semana 
− Formação dos brônquios secundários e terciários (basicamente é só a dicotomização). Embora 
existam os ductos respiratórios, não há diferenciação mesenquimal. 
− Segmentação do mesoderma 
 
Período pseudoglandular 
− 8ª a 16ª semana 
− É semelhante a uma glândula exócrina (pneumócitos cúbicos) 
− Apresenta grande quantidade de estroma 
− Os vasos sanguíneos sem contato com o ducto respiratório → não há 
contato ducto-vasculares 
− Intensa formação e crescimento dos ductos broncopulmonares 
− Não é possível a realização de hematose 
 
Período canalicular 
− 16ª a 26ª semana 
− Expansão da luz dos brônquios e bronquíolos 
− Bronquíolos terminais se dividem em bronquíolos respiratórios 
− Aumento da vascularização → o vasos estão no estroma pulmonar 
(vinculada a formação da rede trocadora de oxigênio) 
− Cada bronquíolo terminal da origem a 2-3 bronquíolos respiratórios. 
− Ao final deste período, as trocas gasosas são possíveis pois alguns 
bronquíolos terminais fazem contato com capilares. 
− Barreira hematoaérea ainda muito espessa (o epitélio respiratório 
ainda é cúbico) 
Período do saco terminal (sacular) 
− 26ª a 32ª semana 
− Epitélio se torna muito delgado → epitélio passa de cúbico para 
pavimentoso 
− Formação dos sacos terminais → alvéolos primitivos 
− Os sacos terminais ficam em contato íntimo com os capilares → 
barreira hematoaérea 
− Pneumócitos tipo II → secretam surfactante 
− Cada bronquíolo respiratório da origem de 3 a 6 ductos alveolares 
− A partir desta fase da maturação, os bebês podem sobreviver de 
forma autônoma → BHA delgada 
Surfactante → glicerofosfolipídeos + proteínas + colesterol + lipídeos 
− Diminui a tensão superficial dos alvéolos 
− É produzido a partir da 20ª semana, mas atinge níveis adequados a partir da 38ª. 
− Forma um filme protetor dentro do alvéolo 
− Secretado pelos pneumócitos tipo II – eliminado na forma de corpos lamelares na luz no alvéolo 
 
Período alveolar 
Fetal 
− 32ª semana até os 8 anos de idade 
− Estabelecimento da membrana alveolocapilar 
− Revestimento epiteliais se adelgaça 
− Camada epitelial pavimentosa 
− Capilares salientes nos sacos terminais 
− Transformação dos alvéolos imaturos em maduros 
 
Adulto → após a 
insuflação dos pulmões 
− Alvéolos maduros típicos só se formam após o nascimento 
− Distensão dos alvéolos 
− Protusão dos capilares na parede alveolar 
− Aumento do número de contatos entre capilares e 
pmneumócitos do tipo I 
− BHA→ funcional (hematose) 
 
 
Pós-natal 
− Aumento exponemncial da barreira hematoaérea 
− Septação de alvéolos e angiogênese 
o Recém-nascido → 50mi de alvéolos 
o Adulto → 300 mi de alvéolos 
− Novos alvéolos até os 8 anos (a maior parte até aos 3 anos) 
 
Malformações e condições de origem embriológica 
FÍSTULAS TRAQUEOESOGÁGICAS 
Surgem a partir de uma malformação do septo traqueoesofágico. Durante o início do processo de 
invaginação do divertículo respiratório, existe um divertículo muito raso e amplo, causando uma 
abertura elíptica no assoalho. Com a extensão do divertículo, ocorre um tracionamento, então a porção 
anterior e mias ventral se projeta mais rapidamente em direção ao diafragma, estendendo a porção 
mais cranial. Dessa forma, a abertura é estreitada, pois a parede anterior começa a ser projetada em 
direção a abertura e o tracionamento da porção inferior, faz com que surjam cristas de tecido ao redor 
da abertura. O septo traqueoesofágico sempre vai separar o sistema digestório na porção ventral da 
faringe e o sistema digestório na dorsal. 
Existe um problema durante a formação do septo que pode manter o trato digestório em comunicação 
com o respiratório. Essa fístula é oriunda de um processo de erro tanto no processo de divisão do 
traqueoesofágica tanto quanto na reabsorção do endoderma do esôfago. 
 
Classificação de fístulas 
A maior parte das fístulas são do tipo com atresia do esôfago. Nas do tipo, C, D e E, a chance do 
desenvolvimento de pneumonites ou síndromes agudas respiratórias é grande. Esses tipos permitem a 
nutrição por sonda nasogástrica, em contrapartida, nos tipos A e B, a nutrição tem que ser parenteral. 
AGENESIA PULMONAR 
Depois do desenvolvimento da traqueia vem o brônquico. À 
medida que o desenvolvimento brônquico estabelece a 
segmentação do endoderma, vai ocorrer também a combinação 
com o mesoderma. Então ocorre um processo de indução mútua, 
ou seja, à medida que o endoderma se dictomiza, ele induz todo o 
processo de diferenciação e modificação do mesênquima. Então 
em condições aonde o broto brônquico não se desenvolve, ocorre 
a presença de uma árvore respiratória incompleta ( traqueia +1 
brônquio), dando origem à apenas um pulmão. É uma condição 
bem rara, pode ser uni ou bilateral, sendo a unilateral mais 
comum. 
− Unilateral → o crescimento do pulmão de apenas um dos 
lados empurra o coração e outras vísceras para o lado. 
Esse pulmão acaba compensando e suprindo a falta do 
inexistente 
− Bilateral → evolui para óbito e normalmente está 
associada com outras malformações, é uma condição 
muito rara, não existe nem um tipo de correção que 
permita a sobrevida do feto 
 
 
 
HIPOPLASIA PULMONAR 
Os pulmões são menores do que deveriam ser. Pode ser uni ou bilateral. 
A principal causa é o oligohidrâmio, seja em condições onde haja baixa 
produção, ruptura do saco amniótico ou perda da funcionalidade das 
células amnióticas com consequente queda na taxa de produção. 
− Líquido amniótico → é importantíssimo para os movimentos 
respiratórios fetais que produzem força hidrostática para o 
desenvolvimento pulmonar. 
Em casos de hipoplasia, a sobrevivência da criança depende do grau de 
severidade dacondição. Normalmente está associada com a hérnia 
diafragmática congênita. 
 
 
HÉRNIA DRIAFRAGMÁTICA CONGÊNITA 
É uma malformação muito grave e muito difícil de se resolver. É caracterizada por um defeito congênito 
na parede posterolateral do diafragma, ocorre devido a uma falha no fechamento dos canais 
pleuroperitoneais. Na 10ª sde, ocorrem os movimentos do intestino, no sentido reposicioná-los da 
hérnia fisiológica umbilical para a cavidade abdominal. Com a presença da hérnia pode ocorrer a 
eventração de segmentos intestinais para a cavidade torácica. 
− Representa a herniação de alças intestinais no espaço torácico. 
− O defeito ocorre aproximadamente na 8ª sde. 
− Entre a 9ª e a 11ª sde, ocorre toda a movimentação do intestino para a cavidade torácica, então 
quando o pulmão começar a se desenvolver na 16ª sde, ele não vai encontrar espaço livre. 
− A correção cirúrgica é muito difícil (pode ser corrigida por uma cirurgia fetal intrauterina), 
normalmente as crianças com esse tipo de defeito não sobrevivem, a não ser que o defeito seja 
muito pequeno. 
− A presença de outros órgãos no mediastino causa hipertensão pulmonar devido à alta resistência 
mecânica no retorno de sangue 
− A hipertensão causa uma insuficiência respiratória e muitas vezes edema. 
 
Classificação 
− HDC esquerda → “liver down” → fígado permanece no lugar dele (abaixo da linha diafragmática) 
− HDC esquerda → “liver up” → uma parte do fígado invade o espaço do mediastino pela hérnia, 
ocupando o espaço do coração → forma mais grave 
− HDC direita → também é uma forma bem grave, tem ascensão hepática 
 
SÍNDROME DA ANGÚSTIA RESPIRATÓRIA DO NEONATO (ou Síndrome do Estresse Respiratório 
ou Doença da Membrana Hialina) 
Não envolve a não formação de um tecido e sim uma não funcionalidade. Ocorre a produção insuficiente 
de surfactante, o que impede a redução da pressão superficial dentro dos alvéolos de forma adquada (a 
tensão fica aumentada) 
− Pouco surfactante → maior tensão das pontes de hidrogênio do líquido alveolar 
− Alvéolos preenchidos por líquido e 
subinflados → os pulmões não conseguem 
alcançar os capilares, diminuindo a superfície 
de permeabilidade, diminuindo as trocas 
gasosas 
− Respirações curtas e rápidas (bebê ofegante) 
− Fadiga dos músculos intercostais → óbito 
Fatores que levam à predisposição da síndrome: 
− Prematuridade → idade menor que 36 
semanas 
− Gestação de múltiplos 
− Diabetes gestacional ou prévia à gestação 
− Oligohidrâmio 
− Parto cesáreo* → a passagem pelo canal de parto comprime a caixa torácica, auxiliando na 
expulsão de parte do líquido dos pulmões 
A morte dos pneumócitos do tipo II causa uma baixa produção de surfactantes, o que leva a um colapso 
pulmonar. Esse colapso pulmonar representa um quadro de hipóxia, que leva a dois prejuízos: 
1. Vasoconstrição pulmonar → menos sangue circula no 
pulmão, aumento da barreira hematoaérea, diminuindo 
as trocas gasosas → dano ao endotélio 
2. Endotélio danificado → produção de fibras hialinas → 
esse material se acumula dentro do alvéolo, formando 
uma capa de tecido branco e rígido (representa um 
aumento da barreira hematoaérea, quanto maior a 
barreira, maior é a dificuldade de realizar hematose) 
As crianças com essa síndrome podem sobreviver, mas 
precisam de atenção especial. 
− Oxigenoterapia → compensação da hipóxia 
− Terapia com corticoides 
− Reposição com surfactante exógeno 
 
 
 
Origem do tubo digestório 
O sistema digestório tem origem a partir dos dobramentos 
do embrião. Toda a face ventral do embrião discoidal é 
revestida por células endodérmicas e, durante os 
dobramentos do embrião, parte do endoderma da vesícula 
vitelínica nas regiões anterior e posterior passa a ser 
movimentada no sentido do dobramento longitudinal e 
passa a ser incorporada no intestino do embrião. Esses 
processos de dobramentos garantem que o intestino 
primitivo, que deveria ser uma estrutura linear, passe para 
uma organização tubular. Esse tubo vai ter várias regiões 
estabelecidas de acordo com a posição do embrião e a 
relação desse segmento com a manutenção de uma 
comunicação com a vesícula umbilical. 
A partir dos dobramentos (o longitudinal é o que mais 
contribui), as extremidades cefálica e caudal se fecham. A 
membrana bucofaríngea determina o plano de 
movimentação no dobramento na extremidade cefálica e a 
membrana cloacal na extremidade caudal. Dessa forma, 
quando essas membranas forem reabsorvidas (em torno 
do 28º dpf), vai ocorrer a abertura da luz do intestino para 
a cavidade amniótico, sendo possível então seu preenchimento por líquido para evitar o colabamento 
dos tecidos. 
Ao final da 4ª semana do desenvolvimento, com os dobramentos do embrião concluídos, esse tubo 
digestório primitivo estará dividido em três regiões: 
1. Intestino anterior → compreende os segmentos esofagiano, estomacal, hepático, biliar e 
duodenal (cranial) + estruturas derivadas da orofaringe (bolsas faríngeas, tireoide e divertículo 
respiratório) 
2. Intestino médio → compreende toda a parte que forma a alça mesentérica média (é formada a 
partir da compressão do saco vitelínico e pela manutenção de um contato do saco vitelínico e do 
intestino pelo divertículo onfaloentérico) → forma a porção caudal do duodeno, o jejuno, o íleo, 
o ceco, o cólon ascendente e os dois terços craniais cólon transverso 
3. Intestino posterior → forma o um terço restante do cólon transverso, o cólon descendente, o 
cólon sigmoide, reto e os dois terços craniais do canal anal (o outro terço do canal anal é formado 
pela membrana cloacal) 
Dois fatores determinam a segmentação do intestino primitivo nessas regiões: a alça mesentérica média 
e o diafragma. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
ORIGEM DOS TECIDOS 
A delaminação da mesoderme provoca a formação da somatopleura e da esplancnopleura (associação 
da endoderme com a mesoderme visceral). Então, todos os tecidos do trato digestório vai ser formado 
a partir do endoderme e do mesoderme visceral. 
− Endoderme → forma as túnicas mucosa e submucosa (todo o tecido epitelial) 
− Mesoderme visceral → forma as túnicas musculares e serosa (musculatura lisa e angiogênese) 
− EXCEÇÃO: a região do terço superior do esôfago vai receber a infiltração de uma grande 
quantidade de células dos 4º e 6º arcos faríngeos, causando a formação da musculatura estriada 
esquelética (movimento voluntário – deglutição) 
 
BROTAMENTOS DORSAIS E VENTRAIS 
Durante o processo de transformação do intestino, existem algumas etapas que vão garantir a formação 
de segmentos específicos que provocam o surgimento dos brotamentos dorsais e ventrais. À medida 
que vai ocorrendo a formação dos dobramentos, o endoderma sempre formará o parênquima e o 
mesoderma, o estroma. 
 
1. Especificação dos órgãos (15 somitos) 
Algumas regiões do endoderma serão estimuladas por determinados tecidos, induzindo a diferenciação 
de algumas estruturas. O principal organizador da diferenciação dos divertículos respiratório e 
hepáticos é a área cardiogênica e do divertículo da tireoide será a eminência hipofaríngea. 
 
2. Divertículos/brotos dos órgãos (25 somitos) 
O endoderma se distende e forma evaginações. Essas evaginações formam os dobramentos dorsais e 
ventrais 
 
3. Proliferação/diferenciação (50-60 somitos) 
Brotamentos dorsais e ventrais → glândulas anexas (fígado, pâncreas, vesícula biliar e baço) 
 
 
 
 
MESENTÉRIOS 
À medida que ocorre o dobramento lateral do embrião, a placa esplâncnica vai se movimentando e vai 
produzindo o desprendimento do intestino primitivo da parede dorsal do corpo. Os mesentérios (dois 
tecidos) mantém os segmentos do intestino ancorados às paredes anterior e posterior da cavidade 
peritoneal. Esses tecidos são formados por mesoderma diferentes: 
− Mesentério dorsal → mesoderma esplâncnico posterior ao intestino 
− Mesentério ventral → formado a partir da fusão das placas somáticas direita e esquerda 
(mesoderma somático) 
Os mesentérios são extremamente importantes para garantir a 
movimentaçãode vasos e nervos da parede dorsal do corpo, da 
aorta descendente em direção ao sistema digestório. O suprimento 
vascular do intestino emana da aorta dorsal a partir de três 
segmentos específicos e cada um desses segmentos vai ser 
responsável pelo suprimento vascular de um pedaço do intestino 
− Artéria celíaca → intestino anterior, em especial estômago 
e parte do duodeno 
▪ O esôfago vai ser vascularizado diretamente da 
aorta descendente pela formação das artérias 
esofagianas 
− Artéria mesentérica superior → intestino médio 
− Artéria mesentérica inferior → intestino posterior 
Serve de suporte migratório para estruturas neurais → tanto as 
células da crista neural que irão formar os plexos submucoso e mioentérico quanto das próprias fibras 
dos sistemas simpático e para simpático que vão alcançar as estruturas do sistema digestório, migrando 
da parede dorsal para o estômago, diferentes segmentos dos intestinos médio e posterior. 
 
INERVAÇÃO 
A inervação do sistema digestório tem dois mecanismos, uma parte 
será inervada pelo sistema nervoso autônomo simpático e 
parassimpático. 
− Porção parassimpática → nervo vago 
− Intestino posterior → nervo pélvico 
− Sistema ganglionar simpático → esôfago, estomago e dos 
intestinos 
Além do controle do sistema nervoso autônomo, os neurônios 
simpáticos e parassimpáticos também vão controlar uma outra 
funcionalidade que são os plexos mioentérico e submucoso. Então 
as células da crista neural são extremamente importantes no 
povoamento, principalmente da alça mesentérica média, para a 
formação dos plexos. Se essa migração não acontece, pode ocorrer 
falta de motilidade e falta de controle do esvaziamento intestinal 
(não acontece a transmissão dos sinais) 
 
 
 
 
 
 
Intestino anterior 
Basicamente, tudo que estiver localizado acima da alça mesentérica média vai ser o intestino anterior e 
dele derivam: 
− Orofaringe 
− Esôfago 
− Estômago 
− Fígado 
− Vesícula biliar 
− Pâncreas 
− Porção cefálica do duodeno 
− Baço 
Durante as primeiras semanas do desenvolvimento, as principais modificações nesse tubo estão 
relacionadas com a formação do estômago, dos divertículos hepático, biliar e pancreático. O 
desenvolvimento do esôfago ocorre como consequência do crescimento de outras estruturas que estão 
associadas a porção supradiafragmática do intestino anterior. 
 
ESÔFAGO 
A parte dorsal do intestino anterior dará origem ao esôfago e será separada do divertículo respiratório 
pelo septo traqueoesofágico. O primeiro processo para ocorrer a formação correta do esôfago é o 
estabelecimento do septo traqueoesofágico. 
 
Determinantes do desenvolvimento esofágico: 
1. Desenvolvimento do pescoço 
2. Crescimento do coração e dos pulmões 
3. Movimentação descendente do diafragma 
 
Inicialmente, o esôfago é uma estrutura curta e 
limitada, mas, à medida que vai ocorrendo o 
crescimento do coração e dos pulmões no 
mediastino, o diafragma é empurrado para baixo e o 
estômago, que já está ligeiramente dilatado, não 
consegue passar através do orifício do diafragma, 
sendo também empurrado para baixo, causando 
então a ampliação relativa do esôfago. Além disso, 
existe uma segunda etapa, que é decorrente da formação do pescoço, a ampliação do 2º e 3º arcos 
faríngeos e o crescimento das vértebras cervicais vão produzindo o surgimento de uma estrutura que 
ainda não existia. O desenvolvimento do pescoço e do gradil costal como consequência do crescimento 
dos pulmões vai provocar o crescimento do esôfago. 
 
Epitélio de revestimento 
− Até a 8ª semana → epitélio estratificado cilíndrico que oblitera a luz → formação sólida 
▪ Enquanto há a formação sólida, não há líquido amniótico no sistema digestório, o líquido 
presente nessa etapa é proveniente do líquido da vesícula umbilical que adentrou a 
estrutura durante os dobramentos e de líquido tissular 
− 10ª semana → recanalização: boa parte do epitélio é reabsorvido, fazendo com que surjam 
espaços dentro do tubo, permitindo movimentação de líquido → epitélio estratificado cilíndrico 
ciliado 
▪ A partir daqui é que ocorre a aspiração e deglutição de líquido amniótico 
− 4º mês → epitélio característico → pavimentoso 
 
Recanalização 
Durante a reabsorção do epitélio, na região do septo 
traqueoesofágico, todas as pregas são reabsorvidas, 
separando o esôfago da traqueia. Há a formação de vários 
vacúolos, que vão criando espaços dentro do esôfago que vão 
se anostomosando conforme novas partes são reabsorvidas. 
 
Condições clínicas derivadas dos problemas de recanalização: 
− Atresia ou esôfago em fundo cego 
− Estenose → decorrente da reabsorção incompleta do 
epitélio em algumas regiões, mantendo-o mais espesso em algumas regiões → provoca 
regurgitação constante e desconforto (o leite não desce, fica preso na boca) 
− Divertículo → ocorre a recanalização de uma luz maior e uma mais estreita, com a ocorrência d 
formação de um septo epitelial na luz do esôfago → forma uma projeção onde fica acumulado 
alimento, causando um processo inflamatório → também causa vômitos. 
− Duplicação → processo semelhante ao divertículo → presença de um septo epitelial tortuoso 
duplicando a luz do esôfago → pode levar a processo de alteração da peristalse e da deglutição 
 
ESTÔMAGO 
− 4ª semana → dilatação em forma de pera na porção subdiafragmática do intestino anterior 
Cronologicamente, a dilatação do estômago se inicia na quarta semana e vai continuar acontecendo até 
a 6ª. Nesse período, ele passa de tubo para uma estrutura em forma de pera. 
 
Rotação longitudinal 
À medida que o broto hepático se expande, ele traciona o mesentério ventral, rotacionando o estômago. 
Essa rotação é decorrente tanto do crescimento do broto hepático quanto do crescimento desigual das 
paredes do estômago 
− Rotaciona o estômago sobre seu próprio eixo em 90 no plano vertical (como se virasse o 
estômago em sentido horário) 
− A parede lateral direita torna-se posterior 
− Parede lateral esquerda torna-se anterior 
 
Reflexos da rotação longitudinal 
− Distensão dos mesentérios 
▪ Dorsal → bolsa omental, omento maior 
▪ Ventral → omento menor 
− Mudança na posição anatômica do nervo vago 
▪ No adulto: 
− Vago anterior → esquerdo 
− vago posterior→ direito 
 
Rotação transversal 
Acontece no plano cefálico-caudal, ocasionando a movimentação do estômago a partir do crescimento 
desigual das paredes do estrago após a rotação longitudinal 
− Ocorre maior ampliação da parede esquerda (curvatura maior) 
− Menor crescimento da parede direita (curvatura menor) 
 
Reflexos da rotação transversal 
− Modificação da cárdia → à esquerda e levemente para baixo 
− Determinação do canal pilórico → à direita e levemente para cima 
 
As rotações do estômago são determinantes tanto para a formação anatômica quanto para provocar 
alterações nas extremidades (criação dos esfíncteres e sua posição em relação ao fundo do estômago) 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
DUODENO 
É uma região de transição entre o estômago (porção caudal do 
intestino anterior) e a alça mesentérica média (porção cranial do 
intestino médio) → tem dupla origem, portanto vai ter duplo 
fornecimento (tanto de sangue quanto segmentos vagais) 
− Extremidade cranial → ligada ao estômago 
− Extremidade caudal → ligada à alça intestinal média 
O estômago e a alça mesentérica média rotacionam em diferentes 
planos. As rotações do estômago empurram o duodeno para baixo e 
para a direita enquanto as da alça mesentérica média gira para o outro 
lado, gerando uma torção 
 
Reflexos das rotações 
A rotação do estômago e da alça mesentérica 
provoca torção no duodeno, que se movimenta à 
direita e pressiona a parede dorsal, exceto na região 
pilórica. A porção caudal do duodeno torna-se 
retroperitoneal e ocorre a fusão dos mesodermas 
esplâncnicos duodenal e da parede corporal 
 
 
 
 
 
Histogênese 
− 5ª a 6ª semana → desenvolvimento epitelial obstrui a luz (estágio sólido) 
− 8ª semana → recanalização (de forma parecida como acontece no esôfagosó começa um pouco 
antes) 
− Podem ocorrer as seguintes malformações divido à problemas de recanalização: 
▪ Atresia duodenal → não ocorre a separação do tubo, é 
contínuo à luz do estômago e ao intestino, mas com uma 
luz muito estreita e colabada (normalmente no segmento 
posterior) → ocorrência de vômito biliar 
▪ Estenose 
▪ Divertículo → não é muito frequente (muito raros) 
▪ Duplicação → pouco frequente 
 
Obs.: As atresias de esôfago e duodeno também estão relacionadas com o diagnóstico gestacional de 
poli-hidrâmio (em especial a partir da 12ª-14ª semana). Como o bebê tem o desenvolvimento do normal 
do sistema respiratório, os pulmões participam da adição de líquido amniótico, o trato urinário normal, 
também representa adição normal de líquido. No entanto, existe uma fase do ciclo do líquido amniótico 
que envolve a deglutição desse líquido, sua reabsorção pelas células do trato digestório e redução a 
partir disso, fazendo com que haja o funcionamento dos rins. Quando ocorre a estenose ou a atrésia 
não há a reabsorção. Normalmente a luz do intestino é estreita e há indicativo de poli-hidrâmio. 
 
 
 
 
 
 
Obs.: diferenciação da atresia 
ou estenose esofágica da 
duodenal: na primeira, o leite 
não tem odor e não é 
coagulado pois não sofreu ação 
do ácido e enzima estomacais 
(cor e teor de acidez) 
Intestino médio 
Derivados do intestino médio: 
− 2/3 caudais do duodeno 
− Jejuno 
− Íleo 
− Ceco e apêndice 
− Cólon ascendente 
− Cólon transverso (2/3 craniais) 
Quando o intestino médio se forma, ele permanece ancorado à vesícula umbilical do ducto 
onfaloentérico, então, vai existir uma pequena comunicação entre a vesícula e o intestino a partir desse 
ducto. 
 
ALÇA INTESTINAL PRIMÁRIA 
É formada pela projeção do intestino médio no entorno da artéria mesentérica. Possui dois ramos 
delimitados pelo ponto de ancoramento final da artéria mesentérica e pela presença do ducto 
vitelointestinal: 
− Segmento pré-arterial (proximal)→ está 
ancorado cranialmente à porção cranial do duodeno → 
dá origem ao duodeno caudal, ao jejuno e ao íleo 
− Segmento pós-arterial (distal) → está ancorado 
ao intestino posterior → dá origem ao ceco, ao 
apêndice, cólon ascendente e cólon transverso (2/3 
craniais) 
 
Durante a 6ª semana do desenvolvimento, os 
segmentos pré arterial e pós-arterial crescem e se 
estendem esse crescimento vai acontecer pela 
extensão da artéria, fazendo com que a parede do 
intestino se torne mais longa, o que ocasiona um movimento da borda da parede abdominal para dentro 
o cordão umbilical. Então, o intestino não se desenvolve dentro da cavidade abdominal, um dos motivos 
para isso é a presença de um fígado muito grande. Essa ocupação do cordão umbilical pelas alças 
intestinais forma a hérnia umbilical fisiológica (projeção do intestino para fora do véu peritoneal) 
 
 
Por que a hérnia umbilical fisiológica se forma? 
− Cavidade abdominal pequena 
− Grande tamanho do fígado 
− Desenvolvimento dos mesonéfrons (rins temporários) 
 
Antes da herniação, a alça intestinal tem um ramo cranial e um caudal, após 
a projeção, ela começa a sofrer alguns giros. 
 
 
 
 
Crescimento e rotações 
As rotações são concomitantes ao desenvolvimento e a 
primeira ocorre ao longo da 7ª semana do desenvolvimento, 
rotacionando o intestino em 90 no sentido anti-horário: 
− Segmento pré-arterial: cranial → direito 
− Segmento pós-arterial: caudal → esquerdo 
Após a rotação, o segmento pré-arterial (jejuno-íleo presuntivo) cresce rapidamente formando várias 
convoluções. Enquanto isso, o segmento pós-arterial sofre a segunda rotação, ao longo da 8ª semana do 
desenvolvimento, que rotaciona esse segmento em 90 no sentido anti-horário: 
− Segmento pré-arterial: cranial → direito → caudal 
− Segmento pós-arterial: caudal → esquerdo → cranial 
Enquanto aconteciam as rotações e o crescimento, houve o estabelecimento do jejuno e do íleo. 
Portanto, agora, todas as dobras do intestino delgado estão estabelecidas (duodeno, jejuno e íleo). 
 
 
Retorno do intestino médio à cavidade peritoneal 
Ao passo que as rotações acontecem e o crescimento vai 
se estabelecendo, boa parte das alças intestinais que vão 
se formando vão caindo (refluindo) para dentro da 
cavidade abdominal. Além disso, o dorso do embrião está 
crescendo no sentido céfalo-caudal (devido ao 
alongamento das vértebras), isso faz com que o diafragma 
se eleve e o mesentério, que está preso à parede posterior 
do corpo e cranialmente preso ao estômago e às 
estruturas diafragmáticas), seja puxado para cima. Como 
essa estrutura do intestino está preso ao mesentério, elas 
começam a ser puxadas, retornando para a cavidade 
abdominal. 
Enquanto a porção pós-arterial se movimenta no sentido -
anti-horário, as convoluções do segmento pré arterial 
retornam à cavidade peritoneal → jejuno e íleo retornar à 
cavidade primeiro e depois são seguidos pela outra parte 
da alça → a hérnia fisiológica reduz (entre a 9ª e a 10ª sde) 
e o seguimento pós-arterial sofre pequenas modificações 
→ divertículo cecal (o resto do segmento pós-arterial 
permanece inalterado durante esse período, as outras modificações irão ocorrer uma vez que o 
intestino estiver todo dentro da cavidade peritoneal) 
À medida que o intestino médio retorna à cavidade, ele sofre uma nova rotação de 90 no sentido anti-
horário. Desta forma, o ceco e o apêndice assumem a posição sub-hepática até o desenvolvimento do 
intestino posterior e do segmento pós-arterial. Ao final da 10ª semana, tem-se a presença do jejuno e 
do íleo totalmente desenvolvidos, do cólon (que é formado do ramo pós-arterial) e um segmento do 
intestino posterior. 
A posição final do intestino é decorrente do crescimento no período fetal (posterior ao retorno das alças 
intestinais) 
 
 
MALFORMAÇÕES 
Vólvulo intestinal 
É uma malformação de origem anatômica que acontece devido a uma rotação reversa no segmento pós-
arterial. 
− Normal: 90 + 90 (herniação) + 90 (pós-herniação) → todas no sentido anti-horário 
− Vólvulo: 1ª rotação normal (90) + secunda rotação invertida (180) 
Principal reflexo: o jejuno e íleo ficam enrolados, o ceco e apêndice ficam em uma posição subgástrica 
→ ocorre acúmulo de bolo fecal, dificuldade de esvaziamento → alças enroladas e dilatadas 
 
Onfalocele 
Se caracteriza pela não redução da hérnia umbilical fisiológica 
(muitas vezes está associada a um caso de vólvulo), as alças 
intestinais são recobertas pelo cordão umbilical. Todo 
desenvolvimento intestinal que ocorre no período fetal acontecerá 
fora da cavidade peritoneal. 
Normalmente há indicação de parto cesáreo para esses casos. A 
correção pode ser feita via cirurgia intrauterina, mas na maioria dos 
casos é feita após o parto (é a menos grave das 3) 
 
Gastrosquise 
É decorrente de um processo de falha do fechamento da parede 
anterior do corpo, ou seja, não fusão das bordas da placa somática. 
Isso significa que o intestino retorna para a cavidade peritoneal e 
sai novamente por uma região supraumbilical. As alças 
intestinais não são recobertas (é a condição mais grave das 3) 
 
 
 
 
 
Intestino posterior 
Essa porção do tubo digestório primitivo será responsável pela formação: 
− 1/3 caudal do cólon transverso 
− Cólon descendente 
− Cólon sigmoide 
− Reto 
− 2/3 craniais do canal anal 
A partir da segmentação da cloaca, que é onde o intestino posterior 
termina, são formados os epitélios da bexiga urinífera e da uretra. 
 
Cronologia 
O intestino posterior tem um pequeno atraso de desenvolvimento em relação as outras duas partes. 
Enquanto os intestinos anterior e médio se desenvolvem entre a 5ª e a 8ª semana do desenvolvimento, 
o intestino posterior começara seu desenvolvimento após o retorno do intestino médio à cavidade 
peritoneal. Enquanto a hérnia umbilical estiver estabelecida, não ocorrerá o desenvolvimento do 
intestino posterior. 
CRESCIMENTO DO TUBO 
O crescimento do tubo digestório posterior ao retorno das alças intestinais será dividido em doisprocessos: 
1. Ao longo da 10ª sde, o segmento originado na porção pós-
arterial da alça mesentérica inicia um novo ciclo de extensão → 
projeção dessa alça, promovendo o crescimento em comprimento 
dessa estrutura 
2. Concomitantemente, o seguimento cranial do intestino 
posterior também inicia um ciclo de crescimento → crescimento do 
tubo, provocando um aumento dos segmentos transverso e 
descendente 
À medida que esse tubo cresce para a direita, o ceco e o apêndice vão 
sendo movimentados para baixo até alcançar a fossa ilíaca direita. O 
crescimento provoca uma lenta rotação de 180º, movimentando o 
ceco e o apêndice em direção à fossa ilíaca. Devido À limitação de espaço na cavidade, o crescimento do 
segmento posterior provoca a formação da flexura esplênica e a constituição anatômica do cólon 
sigmoide. O crescimento é concluído na 20ª semana do desenvolvimento. 
Quando não ocorre o crescimento da porção do cólon transverso, 
tem-se o ceco sub-hepático, que é a posição do ceco assim que ele 
retorna da hérnia fisiológica para a cavidade peritoneal. Se o 
processo não ocorrer, não haverá a formação do cólon transverso, 
vai ocorrer a formação do cólon descendente formando as flexuras, 
mas o lado direito não se desenvolverá e permanecerá vazio. Isso 
acontece porque quando há o retorno das alças intestinais, a porção 
do ceco vai se ligar a porção sub-hepática, ficando preso. Quando o 
crescimento começa e encontra resistência, ele cessa. Normalmente 
essa condição não é desabilitante. 
 
HÉRNIA DIAFRAGMÁTICA CONGÊNITA 
Defeito diafragmático com consequências sobre os sistemas respiratório e digestório. O crescimento do 
cólon transverso causa tracionamento do mesentério que se eleva através do buraco do diafragma, 
levando as vísceras abdominais. 
 
DOENÇA DE HISCHSPRUNG 
Anomalia dependente da não migração de células ganglionares (tem origem a partir das células da crista 
neural das regiões vagal e sacral) para o segmento retal. As regiões mais afetadas pela doença são o 
cólon sigmoide e a porção cranial do canal anal. Sem as células ganglionares não ocorre a formação dos 
plexos mioentérico e submucoso. São esses plexos que vão coordenar a peristalse. Nos segmentos onde 
o plexo é não funcional, não há a passagem do sinal da peristalse e o bolo fecal vai se acumulando. 
Principais sintomas: 
− Megacólon congênito 
− Distensão abdominal 
− Alto risco de enterocolite 
− Mal nutrição (em razão do alto acúmulo de toxinas) 
− Constipação severa e constante 
− Vômito bilioso 
− Inflamação da região do peritônio → dor e 
desconforto 
 
Se não for diagnosticado e tratado com rapidez, pode evoluir a óbito por conta da toxicidade que se 
acumula na cavidade peritoneal. 
 
 
 
CLOACA 
A luz do tubo intestinal termina numa ampola dilatada denominada 
cloaca. Em sua porção anterior, há a comunicação com o alantoide, que 
se estende anteriormente à porção caudal. Com o desenvolvimento dos 
rins, os ureteres se abrem para a porção anterior da cloaca. Então, a 
cloaca tem duas partes, uma fecal e outra urinária. 
 
Septação da cloaca 
A partir da 6ª semana, começa a ocorrer a proliferação da porção de 
mesênquima que está no teto da cloaca, formando uma massa. Essas 
massas de mesênquima se projetam em direção à luz da cloaca em 
direção ao proctodeu, deformando o endoderma do teto e nas laterais da cloaca, causando a formação 
de duas cristas. A fusão dessas duas cristas forma uma estrutura que separa o óstio urinífero e o óstio 
anal, essa massa de mesênquima forma o períneo (ou corpo perineal). 
O Septo urorretal cresce entre o alantoide e o intestino posterior em direção a membrana cloacal, 
quando ele alcança a membrana, ele dá origem ao corpo perineal, ao seio urogenital e o canal anorretal. 
 
Formação do canal anal 
A projeção do mesênquima ao redor da membrana cloacal projeta a membrana para a luz do canal anal 
→ proctodeu 
Depois que acontece a reabsorção da membrana cloacal, ocorre o surgimento do canal anal com duas 
origens (1/3 proctodeu - ectoderme + 2/3 intestino posterior – endoderme). Por ter dupla origem, o 
suprimento arterial e neural e a drenagem venosa e linfática são diferentes em cada segmento. 
 
 
 
 
 
 
 
1. Membrana cloacal ◼ → ectoderme 
2. Projeção de mesênquima ◼ → endoderme 
3. Reabsorção da membrana e formação do canal ◼ → mesoderme 
FIXAÇÃO DOS INTESTINOS 
Como consequência da rotação dorsoventral do estômago, o omento maior se expande formando duas 
camadas que recobrem o cólon transverso e o intestino delgado. O crescimento das alças intestinais e 
das glândulas anexas modifica o espaço na cavidade peritoneal. Duodeno, pâncreas, cólon ascendente e 
descente tornam-se retroperitoneais. 
Ficam livres e com motilidade na cavidade peritoneal. o estômago, o omento, as alças intestinais que 
estão presas ao mesentério e o cólon sigmoide que está preso ao mesocólon sigmoide, o restante das 
estruturas está preso à parede posterior do corpo. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Fígado, pâncreas e baço 
Basicamente, o fígado e o pâncreas vão se desenvolver a partir de brotamentos endodérmicos, mas o 
baço não. O baço não tem função no sistema digestório. 
 
FÍGADO 
Ao redor da 5ª semana do desenvolvimento, as células do 
coração secretam fatores (α-fetiproteína e albumina) que vão 
auxiliar na diferenciação de um pequeno segmento da 
endoderme (região hepática). A albumina e a α-fetoproteína 
vão servir de fatores indutores e a partir, principalmente da α-
fetoproteína, vai ocorrer a expressão de fatores de 
crescimento derivados de fibroblastos (FGF). Esses fatores 
vão induzir a proliferação da endoderme na região próxima ao 
coração passando a formar o broto (ou divertículo) hepático. 
O broto hepático será o responsável pelo desenvolvimento do 
parênquima hepático em geral (hepatócitos) 
 
Divertículo hepático 
A partir do processo de indução, ocorre a extensão da endoderme entre as lâminas do mesogástrio 
ventral na região de junção entre os intestinos anterior e médio. O crescimento do broto endodérmico 
(em direção à região anterior) distende o mesoderme esplâncnico, que acaba sendo empurrada para 
dentro do mesogástrio ventral, formando esse conjunto do divertículo hepático (o broto se torna 
recoberto por mesoderme). 
− Endoderme → hepatócitos 
− Mesoderme esplâncnica → estroma hepático (rico em 
fibroblastos, em GAGs, é um arcabouço para os cordões 
hepáticos) 
− Vasos sanguíneos vão ser originados do 
remodelamento das veias vitelínicas no sistema porta-
hepático → formam os capilares sinusoides 
 
O divertículo se estende em direção aos sinais cardiogênicos e inicia uma migração ântero-cranial (para 
frente e para cima). Desta forma, vai se aproximando da região das veias vitelínicas e vai se organizando 
ao redor dessa rede de tecidos. Durante essa migração, o fígado estabelece contato com as veias 
vitelínicas, iniciando a organização dos sinusoides e dos cordões hepáticos. À medida que o divertículo 
vai se estabelecendo, ele inicia ciclos de divisão dicotômica (forma os lobos hepáticos – direito e 
esquerdo), ampliando a rede de hepatócitos e adaptando a rede vascular. A lobulação hepática é reflexo 
tanto das divisões dicotômicas quanto da segmentação da rede vascular em dois grandes ramos, sendo 
um ramo derivado da veia vitelínica direita e o outro da veia vitelínica esquerda (quando essas duas 
estruturas se anastomosam abaixo do fígado formam o seio portal). A extensão dessa estrutura progride 
até encontrar o septo transverso (limitador da expansão ascendente), onde se estabelece a face 
diafragmática do fígado. 
Com o crescimento do fígado, o espaço começa ficar 
insuficiente, então ele começa um movimento à direita (as 
células começam a se dividir mais para o lado direito). 
Esse processo é o que provoca a primeira rotação do 
estômago. 
 
O fígado continua se desenvolvendo nesses ciclos de 
divisão e interação com a rede vascular até mais ou menos 
a 9ª semana do desenvolvimento embrionário. A partir da 
6ª semana, ogrande número de células tronco estromais 
que existe no mesênquima, que são transferidas junto 
com o fígado, vai começar a participar da hematopoiese 
(produção de células sanguíneas). O fígado assume o 
processo de hematopoiese a partir da 6ª até a 16ª sde, 
aproximadamente, quando é feita pela medula óssea 
vermelha de forma definitiva. 
A partir da 9ª semana, as células começam um processo 
de diferenciação e maturação, o que faz com que as células endodérmicas se transformem em 
hepatócitos. A partir dos hepatócitos começa a produção de bile (12ª sde) e sua secreção (13ª sde). Com 
isso, paralelamente aos cordões hepáticos, começa a formação dos ductos biliares, que vão se 
anastomosando e formarão um ducto que será responsável por conduzir a bile até a vesícula biliar. 
 
VESÍCULA BILIAR 
A vesícula biliar surge do segmento proximal do divertículo hepático. À medida que o divertículo se 
desenvolve, a vesícula ascende. A produção de bile se 
inicia na 12ª sde e sua secreção na 13ª sde, desta forma, 
aumentando o tamanho da vesícula biliar no período 
fetal. Tudo que era a endoderme inicial será 
transformado no ducto biliar. 
 
PÂNCREAS 
Na porção distal do divertículo hepático surge um novo 
brotamento, o broto pancreático ventral. Essas células 
acabam induzindo o endoderma contralateral (do 
outro lado do tubo) a formar o broto pancreático 
dorsal. Então: 
− Broto pancreático dorsal → surge diretamente 
da endoderme 
− Broto pancreático ventral → surge do 
divertículo hepático 
As rotações do estômago e o crescimento diferenciado 
das paredes duodenais movimentam o broto ventral 180. Desta forma, ocorre a fusão dos brotos 
pancreáticos, formando a região cabeça do pâncreas. O 
resto do corpo do pâncreas é produzido pelo broto 
dorsal. Então, o ducto principal do pâncreas é oriundo 
do broto dorsal. 
 
Histogênese pancreática 
A partir da 8ª semana, começa o surgimento de ácinos 
primitivos nos ductos pancreáticos primários para a 
secreção de enzimas pancreáticas. A partir da 
estrutura de ácidos formada primeiramente vai 
ocorrer um desprendimento de algumas células da 
borda que formam pequenos aglomerados celulares, 
formando as ilhotas pancreáticas (responsáveis pela 
produção de hormônios) 
− Ácinos pancreáticos → secreção de enzimas → pâncreas exócrino 
− Ilhotas pancreáticas → secreção de hormônios → pâncreas endócrino 
▪ Insulina (β) → 10ª semana 
▪ Glucagon (α) e somatostatina (δ) → 15ª semana 
 
Malformação → Pâncreas anular 
Não se sabe o mecanismo, mas ocorre formação de um broto ventral bífido. Com o crescimento dessas 
células, elas migram cada uma por um lado do intestino em direção ao broto dorsal, formando um colar 
pancreático envolvendo toda a circunferência do intestino primitivo. 
 
BAÇO 
O baço não tem origem endodérmica, ele se diferencia a partir de células mesenquimais localizadas no 
mesogástrio dorsal. As células serão induzidas a se diferenciar a partir da presença de vasos sanguíneos 
que infiltram o mesogástrio dorsal. A artéria esplênica divide o mesênquima em pequenos 
agrupamentos (blocos de células), o que dá uma aparência lobulada ao baço fetal. Conforme ocorre o 
aumento da perfusão sanguínea, a diferenciação de células produz uma matriz rica em GAGs que 
agregam água, fazendo com que o baço assuma sua conformação final, fazendo com que a lobulação 
desapareça 
 
MESOGÁSTRIOS E LIGAMENTOS 
Com a movimentação e desenvolvimento de órgãos, é encontrado no final do processo de 
desenvolvimento o surgimento de quatro ligamentos que são transformações dos mesogástrios dorsal 
e ventral: 
1. Ligamento esplenorrenal → porção do mesogástrio dorsal que fica entre o rim e o baço 
2. Ligamento gastroesplênico → porção do mesogástrio dorsal entre o baço e o estômago 
3. Ligamento hepatogástrico → porção do mesogástrio ventral entre o estômago e o fígado 
4. Ligamento falciforme → porção de mesoderma ventral entre o fígado e a parede anterior do 
corpo

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