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INÍCIO: contato entre o espermatozoide e o óvulo FIM: ativação do zigoto (quando ele é capaz de coordenar suas divisões celulares sozinho) ETAPAS DA FERTILIZAÇÃO 1. Ligação do espermatozoide à zona pelúcida 2. Reação do acrossomo 3. Penetração através da zona pelúcida 4. Fusão das membranas 5. Conteúdo citoplasmático do espermatozoide adentra o ovócito ALTERAÇÕES PÓS-EJACULATÓRIAS São alterações fisiológicas que tornam os espermatozoides mais funcionais − Capacitação ▪ Remoção dos fluidos seminais que recobrem os receptores na superfície da membrana ▪ Ocorre no útero (passagem) ▪ Processo que torna o espermatozoide capaz de fertilizar o óvulo ▪ Como → pH ácido da vagina – coagulação das proteínas seminais − Hiperativação ▪ Ocorre no oviduto (tuba) ▪ Ligação de peptídeos do líquido folicular aos receptores de membrana do espermatozoide – induz a abertura de canais de Ca+2 na peça intermediária ▪ Aumento da motilidade (movimentos lineares → não lineares – helicoidais) MITO: os espermatozoides não chegam a tuba “certa” por acaso, eles são guiados por substâncias químicas Como o espermatozoide encontra o ovócito? − Termotaxia → a diferença de temperatura entre o istmo e a ampola é de 2C (devido ao aumento da vascularização) − Quimiotaxia → o fluido folicular contém moléculas (secretadas pelo cumulus ooforo) que sensibilizam o sptz – “atraem” COMO OCORRE? ZONA PELÚCIDA + CORONA RADIATA → atrapalham a fecundação (são um envoltório espesso) − Espermatozoide → hialuronidase – desprende as células da corona radiata (desnuda o ovócito) − Receptores que reconhecem a zona pelúcida desencadeiam a liberação da vesícula acrossomal Glicoproteínas da zona pelúcida − ZP1 → estabilizadora − ZP2 → globular − ZP3 → globular/deflagradora do reconhecimento espermático Espermatozoide + ZP3 → entrada de íons cálcio na vesícula acrossomal → arrasto → fusão de membrana → liberação de enzimas (tripsinas e digestoras de glicoproteínas) Depois que ocorre a reação acrossomal, a cabeça do espermatozoide fica denudada, pronta para interagir com a membrana do ovócito OBS.: o ovócito ainda precisa terminar a meiose II antes da conclusão da fecundação! − Após a fusão das membranas, ocorre uma cascata de comunicação celular → ativação da fosfolipase C ▪ Inositol bifosfato → fosfolipase C → diacilglicerol + inositol trifosfato − DAG (translocação) → abertura de canais de Na+/H+ (entra sódio e sai hidrogênio) → aumento da alcalinidade → estimula a retomada da divisão celular − Inositol → abre canais de Ca+2 na membrana do REL FORMAÇÃO DOS PRÓ-NÚCLEOS − O pH alcalino causa a degradação das proteínas que mantém a cromatina em estado inativo (condensinas e coesinas) → causa a descondensação − Ocorre o pareamento dos cromossomos homólogos → permite a formação de um núcleo 2n MOVIMENTO DOS PRÓ-NÚCLEOS − O espermatozoide fornece o centríolo → se posiciona entre os pró-núcleo masculino e feminino − O fuso permite a migração dos pró-núcleos em direção um ao outro − SINGAMIA (fusão) → formação do ZIGOTO OBS.: a fecundação não significa sucesso → 30% de chance RESULTADOS DA FERTILIZAÇÃO 1. Restauração do número de cromossomos (2n = 46) 2. Variabilidade a. Herança biparental b. Crossing-over 3. Determinação cromossômica do sexo 4. Ativação do zigoto → controle das divisões celulares BLOQUEIO DA POLIESPERMIA Por que são necessários tantos espermatozoides se apenas um fecunda o ovócito? − O sistema reprodutor feminino representa um ambiente inóspito para os espermatozóides ▪ Passagem pelo ambiente ácido da vagina e muco espesso do cérvix (300 mi → 3 mi) ▪ Chegam na ampola 200 O bloqueio da poliespermia tem como função manter o número de cromossomos da espécie e ocorre após a fusão das membranas Bloqueio rápido → alteração do potencial de membrana (ativação da fosfolipase C) → repele os outros espermatozoides Bloqueio lento − Inositol → REL → onda de cálcio → liberação de grânulos que contém enzimas e moléculas hialinas → agregam água → formam uma pequena cobertura sobre os receptores de ZP3 → “escondem” a zona pelúcida do espermatozoide − É bastante duradouro (± 48 horas) PRIMEIRA SEMANA DO DESENVOLVIMENTO Zigoto → Blastocisto − É marcada por processos de sucessivas divisões celulares − A organização celular muda de unicelular para multicelular SINGAMIA: final da fertilização 1ª estratégia: coordenar as divisões celulares − Demora aproximadamente 8h para ocorrer a primeira divisão após a formação do zigoto (24h após a fusão dos gametas) CLIVAGEM Processo pelo qual se forma um novo indivíduo multicelular, começa ocorrer 24h após a singamia e termina quando o concepto atinge 64 células (BLASTOCISTO – após ± 5 dias) − O zigoto se divide SEM aumento de volume/tamanho − A cada divisão, o número de células aumenta e o tamanho diminui o Por quê? ▪ É consequência de ciclos celulares curtos sem fase de crescimento (G1 e G2) → o citoplasma do zigoto é dividido em porções menores a cada divisão − Durante a clivagem, as células do concepto são denominadas blastômeros Onde ocorre? Ao longo da tuba uterina → o concepto é transportado através dos movimentos tubários (peristalse e cílios) Resultado → embrião multicelular com células morfologicamente indiferenciadas BLASTOCISTO − É formado por 64 células − Possui uma grande cavidade preenchida por líquido − Arranjo funcionalmente dividido em duas populações de células: ▪ Mais externas → TROFOBLASTO ▪ Mais internas → EMBRIOBLASTO ▪ Cavidade → BLASTOCELE Por que é preciso separar assim? − Para garantir o processo de IMPLANTAÇÃO o O trofoblasto entra em contato com o endométrio materno o Início da relação entre as células da mãe e do embrião 1ª SEMANA As células do concepto se nutrem (por difusão) das secreções uterinas na qual estão imersas. Conforme o aumento exponencial do número de células, também aumentam as necessidades para o crescimento. − Nutrientes principais: O2, glicose e Na+ O concepto precisa se implantar no endométrio para garantir os nutrientes necessários para seguir o crescimento. OBS.: − 8 células → mórula − 64 células → blastocisto NECESSIDADES EMBRIONÁRIAS − Fazer trocas gasosas − Nutrição (macro e micronutrientes) são atendidas após a implantação − Água (evitar a desidratação) − Proteção contra choques mecânicos − Eliminação de excretas vão sendo atendidas conforme − Evitar o colabamento dos tecidos o embrião vai se desenvolvendo − Temperatura adequada OBS.: controle das divisões celulares = sucesso na implantação A implantação está relacionada com a continuidade do processo de gestação − Tecido uterino no final da 1ª semana: fase secretora/lútea (3ª semana do ciclo menstrual) o Aumento da concentração de estrogênio e progesterona (produzida pelo corpo lúteo) o Preparação do endométrio para a implantação → ocorrem alterações metabólicas, imunitárias e morfológicas REAÇÃO DECIDUAL A progesterona causa uma série de alterações 1. Células do estroma (tecido conjuntivo) → células deciduais (processo de epitelização) ▪ Tornam-se ricas em glicogênio e lipídios (moléculas de reserva) ▪ Glicocálix → polissacarídeos sulfatados (importantes no processo de reconhecimento do embrião) ▪ Surgem junções adesivas entre as células (características do tecido epitelial) Por que tantas alterações? Essa alterações são uma preparação para a implantação IMPLANTAÇÃO: processo lento de reconhecimento e invasão dos tecidos maternos pelo embrião − É mediada pelas células do trofoblasto ETAPAS 1. Hatching (ou eclosão) A zona pelúcida bloqueia as interações entre as integrinas do concepto e o glicocálix do endométrio, então há a necessidade de degradá-la ou se desligar dela a) As células do trofoblasto bombeiam Na+ para o blastocele b) Ocorre a entrada de água, causando um aumentona pressão no blastocele c) Ocorre um aumento de volume que ocasiona um aumento da tensão na zona pelúcida d) Secreção de proteases → tornam a zona pelúcida frágil e porosa e) Ocorre então o rompimento e subsequente desligamento da zona pelúcida do blastocisto f) As moléculas de reconhecimento ficam livres 2. Implantação inicial A superfície do endométrio possui L-selectinas que vão interagir com o glicocálix do endométrio materno (rico em polissacarídeos sulfatados) Sequência da implantação − Hatching → apposition → adhesion → invasion 3. Adesão Em resposta à ligação ao endométrio, as células do trofoblasto secretam proteases (colagenase, estromelisina, ativador de plasminogênio) que digerem a matriz extracelular do endométrio, visando alcançar uma região rica em vasos. Ocorre então a penetração na região decidual. 4. Invasão Então, as células do trofoblasto começam a se proliferam e formam prolongamentos digitiformes que ampliam a capacidade invasiva → trofoblasto mitoticamente ativo (sem citocinese) − Ocorre a formação do sincício → vários núcleos sem individualização das células O trofoblasto é dividido em duas regiões: 1. Região que invade → sinciciotrofoblasto 2. Trofoblasto original → citotrofoblasto As integrinas do trofoblasto se ligam à MEC da camada funcional do endométrio → progresso da invasão embrionária. BLOQUEIO IMUNITÁRIO DA REAÇÃO DECIDUAL − Próximo ao sinciciotrofoblasto ocorre a digestão das células deciduais, o que colabora na nutrição do embrião − Ocorre a formação de desmossomos o redor do concepto → barreira mecânica para evitar a rejeição JANELA DE IMPLANTAÇÃO: período que o embrião leva para sair da luz do útero e alcançar o espaço do compartimento mesenquimal/estromal − Dura em torno de 6 dias (vai do 6º ao 12º dia após a fertilização, aproximadamente) Após a ocorrência da implantação, o embrião começa a secretar B-HCG (gonadotrofina coriônica), que induz o processo de estimulação secundária do corpo lúteo, ocasionando aumento na concentração de progesterona, o que evita a degradação do endométrio. − O B-HCG tem que ser produzido antes do 25º dia do ciclo menstrual materno (+/- final da 2ª semana de gestação) → ocorrem os primeiros sintomas da gravidez (enjoo, aumento do apetite, etc.) − O pico da produção embrionária se dá no 2º mês de gestação − Após o 2º mês, a placenta mantém os níveis de progesterona até o dia do parto, quando ocorre uma queda brusca. FINAL DA 2ª SEMANA − O embrião tem que estar completamente implantado − Pode ocorrer sangramento devido ao encontro de vasos sanguíneos pelo embrião − Já ocorre a detecção de B-HCG em exames IMPLANTAÇÕES ECTÓPICAS São implantações que ocorrem fora do local adequado, são sempre ao redor do trato reprodutor da mulher. − Mais frequentes: tubárias e ovarianas As implantações ectópicas podem seguir por um tempo, no entanto, não silenciam o processo de rejeição, ocorrendo então dores abdominais, febre, etc. CAUSAS − Oclusão da luz da tuba uterina − Tortuosidade tubária (causa por infecções abdominais) − Síndrome dos cílios imóveis (pode ser por causa do tratamento para artrite reumatoide, quimioterapia, entre outros fatores) − Peristaltismo reverso (causa as implantações ovarianas e intramurais) IMPLANTAÇÃO SECUNDÁRIA − Acontece entre a segunda à quarta semana do desenvolvimento. Ocorre durante o processo de invasão dos tecidos maternos. Durante a invasão embrionária, muitas células deciduais degeneram e colaboram para a nutrição do embrião → PRIMEIRAS TROCAS MATERNO-FETAIS Objetivo da progressão da invasão: alcançar os vasos maternos para obtenção eficiente de oxigênio e nutrientes → FORMAÇÃO DAS LACUNAS MATERNO-FETAIS Lacunas materno-fetais → centro organizador para a estrutura da placenta − Espaços cavitários no sinciciotrofoblasto preenchidos por sangue da mãe − A evolução do sinciciotrofoblasto degrada as tênues paredes dos vasos sanguíneos da decídua − O fluxo materno impulsiona o sangue pare estes espaços onde correm, POR DIFUSÂO, as trocas gasosas e metabólicas → esse processo se mantém até o início da estruturação da placenta (demora em torno de 2 a 3 semanas – vai se tornando mais amplo e complexo com o passar dos dias – só se estabelece depois da circulação embrionária – 4ª sde) − Fonte de nutrientes renovável (não finita) − À medida que aumenta o suprimento de sangue, aumenta também consideravelmente o aporte de oxigênio para os tecidos da primeira frente de migração → CITOTROFOBLATO E MESODERMA EXTRAEMBRIONÁRIO − À medida que essas células do mesoderma extraembrionário começam a ter carência de alguns nutrientes, elas começam a entrar em apoptose em quase toda a cavidade exceto na região do pedículo (região mais concentrada), entorno do córion e na borda do embrião propriamente dito. − A proliferação é espacialmente dirigida → tanto o citotrofoblasto quanto o mesoderma extraembrionário progridem em direção ao sincício formando espículas (projeções digitiformes) − Projeção de citotrofoblasto + sincício + mesoderma extraembrionária → VILOSIDADE CORIÔNICA → progressões dos tecidos embrionários em direção ao sinciciotrofoblasto − As vilosidades coriônicas são fundamentais para a formação da parte fetal da placenta Obs.: PLACENTA → porção fetal + porção materna − Porção fetal → aumento da complexidade das vilosidades coriônicas − Porção materna → decídua Classificação das vilosidades coriônicas − Primárias → se forma a partir da 2ª sde → 2 tecidos – cito e sinciciotrofoblasto − Secundárias → 3ª sde → 3 tecidos – cito e sinciciotrofoblasto + mesoderma extraembrionário − Terciárias → 4ª sde → secundária + vasos sanguíneos embrionários (dentro do mesoderma extraembrionário) → sistema otimizado de transferência (aporte grande de nutrientes distribuídos a partir de uma rede circulatória) A partir da 4ª sde existe um arranjo necessário para as trocas fisiológicas entre o embrião e a mãe (sistema circulatório rudimentar) → início formação da placenta Maior exigência metabólica → vilosidades mais complexas − Reorganização do córion pelo aumento da complexidade das vilosidades e o crescimento embrionário − As vilosidades coriônicas cobrem todo o saco coriônico até o início da 8ª semana − As vilosidades se tornam ramificadas e mais elaboradas na área circunvizinha ao PÉDICULO DO EMBRIÃO Região de contato entre as VILOSIDADES CORIÔNICAS e A DECÍDUA BASAL → PLACENTA Os anexos embrionários (ou membranas fetais) são estruturas membranosas extraembrionárias que estão relacionadas fisicamente ao embrião, não fazem parte do disco embrionário bilaminar − Formam-se pela diferenciação de células do embrioblasto, a partir da metade da segunda semana do desenvolvimento (fazem parte do sistema gestacional) − Participam de diversas funções no atendimento das necessidades do embrião Necessidades embrionárias − Trocas gasosas − Nutrição − Hidratação (água) − Proteção contra choques mecânicos − Eliminação de excretas − Evitar o colabamento dos tecidos − Temperatura adequada Enquanto a implantação progride, o embrioblasto vai se modificando → as células se polarizam → começam a se organizar em um disco embrionário bilaminar (2 camadas: epiblasto e hipoblasto) − Surgimento de uma nova cavidade Anexos embrionários (disco embrionário bilaminar) − Saco amniótico → bolsa de líquido → manter a hidratação e absorção de choques − Vesícula umbilical (saco vitelínico) → vesícula com líquidos do blastocele → formação do intestino, guardar células primordiais (gametas) e eritropoiese (não participa da nutrição do embrião) − Alantoide → acúmulo de excretas nitrogenadas → não tem função → participa da formação de ligamentos e da movimentação das células germinativas − Córion (mesoderma extraembrionária) → porção fetal da placenta Âmnio Córion Blastocele Amnioblastos Cavidade amnióticaEpiblasto Hipoblasto Vesícula umbilical Trofoblasto * 3 folhetos Obs.: www.devbio.com → Development Biology – Scott Gilbert ÂMNIO E LÍQUIDO AMNIÓTICO − LÍQUIDO AMNIÓTICO ▪ Semelhante ao fluido dos tecidos fetais (líquido intersticial dos tecidos) Disco embrionário bilaminar http://www.devbio.com/ ▪ Determinante do crescimento e desenvolvimento do embrião → possibilita a hidratação e desenvolvimento equânime ▪ O feto deglute e aspira o fluido → preenchimento visceral → evita o colabamento, principalmente durante os eventos de dobramentos embrionários ▪ Participa da homeostase de líquidos e controle de temperatura ▪ Livre movimentação do embrião no líquido → desenvolvimento equilibrado e membros livres para correta extensão e rotações ▪ Absorção de impactos e choques mecânicos − ÂMNIO → membrana delgada e firme ▪ Se adere ao cordão umbilical → evita o extravasamento do líquido amniótico ▪ Todo preenchido pelo líquido amniótico ▪ Não tem função no desenvolvimento Formação do líquido amniótico − Secreção pelos amnioblastos entre a 2ª e 4ª semana − Entre a 4ª e a 10ª sde: fluidos maternos (basicamente água e eletrólitos) são drenados através da placenta e aumentam rapidamente o volume de líquido − Os tecidos fetais participam da incorporação de líquidos a partir da 9ª semana de desenvolvimento pela transferência pela pele (até a queratinização – 6º mês), urina (início da produção do filtrado gromerular) e secreções ▪ 10 semanas → 30 mL ▪ 20 semanas → 350 mL (já preenche toda a cavidade coriônica) ▪ 38 semanas → 700-1000 mL (a partir da 36ª semana, o valor máximo pode diminuir por causa da absorção de água → coleções granulares (precipitados proteicos) → mostra no US que a gestação está evoluindo para o trabalho de parto → indicam a maturação do líquido amniótico Medicina diagnóstica: amniocentese − Detecção de espinha bífida, maturidade dos pulmões e síndrome de Down Bandas amnióticas → mal-formação onde dentro do âmnio se formam agregados de proteínas bastante rígidos e inelásticos (causa desconhecida) → durante os movimentos embrionários, as bandas podem aértar dedos, membros e outras partes do corpo, chegando a amputar. VESÍCULA UMBILICAL (ou saco vitelínico) − Surge do revestimento do blastocele pelas células do hipoblasto − Até o início da 4ª sde é ampla, mas os dobramentos comprimem as paredes e modificam a sua forma − 5 semanas → saco vitelino grande − 10 semanas → resquício piriforme ligado ao intestino − 20 semanas → muito pequena e de difícil visualização − É preenchido por um fluido que NÃO tem função nutritiva FUNÇÕES − Eritropoiese da 4ª a 6ª semana de desenvolvimento (função primária) – a partir da 6ª semana, o fígado assume essa função − Formação do intestino primitivo através da incorporação das paredes durante o dobramento − Origem e manutenção das células germinativas primordiais (células que darão origem às gônias) até a 6ª sde − NÃO PARTICIPA DA NUTRIÇÃO DO EMBRIÃO! ALANTOIDE − Anexo transitório − Pequeno divertículo do endoderma da vesícula umbilical − Se projeta para o pedículo do embrião para formar os cordões hemangiogênicos que darão origem aos vasos umbilicais (carrega um tecido que é favorável à formação de vasos sanguíneos) − Mais tarde, em torno da 8ª sde, participada formação de parte da bexiga urinífera (parte dele vai ser incorporado nas paredes anteriores) CÓRION − É o tecido responsável pela parte fetal da placenta − Surge da proliferação e reabsorção do mesoderma extraembrionário → a proliferação do mesoderma extraembrionário provoca a expansão do trofoblasto, formando a cavidade coriônica − Cavidade coriônica → tem como objetivo permitir que o embrião se dobre − Delimita a cavidade coriônica − Permite a formação de uma rede de vasos coriônicos MESODERMA EXTRAEMBRIONÁRIO − Revestimento do blastocele pelas células do hipoblasto → membrana exocelômica (1A) − Uma vez formada a vesícula umbilical primária, células da membrana exocelômica (4) e do citotrofoblasto (6) se PROLIFERAM (3B) − O tecido oriundo desta proliferação dá origem ao mesoderma extraembrionário (5C) − A reabsorção da maior parte de mesoderma extraembrionário faz surgir a cavidade coriônica (2D) → formação do saco gestacional − Importância da manutenção desse tecido nas bordas do córion → formação da placenta (mesoderma extraembrionário + citotrofoblasto) GASTRULAÇÃO - folhetos embrionários e seus derivados - As células do embrioblasto se reorganizam formando o disco embrionário bilaminar e anexos embrionários − Disco embrionário (início da 3ª semana) → bilaminar (epiblasto e hipoblasto) ▪ Epiblasto → âmnio e embrião ▪ Hipoblasto → vesícula umbilical A partir do pedículo do embrião, ocorrerá um grande aporte de oxigênio no sistema, o possibilita a formação da linha primitiva – região de alta proliferação celular − Evento de proliferação e ingressão (projeção de células recém produzidas para o espaço abaixo do epiblasto) → GASTRULAÇÃO (não é o único evento da 3 sde) FOLHETOS EMBRIONÁRIOS Os três folhetos embrionários derivam do epiblasto a partir da gastrulação 1. Ectoderme 2. Mesoderme 3. Endoderme Quando tem início a gastrulação? No início da 3ª semana, ocorre o surgimento de das cristas germinativas, que provocam o surgimento da região da linha primitiva (faixa opaca e bem adensada na extremidade caudal e dorsal do embrião – dorso-caudal – intensa proliferação celular) − A migração das células para baixo da linha primitiva (ingressão) forma a endoderme e a mesoderme − Células do EPIBLASTO proliferam, migram e substituem o HIPOBLASTO, formando a ENDODERME (as células do endoderma se intercalam com as do hipoblasto levando à apoptose destas – o hipoblasto é completamente substituído pela endoderme) − Uma segunda onda de células migra e se deposita entre os dois folhetos: MESODERME − O ECTODERME não passa por nenhum processo de proliferação, são as células do epiblasto que não se movimento, modificam e permanecem no tecido de origem. Com a gastrulação, surgem outras estruturas que são importantes para coordenar a movimentação correta do embrião na etapa dos dobramentos e funcionarão como centros organizadores das extremidades embrionárias. São elas: − Membrana bucofaríngea (ecto+endo) − Membrana cloacal (ecto+endo) Obs.: não existe infiltração da mesoderme nessas regiões Estas estruturas determinam a organização das extremidades do embrião e os planos céfalo-caudal e dorso ventral Além da formação dos três folhetos, a gastrulação é o gatilho par uma sequência coordenada de eventos que caracterizam a 3ª semana do desenvolvimento: 1. Gastrulação (primeiro evento da 3ª sde) 2. Formação da notocorda 3. Formação do tubo neural 4. Desenvolvimento inicial do sistema cardiovascular 5. Desenvolvimento dos somitos FORMAÇÃO DA NOTOCORDA A notocorda é a primeira estrutura indutora do embrião. É uma estrutura de sustentação e determina o eixo céfalo-caudal. − É uma massa celular densa em forma de bastão − A partir do nó primitivo se estende uma faixa de tecido que vai para a “frente” → caracterizam a notocorda − A notocorda endente-se em direção à membrana bucofaríngea, à medida que o embrião se alonga no sentido anteroposterior − A região caudal não sofre influência da notocorda − A notocorda é responsável pela determinação dos eixos anteroposterior e médio-lateral − Induz a formação do TUBO NEURAL e diferenciação da NEUROECTODERME − Induz a segmentação da mesoderme Concluída a formação da notocorda e da mesoderme, a linha primitiva perde a função, a proliferação celular cessa e a linha primitiva desaparece. CASO CLÍNICO Teratoma sacrococcígeo → as células da linha primitiva não param de se dividir e não morrem. − Neoplasia decorrente da manutenção das células da linha primitiva − Tumor benigno, pode ter diferente dimensões e sempre estápresente na região sacrococcígeo − Pode-se encontrar dentro do tumor, células mesenquimais, tecido conjuntivo, dentes, pelos, ósseos e/ou fragmentos musculares (as células da linha primitiva são indiferenciadas e podem dar origem a muitos tipos celulares diferentes) NEURULAÇÃO À medida que a notocorda se estende, ela secreta fatores (fatores notocordais) que agem em cima dela na ectoderme. Isso faz com que surja uma faixa em cima que é molecularmente e morfologicamente das estruturas adjacentes → PLACA NEURAL − Conforme a notocorda se estende, também aumenta a placa neural (na direção cefálica) − A placa neural vai se dobrar e dá origem ao tubo neural − Começa no 18º dia e vai até o 25º dia de desenvolvimento Epiderme Fatores notocordais Ectoderme Neuroectoderme (placa neural) Tubo neural SNC Crista neural SNP e outros PLACA, TUBO E CRISTA NEURAL − Muitos defeitos de tubo neural surgem da falta de comunicação entre a notocorda e a neuroectoderme SEGMENTAÇÃO DA MESODERME − É mediada pela notocorda e pelo tubo neural − Se divide em três regiões distintas ▪ Mesoderme paraxial (somitos) → próxima do tubo neural e da notocorda ▪ Mesoderme intermediária → entre a paraxial e a lateral ▪ Mesoderme lateral → na borda do corpo do embrião e separada pelo celoma A segmentação é necessária para a separação de uma população de células – os somitos – que terão um destino específico para a formação de algumas estruturas entre 5ª e a 7ª semana, além da necessidade da criação de um espaço vazio entre os dois folhetos – celoma embrionário − Celoma → cavidade que vai separar a mesoderme em 3 camadas com o propósito de criar cavidades para o desenvolvimento de órgãos (cavidades corporais) e possibilitar o dobramento do embrião 2º processo de indução → fragmentação da mesoderme paraxial em blocos celulares → somitos que darão origem às vertebras, aos músculos esqueléticos e derme. A somitogênese ocorre no sentido cefálico-caudal (é mediada principalmente pelo tubo neural) DESTINO DA NOTOCORDA 4ª sde → indução da formação dos corpos vertebrais 6ª sde → início da degradação ao longo do corpo do embrião, exceto no núcleo pulposo de cada disco intervertebral CASO CLÍNICO → Cordoma As células remanescentes da notocorda não se diferenciam em células secretoras de matriz e permanecem com atividade notocordal (tecido embrionário com característica proliferativa) se proliferam e dão origem a tumores ao longo de todo sistema nervoso central (cavidade cefálica ou canal medular). É um tumor benigno que pressiona as estruturas, provocando dor e perda de algumas funções. Ao final da 3ª semana... O embrião contém os três folhetos embrionários, notocorda, placa neural e vasos primitivos. − São eventos da quarta semana de desenvolvimento embrionário. Embrião discoidal → embrião cilíndrico Os dobramentos (ou curvaturas) do embrião são movimentações de estruturas de referência, induzidas pelo crescimento (rápido) dos folhetos. Esses dobramentos resultam no reposicionamento e ventralização de estruturas craniais, dorsais e caudais − Estruturas de referência: membranas bucofaríngea e cloacal, área cardiogênica, septo transverso e pedículo do embrião. ▪ Estruturas craniais: septo transverso e área cardiogênica ▪ Estruturas dorsais: membrana bucofaríngea e placa neural ▪ Estruturas caudais: membrana cloacal e pedículo do embrião − Principal consequência: mudança drástica na forma do embrião Como consequência dessa mudança de forma do embrião, há mudanças nos planos corporais: estruturas que eram dorsais passam a ser anteriores (membrana bucofaríngea), craniais passam a ser mediais (área cardiogênica), caudais passam a ser posteriores. Ao final da 3ª semana, o embrião contém os 3 folhetos, notocorda, placa neural e vasos primitivos. A partir do início da quarta semana, o embrião se dobra em dois sentidos de forma simultânea, porém o resultado é sempre o mesmo: ventralização das bordas DOBRAMENTO LONGITUDINAL − Ocorre no sentido craniocaudal − O rápido crescimento do disco no eixo longitudinal provoca o arqueamento das extremidades − As estruturas das extremidades cefálica e caudal movimentam-se em direção à vesícula umbilical − Ventralização: ▪ Área cardiogênica ▪ Septo transverso ▪ Membrana bucofaríngea ▪ Membrana cloacal ▪ Pedículo do embrião EXTREMIDADE CEFÁLICA − A parte cefálica do tubo neural cresce anteriormente, projetando-se sobre a membrana bucofaríngea − O crescimento do encéfalo empurra o coração em desenvolvimento e o septo transverso no sentido ventro-medial − A membrana bucofaríngea se torna anterior e será o centro organizador da boca − Quando a área cardiogênica se movimenta para o futuro mediastino, parte do endoderma da vesícula umbilical é incorporado ao embrião, originando o intestino anterior. A prega cefálica se projeta para baixo formando o prosencéfalo, primeira estrutura que vai determinar a formação da cabeça do embrião 1. Pregas cefálicas 4. Celoma pericárdico 7. Borda do âmmio 2. Notocorda 5. Coração primitivo 8. Luz do intestino anterior 3. Tubo neural 6. Membrana bucofaríngea 9. Septo transverso EXTREMIDADE CAUDAL − A parte caudal do tubo neural se entende em direção ao pedículo, empurrando a membrana cloacal para baixo e para o meio (neurulação secundária) − A movimentação da membrana cloacal traciona o pedículo e modifica sua posição, obrigando-o a se estender também (força o pedículo para a posição do cordão umbilical). Essa movimentação do pedículo é importante para aproximar o pedículo do embrião da área cardiogênica. − Parte do endoderma da vesícula umbilical é incorporado ao embrião, originando o intestino posterior − A membrana cloacal é o centro organizador do ânus Obs.: O dobramento longitudinal provoca a expansão do âmnio e a constrição da vesícula umbilical. Também causa o alongamento do pedículo do embrião. CELOMA EMBRIONÁRIO (intraembrionário) Também durante a 4ª sde, a mesoderma lateral e da área cardiogênica é dividida em duas camadas. O espaço entre as lâminas forma o CELOMA EMBRIONÁRIO. A lâmina de mesoderma que está ancorada à ectoderme formará a SOMATOPLEURA (ou mesoderma somática). Já a que está ancorada à endoderme formará a ESPANCNOPLEURA (ou mesoderma esplâncnica) Como a delaminação do mesoderma ocorre em direção à área cardiogênica, o celoma embrionário assume a forma de ferradura, suas duas extremidades no mesoderma lateral se comunicam com a cavidade coriônica. 1. Notocorda 4. Linha primitica 7. Alantoide 2. Tubo neural (caudal) 5. Endoderme 8. Pedículo do embrião 3. Saco amniótico 6. Membrana cloacal 9. Luz do intestino posterior DOBRAMENTO LATERAL Durante a 4ª semana, os somitos formados no final da 3ª sde se desagregam e as células dos somitos migram rapidamente para as bordas da placa somática − O desenvolvimento da medula espinhal também contribui para a ampliação da porção medial do embrião − A placa somática cresce mais rápido do que a placa esplâncnica, causando o dobramento PLANO MEDIAL − As bordas da placa somática se alongam e começam a se dobrar no sentido ventral − Esse movimento ajuda na compressão das paredes laterais da vesícula umbilical − Tal compressão provoca o dobramento do endoderma de forma distinta nos seguimentos anterior médio e posterior do intestino primitivo − A comunicação entre a vesícula umbilical e o intestino se mantém (a constrição não é completa) → ducto onfaloentérico Com todas as estruturas no lugar, começa a organogênese (período que caracteriza o desenvolvimento embrionário – 4 semanas finais) → os folhetos se transformam em tecidos, tecidos em órgãos, etc. Definição: estrutura transitória composta responsável por trocas metabólicas, secreção de hormônios e síntese de moléculas nutridoras A placenta é compostapor duas porções: materna e fetal DECÍDUA – PORÇÃO MATERNA − Preparo endometrial em resposta à PROGESTERONA, ocorre em toda a extensão do útero. − O concepto irá encontrar tecido favorável ao desenvolvimento em toda cavidade uterina → DECÍDUA − Nessa porção materna é encontrada a relação direta entre o embrião e os tecidos coriônico para o estabelecimento da placenta Classificação decidual Classificação feita apenas do ponto de vista anatômico, as três porções são funcionalmente e morfologicamente iguais − Decídua basal → local direto de interação entre o sinciciotrofoblasto e o endométrio (onde o embrião se implanta → o sincício destrói e penetra o tecido materno) → Aumenta conforme a progressão da gestação − Decídua capsular → porção da decídua que reveste a porção abembrionária da cavidade coriônica, separa o concepto da cavidade uterina (polo oposto ao polo embrionário) → endométrio reconstituído − Decídua parietal → endométrio gravídico que não tem contato com o embrião (restante da cavidade uterina que não estabeleceu relação direta com o embrião) CÓRION – PORÇÃO FETAL − As vilosidades coriônicas se estendem e se desenvolvem recobrindo todo o saco coriônico − O contato com os tecidos maternos faz com que se ramifiquem, invadam e se encrustem nos tecidos da mãe A placenta se constitui na região de contato entre a decídua basal (tecido materno) e o córion (parte fetal) (colocar imagem) − Toda a rede vascular que está presente dentro do vilo coriônico está anastomosado com os vasos da parede coriônica, que por sua vez se anastomosam e progridem para a região do cordão umbilical − Há contato direto entre os ambientes maternos e fetais para que ocorram as trocas (interação entre os tecidos) − Para que aconteça a regulação das funções entre as funções nutritivas e hormonais, é preciso que ocorra a interação. A placenta precisa produzir/acumular moléculas (parte materna) que vão ser transferidas para o embrião e desencadearão processos proliferativos ou ainda a sensibilização hormonal de alguns tecidos EVOLUÇÃO PLACENTÁRIA A progressão do córion e o aumento da complexidade das vilosidades coriônicas ampliam a placenta em área e espessura (da 4ª a 18ª sde) → aumenta a capacidade de trocas metabólicas Na 18ª semana, é alcançada as principais características da placenta Placenta em números A termo: − Recobre de 15 a 30% da decídua − Tem aproximadamente 1/6 do peso do feto (400-500g) − Diâmetro = 25cm e espessura = 2,5 – 3 cm (o aumento do diâmetro se dá pela proliferação do número de vilosidades enquanto a espessura se dá pelo tamanho destas) SEPTOS E COTILÉDONES − Cotilédones → arranjos de vilos coriônicos encerrados numa porção da placenta que está delimitada por uma pequena capa de mesoderme extraembrionária e uma capa de citotrofoblasto → associação de vilos − Septos → estruturas que ficam entre dois cotilédones → caracterizados por uma grande massa de sinciciotrofoblasto (espaço interviloso) Após algum tempo, as vilosidades coriônicas desaparecerão da maior parte do córion, formando o córion liso (porção oposta da placenta), onde permanecem as vilosidades denomina-se córion viloso (placenta) ANATOMIA PLACENTÁRIA Capa de mesoderme extraembrionária Vilosidades coriônicas Camada decidual Septos do tecido conjuntivo materno Placa basal → cito + sincício → revestimento que cria uma membrana separando os tecidos fetais dos maternos Obs.: a formação de desmossomos ocorre na parte externa da camada decidual, formando uma barreira mecânica − O sangue materno vem pela artéria uterina, alcança a artéria espiralada e vaza para o espaço entre a vilosidade coriônica, é nesse momento que ocorrem as trocas. Das vilosidades, o sangue segue pela veia umbilical e chega no embrião − 2 artérias umbilicais trazem sangue pobre em O2 para a placenta e uma veia umbilical leva sangue rico em os para o embrião − A circulação materna é aberta, o sangue é livre nos espaços cotiledonários − A circulação fetal é fechada − O sangue volta para rede vascular materna através de pressão negativa MEMBRANA PLACENTÁRIA – BARREIRA HEMATO-PLACENTÁRIA − Conjunto de células que estão associadas entre si − É através dessas células que todos os componentes que chegarão até o feto devem passar FUNÇÕES DA PLACENTA − Trocas metabólicas e nutrição − Função endócrina − Bloqueio da rejeição CIRCULAÇÃO PLACENTÁRIA Ao final da 4ª sde, a rede circulatória embrio-placentária já está estabelecida. − O arranjo é caracterizado pela presença de alguns vasos do embrião: aortas dorsais, veias cardinais, artérias e veias vitelínicas, veia umbilical, artérias umbilicais − Essa rede que se forma está em comunicação com as artérias umbilicais − As aa. umbilicais se anastomosam com os vasos do cordão umbilical (que foram produzidos pela vasculogênese do alantoide) − Os vasos umbilicais se anastomosam com a rede coriônica (que está em continuidade com a rede vascular dos vilos coriônicos) O que é encontrado: − Vasos do embrião anastomosados aos vasos umbilicais − Vasos umbilicais anastomosados aos vasos coriônicos − O arranjo anatômico necessário para as trocas fisiológicas (materno-fetais) se estabelece na 4ª sde CIRCULAÇÂO MATERNA (PARTE MATERNA DA PLACENTA) 1. O sangue materno vem das artérias uterinas para as artérias espiraladas (endométrio) 2. Das artérias espiraladas, o sangue vaza para o espaço interviloso/intercotiledonário (o sangue é impelido em jatos pela pressão sanguínea materna) 3. O sangue então flui em torno das vilosidades coriônicas, possibilitando as trocas metabólicas 4. O sangue então retorna por pressão negativa às veias endometriais e então volta para a circulação materna CIRCULAÇÃO DA PARTE FETAL 1. Sangue pouco oxigenado do feto vai para a placenta pelas artérias umbilicais 2. O sangue se espalha pelas artérias coriônicas nas ramificações das vilosidades coriônicas 3. O sangue fetal alcança a membrana placentária 4. Ocorrem as trocas de nutrientes e rápida difusão do oxigênio 5. Sangue oxigenado retorna para o feto através da veia umbilical TROCAS METABÓLICAS E NUTRIÇÃO − Chegada de grande quantidade de sangue vinda do feto pelas artérias umbilicais e alcança as ramificações dos vilos coriônicos → pobre em oxigênio e nutrientes/ grande quantidade de co2 e metabólitos − Sangue da mãe → altamente oxigenado e rico em nutrientes − Ocorre a difusão facilitada na região de proximidade entre estruturas embrionárias e o sangue da mãe → vilo coriônico − O sangue volta para o embrião através da veia umbilical agora rico em oxigênio e nutrientes − Papel fundamental da absorção: citotrofoblasto (primeiro trimestre) → caracterizam a porção ativa e seletora da membrana placentária, fisiologicamente funcionam como enterócitos (fazer relação entre fármacos e gestação → se a droga é absorvida pelo intestino, muito provavelmente é absorvida pelo citotrofoblasto) − Essa membrana não é 100% seletiva, algumas coisas prejudiciais conseguem passar, como alguns vírus − Ocorrem endocitose de fase líquida e sólida, além da presença de transportadores para transporte facilitado na membrana do citotrofoblasto o Mãe → feto: ▪ Oxigênio ▪ Água e eletrólitos ▪ Nutrientes ▪ Hormônios ▪ Anticorpos ▪ Drogas → álcool, mercúrio, moléculas pequenas e lipossolúveis em geral ▪ Patógenos → rubéola, citomegalovírus, toxoplasmose (protozoário) ▪ Vitaminas o Feto → mãe ▪ CO2 ▪ Água e ureia ▪ Metabólitos → ácido úrico, bilirrubina ▪ Hormônios fetais − Não atravessam a barreira: bactérias, heparina, IgM, IgS FUNÇÃO ENDÓCRINA O gatilho para a manutenção da gestação é a presença do β-HCG, que age sobre o corpo lúteo, que continua produzindo a progesterona e o estrogênio. O β-HCG é um hormônio embrionário, ou seja, só encontrado quando há a presença de um embrião. Quem secreta: trofoblasto A progesteronacontinua aumentando até a 38ª semana, quando começa a decair, o que é um indicativo do trabalho de parto − Imprinting hormonal → manutenção da viabilidade do corpo lúteo para secreção de progesterona até que a placenta se estabeleça como órgão endócrino − Ocorre a transferência gradual do controle hormonal do corpo lúteo para a placenta − Quando há uma quantidade superior de progesterona maior do que a corpo lúteo consegue produzir, o corpo lúteo começa a regredir e o controle hormonal fica exclusivamente da placenta − Abortamentos espontâneos entre a 6ª e 10ª semana estão ligados à falência precoce do corpo lúteo − Abortamentos espontâneos após a 10ª semana → morte fetal ou problemas de produção de progesterona pela placenta HORMÔNIOS PLACENTÁRIOS − β-HCG → mantém o corpo lúteo − Progesterona → mantém o revestimento uterino, inibe contrações uterinas. − Estrogênio → mantém o revestimento uterino, estimula as glândulas mamárias − Lactogênio placental → estimula as glândulas mamárias e a síntese de prolactina, além de ser um hormônio anabólico para o feto (fornece energia) − Paratormônio placentário → aumenta a concentração do Ca+2 no sangue − Relaxina → produzida mais perto do parto, trabalha sobre a flexibilização e elasticidade do cérvix uterino e da sínfise púbica (aumenta a concentração de GAGs, que “carregam” água e deixam a fibrocartilagem mais mole para a distensão do canal de parto) − Hormônio liberador de corticotrofina → aumenta a taxa de batimentos cardíacos, a pressão sanguínea, a concentração sanguínea de glicose e estimula o parto (hormônio de estresse) A produção de estrogênio e progesterona estimulam a produção de dois hormônios na neurohipófise no final da gestação: prolactina e ocitocina MODULAÇÃO DA RESPOSTA IMUNITÁRIA A placenta é classificada como um haloenxerto natural. Durante o processo de formação da parte fetal da placenta, o trofoblasto se encarrega de modular a resposta imunitária da mãe. Isso ocorre, pois, as células do trofoblasto não apresentam MHC de classe I, o que as “camuflam” do sistema imune (não são reconhecidas pelas células apresentadoras de antígeno da decídua materna). Além disso, essas células apresentam formas polimórficas do complexo HLA (HLA-G e HLA-C) que também não são reconhecidas pelos linfócitos T. BLOQUEIO DA REJEIÇÃO − Secreção local de PGE2 (prostaglandina E2), TGF-β e IL-10 (interleucina 10) → imunomodulam o reconhecimento das células fetais pelas células NK (linfócitos natural killers – combate célula a célula e eliminação de células sem compatibilidade) − Os macrófagos uterinos bloqueiam a ação dos linfócitos T − As células de defesa da mãe também secretam outras coisas que ajudam no processo, como fator de crescimento derivado de endotélio, interferon-gama → auxiliam na modulação das células de defesa − É como se ocorresse uma supressão imunológica igual quando se faz transplante, só que aqui é feita de forma natural ♥ ♥ É organizado a partir da organização de um sistema vascular rudimentar, é o primeiro sistema do embrião a ser formado e a apresentar atividade − 3ª semana → formação do coração primitivo e sistema vascular rudimentar − 4ª semana (22º - 23º dia) → primeiros batimentos cardíacos → não são batimentos propriamente ditos, nessa etapa existem pequenas fibrilações que são capazes de propelir as células sanguíneas pelo embrião (a força é pequena devido ao tamanho diminuto do embrião, que é aproximadamente do tamanho de um grão de arroz nesse período) VASCULOGÊNESE As células mesenquimais do mesoderma esplâncnico se proliferam e formam aglomerados isolados → ilhotas hemangiogênicas → estas vão se anastomosando e dão origem aos cordões sanguíneos (ou hemangiogênicos). As células mesenquimais do mesoderma que revestem externamente a vesícula umbilical também passam por esse processo. As células mesenquimatosas que permanecem no interior dos cordões (desconectadas das peroféricas) diferenciam-se em células sanguíneas primitivas → hemangioblastos (células nucleadas). As células que ficam em contato com a endoderme se pavimentam e formam células de aspecto epitelial (formam o endotélio) − O sangue do embrião é diferente, as hemácias não possuem a conformação bicôncava e não há a presença de células de defesa Cavitação dos cordões Mesoderma indiferenciado → hemangioblastos → Agregado hemangioblástico → Ilhota sanguínea (células precursoras de endotélio + células progenitoras hematopoiéticas) → capilar (células endoteliais + eritrócitos primitivos) Distribuição dos cordões Existem dois grandes cordões principais (ao lado do tubo neural), que se localizam no mesoderma esplâncnico, que vão se anastomosar ao plexo cardíaco (forma a estrutura de vasos na área cardiogênica). Esses tubos formarão as aortas dorsais (principais vasos) e o plexo cardíaco formará o coração primitivo. Esses vasos são contínuos e se comunicam com os vasos que estão se formando na parede da vesícula umbilical → vasos vitelínicos. Há também a continuidade com os vasos que se formam no pedículo do embrião, que formam os vasos do cordão umbilical. Por sua vez, os vasos do cordão umbilical são contínuos aos vasos que estão presentes do córios, que formam a rede coriônica responsável pelas trocas. Resuminho − No mesoderma esplâncnico e na área cardiogênica → aortas dorsais e coração primitivo − Na parede da vesícula umbilical →vasos vitelínicos − No pedículo do embrião → vasos do cordão umbilical − No córion → vasos placentários Com esta rede formada, conectada e cavitada, o sistema circulatório rudimentar está concluído. Agora é necessário criar um órgão responsável pelo bombeamento do sangue. Após a formação deste sistema circulatório, ocorrerão dois eventos simultaneamente: o desenvolvimento do coração e as adaptações circulatórias e o processo de angiogênese à medida que vão surgindo novos órgãos e estruturas Formação do Coração FASES DO DESENVOLVIMENTO CARDÍACO (CARDIOGÊNESE) − Fase de plexo → cordões angiogênicos da área cardiogênica envoltos por mesoderma esplâncnico (manto miocárdico → na fase da configuração do coração, formará as células precursoras do miocárdio) − Fase de tubo → fusão dos dois tubos endocárdicos que surgem do remodelamento dos vasos do plexo – coração tubular − Fase de alça → formação da alça bulboventricular devido ao crescimento do ventrículo – coração sifonado 1. FASE DE PLEXO (18 dias) Rede de vasos curtos e bastante emaranhados → coração plexiforme Os cordões sanguíneos, na região da área cardiogênica, se anastomosam e formam dois tubos, um ligado à aorta dorsal direita (porção cranial) e à veia vitelínica direita (porção caudal), outro ligado à aorta dorsal esquerda (porção cranial) e à veia vitelínica esquerda (porção caudal) 2. FASE DE TUBO ENDOCÁRDICO (20 a 22 dias) Os dobramentos causam algumas modificações no coração, o longitudinal causa a ventralização e o lateral faz com que os tubos endocárdicos se aproximem e se fundem. Essa fusão não prossegue indefinidamente ao longo de todo embrião, porque já na porção cranial, as alças das artérias dorsais estarão separadas pelo intestino anterior. Após a formação do tubo, a próxima etapa é a do crescimento das sub-regiões do tubo cardíaco. Sub-regiões do tubo cardíaco 1. Bulbo cardíaco 2. Ventrículo primitivo 3. Átrio comum 4. Seio venoso − Região pela qual chega o sangue → seio venoso − O sangue sai bo bulbo cardíaco para fora do coração através das duas artérias dorsais F L U X O D E S A N G U E A conformação do coração é invertida, no coração do adulto, o átrio está sobre o ventrículo, já no coração do embrião, acontece o contrário, o sangue precisa ser bombeado para o ventrículo ao invés de descer pela gravidade (isso é resolvido na fase de alça cardíaca) 3. FASE DE ALÇA CARDÍACA (23 a 28 dias) Ocorre o crescimento e movimentação do ventrículo e do bulbocardíaco − O tubo cardíaco se torna um sifão − Ocorre o reposicionamento do átrio e do seio venoso − O coração cresce e vai indo para baixo e para trás − Surgimento das veias cardinais em contato com o seio venoso O crescimento do bulbo e do ventrículo junto associado a essa movimentação vai mudar a estrutura cardíaca de tubo para um sifão. Esse sifonamento cria o mecanismo de ascensão relativa dos átrios que vai produzir o reposicionamento das câmaras atriais. As paredes lisas dos átrios de um coração pronto têm a ver com a incorporação das paredes do seio venoso à estrutura do teto do átrio em decorrência do aumento do volume de sangue (débito cardíaco) nesse sistema circulatório. Junto com o processo de sifonação do coração, também ocorre um aumento da complexidade do sistema circulatórios (aumento da quantidade de vasos). Das aortas dorsais, emanam várias estruturas: − Projeção da região cranial que invade a região da prega cefálica para formar o sistema vascular encefálico − Formação de dois arcos aórticos → arcos faríngeos → estão relacionados à vascularização da face − Várias espículas → artérias intersegmentares → cada uma está relacionada à um somito e irá formar a vascularização de um segmento vertebral − Na extremidade caudal, partem as artérias umbilicais, que levam o sangue do embrião para a placenta, onde irão sofrer as trocas metabólicas Como se formou uma rede vascular arterial, em paralelo também se forma uma rede venosa, as veias cardinais vão sofrer alterações e darão origem às veias cava superior e inferior. Após a fase de alça, o coração tubular possui uma luz única contínua às quatro regiões. Nas próximas 4 semanas, vai ocorrer a construção de septos para a divisão da luz. Obs.: débito cardíaco → quantidade de sangue que chega no coração → aumenta conforme o feto vai crescendo. Septação cardíaca Ocorre da 4ª à 8ª semana do desenvolvimento Importante: a região do tronco arterioso dá origem posteriormente à 2 principais vasos arteriais, a artéria tronco pulmonar e a artéria aorta. Com o crescimento da alça cardíaca, ocorre um estrangulamento na região do canal atrioventricular → ocorre a proliferação do mesênquima que está entre o endocárdio e o miocárdio → formação dos coxins endocárdicos Os coxins empurram o endocárdio, projetando duas cristas na região do canal atrioventricular Septação atrioventricular → ocorre na metade da 4ª semana Obs.: Fase de alça cardíaca O ventrículo se movimenta e se posiciona à frente e abaixo do átrio. Com o crescimento do ventrículo, formam-se 2 grandes câmaras com uma única luz. Fluxo sanguíneo • O sangue chega no seio venoso • Preenche o átrio comum • Desce pelo canal atrioventricular • Chega no ventrículo primitivo e banha a cavidade • Sai pelo tronco arterioso Coxins endocárdicos ventrocefálico e dorsocaudal Canais ventriculares direito e esquerdo SEPTAÇÃO ATRIAL Ocorre primeiro (antes da septação ventricular) − Com a compressão do trato de saída, a região média do teto do átrio comum sofre uma compressão − A partir deste ponto, uma crista de tecido endocárdico se estende do teto do átrio em direção ao coxim → SEPTO PRIMÁRIO A cavidade delimitada pelas bordas do septo primário denomina-se forame primário. À medida que o septo vai descendo e alcança o coxim, o forame primário vai diminuindo até desaparecer. Antes do desaparecimento do forame primário, surge no teto do átrio uma segunda cavidade, o forame secundário, caracterizado por pequenos forames que depois se fundem. É necessário o forame para a passagem do sangue do átrio direito para o esquerdo, pois ainda não existem veias pulmonares no átrio esquerdo para a chegada do sangue vindo do pulmão. Para evitar a passagem se sangue arterial para o lado direito do coração após o nascimento, começa a se formar o septo secundário, que irá fechar o forame, impedindo a mistura de sangue. O septo secundário se direciona em direção à parede posterior do átrio (seio venoso). À medida que o septo secundário se estende, ele se sobrepõe ao forame secundário, fazendo com que o sangue não flua mais livremente entre o átrio direito e esquerdo (esse processo ocorre durante toda vida embrionária e fetal, essa passagem só será interrompida quando o bebê respirar pela primeira vez – 3º dia pós natal) Forame oval é delimitado pelas bordas do septo secundário (é fechado depois do parto, formando a fossa oval, impedindo a passagem de sangue). É fechado devido ao aumento da pressão sanguínea relativa no átrio esquerdo após as primeiras respirações. Obs.: fossa oval → cicatriz do forame oval Resuminho − Septo primário: teto – dorsal → coxim − Septo secundário: teto – ventral → seio venoso SEPTAÇÃO VENTRICULAR No meio da alça cardíaca, entre os dois ventrículos, ocorre a proliferação de um septo muscular, que é uma elevação produzida pela dilatação das laterais da câmara → primórdio do septo ventricular Gradativamente vai ocorrendo a proliferação de células musculares que migram e formam o septo interventricular. Assim como no septo atrial, há uma movimentação em direção ao coxim. No final do processo, há adição de uma porção membranosa, que é formada por migração de células do coxim. A partir da formação dessa porção membranosa, há a separação definitiva das duas cavidades. As câmaras são separadas, mas o sangue ainda se mistura, pois, a saída de sangue dos dois ventrículos é pelo tronco arterioso. Da estrutura do coxim, surgem também células que circundar a região do canal atrioventricular para a formação das válvulas mitral e tricúspide (vão se formar em torno da 7ª semana, que é quando também se forma a parte membranosa do septo) Resuminho da sequência de eventos 1. Septo muscular se estende do assoalho por elevação 2. Se estende pela adição de mioblastos 3. Doação de células do coxim endocárdico para a formação da porção intermembranosa SEPTAÇÃO DO TRONCO ARTERIOSO Células da crista neural migram através do mesogástrio (tecido de ancoramento do intestino) dorsal até a área cardiogênica e se depositam nas paredes do cone cardíaco e do tronco arterioso formando os coxins conotruncais. A deposição de células da crista neural ocorre em regiões de alívio de pressão decorrente do fluxo sanguíneo (fluxo helicoidal), ocasionando elevações endocárdicas em espiral. Essas cristas se estendem em direção à luz do tronco e são contínuas à porção anterocefálica do septo interventricular. Ocorre a formação de um septo espiralado. Há então a divisão, sendo um lado responsável pela grande circulação (coração-corpo) e o outro, pela pequena (coração-pulmão). − A região medial é onde as cristas do septo se encontram primeiro Ocorre a divisão do tronco arterioso em dois segmentos: − Venoso → sangue impelido do ventrículo direito (circulação pulmonar) − Arterial → sangue impelido pelo ventrículo esquerdo (circulação sistêmica) As válvulas troncoaórticas (impedem que o sangue volte para o ventrículo quando o coração relaxa) também são formadas pela doação de células da crista neural. Circulação embrionária Na 4ª semana (vasos formados pela vasculogênese) → sistema circulatório primário (3 vasos → veia umbilical, veias vitelínicas e aortas dorsais) Vasos embrionários que trazem sangue para o coração: − Veia umbilical → responsável pelo aporte de sangue para o corpo do embrião − Veias vitelínicas − Veias cardinais Tem-se 2 fluxos primários de sangue para o coração, um proveniente da veia umbilical (que traz o sangue da placenta) e outro das veias vitelínicas (sangue recirculado) Vasos embrionários que levam sangue do coração: − Aortas dorsais Desenvolvimento circulatório O sangue que e formado na vasculogênese (3ª sde) começa a ser impelido pelos batimentos cardíacos (22º-23º dpf) em direção às aortas dorsais. Na região caudal, as aortas dorsais se anastomosam aos vasos do alantoide e do pedículo→ formação das artérias umbilicais DESENVOLVIMENTO ARTERIAL SEGMENTO EMBRIONÁRIO A rede arterial é desenvolvida primeiro. O surgimento de dois vasos principais, as aortas dorsais, permite a formação de uma rede arterial (por angiogênese). Esses vasos se formam por vasculogênese paralelamente ao intestino primitivo − Arcos aórticos → segmentos cefálicos − Artérias intersegmentares – pequenos segmentos espiculados pareados com os somitos → segmentos corporais (todo o procedimento de formação de vasos relacionados com a parede corporal vai ser derivado das artérias intersegmentares → artérias vertebrais, artérias intercostais, etc.) − Artérias vitelínicas → segmentos viscerais (ramos vasculares que vão nutrir as vísceras dos sistemas digestório, respiratório e urogenital) Remodelamento arterial Anastomose e angiogênese nas artérias vitelínicas forma: − Tronco celíaco − Artéria mesentérica média − Artéria mesentérica inferior DESENVOLVIMENTO VENOSO SEGMENTO EMBRIONÁRIO Por mecanismo de sinalização celular, parte da rede capilar formada pelas aortas dorsais se remodela e sofre intuscepção, separando-se da rede arterial. Dois sistemas bilaterais de vasos trazem sangue venoso do polo cefálico e corporal do embrião para o seio venoso → veias cardinais superiores e inferiores O sistema venoso se origina de quatro veias cardinais (2 superiores e 2 inferiores) com simetria bilateral, que se desenvolvem ao lado das aortas dorsais. As veias cardinais não formam um sistema contínuo e sim dois fragmentos, um cefálico e outro corporal. Chega no seio venoso: − Veia umbilical → sangue rico em oxigênio (vem da placenta) − Veias vitelínicas → sangue com teor intermediário de oxigênio − Veias cardinais → sangue com teor baixo de oxigênio Remodelamento da rede cardinal As veias cardinais, supracardinais e subcardinais. As veias cardinais e supracardinais desaparecem enquanto as subcardinais se mantém como sendo segmentos das veias cavas inferior e superior O sistema subcardinal vai sendo remodelado e se liga ao sistema porta-hepático, isso garante a formação da veia cava inferior Remodelamento venoso hepatogênese Na 5ª semana do desenvolvimento começa o desenvolvimento hepático. O tecido do broto hepático (surge do endoderma do intestino anterior → o endoderma se prolifera na parede anterior do intestino) se estende e ocupa os espaços que eram da rede vitelínica, então o tecido do fígado usa o leito dos veias vitelínicos como molde para assentar o mesênquima que depois vai ser diferenciado em hepatócitos. Então a rede vitelínica vai formar a rede vascular hepática. O ramo da veia vitelínica que era ligado à estrutura do pedículo e do ducto onfaloentérico vai dar origem ao sistema porta-hepático − Veias vitelínicas → sistema porta-hepático e sinusoides hepáticos SISTEMA VENOSO DEFINITIVO Adaptações fisiológicas do sistema circulatório Circulação fetal Pulmão colabado e que não faz hematose → Alta pressão arterial na pequena circulação Hepatogênese → grande vaso (seio venoso + veia cardinal) sendo ramificado numa rede capilar ampla e de pequeno calibre → elevada pressão arterial no fígado (aumento da resistência vascular) Para resolver os problemas de alta resistência, são criados dois ductos: − Ducto arterioso − Ducto venoso Com a criação desses ductos, há o balanço entre a pressão da circulação e das câmaras cardíacas, há também um desvio de sangue mais oxigenado para regiões do corpo com maior necessidade de oxigênio. No ponto de conexão entre a veia umbilical e a veia cava inferior, há a diminuição do teor de oxigênio do sangue (fica entre 62% e 67%), pois o sangue com alto teor de O2 (90%) que vem da placenta pela veia umbilical se mistura com sangue carbonilado (25-30% de O2) vindo da veia cava inferior que direciona o fluxo para o átrio direito. Nas câmaras atriais, há a mistura de sangue com mais O2 e com menos O2. No átrio direito chega sangue da veia cava superior, ali ele se mistura em parte com o sangue mais oxigenado que veio da veia cava inferior e desce para o ventrículo direito. Já o átrio esquerdo vai receber sangue com alto teor de O2 vindo da veia cava inferior que se mistura com sangue que veio dos pulmões e vai descer para o ventrículo esquerdo. A quantidade de oxigênio que vem da veia cava superior é um pouco menor do que o do sangue vindo do sistema pulmonar, então, a quantidade de O2 no ventrículo esquerdo será um pouco menor do que no direito. − Ventrículo direito → 52% de O2 − Ventrículo esquerdo → 62% - 67% de O2 O sangue que vem da veia cava inferior vai direto para o forame oval e chega no átrio esquerdo, já o sangue proveniente da veia cava superior desce quase que verticalmente no átrio direito, descendo para o ventrículo direito (a pressão sanguínea da veia cava inferior é maior que a superior, então o sangue é propelido para o átrio esquerdo) O sangue que vai pelo arco aórtico sai com um pouco mais de oxigênio do que o que vai para a artéria tronco pulmonar, o que garante com que os segmentos cerebrais, coronariano e dos membros Obs.: Vasos vitelínicos • Artérias → rede arterial do intestino • Segmentos venosos → sistema porta-hepático + sinusoides hepáticos superiores recebam sangue com teor maior de O2. Já as vísceras abdominais e os membros inferiores receberão sangue com teor menor de O2. Nesse cenário, surgem três adaptações: o ducto arterioso, o forame oval e o ducto venoso. Como essas estruturas funcionam? − Ducto venoso → vaso acessório que conecta o sangue vindo da placenta diretamente na região da veia cava inferior. Isso permite com que o sangue que vem da placenta seja distribuído sem passar completamente pelo fígado. Isso ocorre para que ocorra a preservação da rede vascular hepática, é criado para aliviar a pressão (o sangue vem em grande quantidade por uma veia calibrosa e seria empurrado com grande pressão para uma rede de pequeno calibre, podendo ocasionar rupturas), faz com que 50-60% do sangue em alta pressão, que está vindo da placenta, vá para um vaso de alto calibre (veia cava) − Forame oval → permite o desvio de sangue para o ventrículo esquerdo, com isso aumenta a disponibilidade de oxigênio (evita que a totalidade do sangue rico em oxigênio vá para o tronco pulmonar, onde encontraria uma grande resistência e seria um gasto “desnecessário”, é preciso que o sangue oxigenado vá para o lado esquerdo do coração para evitar hipoxia) − Ducto arterioso → tem como função desviar o restante do sangue do ventriculo direito que seria utilizado para a circulação pulmonar → desvia do tronco pulmonar para o arco aórtico (apenas 10% do sangue do ventrículo direito vai para os pulmões devido à resistência e o colabamento dos tecidos pulmonares) Circulação neonatal 1. Interrupção do fluxo placentário → redução da pressão arterial na estruiura do ducto venoso e aumento da passagem de sangue pela veia cava. A ausência de sangue dentro do ducto faz com que suas paredes colabem → fechamento do ducto venoso → forma o ligamento venoso a. Obs.: o segmento abdominal da veia umbilical dá origem ao ligamento hepático ( no começo tem luz mas depois fica obliterado – é importante nos casos de eritroblastose fetal, é usado para transfusão de sangue) 2. Expansão pulmonar → quando ocorre o insuflamento dos pulmões, ocorre uma dilatação das paredes, ocasionando um adelgaçamento da rede vascular e acaba ocorrendo um recrutamento de sangue muito maior a partir da artéria tronco pulmonar → aumento do fluxo de sangue para os pulmões e aumento da pressão no ventrículo esquerdo → colabamento das paredes do ducto arterioso e fechamento do forame oval (se dá pelo aumento da pressão) → forma o ligamento arterioso Com isso, a circulação finalmente é dividida em dois segmentos paralelos, não há mais mistura de sangue oxigenado e sangue carbonilado. Malformações cardíacas As malformações cardíacasacometem entre 6 a 8 crianças a cada 1000 nascidos vivos. Podem ser de causas gênicas, por teratógenos (substâncias químicas ou agentes patogênicos) ou de causas idiopáticas (ocorrem ao acaso sem relação com nenhum outro fator). Elas se agrupam de acordo com a etapa do desenvolvimento elas ocorrem: − Formação da alça cardíaca − Septação atrial e ventricular − Septação do tronco arterioso − Septação ventricular e do tronco arterioso Defeitos na fase de alça cardíaca Desvio lateral à esquerda − Dextrocardia → espelhamento das câmaras cardíacas apenas, o ápice do coração fica voltado para a direita − Situs inversus → o espelhamento completo de todas as vísceras abdominais → isso ocorre porque o coração secreta fatores indutores da hepatogênese, então, como o coração muda de posição, também mudam as vísceras Formação da alça sem desvio lateral − Ectopia cardíaca → o coração está completamente exposto, a única correção é cirúrgica. No caso da ectopia, ao invés da alça acontece para baixo e para a região ventral, ela vai fazer um dobramento sifonado apenas, passando por cima do celoma e se expões em uma região fora da possível parede corporal do embrião. Defeitos do septo interatrial (são os mais prevalentes) Qualquer orifício que provoque a comunicação entre os dois átrios − Forame oval patente → quando não há a sobreposição do septo secundário sobre o forame secundário Defeitos de septo interventricular − Falência da migração de células do coxim → porção membranosa ausente − Apoptose de miócitos → defeitos na porção muscular (normalmente associado à teratógenos) Defeitos do septo do tronco arterioso − Transposição de vasos de base → formação do septo do tronco arterioso anômalo → cristas lineares e descontínuas ao septo interventricular → força com que a aorta surja do ventrículo direito e a tronco pulmonar do ventrículo esquerdo (o sangue oxigenado circula de novo pelo pulmão enquanto o sangue carbonilado circula novamente pelo corpo) Tetralogia de Fallot Condição que envolve quatro defeitos cardíacos conjuntos, são eles: − Alteração e malformação do septo interventricular → o septo emana pela lateral direita ao invés da base do coração, o que impede a união das pontas do septo helicoidal com o septo interventricular → defeito de septo interventricular − Dextroposição da aorta → causa a compressão da abertura da artéria tronco pulmonar − Estenose tronco pulmonar → o sangue do ventrículo encontra muita resistência para sair da artéria tronco pulmonar (resistência aumentada no ventrículo direito) − Hipertrofia do ventrículo direito O sistema nervoso tem seu desenvolvimento tão precoce quanto o o desenvolvimento do sistema cardiovascular Formação do tubo neural A neurulação é um processo que começa em torno em torno do 18º dia de desenvolvimento e termina em torno do 25º-27º dia. Esse processo corresponde a um processo de indução de transformação da ectoderme em neuroectoderme e, a partir dessa transformação, uma sequência de eventos vai transformar a neuroectoderme em um tubo neural fechado. São 4 etapas que compões esse processo: 1. Indução: ectoderme → neuroectoderme 2. Modelagem 3. Dobramento 4. Fechamento do tubo neural 1. INDUÇÃO Notocorda → fatores notocordais → ectoderme → epiderme e neuroectoderme − Fatores notocordais → noguina e cordina 2. MODELAGEM A modelagem da neuroectoderme se inicia na região mais próxima do nó primitivo e vai se estender tanto para frente quanto para trás. À medida que ocorre o desenvolvimento dos somitos (a somitogênese ocorre da cabeça para a cauda do embrião), cada novo bloco somítico formado faz com que a placa neural cresça. A neuroectoderme vai passar pela expressão diferencial de caderinas (e-CAM e n-CAM) em ambos os sentidos. Na região onde há a influência dos fatores notocordais, ocorre o bloqueio da expressão das caderinas do tipo E (e-CAM) e ocorre a expressão de n-CAM (caderinas neurais). Nessa região, há um remodelamento das células da ectoderme, ocorrendo um espessamento, ocorrendo então a movimentação da porção basal dessas células para baixo, “envergando” a placa para baixo em direção à notocorda. As n-CAM também provocam proliferação celular, com isso, a placa cresce e as bordas se elevam, fazendo um movimento de dobradiça na região central, causando a formação da goteira (ou sulco) neural. 3. DOBRAMENTO Quanto maior a proliferação, mais a placa se dobra e o dobramento fica mais evidente. Ocorre então uma adaptação das moléculas de n-CAM, porque a medida que as bordas da placa neural se elevam, ocorre uma alteração na expressão das moléculas de n-CAM. Na região da crista neural, não há a expressão nem de moléculas de n-CAM nem de e-CAM, não há indução suficiente da notocorda para a expressão de n-CAM nem ocorre um retrocesso para que haja a expressão de e-CAM, então ocorre a separação das células da borda da placa neural (células da crista neural). O principal reflexo da etapa de dobramento é a aproximação das pontas da placa 4. FECHAMENTO A separação da placa e tubo neural ocorre por expressão diferencial de e-CAM e n-CAM, fazendo com que o tubo neural se separe à medida que se fecha. Ao redor do 22º dia do desenvolvimento, quando há a presença de oito somitos, inicia-se o processo de fechamento do tubo neural (que ocorre por expressão diferencial das caderinas, ocasionando a reconstituição da ectoderme e fechamento do tubo). Na região do 5º somito (região cervical) é onde ocorre o primeiro ponto de contato do tubo neural, a partir daí ocorre um movimento de zíper para frente e para trás, fechando todo o tubo. Ao final do processo, o tubo neural será constituído por um canal central – canal neural – e uma camada de células que formam a parede – neuroepitélio – que será responsável pela formação de todas as células do sistema nervoso. O neuroepitélio formará os neuroblastos e os glioblastos. NEUROECTODERME e-CAM n-CAM ESPESSAMENTO DAS CÉLULAS ↑ PROLIFERAÇÃO CELULAR Durante o progresso do fechamento, vai chegar um momento em que há duas regiões abertas em contato com o líquido amniótico, os neuróporos. Os neuróporos permitem a circulação de líquido amniótico, o que evita o colabamento do tubo, além de ser responsável por nutrir as células e remover as excretas. Os neuróporos ficam abertos por poucos dias (em torno de 3-5 dias), o neuróporo rostral (extremidade cefálica se fecha no 25º dia, já o caudal se fecha no 27º dia. O fechamento dos neuróporos coincide com o estabelecimento de uma circulação sanguínea para o tubo neural (ramos arteriais cefálicos). Obs.: outros = tecidos conjuntivos, tecido muscular, tecidos da face, arcos faríngeos, medula da glândula adrenal, melanócitos, odontoblastos, etc Defeitos de fechamento do tubo neural Compreendem um conjunto de mal formações específicas do sistema nervoso que ocorrem durante a 4ª semana do desenvolvimento. Decorrem do não fechamento das extremidades do tubo neural (neuróporos) ou do não fechamento do tubo em outra região. − A falta de adesão nas margens é provocada por falha na expressão diferencial de n-CAM − Falta a modelagem e a proliferação celular, sem a proliferação não há a formação da crista neural, impedindo a separação completa da ectoderme − O tubo neural não se separa da ectoderme e o desenvolvimento celular é interrompido − As principais causam são deficiência materna de ácido fólico (vitamina B9), quanto maior a deficiência, maior a extensão dos danos − Existem 5 possíveis pontos de problemas de fechamento que são os chamados centros indutores do fechamento do tubo neural: ▪ Região do 5º par de somitos (3) ▪ Neuróporos rostral (1) e caudal (5) ▪ 2 regiões entre os neuróporos e o 5º par de somitos (2 e 4) 1. Anencefalia 2. Encefalocele 3. Raquisquise 4. Raquisquise 5. Espinha bífida (3 tipos) PLACA NEURALTUBO NEURAL CRISTA NEURAL SNC (medula e cérebro) SNP (gânglios e nervos) e outros ANENCEFALIA A anencefalia se caracteriza pela ausência de vesículas encefálicas (formam o córtex neural). Ocorre devido ao não fechamento do neuróporo anterior (rostral) devido à interrupção da expressão de n- CAM, provocando a exposição do encéfalo e morte do feto ou neonato ENCEFALOCELE Ocorre devido à ausência de expressão de n-CAM num segmento cranial ao 5º par de somitos (occipital) ou no ponto mais anterior do neuróporo cranial (frontal). − Formação de cisto occipital ou coronal contendo apenas LCR ou protrusão de tecido nervoso (quando não há tecido nervoso, há apenas LCR, a recuperação é bem fácil) − As sequelas variam com a extensão de tecido neural herniado CRANIORAQUISQUISE Ocorre a ausência de expressão de n-CAM ao longo de todo o tubo neural (ocorre a indução e a modelagem, mas não ocorre a proliferação, não há formação da crista neural) − Segmentos neurais expostos − Diversas malformações associadas (faciais, cardiológicas e algumas alterações de SNA) − Os fetos são geralmente natimortos ou prematuros − É detectado via ultrassom e confirmado na amniocentese a partir da detecção da proteína alfa- fetoproteína (fator preditor de defeitos de tubo neural) ESPINHAS BÍFIDAS Quanto mais alta a lesão, maior o risco de ela ser aberta Mielomeningocele − Interrupção da expressão de n-CAM no neuróporo posterior − Exposição de raízes neurais e exsudação de LCR − Sequelas: ▪ Motricidade ▪ Sensibilidade (dermátomos) ▪ Incontinência urinária e fecal − Relacionado com pé de cavalo (o pé não sofre o imprinting e não fica em 90 graus), o bebê não chuta Meningocele (cística) − O tubo neural se fecha, mas não há a separação dele da ectoderme, não há a formação do arco vertebral (não há extravasamento de tecido nervoso) − Não há a formação adequada das células da dura-máter − Formação de significativo cisto meningeal (quanto maior a região de não disjunção do tubo, maior a extensão do cisto) − Sequelas: ▪ Motricidade (formação de uma escoliose) ▪ Sensibilidade (devido à compressão) Oculta Há a formação de todo o processo, mas as células da crista neural não se desprendem da ectoderme, ocasionando a não formação do arco vertebral. É caracterizada por uma mancha (sinal mongol), pela presença de um lipoma e de um tufo de pelos. − Não tem nenhum tipo de sequela Células da crista neural e seus destinos As células da crista neural têm origem do fechamento e separação do tubo neural. Elas se formam a partir das extremidades do tubo pela ausência de um ambiente que determinem que elas sejam 100% neurais e nem 100% epidérmicas. Esse cenário cria uma zona de conflito e essas células não sabem a quem responder, então elas não expressam nenhum tipo de caderina, o que permite que a ectoderme se separe completamente do tubo neural. As células da crista neural migram e formam muitos tipos de neurônios, além de células secretoras e dérmicas. O que determina a diferenciação dessas células em neurônio ou não neurônio é a posição que elas ocupam no tubo neural. POPULAÇÕES DE CÉLULAS DA CRISTA NEURAL Há presença de células da crista neural desde a região sacral até a região frontal. Essas células formam algumas famílias, são elas: − Craniais − Vagais − Truncais → tem migração diferente, migram tanto pela periferia quanto entre o tubo neural e os somitos (se aproximam do mesoderme esplâncnica → importante para a formação de gânglios simpáticos) − Sacrais Onde há somitos, as células truncais, vagais e sacrais participarão da formação dos gânglios da raiz dorsal. Craniais − Se originam dos neurômeros anteriores ao 4º par de somitos − São de fundamental importância para a formação dos elementos craniofaciais → mesênquima craniofacial − Formam os arcos faríngeos → estruturas transitórias que servem como rota de migração − Saliência fronto-nasal → células da crista neural que migraram ao redor do prosencéfalo − Estão relacionadas a deficiências craniofaciais e cardiológicas (formação do septo tronco arterioso) − Migram pela via dorsolateral (migração entre a placa somática e a estrutura do tubo neural Vagais Existem duas subfamílias: as cardíacas e as vagais − Cardíacas: ficam mais próximas da área cardiogênica ▪ Participam da formação do endotélio da aorta e do septo tronco arterioso − Vagais → ficam em uma região mais cranial ▪ Formam os gânglios parassimpáticos do trato digestório Ambas migram pela via dorsolateral. Truncais Fazem migração dorsolateral e ventromedial. São responsáveis pela infiltração em vários tecidos, são muito plásticas − Formam os gânglios da raiz dorsal (1 gânglio por somito) − Migração dorsolateral → se relacionam com a derme e infliltram o mesoderma somático, se desenvolvendo em melanócitos − Migração ventromedial → encontram o mesentério dorsal, que serve como substrato migratório para que essas células alcancem diferentes regiões, como o plexo submucoso do intestino, a medula da adrenal e regiões de gânglios simpáticos por todo o tronco ▪ Neurônios sensoriais e simpáticos ▪ Células cromafins (medula adrenal) ▪ Células de Schwann ▪ Gânglios submucosos parassimpáticos do intestino Sacrais São vinculadas aos últimos somitos, vão participar da formação de gânglios parassimpáticos do trato digestório (intestino posterior → cólon sigmoide, reto e ampola retal). A migração incorreta pode ocasionar megacólon congênito – a diminuição da motilidade provoca um acúmulo de fezes (fazem migração dorsolateral) Histogênese neural Sistema nervoso central Tubo neural → neuroepitélio simples → bilhões de neurônios e células da glia Obs.: 1 neurônio para 10 células da glia HISTOGÊNESE Se caracteriza como um período de produção de células e organização dessas células em uma forma espacialmente favorável. Esse processo se inicia logo após a neurulação e se segue por todo período fetal. NÍVEL TECIDUAL: da neurulação ao período fetal − Formação de populações de células dentro do tubo neural transformando o neuroeptélio simples em uma estrutura estratificada (as populações de células se organizam em camadas na parede do tubo neural) − Ocorre rearranjo e migração para formar as diferentes pré-regiões funcionais ▪ Proliferação + migração → estratificação do tubo neural − Nesse momento, as células são chamadas de neuroblastos. São células de origem neural, porém com identidade indiferenciada. Conforme essas células vão se proliferando, elas vão se organizando em diferentes camadas que permitem a identificação de pré-regiões que ainda não são funcionais, mas futuramente vão determinar a forma como essas células vão se orientar e se organizar. Neuroblastogênese Quando o tubo neural se forma, ele é um epitélio colunar simples. As células irão passar pelas fases do ciclo celular e então ocorre a divisão celular. Se essa divisão ocorrer de uma forma que as duas células filhas não percam o contato com o lúmen do canal medular, elas vão permanecer como sendo duas células progenitoras. Depois que essas células se dividem, elas utilizam a membrana da célula vizinha para se manterem ancoradas no lúmen. Já quando uma das células filhas perde o contato com a lâmina basal, uma célula será mantida como célula progenitora e a outra entra em rota de migração (neuroblasto). − Essas duas formas de divisão celular aumentam o diâmetro e a espessura do tubo. − A estratificação do tubo neural vai surgir das divisões celulares assimétricas − As divisões simétricas provocam o aumento do calibre do tubo As células neuroepteliais se proliferam e formam um extenso substrato de neuroblastos e glioblastos. O processo de migração reorganiza as células em três principais regiões, que constituem um substrato posicional (as células das diferentes regiões receberão informações diferentes na sua circunvizinhança) para o desenvolvimentodiferenciado entre cérebro e medula. Esse processo cria uma identidade posicional, que é importante para o direcionamento e reorganização dessas células, principalmente na medula. Sub-regiões do neuroeptélio 1. Zona ventricular → os neuroblastos estão em contato com o lúmen do canal neural, margeia todo o canal neural → formam o epêndima (produzem LCR) 2. Zona intermediária → células em contato célula-célula, onde ocorre a maior parte da diferenciação em neurônio e célula da glia 3. Zona marginal → tem o ancoramento na região da dura-máter (oriunda do mesênquima) As células das zonas intermediária e marginal serão diferenciadas em neuroblastos (dão origem aos neurônios) e glioblastos (dão origem as astrócitos e oligodendrócitos). A posição mais os mensageiros químicos vão determinar a diferenciação células nas diferentes sub- regiões. Micróglia As células da micróglia têm origem não neural, elas fazem parte do sistema fagocitário mononuclear e derivam do mesênquima adjacente ao tubo neural. As células microgliais invadem o SNC lentamente à medida que a rede vascular cerebral se desenvolve. Invadem o plexo subdural e migram para o SNC conforme este vai se desenvolvendo Desenvolvimento da medula espinhal Nesse processo, basicamente há a transformação das regiões do neuroeptélio conforme os sinais que as células vão receber. DESTINOS DO NEUROEPITÉLIO − Zona marginal: recebe informações do mesênquima, migram para a borda e se diferenciam em glioblastos ▪ Glioblastos → oligodendrócitos → substância branca ▪ O contato com os axônios dos neurônios e a ausência de neurotransmissores faz com que essas células se diferenciem em oligodendrócitos − Zona intermediária: ocorre tanto a diferenciação de neuroblastos quanto de glioblastos ▪ Glioblastos → células gliais → astrócitos protoplasmáticos (substância cinzenta) ou astrócitos fibrosos (substância branca) + oligodendrócitos (são poucos, principalmente em regiões onde há um grande feixe de axônios saindo da substância cinzenta) ▪ Neuroblastos → neurônios ▪ Nessa região, vão existis fortes concentração emigração das células para organizar os cornos medulares − Zona ventricular: todas as células que permanecerem margeando a zona ventricular vão se diferenciar em células ependimárias (produtoras de líquor) ▪ Glioblastos → células ependimárias (revestem o canal medular) → plexo coroide DESENVOLVIMENTO ANATÔMICO Flechas vermelhas (dorso do embrião – epiderme) → BMP (proteínas morfogenéticas do osso) → atuam criando um gradiente que quimioatrai os axônios das células da crista neural que estão formando o gânglio de raiz dorsal → induzem a polarização do gânglio da raiz dorsal (faz com que os axônios cheguem até os neuroblastos e glioblastos que estão na placa alar) → formam o corno dorsal Flechas azuis (ventre do embrião - notocorda) → SHH (Sonic Hedgehog – moléculas que formam espículas em organismos modelo) → formação do corno ventral e reorganização da rede para permitir os arcos reflexos Desenvolvimento cerebral VESÍCULAS ENCEFÁLICAS Na região cefálica, o tubo neural deixa de ser uma estrutura tubular para formar vesículas. O encéfalo é o maior movimentador do dobramento longitudinal através da prega cefálica, então essa movimentação do tubo neural (arqueamento), forma 3 regiões de resistência, que servem para demarcar as três vesículas primárias. As vesículas primárias são regiões onde o tubo neural se torna tridimensionalmente mais amplo, ocorre o abaulamento das paredes do tubo neural (as paredes se dilatam, formando bolsas). As vesículas ficam restritas entre os três pontos de pressão. Vesículas primárias: − Rombencéfalo − Mesencéfalo − Prosencéfalo A partir do momento em que ocorre o fechamento do tubo neural (5ª sde), ocorre o aprisionamento de fluidos dentro do tubo (inicialmente, líquido amniótico). Em torno da metade da 5ª sde, já começa a produção líquor por algumas células do epêndima e o acúmulo desse líquido começa a fazer pressão nas paredes do tubo neural, causando a dilatação. O líquido se acumula pois o sistema de drenagem (sistema ventricular e aqueduto cerebral) ainda não está constituído. Destino das vesículas Com o aumento do acúmulo de líquido, algumas outras endentações surgem, causando a divisão do rombencéfalo em duas vesículas (metencéfalo e mielencéfalo) e o prosencéfalo em três (2 telencéfalos e diencéfalo) Vesículas secundárias e seus destinos − Telencéfalo (2) → hemisférios cerebrais − Diencéfalo → tálamo, hipotálamo e epitálamo − Mesencéfalo → tronco cerebral − Metencéfalo → ponte e cerebelo − Mielencéfalo → bulbo (medula oblonga) Fechamento do tubo + produção de LCR Pressão Abaulamento das paredes do tubo neural Formação das vesículas encefálicas Em contato com o telencéfalo e diencéfalo surgem os placódios, regiões do tubo neural diferenciadas para a formação dos órgãos do sentido − Vesículas ópticas → organização anatômica das estruturas formadoras do bulbo ocular − Placódio nasal → forma o epitélio olfativo − Placódio ótico → dá origem à membrana timpânica O aumento da luz do tubo através das vesículas permite que o aumento das paredes, ou seja, a parede vai engrossando e empurrando o sistema ventricular cada vez mais para dentro. FLEXURAS À medida que o sistema nervoso vai crescendo, é preciso organizar e reposicionar as estruturas. A proliferação de células ocorre de forma desigual nas diferentes partes do tubo, causando uma grande concentração em algumas partes, o que “empurra” e flexiona as estruturas. Esses movimentos causam as flexuras cerebrais, que são movimentos do tubo neural provocados pelo crescimento diferenciados entre determinadas regiões do tubo (placas alar e basal), o que movimenta as partes do tubo em direções diferentes. As duas primeiras flexuras que surgem são a pontina e a cefálica. 1. Cefálica: é causada pelo crescimento do tubo neural sobre a membrana bucofaríngea (prega cefálica) 2. Cervical: é a última a acontecer, ocorre no mesmo sentido da cefálica e na região onde ocorre a transição entre a medula e as estruturas do cérebro. Nessa região existe uma grande densidade e um processo migratório grande dos nervos cranianos, o que propicia a extensão da porção superior do tubo 3. Pontina: a área cardiogênica forma uma barreira física para o crescimento do sistema nervoso, então começa ocorrer essa flexura na parte superior, pois o que estava indo em direção ao centro do embrião é “puxado de volta”, então, o encéfalo fica sobre a boca e não mais a frente. As flexuras tem um papel importante para adequar o sistema nervoso para se alcançar as corretas posições anatômicas necessárias para encontrar melhores estratégias posicionais para formar as vias de comunicação. CÉREBRO E CEREBELO Destino do neuroepitélio A proliferação e migração é diferente do que acontece na medula, os longos processos de proliferação produzem muito mais camadas de células − Zona marginal: bloqueio da via de divisão e de transformação em células da glia, vai ocorrer principalmente a migração de neuroblastos que poderão se diferenciar em neuroblastos que darão origem a neurônios ou a glioblastos que por enquanto não tem função nem de astrócitos e nem de oligodendrócitos. Esses glioblastos formarão os trilhos de movimentação (glia radial), ou seja, as células não estão na região cortical, mas emitem seus prolongamentos, formando os trilhos. ▪ Neuroblastos → placa cortical (é mais substancial na região do telencéfalo) − Zona intermediária: todas as células que estão da placa cortical para baixo pode se desenvolver tanto em células gliais quanto em neurônios. ▪ Glioblastos → células gliais ▪ Neuroblastos → neurônios Obs.: ocorre um maior desenvolvimento da placa basal no rombencéfalo e da placa alar nas regiões do mesencéfalo e prosencéfalo Córtexcerebral e cerebelar ▪ As células da glia serão necessárias aqui no córtex para a formação da barreira hematoencefálica, mielinização dos axônios, etc. − Zona ventricular → tem o mesmo destino que na medula ▪ Glioblastos → células ependimárias → plexo coroide SISTEMA VENTRICULAR Durante a formação das vesículas, existem forças hidrostáticas que empurram as paredes, causando a dilatação das vesículas, formando uma luz dilatada que forma os ventrículos. O sistema ventricular é extremamente importante para manter a homeostase e a hidratação tanto da parte mais interna quanto da parte externa do sistema nervoso PONTE E BULBO Ocorrem modificações mais dramáticas em regiões onde a placa alar e basal estão em transição entre encéfalo e medula. Ocorre gradativamente uma movimentação das fibras e das estruturas fazendo com que não haja uma definição completa de placa alar e basal − Ponte: existe uma mistura, tudo que era oriundo à placa alar é movimentado para baixo, como se incrustasse a placa alar entre a placa basal e o canal medular. Ocorre a formação dos núcleos das aferências somáticas e viscerais (mais acima e mais externas), além das eferências somáticas e viscerais (mais no meio e mais para baixo). Os tratos olivares inferiores são estruturas que surgem em decorrência da reorganização de outros grupos neuronais que não nem relação com as placas alar e basal − Bulbo: ainda existe uma pequena analogia entre o que seriam as placas alar e basal. As aferências continuam na metade alar e as eferências na metade basal, no entanto, não ocorre a organização dos cornos, já ocorrem pequenas alterações que surgem devido às maneiras que essas rotas se relacionam com os nervos cranianos. São regiões onde gradativamente se reorganiza as estruturas do encéfalo e da medula para que elas se conectem. CRONOLOGIA DO DESENVOLVIMENTO ENCEFÁLICO O telencéfalo cresce muito e encobre o diencéfalo e o mesencéfalo Condições clínicas de origem embriológica MICROCEFALIA É a condição produzida pela redução ou interrupção da proliferação neuronal, em especial no córtex. Ocorre morte neuronal (está vinculada aos casos do zika vírus) ainda na fase fetal provoca diferente grais de severidade da microcefalia. Há o fechamento do tubo neural mas não há a progressão do desenvolvimento das vesículas Problemas decorrentes: − Menor avanço cognitivo − Problemas somato-sensoriais Microcefalia ≠ merocefalia Merocefalia: o telencéfalo não se forma, desenvolve-se apenas uma parte do encéfalo (bulbo e ponte) Microcefalia: córtex (telencéfalo) não prolifera Diâmetro cranial entre 30 e 32 cm Pressão Diâmetro cranial entre 33 e 35 cm Diâmetro cranial inferior a 30 cm Caso Jaxon Buell Microcefalia (20% de massa encefálica) associada à hidranencefalia. Expectativa de vida: algumas horas ou dias Tempo de vida: 5 anos HIDROENCEFALIA Provoca um auemto do diâmetro crainal acompanhado de desproporções entre face e crânio. Ocorre a dilatação das suturas e fontanelas pelo aiuemto da pressão hidrostática e acúmulo de LCR nos ventrículos. Esse acúmulo causa dilatação ventricular (ventrículos encefálicos) que causa as deformidades. Podem ser de dois tipos: comunicante ou não comunicante. Isso siguinifica que nem sempre vai ser provada por uma obsturção no sistema de circulação, pode ser produzida por um tumor de plexo coroide ou por toxicidade. A hidrocefalia é uma condição tratável, não é debilitante, no entanto, é necessário intervenção rápida. Pode ser tratada a partir de um procedimento cirúrgico onde há a implantação de um cateter ventricular que desemboca na cavidade peritoneal, onde será metabolizado e drenado pelos rins. Pode desembocar também no ducto torácico, liberando o líquido no sistema linfático. Esse cateter é constituído de uma válvula que pode ser aberta ou pode se abrir conforme o aumento da pressão. Ventrículos dilatados Comunicante Não comunicante Sem obstrução da capacidade absortiva de LCR Obstrução da capacidade absortiva do LCR (a circulação é normal, porém a reabsorção é prejudicada) Obstrução da circulação de LCR (ou no forame ventricular ou no aqueduto cerebral) Tipos especiais São causadas por um agente patogênico, como as provocadas por rubéola, sífilis ou toxoplasmose Hidrocefalia comunicante Obs.: circulação do líquido cefalorraquidiano ventrículo lateral → forame ventricular → 3º ventrículo → aqueduto cerebral → 4º ventrículo → canal medular Hidrocefalia não comunicante Origem dos tecidos Sempre há uma dependência dos tecidos mesodérmicos para formar o “recheio” dessa estrutura → tecidos conjuntivos e musculares. Esse tecido mesenquimal tem origem a partir da rediferenciação das células da crista neural da região cefálica do embrião, fazendo com que essas células sejam reprogramadas (deixam de estar comprometidas com os tecidos de origem ectodérmica e passam a formar esse mesênquima). Essas células invadem toda a porção ventromedial por migração dorsolateral, então ocorre deposição de tecido entre a ectoderme e o tubo neural. O prosencéfalo vai ser o principal centro organizador da cabeça porque ele vai garantir a migração das células que estão na região do mesencéfalo, formando o manto que se estende por cima do tubo neural. Quando essas células começam a se projetar para frente, começa a ter um preenchimento que vai distendendo a ectoderme e vai projetando-a por cima do prosencéfalo, que por sua vez, se projeta por cima da boca. Essa projeção constrói a primeira porção da cabeça do embrião, a saliência frontonasal (também participa em partes da formação da face) O rombencéfalo é determinante no desenvolvimento da face, as células originadas dos rombômeros (1 a 7) vão migrar dos arcos faríngeos. O mesênquima vai dar origem a todos os tecidos conjuntivos e musculares da cabeça e da face. As células se dividem em dois conjuntos, um que vai migrar de forma laminar sobre o prosencéfalo, formando o mesoderma da cabeça, que dará a origem a região do neurocrânio, o outro conjunto de células migra de forma concentrada (correntes migratórias da região do rombencéfalo em direção a região ventral) forma o aparelho faríngeo, que dá origem ao viscerocrânio (é de onde surgem as estruturas ósseas que irão organizar a face) CRÂNIO E FACE − Crista neural prosencefálica → mesoderma da cabeça → neurocrânio − Crista neural romboencefálicas → arcos faríngeos → viscerocrânio MESÊNQUIMA Tecidos conjuntivos da cabeça e da face Mesoderma da cabeça Aparelho faríngeo NEUROCRÂNIO VISCEROCRÂNIO Neurocrânio A partir do mesênquima, irá ocorrer a formação de ossos, cartilagens, músculos, tendões e ligamentos. A movimentação das estruturas começa no final da 4ª sde e irão formar lâminas de mesênquima ao redor do prosencéfalo e mesencéfalo. Ao redor da 7ª sde é que começa a diferenciação do tecido ósseo, depois disso é que ocorrerá a distinção do que será cartilagem e do que será músculo (neurocrânio membranoso). A região do neurocrânio terá duas formas de ossificação: − Neurocrânio cartilaginoso → processo de indução de condrificação → ossificação endocondral → ossos da base do crânio − Neurocrânio membranoso → ossificação intramembranosa → ossos planos da caixa craniana (abóbada craniana) O crânio possui muito mais ossos durante o período de desenvolvimento do que quando neonato NEUROCRÂNIO CARTILAGINOSO (CONDROCRÂNIO) Vai dar origem a um conjunto de osso que forma a base do crânio. As principais peças cartilaginosas que irão evoluir e dar origem aos ossos da base do crânio são: − Cartilagens trabeculares − Cartilagens hipofisárias − Cartilagem paracondral − Esclerótomos occipitais (o primeiro e o segundo somitos participam da formação dessas peças) A fusão dacartilagem paracordal com os esclerótomos occipitais organiza toda a parte posterior do crânio. As células dos esclerótomos migram em volta da medula para encontrar as a cartilagem paracordal, formando o forame magno. Aproximadamente na 9ª sde, inicia-se o processo de condrificação, não há nada revestindo o tubo neural a não ser a membrana de tecido mesenquimal. A ossificação se inicia antes nas peças cartilaginosas, os centros membranosos são posteriores. NEUCRÂNIO DERMAL (INTRAMEMBRANOSO) Se forma mais tarde que a parte cartilaginosa e é composto por 5 regiões de ossificação intramembranosa: − Uma região que dá origem ao ramo esquerdo do osso frontal − Uma região que dá origem ao ramo direito do osso frontal − Uma região no lado esquerdo que dá origem ao osso parietal − Uma região no lado direito que dá origem ao osso parietal − Uma faixa de ossificação que forma a parte escamosa/trabecular do osso occipital − Obs.: Começa pelas regiões frontais e occipital Além disso, também vão participar da fusão dessas estruturas alguns elementos do viscerocrânio (que também passam por ossificação intramembranosa): − Osso zigomático − Maxila − Parte escamosa do osso temporal − Cartilagem de Meckel (saliências mandibulares do 1º arco faríngeo) FONTANELAS E SUTURAS Suturas: regiões em que ocorre a transformação do tecido mesenquimal em um tecido parecido com uma membrana tendínea − Sutura sagital − Sutura metópica − Sutura coronal − Sutura lamboide Essas suturas (linhas de fusão) são resultado do processo de crescimento e transformação das estruturas ósseas durante toda primeira infância da criança. São onde um centro de ossificação encontra o outro, não pode ocorrer na vida fetal para que ocorra o crescimento do encéfalo. Fontanelas: regiões de encontro de várias peças ósseas (“moleiras”) onde não a o desenvolvimento de tecido ósseo. Fontanela anterior − Fontanela posterior − Fontanela mastoide − Fontanela esfenoide Nas suturas e fontanelas, o tecido membranoso vai se manter e vai sendo gradativamente se diferenciando para permitir o crescimento do encéfalo no período pós natal. Uma outra função é a modelagem do crânio para o parto. A ausência da sutura sagital significa que houve ossificação precoce. A ossificação precoce na vida fetal ou na primeira infância está relacionada diretamente com a principais más formações do crânio, as craniossinostoses. CRANIOSSINOSTOSES São formadas por um processo de ossificação precoce de uma das suturas ou fontanelas, ocorrendo crescimento apenas onde não houve ossificação, causando uma série de deformidades craniais que são determinadas de acordo com a sutura/fontanela que se ossificou precocemente. − Sinostose sagital → ausência da sutura sagital → provoca uma escafocefalia (formação do crânio estreito e alongado) − Sinostose metópica → ausência da sutura metópica → deforma o osso frontal, causando uma trigonocefalia − Sinostose coronal bilateral → braquicefalia (cabeça chata, não tem curvatura dorsal) − Sinostose coronal unilateral → deformidades faciais − Sinostose lamboide → deformidades faciais Nesses casos, a correção é feita de forma cirúrgica PLAGIOCEFALIA POSICIONAL Ocorre quando ou o bebê é grande e a mãe é pequena ou não está encaixado (passa a gestação sentado, não faz os giros) ou o parto é feito com fórceps. É diferente da sinostose lamboide pois a sutura não foi ossificada precocemente, apenas ocorreu uma deformidade devido às placas ósseas mal posicionadas. A correção é feita por órteses (capacetes). Aparelho faríngeo O aparelho faríngeo é a principal estrutura responsável pela doação de tecidos que vão formar os elementos faciais. CRISTA NEURAL E ARCOS FARÍNGEOS Os arcos faríngeos serão formados principalmente pela migração de células da crista neural (migram da região de fechamento do tubo neural em grandes grupos para a região ventral). Essas massas formam projeções em forma de dedo que se projetavam ao lado do tubo neural em direção à região ventral do embrião, formando a cabeça. − Rombômeros 1 e 2 → 1º arco faríngeo − Rombômeros 3, 4 e 5 → 2º arco faríngeo − Rombômeros 5 (porção caudal), 6 e 7 → 3º arco faríngeo − Rombômero 8 → 4º arco faríngeo Essas células da crista neural migram pelo espaço entre a ectoderme e a endoderme, formando grandes protuberâncias. Essas células projetam a ectoderme na superfície corporal do embrião e a endoderma para a luz do intestino anterior, formando os arcos faríngeos. Entre a 4ª e a 5ª sde, vai ocorrer o surgimento dos quatro arcos faríngeos. Os arcos faríngeos sempre irão migrar da região dorsal até a região ventral, delimitando a futura região do pescoço, até que as duas metades se encontrem, formando aas paredes da faringe primitiva (exceto pelo primeiro arco, a sua migração será interrompida pela membrana orofaríngea - abertura do estomodeu). O estomodeu (boca primitiva) será o principal centro organizador da face. A migração das células em correntes individualizadas faz com que cada arco permaneça separado dos demais. O espaço existente entre dois arcos é recoberto externamente pela ectoderme, formando os sulcos. A migração dos arcos também modela a endoderme, formando evaginações entre cada arco que são denominadas bolsas. Cada arco faríngeo é constituído por uma massa mesenquimal que vai gradativamente se diferenciando, desenvolvendo alguns outros elementos. O mesênquima dentro do arco começa a se diferenciar e forma: 1. Bastão cartilaginoso → ossos e cartilagem → ossos da face, do ouvido (1º arco) e cartilagens laríngeas (3º e 4º arcos) 2. Componente muscular → musculo esquelético → músculos da face (2º arco) e do pescoço (3º e 4º arcos) 3. Vaso sanguíneo → arcos aórticos oriundos do saco aórtico (responsável pela nutrição do arco enquanto as estruturas estão em diferenciação) → vasos ou pequenos segmentos de vasos da face Bastão cartilaginoso Nervo Vaso sanguíneo Componente muscular Cordão de mesênquima No primeiro arco, há um predomínio do bastão cartilaginoso, já no segundo arco, há um predomínio do componente muscular. DERIVADOS DO BASTÃO CARTILAGINOSO Os elementos dos arcos faríngeos migram e circundam a orofaringe e cedem tecidos para a formação das estruturas faciais e do pescoço − 1º arco → cartilagem de Meckel (principal centro organizador da mandíbula), dois ossos responsáveis pela formação do côndilo e ATM (maleus e incus) − 2º arco → processo estiloide do osso temporal e o corno menor do osso hioide − 3º arco → corno maior do osso hioide − 3º e 4º arcos → cartilagens tireoide, cricoide, aritenoide DERIVADOS DO COMPONENTE MUSUCULAR − 1º arco → m. temporal, m. masseter e ventre anterior do m. digástrico − 2º arco → todos os músculos da face, ventre posterior do m. digástrico, mm. auriculares, m. occipital − 3º arco → mm. faríngeos − 4º arco → m. estilofaríngeo VASCULARIZAÇÃO A vascularização de cada arco faríngeo será feita por um arco aórtico. Cada arco aórtico está conectado à aorta dorsal ipsilateral e ao saco aórtico cranial do tronco arterioso. Do primeiro segmento do arco aórtico, surgem dois ramos que saem perpendicularmente e vão em direção à prega cefálica, formando as artérias carótidas comuns. Quando chegar na região das primeiras placas do osso temporal, esse ramo vai se dividir, formando o seio carotídeo, dando origem às artérias carótidas internas e externas, garantindo a circulação da cabeça. Os arcos aórticos em si vão perdendo a funcionalidade à medida que a vai ocorrendo a progressão dos dias e ocorre a remodelação musculoesquelética da cabeça. A principal estrutura do saco aórtico passa a fazer parte do tronco arterioso. INERVAÇÃO À medida que as células da crista neural craniais migram, elas trazem consigo terminais axonais dos nervos cranianos (o corpo celular fica no rombencéfalo), então cada arco apresenta seu próprio segmento de inervação. Cada nervo cranianoirá inervar os elementos faciais do mesênquima no mesmo arco correspondentes, assim como os dermátomos, ou seja, a inervação de determinados grupamentos musculares da face deve-se a diferentes nervos. − 1º arco → nervo trigêmeo (V) − 2º arco → nervo facial (geniculado - VII) − 3º arco → nervo glossofaríngeo (IX) − 4º arco → nervo vago (X) DESTINOS DOS SULCOS FARÍNGEOS À medida que os arcos vão se tranformando em ossos e musculos, gradativamente o aparelho faríingeo (os arcos) vai desaparecendo. − O crescimento do mesênquima do segundo arco se projeta sobre o 3º e 4º sulcos, encobrindo-os e formando o seio cervical − Apenas o 1º sulco contribui para formação de uma estrutura crânio-facial, ele auxilia na formação do meato acústico externo − Do encontro entre ectoderme do primeiro sulco e a endoderme da primeira bolsa forma-se a membrana timpânica Ao final do período embrionário, as estruturas do aparelho faríngeo foram modificadas e adaptadas para novas funções ou desaparecem. Desenvolvimento maxilar e nasal Viscerocrânio = 1º arco faríngeo (os elementos da mandíbula e da maxila derivam exclusivamente deste arco) Saliências mesenquimais Com a migração e proliferação de células da crista neural ocorre a formação de cinco saliências faciais que estão muito próximas da estrutura da boca primitiva (estomodeu). A boca primitiva vai ser o principal determinante de como essas saliências faciais vão se estabelecer e a partir da proliferação das células da crista neural, já como mesênquima, irá ocorrer a formação dessas saliências. − 2 saliências maxilares (direita e esquerda) − 2 saliências mandibulares (direita e esquerda) − Saliência (ou proeminência) frontonasal → não deriva dos arcos faríngeos, é derivada de células da crista neural da região prosencefálica e diencefálica. PLACÓDIOS NASAIS E SALIÊNCIAS NASAIS À medida que vai ocorrendo a migração das células da crista neural, vai surgindo da região frontal do embrião duas regiões de adensamento da ectoderme, os placódios nasais. Os placódios determinam e organizam as saliências nasais, pois na região do placódio, o mesênquima não consegue ultrapassar essas estruturas, que vai se depositando ao redor. A medida que vai se proliferando, o mesênquima vai se projetando e internalizando os placódios, formando a saliência nasal − Fim da 4ª sde → formação dos placódios − Da 5ª até 10ª sde → deposição de mesênquima e crescimento das saliências As saliências são divididas em 2 porções, uma lateral e uma medial. A saliência lateral forma a aba do nariz (cartilagem elástica) e a medial forma o septo (cartilagem hialina). Existem algumas fases de crescimento: − Independente do encéfalo → os tecidos crescem e se organizam de forma autônoma − Crescimento do córtex induz o refinamento anatômico (da 9ª semana até a 16ª) À medida que as saliências nasais se aproximam, elas se fundem primeiro na parte superior. Essa fusão vai progredindo à medida que as saliências vão crescendo. Entre a 7ª e a 10ª semana, as saliências nasais medias se fundem, formando o septo nasal (tabique, estrutura de divisão). O septo cresce do teto da cavidade oral em direção à língua. O septo ainda sofre um processo secundário, principalmente durante o período neonatal, aonde vai ocorrer o crescimento de pequenas projeções para formar efetivamente as conchas nasais e o seios da face. SALIÊNCIAS MAXILARES As saliências maxilares organizam as partes laterais do lábio superior, as bochechas e a maxila. Entre a 6ª e a 12ª semana, as saliências maxilares se projetam para o espaço da cavidade oral (processos palatinos laterais) na direção medial, formando o palato. Os processos palatinos são formados por duas cristas de tecido mesenquimal da própria saliência maxilar e tendem a se organizar em direção um ao outro para depois se fundir. Entre a 8ª e 9ª semana, ocorre o aumento da expressão de glicosaminaglicanos (GAGs → tem função de atrair água), faz com que esses processos laterais elevem em direção ao septo nasal, essa elevação faz que eles continuem crescendo em direção um ao outro, ocorrendo o fechamento e a formação do palato. O palato é formado por: − Palato primário → resultado da fusão das duas saliências nasais mediais − Palato secundário → saliências maxilares ▪ Palato mole → tecido conjuntivo denso ▪ Palato duro → processos palatinos → ossificação O crescimento das saliências maxilares empurra as estruturas nasais, afinando o nariz, e esse canal formado pela invaginação das duas bordas formadas pelas saliências maxilares e nasal lateral formam o canal nasolacrimal. Fendas labiais A estrutura palatina está completa, formada, mas não ocorreu a fusão das saliências maxilares e saliências nasais mediais → defeito no lábio superior e filtro do lábio separados, pode ser bi ou unilateral (antigamente conhecida como lábio leporino). Fendas palatinas Ocorre falha na união das saliências maxilares entre si (os processos palatinos não se desenvolvem ou não se conectam – falha na deposição de GAGs) → palato incompleto Fendas labiopalatinas Falha na união das saliências maxilares entre si e das saliências maxilares e nasais mediais. Podem ser uni ou bilaterais, completas ou incompletas. As fendas incompletas se apresentam em apenas uma parte da estrutura. Mandíbula e síndromes do primeiro arco SALIÊNCIAS MANDIBULARES Ao final da 4ª semana, já podem ser identificados dois semiarcos que passam por baixo do estomodeu (boca primitiva). As saliências mandibulares se formam antes das maxilares, no entanto, elas só vão ter crescimento e consolidação das estruturas ósseas no período fetal, no período embrionário só ocorre deposição dos tecidos e organização citoarquitetônica. Enquanto os terços superior e médio se consolidam no período embrionário o terço inferior (que é formado pelas saliências mandibulares) só se consolida no período fetal. Destino do mesênquima das saliências mandibulares As extremidades ditais dos arcos se encontram ao contornar o estomeodeu e se fundem medialmente, formando a cartilagem de Meckel (não é o precursor da mandíbula, que é formada por ossificação intramembranosa, portanto, não precisa de suporte cartilaginoso), que é uma cartilagem de sustentação do mesênquima para a formação das lâminas membranosas responsáveis pela consolidação do arco mandibular (participa da organização do desenvolvimento do lábio inferior, gengiva inferior e também vai ser importante para modelar a região orofacial do embrião, pois vai receber as lâminas de mesênquima que posterior ossificação intramembranosa. A cartilagem de Meckel vai formar: − No segmento médio-distal → molde mandibular − Segmento → proximal centro organizador dos ossículos do ouvido → ATM e martelo ▪ O 2º arco → estribo e bigorna O mesênquima da crista neural sofre um processo de ossificação endocondral formando a cartilagem de Meckel. Na cartilagem, ocorre a deposição de lâminas mesenquimais que formarão os ossos da mandíbula. É um suporte migratório e anatômico para consolidação dos diferentes ramos do nervo mandibular e deposição de ameloblastos (dentes) 6ª SDE: DOIS CENTROS DE OSSIFICAÇÃO → OSSIFICAÇÃO INTRAMEMBRANOSA → 10ª SDE: MANDÍBULA RUDIMENTAR IMPORTANTE!!! → lembrar que a ossificação da mandíbula é intramembranosa, apesar da existência da cartilagem que dá a falsa ideia de ossificação endocondral (cartilagem de Meckel é gradativamente reabsorvida conforme as lâminas membranosas vão envolvendo-a) Osso mandibular A proliferação das membranas mesenquimais na região medial induz o crescimento do arco mandibular para a região posterior. É a partir do período fetal que ocorre o crescimento e remodelação, alcançando a proporcionalidade entre os dois terços superiores e o terço inferior. Esse crescimento provoca a inflexão do osso mandibular e a movimentação do meato acústico (ascensão e movimentaçãopara trás) FORMAÇÃO DO OUVIDO O ouvido depende de três estruturas, a bolsa, o sulco e a membrana faríngeas (do 1º arco), porção proximal da cartilagem de Meckel (arco mandibular) e porção cartilaginosa do 2º arco (cartilagem de Reicht) − 1º arco → martelo − 2º arco → bigorna e estribo Enquanto esses ossos estão se desenvolvendo, vai ocorrendo a movimentação dessas estruturas. Os ossos vão empurrando esses ossículos para cima e para trás. Aonde a borda da primeira bolsa faríngea (tuba auditiva) e a ectoderme do primeiro sulco (meato acústico externo) se encontram, há a formação da membrana timpânica. A princípio as orelhas se localizam na região do pescoço. O crescimento da mandíbula, no período fetal, desloca o meato acústico e as orelhas para as laterais da cabeça, na altura dos olhos. Síndrome de Treacher Collins É uma herança autossômica dominante. Causada por uma mutação no gene TCOF1 do cromossomo 5, causando uma proteína treacle mutante. Causa alteração do desenvolvimento de ossos do rosto e tecidos relacionados ou dependentes do tecido ósseo para o seu desenvolvimento. É classificada como síndrome do primeiro arco faríngeo, justamente porque todos os tecidos derivados do primeiro arco não se desenvolvem corretamente. Os indivíduos afetados apresentam: − Hipoplasia malar − Hipertelorismo (aumento da distância interocular) − Defeitos palpebrais − Falta de proporção facial (estreitamento da face) − Hipognatia − Implantação auricular baixa → devido ao não crescimento da mandíbula − Deformidades auriculares − Surdes ou baixa acuidade auditiva − Podem apresentar fendas palatinas (80%) DESENVOLVIMENTO DA LÍNGUA Também é oriunda do primeiro. Na 4ª semana, já ocorre a determinação das duas regiões das saliências linguais. A partir da 6ª sde, ocorre a proliferação das saliências. Existe também o tubérculo ímpar que é formado por células das saliências do primeiro e segundo arcos. Durante a proliferação, as saliências linguais se expandem no sentido medial e posterior, provocando a extensão da língua. Entre a 5ª e 7ª semana, a língua é maior do que a boca e pode ser bífida ( ). O crescimento das estruturas mediais se sobrepõe e esconde a eminência hipobranquial e o tubérculo ímpar (derivados do 2º e 3º arco). Só o terço posterior da língua será formado por doações de células do mesênquima do terceiro arco faríngeo. Os miótomos dos primeiros somitos se infiltram depois e se encarregam de formar a musculatura da língua, às células do tecido mesenquimal se encarregam da formação os vasos, o tecido conjuntivo e o tecido adiposo da língua Sequência de Pierre-Robin É causada por uma mutação ainda não identificada, é uma herança autossômica recessiva, causa alteração na migração ou proliferação de células que vão formar as estruturas ósseas da mandíbula (há a formação do primeiro arco, mas não há a evolução do mesmo), ocasionando falha no desenvolvimento ósseo da saliência mandibular. Apresenta três sinais característicos: − Micrognatia − Implantação auricular baixa → decorre do erro na formação do osso maxilar − Fenda palatina posterior em “U” → se estabelece porque, como a mandíbula não se estende, a língua vai crescendo e ocupando toda boca, impedindo o fechamento do palato Derivados da endoderme BOLSAS FARÍNGEAS São quatro projeções endodérmicas que se formam como reflexo da formação dos arcos faríngeos. Se localizam entre os arcos e não tem relação com a formação de nenhum dos tecidos da cavidade oral, elas dão origem a tecidos endócrinos e linfoides (exceto a 1ª bolsa que participa da formação do recesso timpânico). Vão se movimentar e ocupar lugares muitos distantes da sua origem. As bolsas são responsáveis pela formação: − 1ª bolsa → membrana timpânica − 2ª bolsa → tonsilas palatinas (tecido linfoide) − 3ª bolsa → paratireoides inferiores e timo (tecido endócrino e tecido linfóide) − 4ª bolsa → paratireoides superiores e corpo ultimofaríngeo (tecido endócrino) → o corpo ultimofaríngeo vai se diferenciar nas células C, que são secretoras de calcitonina na tireoide) Num primeiro momento, acontece a proliferação de tecido endodérmico que preenche a bolsa faríngea em sua totalidade. Depois, à medida que a língua e a mandíbula crescem, essas estruturas são empurradas em direção posterior da cabeça e para baixo – movimentação ventro-posterior (como se escorregassem na base da língua em direção ao pescoço). O crescimento da própria estrutura faz com ela vá se projetando para a região de mesênquima facial e vá se desprendendo do intestino anterior (se ocorresse a manutenção da endoderme ligada ao intestino as glândulas seriam exócrinas, mas como ocorre a separação, elas são endócrinas). DESENVOLVIMENTO DA TIREOIDE Surge da cavidade oral, um outro divertículo entre os 2º e 3º arcos faríngeos, aproximadamente no 24º dia após a fecundação. Ocorre uma invaginação do epitélio da língua, formando o divertículo tireóideo, que posteriormente dará origem à tireoide. Assim como nos tecidos das outras bolsas faríngeas, o crescimento da mandíbula e da língua empurra o divertículo para uma posição posterior. Enquanto o divertículo se prolifera ele se afasta do epitélio de origem, formando o ducto tireoglosso (estrutura temporária). Por um curto período de tempo, a tireoide fica conectada à língua pelo ducto tireoglosso. A tireoide assume sua posição definitiva na 7ª semana do desenvolvimento (ancorada nas cartilagens laríngeas – tireoidea e cricoidea). À medida que a mandíbula continua crescendo durante toda a vida fetal associada ao crescimento das vértebras, ocorre um afastamento cada vez maior da tireoide da língua. A secreção de hormônios da tireoide começa na 9ª semana. Os hormônios da tireoide estão intimamente ligados ao desenvolvimento da face e do encéfalo. O sistema respiratório vai se formar a partir de um divertículo respiratório que é uma estrutura caracterizada por uma evaginação da endoderme no assoalho da faringe primitiva (aproximadamente no 23-24º dpf – 4ª sde), fazendo com se inicie um processo de extensão de um divertículo. No início, o local do divertículo é uma depressão na região do 4º arco faríngeo. Essa depressão vai se alongando em direção à área cardiogênica, formando um broto da endoderme na região mais caudal do embrião. Então pode-se dizer que o divertículo se movimenta em duas direções, uma que o afasta do intestino primitivo e outra que o alonga. A partir dessa extensão do divertículo, vai ocorrendo a formação da árvore respiratória. SULCO LARINGOTRAQUEAL Quando o divertículo começa a se estender, pode ser observado no assoalho da laringe a formação do sulco laringotraqueal, que representa a abertura do divertículo na faringe primitiva (que vai se tornar laringe), além de ser uma abertura comum à traqueia e esôfago primitivos. Nessa região do sulco é que vai existir a possibilidade de comunicação com os tratos digestório e respiratório. Depois vai ocorrer a formação do septo traqueoesofágico, que é uma estrutura que se projeta da borda do divertículo em direção à região oral da laringe para que possa ocorrer a separação das estruturas. É só no período fetal que vai ocorrer a modelagem da laringe e a separação completa dos tratos esofágico e respiratório. Origem dos tecidos O divertículo respiratório é uma estrutura endodérmica, mas, à medida que ele se estende, ele vai modelando as estruturas de mesênquima que estão ao seu redor (mesênquima dos 3º e 4º arcos faríngeos e mesoderma esplâncnico). O endoderma será responsável pela formação epitélio (de revestimento e secretor) da laringe enquanto o mesênquima do 4º e 6º arcos faríngeos formará as cartilagens laríngeas, os tecidos conjuntivos e os músculos da laringe. Vai existir também, no futuro, a adição de mioblastos dos primeiros somitos que irão participar da formação de outros grupos musculares. Então, a musculatura da laringeé predominantemente formada pelo mesênquima dos arcos faríngeos (4º e 6º), mas também existe a infiltração de mioblastos provenientes dos somitos para a formação de feixes musculares em diferentes direções. À medida que o divertículo se estende, ele vai migrando em direção à área cardiogênica. Em torno do 26-28º dia pós fertilização (fim da 4ª sde), o divertículo sofre a primeira dicotomização (primeira divisão em dois segmentos), caracterizando o primeiro momento de separação dos tecidos, de forma que sempre vai existir nesse epitélio uma porção que será pulmonar e outra que será brônquica. Desta forma, nas próximas divisões, os novos brotos serão formando pelos dois epitélios e à medida que isso vai se estendendo, o a região dos brônquios fica mais predominante e a região pulmonar fica reservada para ser dividida nas próximas dicotomizações. O processo de dicotomização da árvore respiratória vai continuar acontecendo durante todo o período embrionário, fetal e pós-natal. O desenvolvimento dos pulmões envolve uma longa etapa de maturação que se estende com pequenos ciclos de divisão Várias estruturas se originam da endoderme do intestino anterior, como a tireoide, a língua, as bolsas faríngeas e o divertículo respiratório. dicotômica durante os primeiros 3 anos de vida. Essas dicotomização sempre irão resultar em dois segmentos, um que dará origem ao broto brônquico e outro aos pulmões. A extensão do divertículo endodérmico provoca a distensão do mesoderma esplâncnico. Apesar do divertículo endodérmico (fonte de tecidos epiteliais) se alongar e dicotomizar, ele está sempre envolvido por mesoderma esplâncnico (representa sempre uma fonte de tecidos mesodérmicos). A parte de endoderme originará todos os tecidos epiteliais (de revestimento e secretor) e o mesoderma esplâncnico, as cartilagens (principalmente do trato traqueal e bronquiolar), tecidos conjuntivos e músculos lisos em todo o trato respiratório. Existe um gradiente de diferenciação, sendo que na porção cranial, há uma maior deposição de cartilagens (para evitar o colabamento das vias aéreas) e depois, à medida que se aproxima da extremidade caudal, predomínio do desenvolvimento de estruturas musculares lisos e estruturas não cartilaginosas. Cada brônquio segmentar, com sua massa de mesênquima, vai formar um segmento broncopulmonar. Esse segmento representa uma fonte para a formação de estruturas epiteliais e de outras naturezas, que vão garantir que, à medida que vão ocorrendo as divisões subsequentes no desenvolvimento anatômico, exista sempre o aprofundamento tanto de tecido endodérmico quanto mesodérmico. A cada segmentação do endoderma, o mesoderma esplâncnico também se divide e envolve o novo broto. Se as dicotomizações são interrompidas, obrigatoriamente vai ocorrer a redução do desenvolvimento pulmonar. Desenvolvimento anatômico Anatomicamente, o sistema respiratório está dividido em algumas partes: − Faringe − Segmento traqueal − Segmento brônquico − Segmento pulmonar O mesoderma esplâncnico participa da formação dos segmentos traqueal, brônquico e pulmonar, no entanto, a faringe é formada pelo mesênquima do 4º e 6º arcos traqueias. As estruturas epiteliais são todas derivadas da ectoderme. A extensão do divertículo respiratório permite o desenvolvimento das diferentes estruturas. A dicotomização organiza anatomicamente os pulmões. Na 8ª semana do desenvolvimento, já é possível identificar os segmentos traqueal, brônquico e pulmonar. Esses segmentos tem um período de crescimento bastante longo, durando do até a primeira infância. O crescimento das vértebras, durante todo o período fetal e pós natal, garante a expansão da caixa torácica. Como os pulmões estão ancorados na estrutura da laringe através da traqueia e dos brônquios, à medida que o gradil costal vai se ampliando, vai ocorrendo a liberação de espaço na base dos pulmões, que é onde vai ocorrer as divisões ainda durante o período pós-natal. DESENVOLVIMENTO DA LARINGE Na laringe, vai ocorrer a abertura de um sulco laringotraqueal, com aspecto de uma fenda estreita. As células da crista neural que irão formar os arcos faríngeos envolvem o sulco, quando este for completamente envolvido, o mesênquima começa a se proliferar formando duas tumefações ao lado do divertículo que acabam mudando a sua posição. A abertura deixa de ser uma abertura em sulco e passa a ser em T. Na região anterior, existe a saliência da epiglote (ou hipofaríngea), que vai provocar o desenvolvimento de uma terceira tumefação. As tumefações laterais crescem em direção à boca (anterior) e saliência hipofaríngea cresce em direção à região posterior. − O mesênquima dos 4º e 6º arcos faríngeos é responsável pela formação das cartilagens laríngeas → tireóidea, cricoidea e aritenoideas − As saliências aritenoides provocam a principal deformação na abertura da laringe → crescem em direção à língua e obliteram a luz da glote (durante o período embrionário), ou seja, todo o líquido amniótico que entra na boca do embrião não consegue seguir adiante no trato respiratório. Com o período fetal, vai ocorrer um crescimento significativo de outras estruturas, o que leva a um remodelamento na região da traqueia também. Em torno da 10ª sde, por motivo da reorganização das cartilagens, ocorre a recanalização da faringe (as células das tumefações migram e se espalham, abrindo espaço), ocorrendo: − Modificação na abertura da laringe − Formação dos primórdio das cordas vocais → durante a proliferação das células das tumefações, a endoderme também é deformada em direção a luz da laringe, quando ocorre a migração das cartilagens, sobram duas pregas de endoderme no entorno da região onde as tumefações estavam dispostas. Essas duas pregas são responsáveis pela formação dos primórdios das cordas vocais. Em resumo, as cordas vogais se formam pela presença de tecido que sobra depois que as tumefações aritenoides se desfazem − Saliência hipofaríngea transforma o mesênquima na cartilagem da epiglote → epiglote FORMAÇÃO DA TRAQUEIA Primeiro vai ocorrer a extensão do broto da traqueia e depois ocorre a dicotomização acontece a separação, dentro divertículo respiratório, do que vai ser traqueal e do que vai ser broncopulmonar. Tudo que estiver a partir da dicotomização vai ser broncopulmonar e o que estiver entre a laringe primitiva e a dicotomização será traqueal. Esse segmento traqueal segue se estendendo entre a 7ª e a 10ª sde, toda a endoderme desse segmento vai dar origem ao epitélio de revestimento e glandular da traqueia – epitélio pseudoestratificado ciliado + células caliciformes. Vai ocorrer a indução da diferenciação do mesoderma esplâncnico em cartilagens e tecido conjuntivo (anéis cartilaginosos). A medida que a traqueia se expande a partir do período fetal, vai ocorrendo o remodelamento das estruturas do mesênquima e o crescimento das cartilagens. FORMAÇÃO DOS BROTOS BRÔNQUICOS À medida que os brotos brônquicos vão infiltrando o tecido, vão ocorrendo as divisões dicotômicas. A primeira é a divisão do assoalho, que é a responsável pela formação dos brônquios primários e depois cada um desses vai se dividindo, expandindo a árvore respiratória. Entre o 26º-28º dpf, ocorre a primeira dicotomização do divertículos respiratórios, formando os brotos brônquicos primários (um direito e um esquerdo). À medida que esses brotos vão se estendendo, eles vão se dividindo, dando origem aos outros segmentos bronquiais, permitindo que essa estrutura se amplie em três direções (a arvore respiratória se espalha por todo o espaço do mediastino e não só se aprofunde em direção à região caudal do embrião) A divisão dos brotos brônquicos primários produz os secundários e depois vão ocorrendo sucessivas divisões. − Brônquios secundários (lobares) → 3 ramos direitos e 2 esquerdos − Brônquios terciários (lobulares - divisões dos secundários) → de 4 a 5 segmentos por brônquio secundário Formaçãodos bronquíolos segmentares Após a formação dos brônquios lobulares (terciários), vão ocorrer sucessivas divisões endodérmicas que se projetam para dentro da mesoderme. Essas divisões prosseguem até a 24ª sde, dando origem a 17 ordens de ramificações endodérmicas para cada abertura lobular → formação dos bronquíolos respiratórios (a árvore respiratória aumenta circunferencialmente), a extremidade mais distal dessas estruturas permitem que os tecidos encontrem o contato com os vasos sanguíneos para constituir a barreira hematoaérea e iniciar o processo de trocas gasosas e hematose. Enquanto não ocorrer o mínimo contato de alguma estrutura cranial ou média com vasos sanguíneos, não será possível a sobrevivência do feto. CANAIS PERICARDIOPERITONIAIS Existem dois canais que passam ao lado do celoma cardíaco, os canais pericardioperitoniais (porque a extremidade caudal está em contato com a cavidade peritoneal e a cranial, com a cavidade pericárdica). Inicialmente, o divertículo respiratório se estende no estreito espaço entre o intestino anterior e a área cardiogênica, mas a extensão dura por pouco tempo porque logo o divertículo se divide. Após a divisão, cada broto brônquico irá ocupar um canal pericardioperitoneal PREGAS PLEUROPERICARDICAS E SEPTO TRANSVERSO No início, os canais são amplos e lineares, então o pulmão em desenvolvimento se projeta para a borda, invadindo e se ramificando, formando as camadas pleurais (o pulmão não perdura a parede do celoma, ele a empurra conforme cresce), formando as pleuras parietal e visceral. Conforme o pulmão se desenvolve e vai ocupando o canal pericardioperitoneal, surgem as pregas pleuropericárdicas que são estruturas responsáveis por separar a cavidade pleural da pericárdica (delimitam os espaços do pulmão e do coração dentro da septação do celoma). Existe uma outra estrutura limitante, o septo transverso, não para o desenvolvimento pulmonar, mas para que as estruturas que estão se desenvolvendo na cavidade peritoneal e não ocupem o canal percardioperitoneal. DIAFRAGMA Durante o dobramento longitudinal do embrião, o septo transverso, que era uma estrutura cefálica, dá a volta e se estabelece dividindo a parede anterior da cavidade peritoneal ( vai ser centro organizador de todo o resto da estrutura diafragmática). A porção caudal das pregas pleuroperitoneal encosta no septo transverso, com isso, a divisão das cavidades pleural e peritoneal fica incompleta, então a partir dessas estruturas, muitos mioblastos de origem somítica) vão migrar pela parede corporal durante a formação das estruturas das costelas e dos músculos intercostais, gradativamente fechando os espaços. O fechamento do diafragma deve acontecer na 8ª sde. Depois, conforme o bebê vai crescendo, a expansão dos pulmões, a presença de líquido no interior do pulmão e os movimentos respiratórios fetais ampliam o tórax. Conforme o tórax vai sendo ampliado, novos mioblastos vão preenchendo as membranas pleuropericárdicas e com isso o diafragma também se amplia. Suprimento vascular e inervação CIRCULAÇÃO PULMONAR A partir da artéria troncopulmonar emanam os ramos arteriais que infiltram o tecido do parênquima pulmonar em desenvolvimento através das estruturas bronquiolares que estão se desenvolvendo → formação dos ramos arteriais lobares e lobulares. Dessa forma, conforme vão ocorrendo as dicotomizações e extensão dos ductos respiratórios, também vai ocorrendo a modificação da rede vascular, garantindo que haja uma rede tanto de influxo quanto de refluxo de sangue para a região pulmonar. As projeções endodérmicas servem de substrato migratório para os vasos que estabelecem a pequena circulação. O grade problema é que essa rede pulmonar é baseada na ideia da ocorrência da hematose, porém, neste momento, esta rede não é funcional no sentido de não fazer hematose, então até isso se estabelecer, as artérias do pulmão vão conduzir sangue carbonilado (pCO2 > pO2) e não oxigenado. A rede circulatória inicial tem fluxo circulatório preparado para hematose ao nascimento, não é necessário fazer nenhuma adaptação após o nascimento, é só encher o pulmão de ar. A partir das artérias lobulares se estabelece uma intrincada rede de vasos que se ramificam até as extremidades dos dutos respiratórios (alvéolos). Basicamente, a rede circulatória que predomina durante o período embrionário é a que prepara o pulmão para a sua função, que é realizar trocas gasosas. REDE VASCULAR BRÔNQUICA Essa rede vascular garante a chegada de sangue rico em oxigênio aos tecidos traqueais, dos brônquios e bronquíolos a partir de vasos que emanam diretamente da aorta descendente. Então, vai existir um sistema circulatório relacionado à funcionalidade pulmonar e uma rede paralela de nutrição dos tecidos. Para isso, emanam diretamente da aorta dois vasos que representam as artérias brônquicas direita e esquerda. Além da nutrição dos brônquios, também é importante perceber que a partir das artérias brônquicas surgem ramos vasculares que nutrem a pleura. A função dessa rede brônquica é a nutrição das células que estruturam os segmentos condutores do sistema respiratório. INERVAÇÃO PULMONAR A inervação do pulmão se dá através do ramo laríngeo recorrente do nervo vago. O estabelecimento das células da crista neural do 6º arco respondem pela inervação de várias estruturas, como os músculos intrínsecos da laringe, as cartilagens laríngeas, a traqueia. À mediada que ocorre a formação do broto pulmonar, alguns segmentos vagais se estabelecem e vão se reorganizando conforme o pulmão cresce. A inervação pulmonar é vagal (deriva do 6º arco faríngeo), começa na 5ª sde e vai sendo modelada durante todo o período fetal. − Nervo vago → segmento parassimpático → controle da frequência respiratória − Nervos torácicos → segmento simpático − Nervo frênico → diafragma → controlador do enchimento e esvaziamento pulmonar − Nervos intercostais → regulação do processo de força de expiração e capacidade respiratória do indivíduo O brônquio serve como uma guia física para a migração de estruturas, como a artéria bronquial, o nervo motor, os vasos linfáticos e os nervos vasomotores (a estrutura do brônquio garante a expansão da estrutura de todo o controle neural, além da rede arterial e linfática) Resuminho: As redes vasculares alveolar e brônquica se estabelecem simultaneamente, sendo que a primeira se origina da artéria troncopulmonar e a segunda da aorta descendente INERVAÇÃO DIAFRAGMÁTICA É feita através do nervo frênico (faz parte do plexo cervical – raízes de C3, C4 e C5). Ele migra através da estrutura do mesentério dorsal até encontrar o septo transverso> quando ele encontra essa estrutura começa um processo de migração desses nervos que se espalham pela cúpula do diafragma. Primeiramente vai ocorrer a invasão do nervo frênico pelas bordas da caixa torácica, onde estão as pregas pleuropericárdicas, depois ele migra pela região do núcleo tendinoso e então se amplia à medida que vai ocorrendo o fechamento dos canais pleuroperitoneais pela migração de células musculares. Basicamente, a inervação do sistema respiratório vai vir de duas fontes: uma inervação que se restringe ao pulmão – nervo vago – e outra responsável pelo controle da funcionalidade, que é a inervação diafragmática – nervo frênico. Maturação pulmonar Ao longo do processo do desenvolvimento, existem diversas etapas da maturação pulmonar. Estas etapas são decorrentes da evolução da rede endodérmica e principalmente de contatos entre o epitélio desses ductos e a rede vascular, que é responsável por trazer o oxigênio até os pulmões. Basicamente, a maturação do pulmão envolve: − O estabelecimento de uma barreira hematoaérea funcional → contato do pneumócito com o endotélio → só é possível a ocorrência de trocas gasosas após o estabelecimento desse contato (enquanto houver a presençade estroma, não será possível a respiração) − Produção de surfactante → líquido que forma um pequeno filme na luz dos alvéolos e tem como função diminuir a tensão superficial entre a superfícies de troca da luz do alvéolo e da célula pulmonar MOVIMENTOS RESPIRATÓRIOS FETAIS Durante a expansão da caixa torácica e o desenvolvimento dos pulmões e dos alvéolos, vai ocorrendo gradativamente o estabelecimento de pressões negativas dentro das vias aéreas, é como um movimento de fole, a caixa torácica se amplia, o diafragma se afasta puxando a pressão no entorno dos pulmões. Quando essa movimentação é feita, acaba-se criando uma aspiração mecânica. Ao invés do feto encher os pulmões de ar, ele enche de líquido amniótico (o pulmão fica cheio de líquido durante todo o período fetal). A presença de líquido no interior dos pulmões í importante pois cria uma pressão hidrostática evitando o colabamento. Resumindo: − Provocam pressão negativa no interior das vias aéreas − Aspiração de líquido amniótico − Vias preenchidas por líquido durante todo o desenvolvimento − Começam ocorrer a partir da 9ª-10º sde Auxiliam no processo de crescimento dos pulmões. São 3 os fatores determinantes do crescimento: 1. Espaço torácico → é necessária a expansão do gradil costal 2. Movimentos respiratórios fetais 3. Volume de líquido amniótico Os movimentos começam só a partir da 9-10ª sde porque até esse período a entrada da laringe estava obliterada, impedindo a passagem de líquido para as vias aéreas. 5 PERÍDOS DE DESENVOLVIMENTO DOS PULMÕES 1. Embrionário → 4ª a 8ª semana → formação da árvore brônquica 2. Pseudoglandular → 8ª a 16ª semana → formação dos bronquíolos respiratórios 3. Canalicular → 16ª a 26ª semana → formação dos bronquíolos respiratórios 4. Saco terminal → 26ª semana ao nascimento → ampliação da extremidade dos bronquíolos, formação dos sacos aéreos 5. Alveolar → 32ª semana até os 8 anos de idade → estabelecimento dos contatos e produção de surfactante (capilar + pneumócito + surfactante) Os períodos se sobrepões porque os segmentos cefálicos amadurecem antes que os caudais ( o crescimento do pulmão se dá no sentido céfalo-caudal). Essa disparidade de maturação é o motivo pelo qual bebês prematuros conseguem respirar. Período embrionário − 4ª a 8ª semana − Formação dos brônquios secundários e terciários (basicamente é só a dicotomização). Embora existam os ductos respiratórios, não há diferenciação mesenquimal. − Segmentação do mesoderma Período pseudoglandular − 8ª a 16ª semana − É semelhante a uma glândula exócrina (pneumócitos cúbicos) − Apresenta grande quantidade de estroma − Os vasos sanguíneos sem contato com o ducto respiratório → não há contato ducto-vasculares − Intensa formação e crescimento dos ductos broncopulmonares − Não é possível a realização de hematose Período canalicular − 16ª a 26ª semana − Expansão da luz dos brônquios e bronquíolos − Bronquíolos terminais se dividem em bronquíolos respiratórios − Aumento da vascularização → o vasos estão no estroma pulmonar (vinculada a formação da rede trocadora de oxigênio) − Cada bronquíolo terminal da origem a 2-3 bronquíolos respiratórios. − Ao final deste período, as trocas gasosas são possíveis pois alguns bronquíolos terminais fazem contato com capilares. − Barreira hematoaérea ainda muito espessa (o epitélio respiratório ainda é cúbico) Período do saco terminal (sacular) − 26ª a 32ª semana − Epitélio se torna muito delgado → epitélio passa de cúbico para pavimentoso − Formação dos sacos terminais → alvéolos primitivos − Os sacos terminais ficam em contato íntimo com os capilares → barreira hematoaérea − Pneumócitos tipo II → secretam surfactante − Cada bronquíolo respiratório da origem de 3 a 6 ductos alveolares − A partir desta fase da maturação, os bebês podem sobreviver de forma autônoma → BHA delgada Surfactante → glicerofosfolipídeos + proteínas + colesterol + lipídeos − Diminui a tensão superficial dos alvéolos − É produzido a partir da 20ª semana, mas atinge níveis adequados a partir da 38ª. − Forma um filme protetor dentro do alvéolo − Secretado pelos pneumócitos tipo II – eliminado na forma de corpos lamelares na luz no alvéolo Período alveolar Fetal − 32ª semana até os 8 anos de idade − Estabelecimento da membrana alveolocapilar − Revestimento epiteliais se adelgaça − Camada epitelial pavimentosa − Capilares salientes nos sacos terminais − Transformação dos alvéolos imaturos em maduros Adulto → após a insuflação dos pulmões − Alvéolos maduros típicos só se formam após o nascimento − Distensão dos alvéolos − Protusão dos capilares na parede alveolar − Aumento do número de contatos entre capilares e pmneumócitos do tipo I − BHA→ funcional (hematose) Pós-natal − Aumento exponemncial da barreira hematoaérea − Septação de alvéolos e angiogênese o Recém-nascido → 50mi de alvéolos o Adulto → 300 mi de alvéolos − Novos alvéolos até os 8 anos (a maior parte até aos 3 anos) Malformações e condições de origem embriológica FÍSTULAS TRAQUEOESOGÁGICAS Surgem a partir de uma malformação do septo traqueoesofágico. Durante o início do processo de invaginação do divertículo respiratório, existe um divertículo muito raso e amplo, causando uma abertura elíptica no assoalho. Com a extensão do divertículo, ocorre um tracionamento, então a porção anterior e mias ventral se projeta mais rapidamente em direção ao diafragma, estendendo a porção mais cranial. Dessa forma, a abertura é estreitada, pois a parede anterior começa a ser projetada em direção a abertura e o tracionamento da porção inferior, faz com que surjam cristas de tecido ao redor da abertura. O septo traqueoesofágico sempre vai separar o sistema digestório na porção ventral da faringe e o sistema digestório na dorsal. Existe um problema durante a formação do septo que pode manter o trato digestório em comunicação com o respiratório. Essa fístula é oriunda de um processo de erro tanto no processo de divisão do traqueoesofágica tanto quanto na reabsorção do endoderma do esôfago. Classificação de fístulas A maior parte das fístulas são do tipo com atresia do esôfago. Nas do tipo, C, D e E, a chance do desenvolvimento de pneumonites ou síndromes agudas respiratórias é grande. Esses tipos permitem a nutrição por sonda nasogástrica, em contrapartida, nos tipos A e B, a nutrição tem que ser parenteral. AGENESIA PULMONAR Depois do desenvolvimento da traqueia vem o brônquico. À medida que o desenvolvimento brônquico estabelece a segmentação do endoderma, vai ocorrer também a combinação com o mesoderma. Então ocorre um processo de indução mútua, ou seja, à medida que o endoderma se dictomiza, ele induz todo o processo de diferenciação e modificação do mesênquima. Então em condições aonde o broto brônquico não se desenvolve, ocorre a presença de uma árvore respiratória incompleta ( traqueia +1 brônquio), dando origem à apenas um pulmão. É uma condição bem rara, pode ser uni ou bilateral, sendo a unilateral mais comum. − Unilateral → o crescimento do pulmão de apenas um dos lados empurra o coração e outras vísceras para o lado. Esse pulmão acaba compensando e suprindo a falta do inexistente − Bilateral → evolui para óbito e normalmente está associada com outras malformações, é uma condição muito rara, não existe nem um tipo de correção que permita a sobrevida do feto HIPOPLASIA PULMONAR Os pulmões são menores do que deveriam ser. Pode ser uni ou bilateral. A principal causa é o oligohidrâmio, seja em condições onde haja baixa produção, ruptura do saco amniótico ou perda da funcionalidade das células amnióticas com consequente queda na taxa de produção. − Líquido amniótico → é importantíssimo para os movimentos respiratórios fetais que produzem força hidrostática para o desenvolvimento pulmonar. Em casos de hipoplasia, a sobrevivência da criança depende do grau de severidade dacondição. Normalmente está associada com a hérnia diafragmática congênita. HÉRNIA DRIAFRAGMÁTICA CONGÊNITA É uma malformação muito grave e muito difícil de se resolver. É caracterizada por um defeito congênito na parede posterolateral do diafragma, ocorre devido a uma falha no fechamento dos canais pleuroperitoneais. Na 10ª sde, ocorrem os movimentos do intestino, no sentido reposicioná-los da hérnia fisiológica umbilical para a cavidade abdominal. Com a presença da hérnia pode ocorrer a eventração de segmentos intestinais para a cavidade torácica. − Representa a herniação de alças intestinais no espaço torácico. − O defeito ocorre aproximadamente na 8ª sde. − Entre a 9ª e a 11ª sde, ocorre toda a movimentação do intestino para a cavidade torácica, então quando o pulmão começar a se desenvolver na 16ª sde, ele não vai encontrar espaço livre. − A correção cirúrgica é muito difícil (pode ser corrigida por uma cirurgia fetal intrauterina), normalmente as crianças com esse tipo de defeito não sobrevivem, a não ser que o defeito seja muito pequeno. − A presença de outros órgãos no mediastino causa hipertensão pulmonar devido à alta resistência mecânica no retorno de sangue − A hipertensão causa uma insuficiência respiratória e muitas vezes edema. Classificação − HDC esquerda → “liver down” → fígado permanece no lugar dele (abaixo da linha diafragmática) − HDC esquerda → “liver up” → uma parte do fígado invade o espaço do mediastino pela hérnia, ocupando o espaço do coração → forma mais grave − HDC direita → também é uma forma bem grave, tem ascensão hepática SÍNDROME DA ANGÚSTIA RESPIRATÓRIA DO NEONATO (ou Síndrome do Estresse Respiratório ou Doença da Membrana Hialina) Não envolve a não formação de um tecido e sim uma não funcionalidade. Ocorre a produção insuficiente de surfactante, o que impede a redução da pressão superficial dentro dos alvéolos de forma adquada (a tensão fica aumentada) − Pouco surfactante → maior tensão das pontes de hidrogênio do líquido alveolar − Alvéolos preenchidos por líquido e subinflados → os pulmões não conseguem alcançar os capilares, diminuindo a superfície de permeabilidade, diminuindo as trocas gasosas − Respirações curtas e rápidas (bebê ofegante) − Fadiga dos músculos intercostais → óbito Fatores que levam à predisposição da síndrome: − Prematuridade → idade menor que 36 semanas − Gestação de múltiplos − Diabetes gestacional ou prévia à gestação − Oligohidrâmio − Parto cesáreo* → a passagem pelo canal de parto comprime a caixa torácica, auxiliando na expulsão de parte do líquido dos pulmões A morte dos pneumócitos do tipo II causa uma baixa produção de surfactantes, o que leva a um colapso pulmonar. Esse colapso pulmonar representa um quadro de hipóxia, que leva a dois prejuízos: 1. Vasoconstrição pulmonar → menos sangue circula no pulmão, aumento da barreira hematoaérea, diminuindo as trocas gasosas → dano ao endotélio 2. Endotélio danificado → produção de fibras hialinas → esse material se acumula dentro do alvéolo, formando uma capa de tecido branco e rígido (representa um aumento da barreira hematoaérea, quanto maior a barreira, maior é a dificuldade de realizar hematose) As crianças com essa síndrome podem sobreviver, mas precisam de atenção especial. − Oxigenoterapia → compensação da hipóxia − Terapia com corticoides − Reposição com surfactante exógeno Origem do tubo digestório O sistema digestório tem origem a partir dos dobramentos do embrião. Toda a face ventral do embrião discoidal é revestida por células endodérmicas e, durante os dobramentos do embrião, parte do endoderma da vesícula vitelínica nas regiões anterior e posterior passa a ser movimentada no sentido do dobramento longitudinal e passa a ser incorporada no intestino do embrião. Esses processos de dobramentos garantem que o intestino primitivo, que deveria ser uma estrutura linear, passe para uma organização tubular. Esse tubo vai ter várias regiões estabelecidas de acordo com a posição do embrião e a relação desse segmento com a manutenção de uma comunicação com a vesícula umbilical. A partir dos dobramentos (o longitudinal é o que mais contribui), as extremidades cefálica e caudal se fecham. A membrana bucofaríngea determina o plano de movimentação no dobramento na extremidade cefálica e a membrana cloacal na extremidade caudal. Dessa forma, quando essas membranas forem reabsorvidas (em torno do 28º dpf), vai ocorrer a abertura da luz do intestino para a cavidade amniótico, sendo possível então seu preenchimento por líquido para evitar o colabamento dos tecidos. Ao final da 4ª semana do desenvolvimento, com os dobramentos do embrião concluídos, esse tubo digestório primitivo estará dividido em três regiões: 1. Intestino anterior → compreende os segmentos esofagiano, estomacal, hepático, biliar e duodenal (cranial) + estruturas derivadas da orofaringe (bolsas faríngeas, tireoide e divertículo respiratório) 2. Intestino médio → compreende toda a parte que forma a alça mesentérica média (é formada a partir da compressão do saco vitelínico e pela manutenção de um contato do saco vitelínico e do intestino pelo divertículo onfaloentérico) → forma a porção caudal do duodeno, o jejuno, o íleo, o ceco, o cólon ascendente e os dois terços craniais cólon transverso 3. Intestino posterior → forma o um terço restante do cólon transverso, o cólon descendente, o cólon sigmoide, reto e os dois terços craniais do canal anal (o outro terço do canal anal é formado pela membrana cloacal) Dois fatores determinam a segmentação do intestino primitivo nessas regiões: a alça mesentérica média e o diafragma. ORIGEM DOS TECIDOS A delaminação da mesoderme provoca a formação da somatopleura e da esplancnopleura (associação da endoderme com a mesoderme visceral). Então, todos os tecidos do trato digestório vai ser formado a partir do endoderme e do mesoderme visceral. − Endoderme → forma as túnicas mucosa e submucosa (todo o tecido epitelial) − Mesoderme visceral → forma as túnicas musculares e serosa (musculatura lisa e angiogênese) − EXCEÇÃO: a região do terço superior do esôfago vai receber a infiltração de uma grande quantidade de células dos 4º e 6º arcos faríngeos, causando a formação da musculatura estriada esquelética (movimento voluntário – deglutição) BROTAMENTOS DORSAIS E VENTRAIS Durante o processo de transformação do intestino, existem algumas etapas que vão garantir a formação de segmentos específicos que provocam o surgimento dos brotamentos dorsais e ventrais. À medida que vai ocorrendo a formação dos dobramentos, o endoderma sempre formará o parênquima e o mesoderma, o estroma. 1. Especificação dos órgãos (15 somitos) Algumas regiões do endoderma serão estimuladas por determinados tecidos, induzindo a diferenciação de algumas estruturas. O principal organizador da diferenciação dos divertículos respiratório e hepáticos é a área cardiogênica e do divertículo da tireoide será a eminência hipofaríngea. 2. Divertículos/brotos dos órgãos (25 somitos) O endoderma se distende e forma evaginações. Essas evaginações formam os dobramentos dorsais e ventrais 3. Proliferação/diferenciação (50-60 somitos) Brotamentos dorsais e ventrais → glândulas anexas (fígado, pâncreas, vesícula biliar e baço) MESENTÉRIOS À medida que ocorre o dobramento lateral do embrião, a placa esplâncnica vai se movimentando e vai produzindo o desprendimento do intestino primitivo da parede dorsal do corpo. Os mesentérios (dois tecidos) mantém os segmentos do intestino ancorados às paredes anterior e posterior da cavidade peritoneal. Esses tecidos são formados por mesoderma diferentes: − Mesentério dorsal → mesoderma esplâncnico posterior ao intestino − Mesentério ventral → formado a partir da fusão das placas somáticas direita e esquerda (mesoderma somático) Os mesentérios são extremamente importantes para garantir a movimentaçãode vasos e nervos da parede dorsal do corpo, da aorta descendente em direção ao sistema digestório. O suprimento vascular do intestino emana da aorta dorsal a partir de três segmentos específicos e cada um desses segmentos vai ser responsável pelo suprimento vascular de um pedaço do intestino − Artéria celíaca → intestino anterior, em especial estômago e parte do duodeno ▪ O esôfago vai ser vascularizado diretamente da aorta descendente pela formação das artérias esofagianas − Artéria mesentérica superior → intestino médio − Artéria mesentérica inferior → intestino posterior Serve de suporte migratório para estruturas neurais → tanto as células da crista neural que irão formar os plexos submucoso e mioentérico quanto das próprias fibras dos sistemas simpático e para simpático que vão alcançar as estruturas do sistema digestório, migrando da parede dorsal para o estômago, diferentes segmentos dos intestinos médio e posterior. INERVAÇÃO A inervação do sistema digestório tem dois mecanismos, uma parte será inervada pelo sistema nervoso autônomo simpático e parassimpático. − Porção parassimpática → nervo vago − Intestino posterior → nervo pélvico − Sistema ganglionar simpático → esôfago, estomago e dos intestinos Além do controle do sistema nervoso autônomo, os neurônios simpáticos e parassimpáticos também vão controlar uma outra funcionalidade que são os plexos mioentérico e submucoso. Então as células da crista neural são extremamente importantes no povoamento, principalmente da alça mesentérica média, para a formação dos plexos. Se essa migração não acontece, pode ocorrer falta de motilidade e falta de controle do esvaziamento intestinal (não acontece a transmissão dos sinais) Intestino anterior Basicamente, tudo que estiver localizado acima da alça mesentérica média vai ser o intestino anterior e dele derivam: − Orofaringe − Esôfago − Estômago − Fígado − Vesícula biliar − Pâncreas − Porção cefálica do duodeno − Baço Durante as primeiras semanas do desenvolvimento, as principais modificações nesse tubo estão relacionadas com a formação do estômago, dos divertículos hepático, biliar e pancreático. O desenvolvimento do esôfago ocorre como consequência do crescimento de outras estruturas que estão associadas a porção supradiafragmática do intestino anterior. ESÔFAGO A parte dorsal do intestino anterior dará origem ao esôfago e será separada do divertículo respiratório pelo septo traqueoesofágico. O primeiro processo para ocorrer a formação correta do esôfago é o estabelecimento do septo traqueoesofágico. Determinantes do desenvolvimento esofágico: 1. Desenvolvimento do pescoço 2. Crescimento do coração e dos pulmões 3. Movimentação descendente do diafragma Inicialmente, o esôfago é uma estrutura curta e limitada, mas, à medida que vai ocorrendo o crescimento do coração e dos pulmões no mediastino, o diafragma é empurrado para baixo e o estômago, que já está ligeiramente dilatado, não consegue passar através do orifício do diafragma, sendo também empurrado para baixo, causando então a ampliação relativa do esôfago. Além disso, existe uma segunda etapa, que é decorrente da formação do pescoço, a ampliação do 2º e 3º arcos faríngeos e o crescimento das vértebras cervicais vão produzindo o surgimento de uma estrutura que ainda não existia. O desenvolvimento do pescoço e do gradil costal como consequência do crescimento dos pulmões vai provocar o crescimento do esôfago. Epitélio de revestimento − Até a 8ª semana → epitélio estratificado cilíndrico que oblitera a luz → formação sólida ▪ Enquanto há a formação sólida, não há líquido amniótico no sistema digestório, o líquido presente nessa etapa é proveniente do líquido da vesícula umbilical que adentrou a estrutura durante os dobramentos e de líquido tissular − 10ª semana → recanalização: boa parte do epitélio é reabsorvido, fazendo com que surjam espaços dentro do tubo, permitindo movimentação de líquido → epitélio estratificado cilíndrico ciliado ▪ A partir daqui é que ocorre a aspiração e deglutição de líquido amniótico − 4º mês → epitélio característico → pavimentoso Recanalização Durante a reabsorção do epitélio, na região do septo traqueoesofágico, todas as pregas são reabsorvidas, separando o esôfago da traqueia. Há a formação de vários vacúolos, que vão criando espaços dentro do esôfago que vão se anostomosando conforme novas partes são reabsorvidas. Condições clínicas derivadas dos problemas de recanalização: − Atresia ou esôfago em fundo cego − Estenose → decorrente da reabsorção incompleta do epitélio em algumas regiões, mantendo-o mais espesso em algumas regiões → provoca regurgitação constante e desconforto (o leite não desce, fica preso na boca) − Divertículo → ocorre a recanalização de uma luz maior e uma mais estreita, com a ocorrência d formação de um septo epitelial na luz do esôfago → forma uma projeção onde fica acumulado alimento, causando um processo inflamatório → também causa vômitos. − Duplicação → processo semelhante ao divertículo → presença de um septo epitelial tortuoso duplicando a luz do esôfago → pode levar a processo de alteração da peristalse e da deglutição ESTÔMAGO − 4ª semana → dilatação em forma de pera na porção subdiafragmática do intestino anterior Cronologicamente, a dilatação do estômago se inicia na quarta semana e vai continuar acontecendo até a 6ª. Nesse período, ele passa de tubo para uma estrutura em forma de pera. Rotação longitudinal À medida que o broto hepático se expande, ele traciona o mesentério ventral, rotacionando o estômago. Essa rotação é decorrente tanto do crescimento do broto hepático quanto do crescimento desigual das paredes do estômago − Rotaciona o estômago sobre seu próprio eixo em 90 no plano vertical (como se virasse o estômago em sentido horário) − A parede lateral direita torna-se posterior − Parede lateral esquerda torna-se anterior Reflexos da rotação longitudinal − Distensão dos mesentérios ▪ Dorsal → bolsa omental, omento maior ▪ Ventral → omento menor − Mudança na posição anatômica do nervo vago ▪ No adulto: − Vago anterior → esquerdo − vago posterior→ direito Rotação transversal Acontece no plano cefálico-caudal, ocasionando a movimentação do estômago a partir do crescimento desigual das paredes do estrago após a rotação longitudinal − Ocorre maior ampliação da parede esquerda (curvatura maior) − Menor crescimento da parede direita (curvatura menor) Reflexos da rotação transversal − Modificação da cárdia → à esquerda e levemente para baixo − Determinação do canal pilórico → à direita e levemente para cima As rotações do estômago são determinantes tanto para a formação anatômica quanto para provocar alterações nas extremidades (criação dos esfíncteres e sua posição em relação ao fundo do estômago) DUODENO É uma região de transição entre o estômago (porção caudal do intestino anterior) e a alça mesentérica média (porção cranial do intestino médio) → tem dupla origem, portanto vai ter duplo fornecimento (tanto de sangue quanto segmentos vagais) − Extremidade cranial → ligada ao estômago − Extremidade caudal → ligada à alça intestinal média O estômago e a alça mesentérica média rotacionam em diferentes planos. As rotações do estômago empurram o duodeno para baixo e para a direita enquanto as da alça mesentérica média gira para o outro lado, gerando uma torção Reflexos das rotações A rotação do estômago e da alça mesentérica provoca torção no duodeno, que se movimenta à direita e pressiona a parede dorsal, exceto na região pilórica. A porção caudal do duodeno torna-se retroperitoneal e ocorre a fusão dos mesodermas esplâncnicos duodenal e da parede corporal Histogênese − 5ª a 6ª semana → desenvolvimento epitelial obstrui a luz (estágio sólido) − 8ª semana → recanalização (de forma parecida como acontece no esôfagosó começa um pouco antes) − Podem ocorrer as seguintes malformações divido à problemas de recanalização: ▪ Atresia duodenal → não ocorre a separação do tubo, é contínuo à luz do estômago e ao intestino, mas com uma luz muito estreita e colabada (normalmente no segmento posterior) → ocorrência de vômito biliar ▪ Estenose ▪ Divertículo → não é muito frequente (muito raros) ▪ Duplicação → pouco frequente Obs.: As atresias de esôfago e duodeno também estão relacionadas com o diagnóstico gestacional de poli-hidrâmio (em especial a partir da 12ª-14ª semana). Como o bebê tem o desenvolvimento do normal do sistema respiratório, os pulmões participam da adição de líquido amniótico, o trato urinário normal, também representa adição normal de líquido. No entanto, existe uma fase do ciclo do líquido amniótico que envolve a deglutição desse líquido, sua reabsorção pelas células do trato digestório e redução a partir disso, fazendo com que haja o funcionamento dos rins. Quando ocorre a estenose ou a atrésia não há a reabsorção. Normalmente a luz do intestino é estreita e há indicativo de poli-hidrâmio. Obs.: diferenciação da atresia ou estenose esofágica da duodenal: na primeira, o leite não tem odor e não é coagulado pois não sofreu ação do ácido e enzima estomacais (cor e teor de acidez) Intestino médio Derivados do intestino médio: − 2/3 caudais do duodeno − Jejuno − Íleo − Ceco e apêndice − Cólon ascendente − Cólon transverso (2/3 craniais) Quando o intestino médio se forma, ele permanece ancorado à vesícula umbilical do ducto onfaloentérico, então, vai existir uma pequena comunicação entre a vesícula e o intestino a partir desse ducto. ALÇA INTESTINAL PRIMÁRIA É formada pela projeção do intestino médio no entorno da artéria mesentérica. Possui dois ramos delimitados pelo ponto de ancoramento final da artéria mesentérica e pela presença do ducto vitelointestinal: − Segmento pré-arterial (proximal)→ está ancorado cranialmente à porção cranial do duodeno → dá origem ao duodeno caudal, ao jejuno e ao íleo − Segmento pós-arterial (distal) → está ancorado ao intestino posterior → dá origem ao ceco, ao apêndice, cólon ascendente e cólon transverso (2/3 craniais) Durante a 6ª semana do desenvolvimento, os segmentos pré arterial e pós-arterial crescem e se estendem esse crescimento vai acontecer pela extensão da artéria, fazendo com que a parede do intestino se torne mais longa, o que ocasiona um movimento da borda da parede abdominal para dentro o cordão umbilical. Então, o intestino não se desenvolve dentro da cavidade abdominal, um dos motivos para isso é a presença de um fígado muito grande. Essa ocupação do cordão umbilical pelas alças intestinais forma a hérnia umbilical fisiológica (projeção do intestino para fora do véu peritoneal) Por que a hérnia umbilical fisiológica se forma? − Cavidade abdominal pequena − Grande tamanho do fígado − Desenvolvimento dos mesonéfrons (rins temporários) Antes da herniação, a alça intestinal tem um ramo cranial e um caudal, após a projeção, ela começa a sofrer alguns giros. Crescimento e rotações As rotações são concomitantes ao desenvolvimento e a primeira ocorre ao longo da 7ª semana do desenvolvimento, rotacionando o intestino em 90 no sentido anti-horário: − Segmento pré-arterial: cranial → direito − Segmento pós-arterial: caudal → esquerdo Após a rotação, o segmento pré-arterial (jejuno-íleo presuntivo) cresce rapidamente formando várias convoluções. Enquanto isso, o segmento pós-arterial sofre a segunda rotação, ao longo da 8ª semana do desenvolvimento, que rotaciona esse segmento em 90 no sentido anti-horário: − Segmento pré-arterial: cranial → direito → caudal − Segmento pós-arterial: caudal → esquerdo → cranial Enquanto aconteciam as rotações e o crescimento, houve o estabelecimento do jejuno e do íleo. Portanto, agora, todas as dobras do intestino delgado estão estabelecidas (duodeno, jejuno e íleo). Retorno do intestino médio à cavidade peritoneal Ao passo que as rotações acontecem e o crescimento vai se estabelecendo, boa parte das alças intestinais que vão se formando vão caindo (refluindo) para dentro da cavidade abdominal. Além disso, o dorso do embrião está crescendo no sentido céfalo-caudal (devido ao alongamento das vértebras), isso faz com que o diafragma se eleve e o mesentério, que está preso à parede posterior do corpo e cranialmente preso ao estômago e às estruturas diafragmáticas), seja puxado para cima. Como essa estrutura do intestino está preso ao mesentério, elas começam a ser puxadas, retornando para a cavidade abdominal. Enquanto a porção pós-arterial se movimenta no sentido - anti-horário, as convoluções do segmento pré arterial retornam à cavidade peritoneal → jejuno e íleo retornar à cavidade primeiro e depois são seguidos pela outra parte da alça → a hérnia fisiológica reduz (entre a 9ª e a 10ª sde) e o seguimento pós-arterial sofre pequenas modificações → divertículo cecal (o resto do segmento pós-arterial permanece inalterado durante esse período, as outras modificações irão ocorrer uma vez que o intestino estiver todo dentro da cavidade peritoneal) À medida que o intestino médio retorna à cavidade, ele sofre uma nova rotação de 90 no sentido anti- horário. Desta forma, o ceco e o apêndice assumem a posição sub-hepática até o desenvolvimento do intestino posterior e do segmento pós-arterial. Ao final da 10ª semana, tem-se a presença do jejuno e do íleo totalmente desenvolvidos, do cólon (que é formado do ramo pós-arterial) e um segmento do intestino posterior. A posição final do intestino é decorrente do crescimento no período fetal (posterior ao retorno das alças intestinais) MALFORMAÇÕES Vólvulo intestinal É uma malformação de origem anatômica que acontece devido a uma rotação reversa no segmento pós- arterial. − Normal: 90 + 90 (herniação) + 90 (pós-herniação) → todas no sentido anti-horário − Vólvulo: 1ª rotação normal (90) + secunda rotação invertida (180) Principal reflexo: o jejuno e íleo ficam enrolados, o ceco e apêndice ficam em uma posição subgástrica → ocorre acúmulo de bolo fecal, dificuldade de esvaziamento → alças enroladas e dilatadas Onfalocele Se caracteriza pela não redução da hérnia umbilical fisiológica (muitas vezes está associada a um caso de vólvulo), as alças intestinais são recobertas pelo cordão umbilical. Todo desenvolvimento intestinal que ocorre no período fetal acontecerá fora da cavidade peritoneal. Normalmente há indicação de parto cesáreo para esses casos. A correção pode ser feita via cirurgia intrauterina, mas na maioria dos casos é feita após o parto (é a menos grave das 3) Gastrosquise É decorrente de um processo de falha do fechamento da parede anterior do corpo, ou seja, não fusão das bordas da placa somática. Isso significa que o intestino retorna para a cavidade peritoneal e sai novamente por uma região supraumbilical. As alças intestinais não são recobertas (é a condição mais grave das 3) Intestino posterior Essa porção do tubo digestório primitivo será responsável pela formação: − 1/3 caudal do cólon transverso − Cólon descendente − Cólon sigmoide − Reto − 2/3 craniais do canal anal A partir da segmentação da cloaca, que é onde o intestino posterior termina, são formados os epitélios da bexiga urinífera e da uretra. Cronologia O intestino posterior tem um pequeno atraso de desenvolvimento em relação as outras duas partes. Enquanto os intestinos anterior e médio se desenvolvem entre a 5ª e a 8ª semana do desenvolvimento, o intestino posterior começara seu desenvolvimento após o retorno do intestino médio à cavidade peritoneal. Enquanto a hérnia umbilical estiver estabelecida, não ocorrerá o desenvolvimento do intestino posterior. CRESCIMENTO DO TUBO O crescimento do tubo digestório posterior ao retorno das alças intestinais será dividido em doisprocessos: 1. Ao longo da 10ª sde, o segmento originado na porção pós- arterial da alça mesentérica inicia um novo ciclo de extensão → projeção dessa alça, promovendo o crescimento em comprimento dessa estrutura 2. Concomitantemente, o seguimento cranial do intestino posterior também inicia um ciclo de crescimento → crescimento do tubo, provocando um aumento dos segmentos transverso e descendente À medida que esse tubo cresce para a direita, o ceco e o apêndice vão sendo movimentados para baixo até alcançar a fossa ilíaca direita. O crescimento provoca uma lenta rotação de 180º, movimentando o ceco e o apêndice em direção à fossa ilíaca. Devido À limitação de espaço na cavidade, o crescimento do segmento posterior provoca a formação da flexura esplênica e a constituição anatômica do cólon sigmoide. O crescimento é concluído na 20ª semana do desenvolvimento. Quando não ocorre o crescimento da porção do cólon transverso, tem-se o ceco sub-hepático, que é a posição do ceco assim que ele retorna da hérnia fisiológica para a cavidade peritoneal. Se o processo não ocorrer, não haverá a formação do cólon transverso, vai ocorrer a formação do cólon descendente formando as flexuras, mas o lado direito não se desenvolverá e permanecerá vazio. Isso acontece porque quando há o retorno das alças intestinais, a porção do ceco vai se ligar a porção sub-hepática, ficando preso. Quando o crescimento começa e encontra resistência, ele cessa. Normalmente essa condição não é desabilitante. HÉRNIA DIAFRAGMÁTICA CONGÊNITA Defeito diafragmático com consequências sobre os sistemas respiratório e digestório. O crescimento do cólon transverso causa tracionamento do mesentério que se eleva através do buraco do diafragma, levando as vísceras abdominais. DOENÇA DE HISCHSPRUNG Anomalia dependente da não migração de células ganglionares (tem origem a partir das células da crista neural das regiões vagal e sacral) para o segmento retal. As regiões mais afetadas pela doença são o cólon sigmoide e a porção cranial do canal anal. Sem as células ganglionares não ocorre a formação dos plexos mioentérico e submucoso. São esses plexos que vão coordenar a peristalse. Nos segmentos onde o plexo é não funcional, não há a passagem do sinal da peristalse e o bolo fecal vai se acumulando. Principais sintomas: − Megacólon congênito − Distensão abdominal − Alto risco de enterocolite − Mal nutrição (em razão do alto acúmulo de toxinas) − Constipação severa e constante − Vômito bilioso − Inflamação da região do peritônio → dor e desconforto Se não for diagnosticado e tratado com rapidez, pode evoluir a óbito por conta da toxicidade que se acumula na cavidade peritoneal. CLOACA A luz do tubo intestinal termina numa ampola dilatada denominada cloaca. Em sua porção anterior, há a comunicação com o alantoide, que se estende anteriormente à porção caudal. Com o desenvolvimento dos rins, os ureteres se abrem para a porção anterior da cloaca. Então, a cloaca tem duas partes, uma fecal e outra urinária. Septação da cloaca A partir da 6ª semana, começa a ocorrer a proliferação da porção de mesênquima que está no teto da cloaca, formando uma massa. Essas massas de mesênquima se projetam em direção à luz da cloaca em direção ao proctodeu, deformando o endoderma do teto e nas laterais da cloaca, causando a formação de duas cristas. A fusão dessas duas cristas forma uma estrutura que separa o óstio urinífero e o óstio anal, essa massa de mesênquima forma o períneo (ou corpo perineal). O Septo urorretal cresce entre o alantoide e o intestino posterior em direção a membrana cloacal, quando ele alcança a membrana, ele dá origem ao corpo perineal, ao seio urogenital e o canal anorretal. Formação do canal anal A projeção do mesênquima ao redor da membrana cloacal projeta a membrana para a luz do canal anal → proctodeu Depois que acontece a reabsorção da membrana cloacal, ocorre o surgimento do canal anal com duas origens (1/3 proctodeu - ectoderme + 2/3 intestino posterior – endoderme). Por ter dupla origem, o suprimento arterial e neural e a drenagem venosa e linfática são diferentes em cada segmento. 1. Membrana cloacal ◼ → ectoderme 2. Projeção de mesênquima ◼ → endoderme 3. Reabsorção da membrana e formação do canal ◼ → mesoderme FIXAÇÃO DOS INTESTINOS Como consequência da rotação dorsoventral do estômago, o omento maior se expande formando duas camadas que recobrem o cólon transverso e o intestino delgado. O crescimento das alças intestinais e das glândulas anexas modifica o espaço na cavidade peritoneal. Duodeno, pâncreas, cólon ascendente e descente tornam-se retroperitoneais. Ficam livres e com motilidade na cavidade peritoneal. o estômago, o omento, as alças intestinais que estão presas ao mesentério e o cólon sigmoide que está preso ao mesocólon sigmoide, o restante das estruturas está preso à parede posterior do corpo. Fígado, pâncreas e baço Basicamente, o fígado e o pâncreas vão se desenvolver a partir de brotamentos endodérmicos, mas o baço não. O baço não tem função no sistema digestório. FÍGADO Ao redor da 5ª semana do desenvolvimento, as células do coração secretam fatores (α-fetiproteína e albumina) que vão auxiliar na diferenciação de um pequeno segmento da endoderme (região hepática). A albumina e a α-fetoproteína vão servir de fatores indutores e a partir, principalmente da α- fetoproteína, vai ocorrer a expressão de fatores de crescimento derivados de fibroblastos (FGF). Esses fatores vão induzir a proliferação da endoderme na região próxima ao coração passando a formar o broto (ou divertículo) hepático. O broto hepático será o responsável pelo desenvolvimento do parênquima hepático em geral (hepatócitos) Divertículo hepático A partir do processo de indução, ocorre a extensão da endoderme entre as lâminas do mesogástrio ventral na região de junção entre os intestinos anterior e médio. O crescimento do broto endodérmico (em direção à região anterior) distende o mesoderme esplâncnico, que acaba sendo empurrada para dentro do mesogástrio ventral, formando esse conjunto do divertículo hepático (o broto se torna recoberto por mesoderme). − Endoderme → hepatócitos − Mesoderme esplâncnica → estroma hepático (rico em fibroblastos, em GAGs, é um arcabouço para os cordões hepáticos) − Vasos sanguíneos vão ser originados do remodelamento das veias vitelínicas no sistema porta- hepático → formam os capilares sinusoides O divertículo se estende em direção aos sinais cardiogênicos e inicia uma migração ântero-cranial (para frente e para cima). Desta forma, vai se aproximando da região das veias vitelínicas e vai se organizando ao redor dessa rede de tecidos. Durante essa migração, o fígado estabelece contato com as veias vitelínicas, iniciando a organização dos sinusoides e dos cordões hepáticos. À medida que o divertículo vai se estabelecendo, ele inicia ciclos de divisão dicotômica (forma os lobos hepáticos – direito e esquerdo), ampliando a rede de hepatócitos e adaptando a rede vascular. A lobulação hepática é reflexo tanto das divisões dicotômicas quanto da segmentação da rede vascular em dois grandes ramos, sendo um ramo derivado da veia vitelínica direita e o outro da veia vitelínica esquerda (quando essas duas estruturas se anastomosam abaixo do fígado formam o seio portal). A extensão dessa estrutura progride até encontrar o septo transverso (limitador da expansão ascendente), onde se estabelece a face diafragmática do fígado. Com o crescimento do fígado, o espaço começa ficar insuficiente, então ele começa um movimento à direita (as células começam a se dividir mais para o lado direito). Esse processo é o que provoca a primeira rotação do estômago. O fígado continua se desenvolvendo nesses ciclos de divisão e interação com a rede vascular até mais ou menos a 9ª semana do desenvolvimento embrionário. A partir da 6ª semana, ogrande número de células tronco estromais que existe no mesênquima, que são transferidas junto com o fígado, vai começar a participar da hematopoiese (produção de células sanguíneas). O fígado assume o processo de hematopoiese a partir da 6ª até a 16ª sde, aproximadamente, quando é feita pela medula óssea vermelha de forma definitiva. A partir da 9ª semana, as células começam um processo de diferenciação e maturação, o que faz com que as células endodérmicas se transformem em hepatócitos. A partir dos hepatócitos começa a produção de bile (12ª sde) e sua secreção (13ª sde). Com isso, paralelamente aos cordões hepáticos, começa a formação dos ductos biliares, que vão se anastomosando e formarão um ducto que será responsável por conduzir a bile até a vesícula biliar. VESÍCULA BILIAR A vesícula biliar surge do segmento proximal do divertículo hepático. À medida que o divertículo se desenvolve, a vesícula ascende. A produção de bile se inicia na 12ª sde e sua secreção na 13ª sde, desta forma, aumentando o tamanho da vesícula biliar no período fetal. Tudo que era a endoderme inicial será transformado no ducto biliar. PÂNCREAS Na porção distal do divertículo hepático surge um novo brotamento, o broto pancreático ventral. Essas células acabam induzindo o endoderma contralateral (do outro lado do tubo) a formar o broto pancreático dorsal. Então: − Broto pancreático dorsal → surge diretamente da endoderme − Broto pancreático ventral → surge do divertículo hepático As rotações do estômago e o crescimento diferenciado das paredes duodenais movimentam o broto ventral 180. Desta forma, ocorre a fusão dos brotos pancreáticos, formando a região cabeça do pâncreas. O resto do corpo do pâncreas é produzido pelo broto dorsal. Então, o ducto principal do pâncreas é oriundo do broto dorsal. Histogênese pancreática A partir da 8ª semana, começa o surgimento de ácinos primitivos nos ductos pancreáticos primários para a secreção de enzimas pancreáticas. A partir da estrutura de ácidos formada primeiramente vai ocorrer um desprendimento de algumas células da borda que formam pequenos aglomerados celulares, formando as ilhotas pancreáticas (responsáveis pela produção de hormônios) − Ácinos pancreáticos → secreção de enzimas → pâncreas exócrino − Ilhotas pancreáticas → secreção de hormônios → pâncreas endócrino ▪ Insulina (β) → 10ª semana ▪ Glucagon (α) e somatostatina (δ) → 15ª semana Malformação → Pâncreas anular Não se sabe o mecanismo, mas ocorre formação de um broto ventral bífido. Com o crescimento dessas células, elas migram cada uma por um lado do intestino em direção ao broto dorsal, formando um colar pancreático envolvendo toda a circunferência do intestino primitivo. BAÇO O baço não tem origem endodérmica, ele se diferencia a partir de células mesenquimais localizadas no mesogástrio dorsal. As células serão induzidas a se diferenciar a partir da presença de vasos sanguíneos que infiltram o mesogástrio dorsal. A artéria esplênica divide o mesênquima em pequenos agrupamentos (blocos de células), o que dá uma aparência lobulada ao baço fetal. Conforme ocorre o aumento da perfusão sanguínea, a diferenciação de células produz uma matriz rica em GAGs que agregam água, fazendo com que o baço assuma sua conformação final, fazendo com que a lobulação desapareça MESOGÁSTRIOS E LIGAMENTOS Com a movimentação e desenvolvimento de órgãos, é encontrado no final do processo de desenvolvimento o surgimento de quatro ligamentos que são transformações dos mesogástrios dorsal e ventral: 1. Ligamento esplenorrenal → porção do mesogástrio dorsal que fica entre o rim e o baço 2. Ligamento gastroesplênico → porção do mesogástrio dorsal entre o baço e o estômago 3. Ligamento hepatogástrico → porção do mesogástrio ventral entre o estômago e o fígado 4. Ligamento falciforme → porção de mesoderma ventral entre o fígado e a parede anterior do corpo