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Aline Elias

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2017
Noções de AtuáriA
Prof. Me. Henrique Furtado Arruda
Copyright © UNIASSELVI 2017
Elaboração:
Prof. Me. Henrique Furtado Arruda
Revisão, Diagramação e Produção:
Centro Universitário Leonardo da Vinci – UNIASSELVI
Ficha catalográfica elaborada na fonte pela Biblioteca Dante Alighieri 
UNIASSELVI – Indaial.
368.981
A773n 
Arruda; Henrique Furtado
 Noções de atuária / Henrique Furtado Arruda: UNIASSELVI, 2017.
 
 221 p. : il.
 
 ISBN 978-85-515-0058-3
 
 1.Seguros – História – Brasil. 
 I. Centro Universitário Leonardo Da Vinci. 
Impresso por:
III
ApreseNtAção
Prezado acadêmico, antes de tudo, permita me apresentar: sou graduado 
em Engenharia Civil, pós-graduado em Engenharia de Segurança do Trabalho, 
em Marketing e mestre em Administração de Empresas. Também sou habilitado 
como corretor de seguros. Desde 1986 lecionei em diversas instituições de 
ensino superior e de 2002 a 2008 coordenei a pós-graduação de Gestão em 
Seguros, curso realizado em parceria entre a Escola Nacional de Seguros 
(FUNENSEG) e o Centro Universitário Leonardo da Vinci (UNIASSELVI). 
Profissionalmente, ainda muito jovem, troquei projetos e obras pela carreira 
em seguros, onde atuei em várias posições, destacadamente com regulação de 
sinistros, inspeções de riscos, consultoria e treinamento. 
O mercado segurador, composto pelas atividades de seguros gerais, 
previdência privada e capitalização, além de extremamente interessante, tem 
experimentado forte crescimento e amadurecimento no contexto brasileiro. Ao 
concluírem seus estudos, espera-se que os acadêmicos possam compreender 
com clareza a relevância que o mercado segurador tem para qualquer nação que 
deseje ser economicamente desenvolvida. Dentre suas inúmeras contribuições 
para a sociedade, destaca-se a função de preservar riquezas arduamente 
conquistadas, formar poupança popular através de suas reservas e gerar 
expressivos investimentos na economia. Deseja-se também que, com as noções 
gerais de atuária, entendam as bases técnicas do setor.
A Unidade 1 do caderno apresenta os conceitos básicos ou fundamentais 
que possibilitarão aos acadêmicos uma compreensão geral a respeito da 
preocupação humana e suas ações quanto ao conhecimento dos riscos, 
seu dimensionamento, tratamento e transferência financeira através da 
contratação de seguros. De início, tem-se uma visão de como surgiram e 
foram regulamentados os seguros. Em seguida, trata-se de suas classificações 
e se aborda o gerenciamento de riscos e as principais técnicas de análise e 
tratamento. Na sequência, é apresentada a estrutura técnica dos seguros, 
tratando-se dos seus elementos fundamentais, classificações, ramos, garantias, 
contratos e formas de contratação. Conclui a Unidade 1 um tópico específico 
sobre os processos de sinistros e os mecanismos de pulverização dos riscos, 
conhecidos como operações de cosseguro e resseguro.
A Unidade 2 trata da previdência e da capitalização. Os dois primeiros 
tópicos abordam as origens, fundamentos e regulamentações da previdência 
social e da previdência privada. Em seguida, apresentam-se especificamente 
os planos de previdência privada aberta, destinados a garantir a sobrevivência 
das pessoas (aposentadorias) ou o risco de morte. A unidade é encerrada 
com o histórico, a regulamentação, a estrutura técnica e as modalidades de 
capitalização.
IV
A Unidade 3 traz as noções gerais da atuária, a ciência que dá 
suporte técnico às operações de seguros, previdência e capitalização. Ela é 
complementada com uma visão geral a respeito da solvência das seguradoras, 
ou seja, suas capacidades financeiras de honrar os compromissos assumidos. 
Para tanto, estuda-se os princípios da atuária e a formação do preço, tanto 
nos seguros gerais como nos seguros de pessoas e planos de previdência. 
Encerrando a unidade, tem-se um panorama das provisões técnicas, dos limites 
operacionais, das margens de solvência, dos planos de contas e dos principais 
indicadores de desempenho das seguradoras.
 Prof. Me. Henrique Furtado Arruda 
V
UNI
Você já me conhece das outras disciplinas? Não? É calouro? Enfim, tanto para 
você que está chegando agora à UNIASSELVI quanto para você que já é veterano, há novidades 
em nosso material.
Na Educação a Distância, o livro impresso, entregue a todos os acadêmicos desde 2005, é o 
material base da disciplina. A partir de 2017, nossos livros estão de visual novo, com um formato 
mais prático, que cabe na bolsa e facilita a leitura. 
O conteúdo continua na íntegra, mas a estrutura interna foi aperfeiçoada com nova diagramação 
no texto, aproveitando ao máximo o espaço da página, o que também contribui para diminuir 
a extração de árvores para produção de folhas de papel, por exemplo.
Assim, a UNIASSELVI, preocupando-se com o impacto de nossas ações sobre o ambiente, 
apresenta também este livro no formato digital. Assim, você, acadêmico, tem a possibilidade 
de estudá-lo com versatilidade nas telas do celular, tablet ou computador. 
 
Eu mesmo, UNI, ganhei um novo layout, você me verá frequentemente e surgirei para 
apresentar dicas de vídeos e outras fontes de conhecimento que complementam o assunto 
em questão. 
Todos esses ajustes foram pensados a partir de relatos que recebemos nas pesquisas 
institucionais sobre os materiais impressos, para que você, nossa maior prioridade, possa 
continuar seus estudos com um material de qualidade.
Aproveito o momento para convidá-lo para um bate-papo sobre o Exame Nacional de 
Desempenho de Estudantes – ENADE. 
 
Bons estudos!
VI
VII
sumário
UNIDADE 1 - RISCOS E SEGUROS – HISTÓRIA, ESTRUTURA E CONCEITOS 
FUNDAMENTAIS ....................................................................................................... 1
TÓPICO 1 - A SOCIEDADE E O RISCO ........................................................................................... 3
1 INTRODUÇÃO .................................................................................................................................... 3
2 COMO SURGIRAM OS SEGUROS ................................................................................................ 6
3 OS SEGUROS NO BRASIL ............................................................................................................... 8
4 A REGULAMENTAÇÃO DO SETOR ............................................................................................. 10
RESUMO DO TÓPICO 1 ....................................................................................................................... 13
AUTOATIVIDADE ................................................................................................................................ 14
TÓPICO 2 - O PROCESSO DE GERENCIAMENTO DE RISCOS ............................................... 17
1 INTRODUÇÃO .................................................................................................................................... 17
2 CLASSIFICAÇÃO DOS RISCOS ..................................................................................................... 17
3 GERENCIAMENTO DE RISCOS ..................................................................................................... 18
4 ANÁLISE PRELIMINAR E MATRIZ DE RISCOS ....................................................................... 22
RESUMO DO TÓPICO 2 ....................................................................................................................... 26
AUTOATIVIDADE ................................................................................................................................ 27
TÓPICO 3 - A ESTRUTURA TÉCNICA DOS SEGUROS .............................................................. 29
1 INTRODUÇÃO ....................................................................................................................................29
2 CARACTERÍSTICAS E ELEMENTOS ESSENCIAIS ................................................................... 29
3 CLASSIFICAÇÃO DOS SEGUROS ................................................................................................. 30
4 RAMOS E PLANOS DE SEGUROS ................................................................................................. 31
5 GARANTIAS OU COBERTURAS ................................................................................................... 32
RESUMO DO TÓPICO 3 ....................................................................................................................... 33
AUTOATIVIDADE ................................................................................................................................ 34
TÓPICO 4 - OS CONTRATOS DE SEGUROS ................................................................................. 35
1 INTRODUÇÃO .................................................................................................................................... 35
2 FORMAS DE CONTRATAÇÃO ....................................................................................................... 36
3 COBERTURAS PROPORCIONAIS E NÃO PROPORCIONAIS .............................................. 37
RESUMO DO TÓPICO 4 ....................................................................................................................... 39
AUTOATIVIDADE ................................................................................................................................ 40
TÓPICO 5 - SINISTROS, COSSEGURO E RESSEGURO .............................................................. 43
1 INTRODUÇÃO .................................................................................................................................... 43
2 OS PROCESSOS DE SINISTROS .................................................................................................... 43
3 A REPARTIÇÃO DOS RISCOS E SINISTROS ............................................................................. 44
LEITURA COMPLEMENTAR .............................................................................................................. 47
RESUMO DO TÓPICO 5 ....................................................................................................................... 49
AUTOATIVIDADE ................................................................................................................................ 50
VIII
UNIDADE 2 - A PREVIDÊNCIA E A CAPITALIZAÇÃO .............................................................. 53
TÓPICO 1 - OS FUNDAMENTOS E A PREVIDÊNCIA SOCIAL ................................................ 55
1 INTRODUÇÃO .................................................................................................................................... 55
2 HISTÓRICO DA PREVIDÊNCIA E SEUS MODELOS ............................................................... 56
3 A PREVIDÊNCIA SOCIAL BRASILEIRA ...................................................................................... 59
RESUMO DO TÓPICO 1 ....................................................................................................................... 65
AUTOATIVIDADE ................................................................................................................................ 67
TÓPICO 2 - OS FUNDAMENTOS E A PREVIDÊNCIA PRIVADA ............................................ 69
1 INTRODUÇÃO .................................................................................................................................... 69
2 HISTÓRICO DA PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR BRASILEIRA ..................................... 70
3 A REGULAMENTAÇÃO DA PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR .......................................... 72
RESUMO DO TÓPICO 2 ....................................................................................................................... 78
AUTOATIVIDADE ................................................................................................................................ 79
TÓPICO 3 - PLANOS DE PREVIDÊNCIA PRIVADA ABERTA ................................................... 81
1 INTRODUÇÃO .................................................................................................................................... 81
2 OS PLANOS DE SOBREVIVÊNCIA ............................................................................................... 84
3 OS PLANOS DE RISCOS .................................................................................................................. 89
RESUMO DO TÓPICO 3 ....................................................................................................................... 93
AUTOATIVIDADE ................................................................................................................................ 95
TÓPICO 4 - A CAPITALIZAÇÃO ....................................................................................................... 97
1 INTRODUÇÃO .................................................................................................................................... 97
2 HISTÓRIA E REGULAMENTAÇÃO .............................................................................................. 100
3 ESTRUTURA TÉCNICA DA CAPITALIZAÇÃO ......................................................................... 103
4 AS MODALIDADES DE CAPITALIZAÇÃO ................................................................................ 113
 4.1 MODALIDADE TRADICIONAL ................................................................................................. 114
 4.2 MODALIDADE POPULAR .......................................................................................................... 115
 4.3 MODALIDADE INCENTIVO ....................................................................................................... 117
 4.4 MODALIDADE COMPRA PROGRAMADA ............................................................................. 118
LEITURA COMPLEMENTAR .............................................................................................................. 123
RESUMO DO TÓPICO 4 ....................................................................................................................... 135
AUTOATIVIDADE ................................................................................................................................ 136
UNIDADE 3 - NOÇÕES GERAIS DE ATUÁRIA E SOLVÊNCIA 
 DAS SEGURADORAS ................................................................................................ 139
TÓPICO 1 - PRINCÍPIOS DE ATUÁRIA ........................................................................................... 141
1 INTRODUÇÃO .................................................................................................................................... 141
2 NOÇÕES DE PROBABILIDADE ..................................................................................................... 143
 2.1 ESPAÇO AMOSTRAL .................................................................................................................... 143
 2.2 EVENTO ........................................................................................................................................... 144
 2.3 PROBABILIDADE .......................................................................................................................... 145
3 ESPERANÇA MATEMÁTICA .......................................................................................................... 148
RESUMO DO TÓPICO 1 ....................................................................................................................... 152
AUTOATIVIDADE ................................................................................................................................153
TÓPICO 2 - A FORMAÇÃO DO PREÇO NOS SEGUROS GERAIS ........................................... 155
1 INTRODUÇÃO .................................................................................................................................... 155
2 VALOR MATEMÁTICO DOS RISCOS E CUSTO MÉDIO DOS SINISTROS ...................... 157
IX
3 PRÊMIOS ESTATÍSTICO, COMERCIAL E BRUTO .................................................................... 159
 3.1 PRÊMIO ESTATÍSTICO ................................................................................................................. 159
 3.2 TAXA ESTATÍSTICA ...................................................................................................................... 161
 3.3 PRÊMIO COMERCIAL .................................................................................................................. 164
 3.4 TAXA COMERCIAL ....................................................................................................................... 165
 3.5 PRÊMIO BRUTO ............................................................................................................................. 166
 3.6 PRAZO DE VIGÊNCIA DO SEGURO ......................................................................................... 168
 3.6.1 Seguro a Prazo Curto ................................................................................................................ 168
 3.6.2 Prêmio de Seguro Pro Rata Temporis (em Proporção ao Tempo) ...................................... 170
 3.6.3 Seguro a Prazo Longo (Plurianual) ......................................................................................... 170
RESUMO DO TÓPICO 2 ....................................................................................................................... 172
AUTOATIVIDADE ................................................................................................................................ 173
TÓPICO 3 - A FORMAÇÃO DO PREÇO NOS SEGUROS DE PESSOAS 
 E PREVIDÊNCIA ............................................................................................................................... 175
1 INTRODUÇÃO .................................................................................................................................... 175
2 TÁBUAS DE MORTALIDADE ......................................................................................................... 176
 2.1 ELEMENTOS DE UMA TÁBUA DE MORTALIDADE ............................................................ 178
 2.2 PROBABILIDADE PARA PERÍODOS DE 1 ANO ..................................................................... 179
 2.3 PROBABILIDADE PARA PERÍODOS SUPERIORES A 1 ANO .............................................. 181
3 REGIMES FINANCEIROS ................................................................................................................ 183
RESUMO DO TÓPICO 3 ....................................................................................................................... 186
AUTOATIVIDADE ................................................................................................................................ 187
TÓPICO 4 - SOLVÊNCIA DAS SEGURADORAS E DEMONSTRAÇÕES 
 FINANCEIRAS ................................................................................................................. 189
1 INTRODUÇÃO .................................................................................................................................... 189
2 PROVISÕES TÉCNICAS ................................................................................................................... 190
 2.1 PROVISÃO DE PRÊMIOS NÃO GANHOS (PPNG) ................................................................. 190
 2.2 PROVISÃO DE SINISTROS A LIQUIDAR (PSL) ....................................................................... 191
 2.3 PROVISÃO DE SINISTROS OCORRIDOS E NÃO AVISADOS (IBNR) ................................ 192
3 LIMITES DE RETENÇÃO .................................................................................................................. 192
4 MARGEM DE SOLVÊNCIA .............................................................................................................. 193
5 PLANO DE CONTAS DAS SEGURADORAS .............................................................................. 196
6 INDICADORES DE DESEMPENHO .............................................................................................. 198
LEITURA COMPLEMENTAR .............................................................................................................. 200
RESUMO DO TÓPICO 4 ....................................................................................................................... 210
AUTOATIVIDADE ................................................................................................................................ 211
REFERÊNCIAS ........................................................................................................................................ 213
ANEXOS ................................................................................................................................................... 217
X
1
UNIDADE 1
RISCOS E SEGUROS – HISTÓRIA, 
ESTRUTURA E CONCEITOS 
FUNDAMENTAIS
OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM
PLANO DE ESTUDOS
Esta unidade tem por objetivos:
• apresentar aspectos históricos das operações de seguros e a regulamenta-
ção do setor;
• classificar os riscos, conceituar gerenciamento de riscos apresentando suas 
etapas e explicar o que é uma análise preliminar e uma matriz de riscos;
• narrar as características e os elementos que caracterizam os seguros, de-
monstrar sua classificação e divisões e definir o que são garantias ou 
coberturas;
• definir o contrato de seguro, explicar como os contratos se efetivam e de-
monstrar o que são seguros proporcionais e não proporcionais;
• narrar cada etapa dos processos de sinistros e explicar os mecanismos de 
pulverização dos riscos.
Esta unidade está dividida em cinco tópicos. No decorrer da unidade você 
encontrará autoatividades com o objetivo de reforçar o conteúdo apresentado.
TÓPICO 1 - A SOCIEDADE E O RISCO
 
TÓPICO 2 - O PROCESSO DE GERENCIAMENTO DE RISCOS
 
TÓPICO 3 - A ESTRUTURA TÉCNICA DOS SEGUROS
 
TÓPICO 4 - OS CONTRATOS DE SEGUROS
 
TÓPICO 5 - SINISTROS, COSSEGURO E RESSEGURO
2
3
TÓPICO 1
UNIDADE 1
A SOCIEDADE E O RISCO
1 INTRODUÇÃO
Sabemos que o fato de estarmos vivos também significa que estamos 
permanentemente enfrentando perigos e medos, riscos e preocupações. Também 
está intrínseco no ser humano o desejo de realizar conquistas e progredir, seja no 
plano material ou imaterial. A partir de agora, veremos a diferença entre perigo e 
risco e conheceremos como a humanidade desenvolveu as operações de seguros 
como mecanismo de proteção financeira para preservar suas conquistas e riquezas.
Maslow (1970 apud HERSEY; BLANCHARD, 1974) estabeleceu uma 
hierarquia para as necessidades humanas na seguinte ordem: fisiológicas, 
segurança, social, estima e autorrealização. As necessidades fisiológicas estão 
na base da hierarquia porque tendem a ter a força mais alta até que sejam 
minimamente satisfeitas. A partir daí as necessidades de segurança, de estar livre 
de medo, de perigo físico e de privações das necessidades fisiológicas básicas se 
tornam predominantes. 
Em outras palavras, temos necessidade de preservação. Além do aqui e 
agora, existe a preocupação com o futuro. Será que o indivíduo será capaz de 
conservar sua propriedade ou seu emprego de forma que possa ter alimento e 
abrigo amanhã e depois de amanhã? Se a segurança de um homem está em 
perigo, outras coisas parecem pouco importantes. Por isso, podemos afirmar que 
a preservação das riquezas conquistadas pela sociedade é mais do que um desejo: 
é uma necessidadehumana (HERSEY; BLANCHARD, 1974, p. 30 apud ARRUDA, 
2016).
UNIDADE 1 | RISCOS E SEGUROS – HISTÓRIA, ESTRUTURA E CONCEITOS FUNDAMENTAIS
4
FIGURA 1 - PIRÂMIDE DE MASLOW
FONTE: Disponível em: <https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/
thumb/6/65/Hierarquia_das_necessidades_de_Maslow.svg/450px-
Hierarquia_das_necessidades_de_Maslow.svg.png>. Acesso em: 30 
jan. 2017.
NOTA
A famosa hierarquia de necessidades de Maslow, proposta pelo psicólogo 
americano Abraham H. Maslow, baseia-se na ideia de que cada ser humano se esforça muito 
para satisfazer suas necessidades pessoais e profissionais. É um esquema que apresenta uma 
divisão hierárquica em que as necessidades consideradas de nível mais baixo devem ser 
satisfeitas antes das necessidades de nível mais alto.
1 – Necessidades fisiológicas: São aquelas que se relacionam com o ser humano como ser 
biológico. São as mais importantes: necessidades de manter-se vivo, de respirar, de comer, de 
descansar, beber, dormir, ter relações sexuais etc.
No trabalho: Necessidade de horários flexíveis, conforto físico, intervalos de trabalho etc.
2 – Necessidades de segurança: São aquelas que estão vinculadas com as necessidades de 
sentir-se seguros: sem perigo, em ordem, com segurança, de conservar o emprego etc. 
No trabalho: Necessidade de estabilidade no emprego, boa remuneração, condições seguras 
de trabalho etc.
3 – Necessidades sociais: São necessidades de manter relações humanas com harmonia: 
sentir-se parte de um grupo, ser membro de um clube, receber carinho e afeto dos familiares, 
amigos e pessoas do sexo oposto.
No trabalho: Necessidade de conquistar amizades, manter boas relações, ter superiores gentis 
etc.
4 – Necessidades de estima: Existem dois tipos: o reconhecimento das nossas capacidades 
por nós mesmos e o reconhecimento dos outros da nossa capacidade de adequação. Em 
geral, é a necessidade de sentir-se digno, respeitado por si e pelos outros, com prestígio e 
reconhecimento, poder, orgulho etc. Incluem-se também as necessidades de autoestima.
No trabalho: Responsabilidade pelos resultados, reconhecimento por todos, promoções ao 
TÓPICO 1 | A SOCIEDADE E O RISCO
5
A história dos seguros mostra que, desde o princípio das grandes civilizações, 
a necessidade humana de preservar suas riquezas estabeleceu mecanismos de divisão 
ou recuperação de prejuízos ocorridos. O Código de Hamurábi, surgido em meados 
de 1.800 a.C., dedicava cláusulas ao tema da bodemeria, empréstimo ou hipoteca 
contraída pelo proprietário de um navio para financiar a sua viagem, e previa a 
isenção de pagamento se a embarcação viesse a pique. Existem indícios de que na 
Babilônia, 23 séculos antes de Cristo, caravanas de cameleiros que cruzavam o deserto 
dividiam entre si os prejuízos ocorridos com a morte de animais. Na China antiga e 
no Império Romano também havia seguros rudimentares, através de associações que 
visavam ressarcir membros que tivessem algum tipo de prejuízo (ARRUDA, 2016).
Assim, desde o início das civilizações, a divisão de perdas já cumpria com 
aquele que viria a ser o principal objetivo dos seguros: a preservação da riqueza 
ou da renda existente. Naquela época ainda não existiam meios científicos para 
se estabelecer probabilidades ou previsões. Deste modo, a divisão de perdas só 
acontecia após elas terem ocorrido e, portanto, convivia-se com grandes incertezas: 
qual poderia vir a ser o tamanho das perdas? Qual seria a capacidade financeira 
do grupo de indivíduos envolvidos e a disposição (ou boa vontade) dos que não 
sofreram prejuízos em honrar pagamento da sua cota/parte? Além disso, a repartição 
de perdas depois da sua ocorrência tende a ser possível apenas com reduzido número 
de participantes, e isso torna o fardo individual muito pesado e aumenta o grau de 
dificuldades de funcionamento desse regime. 
A mudança de procedimento, ou seja, a divisão das perdas antes delas 
acontecerem, só foi possível com os avanços da matemática. Isso só veio a acontecer 
entre os séculos XIII e XVII. Para Bernstein (1997, p. 23), “sem números, não há 
vantagens nem probabilidades; sem vantagens e probabilidades, o único meio de 
lidar com o risco é apelar para os deuses e o destino. Sem números, o risco é uma 
questão de pura coragem”.
Os avanços matemáticos possibilitaram o desenvolvimento das teorias das 
probabilidades e da tomada de decisões. Os riscos começaram a ser estudados mais 
seriamente a partir da época do Renascimento, quando as pessoas se libertaram das 
restrições do passado e desafiaram abertamente as crenças que colocavam todas as 
previsões futuras nas mãos de deuses, adivinhos ou oráculos.
Com o estudo de estatísticas e do cálculo de probabilidades, desenvolveu-
se a ciência atuarial, tornando possível a divisão de perdas antes da ocorrência 
longo da carreira, feedback etc.
5 – Necessidades de autorrealização: Também conhecidas como necessidades de crescimento. 
Incluem a realização, aproveitar todo o potencial próprio, ser aquilo que se pode ser, fazer o 
que a pessoa gosta e é capaz de conseguir. Relaciona-se com as necessidades de estima: a 
autonomia, a independência e o autocontrole.
No trabalho: Desafios no trabalho, necessidade de influenciar nas decisões, autonomia etc.
FONTE: Disponível em: <http://www.sobreadministracao.com/a-piramide-hierarquia-de-
necessidades-de-maslow/>. Acesso em: jan. 2017.
UNIDADE 1 | RISCOS E SEGUROS – HISTÓRIA, ESTRUTURA E CONCEITOS FUNDAMENTAIS
6
dos sinistros. A atuária permite prever, com elevado grau de precisão, qual será 
a frequência relativa e o custo médio de sinistros futuros. Esses dois elementos 
constituem a base da precificação dos seguros.
A ciência atuarial permite estabelecer probabilidades com elevado grau de 
certeza, mas não nos permite saber quem serão as vítimas dos infortúnios, ou seja, 
com quem ocorrerão os sinistros. É justamente nessa incerteza (não saber quem 
sofrerá os prejuízos) que se encontra a principal razão para pessoas e empresas 
buscarem proteção por meio dos contratos de seguros. Por esse mecanismo, 
elas contribuem solidária e antecipadamente para a constituição de um fundo 
mútuo, denominado reservas técnicas, que irá suprir as futuras perdas dos que 
forem desafortunados. Além disso, a aplicação financeira dessas reservas, feita 
predominantemente em títulos públicos, possibilita investimentos na economia 
(BRANDON, 2001). 
 É natural esperar que as pessoas busquem melhores condições de vida. Isso 
também envolve a formação de um patrimônio, normalmente acumulado em anos 
de trabalho. Para os empreendedores, a empresa faz parte do patrimônio e consiste 
na fonte provedora de renda da sua e de muitas outras famílias. Tudo isso pode ser 
perdido, de uma hora para outra, em virtude da exposição a riscos. Alguns podem 
ser previstos e evitados ou minimizados; outros, como os eventos da natureza, são 
imprevisíveis e inevitáveis. O seguro nasceu, portanto, da necessidade de o homem 
controlar o risco.
Por isso, assumir riscos de forma consciente e/ou negligenciada de riscos 
pode indicar certa irresponsabilidade. Afinal, é fácil perceber que a exposição 
a eventos como vendavais, enchentes, terremotos, incêndios, roubos, colisões, 
mortes, entre outros, não causa apenas perdas individuais, mas também dificulta 
o desenvolvimento econômico de uma sociedade.
2 COMO SURGIRAM OS SEGUROS
 Viver envolve riscos. Se, no passado, o homem corria o risco de ser atacado 
por uma fera, ou morrer de frio ou fome, hoje enfrenta os riscos que afetam seu 
patrimônio e sua saúde. O assunto seguro está associado a dispositivos elaborados 
pelo homem no curso da sua história: da Lei das Doze Tábuas (450 a.C.), passando 
pelo Código de Hamurábi e pelo Império da Babilônia, chegando até o Código 
Napoleônico. Portanto, o Homem evoluiu, e os riscos o acompanharam nessa 
mudança. E “se pudéssemos encontrar uma palavra para definir o surgimento da 
atividade de seguros, certamente essa palavra seria solidariedade” (TEIXEIRA, 
2016, p. 12).
 Vimosque fazer antecipadamente a divisão das perdas (ao invés de dividi-
las apenas depois da sua ocorrência) só foi possível com o surgimento da estatística 
e o estudo das probabilidades. A matemática permitiu comprovar que as chances 
de perdas (prejuízos) são reais, tanto para as pessoas como para as empresas. A 
TÓPICO 1 | A SOCIEDADE E O RISCO
7
disposição para correr riscos varia de pessoa para pessoa, mas todas elas detestam 
perder e, devido a este fator, estabeleceu-se a necessidade de controlar e transferir 
os riscos.
 
Surgiram então os negócios de gerenciamento de riscos e os seguros de 
diversas naturezas, destinados a proteger pessoas, patrimônios e responsabilidades. 
A principal função dos seguros é a divisão das perdas individuais (que seriam 
desastrosas para a maioria das pessoas e empresas) entre um grande grupo. A 
atuária é o lastro técnico das operações, pois baseada no estudo de probabilidades 
e estatísticas, ela possibilita que a divisão das perdas ocorra antes que os sinistros 
aconteçam. Isto estabelece outras importantes funções sociais para a indústria 
do seguro: acumulação de recursos e geração de investimentos na economia 
(VARANDA, 2004 apud ARRUDA, 2016).
Arruda (2016) diz que a atividade seguradora é antiga e madura. Em 1347, 
em Gênova, Itália, formalizou-se o primeiro contrato de seguro marítimo, com 
emissão de apólice (derivação de polliza, que em italiano significa promessa). No 
século XVII os seguros de vida prosperavam na França e um grande incêndio que, 
em 1666, destruiu metade de Londres, estabeleceu a necessidade de proteção contra 
este tipo de evento. Os negócios atingiram pleno desenvolvimento comercial no 
século XVIII, quando os seguradores já emitiam apólices contra quase todo tipo de 
risco e ganharam impulso a partir da Revolução Industrial.
 FIGURA 2 - EVOLUÇÃO DA REPARTIÇÃO DE PERDAS
FONTE: Arruda (2016, p. 15)
IMPORTANT
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A primeira apólice de vida de que se tem conhecimento foi emitida no século XVI, 
na cidade de Londres, onde também foi criada a primeira sociedade de seguro de vida – The 
Society of Insurance for Widows and Orphans (TEIXEIRA, 2016, p. 12).
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XVIII
Séc. 
XIV
Séc. XIII a 
XVII
UNIDADE 1 | RISCOS E SEGUROS – HISTÓRIA, ESTRUTURA E CONCEITOS FUNDAMENTAIS
8
3 OS SEGUROS NO BRASIL
O Brasil foi descoberto pouco depois do período renascentista, quando 
ocorreram os avanços matemáticos que formariam a base técnica das operações 
de seguros. Entretanto, o período colonial e extrativista não estabeleceu uma base 
econômica que favorecesse o florescimento dos mecanismos de seguro que já se 
praticavam na Europa. Seria necessária a transferência do governo português para 
que isso ocorresse. 
A história registra que o seguro surge no Brasil em 1808, em consequência 
da vinda da família real e da consequente abertura dos portos às nações amigas. 
A primeira seguradora brasileira, a Companhia de Seguros Boa-Fé, foi fundada 
em 24/02/1808 com a finalidade de operar no seguro marítimo. Neste período, 
os seguros existentes eram regulados pelas leis portuguesas (Casa de Seguros 
de Lisboa). A Previdência Privada (atual Previdência Complementar) também é 
desta época: surgiu em 1835, com a criação do Montepio Geral de Economia dos 
Servidores do Estado – MONGERAL.
 Teixeira (2016) acrescenta que, em 1850, foi promulgado o Código 
Comercial Brasileiro, que foi de fundamental importância para o desenvolvimento 
do seguro no Brasil, incentivando o aparecimento de inúmeras seguradoras, que 
passaram a operar não só com o seguro marítimo, mas também com o seguro 
terrestre. Posteriormente, o Decreto 4.270, de 1901, passou a regular as operações 
de seguros no Brasil e criou as Inspetorias de Seguros, subordinadas ao Ministério 
da Fazenda. Em 1916 ocorreu o maior avanço de ordem jurídica no campo do 
contrato de seguro, com a promulgação do Código Civil Brasileiro (substituído 
pelo atual Código Civil de 2002). Com ele foram fixados os princípios essenciais do 
contrato de seguros e disciplinados os direitos e obrigações das partes, de modo a 
evitar e dirimir conflitos entre os interessados. 
A história de um mercado segurador realmente brasileiro começaria apenas 
em 1939, com a criação do Instituto de Resseguros do Brasil (IRB), pois até então 
não existia um mercado nacional. A história dos seguros no país pode ser dividida 
em quatro períodos:
• Até 1940, com a efetiva instalação do Instituto de Resseguros do Brasil (IRB), 
o mercado brasileiro foi dominado por seguradoras estrangeiras que eram, 
basicamente, agências de captação de seguros para suas matrizes.
• O segundo momento está marcado pelo domínio das empresas nacionais e pela 
nacionalização das seguradoras estrangeiras que, a partir da criação do IRB, 
passaram a aplicar suas reservas no país.
• Uma nova fase se inicia com a criação do Sistema Nacional de Seguros, por meio 
do Decreto 73/66, que aumentou o poder de regulamentação do Estado. Este 
período se caracteriza, durante as décadas de 70 e 80, pela crescente participação 
dos bancos e por um processo contínuo de concentração, por meio de fusões e 
incorporações estimuladas pelo governo. 
TÓPICO 1 | A SOCIEDADE E O RISCO
9
• A fase atual começa com a Constituição de 1988 e com o Plano Diretor de 
Seguros, apresentado pelo governo Collor em 1992. A partir de então, inicia-
se a redução do poder regulamentar estatal, a abertura do mercado interno ao 
capital internacional e o aumento da concorrência (MAGALHÃES, 1997 apud 
ARRUDA, 2016).
Na década de 1990, as transformações decorrentes da abertura econômica, 
juntamente com o Plano Diretor de Seguros, criaram um ambiente de mudanças e 
de acirrada competição, estabelecendo novas dimensões, que passaram de locais 
para globais. A estabilidade da moeda (estabelecida com o Plano Real) associada 
a um conjunto de ações traçadas em Plano Setorial pela Federação Nacional das 
Empresas de Seguros Privados e de Capitalização (FENASEG) no mesmo ano 
(1994) permitiu que ocorresse expressivo crescimento no volume de negócios de 
seguros. Em 2015, o mercado segurador brasileiro (formado pelas atividades de 
seguros, previdência complementar e capitalização) representou 6,2% da economia 
(PIB) nacional. 
FIGURA 3 - EVOLUÇÃO DOS SEGUROS NO BRASIL
FONTE: Arruda (2016, p. 17)
Em 15/01/07 foi promulgada a Lei Complementar 126/07, que promoveu 
a quebra do monopólio do Instituto de Resseguros do Brasil (atual IRB-Brasil 
Resseguros S.A.) e a consequente abertura do mercado de resseguros. Desde então, 
o IRB deixou de ser o ressegurador único e obrigatório, e as seguradoras brasileiras 
passaram a ter a opção de repassar seus excedentes de responsabilidade para 
resseguradores internacionais, conforme veremos na regulamentação do setor. 
DICAS
Conheça as estatísticas de seguros em <http://www.cnseg.org.br/cnseg/
estatisticas/mercado/>.
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1901 1966 1992 2004
1970-1980 19941850
UNIDADE 1 | RISCOS E SEGUROS – HISTÓRIA, ESTRUTURA E CONCEITOS FUNDAMENTAIS
10
4 A REGULAMENTAÇÃO DO SETOR
A atividade seguradora tem lugar de destaque no desenvolvimento das 
nações não apenas pela proteção às pessoas (físicas e jurídicas), mas também pelas 
suas características de poupança e de geração de investimentos na economia, em 
virtude das reservas técnicas que são administradas pelas companhias de seguros. 
Vimos que, através do Decreto-Lei 73/66, o Governo Federal reformulou 
a política de seguros no Brasil e criou o Sistema Nacional de Seguros Privados 
(SNSP). De acordo com o Art. 8º do decreto, os órgãos integrantes do Sistema e 
suas principais atribuições são:
Conselho Nacional de Seguros Privados (CNSP): órgão governamental, 
presidido pelo Ministro da Fazenda, encarregado de fixar as diretrizes e 
normas da política de seguros privados no Brasil.
Superintendência de Seguros Privados (SUSEP): autarquia vinculada 
ao Ministério da Fazenda, responsável pela regulação, supervisão, 
controle, fiscalização e incentivo das atividades de seguros, previdência 
complementar aberta, capitalização e resseguro.
Seguradoras: empresas constituídas sob a forma de sociedade 
anônima, que assumem e administram riscos de acordo com os critérios 
regulamentados pela SUSEP.
Entidades de Previdência Complementar Aberta: sociedades 
constituídas com o objetivo de instituir e executar planos de benefícios 
de caráter previdenciário.
Resseguradores: empresas que recebem a transferência de riscos das 
seguradoras, ou seja, é o segurador das seguradoras. A legislação 
brasileira os classifica como ressegurador local (sediado no país e 
constituído sob a forma de sociedade anônima), admitido (sediado 
no exterior, mas com escritório de representação no país) ou eventual 
(sediado no exterior, sem escritório de representação no país, mas 
cadastrado na SUSEP).
Corretores de Seguros: pessoas físicas ou jurídicas, intermediários 
legalmente autorizados a angariar e promover contratos de seguros.
 
Em 1998 foi criado o Conselho de Recursos do Sistema Nacional de Seguros 
Privados, de Previdência Complementar Aberta e de Capitalização (CRSNSP) como 
um órgão colegiado, integrante da estrutura básica do Ministério da Fazenda e que 
tem por finalidade o julgamento, em última instância administrativa, dos recursos 
de decisões dos órgãos fiscalizados do SNSP e que possui a seguinte estrutura:
TÓPICO 1 | A SOCIEDADE E O RISCO
11
FIGURA 4 - ESTRUTURA DO SNSP – SISTEMA NACIONAL DE SEGUROS 
PRIVADOS
FONTE: Teixeira (2016, p. 15)
Com relação aos produtos ou planos de capitalização, Guerra (2016, p. 13) 
afi rma que:
A Capitalização não integra o Sistema Nacional de Seguros Privados 
(SNSP), isto é, o título de capitalização não é um plano de seguro a 
ser comercializado por uma seguradora. A Capitalização constitui 
um sistema próprio: O Sistema Nacional de Capitalização (SNC). 
Assim, os títulos somente podem ser comercializados por sociedades 
de capitalização. No entanto, a fi scalização e a regulamentação da 
Capitalização, por força do Decreto-Lei 261, de 28/02/67, que criou o 
Sistema Nacional de Capitalização (SNC), também estão a cargo da 
SUSEP e do CNSP, respectivamente, da mesma forma que ocorre com 
as sociedades seguradoras.
Pode-se observar que, apesar do sistema de capitalização não integrar o 
Sistema Nacional de Seguros Privados, ele evolui paralelamente. As sociedades 
de capitalização desempenham funções análogas às sociedades seguradoras e, 
para ambas, deve-se observar a necessidade de autorização pela SUSEP para que 
possam iniciar suas operações. 
Os produtos ou planos de saúde também possuem um sistema próprio. 
Comercializados por qualquer uma das modalidades de operadoras (seguradoras, 
empresas de medicina de grupo, cooperativas médicas, entre outras), eles integram 
o Sistema de Saúde Privada e Suplementar, que é da competência do Ministério da 
Saúde, através do Conselho Nacional de Saúde Suplementar (CONSU) e da Agência 
Nacional de Saúde Suplementar (ANS), que disciplina esse setor (GUERRA, 2016).
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Seguros
UNIDADE 1 | RISCOS E SEGUROS – HISTÓRIA, ESTRUTURA E CONCEITOS FUNDAMENTAIS
12
Quanto às entidades de classe, Teixeira (2016, p. 13) destaca, primeiramente, 
a Federação Nacional dos Corretores de Seguros Privados, de Capitalização, de 
Previdência Privada e das Empresas Corretoras de Seguros (FENACOR) como 
sendo a “entidade sindical, de grau superior, de âmbito nacional, reconhecida 
como entidade coordenadora dos interesses da categoria econômica dos corretores 
de seguros e de capitalização”. Complementarmente, apresenta a Confederação 
Nacional das Empresas de Seguros Gerais, Previdência Privada e Vida, Saúde 
Suplementar e Capitalização (CNseg) como entidade máxima de representação 
institucional do mercado segurador, o qual seria formado pelo conjunto dos 
setores de Seguros, Previdência Complementar Aberta, Saúde Suplementar e 
Capitalização. 
Finalmente, para habilitar, qualificar e desenvolver a formação técnica 
dos profissionais de seguros, previdência complementar, saúde e capitalização, 
em 1971 surgiu a Fundação Escola Nacional de Seguros (FUNENSEG). Ela é a 
responsável pelo ensino e divulgação do seguro no Brasil. 
DICAS
Acesse os sites listados a seguir, eles contribuirão com seu aprendizado.
<www.susep.gov.br>
<www.ans.gov.br>
<www.fenacor.org.br>
<www.cnseg.org.br>
<www.funenseg.org.br>
<www.tudosobreseguro.org.br>
13
Neste tópico, você aprendeu que:
• A preservação das riquezas conquistadas pela sociedade é uma necessidade 
humana.
• Com o estudo de estatísticas e do cálculo de probabilidades, desenvolveu-se a 
ciência atuarial.
• Através dos seguros contribui-se para a constituição de um fundo mútuo, 
denominado reservas técnicas. O seguro irá suprir as perdas dos desafortunados, 
e a aplicação financeira das reservas, feita predominantemente em títulos 
públicos, possibilita investimentos na economia.
• A principal função dos seguros é a divisão das perdas individuais entre um 
grande grupo; e a atuária é o lastro técnico das operações.
• O seguro surgiu no Brasil em 1808, e sua história registra quatro períodos: 1) 
Até 1940 o mercado brasileiro foi dominado por seguradoras estrangeiras; 2) 
A criação do IRB e a nacionalização do mercado; 3) Nas décadas de 70 e 80 
houve crescente participação dos bancos e aumento da concentração por meio 
de fusões e incorporações estimuladas pelo governo; 4) Com a Constituição 
de 1988 e o Plano Diretor de Seguros de 1992 teve início a redução do poder 
regulamentar estatal, a abertura do mercado ao capital internacional e o aumento 
da concorrência.
• O Sistema Nacional de Seguros Privados (SNSP) é integrado pelo Conselho 
Nacional de Seguros Privados (CNSP), pela Superintendência de Seguros 
Privados (SUSEP), pelas Seguradoras, pelas Entidades de Previdência 
Complementar Aberta, pelos Resseguradores e pelos Corretores de Seguros.
• O Sistema Nacional de Capitalização (SNC) é integrado pelas Sociedades 
de Capitalização e pelos Corretores de Capitalização. A fiscalização e a 
regulamentação competem à SUSEP e ao CNSP.
• O Sistema de Saúde Privada e Suplementar compete ao Ministério da Saúde, 
através do Conselho Nacional de Saúde Suplementar (CONSU) e da Agência 
Nacional de SaúdeSuplementar (ANS), que regulamentam e fiscalizam as 
operadoras (seguradoras, empresas de medicina de grupo, cooperativas médicas 
e outras).
RESUMO DO TÓPICO 1
14
1 O mercado de seguros no Brasil desenvolveu-se ao longo dos anos. Órgãos 
foram criados e legislações incorporadas ao sistema, de forma a aprimorá-
lo. Dentre essas legislações, uma delas reformulou a política de seguros no 
Brasil e criou o Sistema Nacional de Seguros Privados, sendo considerada 
uma referência, em termos de legislação, pelo seu alcance e abrangência. 
Estamos nos referindo ao:
a) ( ) Código Civil Brasileiro.
b) ( ) Código Comercial.
c) ( ) Código de Defesa do Consumidor.
d) ( ) Decreto-lei 73/66.
e) ( ) Decreto das S.A.
2 Em relação ao Sistema Nacional de Seguros Privados, associe os órgãos às 
suas respectivas atribuições:
1) O CNSP – Conselho Nacional de Seguros Privados.
2) A SUSEP – Superintendência de Seguros Privados.
3) A Sociedade Autorizada a operar em seguros privados.
( ) Determina as diretrizes e normas da política de seguros privados no Brasil.
( ) Assume e gere os riscos que lhe são transferidos pelos segurados, de acordo 
com os critérios técnicos e administrativos regulamentados.
( ) Executa a supervisão da atividade de seguros.
( ) Fiscaliza as seguradoras.
( ) É autarquia vinculada ao Ministério da Fazenda.
Agora, assinale a alternativa correta:
a) ( ) 1,1,2,3,3
b) ( ) 1,1,3,3,3
c) ( ) 1,2,1,3,3
d) ( ) 2,2,1,3,3
e) ( ) 1,3,2,2,2
3 O órgão governamental que fixa as diretrizes e normas da política de seguros 
privados do Brasil, entre outras atribuições, é o(a):
a) ( ) SNSP – Sistema Nacional de Seguros Privados.
b) ( ) SUSEP – Superintendência de Seguros Privados.
c) ( ) CNSP – Conselho Nacional de Seguros Privados.
d) ( ) Ministério da Fazenda.
e) ( ) Banco Central do Brasil.
AUTOATIVIDADE
15
4 O órgão responsável pela regulação, controle, fiscalização e incentivo das 
atividades de seguros, previdência, capitalização e resseguro é o(a):
a) ( ) IRB – Brasil Seguros S.A.
b) ( ) Comissão de Valores Mobiliários.
c) ( ) Ministério da Fazenda.
d) ( ) Conselho Nacional de Seguros Privados.
e) ( ) Superintendência de Seguros Privados.
16
17
TÓPICO 2
O PROCESSO DE GERENCIAMENTO DE 
RISCOS
UNIDADE 1
1 INTRODUÇÃO
Sabemos que, de modo geral, as pessoas apresentam maior ou menor 
propensão ao enfrentamento de riscos. Umas são mais, outras são menos ousadas. 
Umas mais aventureiras, outras mais conservadoras, ou seja, o grau de aversão 
a riscos varia de pessoa para pessoa. Já vimos também que todas as pessoas são 
avessas a perdas. Assim, quando não está presente a percepção ou o forte sentimento 
das possibilidades de perdas, muitos empresários costumam negligenciar os riscos 
de virem a sofrer perdas inesperadas, que podem comprometer a estabilidade 
econômica e/ou projetos de crescimento da sua empresa e, até mesmo, provocar a 
inviabilidade do negócio. Nesta seção, conheceremos o processo de gerenciamento 
de riscos, que se baseia em dois importantes conceitos. 
O que é gerenciar riscos? “Significa tentar evitar perdas, tentar diminuir 
a frequência ou severidade de perdas ou poder pagar as perdas que ocorrerem 
apesar de todos os esforços em contrário” (HOPE, 2002, p. 4).
O que faz um gerente de riscos? “Seu papel consiste em detectar as 
exposições a que uma corporação está sujeita, traçando seu cenário de risco. Cabe 
a ele implementar políticas de prevenção e controle para decidir qual parcela do 
risco absorver ou transferir a uma seguradora” (CONDUTA, 2000 apud ARRUDA, 
2016, s.p.). 
Os danos ou prejuízos envolvidos podem ser materiais ou patrimoniais, 
pessoais ou corporais, decorrentes de responsabilidade civil ou decorrentes 
de lucros cessantes. Tratar os riscos significa prevenir perdas, diminuir as 
consequências financeiras quando elas ocorrem e reduzir as incertezas de 
indivíduos e organizações, proporcionando a paz de espírito necessária à condução 
de suas atividades.
2 CLASSIFICAÇÃO DOS RISCOS
 
Podemos definir o que é risco e diferenciá-lo de perigo? Todo e qualquer 
risco pode ser segurado? Como iremos fazer o seu gerenciamento? Essas são 
questões importantes a serem respondidas e esclarecidas nesta seção.
UNIDADE 1 | RISCOS E SEGUROS – HISTÓRIA, ESTRUTURA E CONCEITOS FUNDAMENTAIS
18
Teixeira (2016, p. 25) define risco como sendo um “evento incerto ou de data 
incerta que independe da vontade das partes contratantes e contra o qual é feito 
o seguro. O risco é a expectativa de sinistro”. No que diz respeito às operações de 
seguros, acrescenta que “risco é a possibilidade de ocorrência de um evento aleatório 
que cause dano de ordem material, pessoal ou mesmo de responsabilidades”. No 
entanto, nem todos os riscos podem ser segurados. Para que exista seguro, o risco 
precisa ser possível, futuro, incerto, acidental, mensurável e causador de prejuízos. 
De acordo com Teixeira (2016), para efeito das operações de seguros, os riscos são 
classificados em:
• Risco puro: risco em que só existem duas possibilidades: perder (caso ele 
ocorra) ou não perder (caso ele não ocorra). Exemplos: a possibilidade de morte 
dos indivíduos é um risco puro. Se ocorrer a morte de alguém, há perda e, se 
não ocorrer, não há perda. O roubo de um veículo também. Se for roubado, o 
proprietário perde. Se não for, não perde. Esses riscos são seguráveis.
• Risco especulativo: risco que envolve as possibilidades de perder, não perder 
ou ganhar. Exemplos: o investimento em bolsa de valores ou apostas em jogos 
de azar.
• Riscos particulares: são aqueles que afetam apenas indivíduos ou empresas em 
particular, e não a sociedade coletivamente, e para os quais, também, só existem 
duas possibilidades: perder ou não perder. Exemplos: a morte de uma pessoa 
ou o incêndio em uma empresa. Esses riscos são seguráveis.
• Riscos fundamentais: assim são chamados os riscos impessoais, resultantes 
de mutações sociais e econômicas, afetando a coletividade. Exemplos: perdas 
decorrentes de guerra ou de inflação. Esses riscos não são seguráveis e o seu 
tratamento compete ao Estado.
3 GERENCIAMENTO DE RISCOS
O fato de uma pessoa ou uma empresa estar exposta a riscos nos leva a 
imaginar que, se ocorrer um evento danoso, haverá perdas ou prejuízos. Os 
danos decorrentes do evento podem ser de natureza material, corporal, moral ou 
geradores de responsabilidades de reparação. Podem, ainda, implicar em perda 
de renda à pessoa física ou redução parcial ou total das atividades de uma pessoa 
jurídica (lucros cessantes). Portanto, tratar os riscos significa prevenir perdas ou 
reduzir as consequências financeiras quando elas ocorrem. 
O processo de gerenciamento ou de tratamento de riscos, segundo Hope 
(2002), é baseado em método científico similar ao processo de tomada de decisões 
gerais em negócios, e comporta cinco etapas lógicas, sistemáticas e contínuas:
1. Identificar e analisar as exposições a risco.
2. Verificar a viabilidade das várias técnicas disponíveis para tratamento dessas 
exposições.
3. Selecionar a combinação mais adequada dessas técnicas.
4. Implementar as técnicas escolhidas.
TÓPICO 2 | O PROCESSO DE GERENCIAMENTO DE RISCOS
19
5. Monitorar os resultados e analisar a necessidade de mudanças ou 
aperfeiçoamentos.
Vimos acima que os riscos podem e devem ser tratados. Isso não significa, 
necessariamente, que estejam controlados. Para manter os riscos sob controle, 
devem ser utilizadas as cinco técnicas descritas a seguir:
1. Evitar o risco. Embora seja possível, a eliminação é pouco adequada. Significa, 
por exemplo, um fabricante optar pelo abandono de um produto devido à 
forte possibilidade de reclamações dos consumidores por danos decorrentes de 
responsabilidade civil. 
2. Prevenir perdas, ou seja, tentar reduzir a frequência dos eventos danosos. 
3. Reduzir perdas, ou seja, tentar diminuir a sua severidade.
4. Segregar as exposições, o que pode ser feito pela separação de uma atividade ou 
de ativosem mais de um local ou pela duplicação através de backups, reservas 
ou duplicatas de ativos essenciais. 
5. Transferir contratualmente, o que significa repassar para outrem a 
responsabilidade legal e financeira sobre um ativo ou uma determinada 
operação (HOPE, 2002).
A seleção das técnicas mais apropriadas para o gerenciamento dos riscos 
deve levar em consideração os principais objetivos da organização, destacando 
a sua própria sobrevivência econômica. Pela própria natureza das atividades 
desenvolvidas pelas empresas, elas próprias estabelecem pesos diferentes para 
questões como a segurança do trabalho, os riscos ambientais, preocupações 
comunitárias e legais, entre outras.
Financeiramente, as empresas podem optar pela retenção dos riscos 
(acumular recursos próprios para o pagamento das perdas ou, se for um grande 
grupo econômico, constituir uma seguradora própria) ou pela transferência dos 
riscos através da contratação de seguros (o que é muito mais comum). Também é 
usual se combinar a retenção com a transferência dos riscos. Nesse caso, quando 
ocorrerem perdas, a empresa assume uma pequena participação e a seguradora 
indeniza a parte que não foi absorvida pela empresa. O esquema a seguir permite 
visualizar o fluxograma de um processo de gerenciamento de riscos.
UNIDADE 1 | RISCOS E SEGUROS – HISTÓRIA, ESTRUTURA E CONCEITOS FUNDAMENTAIS
20
FIGURA 5 - GERENCIAMENTO DE RISCO
FONTE: O autor
Arruda (2016) observa que, mesmo que uma empresa não venha a sofrer 
perdas catastróficas ou expressivas em relação à sua situação patrimonial, o 
acúmulo de pequenas ou médias perdas pode comprometer a competitividade e, 
em consequência, reduzir a participação no mercado. Além disso, com o passar 
do tempo, a falta de tratamento para esses riscos/perdas pode implicar em grande 
dificuldade na contratação de seus seguros ou pagamento de preços muito elevados. 
Por outro lado, para os que tratam seus riscos, os custos com seguros podem 
ser reduzidos através de descontos, mas esta é apenas uma das consequências da 
existência ou não de um programa de gerenciamento de riscos. Para competir, tanto 
no mercado internacional como no mercado brasileiro, as empresas não conseguirão 
repassar os custos de perdas que podem ser controladas. Elas significam desperdício 
e os clientes não irão pagar por isso.
Para Conduta (2000 apud ARRUDA, 2016), o papel do gerente de riscos 
consiste em detectar as exposições a que a corporação está sujeita, traçando seu 
cenário de risco. E a ele cabe implantar as políticas de prevenção e controle de 
perdas para que a empresa possa decidir qual parcela do risco absorver ou transferir 
a uma seguradora. Hope (2002) acrescenta que os gerentes de risco devem pesar a 
efetividade e a economia de cada técnica utilizada com os objetivos definidos no 
programa de gerenciamento. Para isso, devem considerar: 
1. As potenciais consequências financeiras das exposições a riscos.
2. A efetividade potencial das várias técnicas de controle e de financiamento de 
riscos.
3. O custo potencial de tais técnicas.
TÓPICO 2 | O PROCESSO DE GERENCIAMENTO DE RISCOS
21
• Técnica de Incidentes Críticos (TIC): Esta técnica detecta fatores causais em 
termos de erros e condições inseguras, que possibilitem acidentes com ou sem 
lesão, bem como as origens de acidentes potenciais. O foco de ação da TIC é, então, 
identificar não conformidades (condições e atos inseguros) que contribuam 
com episódios de danos, reais (acidentes) e potenciais (incidentes críticos), 
usando-se amostra aleatória estratificada de participantes, selecionados 
dentro de uma dada população da empresa.
• What-If (WI): É uma técnica qualitativa de análise geral e de simples aplicação, 
podendo ser aplicada na identificação de perigos no projeto, pré-operação 
e operação do processo. O objetivo desta técnica é, na realidade, testar as 
possíveis omissões em projetos, procedimentos e normas, bem como conferir, 
no ambiente de trabalho, o comportamento, a capacitação, as habilidades e 
outros elementos julgados necessários em relação aos recursos humanos, com 
o objetivo de proceder a identificação de perigos e respectivo tratamento. 
Para a sua aplicação, usa-se periodicamente, de acordo com as necessidades, 
uma sistemática técnica administrativa que inclui princípios de dinâmica 
de grupo.
• Cenário: É uma técnica utilizada para a realização de reuniões de profissionais 
de diversas áreas com fins de identificar possíveis problemas futuros e 
as respectivas alternativas de solução em projetos e, assim, tem caráter de 
predição qualitativa e/ou quantitativa de tendências na operação, nem sempre 
contempladas por métodos mais tradicionais e específicos.
• Análise Preliminar de Riscos (APR): Também conhecida como Análise 
Preliminar de Perigos (APP) (Preliminary Hazard Analysis - PHA), teve seu 
desenvolvimento na área militar e é uma técnica qualitativa aplicável à fase 
de projeto (concepção ou desenvolvimento de um novo sistema), visando 
determinar os riscos quando da fase operacional. Também é útil quando 
aplicada na revisão geral de segurança em sistemas já operacionais, revelando 
aspectos até então negligenciados. 
• Análise de Modos de Falha e Efeitos (AMFE): A Análise de Modos de Falha 
e Efeitos (Failure Modes and Effects Analysis - FMEA) é uma análise bem mais 
detalhada em relação às técnicas anteriores, sendo que pode ter uma abordagem 
qualitativa ou quantitativa, dependendo do foco que é dado. Essa técnica 
foi desenvolvida por engenheiros para determinar a confiabilidade de 
sistemas complexos, o que é reconhecido como inversamente proporcional 
à probabilidade de falhas. Logo, permite analisar as falhas de um 
equipamento ou sistema e os respectivos efeitos, bem como estimar taxas de 
falhas, de modo a propiciar o estabelecimento de alterações e alternativas 
que possibilitem uma redução das probabilidades de falhas e, assim, 
aumentando a confiabilidade do sistema.
• Análise de Operabilidade de Perigos (HAZOP): A Análise de Operacionalidade 
de Perigos ou Hazard and Operability Studies (HAZOP) é uma técnica 
semelhante ao FMEA de análise qualitativa, desenvolvida com o intuito 
de examinar previamente projetos ou modificações de linhas de processo, 
identificando perigos e prevenindo problemas, mas também pode ser aplicada 
para equipamentos do processo e até para sistemas.
UNIDADE 1 | RISCOS E SEGUROS – HISTÓRIA, ESTRUTURA E CONCEITOS FUNDAMENTAIS
22
• Análise de Árvore de Eventos (AAE): A Análise da Árvore de Eventos - AAE 
(Event Tree Analysis - ETA) é um método lógico-indutivo para identificar 
as possíveis consequências resultantes de um dado evento inicial a partir da 
determinação das frequências e consequências de eventos indesejáveis
• Análise de Árvore de Falhas (AAF): Seu principal conceito é a transformação 
de um sistema físico em um diagrama lógico estruturado (a árvore de falhas), 
no qual são especificadas as causas que levam à ocorrência de um específico 
evento indesejado de interesse (evento topo), posteriormente determinando 
as frequências de eventos indesejáveis a partir da combinação lógica das 
falhas dos diversos componentes do sistema. 
FONTE: Pacheco Jr. (2007) 
4 ANÁLISE PRELIMINAR E MATRIZ DE RISCOS
Dentre as principais técnicas de identificação, análise e avaliação de riscos, 
a Análise Preliminar se destaca pela amplitude de sua utilização e aplicabilidade. 
Ela não exige os conhecimentos técnicos de grande profundidade que normalmente 
acompanham as avaliações mais complexas que são exigidas, destacadamente, 
no estudo e análise dos riscos industriais. Quando associada com a construção de 
uma Matriz de Risco, nos permite estabelecer as situações mais críticas e definir 
prioridades de tratamento.
 Portanto, a Análise Preliminar de Riscos (APR) é uma das técnicas de 
gerenciamento e seu objetivo consiste em identificar eventos perigosos, suas causas 
e consequências. Ela é preliminar porque é utilizada como primeira abordagem 
do objeto de estudo.Em um grande número de casos, é suficiente para estabelecer 
medidas de controle de riscos (CARDELLA, 1999 apud FRANKENBERGER et al., 
2010).
Normalmente, a APR também é uma técnica utilizada antes de outros tipos 
de análise. Ela traz como principais vantagens a identificação com antecedência e a 
conscientização acerca dos perigos em potencial. Além disso, ajuda na identificação 
e/ou desenvolvimento de diretrizes e dos critérios a serem seguidos com o uso de 
outras técnicas, quando o caso requer maior profundidade de estudo ou tratamento. 
Um dos parâmetros utilizados numa APR é a frequência ou probabilidade 
de ocorrência dos acidentes. Assim, uma vez identificados os riscos, eles são 
classificados em categorias com base numa indicação qualitativa, conforme 
apresentado no quadro a seguir.
TÓPICO 2 | O PROCESSO DE GERENCIAMENTO DE RISCOS
23
QUADRO 1 – CATEGORIAS DE FREQUÊNCIAS
Categoria Denominação Descrição
A
EXTREMAMENTE
REMOTA
Conceitualmente possível, mas extremamente 
improvável de ocorrer durante a vida útil do 
processo ou instalação.
B REMOTA
Não esperado ocorrer durante a vida útil do 
processo ou instalação.
C IMPROVÁVEL
Pouco provável de ocorrer durante a vida útil do 
processo ou instalação.
D PROVÁVEL
Esperado ocorrer até uma vez durante a vida útil 
do processo ou instalação.
E FREQUENTE
Esperado ocorrer várias vezes durante a vida útil 
do processo ou instalação.
FONTE: Amorim (2012)
Como segundo parâmetro utilizado numa APR, temos a severidade ou 
potencial de danos de um acidente. Portanto, os riscos que foram identificados 
também são classificados, qualitativamente, em categorias, como segue:
QUADRO 2 – CATEGORIA DE SEVERIDADE DOS PERIGOS IDENTIFICADOS
Categoria Denominação Descrição/ Características
I Desprezível
- Sem danos ou danos insignificantes aos 
equipamentos, à propriedade e/ou ao meio ambiente.
- Não ocorrem lesões/mortes de funcionários ou de 
terceiros. O máximo que pode ocorrer são casos de 
primeiros socorros ou tratamento médico menor.
II Marginal
- Danos leves aos equipamentos, à propriedade 
e/ou ao meio ambiente (os danos materiais são 
controláveis e/ou de baixo custo para reparo).
- Lesões leves em empregados, prestadores de 
serviço ou em membros da comunidade.
UNIDADE 1 | RISCOS E SEGUROS – HISTÓRIA, ESTRUTURA E CONCEITOS FUNDAMENTAIS
24
III Crítica
- Danos severos aos equipamentos, à propriedade e/
ou ao meio ambiente.
- Lesões de gravidade moderada em empregados 
ou prestadores de serviços ou em membros da 
comunidade (probabilidade remota de morte).
- Exige ações corretivas imediatas para evitar seu 
desdobramento em catástrofe.
IV Catastrófica
- Danos irreparáveis aos equipamentos, à 
propriedade e/ou ao meio ambiente (reparação lenta 
ou impossível).
- Provoca mortes ou lesões graves em várias pessoas 
(empregados, prestadores de serviços ou em 
membros da comunidade).
FONTE: Amorim (2012)
Com base nas avaliações feitas para a frequência e a severidade esperadas 
para cada uma das situações de perigo (que foram identificadas no local em 
análise), é possível classificar os respectivos riscos. Isso se faz através de uma 
matriz de riscos, do tipo ilustrado a seguir:
FIGURA 6 - MATRIZ DE CLASSIFICAÇÃO DE RISCO
FONTE: Aguiar (2012, p. 8)
Observa-se, no interior da figura acima, que o grau de risco varia de 1 a 
5 de acordo com o cruzamento da severidade com a frequência esperada para o 
evento. O quadro a seguir resume, nas duas primeiras colunas, as classificações 
de severidade e frequência; e apresenta, na terceira coluna, o descritivo das 
classificações dos riscos conforme sua variação: de 1 (desprezível) a 5 (crítico).
TÓPICO 2 | O PROCESSO DE GERENCIAMENTO DE RISCOS
25
QUADRO 3 - LEGENDA DA MATRIZ DE CLASSIFICAÇÃO DE RISCO
FONTE: Aguiar (2012, p. 8)
A Matriz de Risco é construída pela composição das variáveis severidade 
e frequência, podendo ser dividida em áreas que caracterizam os níveis de risco 
avaliados. A definição desses níveis irá variar em função do perfil do avaliador 
(que pode ser mais ou menos crítico) e da natureza dos processos avaliados. 
A partir desta classificação, é possível estabelecer prioridades no 
tratamento. Todos os riscos de nível 5 (críticos) devem ser tratados com máxima 
prioridade, seguindo-se os riscos de nível 4 (sérios) e posteriormente os riscos de 
nível 4 (moderados). Finalmente, caberá ao gestor, junto com a direção da empresa, 
avaliar se os riscos menores (nível 2) ou desprezíveis (nível 1) deverão ou não 
receber algum tipo de tratamento. No Anexo 1 encontra-se um exemplo de Análise 
Preliminar de Riscos (APR). 
Exemplificando o uso da APR para classificar dois riscos relacionados com 
um determinado galpão industrial: incêndio e vendaval. Vamos imaginar que o 
analista, com base em sua experiência e informações coletadas, faça as seguintes 
estimativas:
a) Risco de incêndio: 
Frequência: classificado como categoria B (remota) no quadro 1.
Severidade: classificado como categoria III (crítica) no quadro 2.
Grau de risco: 2 – menor (obtido na figura 6 com entrada dos parâmetros acima). 
b) Risco de vendaval:
Frequência: classificado como categoria D (provável) no quadro 1.
Severidade: classificado como categoria III (crítica) no quadro 2.
Grau de risco: 4 – sério (obtido no quadro anterior com entrada dos parâmetros 
acima). 
No exemplo acima, o risco de vendaval (grau 4 – sério) é mais elevado do que 
o risco de incêndio (2 – menor) e, por isso, deve ter prioridade no seu tratamento. No 
exercício da autoatividade você terá oportunidade de classificar riscos, atribuindo 
seus respectivos graus, a partir da avaliação preliminar feita por um analista.
26
RESUMO DO TÓPICO 2
Neste tópico, você aprendeu que:
• A aversão a riscos varia de pessoa para pessoa, mas todos são avessos a perdas.
• Para ser segurável, o risco precisa ser possível, futuro, incerto, acidental, 
mensurável e causador de prejuízos.
• Os riscos são classificados em puros e especulativos e também em particulares e 
fundamentais.
• O processo de gerenciamento possui cinco etapas: 1) Identificar e analisar as 
exposições a risco; 2) Verificar a viabilidade das várias técnicas; 3) Selecionar 
a combinação mais adequada das técnicas; 4) Implementar as técnicas 
escolhidas; 5) Monitorar os resultados e analisar a necessidade de mudanças ou 
aperfeiçoamentos.
• O controle dos riscos pode ser feito através de cinco técnicas: 1) Evitar o risco; 2) 
Reduzir a frequência dos eventos danosos; 3) Diminuir a severidade; 4) Segregar 
as exposições; 5) Transferir o risco.
• O papel do gerente de riscos consiste em detectar as exposições a que a 
corporação está sujeita e traçar seu cenário de risco. A ele cabe implantar as 
políticas de prevenção e controle de perdas para que a empresa possa decidir 
qual parcela do risco absorver ou transferir a uma seguradora.
• A Análise Preliminar de Riscos (APR) é uma das técnicas de gerenciamento e 
consiste em identificar perigos, causas e consequências. Ela permite classificar os 
riscos com base em avaliações feitas para a frequência e a severidade esperadas 
para cada situação de perigo.
• Uma Matriz de Risco é construída com as avaliações de severidade e frequência. 
Ela permite estabelecer cinco níveis de risco: críticos, sérios, moderados, menores 
e desprezíveis.
27
1 O risco pode ser classificado em:
I. Puro, Particular, Especulativo e Fundamental.
II. Particular, Puro, Pessoal e Fundamental.
III. Fundamental, Pessoal, Particular e Especulativo.
Assinale a opção correta:
a) ( ) Somente as alternativas I e III estão corretas.
b) ( ) Todas as alternativas estão corretas.
c) ( ) Somente a alternativa II está correta.
d) ( ) Somente as alternativas I e II estão corretas.
e) ( ) Somente a alternativa I está correta.
2 Com referência à classificação dos Riscos, podemos afirmar que:
a) Os Riscos Puros devem ser tratados pelas seguradoras e admitem duas 
possibilidades: perder ou ganhar.
b) A possibilidade de ocorrência de umincêndio em um apartamento é um 
Risco Fundamental e deve ser tratado com técnicas de Prevenção e Combate 
a Incêndio.
c) Os riscos onde há a possibilidade de perder, não perder ou ganhar e que são 
tratados com técnicas comerciais são denominados Riscos Especulativos.
d) Os Riscos Particulares são pessoais e, portanto, não devem ser tratados por 
seguradores.
e) A colisão de dois carros pode ser incluída no elenco dos Riscos Fundamentais.
3 A partir de uma Análise Preliminar de Riscos (APR) é possível identificar os 
perigos existentes num determinado ambiente, bem como suas causas e suas 
possíveis consequências caso venham a ocorrer. Estimando-se a frequência e 
a severidade esperadas para cada uma dessas situações de perigo, é possível 
classificar os respectivos riscos em cinco níveis (críticos, sérios, moderados, 
menores e desprezíveis) utilizando-se uma Matriz de Risco. Com base nesta 
ferramenta e utilizando o exemplo do Anexo 1, inserido ao final do livro, 
classifique os riscos identificados em um açougue:
AUTOATIVIDADE
Perigo Causas Consequências Frequência Severidade Grau de Risco
Uso de 
serra 
fita
Falta de inspeção, 
distração, falta de 
treinamento e
não utilização de 
equipamentos de 
proteção
Amputação dos 
membros ou 
lesões graves
D 
Provável III Crítica
28
Uso de 
faca 
manual
Falta de 
treinamento e
não utilização de 
equipamentos de 
proteção
Amputação dos 
membros ou 
lesões de graus 
variados
E 
Frequente II Marginal
Uso de 
moedor 
de carne
Falta de inspeção, 
distração, falta de 
treinamento e
não utilização de 
equipamentos de 
proteção
Esmagamento 
de membros ou 
lesões de graus 
variados
C 
Improvável III Crítica
Choque 
elétrico
Fiação exposta, 
fiação mal 
dimensionada, 
umidade e falta de 
manutenção
Queimaduras, 
mortes, danos a 
equipamentos
D 
Provável III Crítica
4 Quais dos parâmetros a seguir são necessários para que o risco seja segurável:
a) ( ) Somente deve independer da vontade das partes.
b) ( ) Deverá causar prejuízo de ordem financeira e deve ser mensurável.
c) ( ) Deve ser mensurável e incerto, em alguns casos.
d) ( ) Deve ser mensurável e depender da vontade das partes.
e) ( ) Deve ser possível, futuro e incerto.
29
TÓPICO 3
A ESTRUTURA TÉCNICA DOS SEGUROS
UNIDADE 1
1 INTRODUÇÃO
Além das operações de seguros consistirem em um ato de previdência e 
de formação de poupança coletiva, eles cumprem importante função econômica e 
social e contribuem para o desenvolvimento de uma nação. Ao repor patrimônios 
perdidos, os seguros são fiadores de riquezas e serviço de todas as atividades, 
sujeitas aos mais variados riscos. Sem o seu respaldo, haveria natural retração de 
capitais destinados à exploração das mais diversas atividades, principalmente as 
de maior risco ou mais perigosas. 
Ao assumir riscos e acumular os recursos recolhidos dos segurados, se faz 
necessária a constituição de provisões técnicas cujo investimento, tanto no setor 
público como no privado, irá se transformar em mais serviços (como escolas, 
hospitais, estradas etc.), e mais empregos para a coletividade, estabelecendo assim 
a importante função social da atividade de seguros. Isso sem contar a infinidade 
de garantias que oferecem às classes economicamente mais desfavorecidas, tais 
como as de aposentadoria, pensão, assistência médica, acidentes pessoais e vida, 
tirando-lhes ou diminuindo suas incertezas quanto ao seu próprio futuro ou de 
seus familiares (ARRUDA, 2013).
2 CARACTERÍSTICAS E ELEMENTOS ESSENCIAIS
 
Para que ocorra um ambiente favorável à existência dos seguros, vimos 
que deve existir alguma situação de ameaça de perdas que possam afetar a muitas 
pessoas. Será a reunião dessas pessoas, interessadas em se proteger financeiramente 
com relação aos mesmos tipos de riscos, que irá estabelecer um conjunto de regras, 
ou seja, uma estrutura técnica que viabilize a solução desejada por todos. 
 
Portanto, a teoria geral dos seguros ensina que três elementos caracterizam 
a atividade: primeiramente, a previdência (ato de uma pessoa que se preocupa 
em resguardar a si ou a seus bens contra os riscos a que estão expostos no seu 
dia a dia); como segundo elemento, temos a incerteza (não se sabe se o evento vai 
acontecer ou quando poderá acontecer) e; por último, o mutualismo (pessoas com 
interesses em comum, que no caso significaria a preocupação com o mesmo tipo 
de perdas). Já os elementos básicos ou essenciais são cinco: o risco, o segurado, a 
seguradora, o prêmio de seguro e a indenização. 
30
UNIDADE 1 | RISCOS E SEGUROS – HISTÓRIA, ESTRUTURA E CONCEITOS FUNDAMENTAIS
Nas operações de seguro, risco é a possibilidade de ocorrência de 
um evento aleatório que cause dano de ordem material, pessoal ou 
mesmo de responsabilidades. Esse risco é assumido pela seguradora, 
que se obriga a indenizar a importância segurada na ocorrência do 
risco coberto, mediante o pagamento do prêmio do seguro realizado 
(TEIXEIRA, 2016, p. 25).
 
Portanto, para que se realize uma operação de seguro, faz-se necessária 
a preocupação e o interesse de uma pessoa física ou jurídica (segurado) na sua 
transferência, pois deseja a reparação de eventuais perdas financeiras. De outro 
lado, também precisamos de alguém (seguradora legalmente constituída) disposto 
a aceitar este risco, mas que não o fará gratuitamente. Para assumir o risco, a 
seguradora precisa e exigirá o pagamento de determinado valor, que recebe a 
denominação de prêmio de seguro. Finalmente, se o risco garantido vier a ocorrer, 
chamaremos este evento de sinistro e o segurado exigirá o pagamento da respectiva 
indenização. Estes cinco elementos serão a base dos contratos de seguros.
Teixeira (2016) ressalva que não se pode fazer seguro de todo e qualquer 
risco. Para serem seguráveis, primeiramente os riscos precisam ser possíveis, 
futuros e incertos. Acrescenta que, além desses, normalmente os contratos de 
seguros preveem que os riscos seguráveis sejam independentes da vontade das 
partes contratantes (o risco deve ocorrer de forma acidental, e não intencional); 
que resultem em um prejuízo econômico no caso de sua ocorrência e que sejam 
mensuráveis (se o risco não puder ser medido, a seguradora não poderá estabelecer 
um custo adequado para a sua aceitação).
 
3 CLASSIFICAÇÃO DOS SEGUROS
Os seguros costumam ser classificados quanto à responsabilidade pela sua 
operação e também quanto à sua natureza. A responsabilidade pelas operações 
pode ser do Estado (governo) quando se tem os chamados seguros sociais; ou pode 
ser das empresas de seguros privados (seguradoras), quando se tem os seguros 
privados. 
 
Os seguros sociais são os que se destinam, prioritariamente, a proteger as 
classes economicamente mais fracas e, normalmente, são obrigatórios. No Brasil, 
esses seguros são operados pelo Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS) e 
tratam da assistência médica, aposentadoria, pensão e acidentes do trabalho. Já os 
seguros privados podem ser ou não obrigatórios e, até mesmo, ter características 
sociais, por exemplo, o seguro de Danos Pessoais Causados por Veículos 
Automotores (DPVAT), que é exigido no licenciamento dos veículos e conhecido 
como o seguro do trânsito. 
Vale também observar que algumas modalidades de seguros podem ser 
operadas tanto pelo Estado como pelas seguradoras privadas. É o caso da saúde e 
também da previdência, que pode ser social ou privada. Dependendo de decisão 
governamental, determinada modalidade de seguro pode ser estatizada ou 
TÓPICO 3 | A ESTRUTURA TÉCNICA DOS SEGUROS
31
privatizada. Exemplo disso é o caso do seguro de acidentes do trabalho, que até 
a década de 70 era operado pelas seguradoras privadas e foi transferido para a 
seguridade social. 
Quanto à classificação dos seguros em relação à sua natureza, Teixeira (2016) 
apresenta na primeira categoria os Seguros de Danos, que abrangem os seguros 
de bens, direitos, responsabilidades e obrigações. Eles destinam-se à reparação, 
compensaçãoou satisfação de um dano sofrido. A segunda categoria refere-se aos 
Seguros de Pessoas, que se destinam a garantir a pessoa contra os riscos a que 
está exposta: sua existência, sua integridade física e sua saúde, não havendo uma 
reparação de dano ou indenização propriamente dita.
4 RAMOS E PLANOS DE SEGUROS
A divisão dos diversos tipos de seguros varia entre os diversos países. No 
plano global, prevalece uma divisão entre seguros de Vida e Não Vida. No Brasil, 
os seguros são classificados pela Superintendência de Seguros Privados (SUSEP), 
que os divide em ramos e modalidades.
Assim, além das classificações apresentadas anteriormente, a legislação atual 
divide os seguros privados em dois grupos. No primeiro estão os chamados Ramos 
Elementares (seguros que visam garantir perdas e danos, ou responsabilidades 
provenientes de riscos de fogo, transporte, acidentes pessoais e outros eventos 
que possam afetar pessoas, coisas e bens, responsabilidades, obrigações, garantias 
e direitos). No segundo grupo estão os Seguros de Vida, ou seja, aqueles que, 
com base na duração da vida humana, visam garantir a segurados ou terceiros o 
pagamento, dentro de determinado prazo e condições, de quantia certa, renda ou 
outro benefício (TEIXEIRA, 2016). 
A SUSEP também divide os seguros em ramos e, em alguns casos, esses 
ramos são divididos em modalidades. Estas divisões têm efeito na codificação 
e contabilização dos ramos de seguro, nos registros na SUSEP e na elaboração 
de Planos de Seguro de Danos ou de Pessoas. No Anexo 2 encontra-se a tabela 
completa com os ramos e modalidades dos seguros privados operados no mercado 
brasileiro.
IMPORTANT
E
Os Ramos de Seguros estão atualmente classificados e codificados conforme a 
Circular SUSEP 395/09, que estabeleceu, para efeitos contábeis, código de grupo e identificador 
do ramo para cada ramo de seguro. Posteriormente, a Circular SUSEP 455/12 fez a inclusão dos 
chamados microsseguros na codificação de ramos da autarquia (TEIXEIRA, 2016).
32
UNIDADE 1 | RISCOS E SEGUROS – HISTÓRIA, ESTRUTURA E CONCEITOS FUNDAMENTAIS
5 GARANTIAS OU COBERTURAS
Uma das principais dúvidas dos interessados em seguros consiste em saber 
exatamente o que está garantido. Na linguagem do mercado, estamos falando do 
que está ou não coberto pelo contrato de seguros. Por isso, quando queremos saber 
que proteção está sendo contratada e qual a sua extensão, estamos questionando 
quais são as garantias ou coberturas existentes.
Teixeira (2016) ensina que garantia ou cobertura é a natureza da obrigação 
pecuniária, assumida pela seguradora, de pagar uma importância segurada, uma 
renda, uma indenização, uma diferença de rendimento, uma reparação ou um 
reembolso, tendo em vista a consequência do sinistro ocorrido: morte, invalidez, 
incapacidade, doença, perda, prejuízo, insolvência de clientes, avaria ou dano. 
Acrescenta que as garantias ou coberturas podem ser classificadas em básicas, 
adicionais ou acessórias e especiais, como segue:
Garantia Básica: É a principal garantia, em que são especificados 
os riscos contra os quais é oferecida a cobertura padrão do ramo de 
seguro. É denominada básica, porque, sem ela, não é possível emitir 
uma apólice. 
Garantias Adicionais ou Acessórias: São aquelas em que o segurado 
paga prêmios adicionais, relativos às taxas dos riscos adicionais que 
deseja cobrir no seu contrato de seguro, garantindo-se dos prejuízos que 
esses riscos venham causar a ele.
Garantia Especial: É muitas vezes confundida com a garantia adicional 
ou acessória, mas representa a garantia definida em função da 
necessidade de um segurado em particular e, pelas suas peculiaridades 
ou grau de agravação, requer previsões ou taxas especiais (TEIXEIRA, 
2016, p. 33).
Para efeito de precificação, aplicam-se taxas básicas para as respectivas 
coberturas ou garantias básicas de cada seguro. E se o segurado desejar contratar 
uma ou mais coberturas adicionais, serão aplicadas as taxas adicionais referentes a 
cada uma delas. Da mesma forma, às garantias especiais aplicam-se as respectivas 
taxas especiais, salvo se a garantia servir apenas para especificar melhor 
determinada condição e não implicar em ônus para o segurado. 
33
RESUMO DO TÓPICO 3
Neste tópico, você apendeu que:
• Três elementos caracterizam os seguros: a previdência, a incerteza e o 
mutualismo.
• Os elementos básicos ou essenciais do seguro são o risco, o segurado, a 
seguradora, o prêmio de seguro e a indenização.
• Quanto à responsabilidade pela operação, os seguros são classificados em Sociais 
(operados pelo Estado) ou Privados (operados por seguradoras privadas). 
• Quanto à sua natureza, são classificados como Seguros de Danos (garantem 
bens, direitos, responsabilidades e obrigações) ou Seguros de Pessoas (garantem 
a existência, a integridade física e a saúde).
• A legislação divide os seguros privados em dois grupos: Ramos Elementares e 
Vida.
• A SUSEP também divide os seguros em ramos e modalidades, estabelecendo 
critérios para sua codificação e contabilização.
• Garantia ou cobertura é a obrigação pecuniária assumida pela seguradora. Elas 
podem ser classificadas em básicas, adicionais (ou acessórias) e especiais.
34
1 As características básicas do seguro são:
a) ( ) Apólice, indenização e prêmio.
b) ( ) Incerteza, mutualismo e previdência.
c) ( ) Indenização, teoria das probabilidades e sinistro.
d) ( ) Solene, de boa-fé e fundamental.
e) ( ) Risco puro, fundamental e especial.
2 São elementos essenciais do seguro:
I. A apólice e o prêmio.
II. O segurador e o segurado.
III. A indenização e o risco.
Assinale a alternativa correta:
a) ( ) Todas as afirmativas estão corretas.
b) ( ) Somente a afirmativa I é correta.
c) ( ) Somente as afirmativas I e III são corretas.
d) ( ) Somente as afirmativas II e III são corretas.
e) ( ) Somente a afirmativa II é correta.
3 Considerando-se as proposições a seguir, relativas aos princípios básicos do 
seguro, podemos afirmar que:
I. O seguro tem como finalidade específica restabelecer o equilíbrio econômico 
perturbado, podendo, inclusive, dar lucro ao segurado.
II. A finalidade do seguro está vinculada à proteção dos indivíduos, da família 
e da sociedade.
III. A operação do seguro promove a acumulação de recursos, forma reservas, 
forma poupança interna e gera investimentos.
Agora, assinale a alternativa correta:
a) ( ) Somente I é proposição verdadeira.
b) ( ) Somente I e II são proposições verdadeiras.
c) ( ) Somente II e III são proposições verdadeiras.
d) ( ) Somente I e III são proposições verdadeiras.
e) ( ) Somente III é proposição verdadeira.
AUTOATIVIDADE
35
TÓPICO 4
OS CONTRATOS DE SEGUROS
UNIDADE 1
1 INTRODUÇÃO
Já sabemos que, para existirem, os seguros precisam reunir um conjunto 
de pessoas interessadas em se proteger financeiramente com relação às mesmas 
possibilidades de perdas. Sabemos também que a reparação dessas perdas só 
acontecerá se incidir, no futuro, o risco que é motivo de preocupação. Para que 
tudo isso funcione, precisamos estabelecer um acordo formal. Em outras palavras, 
um contrato de seguro. 
Teixeira (2016) retrata o artigo 757 do Código Civil, o qual define o contrato 
de seguro como um acordo formal em que o segurador se obriga, mediante o 
pagamento do prêmio, a garantir interesse legítimo do segurado, relativo à pessoa 
ou ao bem, contra riscos predeterminados. Este contrato baseia-se em Condições 
Gerais, Condições Especiais e Condições Particulares, definidas pelos órgãos 
competentes do mercado segurador e que consistem em:
As Condições Gerais são compostas pelo conjunto de cláusulas 
contratuais comuns a todas as modalidades e/ou coberturas de um 
mesmo ramo de seguro, que estabelecem as obrigações e direitos do 
segurado e do segurador. Elas dizem respeito a todos os contratos de 
um mesmo ramo de seguro, ou seja, são as cláusulas da apólice que 
têm aplicação geral aos riscos da mesma natureza. Exemplo: todos os 
seguros do Ramo Vida terãoas Condições Gerais do Ramo Vida.
As Condições Especiais constituem o conjunto das disposições 
específicas relativas a cada modalidade e/ou cobertura de um ramo 
de seguro, que, eventualmente, alteram as Condições Gerais. São 
disposições inseridas na apólice que ampliam ou restringem parte das 
disposições constantes das Condições Gerais. Exemplo: no Ramo Riscos 
Diversos, é sempre necessária a existência de Condições Especiais para 
definir as modalidades de cobertura.
As Condições Particulares constituem o conjunto de cláusulas que 
alteram as Condições Gerais ou Especiais de um plano ou ramo de 
seguro, modificando ou cancelando disposições já existentes ou, ainda, 
introduzindo novas disposições e, eventualmente, ampliando ou 
restringindo a cobertura. Exemplo: a inclusão da cobertura para ressaca 
na modalidade de Seguro de Alagamento, do Ramo Riscos Diversos 
(TEIXEIRA, 2016, p. 44).
 
36
UNIDADE 1 | RISCOS E SEGUROS – HISTÓRIA, ESTRUTURA E CONCEITOS FUNDAMENTAIS
2 FORMAS DE CONTRATAÇÃO
Ao decidir lançar um novo produto, a seguradora deverá observar as 
disposições estabelecidas pela SUSEP para o ramo ou modalidade de seguro 
em que este produto se enquadra. Pode tratar-se de um produto com plano 
padronizado (cujas condições contratuais são idênticas àquelas já aprovadas pela 
SUSEP ou pelo CNSP, inclusive os critérios de tarifação padronizada) ou de um 
produto com plano não padronizado (cujas condições contratuais e Nota Técnica 
Atuarial são elaboradas pelas seguradoras e encaminhadas à SUSEP para análise e 
aprovação antes de sua comercialização).
 
Assim, uma das características do contrato de seguro é que ele é de adesão, 
ou seja, suas condições já foram previamente aprovadas pela seguradora junto ao 
órgão regulamentador (SUSEP) e não podem ser modificadas, exceto pela inclusão 
de cláusulas ou condições particulares que não confrontem ou modifiquem 
a estrutura técnica do produto (TEIXEIRA, 2016). Dessa forma, o contratante 
(segurado) terá apenas a opção de aderir ou não ao contrato. Mesmo que houvesse 
a concordância da seguradora, as condições contratuais não poderiam ser 
modificadas, pois ao aprovar o produto, a SUSEP já fez um papel de órgão de 
defesa do consumidor e autorizou sua comercialização apenas dentro das regras 
estabelecidas.
Os instrumentos essenciais do contrato de seguros são a proposta e a 
apólice. A proposta de seguro é um formulário (impresso ou eletrônico) em que, 
geralmente, existe um questionário a ser preenchido pelo proponente (aquele que 
se candidata à contratação de um seguro). Este documento servirá de base para 
a emissão da apólice de seguro (nome que se dá ao contrato de seguro) caso o 
risco seja aceito pela seguradora. Por meio da análise dos elementos da proposta, a 
seguradora mensura o risco e avalia se poderá assumi-lo ou não. Sua finalidade é, 
portanto, satisfazer uma necessidade técnica (TEIXEIRA, 2016).
Teixeira (2016) destaca aqui outra característica importante do contrato de 
seguro: a boa-fé. Como a análise e a aceitação do risco, feitas pela seguradora, 
tomam por base os dados da proposta, é de fundamental importância que os dados 
ali contidos sejam corretos e considerem os princípios da boa-fé. Do contrário, 
as informações inexatas ou omissões, que possam influenciar na aceitação e/ou 
precificação do seguro, podem implicar perda de direitos e o consequente não 
recebimento de indenizações quando, ocorrido um sinistro, forem apuradas 
divergências. 
Para agilizar o processo de contratação e massificar a comercialização 
de determinadas modalidades de seguros, pode ser dispensado o mecanismo 
proposta/apólice e utilizados os chamados bilhetes de seguro. É o caso, por 
exemplo, do Seguro para Danos Pessoais Causados por Veículos Automotores de 
Vias Terrestres (DPVAT) cujo bilhete encontra-se no verso do Documento Único 
de Trânsito (DUT). Também é comumente utilizado em outras modalidades, como 
em seguros residenciais ou de acidentes pessoais. Nestes casos, existem campos 
TÓPICO 4 | OS CONTRATOS DE SEGUROS
37
a serem preenchidos pelo proponente, bem como opções de capitais segurados 
e respectivos preços a serem escolhidos. Uma vez preenchido e quitado na rede 
bancária, o seguro passa a ter validade a partir das 24h. 
Outros instrumentos contratuais bastante utilizados são os endossos, 
averbações e certificados de seguros. Os endossos são aditivos que alteram 
ou complementam a apólice, podendo haver ou não movimento de prêmio. As 
averbações são documentos usados em determinados tipos de seguros que servem 
para, periodicamente, o segurado informar ao segurador sobre verbas a garantir 
de bens já descritos no contrato de seguro, quando este é emitido em aberto quanto 
aos valores desses bens. Temos como exemplo os seguros de transportes, em que o 
segurado comunica à seguradora a realização dos seus embarques. Os certificados, 
normalmente, referem-se a seguros coletivos contratados por um estipulante que 
possui algum vínculo com os segurados (empregador, associações, dentre outros). 
O estipulante fica com cópia da apólice e os segurados recebem seus certificados 
individuais como ocorre, por exemplo, em seguros de vida em grupo.
Além dos instrumentos contratuais a serem utilizados, também é 
importante se observar a forma de contratação da importância segurada (IS), que 
também é chamada de limite máximo de responsabilidade (LMR) ou de limite 
máximo de indenização (LMI). A Circular SUSEP 256/2004, define que os planos de 
seguros devem caracterizar a sua forma de contratação, podendo ser a Risco Total, 
Risco Relativo e Risco Absoluto. Os dois primeiros são também denominados 
Proporcionais, e o último, Não Proporcional. 
 
3 COBERTURAS PROPORCIONAIS E NÃO PROPORCIONAIS
Nos seguros chamados proporcionais sempre precisa existir uma relação 
entre a importância segurada e o valor em risco, enquanto que nos seguros não 
proporcionais esta relação não se faz necessária. No primeiro caso, podemos 
estar falando do seguro de um galpão industrial que possui um determinado 
valor de reposição e cujo contrato pode exigir que a importância segurada seja 
correspondente a este valor. No segundo caso, podemos estar falando de um 
seguro de vida, caso em que, evidentemente, não existe um valor de reposição.
Para que possamos seguir adiante, com base em Teixeira (2016, p. 107), 
precisamos entender a diferença entre os seguintes conceitos:
 
Importância segurada – valor atribuído pelo segurado ao bem ou 
conjunto de bens segurados, representando o Limite Máximo de 
Garantia para a cobertura contratada.
Valor em risco – valor do bem ou conjunto de bens expostos ao risco. 
Assim, quando o segurado contrata um seguro proporcional, ele 
declara o valor em risco do bem (denominado Valor em Risco Declarado 
– VRD), e, em caso de ocorrência de sinistro, a seguradora apura o Valor 
em Risco (denominado Valor em Risco Apurado – VRA).
38
UNIDADE 1 | RISCOS E SEGUROS – HISTÓRIA, ESTRUTURA E CONCEITOS FUNDAMENTAIS
Ainda conforme Teixeira (2016, p. 109), “os Seguros Proporcionais recebem 
esta denominação porque estabelecem que em determinados casos de sinistros, 
nos quais haja a insuficiência de importância segurada, segurado e segurador 
participam, proporcionalmente, dos prejuízos”. Acrescenta também que são 
denominados como Seguros a Risco Total e que também existe mais uma forma de 
seguros proporcionais, denominada de Seguros a Primeiro Risco Relativo.
Nos seguros contratados a risco total entende-se que todo o patrimônio está 
sujeito a danos. Portanto, a importância segurada (IS) precisa corresponder a 100% 
do valor em risco (VR). Havendo insuficiência, em caso de sinistro o segurado 
participará dos prejuízos na mesma proporção dessa insuficiência. Atualmente, 
essa condição é pouco utilizada, mas encontra-se prevista no art. 783 do Código 
Civil Brasileiro, que estabelece: “salvo disposição em contrário, o seguro de um 
interesse por menos do que valha acarreta a redução proporcional da indenização,no caso de sinistro parcial”. Esta condição é comumente conhecida nas atividades 
de seguro como Cláusula de Rateio. 
Nos seguros a risco relativo pode-se levar em conta o potencial de perdas. 
Desse modo, o segurado tem obrigação de declarar o valor em risco (estimativa 
do valor do bem ou conjunto de bens expostos ao risco) e a importância segurada 
pode ser inferior a este, costumando ser aceito numa faixa entre 40% e 80% de tal 
valor. Entretanto, como regra geral, se por ocasião de um sinistro o valor em risco 
declarado for inferior a 80% do valor em risco apurado, o segurado participará 
dos prejuízos na proporção dessa insuficiência. Essa condição é típica dos seguros 
patrimoniais, em relação à sua cobertura básica, que se refere às garantias de 
incêndio, queda de raio e explosão (OLIVEIRA; AGUIAR; MANSUR, 2004 apud 
ARRUDA, 2016).
Nos seguros não proporcionais ou a risco absoluto, entende-se que não 
existe, necessariamente, uma relação entre importância segurada e valor em 
risco, ou que este é de difícil mensuração (como é o caso das perdas decorrentes 
de responsabilidade civil). Assim, a importância segurada pode ser escolhida 
livremente e não precisa guardar qualquer outro valor. Em caso de sinistro, o 
segurado sempre será indenizado pelo valor dos prejuízos, respeitando-se apenas 
o limite de responsabilidade da seguradora, que é a importância segurada. Essa 
condição é típica das coberturas acessórias dos seguros patrimoniais, como é o 
caso das garantias de roubo, responsabilidade civil ou danos elétricos. Também 
é típica dos seguros de vida onde o valor a ser indenizado, na garantia morte, 
corresponde à importância segurada.
39
RESUMO DO TÓPICO 4
Neste tópico, você aprendeu que:
• O contrato de seguro é o acordo formal em que o segurador se obriga, mediante 
o pagamento do prêmio, a garantir interesse legítimo do segurado, relativo à 
pessoa ou ao bem, contra riscos predeterminados. 
• O contrato de seguros baseia-se em Condições Gerais, Condições Especiais e 
Condições Particulares.
• Um produto de seguro pode seguir um plano padronizado (condições idênticas 
àquelas já aprovadas) ou um plano não padronizado (com Condições e Nota 
Técnica Atuarial feitas pela seguradora e submetidas à SUSEP).
• Os instrumentos contratuais são: proposta, apólice, bilhete, endossos, averbações 
e certificados de seguros.
• O Princípio da Boa-Fé é uma das características importantes do contrato de 
seguro.
• Quanto à forma de contratação, um seguro pode ser proporcional (Risco Total 
ou Risco Relativo) ou não proporcional (Risco Absoluto).
• A importância segurada corresponde ao valor atribuído pelo segurado e 
representa o Limite Máximo de Garantia para a cobertura contratada. O valor 
em risco corresponde ao valor do bem ou conjunto de bens expostos ao risco.
40
AUTOATIVIDADE
1 Com relação a Instrumentos Contratuais, correlacione as colunas a seguir:
1) Instrumento essencial do contrato de seguro.
2) Dispensa a obrigatoriedade de emissão da proposta e substitui a apólice.
3) Documento utilizado para alterar o contrato de seguro.
( ) Proposta.
( ) Bilhete de seguro DPVAT.
( ) Apólice.
( ) Endosso.
( ) Bilhete de seguro incêndio residencial.
Agora, assinale a alternativa correta:
a) ( ) 1,2,1,3,2
b) ( ) 1,2,1,2,2
c) ( ) 2,2,1,3,2
d) ( ) 2,2,1,3,1
e) ( ) 3,2,1,3,3
2 Leia as afirmativas a seguir e, com relação aos contratos de seguros, marque 
a alternativa falsa.
a) ( ) As Condições Gerais constam em todos os contratos de seguro.
b) ( ) O Contrato de seguro é solene por ter sua forma prevista em lei.
c) ( ) A principal obrigação da seguradora é pagar o prêmio do seguro ao 
segurado em caso de sinistro coberto.
d) ( ) Um contrato de seguro pode ter Condições Gerais, Condições Especiais 
e Condições Particulares.
e) ( ) O contrato de seguro é aleatório, por serem os seus resultados 
imprevisíveis no momento de sua formalização.
3 Dentre os instrumentos do contrato de seguro poderemos identificar, entre 
outros: 
a) A apólice/ a averbação/ o mutualismo.
b) A proposta/ a apólice/ a averbação.
c) O endosso/ a incerteza/ a previdência.
d) A previdência/ a incerteza/ o mutualismo.
e) A averbação/ a proposta/ a incerteza.
41
4 Nos Seguros Proporcionais a Risco Total, o rateio é aplicável sempre que a(o):
a) Importância segurada for superior ao valor em risco.
b) Valor em risco for superior ao valor dos prejuízos.
c) Valor dos prejuízos for igual ao valor em risco.
d) Valor em risco for superior à importância segurada.
e) Importância segurada for igual ao valor dos prejuízos.
5 Nos Seguros a Primeiro Risco Relativo, o segurado declara o ___________ e 
fixa a importância segurada, tomando por referência o ___________, sendo a 
importância segurada normalmente ____________. 
Assinale a alternativa que completa corretamente o período acima.
a) ( ) Valor em risco/ dano máximo provável/ não inferior ao dano máximo 
provável.
b) ( ) Dano máximo provável/ valor em risco/ igual ao valor em risco.
c) ( ) Valor em risco/ dano máximo provável/ inferior ao dano máximo 
provável.
d) ( ) Valor de reposição/ valor em risco/ igual ao valor em risco.
e) ( ) Dano máximo provável/ valor em risco/ superior ao dano máximo 
provável.
42
43
TÓPICO 5
SINISTROS, COSSEGURO E RESSEGURO
UNIDADE 1
1 INTRODUÇÃO
Como já vimos, o sinistro é a ocorrência do risco que se encontra previsto 
no contrato de seguro e que ocasiona um prejuízo ou uma responsabilidade de 
reparação. Se o evento que deu origem ao sinistro não estiver previsto no contrato do 
seguro, não haverá amparo técnico e, consequentemente, não caberá indenização.
Por outro lado, o objetivo dos seguros é repor perdas ou restabelecer um 
equilíbrio financeiro que foi prejudicado pela ocorrência de um evento ou sinistro 
amparado pela respectiva apólice. Vimos que a indenização é um dos elementos 
essenciais do contrato de seguros. Deste modo, o processo de sinistro baseia-se no 
levantamento e na coleta de um conjunto de documentos necessários para que se 
possa promover a respectiva indenização. É o mecanismo pelo qual se examinam a 
causa e o efeito da ocorrência, a cobertura técnica, os procedimentos necessários, as 
apurações de valores, o cálculo da indenização devida e a documentação necessária 
para o seu pagamento.
2 OS PROCESSOS DE SINISTROS
Teixeira (2016, p. 96) ensina que “nos sinistros de bens, geralmente, 
o processo de sinistro abrange três etapas de operações interdependentes: a 
apuração de danos, a regulação e a liquidação”. A apuração de danos consiste 
no levantamento da causa, natureza e extensão do sinistro. Pode ter sido, por 
exemplo, um curto-circuito nas instalações elétricas de uma residência que gerou 
um incêndio e este veio a destruir grande parte do imóvel. Dependendo das 
circunstâncias, a apuração dos danos pode ser feita através de vistorias, registros 
policiais, análise de imagens etc.
A etapa da regulação tem por objetivo verificar se o sinistro está ou não 
coberto e definir, em caso de indenização, quem será o beneficiário e qual o valor 
da mesma. Também é feita a análise dos documentos relativos ao risco, ao seguro 
e ao sinistro para fins de levantamento dos prejuízos indenizáveis. Ao concluir 
o trabalho de campo e levantamento das demais informações, o regulador do 
sinistro produz um relatório ou, conforme o caso, um certificado de vistoria que 
permitirá à seguradora fazer sua análise visando a decisão quanto à liquidação 
ou encerramento do processo de sinistro. Segundo Teixeira (2016, p. 93-94), nessa 
etapa, a seguradora faz as seguintes verificações:
44
UNIDADE 1 | RISCOS E SEGUROS – HISTÓRIA, ESTRUTURA E CONCEITOS FUNDAMENTAIS
Se há coerência entre as informações contidas nos documentos do 
seguro, nota fiscal, conhecimentos de embarque, laudos periciais.
Se foram cumpridos ou não os prazos para entrega das averbações, 
pagamento do prêmio e protesto contra o causador do sinistro.
Se a natureza do sinistro tem coberturado seguro, observadas as 
condições/garantias da apólice.
Se há viabilidade de ressarcimento contra os terceiros responsáveis pelo 
sinistro.
Finalmente, a liquidação de sinistros corresponde ao ato de pagar a 
indenização (valor devido em consequência de um sinistro coberto) ou de encerrar 
o processo de sinistro sem indenização se a mesma não for devida, encaminhando-
se a correspondente justificativa ao segurado. Além do pagamento, deve ser 
promovida a eventual negociação de salvados (remanescentes do sinistro que 
tenham valor comercial) e iniciar o processo de ressarcimento (amigável ou 
judicial) contra o causador do sinistro, se houver. 
3 A REPARTIÇÃO DOS RISCOS E SINISTROS
 
Um dos mais importantes mecanismos das operações de seguros é o da 
distribuição das responsabilidades assumidas, também conhecido como princípio 
da pulverização das responsabilidades. Esse mecanismo permite que as seguradoras 
assumam riscos ou responsabilidades acima da sua capacidade financeira e, ao 
mesmo tempo, não precisem responder sozinhas pelas indenizações que venham 
a ser devidas. Os instrumentos utilizados para isso são denominados cosseguro, 
resseguro e retrocessão e estão disciplinados pela Lei Complementar 126/2007.
A Resolução CNSP 195/08 regulamenta os Limites Técnicos ou Limites 
de Retenção que correspondem aos valores máximos de responsabilidade que 
as seguradoras podem reter em cada risco isolado. Esses limites são propostos, 
semestralmente, pelas seguradoras e aprovados pela SUSEP com base nos ativos 
líquidos de cada companhia. Desse modo, as seguradoras não podem assumir riscos 
cujos valores representem responsabilidades acima da capacidade de retenção que 
se encontra aprovada, salvo se repassarem os excedentes de responsabilidade. Por 
outro lado, em determinados casos, mesmo com capacidade de retenção acima 
do necessário, as seguradoras podem não ter interesse em assumir os riscos 
integralmente e, para viabilizar a operação de seguro, se valem dos mecanismos 
de distribuição. 
Teixeira (2016) ensina que o cosseguro é a operação em que duas ou 
mais sociedades seguradoras distribuem, entre si e percentualmente, os riscos 
de determinada apólice. Uma das seguradoras será a emissora e líder da apólice 
(normalmente a que está tratando do negócio comercialmente), independentemente 
da sua cota ou percentual de participação. As demais seguradoras participantes 
(se houver mais de uma) serão denominadas cosseguradoras e deverão figurar na 
apólice com suas respectivas participações.
TÓPICO 5 | SINISTROS, COSSEGURO E RESSEGURO
45
O cosseguro pode ser facultativo (feito entre seguradoras não vinculadas) 
ou obrigatório (feito entre seguradoras vinculadas), pois, neste caso, a legislação 
estabelece que as seguradoras que fazem parte de um mesmo grupo econômico, ao 
assumirem riscos, usem toda a capacidade de retenção do grupo (que corresponde 
à soma dos limites de retenção de cada uma delas).
Como exemplo, considere-se a situação de uma seguradora (X) que tem 
interesse na aceitação de um risco de seguro patrimonial cuja avaliação importou 
R$ 100 milhões, mas que seu limite de retenção é de apenas R$ 5 milhões (5% do 
risco). No mesmo grupo econômico existe outra seguradora (Y) com capacidade de 
retenção de R$ 15 milhões (15% do risco). Para aceitar o risco e viabilizar o negócio 
elas buscam parceria com outras duas seguradoras: Z (com limite de retenção de 
R$ 30 milhões ou 30% do risco) e W (com limite de retenção de R$ 80 milhões, mais 
que suficiente para assumir os 50% do risco que ainda não estavam colocados). 
O seguro foi emitido pela seguradora X ao custo total de R$ 20 mil e depois de 
alguns meses ocorreu um sinistro cuja indenização totalizou R$ 6 milhões. A 
distribuição de valores e de reponsabilidades nesta operação de cosseguro ficou 
assim estabelecida:
SEGURADORA
LIMITE
DE RETENÇÃO
RETENÇÃO
DO RISCO
PARTICIPAÇÃO
DISTRIBUIÇÃO
DO PRÊMIO
DISTRIBUIÇÃO
DA 
INDENIZAÇÃO
X 5.000.000,00 5.000.000,00 5% 1.000,00 300.000,00
Y 15.000.000,00 15.000.000,00 15% 3.000,00 900.000,00
Z 30.000.000,00 30.000.000,00 30% 6.0000,00 1.800.000,00
W 80.000.000,00 50.000.000,00 50% 10.000,00 3.000.000,00
TOTAL 130.000.000,00 100.000.000,00 100% 20.000,00 6.000.000,00
As operações de resseguro referem-se à distribuição de responsabilidades, 
ou transferência de riscos de uma seguradora para um ressegurador, que são 
empresas legalmente constituídas com a finalidade de operar o resseguro. Em 
outras palavras, os resseguradores são as seguradoras das seguradoras. 
A Lei Complementar 126/2007 disciplinou as operações de resseguro e 
de retrocessão no Brasil e, no seu artigo 4o definiu os seguintes tipos de 
resseguradores:
ressegurador local – ressegurador sediado no país, constituído sob a 
forma de sociedade anônima, tendo por objeto exclusivo a realização de 
operações de resseguro e retrocessão;
ressegurador admitido – ressegurador sediado no exterior, com 
escritório de representação no país, que, atendendo às exigências 
previstas na citada Lei Complementar e nas normas aplicáveis à 
atividade de resseguro e retrocessão, tenha sido cadastrado como tal 
no órgão fiscalizador de seguros para realizar operações de resseguro 
e retrocessão; e
ressegurador eventual – empresa resseguradora estrangeira sediada 
no exterior sem escritório de representação no país, que, atendendo 
46
UNIDADE 1 | RISCOS E SEGUROS – HISTÓRIA, ESTRUTURA E CONCEITOS FUNDAMENTAIS
às exigências previstas na citada Lei Complementar e nas normas 
aplicáveis à atividade de resseguro e retrocessão, tenha sido cadastrada 
como tal no órgão fiscalizador de seguros para realizar operações de 
resseguro e retrocessão (TEIXEIRA, 2016, p. 18).
Tecnicamente, esclarece o autor, o resseguro tem as funções de: 1) aumentar 
a capacidade da seguradora de aceitação de riscos; 2) possibilitar a especialização 
da seguradora em um segmento de mercado; 3) fornecer uma proteção de 
resultados, em função da oscilação entre períodos bons e ruins; 4) permitir à 
seguradora concentração geográfica de seus esforços de negócios; e 5) melhorar a 
compreensão de novos mercados (o ressegurador tem uma visão mais ampla pela 
vivência com os outros seguradores e auxilia em inovações técnicas a partir do seu 
banco de dados e experiências anteriores).
A retrocessão é mais um dos mecanismos de pulverização ou distribuição 
de riscos e pode ser resumida como sendo o resseguro do resseguro. Assim como 
as seguradoras, os resseguradores também possuem limites de retenção e políticas 
internas de aceitação de riscos. Assim, é natural repassarem ou cederem parte das 
responsabilidades aceitas em determinado risco. Portanto, através da retrocessão, 
o ressegurador repassa seus excedentes de responsabilidade a outro ressegurador 
ou até mesmo para seguradores. 
Acompanhe o texto de João Elísio Ferraz de Campos, que fala sobre a 
importância do seguro.
UM DIA SEM SEGURO
O que significam os R$ 216,1 bilhões de indenizações e benefícios pagos 
em 2015? Meu sentimento é de que as pessoas, embora suas vidas estejam 
marcadas individual e coletivamente pela proteção dos seguros, não têm 
consciência da sua importância. E não têm porque é muito difícil imaginar como 
seria um dia sem seguro, ou seja, um dia em que os riscos de todas as atividades 
humanas deixariam de estar cobertos por seguros.
Se isso acontecesse, os aviões não levantariam voo, os navios não 
largariam dos portos e o transporte de pessoas em geral não funcionaria pela falta 
da proteção do seguro de vida e acidentes pessoais. Milhares de atendimentos 
médico-hospitalares não se realizariam sem seguro saúde. Milhares de veículos 
provavelmente não circulariam porque seus proprietários não correriam o risco de 
acidentes sem o seguro de automóveis. Consequentemente, milhares de oficinas 
e seus empregados não teriam trabalho e poucos carros novos seriam vendidos, 
porque muito pouca gente se arriscaria a retirar um veículo das concessionárias 
sem antes fazer o seguro.As grandes plantas industriais parariam de produzir 
porque os empresários, certamente, não admitiriam que seus investimentos 
e seus empregados ficassem expostos aos riscos sem a cobertura do seguro. 
 
TÓPICO 5 | SINISTROS, COSSEGURO E RESSEGURO
47
 O comércio sofreria um impacto sem precedentes, com os produtos presos 
em seus depósitos e impedidos de chegar a seus destinos, dentro dos países e 
no exterior, por falta da cobertura do seguro, e o desenvolvimento tecnológico 
ficaria estagnado porque nenhum avanço acontece, nenhum satélite é lançado 
ao espaço sem a proteção do seguro. De um modo geral, todas as pessoas e 
atividades seriam afetadas em suas vidas e seus negócios se houvesse "um dia 
sem seguro". Os prejuízos socioeconômicos equivaleriam aos de uma imensa 
greve geral sem piquetes e passeatas, mas com sequelas que permaneceriam 
indefinidamente no inconsciente das pessoas.
Se acontecesse "um dia sem seguro" e se esse dia fosse o dia 
11 de setembro de 2001, por exemplo, as vítimas do atentado de 
Nova York não receberiam as indenizações, calculadas entre 70 e 100 
bilhões de dólares, por morte, danos materiais, lucros cessantes etc. 
O papel do seguro, em seu conceito mais abrangente, é esse: dar às pessoas 
tranquilidade para sonhar, ousar e realizar, com a certeza de que os riscos de 
viver e trabalhar têm a proteção de uma instituição: a instituição ‘seguro’.
FONTE: Disponível em: <file:///C:/Users/Henrique/Downloads/InformeFenaseg2005%20(1).pdf>. 
Acesso em: 7 set. 2016.
COMO SERIA O MUNDO SEM SEGURO?
FUNDACIÓN MAPFRE LANÇA DOIS VÍDEOS PARA REFLEXÃO SOBRE O 
TEMA
O que aconteceria se um dia as pessoas não pudessem garantir a segurança 
de seu patrimônio e as empresas não tivessem meios e recursos para respaldar os 
seus investimentos e garantir os riscos de suas operações? Qual seria o impacto 
disso para a economia mundial?
Para mostrar justamente a diferença entre um mundo com e sem seguros, a 
Fundación Mapfre produziu dois vídeos que destacam a importância do papel das 
seguradoras e suas apólices de seguro, não apenas como uma função econômica, 
mas também como um aspecto social fundamental para o desenvolvimento da 
humanidade.
Produzidos em formato de documentário, os dois vídeos são apresentados 
como se tivessem sido lançados em 7 de fevereiro de 2050. O vídeo Um mundo 
sem seguros, mostra como seria o mundo atual sem as seguradoras e suas políticas 
de seguros, ressaltando as desvantagens e os impactos de uma sociedade em que 
não fosse possível se proteger contra os inúmeros riscos existentes.
LEITURA COMPLEMENTAR
48
UNIDADE 1 | RISCOS E SEGUROS – HISTÓRIA, ESTRUTURA E CONCEITOS FUNDAMENTAIS
Já o vídeo Um mundo com seguros apresenta o seguro como peça-chave 
para a prosperidade, lembrando que as seguradoras exercem uma importante 
função econômica e, sobretudo, social, ao levar o cidadão a investir, arriscar e a 
investir no futuro.
A ideia central dos vídeos é reforçar o papel dos seguros como elemento-
chave da liberdade, da igualdade social e da confiança entre as pessoas, ou seja, 
sem segurança não há futuro, já que a confiança é a base da ação humana e do 
desenvolvimento da sociedade.
FONTE: Disponível em <http://www.cnseg.org.br/cnseg/servicos-apoio/noticias/como-seria-o-
mundo-sem-seguro.html>. Acesso em: 7 set. 2016. 
DICAS
Confira os vídeos que a Leitura Complementar trata no link: <http://www.cnseg.
org.br/cnseg/servicos-apoio/noticias/como-seria-o-mundo-sem-seguro.html>.
49
RESUMO DO TÓPICO 5
Neste tópico, você aprendeu que:
• Sinistro é a ocorrência do risco que se encontra previsto no contrato de seguro e 
que ocasiona um prejuízo ou uma responsabilidade de reparação.
• O objetivo dos seguros é repor perdas ou restabelecer um equilíbrio financeiro 
que foi prejudicado pela ocorrência de um sinistro amparado pela apólice.
• O processo de sinistro baseia-se em levantamentos e coleta de documentos para 
promover a indenização, consistindo em três etapas: a apuração de danos, a 
regulação e a liquidação.
• A distribuição ou pulverização das responsabilidades permite que as seguradoras 
assumam riscos ou responsabilidades acima da sua capacidade financeira e não 
precisem responder sozinhas pelas indenizações. Os instrumentos utilizados 
são o cosseguro, o resseguro e a retrocessão.
• Limites Técnicos ou Limites de Retenção correspondem aos valores máximos de 
responsabilidade que as seguradoras podem reter em cada risco isolado. Esses 
limites têm como base os ativos líquidos de cada companhia.
• Cosseguro é a operação em que duas ou mais sociedades seguradoras distribuem, 
entre si e percentualmente, os riscos de determinada apólice.
• Resseguro é a transferência de riscos de uma seguradora para um ressegurador, 
que são empresas legalmente constituídas com a finalidade de operar o 
resseguro.
• Retrocessão pode ser definida como sendo o resseguro do resseguro.
50
1 Os mecanismos de pulverização dos riscos são utilizados pelo mercado 
segurador brasileiro para sua autoproteção, quando assumem riscos de 
terceiros. Assinale a resposta que não se enquadra entre os mecanismos de 
pulverização:
a) ( ) Cosseguro facultativo.
b) ( ) Resseguro obrigatório.
c) ( ) Cosseguro obrigatório.
d) ( ) Risco Comum.
e) ( ) Risco vultoso.
2 Seja uma operação de cosseguro, em um seguro com importância segurada de 
R$ 3.000.000,00 e prêmio de R$ 1.600,00 no qual participam três seguradoras, 
com as seguintes percentagens de participação:
Seguradora “A” – 40% – Líder.
Seguradora “B” – 35%.
Seguradora “C” – 25%
Calcule o prêmio do seguro da Seguradora “C”, bem como a indenização 
devida por essa seguradora em um sinistro com prejuízo total de R$ 600.000,00.
a) Prêmio R$ 400,00 – Indenização R$ 150.000,00.
b) Prêmio R$ 640,00 – Indenização R$ 210.000,00.
c) Prêmio R$ 560,00 – Indenização R$ 210.000,00.
d) Prêmio R$ 400,00 – Indenização R$ 240.000,00.
e) Prêmio R$ 560,00 – Indenização R$ 150.000,00.
3 Uma Seguradora “X” ganhou o seguro de um edifício cuja importância 
segurada é de R$ 2.000.000,00. Por razões técnicas, sua responsabilidade 
ficará limitada a R$ 300.000,00. Aplicando o princípio da pulverização das 
responsabilidades, esta Seguradora deverá:
I. Procurar outras seguradoras e proceder o cosseguro.
II. Entrar em contato com o IRB e proceder o resseguro de todo o excedente.
III.Contatar três membros da SUSEP que juntamente com a IRB Brasil-Re 
assumiriam a operação.
Assinale a opção correta:
a) ( ) Somente as afirmativas II e III estão corretas.
b) ( ) Somente as afirmativas I e II estão corretas. 
c) ( ) Somente a afirmativa II está correta.
d) ( ) Somente a afirmativa III está correta.
e) ( ) Somente as afirmativas I e III estão corretas.
AUTOATIVIDADE
51
4 Nos processos de sinistros de bens, geralmente, a seguradora observa as 
seguintes etapas:
a) Vistoria e liquidação.
b) Apuração de danos e vistoria.
c) Apuração de danos, regulação e pagamento.
d) Regulação e liquidação.
e) Apuração dos danos, regulação e liquidação.
5 Nos processos de sinistros de bens, a etapa destinada ao levantamento da 
causa do sinistro, natureza e extensão das avarias é denominada:
a) Apuração de danos.
b) Regulação.
c) Liquidação.
d) Ressarcimento.
e) Sub-rogação.
6 Analise as proposições a seguir, de acordo com a etapa da regulação do 
processo de sinistro.
I. A análise da coerência entre as informações prestadas e os documentos do 
sinistro e do seguro, visando a existência ou não de cobertura técnica do 
seguro, ocorre na etapa da regulação.
II. Pode-se dizer que na regulação é feita a análise dos documentos relativos 
ao risco, ao seguro e ao sinistro, para fins de levantamento dos prejuízos 
indenizáveis.
III.O objetivo da regulação é analisar se o sinistro está ou não coberto.
IV.O ressarcimento e a venda de salvados são processados na etapa da regulação.
Assinale a opção correta:
a) ( ) Somente a afirmativa II está correta.
b) ( ) Somente as afirmativas I e III estão corretas.
c) ( ) Somenteas afirmativas III e IV estão corretas.
d) ( ) Somente as afirmativas I, II e III estão corretas.
e) ( ) Somente as afirmativas I, II e IV estão corretas.
7 O reembolso a que a seguradora tem direito quando a indenização paga 
ao ___________, é decorrente de prejuízo causado culposamente por 
um ___________ é denominado ___________. 
Assinale a alternativa que preencha corretamente o período acima. 
a) ( ) Terceiro/ segurado/ prêmio.
b) ( ) Segurado/ terceiro/ ressarcimento.
c) ( ) Beneficiário/ segurado/ reintegração.
d) ( ) Segurado/ terceiro/ valor determinado.
e) ( ) Terceiro/ segurado/ resgate.
52
53
UNIDADE 2
A PREVIDÊNCIA E A CAPITALIZAÇÃO
OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM
PLANO DE ESTUDOS
Os objetivos desta unidade são:
• compreender o surgimento e o contexto histórico da Previdência e da Ca-
pitalização;
• perceber a importância social e econômica do mercado segurador (segu-
ros, previdência e capitalização) na formação de poupança e desenvolvi-
mento do país;
• entender os princípios da seguridade social e conhecer seus modelos;
• identificar a estrutura do Sistema de Previdência Privada;
• conhecer os principais mecanismos de funcionamento dos planos de pre-
vidência e das Entidades Abertas de Previdência Complementar;
• diferenciar os planos com Cobertura de Sobrevivência dos planos com Co-
bertura de Risco;
• apontar os órgãos que integram o Sistema de Nacional de Capitalização;
• explicar os principais mecanismos de funcionamento dos planos e das So-
ciedades de Capitalização.
Esta unidade está dividida em quatro tópicos. No final de cada um deles você 
encontrará atividades que lhe ajudarão a compreender o assunto e a fixar os 
conhecimentos adquiridos.
TÓPICO 1 - OS FUNDAMENTOS E A PREVIDÊNCIA SOCIAL
TÓPICO 2 - OS FUNDAMENTOS E A PREVIDÊNCIA PRIVADA
TÓPICO 3 - PLANOS DE PREVIDÊNCIA PRIVADA ABERTA
TÓPICO 4 - A CAPITALIZAÇÃO
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55
TÓPICO 1
OS FUNDAMENTOS E A PREVIDÊNCIA SOCIAL
UNIDADE 2
1 INTRODUÇÃO
Nesta seção, veremos que a preocupação das sociedades em prover 
atendimento, alimentação ou garantir uma renda mínima para os menos favorecidos 
economicamente é bastante antiga. O ser humano tem características contrastantes 
e intrigantes. Se de um lado sempre houve a exploração do homem pelo homem, 
de outo lado, o espírito de solidariedade também sempre se fez presente. 
De acordo com Gerber (2010, p. 69), “as primeiras manifestações dos 
homens em relação à previdência remontam à Grécia e Roma antigas”. Tinham 
por característica a formação de grupos de cunho mutualista, com o objetivo de 
prestar assistência aos seus membros mediante contribuição, de modo a ajudar 
os mais necessitados. Acrescenta que a família romana, por meio do pater familias, 
tinha a obrigação de prestar assistência aos servos e clientes. 
Atualmente, temos a tendência de pensar apenas no que é mais imediato. 
Costumamos achar que a velhice demorará muito a chegar e assim não nos 
preocupamos com a Previdência, salvo quando se aproxima o momento da 
aposentadoria. Quando aqui nos referimos à expressão Previdência, estamos 
falando de um mecanismo que nos possibilite realizar contribuições ao longo de 
determinado período e, quando completarmos o tempo de contribuição necessário 
e determinada idade mínima exigida, temos uma recompensa, um retorno na 
forma de renda, nos permitindo usufruir da chamada aposentadoria.
 Jardim (2013) esclarece que, inicialmente, a proteção contra os riscos da 
vida era conferida pela família, mas que antigamente o conceito de família era bem 
mais amplo que nos dias de hoje. No Império Romano, a família, normalmente, 
tinha sob comando o homem mais velho que conservasse seu vigor físico (o pater 
familiae) e consistia num aglomerado reunindo avós, pais, filhos, netos, sobrinhos, 
ou seja, além do vínculo sanguíneo em linha reta, uma mesma família também 
reunia várias linhas colaterais. Aqueles que não estavam incluídos na proteção 
familiar e não tinham condições de prover o próprio sustento dependiam da 
chamada ajuda aos pobres e necessitados. A caridade praticada pelos mais ricos 
tinha o efeito psicológico de lhes diminuir a culpa pela exploração realizada ao 
seu semelhante, tanto dos escravos como a exploração trabalhista sobre o homem 
livre. Dessa forma, a caridade seria a garantia de acesso ao Reino de Deus.
Entretanto, durante muitos séculos, a partir do início das civilizações, 
não havia ações de governo no sentido de proteger as pessoas que se tornavam 
incapacitadas pela velhice, por doença ou alguma outra limitação física. O 
UNIDADE 2 | A PREVIDÊNCIA E A CAPITALIZAÇÃO
56
atendimento aos carentes estava restrito às famílias ou à livre iniciativa de pessoas, 
caracterizando-se por ações assistencialistas e não por ações de previdência.
 
Na Baixa Idade Média (séculos XII ao XV) surgem as guildas ou corporações 
de ofício que, conforme Santiago (2016), eram associações formadas por artesãos 
profissionais e independentes, em igualdade de condições, destinadas a proteger 
os seus interesses e manter os privilégios conquistados. Outras guildas, sem 
relevância econômica, tinham caráter religioso, beneficente ou de lazer. Além das 
guildas, existiam também as hansas, associações de comerciantes que dominavam 
determinados segmentos do mercado. Jardim (2013) acrescenta que os integrantes 
recolhiam valores anuais, que poderiam ser utilizados em caso de velhice, doença 
e/ou pobreza. Também observa que no Império Inca, ainda que em estado evolutivo 
menos avançado, já existia preocupação com os seus integrantes que não tinham 
capacidade de produção. Por essa razão, havia o cultivo de terras com trabalho 
comum, cuja meta era atender às necessidades alimentares dos anciãos, doentes e 
inválidos. 
Em 1601, na Inglaterra, a promulgação do Poor Relief Act (lei de amparo aos 
pobres) instituiu a contribuição obrigatória para fins sociais e consolidou outras 
leis sobre a assistência pública. Essa lei autorizava os juízes da Comarca a cobrar 
um imposto de caridade a ser pago por todos os ocupantes e usuários de terras. O 
valor arrecadado era centralizado nas paróquias e administrado pelos inspetores 
nomeados pelos juízes, cabendo às paróquias o auxílio aos indigentes (JARDIM, 
2013). 
Na fase anterior ao sistema de Previdência Moderna, Jardim (2013, s.p.) 
destaca também o artigo 21 da Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão, 
acrescentado pela Convenção Nacional Francesa de 1793, que dispôs: “os auxílios 
públicos são uma dívida sagrada. A sociedade deve a subsistência aos cidadãos 
infelizes, quer seja procurando-lhes trabalho, quer seja assegurando os meios de 
existência àqueles que são impossibilitados de trabalhar”. 
2 HISTÓRICO DA PREVIDÊNCIA E SEUS MODELOS
 
Para que começassem a surgir modelos previdenciários seriam necessárias 
grandes mudanças no ambiente social e econômico. Isto aconteceria a partir da 
concentração urbana e nas novas formas de produção e trabalho impulsionadas 
pela Revolução Industrial.
Neste sentido, Boschetti (2009 apud GERBER, 2010) esclarece que a 
Previdência, na forma como conhecemos, surgiu na Alemanha, no governo de 
Otto von Bismarck, que promulgou leis de seguro obrigatório contra acidentes do 
trabalho. Tratava-se de uma legislação de seguros sociais voltada à proteção dos 
trabalhadores com vistas também a conter uma crescente insatisfação oriunda da 
relação capital x trabalho que se estabelecera a partir das transformações sociais e 
econômicas ocorridas nos séculos XVIII e XIX.
TÓPICO 1 | OS FUNDAMENTOS E A PREVIDÊNCIA SOCIAL
57
Estas transformações tiveram grande impacto na vida das pessoas e uma 
de suas características marcantes seria a exploração do trabalho pelo capital, que 
viria, adiante, provocar intensas reações da classe trabalhadora. A seguir estão 
relacionados outros fatos que caracterizaram o período. 
• A Revolução Industrial e o modelo de produção capitalista 
transformaram radicalmente as relações de trabalhoe dominação.
• Grandes concentrações urbanas e trabalho precário como consequência 
da industrialização, que refletiram nas relações sociais e no estilo de 
vida.
• Expansão do movimento dos trabalhadores e do ideário socialista, 
principalmente após a publicação, em 1848, do Manifesto do Partido 
Comunista por Marx e Engels.
• A emergência da questão social, na qual a sociedade e os trabalhadores 
tomaram consciência das condições de vida e do trabalho, da exploração 
de que eram alvo, passando a reivindicar mudanças por meio de greves 
e manifestações de protestos, buscando maior proteção, principalmente 
as relacionadas à atividade laborativa (GERBER, 2010, p. 69).
Corroboram neste sentido e contexto os ensinamentos do professor 
Hermes Arrais de Alencar (apud BRAMBILLA, s.d.), que no livro Benefícios 
Previdenciários, afirma que a Previdência Social surge após a Revolução Industrial, 
no final do século XVIII. Ela impulsionou o deslocamento da população rural para 
as cidades, promovendo alta concentração de mão de obra. Desse modo, diante 
desta saturação, os operários e trabalhadores foram submetidos a condições de 
trabalho extremamente abusivas, com jornada semanal de trabalho de até 80 horas 
e salários ínfimos, ou seja, os trabalhadores eram conduzidos a uma situação 
de semiescravidão. Esta nova relação entre capital e trabalhadores, somada às 
péssimas relações de trabalho, frente à não intervenção estatal na economia, jogava 
os trabalhadores a uma situação deplorável e estabelecia a necessidade da tutela 
estatal. 
Diante do domínio das máquinas em relação à mão de obra, criava-se 
um panorama de preocupação e temor, pois os direitos sociais não protegiam 
efetivamente o proletariado. A invalidez era o risco social mais temido à época, 
afinal, estaria completamente desamparado o trabalhador que se encontrasse em 
tais circunstâncias. Diante deste panorama de medo e insegurança, as revoltas 
sociais aumentariam gradativamente e seria praticamente impossível controlá-las. 
Assim, as significativas mudanças trazidas por Bismarck trouxeram segurança ao 
proletariado, estabilizando as revoltas trabalhistas e garantindo a governabilidade. 
Na visão dos governantes, o custo desses direitos sociais valia a pena e este 
custo-benefício assegurava sua continuidade. Deste modo, graças ao sucesso dos 
direitos sociais promovidos por Bismarck, houve considerável disseminação para 
outras nações, tornando-se o ponto de partida da Previdência Social no mundo 
(BRAMBILLA, s.d.).
De acordo com Jardim (2013), a primeira Constituição do mundo a incluir o 
seguro social foi a do México, em 1917. Ela estabeleceu que os empresários passavam 
a ser responsáveis pelos acidentes do trabalho e pelas moléstias profissionais dos 
trabalhadores, em razão do exercício da profissão ou da natureza do trabalho que 
UNIDADE 2 | A PREVIDÊNCIA E A CAPITALIZAÇÃO
58
executassem. Os empresários deveriam pagar uma indenização aos trabalhadores 
de acordo com a consequência do acidente ou da doença, que poderia ser a morte 
ou a incapacidade para o trabalho (temporária ou permanente). 
Gerber (2010) lembra que o início do século XX foi marcado pela efervescência 
cultural e econômica, avanços tecnológicos e a devastação provocada pela 1ª Guerra 
Mundial. Neste contexto, Jardim (2013) informa que a Constituição Soviética de 
1918 também tratava de direitos previdenciários. Na Alemanha, a Constituição 
de Weimar (1919) criou um sistema de seguros sociais para atender à conservação 
da saúde e capacidade para o trabalho, à proteção, à maternidade e à previsão 
das consequências econômicas da velhice, da enfermidade e das vicissitudes da 
vida. Determinou também que cabe ao Estado prover a subsistência do cidadão 
alemão, caso não possa lhe proporcionar a oportunidade de ganhar a vida com um 
trabalho produtivo. 
A criação da Organização Internacional do Trabalho (OIT) em 1919 também 
foi outro acontecimento extremamente importante para a regulamentação das 
relações trabalhistas e crescimento de uma legislação protetora de direitos para os 
trabalhadores. A Convenção 102, aprovada em Genebra, passou a recomendar aos 
países membros a adoção de normas mínimas de seguridade social e estabeleceu 
critérios para assegurar alguns dos benefícios previdenciários essenciais aos 
trabalhadores (BRAMBILLA, 2016). 
A partir do modelo bismarckiano, outros países aprovaram seus planos de 
proteção social. A Dinamarca aprovou o direito à aposentadoria em 1891. Logo 
depois, a Suécia desenvolveu o primeiro plano de pensão nacional universal. No 
começo da década de 1920 foram criados os sistemas de seguro social da Argentina, 
Chile e Uruguai, que são os mais antigos da América Latina. Em 1933, os Estados 
Unidos instituíram o New Deal (com a doutrina do Wellfare State ou Estado do bem-
estar social) e em 1933 editaram o Social Security Act. A Nova Zelândia, em 1938, 
instituiu uma lei concedendo proteção a toda a população e implantou o seguro 
social. Em 1941, a Carta do Atlântico previu a previdência social como um modo 
de viver livre do temor e da miséria (JARDIM, 2013). 
Um novo modelo previdenciário surgiria em 1942, na Inglaterra, com a 
divulgação do Plano Beveridge. Ele foi elaborado por uma comissão interministerial 
e tinha como objetivo estabelecer alternativas para a reconstrução da sociedade no 
período pós-guerra. O plano previa uma ação estatal concreta como garantidora 
do bem-estar social, estabelecendo a responsabilidade do Estado, além do seguro 
social, na área da saúde e assistência social (JARDIM, 2013). É considerado um 
marco por se tratar de um estudo amplo e minucioso do seguro social. Liderado 
pelo Lorde Beveridge, o plano previa uma proteção ampla e duradoura, devido ao 
entendimento de que a segurança social deveria ser prestada do berço ao túmulo.
Estabeleceram-se, assim, os dois principais modelos de Previdência: o 
bismarckiano e o beveredgiano. Segundo Boschetti (apud GERBER, 2010), o 
modelo bismarckiano possui características semelhantes às dos seguros privados. 
Os benefícios se destinam aos trabalhadores e o retorno (recebimento) tem relação 
TÓPICO 1 | OS FUNDAMENTOS E A PREVIDÊNCIA SOCIAL
59
com o valor da contribuição. O financiamento do sistema se dá com recursos das 
contribuições dos empregados e dos empregadores, tendo por base a folha de 
salários. A gestão é estatal, com participação dos contribuintes. A proteção se limita 
aos trabalhadores inseridos no sistema na condição de segurados (contribuintes).
O modelo beveredgiano baseia-se no Wellfare State, no qual os direitos são 
universais, garantidos a todos os cidadãos, assegurando benefícios mínimos e 
uniformes que não estão condicionados a contribuições. O financiamento se dá 
através da arrecadação de impostos e a gestão é estatal (BOSCHETTI, 2009 apud 
GERBER, 2010).
Portanto, os modelos vistos acima nos permitirão, na sequência dos nossos 
estudos, entender e conhecer as principais diferenças de princípios e de objetivos 
que existem entre os planos de previdência social e os planos de previdência 
privada.
3 A PREVIDÊNCIA SOCIAL BRASILEIRA
 
Vimos que para o surgimento das primeiras operações de seguros no 
Brasil foi necessária a vinda da Corte portuguesa. Veremos, neste subtópico, 
que isto também contribuiu para que viessem a ser estruturadas as primeiras 
formas de previdência com participação do governo. Porém, antes disso, ações de 
solidariedade já se faziam presentes, especialmente em virtude da forte presença 
do catolicismo.
Corroborando com o pensamento acima, Jardim (2013) afirma que no 
Brasil a proteção social evoluiu de forma semelhante ao que vimos em relação 
aos demais países. Inicialmente foi privada e voluntária, passou pela formação 
dos primeiros planos mutualistas e, posteriormente, para a intervenção cada vez 
maior do Estado. No século XVI, impulsionado pela fé cristã e atuação da Igreja 
Católica, o padre José de Anchieta fundou a Santa Casa de Misericórdia, cujo 
objetivo era prestaratendimento médico e hospitalar aos necessitados. Em 1795 
foi criado o Plano de Benefícios dos Órfãos e Viúvas dos Oficiais da Marinha, que 
talvez tenha sido a primeira ideia de pensão por morte. Em 1808 foi criado um 
montepio para a guarda pessoal de Dom João VI. Em 1821, Dom Pedro publicou 
decreto concedendo o direito à aposentadoria aos mestres e professores, desde que 
completassem 30 (trinta) anos de serviço, e, em 1835, surgiu o Montepio Geral dos 
Servidores do Estado (Mongeral). 
A expressão Montepio vem do italiano Monte di Pietà (no plural, Montes 
Pios) e refere-se a instituições voluntárias de caridade e sociedades privadas que 
forneciam empréstimos de pequena monta em condições mais favoráveis que as 
do mercado. Neles, os pobres conseguiam algum dinheiro e penhoravam seus 
pertences de modo a satisfazer suas necessidades básicas futuras, como um auxílio 
em caso de doença, de prisão ou da impossibilidade de deixar uma pensão para a 
família após sua morte.
UNIDADE 2 | A PREVIDÊNCIA E A CAPITALIZAÇÃO
60
A preocupação governamental, ainda que restrita aos servidores públicos, 
continuaria sua trajetória histórica com Constituição Imperial de 1824, que fazia 
referência a “Socorros Públicos” e que tentou dar origem à assistência pública. A 
primeira Constituição editada após a Proclamação da República, em 1891, trazia 
uma previsão de Aposentadoria por Invalidez (decorrente de serviços prestados 
à nação) em favor de funcionários públicos, previa a concessão de benefício, mas 
não previa contribuições. 
Gerber (2010) apresenta o contexto da época. Movimentos sociais iniciados 
nas décadas de 1910 e 1920, com pressões operárias decorrentes do anarquismo, 
comunismo, primeiras leis trabalhistas e crise do capitalismo internacional, viriam 
a influenciar o Estado brasileiro. Além disso, havia as consequências da Primeira 
Guerra Mundial e a economia brasileira, essencialmente agrária e periférica, 
começava a se modificar em virtude da industrialização e da urbanização. Deste 
modo, a lei proposta pelo deputado paulista Eloy Chaves visava acalmar as pressões 
trabalhistas e tornava-se a origem da criação das Caixas de Aposentadorias e 
Pensões (CAPs), que trariam benefícios (aposentadoria por tempo de serviço ou 
invalidez e pensão aos dependentes) e serviços (assistência médica, medicamentos 
subsidiados e assistência funeral) para determinadas categorias de trabalhadores. 
Tratavam-se, ainda, de organizações privadas, com algum controle público, mas 
sem sua participação financeira.
Com a Revolução de 1930 rompe-se um sistema de oligarquias agrárias 
e surgem as classes trabalhadoras urbanas. Com o início da transformação do 
modelo econômico, as questões sociais passam a ser tratadas como políticas de 
Estado. Cria-se o Ministério do Trabalho, Indústria e Comércio e dá-se início a 
uma nova legislação trabalhista. Getúlio Vargas dá ênfase a um papel paternalista 
e provedor do Estado. A Constituição de 1934 passa a estabelecer um sistema 
de “previdência” baseado em três fontes de custeio: a União, o trabalhador e o 
empregador deveriam contribuir de forma igual para a manutenção dos benefícios 
e garantia à velhice, maternidade, invalidez, casos de morte e acidentes de trabalho.
Na década de 1930 surgem os Institutos de Aposentadorias e Pensões 
(IAPs) organizados por categorias profissionais, tais como os funcionários federais, 
marítimos, industriários, bancários e comerciários, entre outros. As principais 
diferenças dos IAPs em relação às CAPs eram que as garantias previdenciárias 
alcançavam classes trabalhadoras urbanas por categorias profissionais e não 
apenas por empresas. Além disso, o Estado passou a gerir essas instituições, que 
ficavam vinculadas ao poder central (GERBER, 2010).
Em 1960 é publicada a Lei Orgânica da Previdência Social (LOPS), criando 
um regime geral e uniformizando todos os benefícios até então instituídos, além 
de trazer novos, como auxílio reclusão, auxílio natalidade, entre outros, e ampliar 
o número de segurados e beneficiários que deles poderiam desfrutar. Porém, 
assim como acontecia nas CAPs e IAPs, mantinha a exclusão dos trabalhadores 
domésticos e rurais. Os funcionários públicos civis e militares mantinham vínculos 
com sistemas próprios. Em 1961, o Ministério do Trabalho, Indústria e Comércio 
passou a se chamar Ministério do Trabalho e Previdência Social, e em seguida 
TÓPICO 1 | OS FUNDAMENTOS E A PREVIDÊNCIA SOCIAL
61
ocorreria o golpe militar de 1964. A Emenda Constitucional nº 11, de 1965, impedia 
a criação de qualquer benefício sem anterior determinação de fonte de custeio 
(GERBER, 2010).
Conforme Gerber (2010), o Instituto Nacional de Previdência Social (INPS) 
viria a ser criado pelo Decreto-Lei 72/1966 e unificou as CAPS e os IAPs, bem como 
todos os benefícios e serviços, além das estruturas político-administrativas de todas 
as agências. A Constituição de 1967 acrescentou a possibilidade de aposentadoria 
para a mulher, desde que completasse 30 anos de trabalho, além de instaurar o 
seguro-desemprego. Em 1971, passaram a estar amparados os trabalhadores rurais 
e, em 1972, os empregados domésticos. Em 1974 as esferas máximas de poder 
relacionadas com o trabalho e a previdência foram separadas e criou-se o Ministério 
da Previdência e Assistência Social (MPAS). Através da Lei 6.439/77 foi criado o 
Sistema Nacional de Previdência e Assistência Social (SINPAS), com o objetivo 
de reorganizar o modelo existente e controlar os elevados gastos com assistência 
médica. Essa estrutura era integrada por três autarquias, duas fundações, uma 
empresa pública e um órgão autônomo constituindo uma estrutura gigantesca 
que resultou em administração burocrática e centralizadora que não atendia às 
demandas nacionais. 
Finalmente, Brambilla (s.d.) traz que, com a Constituição de 1988 e leis 
complementares, o SINPAS é extinto e surge o modelo de Previdência Social 
que dispomos atualmente, determinando que seja organizada por regime geral, 
com determinação de filiação obrigatória, de caráter contributivo, nos moldes de 
seu artigo 201. Em 1990, com a entrada em vigor da Lei 8.029, o antigo Instituto 
Nacional de Previdência Social (INPS) é incorporado ao Instituto de Administração 
Financeira da Previdência e Assistência Social (IAPAS), originando a maior 
autarquia do Brasil, chamada de Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). 
Brambilla (s.d.) aduz que o INSS não abrange integralmente o conceito 
de “seguridade social” que trata de previdência, assistência e saúde. A autarquia 
refere-se e responde apenas pela Previdência e, por isso, trata-se de “seguro 
social”. O INSS é uma pessoa jurídica de direito público interno, responsável 
pela fiscalização, contribuições dos beneficiários, bem como pela administração 
e concessão de benefícios. Toda esfera de benefícios relativos ao Regime Geral da 
Previdência Social é atribuição e competência do INSS, devendo este atuar para o 
alcance da justiça e proteção social dos filiados ao regime vigente. Torres (2012, s.p.) 
esclarece que, conforme a Constituição Federal, em seu artigo 3º, “a seguridade 
social é o conjunto de ações e instrumentos por meio do qual se pretende alcançar 
uma sociedade livre, justa e solidária, erradicar a pobreza e a marginalização, 
reduzir as desigualdades sociais e promover o bem de todos”.
Torres (2012) ainda traz que o artigo 196 da Constituição refere-se à 
saúde como um segmento autônomo da Seguridade Social e se diz que ela tem a 
finalidade mais ampla de todos os ramos protetivos, porque não possui restrição de 
beneficiários e o seu acesso também não exige contribuição dos beneficiários. Não 
importa, nesta espécie de proteção social, a condição econômica do beneficiário. O 
Estado não pode negar acesso à saúde pública a uma pessoa sob o argumento de 
UNIDADE 2 | A PREVIDÊNCIA E A CAPITALIZAÇÃO
62
que esta possui riqueza pessoal e, portanto, possui meios de prover a sua própria 
saúde. Assim, o INSS, autarquia responsável porgerir benefícios e serviços 
da Previdência Social, não tem qualquer relação e responsabilidade no que diz 
respeito a hospitais, casas de saúde e atendimentos em geral na área de saúde. No 
Brasil, o órgão responsável por essas questões é o Sistema Único de Saúde (SUS). 
Já a assistência social é tratada nos artigos 203 e 204 da Constituição como 
um segmento autônomo da seguridade social, que trata dos hipossuficientes, ou 
seja, daqueles que não possuem condições de prover sua própria manutenção. 
Cuidará daqueles que têm maiores necessidades, sem exigir deles (seus 
beneficiários) qualquer contribuição à seguridade social. A proteção do Estado 
deverá fornecer aquilo que for absolutamente indispensável para cessar o atual 
estado de necessidade do assistido, como alimentos, roupas, abrigos e até mesmo 
pequenos benefícios em dinheiro. A assistência social serve para cobrir as lacunas 
deixadas pela Previdência Social que, devido à sua natureza contributiva, acaba 
por excluir os necessitados (TORRES, 2012). 
Quanto à Previdência Social, tratada pelos artigos 201 e 202 da Constituição, 
Torres (2012) informa que este segmento autônomo da seguridade social vai 
se preocupar exclusivamente com os trabalhadores e com os seus dependentes 
econômicos. A Previdência Social é a técnica de proteção social destinada a afastar 
necessidades sociais decorrentes de contingências que reduzem ou eliminam a 
capacidade dos trabalhadores e/ou de seus dependentes sustentarem a si próprios. 
Acrescenta que contingência social são fatos e/ou acontecimentos que, uma vez 
ocorridos, têm a força de colocar uma pessoa e/ou seus dependentes em estado de 
necessidade, dando como exemplos a invalidez (incapacidade), o óbito ou a idade 
avançada. 
A Previdência Social, portanto, visa contingências bem específicas, ou seja, 
situações que atingem o trabalhador e, por consequência, seus dependentes. Essa 
dependência pode ser presumida por lei (no caso de cônjuges, filhos menores e/
ou incapazes) ou comprovada no caso concreto (no caso de pais que dependiam 
economicamente do filho que veio a óbito). Conforme Torres (2012, s.p.), de acordo 
com o Artigo 16 da Lei 8.213/91, são beneficiários do Regime Geral de Previdência 
Social, na condição de dependentes do segurado:
I - o cônjuge, a companheira, o companheiro e o filho não emancipado, 
de qualquer condição, menor de 21 (vinte e um) anos ou inválido;
II - os pais;
III - o irmão não emancipado, de qualquer condição, menor de 21 
(vinte e um) anos ou inválido ou que tenha deficiência intelectual ou 
mental que o torne absoluta ou relativamente incapaz, assim declarado 
judicialmente; (Redação dada pela Lei nº 12.470, de 2011)
§ 1º A existência de dependente de qualquer das classes deste artigo 
exclui do direito às prestações os das classes seguintes.
§ 2º O enteado e o menor tutelado equiparam-se a filho mediante 
declaração do segurado e desde que comprovada a dependência 
econômica na forma estabelecida no Regulamento. (Redação dada pela 
Lei nº 9.528, de 1997)
§ 3º Considera-se companheira ou companheiro a pessoa que, sem ser 
TÓPICO 1 | OS FUNDAMENTOS E A PREVIDÊNCIA SOCIAL
63
casada, mantém união estável com o segurado ou com a segurada, de 
acordo com o § 3º do art. 226 da Constituição Federal. 
§ 4º A dependência econômica das pessoas indicadas no inciso I é 
presumida e das demais deve ser comprovada.
Princípios básicos da seguridade social brasileira:
• Universalidade da cobertura e do atendimento (todos, indistintamente, 
têm direito).
• Seletividade e distributividade na prestação de benefícios e serviços 
(o legislador deve selecionar as contingências sociais mais importantes 
e distribuí-las a um maior número possível de pessoas acometidas de 
necessidades).
• Uniformidade e equivalência dos benefícios e serviços às populações 
urbanas e rurais (trabalhadores urbanos e rurais têm os mesmos 
direitos).
• Diversidade da base de financiamento (para garantir maior 
estabilidade da Seguridade Social. Quanto maior for a base de 
financiamento, maior será a capacidade de o sistema fazer frente aos 
seus objetivos constitucionais).
• Irredutibilidade do valor dos benefícios (tem por objetivo impedir a 
redução nominal das prestações da seguridade social).
• Equidade na forma de participação do custeio (o custeio deve ser feito 
de forma proporcional à capacidade contributiva de todos que estão 
obrigados a custeá-lo).
• Preexistência do custeio em relação aos benefícios ou serviços (visa 
impedir que benefícios ou serviços da seguridade social sejam criados 
ou majorados sem que, antes, sejam estabelecidas as correspondentes 
fontes de custeio/financiamento).
• Caráter democrático e descentralizado da gestão administrativa (visa 
aproximar os cidadãos das organizações e dos processos de decisão dos 
quais dependem seus direitos) (VIOT, 2016, p. 10).
Com relação às receitas que compõem o orçamento da seguridade social, 
Viot (2016) esclarece que ela é financiada por toda a sociedade, de forma direta 
ou indireta, mediante recursos provenientes da União, dos estados, do Distrito 
Federal, dos municípios e de contribuições sociais. No âmbito federal, o orçamento 
é composto pelas seguintes receitas:
• Recursos da União – recursos adicionais do orçamento fiscal, fixados 
obrigatoriamente na Lei Orçamentária Anual.
• Contribuições Sociais:
a) das empresas, que incidem sobre a folha de salários dos segurados 
empregados e demais pessoas físicas a seu serviço, e sobre o faturamento 
e o lucro;
b) das empresas exclusivamente rurais, incidentes sobre o valor da 
venda da produção;
c) das empresas agroindustriais, que incidem sobre a folha de salário 
dos segurados;
d) empregados e demais pessoas físicas a seu serviço, e sobre o 
faturamento e o lucro;
e) dos empresários e empregadores domésticos;
f) dos trabalhadores em geral (empregados, empregados domésticos, 
autônomos, equiparados a autônomos, avulsos, facultativos), incidentes 
sobre a remuneração;
g) dos produtores rurais, pessoas físicas e dos segurados especiais; 
UNIDADE 2 | A PREVIDÊNCIA E A CAPITALIZAÇÃO
64
h) incidentes sobre os chamados concursos prognósticos (loterias em 
geral, corridas de cavalo); e
i) dos clubes de futebol profissional, que incidem sobre a renda dos 
espetáculos desportivos de que participam no território nacional e de 
contratos de patrocínio, licenciamento de uso de marcas e símbolos, de 
publicidade ou propaganda e transmissão dos espetáculos desportivos.
• Outras fontes – constituem outras receitas da seguridade social:
a) multas, atualização monetária e juros moratórios, como as multas 
pelo atraso no recolhimento das contribuições, que variam de acordo 
com cada caso, aplicadas às empresas e contribuintes individuais;
b) remuneração recebida pela prestação de serviços de arrecadação, 
fiscalização e cobrança prestados a terceiros. Essa fonte de receita 
vem do serviço prestado pelo INSS e de arrecadação e fiscalização das 
contribuições devidas pelas empresas urbanas e rurais, para o salário 
educação e para outros fundos e entidades (SESI, SESC, SEST, SENAC, 
SENAR, SENAI, INCRA, entre outros); e
c) demais receitas patrimoniais, industriais, financeiras e outras receitas 
(VIOT, 2016, p. 11).
Atualmente, a Previdência Social brasileira está organizada sob a forma 
de dois regimes: o Regime Geral de Previdência Social (RGPS), que é de caráter 
contributivo e de filiação obrigatória. Todo cidadão tem direito de vinculação a 
ele, mediante contribuição. Garante um conjunto de benefícios tanto ao segurado 
quanto a seus dependentes. É exclusivo aos trabalhadores da iniciativa privada e 
entre seus contribuintes encontram-se os empregadores, empregados assalariados, 
domésticos, autônomos, contribuintes individuais e trabalhadores rurais. Nos 
Regimes Próprios de Previdência Social (RPPS) estão os funcionários públicos e 
militares. Também garantem um conjunto de benefícios tanto ao segurado quanto a 
seus dependentes e é exclusivo dos servidores públicos, titulares decargos efetivos 
mantidos por órgãos públicos da União, Estados, Distrito Federal e Municípios 
(VIOT, 2016).
O modelo de Previdência Social vigente no Brasil vem sendo questionado há 
vários anos, principalmente em virtude do elevado e crescente déficit orçamentário. 
No final de 2016, finalmente, o Governo encaminhou ao Congresso uma proposta 
de reforma previdenciária. Além das graves dificuldades financeiras, as enormes 
diferenças de tratamento para os beneficiários do regime geral e dos regimes 
próprios estabelecem privilégios para determinadas categorias do serviço público, 
que passam a contar com crescente resistência dos demais setores da sociedade. 
Sem dúvidas, trata-se de um dos temas mais importantes para o futuro da nação 
e do seu povo.
65
RESUMO DO TÓPICO 1
Neste tópico, você aprendeu que:
• A percepção de necessidade de assistência e preservação de renda dos idosos 
e dos mais fracos remonta ao início das civilizações. A ideia de proteção 
está intimamente associada ao instinto de sobrevivência, ao sentimento de 
insegurança e à incerteza.
• Dos séculos XII ao XV os integrantes das guildas ou corporações recolhiam 
valores anuais, que poderiam ser utilizados em caso de velhice, doença e 
pobreza.
• A promulgação do Poor Relief Act (lei de amparo aos pobres), em 1601, na 
Inglaterra, e o artigo 21 da Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão 
acrescentado pela Convenção Nacional Francesa de 1793, também foram marco 
da fase anterior à previdência moderna.
• A Previdência, na forma como conhecemos, surgiu na Alemanha, com Otto von 
Bismarck, que promulgou leis de seguro obrigatório contra acidentes de trabalho 
e tratava também de seguros sociais, voltada à proteção dos trabalhadores. A 
maior preocupação da época era a invalidez.
• A primeira Constituição do mundo a incluir o seguro social foi a do México, 
em 1917. A Constituição Soviética de 1918 também tratava de direitos 
previdenciários, e na Alemanha, a Constituição de Weimar (1919) criou um 
sistema de seguros sociais. Em 1919, a Organização Internacional do Trabalho 
(OIT) aprovou a Convenção 102, referente a normas mínimas de seguridade 
social. Os conceitos e modelo de Bismarck se espalhavam pelo mundo.
• Em 1942, o Relatório Beveridge, na Inglaterra, o Estado como garantidor do bem-
estar social, estabelecendo responsabilidades nas áreas da saúde e assistência 
social.
• O modelo bismarckiano é semelhante aos seguros privados, em que os 
benefícios se destinam apenas aos trabalhadores mediante contribuições dos 
empregados e dos empregadores. No modelo beveredgiano, os direitos são 
universais, garantindo a todos os cidadãos benefícios mínimos e uniformes que 
não dependem de contribuições e sim da arrecadação de impostos.
• No Brasil, a proteção social evoluiu de forma semelhante aos demais países 
e, durante muito tempo, consagrou-se a expressão Montepio, que na origem 
atendia, essencialmente, servidores públicos.
66
• A Previdência Social brasileira tem como marco inicial a promulgação da Lei 
Eloy Chaves, em 1923. A partir de Getúlio Vargas o país amplia os direitos 
trabalhistas e inicia uma nova estrutura de institutos previdenciários, que 
receberia novas remodelações entre as décadas de 1960 e 1980.
• A Constituição de 1988 e a Lei 8.029/1990 são o alicerce do atual modelo 
previdenciário nacional, que está organizado sob a forma de dois regimes: 
o Regime Geral de Previdência Social (RGPS), extensivo a todo cidadão, e 
os Regimes Próprios de Previdência Social (RPPS), que são exclusivos dos 
funcionários públicos e militares.
67
AUTOATIVIDADE
1 Analise as proposições a seguir e depois marque a alternativa correta em 
relação aos princípios básicos da seguridade social.
I. Todos têm direito à seguridade social.
II. Trabalhadores rurais têm mais direitos que trabalhadores urbanos.
III. O valor dos benefícios é irredutível.
Agora, assinale a alternativa correta:
a) ( ) Somente I é proposição verdadeira.
b) ( ) Somente II é proposição verdadeira.
c) ( ) Somente I e II são proposições verdadeiras.
d) ( ) Somente I e III são proposições verdadeiras.
e) ( ) I, II e III são proposições verdadeiras.
2 Um dos princípios básicos da seguridade social é o princípio da 
universalidade da cobertura e do atendimento. Este princípio garante que:
a) Trabalhadores urbanos e rurais passam a ter os mesmos direitos.
b) Todos, indistintamente, têm direito à seguridade social.
c) O legislador seleciona as contingências sociais mais importantes e as 
distribui a um maior número de pessoas.
d) Tenha por objetivo impedir a redução do valor dos benefícios.
e) O custeio da seguridade social seja feito de forma proporcional à capacidade 
contributiva de cada um.
3 O direito à previdência é garantido pela Constituição como parte integrante 
do conjunto de ações que compõem a seguridade social. A Previdência 
Social é organizada sob a forma de regimes, que são:
a) Regime público e regime privado.
b) Regime geral de previdência social e regimes próprios de previdência social.
c) Regime aberto previdenciário e regime fechado previdenciário.
d) Saúde, previdência e assistência social.
e) Regime antigo e regime novo.
4 Analise se as proposições são verdadeiras ou falsas e depois marque a 
alternativa correta. Com relação ao sistema de seguridade social, podemos 
afirmar que:
( ) A seguridade social visa assegurar os direitos relativos à saúde, à previdência 
e à assistência social.
( ) A previdência é um sistema que, mediante contribuições, assegura a 
68
seus beneficiários meios indispensáveis de manutenção, decorrente de 
desemprego involuntário.
( ) A seguridade social não visa assegurar os direitos relativos à saúde.
( ) A previdência é um sistema que não necessita de contribuições de seus 
beneficiários.
Assinale a alternativa correta:
a) ( ) V,V,V,F
b) ( ) V,V,F,F
c) ( ) F,V,F,F
d) ( ) F,V,V,V
e) ( ) F,V,F,V.
69
TÓPICO 2
OS FUNDAMENTOS E A PREVIDÊNCIA PRIVADA
UNIDADE 2
1 INTRODUÇÃO
Vimos que a previdência social tem uma capacidade limitada para atender 
aos anseios e necessidades de renda da população. Por isso, ela precisa definir 
tetos que não alcançam renda suficiente para que as pessoas mantenham um 
padrão de vida condizente com aquele que possuíam quando estavam em plena 
atividade. Além disso, não se pode permanentemente esperar que o governo seja 
o provedor de todas as necessidades e soluções de sua população. No Brasil, para 
todo trabalho formal é obrigatório contribuir para a Previdência Social. Assim, de 
modo facultativo e complementar, podemos dispor de um mecanismo que nos 
possibilite, a partir de contribuições individuais, acumular recursos para formar 
uma reserva financeira e consequente renda adicional.
A previdência complementar, também conhecida como previdência 
privada, consiste em um sistema que permite ao cidadão guardar uma parcela 
de recursos ao longo do tempo para garantir uma renda futura melhor para si 
mesmo e sua família. Em outras palavras, é uma forma de poupança de longo 
prazo, que proporciona um melhor padrão de vida na aposentadoria, além de 
cobertura em casos de morte e invalidez. É, portanto, um seguro previdenciário 
adicional, que proporciona ao cidadão um benefício programado (aposentadoria) 
ou de risco (morte, invalidez e outros) conforme sua necessidade e sua vontade 
(PREVIDÊNCIA SOCIAL, 2016).
Ao longo de nossas vidas estamos sujeitos à possibilidade de morte 
prematura, de invalidez, ou de chegar à velhice em condição financeira desfavorável 
em relação ao tempo em que estávamos trabalhando. Os sistemas públicos 
universais de previdência e assistência social oferecem proteção para isso, mas 
com limites que nem sempre suprem as reais necessidades dos indivíduos. Por 
esse motivo, são criadas, regulamentadas e crescem em interesse as modalidades 
privadas. 
Seguindo este raciocínio, Viot (2016) comenta que a Previdência 
Complementar representa uma alternativa de poupança, de caráter exclusivamenteprivado, destinada à manutenção do poder aquisitivo, caso haja perda da 
capacidade laborativa, ou então, ela pode ser vista, simplesmente, como uma forma 
alternativa de investimento. Em linhas gerais, aquele que contrata um plano deseja 
garantir, principalmente na aposentadoria, uma renda próxima àquela que recebia 
quando estava na ativa. É importante ter em mente que, para qualquer país, a 
poupança é fundamental, pois é a origem do investimento. Para ocorrer qualquer 
investimento, a condição indispensável é que se tenha prévia ou simultaneamente 
UNIDADE 2 | A PREVIDÊNCIA E A CAPITALIZAÇÃO
70
uma poupança. É nesse contexto de formadora e mantenedora de poupanças de 
médio e de longo prazo, portanto, de grande proporcionadora de investimentos, 
que se insere a Previdência Complementar.
Uma maneira de se precaver contra o risco de não haver recursos na 
aposentadoria é guardar uma parte do salário, acumulando os recursos em fundos 
individuais, para usufruir dos valores acumulados na aposentadoria. Este é o 
princípio de funcionamento dos planos de complementação de aposentadoria. 
Assim, enquanto na previdência social brasileira tem-se um modelo de repartição 
(os contribuintes dividem a conta dos benefícios pagos e não acumulam recursos 
individuais), na previdência privada tem-se um modelo de acumulação (os 
recursos poupados são individuais e se acumulam ao longo do tempo).
Quando patrocinada pelos empregadores, a Previdência Complementar 
também se apresenta como uma excelente alternativa para a necessidade, cada 
vez mais evidente, que as empresas têm de atrair, reter e desenvolver talentos, 
capazes de trabalhar em equipe e com comprometimento. Contratar e reter bons 
funcionários passou a ser uma importante tarefa para qualquer companhia, 
visando, sobretudo, evitar uma grande rotatividade, que pode comprometer o 
seu sucesso, especialmente se a perda de qualquer um de seus colaboradores for 
para uma empresa concorrente. Nesse caso, além da perda de um funcionário 
que custou tempo e dinheiro para ser treinado. Além disso, a oxigenação dos 
colaboradores é um dos motivos mais fortes que levam as empresas a criar planos 
de Previdência Complementar. Eles tornam possível manter, ou mesmo aumentar, 
a competitividade no mercado, por intermédio da substituição dos funcionários 
mais velhos e com maior dificuldade em acompanhar padrões de produtividade 
e criatividade. Com a complementação da aposentadoria, esses funcionários mais 
antigos acabam aceitando com tranquilidade a decisão de se aposentar, uma vez 
que seu padrão de renda se manterá próximo de quando na ativa (VIOT, 2016). 
Deste modo, dentro de um conjunto de benefícios que compõem a 
remuneração total que um empregado pode ter (salário e adicionais, remuneração 
variável, plano de saúde e odontológico, bonificações etc.), o plano de Previdência 
Complementar é um dos itens mais significativos a ser considerado. Na era da 
tecnologia e do conhecimento, as pessoas passaram a ser o ativo mais importante 
das organizações. Para as empresas, máquinas e equipamentos de alta performance 
já não são suficientes. São necessárias pessoas de alta performance. E a certeza de 
uma aposentadoria digna contribui significativamente para isso.
2 HISTÓRICO DA PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR BRASILEIRA
 
De modo geral, vimos que as preocupações com a necessidade de renda 
em caso de velhice, doença ou acidente ficaram restritas às famílias ou grupos 
assistenciais e depois aos governos. Assim, a estruturação de programas de 
previdência complementares aos disponibilizados pelos governos é relativamente 
recente.
TÓPICO 2 | OS FUNDAMENTOS E A PREVIDÊNCIA PRIVADA
71
Já sabemos que algumas iniciativas, no sentido de instituir planos de 
previdência no Brasil, ocorreram no final do século XVIII e início do XIX. Os fundos 
de pensão tiveram seu marco inicial em 1904, quando surgiu a Caixa de Montepio 
dos Funcionários do Banco do Brasil, antecessora da Caixa de Previdência dos 
Funcionários do Banco do Brasil (PREVI). Ela foi criada por poucos funcionários 
do banco, com o objetivo de proporcionar aos seus dependentes o pagamento de 
uma pensão a partir de seu falecimento. Outras iniciativas de criação de fundos de 
pensão ocorreram durante a década de 1970, em face do crescimento econômico 
que ocorria no país (VIOT, 2016).
A regulamentação da previdência complementar no Brasil, em relação 
às entidades fechadas (fundos de pensão de determinadas categorias), ocorreria 
com a promulgação da Lei 6.435, de 1977, que passou a dispor sobre as 
entidades de Previdência Privada. No que diz respeito às entidades abertas, a 
regulamentação ocorreu no ano seguinte, através do Decreto-Lei 81.402/78, por 
resoluções do Conselho Nacional de Seguros Privados (CNSP) e por circulares da 
Superintendência de Seguros Privados (SUSEP). Sua normatização era inspirada 
na experiência norte-americana do Employee Retirement Income Security Act (ERISA). 
Na época, havia necessidade de regulamentação dos montepios e de canalização 
da poupança previdenciária para o desenvolvimento do mercado de capitais no 
país. Além disso, também era necessário disciplinar o funcionamento de algumas 
entidades de previdência privada ligadas ao setor estatal (VIOT, 2016; PENA, 
2008). 
Viot (2016) observa que até o início da década de 1980, os planos de 
previdência disponíveis ao público eram administrados, em sua maior parte, 
por entidades sem fins lucrativos e ligados a setores de atividades relativas ao 
funcionalismo público ou outras atividades relacionadas às profissões liberais. 
A falta de regulamentação específica e de fiscalização adequada, aliada ao 
desconhecimento e embasamento técnico-atuarial insuficiente, havia criado nos 
participantes um conjunto de frustrações em relação aos produtos adquiridos e, 
consequentemente, um descrédito em relação a esses produtos. 
Com a criação de regulamentação específica, no decorrer da década de 
1980, verificou-se a introdução de novos planos previdenciários no mercado 
e o aparecimento de administradores especializados, além de seguradoras 
que se estruturaram para operar esses produtos no mercado. Conforme Pena 
(2008), o sistema de fundos de pensão nasceu pela administração de planos de 
aposentadoria na modalidade de benefício definido em que se tem o risco atuarial. 
Nas décadas de 1980 e 1990, o sistema evoluiu para as empresas privadas e para 
os planos de contribuição definida e planos mistos, nos quais os riscos atuariais 
foram mitigados. De forma voluntária, baseado na constituição de reservas (regime 
de capitalização) e acoplado ao regime geral de previdência social, o sistema de 
previdência complementar evoluiu muito bem nos anos seguintes, passando por 
regulações quantitativas. 
UNIDADE 2 | A PREVIDÊNCIA E A CAPITALIZAÇÃO
72
Com o advento das Leis Complementares 108 e 109, de 2001, a previdência 
complementar ganhou novo impulso com o alinhamento às melhores práticas 
internacionais em termos de novos instrumentos, novos tipos de entidade de 
previdência complementar, transparência, boa gestão financeira e aperfeiçoamento 
na governança dos fundos de pensão. Após passar por relativa estagnação na 
segunda metade da década de 1990 (por conta de eventos societários das empresas 
patrocinadoras), a partir das novas leis, houve um revigoramento do sistema com 
a regulamentação dos novos mecanismos, como a portabilidade dos recursos, que 
permitiu ao trabalhador levar sua poupança previdenciária ao trocar o vínculo 
profissional, e aos investidores de planos abertos migrar de produto, conforme 
ficar conveniente (PENA, 2008).
Considerando a necessidade de reforma da Previdência Social, 
estabelecendo novos critérios para o tempo mínimo de contribuição, idade mínima 
de aposentadoria e limites para os benefícios, a previdência complementar tende a 
ganhar cada vez mais impulso e popularização. 
3 A REGULAMENTAÇÃO DA PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR
 
Do mesmo modo que ocorre com o mercado de seguros, o setor deprevidência 
complementar envolve poupança popular. Por diversas razões, mas especialmente 
por esta, as operadoras não podem simplesmente criar produtos e comercializar 
mediante critérios próprios, sem a devida regulamentação e controle do Estado.
Ao tratar da estrutura do sistema, Pena (2008) informa que ela é operada 
por entidades de Previdência Complementar, que têm por objetivo principal 
instituir e executar planos de benefícios de caráter previdenciário. Essas entidades 
são classificadas em abertas e fechadas. As chamadas Entidades Abertas de 
Previdência Complementar (EAPC) são aquelas constituídas unicamente sob a 
forma de sociedades anônimas, que têm por objetivo principal instituir planos que 
podem ter coberturas de morte, invalidez ou sobrevivência. 
A Lei Complementar 109/2001 permitiu que as sociedades seguradoras 
que operem exclusivamente no ramo de seguro de pessoas sejam autorizadas a 
comercializar planos de Previdência Complementar. Por essa razão, alguns dos 
grandes grupos seguradores mantêm, dentro de suas organizações, companhias 
com razão e objetivos sociais distintos, de forma a poder operar tanto com seguros 
de pessoas e previdência, como com seguros de ramos elementares. 
As EAPC estão subordinadas ao Ministério da Fazenda e têm suas atividades 
normatizadas e fiscalizadas pelo Conselho Nacional de Seguros Privados (CNSP) e 
a Superintendência de Seguros Privados (SUSEP). Os planos das entidades abertas 
podem ser contratados sob a forma individual ou coletiva. Os planos individuais 
são aqueles acessíveis a quaisquer pessoas físicas, enquanto os planos coletivos 
são aqueles destinados a pessoas físicas vinculadas, direta ou indiretamente, a 
uma pessoa jurídica. Neste caso, a empresa contratante pode participar ou não 
do custeio do plano, conforme disposições estabelecidas no contrato (VIOT, 2016). 
TÓPICO 2 | OS FUNDAMENTOS E A PREVIDÊNCIA PRIVADA
73
Por outro lado, as Entidades Fechadas de Previdência Complementar 
(EFPC) são aquelas organizadas sob a forma de fundação ou sociedade civil, sem 
fins lucrativos. Elas são acessíveis exclusivamente aos empregados de uma empresa 
(ou grupo de empresas) e aos servidores da União, dos estados, do Distrito Federal 
e dos municípios (chamados de patrocinadores) ou aos associados/membros 
de pessoas jurídicas de caráter profissional, classista ou setorial (chamados de 
instituidores) (VIOT, 2016).
As entidades fechadas encontram-se subordinadas ao Ministério da 
Previdência e Assistência Social e têm como órgão normativo o Conselho Nacional 
de Previdência Complementar (CNPC) e órgão fiscalizador a Superintendência 
Nacional de Previdência Complementar (PREVIC).
• A Lei Complementar 109/01 restringiu a constituição das entidades 
abertas unicamente à forma de sociedades anônimas, o que representou 
um avanço no controle e na transparência.
• A Lei Complementar 109/01 ampliou a figura do patrocinador, 
ao incluir nessa categoria a União, os estados, o Distrito Federal e os 
municípios, quando estes instituírem suas entidades de Previdência 
Complementar.
• A Lei Complementar 109/01 passou a permitir que pessoas jurídicas 
de caráter profissional, classista ou setorial (os instituidores) optem por 
criar uma entidade fechada de Previdência Complementar para seus 
associados ou membros.
• A Lei 12.154 de 2009 criou a Superintendência Nacional de Previdência 
Complementar (PREVIC), autarquia de natureza especial vinculada ao 
Ministério da Previdência Social que atua como entidade de fiscalização 
e de supervisão das atividades das entidades fechadas de Previdência 
Complementar (VIOT, 2016, p. 29).
Concluindo, Viot (2016) apresenta os fundos multipatrocinados, que foram 
criados como uma alternativa às pequenas empresas e com vistas à expansão do 
sistema previdenciário. Tais fundos, à semelhança dos fundos de pensão, são 
constituídos e administrados sob a forma de sociedade civil, sem fins lucrativos. 
Neles, é permitida a participação de empresas inteiramente distintas, porém, 
preservando as características individuais de cada plano de benefícios estabelecido, 
de forma que cada um deles se mantenha adequado à realidade de cada empresa. 
Assim, cada uma tem seu próprio estudo atuarial, o que propicia a apuração de 
custos em função do perfil demográfico de cada empresa e dos benefícios existentes 
em cada plano.
O Fundo Multipatrocinado também é uma Entidade Fechada de 
Previdência Complementar (EFPC), porém, toda a gestão do plano é terceirizada, 
feita pelo administrador de um condomínio (que reúne planos e patrocinadores 
diferentes sem solidariedade entre si). Este é o melhor veículo para empresas que 
queiram ter um plano administrado por intermédio do fundo de pensão, mas que 
não queiram se envolver no dia a dia de sua administração. Com essa alternativa, 
pequenas empresas podem enfrentar, em conjunto, os altos custos de operação e 
manutenção do fundo.
UNIDADE 2 | A PREVIDÊNCIA E A CAPITALIZAÇÃO
74
FIGURA 7 - ORGANOGRAMA DA PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR NO BRASIL
FONTE: Viot (2016, p. 31)
NOTA
A Lei Complementar 109/2001 vetou a constituição de entidades abertas sem fi ns 
lucrativos. As que existiam antes da lei continuam operando.
Previdência Complementar
Fechada Aberta
Ministério da Fazenda (MF)
Conselho nacional de seguros 
Privados (CNSP)
SUSEP
Sem fi ns 
Lucrativos
Com fi ns 
Lucrativos
EAPC e 
Sociedades 
Seguradoras
Montepios
Ministério da Previdência Social 
(MPS)
Conselho Nacional de 
Previdência Complementar 
(CNPC)
Superintendência Naciona de 
Previdência Complementar - 
PREVIC
Sem fi ns Lucrativos
Fundações - Sociedades Civis
TÓPICO 2 | OS FUNDAMENTOS E A PREVIDÊNCIA PRIVADA
75
Quanto aos aspectos tributários, considera-se que as políticas estabelecidas 
consistem em elementos-chave para o estabelecimento de um sistema de 
Previdência Privada. A possibilidade de dedução das contribuições na base de 
cálculo do Imposto de Renda devido se justifica em função dos efeitos positivos 
da formação de reservas técnicas e, consequentemente, de poupança interna e 
investimentos. Em 1995, através das Leis 9.249 e 9.250, o Governo Federal deu 
os primeiros passos no sentido de incentivar a Previdência Complementar, com 
vistas a estimular a formação de poupança de longo prazo. Essas leis previam que:
• As contribuições para as entidades de Previdência Privada 
domiciliadas no país, cujo ônus fosse do contribuinte – pessoa física –, 
destinadas a custear benefícios complementares assemelhados aos da 
Previdência Social, poderiam ser deduzidas na determinação da base de 
cálculo sujeita à incidência mensal do Imposto de Renda.
• Foi estabelecido que essas contribuições poderiam ser deduzidas, para 
a apuração da base de cálculo do imposto devido no ano-calendário, 
desde que houvesse, também, o recolhimento de contribuições para o 
Regime Geral de Previdência Social, ou para regimes próprios, devendo 
ser observado o limite de 12% do total dos rendimentos computados na 
determinação da base de cálculo do imposto devido na declaração de 
rendimentos.
• O valor das despesas com contribuições para a Previdência Privada, 
cujo ônus fosse da pessoa jurídica, poderia ser deduzido no momento 
da determinação do lucro real e da base de cálculo da contribuição 
social sobre o lucro líquido, não podendo exceder, em cada período de 
apuração, 20% do total dos salários dos empregados e da remuneração 
dos dirigentes da empresa vinculados ao plano de Previdência (VIOT, 
2016, p. 30).
 
Viot (2016) ressalva que o benefício fiscal deve ser entendido como um 
diferimento do imposto, visto que a renúncia fiscal do presente será paga no futuro, 
no momento do resgate. Além disso, somente as pessoas que utilizam o modelo 
completo de declaração anual do Imposto de Renda é que fazem jus ao diferimento 
fiscal. Em 2004, a Lei 11.053, que teve por objetivo disciplinar a tributação do Imposto 
de Renda em aplicações financeiras e Previdência Complementar, definiu novo 
critério de tributaçãopara os planos previdenciários estruturados na modalidade 
de contribuição variável e para seguros de vida com cobertura por sobrevivência. 
Esse novo critério é denominado Regime de Tributação por Alíquotas 
Decrescentes. Até então, não existia um incentivo fiscal, mas simplesmente um 
diferimento fiscal. O novo critério tributário previu que o resgate de recursos 
ou o recebimento do benefício estarão sujeitos à incidência, na fonte, e de forma 
definitiva, de Imposto de Renda calculado com base em alíquotas decrescentes, de 
acordo com o prazo de acumulação, conforme quadro a seguir.
UNIDADE 2 | A PREVIDÊNCIA E A CAPITALIZAÇÃO
76
QUADRO 4 - ALÍQUOTAS DECRESCENTES PREVISTAS NA LEI 11.053/2003
FONTE: Viot (2016, p. 80)
Em março de 2005, a Instrução Normativa Conjunta 524/05, elaborada 
pelas Secretarias da Receita Federal, de Previdência Complementar e pela 
Superintendência de Seguros Privados (SUSEP), regulamentou a contagem do 
prazo de acumulação utilizado no novo regime tributário.
Com relação à Lei 11.053/2004, Viot (2016, p. 81) sintetiza seus aspectos 
principais: 
 
• Introduz de forma facultativa a opção pelo Regime de Tributação 
por Alíquotas Decrescentes para os planos estruturados na 
modalidade de contribuição variável.
• A opção pelo regime de tributação por alíquotas decrescente é 
irretratável.
• A antecipação de 15% não se aplica aos planos de benefício 
definido.
• Condiciona a dedutibilidade das contribuições pagas à 
entidade de Previdência à contribuição para o Regime Geral da 
Previdência Social.
• No caso de o cliente contribuir para dependentes menores de 
16 anos, a dedução fica condicionada ao pagamento do INSS 
pelo cliente em seu nome.
 
Viot (2016, p. 81) continua sua análise trazendo a seguinte situação:
A Lei 11.053/2004 também alterou a forma de tributação dos saques 
antecipados dos planos enquadrados no regime de tributação antigo, 
sujeitos à tabela progressiva do IR. Nesse regime, ao sacar os recursos do 
plano, independentemente do valor, a pessoa física terá uma tributação, 
na fonte, de Imposto de Renda calculado na base de 15%, como 
antecipação do imposto devido na declaração de ajuste anual, sendo 
que as diferenças, a maior ou a menor, serão acertadas por ocasião da 
declaração anual, com base na tabela progressiva. 
A possibilidade de escolha entre dois regimes tributários fez com que as 
entidades de Previdência alterassem suas propostas de inscrição, com 
o objetivo de permitir que seus clientes fizessem a opção pelo regime 
tributário que melhor lhes conviesse no momento da contratação do 
plano.
 
Pesquisando na internet sobre simuladores de previdência privada a 
respeito de “imposto sobre previdência privada”, você poderá conhecer melhor 
as formas de tributação, suas vantagens e desvantagens. Da mesma forma, se você 
pesquisar sobre “simuladores de previdência privada” ou “cálculo de previdência 
Prazo de 
acumulação dos 
recursos*
Até 2 
anos
De 2 a 4 
anos
De 4 a 6 
anos
De 6 a 8 
anos
De 8 a 10 
anos
Acima de 
10 anos
Alíquota do 
imposto de renda 
na fonte
35% 30% 25% 20% 15% 10%
TÓPICO 2 | OS FUNDAMENTOS E A PREVIDÊNCIA PRIVADA
77
privada”, encontrará várias opções para saber mais sobre o assunto. Um corretor 
de seguros ou um especialista em previdência também poderão apresentar várias 
alternativas e simulações.
Vimos que o mercado de previdência privada ou complementar é fortemente 
regulamentado e fiscalizado pelo Governo. Isto ocorre desde o desenvolvimento 
e aprovação de produtos até a forma de tributação. Afinal de contas, trata-se de 
investimento de longo prazo e as pessoas que canalizam seus recursos para esta 
opção precisam sentir-se protegidas com relação ao futuro de suas economias.
78
RESUMO DO TÓPICO 2
Neste tópico, você aprendeu que:
• A previdência complementar ou previdência privada é um sistema que permite 
ao cidadão guardar uma parcela de recursos ao longo do tempo para garantir 
sua aposentadoria, além de possibilitar cobertura em casos de morte e invalidez.
• A previdência complementar é importante formadora de poupanças e grande 
proporcionadora de investimentos, tendo papel fundamental na economia das 
nações. Quando patrocinada pelos empregadores, é uma excelente ferramenta 
de atração e retenção de talentos.
• A regulamentação da previdência complementar no Brasil ocorreu em 1977 para 
as entidades fechadas (fundos de pensão de determinadas categorias) e em 1978 
em relação às entidades abertas. Nas décadas de 1980 e 1990, o sistema evoluiu 
para as empresas privadas e para os planos de contribuição definida e planos 
mistos.
• As Entidades Abertas de Previdência Complementar (EAPC) são constituídas 
na forma de sociedades anônimas, estão subordinadas ao Ministério da Fazenda 
e têm suas atividades normatizadas e fiscalizadas pelo Conselho Nacional de 
Seguros Privados (CNSP) e a Superintendência de Seguros Privados (SUSEP). 
• As Entidades Fechadas de Previdência Complementar (EFPC) são organizadas 
sob a forma de fundação ou sociedade civil, sem fins lucrativos. Encontram-
se subordinadas ao Ministério da Previdência e Assistência Social e têm como 
órgão normativo o Conselho Nacional de Previdência Complementar (CNPC) e 
órgão fiscalizador a Superintendência Nacional de Previdência Complementar 
(PREVIC).
• Os fundos multipatrocinados são constituídos e administrados sob a forma 
de sociedade civil, sem fins lucrativos. Neles, é permitida a participação de 
empresas distintas, porém, preservando as características individuais de cada 
plano de benefícios estabelecido. O Fundo Multipatrocinado também é uma 
Entidade Fechada de Previdência Complementar (EFPC), porém toda a gestão 
do plano é terceirizada.
• A possibilidade de dedução das contribuições com previdência complementar 
se justifica em função dos efeitos positivos da formação de reservas técnicas e, 
consequentemente, de poupança interna e investimentos.
79
AUTOATIVIDADE
1 No caso de contratação coletiva, há dois tipos de planos: o plano 
coletivo___________ é aquele em que a pessoa jurídica propõe a contratação, 
ficando investida de poderes de representação exclusivamente para contratá-
lo, sem participar do custeio do plano, enquanto o plano coletivo ___________ 
é aquele em que a pessoa jurídica propõe a contratação, ficando investida 
de poderes de representação exclusivamente para contratá-lo, participando, 
total ou parcialmente, do custeio do plano.
Marque a alternativa que preenche corretamente as lacunas.
a) ( ) Aberto/fechado
b) ( ) Fechado/aberto
c) ( ) Averbado/instituído
d) ( ) Instituído/averbado
e) ( ) Contributário/não contributário
2 Analise se as proposições são verdadeiras ou falsas em relação às Entidades 
de Previdência Complementar.
( ) São classificadas em abertas e fechadas.
( ) As entidades abertas são constituídas sob a forma de sociedade anônima.
( ) Os planos das entidades abertas podem ser individuais ou coletivos.
( ) As entidades fechadas são organizadas sob a forma de fundação ou 
sociedade civil.
Agora, assinale a alternativa correta:
a) ( ) V,F,V,V
b) ( ) V,F,F,F
c) ( ) V,V,V,V
d) ( ) F,F,V,V
e) ( ) F,V,V,F.
3 O órgão fiscalizador das entidades abertas de Previdência Complementar é 
o(a):
a) Conselho Nacional de Seguros Privados-CNSP.
b) Superintendência Nacional de Previdência Complementar-PREVIC.
c) Conselho Nacional de Previdência Complementar-CNPC.
d) Banco Central do Brasil-BACEN.
e) Superintendência de Seguros Privados-SUSEP.
4 As entidades Abertas de Previdência Complementar-EAPC podem 
comercializar:
80
a) Somente planos individuais.
b) Somente planos coletivos averbados.
c) Planos individuais ou coletivos.
d) Somente planos coletivos instituídos.
e) Somente planos coletivos, sejam eles averbados ou instituídos.
81
TÓPICO 3
PLANOS DE PREVIDÊNCIA PRIVADA ABERTA
UNIDADE 2
1 INTRODUÇÃO
Em nosso estudo nos concentraremos nos planos de Entidades Abertas de 
Previdência Complementar (EAPC). Eles são estruturadoscom a finalidade de 
conceder benefícios a pessoas físicas, vinculadas ou não a uma pessoa jurídica, 
que preencham as condições estabelecidas para participação no plano. Podem 
oferecer, isoladamente ou em conjunto, coberturas de morte e/ou invalidez total 
e permanente e/ou cobertura por sobrevivência. Os planos com cobertura por 
sobrevivência têm por objetivo conceder ao próprio participante que sobreviver 
ao prazo de diferimento contratado o recebimento de um benefício à vista ou sob 
a forma de renda. Em contrapartida, os planos com cobertura de morte têm por 
objetivo conceder um benefício, à vista ou sob a forma de renda, aos beneficiários 
indicados, em decorrência da morte do participante ocorrida durante o período de 
cobertura, desde que tenha sido cumprido o período de carência estabelecido pelo 
plano, se houver (VIOT, 2016).
Os planos com cobertura de invalidez total e permanente têm por objetivo 
conceder um benefício, à vista ou sob a forma de renda, ao próprio participante, 
em decorrência de sua invalidez total e permanente, ocorrida durante o período de 
cobertura, desde que tenha sido cumprido o período de carência estabelecido pelo 
plano, se houver.
Independentemente do tipo de cobertura, os planos podem ser contratados 
de forma individual (qualquer pessoa física) ou coletiva (pessoas físicas vinculadas, 
direta ou indiretamente, a uma pessoa jurídica contratante). A vinculação indireta 
refere-se exclusivamente ao caso de contratação por uma associação representativa 
de pessoas jurídicas, envolvendo pessoas físicas vinculadas a suas filiadas. O 
plano coletivo deverá estar disponível, obrigatoriamente, a todos os componentes 
do grupo que mantenham vínculo jurídico de mesma natureza com a instituidora/
averbadora. No entanto, a adesão é facultativa, podendo ser admitidos como 
participantes o cônjuge, o companheiro, os filhos e os enteados menores 
considerados dependentes econômicos do componente do grupo (VIOT, 2016). O 
mesmo autor ainda (p. 39) acrescenta que nas contratações coletivas existem dois 
tipos de planos:
• Plano coletivo averbado – plano em que a pessoa jurídica propõe 
a contratação, ficando investida de poderes de representação 
exclusivamente para contratá-lo, sem participar do custeio do plano. 
Nesse caso, a pessoa jurídica é denominada averbadora.
82
UNIDADE 2 | A PREVIDÊNCIA E A CAPITALIZAÇÃO
• Plano coletivo instituído – plano em que a pessoa jurídica propõe 
a contratação, ficando investida de poderes de representação 
exclusivamente para contratá-lo, participando, total ou parcialmente, 
do custeio do plano. Nesse caso, a pessoa jurídica é denominada 
instituidora.
As coberturas dos planos de Previdência Complementar Aberta, de acordo 
com Viot (2016), estão estruturadas na forma de benefício definido ou na forma de 
contribuição variável. Na cobertura estruturada na forma de benefício definido, o 
respectivo valor é pago de uma única vez ou sob a forma de renda e os valores de 
contribuição são estabelecidos previamente na proposta de inscrição.
Na cobertura estruturada na modalidade de contribuição variável, o valor 
e o prazo de pagamentos das contribuições podem ser definidos previamente na 
proposta de inscrição. O valor do benefício (pagável de uma única vez ou sob a 
forma de renda) será calculado ao final do período de diferimento, com base no 
saldo acumulado na provisão matemática de benefícios a conceder e no fator de 
cálculo (VIOT, 2016).
Como vimos, os planos previdenciários têm por objetivo garantir ao 
participante (ou seus beneficiários) uma indenização (pecúlio) em caso de um 
infortúnio, como a morte ou a invalidez, ou uma renda, em caso de envelhecimento, 
perda ou redução da capacidade laboral. Com relação aos prazos ou períodos de 
recebimento dos benefícios, torna-se importante conhecer as seguintes expressões:
Para as coberturas por sobrevivência:
 
• Período de diferimento é aquele compreendido entre a data de início 
de vigência da cobertura por sobrevivência e a data prevista no contrato 
para início do pagamento do benefício. Em outras palavras, corresponde 
ao período de contribuição do participante.
• Período de pagamento do benefício é aquele em que o assistido fará 
jus ao recebimento do benefício sob a forma de renda, podendo ser 
vitalício ou temporário.
• Período de cobertura é o prazo correspondente aos períodos de 
diferimento e/ou de pagamento de benefício, sob a forma de renda.
IMPORTANT
E
• As coberturas de morte e invalidez total e permanente são sempre estruturadas 
na modalidade de benefício definido. A cobertura por sobrevivência também pode ser 
estruturada nessa modalidade.
• Na modalidade de contribuição variável só pode ser estruturada a cobertura por sobrevivência. 
• O fator de cálculo é utilizado para a obtenção do benefício a ser pago sob a forma de renda. 
É calculado mediante a utilização de taxa de juros e da tábua biométrica prevista no plano.
TÓPICO 3 | PLANOS DE PREVIDÊNCIA PRIVADA ABERTA
83
Para as coberturas de morte e invalidez:
• Período de cobertura é aquele durante o qual o participante (no caso 
de invalidez) ou os beneficiários (no caso de morte do participante) 
farão jus aos benefícios contratados.
• Período de pagamento do benefício é aquele em que o assistido fará 
jus ao recebimento do benefício sob a forma de renda, podendo ser 
vitalício ou temporário (VIOT, 2016, p. 42).
A contratação de qualquer plano de Previdência Complementar Aberta 
se dará mediante preenchimento e assinatura de uma Proposta de Inscrição que 
será protocolada, analisada e aceita (ou não). A Entidade Aberta de Previdência 
Complementar (EAPC) poderá fixar limites mínimo e máximo de idade; exigir 
comprovação de renda; declaração de saúde, relatórios ou exames médicos, perícia 
médica, entre eventuais outros critérios de aceitação. Em se tratando de menor de 
idade, este terá que ser assistido pelos pais ou responsáveis, na forma da lei. O 
prazo máximo de análise da proposta é de 15 (quinze) dias. Não havendo recusa 
ou solicitação formal de outros documentos dentro deste prazo, a proposta terá 
aceitação automática. Uma vez aceita a proposta, será emitido o Certificado do 
Participante. 
Conforme Viot (2016), chama-se contribuição o valor correspondente 
aos aportes feitos pelo participante para custeio do plano. Nos planos em que 
sejam oferecidas diversas coberturas, deverão ser discriminados, na proposta de 
inscrição, no certificado de participante, no extrato e nos documentos de cobrança, 
os valores destinados ao custeio de cada uma das coberturas contratadas. O 
valor e a periodicidade de pagamento das contribuições poderão ser definidos 
na proposta de inscrição, sendo facultado ao participante, no caso de cobertura 
por sobrevivência estruturada na modalidade de contribuição variável, efetuar 
pagamentos adicionais a qualquer tempo. Entretanto, a EAPC pode estabelecer 
limites máximos de valor para os aportes extraordinários. 
Nos planos coletivos instituídos, o documento de cobrança deverá 
discriminar os valores a serem pagos pela instituidora e pelos participantes, 
quando for o caso. Sob sua exclusiva responsabilidade perante os participantes, a 
EAPC poderá delegar à instituidora/averbadora o recolhimento das contribuições, 
ficando esta responsável pelo repasse das contribuições, nos prazos contratualmente 
estabelecidos. Entretanto, a ausência de repasse à EAPC de contribuições de 
responsabilidade de participantes, recolhidas pela instituidora/averbadora, não 
poderá prejudicá-los em relação a seus direitos. Quando a cobertura contratada 
for estruturada na modalidade de benefício definido e custeada integralmente 
pela instituidora, o não pagamento de contribuição ensejará o cancelamento 
da cobertura, respondendo a EAPC pelo pagamento dos benefícios cujo evento 
gerador venha a ocorrer até a data da formalização do cancelamento (VIOT, 2016).
Os chamados Valores Garantidos, segundo Viot (2016), representam direitos 
dos participantes e/ou dos beneficiários,previstos em determinadas modalidades 
de planos. Nos planos com cobertura por sobrevivência é obrigatória a previsão de 
dois valores garantidos: resgate e portabilidade. O resgate corresponde ao direito 
84
UNIDADE 2 | A PREVIDÊNCIA E A CAPITALIZAÇÃO
que os participantes (ou quando possível os beneficiários) têm de, durante o período 
de diferimento (observadas determinadas regras) retirar os recursos da provisão 
matemática de benefícios a conceder. Já a portabilidade é o direito garantido aos 
participantes de, durante o período de diferimento (observadas determinadas 
regras), movimentar os recursos da provisão matemática de benefícios a conceder 
para outros planos.
2 OS PLANOS DE SOBREVIVÊNCIA
Neste item, veremos quais são os tipos de planos existentes que tenham 
como característica principal a cobertura por sobrevivência. Num primeiro 
momento, os planos se mostram distintos pelas suas características no período de 
acumulação de recursos, ou seja, o período de diferimento.
O primeiro e mais popular entre todos é o Plano Gerador de Benefício 
Livre (PGBL). Ele é um produto do tipo unit link (unidade de conta), onde se vincula 
a acumulação de recursos de uma conta individual à performance de um fundo 
de investimento financeiro especialmente constituído (FIE) sem qualquer tipo de 
garantia de rentabilidade (sobre a provisão matemática de benefícios a conceder 
durante a fase de acumulação). Como sempre são estruturados na modalidade de 
contribuição variável, o participante pode fazer aportes variáveis de acordo com 
sua conveniência, respeitando apenas o eventual limite máximo que a EAPC tenha 
estabelecido no seu regulamento.
 
Importante observar que, com a regulamentação do PGBL, o participante 
passou a contar com transparência no cálculo e na divulgação da rentabilidade 
de cada plano, idêntica à do respectivo FIE em que foi aplicado o montante das 
contribuições. Isso permite o acompanhamento diário da rentabilidade dos diversos 
fundos e a comparação de rentabilidade entre os tipos de PGBL, apresentados a 
seguir:
• PGBL soberano: neste tipo, a carteira de investimentos do FIE é 
composta unicamente por títulos de emissão do Tesouro Nacional e/ou 
do Banco Central do Brasil e créditos securitizados do Tesouro Nacional.
• PGBL renda fixa: neste tipo, a carteira de investimentos do FIE é 
composta por títulos de emissão do Tesouro Nacional e/ou do Banco 
Central do Brasil, por créditos securitizados do Tesouro Nacional e por 
investimentos de renda fixa, nas modalidades e dentro dos critérios da 
regulamentação vigente.
• PGBL composto: neste tipo, a carteira de investimentos do FIE admite 
investimentos em renda variável de, no máximo, 49% do seu patrimônio 
líquido, sendo admissível o estabelecimento de percentual mínimo de 
aplicação em renda variável (VIOT, 2016, p. 56).
No que diz respeito às principais características dos planos previdenciários 
por sobrevivência, Viot (2016) sintetiza que:
• O Plano com Remuneração Garantida e Performance (PRGP) tem como 
característica garantir aos participantes, durante o período de diferimento, 
TÓPICO 3 | PLANOS DE PREVIDÊNCIA PRIVADA ABERTA
85
remuneração por meio da contratação de índice de atualização de valores e de 
taxa de juros, e a reversão, parcial ou total, de resultados financeiros.
• O Plano com Atualização Garantida e Performance (PAGP) tem como 
característica garantir aos participantes, durante o período de diferimento, por 
meio da contratação de índice de preços, apenas a atualização de valores e a 
reversão, parcial ou total, de resultados financeiros.
• O Plano com Remuneração Garantida e Performance sem Atualização (PRSA) 
tem como característica garantir aos participantes, durante o período de 
diferimento, remuneração por meio da contratação de taxa de juros e a reversão, 
parcial ou total, de resultados financeiros e sempre estruturados na modalidade 
de contribuição variável.
• O Plano de Renda Imediata (PRI) garante, mediante contribuição única, o 
pagamento do benefício por sobrevivência, sob a forma de renda imediata. 
Finalmente, os chamados Planos Tradicionais são os planos com cobertura por 
sobrevivência, estruturados na forma de benefício definido ou de contribuição 
variável, com a característica de garantirem, durante a fase de acumulação 
dos recursos (período de diferimento), algum tipo de remuneração mínima 
garantida (normalmente IGPM + 6% a.a.). Além disso, era comum nesses planos 
a possibilidade de reversão de resultados financeiros (excedentes) durante a 
fase de acumulação e/ou de pagamento do benefício sob a forma de renda.
QUADRO 5 - PLANOS DE PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR ABERTA 
DURANTE A FASE DE ACUMULAÇÃO
FONTE: Viot (2016, p. 57)
Plano Modalidade
Período de Acumulação dos Recursos - Período de Diferimento
Remuneração (Taxa 
de Juros)
Atualização 
(Índice de 
Preços)
Reversão de Resultados 
Financeiros
PGBL CV Baseada na 
rentabilidade da 
carteira do FIE em 
que estão aplicados os 
recursos
Não há Não há, pois a totalidade 
da rentabilidade 
é repassada ao 
participante
PRGP CV ou BD Contratada até 6% a.a. Com base em 
índice de preços 
contratados
é obrigatória, com 
base em percentual 
contratado
PAGP CV ou BD Não há Com base em 
índice de precos 
contratados
é obrigatória, com 
base em percentual 
contratado
PRSA CV Contratada até 6% a.a. Não há é obrigatória, com 
base em percentual 
contratado
Planos 
Tradicionais
CV ou BD Contratada até 6% a.a. Com base em 
índice de precos 
contratados
Pode ser prevista
CV - Contribuição Variável.
BD - Benefício Definido
86
UNIDADE 2 | A PREVIDÊNCIA E A CAPITALIZAÇÃO
Encerrada a fase de acumulação de recursos (período de diferimento), o 
participante pode optar por receber (à vista) o saldo que foi acumulado em sua 
provisão matemática de benefícios a conceder ou transformá-la em algum tipo de 
renda. Se for esta a sua opção, o valor da renda é calculado em função da idade, 
da modalidade de renda escolhida e dos parâmetros técnicos do plano contratado 
(taxa de juros e tábua biométrica). De acordo com Viot (2016, p. 58), as principais 
modalidades de renda são:
• Renda Mensal Vitalícia – consiste em uma renda mensal a ser paga 
vitalícia e exclusivamente ao participante a partir da data escolhida para 
concessão do benefício. O pagamento da renda cessa com a morte do 
participante.
• Renda Mensal Temporária – consiste em uma renda mensal a ser 
paga temporária e exclusivamente ao participante, cessando com o seu 
falecimento ou com o fim da temporariedade contratada, o que ocorrer 
primeiro.
• Renda Mensal Vitalícia com Prazo Mínimo Garantido – consiste 
em uma renda paga vitaliciamente ao participante a partir da data 
escolhida para concessão do benefício. No entanto, se durante o período 
de percepção da renda ocorrer o falecimento do participante, antes de 
ter completado o prazo mínimo de garantia escolhido, a renda será paga 
aos beneficiários pelo período restante do prazo mínimo de garantia.
• Renda Mensal Vitalícia Reversível ao Beneficiário Indicado – consiste 
em uma renda mensal paga vitaliciamente ao participante a partir da 
data escolhida para concessão do benefício. Ocorrendo o falecimento 
do participante, durante a percepção dessa renda, um percentual do 
seu valor estabelecido na proposta será revertido vitaliciamente ao 
beneficiário indicado. Na hipótese de falecimento do beneficiário, 
antes do participante e durante o período de percepção da renda, a 
reversibilidade da renda estará extinta, sem direito a compensações ou 
devoluções dos valores pagos.
• Renda Mensal Vitalícia Reversível ao Cônjuge com Continuidade 
aos Menores – consiste em uma renda mensal paga vitaliciamente ao 
participante a partir da data escolhida para concessão do benefício. 
Ocorrendo o falecimento do participante durante a percepção dessa 
renda, um percentual do seu valor estabelecido na proposta será 
revertido vitaliciamente ao cônjuge e, na falta deste, será reversível 
temporariamente aos menores até queo mais novo complete uma idade 
para maioridade estabelecida no regulamento do plano.
• Renda Mensal por Prazo Certo – consiste em uma renda mensal a 
ser paga por um prazo preestabelecido ao participante/assistido. O 
participante indicará na proposta de inscrição o prazo máximo, contado 
a partir da data de concessão do benefício, em que será efetuado o 
pagamento da renda. Se, durante o período de pagamento do benefício, 
ocorrer o falecimento do participante/assistido antes da conclusão do 
prazo indicado, o benefício será pago ao beneficiário (ou beneficiários), 
na proporção de rateio estabelecida, pelo período restante do prazo 
determinado. O pagamento da renda cessará com o término do prazo 
estabelecido. 
Enquanto que nos seguros de vida o risco garantido é a morte (quando a 
indenização a ser paga deverá prover recursos aos dependentes financeiros do 
segurado), nos planos de previdência o risco é a sobrevivência do participante 
(quando a entidade irá pagar o recurso acumulado à vista ou prover renda durante 
determinado período). Quanto maior a sobrevida, maior o período de necessidade 
TÓPICO 3 | PLANOS DE PREVIDÊNCIA PRIVADA ABERTA
87
de renda. Deste modo, quando o participante optar pelo recebimento de renda, 
existirão quatro importantes fatores que irão influenciar o valor a ser auferido 
mensalmente: os parâmetros técnicos; as taxas de administração; a modalidade de 
renda e a idade da aposentadoria e o montante acumulado.
Em síntese, a renda a ser auferida será calculada em função da idade do 
participante, da modalidade de renda escolhida e dos parâmetros técnicos do 
plano contratado, que são a taxa de juros e a tábua biométrica (também conhecidas 
como tábuas de mortalidade). Com relação à taxa de juros, a regulamentação 
estabelece que, no período (ou períodos) em que houver garantia mínima de 
remuneração, a taxa de juros contratualmente prevista deverá respeitar o limite 
fixado pela SUSEP, observado o máximo de 6% a.a., ou seu equivalente efetivo 
mensal. A regulamentação também estabelece que a tábua biométrica a ser 
utilizada para cálculo do fator de renda será aquela definida no plano que foi 
submetido à aprovação da SUSEP, devendo ser observado o limite máximo da 
taxa de mortalidade da tábua AT-1983 Male (VIOT, 2016).
Viot (2016) observa que a regulamentação impõe limites, tanto para 
a taxa de juros quanto para a tábua biométrica, que podem ser utilizados na 
estruturação de um plano de Previdência Complementar Aberta com cobertura 
por sobrevivência. Esse cuidado decorre do risco que a EAPC tem no caso de uma 
melhora na expectativa de vida e/ou de uma redução dos juros reais. Quanto maior 
a expectativa de vida, maior a probabilidade de pagamentos por longos períodos. 
E quanto menor a taxa de juros real, menor a rentabilidade da EAPC sobre os 
recursos acumulados que serão necessários para fazer frente a tais pagamentos. 
Esse eventual desequilíbrio, sem limites preestabelecidos, poderia comprometer 
a saúde financeira da EAPC e, por consequência, o recebimento dos benefícios 
pelos participantes e/ou beneficiários. Como as tábuas biométricas mais recentes 
refletem o aumento da expectativa de vida, o comparativo a seguir mostra a 
diferença de valores que teriam que ser acumulados (conforme a tábua a ser usada 
para o cálculo) para fazer frente a uma determinada renda vitalícia. 
QUADRO 6 - PROVISÃO EM FUNÇÃO DA TÁBUA BIOMÉTRICA E DA TAXA DE JUROS
FONTE: Viot (2016, p. 59)
Provisão matemática de benefícios a conceder necessária para pagar R$ 1.000,00 de renda 
mensal vitalícia a uma pessoa de 60 anos de idade
AT-49 Male AT-83 Male AT-2000 Male
0% a.a. 221.106,41 270.785,15 294.501,79
1% a.a. 197.774,71 237,759,15 256.268,96
2% a.a. 178.158,84 210.663,01 225.266,37
3% a.a. 161.542,31 188.222,50 199.866,59
4% a.a. 147.366,02 169.470,62 178.851,57
5% a.a. 135.188,36 156.666,98 161.300,96
6% a.a. 124.659,13 140.239,90 146.512,99
88
UNIDADE 2 | A PREVIDÊNCIA E A CAPITALIZAÇÃO
A maioria dos planos de Previdência possui, ao menos, duas taxas de 
administração. A taxa de carregamento, que incide sobre as contribuições e cobre 
as despesas administrativas, tais como envio de extratos, manutenção de uma 
central de atendimento, contabilidade. A taxa de administração de ativos incide 
sobre o patrimônio do fundo e cobre despesas com a administração dos recursos. 
Com relação à modalidade de renda escolhida e seus reflexos sobre o valor a ser 
recebido, Viot (2016, p. 60) apresenta o seguinte exemplo: um homem com 60 anos 
possui cônjuge com 58 anos e um filho de 10 anos. Supondo que esse homem 
tivesse um plano de Previdência (as bases técnicas do plano são AT-2000 e 3% 
a.a.) com saldo acumulado de R$ 1.000.000,00 e desejasse simulações em várias 
das modalidades de renda, receberia os resultados a seguir, que demonstram as 
diferenças em função dos compromissos que a EAPC teria que assumir com os 
beneficiários, conforme a opção escolhida:
a) Renda mensal vitalícia apenas para o participante: R$ 5.141,30.
b) Renda mensal vitalícia ao participante e reversível 100% ao cônjuge: R$ 4.255,38.
c) Renda mensal vitalícia ao participante, reversível 100% ao cônjuge com 
continuidade de 100% aos menores: R$ 4.240,64.
d) Renda mensal vitalícia ao participante com prazo mínimo garantido de 15 anos: 
R$ 4.871,03.
e) Renda mensal temporária de 15 anos ao participante: R$ 7.439,24.
Finalmente, é evidente que quanto maior o montante acumulado até o 
momento da aposentadoria, maior será o valor do benefício. Assim, Viot (2016) 
chama atenção para a importância de os participantes ficarem atentos aos custos 
envolvidos na contratação do plano, bem como na rentabilidade auferida pelo 
plano durante a fase de acumulação. Quanto menores os custos de administração 
do plano, maior será a parcela da contribuição destinada à formação da provisão 
matemática de benefícios a conceder. Também terá forte influência no total a ser 
acumulado o perfil do plano escolhido (apenas renda fixa ou com renda variável 
etc.) e a rentabilidade do respectivo fundo de investimento. Os simuladores de 
previdência privada, disponíveis na internet ou a assessoria de um especialista 
poderão demonstrar diferenças com relação aos produtos existentes no mercado. 
Quanto ao primeiro dos valores que são garantidos no período de 
contribuição, o participante poderá solicitar, independentemente do número de 
contribuições pagas, resgate parcial ou total de recursos do saldo da provisão 
matemática de benefícios a conceder, após o cumprimento de período de carência, 
que deverá estar compreendido entre 60 dias e 24 meses, a contar da data de 
protocolo da proposta de inscrição na EAPC. 
Outro valor garantido é a portabilidade. Independentemente do número 
de contribuições pagas, o participante poderá solicitar a portabilidade, total ou 
parcial, para outro plano de Previdência Complementar, de recursos do saldo da 
provisão matemática de benefícios a conceder, após o cumprimento do período 
de carência a contar da data de protocolo da proposta de inscrição na EAPC. Não 
poderão ser solicitadas portabilidades com intervalo inferior a 60 dias, exceto 
TÓPICO 3 | PLANOS DE PREVIDÊNCIA PRIVADA ABERTA
89
quando se tratar de portabilidades entre planos de Previdência com cobertura 
por sobrevivência da mesma EAPC, quando poderão ser estabelecidos períodos 
inferiores (VIOT, 2016).
3 OS PLANOS DE RISCOS
Os planos com cobertura de risco incluem as garantias de morte e/ou 
invalidez total e permanente. As coberturas de morte têm por objetivo conceder 
um benefício (à vista ou sob a forma de renda) aos beneficiários indicados, em 
decorrência da morte do participante ocorrida durante o período de cobertura, 
desde que tenha sido cumprido o período de carência estabelecido pelo plano, se 
houver. Já os planos com cobertura de invalidez total e permanente têm por objetivo 
conceder um benefício (à vista ou sob a forma de renda) ao próprio participante, 
em decorrência de sua invalidez totale permanente ocorrida durante o período de 
cobertura, desde que tenha sido cumprido o período de carência estabelecido pelo 
plano, se houver.
De acordo com Viot (2016), é comum, nos planos com cobertura de 
morte e/ou de invalidez total e permanente, o estabelecimento de período de 
carência. Esse período é contado a partir da data de início de vigência e durante o 
mesmo não existe cobertura em caso de ocorrência do evento gerador (morte ou 
invalidez total e permanente). Portanto, se o sinistro ocorrer dentro do período 
de carência, o participante ou seus beneficiários não terão direito a receber os 
benefícios contratados. O período de carência, quando existir, será fixado na nota 
técnica atuarial e no regulamento do plano, não podendo ser maior que dois 
anos. Entretanto, a critério da EAPC, o período de carência pode ser dispensado, 
mediante declaração pessoal de saúde ou exame médico. O período de carência 
também deixará de ser considerado se a morte ou invalidez total e permanente for 
causada por acidente.
Viot (2016, p. 71-72, grifos do original) apresenta os principais planos de 
riscos existentes no mercado brasileiro, iniciando pelos que pagam benefícios por 
invalidez:
Plano de Renda por Invalidez
Esse plano tem por objetivo a concessão de renda mensal vitalícia ao 
próprio participante, em decorrência de sua invalidez total e permanente 
NOTA
“Entende-se como invalidez total e permanente aquela para a qual não se pode 
esperar a recuperação ou reabilitação com os recursos terapêuticos disponíveis no momento 
de sua constatação” (VIOT, 2016, p. 71).
90
UNIDADE 2 | A PREVIDÊNCIA E A CAPITALIZAÇÃO
ocorrida durante o período de cobertura e após cumprido o período de 
carência estabelecido em cada plano.
Ocorrendo o falecimento do participante, antes ou após a concessão 
da renda por invalidez, o benefício ficará automaticamente cancelado, 
sem que seja devida qualquer devolução ou indenização de qualquer 
natureza.
Plano de Renda por Invalidez com Prazo Mínimo Garantido
Esse plano tem por objetivo a concessão de renda mensal vitalícia, com 
prazo mínimo garantido, ao próprio participante, em decorrência de sua 
invalidez total e permanente, ocorrida durante o período de cobertura e 
após cumprido o período de carência estabelecido em cada plano.
Ocorrendo falecimento do participante após o início do recebimento do 
benefício e antes do término do prazo mínimo garantido, a renda será 
revertida ao(s) beneficiário(s) indicado(s), na proporção estabelecida 
pelo participante, até que se esgote o referido prazo.
Havendo mais de um beneficiário e ocorrendo o falecimento de 
qualquer um, a renda será rateada proporcionalmente à participação 
dos remanescentes pelo número de meses faltantes para completar o 
prazo mínimo garantido.
Se não houver beneficiários remanescentes, a renda será paga aos 
sucessores legítimos, na forma da lei, até o término do prazo mínimo 
garantido, podendo a EAPC quitar os benefícios futuros em uma única 
parcela.
Ocorrendo falecimento do participante antes da concessão da renda 
por invalidez com prazo mínimo garantido ou após o término do 
prazo mínimo garantido, o benefício será automaticamente cancelado, 
sem que seja devida qualquer devolução ou indenização de qualquer 
natureza.
Plano de Pecúlio por Invalidez
O objetivo desse plano é a concessão de um pecúlio ao próprio 
participante, em decorrência de sua invalidez total e permanente 
ocorrida durante o período de cobertura e após cumprido o 
período de carência estabelecido em cada plano.
Entretanto, existem situações em que o regulamento do plano pode prever 
situações em que o benefício por invalidez total e permanente não será devido. 
Seguem algumas das situações comumente estabelecidas nos regulamentos. Não é 
devido o benefício de invalidez total e permanente quando:
• A invalidez total e permanente do participante decorrer de 
doença, lesão ou sequelas preexistentes à contratação do plano, 
não declaradas na proposta de inscrição e comprovadamente de 
conhecimento do participante ou decorrente de evento gerador 
ocorrido durante o período de suspensão da cobertura por 
inadimplência, quando for o caso.
• A invalidez total e permanente do participante for consequência:
o do uso de material nuclear para quaisquer fins, incluindo a 
explosão nuclear provocada ou não, bem como a contaminação 
radioativa ou exposição a radiações nucleares ou ionizantes;
o de atos ou operações de guerra, declarada ou não, de guerra 
química ou bacteriológica, de guerra civil, de guerrilha, de 
revolução, agitação, motim, revolta, sedição, sublevação ou 
TÓPICO 3 | PLANOS DE PREVIDÊNCIA PRIVADA ABERTA
91
outras perturbações de ordem pública e delas decorrentes;
o direta ou indireta de quaisquer alterações mentais consequentes 
do uso do álcool, de drogas, de entorpecentes ou de substâncias 
tóxicas;
o de furacões, ciclones, terremotos, maremotos, erupções 
vulcânicas e outras convulsões da natureza;
o de ato reconhecidamente perigoso, que não seja motivado por 
necessidade justificada e da prática, por parte do participante, de 
atos ilícitos ou contrários à lei;
o de qualquer tipo de hérnia e suas consequências;
o de perturbações e intoxicações alimentares de qualquer espécie, 
bem como de intoxicações decorrentes da ação de produtos 
químicos, drogas ou medicamentos, salvo quando prescritos por 
médico, em decorrência de acidente coberto;
o de tentativa de suicídio nos primeiros 24 meses de vigência do 
contrato; e
o choque anafilático e suas consequências (VIOT, 2016, p. 72-73).
 
Apesar de as situações acima serem comuns nos planos de invalidez total 
e permanente, não se considera como risco excluído a invalidez do participante 
decorrente da utilização de meio de transporte mais arriscado, da prestação de 
serviço militar, da prática de esporte ou de atos de humanidade em auxílio de 
outrem. Com relação aos planos que pagam benefício por morte, Viot (2016, p. 74-
75, grifos do original) destaca:
Plano de Pensão ao Cônjuge ou Companheiro(a)
Esse plano tem por objetivo a concessão de uma renda mensal vitalícia 
ao cônjuge ou companheiro(a), em decorrência da morte do participante, 
ocorrida durante o período de cobertura e após cumprido o período de 
carência estabelecido em cada plano.
O participante indicará, nominalmente, na proposta de inscrição, 
somente um beneficiário para esse benefício, que deverá ser o cônjuge 
ou companheiro(a) legalmente reconhecido(a).
Caso o beneficiário venha a falecer antes do participante ou 
perca a condição de cônjuge ou companheiro(a), o benefício será 
automaticamente cancelado.
Caso o beneficiário venha a falecer após o início da percepção do 
benefício, este será extinto.
O participante poderá alterar, por escrito, o beneficiário anteriormente 
indicado, mediante recálculo, se for o caso, das respectivas contribuições.
No caso de o participante indicar outra pessoa que não seja o cônjuge ou 
companheiro(a), não reconhecida legalmente, tal pessoa não terá direito 
ao benefício contratado.
Plano de Pensão aos Menores
O objetivo desse plano é a concessão de uma renda mensal temporária 
aos beneficiários indicados, menores de 21 anos, na condição de filhos 
ou dependentes econômicos, em decorrência de morte do participante 
ocorrida durante o período de cobertura e após cumprido o período de 
carência estabelecido em cada plano.
O participante indicará, nominalmente, na proposta de inscrição, um 
ou mais menores de 21 anos, na condição de filho ou dependente 
econômico para fins de imposto de renda.
92
UNIDADE 2 | A PREVIDÊNCIA E A CAPITALIZAÇÃO
O participante poderá alterar, por escrito, os beneficiários anteriormente 
indicados, mediante recálculo, se for o caso, das respectivas 
contribuições.
Caso todos os beneficiários venham a falecer antes do participante 
ou tenham atingido a idade de 21 anos antes da ocorrência do evento 
gerador, o benefício estará automaticamente cancelado sem que seja 
devida qualquer devolução ou indenização de qualquernatureza.
Caso o participante, no momento da contratação do benefício ou da 
proposta de inscrição, venha a indicar como beneficiário outra pessoa 
menor de 21 anos, que não seja filho ou dependente econômico para fins 
de imposto de renda, tal pessoa não terá direito ao benefício contratado.
Plano de Pensão por Prazo Certo
O objetivo desse plano é a concessão de uma renda mensal por prazo 
certo ao(s) beneficiário(s) indicado(s), em decorrência da morte do 
participante ocorrida durante o período de cobertura e após cumprido 
o período de carência estabelecido em cada plano.
Estando os beneficiários em fase de recebimento do benefício, 
quando um deles falecer, será realizado um novo rateio de benefício, 
proporcionalmente à participação dos beneficiários remanescentes.
Não havendo beneficiários remanescentes, a renda será paga aos 
sucessores legítimos na forma da lei.
Com o término do prazo certo, extingue-se o benefício, desobrigando-se 
a EAPC do pagamento de quaisquer valores.
Plano de Pecúlio
O objetivo desse plano é a concessão de um pecúlio ao(s) beneficiário(s) 
indicado(s), em decorrência da morte do participante ocorrida durante o 
período de cobertura, após cumprido o período de carência estabelecido 
em cada plano.
Em síntese, vimos que os planos de previdência complementar possuem 
muitas variações e alternativas. Eles podem contemplar apenas a preservação da 
renda após certa idade (planos de sobrevivência), como também podem prever 
benefícios para o titular, em caso de invalidez, ou para os seus dependentes em caso 
de morte (planos de risco). Vimos também que, além de definir quais as garantias 
que deseja, o contratante precisa questionar e avaliar outras variáveis importantes, 
tais como: a forma de remuneração do capital, a taxa de administração do gestor, 
a tábua biométrica ou de mortalidade do plano e o tratamento tributário. São 
análises relativamente complexas e, por isso, o interessado precisa buscar apoio e 
orientação dos especialistas em previdência, sejam eles funcionários das entidades, 
dos bancos ou corretores de seguros. 
93
RESUMO DO TÓPICO 3
Neste tópico, você aprendeu que:
• As coberturas dos planos de Previdência Complementar Aberta estão 
estruturadas na forma de benefício definido ou na forma de contribuição 
variável.
• A contratação de qualquer plano de Previdência Complementar Aberta se dará 
mediante preenchimento e assinatura de uma Proposta de Inscrição que será 
analisada e aceita ou não.
• Os Valores Garantidos representam direitos dos participantes e/ou dos 
beneficiários, previstos em determinadas modalidades de planos. Nos planos 
com cobertura por sobrevivência é obrigatória a previsão de dois valores 
garantidos: resgate e portabilidade.
• Os planos por sobrevivência (em suas diversas modalidades) têm como principal 
objetivo garantir a aposentadoria. O mais popular é o Plano Gerador de 
Benefício Livre (PGBL), onde se vincula a acumulação de recursos de uma conta 
individual à performance de um fundo de investimento financeiro especialmente 
constituído (FIE).
• Encerrada a fase de acumulação, o participante pode optar por receber (à vista) 
o saldo da provisão matemática de benefícios a conceder ou transformá-la em 
algum dos vários tipos de renda (temporária, vitalícia, reversível etc.).
• A renda a ser auferida será calculada em função da idade do participante, da 
modalidade de renda escolhida e dos parâmetros técnicos do plano contratado, 
que são a taxa de juros e a tábua biométrica.
• A maioria dos planos de previdência possui, ao menos, duas taxas de 
administração: a de carregamento (sobre as contribuições para cobrir despesas 
administrativas) e a de administração de ativos (sobre o patrimônio do fundo e 
cobre despesas com a administração dos recursos).
• O participante poderá solicitar resgate parcial ou total de recursos do saldo da 
provisão matemática de benefícios a conceder, após o cumprimento de período 
de carência. Também poderá solicitar a portabilidade, total ou parcial, para 
outro plano de Previdência Complementar, de recursos do saldo da provisão 
matemática de benefícios a conceder, após o cumprimento do período de 
carência.
94
• Os planos com cobertura de risco incluem as garantias de morte e/ou invalidez 
total e permanente. As coberturas de morte têm por objetivo conceder um 
benefício aos beneficiários indicados. Os planos com cobertura de invalidez total 
e permanente têm por objetivo conceder um benefício ao próprio participante.
95
1 Sabendo que os parâmetros técnicos influenciam no valor da renda a ser 
recebida em função da sobrevivência, é correto afirmar que:
a) A taxa de juros não influencia no valor da renda a ser recebida.
b) No período em que houver garantia mínima de remuneração, a taxa de 
juros contratualmente prevista deverá respeitar o limite fixado pela SUSEP.
c) A tábua biométrica não influencia no valor da renda a ser recebida.
d) A regulamentação não impõe limites para as taxas de juros.
e) A regulamentação estabelece que deve ser observado o limite máximo da 
taxa de mortalidade da Tábua CVM-0000.
2 Analise as proposições a seguir e depois marque a alternativa correta. Em 
relação aos planos com cobertura de morte e invalidez total e permanente, 
é correto afirmar que:
I. O período de carência, quando existir, não poderá ser superior a seis meses.
II. O período de carência será fixado na nota técnica atuarial e no regulamento.
III. Quando a morte for causada por acidente, não será considerado período 
de carência.
IV. Quando a invalidez total e permanente for causada por acidente, não será 
considerado período de carência.
Agora, assinale a alternativa correta:
a) ( ) Somente I e II são proposições verdadeiras.
b) ( ) Somente II e III são proposições verdadeiras.
c) ( ) Somente III e IV são proposições verdadeiras.
d) ( ) Somente II, III e IV são proposições verdadeiras.
e) ( ) I, II, III e IV são proposições verdadeiras.
3 Quando nos referimos às coberturas de morte e invalidez, é correto afirmar 
que o período durante o qual o participante, no caso de invalidez, ou os 
beneficiários, por morte do participante, farão jus aos benefícios contratados 
é considerado período de:
a) ( ) Cobertura.
b) ( ) Pagamento do benefício.
c) ( ) Diferimento.
d) ( ) Sobrevivência.
e) ( ) Invalidez.
4 A maioria dos planos de Previdência possui, ao menos, duas taxas de 
administração. A taxa de administração do ativo é aquela que, além de 
cobrir despesas com a administração dos recursos:
AUTOATIVIDADE
96
a) Incide sobre as contribuições, sendo cobrada no ato da mesma.
b) Incide sobre o patrimônio do fundo.
c) Incide sobre as contribuições na saída do participante.
d) Majora a taxa atuarial existente na tábua biométrica.
e) É responsável por cobrir as despesas administrativas, como envio de 
extratos, manutenção de uma central de atendimento, contabilidade.
5 Analise se as proposições são verdadeiras ou falsas e depois marque a 
alternativa correta. 
Trata(m)-se de característica(s) do Plano Gerador de Benefício Livre-PGBL:
( ) Estruturado na modalidade de benefício definido.
( ) Não há garantia de atualização de valores no período de diferimento.
( ) Sempre estruturado na modalidade de contribuição variável.
( ) Não há garantia de remuneração mínima no período de diferimento.
Agora, assinale a alternativa correta:
a) ( ) V,V,F,V
b) ( ) V,F,F,V
c) ( ) V,F,V,F
d) ( ) V,V,F,F
e) ( ) F,V,V,V.
97
TÓPICO 4
A CAPITALIZAÇÃO
UNIDADE 2
1 INTRODUÇÃO
Em qualquer economia do mundo, tão importante como a existência de 
produção e consumo, também é importante a formação de poupança. Isto também 
vale no plano individual e familiar. Uma reserva financeira nos permite enfrentar 
situações imprevistas e/ou realizar investimentos. Por outro lado, o ser humano 
tem verdadeira paixão por apostas e loterias. Veremos que a capitalização reúne 
as duas coisas. 
Para Guerra (2016, p. 23), existe uma confusão em entender os conceitos 
detítulo de capitalização e caderneta de poupança. Esclarece, no entanto, que se 
tratam de produtos com conceitos distintos:
• Para os títulos de capitalização, existe o aspecto lúdico do 
produto: os sorteios. Não há este componente para as poupanças.
• Nos títulos, pode haver prazo mínimo para resgate e há um 
prazo para a ‘efetivação do investimento’, diferentemente da 
poupança, que não exige carência para o resgate, e o prazo de 
investimento é indeterminado.
• As sociedades de capitalização são obrigadas a constituir 
provisões técnicas por título subscrito.
• Do valor pago pelo título de capitalização são destinadas quotas 
para a formação do montante capitalizado, quotas de sorteio e 
quotas de carregamento para cobrir despesas administrativas, 
ao contrário das poupanças, onde todo o valor depositado é 
revertido integralmente para a conta do titular.
• As sociedades de capitalização podem distribuir parte de seus 
lucros aos subscritores dos títulos.
• A taxa de juros mensal utilizada para remuneração do 
título, com exceção das modalidades Popular e Incentivo, 
deverá corresponder a, no mínimo, 0,35% e deverá constar 
da Nota Técnica Atuarial e das Condições Gerais do título de 
capitalização. Já a poupança remunera o capital investido a 0,5% 
ao mês, enquanto a meta da taxa Selic ao ano for superior a 8,5%; 
ou 70% da meta da taxa Selic, enquanto esta for igual ou inferior 
a 8,5%, ou seja, as taxas não necessariamente serão iguais.
• Os investimentos em poupança são assegurados pelo Fundo 
Garantidor de Créditos (FGC), enquanto que as aplicações em 
títulos de capitalização não contam com qualquer garantia 
oficial em caso de irregularidades na gestão financeira por parte 
da sociedade de capitalização. As cadernetas de poupança têm a 
garantia dada pelo FGC de até R$ 250.000,00.
98
UNIDADE 2 | A PREVIDÊNCIA E A CAPITALIZAÇÃO
No que diz respeito à estruturação da Capitalização (e sua inserção no 
modelo econômico brasileiro), Guerra (2016) informa que ela não integra o Sistema 
Nacional de Seguros Privados (SNSP), ou seja, o título de capitalização não é 
um plano de seguro a ser comercializado por uma seguradora. A capitalização 
constitui um sistema próprio: O Sistema Nacional de Capitalização (SNC). Assim, 
os títulos somente podem ser comercializados por sociedades de capitalização. No 
entanto, a fiscalização e a regulamentação da capitalização, por força do Decreto-
Lei 261, de 1967, que criou o Sistema Nacional de Capitalização (SNC), também 
estão a cargo da SUSEP e do CNSP, respectivamente, da mesma forma que ocorre 
com as sociedades seguradoras.
Vimos que o Decreto-Lei 73/66, que criou o Sistema Nacional de Seguros 
Privado (SNSP), ainda é um dos principais marcos regulatórios do sistema 
financeiro nacional com relação às atividades de seguros, mas, muitos dos artigos 
previstos na referida legislação também são aplicáveis ao setor de capitalização. 
Esse é um dos motivos pelos quais é muito comum haver laços entre sociedades 
de capitalização e sociedades seguradoras, que são, muitas vezes, ligadas a um 
mesmo grupo econômico. Além disso, da mesma forma que acontece com o Sistema 
Nacional de Seguros Privados (SNSP), o Sistema Nacional de Capitalização (SNC) 
possui relevante papel em termos de política econômica, pois também desenvolve 
a captação de poupança. Já sabemos que a formação de poupança coletiva é 
fundamental como uma das alternativas para o financiamento de grandes projetos 
de longo prazo, tão importantes para o desenvolvimento autossustentável de um 
país (GUERRA, 2016).
Deste modo, como envolvem captação de poupança popular, as sociedades 
de capitalização, assim como as sociedades seguradoras, devem obedecer às regras 
estabelecidas pelo Conselho Monetário Nacional, conforme previsto no Decreto-
Lei 73/66. Isso, certamente, já demonstraria a relevância social dessas empresas e a 
necessidade de controle e fiscalização por parte do Estado.
Guerra (2016) comenta ainda que, apesar de muitas vezes o título de 
capitalização ser comercializado dentro de agências bancárias, as sociedades 
de capitalização não são consideradas instituições financeiras específicas e, por 
isso, não sofrem fiscalização do Banco Central (BACEN). Entretanto, o Conselho 
Monetário Nacional (CMN), por meio de suas resoluções, publica normas para 
aplicação das reservas técnicas das sociedades de capitalização da mesma forma 
que o faz com relação às reservas técnicas das seguradoras.
DICAS
Se você quiser conhecer melhor e saber as regras do Fundo Garantidor de Crédito, 
acesse: <http://www.fgc.org.br/?ci_menu=20&conteudo=1>.
TÓPICO 4 | A CAPITALIZAÇÃO
99
O mercado de capitalização no Brasil está submetido à fiscalização da 
Superintendência de Seguros Privados (SUSEP), autarquia vinculada ao Ministério 
da Fazenda, e se encontra, também, submetido à política traçada pelo Conselho 
Nacional de Seguros Privados (CNSP). As sociedades de capitalização, conforme 
Guerra (2016), são classificadas em duas categorias, de acordo com o público-
alvo de seus produtos: as sociedades ligadas a conglomerados financeiros e as 
independentes.
Os conglomerados financeiros são companhias que estão concentradas 
diretamente nos clientes do próprio conglomerado. Em geral, pertencem a um 
grupo econômico, controlado por uma holding que é liderada por um banco. A 
sociedade de capitalização é mais uma das empresas do grupo ou da holding. As 
sociedades de capitalização independentes são aquelas que, por não disporem de 
balcão de distribuição bancário próprio, normalmente utilizam outros canais de 
distribuição, tais como casas lotéricas, agências de correios, corretores de seguros, 
lojas de departamentos e os balcões de instituições financeiras com as quais firmam 
parcerias. Em geral, pertencem também a uma holding, mas não de origem ligada a 
um banco. Seu público-alvo são os seus parceiros distribuidores.
Comercialmente, ao longo dos anos, os títulos de capitalização acabaram 
por se dividir em modalidades diversas, atendendo a focos diferentes de mercado, 
cada um com suas características próprias. A Circular SUSEP 365/2008 estabelece 
normas para elaboração, operação e comercialização de títulos de capitalização. 
Para efeito de comercialização, ela divide os planos de capitalização em quatro 
modalidades: Modalidade I – Tradicional; Modalidade II – Compra Programada; 
Modalidade III – Popular; e Modalidade IV – Incentivo. A seguir, um resumo 
dessas modalidades que estudaremos adiante. Sua divisão resulta da evolução 
mercadológica dos títulos de capitalização que, ao longo dos anos, foram se 
especializando em função do objetivo que o consumidor buscava. Essa divisão 
permite um melhor controle do Estado, já que a legislação em vigor estabelece 
regras específicas para cada uma delas:
TRADICIONAL 
Permite ao cliente a acumulação de uma reserva por meio de 
pagamentos mensais ou únicos, devolvendo 100% do valor acumulado 
ao fim do prazo. Durante o período, desde que esteja com as 
mensalidades em dia, o cliente concorre a sorteios em dinheiro. Essa 
modalidade também é utilizada para as soluções de garantia locatícia.
POPULAR 
Modalidade de produto cujo foco principal é a participação em 
sorteios, sem a obrigatoriedade da devolução integral dos valores 
pagos pelo cliente. Nessa modalidade, pode haver cessão de parte da 
reserva para instituições filantrópicas.
INCENTIVO 
Solução sob encomenda para empresas de diversos segmentos, 
que permite a aquisição de séries inteiras de títulos e a utilização 
de sorteios para atrair, conquistar ou fidelizar clientes em ações 
promocionais.
COMPRA PROGRAMADA 
Acumulação mensal vinculada à aquisição de bens duráveis com 
sorteio de prêmios (CNSEG, 2016, grifos do original).
100
UNIDADE 2 | A PREVIDÊNCIA E A CAPITALIZAÇÃO
Em síntese, quando um título de capitalização é vendido através de agência 
de um determinado banco XYZ, o respectivo título não é um produto do banco. Ele 
é produto de uma sociedade de capitalização, que pertenceà holding do banco ou 
que é parceira deste banco.
Se forem consultadas listas com os nomes de sociedades de capitalização, 
será constatado que muitos desses nomes nos remetem aos bancos, mas são 
empresas distintas. Complementando, também é comum encontrarmos sociedades 
de capitalização cujo objetivo está totalmente concentrado no sorteio e distribuição 
de prêmios, principalmente veículos, casas e caminhões de mercadorias. Essas 
empresas estão organizadas como sociedades de capitalização e, portanto, sujeitas 
à regulamentação do setor (GUERRA, 2016).
Para a Federação Nacional das Empresas de Capitalização (FENACAP, 
2016), os títulos de capitalização são uma excelente alternativa para quem não 
tem ou tem pouca disciplina financeira e está começando a pensar em formar 
uma reserva e dispõe de poucos recursos para aplicar. Afinal, basta uma pequena 
sobra de dinheiro por mês para iniciar uma economia para imprevistos, planejar 
uma viagem ou realizar algum outro projeto. Além de ter o resgate das reservas 
acumuladas, a pessoa concorrerá a prêmios e, quem sabe, as coisas não se aceleram. 
Por outro lado, aqueles que têm por hábito os jogos de loterias sabem o quanto é 
difícil de acertar e que, enquanto não acertar, nada do que gastar terá retorno.
2 HISTÓRIA E REGULAMENTAÇÃO
 
A história ou surgimento da capitalização é algo bastante criativo e 
interessante. Ela surge com o desejo de um líder classista em oferecer um benefício 
diferente para seus liderados. Ele imaginava uma forma de as pessoas terem acesso 
mais rápido a um dinheiro que, com base apenas em seus salários, elas levariam 
muitos anos para acumular. 
Foi Paul Viget, diretor de uma cooperativa de mineiros francesa, quem 
idealizou, em 1850, uma engenhosa maneira de alavancar recursos financeiros para 
seus cooperados. O sistema funcionava mais ou menos assim: todos contribuíam 
mensalmente com uma parcela de suas economias, por um período previamente 
determinado. Além da garantia de resgatar todo o dinheiro acumulado ao fim 
daquele prazo, havia a possibilidade de receber tudo antecipado caso o cooperado 
fosse sorteado. O modelo agradou em cheio e não só conquistou a simpatia dos 
cooperados, como também acabou por espalhar-se por toda a França e a ganhar 
novos adeptos (FENACAP, 2016).
Complementando e ilustrando essa história, temos que uma das formas 
de utilização do modelo de Viget estava ligada à necessidade da compra da casa 
própria. Comprar um imóvel era um investimento alto e os prazos de capitalização 
duravam, em média, 30 anos. Para estimular as pessoas a permanecerem no plano, 
a cada mês era sorteada uma casa. Dessa forma, além de saber que estavam 
TÓPICO 4 | A CAPITALIZAÇÃO
101
poupando e, portanto, pagando pelo imóvel, poderiam receber a casa própria 
mais cedo, caso fossem premiadas. Esse modelo se tornou um sucesso entre os 
associados e a capitalização ganhou o mundo, sendo que 79 anos depois chegaria 
ao Brasil.
Guerra (2016) complementa informando que, atualmente, a capitalização 
é uma combinação de economia programada com aplicação única ou mensal ou 
periódica, vinculada à participação em sorteios. O objetivo inicial de Paul Viget 
foi montar um sistema que proporcionasse auxílio financeiro aos sócios da sua 
cooperativa, por meio de suas próprias poupanças. Criou assim um sistema baseado 
em contribuições mensais cujo objetivo era constituir um capital, previamente 
definido, a ser resgatado no final do período combinado, ou por meio de sorteio, 
de forma antecipada.
A mesma lógica norteou os primeiros planos de capitalização no Brasil 
do início do século XX, quando a urbanização começava a avançar. A primeira 
empresa de capitalização brasileira foi fundada em 1929, chamada de Sul América 
Capitalização S.A. Entretanto, somente em 1932 é que foi oficializada a autorização 
para funcionamento das sociedades de capitalização através do Decreto n° 21.143, 
posteriormente regulamentado pelo Decreto n° 22.456, de 1933, sob o controle 
da Inspetoria de Seguros. O citado decreto definia que as únicas sociedades que 
poderiam usar o nome de capitalização seriam as que, autorizadas pelo Governo, 
tivessem por objetivo oferecer ao público, de acordo com planos aprovados 
pela Inspetoria de Seguros, a constituição de um capital mínimo perfeitamente 
determinado em cada plano e pago em moeda corrente, em um prazo máximo 
indicado no dito plano, à pessoa que subscrevesse ou possuísse um título, segundo 
cláusulas e regras aprovadas e mencionadas no mesmo título (FENACAP, 2016; 
SUSEP, 2016). 
Na sua origem, grande parte dos recursos movimentados na capitalização 
brasileira já financiava as atividades de construção civil, especialmente projetos 
habitacionais. Uma herança curiosa do período é que vários bairros, pelo país afora, 
foram batizados com o nome Sulacap, ou seja, com o nome comercial da sociedade. 
Em 1947, já havia 17 companhias sediadas em cidades como Rio de Janeiro, São 
Paulo e Porto Alegre. Contudo, na década de 1950, essa forma de economia deixou 
de ser interessante, já que os altos índices de inflação desvalorizavam muito 
os resgates. Para contrabalançar as perdas e melhorar as perspectivas do setor, 
em 1964 foi criada a correção monetária e a capitalização voltou a ganhar força. 
Na década de 1970 ocorreu a entrada de grandes instituições financeiras, o que 
impulsionou o mercado (FENACAP, 2016; GUERRA, 2016).
Desde 1994, com a implantação do Plano Real, o faturamento das empresas 
de capitalização no país aumentou. Este crescimento decorreu da estabilização 
econômica, da queda nas taxas de juros e do crescimento da renda dos brasileiros. 
O valor total dos pagamentos ou contribuições de capitalização (valores pagos 
pelos clientes) tem gerado valores na casa dos bilhões de reais anualmente. O 
mercado avançou, sofisticou, ampliou a oferta de produtos e promoveu ampla 
diversificação dos canais de distribuição. Um fato curioso é que 1989 foi o primeiro 
102
UNIDADE 2 | A PREVIDÊNCIA E A CAPITALIZAÇÃO
ano a partir do qual os sorteios de capitalização passaram a acompanhar os sorteios 
da Sena, extraídos pela Caixa Econômica Federal. Esse mercado vem apresentando 
um crescimento expressivo, mas apesar da sua expansão, nos últimos anos as 
sociedades de capitalização têm grandes desafios a enfrentar para manter sua 
expressividade (FENACAP, 2016; GUERRA, 2016).
A criação da Federação Nacional de Capitalização (FENACAP), em 2007, 
veio consolidar a importância do setor que, pela dimensão alcançada, passou a 
requerer estrutura institucional que pudesse dar foco a aspectos exclusivamente 
relacionados à capitalização. A entidade é uma associação civil que representa as 
empresas de capitalização no território nacional. Entre outros objetivos, exerce a 
representação política e institucional do setor; promove a permanente defesa dos 
interesses do mercado; representa as associadas judicial ou extrajudicialmente; e 
atua na criação e aprimoramento de leis, normas e regulamentos que aumentem a 
eficiência do setor. Em 2016 contava com 17 sociedades de capitalização associadas 
(FENACAP, 2016).
QUADRO 7 - EVOLUÇÃO
FONTE: Guerra (2016)
Vimos, portanto, que o mercado de capitalização brasileiro, ainda que 
não possa ser considerado antigo, apesar de possuir mais de 80 anos, já alcançou 
relativa maturidade. Além da regulamentação do setor, contribuíram neste sentido 
medidas fiscalizadoras, mecanismos de proteção ao consumidor, novas formas 
de publicidade, maior transparência nos sorteios e a notificação obrigatória aos 
contemplados. O Sistema Nacional de Capitalização (SNC), conforme o art. 3o do 
Decreto-Lei 261/67, é constituído pelos seguintes componentes:
a) Conselho Nacional de Seguros Privados – CNSP.
Franca: 1850 Paul Viget
Brasil: 1929 Sulacap. Inexistência de poupança interna
Décadas de 1930 e 1940: Surgimento de várias 
empresas neste segmento
Formação de poupança e investimento na 
construção civil
Década de 1950 Inflação pós-guerra, declínio do produtono 
mercado
Décadas de 1960 e 1970 Quase eliminação do negócio. Durante este 
período foi instituída a correção monetária
Década de 1980 Entrada de conglomerados financeiros neste 
setor; o produto volta a expandir
Década de 1990 em diante Surgimento de produtos inovadores neste 
mercado
TÓPICO 4 | A CAPITALIZAÇÃO
103
b) Superintendência de Seguros Privados – SUSEP.
c) Sociedades autorizadas a operar em capitalização.
d) Corretores de capitalização (segundo o art. 3o da Resolução CNSP 15/01).
Nos termos do Decreto-Lei 261/67, em seu artigo 2o, o controle do Estado, 
por meio do CNSP e da SUSEP, deve ser exercido no interesse dos portadores de 
títulos de capitalização, objetivando:
I. Promover a expansão do mercado de capitalização e propiciar as 
condições operacionais necessárias à sua integração no progresso 
econômico e social do país.
II. Promover o aperfeiçoamento do sistema de capitalização e das 
sociedades que nele operam.
III. Preservar a liquidez e a solvência das sociedades de capitalização.
IV. Coordenar a política de capitalização com a política de investimentos 
do Governo Federal, observados os critérios estabelecidos para as 
políticas monetária, creditícia e fiscal, bem como as características a 
que devem obedecer as aplicações de cobertura das reservas técnicas 
(GUERRA, 2016, p. 14).
Conforme exposto, a engenhosidade de Paul Viget, ao juntar o gosto das 
pessoas pelos jogos e apostas com uma maneira de economizar, transformou-
se em um grande sucesso e extrapolou fronteiras. Diante disso, a capitalização 
passou a ser mais um meio de formação de poupança coletiva e, por isso, tornou-se 
necessária sua regulamentação e controle pelos governos.
3 ESTRUTURA TÉCNICA DA CAPITALIZAÇÃO
 
Já sabemos que o título de capitalização busca aliar um mecanismo de 
poupança programada (a capitalização em si) com a participação em sorteios. 
Segundo Guerra (2016), os títulos que apresentam maior receptividade no 
mercado brasileiro são aqueles de baixo valor unitário, cujo principal objetivo é 
justamente o sorteio, componente lúdico bastante apreciado pelo consumidor, mas 
não obrigatório. O termo título de capitalização possui duplo significado:
• Capitalização como objeto do processo administrativo aberto pela 
sociedade, que aparece na frase ‘A SUSEP aprovou o título ‘Cem Milhões’ 
da sociedade de capitalização XYZ’. Significa que as condições gerais e 
a nota técnica foram aprovadas pela SUSEP, e, assim, a sociedade de 
capitalização poderá comercializar diversos contratos com aquelas 
mesmas condições gerais aprovadas.
• ‘Título de capitalização’ como individualização do contrato firmado 
entre consumidor e sociedade de capitalização. Por exemplo, na frase 
‘Eu comprei um título da sociedade de capitalização XYZ’ (GUERRA, 
2016, p. 24).
Guerra (2016) afirma que, assim, a aprovação dada pela SUSEP num 
processo administrativo (aprovação do título, do plano, do produto) autoriza a 
sociedade a comercializar diversos contratos (títulos) de capitalização, sendo que 
104
UNIDADE 2 | A PREVIDÊNCIA E A CAPITALIZAÇÃO
eles deverão reproduzir as condições gerais aprovadas no processo administrativo. 
Usaremos o termo “plano de capitalização” para definir o produto que foi 
aprovado pela SUSEP num determinado processo. Como um contrato, o título de 
capitalização existe fisicamente, é impresso e há um número (número do título) 
que o identifica. Deve trazer, também, as condições gerais que foram aprovadas 
pela SUSEP. Independentemente da modalidade do título de capitalização, eles 
sempre apresentam uma parte de poupança programada e outra de sorteios, 
ambas definidas a seguir:
• Poupança Programada
A poupança programada faz-se por meio da aplicação de parte dos 
pagamentos realizados pelo consumidor, por um período estipulado, a 
uma determinada taxa de juros. Ao montante presente nessa poupança 
programada dá-se o nome de capital ou reserva de capitalização, ou, 
ainda mais tecnicamente, de Provisão Matemática para Capitalização 
(PMC). Ao final de cada mês, os juros decorrentes da remuneração 
do capital são adicionados ao próprio capital, passando a fazer parte 
dessa provisão matemática para efeito de cálculo dos juros do próximo 
período.
Além disso, o capital vai sendo mensalmente atualizado por um índice 
predefinido, geralmente a TR. A atualização monetária tem como 
objetivo a manutenção do poder de compra do capital, evitando que ele 
se deteriore pelos efeitos danosos da inflação.
O saldo desta espécie de conta programada do consumidor (Provisão 
Matemática para Capitalização) será utilizado como base para o valor a 
que o consumidor terá direito no momento do resgate (valor de resgate). 
• Sorteios
Originalmente, o sorteio se constituía em um componente secundário, 
uma espécie de atrativo adicional e acessório. Era uma mera antecipação 
do recebimento do valor que seria formado ao final do prazo estipulado 
no plano, muito similar a um consórcio.
Atualmente, o valor do sorteio é caracterizado por um múltiplo do 
pagamento único ou do pagamento mensal, ou periódico do título, 
não mais se vinculando ao valor de resgate final do título, podendo, 
inclusive, alcançar somas bastante expressivas, enquanto a Provisão 
Matemática para Capitalização (PMC) pode originar um valor de 
resgate bem menos atraente.
Tais sorteios contemplam apenas alguns dos consumidores com valores 
de prêmios que devem ser previamente definidos nos títulos, sendo, 
portanto, do conhecimento de todos os participantes.
Ainda que não seja obrigatório que um título de capitalização 
apresente sorteios, o que se observa na prática é que quase 100% dos 
títulos atualmente existentes possuem este componente para atrair os 
consumidores (GUERRA, 2016, p. 24-25).
Com relação às características, o autor comenta que o título de capitalização 
é um título financeiro do tipo mobiliário e nominativo, adquirido pelo comprador 
diretamente de uma sociedade de capitalização ou por meio de um corretor. Seu 
objetivo é a formação de capital através de uma aplicação prefixada por um período 
determinado e a uma taxa de juros previamente conhecida. Além de um papel 
do mercado mobiliário, o título de capitalização é também um papel nominativo, 
porque possui um proprietário identificado que poderá transferir seu direito de 
propriedade a outra pessoa.
TÓPICO 4 | A CAPITALIZAÇÃO
105
De acordo com a FENACAP (2016), o título de capitalização é um 
instrumento de acumulação de recursos diferente de qualquer outro. Não pode 
ser considerado como investimento, na definição clássica, porque não oferece 
rentabilidade (apenas atualização). Tampouco é loteria. A Caderneta de Poupança 
não oferece prêmios e não possui carência para resgates. As loterias não devolvem 
os valores aplicados caso o apostador não seja sorteado. Portanto, o título de 
capitalização não pode ser incluído no rol dos produtos financeiros convencionais 
ou lotéricos. É sui generis justamente porque conjuga características múltiplas: 
ajuda a desenvolver disciplina para guardar dinheiro, possui forte componente 
lúdico (sorteios de prêmios de valores elevados) e devolve 100% das reservas 
acumuladas, atualizadas, ao fim do prazo de capitalização. Além de contribuir 
para a formação de um patrimônio, também funciona como instrumento para o 
ingresso ao sistema bancário pela população de baixa renda.
O conteúdo do título pode ser entendido como um contrato entre a 
sociedade de capitalização e o adquirente, composto por um conjunto de cláusulas 
que são denominadas condições gerais e estabelecem as regras relativas à formação 
do capital (reserva matemática) e as regras para os sorteios. São as condições gerais 
que individualizam uma série de títulos, havendo, assim, diversos produtos em 
razão de existirem condições gerais diferentes. O título deve ser disponibilizado ao 
subscritor ou ao titular em, no máximo, 15 dias após a data de início de vigência. 
Nas condições gerais, são apresentados todos os diferenciais que a sociedade 
quer imprimirao seu produto. As sociedades de capitalização podem prever, por 
exemplo, a participação dos titulares nos lucros da empresa. Os direitos contidos 
em um título de capitalização variam de empresa para empresa e até de um título 
para outro quando fizerem parte de planos distintos, embora haja uma crescente 
tendência de uniformização das condições gerais (GUERRA, 2016). 
A Nota Técnica Atuarial consiste na descrição do título por meio de bases 
técnicas, hipóteses e formulações atuariais. Nela, encontram-se as demonstrações 
dos cálculos dos parâmetros técnicos de um título de capitalização, traduzidos 
em enunciados e fórmulas matemáticas que o plano tem que satisfazer. Além 
disso, a nota técnica traz também a formulação matemática das provisões que 
serão constituídas no plano de capitalização. Ela deve ser assinada por um atuário 
devidamente registrado no Instituto Brasileiro de Atuária (IBA). Por não possuir 
natureza contratual e por não acrescentar novos elementos sobre os direitos 
ou as obrigações do consumidor, a nota técnica do plano não necessita ser de 
conhecimento do adquirente do título de capitalização. Guerra (2016) informa 
DICAS
Caso deseje conhecer o plano padrão para cada modalidade de capitalização, 
acesse: <http://www.susep.gov.br/menu/informacoes-ao-mercado/informacoes-tecnicas-e-
planos-padroes/capitalizacao>.
106
UNIDADE 2 | A PREVIDÊNCIA E A CAPITALIZAÇÃO
que um título de capitalização, para que possa ser comercializado, é necessário 
que ocorra prévia aprovação pela SUSEP. A sociedade de capitalização deverá 
encaminhar à SUSEP, para análise, as condições gerais e a Nota Técnica Atuarial 
dos títulos de capitalização a serem por ela comercializados. 
Um título de capitalização pode ser contratado tanto na presença física do 
consumidor e do corretor de capitalização, como também através de canais remotos, 
tais como terminais bancários de autoatendimento ou pela Internet. Nestes casos, 
a sociedade de capitalização deverá disponibilizar, imediatamente, a confirmação 
da contratação ao consumidor e encaminhar, em até 15 dias após a data do início de 
vigência, o título de capitalização ao titular. As pessoas envolvidas na aquisição de 
um título de capitalização passam a possuir uma denominação especial: subscritor 
e titular. Subscritor é a pessoa física ou jurídica que subscreve a proposta de 
compra, quando existente, comprometendo-se a efetuar os pagamentos na forma 
prevista nas condições gerais. Titular é a pessoa, física ou jurídica, proprietária do 
título. Ao titular cabem os direitos originados pelo título de capitalização que são, 
basicamente, o de recebimento do resgate de participação nos sorteios, incluindo 
também o recebimento dos prêmios caso seja contemplado (GUERRA, 2016).
Complementando, Guerra (2016) explica que o titular poderá ser o próprio 
subscritor ou outra pessoa, física ou jurídica, indicada pelo subscritor. É possível, 
também, a escolha de mais de um titular. Assim, os pagamentos de resgate e de 
sorteios deverão ser efetuados a cada um dos titulares indicados na proporção 
estabelecida pelo subscritor por ocasião da contratação. Tanto para o subscritor 
como para o titular é facultada a transferência (cessão) de suas posições no título 
a qualquer momento, mediante comunicação escrita à sociedade, não podendo 
ser cobrada qualquer taxa para a realização dessa transferência. A pessoa física 
ou jurídica, que cede o seu papel no título de capitalização é chamada de cedente, 
enquanto a pessoa a quem esse papel está sendo cedido é chamada de cessionário. 
A transferência de titular é mais frequente do que a transferência entre subscritores.
FICHA DE CADASTRO
A ficha de cadastro é obrigatória na modalidade Tradicional e Compra Programada, sendo 
facultativa nas modalidades Popular e Incentivo. Quando existente, ela precisa ser preenchida 
antes da aquisição do título. Uma vantagem de se ter a ficha de cadastro é que o subscritor 
poderá informar quem são os titulares. Exemplo: o pai que compra um título para seus dois filhos. 
Ele é o subscritor (assumindo a obrigação de pagar), e os filhos serão os titulares (possuem os 
direitos de resgate e de sorteio). A ficha de cadastro poderá conter essa informação (com o nome 
dos filhos), definindo, também, qual será a parte de cada filho (50% para cada um, por exemplo). 
No entanto, nada impede que essa declaração seja feita à sociedade em documento separado.
ATENCAO
TÓPICO 4 | A CAPITALIZAÇÃO
107
O prazo de vigência é o período durante o qual o título de capitalização 
está sujeito às regras descritas nas condições gerais. Dois fatos podem determinar 
a data de início de vigência: a ocorrência do primeiro pagamento ou a aquisição 
do título, prevalecendo a que ocorrer primeiro. O título permanecerá plenamente 
ativo enquanto não houver atraso nos pagamentos. A partir da data de início, 
e durante o prazo de vigência, o titular passa a ter direito a todos os benefícios 
proporcionados pelo produto: juros e atualização da Provisão Matemática para 
Capitalização, além de poder participar dos sorteios. Pode-se dizer que o prazo 
de vigência é aquele em que o capital está sujeito à remuneração (capitalização), 
pela incidência da taxa de juros e à atualização monetária prevista nas condições 
gerais. O prazo mínimo de vigência para um título de capitalização é de 12 meses, 
conforme legislação em vigor (GUERRA, 2016).
Com relação ao chamado prazo de carência, Guerra (2016) traz que alguns 
títulos admitem que o titular possa realizar resgates antes de encerrada a vigência 
do título, o que se denomina resgate antecipado. No entanto, o título também 
pode estabelecer que isso só pode ocorrer depois de cumprida uma certa parte da 
vigência, denominada prazo de carência. Portanto, prazo de carência é o período 
de tempo, contado a partir do início de vigência do título, que o titular terá que 
aguardar para poder receber o valor de resgate. O prazo de carência não afeta 
o direito de participação nos sorteios. Caso ocorrer cancelamento do título por 
inadimplência, os recursos existentes na Provisão Matemática para Capitalização 
poderão ser levantados pelo titular (não obrigatoriamente de forma integral), 
devendo, no entanto, aguardar o cumprimento do prazo de carência. A legislação 
permite que a sociedade fixe um prazo de carência para a efetivação de resgates 
de, no máximo, 24 meses, porém, nunca superior ao próprio prazo de vigência do 
título.
Os títulos também são classificados com base no número de pagamentos 
que serão efetuados pelo subscritor. Dividem-se em PU (pagamento único), PP 
(pagamentos periódicos) e PM (pagamentos mensais). Conforme o próprio nome, 
os títulos do tipo PU se caracterizam por um pagamento único. Os títulos do tipo 
PM preveem a realização de um pagamento para cada mês de sua vigência. Assim, 
se o título PM possuir uma vigência de 60 meses, ele exigirá que o subscritor 
realize 60 pagamentos mensais e consecutivos. Já os títulos do tipo PP preveem 
pagamentos periódicos. Não há correspondência entre o número de pagamentos e 
o número de meses de vigência, sendo prevista apenas a realização de mais de um 
pagamento. Em geral, esses pagamentos são consecutivos. Por exemplo, é possível 
a existência de um título PP com 12 meses de vigência em que haja somente seis 
pagamentos (do 1o ao 6o mês). Os títulos PP e PM são os que mais se aproximam da 
ideia de uma poupança programada em razão do subscritor ser obrigado a efetuar 
os pagamentos mensalmente (GUERRA, 2016).
Os pagamentos ou contribuições que são feitos pelo subscritor se dividem 
em três componentes: cota de capitalização, cota de sorteio e cota de carregamento. 
108
UNIDADE 2 | A PREVIDÊNCIA E A CAPITALIZAÇÃO
É comum que sejam apresentadas as quotas como percentuais incidentes sobre o 
pagamento cuja soma sempre fechará em 100%. A cota de capitalização corresponde 
à parte ou percentual relativo aos pagamentos a serem utilizados para constituição 
da reserva matemática para resgate,que deverão obedecer aos seguintes critérios: 
• Nos títulos de Pagamento Único (PU) em que haja a realização de 
sorteios, o percentual destinado à formação da reserva matemática para 
resgate deverá ser, no mínimo, 70% do valor do pagamento, qualquer 
que seja o prazo de vigência do título.
• Nos títulos de Pagamentos Mensais (PM) ou de Pagamentos Periódicos 
(PP), em que haja a realização de sorteios, o percentual destinado à 
formação da reserva matemática para resgate deverá ser, no mínimo, 
10% do valor de cada pagamento, nos primeiros três meses de vigência, 
e 70%, a partir do 4º mês de vigência, sendo que a média aritmética 
do percentual de capitalização de todos os pagamentos, até o fim da 
vigência do título, deverá corresponder a, no mínimo, 70%, qualquer 
que seja o prazo de vigência do título.
• Nos títulos de Pagamento Único (PU) com 12 meses de vigência e 
pertencentes às modalidades Incentivo ou Popular, o percentual 
destinado à formação da provisão matemática para resgate deverá ser, 
no mínimo, 50% do valor do pagamento (FENACAP, 2016, s.p.).
De acordo com a FENACAP (2016), com relação à cota de sorteio, ela se 
faz necessária para que as empresas possam oferecer premiações, ao longo de um 
prazo determinado. Todos os portadores dos títulos devem ter as mesmas chances 
de serem sorteados, sendo que cada um dos participantes de uma série contribui 
com uma pequena parcela de seu depósito para a formação de uma espécie de 
fundo de premiação. A cota de carregamento, por sua vez, corresponde ao montante 
deduzido das parcelas mensais (nos títulos de pagamento mensal) ou da cota única 
(títulos de pagamento único) para cobrir as despesas com corretagem, colocação 
e administração do título de capitalização, emissão, divulgação, atendimento ao 
cliente, desenvolvimento de sistema e lucro da sociedade de capitalização. 
De acordo com a legislação, os títulos de capitalização com sorteio devem ser 
estruturados em séries, ou seja, em sequências ou em grupos de títulos submetidos 
às mesmas condições e características, à exceção do valor do pagamento (que pode 
variar). Portanto, uma série é formada por um número predeterminado de títulos. 
A comercialização de uma série completa já prevê um volume de sorteios e também 
que todos os participantes daquela série tenham igual chance de premiação. Uma 
vez sorteado, o mesmo título continua concorrendo a todos os demais prêmios 
previstos na série até o fim do prazo de capitalização, desde que os pagamentos 
estejam em dia. O número de títulos (tamanho da série) que serão emitidos numa 
mesma série deverá ser informado nas condições gerais e na Nota Técnica Atuarial 
do título. Assim, o tamanho da série representa a quantidade máxima de títulos 
que poderá ser comercializada (FENACAP; 2016, GUERRA, 2016). 
Somente os títulos relativos a uma mesma série podem concorrer aos sorteios 
previstos para aquela série. Porém, é possível que uma sociedade de capitalização 
comercialize várias séries distintas, observada, no entanto, em cada série, a 
quantidade máxima de títulos. Os sorteios relativos a uma série não se comunicam 
com outra, isto é, os sorteios e, consequentemente, os títulos ganhadores são 
TÓPICO 4 | A CAPITALIZAÇÃO
109
independentes entre as séries. A importância do tamanho da série está relacionada 
aos sorteios. Os sorteios são custeados pelos próprios títulos, por meio da cota de 
sorteio. Assim, para se determinar quanto compete a cada título é necessário se 
definir o tamanho da série. Além disso, quanto maior o tamanho da série, mais 
difícil será um título ser sorteado. Uma série é, portanto, um conjunto limitado 
de títulos, numerados sequencialmente, que possuem a mesma probabilidade 
de serem sorteados. Pela norma vigente, o tamanho de uma série deverá ser de, 
no mínimo, 10.000 (dez mil) títulos. Os títulos de uma série são emitidos por 
computador e as combinações nele contidas são distribuídas eletronicamente e de 
forma totalmente aleatória. Um título jamais possui as mesmas combinações de 
outro dentro de uma mesma série (FENACAP; 2016, GUERRA, 2016).
A Provisão Matemática para Capitalização do título deverá sofrer a 
incidência de atualização monetária e de juros a partir da data de início de vigência 
do título de capitalização. Seu saldo é sempre apresentado, considerando-se o fim 
do mês de vigência. Inicialmente, deve-se compreender o conceito de data de 
aniversário como sendo o dia de início de vigência do título, e que será considerado, 
também, em todos os meses subsequentes enquanto o título não for resgatado. 
É possível que as sociedades definam (na Nota Técnica Atuarial do título) que a 
Provisão Matemática para Capitalização não será atualizada na data de aniversário 
do título, mas, sim, num dia preestabelecido (por exemplo, sempre no dia 1o de 
cada mês). A vantagem é que todos os seus títulos, independentemente da data 
de aquisição, são atualizados numa única data. Ao término do prazo de vigência, 
o titular tem direito ao resgate integral do saldo existente na Provisão Matemática 
para Capitalização (GUERRA, 2016).
De acordo com o tipo de pagamento do título (único, mensal ou periódico), 
haverá regras específicas para cálculo e formação da Provisão Matemática para 
Capitalização, mas a principal diferença é que, enquanto no pagamento único os 
recursos para capitalização entrarão de imediato, nas outras duas modalidades 
eles serão acumulados ao longo do tempo. Em quaisquer das modalidades devem 
ser retiradas as cotas destinadas a cobrir os sorteios e o carregamento. Sobre o 
valor remanescente incidirão os juros e a correção preestabelecidos. 
Os juros se destinam à remuneração do capital. É a forma de retribuir ao 
dono do capital por ele ter deixado os recursos com a sociedade de capitalização. 
De acordo com a legislação, a sociedade pode determinar o percentual da taxa de 
juros que irá remunerar o título de capitalização, devendo, no entanto, atender aos 
valores mínimos. Atualmente, não há mais vínculo entre a taxa de juros aplicável 
aos títulos de capitalização e a taxa de juros aplicável à caderneta de poupança. A 
taxa de juros mínima que a sociedade deve adotar em seu título varia de acordo 
com a modalidade e deve constar da Nota Técnica Atuarial e nas condições gerais 
do título.
A atualização visa a manutenção do poder de compra do capital, não 
se confundindo com a remuneração gerada pela incidência de juros. Ela evita 
que o valor constituído na provisão matemática sofra os efeitos causados pela 
desvalorização da moeda, tendo papel fundamental em períodos inflacionários 
110
UNIDADE 2 | A PREVIDÊNCIA E A CAPITALIZAÇÃO
mais significativos. A legislação exige que, nas condições gerais, sejam inseridos 
o índice e o critério de atualização da provisão e a Resolução CNSP 103/2004 
estabelece que a Provisão Matemática para Capitalização deve ser atualizada 
mensalmente pelo índice pactuado no plano.
O resgate de um título de capitalização representa o pagamento, pela 
sociedade de capitalização, de determinada quantia ao titular, extraída da 
Provisão Matemática para Capitalização. A sociedade deverá efetuar o pagamento 
do resgate por qualquer meio legalmente admitido e disponível na cidade de 
domicílio do titular, sendo vedada a reaplicação do valor de resgate em outro título 
sem a prévia concordância. Para qualquer modalidade, as condições gerais do título 
devem assegurar o direito do titular em optar por receber o valor do resgate em 
moeda corrente, independentemente de qualquer vinculação estabelecida à época 
da subscrição do título. Quanto ao momento do resgate, há três hipóteses possíveis: 
poderá ser antecipado em relação ao fim da vigência (por solicitação do titular), 
ser decorrente de contemplação em sorteio (liquidação antecipada por sorteio) ou, 
ainda, ocorrer após o encerramento da vigência do título. Guerra (2016, p. 58-59, 
grifos do original) acrescenta que, quanto ao montante, o resgate poderá ser: 
Resgate Parcial
É aquele que não esgotaa totalidade do montante presente na Provisão 
Matemática para Capitalização, isto é, durante a vigência do título o 
titular solicita o levantamento (resgate) de parte do valor presente na 
sua provisão matemática sem esgotar o saldo dessa provisão. Neste 
caso, haverá a continuidade normal do título, isto é, o resgate parcial 
não acarreta nem a suspensão, nem o cancelamento do título, não 
afetando, também, o direito de participação nos sorteios. Assim, o 
resgate parcial é uma forma de resgate antecipado, pois ocorre antes do 
fim de vigência do título. O resgate parcial só poderá ser efetuado caso 
esteja previsto nas condições gerais do título. Se previsto, deverá seguir 
as regras impostas nas próprias condições gerais, como o valor mínimo 
a ser resgatado e o período mínimo de intervalo entre os resgates.
Resgate Total
O resgate total esgota todo o valor constituído na Provisão Matemática 
para Capitalização, podendo, conforme o caso, o titular ficar com 
todo esse valor ou não. O resgate total sempre estará vinculado ao 
encerramento/cancelamento do título. Três são as formas de resgate 
total: por liquidação antecipada por sorteio (obrigatória quando assim 
definido); antecipado por solicitação do titular (facultativo) e por 
encerramento da vigência do título (regular).
No caso de resgate antecipado por solicitação do titular, parcial ou total, a 
sociedade de capitalização poderá fixar, desde que prevista nas condições gerais 
do título, uma penalidade em função do titular não respeitar o prazo de vigência 
do título de capitalização. Essa penalidade é definida como um percentual a ser 
aplicado sobre o montante resgatado e será retida pela sociedade de capitalização 
como uma espécie de multa. No entanto, a legislação fixa valores máximos para 
esse percentual, que varia de zero a dez por cento, de acordo com a vigência do 
título. Como todas as séries de títulos são constituídas prevendo a permanência até 
o fim do prazo de capitalização, os valores aplicados só deveriam ser restituídos 
integralmente ao fim desse prazo. No caso do resgate antecipado, o cliente vai 
resgatar o saldo de sua Reserva Matemática corrigido até o momento de sua 
TÓPICO 4 | A CAPITALIZAÇÃO
111
permanência no plano, que fica, assim, encerrada. Neste caso, como houve um 
rompimento unilateral do contrato de capitalização, o cliente é penalizado com 
uma multa (FENACAP; 2016, GUERRA, 2016).
Nas condições gerais também deverá ser incluída uma Tabela de Resgate 
que discrimine o percentual de resgate em função do prazo de vigência do 
título, considerando todos os pagamentos devidamente efetuados e os demais 
parâmetros relevantes para o cálculo, por exemplo, os eventuais fatores de redução 
(penalidades) para resgates antecipados. O percentual apresentado deve incidir 
sobre o montante dos pagamentos já efetuados até aquele momento, gerando, 
assim, um cálculo aproximado do valor a que o titular terá direito, se solicitar o 
resgate. Conforme Guerra (2016), o objetivo da Tabela de Resgate é permitir ao 
titular um cálculo aproximado, mas de fácil realização, do valor que ele poderia 
resgatar numa determinada época durante a vigência do título.
A eventual suspensão do título de capitalização é uma decorrência da falta de 
pagamento na data prevista. Com título considerado suspenso ocorre a suspensão 
automática do direito do titular de participar dos sorteios. Se o número do título 
suspenso vier a ser sorteado, a sociedade de capitalização é a detentora do prêmio 
de sorteio por ter sido ela que arcou com o custeio daquele prêmio relativamente 
ao título suspenso, ou seja, ela pagou a cota de sorteio do título durante o prazo 
de suspensão. Um segundo efeito da suspensão é iniciar a contagem de prazo para 
a rescisão (cancelamento) do título. Todo título tem um prazo máximo durante 
o qual poderá permanecer suspenso. Encerrado tal prazo, sem que tenha havido 
pagamento, o título será cancelado. 
No entanto, Guerra (2016) esclarece que, de acordo com a legislação, a 
sociedade não poderá se apropriar da provisão matemática dos títulos suspensos 
ou cancelados em razão de inadimplência. Se houver o cancelamento, a sociedade 
deverá colocar o valor do resgate à disposição do titular, tão logo o período de 
carência termine (se existente), independentemente do número de pagamentos 
efetuados. A reabilitação é o encerramento da suspensão de um título de 
capitalização em razão de ter o subscritor efetuado um ou todos os pagamentos em 
atraso. Com a reabilitação, o título volta a participar dos sorteios, mas só poderá 
haver a reabilitação enquanto durar a suspensão, isto é, uma vez cancelado o título, 
este não poderá mais ser reabilitado. A reabilitação poderá ocorrer de duas formas: 
sem prorrogação do prazo de vigência ou com a sua prorrogação.
Os sorteios são o principal atrativo dos títulos de capitalização. De modo 
geral, o ser humano sempre teve paixão por jogos e este aspecto lúdico tem sido 
responsável por grande parte do sucesso do produto no Brasil. A princípio, o 
sorteio é apenas um acessório, mas também pode significar a antecipação de um 
ganho muito superior ao resgate previsto. Atualmente, não há qualquer vínculo 
entre o valor de prêmio do sorteio e o valor do resgate. Guerra (2016) explica que 
as condições gerais deverão prever a forma de atribuição e apuração dos números, 
além de definir os múltiplos dos prêmios dos sorteios. Além disso, o sorteio tem 
que ser um evento aleatório, que não dependa de prognósticos, de palpites do 
consumidor, ou seja, seu resultado deve ser totalmente imprevisível e estar presente 
112
UNIDADE 2 | A PREVIDÊNCIA E A CAPITALIZAÇÃO
a garantia de que cada título tenha a mesma chance de ser sorteado. Embora não 
sejam obrigatórios, existem dois tipos de sorteios: 
Sorteio do Tipo Premiação Instantânea
Esse sorteio assemelha-se à chamada ‘raspadinha’. Seria uma forma 
de sorteio que se realiza previamente ao início de comercialização da 
série, sendo seu resultado sigiloso até a aquisição do título, quando, 
então, poderá ser ‘desvendado’ diretamente pelo consumidor. O sorteio 
realizado por meio de premiação instantânea deverá atender aos 
seguintes requisitos:
• O conhecimento relativo à contemplação na premiação instantânea 
deverá estar disponível ao titular no momento imediatamente posterior 
à aquisição do título, dependendo exclusivamente de sua atuação.
• Os procedimentos que o titular deve utilizar para verificar a 
contemplação na premiação instantânea deverão estar previstos nas 
condições gerais do título.
• Para cada série emitida, é necessária a realização de auditoria 
independente.
• Não poderá ser considerado como uma forma de liquidação 
antecipada do título de capitalização, isto é, um título sorteado na 
premiação instantânea não pode ser automaticamente cancelado.
Sorteios Comuns
São aqueles que ocorrem durante a vigência do título em datas 
estabelecidas pela sociedade de capitalização, ainda que de forma 
genérica. Exemplo: sorteio a ser realizado no último sábado de cada mês 
de vigência. Nos sorteios comuns, é facultada à sociedade de capitalização 
a utilização dos resultados de loterias oficiais para a apuração dos seus 
números sorteados ou a utilização de processos próprios para esta 
apuração, devendo a escolha estar prevista nas condições gerais. O mais 
comum é a utilização do resultado das extrações da Loteria Federal. Na 
hipótese de os órgãos oficiais não realizarem os sorteios ou alterarem a 
sua forma de realização de modo a torná-los incompatíveis às condições 
do título, a sociedade de capitalização deve prever, nas condições gerais 
do título, a realização de sorteios próprios substitutivos aos oficiais, 
precedidos de ampla divulgação.
Os sorteios obtidos através de processos próprios devem garantir o 
direito de o titular presenciar a apuração, devendo ser realizados nas 
sedes, sucursais ou quaisquer estabelecimentos de livre acesso aos 
titulares, com a presença obrigatória de um representante de auditoriaindependente (GUERRA, 2016, p. 70).
Dois efeitos podem ocorrer quando um determinado título é sorteado: a 
liquidação antecipada ou a continuação normal do título. O efeito que efetivamente 
ocorrerá depende do que estiver definido nas condições gerais e não da escolha 
do titular que foi sorteado. No caso de liquidação antecipada, o titular fará jus 
ao recebimento de três parcelas: o prêmio de sorteio, o saldo integral (100%) da 
Provisão Matemática para Capitalização e o valor referente ao custeio dos sorteios 
já pagos pelo subscritor, mas cuja realização se der após a liquidação antecipada 
do título. Todas as parcelas devem ser atualizadas monetariamente até a data do 
efetivo pagamento ao titular (GUERRA, 2016).
TÓPICO 4 | A CAPITALIZAÇÃO
113
Os valores dos prêmios dos sorteios são definidos sempre como múltiplos 
dos valores dos pagamentos. Esta informação deve estar nas condições gerais e 
na Nota Técnica Atuarial do título. Os prêmios não são definidos diretamente em 
reais, mas sim, como um número (múltiplo) que deverá ser multiplicado pelo valor 
de pagamento para se encontrar o prêmio de sorteio em reais. Conforme Guerra 
(2016), isso ocorre porque uma mesma série de títulos pode ser comercializada 
com valores diferentes de pagamento. Assim, o múltiplo é o mesmo para todos os 
títulos, mas os prêmios em reais não. Garante-se, deste modo, o chamado equilíbrio 
financeiro da série, isto é, títulos de pagamentos maiores contribuem mais para o 
sorteio e, se sorteados, receberão um prêmio maior, apesar de o múltiplo ser o 
mesmo para todos.
Os sorteios que preveem a liquidação antecipada do título contemplado 
apresentam uma alíquota de 25% de Imposto de Renda sobre o prêmio de sorteio, 
enquanto os sorteios que possibilitam a continuidade do título contemplado após 
o sorteio sofrem a incidência de 30% de Imposto de Renda. Portanto, deverá ser 
informado (nas condições gerais do título) se o valor do prêmio de sorteio é bruto 
(sobre o qual ainda incidirá Imposto de Renda) ou se já é livre de imposto. Sendo 
informado o valor bruto, as condições gerais deverão informar, também, a alíquota 
vigente de IR que incidirá sobre o prêmio (GUERRA, 2016).
A legislação estabelece que o titular contemplado deverá ser notificado, 
por escrito, mediante correspondência expedida com Aviso de Recebimento (AR), 
ou pela mídia impressa ou eletrônica, caso o pagamento do sorteio não tenha 
sido efetuado em até 15 (quinze) dias úteis de sua realização. Caso a sociedade 
de capitalização não cumpra o prazo e desde que o titular tenha mantido seus 
dados cadastrais atualizados junto à sociedade, o valor do prêmio de sorteio 
deverá ser acrescido de juros moratórios, previstos nas condições gerais. Guerra 
(2016) acrescenta que, assim como o resgate, a sociedade de capitalização deverá 
efetuar o pagamento do prêmio de sorteio por qualquer meio legalmente admitido 
e disponível na cidade de domicílio do titular, sendo vedada a reaplicação do valor 
do prêmio de sorteio em outro título sem a prévia anuência do titular. É admitida 
a previsão de parcelamento do pagamento do prêmio de sorteio em, no máximo, 
12 meses consecutivos. Neste caso, o prêmio se transforma numa espécie de renda 
mensal a ser recebida pelo titular.
 
4 AS MODALIDADES DE CAPITALIZAÇÃO
Vimos, na introdução desta unidade de estudos, que existem quatro 
modalidades de capitalização: tradicional, popular, incentivo e compra 
programada. A partir de agora conheceremos o que são, como funcionam e quais 
as principais características de cada uma dessas modalidades. 
114
UNIDADE 2 | A PREVIDÊNCIA E A CAPITALIZAÇÃO
4.1 MODALIDADE TRADICIONAL
A modalidade tradicional tem por objetivo restituir ao titular, no final 
do prazo de vigência, no mínimo, o valor total dos pagamentos efetuados pelo 
subscritor, desde que todos os pagamentos previstos tenham sido realizados nas 
datas programadas, sendo vedada qualquer vinculação da Provisão Matemática 
para Capitalização à aquisição de bem ou serviço. Portanto, essa modalidade 
valoriza o valor final a ser resgatado pelo titular, não devendo ser computada a 
atualização monetária da Provisão Matemática para Capitalização, tampouco 
eventual provisão de bônus.
A obrigação de que tais títulos restituam (no mínimo) o valor que foi pago 
só existe para o final da vigência, ou seja, nos casos de resgates antecipados não 
é obrigatório que o titular receba o valor que foi pago até aquele momento. Para 
maior clareza ao consumidor, Guerra (2016, p. 85) enfatiza que na ficha de cadastro, 
obrigatoriamente e em destaque, conste a seguinte mensagem:
Este título poderá restituir valor inferior ao total dos pagamentos 
efetuados, caso o resgate seja realizado antes do término do prazo 
de vigência. A contratação desse título é apropriada, principalmente, 
na hipótese de o subscritor planejar realizar todos os pagamentos e 
permanecer até o final da vigência.
Na modalidade Tradicional, o preenchimento de ficha de cadastro é 
obrigatório, devendo ocorrer antes da aquisição do título. A Provisão Matemática 
para Capitalização não pode estar vinculada à aquisição de um bem ou serviço, 
mas poderá ser utilizada como instrumento de garantia, por exemplo, garantia 
do pagamento de aluguel. Essa modalidade tem ganhado força no mercado como 
uma boa alternativa nos contratos de aluguéis que exigem caução em dinheiro 
(GUERRA, 2016). 
O título da modalidade Tradicional poderá ser estruturado na forma de 
pagamento único (PU), pagamento periódico (PP) ou pagamento mensal (PM). Por 
haver uma valorização maior do valor de resgate, a legislação cria um limite para o 
custeio dos sorteios, determinando que ele poderá corresponder a, no máximo, 15% 
do total dos pagamentos. A legislação prevê, ainda, uma espécie de submodalidade 
dentro da modalidade tradicional, que se caracteriza por permitir a estruturação 
de títulos permitindo pagamentos com livre escolha por parte do subscritor quanto 
à quantidade, valor e data de realização desses pagamentos. Assim, o subscritor, a 
qualquer momento durante a vigência do título, pode realizar um pagamento cujo 
valor também é livre. Ao permitir aportes livres, a legislação acabou por criar um 
produto que guarda certa semelhança com os fundos de investimentos (GUERRA, 
2016).
TÓPICO 4 | A CAPITALIZAÇÃO
115
QUADRO 8 - RESUMO DAS CARACTERÍSTICAS PRINCIPAIS DA MODALIDADE 
TRADICIONAL
FONTE: Guerra (2016, p. 86)
A modalidade tradicional tem, portanto, como principal objetivo, permitir 
que o poupador concorra a prêmios em dinheiro e, ao final do período, não tendo 
sido sorteado, consiga resgatar todo o capital empregado. Como o investidor 
resgata o valor aplicado, é claro que, se tivesse optado por outro investimento, 
teria rentabilidade maior. Todavia, não concorreria a prêmios. Paralelamente, se 
tivesse apostado o mesmo valor em loterias e não acertasse qualquer prêmio, todo 
o recurso estaria perdido. 
4.2 MODALIDADE POPULAR
É o título de capitalização que propicia a participação do titular em sorteios, 
sem que haja devolução integral dos valores pagos. Destaca-se, aqui, portanto, a 
importância dos sorteios, permitindo-se, inclusive, que o título não devolva, no 
final da vigência, tudo o que foi pago pelo subscritor. Segundo Guerra (2016, p. 89), 
as condições gerais e a ficha de cadastro (quando prevista, pois nessa modalidade 
a ficha é facultativa) deverão conter, em destaque, a seguinte mensagem:
Este título restituirá, ao final de sua vigência, valor inferior ao total 
dos pagamentos efetuados. A contratação desse título é apropriada 
principalmente na hipótese de o subscritor estar interessado em 
participar dos sorteios. Consulte a Tabela de Resgate para observar a 
evolução do percentual de resgate, de acordo com os meses de vigência 
do título.
Saldo da PMC ao final da vigência No mínimo, 100% do valor pago pelo subscritor (sem considerar atualização monetária e bônus)
Utilização do Saldo PMC Proibida qualquer vinculação à aquisição de bemou serviço; Possível como instrumento de garantia
Provisão de bônus Permitida
Ficha de cadastro Obrigatória, em momento anterior à aquisição do título
Tipos de título PU, PP ou PM
Custo com sorteio No máximo, 15% dos valores pagos pelo subscritor
Taxa de juros mensal No mínimo, igual a 0,35% a.m.
Índice de atualização da PMC Sem restrição, com exceção da "submodalidade" em que é vedade a TR
116
UNIDADE 2 | A PREVIDÊNCIA E A CAPITALIZAÇÃO
A taxa mínima de juros dessa modalidade também é inferior à taxa 
mínima de juros aplicável às modalidades Tradicional e Compra Programada. 
Independentemente da taxa de juros utilizada e de eventual penalidade em caso 
de resgate antecipado, nos títulos de pagamento único e com 12 meses de vigência 
dessa modalidade, o resgate antecipado deverá corresponder a, no mínimo, 
50% do valor do pagamento único. O título poderá ser estruturado na forma de 
pagamento periódico (PP), pagamento mensal (PM) ou pagamento único (PU), 
sendo vedada a previsão de bônus. Essa modalidade prioriza os prêmios de sorteio 
em detrimento do valor a ser resgatado. Por isso, ela apresenta requisitos especiais 
para o sorteio.
• Há um custeio mínimo para os sorteios, enquanto as demais 
modalidades possuem apenas um custeio máximo. A legislação 
estabelece que o custo com sorteios deverá corresponder a, no mínimo, 
5% e, no máximo, 25% dos pagamentos efetuados. Observe que o limite 
máximo também é maior quando comparado com as modalidades 
Tradicional e Compra Programada (15%).
• Para os títulos estruturados na forma de pagamento mensal (PM), o 
valor de cada prêmio bruto individual que deve ser garantido a cada 
título contemplado em sorteio não poderá ser inferior a 12 vezes o valor 
dos pagamentos.
• Deve prever a realização de, no mínimo, 1 (um) sorteio a cada semestre 
de vigência do título, exceto quando prevista a cessão integral de direito 
de resgate (por exemplo: o consumidor adquire o título já cedendo o 
resgate para uma instituição declarada de instituição pública).
• Salvo para as séries que possuam mais do que 1.000.000 (um milhão) 
de títulos, os sorteios realizados no segundo semestre de vigência do 
título devem distribuir, no mínimo, 10% do total do valor de prêmios 
previstos para a série (GUERRA, 2016, p. 90).
QUADRO 9 - RESUMO DAS CARACTERÍSTICAS PRINCIPAIS DA MODALIDADE 
POPULAR
FONTE: Guerra (2016, p. 90)
Saldo da PMC ao final da vigência Inferior a 100% do valor pago pelo subscritor
Provisão de bônus Vetada
Ficha de cadastro Facultativa
Tipos de título PU, PP ou PM
Custo com sorteio No mínimo, 5% e, no máximo, 25% dos valores 
pagos pelo subscritor
Taxa de juros mensal No mínimo, igual a 0,08% a.m.
Índice de atualização da PMC Índice de preço ou TR
TÓPICO 4 | A CAPITALIZAÇÃO
117
Na modalidade popular, a ênfase principal está nos sorteios. Eles são o 
grande apelo do produto, o que o torna um concorrente maior para outros tipos 
de sorteios, tais como rifas, bolões de apostas e até mesmo as loterias tradicionais. 
A Tele Sena, produto da Liderança Capitalização, pertencente ao Grupo Silvio 
Santos, é um bom exemplo. 
4.3 MODALIDADE INCENTIVO
É o título de capitalização vinculado a um evento promocional de caráter 
comercial instituído pelo subscritor. O subscritor, ou seja, uma empresa interessada 
em alavancar a venda de seus produtos (empresa promotora do evento), adquire 
títulos de capitalização junto a uma sociedade de capitalização para permitir que 
seus consumidores, ao adquirirem seus produtos, participem de uma determinada 
promoção comercial a ser realizada por meio dos sorteios constantes do título. 
Nesta modalidade, haverá uma cessão dos direitos do título. A empresa 
que subscreveu os títulos será o titular original e cederá os direitos desses títulos a 
seus consumidores (o de recebimento do resgate e o de participação nos sorteios). 
Segundo Guerra (2016), a legislação prevê que a cessão do direito de participação 
nos sorteios é obrigatória e gratuita, enquanto que a cessão do direito de resgate 
é facultativa. Assim, no evento promocional, as empresas devem ceder aos seus 
consumidores, pelo menos, o direito de participação nos sorteios, podendo reter 
(ficar para si) o direito de resgate dos títulos.
O evento promocional deve ser mencionado em material separado 
das condições gerais do título, não sendo necessário o seu envio à SUSEP. No 
entanto, a sociedade de capitalização deverá manter à disposição da SUSEP (para 
fiscalização) diversos documentos relativos ao acordo firmado pelo prazo de cinco 
anos, a contar da data do término de cada promoção. Perante a SUSEP, a sociedade 
de capitalização é responsável por eventuais violações das normas em vigor ou, 
ainda, violações das condições gerais dos títulos comercializados que venham 
a ocorrer nos acordos comerciais. Além disso, a sociedade de capitalização é 
responsável pelas obrigações e infrações cometidas pelas empresas promotoras 
do evento, exclusivamente com relação à promoção comercial. A SUSEP poderá, 
a qualquer tempo, cassar ou suspender a autorização, no todo ou em parte, para 
a utilização do título de capitalização em promoções comerciais, em casos de 
irregularidades (GUERRA, 2016).
O título poderá ser estruturado na forma de pagamento periódico (PP), 
pagamento mensal (PM) ou pagamento único (PU). O custo com sorteios poderá 
corresponder a, no máximo, 25% do custo total do título e não é possível a 
previsão de bônus. Guerra (2016, p. 91) informa que, além da vinculação ao evento 
promocional do subscritor, há duas outras características específicas para essa 
modalidade:
• Carência para resgate – deve ser de, no mínimo, 60 (sessenta) dias 
contados do início de vigência do título.
118
UNIDADE 2 | A PREVIDÊNCIA E A CAPITALIZAÇÃO
• Comercialização dos títulos – aqueles títulos que apresentam sorteios 
têm que ser estruturados em série. Lembramos que série são conjuntos 
de títulos que concorrem aos mesmos sorteios. A legislação exige 
que, numa promoção, somente poderão ser comercializadas séries 
exclusivas, isto é, não adquiridas por mais de um subscritor.
Dessa forma, somente a empresa que fará a promoção é quem pode adquirir 
títulos daquela série em que será realizado o sorteio para premiar os consumidores 
da empresa, evitando-se, assim, que alguém estranho à promoção seja o ganhador 
do prêmio.
QUADRO 10 - RESUMO DAS CARACTERÍSTICAS PRINCIPAIS DA MODALIDADE 
INCENTIVO
FONTE: Guerra (2016, p. 92)
Um bom exemplo da modalidade incentivo seria o caso de uma rede de 
lojas ou uma entidade de classe, como a Câmara dos Dirigentes Lojistas (CDL), 
fazer a opção de estruturar, através de um plano de capitalização, uma campanha 
de vendas de Natal com sorteios.
4.4 MODALIDADE COMPRA PROGRAMADA
 
A modalidade compra programada é aquela em que a sociedade de 
capitalização garante ao titular, ao final da vigência, o recebimento do valor total 
dos pagamentos efetuados pelo subscritor, desde que todos os pagamentos tenham 
sido realizados, nas datas programadas, sendo facultado ao titular optar, sem 
qualquer outro custo, pelo recebimento do bem ou serviço referenciado na ficha 
de cadastro e que é subsidiado por acordos comerciais celebrados com indústrias, 
atacadistas ou empresas comerciais. Para efeito do cálculo do valor final que é 
garantido ao titular, não se devem considerar a atualização monetária e eventual 
Saldo de PMC ao final da vigência Não há limites expressos na legislação
Direiro de participação nos sorteios Obrigatória a cessão gratuíta aos consumidores 
da empresa
Provisão de bônus Vetada
Ficha de cadastro Facultativa
Tipos de título PU,PP ou PM
Custo com sorteio No máximo, 25% dos valores pagos pelo 
subscritor
Taca de juros mensal No mínimo, igual a 0,08% a.m.
Carência No mínimo. 60 (sessenta) dias
Comercialização de títulos Por meio de séries exclusivas
TÓPICO 4 | A CAPITALIZAÇÃO
119
parcela de bônus. De acordo com Guerra (2016, p. 87), a ficha de cadastro deverá 
conter, em destaque, a seguinte mensagem:“Este título poderá restituir valor 
inferior ao total dos pagamentos efetuados, caso o resgate seja realizado antes do 
término do prazo de vigência”.
 
Há também, nessa modalidade, a regra de que o custo com sorteios poderá 
corresponder, no máximo, a 15% do total dos pagamentos. Enquanto que na 
modalidade Tradicional é proibida a vinculação do saldo da Provisão Matemática 
para Capitalização (PMC) a um bem ou serviço, na modalidade Compra 
Programada essa vinculação é obrigatória. Entretanto, o titular não é obrigado 
a escolher o bem ou serviço que foi inicialmente pactuado, podendo optar pelo 
recebimento em dinheiro do valor de resgate ou, sem qualquer custo adicional, 
pelo bem ou serviço acordado.
Como num título o prazo de vigência é amplo, torna-se fundamental que 
a atualização monetária da PMC expresse os aumentos de preço que o bem ou 
serviço apresentem ao longo dos meses, evitando uma diferença expressiva entre 
o saldo da PMC e o preço do bem. Este fato poderia onerar muito a sociedade de 
capitalização, eventualmente comprometendo a sua solvência, uma vez que ela tem 
a obrigação de garantir a entrega do bem, se for esta a escolha do titular. Assim, a 
atualização monetária da PMC deverá ser feita, em geral, por índice de preços e em 
conformidade com a legislação. Em princípio, não poderá ser utilizada a TR como 
índice de atualização e, excepcionalmente, poderá ser previamente aprovado pela 
SUSEP algum outro índice, caso a sociedade comprove a existência de contrato 
firmado com fornecedores, garantindo que a atualização dos preços dos bens ou 
serviços ocorrerá pelo índice a ser utilizado no plano (GUERRA, 2016).
As condições relativas ao bem ou serviço referenciado deverão ser 
informadas ao subscritor, em material apartado das condições gerais, não sendo 
necessário o envio desse material para a SUSEP. Guerra (2016) explica que, com a 
existência de um bem ou serviço, é inevitável a comparação entre a modalidade 
Compra Programada e o sistema de consórcio. No entanto, eles são muito diferentes. 
O autor lembra que na capitalização o prêmio de sorteio não precisa guardar relação 
com o valor de resgate, ou seja, o título poderá ser sorteado, continuar vigente 
e o prêmio de sorteio corresponder ou não ao bem que se pretende adquirir. E 
mesmo que o prêmio represente o valor do bem, se o título continuar em vigor, 
ele continuará participando de sorteios e terá direito, ainda, ao saldo da PMC no 
momento do resgate.
Também, segundo Guerra (2016), é possível que o título sorteado seja 
cancelado (liquidação antecipada por sorteio), não sendo devido mais qualquer 
pagamento pelo subscritor. Isto não ocorre com um consumidor contemplado 
num sorteio de um consórcio, que deve continuar normalmente a realizar os 
pagamentos. Além disso, as sociedades de capitalização são fiscalizadas pela 
SUSEP, enquanto as de consórcio são fiscalizadas pelo Banco Central.
120
UNIDADE 2 | A PREVIDÊNCIA E A CAPITALIZAÇÃO
Como a sociedade de capitalização precisa firmar acordos comerciais para 
garantir o bem ou serviço referenciado na ficha de cadastro, há um aumento de suas 
despesas administrativas. Por isso, na modalidade Compra Programada permite-se a 
aplicação de penalidade diferenciada para o caso de resgate antecipado, objetivando 
manter o equilíbrio dessas despesas. De acordo com Guerra (2016), as sociedades 
poderão reter (desde que previsto nas condições gerais do título) percentual máximo 
de 10% do saldo da PMC nos casos em que o titular solicitar o resgate antes do 
fim do prazo de vigência do título. Em relação à regra geral aplicada às demais 
modalidades, essa penalidade se torna mais grave, uma vez que o percentual de 
10% poderá ser aplicado até o dia que anteceder o fim de vigência.
QUADRO 11 - RESUMO DAS CARACTERÍSTICAS PRINCIPAIS DA MODALIDADE 
COMPRA PROGRAMADA
FONTE: Guerra (2016, p. 89)
Embora não figure como um produto de capitalização, pela sua fama e 
similaridade, talvez uma boa ilustração para melhor compreensão da modalidade 
Compra Programada seja o famoso Baú da Felicidade, uma empresa do Grupo 
Silvio Santos. Atualmente, cada participante paga 12 mensalidades de R$ 10,00 
e concorre a prêmios de até R$ 1 milhão e, ao final do seu carnê pode retirar R$ 
150,00 em produtos Cosméticos Jequiti, empresa do mesmo grupo empresarial. 
Saldo da PMC ao final da vigência No mínimo, 100% do valor pago pelo subscritor ( 
sem considerar atualização monetária e bônus)
Utilização do saldo da PMC Vinculada à aquisição de bem ou serviço, mas 
sendo dada ao titular a opção pelo recebimento em 
dinheiro do saldo da PMC
Penalidade em caso de resgate antecipado No máximo, 10% mas para qualquer momento do 
resgate antecipado
Provisão de bônus Permitida
Ficha de cadastro PP ou PM (não pode ser PU)
Custo com sorteio No máximo, 15% dos valores pagos pelo subscritor
Liquidação antecipada por sorteio Possível, desde que possibilite ao títular a 
aquisição de bem ou serviço acordado
Taxa de juros mensal Possível, desde que possibilite ao titular a aqusição 
de bem ou serviço acordado
Taxa de juros mensal No mínimo, igual a 0,35% a.m
Índice de atualização da PMc Em regra, por índice de preço. Excepcionalmente, 
pode ser aprovado outro índice (TR, poe exemplo)
TÓPICO 4 | A CAPITALIZAÇÃO
121
FONTE: FENASEG (2016)
GRÁFICO 1 - PENETRAÇÃO DA ARRECADAÇÃO DO PIB NOMINAL
Com relação às reservas técnicas, o endereço eletrônico 
TUDOSOBRESEGUROS (vide referências no fi nal da apostila) informa que, em 
abril/2016, as provisões do mercado segurador, regulado pela SUSEP, atingiram 
R$ 694 bilhões, com um crescimento de 19,1% sobre os valores existentes em 
abril/2015. Quando essas reservas são comparadas com o total da poupança 
fi nanceira nacional, verifi ca-se que naquele momento (abril/2016) elas respondiam 
por 12% de todo o montante existente. No quadro a seguir vemos a distribuição 
das reservas ou provisões do mercado segurador.
UNI
Até aproximadamente a metade do ano de 2016 o mercado segurador brasileiro 
arrecadou o equivalente a 6,2% do Produto Interno Bruto (PIB). Os planos de previdência 
de acumulação (garantindo apenas o risco de sobrevivência – renda na aposentadoria) 
responderam por 1,7% do PIB nacional. Já os planos para pessoas, com cobertura de risco 
(morte e invalidez) foram responsáveis por 0,5%. Os seguros de ramos elementares (bens e 
responsabilidades) alcançaram 1,1% do PIB, e os títulos de capitalização 0,3%. Finalmente, os 
planos privados de saúde chegaram a 2,6% do PIB.
Fontes: DIOPS (ANS) - Extraído em 14/09/2016
SES (SUSEP) - Extraído em 24/10/2016
SGS (BGB) - Extraído em 27/09/2016
Nota: DIOPS (ANS) - Dados até o segundo trimestre de 2016
SES (SUSEP) - Dados até Agosto de 2016
SGS (BGB) - Dados até Setembro de 2016
1) A sigla CP corresponde à Cobertura de Pessoas 2)Valores referentes ao ramo dotal misto foram incluídos na parte 
de planos de risco, embora apresente características mistas de rísco e acumulação. 3) Por questões metodológicas, os 
valores apresentados diferem dos informados pela ANS e FenaSaúde. 4) Nos termos da Resolução Normativa nº 307, os 
valores da ANS relativos aos três primeiros trimestres de cada ano podem estar subavaliados, pois algumas operadoras são 
dispensadas da obrigação de envios neste período.
Captalização
Ramos elementares
CP - Plano de risco CP - Plano de acumulação Saúde Suplementar
1,2%
3,7% 2,4% 2,6%
Variação 2,7% Variação 7,7%
Período analisado: até agosto
Dados SUSEP
Período analisado: até 2º Trimestre
Dados ANS
3,8%
0% 0%
0%
1%
2%
2%
2%
3%
1%
2%
3%
4%
2015 20152016 2016
1,6%
0,6%
0,4%
2016
0,3%
0,5%
1,7%
1,1%
2015 2016
122
UNIDADE 2 | A PREVIDÊNCIA E A CAPITALIZAÇÃO
QUADRO 12 - PROVISÕES DAS SEGURADORAS
FONTE: Disponível em: <http://www.tudosobreseguros.org.br/portal/pagina.
php?c=1406>. Acesso em: 2 nov. 2016.
As aplicações ou alocações de recursos referentes às reservas ou provisões 
técnicas são disciplinadas pelo Banco Central (BACEN). Esses investimentos sãodenominados de ativos garantidores das provisões e acompanhados pela SUSEP. 
No quadro a seguir se observa que eles são fortemente concentrados em cotas de 
fundos de investimento e em títulos de renda fixa. 
QUADRO 13 - ATIVOS GARANTIDORES DAS SEGURADORAS
FONTE: Disponível em: <http://www.tudosobreseguros.org.br/portal/pagina.
php?c=1406>. Acesso em: 2 nov. 2016.
TÓPICO 4 | A CAPITALIZAÇÃO
123
De acordo com a FENACAP (2016), os recursos resultantes dos pagamentos 
dos clientes constituem as Reservas de Capitalização e são investidos pelas 
sociedades de capitalização no mercado financeiro, conforme regulamentação 
específica, que determina limites e classes de ativos onde esses recursos podem ser 
aplicados. Isso significa dizer que o setor contribui para a formação da poupança 
interna e para alavancar o desenvolvimento econômico e social do país.
Verifica-se que o mercado segurador vem ocupando espaço cada vez mais 
relevante na economia brasileira. Na verdade, não existe nenhum país no mundo 
que tenha uma economia bem desenvolvida sem que possua uma indústria de 
seguros vigorosa. Nos chamados países desenvolvidos, a atividade de seguros 
representa cerca de 10% do Produto Interno Bruto (PIB). É como se a população 
economizasse, anualmente, 10% da sua renda para fazer frente aos riscos ou 
sinistros a que pessoas e empresas estão sujeitas. E além de conseguir repor suas 
perdas, como vimos anteriormente, os seguros, a previdência complementar 
e a capitalização são grandes acumuladores de poupança e importantíssimos 
investidores na economia de seus países.
Conforme apresentado no UNI acima, o mercado segurador já responde 
por 6,2% da economia brasileira quando somados com os valores arrecadados pelas 
operadoras de planos de saúde. As reservas técnicas estão fortemente aplicadas 
em títulos públicos e, em 2016, chegaram a aproximadamente R$ 700 bilhões. É um 
montante extraordinário de recursos que são colocados à disposição do Governo e 
que, se bem alocados, possibilitam enorme realização de investimentos e favorecem 
o crescimento da economia brasileira.
LEITURA COMPLEMENTAR
Como os seguros apoiam a economia
1. A indústria de seguros tem papel crucial na sociedade
Os benefícios da indústria de seguros – que, especificamente, inclui os 
mercados de seguros, previdência complementar aberta, saúde suplementar e 
capitalização – se devem à natureza original dos serviços que proporciona. No 
seu conceito mais simples, o seguro é um acordo no qual, em troca do pagamento 
de um prêmio, o segurador concorda em pagar ao segurado uma determinada 
quantia no caso de uma perda específica.
Os prêmios pagos pelo indivíduo se tornam parte de uma carteira que 
agrupa riscos similares, administrada pelas seguradoras. Para a determinação dos 
prêmios, as seguradoras consideram as perdas previstas estatisticamente referentes 
à carteira, bem como o potencial de perdas acima do que é considerado normal, 
além de outros custos e de um lucro normal para o negócio. Assim, os prêmios 
são fixados de tal modo que sejam suficientes para cobrir todos os pagamentos 
projetados de indenizações relativos à carteira mais as despesas correntes, 
124
UNIDADE 2 | A PREVIDÊNCIA E A CAPITALIZAÇÃO
deixando como sobra uma margem de lucro. Isso envolve decidir sobre uma escala 
complexa de fatores afetando tais receitas e despesas.
O princípio da boa-fé
O seguro é um contrato que se projeta no futuro, logo, inevitavelmente 
especulativo. A seguradora recebe as informações do segurado e, com base 
nelas, traça um perfil do risco e calcula a perda esperada e o prêmio de seguro. 
A base moral na qual se assenta o mercado de seguros é o princípio da boa-fé. Se 
o segurado omite informações que agravariam o risco, ameaçando de prejuízo a 
seguradora, ele falta com tal princípio. O mesmo ocorre se a empresa, aproveitando-
se do desconhecimento do segurado sobre o mercado, deliberadamente usa de 
terminologias vagas na apólice de modo a, por exemplo, esconder certas limitações 
do contrato. Nesses dois casos, a lei diz que o contrato é nulo.
A lei e a prática do mercado impõem aos contratantes o dever de obedecer 
ao princípio da boa-fé, pois, na falta dele, o acúmulo de prejuízos de parte a 
parte levaria a suspeitas generalizadas e, no limite, à inviabilização do próprio 
mercado de seguros. Ao contrário, o mercado floresce quando tal princípio é 
generalizadamente aceito e praticado. Note-se que esse princípio é aplicável a 
todos os contratos e transações. Ele proíbe o agente de esconder da outra parte 
o que sabe confidencialmente, para induzi-la a um negócio que não ocorreria ou 
ocorreria de modo diverso se essa parte tivesse acesso à informação sonegada. E 
vice-versa.
O gerenciamento de riscos
A gestão de riscos é a contribuição mais importante da indústria de seguros. 
A incerteza e o risco acompanham a maioria das atividades humanas, sejam sociais, 
econômicas ou outras. O gerenciamento de recursos que caracteriza a maioria de 
investimentos igualmente implica a assunção de riscos. A vida humana é cheia de 
riscos. O capital fixo é, em particular, sujeito a danos inesperados e custosos. O 
investimento (adição ao capital fixo existente), particularmente importante para o 
crescimento econômico, é tipicamente acompanhado de riscos ainda maiores.
Muitos indivíduos são avessos ao risco e preferem evitar ou minimizar 
o risco. Mesmo empreendedores em novos negócios podem preferir transferir 
o risco às seguradoras naquelas áreas que sentem estar fora de seu controle. O 
seguro fornece, frequentemente, resposta a essas questões. É a opção moderna de 
gerenciamento do risco, diferentemente do mutualismo puro que é a forma antiga 
de proteção e envolve a mera repartição das perdas entre os membros do grupo 
participante. No seguro, há a transferência do risco de perda de uma entidade 
(empresa ou indivíduo ou governo) para outra entidade (seguradora), que recebe 
em troca um prêmio.
A seguradora se especializa em assumir riscos, tarefa nada fácil. O conjunto 
de prêmios permite às seguradoras formar reservas que servirão para pagar os 
TÓPICO 4 | A CAPITALIZAÇÃO
125
sinistros e, aplicadas no mercado de capitais, lhes permitem cobrar prêmios mais 
baratos. O seguro partilha com o mutualismo a agregação do risco e a divisão 
das perdas porque as seguradoras agrupam riscos semelhantes em carteiras 
distintas, de modo a melhor estimar estatisticamente as respectivas perdas e, por 
conseguinte, fixar adequadamente os prêmios de seguros que devem cobrar.
Porém, diferentemente do mutualismo puro, no seguro o risco é 
transferido: a seguradora tem de arcar com as indenizações referentes a uma 
dada carteira, mesmo quando a soma dos prêmios recolhidos for inferior ao valor 
das indenizações. Daí a importância de a empresa ser solvável, isto é, ter capital 
próprio suficiente para pagar as indenizações que prometeu, mesmo nos casos 
mais difíceis em que os sinistros realizados superaram os sinistros previstos. A 
transferência do risco proporcionada pelo mecanismo do seguro permite que 
indivíduos, empresas e governos se engajem em atividades mais arriscadas que, 
de outra forma, não fariam. Tais atividades são então viabilizadas pela existência 
de seguros. Sem seguro, não existiriam ou seriam em muito diminuídas.
Riscos seguráveis e não seguráveis
Utilizando o mercado de seguros, uma pessoa pode construir uma rede de 
proteção bastante efetiva em sua vida, na de sua família e em suas propriedades, 
mas nem todos os riscos são seguráveis. As seguradoras procuram excluir 
explicitamente das coberturas, por exemplo, os danos resultantes de eventos de 
difícil previsão ou que concentram fortemente os riscos. Mais precisamente, as 
condições necessárias para que um risco seja segurável são as seguintes:
Grande número de eventos: quanto maior o número de segurados, a Lei 
estatística dos Grandes Números garante que maior é a estabilidade de resultados 
de sinistros que uma seguradora pode esperar.
Eventosindependentes entre si (desconcentração de riscos): para que a 
Lei dos Grandes Números seja plenamente aplicável, é preciso que os riscos sejam 
independentes entre si. Nenhuma seguradora formará uma carteira de seguro 
rural apenas numa região, ou de seguro de incêndio num único prédio.
Experiência suficiente (cálculo correto de probabilidades): pode ser que os 
eventos sejam independentes e que haja grande número de interessados no seguro, 
mas se houver grande imprevisibilidade, como nos casos de guerras ou atentados 
terroristas, o seguro dificilmente será feito, ou estes riscos serão excluídos da 
apólice, que é o mais provável. Nenhuma seguradora aceitará, por exemplo, fazer 
seguro contra perdas de uma carteira de mercado de ações.
Baixa incidência de “risco moral”: “risco moral” é a possibilidade 
de uma pessoa ou empresa, depois de contratar o seguro, comportar-se mais 
arriscadamente do que faria se estivesse inteiramente exposta ao risco. O caso 
típico é o do indivíduo que fez seguro contra roubo de automóvel e, depois 
disso, tornou-se pouco vigilante com seu carro. O “risco moral” está relacionado 
à chamada assimetria de informação - as seguradoras têm dificuldade de saber 
126
UNIDADE 2 | A PREVIDÊNCIA E A CAPITALIZAÇÃO
de antemão como reagirão seus segurados depois de contratado o seguro. Atenção: 
não se deve confundir risco moral com fraude, que cria o falso sinistro, e com dano 
moral, que é toda e qualquer ofensa ou violação aos princípios de ordem moral de 
um indivíduo, referentes à sua liberdade, à sua honra, à sua pessoa ou à sua família.
Baixa incidência de “seleção adversa”: a “seleção adversa” é mais um 
problema decorrente da assimetria de informação. Ela se refere a um processo de 
mercado em que, por falha na precificação, os riscos maiores são naturalmente 
“selecionados” (aceitos) em detrimento dos riscos menores. O caso mais simples 
é de uma população de fumantes e não fumantes e uma seguradora de saúde que 
cobra deles preços idênticos por não saber diferenciar, a priori, quem pertence 
a cada grupo. Ao fim e ao cabo, os segurados não fumantes (riscos menores) 
desistirão do seguro, pois perceberão que estão pagando um preço mais caro pelo 
seu risco específico. E a seguradora, ao reajustar para cima o prêmio, pois percebe 
que sua carteira está se concentrando nos riscos maiores (dos fumantes), pode 
chegar numa situação em que a apólice se tornou invendável.
2. Seguro, previdência complementar aberta, saúde suplementar e capitalização: 
uma indústria vigorosa no Brasil
A indústria de seguros, previdência complementar aberta, saúde 
suplementar e capitalização tem contribuído decisivamente para o desenvolvimento 
da economia e da sociedade brasileira. A sua atuação se destaca no que se refere:
• À natureza dos serviços proporcionados.
• À diversidade e valor desses mesmos serviços.
• Ao emprego de mão de obra.
• À ampla rede de distribuição que cria.
• À mobilização de poupanças.
• À contribuição ao crescimento do Produto Interno Bruto.
A indústria beneficia a todos
Especificamente, o instituto do seguro presta o serviço essencial de 
gerenciamento eficiente do risco e isto ocorre de três maneiras:
• Pelo apreçamento do risco.
• Pela transferência e transformação do risco. 
• Pela agregação e redução do risco.
Em suas atividades, as seguradoras avaliam as perdas potenciais e, 
tipicamente, cobram prêmios que são mais elevados quanto maiores forem tais 
perdas esperadas. O prêmio fornece informação aos segurados sobre o grau de 
risco a que estão expostos. Na ausência do seguro, essa importante informação não 
existiria. O seguro permite aos indivíduos transferir seus riscos às seguradoras. 
Ao fazer isso, o seguro transforma o perfil de risco dos segurados e das empresas, 
reduzindo-o. Em consequência, como a maior parte das pessoas é avessa ao risco, 
o seguro contribui fortemente para o aumento do nível de bem-estar social.
TÓPICO 4 | A CAPITALIZAÇÃO
127
A agregação de riscos também traz benefícios. Suponha que se saiba 
o seguinte: numa região e num ano, em média, 10% dos carros são roubados. 
No mundo real, o padrão de perdas (carros roubados) é instável. Assim, uma 
seguradora que segurasse apenas 10 carros poderia muito bem achar que há uma 
possibilidade significativa (digamos, de 25%) de que dois carros de sua carteira 
sejam roubados. No entanto, isso dobraria suas despesas em indenizações e 
obviamente desestimularia o negócio. Porém, se a seguradora conseguisse reunir e 
segurar 10.000 carros em condições de risco similares aos 10 anteriores, ela estaria 
amparada numa lei da Estatística – a Lei dos Grandes Números – que prova que 
a probabilidade de os sinistros serem o dobro da média cai agora para menos 
de 1%. Em outros termos, quanto maior o número de segurados, mais estável e 
previsível é o risco da carteira da seguradora. Isso reduz a volatilidade de sinistros, 
permitindo-lhe cobrar prêmios de risco menores e mais estáveis no tempo.
A habilidade do mercado de seguros em assumir riscos facilita a compra 
de bens de capital fixo (investimentos) e de bens duráveis de consumo, como 
automóveis e imóveis, bem como permite estabilizar a renda das famílias frente 
a riscos diversos de perda tanto na fase laboral quanto na aposentadoria. A 
estabilidade financeira proporcionada pelo seguro é fundamental. Sem ela, as 
perdas teriam de ser cobertas pelo autosseguro ou pelo mutualismo puro, que 
exigem comprometimento muito maior de capital. O seguro permite que o risco seja 
transferido a empresas especializadas no seu gerenciamento, possibilitando que 
indivíduos, empresas e governos empreendam projetos mais arriscados. Mesmo as 
seguradoras necessitam do seguro: o resseguro é o seguro dos riscos patrimoniais 
das seguradoras, permitindo que transfiram para empresas especializadas (as 
resseguradoras) a parte dos riscos que subscreveram, mas excedem sua capacidade 
de retenção. 
Por meio da previdência complementar aberta - que também é um seguro, 
pois cobre os riscos de aposentadoria e de sobrevivência - a indústria complementa 
e, em certos casos, substitui os programas estatais de seguridade social e 
assistência dos governos. Isso é relevante, mormente nos tempos atuais, quando 
em todo mundo tais sistemas se encontram pressionados pelo envelhecimento 
relativo da população, ligado às baixas taxas de natalidade e à queda das taxas de 
mortalidade, e pela concessão de benefícios pouco sustentáveis no tempo. Outros 
produtos, como o seguro compulsório de danos pessoais decorrentes de acidentes 
com veículo motorizado (DPVAT), o seguro de vida e os seguros e planos de 
saúde suplementar também ajudam fortemente os governos a reduzir as despesas 
estatais relativas a esses eventos. O seguro proporciona, assim, o que em economia 
se chamam “externalidades positivas”, isto é, seus efeitos positivos transbordam 
para os demais setores da economia, permitindo o incremento do consumo, dos 
lucros e do emprego e o aumento de bem-estar social generalizadamente.
Proporciona serviços de grande valor
É difícil quantificar exatamente a participação da indústria de seguros, 
previdência complementar aberta, saúde suplementar e capitalização na economia 
nacional. A medida mais utilizada – a razão prêmios/PIB, também chamada de 
128
UNIDADE 2 | A PREVIDÊNCIA E A CAPITALIZAÇÃO
“coeficiente de penetração” – é uma informação importante, mas subestima a 
contribuição total da indústria para a economia. O prêmio fornece uma medida 
conservadora do valor do seguro, pois é sempre inferior às importâncias seguradas 
e não computa o aumento de bem-estar que a proteção securitária proporciona à 
sociedade. De todo modo, os prêmios diretos e contribuições coletados pela indústria 
de seguros, previdência complementar aberta, saúde suplementar e capitalização 
atingiram R$ 361.223 milhões em 2015, o que representou um acréscimo de 252% 
sobre o dado de 2005 (Tabela 1). Como porcentagem do PIB, essa medida passou 
de 4,7% para 6,1% no mesmo comparativo.A tabela mostra ainda que a maior 
taxa de crescimento do faturamento no período foi seguros e planos de saúde 
suplementar, com 282%. A receita dos seguros de pessoas (coberturas de risco de 
morte e acidentes pessoais somadas às de previdência complementar aberta) ficou 
em segundo lugar, com taxa de expansão de 258%. O grupo dos seguros gerais 
(danos e responsabilidades) teve faturamento acrescido em 2-3% entre 2005 e 2015. 
E o setor de títulos de capitalização (que é um tipo de poupança mesclada com 
sorteios) teve um crescimento na arrecadação de 210%.
Os prêmios de seguros destinam-se a formar reservas de modo a que as 
seguradoras possam pagar as indenizações prometidas sem perdas de capital. 
Assim, a maior parte dos prêmios retorna para a sociedade na forma de indenizações. 
Em 2015, como mostrado no Gráfico 1, foram retornados desse modo R$ 165,2 
bilhões divididos da seguinte maneira: R$ 119,4 bilhões em despesas assistenciais 
de saúde suplementar, R$ 37,9 bilhões em indenizações de seguros gerais (de 
danos e responsabilidades) e R$ 7,9 bilhões em indenizações de produtos de risco 
do grupo dos seguros de pessoas (ou seja, fora previdência complementar).
TÓPICO 4 | A CAPITALIZAÇÃO
129
Um indicador mais abrangente de como o seguro é importante para a 
economia é o valor das provisões ou reservas técnicas. A função de tais provisões 
é fazer frente às indenizações de sinistros presentes e futuras relativas às apólices 
vigentes. Em fins de 2015, famílias, empresas e governos tinham R$ 618,9 bilhões 
em provisões inscritas nos balanços das companhias seguradoras, R$ 31,0 bilhões 
em reservas formadas nas empresas de capitalização e R$ 28,9 bilhões em provisões 
das operadoras de saúde suplementar, sendo de se mencionar, nesse caso, que 
as seguradoras especializadas em saúde detinham 48% desse total (Gráfico 2). As 
reservas dão melhor indicação da importância da indústria na economia que os 
prêmios, mas ainda assim subestimam o verdadeiro valor, pois estão baseadas 
nas importâncias seguradas multiplicadas pelas probabilidades de ocorrência de 
sinistros.
130
UNIDADE 2 | A PREVIDÊNCIA E A CAPITALIZAÇÃO
Apresenta grande diversificação
O mercado de seguros é altamente diversificado e competitivo no Brasil. 
Basta notar a quantidade de empresas que dele fazem parte: em fins de 2015, havia 
em operação 115 seguradoras, 18 companhias de capitalização, 24 entidades abertas 
de previdência complementar, mais de mil operadoras de saúde suplementar, 
mais de 100 mil corretores de seguros ativos (pessoas físicas e jurídicas), 123 
resseguradoras autorizados a operar no país e 24 corretoras de resseguro.
É fundamental para o desenvolvimento econômico
Os benefícios da indústria de seguros, previdência complementar, saúde 
suplementar e capitalização não se restringem aos segurados. Ela incentiva o 
crescimento econômico por meio de diversos mecanismos, por exemplo:
• Promoção da estabilidade financeira das empresas e das famílias, pois cobre as 
perdas dos segurados. Sem essa garantia, as perdas teriam de ser cobertas pelo 
autosseguro ou pelo mutualismo puro, que exigem comprometimento muito 
maior de capital.
• Complementação e, em certos casos, substituição dos programas de seguridade 
social e assistência dos governos. Alívio também das responsabilidades dos 
governos proporcionado por seguro, como o DPVAT, o seguro de vida e 
acidentes pessoais e os seguros e planos de saúde.
• Facilitação do comércio e da indústria. Diversos produtos e serviços só são 
ofertados porque existe seguro para eles. No caso de novos investimentos 
em negócios arriscados, a oferta de financiamento depende, frequentemente, 
de seguros de vida e do patrimônio do empreendedor. Analogamente, os 
bancos (e os governos) exigem frequentemente que as pessoas comprem 
seguros de crédito, vida e danos aos imóveis quando adquirem financiamentos 
hipotecários. O seguro pode ser considerado como o lubrificante que facilita o 
bom funcionamento da economia.
• Incentivo à redução de danos. Isso ocorre, por exemplo, quando as companhias 
de seguros induzem os segurados a adotarem medidas de prevenção contra 
fogo e de segurança no trânsito. A redução de danos beneficia a comunidade em 
geral.
• Promoção de alocação mais eficiente do capital. As seguradoras investem 
elevados recursos na obtenção de informações sobre os riscos de projetos, 
empresas e indivíduos, de modo a embasar adequadamente suas decisões de 
venda e de investimento. Indivíduos e empresas têm, tipicamente, menos tempo, 
recursos ou habilidades para coletar e processar tais informações. Além disso, a 
atividade de monitoramento de riscos fornece aos mercados informações sobre 
probabilidades de perdas que melhoram a alocação dos recursos por parte dos 
agentes econômicos.
TÓPICO 4 | A CAPITALIZAÇÃO
131
• Atuação como intermediárias financeiras. Como aplicadoras de suas reservas nos 
mercados de capitais, são importantes na mobilização de poupanças essenciais 
ao processo de investimento e, daí, ao crescimento econômico. 
É fácil perceber que, num mundo sem seguro, famílias, empresas e 
governos teriam que consumir menos e poupar mais, de modo a acumular fundos 
que os protegessem dos riscos cobertos presentemente pelos seguros. Como 
consequência, a atividade econômica sofreria grave redução, pois nem todos os 
agentes conseguiriam realizar esse esforço de poupança. Portanto, é lícito supor 
que, se os seguros não existissem, uma parcela substancial da economia não 
existiria também.
Meio ambiente: a frequência das catástrofes parece estar crescendo
Por sua natureza, o mercado de seguros tem acompanhado os desastres 
naturais no planeta, bem como o número de vítimas e as indenizações pagas pelas 
seguradoras. Qualquer que seja a causa – emissões de gases de efeito estufa, ciclos 
solares etc. –, o fato é que desde a década de 70 esses fenômenos apresentam nítida 
tendência de crescimento em quantidade e em severidade. Segundo a Swiss Re, 
entre o início dos anos 70 e a primeira década do novo milênio, o número médio 
anual de catástrofes naturais cresceu 257%. O custo significativo das catástrofes 
naturais em vidas e recursos materiais representa um desafio único para segurados, 
seguradoras e governos. Um único sinistro catastrófico pode colocar em risco a 
solvência de seguradoras que aceitaram cobrir perdas a ele relacionadas. Em certos 
casos, nem mesmo o total de ativos de uma seguradora é suficiente para cobrir o 
volume de indenizações.
A indústria de seguros tem mecanismos para cobrir alguns desses 
riscos. O mais conhecido de todos é o resseguro, ou seja, o seguro patrimonial 
das seguradoras. Outro mecanismo é a emissão de “bônus-catástrofe” que são 
obrigações emitidas pelas seguradoras e vendidas a investidores. Se nenhuma 
catástrofe ocorre, o investidor recebe principal e juros elevados, conforme o risco 
subscrito. Se o desastre ocorre, o principal e/ou juros são postergados ou perdidos e 
a seguradora pode usar o dinheiro para pagar as indenizações. Ambas as soluções 
exigem modelagens complexas dos riscos.
Ainda assim, a cobertura de riscos de catástrofes naturais (e também geradas 
pelo homem, como radiação nuclear, terrorismo etc.) pelos mercados privados 
de seguros e resseguros vai precisar avançar mais em relação ao que existe hoje 
tanto em abrangência quanto em valores. O mecanismo do resseguro é um custo 
adicional para as seguradoras e nem sempre disponível, pela própria dificuldade de 
agregação de riscos numerosos e independentes. E o mercado de bônus-catástrofe 
ainda é pequeno frente às perdas derivadas de desastres naturais. A gestão desses 
tipos de riscos exigirá das seguradoras e resseguradoras serem mais sofisticadas 
em suas modelagens de risco, com o uso de tecnologias avançadas de alerta 
precoce nas áreas mais sujeitas a tais riscos. As empresas que não conseguirem 
acompanhar tal sofisticação podem ser forçadas a sair do mercado em certas áreas 
132
UNIDADE 2 | A PREVIDÊNCIA E A CAPITALIZAÇÃOde cobertura. A conscientização das populações, bem como a prevenção e a ação 
governamental, em harmonia com o setor privado, serão, também, essenciais para 
mitigar as perdas que são esperadas em função dos caprichos da natureza.
Novas tecnologias: oportunidades e riscos para as seguradoras
As inovações tecnológicas certamente são os motores do progresso, mas 
para que o novo e mais eficiente surja é preciso descartar o velho e menos eficiente 
e, ao mesmo tempo, garantir o uso continuado e seguro da nova tecnologia. A 
tecnologia de informações, em particular, é pródiga de riscos e oportunidades. O 
relatório Riscos Globais, do Fórum Econômico Mundial, edição 2015, nota que, 
nos Estados Unidos, o custo dos ataques cibernéticos já alcança cerca de US$ 100 
bilhões anualmente. O mercado de seguro certamente será chamado a ajudar a 
mitigar os impactos negativos da difusão da informática. Até recentemente, por 
exemplo, o risco cibernético integrava o elenco de exclusões de cobertura da 
maioria das apólices de seguros. Entretanto, o crescimento do uso da Internet e os 
crimes correlatos já fizeram com que o mercado começasse a oferecer coberturas 
contra alguns desses riscos.
Por outro lado, a indústria de seguros se beneficiará de mudanças na 
tecnologia de informações que tornarão mais exatas a precificação, a aceitação 
e a gestão de riscos. É o caso das ferramentas que permitem o uso de extensos 
bancos de dados atualizados em tempo real via Internet, também chamados de 
Big Data. Historicamente, o setor tem usado, principalmente, dados internos às 
empresas para tomar decisões táticas e operacionais sobre seus clientes. Com a 
evolução da tecnologia Big Data, as seguradoras começarão a usar dados externos 
não estruturados para decisões estratégicas sobre o futuro, tais como o produto 
ou solução mais adequado para um dado cliente, em que regiões ou países devem 
concentrar suas operações etc.
A biotecnologia é outra fonte de riscos. É fácil imaginar esta tecnologia 
levando a tratamentos poderosos e benéficos contra o câncer e muitas doenças 
genéticas, bem como a melhora das culturas alimentares, a limpeza de ambientes 
degradados por organismos geneticamente modificados etc. Infelizmente, não é 
difícil imaginar também grandes perigos. A biotecnologia poderia ser usada para 
modificação dos seres humanos, alterando o próprio sentido da humanidade. A 
manipulação científica pode criar e liberar deliberada ou acidentalmente agentes 
patogênicos altamente destrutivos. Pior ainda, pode terminar por ser acessível a 
grupos de ideologia radical que estão dispostos a usar medidas extremas contra 
seus inimigos. A gestão desses riscos será fatalmente demandada ao mercado de 
seguros e exigirá deste grande esforço e criatividade de seus participantes. Outras 
mudanças tecnológicas podem afetar o mercado de seguros pela transformação 
do risco e pelo aumento da competição. Pense-se, por exemplo, no impacto dos 
carros sem motorista sobre o mercado de seguro de automóveis ou no efeito das 
vendas diretas de seguros pessoais pela Internet sobre as cadeias tradicionais 
de distribuição (corretores e agentes de seguros). Ou no surgimento de clientes 
demandando cada vez mais controle sobre suas apólices no momento de venda e 
durante a vigência do contrato. Por isso, já há seguradoras oferecendo aplicações 
TÓPICO 4 | A CAPITALIZAÇÃO
133
móveis (para celulares e tablets) que ajudam na oferta de cotações, nos avisos de 
sinistros, no processo de regulação e liquidação de sinistros etc.
A globalização do mercado caminha ao lado da crescente harmonização e 
padronização dos contratos
Outra megatendência que irá influenciar a indústria de seguros em médio 
prazo é a globalização do mercado e, com ela, o crescente movimento em direção a 
maior harmonização e padronização dos contratos e normas aplicáveis aos seguros. 
Na medida em que as seguradoras de mercados desenvolvidos sejam aceitas cada 
vez mais nos mercados emergentes, as margens de lucro nestes mercados tenderão 
a declinar. Ao mesmo tempo, pelo menos algumas seguradoras emergentes vão 
conseguir entrar nos mercados desenvolvidos e tornar-se-ão também empresas 
globais. Isso fará com que tais seguradoras tenham maior fatia de mercado e 
produzirá economias de escala e de escopo que aprofundarão a penetração dos 
seguros no mundo.
Mercados de seguros verdadeiramente globais exigem produtos que 
sejam capazes de integrar as várias partes da cadeia de valor, independentemente 
da localização. Daí a tendência concomitante de harmonizar os regulamentos e 
padronizar práticas de modo a melhor distribuir produtos através das diversas 
fronteiras nacionais. O papel dos órgãos reguladores nacionais nesse caso é 
essencial. A crise financeira de 2007 já reforçou a comunicação e o diálogo entre eles. 
O passo seguinte parece ser uma negociação exitosa que acarrete a harmonização 
dos regulamentos globais de seguros, o alcance de maior padronização de produtos 
e apólices e o aprofundamento da abertura ao exterior dos mercados nacionais.
Pode-se prever que esses fenômenos produzirão grande aumento de 
vendas de seguros em todas as linhas de negócios, seja por maior transparência 
dos preços, por diversificação da oferta de produtos nos mercados nacionais, por 
compras diretas não intermediadas ou feitas em massa pelas redes sociais ou 
por grupos e afinidades. A automação afetará fortemente a função de subscrição 
de seguro. Com os seguros expandindo globalmente, haverá provavelmente 
escassez de talentos nessa área. No entanto, as seguradoras que forem capazes 
de recrutar ou reter subscritores qualificados no uso das novas tecnologias e 
capazes de construir modelos sofisticados de aferição dos riscos irão ganhar maior 
participação de mercado. Inversamente, na medida em que os mercados locais 
se tornam mais competitivos em preços, as margens de lucro das seguradoras 
que não conseguiriam acompanhar tais tendências da modernidade podem cair 
fortemente.
Finalmente, fora da arena regulatória, cabe notar duas tendências 
importantes que afetarão a indústria de seguros nos próximos anos: a) a pressão 
sobre a solvência dos sistemas oficiais de seguridade social em quase todo o 
mundo vai levar os cidadãos a aumentar seu esforço próprio de poupança e criar 
novas oportunidades para as seguradoras na oferta de produtos do ramo vida e de 
anuidades, embora seja de assinalar a possibilidade dos governos, às voltas com 
escassez recorrente de recursos, contestarem os tratamentos fiscais preferenciais 
134
UNIDADE 2 | A PREVIDÊNCIA E A CAPITALIZAÇÃO
desses produtos; b) o terrorismo internacional não tem solução à vista nem, por 
enquanto, adéqua o entendimento atuarial de modo a se constituir num risco 
passível de ser coberto pelo mercado de seguros em escala apreciável. Entretanto, 
ataques terroristas têm muitas vezes impactos em várias linhas de negócios (por 
exemplo, seguros de propriedades, interrupção de negócios, vida, acidentes de 
trabalho etc.) que são frequentemente modelados de forma independente desses 
eventos. Assim, as perdas potenciais nessas carteiras podem ser maiores que o 
esperado, exigindo reforço de capital próprio da indústria de seguros.
135
RESUMO DO TÓPICO 4
Neste tópico, você aprendeu que:
• O Sistema Nacional de Capitalização (SNC) é um sistema próprio, mas seu 
mercado está submetido à fiscalização da Superintendência de Seguros Privados 
(SUSEP) e à política traçada pelo Conselho Nacional de Seguros Privados 
(CNSP). As Sociedades de Capitalização são classificadas em duas categorias: 
ligadas a conglomerados financeiros e independentes.
• Para efeito de comercialização, a Capitalização está dividida em quatro 
modalidades: Tradicional, Compra Programada, Popular e Incentivo.
• A modalidade Tradicional permite a acumulação de uma reserva por meio de 
pagamentos mensais ou únicos, devolvendo 100% do valor acumulado ao fim 
do prazo. Durante o período, desde que esteja com as mensalidades em dia, o 
clienteconcorre a sorteios em dinheiro.
• A modalidade Popular tem foco principal na participação em sorteios, sem a 
obrigatoriedade da devolução integral dos valores pagos pelo cliente.
• A modalidade Incentivo é destinada a empresas de diversos segmentos, pois 
permite a aquisição de séries inteiras de títulos e a utilização de sorteios para 
atrair, conquistar ou fidelizar clientes em ações promocionais.
• A modalidade Compra Programada está vinculada com a aquisição de bens 
duráveis com sorteio de prêmios.
• A Nota Técnica Atuarial é a descrição do título por meio de bases técnicas, 
hipóteses e formulações atuariais. Ela deve ser assinada por um atuário 
devidamente registrado no Instituto Brasileiro de Atuária (IBA).
• Os títulos também são classificados com base no número de pagamentos, 
dividindo-se em PU (pagamento único), PP (pagamentos periódicos) e PM 
(pagamentos mensais).
• Os pagamentos ou contribuições que são feitos pelo subscritor se dividem em 
três componentes: cota de capitalização, cota de sorteio e cota de carregamento.
• O resgate de um título de capitalização é o pagamento, pela sociedade 
de capitalização, de determinada quantia ao titular, extraída da Provisão 
Matemática para Capitalização. O resgate pode ser parcial ou total.
• Existem dois tipos de sorteios: do tipo premiação instantânea e do tipo comum. 
Os valores dos prêmios dos sorteios são definidos sempre como múltiplos dos 
valores dos pagamentos.
136
1 Para que uma sociedade de capitalização possa comercializar um título, 
é necessário que ela obtenha, previamente, uma aprovação específica, 
fornecida pelo(a):
a) ANS - Agência Nacional de Saúde Suplementar.
b) FENACAP - Federação Nacional de Capitalização.
c) BACEN - Banco Central.
d) CNSP - Conselho Nacional de Seguros Privados. 
e) SUSEP - Superintendência de Seguros Privados.
2 Com relação ao Resgate Total de um título de Capitalização, existem três 
formas de resgate, sendo elas:
a) Liquidação antecipada por sorteio, antecipado por solicitação do titular e 
por encerramento da vigência do título. 
b) Liquidação programada por sorteio, antecipado por solicitação do titular e 
por encerramento da carência do título.
c) Liquidação antecipada por resgate, antecipado por solicitação do subscritor 
e por encerramento da vigência do título.
d) Liquidação antecipada por cancelamento, antecipado por solicitação do 
titular e por encerramento da vigência do título.
e) Liquidação antecipada por sorteio, antecipado por solicitação do titular e 
por solicitação do subscritor.
3 Em relação à classificação das Sociedades de Capitalização, assinale V para 
verdadeiro e F para falso:
( ) Atualmente, são divididas em três categorias: ligadas a conglomerados 
financeiros; independentes; e interdependentes.
( ) Em geral, pode-se afirmar que as empresas classificadas como 
conglomerados financeiros pertencem a uma “holding”, que é liderado 
por um banco.
( ) Em geral, pode-se afirmar que as empresas classificadas como 
independentes também pertencem a uma “holding”, mas não de origem 
ligada a um banco.
( ) As sociedades interdependentes são constituídas pela união de diversas 
sociedades de capitalização para o lançamento de um título único, comum 
a todas as participantes.
AUTOATIVIDADE
137
Agora, assinale a alternativa correta:
a) ( ) V,V,V,F
b) ( ) V,F,F,V
c) ( ) V,V,V,V
d) ( ) F,V,V,F 
e) ( ) F,F,F,V
4 Correlacione as colunas abaixo e depois marque a alternativa correta. 
Sabendo-se que os títulos de capitalização podem prever dois tipos de 
sorteio, associe cada um deles as suas respectivas características:
1) Sorteio do tipo Premiação Instantânea.
2) Sorteios Comuns.
( ) Não poderá(ão) ser considerado(s) como uma forma de liquidação 
antecipada do título de capitalização.
( ) Para cada série emitida, é necessária a realização de auditoria independente.
( ) É facultada à sociedade de capitalização a utilização dos resultados de 
loterias oficiais para a apuração dos seus números sorteados.
( ) Ocorre(m) durante a vigência do título em datas estabelecidas pela 
sociedade de capitalização.
( ) O conhecimento relativo à contemplação deverá estar disponível ao titular 
no momento imediatamente posterior à aquisição do título, dependendo 
exclusivamente de sua atuação.
Agora, assinale a alternativa correta:
a) ( ) 1,2,2,2,1
b) ( ) 2,1,2,2,1
c) ( ) 1,1,1,1,2
d) ( ) 2,2,1,1,2
e) ( ) 1,1,2,2,1 
5 As pessoas envolvidas na aquisição de um título de capitalização passam a 
possuir uma denominação especial, a saber:
a) Contratante e beneficiário.
b) Estipulante e segurado.
c) Subscritor e regulador.
d) Subscritor e titular. 
e) Segurado e beneficiário.
138
139
UNIDADE 3
NOÇÕES GERAIS DE ATUÁRIA E 
SOLVÊNCIA DAS SEGURADORAS
OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM
PLANO DE ESTUDOS
Os objetivos desta unidade são:
• compreender os objetivos e as responsabilidades do profissional atuário;
• calcular a probabilidade de eventos simples;
• calcular o valor matemático dos riscos e o custo médio dos sinistros;
• estabelecer os prêmios puro, comercial e bruto;
• saber o que são e como se utilizam as tábuas de mortalidade;
• conhecer e distinguir os regimes financeiros;
• entender o que é solvência e sua importância para o mercado segurador;
• saber o que são e conhecer as principais provisões técnicas;
• observar as informações específicas dos planos de contas das seguradoras;
• conhecer alguns dos indicadores de desempenho das seguradoras.
Esta unidade está dividida em quatro tópicos. No final de cada um deles você 
encontrará atividades que lhe ajudarão a compreender o assunto e a fixar os 
conhecimentos adquiridos.
TÓPICO 1 – PRINCÍPIOS DE ATUÁRIA
TÓPICO 2 – A FORMAÇÃO DO PREÇO NOS SEGUROS GERAIS
TÓPICO 3 – A FORMAÇÃO DO PREÇO NOS SEGUROS DE PESSOAS E 
PREVIDÊNCIA
TÓPICO 4 – SOLVÊNCIA DAS SEGURADORAS E DEMONSTRAÇÕES 
FINANCEIRAS
140
141
TÓPICO 1
PRINCÍPIOS DE ATUÁRIA
UNIDADE 3
1 INTRODUÇÃO
O estudo de estatísticas e probabilidades deu origem à ciência atuarial e 
esta fundamenta todas as operações do mercado segurador. Assim como uma 
construtora precisa de um engenheiro como responsável técnico, um hospital 
um médico, uma corretora de seguros um corretor legalmente habilitado, uma 
seguradora ou uma entidade de previdência complementar também precisa de 
um atuário para responder tecnicamente por suas operações. 
De acordo com FEAUSP (2016), as ciências atuariais (ou atuária) caracterizam 
a área do conhecimento que analisa os riscos e expectativas financeiras e econômicas. 
Suas metodologias mais tradicionais são baseadas em teorias econômicas, 
envolvendo suas análises numa forte manipulação de dados, num contexto 
empresarial. A atuária é uma área de conhecimento multidisciplinar que tem o 
domínio de conceitos em economia, administração, contabilidade, matemática, 
finanças e estatística como requisito fundamental para o entendimento dos 
modelos atuariais mais elementares.
 
 A atuária é a ciência que desenvolve técnicas específicas para a análise 
de riscos e expectativas, principalmente na gestão de empresas de seguros e 
previdência. Esta ciência aplica conhecimentos específicos das matemáticas 
estatística e financeira (PERES, 2016).
Essa ciência surgiu há cerca de 150 anos na Inglaterra, estudando 
basicamente a mortalidade da população. Portanto, na sua origem, ela voltava-se 
para o cálculo da expectativa de vida, com interesse nas questões de aposentadoria 
e pensão. No século XX, a área de seguros ampliou o estudo atuarial, e a presença 
cada vez mais frequente das empresas de seguro e pensão no mercado financeiro 
fez com que a ciência atuarial se especializasse cada vez mais em campos 
econômicos e financeiros. Acompanhando a nova dinâmica dos mercados, as 
empresas seguradoras passaram a oferecer programas de seguro de vida e outras 
especializações, o que gerou cada vez maior necessidade do desenvolvimento 
das ciências atuariais. Desse modo, osestudos da atuária dividem-se em dois 
principais ramos: Vida e Não Vida. O primeiro trata de questões de longo prazo, 
como aposentadoria, pensões, seguros de vida e saúde. O segundo está mais 
relacionado com características de curto prazo, como os seguros de automóveis e 
responsabilidade civil (FEAUSP, 2016).
UNIDADE 3 | NOÇÕES GERAIS DE ATUÁRIA E SOLVÊNCIA DAS SEGURADORAS
142
A atuária possibilita que a divisão das perdas ocorra antes dos sinistros, 
fato que estabelece outras importantes funções sociais para o setor: acumulação 
de recursos e geração de investimentos na economia. Peres (2016) complementa 
dizendo que o atuário é o profissional que mensura e administra os impactos 
financeiros de riscos futuros, desenvolve e valida modelos financeiros para guiar 
a tomada de decisões.
Os cursos de formação em Ciências Atuariais, embora não sejam 
muito comuns, existem em vários locais do país e capacitam tecnicamento os 
profissionais que irão atuar nas áreas de avaliação de riscos, cálculos de prêmios 
de seguros, pecúlios, planos de aposentadorias e pensões, bem como de planos 
de financiamento e capitalização. Outra área que tem utilizado cada vez mais 
o profissional de atuária é o ramo de operadoras de saúde suplementar. Para 
FEAUSP (2016, s.p.):
O atuário é o profissional preparado para mensurar e administrar 
riscos. Seu trabalho se desenvolve em projetos, pesquisas e 
planos de fundos de investimento, na política de gestão desses 
fundos, na medição e administração de riscos, no cálculo de 
probabilidades e na fiscalização da previdência pública, privada 
e de seguros. A atividade requer desenvolvimento de estratégias 
para o diagnóstico de problemas financeiros e a construção de 
modelos de ações em qualquer âmbito do mercado de capitais. Suas 
ações se estabelecem em, basicamente, três setores econômicos: 
- Seguros: trabalha com a fiscalização do trabalho técnico na área de 
seguros, ficando responsável pelos cálculos de prêmios e indenizações, 
além dos cálculos de probabilidades.
- Previdência: pode trabalhar tanto com a Previdência Social como com 
a privada, gerenciando os cálculos de fundos a serem criados para a 
cobertura de compromissos futuros, além de produzir relatórios de 
avaliação e mensuração do alcance da previdência e de possíveis riscos.
- Capitalização e investimentos: trabalha com a pesquisa de fundos de 
investimento, a elaboração de planos e políticas de investimento, com 
a gestão desses fundos, com aconselhamento e consultoria no mercado 
financeiro e a medição dos possíveis riscos.
A profissão de atuário não é nova, mas nos últimos anos passou a ser muito 
demandada no Brasil. Estas oportunidades resultam do crescimento do mercado 
segurador brasileiro a partir do Plano em Real bastando se observar que, até 1994, 
o setor representava menos de 1% do Produto Interno Bruto (PIB) e atualmente 
alcança 6,2%. Outro fator importante foi a abertura do mercado ressegurador, 
permitindo com que estas empresas se instalassem no país e, consequentemente, 
necessitassem contratar profissionais. 
TÓPICO 1 | PRINCÍPIOS DE ATUÁRIA
143
2 NOÇÕES DE PROBABILIDADE
Os conceitos de incerteza e chance (ou probabilidade) são tão antigos como 
as civilizações e encontram aplicações em diversas áreas, como a medicina, loterias 
e jogos, previsão do clima, finanças. Nesta unidade vamos usar vários conceitos 
importantes da Teoria dos Conjuntos (conjunto, elemento, subconjunto, conjunto 
vazio) para compreender o significado de espaço amostral e evento, além da 
definição de probabilidade.
2.1 ESPAÇO AMOSTRAL
Dentro da teoria das probabilidades, o espaço amostral de um experimento 
aleatório é o conjunto de todos os resultados possíveis do experimento. Geralmente, 
o espaço amostral é denominado com S, E, Ω ou U (de "universo"). Como exemplo, 
tem-se o experimento de se lançar uma moeda e verificar a face voltada para cima. 
Neste caso, o espaço amostral será {cara ou coroa}. Outro exemplo pode ser o 
UNI
Campo de atuação do atuário:
• Fundos de pensões
• Instituições financeiras
• Companhias de seguros
• Empresas de capitalização
• Órgãos oficiais de previdência (municipal, estadual e federal)
• Entidades de previdência aberta sem fins lucrativos
• Entidades de previdência aberta com fins lucrativos
• Empresas de assessoria e consultoria em atuária
• Órgãos de fiscalização
• Previdência Social
• Perícia técnica-atuarial, atuando em processos judiciais que envolvem o cálculo atuarial
• Auditoria atuarial 
• Operadoras de saúde
• Universidades
• Gestão de Riscos
FONTE: IBA (2016)
DICAS
Para saber mais sobre o setor e a profissão, leia o artigo de Aline de Araújo Oliveira, 
Robertha Cunha e Yasmim Madeira em: <http://www.webartigos.com/artigos/instituto-
brasileiro-de-atuaria-o-iba-e-a-evolucao-da-atuaria-no-brasil/119779/#ixzz4NBfI7QST>.
UNIDADE 3 | NOÇÕES GERAIS DE ATUÁRIA E SOLVÊNCIA DAS SEGURADORAS
144
lançamento de um dado com seis faces: o espaço amostral será o conjunto formado 
pelos números {1,2,3,4,5 e 6}.
Peres (2016, p. 10) diz que “denomina-se espaço amostral, ou espaço das 
possibilidades, o conjunto de todos os resultados possíveis de um experimento”. O 
autor representa o espaço amostral por S e apresenta os seguintes exemplos:
a) Lançamento de uma moeda.
b) Lançamento de um dado.
c) Lançamento de duas moedas.
Nos exemplos acima, os espaços amostrais são:
a) S = {cara, coroa}
b) S = {1, 2, 3, 4, 5, 6}
c) S = {(cara, coroa), (cara, cara), (coroa, cara), (coroa, coroa)}
2.2 EVENTO
Pela teoria das probabilidades, um evento é um subconjunto do espaço 
amostral ao qual é associado um valor de probabilidade. Habitualmente, quando 
o espaço amostral é finito, qualquer subconjunto é um evento. Como todos os 
eventos são conjuntos, habitualmente são escritos entre chaves (exemplo: {1, 2, 
3}), e representados graficamente usando Diagramas de Venn. Estes diagramas 
são particularmente úteis na representação de eventos, pois a probabilidade dos 
eventos pode ser identificada pela razão entre áreas de eventos e do espaço de 
probabilidade. Observe-se na figura a seguir que B é o espaço amostral e A é um 
evento.
FIGURA 8 - EXEMPLO DE DIAGRAMA DE VENN
FONTE: O autor
A
B
TÓPICO 1 | PRINCÍPIOS DE ATUÁRIA
145
Observe o exemplo apresentado: após se embaralhar um baralho de 
52 cartas teríamos como potenciais eventos os seguintes subconjuntos de cartas:
a) Vermelha e preta ao mesmo tempo sem ser joker (0 elementos).
b) O 5 de Copas (1 elemento).
c) Um Rei (4 elementos).
d) Uma Figura (12 elementos).
e) Uma carta de Espadas (13 elementos).
f) Uma Figura ou uma carta vermelha (32 elementos).
g) Uma carta (52 elementos).
Ratificando a definição de que evento é um subconjunto de um espaço 
amostral, definindo um resultado bem determinado, Peres (2016) traz que o evento 
pode ser um único ponto amostral ou uma reunião deles. Apresenta como exemplo 
o lançamento de dois dados e propõe o exercício de se enumerar os seguintes 
eventos:
a) Saída de faces iguais.
b) Saída de faces cuja soma seja igual a 10.
c) Saída de faces cuja soma seja menor que 2.
d) Saída de faces cuja soma seja menor que 15.
e) Saída de faces das quais uma é o dobro da outra.
O espaço amostral no caso é:
S = {(1, 1), (1, 2), (1, 3), (1, 4), (1, 5), (1, 6), (2, 1), (2, 2), (2, 3), (2, 4), (2, 5), (2, 6), (3, 1), 
(3, 2), (3, 3), 
(3,4), (3, 5), (3, 6), (4, 1), (4, 2), (4, 3), (4, 4), (4, 5), (4, 6), (5, 1), (5, 2), (5, 3), (5, 4), (5, 5), 
(5, 6), (6, 1), (6, 2), (6, 3), (6, 4), (6, 5), (6, 6)}
Logo, os eventos pedidos são:
A = {(1, 1), (2, 2), (3, 3), (4, 4), (5, 5), (6, 6)};
B = {(4, 6), (5, 5), (6, 4)};
C = Ø (evento impossível);
D = S (evento certo);
E = {(1, 2), (2, 1), (2, 4), (3, 6), (4, 2), (6, 3)}.
2.3 PROBABILIDADE
A palavra probabilidade deriva do latim probare (provar ou testar). A 
história da teoria das probabilidades teve início com os jogos de cartas, dados 
e de roleta e, por isso, se utilizam muitos exemplos de jogos de azar no estudo 
da probabilidade.A teoria das probabilidades permite que se calcule a chance 
de ocorrência de um número em um experimento aleatório (aquele experimento 
que quando repetido em iguais condições pode fornecer resultados diferentes, 
UNIDADE 3 | NOÇÕES GERAIS DE ATUÁRIA E SOLVÊNCIA DAS SEGURADORAS
146
ou seja, são resultados explicados ao acaso). Quando se fala de tempo e 
possibilidades de ganho na loteria, a abordagem envolve cálculo de experimento 
aleatório (SOMATEMATICA, 2016).
Peres (2016) acrescenta que a probabilidade é um número associado 
à ocorrência de um evento. Ela se destina a medir sua possibilidade de 
ocorrência, e fica compreendida no intervalo [0,1] ou [0,100%]. Dessa forma, 
não existe probabilidade negativa nem maior que 1 (100%). Matematicamente, a 
probabilidade é calculada através da seguinte relação:
 P =Número de casos favoráveis
 Número de casos possíveis
Ilustrando, Peres (2016) calcula e define os eventos descritos no exemplo 
visto há pouco (lançamento de dois dados) onde as probabilidades seriam iguais a:
 P (A) = 6/36 = 1/6 = 16,66% (tratando-se um evento possível de ocorrer)
 P (B) = 3/36 = 1/12 = 8,33% (outro evento possível)
 P (C) = 0/36 = (evento impossível)
 P(D) = 36/36 = 1 = 100% (evento certo)
 P (E) = 6/36 = 1/6 = 16,66% (evento possível)
 
Peres (2016) conclui que, se a probabilidade associada à ocorrência de um 
evento for igual a zero, o evento é impossível. Se, por outro lado, o resultado for 
igual a um, dizemos que o evento é certo. Se o resultado estiver compreendido entre 
zero e um, dizemos que se trata de um evento possível. Assim, os eventos podem 
ser classificados de várias formas, como segue: 
Evento Simples
Classificamos assim os eventos que são formados por um único 
elemento do espaço amostral.
A = { 5 } é a representação de um evento simples do lançamento de 
um dado cuja face para cima é divisível por 5. Nenhuma das outras 
possibilidades são divisíveis por 5.
Evento Certo
Ao lançarmos um dado é certo que a face que ficará para 
cima terá um número divisor de 720. Este é um evento certo, 
pois 720 = 6! = 6 . 5 . 4 . 3 . 2 . 1, obviamente qualquer um dos números da 
face de um dado é um divisor de 720, pois 720 é o produto de todos eles.
O conjunto A = { 2, 3, 5, 6, 4, 1 } representa um evento certo, pois ele 
possui todos os elementos do espaço amostral S = { 1, 2, 3, 4, 5, 6 }.
Evento Impossível
No lançamento conjunto de dois dados, qual é a possibilidade de a 
soma dos números contidos nas duas faces para cima ser igual a 15?
Este é um evento impossível, pois o valor máximo que podemos obter 
é igual a 12. Podemos representá-lo por , ou ainda por A = {}.
Evento União
Seja A = { 1, 3 } o evento de ocorrência da face superior no lançamento 
de um dado, ímpar e menor ou igual a 3 e B = { 3, 5 }, o evento de 
TÓPICO 1 | PRINCÍPIOS DE ATUÁRIA
147
ocorrência da face superior, ímpar e maior ou igual a 3, então C = { 1, 3, 5 
} representa o evento de ocorrência da face superior ímpar, que é a união 
dos conjuntos A e B, ou seja, .
Note que o evento C contém todos os elementos de A e B.
Evento Intersecção
Seja A = { 2, 4 } o evento de ocorrência da face superior no lançamento de 
um dado, par e menor ou igual a 4 e B = { 4, 6 }, o evento de ocorrência 
da face superior, par e maior ou igual a 4, então C = { 4 } representa 
o evento de ocorrência da face superior par, que é a intersecção dos 
conjuntos A e B, ou seja, .
Veja que o evento C contém apenas os elementos comuns a A e B.
Eventos Mutuamente exclusivos
Seja A = { 1, 2, 3, 6 } o evento de ocorrência da face superior no lançamento 
de um dado, um número divisor de 6 e B = { 5 }, o evento de ocorrência 
da face superior, um divisor de 5, os eventos A e B são mutuamente 
exclusivos, pois , isto é, os eventos não possuem 
elementos em comum.
Evento Complementar
Seja A = { 1, 3, 5 } o evento de ocorrência da face superior no lançamento 
de um dado, um número ímpar, o seu evento complementar é A = { 2, 4, 
6 } o evento de ocorrência da face superior no lançamento de um dado, 
um número par.
Os elementos de A são todos os elementos do espaço amostral S que não 
estão contidos em A, então temos que A = S - A e ainda que S = A + A 
(MATEMATICADIDATICA, 2016, s.p., grifos do original).
Vejamos outro exemplo: Imagine que você recém se mudou para um 
edifício com 20 apartamentos e que cada um deles possui duas vagas de garagem. 
Se você ainda não sabe quais são as suas vagas e resolver colocar em qualquer uma 
delas, quais serão as suas chances (ou qual a probabilidade) de acertar? Neste caso, 
temos:
 P = Número de casos favoráveis
 Número de casos possíveis
O número de casos favoráveis corresponde as duas vagas de garagem que 
lhe pertencem. Já o número de casos possíveis corresponde ao total de vagas, ou 
seja 40 (20 apartamentos x 2 vagas). 
Logo: P = 2/40 = 0,05 = 5% 
 Peres (2016) apresenta como exemplo as chances de obtermos três coroas 
em um único lançamento de três moedas. Em seguida, as chances de obtermos duas 
coroas num único lançamento. Neste caso, temos:
Espaço amostral = conjunto de possibilidades no lançamento de três moedas:
Espaço amostral = {(cara, cara, cara), (cara, cara, coroa), (cara, coroa, cara), 
(coroa, cara, cara), (coroa, coroa, cara), (coroa, cara, coroa), (cara, coroa, coroa), 
(coroa, coroa, coroa)} ou oito situações.
UNIDADE 3 | NOÇÕES GERAIS DE ATUÁRIA E SOLVÊNCIA DAS SEGURADORAS
148
Número de possibilidades para os eventos pedidos:
Número de possibilidades de dar três coroas = 1
Número de possibilidades de dar somente duas coroas = 3
Assim, a chance ou probabilidade de obtermos três coroas é de 1/8, enquanto 
que, para duas coroas, é de 3/8.
3 ESPERANÇA MATEMÁTICA
A esperança matemática também é conhecida por valor esperado. Trata-
se de um conceito estatístico que caracteriza a soma das probabilidades de cada 
possibilidade de saída de um experimento aleatório multiplicada pelo seu valor. 
Isto é, representa o valor médio esperado de uma experiência se ela for repetida 
muitas vezes. Em atuária, esperança matemática é basicamente o resultado que se 
espera obter com uma variável aleatória, ou um conjunto delas, multiplicado pela 
probabilidade de ocorrência dessas variáveis, acrescido de um fator de capitalização 
financeira, que visa manter o valor do dinheiro durante o tempo. Por representar o 
valor de equilíbrio entre receitas e despesas de determinado produto, a esperança 
matemática também é conhecida como preço puro ou preço de custo. Ao resultado 
dessa relação é agregado o carregamento, uma taxa que objetiva financiar as despesas 
de administração da empresa e da comercialização do produto (WIKIBOOKS, 2016).
Segundo Peres (2016), a esperança matemática (E) representa o preço 
matemático, que, em seguro, chamamos de prêmio de risco ou prêmio estatístico. 
A esperança matemática é um componente importante na obtenção do valor da 
prestação que o segurado paga ao segurador para que este assuma a responsabilidade 
pelo risco de perdas. Seu valor é dado pela multiplicação do ganho esperado pela 
probabilidade de ganho e pelo fator de desconto financeiro (vn).
E = Q × p × vn
Onde:
E = esperança matemática
Q = ganho esperado
p = probabilidade
vn = fator de desconto financeiro
Peres (2016) lembra que combinações simples são agrupamentos de 
elementos distintos que diferem entre si pela natureza dos elementos. Nos cálculos 
envolvendo combinações, utilizamos o fatorial de um número natural que consiste 
na multiplicação desse número por todos os seus antecessores até o número um, 
por exemplo: 4! = 4 x 3 x 2 x 1 = 24. O autor relembra conceitos de matemática 
financeira em que:
 v = 1/(1 + i) sendo i a taxa de juros.
TÓPICO 1 | PRINCÍPIOS DE ATUÁRIA
149
Nos casos em que desprezamos o fator de desconto, temos n = 0 e, portanto: 
vn = v0 = 1. Ferreira (2002 apud PERES, 2016) comenta que ao se precificar o custo 
de um seguro existem três tipos de prêmios a serem considerados:
PE = prêmio de risco ou prêmio estatístico (quetem por objetivo cobrir o 
risco médio - ou a expectativa de todas as indenizações a serem pagas).
PP = prêmio puro (que é igual ao prêmio de risco ou estatístico mais um 
carregamento de segurança - θ) expresso pela seguinte relação:
 Prêmio Puro = Prêmio Estatístico × (1 + θ) ou PP = PE × (1 + θ)
O carregamento ou margem de segurança serve para cobrir as flutuações 
estatísticas do risco, admitindo-se que exista uma probabilidade muito pequena 
dos sinistros superarem o prêmio puro. Finalmente:
PC = prêmio comercial (que corresponde ao prêmio puro acrescido de um 
carregamento para cobrir os custos da seguradora - α - relativos à comissão de 
corretagem mais as despesas administrativas mais uma margem para expectativa 
de lucro) expresso pela seguinte relação:
Prêmio Comercial = Prêmio Puro / (1 – α) ou PC = PP / (1 – α)
 Ou ainda: Prêmio Comercial (PC) = PE × (1 + θ) / (1 – α)
Veremos adiante que o prêmio final a ser pago pelo segurado é chamado 
de prêmio bruto. Ele corresponde ao prêmio comercial acrescido de eventuais 
encargos e das despesas com impostos. Como aplicação prática, Peres (2016, p. 14-
15) apresenta os seguintes exemplos: 
Exemplo 1: Sabendo que a probabilidade de perda de um determinado 
bem é 1/5 e que o seu valor é de R$ 2.000,00, qual será a esperança 
matemática se desprezarmos o fator de desconto?
 
E = Q × p × vn
E = 2.000,00 × (1/5) × 1 
E = R$ 400,00 (que é o valor esperado ou esperança matemática).
Exemplo 2: Uma pessoa está organizando a rifa de um televisor no valor 
de R$ 1.000,00 e serão vendidos 100 bilhetes. Qual será a esperança 
matemática se desprezarmos o fator de desconto?
E = Q × p × vn
UNIDADE 3 | NOÇÕES GERAIS DE ATUÁRIA E SOLVÊNCIA DAS SEGURADORAS
150
 E = 1.000,00 × (1/100) × 1 
 E = R$ 10,00
Exemplo 3: A probabilidade de perda de um automóvel é de 8%. 
Sabendo-se que esse automóvel vale R$ 40.000,00, qual o prêmio de 
risco sem utilizar o fator de desconto?
 E = p × Q × vn
 E = 8% × 40.000 × 1 = R$ 3.200.00
Exemplo 4: Sabendo-se que o prêmio puro é igual a R$ 300,00, a comissão 
de corretagem sobre o prêmio comercial é de 25% e o carregamento para 
as despesas administrativas e lucro é de 20%, calcule o prêmio comercial.
 PC = PP / (1 – α)
α = comissão de corretagem + despesas administrativas + margem de 
lucro = 25% + 20% = 45%
 PC = PP / (1 – α)
 PC = 300 / (1 – 0,45)
 PC = R$ 545,45
Exemplo 5: O prêmio de risco ou prêmio estatístico é igual a R$ 250,00 
e o carregamento de segurança estatístico (θ) é de 5%, calcule o prêmio 
puro.
 PP = PE × (1 + θ)
 PP = 250 × (1 + 0,05)
 PP = R$ 262,50
TÓPICO 1 | PRINCÍPIOS DE ATUÁRIA
151
ESTUDOS FU
TUROS
Veremos adiante, ao estudar a formação do preço dos seguros de ramos 
elementares (bens e responsabilidades), que serão exatamente os princípios matemáticos 
estudados acima que permitirão às seguradoras calcular os prêmios estatísticos, que nada mais 
é do que verificar o quanto elas precisam cobrar de cada segurado para pagar as indenizações 
previstas em seus estudos atuariais.
152
Neste tópico, você aprendeu que:
• A atuária é a ciência das técnicas específicas de análise de riscos e expectativas, 
principalmente na administração de seguros e fundos de pensão. Esta ciência 
aplica conhecimentos específicos das matemáticas estatística e financeira.
• O atuário é o profissional que mensura e administra riscos. Ele desenvolve e 
trabalha com projetos, pesquisas e planos de fundos de investimento, na política 
de gestão desses fundos, na medição e administração de riscos, no cálculo de 
probabilidades e na fiscalização da previdência pública, privada e de seguros.
• Espaço amostral de um experimento aleatório é o conjunto de todos os resultados 
possíveis do experimento.
• Evento é um subconjunto do espaço amostral ao qual é associado um valor de 
probabilidade.
• Probabilidade é um número associado à ocorrência de um evento. Ela se destina 
a medir sua possibilidade de ocorrência, e fica compreendida no intervalo [0,1] 
ou [0,100%].
• Em atuária, esperança matemática é o resultado que se espera obter com uma 
variável aleatória, ou um conjunto delas, multiplicado pela probabilidade de 
ocorrência dessas variáveis, acrescido de um fator de capitalização financeira, 
que visa manter o valor do dinheiro durante o tempo.
• A esperança matemática (E) representa o preço matemático, que, em seguro, 
chamamos de prêmio de risco ou prêmio estatístico.
• O prêmio de risco ou prêmio estatístico tem por objetivo cobrir a expectativa de 
todas as indenizações a serem pagas.
• O prêmio puro é igual ao prêmio de risco ou estatístico mais um carregamento 
de segurança que serve para cobrir as flutuações estatísticas do risco.
• O prêmio comercial corresponde ao prêmio puro acrescido de um carregamento 
para cobrir os custos da seguradora com comissão de corretagem mais as 
despesas administrativas e a expectativa de lucro.
RESUMO DO TÓPICO 1
153
1 Em relação à ciência atuarial e ao profissional atuário, é correto afirmar que:
a) A atuária é a ciência que estuda o risco e seus impactos financeiros, 
utilizando apenas conhecimentos da matemática financeira.
b) Atuário é o profissional que mensura e administra os impactos financeiros 
de riscos futuros e desenvolve e valida modelos financeiros para guiar a 
tomada de decisões.
c) O atuário é o responsável pela contabilidade nas seguradoras.
d) Atuária é a ciência que estuda os riscos e os impactos financeiros, utilizando 
apenas conhecimentos de cálculos previdenciários.
e) O atuário não precisa considerar a probabilidade de morte para precificar 
um seguro de vida.
2 Os fatores que influenciam o preço dos seguros de pessoas e previdência 
com coberturas de risco são:
a) ( ) Taxa de juros e inflação.
b) ( ) Taxa de juros e capitalização.
c) ( ) Inflação e sinistros.
d) ( ) Inflação e regime financeiro.
e) ( ) Regime financeiro e tábua de mortalidade.
3 Uma pessoa está organizando uma rifa de um computador no valor de R$ 
2.000,00. Sabendo-se que serão colocados à venda 200 bilhetes, qual será a 
esperança matemática se desprezarmos o fator de desconto? 
a) ( ) R$ 1,00
b) ( ) R$ 2,00
c) ( ) R$ 5,00 
d) ( ) R$ 10,00
e) ( ) R$ 20,00
AUTOATIVIDADE
154
155
TÓPICO 2
A FORMAÇÃO DO PREÇO NOS SEGUROS 
GERAIS
UNIDADE 3
1 INTRODUÇÃO
Precificar os seguros é o grande desafio dos atuários, juntamente com os 
demais responsáveis pelas seguradoras. Se dos seus cálculos resultarem preços 
que implicarão em recursos insuficientes para indenizar os sinistros e pagar as 
demais despesas, os acionistas terão que alocar capital na seguradora ou ela poderá 
sofrer intervenção estatal. Se resultarem em preços muito elevados, ela perderá 
competitividade no mercado.
Arruda (2005) cita a Teoria da Utilidade (formulada por Daniel Bernoulli) 
para mostrar que as pessoas atribuem diferentes valores ao risco, sendo que algumas 
se mostram mais conservadoras, menos dispostas ao seu enfrentamento, enquanto 
outras são muito mais arrojadas. Acrescenta que Bernoulli também introduziu a 
seguinte ideia: a utilidade resultante de qualquer pequeno aumento na riqueza 
será inversamente proporcional à da quantidade de bens anteriormente possuídos. 
Assim, esta formulação converteu o processo de calcular probabilidades em um 
procedimento com considerações subjetivas na tomada de decisões.
A consequência lógica da visão de Bernoulli leva a uma intuição 
nova e poderosa sobre o ato de correr riscos. Se a satisfação derivada 
do enriquecimento progressivo for inferior à satisfação derivada do 
aumento da riqueza já acumulada, segue-se que a desutilidade trazida 
por um prejuízo excederá sempre a utilidade positiva proporcionada 
por um ganho de mesmo montante (BERNSTEIN, 1997, p. 111 apud 
ARRUDA, 2005, p. 60).
Para ilustrar os princípios trazidos por Bernoulli, vamos imaginar que 
tivéssemos um instrumento de medida do grau de satisfação das pessoas em 
determinadas situações. Talvez um termômetro de satisfaçãoque, ao ser colocado 
sob as axilas do indivíduo, indica o grau de satisfação numa escala de zero a dez 
(satisfação máxima). Consideremos agora a situação de alguém que após dez anos 
de muito trabalho e economia consegue comprar seu primeiro carro. Certamente 
nosso termômetro indicará grau 10, ou seja, o máximo de satisfação possível, mas, 
esta pessoa comprou o veículo para trabalhar como taxista e foi extremamente 
bem-sucedido. Passados mais dez anos, ele possui uma empresa de táxis com 
uma frota de cem veículos. Ao adquirir mais um carro semelhante e para a mesma 
finalidade, ficará satisfeito? Certamente, mas não mais com a mesma intensidade 
que quando comprou o primeiro carro (sua satisfação será menor que 10, certo?). 
Este seria um exemplo da ideia de que a utilidade resultante de qualquer pequeno 
156
UNIDADE 3 | NOÇÕES GERAIS DE ATUÁRIA E SOLVÊNCIA DAS SEGURADORAS
aumento na riqueza será inversamente proporcional à da quantidade de bens 
anteriormente possuídos.
E se tivéssemos também um termômetro bem parecido que medisse 
(também de zero a dez) o grau de insatisfação das pessoas? Vamos imaginar que 
nosso personagem teve o carro roubado apenas dois dias depois da compra, não 
possuía seguro e nunca mais foi recuperado. Se utilizássemos o termômetro de 
insatisfação, possivelmente ele iria explodir, pois sua insatisfação tenderia a ser 
maior que dez (teoricamente o grau máximo de satisfação ou de insatisfação). É 
isso que Bernoulli quis demonstrar ao dizer que a desutilidade trazida por um 
prejuízo excederá sempre a utilidade positiva proporcionada por um ganho de 
mesmo montante. Ficamos extremamente felizes com o nascimento de um filho, 
mas a dor ou tristeza será sempre maior se viermos a perdê-lo. 
Assim, ainda no século XVIII, Bernoulli já mergulhava pela primeira vez 
na psicologia da escolha e dava início ao utilitarismo e à racionalidade, indicando 
nosso sentimento de aversão às perdas. Muito mais tarde, em 1979, esta percepção 
viria a constituir o núcleo da Teoria da Perspectiva, formulada pelos psicólogos 
israelenses Daniel Kahneman e Amos Tverski. Essa teoria mostrou que as pessoas 
não são avessas ao risco, mas sim às perdas, estando dispostas a correr riscos 
quando julgarem apropriado (BERNSTEIN, 1997).
A escolha ou opção pelo enfrentamento de riscos também pode ser 
compreendida por meio da teoria geral do seguro. Vimos no Tópico 2 da Unidade 1 
que ela classifica os riscos em puros - em que só existem duas possibilidades: perder 
ou não perder -, sendo, portanto, possíveis de se fazer seguro e especulativos - em 
que também existe a possibilidade de ganho e, portanto, não são seguráveis. Assim, 
nos parece natural esperar que as pessoas se disponham a correr riscos quando 
eles forem especulativos, pois poderão ganhar com sua ocorrência. A exposição 
a tais riscos pode ser uma das forças propulsoras dos progressos e avanços da 
humanidade, pois sem a coragem dos aventureiros ou empreendedores se pode 
esperar pouco desenvolvimento econômico (ARRUDA, 2016). 
Complementa Arruda (2005) que a exposição aos riscos puros, em que não 
há qualquer expectativa de ganho, leva a crer na existência de pouca informação 
ou na falta de oportunidade e/ou recursos para sua transferência por meio dos 
contratos de seguros. As pessoas ou empresas que assumem os riscos puros de 
forma consciente e/ou negligenciada podem nos passar, até mesmo, uma percepção 
de irresponsabilidade. Afinal, é notório que as perdas consequentes da exposição 
a tais riscos (como vendavais, enchentes, terremotos, incêndios, roubos, colisões, 
mortes, entre outros) trazem dificuldades para o desenvolvimento econômico de 
uma sociedade. Alguns autores apresentam uma definição interessante para a 
operação de seguros: ao transferir um risco puro ao segurador, o segurado (pessoa 
física ou jurídica) troca uma despesa futura, incerta, mas de elevado valor (como a 
perda de uma unidade industrial em consequência de incêndio) por uma despesa 
imediata, certa, e de valor comparativamente reduzido, que corresponde ao custo 
do seguro.
TÓPICO 2 | A FORMAÇÃO DO PREÇO NOS SEGUROS GERAIS
157
A determinação de preços não é uma tarefa fácil. Além dos aspectos técnicos 
ou estatísticos, outros fatores precisam ser considerados. Assim como em qualquer 
outro negócio, cada produto tem um custo de desenvolvimento e manutenção. 
Também é necessário observar o que a concorrência está oferecendo e que preços 
vem praticando, o que a seguradora deseja alcançar com cada produto e se as suas 
expectativas de retorno são mais imediatas ou de longo prazo.
2 VALOR MATEMÁTICO DOS RISCOS E CUSTO MÉDIO DOS 
SINISTROS
A primeira e principal preocupação de uma seguradora deve ser com a conta 
dos sinistros. A parte do prêmio destinada ao pagamento das indenizações é o maior 
e principal componente do custo. Seu valor é obtido tecnicamente, como veremos 
a seguir, e as demonstrações de cálculo são acompanhadas de forma permanente e 
aprofundada pela SUSEP, que é o órgão fiscalizador do mercado. 
A Teoria Geral do Seguro atribui a nomenclatura de Valor Matemático do 
Risco para a probabilidade de ocorrência de um sinistro. Essa probabilidade é obtida 
a partir da adoção de modelos matemáticos habitualmente utilizados para estudar 
experimentos ou fenômenos aleatórios (TEIXEIRA, 2016).
 
São chamados experimentos aleatórios todas aquelas experiências que, 
quando repetidas sob as mesmas condições, não produzem resultados idênticos, 
ou seja, o resultado é incerto. Para avaliar a probabilidade de um risco ocorrer, o 
que significa estimar a frequência esperada para o mesmo, a seguradora precisa 
estabelecer o seu valor matemático. Isso afetará diretamente o preço do seguro e 
também poderá definir sobre sua aceitação ou não. Deve-se levar em consideração 
que riscos com probabilidade ou frequência muito elevada não são interessantes 
para a seguradora e, quando aceitos, tenderão a ter preços muito elevados que, 
normalmente, são proibitivos para quem pretende segurá-los.
Teixeira (2016) trata da abordagem para a determinação dos valores de 
probabilidades de ocorrência de eventos sob o enfoque da frequência relativa, que 
é determinada com base na coleta de dados ou na observação. Para se chegar ao 
Valor Matemático do Risco, parte-se do levantamento de um grande número de 
riscos semelhantes e, em seguida, verifica-se a quantidade de sinistros ocorridos 
nessa amostra. 
ESTUDOS FU
TUROS
Ao final desta unidade você encontrará uma síntese do artigo em que Luccas 
Filho (2016) provoca uma reflexão sobre os critérios de formação dos preços em seguros.
158
UNIDADE 3 | NOÇÕES GERAIS DE ATUÁRIA E SOLVÊNCIA DAS SEGURADORAS
O Valor Matemático do Risco é, portanto, uma medida de frequência relativa 
de sinistros, obtida pela relação entre o número de sinistros ocorridos e o número 
de riscos pesquisados (este também denominado número de seguros da amostra 
ou número de objetos expostos ao risco). Normalmente, este valor é expresso 
percentualmente, razão pela qual se multiplica por 100 a relação a seguir:
 VMR = No de Sinistros Ocorridos
 No de Seguros
Exemplo 1:
Qual o Valor Matemático do Risco ou Frequência Relativa de uma amostra 
com 750 mil veículos segurados considerando que, entre colisões e roubos, ocorreram 
82.500 sinistros?
 VMR = 82.500 = 0,11 ou 0,11 x 100 = 11% 
 750.000
 
Exemplo 2:
Calcular o Valor Matemático do Risco considerando uma carteira de seguro 
de vida em grupo contendo um universo com 320.000 segurados considerando que 
nos últimos 12 meses ocorreram 800 mortes.
 
VMR = 800 = 0,0025 ou 0,0025 x 100 = 0,25% 
 320.000
O Custo Médio dos Sinistros é outra variável importante para a precificação 
dos seguros. Ele corresponde à média aritmética das indenizações pagas pela 
seguradora, sendo, portanto, obtido a partir da relação:
 CMS = Total Indenizado
 No de Sinistros Ocorridos
Exemplo 3:
Qual o custo médio dos sinistros em uma carteirade seguros de 
automóveis em que foram gastos R$ 495 milhões para indenizar 82.500 
ocorrências de sinistros?
 
 CMS = 495.000.000,00 = R$ 6.000,00 
 82.500
 Exemplo 4:
TÓPICO 2 | A FORMAÇÃO DO PREÇO NOS SEGUROS GERAIS
159
Calcular o custo médio dos sinistros pagos por uma seguradora que 
indenizou um total de 800 mortes em sua carteira de seguro de vida e com isso 
gastou R$ 68 milhões.
 CMS = 68.000.000,00 = R$ 85.000,00 
 800
A compreensão dos conceitos apresentados é bastante fácil, pois eles fazem 
parte do nosso dia a dia. Se a nossa sala de aula possui 40 alunos e apenas 20 
compareceram a uma palestra, mentalmente calculamos e sabemos que a frequência 
foi de 50%. Se depois disso os 20 alunos decidiram comer uma pizza e dividir por 
igual a conta que totalizou R$ 500,00, logo saberemos que cada um deverá pagar R$ 
25,00. Este foi o custo médio, mesmo que uma pizza tenha preço maior que a outra 
ou que as pessoas tenham consumido bebidas de forma diferente. 
3 PRÊMIOS ESTATÍSTICO, COMERCIAL E BRUTO
Sabemos que prêmio de seguro significa preço de seguro, ou seja, é aquilo 
que o segurado paga para adquirir garantias. Em contrapartida, em caso de sinistro, 
o valor que receberá da seguradora denomina-se indenização.
3.1 PRÊMIO ESTATÍSTICO
Conceitualmente, o Prêmio Estatístico (PE) corresponde ao valor que deve 
ser cobrado de cada segurado para que possam ser pagas todas as indenizações. 
Desta forma, o Prêmio Estatístico pode ser obtido pela seguinte relação:
 
Prêmio estatístico (PE) = Total Indenizado
 No de Seguros
Outra maneira de obtermos o prêmio estatístico é multiplicando o Valor 
Matemático do Risco (VMR) pelo Custo Médio dos Sinistros (CM), ou seja: PE = 
VMR x CMS.
Para demonstrar que a relação acima é verdadeira, basta colocarmos na 
expressão matemática as relações que vimos anteriormente: 
PE = VMR x CMS = No de Sinistros Ocorridos x Total Indenizado
 No de Seguros No de Sinistros Ocorridos
Simplificando a relação acima, temos: 
160
UNIDADE 3 | NOÇÕES GERAIS DE ATUÁRIA E SOLVÊNCIA DAS SEGURADORAS
PE = Total Indenizado (Conforme vimos anteriormente)
 No de Seguros
O Prêmio Estatístico (PE) também pode ser encontrado com a denominação 
de Prêmio Puro (PP). Segundo Teixeira (2016), a regra ou fórmula de cálculo é a 
mesma, porém, para obtenção do Prêmio Puro consideram-se as eventuais flutuações 
estatísticas do risco, ou seja, as expectativas de mudança do comportamento do 
risco para o período seguinte.
Se utilizarmos os exemplos 1 e 3, vistos anteriormente neste tópico, teremos 
os seguintes dados para calcular o prêmio estatístico:
Amostra = 750 mil veículos segurados
No de Sinistros Ocorridos = 82.500 casos
Total Indenizado = R$ 495 milhões
Valor matemático do risco = 0,25% 
Custo médio dos sinistros = R$ 85.000,00
Prêmio estatístico (PE) = Total Indenizado = 495.000.000,00 = R$ 660,00
 No de Seguros 750.000
Ou
PE = VMR x CMS = No de Sinistros Ocorridos x Total Indenizado
 No de Seguros No de Sinistros Ocorridos
PE = VMR = 82.500 x 495.000.000,00 = R$ 660,00 
 750.000 82.500
Ou ainda PE = VMR x CMS = 11% x 600,00 = R$ 660,00
Vamos agora utilizar os exemplos 2 e 4 que vimos anteriormente. Com base 
neles, temos os seguintes dados para o cálculo do prêmio estatístico:
Amostra = 320.000 pessoas seguradas (vidas)
No de Sinistros Ocorridos = 800 mortes
Total Indenizado = R$ 68 milhões
Valor matemático do risco = 11% 
Custo médio dos sinistros = R$ 600,00
Prêmio estatístico (PE) = Total Indenizado = 68.000.000,00 = R$ 212,50
TÓPICO 2 | A FORMAÇÃO DO PREÇO NOS SEGUROS GERAIS
161
 No de Seguros 320.000
Ou
PE = VMR x CMS = No de Sinistros Ocorridos x Total 
Indenizado___
 No de Seguros No de Sinistros 
Ocorridos
PE = VMR = 800 x 68.000.000,00 = R$ 212,50 
 320.000 800
Ou ainda PE = VMR x CMS = 0,25% x 85.000,00 = R$ 212,50
Vimos que as regras matemáticas para obtenção do prêmio estatístico são 
relativamente simples. As informações estatísticas para obter as frequências de 
sinistros e o custo médio dos sinistros exigem apenas que a seguradora possua 
controles e sistemas gerenciais capazes de apresentar relatórios ou estatísticas 
confiáveis. O maior grau de dificuldade para o atuário está em simular ou projetar 
as expectativas futuras. Quais são as tendências? A ocorrência de determinado 
evento deve aumentar ou diminuir? Em que proporção? Os custos de reparação, 
reposição e/ou outros fatores que contribuem para o valor das indenizações tendem 
a crescer ou não? A resposta a essas questões exige ferramentas e conhecimentos 
mais complexos.
3.2 TAXA ESTATÍSTICA
A taxa estatística pode ser obtida a partir do Prêmio Estatístico. Ela representa 
o percentual a ser usado como base de cálculo a ser utilizada em todos os negócios 
que se enquadrem nas características de uma determinada amostra. Assim, a Taxa 
Estatística corresponde à relação entre o Prêmio Estatístico e a Importância Segurada 
Individual de cada amostra. Geralmente, as taxas estatísticas são expressas em 
percentagem. Teixeira (2016) ensina que existem duas formas de se obter a Taxa 
Estatística:
a) Primeira forma: É utilizada para objetos ou riscos idênticos. Para obter a taxa, 
divide-se o Prêmio Estatístico (PE) pela Importância Segurada (IS) e multiplica-
se o resultado por 100, para representá-lo em percentagem, como expresso na 
relação a seguir:
TE = ( PE × 100 ) %
162
UNIDADE 3 | NOÇÕES GERAIS DE ATUÁRIA E SOLVÊNCIA DAS SEGURADORAS
 IS
Exemplo: Usando o exemplo anterior (em que temos uma amostra de 320 
mil seguros de vida) e considerando que todas as pessoas seguradas se encontram 
na mesma faixa etária e contrataram a mesma Importância Segurada (R$ 50.000,00), 
podemos dizer que todos os riscos são idênticos. Como já conhecemos o valor do 
Prêmio Estatístico (R$ 212,50), a Taxa Estatística será de:
TE = ( PE × 100 ) % = ( 212,50 x 100) = 0,425%
 IS 50.000,00
b) Segunda forma: É utilizada para riscos ou objetos semelhantes, mas que não 
são idênticos. Nestes casos, a Taxa Estatística é obtida pela relação entre o Total 
Indenizado e a soma de todas as Importâncias Seguradas. O resultado será 
multiplicado por 100 para representá-lo em percentagem:
TE = (Total Indenizado × 100) %
 Soma das ISs
Nestas situações, os riscos são os mesmos, mas seus valores (importâncias 
seguradas) são diferentes. Portanto, a taxa de risco será a mesma para todos, mas 
os prêmios a serem pagos serão diferentes. Deste modo, devemos primeiramente 
calcular a Taxa Estatística da amostra (TE). Em seguida, calcularemos os respectivos 
prêmios considerando a aplicação desta taxa à Importância Segurada (IS), conforme 
expresso na relação abaixo:
PE = TE × IS
Exemplo: Calcular a taxa estatística e os prêmios estatísticos em uma 
amostra de seguros de objetos semelhantes, mas que possuem valores diferentes, 
como segue:
 
Amostra = 750 mil veículos segurados, sendo:
150 mil veículos modelo A, com valor (IS) de R$ 20.000,00
400 mil veículos modelo B, com valor (IS) de R$ 30.000,00
200 mil veículos modelo C com valor (IS) de R$ 40.000,00
Total Indenizado = R$ 494.960.000,00
Neste caso, primeiramente calcularemos a soma de todas as importâncias 
seguradas:
TÓPICO 2 | A FORMAÇÃO DO PREÇO NOS SEGUROS GERAIS
163
VEÍCULO QUANTIDADE
IS 
INDIVIDUAL
IS TOTAL
Modelo A 150.000 20.000,00 3.000.000.000,00
Modelo B 400.000 30.000.00 12.000.000.000,00
Modelo C 200.000 40.000,00 8.000.000.000,00
Total 750.000 23.000.000.000,00
Calcularemos agora a Taxa Estatística, que será única para todos os veículos, 
pois entendemos que eles estão expostos a riscos semelhantes (mesma região de 
circulação, mesmo perfil de motoristas etc.)
TE = ( Total Indenizado × 100) % = (495.000.000,00 x 100) %Soma das ISs 23.000.000.000,00
TE = 2,152%
Com base na taxa estatística podemos calcular os prêmios estatísticos a 
serem pagos pelos proprietários de cada modelo de veículos, pois sabemos que: 
PE = TE × IS Portanto
PE do modelo A = 2,152% x R$ 20.000,00 = R$ 430,40
PE do modelo A = 2,152% x R$ 30.000,00 = R$ 645,60
PE do modelo A = 2,152% x R$ 40.000,00 = R$ 860,80
Considerando que o prêmio estatístico é o quanto deve ser cobrado de cada 
segurado para pagar a conta dos sinistros, verifica-se no exemplo a seguir que o 
total a ser arrecadado na amostra considerada corresponde exatamente ao total das 
indenizações:
VEÍCULO QUANTIDADE
PE 
INDIVIDUAL
PE TOTAL
Modelo A 150.000 430,40 64.560.000,00
Modelo B 400.000 645,60 258.240.000,00
Modelo C 200.000 860,80 172.160.000,00
Total 750.000 494.960.000,00
Na prática de mercado, evidentemente, os cálculos do prêmio estatístico 
ficam restritos às áreas técnicas e atuariais das seguradoras. Todavia, nas rotinas 
comerciais diárias, é comum que seja dada a informação de uma taxa de risco que 
o corretor aplicará sobre a importância segurada referente ao bem que se pretende 
garantir e, assim, obter o prêmio do seguro. 
164
UNIDADE 3 | NOÇÕES GERAIS DE ATUÁRIA E SOLVÊNCIA DAS SEGURADORAS
3.3 PRÊMIO COMERCIAL
O prêmio comercial corresponde ao valor que realmente será apresentado 
à pessoa interessada em contratar um seguro. Já sabemos que o prêmio estatístico 
representa a parcela destinada a pagar a conta dos sinistros, mas as seguradoras 
possuem outras despesas a serem pagas, e é claro que elas precisarão entrar no 
preço. 
Conforme Teixeira (2016, p. 64), “o Prêmio Comercial (PC), também 
denominado Prêmio Tarifário ou Prêmio Líquido, é aquele que se obtém 
acrescentando-se ao Prêmio Estatístico três parâmetros que compõem o chamado 
carregamento comercial (c)”.
QUADRO 14 - CARREGAMENTO COMERCIAL
FONTE: Teixeira (2016, p. 64)
O Prêmio Comercial (PC) é obtido a partir do Prêmio Estatístico através 
da relação a seguir, onde a letra “c” representa a soma dos três parâmetros que 
compõem o carregamento comercial da seguradora (despesas administrativas + 
despesas de produção ou comerciais + remuneração do capital empregado ou lucro):
 
PC = PE
 (1 – c) 
Para melhor compreensão, iremos considerar a situação de uma seguradora 
que, para operacionalizar determinada modalidade de seguro, verifica que 
necessitará de um carregamento comercial de 40%, com a seguinte distribuição: 
Despesas administrativas = 16%
Despesas comerciais ou de produção = 20%
Lucro esperado = 4%
Carregamento comercial 40%
Denominação Destinação
Despesas administrativas (DA) ou Gastos 
de Gestão Interna
Destinados à administração da 
seguradora, como paramento de folha 
salarial, alugéis, comunicações.
Despesas da Aquisição e Produção (DP) 
ou Gastos de Gestão Externa
São aqueles originados pelo processo 
comercial de distribuição e venda 
do seguro, englobando comissão de 
corretagem, material de propaganda.
Remuneração do Capital Empregado (R. 
Cap) ou Lucro É o lucro dos acionistas do segurador
TÓPICO 2 | A FORMAÇÃO DO PREÇO NOS SEGUROS GERAIS
165
Considerando que esta seguradora já tenha calculado o seu prêmio estatístico 
e obtido o valor de R$ 900,00 para o mesmo, podemos calcular o prêmio comercial:
PC = PE = 900,00 = 900,00 = 1.500,00
 (PE – c) (1 – 40%) (1 – 0,4)
Portanto, se comercialmente a seguradora cobrar R$ 1.500,00, ela arrecadará 
o suficiente para cobrir suas despesas e pagar a conta de sinistros (para a qual se 
destina o prêmio estatístico). Vejamos:
Prêmio comercial (100% de 1.500,00) = 1.500,00
Despesas administrativas (16% de 1.500,00) = 240,00 (-)
Despesas comerciais ou de produção (20% de 1.500,00) = 300,00 (-) 
Lucro esperado (4% de 1.500,00) = 60,00 (-)
Prêmio estatístico (60% de 1.500,00) = 900,00 
 
Pronto. Agora todas as principais contas da seguradora estão contempladas 
no preço ou prêmio do seguro. O prêmio comercial a ser cobrado de cada cliente 
deverá ser suficiente para que ela pague os sinistros, as despesas administrativas, 
as despesas comerciais e ainda permita obter algum lucro, que nada mais é do que 
a remuneração dos acionistas que investiram no negócio.
3.4 TAXA COMERCIAL
Com o Prêmio Comercial é possível calcular a Taxa Comercial (TC) que 
será utilizada em todos os negócios que tenham as características da amostra ou 
universo de seguros considerado. De modo semelhante ao que vimos com a taxa 
estatística, para obter a Taxa Comercial (TC) basta dividir o Prêmio Comercial (PC) 
pela Importância Segurada Individual (IS) e multiplicar o resultado por 100 (para 
representá-la em percentagem), conforme Teixeira (2016) expressa na seguinte 
relação:
TC = (PC × 100) %
 IS
Exemplo: Se considerarmos o prêmio comercial do exemplo anterior (R$ 
1.500,00) e soubermos que ele se refere a uma amostra de seguros idênticos com 
importância segurada uniforme de R$ 50.000,00, a taxa comercial pode ser facilmente 
obtida através da relação:
TC = (PC × 100) % = (1.500,00 x 100) % = 3%
 IS 50.000,00
166
UNIDADE 3 | NOÇÕES GERAIS DE ATUÁRIA E SOLVÊNCIA DAS SEGURADORAS
3.5 PRÊMIO BRUTO
Quando acrescentamos ao Prêmio Comercial os eventuais encargos e 
os impostos (simplificadamente chamados de IOF – Impostos sobre Operações 
Financeiras – assunto que veremos adiante), chegamos ao prêmio bruto. Ele representa 
o valor que o segurado efetivamente pagará e pode ser expresso pela seguinte relação:
PB = (PC + encargos) × (1 + IOF)
Exemplo: Com base no caso anterior, em que o Prêmio Comercial calculado 
foi de R$ 1.500,00 e considerando uma alíquota de 7,38% para o IOF e inexistência 
de qualquer encargo, teremos:
PB = (PC + encargos) × (1 + IOF)
PB = (1.500,00 + 0) x (1 + 7,38%)
PB = 1.500,00 x (1 + 0,0738)
PB = R$ 1.610,70
Sobre as parcelas que compõem o prêmio bruto, Teixeira (2016) trata 
primeiramente do custo de emissão da apólice. Trata-se de um custo que era 
habitualmente cobrado pelas seguradoras pela emissão do documento e que se 
destinava, principalmente, a cobrir custos de cobrança bancária, de vistorias, entre 
outros. Este encargo foi extinto pela Resolução SUSEP 264/12, com exceção apenas 
do seguro obrigatório de veículos automotores (DPVAT), em que se permite a 
cobrança do valor de R$ 4,15 a título de custo da emissão. 
O adicional de fracionamento (AF) só é utilizado quando o seguro não é pago 
à vista. Este adicional corresponde, portanto, aos juros que serão cobrados quando 
o seguro é pago parceladamente. O cálculo de cada parcela do prêmio fracionado 
é feito aplicando-se ao Prêmio Líquido (ou Prêmio Comercial ou Prêmio Tarifário) 
o coeficiente indicado pelas seguradoras. 
Finalmente, sobre o Prêmio Comercial e para se chegar ao Prêmio Bruto, 
vimos que também precisam ser acrescentados os impostos. Eles estão representados 
pelo Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguro ou Operações relativas a 
Títulos e Valores Mobiliários e são conhecidos pela sigla IOF. Teixeira (2016) observa 
que esse imposto incide sobre todas as parcelas que compõem o Prêmio Bruto, ou 
seja, sua alíquota incide sobre o Prêmio Comercial e Encargos (Juros e Adicional 
de Fracionamento, se houver). Em síntese, as condições básicas são as seguintes:
• A cobrança de adicional de fracionamento é opcional.
• O vencimento da última prestação não poderá ultrapassar o término 
de vigência do contrato.
• O IOF incide sobre o valor de cada parcela e sobre o adicional de 
fracionamento, se houver.
• Configurada a falta de pagamento de qualquer uma das parcelas 
subsequentes à primeira, o prazo de vigência da cobertura será ajustado 
em função do prêmio efetivamente pago, nos termos das circulares 
vigentes da SUSEP (TEIXEIRA, 2016, p. 67).
TÓPICO 2 | A FORMAÇÃO DO PREÇO NOS SEGUROS GERAIS
167
A incidência do IOF foi disciplinada pelo Decreto 6.306/2007, com os 
respectivosajustes feitos por outros documentos legais, e incide sobre todas as 
operações de seguros. Conforme Teixeira (2016, p. 68), as alíquotas atuais estão 
assim estabelecidas:
QUADRO 15 - IOF SOBRE AS OPERAÇÕES DE SEGUROS
Alíquota Operações
0 (Zero)
I. de resseguro;
II. obrigatório, vinculado a financiamento de imóvel habitacional, realizado por 
agente do Sistema Financeiro de Habitação;
III. de crédito à exportação e de transporte internacional de mercadorias; 
IV. contratado no Brasil, referente à cobertura de riscos relativos ao lançamento 
e à operação dos satélites Brasilsat I e II;
V. em que o valor dos prêmios seja destinado ao custeio dos planos de seguro 
de vida com cobertura por sobrevivência;
VI. Seguro Aeronáutico e Seguro de Responsabilidade Civil pago por 
transportador aéreo; e
VII. Seguro Garantia.
0,38%
Nas operações de seguro de vida e congêneres, de acidentes pessoais e do 
trabalho, incluídos os seguros obrigatórios de danos pessoais causados por 
veículos automotores de vias terrestres (DPVAT) e por embarcações, ou por sua 
carga, a pessoas transportadas ou não (DPEM).
2,38% Nas operações de seguros privados de assistência à saúde.
7,38% Nas demais operações de seguro.
168
UNIDADE 3 | NOÇÕES GERAIS DE ATUÁRIA E SOLVÊNCIA DAS SEGURADORAS
Isentos
I. em que o segurado seja a entidade binacional Itaipu (art. XII do Tratado 
promulgado pelo Decreto 72.707, de 1973);
II. contratada pelos executores do Gasoduto Brasil-Bolívia, diretamente ou por 
intermédio de empresas especialmente por eles selecionadas para esse fim, 
obedecidas as condições previstas no Acordo entre os Governos da República 
Federativa do Brasil e da República da Bolívia (Acordo promulgado pelo 
Decreto 2.142, de 1997, art. 1o);
III. rural (Decreto-Lei 73, de 21 de novembro de 1966, art. 19);
IV. em que os segurados sejam missões diplomáticas e repartições consulares de 
carreira (Convenção de Viena sobre Relações Consulares promulgada pelo 
Decreto 61.078, de 1967, art. 32, e Decreto 95.711, de 1988, art. 1o);
V. contratada por funcionário estrangeiro de missão diplomática ou 
representação consular (Convenção de Viena sobre Relações Diplomáticas 
promulgada pelo Decreto 56.435, de 8 de junho de 1965, art. 34). 
§ 1o O disposto nos incisos IV e V não se aplica aos consulados e cônsules 
honorários (Convenção de Viena sobre Relações Consulares promulgada pelo 
Decreto 61.078, de 1967, art. 58). 
§ 2o O disposto no inciso V não se aplica aos funcionários estrangeiros que 
tenham residência permanente no Brasil (Convenção de Viena sobre Relações 
Diplomáticas promulgada pelo Decreto 56.435, de1965, art. 37, e Convenção de 
Viena sobre Relações Consulares promulgada pelo Decreto 61.078, de 1967, art. 
71). 
§ 3o Os membros das famílias dos funcionários mencionados no inciso V, desde 
que com eles mantenham relação de dependência econômica e não tenham 
residência permanente no Brasil, gozarão do tratamento estabelecido neste 
artigo (Convenção de Viena sobre Relações Diplomáticas promulgada pelo 
Decreto 56.435, de 1965, art. 37, e Convenção de Viena sobre Relações Consulares 
promulgada pelo Decreto 61.078, de 1967, art. 71). 
§ 4o O tratamento estabelecido neste artigo aplica-se, ainda, aos organismos 
internacionais e regionais de caráter permanente de que o Brasil seja membro e aos 
funcionários estrangeiros de tais organismos, nos termos dos acordos firmados 
(Lei 5.172, de 1966, art. 98).
FONTE: Teixeira (2016, p. 68)
3.6 PRAZO DE VIGÊNCIA DO SEGURO
Em geral, o prazo de vigência dos contratos de seguro é de um ano. 
Entretanto, também é possível que sejam contratados seguros com prazos inferiores 
ou superiores a um ano, dependendo das regras específicas de cada ramo e da 
aceitação (ou não) da seguradora pelo risco e pelo prazo desejado. Como regra 
geral, os prêmios de seguro são calculados para um ano e, por isso, para prazos 
diferentes, deverão ser ajustados.
3.6.1 Seguro a Prazo Curto
Os seguros contratados por prazo inferior a um ano são denominados de 
seguros a prazo curto. O prêmio é calculado em função de uma tabela de prazo 
TÓPICO 2 | A FORMAÇÃO DO PREÇO NOS SEGUROS GERAIS
169
curto e não de forma proporcional entre o prazo de vigência e o período padrão 
de um ano. Comparativamente, a tabela de prazo curto agrava o prêmio, ou 
seja, em termos relativos, os prêmios a prazo curto são agravados em relação ao 
prêmio anual. Observa-se, no quadro a seguir, que um seguro contratado para 
seis meses (180 dias) custa 70% do prêmio anual, enquanto que se fosse calculado 
proporcionalmente, custaria apenas 50% do prêmio anual (ou de 12 meses).
Prazo (até)
% do Prêmio Líquido 
Anual
15 dias 13
30 dias 20
45 dias 27
60 dias 30
75 dias 37
90 dias 40
105 dias 46
120 dias 50
135 dias 56
150 dias 60
165 dias 66
180 dias 70
195 dias 73
210 dias 75
225 dias 78
240 dias 80
255 dias 83
270 dias 85
285 dias 88
300 dias 90
315 dias 93
330 dias 95
345 dias 98
365 dias 100
FONTE: Teixeira (2016, p. 74)
QUADRO 16 - PRAZO CURTO
A Tabela de Prazo Curto é utilizada quando não existe justificativa aceita 
pelas seguradoras para a redução de prazo para contratação por período menor 
que um ano. Com isso, as seguradoras procuram inibir a tentativa de contratação 
de seguros somente para períodos em que o proponente acredita existir maior 
possibilidade de ocorrência de sinistros.
170
UNIDADE 3 | NOÇÕES GERAIS DE ATUÁRIA E SOLVÊNCIA DAS SEGURADORAS
3.6.2 Prêmio de Seguro Pro Rata Temporis (em Proporção 
ao Tempo)
Os seguros calculados à base pro rata são aqueles em que a cobrança ocorre 
de forma proporcional entre o tempo de vigência contratado e o período padrão 
de um ano. Isto ocorre em situações habitualmente aceitas pela seguradora, por 
exemplo, quando o segurado deseja que seus seguros tenham vencimento sempre 
na mesma data. Tomemos como exemplo um segurado que possui seus seguros 
vencendo de forma unificada em 30.11. Se em 24.07 ele estiver adquirindo um novo 
veículo e desejar que a vigência também se encerre em 30.11, o seguro poderá ser 
cobrado de forma proporcional entre 24.07 e 30.11 (129 dias) e os 365 dias do padrão 
anual. Em situações de endossos com cobrança ou com restituição de prêmio (por 
exemplo, a substituição de um veículo na apólice de automóvel) também se utiliza 
a base proporcional ou pro rata temporis, como é conhecida.
3.6.3 Seguro a Prazo Longo (Plurianual)
Nos seguros contratados por prazo superior a um ano, utiliza-se uma Tabela 
de Prazo Longo que diminui, em termos relativos, o valor do prêmio em relação ao 
prêmio anual. O Seguro a Prazo Longo só pode ser contratado pelo prazo máximo 
de cinco anos. Observa-se no quadro a seguir que um seguro contratado para dois 
anos (24 meses) custaria 190% (ou 1,9 vezes) do prêmio anual ao invés de 200% (ou 
duas vezes).
TÓPICO 2 | A FORMAÇÃO DO PREÇO NOS SEGUROS GERAIS
171
QUADRO 17 - PRAZO LONGO
FONTE: Teixeira (2016, p. 78)
Vimos que ao calcular o prêmio bruto, incluem-se todas as parcelas 
necessárias para que a seguradora possa pagar os sinistros, todas as suas demais 
despesas e ainda um tributo direto estabelecido pelo Governo que corresponde ao 
Imposto Sobre Operações Financeiras (IOF). Estima-se que em 2016 houve uma 
arrecadação em torno de R$ 7 a 8 bilhões com o IOF, além dos demais tributos que 
as seguradoras recolhem, da mesma forma que as empresas de outros ramos de 
atividade. Como os seguros representam formação de reservas e investimentos 
na economia, essa tributação é muito controversa, pois, de certa forma, ao invés 
de incentivar, o governo acaba por inibir o desenvolvimento deste importante 
mercado.
Prazo em 
meses
% Prazo em 
meses
%
13 108 37 278
14 116 38 284
15 124 39 291
16 132 40 297
17 140 41 303
18 147 42 309
19 155 43 315
20 162 44 321
21 169 45 327
22 176 46 333
23 183 47 338
24 (2 anos) 190 48 (4 anos) 344
25 197 49 350
26 205 50 356
27 212 51 362
28 219 52 367
29 226 53 373
30 233 54 379
31 239 55 384
32 246 56 389
33 252 57 394
34 259 58400
35 265 59 405
36 (3 anos) 271 60 (5 anos) 410
172
Neste tópico, você aprendeu que:
• As pessoas apresentam maior ou menor propensão ao enfrentamento de riscos. 
Todavia, todas elas detestam perder, até porque o sentimento de perda é maior 
que a satisfação de um ganho de valor equivalente.
• O Valor Matemático do Risco é uma medida de frequência relativa de sinistros, 
obtida pela relação entre o número de sinistros ocorridos e o número de riscos 
pesquisados (ou número de seguros da amostra ou número de objetos expostos 
ao risco).
• Prêmio estatístico (PE) = Total Indenizado = VMR x CMS
 No de Seguros
• Para objetos idênticos: TE = ( PE × 100 ) %
 IS
• Para objetos semelhantes: TE = (Total Indenizado × 100) %
 Soma das ISs
• O prêmio bruto corresponde ao prêmio comercial mais os eventuais encargos e 
os impostos e representa o valor que o segurado efetivamente pagará, podendo 
ser expresso pela seguinte relação: PB = (PC + encargos) × (1 + IOF).
• Os seguros podem ser contratados a prazo curto (usando tabela que agrava o 
prêmio em termos relativos), a prazo longo (usando tabela que reduz o prêmio 
em termos relativos) ou à base pro rata temporis (proporcional ao número de dias 
de vigência). 
RESUMO DO TÓPICO 2
173
AUTOATIVIDADE
1 São elementos que compõem o prêmio estatístico ou puro:
a) Despesas administrativas e remuneração do capital.
b) Encargos e impostos.
c) Despesas de aquisição e gastos de gestão.
d) IOF e ICMS.
e) Valor matemático do risco e custo médio dos sinistros.
2 Calcule o prêmio estatístico de uma seguradora que possui 45.000 apólices 
em sua carteira e que pagou 80 indenizações por morte acidental no último 
ano, cujo montante importou em R$ 6.750.000,00.
3 Qual a taxa estatística considerando as seguintes informações:
Número de seguros da amostra considerada: 12.000 apólices
Importância segurada total: R$ 360.000.000,00
Prejuízo total em 12 meses: R$ 4.500.000,00 
4 Calcule o prêmio estatístico de um seguro considerando que o custo médio 
do sinistro é R$ 18.000,00 e o valor matemático do risco é 1,5%.
5 Considere o prêmio estatístico igual a R$ 360,00 com o seguinte carregamento: 
Lucro = 4%, Comissão de corretagem = 20% e despesas administrativas = 
12%. Qual o prêmio líquido ou comercial?
6 Calcule o prêmio bruto de um seguro, considerando os seguintes dados:
Prêmio Comercial = R$ 400,00
Prêmio Estatístico = R$ 200,00
IOF = 7,38%
174
175
TÓPICO 3
A FORMAÇÃO DO PREÇO NOS SEGUROS DE 
PESSOAS E PREVIDÊNCIA
UNIDADE 3
1 INTRODUÇÃO
Ao tratar dos métodos para precificação de seguros, Peres (2016) comenta 
que o cálculo do prêmio é uma das atividades mais importantes de uma seguradora. 
O princípio básico desse cálculo, visto no dimensionamento do prêmio estatístico, 
vem do conceito de se cobrar o suficiente para cobrir todas as indenizações oriundas 
dos sinistros a pagar. Se isso não ocorrer, obviamente, a seguradora poderá ficar 
insolvente (incapacitada de honrar seus compromissos). Diversos são os conceitos 
e metodologias envolvidos no cálculo do prêmio, no entanto, a citação a seguir 
destaca quatro métodos de precificação:
• Julgamento ou subjetivo – esse método de precificação é utilizado 
quando não se tem informação suficiente no processo de precificação. 
É um processo subjetivo, em que a tarifa é definida pelo underwriter 
através da comparação com riscos similares. A Teoria da Credibilidade 
pode ser classificada dentro desse contexto, pois, por vezes, conjuga 
a experiência própria da seguradora com a experiência de outras 
seguradoras.
• Sinistralidade – a tarifa é atualizada em função da análise da 
sinistralidade da carteira em estudo. Lembramos que sinistralidade 
corresponde à razão sinistro/prêmio.
• Prêmio puro – esse método começa com a estimação do prêmio de risco, 
passando por um processo de regularização estatística (modelagem), e, 
por fim, adicionando-se um carregamento de segurança.
• Tábua de mortalidade – é o método utilizado nos Seguros de 
Pessoas e de Anuidades. Trata-se de um método determinístico, 
pois aplica fórmulas determinísticas e probabilidades de morte 
definidas a partir de estudos prévios realizados pelo atuário 
quando eles produzem as chamadas tábuas de mortalidade 
(PERES, 2016 apud FERREIRA, 2002, p. 21).
As tábuas de mortalidade ou tábuas biométricas são construídas a partir de 
informações brutas de mortalidade, passando por um processo de regularização 
estatística, um processo de ajustamento analítico e, finalmente, é aplicado um 
carregamento de segurança positivo quando a tábua é utilizada para coberturas de 
risco (morte), ou negativo, quando a tábua é utilizada para cálculo de anuidades 
(sobrevivência).
UNIDADE 3 | NOÇÕES GERAIS DE ATUÁRIA E SOLVÊNCIA DAS SEGURADORAS
176
2 TÁBUAS DE MORTALIDADE
 
Já sabemos que nos seguros de pessoas e previdência podemos estar 
tratando do risco morte ou de uma sobrevivência por período superior ao 
normalmente esperado. Neste cenário, o cálculo das expectativas de vida torna-se 
de fundamental importância. 
Conforme Peres (2016), as tábuas de mortalidade são instrumentos 
destinados a medir as probabilidades de sobrevivência e de morte. São construídas 
a partir de um instrumental técnico e científico e refletem as mudanças que a 
sociedade vem sofrendo, com o aumento da expectativa de vida, melhorias 
sanitárias e o avanço da medicina. Elas apresentam o número de pessoas vivas e 
de pessoas mortas, em ordem crescente de idade, desde a origem até a extinção do 
grupo.
Peres (2016) acrescenta que existem várias tábuas de mortalidade para medir 
a sobrevida, ou seja, quanto uma pessoa de determinada idade provavelmente 
ainda vai viver. As tábuas têm denominações usando abreviatura, como AT 
(Annuity Table), acrescentando-se o ano em que foi finalizada. Pode também haver 
alguma outra diferenciação no nome da tábua, por exemplo, o sexo do segurado 
ou se ele é ou não fumante. No Brasil, as mais utilizadas são as tábuas AT-83 Male 
(para mortalidade masculina) ou AT-83 Female (para mortalidade feminina) e AT-
2000 Male (vide Anexo 3) ou AT-2000 Female. 
Existem também planos de seguros que utilizam as tábuas CSO-58 
(Commissioners Standard Ordinary Table) e SGB-71 (Seguro de Grupos Brasileiros 
– Tábua deduzida da tábua básica da Experiência Brasileira EB 7-69). A Circular 
SUSEP 515-2015 aprovou os critérios de elaboração e atualização das seguintes 
tábuas biométricas:
• BR-EMSsb-V.2015-m – Experiência do Mercado Segurador Brasileiro 
(BR-EMS) – sobrevivência, versão 2015, masculino;
• BR-EMSsb-V.2015-f – Experiência do Mercado Segurador Brasileiro 
(BR-EMS) – sobrevivência, versão 2015, feminino;
• BR-EMSmt-V.2015-m – Experiência do Mercado Segurador Brasileiro 
(BR-EMS) – morte, versão 2015, masculino; e
• BR-EMSmt-V.2015-f – Experiência do Mercado Segurador Brasileiro 
(BR-EMS) – morte, versão 2015, feminino (PERES, 2016, p. 22).
As citadas tábuas foram desenvolvidas pela Universidade Federal do 
Rio de Janeiro (UFRJ) e receberam a denominação de Experiência do Mercado 
Segurador Brasileiro (BR-EMS). Elas levaram em conta o histórico de sobrevivência 
e de mortalidade dos consumidores de seguros de vida, além dos participantes de 
planos abertos de previdência privada complementar do país. A criação destas 
tábuas resultou de decisão conjunta da Superintendência de Seguros Privados 
(SUSEP) e da Federação Nacional de Previdência Privada e Vida (FENAPREVI), e 
levou em consideração os dados fornecidos por 23 empresas do setor de seguros 
que representam mais de 85% do universo de planos comercializados no mercado 
nacional (PERES, 2016).
TÓPICO 3 | A FORMAÇÃO DO PREÇO NOS SEGUROS DE PESSOAS E PREVIDÊNCIA
177
De acordo com Peres (2016), para aumentar o rigor da construção da tábua, 
a equipe também buscou dados demográficos oficiais encaminhados pelo Cadastro 
Nacional de Informações Sociais (CNIS) e pelo Sistema de Controle

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