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TRAUMA CERVICAL PENETRANTE Importância Órgãos de múltiplos sistemas contidos em uma localização compacta -> um trauma isolado, pode produzir múltiplos efeitos potencialmente letais Exploração seletiva X Exploração mandatória 1) Segura – estuda o caso, seleciona o caso e se tiver indicação, abre o paciente a. Queda na taxa de cervicotomias brancas b. Maior taxa de achados nos casos indicados 2) Paciente chega com lesão no pescoço, abre o pescoço de todo jeito - Declínio da mortalidade com o tempo - Há vários critérios diagnósticos para determinar a intervenção precoce (quando abro o paciente logo de início e nem espero?!) ➢ Exame clínico ➢ Endoscopia ➢ Broncoscopia ➢ Arteriografia ➢ USG com doppler ➢ TC Epidemiologia - 5-10% de todas as injúrias traumáticas são homens jovens de 21-30 anos (ferimento por arma branca, por arma de fogo) - Zona II é a mais atingida (ferimento de arma branca e de fogo) Estruturas mais lesadas: • Veias 15-25% • Artéria 10-15% • Faringe e esôfago 5-15% Mecanismo de Trauma Ferimento por arma branca: Homem X Mulher 1) Mais força no bíceps -> o ferimento vem de baixo para cima 2) Mais força na alavanca do braço -> mais horizontal Ferimento por arma de fogo: Calibres de alta velocidade X calibres de grande massa Zonas Cervicais Zona 3 -> vai da base do crânio até a mandíbula Zona 2 -> vai do ângulo da mandíbula até a cartilagem cricoide (é a zona mais acometida e a mais exposta) Zona 1 -> da cartilagem cricoide à fossa supraclavicular Riscos: Zona 3 -> anatomia complexa, com difícil abordagem cirúrgica o Não é possível acessar a zona 3; é preciso deslocar a mandíbula ou fazer mandibulotomia (cortar a mandíbula) Zona 2 -> multiplicidade de lesões; maior quantidade de órgãos do corpo nessa zona; facilidade maior de exploração; local de fazer a cervicotomia Zona 1 -> relação com hemotórax associado a lesões de vasos subclávios Zona 1 ✓ Zona mais baixa – acesso mais difícil (não temos acesso aos vasos que estão abaixo da clavícula) ✓ 8% dos traumas cervicais ✓ Mortalidade alta ✓ Manejo difícil (esternotomia ou toracotomia) Estruturas que podem ser lesadas: Conduta ✓ Angiografia de arco aórtico e grandes vasos (97% de acurácia) ✓ Avaliação do esôfago (por esofagoscopia rígida ou flexível e deglutograma – tira um raio X da pessoa deglutindo bário) *Em toda situação, deve ser feito exame no paciente. Exceto se o paciente estiver hematoma em expansão, choque ou sangramento. Em um desses 3 casos a indicação é cirúrgica. Zona 2 ✓ 77% dos traumas cervicais ✓ Acesso cirúrgico direto (vertical ou horizontal) Estruturas que podem ser lesadas: Conduta: É controvérsia (30-50% de exploração negativa) Paciente assintomático -> observar e repetir exames em 24h Paciente sintomático -> abordagem do paciente Exemplo: paciente que levou uma facada no pescoço, tosse sanguinolenta (lesão de laringe e lesão de traqueia) -> abrir o paciente Zona 3 ✓ 15% dos traumas cervicais ✓ Mortalidade alta ✓ Manejo cirúrgico difícil ✓ Acesso cirúrgico: craniotomia, mandibulotomia ou manobras de deslocamento mandibular Estruturas que podem ser lesadas: Manejo – ATLS Sempre proteger via aérea desse paciente -> se for necessário deve entubar, se não for viável, fazer via aérea cirúrgica VIAS AÉREAS Necessidade urgente de via aérea segura: ✓ Sangramento ✓ Hematoma extenso ✓ Hemoptise ✓ Enfisema subcutâneo ✓ Déficit neurológico ✓ Distorção de anatomia cervical ✓ Estridor ✓ Odinofagia ✓ Disfonia Mecânicas avançadas definitivas - Entubação Endotraqueal o Tubo endotraqueal o Combitube -> é um tubo que possui 2 cuffs (serve para entubação às cegas do paciente). Se o tubo for para traqueia, é insuflado apenas o balonete distal e a ventilação pelo bucal. Se tiver entubação no esôfago (maioria das entubações às cegas), é insuflado o cuff e a ventilação é feita pela lateral do tubo. Vias aéreas cirúrgicas o Cricotireoideostomia -> emergência o Cricotireoideostomia por punção Pode ser feita por punção ou aberta Punção: palpar o local da membrana cricotireoidea (palpar proeminência laríngea lá em cima, vai descendo a laringe e quando termina a cartilagem tireoide, tem um vale; esse vale é o espaço entre a cartilagem tireoide e cricoide = membrana cricotireoidiana -> local da punção ou da lâmina, se for uma crico aberta). Se posicionar atras do paciente e fazer uma punção a 45º no sentido dos brônquios do paciente. Puncionar a membrana cricotireoidiana; usar um jelco bem calibroso (14 ou 16) e através dele, ventilar esse paciente para ter tempo de fazer uma cricotireoideostomia aberta. OBS: traqueo não é de emergência *Punção é feita para “quebrar um galho”, para depois ser feita a crico aberta. 1) palpar a membrana cricotireoideana 2) incisão longitudinal (diminui o risco de pegar algum vaso no pescoço) 3) abrir a membrana afastando a pele com o próprio dedo 4) 4) pegar a parte de trás de bisturi ou o próprio dedo e alargar esse espaço da membrana 5) Cuidado para não colocar nada para cima da laringe para não lesar pregas vocais -> posicionar a cânula para baixo, no sentido da traqueia 6) Ventilar o paciente e chegar se está ok 7) Fixação Traqueostomia, não é via aérea cirúrgica de emergência. Como fazer? 1) Colocar um coxim no dorso do paciente para hiperestender o pescoço 2) Antissepsia e anestesia no local de abertura 3) Abrir 1 dedo a partir da fúrcula 4) Incisão na pele -> cai na musculatura pré-traqueal (mm. Esterno-tireoideo mais profundo e mm. Esterno-hióideo mais externo) 5) Incisão na rafe mediana (entre esses dois músculos); geralmente é avascular 6) Afasta a musculatura toda ate chegar na traqueia Pode fazer uma “janela” para abrir a traqueia, um “T” ou apenas uma “incisão horizontal” 7) Olhar o tubo lá dentro e pedir para um fisioterapeuta puxar o tubo devagar para cima, até o tubo sumir para poder passar a cânula 8) Sempre ter um aspirador á mão, pois pode ser necessário aspirar a via aérea do paciente (se tiver muita secreção) 9) Passar a cânula pela traqueia Manejo Controle dos sangramentos (principalmente em zona 1) ➢ Compressão sobre a pele ➢ Compressão digital sobre o vaso ➢ Inserção de balão para comprimir o vaso (sonda de Folley) Manejo por zonas cervicais Lesão penetrante no pescoço + choque/sangramento -> abertura imediata Paciente com sintomas em zona 1 -> fazer angiografia e se for necessário explorar o pescoço Paciente com sintomas em zona 2 -> explora o pescoço diretamente Paciente com sintomas em zona 3 -> fazer angiografia e tentar resolver por radiologia intervencionista Paciente SEM sintomas em zona 1 -> angiografia, esofagoscopia ou laringoscopia. Se for positiva – abrir o pescoço; se for negativa – observar Paciente sem sintomas em zona 2 -> fazer esses exames direto; positivo – abre o pescoço; negativo – observar paciente Paciente sem sintomas em zona 3 -> angiografia. Se for positiva – explora o pescoço; se for negativa – observar Paciente INSTÁVEL = CIRURGIA Cervicotomia Incisão vertical na borda anterior do esternocleidomastóideo (abre pele, subcutâneo e afasta musculatura – isso dá acesso aos principais vasos que podem estar sangrando -> carótida comum, carótida interna, carótida externas e todos seus ramos). Imagem 1 Incisão longitudinal (levanta um retalho de pele e faz a incisão na borda anterior do esternocleido– afasta ele e chega nos vasos principais). Imagem 2 Exames complementares Paciente estável: ✓ Rx simples ✓ Esofagograma baritado ✓ Broncoscopia ✓ Laringoscopia ✓ TC ✓ UDG com doppler ✓ Angiografia Raio X simples – é possível ver projétil em zona 1 Esofagograma – extravasamento de contraste (indica lesão) Endoscopia – a ponta da faca chegou na ponta da traqueia Laringoscopia – avaliar a mobilidade de pregas vocais Conduta Geral - Operação imediata (12% dos casos) – quando o paciente tem risco de morte; insuficiência respiratória ou hemorragia - Operação seletiva (21% dos casos) – baseado em exames. Quando tem lesão do trato aerodigestório alto ou lesões vasculares - Tratamento não operatório (66% dos casos) – baseado em exames e observação clínica Dicas Se concentrar na avaliação das vias aéreas (falhas na intubação = via aérea cirúrgica); detectar lesões esofágicas ocultas; nunca atrase avaliação cirúrgica Resumo: