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Queridos irmãos e irmãs, participantes dos grupos de reflexão! Estamos no tempo da Quaresma, um tempo litúrgico importante, que nos prepara para celebrar a centralidade da fé cristã: o Mistério da Paixão, Morte e Ressurreição de Jesus. Neste período, a Igreja do Brasil propõe a Campanha da Fraternidade, que neste ano é ecumênica, ou seja, agrega outras Igrejas de confissão cristã. Dessa forma, somos motivados a refletir sobre o diálogo, como um compromisso de amor. Reunir-se em pequenos grupos, como vocês estão fazendo, é uma prática que vem desde o início do cristianismo e fortalece a fé da Igreja. Os encontros que vão realizar são oportunidades de fazer do ambiente familiar uma Igreja doméstica, um espaço de evangelização. Ao reunirem- se, não se esqueçam dos cuidados que ainda são recomendados quanto a prevenção do Coronavírus. Cuidar da saúde e da vida também é viver o Evangelho. Este subsídio, elaborado pelo Regional Sul 2 da CNBB, visa ajudá-los a viver o itinerário quaresmal em família e em comunidade. Os encontros são dinâmicos e centrados na espiritualidade quaresmal, na Palavra de Deus e na Campanha da Fraternidade Ecumênica. Este ano, a Via-Sacra, oração tradicional da Igreja para o tempo da Quaresma, foi escrita por Dom Amilton Manoel da Silva, bispo de Guarapuava (PR). Desejo que estes encontros sejam um bom instrumento para que a Palavra de Deus e a vivência fraterna vos conduzam a uma vida de ressuscitados. Uma boa Quaresma e Feliz Páscoa a todos! Dom Geremias Steinmetz Arcebispo de Londrina e Presidente do Regional Sul 2 Cristo é a nossa paz!Cristo é a nossa paz! 2 ORAÇÃO INICIAL CANTO: EIS O TEMPO DE CONVER- SÃO (n. 1) Leitor 1: Estamos aqui reunidos em nome do Pai e do Filho e do Filho... “Cristo é a nossa paz” (cf. Ef 2, 14) é o lema que inspira a Campanha da Fraternidade Ecumênica deste ano. Desejo que a paz e o amor de Deus estejam conosco neste encontro. Todos: É o amor de Cristo que nos reuniu. Leitor 2: O Evangelho nos diz que Jesus foi conduzido ao deserto pela ação do Espírito Santo (cf. Lc 4, 1). A Quaresma é um tempo em que tam- bém somos convidados a adentrar pelo deserto da nossa vida, enfren- tar aquilo que nos afasta de Deus, a fim de fortalecer e renovar a fé. Isso só é possível com a ação do Espírito Santo. Peçamos que ele venha sobre nós e nos conduza neste tempo. Todos: Vinde, Espírito Santo, enchei os corações dos vossos fiéis... ORAÇÃO FINAL Animador: Sempre que nos reunimos, como irmãos, para rezar e escutar a Palavra de Deus, Jesus está conos- co. Pela presença de Jesus em nosso meio e por todas as graças recebidas neste dia, nós queremos dizer: Todos: Obrigado (a), Senhor Jesus. Leitor 1: Em comunhão com toda a Igreja, rezemos a oração da Campa- nha da Fraternidade Ecumênica: Deus da vida, da justiça e do amor, nós Te bendizemos pelo dom da fraternidade e por concederes a graça de vivermos a comunhão na diversidade. Através desta Campanha da Fraternidade Ecumênica, ajuda- nos a testemunhar a beleza do diálogo como compromisso de amor, criando pontes que unem em vez de muros que separam e geram indiferença e ódio. Torna-nos pessoas sensíveis e disponíveis para servir a toda a humanidade, em especial, aos mais pobres e fragilizados, a fim de que possamos testemunhar o Teu amor redentor e partilhar suas dores e angústias, suas alegrias e esperanças, caminhando pelas veredas da amorosidade. Por Jesus Cristo, nossa paz, no Espírito Santo, sopro restaurador da vida. Amém! Animador: Deus nos abençoe e nos guie nesta Quaresma: em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo. Amém. CANTO FINAL: À ESCOLHA 3 ORAÇÃO INICIAL (pág. 2) Animador: O tema central dos nos- sos encontros quaresmais será a paz. No dicionário, a palavra paz é definida como a relação tranquila entre as pessoas e a ausência de conflitos e violência. Mas será essa a paz de Jesus? Leitor 1: Ao ler os Evangelhos, é fácil constatar que a vida de Jesus não era nada tranquila e sem con- flitos, inclusive, sua morte foi mui- to violenta. Vejamos alguns fatos. Logo após seu nascimento, os pais de Jesus tiveram que fugir para o Egito, pois Herodes mandou matar todas as crianças, abaixo de dois anos, nascidas em Belém (cf. Mt 2, 13-18). Leitor 2: Após o batismo no rio Jor- dão, Jesus foi conduzido, pelo Es- pírito, ao deserto e lá foi tentado pelo diabo durante quarenta dias (cf. Lc 4, 1-13). Na realização da sua missão, Jesus é sempre questiona- do por andar na casa de fariseus e publicanos, por tocar em doentes, por dialogar com mulheres de má reputação e pecadores. Jesus não fazia distinção de pessoas, pois ele veio para todos. Leitor 3: Dom Pedro Casaldáliga (1928-2020) escreveu, em um de seus poemas, que essa paz definida como ausência de conflitos é a “paz dos cemitérios”. Então, como nós podemos definir a paz de Jesus? (Tempo para diálogo). Animador: Em um de seus discur- sos de despedida, Jesus disse aos discípulos: “Deixo-vos a paz, dou- -vos a minha paz. Não é à manei- ra do mundo que eu a dou. Não se perturbe, nem se atemorize o vos- so coração” (Jo 14, 27). Leitor 1: Quem acolhe a paz de Cristo no seu interior, transborda de amor por Deus e pelos irmãos. Um amor que se concretiza na soli- dariedade, na fraternidade, na mi- sericórdia e na busca pela justiça. Leitor 2: Portanto, a paz de Cristo nada tem a ver com tranquilidade e ausência de conflitos, mas sim com compromisso com o Reino de Deus. A paz de Cristo é sempre uma paz inquieta! 1º ENCONTRO: A PAZ GERA O AMOR Amai os vossos inimigos e orai por aqueles que vos perseguem (Mt 5,44) 4 CANTO: CRISTO, QUERO SER INS- TRUMENTO (n. 2) EVANGELHO - LEITURA ORANTE Animador: A Palavra de Deus deve ser sempre o “dicionário” para o cristão compreender o significado de palavras como a paz, o amor, a fraternidade, a misericórdia. A ló- gica de Deus é muito diferente da humana. Por isso, vamos ouvir e acompanhar, com atenção, a pro- clamação do Evangelho. Evangelho de Mateus 5, 43-48 (Dar tempo para que os participantes abram a Bíblia e encontrem o texto bíblico. Quem for proclamar fique no centro. Em seguida fazer um breve momento de silêncio). CANTO DE ACLAMAÇÃO: Fala, Se- nhor! Fala, Senhor! Palavra de fra- ternidade! Fala, Senhor! Fala, Se- nhor! És luz da humanidade! (2x) Leitor 3: A Bíblia não pode ser lida como um livro qualquer, pois ela é a Palavra de Deus. Por isso, a Igre- ja nos propõe um método milenar, chamado de leitura orante, a fim de que essa Palavra seja melhor assi- milada e ganhe vida em nossa vida. Leitor 1: O arcebispo de Curitiba (PR), Dom José Antonio Peruzzo, é um estudioso dos textos bíblicos e vai nos ajudar a realizar a leitura orante desse Evangelho que escu- tamos. (Após ouvir o áudio da leitura oran- te, se for oportuno, fazer um momento de partilha). DINÂMICA Leitor 2: Acolher a paz de Jesus não significa ter uma vida tranquila, cô- moda e sem adversidades. Muito pelo contrário, quem acolhe a paz de Jesus nunca mais tem sossego na vida. Leitor 3: Quando Jesus ressuscita- do aparece aos seus discípulos, que estavam reunidos num local a por- tas fechadas, ele lhes deseja a paz por duas vezes e depois sopra so- bre eles o Espírito Santo (cf. Jo 20, 19-23). Os discípulos estavam tran- cados em casa, porque estavam com medo dos judeus. Leitor 1: A paz que Jesus lhes ofe- receu não acabou com os perigos a que estavam expostos e nem os transformou em super-homens. Mas lhes deu coragem para sair, para enfrentar o que quer que fos- se e serem livres até para entregar a vida, quando necessário. Animador: Vamos desejar essa paz de Jesus uns aos outros. Olhe nos olhos do seu irmão e lhe diga: “A 5 paz de Jesus esteja com você”. (Se for oportuno, o animador motive um abraço ou um aperto de mãos. Tempo para a dinâ- mica). CANTO: Paz, paz de Cristo! Paz, paz que vem do amor te desejo, irmão! Paz que afelicidade de ver em você, Cristo nosso irmão! (2X) TESTEMUNHO Em meados de setembro de 2019, o padre Wilson Morais, da diocese de Ponta Grossa, foi diagnosticado com a Covid-19. Os sintomas da doença apareceram após visitar um paciente na UTI de um hospital. “Se a doença afetou a ovelha, ao sair para ajudá- -la, não estaria o pastor livre de ser ferido também. Estive sempre con- fiante apesar de sofrer na carne os assaltos do vírus. Precisei passar 6 dias internado no hospital, sob cuida- dos excepcionais da equipe médica e de todos os nobres servidores de saú- de na ala Covid, aos quais agradeço imensamente”, escreveu o sacerdote em uma rede social, após sua recu- peração. Após ser infectado, padre Wilson aca- bou transmitindo a doença ao padre Evandro Luís Braun e ao seminarista Iuri Nack Buss. Assim, os três ficaram em quarentena, ajudando-se mu- tuamente, partilhando as marcas da doença e sentindo na pele as dores e angústias de tantas irmãs e irmãos que enfrentaram esse vírus perigosa- mente traiçoeiro. “Em tudo o que passamos, vejo Deus. Foi o Crucificado/ressuscita- do que nos permitiu experimentar a graça e não nos prender no peso da doença. Foram marcantes o amor e a presença orante do nosso povo, com mensagens, novenas, vigília, terços e corrente de orações diárias por nós. Gratidão é a palavra que define. Tendo vivido essa experiência sob a luz da cruz, é possível rezar de modo sensível e consciente por quem so- fre as dores do vírus, de modo mais agradecido por quem se recuperou, de modo mais solidário e fraterno pelas famílias que perderam as pes- soas que amam”, escreveu o padre Wilson. CAMPANHA DA FRATERNIDADE ECUMÊNICA Animador: A Campanha da Frater- nidade é realizada na Igreja do Bra- sil, no período da Quaresma, desde o ano de 1964. Este ano, pela 5ª vez, essa Campanha é ecumênica. Ou seja, cristãos de outras igrejas se unem aos católicos para afirmar que: Todos: “A Fraternidade e o diálogo são compromissos de amor, por- 6 que Cristo fez uma unidade daqui- lo que era dividido1”. Leitor 2: “Fraternidade e diálogo: compromisso de amor” é o tema da Campanha da Fraternidade. O lema é extraído da Carta de São Paulo aos Efésios: “Cristo é a nossa paz: do que era dividido, fez unida- de” (Ef 2,14a). Leitor 3: Vamos olhar, por uns ins- tantes, o cartaz dessa Campanha que está na contracapa do livrinho. Depois, vamos partilhar sobre o que ele nos diz (tempo para partilha). Animador: A arte do cartaz expres- sa a comunhão dos diversos dons e carismas presentes nas comunida- des de fé. Vemos pessoas de dife- rentes religiões, uma criança, uma pessoa com deficiência (PcD), tra- balhadores e um indígena de mãos unidas formando uma ciranda. Leitor 1: Numa ciranda não há pri- meiro e nem último, todos estão no mesmo compasso. Mas há um detalhe, entre a criança e o cadei- rante existe um espaço em aberto. Isso significa que nessa ciranda tem espaço para outros que desejam unir-se à roda do diálogo. Leitor 2: O texto bíblico está entre 1 Texto-base da CFE/2021. Apresentação, pág. 8. dois mosaicos. Significa que a Pa- lavra de Deus está no centro dessa comunidade, caracterizada pela di- versidade. No mosaico da esquer- da, de forma discreta, há uma cruz vazia, que simboliza o Cristo que venceu a morte. Leitor 3: Cristo ressuscitado é a nossa paz. A paz que todos somos chamados a testemunhar no mun- do, que ainda possui muitos muros e divisões. Animador: Vamos também nós, dar-nos as mãos (se for possível), formar uma ciranda e rezar juntos a oração do Pai-Nosso na versão ecu- mênica, na qual acrescentamos as palavras abaixo, após “livra-nos do mal”. Traga no coração as pessoas que conhece de outras igrejas e ou- tras religiões. Todos: ... livra-nos do mal, pois teu é o Reino, o poder e a glória para sempre. Amém. CANTO: HINO DA CFE/2021 (n. 11) PRECES Animador: O apóstolo Pedro escre- veu: “Lançai sobre ele toda vossa preocupação, pois ele é quem cui- da de vós” (1Pd 5,7). Confiantes em 7 Deus Pai, que nos ama e nos cuida, apresentemos as nossas preces, re- zando: Todos: Senhor, escutai a nossa pre- ce. - Que essa Campanha da Fraterni- dade Ecumênica ajude-nos a ser mais fraternos, acolhedores e aber- tos ao diálogo com nossos irmãos de outras igrejas. - Que a Quaresma seja ocasião para rompermos com tudo aquilo que tem nos afastado de Deus. - Que o jejum, a oração e a carida- de, propostos pela Igreja para esse tempo Quaresmal, nos conduzam a uma verdadeira conversão. - Que as pessoas que sofrem en- contrem em Cristo o conforto e a verdadeira paz. (Os membros do grupo podem fazer preces espontâneas). Leitor 1: Entreguemos nossos pe- didos a Deus, nosso Pai, rezando a oração pela paz: Senhor Jesus Cris- to, dissestes aos vossos Apóstolos: eu vos deixo a paz, eu vos dou a minha paz. Não olheis os nossos pecados, mas a fé que anima a vossa Igreja; dai-lhe, segundo o vosso desejo, a paz e a unidade. Vós, que sois Deus, com o Pai e o Espírito Santo. Amém. GESTO CONCRETO Animador: Na Quaresma, a Igreja propõe que nossa vida de oração seja intensificada, a fim de que possamos celebrar a Páscoa, com alegria. Ter uma vida de oração significa ter Deus como um amigo próximo. Para isso, é preciso viver reconciliado com Deus e com os irmãos e irmãs. Cada um, logo no início desta Quaresma, busque o sacramento da Reconciliação em sua comunidade. ORAÇÃO FINAL (pág. 2) Tempo de renovação para a Tempo de renovação para a Igreja, para as comunidades Igreja, para as comunidades e para cada um dos fiéis, a e para cada um dos fiéis, a Quaresma é sobretudo um Quaresma é sobretudo um ‘tempo favorável’ de graça. ‘tempo favorável’ de graça. Deus nada nos pede, que Deus nada nos pede, que antes não o tenha dado: ‘nós antes não o tenha dado: ‘nós amamos, porque Ele nos amamos, porque Ele nos amou primeiro’.amou primeiro’. Papa FranciscoPapa Francisco 8 ORAÇÃO INICIAL (pág. 2) Animador: O diálogo é uma ação plu- ral, ou seja, é a interação entre duas ou mais pessoas. Em um diálogo os envolvidos falam e ouvem. O que escuta não precisa concordar com o que fala, mas precisa ouvir, permitir que o outro fale. Assim, o diálogo constrói pontes entre abismos. Leitor 1: Hoje, o mundo oferece inúmeras ferramentas de comuni- cação, nem sempre, porém, elas promovem o diálogo. As redes so- ciais, por exemplo, colocam-nos numa bolha, na qual só recebemos conteúdos que estão de acordo com o que pensamos. Leitor 2: Vamos refletir: sou capaz de dialogar com quem pensa dife- rente de mim? Com quem votou num candidato diferente do meu? Com quem torce para o time adver- sário? Com quem professa a fé em outra igreja? (Pausa). Leitor 3: Jesus foi um mestre do diá- logo. Ele ouvia todos que se aproxi- mavam dele e era capaz, inclusive, de ouvir o silêncio e os gestos das pessoas. Assim como na ocasião, na qual percebeu que foi tocado na barra do manto por uma mulher no meio da multidão (cf. Lc 8, 43-48). Todos: Jesus ajuda-nos a ser pes- soas abertas ao diálogo. Animador: A vida de oração nos torna pessoas de diálogo. Rezar é conversar com Deus. Eu falo e Deus me escuta e vice-versa. Quem culti- va essa relação com Deus, é capaz de dialogar com todas as pessoas. Leitor 1: Jesus era assim, por isso era capaz de dialogar até com o ini- migo, sem deixar-se corromper por ele. O Evangelho diz que, ao ser ten- tado pelo diabo no deserto, Jesus o escutou e o respondeu sempre com a Palavra de Deus (cf. Lc 4, 1-13). Leitor 2: A falta de diálogo é causa do rompimento de muitas relações familiares, amizades, casamentos e etc. Essa falta constrói muros gigan- tescos entre as pessoas. Leitor 3: O período da Quaresma é um tempo oportuno para derru- 2º ENCONTRO: A PAZ LEVA AO DIÁLOGO Por causa do que acabas de dizer, podes voltar para casa. O demônio já saiu de tua filha (Mc 7, 29) * Para o momento da dinâmica: providenciar um tijolo. 9 barmosesse tipo de muro, tanto na relação com Deus, quanto com o próximo. Para isso, às vezes basta um passo na direção do outro, com disposição de escutá-lo. CANTO: AMAR COMO JESUS AMOU (n. 3) EVANGELHO - LEITURA ORANTE Animador: Deus nos fala, de forma concreta, na sua Palavra e nos in- terpela a uma resposta. Vamos ou- vir, com amor e atenção, o Evange- lho proposto para nosso encontro. Evangelho de Marcos 7, 24-30 (Dar tempo para que os participantes abram a Bíblia e encontrem o texto bíblico. Quem for proclamar fique no centro. Em seguida fazer um breve momento de silêncio). CANTO DE ACLAMAÇÃO: Tua Pala- vra é lâmpada para os meus pés, Senhor. Lâmpada para os meus pés, Senhor, luz para o meu cami- nho (2X). Leitor 1: Vamos, agora, fazer a lei- tura orante desse Evangelho. Se- remos orientados por Dom José Antonio Peruzzo, arcebispo de Curi- tiba (PR). (Após ouvir o áudio da leitura orante, se for oportuno, fazer um momento de partilha). DINÂMICA Leitor 2: A paz oferecida por Jesus não é um sentimento, que nos traz calmaria. Ela é um dom que nos compromete com os valores do Evangelho. É uma paz que não se conforma com nenhuma forma de exclusão, indiferença, discrimina- ção, injustiça. Leitor 3: Muitas vezes, no entanto, nós rejeitamos essa paz. Um exem- plo disso, é quando, por algum mo- tivo, deixamos de falar com alguém que mora conosco ou que convive- mos no trabalho ou na comunidade. Usamos de indiferença para punir ou excluir a pessoa de nossa vida. Animador: Convido cada um a fe- char os olhos e trazer à memória as pessoas com quem tem dificulda- de de dialogar e, com isso, rompeu a comunicação ou excluiu da vida. Também aqueles que agiram assim com você (pausa). Ser tratado com in- diferença dói tanto quanto ser agre- dido verbal ou fisicamente (pausa). Leitor 1: Um tijolo vai passar pelas mãos de cada um de nós. Ao rece- bê-lo, sinta o peso das barreiras que você já levantou diante das pessoas que excluiu da sua vida. Faça um momento de silêncio orante e peni- 10 tente, depois levante o tijolo e diga: *Se não for oportuno passar o tijolo de mão em mão, o animador pode segurar o tijolo diante de cada pessoa. - Jesus, ajudai-me a remover as barreiras que me separam de Deus e do meu próximo. CANTO: SENHOR, TENDE PIEDADE (n. 4) TESTEMUNHO A Igreja do Paraná mantém, desde 2014, uma missão Ad Gentes no país da Guiné-Bissau, na África. Na ci- dade de Quebo, onde a Missão São Paulo VI está localizada, o Islamismo é a religião predominante. Esse con- texto, no entanto, não impede que os cristãos e os muçulmanos convivam de forma pacífica e respeitosa. Em 2020, os missionários consegui- ram unir forças de cristãos e muçul- manos para construir um muro ao redor do hospital Guerra Mendes, único da cidade. Ele era invadido por animais como cachorros, cabras, porcos, galinhas, o que era muito prejudicial à saúde. Diante dessa realidade, algumas dio- ceses do Paraná se mobilizaram para conseguir os recursos financeiros a fim de construir esse muro, o qual possui 125 metros de extensão e 1,70 de altura. Os missionários mobi- lizaram a comunidade local, cristãos e muçulmanos, para trabalharem, de forma voluntária, na construção do muro. Essa ação foi um benefício para toda a comunidade. CAMPANHA DA FRATERNIDADE ECUMÊNICA Leitor 2: “A CFE/2021 quer ser um convite para viver um jejum que agrada a Deus e que conduz à su- peração de todas as formas de in- tolerância, racismo, violências e preconceitos2”. Acolher e viver essa Campanha é uma das formas de cul- tivar a espiritualidade da Quaresma. Animador: A CFE propõe que as co- munidades de fé façam o caminho dos discípulos de Emaús (cf. Lc 24, 13-35a), marcado por quatro para- das: VER, JULGAR, AGIR e CELEBRAR. Na primeira delas, somos convida- dos a conversar sobre os aconteci- mentos que marcaram nossa vida. Leitor 3: Inspirados pelos discípu- los de Emaús que, impactados pela morte de Jesus, saíram de Jerusa- lém e conversavam sobre tudo que havia acontecido, nós também va- mos conversar sobre o que nos tem acontecido. 2 Texto-base da CFE/2021, n. 14. 11 Leitor 1: Se Jesus chegasse até nós hoje e nos perguntasse: “O que an- dais conversando pelo caminho?” (Lc 24,17), o que iríamos contar a ele? Certamente, a pandemia da Covid-19, que assola o mundo des- de março de 2020, seria um dos as- suntos. Leitor 2: Foram centenas de mi- lhares de vidas perdidas em todo o mundo. O texto-base da CFE diz: “Cada uma dessas mortes repre- senta ausência, saudade, interrup- ção de planos e projetos. No Brasil, presenciamos, dia após dia, milha- res de sepultamentos. Foram se- pultadas muitas histórias, da mes- ma forma que foram interrompidas vidas de importantes lideranças in- dígenas, populares, comunitárias3”. Leitor 3: A CFE relata que a pande- mia escancarou as desigualdades sociais, o preconceito, a violência, a cultura da indiferença. O Brasil re- tornou ao mapa da fome, cresceu o desemprego, o número de pessoas em situação de rua, a violência con- tra a mulher e contra os grupos mi- noritários4. Animador: Alguém gostaria de par- tilhar como sua vida e da sua famí- lia foram afetadas pela pandemia? Quer seja por contrair o vírus ou sofrer algumas das consequências dele, como o desemprego (tempo para partilha). Leitor 1: Vamos concluir rezando uma oração composta, durante a pandemia, pelo Cardeal José To- lentino de Mendonça. Rezemos em dois coros: Lado A: “Livra-nos, Senhor, deste vírus, mas também de todos os ou- tros que se escondem dentro dele. Livra-nos do vírus do pânico disse- minado, que em vez de construir sabedoria nos atira desamparados para o labirinto da angústia. Lado B: Livra-nos do vírus do desâ- nimo que nos retira a fortaleza de alma com que melhor se enfrentam as horas difíceis. Livra-nos do vírus do pessimismo, pois não nos deixa ver que, se não pudermos abrir a porta, temos ainda possibilidade de abrir janelas. Lado A: Livra-nos do vírus do iso- lamento interior que desagrega, pois o mundo continua a ser uma comunidade viva. Livra-nos do vírus do individualismo que faz crescer as 3 Texto-base da CFE/2021, n. 24. 4 Cf. Texto-base da CFE/2021, n. 31. 12 muralhas, mas explode em nosso redor todas as pontes. Lado B: Livra-nos do vírus da comu- nicação vazia em doses massivas, pois essa se sobrepõe à verdade das palavras que nos chegam do silêncio. Livra-nos do vírus da im- potência, pois uma das coisas mais urgentes a aprender é o poder da nossa vulnerabilidade. Lado A: Livra-nos, Senhor, do vírus das noites sem fim, pois não deixas de recordar que Tu mesmo nos colo- castes como sentinelas da Aurora”. PRECES Animador: “Se pedirdes algo em meu nome, eu o farei”, disse Jesus (Jo 14,14). Coloquemos nas mãos de Deus os nossos pedidos, rezando: Todos: Nós te pedimos, ó Deus, em nome de Jesus. - Pelas pessoas que ainda sentem na pele as consequências da pan- demia da Covid-19. - Pelas pessoas que estão desem- pregadas e passam por dificuldades econômicas. - Pelas pessoas que sofrem com al- guma forma de discriminação. - Pelos irmãos que seguem Jesus em outras igrejas cristãs. (Os membros do grupo podem fazer preces espontâneas). Leitor 2: Tudo isso nós entregamos nas mãos de Deus, nosso Pai, em nome de Jesus, rezando: Pai-Nosso... GESTO CONCRETO Animador: A esmola, que significa a partilha dos nossos bens, é uma prática sugerida pela Igreja, espe- cialmente, no tempo da Quaresma. Nosso grupo pode fazer algo para ajudar alguma realidade ou pessoa que passa por alguma necessidade próximo de nós? (Tempo para partilha). Sugestão: A Igreja do Paraná pos- sui uma missão Ad Gentes num dos países mais pobres mundo, a Guiné-Bissau, na África. Os missio- nários enviados pela Igreja atuam na evangelização, na saúde e na educação. Se o grupo desejar, pode ajudar essa missão. Vocês serão missionários benfeitores e seus no- mes estarão escritos nos céus!Para conhecer e saber como ajudar, acesse: www.cnbbs2.org.br/africa ORAÇÃO FINAL (pág. 2) 13 ORAÇÃO INICIAL (pág. 2) Animador: Hoje, vamos refletir so- bre o perdão. Pedir perdão e per- doar faz parte da dinâmica da vida cristã. Isso fica evidente na oração do Pai-Nosso, ensinada por Jesus: “perdoa as nossas dívidas, assim como nós perdoamos aos que nos devem” (Mt 6, 12). Leitor 1: Perdoar, no entanto, não é uma atitude fácil e espontânea. Muitas vezes, nos apegamos ao ódio, ao rancor, ao desejo de vin- gança. Achando-nos justos, dese- jamos que o mal que nos foi feito retorne a quem o fez. Essa não é a dinâmica do perdão. Leitor 2: O Papa Francisco disse que quando Deus perdoa, ele esquece tudo o que fizemos: “Deus perde a memória das histórias terríveis de tantos pecadores, dos nossos pe- cados. Perdoa-nos e segue adian- te. Pede-nos apenas: “Faz o mes- mo: aprende a perdoar”, não leves adiante esta cruz infecunda do ódio, do rancor, do “vais pagar por isto”. Esta palavra não é nem cristã nem humana5”. Leitor 3: Perdoar o irmão é condi- ção para receber esse perdão de Deus, como nos diz o Evangelho: Todos: “Se vós não perdoardes aos outros, vosso Pai também não per- doará as vossas faltas” (Mt 6, 15). Leitor 1: Numa das catequeses so- bre a oração do Pai-Nosso, o Papa Francisco disse: “Jesus substitui a lei de talião - o que me fizeste, eu res- tituo-te - com a lei do amor: aquilo que Deus fez a mim, eu restituo-o a ti! Pensemos hoje, se eu sou capaz de perdoar. E se não me sentir ca- paz, devo pedir ao Senhor que me conceda a graça de perdoar, pois saber perdoar é uma graça6” . Animador: Vamos fazer um mo- mento de silêncio e responder, in- teriormente, à pergunta do Papa Francisco: “Eu sou capaz de per- 3º ENCONTRO: A PAZ CONDUZ AO PERDÃO Se vós perdoardes aos outros as suas faltas, vosso Pai que está nos céus também vos perdoará (Mt 6, 14) * Para o momento da dinâmica: providenciar uma pedra para cada participante. 5 Papa Francisco. Homilia na Casa Santa Marta, 17 de março de 2020. 6 Papa Francisco. Audiência Geral, 24 de abril de 2019. 14 doar?” (Pausa). Leitor 2: O Papa Francisco também pede que fiquemos atentos: “Se fo- res à missa e te recordares que o teu irmão tem algo contra ti, primeiro vai reconciliar-te. Não vá ao encon- tro do Senhor com o amor por Ele numa mão e com o ódio pelo irmão na outra. Coerência de amor. Per- doar. Perdoar de coração!7”. CANTO: PERDÃO, SENHOR (n. 5) EVANGELHO - LEITURA ORANTE Animador: A Bíblia é o livro de ca- beceira de todo discípulo de Jesus. É o alimento que sustenta a cami- nhada de fé. Abramos nossos ouvi- dos e o coração para escutar e aco- lher o Evangelho de hoje. Evangelho de Mateus 6, 7-14 (Dar tempo para que os participantes abram a Bíblia e encontrem o texto bíblico. Quem for proclamar fique no centro. Em seguida fazer um breve momento de silêncio). CANTO DE ACLAMAÇÃO: Palavra de Salvação somente o céu tem pra dar. Por isso meu coração se abre para escutar. Leitor 3: A leitura orante desse tex- to bíblico nos ajuda a colocar essa Palavra em prática na nossa vida. Dom José Antonio Peruzzo, arcebis- po de Curitiba (PR), vai nos ajudar nesse propósito. (Após ouvir o áudio da leitura orante, se for oportuno, fazer um mo- mento de partilha). DINÂMICA Leitor 1: Recusar-se a perdoar al- guém e guardar mágoas é o mesmo que carregar um peso desnecessá- rio. Nossa vida, neste mundo, pode ser comparada a uma viagem que fazemos a pé e não sabemos o dia e a hora em que se encerrará. Leitor 2: Quando vamos fazer uma caminhada, quer seja longa ou curta, o ideal é estarmos livres de pesos desnecessários. Imagine em- preender uma caminhada com uma mala pesada nas costas? Leitor 3: É isso que acontece quan- do não perdoamos. Colocamos um peso dentro de nós, que dificulta o andar e, muitas vezes, até nos fere, tornando a jornada triste, sombria e insuportável. Animador: Agora, vamos fazer um jogo. Cada um de nós recebeu uma pedra. Peço que a segure na mão direita e não a deixe cair, enquanto realizam as atividades que eu vou pedir. Quem derrubar sai do jogo. 7 Papa Francisco. Homilia na Casa Santa Marta, 17 de março de 2020. 15 - Bater palmas (tempo). - Entregar o livrinho para quem estiver próximo (tempo). - Folhear o livrinho do nosso en- contro com a mão direita (tempo). - Coçar as próprias costas com a mão direita (tempo). - Dar tchau para os colegas com as duas mãos (tempo). Animador: Como foi realizar essas atividades simples com uma pedra nas mãos? (Tempo para partilha). Leitor 1: Essa pedra simboliza, em nossa vida, as ofensas não per- doadas, que se tornam mágoas e rancor dentro de nós. Podem ser pequenas, mas atrapalham, imen- samente, nossa vida. Animador: Cada um pode levar essa pedra para casa. Em um momento de oração, segure a pedra nas mãos e recorde as mágoas e ressenti- mentos que traz no coração. Peça a Jesus a graça de perdoar e de livrar- -se desse peso. Guarde essa pedra e reze até conseguir acolher a graça de perdoar, verdadeiramente, seu irmão (a). Só então, a jogue fora. CANTO: AMAR COMO JESUS AMOU (n. 3) TESTEMUNHO Quando eu e minha esposa iniciamos o serviço de Ministros Extraordiná- rios da Sagrada Comunhão (MESC), fomos enviados para assistir uma senhora que há 10 anos estava com câncer. Todas as quartas-feiras, às 16 horas, íamos visitá-la e levar a comu- nhão. Chamava nossa atenção, que o seu marido sempre ficava num canto e não respondia nem a nossa sauda- ção. Após dois meses de visitas, aquele senhor me chamou para conversar. Ele me contou que há 50 anos não ia à Igreja. Desde que, na adolescência, quando morava no sítio, levou uma bronca do padre por ter chegado com o guarda-pó sujo de barro para a catequese. O fato causou muita raiva e ele não conseguia perdoar o padre e nem a Igreja. Depois que me contou tudo, eu perguntei se ele gos- taria de conversar com o padre da nossa paróquia para se confessar e ele aceitou. No dia seguinte, o padre foi até ele, recebeu sua confissão e lhe deu a Eu- caristia. Quinze dias depois, sua es- posa, que estava em fase terminal da doença, faleceu. Sua filha contou-nos que ela não queria morrer antes de ver a conversão do seu marido e que ele pudesse receber a Eucaristia. Por mais dois anos continuamos a vi- 16 sitar e levar a Eucaristia para aquele senhor, que agora nos acolhia com muita alegria. Um tempo depois, ele recebeu a graça de ser curado de um câncer de próstata. Hoje ele já é fa- lecido, morreu em paz, reconciliado com a Igreja e com Deus. (Diácono José Francisco Caetano de Carvalho e Verônica Carvalho - Arquidiocese de Curitiba - PR) CAMPANHA DA FRATERNIDADE ECUMÊNICA Animador: A segunda parada, pro- posta no texto-base da CFE/2021, é o JULGAR. Ou seja, é a partir da ins- piração bíblica, buscar luzes para a realidade em que vivemos. “O julgar é quando nossas mentes e corações se abrem. Foi como aconteceu com os discípulos de Emaús que reco- nheceram que era Jesus que cami- nhava com eles8”. Leitor 2: Vamos dizer juntos o lema bíblico proposto para a CFE/2021: Todos: “Cristo é a nossa paz: do que era dividido, fez uma unidade” (Ef 2, 14a). Leitor 1: O conteúdo principal da Carta aos Efésios, de onde o lema é extraído, tem por pano de fundo a unidade entre os cristãos. Na épo- ca em que foi escrita, havia muitos conflitos entre os cristãos vindos do judaísmo e os vindos do paga- nismo, chamados de gentios. Leitor 3: O apóstolo Paulo diz aos Efésios que Cristo é como a cabeça, da qual o corpo é formado pela co- munidade. “É um caminho de supe- ração da crise que as comunidades estavam vivendo. Jesus Cristo é o centro da fé e unifica a comunidade apesar das diferenças, pois convo- ca à experiência do amor que nos une9”. Animador: No contexto em que vivemos, ainda hoje, existem con- flitos. Muitas vezes, porque um grupo se acha superior ao outro. Um católico se achamais digno da graça divina do que um evangélico e vice-versa. Leitor 1: O padre Zezinho escreveu uma canção chamada “Iguais”. A letra é uma poesia da fraternidade e da unidade, pois ele chama de irmãos as milhões de pessoas que professam a fé em outras religiões. Vamos recitá-la, em dois coros: (Se for possível, pode-se pesquisar a música na 8 Texto-base da CFE/2021, n. 20. 9 Texto-base da CFE/2021, n. 112. 17 internet para escutá-la, ao invés de recitar10). Lado A: Tenho irmãos, tenho irmãs aos milhões em outras religiões. Pensamos diferente, oramos di- ferente, louvamos diferente, mas numa coisa nós somos iguais: Bus- camos o mesmo Deus, amamos o mesmo Pai, queremos o mesmo céu, choramos os mesmos ais. Lado B: Falamos diferente, canta- mos diferente, pregamos diferente. Mas numa coisa nós somos iguais: Buscamos o mesmo amor, quere- mos a mesma luz, sofremos a mes- ma dor, levamos a mesma cruz. Todos: Um dia, talvez, quem sabe... Descobriremos que somos iguais. Irmão vai ouvir irmão e todos se abraçarão nos braços do mesmo Deus, nos ombros do mesmo Pai. PRECES Animador: O apóstolo Paulo es- creveu também aos Efésios: “Com toda sorte de preces e súplicas, orai constantemente no Espírito. Pres- tai vigilante atenção neste ponto, intercedendo por todos os santos” (Ef 6, 18). Os santos a que Paulo se refere são os cristãos da comunida- de. Hoje, vamos fazer preces espon- tâneas, apresentando ao Senhor as nossas necessidades e a dos santos que vivem conosco. Após cada pre- ce, digamos: Todos: Senhor Deus, nosso Pai, atendei o nosso pedido. Leitor 2: Como membros de um único corpo, cuja cabeça é Jesus Cristo, rezemos a oração da unida- de: Pai-Nosso... GESTO CONCRETO Animador: Certamente, cada um de nós tem vizinhos e parentes que professam outra religião. O gesto concreto será aproximar-se deles. Conversar, interessar-se por sua vida e, quem sabe até, se for opor- tuno, convidá-los para participar do próximo encontro do grupo. ORAÇÃO FINAL (pág. 2 ) 10 Música: Iguais – Pe. Zezinho, scj – Paulinas COMEP. Fundo Nacional da Solidariedade (FNS) Mantido com a coleta arrecadada no Domingo de Ramos, esse fundo apoia e subsidia muitos projetos sociais e de evangelização em todo Brasil. Colabore em sua comunidade. Seja um evangelizador! 18 ORAÇÃO INICIAL (pág. 2) Animador: A compaixão é a capa- cidade de sentir com o outro a sua dor. Não é um mero sentimento de pena, pois inclui um gesto concre- to a fim de minimizar a dor. Uma pessoa compassiva se envolve com o problema do outro, arriscando a própria vida. Leitor 1: Deus é compassivo desde sempre. Já no Antigo Testamen- to, Ele envia Moisés para libertar o povo da escravidão, pois viu a opressão que eles sofriam (cf. Ex 3,7). Foi a compaixão que levou Deus a nos enviar Jesus para nos li- bertar do pecado e da morte. Leitor 2: O contrário da compaixão é a indiferença, que nos faz fechar os olhos e cruzar os braços diante de quem sofre ao nosso lado. A pensar sempre que o problema e a dor do outro não nos dizem respei- to. Leitor 3: “Quem tem compaixão passa do ‘não me importo com você’ ao ‘você é importante para mim’. A compaixão não é um sen- timento bonito, não é pietismo, é criar um novo vínculo com o outro. É assumir, como fez o Bom Samari- tano que, movido pela compaixão, cuida daquela vítima que nem mes- mo conhece”, disse o Papa Francis- co11. Animador: Os Evangelhos relatam que várias vezes Jesus sentiu com- paixão: quando viu a multidão can- sada como ovelhas sem pastor (cf. Mt 9,36); quando percebeu que as pessoas que o seguiam esta- vam sem comer a três dias (cf. Mt 15,32); quando encontra os cegos em Jericó (cf. Mt 20,34); ao encon- trar a viúva que perdera seu filho único (Lc 7,13). Todos: Jesus, manso e humilde de coração: fazei o nosso coração se- melhante ao vosso. Leitor 1: Jesus não era indiferen- te a nenhuma pessoa ou situação. 4º ENCONTRO: A PAZ NOS FAZ COMPASSIVOS Filha, a tua fé te salvou. Vai em paz e fica livre da tua doença (Mc 5, 34) 11 Papa Francisco. Discurso aos participantes no encontro das comunidades Laudato Sí, 12 de setembro de 2020. 19 11 Papa Francisco. Homilia na Casa Santa Marta, 17 de setembro de 2020. Quais grupos de pessoas, segundo o Evangelho, devemos ter compai- xão atualmente? (Tempo para partilha). CANTO: CONHEÇO UM CORAÇÃO (n. 6) EVANGELHO - LEITURA ORANTE Animador: A Palavra de Deus nos ensina a ser compassivos com os outros, assim como Deus é conos- co. “A compaixão é a linguagem de Deus”, disse o Papa Francisco12. Escutemos, com atenção, a palavra do Evangelho. Evangelho de Marcos 5, 25-34 (Dar tempo para que os participantes abram a Bíblia e encontrem o texto bíblico. Quem for proclamar fique no centro. Em seguida fazer um breve momento de silêncio). CANTO DE ACLAMAÇÃO: Pela Pala- vra de Deus, saberemos por onde andar. Ela é luz e verdade, precisa- mos acreditar. Leitor 2: A Palavra de Deus não pode ser lida como um livro qualquer. A leitura deve ser uma oração, de modo que gere vida em nós. Vamos fazer dessa Palavra uma oração, orientados por Dom José Antonio Peruzzo, arcebispo de Curitiba (PR). (Após ouvir o áudio da leitura orante, se for oportuno, fazer um momento de partilha). DINÂMICA Leitor 3: Ouçamos essa pequena história: “Um pagão ria dos cristãos por eles seguirem um único livro. Mas um santo bispo, ouvindo-o, contou a ele essa pequena história: ‘Uma vez um doutor encontrou-se com o Cristo Jesus e perguntou: – Senhor, eu sei que tu foste o Messias e que tudo quanto disseste é pleno de substância. Mas como pode um livro só bastar, eternamente, para tantas pessoas? E Jesus respon- deu: – ‘É verdade o que dizes. Mas tu não sabes que o povo reescreve esse livro todos os dias?’” Leitor 1: Quando colocamos o Evan- gelho em prática, o atualizamos em nossa vida. Para isso, é preciso ler, meditar a Palavra de Deus e pedir as luzes do Espírito Santo para que as situações que vivemos sejam ocasião para reescrever o Evange- lho hoje. Leitor 2: Temos a seguir quatro si- tuações que são comuns em nosso cotidiano. Vamos formar duplas ou trios e, a partir do que refletimos hoje, sobre a compaixão, dizer qual a atitude o Evangelho nos inspira ter diante dessa realidade. (Tempo 20 para realização da dinâmica). 1. Um pobre que bate no meu por- tão pedindo comida, em horário inoportuno. 2. O vizinho da casa ao lado está doente, acamado, necessitando de ajuda para tudo. 3. Um parente, responsável pelo sustento da esposa e filhos, que está desempregado há meses. 4. Um mendigo que encontro todos os dias na praça ao ir para o traba- lho. Animador: Lembremos que a Pa- lavra de Deus não é um mero livro histórico, mas é “viva e eficaz” (cf. Hb 4, 12), ou seja, é atualizada na vida daqueles que a acolhem. CANTO: SEU NOME É JESUS CRIS- TO (n. 7) TESTEMUNHO Gabriela Romanoski de Andrade, de onze anos, faleceu no dia 8 de no- vembro de 2020, no Hospital Peque- no Príncipe, em Curitiba. Ela tinha uma doença cardíaca e precisava de um transplante de coração. Interna- da um mês antes, a menina manifes- tou o desejo de receber a primeira Eucaristia. O arcebispo de Curitiba, Dom José Antonio Peruzzo, decidiu atender o desejo da menina e cele- brou a missa no hospital, no dia 25 de outubro. Na ocasião, ele também concedeu-lhe o sacramento da Cris- ma, sendo ele próprio o seu padri- nho. “Eu gosto muito de atender a esses casos, não casos de dor, mas me ale- gra muito e dá sentido a minha pró- pria vida ministerial poder amparar famílias, pessoas em situações de tristeza e angústia. Como o risco era bastante sério e os pais desejavam e a pequena pediu, apresentei-me, então, para a Crisma e pedi para ser também o seu padrinho. Os pais co- moveram-se, a menina também e aceitaram logo”, comentou o arce- bispo. A partir daquele primeiro encontro, Dom Peruzzo afeiçoou-se muito à família. Quando soube do falecimen-to de Gabriela, fez questão de ir até Ponta Grossa para participar do ve- lório. “Infelizmente, não foi encon- trado um coração. Gabriela mesmo dizia que, se para ela viver, outra criança tivesse que morrer, ela não queria. Dizer isso aos onze anos de idade mostra um grau de maturida- de, de compreensão. Vim participar com os pais desse momento difícil para prestar solidariedade a eles. A mãe dela era catequista, e eu sou o encarregado da Catequese no Bra- 21 sil. Era necessário mostrar apreço da Igreja a quem serve muito a Igreja”, disse o arcebispo. CAMPANHA DA FRATERNIDADE ECUMÊNICA Animador: AGIR é a terceira pa- rada proposta no texto-base da CFE/2021. São apresentados alguns exemplos de boas práticas realiza- das pelo Conselho Nacional de Igre- jas Cristãs (CONIC), que contribuem para derrubar muros que dividem. Leitor 3: “Existem muitos exem- plos, que chamamos de boas prá- ticas, que indicam que é possível o testemunho cristão comprometido com a construção de pontes para o diálogo13”. Vamos ler o relato de um deles, que é apresentado no texto- -base da CFE/2021. No ano de 2016, na cidade de Brasí- lia, um Terreiro bastante conhecido foi incendiado em consequência da intolerância. Nesse Terreiro, eram desenvolvidos vários projetos so- ciais, principalmente com jovens. Alguns dias após o incêndio, a dire- toria do CONIC reuniu-se em Brasília para uma de suas reuniões anuais. Nos mesmos dias, ocorreu o Con- gresso Nacional da Juventude, que contou com a participação de jovens das Igrejas membros do CONIC. De- cidimos, junto com a Iniciativa das Religiões Unidas, realizar uma visi- ta de solidariedade à Mãe de Santo responsável pelo Terreiro. Ligamos para ela perguntando o que po- deríamos levar para minimizar as perdas provocadas pelo incêndio. Ela pediu uma muda de Pau-Brasil, pois entre as várias árvores que ela tinha no Terreiro essa era uma que ainda faltava. Conseguimos a muda e nos organizamos para ir. Participa- ram da visita aproximadamente 20 lideranças religiosas de diferentes Igrejas, entre pessoas ordenadas e leigas. A Mãe de Santo nos contou a história do Terreiro, mostrou a área queimada, falou sobre os projetos que desenvolvia e que precisaram ser interrompidos e do impacto dis- so na vida de jovens pobres. Falou da dor que sentia por ver seu espa- ço sagrado destruído e que se sentia agradecida por ninguém ter sido fe- rido. No cair da tarde, fomos plantar a árvore que levamos para ela. O lo- cal do plantio já estava devidamente preparado. Plantamos a árvore ao pôr do sol, com tambores tocando e celebrando o plantio da árvore sím- bolo da amizade e do diálogo. Foi 13 Texto-base da CFE/2021, n. 145. 22 um momento bastante forte e signi- ficativo. Depois disso, todos os anos, celebramos o aniversário da árvore que se tornou uma marca do respei- to entre as religiões14. CANTO: SOMOS GENTE DA ESPE- RANÇA (n. 8) PRECES Animador: “Não vos preocupeis com coisa alguma, mas, em toda ocasião, apresentai a Deus os vos- sos pedidos, em orações e súplicas, acompanhadas de ação de graças” (Fl 4,6). Entreguemos ao coração compassivo de Deus, nosso Pai, os nossos pedidos, rezando: Todos: Nós te entregamos, Senhor. - Os líderes religiosos, para que bus- quem derrubar os muros que divi- dem e construir pontes. - Os doentes, para que encontrem forças em Deus para lutar pela vida. - Os desempregados, para que te- nham esperança em dias melhores. - O nosso grupo de reflexão, para que perseveremos na oração e na prática do bem. (Os membros do grupo podem fazer preces espontâneas). Leitor 1: Com o coração agradecido, pois temos um Pai que nos ama e se preocupa conosco, entreguemos nossas preces, rezando: Pai-Nosso... GESTO CONCRETO Leitor 2: Sobre o jejum, o Papa Fran- cisco escreveu: “Jejuar, isto é, apren- der a modificar a nossa atitude para com os outros e as criaturas: passar da tentação de ‘devorar’ tudo para satisfazer a nossa voracidade, à ca- pacidade de sofrer por amor, que pode preencher o vazio do nosso coração15”. Animador: O jejum quaresmal não diz respeito somente à comida, mas a qualquer tipo de vício que temos, como bebida, cigarro, internet, tele- visão, ficar reclamando da vida, falar mal dos outros... Ao chegar em casa, cada um faça um exame de cons- ciência sobre o que precisa jejuar, sobre qual atitude precisa cortar, a fim de que Deus possa habitar em seu coração. ORAÇÃO FINAL (pág. 2) 14 Texto-base da CFE/2021. Convivência inter-religiosa, pág. 57. 15 Papa Francisco. Mensagem para a Quaresma de 2019. 23 ORAÇÃO INICIAL (pág. 2) Animador: A Quaresma é um tem- po especial que a Igreja nos oferece para preparar o coração para ce- lebrar o Mistério da Paixão, Morte e Ressurreição de Jesus. Estamos preparados para celebrar essa Pás- coa? Vamos partilhar como está nosso coração ao chegar nesse úl- timo encontro deste período (tempo para partilha). Leitor 1: Conviver significa ter pro- ximidade com alguém, participar um da vida do outro. É bom e agra- dável conviver com aqueles a quem queremos bem, como nossos fami- liares e amigos. Mas o Evangelho nos convida a ir além e acolher a todos. Leitor 2: Jesus nunca fez discrimi- nação de pessoas. Sentava-se a mesa tanto com os religiosos do seu tempo quanto com pessoas ti- das como pecadoras. Todas as pes- soas eram dignas da sua presença, da sua atenção e do seu amor. Todos: Jesus, ilumina e inspira a nossa convivência fraterna. Leitor 3: Para uma convivência pa- cífica, mesmo na família e entre amigos, é preciso cultivar o respei- to e os gestos de delicadeza e ter- nura. O Papa Francisco diz que na porta de cada família devem estar gravadas três palavras: “com licen- ça”, “obrigado” e “desculpa”. Leitor 1: Pedir sempre licença, mes- mo às pessoas que nos são íntimas, fortalece o amor e a convivência fraterna. Até Deus pede licença para entrar em nosso coração: “Eis que estou à porta e bato; se alguém ouvir minha voz e abrir a porta, eu entrarei na sua casa e tomaremos a refeição, eu com ele e ele comigo” (Ap 3,20). Leitor 2: A gratidão está no centro da fé cristã. Quem costuma agrade- cer a Deus pelas inúmeras graças e bens que recebe todos os dias, tam- bém sabe agradecer as pessoas ao seu redor pelos mínimos detalhes. 5º ENCONTRO: A PAZ PROMOVE O CONVÍVIO Os samaritanos foram a ele e pediram que permanecesse com eles (Jo 4, 40) * Para o momento da dinâmica: escrever em pedaços de papel as palavras: BOM DIA, BOA TARDE, BOA NOITE, POR FAVOR, DESCULPA, OBRIGADO, COM LICENÇA. Assegurar que tenha um papel por participante, portanto, pode-se repetir as palavras. 24 O apóstolo Paulo exorta os cristãos a darem graças, em todo tempo, e em todas as circunstâncias (cf. 1Ts 5,18). Leitor 3: Pedir desculpas, até pe- los pequenos desentendimentos, é como colocar remédio naquele pe- queno machucado que, se não for curado no início, pode infeccionar e se tornar uma grande ferida. Nunca deveríamos dormir brigados com alguém de nossa convivência. Animador: “Estas três palavras- -chave da família são simples, e num primeiro momento talvez nos façam sorrir. Mas quando as esque- cemos, deixa de haver motivos para sorrir, não é verdade? O Senhor nos ajude a repô-las no lugar que lhes cabe no nosso coração, no nosso lar e na nossa convivência civil16”. CANTO: EIS O TEMPO DE CONVER- SÃO (n. 1) EVANGELHO - LEITURA ORANTE Animador: A Bíblia é uma carta de Deus endereçada a cada pessoa, individualmente, mas também à comunidade e em vista da convi- vência fraterna. Coloquemos nossa mente e o coração à disposição do que Deus irá nos falar, hoje. Evangelho de João 4, 39-42 (Dar tempo para que os participantes abram a Bíblia e encontrem o texto bíblico. Quem for proclamar fique no centro. Em seguida fazer um breve momento de silêncio). CANTO DE ACLAMAÇÃO: Pela Pala- vra de Deus, saberemos por onde andar. Ela é luz e verdade, precisa- mos acreditar. Leitor1: Quando a Palavra de Deus entra na mente pelos ouvidos e desce até o coração, ela sai pelas mãos em forma de serviço. A lei- tura orante nos ajuda nesse itine- rário. Coloquemo-nos em atitude de oração para rezar essa Palavra, orientados por Dom José Antonio Peruzzo, arcebispo de Curitiba (PR). (Após ouvir o áudio da leitura orante, se for oportuno, fazer um momento de partilha). DINÂMICA Animador: As palavras “com licen- ça”, “obrigado” e “desculpa”, in- dicadas pelo Papa Francisco para uma boa convivência familiar, são chamadas na educação infantil de “palavras mágicas”. Alguns acres- centam: “por favor”, “bom dia”, “boa tarde”, “boa noite”. Leitor 2: Essas palavras são chama- das de mágicas por que, além de 16 Papa Francisco. Audiência geral, 13 de maio de 2015. 25 serem um ato de educação, elas demonstram gentileza para com o outro e são capazes de abrir portas e edificar uma convivência agradá- vel, sadia e alegre. Leitor 3: Muitas vezes, um gesto de gentileza surpreende o outro e o faz sentir-se amado, respeitado e valorizado. Por exemplo, um patrão ao tratar um empregado, pode pe- dir “por favor” e agradecer, ao in- vés de mandar. Os pais podem pe- dir “licença” para entrar no quarto dos filhos ou para interrompê-los quando estiverem ouvindo música ou assistindo um filme. Leitor 1: São esses pequenos ges- tos que fortalecem o amor e a boa convivência. Lembremos o que dis- se Jesus: “Tudo, portanto, quanto desejais que os outros vos façam, fazei-o, vós também, a eles” (Mt 7,12a). Animador: Agora, cada um vai tirar um papel que está no cesto. Nele contém uma das palavras mágicas. Quem desejar, pode partilhar como usa essa palavra na convivência com as pessoas. É habitual usá-la ou ainda preciso crescer nessa prá- tica? (Tempo para partilha). Leitor 2: “A vida comunitária, na família, na paróquia, na comunida- de religiosa ou em qualquer outra, compõe-se de tantos pequenos de- talhes diários. Assim acontecia na comunidade santa formada por Je- sus, Maria e José, onde se refletiu de forma paradigmática a beleza da comunhão trinitária. E o mesmo su- cedia na vida comunitária que Jesus transcorreu com os seus discípulos e o povo simples17”. CANTO: AMAR COMO JESUS AMOU (n. 3) TESTEMUNHO Em abril de 2019, o Papa Francis- co realizou um gesto inédito e sur- preendente em prol da paz. No en- cerramento de um retiro espiritual pela paz, que trouxe ao Vaticano autoridades civis e eclesiásticas do Sudão do Sul, país africano que vive em guerra, o Papa ajoelhou-se e beijou os pés dos políticos. No encontro, o Papa Francisco pe- diu ao presidente da República do Sudão do Sul, Salva Kiir, ao seu ex- -vice-presidente, Riek Machar, e três outros vice-presidentes, para que respeitem o cessar-fogo que 17 Papa Francisco. Exortação apostólica Gaudete et Exsultate, sobre a chamada a santida- de no mundo atual, n. 143. 26 assinaram, em setembro de 2018, e se comprometam a formar um go- verno de união. “A vocês que assinaram o Acordo de Paz, peço-lhes, como irmão, que permaneçam na paz. Peço-lhes com o coração. Vamos seguir em frente. Haverá muitos problemas, mas não tenham medo, vão em frente, resol- vam os problemas. Permitam-me pedir isso com o coração, com os meus sentimentos mais profundos”, disse o Papa. No final do encontro os participan- tes receberam uma Bíblia assinada pelo Papa Francisco, pelo arcebispo de Cantuária e pelo reverendo John Chalmers da Igreja Presbiteriana da Escócia, com a mensagem “Bus- cai o que une, superai o que divide”, e o Papa deu-lhes a sua bênção18. CAMPANHA DA FRATERNIDADE ECUMÊNICA Animador: No encontro anterior, vimos o testemunho de uma boa prática realizada pelo CONIC em prol do diálogo com os irmãos de outras religiões. O texto-base da CFE/2021 trata sobre a questão do preconceito e da violência religiosa que ainda é forte no Brasil. Leitor 3: “O Brasil é um país plural do ponto de vista cultural, étnico e religioso. Fomos acostumados a transitar em vários meios e intera- gir com pessoas de diferentes ori- gens e credos. Dizia-se até que vi- víamos num paraíso racial19”. Leitor 1: Essa diversidade, no en- tanto, nem sempre é respeitada. Culturas e religiões minoritárias, como a das comunidades indígenas e de matriz africana, são vítimas de preconceito e violência. Leitor 2: “No primeiro semestre de 2019, o aumento de casos de in- tolerância religiosa foi de 56% em comparação ao mesmo período de 2018. No que diz respeito à into- lerância contra religiões de matriz africana chegamos a registrar 61 casos20”. Todos: Jesus, que amaste e aco- lheste a todos, ajudai-nos a cres- cer no amor e na acolhida ao dife- rente. Animador: O preconceito que, mui- tas vezes, gera violência é resultado 18 Fonte: https://www.vaticannews.va/pt/papa/news/2019-04/papa-francisco-sudao-sul- -beija-pes.html 19 Texto-base da CFE/2021, n. 82. 20 Texto-base da CFE/2021, n. 85. 27 da falta de conhecimento. Todas as culturas e religiões possuem um conjunto de crenças e valores que fundamentam a vida de uma co- munidade. O respeito e a acolhida para com o diferente são deveres de todo cristão. Leitor 3: “A mensagem de Jesus não ergue muros, mas derruba-os, não é de ódio, mas de amorosidade. Por isso, precisamos expurgar a insen- satez dos nossos corações e rever a forma como vivemos a nossa fé21”. Todos: Jesus, que o seu amor nos ajude a derrubar os muros cons- truídos pelo ódio, para vencermos toda forma de discriminação e pre- conceito. CANTO: HINO CFE/2021 (n. 11) PRECES Leitor 1: “Estai sempre alegres. Orai continuamente. Dai graças, em toda e qualquer situação, porque esta é a vontade de Deus, no Cristo Jesus, a vosso respeito” (1Ts 5, 16- 18). A gratidão é uma forma de ora- ção, por isso hoje vamos agradecer pelas inumeráveis graças que Deus derrama sobre nós, todos os dias. Todos: Nós vos damos graças, Se- nhor. - Pelo dom da vida de cada um de nós. - Pela graça de nos prepararmos, em comunidade, para celebrar o Mistério da Paixão, Morte e Ressur- reição de Jesus. - Pelas dificuldades superadas. - Por nossa convivência fraterna. - Pelo amor que Deus demonstra, todos os dias, por cada um de nós. (Os membros do grupo podem acrescentar orações espontâneas). Animador: Repletos de gratidão, rezemos: Pai-Nosso... GESTO CONCRETO Leitor 2: Cumprimentar as pessoas com um “bom dia, “boa tarde”, “boa noite”, pedir licença, por fa- vor, desculpas e agradecer é coisa muito simples. Que tal cada um comprometer-se em usar essas pa- lavras, com abundância, em todos os seus relacionamentos? Certa- mente, a convivência terá um salto de qualidade! ORAÇÃO FINAL (pág. 2) 21 Texto-base da CFE/2021, n. 91. 28 ORAÇÃO INICIAL (pág. 2) Animador: “Jesus Cristo ressusci- tou!” Essa é Boa Nova que ecoa em todos os cantos da terra. Essa é a razão da nossa fé e da nossa espe- rança. Por isso, vamos celebrar este encontro de hoje com o coração cheio de alegria e gratidão. Inicie- mos: em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo, amém. CANTO: O SENHOR RESSURGIU (n. 9) Leitor 1: Ao contemplar o Cristo ressuscitado encontramos forças para todas as provações que vive- mos, pois sua ressurreição traz as marcas da sua paixão e morte na cruz. Leitor 2: O Papa Francisco escre- veu: “O Ressuscitado é o Crucifica- do; e não outra pessoa. Indeléveis no seu corpo glorioso, traz as cha- gas: feridas que se tornaram frestas de esperança. Para Ele, voltamos o nosso olhar para que sare as feridas da humanidade atribulada22”. Animador: O crucifixo vai passar pelas mãos de cada um de nós. Ao recebê-lo, contemple-o, em silên- cio. Coloque cruz de Jesus as suas dores e sofrimentos, na certeza de que irá superá-las. A cruz é sinal de vitória e ressurreição (tempo). CANTO: PORQUE ELE VIVE (n. 10) Leitor 3: Recitemos, em dois coros, o Salmo 118 (117), que compõe a li- turgia da Páscoa. A gratidão está no DNA de todo cristão,pois participa- mos da ressurreição de Cristo, nos- sa vida está segura em suas mãos. Lado A: 1Celebrai o Senhor, porque ele é bom; pois eterno é seu amor. 2Que Israel diga: eterno é seu amor. Lado B: 16A mão direita do Senhor se levantou, a mão direita do Se- nhor fez maravilhas. Lado A: 17Não morrerei, mas viverei para anunciar as obras do Senhor. Lado B: 22“A pedra que os pedrei- ros rejeitaram ficou sendo a pedra principal. 23Foi o Senhor que fez isto: maravilha aos nossos olhos. Todos: Glória ao Pai e ao Filho... CELEBRAÇÃO PASCAL: JESUS É A NOSSA PAZ A paz esteja convosco! (Jo 20,19) 22 Papa Francisco. Mensagem Urbi et Orbi. 12 de abril de 2020. 29 EVANGELHO - LEITURA ORANTE Animador: Ouvir o Evangelho é ouvir o próprio Cristo. Abramos as portas do coração para acolher o que Jesus vai nos dizer. Evangelho de João 20, 19-23 (Dar tempo para que os participantes abram a Bíblia e encontrem o texto bíblico. Quem for proclamar fique no centro. Em seguida fazer um breve momento de silêncio). CANTO DE ACLAMAÇÃO: Que ale- gria, Cristo ressurgiu, no Evangelho ele vai falar. Entoemos nosso canto de louvor e gratidão: Sua palavra vamos aclamar. Aleluia, Aleluia, Aleluia, Aleluia! (2X) Leitor 1: Em atitude de oração, vol- tando toda nossa atenção à Palavra de Jesus, deixemo-nos conduzir pela leitura orante desse Evange- lho. Dom José Antonio Peruzzo, arcebispo de Curitiba (PR) irá nos orientar. (Após ouvir o áudio da leitura orante, se for oportuno, fazer um momento de partilha). DINÂMICA Animador: Quem segue Jesus como seu discípulo, é chamado a inter- pretar todos os acontecimentos da sua vida e do mundo à luz do Evan- gelho. Se olharmos com os olhos de Jesus, mesmo as provações e sofri- mentos tem um sentido. Leitor 2: Exposta em local de des- taque em nossas Igrejas, em nossas casas e até pendurada no peito, a cruz de Jesus não é sinal de sofri- mento, mas sim de vitória. Ela pos- sibilitou a nossa Salvação. Leitor 3: Contemplar a cruz nos leva a render graças. Cristo venceu a morte e nós participamos da sua vitória. Por isso, vamos agora com- pletar o Salmo 117 (118), colocando nossos motivos de gratidão. Espon- taneamente, cada um pode dizer a frase abaixo e completar com um motivo pessoal para agradecer a Deus, hoje. (Tempo para a realização da dinâmica). Celebrai o Senhor, porque ele é bom! Pois____________________ ____________________________. (Exemplo: Pois cuida e protege minha famí- lia. Pois é misericordioso. Pois me ajuda nas dificuldades...) CANTO: Porque ele vive, eu posso crer no amanhã. Porque ele vive, temor não há. Mas eu bem sei, que o meu futuro seguro está nas mãos do meu Jesus, que vivo está. 30 TESTEMUNHO Dom Pedro Casaldáliga (1928- 2020) foi bispo de São Félix do Ara- guaia, no norte do Mato Grosso. Ele nasceu na Espanha e veio para o Brasil, como missionário, no final da década 60. Lutou, incansavel- mente, pelos menos favorecidos contra interesses de latifundiários, madeireiros e, em parte do gover- no da época, regido pela ditadura militar. Quase foi expulso do país algumas vezes e muitas outras foi ameaçado de morte. Quando foi nomeado bispo da prelazia de São Félix do Araguaia, Dom Pedro assumiu um propósito para seu trabalho pastoral: “Nada possuir, nada carregar, nada pedir, nada calar e, sobretudo, nada ma- tar”. E assim viveu até o final da sua vida, quando foi acometido pelo mal de Parkinson, a quem se referia como “irmão Parkinson”. Foi sepultado, a seu próprio pedido, no mais pobre cemitério da prela- zia, às margens do Rio Araguaia, onde estão sepultados indígenas e trabalhadores anônimos. Em sua lápide está escrito as palavras de seu poema: Para descansar, eu que- ro só esta cruz de pau, como chuva e sol; estes sete palmos e a Ressur- reição23! CAMPANHA DA FRATERNIDADE ECUMÊNICA Animador: A quarta parada, pro- posta pelo Texto-base da CFE/2021 é o CELEBRAR. “Momento de afir- mar que a diversidade presente na Criação não é negativa, mas é a revelação da imensa e irrestrita amorosidade de Deus para com a humanidade24”. Leitor 1: Vamos partilhar o que essa Campanha da Fraternidade Ecumê- nica sobre o diálogo, como compro- misso de amor, trouxe de luz para nossa caminhada de fé. É possível crescer no diálogo com o diferente, construindo pontes que ligam ao invés de muros que separam? (Tem- po para partilha). Todos: Cristo, nossa paz, ajudai- -nos a crescer na dimensão do diá- logo. Leitor 2: A conversão do apóstolo Paulo (At 9, 1-19) é um exemplo de superação de toda discriminação e violência. Ao encontrar-se com 23 Fonte: http://www.ihu.unisinos.br/78-noticias/601749-dom-pedro-casaldaliga- -1928-2020-testemunho-profetico 24 Texto-base da CFE/2021, n. 22. 31 Cristo, ele passou de perseguidor violento dos cristãos à formador de comunidades marcadas pela diver- sidade, especialmente entre gen- tios e judeus. Leitor 3: A paz que Cristo ofere- ce leva-nos a superar os muros do ódio e da intolerância para com o diferente, ainda muito fortes em nosso tempo. Paulo compreendeu que, em Cristo, nenhuma separa- ção e discriminação faz sentido. Ele veio para toda a humanidade. Animador: Vamos recitar, em dois coros, o texto de Efésios 2, 14-18, de onde é extraído o lema dessa CFE/2021. Nele, Paulo fala da fusão de judeus e gentios realizada por Jesus. Lado A: Ele é nossa paz: de ambos os povos fez um só, tendo derruba- do o muro de separação e suprimi- do em sua carne a inimizade – a Lei dos mandamentos expressa em preceitos. Lado B: A fim de criar em si mesmo um só Homem Novo, estabelecendo a paz, e de reconciliar ambos com Deus em um só Corpo, por meio da cruz, na qual ele matou a inimizade. Lado A: Assim, ele veio e anunciou paz a vós que estáveis longe e paz aos que estavam perto. Lado B: Pois, por meio dele, nós, judeus e gentios, num só Espírito, temos acesso ao Pai. Todos: Glória ao Pai e ao Filho... CANTO: HINO DA CFE/2021 (n. 11) PRECES Leitor 1: Colocar o outro em nos- sas orações é uma atitude que nos abre à fraternidade. Vamos inter- ceder pelas necessidades daqueles que sofrem perto ou distante de nós, rezando: Todos: Ouve-nos, ó Deus. - Deus, nosso Pai, olhai por aqueles que sofrem devido as injustiças e as desigualdades sociais. - Deus, nosso Pai, ajuda-nos a su- perar toda forma de preconceito, a fim de que possamos conviver como filhos do mesmo Pai. - Deus, nosso Pai, inspirai as lide- ranças políticas, eleitas em nosso município, a buscarem o bem-co- mum da coletividade, garantindo trabalho, saúde, educação, segu- rança, moradia a todos. - Deus, nosso Pai, renova em nós a esperança e a coragem para ser- mos promotores da paz que nos faz 32 irmãos. (Os membros do grupo podem acrescentar orações espontâneas). Animador: Concluamos nossa ora- ção rezando a oração da paz, escri- ta por Dom Pedro Casaldáliga: Todos: Dá-nos a paz que se faz, Se- nhor. Quando te pedimos paz, de- volve-nos o pedido, que é fácil pedir sem dar… Ensina-nos a passar da tolerância ao amor; de sermos no- tas dispersas a sermos uma canção. Quando entregamos as armas, aju- da-nos a entregar também, aber- tas, as almas, que a paz apenas sem guerra é pouca paz para nós. Necessitamos da terra com casa, trabalho e pão, contigo no coração, com todos os povos, juntos, forjan- do o novo amanhã. Dá-nos a paz que se faz! Dá-nos a paz que se dá! Amém! GESTO CONCRETO Leitor 2: O que posso fazer em fa- vor da paz? Cada um pense em algo concreto que pode realizar na sua família, no trabalho, na escola, na comunidade. Muitas vezes, uma mudança de postura diante de uma realidade é um grande passo em prol da paz. Digamos juntos a frase de Madre Teresa de Calcutá: Todos: “O que eu faço é uma gota no meio de um oceano. Mas sem ela, o oceano será menor”. BENÇÃO FINAL Animador: Abra suas mãos para a acolher a bênção. Essa oração foi inspirada por Deus a Moisés para abençoar o povo (Nm 6,24-26). Após cada invocação, respondemos juntos: Amém. - O Senhor te abençoe e te guarde: Amém. - O Senhor faça resplandecer o seu rosto sobre ti e te seja benigno: Amém. - O Senhor mostre para ti a sua face e te conceda a paz: Amém. Alegres pela ressurreição de Cristo, voltemos para nossas casas, mas permaneçamos unidos: em nome do Pai e do Filho... CANTO: PORQUE ELE VIVE (n. 10) “Cristo ressuscitou dos mortos como primícias dos que morreram” (ICor 15, 20) Feliz Páscoa!Feliz Páscoa! 33 Canto: Prova de amor maior não há / que doar a vida pelo irmão. (bis) I ESTAÇÃO: JESUS É CONDENADO À MORTE Animador: Nós vos adoramos, Se- nhor Jesus Cristo, e vos bendize- mos! Todos: Porque pela vossa Santa Cruz remistes o mundo! Animador: “Pilatos perguntou: Que farei com Jesus, que é chamado o Cristo? Todos gritaram: Seja cruci- ficado! Pilatos falou: Mas, que mal ele fez? Eles, porém, gritaram com mais força: Seja crucificado! [...] Então Pilatos soltou Barrabás, man- dou açoitar Jesus e entregou-o para ser crucificado” (Mt 27, 22-23.26). Leitor 1: O Filho de Deus é conde- nado a morte. Que mal Ele fez? Ele curou os doentes, libertou os cati- vos, deu vista aos cegos, expulsou demônios, ressuscitou os mortos e anunciou aos pobres a boa nova da salvação, em suma, passou fazendo o bem e o condenaram. A condena- ção à morte não conseguirá calar o jeito de Deus amar; ele recebe- rá uma cruz e como resposta dará amor. Leitor 2: Pilatos lavou as mãos e deixou que os algozes levassem Je- sus para ser crucificado. Esse gesto assemelha-se ao gesto de tantas Via-SacraVia-Sacra Jesus carregou os nossos sofrimentos Jesus carregou os nossos sofrimentos e as nossas dores e as nossas dores (cf. Is 53, 4) Texto: Dom Amilton Manoel da Silva (Bispo de Guarapuava-PR) Animador: Irmãos e irmãs, vamos trilhar, com Jesus, o árduo cami- nho até o calvário. Esse é caminho da nossa Salvação. Iniciemos, em nome do Pai e do Filho... 34 mãos que acovardam-se diante da dor e do sofrimento do ser huma- no; é o mesmo que permitir a mor- te das pessoas. Quem lava as suas mãos omitindo-se do compromisso com a vida, torna-se cúmplice das estruturas de morte. Todos: Senhor, não permita que nossas mãos sejam homicidas, queremos usá-las para construir a paz e a fraternidade. Animador: Jesus, rosto da mise- ricórdia de Deus: ajudai-nos a ser mais misericordiosos. Canto: A morrer crucificado, teu Jesus é condenado / por teus cri- mes, pecador (2X). Pela Virgem dolorosa, vossa mãe tão piedosa / perdoai-me, meu Jesus (2X). II ESTAÇÃO: JESUS CARREGA A CRUZ Animador: Nós vos adoramos, Se- nhor Jesus Cristo, e vos bendize- mos! Todos: Porque pela vossa Santa Cruz remistes o mundo! Animador: “Carregando a sua cruz, ele saiu para o lugar chamado Cal- vário (em hebraico: Gólgota)” (Jo 19,17). “Se alguém quer vir após mim, renuncie a si mesmo, tome sua cruz, cada dia, e siga-me” (Lc 9,23). Leitor 1: A cruz não foi buscada por Jesus, como se fora realiza- ção da sua vida ou personalidade. Ela entrou como caminho do seu compromisso com a humanidade sofredora. A vida de Jesus foi um combate, uma luta, do nascimento à morte, para destruir o poder ma- ligno da cruz e Ele morreu comba- tendo, com a sabedoria de Deus. A cruz tornou-se, então, um estilo de compromisso. Leitor 2: Essa forma livre de ser e de viver de Jesus, fez com que Ele tomasse a cruz e saísse a carregar. Como pode suportar tanto peso, depois de ter sido flagelado? Como pode caminhar se levava sobre os ombros os nossos pecados? (Cf. Is 53,4) O segredo foi a sua atitude, Ele abraçou a cruz. Nesse momen- to, a cruz tornou-se ponte de uni- dade entre o céu e a terra. Todos: Senhor, pediste que tome- mos a cruz e te sigamos, mas ainda fugimos dela. Dai-nos força e co- ragem para abraçarmos a cruz de cada dia. Animador: Rosto iluminado de 35 Deus: Resplandeça sobre nós o vosso amor. Canto: Com a cruz é carregado, e do peso acabrunhado / vai morrer por teu amor (2x). Pela Virgem do- lorosa... III ESTAÇÃO: JESUS CAI PELA PRIMEIRA VEZ Animador: Nós vos adoramos, Se- nhor Jesus Cristo, e vos bendize- mos! Todos: Porque pela vossa Santa Cruz remistes o mundo! Animador: Como ovelhas estáva- mos todos perdidos, cada qual ia em frente por seu caminho. Foi en- tão que o Senhor fez cair sobre ele o peso dos pecados de todos nós. Oprimido, ele se rebaixou, nem abriu a boca. (Is 53,6-7). Leitor 1: Cair é humano, levantar-se é divino. Se o peso da cruz derruba, a força do amor impulsiona a não desistir de amar... Jesus nos ensi- nou a radicalidade do amor, mos- trando que o amor não tem medi- da, dessa forma, a cruz tornou-se a significação máxima do amor. Deus vem ao ser humano de várias for- mas para mostrar que ama, mas na cruz ele extrapola. Leitor 2: Há momentos em que, arrastados pelas ondas do mar da vida, de um lado para o outro, ne- cessitamos avistar o porto seguro. É nessas horas que não podemos nos esquecer daquele que nos sus- tenta: Deus, pois se Ele é por nós, quem será contra nós? (Cf. Rm 8, 31). Sejamos solidários com nossos irmãos e irmãs que se encontram caídos à beira do caminho e jamais causa de tropeço. Oração: Senhor, nas horas difíceis da vida, não permita que nos es- queçamos de vós, sobretudo nos tropeços cotidianos. Socorra-nos sempre! Animador: Jesus manso e humilde de coração: Fazei o nosso coração semelhante ao vosso. Canto: Pela cruz tão oprimido, cai Jesus desfalecido /pela tua salva- ção (2X). Pela Virgem dolorosa... IV ESTAÇÃO: JESUS ENCONTRA SUA MÃE Animador: Nós vos adoramos, Se- nhor Jesus Cristo, e vos bendize- mos! Todos: Porque pela vossa Santa Cruz remistes o mundo! 36 Animador: Simeão os abençoou e disse a Maria, a mãe: Este menino será causa de queda e reerguimen- to para muitos em Israel. Ele será um sinal de contradição, uma espa- da traspassará a tua alma! E assim serão revelados os pensamentos de muitos corações (...) Sua mãe guar- dava todas essas coisas no coração (Lc 2,34-35.51). Leitor 1: No exaustivo caminho do calvário, Jesus não estava só. Movi- da pelo sentimento materno e pela exigência do discipulado, a mãe do condenado acompanhou o Filho na dor. Nos dois corações feridos, uma única certeza: a vida. Esse encontro fez calar a dor e gritar o amor. Leitor 2: Vivemos num mundo de desencontros, por isso há tantas di- visões entre nós, polarizações e fal- ta de acolhida do diferente. A cul- tura do encontro tão insistida pelo Papa Francisco, faz-se urgente; se o cristão não der o primeiro passo, a tão sonhada paz continuará apenas nos projetos humanos, muitas ve- zes engavetados. Descruzemos os braços e assumamos essa causa! Oração: Senhor, precisamos de verdadeiros encontros, nos quais o toque edificante, seja o cresci- mento recíproco daqueles que se encontram. Animador: Maria, mãe da vida: Ro- gai por nós e nossas famílias. Canto: Vê a dor da Mãe amada, que se encontra desolada / com seu Filho em aflição (2X). Pela Vir- gem dolorosa... V ESTAÇÃO: SIMÃO DE CIRENE AJUDA JESUS A LEVAR A CRUZ Animador: Nós vos adoramos, Se- nhor Jesus Cristo, e vos bendize- mos! Todos: Porque pela vossa Santa Cruz remistes o mundo! Animador: Ao saírem, encontraram um homem chamado Simão, que era de Cirene, e o obrigaram a car- regar a cruz de Jesus. (Mt 27,32). Leitor 1: Um homem foi convoca- do para ajudar Jesus a levar a cruz, Simão de Cirene. Foi um convite forçado a um trabalhador cansado (Cf. Lc 23,26), no entanto Jesus não recusou a ajuda. O Bom Pastor não escolheu a morte, mas as ovelhas; a morte veio pelo compromisso com elas, nesse sentido, a cruz revela-se como amor/serviço, entrega sem reservas, até o fim. 37 Leitor 2: Simão tornou-se símbolo da solidariedade silenciosa, antea cruz esmagadora. Quando as mãos se ajudam não só o peso é alivia- do, mas tornamos o outro cúmplice da devolução da vida. Simão, nesse gesto, leva-nos a sair do nosso pe- queno mundo e adentrar as dores da humanidade e do planeta. Há muitos gritos a nossa volta, não fi- quemos insensíveis. Oração: Senhor, o mundo neces- sita de Cireneus... Que eu jamais deixe de socorrer meus irmãos em suas necessidades. Animador: Jesus de Nazaré, o vos- so semblante eu quero ter: Como vós sois, eu quero ser! Canto: No caminho do Calvário, um auxílio necessário / não lhe nega o Cireneu (2X). Pela Virgem dolorosa... VI ESTAÇÃO: VERÔNICA ENXUGA O ROSTO DE JESUS Animador: Nós vos adoramos, Se- nhor Jesus Cristo, e vos bendize- mos! Todos: Porque pela vossa Santa Cruz remistes o mundo! Animador: Meu coração se lembra de ti: “Buscai minha face”. Tua face, Senhor, eu busco. Não me escon- das teu rosto, não rejeites com ira o teu servo. És meu auxílio, não me deixes, não me abandones, Deus meu salvador. (Sl 27(26),8-9). Leitor 1: Uma mulher corajosa saiu do meio da multidão e se aproxi- mou do homem das dores, e com o seu lenço limpou-lhe o rosto des- figurado. Jesus não recusou este gesto consolador, pelo contrário, Ele presenteou a mulher, gravando no seu lenço e no seu coração a sua própria imagem. A piedade popular deu-lhe o nome de Verônica (face de Cristo). Leitor 2: A atitude dessa mulher é expressão da solidariedade anôni- ma, de tantas pessoas que servem com gratuidade, liberdade e alegria em nossas comunidades. De ges- tos pequenos, mas edificantes que constroem o diálogo em vista da paz, da harmonia entre as pessoas e de relacionamentos sadios. Supe- rando divisões a vida se torna leve, próxima da tão sonhada “civilização do amor”. Oração: Senhor, obrigado pelas mãos generosas, que se doam sem medida, para aliviar a dor do pró- ximo. Gravai em cada gesto volun- 38 tário as marcas do vosso amor. Animador: Deus é amor: Arrisque- mos viver por amor. Canto: Eis o rosto ensanguentado, por Verônica enxugado / que no pano apareceu (2X). Pela Virgem dolorosa... VII ESTAÇÃO: JESUS CAI PELA SEGUNDA VEZ Animador: Nós vos adoramos, Se- nhor Jesus Cristo, e vos bendize- mos! Todos: Porque pela vossa Santa Cruz remistes o mundo! Animador: Quando injuriado, não retribuía as injúrias; atormentado, não ameaçava; antes, colocava a sua causa nas mãos daquele que julga com justiça (1Pd 2,23). Leitor 1: O peso da cruz era imenso, os pés de Jesus, rasgados pelas pe- dras do caminho vacilavam a cada passo... Quem arrasta a sua cruz torna o peso insuportável, logo es- tará no chão e será difícil levantar- -se e prosseguir o caminho... Onde se apoiar depois das quedas? A gra- ça de Deus é muito maior do que nossos pecados; importa levantar e continuar caminhando... Leitor 2: “Devemos sempre lem- brar-nos de que somos peregrinos e peregrinamos juntos. Para isso, devemos abrir o coração ao com- panheiro de estrada sem medos nem desconfianças e olhar prima- riamente para o que procuramos: a paz no rosto do único Deus. O abrir- -se ao outro tem algo de artesanal, a paz é artesanal” (EG 244). Oração: Senhor, vós que prome- testes que não seríamos tentados além das nossas forças, daí que, sustentados por vós, não nos en- treguemos ao peso das nossas fra- quezas. Canto: Outra vez desfalecido, pelas dores abatido / cai por terra o Sal- vador (2X). Pela Virgem dolorosa... VIII ESTAÇÃO: JESUS ENCONTRA AS MULHERES DE JERUSALÉM Animador: Nós vos adoramos, Se- nhor Jesus Cristo, e vos bendize- mos! Todos: Porque pela vossa Santa Cruz remistes o mundo! Animador: Seguia-o uma grande multidão do povo, bem como de mulheres que batiam no peito e 39 choravam por ele. Jesus, porém, voltou-se para elas e disse: “Mulhe- res de Jerusalém, não choreis por mim! Chorai por vós mesmas e por vossos filhos!” (Lc 23,27-28). Leitor 1: A sociedade e a religião, no tempo de Jesus, impunham uma cruz sobre as mulheres, anulando- -as, mas Jesus seguiu as normas do seu coração incluiu-as entre os seus seguidores (Cf. Lc 8, 2-3). O encon- tro das mulheres com Jesus, no ca- minho do Calvário, é uma mistura de gratidão e compaixão, da parte delas, com quem lhes havia devol- vido a dignidade e a razão de viver. Leitor 2: O cristão que anuncia o Evangelho deve dialogar com to- dos, jamais se colocando como “dono da verdade”, pois a verdade é unicamente Jesus Cristo e quem encontra nele a Verdade, passa a testemunhá-la com humildade. Eis a razão da evangelização: levar as pessoas ao encontro com a Verda- de, construindo pontes e derruban- do muros. Oração: Senhor, no discipulado temos boas intenções, porém, fal- ta-nos decisões que nos ajudem a caminhar com fidelidade e amor. Ajuda-nos a sermos fiéis! Animador: Jesus Mestre, Caminho, Verdade e Vida: Tende piedade de nós. Canto: Das mulheres que chora- vam, que fieis o acompanhavam / é Jesus consolador (2X). Pela Vir- gem dolorosa... IX ESTAÇÃO: JESUS CAI PELA TERCEIRA VEZ Animador: Nós vos adoramos, Se- nhor Jesus Cristo, e vos bendize- mos! Todos: Porque pela vossa Santa Cruz remistes o mundo! Animador: O amor de Cristo nos impele, considerando que um só morreu por todos e, portanto, to- dos morreram. De fato, Cristo mor- reu por todos para que os que vi- vem já não vivam para si mesmos, mas para aquele que por eles mor- reu e ressuscitou. (2 Cor 5,14-15). Leitor 1: O mais belo dos filhos dos homens (Cf. Sl 45,3) já não tem apa- rência humana. Ferido de todas as formas, Jesus se arrasta até o local do suplício. O peso da cruz é maior do que qualquer tentativa e, no- vamente, o Salvador cai por terra. Ainda assim, Jesus é vencedor das maldades humanas e de toda for- 40 ma de violência que desfigura a imagem de Deus presente no ser humano. Leitor 2: Na cultura urbana, tem prevalecido o individualismo. A tendência é o fechamento nas pró- prias vontades, sem um senso crí- tico aguçado, permeado pela fé, razão e o coração. O resultado tem sido trágico: violência, polariza- ções, ataques de ódio... Tudo isso tem rompido com a fraternidade e o projeto de Deus de que forme- mos a sua família na terra. Oração: Senhor, por vezes cami- nhamos tropeçando nas agressivi- dades do mundo. Nesta realidade desconcertante é preciso que nos ensineis a conservar o respeito e o diálogo. Animador: Deus de amor e bon- dade: nós te louvamos por toda a Criação. Canto: Cai terceira vez prostrado, pelo peso redobrado / dos peca- dos e da cruz (2X). Pela Virgem do- lorosa... X ESTAÇÃO: JESUS É DESPOJADO DE SUAS VESTES Animador: Nós vos adoramos, Se- nhor Jesus Cristo, e vos bendize- mos! Todos: Porque pela vossa Santa Cruz remistes o mundo! Animador: Os soldados pegaram suas vestes e as dividiram em qua- tro partes, uma para cada soldado. A túnica era feita sem costura, uma peça só de cima a baixo. Eles com- binaram: não vamos rasgar a túni- ca. Vamos tirar sorte para ver de quem será. (Jo 19, 23-24). Leitor 1: O caminho doloroso che- ga ao seu final. Próximo do local do suplício, os soldados arrancam as vestes de Jesus e repartem-nas. Se por um momento a liberdade pare- ceu estampar-se, o contrário tam- bém é verdadeiro. Jesus despido foi atado às perversidades humanas, à sensualidade desregrada e à eroti- cidade sem limites. Somente a cruz é capaz de despir o ser humano da sua autossuficiência. Leitor 2: O Cordeiro sem mancha, apresentado antes do sacrifício, convida o homem e a mulher a se despirem de tudo o que os escravi- za, pois somente os que têm cora- ção puro poderão enxergar a gran- deza e a beleza de Deus (Cf. Mt 5,8). O Cordeiro sem mancha nos leva ao Batismo, no qual tudo o que é velho 41 já foi deixado e fomos revestidos da veste nupcial incorruptível. Oração: Senhor, agraça do Batis- mo nos fez novas criaturas, recria- dos no teu amor. Não permitais que voltemos ao passado desfor- mando a tua imagem em nós. Animador: Pai-Nosso que estais nos céus: Venha a nós o vosso reino. Canto: Das suas vestes despojado, todo chagado e pisado / eu vos vejo, meu Jesus (2X). Pela Virgem dolorosa... XI ESTAÇÃO: JESUS É PREGADO NA CRUZ Animador: Nós vos adoramos, Se- nhor Jesus Cristo, e vos bendize- mos! Todos: Porque pela vossa Santa Cruz remistes o mundo! Animador: Quando chegaram ao lugar chamado Calvário, ali crucifi- caram Jesus e os malfeitores: um à sua direita e outro à sua esquerda. Jesus dizia: Pai, perdoa-lhes! Eles não sabem o que fazem (Lc 23, 33- 34). Leitor 1: A cruz, altar do sacrifício, foi montada; o Cordeiro foi esten- dido sobre ela. Buscaram silenciar os pés missionários e as mãos que educaram, curaram e apontaram novos horizontes. Cada martela- da nas mãos e nos pés, penetrou profundamente o coração dos que o acompanharam pelo caminho. A cruz será posta entre o céu e a terra, como uma escada, onde, so- mente por ela poderemos chegar a Deus. Leitor 2: A crucifixão daquele que não se cansou de fazer o bem, nos convida a olhar à nossa volta e apontar as vítimas de tantas cru- cifixões injustas. A cruz, anúncio de vida e denúncia de morte, não nos deixa calar frente às ameaças de sistemas opressores e escraviza- dores. Não fiquemos indiferentes, pois a omissão dos cristãos tem apressado a morte de inocentes. Oremos: “Estou crucificado com Cristo, e já não sou eu que vivo, mas Cristo que vive em mim (Cf. Gl 2,20). Senhor, que jamais nos esqueçamos que pertencemos às coisas do alto. Animador: Jesus, manso e humilde de coração: Fazei o nosso coração semelhante ao vosso. Canto: Sois por mim na cruz pre- gado, insultado, blasfemado / com 42 cegueira e com furor (2X). Virgem dolorosa... XII ESTAÇÃO: JESUS MORRE NA CRUZ Animador: Nós vos adoramos, Se- nhor Jesus Cristo, e vos bendize- mos! Todos: Porque pela vossa Santa Cruz remistes o mundo! Animador: Às três da tarde, Jesus gritou com voz forte: Eloí, Eloí, lemá sabactâni? – que quer dizer: Meu Deus, meu Deus, por que me aban- donaste? (Mc 15,34). Leitor 1: “Jesus crucificado é a maior e mais estupenda obra do amor divino, um livro escrito por fora com letras de sangue e por dentro com letras de amor” (São Paulo da Cruz). No sangue do Re- dentor derramado, o pecador en- contra confiança para se converter, o perdão dos pecados, a vitória nas tentações, a força para vencer o mal e a graça para perseverar no amor de Deus até à morte. Meu Je- sus, misericórdia! Leitor 2: O Pai entregou o Filho, o Filho entregou o Espírito com o Pai e o Espírito, entregue à Igreja, faz da Igreja uma presença qualitativa e edificante em todas as realidades humanas e necessidades do pla- neta, nossa casa comum. “Não há prova maior de amor do que dar a vida pelos irmãos (Cf. Jo 15,13). Quem for capaz de amar como Je- sus amou, descobriu o sentido da verdadeira felicidade e já trouxe o céu para a terra. Oração: Que a Paixão de Jesus e as dores de Maria, estejam sempre gravadas em nossos corações! Se- nhor, eu vos agradeço por terdes morrido na cruz por meu amor! Animador: Meu Jesus, perdão e mi- sericórdia: Pelos méritos de vossas santas chagas. Canto: Meu Jesus, por nós morres- tes. Por nós todos padecestes / oh que grande é vossa dor (2X). Pela Virgem dolorosa... XIII ESTAÇÃO: JESUS É DESCIDO DA CRUZ Animador: Nós vos adoramos, Se- nhor Jesus Cristo, e vos bendize- mos! Todos: Porque pela vossa Santa Cruz remistes o mundo! Animador: Ao anoitecer, veio um homem rico de Arimateia, chama- 43 do José, que também se tornara discípulo de Jesus. Ele foi procurar Pilatos e pediu o corpo de Jesus. Então Pilatos mandou que lhe en- tregassem o corpo (Mt 27, 57-58). Leitor 1: O corpo de Jesus desfaleci- do foi descido da cruz para os braços da Mãe; aquela que o acolheu ao nascer, o acolheu ao morrer. A Mãe dolorosa, contemplando a vida, na morte, nos ensina a acolhermos os desafios de cada dia, expressão da cruz que o seu Filho nos convidou a tomar e segui-lo. Permaneçamos com Maria, junto às cruzes da hu- manidade, impedindo que vença o desamor, o ódio e a morte. Leitor 2: A consumação de uma vida não se mede pelos anos vivi- dos, mas pelo sentido que se deu a vida e a intensidade com que se viveu. Jesus viveu com sentido e não resta mais nada a fazer senão esperar que as sementes lançadas tenham caído em terreno bom. “Aprendamos com a cruz de Jesus a lógica divina da oferta de nós mes- mos como anúncio do Evangelho para a vida do mundo” (Papa Fran- cisco). Oração: Senhor, quero cumprir fielmente a minha missão. Desejo partir um dia, com a certeza de ter guardado a fé, conservado a espe- rança e vivido a caridade. Animador: Coração de Jesus, que tanto nos amais: Fazei que eu vos ame cada vez mais. Canto: Do madeiro vos tiraram, e à Mãe vos entregaram / com que dor e compaixão (2X). Pela Virgem dolorosa... XIV ESTAÇÃO: JESUS É SEPULTADO Animador: Nós vos adoramos, Se- nhor Jesus Cristo, e vos bendize- mos! Todos: Porque pela vossa Santa Cruz remistes o mundo! Animador: José comprou um lençol de linho, desceu Jesus da cruz, en- volveu-o no lençol e colocou-o num túmulo escavado na rocha; depois, rolou uma pedra na entrada do tú- mulo (Mc 15, 46). Leitor 1: O pequeno cortejo acom- panhou Jesus até a sepultura. O Se- nhor da vida desceu à mansão dos mortos. A tristeza invadiu os cora- ções, e até os mais próximos acredi- taram no fracasso da cruz (Cf. Lc 24, 19-24). A sepultura cristã assinala o limite da vida humana e a finitude 44 do tempo terreno, mas sobretudo, o recomeço de uma nova história. É preciso crescer na consciência de que as decisões que tomamos, no cotidiano, têm consequências eter- nas. Leitor 2: “De instrumento de cas- tigo a cruz se faz imagem de vida nova, de um mundo novo. Nela, Deus revelou ao homem qual é a dignidade que ele traz em si, depois que foi assinalado com a missão de seu Filho. Por isso, olhai para a cruz! Nela sois chamados a uma só esperança da vossa vocação” (cf. Ef 4,4). “Olhai para a cruz! Ela é sinal do novo princípio que o homem, sempre e em toda parte, encontra em Deus” (São João Paulo II). Oração: Senhor, diante do teu se- pulcro renovo a minha fé na res- surreição e na vida eterna. Eu creio! Mas aumentai a minha fé. Animador: Jesus Cristo, tende pie- dade de mim: Por vossa morte e ressurreição. Canto: No sepulcro vos puseram, mas os homens tudo esperam, do mistério da Paixão. Pela Virgem dolorosa, vossa mãe tão piedosa, perdoai-me, meu Jesus. Observação: A Via-Sacra conclui-se na 14ª estação, quando o corpo de Jesus é deixado no sepulcro, mas já com a certeza da ressurreição, como diz o canto: “No sepulcro vos puse- ram, mas os homens tudo esperam do mistério da Paixão”. Sensível a essa devoção popular, a Igreja do Brasil achou por bem acrescentar a 15ª estação. Essa estação nos ajuda a não perdermos de vista a dimensão batismal da Quaresma, ou seja, nes- te tempo examinamos em nós como está a nossa vida batismal – partici- pação no mistério pascal de Cristo: vida, morte e ressurreição. Pode-se omitir a 15ª estação. Nesse caso, sal- ta-se para a oração final. XV ESTAÇÃO: JESUS RESSUSCITA Animador: Nós vos adoramos, Se- nhor Jesus Cristo, e vos bendize- mos! Todos: Porque pela vossa Santa Cruz remistes o mundo! Animador: O jovem disse às mulhe- res que foram ao túmulo: “Não vos assusteis! Procurais Jesus, o nazare- no, aquele que foi crucificado? Ele ressuscitou! Não está aqui! Vede o lugar onde o puseram! Mas ide, di- zei a seus discípulos e a Pedro: Ele 45 vai a vossa frente para a Galileia. Lá o vereis, como Ele vos disse!” (Mc 16, 6-7). Leitor 1: “Eu souuma missão nesta terra, e para isso estou neste mun- do” (EG 273). Esta afirmação do Papa Francisco, só pode ser com- preendida a partir do domingo da Ressurreição. Maria Madalena de- pois de ter visto o Senhor ressusci- tado, partiu às pressas e anunciou aos discípulos: “Eu vi o Senhor” (Cf. Jo 20, 17-18). O mesmo se deu com os discípulos de Emaús. A ressurrei- ção compromete, responsabiliza e faz da vida uma missão. Leitor 2: Pelo batismo já morremos com Cristo e ressuscitamos para uma vida nova. Por isso, devemos apresentar ao mundo, a cruz, como fonte de amor e doação, e aos sofre- dores, como força ressurrecional. Nosso testemunho deverá sempre convergir, gerando a unidade na di- versidade, uma vez que “Cristo é a nossa paz: do que era dividido, fez uma unidade” (Cf. Ef 2,14). Oração: Senhor, que eu seja tes- temunha da ressurreição, instru- mento da tua paz, discípulo mis- sionário da alegria, da vida e da esperança. Canto: Meu coração me diz: “O amor me amou e se entregou por mim: Jesus ressuscitou! Passou a escuridão, o sol nasceu. A vida triunfou: Jesus ressuscitou! ORAÇÃO FINAL Leitor 1: “Fraternidade e diálogo: compromisso de amor” é o tema da Campanha da Fraternidade Ecu- mênica deste ano. Rezemos, jun- tos, a oração que está na página 2. Animador: O Senhor esteja conos- co: Ele está no meio de nós. Animador: Deus de amor e bonda- de, que enviou seu Filho para nos salvar, nos abençoe: em nome do Pai e do Filho... Canto: Vitória! Tu reinarás! / Ó Cruz, tu nos Salvarás! 1. Brilhante sobre o mundo, que vive sem Tua Luz,/ Tu és um sol fe- cundo de amor e de paz, ó Cruz! Como foram os encontros do seu grupo? Envie-nos testemunhos, sugestões e críticas. Elas serão consideradas na produção do subsídio do próximo ano. WhatsApp: (41) 99955-9980 E-mail: secretaria@cnbbs2.org.br 46 CANTOS PARA OS ENCONTROS 1. EIS O TEMPO DE CONVERSÃO Eis o tempo de conversão. Eis o dia da salvação. Ao pai voltemos, juntos andemos. Eis o tempo de conversão! 1. Os caminhos do Senhor, são verda- de, são amor. Dirigi os passos meus, em vós espero, ó Senhor! 2. Ele guia ao bom caminho, quem errou e quer voltar. Ele é bom, fiel e justo. Ele busca e vem salvar. 2. CRISTO, QUERO SER INSTRUMENTO Cristo, quero ser instrumento de tua paz e do teu infinito amor. Onde hou- ver ódio e rancor, que eu leve a con- córdia, que eu leve o amor. Onde há ofensa que dói, que eu leve o perdão. Onde houver a discórdia, que eu leve a união e tua paz. Onde encontrar um irmão a chorar de tristeza, sem ter voz e nem vez. Quero bem no seu coração, semear alegria, pra florir gratidão. 3. AMAR COMO JESUS AMOU 1. Um dia uma criança me parou. Olhou-me nos meus olhos a sorrir. Caneta e papel na sua mão. Tarefa escolar para cumprir. E perguntou no meio de um sorriso: O que é preciso para ser feliz? Amar como Jesus amou. Sonhar como Jesus sonhou. Pensar como Jesus pensou. Viver como Jesus vi- veu. Sentir o que Jesus sentia. Sorrir como Jesus sorria. E ao chegar ao fim do dia eu sei que dormiria muito mais feliz. 2. Ouvindo o que eu falei ela me olhou. E disse que era lindo o que eu falei. Pediu que eu repetisse, por fa- vor. Mas não dissesse tudo de uma vez. E perguntou de novo num sorri- so: O que é preciso para ser feliz? 4. SENHOR, TENDE PIEDADE Senhor, tende piedade de nós. (2X) Pelo irmão que não amei, pelo mal que lhe causei, piedade. (2X) Ó Cristo, tende piedade de nós (2X) Pelo bem que eu não fiz, pela paz que eu não quis, piedade. Senhor, tende piedade de nós. (2X) Pelo amor que sufoquei, pela vida que matei, piedade. 5. PERDÃO, SENHOR 1. Perdão, Senhor, tantos erros co- meti. Perdão, Senhor, tantas vezes me omiti.Perdão, Senhor pelos ma- 47 les que causei, pelas coisas que falei, pelo irmão que eu julguei (2X). Piedade, Senhor, tem piedade, Se- nhor. Meu pecado vem lavar com seu amor. Piedade, Senhor, tem piedade, Senhor. E liberta minha alma para o amor. 2. Perdão, Senhor porque sou tão pe- cador. Perdão, Senhor, sou pequeno e sem valor. Mas mesmo assim tu me amas, quero então, te entregar meu coração, suplicar o teu perdão (2X). 6. CONHEÇO UM CORAÇÃO 1. Conheço um coração tão manso, humilde e sereno. Que louva ao Pai por revelar seu nome aos pequenos. Que tem o dom de amar, que sabe perdoar e deu a vida para nos salvar! Jesus, manda teu Espírito, para transformar meu coração. (2X) 2. Às vezes no meu peito bate um co- ração de pedra. Magoado, frio, sem vida, aqui dentro ele me aperta. Não quer saber de amar, nem sabe per- doar. Quer tudo e não sabe partilhar. 7. SEU NOME É JESUS CRISTO 1. Seu nome é Jesus Cristo e passa fome e grita pela boca dos famintos. E a gente quando o vê passa adian- te. Às vezes pra chegar depressa à Igreja. Seu nome é Jesus Cristo e está sem casa e dorme pelas beiras das calçadas. E a gente quando o vê aperta o passo. E diz que ele dormiu embriagado. Entre nós está e não o conhecemos! Entre nós está e nós o desprezamos! (2X) 2. Seu nome é Jesus Cristo e é analfa- beto e vive mendigando subempre- gos. E a gente quando o vê diz é um à toa, melhor que trabalhasse e não pedisse. Seu nome é Jesus Cristo e está banido das rodas sociais e das igrejas. Porque dele fizeram rei po- tente. Enquanto que ele vive como pobre. 8. SOMOS GENTE DA ESPERANÇA 1. Somos gente da esperança, que ca- minha rumo ao Pai. Somos povo da Aliança, que já sabe aonde vai. De mãos dadas a caminho. Porque juntos somos mais. Pra cantar o novo hino. De unidade, amor e paz. 2. Para que o mundo creia na justiça e no amor. Formaremos um só povo, num só Deus, um só Pastor. 9. O SENHOR RESSURGIU O Senhor ressurgiu, aleluia, aleluia! É o Cordeiro Pascal, aleluia, aleluia! 48 Imolado por nós, aleluia, aleluia! É o Cristo, o Senhor, ele vive e venceu, aleluia! 1. O Cristo, Senhor ressuscitou. A nossa esperança realizou. Vencida a morte para sempre. Triunfa a vida eternamente! 2. O Cristo remiu a seus irmãos. Ao Pai os conduziu por sua mão. No Es- pírito Santo unida esteja. A família de Deus, que é a Igreja! 3. O Cristo, nossa Páscoa, se imolou. Seu sangue da morte nos livrou. Incó- lumes o mar atravessamos. E à Terra prometida caminhamos! 10. PORQUE ELE VIVE 1. Deus enviou seu Filho amado, para morrer no meu lugar. Na cruz pagou por meus pecados, mas o sepulcro vazio está. Porque Ele vive. Porque ele vive, eu posso crer no amanhã. Porque ele vive, temor não há. Mas eu bem sei, que o meu futu- ro está nas mãos do meu Jesus, que vivo está. 2. Um dia eu vou cruzar os rios e verei então, um céu de luz. E verei que lá, em plena glória, vitorioso, vive e reina o meu Jesus. 11. HINO CFE/2021 (Letra: Frei Telles Ramon, O. de M. / Música: Adenor Leonardo Terra) 1. Venham todos, vocês, venham to- dos, Reunidos num só coração, (cf. At 4, 32) /: De mãos dadas formando a aliança, Confirmados na mesma mis- são. (bis) Em nome de Cristo, que é a nossa paz! Em nome de Cristo, que a vida nos traz: Do que estava dividido, unidade ele faz! Do que estava divi- dido, unidade ele faz! (cf. Ef 2,14a). 2. Venham todos, vocês, meus ami- gos, caminhar com o Mestre Jesus,/: Ele vem revelar a Escritura como fez no caminho à Emaús. (cf. Lc 24) (bis) 3. Venham todos, vocês, testemu- nhas, construamos a plena unidade /: No diálogo comprometido Com a paz e a fraternidade. (bis) 4. Venham todos, mulheres e ho- mens, superar toda polaridade,/: Pois em Cristo nós somos um povo, Reunidos na diversidade. (bis) 5. Venham jovens, idosos, crianças e vivamos o amor-compromisso/: Na partilha, no dom da esperança E na fé que se torna serviço. (bis) 50