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PODER JUDICIÁRIO
TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO
Registro: 2012.0000648801
ACÓRDÃO
Vistos, relatados e discutidos estes autos do Apelação nº 
0628895-35.2008.8.26.0100, da Comarca de São Paulo, em que é 
apelante PREFEITURA MUNICIPAL DE SÃO PAULO, é apelado 
ASSOCIAÇÃO CEMITÉRIO DOS PROTESTANTES.
ACORDAM, em 4ª Câmara de Direito Privado do Tribunal de 
Justiça de São Paulo, proferir a seguinte decisão: "Deram provimento ao 
recurso. V. U.", de conformidade com o voto do Relator, que integra este 
acórdão.
O julgamento teve a participação dos Exmo. 
Desembargadores NATAN ZELINSCHI DE ARRUDA (Presidente) e 
FÁBIO QUADROS.
São Paulo, 29 de novembro de 2012.
MILTON CARVALHO
RELATOR
 Assinatura Eletrônica
PODER JUDICIÁRIO
TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO
Apelação nº 0628895-35.2008.8.26.0100 São Paulo VOTO Nº 4252
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Voto nº 4252.
Apelação cível n° 0628895-35.2008.8.26.0100.
Comarca: São Paulo.
Apelante: Prefeitura Municipal de São Paulo.
Apelada: Associação Cemitério dos Protestantes.
Juiz prolator da sentença: Christina Agostini Spadoni.
HERANÇA JACENTE. Inobservância do devido 
processo legal. Descumprimento de todas as exigências 
legais para a declaração de vacância. Nulidade absoluta 
reconhecida. Anulação do processo. Recurso provido.
Trata-se de apelação contra a respeitável sentença de 
fls. 65/67, cujo relatório se adota, que julgou extinto sem resolução de 
mérito o processo, com fundamento no artigo 267, IV, do Código de 
Processo Civil, uma vez que, embora reconhecida a inobservância do 
procedimento legal para a declaração de vacância da herança, o Juízo é 
incompetente para tornar sem efeito sentença já transitada em julgado. 
Inconformada, apela a Municipalidade sustentando que 
o processo não poderia ser extinto, pois, ao contrário, era o caso de se 
converter o procedimento em arrecadação de bens de herança jacente, 
julgando-se sem efeito a decisão que declarou a vacância, bem como que 
a decisão proferida é prejudicial à Municipalidade, ao autor e aos 
possíveis herdeiros do de cujus. 
Houve resposta (fls. 85).
PODER JUDICIÁRIO
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Apelação nº 0628895-35.2008.8.26.0100 São Paulo VOTO Nº 4252
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A Procuradoria Geral de Justiça opinou pelo 
provimento do recurso. 
É o essencial a ser relatado.
O recurso é de ser acolhido.
A Constituição Cidadã é marcada pelo desígnio de, em 
um Estado de Democrático de Direito, ampliar o acesso à Justiça. O 
princípio do devido processo legal, nesse caminho, volta-se, 
basicamente, a indicar as condições mínimas em que o desenvolvimento 
do processo, isto é, o método de atuação do Estado-juiz para lidar com a 
afirmação de uma situação de ameaça ou lesão a direito deve se dar. 
(CASSIO SCARPINELLA BUENO. Curso sistematizado de Direito 
Processual Civil, vol. 1, 2ª ed., São Paulo, Saraiva, 2008, p. 104).
E no mesmo sentido esclarecem LUIZ RODRIGUES 
WAMBIER, FLÁVIO RENATO CORREIA DE ALMEIDA e EDUARDO 
TALAMINI que:
Isso quer dizer que toda e qualquer consequência processual que 
as partes possam sofrer, tanto na esfera da liberdade pessoal 
quando no âmbito de seu patrimônio, deve necessariamente 
decorrer de decisão prolatada num processo que tenha tramitado 
de conformidade com antecedente previsão legal e em 
consonância com o conjunto de garantias constitucionais 
fundamentais. O devido processo legal significa o processo cujo 
procedimento e cujas consequências tenham sido previstas em lei 
e que estejam em sintonia com os valores constitucionais. Exige-
se um processo razoável à luz dos direitos e garantias 
fundamentais. (Curso Avançado de Processo Civil, vol. 1, 8ª 
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Apelação nº 0628895-35.2008.8.26.0100 São Paulo VOTO Nº 4252
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ed., RT, 2006, p. 68)
Especificamente no tocante à herança jacente, o 
Código de Processo Civil estabelece que o juiz procederá sem perda de 
tempo à arrecadação de todos os seus bens, disciplinando nos artigos 
1.142 e seguintes o seu procedimento.
Por força do postulado do devido processo legal, 
previsto no artigo 5º, LIV, da Constituição Federal, tais dispositivos 
deveriam ser observados no caso em exame, uma vez que a autora 
formulou pedido de abertura de inventário dos bens deixados por Adolf 
Helmuth Martins Max Schmidt, desconhecendo se este deixou herdeiros 
ou testamento.
Conforme prevêem os artigos 1.142, 1.145, §2º, 1.152, 
e 1.157, todos do Código de Processo Civil, antes de declarada a 
vacância deverá ser feita a arrecadação de bens, para a qual, além do 
Ministério Público, a Fazenda Pública será intimada; em seguida, deverá 
ser expedido edital com a finalidade de permitir a habilitação dos 
sucessores e somente depois de decorrido o prazo de um ano, contado a 
partir da expedição de tal edital, é que será declarada a vacância.
Todavia, recebida a inicial pelo Juízo da 1ª Vara de 
Família e Sucessões do Foro Regional de Jabaquara da Capital, foi 
determinada a redistribuição do feito a uma das Varas do Foro Central da 
Capital. Em seguida, foi proferida a decisão de fls. 21, nos termos 
seguintes:
Tendo sido observadas as formalidades legais, decorrido mais de 
um ano da primeira publicação dos editais e não tendo aparecido 
nem se habilitado qualquer herdeiro, bem como o parecer do 
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Ministério Público de fls. 20, declaro, por sentença, vacantes os 
bens da herança jacente de Adolf Helmuth Martins Max Schmidt, 
fazendo-o com fundamento no artigo 1157 do Código de 
Processo Civil. Transitada em julgado, lavre-se o auto de 
adjudicação em favor da Prefeitura do Município de São Paulo.
Referido decisório, portanto, foi prolatado em evidente 
violação ao devido processo legal, tendo em vista que a declaração de 
vacância não foi precedida de qualquer providência relativa à 
arrecadação de bens de herança jacente.
Vale dizer, nem mesmo as providências mencionadas 
na própria decisão de fls. 21 foram adotadas no curso do processo.
Assim é que, constatada a completa inobservância do 
procedimento previsto em lei para a declaração de vacância, deve ser 
anulado o processo, a partir de sua redistribuição, porquanto na espécie 
podem ser gerados prejuízos a eventuais sucessores do de cujus, à 
autora e à Municipalidade, bem como porque não se obteve qualquer 
resultado útil por meio do processo. 
Outrossim, a Municipalidade alegou a ocorrência de 
nulidade da primeira oportunidade em que se manifestou nos autos (fls. 
37/41), em atendimento à norma do artigo 245 do Código de Processo 
Civil. 
Destarte, porque no caso concreto a inobservância do 
postulado constitucional do devido processo legal importou nulidade 
absoluta do feito, caracterizada pelo tolhimento aos envolvidos de todas 
as garantias processuais dele decorrentes, impõe-se a anulação do 
processo, a partir de sua redistribuição ao Juízo da 5ª Vara da Família e 
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Sucessões do Foro Central da Capital, para que este tenha seu regular 
processamento na forma de arrecadação de bens de herança jacente.
Por tais fundamentos, dá-se provimento ao recurso.
MILTON PAULO DE CARVALHO FILHO
 relator
		2012-12-05T12:11:40+0000
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