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Questão 1/10 - Economia Política Leio o texto a seguir: “A fisiocracia, no contexto geral, foi percebida na França em meados do século XVIII, com o objetivo de investigar o sistema econômico em seu conjunto. Assim, a economia francesa era predominantemente agrícola, sendo as atividades agrícolas majoritariamente capitalistas, com uma classe bem definida de arrendatários burgueses, sobretudo na parte setentrional francesa. Já por outro lado, na faixa meridional do território francês, encontrava se principalmente o tipo camponês [...]. Quando confrontadas, a agricultura capitalista e a camponesa, evidenciava-se a superioridade produtiva do capitalismo” (Pereira, 2018, p. 92). Fonte: PEREIRA, Camila Amaral. A História do Pensamento Econômico. UNIASSELVI: Santa Catarina. 2018. Disponível em: <https://www.uniasselvi.com.br/extranet/layout/request/trilha/materiais/livro/livro.php?codigo=30690>. Tendo como base os conteúdos discutidos na disciplina de Economia Política, análise as afirmações abaixo que abordam o pensamento fisiocrata sobre a economia e, depois, assinale a alternativa que indica apenas as corretas: I. Para o pensamento fisiocrata o desenvolvimento dos setores econômicos depende, majoritariamente, do aumento da produtividade e do excedente agrícola. II. A garantia do excedente agrícola é essencial para o funcionamento da economia, cabendo ao Estado o acompanhamento e organização da circulação desse excedente. III. Assim como os mercantilistas, os fisiocratas compreendiam que a geração de riqueza ocorria na esfera de trocas comerciais entre os países. IV. Segundo os fisiocratas, não deveria haver nenhuma intervenção externa ao livre desenvolvimento do sistema econômico, uma vez que este funcionaria a partir de leis naturais. Nota: 0.0 A Apenas as afirmativas I e II estão corretas. B Apenas as afirmativas I, II e IV estão corretas. C Apenas as afirmativas I e III estão corretas. D Apenas as afirmativas I, II e III estão corretas. E Apenas as afirmativas I e IV estão corretas. A alternativa correta é aquela que indica que apenas as afirmativas I e IV estão corretas. A afirmação I está correta porque o pensamento fisiocrata concentra a sua análise na agricultura e na sua potencialidade em gerar excedente. A capacidade produtiva da economia concentrava-se, então, no setor agrícola. Assim, eles entendiam que o desenvolvimento dos setores econômicos depende, majoritariamente, do aumento da produtividade e do excedente agrícola. A afirmação II está incorreta, uma vez que, por mais que os fisiocratas defendessem a garantia do excedente agrícola como essencial para o funcionamento da economia, eles não acreditavam que o Estado tivesse um papel relevante nesse processo. Pelo contrário, para o pensamento fisiocrata poder político e econômico não andavam juntos, devendo-se garantir a livre circulação das mercadorias agrícolas. Por conseguinte, o Estado não deveria intervir. A afirmação III está incorreta porque os fisiocratas não compreendiam que a geração de riqueza ocorria na esfera de trocas comerciais entre os países – essa era uma concepção mercantilista apenas. Os fisiocratas localizavam na esfera da produção (agricultura) a geração do excedente econômico. A afirmação IV está correta porque para os fisiocratas, o sistema econômico tenderia a se desenvolver de acordo com leis naturais, não demandando, portanto, intervenções externas. Referência: CALABRESE, Felipe. Introdução à Economia Política: o percurso histórico de uma ciência social. InterSaberes: Curitiba. 2020, p. 63-64, adaptado. Questão 2/10 - Economia Política Leia o trecho a seguir: "Marx define o valor da força de trabalho como o tempo de trabalho necessário para a produção das mercadorias que entram na reposição da capacidade de trabalho. Essas mercadorias se encontram no mercado pelos seus preços de produção. A força de trabalho não pode receber seu valor, isto é, a tradução em dinheiro do tempo de trabalho necessário, pois se as mercadorias de que necessita fossem produzidas em ramos de composições orgânicas maiores que a média, os preços dessas mercadorias estariam acima dos seus valores e a força e trabalho não poderia se reproduzir. A força de trabalho deve ser paga pelo seu preço de (re)produção, que é a soma dos preços de produção das mercadorias das quais necessita normalmente para viver. O preço de mercado da força de trabalho, por sua vez, é o preço decorrente do embate entre oferta e demanda de trabalho, assim como da capacidade organizativa das classes na luta pelos seus interesses materiais. O preço de mercado da força de trabalho tem como baliza de referência o preço de (re)produção da força de trabalho." Fonte: CIPOLLA, Francisco Paulo. O Mecanismo da Mais Valia Relativa. Estud. Econ., São Paulo, vol. 44, n.2, p. 383-408, abr.-jun. 2014, p. 388. Disponível em: <http://www.scielo.br/pdf/ee/v44n2/06.pdf>. Tendo em conta o trecho citado acima e os conteúdos discutidos no decorrer da disciplina, analise as afirmações abaixo e depois assinale a alternativa correta: I. Para os marxistas a disparidade entre o salário pago e o valor produzido pelo trabalho acaba por dar origem à mais-valia e, consequentemente, ao lucro capitalista. PORQUE II. A teoria marxista do valor-trabalho demonstra como, dentro das relações estabelecidas no sistema capitalista, o trabalho gera um valor superior ao valor recebido pelo trabalhador na forma de salário. Nota: 0.0 A As asserções I e II são proposições verdadeiras, e a II é uma justificativa da I. A resposta correta é as asserções I e II são proposições verdadeiras, e a II é uma justificativa da I. A afirmação I está correta porque, como se vê na aula 3, o lucro se forma por meio da apropriação do valor que não é pago ao trabalhador - essa disparidade entre o salário pago pelo trabalho e o valor produzido é a mais-valia. A afirmação II está correta porque a teoria marxista do valor consiste em demonstrar que na relação que se estabelece no processo de produção capitalista, o trabalho gera um valor superior àquele que seu agente (o trabalhador) recebe na forma de salário. A segunda pode ser considerada uma justificativa para a primeira porque é, justamente, pela razão de o trabalho gerar um valor superior ao valor recebido pelo trabalhador (salário) que ocorre a mais-valia e o lucro capitalista - no modo de produção capitalista o lucro é obtido por meio da apropriação do valor que não é pago ao trabalhador. Fonte: Rota de Aprendizagem da Aula 3. Economia Política. Material para a impressão, p. 3. B A asserção I uma proposição verdadeira, e a II é uma proposição falsa C A asserção II uma proposição verdadeira, e a I é uma proposição falsa D As asserções I e II são proposições falsas E As asserções I e II são proposições verdadeiras, mas a II não é uma justificativa da I Questão 3/10 - Economia Política Leia o texto abaixo: “O passo seguinte de Ricardo é examinar o impacto de uma variação nos salários e, por consequência, na taxa de lucro, sucedida no segundo período, sobre os valores indicados. Dada a impossibilidade de aumento salarial sem queda no retorno dos capitais, uma folha de pagamento de £5.046 para cada produtor força a taxa de lucro a declinar para 9%. O valor do trigo não se altera, mas o do tecido e do vestuário sim, pois agora se tem £5.500 referentes ao valor adicionado pelo capital circulante no segundo ano, mais £495 por conta do lucro devido ao capital fixo, perfazendo £5.995” (ARTHMAR, 2014, p. 144). Fonte: ARTHMAR, Rogério. Ricardo, o tempo e o valor. Estudos Econômicos, São Paulo, v. 44, n. 1, p. 133-152. 2014. Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0101-41612014000100005&lng=en&nrm=iso>. Tendo como base os conteúdos discutidos na disciplina de Economia Política, assinale a alternativa que apresenta, corretamente, as duas causas que, segundo David Ricardo, causam variações nos salários: Nota: 0.0 A O valor agregado da mercadoria produzida e a capacitação técnica do trabalhador.B O tempo empregado em cada uma das funções e a eficiência produtiva do trabalhador. C A quantidade de mercadoria produzida e a quantia de trabalho empregada no processo. D O nível da performance apresentada pelo trabalhador e número de empregados da fábrica. E A oferta e procura de trabalhadores e o preço dos produtos consumidos pelos trabalhadores. De acordo com os conteúdos do livro base, pode-se observar que com relação aos salários, David Ricardo (1974), assim como Adam Smith, opera com a distinção entre preço natural e preço de mercado. A variação dos salários se deve então a duas causas: 1) a oferta e procura de trabalhadores; e 2) o preço dos produtos consumidos pelos trabalhadores. Referência: CALABREZ, Felipe. Introdução à Economia Política: o percurso histórico de uma ciência social. InterSaberes: Curitiba. 2020, p. 83, adaptado. Questão 4/10 - Economia Política Leia o texto abaixo: “A filosofia moral implícita nos trabalhos dos economistas clássicos (a filosofia da liberdade natural ou filosofia da lei natural) e o seu apelo aos conceitos fundados na natureza humana serviram, consciente ou inconscientemente, o objetivo de encontrar uma justificação moral para o capitalismo nascente” (Avelãs Nunes, 2007, p. 16). Fonte: AVELÃS NUNES, A. J. Uma introdução à economia política. São Paulo: Quartier Latin, 2007. Considerando o trecho citado acima e os conteúdos discutidos na disciplina de Economia Política, avalie as asserções a seguir e a relação proposta entre elas. I. A filosofia política e a economia política teriam em comum o “mundo mental” PORQUE II. ele coloca a razão e o homem no centro das explicações, um homem cuja natureza deveria ser conhecida, pois nela que se fundamentariam as instituições sociais. Nota: 0.0 A As asserções I e II são proposições verdadeiras, e a II é uma justificativa correta da I. O que a filosofia política e a economia política teriam em comum então, podemos dizer, seria o compartilhamento de um "mundo mental" que colocava a razão e o homem no centro das explicações, um homem cuja essência, ou natureza, deveria ser conhecida porque com base nela é que se fundamentariam as instituições sociais. No caso da economia política, o que derivaria das leis da natureza seria uma ordem fundamentada na sociedade de mercado. Ao colocar a noção de mercado como natural, a economia política clássica acaba adquirindo, mesmo que sem intenção, um caráter normativo. Referência: CALABREZ, Felipe Introdução à economia política: o percurso histórico de uma ciência social. Curitiba: Intersaberes, 2019, capítulo 1 e 3. B As asserções I e II são proposições verdadeiras, mas a II não é uma justificativa correta da I. C A asserção I é uma proposição verdadeira, e a II é uma proposição falsa. D A asserção I é uma proposição falsa, e a II é uma proposição verdadeira. E As asserções I e II são proposições falsas. Questão 5/10 - Economia Política Veja a imagem abaixo: Para todos verem: Na foto, antiga, há homens, em pé, vestidos de macacões iguais trabalhando em uma fábrica, manuseando grandes máquinas. O surgimento do capitalismo formou uma nova classe, formada pelos trabalhadores. Há também a ascensão de uma burguesia mercantil, por meio do desenvolvimento do comércio mundial e de processos violentos de saque, colonização e pilhagem, aquilo que Marx chama de “o segredo da acumulação primitiva”. A classe trabalhadora era formada por ex-camponeses que foram expropriados das terras em que trabalhavam, por meio dos cercamentos (enclosure laws), que começou na Inglaterra. Considerando os conteúdos discutidos no capítulo 1 do livro-base de Economia Política a respeito das leis dos cercamentos, avalie as asserções a seguir e a relação proposta entre elas. I. A nobreza feudal cercava ou fechava terras e expulsava os camponeses delas PORQUE II. destruía os laços feudais, o que acabou obrigando os camponeses a buscarem sustendo nas cidades e produzirem força de trabalho para a indústria. Nota: 10.0 A As asserções I e II são proposições verdadeiras, e a II é uma justificativa correta da I. B As asserções I e II são proposições verdadeiras, mas a II não é uma justificativa correta da I. Você acertou! Ambas são verdadeiras, mas a II não é uma justificativa correta da I. O processo de expulsão dos camponeses dos campos não apenas ajudou a destruir os laços feudais, mas também, ao obrigá-los a buscar sustento nas cidades, ajudou a produzir a moderna força de trabalho, essencial para a nascente indústria e componente fundamental do capitalismo como modo de produção. O país que reuniu mais rapidamente as condições para o pleno desenvolvimento do capitalismo industrial foi a Inglaterra, que, já no século XVII, dominava o comercio mundial e, no século XVIII, havia avançado radicalmente o processo de expropriação dos camponeses por meio das já mencionadas leis dos cercamentos, transformando as antigas terras comunais, base das relações feudais, em propriedade privada. A Inglaterra que havia também experimentado sua revolução agrícola, dispunha de capitais abundantes e de grandes reservas de mão de obra, além de contar com um subsolo rico em carvão e ferro, condições indispensáveis para a indústria que viria a se desenvolver (Hunt, 2005). Referência: CALABREZ, Felipe Introdução à economia política: o percurso histórico de uma ciência social. Curitiba: Intersaberes, 2019, capítulo 1. C A asserção I é uma proposição verdadeira, e a II é uma proposição falsa. D A asserção I é uma proposição falsa, e a II é uma proposição verdadeira. E As asserções I e II são proposições falsas Questão 6/10 - Economia Política "As flutuações de emprego e produto que ocorrem na economia são explicadas por duas teorias que podem ser consideradas como a base da macroeconomia. Uma voltada para as flutuações de longo prazo e determinantes da oferta agregada (paradigma clássico-liberal) e outra para as flutuações de curto prazo que determinam a demanda agregada (paradigma keynesiano)." Fonte: TEBCHIRANI, Flávió Ribas. Princípios de economia: micro e macro Curitiba: Intersaberes, 2012 (adaptado). A passagem acima indica que existem ao menos duas linhas de pensamento sobre as flutuações macroeconômicas. Assinale a alternativa correta a respeito da Lei de Say: Nota: 10.0 A Derivada da teoria Keynesiana, a Lei de Say afirma que a demanda é maior que a oferta agregada. B Surgida no Marxismo, a Lei de Say nega a teoria de demanda a oferta, colocando um descompasso entre ambas. C A Lei de Say, originária do pensamento ortodoxo da Economia, afirma que a oferta cria sua própria demanda. Você acertou! Derivada de Lei de Say (que prega que ‘a oferta cria sua própria demanda’), a teoria clássica assegura que a demanda agregada será sempre igual à oferta agregada, sendo esta determinada pela capacidade instalada, que, por sua vez, refere-se à quantidade e à qualidade dos insumos de capital e de trabalho. Fonte: Tema 5 da Aula 2. D Keynes concorda com a Lei de Say, uma vez que afirma que o mercado se autoregula com relação à geração de demanda. E Os liberais elaboram a crítica à Lei de Say, que a oferta cria a sua própria demanda, uma vez que negam o equilíbrio de mercado. Questão 7/10 - Economia Política Leia o trecho a seguir: "O utilitarismo teórico (ou, se se preferir, a axiomática do interesse), o que tenta explicar a ação humana pelos cálculos egoístas dos indivíduos ou dos grupos, está já bem presente no pensamento antigo, onde, contudo, não é ainda verdadeiramente dissociado das preocupações normativas e da interrogação do bem. De igual modo, nas teorias jusnaturalistas ele continua subordinado à procura das normas da justiça. É só com o nascimento das ciências sociais e, mais precisamente, com o nascimento da Economia Política – digamos em 1776 – que ele se emancipa do discurso filosófico e da preocupação moral, para se apresentar sob aspectos puramente científicos, se por ciência entendermos a procura de propostas cognitivas quesejam totalmente independentes das propostas normativas". Fonte: CAILLÉ, Alain. O princípio de razão, o utilitarismo e o antiutilitarismo. Soc. estado. vol. 16 no. 1-2 Brasília June/Dec. 2001. p. 35. Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-69922001000100003>. Tendo em conta o trecho citado acima e os conteúdos discutidos ao longo da disciplina, analise as afirmações abaixo sobre o utilitarismo econômico e depois assinale a alternativa que indique apenas as corretas: I. O utilitarismo, de forma geral, entende que toda a motivação humana, em qualquer tempo e lugar, pode ser reduzida ao único princípio de que sempre se busca maximizar o prazer e minimizar a dor. II. Para as análises econômicas neoclássicas, o utilitarismo conduz ao entendimento de que se deveria sempre partir da concepção de que o indivíduo constitui-se em agente racional e maximizador de prazeres e utilidade. III. A fundamentação utilitarista na economia proporcionou a sofisticação das teorias do valor-trabalho ao agregar a explicação sobre a formação do valor de troca e do preço das mercadorias a partir da noção de utilidade. IV. Assim, o cálculo do máximo prazer, para a teoria econômica, converte-se em um cálculo do máximo lucro, pensado como um comportamento pouco racional, uma vez que envolve a busca irrefreada pela obtenção do lucro absoluto. Nota: 10.0 A Apenas as afirmações I, II e III estão corretas B Apenas as afirmações II, III e IV estão corretas C Apenas as afirmações I, II e IV estão corretas D Apenas as afirmações I e II estão corretas Você acertou! Apenas as afirmações I e II estão corretas. De acordo com o material da aula 2 a afirmação I está correta porque O utilitarismo foi uma corrente filosófica do século XVIII que exerceu influência determinante sobre o desenvolvimento da teoria econômica dos séculos XIX e XX, de matriz neoclássica. Tendo Jeremy Bentham (1748-1832) como seu principal expoente, o utilitarismo parte da máxima de que toda a motivação humana, em qualquer tempo e lugar, pode ser reduzida a um único princípio: maximizar o prazer e minimizar a dor. A afirmação II está correta porque Essa máxima, derivada de uma filosofia do indivíduo, tornou-se o paradigma econômico dominante, representado pela escola neoclássica. Sob essa ótica, toda e qualquer análise econômica deveria partir do princípio do indivíduo como agente racional maximizador de prazeres e utilidade. A afirmação III está incorreta porque, tendo o utilitarismo como fundamentação filosófica da ação individual, essa corrente rejeitou as teorias do valor-trabalho como explicação da formação do valor de troca e do preço das mercadorias, colocando em seu lugar a teoria do valor utilidade. A afirmação IV está incorreta porque, no campo da teoria econômica, o cálculo do máximo prazer torna-se o cálculo do máximo lucro, e esse cálculo é sempre o comportamento esperado e justificado como racional. Fonte: Rota de Aprendizagem da Aula 2. Economia Política. Material para a impressão, p. 5. E Apenas as afirmações I e III estão corretas Questão 8/10 - Economia Política Leia o trecho a seguir: "O pensamento de Marx em torno do Estado e da sociedade civil pode ser encontrado no decorrer de sua vasta produção, desde 1843-44 até a publicação de O capital. Entretanto, os textos produzidos em Paris, conhecidos como Manuscritos Econômico-Filosóficos, juntamente com a Crítica da filosofia do direito de Hegel - Introdução e A questão judaica, podem ser considerados os marcos iniciais da crítica marxiana à produção da filosofia idealista e política da época. Nesses escritos, Marx já demonstra que as contradições e os fetiches da sociedade capitalista impregnam a filosofia idealista e política, marcadas pela não ultrapassagem do nível aparente da realidade. Para Marx, era preciso alcançar o conteúdo essencial da sociedade burguesa. Sua crítica dizia respeito às operações da filosofia idealista que insistia em tomar o Estado, a população, o dinheiro e assim por diante, categorias descoladas da totalidade social". Fonte: SOUZA, Estado e sociedade civil no pensamento de Marx. Estado e sociedade civil no pensamento de Marx. Serviço Social e Sociedade. São Paulo, n. 101, p. 25-39, jan./mar. 2010. p. 35. Disponível em: <http://www.scielo.br/pdf/sssoc/n101/03.pdf>. Tendo em conta o trecho citado acima e os conteúdos trabalhados no decorrer da disciplina, assinale a alternativa que indique corretamente o entendimento marxiano sobre o Estado: Nota: 0.0 A O Estado, dentro de um enquadramento marxiano, pode ser definido como um órgão legal que controla as fronteiras nacionais e condiciona o comportamento da população em seu interior por meio de um ordenamento jurídico. B Para Marx o Estado é uma realidade material imprescindível para a reprodução do capitalismo, uma vez que é por meio dele que as classes sociais garantem os seus direitos fundamentais. C Para a teoria marxista o Estado é uma instituição política desconectada das relações de produção. Portanto, a sua atuação se resume a esfera jurídica como garantidor da lei e da ordem. D A noção marxista de Estado o concebe como a entidade capaz de centralizar o poder e monopolizar a utilização da força dentro do seu território. E No pensamento marxiano o Estado é visto como reflexo das das relações de poder instituídas na base do sistema capitalista, de modo que ele se converte em um agente garantidor dos interesses da classe dominante (burguesia). Sob a perspectiva marxiana, a política e o Estado não possuem vida própria, ou autonomia, em relação à sua infraestrutura. Eles só podem ser o reflexo das relações de poder que se estabelecem na base, nas relações econômicas, ou, se quisermos, na sociedade civil. Sendo assim, temos a impossibilidade da existência de um “Estado racional”, que se coloque acima das partes em conflito. O poder do Estado não paira no ar, ele deriva do poder da classe dominante. Dessa perspectiva de Estado como garantidor dos interesses da classe dominante surgirá o debate marxista sobre o Estado, que será brevemente apresentado. Fonte: Rota de Aprendizagem da Aula 3. Economia Política. Material para a impressão, p. 6 Questão 9/10 - Economia Política Leia o trecho a seguir: "Fornecer os elementos necessários para compreender cientificamente o mundo humano tornou-se o principal objetivo da reflexão econômica em Marx, que desde cedo foi levado a dialogar e a se contrapor com a economia política clássica. Esses diálogos e contraposições se deram de modos diferenciados em relação a cada um dos autores que podem ser agrupados no ambiente comum da economia clássica (Marx separa os verdadeiros “economistas clássicos”, como Adam Smith ou Ricardo, dos “economistas vulgares”, como Malthus). Esta nota que se ergue do fundo da economia política, sobretudo pela assimilação e superação da contribuição economicista de David Ricardo (1772-1823), se tornará soberana e fundamental no acorde de Marx a partir do final de 1844, quando o centro de sua análise passa a ser o trabalho e seus interesses voltam-se quase que exclusivamente para o estudo da economia capitalista e da história desse período." Fonte: BARROS, José D’Assunção. O conceito de alienação no jovem Marx. Tempo Social, revista de sociologia da USP, v. 23, pp. 223-245, n. 1 - p. 228-229. Disponível em: <http://www.scielo.br/pdf/ts/v23n1/v23n1a11>. Tendo em conta o trecho citado acima e os conteúdos trabalhados no decorrer da disciplina, assinale a alternativa que indique e explique corretamente a principal metodologia utilizada por Marx: Nota: 0.0 A Marx parte da abordagem do materialismo histórico. Essa metodologia confere primazia às relações materiais e ao trabalho como forma de explicar a sociedade, sempre situando-os historicamente. Como vimos na aula 3, a resposta correta é o materialismo histórico. Essa metodologia conferia primazia às relações materiais e ao trabalho, e conduz Marx ao estudo da economia política inglesa - Assim, situandohistoricamente sua investigação materialista, Marx estava preocupado em compreender a anatomia da sociedade civil (ou sociedade burguesa), pois ali, na esfera das relações sociais concretas, e não na esfera jurídico-política e nas grandes doutrinas filosóficas, estaria a chave para entender as engrenagens que movem a história. Por esse percurso que Marx conclui: “A anatomia da sociedade civil deve ser procurada na economia política” (Marx, 2011, p. 4-5). A primeira está incorreta porque, por mais que autor se utilizasse do método dialético, não defendia que todas as teses podem ser depostas. A segunda está incorreta porque nunca existiu uma metodologia socialistas (é um sistema econômico); a terceira está incorreta porque as relações ideacionais não são centrais na metodologia marxiana (embora ele venha a discutir a superestrutura e a importância de formas ideológicas de dominação); a quarta está incorreta porque ceticismo histórico não é uma metologia. Fonte: Rota de Aprendizagem da Aula 3. Economia Política. Material para a impressão, p. 2-3. B Marx partia do ceticismo histórico. Esse modo de análise conduz o pesquisador a questionar os elementos materiais que compõem a sociedade e modo como eles determinam e condicional a realidade social. C Marx se utiliza da dialética hegeliana, de modo que é concedido centralidade às relações ideacionais que condicionam e definem o modelo de produção capitalista. D Marx aplicava uma metodologia socialista, centrada em sua teoria do valor-trabalho. Dessa maneira, para o autor os elementos que determinam as relações sociais em um Estado são a moeda e a dominação capitalista. E Marx empregava o materialismo dialético, de modo que para ele todas as teses poderiam ser depostas nas ciências econômicas a partir da construção de modelos de análise críticos ao capitalismo. Questão 10/10 - Economia Política Leia o trecho a seguir: "A influência de Engels será um divisor de águas na produção intelectual de Marx. Até aquela altura de sua trajetória intelectual, Marx ocupara-se essencialmente do problema da alienação humana nas suas diversas formas (inclusive no trabalho, mas também na religião, na política, nas próprias relações ecológicas do homem com a natureza). Ao mesmo tempo, seu viés era mais filosófico, seus interesses mais abrangentes, sua tonalidade mais intensamente humanista . Ao entrar em contato intelectual com o livro A situação da classe trabalhadora na Inglaterra (1845), Marx perceberia, ou julgaria perceber (conforme se dê ou não crédito à sua escolha ou descoberta), que a alienação produzida no mundo do trabalho era o ventre materno de todas as alienações – a raiz do “estranhamento” que lançava no sofrimento e na inconsciência o homem comum do mundo moderno". Fonte: BARROS, José D’Assunção. O conceito de alienação no jovem Marx. Tempo Social, revista de sociologia da USP, v. 23, pp. 223-245, n. 1 - p. 229. Disponível em: <http://www.scielo.br/pdf/ts/v23n1/v23n1a11>. Tendo em conta o trecho citado acima e o conteúdo da disciplina, assinale a alternativa que apresente corretamente a relação entre trabalho e alienação no capitalismo dentro do pensamento marxiano: Nota: 0.0 A Para Marx, sob a égide capitalista o trabalho é alienado porque o homem não se reconhece naquilo que faz e produz, uma vez que, mesmo sendo o agente produtor, ele participa apenas parcialmente do processo produtivo e o fruto do seu trabalho acaba lhe sendo subtraído em decorrência do modo social de organização da produção. Assim, a essa afirmação está correta porque para Marx sob o capitalismo, o homem não se reconhece no que faz, no que produz. Trata-se de um trabalho alienado. Alienado sob um duplo aspecto: porque o produtor só participa de uma pequena parte do processo produtivo, restrito a operações simples e repetitivas, e alienado porque o fruto do seu trabalho lhe é subtraído por conta do modo social de organização da produção, marcado pela propriedade privada dos meios de produção, de um lado, e do trabalhador destituído desses meios, de outro. A segunda está incorreta porque Marx está se referindo ao fato de que o trabalhador, no modo de produção capitalista, não possui acesso a todo o processo de produção e se aliena em sua tarefa. Assim, não se refere a uma segmentação entre trabalho intelectual e manual - embora isso possa ser uma consequência. A terceira está incorreta porque o trabalhador só tem acesso parcial (a sua tarefa) ao modo de produção e Marx não fala de habilidade em processar informações quando se refere a alienação. A quarta está incorreta porque Marx não vê a alienação como natural - é um fenômeno social advindo do modo de produção capitalista. A quinta está errada porque a alienação não dão sustentação a um modelo de desenvolvimento que tem o trabalhador como centro. Pelo contrário, eles dão sustentação à dominação capitalista. Fonte: Rota de Aprendizagem da Aula 3. Economia Política. Material para a impressão, p. 2. B De acordo com a teoria marxiana o trabalho é considerado alienado porque a produção capitalista acaba por dirimir o trabalho intelectual dos processos produtivos. Dessa forma, cria-se uma segmentação entre trabalho físico e intelectual, sendo o primeiro completamente alienado e ignorante. C Marx compreende que o trabalho, dentro do sistema capitalista, conduz o operário a estabelecer uma visão global sobre o sistema de produção. Todavia, a incapacidade desse operário em processar essas informações acaba tornando-o alienado. D Dentro do pensamento marxiano a alienação é um processo natural que acaba sendo amplificado pelo modo de produção capitalista, uma vez que esse acaba incentivando que o trabalhados se especialize e aperfeiçoe em suas atividades e, consequentemente, não desenvolva interesses culturais. E Alienação e trabalho, em Marx, constituem-se em fenômenos políticos e econômicos inerentes ao modo de produção capitalista. Dessa forma, eles são considerados como complementares e dão sustentação a um modelo de desenvolvimento que tem o trabalhador como centro.