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C I C L O C A R D Í A C O Anatomicamente falando, o coração é formado por duas câmaras (esquerda e direita) que são compostas por seus respectivos átrio e ventrículo, que serão separados por valvas. Câmara esquerda: • Entre o átrio e ventrículo esquerdo – valva mitral; • Entre o ventrículo esquerdo e a circulação sistêmica – valva semilunar aórtica; • Entre o átrio e o ventrículo direito – valva tricúspide; • Entre o ventrículo direito e a circulação pulmonar – valva semilunar pulmonar. O ciclo cardíaco se refere, basicamente, ao ciclo de contração e relaxamento do coração, que irá ocorrer entre um batimento cardíaco e outro através da: contração atrial, contração ventricular e, por fim, relaxamento ventricular. Dessa forma, teremos o período de relaxamento cardíaco em que o coração irá se encher de sangue e o período de contração que é o momento em que o coração irá se esvaziar. Esses momentos são chamados de sístole e diástole. • Sístole – período de contração cardíaca, onde o coração irá ejetar o sangue. Ou seja, estamos nos referindo aos ventrículos; • Diástole – período de relaxamento cardíaco, onde o coração irá se encher de sangue. Da mesma forma que na sístole, estamos nos referindo aos ventrículos. RESUMIDAMENTE FALANDO Como teremos o início do ciclo cardíaco? Através da geração de um potencial de ação (PA) que se inicia no nodo sinoatrial (SA), que é um marca-passo natural do coração, e se propaga por todo o coração. Ou seja, o estímulo irá se propagar para os átrios através das junções abertas e para o nodo atrioventricular (AV) através das vias internodais. Os átrios se contraem, enquanto que no nodo AV ocorre um rápido atraso na transmissão de estímulo para os ventrículos. Após a contração atrial, o estímulo irá se propagar do nodo AV para o ventrículo através do feixe AV e das fibras de Purkinje, gerando, então, a contração ventricular. Após a sístole, o coração relaxa – diástole – e inicia o enchimento dos ventrículos. GLEICIANE PEREIRA Gleicianepereira_@hotmail.com mailto:Gleicianepereira_@hotmail.com PASSO 1 – CONTRAÇÃO/SÍSTOLE VENTRICULAR ISOVOLUMÉTRICA Observação: se o ventrículo contrair e as valvas estiverem fechadas, não haverá alteração de volume, ou seja, o coração ficará isovolumétrico. Diferente disso, se o ventrículo contrair e a valva estiver aberta, o volume irá diminuir até “esvaziar”. Inicialmente as células serão estimuladas através do PA e vão se contrair. Enquanto os átrios se contraem, a onda de despolarização se move lentamente pelas células condutoras do nó AV e, então, pelas fibras de Purkinje até o ápice do coração. A sístole ventricular se inicia no ápice do coração quando as bandas musculares em espiral empurram o sangue para cima em direção à base. O sangue empurrado contra a porção inferior das valvas AV faz elas se fecharem, de modo que não haja refluxo para os átrios. As vibrações seguintes ao fechamento das valvas AV geram a primeira bulha cardíaca, S1, o “tum” do “tum-tá” que escutamos no estetoscópio. Com ambos os conjuntos de valvas AV e válvulas semilunares fechadas, o sangue nos ventrículos não tem para onde ir. Entretanto, os ventrículos continuam a se contrair, comprimindo o sangue da mesma forma que você apertaria um balão cheio de água com as mãos. Pensando em um tubo de creme dental, é como apertá-lo ainda com a tampa: alta pressão é gerada no interior do tubo, mas o creme dental não tem por onde sair. Essa fase é chamada de contração ventricular isovolumétrica. Enquanto os ventrículos iniciam sua contração, as fibras musculares atriais estão repolarizando e relaxando. Quando as pressões no átrio atingem valores inferiores às pressões nas veias, o sangue volta a fluir das veias para os átrios. O fechamento das valvas AV isola as câmaras cardíacas superiores das inferiores e, dessa forma, o enchimento atrial é independente dos eventos que ocorrem nos ventrículos. PASSO 2 – EJEÇÃO VENTRICULAR - Quando os ventrículos contraem, eles geram pressão suficiente para abrir as válvulas semilunares e empurrar o sangue para as artérias. A pressão gerada pela contração ventricular torna-se a força motriz para o fluxo sanguíneo. O sangue com alta pressão é forçado pelas artérias, deslocando o sangue com baixa pressão que as preenche, empurrando-o ainda mais adiante na vasculatura. - Durante essa fase, as valvas AV permanecem fechadas e os átrios continuam se enchendo. Teremos dois tipos de ejeção: rápida e lenta, respectivamente. Sístole ventricular de ejeção rápida: A pressão nas valvas irá aumentar e chegar ao seu máximo, ao ponto de ficar maior que a pressão da aorta. Com isso a valva aórtica irá se abrir. A velocidade do fluxo será muito intensa e, por este motivo, teremos um fluxo muito rápido de ejeção. Nesse momento a valva atrioventricular está fechada (visto que o sangue não pode voltar) e a valva semilunar aórtica está aberta. Sístole ventricular de ejeção lenta: Como o sangue do ventrículo está saindo para a circulação sistêmica, a pressão entre o ventrículo e a circulação vão ficando cada vez mais igual e, consequentemente, equilibrada. Com isso, com o gradiente menor, o fluxo sanguíneo torna-se lento. Nesse momento a valva mitral está fechada, ou seja, o átrio está se enchendo. Além disso, o ventrículo já parou de ser estimulado, ou seja, começa a acontecer a diástole/relaxamento. PASSO 3 – RELAXAMENTO/DIÁSTOLE ISOVOLUMÉTRICA - Cp isoladas. As valvas AV permanecem fechadas devido à pressão ventricular que, embora em queda, ainda é maior que a pressão nos átrios. Esse período é chamado de relaxamento ventricular isovolumétrico, porque o volume sanguíneo nos ventrículos não está mudando. - Quando o relaxamento do ventrículo faz a pressão ventricular cair até ficar menor que a pressão nos átrios, as valvas AV se abrem. O sangue que se acumulou nos átrios durante a contração ventricular flui rapidamente para os ventrículos. O ciclo cardíaco começou novamente. PASSO 4 – ENCHIMENTO VENTRICULAR Nesse momento tanto os átrios como os ventrículos estão relaxados. Os átrios estão se enchendo com o sangue vindo das veias e os ventrículos acabaram de completar uma contração. À medida que os ventrículos relaxam, as valvas AV entre os átrios e os ventrículos se abrem e o sangue flui por ação da gravidade dos átrios para os ventrículos. Os ventrículos relaxados expandem-se para que o sangue entre. Assim como na ejeção, teremos dois tipos de enchimento: rápido e lento, respectivamente. Enchimento ventricular rápido: No momento em que a pressão atrial fica maior que a pressão ventricular, ocorre a abertura da valva AV. Como a pressão atrial é muito alta o enchimento do ventrículo será rápido. Nessa fase a valva semilunar está fechada e a valva AV está aberta (já que o sangue está chegando no ventrículo). Observação: a pressão na circulação nessa fase é diastólica, ou seja, quando uma pessoa diz que tem a pressão arterial 120x80 mmHg, por exemplo, ela está dizendo que a diastólica dela é de 80 mmHg. Enchimento ventricular lento (diástase): Como a pressão entre o átrio e ventrículo está cada menor já que a pressão do átrio está caindo e a pressão do ventrículo aumentando, o fluxo sanguíneo também será reduzido. Observação: se, por algum motivo (como na insuficiência cardíaca ou de valvas), já estiverem cheios na diástase, deixando vazar sangue para o ventrículo enquanto o mesmo estiver enchendo, haverá um som anormal com a variação da pressão. Com isso teremos uma terceira bulha através da sobrecarga de volume no ventrículo. PASSO 5 – SÍSTOLE/CONTRAÇÃO ATRIAL A maior quantidade de sangue entra nos ventrículos enquanto os átrios estão relaxados, mas pelo menos 20% do enchimento é realizado quando osátrios contraem (os músculos pectíneos) e empurram sangue para dentro dos ventrículos. Observação: isso se aplica a uma pessoa normal em repouso e saudável. Quando a frequência cardíaca aumenta, como no exercício, a contração atrial desempenha um papel mais importante no enchimento ventricular. Além disso, quando o ventrículo está “doente” há maior acúmulo de sangue. A sístole, ou contração atrial, inicia seguindo a onda de despolarização que percorre rapidamente os átrios. A pressão aumentada que acompanha a contração empurra o sangue para dentro dos ventrículos. Embora as aberturas das veias se estreitem durante a contração, uma pequena quantidade de sangue é forçada a voltar para as veias, uma vez que não há valvas unidirecionais para bloquear o refluxo do sangue. Curiosidade: Esse movimento do sangue de volta para as veias pode ser observado como um pulso na veia jugular de uma pessoa normal que está deitada e com a cabeça e o peito elevados cerca de 30°. Um pulso jugular observado mais acima no pescoço em uma pessoa sentada ereta é um sinal de que a pressão no átrio direito está acima do normal. - É importante notar que a diástole é um processo passivo, que ocorre através da diferença de pressão do átrio e ventrículo à medida que o sangue chega. CIRCULAÇÃO SANGUÍNEA Gleicianepereira_@hotmail.com PASSO 2 – EJEÇÃO VENTRICULAR PASSO 4 – ENCHIMENTO VENTRICULAR PASSO 5 – SÍSTOLE/CONTRAÇÃO ATRIAL