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GINEAD
PSICOLOGIA ESCOLAR E 
DIFICULDADES DE APRENDIZAGEM
Unidade 5 - A neurociência e a 
aprendizagem
 
SST
Coelho, Orlando; Costa, Luciene
Unidade 5 - A neurociência e a aprendizagem / 
Orlando Coelho; Luciene Costa 
Ano: 2020
nº de p.: 19
Copyright © 2020. Delinea Tecnologia Educacional. Todos os direitos reservados.
Unidade 5 - A neurociência e a 
aprendizagem 
3
Objetivo específico
• Compreender o conceito geral das Neurociências e as bases neurológicas da 
aprendizagem humana e suas implicações nos processos de ensino e apren-
dizagem.
Apresentando a unidade
Bem-vindo(a), caro(a) aluno(a). Nesta unidade, discutiremos as relações entre 
Neurociência e aprendizagem, isso significa que abordaremos de que forma as 
pesquisas em neurociência têm contribuído para uma melhor atuação na relação 
ensino e aprendizagem. Significa compreender, primeiramente, o conceito de 
Neurociência, avançar um pouco sobre o funcionamento do cérebro humano e a sua 
constituição e, principalmente, identificar de que forma ocorre a aprendizagem e 
quais áreas contribuem para o aprendizado humano. 
Bons estudos! 
Conceito de neurociência
Ao falarmos de Neurociência, estamos falando de várias disciplinas que estudam o 
Sistema Nervoso que é composto pelos Sistema Nervoso Central (SNC) e o Sistema 
Nervoso Periférico (SNP). Essas disciplinas tratam do funcionamento do SNC, suas 
estruturas, suas inter-relações com o organismo, suas patologias. Podemos citar 
como disciplinas que integram as Neurociências a Neuroanatomia, Neuropsicologia 
e a Neurofisiologia.
Outra questão que é importante ter consciência é que as Neurociências se dividem 
em algumas especializações conforme a atividade pesquisada, como Neurociência 
Cognitiva (Neuropsicologia), Neurociência Molecular, Neurociência Comportamental 
e Neurociência Sistêmica.
Porém, para discutirmos as relações entre neurociência e aprendizagem que 
propomos nesta unidade, você terá acesso a conceitos de Neuropsicologia e 
4
Neuroanatomia e estudaremos num primeiro momento de que forma nossos 
antepassados vislumbravam o papel do cérebro e suas funções mentais.
O cérebro e seu funcionamento despertam interesse humano desde muito tempo. 
Pesquisas identificam cirurgias no cérebro, conhecidas como trepanações, datadas 
de cerca de 7.000 anos atrás (FERREIRA, 2014). Mesmo em culturas como a do 
Egito antigo, a qual o coração era considerado o portador da alma, das emoções 
e dos processos mentais, são encontrados papiros com relatos de intervenções 
cirúrgicas no cérebro, assim como na cultura hebraica, a qual considerava também 
o coração como portador da alma. Cabe ressaltar que diversas civilizações antigas 
tinham o que ficou conhecido como hipótese cardíaca, que associava funções 
mentais, cerebrais ao coração, porém veremos que esta ideia não era de todo 
aceita.
Na Grécia, essa noção encontrou seus primeiros opositores formais, entre 
eles Alcmaeon de Crotona (500 a.C.), que formulou a hipótese de que os 
processos mentais estariam associados à atividade cerebral. Essa ideia 
não era aceita tranquilamente, e outro filósofo, Aristóteles (384-322 a.C.), 
cuja obra se tornou mais influente, era um opositor veemente dessa ideia. 
Para Aristóteles, no coração estaria a base da mente, enquanto o cérebro 
seria uma espécie de radiador, com a função de resfriar a temperatura 
sanguínea. (COSENZA; FUENTES; MALLOY-DINIZ, 2008, p. 15)
Existe uma mitologia nos dias de hoje em relação às possibilidades 
de a Neurociência ajudar a resolver todos os problemas humanos?
Reflita
Como você viu, a hipótese cardíaca começa a perder força ainda na Grécia Antiga, 
onde os gregos conceituarão o cérebro como o órgão das sensações e inteligência. 
Hipócrates, o pai da medicina, escreveu tratados e estudou pacientes epiléticos.
As observações clínicas como as de Hipócrates (460-400 a.C.) e Galeno (130-
200 d.C.) foram determinantes para a solidificação da hipótese cerebral. Ao longo 
dos tratados médicos reunidos no Corpus Hipocraticus e nos relatos de Galeno, 
médico dos centuriões romanos, as lesões cerebrais são atribuídas às alterações 
da personalidade, do comportamento e da capacidade de raciocínio. (COSENZA; 
FUENTES; MALLOY-DINIZ, 2008, p. 16). 
5
Porém, coube a Galeno o estabelecimento do que ficou conhecido como hipótese 
ventricular, que comentamos brevemente anteriormente e aqui vamos esclarecer 
melhor. Era evidente que o cérebro é composto por tecido e por cavidades, os 
ventrículos cerebrais. Os ventrículos chamavam muito a atenção dos primeiros 
anatomistas, pois o cérebro não fixado aparecia apenas como uma geleia amorfa. 
Acreditava-se, então, que nos ventrículos cerebrais circulavam fluidos, ou espíritos, 
que seriam importantes na regulação do comportamento. Para Galeno, esses 
espíritos eram derivados do processamento dos alimentos no fígado e na corrente 
sanguínea e armazenavam-se nos ventrículos cerebrais. Dali eles podiam viajar 
através dos nervos, considerados como estruturas ocas, provocando movimentos e 
mediando sensações (COSENZA; FUENTES; MALLOY-DINIZ, 2008, p. 16).
Todas essas abordagens são anteriores à descoberta do microscópio que viria a 
revolucionar e esclarecer de forma significativa a constituição do tecido neural. 
Estas são possíveis quando um médico italiano, Camilo Golgi, e um histologista 
espanhol, Santiago Ramón y Cajal, descreveram as estruturas das células neurais. 
Várias disciplinas contribuíram de forma substancial para o estudo do Sistema 
Nervoso Central e as funções do cérebro, com destaque para anatomia, embriologia, 
fisiologia, farmacologia e psicologia.
No entanto, os estudos da relação entre cérebro e o comportamento humano 
evoluem de forma única na obra do médico Franz Joseph Gall (1757-1828), um 
avanço significativo. Esse médico propôs uma teoria na qual se poderia localizar 
os diversos comportamentos humanos em regiões distintas do córtex cerebral, 
especificamente 35 áreas que controlariam as mais diversas funções humanas, no 
caso funções mentais.
Figura 5.1: Frenologia. 
Fonte: Friedrich Eduard Bilz (1894). 
6
Esse método ficou conhecido como Frenologia e foi considerada ciência 
durante muito tempo. Posteriormente descartada, contribuiu de forma muito 
significativa para a maneira de se conceituar a atividade cerebral conhecida como 
localizacionista.
Localizacionista é um conceito que identifica áreas específicas do 
cérebro responsáveis pelas funções mentais.
Atenção
A Frenologia encontrou diversas resistências entre cientistas, sendo definitivamente 
descartada a partir de estudos do neurofisiologista Pierre Flourens que a partir de 
um método conhecido como ablação experimental demonstrou que fibras motoras 
partiam do cerebelo e fibras sensitivas dirigiam-se para o cérebro. Também 
identificou o que conhecemos como equipotencialidade, que é a capacidade de 
outras partes do cérebro assumirem funções anteriormente destinadas às suas 
áreas debilitadas. Esses estudos fazem parte de uma teoria conhecida como holista 
ou unitarista que descartava a possibilidade de o cérebro ter áreas específicas 
responsáveis pela linguagem, por exemplo.
Holista ou Unitarista é uma concepção que descarta a possibilidade 
de áreas específicas do cérebro controlarem as funções mentais.
Atenção
Porém, no ano de 1861, um neurologista francês, Paul Broca, relacionou uma 
área específica do cérebro como responsável pela fala. Isso foi possível após a 
realização de uma necrópsia em um paciente com problemas na fala, decorrentes 
de um Acidente Vascular Cerebral (AVC), que deixou sequelas na utilização da fala, a 
autópsia demonstrou que a lesão havia atingido um ponto específico do hemisfério 
esquerdo do cérebro, o que reforçava a possibilidade de existirem áreas específicas 
do cérebro responsáveis por controlar ações humanas de forma única.
7
Isso se deu quando Paul Broca (1824-1880), entre 1861 e 1863, 
apresentou à Sociedade Parisiense de Antropologia a descrição de cerca 
de nove pacientes,vítimas de lesões nos lobos frontais do hemisfério 
cerebral esquerdo, que apresentavam uma síndrome caracterizada por 
comprometimento maciço na produção da fala e relativa preservação da 
compreensão da linguagem. A síndrome foi nomeada afasia de Broca, 
e a área da lesão foi chamada área de Broca, passando a ser conhecida 
como o ’centro funcional da linguagem’. (COSENZA; FUENTES; MALLOY-
DINIZ, 2008, p. 18)
Ainda reforçando a teoria localizacionista, outro cientista vai identificar uma lesão 
localizada no cérebro, porém com características distintas da lesão identificada 
por Broca. Vejamos então que posteriormente o neurologista alemão Carl Wernicke 
(1848-1904) descreveu pacientes que tinham um tipo de lesão diferente daqueles 
descritos por Broca e que, por sua vez, também apresentavam comprometimento 
de suas habilidades linguísticas. Esses pacientes tinham lesão no córtex temporal 
do hemisfério cerebral esquerdo e apresentavam dificuldade na compreensão da 
linguagem, quadro que passou a ser nomeado como afasia de Wernicke (COSENZA; 
FUENTES; MALLOY-DINIZ, 2008, p. 18).
Os trabalhos de Broca e Wernicke reforçam a teoria localizacionista que volta a 
ganhar importância depois de descartada a Frenologia. Essa discussão teórica 
ainda rendeu muitos debates entre localiziocionistas e holistas, e foi solucionada 
a partir de um dos maiores cientistas da modernidade, o russo Luria, que vai 
estabelecer o conceito de sistemas funcionais, que seriam três, assim descritos:
O primeiro regula a vigília e o tônus cortical e depende de estruturas como 
a formação reticular e áreas do sistema límbico. O segundo se encarrega 
de receber, processar e armazenar as informações que chegam do 
mundo externo e interno e está situado em áreas do córtex cerebral 
localizadas posteriormente ao sulco central. Ele organiza-se em áreas 
corticais primárias, secundárias e terciárias. Já o terceiro sistema regula 
e verifica as estratégias comportamentais e a própria atividade mental, é 
constituído pelo córtex cerebral situado nas regiões anteriores do cérebro 
e organiza-se, também hierarquicamente, em áreas corticais primária, 
secundária e terciária. (COSENZA; FUENTES; MALLOY-DINIZ, 2008, p. 18)
Essa teoria da organização funcional do cérebro é a mais amplamente aceita 
atualmente quando pensamos na forma como o cérebro funciona e seus aspectos 
psíquicos, os quais são estudados pela Neuropsicologia. Ainda nesta unidade de 
ensino nos aprofundaremos de forma significativa sobre as áreas corticais e as 
funções que Luria especificou. 
8
Neurociências é um termo relativamente novo que engloba 
uma série de disciplinas que estudam o cérebro e tem na 
interdisciplinaridade desses estudos o ponto forte de abordar 
o cérebro e suas funções. Existiram duas fortes correntes 
científicas que abordavam de que forma o cérebro funcionava, a 
localizacionista e a holista, cada qual a sua maneira contribuiu 
para os avanços científicos nos estudos do cérebro e foram 
superadas pela visão de sistemas desenvolvida por Luria.
Atenção
Neurociência: como ela ajuda a 
entender a aprendizagem
Para compreendermos a relação entre as neurociências e a aprendizagem de forma 
mais simples para que possamos relacionar ao cotidiano de nossas atividades 
como educadores, psicólogos, ou mesmo como alunos e professores, temos 
que trazer conhecimentos de outras áreas que normalmente não relacionamos à 
aprendizagem e educação de forma direta. Estamos falando de Anatomia e Biologia 
e, mais especificamente, de Neurobiologia.
No entanto, não podemos falar de aprendizagem e descartarmos a evolução 
humana a partir de dois conceitos básicos dessa evolução enquanto espécie, que 
são:
• Filogenético: a evolução filogenética se refere ao desenvolvimento humano 
enquanto espécie e tem na hereditariedade, nas transformações e adapta-
ções milhares de anos de existência da espécie.
• Ontogenético: se relaciona ao desenvolvimento do homem dentro da cultura, 
com a transmissão cultural, ou seja, conceitos culturais transmitidos, como 
aqueles que abordamos de forma significativa que para algumas culturas 
antigas o coração era responsável por funções posteriormente descobertas 
como inerentes ao cérebro humano (COQUEREL, 2010).
Vamos considerar que, segundo estudos cosmológicos, antropológicos, a Terra 
tenha algo entre 15 e 45 bilhões de anos, que o primeiro homem tenha cerca de 4,5 
9
milhões de anos e que os primeiros registros de escrita tenham cerca de 200.000 
anos. Existe uma diferença significativa entre os eventos descritos e segundo a 
Teoria da Evolução das Espécies de Darwin vão demonstrar a nossa íntima ligação 
com o universo como um todo. (COQUEREL, 2010).
Continuando nossos estudos quando falamos de filogenética, estamos nos 
referindo a filos (família) e segundo as pesquisas disponíveis e a teoria da evolução 
das espécies, as primeiras formas de vida surgem na água, ou seja, somos 
espécie originária da água, assim como toda vida na Terra, e isso é percebível na 
composição do nosso corpo no qual cerca de 85% do corpo humano é composto 
de água. Outras relações do humano com o universo estão na presença de átomos 
de hidrogênio em nossos corpos, nas estrelas, entre outras características, sendo 
que como humanos pertencemos ao filo dos cordados, ou seja, seres que possuem 
notocorda que significa possuir cérebro e medula espinal ou, pelo menos, medula. 
Outros exemplos de seres vivos que são do mesmo filo são macacos, peixes, 
lagartos etc.
Com esses nossos parentes de filos, compartilhamos o que Luria vai considerar 
como sendo funções psicológicas inferiores relacionadas a sensações, sentidos, 
propriocepção, emoção, olfato, exterocepção, entre outras, já as funções 
psicológicas superiores estão relacionadas a características específicas da espécie 
humana e se desenvolveriam tendo como parâmetro a ontogênese.
Mas afinal, o que as neurociências têm a ver com tudo isso descrito anteriormente? 
A resposta é simples e, de certa maneira, talvez você não tenha relacionado de 
forma direta, mas quando observamos a Epistemologia Genética de Jean Piaget e 
seus estágios de desenvolvimento humano, os conceitos de maturação diretamente 
relacionados ao SNC, ou a Psicologia Sociohistórica de Vygotsky e a Zona de 
Desenvolvimento Proximal, estamos observando aspectos biopsicossociais do 
aprendizado humano e que o conhecimento proporcionado pelas Neurociências 
pode nos ajudar a compreender numa perspectiva multidisciplinar.
Bases neurológicas da aprendizagem
As neurociências, como vimos anteriormente, incluem Neuroanatomia, 
Neuropsicologia entre outras disciplinas que contribuem para a compreensão do 
funcionamento do Sistema Nervoso (SN), que é constituído do Sistema Nervoso 
Central (SNC) e do Sistema Nervoso Periférico (SNP), e têm nos neurônios sua 
unidade básica, funcional e estrutural (FERREIRA, 2014).
10
Mas o que são neurônios? Neurônios são as células que constituem o Sistema 
Nervoso e são responsáveis por conduzir as informações, estímulos, sensações 
entre os órgãos que constituem o Sistema Nervoso. Os neurônios transmitem 
essas informações de forma bioelétrica e química num processo conhecido como 
Sinapse. 
Em sua constituição, o SN possui dois tipos de células, os neurônios e as células da 
Glia. Os neurônios são de três tipos:
• Aferentes: que são considerados sensitivos e transmitem as informações, 
inputs, para o SN (recebem as informações, sensações e conduzem ao SNC).
• Eferentes ou Motores: conduzem as informações para fora do SNC e são res-
ponsáveis por uma ação, comportamento. 
• Associativos: fazem a conexão entre os neurônios e se encontram no SNC.
Como pudemos verificar brevemente na unidade anterior, o cérebro atua de forma 
funcional interligando várias funções mentais, mas ele faz parte de um organismo 
maior que é o Sistema Nervoso Central (SNC) o qual é responsável por receber 
e processar informações, ou seja, toda a percepção que temos do universo e, 
consequentemente, todaa forma como apreendemos este universo que nos rodeia 
passa pelo Sistema Nervoso Central. O SNC é constituído do Encéfalo e da Medula 
Espinal, que são revestidas de uma estrutura óssea, no caso do encéfalo temos o 
crânio e no caso da medula a coluna vertebral.
Quadro 5.1: Organização do Sistema Nervoso
Sistema Nervoso
Sistema Nervoso 
Central
Sistema Nervoso
Periférico
Cérebro Medula Autônomo Somático
Simpático Parassimpático
Fonte: Adaptada de Ferreira (2014).
11
Vamos agora brevemente apresentar a constituição do SN, do SNC, e do SNP. 
Comecemos pelo Sistema Nervoso Periférico (SNP):
• Somático: composto dos nervos espinais presentes na pele, nos músculos e 
nas articulações responsáveis, entre outras funções, pelas contrações mus-
culares que são comandadas pelos axônios.
• Autônomo: composto de fibras autonômicas que conectam o SNC aos ór-
gãos viscerais, os quais, neste caso, seriam órgãos internos humanos, como 
coração, estômago, pulmões, canais lacrimais e vasos sanguíneos. Essas 
fibras carregam informações sobre o funcionamento desses órgãos para o 
SNC enquanto as fibras somáticas enviam informações captadas por meio 
de sensações na pele humana e em tendões.
Uma das funções do Sistema Nervoso Periférico autônomo é manter a estabilidade 
interna do organismo (homeostase) em relação às flutuações externas e internas 
que ele é submetido. Este processo é automático (FERREIRA, 2014). Quanto à 
sua divisão em simpático e parassimpático, decorre das funções distintas e 
opostas de ambos na relação com as vísceras (órgãos internos). No caso do 
simpático, as atividades de fuga ou luta diante de um perigo são ativadas. No caso 
do parassimpático, estão ligadas a atividades como repouso, digestão e outras 
atividades que permitam ao organismo conservação de energia.
O cérebro
Figura 5.2: Hemisférios cerebrais e suas especializações.
Fonte: Plataforma Deduca (2018).
12
O cérebro possui três grandes divisões que são o cerebelo, os hemisférios 
cerebrais e o tronco cerebral, cada uma agindo de forma especializada e interligada 
processando as informações recebidas pelos sistemas nervosos autônomo e 
periférico. Você estudará de forma mais aprofundada a anatomia e fisiologia do 
cérebro em outras disciplinas, como a Neuroanatomia e Neurofisiologia. Neste 
momento, o importante é você compreender a forma como o cérebro atua no 
processamento das informações de forma integrada com o corpo. Não existe 
sensação humana que não passe pelo cérebro e pelo sistema nervoso, um 
exemplo interessante e significativo é a dor, ou seja, ela não existe sem que o 
cérebro processe esta informação, este é o princípio da anestesia que interrompe a 
circulação da informação entre a medula espinal e o cérebro.
Medula espinal
A medula espinal é uma estrutura recoberta pelos ossos da coluna vertebral e é 
responsável pela condução das informações sensórias ao encéfalo, por meio de 31 
pares de nervos espinais.
Mas porque consideramos o SNC e seus órgãos constituintes como sendo as 
bases neurológicas da aprendizagem? A resposta a esta questão é simples e 
voltamos a reafirmar aqui: não existe informação, sensação, aprendizagem que 
não tenha passado antes pelo SNC. Sendo assim, conhecer o funcionamento do 
SNC, de que forma ele atua em relação às informações recebidas pelo corpo, como 
são transmitidas pelos neurônios, e posteriormente como são processadas pelo 
cérebro, contribui para a compreensão dos processos de ensino e aprendizagem e 
sua consequente melhoria.
Neuroplasticidade
Para finalizar esta unidade, vamos a uma descoberta fundamental das 
neurociências no que se refere ao cérebro humano; a sua neuroplasticidade. Como 
falamos neste material didático, durante muito tempo prevaleceu a hipótese de 
especialização de áreas do cérebro que carregava consigo outra hipótese, a de 
que uma vez afetada a área responsável por uma função cerebral esta estava 
incapacitada para sempre. 
Posteriormente, conclui-se que se é verdade que existem áreas do cérebro 
responsáveis por funções específicas, existe uma possibilidade de regeneração 
dessas áreas e também existe uma atuação funcional muito influenciada pelas 
13
questões ambientais, a ontogênese. O cérebro é um organismo que passa por 
modificações constantes por todo o ciclo vital humano. Assim, quando falamos de 
plasticidade estamos falando de desenvolvimento humano e de aprendizagem num 
movimento que envolve trocas constantes entre o organismo e o meio ambiente 
onde está inserido (FERREIRA, 2014). Isso significa pensar num processo de 
adaptação permanente, de sinapses, pois estamos sendo estimulados de forma 
constante.
Quando a criança nasce seu cérebro ainda não está desenvolvido e é extremamente 
suscetível aos estímulos, e diretamente ligado ao desenvolvimento dos 
neurônios. Tanto novas aprendizagens quanto possíveis danos nesta fase 
da vida podem ocorrer de forma bem mais rápida do que em outras fases do 
desenvolvimento humano. Pesquisas demonstram a importância fundamental para 
o desenvolvimento humano dos três primeiros anos de vida. Isso não quer dizer que 
nas outras fases não ocorra um desenvolvimento, mas simplesmente que do ponto 
de vista orgânico este é um momento potencialmente único.
Um dos mitos que vem caindo por terra em relação ao cérebro e ao envelhecimento 
humano se refere ao poder de regeneração dos neurônios. Até pouco tempo 
se considerava que os neurônios não se regeneravam. Isso significa que se 
um neurônio responsável por transmitir uma informação é afetado por uma 
lesão cerebral, os efeitos dessa lesão seriam irreversíveis. Hoje, pesquisas têm 
demonstrado que neurônios de outras áreas “migram” para a área afetada e podem 
reestabelecer as funções afetadas pelas lesões, isso mesmo em idade adulta 
(FERREIRA, 2014).
Esses avanços significativos advindos das neurociências podem contribuir para 
psicólogos, educadores, pais e na elaboração de políticas públicas para crianças, 
jovens, adultos e idosos de forma a prevenir, estimular ou até sanar problemas de 
aprendizagem, demências ou demais transtornos de aprendizagem, pois sabemos 
que uma vez estimulado de forma adequada, o cérebro estabelece novas sinapses e 
adaptações.
O conceito de plasticidade demonstra que podemos fortalecer as conexões 
cerebrais que já temos e ao mesmo tempo estabelecer novas conexões, pois o 
cérebro está em constante desenvolvimento. Importante saber que o inverso 
também é verdadeiro, estímulos inadequados podem causar lesões e comprometer 
o desenvolvimento. 
14
Funções mentais relacionadas à 
aprendizagem: memória, atenção, 
percepção, linguagem, emoção, 
cognição etc.
Funções mentais ou funções cognitivas, que na Neuropsicologia são consideradas 
como funções corticais superiores, estão diretamente ligadas às funções 
visuoespaciais, memória, atenção, linguagem, funções verbais e funções executivas. 
Todas elas podem ser avaliadas por testes específicos (FERREIRA, 2014).
Para um profissional que pretende atuar na área educacional, a compreensão 
básica do funcionamento de algumas destas funções é de grande ajuda na 
preparação de uma atuação adequada nos processos de ensino e aprendizagem. 
Por exemplo, a memória que é responsável de forma única pela capacidade 
humana de realizar operações de identificação e classificação de sons, sinais, 
cheiros, gestos, sensações e manipular informações, é fundamental em qualquer 
processo de aprendizagem. É impossível pensar em aprendizagem sem levar em 
consideração a capacidade humana da memória.
Uma das definições para a aprendizagem é a mudança de comportamento a partir 
de experiências acumuladas em nossa memória. Imagine uma situação hipotética 
na qual uma criança enfia o dedo numa tomada e recebe uma descarga elétrica. 
Se a mesma não desenvolver, reter a memória das sensações relativas ao fato 
ocorrido, ela repetirá a experiência sempre. 
Nosso cérebro possui diversos sistemas de memoriais que envolvem distintas 
redes neuronais, por exemplo, uma memóriasensorial será esquecida se não 
mantivermos sobre ela uma atenção. Num exemplo extremo, não sentiremos mais 
uma dor menor quando esta é substituída por uma dor extrema.
15
Figura 5.3: O cérebro e suas várias funções/potencialidades
Fonte: Plataforma Deduca (2018).
Entre a informação sensorial que recebemos e a memória de longa duração que 
processamos, existem várias áreas do cérebro atuando. De forma simplificada, 
vejamos um breve esquema do processamento da memória. 
Esquema 5.1: Processamento da memória. 
Informação sensorial
Memória sensorial
Atenção
(as informações que não
prestamos atenção é perdida)
Memória de trabalho
Memória de curta duração
 (a informação que não é repetida é perdida)
Memória de longa duração
Fonte: Elaborado pelo autor (2018).
16
• Memória de trabalho: envolve processos para armazenar e manipular infor-
mações temporariamente e é processada no córtex pré-frontal, é sua carac-
terística não durar muito e seu esquecimento não é considerado como um 
esquecimento real.
• Memória de longa duração: recebe as informações da memória de curto pra-
zo e as armazena.
Em relação ao conteúdo, a memória é classificada como explícita ou declarativa e 
implícita ou não declarativa.
A memória declarativa é aquela que permite serem declaradas como são, por 
exemplo, rostos, poemas, incidentes, e pode ser evocada de forma consciente 
por palavras (FERREIRA, 2014), podendo, ainda, ser semânticas que contêm um 
conhecimento sobre o mundo ou símbolos.
Outra memória é a episódica ou autobiográfica que permite a evocação e ou 
retenção de eventos passados e vivenciados. Tem na infância seu ápice e na velhice 
sua degradação.
Quando pensamos em memória e cotidiano, existem as memórias retrospectiva e 
perspectiva que permitem vislumbrar intenções e ações futuras.
Como você pode observar, a memória é fundamental em todo processo de 
aprendizado humano, e existem pesquisas e métodos que podem ajudar no 
processo de aprendizagem e memorização, como os mapas mentais que consistem 
em uma interligação de vários eventos e as respectivas ações que possibilitam a 
sua execução.
Atenção
Como vimos anteriormente, um dos princípios fundamentais para a memória é a 
atenção, mas afinal, o que é estar atento a algo?
Atenção é a capacidade de inibir ou acolher estímulos que nos são significativos, 
isto é, a atenção exige a consciência para a sua existência. É um processo de 
seleção e exclusão simultâneo no qual decidimos o que manter. De outra maneira 
não conseguiríamos nos orientar e direcionar nossa ação.
A atenção se relaciona a processos mentais ou endógenos e sensoriais e é 
necessário que a atenção esteja intacta para que os processos cognitivos ocorram 
a contento. Contribuem para este processo o estado de alerta, a percepção, a 
17
memória, os afetos e a motivação (FERREIRA, 2014). As áreas responsáveis no 
cérebro por sua atuação são os lobos frontais e o giro cingulado.
Em relação à atenção, existem, pelo menos, cinco modalidades amplamente 
aceitas: atenção focada, mantida ou sustentada, seletiva, alternada e dividida. 
Vejamos mais sobre cada uma delas a seguir:
• Atenção focada: permite uma resposta simples a uma ação, como virar o ros-
to ao ser estimulado por um som.
• Atenção sustentada: diretamente ligada à memória de curto prazo e se rela-
ciona com a capacidade de vigilância, ou seja, manter o foco por um deter-
minado prazo.
• Atenção seletiva: capacidade de manter a atenção diante de eventos que se 
contrapõem ou são disruptivos. É executada no córtex, tálamo e tronco ce-
rebral.
• Atenção alternada: permite a mudança de atenção para situações distintas, 
como ouvir o palestrante e anotar suas falas. Contribuem para a mesma me-
mória de trabalho.
• Atenção alternada: permite a realização de tarefas simultaneamente, como 
dirigir e ouvir música.
Emoções
Emoções estão diretamente relacionadas às ações, ou seja, possibilitam a 
realização de ações ou as inibem. Diferente do senso comum, as emoções são 
sociais e auxiliam nos mais diversos aspectos dos relacionamentos humanos e no 
processo de socialização. Especificamente no que se refere ao cérebro, a amígdala 
tem um forte impacto e regula as emoções do ponto de vista orgânico em conjunto 
com outras áreas do cérebro. 
Para que as emoções ocorram, estão envolvidos aspectos fisiológicos, cognitivos e 
subjetivos e podem ser divididas em emoções primárias e secundárias. 
As emoções primárias independem do contexto cultural e são inatas ao ser humano 
e as secundárias derivam das primárias. Assim, uma emoção primária seria o medo 
e uma secundária o remorso e a culpa, por exemplo (FERREIRA, 2014).
Os aspectos emocionais que envolvem o processo de ensino e aprendizagem 
devem ser o foco de uma observação atenta.
18
Figura 5.4: Rosto de mulher e diferentes expressões 
- 
Fonte: Plataforma Deduca (2018).
Ainda como funções mentais fundamentais no processo de ensino e aprendizagem 
podemos considerar a percepção, a motivação e o próprio processo cognitivo que 
é diferenciado de pessoa para pessoa, as chamadas modalidade de aprendizagem, 
que significa observar a forma como cada sujeito se relaciona com a sua 
aprendizagem a partir de aspectos biopsicossociais. Especificamente em relação à 
motivação, existem diversas abordagens cognitivas e divergentes dependendo da 
linha teórica da psicologia que aborda a questão, sendo consensual somente na sua 
importância para a aprendizagem como fundamental.
Os aspectos da memória, da atenção e das emoções que aqui apresentamos, de 
certa maneira atravessam as demais funções mentais que pontuamos, isso não 
significa que sejam superiores, mas sim que sem memória, por exemplo, não existe 
a possibilidade de motivação e, ao mesmo tempo, numa abordagem complexa, 
as diversas funções mentais, apesar de regidas por distintas áreas do cérebro, 
se inter-relacionam e devem ser acompanhadas nesta perspectiva, assim como 
todo o processo de ensino e aprendizagem deve ter na atuação multidisciplinar e 
multiprofissional sua forma de acontecer.
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Referências
COQUEREL, P. R. S. Neuropsicologia. Salvador: Ibpex, 2010.
COSENZA, R. M.; FUENTES, D.; MALLOY-DINIZ, L. F. A evolução das ideias 
sobre a relação entre cérebro, comportamento e cognição. In: FUENTES, D. et 
al. Neuropsicologia: Teoria e prática (p. 15-19). Porto Alegre: Artmed, 2008.
FERREIRA, M. G. R. Neuropsicologia e aprendizagem. [livro eletrônico]. Curitiba: 
Intersaberes, 2014.

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