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Anatomia em
modulos
1° Módulo: Introdução ao estudo da Anatomia
-> CONCEITO DE ANATOMIA
No seu conceito mais amplo, a Anatomia é a ciência que estuda, macro e
microscopicamente, a constituição e o desenvolvimento dos seres organizados.
Um excelente e amplo conceito de Anatomia foi proposto em 1981 pela
American Association of Anatomists: anatomia é a análise da estrutura
biológica, sua correlação com a função e com as modulações de estrutura em
resposta a fatores temporais, genéticos e ambientais. Tem como metas
principais a compreensão dos princípios arquitetônicos da construção dos
organismos vivos, a descoberta da base estrutural do funcionamento das várias
partes e a compreensão dos mecanismos formativos envolvidos no
desenvolvimento destas. A mplitude da anatomia compreende, em termos
temporais, desde o estudo das mudanças a longo prazo da estrutura, no curso
de evolução, passando pelas das mudanças de duração intermediária em
desenvolvimento, crescimento e envelhecimento; até as mudanças de curto
prazo, associadas com fases diferentes de atividade funcional normal. Em
termos do tamanho da estrutura estudada vai desde todo um sistema biológico,
passando por organismos inteiros e/ou seus órgãos até as organelas celulares e
macromoléculas.
A palavra Anatomia é derivada do grego anatome (ana = através de; tome =
corte). Dissecação deriva do latim (dis = separar; secare = cortar) e é
equivalente etimologicamente a anatomia. Contudo, atualmente, Anatomia é a
ciência, enquanto dissecar é um dos métodos desta ciência.
Seu estudo tem uma longa e interessante história, desde os primórdios da
civilização humana. Inicialmente limitada ao observável a olho nu e pela
manipulação dos corpos, expandiu-se, ao longo do tempo, graças a aquisição
de tecnologias inovadoras.
Atualmente, a Anatomia pode ser subdividida em três grandes grupos:
Anatomia macroscópica, Anatomia microscópica e Anatomia do
desenvolvimento.
A Anatomia Macroscópica é o estudo das estruturas observáveis a olho nu,
utilizando ou não recursos tecnológicos os mais variáveis possíveis, enquanto a
Anatomia Microscópica é aquela relacionada com as estruturas corporais
invisíveis a olho nu e requer o uso de instrumental para ampliação, como lupas,
microscópios ópticos e eletrônicos. Este grupo é dividido em Citologia (estudo
da célula) e Histologia (estudo dos tecidos e de como estes se organizam para a
formação de órgãos).
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A Anatomia do desenvolvimento estuda o desenvolvimento do indivíduo a
partir do ovo fertilizado até a forma adulta. Ela engloba a Embriologia que é o
estudo do desenvolvimento até o nascimento. Embora não sejam estanques, a
complexidade destes grupos torna necessária a existência de estudos
específicos.
NORMAL E VARIAÇÃO ANATÔMICA
Normal, para o anatomista, é o estatisticamente mais comum, ou seja, o que é
encontrado na maioria dos casos. Variação anatômica é qualquer fuga do
padrão sem prejuízo da função. Assim, a artéria braquial mais comumente
divide-se na fossa cubital. Este é o padrão.
Entretanto, em alguns indivíduos esta divisão ocorre ao nível da axila. Como não
existe perda funcional esta é uma variação.
Quando ocorre prejuízo funcional trata-se de uma anomalia e não de uma
variação. Se a anomalia for tão acentuada que deforme profundamente a
construção do corpo, sendo, em geral, incompatível com a vida, é uma
monstruosidade.
NOMENCLATURA ANATÔMICA
Como toda ciência, a Anatomia tem sua linguagem própria. Ao conjunto de
termos empregados para designar e descrever o organismo ou suas partes dá-
se o nome de Nomenclatura Anatômica. Com o extraordinário acúmulo de
conhecimentos no final do século passado, graças aos trabalhos de importantes
“escolas anatômicas” (sobretudo na Itália, França, Inglaterra e Alemanha), as
mesmas estruturas do corpo humano recebiam denominações diferentes nestes
centros de estudos e pesquisas. Em razão desta falta de metodologia e de
inevitáveis arbitrariedades, mais de 20 000 termos anatômicos chegaram a ser
consignados (hoje reduzidos a poucos mais de 5 000). A primeira tentativa de
uniformizar e criar uma nomenclatura anatômica internacional ocorreu em 1895.
Em sucessivos congressos de Anatomia em 1933, 1936 e 1950 foram feitas
revisões e finalmente em 1955, em Paris, foi aprovada oficialmente a
Nomenclatura Anatômica, conhecida sob a sigla de P.N.A. (Paris Nomina
Anatomica). Revisões subseqüentes foram feitas em 1960, 1965 e 1970, visto
que a nomenclatura anatômica tem caráter dinâmico, podendo ser sempre
criticada e modificada, desde que haja razões suficientes para as modificações e
que estas sejam aprovadas em Congressos Internacionais de Anatomia . A
língua oficialmente adotada é o latim (por ser “língua morta”), porém cada país
pode traduzi-la para seu próprio vernáculo. Ao designar uma estrutura do
organismo, a nomenclatura procura utilizar termos que não sejam apenas sinais
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para a memória, mas tragam também alguma informação ou descrição sobre a
referida estrutura.
Dentro deste princípio, foram abolidos os epônimos (nome de pessoas para
designar coisas) e os termos indicam: a forma (músculo trapézio); a sua posição
ou situação (nervo mediano); o seu trajeto (artéria circunflexa da escápula); as
suas conexões ou inter-relações (ligamento sacroilíaco); a sua relação com o
esqueleto (artéria radial); sua função (m. levantador da escápula); critério misto
(m. flexor superficial dos dedos – função e situação). Entretanto, há nomes
impróprios ou não muito lógicos que foram conservados, porque estão
consagrados pelo uso.
POSIÇÃO ANATÔMICA
Para evitar o uso de termos diferentes nas descrições anatômicas,
considerando-se que a posição pode ser variável, optou-se por uma posição
padrão, denominada posição de descrição anatômica (posição anatômica).
Deste modo, os anatomistas, quando escrevem seus textos, referem-se ao
objeto de descrição considerando o indivíduo como se estivesse sempre na
posição padronizada. Nela o indivíduo está em posição ereta (em pé, posição
ortostática ou bípede), com a face voltada para a frente, o olhar dirigido para o
horizonte, membros superiores estendidos, aplicados ao tronco e com as
palmas voltadas para frente, membros inferiores unidos, com as pontas dos pés
dirigidas para frente.
DIVISÃO DO CORPO HUMANO
O corpo humano divide-se em cabeça, tronco e membros.
Cabeça
A cabeça é dividida em duas partes: crânio e face. Uma linha imaginária
passando pelo topo das orelhas e dos olhos é o limite aproximada entre estas
duas regiões. O crânio contém o encéfalo no seu interior, na chamada cavidade
craniana. As lesões crânioencefálicas são as causas mais freqüentes de óbito nas
vitimas de trauma. A face é a sede dos órgãos dos sentidos a visão, audição,
olfato e paladar. Abriga as aberturas externas do aparelho respiratório e
digestivo. As lesões da face podem ameaçar a vida devido ao sangramento e
obstrução das vias aéreas.
Tronco
O tronco é dividido em pescoço, tórax, abdome e pelve.
Pescoço
Contém varias estruturas importantes. É suportado pela coluna cervical que
abriga no seu interior a porção cervical da medula espinhal. As porções
superiores do trato respiratório e digestivo passam pelo pescoço em direção ao
tórax e abdome. Contém também vasossangüíneos calibrosos responsáveis pela
irrigação da cabeça. As lesões do pescoço de maior gravidade são as fraturas da
coluna cervical com ou sem lesão medular, as lesões do trato respiratório e as
lesões de grandes vasos com hemorragia severa.
Tórax
Contém no seu interior, na chamada cavidade torácica, a parte inferior do trato
respiratório (vias aéreas inferiores), os pulmões, o esôfago, o coração e os
grandes vasos sangüíneos que chegam ou saem do coração. É sustentado por
uma estrutura óssea da qual fazem parte a coluna vertebral torácica, as costelas,
o esterno, as clavículase a escápula. As lesões do tórax são a segunda causa
mais freqüente de morte nas vítimas de trauma.
PLANOS DE DELIMITAÇÃO E SECÇÃO DO CORPO HUMANO
Na posição anatômica o corpo humano pode ser delimitado por planos
tangentes à sua superfície, os quais, com suas intersecções, determinam a
formação de um sólido geométrico, um paralelepípedo.
Tem-se assim, para as faces desse sólido, os seguintes planos correspondentes:
dois planos verticais, um tangente ao ventre – plano ventral ou anterior – e
outro ao dorso – plano dorsal ou posterior. Estes e outros a eles paralelos são
também designados como planos frontais, por serem paralelos à “fronte”; dois
planos verticais tangentes aos lados do corpo – planos laterais direito e
esquerdo e, finalmente, dois planos horizontais, um tangente à cabeça – plano
cranial ou superior – e outro à planta dos pés – plano podálico – (de podos =
pé) ou inferior.
O tronco isolado é limitado, inferiormente, pelo plano horizontal que tangencia
o vértice do cóccix, ou seja, o osso que no homem é o vestígio da cauda de
outros animais. Por esta razão, este plano é denominado caudal.
Os planos descritos são de delimitação. É possível traçar também planos de
secção: o plano que divide o corpo humano em metades direita e esquerda é
denominado mediano. Toda secção do corpo feita por planos paralelos ao
mediano é uma secção sagital (corte sagital) e os planos de secção são também
chamados sagitais; os planos de secção que são paralelos aos planos ventral e
dorsal são ditos frontais e a secção é também denominada frontal (corte
frontal); os planos de secção que são paralelos aos planos cranial, podálico e
caudal são horizontais. A secção é denominada transversal.
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TERMOS DE POSIÇÃO E DIREÇÃO
A situação e a posição das estruturas anatômicas são indicadas em função dos
planos de delimitação e secção.
Assim, duas estruturas dispostas em um plano frontal serão chamadas de
medial e lateral conforme estejam, respectivamente, mais próxima ou mais
distante do plano mediano do corpo.
Duas estruturas localizadas em um plano sagital serão chamadas de anterior (ou
ventral) e posterior (ou dorsal) conforme estejam, respectivamente, mais
próxima ou mais distante do plano anterior.
Para estruturas dispostas longitudinalmente, os termos são superior (ou cranial)
para a mais próxima ao plano cranial e inferior (ou caudal) para a mais distante
deste plano.
Para estruturas dispostas longitudinalmente nos membros emprega-se,
comumente, os termos proximal e distal referindo-se às estruturas
respectivamente mais próxima e mais distante da raiz do membro. Para o tubo
digestivo emprega-se os termos oral e aboral, referindo-se às estruturas
respectivamente mais próxima e mais distante da boca.
Uma terceira estrutura situada entre uma lateral e outra medial é chamada de
intermédia.
Nos outros casos (terceira estrutura situada entre uma anterior e outra
posterior, ou entre uma superior e outra inferior, ou entre uma proximal e outra
distal ou ainda uma oral e outra aboral) é denominada de média.
Estruturas situadas ao longo do plano mediano são denominadas de medianas,
sendo este um conceito absoluto, ou seja, uma estrutura mediana será sempre
mediana, enquanto os outros termos de posição e direção são relativos, pois
baseiam-se na comparação da posição de uma estrutura em relação a posição
de outra
A anatomia é o estudo da forma e da constituição do corpo, pré-requisito
indispensável para o estudo da fisiologia dos órgãos. Seu estudo compreende
tanto a evolução do indivíduo desde a fase de zigoto até a velhice (ontogenia),
como o desenvolvimento de uma estrutura no reino animal (filogenia).
A anatomia macroscópica pode ser estudada de duas formas: (1) anatomia
sistemática ou descritiva, que estuda os vários sistemas separadamente e (2)
anatomia topográfica ou cirúrgica, que estuda todas as estruturas de uma
região e suas relações entre si.
ORIGEM EMBRIOLÓGICA
Quanto à origem, os órgãos podem ser classificados em homólogos ou
análogos. Diz-se que dois órgãos são homólogos quando possuem a mesma
origem embriológica mas diferentes funções, como, por exemplo, os membros
superiores do homem e as asas dos pássaros. A analogia, por sua vez, acontece
quando dois órgãos tem funções semelhantes e diferentes origens
embriológicas, como ocorre com os pulmões humanos e as guelras dos peixes.
MÉTODOS DE ESTUDO
1. inspeção: analisando através da visão. A análise pode ser de órgãos externos
(ectoscopia) ou internos (endoscopia);
2. palpação: analisando através do tato é possível verificar a pulsação, os
tendões musculares e as saliências ósseas, dentre outras coisas;
3. percussão: através de batimentos digitais na superfície corporal podemos
produzir sons audíveis, que ajudam a determinar a composição de órgãos ou
estruturas (gases, líquidos ou sólidos);
4. ausculta: ouvindo determinados órgãos em funcionamento (Ex.: coração,
pulmão, intestino);
5. mensuração: permite a avaliação da simetria corporal e de eventuais
megalias;
6. dissecção: consiste na separação minuciosa dos diferentes órgãos para uma
melhor visualização;
7. métodos de estudo por imagem: inclui o raioX, ecografia, ressonância nuclear
magnética e tomografia computadorizada.
VARIAÇÕES ANATÔMICAS NORMAIS
Existem algumas circunstâncias que determinam variações anatômicas normais
e que devem ser descritas:
1. idade: os testículos no feto estão situados na cavidade abdominal, migrando
para a bolsa escrotal e nela se localizando durante a vida adulta;
2. sexo: no homem a gordura subcutânea se deposita principalmente na região
tricipital, enquanto na mulher o depósito se dá preferencialmente na região
abdominal;
3. raça: nos brancos a medula espinhal termina entre a primeira e segunda
vértebra lombar, enquanto que nos negros ela termina um pouco mais abaixo,
entre a segunda e a terceira vértebra lombar;
4. tipo morfológico constitucional: é o principal fator das diferenças
morfológicas. Os principais tipos são:
4.a- longilíneo: indivíduo alto e esguio, com pescoço, tórax e membros longos.
Nessas pessoas o estômago geralmente é mais alongado e as vísceras dispostas
mais verticalmente;
4.b- brevilíneo: indivíduo baixo com pescoço, tórax e membros curtos. Aqui as
vísceras costumam estar dispostas mais horizontalmente;
4.c- mediolíneo: características intermediárias.
A identificação do tipo morfológico é importante devido às diferentes técnicas
de abordagem semiológica, avaliação das variações da normalidade e até
mesmo maior incidência de doenças, como por exemplo a hipertensão, que é
sabidamente mais comum em brevilíneos.
PLANOS ANATÔMICOS
O corpo humano é dividido por três eixos imaginários:
1. o eixo vertical ou longitudinal, que une a cabeça aos pés, classificado como
heteropolar;
2. o eixo de profundidade ou ântero-posterior, que une o ventre ao dorso,
classificado como heteropolar;
3. o eixo de largura ou transversal, que une o lado direito ao lado esquerdo,
classificado como homopolar.
No momento em que projetamos um eixo sobre outro temos um plano. Existem
quatro planos principais:
1. o plano sagital, formado pelo deslocamento do eixo ântero-posterior ao
longo do eixo longitudinal;
2. o plano sagital mediano, formado pelo deslocamento do eixo ântero-
posterior ao longo do eixo longitudinal na linha mediana, dividindo o corpo em
duas metades aparentemente simétricas, denominadas antímeros;
3. o plano transversal ou horizontal, formado pelo deslocamento do eixo de
largura ao longo do eixo ântero-posterior. Uma série sucessiva de planos
transversais divide o corpo em segmentos denominados metâmeros;
4. o plano frontal ou coronal, formado pelo deslocamento do eixo de largura ao
longo do eixo longitudinal, dividindo o corpo em porções chamadas de
paquímeros.
TERMOS DE RELAÇÃO ANATÔMICA
Inferior ou caudal: mais próximo dos pés;
Superior ou cranial: mais próximoda cabeça;
Anterior ou ventral: mais próximo do ventre;
Posterior ou dorsal: mais próximo do dorso;
Proximal: mais próximo do ponto de origem;
Distal: mais afastado do ponto de origem;
Medial: mais próximo do plano sagital mediano;
Lateral: mais afastado do plano sagital mediano;
Superficial: mais próximo da pele;
Profundo: mais afastado da pele;
Homolateral ou ipsilateral: do mesmo lado do corpo;
Contra-lateral: do lado oposto do corpo;
Holotopia: localização geral de um órgão no organismo. Ex.: o fígado está
localizado no abdômen;
Sintopia: relação de vizinhança. Ex.: o estômago está abaixo do diafragma, a
direita do baço e a esquerda do fígado;
Esqueletopia: relação com esqueleto. Ex.: coração atrás do esterno e da terceira,
quarta e quinta costelas;
Idiotopia: relação entre as partes de um mesmo órgão. Ex.: ventrículo esquerdo
adiante e abaixo do átrio esquerdo.
2° Módulo: Sistema de sustentação
Além de dar sustentação ao corpo, o esqueleto protege os órgãos internos e
fornece pontos de apoio para a fixação dos músculos. Ele constitui-se de peças
ósseas (ao todo 208 ossos no indivíduo adulto) e cartilaginosas articuladas, que
formam um sistema de alavancas movimentadas pelos músculos.
O esqueleto humano pode ser dividido em duas partes:
1-Esqueleto axial: formado pela caixa craniana, coluna vertebral caixa torácica.
2-Esqueleto apendicular: compreende a cintura escapular, formada pelas
escápulas e clavículas; cintura pélvica, formada pelos ossos ilíacos (da bacia) e o
esqueleto dos membros (superiores ou anteriores e inferiores ou posteriores).
1-Esqueleto axial
1.1-Caixa craniana
Possui os seguintes ossos importantes: frontal, parietais, temporais, occipital,
esfenóide, nasal, lacrimais, malares ("maçãs do rosto" ou zigomático), maxilar
superior e mandíbula (maxilar inferior).
Observações:
Primeiro - no osso esfenóide existe uma depressão denominada de sela turca
onde se encontra uma das menores e mais importantes glândulas do corpo
humano - a hipófise, no centro geométrico do crânio.
Segundo - Fontanela ou moleira é o nome dado à região alta e mediana, da
cabeça da criança, que facilita a passagem da mesma no canal do parto; após o
nascimento, será substituída por osso.
Coluna vertebral
É uma coluna de vértebras que apresentam cada uma um buraco, que se
sobrepõem constituindo um canal que aloja a medula nervosa ou espinhal; é
dividida em regiões típicas que são: coluna cervical (região do pescoço), coluna
torácica, coluna lombar, coluna sacral, coluna cocciciana (coccix).
Caixa torácica
É formada pela região torácica de coluna vertebral, osso esterno e costelas, que
são em número de 12 de cada lado, sendo as 7 primeiras verdadeiras (se
inserem diretamente no esterno), 3 falsas (se reúnem e depois se unem ao
esterno), e 2 flutuantes (com extremidades anteriores livres, não se fixando ao
esterno).
Esqueleto apendicular
Membros e cinturas articulares
Cada membro superior é composto de braço, antebraço, pulso e mão. O osso
do braço – úmero – articula-se no cotovelo com os ossos do antebraço: rádio e
ulna. O pulso constitui-se de ossos pequenos e maciços, os carpos.
A palma da mão é formada pelos metacarpos e os dedos, pelas falanges.
Cada membro inferior compõe-se de coxa, perna, tornozelo e pé. O osso da
coxa é o fêmur, o mais longo do corpo. No joelho, ele se articula com os dois
ossos da perna: a tíbia e a fíbula.
A região frontal do joelho está protegida por um pequeno osso circular: a
rótula.
Ossos pequenos e maciços, chamados tarsos, formam o tornozelo. A planta do
pé é constituída pelos metatarsos e os dedos dos pés (artelhos), pelas falanges.
Os membros estão unidos ao corpo mediante um sistema ósseo que toma o
nome de cintura ou de cinta. A cintura superior se chama cintura torácica ou
escapular (formada pela clavícula e pela escápula ou omoplata); a inferior se
chama cintura pélvica, popularmente conhecida como bacia (constituída pelo
sacro - osso volumoso resultante da fusão de cinco vértebras, por um par de
ossos ilíacos e pelo cóccix, formado por quatro a seis vértebras rudimentares
fundidas). A primeira sustenta o úmero e com ele todo o braço; a segunda dá
apoio ao fêmur e a toda a perna.
Juntas e articulações
Junta é o local de junção entre dois ou mais ossos. Algumas juntas, como as do
crânio, são fixas; nelas os ossos estão firmemente unidos entre si. Em outras
juntas, denominadas articulações, os ossos são móveis e permitem ao esqueleto
realizar movimentos.
Ligamentos
Os ossos de uma articulação mantêm-se no lugar por meio dos ligamentos,
cordões resistentes constituídos por tecido conjuntivo fibroso. Os ligamentos
estão firmemente unidos às membranas que revestem os ossos.
Classificação dos ossos
Os ossos são classificados de acordo com a sua forma em:
A - Longos: têm duas extremidades ou epífises; o corpo do osso é a diáfise;
entre a diáfise e cada epífise fica a metáfise. A diáfise é formada por tecido
ósseo compacto, enquanto a epífise e a metáfise, por tecido ósseo esponjoso.
Exemplos: fêmur, úmero.
B- Curtos: têm as três extremidades praticamente equivalentes e são
encontrados nas mãos e nos pés. São constituídos por tecido ósseo esponjoso.
Exemplos: calcâneo, tarsos, carpos.
C - Planos ou Chatos: são formados por duas camadas de tecido ósseo
compacto, tendo entre elas uma camada de tecido ósseo esponjoso e de
medula óssea Exemplos: esterno, ossos do crânio, ossos da bacia, escápula.
Revestindo o osso compacto na diáfise, existe uma delicada membrana – o
periósteo - responsável pelo crescimento em espessura do osso e também pela
consolidação dos ossos após fraturas (calo ósseo). As superfícies articulares são
revestidas por cartilagem. Entre as epífises e a diáfise encontra-se um disco ou
placa de cartilagem nos ossos em crescimento, tal disco é chamado de disco
metafisário (ou epifisário) e é responsável pelo crescimento longitudinal do
osso. O interior dos ossos é preenchido pela medula óssea, que, em parte é
amarela, funcionando como depósito de lipídeos, e, no restante, é vermelha e
gelatinosa, constituindo o local de formação das células do sangue, ou seja, de
hematopoiese. O tecido hemopoiético é popularmente conhecido por "tutano".
As maiores quantidades de tecido hematopoético estão nos ossos da bacia e no
esterno. Nos ossos longos, a medula óssea vermelha é encontrada
principalmente nas epífises.
Diferenças entre os ossos do esqueleto masculino e feminino:
TECIDOS QUE FORMAM O ESQUELETO
O TECIDO ÓSSEO
O tecido ósseo possui um alto grau de rigidez e resistência à pressão. Por isso,
suas principais funções estão relacionadas à proteção e à sustentação. Também
funciona como alavanca e apoio para os músculos, aumentando a coordenação
e a força do movimento proporcionado pela contração do tecido muscular.
Os ossos ainda são grandes armazenadores de substâncias, sobretudo de íons
de cálcio e fosfato. Com o envelhecimento, o tecido adiposo também vai se
acumulando dentro dos ossos longos, substituindo a medula vermelha que ali
existia previamente.
A extrema rigidez do tecido ósseo é resultado da interação entre o componente
orgânico e o componente mineral da matriz. A nutrição das células que se
localizam dentro da matriz é feita por canais. No tecido ósseo, destacam-se os
seguintes tipos celulares típicos:
Osteócitos: os osteócitos estão localizados em cavidades ou lacunas dentro da
matriz óssea. Destas lacunas formam-se canalículos que se dirigem para outras
lacunas, tornando assim a difusão de nutrientes possível graças à comunicação
entre os osteócitos. Os osteócitos têm um papel fundamental na manutenção
da integridade da matriz óssea.
Osteoblastos: os osteoblastos sintetizam a parte orgânica da matriz óssea,
composta por colágeno tipo I, glicoproteínas e proteoglicanas. Tambémconcentram fosfato de cálcio, participando da mineralização da matriz. Durante
a alta atividade sintética, os osteoblastos destacam-se por apresentar muita
basofilia (afinidade por corantes básicos). Possuem sistema de comunicação
intercelular semelhante ao existente entre os osteócitos. Os osteócitos inclusive
originam-se de osteoblastos, quando estes são envolvidos completamente por
matriz óssea. Então, sua síntese protéica diminui e o seu citoplasma torna-se
menos basófilo.
Osteoclastos: os osteoclastos participam dos processos de absorção e
remodelação do tecido ósseo. São células gigantes e multinucleadas,
extensamente ramificadas, derivadas de monócitos que atravessam os capilares
sangüíneos. Nos osteoclastos jovens, o citoplasma apresenta uma leve basofilia
que vai progressivamente diminuindo com o amadurecimento da célula, até
que o citoplasma finalmente se torna acidófilo (com afinidade por corantes
ácidos). Dilatações dos osteoclastos, através da sua ação enzimática, escavam a
matriz óssea, formando depressões conhecidas como lacunas de Howship.
Matriz óssea: a matriz óssea é composta por uma parte orgânica (já mencionada
anteriormente) e uma parte inorgânica cuja composição é dada basicamente
por íons fosfato e cálcio formando cristais de hidroxiapatita. A matriz orgânica,
quando o osso se apresenta descalcificado, cora-se com os corantes específicos
do colágeno (pois ela é composta por 95% de colágeno tipo I).
A classificação baseada no critério histológico admite apenas duas variantes de
tecido ósseo: o tecido ósseo compacto ou denso e o tecido ósseo esponjoso ou
lacunar ou reticulado. Essas variedades apresentam o mesmo tipo de célula e de
substância intercelular, diferindo entre si apenas na disposição de seus
elementos e na quantidade de espaços medulares. O tecido ósseo esponjoso
apresenta espaços medulares mais amplos, sendo formado por várias
trabéculas, que dão aspecto poroso ao tecido. O tecido ósseo compacto
praticamente não apresenta espaços medulares, existindo, no entanto, além dos
canalículos, um conjunto de canais que são percorridos por nervos e vasos
sangüíneos: canais de Volkmann e canais de Havers. Por ser uma estrutura
inervada e irrigada, os ossos apresentam grande sensibilidade e capacidade de
regeneração.
Os canais de Volkmann partem da superfície do osso (interna ou externa),
possuindo uma trajetória perpendicular em relação ao eixo maior do osso. Esses
canais comunicam-se com os canais de Havers, que percorrem o osso
longitudinalmente e que podem comunicar-se por projeções laterais. Ao redor
de cada canal de Havers, pode-se observar várias lamelas concêntricas de
substância intercelular e de células ósseas. Cada conjunto deste, formado pelo
canal central de Havers e por lamelas concêntricas é denominado sistema de
Havers ousistema haversiano. Os canais de Volkmann não apresentam lamelas
concêntricas.
Os tecidos ósseos descritos são os tecidos mais abundantes dos ossos (órgãos):
externamente temos uma camada de tecido ósseo compacto e internamente,
de tecido ósseo esponjoso. Os ossos são revestidos externa e internamente por
membranas denominadas periósteo e endósteo, respectivamente.
Ambas as membranas são vascularizadas e suas células transformam-se em
osteoblastos. Portanto, são importantes na nutrição e oxigenação das células do
tecido ósseo e como fonte de osteoblastos para o crescimento dos ossos e
reparação das fraturas. Além disto, nas regiões articulares encontramos as
cartilagens fibrosas. Por ser uma estrutura inervada e irrigada, os ossos
apresentam grande sensibilidade e capacidade de regeneração.
No interior dos ossos está a medula óssea, que pode ser:
vermelha: formadora de células do sangue e plaquetas (tecido reticular ou
hematopoiético): constituída por células reticulares associadas a fibras
reticulares.
amarela: constituída por tecido adiposo (não produz células do sangue).
No recém-nascido, toda a medula óssea é vermelha. Já no adulto, a medula
vermelha fica restrita aos ossos chatos do corpo (esterno, costelas, ossos do
crânio), às vértebras e às epífises do fêmur e do úmero (ossos longos). Com o
passar dos anos, a medula óssea vermelha presente no fêmur e no úmero
transforma-se em amarela.
O TECIDO CARTILAGINOSO
O tecido cartilaginoso é uma forma especializada de tecido conjuntivo de
consistência rígida. Desempenha a função de suporte de tecidos moles, reveste
superfícies articulares onde absorve choques, facilita os deslizamentos e é
essencial para a formação e crescimento dos ossos longos. A cartilagem é um
tipo de tecido conjuntivo composto exclusivamente de células chamadas
condrócitos e de uma matriz extracelular altamente especializada.
É um tecido avascular, não possui vasos sanguíneos, sendo nutrido pelos
capilares do conjuntivo envolvente (pericôndrio) ou através do líquido sinovial
das cavidades articulares. Em alguns casos, vasos sanguíneos atravessam as
cartilagens, indo nutrir outros tecidos. O tecido cartilaginoso também é
desprovido de vasos linfáticos e de nervos. Dessa forma, a matriz extracelular
serve de trajeto para a difusão de substâncias entre os vasos sangüíneos do
tecido conjuntivo circundante e os condrócitos. As cavidades da matriz,
ocupadas pelos condrócitos, são chamadas lacunas; uma lacuna pode conter
um ou mais condrócitos. A matriz extracelular da cartilagem é sólida e firme,
embora com alguma flexibilidade, sendo responsável pelas suas propriedades
elásticas. As propriedades do tecido cartilaginoso, relacionadas ao seu papel
fisiológico, dependem da estrutura da matriz, que é constituída por colágeno ou
colágeno mais elastina, em associação com macromoléculas de proteoglicanas
(proteína + glicosaminoglicanas). Como o colágeno e a elastina são flexíveis, a
consistência firme das cartilagens se deve às ligações eletrostáticas entre as
glicosaminoglicanas das proteoglicanas e o colágeno, e à grande quantidade de
moléculas de água presas a estas glicosaminoglicanas (água de solvatação) que
conferem turgidez à matriz.
As cartilagens (exceto as articulares e as peças de cartilagem fibrosa) são
envolvidas por uma bainha conjuntiva que recebe o nome de pericôndrio, o
qual continua gradualmente com a cartilagem por uma face e com o conjuntivo
adjacente pela outra. As cartilagens basicamente se dividem em três tipos
distintos:
1) cartilagem hialina;
2) fibrocartilagem ou cartilagem fibrosa;
3) cartilagem elástica.
Cartilagem hialina
Distingue-se pela presença de uma matriz vítrea, homogênea e amorfa (figura
ao lado). Por toda cartilagem há espaços, chamados lacunas, no interior das
lacunas encontram-se condrócitos.
Essas lacunas são circundadas pela matriz, a qual tem dois componentes: fibrilas
de colágeno e matriz fundamental.
Essa cartilagem forma o esqueleto inicial do feto; é a precursora dos ossos que
se desenvolverão a partir do processo de ossificação endocondral. Durante o
desenvolvimento ósseo endocondral, a cartilagem hialina funciona como placa
de crescimento epifisário e essa placa continua funcional enquanto o osso
estiver crescendo em comprimento. No osso longo do adulto, a cartilagem
hialina está presente somente na superfície articular. No adulto, também está
presente como unidade esquelética na traquéia, nos brônquios, na laringe, no
nariz e nas extremidades das costelas (cartilagens costais).
Pericôndrio: a cartilagem hialina geralmente é circundada por um tecido
conjuntivo firmemente aderido, chamado pericôndrio. O pericôndrio não está
presente nos locais em que a cartilagem forma uma superfície livre, como nas
cavidades articulares e nos locais em que ela entra em contato direto com o
osso.
Sua função não é apenas a de ser uma cápsula de cobertura; tem também a
função de nutrição, oxigenação, além de ser fonte de novas células
cartilaginosas. É rico em fibras de colágeno na parte mais superficial, porém, à
medida que se aproxima da cartilagem,é mais rico em células.
Calcificação: a calcificação consiste na deposição de fosfato de cálcio sob a
forma de cristais de hidroxiapatita, precedida por um aumento de volume e
morte das células. A matriz da cartilagem hialina sofre calcificação regularmente
em três situações bem definidas: 1) a porção da cartilagem articular que está em
contato com o osso é calcificada; 2) a calcificação sempre ocorre nas cartilagens
que estão para ser substituídas por osso durante o período de crescimento do
indivíduo; 3) a cartilagem hialina de todo o corpo se calcifica como parte do
processo de envelhecimento.
Regeneração: a cartilagem que sofre lesão regenera-se com dificuldade e,
freqüentemente, de modo incompleto, salvo em crianças de pouca idade. No
adulto, a regeneração se dá pela atividade do pericôndrio. Havendo fratura de
uma peça cartilaginosa, células derivadas do pericôndrio invadem a área da
fratura e dão origem a tecido cartilaginoso que repara a lesão. Quando a área
destruída é extensa, ou mesmo, algumas vezes, em lesões pequenas, o
pericôndrio, em vez de formar novo tecido cartilaginoso, forma uma cicatriz de
tecido conjuntivo denso.
Cartilagem elástica
Esta é uma cartilagem na qual a matriz contém fibras elásticas e lâminas de
material elástico, além das fibrilas de colágeno e da substância fundamental. O
material elástico confere maior elasticidade à cartilagem, como a que se pode
ver no pavilhão da orelha. A presença desse material elástico (elastina) confere a
esse tipo de cartilagem uma cor amarelada, quando examinado a fresco. A
cartilagem elástica pode estar presente isoladamente ou formar uma peça
cartilaginosa junto com a cartilagem hialina. Como a cartilagem hialina, a
elástica possui pericôndrio e cresce principalmente por aposição. A cartilagem
elástica é menos sujeita a processos degenerativos do que a hialina. Ela pode
ser encontrada no pavilhão da orelha, nas paredes do canal auditivo externo, na
tuba auditiva e na laringe. Em todos estes locais há pericôndrio circundante.
Diferentemente da cartilagem hialina, a cartilagem elástica não se calcifica.
Fibrocartilagem ou Cartilagem fibrosa
A cartilagem fibrosa ou fibrocartilagem é um tecido com características
intermediárias entre o conjuntivo denso e a cartilagem hialina. É uma forma de
cartilagem na qual a matriz contém feixes evidentes de espessas fibras
colágenas.
Na cartilagem fibrosa, as numerosas fibras colágenas constituem feixes, que
seguem uma orientação aparentemente irregular entre os condrócitos ou um
arranjo paralelo ao longo dos condrócitos em fileiras. Essa orientação depende
das forças que atuam sobre a fibrocartilagem. Os feixes colágenos colocam-se
paralelamente às trações exercidas sobre eles. Na fibrocartilagem não existe
pericôndrio. A fibrocartilagem está caracteristicamente presente nos discos
intervertebrais, na sínfise púbica, nos discos articulares das articulações dos
joelhos e em certos locais onde os tendões se ligam aos ossos. Geralmente, a
presença de fibrocartilagem indica que naquele local o tecido precisa resistir à
compressão e ao desgaste.
Crescimento
A cartilagem possui dois tipos de crescimento: aposicional e intersticial.
Crescimento aposicional é a formação de cartilagem sobre a superfície de uma
cartilagem já existente. As células empenhadas nesse tipo de crescimento
derivam do pericôndrio. O crescimento intersticial ocorre no interior da massa
cartilaginosa. Isso é possível porque os condrócitos ainda são capazes de se
dividir e porque a matriz é distensível. Embora as células-filhas ocupem
temporariamente a mesma lacuna, separam-se quando secretam nova matriz
extracelular. Quando parte desta última matriz é secretada, forma-se uma
divisão entre as células e, neste ponto, cada célula ocupa sua própria lacuna.
Com a continuidade da secreção da matriz, as células ficam ainda mais
separadas entre si.
Na cartilagem do adulto, os condrócitos freqüentemente estão situados em
grupos compactos ou podem estar alinhados em fileiras. Esses grupos de
condrócitos são formados como conseqüência de várias divisões sucessivas
durante a última fase de desenvolvimento. Há pouca produção de matriz
adicional e os condrócitos permanecem em íntima aposição. Tais grupos são
chamados de grupos isógenos.
SISTEMA ARTICULAR
Articulação ou juntura é a conexão entre duas ou mais peças esqueléticas (ossos
ou cartilagens). Essas uniões não só colocam as peças do esqueleto em contato,
como também permitem que o crescimento ósseo ocorra e que certas partes
do esqueleto mudem de forma durante o parto. Além disto, capacitam que
partes do corpo se movimentem em resposta a contração muscular.
Embora apresentem consideráveis variações entre elas, as articulações possuem
certos aspectos estruturais e funcionais em comum que permitem classificá-las
em três grandes grupos: fibrosas, cartilaginosas e sinoviais. O critério para esta
divisão é o da natureza do elemento que se interpõe às peças que se articulam.
CLASSIFICAÇÃO DAS ARTICULAÇÕES
a- Quanto a duração;
b- Quanto a maneira de fixação aos ossos;
c- Quanto a natureza do tecido interposto;
d- Quanto ao número de eixos.
e- Quanto ao número de ossos.
QUANTO A DURAÇÃO
-Temporárias (Ex. Linha epifisiária)
-Permanentes (Ex. Articulação do ombro
QUANTO A MANEIRA DE FIXAÇÃO AOS OSSOS
-Continuidade (Ex. Disco intervertebral)
-Contigüidade (Ex. Articulação do cotovelo)
QUANTO A NATUREZA DO TECIDO INTERPOSTO
- Fibrosas (IMÓVEIS)
- Cartilaginosas ou cartilagíneas (SEMI-MÓVEIS)
- Sinoviais (MÓVEIS)
Articulações fibrosas (móveis)
As articulações nas quais o elemento que se interpõe às peças que se articulam
é o tecido conjuntivo fibroso são ditas fibrosas (ou sinartroses). O grau de
mobilidade delas, sempre pequeno, depende do comprimento das fibras
interpostas. Existem três tipos de articulações fibrosas: sutura, sindesmose e
gonfose.
As suturas, que são encontradas somente entre os ossos do crânio, são
formadas por várias camadas fibrosas, sendo a união suficientemente íntima de
modo a limitar intensamente os movimentos, embora confiram uma certa
elasticidade ao crânio.
A maneira pela qual as bordas dos ossos articulados entram em contato é
variável, reconhecendo-se suturas planas (união linear retilínea ou
aproximadamente retilínea), suturas escamosas (união em bisel) e suturas
serreadas (união em linha “denteada”).
No crânio, a articulação entre os ossos nasais é uma sutura plana; entre os
parietais, sutura denteada; entre o parietal e o temporal, escamosa.
No crânio do feto e recém-nascido, onde a ossificação ainda é incompleta, a
quantidade de tecido conjuntivo fibroso interposto é muito maior, explicando a
grande separação entre os ossos e uma maior mobilidade. Estas áreas fibrosas
são denominadas fontículos (ou fontanelas). São elas que permitem, no
momento do parto, uma redução bastante apreciável do volume da cabeça fetal
pela sobreposição dos ossos do crânio. Esta redução de volume facilita a
expulsão do feto para o meio exterior.
Na idade avançada pode ocorrer ossificação do tecido interposto (sinostose),
fazendo com que as suturas, pouco a pouco, desapareçam e, com elas, a
elasticidade do crânio.
Nas sindesmoses os ossos estão unidos por uma faixa de tecido fibroso,
relativamente longa, formando ou um ligamento interósseo ou uma membrana
interóssea, nos casos, respectivamente de menor ou maior comprimento das
fibras, o que condiciona um menor ou maior grau de movimentação. Exemplos
típicos são a sindesmose tíbio-fibular e a membrana interóssea radio-ulnar.
Gonfose é a articulação específica entre os dentes e seus receptáculos, os
alvéolos dentários. O tecido fibroso do ligamento periodontal segura
firmemente o dente no seu alvéolo. A presença de movimentos nesta
articulação significa uma condição patológica.
CLASSIFICAÇÃO DAS ARTICULAÇÕES CARTILAGÍNEAS (semi-móveis)
SINCONDROSE
SÍNFISE
- Cartilagem Hialina- Fribro-cartilagem
Nas articulações cartilaginosas o tecido que se interpõe é a cartilagem.
Quando se trata de cartilagem hialina, temos as sincondroses; nas sínfises a
cartilagem é fibrosa. Em ambas a mobilidade é reduzida. As sincondroses são
raras e o exemplo mais típico é a sincondrose esfeno-occipital que pode ser
visualizada na base do crânio. Exemplo de sínfise é a união, no plano mediano,
entre as porções púbicas dos ossos do quadril, constituindo a sínfise púbica.
Também as articulações que se fazem entre os corpos das vértebras podem ser
consideradas como sínfise, uma vez que se interpõe entre eles um disco de
fibrocartilagem – o disco intervertebral.
Articulações sinoviais
CLASSIFICAÇÃO DAS ARTICULAÇÕES SINOVIAIS
PLANA
GÍNGLIMO
TROCÓIDE
CONDILAR
SELAR
ESFERÓIDE
A mobilidade exige livre deslizamento de uma superfície óssea contra outra e
isto é impossível quando entre elas interpõe-se um meio de ligação, seja fibroso
ou cartilagíneo. Para que haja o grau desejável de movimento, em muitas
articulações, o elemento que se interpõe às peças que se articulam é um líquido
denominado sinóvia, ou líquido sinovial.
Além da presença deste líquido, as articulações sinoviais possuem três outras
características básicas: cartilagem articular, cápsula articular e cavidade articular.
a cartilagem articular é a cartilagem do tipo hialino que reveste as superfícies
em contato numa determinada articulação (superfícies articulares), ou seja, a
cartilagem articular é a porção do osso que não foi invadida pela ossificação.
Em virtude deste revestimento as superfícies articulares se apresentam lisas,
polidas e de cor esbranquiçada. A cartilagem articular é avascular e não possui
também inervação. Sua nutrição, portanto, principalmente nas áreas mais
centrais, é precária, o que torna a regeneração, em caso de lesões, mais difícil e
lenta. a cápsula articular é uma membrana conjuntiva que envolve a articulação
sinovial como um manguito. Apresenta-se com duas camadas: a membrana
fibrosa (externa) e a membrana sinovial (interna). A primeira é mais resistente e
pode estar reforçada, em alguns pontos, por ligamentos , destinados a
aumentar sua resistência. Em muitas articulações sinoviais, todavia, existem
ligamentos independentes da cápsula articular e em algumas, como na do
joelho, aparecem também ligamentos intra-articulares. cavidade articular é o
espaço existente entre as superfícies articulares, estando preenchido pelo
líquido sinovial Ligamentos e cápsula articular têm por finalidade manter a
união entre os ossos, mas além disto, impedem o movimento em planos
indesejáveis e limitam a amplitude dos movimentos considerados normais.
A membrana sinovial é a mais interna das camadas da cápsula articular. É
abundantemente vascularizada e inervada, sendo encarregada da produção da
sinóvia (líquido sinovial), o qual tem consistência similar a clara do ovo e tem
por funções lubrificar e nutrir as cartilagens articulares. O volume de líquido
sinovial presente em uma articulação é mínimo, somente o suficiente para
revestir delgadamente as superfícies articulares e localiza-se na cavidade
articular.
Além destas características, que são comuns a todas articulações sinoviais, em
várias delas encontram-se formações fibrocartilagíneas, interpostas às
superfícies articulares, os discos e meniscos, de função discutida: serviriam à
melhor adaptação das superfícies que se articulam (tornando-as congruentes)
ou seriam estruturas destinadas a receber violentas pressões, agindo como
amortecedores. Meniscos, com sua característica forma de meia lua,
são encontrados na articulação do joelho. Discos são encontrados nas
articulações esternoclavicular e temporomandibular. movimentos das
articulações sinoviais
As articulações fibrosas e cartilagíneas tem um mínimo grau de mobilidade.
Assim, a verdadeira mobilidade articular é dada pelas articulações sinoviais.
Estes movimentos ocorrem, obrigatoriamente, em torno de um eixo,
denominado eixo de movimento. A direção destes eixos é ântero-posterior,
látero-lateral e longitudinal.
Na análise do movimento realizado, a determinação do eixo de movimento é
feita obedecendo a regra, segundo a qual, a direção do eixo de movimento é
sempre perpendicular ao plano no qual se realiza o movimento em questão.
Assim, todo movimento é realizado em um plano determinado e o seu eixo de
movimento é perpendicular àquele plano. Os movimentos executados pelos
segmentos do corpo recebem nomes específicos e aqui serão definidos, a
seguir, apenas os mais comuns:
flexão e extensão são movimentos angulares, ou seja, neles ocorre uma
diminuição ou um aumento do ângulo existente entre o segmento que se
desloca e aquele que permanece fixo. Quando ocorre a diminuição do ângulo
diz-se que há flexão; quando ocorre o aumento, realizou-se a extensão, exceto
para o pé. Neste caso, não se usa a expressão extensão do pé: os movimentos
são definidos como flexão dorsal e flexão plantar do pé. Os movimentos
angulares de flexão e extensão ocorrem em plano sagital e, seguindo a regra, o
eixo desses movimentos é látero-lateral.
adução e abdução que são movimentos nos quais o segmento é deslocado,
respectivamente, em direção ao plano mediano ou em direção oposta, isto é,
afastando-se dele. Para os dedos prevalece o plano mediano do membro. Os
movimentos da adução e abdução desenvolvem-se em plano frontal e seu eixo
de movimento é ântero-posterior. rotação que é o movimento em que o
segmento gira em torno de um eixo longitudinal (vertical). Assim, nos membros,
pode-se reconhecer uma rotação medial, quando a face anterior do membro
gira em direção ao plano mediano do corpo, e uma rotação lateral, no
movimento oposto. A rotação é feita em plano horizontal e o eixo de
movimento, perpendicular a este plano é vertical.
circundução, é o resultado do movimento combinatório que inclui a adução,
extensão, abdução, flexão e rotação. Neste tipo de movimento, a extremidade
distal do segmento descreve um círculo e o corpo do segmento, um cone, cujo
vértice é representado pela articulação que se movimenta.
CLASSIFICAÇÃO QUANTO AO NÚMERO DE EIXOS
-NÃO AXIAL
- Planas (deslizamento)
-UNI-AXIAL
- Gínglimo (flexão/extensão) (EIXO TRANSVERSAL)
- Trocóide (rotação medila/lateral) (EIXO LONGITUDINAL)
- BI-AXIAL
- Condilar (flexão/extensão; adução/abdução) (EIXOS TRANSVERSAL
e SAGITAL).
- Selar (flexão/extensão; adução/abdução) (EIXOS TRANSVERSAL e
SAGITAL).
-TRI-AXIAL
- Esferóide (Circundução) (TODOS OS EIXOS) (FLEXÃO/EXTENSÃO;
ADUÇÃO/ABDUÇÃO; ROTAÇÃO MEDILA/LATERAL)
O movimento nas articulações depende, essencialmente, da forma das
superfícies que entram em contato e dos meios de união que podem limitá-lo.
Na dependência destes fatores as articulações podem realizar movimentos em
torno de um, dois ou três eixos. Este é o critério adotado para classificá-las
funcionalmente. Quando uma articulação realiza movimentos apenas em torno
de um eixo, diz-se que é mono-axial ou que possui um só grau de liberdade;
será biaxial a que os realiza em torno de dois eixos (dois graus de liberdade); e
tri-axial se eles forem realizados em torno de três eixos (três graus de
liberdade). Assim, as articulações que só permitem a flexão e extensão, como a
do cotovelo, são uni- axiais; aquelas que realizam extensão, flexão, adução e
abdução, como a radio- cárpica (articulação do punho), são bi-axiais;
finalmente, as que além de flexão, extensão, abdução e adução, permitem
também a rotação, são ditas tri-axiais, cujos exemplos típicos são as articulações
do ombro e do quadril.
Classificação morfológica das articulações sinoviais
O critério de base para a classificação morfológica das articulações sinoviais é a
forma das superfícies articulares. Contudo, às vezes é difícil fazer esta
correlação. Além disto, existem divergências entre anatomistas quanto não só a
classificação de determinadas articulações, mas também quanto à denominaçãodos tipos. De acordo com a nomenclatura anatômica, os tipos morfológicos de
articulações sinoviais são:
plana, na qual as superfícies articulares são planas ou ligeiramente curvas,
permitindo deslizamento de uma superfície sobre a outra em qualquer direção.
A articulação acromioclavicular (entre o acrômio da escápula e a clavícula) é um
exemplo. Deslizamento existe em todas as articulações sinoviais mas nas
articulações planas ele é discreto, fazendo com que a amplitude do movimento
seja bastante reduzida. Entretanto, deve-se ressaltar que pequenos
deslizamentos entre vários ossos articulados permitem apreciável variedade e
amplitude de movimento.
É isto que ocorre, por exemplo, nas articulações entre os ossos curtos do carpo,
do tarso e entre os corpos das vértebras.
gínglimo, ou dobradiça, sendo que os nomes referem-se muito mais ao
movimento (flexão e extensão) que elas realizam do que à forma das superfícies
articulares. A articulação do cotovelo é um bom exemplo de gínglimo e a
simples observação mostra como a superfície articular do úmero, que entra em
contato com a ulna, apresenta-se em forma de carretel. Todavia, as articulações
entre as falanges também são do tipo gínglimo e nelas a forma das superfícies
articulares não se assemelha a um carretel. Este é um caso concreto em que o
critério morfológico não foi rigorosamente obedecido. Realizando apenas flexão
e extensão, as articulações sinoviais do tipo gínglimo são mono-axiais. trocóide,
na qual, as superfícies articulares são segmentos de cilindro e, por esta razão,
cilindróides talvez fosse um termo mais apropriado para designá-las.
Estas articulações permitem rotação e seu eixo de movimento, único, é vertical:
são mono-axiais. Um exemplo típico é a articulação radio-ulnar proximal (entre
o rádio e a ulna) responsável pelos movimentos de pronação e supinação do
antebraço. Na pronação ocorre uma rotação medial do rádio e, na supinação,
rotação lateral. Na posição de descrição anatômica o antebraço está em
supinação. condilar, cujas superfícies articulares são de forma elíptica e elipsóide
seria talvez um termo mais adequado. Estas articulações permitem flexão,
extensão, abdução e adução, mas não a rotação. Possuem dois eixos de
movimento, sendo portanto bi-axiais. A articulação radio-cárpica (ou do punho)
é um exemplo. Outros são a articulação temporomandibular e as articulações
metacarpofalângicas. selar, na qual a superfície articular de uma peça
esquelética tem a forma de sela, apresentando concavidade num sentido e
convexidade em outro, e se encaixa numa segunda peça onde convexidade e
concavidade apresentam-se no sentido inverso da primeira. A articulação carpo-
metacárpica do polegar é exemplo típico. É interessante notar que esta
articulação permite flexão, extensão, abdução, adução e rotação
(conseqüentemente, também circundução) mas é classificada como biaxial. O
fato é justificado porque a rotação isolada não pode ser realizada ativamente
pelo polegar sendo só possível com a combinação dos outros movimentos.
esferóide, que apresenta superfícies articulares que são segmentos de esferas e
se encaixam em receptáculos ocos. O suporte de uma caneta de mesa, que
pode ser movimentado em qualquer direção, é um exemplo não anatômico de
uma articulação esferóide. Este tipo de articulação permite movimentos em
torno de três eixos, sendo portanto, tri-axial. Assim, a articulação do ombro
(entre o úmero e a escápula) e a do quadril (entre o osso do quadril e o fêmur)
permitem movimentos de flexão, extensão, adução, abdução, rotação e
circundução.
CLASSIFICAÇÃO QUANTO AO NÚMERO DE ELEMENTOS ARTICULADOS
(OSSOS)
- SIMPLES 2 ossos
- COMPOSTA (ou complexa) 3 ou mais ossosComplexidade de organização
Quando apenas dois ossos entram em contato numa articulação sinovial diz- se
que ela é simples (por exemplo, a articulação do ombro); quando três ou mais
ossos participam da articulação ela é denominada composta (a articulação do
cotovelo envolve três ossos: úmero, ulna e rádio).
Inervação
As articulações sinoviais são muito inervadas. Os nervos são derivados dos que
suprem a pele adjacente ou os músculos que movem as articulações. As
terminações nervosas sensíveis a dor são numerosas na membrana fibrosa da
cápsula e nos ligamentos e são sensíveis ao estiramento e à torção destas
estruturas. Contudo, o principal tipo de sensibilidade é a propriocepção. Das
terminações proprioceptoras da cápsula – fusos neurotendinosos – partem
impulsos que interpretados no sistema nervoso central informam sobre a
posição relativa dos ossos da articulação, do grau e direção de movimento. As
vezes, essas informações são inconscientes, e atuam em nível de medula
espinhal para controle dos músculos que agem sobre a articulação.
SISTEMA MUSCULAR
O tecido muscular é de origem mesodérmica, sendo caracterizado pela
propriedade de contração e distensão de suas células, o que determina a
movimentação dos membros e das vísceras. Há basicamente três tipos de tecido
muscular: liso, estriado esquelético e estriado cardíaco.
Músculo liso: o músculo involuntário localiza-se na pele, órgãos internos,
aparelho reprodutor, grandes vasos sangüíneos e aparelho excretor. O estímulo
para a contração dos músculos lisos é mediado pelo sistema nervoso
vegetativo.
Músculo estriado esquelético: é inervado pelo sistema nervoso central e, como
este se encontra em parte sob controle consciente, chama-se músculo
voluntário. As contrações do músculo esquelético permitem os movimentos dos
diversos ossos e cartilagens do esqueleto.
Músculo cardíaco: este tipo de tecido muscular forma a maior parte do coração
dos vertebrados. O músculo cardíaco carece de controle voluntário. É inervado
pelo sistema nervoso vegetati
Musculatura Esquelética
O sistema muscular esquelético constitui a maior parte da musculatura do
corpo, formando o que se chama popularmente de carne. Essa musculatura
recobre totalmente o esqueleto e está presa aos ossos, sendo responsável pela
movimentação corporal.
Os músculos esqueléticos estão revestidos por uma lâmina delgada de tecido
conjuntivo, o perimísio, que manda septos para o interior do músculo, septos
dos quais se derivam divisões sempre mais delgadas. O músculo fica assim
dividido em feixes (primários, secundários, terciários). O revestimento dos feixes
menores (primários), chamado endomísio, manda para o interior do músculo
membranas delgadíssimas que envolvem cada uma das fibras musculares. A
fibra muscular é uma célula cilíndrica ou prismática, longa, de 3 a 12
centímetros; o seu diâmetro é infinitamente menor, variando de 20 a 100
mícrons (milésimos de milímetro), tendo um aspecto de filamento fusiforme. No
seu interior notam-se muitos núcleos, de modo que se tem a idéia de ser a fibra
constituída por várias células que perderam os seus limites, fundindo-se umas
com as outras. Dessa forma, podemos dizer que um músculo esquelético é um
pacote formado por longas fibras, que percorrem o músculo de ponta a ponta.
No citoplasma da fibra muscular esquelética há muitas miofibrilas contráteis,
constituídas por filamentos compostos por dois tipos principais de proteínas – a
actina e a miosina. Filamentos de actina e miosina dispostos regularmente
originam um padrão bem definido de estrias (faixas) transversais alternadas,
claras e escuras.
Essa estrutura existe somente nas fibras que constituem os músculos
esqueléticos, os quais são por isso chamados músculos estriados.
Em torno do conjunto de miofibrilas de uma fibra muscular esquelética situa-se
o retículo sarcoplasmático (retículo endoplasmático liso), especializado no
armazenamento de íons cálcio.
As miofibrilas são constituídas por unidades que se repetem ao longo de seu
comprimento, denominadas sarcômeros. A distribuição dos filamentos de actina
e miosina varia ao longo do sarcômero. As faixas mais extremas e mais claras do
sarcômero, chamadas banda I, contêmapenas filamentos de actina. Dentro da
banda I existe uma linha que se cora mais intensamente, denominada linha Z,
que corresponde a várias uniões entre dois filamentos de actina. A faixa central,
mais escura, é chamada banda A, cujas extremidades são formadas por
filamentos de actina e miosina sobrepostos. Dentro da banda A existe uma
região mediana mais clara – a banda H – que contém apenas miosina. Um
sarcômero compreende o segmento entre duas linhas Z consecutivas e é a
unidade contrátil da fibra muscular, pois é a menor porção da fibra muscular
com capacidade de contração e distensão.
Contração
Ocorre pelo deslizamento dos filamentos de actina sobre os de miosina
sarcômero diminui devido à aproximação das duas linhas Z, e a zona H chega a
desaparecer.
A contração do músculo esquelético é voluntária e ocorre pelo deslizamento
dos filamentos de actina sobre os de miosina. Nas pontas dos filamentos de
miosina existem pequenas projeções, capazes de formar ligações com certos
sítios dos filamentos de actina, quando o músculo é estimulado. Essas projeções
de miosina puxam os filamentos de actina, forçando-os a deslizar sobre os
filamentos de miosina. Isso leva ao encurtamento das miofibrilas e à contração
muscular.
Durante a contração muscular, o sarcômero diminui devido à aproximação das
duas linhas Z, e a zona H chega a desaparecer.
Constatou-se, através de microscopia eletrônica, que o sarcolema (membrana
plasmática) da fibra muscular sofre invaginações, formando túbulos
anastomosados que envolvem cada conjunto de miofibrilas. Essa rede foi
denominada sistema T, pois as invaginações são perpendiculares as miofibrilas.
Esse sistema é responsável pela contração uniforme de cada fibra muscular
estriada esquelética, não ocorrendo nas fibras lisas e sendo reduzido nas fibras
cardíacas.
A química da contração muscular
O estímulo para a contração muscular é geralmente um impulso nervoso, que
chega à fibra muscular através de um nervo. O impulso nervoso propaga-se
pela membrana das fibras musculares (sarcolema) e atinge o retículo
sarcoplasmático, fazendo com que o cálcio ali armazenado seja liberado no
hialoplasma. Ao entrar em contato com as miofibrilas, o cálcio desbloqueia os
sítios de ligação da actina e permite que esta se ligue à miosina, iniciando a
contração muscular. Assim que cessa o estímulo, o cálcio é imediatamente
rebombeado para o interior do retículo sarcoplasmático, o que faz cessar a
contração.
A energia para a contração muscular é suprida por moléculas de ATP
produzidas durante a respiração celular. O ATP atua tanto na ligação da miosina
à actina quanto em sua separação, que ocorre durante o relaxamento muscular.
Quando falta ATP, a miosina mantém-se unida à actina, causando enrijecimento
muscular. É o que acontece após a morte, produzindo-se o estado de rigidez
cadavérica (rigor mortis).
A quantidade de ATP presente na célula muscular é suficiente para suprir
apenas alguns segundos de atividade muscular intensa. A principal reserva de
energia nas células musculares é uma substância denominada fosfato de
creatina (fosfocreatina ou creatina-fosfato). Dessa forma, podemos resumir que
a energia é inicialmente fornecida pela respiração celular é armazenada como
fosfocreatina (principalmente) e na forma de ATP. Quando a fibra muscular
necessita de energia para manter a contração, grupos fosfatos ricos em energia
são transferidos da fosfocreatina para o ADP, que se transforma em ATP.
Quando o trabalho muscular é intenso, as células musculares repõem seus
estoques de ATP e de fosfocreatina pela intensificação da respiração celular.
Para isso utilizam o glicogênio armazenado no citoplasma das fibras musculares
como combustível.
Uma teoria simplificada admite que, ao receber um estímulo nervoso, a fibra
muscular mostra, em seqüência, os seguintes eventos:
1. O retículo sarcoplasmático e o sistema T liberam íons Ca++ e Mg++ para o
citoplasma.
2. Em presença desses dois íons, a miosina adquire uma propriedade ATP ásica,
isto é, desdobra o ATP, liberando a energia de um radical fosfato:
3. A energia liberada provoca o deslizamento da actina entre os filamentos de
miosina, caracterizando o encurtamento das miofibrilas.
Musculatura Lisa
A estriação não existe nos músculos viscerais, que se chamam, portanto,
músculos lisos. Os músculos viscerais são também constituídos de fibras
fusiformes, mas muito mais curtas do que as fibras musculares esqueléticas:
têm, na verdade, um tamanho que varia de 30 a 450 mícrons. Têm, além disso,
um só núcleo e não são comandados pela vontade, ou seja, sua contração é
involuntária, além de lenta. As fibras lisas recebem, também, vasos e nervos
sensitivos e motores provenientes do sistema nervoso autônomo.
Embora a contração do músculo liso também seja regulada pela concentração
intracelular de íons cálcio, a resposta da célula é diferente da dos músculos
estriados. Quando há uma excitação da membrana, os íons cálcio armazenados
no retículo sarcoplasmático são então liberados para o citoplasma e se ligam a
uma proteína, a calmodulina. Esse complexo ativa uma enzima que fosforila a
miosina e permite que ela se ligue à actina. A actina e a miosina interagem
então praticamente da mesma forma que nos músculos estriados, resultando
então na contração muscular.
Musculatura Cardíaca
O tecido muscular cardíaco forma o músculo do coração (miocárdio). Apesar de
apresentar estrias transversais, suas fibras contraem-se independentemente da
nossa vontade, de forma rápida e rítmica, características estas, intermediárias
entre os dois outros tipos de tecido muscular
As fibras que formam o tecido muscular estriado cardíaco dispõem-se em feixes
bem compactos, dando a impressão, ao microscópio óptico comum, de que não
há limite entre as fibras. Entretanto, ao microscópio eletrônico podemos notar
que suas fibras são alongadas e unidas entre si através de delgadas membranas
celulares, formando os chamados discos intercalares, típicos da musculatura
cardíaca.
A contração muscular segue praticamente os mesmos passos da contração no
músculo estriado esquelético , com algumas diferenças : os túbulos T são mais
largos que os do músculo esquelético;
• retículo sarcoplasmático menor;
• as células musculares cardíacas possuem reservas intracelulares de íons cálcio
mais limitada;
• tanto o cálcio intracelular quanto o extracelular estão envolvidos na contração
cardíaca: o influxo de cálcio externo age como desencadeador da liberação do
cálcio armazenado na luz do retículo sarcoplasmático, provocando a contração
ao atingir as miofibrilas e levando ao relaxamento ao serem bombeados de
volta para o retículo.
Musculatura Cardíaca
O tecido muscular cardíaco forma o músculo do coração (miocárdio). Apesar de
apresentar estrias transversais, suas fibras contraem-se independentemente da
nossa vontade, de forma rápida e rítmica, características estas, intermediárias
entre os dois outros tipos de tecido muscular
As fibras que formam o tecido muscular estriado cardíaco dispõem-se em feixes
bem compactos, dando a impressão, ao microscópio óptico comum, de que não
há limite entre as fibras. Entretanto, ao microscópio eletrônico podemos notar
que suas fibras são alongadas e unidas entre si através de delgadas membranas
celulares, formando os chamados discos intercalares, típicos da musculatura
cardíaca.
A contração muscular segue praticamente os mesmos passos da contração no
músculo estriado esquelético , com algumas diferenças :
• os túbulos T são mais largos que os do músculo esquelético;
• retículo sarcoplasmático menor;
• as células musculares cardíacas possuem reservas intracelulares de íons cálcio
mais limitada;
etc
3° Módulo: Sistema nervoso
O sistema nervoso, juntamente com o sistema endócrino, capacitam o
organismo a perceber as variações do meio (interno e externo), a difundir asmodificações que essas variações produzem e a executar as respostas
adequadas para que seja mantido o equilíbrio interno do corpo (homeostase).
São os sistemas envolvidos na coordenação e regulação das funções corporais.
No sistema nervoso diferenciam-se duas linhagens celulares: os neurônios e as
células da glia (ou da neuróglia). Os neurônios são as células responsáveis pela
recepção e transmissão dos estímulos do meio (interno e externo),
possibilitando ao organismo a execução de respostas adequadas para a
manutenção da homeostase. Para exercerem tais funções, contam com duas
propriedades fundamentais: a irritabilidade (também denominada excitabilidade
ou responsividade) e a condutibilidade. Irritabilidade é a capacidade que
permite a uma célula responder a estímulos, sejam eles internos ou externos.
Portanto, irritabilidade não é uma resposta, mas a propriedade que torna a
célula apta a responder. Essa propriedade é inerente aos vários tipos celulares
do organismo. No entanto, as respostas emitidas pelos tipos celulares distintos
também diferem umas das outras. A resposta emitida pelos neurônios
assemelha-se a uma corrente elétrica transmitida ao longo de um fio condutor:
uma vez excitados pelos estímulos, os neurônios transmitem essa onda de
excitação - chamada de impulso nervoso - por toda a sua extensão em grande
velocidade e em um curto espaço de tempo. Esse fenômeno deve-se à
propriedade de condutibilidade.
Para compreendermos melhor as funções de coordenação e regulação
exercidas pelo sistema nervoso, precisamos primeiro conhecer a estrutura
básica de um neurônio e como a mensagem nervosa é transmitida.
Um neurônio é uma célula composta de um corpo celular (onde está o núcleo, o
citoplasma e o citoesqueleto), e de finos prolongamentos celulares
denominados neuritos, que podem ser subdivididos em dendritos e axônios.
Os dendritos são prolongamentos geralmente muito ramificados e que atuam
como receptores de estímulos, funcionando portanto, como "antenas" para o
neurônio. Os axônios são prolongamentos longos que atuam como condutores
dos impulsos nervosos. Os axônios podem se ramificar e essas ramificações são
chamadas de colaterais. Todos os axônios têm um início (cone de implantação),
um meio (o axônio propriamente dito) e um fim (terminal axonal ou botão
terminal). O terminal axonal é o local onde o axônio entra em contato com
outros neurônios e/ou outras células e passa a informação (impulso nervoso)
para eles. A região de passagem do impulso nervoso de um neurônio para a
célula adjacente chama-se sinapse. Às vezes os axônios têm muitas ramificações
em suas regiões terminais e cada ramificação forma uma sinapse com outros
dendritos ou corpos celulares.
Estas ramificações são chamadas coletivamente de arborização terminal.
Os corpos celulares dos neurônios são geralmente encontrados em áreas
restritas do sistema nervoso, que formam o Sistema Nervoso Central (SNC), ou
nos gânglios nervosos, localizados próximo da coluna vertebral.
Do sistema nervoso central partem os prolongamentos dos neurônios,
formando feixes chamados nervos, que constituem o Sistema Nervoso Periférico
(SNP).
O axônio está envolvido por um dos tipos celulares seguintes: célula de
Schwann (encontrada apenas no SNP) ou oligodendrócito (encontrado apenas
no SNC) Em muitos axônios, esses tipos celulares determinam a formação da
bainha de mielina – invólucro principalmente lipídico (também possui como
constituinte a chamada proteína básica da mielina) que atua como isolante
térmico e facilita a transmissão do impulso nervoso. Em axônios mielinizados
existem regiões de descontinuidade da bainha de mielina, que acarretam a
existência de uma constrição (estrangulamento) denominada nódulo de Ranvier.
No caso dos axônios mielinizados envolvidos pelas células de Schwann, a parte
celular da bainha de mielina, onde estão o citoplasma e o núcleo desta célula,
constitui o chamado neurilema.
O impulso nervoso
A membrana plasmática do neurônio transporta alguns íons ativamente, do
líquido extracelular para o interior da fibra, e outros, do interior, de volta ao
líquido extracelular. Assim funciona a bomba de sódio e potássio, que bombeia
ativamente o sódio para fora, enquanto o potássio é bombeado ativamente
para dentro.Porém esse bombeamento não é eqüitativo: para cada três íons
sódio bombeados para o líquido extracelular, apenas dois íons potássio são
bombeados para o líquido intracelular.
Somando-se a esse fato, em repouso a membrana da célula nervosa é
praticamente impermeável ao sódio, impedindo que esse íon se mova a favor
de seu gradiente de concentração (de fora para dentro); porém, é muito
permeável ao potássio, que, favorecido pelo gradiente de concentração e pela
permeabilidade da membrana, se difunde livremente para o meio extracelular.
Em repouso: canais de sódio fechados. Membrana é praticamente impermeável
ao sódio, impedindo sua difusão a favor do gradiente de concentração. Sódio é
bombeado ativamente para fora pela bomba de sódio e potássio.
Como a saída de sódio não é acompanhada pela entrada de potássio na mesma
proporção, estabelece-se uma diferença de cargas elétricas entre os meios intra
e extracelular: há déficit de cargas positivas dentro da célula e as faces da
membrana mantêm-se eletricamente carregadas.
O potencial eletronegativo criado no interior da fibra nervosa devido à bomba
de sódio e potássio é chamado potencial de repouso da membrana, ficando o
exterior da membrana positivo e o interior negativo. Dizemos, então, que a
membrana está polarizada. Ao ser estimulada, uma pequena região da
membrana torna-se permeável ao sódio (abertura dos canais de sódio). Como a
concentração desse íon é maior fora do que dentro da célula, o sódio atravessa
a membrana no sentido do interior da célula. A entrada de sódio é
acompanhada pela pequena saída de potássio. Esta inversão vai sendo
transmitida ao longo do axônio, e todo esse processo é denominado onda de
despolarização. Os impulsos nervosos ou potenciais de ação são causados pela
despolarização da membrana além de um limiar (nível crítico de despolarização
que deve ser alcançado para disparar o potencial de ação). Os potenciais de
ação assemelham-se em tamanho e duração e não diminuem à medida em que
são conduzidos ao longo do axônio, ou seja, são de tamanho e duração fixos. A
aplicação de uma despolarização crescente a um neurônio não tem qualquer
efeito até que se cruze o limiar e, então, surja o potencial de ação. Por esta
razão, diz-se que os potenciais de ação obedecem à "lei do tudo ou nada".
Imediatamente após a onda de despolarização ter-se propagado ao longo da
fibra nervosa, o interior da fibra torna-se carregado positivamente, porque um
grande número de íons sódio se difundiu para o interior. Essa positividade
determina a parada do fluxo de íons sódio para o interior da fibra, fazendo com
que a membrana se torne novamente impermeável a esses íons. Por outro lado,
a membrana torna-se ainda mais permeável ao potássio, que migra para o meio
interno. Devido à alta concentração desse íon no interior, muitos íons se
difundem, então, para o lado de fora. Isso cria novamente eletronegatividade no
interior da membrana e positividade no exterior – processo chamado
repolarização, pelo qual se reestabelece a polaridade normal da membrana. A
repolarização normalmente se inicia no mesmo ponto onde se originou a
despolarização, propagando-se ao longo da fibra.
Após a repolarização, a bomba de sódio bombeia novamente os íons sódio para
o exterior da membrana, criando um déficit extra de cargas positivas no interior
da membrana, que se torna temporariamente mais negativo do que o normal. A
eletronegatividade excessiva no interior atrai íons potássio de volta para o
interior (por difusão e por transporte ativo). Assim, o processo traz as diferenças
iônicas de volta aos seus níveis originais.
Para transferir informaçãode um ponto para outro no sistema nervoso, é
necessário que o potencial de ação, uma vez gerado, seja conduzido ao longo
do axônio. Um potencial de ação iniciado em uma extremidade de um axônio
apenas se propaga em uma direção, não retornando pelo caminho já
percorrido.
Conseqüentemente, os potenciais de ação são unidirecionais - ao que
chamamos condução ortodrômica.
Uma vez que a membrana axonal é excitável ao longo de toda sua extensão, o
potencial de ação se propagará sem decaimento. A velocidade com a qual o
potencial de ação se propaga ao longo do axônio depende de quão longe a
despolarização é projetada à frente do potencial de ação, o que, por sua vez,
depende de certas características físicas do axônio: a velocidade de condução
do potencial de ação aumenta com o diâmetro axonal. Axônios com menor
diâmetro necessitam de uma maior despolarização para alcançar o limiar do
potencial de ação. Nesses de axônios, presença de bainha de mielina acelera a
velocidade da condução do impulso nervoso. Nas regiões dos nódulos de
Ranvier, a onda de despolarização "salta" diretamente de um nódulo para outro,
não acontecendo em toda a extensão da região mielinizada (a mielina é
isolante). Fala-se em condução saltatória e com isso há um considerável
aumento da velocidade do impulso nervoso.
O percurso do impulso nervoso no neurônio é sempre no sentido dendrito
corpo celular axônio.
O SNC recebe, analisa e integra informações. É o local onde ocorre a tomada de
decisões e o envio de ordens. O SNP carrega informações dos órgãos sensoriais
para o sistema nervoso central e do sistema nervoso central para os órgãos
efetores (músculos e glândulas).
DIVISÃO DO SISTEMA NERVOSO:
O Sistema Nervoso Central
O SNC divide-se em encéfalo e medula. O encéfalo corresponde ao telencéfalo
(hemisférios cerebrais), diencéfalo (tálamo e hipotálamo), cerebelo, e tronco
cefálico, que se divide em: BULBO, situado caudalmente; MESENCÉFALO,
situado cranialmente; e PONTE, situada entre ambos.
No SNC, existem as chamadas substâncias cinzenta e branca. A substância
cinzenta é formada pelos corpos dos neurônios e a branca, por seus
prolongamentos. Com exceção do bulbo e da medula, a substância cinzenta
ocorre mais externamente e a substância branca, mais internamente. Os órgãos
do SNC são protegidos por estruturas esqueléticas (caixa craniana, protegendo
o encéfalo; e coluna vertebral, protegendo a medula - também denominada
raque) e por membranas denominadas meninges, situadas sob a proteção
esquelética: dura-máter (a externa), aracnóide (a do meio) e pia-máter (a
interna). Entre as meninges aracnóide e pia-máter há um espaço preenchido por
um líquido denominado líquido cefalorraquidiano ou líquor.
O TELENCÉFALO
O encéfalo humano contém cerca de 35 bilhões de neurônios e pesa
aproximadamente 1,4 kg. O telencéfalo ou cérebro é dividido em dois
hemisférios cerebrais bastante desenvolvidos. Nestes, situam-se as sedes da
memória e dos nervos sensitivos e motores. Entre os hemisférios, estão os
VENTRÍCULOS CEREBRAIS (ventrículos laterais e terceiro ventrículo); contamos
ainda com um quarto ventrículo, localizado mais abaixo, ao nível do tronco
encefálico. São reservatórios do LÍQUIDO CÉFALO-RAQUIDIANO, (LÍQÜOR),
participando na nutrição, proteção e excreção do sistema nervoso.
Em seu desenvolvimento, o córtex ganha diversos sulcos para permitir que o
cérebro esteja suficientemente compacto para caber na calota craniana, que
não acompanha o seu crescimento. Por isso, no cérebro adulto, apenas 1/3 de
sua superfície fica "exposta", o restante permanece por entre os sulcos.
O córtex cerebral está dividido em mais de quarenta áreas funcionalmente
distintas, sendo a maioria pertencente ao chamado neocórtex.
Cada uma das áreas do córtex cerebral controla uma atividade específica.
1. hipocampo: região do córtex que está dobrada sobre si e possui apenas três
camadas celulares; localiza-se medialmente ao ventrículo lateral.
2. córtex olfativo: localizado ventral e lateralmente ao hipocampo; apresenta
duas ou três camadas celulares.
3. neocórtex: córtex mais complexo; separa-se do córtex olfativo mediante um
sulco chamado fissura rinal; apresenta muitas camadas celulares e várias áreas
sensoriais e motoras. As áreas motoras estão intimamente envolvidas com o
controle do movimento voluntário.
A região superficial do telencéfalo, que acomoda bilhões de corpos celulares de
neurônios (substância cinzenta), constitui o córtex cerebral, formado a partir da
fusão das partes superficiais telencefálicas e diencefálicas. O córtex recobre um
grande centro medular branco, formado por fibras axonais (substância branca).
Em meio a este centro branco (nas profundezas do telencéfalo), há
agrupamentos de corpos celulares neuronais que formam os núcleos (gânglios)
da base ou núcleos (gânglios) basais - CAUDATO, PUTAMEN, GLOBO PÁLIDO e
NÚCLEO SUBTALÂMICO, envolvidos em conjunto, no controle do movimento.
Parece que os gânglios da base participam também de um grande número de
circuitos paralelos, sendo apenas alguns poucos de função motora. Outros
circuitos estão envolvidos em certos aspectos da memória e da função
cognitiva.
Algumas das funções mais específicas dos gânglios basais relacionadas aos
movimentos são:
1. núcleo caudato: controla movimentos intencionais grosseiros do corpo (isso
ocorre a nível sub-consciente e consciente) e auxilia no controle global dos
movimentos do corpo.
2. putamen: funciona em conjunto com o núcleo caudato no controle de
movimentos intensionais grosseiros. Ambos os núcleos funcionam em
associação com o córtex motor, para controlar diversos padrões de movimento.
3. globo pálido: provavelmente controla a posição das principais partes do
corpo, quando uma pessoa inicia um movimento complexo, Isto é, se uma
pessoa deseja executar uma função precisa com uma de suas mãos, deve
primeiro colocar seu corpo numa posição apropriada e, então, contrair a
musculatura do braço. Acredita-se que essas funções sejam iniciadas,
principalmente, pelo globo pálido.
4. núcleo subtalâmico e áreas associadas: controlam possivelmente os
movimentos da marcha e talvez outros tipos de motilidade grosseira do corpo.
Evidências indicam que a via motora direta funciona para facilitar a iniciação de
movimentos voluntários por meio dos gânglios da base. Essa via origina-se com
uma conexão excitatória do córtex para as células do putamen. Estas células
estabelecem sinapses inibitórias em neurônios do globo pálido, que, por sua
vez, faz conexões inibitórias com células do tálamo (núcleo ventrolateral - VL). A
conexão do tálamo com a área motora do córtex é excitatória. Ela facilita o
disparo de células relacionadas a movimentos na área motora do córtex.
Portanto, a conseqüência funcional da ativação cortical do putâmen é a
excitação da área motora do córtex pelo núcleo ventrolateral do tálamo.
O DIENCÉFALO (tálamo e hipotálamo) Todas as mensagens sensoriais, com
exceção das provenientes dos receptores do olfato, passam pelo tálamo antes
de atingir o córtex cerebral. Esta é uma região de substância cinzenta localizada
entre o tronco encefálico e o cérebro. O tálamo atua como estação
retransmissora de impulsos nervosos para o córtex cerebral. Ele é responsável
pela condução dos impulsos às regiões apropriadas do cérebro onde eles
devem ser processados. O tálamo também está relacionado com alterações no
comportamento emocional; que decorre, não só da própria atividade, mas
também de conexões com outras estruturas do sistema límbico (que regula as
emoções).
O hipotálamo, também constituído por substância cinzenta, é o principal centro
integrador das atividades dos órgãos viscerais, sendo um dos principais
responsáveis pela homeostase corporal. Ele faz ligação entre o sistema nervoso
e o sistema endócrino, atuando na ativação de diversas glândulas endócrinas. É
o hipotálamo que controla a temperaturacorporal, regula o apetite e o balanço
de água no corpo, o sono e está envolvido na emoção e no comportamento
sexual.
Tem amplas conexões com as demais áreas do prosencéfalo e com o
mesencéfalo. Aceita-se que o hipotálamo desempenha, ainda, um papel nas
emoções. Especificamente, as partes laterais parecem envolvidas com o prazer e
a raiva, enquanto que a porção mediana parece mais ligada à aversão, ao
desprazer e à tendência ao riso (gargalhada) incontrolável. De um modo geral,
contudo, a participação do hipotálamo é menor na gênese (“criação”) do que na
expressão (manifestações sintomáticas) dos estados emocionais.
O TRONCO ENCEFÁLICO
O tronco encefálico interpõe-se entre a medula e o diencéfalo, situando-se
ventralmente ao cerebelo. Possui três funções gerais; (1) recebe informações
sensitivas de estruturas cranianas e controla os músculos da cabeça; (2) contém
circuitos nervosos que transmitem informações da medula espinhal até outras
regiões encefálicas e, em direção contrária, do encéfalo para a medula espinhal
(lado esquerdo do cérebro controla os movimentos do lado direito do corpo;
lado direito de cérebro controla os movimentos do lado esquerdo do corpo); (3)
regula a atenção, função esta que é mediada pela formação reticular (agregação
mais ou menos difusa de neurônios de tamanhos e tipos diferentes, separados
por uma rede de fibras nervosas que ocupa a parte central do tronco
encefálico). Além destas 3 funções gerais, as várias divisões do tronco encefálico
desempenham funções motoras e sensitivas específicas.
Na constituição do tronco encefálico entram corpos de neurônios que se
agrupam em núcleos e fibras nervosas, que, por sua vez, se agrupam em feixes
denominados tractos, fascículos ou lemniscos. Estes elementos da estrutura
interna do tronco encefálico podem estar relacionados com relevos ou
depressões de sua superfície. Muitos dos núcleos do tronco encefálico recebem
ou emitem fibras nervosas que entram na constituição dos nervos cranianos.
Dos 12 pares de nervos cranianos, 10 fazem conexão no tronco encefálico.
O CEREBELO
Situado atrás do cérebro está o cerebelo, que é primariamente um centro para
o controle dos movimentos iniciados pelo córtex motor (possui extensivas
conexões com o cérebro e a medula espinhal). Como o cérebro, também está
dividido em dois hemisférios. Porém, ao contrário dos hemisférios cerebrais, o
lado esquerdo do cerebelo está relacionado com os movimentos do lado
esquerdo do corpo, enquanto o lado direito, com os movimentos do lado
direito do corpo.
O cerebelo recebe informações do córtex motor e dos gânglios basais de todos
os estímulos enviados aos músculos. A partir das informações do córtex motor
sobre os movimentos musculares que pretende executar e de informações
proprioceptivas que recebe diretamente do corpo (articulações, músculos, áreas
de pressão do corpo, aparelho vestibular e olhos), avalia o movimento
realmente executado. Após a comparação entre desempenho e aquilo que se
teve em vista realizar, estímulos corretivos são enviados de volta ao córtex para
que o desempenho real seja igual ao pretendido. Dessa forma, o cerebelo
relaciona-se com os ajustes dos movimentos, equilíbrio, postura e tônus
muscular.
A Medula Espinhal
Nossa medula espinhal tem a forma de um cordão com aproximadamente 40
cm de comprimento. Ocupa o canal vertebral, desde a região do atlas - primeira
vértebra - até o nível da segunda vértebra lombar. A medula funciona como
centro nervoso de atos involuntários e, também, como veículo condutor de
impulsos nervosos. Da medula partem 31 pares de nervos raquidianos que se
ramificam. Por meio dessa rede de nervos, a medula se conecta com as várias
partes do corpo, recebendo mensagens e vários pontos e enviando-as para o
cérebro e recebendo mensagens do cérebro e transmitindo-as para as várias
partes do corpo. A medula possui dois sistemas de neurônios: o sistema
descendente controla funções motoras dos músculos, regula funções como
pressão e temperatura e transporta sinais originados no cérebro até seu
destino; o sistema ascendente transporta sinais sensoriais das extremidades do
corpo até a medula e de lá para o cérebro.
Os corpos celulares dos neurônios se concentram no cerne da medula – na
massa cinzenta. Os axônios ascendentes e descendentes, na área adjacente – a
massa branca. As duas regiões também abrigam células da Glia. Dessa forma, na
medula espinhal a massa cinzenta localiza-se internamente e a massa branca,
externamente (o contrário do que se observa no encéfalo).
Durante uma fratura ou deslocamento da coluna, as vértebras que normalmente
protegem a medula podem matar ou danificar as células. Teoricamente, se o
dano for confinado à massa cinzenta, os distúrbios musculares e sensoriais
poderão estar apenas nos tecidos que recebem e mandam sinais aos neurônios
“residentes” no nível da fratura. Por exemplo, se a massa cinzenta do segmento
da medula onde os nervos rotulados C8 for lesada, o paciente só sofrerá
paralisia das mãos, sem perder a capacidade de andar ou o controle sobre as
funções intestinais e urinárias. Nesse caso, os axônios levando sinais para “cima
e para baixo” através da área branca adjacente continuariam trabalhando. Em
comparação, se a área branca for lesada, o trânsito dos sinais será interrompido
até o ponto da fratura.
Infelizmente, a lesão original é só o começo. Os danos mecânicos promovem
rompimento de pequenos vasos sangüíneos, impedindo a entrega de oxigênio
e nutrientes para as células não afetadas diretamente, que acabam morrendo;
as células lesadas extravasam componentes citoplasmáticos e tóxicos, que
afetam células vizinhas, antes intactas; células do sistema imunológico iniciam
um quadro inflamatório no local da lesão; células da Glia proliferam criando
grumos e uma espécie de cicatriz, que impedem os axônios lesados de
crescerem e reconectarem.
O vírus da poliomielite causa lesões na raiz ventral dos nervos espinhais, o que
leva à paralisia e atrofia dos músculos.
O Sistema Nervoso Periférico
O sistema nervoso periférico é formado por nervos encarregados de fazer as
ligações entre o sistema nervoso central e o corpo. NERVO é a reunião de várias
fibras nervosas, que podem ser formadas de axônios ou de dendritos.
As fibras nervosas, formadas pelos prolongamentos dos neurônios (dendritos
ou axônios) e seus envoltórios, organizam-se em feixes. Cada feixe forma um
nervo. Cada fibra nervosa é envolvida por uma camada conjuntiva denominada
endoneuro. Cada feixe é envolvido por uma bainha conjuntiva denominada
perineuro. Vários feixes agrupados paralelamente formam um nervo. O nervo
também é envolvido por uma bainha de tecido conjuntivo chamada epineuro.
Em nosso corpo existe um número muito grande de nervos. Seu conjunto forma
a rede nervosa.
Os nervos que levam informações da periferia do corpo para o SNC são os
nervos sensoriais (nervos aferentes ou nervos sensitivos), que são formados por
prolongamentos de neurônios sensoriais (centrípetos). Aqueles que transmitem
impulsos do SNC para os músculos ou glândulas são nervos motores ou
eferentes, feixe de axônios de neurônios motores (centrífugos).
Existem ainda os nervos mistos, formados por axônios de neurônios sensoriais e
por neurônios motores.
Quando partem do encéfalo, os nervos são chamados de cranianos; quando
partem da medula espinhal denominam-se raquidianos.
Do encéfalo partem doze pares de nervos cranianos. Três deles são
exclusivamente sensoriais, cinco são motores e os quatro restantes são mistos.
Os 31 pares de nervos raquidianos que saem da medula relacionam-se com os
músculos esqueléticos.
Eles se formam a partir de duas raízes que saem lateralmente da medula: a raiz
posterior ou dorsal, que é sensitiva, e a raiz anterior ou ventral, que é motora.
Essas raízes se unem logo após saírem da medula. Desse modo, os nervos
raquidianos são todosmistos. Os corpos dos neurônios que formam as fibras
sensitivas dos nervos sensitivos situam-se próximo à medula, porém fora dela,
reunindo-se em estruturas especiais chamadas gânglios espinhais. Os corpos
celulares dos neurônios que formam as fibras motoras localizam-se na medula.
De acordo com as regiões da coluna vertebral, os 31 pares de nervos
raquidianos distribuem-se da seguinte forma:
• oito pares de nervos cervicais;
• doze pares de nervos dorsais;
• cinco pares de nervos lombares;
• seis pares de nervos sagrados ou sacrais.
O conjunto de nervos cranianos e raquidianos forma o sistema nervoso
periférico. Com base na sua estrutura e função, o sistema nervoso periférico
pode ainda subdividir-se em duas partes: o sistema nervoso somático e o
sistema nervoso autônomo ou de vida vegetativa.
As ações voluntárias resultam da contração de músculos estriados esqueléticos,
que estão sob o controle do sistema nervoso periférico voluntário ou somático.
Já as ações involuntárias resultam da contração das musculaturas lisa e cardíaca,
controladas pelo sistema nervoso periférico autônomo, também chamado
involuntário ou visceral.
SNP Voluntário ou Somático
O SNP Voluntário ou Somático tem por função reagir a estímulos provenientes
do ambiente externo. Ele é constituído por fibras motoras que conduzem
impulsos do sistema nervoso central aos músculos esqueléticos. O corpo celular
de uma fibra motora do SNP voluntário fica localizado dentro do SNC e o
axônio vai diretamente do encéfalo ou da medula até o órgão que inerva.
SNP Autônomo ou Visceral
O SNP Autônomo ou Visceral, como o próprio nome diz, funciona
independentemente de nossa vontade e tem por função regular o ambiente
interno do corpo, controlando a atividade dos sistemas digestório,
cardiovascular, excretor e endócrino. Ele contém fibras nervosas que conduzem
impulsos do sistema nervoso central aos músculos lisos das vísceras e à
musculatura do coração. Um nervo motor do SNP autônomo difere de um
nervo motor do SNP voluntário pelo fato de conter dois tipos de neurônios, um
neurônio pré-ganglionar e outro pós-ganglionar. O corpo celular do neurônio
pré-ganglionar fica localizado dentro do SNC e seu axônio vai até um gânglio,
onde o impulso nervoso é transmitido sinapticamente ao neurônio pós-
ganglionar. O corpo celular do neurônio pós-ganglionar fica no interior do
gânglio nervoso e seu axônio conduz o estímulo nervoso até o órgão efetuador,
que pode ser um músculo liso ou cardíaco.
O sistema nervoso autônomo compõe-se de três partes:
• Dois ramos nervosos situados ao lado da coluna vertebral. Esses ramos são
formados por pequenas dilatações denominadas gânglios, num total de 23
pares.
• Um conjunto de nervos que liga os gânglios nervosos aos diversos órgãos de
nutrição, como o estômago, o coração e os pulmões.
• Um conjunto de nervos comunicantes que ligam os gânglios aos nervos
raquidianos, fazendo com que os sistema autônomo não seja totalmente
independente do sistema nervoso cefalorraquidiano.
O sistema nervoso autônomo divide-se em sistema nervoso simpático e sistema
nervoso parassimpático. De modo geral, esses dois sistemas têm funções
contrárias (antagônicas). Um corrige os excessos do outro. Por exemplo, se o
sistema simpático acelera demasiadamente as batidas do coração, o sistema
parassimpático entra em ação, diminuindo o ritmo cardíaco. Se o sistema
simpático acelera o trabalho do estômago e dos intestinos, o parassimpático
entra em ação para diminuir as contrações desses órgãos.
Sistema Nervoso Autônomo Simpático
O SNP autônomo simpático, de modo geral, estimula ações que mobilizam
energia, permitindo ao organismo responder a situações de estresse. Por
exemplo, o sistema simpático é responsável pela aceleração dos batimentos
cardíacos, pelo aumento da pressão arterial, da concentração de açúcar no
sangue e pela ativação do metabolismo geral do corpo.
SISTEMA NERVOSO AUTÔNOMO PARASSIMPÁTICO
Já o SNP autônomo parassimpático estimula principalmente atividades
relaxantes, como as reduções do ritmo cardíaco e da pressão arterial, entre
outras. Uma das principais diferenças entre os nervos simpáticos e
parassimpáticos é que as fibras pós-ganglionares dos dois sistemas
normalmente secretam diferentes hormônios. O hormônio secretado pelos
neurônios pós-ganglionares do sistema nervoso parassimpático é a acetilcolina,
razão pela qual esses neurônios são chamados colinérgicos.
Os neurônios pós-ganglionares do sistema nervoso simpático secretam
principalmente noradrenalina, razão por que a maioria deles é chamada
neurônios adrenérgicos. As fibras adrenérgicas ligam o sistema nervoso central
à glândula suprarenal, promovendo aumento da secreção de adrenalina,
hormônio que produz a resposta de "luta ou fuga" em situações de stress.
A acetilcolina e a noradrenalina têm a capacidade de excitar alguns órgãos e
inibir outros, de maneira antagônica.
Em geral, quando os centros simpáticos cerebrais se tornam excitados,
estimulam, simultaneamente, quase todos os nervos simpáticos, preparando o
corpo para a atividade.
Além do mecanismo da descarga em massa do sistema simpático, algumas
condições fisiológicas podem estimular partes localizadas desse sistema. Duas
das condições são as seguintes:
• Reflexos calóricos: o calor aplicado à pele determina um reflexo que passa
através da medula espinhal e volta a ela, dilatando os vasos sangüíneos
cutâneos. Também o aquecimento do sangue que passa através do centro de
controle térmico do hipotálamo aumenta o grau de vasodilatação superficial,
sem alterar os vasos profundos.
• Exercícios: durante o exercício físico, o metabolismo aumentado nos músculos
tem um efeito local de dilatação dos vasos sangüíneos musculares; porém, ao
mesmo tempo, o sistema simpático tem efeito vasoconstritor para a maioria das
outras regiões do corpo. A vasodilatação muscular permite que o sangue flua
facilmente através dos músculos, enquanto a vasoconstrição diminui o fluxo
sangüíneo em todas as regiões do corpo, exceto no coração e no cérebro.
Nas junções neuro-musculares, tanto nos gânglios do SNPA simpático como
nos do parassimpático, ocorrem sinapses químicas entre os neurônios pré-
ganglionares e pós- ganglionares. Nos dois casos, a substância
neurotransmissora é a acetilcolina. Esse mediador químico atua nas dobras da
membrana, aumentando a sua permeabilidade aos íons sódio, que passa para o
interior da fibra, despolarizando essa área da membrana do músculo. Essa
despolarização local promove um potencial de ação que é conduzido em ambas
as direções ao longo da fibra, determinando uma contração muscular. Quase
imediatamente após ter a acetilcolina estimulado a fibra muscular, ela é
destruída, o que permite a despolarização da membrana.
4° Módulo: Sistema circulatório
Componentes do Sistema Cardiovascular
Os principais componentes do sistema circulatório são: coração, vasos
sangüíneos, sangue, vasos linfáticos e linfa.
CORAÇÃO
O coração é um órgão muscular oco que se localiza no meio do peito, sob o
osso esterno, ligeiramente deslocado para a esquerda. Em uma pessoa adulta,
tem o tamanho aproximado de um punho fechado e pesa cerca de 400 gramas.
O coração humano, como o dos demais mamíferos, apresenta quatro cavidades:
duas superiores, denominadas átrios (ou aurículas) e duas inferiores,
denominadas ventrículos. O átrio direito comunica-se com o ventrículo direito
através da válvula tricúspide. O átrio esquerdo, por sua vez, comunica-se com o
ventrículo esquerdo através da válvula bicúspide ou mitral.A função das válvulas
cardíacas é garantir que o sangue siga uma única direção, sempre dos átrios
para os ventrículos.
Sistema De Purkinje ou fascículo átrio-ventricular: embora o impulso
cardíaco possa percorrer perfeitamente todas as fibras musculares cardíacas, o
coração possui um sistema especial decondução denominado sistema de
Purkinje ou fascículo átrioventricular, composto de fibras musculares cardíacas
especializadas, ou fibras de Purkinje Feixe de Hiss ou miócitos átrio-
ventriculares), que transmitem os impulsos com uma velocidade
aproximadamente 6 vezes maior do que o músculo cardíaco normal, cerca de
2m por segundo, em contraste com 0,3 m por segundo no músculo cardíaco.
b- Controle Nervoso do Coração
Embora o coração possua seus próprios sistemas intrínsecos de controle e
possa continuar a operar, sem quaisquer influências nervosas, a eficácia da ação
cardíaca pode ser muito modificada pelos impulsos reguladores do sistema
nervoso central. O sistema nervoso é conectado com o coração através de dois
grupos diferentes de nervos, os sistemas parassimpático e simpático. A
estimulação dos nervos parassimpáticos causa os seguintes efeitos sobre o
coração: (1) diminuição da freqüência dos batimentos cardíacos; 2) diminuição
da força de contração do músculo atrial; (3) diminuição na velocidade de
condução dos impulsos através do nódulo AV (átrio-ventricular) , aumentando o
período de retardo entre a contração atrial e a ventricular; e (4) diminuição do
fluxo sangüíneo através dos vasos coronários que mantêm a nutrição do
próprio músculo cardíaco.
Todos esses efeitos podem ser resumidos, dizendo-se que a estimulação
parassimpática diminui todas as atividades do coração. Usualmente, a função
cardíaca é reduzida pelo parassimpático durante o período de repouso,
juntamente com o restante do corpo. Isso talvez ajude a preservar os recursos
do coração; pois, durante os períodos de repouso, indubitavelmente há um
menor desgaste do órgão.
A estimulação dos nervos simpáticos apresenta efeitos exatamente opostos
sobre o coração: (1) aumento da freqüência cardíaca, (2) aumento da força de
contração, e (3) aumento do fluxo sangüíneo através dos vasos coronários
visando a suprir o aumento da nutrição do músculo cardíaco. Esses efeitos
podem ser resumidos, dizendo-se que a estimulação simpática aumenta a
atividade cardíaca como bomba, algumas vezes aumentando a capacidade de
bombear sangue em até 100 por cento. Esse efeito é necessário quando um
indivíduo é submetido a situações de estresse, tais como exercício, doença,
calor excessivo, ou outras condições que exigem um rápido fluxo sangüíneo
através do sistema circulatório. Por conseguinte, os efeitos simpáticos sobre o
coração constituem o mecanismo de auxílio utilizado numa emergência,
tornando mais forte o batimento cardíaco quando necessário.
Os neurônios pós-ganglionares do sistema nervoso simpático secretam
principalmente noradrenalina, razão pela qual são denominados neurônios
adrenérgicos. A estimulação simpática do cérebro também promove a secreção
de adrenalina pelas glândulas adrenais ou supra-renais. A adrenalina é
responsável pela taquicardia (batimento cardíaco acelerado), aumento da
pressão arterial e da freqüência respiratória, aumento da secreção do suor, da
glicose sangüínea e da atividade mental, além da constrição dos vasos
sangüíneos da pele.
O neurotransmissor secretado pelos neurônios pós-ganglionares do sistema
nervoso parassimpático é a acetilcolina, razão pela qual são denominados
colinérgicos, geralmente com efeitos antagônicos aos neurônios adrenérgicos.
Dessa forma, a estimulação parassimpática do cérebro promove bradicardia
(redução dos batimentos cardíacos), diminuição da pressão arterial e da
freqüência respiratória, relaxamento muscular e outros efeitos antagônicos aos
da adrenalina.
Em geral, a estimulação do hipotálamo posterior aumenta a pressão arterial e a
freqüência cardíaca, enquanto que a estimulação da área pré-óptica, na porção
anterior do hipotálamo, acarreta efeitos opostos, determinando notável
diminuição da freqüência cardíaca e da pressão arterial. Esses efeitos são
transmitidos através dos centros de controle cardiovascular da porção inferior
do tronco cerebral, e daí passam a ser transmitidos através do sistema nervoso
autônomo.
5° Módulo: Sistema respiratório
O sistema respiratório humano é constituído por um par de pulmões e por
vários órgãos que conduzem o ar para dentro e para fora das cavidades
pulmonares. Esses órgãos são as fossas nasais, a boca, a faringe, a laringe, a
traquéia, os brônquios, os bronquíolos e os alvéolos, os três últimos localizados
nos pulmões.
° Módulo: O Sistema digestório
7° Módulo: Sistema urinário/Excretor
8° Módulo: Sistema reprodutor masculino
9° Módulo: Sistema reprodutor feminino
O sistema reprodutor feminino é constituído por dois ovários, duas tubas
uterinas (trompas de Falópio), um útero, uma vagina, uma vulva. Ele está
localizado no interior da cavidade pélvica. A pelve constitui um marco ósseo
forte que realiza uma função protetora.
10° Módulo: Sistema endócrino
b
1 Módulo: Introdução ao estudo da Anatomia
2 Módulo: Sistema de sustentação
3 Módulo: Sistema nervoso
4 Módulo: Sistema circulatório
5 Módulo: Sistema respiratório
Módulo: O Sistema digestório
7 Módulo: Sistema urinário/Excretor
8 Módulo: Sistema reprodutor masculino
9 Módulo: Sistema reprodutor feminino
10 Módulo: Sistema endócrino