Prévia do material em texto
Atividade referente ao tratamento excepcional – morfologia e escultura dental – com bases nos artigos: Nomenclatura e classificação das cavidades e Princípios gerais do preparo cavitário. (BRUNA DE OLIVEIRA RIBEIRO) AULA DO DIA 07/06/2021. Segundo Mondelli: nomenclatura é o conjunto de termos peculiares a uma arte ou ciência pelos quais indivíduos de mesma profissão são capazes de se entenderem mutuamente, portanto, é necessário o conhecimento das nomenclaturas das cavidades para o entendimento e informações entre os profissionais da área odontológica em como realizar o preparo de uma cavidade. Os preparos cavitários podem ser classificados de acordo com: · Número de faces envolvidas: 1 face- simples 2 faces- composta 3 ou mais faces- complexa O nome da cavidade é de acordo com a face que se encontra · Forma e extensão das cavidades: intracoronárias (inlay): são cavidades confinadas no interior da estrutura dentária, como uma caixa. Exemplos: cavidade de classe I oclusal, classe V vestibular... Extracoronárias parciais (onlay): apresentam cobertura de cúspides e/ou outras faces do dente. Exemplo: restaurações MOD com proteção de cúspides, ¾ e 4/5. Cavidade extracoronária parcial Extracoronárias totais (overlay: todas as faces axiais e oclusal ou incisal do dente são envolvidas no preparo cavitário. Exemplo: coroas totais. Partes constituintes das cavidades: paredes e ângulos · Paredes circundantes: são as que chegam até a superfície externa das cavidades, definindo seu contorno; estão laterais. Recebem o nome de acordo com a face ou região que está mais próxima. · Paredes de fundo: são paredes internas e nunca atingem a superfície; correspondem ao assoalho da cavidade. Podem ser axial, quando paralela ao eixo longitudinal do dente, e pulpar, quando perpendicular ao longo do eixo do dente. · Ângulos diedros: localizados na região de transição entre duas paredes. Segundo Black, são divididos em três grupos: o primeiro grupo, é formado pela junção de duas paredes circundantes (ex: gengivo-lingual); o segundo grupo, é formado pela união de uma parede circundante com uma de fundo (ex: línguo-pulpar) e o terceiro grupo é formado pelo encontro de duas paredes de fundo (ex: áxio-pulpar). · Ângulos triedros: formados pelo encontro de três paredes. Ex: vestíbulo-áxio-gengival. OBS: Uma exceção às regras de nomenclatura dos ângulos diedros e triedros encontra-se nas cavidades de Classe III, nas quais a junção das paredes constituintes forma os ângulos diedros e triedros incisais, não recebendo, portanto, a denominação das paredes que o formam. · Ângulos cavo-superficiais: são encontrados na margem entre a superfície externa do dente e o preparo e são nomeados de acordo com a parede circundante. Classificação das cavidades Cavidades terapêuticas: possui forma geométrica e dimensões definidas e é resultado de um processo cirúrgico que visa remover o tecido cariado, que comprometeu a estrutura coronária parcialmente ou totalmente. Cavidades protéticas: são preparadas para servir como retentores ou apoio para prótese fixa e removível, podendo ser realizadas tanto em dentes afetados quanto em dentes hígidos. De acordo com a classificação etiológica, Black definiu as áreas dos dentes suscetíveis a cáries, que são mais difíceis de higienizar, são elas cavidades de cicatrículas e fissuras e cavidades de superfície lisa. Cavidades de cicatrículas e fissuras Cavidades de superfície lisa A classificação artificial reúne cavidades em classes que requerem a mesma técnica de instrumentação e restauração. 1. Classe I: são as lesões e/ou cavidades localizadas nas regiões de cicatrículas e fissuras na face oclusal de pré-molares e molares; 2/3 oclusais da face vestibular dos molares e na face lingual dos incisivos superiores; ocasionalmente, na face palatina dos molares superiores. 2. Classe II: cavidades preparadas nas faces proximais dos pré-molares e molares. 3. Classe III: cavidades preparadas nas faces proximais dos incisivos e caninos, sem remoção do ângulo incisal. 4. Classe IV: cavidades preparadas nas faces proximais dos incisivos e caninos, com remoção e restauração do ângulo incisal. 5. Classe V: cavidades preparadas no terço gengival, não de cicatrículas, das faces vestibular e lingual de todos os dentes. CLASSE V CLASSE IV CLASSE III CLASSE II CLASSE I De acordo com Black, há uma sequencia a ser seguida durante o preparo cavitário, são elas: abertura - forma de contorno – remoção da dentina cariada – forma de resistência – forma de retenção – forma de conveniência – acabamento das paredes de esmalte – limpeza da cavidade. A sequência acima proposta por Black não é rígida, ou seja, se necessário podem haver inversões de acordo com as variações apresentadas pelo caso clínico. Ela foi idealizada com o objetivo de organizar os procedimentos clínicos dos preparos cavitários de maneira didática e racional. · A abertura consiste na remoção de esmalte para expor o processo patológico, o que facilita a visualização. Em situações que a cavidade já está aberta, segue-se a sequencia para remover o tecido cariado. A execução da abertura é feita com instrumentos rotatórios em alta velocidade, os formatos e tamanhos dependem do dente, do tamanho da lesão e o material restaurador selecionado. · A forma de contorno consiste em determinar seu formato, os limites ou o desenho da cavidade. A forma da cavidade depende de vários fatores, como: a anatomia do dente, a extensão da lesão... Princípios que ajudam na determinação da forma de contorno da cavidade: remoção de todo esmalte sem suporte dentinário; as margens do preparo devem localizar-se em área de “relativa imunidade a cárie”; avaliação do risco de cáries dos pacientes; observar diferenças nos procedimentos entre cavidades de cicatrículas e fissuras e cavidades de superfície lisa. · A remoção de dentina cariada visa remover toda a dentina que se encontra afetada. a dentina cariada é um tecido multicomposicional, no qual encontramos além de cálcio e colágeno desorganizados, uma grande quantidade de microrganismos. Histologicamente observou que uma cavidade de cárie pode ser dividida em três zonas distintas: 1. A primeira zona é altamente desorganizada e infectada, é rica em microrganismos. 2. A segunda zona pode apresentar as mesmas características da primeira, mas na sua porção mais profunda pode estar pouco afetada. 3. A terceira zona é quase sempre amolecida e desmineralizada pela ação dos ácidos produzidos por microrganismos das camadas anteriores. quando tratada essa dentina pode ser remineralizada. Representação das três zonas. A remoção de dentina cariada é feita através do uso de instrumentos manuais – curetas ou colheres de dentina – mas, quando a dentina estiver resistente a estes deve-se utilizar fresas esféricas lisas em baixa rotação. · Forma de resistência é dada a cavidade que tanto o dente como o material restaurador, resistam aos esforços mastigatórios e às alterações volumétricas frente as variações térmicas. Atualmente de acordo com Mondelli25, as paredes circundantes paralelas entre si proporcionam bordas de restauração de espessura insuficiente para suportar as cargas mastigatórias, devendo-se, principalmente, no caso de dentes com inclinação acentuada das vertentes cuspídeas, confeccionar paredes circundantes convergentes para oclusal. O esmalte deve estar apoiado em dentina hígida, ou suportada por materiais adesivos (resinas compostas e cimentos de ionômero de vidro) ou ainda devem ser rebaixadas e protegidas com o material restaurador que possua propriedades mecânicas satisfatórias para esses casos. As paredes V e L das caixas proximais devem ser convergentes para oclusal pois além de proporcionar uma auto-retentividade, tambémpreserva maior quantidade de tecido da crista marginal expondo em menor grau a restauração às forças mastigatórias nessa região. · A forma de retenção tem finalidade de evitar o deslocamento de restaurações sob ação dos esforços mastigatórios, pelas alterações dimensionais térmicas, e de alimentos pegajosos. Como o amálgama é plástico, no momento de sua condensação, o mesmo se adapta muito bem às paredes cavitarias. Para obter forma retentiva, poderão ser criadas retenções internas em dentina e associá-las a convergência das paredes laterais do preparo no sentido cérvico-oclusal. A forma de retenção pode ser: friccional: dada pelo atrito do material restaurador às paredes cavitarias; química: através de condicionamento ácido associado a adesivos dentários; retenções mecânicas adicionais: através da confecção de sulcos, canaletas, orifícios, pinos, cauda de andorinha. · A forma de conveniência tem finalidade de facilitar o acesso, a conformação e a instrumentação da cavidade. Antigamente, diante de uma cárie estritamente proximal com a presença dos dentes vizinhos, a forma de conveniência seria a abertura por oclusal para ter acesso à lesão, o que implicava no desgaste ou remoção de estrutura dental sadia e de reforço, por exemplo, a crista marginal. Mas atualmente, foram propostos acessos menos invasivos. Roggemkamp, recomendava em caso de cárie proximal, a confecção de cavidades proximais com acesso por vestibular. Knight e Hunt, em 1984, idealizaram uma cavidade em forma de túnel, com o intuito de preservar a crista marginal. · O acabamento das paredes de esmalte, consistem em remover as irregularidades das paredes e do ângulo cavo-superficial, o objetivo dessa ação é promover uma melhor adaptação entre o material restaurador e as paredes cavitarias, e como consequência, um melhor vedamento marginal. Em cavidades onde o material restaurador selecionado for o amálgama, nunca deve deixar a parede de esmalte sem apoio de dentina, pois este material quando submetido às variações térmicas se contrai e se expande mais que o esmalte. Portanto, se este estiver sem suporte, irá inevitavelmente fraturar com a incidência de forças mastigatórias projetadas sobre esta região. · O último principio é a limpeza da cavidade, feita com diferentes substâncias, para remover resíduos do preparo cavitário previamente à colocação do material de proteção e restauração. Os agentes de limpeza podem ser assim divididos: Agentes não desmineralizantes: germicidas – produtos a base de clorexidina, água oxigenada; detersivos – produtos detergentes; alcalizantes – produtos a base de hidróxido de cálcio. Agentes desmineralizantes: ácidos fortes – ácido fosfórico a 37%, ácido cítrico a 50%; ácidos fracos – EDTA a 15%, ácido poliacrílico a 25%. Durante o preparo cavitário são necessários instrumentos operatórios específicos, estes são agrupados em dois grupos: Instrumentos de cortantes manuais: empregados para cortar, clivar e planificar a estrutura dentária ou complementar a ação dos instrumentos rotatórios, durante o preparo cavitário. Esses instrumentos podem ser simples, quando apresentam a ponta ativa em apenas uma das extremidades; ou duplos quando apresentam ponta ativa nas duas extremidades. São constituídos de três partes: cabo, colo ou intermediário e ponta ativa ou lâmina. Os cabos geralmente são octavados e serrilhados, para evitar o deslizamento no momento da utilização, onde em uma das superfícies apresenta-se lisa, gravada uma fórmula do instrumento onde pode apresentar 3 ou 4 números que indicam a dimensão da lâmina e sua respectiva angulação. Tipos de instrumentos cortantes manuais: · Cinzéis: Utilizados principalmente para planificar e clivar o esmalte podendo-se apresentar em diferentes fórmulas e angulações e são classificados em: retos – possui lâmina reta e apresentam bisel em apenas um dos lados da lâmina; monoangulados: podem ser usados para alisar as paredes de esmalte e dentina; biangulados: podem ser usados também para planificação das paredes cavitárias em dentes superiores; wedelstaed: possui lâmina ligeiramente curva. É um dos mais versáteis dos instrumentos manuais de corte, servindo para diferentes propósitos. reto biangulado Wedelstaed · Enxadas: usadas para alisar as paredes cavitárias, principalmente as de classe V em dentes anteriores. Sua principal função é realizar o acabamento final das paredes internas da cavidade e também são utilizadas para planificar as paredes de esmalte. Segue um exemplo de enxada: · Machados: sua lâmina é paralela ao longo eixo do instrumento. São usados para clivar e aplainar esmalte e para planificar as paredes V e L das caixas proximais de preparos cavitários de classe II. · Recortadores de margem gengival: usados para planificação do ângulo cavo-superficial gengival, arredondamento do ângulo áxio-pulpar e determinação de retenção na parede gengival de cavidade de Classe II; possui lâminas curvas e anguladas. exemplo de recortadores de margem gengival. · Escavador de dentina: utilizado para remoção de tecido cariado e possui lâmina ligeiramente curva e com a extremidade arredondada. Estes instrumentos devem estar sempre afiados, para isso, há a afiação mecânica, que consiste na utilização de motores elétricos especiais com pedras de Arkansas, cilíndricas ou em roda, montadas em seu eixo, e a afiação manual, na qual utiliza-se pedra de Arkansas plana previamente lubrificada e colocada sobre uma superfície plana e lisa. Instrumentos de rotatórios: motores de velocidade convencional (baixa velocidade – 500 a 15.000 rpm): transmitem o movimento à peça de mão através de roldanas e cordas ou por ar comprimido. A:Peça reta, B: turbina de alta rotação, C: contra ângulo, D: micromotor. Estes instrumentais podem ser classificados em dois grupos: de corte e de desgaste. Os instrumentos rotatórios de corte, apresentam três partes: haste, intermediário e ponta ativa. Haste: é a porção da fresa que se conecta à peça de mão, ao contra-ângulo ou à turbina, pode ser longa, para peça de mão; Intermediário: une a ponta ativa e a haste. A fresa de haste longa, possui intermediário ligeiramente maior com relação às outras duas. Por outro lado, as fresas para contra-ângulo e para as turbinas de alta velocidade, têm haste e intermediário mais curtos, o que facilita seu uso em dentes posteriores. Ponta ativa: é a parte do trabalho do instrumento que atua por meio de pequenas. A: fresa esférica: B: cilíndrica; C: fresa tronco-cônica; D: fresa cone inertido; E: fresa roda. Instrumentos rotatórios de desgaste: podem ser classificados em instrumentos abrasivos aglutinados e instrumentos abrasivos de revestimentos. Os abrasivos aglutinados são confeccionados de pequenas partículas abrasivas fixadas por uma substância aglutinante à haste metálica, exemplo: pontas diamantadas, pedras e pontas de carburundum, de óxido de alumínio, de carboneto de silício ou de abrasivo impregnado em borracha; são fornecidos de várias formas e tamanhos. Exemplo de pontas diamantadas: Os abrasivos de revestimento são confeccionados com uma fina camada de abrasivos cimentada em base flexível.; apresentam uma fina camada de abrasivos cimentada em base flexível e são utilizados para dar refinamento ao preparo cavitário ou à restauração. Apresentam diferentes abrasividades, com granulação grossa, média e fina. Exemplo desses instrumentos: