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Universidade Católica de Moçambique Instituto de Educação à Distância Trabalho de Campo Tema: Belina Fernando Muaquia Código de estudante:708192810 Curso: Licenciatura em Ensino de Geografia Disciplina: Técnicas e Metodologia em Geografia Física Ano de frequência: 3 °Ano Turma: A Docente: dr. Jose Olímpio Dombe Beira, Maio de 2021 Índice Introdução 3 O pensamento Geográfico na Idade Contemporânea 4 Geografia Quantitativa 4 Principais Características 5 Contexto histórico 5 Geografia Humanística 6 Geografia Crítica 6 Conclusão 8 Referência bibliográfica 9 Introdução Este trabalho foi realizado no âmbito da disciplina de Técnicas e Metodologia em Geografia Física no curso de Geografia na Universidade Católica de Moçambique. Na temática aqui desenvolvida centrei a atenção no correlacionamento em três áreas de estudo: Geografia Quantitativa Geografia Humanística Geografia Crítica A finalidade principal e encontrar a relação existente entre essas áreas de estudo, a forma como essa eventual relação se estabelece e os efeitos práticos que determina e, a partir daí, iremos compreender cada área de estudo. O pensamento Geográfico na Idade Contemporânea Certamente após a segunda guerra, até os dias de hoje, existiram, e continuam atuando no campo da Geografia três grandes escolas. As grandes escolas que ainda continuam depois da segunda guerra: Geografia Quantitativa Geografia Humanística Geografia Crítica. Análise destas correntes acima citados decorre da intenção de aumentar a nossa perspectiva do que possa ser moderno e pós-moderno na geografia, deste modo evitamos uma discussão bipolar entre modernidade e pós-modernidade na geografia. A visão sistemática, a utilização de modelos e a lógica matemática detona a passagem de uma geografia clássica (tradicional) para uma geografia moderna, a necessidade de se fazer geografia uma ciência; um conhecimento moderno do mundo. O estabelecimento de uma geografia verdadeiramente cientifica e teórica deve possuir clareza, simplicidade, generalidade e exatidão. Segundo Gomes (1996. P263). Geografia Quantitativa O momento histórico, que se formou e consolidou esta corrente foi muito marcada pela a situação socioeconômica que vivia o mundo no pós-Segunda Guerra. Utilizada pela classe dominante o cenário de destruição fez com que os geógrafos buscassem novas formulações para superar a crise econômica capitalista. Esta corrente efetua uma crítica a geografia tradicional pela sua insuficiência da análise tradicional. “Os números servem para o Estado interferir na realidade”. Caracterizada pelo uso de métodos matemático-estatísticos, essa nova geografia desenvolveu-se principalmente nas décadas de 1960 e 70. Na essência buscava a substituição do trabalho de campo pelos experimentos laboratoriais, com muitas mensurações, dados estatísticos, gráficos e tabelas bastante sofisticadas. Foi uma corrente excludente, pouco democrática, já que boa parte desses dados era obtida por sensores e material sofisticado. A própria denominação Teorética, denominação dada a uma vertente dessa corrente, dava a ideia do rompimento com os trabalhos empíricos. A estatística era o principal caminho para se chegar à comprovação de hipóteses e esclarecimentos de fenômenos geográficos. Principais Características Todo o conhecimento é apoiado na experiência Defende a existência de uma linguagem comum a todas as ciências Recusa o dualismo científico entre as ciências naturais e as ciências sociais Defende um maior rigor na aplicação da metodologia; "Para os autores filiados a esta corrente, o temário geográfico poderia ser explicado, totalmente com o uso de métodos matemáticos". Moraes, 1999. A investigação científica bem como os seus resultados devem ser expressos de uma forma clara e lógica através de uma linguagem matemática Contexto histórico Usada como um forte instrumento do poder estatal uma vez que podia manipular dados através de resultados estatísticos, a Geografia Quantitativa predominou na Grã-Bretanha e EUA principalmente na década de 1960 e até meados da década de 1970. A partir da década de 1960 a Geografia Quantitativa começou a sofrer críticas bastante duras muito pelo facto de não considerar as particularidades dos fenômenos, como disse Milton Santos, " A geografia quantitativa ou teorética nos traz uma fotografia, uma descrição, e meras descrições não podem ser confundidas com explicações onde estas serão apoiadas pelos métodos científicos”. Uma vez que o método matemático explica o que acontece a dado momento, mas não explica os intervalos desse dado momento, não é levado em conta a história de formação destes lugares, a ação do homem dentro do meio e o materialismo histórico, por isso Milton Santos chama esta linha de pensamento de fotografia. A acrescentar a isso apresenta os dados considerando o "todo" como sendo homogéneo desconsiderando assim as particularidades inerentes à vida humana. Geografia Humanística A geografia humanista é a corrente da geografia que pesquisa as experiências das pessoas e grupos em relação ao espaço com o fim de entender seus valores e comportamentos. Alguns autores preferem designá-la geografia humanística, pois argumentam que, como todos os trabalhos de geografia humana enfocam comportamentos do homem, aquela expressão serve para enfatizar que o objetivo dos geógrafos humanistas é pesquisar os elementos mais particularmente humanos da relação dos homens com o espaço e o ambiente, que são os valores, crenças, símbolos e atitudes. A geografia humanista surgiu em meados dos anos 1960 e ganhou força a partir da década seguinte, sob influência da fenomenologia e de várias outras correntes epistemológicas ligadas ao humanismo. Três dos mais importantes autores para a origem e desenvolvimento da perspectiva humanista da geografia são Yi-Fu Tuan, Anne Buttimer e Armand Frémont. Na visão dos geógrafos dessa corrente, como Tuan, se as abordagens humanistas da ciência procuram ser meios de autoconhecimento para o homem, a contribuição particular da geografia nesse trabalho está na pesquisa dos muitos tipos de percepção, valores e atitudes relativos ao espaço e à natureza. Nesse sentido, dois conceitos fundamentais da geografia humanista são os de espaço vivido e de lugar. Geografia Crítica A geografia crítica é uma corrente que propõe romper com a ideia de neutralidade científica para fazer da geografia uma ciência apta a elaborar uma crítica radical à sociedade capitalista pelo estudo do espaço e das formas de apropriação da natureza. Nesse sentido, enfatiza a necessidade de engajamento político dos geógrafos e defende a diminuição das disparidades socioeconômicas e regionais. O principal ponto dela é o Marxismo (luta de classes), e com sua principal crítica que é voltada contra o capitalismo. Essa corrente nasceu na França, em 1970, e depois na Alemanha, Brasil, Itália, Espanha, Suíça, México e outros países. A expressão foi criada na obra "A Geografia - isso serve, em primeiro lugar, para fazer a guerra", de Yves Lacoste. A produção geográfica anterior a esta época pregava a neutralidade e excluía os problemas sociais, devido à concepção de que tais temas não eram geográficos. Nesse sentido, a geocrítica significou, principalmente, uma aproximação com movimentos sociais cujos discursos, práticas e reivindicações tenham um conteúdo político e ideológico de esquerda. Diversos fatores influenciaram esta nova corrente na geografia: os protestos contra a guerra do Vietnã, a expansão do movimento feminista, a conturbação civil nos Estados Unidos, os movimentos estudantis em maio de 1968 na França, a crise do marxismo e o ecologismo. A geografia crítica também procurou se aproximar de várias escolas de pensamento inovador, como a Teoria crítica (corrente defendida pelos estudiosos da Escola de Frankfurt), com o anarquismo, com Michel Foucault, com o pós-modernismo e alguns pensadores do marxismo, como Gramsci, pensador que valorizou o aspecto territorial. Conclusão Findo o trabalhono processo de pesquisa bibliografia para o desenvolvimento do tema, foi com muita atenção e dedicação para elaboração do presente trabalho onde vimos que a geografia física e antiga. A geografia crítica é uma corrente que propõe romper com a ideia de neutralidade científica para fazer da geografia uma ciência apta a elaborar uma crítica radical à sociedade capitalista pelo estudo do espaço e das formas de apropriação da natureza. Referência bibliográfica HARVEY, David, Exlanation in Geograhy,196 ABLER, Ronald; GOULD, Peter; ADAMS, John S.Spatial Organization, 1977 SANTOS, Milton,1985 CHRISTOFOLETTI, António, Perspectivas da Geografia,1985 Luis Lopes Diniz Filho. Fundamentos epistemológicos da geografia. 1. ed. Curitiba: IBPEX, 2009 (Metodologia do Ensino de História e Geografia, 6), p. 160. Yi-Fu Tuan. Geografia humanística. In: Antonio Christofoletti. (Org.). Perspectivas da geografia. São Paulo: Difel, 1982