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Brasília-DF. 
Fitoterapia nas DesorDens orgânicas
Elaboração
Juliana Lopez de Oliveira
Produção
Equipe Técnica de Avaliação, Revisão Linguística e Editoração
Sumário
APrESEntAção ................................................................................................................................. 4
orgAnizAção do CAdErno dE EStudoS E PESquiSA .................................................................... 5 
introdução.................................................................................................................................... 7
unidAdE i
FITOTERAPIA EM DESORDENS DO TRATO GASTRINTESTINAL ...................................................................... 9
CAPítulo 1 
DESORDENS DA MucOSA ORAL ............................................................................................... 9
CAPítulo 2 
DESORDENS GáSTRIcAS......................................................................................................... 11
CAPítulo 3 
DESORDENS INTESTINAIS ......................................................................................................... 16
CAPítulo 4
DESORDENS hEPáTIcAS E bILIARES ......................................................................................... 23
CAPítulo 5
DISPEPSIA ............................................................................................................................... 34
unidAdE ii
FITOTERAPIA EM DESORDENS cARDIOVAScuLARES .............................................................................. 36
CAPítulo 1
DOENçAS cARDIOVAScuLARES DEGENERATIVAS ................................................................... 37
CAPítulo 2
DOENçAS VAScuLARES cEREbRAIS E PERIFéRIcAS ................................................................. 40
CAPítulo 3
DISTúRbIOS cIRcuLATóRIOS ................................................................................................... 44
CAPítulo 4
DISLIPIDEMIA .......................................................................................................................... 47
unidAdE iii
FITOTERAPIA EM DESORDENS RESPIRATóRIAS ........................................................................................ 52
CAPítulo 1
INFLAMAçõES AGuDAS E cRôNIcAS DAS VIAS RESPIRATóRIAS .............................................. 53
CAPítulo 2
GRIPES E RESFRIADOS ............................................................................................................ 57
unidAdE iv
FITOTERAPIA EM DESORDENS RENAIS, DAS VIAS uRINáRIAS E PRóSTATA ................................................. 59
CAPítulo 1
INFEcçõES DAS VIAS uRINáRIAS ............................................................................................ 60
CAPítulo 2
hIPERPLASIA bENIGNA DE PRóSTATA ....................................................................................... 62
unidAdE v
FITOTERAPIA EM DESORDENS REuMáTIcAS E GOTA ............................................................................. 65
CAPítulo 1
ARTRITE REuMATOIDE E GOTA ................................................................................................. 65
unidAdE vi
FITOTERAPIA EM DESORDENS DO SISTEMA NERVOSO E PSIQuE ............................................................. 73
CAPítulo 1
DESORDENS DO SISTEMA NERVOSO E PSIQuE ........................................................................ 73
unidAdE vii
FITOTERAPIA EM DESORDENS ENDócRINAS E METAbóLIcAS ................................................................ 83
CAPítulo 1
ObESIDADE E DIAbETES ........................................................................................................... 83
CAPítulo 2
DISTúRbIOS TIREOIDIANOS ...................................................................................................... 92
PArA (não) finAlizAr ..................................................................................................................... 98
rEfErênCiAS .................................................................................................................................. 99
5
Apresentação
Caro aluno
A proposta editorial deste Caderno de Estudos e Pesquisa reúne elementos que se entendem 
necessários para o desenvolvimento do estudo com segurança e qualidade. Caracteriza-se pela 
atualidade, dinâmica e pertinência de seu conteúdo, bem como pela interatividade e modernidade 
de sua estrutura formal, adequadas à metodologia da Educação a Distância – EaD.
Pretende-se, com este material, levá-lo à reflexão e à compreensão da pluralidade dos conhecimentos 
a serem oferecidos, possibilitando-lhe ampliar conceitos específicos da área e atuar de forma 
competente e conscienciosa, como convém ao profissional que busca a formação continuada para 
vencer os desafios que a evolução científico-tecnológica impõe ao mundo contemporâneo.
Elaborou-se a presente publicação com a intenção de torná-la subsídio valioso, de modo a facilitar 
sua caminhada na trajetória a ser percorrida tanto na vida pessoal quanto na profissional. Utilize-a 
como instrumento para seu sucesso na carreira.
Conselho Editorial
6
organização do Caderno
de Estudos e Pesquisa
Para facilitar seu estudo, os conteúdos são organizados em unidades, subdivididas em capítulos, de 
forma didática, objetiva e coerente. Eles serão abordados por meio de textos básicos, com questões 
para refl exão, entre outros recursos editoriais que visam a tornar sua leitura mais agradável. Ao 
fi nal, serão indicadas, também, fontes de consulta, para aprofundar os estudos com leituras e 
pesquisas complementares.
A seguir, uma breve descrição dos ícones utilizados na organização dos Cadernos de Estudos 
e Pesquisa.
Provocação
Textos que buscam instigar o aluno a refletir sobre determinado assunto antes 
mesmo de iniciar sua leitura ou após algum trecho pertinente para o autor 
conteudista.
Para refletir
Questões inseridas no decorrer do estudo a fi m de que o aluno faça uma pausa e refl ita 
sobre o conteúdo estudado ou temas que o ajudem em seu raciocínio. É importante 
que ele verifi que seus conhecimentos, suas experiências e seus sentimentos. As 
refl exões são o ponto de partida para a construção de suas conclusões.
Sugestão de estudo complementar
Sugestões de leituras adicionais, fi lmes e sites para aprofundamento do estudo, 
discussões em fóruns ou encontros presenciais quando for o caso.
Praticando
Sugestão de atividades, no decorrer das leituras, com o objetivo didático de fortalecer 
o processo de aprendizagem do aluno.
Atenção
Chamadas para alertar detalhes/tópicos importantes que contribuam para a 
síntese/conclusão do assunto abordado.
7
Saiba mais
Informações complementares para elucidar a construção das sínteses/conclusões 
sobre o assunto abordado.
Sintetizando
Trecho que busca resumir informações relevantes do conteúdo, facilitando o 
entendimento pelo aluno sobre trechos mais complexos.
Exercício de � xação
Atividades que buscam reforçar a assimilação e fi xação dos períodos que o autor/
conteudista achar mais relevante em relação a aprendizagem de seu módulo (não 
há registro de menção).
Avaliação Final
Questionário com 10 questões objetivas, baseadas nos objetivos do curso, 
que visam verifi car a aprendizagem do curso (há registro de menção). É a única 
atividade do curso que vale nota, ou seja, é a atividade que o aluno fará para saber 
se pode ou não receber a certifi cação.
Para (não) � nalizar
Texto integrador, ao fi nal do módulo, que motiva o aluno a continuar a aprendizagem 
ou estimula ponderações complementares sobre o módulo estudado.
8
introdução
A fitoterapia constitui uma forma deterapia medicinal que vem crescendo notadamente neste 
começo do século XXI. Segundo a Portaria no 971, de 3 de maio 2006, do Ministério da Saúde, 
a fitoterapia é uma terapêutica caracterizada pelo uso de plantas medicinais em suas diferentes 
formas farmacêuticas, sem a utilização de substâncias ativas isoladas, ainda que de origem vegetal. 
De acordo com a Resolução RDC no 14, de 31 de março de 2010, emitida pela ANVISA, são considerados 
medicamentos fitoterápicos os obtidos com emprego exclusivo de matérias-primas ativas vegetais, 
cuja eficácia e segurança são validadas por meio de levantamentos etnofarmacológicos, de 
utilização, documentações tecnocientíficas ou evidências clínicas. Os medicamentos fitoterápicos 
são caracterizados pelo conhecimento da eficácia e dos riscos de seu uso, assim como pela 
reprodutibilidade e constância de sua qualidade. 
O Brasil, com seu amplo patrimônio genético e sua diversidade cultural, têm em mãos a oportunidade 
para estabelecer um modelo de desenvolvimento próprio e soberano no Sistema Único de Saúde 
(SUS) com o uso de plantas medicinais e fitoterápicos. Esse modelo deve buscar a sustentabilidade 
econômica e ecológica, respeitando princípios éticos e compromissos internacionais assumidos e 
promovendo a geração de riquezas com inclusão social.
A aplicação da fitoterapia é amplamente discutida atualmente por diversos profissionais da área 
da saúde, pois, apesar do seu uso tradicional na medicina popular, a regulamentação do uso de 
fitoterápicos no Brasil ainda está sendo desenvolvida e o conhecimento científico é fundamental 
para a correta utilização dessa forma terapêutica. As plantas contêm diversos princípios ativos, 
que podem ou não trazer benefícios ao ser humano, portanto existe uma grande necessidade de 
capacitação profissional na área para prescrição segura de plantas medicinais e fitoterápicos por 
meio de cursos de especialização, congressos, leitura de artigos científicos e filiação a instituições de 
classe que estabeleçam regulamentações, reciclem e fortaleçam o conhecimento nessa área.
objetivos
 » Analisar, refletir e formar sólido conhecimento a respeito da utilização de plantas 
medicinais e fitoterápicos em diferentes desordens orgânicas.
 » Apresentar os principais fitoterápicos utilizados tradicionalmente nas mais variadas 
desordens orgânicas.
 » Analisar os mecanismos, posologia, indicações e contraindicações do uso de 
fitoterapia nas mais variadas desordens orgânicas.
9
unidAdE i
fitotErAPiA EM 
dESordEnS 
do trAto 
gAStrintEStinAl
A fitoterapia e os seus fitomedicamentos apresentam um amplo espectro de indicações para as 
doenças gastroenterológicas e vem se firmando como uma estratégia terapêutica de prevenção 
e tratamento de diversas desordens. As vantagens do uso da fitoterapia nessas desordens são 
inúmeras. Dentre elas o alto custo dos medicamentos alopáticos, além de apresentarem maiores 
efeitos adversos.
CAPítulo 1 
desordens da mucosa oral
desordens bucais
Uma das doenças orais mais comuns, a cárie é de etiologia multifatorial e pode desencadear a 
uma destruição localizada nas estruturas dentais. A fermentação dos carboidratos na boca por 
micro-organismos provoca uma queda acentuada no pH de 7.0 para menos de 5.5, ocorrendo 
dismineralização da superfície do esmalte. A produção e liberação de endotoxinas e ativação de 
monócitos e macrófagos, resultantes da destruição do tecido periodontal, provoca a liberação de 
fatores inflamatórios que levam a reabsorção do osso alveolar e destrói o tecido conectivo (GATI; 
VIEIRA, 2011).
Diversos fitoterápicos possuem efeitos terapêuticos sobre a atividade antimicrobiana documentadas. 
A indústria odontológica passou a utilizá-los em cremes dentais com bons resultados no controle 
das doenças orais, principalmente a cárie. Diversos cremes dentais no mercado compostos por 
fitoterápicos como aloe vera, gengibre, chá verde, própolis, mirra, alecrim, entre outros, uma 
vez que podem atuar na redução da inflamação de gengiva e apresentar efeitos antimicrobianos, 
antifúngicos e antiulcerogênicos na mucosa oral, bem como ser estimulante de cicatrização da 
mucosa (LEE; ZHANG; LI, 2004).
10
unidAdE i │fitotErAPiA EM dESordEnS do trAto gAStrintEStinAl
Tabela 1. Fitoterápicos benéficos na prevenção de cáries e periodontite
Nome popular/botânico Família/ parte 
utilizada
Efeitos
Cranberry/Vaccinium 
oxycoccus ou Vaccinium 
macrocarpon
Ericaceae/
Frutos
Efeito benéfico na inibição de patógenos orais após contato com a mucosa oral. 
Interfere na redução da hidrofobicidade (importante aspecto na capacidade de 
adesão da bactéria) no S. mutans, formação de biofilme e produção de ácido pelo 
S. mutans.
Cacau/Teobroma cacao
Malvaceae/
Semente
Solução de enxágue oral à base de cacau em pó trouxe efeitos positivos na 
prevenção das cáries, reduzindo a formação de biofilme e a produção de ácido 
pelo S. mutans e S. sanguinis.
Café/Coffea arabica
Rubiaceae/
Semente
Os compostos fenólicos presentes em Solução aquosa fervida e não fervida de 
café, apresentam efeito anticariogênico. O componente responsável pela sua ação 
antiaderente é a trigonelina (alcalóide presente no café que dá o aroma e o sabor 
característicos a partir da torrefação dos grãos). 
Chá verde/Camelia sinensis
Theaceae/
Folhas
Possui efeito bactericida em bactérias orais, previne a aderência de bactérias na 
superfície dos dentes e provoca inibição da produção de glucanas. Os efeitos são 
atribuídos a epicatequina, epicatequinagalato e epigalocatequina3galato.
Zedoária/Curcuma zedoaria Zingiberaceae/ Rizoma
Curcuma zedoaria tem atividade antimicrobiana semelhante a produtos a base de 
clorexidina, triclosan. 
As doses recomendadas variam de 250mg/dia a 1.000mg/dia (extrato seco) via 
oral ou 5 mL (tintura, divididos em 2 doses diárias) ou 1 colher de chá do rizoma 
seco para um xícara de chá de água, até três vezes ao dia (decocto).
Erva doce/ Foeniculum vulgare 
ou Pimpinella anisum
Umbelliferae/
Folhas
 » Ambos apresentam atividade antimicrobiana quando usados sob a forma 
de óleo essencial, de maneira isolada ou combinada com óleo essencial 
de Thymus vulgaris (tomilho), exercendo efeitos antibacterianos sobre 
Staphylococus aureus, Bacillus cereus, Pseudomonas aeruginosa e Proteus 
vulgaris. 
Um estudo testou o efeito antibacteriano contra 176 bactérias de 12 gêneros 
diferentes que foram isoladas da cavidade oral de 200 indivíduos, utilizando a 
decocção de erva doce (Pimpinella anisum), pimenta preta (Piper nigrum), cominho 
(Cuminum cyminum) e louro (Laurus nobilis). A maior inibição de toxina bacteriana 
exibida foi com a pimenta preta (75%), seguida pelo louro (53,4%) e erva doce 
(18,1%), enquanto que o cominho não mostrou nenhum efeito antibacteriano 
sobre as cepas testadas, mostrando, nessas situações, a superioridade de se 
utilizar a pimenta e o louro, do que a erva doce. 
Por outro lado o cominho apresenta em testes in vitro atividade antifúngica oral. O 
óleo essencial do cominho possui atividade antifúngica testada em dermatófilos, 
fitopatógenos, fungos, leveduras e alguns novos aspergillos. Outras associações 
que podem ser feitas para o tratamento de inibição aos fungos é com óleo de tea 
tree e de hortelã. 
Cominho/Cuminum cyminum L
Apiaceae/
sementes
Pimenta preta/Piper nigrum
Piperacenae/
fruto
Fontes: Koo et al., 2010; bodet et al., 2008; Ferrazzano et al., 2009; bugno et al., 2007; Al-bayatti, 2008; chaudhry; Tarig, 2006; 
Pai et al., 2010; Wanner et al., 2010; Romagnoli et al., 2010.
Adicionalmente, o própolis, apesar de não ser um fitoterápico e sim um subproduto produzido por 
abelhas a partir da extração feita pelas mesmas de diversas plantas, existem estudos documentando 
a ação antibacteriana do extratode própolis. Segundo o perfil químico, mais de 12 tipos químicos 
diferentes de própolis brasileira já foram identificados, sendo que os mais efetivos nas desordens 
orais são o tipo 3, proveniente do sul do país, e tipo 12, proveniente do sudeste do Brasil. Dualibe et 
al. (2007), observou que o uso da solução do extrato alcoólico de própolis utilizada em bochechos, 
consegue reduzir em 81% a quantidade de S. mutans, sendo que esse efeito está relacionado à 
redução da atividade da glicosiltransferase e consequentemente menor adesão bacteriana aos 
dentes (DUARTE et al., 2003).
11
CAPítulo 2 
desordens gástricas
gastrite e úlcera
Gastrite é uma inflamação da mucosa gástrica que pode ser desencadeada pelo uso de medicamentos, 
ingestão de bebidas alcoólicas, fumo, situações de estresse. Geralmente tem curta duração e 
desaparece, na maioria das vezes, sem deixar sequelas. Porém a gastrite também pode se apresentar 
de forma crônica sendo caracterizada por atrofia crônica progressiva da mucosa gástrica (HUDSON 
et al., 2000; KRAUSE et al., 2010).
A úlcera péptica é uma doença de evolução crônica, com surtos de ativação e períodos de remissão, 
caracterizada por perda de tecido nas áreas do tubo digestório, que entram em contato com a 
secreção de ácido péptico do estômago. O desenvolvimento de úlcera gastrointestinal está associado 
com alta ingestão de álcool, avanço da idade, uso de tabaco ou relacionada com a presença de outras 
patologias (SILVA, 2010; HUDSON et al., 2000).
Na gastrite e na úlcera ocorre um desequilíbrio entre fatores que agridem a mucosa e outros que 
protegem, gerando uma lesão da mucosa. Outro fator importante é a presença de Helicobacter 
pylori, uma bactéria gram-negativa que apresenta ação mucolítica, presente em grande parte 
das úlceras gástricas. A colonização da mucosa gástrica com Helicobacter pylori resulta em no 
desenvolvimento de gastrite crônica evoluindo para complicações como úlcera, neoplasia gástrica 
e algumas enfermidades extra-gástricas (ZULLO et al., 2009). Estudos sugerem que o risco 
de desenvolver câncer está associado ao alto consumo de alimentos preservados em sal e baixo 
consumo de vegetais e frutas em especial, supostamente devido ao seu conteúdo de Vitamina C, que 
agiriam como agentes protetores (TSUGANE et al., 2007). Estudo em ratos e humanos mostra que 
a H.pylori estimula a proliferação de células epiteliais gástricas e sua apoptose (YANG et al., 2008).
O adequado fluxo de sangue e secreção de bicarbonato com tamponamento da superfície epitelial são 
fatores fisiológicos protetores da mucosa gástrica. Uma vez lesionado, há uma secreção fisiológica 
de prostaglandinas juntamente com a secreção de alguns hormônios e fatores de crescimento como 
gastrina, colecistoquinina, secreção de células parietais, TNF-alfa e fator de crescimento epidérmico 
(EGF), que promovem a recuperação da úlcera (NAYEB et al., 2009).
Diversos fitoterápicos atuam na prevenção e no tratamento da gastrite e úlceras por possuir 
efeito gastroprotetor, antibacteriano, anti-inflamatório, analgésico e antioxidante, isolados ou em 
combinação, garantindo a proteção da mucosa (AL MOFLEH et al., 2007).
12
UNIDADE I │FITOTERAPIA EM DESORDENS DO TRATO GASTRINTESTINAL
Espinheira Santa (Maytenus ilicifolia e Maytenus 
aquifolia Mart.)
Originária da mata atlântica brasileira, da família Celastracea, a espinheira santa (folhas) é usada 
tradicionalmente como analgésica, anti-inflamatória e antiulcerogênica. Estudos em ratos relatam 
efeito protetor contra lesões gástricas e ação reparadora quando ratos eram submetidos ao estresse 
(JORGE et al., 2004). 
As substâncias mais relacionadas a esses efeitos da planta são: os triterpenos, flavonoides – 
catequinas, epicatequinas, e taninos condensados e polissacarídeos (metabólitos primários). 
Acredita-se que sua atividade antiulcerosa e anti-inflamatória está relacionada ao conteúdo de 
polissacarídeos (arabinogalactanos), liberados durante a infusão e à presença de compostos 
fenólicos, como os taninos, flavonoides e triterpenos (LVTOSSI et al., 2009).
Estudos mostraram que o uso oral da espinheira santa exerce atividade citoprotetora por ter 
capacidade de se ligar a superfície da mucosa funcionando como uma camada de proteção por 
aumentar a síntese de muco e combater radicais livres (LEITE et al., 2001).
A presença de taninos e sua ação antioxidante protegem as células contra a oxidação celular, 
incluindo a peroxidação lipídica e conferem à Espinheira Santa seus efeitos anticarcinogênicos 
e mutagênicos. Os tipos de câncer em eu melhor se conhecem os benefícios preventivos são o 
melanoma, carcinoma, adenocarcinoma, linfoma e leucemia (CIPRIANI et al., 2007; HATSUKO et 
al., 2007; THALES et al., 2006; ).
Os principais responsáveis pelo efeito gastroprotetor das folhas de espinheira santa são os flavonoides 
tri e tetra glicosídeos 1 e 3 (LEITE et al., 2010). Estes constituintes fenólicos são os responsáveis 
pela interrupção da secreção ácida por inibir a bomba NA-K-ATPase e modulação da produção de 
óxido nítrico (NO) pelos seus constituintes. 
A presença de flavonoides confere, também, à espinheira santa efeitos na redução do esvaziamento 
gástrico e tempo de trânsito intestinal, que podem ser mediados por antagonismo muscarínico 
(CIPRIANI et al., 2007).
Doses recomendadas: para adultos na forma de tintura são 10ml, três vezes ao dia diluído em meio 
copo de água ou na forma de infusão utilizar 2 g da erva em infusão até três vezes ao dia.
Contraindicações: pacientes com câncer estrogênio dependentes e mulheres fazendo 
tratamento para engravidar ou que desejam engravidar, pois podem ter ação estrogênio-símile. 
Contraindicado também para gestantes e lactantes, pois reduz a produção láctea. (MONTANARI; 
BELVILACQUA, 2002).
13
fitotErAPiA EM dESordEnS do trAto gAStrintEStinAl│ unidAdE i
Camomila (Matricaria chamomilla l.)
A Matricaria chamomilla L. pertence à família Compositae. Seus capítulos florais são muito 
utilizados para tratar desordens gastrintestinais como flatulência, diarreia nervosa, espasmos, 
colite, gastrite e hemorroidas. Acredita-se que a camomila deva suas propriedades terapêuticas a 
três grupos de princípios ativos: óleos voláteis terpenoides (0,25% a 1%) especialmente bisabolol 
e chamazuleno, que mostram ambos uma atividade anti-inflamatória; os flavonoides (2,4%) 
com a apigeina mostrando uma atividade particular como agente antiespasmódico; as flores de 
camomila contêm mucilagens semelhantes à pectina (5% a 10%). Essas substâncias são liberadas 
preferencialmente durante o processo de infusão e estudos revelam que agem amenizando a irritação 
da mucosa gástrica (FRAGOSO et al., 2008; SCHULTZ et al., 2002).
Mc Kay e Blumberg (2006), em estudo clínico realizado com 98 pacientes recebendo radioterapia e 
quimioterapia o uso oral de solução de camomila, mostrou prevenir a mucosite secundária ao uso de 
radioterapia e algumas medicações quimioterápicas como asparaginase, cisplatina, ciclofosfamida, 
metotrexato e vincristina. 
Em estudo realizado em ratos com ulcerações gástricas foi utilizado um extrato aquoso de 
camomila em diferentes concentrações e os resultados revelaram que houve redução do índice 
ulcerogênico proporcional à dose de camomila utilizada e houve aumento dos níveis de glutationa 
após a administração das doses mais altas de extrato aquoso de camomila (HASHEM, 2010). Outro 
estudo concluiu que o extrato hidroalcoólico de camomila pode ter efeitos nas lesões mucosas pelo 
menos em parte devido ao seu efeito na redução da peroxidação lipídica e aumento da atividade 
antioxidante (CEMEK et al., 2010).
 » Dose recomendada: infusão de flores de camomila, 1 xícara três ou quatro vezes 
ao dia; extratos líquidos, 30 gotas em uma xícara de água morna(SCHULTZ et al., 
2002).
 » Reações adversas e contraindicações: reações alérgicas incluindo reações severas 
de hipersensibilidade e anafilaxia em indivíduos sensíveis já foram relatadas com 
o uso de infusão de camomila (FRAGOSO et al., 2008). Por conter coumarinas é 
sugerida uma interação entre a camomila e a varfarina, potencializando processos 
hemorrágicos. A superdosagem está relacionada com excitação nervosa e insônia 
(FERRO, 2006). Além disso, os óleos essenciais contidos na camomila podem inibir 
as enzimas do citocromo p450, especialmente CYP1A2, por isso a interação negativa 
com medicamentos que utilizam essa via de eliminação são possíveis (FRAGOSO et 
al., 2008; GANZERA et al., 2006). 
Alcaçuz (glycyrrhiza glabra)
Pertencente à família Fabaceae, a raiz e rizoma do alcaçuz contêm dois principais tipos de princípios 
ativos: a glicirrizina (5% a 15%) e os flavonoides liquiritina e isoliquiritina (SCHULTZ et al., 2002). 
As principais propriedades das raízes de alcaçuz são: anti-inflamatórias, antiúlcera, expectorante, 
14
UNIDADE I │FITOTERAPIA EM DESORDENS DO TRATO GASTRINTESTINAL
atimicrobiana e ansiolítica, além de ser utilizada como ativador de memória, possivelmente pela 
melhoria da transmissão colinérgica no cérebro (PARLE et al., 2004). 
O Alcaçuz, na forma de extrato aquoso, é muito utilizado no tratamento de úceras, pois reduz a 
adesão da H.pylori no tecido estomacal, P. gengivalis no tecido oral e seu efeito anti-inflamatório 
também favorece o tratamento. (WITTSCHER et al., 2009). A fração anti-inflamatória é a 12-keto 
triterpenosaponinas. Alguns estudos relatam ainda que a Glycyrrhiza glabra apresenta atividade 
inibitória sobre a bactéria em função da presença dos flavonoides glabridina e glabreno (FUKAI et 
al., 2002). 
As frações de ácido cafeico (eisosanil cafeato e docosil cafeato), presentes no alcaçuz, pode ser 
responsável por sua atividade antiúlcera, pois inibem a atividade da elastase e apresentam ação 
antioxidante. Além disso, esse efeito pode ser potencializado quando em associação a outros 
fitoterápicos. Khayyal et al. (2001) utilizaram em estudo realizado em ratos uma associação da 
Glycyrrhiza glabra com Iberis amara, Melissa officinalis, Matricaria recutita, Carum carvi, 
Mentha piperita, Angelica archangelica, Silybum marianum e Chelidonium majus. Os resultados 
indicam que os efeitos são ainda melhores do que quando os fitoterápicos foram testados 
isoladamente. Os ratos apresentaram uma redução da produção de ácido, aumento da produção 
de mucina, um aumento da liberação de prostaglandinas E2 e uma redução dos leucotrientos. Os 
autores associam os efeitos citoprotetores observados nos animais ao seu conteúdo de flavonoides e 
as suas propriedades antioxidantes (KHAYYAL et al.,2001).
Chá verde (Camellia sinensis)
Uma das bebidas mais populares do mundo, o chá verde pertence à família Thaeceae e suas folhas 
são utilizadas para preparação de uma infusão utilizada em grande parte do mundo. Seus efeitos 
antiulcerogênicos estão associados à presença de catequinas, que são capazes de inibir o crescimento in 
vitro de uma série de micro-organismos como Staphylococcus aureus, Staphylococcus epidermidis, 
Vibrio cholerae O1, V.cholerae non-O1, Vibro parahaemolyticus, Vibrio mimicus, Campylobacter 
jejuni e Plesiomonas shigelloides e apresenta atividade antibacteriana contra o S. aureus. 
Dentre as bactérias que ele possui espectro de ação, está a H.pylori. Estudos sugerem que o consumo 
do chá previamente à infecção pela bactéria pode prevenir a inflamação da mucosa gástrica e quando 
o chá é ingerido após a infecção pode reduzir a magnitude da gastrite (STOICOV et al., 2009). Parte 
desses efeitos se dá à presença de polifenóis que apresentam atividade antitumoral e propriedades 
bactericidas. 
Cominho (Cumunum cyminum l.)
O Cumunum cyminum L. pertence à família Apiaceae e o óleo essencial extraído das suas folhas 
já mostrou, em estudos realizados em humanos, que é capaz de inibir o crescimento de diversas 
bactérias patogênicas responsáveis por infecções. A sua eficácia é comparável ou superior a de 
antibióticos, com uso de doses bem pequenas (SINGH et al., 2002). 
15
fitotErAPiA EM dESordEnS CArdiovASCulArES│ unidAdE ii
Aloe vera (Aloe barbadensi BC)
Aloe Vera pertence à família Liliaceae, e a seiva das suas folhas têm sido testada por diversos 
pesquisadores no combate à bactéria H.pylori, com resultados positivos. 
Prabjone et al. (2006) mostraram que ratos tratados com uma solução de Aloe Vera apresentaram 
uma redução na adesão leucicitária bem como menores níveis de NKκ-B, mostrando efeito positivo 
na redução do processo inflamatório presente nas infecções pela bactéria H.pylori. Adicionalmente, 
outro grupo de pesquisadores mostram que o Aloe Vera possui também efeito antiaderente sobre a 
H.pylori in vitro (XU et al., 2010).
gengibre (zingiber officinale)
Pertencente a família Zingibiraceae, o Zingiber officinale é uma das plantas mais estudas no mundo. 
Trata-se de um rizoma que produz um estimulo ao trato gastrintestinal, aumentando o peristaltismo 
e tônus do músculo intestinal. Uma revisão da literatura científica conclui que o Gengibre apresenta 
também atividade antiemética no tratamento de enjôos, além de atividade estimulante sobre enzimas 
digestivas como, lípase pancreática, lípase intestinal, dissacaridases e mantases (CHRUBASIK et 
al., 2005). O gengibre também é um potente inibidor da bomba de prótons ATPase, ajudando no 
combate a úlcera e problemas gástricos (MASUDA et al., 2004). 
Shukla e Sing (2006) em uma revisão da literatura concluíram que diversos estudos apontam que o 
uso de gengibre está relacionado à morte da bactéria H.pylori. Outros efeitos relacionados ao uso do 
rizoma são: antipirético, analgésico, hipotensor, antioxidante, anti-inflamatorio devido à supressão 
da ciclooxigenase (COX2), lipoxigenase (LOX5) e ácido araquidônico (AA) e, também, antitumoral 
(MASUDA et al., 2004; SHUKLA e SING, 2006).
Os gingeróis são os compostos ativos mais conhecidos sendo que o principal é o 6 gingerol (WHITE, 
2007; REIS et al., 2009; ALAM et al., 2009).
16
CAPítulo 3 
desordens intestinais
inchaço e flatulência
As plantas carminativas (úteis para expelir gases com o objetivo de aliviar a flatulência) aceleram 
o processo digestivo e de neutralizam os gases provenientes do trato digestivo, reduzindo cólicas e 
desconforto abdominal (HAWRELAK et al., 2009).
Os compostos químicos responsáveis por esses efeitos são os óleos essenciais e flavonoides, estes últimos 
relaxam a musculatura lisa do trato gastrintestinal e as vias biliares, conferindo uma ação espasmolítica. 
Devem ser administrados no início das refeições ou logo após as mesmas (SCHULTZ et al., 2002). 
Tabela 3. Fitoterápicos com ação carminativa e espasmolítica
Planta (nome popular/
científico)
Família/parte 
utilizada
Efeitos/contraindicações
Cominho/Xuminum cyminum L. Apiaceae/Folhas
- atividade protetora sobre o cólon reduzindo a atividades da beta glicuronidase e da 
mucinase e, consequentemente, reduzindo a liberação de toxinas.
- antioxidante
Erva doce/ Pimpinella anisum L.
Umbelliferae/ Folhas e 
sementes
- ação carminativa e expectorante é utilizada para redução da produção de gases, 
especialmente em pacientes pediátricos.
- utilizada como antiespasmódica e antiséptica quando usada em doses maiores. 
Esses efeitos se devem a presença do óleo de anis, cujo principal constituinte, o trans 
anetol (75% a 90%), apresenta atividade espasmolítica.
- o uso via oral do óleo essencial deve ser evitado em: gestantes e crianças menores 
de 6 anos (apresenta efeito estrogênico); pacientes com ulceras gastroduodenais 
e gastrites, síndrome do intestino irritável, colites em geral, hepatopatias crônicas, 
epilepsia e parkinson.Hortelã/ Mentha piperita
Lamiaceae/
Folhas e sumidade florida
- redução das contrações musculares lisas por um efeito no bloqueio aos canais de 
cálcio e reduzindo o influxo de cálcio celular (efeito antiespasmódico na musculatura 
lisa do trato gastrintestinal). 
- ação antibacteriana, estimula o fluxo biliar, facilita a eructação e age como 
carminativo graças à presença do mentol, seu principal princípio ativo. 
Alertas e contraindicações: 
- pode ser hepatotóxico com doses altas;
- o chá obtido das folhas de hortelã pode reduzir os níveis de testosterona e reduzir a 
espermatogênese em animais machos, assim como aumentar os níveis e FSH e LH. 
- pode interagir com CYP1A2. CYP2C19, CYP2C9 e CYP3A4 e, dessa forma, pode 
modificar o nível de drogas metabolizadas por essas vias. 
- pode agravar os sintomas de refluxo gastroesofágico, pois relaxam o esfíncter 
esofágico inferior; 
- contraindicado nas obstruções de vias biliares, colecistite e dano grave ao fígado, 
pois o mentol é quase que totalmente excretado pela bile. 
- podem reduzir a produção de leite, por isso não usar na gravidez e no aleitamento. 
Em crianças com menos de 1 ano de idade o mentol ingerido em doses mais 
elevadas pode provocar depressão respiratória e apnéia ou espasmos laríngeos, 
sendo esse risco grande para recém-nascidos.
17
fitotErAPiA EM dESordEnS do trAto gAStrintEStinAl│ unidAdE i
Camomila/
Matricaria chamomilla L.
Asteraceae/Capítulos 
florais
- os óleos voláteis terpenoides (0,25% a 1%), especialmente bisabolol e 
chamazuleno, mostrou apresentar atividade anti-inflamatória em estudos realizados 
em laboratório. Os flavonoides (2,4%) como a apigeina têm mostrando uma atividade 
particular como agente antiespasmódico.
Alcaravia/ Caruru carvi Apiaceae/ Frutos
- atividade antiácida, antiflatulenta, digestiva, emanagoga, estimulante e laxante. 
- antioxidante (óleo)
- inibição do crescimento de microorganismos patógenos no intestino em potencial.
Funcho/Foeniculum vulgare
Umbelliferae/ Folha, fruto 
e raiz
- laxativo
- atividade estimulatória sobre a motilidade
- antiespasmódico 
composição: óleos essenciais (2% a 6%), dos quais 50% a 70% são constituídos de 
trans anetol e mais de 20% de funchona. Os frutos e folhas do funcho contêm uma 
quantidade grande de flavonoides (quercetina, isoquercetina, kaempferol), proteínas 
e ácidos orgânicos.
Alecrim/Rosmarinus officinalis
Labiatae/Folhas e 
sumidades floridas
- favorece a expulsão de gases do aparelho digestor e a digestão especialmente de 
lipídios, diminuindo a distensão abdominal, a flatulência e as dores.
- efeitos antioxidantes (ácido rosmarínico) verificado pelos efeitos sobre a 
peroxidação lipídica (carnosol, rosmanol e epirosmano) e atua na detoxificação 
(saponinas são ligantes de toxinas, colesterol e taninos) 
contraindicação: na gravidez e lactação, visto que é abortivo em altas doses. 
Fontes: Nalini et al., 1996; Sultana et al., 2010; Der Marderosaian e beuter, 2002; Picon et al., 2010; Oravy et al., 2008; baliga 
& Rao, 2010; Rodriguez et al., 1999; Alun et al., 1984; burkhard et al., 1999; Ferro, 2006; Teske et al., 2001; Iacobellis et al., 
2005; Samoujuk et al., 2010; hawrelak et al., 2009, Klein et al., 1998; Shang et al., 2005; Zeng et al., 2001.
obstipação intestinal 
A constipação do intestino é um sintoma frequente que afeta entre 2% a 27% da população de países 
ocidentais, dependendo do grupo estudado sendo mais frequente em mulheres e idosos (COFRE 
et al., 2008). O critério mais utilizado para definição de constipação crônica são os critérios de 
Roma II, com a presença de dois ou mais dos seguintes sintomas, por pelo menos 12 semanas (não 
necessariamente consecutivas) nos últimos 12 meses (LOCKE et al., 2000):
 » esforço excessivo em mais de 25% das evacuações intestinais; 
 » fezes duras ou muito volumosas em mais de 25% das evacuações; 
 » sensação de evacuação incompleta em mais de 25% das vezes; 
 » sensação de bloqueio ano-retal em mais de 25% das evacuações; 
 » necessidade de manobras manuais para facilitar a evacuação em mais de 25% das 
vezes; 
 » menos de 3 evacuações semanais;
 » critérios insuficientes para diagnosticar a síndrome do intestino irritável. 
18
unidAdE i │fitotErAPiA EM dESordEnS do trAto gAStrintEStinAl
Para tratamento da constipação a ingestão de água, uso de pré e probióticos para restauração da 
microbiota intestinal e o consumo adequado de fibras é fundamental. A fitoterapia pode ser bastante 
útil visto que diversas matérias primas vegetais possuem ação laxativa e prebiótica. Laxantes 
fazem parte da lista de medicamentos mais utilizados pelos pacientes sem prescrição médica e, 
portanto, frequentemente são utilizados maneira inadequada e de forma abusiva. O abuso no uso 
de laxante, sendo eles compostos por plantas medicinais ou não, pode causar efeitos indesejáveis 
como desequilíbrio eletrolítico e da composição bacteriana intestinal, desordens da motilidade e 
pseudomelanosi coli, uma alteração colônica benigna (CASASNOVAS et al., 2011). 
Os laxantes podem estimular o peristaltismo intestinal, como as espécies vegetais que contém 
derivados antraquinônicos que alteram a motilidade colônica, acelerando o trânsito intestinal; e 
alteram a absorção colônica e secreção resultando no acúmulo de fluidos. 
É importante ressaltar que os antranóides provocam a destruição das células epiteliais por meio 
de perdas celulares, reduzem as criptas mucosas e aumentam a proliferação celular, levando a 
mudanças na absorção, secreção e motilidade. Portanto, não devem ser utilizados com freqüência 
ou de forma crônica.
Tabela 2. Plantas medicinais utilizadas no tratamento da obstipação por efeito estimulante do peristaltismo 
intestinal
Planta (nome 
popular/científico)
Família/parte 
utilizada
Efeitos/contraindicações
aloe vera/ aloe barbadensi liliaceae/ seiva das folhas
Efeito laxativo:
- os componentes responsáveis por esse efeito são aloinas a e b, emodina e 
antraquinonas livres como aloe emodina.
- melhor efeito terapêutico é obtido a partir do uso do gel fresco da planta, mas o 
uso do gel estabilizado processado a frio consegue manter as mesmas propriedades 
benéficas. 
contraindicações:
- o aloe vera pode reduzir os níveis glicêmicos e isso pode ser especialmente perigoso 
em pacientes que tomam medicações hipoglicemiantes. 
- em pacientes com uso de medicamentos glicosídicos para o coração devido à 
depleção de potássio. 
- o aloe vera inibe o tromboxano a2 e prostaglandinas, e pode reduzir a agregação 
plaquetária e prolongar o tempo de sangramento, por isso deve ser suspenso antes de 
procedimentos cirúrgicos. 
- alguns trabalhos ainda apontam seu efeito na indução de abortos e estimulo à 
menstruação. 
Sene/Cassia angustifólia Fabaceae/ Folhas
O conteúdo de antraquinonas do sene é de 2% a 5% destacando-se os senosídeos a 
e b, também possuindo antraquinonas livres e, portanto, apresenta efeito estimulante do 
peristaltismo intestinal.
Contraindicações: 
- não há evidências de risco de câncer de cólon ou efeito tóxico para pacientes que 
usam laxantes a base de extratos de sene ou senosídeos. Porém, o uso contínuo pode 
até causar constipação paradoxal. 
- o efeito colateral do uso do sene é diarreia com perda de potássio. 
- é contraindicado nas obstruções intestinais, enterites e colites, hipocalemia. 
- não deve ser usado na gravidez, lactação e em crianças com menos de 7 anos. Os 
constituintes do sene passam para o leite materno e também podem aumentar o fluxo 
menstrual. 
19
FITOTERAPIA EM DESORDENS DO TRATO GASTRINTESTINAL│ UNIDADE I
Ruibarbo/ Rheum 
palmatum 
Polygonaceae/raiz
- Efeitos antidiarreico ou laxante, dependendo da dose. As doses mais altas, devido à 
quantidade de compostos antraquinonicose de antraquinonas livres, é responsável pelo 
seu efeito laxativo, no entanto, em doses pequenas (0,3g/dia) exerce efeito antidiarréico 
e digestivo (por ação predominante dos taninos).
Contraindicação: o alto conteúdo de oxalato de cálcio não o torna recomendável em 
casos de litíase renal.
Frângula/Fran gula alnus Mill Rhamnaceae/Casca
A casca da frângula contém de 6% a 9% de glicosídeos de antraquinona, entre os quais 
os mais importantes são a glucofragulina A e B. Dos laxantes antraquinônicos é o que 
possui efeito mais suave.
Contraindicações:
- na gestação e lactação e não deve, assim como outros laxantes da mesma classe, ser 
utilizada por mais de 2 semanas contínuas 
- devido à perda de potássio que pode ocorrer com uso de doses altas por tempo 
prolongado, pode potencializar os efeitos das drogas antiarrítmicas.
Cáscara sagrada/Rhamnus 
purshiana
Rhamnacea/ Casca dos 
caules e dos ramos
A cáscara sagrada contém pelo menos 8% de antranoides. Preparações na forma 
de extratos e extratos líquidos são usadas, mas não é adequado seu uso como chá 
devido ao seu odor desagradável. Recomenda-se utilizá-la à noite para que as bactérias 
intestinais possam converter os glicosídeos neste período e proporcionar um efeito cerca 
de 8 horas depois. 
Contraindicações/Efeitos adversos:
- doses acima de 8g/dia pode provocar hipovolemia por desidratação. 
- evitar seu uso na gestação e lactação, pois pode provocar efeito oxitóxico, cólicas e 
diarréia no lactente.
- nunca usar em processos de obstrução intestinal. 
- pode causar cólicas e diarréias dependendo da dose e da sensibilidade de cada 
indivíduo. 
- outros efeitos colaterais descritos são deficiência de vitaminas e minerais, esteatorréia, 
melanose do cólon e pigmentação da urina. 
- seu uso também está contraindicado em esofagite por refluxo, abdômen agudo, íleo 
paralítico, cólon irritável, doença inflamatória intestinal, apendicite, diverticulite ou doença 
diverticular do cólon.
Funcho/Foeniculum 
vulgare
Umbelliferae/ Folha, fruto 
e raiz
O funcho contém óleos essenciais (2% a 6%), dos quais 50% a 70% são constituídos 
de trans anetol e mais de 20% de funchona.
- Efeito laxativo por ter atividade estimulatória sobre a motilidade. 
Efeitos adversos: Não foram vistas diferenças significativas em relação a efeitos adversos, 
apenas uma discreta redução de potássio sérico durante o tratamento
Fontes: casasnovas et al., 2011; Thompson et al., 1999; Morales et al., 2009; Lemli, 1988; benedicte, et al., 2005; Alonso et 
al., 2004; Picon et al., 2010; 
Outros laxantes podem agir como formadores de massa. São constituídos pelas fibras naturais ou, 
mais recentemente, as sintéticas e são a base para o tratamento inicial da constipação. Os agentes 
formadores de massa e volume possuem efeitos laxativos suaves de baixo risco que estimulam os 
efeitos fisiológicos de uma dieta rica em fibra (CARVALHO, 2005). Os laxantes formadores de 
massa apresentam também capacidade de retenção de água, o que os torna úteis para tratamento 
sintomático de diarréia em alguns pacientes. São amplamente reconhecidos por seu valor no 
controle em longo prazo do cólon irritável e diverticulite crônical (CARVALHO, 2005). 
É importante ressaltar que é necessário ingerir os agentes formadores de massa com uma quantidade 
suficiente de líquidos, para que não haja obstrução intestinal. Seu efeito não é imediato e pode 
demorar de 12 a 24 horas para ocorrer. Os principais constituintes desse grupo são as gomas e 
mucilagens. 
20
UNIDADE I │FITOTERAPIA EM DESORDENS DO TRATO GASTRINTESTINAL
Tabela 4. Plantas medicinais com efeito laxante por aumentar o volume da massa fecal 
Planta medicinal Dose diária recomendada
Sementes de linho 30g-50g (sementes inteiras esmagadas)
Plantago 5g-lOg 
(Quando utilizar a casca reduzir a dose diária para 3g)
Agar 5g-lOg
Fonte: Adaptado de Schultz et al. (2011)
diarreias 
Diarreia é caracterizada pela evacuação de fezes líquidas ou semilíquidas mais de três vezes ao 
dia. Para o tratamento das diarreias recomenda-se a administração de fitoterápicos contendo boa 
quantidade de taninos (PALOMBO, 2006).
Os taninos têm ação de precipitação de proteína e, portanto, quando aplicados a membranas 
mucosas, fazem as proteínas serem depositadas na superfície epitelial revestindo o lúmen do 
intestino como uma película protetora que normaliza a hiperperistaltia (SAAD et al., 2009).
A infusão das folhas do chá preto e o chá verde (Camellia sinensis) são fontes de taninos (5% a 
20%). No chá verde o teor de tanino bem alto, conferindo sabor extremamente amargo (137). A dose 
diária recomendada é de 3 a 10g da droga vegetal.
Outras fontes de taninos, que podem ser utilizadas em casos de diarreia são:
 » Folha e casca de hamamelis (5% a 15% de taninos). Dose recomendada é de 0,1g a 
lg de droga vegetal (SCHULTZ et al., 2011). 
 » Casca de carvalho (10% a 20% de taninos). Dose recomendada é de 2g a 6g de droga 
vegetal (SCHULTZ et al., 2011). 
Síndrome do intestino irritável 
A síndrome do cólon irritável ou do intestino irritável (SII) é uma doença funcional intestinal muito 
comum. Os sintomas podem ser: dor abdominal, distensão, alternância entre diarreia e constipação. 
A SII provoca muito desconforto, porém não está relacionada com alterações significativas intestinais 
desenvolvimento de câncer (SIEGEL et al., 2005). 
Os critérios de Roma III são utilizados para o diagnóstico. De acordo com esses critérios é considerado 
SII quando há presença em 12 semanas (não necessariamente consecutivas), durante os últimos 12 
meses, de desconforto ou dor abdominal acompanhado de duas das três características seguintes 
(COFRE et al., 2008):
 » alívio com a defecação; 
21
FITOTERAPIA EM DESORDENS DO TRATO GASTRINTESTINAL│ UNIDADE I
 » início associado à alteração na frequência das evacuações (mais de três vezes/dia ou 
menos de três vezes/semana); 
 » início associado à alteração na forma (aparência) das fezes. 
Outros sintomas podem ajudar a reforçar o diagnóstico da SII, tais como (COFRE et al., 2008): 
 » esforço excessivo durante a defecação;
 » urgência para defecar; 
 » sensação de evacuação incompleta; 
 » eliminação de muco durante a evacuação; 
 » sensação de plenitude ou distensão abdominal. 
Diversos pesquisadores sugerem que os pacientes com SII possuem alteração na composição da 
microbiota. A microbiota intestinal de pacientes com SII parece ser diferente do que indivíduos 
saudáveis, apresentando menor quantidade de bactérias coliformes, lactobacillus e bifidobacterias 
e também de que produzem menos quantidade de ácidos graxos de cadeira curta (RODRIGUEZ; 
RUIGOMEZ, 1999; ALUN et al., 1984; HAWRELAK; CATTLEY, 2009). Além disso, há evidências 
de que há na SII uma inflamação de baixo grau, ativação imune no intestino grosso e prejuízos na 
comunicação neural no eixo cérebro-intestino (OHMAN; SIMRÉN, 2010). Alterações na microbiota 
intestinal como a disbiose e aumento da permeabilidade intestinal, por sua vez, podem ser as 
causadoras dos mesmos (OHMAN; SIMRÉN, 2010). 
De acordo com estudos recentes, os óleos essenciais mais promissores para o tratamento da disbiose 
intestinal são: cominho, lavanda, semente de orégano e de laranja amarga. 
Hortelã (Mentha piperita) 
O óleo de hortelã é obtido por destilação com vapor d’água a partir da planta seca. O constituinte 
principal químico da planta (aproximadamente 50% a 60% no óleo) é o mentol e uma pequena 
quantidade de cineol e outros terpenos. O óleo essencial da hortelã é formado especialmente pelo 
mentol, mentona, metil esters, limoneno, mentanol entre outros. O mentol e mentil acetato são 
responsáveis pelo odor refrescante, característico da hortelã. 
De acordo com algumas meta-análises realizadas (LUI et al., 1997; KLINEet al., 2001) o uso 
diário de 3 a 6 cápsulas revestidas de óleo de hortelã contendo de 0,2ml a 0,4ml pode melhorar 
os sintomas de SII. Em um estudo duplo-cego, randomizado, controlado, 42 crianças com SII 
receberam cápsulas de óleo hortelã-pimenta ou placebo. Após 2 semanas, 75% dos que receberam 
óleo de hortelã haviam reduzido gravidade da dor associada com SII. Óleo de hortelã-pimenta pode 
ser utilizado como um agente terapêutico, durante a fase sintomática da IBS (KLINE et al., 2001). 
Cappello et al. (2007) em estudo onde 110 pacientes com SII receberam 4 cápsulas diárias por 4 
22
UNIDADE I │FITOTERAPIA EM DESORDENS DO TRATO GASTRINTESTINAL
semanas, mostram que os pacientes que receberam óleo de hortelã apresentaram 75% de melhora 
quando comparados aos que tomaram placebo, com apenas 38% de melhora.
O efeito antiespasmódico das folhas e óleo de hortelã se deve à redução das contrações musculares 
lisas por um efeito no bloqueio aos canais de cálcio e reduzindo o influxo de cálcio celular. O mentol, 
cujo mais importante princípio ativo é antibacteriano, estimula o fluxo biliar, reduz o tônus do 
esfíncter esofagiano, facilita a eructação e age como carminativo (BALIGA; RAO, 2010). 
É importante ressaltar que os pacientes devem ser orientados a não mastigar a cápsula, que é de 
revestimento entérico para prevenir refluxo gastroesofágico. 
São efeitos adversos já registrados: queimação perianal e náuseas. Em pessoas sensíveis, podem 
ocorrer irritabilidade e insônia paradoxal.
É contraindicado durante a gestação, pois seu uso nesse período não foi testado para avaliar possíveis 
riscos e há relatos de que pode reduzir a produção de leite (TESKE; TRENTINI, 2001). Além disso, 
o mentol ingerido em doses mais elevadas pode provocar, em crianças com menos de um ano de 
idade, depressão respiratória e apneia ou espasmos laríngeos, sendo este risco grande para recém-
nascidos. Contraindicado nas obstruções de vias biliares, colecistite e dano grave ao fígado, pois o 
mentol é quase que totalmente excretado pela bile.
Erva-de-são-joão (Hypericum perforatum) 
O hipérico pertence à família Hyperaceae e suas sumidades floridas são utilizadas principalmente 
no tratamento de depressão leve a moderada e antidepressivos são frequentemente utilizados 
no tratamento da SII. Brenner e Chey (2010) relatam que os pacientes com SII apresentam os 
maiores níveis na escala de depressão e ansiedade se comparada a indivíduos sem a síndrome. 
Após 8 semanas de tratamento antidepressivo com Hyperricum perforatum houve uma redução da 
resposta a agentes estressores e os sintomas da SII reduziram significativamente. 
Alcachofra (Cynara scolymus)
Bundy et al. (2004) em estudo realizado com 208 adultos com SII, mostrou que o uso do 
extrato de alcachofra está relacionado à redução da incidência de SII em 26,4%; alteração do 
padrão evacuatório, que antes alternava entre diarreia e constipação, para um padrão normal; 
houve redução de 41% dos sintomas apresentados e aumento em 20% na qualidade de vida nos 
pacientes tratados.
23
CAPítulo 4
desordens hepáticas e biliares
Principais desordens hepáticas crônicas
As principais doenças hepáticas crônicas (DHC) são: 
 » cirrose hepática;
 » doença hepática gordurosa não alcoólica (DHGNA);
 » hepatite viral, alcoólica ou autoimune;
 » carcinoma hepatocelular.
A cirrose, doença caracterizada pela presença de fibrose e formações nodulares difusas, é considerada 
estágio próprio da evolução de diversas doenças hepáticas crônicas e pode evoluir, como produto de 
uma agressão crônica do fígado. A cirrose resulta da inter-relação entre diversos fatores etiológicos, 
como (MÜLLER et al., 1999):
 » metabólicos: erros congênitos do metabolismo;
 » virais: Hepatite C e B;
 » alcoólica: após uso contínuo de álcool por um período longo (5 a 10 anos);
 » induzida por fármacos: metotrexato, por exemplo;
 » autoimune;
 » biliares: processo final de patologias crônicas biliares com colangites de repetição.
As principais complicações clínicas decorrentes da Cirrose Hepática são a Hipertensão Portal, 
Encefalopatia Hepática e Ascite (PARISE et al., 2007; CAMPILO et al., 2003).
 » Hipertensão portal: Aumento crônico da pressão venosa na região portal, 
caracterizada por hepatoesplenomegalia, ascite e rede venosa visível na parede 
abdominal. Episódios hemorrágicos são comuns nesses casos, sendo a principal 
causa de morte.
 » Encefalopatia Hepática: São alterações neuropsíquicas que têm origem metabólica 
e que ocorrem quando há um agravamento das funções hepáticas, caracterizado por 
uma lentidão na atividade neuronal. A absorção de compostos nitrogenados está 
diretamente relacionada com o agravamento do quadro, portanto, o controle na 
ingestão protéica, além de modulação da microbiota intestinal. 
 » Ascite: A retenção renal de sódio consequente da hipertensão portal gera um 
acúmulo de líquidos na cavidade peritoneal, predispondo o paciente a diversas 
complicações. A restrição hídrica nesses casos deverá ser implementada em casos 
mais avançados da doença. 
24
UNIDADE I │FITOTERAPIA EM DESORDENS DO TRATO GASTRINTESTINAL
detoxificação hepática
O conceito de detoxificação tem sido muito estudado devido ao problema de toxicidade nos alimentos, 
no ar, na água. As toxinas causam danos ao organismo de maneira cumulativa e podem alterar 
o processo metabólico normal. As fontes comuns de metais tóxicos, além das fontes industriais, 
incluem chumbo das soldas das latas, canos de cobre, utensílios de cozinha, mercúrio das amálgamas, 
peixes contaminados, tintas a óleo e cosméticos, materiais de limpeza (formaldeído, tolueno, 
benzeno), medicamentos, álcool, pesticidas, herbicidas, aditivos alimentares, microrganismos, 
contaminantes/poluentes, inseticidas, drogas. 
O corpo humano tem um potencial enorme para desintoxicar compostos estranhos pelos 
vários mecanismos fisiológicos. A detoxificação ocorre em todas as células de todos os tecidos, 
principalmente: pulmões, epitélio, rins, trato digestivo (20%), fígado (60-65%), cérebro, células 
imunológicas, adrenais e placenta. As principais vias de eliminação das toxinas são: urina, fezes, 
suor. 
O fígado exerce papel fundamental neste processo, neutralizando as toxinas produzidas internamente 
e aquelas provenientes do meio ambiente. Esse processo ocorre em duas fases, chamadas fase I e 
fase II. 
As vias de detoxificação hepática
As células hepáticas evoluíram ao longo de milhões de anos para possuirem mecanismos para 
decompor substâncias tóxicas. Drogas, produtos químicos artificiais, pesticidas e hormônios são 
metabolizados por vias enzimáticas dentro das células do fígado. Muitos dos produtos químicos 
tóxicos que entram no corpo são solúveis em lipídeos, o que significa que eles se dissolvem apenas 
em soluções oleosas, e não em água, o que dificulta a excreção pelo organismo. Produtos químicos 
solúveis em lipídeos possuem uma elevada afinidade pelo tecido adiposo e membranas celulares. As 
toxinas podem ser armazenadas por anos, sendo liberadas durante períodos de estresse, exercício 
ou jejum. Durante o lançamento destas toxinas, sintomas como dores de cabeça, memória fraca, 
dores de estômago, náuseas, fadiga, tontura e palpitações podem ocorrer. A defesa primária do 
organismo contra a intoxicação metabólica é realizada pelo fígado. O fígado possui dois mecanismos 
destinados a converter os produtos químicos solúveis em lipídeos em produtos químicos solúveis 
em água, de modo que eles possam, então, ser facilmente excretados do organismo através de fluidos 
aquosos, tais como a bile e a urina. 
Basicamente, existem duas vias importantes para a desintoxicação dentro das células do fígado, que 
são chamados a Fase I (oxidação/redução) e Fase II (conjugação/hidrólise)vias de desintoxicação. 
Resumidamente, as reações de oxidação transformam o fármaco em metabólitos mais hidrofílicos 
pela adição ou exposição de grupos funcionais polares, como grupos hidroxila (-OH), tiol (-SH) 
ou amina (-NH2). As reações de conjugação (fase II) modificam os compostos através da ligação 
de grupos hidrofílicos, como o ácido glicurônico, criando conjugados mais polares. As reações de 
conjugação ocorrem independentemente das reações de oxidação/redução e as enzimas envolvidas 
nas reações de oxidação/redução e de conjugação/hidrólise freqüentemente competem pelos 
substratos.
25
fitotErAPiA EM dESordEnS do trAto gAStrintEStinAl│ unidAdE i
fase i de desintoxicação
As reações de oxidação envolvem enzimas associadas às membranas, que são expressas no retículo 
endoplasmático dos hepatócitos. As enzimas que catalisam essas reações de fase I são tipicamente 
oxidases. Essas enzimas são, em sua maioria, hemoproteínas mono-oxigenases da classe do citocromo 
P450. As enzimas P450 são também conhecidas como oxidases de função mista microssômicas. Em 
seu conjunto, as reações mediadas pelo P450 respondem por mais de 95% das biotransformações 
oxidativas. Outras vias também podem oxidar moléculas lipofílicas. Um exemplo pertinente de uma 
via oxidativa não P450 é a via da álcool desidrogenase, que oxida os álcoois a seus derivados aldeído 
como parte do processo global de excreção. Outra enzima não-P450 importante é a monoamina 
oxidase (MAO). Essa enzima é responsável pela oxidação de compostos endógenos que contêm 
amina, como as catecolaminas e a tiramina, e de alguns xenobióticos, incluindo fitofármacos.
De maneira simplificada, esta via converte um produto químico tóxico em um produto químico 
menos nocivo. Isto é conseguido pelas diferentes reações químicas (por exemplo, oxidação, redução 
e hidrólise), e, durante este processo ocorre a produção de radicais livres que, em excesso, podem 
danificar as células do fígado. Antioxidantes (tais como vitamina C e E e carotenoides naturais) 
reduzem os danos causados por esses radicais livres. Se os antioxidantes estão escassos e a exposição 
a uma toxina é elevada, os produtos químicos tóxicos tornam-se muito mais perigosos. Alguns 
podem ser convertidos em substâncias potencialmente cancerígenas.
Quantidades excessivas de produtos químicos tóxicos, tais como pesticidas, podem prejudicar o 
sistema enzimático P-450, sobrecarregando esta via, o que resulta em produção de elevados níveis 
de radicais livres. Substâncias que podem causar hiperatividade das enzimas P-450: cafeína, dioxina, 
álcool, ácido sgraxos saturadas, pesticidas organofosforados, pintura fumaça, sulfonamidas, gazes 
de escapador, barbitúricos. Substratos do sistema enzimático P-450: teofilina, cafeína, fenacetina, 
lidocaína, eritromicina, ciclosporina, cetoconazol, testosterona, estradiol, cortisona, alprenolol, 
bopindolol, carvedilol, metoprolol, propranolol, amitriptilina, desipramina, nortriptilina, codeína, 
etilmorfina, ibuprofeno, naproxeno, S-varfarina, diazepam, imipramina, omeprazol, álcool.
fase ii de desintoxicação
As reações de conjugação e de hidrólise proporcionam um segundo conjunto de mecanismos 
destinados a modificar os compostos para sua excreção. Os substratos dessas reações são acoplados 
a metabólitos endógenos (por exemplo, ácido glicurônico e seus derivados, ácido sulfúrico, ácido 
acético, aminoácidos e o tripeptídio glutationa) por enzimas de transferência, em reações que 
freqüentemente envolvem intermediários de alta energia. Isto faz com que a toxina ou o fármaco 
torne-se solúvel em água, e possa ser excretado do organismo através de fluidos aquosos, tais 
como a bile ou a urina. Xenobióticos individuais e metabólitos geralmente seguem uma ou duas 
vias distintas.
Para que a fase II ocorra de maneira eficiente, as células do fígado requerem aminoácidos que contém 
enxofre como a taurina e a cisteína. Glicina, glutamina, colina e inositol são também necessários 
para a fase II de desintoxicação. Ovos, vegetais crucíferos (por exemplo, brócolis, repolho, couve de 
26
UNIDADE I │FITOTERAPIA EM DESORDENS DO TRATO GASTRINTESTINAL
Bruxelas, couve-flor), alho cru, cebola, alho-poró são boas fontes naturais de compostos de enxofre. 
Assim, estes alimentos podem ser considerados como agentes de limpeza. 
1. Conjugação com ácido glicurônico. Substratos de glucuronidação: 
hidrocarbonetos aromáticos policíclicos, hormônios esteroides, algumas 
nitrosaminas, aminas heterocíclicas, algumas toxinas fúngicas, e aminas 
aromáticas. Ele também remove o estrogênio e o T4 (hormônios da tireoide), que 
são produzidos naturalmente pelo organismo. O acúmulo de toxinas no organismo 
pode resultar em sintomas de disfunção cerebral e desequilíbrios hormonais, como 
infertilidade, dores nas mamas, distúrbios menstruais, exaustão da glândula adrenal 
e menopausa precoce. Muitos destes produtos químicos (ex. pesticidas, produtos 
petroquímicos) são cancerígenos e têm sido implicados no aumento da incidência 
de muitos cânceres.
2. Conjugação com sulfato. Os produtos da conjugação com sulfatos são sais de 
sulfatos ácidos (SO3) ou de sulfamatos (NHSO3). Substratos das vias de sulfatação: 
neurotransmissores, hormônios esteroides, certos medicamentos como o 
paracetamol, e muitos xenobióticos e compostos fenólicos. 
3. Conjugação com aminoácidos. A reação consiste na formação de uma ligação 
peptídica entre o grupo amino de um aminoácido, geralmente, a glicina, e o grupo carbonila 
do xenobiótico. Substratos da via glicina: salicilatos e benzoato são desintoxicados 
principalmente via reação de glicinação. O benzoato está presente em muitas substâncias 
alimentares e é largamente utilizado como um conservante de alimentos.
4. Conjugação com glutationa. A reação é catalisada pela enzima glutationa-S-
transferase. A glutationa é o antioxidante e protetor hepático mais poderoso do 
organismo. As reservas de glutationa podem se esgotar quando grandes quantidades 
de toxinas e/ ou drogas passam pelo fígado, bem como pela fome ou jejum.
Tabela 5. Principais enzimas envolvidas nas fases I e II de desintoxicação hepática.
Fase I Fase II
Oxidação
 » Cytochrome P450 monooxygenase system
 » Flavin-containing monooxygenase system
 » Alcohol dehydrogenase e aldehyde 
dehydrogenase
 » Monoamine oxidase
 » Co-oxidação por peroxidases
 » UDP-glucuronosyltransferases
 » N-acetyltransferases
 » Amino acid N-acyltransferases
 » Sulfotransferases
Redução
 » NADPH-cytochrome P450 reductase
 » Reduced (ferrous) cytochrome P450
Hidrólise
 » Esterases e amidases
 » Epoxide hydrolase
27
FITOTERAPIA EM DESORDENS DO TRATO GASTRINTESTINAL│ UNIDADE I
A abordagem clínica da eliminação de compostos acumulados geralmente envolve três etapas: (1) 
prevenção, (2) eficácia dos mecanismos endógenos de detoxificação, (3) intervenções para facilitar 
a remoção de substâncias tóxicas acumuladas. A desintoxicação endógena de produtos metabólicos, 
bem como de substâncias tóxicas exógenas é uma função fisiológica primária, que requer energia 
considerável. Quando substâncias tóxicas são identificadas por processos fisiológicos, as vias de 
excreção são mobilizadas para diminuir a toxicidade e para eliminar os compostos xenobióticos. 
As vias específicas utilizadas para excretar substâncias específicas dependerão das propriedades 
químicas do agente específico em questão. 
A capacidade de eliminação de compostos indesejáveis depende completamente do estado fisiológico 
e bioquímico do indivíduo. Qualquer fator que prejudique o pleno funcionamento bioquímico 
de desintoxicação, tais como deficiências nutricionais, vão impedir a eliminação adequada de 
substâncias tóxicas. Assim, é imperativo que os profissionaisde saúde compreendam os fundamentos 
da fisiologia e bioquímica de desintoxicação para garantir funcionamento dos órgãos de eliminação. 
A remediação de uma desordem nutricional bioquímica é um componente fundamental no tratamento 
do paciente. Por exemplo, a glutationa é um componente de prerrequisito para a desintoxicação 
celular, bem como um componente essencial na bioquímica de conjugação hepática. Indivíduos 
sob exposição a xenobióticos muitas vezes apresentam diminuição das reservas de glutationa, e, 
portanto, necessitam de reposição contínua. 
Também tem sido observado que apesar da competência bioquímica, o organismo humano não é 
capaz de excretar alguns agentes tóxicos químicos de forma eficaz. Uma das principais razões para a 
falha na eliminação de alguns compostos é a reabsorção via circulação entero-hepática ou reabsorção 
nos túbulos renais. Consequentemente, alguns agentes tóxicos são conjugados e levados dos tecidos 
para a corrente sanguínea para que haja excreção, mas são então reabsorvidos pelo organismo. Além 
disso, alguns compostos retidos são depositados em tecidos específicos, tais como ósseo, adiposo 
e muscular, no qual irão se acumular e alterar o funcionamento destes tecidos. Alguns compostos 
também permanecem no sangue, frequentemente ligados às proteínas plasmáticas. Intervenções 
para aumentar a excreção de compostos retidos podem ser inestimáveis para diminuir a morbidade 
associada ao acúmulo de substâncias tóxicas. Por exemplo, a vitamina D (essencial na regulação da 
expressão genética, e facilita a absorção de cálcio a partir do intestino) pode potencializar a absorção 
de elementos tóxicos tais como o chumbo, o cádmio, o alumínio, que por sua vez podem afetar o 
metabolismo da vitamina D. A contaminação com mercúrio pode alterar a absorção gastrointestinal 
de nutrientes resultando em deficiências e, assim, impedir a fisiologia normal. Alguns poluentes 
orgânicos liberados do tecido adiposo durante a perda de peso, a restrição calórica ou o exercício 
podem suprimir a função da tireóide. Os efeitos adversos da bioacumulação de agente tóxicos pode, 
por exemplo, alterar a função imune, que pode por sua vez leva a doenças autoimunes. 
Segundo pesquisas empíricas, várias estratégias podem ser utilizadas para auxiliar a remoção 
eficaz de algumas substâncias tóxicas acumuladas. A investigação científica sobre essas estratégias, 
no entanto, permanece em um estágio inicial uma vez que o problema da bioacumulação tóxica 
é um fenômeno recentemente reconhecido pela medicina clínica. Assim, pesquisa baseada em 
evidências suficientes para confirmar ou refutar objetivamente a eficácia das variadas “estratégias 
28
UNIDADE I │FITOTERAPIA EM DESORDENS DO TRATO GASTRINTESTINAL
de desintoxicação” é muitas vezes inexistente. Dentre as possíveis estratégias de desintoxicação 
clínica destacamos a alimentação e a fitoterapia. 
As questões científicas são frequentemente muito mais passíveis de investigação em animais 
e cultura de células, e este corpo de evidências confirmou que alguns alimentos e nutrientes são 
extremamente valiosos para facilitar a excreção e reduzir a toxicidade das substâncias tóxicas. 
Embora não seja uma lista exaustiva, alguns suplementos incluem a curcumina (DANIEL et al., 
2004), alliums (OLA-MUDATHIR et al., 2008), flavonoides de plantas como a quercetina (MILTON 
et al., 2010), selênio (MESSAOUDI et al., 2009), produtos de algas Parachlorella (UCHIKAWA et 
al., 2011; 2010) e Chlorella (MORITA et al., 2001; TAKEKOSHI et al., 2005), ácidos orgânicos 
naturais (DOMINGO et al., 1988) e fibras dietéticas (LIM et al., 2005), bem como antioxidantes 
(EYBL et al., 2006).
Os mecanismos de ação incluem a prevenção da absorção de substâncias tóxicas, facilitando 
a eliminação de compostos tóxicos acumulados, o que dificulta a reabsorção entero-hepática de 
alguns compostos, e diminui a toxicidade através de mecanismos de proteção. As fibras e outros 
carboidratos insolúveis consumidos na dieta, por exemplo, parece atuar como uma esponja 
e aumenta a remoção de agentes adversos, tais como as micotoxinas, diminui a reabsorção 
entero-hepática e, portanto, aumenta a eliminação. Um exemplo é a Chlorella, uma alga do mar, 
que recentemente chamou a atenção de muitas pesquisas por suas propriedades únicas, facilitando 
a desintoxicação e impedindo a absorção de compostos adverso, tais como o mercúrio e o chumbo 
(UCHIKAWA et al., 2011; 2010; MORITA et al., 2001; TAKEKOSHI et al., 2005).
fitoterápicos destoxificantes e 
hepatoprotetores 
A atividade das enzimas envolvidas no processo de detoxificação hepática é influenciada por alguns 
fatores, como: genética, gênero, idade, estado de saúde e nutricional, ingestão de xenobióticos. 
Desequilíbrios e disfunções hepáticas ocorrem podem ser causadas ou agravadas pelo excesso de 
xenobióticos, paralelamente à falta de substrato para metabolização. Existem diversos ativos de 
plantas que agem como destoxificantes e como hepatoprotetores. Muitas plantas são utilizadas 
popularmente para tais fins, mesmo sem comprovação científica que embase essa conduta. 
A seguir serão destacadas algumas plantas medicinais que apresentam ação detoxificante e/ou 
hepatoprotetora.
Cardo mariano (Silybum marianum l.)
O Silibium marianum L. pertence à família Asteraceae e suas folhas, flores, raízes e frutos são 
utilizadas em fitoterapia. Seu principal efeito é o hepatoprotetor e antioxidante, que está associado 
à presença de flavonoides, como a Silimarina (TIEN et al., 2011; GALHARDI, 2009). 
O cardo mariano tem sido utilizado como medicamento desde o século IV a.C para tratar náuseas, 
mordidas de serpentes, problemas menstruais e indutores da lactação. Relatos encontrados na 
29
FITOTERAPIA EM DESORDENS DO TRATO GASTRINTESTINAL│ UNIDADE I
literatura indicam que no século XVI o cardo mariano passou a ser utilizada no tratamento de 
doenças hepatobiliares, sendo hoje indicada para esse fim em todo o mundo (FERREIRA, 2011). 
Estudos científicos revelaram que o Silibium marianum apresenta ação antioxidante, antiperoxidação 
lipídica, antifibrótica, anti-inflamatória da membrana, além de estabilizar mecanismos 
imunomoduladores de regeneração do fígado. Atualmente suas principais aplicações referem-se 
ao tratamento da hepatite, cirrose e proteção hepática contra substâncias tóxicas (LOGUERCIO; 
FESTI, 2011).
Dentre os isômeros da silimarina estão a silibina, que é o composto mais ativo e o que apresenta 
maior quantidade (60% - 70%), seguida da silicristina (20%), silidianina (10%) e a isosilibidina 
(5%) (PRADHAN; GIRISH, 2006). 
Os mecanismos de ação da silimarina envolvem diferentes rotas bioquímicas, tais como 
(WELUNGTON; ARVIS, 2001):
 » estimulação da taxa sintética de RNA ribossomal (rRNA) através da estimulação 
da transcrição da polimerase 1 e do rRNA, protegendo as membranas celulares de 
danos induzidos por radicais e bloqueando a recaptação de toxinas, como a alfa 
amantina;
 » aumento dos níveis séricos de glutationa e de glutationa S-transferase;
 » a silimarina pode facilitar a conjugação da bilirrubina com o ácido glicurônico 
(reação de fase II) ou ainda inibir a enzima gama-glucuronidase frente a toxinas 
patogênicas de bactérias intestinais.
Além disso, a silibina também é um potente inibidor da beta-glucuronidase intestinal humana, 
bloqueando a liberação e reabsorção de xenobióticos livres e seus metabólitos conjugados de 
glicuronídeo (LOGUERCIO; FESTI, 2011).
É importante destacar que a silibina interage com algumas enzimas do grupo enzimático P450, o que 
pode interferir no metabolismo de determinados fármacos, dependendo da enzima necessária para a 
metabolização deste. Portanto, é fundamental que o profissional prescritor verifique se o fitoterápico 
e osoutros fármacos utilizados concomitantemente pelo paciente fazem uso da mesma via. 
A administração de silimarina em diferentes concentrações já foi testada em diversos estudos 
científicos. Wu et al. (2008) administrou silimarina em doses diferentes em ratos. A silimarina 
exerceu efeitos benéficos em estágios iniciais de danos hepáticos e alterações gordurosas, além de 
reduzir a histopalotogia das células desse órgão, impedindo a formação de carcinoma hepatocelular 
durante o estado pré-carcinogênico. A silimarina também foi capaz de bloquear a progressão 
do câncer após a formação de nódulos, recuperou a estrutura de hepatócitos e, de maneira 
dose-dependente, reduziu a formação de radicais livres.
Em outro estudo, Bonifaz (2009) analisou o efeito da silimarina sobre o vírus da hepatite C e a 
expressão gênica de células de hepatoma humano. Os resultados sugerem que a silimarina 
30
UNIDADE I │FITOTERAPIA EM DESORDENS DO TRATO GASTRINTESTINAL
exerceu um efeito benéfico, porém enfatizaram que ainda é necessário mais estudos prospectivos, 
randomizados e controlados para se comprovar esse benefício.
Além disso, outros pesquisadores mostraram os benefícios da silimarina como protetor contra a 
lesão hepática grave após envenenamento pelo cogumelo Amanita phalloides e como agente protetor 
contra a medicação utilizada no tratamento da tuberculose (SALHANICK et al., 2008; BEDI et al., 
2009). 
Usualmente o Silubum marianum L é prescrito na forma de extrato seco padronizado (70%-80%) 
em cápsula, com uma dosagem de 100mg-300mg, 3 vezes ao dia (dosagem para adulto). A prescrição 
da silimarina de forma isolada é restrita aos médicos. Efeitos adversos são raros, porém doses acima 
de 1.500 mg por dia podem exercer efeito laxativo e aumentar a secreção de bile. 
Alcachofra (Cynara scolymus)
Oriunda do mediterrâneo, a Cynara scolymus pertence à família Compositae e suas folhas, brácteas 
e raiz são utilizadas mundialmente para fins medicinais. Em suas folhas as principais substâncias 
químicas encontradas são os ácidos fenólicos, flavonoides e sesquiterpenos, sendo a cinarina (ácido 
monocafeioilquínico) o princípio ativo da planta (NOLDIN; CECHINEL, 2003). 
Diversos estudos utilizando o extrato de alcachofra em diversas concentrações indicam que a 
infusão das folhas secas dessa planta apresenta ação hepatoprotetora, antioxidante, colerética, 
colagoga, antidespéptica, diurética, antibacteriana, redutora de colesterol e estimulante do sistema 
hepatobiliar (PITTLER et al., 2003). Além disso, a Alcachofra é indicada contra náuseas, indigestão 
e aterosclerose (HOLTMANN et al., 2003). 
Küçukgergin et al. (2010), em estudo utilizando extrato de folha de alcachofra em ratos alimentados 
com uma dieta rica em gordura e colesterol, durante um mês, demonstrou que Após o tratamento 
observou-se que houve diminuição dos níveis séricos de colesterol e triglicérides, porém não no 
fígado, mas ocorreu redução significativa da disfunção hepática e níveis de malondialdeído cardíaco, 
além de aumentar a vitamina E no fígado e a atividade da glutationa peroxidase. 
Mehmetçik et al. (2008), em um modelo de estresse oxidativo induzido em ratos por tetracloreto 
de carbono (CCI4), avaliou a capacidade hepatoprotetora do extrato de folha de alcachofra. Os 
ratos tratados com o extrato de Alcachofra apresentaram reduções significantes nas atividades das 
transaminases plasmáticas, melhoria das alterações histopatológicas no fígado, diminuição dos 
níveis de malondialdeído e dieno conjugado e aumento na atividade da glutationa peroxidase e 
glutationa redutase. Os resultados sugerem que a administração in vivo de extrato de alcachofra 
pode ser útil para a prevenção de hepatotoxicidade induzida pelo estresse oxidativo. 
Outro grupo de pesquisadores estudou os efeitos de um extrato feito da parte comestível da 
alcachofra. O extrato foi capaz de proteger os hepatócitos do estresse oxidativo, além de evitar a 
diminuição de glutationa e o aumento de malondialdeído e ainda induzir a apoptose de células 
cancerígenas (MICCADEI et al., 2008). 
31
FITOTERAPIA EM DESORDENS DO TRATO GASTRINTESTINAL│ UNIDADE I
É importante ressaltar que a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) adverte que o 
uso da Cynara scolymus deve ser feito com cautela em pacientes com doenças da vesícula biliar, 
hepatite grave, falência hepática e câncer no fígado. 
Alho (Allium sativum)
O Allium sativum é um fitoterápico pertencente à família Liliaceae e seus bulbos são utilizados com 
finalidades medicinais e culinárias desde a antiguidade. 
A alicina é o principal composto bioativo encontrado no alho e exerce ação antiviral, antifúngica e 
antibiótica, seguido da aliina que exerce efeito hipotensor e hipoglicemiante. O alho também contém 
selênio agindo como antioxidante.
Iciek et al. (2011), em modelo de ratos, mostraram que os componentes ativos do alho reduzem as 
espécies reativas de oxigênio e malonialdeído, com aumento na glutationa S-transferase, sugerindo 
uma ação hepatoprotetora, pela indução de enzimas de fase II. 
O extrato de alho pode alterar as enzimas citocromo P450 no fígado, sendo essas responsáveis pela 
metabolização de compostos químicos exógenos, como medicamentos. Estudos mostraram que a 
ingestão de um suplemento de alho em pó reduziu as concentrações sanguíneas de Saquinavir e 
Ritonavir (medicamentos utilizados no tratamento antirretroviral de pacientes portadores do vírus 
HIV) e esse efeito foi atribuído à estimulação das isoenzimas P450 e toxicidade gastrointestinal 
grave. Por outro lado, estudos realizados com os compostos ativos dialui sulfeto e dialil disulfeto, 
derivados do alho, não apresentaram estímulo das isoenzimas P450 e nem toxicidade gastrointestinal 
grave (GALLICANO et al., 2003).
Cox et al. (2006), em estudo que avaliou a influência da suplementação de alho sobre a farmacocinética 
do docetaxel, fármaco utilizado no tratamento de câncer, revelou que, apesar de alguns estudos 
terem mostrado que a alicina pode interferir na atividade da enzima CYP3A4, o alho não afetou 
significativamente a disposição de docetaxel. 
A ANVISA adverte que o alho na forma de fitoterápico não deve ser utilizado por indivíduos menores 
de três anos e pessoas com gastrite e úlcera gástrica, hipotensão, hipoglicemia, hemorragia e em 
pessoas que fazem uso de anticoagulantes. 
dente-de-leão (taraxactun officinale)
O Taraxacum officinale pertence à família Asteraceae e seu rizoma, flores, inflorescência, sementes 
são muito utilizadas na medicina popular. Os principais efeitos relatados são para o tratamento da 
dispepsia, azia, distúrbios no baço e fígado (hepatite), anorexia, inflamações, câncer de mama e 
útero. 
O dente-de-leão é rico em terpenóides e princípios amargos (principal-mente taraxacin e 
taraxacerin), além de conter: compostos esteroides, incluindo beta-amirina, taraxasterol e etaraxero 
que estão relacionados com a bile; um terpeno antialérgico (desacetylmatricarina); polissacarídeos 
32
UNIDADE I │FITOTERAPIA EM DESORDENS DO TRATO GASTRINTESTINAL
(principalmente fructosanos e inulina) e pequenas quantidades de pectina, resina, mucilagem e 
flavonoides. São encontrados em toda a planta os ácidos hidroxicinâmicos, chicórico, monocafeil-
tartárico e clorogênico e a cumarina nas folhas. Além disso, o Taraxactun officinale também é 
fonte de clorofila e uma variedade de vitaminas e minerais, tais como: β-caroteno, vitaminas C e D, 
vitaminas do complexo B, colina, silício, ferro, sódio, magnésio, potássio, zinco, cobre, manganês e 
fósforo.
Choi et al. (2010), em estudo realizado com coelhos alimentados com uma dieta hipercolesterolêmica, 
demonstraram que o uso da folha e raiz de Taraxacum officinale aumenta atividade da glutationa, 
da glutationa peroxidase e a superóxidodismutase. Por outro lado, a atividade da enzima glutationa 
S-transferase diminuiu com o uso da raiz, bem como da catalase. No que diz respeito à peroxidação 
lipídica no fígado, o tratamento com a raiz do dente de leão resultou em redução significativa no 
nível de TBARS (um produto da peroxidação lipídica), mas o mesmo não ocorreu com a folha. 
Outros estudos confirmam o efeito do dente-de-leão sobre o aumento da atividade da glutationa, 
com consequente diminuição da peroxidação lipídica hepática (PARK et al., 2010). 
O efeito protetor do extrato de raiz de dente-de-leão foi testado em lesões hepáticas induzidas por 
álcool in vivo e in vitro. Em células hepáticas tratadas com etanol 39% na presença do extrato 
aquoso de raiz de dente-de-leão (TOH) nenhum dano foi observado, enquanto que o extrato alcoólico 
de dente-de-leão (TOE) não apresentou atividade hepatoprotetora potente. No mesmo estudo, 
os camundongos que receberam TOH (lg/kg de peso corporal/dia) apresentaram uma redução 
significativa de transaminases hepáticas e aumento das atividades antioxidantes das enzimas 
catalase, glutationa S-transferase, glutationa, glutationa peroxidase e glutationa redutase, além 
de apresentarem melhora nos níveis de malondialdeído. Os autores concluíram a administração 
de TOH protegeu contra a hepatotoxicidade induzida pelo etanol. Esses resultados sugerem que o 
extrato aquoso de dente-de-leão tem ação hepatoprotetora contra a toxicidade induzida pelo álcool, 
elevando o potencial antioxidante e diminuindo a peroxidação lipídica (YOU et al., 2010). 
Por outro lado, outros estudos em linhagem de hepatoma humano Hep G2, relatam evidências de 
citotoxicidade e produção de citocinas (fator de necrose tumoral (TNF)-alfa e interleucina (IL)-
1 alfa) em comparação aos controles. Além disso, a apoptose de células Hep G2 foi fortemente 
induzida, pelo aumento da quantidade de TNF-α e IL-lα (KOO et al., 2004). 
 » Contraindicações: De acordo com a ANVISA o uso desse fitoterápico deve ser 
evitado na presença de obstrução dos ductos biliares e do trato intestinal. 
Boldo (Peumus boldus)
O Peumus boldus pertence à família Moniiniaceae e tem sua origem nas regiões montanhosas do 
Chile, por isso é conhecido no Brasil como boldo ou boldo-do-Chile. Em suas folhas encontramos 
alcalóides pertencentes à classe dos benzoquinolínicos (0,4%-0,5%), sendo a boldina o principal 
deles (cerca de 12%-19%), além de taninos, óleo essencial, flavonoides e glicolipídicos (SCHWANZ 
et al., 2008). 
33
FITOTERAPIA EM DESORDENS DO TRATO GASTRINTESTINAL│ UNIDADE I
Os principais efeitos relacionados ao boldo são: estimulante de secreções gástricas, antidispéptico, 
colerético, colagogo, antiespasmódico, tratamento de cálculos biliares, cistite e colelitíase 
acompanhada de dor e diurético (SCHWANZ et al., 2008). 
Estudos revelam que a boldina apresenta baixa toxicidade, não exerce efeito sobre a atividade do 
citocromo P450, mas sim promove forte inibição da peroxidação dos microssomas de fígado humano, 
a boldina por ser considerada um valioso antioxidante, agente hepatoprotetor (KRINGSTEIN et al., 
1995), e anti-inflamatório agudo (LANHERS et al., 1991). 
Apesar dos efeitos benéficos em alguns casos, mediante outros resultados obtidos na literatura 
a respeito da toxicidade do extrato hidroalcoólico de folha seca de boldo, sugere-se moderação e 
cuidado na administração de boldo, principalmente quanto ao uso prolongado e também durante 
o primeiro trimestre da gravidez, principalmente pela falta de conhecimento de mecanismos 
(ALMEIDA et al., 2000). 
Em acordo com esses estudos a ANVISA orienta que uso desse fitoterápico deve ser cauteloso e 
monitorado, principalmente em pessoas com doença hepática aguda ou severa, colecistite séptica, 
espasmos do intestino e íleo e câncer no fígado. E contraindicada para indivíduos que apresentem 
obstrução das vias biliares, doenças severas no fígado e gestantes. 
34
CAPítulo 5
dispepsia
Condição clínica caracterizada por náusea, pressão gástrica, inchaço, flatulência e dor abdominal 
espasmódica, que ocorre devido à deficiência na secreção de ácido gástrico, na produção biliar com 
prejuízo no enchimento e esvaziamento da vesícula biliar ou deficiência na secreção pancreática 
exócrina. O tratamento farmacológico da dispepsia frequentemente é feito com antagonistas dos 
receptores H2 e inibidores de bomba de prótons, com resultados limitados (HOLTIVIANN et al., 
2003). 
Diversos fitoterápicos têm sido utilizados no tratamento da dispepsia, através de efeitos 
antiespasmódicos, aumento da contração da vesícula biliar com aumento da secreção biliar e 
estimula às secreções gástricas e salivares (THOMPSON; ERNST, 2002). São exemplos:
 » erva doce (pimpinella anisum);
 » cavalinha (equisetum arvense);
 » alcachofra (cynara scolymus);
 » laranja amarga (citrus aurantium);
 » gengibre (zingiber officinale);
 » angélica (angelica archangelica);
 » melissa (melissa officinalis);
 » pessegueiro (prunus pérsica);
 » hortelã (mentha piperita);
 » cardo santo (cnicus benedictus);
 » boldo (peumus boldus);
 » cominho (carum carvi);
 » cardamomo (elettaria cardamomum);
 » cardo mariano (silybum marianum);
 » alecrim (rosmarinus officinalis);
 » anis estrelado (allicium verum);
 » tomilho (thymus vulgaris).
35
FITOTERAPIA EM DESORDENS DO TRATO GASTRINTESTINAL│ UNIDADE I
De acordo com uma revisão da literatura produzida por Thompson e Ernst (2002), 9 estudos 
randomizados usaram a hortelã (Mentha piperita) e o cominho (Carum carvi) em combinações 
fitoterápicas que foram capazes de reduzir os sintomas em 60% a 95% dos pacientes, especialmente 
quando esses fitoterápicos foram associados a outros (efeitos sinérgico). A hortelã promove inibição 
das contrações do músculo liso devido à interação direta entre o óleo de hortelã e os canais de 
cálcio do músculo liso de humanos. O mesmo trabalho de revisão apontou que a cúrcuma (Curcuma 
longa), em estudos realizados com humanos, promove aumento na produção e secreção da bile, 
promoção da contração da vesícula biliar, efeito carminativo e antiespasmódico.
Algumas substâncias amargas também são muito empregadas no tratamento da dispepsia, agindo 
por estímulos originados na boca, induzindo um reflexo no aumento da secreção gástrica e biliar, 
especialmente quando consumidas antes de uma refeição. São exemplos de plantas ricas em 
amargas: a genciana (Gentiana lútea L.), losna (Artemisia absinthium L.), cardo santo (Cynara 
cardunculus L.), casca de quina (Cinchora calisaya Wedd), lúpulo (Humulus lupulus L.) e ruibarbo 
(Rheum palmatum L.) (SCHULTZ et al., 2002).
São efeitos adversos comuns ao uso de plantas amargas: dores de cabeça, náuseas ou vômitos em 
indivíduos susceptíveis, devido ao aumento na produção de enzimas digestivas. O seu uso não é 
recomendado em pacientes com úlcera gástrica ou duodenal (SCHULTZ et al., 2002). 
A alcachofra (Cynara scolymus) é outra opção com grande potencial terapêutico. Sannia (2010) 
em estudo realizado em pacientes com diagnóstico de dispepsia funcional que receberam por dois 
meses um produto contendo extrato de folhas de alcachofra (15% de ácido clorogênico – 150mg/
cápsula), extrato de dente-de-leão (2% de inulina), rizoma de Curcuma longa (95% de curcumina) e 
óleo essencial de alecrim microencapsulado, verificou que 38% deles apresentaram redução de 50% 
de todos os sintomas em 30 dias de tratamento. Após 60 dias de tratamento a redução dos sintomas 
foi de 79 %. Além disso, os indivíduos apresentaram redução do colesterol total, LDL, triacilgliceróis 
em 6% a 8%. Esses resultados foram confirmados por outro estudo realizado em 244 pacientes com 
dispepsia funcional (HOLTIVIANN et al., 2003)
O uso do extrato da alcachofra é contraindicadona gestação e lactação por reduzir a produção de 
leite. Além disso, foram também descritos casos de urticária e dermatite de contato em pessoa que 
tiveram contato freqüente com alcachofra (FERRO, 2006). 
36
unidAdE ii
fitotErAPiA EM 
dESordEnS 
CArdiovASCulArES
Atualmente as doenças cardiovasculares representam uma das causas mais frequente de morte no 
mundo industrializado. Apesar dos avanços da medicina moderna, ainda há reflexos sobra a melhora 
na morbidade. Isto se deve, sobretudo, no fato de a prevenção não merecer a devida atenção durante 
décadas e, apenas recentemente, vir sendo discutida de maneira mais frequente. 
Estimular medidas e estilos de vida que previnam o desenvolvimento de doenças cardiovasculares 
é a melhor e mais eficiente conduta. 
Segundo Fintelmann (2010):
[...] Há um enorme equívoco da medicina moderna em confundir o coração 
e o sistema circulatório com um sistema mecânico de bombeamento. Por 
exemplo, não se pode mais subestimar ou negar a dependência do coração 
e do sistema circulatório do estado emocional do indivíduo. Tal visão global 
certamente justificaria, no futuro, também o valor dos fitomedicamentos para 
o tratamento de doenças cardíacas e mostraria principalmente o seu papel 
único na prevenção. Esta maneira de pensar também conduz à ideia de que 
o coração, a circulação e os vasos sanguíneos não podem ser considerados 
isoladamente, mas que eles formam uma unidade funcional. Caso haja um 
distúrbio nesses órgãos, em apenas um determinado ponto, isto poderá causar 
um efeito na organização de todo o sistema. Esta abordagem é considerada por 
muitos medicamentos fitoterápicos para o tratamento de distúrbios do sistema 
cardiovascular, os quais normalmente apresentam um efeito terapêutico mais 
abrangente do que os medicamentos sintéticos, frequentemente de efeito 
seletivo [...]
37
CAPítulo 1
doenças cardiovasculares 
degenerativas
Doenças cardiovasculares degenerativas são distúrbios cardiovasculares não inflamatórios, 
relacionados com o desenvolvimento de doenças crônicas prevalentes na idade avançada. A 
degeneração do miocárdio, por exemplo, tem como consequência tardia a insuficiência cardíaca, 
e a degeneração arteriosclerótica das artérias coronárias com sintomatologia da angina pectoris e 
do infarto do miocárdio é considerada doença cardíaca coronariana. A degeneração das artérias, a 
arteriosclerose, manifesta-se perifericamente na doença arterial obstrutiva, enquanto, no âmbito 
do sistema nervoso central, ela afeta os vasos que suprem o cérebro, tendo como consequência a 
insuficiência vascular cerebral e a apoplexia (FINTELMANN, 2010).
Atualmente, a doença coronariana é a forma mais frequente dentre todas as doenças cardíacas. 
Principalmente no mundo ocidental civilizado, ela tem um significado de destaque e é quase uma 
expressão da vida moderna. A insuficiência cardíaca é normalmente consequência de doenças 
cardíacas degenerativas, em especial da doença cardíaca coronariana. As miocardiopatias ocupam 
as causas principais de insuficiência cardíaca, as quais podem ser decorrentes de inflamações ou 
cardiotoxicidade. 
A dedaleira (Digitalis purpurea L.) é uma planta medicinal de elevada atividade; porém não é 
mais utilizada como fitoterápico. Atualmente é utilizada a substância ativa isolada, em sua maior 
parte obtida por semissíntese, como a digitoxina ou a digoxina e raramente as substâncias ativas da 
dedaleira são obtidas a partir da própria planta. 
Espinheiro-branco (Crataegus laevigata - 
Crataegus monogyna)
Crataegus pertence à família das rosáceas e é um dos fitoterápicos mais pesquisados pela 
comunidade científica e sua eficácia, sob o ponto de vista farmacológico, é comprovada por diversos 
estudos científicos. Entre os principais constituintes estão as procianidinas oligoméricas (tatinos), 
flavonoides monoméricos, como, por exemplo, o hiperosídeo, a quercetina e a ramnovitexina. Além 
de conter aminas biogênicas, ácidos triterpênicos, esteroides, purinas e taninos catéquicos. Os 
flavonoides e as procianidinas oligoméricas são os constituintes mais importantes para a atividade 
do espinheiro-branco. Os flavonoides exercem influência maior sobre o metabolismo do miocárdio, 
enquanto as procianidinas oligoméricas são responsáveis, principalmente, pelo grau de irrigação 
nas artérias coronárias. 
Diversos estudos relatam os seguintes efeitos relacionados ao Crataegus:
 » aumento do fluxo sanguíneo coronariano e da irrigação do miocárdio; 
38
 » melhora da contratilidade do músculo cardíaco (leve efeito inotrópico positivo); 
 » regulação do ritmo cardíaco em determinadas formas de instabilidade elétrica 
cardíaca; 
 » aumento da tolerância do miocárdio em relação à hipóxia; 
 » elevação do débito cardíaco, redução da resistência vascular periférica (como uma 
grandeza de medida da pressão diastólica), aumento do desempenho do músculo 
cardíaco. 
A monografia da Comissão E, do ano de 1983, descreve a ampla eficácia do espinheiro-branco. As 
indicações formuladas na ocasião são as seguintes: 
1. redução da capacidade de trabalho cardíaco com relação aos estágios I e II, segundo 
a NYHA (New York Heart Association); 
2. sensação de opressão no precórdio; 
3. coração senil, sem indicação imediata para a prescrição de digitálicos; 
4. formas leves de arritmias bradicárdicas. 
Diversos estudos foram focalizados no uso do Crataegus no tratamento da insuficiência cardíaca, 
em parte também sobre a melhora da perfusão sanguínea coronariana. A partir destes dados a 
Comissão E, que já havia emitido em 1983 seu primeiro parecer sobre o espinheiro-branco, o qual 
foi revisado em 1988, reformulou e limitou suas indicações para os casos de insuficiência cardíaca 
do tipo II, de acordo com a NYHA. 
Muitas pesquisas in vitro e in vivo comprovaram uma atividade do extrato de crataego no aumento 
do fluxo sanguíneo coronariano estimulante da irrigação coronariana, redução da pressão sanguínea, 
aumento do fluxo sanguíneo periférico (cabeça, músculo esquelético e rins) e resistência periférica 
(RÁCZ-KTILLA et al., 1980; AMMON et al., 1981; PETKOV, 1979). 
Ao contrário dos glicosídeos digitálicos, as pesquisas demonstram que o espinheiro-branco não afeta 
o sistema contrátil do miocárdio, mas influencia seu metabolismo energético. Foram observadas 
ações cronotrópicas negativas e inotrópicas positivas (in vivo) atribuídas às frações flavonoídicas e 
proantocianidínicas (LEUKEL, 1986). 
Ensaios clínicos randomizados, duplo-cegos e controlados por placebo avaliaram efeito de 
um extrato seco etanólico 45% de folhas com flores de Crataegus (WS-1442; proporção de 
droga-extrato 4 a 6:1; contendo 18,8% de procianidinas oligoméricas) ou outro extrato semelhante 
(LI-132; padronizado para 2,2% de flavonoides) comparando com placebos ou com inibidor da 
enzima conversora de angiotensina (ECA). Quatro estudos concluíram que a carga máxima no 
trabalho foi superior no grupo tratado com Crataegus quando comparado ao grupo placebo e outros 
seis ensaios observaram redução da pressão arterial sistólica e frequência cardíaca associada ao uso 
do fitoterápico (PITTLER et al., 2003). 
39
fitotErAPiA EM dESordEnS CArdiovASCulArES│ unidAdE ii
Revisões sistemáticas na literatura concluem que os extratos de Crataegus são benéficos como 
tratamento adjuvante em pacientes com insuficiência cardíaca, mas não existem dados suficientes 
para justificar seu uso isolado para o tratamento da doença. 
Doses citadas na literatura de referência (BRITISH HERBAL PHARMACOPEIA, 1983):
 » fruto seco de 0,3 a 1,0g na forma de infuso, três vezes ao dia;
 » extrato líquido 0,5 a 1,0ml (1:1 em álcool a 25%), 3 vezes ao dia;
 » tintura de 1 a 2 ml (1:5 em álcool a 45%), 3 vezes ao dia. 
A folhacom flor pode ser utilizada para o tratamento de insuficiência cardíaca correspondendo ao 
estágio funcional II da New York Heart Association (nyha), 160 a 900 mg de extrato hidroalcólico 
(etanol 45% v/v ou mentol 70% v/v; proporção droga-extrato 4 a 7:1, com teor definido de flavonoides, 
calculados como hiperosídeo, e 30 a 168,7mg de procianidins , calculadas como epicatequinas), 
diariamente, em 2 a 3 doses divididas ao dia (BLUMENTHAL et al, 1998).
 » Contraindicações e advertências: na gestação e lactação por apresentar atividade 
sobre o tecido uterino, reduzindo tônus e motilidade em estudos in vitro e in vivo. 
40
CAPítulo 2
doenças vasculares cerebrais e 
periféricas
Além das doenças cardíacas degenerativas, as doenças vasculares cerebrais e periféricas constituem 
outro grande grupo de doenças do mundo moderno.
Alho (Allium sativum)
O alho pertence à família liliaceae e ao gênero allium. Há relatos da utilização do alho como planta 
medicinal já no ano 3000 a.C., uma receita à base de alho foi encontrada em inscrições rupestres 
(escrita cunciforme) (FINTELMANN, 2010). 
O uso do alho é justificado pela literatura científica atual que o relaciona com efeitos 
anti-hipertensivos, antiaterogênicos, antitrombóticos, antimicrobianos, fibrinolítico, prevenção de 
câncer e redutor de lipídeos (barners, livro). O bulbo do alho é composto por folhas espessadas e 
carnudas na parte inferior do caule, denominadas gomos do bulbo. O que o diferencia em relação à 
cebola consiste no fato de o alho ser constituído por 6-15 bulbos parciais, chamados de “dentes” que, 
juntos, formam a cabeça do alho, apoiados sobre uma base axial de brotamento (FINTELMANN, 
2010).
A cebola é o representante mais conhecido do gênero Allium, muito utilizada em culinária (Allium 
cepa). Assim como a cebolinha (Allium schoenoprasum) e o alho-poró (Allium porrum) também 
pertencem a esse gênero. Diversos efeitos benéficos sobre a saúde também estão relacionados ao 
uso da cebola, os quais, no entanto, diferem parcialmente daqueles do alho, de modo que ambos se 
complementam (FINTELMANN, 2010).
A sua utilização é indicada principalmente nos estágios iniciais da arteriosclerose agindo tanto na 
prevenção quanto em estágios finais da arteriosclerose. Em monografia elaborada pela Comissão E 
especifica relaciona o uso do alho como auxiliar nos casos de hiperlipidemias e para prevenção de 
alterações vasculares causadas pelo envelhecimento. 
Estudos científicos in vitro e in vivo atribuem ao alho e suas bases de enxofre efeitos sobre a 
biossíntese de colesterol (QURESHI et al., 1983; GEBHAR; BECK, 1996). O mecanismo dessa ação 
ainda não foi totalmente esclarecido, porém algumas etapas dessa rota já foram propostas, como, por 
exemplo: inibição da atividade das enzimas envolvidas na síntese de colesterol hidroximetilglutaril-
CoA (HMG-CoA) redutase e lanosterol-14-demetilase; redução na biossíntese de triacilglicerol 
através da redução da concentração de NADPH nos tecidos; Aumento da atividade da enzima lípase 
resultando em aumento da lipólise (KOCH , 1996; LAU et al., 1983; ADOGA, 1987).
41
FITOTERAPIA EM DESORDENS CARDIOVASCULARES│ UNIDADE II
Gupta e Porter (2001 – REF 32), demonstraram que o extrato de alho fresco e os compostos 
S-alilcisteína, dialil trissulfeto e adialil dissulfeto inibem a esqualeno monoxigenase humana, 
enzima que está envolvida na síntese de colesterol. 
Além disso, a atividade antitrombótica do alho já está bem documentada. É conhecido que um 
aumento na concentração sérica de fibrinogênio, juntamente com uma redução no tempo de 
coagulação do sangue está relacionado aoefeito trombótico. O alho exerce efeito benéfico em todos 
esses parâmetros e inibe a agregação plaquetária (BOULLIN et al., 1981; GAFFEN et al., 1984) 
pela inibição da síntese de tramboxana pela inibição das enzimas ciclo-oxigenases e lipoxigenases, 
inibição da enzima fosfolipase de membrana e incorporação do ácido araquidônico nos fosfolipídios 
da membrana da plaqueta (WAGNER et al., 1987), além de inibir a absorção de cálcio nas plaquetas 
(SRIVASTA et al., 1986). 
A alicina e o ajoeno (produto secundário da degradação da aliina) são os componentes químicos do 
alho relacionados à inibição da agregação plaquetária (MOHMMAD, 1986). 
Além disso, as propriedades antioxidantes do alho são amplamente reconhecidas em diversos 
estudos científicos . O alho é capaz de inibir a formação de radicais livres e potencializa enzimas 
antioxidantes celulares, tais como superóxido dismutase, catalase e glutationa peroxidase, 
protegendo lipoproteínas de baixa densidade (LDL) da oxidação. Outro efeito relacionado ao alho é 
a inibição da ativação do fator de transcrição nuclear kappa B (NF-κB), responsável pela indução da 
transcrição e tradução de citocinas inflamatórias (BOREK, 2001). 
Diversos estudos clínicos realizados em pacientes com doenças cardíacas coronarianas, 
hiperlipidemia e hipercolesterolemia, além de indivíduos saudáveis, documentam o efeito 
fibrinolítico das formulações contendo alho. Grande parte dos estudos placebo-controlados utilizou 
20 mg de óleo de alho extraído com éter, diariamente por até 90 dias, ou 600 a 1.500mg de alho em 
pó por até 28 dias. Os resultados da maior parte desses estudos, mas não todos, foi um aumento 
significativo da atividade fibrinolítica entre os indivíduos que receberam alho. 
As doses mais comuns para adultos indicadas pela literatura científica são:
 » Bulbo seco de 2 a 4g, 3 vezes ao dia (Bradley, 1992) ou alho fresco, 4g ao dia 
(BLUMENTHAL et al., 1998);
 » Tintura de 2 a 4 mL (1:5 em álcool 45%), 3 vezes ao dia (BRADLEY, 1992);
 » Óleo de 0,03 0,12 mL, 3 vezes ao dia;
Os ensaios clínicos que investigaram o efeito do alho sob diversos parâmetros relacionados ao 
desenvolvimento de doenças vasculares cerebrais e cardiovasculares degenerativas, utilizaram 
doses de 600-900mg ao dia por um período de 4 a 24 semanas (SCHULZ et al., 2000).
42
unidAdE ii │fitotErAPiA EM dESordEnS CArdiovASCulArES
Efeitos adversos e contraindicações
Efeitos colaterais sobre o trato gastrointestinal, incluindo sensação de queimação na boca e trato 
gastrintestinal, náuseas, vômitos e diarreia, assim como reações alérgicas, são raros mas já foram 
documentados (NAKAGAWA et al., 1984). Todavia, o odor desagradável incomoda alguns pacientes, 
motivo pelo qual doses suficientes de um preparado eficaz à base de alho ou o próprio alho fresco 
raramente são ingeridos regularmente por um período de tempo prolongado.
O alho é considerado abortivo, além de afetar o ciclo menstrual e exercer efeito na contração uterina. 
Portanto, preparações fitoterápicas que contenham alho são contraindicadas durante a gestação e 
lactação (FARNSWORTH, 1975, JOSHI et al., 1987).
ginkgo (ginkgo biloba)
O Ginkgo pertence à família das Ginkgoáceas e suas folhas, Ginkgo biloba folium, são usadas como 
droga vegetal. De modo similar ao espinheiro-branco e ao alho, o interesse científico sobre os efeitos 
dos extratos de Ginkgo biloba tem crescido nas últimas décadas. Existem relatos do seu uso antes 
de 2800 a.C. pela medicina tradicional chinesa. 
Atualmente sua principal aplicação terapêutica é para deficiência cognitiva, claudicação intermitente 
(em geral resultante de doença arterial oclusiva periférica), vertigem e zumbido de origem vascular 
(BARNES, 2012).
Os principais constituintes do Ginkgo biloba são: flavonoides, procianidinas, diterpenoides, 
ginkgolídeos e bilobalida. Devido aos flavonoides, a eficácia do EGB como capturador de radicais 
livres é muito reconhecida. Em casos de isquemias, hipóxias e outros distúrbios metabólicos, a 
produção de radicais livres encontra-se aumentada. 
Pesquisas in vitro e in vivo indicam que, a capacidade de fluidez do sangue é melhoradaatravés 
do uso de EGB, além de proteger a membrana dos eritrócitos contra a hemólise (FINTELMANN, 
2010).
Muitos estudos de revisão da literatura confirmam seus efeitos neuroprotetores (CHRISTEN, 
2001) e tem se mostrado como uma importante planta medicinal para o tratamento de distúrbios 
circulatórios, especialmente do cérebro. Um estudo duplo-cego randomizado em 60 pacientes com 
demência degenerativa primária de grau leve a moderadamente grave realizado por Weitbrecht 
e Jansen em um estudo, revelou que o tratamento com EGB produzia melhora significativa nas 
condições clínicas e nos resultados de testes psicométricos, após um tratamento com duração de 4 
a 12 semanas, em comparação ao placebo. Outro grupo de pesquisadores, Halama e cols, em estudo 
realizado com 40 pacientes ambulatoriais com diagnóstico de insuficiência vascular cerebral, de 
grau leve a moderado, com base em um estudo duplo-cego randomizado e controlado por placebo, a 
eficácia do EGB sobre os sintomas dessa doença, demonstrado um efeito superior em distúrbios de 
memória de curta duração e de vigília mental, além do efeito observado em vertigens. 
43
FITOTERAPIA EM DESORDENS CARDIOVASCULARES│ UNIDADE II
Além disso, o extrato padrozinado de Ginkgo (EGb-761 – veja Posologia), exerce efeito de 
vasorregulação (vasodilatação e vasoconstrição) (DEFEUDIS, 1998; PAPADOPOULOS et al., 1997); 
cardioprotetor (23), inibição competitiva a ligação do fator de ativação de plaqueta (PAF) ao seu 
receptor de membrana (DEFEUDIS, 1998; HOSFORD et al., 1988). 
As principais referências científicas sobre plantas medicinais sugerem as seguintes doses:
 » As doses mais utilizadas para deficiência cognitiva são de 120 a 240 mg de extrato 
seco da folha, via oral, dividido em 2 ou 3 doses (BLUMENTHAL et al., 1998).
 » Em casos de doença arterial oclusiva periférica e vertigem/zumbido a dosagem 
mais utilizada fica 120 a 160 mg de extrato seco, via oral, dividido em 2 ou 3 doses 
diárias (BLUMENTHAL et al., 1998).
Geralmente, os ensaios clínicos utilizam o extrato padronizado de folhas de Ginkgo biloba EGb-761 
(glicosídeos flavonoídicos de 22 a 27% determinados como quercetina, campferol e isorramnetina; 
lactonas terpênicas de 5 a 7%, incluindo de 2,8 a 3,4% de ginkoglídeos A, B e C; 2,6 a 3,2% de 
bilobadina, emenos de 5 ppm de ácidos ginkgólicos) (BLUMENTHAL et al., 1998; SCHULZ et al., 
2000). De acordo com a farmacopéia britânica e européia, o ginkgo consiste de folhas secas da 
planta, contendo não menos que 0,5% de flavonoides expressos como glicosídeos da flavona.
44
CAPítulo 3
distúrbios circulatórios
Hipertensão arterial
visco-branco (viscum album l.) 
O visco-branco é um arbusto de forma esférica pertencente à família das Loranthaceae cresce como 
parasita sobre árvores de folhas caducas e coníferas. Seus caules se ramificam de forma dicotômica, 
como frequentemente é encontrado em plantas inferiores (por exemplo, algas). Do visco utilizam-se 
as partes aéreas, folhas, frutos e galho. A partir do visco foram identificadas numerosas substâncias, 
principalmente polipeptídeos tóxicos (viscotoxina), além de lectinas, flavonoides, aminas biogênicas, 
terpenoides, viscotoxinas, fenilpropanoides, polissacarídeos e lignanas. 
De acordo com várias monografias o visco-branco apresenta propriedades hipotensoras, depressoras 
cardíacas e sedativas. É usado tradicionalmente na hipertensão, arteriosclerose, taquicardia nervosa, 
cefaleia hipertensiva e histeria (BISSET, 1994; BLUMENTHAL et al., 1998; WILLIAMSON, 2003). 
Além disso, o uso de formulações viso-branco atualmente está voltado para o tratamento adjuvante 
do câncer. 
Weiss classificou o visco como um típico fitoterápico, o qual apresenta um leve efeito hipotensor, 
porém não imediato. Entretanto, devido aos efeitos benéficos sobre os sintomas subjetivos, tais 
como dores de cabeça, sensação de tontura, diminuição da capacidade produtiva, irritabilidade e 
outros sintomas, os quais se desencadeiam em associação à hipertensão, ele foi aprovado na prática 
médica, especialmente por não ocasionar efeitos colaterais indesejáveis. 
O mecanismo de seu efeito hipotensor ainda é incerto, no entanto, evidências apontam para 
um caráter principalmente de reflexo, exercendo efeito normalizador sobre os estados tanto de 
hipertensão quanto de hipotensão (PETKOV, 1979). 
As principais referências científicas sobre plantas medicinais sugerem as seguintes doses (BRITISH 
HERBAL PHARMACOPEIA, 1983): 
 » Folhas secas de 2 a 6g, na forma de infusão, 3 vezes ao dia;
 » Extrato líquido de 13 ml (1:1 em 25% de álcool), 3 vezes ao dia;
 » Tintura 0,5 ml (1:5 em 45% de álcool), 3 vezes ao dia;
Contraindicações e advertências (SCHULZ, 2000):
 » Casos de alergia conhecida a formulação, condições inflamatórias agudas e febre 
alta; 
 » Devido a seus constituintes tóxicos e é contraindicado na gestação e lactação.
45
FITOTERAPIA EM DESORDENS CARDIOVASCULARES│ UNIDADE II
oliveira (olea europaea) 
A oliveira é uma das principais plantas dos países mediterrâneos. Como droga vegetal, utilizam-se 
as folhas, oleae folium. Segundo Weiss, estas são recomendadas como fitoterápico hipotensor. A 
substância ativa responsável pelo efeito é um glicosídeo de estrutura secoiridoide, a oleuropeína. 
Segundo pesquisas de Petkov e Manolov (1972), a oleuropeína, em estudos pré-clínicos, atua 
como hipotensor, antiarrítmico e vasodilatador coronariano. Também foi observado leve efeito 
antagonista do cálcio. Weiss considerou o efeito hipotensor das folhas da oliveira mais leve do que o 
do visco e fez referência aos sintomas gástricos ocasionados, devido a uma ação irritante local, como 
um efeito colateral indesejável. As folhas de oliveira devem ser utilizadas exclusivamente na forma 
de extratos. Apesar de algumas evidências científicas, o efeito hipotensor da oliveira ainda não foi 
comprovado.
distúrbios do sistema venoso
Os distúrbios venosos são caracterizados principalmente por processos inflamatórios e trombóticos 
(tromboflebites e varizes), causados por enfraquecimento do tecido conectivo. A principal indicação 
da fitoterapia é na insuficiência venosa crônica. A principal planta empregada nesses casos é a 
castanha-da-índia (Aesculus hippocastanum).
Castanha-da-índia (Aesculus hippocastanum) 
A castanha-da-índia pertence a família Hippocastanaceae e suas sementes apresentam principalmente 
os seguintes constituintes: cumarinas, flavonoides (canferol, quercetina, isoquercetina e rutina 
são os principais), saponinas (escina 3 a 10%), taninos, além de alantoína, aminoácidos adenina, 
adenosina e guanina, ácido cítrico, colina e fitoesterol (BARNES, 2012).
Seu uso tradicional está relacionado ao tratamento de varizes, hemorróidas, flebite, diarréia, febre e 
aumento da próstata. A German Commission E aprovou o seu uso para o tratamento da insuficiência 
venosa crônica nas pernas (BLUMENTHAL et al., 1998).
Estudos in vitro e in vivo documentaram efeitos anti-inflamatórios e aumento do tônus venoso 
induzido por escina associado aoaumento da síntese de PGF2α (prostaglandina relacionada à 
contração neste tecido) no tecido venoso (FARNSWORTH e CORDELL, 1976; VOGEL et al., 1970; 
LONGIAVE et al., 1978).
Diversos ensaios clínicos validaram o efeito do extrato da semente de Aesculus hippocastanum em 
pacientes com insuficiência venosa crônica. Uma análise sistemática de reuniu 17 ensaios duplo- 
-cegos randomizados e controlados que aplicaram o extrato para insuficiência venosa e compararam 
com grupos placebo e com o medicamento de referência (O-β-hidroxietilrutosídeos, picnogenol). Os 
ensaios utilizaram o extrato equivalente a 50 a 150 mg de escina ao dia, durante 2 a 16 semanas e 
mostraram redução quanto à dor nas pernas, edema e prurido resultantes deinsuficiência venosa 
crônica. Quando comparado com o medicamento de referência o extrato da semente de aesculus 
hippocastanum teve a mesma eficácia no alívio dos sintomas (PITTLER et al., 2006). 
46
unidAdE ii │fitotErAPiA EM dESordEnS CArdiovASCulArES
Posologia: extratos equivalentes a 50 a 150 mg de triterpenos, calculados como escina, em doses 
divididas (MONOGRAPHS ON THE MEDICINAL USES OF PLANTS DRUGS, 1996).
Contraindicações e advertências (BARNES, 2012): 
 » pacientes com disfunção renal ou hepática preexistentes;
 » evitar durante a gestação e lactação, pois a segurança do uso da castanha-da-índia 
nesse período ainda não foi estabelecido;
 » pode ocorrer irritação do trato gastrointestinal devido aos constituintes 
saponosídicos. 
47
CAPítulo 4
dislipidemia
Desordens do metabolismo das lipoproteínas em conjunto com dietas ricas em gordura, obesidade 
e sedentarismo têm resultado em crescente incidência e prevalência de doença aterosclerótica 
em adultos moradores de países desenvolvidos ou em desenvolvimento, em especial a doença 
coronariana aterosclerótica. Há sólida evidência de que altas concentrações séricas de colesterol 
predispõem a doença arterial coronariana, bem como que a sua redução diminui a incidência.
O termo dislipidemia, ao invés de hiperlipemia, é atualmente empregado em função de que a redução 
e não o aumento da fração HDL-colesterol (colesterol ligado à lipoproteína de alta intensidade) é o 
que determina ou facilita o estabelecimento de aterosclerose.
A dislipidemia define várias situações, como elevação isolada de LDL-colesterol (colesterol ligado 
à lipoproteína de baixa densidade), elevação elevada de triglicerídeos séricos, redução isolada de 
HDL – colesterol ou combinações entre estes.
A hipercolesterolemia e caracteriza pelo aumento do colesterol total circulante no sangue e pode 
ser associada a obesidade, alta ingestão de alimentos ricos em colesterol, baixa ingestão de fibras 
devido a alimentação inadequada ou ainda ser um problema de ordem genética, manifestado por 
maior produção endógena de colesterol.
Evidências indicam que a oxidação da lipoproteína de baixa densidade (LDL) exerce papel 
fundamental no desenvolvimento da arteriosclerose são apoiadas por um numero crescente de 
indicadores epidemiológicos e estudos experimentais (PARTHSARATHY et al., 1992).
O papel da fitoterapia nas dislipidemias é justificada pela ação antioxidante, evitando a oxidação 
de lipoproteínas, e ações coleréticas e colagogas. Nas tabelas abaixo estão descritas as principais 
plantas medicinais que apresentam essas ações. 
Tabela 6. Fitoterápicos de ação colerética e colagoga
Nome popular/botânico Efeitos/advertências Posologia
Boldo do Chile/ Peumus boldus 
Estudos de Santanam et al (2003) testaram a 
atividade do boldo do Chile (especificamente seu 
acaloide, a boldina) frente a oxidação do LDL in 
vitro e o aparecimento de arteriosclerose in vivo.
Os resultados mostraram um decréscimo das 
lesões nas artérias no grupo que consumiu o 
fitoquímico do boldo (aproximadamente 40% 
menos que o controle).
Advertências:
Pessoas com obstrução das vias biliares, 
doenças severas do fígado e gravidez. Usar 
cuidadosamente em pessoas com doença 
hepática aguda ou severa, colecistite séptica, 
espasmos do intestino e íleo e câncer hepático.
Infusão: 1 a 2 g (1 a 2 col. de chá) em 
150 ml de água. Utilizar 1 xícara de chá, 
2x ao dia oral. 
Tintura:
-Tomar 25 a 50 gotas em água, 2x ao dia.
Extrato seco:
- Tomar 1 cápsula de 250 a 500 mg 2x 
ao dia.
OU
- Verificar a padronização (2 a 5 mg de 
alcaloides totais expressos em boldina).
48
UNIDADE II │FITOTERAPIA EM DESORDENS CARDIOVASCULARES
Alcachofra/Cynara scolymus 
A alcachofra e comumente utilizada na Alemanha 
e Suíça como um medicamento para indigestão e 
na Inglaterra e vendida como suplemento (um dos 
mais vendidos no mercado);
Constituintes chaves: Ácidos cafeioilquinicos 
(incluindo cinarina e ácidos clorogênicos), 
flavonoides (incluindo luteolina e derivados) e 
outros compostos amargos.
A farmacologia e estudos pré-clinicos indicam 
que o extrato de alcachofra possui atividade 
hipocolesterolemica e antioxidante (MILLS e 
BONE, 1999).
Mecanismo de ação proposto:
Redução da síntese de colesterol via inibição 
da enzima HMG coA redutase, aumento da 
eliminação do colesterol e Inibição da oxidação do 
Colesterol (GEBHARDT R., 1998). 
Não deve ser utilizado por pessoas com doenças 
da vesícula biliar. Usar cuidadosamente em 
pessoas com hepatite grave, falência hepática e 
câncer hepático.
Supõe-se que a cinarina seja a principal 
responsável pelas atividades colagogas e 
coleréticas da planta, provocando o aumento da 
secreção biliar (TESKE e TRENTINI, 1997)
Jimenez-Escrig et al (2003) determinaram 
a atividade antioxidante do extrato aquoso e 
orgânico de alcachofra. O extrato de alcachofra 
apresentou bons resultados na inibição da 
oxidação de LDL diminui a concentração de 
enzimas que são biomarcadoras da oxidação 
protéica.
Infusão: 2g (1 col. de sobremesa) em 150 
ml de água. Tomar 1 xícara 3x ao dia.
- Tintura:
Tomar 50 gotas em água, 3 vezes ao dia.
- Extrato seco:
Tomar 1 cápsula de 500mg 3 x ao dia. 
(Total de 1500 mg ao dia).
- Extrato seco padronizado: Verificar 
a padronização (7,5 mg a 12,5 mg 
de derivados do acido cafeoilquinico 
expressos em acido clorogênico).
Disponível no mercado:
Padronizado em 1,35 – 1,65mg (0,45 
– 0,55%) de cinarina. Tomar 1 cápsula 
de 300 mg 3 x ao dia (Total de 1800 mg 
ao dia).
Curcuma zedoaria - Zedoária - A zedoaria atua principalmente no sistema 
digestivo, inibindo secreção de acido gástrico e 
aumentando a secreção biliar.
- E indicada para doenças do fígado como, por 
exemplo, o alto índice de colesterol plasmático.
Poucos estudos científicos com esta planta.
Contraindicações:
Não deve ser utilizada nos 3 primeiros meses de 
gravidez e durante a lactação.
Efeitos colaterais:
Podem ocorrer diarréias, inchaço e dores 
abdominais nos primeiros dias de ingestão.
1) Decocção:
- 1,5 g (3 col. de café) em 150 ml de 
água (1 xícara de chá).
- Tomar 1 xícara de chá de 1 a 2x ao dia. 
(RDC no 10/2010- ANVISA)
2) Extrato seco:
- Tomar 1 cápsula de 375 mg, 1 a 2 x ao 
dia (Tabela de equivalência)
3) Tintura 20%:
- Tomar 40 gotas 1 a 2x ao dia. (Tabela 
de equivalência)
49
fitotErAPiA EM dESordEnS CArdiovASCulArES│ unidAdE ii
Berinjela/Solanum melongena
Sudheesh et al (1997) mostrou que a 
administração oral de extratos de flavonoides 
de berinjela apresentou uma significantes ação 
hiperlipidêmica em ratos.
Um aumento significante na concentração de bile 
hepática e fecal foi observada, mostrando também 
uma ação positiva no aumento da degradação do 
colesterol.
Um projeto piloto realizado nos primeiros meses 
de 2010 pelo Departamento de Nutrição da 
Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) 
é divulgado em maio/2010 constatou que a 
farinha de berinjela e um importante suplemento 
para a redução de alguns fatores de risco 
cardiovasculares como a dislipidemia, gordura 
corporal e visceral, pressão arterial sistêmica 
e altas concentrações de acido úrico, e para o 
emagrecimento.
Um estudo avaliou as atividades hiperlipidêmicas e 
hipocolesterolemiante da Berinjela com a medição 
dos níveis plasmáticos de triglicerídeos, HDL, LDL, 
VLDL e colesterol total em cobaias apos 16 dias 
de tratamento.
Os benefícios foram observados tanto em 
indivíduos com dieta hiperlipídica como 
normolipídica com diminuição considerável 
dos níveis plasmáticos de colesterol total e 
triglicerídeos (CHEREM, et al., 2007).
Por outro lado, estudos de Botelho et al (2004) 
não mostraram resultados positivos no estresse 
oxidativo e na arteriosclerose de ratos tratadoscom extrato seco de berinjela, compara ao 
placebo. Mais estudos devem ser feitos
14g da farinha por dia.
Fontes: bARNES, 2012; FERRO, 2006; MARQuES, 2011; FINTELMANN, 2012.
50
UNIDADE II │FITOTERAPIA EM DESORDENS CARDIOVASCULARES
Tabela 7. Fitoterápicos que apresentam efeitos antioxidantes
Nome popular/ botânico Efeitos/advertências Posologia
Uva/
Vitis vinífera
As uvas contêm uma grande variedade de 
compostos fenólicos em seus frutos; Principais 
fitoquímicos: antocianinas, proantocianinas 
(catequinas), taninos condensados.
Um grande número de estudos mostram os efeitos 
desta fruta e de suas formas de consumo no que diz 
respeito a bloquear eventos celulares que predispõe 
a arteriosclerose e doenças do coração.
Suas principais atividades são: 
- cardioproteção; 
- atividade antioxidante; 
- inibição da agregação plaquetária; 
- atividade anti-inflamatória.
Desempenha ação antioxidante, prevenindo a 
oxidação do LDL. Kamiyama M et al (2009) estudou 
o efeito da administração de uvas (Nagano purple 
grape) apos 1 hora do consumo em humanos e 
observou uma maior inibição da oxidação de LDL-
colesterol comparadas a amostras controles.
Exemplo de produto disponível no 
mercado:
- Cápsulas de 142mg (135mg de 
proantocianidinas), extrato seco. 
Tomar 1 cápsula 3x ao dia. 
Guaraná/Paullinia cupana 
A semente do guaraná contem concentrações 
expressivas de compostos fenólicos (HERMAN, 
1982; HERMAN, 1986; SEIDEMANN, 1998). O 
perfil de polifenólicos do guaraná se assemelha 
ao de alimentos como o cacau e o chá verde, no 
que diz respeito às catequinas, epicatequinas e 
proantocianidinas (HERMAN, 1982; HERMAN, 1986; 
SEIDEMANN, 1998).
Martins (2010) avaliou o efeito do consumo 
de guaraná em pó em humanos. Aumento na 
concentração de enzimas antioxidantes (Catalase e 
GPx); Efeito agudo antioxidante in vitro;
Efeito antioxidante no plasma foi aumentado de 
forma aguda. Conclusão: Sugere-se o fracionamento 
da posologia.
Costa et al (2009) avaliou o teor de cafeína dos pós 
de guaranás disponíveis no mercado.
As amostras avaliadas continham em media 2,6% de 
cafeína, sendo que o preconizado pela farmacopeia 
dos Estados Unidos do Brasil e de 4%. 
Posologia seria de: 1 a 3 cápsulas 
ao dia:
Cápsulas de 500mg 20mg de 
cafeína (4% de cafeína)
51
FITOTERAPIA EM DESORDENS CARDIOVASCULARES│ UNIDADE II
Cranberry/ Vaccinium macrocarpon
Além da atividade positiva no que diz respeito as 
doenças cardiovasculares, tem mostrado potencial 
efeito (GOTTELAND et al., 2008; KONTIOKARI et al., 
2001; KRESTRY et al., 2008):
1) Na prevenção de infecções do trato urinário;
2) Inibição de ulcera péptica por Helicabacter pylori;
3) Na indução da apoptose em células cancerígenas. 
Lee et al (2008) concluiu que a suplementação 
com cranberry foi efetiva na redução do perfil do 
colesterol incluindo o LDL e o colesterol total, assim 
como a razão colesterol total : HDL.
Chu et al (2005) cita que o extrato de cranberry 
induz significativamente a expressão dos receptores 
hepáticos de LDL-colesterol e aumenta a absorção 
de colesterol em células HepG2 in vitro, o que 
sugere que ele pode aumentar a remoção do 
excesso de colesterol no sangue.
Alem disso, Chu et al (2008) também comprova que 
os fitoquímicos do cranberry são responsáveis pela 
inibição da oxidação do LDL –colesterol.
Posologia recomendada:
– 400mg do extrato seco, 2x ao dia.
Não existem outras formas 
farmacêuticas no mercado
Fontes: bARNES, 2012; FERRO, 2006; MARQuES, 2011; FINTELMANN, 2012.
52
unidAdE iii
fitotErAPiA EM 
dESordEnS 
rESPirAtÓriAS
As doenças respiratórias são muito frequentes. Podem caracterizadas por inflamações agudas e 
crônicas de origem bacteriana, viral e tóxica ou doenças crônicas, como a asma brônquica.
Basicamente, são distinguidas as doenças das vias respiratórias “superiores” e “inferiores”, das quais 
a laringe forma o limite anatômico (RIECHELMANN; KLIMEK, 1997). A utilização de fitoterápicos 
nesses casos é orientada principalmente pelos sintomas e, de acordo com estes, são classificados e 
empregados de forma diferenciada sob o ponto de vista terapêutico. 
Em doenças respiratórias, os medicamentos à base de plantas há muito desempenham um papel 
importante. Atualmente, por exemplo, chás, gotas e xaropes antitussígenos encontram-se entre os 
agentes terapêuticos mais utilizados de modo geral. 
CAPítulo 1
inflamações agudas e crônicas das 
vias respiratórias
O uso de antibióticos são indicações primárias em casos de infecções bacterianas das vias 
respiratórias. Sabe-se que a prescrição de antibióticos de forma excessiva conduz a uma progressiva 
resistência microbiana. Por isso, o crescente interesse em considerar um tratamento de suporte do 
processo de autocura, por exemplo, com fitoterápicos. A prevenção nos casos de suscetibilidade a 
infecções é uma área na qual os fitomedicamentos também são particularmente adequados. 
Drogas vegetais podem agir como mucilaginosos mucolíticos, expectorantes, os quais promovem a 
expulsão das secreções, e os antitussígenos, inibidores do estímulo da tosse. 
Mucilaginosas 
São adequadas, principalmente, para o tratamento de doenças inflamatórias agudas das vias 
respiratórias. Elas amenizam as mucosas irritadas e suavizam a sintomatologia. 
53
FITOTERAPIA EM DESORDENS CARDIOVASCULARES│ UNIDADE II
Alteia ou Malvaísco (Althaea officinalis) 
Althaea officinalis pertence à família das malváceas. São utilizadas as raízes, Althaeae radix, e as 
folhas, Althaeae foliam; no entanto, estas são menos ativas do que a droga vegetal obtida a partir 
das raízes. A droga vegetal contém, no mínimo, 35% de mucilagem, 38% de amido, 10% de pectina 
e de sacarose.
Tradicionalmente utilizada no tratamento de catarro respiratório e tosse, ulceração péptica, 
estomatite, faringite, enterite, cistite, uretrite, cálculo renal, bem como, seu uso tópico para 
abcessos, furúnculos e úlceras varicosas e trombóticas. Diversos estudos apontam para propriedades 
demulcentes, expectorantes, emolientes, diuréticas e antilíticas (BISSET, 1994; BRADLEY, 1992; 
MARTINDALE, 1999; ROBBERS; TYLER, 1999; WREN, 1988).
A raiz e folhas da alteia foram aprovadas pela German Commission E para irritação da mucosa oral e 
faríngea com tosse seca associada, e da raiz para inflamação leve de mucosa gástrica (BLUMENTHAL 
et al., 1998). 
As principais referências científicas sobre plantas medicinais sugerem as seguintes doses (BRADLEY, 
1992; BRITISH HERBAL PHARMACOPEIA, 1983):
 » Folha seca de 2 a 5g na forma de infusão, 3 vezes ao dia;
 » Folha, extrato líquido de 2 a 5ml (1:1 em 25% de álcool), 3 vezes ao dia.;
 » Pomada 5% de folha de alteia em pó na base-padrão para pomadas, 3 vezes ao dia;
 » Raiz seca de 2 a 5 g por meio de extração a frio, 3 vezes ao dia;
 » Raiz, extrato líquido de 2 a 5 ml (1:1 em 25% de álcool), 3 vezes ao dia;
 » Xarope de 2 a 10 ml, 3 vezes ao dia.
Não há relatos de que seu uso da gestação e lactação ocasione problemas à mãe e ao bebê, porém o 
uso deve ser moderado.
tussilagem ou unha-de-cavalo (tussilago farfara l.)
A tussilagem pertence à família Compositae e suas flores e folhas apresentam propriedades 
expectorantes, antitussígenas, demulcentes e anticatarro. Indicada em casos de asma, bronquite, 
laringite e coqueluche (BISSET, 1994; BRITISH HERBAL PHARMACOPEIA, 1983, MILLS, 1985; 
WREN, 1988). Seus principais constituintes são ácidos (cafeico, ferúlico, gálico), alcaloides do tipo 
pirrolizidínico, carboidratos (mucilagem e inulina), flavonoides (flavonois como a quercetina e 
canferol), taninos (Até 17%) (BARNES, 2012). 
Estudos in vitro e em animais revelaram sua atividade antibacterina contra várias bactérias Gram-
negativas, como a Staphylococcus aureus, Proteushauseri, Bordetella pertussis, Pseudomonas 
aeruginosa e Proteus vulgaris (DIDRY et al., 1982; DIDRY; PINKAS, 1982; LEVEN et al., 1979). 
54
unidAdE iii │fitotErAPiA EM dESordEnS rESPirAtÓriAS
Porém, não existem estudos clínicos randomizados controlados que avaliem os efeitos da tussilagem 
em humanos. A German Comission E menciona sua indicação em afecções catarrais agudas das vias 
respiratórias com tosse e rouquidão. 
A tussilagem não deve ser utilizada Durant a gestação e lactação devido a seu conteúdo de alcaloides 
pirrolizidínicos. É possível que seja abortiva (FARNSWORTH, 1975).
As principais referências científicas sobre plantas medicinais sugerem as seguintes doses (BRADLEY, 
1992; BRITISH HERBAL PHARMACOPEIA, 1983):
 » Planta seca de 0,6 a 2,0 g, na forma de decocto, 3 vezes ao dia;
 » Extrato líquido de 0,6 a 2,0 ml (1:1 em álcool a 25 %), e vezes ao dia;
 » Tintura de 2 a 8 ml (1:5 em álcool a 45%), 3 vezes ao dia;
 » Xarope de 2 a 8 ml (extrato líquido 1:4 em xarope), 3 vezes ao dia.
Expectorantes 
Liquefazem a secreção brônquica viscosa e espessada, de modo a promover o aumento da secreção 
e, desse modo, facilitam a eliminação do catarro, ou seja, a expectoração. A dissolução do muco 
e a lise das secreções são estimuladas principalmente pelo conteúdo de saponinas e por alguns 
óleos essenciais. A redução da viscosidade do muco e o aumento do conteúdo de água da secreção 
brônquica são requisitos importantes para uma expectoração satisfatória (FINTELMANN, 2010).
Prímula ou Primavera-dos-campos Prímula elatior, 
ou Primavera-das-florestas (Primula vens)
 A raiz da prímula é utilizada como droga vegetal, primulae radix. Ela contém 5-10% de saponinas 
triterpênicas, além dos glicosídeos de ácido salicílico primulaverina e primaverina, e flavonoides. 
A Comissão E menciona como área de utilização afecções catarrais das vias respiratórias 
(BLUMENTHAL et al., 1998). 
Pimpinela ou Saxifraga (Pimpinella saxifraga)
A pimpinela pertence à família das umbelíferas a raiz, Pimpinellae radix, contém saponinas e, no 
mínimo, 0,4% de óleo essencial. Ela ainda é pouco conhecida como expectorante. O efeito não 
é muito intenso, porém já é comprovado que a pimpinela pode ser indicada para o tratamento 
de resfriados (FINTELMANN, 2010). A monografia da Comissão E menciona para afecções que 
apresentam secreções nas vias respiratórias. 
55
fitotErAPiA EM dESordEnS rESPirAtÓriAS│ unidAdE iii
Erva-doce ou Anis (Pimpinella anisum) 
A erva-doce pertence à família Apiaceae e seu fruto é utilizado para uso alimentício e fitoterápico. 
Entre seus componentes estão cumarinas, flavonoides, óleos voláteis (2 a 6%). Suas propriedades 
são expectorantes, antiespasmódica, carminativa e parasiticida. Tradicionalmente tem sido utilizada 
para catarros brônquicos, coqueluche, tosse espasmódica, cólica com flatos (BISSET, 1994; BRITISH 
HERBAL PHARMACOPEIA, 1983). Além disso, também tem sido empregada como agente com 
efeito estrogênico, parece aumentar a secreção de leite, favorecer a menstruação, facilitar o parto, 
aumentar a libido e minimizar sintomas relacionados ao climatério (ROSBERGER et al., 1981).
As principais referências científicas sobre plantas medicinais sugerem as seguintes doses 
(MONGRAPHS ON THE MEDICINAL USES OF PLANTS DRUGS, 1997; BRITISH HERBAL 
PHARMACOPEIA, 1983):
 » fruto seco para adultos e crianças acima de 4 anos, utilizar 1,0 a 5,0g de frutos 
triturados em 150 ml de água, na forma de infusão, várias vezes ao dia;
 » fruto seco para crianças de 0 a 1 ano, utilizar 1g do fruto triturado, na forma de 
infuso; 
 » fruto seco para crianças de 1 a 4 anos, utilizar 2g; 
 » óleo de 0,05 a 0,2 ml, 3 vezes ao dia.
Contraindicações (BARNES, 2012): 
 » Pode provocar reação alérgica.
 » Deve ser evitado em dermatites e condições inflamatórias de pele.
 » A erva-doce é considerada abortiva e promotora da lactação. A sua segurança ainda 
não foi estabelecida, entretanto não há relatos de problemas quando as doses usadas 
não excedam muito a quantidade usada nos alimentos. 
Antitussígenos 
São utilizados principalmente nas tosses convulsivas (“tosse irritativa”), que ocorrem frequentemente 
em adultos, em associação com infecções virais, nas quais as mucosas aparentam estar ressecadas. 
tomilho (thymus vulgaris)
O tomilho pertence à família Labiatae e suas sumidades floridas e folhas apresentam propriedades 
diversas, entre elas carminativas, antiespasmódicas, antitussígenas, expectorantes, secretomotoras, 
bactericidas, anti-helmínticas e adstringentes. O tomilho pode auxiliar nas tosses agudas convulsivas 
ou nas tosses crônicas. Mesmo no enfisema, e até na asma, suas propriedades espasmolíticas foram 
56
UNIDADE III │FITOTERAPIA EM DESORDENS RESPIRATÓRIAS
comprovadas (FINTELMANN, 2010). Entre os principais componentes, encontra-se um teor mínimo 
de 1,2% em óleo essencial, dos quais os fenóis são os principais (20 a 80%) com predominância do 
timol. Além destes, flavonoides, taninos, saponinas e substâncias amargas (BARNES, 2012).
As principais referências científicas sobre plantas medicinais sugerem as seguintes doses (BRITISH 
HERBAL PHARMACOPEIA, 1983): 
 » Erva seca de 1 a 4g, na forma de infusão, 3 vezes ao dia;
 » Extrato líquido de 0,6 a 4,0mL.
 » Tintura de 2 a 6 mL (1:5 em álcool 45%), 3 vezes ao dia.
57
CAPítulo 2
gripes e resfriados
Infecções gripais são predominantemente causadas por vírus. Uma vez que a maioria dos vírus 
patogênicos à espécie humana não é capaz de proliferar-se com o aumento da temperatura 
corporal, a febre alta é a terapia causal das infecções virais. Atualmente, as infecções gripais ou 
resfriados geralmente são tratados apenas sob o ponto de vista sintomático. A superação real da 
doença é deixada por conta das defesas do organismo, em que as defesas naturais inespecíficas são 
de grande importância. A planta indicada por excelência, neste caso, é a equinácea (Echinacea) 
(FINTELMANN, 2010).
Plantas imunomoduladoras
Equinácea (Echinacea purpúrea, Echinacea 
pallida, Echinacea purpurea)
 A Equinácea é uma das plantas mais estudadas pela comunidade científica. Pertencente à família das 
Asteraceae seu rizoma, raízes e parte aéreas são utilizadas tradicionalmente como imunomodulara, 
antiviral, antifúngica e antibacteriana e anti-inflamatória.
A Equinácea é reconhecida por sua ação imunomoduladora. Diversos estudos clínicos exploram 
formulações de equinácea na prevenção ou tratamento do resfriado comum e outras infecções do 
trato respiratório superior. Vários, mas não todos os estudos, relatam efeitos superiores ao placebo. 
Entretanto, as evidências de sua eficácia não são conclusivas, visto que os estudos incluíram grupos 
diferentes de pacientes e testaram diversas formulações e regime de doses diferentes (BARNES, 
2012).
As principais referências científicas sobre plantas medicinais sugerem as seguintes doses (BRADLEY, 
1992; BRITISH HERBAL PHARMACOPEIA, 1983):
 » raiz e rizoma sexo de 1g, na forma de infuso ou decocto, 3 vezes ao dia;
 » extrato líquido de 0,5 a 1,0ml (1:5 em álcool a 45%), 3 vezes ao dia ou 0,25 a 1,0 ml 
(1:1 em álcool a 45%), 3 vezes ao dia.
 » tintura de 2 a 5 ml (1:5 em álcool a 45%), 3 vezes ao dia, ou 1 a 2ml (1:5 em álcool a 
45%), 3 vezes ao dia
O uso excessivo da equinácea durante a gestação e lactação deve ser evitado, visto que seu uso nesse 
período ainda não foi claramente estabelecido. 
58
UNIDADE III │FITOTERAPIA EM DESORDENS RESPIRATÓRIAS
A equinácea é contraindicada em pacientes com doenças sistêmicas progressivas, como tuberculose, 
leucemia, esclarose múltipla e outras doenças autoimunes. (SCHULZ et al., 2000)
Sabugueiro (Sambucus nigra l.) 
Pertencente à família Caprifoliaceae, a flor do sabugueiro apresentapropriedades diaforéticas e 
anticatarro. Tradicionalmente tem sido usado para a influeza, resfriados e catarro nasal crônico com 
surdez e sinusite. Seus principais constituintes são flavonoides, triterpenos, óleos voláteis, além 
de ácido clorogênico, taninos, mucilagem plastocinina, pectina e açúcar. Os frutos não podem ser 
utilizados para este propósito, pois apresentam um efeito laxativo suave e, em grandes quantidades, 
provocam náuseas e vômitos. Por isso, a monografia da German Comission E é válida apenas para 
as flores, indicando seu efeito benéfico para resfriados (BLUMENTHAL et al., 1998). 
As principais referências científicas sobre plantas medicinais sugerem as seguintes doses (BRADLEY, 
1992; BRITISH HERBAL PHARMACOPEIA, 1983):
 » flor dessecada de 2 a 4g, como infusão, 3 vezes ao dia;
 » extrato líquido de 2 a 4 ml (1:1 em álcool 25%), 3 vezes ao dia.
A segurança do uso do sabugueiro durante a gestação e lactação ainda não foi completamente 
esclarecido, portanto, o uso durante este período deve ser evitado.
59
unidAdE iv
fitotErAPiA EM 
dESordEnS 
rEnAiS, dAS 
viAS urinÁriAS E 
PrÓStAtA
Os fitoterápicos utilizados em doenças do parênquima renal, nefrites, apresentam diversos efeitos, 
tais como espasmolíticos, anti-inflamatórios e antisépticos das vias urinárias, além de diuréticos. 
Apesar disso, nesse caso, os fitomedicamentos não alcançam efeito comparável ou aproximado 
dos modernos diuréticos sintéticos. Porém, os fitoterápicos podem ser utilizados na profilaxia de 
recidiva de litíase urinária.
Já no tratamento dos estágios iniciais da hiperplasia benigna de próstata, a utilização de fitoterápicos 
é eficaz e influencia de modo positivo nos diferentes sintomas relacionados à micção.
CAPítulo 1
infecções das vias urinárias
Infecções das vias urinárias são frequentemente assintomáticas ou com sintomas leves. O índice de 
recidiva é alto e a progressiva resistência aos germes pode ocorrer. A cistite aguda e não complicada, 
a bacteriúria assintomática e a terapia adjuvante durante uma cateterização transuretral, 
particularmente de longa duração, são as principais indicações para a utilização de fitoterápicos 
(STAMMWITZ, 1998). Neste caso, a uva-ursi (Arctostaphylos uvae ursi) destaca-se.
uva-ursi (Arctostaphylos uvae ursi) 
A uva-ursi pertence à família Ericaceae e suas folhas apresentam propriedades diuréticas, 
antissépticas urinárias e adstringentes. Usada tradicionalmente em casos de cistite, uretrite, disúria, 
litúria e, especificamente, cistite catarral com disúria e urina com alto teor de acidez (BISSET, 1994; 
BRADLEY, 1992; BRITISH HERBAL PHARMACOPEIA, 1983; WREN, 1988). Contêm no mínimo 
8% de derivados da hidroquinona, calculados como arbutina anidra, além de flavonoides, taninos, 
ácidos orgânicos e triterpenos. 
A arbutina é o principal constituinte ativo antisséptico urinário presente na uva-ursi. Trata-se de 
um glicosídeo da hidroquinona genuinamente encontrado na droga vegetal não tem efeito direto. 
60
unidAdE iv │ fitotErAPiA EM dESordEnS rEnAiS, dAS viAS urinÁriAS E PrÓStAtA
No intestino grosso, a arbutina entra em contato com B-glicosidases e é hidrolisada originando a 
aglicona (hidro-quinona) e glicose. Após a absorção, ocorre sua ligação com os ácidos glicurônico 
e sulfúrico, sendo excretada em seguida na urina, a qual deve ter reação alcalina para melhor 
eficácia. Neste caso, a hidroquinona novamente liberada é a substância ativa, de efeito antisséptico 
(BARNES, 2012, WRUM et al., 1998). A German Comission E definiu como área de indicação as 
doenças inflamatórias das vias urinárias. 
Sua atividade antimicrobiana em relação a vários microorganismos, tais como Staphylococcus 
aureus, Bacillus subtilis, Escherichia coli, Mycobacterium smegmatis, foi apontada por alguns 
pesquisadores. 
Doses citadas na literatura de referência (BRADLEY, 1992):
 » folhas secas de 1,5 a 4,0g na forma de infusão, 3 vezes ao dia;
 » extrato líquido de 1,5 a 4,0 ml (1:1 em álcool a 25%), 3 vezes ao dia. 
 » Contraindicações e advertências:
 › O tratamento deve ser acompanhado de aumento na ingestão de líquidos. A 
urina deverá ser alcalina (pH 8) ou ser alcalinizada através da administração 
adicional de bicarbonato de sódio. Devido seu considerável conteúdo de taninos, 
a infusão de folhas de uva-ursi em alguns casos produz uma forte irritação da 
mucosa gástrica. Seu uso durante a gestação e lactação deve ser evitado devido à 
toxicidade da hidroquinona. 
raiz-forte (Armoracia rusticana)
A raiz-forte pertence à família das crucíferas. A sua raiz é utilizada como droga vegetal, Armoraciae 
rusticartae radix, apresentando propriedades antissépticas, estimulantes da circulação e da digestão, 
diurética, além de ser tradicionalmente utilizada em casos de infecção pulmonar e urinária, cálculos 
renais e condições edematosas (MILLS, 1985; WREN, 1988). Entre seus constituintes destaca-se os 
isotiocianatos e glicosinolatos, sendo estes últimos caracterizados pelo seu odor e sabor picantes. 
São os isotiocianatos, também conhecidos como óleos de mostarda, responsáveis pela atividade. 
Formados através da fermentação dos glicosinolatos, sendo rapidamente absorvidos no intestino 
delgado e, após ligação com a glutationa, excretados pelos rins como ácido mercaptúrico. A atividade 
antibacteriana pode ser observada em bactérias Gram-positivas e Gram-negativas e também em 
fungos leveduriformes. 
Estudos clínicos controlados precisam ser realizados para avaliar os efeitos da raiz-forte em 
humanos. 
Doses citadas na literatura de referência (MILLS, 1985):
 » Raiz fresca de 2 a 4 gramas, antes das refeições.
 » Contraindicações e advertências:
 › Pode deprimir o funcionamento da tireóide e, portanto, seu uso deve ser evitado 
por indivíduos co-hipotireoidismo ou medicados com tiroxina.
 › O uso na gestação e lactação deve ser evitado visto que o alil isotiocianato é 
extremamente tóxico. 
61
CAPítulo 2
Hiperplasia benigna de próstata
É importante destacar que não existem fitoterápicos que possam atuar sobre as causas da 
adenomatose benigna da próstata, mas sim sobre os sintomas que acompanham a hiperplasia da 
próstata.
Alken (1982) classifica a sintomatologia da hiperplasia da próstata nos seguintes estágios: 
 » O primeiro estágio (estágio de irritação) é caracterizado pelo aumento da frequência 
de micção, polaciúria, nictúria e retardo do início da micção. 
 » No segundo estágio (estágio da urina residual) é vista como sinal da descompensação 
inicial uma quantidade maior ou menor de urina residual; a frequência de micção e 
a polaciúria aumentam. 
 » No terceiro estágio (estágio de refluxo) ocorre completa descompensação da 
bexiga, com constante gotejamento de urina como manifestação da transposição da 
capacidade de armazenamento da bexiga e lesões renais por refluxo (hidronefrose).
O estágio mais favorável ao uso de fitoterapia é o primeiro, porém, também podem ser utilizados 
nos casos mais leves do segundo estágio. Os fitoterápicos utilizados em HBP apresentam atividade 
farmacológica é descrita sob diferentes formas, por exemplo, com a inibição da síntese de 
prostaglandinas, redução dos níveis de colesterol, diminuição da globulina ligada aos hormônios 
sexuais, além das atividades anti-inflamatória, antiedematogênica e antiandrogênica, e, finalmente, 
a inibição dos complexos enzimáticos da 5-α-redutase ou da aromatase. Todos esses relatos baseiam-
se normalmente em pesquisas in vitro (SÕKELAND e cols., 1992; ENGELMANN, 1997). 
Saw palmetto (Serenoa repens) 
O saw palmetto pertence à família Arecaceae/Palmae e seus frutos apresentam propriedades 
diuréticas, antissépticas urinárias, endocrinológicas e anabólicas. Seus principais constituintes são 
carboidratos, óleo fixos (ácidos graxos livres e glicerídeos),esteróides (β-sitosterol, campesterol, 
estigmasterol, além de flavonoides, tanino e óleo volátil (1,5%) (Barnes, 2012). É muito utilizado 
para cistite crônica ou subaguda, catarro do trato urogenital, atrofia testicular, transtornos dos 
hormônios sexuais e, principalmente para o aumento prostático benigno (HBP). 
Estudos in vitro e in vivo apontam que o saw palmetto atua inibindo a atividade da enzima 
5-α-redutase, que catalisa a conversão de testosterona em 5-α-di-hidrotestosterona (DHT) em 
tecidos alvo de andrógenos, incluindo a próstata. A DHT é mais potente que a testosterona e 
acredita-se que está envolvida no desenvolvimento da HBP.
62
UNIDADE IV │ FITOTERAPIA EM DESORDENS RENAIS, DAS VIAS URINÁRIAS E PRÓSTATA
Diversos estudos randomizados. Controlados, duplos cegos foram realizados com o objetivo 
de investigar os efeitos do extrato de saw palmetto em HBP. Uma revisão sistemática realizada 
incluindo 21 ensaios clínicos randomizados e controlados, sendo 18 estudos duplos-cegos, 
utilizando extrato de saw palmetto com um total de 3.139 homens. Os resultados apontam que, em 
comparação com o grupo controle, o extrato de saw palmento foram associados a uma diminuição 
na pontuação dos sintomas urinários, noctúria e volume residual, mehora no pico de fluxo urinário 
e sintomas urinários avaliados por médicos e autoavaliados (WILT, 2002). Porém, os extratos não 
apresentaram efeito sobre o tamanho da próstata. 
Doses citadas na literatura de referência (BRITISH HERBAL PHARMACOPEIA, 1983): 
 » fruto seco de 0,5 a 1,0g na forma de decocção, 3 vezes ao dia;
 » extrato com 320mg de constituintes lipofílicos extraídos com solventes apolares 
(hexano ou etanol 90% v/v) 
Os ensaios clínicos avaliaram o efeito de extratos lipofílicos de saw palmetto habitualmente usados 
em doses de 160mg, 2 vezes ao dia.
Contraindicações e advertências (BARNES, 2012):
 » O saw palmetto não é adequado para autotratamento;
 » Efeitos adversos costumam ser leves e geralmente distúrbios gastrintestinais;
 » Não há informações de segurança sobre o uso de saw palmetto por mulheres, por 
exemplo, em tratamento de acne.
 » Gestantes e lactantes devem evitar o uso de saw palmetto, pois não existem dados 
fitoquímicos, farmacológicos e toxicológicos nesses casos. 
urtiga (urtica dioica) 
A urtiga pertence à família Urticacea e um dos seus constituintes é a lignana. Várias lignanas e seus 
metabólitos reduzem a atividade ligante de globulina ligadora de hormônios sexuais (SHBG), in vitro. 
As lignanas da urtiga são inibidores competitivos da interação entre SHBG e 5-α-dihidrotestosterona 
(MILLS; BONE, 2000). Um estudo que utilizou o extrato aquoso de raiz de urtiga (0,6 a 1,0 mg/
mL) levou a uma inibição dose-dependente Da interação de SHBG com seu receptor em membranas 
prostáticas humanas (MILLS; BONE, 2000). A proliferação celular em tecido com HBP também foi 
inibida pelo uso do extrato. 
Doses citadas na literatura de referência (BRADLEY, 1992; BRITISH HERBAL PHARMACOPEIA, 
1983): 
 » Planta seca de 2 a 4g, na forma de infusão, 3 vezes ao dia ou 8 a 12g ao dia segundo 
Blumenthal et al. 
63
fitotErAPiA EM dESordEnS rEnAiS, dAS viAS urinÁriAS E PrÓStAtA │ unidAdE iv
 » Suco fresco, 10 a 15 mL, 3 vezes ao dia;
 » Extrato líquido de 3 a 4 mL (1:1 e 25% de álcool), 3 vezes ao dia;
 » Tintura de 2 a 6 mL (1:5 em álcool 45%), 3 vezes ao dia;
 » Contraindicações e advertências:
 › Há relatos de irritação gástrica após ingestão da infusão.
 › Seu uso não é indicado na gestação visto que pode ser abortiva.
unidAdE v
fitotErAPiA EM 
dESordEnS 
rEuMÁtiCAS E 
gotA
CAPítulo 1
Artrite reumatoide e gota
Artrite reumatoide
Doença inflamatória crônica sistêmica, que afeta cerca de 6% das mulheres e 2% dos homens, e os 
sintomas surgem geralmente após a quarta década de vida. Por ser uma doença sistêmica, além das 
articulações, pode acometer outros órgãos como pulmão, medula óssea e olhos. 
Sua causa ainda é desconhecida, e se caracteriza pela presença de imunocomplexos nas articulações, 
com a presença de autoanticorpos direcionados a proteínas do tecido conjuntivo articular. O 
autoanticorpo, denominado fator reumatoide (FRe), pode ser identificado na circulação, sendo o 
título diretamente relacionado ao prognóstico da doença. Esses anticorpos atraem os leucócitos 
para o espaço articular, que por sua vez desencadeiam respostas inflamatórias, pela liberação de 
mediadores químicos da inflamação, como leucotrienos, prostaglandinas e tramboxanos, além da 
formação de radicais livres oxidativos. 
Trata-se de uma doença com significativo impacto social devido a sua elevada morbimortalidade. 
Boa parte dos pacientes terá sua independência afetada em graus variáveis, incluindo limitações 
nas atividades sociais, de lazer e profissionais. Além disso, a mortalidade também é alta, sendo 
proporcional à gravidade do quadro - pacientes com formas poliarticulares podem ter sobrevida de 
apenas 40% em 5 anos (CHEHATA et al., 2001). 
Nas últimas décadas, houve notável evolução nos conhecimentos da fisiopatogenia da doença, o que 
acarretou mudanças na forma de abordagem e na terapêutica. Considera-se a possibilidade de que 
um agente exógeno, como um antígeno alimentar, seja capaz de iniciar um processo imunopatolígico 
em indivíduos geneticamente predispostos (PANUSH, 1990). São diversos os relatos de casos 
de agudização de diversas doenças reumatológicas associadas a alimentos específicos, sugerindo 
alguns autores o envolvimento da alergia alimentar em até 30% dos casos de artrite reumatoide 
(DARLINGTON, 1991). Um dos mecanismos envolvidos poderia ser o efeito que certos alimentos, 
65
fitotErAPiA EM dESordEnS rEuMÁtiCAS E gotA │ unidAdE v
como chocolate, álcool e morango, têm em estimular a secreção de aminas vasoativas, como 
histamina e serotonina. 
Alguns alimentos que tem altas concentrações de histamina, como carne de porco, tomate, salsicha 
e espinafre estão descritos como agravantes do quadro de artrite. O café poderia desencadear crises 
pela liberação de adrenalina e noradrenalina, bem como frutas cítricas, especialmente a casca que 
contém consideráveis concentrações de derivados de fenilefrina (MIKULS et al., 2000). Um estudo 
prospectivo finlandês, com aproximadamente 7.000 indivíduos, demonstrou um maior risco de 
soro positividade para o fator reumatóide, bem como de desenvolvimento de DRe em indivíduos 
com maior consumo de café, principalmente, quando o consumo se excedia em 4 xícara ao dia 
(MIKULS et al., 2000).
Na avaliação laboratorial o fator reumatoide pode ser encontrado em cerca de 75% dos casos já no 
início da doença. Anticorpos contra filagrina/profilagrina e anticorpos contra peptídio citrulinado 
cíclico (PCC) são encontrados nas fases mais precoces da doença, mas apresentam um custo maior. 
As provas de atividade inflamatória como o VHS e a proteína C reativa correlacionam-se com a 
atividade da doença. 
O resultado patológico desta agressão crônica autoimune é o espessamento da membrana sinovial, 
o acúmulo de líquido articular, inflamação dos tecidos periarticulares, assim como a erosão da 
cartilagem e do tecido ósseo que compõe a estrutura articular. O diagnóstico precoce e a imediata 
instituição da terapêutica são essenciais para retardar a progressão da doença e prolongar a 
viabilidade funcional articular (ALBERS et al., 2001).
Segundo o Colégio Americano de Reumatologia o diagnóstico de artrite reumatoide é feito quando 
pelo menos quatro dos critérios a seguir, estão presentes por pelo menos seis semanas:
1. Rigidez articular matinal durando pelo menos 1 hora.
2. Artrite em pelo menos três áreas articulares.
3. Artrite de articulações das mãos: punhos, interfalangeanas proximais (articulação domeio dos dedos) e metacarpofalangeanas (entre os dedos e mão).
4. Artrite simétrica (por exemplo, no punho esquerdo e no direito).
5. Presença de nódulos reumatoides.
6. Presença de Fator Reumatoide no sangue.
7. Alterações radiográficas: erosões articulares ou descalcificações localizadas em 
radiografias de mãos e punhos.
Os principais objetivos do tratamento de um paciente com artrite reumatoide são: reduzir a dor, o 
edema articular e os sintomas constitucionais, como a fadiga, melhorar a função articular, interromper 
a progressão do dano ósseo-cartilaginoso, prevenir incapacidades e reduzir a morbimortalidade 
(ALBERS et al., 2001).
66
unidAdE v │ fitotErAPiA EM dESordEnS rEuMÁtiCAS E gotA
Quanto ao tratamento medicamentoso, varia de acordo com o estágio da doença, sua atividade e 
gravidade, devendo ser mais agressivo quanto for a doença. De uma forma geral os anti-inflamatórios 
são a base do tratamento seguidos de corticoides para as fases agudas e drogas modificadoras do 
curso da doença, a maior parte delas imunossupressoras. Em alguns pacientes há indicação de 
tratamento cirúrgico, dentre eles cita-se a sinovectomia para sinovite persistente e resistente ao 
tratamento conservador, artrodese, artroplastias totais etc.
O uso de medicamentos imunossupressores ou anti-inflamatórios alivia o sintoma doloroso, porém, 
reforça os eventos patológicos intrínsecos à doença. 
Segundo Fintelmann: 
[...] Os principais conceitos terapêuticos válidos no caso das doenças 
reumático-inflamatórias são, primariamente, direcionados para o tratamento 
da sintomatologia aguda, entretanto, têm sido considerados pouco satisfatórios 
quando observados os resultados do tratamento por longo tempo. Sob esses 
aspectos, futuramente deve ser investigado que papel a terapia natural, neste 
caso especificamente a fitoterapia, pode desempenhar no conceito terapêutico 
geral das doenças reumáticas [...]
gota
A gota representa uma forma especial de doença reumática, pelo fato de ser uma doença típica de 
depósito e ao mesmo tempo uma doença metabólica. Produto final do metabolismo das purinas, 
cerca de um terço do ácido úrico provém da alimentação e o restante da própria síntese endógena 
hepática. A hiperuricemia pode ser consequente à redução da capacidade de excreção urinária ou à 
hiperprodução endógena. 
Quadro inflamatório agudo da articulação, de caráter recorrente e desencadeado por depósitos de 
cristais de urato no espaço intrassinoval. Está associada a um distúrbio do metabolismo das purinas, 
resultando em hiperuricemia crônica (EMMERSON, 1996). 
Acomete preferencialmente as articulações de extremidades, como o hálux em 75% das ocasiões, 
além de ocorrer em outros sítios, como o calcâneo e as demais falanges de pés e mãos. Apresenta-
se de início súbito, acompanhada de dor local intensa, além de rubor, aumento da temperatura 
e edema importante. O depósito crônico destes cristais pode destruir as estruturas articulares e 
formar os chamados tofos gotosos, localizados no tecido subcutâneo. A cristalização dos sais de 
urato excretados pelo rim pode levar à formação de cálculos nas vias urinárias e comprometimento 
futuro da função renal. 
A gota é mais prevalente no sexo masculino e ocorre com mais frequência após a terceira década 
da vida, sendo marcante a história familiar. Dietas ou doenças, com restrição calórica excessiva e 
reduções ponderais aceleradas, podem acarretar crises de gota, pelo hipercatabolismo proteico. 
67
FITOTERAPIA EM DESORDENS REUMÁTICAS E GOTA │ UNIDADE V
A gota é intimamente influenciada por aspectos ligados à dieta, que incluem a obesidade, a síndrome de 
resistência à insulina, a dislipidemia e o abuso de álcool (VUORIENE-MARKKOLA, 1994). A obesidade 
está associada tanto à hiperprodução como à hipoexcreção do ácido úrico. Apesar disso, uma dieta 
rica em purinas promove um incremento ao redor de 1 a 2 mg/dL nos níveis séricos de ácido úrico, 
enquanto dietas livres de purina promovem quedas de apenas 1 a 2 mg/dL. (EMMERSON, 1996).
É importante destacar que o consumo de bebidas alcoólicas guarda forte relação com a hiperuricemia 
e as crises de gota (EASTMOND, 1995). Entre os mecanismos descritos, destacam-se: estímulo 
à produção hepática de purina pelo metabolismo do etanol, inibição da conversão da droga 
hipouricemiante alopurinol em seu metabólito ativo, o oxipurinol, pelo etanol; a baixa adesão de 
etilistas crônicos às dietas e tratamento de longo prazo; e a redução da excreção renal induzida 
pela acidose láctica, secundária à intoxicação alcoólica aguda. A cerveja merece destaque entre as 
bebidas alcoólicas, pois é a que parece ter maior efeito negativo sobre a hiperuricemia, em parte 
pelo seu grande conteúdo purínico (YU et al., 2008). 
Uma vez diagnosticada a hiperuricemia, é importante investigar outros distúrbios que acompanham 
a síndrome metabólica, já que a hiperuricemia apresenta nítida relação com a síndrome metabólica. 
A insulina promove a reabsorção renal do urato, o que em parte explicaria esta associação com a 
hiperinsulinêmica. (FACCHINI et al., 1991)
fitoterapia em artrite reumatóide e gota
urtiga (urtica dioica) 
A German Commission E aprova o uso interno da sua folha na terapia de apoio para doenças 
reumáticas e na terapia de irrigação para doenças inflamatórias do trato urinário inferior e 
prevenção de cálculos renais; uso interno e externo para doenças reumáticas (G3). Seus principais 
constituintes são ácidos (cafeico, cafeoilmálico, clorogênico, silícico, entre outros), aminas (betaína, 
colina, histamina, entre outros), flavonoides, lignanas, β-sitosterol e tanino (BARNES, 2012). 
O efeito anti-inflamatório da urtica é comprovado por estudos científicos in vitro e in vivo. O extrato 
hidroetanólico e o ácido cafeoilmálico inibem parcialmente a biossíntese de ácido araquidônico 
(MONOGRAPHS ON THE MEDICINAL USES OF PLANTS DRUGS, 1996). O extrato de urtiga (0,1 
mg/ml) e ácido cafeoilmálico isolado (1mg/ml) inibiram a biossíntese de leucotrieno B4 derivado de 
5-lipoxigenase em 20,8% e 68,2%, respectivamente, e inibiram a síntese de prostaglandinas derivadas 
de cicloogixenase. Além disso, o mesmo extrato reduziu significativamente a concentração do fator 
de necrose tumoral-α (TNF- α) e de interleucina 1β, estimulado por LPS (lipopolissacarídeos) em 
sangue humano (MONOGRAPHS ON THE MEDICINAL USES OF PLANTS DRUGS, 1996). Outro 
estudo utilizando um extrato de urtiga (IDS 23) inibiu de forma potente o fator de transcrição NFκB, 
responsável pela expressão de determinados genes pró-inflamatórios (RIEHEMANN et al., 1999).
Um estudo aberto e randomizado com 37 pacientes com atrite aguda divididos em dois grupos, um 
recebeu 50mg de diclofenaco mais 50g da planta urtiga cozida e o outro grupo recebeu 200mg de 
68
UNIDADE V │ FITOTERAPIA EM DESORDENS REUMÁTICAS E GOTA
diclofenaco. Os pesquisadores observaram melhora clínica semelhante nos dois grupos, sugerindo 
que a administração de urtiga pode intensificar a eficáca do diclofenaco em estados reumáticos 
(CHRUBASIK et al., 1997). 
Doses citadas na literatura de referência (BRADLEY, 1992; BRITISH HERBAL PHARMACOPEIA, 
1983): 
 » planta seca de 2 a 4g, na forma de infusão, 3 vezes ao dia ou 8 a 12g ao dia segundo 
blumenthal et al. (1998). 
 » suco fresco, 10 a 15 ml, 3 vezes ao dia.
 » extrato líquido de 3 a 4 ml (1:1 e 25% de álcool), 3 vezes ao dia.
 » tintura de 2 a 6 ml (1:5 em álcool 45%), 3 vezes ao dia.
Contraindicações e advertências:
 » há relatos de irritação gástrica, após ingestão da infusão.
 » seu uso não é indicado na gestação visto que pode ser abortiva.
Bardana (Arctium lappa l.)
O seu rizoma é o órgão vegetal mais importante sob o ponto de vista medicinal, o qual assume a 
denominaçãode Bardanae radix. Seus principais constituintes são ácidos, aldeídos, carboidratos 
(45 a 50%) como a inulina, mucilagem, pectina e açúcares, policetilenos, terpenoides, tiofenos, 
além de princípois amargos, óleos fixos e voláteis (0,07 a 0,18%). Suas principais propriedades são 
diuréticas, orexígenas, porém, tem sido utilizado também para o tratamento de erupções cutâneas, 
reumatismo, cistite, gota, eczema e psoríase (BISSET, 1994; BRADLEY, 1992; BRITISH HERBAL 
PHARMACOPEIA, 1990; TYLER, 1993).
Doses citadas na literatura de referência (BRITISH HERBAL PHARMACOPEIA, 1983): 
 » raiz seca de 2 a 6g, na forma de infuso, 3 vezes ao dia;
 » extrato líquido de 2 a 8ml (1:1 em álcool a 25%);
 » tintura de 8 a 12 ml (1:1 em álcool a 45%), 3 vezes ao dia;
 » decocto de 500 ml (1:20) por dia.
 » Contraindicações e advertências:
 › Devido à falta de dados sobre a toxicidade e por ter sido relatada in vivo ação 
estimulante do útero, o uso da bardana durante a gestação e lactação não é 
recomendado (G30).
69
FITOTERAPIA EM DESORDENS REUMÁTICAS E GOTA │ UNIDADE V
garra do diabo (Harpagophytum procumbens)
Pertencente à família Pedialiaceae o Harpagophytum procumbens apresenta principalmente os 
seguintes constituintes: carboidratos (frutose, galactose, glicose, rafinose, estaquiose e sacarose), 
diterpenos, iridoides (harpagosídeo – 1 a 3%), fenilpropanoides, aminoácidos, flavonoides, 
triterpenoides e esteróis. Seus frutos são lenhosos e formam longos prolongamentos ramificados, 
que são munidos de farpas, sendo daí a origem do nome “garra do diabo” para a planta (do grego 
harpagos = arpão). 
Os estudos científicos indicam que a garra-do-diabo apresenta propriedades anti-inflamatórias, 
antirreumáticas, analgésicas, sedativas e diuréticas. É usado tradicionalmente para artrite, gota, 
mialgia, fibrosite, lumbago e doenças reumáticas (BISSET, 1994; BLUMENTHAL, 1998; FOSTER; 
TYLER, 1999). 
Estudos in vitro e in vivo têm relatado resultados conflitantes, porém, parece que a atividade 
difere dependendo da rota de administração e do modelo de inflamação, se agudo ou subagudo. A 
German commission E formulou, como áreas de indicação, “perda de apetite, sintomas dispépticos, 
adjuvante em doenças degenerativas do aparelho locomotor”. 
Cerca de 20 estudos clínicos com pacientes com doenças reumáticas e atríticas, avaliaram a 
efetividade e eficácia da garra do diabo. Não é possível chegar a uma conclusão a respeito da sua 
eficácia geral, pois as formulações testadas em ensaios clínicos, geralmente, foram padronizadas por 
seu teor de harpagosídeo e, embora seja provável que esse componente contribua para a atividade, 
não ficou claro em que extensão e quais outros componentes podem interferir nesse efeito. 
Garnier et al. (2004), em uma revisão sistemática de 12 ensaios controlados, randomizados de 
formulações de Harpagophytum procumbens em pacientes co osteoartrite, lombalgia e condições 
de dor mista encontrou diferentes graus de evidência para as diferentes formulações avaliadas. Dois 
ensaios clínicos, com um total de 325 pacientes que receberam via oral dose equivalente a 50mg de 
harpagosídeo ao dia, por 4 semanas, e o efeito foi superior ao placebo em reduzir a dor em pacientes 
com episódios agudos de lombalgia crônica e inespecífica. 
Chrubasik (2002) realizou uma revisão sistemática da qualidade dos ensaios clínicos envolvendo a 
guarra do diabo descobriu que, embora os resultados de alguns estudos tenham fornecido evidências 
para a efetividade de certas formulações, a qualidade da evidência não foi suficiente para apoiar 
o uso de qualquer um dos produtos disponíveis. Os resultados encontrados até o momento são 
promissores, porém são necessários mais ensaios controlados, randomizados e bem caracterizados 
para avaliar formulações de Harpagophytum procumbens.
Doses citadas na literatura de referência (BLUMENTHAL et al., 1998; ESCOP, 2003): 
Raiz tuberosa seca de 1,5 a 3g, na forma de decocto, 3 vezes ao dia; 1 a 3g da droga ou o equivalente 
como extratos aquoso ou hidroalcoolico; extrato líquido (1:1 etanol a 25%) 1 a 3 mL, 3 vezes ao dia.
 » Contraindicações e advertências (Blumenthal et al., 1998; ESCOP, 2003):
70
UNIDADE V │ FITOTERAPIA EM DESORDENS REUMÁTICAS E GOTA
 » Na presença de úlcera péptica gástrica e duodenal; em cálculo de vesícula, deve ser 
usada somente após liberação médica. 
 » Devido à falta de dados sobre o efeito da guarra do diabo durante a gravidez e a 
lactação, seu uso deve ser evitado por gestantes e lactantes. 
Salgueiro-púrpura (Salix purpúrea)
Os principais constituintes do salgueiro são glicosídeos (fenólicos), salicilatos (1% de salicina 
total, calculados como salicina), flavonoides, taninos e catequinas. Pertence à família Salicaceae e 
sua casca apresenta atividades anti-inflamatórias, antirreumáticas, antipiréticas, anti-hidróticas, 
analgésicas, antissépticas e adstringentes. É usado tradicionalmente para reumatismo muscular 
e artrodial com inflamação e dor, artrite gotosa e artrite reumatoide. A German Commission E, 
assim como a monografia da ESCOP, mencionam as doenças febris, sintomas reumáticos e dores de 
cabeça como as áreas de indicação. 
A salicina é um pró-fármaco típico e, como tal, é inativo, não causando, portanto, alterações na 
mucosa gástrica. Ela é hidrolisada enzimaticamente apenas no intestino delgado e absorvida na 
forma de saligenina. Esta é oxidada no fígado pelo citocromo P-450 e dá origem ao ácido salicílico 
como a principal substância ativa. Ele impede o surgimento da dor nos nociceptores através da 
inibição da cicloxigenase (MEIE; LIEBI, 1990).
Schmid et al. (2001) em estudo randomizado, placebo controlado e duplo-cego, utilizou o extrato da 
casca de salgueiro (equivalente a 240mg de salicina/dia) com 78 pacientes com osteoartrite durante 
2 semanas. Os autores observaram diferenças na dimensão de dor no grupo tratado. 
Outros estudos clínicos revelaram que o efeito analgésico foi significativamente maior do que 
no grupo placebo e, em um dos estudos, este efeito foi correspondente ao efeito de um inibidor 
recentemente descoberto da COX-2 (CHRU-BASIK, 2000). Lardos et al. (2004), em estudo 
randomizado, duplo-cego, controlado por placebo observou um efeito analgésico equivalente ao do 
diclofenaco em pacientes com artrose/osteoartrite nas articulações do quadril e do joelho. 
Doses citadas na literatura de referência (BRADLEY, 1992; BRITISH HERBAL PHARMACOPEIA, 
1983): 
 » Casca seca de 1 a 3g na forma de decocção (equivale a 60 a 120mg de salicilina total 
ao dia), 3 vezes ao dia.
 » Extrato líquido de 1 a 3ml (1:1 em álcool 25%), 3 vezes ao dia.
 » Contraindicações e advertências (BRITISH HERBAL PHARMACOPEIA, 1990; 
MARTINDALE, 1999):
 » Indivíduos com hipersensibilidade ao ácido acetilsalicílico, asmáticos, presença de 
ulceração péptica ativa, diabetes, gota, hemofilia, doenças renais ou hepáticas.
71
fitotErAPiA EM dESordEnS rEuMÁtiCAS E gotA │ unidAdE v
 » Existem relatos de que o salicilatos são excretados no leite materno, promovendo 
erupções maculares nos bebês. 
 » Devido a falta de segurança para o uso dessa planta na gestação e lactação, deve ser 
evitado nesse período. 
unha de gato (uncaria tomentosa)
A unha de gato pertence à família Rubiaceae e suas folhas, raízes, casca da raiz e do tronco, são 
utilizadas como droga vegetal. Os principais constituintes da Uncaria tomentosa são os alcalóides, 
porém são encontrados também glicosídeos do ácido quinóvico, triterpenos poli-hidroxilados 
e esteroides (β-sitosterol, estigmasterol, campesterol) (CERRI et al., 1988; YEPEZ et al., 1991). 
Suas principais propriedades são anti-infl amatória, antivirais, antioxidantes, imunoestimulantes, 
antirreumática e anticarcinogênicas (FOSTR, 1999). Seu uso tradicionalestá voltado para tratar 
gonorréia, artrite, reumatismo, úlceras gástricas e vários tumores (KEPLINGER, 1999). 
Em estudos realizados em ratos o extrato aquoso da unha de gato demonstrou atividade anti-
infl amatória e o princípio ativo relacionado ao efeito parece ser o ácido quinóvico (AQUINO et al., 
1991). Em outro estudo em ratos com infl amação induzida por endometacida, o extrato aquoso da 
casca da Uncaria tomentosa protegeu contra o estresse oxidativo in vitro e atenuou a infl amação 
crônica intestinal (SANDOVAL-CHACÓN et al., 1998). Além disso, os autores relataram que o 
extrato evita a ativação do fator de transcrição NFκB. 
Faltam ensaios clínicos randomizados e controlados para avaliar os efeitos da unha de gato.
Doses citadas na literatura de referência:
 » Extrato padronizado de 25 a 300mg ou 400mg a 5g da droga vegetal.
 Contraindicações e advertências (BARNES, 2012):
 » Seu uso não é aconselhável durante a gestação e lactação, pois não existem dados 
sufi cientes de segurança para esse período, assim como para crianças menores de 
3 anos. 
Amplie seus conhecimentos! Após o término do presente capítulo leia esta revisão 
descreve os papéis da leptina e da adiponectina no sistema imune e suas atuações 
no LES e na AR.
BARBOSA, Vitalina de Souza; REGO, Jozelia and  SILVA, Nílzio Antônio da. Possível 
papel das adipocinas no lúpus eritematoso sistêmico e na artrite reumatoide. Rev. 
Bras. Reumatol. [on-line]. 2012, vol.52, n.2, pp. 278-287. ISSN 0482-5004.
Disponível em: <http://www.scielo.br/pdf/rbr/v52n2/v52n2a11.pdf>
unidAdE vi
fitotErAPiA EM 
dESordEnS do 
SiStEMA nErvoSo 
E PSiquE
CAPítulo 1
desordens do sistema nervoso e psique
As desordens do sistema nervoso e doenças emocionais ocupam cada vez mais espaço nas 
pesquisas médicas, devido, principalmente, ao aumento de sua incidência na população adulta. 
Os principais sintomas físicos, mentais e problemas sociais que acometem os indivíduos que 
apresenta doenças psicossomáticas são: taquicardia, insônia, irritação, ansiedade, intolerância, 
isolamento social e fobias.
A tensão nervosa extrema está associada ao aumento da frequência cardíaca, elevação da pressão 
arterial, distúrbios gastrointestinais e tônus muscular em excesso. A palpitação também é um distúrbio 
psicossomático muito, causada por excitação, ansiedade ou outros estados emocionais. Além disso, 
os efeitos psicossomáticos também podem desencadear anormalidades no funcionamento de um 
órgão de forma isolada como, por exemplo, a estimulação simpática pode deprimir a atividade 
gastrointestinal, que resulta na obstipação. Em contraste, uma estimulação parassimpática excessiva 
pode aumentar a atividade gastrointestinal, levando à diarreia grave (GOODWIN et al., 2007). 
Transtornos do humor são classificados como unipolar ou bipolar. Indivíduos com transtorno 
unipolar apresentam episódios de depressão, enquanto aqueles com transtorno bipolar apresentam 
episódios alternados de mania e depressão (NIVOLLI et al., 2011). Estas doenças geralmente 
surgem na segunda década de vida, embora possam começar mais cedo. A depressão unipolar é 
mais comum na meia-idade e entre os idosos (NIVOLLI et al., 2011). 
Os medicamentos mais prescritos em casos de depressão grave são os inibidores da monoamina 
oxidase (MAO), que são capazes de aliviar os sintomas. Por outro lado, episódios maníacos são 
tratados com lítio e medicações antipsicóticas. Porém, o lítio altera a tolerância à glicose e pode 
aumentar a sensibilidade à insulina, consequentemente, a maioria dos pacientes que recebe esse 
tratamento ganha peso (NIVOLLI et al., 2011).
Outra condição psiquiátrica que vem chamando a atenção de especialistas ultimamente é o 
transtorno de déficit de atenção-hiperatividade. Esse distúrbio afeta de 3% a 9% das crianças, 
73
fitotErAPiA EM dESordEnS do SiStEMA nErvoSo E PSiquE│ unidAdE vi
sendo responsável por um terço dos encaminhamentos de crianças americanas a unidades de saúde 
mental. Este transtorno é caracterizado por níveis de atividade evolutivamente inadequados, baixa 
tolerância à frustração, impulsividade, organização do comportamento insatisfatória, distração e 
incapacidade de manter a atenção e concentração.
Outro distúrbio muito conhecido é a Síndrome do Pânico, que é nitidamente diferente de outros 
tipos de ansiedade, caracterizando-se por crises súbitas, sem fatores desencadeantes aparentes e, 
frequentemente, incapacitantes. A síndrome ocorre como uma manifestação orgânica contra um 
gatilho externo que gera sinais de medo, sendo ele evidente ou não. Os mecanismos de fuga são 
acionados, com aumento no fluxo sanguíneo cerebral e liberação de adrenalina, provocando elevação 
da frequência cardíaca e respiratória e o aumento da frequência respiratória (hiperventilação). O 
tratamento do transtorno tradicional do pânico inclui medicamentos antidepressivos, ansiolíticos e 
estimulação magnética transcraniana repetitiva, além de psicoterapia (MCCUTCHEON et al., 2010; 
GURGEL et al., 2007). As classes de antidepressivos comumente utilizados são inibidores seletivos 
da recaptação de serotonina e inibidores da MAO. 
Atualmente, há uma grande busca de novos agentes terapêuticos para doenças psiquiátricas, 
sobretudo devido aos efeitos colaterais provocados por medicamentos tradicional-mente utilizados. 
Diversas plantas medicinais têm historicidade de emprego para transtornos de ansiedade, fobia e 
depressão na medicina popular. Porém, como ocorre em outras áreas, os trabalhos com humanos 
ainda são escassos, nesse caso por dificuldades em manter alguns pacientes sem medicação de uso 
tradicional. 
No Brasil diversas plantas têm sido usadas tradicionalmente por seus efeitos sedativos e calmantes, 
por exemplo, Passiflora incarnata, Valeriana officinalis, Humulus lupulus, Matricaria chamomilla, 
entre outras, que serão abordadas a seguir. 
valeriana (valeriana officinalis l.)
A Valeriana, da família Valerianaceae, tem seu rizoma e raízes conhecidos por seus efeitos ansiolíticos, 
sedativos, hipnóticos, antiespasmódicos, carminativos e hipotensores. Seu uso tradicional se 
aplica a estados histéricos, excitabilidade, insônia, enxaqueca, cólica intestinal, dores reumáticas, 
dismenorreia (BISSET, 1994; BRADLEY, 1992; FOSTER; TYLER, 1999; WREN, 1988). 
Seus principais constituintes são alcaloides, iridoides (valepotriatos), esteroides, óleos voláteis (0,5 
a 2%), além de aminoácidos (arginina, ácido γ-aminobutirico, glutamina, entre outros), ácido cafeico 
e clorogênico, colina, taninos, entre outros (UPTON, 1999; LAPKE et al., 1997). São mais de 150 
constituintes identificados, porém nenhum deles apresenta os efeitos da Valeriana isoladamente, 
sugerindo que seus compostos atuam sinergicamente (HOUGHTON, 1999; HENRDRIKS, 1981). 
Estudos indicam que a Valeriana officinalis interage com neurotransmissores como o Ácido 
Gama Aminobutírico (GABA), o principal neurotransmissor inibitório no nosso organismo, e 
inibe a degradação da enzima que degrada o GABA no cérebro, aumentando sua disponibilidade 
(NEUHAUS, 2008; CAVADAS, 1995).
74
unidAdE vi │ fitotErAPiA EM dESordEnS do SiStEMA nErvoSo E PSiquE
Um estudo duplo-cego realizado com 48 adultos colocados em uma situação social de estresse, a 
valeriana reduziu as sensações subjetivas de ansiedade e não causou sedação. (CROPLEY et al., 
2002). 
Outro estudo transversal, duplo-cego, randomizado e placebo controlado foi realizado com 16 
indivíduos que apresentavam insônia psicofisiológica estabelecida de acordo com critérios de 
Classificação Internacional de Transtornos de Sono (ICSD) e confirmada por polissonografia. Os 
pacientes receberam 600mg de extrato etanólico a 70% de raiz de valeriana, ou placebo, 1 hora 
antes de dormir por 14 dias. Os resultados revelaram uma diferençaestatisticamente significativa 
no parâmetro de sono de ondas lentas, em comparação com valores basais, o que não ocorreu com 
o grupo placebo. Porém, não houve efeitos estatisticamente significativos sobre os parâmetros 
objetivos nem subjetivos do sono após a administração única de vaeriana. 
Por outro lado, outro ensaio duplo-cego e randomizado, realizado com 75 indivíduos com insônia 
não orgânica ou psiquiátrica, utilizando 600mg de do extrato de raiz de valeriana (razão droga 
vegetal e extrato 5:1) ou oxazepam 10mg, administrados 30 minutos antes de dormir durante 28 
dias. Ao final do tratamento a qualidade do sono havia melhorado significativamente em ambos os 
grupos, em comparação com valores basais. 
Outro estudo que comparou Diazepam® (2,5mg três vezes ao dia) e uma preparação de Valeriana 
(50 mg três vezes ao dia, padronizado a 80%) mostrou uma significante redução nos sintomas de 
ansiedade após 4 semanas (ANDREANTINI et al., 2002). As evidências permitem considerar a 
Valeriana officinalis como alternativa potencial para ansiolíticos tradicionais (MURPHY et al., 
2009). 
Doses citadas na literatura de referência (MILLS; BONE, 2000; BLUMENTHAL et al., 1998)
 » Rizoma/raiz secos de 1 a 3g na forma de infusão ou decocção, até 3 vezes ao dia.
 » Tintura de 3 a 5 ml (1:5; etanol 70%), até 3 vezes ao dia (g6, g50); ou 1 a 3 ml de uma 
a várias vezes ao dia.
 » Extratos equivalentes a 2 a 3g de droga vegetal, de uma a várias vezes ao dia (G3); 
ou 2 a 6 ml de extrato líquido, diariamente.
A dose usualmente utilizada em estudos clínicos que avaliam o efeito dos extratos de raiz de valeriana 
sobre os parâmetros do sono é de 400mg/dia (razão 3:1) e 1215 mg/dia (razão 5 a 6:1).
Maracujá (Passiflora incamata l.) 
O maracujá pertence à família Passifloraceae e suas folhas, flores, frutos e sementes são utilizados 
como droga vegetal empregadas na fitoterapia. Suas principais propriedades são sedativas, 
hipnóticas, antiespasmódicas e anódinas (WILLIAMSON, 2003). Seu uso tradicional é voltado para 
o tratamento da ansiedade, nervosismo, Transtorno de Ansiedade Generalizada (TAG), sintomas de 
abstinência de opiáceos, insônia, nevralgias, convulsões, asma espasmódica, ADHD, palpitações, 
75
fitotErAPiA EM dESordEnS do SiStEMA nErvoSo E PSiquE│ unidAdE vi
anomalias do ritmo cardíaco, hipertensão, disfunção sexual e menopausa (BRITISH HERBAL 
PHAMACOPEIA, 1983). A German Commission E aprovou seu uso interno para inquietação nervosa 
(BLUMENTHAL et al., 1998).
Estudo realizado com ratos avaliando os efeitos in vitro de um extrato seco de Passiflora incarnata 
(Pascoflair® 425 mg) sobre o sistema gabaérgico, concluiu que o extrato inibia a recaptação do 
GABA, aumentando a sua disponibilidade na fenda sináptica, mas alterou sua liberação. 
Em um experimento, durante quatro semanas, 36 pacientes (18 em cada grupo) com transtorno de 
ansiedade geral foram designados para receber 45 gotas/dia de Passiflora mais um comprimido de 
placebo ou 30mg/dia de Oxazepam® mais gotas de placebo. Ao final do estudo os participantes dos 
dois grupos apresentaram redução significativa na pontuação de ansiedade (Escala de Ansiedade 
Hamilton) em comparação com os valores basais. Contudo, talvez o referido estudo não tenha 
amplitude suficiente para detectar diferenças entre os dois grupos de tratamento. Outros estudos 
clínicos realizados com semelhantes estruturas metodológicas revelaram resultados parecidos, 
porém muitos não realizaram cálculo formal do tamanho da amostra, fragilizando os dados obtidos 
(BARNES, 2012). Portanto, há a necessidade de novos estudos com extrato de P incarnata com um 
melhor delineamento metodológico, mas já podemos considerar que esse fitoterápico é capaz de 
modular o sistema gabaérgico. 
Doses citadas na literatura de referência para inquietação, irritação e insônia:
 » 0,5 a 1g do equivalente ao vegetal seco, 3 vezes ao dia (MILLS, 1985) ou 4 a 8g da 
planta ao dia (BLUMENTHAL et al., 1998);
 » 0,5 a 2g da droga vegetal, 3 a 4 vezes ao dia ou 1 a 4 ml da tintura (1:8), 3 a 4 vezes 
ao dia (ESCOP, 2003).
 » Contraindicações e advertências:
 › Alguns relatos de efeitos adversos ao uso da Valeriana officinalis foram 
documentados, principalmente em distúrbios do sistema gastrintestinal como 
náuseas, agitação, transtorno do sono e distúrbios hepáticos. 
Mulungu (Erythrina velutinal) 
A Erythrina velutina pertence à família Fabaceae e suas cascas e folhas apresentam propriedades 
calmantes, contra insônia e outras desordens de sistema nervoso central. Os principais constituintes 
são flavonoides (homohesperetina), faseolidina e alcaloides. Em estudos revisão que utilizou 
o extrato hidroalcoólico em modelo de ratos verificou bons resultados ansiolíticos (SOUSA et 
al.,2004). Porém, existem evidências de efeito amnésico quando seu uso se dá de modo crônico e 
em altas doses pode apresentar efeito sedativo e ações bloqueadoras musculares quando em altas 
doses (DANTAS et al., 2004; VASCONCELOS et al., 2004). Na prática clínica, apesar de não haver 
trabalhos bem conduzidos em humanos, seu uso é bastante adequado para casos de ansiedade 
generalizada, porém sem uso crônico (MARQUES, 2011). 
76
unidAdE vi │ fitotErAPiA EM dESordEnS do SiStEMA nErvoSo E PSiquE
Doses citadas na literatura de referência:
 » Decocção de 4 a 6g em 150ml de água, 3 vezes ao dia.
 » Contraindicações e advertências:
 › Não utilizar durante a gestação e lactação.
Camomila (Matricaria chamomilla)
A camomila pertence à família Asteraceae e a parte utilizando como droga vegetal são os capítulos 
secos. As espécies de camomila geralmente utilizadas em fitoterapia tradicional são: Matricaria 
chamomilla (camomila recutita; camomila alemã, camomila húngara) e Chamaemelum nobile 
(camomila romana), sendo a camomila alemã mais utilizada. Suas propriedades fitoterápicas 
são: como sedativo leve (inclusive para crianças) atividade carminativa e anti-inflamatória (para 
distúrbios gastrointestinais) (CHANDRASHEKHAR et al., 2011). 
Seus principais constituintes são cumarinas, flavonoides (apigenina, luteolina, quercetina, rutina e 
outros), óleos voláteis ((-)-α bisabolol – até 50% - e chamazuleno de 1 a 15%). 
Em estudo que examinou seu efeito sedativo (Matricaria chamomilla) a apigenina foi capaz de 
inibir competitivamente a ligação de flunitrazepam ao receptor benzodiazepínico, resultando em 
efeitos ansiolíticos e levemente sedativos. Em outro estudo uma infusão liofilizada de camomila, 
administrada intraperitonealmente em camundongos promoveu efeitos depressores no SNC 
(LOGGIA et al., 1982). 
São necessários ensaios clínicos randomizados e controlados para avaliar os efeitos da camomila, 
pois atualmente estudos em humanos são limitados, assim como ensaios clínicos analisando suas 
propriedades sedativas. Apesar disso, seu uso tradicional tem demonstrado ser uma planta segura, 
indicada na primeira infância e idosos (MARQUES, 2011). 
Doses citadas na literatura de referência (BRITISH HERBAL PHARMACOPEIA, 1983):
 » Capítulos secos de 2 a 8g na forma de infuso, 3 vezes ao dia;
 » Extrato líquido de 1 a 4ml (1:1 em álcool a 45%), 3 vezes ao dia.
 » Contraindicações e advertências:
 › Pode ser fotossensibilizante e causar dermatite de contato.
 › Cautela ao associar com sedativos, etanol, ansiolíticos e anticoagulantes.
 › Seu uso excessivo deve ser evitado na gestação e lactação (BARNES, 2012).
77
fitotErAPiA EM dESordEnS do SiStEMA nErvoSo E PSiquE│ unidAdE vi
Erva-cidreira/Melissa (Melissa officinalis l.) 
Pertencente à família Lamiaceae, suas partes aéreas de óleo essencial são utilizados, tradicionalmente, 
devido suas propriedades sedativas, espasmolíticas e sedativas (G54). A Commission German E 
afirma que a Melissa pode ser usada para transtornosdo sono e problemas gastrintestinais funcionais 
(BLUMENTHAL et al., 2000).
 Um estudo utilizando a Melissa officinalis in vitro demonstrou inibição de GABA-transaminase, 
enzima responsável pela degradação do GABA (AWAD et al., 2009). Outras pesquisas identificaram 
o ácido rosmarínico como principal constituinte responsável por essa inibição.
Um estudo clínico realizado com 24 voluntários saudáveis, examinou o efeito de uma dose única 
(600 mg, 1200 mg ou 1800 mg) de uma combinação de Melissa/Valeriana (80 mg Melissa/120 
mg de Valeriana por comprimido) ou placebo em dias separados por um período de sete dias sem 
a administração. Os resultados indicam efeitos sobre o humor e a ansiedade, avaliados antes de 
receberem a droga, e após uma, três e seis horas da administração. Além disso, foi constatado que 
enquanto a dose de 600mg melhorou o estresse, a dose de 1.800mg parecia aumentar a ansiedade 
(KENNEDY et al., 2006). 
Um estudo realizado em crianças com inquietação e problemas de sono examinou a ação da Valeriana 
e Melissa. No início do estudo, 61,7% das crianças relataram sintomas. Após quatro semanas de 
administração da combinação de plantas, os sintomas estavam ausentes ou classificados como leves 
na maioria das crianças. 
Doses citadas na literatura de referência:
 » Erva seca de 1,5 a 4,5g na forma de infusão, com 150ml de água, várias vezes ao dia 
(BLUMENTHAL et al., 2000).
 » Contraindicações e advertências:
 › Nenhuma documentada.
 › O uso tópico da melissa durante a gravidez e lactação tem pouca probabilidade 
de apresentar problemas, porém devido a falta de estudos clínicos durante a 
gestação e lactação abordando o uso oral da planta nesse período, o uso por 
gestantes e lactantes deve ser evitado (BARNES, 2012).
Erva-de-são-joão (Hypericum perforatum)
O Hypericum pertence à família Guttiferae. Seu uso tradicional é voltado para neurose menopáusica, 
depressão, neuralgia, ansiedade e excitabilidade (BLUMENTHAL et al., 1998, BRITISH HERBAL 
PHARMACOPEIA, 1983; FOSTER; TYLER, 1999). Seus principais constituintes são derivados 
de antraquinona (naftodiantronas) como a hipericina (0,1 a 0,15%), flavonoides, floroglucinóis 
prenilados, taninos, ácidos cafeico, clorogênico, p-cumárico, óleos voláteis (0,05 a 09%), entre 
78
unidAdE vi │ fitotErAPiA EM dESordEnS do SiStEMA nErvoSo E PSiquE
outros (BARNES, 2012). Entre esses, os constituintes ativos responsáveis por seus efeitos são 
hiperforina (floroglucinol) e a hipericina (naftodiantrona). 
Estudos in vitro e in vivo comprovaram que a hipericina é um inibidor da captação de 5-HT, dopamina, 
noradrenalina, GABA e L-glutamato. Estudos realizados em modelos experimentais de depressão, 
incluindo formas aguda e crônica de déficit de fuga induzido por estressores, demonstrou-se que o 
extrato de hipérico protege os ratos das consequências do estresse inevitável. 
Há mais de 40 ensaios clínicos sobre formulações de Hypericum perforatum com a participação 
de pacientes com vários tipos de depressão, porém uma rigorosa revisão sistemática e uma 
metanálise revelam que, de um modo geral, as evidências são inconsistentes e complexas. Fármacos 
antidepressivos convencionais e o Hypericum perforatum parecem apresentar efeitos semelhantes, 
porém em casos de depressão grave o Hypericum apresenta apenas pequenos benefícios. 
Uma outra metanálise foi realizada com apenas 6 ensaios randomizados, cegos e controlados com 
a Erva-de-São-João envolvendo 651 pacientes com transtornos depressivos. A duração dos estudos 
foi de 4 a 6 semanas e as doses utilizadas do extrato da Erva-de-São-João foram de 200 a 900mg 
ao dia. Os autores da metanálise concluíram que a resposta ao tratamento foi significativamente 
maior no grupo tratado com a erva e semelhantes aos resultados encontrados com antidepressivos 
tricíclico, porém mais estudos devem ser realizados para resolver problemas metodológicos antes 
de concluir que a Erva-de-São-João é um eficaz antidepressivo.
Doses citadas na literatura de referência (BRITISH HERBAL PHARMACOPEIA, 1983):
 » erva seca de 2 a 4g na forma de infusão, 3 vezes ao dia;
 » extrato líquido de 2 a 4ml (1:1 em álcool 25%), 3 vezes ao dia;
 » tintura de 2 a 4ml (1:1 em álcool 45%), 3 vezes ao dia;
 » nos ensaios clínicos a dose do extrato de Erva-de-São-João em depressão leve a 
moderada varia de 240mg a 1800mg ao dia, habitualmente por um período de 5 a 
6 semanas. 
 » Contraindicações e advertências:
 › Seu uso não é aconselhado em casos de fotossensibilidade devido ao potencial 
fotossensibilizados da hipericina.
 › Não é considerado necessário evitar alimentos que contenham tiramina e 
medicamentos que contenham agentes simpatomiméticos.
 › Alguns estudos já foram realizados com o uso do Hypericum perforatum antes e 
durante a gestação, porém os dados não são conclusivos e, por isso, deve seu uso 
deve ser evitado durante a gestação e lactação. 
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Kava kava (Piper methysticum)
A planta Kava Kava (Piper methysticum) pertence á família Piperacea e suas raízes são utilizadas por 
seus efeitos psicotrópicas e ansiolíticos. Seus principais constituintes são cavalactonas, alcaloides, 
chalconas, flavonoides, esteroides, ésteres e alcoóis alifáticos. Este efeito é obtido pela modulação 
da atividade de GABA por meio da alteração da estrutura da membrana plasmática e da função 
dos canais de sódio, inibição da monoamina oxidase, e inibição da recaptação de noradrenalina 
e dopamina. Seu uso tradicional se destina ao tratamento de infecções do trato urinário, asma, 
reumatismo, cefaleia, febre, tensão nervosa, inquietação, depressão leve e sintomas de menopausa 
(MILLS; BONES, 2000; SCHULZ et al., 2000, MARTINDALE, 2002).
Um ensaio clínico, duplo-cego, placebo controlado, foi realizado em 29 pacientes tratados durante 
quatro semanas com 100 mg de extrato de Kava Kava padronizado (70% de lactonas), três vezes 
ao dia. O grupo que recebeu o extrato experimentou significativo decréscimo nos sintomas de 
ansiedade (KINZLER et al., 1991). Outro estudo duplo-cego realizado com dois grupos de 20 
mulheres que receberam o extrato em mesma dosagem do estudo anterior, revelou um efeito do 
Kava kava em diminuir a ansiedade associada à menopausa (WARNECKE, 1991). Além desses 
estudos, muitos outros analisaram o extrato de Piper methysticum comparando-os favoravelmente 
aos medicamentos como benzodiazepínicos e antidepressivos tricíclicos (KINZLER et al., 1991). 
Diversos estudos apontam sua possível toxicidade (TESCHKE; SCHULZE, 2010; TESCHKE et al., 
2009; TESCHKE; WOLFF, 2009). Embora as evidências atuais considerem o uso de kava para a 
ansiedade, são necessários mais ensaios clínicos controlados para avaliar a eficácia e a segurança 
(no fígado, a cognição, dirigindo, e os efeitos sexuais) comparadas aos fármacos que apresentam 
seus efeitos adversos e benéficos bem estabelecidos (MARQUES, 2011). 
Doses citadas na literatura de referência (MILLS; BONES, 2000):
 » Rizoma seco de 1,5 a 3g ao dia, equivalente a 60 a 120mg de cavalactonas ao dia;
 » Extrato líquido de 3 a 6 mL ao dia (1:2 extrato líquido);
 » Formulações padronizadas de 100 a 200mg de calvalactonas ao dia; 60 a 120mg de 
calvalactonas, 2 a 4 vezes ao dia na forma de comprimidos.
Contraindicações e advertências (BLUMENTHAL et al., 2000):
 » Piper methysticum é uma planta de prescrição exclusiva médica no Brasil. 
 » Não existem evidências de que o uso Piper methysticum cause dependência, porém 
os estudos realizados tiveram curta duração (máximo 24 semanas).
 » Pode afetar de modo adverso os reflexos motores, prejudicando a capacidade de 
operar máquinas. 
 » Devido a ausência de estudos o uso de Piper methysticum é contraindicado na 
gestaçãoe lactação.
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ginseng (Panax ginseng)
O ginseng pertence à família Araliaceae. É utilizado tradicionalmente para estados depressivos 
associados com problemas sexuais, neurastenia, neuralgia, insônia e hipotonia (BISSET; BRADLEY, 
1992; BRITISH HERBAL PHARMACOPOEIA, 1990). Na medicina chinesa é utilizado há muitos anos 
como estimulante, tônico e diurético. Seus principais constituintes são os terpenoides (ginsenosídeos 
ou panaxosídeos), óleo volátil (principalmente sesquiterpenos), alcoóis sesquiterpênicos, esteróis e 
polissacarídeos.
 Estudos realizados em ratos observaram que o pré-tratamento com Panax ginseng preveniu o 
aumento nos receptores dopaminérgicos no cérebro decorrente do estresse.
Um ensaio clínico duplo-cego, placebo controlado, realizado com 30 pessoas saudáveis que 
receberam extrato de Panax ginseng de 200 ou 400mg em dose única antes de serem submetidos a 
uma bateria de testes projetados para avaliar o desempenho cognitivo. Os pesquisadores concluíram 
que houve uma melhora significativa com ambas as doses nos escores de fadiga mental. 
Não somente o uso isolado de Panax ginseng foi testado, mas também o uso combinado ao Ginkgo 
biloba apresentam resultados positivos. Outro ensaio clínico randomizado, duplo-cego, controlados 
por placebo foi realizado com 64 indivíduos saudáveis com queixas neurostênicas que receberam 
uma combinação contendo extrato de raiz de Panax ginseng e extrato de folhas de Ginkgo biloba. 
As doses utilizadas foram de 50 e 30mg, respectivamente, 100 e 60mg, respectivamente, e 200 e 
120mg, respectivamente, ou placebo, duas vezes ao dia por 12 semanas. Os autores concluíram que 
o grupo que recebeu as doses mais altas alcançaram scores significativamente maiores em testes 
delineados para avaliar a função cognitiva.
Doses citadas na literatura de referência (BARNES, 2012):
 » Terapia de curto prazo (15 a 20 dias) para jovens e pessoas saudáveis – 0,5 a 1,0g de 
raiz ao dia, dividida em duas doses. O horário ideal para utilização da droga vegetal 
é pela manhã 2 horas antes da refeição, e à noite duas horas após a refeição.
 » Terapia de longo prazo para idosos e pessoas com saúde comprometida – 0,4 a 0,8g 
da raiz diariamente.
 » Raiz em pó de 3 a 9g ao dia administradas como um decocto.
 » Extrato padronizado (G115) – foi utilizado em diversos estudos em doses de 100 a 
400mg ao dia, por 4 a 12 semanas.
 » Contraindicações e advertências:
 › Seu uso é contraindicado em pessoas muito ativas, nervosas, tensas, histéricas, 
maníacas ou esquizofrênicas e que não seja usado como estimulantes, incluindo 
café, medicamentos antipsicóticos ou durante o tratamento com hormônios 
(MILLS e BONES, 1985).
 › Alguns estudos realizados em ratos e coelhos durante a gestação e lactação não 
mostram efeitos teratogênicos ou outros prejuízos, porém a segurança para seu 
uso em humanos durante esse período ainda não foi estabelecido e, portanto, 
deve ser evitado.
81
fitotErAPiA EM dESordEnS do SiStEMA nErvoSo E PSiquE│ unidAdE vi
Chá verde e preto (Camellia sinenis)
O verde e preto (Camellia sinensis) contém em suas folhas o aminoácido L-theanina, que apresentam 
uma estrutura química similar ao glutamato, neurotransmissor relacionado à memória. Um copo 
de chá preto contém aproximadamente 20mg de theanina e seu efeito no cérebro é o aumento a 
dopamina a serotonina, e o neurotransmissor inibitório glicina. A Camellia sinenis apresenta mais 
cafeína do que o café, porém a L-theanina aparentemente contrabalança esse efeito estimulante. 
Estudos realizados em ratos com a administração intravenosa de L-theanina após a administração 
de cafeína, na mesma dose, diminuiu o efeito estimulante da cafeína. Porém ao administrarem a 
theanina em dose menor (20-40% da dose original) obtiveram efeitos excitatórios, sugerindo um 
efeito duplo, dose-dependente. 
Em um estudo clínico realizado com idosos que apresentavam disfunção cognitiva leve, foi 
administrado o chá verde em pó contendo uma concentração alta de theanina (equivalente a 
47,5mg/dia). Os resultados apontaram um declínio significativamente menor na função cognitiva 
em comparação ao grupo placebo, sugerindo que a theanina pode ter melhorado a disfunção 
cognitiva leve em pessoas idosas. 
Outros estudos realizados em animais indicam que a administração de theanina facilita a neurogênese 
no hipocampo em desenvolvimento e aumento da memória de reconhecimento, sugerindo que sua 
ingestão possa ser benéfica para o desenvolvimento da função do hipocampo pós-nata, uma região 
considerada a principal sede da memória e importante componente do sistema límbico. 
Mais estudos clínicos devem ser realizados a fim de esclarecer os mecanismos de ação e as doses 
mais adequadas.
unidAdE vii
fitotErAPiA EM 
dESordEnS 
EndÓCrinAS E 
MEtABÓliCAS
CAPítulo 1
obesidade e diabetes
obesidade
Patologia multifatorial considerada um dos maiores problemas de saúde pública, além de ser 
uma das doenças crônicas não transmissíveis que mais cresce epidemiologicamente no mundo. A 
obesidade é um fator predisponente à diminuição da longevidade (em média, 13 anos) e aumento da 
mortalidade. A associação com o Índice de Massa Corporal (IMC) revela que o risco de mortalidade 
e comorbidade, associados a doenças como Diabetes mellitus tipo II, hipertensão, neoplasias, 
dislipidemia, doenças cardiovasculares, aumenta proporcionalmente ao aumento dessa medida. 
Estas comorbidades relacionam-se com o estado de inflamação crônica sistêmica de baixo grau 
observada na obesidade, resultado do aumento das concentrações plasmáticas de proteínas de fase 
aguda e de várias citocinas. (RAMALHO et al., 2008)
Quanto à reversão do estado inflamatório observado na obesidade, parece que a redução do 
IMC e consequente perda de tecido adiposo conduzem a uma redução da produção de citocinas 
e quimiocinas pró-inflamatórias e ao aumento de mediadores anti-inflamatórios, com redução 
concomitante do risco de patologias associadas. (RAMALHO et al., 2008)
diabetes
Diabetes mellitus é a mais frequente doença do metabolismo dos açúcares. Trata-se de uma 
síndrome de etiologia múltipla, decorrente da falta de insulina e/ou da incapacidade de ela exercer 
adequadamente seus efeitos, resultando em resistência insulínica. Caracteriza-se pela presença 
de hiperglicemia crônica, frequentemente, acompanhada de dislipidemia, hipertensão arterial e 
disfunção endotelial - Sociedade Brasileira de Diabetes.
83
fitotErAPiA EM dESordEnS EndÓCrinAS E MEtABÓliCAS│ unidAdE vii
O tipo 1 (insulinodependente) e o tipo 2 (não insulinodependente) apresentam diferenças etiológicas 
e patogenéticas claras. Enquanto o diabetes tipo 1 é uma doença autoimune, a resistência insulínica 
é considerada um fator chave no desenvolvimento do Diabetes tipo 2. A diminuição da ação da 
insulina nos seus tecidos-alvos, particularmente, músculos e tecido adiposo é chamada de resistência 
a insulina. Em consequência dessa resistência, ocorre uma hiperinsulininemia compensatória e 
com a evolução da doença o individuo pode passar apresentar deficiência na secreção de insulina, 
causada pela exaustão da capacidade secretora das células β (McLELLAN et al, 2007). Tanto a 
obesidade quanto o Diabetes (tipo 2) estão associados ao quadro de resistência insulínica.
Nos estágios que precedem a manifestação da doença, designados de pré-diabetes, o uso de 
fitoterápicos tradicionais, em conjunto com uma dieta correspondente e mudança dos hábitos 
de vida, podem levar a um adiamento da manifestação do diabetes, ou, até mesmo, evitar que se 
manifeste. 
o papel do tecido adiposo
Recentemente, o tecido adiposo deixou de ser considerado um simples depósito de gordura, sendo 
reconhecido como um órgão secretóriodistribuído ao longo do corpo e altamente ativo, capaz de 
influenciar inúmeros processos metabólicos e fisiológicos.
Algumas adipocitocinas, como a leptina e a adiponectina, exercem efeitos benéficos sobre o balanço 
energético, a ação insulínica e a proteção vascular. Contrariamente, a produção excessiva de outras 
adipocitocinas pode tornar-se deletéria ao organismo. TNF-alfa, IL-6 e resistina podem deteriorar 
a ação da insulina, enquanto PAI-I e angiotensinogênio envolvem-se em complicações vasculares 
associadas à obesidade.
A inflamação crônica do tecido adiposo
A inflamação induzida pela obesidade, também denominada “metainflamação”, é considerada um 
mecanismo potencial envolvido em patologias metabólicas como resistência à insulina, diabetes 
tipo 2, esteatose hepática, aterosclerose, doenças imunológicas e diversos tipos de câncer.
A obesidade ocorre como resultado de um aumento do tecido adiposo branco, causado por uma 
hiperplasia e/ou hipertrofia dos adipócitos O tecido adiposo é um órgão secretório ativo que produz 
fatores conhecidos como adipocinas, que são polímeros produzidos pelos adipócitos que agem de 
maneira autócrina, parácrina e endócrina para controlar várias funções metabólicas. As adipocinas 
influenciam a resistência à insulina sistêmica e têm papel na fisiopatologia da síndrome metabólica 
e de doenças cardiovasculares, além de contribuírem para o estado inflamatório local e sistêmico 
característico da obesidade. (INADERA, 2008)
84
unidAdE vii │fitotErAPiA EM dESordEnS EndÓCrinAS E MEtABÓliCAS
Figura 1. Perfil de citosinas do tecido adiposo magro e obeso
Fonte: FORSYThE et al., 2008.
Durante o ganho de peso, as células do tecido adiposo aumentam de tamanho devido ao 
armazenamento de lipídios excessivos (hipertrofia do adipócito), que altera a função celular normal. 
Consequentemente, níveis anormais de moléculas inflamatórias circulantes tornam-se evidentes 
na obesidade o que caracteriza a inflamação sistêmica crônica de baixo grau, caracterizada 
especificamente por um aumento dos marcadores inflamatórios relacionados à obesidade, 
como leptina, TNF-α e IL-6, seguida de uma redução de marcadores anti-inflamatórios, como a 
adiponectina. Evidências científicas indicam que a redução de peso pode melhorar esse estado 
inflamatório.
Programação metabólica da obesidade
Na pesquisa denominada Dutch Famine Study, foi pela primeira vez identificado que a desnutrição 
materna, gerada na Segunda Guerra Mundial, elevou a incidência de sobrepeso nos filhos (sexo 
masculino) na idade de serviço militar. (RAVELLI et al., 1976)
Respostas adaptativas às condições nutricionais, no período fetal, podem modificar a programação 
metabólica devido à susceptibilidade genética e à rápida divisão celular neste período, resultando em 
efeitos persistentes e duradouros na vida adulta. O grau de modificação na programação metabólica 
depende da carga genética, do período e intensidade da exposição aos fatores que influenciam essa 
programação, podendo a resposta ser diferenciada entre os indivíduos. (WATERLAND et al., 1999)
O termo “programação metabólica” descreve o processo por meio do qual um estímulo ou um 
estresse, durante o período de desenvolvimento fetal, pode desencadear respostas permanentes 
que promovem mudanças na estrutura ou função de tecidos, capazes de gerar alterações orgânicas, 
metabólicas e fisiológicas. (PATEL et al., 2002) 
Atualmente, várias são as evidências indicando a influência do ambiente nutricional e hormonal 
durante a vida intrauterina e sua repercussão na vida adulta. A partir destes achados, criou-se a 
hipótese da “origem fetal” de várias doenças na vida adulta. 
85
fitotErAPiA EM dESordEnS EndÓCrinAS E MEtABÓliCAS│ unidAdE vii
Durante a vida fetal, a nutrição inadequada pode alterar um ou mais aspectos do desenvolvimento 
morfológico e fisiológico, aumentando a predisposição do indivíduo para desenvolvimento de 
doenças metabólicas, como a Diabetes mellitus e problemas cardiovasculares na vida adulta. 
(GODFREY et al, 2001)
A partir dessas informações da literatura, pode-se concluir que, durante o período de gestação e 
lactação, a redução na ingestão energética e modificação na composição dos macronutrientes da 
dieta podem alterar a programação metabólica da prole, causando maior predisposição para o 
aumento de adiposidade e desenvolvimento de resistência à insulina. 
Papel do intestino no desenvolvimento da 
obesidade 
O intestino é o maior órgão endócrino do nosso organismo. Sinais derivados do trato gastrintestinal 
(TGI) podem ter funções fundamentais no controle metabólico.
Figura 2 - Principais sítios de síntese de peptídeos intestinais implicados na 
regulação da saciedade
Fonte: NAVES, 2009
A saciedade resulta da liberação de sinais neurais e humorais que emanam do intestino em resposta 
à propriedade mecânica e química dos alimentos ingeridos. Esses sinais de saciedade produzidos 
no trato gastrintestinal precisam ser integrados com o sistema nervoso central, sobretudo com o 
hipotálamo, para garantir uma eficiente homeostasia energética. 
O núcleo arqueado no hipotálamo é um componente vital da regulação da saciedade, por ser o 
sítio de integração de uma série de sinais neurológicos e periféricos. Essa área é acessível aos 
sinais periféricos de controle da saciedade devido à sua localização, próxima à eminência média, 
região que possui a barreira hematoencefálica incompleta. Além da interação direta com o núcleo 
arqueado hipotalâmico, já foram identificadas outras diferentes maneiras pelas quais esses sinais de 
curto prazo de saciedade atuam sobre o Sistema Nervoso Central (SNC). Podem agir diretamente no 
cérebro posterior, no núcleo do trato solitário, região cuja barreira hematoencefálica é insuficiente 
e, por isso, é uma posição perfeita para responder a sinais periféricos. (STANLEY et al., 2005)
86
unidAdE vii │fitotErAPiA EM dESordEnS EndÓCrinAS E MEtABÓliCAS
Microbiota intestinal na obesidade
Os lipopolissacarídeos (LPS) são gatilhos originários da parede celular das bactérias intestinais 
Gram-negativas, que atravessam a barreira intestinal (aumento da permeabilidade intestinal) 
e geram o aumento da produção de citosinas pró-inflamatórias. Esse mecanismo de resposta 
inflamatória é mediado por macrófagos.
Creely et al. (2007) demonstraram aumento nas concentrações circulantes de endotoxina em 
mulheres portadoras de Diabetes mellitus do tipo 2. No mesmo trabalho, os autores verificaram que 
lipopolisacarídeos (LPS) elevaram a expressão proteica de TLR2 e a secreção de IL-6 e TNF-α por 
adipócitos isolados do tecido adiposo subcutâneo. 
Camundongos tratados com dieta hiperlipídica desenvolveram resistência à insulina acompanhada 
de aumento de endotoxina circulante e da expressão gênica de IL-6, TNF-α, IL-1β e PAI-1 em vários 
depósitos de tecido adiposo. (CANI et al., 2007)
O LPS age sobre receptores da família Toll Like Receptor (TLR), em particular o TLR4, ativando a via 
do NF-κB, favorecendo a expressão gênica das adipocinas pró-inflamatórias (TAKEUCHI; AKIRA, 
2001; LEE et al., 2001). A transmissão do sinal mediado pela ligação do LPS com o TLR4 constitui 
um fenômeno altamente complexo e variado, mediado por meio de reações envolvendo fosforilação 
e ubiquitinação de proteínas-alvo. Em resumo, ocorre ativação da proteína MyD88 que, por sua 
vez, ativa o complexo IRAK (Kinase associated IL-1 receptor)-TRAF 6 (TNF receptor-associated 
factor). Esta última pertence à classe das ubiquitina ligases (E3 ligases) e parece ser essencial para 
o desacoplamento do NF-κB da sua proteína inibidora (Iκ-B). O NF-κB, uma vez liberado, migra 
para o núcleo, ligando-se ao DNA e iniciando a amplificação gênica das proteínas relacionadas à 
inflamação. (TAKEDA;AKIRA, 2004)
Nas últimas três décadas, vêm sendo estudada a relação entre o estado pró-inflamatório na obesidade 
e a microbiota intestinal. O intestino dos mamíferos possui uma comunidade microbiana, conhecida 
como microbiota intestinal, composta por trilhões de micro-organismos e sua composição pode 
variar de acordo com alguns fatores como: nutrientes da dieta, doenças e uso de antibióticos. (LEY 
et al., 2008)
O intestino dos mamíferos tem uma microbiota pertencente a três filos de bactérias: Bacteroidetes 
gram-negativa, Actinobacteria gram-positiva e Firmicutes (que compreende 200 gêneros, 
incluindo Lactobacillus, Clostridium, Bacillus e Mycoplasma). (DENG et al., 2008)
Segundo Ley (2005), ratos geneticamente obesos ob/ob (leptina deficiente), após tratamento 
com dieta rica em polissacarídeos, apresentaram mais Firmicutes e 50% menos Bacteroidetes no 
intestino distal quando comparados com o tipo selvagem. Nesse sentido, ratos tratados com dieta 
hiperlipídica e hiperglicídica apresentaram aumento da razão Firmicutes/Bacteroidetes comparado 
com ratos tratados com dieta pobre em gordura/rica em polissacarídeos, com baixo índice glicêmico. 
(TURNBAUGH, 2008)
O uso de alimentos e fitoterápicos prebióticos é uma maneira de modificar favoravelmente a 
composição e/ou atividade da microbiota intestinal.
87
fitotErAPiA EM dESordEnS EndÓCrinAS E MEtABÓliCAS│ unidAdE vii
fitoterapia em obesidade e diabetes
Considerando os complexos mecanismos relacionados ao desenvolvimento da obesidade e 
diabetes, o uso de fitoterápicos e compostos bioativos como complemento para o tratamento deve 
ser cuidadosamente planejado. Alguns fitoterápicos são capazes, por exemplo, de modular da 
expressão de genes que codificam proteínas envolvidas em mecanismos intracelulares de defesa 
contra processos oxidativos degenerativos de estruturas celulares como DNA e membranas, além 
de impedir a síntese de mediadores inflamatórios. 
Na tabela a seguir serão descritos os principais fitoterápicos que apresentam função benéfica no 
tratamento dessas desordens. 
Tabela 8. Fitoterápicos utilizados em casos de obesidade e diabetes
Nome popular/botânico Efeitos Posologia
Açafrão /Curcuma longa
O Açafrão (Curcuma longa) possui várias 
atividades farmacológicas documentadas, sendo a 
hipoglicemiante um delas. Em coelhos diabéticos, 
a incorporação de 0,5% de curcumina em um 
período de 8 semanas produziu redução não 
apenas da glicemia, mas também do colesterol, 
triglicerídeos e fosfolipídios do sangue (BABU et 
al., 1995). Em um modelo similar de diabetes 
induzida em ratos, a administração oral e tópica 
da curcumina demonstrou melhorar de forma 
significativa lesões renais associadas a diabetes 
e a cicatrização de feridas na pele (BABU e 
SRINIVASAN, 1998; SIDHU et al., 1999). A 
curcumina modula alvos moleculares como o 
NF-kB e consequentemente a indução dos genes 
induzidos por este fator de transcrição como 
mediadores inflamatórios.
Decocção:
- 1,5 g (3 col de café) em 150 ml de 
água (1 xícara de chá).
- Tomar 1 xícara de chá de 1 a 2 x ao 
dia RDC no 10/ 2010 (ANVISA)
2) Extrato seco (3:1):
- Tomar 1 cápsula de 375 mg, 2x 
ao dia
3) Tintura 20%:
- Tomar 40 gotas 2x ao dia
Gengibre – Zingiber officinale
Al-Amin et al (2006) comprovou a ação anti-
diabética e hipolipidêmica em ratos e os resultados 
mostraram um impacto positivo na reversão 
da proteinúria diabética. Akhani et al (2004) 
mostraram uma potencial atividade anti-diabética 
do suco de gengibre (gengibre fresco) em ratos 
diabéticos tipo I, produzindo o aumento dos níveis 
de insulina e o decréscimo dos níveis de glicose 
rápida plasmática. Os efeitos estão ligados aos 
receptores do tipo 5-HT (envolvido no controle 
da glicemia). Saraswat et al (2010) obtiveram 
resultados que comprovam que o gengibre possui 
efeito efetivo contra o desenvolvimento da catarata 
em ratos diabéticos por meio de seu potencial 
antiglicante. O 6-gingerol bloqueia a translocação 
da subunidade do NF-kB do citoplasma para o 
núcleo e consequentemente a indução dos genes 
induzidos por este fator de transcrição como 
mediadores inflamatórios.
Decocção:
- 0,5 - 1 g (1 a 2 col de
café) em 150 ml de água
- Tomar 1 xícara de chá de 2 a 4x ao 
dia RDC no 10/2010 (ANVISA)
2) Extrato seco (3:1):
- Tomar 1 cápsula de 125 a 250 mg, 
2 a 4x ao dia.
(Tabela de equivalência)
3) Tintura 20%:
- Tomar 15 a 25 gotas 2 a 4x ao dia, 
em água.
(Tabela de equivalência)
88
unidAdE vii │fitotErAPiA EM dESordEnS EndÓCrinAS E MEtABÓliCAS
Chá verde/ Cammelia sinensis
Serisier et al. (2008) comprovou em seus estudos 
que o consumo de chá verde pode melhorar 
a sensibilidade à insulina e o perfil lipídico de 
animais e alterar a expressão de genes envolvidos 
a homeostase de glicose e lipídios. Tsuneki et al. 
(2004) apresentou provas da eficiência do chá 
verde em relação a sua atividade anti-diabética. 
As catequinas diminuem a atividade da proteína 
IKK, envolvida na fosforilação do IKB-α induzida 
pela ativação mediada pelo TNF- α. Como 
consequência, temos novamente a inibição do 
fator de transcrição NF-kB. As catequinas também 
reduzem a expressão gênica da proteína JNK e do 
fator de transcrição AP-1, ativados pelo TNF- α .
1) Infusão:
- 1,5 g (3 col de café) em 150 ml de 
água.
- Tomar 1 xícara de chá de 2 a 3x ao 
dia. (Adaptada)
2) Extrato seco (3:1):
- Tomar 1 cápsula de 375 mg, 2 a 3x 
ao dia.
(Tabela de equivalência)
3) Tintura 20%:
- Tomar 40 gotas 2 a 3x ao dia, em 
água.
(Tabela de equivalência)
Pata de vaca/ Bauhinia forficata
Sem duvida, a atividade da pata de vaca como 
hipoglicemiante tem sido documentada em alguns 
estudos, tanto em animais como em pacientes 
com diabetes tipo II (Alonso, 2007). Outras 
propriedades: diurética e antiinflamatória e, por esta 
razão, pode ser recomendada como auxiliar no 
controle da hipertensão e em casos inflamatórios 
leves. A redução na glicemia foi observada 
tanto em indivíduos normoglicêmicos como 
hiperglicêmicos em estudos com camundongos. 
O mesmo estudo atribuiu essa atividade aos 
flavonoides presentes nessa espécie (Menezes, FS 
et al., 2007). Principais flavonoides são rutina e 
quercetina.
1) Infusão:
- 3 g (1 col de sopa) em 150 ml (1 
xícara de chá).
- Utilizar 1 xícara de chá 3x ao dia. 
(Adaptada)
2) Extrato seco (3:1):
- Tomar 1 cápsula de 750 mg, 3x 
ao dia.
(Tabela de equivalência)
3) Tintura 20%:
- Tomar 75 gotas 3x ao dia, em água 
(Tabela de equivalência)
A dose pode ser menor se o paciente 
fizer utilização de hipoglicemiantes 
orais.
RECOMENDAÇÕES:
- Sempre solicitar que o paciente faça 
a medição da glicemia de jejum para o 
controle das dosagens do fitoterápico;
- Não administrar fitoterápicos 
hipoglicemiantes em horários próximos 
a Administração de hipoglicemiantes 
orais ou insulina;
- Não interromper a dieta especifica 
para diabetes.
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fitotErAPiA EM dESordEnS EndÓCrinAS E MEtABÓliCAS│ unidAdE vii
Cajueiro /Anacardium occidentale
A decocção da casca do caju demonstrou efeitos 
hipoglicemiantes em ratas e cachorros. Em 
humanos, o extrato desta planta administrado 
por via oral exibiu ação hipoglicemiante nos 15 
a 20 minutos apos a ingestão, observando efeito 
máximo, após 60 a 90 minutos (HANDA S. et al., 
1989, ZAKARIA M. e MOHD M., 1994). Outro 
estudo evidenciou o efeito hipoglicemiante do 
extrato aquoso e metanólico da casca de caju em 
ratas diabéticas.
Atividade atribuída aos compostos terpenoides ou 
cumarinicos; Se especula que estes compostos 
estimulem as células beta do pâncreas (OJEWOLE 
J, 2003).
Tintura: Tomar 100 gotas 3 a 4x ao 
dia, em meio copo de água (adaptada).
Extrato seco (3:1): Muito difícil de 
encontrar no mercado!
Pó: tomar 2 cápsulas de500 mg 4 x 
ao dia (adaptada).
Não utilizar junto a Anticoagulantes, 
corticoides e anti-inflamatórios.
Carqueja – Baccharis trimera
Após 7 dias de administração de Carqueja em 
camundongos observou-se significante redução 
na glicemia e perda de peso, porém, não ha 
correlação entre essas duas atividades observadas 
nessa planta (OLIVEIRA, A.C.P., et al., 2005). 
Administrados a pessoas normoglicêmicas, provoca 
um decréscimo nos níveis de glicose no sangue 
(XAVIER et al., 1967; ALONSO PAZ E. et al., 
1992).
Tintura: Tomar 60 gotas, 2 a 3x ao dia, 
em meio copo de água. Extrato seco 
(3:1): Tomar 1 cápsula de 600 mg, 2 
a 3x ao dia. 
Infusão: 2,5 g (2,5 col. de chá) 
em 150 ml de água.Não utilizar 
em grávidas, pois pode promover 
contrações uterinas.
Evitar o uso concomitante com 
medicamentos para hipertensão e 
diabetes.
Estevia – Stevia rebaudiana
Poder adoçante, aproximadamente 250 vezes 
maior que a sacarose (ALONSO, 1998; GEUNS, 
2003).
Em um grupo de ratas submetidas a um regime 
hiperhidrocarbonado, a adição de 0,5% de 
esteviosídeo (principio ativo da estevia) provocou 
um decréscimo na glicemia e nos níveis de 
glicogênio hepático (SUZUKI et al., 1977). 
Em humanos demonstraram que as curvas de 
tolerância a sobrecarga de glicose pós-prandial 
resultaram ser melhores nos pacientes diabéticos 
obesos que tinham sido tratados previamente com 
130-140mg de extrato de estévia (CURI et al., 
1986).
1) Infusão:
- 0,5 g (1 col de café) em 150 ml (1 
xícara de chá).
- Utilizar 1 xícara de chá ao dia.
2) Extrato seco (3:1):
- Tomar 1 cápsula de 150 mg ao dia. 
(CURI et al., 1980)
3) Tintura 20%:
- Tomar 15 gotas ao dia, em água. 
(Tabela de equivalência)
A dose pode ser menor se o paciente 
fizer utilização de hipoglicemiantes 
orais.
Alho – Allium sativum
Em provas de sobrecarga de glicose em roedores, 
o extrato de alho envelhecido (AGE) demonstrou 
diminuir os níveis iniciais de glicemia elevada 
(NAGAI K. et al., 1975). A partir destes ensaios 
preliminares, investigadores do Departamento 
de Agricultura dos Estados Unidos puderam 
demonstrar em animais que a administração de 
AGE determinava aumento nos níveis de insulina 
no sangue, comparadas com o grupo controle 
(CHANG e JOHNSON, 1980).
90
unidAdE vii │fitotErAPiA EM dESordEnS EndÓCrinAS E MEtABÓliCAS
Chá verde – Cammelia sinensis
Borchardt e Huber (1975) mostraram evidências 
de que as catequinas do chá verde inibem a 
enzima que degrada a norepinefrina, prolongando 
sua ação no SNS. Além disso, a cafeína, também 
presente no chá verde, influencia a atividade 
do SNS inibindo a fosfodiesterase, enzima que 
rapidamente degrada o cAMP intracelular, e que e 
sinal para degradação de norepinefrina. O aumento 
da oxidação lipídica tem sido relacionado também 
a capacidade de “upregulation” de genes que 
envolvem a beta-oxidação hepática (estudo feito 
com ratos) Decréscimo da expressão da síntese 
de ácidos graxos pelo fígado. Estes resultados 
apareceram 24 horas depois da ingestão das 
catequinas de chá verde (MURASE et al., 2002). 
Autores mostram que os resultados positivos da 
suplementação com catequinas de chá verde em 
relação a perda de peso e maior sobre condição 
de elevadas concentrações de norepinefrina, assim 
como durante o exercício (RAINS et al., 2011). 
Kao et al (2004) mostrou que ratos tratados 
com epigalocatequinas de chá verde por injeção 
intraperitoneal tiveram decréscimo na ingestão 
voluntaria de alimentos. Belza et al (2007) conduziu 
um estudo de curto tempo com homens estróficos 
e demonstrou que os pacientes que consumiram 
extrato de chá verde consumiram 8% menos 
energia, 4 horas apos a suplementação.
Hibiscus
(Hibiscus sabdariffa)
O Hibiscus possui atividade diurética e favorece 
a digestão lenta e difícil. Alem disso, devido 
a presença de ácidos orgânicos possui ação 
levemente laxante. Kim et al., 2007 investigou 
mecanismos que o extrato de hibiscus possuía 
na diferenciação dos adipócitos, afetando de 
certa forma a adipogênese. • Os resultados deste 
estudo, feito em cultura de células estimulada por 
uma mistura de hormônios, mostram que o hibiscus 
inibiu significativamente a acumulação de partículas 
de gordura.
Chá – INFUSAO:
Posologia indicada: Utilizar 3g (1 colher 
de sopa) da planta seca em 150 ml 
de água (1 xic de chá). Utilizar 3 vezes 
ao dia. Contraindicação: Dificilmente 
provoca efeitos colaterais.
Tintura - Manipulação:
Posologia indicada: Tomar 75 gotas, 3x 
ao dia, em meio copo de água.
Resultados com posologias menores 
são verificados clinicamente.
91
CAPítulo 2
distúrbios tireoidianos
tireoide
Mais de 200 milhões de pessoas em todo mundo apresentam algum distúrbio da tireóide. Cerca de 
50% das mulheres com mais de 50 anos, de acordo com recentes pesquisas científicas, apresentam 
nódulos tireoidianos e aproximadamente 10% das mulheres em idade adulta apresenta algum 
distúrbio no metabolismo tireoidiano.
A alimentação é um fator determinante para o surgimento e agravamento de distúrbios da 
tireoide. De acordo com as últimas descobertas científicas, os principais componentes da dieta que 
influenciam o funcionamento tireoidiano, quando na sua deficiência ou em excesso, são:
 » iodo;
 » selênio;
 » zinco;
 » glúten;
 » soja;
 » tiocianatos;
 » flavonoides. 
A tireoide é responsável pela produção de quatro hormônios: 
 » Tiroxina (T4).
 » Tri-iodotironina (T3).
 » T3 reverso.
 » Calcitonina.
Produzidos nos folículos tireoidianos, os hormônios T3 e T4, estimulam praticamente todos os 
tecidos corporais, provocando diversas respostas nos órgãos e tecidos do organismo (Tabela 9). O 
T3 reverso é fisiologicamente inativo, sendo produzido em pequenas quantidades pela glândula e 
em alguns tecidos a partir da conversão do T4. Já a calcitonina é produzida pelas células tireoidianas 
parafoliculares. Este é um hormônio que regula as concentrações sanguíneas de cálcio, estimulando 
sua deposição nos ossos. O paratormônio tem ação oposta à calcitonina, pois estimula o aumento 
da calcemia.
92
unidAdE vii │fitotErAPiA EM dESordEnS EndÓCrinAS E MEtABÓliCAS
Tabela 9. Efeitos dos hormônios tireoidianos
Efeito Mecanismo de ação
Transcrição de grande número de genes.  número de enzimas e proteínas transportadoras, acelerando reações químicas.
Atividade metabólica celular  número e atividade das mitocôndrias.
 transporte de íons pelas membranas celulares.
 atividade da sódio/potássio ATPase.
Crescimento Crescimento e amadurecimento dos ossos e cérebro.
Induzem a síntese de GH.
Metabolismo de carboidratos e gorduras  absorção de carboidratos.
Estimula a gliconeogênese.
Estimula a secreção de insulina.
 mobilização de ácidos graxos.
Diminui a colesterolemia, por aumentar a captação hepática de LDL e a excreção 
biliar de colesterol.
Gasto energético  produção de calor e gasto energético, pelo aumento do número de atividade das 
proteínas desacopladoras na mitocôndria.
Sistema cardiorrespiratório  frequência cardíaca e respiratória.
 sensibilidade dos receptores adrenérgicos.
Sistema nervoso Efeitos excitatórios
Fonte: SILVA e MuRA, 2010.
O TSH (thyroid-stimulating hormone) é o hormônio estimulador da tireoide, que, por sua vez, é 
estimulado pelo hormônio liberador de tireotropina (THR, thyrotropin-releasing hormone). 
Graças ao mecanismo feedback negativo, a síntese e liberação de hormônios tireoidianos é 
controlada. Assim quando os níveis de T4 e T3 estão baixos há um aumento de TSH e vice-versa. 
distúrbios da tireoide
Hipotireoidismo
Caracterizada pela baixa produção de hormônios tireoidianos, o hipotireoidismo tem como principais 
sintomas: pele seca, letargia, fala lenta, edema palpebral, sensação de frio, pele fria, língua grossa, 
edemafacial, perda de memória, constipação e ganho de peso.
 » Causas do hipotireoidismo:
 › autoimune;
 › tireoidectomia;
93
fitotErAPiA EM dESordEnS EndÓCrinAS E MEtABÓliCAS│ unidAdE vii
 › radioterapia de cabeça e pescoço ou radioiodoterapia;
 › malformação;
 › carência ou excesso de iodo;
 › disfunção hipofi sária com baixa produção de TSH;
 › idade avançada;
 › infecção bacteriana;
 › outros fatores alimentares (selênio, zinco, glúten, soja, tiocianatos, fl avonoides). 
 » Doença autoimune da tireoide:
Síntese de anticorpos anti-TPO, presente em 80 a 100% dos casos de tireoidite de Hashimoto e 
antirreceptor de TSH (TRAb), que pode estimular ou inibir esse receptor, causando hiper ou 
hipotireoidismo.
Existe a hipótese de que os surgimentos desses anticorpos estejam relacionados com reações 
cruzadas com alimentos. 
Glúten x Doença autoimune da tireóide
A doença autoimune da tireoide está associada a uma variedade de doenças 
desencadeadas por mecanismos autoimunes ou ligadas a antígenos do sistema HLA 
(Antígeno Leucocitário Humano). Dentre essas afecções, destacam-se o diabetes 
melito tipo I e Doença Celíaca. Para aprofundar seus conhecimentos, leia artigo 
disponível no link a seguir:
<http://www.scielo.br/pdf/rpp/v28n4/a18v28n4.pdf>
Hipertireoidismo
Síndrome resultante do excesso de T4 e/ou T3. Sua sintomatologia é oposta ao do hipotireoidismo: 
 » perda de peso;
 » tremor;
 » nervosismo;
 » diarreia;
 » taquicardia;
 » insônia.
94
UNIDADE VII │FITOTERAPIA EM DESORDENS ENDÓCRINAS E METABÓLICAS
Causas do hipertireoidismo
 » Autoimune.
 » Tumor hipofisário.
 » Nódulos tireoidianos.
 » Uso de medicamentos contendo hormônio tireoidiano e seus derivados.
 » Uso de medicamentos ricos em iodo.
 » Infecção bacteriana.
fitoterapia 
fucus (fucus vesiculosus l.)
O fucus pertence à família Fucaceae e seus principais constituintes são carboidratos, iodo (0,07 a 
0,76% do peso seco), vitaminas (principalmente ácido ascórbico) e minerais. As algas marinhas 
marrons se referem às espécies de fucus em geral. O talo do fucus é utilizado como fitoterápico por 
suas propriedades anti-hipotireoidismo, antiobesidade e antirreumática. Seu uso tradicional está 
voltado para o tratamento de bócio linfoadenoide, mixedema, obesidade, artrite e reumatismo. 
Doses citadas na literatura de referência (BRADLEY, 1992; BRITISH HERBAL PHARMACOPEIA, 
1983):
 » Talos secos de 5 a 10g na forma de infuso, 3 vezes ao dia.
 » Extrato líquido de 4 a 8ml (1:1 em álcool a 25%), 3 vezes ao dia.
 » Contraindicações e advertências:
 › Pode haver a manifestação de um quadro de intoxicação pelo iodo presente, 
devido a uma hiperatividade da tireoide, caracterizada por um quadro de 
ansiedade, insônia, taquicardia e palpitações. 
 › Não se deve prescrever para pessoas que estejam fazendo tratamento com 
hormônios toreoidianos.
 › Evitar utilizar durante a gestação e lactação.
95
fitotErAPiA EM dESordEnS EndÓCrinAS E MEtABÓliCAS│ unidAdE vii
Outras plantas medicinais que já foram citadas como moduladoras da função tireoidiana em estudos 
científi cos, porém as evidências clínicas ainda são insufi cientes para sua aplicação terapêutica:
 » Rhodiola rósea
 » Commiphora mukul
 » Annona squamosa
 » Piper nigrum
 » Butea monosperma
Mais estudos devem ser conduzidos, em especial aqueles randomizados, controlados e cegos, para 
desvendar os seus mecanismos de ação e efeitos. Amplie seus conhecimentos lendo os artigos que 
relatam os efeitos dessas plantas.
Rhodiola rósea
Zubeldia JM, Nabi HA, Jiménez del Río M, Genovese J. Exploring new applications 
for Rhodiola rosea: can we improve the quality of life of patients with short-term 
hypothyroidism induced by hormone withdrawal? J Med Food. 2010 Dec;13(6):1287-
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Commiphora mukul
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Annona squamosa
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Piper nigrum
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unidAdE vii │fitotErAPiA EM dESordEnS EndÓCrinAS E MEtABÓliCAS
Butea monosperma
Panda S, Jafri M, Kar A, Meheta BK. Thyroid inhibitory, antiperoxidative and 
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97
Para (não) finalizar
Ao fi nal da década de 1970, a OMS criou o Programa de Medicina Tradicional, que recomenda aos 
Estados-membros o desenvolvimento de políticas públicas para facilitar a integração da medicina 
tradicional e da medicina complementar alternativa nos sistemas nacionais e atenção à saúde, 
assim como promover o uso racional dessa integração. A Portaria Ministerial MS/GM no 971, de 3 de 
maio de 2006, aprovando a Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares (PNPIC) 
no Sistema Único de Saúde (SUS), que prevê a incorporação de terapias como a homeopatia, o 
termalismo, a acupuntura e a fi toterapia nesse sistema. 
Além disso, em 22 de junho de 2006, o Decreto no 5.813, aprova a Política Nacional de Plantas 
Medicinais e Fitoterápicos (PNPMF) e dá outras providências. Essa Política estabelece diretrizes e 
linhas prioritárias para o desenvolvimento de ações pelos diversos parceiros em torno de objetivos 
comuns voltados à garantia do acesso seguro e do uso racional de plantas medicinais e fi toterápicos 
em nosso país. Também traça diretrizes para o desenvolvimento de tecnologias e inovações, assim 
como o fortalecimento das cadeias e dos arranjos produtivos. A política orienta também para o uso 
sustentável da biodiversidade brasileira e o desenvolvimento do complexo produtivo da saúde (MS, 
2007). 
Tendo em vista esses fatos, considerando a rica biodiversidade brasileira e sua enorme potencialidade 
no que diz respeito às plantas medicinais, o alto custo dos medicamentos alopáticos e alta tendência 
mundial para a substituição de medicamentos sintéticos por fi toterápicos, o curso de pós-graduação 
em fi toterapia torna-se um requisito fundamental para formação de profi ssionais especializados e 
capacitados para atender a essa nova necessidade do mercado. 
Diariamente, novas pesquisas se iniciam e novas descobertas surgem a respeito da ação de diversas 
plantas medicinais. A leitura de artigos científi cos, o desenvolvimento de pesquisas e a observação 
clínica fazem parte do dia a dia desse profi ssional.
98
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