Logo Passei Direto
Buscar
Material
páginas com resultados encontrados.
páginas com resultados encontrados.

Prévia do material em texto

Hermenêutica I 
prof. Fábio M. Mendes
Bacharel em Teologia e em Ciências Sociais
Mestre e Doutorando em Letras/Teoria da Literatura
PRINCÍPIOS GERAIS 
DE 
INTERPRETAÇÃO
1. a Bíblia tem autoridade
Em questão de religião, o cristão se submete
às seguintes autoridades:
(a) Tradição
(b) Razão
(c) Escrituras
2. a Bíblia é seu intérprete – A 
Escritura explica melhor a Escritura
Um dos primeiros intérpretes da Palavra de Deus foi o
diabo, Gn 3.1-5. O que foi que Deus havia dito?, Gn 2.16-17.
satanás não negou que Ele tinha dito aquelas palavras. Em vez
disso, as distorceu dando-lhes um sentido que não tinham.
Como se dá esse tipo de erro?
Ao procurar submeter-se ao que a Escritura diz, é importante
entender que na Bíblia a autoridade é expressa de algumas maneiras:
1) por omissão: citar só o que convém e deixar de lado o restante.
Quando Satanás diz “é certo que não morrerreis”, estava omitindo a
consequência profunda da mote espiritual.
2) por acréscimo: dizer mais do que a Bíblia diz. Eva acrescentou:
“nem tocareis nele”, Gn 3.3. Da mesma forma pode-se fazer com que a
Escritura diga mais do que de fato diz.
Quando estudarmos a Bíblia, deixemos que ela fale por si
mesma. Compare Escritura com Escritura. Exemplo. Is 7.14, o hebraico
“virgem” (‘almâh) pode ser traduzido como “moça”. Mt 1.23 cita esses
versos com referência à concepção virginal de Cristo. Contudo, em
grego a palavra tem um só sentido: “virgem”.
3. A fé salvadora e o Espírito Santo 
são necessários para interpretarmos 
bem as Escrituras 
- 1 Co 2,14-15, o homem natural e o espiritual.
- 2 Co 4.4.
- 1 Co 2.12
- Jo 16.13, o Espírito da verdade, que guia a toda a verdade.
Embora ser cristão não garanta que você interpretará
adequadamente todas as passagens bíblicas, é fundamental
entender adequadamente a verdade espiritual.
4. Interprete a experiência pessoal à 
luz da Escritura e não a Escritura à 
luz da experiência pessoal 
Ilustração - Vamos supor que você tenha ficado em dificuldade por
causa do seu déficit orçamentário. O Senhor lhe fala sobre isso, e você
acha que Ele quer que você elimine todas as formas de compra a
crédito. Você, então, trabalha arduamente, economiza e paga todos os
seus credores. Agora está livre da dívida e convencido de que nunca
mais deve voltar a comprar a prazo. Até aqui, tudo bem. Mas, depois
você dá mais um passo e opina que todos os que têm cartões de
crédito ou compram a prestações violam um mandamento, e para
provar o seu ponto você cita Rm 13.8. Assim, interpreta a Bíblia de
acordo com a sua experiência pessoal e exige que outros sigam esta
interpretação.
As experiências pessoais, sejas quais forem, devem
ser conduzidas à Bíblia e interpretadas. Nunca o caminho
inverso.
Isto não sugere que não há valor na experiência pessoal.
Pelo contrário, a experiência atesta a validade da doutrina.
Você sabe que sua salvação é um fato devido àquilo que você
experimentou. Assim, você não dá forma à doutrina da salvação
com base em sua experiência; você leva a sua experiência às
Escrituras para averiguar o que aconteceu em sua vida.
5. Os exemplos bíblicos só tem 
autoridade quando amparados por 
uma ordem
Ao ler a Bíblia não devemos seguir o exemplo de cada
pessoa que ali se encontra. Não é preciso seguir o exemplo de
Moisés desafiando os líderes do Egito, nem o de Pedro ao negar
Jesus.
É bom lembrar que a Bíblia está permeada de bons
exemplos. Somos obrigados a segui-los?
Sim, se o exemplo ilustra uma ordem bíblica.
Não, se o exemplo não tem apoio de uma ordem bíblica.
Alguns exemplos, NÃO apoiados por ordens, mas que
têm seus valores:
A) um exemplo bíblico pode confirmar o que você pensa que o
Senhor o está induzindo a fazer. Ex: quanto ao celibato, você
pode se apoiar no exemplo do próprio Jesus.
B) um exemplo bíblico pode ser rica fonte de aplicações à sua
vida. Ex.: depois de ler Mc 1.35, pensar e orar a respeito, você
acha que Deus quer que você passe algum tempo com Ele
todas as manhãs, de madrugada. Seria uma aplicação
apropriada e, sem dúvida, beneficiaria sua vida espiritual.
Porém, você não poderá tomar esse exemplo bíblico e aplicá-lo
a outros, visto não estar amparado por uma ordem.
- a Escritura manda orar (1 Ts 5.17) e dedicar tempo à Palavra
(Cl 3.16), mas não diz expressamente em que horário isso deve
acontecer nem a forma.
6. O propósito primário da Bíblia é 
mudar as nossas vidas, não 
aumentar nosso conhecimento
A Bíblia não nos foi dada para que pudéssemos ficar
espertos como o diabo (Mt 4.1-11), mas nos foi dada para que
pudéssemos nos tornar santos como Deus (2 Pe 1.4). Paulo
esclarece a finalidade com que a Escritura foi dada (2 Tm 3.16-
17).
Todas as palavras nas Escrituras são inteiramente 
verdadeiras e não contém erro em lugar algum.
- Sl 12.6: “As palavras do SENHOR são palavras puras, prarta
refinada em cadinho de barro, depurada sete vezes”
- Pv 30.5: “(...) toda palavra de Deus é pura; ele é escudo para
os que nele confiam!”
- Sl 119.89: “Para sempre, ò Senhor, está firmada a tua palavra
no céu”
- Mt 24.35: “Passará o céu e a terra, porém as minhas palavras
não passarão”
- a Bíblia é necessária para conhecer o evangelho:
- 1 Tm 2.5-6: “Porquanto há um só Deus e um só
Mediador entre Deus e os homens, Cristo Jesus, homem, o qual
a si mesmo se deu em resgate por todos: testemunho que se
deve prestar em tempos oportunos”.
- Jo 14.6: “ Respondeu-lhe Jesus: Eu sou o caminho, e a
verdade, e a vida; ninguém vem ao Pai senão por mim”
- a Bíblia é necessária para sustentar a fé espiritual:
- Mt 4.4 (cit. Dt 8.3): “Não só de pão viverá o homem,
mas de toda palavra que procede da boca de Deus”
- Dt 32.47: “Porque esta palavra não é para vós outros
coisa vã; antes, é a vossa vida; e, por esta mesma palavra,
prolongareis os dias na terra à qual, passando o Jordão, ides
para a possuir”
- 1 Pe 2.2: “(...) desejai ardentemente, como crianças
recém-nascidas, o genuíno leite espiritual, para que, por ele, vos
seja dado crescimento apra salvação”. O “genuíno leite
espiritual”, nesse contexto, é a Palavra de Deus a qual Pedro
falava ( Pe 1,23-25)
A Bíblia é necessária para o conhecimento seguro da
vontade de Deus:
- Dt 29.29: “As coisas encobertas pertencem a YHWH, nosso
Deus, porém, as reveladas nos pertencem, a nós e a nossos
filhos, para sempre, para que cumpramos todas as palavras
desta lei”
- ser “irrepreensíveis” aos olhos de Deus é andar “na lei do
YHWH” (Sl 119.1)
- o homem “bem-aventurado” é aquele que não segue a
vontade dos ímpios (Sl 1.1), mas acha prazer “na lei de YHWH”
e medita na lei de Deus “de dia e de noite” (Sl 1.2)
- amar a Deus é guardar “os seus mandamentos” (1 Jo 5.3)
A Bíblia NÃO é necessária para saber que Deus existe:
- Sl 19.1: “Os céus proclamam a glória de Deus, e o firmamento
anuncia as obras de suas mãos”
- At 14.16-17: “o qual, nas gerações passadas, permitiu que
todos os povos andassem nos seus próprios caminhos; contudo,
não se deixou ficar sem testemunho de si mesmo, fazendo o
bem, dando-vos do céu chuvas e estações frutíferas, enchendo
o vosso coração de fartura e de alegria”
- Rm 1.19-21
A Bíblia NÃO é necessária para conhecer algo sobre o
caráter e sobre as leis morais de Deus:
- Rm 1.32
- Rm 2.14-15
7. Cada cristão tem o direito e a 
responsabilidade de interpretar 
pessoalmente a Palavra de Deus
- At 17.11: “ Ora, estes de Beréia eram mais nobres que os de
Tessalônica; pois receberam a palavra com toda a avidez,
examinando as Escrituras todos os dias para ver se as coisas
eram, de fato, assim”
- princípio da Reforma: o livre-exame das Escrituras
- A presença do Espírito Santo e a capacidade que a linguagem
tem de comunicar a verdade combinam-se para nos dar tudo o
que precisamos para estudar e interpretar pessoalmente a
Bíblia.
- o princípio de caridade: diante do conflito de interpretações,é
preferível seguir a máxima de Agostinho (apud Vanhoozer, 2005,
p. 42), a saber, “escolher a interpretação que melhor promove o
amor a Deus e ao próximo”.
- “[...] o conflito de interpretações com muita frequência disfarça
um conflito de interesses e de poderes” (Vanhoozer, 2005, p.
42).
8. Faça uma leitura ativa e interativa 
da Escritura
- o ato de ler e interpretar as Escrituras não como um ato de recepção
passiva e individualista, mas como uma maneira de comunicação e
identificação comunal (cf. Mt 18.29)
- segundo a tradicional compreensão rabínica, o estudo e a
compreensão das Escrituras levam à redenção do mundo porque
levam para dentro dele a presença de Deus (Schüssler Fiorenza, 2009,
p. 26)
- O Talmud ordena: “formais grupos para estudar a torá, pois o
conhecimento da Torá pode ser adquirido somente em associação com
outros (Berekot 63b)” (apud Schüssler Fiorenza, 2009, p. 26)
- mesmo assim, a “exegese contemplativa” (Eugene Peterson) tem seu
lugar
9. A história da igreja é importante, 
mas não decisiva na interpretação 
da Escritura 
- a igreja não determina o que a Bíblioa ensina; mas, a Bíblia
determina o que a igreja ensina.
10. As promessas de Deus na Bíblia 
toda estão disponíveis ao Espírito 
Santo a favor dos crentes de todas 
as gerações. 
Promessa: é compromisso com Deus, de fazer algo, e requer
sua resposta de fé em obediência. Às vezes essa obediência
significa esperar pacientemente que o Senhor faça o que Ele
promete. Outras vezes pode significar lançar-se ao
desconhecido ou enfrentar grandes riscos. As promessas de
Deus constituem o fundamento da expressão da fé. Sem suas
promessas não temos base para pedir. Com a promessa
respondemos pela fé.
- é permissível apoiar-se numa promessa fora do seu contexto
histórico, contanto que seja fiel ao que a passagem diz e
significa.
Exemplo: digamos que você está cercado por circunstâncias adversas e sofre
acusação falsa. Você ora pedindo a Deus que o oriente e Ele o induz a se
apoiar em Ex 14.14. Esta promessa foi feita originalmente a Moisés quando
Israel estava rodeado por circunstâncias adversas.
É preciso assumir atitude apropriada ao abordar as
promessas. O Senhor nos deu para nos ajudar a realizar sua
vontade. No entanto, as pessoas as usam para tentar levar Deus
a fazer as vontades delas!
Da mesma forma como é importante interpretarmos
apropriadamente a passagem antes de aplicá-la, também é
necessário interpretar apropriadamente a promessa antes
de reivindicá-la.
Supondo que respondamos à promessa e ela não se
cumpra em nossas vidas. Há 3 conclusões, geralmente usadas:
1) Deus nos deixou na mão: hipótese descartada por 2 Tm
2.13.
2) Nós erramos ao nos apoiar na promessa: será que a
promessa foi requerida com o sincero desejo de fazer a vontade
de Deus e nada mais ou nós queríamos uma intervenção em
algum ponto do seu percurso? Se chegarmos à conclusão de
que tencionávamos fazer a vontade de Deus, então devemos
suspender o julgamento sobre o que aconteceu ou não
caconteceu. Deus conhece nosso coração e algum dia nos
mostrará o que houve.
3) A promessa se cumprirá numa ocasião posterior e/ou de
um modo que não esperamos.
2 tipo de promessas que se acham na Bíblia:
Promessas gerais: são feitas pelo Espírito Santo a todos os
crentes. São aquelas que quando foram escritas pelo autor
bíblico não visavam a nenhuma pessoa ou época em particular:
Jo 1.9.
Promessas específicas: são feitas pelo Espírito Santo a
indivíduos específicos em ocasiões específicas. Estas precisam
ser feitas pelo Espírito Santo especificamente a nós como foram
aos beneficiários originais. Estas promessas estão disponíveis a
você, contudo não lhe pertencerão a não ser que lhe sejam
dadas por Deus. As promessas específicas são dadas mais
frequentemente para orientação e benção.
- veja o uso que Paulo faz de Is 42.6,7 em At 13.47 – ele cita esse
versículo messiânico que o Senhor lhe dera para orientação.
Um breve resumo, quanto às promessas específicas:
- o Espírito de Deus faz essas promessas aos cristãos, individualmente,
em ocasiões particulares de suas vidas, conforme lhe apraz.
- muitas vezes as promessas são condicionais, e a condição é a
obediência. Você pode captar a condição pela presença da partícula
“se” no versículo bíblico ou no contexto.
- o Espírito de Deus é soberano (Sl 33.11), podendo falar de qualquer
passagem, a qualquer pessoa, em qualquer ocasião.
- Deus faz as suas promessas para tornar você mais dependente dele,
e não independente. Busque-as com humildade e dependência dEle.
- o propósito de Deus é glorificar-se mediante as promessas. Nunca
deixe de glorificá-lo no processo ou no cumprimento da mesma.
PRINCÍPIOS GRAMATICAIS 
DE 
INTERPRETAÇÃO
11. A Escritura tem somente um 
sentido, e deve ser tomada 
literalmente
- a interpretação literal no contexto é a única interpretação
válida. Se não tomarmos literalmente a passagem, todos os
tipos de interpretação fantasiosa podem resultar disso.
- aquilo de que tratam os textos não é algo que está por trás dos
textos, ou acima deles, mas, sim, algo no texto;
- é preciso penetrar naquilo de que relamente trata o texto.
12. Interprete as palavras no sentido 
que tinham na época do autor
- Quando estudar uma passagem, é importante não pular
palavras que você não compreende, pois uma ideia errônea
quanto ao significado de uma única palavra pode facilmente
obscurecer o sentido da sentença e possivelmente do parágrafo
inteiro.
- Em 1 Co 14.5a o que ao apóstolo Paulo quer dizer com “quisera”?
Será que está afirmando categoricamente que todo crente deve falar
em línguas? Observando o v. 18 não dá pra apoiar essa idéia?
Quando você estudar uma palavra em particular, deverá
abordar 4 pontos:
1) O uso que dela faz o escritor: por exemplo, o que significa para
Paulo, em Romanos, “o velho homem”, a “velha natureza”, a “velha
vida”?
2) Sua relação com seu contexto imediato: quase sempre o contexto
lhe dirá muita coisa sobre a palavra. Ex.: o que Jesus quis dizer com a
expressão “nascer de novo” em Jo 3.1-4? Seria a mesma coisa que
Nicodemos entendeu? Devemos recorrer ao contexto, ou seja, lermos
os vs. 5-14.
3) Seu uso corrente na época em que foi escrita: exige um estudo
mais técnico. Geralmente uma tradução merecedora de confiança lhe
dá o melhor sentido da palavra.
4) Seu sentido etimológico: aqui recorra às obras de consulta.
13. Interprete a palavra em relação à 
sua sentença e ao contexto
- Exemplo: o que significa a palavra “fé”?
em Gl 1.23 = doutrina do evangelho
em Rm 14.23 = uma convicção do que Deus quer que façamos
em 1 Tm 2.15 = penhor ou promessa feita ao Senhor
14. Interprete a passagem em 
harmonia com seu contexto
- Cada escritor tem uma razão lógica para escrever. Ao desenvolver
seu argumeto, existe uma conexão lógica entre uma seção e a
seguinte. Por isso, é preciso encontrar qual é o propósito global do livro
a fim de determinar o sentido de palalvras ou passagens particulares
no livro.
- Algumas perguntas que devemos ter em mente ao realizar esse
trabalho:
- como a passagem se relaciona com o material circunvizinho?
- como se relaciona com o restante do livro?
- como se relaciona com a Bíblia como um todo?
- como se relaciona com a cultura e o pano de fundo na qual foi
escrita?
Exemplo: 1 Jo 3.6-10. O que podemos concluir? Que o
crente não peca? Ou se peca, não pode ser crente, pois “aquele
que vive pecando não o viu, nem o conheceu”, v. 6. Se for essa
a interpretação correta, então só Jesus pode entrar no céu, pois
ele é a única pessoa sem pecado que andou pela terra.
15. Quando um objeto é usado para 
descrever um ser vivo, a proposição 
pode ser considerada figurada. 
- Jo 6.35: “Eu sou o pão da vida”
- Jo 8.2: “Eu sou a luz do mundo”
- Jo 10.7: “Eu sou a porta das ovelhas”
- Mq 6.2: “Ouvi, montes, a controvérsia doSENHOR, e vós,
duráveis fundamentos da terra [...]”
16. Quando uma expressão não 
caracteriza a coisa descrita, a 
proposição pode ser considerada 
figurada.
- Filipenses 3.2: “Acautelai-vos dos cães! Acautelai-vos dos
maus obreiros! Acautelai-vos da falsa circuncisão!” (ARA)
Quando Paulo fala aos seus leitores será que ele
pretende que eles conluam que está falando daquele bicho de 4
patas, etc. Que é usado como animal de estimação no mundo
ocidental? Não! Aqui ele está se referindo àqueles que insistiam
em impor aos cristãos gentios todas as ordenaças do AT. Assim
sendo, a palavra “cães” deve ser interpetada figuradamente.
- normalmente o contexto lhe dirá se a proposição é figurada ou
literal:
Lc 9.58 e 13.32 (“raposa”)
Jo 1.36 (“Cordeiro”)
Is 53.7 (“cordeiro”).
- às vezes, uma mesma palavra pode ser usada figuradamente,
mas com sentidos diferentes em diversos lugares da Bíblia:
1 Pe 5.8: “leão” aquie se refere a Satanás
Ap 5.5: “leão” aqui se refere a Cristo
- Outros exemplos de linguagem figurada: 2 Cr 16.9; Ex 33.23.
Deus usa figuras e imagens huanas a fim de comunicar sua
verdade. A grande evidência está no tabernáculo e nas
parábolas. Nas duas há um veículo (o terreno, o humano) que
leva a compreensão da verdade espiritual. A nossa
compreensão da realidade espiritual é analógica, simbólica.
17. Somente as partes principais e 
figuras de uma parábola 
representam certas realidades
- determine o propósito da parábola (algo que nem sempre está
contido na parábola, mas no contexto)
- use somente as partes principais da parábola para explicar a
lição. Não faça a parábola falar demais! Quanto à parábola do
bom samaritano, Lc 10.30ss, não tente interpretar o óleo como
sendo o Espírito Santo e o vinho como sendo o sangue de
Cristo.
18. Interprete as palavras dos 
profetas no sentido comum, literal e 
histórico, a não ser que o contexto 
ou a maneira como se cumpriram 
indique claramente que têm sentido 
simbólico. O cumprimento delas 
pode ser por etapas – cada 
cumprimento sendo uma garantia 
daquilo que há de acontecer
- A profecia deve ser intepretada literalmente, a menos que o
contexto ou alguma referência posterior na Escritura indique
outra coisa.
Ex.: Ml 4.5,6 – Deus enviou o profeta Elias? Não! Esta é
uma referência a João Batista. Quando este apareceu, gerou
grande confusão, o que mostra que as pessoas daquele tempo
esperavam que a profecia de Malaquias se cumprisse
literalmente. Contudo, Jesus disse que essa profecia deveria se
cumprir de modo figurado, Mt 11.13-14.
- Pode ser que haja ocasiões em que você derive 2 sentidos
aparentes de uma profecia. Dê preferência àquele que teria sido
mais óbvio para a compreensão dos leitores originais.
- Também haverá ocasiões em que um autor do NT dará uma
interpretação profética quando a passagem do AT não parece
ser profética. Ex.: Os 11.1. – os ouvintes originais poderiam
concluir, com acerto, que esto se referia à libertação do Egito
sob Moisés. Porém, Mt 2.15 cita essa passagem e a associa à
Cristo. Assim, essa passagem é profética pois Mateus diz que é.
Nós não temos essa liberdade no estudo da bíblia.
- Há casos em que uma profecia se cumpre parcialmente numa
geração, com o restante se cumprindo noutra época. Quando os
profetas olhavam para a vinda do Messias, viam os 2 eventos
como um só. A isso chamamos de perspectiva profética. Foi
isso que aconteceu com Joel 2.28-32. Pedro cita essas palavras
no dia de pentecostes, At 2.15-21. Ele disse que, de fato, o
Espírito Santo foi derramado sobre os cristãos. Mas, quando foi
que o sol se converteu em trevas? Esta segunda porção da
profecia de Joel faz referência ao segundo advento de Cristo e
tem cumprimento futuro.
PRINCÍPIOS HISTÓRICOS 
DE 
INTERPRETAÇÃO
19. Já que a Escritura foi originada 
em um contexto histórico, só pode 
ser compreendida à luz da história 
bíblica
Ao envolver-se no estudo histórico de uma passagem
bíblica, você deverá se imaginar como um repórter em busca
dos fatos. Bombardeie o texto com questões como estas:
- a quem foi escrito o livro?
- qual o pano de fundo do escritor?
- qual foi a experiência ou ocasião que deu origem à passagem?
- que são os principais personagens do livro e/ou da apssagem?
Exemplo - análise do livro de Gálatas:
- a igreja neotestamentária era de formação judaica, a partir da escolha
que Jesus fez dos seus discípulos/apóstolos;
- no dia de Pentecostes, Atos 2, os gentios convertidos eram todos
prosélitos do judaísmo, o que os fez supor que o caminho para Jesus
era através da religião judaica;
- Cornélio veio a ser circuncidado para adesão ao judaísmo (At 10), e
isto causou reboliço entre os crentes;
- o assunto só reaparece ao entrar em curso o ministério de Paulo, pois
durante sua 1ª viagem missionário começou a incluir os convertidos na
igreja sem passar pelo judaísmo, o que era inaceitável para muitos
cristãos da ala judaica;
- os legalistas perseguiram Paulo através da província romana da
Galácia, pregando que os novos convertidos provenientes do mundo
gentílico deveriam ser circuncidados;
- Paulo propôs a realização do concílio de Jerusalém (At 15.9 para
discutir a questão: “é preciso o gentio tornar-se judeu primeiro, antes de
tornar-se cristão? Como se justifica o homem diante de Deus? Pela fé
em cristo, foi a resposta de Paulo;
- a liderança do concílio de Jerusalém concordou com Paulo e, a partir
daí, o cristianismo, que era visto como seita do judaísmo, assinalou
uma importante mudança na direção da igreja;
- e agora, como Paulo iria partilhar isto com os gálatas? Como ele iria
desfazer o prejuízo causado pelos judaizantes? Ele retorna à lei a fim
de provar que a lei não pode salvar – por isso é que encontramos
inúmeras citações do Antigo Testamento na carta aos Gálatas.
20. A revelação de Deus nas 
Escrituras é progressiva e, tanto o 
Antigo quanto o Novo Testamento 
são partes essenciais desta 
revelação e formam uma unidade
- é o AT quem monta o cenário para a interpetação correta do NT
e, com certeza teríamos dificuldades em entender o que o NT
afirma, se não conhecêssemos relatos do AT como a criação e a
queda do homem.
21. Fatos ou acontecimentos 
históricos se tornam símbolos de 
verdades espirituais somente se as 
Escrituras assim os designarem
- o que é um símbolo? Algo que representa ou lembra alguma outra
coisa por relação, associação, conversação ou semelhança acidental.
- um exemplo de acontecimento histórico como símbolo de uma
verdade espiritual é a declaração de Paulo em 1 Co 10.1-4;
- a passagem dos israelitas no Mar Vermelho simboliza seu
batismo. A pedra que Israel bebeu é um tipo de Cristo, Nm 20.11.
- ver Gl 4.22-24
PRINCÍPIOS TEOLÓGICOS 
DE 
INTERPRETAÇÃO
22. É preciso compreender 
gramaticalmente a Bíblia, antes de 
compreendê-la teologicamente
- Em Rm 5.15-21 Cristo é comparado e contrastado com Adão.
23. Uma doutrina não pode ser 
considerada bíblica, a não ser que 
resuma e inclua tudo o que a 
Escritura diz sobre ela
- Em o Novo Testamento há inúmeras passagens que afirmam que não
estamos debaixo da lei (Rm 3.28; Gl 5.18). Ao ler essas declarações
alguém pode concluir que a graça divina nos livra de qualquer
obrigação de viver uma via disciplinada e santa. No entanto, essa
conclusão pode ser contestada por afirmações como as que se
encontram em Rm 6.1-4.
24. Contradições doutrinárias 
contidas nas Escrituras devem ser 
consideradas aparentes e, portanto, 
aceitas como escriturísticas, 
podendo ser explicadas dentro de 
uma unidade mais elevada 
- Temas bíblicos que apresentam aparentes contradições: Trindade, a
dupla natureza de Cristo, a origem e a existência do mal, a soberania
eleição de Deus e a responsabilidade humana.
- Quando a Bíblia deixa duasdoutrinas “conflitantes” sem
as conciliar, você deve fazer o mesmo. Porém, deve ter o
cuidado de não perder o equilíbrio bíblico ao tentar aliviar a
tensão. Não arranque palavras da Escritura na tentativa de
forçar acordo entre duas doutrinas “conflitantes”.”
- Onde a Bíblia ensina duas doutrinas “conflitantes”,
devemos seguir o seu exemplo e sustentar ambas, de
maneira paradoxal, mantendo cada uma em perfeito
equilíbrio com a outra.
25. Um ensinamento implícito na 
Escritura pode ser considerado 
bíblico quando uma comparação de 
passagens correlatas a apoia

Mais conteúdos dessa disciplina