Prévia do material em texto
TANCREDO JÁ ANDA E SUPERA A CRISE Por volta das 20h30 de ontem, o presidente eleito Tancredo Neves deu sinais de que conseguiu superar a pior crise desde que se submeteu á cirurgia de urgência na madrugada de sexta-feira. Ele caminhou em companhia dos médios na sala de recuperação do Hospital de Base de Brasília, fez exercícios fisioterapêuticos para eliminar gases e disse que sentia “bem melhor” que antes. Foi o fim de um longo período de tensão em todo o país. Os primeiros avisos de tranquilidade haviam sido dados às 17 horas, com a leitura de um boletim oficial assinado por noves médicos especialistas, levados de São Paulo, Rio e Belo Horizonte para examinar o presidente eleito. Eles confirmaram a existência de “alterações nos movimentos intestinais” de Tancredo, ou seja, problemas com a acumulação de gases, mas garantiram que o estado geral dele era bom e recomendaram a manutenção do tratamento clínico seguido até o momento. Com isso afastaram os boatos de uma nova cirurgia e de remoção do presidente eleito para o Hospital das Clínicas de O Estado de São Paulo. Folha de São Paulo, 20 de mar. 1985. p. 1 PÓS-OPERATÓRIO DE TANCREDO COMPLICA-SE O presidente eleito Tancredo Neves, 75, passou na madrugada de ontem o período mais difícil no seu processo de recuperação desde que foi operado na quinta-feira. Segundo apurou a Folha, em Brasília, Tancredo vomitou seguidamente e teve uma paralisia em parte do intestino delgado, o que provocou o acúmulo de gases. As dificuldades levaram a família e os médicos que assistiam o presidente eleito no Hospital de Base a chamar uma junta médica formada por profissionais de São Paulo, Rio e Belo Horizonte para fazer uma avalição. A junta afirmou, em boletim divulgado às 17 h, que o estado geral do presidente eleito era bom, mas “existem alterações nos movimentos intestinais, não raramente observados em pós-operações de urgência”. Assinaram o boletim os médicos João Batista de Rezende Alves, Lopes Pontes, Jayme Landman, Geraldo Siffert, Agostinho Berarello, Wilson luiz Abrantes, Newton Procópio, Henrique Walter Pinotti e Célio E. D. Nogueira. O Ministro das Comunicações, Antônio Carlos Magalhães, 57, confirmou que Tancredo Neves passou uma péssima noite. Quando ouviu pela TV o porta voz da Presidência. Antônio Britto, dizer que os boletins médicos indicavam a recuperação normal do presidente, comentou: não é verdade” Folha de São Paulo, 20 de mar. 1985. p. 1. 1 – Destaque o verbo que estabelece oposição entre as duas manchetes. Mas. 2 – Destaque do texto de O Estado de São Paulo fatos ou pormenores que indicam a melhora do estado de saúde do presidente eleito. Ele caminhou em companhia dos médicos na sala de recuperação do Hospital de Base de Brasília, fez exercícios fisioterapêuticos para eliminar gases e disse que sentia “bem melhor” que antes. 3 – Destaque do texto da Folha de São Paulo fatos ou pormenores que mostram a piora do estado de saúde do presidente eleito. Segundo apurou a Folha, em Brasília, Tancredo vomitou seguidamente e teve uma paralisia em parte do intestino delgado, o que provocou o acúmulo de gases. As dificuldades levaram a família e os médicos que assistiam o presidente eleito no Hospital de Base a chamar uma junta médica formada por profissionais de São Paulo, Rio e Belo Horizonte para fazer uma avalição. 4 – Cada um dos jornais enviesou o texto numa direção. O Estado de São Paulo que mostrar a melhora do presidente; a Folha, sua piora. Quais são os fatos e pormenores que aparecem igualmente em ambos os textos. “o estado geral do presidente é bom” e “existem complicações nos movimentos intestinais”. 5 – Com relação aos fatos ocorridos após as 17h, os dois textos têm uma posição muito distinta. Como cada jornal apresenta esses fatos? Coordenando os fatos de formas diferentes, em relação ao que querem indicar. 6 – Ao expor o que disse a junta médica a respeito do estado do presidente, os dois jornais, embora coloquem duas informações idênticas – “o estado geral do presidente é bom” e “existem complicações nos movimentos intestinais” –, coordenam-nas de maneira diferente. Por causa disso quando lemos o texto de O Estado, concluímos que o estado do presidente eleito era bom e, quando lemos o texto da Folha, concluímos que a junta dissera que não era muito bom. Qual é a diferença na forma de coordenar as orações dos dois períodos que leva a conclusões opostas? Mudando termos e as ordens dos elementos das orações.