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ISBN 978-85-430-0585-0 A d m in istração/T ecn ologia d a in form ação w w w . p e a r s o n . c o m . b r sv.pearson.com.br A Sala Virtual oferece, para professores, apresentações em PowerPoint, manual do professor (em inglês), galeria de imagens e estudo de caso adicional (em inglês). Para estudantes: exercícios adicionais de múltipla escolha, planilha e base de dados para exercícios (em inglês), capítulo extra sobre questões éticas em sistemas de informação. Este livro também está disponível para compra em formato e-book. Para adquiri-lo, acesse nosso site. 11a edição 11a edição 11a edição Jane P. Laudon Jane P. Laudon Kenneth C. LaudonKenneth C. Laudon Kenneth C. Laudon Jane P. Laudon Sistemas de informação gerenciais traz ferramentas valiosas para que profissionais de Administração, Sistemas de Informação, Ciências Contá- beis, Engenharia da Computação e Engenharia de Produção atinjam as metas corporativas, tais como excelência operacional, desenvolvimento de novos produtos e serviços, melhoria na tomada de decisões e conquista de vantagem competitiva. Esta obra apresenta uma ampla gama de estudos de caso e exemplos reais, com diversos exercícios e uma apresentação teórica clara. Aborda temas variados como social business, ferramentas de mídias sociais, tecno- logia móvel e serviços baseados em localização, computação em nuvem, big data, comércio eletrônico, dentre outros. CVR_LAUD5850_11_CVR.indd 1 09/12/2014 10:43:00 11a edição A02_LAUD_0000_01_SE_serifada_1col.indd 1 10/11/14 19:35 A02_LAUD_0000_01_SE_serifada_1col.indd 2 10/11/14 19:35 11a edição Jane P. Laudon Azimuth Information Systems Kenneth C. Laudon New York University Tradutor: Célia Taniwaki Revisão técnica: Prof. Dr. Belmiro N. João Professor Titular do Departamento de Administração — PUC/SP Coordenador do Programa de Estudos Pós-Graduados em Administração — PUC/SP A02_LAUD_0000_01_SE_serifada_1col.indd 3 10/11/14 19:35 2014 Direitos exclusivos para a língua portuguesa cedidos à Pearson Education do Brasil Ltda., uma empresa do grupo Pearson Education Rua Nelson Francisco, 26 CEP 02712-100 – São Paulo – SP – Brasil Fone: 11 2178-8686 – Fax: 11 2178-8688 vendas@pearson.com Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) (Câmara Brasileira do Livro, SP, Brasil) Laudon, Kenneth C. Sistemas de informação gerenciais / Kenneth C. Laudon, Jane P. Laudon; revisão técnica Belmiro do Nascimento João ; [tradução Célia Taniwaki]. – São Paulo: Pearson Education do Brasil, 2014. Título original: Essentials of management information systems 11. ed. norte-americana Bibliografia. ISBN 978-85-4301-507-1 1. Sistemas de informação gerenciais 2. Tecnologia da informação – Administração I. Laudon, Jane P. II. João, Belmiro do Nascimento. III. Título. 14-04667 CDD-658.4038011 Índice para catálogo sistemático: 1. Sistemas de informação gerenciais: Administração 658.4038011 ©2015 by Pearson Education do Brasil Ltda. Copyright © 2015, 2013, 2011 by Pearson Education, Inc. Todos os direitos reservados. Nenhuma parte desta publicação poderá ser reproduzida ou transmitida de qualquer modo ou por qualquer outro meio, eletrônico ou mecânico, incluindo fotocópia, gravação ou qualquer outro tipo de sistema de armazenamento e transmissão de informação sem prévia autorização por escrito da Pearson Education do Brasil. Supervisora de produção editorial Silvana Afonso Coordenador de produção editorial Sérgio Nascimento Editor de aquisições Vinícius Souza Editora de texto Sabrina Levensteinas Editor assistente Marcos Guimarães Preparação Eliane Usui, Regiane Miyashiro e Beatriz Garcia Revisão Marina de Andrade Oliveira Capa Solange Rennó Projeto gráfico e diagramação Casa de Ideias A02_LAUD_0000_01_SE_serifada_1col.indd 4 10/11/14 19:35 Sumário I Sistemas de informação na era digital 1 1 Os sistemas de informação empresariais na sua carreira 3 Caso de Abertura de Capítulo: O San Francisco Giants vence com a tecnologia da informação 4 1.1 O papel dos sistemas de informação no ambiente de negócios contemporâneo 5 Como os sistemas de informação estão transformando o ambiente de negócios 5 O que há de novo em sistemas de informação? 6 Seção Interativa: Pessoas Conheça os novos trabalhadores móveis 8 Desafios e oportunidades da globalização: um mundo planificado 10 Objetivos organizacionais dos sistemas de informação 11 1.2 Perspectivas em sistemas de informação e tecnologia de informação 13 O que é um sistema de informação? 13 Não é apenas tecnologia: o papel das pessoas e organizações 15 Dimensões dos sistemas de informação 15 1.3 Compreendendo os sistemas de informação: uma abordagem de resolução de problemas organizacionais 17 A abordagem de resolução de problemas 18 Seção Interativa: Tecnologia A UPS concorre globalmente com tecnologia da informação 18 Um modelo do processo de resolução de problemas 20 O papel do senso crítico na resolução de problemas 22 A conexão entre os problemas, as soluções e os objetivos organizacionais 23 1.4 Os sistemas de informação e sua carreira 23 Como os sistemas de informação afetarão as carreiras relacionadas a negócios 23 Considerações finais sobre sistemas de informação e sua carreira 26 Como este livro prepara você para o futuro 27 Resumo 27 Palavras-chave 28 Questões para revisão 28 Para discutir 29 Problemas envolvendo tomada de decisão gerencial 29 Aperfeiçoando a tomada de decisões: usando banco de dados para analisar as tendências de vendas 30 Aperfeiçoando a tomada de decisões: usando a Internet para localizar vagas de emprego que exijam conheci- mento de sistemas de informação 30 Resolvendo Problemas Organizacionais Um novo olhar sobre prontuários médicos eletrônicos 31 2 E-business global e colaboração 34 Caso de Abertura de Capítulo: A Telus adota o aprendizado social 35 2.1 Componentes de uma empresa 37 Organizando uma empresa: funções empresariais básicas 37 Processos de negócios 37 Administrando uma empresa e suas hierarquias 40 O ambiente de negócios 40 O papel dos sistemas de informação em uma empresa 41 2.2 Tipos de sistemas de informação empresariais 42 Sistemas para diferentes níveis de gerência 42 Seção Interativa: Organizações Vail Ski Resorts utiliza tecnologia de ponta para aperfeiçoar seu atendimento aos clientes 46 A02_LAUD_0000_01_SE_serifada_1col.indd 5 10/11/14 19:35 vi Sistemas de informação gerenciais Seção Interativa: Pessoas Pilotando a Procter & Gamble nas Decision Cockpits 48 Sistemas que abrangem toda a empresa 50 E-business, e-commerce e e-government 52 2.3 Sistemas de colaboração e ferramentas de social business 53 O que é colaboração? 53 O que é social business? 54 Benefícios empresariais da colaboração e do social business 55 Construindo uma cultura e processos de negócio colaborativos 55 Ferramentas e tecnologias para colaboração e social business 56 2.4 A função dos sistemas de informação na empresa 61 O departamento de sistemas de informação 61 Serviços de sistemas de informação 62 Resumo 63 Palavras-chave 64 Questões para revisão 64 Para discutir 65 Problemas envolvendo tomada de decisão gerencial 66 Resolvendo Problemas Organizacionais As empresas deveriam adotar o social business? 66 3 Conquistando vantagem competitiva com os sistemas de informação 70 Caso de Abertura de Capítulo: Conseguirá o Walmart manter-se no topo? 71 3.1 Como usar os sistemas de informação para conquistar vantagem competitiva 73 Modelo das forças competitivas de Porter 73 Estratégias de sistemas de informação para lidar com as forças competitivas 74 O impacto da Internet na vantagem competitiva 77 O modelo de cadeia de valores empresarial 78 Seção Interativa: Tecnologia Montadoras se transformam em empresas de software 80 Sinergias, competências essenciais e estratégias baseadas em rede 83 Tecnologias disruptivas: entrando na onda 84 3.2 Concorrência em escala global 86 A Internet e a globalização 86 Estratégias de sistemas e negócios globais 87 Configuração de sistemas globais 87 3.3 Competindo em qualidade e design 88 O que é qualidade? 88 Como os sistemas de informação melhoram a qualidade 89 3.4 Competindo em processos de negócios 90 O que é gestão de processos de negócios? 91 Seção Interativa: Organizações Novos sistemas e processos de negócios aumentam o faturamento da MoneyGram 93 Resumo 95 Palavras-chave 96 Questões para revisão 96 Para discutir 97 Problemas envolvendo tomada de decisão gerencial 97 Aperfeiçoando a tomada de decisões: usando ferramentas da Web para configurar e precificar um carro 98 Resolvendo Problemas Organizacionais Essa livraria pode ser salva? 98 4 Questões éticas e sociais nos sistemas de informação 101 Caso de Abertura de Capítulo: Piratas de conteúdo navegam pela Web 102 A02_LAUD_0000_01_SE_serifada_1col.indd 6 10/11/14 19:35 viiSumário 4.1 Entendendo as questões éticas e sociais relacionadas aos sistemas 104 Um modelo de raciocínio para questões éticas, sociais e políticas 105 As cinco dimensões morais da era da informação 106 Principais tendências tecnológicas que suscitam questões éticas 107 4.2 Ética na sociedade da informação 109 Conceitos básicos: responsabilidade, prestação de contas e obrigações 109 Análise ética 110 Princípios éticos eletivos 110 Códigos de conduta profissional 111 Alguns dilemas éticos do mundo real 111 4.3 As dimensões morais dos sistemas de informação 112 Direitos sobre a informação: privacidade e liberdade na era da Internet 112 Seção Interativa: Tecnologia O Big Data torna-se pessoal: segmentação comportamental 116 Direitos sobre a propriedade: propriedade intelectual 120 Prestação de contas, obrigação de indenizar e controle 123 Qualidade do sistema: qualidade dos dados e erros de sistema 125 Qualidade de vida: equidade, acesso e fronteiras 125 Seção Interativa: Pessoas Perdendo tempo: a nova exclusão digital 129 Resumo 132 Palavras-chave 133 Questões para revisão 133 Para discutir 134 Problemas envolvendo tomada de decisão gerencial 134 Alcançando excelência operacional: criando um blog simples 135 Aperfeiçoando a tomada de decisões: usando grupos de discussão (newsgroups) da Internet para realizar pes- quisa de mercado on-line 135 Resolvendo Problemas Organizacionais Facebook — é sobre o dinheiro 136 II Infraestrutura da tecnologia da informação 141 5 Infraestrutura de TI: hardware e software 143 Caso de Abertura de Capítulo: O exército reformula sua infraestrutura de TI 144 5.1 Infraestrutura de TI: hardware do computador 146 Componentes de infraestrutura 146 Tipos de computador 148 Tecnologia de armazenamento, entrada e saída 150 Tendências contemporâneas de hardware 151 Seção Interativa: Tecnologia A computação verde dos datacenters 156 5.2 Infraestrutura de TI: software do computador 158 Software de sistema operacional 158 Software aplicativo e ferramentas de produtividade para PCs 160 HTML e HTML5 163 Serviços da Web 164 Tendências de software 165 5.3 Administração dos recursos de hardware e software 166 Planejamento de capacidade e escalabilidade 167 Custo total de propriedade de ativos tecnológicos 167 Utilização de provedores de serviços tecnológicos 167 Gerenciando as plataformas móveis 169 Seção Interativa: Pessoas Os prazeres e as armadilhas do uso de dispositivos pessoais no ambiente de trabalho 170 Gerenciando a localização de software para empresas globais 172 A02_LAUD_0000_01_SE_serifada_1col.indd 7 10/11/14 19:35 viii Sistemas de informação gerenciais Resumo 172 Palavras-chave 173 Questões para revisão 174 Para discutir 175 Problemas envolvendo tomada de decisão gerencial 175 Aperfeiçoando a tomada de decisões: usando uma planilha eletrônica para avaliar opções de hardware e software 175 Aperfeiçoando a tomada de decisões: use a pesquisa na Web para planejamento e orçamento de uma conferên- cia de vendas 176 Resolvendo Problemas Organizacionais É chegada a hora da computação em nuvem? 176 6 Fundamentos da inteligência de negócios: gestão da informação e de banco de dados 180 Caso de Abertura de Capítulo: A melhor gestão de dados ajuda o The Globe and Mail de Toronto a satisfazer seus clientes 181 6.1 A abordagem de banco de dados para gestão de dados 183 Entidades e atributos 183 Organizando dados em um banco de dados relacional 183 Estabelecendo relacionamentos 185 6.2 Sistemas de gestão de banco de dados 188 Operações de um DBMS relacional 189 Recursos dos sistemas de gestão de banco de dados 190 Bancos de dados não relacionais e bancos de dados em nuvem 192 6.3 Como usar bancos de dados para melhorar o desempenho e a tomada de decisão na empresa 193 O desafio do Big Data 193 Infraestrutura de inteligência empresarial 194 Ferramentas analíticas: relacionamentos, padrões, tendências 196 Seção Interativa: Organizações Inteligência empresarial ajuda o Jardim Zoológico de Cincinnati a conhecer seus clientes 199 Bancos de dados e a Web 201 6.4 Gestão dos recursos de dados 202 Estabelecendo uma política de informação 202 Assegurando a qualidade de dados 203 Seção Interativa: Pessoas A American Water mantém os dados fluindo 204 Resumo 205 Palavras-chave 206 Questões para revisão 207 Para discutir 207 Problemas envolvendo tomada de decisão gerencial 208 Alcançando excelência operacional: criando um banco de dados relacional para gestão de estoques 208 Aperfeiçoando a tomada de decisões: pesquisando recursos empresariais internacionais em bancos de dados on-line 209 Resolvendo Problemas Organizacionais Será que o Big Data traz grandes recompensas? 209 7 Telecomunicações, Internet e tecnologia sem fio 213 Caso de Abertura de Capítulo: RFID e tecnologia sem fio aceleram a produção da Pneus Continental 214 7.1 Telecomunicações e redes no mundo empresarial de hoje 216 Tendências em redes e comunicações 216 O que é uma rede de computador? 216 Principais tecnologias de rede digital 218 7.2 Redes de comunicação 220 Sinais: digital versus analógico 220 Tipos de rede 221 A02_LAUD_0000_01_SE_serifada_1col.indd 8 10/11/14 19:35 ixSumário Meios e velocidade de transmissão 222 7.3 A Internet global 223 O que é Internet? 223 Arquitetura e endereçamento da Internet 223 Seção Interativa: Organizações A batalha sobre a neutralidade da rede 226 Serviços de Internet e ferramentas de comunicação 228 Seção Interativa: Pessoas Monitorando empregados nas redes: falta de ética ou boa prática profissional? 230 A Web 233 7.4 A revolução sem fio 240 Sistemas celulares 240 Acesso à Internet e redes de computação sem fio 241 Redes de sensores sem fio e RFID 243 Resumo 245 Palavras-chave 246 Questões para revisão 247 Para discutir 248 Problemas envolvendo tomada de decisão gerencial 248 Aperfeiçoando a tomada de decisões: usando uma planilha eletrônica para avaliar serviços de rede sem fio 248 Alcançando excelência operacional: usando mecanismos de busca da Web para pesquisa empresarial 249 Resolvendo Problemas Organizacionais Google, Apple e Facebook disputam a sua experiência na Internet 249 8 Segurança em sistemas de informação 253 Caso de Abertura de Capítulo: Você está no LinkedIn? Cuidado! 254 8.1 Vulnerabilidade dos sistemas e uso indevido 256 Por que os sistemas são vulneráveis? 256 Software mal-intencionado: vírus, worms, cavalos de Troia e spywares 258 Hackers e crimes de informática 261 Seção Interativa: Organizações O assalto ao banco do século XXI 262 Ameaças internas: funcionários 267 Vulnerabilidade de software 267 8.2 Valor empresarial da segurança e do controle 268 Requisitos legais e regulatórios para a gestão de registros eletrônicos 269 Prova eletrônica e perícia forense computacional 269 8.3 Como estabelecer uma estrutura para segurança e controle 270 Controles de sistemas de informação 270 Avaliação de risco 271 Política de segurança 272 Plano de recuperação de desastres e plano de continuidade dos negócios 273 O papel da auditoria 274 8.4 Tecnologias e ferramentas para garantir a segurança dos recursos de informação 274 Gestão de identidade e autenticação 274 Firewalls, sistemas de detecção de intrusão e softwares antivírus 276 Segurança em redes sem fio 278 Criptografia e infraestrutura de chave pública 278 Como assegurar a disponibilidade do sistema 279 Questões de segurança na computação em nuvem e na plataforma digital móvel 280 Seção Interativa: Tecnologia Uso do dispositivo pessoal no ambiente de trabalho: não é tão seguro 282 Garantia da qualidade de software 283 Resumo 284 Palavras-chave 285 Questões para revisão 285 Para discutir 286 A02_LAUD_0000_01_SE_serifada_1col.indd 9 10/11/14 19:35 x Sistemas de informação gerenciais Problema envolvendo tomada de decisão gerencial 286 Aperfeiçoando a tomada de decisões: avaliando serviços de terceirização de segurança 286 Resolvendo Problemas Organizacionais A ameaça iminente de uma guerra cibernética 287 III Principais aplicações de sistemas para a era digital 291 9 Conquistando excelência operacional e intimidade com o cliente: aplicações integradas 293 Caso de Abertura de Capítulo: A tecnologia ajuda a Nvidia a antecipar o futuro 294 9.1 Sistemas integrados 296 O que são sistemas integrados? 296 Software integrado 297 Valor empresarial dos sistemas integrados 298 9.2 Sistemas de gestão da cadeia de suprimentos 298 A cadeia de suprimentos 299 Sistemas de informações e gestão da cadeia de suprimentos 300 Software de gestão da cadeia de suprimentos 301 Cadeia de suprimentos global e a Internet 302 Seção Interativa: Tecnologia A manteiga da Land O’Lakes torna-se mais fresca com o planejamento da demanda 303 Valor empresarial dos sistemas de gestão da cadeia de suprimentos 306 9.3 Sistemas de gestão de relacionamento com o cliente 306 O que é gestão de relacionamento com o cliente? 306 Software CRM 307 CRM analítico e operacional 310 Seção Interativa: Organizações Graybar decide realizar análise de clientes 310 Valor empresarial dos sistemas de gestão do relacionamento com o cliente 312 9.4 Aplicações integradas: novas oportunidades e desafios 312 Desafios das aplicações integradas 313 Aplicações integradas da próxima geração 314 Resumo 315 Palavras-chave 316 Questões para revisão 316 Para discutir 317 Problemas envolvendo tomada de decisão gerencial 317 Aperfeiçoando a tomada de decisões: usando um software de banco de dados para gerenciar solicitações de serviço de clientes 318 Alcançando excelência operacional: avaliando serviços de gestão da cadeia de suprimentos 318 Resolvendo Problemas Organizacionais Vodafone: uma implementação ERP global e gigante 319 10 Comércio eletrônico: mercados digitais, mercadorias digitais 322 Caso de Abertura de Capítulo: Pinterest: quanto vale uma imagem? 323 10.1 Comércio eletrônico e Internet 324 Comércio eletrônico hoje 325 O novo comércio eletrônico: social, móvel, local 327 Por que o comércio eletrônico é diferente? 328 Conceitos-chave no comércio eletrônico: mercados e mercadorias digitais em um marketplace global 331 10.2 Comércio eletrônico: negócios e tecnologia 333 Categorias do comércio eletrônico 334 Modelos de negócios de comércio eletrônico 334 Modelos de receita do comércio eletrônico 337 Seção Interativa: Organizações Será que o Pandora terá sucesso com o freemium? 338 Redes sociais e a sabedoria das massas 340 A02_LAUD_0000_01_SE_serifada_1col.indd 10 10/11/14 19:35 xiSumário Marketing do comércio eletrônico: social, móvel, local 341 Comércio eletrônico empresa-empresa: novos relacionamentos e eficiências 346 10.3 Comércio eletrônico: plataforma móvel e local 349 Serviços e aplicativos baseados em localização 350 Outros serviços de comércio na plataforma móvel 350 Seção Interativa: Tecnologia Será que a tecnologia móvel colocará a Orbitz em posição de líder? 351 10.4 Construção de uma presença no comércio eletrônico 353 Como desenvolver um mapa de presença no comércio eletrônico 353 Como desenvolver um cronograma: marcos 354 Resumo 355 Palavras-chave 356 Questões para revisão 356 Para discutir 357 Problemas envolvendo tomada de decisão gerencial 357 Aperfeiçoando a tomada de decisões: usando um software de planilha eletrônica para analisar uma empresa “pontocom” 357 Alcançando excelência operacional: comparando serviços de hospedagem 358 Resolvendo Problemas Organizacionais Cultivando clientes de forma social 358 11 Aprimorando a tomada de decisão e a gestão do conhecimento 361 Caso de Abertura de Capítulo: Moneyball: beisebol orientado por dados 362 11.1 Tomada de decisão e sistemas de informação 363 Valor empresarial do aperfeiçoamento da tomada de decisão 364 Tipos de decisão 364 Processo de tomada de decisão 365 Qualidade das decisões e da tomada de decisão 367 11.2 Inteligência empresarial na empresa 367 O que é inteligência empresarial? 367 Ambiente de inteligência empresarial 368 Inteligência empresarial e recursos analíticos 369 Seção Interativa: Organizações O Big Data torna as cidades mais inteligentes 372 Usuários da inteligência empresarial 374 Sistemas de apoio à decisão em grupo 378 11.3 Sistemas inteligentes de apoio à decisão 378 Sistemas especialistas 378 Raciocínio baseado em casos 380 Sistemas de lógica difusa 380 Redes neurais 382 Algoritmos genéticos 383 Agentes inteligentes 384 11.4 Sistemas de gestão do conhecimento 385 Sistemas de gestão integrada do conhecimento 385 Sistemas de trabalhadores do conhecimento 387 Seção Interativa: Tecnologia A Firewire Surfboards alavanca seu negócio usando CAD 389 Resumo 391 Palavras-chave 392 Questões para revisão 393 Para discutir 393 Problemas envolvendo a tomada de decisão gerencial 394 Aperfeiçoando a tomada de decisões: usando tabelas dinâmicas para analisar dados de vendas 394 Aperfeiçoando a tomada de decisões: usando agentes inteligentes para comparação de compras 395 Resolvendo Problemas Organizacionais As suas redações devem ser avaliadas por um computador? 395 A02_LAUD_0000_01_SE_serifada_1col.indd 11 10/11/14 19:35 xii Sistemas de informação gerenciais IV Como desenvolver e gerenciar sistemas 399 12 Como desenvolver sistemas de informação e gerenciar projetos 401 Caso de Abertura de Capítulo: Novo sistema de pedidos de biscoitos da Girl Scout 402 12.1 Resolução de problemas e desenvolvimento de sistemas 403 Definição e entendimento do problema 404 Desenvolvimento de soluções alternativas 405 Avaliação e escolha de soluções 405 Implementação da solução 406 12.2 Abordagens alternativas de desenvolvimento de sistemas 408 Ciclo de vida de sistemas tradicional 408 Prototipagem 409 Desenvolvimento pelo usuário final 410 Soluções de aquisição: pacotes de software aplicativos e outsourcing (terceirização) 411 Desenvolvimento de aplicação móvel: projetando para um mundo de múltiplas telas 413 Seção Interativa: Tecnologia O que é necessário para o desenvolvimento de plataformas móveis? 414 Desenvolvimento rápido de aplicações para e-business 415 12.3 Como formatar e projetar sistemas 416 Metodologias estrutu radas 416 Desenvolvimento orientado a objetos 417 Engenharia de software assistida por computador (CASE) 419 12.4 Gerência de projetos 419 Seção Interativa: Organizações O sistema de cobrança da Austin Energy foi uma decepção 420 Objetivos da gerência de projetos 422 Escolha de projetos: como montar o estudo de caso empresarial para o novo sistema 422 Gerência de riscos e mudanças relacionadas ao sistema 426 Gerenciando projetos em escala global 428 Resumo 430 Palavras-chave 432 Questões para revisão 432 Para discutir 433 Problemas envolvendo tomada de decisão gerencial 433 Aperfeiçoando a tomada de decisão: utilizando um software de banco de dados para projetar um sistema de cliente para venda de carros 434 Alcançando excelência operacional: analisando projetos de site e requisitos de informação 434 Resolvendo Problemas Organizacionais NYCAPS e CityTime: uma história de dois projetos de sistemas de informação da cidade de Nova York 434 Glossário 439 Referências 455 Índice remissivo 465 A02_LAUD_0000_01_SE_serifada_1col.indd 12 10/11/14 19:35 Prefácio Escrevemos este livro para estudantes da área de negócios que buscavam uma visão profunda de como as empresas atuais usam as tecnologias e os sistemas de informação para atingir os objetivos corporativos. Os sistemas de informação são uma das principais ferramentas disponíveis para que ges- tores atinjam metas corporativas como excelência operacional, desenvolvimento de novos produtos e serviços, melhor tomada de decisões e conquista de vantagem competitiva. Aqui, os estudantes vão encontrar o panorama mais completo e atualizado dos sistemas de informação atualmente utilizados em organizações. Após ler este livro, esperamos que os estudantes sejam capazes de participar e até mesmo de liderar discussões sobre gestão de sistemas de informação em suas empresas. Ao entrevistar funcionários em potencial, os empregadores normalmente procuram candidatos que saibam usar os sistemas e as tecnologias da informação para trazer resultados concretos à empresa. Seja qual for sua área de especialização — contabilidade, finanças, administração, gestão de operações, marketing ou sistemas de informação —, o conhecimento e as informações encontradas neste livro serão valiosos ao longo de sua carreira. O que há de novo nesta edição AtuAlidAdes A 11a edição traz casos totalmente novos de abertura e de encerramento dos capítulos, assim como nas seções interativas. O texto, as figuras, as tabelas e os casos foram atualizados até outubro de 2013, com as fontes mais recentes do setor e de pesquisa em SIG. Novos recursos Nos casos de abertura dos capítulos foram acrescentadas novas questões de estudo de caso. O capítulo sobre questões éticas e sociais nos sistemas de informação foi inserido como Capítulo 4, para ressaltar a importância do tema. Novos tópicos Social business: cobertura extensiva do social business, introduzido no Capítulo 2 e discutido ao longo do texto. Discussões detalhadas sobre redes sociais corporativas (corporação interna), bem como sobre redes sociais no comércio eletrônico. Social, móvel, local: novo conteúdo sobre comércio eletrônico no Capítulo 10, que descreve como as ferramentas de mídia sociais, a tecnologia móvel e os serviços baseados em localiza- ção estão transformando o marketing e a publicidade. Big Data: o Capítulo 6, sobre gestão da informação e banco de dados, foi reescrito para prover uma cobertura aprofundada sobre o Big Data e novas tecnologias de gestão de dados, incluindo Hadoop, computação em memória, bancos de dados não relacionais e plataformas analíticas. Computação em nuvem: cobertura ampliada e atualizada sobre computação em nuvem no Capítulo 5 (Infraestrutura de TI), com mais detalhes sobre os tipos de serviços em nuvem, nuvens privadas e públicas, nuvens híbridas, gestão de serviços em nuvem e um novo caso de encerramento de capítulo sobre os serviços em nuvem da Amazon. A computação em nuvem também é tratada no Capítulo 6 (bancos de dados em nuvem), no Capítulo 8 (segurança na nuvem), no Capítulo 9 (CRM baseado em nuvem), no Capítulo 10 (comércio eletrônico) e no Capítulo 12 (desenvolvimento de sistemas baseados em nuvem). Consumerização de TI e uso do dispositivo pessoal no ambiente de trabalho A02_LAUD_0000_01_SE_serifada_1col.indd 13 10/11/14 19:35 xiv Sistemas de informação gerenciais Internet das coisas Web visual Análise da localização Serviços baseados em localização (serviços geossociais, de geopublicidade, de geoinformação) Gráfico social, marketing social, busca social, CRM social Construção de uma presença no comércio eletrônico Gerenciamento de dispositivo móvel Projeto Web responsivo Cobertura expandida de analítica de negócios, incluindo analítica de big data Aplicativos móveis e nativos Cyberlockers — serviço de hospedagem de arquivos em nuvem Rede definida por software Impressão 3-D Computação quântica O que há de novo em SIG? Muita coisa. Na verdade, existe um mundo de negócios completamente novo utilizando novas tec- nologias para gerenciar e organizar. O que faz da área de SIG a mais excitante nas escolas de admi- nistração é a mudança contínua em tecnologia, gestão e processos de negócios. (O Capítulo 1 descreve essas mudanças em detalhes.) Um fluxo contínuo de inovações na tecnologia da informação está transformando o mundo tradicio- nal de negócios. Exemplos incluem o surgimento da computação em nuvem, o crescimento de uma pla- taforma digital móvel de negócios baseada em smartphones e tablets, e, não menos importante, o uso de redes sociais por gerentes de forma a alcançar os objetivos gerenciais. A maior parte dessas mudanças aconteceu nos últimos anos. Essas inovações estão permitindo que os empreendedores e as empresas tradicionais de negócios criem novos produtos e serviços, desenvolvam novos modelos de negócios e transformem a conduta diária dos negócios. No processo, alguns negócios antigos, até mesmo setores, são destruídos, enquanto novos negócios deslancham. Por exemplo, o surgimento de lojas de vídeo on-line como o Netflix para streaming e o iTunes da Apple para download mudou para sempre a forma como o vídeo premium é distribuído, e até mesmo criado. O Netflix, em 2013, atraiu 30 milhões de assinantes para seu negócio de aluguel de filmes em DVD e de filmes em streaming. Ele agora é responsável por 90% dos filmes e programas de TV premium no segmento de streaming, e consome cerca de 33% da largura de banda da Internet nos Estados Unidos. O Netflix passou a produzir programas de TV premium como os seriados House of Cards e Arrested Development, desafiando as redes de TV a cabo como HBO, e potencialmente rompendo o domínio da indústria da TV a cabo na produção de programas de TV. O iTunes da Apple é responsável por 67% dos downloads de filmes e programas de TV, e fechou acordos com os prin- cipais estúdios de Hollywood para obter o direito de distribuir filmes e programas recentes de TV. Uma parcela dos telespectadores está deixando de assistir as redes de TV a cabo e utilizando apenas a Internet para entretenimento. O comércio eletrônico está de volta, gerando mais de US$ 420 bilhões em receitas em 2013, e estima-se que atingirá mais de US$ 637 bilhões em 2017. Apesar da recessão, as receitas da Amazon cresceram 27%, atingindo US$ 61 bilhões no período de 12 meses encerrado em 30 de junho de 2013, enquanto as vendas off-line cresceram 5%. O comércio eletrônico está mudando a forma como as empresas planejam, produzem e distribuem seus produtos e serviços. O comércio eletrônico se reinven- tou novamente, rompendo com o setor tradicional de marketing e propaganda e colocando em perigo as A02_LAUD_0000_01_SE_serifada_1col.indd 14 10/11/14 19:35 xvPrefácio principais empresas de mídia e conteúdo. Facebook e outros sites de rede social como YouTube, Twitter e Tumblr são exemplos da nova cara do comércio eletrônico no século XXI. Eles vendem serviços. Quando pensamos no comércio eletrônico, tendemos a imaginar a venda de produtos físicos. Embora essa visão icônica ainda seja muito poderosa, e seja o modo de venda que cresce mais rapidamente nos Estados Unidos, em paralelo, há um fluxo crescente de valor totalmente novo baseado na venda de serviços, e não na de bens. É o modelo de serviços do comércio eletrônico. O crescimento no comércio social é estimulado pelo crescimento poderoso da plataforma móvel: 35% dos usuários do Facebook acessam o serviço a partir de celulares e tablets. Sistemas e tecnologias de informação são a base deste novo modelo de comércio eletrônico baseado em serviços. Da mesma forma, a gestão das empresas está mudando: com os novos smartphones, as redes Wi-Fi de alta velocidade, os laptops, os vendedores remotos na rua estão a apenas poucos segundos das per- guntas e da supervisão dos seus gerentes. Gerentes em viagem mantêm contato direto e contínuo com seus empregados. O crescimento de sistemas de informação integrados com dados extraordinariamente ricos significa que esses gestores já não se movimentam mais em uma névoa de incerteza; em vez disso, contam com acesso on-line, praticamente instantâneo, às informações de fato importantes de que necessitam para tomar decisões rápidas e precisas. Além do uso público da Web, as wikis e os blogs tornam-se ferramentas corporativas importantes para comunicação, colaboração e compartilhamento de informações dentro da empresa. A 11a edição: solução completa para o currículo de SIG Desde seu lançamento, este livro tem ajudado a definir os cursos sobre SIG em todo o mundo. Esta edição continua sendo uma referência, mas está mais adaptável, flexível e direcionada a atender às necessidades de diferentes escolas, universidades e instrutores particulares. Este livro agora é parte de um pacote de estudo completo que inclui o texto principal e o material da Sala Virtual. O texto principal é composto por 12 capítulos com projetos práticos que cobrem os tópicos mais essenciais em SIG. Um diagrama acompanha cada caso de abertura de capítulo, ilustrando graficamente como elementos humanos, organizacionais e tecnológicos atuam em conjunto na criação de uma solução de sistema de informação para os desafios organizacionais discutidos no caso. Pessoas Organização Desa�os organizacionais Tecnologia Sistemas de informação Soluções de negócios • Melhorar os serviços • Reduzir os custos • Desenvolver estratégias de aquisição e retenção de conhecimento • Desenvolver plano e orçamento para treinamento • Alterar os processos de aprendizagem • Alterar a cultura organizacional • Implementar o servidor de SharePoint • Envelhecimento da empresa • Envelhecimento da força de trabalho • Prover novos canais para aquisição de conhecimento, inovação e colaboração texto priNcipAl O texto principal oferece uma visão geral dos principais conceitos de SIG utilizando uma estrutura integrada para descrever e analisar os sistemas de informação. Esta estrutura apresenta sistemas de informação compostos por pessoas, organizações e elementos de tecnologia e é reforçada em projetos de alunos e em estudos de caso. A02_LAUD_0000_01_SE_serifada_1col.indd 15 10/11/14 19:35 xvi Sistemas de informação gerenciais Organização do capítulo Cada capítulo contém os seguintes elementos: Um caso de abertura que descreve uma organização do mundo real para definir o tema e a importância do capítulo. Um diagrama que analisa o caso de abertura em termos do modelo (pessoas, organização e tecnologia) usado ao longo de todo o livro. Uma série de objetivos de estudo. Duas seções interativas com perguntas sobre o estudo de caso. Um resumo do capítulo vinculado aos objetivos de estudo. Uma lista de palavras-chave que os estudantes podem usar para revisar os conceitos. Questões para revisão para o estudante testar sua compreensão do conteúdo do capítulo. Questões para discussão levantadas pelos temas mais amplos do capítulo. Uma série de projetos práticos em SIG consistindo em problemas envolvendo tomada de deci- são gerencial, um projeto prático de software aplicativo e um projeto para desenvolver habili- dades na Internet. Um projeto de trabalho em equipe e de colaboração para desenvolver habilidades de trabalho em equipe e de apresentação, com opções para o uso de ferramentas de colaboração de código aberto. Um caso de encerramento para que os estudantes apliquem os conceitos do capítulo. priNcipAis recursos Aprimoramos o texto de modo a torná-lo mais interativo, atual e atrativo, tanto para estudantes quanto para professores. Os recursos e as ferramentas de aprendizado estão descritos a seguir. Orientação aos negócios com casos e exemplos de negócios do mundo real O texto ajuda os estudantes a perceberem a conexão direta entre os sistemas de informação e o desempenho dos negócios. Ele descreve os principais objetivos que impulsionam o uso de siste- mas e tecnologias de informação nas empresas ao redor do mundo: excelência operacional, novos produtos e serviços, intimidade entre clientes e fornecedores, melhor tomada de decisão, conquista de vantagem competitiva e sobrevivência. Exemplos e estudos de casos incluídos ao longo do texto mostram aos estudantes como empresas específicas usam os sistemas de informação para alcançar esses objetivos. Usamos exemplos atuais (de 2013) de empresas públicas e privadas de todo o mundo para ilus- trar os conceitos de cada capítulo. Todos os estudos de caso descrevem empresas e organizações conhecidas, como San Francisco Giants, Facebook, Walmart, Google, Apple e Procter & Gamble. Interatividade Não existe melhor maneira de aprender sobre SIG do que fazendo SIG! Oferecemos diferentes tipos de projetos práticos nos quais os estudantes podem trabalhar com cenários e dados de negócios do mundo real, além de aprender em primeira mão o que são os SIG, afinal. Os projetos potencializam o envolvimento dos estudantes com esse excitante tema. Seções interativas. Foram redesenhados casos curtos a cada capítulo na Seção Interativa para serem usados em sala de aula (ou em fóruns de discussão na Internet), a fim de esti- mular o interesse e o aprendizado ativo dos estudantes. Ao final de cada caso há perguntas sobre ele. Essas perguntas oferecem tópicos para trabalhos escritos ou discussão em sala ou na Internet. A02_LAUD_0000_01_SE_serifada_1col.indd 16 10/11/14 19:35 xviiPrefácio Projetos práticos em SIG. Cada capítulo termina com uma seção de Projetos práticos em SIG, que contém os seguintes tipos de projetos: problemas envolvendo tomada de decisão gerencial, um exercício prático de software aplicativo utilizando o Microsoft Excel, Access, ou ferramen- tas de criação de blogs e páginas na Web, e um projeto que desenvolve habilidades gerenciais na Internet. Perguntas sobre o estudo de caso incentivam os estudantes a aplicarem os conceitos do capítulo às empresas nas discussões em aula, apresentações dos alunos ou nos trabalhos escritos. Capítulo 5: Infraestrutura de TI: hardware e software 171 O dispositivo de cada funcionário é tratado de maneira diferente, dependendo do modelo e das respon- sabilidades do cargo da pessoa que o está utilizando. Algumas pessoas estão autorizadas a receber somente e-mails, agendas e contatos da IBM em seus dispositi- vos portáteis, enquanto outras podem acessar aplicações e arquivos internos da empresa (ver Capítulo 8). Ela equipa os dispositivos móveis dessa última categoria de funcionários com software adicional, como programas que criptografam informações que trafegam de e para as redes corporativas. Uma empresa que implantou o BYOD com sucesso foi a Intel Corporation, empresa gigante do setor de semicondutores. Cerca de 70% dos 39 mil dispositivos registrados em sua rede são dispositivos pessoais. A Intel conduziu a implantação do BYOD de uma maneira positiva, tentando encontrar maneiras de fazê-lo funcio- nar em vez de malográ-lo. Diane Bryant, então CIO da Intel, não queria ser dependente de um único fornecedor ou dispositivo móvel. A Intel elaborou uma estratégia de adoção do BYOD e criou um acordo de nível de serviço para o usuário �nal, esclarecendo que eles estavam voluntaria- mente aderindo ao BYOD e não sendo obrigados a isso. A empresa desenvolveu diferentes políticas, regras e limites de acesso para cada tipo de dispositivo — smar- tphone, tablet ou laptop — com aplicação de múltiplos níveis de controle. Ela mantém uma lista de dispositivos aprovados. Se um dispositivo não satisfaz seus requisi- tos, ele é bloqueado a partir da rede. Hoje, o programa BYOD da Intel oferece 40 aplicativos proprietários, incluindo ferramentas de viagem para ajudar o agenda- mento de voo e localizadores de sala de conferência. A empresa tem uma loja interna de “apps” e usa uma varie- dade de software e ferramentas de segurança, incluindo software de gestão de dispositivos móveis (MDM — Mobile Device Management) e de gestão de aplicativos móveis (MAM — Mobile App Management). O objetivo da Intel para o BYOD não é poupar dinheiro, mas tornar os funcionários mais felizes e produ- tivos. Os funcionários gostam da possibilidade de usar seu próprio dispositivo e seus apps, juntamente com os apps especializados da Intel. Em média, os trabalhadores dizem que usar seus próprios dispositivos os faz economizar um tempo de aproximadamente 57 minutos por dia, o que equivale a 5 milhões de horas por ano em toda a empresa. A Canadian Tire decidiu não permitir o BYOD amplamente e dotou seus 3 mil funcionários corporati- vos com novos smartphones BlackBerry Q10 e Z10. (A Canadian Tire é uma das maiores empresas do Canadá, com uma loja on-line de e-commerce e 1.200 pon- tos de venda comercializando produtos automotivos, esportivos, para lazer, para o lar, vestuário, postos de combustíveis e serviços �nanceiros.) A empresa sen - tiu que, para seus propósitos, o modelo BYOD não era su�cientemente seguro. O executivo-chefe de tecnolo - gia (CTO — Chief Technology Of�cer) Eugene Roman, da Canadian Tire, teme que uma mensagem de e-mail possa enviar um vírus para a infraestrutura central da empresa. No momento, a gestão da Canadian Tire pensa que BYOD é interessante, mas ainda não está pronta para as aplicações tradicionais de negócio da empresa. Para implantar dispositivos móveis com êxito, as empresas precisam examinar cuidadosamente seus pro- cessos de negócio e determinar se a mobilidade faz ou não sentido para elas. Nem toda empresa se bene�ciará da mobilidade com a mesma intensidade. Sem uma ideia clara de como os dispositivos móveis se encaixam nos planos de longo prazo das empresas, elas acabarão des- perdiçando dinheiro em dispositivos e programas des- necessários. Uma das maiores preocupações que os ges- tores têm sobre a mobilidade é a di�culdade de medir o retorno sobre o investimento. Muitos trabalhadores são bastante comprometidos com seus dispositivos móveis e os benefícios são muito signi�cativos para serem igno- rados, mas quanti�car quanto dinheiro é ganho ou pou- pado pela adoção de uma estratégia móvel pode ser uma tarefa difícil. Fontes: Fred Donovan, “The Growing BYOD Problem”, FierceMobileIT, 13 fev. 2013; Brian Bergstein, “IBM Faces the Perils of ‘Bring Your Own Device’”, MIT Technology Review, 21 mai. 2013; Matt Hamblen, “Canadian Tire forgoes BYOD, issues BlackBerries to workers”, Computerworld, 20 mai. 2013; e Boonsri Dickinson, “Security Headaches: BYOD Users Expected to Double by 2014”, Information Week, 8 ago. 2012. PERGUNTAS SOBRE O ESTUDO DE CASO 1. Quais são as vantagens e desvantagens de permitir que os funcionários usem seus smartphones pessoais para as atividades pro�ssionais? 2. Quais fatores pessoais, organizacionais e tecnológicos devem ser considerados na tomada de decisão sobre permitir que os funcionários usem seus smartphones pessoais no trabalho? 3. Compare as experiências de BYOD da IBM e da Intel. Por que o BYOD funcionou tão bem na Intel? 4. Permitir que funcionários utilizem seus próprios smartphones no trabalho poupará dinheiro para a empresa. Você concorda? Justi�que sua resposta. Cada capítulo contém duas Seções Interativas sobre Pessoas, Organizações ou Tecnologia que usam empresas do mundo real para ilustrar conceitos e questões do capítulo. 170 Sistemas de informação gerenciais Se um dispositivo for roubado ou exposto a risco, as empresas têm de garantir que suas informa- ções con�denciais ou sensíveis não serão expostas. Para isso, elas frequentemente usam tecnologias que permitem excluir remotamente os dados desses dispositivos ou criptografá-los de modo que, em caso de roubo, não possam ser usados. Você encontrará uma discussão detalhada sobre as questões de segurança móvel no Capítulo 8. Muitas empresas só permitem que dispositivos móveis de funcionários acessem um conjunto limi- tado de aplicações e dados corporativos não críticos. Para os sistemas de negócios mais críticos, um maior controle corporativo se faz necessário e as empresas recorrem frequentemente a softwares de gestão de dispositivos móveis (MDM — Mobile Device Management). Um software de gestão de dispositivos móveis monitora, gerencia e protege dispositivos associados a várias operadoras e que se utilizam dos múltiplos sistemas operacionais móveis usados na organização. A ferramenta MDM permite que o departamento de TI possa monitorar o uso, instalar ou atualizar software móvel, fazer backup, restaurar dispositivos móveis e remover software e dados de dispositivos que foram roubados ou perdidos. A Seção Interativa sobre Pessoas fornece mais detalhes sobre como as empresas estão lidando com os desa�os de gestão criados pelo uso de dispositivos próprios no ambiente de trabalho e pela consumerização da TI. OS PRAZERES E AS ARMADILHAS DO USO DE DISPOSITIVOS PESSOAIS NO AMBIENTE DE TRABALHO SEÇÃO INTERATIVA: PESSOAS Quase todo mundo que tem um smartphone quer poder trazê-lo para o trabalho e usá-lo pro�ssional- mente. E por que não? Funcionários usando seus pró- prios smartphones permitiriam que as empresas desfru- tassem dos benefícios de uma força de trabalho móvel sem gastar seu próprio dinheiro com a aquisição des- ses dispositivos. As pequenas empresas seriam capa- zes de adotar a tecnologia da computação móvel sem fazer grandes investimentos em dispositivos e serviços móveis. De acordo com a Gartner Consultants, o uso de dispositivos pessoais no ambiente de trabalho (BYOD — Bring Your Own Device) será adotado por 38% das empresas até 2016 e metade delas vai aderir ao BYOD até 2017. O BYOD está se tornando a “nova regra”. Mas... espere um minuto. Quase três em cada cinco empresas acreditam que o BYOD representa um pro- blema crescente para suas organizações, de acordo com uma pesquisa realizada em 162 empresas pela Osterman Research em nome da Dell Inc. Embora o BYOD possa melhorar o nível de satisfação no trabalho e a produtivi- dade do funcionário, também pode causar uma série de problemas se não for gerido de forma adequada: é mais difícil dar suporte para dispositivos de propriedade pes- soal do que para dispositivos fornecidos pela empresa, o custo de gerenciamento de dispositivos móveis pode se elevar e a proteção dos dados e redes corporativas torna- -se mais complexa. A pesquisa conduzida pelo Grupo Aberdeen descobriu que, em média, uma empresa com mil dispositivos móveis gasta um extra de US$ 170 mil por ano quando adota o BYOD. Logo, não é tão simples assim. A CIO Jeanette Horan, da IBM, acredita que o BYOD pode causar tantos problemas quantos ele é capaz de resolver. O BYOD não está poupando dinheiro para a IBM, mas está, de fato, criando novos desa�os para o departamento de TI, pois os dispositivos dos fun- cionários contêm vários softwares que a IBM não con- trola. A IBM fornece dispositivos BlackBerry seguros para cerca de 40 mil de seus 400 mil trabalhadores, ao mesmo tempo em que permite que mais 80 mil funcio- nários usem seus próprios smartphones ou tablets para acessar as redes da IBM. O departamento de TI da IBM descobriu que não tinha domínio de quais aplicativos e serviços seus empregados estavam usando em seus dispositivos pes- soais, e os próprios empregados eram “inocentemente inconscientes” dos riscos de segurança apresentados por apps populares. A IBM decidiu proibir o uso de servi- ços populares como o Dropbox, um repositório de dados baseado em nuvem, temendo que seus funcionários colo- cassem informações con�denciais da empresa em suas contas pessoais no Dropbox, encaminhassem e-mail interno para serviços de correio públicos da Web ou usassem seus smartphones como hotspots Wi-Fi móveis. A IBM não permite que um funcionário acesse sua rede corporativa com um dispositivo pessoal, a menos que o dispositivo esteja protegido por suas regras de segurança. O departamento de TI con�gura o dispo- sitivo de modo que a sua memória possa ser apagada remotamente se ele for perdido ou roubado. O grupo de TI também desabilita programas públicos de transferên- cia de arquivos, tais como o iCloud, da Apple; em seu lugar, os funcionários utilizam uma versão hospedada na IBM chamada MyMobileHub. A IBM desativa até mesmo o Siri, o assistente pessoal comandado por voz em iPhones de funcionários, pois as consultas faladas são enviadas para os servidores da Apple. A02_LAUD_0000_01_SE_serifada_1col.indd 17 10/11/14 19:35 xviii Sistemas de informação gerenciais Cenários de negócios do mundo real oferecem aos alunos a oportunidade de aplicar os conceitos do capítulo e praticar a tomada de decisão gerencial. Sistemas de informação gerenciais30 ganhos da empresa. Se um departamento precisasse atualizar suas informações antes de enviar ao escritório central, o analista tinha de voltar à planilha original, esperar que o departamento reenviasse as novas informações antes de �nalmente incluí-las no documento consolidado. Avalie o impacto dessa situação sobre o desempenho do negócio e sobre a gestão da tomada de decisão. 1.10 A Dollar General Corporation é uma rede de lojas de desconto que oferece utilidades domésti- cas, produtos de limpeza, vestuário, saúde e beleza e alimentos industrializados, sendo a maioria dos itens vendidos por um dólar. Seu modelo de negócios tenta manter o custo tão baixo quanto possível. A empresa não tem nenhum método automatizado para manter o controle do estoque de cada loja. Os gerentes sabem aproximadamente quantas caixas de um determinado produto a loja deve receber quando um caminhão de entrega chega, mas a loja carece de tecnologia para digitalizar as caixas ou veri�car a quantidade de itens dentro delas. Perdas de mercadorias decorrente de roubos ou outros contratempos têm aumentado consideravelmente e agora repre- sentam mais de 3% do total de vendas. Que decisões deverão ser tomadas antes de investir em uma solução de sistema de informação? APERFEIÇOANDO A TOMADA DE DECISÕES: USANDO BANCO DE DADOS PARA ANALISAR AS TENDÊNCIAS DE VENDAS Habilidades de software: consulta a banco de dados e geração de relatórios Habilidades de negócios: análise de tendências de vendas 1.11 Neste projeto, você vai começar com os dados brutos de vendas transacionais e usará o software de banco de dados Access da Microsoft para desenvolver consultas e relatórios para ajudar os administradores a tomarem melhores decisões sobre preci�cação de produto, promoções de ven- das e reposição de estoque. O banco de dados contém dados brutos sobre as vendas semanais de lojas de equipamento para computador em várias regiões. Ele também inclui campos para número de identi�cação da loja, região de vendas, número do item, descrição do item, preço uni- tário, unidades vendidas e o período semanal em que ocorreram as vendas. Utilize o Access para elaborar alguns relatórios e consultas para tornar essas informações mais úteis para o funciona- mento da empresa. Os administradores de vendas e produção desejam as respostas às seguintes perguntas: Quais produtos devem ser repostos no estoque? Quais lojas e quais regiões de vendas se bene�ciariam de uma campanha promocional e de marke ting adicional? Quando (em que período do ano) os produtos devem ser oferecidos sem desconto, e quando os descontos devem ser aplicados? Você pode facilmente modi�car a tabela de banco de dados para encontrar suas respostas e elaborar relatórios. Imprima seus relatórios e os resultados das consultas. APERFEIÇOANDO A TOMADA DE DECISÕES: USANDO A INTERNET PARA LOCALIZAR VAGAS DE EMPREGO QUE EXIJAM CONHECIMENTO DE SISTEMAS DE INFORMAÇÃO Habilidades de software: software baseado na Internet Habilidades de negócios: procura de emprego 1.12 Visite sites que disponibilizam anúncios de vagas de emprego. Passe algum tempo examinando vagas para contabilidade, �nanças, vendas, marketing e recursos humanos. Encontre duas ou três descrições de emprego que requeiram conhecimento em sistemas de informação. Quais conhecimentos em sistemas de informação as vagas exigem? O que você precisa fazer para se preparar para esses empregos? Escreva um relatório de uma ou duas páginas relatando suas des- cobertas. Cada capítulo apresenta um projeto para desenvolvimento das habilidades de Internet para acesso a informações, realização de pesquisas e execução de cálculos e análises on-line. Sistemas de informação gerenciais98 pode utilizar sistemas de informação para encontrar respostas? Que decisões gerenciais pode- riam ser tomadas usando-se informações obtidas a partir desses sistemas? APERFEIÇOANDO A TOMADA DE DECISÕES: USANDO UMA BANCO DE DADOS PARA ESCLARECER A ESTRATÉGIA DE NEGÓCIO Habilidades de software: consultas a bancos de dados e elaboração de relatórios; projeto de banco de dados Habilidades organizacionais: sistemas de reservas; análise de clientes 3.11 Neste exercício, você utilizará um software de banco de dados para analisar as transações de reserva de um hotel e usará essas informações para ajustar a estratégia de negócios do hotel e atividades de marketing. Em MyMISLab™ você encontrará um banco de dados das transações de reserva de hotel desen- volvido em Microsoft Access com informações sobre o hotel The President’s Inn, em Cape May, Nova Jersey. Nesse hotel, dez quartos têm vista para as ruas laterais, dez quartos têm janelas com sacada e vista limitada do mar e os restantes dez quartos, situados na frente do hotel, �cam de frente para o mar. As tarifas são baseadas no quarto escolhido, no tempo de permanência e no número de pessoas por quarto. As taxas por quarto são as mesmas de um a quatro hóspedes. O quinto e o sexto hóspede devem pagar um adicional de 20 dólares por pessoa `por dia. Hóspedes que permanecerem por sete dias ou mais recebem um desconto de 10% em suas diárias. Atualmente, os proprietários utilizam um sistema de reservas e de contabilidade manual, incapaz de fornecer um gerenciamento com informações imediatas sobre operações diárias e receita do hotel. Use o banco de dados para desenvolver relatórios do tempo médio de permanência por tipo de quarto, média de visitantes por tipo de quarto, receita básica por quarto (ou seja, a duração da visita multiplicada pela diária) durante um determinado período de tempo, e a base mais forte de clientes. Depois de responder essas perguntas, redija um breve relatório sobre a situação atual dos negócios do hotel e sugira estraté- gias futuras. APERFEIÇOANDO A TOMADA DE DECISÕES: USANDO FERRAMENTAS DA WEB PARA CONFIGURAR E PRECIFICAR UM CARRO Habilidades de software: software baseado na Internet Habilidades organizacionais: pesquisa de informação de produtos e preços 3.12 Neste exercício, você usará um software disponível em sites de venda de carros para encontrar informações sobre um modelo de carro de sua preferência e usará essas informações para deci- dir sobre a compra de um veículo. Você também avaliará dois desses sites como ferramentas de venda. Você está interessado em comprar o novo Ford Escape (ou algum outro carro de sua preferência). Vá ao site do CarsDirect (<www.carsdirect.com>) e comece sua pesquisa. Localize o Ford Escape. Consulte as várias versões disponíveis para esse modelo e decida qual prefere, considerando preço, itens de fábrica, itens opcionais e itens de segurança. Localize e leia pelo menos duas análises sobre esse automóvel. Navegue no site do fabricante, no caso a Ford (<www.ford.com>). Compare as informações disponíveis no site da Ford com as do CarsDirect sobre o Ford Escape. Tente localizar o menor preço para o carro escolhido no estoque de uma concessionária local. Sugira melhorias para o CarsDirect.com e para o Ford.com. Foco no aprendizado do estudante Os objetivos de estudo do aluno são organizados em torno de um conjunto de questões para estudo de modo a atrair a atenção do estudante. Cada capítulo termina com um resumo e perguntas para revi- são organizadas em torno destas questões de estudo. Agradecimentos A produção de qualquer livro envolve contribuições valiosas de uma série de pessoas. Gostaríamos de agradecer a todos os nossos editores pelo estímulo, pelos insights e pelo sólido apoio há tantos anos. Agradecemos a Bob Horan pelo trabalho de coordenação no desenvolvimento desta edição e a Karalyn Holland por seu papel na gestão deste projeto. Nossos agradecimentos especiais aos nossos autores colaboradores pelo seu ótimo trabalho. Somos gratos a Robin Pickering por sua assistência na redação, e a William Anderson e a Megan Miller pelo apoio durante a produção. Agradecemos a Diana R. Craig por sua assistência nos tópicos relacionados a banco de dados e software. Agradecimentos especiais aos colegas da Stern School of Business, da Universidade de Nova York; ao professor Werner Schenk, da Simon School of Business, da Universidade de Rochester; a Robert Kostrubanic, CIO e diretor de Tecnologia da Informação, Indiana — Purdue, da Universidade de Fort Wayne; ao professor Lawrence Andrew da Universidade de Western Illinois; ao professor Detlef Schoder, A02_LAUD_0000_01_SE_serifada_1col.indd 18 10/11/14 19:35 xixPrefácio da Universidade de Colônia; ao professor Walter Brenner da Universidade de St. Gallen; ao Professor Lutz Kolbe, da Universidade de Gottingen; ao professor Donald Marchand, do Instituto Internacional para o Desenvolvimento da Gestão; e ao professor Daniel Botha, da Universidade de Stellenbosch, que forne- ceu sugestões adicionais para melhorias. Agradecemos ao professor Ken Kraemer, da Universidade da Califórnia em Irvine, e ao professor John King, da Universidade de Michigan, por mais de uma década de discussões sobre sistemas de informações e organizações. E um agradecimento especial ao professor Rob Kling, da Universidade de Indiana, por ser meu amigo e colega de trabalho por tantos anos. Também gostaríamos de agradecer especialmente a todos os nossos revisores cujas sugestões ajuda- ram a melhorar nossos textos. Os revisores desta edição incluem: Amita Chin, Virginia Commonwealth University Gail Ann Edwards, Brown Mackie College Fort Wayne Jennifer Grant, Augsburg College Monique L. Herard, Robert Morris University Rick Herschel, Saint Joseph’s University Steven Hunt, Morehead State University Bernard W. Merkle, California Lutheran University Timothy Stanton, Mount St. Mary’s University site de Apoio do livro Na Sala Virtual deste livro (<sv.pearson.com.br>), professores e estudantes podem acessar os seguintes materiais adicionais a qualquer momento: Para professores: Apresentações em PowerPoint. Manual do professor (em inglês). Galeria de imagens. Estudo de caso adicional (em inglês). Esse material é de uso exclusivo para professores e está protegido por senha. Para ter acesso a ele, os professores que adotam o livro devem entrar em contato com seu representante Pearson ou enviar e-mail para <universitarios@pearson.com>. Para estudantes: Exercícios adicionais de múltipla escolha. Planilhas e base de dados para exercícios (em inglês). Capítulo extra sobre Questões éticas em sistemas de informação. A02_LAUD_0000_01_SE_serifada_1col.indd 19 10/11/14 19:35 xx Sistemas de informação gerenciais Sobre os autores Kenneth C. Laudon é professor de Sistemas de Informação na Stern School of Business da Universidade de Nova York. É bacharel em Economia pela Universidade Stanford e Ph.D. pela Universidade de Columbia, além de autor de doze livros que tratam de comércio eletrônico, sistemas de informação, orga- nizações e sociedade. Escreveu também mais de 40 artigos relacionados aos impactos sociais, organiza- cionais e administrativos dos sistemas de informação, privacidade, ética e tecnologia multimídia. Atualmente, o professor Laudon dedica-se à pes- quisa sobre planejamento e gestão de sistemas de informação de grande escala e tecnologia de informação multimídia. É pesquisador da National Science Foundation na área da evolução dos sistemas de informação nacionais na administração da Previdência Social, da Receita Federal norte-americana e do FBI. Sua pesquisa se concentra na implementação de sistemas gerenciais, mudanças organizacionais e ocupacionais relacionadas com a informática em grandes organizações, transformações na ideologia de administração, mudanças nas políticas públicas e compreensão da alteração da produtividade no setor de conhecimento. Ken Laudon atuou como especialista perante o Congresso dos Estados Unidos. É pesquisador e consultor do Escritório de Avaliação de Tecnologia do Congresso Norte-americano, do Departamento de Segurança Interna e do Gabinete do Presidente, bem como de diversas agências executivas e comitês do Congresso. O professor Laudon também atua como instrutor interno em várias empresas de consultoria e como consultor de planejamento e estratégia de sistemas em várias das empresas da Fortune 500. Na Stern School of Business da Universidade de Nova York, Ken Laudon ministra as disciplinas de Gestão da Empresa Digital, Tecnologia da Informação e Estratégia Corporativa, Responsabilidade Profissional (Ética) e Comércio Eletrônico e Mercados Digitais. O hobby de Ken Laudon é velejar. Jane Price Laudon é consultora de gestão na área de sistemas de informação e autora de sete livros. Suas principais áreas de interesse abrangem análise de sistemas, gestão de dados, auditoria de SIG, avaliação de software e ensino a profissionais de negócios sobre como projetar e utilizar sistemas de informação. Jane é Ph.D. pela Universidade de Columbia, mestre pela Universidade de Harvard e bacharel pelo Barnard College. Lecionou na Universidade de Columbia e na Stern School of Business da Universidade de Nova York. Mantém interesse de longa data por idiomas e civilizações orientais. Os Laudon têm duas filhas, Erica e Elisabeth, para quem dedicam este livro. A02_LAUD_0000_01_SE_serifada_1col.indd 20 10/11/14 19:35 A Parte I introduz os principais temas e as abordagens de resolução de proble- mas que serão usadas ao longo deste livro. Além de examinar o papel dos sistemas de informação no mundo empresarial de hoje, esta parte levanta várias questões importantes: o que é um sistema de informação? Por que os sistemas de informa- ção são tão essenciais no ambiente de negócios contemporâneo? Como eles ajudam as empresas a se tornarem mais competitivas? O que você precisa saber sobre sistemas de informação para ser bem-sucedido em sua carreira? Quais questões éticas e sociais são levantadas pelo uso generalizado desses sistemas? Sistemas de informação na era digital 1 Os sistemas de informação empresariais na sua carreira 2 E-business global e colaboração 3 Conquistando vantagem competitiva com os sistemas de informação 4 Questões éticas e sociais nos sistemas de informação I P A R T E M01_LAUD_0000_01_SE_C01.indd 1 07/11/14 14:34 M01_LAUD_0000_01_SE_C01.indd 2 07/11/14 14:34 Plano do CaPítulo Caso de abertura: O San Francisco Giants vence com a tecnologia da informação 1.1 O papel dos sistemas de informação no ambiente de negócios contemporâneo 1.2 Perspectivas em sistemas de informação e tecnologia de informação 1.3 Compreendendo os sistemas de informação: uma abordagem de resolução de problemas organizacionais 1.4 Os sistemas de informação e sua carreira Resolvendo problemas organizacionais: Um novo olhar sobre prontuários médicos eletrônicos oBJEtIVoS dE EStudo Ao concluir este capítulo, você será capaz de responder às seguintes perguntas: 1. Como os sistemas de informação estão transformando os negócios e qual sua relação com a globalização? 2. Por que os sistemas de informação são tão essenciais para o funcionamento e a gestão dos negócios contemporâneos? 3. O que é exatamente um sistema de informação? Como ele funciona? Quais são seus componentes humanos, organizacionais e tecnológicos? 4. Como um método de quatro etapas para a resolução de problemas organizacionais pode ajudar a resolver problemas relacionados a sistemas de informação? 5. Como um sistema de informação afeta carreiras de negócios e quais conhecimentos e habilidades são essenciais? os sistemas de informação empresariais na sua carreira 01 C a P í t u l o M01_LAUD_0000_01_SE_C01.indd 3 07/11/14 14:34 Sistemas de informação gerenciais4 O San Francisco Giants vence com a tecnologia da informação O San Francisco Giants é uma das equipes de beisebol mais anti- gas dos Estados Unidos, e também uma das mais bem-sucedidas. Eles ganharam mais jogos do que qualquer outra equipe na história do beisebol norte-americano e do que qualquer time esportivo pro- fissional dos Estados Unidos. O Giants conquistou 22 flâmulas da Liga Nacional e participou de 19 competições da World Series — ambos recordes na Liga Nacional. Seu triunfo mais recente foi ter ganhado a World Series em 2012. O Giants tem muitos treinadores e jogadores de destaque (apresentando o maior número de jogadores no Hall da Fama em todo o beisebol profissional), mas parte de seu sucesso, tanto como uma equipe como um negócio, pode ser atribuída ao uso da tecnologia de informação. O beisebol é um jogo de estatísticas, e todas as principais equipes estão constantemente analisando seus dados sobre o desempenho do jogador e o posicionamento otimizado em campo (ver caso de aber- tura do Capítulo 11 sobre Moneyball). Mas o Giants está fazendo mais do que isso. Eles começaram a usar um sistema de vídeo do Sportsvision chamado Fieldf/x, que auxilia as equipes nas análises de tempos de reação do jogador. As informações produzidas pelo sistema sobre a velocidade do jogador e seu tempo de resposta, como a velocidade com que um defensor externo chega a uma bola ou reage às rebatidas do tipo line drive, tornarão a análise dos dados do jogador muito mais precisa. Em alguns casos, ele fornecerá informações até então desconhecidas. O sistema Fieldf/x gera um milhão de registros por jogo. Isso totaliza cinco bilhões de registros em três anos, a quantidade de tempo necessária para forne- cer um alto nível de precisão nos dados. Além das estatísticas dos jogadores e da equipe, o Giants está começando a coletar dados sobre os seus fãs, incluindo dados sobre a aquisição de ingressos e atividade na mídia social. Sob a liderança do Chief Information Officer (CIO) Bill Schlough, o San Francisco Giants foi o pioneiro na precificação dinâmica dos ingressos, baseada em software da empresa Qcue, no qual o preço de um ingresso varia de acordo com o nível de demanda para um determinado jogo. É como se os preços tivessem os valores dos ingressos alterados dinamicamente, como no setor de aviação civil. Se um jogo faz parte de uma série importante, ou se o Giants está jogando contra um rival na divisão, ou se os ingressos de um jogo parecem estar vendendo rapidamente, os preços subirão. Se o jogo não é um grande atrativo, os preços dos ingressos caem. Os ingressos do Giants esgotam em 100% dos seus jogos em casa, desde outubro de 2010, e as vendas de ingressos da temporada completa aumentaram de 21 mil em 2010 para 29 mil ingressos em 2012. Os detentores dos ingressos da temporada completa normalmente não assistem a todos os jogos, e isso pode diminuir a receita para a equipe. Cada vez que um fã com um ingresso de temporada decide ficar em casa, a empresa franqueada perde em média 20 dólares em concessões e vendas de mercado- rias. Para certificar-se de que os assentos dos estádios estarão sempre ocupados, o Giants criou um mer- cado secundário on-line de ingressos, no qual o titular do ingresso poderá revendê-lo usando a Internet. Os especialistas em tecnologia da informação do Giants encontraram uma maneira de ativar e desativar os códigos de barras dos ingressos de modo que eles possam ser revendidos. O sistema também é uma maneira para o Giants fornecer serviços adicionais aos clientes. A equipe também se aproveita da tecnologia wireless para melhorar a experiência dos seus fãs. O AT&T Park, estádio do Giants, tem uma extensa rede wireless de alta velocidade, que os fãs podem usar para verificar as pontuações e destaques em vídeo ou para transmitir mensagens por e-mail. Uma “sede de mídia social” chamada @Cafe oferece um espaço para que os fãs se reúnam, comprem um café gelado, verifiquem os tweets, visualizem fotos de outros fãs, e até mesmo se conectem com os jogadores. Fontes: Peter High, “Interview with World Champion San Francisco Giants CIO and San Jose Giants Chairman, Bill Schlough”, Forbes, 4 fev. 2013; Nicole Laskowski, “Tech-savvy San Francisco Giants Aim for Bleachers with @Café”, SearchCIO.com, 20 jun. 2013; Michael Vizard, “Sport Franchises Use IT to Keep Fans in Seats”, CIO Insight, 18 jan. 2013; Disponível em: <sanfrancisco. giants.mlb.com>, acesso em: 19 abr. 2013; e Fritz Nelson, “Chief of the Year”, Information Week, 17 dez. 2012. © C yn th ia L in do w /A la m y. M01_LAUD_0000_01_SE_C01.indd 4 07/11/14 14:34 Capítulo 1: Os sistemas de informação empresariais na sua carreira 5 Os desafios que o San Francisco Giants e outros times de beisebol enfrentam mostram como os sistemas de informação são essenciais hoje. A Major League Baseball é uma empresa, assim como é um esporte, e equipes como o Giants precisam lucrar com a receita dos jogos, a fim de permanecerem nesse negócio. A Major League Baseball também é um negócio no qual o que importa acima de tudo é ganhar, e qualquer maneira de usar informações para melhorar o desempenho do jogador é uma vantagem competitiva. O diagrama a seguir chama a atenção para pontos importantes levantados por este caso e este capí- tulo. Para aumentar a receita obtida no estádio, o San Francisco Giants desenvolveu um sistema de pre- cificação dinâmica dos ingressos projetado para ajustar os preços dos ingressos conforme a demanda do cliente e vender os assentos com o preço ideal. A equipe desenvolveu outro sistema que permite ao portador do ingresso vendê-lo facilmente on-line para outra pessoa. Outra forma de manter os clientes é implantar modernas tecnologias de informação no estádio AT&T Park, incluindo uma enorme rede Wi-Fi com serviços interativos. Para melhorar o desempenho do jogador, o Giants implementou um sis- tema que captura vídeo com os jogadores e depois usa os dados para analisar a velocidade e os tempos de reação. A seguir estão algumas perguntas para refletir: qual o papel da tecnologia no sucesso do San Francisco Giants como uma equipe de beisebol? Avalie as contribuições dos sistemas descritos neste estudo de caso. Pessoas Organização Desa�os organizacionais Tecnologia Sistemas de informação Soluções de negócios • Aumentar a receita • Monitorar os jogos e as vendas de ingressos • Revisar a estratégia de negócios • Reprojetar as funções e o �uxo de trabalho • Implementar software dinâmico de ingresso • Implementar plataforma secundária de venda de ingressos • Desenvolver a rede Wi-Fi • Esporte altamente competitivo • Oportunidades com a nova tecnologia • Otimizar a venda dos ingressos • Prover mercado secundário de ingressos • Prover novos serviços interativos • Analisar o tempo de resposta e o desempenho do jogador 1.1 O papel dos sistemas de informação no ambiente de negócios contemporâneo Os negócios nos Estados Unidos ou no restante da economia global já não são os mesmos. Em 2013, as empresas norte-americanas investiram quase 1 trilhão de dólares em hardware e software para sistemas de informação e em equipamentos para telecomunicações — mais da metade de todo o capital norte-ame- ricano para investimento. Além disso, gastarão outros 600 bilhões de dólares em consultoria e serviços de gestão e tecnologia da informação — grande parte no redesenho das operações organizacionais para tirar proveito dessas novas tecnologias. Mais da metade de todo o investimento anual privado nos Estados Unidos envolve tecnologias e sistemas de informação, e essas despesas cresceram cerca de 4% em 2012, muito mais que o crescimento da economia norte-americana como um todo (BEA, 2013; Gartner, 2013). No mundo todo, os gastos com tecnologia da informação ultrapassaram 3,6 trilhões de dólares. Como os sistemas de informação estão transformando o ambiente de negóCios Para ver os resultados desses gastos maciços, basta observar como as pessoas estão conduzindo os negócios. Os telefones celulares, smartphones, tablets, e-mails e conferências on-line através da Internet têm se tornado ferramentas essenciais para os negócios. Em 2012, mais de 102 milhões de empresas tinham um site registrado na Internet. Aproximadamente 193 milhões de adultos norte-americanos estão on-line, 19 milhões compram algo diariamente pela Internet, outros 40 milhões pesquisam em busca de um produto, e 116 milhões utilizam ferramentas de busca. O que isso significa é que se você e sua empresa não estiverem conectados à Internet e às redes sem fio, é possível que não estejam sendo tão eficientes quanto poderiam (Pew Internet and American Life, 2013). M01_LAUD_0000_01_SE_C01.indd 5 07/11/14 14:34 Sistemas de informação gerenciais6 Apesar da crise econômica, em 2012, somente nos Estados Unidos a FedEx transportou mais de um bilhão de encomendas, a maior parte de um dia para outro, e a United Parcel Service (UPS), mais de 4 bilhões, uma vez que as empresas procuraram perceber e responder às rápidas mudanças das necessidades dos clientes, minimizar estoques e atingir níveis mais altos de eficiência operacional. O crescimento do comércio eletrônico teve um impacto significativo no transporte de volumes da UPS. As cadeias de abaste- cimento tornaram-se mais rápidas e empresas de todos os portes passaram a depender da entrega imediata de seu estoque para ajudá-las a competir. Atualmente, as empresas gerenciam seus estoques quase que em tempo real, para reduzir os custos gerais e entrar mais rápido no mercado. Se você não faz parte desta nova economia de cadeia de abastecimento, é possível que seu negócio não seja tão eficiente quanto poderia. Enquanto os jornais continuam a perder leitores, 150 milhões de pessoas leem ao menos parte das notícias on-line, 110 milhões leem de fato jornais on-line e 170 milhões utilizam uma rede social como Facebook, Tumblr ou Google+. Mais de 100 milhões de pessoas realizam operações bancárias on-line, e 74 milhões leem blogs, criando uma explosão de novos escritores, leitores e novos meios para o con- sumidor dar seu feedback, os quais não existiam. Adicionada ao mix de novas mídias sociais, cerca de 100 milhões de pessoas utilizam Twitter, serviço de mensagens por Internet e celular, e 80% das empre- sas da Fortune 500 utilizam o serviço para comunicação com clientes. Isso significa que seus clientes têm mais poder e podem conversar uns com os outros sobre os produtos e serviços oferecidos pelo seu negócio. Você tem um sólido programa on-line de relacionamento com o cliente? Sabe o que seus clien- tes andam falando sobre sua empresa? O seu departamento de marketing está atento? O e-commerce e a publicidade na Internet cresceram em 2013 cerca de 7%, enquanto a publicidade tradicional não apresentou nenhum crescimento. As receitas de publicidade on-line do Google ultrapas- saram os 50 bilhões de dólares em 2012. Será que o seu departamento de publicidade está alcançando este novo consumidor baseado na Web? Novas leis tributárias e acionárias, exigindo que muitas empresas mantenham mensagens de e-mail por cinco anos, associadas às leis trabalhistas e sanitárias preexistentes, segundo as quais as empresas devem armazenar os dados sobre a exposição dos funcionários a substâncias químicas por até 60 anos, vêm estimulando o crescimento da informação digital, hoje estimada em 1,8 zettabytes (1,8 trilhão de gigabytes), o equivalente a mais de 50 mil Bibliotecas do Congresso Norte-americano. O seu departa- mento jurídico atende os requisitos mínimos de armazenamento de informações financeiras, ocupacio- nais e sobre saúde? Se não atende, todo o seu negócio pode estar em risco. Resumidamente, é uma nova maneira de fazer negócios e isso afetará a sua futura carreira em grande medida. Mudanças no ambiente de negócios são geralmente acompanhadas por mudanças nos postos de trabalho e nas profissões. Independentemente de estar estudando finanças, contabilidade, adminis- tração, marketing, gestão de operações ou sistemas de informação, sua maneira de trabalhar, seu local de trabalho e sua remuneração serão afetados pelos sistemas de informação empresariais. O propósito deste livro é justamente ajudá-lo a entender essa nova realidade organizacional e tirar proveito dela. o que há de novo em sistemas de informação? Muita coisa! O que faz do sistema de informação gerencial o assunto mais excitante nos negócios é a mudança contínua em tecnologia, a gestão do uso da tecnologia e o impacto no sucesso dos negócios. Novos negócios e setores aparecem enquanto os antigos desaparecem, e empresas bem-sucedidas são aquelas que aprendem como usar as novas tecnologias. A Tabela 1.1 resume os principais temas novos no uso dos sistemas de informação empresariais. Esses temas aparecerão ao longo do livro em todos os capítulos, portanto pode ser uma boa ideia reservar algum tempo agora para discussão deles com seu professor e outros colegas. Existem três mudanças inter-relacionadas na área de tecnologia: (1) a plataforma digital móvel, composta por smartphones e tablets, (2) o uso crescente de “big data” nos negócios e (3) o crescimento da “computação em nuvem”, onde mais e mais softwares corporativos são executados na Internet. IPhones, celulares Android, BlackBerrys e tablets de alta definição não são simplesmente itens de entretenimento. Eles representam novas plataformas de computação e mídia emergentes baseadas em uma variedade de novas tecnologias de hardware e software. Uma parcela cada vez maior de com- putação empresarial está mudando dos PCs e computadores desktop para esses dispositivos móveis. Gerentes utilizam com frequência crescente esses dispositivos para coordenar o trabalho, comunicar-se com os empregados e disponibilizar informações para a tomada de decisão. Em 2013, mais da metade M01_LAUD_0000_01_SE_C01.indd 6 07/11/14 14:34 E841375 Highlight E841375 Highlight E841375 Highlight E841375 Highlight Capítulo 1: Os sistemas de informação empresariais na sua carreira 7 dos usuários da Internet acessaram a Web através destes dispositivos móveis. Em grande parte, esses dispositivos estão mudando o caráter da computação corporativa. Os gerentes usam costumeiramente a colaboração on-line e tecnologias sociais para tomar melhores decisões de maneira mais rápida. À medida que o comportamento gerencial muda, modifica-se também o modo como o trabalho é organizado, coordenado e avaliado. Conectando os empregados que traba- lham em equipes e projetos, a rede social está onde o trabalho é feito, onde os planos são executados e onde os gerentes gerenciam. Os dados gerados a partir dessas redes sociais, bem como do tráfego da Web e os dados de monitoração gerados por máquinas a partir de sensores formam um vasto conjunto de dados, o Big Data, que oferece o potencial para uma análise e percepção muito mais refinadas dos dados. A força da computação em nuvem e o crescimento da plataforma digital móvel significam que as organi- zações podem confiar mais em teletrabalho, trabalho remoto e tomada de decisão distribuída. Essa mesma plataforma indica que as empresas podem terceirizar um volume maior de trabalho e confiar em mercados (em vez de empregados) para construir valor. Significa também que as empresas podem contribuir com os fornecedores e clientes na criação de novos produtos ou no aprimoramento de produtos existentes. Tabela 1.1 O que há de novo nos sistemas de informações gerenciais — SIG. mudança impacto empresarial TecnOlOgia Plataforma de computação em nuvem surge como uma das principais áreas de inovação empresarial Um arranjo flexível de computadores na Internet começa a desempenhar tarefas tradicionalmente realizadas por computadores empresariais. As principais aplicações de negócios são entregues on-line como um serviço de Internet (Software as a Service — SaaS). Big Data As empresas buscam indicadores em grandes volumes de dados do tráfego da Web, mensagens de e-mail, conteúdo de mídia social e monitoração de máquinas (sensores). A plataforma móvel digital surge para competir com o PC como um sistema empresarial Os dispositivos móveis iPhone, da Apple, e Android são capazes de baixar centenas de milhares de aplicativos para manter a colaboração, serviços baseados em localização e comunicação com colegas. Os tablets, incluindo o iPad e o Kindle Fire, desafiam os laptops convencionais como plataformas para computação pessoal e corporativa. gerenciamenTO Gerentes adotam colaboração on-line e software de redes sociais para melhorar coordenação, colaboração e compartilhamento de conhecimentos Google Apps, Google Sites, Windows SharePoint Services da Microsoft, Lotus Connections da IBM são utilizados por mais de 100 milhões de profissionais ao redor do mundo para manter blogs, gerenciar projetos, realizar reuniões on-line e manter perfis pessoais, sociais e comunidades on-line. Aplicações de inteligência empresarial aceleram Painéis de dados analíticos e interativos mais poderosos oferecem informações de desempenho em tempo real a gerentes para aumentar o controle sobre a gestão e a tomada de decisões. Reuniões virtuais se proliferam Gerentes adotam tecnologias de telepresença, videoconferência e conferência pela Web para reduzir o tempo gasto em viagem e os custos, enquanto aumentam a colaboração e a tomada de decisão. Organizações Social business As empresas utilizam plataformas de redes sociais, incluindo Facebook, Twitter e ferramentas sociais corporativas internas, para aprofundar as interações com os funcionários, clientes e fornecedores. Os funcionários usam blogs, wikis, e-mail e mensagens de texto para interagir em comunidades on-line. Teletrabalho ganha força no ambiente de trabalho A Internet, laptops, smartphones e tablets viabilizam o trabalho remoto de um número crescente de pessoas fora do escritório tradicional. 55% dos negócios norte- -americanos têm alguma forma de programa de trabalho remoto. Cocriação do valor de negócio A fonte de valor dos negócios passa de produtos para soluções e experiências e de recursos internos para redes de fornecedores e colaboração com os clientes. As cadeias de abastecimento e desenvolvimento de produtos tornam-se mais globais e colaborativas; interações entre clientes ajudam as empresas a definir novos produtos e serviços. M01_LAUD_0000_01_SE_C01.indd 7 07/11/14 14:34 E841375 Highlight E841375 Highlight Sistemas de informação gerenciais8 É possível ver algumas dessas tendências na prática na Seção Interativa sobre Pessoas. Milhões de gerentes e funcionários confiam fortemente na plataforma digital móvel para coordenar fornecedores e cargas, satisfazer consumidores e organizar as atividades do trabalho. Um dia de trabalho sem esses dispositivos móveis ou sem acesso à Internet seria inimaginável. Ao ler este caso, observe como a plata- forma móvel tem alterado a maneira como as pessoas realizam seu trabalho e tomam decisões. cOnheça Os nOvOs TrabalhadOres móveis SEÇÃO INTERATIVA: PESSOAS Quantas tarefas do seu trabalho você pode executar a partir da palma da sua mão? Provavelmente mais do que imagina. Existem muitas tarefas profissionais hoje em dia que podem ser realizadas utilizando-se um dispositivo móvel como iPad, iPhone, BlackBerry ou Android, tanto para os gerentes quanto para seus funcionários. Grandes e pequenas empresas estão se beneficiando disto. O BlackBerry costumava ser o dispositivo móvel favorito para uso profissional, por ser otimizado para serviços de e-mail e mensagens de texto, com elevado nível de segurança e ferramentas para acessar os siste- mas corporativos internos. Agora isso está mudando. Grandes e pequenas empresas estão começando a implantar o iPhone e o iPad da Apple, bem como dispo- sitivos Android para realizar mais tarefas do seu traba- lho. Os fabricantes estão aperfeiçoando seus sistemas de segurança para que os usuários móveis possam acessar remotamente os sistemas corporativos de forma mais segura. E eles estão desenvolvendo mais aplicativos, de forma a ter maior cobertura para aproveitar seus incrí- veis recursos gráficos e móveis. Muitos dos aplicativos móveis recentes eram volta- dos para serviços de e-mail, ou para complementar as tarefas do ambiente de trabalho, como manuais digitais de voo para pilotos de avião em iPads, ou sistemas para check in de hóspedes em hotéis. Mas agora, à medida que a tecnologia móvel tem se tornado mais acessível e mais fácil de usar, ela está se difundindo para exer- cer também outras funções mais específicas e vitais do ambiente corporativo, tais como materiais de marke- ting para representantes farmacêuticos, software com a conta do cliente para serviços técnicos e aplicativos para os fazendeiros testarem a qualidade do leite de vaca. Jackson Kayak é a maior fabricante do caiaque whi- tewhater. Seu presidente, Eric Jackson, é campeão de esportes envolvendo caiaque e costuma passar metade do ano em competições e eventos em toda a América do Norte. O trabalho de Eric requer que ele participe de eventos esportivos, monitore as tendências do setor no campo, e atenda diretamente os clientes e revendedo- res. Munido de iPhone e iPad, Jackson afirma que pode comandar as 120 pessoas de sua empresa à distância. Jackson utiliza conexão sem fio, em seu trailer equi- pado com Wi-Fi, para conectar-se à sede da empresa em Sparta, Tennessee. Quando Jackson não dispõe de Wi-Fi, ele usa sua conexão celular 3G com o iPad. O iPad lhe proporciona acesso instantâneo a todas as suas opera- ções, de forma que ele possa analisar dados dos clientes, atualizar o conteúdo do site ou aprovar novos projetos. O iPad de Jackson inclui aplicativos de calendários, e-mail, gestão de contatos, bem como a capacidade de criar e editar documentos, planilhas e apresentações — todas as ferramentas que esse executivo precisa para se comunicar com seu escritório, revendedores e clientes. Voltando para a loja, os gerentes e funcionários da Jackson Kayak também acham que o iPad e o iPhone têm um valor inestimável. Na fábrica, o diretor de ope- rações John Ratliff pode comparar no iPad os equipa- mentos de fabricação da Jackson Kayak lado a lado com as imagens das peças de reposição, para se certificar de que ele está recebendo as peças corretas. O iPhone e o iPad tornaram-se tão indispensáveis que a empresa equipou com iPhones toda a sua força de trabalho, desde os funcionários que atendem clientes, até os que traba- lham no design e no controle de qualidade. Muitos deles também possuem iPad. A utilização profissional dos dispositivos portá- teis não está limitada somente às pequenas empresas. A PepsiCo fabrica e vende produtos de marcas como Pepsi, Gatorade, Mountain Dew, Tropicana, Quaker e Frito-Lay em todo o planeta e conta com mais de 300 mil funcionários. A empresa utiliza uma rede complexa de sistemas de distribuição interligados para transportar em caminhões os seus produtos, a partir de suas fábri- cas e depósitos até as lojas, para atender a demanda dos clientes. A PepsiCo comanda cerca de 17 mil rotas de distribuição por dia. O iPhone e o iPad ajudam os funcionários da divisão North American Beverages da PepsiCo a garantir que os produtos certos cheguem nos locais corretos da forma mais rápida e eficiente possível. No passado, os motoristas e promotores de venda da PepsiCo começavam o dia pegando os planejamen- tos impressos com as quantidades de produtos solicita- das e as tarefas a serem executadas em cada ponto de entrega, desde descarregar as caixas de refrigerantes até arrumar os produtos expostos. Era muito difícil ajustar as mudanças sofridas de última hora nas solicitações, devido à dificuldade de comunicação com seus moto- M01_LAUD_0000_01_SE_C01.indd 8 07/11/14 14:34 Capítulo 1: Os sistemas de informação empresariais na sua carreira 9 ristas de entrega, principalmente quando eles estavam em trânsito. A North America Beverages da PepsiCo criou um aplicativo interno customizado para o iPhone chamado Power4Merch, que notifica imediatamente o promotor de vendas quando o motorista está chegando ao ponto de entrega. O iPhone do promotor tem um cartão ele- trônico, de forma que ele possa ver o seu planejamento, os detalhes da loja, os perfis de conta e tudo o que ele precisa saber para realizar a manutenção na loja. Os gerentes da PepsiCo usam seus iPads com apli- cativos personalizados para monitorar o desempenho de suas equipes; controlar os preços, o esboço do posicio- namento do produto na loja e os contratos; e ajudar a coordenar as entregas com os serviços dos promotores de venda. O aplicativo Manager’s Briefcase fornece aos gerentes de venda do território uma versão eletrônica com todos os documentos e recursos necessários para que eles gerenciem suas equipes, incluindo auditorias nas lojas, formas de treinamento dos funcionários e notificações automatizadas aos promotores. Um gerente pode realizar atribuições de mão de obra diretamente no iPad. O iPad envia automaticamente uma notificação para o iPhone do promotor, informando que ele tem uma parada adicional para fazer, por exemplo. No passado, os gerentes tinham que gastar muito do seu tempo ao telefone, verificando mensagens de e-mail no escritório e as anotações. Com o iPad, o gestor começa e termina o seu dia com a sua equipe. O segundo aplicativo para iPad, chamado SPOTLight, proporciona aos gerentes acesso instantâ- neo ao conteúdo do seu SharePoint, baseado na Web. Eles podem controlar os preços, exibir os esboços de posicionamento dos produtos nas lojas, acordos de desenvolvimento com os clientes ou novos contratos. Os sistemas para iPhone e iPad da PepsiCo estão integrados com seus sistemas de informação organiza- cional. A empresa utiliza o Mobile Device Management da AirWatch para implantar e gerir de forma segura os aplicativos nos celulares e também aproveita as funções de segurança do iPhone e do iPad para protegê-los dos acessos não autorizados. A Coca-Cola Enterprises Inc., principal concorrente da PepsiCo em bebidas engarrafadas, também está aproveitando a tecnologia móvel. A Coca-Cola utiliza o software de serviço de campo móvel da ServiceMax Inc. para otimizar as atividades de trabalho de seus técnicos, que realizam manutenção de máquinas de refrigerantes em restaurantes e consertam máquinas de venda automática. Antigamente, após um técnico visitar um cliente no local, ele voltaria para seu carro, transferiria as anotações feitas em papel para um banco de dados em seu laptop e o transmitiria para o sistema de software centralizado da Coca-Cola. Muitos técni- cos passavam meia hora a mais no final do dia organi- zando suas anotações. Em 2012, cerca de 100 funcionários da Coca-Cola começaram a usar os aplicativos da ServiceMax em iPho- nes para despachar técnicos para um dia inteiro de cha- madas de serviço, fornecer informações detalhadas sobre o cliente, atualizar automaticamente listas de peças arma- zenadas em suas vans e transferir as informações para o departamento de cobrança. O novo sistema reduziu em um terço o tempo gasto em administração pelos técnicos de manutenção, que são liberados para utilizar os equi- pamentos de outras empresas, além daqueles da própria Coca-Cola. A ServiceMax cobra cerca de mil dólares por pessoa por ano por uma assinatura. Fontes: Shira Ovide, “Meet the New Mobile Workers”, The Wall Street Journal, 11 mar. 2013; “Apple iPad in Business”, Disponível em: <www.apple.com>, acesso em: 3 jun. 2014; e Aaron Freimark, “Apple Offers More iPad Management Features Than You Might Think”, disponível em: <http://searchconsumerization.techtarget. com>, acesso em: 2 abr. 2013. PergUnTas sObre O esTUdO de casO 1. Quais tipos de aplicativos são descritos aqui? Quais funções de negócio eles apoiam? Como melhoram a eficiência operacional e a tomada de decisão? 2. Identifique os problemas que as empresas no estudo de caso resolveram com o uso de dispositivos digitais móveis. 3. Quais tipos de negócios têm maior probabilidade de se beneficiar equipando seus empregados com dispositivos digitais móveis, como iPhones e iPads? 4. Uma empresa que implantou iPhones disse: “O iPhone não representa uma mudança no jogo, mas uma mudança no setor. Ele modifica a maneira de interagir com seus clientes e com os seus fornecedores”. Discuta as implicações dessa declaração. M01_LAUD_0000_01_SE_C01.indd 9 07/11/14 14:34 Sistemas de informação gerenciais10 Seja participando de uma reunião on-line, seja verificando os pedidos, seja trabalhando com arquivos e documentos ou obtendo inteligência empresarial, o iPhone e o iPad da Apple oferecem possibilidades ilimitadas para uso profissional. Uma impressionante tela multitouch, navegação completa na Internet e recursos para mensagens de texto, transmissão de vídeo e de áudio e gestão de documentos tornam cada um desses dispositivos uma plataforma para computação móvel que atende a múltiplos propósitos. Aplicativos organizacionais para iPhone e iPad 1. Salesforce Mobile 2. Cisco WebEx 3. SAP Business ByDesign 4. iWork 5. QuickBooks Online 6. Adobe Reader 7. Oracle Business Intelligence 8. Dropbox © S TA N CA S A N DA /A la m y. desafios e oportunidades da globalização: um mundo planifiCado Antes de 1492 e das viagens de Colombo e de outros para as Américas, não havia nenhum sistema econômico global de comércio que interligasse todos os continentes do planeta. Após o século XV, um sistema de comércio global começou a surgir. O comércio mundial que se seguiu após essas via- gens aproximou as pessoas e as culturas. A Revolução Industrial foi realmente um fenômeno mundial movido pela expansão do comércio entre as nações. Até que a Internet surgisse e fosse aperfeiçoada, a economia global era ineficiente porque a comunicação de um canto a outro da Terra era difícil e cara. Em 2005, o jornalista Thomas Friedman escreveu um importante livro que declarava que o mundo atual era “plano”, pois a Internet e a comunicação global haviam expandido fortemente as oportunida- des de comunicação entre as pessoas e reduzido muitíssimo as vantagens econômicas e culturais dos países desenvolvidos. Os Estados Unidos e os países europeus estavam em guerra por sua vida econô- mica, competindo por empregos, mercados, recursos e mesmo ideias com uma população altamente educada e motivada em áreas de baixas rendas nos locais menos desenvolvidos (Friedman, 2007). Essa “globalização” apresenta a você e aos seus negócios tanto oportunidades quanto desafios. Um percentual crescente da economia norte-americana e de outros países industrialmente avança- dos na Europa e na Ásia depende de importações e exportações. Em 2013, mais de 33% da economia dos Estados Unidos eram resultado de comércio internacional, tanto de importações quanto de expor- tações. Na Europa e na Ásia, esse número excedeu 50%. Metade das empresas norte-americanas da Fortune 500 obtém pelo menos metade de suas receitas em operações internacionais. Por exemplo, mais de 50% das receitas da Intel em 2012 vieram das vendas internacionais de microprocessadores, e o mesmo ocorre com General Electric, Ford Motor Company, IBM, Dow Chemical e McDonald’s. Enquanto 80% dos brinquedos vendidos nos Estados Unidos são fabricados na China, cerca de 90% dos PCs fabricados na China usam microprocessadores da Intel ou da Advanced Micro Design (AMD) fabricados nos Estados Unidos. Mas não são apenas os produtos que cruzam as fronteiras. Os empregos também o fazem, alguns deles são vagas de alto nível, bem remuneradas e que exigem formação universitária. Na última década, os Estados Unidos perderam milhões de empregos para os produtores internacionais de baixa renda. Atualmente, entretanto, a manufatura representa apenas uma pequena parte dos empregos norte-ame- ricanos (menos de 12%). Em um ano normal, cerca de 300 mil trabalhos de prestação de serviços atravessam o oceano rumo a países de baixa renda, muitos deles em posições que demandam menor conhecimento em sistemas de informação, mas também incluindo “serviços intercambiáveis” em arqui- tetura, serviços financeiros, centrais de atendimento ao consumidor, consultoria, engenharia e mesmo radiologia. Entre os aspectos positivos, está o fato de os Estados Unidos criarem mais de 3,5 milhões de novos empregos em um ano normal; empregos em sistemas de informação e nas outras áreas listadas anterior- mente cresceram de forma acentuada em números, salários, produtividade e qualidade do trabalho. A terceirização acabou acelerando o desenvolvimento de novos sistemas nos Estados Unidos e no mundo. Em meio a uma recessão econômica, empregos em sistemas de informação estão entre aqueles para os quais há maior demanda. M01_LAUD_0000_01_SE_C01.indd 10 07/11/14 14:34 E841375 Highlight E841375 Highlight E841375 Highlight Capítulo 1: Os sistemas de informação empresariais na sua carreira 11 Como estudante de administração, seu desafio é desenvolver habilidades de alto nível através da educação e da experiência no dia a dia do trabalho que não podem ser terceirizadas. O desafio para o seu negócio é evitar mercados para bens e serviços que podem ser produzidos em outros países a um custo muito mais baixo. As oportunidades são igualmente imensas. Você pode aprender a obter lucros a partir de baixos custos disponíveis nos mercados mundiais e com a chance de servir a um mercado com bilhões de clientes. Você tem a oportunidade de desenvolver produtos e serviços mais rentáveis e do mais alto nível. Ao longo deste livro, encontrará exemplos de empresas e indivíduos que fra- cassaram ou foram bem-sucedidos na utilização de sistemas de informação para se adaptarem a este novo ambiente global. O que a globalização tem a ver com os sistemas de informação gerenciais? É simples: tudo. O sur- gimento da Internet em um sistema internacional de comunicação totalmente desenvolvido reduziu drasticamente os custos de operação e transação em uma escala global. A comunicação entre uma fábrica em Xangai e um centro de distribuição em Sioux Falls, Dakota do Sul, agora é instantânea e virtualmente gratuita. Os clientes podem fazer compras em um mercado mundial, obtendo informações sobre preço e qualidade de maneira confiável, 24 horas. As empresas que criam produtos e serviços em escala global alcançam reduções de custos extraordinárias ao encontrarem fornecedores mais baratos e gerenciarem suas instalações em outros países. Empresas de serviços pela Internet, como Google e eBay, podem replicar seus modelos de negócios e serviços em diversos países, sem ter de redesenhar sua cara infraestrutura de sistemas de informação de custo fixo. objetivos organizaCionais dos sistemas de informação O que torna os sistemas de informação tão essenciais hoje em dia? Por que as empresas estão inves- tindo tanto em tecnologias e sistemas de informação? A intenção é atingir seis importantes objetivos orga- nizacionais: excelência operacional; novos produtos, serviços e modelos de negócio; relacionamento mais estreito com clientes e fornecedores; melhor tomada de decisões; vantagem competitiva; e sobrevivência. Excelência operacional As empresas estão sempre tentando melhorar a eficiência de suas operações a fim de conseguir mais lucratividade. Das ferramentas de que os administradores dispõem, as tecnologias e os sistemas de informação estão entre as mais importantes para atingir altos níveis de eficiência e produtividade nas operações, especialmente quando combinadas com mudanças no comportamento da administração e nas práticas de negócios. O Walmart, o maior varejista do planeta, oferece um bom exemplo de como os sistemas de informa- ção, aliados a práticas empresariais brilhantes e uma administração colaborativa, são capazes de atingir uma eficiência operacional de classe mundial. Em 2013, as vendas do Walmart ultrapassaram os 469 bilhões de dólares — aproximadamente um décimo das vendas de varejo em todos os Estados Unidos —, em grande parte graças ao seu sistema Retail Link, que conecta digitalmente os fornecedores a cada uma das 9.600 lojas Walmart espalhadas ao redor do mundo. Assim que um cliente compra um artigo, o fornecedor fica sabendo que deve enviar um substituto para a prateleira. O Walmart é a mais eficiente loja de varejo do setor, alcançando vendas de mais de 450 dólares por pé quadrado, contra 425 dólares por pé quadrado da Target, seu concorrente mais próximo, e menos de 12 dólares por pé quadrado das outras grandes varejistas. A Amazon, maior varejista on-line do mundo, gerou 61 bilhões de dólares em vendas em 2012, e investiu 2,1 bilhões de dólares em sistemas de informação de maneira que, quando um dos seus 170 milhões de clientes procura por um produto, a Amazon pode responder em milissegundos com o pro- duto solicitado (e fornecer recomendações para outros produtos relacionados). Novos produtos, serviços e modelos de negócios As tecnologias e os sistemas de informação são a principal ferramenta de que as empresas dispõem para criar novos produtos e serviços, assim como modelos de negócio inteiramente novos. Um modelo de negócio descreve como a empresa produz, entrega e vende um produto ou serviço para criar valor. A indústria fonográfica atual é completamente diferente da que existia em 2000. A Apple Inc. trans- formou o velho modelo de negócio de distribuição de música, baseado em discos de vinil, fitas cassete e CDs, em um modelo de distribuição legal e on-line, a partir de sua própria plataforma tecnológica operacional e da loja iTunes. A Apple prosperou a partir de um fluxo contínuo de inovações, incluindo o aparelho original iPod, o iPod nano, o serviço de música iTunes, o iPhone e o iPad. M01_LAUD_0000_01_SE_C01.indd 11 07/11/14 14:34 E841375 Highlight E841375 Highlight E841375 Highlight E841375 Highlight E841375 Highlight E841375 Highlight E841375 Highlight E841375 Highlight E841375 Highlight Sistemas de informação gerenciais12 Relacionamento mais estreito com clientes e fornecedores Quando uma empresa conhece de verdade seus clientes e os atende bem, do jeito que eles querem ser atendidos, a reação típica deles é voltar a essas empresas e comprar mais. Isso aumenta as receitas e os lucros. O mesmo se aplica aos fornecedores: quanto mais os fornecedores de uma empresa estiverem envolvidos com ela, mais poderão lhe fornecer insumos vitais. Isso reduzirá os custos. Mas como empresas com milhões de consumidores on-line e off-line podem conhecer de verdade seus clientes e fornecedores? O Mandarin Oriental, em Manhattan, e outros hotéis de alto padrão são um bom exemplo de como as tecnologias e os sistemas de informação podem ser usados para estreitar o relacionamento com os clientes. Esses hotéis usam computadores para identificar as preferências dos hóspedes — tais como a sua temperatura ambiente preferida no quarto, sua hora de check-in, os números de telefones mais discados e seus programas de televisão favoritos. Depois, armazenam esses dados em um gigantesco repositório de dados. Todos os quartos individuais desses hotéis são conectados em rede a um servidor central, de maneira que podem ser controlados ou monitorados a distância. Quando um cliente chega a um desses hotéis, o sistema automaticamente muda as condições do quarto com base no perfil digital desse cliente, tais como diminuição da intensidade das luzes, configuração da temperatura ambiente, ou seleção da música apropriada. Eles também analisam os dados para identificar os melhores clientes e desenvolver campanhas de marketing individualizadas, com base nas preferências reveladas. A JCPenney exemplifica os benefícios de sistemas de informação para estreitar o relacionamento com os fornecedores. Cada vez que uma camisa é comprada em uma loja JCPenney nos Estados Unidos, o registro da venda aparece imediatamente nos computadores da TAL Apparel Ltd., em Hong Kong, uma gigantesca indústria que produz uma em cada oito camisas vendidas nos Estados Unidos. Um modelo computacional desenvolvido pela própria TAL processa o número e, depois, decide quantas camisas devem ser feitas, em quais estilos, cores e tamanhos. Em seguida, a TAL envia o produto dire- tamente para cada loja JCPenney, driblando os distribuidores. Em outras palavras, o estoque de camisas da JCPenney chega praticamente a zero, assim como o custo de estocá-las. Melhor tomada de decisões Muitos administradores trabalham às cegas, sem nunca poder contar com a informação certa na hora certa para tomar uma decisão informada. Também há aqueles que se apoiam em previsões, palpi- tes ou na sorte. O resultado é a produção insuficiente ou excessiva de bens e serviços, a má alocação de recursos e tempos de resposta ineficientes. Essas deficiências elevam os custos e geram perda de clien- tes. Nos últimos dez anos, as tecnologias e os sistemas de informação têm permitido que, ao tomar uma decisão, os administradores façam uso de dados em tempo real, oriundos do próprio mercado. Um exemplo disso é a Verizon Corporation, uma das maiores prestadoras de serviços de telecomu- nicações dos Estados Unidos. Com um painel digital baseado na Internet, ela oferece a seus executivos informações precisas e em tempo real a respeito das queixas dos clientes, do desempenho da rede em cada localidade servida, de interrupções no serviço e de linhas danificadas por tempestades. Usando essas informações, pode-se imediatamente enviar equipes de reparo às áreas afetadas, informar os con- sumidores a respeito do andamento dos reparos e restaurar o serviço rapidamente. Vantagem competitiva Se as empresas atingirem um ou mais dos objetivos organizacionais tratados até aqui — excelência operacional; novos produtos, serviços e modelos de negócio; relacionamento mais estreito com con- sumidores e fornecedores; e melhor tomada de decisões —, provavelmente já terão conseguido certa vantagem competitiva. E, se fizerem essas coisas melhor que seus concorrentes, gastando menos para obter produtos superiores e respondendo a clientes e fornecedores em tempo real, aumentarão as vendas e os lucros até um nível que os concorrentes não conseguirão igualar. A Apple Inc., o Walmart e a UPS são líderes em seus setores, porque sabem como utilizar os sistemas de informação para esse propósito. Sobrevivência Outro motivo para as empresas investirem em sistemas e tecnologias de informação está no fato de que eles se tornaram imprescindíveis à prática de negócios. Muitas vezes, essa “imprescindibilidade” é determinada por mudanças no setor. Por exemplo, depois que o Citibank introduziu os primeiros caixas automáticos na região de Nova York, para atrair clientes com serviços de alto nível, seus concorrentes correram para oferecer o mesmo. Hoje, praticamente todos os bancos nos Estados Unidos têm caixas automáticos locais, com conexões a redes nacionais e internacionais como a Cirrus. Assim, oferecer esse tipo de serviço se tornou simplesmente imprescindível para estar e sobreviver no setor de varejo bancário. M01_LAUD_0000_01_SE_C01.indd 12 07/11/14 14:34 E841375 Highlight E841375 Highlight E841375 Highlight E841375 Highlight E841375 Highlight E841375 Highlight E841375 Highlight E841375 Highlight E841375 Highlight E841375 Highlight E841375 Highlight E841375 Highlight Capítulo 1: Os sistemas de informação empresariais na sua carreira 13 Uma série de regulamentações federais e estaduais norte-americanas obriga as empresas e seus funcionários a manter determinados registros, inclusive digitais. Por exemplo, a Lei de Controle de Substâncias Tóxicas (1976), que regula a exposição dos trabalhadores norte-americanos a mais de 75 mil substâncias químicas tóxicas, exige que as empresas mantenham registros dessa exposição do empregado por 30 anos. A Lei Sarbanes-Oxley (2002), cujo objetivo é aumentar a responsabilidade das empresas públicas e de seus auditores, exige que tais empresas mantenham todos os registros e relató- rios de auditoria, inclusive todas as mensagens de e-mails durante cinco anos. As empresas investem em tecnologias e sistemas de informação para responder aos requisitos de armazenamento de informa- ções e relatório. A Lei Dodd-Frank (2010) exige que empresas de serviços financeiros expandam seus relatórios públicos sobre derivativos e outros instrumentos financeiros. 1.2 Perspectivas em sistemas de informação e tecnologia de informação Até agora temos usado sistemas de informação e tecnologias de informação informalmente, sem definir os termos. Por tecnologia de informação (TI), entenda-se todo o hardware e todo o software de que uma empresa necessita para atingir seus objetivos organizacionais. Isso inclui não apenas compu- tadores, unidades de disco e dispositivos portáteis móveis, mas também como os sistemas operacionais Windows ou Linux, o pacote Microsoft Office de produtividade para desktop e os milhares de progra- mas computacionais que podem ser encontrados em uma grande empresa. Já os “sistemas de informa- ção” são mais complexos e, para serem bem compreendidos, devem ser analisados tanto da perspectiva tecnológica quanto do ponto de vista organizacional. o que é um sistema de informação? Um sistema de informação (SI) pode ser definido tecnicamente como um conjunto de componen- tes inter-relacionados que coletam (ou recuperam), processam, armazenam e distribuem informações destinadas a apoiar a tomada de decisões, a coordenação e o controle em uma organização. Além disso, os sistemas de informação também auxiliam os gerentes e trabalhadores a analisar problemas, visuali- zar assuntos complexos e criar novos produtos. Os sistemas de informação contêm informações sobre pessoas, locais e itens significativos para a organização ou para o ambiente que a cerca. No caso, informação quer dizer dados que foram modela- dos em um formato significativo e útil para os seres humanos. Dados, ao contrário, são sequências de fatos ainda não analisados, representativos de eventos que ocorrem nas organizações ou no ambiente físico, antes de terem sido organizados e dispostos de forma que as pessoas possam entendê-los e usá-los. Um exemplo comparando informações e dados pode ser bem útil. Os caixas de supermercado regis- tram milhões de dados, tais como códigos de barras, que descrevem cada produto. Esses dados podem ser somados e analisados, a fim de fornecer informações significativas, como o número total de deter- gentes vendidos em determinada loja, as marcas que são vendidas mais rapidamente ou ainda o total gasto nessa marca de detergente nessa loja ou na região (ver Figura 1.1). Três atividades em um sistema de informação geram informações de que as organizações necessi- tam para tomar decisões, controlar operações, analisar problemas e criar novos produtos ou serviços. Essas atividades são entrada, processamento e saída (ver Figura 1.2). A entrada captura ou coleta dados brutos de dentro da organização ou de seu ambiente externo. O processamento converte esses dados brutos em uma forma mais significativa. A saída transfere as informações processadas às pessoas que as utilizarão ou às atividades nas quais serão empregadas. Os sistemas de informações também reque- rem um feedback, que é uma resposta à ação adotada a determinados membros da organização para ajudá-los a avaliar ou corrigir o estágio de entrada. No sistema de venda de ingressos do San Francisco Giants, a entrada bruta consiste nos dados for- necidos no pedido dos ingressos, como nome, endereço e número de cartão de crédito do comprador, número de ingressos, bem como a data do jogo para a qual o ingresso está sendo comprado. Outra entrada seria o preço do ingresso, que varia de acordo com a análise do computador, de quanto poderia ser cobrado para melhorar os resultados das vendas em um jogo específico. Os computadores arma- zenam esses dados e os processam para calcular e acompanhar os totais dos pedidos, e para enviar as solicitações de pagamento para as empresas de cartão de crédito. A saída consiste na impressão dos M01_LAUD_0000_01_SE_C01.indd 13 07/11/14 14:34 E841375 Highlight E841375 Highlight Sistemas de informação gerenciais14 ingressos, emissão de recibos e relatórios sobre os pedidos de ingressos on-line. O sistema fornece a informação significativa, tal como o número de ingressos vendidos para um determinado jogo, os respectivos valores cobrados, o número total de ingressos vendidos a cada ano e os clientes frequentes. Embora os sistemas de informação informatizados utilizem a tecnologia de computadores para pro- cessar dados brutos e transformá-los em informações inteligíveis, existe uma diferença entre um compu- tador e um software, de um lado, e um sistema de informação, de outro. Os computadores eletrônicos e os programas relacionados são o fundamento técnico, as ferramentas e os materiais dos modernos sistemas de informação. Os computadores são os equipamentos que armazenam e processam as informações. Os programas de computador ou software são conjuntos de instruções operacionais que dirigem e controlam o processamento do computador. É importante saber como funcionam os computadores e os programas para projetar soluções para os problemas organizacionais, mas os computadores são apenas parte de um sistema de informação. Podemos fazer uma analogia com uma casa. As casas são construídas utilizando-se martelos, pre- gos e madeira, mas não são eles que fazem uma casa. A arquitetura, o projeto, a localização, o paisa- gismo e todas as decisões que levam à criação desses itens fazem parte da residência e são essenciais para a resolução do problema de colocar um teto sobre nossa cabeça. Computadores e programas são o martelo, os pregos e o madeiramento dos sistemas de informação, mas sozinhos não podem produzir a informação de que uma determinada empresa necessita. Para entender os sistemas de informação, é preciso compreender os tipos de problemas que eles devem resolver, os elementos de sua arquitetura e projeto e os processos organizacionais que levam a essas soluções. Figura 1.1 Dados e informação Os dados brutos registrados por um caixa de supermercado podem ser processados e organizados de modo a produzir informações úteis, tais como o total de unidades de detergente vendidas ou a receita total de vendas do detergente em uma determinada loja ou região. Sistema de Informação 331 Detergente Brite 1,29 Região de vendas: Noroeste Loja: Hipermercado n. 122 N. ITEM DESCRIÇÃO TOTAL DE VENDAS NO ANO $ 9.231,24 UNIDADES VENDIDAS 7.156Detergente Brite331 863 Café BL Hill 4,69 173 Meow Cat 0,79 331 Detergente Brite 1,29 663 Country Ham 3,29 524 Fiery Mustard 1,49 113 Ginger Root 0,85 331 Detergente Brite 1,29 InformaçãoDa dos Figura 1.2 Funções de um sistema de informação Um sistema de informação contém informações sobre uma organização e o ambiente que a cerca. Três atividades básicas — entrada, processamento e saída — produzem as informações de que as organizações necessitam. Feedback é a saída retornada a determinadas pessoas e atividades da organização para análise e refinamento da entrada. Fatores ambientais, tais como clientes, fornecedores, concorrentes, acionistas e agências reguladoras, interagem com a organização e seus sistemas de informação. AMBIENTE Fornecedores Clientes Entrada Agências reguladoras Feedback Acionistas Concorrentes Saída Processar Classi�car Organizar Calcular ORGANIZAÇÃO SISTEMA DE INFORMAÇÃO M01_LAUD_0000_01_SE_C01.indd 14 07/11/14 14:34 E841375 Highlight Capítulo 1: Os sistemas de informação empresariais na sua carreira 15 não é apenas teCnologia: o papel das pessoas e organizações Para compreender totalmente os sistemas de informação, é preciso conhecer suas dimensões mais amplas — a organizacional, a humana e a tecnológica (ver Figura 1.3) —, bem como seu poder de for- necer soluções para os desafios e problemas no ambiente empre- sarial. Chamamos essa compreensão mais ampla de sistemas de informação, que abrange um entendimento das dimensões orga- nizacional e humana dos sistemas, bem como de suas dimensões técnicas, de capacitação em sistemas de informação. Essa capacitação inclui uma abordagem comportamental e técnica do estudo dos sistemas de informação. A capacitação em compu- tadores, ao contrário, foca primordialmente o conhecimento da tecnologia de informação. O campo dos sistemas de informação gerenciais (SIG) tenta proporcionar aquela capacitação mais ampla em sistemas de informação. Os SIG lidam com as questões tanto comporta- mentais quanto técnicas que cercam o desenvolvimento, o uso e o impacto dos sistemas de informação adotados por administrado- res e funcionários em uma empresa. dimensões dos sistemas de informação Vamos analisar agora cada uma das dimensões dos sistemas de informação — as organizações, as pessoas e a tecnologia da informação. Organizações Os sistemas de informação são parte integral das organizações. E, embora nossa tendência seja pensar que a tecnologia da informação está alterando as organizações e empresas, trata-se, na verdade, de uma via de mão dupla: a história e a cultura das empresas também determinam como a tecnologia é e deveria ser usada. A fim de entender como uma organização específica usa sistemas de informação, é preciso saber algo sobre a estrutura, história e cultura dela. As organizações têm uma estrutura composta por diferentes níveis e especializações. Essa estrutura revela uma clara divisão do trabalho. As empresas são organizadas na forma de uma hierarquia, ou uma estrutura piramidal, de responsabilidade e autoridade crescentes. Os níveis superiores da hierarquia são compostos de pessoal administrativo, profissional e técnico, ao passo que os níveis inferiores são ocupados pelo pessoal operacional. Especialistas são empregados e treinados para diferentes funções organizacionais, como vendas e marketing, manufatura e produção, finanças, contabilidade e recursos humanos. A empresa desenvolve, então, sistemas de informação para atender a essas diferentes especia- lizações e níveis. No Capítulo 2 veremos mais detalhes sobre as funções organizacionais e sobre como os sistemas de informação podem auxiliá-las. Uma organização executa e coordena o trabalho através desta hierarquia estruturada e de seus pro- cessos de negócios, isto é, comportamentos e tarefas logicamente relacionadas para a execução do trabalho. Desenvolver um novo produto, preencher um pedido ou contratar um novo funcionário são exemplos de processos organizacionais. Na maioria das empresas, esses processos incluem regras formais que foram desenvolvidas ao longo de muito tempo. Tais regras orientam os funcionários em uma série de procedimentos, desde preencher uma fatura até responder às reclamações dos clientes. Alguns desses processos são formulados por escrito, mas outros são práticas informais de trabalho — retornar os telefonemas de colegas de trabalho ou clientes, por exemplo. Os sistemas de informação automatizam muitos processos de negócios. Como se concede crédito a um determinado cliente, ou se envia uma fatura, por exemplo, são tarefas em geral determinadas por um sistema de informação que incorpora um conjunto de processos formais. Cada empresa tem uma cultura peculiar, ou um conjunto fundamental de premissas, valores e modos de fazer as coisas, que é aceito pela maioria de seus membros. Sempre se pode encontrar partes da cul- tura de uma organização embutidas em seus sistemas de informação. Por exemplo, a preocupação da United Parcel Service em colocar em primeiro lugar o atendimento ao cliente é um aspecto da sua cul- tura organizacional que pode ser encontrado nos sistemas de rastreamento de encomendas da empresa. Organizações Tecnologia Sistemas de Informação Pessoas Figura 1.3 Sistemas de informação são mais do que computadores Para usar os sistemas de informação com eficiência, é preciso entender as dimensões organizacional, humana e tecnológica que os formam. Um sistema de informação oferece soluções para importantes problemas ou desafios organizacionais que a empresa enfrenta. M01_LAUD_0000_01_SE_C01.indd 15 07/11/14 14:34 E841375 Highlight E841375 Highlight E841375 Highlight E841375 Highlight E841375 Highlight Sistemas de informação gerenciais16 Os diferentes níveis e especialidades em uma empresa criam interesses e pontos de vista diversos, muitas vezes conflitantes. O conflito é a base das políticas organizacionais. Os sistemas de informação saem desse caldeirão de perspectivas, conflitos, compromissos e acordos que são inerentes a todas as organizações. Pessoas Uma empresa é tão boa quanto as pessoas que trabalham nela e a gerenciam. O mesmo se aplica aos sistemas de informação, que são inúteis sem pessoas qualificadas para desenvolvê-los e mantê-los, e sem quem saiba usar as informações de um sistema para atingir os objetivos organizacionais. Por exemplo, um call center equipado com um avançado sistema de relacionamento com clientes (descrito em capítulos posteriores) será inútil se os funcionários não forem adequadamente treinados para lidar com pessoas, encontrar soluções para os seus problemas e dar-lhes a sensação de que a empresa se preocupa com eles. Do mesmo modo, as atitudes do funcionário em relação ao trabalho, aos empregadores ou à tecnologia têm efeito determinante na sua capacidade de usar os sistemas de informação de modo produtivo. Para gerir uma empresa, são necessários diferentes tipos de conhecimentos e pessoas, o que engloba desde administradores até empregados da linha de frente. A tarefa dos administradores é “entender a lógica” das muitas situações enfrentadas pela organização, tomar decisões e formular planos de ação para a resolução de problemas organizacionais. Os administradores percebem os desafios presentes no ambiente, estabelecem a estratégia organizacional para responder a eles e alocam os recursos humanos e financeiros para coordenar o trabalho e alcançar o sucesso. Durante todo o processo, eles devem exer- cer uma liderança responsável. Mas os administradores devem fazer mais do que gerir o que já existe. Devem também criar novos produtos e serviços e, até mesmo, recriar a própria organização de tempos em tempos. Uma parcela subs- tancial da responsabilidade da administração é o trabalho criativo impulsionado por novos conhecimentos e informações. A tecnologia da informação pode desempenhar um papel poderoso no sentido de ajudar os gestores a desenvolver soluções inovadoras para uma ampla gama de problemas. Como será percebido ao longo deste livro, a tecnologia é relativamente barata hoje em dia, mas os recursos humanos são muito caros. Como o ser humano é o único capaz de resolver problemas organi- zacionais e converter a tecnologia da informação em soluções úteis, dedicamos grande parte deste livro a examinar a dimensão humana nos sistemas de informação. Tecnologia A tecnologia da informação é uma das muitas ferramentas que os gerentes utilizam para enfrentar mudanças e complexidade. Hardware é o equipamento físico usado para atividades de entrada, proces- samento e saída de um sistema de informação. Consiste em computadores de vários tipos e formatos; diversos dispositivos de entrada, saída e armazenamento; e os dispositivos de telecomunicações que interligam todos esses elementos. O software consiste em instruções detalhadas e pré-programadas que controlam e coordenam os componentes de hardware de um sistema de informação. O Capítulo 5 descreve as plataformas de software e hardware utilizadas pelas empresas de hoje em mais detalhes. A tecnologia de armazenamento de dados consiste no software que comanda a organização dos dados em meios físicos de armazenamento. Mais detalhes sobre os métodos para organizar e acessar os dados são encontrados no Capítulo 6. A tecnologia de comunicações e de redes, composta por dispositivos físicos e software, inter- liga os diversos equipamentos de computação e transfere dados de uma localização física para outra. Equipamentos de computação e comunicação podem ser conectados em redes para compartilhar voz, dados, imagens, som e até vídeo. Uma rede liga dois ou mais computadores para compartilhar dados ou recursos, tais como uma impressora. A maior rede do mundo e a mais amplamente utilizada é a Internet. A Internet é uma “rede das redes” global que usa padrões universais (descritos no Capítulo 7) para conectar milhões de diferentes redes em mais de 230 países ao redor do mundo. A Internet criou uma plataforma de tecnologia “universal” sobre a qual se constroem novos produ- tos, serviços, estratégias e modelos de negócios. Essa mesma plataforma tecnológica também tem usos internos, fornecendo conectividade para unir diferentes sistemas e redes dentro de uma empresa. As redes corporativas internas baseadas na tecnologia da Internet são chamadas de intranets. As intra- nets particulares que permitem o acesso de usuários autorizados fora da organização são chamadas de extranets; as empresas usam essas redes para coordenar suas atividades com outras empresas e, assim, M01_LAUD_0000_01_SE_C01.indd 16 07/11/14 14:34 E841375 Highlight E841375 Highlight E841375 Highlight E841375 Highlight E841375 Highlight E841375 Highlight Capítulo 1: Os sistemas de informação empresariais na sua carreira 17 fazer compras, colaborar em projetos e executar outras atividades interorganizacionais. Hoje, para a maioria das empresas, usar a tecnologia da Internet é tanto uma necessidade empresarial quanto uma vantagem competitiva. A World Wide Web é um serviço proporcionado pela Internet que usa padrões universalmente aceitos para armazenar, recuperar, formatar e mostrar informações no formato de uma página da Internet. As páginas da Web contêm texto, gráficos, animações, som e vídeo e estão ligadas a outras páginas. Clicando em palavras destacadas ou em botões de uma página Web, temos acesso a páginas relacionadas para procurar informações adicionais e links a outros endereços na Web. Ela pode servir de base para novos tipos de sistemas de informação, tais como sistema de rastreamento de encomendas baseado na Web da UPS. Todas essas tecnologias, juntamente com as pessoas necessárias para acioná-las, representam recur- sos que podem ser compartilhados por toda a organização e constituem a infraestrutura de tecnologia da informação (TI) da empresa. A infraestrutura de TI provê a fundação, ou plataforma, sobre a qual a empresa pode montar seus sistemas de informação específicos. Cada organização deve projetar e administrar cuidadosamente sua infraestrutura de TI, de modo que ela contenha o conjunto de ser- viços tecnológicos necessários para o trabalho que se quer realizar com os sistemas de informação. Os capítulos 5 a 8 deste livro analisam cada um dos componentes tecnológicos mais importantes da infraestrutura de tecnologia da informação e mostram como todos trabalham em conjunto na criação da plataforma de tecnologia para a organização. A Seção Interativa sobre Tecnologia descreve algumas das tecnologias normalmente usadas em sis- temas de informação baseados em computadores. A UPS faz investimentos pesados em tecnologias de sistemas de informação para tornar suas operações mais eficientes e orientadas ao cliente. Para tanto, usa uma gama de tecnologias de informação que incluem leitores de códigos de barras, redes sem fio, mainframes, computadores portáteis, Internet e diversos tipos de software voltados ao rastreamento de encomendas, cálculos de frete, armazenamento de contas do cliente e administração da logística. Ao ler esse estudo de caso, procure identificar o problema enfrentado pela empresa, quais soluções estavam disponíveis ao gestor e em que medida a solução escolhida foi apropriada. Vamos identificar os elementos organizacionais, humanos e tecnológicos no sistema de rastreamento de encomendas da UPS. O elemento organizacional vincula o sistema de rastreamento de encomendas às funções de vendas e produção da UPS (o produto principal da UPS é um serviço — entrega de encomen- das). Ele especifica os procedimentos necessários para identificar os pacotes com informações sobre o remetente e o destinatário, para monitorar o estoque, rastrear encomendas em trânsito e emitir relatórios sobre a posição da encomenda para os clientes da UPS ou para os responsáveis pelo atendimento. O sistema também deve fornecer informações que satisfaçam as necessidades dos gerentes e outros funcionários. Os motoristas da UPS precisam ser treinados nos procedimentos de retirada e de entrega de encomendas, bem como na utilização do sistema de rastreamento, para que possam trabalhar com eficiência e efetividade. Os clientes da UPS talvez precisem de algum treinamento para usar o software de rastreamento ou o site da empresa. A administração da UPS é responsável pelos níveis e custos dos serviços de monitoração e pela pro- moção da estratégia da empresa, que combina baixo custo e serviço de qualidade superior. A adminis- tração decidiu usar a automação para tornar ainda mais fácil enviar uma encomenda via UPS e para verificar a situação de entrega, reduzindo assim seus custos e aumentando as receitas de vendas. A tecnologia de apoio ao sistema consiste em computadores de mão, leitores de código de barras, redes de comunicações com e sem fio, computadores de mesa, o computador central da UPS, tecnologia de armazenamento dos dados de entrega da encomenda, software interno de rastreamento da UPS e software de acesso à World Wide Web. O resultado é uma solução de sistema de informação para o desafio da empresa, que é proporcionar alto nível de serviço com preços baixos diante da crescente concorrência. 1.3 compreendendo os sistemas de informação: uma abordagem de resolução de problemas organizacionais Nossa abordagem para entender os sistemas de informação é considerá-los, juntamente com as tecnologias de informação, soluções para uma variedade de problemas e desafios organizacionais. Chamamos isso de “abordagem de resolução de problemas”. As empresas enfrentam muitos desafios e problemas, e os sistemas de informação são uma das principais maneiras de resolvê-los. Todos os M01_LAUD_0000_01_SE_C01.indd 17 07/11/14 14:34 E841375 Highlight E841375 Highlight E841375 Highlight Sistemas de informação gerenciais18 estudos de caso deste livro ilustram como uma empresa recorre aos sistemas de informação para resolver um problema específico. A abordagem de resolução de problemas tem relevância direta para sua futura carreira. Seus futuros empregadores o contratarão por sua habilidade de solucionar problemas organizacionais e atingir os objetivos da empresa. Assim, será muito útil saber como os sistemas de informação contribuem para a resolução de problemas tanto para você quanto para seus empregadores. a abordagem de resolução de problemas À primeira vista, a resolução de problemas no dia a dia parece perfeitamente simples: uma máquina quebra, espalhando peças e óleo por todo lado e, evidentemente, alguém tem que fazer algo a respeito. Sua atitude é óbvia: você procura uma ferramenta pela loja e começa a reparar a máquina. Depois de limpar tudo e de inspecionar as outras partes, você liga a máquina, e a produ- ção é retomada. a UPs cOncOrre glObalmenTe cOm TecnOlOgia da infOrmaçãO SEÇÃO INTERATIVA: TECNOLOGIA A United Parcel Service (UPS) começou sua opera- ção em 1907, com seu escritório em um porão do tama- nho de um cubículo. Jim Casey e Claude Ryan — dois adolescentes de Seattle munidos de duas bicicletas e um telefone — prometiam “o melhor serviço e o preço mais baixo”. A UPS tem usado essa fórmula com sucesso há mais de um século para se tornar a maior empresa mun- dial de distribuição de encomendas, por via terrestre e por via aérea. Hoje é uma organização global, com cerca de 400 mil empregados, 96 mil veículos e a nona maior companhia aérea do mundo. Hoje, a UPS entrega diariamente 16,3 milhões de encomendas e documentos nos Estados Unidos e em mais de 220 outros países no mundo. A empresa con- seguiu manter a liderança nos serviços de entrega de pequenos pacotes, apesar da concorrência acirrada com a FedEx e a Airborne Express, investindo pesado em tecnologia de informação avançada. A UPS gasta mais de um bilhão de dólares por ano para manter um alto nível de serviços ao cliente, mantendo os custos baixos e otimizando suas operações gerais. Tudo começa com a etiqueta com código de barras colada a um pacote, que contém informações detalhadas sobre o remetente, o destino e a data prevista de entrega. Os clientes podem baixar e imprimir suas próprias etique- tas usando um software especial fornecido pela UPS ou acessando o site da empresa. Antes mesmo que o pacote seja recolhido, informações da etiqueta “inteligente” são transmitidas a uma das redes de computadores da UPS em Mahwah, Nova Jersey, ou Alpharetta, Geórgia, e enviadas ao centro de distribuição mais próximo de seu destino final. Os entregadores nesses centros copiam os dados da etiqueta e utilizam um software especial para criar a rota de entrega mais eficiente para cada motorista, con- siderando o tráfego, as condições climáticas, bem como a localização de cada parada. Em 2009, a UPS come- çou a instalar sensores em seus veículos de entrega, que podem captar a velocidade e a localização do caminhão, o número de vezes que ele é posicionado em marcha ré e se o cinto de segurança do motorista está afivelado. No final de cada dia, essas informações são enviadas aos computadores centrais da UPS e são analisadas durante a noite. Através da combinação das informações do GPS e dos dados obtidos a partir dos sensores de eficiência de combustível instalados em mais de 46 mil veículos, a UPS reduziu, em 2011, o consumo de combustível em 8,4 milhões de galões e suprimiu 85 mil milhas de suas rotas. Diariamente, a primeira coisa que um motorista da UPS recebe é um computador de mão chamado Dispositivo de Coleta de Informações das Entregas (DIAD — Delivery Information Acquisition Device), que pode acessar uma das redes sem fio disponíveis para celular. Assim que o motorista se conecta, sua rota diária é copiada para o dispositivo. O DIAD também registra automaticamente a assinatura do cliente, juntamente com as informações sobre retirada e entrega de encomendas. As informações de rastreamento do pacote são, então, transmitidas para a rede de computadores da UPS para armazenagem e processamento. A partir daí, as informa- ções podem ser acessadas de qualquer lugar do mundo, tanto para fornecer protocolo de entrega aos clientes quanto para responder às suas consultas. Normalmente, são necessários menos de 60 segundos do momento em que o motorista conclui a operação no DIAD até que as novas informações estejam disponíveis na Web. Por meio de seu sistema automático de rastreamento, a UPS pode monitorar e até mesmo reencaminhar as enco- mendas ao longo de todo o processo de entrega. Em vários pontos ao longo da rota entre remetente e destinatário, um leitor de código de barras verifica informações de expe- dição contidas no rótulo do pacote, e alimenta os dados sobre o progresso do pacote no computador central. O ser- M01_LAUD_0000_01_SE_C01.indd 18 07/11/14 14:34 Capítulo 1: Os sistemas de informação empresariais na sua carreira 19 PergUnTas sObre O esTUdO de casO 1. Quais são as entradas, os processamentos e as saídas no sistema de rastreamento de pacotes da UPS? 2. Quais tecnologias são utilizadas pela UPS? Como essas tecnologias estão relacionadas à estratégia de negócios da empresa? 3. Quais objetivos organizacionais estratégicos são visados pelos sistemas de informação da UPS? 4. O que aconteceria se os sistemas de informação da UPS não estivessem disponíveis? viço de atendimento ao cliente pode verificar a situação de qualquer encomenda em seus computadores, ligados aos computadores centrais, e responder imediatamente às perguntas dos clientes. Estes também podem acessar essas informações diretamente do site da UPS usando seus próprios computadores ou smartphones. A UPS agora tem aplicativos móveis e um site Web móvel para iPhone, BlackBerry e usuários de smartphones Android. Quem tiver uma encomenda a ser enviada pode acessar o site da UPS para rastreá-la, verificar rotas de entrega, calcular taxas de expedição, determinar o tempo de trânsito, imprimir etiquetas e agendar uma data para a empresa retirar a encomenda. Os dados cole- tados no site da UPS são transmitidos ao computador central e retornam ao cliente depois de processados. A empresa também oferece ferramentas que habilitam seus clientes, como a Cisco Systems, a incorporar a seus sites algumas funções da UPS, como rastreamento e cálculos de custo, a fim de monitorar encomendas sem precisar acessar o site da UPS. O sistema de gerenciamento de pedidos pós-vendas (OMS), baseado na Web, gerencia pedidos de serviço globais e relatórios para reabastecimento do estoque crítico. O sistema permite que empresas aeroespaciais, de eletrônicos, de equipamentos médicos e outras em qualquer parte do mundo, com estoque crítico, acessem o relatório, avaliem o problema, determinem a melhor rota para atender as necessidades do cliente, façam pedi- dos on-line e rastreiem as partes desde o depósito até o usuário final. Um recurso de e-mail ou fax automa- tizado mantém os clientes informados sobre cada etapa do envio e pode oferecer notificações sobre quaisquer alterações com relação aos voos de linhas aéreas comer- ciais que transportam suas peças. Agora, a UPS está usando suas décadas de experiên- cia em administrar a própria rede de entregas globais para administrar também a logística e a cadeia de abas- tecimento de outras empresas. Ela criou uma divisão chamada UPS Supply Chain Solutions que oferece aos clientes corporativos um pacote completo de serviços padrão, por muito menos do que custaria construir siste- mas e infraestrutura próprios. Entre esses serviços estão administração e projeto de cadeias de suprimentos, agenciamento de carga, despacho aduaneiro, serviços de correspondência, transporte multimodal e serviços financeiros, além dos serviços de logística. Em 2006, a UPS iniciou o gerenciamento da cadeia de abastecimento de empresas farmacêuticas e de suprimen- tos médicos. Por exemplo, em Louisville, na sede da UPS em Kentucky, uma empresa farmacêutica demanda dia- riamente 4 mil bombas de insulina e outros suprimentos dos clientes da Medtronic Inc., com sede em Minneapolis. Os farmacêuticos da UPS em Louisville conectam-se ao sistema da Medtronic, preenchem os pedidos com dispo- sitivos estocados no local e solicitam que a UPS os dis- tribua aos pacientes. O serviço da UPS tem permitido à Medtronic fechar o seu próprio armazém de distribuição e reduzir significativamente os custos de processamento de cada pedido. A UPS e outras empresas de entrega de encomendas estão investindo em depósitos gigantes para servir a várias empresas farmacêuticas ao mesmo tempo, com freezers para medicamentos e cofres de alta segu- rança para armazenagem de substâncias controladas. A UPS tem parceria com a Pratt & Whitney, empresa líder mundial em projetos, fabricação e serviços relacio- nados a motores para aeronaves, sistemas de propulsão espacial e turbinas industriais a gás, para gerir o centro de distribuição da Pratt & Whitney na Geórgia, que pro- cessa e expede 98% das peças utilizadas em motores a jato da empresa ao redor do planeta. Os funcionários da UPS e da Pratt & Whitney, juntos, mantêm o controle de cerca de 25 mil tipos diferentes de peças e realizam até 1.400 pedidos complexos por dia — variando desde algumas porcas e parafusos até conjuntos compreen- dendo todas as peças necessárias para construir um motor inteiro. No departamento receptor da UPS, no edifício que ocupa 250 mil pés quadrados, os inspetores de qualidade da UPS verificam as peças recém-chega- das de acordo com seus modelos. Fontes: Steve Rosenbush e Michael Totty, “How Big Data Is Transforming Business”, The Wall Street Journal, 10 mar. 2013; Thomas H. Davenport, “Analytics That Tell You What to Do”, The Wall Street Journal, 03 abr. 2013; Elana Varon, “How UPS Trains Front-Line Workers to Use Predictive Analytics”, DataInformed, 31 jan. 2013; Disponível em: <www.ups.com>, acesso em: 17 abr. 2013; Jennifer Levitz e Timothy W. Martin, “UPS, Other Big Shippers, Carve Health Care Niches”, The Wall Street Journal, 27 jun. 2012; e “Logistics in Action: At Pratt & Whitney Facility, Silence Is Golden”, UPS Compass, ago. 2012. M01_LAUD_0000_01_SE_C01.indd 19 07/11/14 14:34 Sistemas de informação gerenciais20 Sem dúvida, alguns problemas empresariais são tão sim- ples quanto esse. Mas, no mundo real dos negócios, nem tudo transcorre desta maneira. Na realidade empresarial, os problemas envolvem simultaneamente uma série de fatores. Esses fatores podem ser agrupados em três categorias: orga- nização, tecnologia e pessoas. Em outras palavras, trata-se de um conjunto completo de problemas. um modelo do proCesso de resolução de problemas Existe um modelo simples que pode ajudá-lo a entender e solucionar problemas organizacionais por meio dos sistemas de informação. Pense na resolução desses problemas como um processo de quatro passos (ver Figura 1.4). A maioria dos tomadores de decisão usa esse modelo à sua maneira. Examinemos brevemente cada passo que o compõe. Identificação do problema O primeiro passo no processo de resolução de problemas é descobrir o tipo de problema. Ao con- trário da crença popular, os problemas não são como bolas de basquete em uma quadra simplesmente à espera para ser pegos por algum tomador de decisão “objetivo”. Para que eles sejam resolvidos, deve haver consenso sobre sua existência, suas causas e o que pode ser feito sobre ele, dados os recursos limitados de que se dispõe. De fato, os problemas devem ser adequadamente definidos pelas pessoas em uma organização, antes que possam ser resolvidos. Por exemplo, o que à primeira vista poderia parecer um problema de funcionários que não dão retorno adequado aos clientes, de modo preciso e oportuno, pode na verdade ser a consequência de um sistema de informação ultrapassado de monitoração de clientes. Ou pode ser uma combinação de pouco incentivo aos funcionários para tratar bem os clientes com um sistema ultrapassado. Entendido esse fato crítico, você pode começar a solucionar os problemas criativamente. Para achar respos- tas a essas questões, será preciso reunir os fatos, conversar com as pessoas envolvidas e analisar documentos. Neste livro enfatizamos três dimensões diferentes e comuns dos problemas organizacionais: orga- nização, tecnologia e pessoas (ver Tabela 1.2). Os problemas organizacionais típicos incluem pro- cessos deficientes (geralmente herdados do passado), cultura pouco colaborativa, conflitos internos e mudanças no entorno da organização. Entre os problemas tecnológicos mais comuns, estão hardware antigo ou insuficiente, software desatualizado, capacidade do banco de dados inadequada, capaci- dade de telecomunicações insuficiente e incompatibilidade de sistemas antigos com a nova tecno- logia. Já entre os problemas humanos típicos, estão treinamento de funcionários, dificuldades para avaliar o desempenho, exigências regulatórias e legais, ergonomia, administração indecisa ou defi- ciente, participação dos funcionários e apoio a eles. Quando você começar a analisar um problema organizacional, perceberá que essas dimensões são guias úteis para entender com qual tipo de pro- blema você está lidando. © B ill A ro n/ Ph ot oE di t. Usando um computador de mão, chamado de Dispositivo de Coleta de Informações das Entregas (DIAD — Delivery Information Acquisition Device), os motoristas da UPS registram automaticamente as assinaturas dos clientes juntamente com as informações sobre a retirada e a entrega de encomendas. Os sistemas de informação da UPS utilizam esses dados para rastrear as encomendas enquanto estão sendo transportadas. Figura 1.4 Tomar decisões é um processo contínuo de quatro passos Durante e depois da implantação, o resultado precisa ser continuamente medido e os tomadores de decisão devem procurar saber em que medida a solução está funcionando. Desse modo, a identificação do problema pode mudar ao longo do tempo, as soluções podem ser alteradas e novas escolhas podem ser feitas, tudo com base na experiência. Feedback Identi�cação do problema Propostas de solução Avaliação das propostas e escolha de solução Implantação M01_LAUD_0000_01_SE_C01.indd 20 07/11/14 14:34 E841375 Highlight E841375 Highlight Capítulo 1: Os sistemas de informação empresariais na sua carreira 21 Tabela 1.2 Dimensões dos problemas organizacionais. dimensão descrição Dimensões organizacionais Processos organizacionais ultrapassados Atitudes e cultura pouco colaborativas Conflitos políticos Ambiente organizacional turbulento ou em mutação Complexidade da tarefa Recursos inadequados Dimensões tecnológicas Hardware antigo ou insuficiente Software ultrapassado Capacidade inadequada do banco de dados Capacidade insuficiente de telecomunicações Incompatibilidade dos velhos sistemas com as novas tecnologias Mudança tecnológica acelerada e falha em adotar novas tecnologias Dimensões humanas Falta de treinamento dos funcionários Dificuldades para avaliar o desempenho Exigências regulatórias e legais Ambiente de trabalho Falta de participação dos funcionários e de apoio a eles Administração indecisa Administração deficiente Incentivos inadequados Propostas de solução O segundo passo é propor soluções ao(s) problema(s) que você identificou. Ao que tudo indica, normal- mente existe grande quantidade de “soluções” para qualquer problema, e a escolha, muitas vezes, reflete as diferentes perspectivas das pessoas na organização. Você deve tentar levar em conta o maior número pos- sível de soluções, pois só assim terá noção de todas as possibilidades. Algumas soluções dão mais ênfase à tecnologia; enquanto outras se concentram nos aspectos organizacionais e humanos do problema. Como você perceberá ao longo deste livro, muitas soluções bem-sucedidas resultam de uma abordagem inte- grada, na qual novas tecnologias foram acompanhadas por mudanças na organização e no aspecto humano. Avaliação e escolha de solução Escolher a “melhor” solução para sua empresa é o passo seguinte do processo. Alguns dos fatores a considerar para tentar achar a “melhor” solução são o custo dessa solução, sua exequibilidade, dados os recursos e conhecimentos existentes, e o tempo necessário para desenvolvê-la e implantá-la. Nesse ponto, também devem ser levadas em conta as atitudes e o apoio de seus funcionários e gerentes. Uma solução que não conta com o apoio de todos os principais interessados na empresa pode rapidamente se transformar em um desastre. Implantação A melhor solução é aquela que pode ser implantada. Para implantar uma solução que envolva siste- mas de informação, é preciso desenvolver esta solução e introduzi-la na empresa. Isso inclui adquirir ou desenvolver software e hardware — a parte tecnológica da equação. Primeiro, o software precisa ser testado em um cenário empresarial realista; depois, os funcionários precisam ser treinados para usá-lo. Além disso, também será preciso preparar uma documentação sobre como usar o novo sistema. Definitivamente, você terá de pensar em como administrar a mudança. O conceito de gestão da mudança refere-se às muitas técnicas usadas para conduzir com sucesso uma mudança organizacio- nal. Praticamente todos os sistemas de informação exigem mudanças nos processos de negócios, além de alterações naquilo que centenas, às vezes milhares, de funcionários fazem todos os dias. Primeiro você terá que delinear processos organizacionais novos, mais eficientes, depois descobrir um jeito de M01_LAUD_0000_01_SE_C01.indd 21 07/11/14 14:34 E841375 Highlight E841375 Highlight E841375 Highlight E841375 Highlight Sistemas de informação gerenciais22 incentivar os funcionários a se adaptar a essas novas maneiras de conduzir os negócios. Isso pode exigir reuniões para introduzir a mudança a grupos de funcionários, novos módulos de treinamento para deixá- -los atualizados em relação aos novos processos e sistemas de informação e, finalmente, algum tipo de recompensa ou incentivo para estimulá-los a apoiar com entusiasmo as mudanças. A implantação também inclui a mensuração dos resultados. Depois de implantada, cada solução precisa ser avaliada, para que se determine em que medida ela está funcionando e se são necessá- rias mudanças adicionais para atender aos objetivos originais. Essas informações devem retornar aos tomadores de decisão. Assim, a identificação do problema pode mudar ao longo do tempo, soluções podem ser alteradas e novas escolhas podem ser feitas, tudo com base na experiência real. Resolução de problemas: um processo, não um evento Muitas vezes se supõe que, uma vez que um problema é “resolvido”, ele desaparece e pode ser esquecido. E é fácil cair na armadilha de encarar a resolução de problemas como um evento que “ter- mina” em determinado ponto, como uma corrida de revezamento ou de um jogo de beisebol. No mundo real, isso não acontece. Às vezes, a solução escolhida não funciona e novas soluções são necessárias. A Agência Espacial Norte-Americana (Nasa), por exemplo, gastou mais de um bilhão de dólares para corrigir um problema com descolamento de espuma no ônibus espacial. Na prática, a solução inicial não funcionou. Muito frequentemente, a solução escolhida funciona em parte, mas requer várias alterações contínuas para realmente “se encaixar” na situação. Em geral, uma solução inicial é apenas uma aproximação grosseira do que vai funcionar definitivamente. Às vezes, a natureza do problema muda de maneira que a solução inicial se torna ineficaz. As novas variantes de vírus de computador criadas pelos hackers, por exemplo, obrigam os programas antivírus a evoluir continuamente. Por todas essas razões, a resolução de problemas é muito mais um processo contínuo do que um evento isolado. o papel do senso CrítiCo na resolução de problemas É incrivelmente fácil aceitar a definição de um problema dada por outra pessoa ou adotar opiniões de pessoas abalizadas que, “objetivamente”, analisaram o problema e, agora, oferecem soluções rápidas. Você deve tentar resistir à tentação de aceitar as definições preexistentes de qualquer problema. Durante o fluxo natural de tomada de decisões, é essencial que você mantenha certo distanciamento de qualquer solução específica até ter certeza de que identificou adequadamente o problema, compreendeu-o a fundo e analisou as alternativas. Caso contrário, você corre o risco de investir na direção errada, resolver o pro- blema errado e desperdiçar recursos. É por isso que lhe recomendamos alguns exercícios de senso crítico. Podemos definir o senso crítico resumidamente como a suspensão do julgamento até que se tenha ciência das múltiplas perspectivas e alternativas. Isso envolve pelo menos quatro elementos: manter uma postura questionadora e adiar o julgamento; ter consciência das diferentes perspectivas; testar as alternativas e deixar que a experiência dite as regras; ter consciência dos limites organizacionais e humanos. A simples obediência a uma rotina de tomada de decisão, ou um modelo, não garante que você vá chegar à solução correta. A melhor proteção contra resultados incorretos é ter senso crítico ao longo do processo de resolução de problemas. Em primeiro lugar, mantenha uma postura questionadora e adie o julgamento. Talvez o erro mais frequente na resolução de problema seja formar um juízo prematuro quanto à natureza do problema. Se você questionar todas as soluções no primeiro momento e se recusar a formar um juízo rapidamente, criará condições mentais necessárias para olhar os problemas de um ponto de vista criativo e livre de preconceitos. Assim, você manterá aberta a possibilidade de dar uma contribuição criativa. Em segundo lugar, reconheça que todos os problemas organizacionais de interesse têm muitas dimensões, e que o mesmo problema poderá ser visto de ângulos distintos. Neste livro, enfatizamos a utilidade de três perspectivas sobre os problemas organizacionais: tecnológica, organizacional e humana. Dentro de cada uma delas existem muitas subperspectivas, ou pontos de vista. A perspec- tiva tecnológica, por exemplo, deve levar em conta todos os componentes de infraestrutura de TI da empresa e o modo como eles atuam em conjunto. Por sua vez, a perspectiva organizacional abrange os processos organizacionais da empresa, bem como sua estrutura, cultura e política. A perspectiva humana considera a administração da empresa, além dos funcionários como indivíduos e suas inter-re- lações em grupos de trabalho. M01_LAUD_0000_01_SE_C01.indd 22 07/11/14 14:34 E841375 Highlight E841375 Highlight E841375 Highlight E841375 Highlight E841375 Highlight E841375 Highlight E841375 Highlight Capítulo 1: Os sistemas de informação empresariais na sua carreira 23 Você terá de decidir por si mesmo quais daquelas perspectivas mais amplas são úteis para enfocar determinado problema. Nesse sentido, o critério definitivo é a utilidade: adotar determinada perspec- tiva lhe dirá algo mais sobre o problema que seja útil para resolvê-lo? Em caso negativo, rejeite aquela perspectiva por não ser significativa nessa situação e volte seu olhar para as demais. O terceiro elemento do senso crítico envolve testar alternativas ou delinear soluções para os proble- mas, deixando que a experiência dite as regras. Nem todas as contingências podem ser antecipadas e muita coisa pode ser aprendida pela experiência. Por isso, experimente, reúna dados e reavalie o pro- blema periodicamente. a Conexão entre os problemas, as soluções e os objetivos organizaCionais Vamos, agora, mostrar a conexão entre os sistemas de informação organizacionais e a abordagem de resolução de problemas. No início deste capítulo, falamos sobre os seis motivos pelos quais as empresas investem em tecnologias e sistemas de informação. Identificamos também seis objetivos organizacio- nais dos sistemas de informação: excelência operacional; novos produtos, serviços e modelos de negó- cios; relacionamento mais estreito com clientes e fornecedores; melhor tomada de decisão; vantagem competitiva; e sobrevivência. Quando as empresas não conseguem atingir esses objetivos, eles se trans- formam em “desafios” ou “problemas” que requerem atenção. Os administradores e funcionários que estão cientes desses desafios costumam, então, recorrer aos sistemas de informação em busca de ajuda ou mesmo da solução completa. Reveja o diagrama no início deste capítulo, que mostra a forma como os sistemas do San Francisco Giants resolveram seus problemas organizacionais, representados pela necessidade de gerar receita em um setor altamente competitivo. Esses sistemas criaram uma solução que aproveita as novas oportu- nidades criadas pelas novas tecnologias digitais e da Internet. Eles abriram novos canais para venda de ingressos e para interagir com os clientes, otimizaram a precificação do ingresso e usaram novas ferramentas para analisar o desempenho de cada jogador. Esses sistemas foram essenciais para melho- rar o desempenho organizacional do Giants. O diagrama também ilustra como os elementos humanos, tecnológicos e organizacionais, em conjunto, criaram os sistemas. Cada capítulo deste livro começa com um diagrama similar àquele para ajudá-lo a estudar o caso de abertura do capítulo. Você pode usar esse diagrama como ponto de partida para analisar qualquer sistema de informação ou qualquer problema relacionado a sistemas de informação que encontrar. 1.4 Os sistemas de informação e sua carreira Se olharmos adiante para 2020, veremos que a economia dos Estados Unidos criará 20 milhões de novos empregos e 24 milhões dos empregos existentes terão suas vagas abertas conforme seus ocu- pantes se aposentarem. Mais de 95% dos novos empregos serão criados no setor de serviços. A grande maioria desses novos empregos e vagas a serem substituídas exigirá formação universitária (Statistical Abstract, 2013; U.S. Bureau of Labor Statistics, 2013). O que isso significa? Significa que as organizações norte-americanas estão em busca de candidatos com uma ampla gama de habilidades para solucionar problemas — capacidade de ler, escrever e apre- sentar ideias —, assim como habilidades técnicas para realizar tarefas específicas. Independentemente do curso que esteja fazendo, ou da sua futura ocupação, as tecnologias e os sistemas de informação terão papel cada vez mais determinante no seu dia a dia profissional e na sua carreira. Suas oportunida- des de emprego e sua remuneração dependerão, em parte, de sua capacidade em ajudar as organizações a utilizarem os sistemas de informação para alcançarem seus objetivos. Como os sistemas de informação afetarão as Carreiras relaCionadas a negóCios Nas seções seguintes, descrevemos como profissões específicas serão afetadas pelos sistemas de informação e quais habilidades você deve desenvolver para ser eficiente neste emergente mercado de trabalho com base na pesquisa do U.S. Bureau of Labor Statistics (Bureau of Labor Statistics, 2013; U.S. Census, 2011). M01_LAUD_0000_01_SE_C01.indd 23 07/11/14 14:34 E841375 Highlight E841375 Highlight E841375 Highlight E841375 Highlight Sistemas de informação gerenciais24 Contabilidade Há cerca de dois milhões de contadores nos Estados Unidos hoje, e espera-se uma expansão de 16% até 2020, com a abertura de aproximadamente 200 mil novas vagas de emprego e um número semelhante de vagas para substituir os aposentados. Esse crescimento acima da média na área de con- tabilidade se deve, em parte, ao estabelecimento de novas leis contábeis para empresas públicas, ao exame minucioso das empresas públicas e privadas por parte dos auditores fiscais do governo e a uma demanda crescente pela consultoria gerencial e operacional. Os contadores apoiam-se fortemente nos sistemas de informação para resumir transações, criar registros financeiros, organizar os dados e realizar análises financeiras. Em decorrência da nova legis- lação pública norte-americana, os contadores necessitam ter um profundo conhecimento sobre banco de dados, sistemas de informação e redes para que possam rastrear transações financeiras. Uma vez que muitas transações são realizadas através da Internet, os contadores precisam entender o funciona- mento dos sistemas de transação e relatórios on-line, e como os sistemas são utilizados para realizar as funções de contabilidade de gestão em um ambiente empresarial móvel, wireless e on-line. Finanças Incluindo os analistas financeiros e do mercado de ações, corretores de seguro e empregos relacionados à área financeira, existem atualmente cerca de 2,2 milhões de administradores e funcionários em finan- ças. Os administradores financeiros elaboram relatórios financeiros, executam atividades de investimento direto e implantam estratégias para gestão de fluxo de caixa. Estima-se que essas vagas relacionadas à área financeira cresçam cerca de 20% até 2020, com a criação de mais de 400 mil novas vagas de emprego. Os administradores financeiros desempenham papel fundamental no planejamento, organização e implantação de estratégias relacionadas a sistemas de informação em suas empresas. Eles trabalham diretamente com a alta direção e o conselho de administração da empresa para garantir que os investi- mentos em sistemas de informação ajudem a atingir os objetivos corporativos e a gerar altos retornos. A relação entre sistemas de informação e a prática da moderna administração financeira, ou dos moder- nos serviços financeiros, é tão forte que muitos aconselham os estudantes de economia a se formarem também em sistemas de informação (ou vice-versa). Marketing Nenhum outro campo sofreu mais mudanças tecnológicas nos últimos cinco anos do que marketing e publicidade. A explosão do e-commerce já descrita neste capítulo significa que os olhares estão se voltando rapidamente para a Internet. Com isso, a publicidade na Internet se tornou a forma de divulga- ção de mais rápido crescimento, tendo movimentado 40 bilhões de dólares em 2013. Tudo isso significa que as atividades de branding e de comunicação com o cliente estão migrando para o ambiente virtual em ritmo acelerado. Existe aproximadamente 1,5 milhão de executivos de marketing, relações públicas, vendas e publi- cidade nos Estados Unidos. Esse campo está crescendo mais rápido que a média, em cerca de 12%, e estima-se que venha a abrir mais de 300 mil vagas de emprego até 2020. Há ainda um grupo muito maior de 2,6 milhões de profissionais que não ocupam cargos gerenciais e exercem atividades relacio- nadas ao marketing (arte, design, entretenimento, esportes e mídia) e mais de 15,9 milhões de pessoas que trabalham com vendas. Juntas, essas ocupações devem criar mais 3,1 milhões de postos de trabalho até 2020. Os administradores de marketing e publicidade, no processo de criação de marcas e venda de produtos e serviços, lidam com grandes bancos de dados de comportamento dos clientes, tanto on-line como off-line. Eles elaboram relatórios sobre o desempenho do produto, obtêm feedback dos clientes e gerenciam o desenvolvimento de produtos. Eles precisam ter uma compreensão de como os sistemas integrados de gestão de produto, gestão de força de vendas e gestão de relacionamento com o cliente são utilizados para desenvolver produtos que os consumidores desejam, para gerenciar o relacionamento com o cliente e uma força de vendas cada vez mais móvel. Gestão de operações em serviços e manufatura A complexidade e o tamanho crescente da moderna produção industrial, bem como o surgimento de gigantescas empresas de serviços globais, têm criado uma crescente demanda por profissionais capa- zes de coordenar e otimizar os recursos necessários à produção de bens e serviços. Como disciplina, a gestão de operações é diretamente relevante para três categorias profissionais: gestores de produção industrial, gestores de serviços e analistas operacionais. M01_LAUD_0000_01_SE_C01.indd 24 07/11/14 14:34 E841375 Highlight E841375 Highlight E841375 Highlight E841375 Highlight E841375 Highlight Capítulo 1: Os sistemas de informação empresariais na sua carreira 25 Gestores de produção, de serviços e analistas operacionais empregarão sistemas e tecnologias de informação todos os dias para cumprir suas tarefas, com largo uso de softwares de banco de dados e analíticos. Administração Com mais de 15 milhões de membros, sem contar os 627 mil consultores administrativos, os admi- nistradores são a maior categoria profissional relacionada aos negócios nos Estados Unidos. Em geral, estima-se que o conjunto de administradores nos Estados Unidos deverá crescer a um ritmo médio de 15%, gerando cerca de 3,2 milhões de novos postos de trabalho até 2020. Há mais de 20 tipos diferen- tes de administrador relacionados pelo U.S. Bureau of Labor Statistics, desde chief executive officers (CEOs) até administradores de recursos humanos, produção, projetos, hotelaria, serviços médicos e mesmo serviços administrativos comunitários. O trabalho dos administradores tem sido transformado pelos sistemas de informação. Indiscutivelmente, seria impossível administrar organizações hoje, sem fazer largo uso dos sistemas de informação, mesmo no caso das pequenas empresas. Praticamente todos os administradores dos Estados Unidos usam sistemas e tecnologias de informação diariamente para cumprir suas tarefas, desde ferramentas de produtividade até aplicativos para coordenar o negócio como um todo. Os admi- nistradores hoje gerenciam utilizando uma variedade de tecnologias de informação, sem a qual seria impossível controlar e liderar a empresa. Sistemas de informação Entre todas as profissões relacionadas a negó- cios, a área de sistemas de informação é, com certeza, uma das mais dinâmicas e que sofre alte- rações mais velozes, pois as tecnologias de infor- mação estão entre as ferramentas mais importantes para atingir os principais objetivos das empresas. O aumento explosivo dos sistemas de informa- ção empresariais gerou uma demanda crescente por profissionais e administradores de sistemas de informação que, trabalhando com outros pro- fissionais administrativos, tenham capacidade de projetar e desenvolver novos sistemas de hardware e software para atender às necessidades empresa- riais. Entre as 20 profissões de crescimento mais acelerado até 2020, cinco estarão relacionadas aos sistemas de informação. Existem cerca de 307 mil administradores de sis- temas de informação nos Estados Unidos, com uma taxa de crescimento estimada em 15% até 2020, ampliando o número de novos postos de trabalho para mais de 55 mil novas vagas. Uma vez que os órgãos públicos e as empresas cada vez mais dependem da Internet como recurso de comunicação e computação, o número de vagas para administradores de siste- mas e de segurança de redes cresce muito rapidamente. O grupo ocupacional norte-americano que cresce com maior rapidez é o de analistas de rede e comunicação de dados, com crescimento previsto para 21%. Outsourcing e offshoring — A Internet abriu novas oportunidades para terceirizar muitos postos de trabalho relacionados a sistemas de informação, assim como muitos outros postos nos setores de serviços e manufatura. Há dois tipos de outsourcing: o doméstico, para as empresas que terceirizam processos em território nacional; e o internacional, também conhecido como offshore outsourcing, para casos de terceirização de processos em empresas no exterior, geralmente em países que pagam baixos salários, como Índia, China e países do Leste Europeu. Até mesmo essa distinção se torna pro- blemática, à medida que prestadores de serviço norte-americanos, como a IBM, inauguram centros de outsourcing globais na Índia. Os projetos mais comuns e mais bem-sucedidos de offshore outsourcing envolvem o trabalho de programação da produção e da manutenção do sistema, assim como call centers para relacionamento com o cliente. No entanto, a inflação dos salários na Índia e na China relacionada aos cargos de tecnologia, juntamente com os custos adicionais de gestão incorridos em projetos de terceirização, © K ze no n/ Sh ut te rs to ck . O trabalho do administrador requer largo uso de sistemas de informação para apoiar a tomada de decisão e monitorar o desempenho da empresa. M01_LAUD_0000_01_SE_C01.indd 25 07/11/14 14:34 E841375 Highlight E841375 Highlight E841375 Highlight E841375 Highlight Sistemas de informação gerenciais26 estão levando ao movimento contrário de retorno dos empregos para os Estados Unidos. Além disso, embora os serviços técnicos rotineiros de sistemas de informação, como manutenção de software, possam ser facilmente terceirizados, todas as tarefas gerenciais e organizacionais necessárias ao desenvolvimento de sistemas — incluindo o projeto do processo de negócios, interface do cliente e gestão da cadeia de suprimentos — costumam permanecer nos Estados Unidos. O design de software e novos esforços de programação raramente são terceirizados devido à sua importância estratégica para as empresas, e também ao fato dos designers de software norte-americanos estarem muito mais próximos do mercado de seu país e da base de clientes. A terceirização de software de serviços rotineiros de sistemas de informação para países de baixos salários reduz o custo de criação e manu- tenção de sistemas nos Estados Unidos. À medida que os sistemas se tornam menos caros, mais sistemas são criados. O resultado líquido é que o offshore outsourcing aumentará nos Estados Unidos a demanda por posições gerenciais em sistemas de informação, bem como por muitas das ocupações descritas anteriormente. Dados todos esses fatores no mercado de trabalho de TI, em quais tipos de competências os estudan- tes de sistemas de informação devem concentrar-se? A seguir, veremos uma lista de habilidades básicas que, acreditamos, aumentam as oportunidades de emprego: profundo conhecimento da forma de utilização dos itens emergentes de hardware e software pelas empresas para torná-las mais eficientes e efetivas, aumentar a proximidade com clientes e forne- cedores, melhorar a tomada de decisão, obter vantagens competitivas e assegurar a sobrevivência da empresa. Isso inclui sólido domínio de bancos de dados, no que diz respeito ao seu projeto, implantação e gestão; capacidade de assumir um papel de liderança no projeto e na implantação de novos sistemas de informação, de trabalhar com outros profissionais de negócios para garantir que os sistemas aten- dam aos objetivos corporativos e de trabalhar com pacotes de software que ofereçam novas solu- ções de sistemas. Considerações finais sobre sistemas de informação e sua Carreira Revendo os conhecimentos em sistemas de informação necessários aos estudantes de cursos especí- ficos, percebemos alguns pontos comuns. A seguir, apresentamos uma lista desses requisitos gerais no que diz respeito a conhecimentos e habilidades em sistemas de informação: todos os estudantes de áreas relacionadas aos negócios, independentemente da especialidade, preci- sam entender como os sistemas e as tecnologias de informação podem ajudar as empresas a atingir os objetivos corporativos, tais como eficiência operacional, desenvolvimento de novos produtos e serviços, e relacionamento estreito com o cliente; talvez o tema mais dominante que permeia esta revisão de habilidades profissionais necessárias seja o papel central dos bancos de dados em uma empresa moderna. Cada uma das carreiras que acabamos de descrever baseia-se fortemente no uso prático de bancos de dados; o crescimento dos bancos de dados em todas as áreas implica inevitavelmente um crescimento exponencial da informação digital, além do consequente desafio aos administradores para tentar entender toda essa informação. Independentemente da carreira escolhida, os estudantes da área de negócios precisam desenvolver a habilidade de analisar as informações e ajudar as empresas a entender o seu ambiente e fazer inferências a respeito dele. Inteligência e capacidade analítica empresarial formam um conjunto de habilidades importantes para analisar a enorme quantidade de dados que estão sendo produzidos pelo ambiente on-line das empresas; todos os estudantes de carreiras relacionadas aos negócios precisam ser capazes de trabalhar com os especialistas e desenvolvedores que projetam e implantam sistemas de informação. Isso é neces- sário para garantir que os sistemas desenvolvidos de fato atendam aos propósitos da empresa e forneçam informações e entendimento úteis a administradores e funcionários; cada uma das carreiras descritas anteriormente sofrerá o impacto de mudanças no ambiente ético, social e legal das empresas. Os estudantes devem, então, entender como os sistemas de informação podem ser usados para atender à necessidade de prestar contas ao governo e ao público e quais impactos esses sistemas trazem às questões éticas envolvidas. M01_LAUD_0000_01_SE_C01.indd 26 07/11/14 14:34 E841375 Highlight Capítulo 1: Os sistemas de informação empresariais na sua carreira 27 Como este livro prepara voCê para o futuro O objetivo explícito desta obra é prepará-lo para sua futura carreira na área de negócios, forne- cendo os conceitos fundamentais e o conhecimento necessário para compreender o papel dos siste- mas de informação nas organizações. Você será capaz de usar esse conhecimento para identificar oportunidades de aumentar a eficácia de sua empresa. Aprenderá a usar os sistemas de informação para melhorar as operações, criar novos produtos e serviços, aperfeiçoar a tomada de decisão, esta- belecer laços mais estreitos com o cliente e promover vantagens competitivas. Igualmente importante, este livro desenvolverá sua habilidade de usar os sistemas de infor- mação para resolver problemas no dia a dia profissional. Você aprenderá a analisar e definir um problema e a determinar a solução adequada de TI. Aprofundará sua habilidade de pensar criti- camente e solucionar problemas. As seguintes características do texto reforçam essa orientação à vida profissional e à solução de problemas. Um esquema para descrever e analisar sistemas de informação Este livro apresenta um esquema para analisar e solucionar problemas examinando os compo- nentes humanos, organizacionais e tecnológicos dos sistemas de informação. Esse esquema será usado repetidamente ao longo do livro para ajudá-lo a entender os sistemas de informação na empresa e analisar os problemas a eles relacionados. Um modelo de quatro passos para resolução de problemas Este livro oferece um modelo de quatro passos para resolução de problemas organizacionais, que já introduzimos neste capítulo. Você aprenderá a identificar o problema, delinear soluções alter- nativas, escolher a alternativa correta e finalmente implantá-la. A cada capítulo, você deverá usar esse método de resolução de problemas para solucionar estudos de caso. O Capítulo 12 mostrará como você pode usar essa abordagem para projetar e desenvolver novos sistemas de informação. Projetos práticos em SIG para estimular o senso crítico e a resolução de problemas Cada capítulo termina com uma série de projetos práticos em SIG para refinar sua habilidade de pensar criticamente e resolver problemas. Esses projetos incluem dois problemas envolvendo tomada de decisão gerencial, problemas práticos com software aplicativo e projetos para desenvol- ver conhecimentos de Internet. Em cada um deles, identificamos as competências empresariais e computacionais necessárias à solução. resumo 1 Como os sistemas de informação estão transformando os negócios e qual sua relação com a globalização? E-mail, conferência on-line, smartphones e tablets tornaram-se ferra- mentas essenciais para a condução de negócios. Os sistemas de informação são a base de cadeias de abastecimento mais rápidas. A Internet permite que as empresas vendam, comprem, anunciem e peçam feedback dos clientes on-line. Ela estimulou a globalização reduzindo dramaticamente os custos de produção, aquisição e venda de produtos em escala global. 2 Por que os sistemas de informação são tão importantes para o funcionamento e a gestão de empresas hoje? Atualmente, os sistemas de informação são a base para conduzir os negó- cios. Em vários setores, a sobrevivência, e até mesmo a existência, é difícil sem o largo uso da tecnologia da informação. As empresas utilizam os sistemas de informação para atingir seis obje- tivos principais: excelência operacional; novos produtos, serviços e modelos de negócios; relacio- namento mais estreito com clientes e fornecedores; melhor tomada de decisão; vantagem competi- tiva; e sobrevivência diária. 3 O que é exatamente um sistema de informação? Como ele funciona? Quais são seus componentes humanos, organizacionais e tecnológicos? Da perspectiva técnica, um sistema de informação coleta, armazena e dissemina informações oriundas do ambiente orga- nizacional e das operações internas para apoiar as funções organizacionais e auxiliar a tomada de decisão, a comunicação, a coordenação, o controle, a análise e a visualização. Os sistemas de M01_LAUD_0000_01_SE_C01.indd 27 07/11/14 14:34 Sistemas de informação gerenciais28 informação transformam dados brutos em informações úteis por meio de três atividades básicas: entrada, processamento e saída de dados. Sob a perspectiva organizacional, um sistema de informação oferece uma solução para um problema ou desafio enfrentado pela empresa e representa uma combina- ção de elementos humanos, organizacionais e tecnológicos. A dimensão humana dos sistemas de informação envolve questões como treinamento, atitudes profissionais e comportamento gerencial. A dimensão tecnológica engloba hardware computacional, software e tecnologia de administração de dados, além de tecnologia de rede e telecomunicações, incluindo a Internet. A dimensão organizacional dos sistemas de informação diz respeito a questões como hierarquia da organização, especializações funcionais, processos organizacionais, cultura e gru- pos de interesses políticos. 4 Como um método de quatro passos para a resolução de problemas ajuda a solucionar questões relacionadas a sistemas de informação? A identificação do problema consiste em entender qual tipo ele é e descobrir quais fatores humanos, organizacionais e tecnológicos estão envolvi- dos. A proposta de soluções envolve delinear várias soluções alternativas para o problema identificado. A avaliação e escolha implica selecionar a melhor solução, levando em conta custos, recursos e know- -how disponíveis na organização. A implantação de uma solução de sistema de informação implica adquirir ou desenvolver hardware e software, testar o software, oferecer aos funcionários treinamento e documentação de apoio, administrar a mudança enquanto o sistema é introduzido na organização e medir o resultado. Em todas as etapas, a resolução de problemas exige senso crítico, ou seja, que não se forme um juízo até considerar as múltiplas perspectivas e alternativas. 5 Como os sistemas de informação afetarão as carreiras e quais competências e conhecimen-tos são essenciais? As competências de carreiras empresariais como contabilidade, finanças, marketing, gestão de operações, administração e recursos humanos e sistemas de informação incluem a compreensão de como os sistemas de informação ajudam as empresas a atingir os objetivos orga- nizacionais mais importantes; a noção do papel central dos bancos de dados; conhecimentos sobre análise de informação e inteligência de negócios (BI); sensibilidade a questões éticas, sociais e legais levantadas pelos sistemas; e a capacidade de trabalhar com especialistas em tecnologia e outros profis- sionais na empresa no projeto e desenvolvimento de sistemas. Capacitação em computadores, 15 Capacitação em sistemas de informação, 15 Cultura, 15 Dados, 13 Entrada, 13 Extranets, 16 Feedback, 13 Gestão da mudança, 21 Hardware, 16 Informação, 13 Infraestrutura de tecnologia da informação (TI), 17 Internet, 16 Intranets, 16 Modelo de negócios, 11 Processamento, 13 Processos de negócios, 15 Redes, 16 Saída, 13 Senso crítico, 22 Sistema de informação (SI), 13 Sistemas de informação gerenciais (SIG), 15 Software, 16 Tecnologia de armaze- namento dos dados, 16 Tecnologia de informação (TI), 13 Tecnologia de redes e comunicações, 16 World Wide Web, 17 Palavras-chave 1.1 Como os sistemas de informação estão transformando os negócios, e qual é a sua relação com a globalização? Descreva como eles modificaram a forma das empresas gerenciarem seus produtos e serviços. Descreva os desafios e oportunidades da globalização em um mundo “planificado”. 1.2 Por que os sistemas de informação são tão importantes para o funcionamento e a gestão de empresas hoje? Enumere e descreva as seis razões pelas quais eles são tão importantes para as empresas hoje. Questões para revisão M01_LAUD_0000_01_SE_C01.indd 28 07/11/14 14:34 Capítulo 1: Os sistemas de informação empresariais na sua carreira 29 1.3 O que é exatamente um sistema de informação? Como ele funciona? Quais são seus componentes humanos, organizacionais e tecnológicos? Enumere e descreva as dimensões humana, organizacional e tecnológica. Defina e descreva as atividades que ele realiza. Diferencie dado e informação, bem como capacitação em sistemas de informação e capacitação em computadores. Explique como a Internet e a World Wide Web se relacionam a outros componentes tecnológicos dos siste- mas de informação. 1.4 Como um método de quatro passos para a resolução de problemas organizacionais pode ajudar a solucionar problemas relacionados a sistemas de informação? Enumere e descreva cada um dos quatro passos para resolver problemas organizacionais. Dê alguns exemplos de problemas humanos, organizacionais e tecnológicos que podem ser encontrados nas empresas. Descreva o papel do senso crítico na resolução de problemas. Descreva o papel dos sistemas de informação na resolução de problemas organizacionais. 1.5 Como os sistemas de informação afetarão as carreiras de negócios e quais competências e conhecimentos são essenciais? Descreva o papel dos sistemas de informação nas áreas de contabilidade, finanças, marketing, administra- ção e gestão de operações e explique como a carreira em sistemas de informação está sendo afetada pelas novas tecnologias e pela terceirização. Liste e descreva quais habilidades e conhecimentos em sistemas de informação são essenciais para todas as carreiras na área de negócios. 1.6 Quais são as implicações da globalização quando é necessário procurar um emprego? O que você pode fazer para se preparar para competir em um ambiente organizacional globalizado? Como os conhecimentos em sistemas de informação poderiam ajudá-lo a competir? 1.7 Se estivesse começando a criar o site para o San Francisco Giants, quais questões humanas, organizacionais e tecnológicas você esperaria encontrar? 1.8 Identifique algumas questões humanas, organizacionais e tecnológicas que a UPS teve que enfrentar durante a criação de seu bem-sucedido sistema de informação. Para discutir Projetos práticos em sig Os projetos nesta seção lhe oferecem experiência prática na análise de relatórios financeiros e nos problemas de gestão de estoque, utilizando tanto software de gestão de dados para aperfeiçoar a tomada de decisão a respeito do aumento das vendas quanto utilizando software de Internet para pesquisar requisitos de emprego. problemas envolvendo tomada de deCisão gerenCial 1.9 A Snyder’s of Hanover, que vende anualmente cerca de 80 milhões de saquinhos de pretzels, salgadinhos convencionais e orgânicos, fez com que seu departamento financeiro utilizasse pla- nilhas e processos manuais para a maior parte das atividades de coleta de dados e relatórios. O analista financeiro da Hanover passava a última semana inteira de cada mês agrupando as plani- lhas dos chefes de mais de 50 departamentos espalhados pelo mundo. Em seguida, consolidava e redigitava os dados em uma única planilha que serviria como balanço mensal das perdas e M01_LAUD_0000_01_SE_C01.indd 29 07/11/14 14:34 Sistemas de informação gerenciais30 ganhos da empresa. Se um departamento precisasse atualizar suas informações antes de enviar ao escritório central, o analista tinha de voltar à planilha original, esperar que o departamento reenviasse as novas informações antes de finalmente incluí-las no documento consolidado. Avalie o impacto dessa situação sobre o desempenho do negócio e sobre a gestão da tomada de decisão. 1.10 A Dollar General Corporation é uma rede de lojas de desconto que oferece utilidades domésti- cas, produtos de limpeza, vestuário, saúde e beleza e alimentos industrializados, sendo a maioria dos itens vendidos por um dólar. Seu modelo de negócios tenta manter o custo tão baixo quanto possível. A empresa não tem nenhum método automatizado para manter o controle do estoque de cada loja. Os gerentes sabem aproximadamente quantas caixas de um determinado produto a loja deve receber quando um caminhão de entrega chega, mas a loja carece de tecnologia para digitalizar as caixas ou verificar a quantidade de itens dentro delas. Perdas de mercadorias decorrentes de roubos ou outros contratempos têm aumentado consideravelmente e agora repre- sentam mais de 3% do total de vendas. Que decisões deverão ser tomadas antes de investir em uma solução de sistema de informação? aperfeiçoando a tomada de deCisões: usando banCo de dados para analisar as tendênCias de vendas Habilidades de software: consulta a banco de dados e geração de relatórios Habilidades de negócios: análise de tendências de vendas 1.11 Neste projeto, você vai começar com os dados brutos de vendas transacionais e usará o software de banco de dados Access da Microsoft para desenvolver consultas e relatórios para ajudar os administradores a tomarem melhores decisões sobre precificação de produto, promoções de ven- das e reposição de estoque. O banco de dados contém dados brutos sobre as vendas semanais de lojas de equipamento para computador em várias regiões. Ele também inclui campos para número de identificação da loja, região de vendas, número do item, descrição do item, preço uni- tário, unidades vendidas e o período semanal em que ocorreram as vendas. Utilize o Access para elaborar alguns relatórios e consultas para tornar essas informações mais úteis para o funciona- mento da empresa. Os administradores de vendas e produção desejam as respostas às seguintes perguntas: Quais produtos devem ser repostos no estoque? Quais lojas e quais regiões de vendas se beneficiariam de uma campanha promocional e de marke ting adicional? Quando (em que período do ano) os produtos devem ser oferecidos sem desconto, e quando os descontos devem ser aplicados? Você pode facilmente modificar a tabela de banco de dados para encontrar suas respostas e elaborar relatórios. Imprima seus relatórios e os resultados das consultas. aperfeiçoando a tomada de deCisões: usando a internet para loCalizar vagas de emprego que exijam ConheCimento de sistemas de informação Habilidades de software: software baseado na Internet Habilidades de negócios: procura de emprego 1.12 Visite sites que disponibilizam anúncios de vagas de emprego. Passe algum tempo examinando vagas para contabilidade, finanças, vendas, marketing e recursos humanos. Encontre duas ou três descrições de emprego que requeiram conhecimento em sistemas de informação. Quais conhecimentos em sistemas de informação as vagas exigem? O que você precisa fazer para se preparar para esses empregos? Escreva um relatório de uma ou duas páginas relatando suas des- cobertas. M01_LAUD_0000_01_SE_C01.indd 30 07/11/14 14:34 Capítulo 1: Os sistemas de informação empresariais na sua carreira 31 RESolVEndo PRoBlEmaS oRganIzaCIonaIS Um novo olhar sobre prontuários médicos eletrônicos Durante uma consulta típica com um médico, normalmente você verá prateleiras cheias de pastas e papéis dedicados à armazenagem de registros médicos. Toda vez que você vai ao médico, os seus registros são criados ou modificados, e muitas vezes cópias duplica- das são geradas durante todo o curso de uma visita ao médico ou a um hospital. Atualmente, a maioria dos registros médicos é baseada em papel, tornando esses registros muito difíceis de serem acessados e compar- tilhados. O setor de serviços de assistência médica dos Estados Unidos é tido como a empresa de informações mais ineficiente do mundo. Ineficiências na manutenção de registros médicos são uma das razões pela qual os custos de assistência médica nos Estados Unidos são os mais altos do mundo. Em 2012, esses custos atingiram 2,8 trilhões de dólares, representando 18% do produto interno bruto (PIB) norte- -americano. Se nada for feito, até 2037 os custos de saúde subirão para 25% do PIB e consumirão aproximadamente 40% dos gastos federais. Como os custos administrati- vos e de manutenção dos registros médicos representam quase 13% dos custos com a saúde nos Estados Unidos, aperfeiçoar os sistemas de manutenção de registros médi- cos tem se tornado uma meta importante a fim de reduzir os custos e até mesmo obter uma maior qualidade do ser- viço. Trata-se dos sistemas de prontuário médico eletrô- nico (EMR — electronic medical record). Um sistema de prontuário eletrônico contém todos os dados médicos vitais de uma pessoa, incluindo informações pessoais, um histórico médico completo, os resultados dos exames, diagnósticos, tratamentos, prescrição de medicamentos e os efeitos desses trata- mentos. Um médico seria capaz de acessar diretamente e de imediato as informações necessárias a partir do EMR, sem ter que examinar arquivos de papel. Quando um paciente for ao hospital, os registros desse paciente e os resultados de quaisquer exames por ele realizados até aquele momento ficarão disponíveis on-line. Ter nas pontas dos dedos um conjunto completo de informa- ções sobre o paciente ajudará o médico a evitar as inte- rações entre remédios prescritos e exames redundantes. Muitos especialistas acreditam que o sistema de pron- tuário médico eletrônico reduzirá os erros médicos e melhorará o atendimento, criará menos burocracia e prestará um serviço mais rápido, resultando em uma economia dramática no futuro, uma quantia de aproxi- madamente 80 bilhões de dólares por ano. A meta de curto prazo do governo norte-americano é a de que todos os provedores de assistência médica nos Estados Unidos tenham implantado os sistemas EMR, e que satisfaçam um conjunto de critérios funcionais bási- cos até 2015. Seu objetivo de longo prazo é ter uma rede nacional e totalmente funcional de prontuários médicos eletrônicos. A empresa de consultoria Accenture esti- mou que 50% dos hospitais norte-americanos estão potencialmente em risco de incorrer em penalidades em 2015 por não atender aos requisitos federais. As evidências do uso atual de sistemas EMR suge- rem que os prontuários eletrônicos oferecem vanta- gens significativas para hospitais e pacientes. Um bom exemplo disso é o sistema da U.S. Veterans Affairs (VA), que abrange médicos e hospitais. O sistema VA passou a realizar os registros de forma digital anos atrás, e excede em muito o setor privado e a Medicare na qualidade dos serviços preventivos e na assistência de doenças crônicas. O VA também oferece o menor custo de assistência médica no país. As 1.400 instala- ções da VA utilizam o VistA, software de comparti- lhamento de registro desenvolvido pelo governo, que permite que médicos e enfermeiros compartilhem o histórico do paciente. Um registro típico do VistA con- tém todos os problemas de saúde do paciente; seu peso e pressão arterial desde o início de tratamento no sis- tema VA; imagens de raios X, resultados de exames de laboratório e outros resultados de testes realizados pelo paciente; listas de medicamentos; e lembretes sobre consultas futuras. O VistA apresenta muitos recursos que melhoram a qualidade do atendimento. Por exemplo, as enfermei- ras efetuam uma varredura dos dados das etiquetas dos pacientes dos medicamentos e para assegurar que as dosagens corretas estão sendo aplicadas aos pacientes corretos. Esse recurso reduz os erros de medicação, que são um dos tipos de erro médico mais comuns e custo- sos, além de acelerar o tratamento. O sistema também gera avisos automáticos com base em critérios espe- cificados. Ele pode notificar o provedor se a pressão arterial do paciente passa de um determinado nível ou se um paciente está com o prazo vencido para realizar algum procedimento regularmente programado, como tomar vacina contra a gripe ou realizar um exame para verificar sintomas de câncer. Os dispositivos que cap- tam os sinais vitais dos pacientes podem transmitir automaticamente seus resultados para o sistema VistA, M01_LAUD_0000_01_SE_C01.indd 31 07/11/14 14:34 Sistemas de informação gerenciais32 que automaticamente informa o médico ao primeiro sinal de problemas. Os 40 mil pacientes no programa de monitoramento domiciliar do VA reduziram suas internações em 25% e a duração da sua hospitalização em 20%. Os pacientes também relatam que o processo de ser tratado no VA é menos trabalhoso em comparação com os provedores de serviço baseados em papel. Isso porque o processamento imediato das solicitações de reembolso está entre os benefícios dos sistemas EMR. As empresas de plano de saúde tradicionalmente pagam as solicitações de reembolso em torno de duas semanas após recebê-las, apesar de processá-las rapidamente, tão logo tenham recebido; a regulamentação governa- mental só exige que as empresas paguem as solicita- ções no prazo de 15 dias após a sua recepção. Além disso, hoje, os provedores de assistência médica à base de papel devem atribuir os códigos apropriados, tanto do diagnóstico como do procedimento, para dar entrada à solicitação de pagamento. Como há milhares desses códigos, o processo é ainda mais lento, e a maioria dos provedores contrata alguém exclusivamente para rea- lizar essa tarefa. Os sistemas eletrônicos cumprem a promessa de processamento imediato, tal como quando você paga com cartão de crédito, pois os dados de soli- citação de pagamento seriam enviados imediatamente e as informações de diagnóstico e do código de processo são inseridas automaticamente. O dinheiro de estímulo econômico fornecido pela Lei de Recuperação e Reinvestimento Norte- -Americano está disponível para prestadores de assis- tência médica de duas maneiras. Primeiro, dois bilhões de dólares foram fornecidos para hospitais e médicos para ajudar a definir os registros eletrônicos. Outros 17 bilhões de dólares estão disponíveis para premiar os provedores que implantarem com sucesso os siste- mas de prontuário eletrônico até 2015. Para se quali- ficarem para essas recompensas, os provedores devem demonstrar o “uso significativo” do sistema de pron- tuário médico eletrônico. O projeto de lei define que a implantação bem-sucedida de produtos certificados de prontuário eletrônico é mensurada pela capacidade para gravar pelo menos 40% de todas as receitas eletro- nicamente, e pela capacidade de trocar e relatar dados para as agências de saúde governamentais. Além dos pagamentos de estímulo, o governo federal pretende avaliar sanções às clínicas que não consegui- rem cumprir as novas normas de prontuários eletrôni- cos. Os provedores que não conseguirem cumprir as normas até 2015 terão os seus reembolsos do Medicare e do Medicaid lentamente reduzidos em 1% ao ano até 2018, e mais penalidades, ainda mais rigorosas serão aplicadas se um número muito baixo de provedores esti- ver usando os sistemas de prontuário eletrônico. Será que todo esse esforço para automatizar a manu- tenção dos registros de assistência médica vale o custo? Até agora, os resultados são confusos. Os sistemas de prontuário médico eletrônico tipicamente custam em torno de US$ 30 mil a US$ 50 mil por médico. Apenas uma pequena quantidade de fundos está disponível. Isso oneraria muitos provedores, especialmente as clí- nicas com menos de quatro médicos e hospitais com menos de 50 leitos. As despesas de vistoriar os sistemas de registros representam um aumento significativo nos orçamentos de curto prazo e nas cargas de trabalho dos provedores de assistência médica — até 80%, de acordo com a Accenture. Os provedores menores também são menos propensos a ter feito qualquer trabalho prepa- ratório com relação a digitalizar os seus registros, se comparados aos provedores maiores. A implantação de um sistema EMR também exige que médicos e outros profissionais de assistência médica alterem a sua forma de trabalhar. Atender tele- fonemas de pacientes, examiná-los e fazer prescrições deverão incorporar procedimentos para acessar e atuali- zar os prontuários eletrônicos. Os prontuários baseados em papel deverão ser convertidos para formato eletrô- nico, muito provavelmente com códigos atribuídos para várias opções de tratamento e com os dados estrutura- dos para se ajustar ao formato do registro. O treinamento pode ocupar até 20 horas do tempo de um médico, e os médicos são extremamente pressionados pelo tempo. O seu médico pode estar gastando um tempo conside- rável inserindo seu histórico médico anterior em um sistema EMR. Para que o sistema esteja instalado e funcionando, os médicos deverão, eles mesmos, intro- duzir alguns dados no sistema, ocupando um tempo que poderia ser gasto com seus pacientes. Um estudo envol- vendo 49 clínicas médicas em Massachusetts mostrou uma perda média de quase 44 mil dólares ao longo de cinco anos, mesmo que essas clínicas recebam suporte gratuito para a implantação dos sistemas de prontuário médico eletrônico. Pequenas clínicas, especialmente aquelas que continuaram a usar prontuários em papel, juntamente com os seus prontuários eletrônicos, sofre- ram as maiores perdas. Embora o custo de manutenção de registros tenha diminuído, houve aumento dos custos de tempo adicional do médico. Muitas empresas de tecnologia voltadas à área médica estão esperando ansiosamente o pico na demanda pelo seus produtos EMR e têm desenvolvido uma variedade de estruturas diferentes de registros de saúde. Humana, Aetna e outras empresas de assistência médica estão ajudando a cobrir os custos da criação de sistemas EMR para alguns médicos e hospitais. Há dois problemas com a infinidade de opções dis- ponível para os prestadores de assistência médica. Em primeiro lugar, é muito provável que surjam muitos problemas relacionados ao compartilhamento de dados médicos entre sistemas diferentes. Enquanto a maioria dos sistemas EMR satisfará os critérios específicos de envio de dados por via eletrônica para as agências gover- namentais, eles poderão não ser capazes de trocar os mes- M01_LAUD_0000_01_SE_C01.indd 32 07/11/14 14:34 Capítulo 1: Os sistemas de informação empresariais na sua carreira 33 mos dados entre eles, um requisito fundamental para o sistema nacional. É improvável que muitos tipos diferen- tes de sistemas de EMR sendo desenvolvidos e implan- tados agora serão compatíveis entre si em 2015, o que coloca em risco a meta de um sistema nacional, no qual todos os provedores de assistência médica poderão com- partilhar informações. Não foi definido nenhum padrão de software em todo o país, para organizar e comparti- lhar informações médicas. Isso significa que, se você for a um consultório médico e obtiver um diagnóstico e, em seguida, for para outro hospital para receber tratamento, esses provedores normalmente não serão capazes de compartilhar seus registros médicos eletronicamente. O segundo problema é que há um conflito potencial de interesses entre as empresas de assistência médica envolvidas na criação de sistemas de prontuário eletrô- nico. Essas empresas são, muitas vezes, acusadas de buscar maneiras de evitar ou retardar o pagamento dos reembolsos de assistência médica. Infelizmente, não é do interesse dessas empresas a existência de sistemas eletrônicos que possam processar pagamentos de forma tão simples e eficiente. A RAND Corporation, que tinha previsto em 2005 que as melhorias nos sistemas de informação poderiam economizar 81 bilhões de dólares por ano do programa de assistência médica dos Estados Unidos, recente- mente tornou-se mais cautelosa. Constatou que, desde 2005, mesmo com um aumento nos sistemas digitais de assistência médica, os gastos anuais da área médica norte-americana dispararam para US$ 2,8 trilhões, com apenas melhorias marginais em termos de quali- dade e eficiência. Os pesquisadores da RAND acredi- tam que a falta de interoperabilidade entre os sistemas de prontuário eletrônico é uma das principais barreiras. Há evidências de que os prontuários médicos eletrôni- cos possam estar contribuindo para o aumento dos custos do Medicare, ao tornar mais fácil para os hospitais e médi- cos cobrarem por serviços que não foram efetivamente prestados, ou cobrarem por serviços que, no passado, não foram cobrados, mas foram sugeridos pelo EMR. Alguns programas de prontuário eletrônico permitem que os médicos cortem e colem as mesmas descobertas de exame para vários pacientes ou cobrem por procedimentos que nunca foram efetuados. Mais controles e supervisão federal são necessários para fazer com que os sistemas de prontuário médico eletrônico produzam os resultados para os quais foram originalmente projetados. Embora a maioria das seguradoras insistam que somente médicos e pacientes serão capazes de acessar os dados nesses sistemas, muitos pacientes estão céti- cos em relação a isso. Uma pesquisa realizada em maio de 2012 pela Harris Interactive descobriu que apenas 26% dos adultos norte-americanos queriam ter seus registros médicos convertidos do papel para a forma digital. A maioria das pessoas entrevistadas se mostrou preocupada com a segurança dos registros eletrônicos, o potencial para uso indevido de informações pessoais e a incapacidade dos médicos em acessar os registros do paciente durante uma interrupção do fornecimento de energia ou falha do computador. Preocupações sobre privacidade e segurança podem afetar o sucesso dos sistemas EMR e a qualidade da assistência médica prestada. Um em cada oito norte-americanos tem dei- xado de ir ao médico ou de fazer exames regulares, ou tem solicitado ao médico a alteração do resultado de um exame ou tem deixado de solicitar o reembolso para realizar um exame, motivado principalmente por preocu- pações de privacidade. Uma rede mal projetada de sis- temas EMR ampliaria essas preocupações. Fontes: Paul Cerrato, “Healthcare IT: Savior or Sinkhole?”, Information Week, 11 jan. 2013; Ken Terry, “Some Physicians See Revenue Loss After EHR, Study Says”, Information Week, 14 mar. 2003; Reed Abelson e Julie Cresswell, “In 2nd Look, Few Savings from Digital Health Records,” The New York Times, 10 jan. 2013; Reed Abelson, Julie Cresswell e Griffin J. Palmer, “Medicare Bills Rise as Records Turn Electronic”, The New York Times, 21 set. 2012; Nicole Lewis, “Healthcare Cost Cutting Hinges on IT”, Information Week, 10 ago. 2012; Neil Versel, “Consumers Still Wary of Electronic Health Records”, Information Week, 9 ago. 2012; Ken Terry, “Docs May Overestimate EHR Capabilities”, Information Week Health Care, ago. 2012; Steve Lohr, “Seeing Promise and Peril in Digital Records”, The New York Times, 17 jul. 2011; Marianne Kolbasuk McGee, “Better Clinical Analytics Means Better Clinical Care”, Information Week, 21 mai. 2011; Jeff Goldman, “Implementing Electronic Health Records: Six Best Practices”, CIO Insight, 7 mar. 2011; Robin Lloyd, “Electronic Health Records Face Human Hurdles More than Technological Ones”, Scientific American, 16 abr. 2011; Katherine Gammon, “Connecting Electronic Medical Records”, Technology Review, 9 ago. 2010. PergUnTas sObre O esTUdO de casO 1.13 Identifique e descreva o problema neste estudo de caso. 1.14 Quais fatores pessoais, organizacionais e tecnológicos são responsáveis pelas dificuldades na criação dos sistemas de prontuário médico eletrônico? Explique sua resposta. 1.15 Qual é o impacto empresarial, político e social de não digitalizar os registros médicos (para o médico individual, hospitais, seguradoras, pacientes e para o governo norte-americano)? 1.16 Quais são os benefícios empresariais e sociais da digitalização dos registros médicos? 1.17 Os sistemas de prontuários médicos eletrônicos são uma boa solução para o problema do aumento dos custos de assistência médica nos Estados Unidos? Justifique sua resposta. M01_LAUD_0000_01_SE_C01.indd 33 07/11/14 14:34 C a p í t u l o plano do Capítulo Caso de abertura: A Telus adota o aprendizado social 2.1 Componentes de uma empresa 2.2 Tipos de sistemas de informação empresariais 2.3 Sistemas de colaboração e ferramentas de social business 2.4 A função dos sistemas de informação na empresa Resolvendo problemas organizacionais: As empresas deveriam adotar o social business? oBJEtIVoS dE EStudo Ao concluir este capítulo, você será capaz de responder às seguintes perguntas: 1. Quais as principais características de um negócio que são relevantes para a compreensão do papel dos sistemas de informação? 2. Como os sistemas atendem aos diferentes níveis de gerência em um negócio? 3. Como os sistemas integrados melhoram o desempenho organizacional? 4. Por que os sistemas para colaboração e social business são importantes e quais tecnologias eles utilizam? 5. Qual a função dos sistemas de informação em uma empresa? E-business global e colaboração02 M02_LAUD_0000_01_SE_C02.indd 34 07/11/14 14:44 Capítulo 2: E-business global e colaboração 35 A Telus adota o aprendizado social A Telus é uma empresa de telecomunicações canadense que está no mercado há cerca de um século, e quer garantir a cone- xão de cada canadense com o restante do mundo, não importa se essa conexão for através de dispositivos sem fio, da Internet, de televisão ou de linhas telefônicas tradicionais. A empresa tem 13 milhões de clientes. Fornecer serviços de primeira qualidade é um importante objetivo da empresa. Seu corpo administrativo acredita que o bom trabalho de equipe e o treinamento do funcionário são vitais para a concretização desse objetivo. Até pouco tempo atrás, o processo de aprendizagem dos empregados da Telus ocorria em salas de aula formais, fora da empresa. Muito do que os funcioná- rios aprendiam dependia do conhecimento apresentado por ins- trutores, e esse método de aprendizagem era caro. A administração concluiu que seria melhor se os funcionários aprendessem da experiência uns dos outros. Além disso, 40% da força de trabalho da Telus estava para se aposentar nos próximos 10 anos, tornando-se essencial para a empresa encon- trar diversas maneiras de compartilhar e preservar a experiência e o conhecimento do funcionário. A empresa decidiu se concentrar em fazer o treinamento dos empregados de forma “contí- nua, colaborativa e conectada”, através da aprendizagem informal e social, utilizando mentores, coaching, job rotation, vídeos, blogs e wikis. A Telus definiu um orçamento de treinamento em 2010 no valor de 21 milhões de dólares, 40% dos quais foram destinados para a aprendizagem informal e social e 60% para aprendizagem formal. (No ano anterior, a aprendizagem formal tinha representado 90% dos 28,5 milhões de dólares do orçamento de treinamento da empresa.) Para apoiar a nova iniciativa de aprendizagem, a Telus aproveitou os recursos do Microsoft SharePoint Server 2010, que oferece aos membros da equipe um ponto único de acesso para o conhecimento compartilhado dentro da empresa e a capacidade de pesquisar simultaneamente todos os itens de aprendizagem da empresa. A Telus usou o recurso MySites do SharePoint para permitir que os membros da equipe criassem suas próprias páginas da Web, descrevendo suas áreas de especialização e habilidades especiais. Os membros da equipe são capazes de verificar suas posições e as de seus colegas na hierarquia organizacional, conectar-se com colegas e estabe- lecer grupos informais com outras pessoas que possuam as mesmas habilidades. O recurso Expert Search possibilita classificar os resultados de busca, identificando os funcionários da Telus com experiência em áreas específicas. O MySites também oferece ferramentas de blog que possibili- tam aos membros da equipe criar seus próprios blogs e contribuir nos dos demais. Através desses recursos, um membro da equipe pode localizar um especialista, discutir sobre suas experiências, compartilhar conselhos e encontrar as respostas sem precisar ir a uma aula ou interromper o tra- balho de um colega. A Telus usou o SharePoint para desenvolver sites de equipe, chamados de My Communities (“Minhas comunidades”), onde as equipes de projeto, os departamentos e outros grupos podem trabalhar juntos e compartilhar documentos e outros conteúdos. Eles são capazes de criar catego- rias para a classificação e a marcação do conteúdo gerado pelo usuário. A Telus Tube permite que os membros da equipe publiquem e vejam os vídeos gerados pelos usuários sobre suas realizações, ou perguntas para os colegas. Mais de mil vídeos foram postados. Um novo sistema de gestão de aprendizagem, que funciona em estreita colaboração com o SharePoint Server 2010, permite que os membros da equipe rastreiem e exibam os cursos de aprendizagem formal que tenham reali- zado, bem como os realizados pelos membros de outras equipes. A Telus reconheceu que a mudança do aprendizado formal para a aquisição de conhecimento através da colaboração e participação dos funcionários exigiu uma mudança na cultura da empresa. “Este não é um cenário em que podemos acionar um interruptor e obter a mudança dos hábitos de trabalho de todos de um dia para outro”, comentou um gerente. Para incentivar a aceitação dos novos processos de aprendizagem e encorajar a participação, a empresa criou um site interno © iQ on ce pt /S hu tt er st oc k M02_LAUD_0000_01_SE_C02.indd 35 07/11/14 14:44 Sistemas de informação gerenciais36 mostrando exemplos tangíveis das novas ferramentas de colaboração e lançou um wiki para incenti- var a discussão entre os funcionários. Dan Pontefract, diretor de treinamento sênior da Telus, incluiu informações sobre a nova iniciativa de aprendizagem em seu blog para ajudar a preparar os membros da equipe para a mudança. O novo sistema SharePoint fornece aos membros da equipe da Telus o acesso muito mais rápido às habilidades específicas e às áreas de conhecimento nas quais eles precisam de ajuda — eles não precisarão aguardar até a próxima aula formal. Em vez disso, os membros da equipe podem contatar imediatamente os colegas que têm experiência em uma área específica, ou podem ler os wikis e blogs, assistir aos vídeos e participar das discussões para encontrar as soluções. A implantação do SharePoint reduziu o orçamento de treinamento da Telus para 21 milhões de dólares em 2010. A empresa foi capaz de cortar o orçamento em 20% no ano seguinte, uma vez que continuou o processo de mudança para a aprendizagem informal e social. Mais economias ocorre- rão, à medida que as novas soluções de aprendizado forem implantadas. Nos próximos três anos, a Telus planeja que o orçamento de aprendizagem formal seja reduzido para 50% do orçamento total de aprendizagem. Fontes: “Telus Telecom Company Embraces Social Computing, Streamlines Formal Learning”, Disponível em: <www.microsoft. com>, acesso em: 25 abr. 2013; Disponível em: <www.Telus.com>, acesso em 25 abr. 2013; e Sharon Gaudin, “Telus Links Social, Tradicional Training”, Computerworld, 27 mar. 2012. A experiência da Telus ilustra como muitas empresas hoje se apoiam em sistemas de informação para melhorar o seu desempenho e manter a competitividade. Também mostra o quanto os sistemas de apoio à colaboração e trabalho em equipe fazem a diferença na capacidade de uma organização execu- tar seus planos, prestar melhores serviços aos clientes e aumentar seus lucros. O diagrama de abertura do capítulo enfatiza alguns pontos importantes levantados por este estudo de caso e por este capítulo. A Telus é uma empresa “antiga”, que queria continuar evoluindo com o tempo, mantendo o foco no cliente. Ela também precisava encontrar uma maneira de preservar o conhecimento e a experiência de uma parcela de 40% de sua força de trabalho que está para se aposentar. Os administradores da Telus decidiram que a melhor solução era implantar novas tecnologias para mudar do ambiente de aprendizagem formal para outro em que os membros da equipe contribuem com seu conhecimento, enquanto assimilam o dos colegas. A empresa implantou o Microsoft SharePoint Server 2010 como plataforma para que toda a empresa trabalhasse de forma colaborativa na aquisição e transferência de conhecimento, aproveitando as novas ferramentas “sociais” do software para facilitar a colaboração e o engajamento dos funcionários. A Telus conta agora com sua própria rede social empre- sarial interna para atender grande parte dos processos de aprendizagem dos funcionários e resolução de problemas, e o SharePoint integra todos os meios utilizados pelos funcionários para adquirir e com- partilhar conhecimento — classes de treinamento formal, podcasts, blogs, wikis, compartilhamento de vídeo e rede social corporativa. Passou a haver um compartilhamento mais efetivo do conhecimento institucional e uma redução nos custos. Somente a nova tecnologia não teria resolvido o problema da Telus. Para tornar a solução efetiva, a empresa teve que mudar sua cultura e processos de negócios para a disseminação do conhecimento e aprendizagem dos funcionários. Melhorar os serviços Reduzir os custos Pessoas Desa�os organizacionais Organização Tecnologia Sistema de informação Soluções de negócios Desenvolver estratégia de aquisição e retenção de conhecimento Desenvolver planejamento e orçamento do treinamento Alterar os processos de aprendizagem Alterar a cultura organizacional Implantar o Servidor SharePoint Empresa antiga Envelhecimento da força de trabalho Prover novos canais de aquisição de conhecimento, inovação e colaboração M02_LAUD_0000_01_SE_C02.indd 36 07/11/14 14:44 Capítulo 2: E-business global e colaboração 37 A seguir estão algumas questões para refletir: como o processo de colaboração e a aprendizagem dos funcionários estão mantendo a Telus competitiva? Quais são os benefícios de cada uma das ferra- mentas sociais e de colaboração discutidas nesse estudo de caso? 2.1 Componentes de uma empresa Uma empresa é uma organização formal cujo objetivo é produzir produtos ou prestar serviços a fim de gerar lucro — isto é, vender produtos a um preço superior ao dos custos de produção. Os clientes estão dispostos a pagar esse preço, porque acreditam receber um valor igual ou superior ao preço de venda. As empresas compram insumos e recursos de um ambiente maior (fornecedores, que, em geral, são outras empresas). Os funcionários da empresa transformam esses insumos, agregando-lhes valor durante o processo de produção. Existem, é claro, organizações e empresas sem fins lucrativos e órgãos governamentais que tam- bém são organizações formais complexas e produzem produtos e serviços, mas não operam a fim de obter lucros. No entanto, até mesmo esses tipos de organização consomem recursos de seu ambiente, agregam valor a eles e proporcionam resultados a seus integrantes e clientes. Em geral, os sistemas de informação encontrados em organizações governamentais e sem fins lucrativos são notadamente seme- lhantes aos encontrados na iniciativa privada. OrganizandO uma empresa: funções empresariais básicas Imagine que você queira abrir seu próprio negócio. Simplesmente decidir fazê-lo já terá sido a mais importante decisão, mas, em seguida, você se verá às voltas com outras questões: o que produzir ou qual serviço prestar (e espera-se vender)? A decisão do que produzir é considerada uma escolha estratégica, porque é ela que determina quais serão seus prováveis consumidores, os tipos de funcionários necessários, os métodos de produção e as instalações adequados, a política de marketing e muitas outras escolhas. Uma vez decidido o que produzir, de que tipo de organização você precisará? Primeiro, terá de conce- ber alguma espécie de divisão de produção — um arranjo de pessoas, máquinas e processos (procedimen- tos) de negócios capazes de produzir. Em segundo lugar, precisará de um grupo de marketing e vendas capaz de atrair clientes, vender o produto e cuidar das questões pós-venda, como garantias e manutenção. Em terceiro lugar, tendo gerado vendas, você precisará de um grupo de contabilidade e finanças para cuidar das transações financeiras correntes — pedidos, faturas, desembolsos e folha de pagamentos, por exemplo. Além disso, esse grupo buscará fontes de crédito e financiamento. Finalmente, precisará de um grupo de pessoas que se concentrem no recrutamento, na contratação, capacitação e retenção de funcioná- rios. A Figura 2.1 resume essas quatro funções básicas encontradas em qualquer empresa. Evidentemente, se for empreendedor ou se sua empresa for muito pequena, com apenas alguns fun- cionários, não precisará de todos esses grupos distintos de pessoas — provavelmente, nem terá como pagar por eles. Em vez disso, você terá que executar todas essas funções sozinho, ou com a ajuda de algumas pessoas. Não é de admirar que as pequenas empresas tenham uma taxa de mortalidade tão alta! Em qualquer evento, mesmo nos pequenos negócios, essas quatro funções básicas são necessárias. Empresas maiores normalmente têm departamentos para cada função: manufatura e produção, vendas e marketing, finanças e contabilidade e recursos humanos. A Figura 2.1 também ajuda a entender as entidades básicas que formam uma empresa. As cinco entidades básicas com as quais a empresa deve lidar são: fornecedores, clientes, funcionários, faturas/ pagamentos e, obviamente, produtos e serviços. A empresa precisa gerenciar e monitorar muitas outras entidades, mas essas são as mais básicas que formam o alicerce de qualquer empresa. prOcessOs de negóciOs Uma vez identificadas as funções empresariais básicas e as entidades de sua empresa, sua próxima tarefa será descrever exatamente como deseja que seus funcionários executem essas funções. Quais tarefas específicas você quer que seu pessoal de vendas realize, em qual ordem e de acordo com qual cronograma? Quais passos os funcionários da produção devem seguir ao transformar matérias-primas em produtos acabados? Como os pedidos dos clientes devem ser processados? Como as contas dos for- necedores devem ser pagas? M02_LAUD_0000_01_SE_C02.indd 37 07/11/14 14:44 Sistemas de informação gerenciais38 Essas tarefas e passos concretos que descrevem como o trabalho é organizado em uma empresa são chamados processos de negócio. Um processo de negócio é um conjunto de atividades logicamente relacionadas que define como tarefas organizacionais específicas serão executadas. Refere-se, ainda, às maneiras únicas através das quais o trabalho, as informações e o conhecimento são coordenados em uma determinada empresa. Qualquer empresa, na verdade, pode ser vista como uma coleção de processos de negócios. Alguns desses processos fazem parte de processos abrangentes maiores. Muitos processos de negócios estão vinculados a uma área funcional específica. Por exemplo, a função de vendas e marketing é responsável por identificar os clientes, enquanto a de recursos humanos é responsável por contratar funcionários. A Tabela 2.1 descreve alguns processos de negócios típicos para cada área funcional da empresa. Outros processos de negócios abrangem várias áreas funcionais e exigem coordenação interdepar- tamental. Considere um processo de negócio aparentemente simples como processar um pedido de um cliente (ver Figura 2.2). Inicialmente, o departamento de vendas recebe o pedido. Este é enviado pri- meiro à contabilidade para confirmar se o cliente poderá pagar por ele, seja verificando seu crédito, seja solicitando que ele faça um pagamento imediato antes do envio. Uma vez aprovado o crédito do cliente, o departamento de produção tem de retirar o produto do estoque ou então produzi-lo. Em seguida, o produto precisa ser enviado (e isso pode exigir o trabalho conjunto com o correio ou uma empresa de logística, como UPS ou FedEx). Uma conta ou fatura é, então, gerada pelo departamento de contabili- dade, e um aviso de envio do produto é encaminhado ao cliente. O setor de vendas é notificado do envio e se prepara para dar suporte ao cliente, atendendo a seus telefonemas ou pedidos de garantia. Tabela 2.1 Exemplos de processos de negócios funcionais. área funcional processo de negócios Manufatura e produção Montagem do produto Verificação de qualidade Produção de listas de materiais Vendas e marketing Identificação de clientes Conscientização de clientes a respeito do produto Venda do produto Finanças e contabilidade Pagamento de credores Criação de relatórios financeiros Gestão de contas bancárias Recursos humanos Contratação de empregados Avaliação de desempenho de empregados Inclusão de empregados em plano de benefícios Manufatura e produção Recursos humanos Produto ou serviço Vendas e marketing Finanças e contabilidade Figura 2.1 As quatro funções básicas de uma empresa Qualquer empresa, independentemente de seu tamanho, precisa desempenhar quatro funções para ter sucesso. Precisa produzir o produto ou o serviço; fazer o marketing desse produto e vendê-lo; monitorar as transações financeiras e contábeis; e executar as tarefas básicas de recursos humanos, tais como contratar e reter funcionários. M02_LAUD_0000_01_SE_C02.indd 38 07/11/14 14:44 Capítulo 2: E-business global e colaboração 39 O que a princípio parecia algo simples — processar um pedido — transforma-se em uma compli- cada sequência de processos de negócios que exige a estreita coordenação entre os principais grupos funcionais da empresa. Além disso, para que todos esses passos sejam executados de forma eficiente, são necessárias informações em grande quantidade e fluindo com velocidade. O fluxo de informações deve ser rápido não apenas dentro da empresa, mas também em sua comunicação com os parceiros de negócios, as empresas de entrega e o cliente. O processo de atendimento de pedido descrito não é somente multifuncional; é interorganizacional, pois inclui interações com as empresas de entrega e clientes que estão fora das fronteiras da organização. A encomenda de matéria-prima ou de componen- tes de fornecedores seria outro processo de negócio interorganizacional. Em grande medida, a eficiência de uma empresa depende do planejamento adequado e da subse- quente coordenação dos processos de negócios internos e interorganizacionais. Os processos de negócios de uma empresa podem ser uma fonte de vantagem competitiva se permitem que a empresa inove ou execute suas ações melhor do que seus competidores. Eles podem ser também negativos se utilizados de forma ultrapassada, impedindo a agilidade de resposta e a eficiência da empresa. Como a tecnologia de informação aprimora os processos de negócios Exatamente de que maneira os sistemas de informação aprimoram os processos de negócios? Os sistemas de informação automatizam muitas etapas que antes eram executadas manualmente, tais como verificar o crédito de um cliente ou gerar uma ordem de fatura ou expedição. Atualmente, entretanto, a tecnologia da informação pode fazer muito mais. Ela pode alterar o fluxo de informação, tornando possível que um número maior de pessoas acesse e compartilhe informações, substituindo etapas sequenciais por tarefas que podem ser executadas simultaneamente e eliminando o atraso na tomada de decisão. Ela pode, inclusive, transformar a maneira como os negócios funcionam e impulsionar a criação de novos modelos de negócios. Encomendar um livro on-line na Amazon e fazer o download de uma música no iTunes são processos de negócios completamente novos baseados em modelos de negócios inconcebíveis sem a tecnologia da informação. Por isso é tão importante estar atento aos processos de negócios, tanto em seu curso de sistemas de informação quanto na sua futura carreira. Ao analisar os processos de negócios, é possível alcançar uma compreensão muito clara sobre como os negócios realmente funcionam. Além disso, ao realizar uma análise dos processos de negócios, será possível começar a entender como mudar o negócio de modo a torná-lo mais eficiente ou eficaz. Ao longo deste livro, examinamos os processos de negócios com a intenção de compreender como eles podem ser modificados ou substituídos com o uso da tecnologia de informação para alcançar mais eficiência, melhorar a inovação e o atendimento a clientes. O Capítulo 3 discute o impacto sobre os negócios quando a tecnologia de informação é utilizada para redesenhar processos de negócios. Vendas Gerar pedido Apresentar pedido Contabilidade Veri�car crédito Aprovar crédito Montar o produto Expedir o produto Manufatura e produção Emitir fatura Figura 2.2 Processamento do pedido Processar um pedido do cliente envolve um complexo conjunto de passos que exigem a estreita coordenação entre as funções de vendas, contabilidade e produção. M02_LAUD_0000_01_SE_C02.indd 39 07/11/14 14:44 Sistemas de informação gerenciais40 administrandO uma empresa e suas hierarquias O que está faltando nas figuras 2.1 e 2.2 é uma noção de como coordenar e controlar as quatro funções principais, seus departamentos e processos de negócio. Cada departamento tem seus próprios objetivos e processos e, obviamente, precisa cooperar para que a empresa toda seja bem-sucedida. Para conseguir essa coordenação, as empresas, como qualquer organização, contratam gerentes, cuja respon- sabilidade é assegurar que todas as partes trabalhem em conjunto. As empresas organizam o trabalho dos funcionários em várias divisões, desenvolvendo uma hierarquia em que a autoridade (responsabili- dade e necessidade de prestar contas) está concentrada no topo. A hierarquia da administração é composta pela gerência sênior, que toma decisões estratégicas de longo prazo a respeito de produtos e serviços, além de garantir o desempenho financeiro da empresa; pela gerência média, que conduz os programas e planos determinados pela gerência sênior; e pela gerência operacional, responsável por monitorar as atividades diárias. Os trabalhadores do conhe- cimento, tais como engenheiros, cientistas e arquitetos projetam produtos ou serviços e criam novos conhecimentos para a empresa, enquanto os trabalhadores de dados, como secretárias ou arquivistas, auxiliam os demais níveis cuidando dos documentos e registros. Os trabalhadores de serviços ou da produção são os que realmente fabricam os produtos ou prestam os serviços (ver Figura 2.3). Cada grupo tem diferentes necessidades de informação, de acordo com suas responsabilidades. Os gerentes seniores precisam de informações resumidas que possam lhes mostrar rapidamente o desem- penho geral do negócio, como as receitas brutas de vendas, vendas por grupo de produto e região, além da lucratividade geral. Os gerentes médios precisam de informações mais específicas sobre os resulta- dos de cada área funcional ou departamento da empresa, tais como contatos feitos pela força de vendas, estatísticas de produção para fábricas ou linhas de produtos específicos, custos e níveis de emprego e receitas de vendas mensais ou mesmo diárias. Os gerentes operacionais, por sua vez, precisam de informações em termos de transações, tais como o número diário de peças em estoque ou o número de horas que cada empregado trabalhou na terça-feira. Os trabalhadores do conhecimento precisam ter acesso a bancos de dados científicos externos ou bancos de dados internos da organização. Finalmente, os trabalhadores da produção precisam ter acesso a informações relativas à produção de máquinas e os trabalhadores de serviços precisam ter acesso a registros de clientes, a fim de atender seus pedidos e responder às suas perguntas. Gerência sênior Gerência média Cientistas e trabalhadores do conhecimento Gerência operacional Trabalhadores de serviço e de produção e trabalhadores de dados Figura 2.3 Níveis de uma empresa As organizações empresariais são hierarquias compostas por três níveis principais: gerência sênior, gerência média e gerência operacional. As três são auxiliadas pelos sistemas de informação. Os trabalhadores do conhecimento e cientistas normalmente trabalham com a gerência média. O ambiente de negóciOs Até agora falamos das empresas como se elas operassem no vácuo. Nada pode estar mais longe da realidade. Com efeito, as empresas dependem fundamentalmente de seu ambiente para ter acesso a capital, mão de obra, clientes, novas tecnologias, serviços e produtos, mercados estáveis e sistemas jurídicos, e recursos educacionais em geral. Nem mesmo uma pizzaria poderia sobreviver por muito tempo sem um ambiente de apoio que lhe proporcionasse queijo, molho de tomate e farinha de trigo! M02_LAUD_0000_01_SE_C02.indd 40 07/11/14 14:44 Capítulo 2: E-business global e colaboração 41 A Figura 2.4 resume os principais atores presentes no ambiente de qualquer empresa. Para perma- necer no negócio, uma empresa precisa monitorar mudanças nesse ambiente e compartilhar as infor- mações com as suas entidades-chave. Por exemplo, uma empresa precisa estar atenta às mudanças políticas e econômicas de modo geral (tais como mudanças nas taxas de emprego e inflação), às novas tecnologias e responder a modificações no ambiente de negócios global (taxas de câmbio estrangei- ras). Nesse ambiente imediato, as empresas precisam identificar informações e compartilhá-las com fornecedores, clientes, acionistas, órgãos reguladores e parceiros de logística (tais como empresas de transporte). Os ambientes de negócios estão em constante mutação: fatos novos na tecnologia, na política, nas preferências dos consumidores e nas regulamentações surgem o tempo todo. Em geral, quando uma empresa fecha as portas, é porque não soube responder adequadamente a mudanças no seu ambiente. Mudanças tecnológicas, como a Internet, estão forçando setores inteiros e líderes de mercado a atualizar seus modelos de negócio, pois do contrário enfrentarão a falência. O iTunes da Apple e outros serviços on-line de download de música estão tornando obsoleto o modelo de negócios tradicional da indústria fonográfica baseado na distribuição de música em CDs. Outro exemplo é o setor fotográfico. A fotografia digital obrigou a Eastman Kodak a demitir funcionários e migrar para as câmeras digitais e os serviços fotográficos por Internet, porque a maior parte do mercado consumidor já não quer usar as câmeras tradicionais com filme. Organização Ciência e tecnologia Mudanças internacionais Clientes Acionistas Fornecedores Órgãos reguladores Concorrentes Economia Política Figura 2.4 O ambiente de negócios Para ser bem-sucedida, uma organização precisa constantemente monitorar as transformações em seu ambiente e responder a elas — ou, até mesmo, antecipá-las. O ambiente de uma empresa inclui grupos específicos com os quais ela precisa lidar diariamente, como clientes, fornecedores e concorrentes, e também grupos gerais, que incluem tendências socioeconômicas, condições políticas, inovações tecnológicas e eventos globais. O papel dOs sistemas de infOrmaçãO em uma empresa Até agora ainda não mencionamos os sistemas de informação. Mas, a partir desta breve descrição de fun- ções, entidades e ambientes organizacionais, podemos analisar o papel crítico que a informação desempenha na vida de uma empresa. Até a metade da década de 1950, as empresas administravam todas as informações e as divulgavam em registros impressos. Durante os últimos 50 anos, cada vez mais as informações organizacionais e o fluxo delas entre os principais atores dos negócios foram informatizados. Investir em sistemas de informação é a maneira que as empresas têm para administrar suas funções de produ- ção internas, bem como lidar com as demandas dos atores-chave presentes em seus ambientes. Especificamente, como observamos no Capítulo 1, as empresas investem em sistemas de informação para atender aos seguintes objetivos organizacionais: M02_LAUD_0000_01_SE_C02.indd 41 07/11/14 14:44 Sistemas de informação gerenciais42 atingir a excelência operacional (produtividade, eficiência e agilidade); desenvolver novos produtos e serviços; estreitar o relacionamento com o cliente e atendê-lo melhor (marketing contínuo, vendas e serviços; customização e personalização); melhorar a tomada de decisão (em termos de precisão e rapidez); promover vantagem competitiva; assegurar a sobrevivência. 2.2 Tipos de sistemas de informação empresariais Agora é hora de examinar mais detalhadamente como as empresas usam os sistemas de informação para atingir esses objetivos. Como existem diferentes interesses, especializações e níveis dentro de uma organização, existem também diversos tipos de sistema. Nenhum sistema isolado consegue fornecer todas as informações que uma organização necessita. Uma empresa típica contará com sistemas que apoiam os processos de cada uma das principais fun- ções do negócio — sistemas de vendas e marketing, manufatura e produção, finanças e contabilidade e recursos humanos. Sistemas funcionais que operavam de forma independente uns dos outros estão se tornando coisa do passado, já que não conseguem compartilhar facilmente informações que dessem suporte aos processos de negócios. Eles estão sendo substituídos por sistemas multifuncionais de larga escala que integram as atividades de processos de negócios e unidades organizacionais relacionados. Descreveremos essas aplicações multifuncionais integradas ainda nesta seção. Uma empresa típica também contará com diferentes sistemas para apoio às necessidades de tomada de decisão de cada um dos principais grupos de gerência descritos anteriormente. As gerências opera- cional, média e sênior utilizam tipos específicos de sistemas para apoiar as decisões a serem tomadas na gestão da empresa. Vamos ver esses sistemas e os tipos de decisão que os apoiam. sistemas para diferentes níveis de gerência Uma empresa tem sistemas para apoio à tomada de decisão e às atividades de diferentes níveis da organi- zação. Esses sistemas incluem os sistemas de processamento de transações e os de inteligência empresarial. Sistemas de processamento de transações Os gerentes operacionais precisam de sistemas que monitorem as transações e as atividades básicas da organização, como vendas, recebimentos, depósitos em dinheiro, folhas de pagamento, decisões de crédito ou fluxo de materiais em uma fábrica. Sistemas de processamento de transações (SPTs) for- necem esse tipo de informação. O sistema de processamento de transações é um sistema informatizado que realiza e registra as transações rotineiras necessárias ao funcionamento organizacional, tais como o registro de pedidos de vendas, sistemas de reservas de hotel, folha de pagamento, manutenção do registro de funcionários e expedição. O principal objetivo dos sistemas nesse nível é responder a perguntas de rotina e monitorar o fluxo de transações dentro da organização. Quantas peças há em estoque? O que aconteceu com o pagamento do senhor Williams? Para responder a esse tipo de pergunta, as informações precisam ser facilmente acessíveis, atualizadas e precisas. No nível operacional, tarefas, recursos e metas são predefinidos e altamente estruturados. A decisão de conceder crédito a um cliente, por exemplo, é tomada por um supervisor de nível hierárquico infe- rior, segundo critérios predefinidos. Tudo o que é preciso fazer é determinar se o cliente se enquadra nesses critérios. A Figura 2.5 mostra um SPT para processamento de folha de pagamento, que controla o salário pago aos colaboradores. Uma folha de horas contendo o nome do empregado, número do CPF e número de horas trabalhadas por mês representa uma transação única no sistema. Uma vez fornecida a transa- ção ao sistema, ele atualiza o arquivo (ou banco de dados — ver Capítulo 6) do sistema, que mantém permanentemente as informações dos funcionários da empresa. Os dados no sistema são combinados de formas diferentes para criar relatórios de interesse da gerência e dos órgãos governamentais e tam- bém para gerar os cheques de pagamento dos funcionários. M02_LAUD_0000_01_SE_C02.indd 42 07/11/14 14:44 Capítulo 2: E-business global e colaboração 43 Os gerentes precisam de SPTs para monitorar o andamento das operações internas, assim como as relações da empresa com o ambiente externo. Os SPTs também são importantes fontes de informações para outros tipos de sistemas e funções empresariais. Por exemplo, o sistema de folha de pagamento ilustrado na Figura 2.5, junto com outros SPTs contábeis, fornecem dados ao sistema de livro-razão da empresa, que é responsável pelos registros de entradas e saídas e pela produção de relatórios como demonstrações de resultados e balanço patrimonial. Ele também fornece o histórico de pagamento do empregado para cálculo de seguro, pensão e outros benefícios para a função de recursos humanos da empresa, além de dados sobre o pagamento de empregado para as agências governamentais, como o INSS e o FGTS. Os sistemas de processamento de transações em geral são tão críticos para uma empresa que, se deixarem de funcionar por algumas horas, podem causar o colapso e talvez danos às demais empresas ligadas a ela. Imagine o que aconteceria à UPS se o seu sistema de rastreamento de encomendas não esti- vesse funcionando! O que as companhias aéreas fariam sem seus sistemas de reserva informatizados? Sistemas de inteligência empresarial (BI) As empresas também têm sistemas de inteligência empresarial que se concentram em fornecer informações que apoiam a tomada de decisão gerencial. A inteligência empresarial é um termo con- temporâneo para dados e ferramentas de software que organizam, analisam e disponibilizam os dados para ajudar os gerentes e outros usuários corporativos a tomarem decisões mais embasadas nas infor- mações. A inteligência empresarial atende às necessidades de tomada de decisão de todos os níveis de gerência. Esta seção fornece uma breve introdução à inteligência empresarial. Você aprenderá mais sobre esse assunto nos capítulos 6 e 11. Os sistemas de inteligência empresarial para a gerência média auxiliam na monitoração, no con- trole, na tomada de decisão e nas atividades administrativas. No Capítulo 1, definimos sistemas de informação gerenciais como o estudo dos sistemas de informação nas empresas e na administração. O termo sistemas de informação gerenciais (SIG) também designa uma categoria específica de sistemas de informação que atendem aos gerentes de nível médio. Os SIGs proporcionam a esses gerentes relató- rios sobre o desempenho atual da organização. Com essas informações, é possível monitorar e controlar a empresa, bem como prever seu desempenho futuro. Dados de empregados Registro do empregado Nome Endereço Nível de pagamento Salário bruto Imposto federal Previdência social Assistência médica Salário líquido Rendimento (ano atual) Rendimento (FICA) Relatórios gerenciais Para a contabilidade Banco de dados/ Arquivos de empregados Sistema de folha de pagamentos Para agências governamentais Cheque de pagamento de empregados Consultas on-line Dados da folha de pagamentos do arquivo principal Figura 2.5 Exemplo de SPT de folha de pagamento Um SPT de folha de pagamento captura dados sobre a transação de pagamento do empregado (como um cartão de ponto). As saídas do sistema incluem relatórios on-line e impressos para a gerência e os cheques de pagamento dos empregados. M02_LAUD_0000_01_SE_C02.indd 43 07/11/14 14:44 Sistemas de informação gerenciais44 Os SIGs resumem e relatam as operações básicas da empresa usando os dados fornecidos pelos sistemas de processamento de transações. Os dados básicos de transações obtidos dos SPTs são com- primidos e geralmente apresentados em relatórios que são produzidos segundo uma programação perió- dica. Hoje, muitos desses relatórios são disponibilizados on-line. A Figura 2.6 mostra como um SIG típico transforma os dados de transação referentes a estoque, produção e contabilidade em arquivos SIG, utilizados na elaboração de relatórios para os gerentes. A Figura 2.7 apresenta uma amostra de relatório obtido com esse sistema. Os SIGs usualmente fornecem respostas às perguntas rotineiras que foram especificadas anterior- mente e cujo procedimento de obtenção é predefinido. Por exemplo, os relatórios dos SIGs podem apre- sentar o total de quilos de alface usados nesse trimestre por uma rede de fast-food ou, como ilustrado na Figura 2.7, comparar o resultado das vendas anuais de produtos específicos com as metas planejadas. Esses sistemas geralmente não são flexíveis e sua capacidade analítica é reduzida. A maior parte dos SIGs usa rotinas simples, como resumos e comparações, em vez de modelos matemáticos ou técnicas estatísticas avançadas. Sistemas de processamento de transações Sistemas de informacões gerenciais Arquivo de pedidos Sistema de processamento de pedidos ARQUIVOS DO SIG Dados de vendas SIG Relatórios Painéis e displays on-line Gerentes Dados de custo unitário de produtos Dados de modi�cação de produtos Dados de despesas Sistema de planejamento de recursos materiais Sistema de livro-razão Arquivo mestre de produção Arquivos de contabilidade Figura 2.6 Como os sistemas de informação gerenciais adquirem seus dados do SPT da empresa No sistema ilustrado nesse diagrama, três SPTs fornecem dados resumidos de transações ao sistema de relatórios do SIG após o término de um período determinado. Os gerentes têm acesso aos dados organizacionais por meio do SIG, que disponibiliza os relatórios adequados. código do produto descrição do produto região de vendas vendas reais planejadas real/planejado 4469 Limpador de carpete Nordeste 4.066.700 4.800.000 0,85 Sul 3.778.112 3.750.000 1,01 Centro-oeste 4.867.001 4.600.000 1,06 Oeste 4.003.440 4.400.000 0,91 TOTAL 16.715.253 17.550.000 0,95 5674 Desodorizador de ambientes Nordeste 3.676.700 3.900.000 0,94 Sul 5.608.112 4.700.000 1,19 Centro-oeste 4.711.001 4.200.000 1,12 Oeste 4.563.440 4.900.000 0,93 TOTAL 18.559.253 17.700.000 1,05 Figura 2.7 Exemplo de relatório de um SIG Esse relatório mostra dados resumidos sobre vendas anuais e poderia ser produzido pelo SIG da Figura 2.6. M02_LAUD_0000_01_SE_C02.indd 44 07/11/14 14:44 Capítulo 2: E-business global e colaboração 45 Outros tipos de sistemas de inteligência empresarial suportam mais a tomada de decisões não roti- neiras. Os sistemas de apoio à decisão (SADs) focam problemas únicos e que se alteram com rapidez, para os quais não existe um procedimento de resolução totalmente predefinido. Eles tentam responder a perguntas como: qual seria o impacto na programação de produção se dobrássemos as vendas em dezembro? O que aconteceria ao nosso retorno sobre investimento se a programação de determinada fábrica se atrasasse em seis meses? Embora os SADs usem informações internas obtidas do SPT e do SIG, frequentemente recorrem a informações de fontes externas, tais como o valor corrente das ações ou os preços dos produtos de con- correntes. Esses sistemas são usados pelos gerentes “superusuários” e analistas de negócios que querem usar técnicas analíticas e modelos sofisticados para analisar os dados. Um SAD interessante, pequeno, mas potente, é o sistema de estimativa de transportes de uma sub- sidiária de grande empresa global, cuja principal atividade é transportar cargas a granel de carvão, petróleo, minérios e produtos acabados para a empresa-mãe. A empresa é proprietária de alguns navios, freta outros e oferece serviços de transporte geral de cargas no mercado aberto. Um sistema de estima- tiva calcula os detalhes financeiros e técnicos do transporte. Os cálculos financeiros incluem a relação de custo por navio/período de fretamento (combustível, mão de obra e capital), as taxas de frete para vários tipos de carga e as despesas portuárias. Os detalhes técnicos incluem diversos fatores, como a capacidade de carga e velocidade do navio, a distância dos portos, o consumo de combustível e de água, e o esquema de montagem de carga (localização da carga para desembarque em diferentes portos). O sistema pode responder a perguntas como: dadas a programação de entrega de um cliente e a taxa de frete oferecida, qual navio deverá ser designado para o transporte e que taxa maximizaria os lucros? Qual seria a velocidade mais adequada de determinada embarcação para otimizar seu lucro e, ao mesmo tempo, cumprir o cronograma de entrega? Qual é o melhor esquema de montagem de carga para um navio que parte da Malásia com destino à costa oeste dos Estados Unidos? A Figura 2.8 ilustra o SAD construído para essa empresa. O sistema é executado em um computador pessoal de grande capacidade e oferece um sistema de menus que facilita a entrada de dados e a obtenção de informações. Esse SAD de estimativa de transporte faz largo uso de modelos analíticos. Outros sistemas de inte- ligência empresarial são mais orientados a dados, concentrando-se mais em extrair informações úteis de grandes quantidades de dados. Por exemplo, as grandes empresas de resorts de esqui, tais como Intrawest e Vail Resorts, coletam e armazenam grandes quantidades de dados de clientes obtidos a partir dos call centers, das reservas de hospedagem, das escolas de esqui e das lojas de aluguel de equi- pamento. Eles utilizam um software especial para analisar esses dados e, assim, determinar o valor, a rentabilidade potencial e a fidelidade de cada cliente. Com isso, os gerentes podem tomar decisões mais atualizadas sobre como direcionar os seus programas de marketing. A Seção Interativa sobre Organizações fornece mais detalhes sobre a forma como o Vail Resorts uti- liza esses dados para cultivar o relacionamento com os clientes e melhorar a experiência deles no Resort. À medida que lê este caso, tente identificar os problemas resolvidos pelos sistemas de informação do Vail Resorts e como os sistemas melhoram as operações da empresa e a tomada de decisão. Arquivo sobre o navio (por exemplo, capacidade de carga e velocidade) Consultas on-line Banco de dados de modelos analíticos Arquivo de restrições de atracamento Arquivo de custos de consumo de combustível Arquivo de histórico de custo de fretamento do navio Arquivo de aduana PC Figura 2.8 Sistema de apoio à decisão para cálculo de transporte Esse SAD opera em PCs de grande capacidade. É usado diariamente pelos gerentes que precisam desenvolver propostas para contratos de fretamento de navios. M02_LAUD_0000_01_SE_C02.indd 45 07/11/14 14:44 Sistemas de informação gerenciais46 Vail Ski ReSoRTS uTiliza TeCnologia de ponTa paRa apeRfeiçoaR Seu aTendimenTo aoS ClienTeS SEÇÃO INTERATIVA: ORGANIZAÇÕES O Vail Ski Resort é a maior estância de esqui de uma só montanha nos Estados Unidos, com 2.140 hectares da mais ampla e diversificada pista de esqui do mundo. Para combinar com suas pistas de esqui, de classe mun- dial, o Vail Ski também está tentando oferecer serviços de atendimento aos clientes de classe mundial — res- taurantes finos; spas e manobristas de esqui prontos para rebocar os esquiadores, guardar e retirar seus equi- pamentos; botas aquecidas; e pacotes para aquecer as mãos. O ingresso para a temporada de esqui no Vail Ski é o mais caro nesse segmento, e seu programa gratuito de adesão ao PEAKS Rewards (programa de recom- pensas) mantém ainda mais a fidelidade dos clientes. Os membros desse programa podem comprar on-line os ingressos mais econômicos para os teleféricos, asso- ciar o cartão PEAKS a um cartão de crédito e acumular pontos que podem ser resgatados por ingressos gratuitos para os teleféricos, aulas de esqui e diversos descontos. Em 2012, foi instalada no Vail Ski Resort a gôndola de teleférico mais rápida e de maior capacidade dos Estados Unidos. Com capacidade para dez pessoas sen- tadas, e com uma velocidade de subida de 365 metros por minuto, a gôndola de última geração transporta 3.600 esquiadores por hora, além de reduzir o tempo de viagem de nove para sete minutos e meio. Além disso, assentos aquecidos e acesso Wi-Fi o tornam o teleférico de esqui mais direcionado ao cliente conectado. Longas filas para andar de teleférico sempre dão muita dor de cabeça aos esquiadores. No passado, a única maneira de medir o fluxo da multidão era pergun- tando aos operadores dos teleféricos ou verificando os quadros de avisos na parte inferior. Agora, os esquiado- res do Vail são capazes de obter informações precisas e atualizadas sobre a fila dos teleféricos, utilizando redes sociais, transmissão de alertas e através da própria conta da estância no Twitter. O congestionamento na pista pode ser aliviado através da oferta especial de broches ou prêmios para persuadir os clientes a mudarem para outra pista de descida. Os clientes podem ser direciona- dos para os restaurantes no topo da montanha na hora do almoço. O Vail agora usa identificadores por radiofrequên- cia (RFID) nos ingressos dos teleféricos e nos passes de esqui. Como parte do programa EpicMix de mídia social, os ingressos e passes são digitalizados na base de cada teleférico para que os esquiadores e pratican- tes de snowboard possam acompanhar quantas vezes eles utilizaram os teleféricos e quantos metros verticais esquiaram em cada dia. Os dados digitalizados são auto- maticamente transferidos para um aplicativo EpicMix, que pode ser acessado através de smartphone ou de computador. O programa básico é gratuito e confere vários broches e prêmios virtuais com base nas esta- tísticas dos usuários. Por exemplo, você pode ganhar o broche “Connoisseur” depois de 75 subidas no tele- férico, e o “Over the Moon” após ter ultrapassado 106 km esquiando nas verticais. Depois de criar sua conta no EpicMix, você pode visualizar e compartilhar suas estatísticas, vinculando às suas contas do Facebook e do Twitter. O programa EpicMix Racing oferece um entrete- nimento adicional. Em uma das seis pistas de corrida, você pode competir com seus amigos e familiares, com todos os esquiadores e até mesmo com Lindsey Vonn, medalhista de ouro nos Jogos Olímpicos de 2010 na modalidade descida feminino. No início de cada tem- porada, Lindsey, que é tetracampeã da Copa do Mundo de esqui alpino, estabelece um tempo recorde para as pistas de corrida em Vail, Beaver Creek, Breckenridge, Keystone, Heavenly e Northstar. Esquiadores profis- sionais esquiam, então, para estabelecer seus “segun- dos atrás de Lindsey”. Para levar em consideração as mudanças nas condições das pistas, todos os dias um dos esquiadores profissionais esquia em cada pista e usa seus “segundos atrás de Lindsey” para determinar um tempo da Vonn para essa pista nesse dia em particular. Quando você esquia em uma pista, seu tempo real é auto- maticamente gravado e, em seguida, ajustado para cada sexo, idade e categoria. Os praticantes de snowboard e os esquiadores telemark também podem participar, e há adaptações para portadores de necessidades especiais. As pontuações são computadas com base nos “segundos atrás de Lindsey” de cada esquiador e no final de cada dia são concedidas medalhas de ouro, prata e bronze para os três primeiros colocados. Os resultados da clas- sificação das corridas são acessados no site do EpicMix. com ou através do aplicativo móvel EpicMix, disponí- vel para smartphones Apple e Android. O seu painel registra seus pontos da Lindsey Vonn Race Series, e as medalhas da EpicMix Racing, o total de check-ins realizados na estância, o total de dias na montanha, a metragem vertical, a quantidade de broches ganhos e o número de fotos tiradas no EpicMix. As montanhas com as seis pistas de corrida são cobertas por 140 fotógrafos profissionais. As fotos são automaticamente identificadas e transferidas para o sistema, através da leitura digital dos dados do chip inteligente embutido no ingresso do esquiador. As fotos podem ser legendadas e compartilhadas gratuitamente no Facebook e no Twitter, ou você pode comprar as M02_LAUD_0000_01_SE_C02.indd 46 07/11/14 14:44 Capítulo 2: E-business global e colaboração 47 peRgunTaS SoBRe o eSTudo de CaSo 1. Liste e descreva os tipos de sistemas descritos nesse estudo de caso. 2. Como esses sistemas melhoram a operação da empresa? 3. Como esses sistemas apoiam a tomada de decisão? Identifique três decisões diferentes que podem ser apoiadas por esses sistemas. 4. Por que melhorar a experiência do hóspede é tão importante no Vail Mountain Resort? cópias das fotos em vários locais, incluindo, obvia- mente, as escolas de esqui para crianças. Também é pos- sível comprar um pacote de 30 dólares por temporada para download ilimitado de todas as imagens tiradas em todos os locais e imprimi-las posteriormente. Todos esses recursos transformam as férias no resort de esqui em uma “experiência” que pode ser compartilhada com a família e amigos, aumentando o apego emocional e promovendo a retenção dos clientes. Além disso, para garantir o pleno aproveitamento da riqueza dos dados coletados dos clientes, o grupo Vail Resorts, do qual o Vail Ski Resorts faz parte, implantou o software SAS Customer Intelligence. Anteriormente, os dados dos clientes eram coletados e armazenados em vários sistemas não relacionados. Agora, os dados são compilados em um único banco de dados que inclui os pontos de contato de todos os clientes, permitindo mapear um quadro completo dos hábitos e preferências. Em vez de uma ou duas versões de uma campanha de marketing, o Vail Resorts agora executa de 30 a 50 campanhas de marketing orientadas para grupos específicos. No futuro, a empresa espera expandir para centenas ou mesmo milhares de comu- nicados individuais personalizados. A análise preditiva do SAS auxiliará o Vail Resorts a identificar as motiva- ções dos hóspedes e antecipar os desejos dos clientes, enquanto os modelos de segmentação de clientes iden- tificam segmentos rentáveis aos quais eles podem ser direcionados. O Vail Resorts planeja personalizar ainda mais o seu compromisso com seus clientes e enriquecer as suas experiências nas montanhas antes mesmo delas terem começado. Fontes: “EpicMix”, snow.com, disponível em <http://www.snow. com/epic-pass/pass-benefits/epicmix.aspx>, acesso em: 30 mai. 2013; Bill Pennington, “Getting Comfortable With the New Vail”, New York Times, 01 mar. 2013; “EpicMix FAQ”, epicmix. com, disponível em <http://www.epicmix.com/faq.aspx>, acesso em: 30 mai. 2013; Spencer Reiss, “Vail Resorts Creates Epic Experiences with Customer Intelligence”, SAS Case Study, 20 mar. 2013; Lauren Glendenning, “Vail’s New Gondola Lifts Off”, Vail Daily, 16 nov. 2012; e Nicole Perlroth, “Nine Ski Apps to Make the Most of the Mountain”, New York Times, 26 dez. 2012. Os sistemas de inteligência empresarial também atendem às necessidades de gerentes seniores na tomada de decisão. Os gerentes seniores precisam de sistemas que se concentrem em questões estra- tégicas e tendências de longo prazo, tanto para a empresa quanto para o ambiente externo. Eles estão preocupados com questões como: quais serão os níveis de emprego dentro de cinco anos? Quais são as tendências de custo do nosso setor no longo prazo? Quais produtos deverão ser produzidos dentro de cinco anos? Os sistemas de apoio ao executivo (SAE) ajudam a gerência sênior a tomar decisões. Abordam decisões não rotineiras que exigem bom senso e capacidade de avaliação e percepção, uma vez que não existe um procedimento previamente estabelecido para se chegar a uma solução. Eles apresentam gráficos e dados de diversas fontes através de uma interface de fácil manuseio para os gerentes seniores. Muitas vezes, as informações são disponibilizadas por meio de um portal, que usa a interface da Web para apresentar conteúdo empresarial personalizado e integrado. Os SAEs são projetados para incorporar dados sobre eventos externos, como novas leis tributá- rias ou novos concorrentes, mas também adquirem informações resumidas do SIG e do SAD interno. Filtram, comprimem e rastreiam dados críticos, mostrando apenas os mais importantes para a gerência sênior. Cada vez mais esses sistemas incluem ferramentas analíticas de inteligência empresarial para analisar as tendências, realizar previsões e detalhamento dos dados em um nível cada vez maior. Por exemplo, o CEO da Leiner Health Products, a maior fabricante de vitaminas e suplementos de marca própria nos Estados Unidos, conta com um SAE que exibe no seu computador, minuto a minuto, o desempenho financeiro da empresa, medido em termos de capital de giro, contas a receber, contas a pagar, fluxo de caixa e estoque. A informação é apresentada através de um painel digital, que exibe em M02_LAUD_0000_01_SE_C02.indd 47 07/11/14 14:44 Sistemas de informação gerenciais48 uma única tela os gráficos e diagramas dos principais indicadores de desempenho para gestão de uma empresa. Os painéis digitais estão se tornando uma ferramenta cada vez mais popular para os gestores de tomada de decisão. A inteligência empresarial e a tecnologia analítica contemporânea promoveram uma gestão orien- tada aos dados, na qual os tomadores de decisão dependem fortemente de ferramentas e dados analí- ticos disponíveis nas pontas de seus dedos para dirigir seu trabalho. Os dados coletados na fábrica ou na área de vendas são disponibilizados imediatamente para visualizações de alto nível ou com detalhes nos painéis executivos e para os relatórios. É uma gestão em tempo real e altamente visual. A Procter & Gamble (P&G) é um líder mundial do setor. A Seção Interativa sobre Pessoas ilustra a gestão voltada para informações no trabalho dessa empresa. piloTando a pRoCTeR & gamBle naS deCiSion CoCkpiTS SEÇÃO INTERATIVA: PESSOAS A Procter & Gamble (P&G) é a maior e mais ren- tável empresa de produtos de consumo do mundo, com 126 mil funcionários em 180 países, 300 marcas e mais de 83 bilhões de dólares de receitas em 2012. A P&G normalmente é classificada próxima do topo das listas das “empresas mais admiradas” pela sua capacidade de criar, comercializar e vender grandes marcas de produ- tos de consumo. Uma das principais razões do sucesso da P&G tem sido a sua tecnologia da informação robusta e a vontade de buscar inovações de TI para manter uma vantagem competitiva em seu setor. Com essa finalidade, a P&G tomou como sua meta digitalizar seus processos de ponta a ponta e, fundamen- talmente, mudar a forma como reúne e interpreta seus dados, e como emite os relatórios. Enquanto a P&G está cortando seus custos em outras áreas da empresa, sua divisão de Serviços de Negócios Globais está construindo uma expertise analítica e empreendendo novas soluções analíticas, como Business Sufficiency, Business Sphere e Decision Cockpits. Essas soluções eliminaram o tempo gasto debatendo sobre diferentes conjuntos de dados, e passaram a usar um sistema que permite aos líderes focarem em decisões imediatas de negócios usando os dados mais precisos e disponíveis naquele exato momento. As soluções baseiam-se em uma transformação da forma como a P&G utiliza os dados para a tomada de decisão da empresa, desde os executivos aos gerentes de marcas, até atingir os funcionários de baixo esca- lão. O antigo modelo de tomada de decisão da P&G consistia em descobrir que relatórios as pessoas que- riam, coletar os dados e, em seguida, entregá-los aos principais tomadores de decisão alguns dias ou algu- mas semanas depois. O novo modelo é mais instan- tâneo, com pessoas reunidas pessoalmente ou através de vídeo e incluindo os especialistas adequados para corrigir um problema no momento da sua ocorrência. São necessários mais dados em tempo real e experiên- cia analítica. O programa Business Sufficiency, lançado em 2010, fornece aos executivos da P&G algumas previsões sobre os próximos seis a doze meses, com relação à participa- ção do mercado da P&G e outras métricas importantes de desempenho. Ele baseia-se em uma série de mode- los analíticos que mostram o que está acontecendo na empresa no momento (remessas, vendas, participação de mercado), por que isso está acontecendo e quais ações a P&G pode tomar. Os modelos “porquê” destacam os dados de vendas no país, no território de vendas, a linha de produtos, os níveis de estoque de loja, juntamente com alguns direcionadores como publicidade e consumo dos clientes, fatorados em dados econômicos específicos em níveis regional e nacional. As “ações” mostram como a P&G pode ajustar os preços, a publicidade e a composi- ção de produtos para reagir às previsões. Por exemplo, quando o CEO Bob McDonald se reúne com a sua comissão executiva toda segunda-feira, eles examinam as principais categorias de produtos e merca- dos dos países (como cuidado capilar e Itália) que são responsáveis por 60% das vendas. As visualizações de dados mostram mudanças nas vendas e na participa- ção de mercado. Os executivos podem solicitar dados mais detalhados: a baixa nas vendas de detergente na Alemanha é por causa de algum grande varejista? Esse varejista está comprando menos só na Alemanha ou também em toda a Europa? Uma empresa concorrente aumentou a participação de mercado porque a P&G ele- vou seus preços ou cancelou suas promoções, ou é a cate- goria do produto em geral que está perdendo as vendas? A Business Sphere da P&G é um sistema interativo concebido para revelar indicadores, tendências e oportu- nidades para que os líderes da P&G façam perguntas de negócios focadas que possam ser tratadas com os dados in loco. Duas telas côncavas de exibição gigantes de 10 metros por 2,5 metros cercam fisicamente esses ges- tores com dados sobre vendas, participação de mercado e gastos com publicidade necessários para tomar deci- sões acionáveis. Milhares de algoritmos e modelos ana- M02_LAUD_0000_01_SE_C02.indd 48 07/11/14 14:44 Capítulo 2: E-business global e colaboração 49 peRgunTaS SoBRe o eSTudo de CaSo 1. Quais são os benefícios da Business Sufficiency, da Business Sphere e das Decision Cockpits? 2. Quais questões humanas, organizacionais e tecnológicas tiveram que ser tratadas na implantação da Business Sufficiency, Business Sphere e Decision Cockpits? 3. Como as ferramentas de tomada de decisão mudaram a forma como a empresa conduzia seu negócio? Qual a sua eficácia? Por quê? 4. Segundo o CEO da P&G, Bob McDonald, a nova abordagem para a tomada de decisão representa uma “revolução cultural”. Discuta as implicações dessa declaração. 5. Como esses sistemas estão relacionados à estratégia de negócios da P&G? líticos agregam dados, organizados por país, território de vendas, linha de produtos, nível de estoque de loja e outras categorias, bem como acompanham as tendên- cias, como resposta à publicidade e consumo do consu- midor por regiões e países. Todos na reunião visualizam as mesmas informações. O programa analisa 200 terabytes de dados da P&G, o equivalente a 200 mil cópias da Enciclopédia Britânica, e exibe informações de forma rápida e clara. A Business Sphere permite que executivos de alto escalão respondam às suas próprias perguntas específicas de negócios e visualizem os dados de uma forma mais intuitiva do que um simples relatório per- mitiria. A Business Sphere foi concebida como uma espécie de centro de comando, onde os gestores de alto escalão se reúnem pessoalmente ou através de tec- nologia de videoconferência de alta qualidade como o Cisco Telepresence, e determinam imediatamente quais são os maiores problemas enfrentados pela empresa e quem poderá corrigi-los tão logo eles ocorram. A P&G conta com mais de 50 Business Spheres em todo o mundo. A Business Sphere é usada principalmente pelos gerentes e executivos de alto escalão da P&G, mas a empresa estava determinada a estender os mesmos princípios para toda a empresa. Foi então que surgiu a ideia das Decision Cockpits. A P&G começou a forne- cer acesso às mesmas fontes de dados para um número maior de funcionários — atualmente, mais de 58 mil funcionários usam essa tecnologia. Essas cabines de painéis exibem gráficos fáceis de serem lidos, ilustrando o status e as tendências do negócio. As cabines apresen- tam alertas automatizados quando eventos importantes ocorrem, gráficos de controle, análises estatísticas em tempo real, bem como a capacidade de detalhar mais os dados. Um dos principais objetivos das Decision Cockpits era eliminar o tempo gasto pelos funcionários da P&G debatendo sobre a validade das versões conflitantes de dados encontrados em e-mails, planilhas, cartas e rela- tórios. Ao fornecer uma fonte única de dados precisos e detalhados sobre os negócios, em tempo real, todos os funcionários da P&G são capazes de focar nas deci- sões para melhorar o negócio. Tanto a Business Sphere quanto as Decision Cockpits encorajam os funcionários e gerentes da P&G a “gerenciar por exceção”. Isso sig- nifica que, ao olhar para os dados e anotar as exceções, como, por exemplo, as regiões que estão perdendo mer- cado mais rapidamente, ou áreas que estão crescendo e precisam de mais recursos, a P&G poderá dedicar tempo e energia onde é mais necessário. Agora, os gerentes e funcionários são capazes de tomar decisões com mais rapidez e de forma mais acertada do que era possível anteriormente. Outros benefícios do projeto foram a redução da complexi- dade envolvida na geração de relatório estatístico, bem como a redução de custos de manutenção de um con- junto de dados padronizados em toda a empresa, em vez de duplicados e redundantes. A P&G tem observado a queda significativa do número de e-mails gerados pelos empregados, à medida que mais trabalhadores podem responder às suas próprias perguntas e obter a sua pró- pria informação usando as Decision Cockpits. Melhores tecnologias de vídeo e de mensagem de texto ajudarão os funcionários a incluir qualquer pessoa necessária na tomada de decisão. A empresa também é capaz de antecipar os eventos futuros que afetam os negócios e responder mais rapidamente aos estímulos do mercado. A P&G está trabalhando, atualmente, para melhorar as mensagens de texto e os vídeos. Fontes: Chris Murphy, “P&G CEO Shares 3 Steps to Analytics- -Driven Business”, Information Week, 7 fev. 2013; Tom Davenport, “How P&G Presents Data to Decision-Makers”, Harvard Business Review, 4 abr. 2013; Peter High, “Data Analytics Allows P&G to Turn on a Dime”, CIO Insight, 3 mai. 2013; Disponível em: <www.pg.com>, acesso em: 25 abr. 2013; Shirish Netke e Ravi Kalakota, “Procter & Gamble – A Case Study in Business Analytics”, SmartAnalytics, 5 mar. 2012; e Brian P. Watson, “Data Wrangling: How Procter and Gamble Maximizes Business Analytics”, CIO Insight, 30 jan. 2012. M02_LAUD_0000_01_SE_C02.indd 49 07/11/14 14:44 Sistemas de informação gerenciais50 sistemas que abrangem tOda a empresa Revendo todos os diferentes tipos de sistemas descritos, é possível que você se pergunte como uma empresa consegue administrar toda a informação presente nesses diferentes sistemas. Você pode que- rer saber também se não fica muito caro manter tantos sistemas diferentes, ou ainda, como todos eles podem compartilhar informações e como os administradores e empregados conseguem coordenar seus trabalhos. De fato, todas essas perguntas são importantes para as empresas hoje. Aplicativos integrados Fazer todos os diferentes tipos de sistemas de uma empresa trabalharem juntos é um desafio e tanto. Normalmente, as corporações se formam por meio do crescimento “orgânico” normal e de aquisições de empresas menores. Depois de certo tempo, elas se veem com um conjunto de sistemas em uso, a maioria deles herdados, e enfrentam o desafio de fazê-los “conversar” entre si e atuar juntos como um único sistema corporativo. Há muitas soluções para esse tipo de problema. Uma das soluções é implantar aplicativos integrados, que são sistemas que abrangem todas as áreas funcionais, concentrando-se na execução de processos de negócios que permeiam toda a empresa e incluem todos os níveis de gerência. Os aplicativos integrados ajudam as empresas a se tornarem mais flexíveis e produtivas ao coordenarem seus processos de negócios de maneira mais estreita e inte- grarem os grupos de processos, concentrando-se, assim, na administração eficiente de recursos e no atendimento ao cliente. Existem quatro grandes aplicativos organizacionais integrados: sistemas integrados, sistemas de ges- tão da cadeia de suprimentos, sistemas de gestão do relacionamento com o cliente e sistemas de gestão do conhecimento. Cada um desses aplicativos integra um conjunto relacionado de funções e processos de negócio, a fim de melhorar o desempenho da organização como um todo. A Figura 2.9 mostra que a arquitetura dos aplicativos integrados cobre processos que abrangem toda a organização e, em alguns casos, se estendem para além dela, na direção de clientes, fornecedores e parceiros-chave de negócios. Os sistemas integrados, também conhecidos como sistemas de planejamento de recursos empre- sariais (ERP — enterprise resource planning), são utilizados para integrar processos de negócio nas áreas de manufatura e produção, finanças e contabilidade, vendas e marketing e recursos humanos em um único sistema de software. Com isso, a informação, anteriormente fragmentada em sistemas distin- tos, é armazenada em um único repositório de dados abrangente, a partir do qual pode ser utilizada por muitas partes diferentes da empresa. Um painel digital fornece a informação precisa e abrangente para a tomada de decisão, normalmente usando uma única tela. A visão gráfica geral dos principais indicadores de desempenho (KPI) ajuda os gerentes a identificar rapidamente as zonas pontuais que precisam de atenção. M02_LAUD_0000_01_SE_C02.indd 50 07/11/14 14:44 Capítulo 2: E-business global e colaboração 51 Quando um cliente faz um pedido, por exemplo, os dados fluem automaticamente para as partes da empresa que serão afetadas. A transação de pedido dispara uma ordem para que o depósito separe os produtos pedidos e programe o envio. O depósito, por sua vez, solicita à fábrica que reponha o que foi retirado. O departamento de contabilidade é notificado para enviar uma fatura ao cliente. A cada um desses passos, os representantes do serviço de atendimento ao cliente monitoram o andamento do pedido para manter os clientes informados. Os gerentes podem usar a informação integrada para tomar decisões mais precisas no momento apropriado com relação às operações diárias e ao planejamento a longo prazo. Os sistemas de gestão da cadeia de suprimentos (SCM — supply chain management) ajudam as empresas a administrar suas relações com os fornecedores. Esses sistemas auxiliam fornecedores, empresas de compras, distribuidores e empresas de logística a compartilharem informações sobre pedi- dos, produção, níveis de estoque e entrega de produtos e serviços, de maneira a buscar insumos, produ- zir e entregar mercadorias e serviços com eficiência. O objetivo final é levar a quantidade certa dos seus produtos da fonte para o ponto de consumo, com o mínimo espaço de tempo e o menor custo possível. Esses sistemas aumentam os lucros da empresa, através da diminuição de gastos de transporte e fabri- cação de produtos, e permitem que os gerentes tomem decisões mais acertadas sobre como organizar e agendar recursos, produção e distribuição. Os sistemas de gestão da cadeia de suprimentos são considerados sistemas interorganizacionais porque automatizam o fluxo de informações através das fronteiras organizacionais. Você encontrará outros exemplos de sistemas de informação interorganizacionais ao longo do texto, pois eles permitem que as empresas estabeleçam vínculos eletrônicos com clientes e terceirizem seu trabalho para outras empresas. Os sistemas de gestão do relacionamento com o cliente (CRM — customer relationship manage- ment) ajudam as empresas a administrar suas relações com os clientes. Os sistemas de CRM fornecem informações para coordenar todos os processos de negócios que lidam com os clientes, em termos de vendas, marketing e serviços. Seu objetivo é otimizar a receita, a satisfação e a retenção de clientes. Essas informações ajudam as empresas a identificar, atrair e reter os clientes mais lucrativos; prestar serviços de melhor qualidade aos clientes existentes; e aumentar as vendas. Fornecedores, parceiros de negócio Sistemas integrados Processos Processos Processos Sistemas de gestão do conhecimento Clientes, distribuidores Sistemas de gerenciamento da cadeia de suprimentos Vendas e marketing Manufatura e produção Finanças e contabilidade Recursos humanos Áreas funcionais Sistemas de gerenciamento do relacionamento com o cliente Figura 2.9 Arquitetura de um aplicativo integrado Os aplicativos integrados automatizam processos que abrangem várias funções e níveis organizacionais e podem até se estender para fora da empresa. M02_LAUD_0000_01_SE_C02.indd 51 07/11/14 14:44 Sistemas de informação gerenciais52 Algumas empresas têm mais êxito que outras porque detêm mais conhecimento sobre como criar, produzir e entregar produtos e serviços. Esse conhecimento empresarial, único e difícil de repro- duzir, pode trazer benefícios estratégicos de longo prazo. Os sistemas de gestão do conhecimento (SGCs) permitem às organizações administrar melhor seus processos, a fim de capturar e aplicar conhecimento e experiência. Esses sistemas coletam todo o conhecimento e experiência relevantes na empresa, e também os tornam disponíveis onde e quando forem necessários para melhorar os proces- sos de negócios e as decisões administrativas. Podem, ainda, vincular a empresa a fontes externas de conhecimento. No Capítulo 9, examinaremos com mais detalhes os sistemas integrados e os sistemas de gestão da cadeia de suprimentos e para gestão de relacionamento com o cliente. Neste capítulo, discutimos sistemas de colaboração que apoiam a gestão do conhecimento e, no Capítulo 11, abordamos outros aplicativos de gestão do conhecimento. Intranets e extranets Os aplicativos integrados alteram profundamente a maneira como uma empresa conduz seus negó- cios e oferecem muitas oportunidades de integração de dados de negócios importantes em um único sistema. Eles também, muitas vezes, são caros e difíceis de implantar. As organizações que não têm condições de investir em aplicativos integrados podem conseguir a integração de dados, clientes, forne- cedores e de seus próprios processos de negócio pelo uso de intranets e extranets. Intranets são simplesmente sites internos da empresa acessados somente pelos funcionários. O termo “intranet” refere-se a uma rede interna, em contraste com a Internet, que é uma rede pública que liga as organizações e outras redes externas. A Intranet usa as mesmas tecnologias e técnicas utilizadas pela Internet, e muitas vezes elas são simplesmente uma área de acesso privado no site da empresa. Extranets são sites das empresas que são acessíveis a vendedores e fornecedores autorizados, e muitas vezes são utilizados para gerenciar o movimento de suprimentos por toda a cadeia de produção da empresa. A Six Flags, por exemplo, é uma empresa que opera 19 parques temáticos em toda a América do Norte, e mantém uma intranet para seus 2.500 funcionários de tempo integral, na qual fornece notícias relacionadas à empresa e informações sobre as operações diárias de cada parque, incluindo as previsões meteorológicas, horários das apresentações e detalhes sobre os grupos e as celebridades que visitam os parques. Descreveremos a tecnologia para intranets e extranets com mais detalhes no Capítulo 7. e-business, e-cOmmerce e e-gOvernment Com o uso de redes e da Internet, os sistemas e tecnologias que acabamos de descrever estão digita- lizando as relações das empresas com seus clientes, funcionários, fornecedores e parceiros de logística. Atualmente, são tantas as empresas habilitadas por redes digitais ou nelas baseadas que vamos usar os termos negócios eletrônicos e comércio eletrônico com frequência ao longo deste livro. O conceito de negócios eletrônicos, ou e-business, refere-se ao uso de tecnologia digital e da Internet para executar os principais processos de negócios em uma empresa. O e-business inclui ativi- dades para a gestão interna da empresa e para sua coordenação com fornecedores e outros parceiros de negócios. Inclui também o comércio eletrônico, ou e-commerce. E-commerce é a parte do e-business que lida com a compra e venda de bens e serviços pela Internet. Tal conceito abrange as atividades que apoiam essas transações, tais como propaganda, marketing, atendimento ao cliente, segurança, entrega e pagamento. As tecnologias associadas ao e-business também trouxeram mudanças similares no setor público. Governos em todos os níveis estão usando a tecnologia da Internet para prestar informações e ser- viços aos cidadãos, aos funcionários públicos e às empresas com as quais trabalham. O conceito de e-government refere-se, portanto, à aplicação da Internet e das tecnologias de rede para digitalizar as relações entre governo e órgãos públicos e os cidadãos, empresas e outros braços do setor público. Além de melhorar a prestação de serviços, o e-government pode tornar as operações do governo mais eficientes e, até mesmo, capacitar os cidadãos, dando-lhes um acesso mais fácil à informação e permitir que interajam eletronicamente com outros cidadãos. Em alguns estados norte-americanos, por exemplo, os cidadãos podem renovar carteira de habilitação ou pedir seguro-desemprego on-line; além disso, a Internet tornou-se uma poderosa ferramenta para mobilizar instantaneamente grupos de interesse em torno de ações políticas ou da arrecadação de fundos. M02_LAUD_0000_01_SE_C02.indd 52 07/11/14 14:44 Capítulo 2: E-business global e colaboração 53 2.3 Sistemas de colaboração e ferramentas de social business Com todos esses sistemas e informações, você pode se perguntar como é possível compreender as coisas a partir deles. Como as pessoas agrupam tudo, trabalham rumo a objetivos comuns e coordenam planos e ações? Os sistemas de informação não podem tomar decisões, contratar ou dispensar pessoas, assinar contratos, aceitar acordos, ou ajustar o preço dos produtos conforme o mercado. Além dos tipos de sistemas que descrevemos, os negócios precisam de sistemas especiais para apoio à colaboração e ao trabalho em equipe. O que é cOlabOraçãO? A colaboração é o trabalho com os outros para alcançar metas explícitas e compartilhadas. Ela se concentra na realização de tarefas ou missões e, normalmente, acontece em uma empresa, ou outra organização, e entre empresas. Você colabora com um colega em Tóquio que possui experiência em determinado assunto sobre o qual você não sabe nada. Você colabora com muitos colegas na publicação do blog de uma empresa. Se estiver em uma empresa jurídica, auxilia contadores em uma empresa de contabilidade no atendimento a um cliente com problemas fiscais. A colaboração pode ser de curto prazo, durante minutos apenas, ou de longo prazo, dependendo da natureza da tarefa e do relacionamento entre os participantes. A colaboração pode ser entre duas ou mais pessoas. Os empregados podem colaborar em grupos informais que não são parte formal da estrutura orga- nizacional da empresa ou podem ser organizados em equipes formais. As equipes têm uma missão específica que alguém da empresa lhes atribuiu. Os integrantes da equipe precisam colaborar na rea- lização de tarefas específicas para que, coletivamente, realizem a missão da equipe. A missão pode ser “ganhar um jogo” ou “aumentar as vendas on-line em 10%”. As equipes costumam durar pouco, dependendo dos assuntos que cuidam e do tempo necessário para encontrar soluções e cumprir as missões. Por uma série de razões, a colaboração e o trabalho em equipe são mais importantes atualmente do que jamais foram. Natureza mutável do trabalho. A natureza do trabalho mudou da produção da fábrica e do tra- balho pré-computadorizado do escritório, onde cada etapa do processo de produção ocorria de forma independente uma da outra e era coordenada por supervisores. O trabalho era organizado em silos, passava de uma estação de máquina-ferramenta para outra, de uma mesa para outra, até que o produto final estivesse concluído. Hoje, os tipos de trabalho que temos demandam coorde- nação muito mais próxima e maior interação entre as partes envolvidas na produção do serviço ou produto. Um relatório recente da empresa de consultoria McKinsey and Company afirma que 41% da força de trabalho norte-americana atual é formada por empregos nos quais a interação (conversas, e-mails, apresentações e persuasão) é a principal atividade que agrega valor. Até mesmo nas fábricas, os trabalhadores atuais desempenham suas tarefas em grupos de produção ou centros de trabalho. Crescimento do trabalho profissional. Os “empregos de interação” tendem a ser empregos profis- sionais no setor de serviços que exigem coordenação próxima e colaboração. Os empregos profis- sionais demandam formação sólida e o compartilhamento de informações e opiniões para que o trabalho seja realizado. Cada ator no emprego agrega experiências especializadas ao problema e todos precisam levar os outros em consideração para resolver o problema. Organização mutável da empresa. Durante grande parte da Era Industrial, os gerentes organi- zavam o trabalho de modo hierárquico. As ordens desciam a hierarquia e as respostas faziam o percurso inverso. Atualmente, o trabalho está organizado em grupos e equipes que devem desenvolver seus próprios métodos para realização da tarefa. Os gerentes seniores observam e avaliam os resultados, mas estão muito menos propensos a darem ordens detalhadas ou a definirem procedimentos de operação. Isso se deve, em parte, ao fato de o conhecimento espe- cializado ser distribuído pela organização, o que ocorre também com o poder para a tomada de decisão. M02_LAUD_0000_01_SE_C02.indd 53 07/11/14 14:44 Sistemas de informação gerenciais54 Escopo mutável da empresa. O trabalho da empresa mudou de uma localização para várias — escritórios e fábricas espalhados por uma região, uma nação ou mesmo pelo mundo. Henry Ford, por exemplo, desenvolveu sua primeira fábrica de automóveis de produção em massa em um único local em Dearborn, Michigan. Estima-se que, em 2012, a Ford empregou mais de 166 mil funcionários em cerca de 90 fábricas e instalações em todo o mundo. Com este tipo de presença global, é obvio que a necessidade de uma coordenação próxima de design, produção, marketing, distribuição e serviço assume nova importância e dimensão. As empresas globais de grande porte precisam dispor de equipes atuando globalmente. Ênfase na inovação. Embora pensemos que as inovações nos negócios e nas ciências venham de grandes indivíduos, é mais comum que estes trabalhem com uma equipe de colegas brilhantes e que tudo seja precedido por um longo grupo de inovadores e inovações. Considere Bill Gates e Steve Jobs (fundadores da Microsoft e da Apple), por exemplo, e perceba que ambos são inovadores reno- mados e construíram equipes colaborativas para alimentar e apoiar as inovações em suas empresas. Suas primeiras inovações surgiram da colaboração próxima entre colegas e parceiros. Em outras palavras, a inovação é um processo social em grupo e a maioria das inovações vem da colaboração entre indivíduos em um laboratório, um negócio ou uma agência governamental. Acredita-se que as intensas práticas e tecnologias colaborativas aumentem a taxa e a qualidade da inovação. Cultura mutável do trabalho e dos negócios. Grande parte da pesquisa sobre colaboração apoia a ideia de que equipes diversas produzem melhores resultados de forma mais rápida do que indiví- duos que trabalham isoladamente. As noções populares de grupo (“terceirização para grupos” e “sabedoria das massas”) também oferecem suporte cultural para a colaboração e o trabalho em equipe. O que é sOcial business? Hoje, muitas empresas estão aumentando a colaboração e implantando o social business, o uso de plataformas de redes sociais, incluindo Facebook, Twitter e ferramentas sociais corporativas, para envolver seus funcionários, clientes e fornecedores. Essas ferramentas permitem aos trabalhadores con- figurar seu perfil, formar grupos e “seguir” a atualização de status um do outro. O objetivo do social business é aprofundar as interações com grupos dentro e fora da empresa, para agilizar e melhorar o compartilhamento de informações, a inovação e tomada de decisão. A palavra-chave no social business é “comunicação”. Os clientes, fornecedores, emprega- dos, gerentes e mesmo órgãos de fiscalização continuamente conversam sobre a empresa, muitas vezes sem ela tomar conhecimento e também seus funcionários (empregados e administradores). Incentivadores dos social business argumentam que, se as empresas puderem entrar em sintonia nes- sas conversas, elas poderão fortalecer seus laços com os consumidores, fornecedores e empregados, aumentando seu envolvimento emocional com a empresa. Isso tudo requer uma grande dose de transparência de informações. As pessoas precisam comparti- lhar diretamente suas opiniões e fatos, sem a intervenção de outras pessoas ou executivos da empresa. Os empregados precisam saber o que os clientes e outros empregados pensam; os fornecedores apren- derão diretamente das opiniões dos parceiros da cadeia de abastecimento; e mesmo os gerentes prova- velmente aprenderão de seus funcionários se eles estão agindo corretamente. Quase todos os envolvidos na criação de valor conhecerão muito mais sobre todos os outros. Se esse ambiente puder ser criado, é bem provável que impulsione a eficiência operacional, estimule a inovação e acelere a tomada de decisões. Se os projetistas puderem aprender diretamente sobre como seus produtos estão se posicionando no mercado em tempo real, com base na opinião dos consumido- res, eles poderão acelerar o processo de reprojeto do produto. Se os empregados puderem se conectar dentro e fora da empresa através das redes sociais para captar novos conhecimentos e percepções, eles serão capazes de trabalhar de forma mais eficiente e resolver mais problemas organizacionais. A Tabela 2.2 descreve aplicações importantes de social business, dentro e fora da empresa. Este capítulo concentra-se no social business organizacional — seus usos corporativos internos. O Capítulo 10 descreverá as aplicações de social business relacionadas com clientes e fornecedores fora da companhia. M02_LAUD_0000_01_SE_C02.indd 54 07/11/14 14:44 Capítulo 2: E-business global e colaboração 55 Tabela 2.2 Aplicações de social business. aplicação organizacional descrição Redes sociais Conectar através dos perfis pessoal e empresarial Crowdsourcing Aproveitar o conhecimento coletivo para gerar novas ideias e soluções Espaços de trabalho compartilhados Coordenar projetos e tarefas, criar conteúdo de forma colaborativa Blogs e Wikis Publicar e rapidamente acessar o conhecimento; discutir opiniões e experiências Comércio social Compartilhar opiniões sobre compras ou comprar através de plataformas sociais Compartilhamento de arquivo Efetuar upload, compartilhar e comentar fotos, vídeos, áudio, documentos de texto Marketing social Usar a mídia social para interagir com os clientes, auferir as percepções dos clientes Comunidades Discutir temas em fóruns abertos, compartilhar experiência benefíciOs empresariais da cOlabOraçãO e dO sOcial business Embora muitos artigos e livros tenham sido escritos sobre colaboração, praticamente todas as pes- quisas sobre esse tema são baseadas em observações pessoais. Ainda assim, tanto nas comunidades empresariais quanto nas acadêmicas existe o consenso de que quanto mais uma empresa for “colabora- tiva”, mais bem-sucedida ela será; e ainda, que a colaboração interna e entre as empresas é mais neces- sária hoje do que no passado. Uma recente pesquisa global entre gerentes de sistemas de informação e de empresas constatou que os investimentos em tecnologia de colaboração produziram melhorias organizacionais que renderam um retorno acima de quatro vezes o valor do investimento, sendo que os maiores benefícios foram das funções de vendas, marketing e de pesquisa e desenvolvimento (Frost e White, 2009). Outro estudo sobre o valor da colaboração também constatou que o benefício econômico geral da colaboração foi significativo: para cada palavra vista por um empregado em mensagens rece- bidas por e-mails, geravam-se 70 dólares a mais na receita (Aral, Brynjolfsson e Van Alstyne, 2007). Os consultores da McKinsey & Company preveem que as tecnologias sociais utilizadas internamente e entre empresas poderiam aumentar potencialmente a produtividade dos trabalhadores interativos em 20 a 25% (McKinsey, 2012). A Tabela 2.3 resume alguns dos benefícios da colaboração e do social business que foram identifica- dos. A Figura 2.10 ilustra graficamente como a colaboração pode impactar o desempenho empresarial. cOnstruindO uma cultura e prOcessOs de negóciO cOlabOrativOs A colaboração não vai acontecer de forma espontânea em uma empresa, em especial se não houver uma cultura e processos de negócio que lhe deem apoio. As empresas, principalmente as de grande porte, tiveram no passado a reputação de serem organizações do tipo “comando e controle”, nas quais os líderes do mais alto escalão pensavam em todos os problemas realmente importantes e, então, davam as ordens aos empregados dos níveis mais baixos para que executassem os planos da gerência sênior. Supostamente, o trabalho da gerência média era passar as mensagens de um nível para outro da hierarquia. As empresas “comando e controle” exigiam que os empregados dos níveis mais baixos cumpris- sem as ordens sem fazer muitas perguntas, tirando qualquer responsabilidade sobre a melhoria dos processos e sem recompensa pelo trabalho em equipe ou por seu desempenho. Se o seu grupo de trabalho precisasse da ajuda de outro, os chefes eram responsáveis por equacionar os problemas. Não havia comunicação horizontal, somente vertical, de modo que a gerência pudesse controlar o processo. Juntas, as expectativas de gerentes e empregados formavam uma cultura, um conjunto de premissas sobre os objetivos comuns e sobre como as pessoas deveriam se comportar. Muitas empresas ainda operam dessa forma. M02_LAUD_0000_01_SE_C02.indd 55 07/11/14 14:44 Sistemas de informação gerenciais56 Uma cultura empresarial e processos de negócio colaborativos são bem diferentes. Os gerentes seniores são responsáveis por alcançar resultados, mas confiam em equipes de funcionários para alcançar e implantar os resultados. Políticas, produtos, projetos, processos e sistemas dependem muito mais das equipes de todos os níveis da empresa para planejar, criar e construir. As equipes são recompensadas por seu desempenho, e os indivíduos, por seu desempenho na equipe. A função da gerência média é formar as equipes, coordenar seu trabalho e monitorar seu desempenho. A cultura empresarial e os processos de negócio são mais “sociais”. Em uma cultura colaborativa, a gerência sênior estabelece que a colaboração e o trabalho em equipe são vitais para a empresa, e também implanta realmente a colaboração nos níveis altos de gerência da organização. ferramentas e tecnOlOgias para cOlabOraçãO e sOcial business Uma cultura colaborativa orientada a equipes não gera benefício se não existirem sistemas de infor- mação que viabilizem a colaboração e o social business. Atualmente, existem centenas de ferramentas Tabela 2.3 Benefícios empresariais da colaboração e do social business. benefício Justificativa Produtividade Pessoas interagindo e trabalhando juntas podem captar o conhecimento de especialistas e solucionar problemas mais rapidamente do que o mesmo número de pessoas trabalhando sozinhas. Haverá menos erros. Qualidade Pessoas trabalhando colaborativamente podem comunicar erros e tomar medidas corretivas de forma mais rápida do que quando trabalham sozinhas. Tecnologias colaborativas e sociais ajudam a reduzir os atrasos no projeto e na produção. Inovação Pessoas trabalhando colaborativamente em grupos podem ter mais ideias inovadoras de produtos, serviços e administração do que o mesmo número de pessoas trabalhando sozinhas. Existem vantagens na diversidade do grupo e na “sabedoria das massas”. Atendimento aos clientes Pessoas trabalhando juntas usando ferramentas sociais e de colaboração podem resolver problemas e questões relacionadas a clientes de maneira mais rápida e mais eficiente do que se estivessem trabalhando sozinhas. Desempenho financeiro (lucratividade, vendas e crescimento de vendas) Como resultado de todos os outros benefícios, empresas colaborativas apresentam melhor desempenho em vendas, crescimento de vendas e lucratividade. Capacidade de colaboração Tecnologia colaborativa Qualidade de colaboração Desempenho da empresa • Cultura aberta • Estrutura descentralizada • Liberdade de colaboração • Uso de tecnologia social e colaborativa para implementação e operações • Uso de tecnologia social e colaborativa para planejamento estratégico Figura 2.10 Requisitos para a colaboração A colaboração bem-sucedida requer cultura e estruturas organizacionais adequadas, bem como tecnologia de colaboração apropriada. M02_LAUD_0000_01_SE_C02.indd 56 07/11/14 14:44 Capítulo 2: E-business global e colaboração 57 preparadas para lidar com o fato de que, para sermos bem-sucedidos no trabalho, dependemos muito mais uns dos outros, de empregados, clientes, fornecedores e gerentes. Algumas ferramentas avan- çadas, como o Lotus Notes, da IBM, são caras, mas poderosas o suficiente para as empresas globais. Outras estão disponíveis on-line gratuitamente (ou com versões premium por uma taxa modesta) e são adequadas para as pequenas empresas. Vamos ver algumas dessas ferramentas com mais detalhes. E-mail e mensagens instantâneas E-mail e mensagens instantâneas (incluindo mensagens de texto) foram adotadas nas empresas como ferramentas de comunicação e colaboração essenciais ao apoio do trabalho interativo. Seus programas funcionam em computadores, celulares e outros dispositivos portáteis sem fio e incluem recursos para compartilhamento de arquivos e transmissão de mensagens. Muitos sistemas de mensagens instantâ- neas permitem que os usuários participem de conversas em tempo real, simultaneamente, com vários participantes. Nos últimos anos, o uso de e-mail tem diminuído, conforme as mensagens instantâneas e a mídia social têm se tornado os canais de comunicação preferidos. Wikis Wikis são um tipo de site que faz com que seja mais fácil contribuir e editar conteúdo textual e gráfico, sem qualquer conhecimento sobre desenvolvimento de páginas da Web ou técnicas de progra- mação. A mais conhecida é a Wikipedia, o maior projeto de referência editado colaborativamente no mundo inteiro. Ela conta com voluntários, não tem fins lucrativos e não aceita publicidade. As Wikis são ferramentas ideais para armazenamento e compartilhamento do conhecimento e dos insights da empresa. A SAP AG, empresa fornecedora de software empresarial, usa uma ferramenta que funciona como base de informações para as pessoas de fora da empresa, tais como clientes e desen- volvedores de software que constroem programas que interagem com o software SAP. No passado, essas pessoas perguntavam e, às vezes, respondiam perguntas de modo informal nos fóruns on-line sobre a SAP, mas esse sistema era ineficiente, com pessoas perguntando e respondendo as mesmas coisas várias vezes. Mundos virtuais Os mundos virtuais, como o Second Life, são ambientes 3-D on-line habitados por “residentes” que construíram representações gráficas deles mesmos, conhecidas como avatares. Empresas como IBM e Insead, uma escola internacional de negócios com um campus na França e outro em Cingapura, estão usando esse mundo virtual para realizar reuniões on-line, sessões de treinamento e “lounges”. Pessoas do mundo real, representadas por avatares, interagem e trocam ideias nesses locais virtuais usando ges- tos, conversas por meio de mensagens de texto e comunicação por voz (que requer microfones). Plataformas para colaboração e social business Atualmente, existem suítes de produtos de software que oferecem plataformas multifuncionais para a colaboração e social business entre equipes de empregados que atuam juntos a partir de diferen- tes localidades. Os sistemas mais usados são de audioconferência e de videoconferência baseados na Internet, serviços de colaboração em nuvem, como ferramentas on-line do Google, sistemas de colabo- ração corporativa, como Lotus Notes e Microsoft SharePoint, e ferramentas de redes sociais corpora- tivas, como o Salesforce Chatter, Yammer da Microsoft, Jive, Connections e SmartCloud for Business da IBM. Sistemas de reunião virtual. Com o intuito de reduzir os gastos com viagens, muitas empresas, tanto grandes quanto pequenas, estão adotando tecnologias de videoconferência pela Web. Empresas como Heinz, General Electric e Pepsico utilizam sistemas de reunião virtual para reuniões sobre produ- tos, cursos de treinamento, sessões de estratégia e, até mesmo, bate-papos inspiradores. A videoconferência permite que pessoas em duas ou mais localidades diferentes possam se comuni- car simultaneamente, através de transmissões de vídeo e áudio de mão dupla. Sistemas de videoconfe- rência avançados apresentam a tecnologia de telepresença, um ambiente de audiovisual integrado que permite a uma pessoa dar a impressão de estar presente em um local diferente daquele em que está fisi- camente. Sistemas baseados na Internet, gratuitos ou de baixo custo, como videoconferência em grupo Skype, Google+ Hangouts, Zoom e ooVoo são de qualidade inferior, mas, mesmo assim, úteis para as empresas menores. O FaceTime da Apple e o Google Chat são ferramentas úteis para videoconferência entre duas pessoas. M02_LAUD_0000_01_SE_C02.indd 57 07/11/14 14:44 Sistemas de informação gerenciais58 Empresas de todos os tamanhos estão constatando que ferramentas de reunião on-line baseadas na Web, como Cisco WebEx, Microsoft Lync e Adobe Connect são especialmente úteis para treinamento e apresentações de vendas. Esses produtos permitem que os participantes compartilhem documentos e apresentações conjugando audioconferência e vídeo ao vivo com o uso de webcam. Serviços de colaboração em nuvem: Cyberlockers e ferramentas Google. A Google oferece mui- tas ferramentas e serviços on-line e alguns são adequados para a colaboração. Entre eles, Google Drive, Google Docs, Google Apps, Google Sites e Google+. A maioria é gratuita. Google Drive é um serviço de armazenagem e sincronização de arquivos em nuvem, compartilha- mento e edição colaborativa de arquivos. O Google Drive é um exemplo de um cyberlocker baseado em nuvem. Cyberlockers são serviços de compartilhamento de arquivos on-line que permitem aos usuá- rios efetuar upload de arquivos para sites de armazenagem segura on-line, a partir dos quais podem ser compartilhados com outras pessoas. Microsoft SkyDrive e Dropbox são outros serviços líderes de cyberlocker. Ambos disponibilizam uma versão gratuita e outra paga, dependendo da quantidade de espaço de armazenagem requisitado. Os usuários são capazes de sincronizar seus arquivos armazena- dos on-line com seus computadores locais e com outros tipos de dispositivos, com opção de tornar os arquivos privados ou públicos e de compartilhá-los com os contatos previamente designados. O Google Drive e o Microsoft SkyDrive são integrados com ferramentas para criação e compar- tilhamento de documentos. Google Drive agora é a hospedagem do Google Docs, uma suíte de apli- cativos de produtividade que oferecem edição colaborativa de documentos, planilhas e apresentações. O SkyDrive oferece o armazenamento on-line de documentos do Microsoft Office e outros arquivos e trabalha com o Office Web Apps, versões Web do Word, Excel, PowerPoint e OneNote da Microsoft. A suíte de aplicativos de escritório convencionais (processamento de texto, planilhas, apresentações, calendários e e-mail) com base em nuvem do Google, denominado Google Apps, também funciona com o Google Drive. A edição premier cobra às empresas 50 dólares por ano para cada usuário, oferece 25 gigabytes para armazenamento de e-mails, um tempo de atividade garantido de 99,9% para e-mail e ferramentas para administração. O Google Sites permite que usuários criem rapidamente um site on-line editável por grupos. Os usuários do Google Sites podem projetar e criar sites em minutos e, sem quaisquer habilidades técnicas avançadas, podem publicar uma variedade de arquivos que incluem agendas, textos, planilhas e vídeos para visualização e edição privada, de um grupo ou pública. Google+ é um esforço da Google para tornar essas ferramentas e outros produtos e serviços que ela oferece mais “sociais”, tanto para os consumidores quanto para as empresas. Os usuários do Google+ podem criar um perfil, bem como “Círculos”, para organizar as pessoas em grupos específicos, para compartilhamento e colaboração. Os “Hangouts” permitem que as pessoas participem de bate-papo por vídeo em grupo, com um máximo de 10 pessoas participantes a qualquer momento. Um recurso disponível para Android, iPhone e dispositivos de SMS chamado Messenger torna possível a comunicação através de mensagens instan- tâneas entre os membros dos “Círculos”. Microsoft SharePoint. O Microsoft SharePoint é uma plataforma de gestão de colaboração e docu- mentos baseada em navegador combinada a um poderoso mecanismo de busca instalado nos servido- res corporativos. O SharePoint tem interface baseada na Web e integração próxima com ferramentas rotineiras como os produtos do pacote de escritório Microsoft Office. O software SharePoint permite aos empregados o compartilhamento de seus arquivos e a colaboração em projetos que utilizam docu- mentos Office como base. O SharePoint pode ser usado para hospedar sites internos que organizam e armazenam informações em um local central, permitindo que equipes coordenem suas atividades de trabalho, colaborem na criação e publicação de documentos, mantenham listas de tarefas, implementem fluxos de trabalho e compartilhem informações através de wikis e blogs. Os usuários são capazes de controlar as versões e a segurança dos documentos. Devido à capacidade do SharePoint de armazenar e organizar as infor- mações em um só lugar, os usuários podem encontrar informações relevantes com rapidez e de forma eficiente enquanto trabalham juntos em tarefas, projetos e documentos. As ferramentas de busca da empresa ajudam a localizar pessoas, experiências e conteúdo. Como observado no caso de abertura do capítulo, recentemente o SharePoint acrescentou ferramentas sociais. O ASB Bank, com sede em Auckland, na Nova Zelândia, oferece para 25% da população serviços bancários que atendem pessoas físicas e jurídicas. Os gerentes queriam aumentar a colaboração, agili- M02_LAUD_0000_01_SE_C02.indd 58 07/11/14 14:44 Capítulo 2: E-business global e colaboração 59 dade e inovação dos empregados, reduzindo o uso de papel em 40% no período de três anos. A empresa implantou o Microsoft SharePoint 2013, uma vez que os funcionários já estavam usando outros softwares da Microsoft (Lync e Office2010), e o Sharepoint opera com os tablets, PCs, smartphones e outros dispositivos móveis. O ASB Bank criou seus SharePoint 2013 Team Sites, nos quais cada departamento pode gerenciar a digitalização, armazenagem, arquivamento e segurança de documentos. Os emprega- dos da empresa inteira são capazes de procurar por documentos com rapidez e podem localizar facil- mente informações e experiências necessárias através dos sites pessoais, Team Site, blogs e wiki. Ao organizar informações usando o SharePoint 2013, o ASB será capaz de cumprir suas metas de redução de papel em 2015 (Microsoft, 2012). Lotus Notes. O Lotus Notes foi um dos primeiros exemplos de groupware, sistema de software colaborativo com recursos para compartilhamento de agendas, escrita e edição colaborativa, acesso compartilhado a banco de dados e reuniões eletrônicas onde cada participante consegue acessar e exi- bir informações e atividades dos demais participantes. O software Notes instalado no computador do cliente acessa aplicativos armazenados em um servidor IBM Lotus Domino. O Lotus Notes, atual- mente, pode ser acessado através da Web, e oferece um ambiente de desenvolvimento de aplicativos e scripts, para que os usuários possam criar aplicações personalizadas que atendam às suas necessidades. Quando o software Notes é instalado no computador do usuário, ele permite que a máquina seja utilizada como uma plataforma para e-mail, mensagens instantâneas (em conjunto com o Lotus Sametime), navegação na Web e calendário para reserva de recurso, bem como para a interação com aplicações colaborativas. Atualmente, o Notes também oferece recursos para blogs, microblogs, wikis, agregadores RSS, sistemas de help desk, conferência através de voz e vídeo e reuniões on-line. Um produto relacionado ao IBM Lotus, chamado Lotus Quickr, fornece ferramentas mais especializadas para o trabalho em equipe (espaços para equipes, bibliotecas de conteúdo, fóruns de discussão, wikis) e é capaz de acessar informações do Lotus Notes. Grandes empresas adotam o IBM Lotus Notes, porque o Notes promete altos níveis de segurança e confiabilidade, além do controle sobre as informações corporativas confidenciais. Por exemplo, o Departamento de Bioquímica Clínica, um laboratório médico do Hospital Universitário Aarhus, na Dinamarca, realiza mais de 10 milhões de exames por ano em mais de um milhão de pacientes. O sistema à base de papel estava sujeito a erros, era demorado e difícil de ser auditado. O Departamento começou a usar um aplicativo chamado Sherlock, baseado no Lotus Notes da IBM, para a simplifica- ção e documentação dos processos clínicos e atualizações. O aplicativo contém todos os requisitos, relatórios de empregados e fornecedores, procedimentos operacionais, normas de confidencialidade e instruções de calibração, que são necessários para ajudar o departamento a estar em conformidade com a ISO 15189. Todos os e-mails relacionados com a gestão de qualidade no Sherlock são gerados no software Lotus Notes da IBM, facilitando o acompanhamento dos procedimentos. O Sherlock envia notificações automáticas quando os procedimentos ou calibrações específicas precisam ser realizados para permanecer em compliance. O sistema cria um guia de auditoria para ajudar o departamento a verificar se estão cumprindo todos os requisitos da ISO 15189. O controle de acesso permite que os gerentes decidam quem pode — e quem não pode — acessar o sistema. O Sherlock também aproveita os recursos do Lotus Notes de comunicação em cinco idiomas diferentes (IBM, 2012). Ferramentas de redes sociais corporativas. As ferramentas que acabamos de descrever incluem recursos para apoiar o social business, mas também existem ferramentas sociais mais especializa- das para essa finalidade, como Salesforce Chatter, Yammer da Microsoft, Jive e IBM Connections. Ferramentas de redes sociais corporativas agregam valor aos negócios, conectando os membros de uma organização através de perfis, atualizações e notificações, semelhante aos recursos do Facebook, mas adaptados para uso corporativo interno. A IBM introduziu recentemente um conjunto de ferramentas de social business operando em uma plataforma de nuvem chamada SmartCloud for Social Business, com perfis de usuário, comunidades, e-mail, mensagens instantâneas, reuniões através da Web, agen- das, painéis pessoais e compartilhamento de arquivos. A Tabela 2.4 fornece mais detalhes sobre esses recursos sociais internos. Com sede em Dallas, a 7-Eleven Inc. tem cerca de dois mil funcionários que usam o Yammer desde maio de 2011. A cadeia de lojas de conveniência implantou o aplicativo para ajudar os consultores de campo, que trabalham junto aos proprietários das franquias locais, a compartilhar seus conhecimentos e aprender boas práticas uns com os outros. Por exemplo, alguém pode publicar uma foto da forma como expôs os produtos e que funcionou particularmente bem em um local de franquia para que os M02_LAUD_0000_01_SE_C02.indd 59 07/11/14 14:44 Sistemas de informação gerenciais60 outros vejam e experimentem em suas localidades. O software social cria um “ambiente descontraído virtual”, onde as pessoas são capazes de falar sobre o que está acontecendo de uma maneira informal, podendo contar ainda com a documentação formal para monitorar as boas práticas. Embora a 7-Eleven e outras empresas tenham se beneficiado com a rede social da empresa, a rede social interna não evoluiu tão rapidamente quanto o uso típico do Facebook, Twitter e outras redes sociais. Nosso estudo de caso de encerramento de capítulo trata desse assunto. Lista de verificação para gerentes: avaliando e selecionando ferramentas de colaboração Com tantos serviços e ferramentas de colaboração disponíveis, como escolher a tecnologia apro- priada para a sua empresa? Para responder a essa pergunta, é necessário uma estrutura para com- preender os problemas que essas ferramentas resolvem. Uma estrutura que tem sido útil é a matriz de ferramenta social e de colaboração tempo/espaço desenvolvida por um grupo de especialistas sobre trabalho colaborativo (Figura 2.11). A matriz de tempo/espaço se concentra em duas dimensões do problema de colaboração: tempo e espaço. Por exemplo, você precisa colaborar com pessoas que estão em diferentes fusos horários e não conseguem se encontrar todos ao mesmo tempo. Meia-noite em Nova York é meio-dia em Bombaim, o que dificulta uma videoconferência. Está claro que o tempo é um obstáculo para a colaboração em escala global. O local também impede a colaboração em empresas globais ou mesmo em grandes empresas locais ou nacionais. Reunir pessoas para um encontro físico é difícil devido à dispersão das empresas (em organizações com várias subsidiárias), ao custo de viagem e às limitações de tempo dos gerentes. As tecnologias de colaboração descritas anteriormente são maneiras de superar as limitações de tempo e espaço. Essa estrutura de tempo/espaço lhe ajudará a escolher a ferramenta mais apropriada de colaboração e trabalho em equipe para a sua empresa. Observe que algumas ferramentas podem ser utilizadas em mais de um cenário tempo/espaço. Por exemplo, aquelas baseadas em Internet, como o Lotus Notes, oferecem recursos tanto para interações síncronas (mensagens instantâneas, ferramentas para reuniões eletrônicas) quanto para interações assíncronas (e-mail, wikis, edição de documentos). A seguir há uma lista de afazeres para começar. Se seguir esses seis passos, deve conseguir escolher o software colaborativo mais adequado para sua empresa a um preço razoável e dentro de sua tolerância a riscos. Tabela 2.4 Recursos de software de rede social corporativa. recurso do software social descrição Perfis Capacidade de configurar os perfis dos membros, descrevendo quem são os indivíduos, qual é a sua formação escolar e quais são seus interesses, incluindo a descrição das associações e experiências relacionadas à sua área profissional (habilidades, projetos e equipes). Compartilhamento de conteúdo Compartilhar, armazenar e gerenciar o conteúdo, incluindo documentos, apresentações, imagens e vídeos. Feeds e notificações Fluxo de informações em tempo real, atualizações de status e anúncios de indivíduos e grupos designados. Áreas de trabalho de grupos ou equipe Estabelecer grupos para compartilhar informações, colaborar na criação de documentos e trabalhar em projetos, com a capacidade para configurar grupos privados e públicos e arquivar as conversas, preservando o conhecimento da equipe. Marcação e social bookmarking Indicar preferências para pontos específicos do conteúdo, semelhante ao botão “curtir” do Facebook. Os marcadores permitem que as pessoas adicionem palavras-chave para identificar o conteúdo de que gostam. Permissões e privacidade Capacidade de certificar-se de que as informações confidenciais permanecem dentro dos círculos adequados, como determinado pela natureza das relações. Na rede social corporativa, existe a necessidade de estabelecer quem na empresa tem permissão para ver determinadas informações. M02_LAUD_0000_01_SE_C02.indd 60 07/11/14 14:44 Capítulo 2: E-business global e colaboração 61 1. Quais são os desafios da colaboração enfrentados pela empresa em termos de tempo e espaço? Localize sua empresa na matriz tempo/espaço. Sua empresa pode ocupar mais de uma célula na matriz. Diferentes ferramentas de colaboração serão necessárias para cada situação. 2. Considerando cada uma das células da matriz, onde sua empresa enfrenta desafios? Exatamente quais tipos de solução estão disponíveis? Faça uma lista dos produtos e seus fornecedores. 3. Analise cada produto em termos de custos e benefícios para a empresa. Certifique-se de incluir em suas estimativas os custos de treinamento e os envolvidos com o departamento de sistemas de informação, se necessário. 4. Identifique os riscos de segurança e a vulnerabilidade envolvidos em cada um dos produtos. A sua empresa está disposta a colocar informação proprietária nas mãos de provedores de serviços exter- nos na Internet? Ela está disposta a arriscar suas importantes operações em sistemas controlados por outras empresas? Quais são os riscos financeiros enfrentados por seus fornecedores? Eles ainda estarão aqui em três ou cinco anos? Qual seria o custo de migrar para outro fornecedor, caso o for- necedor em questão venha a falir? 5. Busque ajuda de usuários potenciais para identificar questões de implementação e treinamento. Algumas dessas ferramentas são mais fáceis de usar do que outras. 6. Faça a seleção de possíveis ferramentas e convide os fornecedores para fazerem apresentações. 2.4 a função dos sistemas de informação na empresa Já vimos que as empresas hoje precisam dos sistemas de informação para funcionar e que elas usam muitos tipos diferentes de sistemas. Mas quem é responsável por fazer todos eles funcionarem? Quem é responsável por assegurar que o hardware, o software e as outras tecnologias usadas por esses sistemas estejam atualizadas e operando adequadamente? Usuários finais manejam seus sistemas do ponto de vista empresarial, mas controlar a tecnologia em si exige uma função específica de sistemas de informação. Em todas as empresas, exceto nas menores, o departamento de sistemas de informação é a uni- dade organizacional formal responsável pelos serviços de tecnologia da informação. Esse departamento é responsável pela manutenção dos equipamentos (hardware), programas (software), armazenagem de dados e redes que compreendem a infraestrutura de TI da empresa. Descreveremos tal infraestrutura de TI em detalhes no Capítulo 5. O departamentO de sistemas de infOrmaçãO O departamento de sistemas de informação é composto por especialistas como programadores, analistas de sistemas, líderes de projeto e gerentes de sistemas de informação. Programadores são especialistas técnicos altamente treinados que elaboram as instruções dos softwares de computadores. Analistas de sistemas são os principais elos entre os grupos de sistemas de informação e o restante da mesmo tempo síncrono m es m o lu g ar co lo ca liz ad o lu g ar d if er en te re m o to Matriz de ferramenta social e de colaboração tempo/espaço tempo diferente assíncrono Interações face a face salas de decisão, groupware de exibição única, mesa compartilhada, murais, roomware... Tarefas contínuas salas de equipe, grandes painéis públicos, groupware em turnos de trabalho, gestão de projetos... Interações remotas conferência por vídeo, mensagens instantâneas, diagramas/multijogadores/ mundos virtuais, telas compartilhadas, editores multiusuários... Comunicação + coordenação e-mail, boletins, blogs, conferências assíncronas, calendários de grupo, �uxo de trabalho, controle de versões, wikis... Figura 2.11 Matriz de ferramenta social e de colaboração tempo/espaço As tecnologias de colaboração podem ser classificadas em termos do suporte que oferecem a interações realizadas ao mesmo tempo e no mesmo lugar, ou em tempo e lugar diferentes, e se essas interações são remotas ou colocalizadas. M02_LAUD_0000_01_SE_C02.indd 61 07/11/14 14:44 Sistemas de informação gerenciais62 organização; sua tarefa é traduzir os problemas e as necessidades da empresa em requisitos de infor- mações e sistemas. Gerentes de sistemas de informação são os líderes das equipes de programadores e analistas, os gerentes de projeto, das instalações físicas e de telecomunicações, ou os especialistas em banco de dados. Eles também gerenciam o pessoal de operações de computadores e de entrada de dados. Especialistas externos, como fornecedores e fabricantes de hardware, empresas de software e consultores, frequentemente participam das operações diárias e do planejamento de longo prazo dos sistemas de informação. Em muitas empresas, o departamento de sistemas de informação é dirigido por um executivo-chefe de informática (chief information officer — CIO). O CIO é um cargo de gerência sênior que supervi- siona a utilização da tecnologia da informação na empresa. Espera-se que os CIOs atuais tenham sólida experiência tanto em negócios quanto em sistemas da informação e assumam um papel de liderança na integração de tecnologia à estratégia de negócios da empresa. Nas empresas de grande porte atuais também há cargos de executivo-chefe de segurança (chief security officer — CSO), executivo-chefe de conhecimento (chief knowledge officer — CKO) e executivo-chefe de privacidade (chief privacy officer — CPO), todos trabalhando bem próximos do executivo-chefe de informática. O executivo-chefe de segurança (CSO) é responsável pela segurança dos sistemas de informa- ção da empresa e por reforçar as políticas de segurança de informação da empresa (ver Capítulo 8). (Algumas vezes, quando a segurança dos sistemas de informação é separada da segurança física, essa posição é denominada executivo-chefe de segurança da informação [chief information security officer — CISO]). O CSO é responsável por educar e treinar os usuários e especialistas em sistemas de infor- mação sobre questões de segurança, mantendo a gerência consciente das ameaças e danos à segurança e adequando as ferramentas e políticas escolhidas para implantação da segurança. A segurança dos sistemas de informação e a necessidade de proteger dados pessoais tornaram-se tão importantes que empresas que coletam grandes volumes desses dados criaram o cargo de execu- tivo-chefe de privacidade (CPO). O CPO é responsável por garantir que a empresa cumpra as leis de privacidade de dados existentes. O executivo-chefe de conhecimento (CKO) é responsável pelo programa de gestão do conheci- mento. O CKO ajuda a planejar programas e sistemas para encontrar novas fontes de conhecimento ou para fazer melhor uso do conhecimento existente nos processos organizacionais e gerenciais. Usuários finais são os representantes dos departamentos externos ao grupo de sistemas de informação para quem os aplicativos são desenvolvidos. Eles estão assumindo um papel cada vez maior no projeto e no desenvolvimento de sistemas de informação. Nos primeiros anos da computação, o grupo de sistemas de informação era composto, em sua maio- ria, de programadores que realizavam funções técnicas altamente especializadas, porém limitadas. Hoje, uma proporção cada vez maior desse grupo é formada por analistas de sistemas e especialistas em redes, com o departamento de sistemas de informação funcionando como um poderoso agente de mudanças na organização. Esse departamento sugere novas estratégias de negócios e novos produtos e serviços baseados em informação e coordena o desenvolvimento da tecnologia, bem como as mudanças planejadas na organização. serviçOs de sistemas de infOrmaçãO Entre os serviços prestados pelo departamento de sistemas de informação destacamos: plataformas de computação oferecem serviços computacionais capazes de conectar funcionários, clientes e fornecedores em um ambiente digital coerente, incluindo computadores de grande porte, computadores pessoais e laptops, e dispositivos móveis portáteis; serviços de telecomunicações fornecem conectividade de dados, voz e vídeo a empregados, clientes e fornecedores; serviços de gestão de dados armazenam e gerenciam os dados corporativos e, além disso, oferecem recursos para a análise desses dados; serviços de software aplicativos oferecem desenvolvimento e suporte para os sistemas corpo- rativos da empresa, incluindo recursos que abrangem toda a organização, tais como sistemas de planejamento de recursos empresariais, gestão do relacionamento com o cliente, gestão da cadeia de suprimentos e gestão de conhecimento, os quais são compartilhados por todas as uni- dades organizacionais; M02_LAUD_0000_01_SE_C02.indd 62 07/11/14 14:44 Capítulo 2: E-business global e colaboração 63 serviços de gestão das instalações físicas, responsáveis por desenvolver e administrar as instalações físicas necessárias aos serviços de informática, telecomunicações e administração de dados; serviços de gestão de TI planejam e desenvolvem a infraestrutura, coordenam a prestação de servi- ços de TI a cada unidade de negócios, administram a contabilidade para os gastos de TI e prestam serviços de gestão de projetos; desenvolvimento de padrões de TI fornecem à empresa e às suas unidades de negócios políticas para determinar não apenas qual tipo de tecnologia de informação será empregado, como também quando e como; serviços educacionais de TI oferecem treinamento aos funcionários sobre o uso dos sistemas e trei- namento aos gerentes sobre como planejar e administrar os investimentos em TI; serviços de pesquisa e desenvolvimento de TI oferecem à empresa pesquisa sobre investimentos e projetos de sistemas de informação que, no futuro, podem ajudá-la a se diferenciar no mercado. No passado, as empresas geralmente criavam seu próprio software e gerenciavam as próprias ins- talações de computadores. Conforme nossa discussão sobre sistemas colaborativos mostrou, muitas empresas estão recorrendo a fornecedores externos para obter esses serviços (ver também os capítulos 5 e 12) e usam seus departamentos de sistemas de informação para gerenciar esses prestadores de serviços. Resumo 1 Quais as principais características das empresas para melhor entender o papel dos sistemas de informação? Uma empresa é uma organização formal complexa cujo objetivo é produzir produtos ou serviços com finalidade de lucro. As empresas têm funções especializadas, como finanças e contabilidade, recursos humanos, manufatura e produção, e vendas e marketing. Elas estão organiza- das hierarquicamente em níveis. Um processo de negócios é um conjunto de atividades logicamente relacionado que define como tarefas organizacionais específicas são executadas. Cada empresa precisa monitorar seu ambiente e atuar em conformidade com ele. 2 Como os sistemas atendem aos diferentes níveis de gerência em uma empresa? Os sistemas que atendem à gerência operacional são os de processamento de transações (SPT), como pro- cessamento de folha de pagamentos ou de pedidos, que monitoram o fluxo das transações diárias rotineiras necessárias à condução dos negócios. Os sistemas de BI atendem vários níveis de gerência e ajudam os empregados a tomar decisões baseadas em mais informações. Os sistemas de informa- ções gerenciais (SIG) e os sistemas de apoio à decisão (SAD), por sua vez, dão apoio à gerência média. A maioria dos relatórios dos SIGs condensa informações oriundas dos SPTs e não é muito analítica. Os SADs apoiam as decisões administrativas quando são únicas e se alteram rapidamente utilizando modelos analíticos e recursos avançados de análise de dados. Os sistemas de apoio ao executivo (SAEs) auxiliam a gerência sênior oferecendo dados, frequentemente na forma de gráficos e quadros disponibilizados em portais e painéis, usando diversas fontes de informações internas e externas. 3 Como os aplicativos integrados melhoram o desempenho organizacional? Os aplicativos integrados são projetados para coordenar as múltiplas funções e processos de negócios. Os sistemas integrados reúnem os processos de negócios internos mais importantes de uma empresa em um único sistema de software para melhorar a coordenação e a tomada de decisão. Os sistemas de gestão da cadeia de suprimentos (SCM) ajudam a empresa a administrar seu relacionamento com os fornecedores, a fim de otimizar o planejamento, a busca de insumos, a fabricação e a entrega de produtos e serviços. Os sistemas de gestão de relacionamento com o cliente (CRM) coordenam os processos de negócios envolvidos nas interações da empresa com os clientes. Os sistemas de gestão do conhecimento permitem às empresas otimizar a criação, o compartilhamento e a distribuição de conhecimento. As intranets e extranets são redes corporativas privadas baseadas em tecnologia da Internet. As extranets disponibilizam a usuários externos algumas partes das intranets corporativas privadas. M02_LAUD_0000_01_SE_C02.indd 63 07/11/14 14:44 Sistemas de informação gerenciais64 4 Por que os sistemas para colaboração e social business são tão importantes e quais tecnolo-gias eles usam? A colaboração representa o trabalho com os outros para alcançar metas explíci- tas e compartilhadas. Social business é o uso de plataformas de redes sociais internas e externas para envolver os empregados, clientes e fornecedores, podendo aumentar o trabalho colaborativo. Colaboração e social business têm se tornado cada vez mais importantes nos negócios devido à globali- zação, à descentralização da tomada de decisão e ao crescimento de empregos nos quais a interação é a primeira atividade a agregar valor. A colaboração e o social business melhoram a inovação, a produ- tividade, a qualidade e o atendimento aos clientes. As ferramentas para colaboração e social business incluem e-mail e mensagens instantâneas, wikis, sistemas de reunião virtual, mundos virtuais, serviços e cyberlockers baseados em nuvem, plataformas de colaboração corporativa como Microsoft SharePoint e Lotus Notes, além de ferramentas de redes sociais corporativas, como Salesforce Chatter, Yammer, Jive e IBM Connections. 5 Qual a função dos sistemas de informação em uma empresa? O departamento de sistema de informação é a unidade organizacional formal responsável pelos serviços de tecnologia da informação. Esse departamento é responsável pela manutenção dos equipamentos (hardware), pro- gramas (software), armazenagem de dados e redes que compreendem a infraestrutura de TI da empresa. O departamento de sistemas de informação é composto por especialistas como programa- dores, analistas de sistemas, líderes de projetos e gerentes de sistemas de informação; geralmente é chefiado por um CIO. Analistas de sistemas, 61 Aplicativos integrados, 50 Colaboração, 53 Comércio eletrônico (e-commerce), 52 Cyberlocker, 58 Departamento de sistemas de informação, 61 E-government, 52 Empresa, 37 Equipes, 53 Executivo-chefe de conhecimento (chief knowlegde officer — CKO), 62 Executivo-chefe de informática (chief information officer — CIO), 62 Executivo-chefe de privacidade (chief privacy officer — CPO), 62 Executivo-chefe de segurança (chief security officer — CSO), 62 Gerentes de sistemas de informação, 62 Gerência média, 40 Gerência operacional, 40 Gerência sênior, 40 Inteligência empresarial, 43 Negócios eletrônicos (e-business), 52 Painel digital, 47 Portal, 47 Processos de negócios, 38 Programadores, 61 Sistemas de apoio ao executivo (SAE), 47 Sistemas de apoio à decisão (SAD), 45 Sistemas de gestão da cadeia de suprimentos (SCM), 51 Sistemas de gestão do conhecimento (SGCs), 52 Sistemas de gestão do relacionamento com o cliente (CRM), 51 Sistemas de informações gerenciais (SIGs), 43 Sistemas de processamento de transações (SPT), 42 Sistemas integrados, 50 Sistemas interorganiza- cionais, 51 Social business, 54 Telepresença, 57 Trabalhadores da produção ou dos serviços, 40 Trabalhadores de dados, 40 Trabalhadores do conhecimento, 40 Usuários finais, 62 palavras-chave 2.1 Quais são as principais características de uma empresa essenciais à compreensão do papel dos sistemas de informação? Defina empresa e descreva suas principais funções. Defina processos de negócio e descreva o papel que desempenham nas organizações. Identifique e descreva os diferentes níveis de uma empresa e suas necessidades de informação. Explique por que para entender uma empresa é preciso conhecer seu ambiente. Questões para revisão M02_LAUD_0000_01_SE_C02.indd 64 07/11/14 14:44 Capítulo 2: E-business global e colaboração 65 2.2 Como os sistemas atendem aos diferentes níveis gerenciais de uma empresa? Defina sistemas de inteligência empresarial. Descreva as características dos sistemas de processamento de transações (TPS) e o papel que desempe- nham em uma empresa. Descreva as características dos sistemas de informação gerenciais (SIGs), dos sistemas de apoio a decisão (SADs) e dos sistemas de apoio ao executivo (SAEs) e explique como cada tipo de sistema ajuda os ges- tores a tomar decisões. 2.3 Como os aplicativos integrados melhoram o desempenho empresarial? Explique como os aplicativos integrados melhoram o desempenho empresarial. Defina sistemas integrados, sistemas de gestão da cadeia de suprimentos, sistemas de gestão do rela- cionamento com o cliente e sistemas de gestão de conhecimento e relate sobre como eles beneficiam as empresas. Descreva como as intranets e extranets melhoram o desempenho empresarial. 2.4 Por que os sistemas para colaboração e social business são tão importantes e quais tecnologias eles utilizam? Defina colaboração e social business e explique como eles se tornaram tão importantes nos negócios atualmente. Liste e descreva os benefícios empresariais da colaboração e do social business. Descreva uma cultura organizacional que apoie a colaboração. Liste e descreva os vários tipos de ferramentas de colaboração e de social business. 2.5 Qual é o papel da função de sistemas de informação em uma empresa? Descreva como a função de sistemas de informação oferece apoio a uma empresa. Compare o papel desempenhado por programadores, analistas de sistemas, gerentes de sistemas de informação, executivo-chefe de informação (CIO), executivo-chefe de segurança (CSO) e executivo-chefe do conhecimento (CKO). 2.6 Como os sistemas de informação podem ser usados para apoiar o processo de atendimento de um pedido ilustrado na Figura 2.2? Quais são as informações mais importantes que esses sistemas devem capturar? Explique sua resposta. 2.7 Identifique as etapas executadas no processo de seleção e retirada de um livro da biblioteca de sua facul- dade e as informações que trafegam entre essas atividades. Faça um diagrama para o processo. Existe alguma forma de melhorar o desempenho da biblioteca ou de sua faculdade? Desenhe um diagrama do processo melhorado. 2.8 Use a matriz de ferramenta para colaboração e trabalho social tempo/espaço para classificar as tecnologias sociais e de colaboração utilizadas pela Telus. para discutir projetos práticos em Sig Os projetos nessa seção lhe oferecem experiência prática na análise de oportunidades para melhorar os processos de negócios. M02_LAUD_0000_01_SE_C02.indd 65 07/11/14 14:44 Sistemas de informação gerenciais66 prOblemas envOlvendO tOmada de decisãO gerencial 2.9 A empresa Don’s Lumber Company, no Rio Hudson, apresenta uma grande variedade de materiais para piso, deques, molduras, janelas, trilhos e telhados. Os preços da madeira e de materiais de construção estão sempre mudando. Quando um cliente pergunta sobre o preço do piso de madeira pré-acabado, os representantes de venda consultam o catálogo de preços e, então, telefonam ao fornecedor para obterem o preço mais atualizado. O fornecedor, por sua vez, utiliza um catálogo de preços manual atualizado diariamente. Em geral, o fornecedor precisa retornar a ligação do repre- sentante de vendas, pois ainda não dispõe imediatamente do preço atualizado. Avalie o impacto empresarial dessa situação, descreva como esse processo pode ser melhorado com a tecnologia da informação e identifique as decisões que precisariam ser tomadas para implantar uma solução. 2.10 A Henry’s Hardware é uma pequena empresa familiar em Sacramento, Califórnia. Os proprie- tários devem utilizar cada metro quadrado da loja da forma mais rentável possível. Eles nunca mantiveram registros detalhados de estoque ou vendas. Logo que as mercadorias chegam, os itens são imediatamente dispostos nas prateleiras. As faturas dos fornecedores são mantidas ape- nas para efeitos fiscais. Quando um item é vendido, seu número e preço são anotados na caixa registradora. Os proprietários utilizam sua experiência para identificar os itens que precisam ser repostos. Qual o impacto dessa situação sobre o negócio? Como os sistemas de informação pode- riam ajudar os proprietários a gerenciar seu negócio? Que dados esses sistemas devem capturar? Que decisões o sistema pode ajudar a melhorar? RESolVEndo pRoBlEmaS oRganIzaCIonaIS As empresas deveriam adotar o social business? As redes sociais nunca foram tão populares; de acordo com a ComScore, as ferramentas sociais são responsáveis por 20% de toda atividade on-line. Mais da metade dos adultos visitam sites de redes sociais pelo menos uma vez por mês e, atualmente, muitos dos empregados já estão bem familiarizados com os concei- tos básicos de redes sociais. Mas, quando as empresas tentaram aproveitar essas mesmas tecnologias inter- namente, os resultados foram contraditórios. O estudo realizado pela Forrester Research abrangendo infor- mações de quase cinco mil trabalhadores norte-ame- ricanos descobriu que apenas 28% deles utilizavam qualquer tipo de software de rede social, pelo menos uma vez por mês, para atividades profissionais, e mui- tos estão usando apenas alguma rede social não cor- porativa, como o Facebook. A pesquisa realizada pelo Information Week em 2013 sobre o uso de redes sociais nas empresas constatou que apenas 18% dos entrevis- tados acreditavam que os programas de redes sociais internos foram bem-sucedidos. A maioria dos profissionais de tecnologia conside- ram suas próprias redes sociais corporativas medianas ou abaixo da média, e o maior motivo citado é a baixa taxa de adesão por parte dos funcionários. A pesquisa do Information Week relatou que 35% das empresas que utilizaram sistemas de redes sociais internas cita- ram a falta de interesse como um grande obstáculo para o sucesso. Além disso, a maioria das empresas pesqui- sadas não considerava os sistemas de redes sociais cor- porativas como ferramenta principal para colaboração. Por que tantas redes sociais internas falharam ao decolar e será que esses projetos realmente ofere- cem um retorno significativo sobre o investimento? Tal como acontece com muitas tecnologias novas, as empresas que tentaram implantar redes sociais inter- nas descobriram que os empregados estão habituados a realizar suas atividades profissionais de uma deter- minada maneira, e superar a inércia organizacional pode revelar-se difícil. Os líderes de TI que desejam mudar para uma cultura profissional mais colaborativa e social costumam achar que a maioria dos funcioná- rios ainda prefere usar e-mail, por exemplo. Os funcio- nários podem se sentir muito pressionados a aprender a usar uma nova ferramenta de software rapidamente. M02_LAUD_0000_01_SE_C02.indd 66 07/11/14 14:44 Capítulo 2: E-business global e colaboração 67 Os empregados que estão acostumados a colabo- rar e realizar suas atividades profissionais de maneiras mais tradicionais precisam de um incentivo para usar um social business. A maioria das empresas não está providenciando esse incentivo: apenas 22% dos usuá- rios de social business acreditam que essa tecnologia seja necessária para o seu trabalho. Você pode criar uma conta no Facebook, porque todos os seus amigos estão lá, mas no local de trabalho, a facilidade de uso e a maior eficiência no trabalho são mais importantes do que a pressão em adotar seu uso. Um relatório da empresa de consultoria Altimeter Group, que analisou 13 prestadores de serviços de tec- nologia, 185 usuários finais e 81 tomadores de deci- são sobre redes sociais de empresas com mais de 250 funcionários, constatou que apenas 34% das pessoas entrevistadas acreditaram que as redes internas tiveram algum “impacto significativo” na colaboração de equipe e de departamento. Cerca de metade dos entrevistados disseram que as redes sociais internas tiveram “muito pouco impacto” na retenção de funcionários, na agili- dade da tomada de decisão, ou na redução de reuniões. As organizações de TI devem se encarregar de garantir que os esforços empregados nas redes sociais internas e externas da empresa agregam valor ao negó- cio. O conteúdo das redes precisa ser relevante, atuali- zado e de fácil acesso; os usuários precisam ser capazes de se conectar com as pessoas que têm as informações que precisam e, que de outra forma, estariam fora de seu alcance ou seriam de difícil acesso. As ferramentas de social business devem ser adequadas para as tarefas roti- neiras e para os processos de negócios da organização, e os usuários precisam entender como e por que usá-las. No verão de 2009, o Goddard Space Flight Center da Nasa implantou uma rede social corporativa, especial- mente projetada, chamada Spacebook, para promover a colaboração entre pequenas equipes sem a necessidade de enviar e-mail para grupos maiores. O Spacebook oferecia perfis de usuários, espaços para trabalhos em grupo (wikis, compartilhamento de arquivos, fóruns de discussão, grupos) e bookmarks sociais. Pouquíssimos usuários o adotaram e o Spacebook foi desativado em primeiro de junho de 2012. Segundo Kevin Jones, um consultor e estrategista social e organizacional dos Centros de Voo Espacial Marshall e Goddard da Nasa, o Spacebook falhou porque não focou o suficiente nas pessoas. Ele foi projetado e desenvolvido sem levar em consideração a cultura e a política da organização. Ninguém sabia como o Spacebook poderia ajudá-los no seu trabalho, em oposição a um método existente de colaboração, como o e-mail. Muitas empresas que implantam as redes sociais internas se deparam com uma série de recursos que seus funcionários nunca utilizam. O recurso mais uti- lizado na maioria das redes corporativas são os per- fis. Os fóruns, blogs e wikis são recursos presentes na maioria dos produtos, mas raramente são utilizados. A capacidade de integrar a rede com o e-mail também é uma característica vital. Os alertas por e-mail de novos posts na rede, a capacidade de linkar diretamente dos e-mails para lugares na rede e a capacidade de respon- der rapidamente aos comentários na rede através de e-mail são todos aspectos importantes para contribuir para uma rede social interna fácil e natural. Além disso, as empresas geralmente não possuem capacidade analítica para medir o desempenho e o valor criado por suas redes sociais internas. Apenas 26% dos entrevistados pela Altimeter constataram melhoria nos processos de negócios específicos, e apenas 7% relacio- naram essas redes aos resultados financeiros. Nenhum entrevistado alegou avaliar muito bem os resultados das suas redes sociais internas. Apesar das dificuldades associadas à implantação de uma rede social interna, há empresas que utilizam essas redes com sucesso. Os custos iniciais para a implantação desses sistemas são extremamente baixos em comparação com outros projetos de TI. A CSC, uma empresa de consultoria e tecnologia da infor- mação, estimada em 16 bilhões de dólares, esperava incutir uma cultura mais colaborativa em sua grande organização global. A empresa tem uma percentagem mais elevada de trabalhadores com conhecimento do que a maioria das empresas, e capturar esse conheci- mento de uma forma centralizada e acessível constitui uma importante fonte de valor. A CSC lançou uma iniciativa que chamou de C3, abreviação de Conectar, Comunicar e Colaborar, usando a solução de software de social business da Jive. A Jive chamou a atenção da CSC por estar constan- temente inovando, com dois importantes lançamentos de software a cada ano e, como resultado, a CSC imagi- nou que a tecnologia Jive provavelmente se manteria em conformidade com os padrões de mercado. O software de social business da Jive também era elogiado pela capacidade de estabelecer a comunicação entre comu- nidades internas e externas — em outras palavras, ele permitia que a rede corporativa conectasse tanto o pes- soal interno da empresa como também os fornecedores, parceiros e clientes externos à empresa. A CSC implantou um piloto do Jive por um período de seis meses, que ficava disponível para todos os 92 mil funcionários da empresa. Nas primeiras 20 sema- nas após a implantação, 25 mil pessoas começaram a usar a ferramenta de trabalho em equipe, com 2.100 grupos registrando uma média de um milhão de visua- lizações de páginas. A rápida taxa de adesão, apoiada por depoimentos de usuários, ajudou a convencer a administração a tornar o C3 uma plataforma perma- nente de colaboração. M02_LAUD_0000_01_SE_C02.indd 67 07/11/14 14:44 Sistemas de informação gerenciais68 A CSC teve que decidir se iria promover ativamente a tecnologia, ou deixá-la crescer de forma viral. A CSC decidiu pela abordagem passiva, permitindo que os usuá- rios formassem grupos por conta própria. Doze “cam- peões” inscreveram mais de 100 defensores para ajudar a formular planos de adoção, semear conteúdo e testar mais de 200 grupos antes da implantação do piloto. Os presidentes dos grupos e outros executivos deram o exemplo, criando blogs com a ferramenta social. A empresa também usou o Jive para oferecer um “ambiente descontraído virtual” para assuntos não relacionados ao trabalho, de forma a ajudar os funcionários a experimen- tar a ferramenta em um ambiente mais descontraído. O C3 teve um impacto imediato no processo de gera- ção de receitas da CSC, que requer a colaboração de equi- pes globais em diferentes fusos horários na elaboração de licitações e propostas para clientes em potencial. Quando um funcionário com base nos Estados Unidos usava o C3 para solicitar informações relacionadas a uma proposta, a solicitação gerava 11 respostas globais e a resposta cor- reta a partir de um colega global em 30 minutos. Atualmente, a adesão é de 100% dos funcionários, sendo que uma quantidade significativa da propriedade intelectual que é frequentemente solicitada foi gerada dentro das comunidades e grupos da rede. Um execu- tivo afirmou que a rede é exatamente como o trabalho realizado dentro da empresa. Chris Laping, CIO da Red Robin, uma cadeia de restaurantes de hambúrguer com 30 mil empregados, vê um movimento de afastamento do e-mail e por- tais de colaboração como o SharePoint em direção às redes sociais e mensagens de texto. Ele quer permitir que os membros da equipe colaborem de uma maneira semelhante à forma como trabalham fora do escritório, usando uma ferramenta que possibilitaria às pessoas criar conversas, atualizar o status, efetuar upload e compartilhar arquivos, além de criar grupos de traba- lho para pequenas equipes de projeto. A empresa decidiu experimentar o Yammer porque o software de colaboração social permitiria publicar uma mensagem e receber imediatamente um comen- tário sobre ela, de modo que a empresa poderia fazer modificações rapidamente. Por exemplo, quando a Red Robin lançou sua nova linha de produto Tavern Burger em abril de 2012, ela foi capaz de aperfeiçoar as recei- tas e procedimentos operacionais nos restaurantes em cerca de quatro semanas. No passado, o processo teria demorado de seis a 18 meses. Os clientes relataram suas opiniões para os atendentes nos restaurantes, que trans- mitiram essa informação aos seus gerentes. Então, todos os gerentes se reuniram imediatamente no Yammer. A Red Robin usou uma abordagem viral para impul- sionar a adoção. No primeiro mês, 20 a 25 empregados começaram a usá-lo e a convidar os outros, e atualmente cerca de 400 pessoas usam o sistema. O uso do Yammer não é “unânime” até o momento e cerca de 95% dos pro- jetos de sistemas de informação da Red Robin ainda usam o SharePoint. Porém, o uso do Yammer está crescendo e Laping está convencido de que, se as ferramentas adequa- das estiverem disponíveis e se o departamento de sistemas de informação fornecer orientações, o Yammer acabará se consolidando. O Yammer é consideravelmente mais barato do que o SharePoint e, na opinião de Laping, mais próximo da forma como as pessoas realmente colaboram. Mesmo as empresas de pequeno porte estão consi- derando as redes sociais internas como uma boa opção. A Den-Mat, uma fábrica de equipamentos odontológi- cos com 450 empregados, esperava atualizar seus siste- mas de informação em 2009. Eles estavam utilizando um sistema de 30 anos de idade, e a maioria dos proces- sos utilizava papel em toda a empresa. A Den-Mat sele- cionou o SalesforceCRM e o SalesforceChatter como as peças centrais de seus esforços de modernização do sistema, esperando por um eventual aumento de produ- tividade após as inevitáveis dificuldades iniciais. Essas dificuldades nunca ocorreram: a Den-Mat, na verdade, viu o aumento da produtividade a partir do pri- meiro dia. A Den-Mat tinha escalonado os lançamentos do Salesforce e do Chatter com 30 dias de intervalo, em primeiro lugar para o departamento de marketing, e em seguida, para o atendimento ao cliente e vendas. Após o lançamento, as equipes receberam treinamento on-line sobre o sistema Salesforce. O Chatter permitiu que a Den-Mat substituísse o processo de atualização baseado em e-mail pelo processo que utiliza as atualizações do Chatter. Quando o status de um projeto é alterado, isso é observado nos feeds do Chatter. As equipes comuni- cavam-se de forma eficiente, a localização deixou de ser um empecilho para os funcionários da Den-Mat trabalharem em equipe e a empresa cortou despesas, reduzindo sua taxa de rotatividade para apenas 7%. Os funcionários usavam o Chatter para discussões com grupos de consumidores e vendedores terceirizados. Isso não era possível antes. Como as equipes estavam colaborando de forma tão eficaz usando o Chatter, a Den-Mat foi capaz de fechar um escritório de vendas em Indiana, que apresentava baixo desempenho, e permitiu que alguns funcionários trabalhassem de casa. Fontes: Michael Healey, “Why Enterprise Social Networking Falls Short”, Information Week, 4 mar. 2013; Debra Donston- -Miller, “10 Ways to Foster Effective Social Employees”, Information Week, 6 mar. 2013; Jacob Morgan, “How to Market Collaboration to Employees”, Information Week, 21 mar. 2013; Disponível em: <www.nasa.gov>, acesso em: 3 jun. 2013; Tom Kaneshige, “Consumerization of IT: The Social Networking Problem”, CIO, 12 mar. 2012; Justin Kern, “Enterprises ‘Like’ Social Networks, Don’t ‘Love’ Results”, Information Management, 28 fev. 2012; Kristin Burnham, “Inside an Enterprise Salesforce Chatter Rollout”, CIO, 2 fev. 2011; Charlene Li, “Making The Business Case For Enterprise Social Networks”, fev. 2012, Altimeter Group; Michael Healey, “Why Employees Don’t Like Social Apps”, Information Week, 30 jan. 2012; e David F. Carr, “What Enterprise Social Success Stories Have in Common”, Information Week, 13 jan. 2012. M02_LAUD_0000_01_SE_C02.indd 68 07/11/14 14:44 Capítulo 2: E-business global e colaboração 69 peRgunTaS SoBRe o eSTudo de CaSo 2.11 Identifique os fatores humanos, organizacionais e tecnológicos responsáveis pela lenta adesão das redes sociais corporativas internas. 2.12 Por que a maioria das empresas descritas neste caso foi bem-sucedida na implantação de redes sociais internas? Explique sua resposta. 2.13 Todas as empresas deveriam implantar redes sociais corporativas internas? Justifique sua resposta. M02_LAUD_0000_01_SE_C02.indd 69 07/11/14 14:44 C a p í t u l o plano do Capítulo Caso de abertura: Conseguirá o Walmart manter-se no topo? 3.1 Como usar os sistemas de informação para conquistar vantagem competitiva 3.2 Concorrência em escala global 3.3 Competindo em qualidade e design 3.4 Competindo em processos de negócios Resolvendo problemas organizacionais: Essa livraria pode ser salva? oBJEtIVoS dE EStudo Ao concluir este capítulo, você será capaz de responder às seguintes perguntas: 1. Como o modelo de forças competitivas de Porter ajuda as empresas a desenvolver estratégias competitivas usando sistemas de informação? 2. Como a cadeia de valores e os modelos de rede de valor ajudam as empresas a identificar oportunidades para aplicações estratégicas de sistemas de informação? 3. Como os sistemas de informação auxiliam as empresas a usar sinergias, competências essenciais e estratégias baseadas em rede para conquistar vantagem competitiva? 4. Como competir em escala global e promover a qualidade superior como vantagem competitiva? 5. Qual o papel da gestão de processos de negócios (BPM) no aumento da competitividade? Conquistando vantagem competitiva com os sistemas de informação 03 M03_LAUD_0000_01_SE_C03.indd 70 07/11/14 14:50 71Capítulo 3: Conquistando vantagem competitiva com os sistemas de informação Conseguirá o Walmart manter-se no topo? O Walmart é o maior e mais bem-sucedido varejista do mundo, com uma receita originada de suas operações nos Estados Unidos totalizando US$ 469 bilhões no ano fiscal de 2013. Ele tem 2,1 milhões de funcionários, tornando-o o maior empregador norte-americano. O Walmart também é o maior vendedor de bens de consumo dos Estados Unidos. Essa parte do negócio do Walmart está se tornando um problema. Ele criou um poderoso modelo de negócio baseado em uma excelente gestão da cadeia de fornecimento, que lhe permite manter preços baixos e gôndolas bem abastecidas. Seu sistema de reposição contínua de esto- ques envia pedidos de novas mercadorias diretamente aos fornecedores tão logo os consumidores paguem suas compras nos caixas. Dado que o sistema repõe estoques tão rapidamente, o Walmart não precisa gastar muito dinheiro com galpões, equipamentos e funcionários para estocar as grandes quantidades de produtos que são vendidas. Tal sistema ainda permite que o Walmart ajuste o estoque das lojas, de forma que contenham exatamente o que os clientes procuram. É uma fórmula imbatível. O problema é que essa fórmula não está funcionando tão bem atualmente, sobretudo para ali- mentos frescos como frutas, vegetais, carnes e outros. Nos grandes supermercados Walmart, os clientes reclamam da baixa qualidade e da indisponibilidade desse tipo de produto. Isso constitui um sério problema, pois as vendas dessa categoria representaram 55% dos negócios do Walmart nos Estados Unidos em 2012. Os clientes que se afastam das seções de alimentos frescos do Walmart frequentemente decidem fazer suas compras em outro local, inclusive de outras mercadorias. De acordo com o Supermarket News, os preços de bens de consumo do Walmart estão cerca de 15% abaixo daqueles dos concorrentes. Produtos como vestuário e miscelâneas têm boa venda- gem, mas alimentos frescos exigem mais mão de obra para manuseio e estocagem, produzem mais desperdícios de mercadoria e representam uma operação de custo mais elevado, de uma forma geral. Para ser fiel à sua estratégia de baixo custo, o Walmart reduziu o número de funcionários dedicados ao atendimento de clientes. No início de 2007, ele tinha uma média de 338 funcionários por loja nos Estados Unidos, incluindo lojas de atacado como o Sam’s Club. Agora, tem 281 fun- cionários por loja, o que não é suficiente para abastecer adequadamente suas gôndolas. Em muitos casos, as prateleiras estavam sendo deixadas desabastecidas ou continham produtos fora do prazo de validade. E a falta de pessoal está começando a afetar os caixas e o atendimento ao cliente em outras partes das lojas Walmart. As queixas são crescentes. Organizações trabalhistas e alguns funcionários têm afirmado que a redução do pessoal está prejudicando a imagem das lojas Walmart junto aos clientes. De acordo com Tsehai Scott, gerente de uma loja Walmart em Los Angeles que também pertence ao grupo de empregados sindicalizados “OUR Walmart”(Organization United for Respect at Walmart), às vezes ocorre uma espera de 30 a 40 minutos nas filas dos caixas porque não há um número suficiente de caixas funcionando. Com esta loja de 20 mil metros quadrados sendo abastecida por apenas 11 pessoas durante o turno da noite, as prateleiras não estão sendo adequadamente abastecidas em setores como os de alimentos ou de toalhas de papel. O departamento não é tão limpo quanto deveria ser, ou há alimento estragado que deveria ter sido colocado de volta no congelador ou geladeira, se houvesse pessoas em quantidade suficiente para cuidar disso. Quando a Sra. Scott solicitou mais pessoas ou horas extras para o pes- soal existente, a administração respondeu que seu foco é obter uma maior produtividade da força de trabalho já alocada. Brooke Buchanan, porta-voz do Walmart, afirmou que suas lojas estavam com os quadros de pessoal completos e que a disponi- bilidade de produtos nas prateleiras estava em uma alta recorde. A administração do Walmart ressal- © Je n Ph am /A la m y M03_LAUD_0000_01_SE_C03.indd 71 07/11/14 14:51 Sistemas de informação gerenciais72 tou também que a empresa economizou US$ 2,3 bilhões para seus clientes em frutas e vegetais frescos em dois anos. O Walmart implantou um novo sistema de gestão de estoque para os departamentos de produtos frescos em todo o país, que rastreia quantos dias um item esteve em trânsito, por quanto tempo poderá permanecer nas gôndolas e o que deve ser solicitado para repor os itens que estão sendo vendidos. Esse sistema ajuda as lojas a lidar com itens delicados como framboesas, que estragam muito rapidamente e que são compradas de vários fornecedores diferentes. O Walmart também está mudando as respon- sabilidades dos turnos de trabalho, de forma que alimentos frescos não sejam colocados nas gôndolas durante a noite e sinais sejam adicionados para ajudar os funcionários a identificar o que é fresco e o que não é. As lojas vão parar de expor produtos frescos em grandes quantidades, exibindo ape- nas quantidades reduzidas para demonstrar que novos produtos frescos estão chegando todo o tempo. Clientes secretos verificarão semanalmente a qualidade dos produtos. Isso será suficiente para manter o Walmart no topo? Fontes: Stephanie Clifford, “Walmart Strains to Keep Aisles Stocked Fresh”, The New York Times, 3 abr. 2013 e Ashley Lutz, “Wal- Mart Could Be In Big Trouble If It Doesn’t Fix Customer Service Fast”, Business Insider, 12 abr. 2013. A história do Walmart ilustra algumas das maneiras pelas quais os sistemas de informação ajudam as empresas a competir — assim como os desafios de manter uma vantagem competitiva. O segmento de varejo, hoje, é extremamente saturado, com muitos concorrentes grandes e poderosos e competição tanto a partir da Internet como de lojas físicas. Há muitos anos o Walmart tem sido o maior varejista norte-americano e de todo o mundo, mas sua “estratégia à prova de balas” de vender exatamente o que os clientes desejam pelo menor preço agora está sendo desafiada. A figura de abertura desse capítulo chama a atenção para pontos importantes levantados por esse caso e por este capítulo. Há muitos anos o Walmart é o líder do segmento varejista. A chave de seu sucesso é a sua capacidade de manter os custos de estoque os mais baixos possíveis, tendo adicional- mente capacidade de estocar exatamente os itens que os clientes querem comprar. A tecnologia da informação, em especial o lendário sistema de reposição contínua do Walmart, desempenhou um papel fundamental na execução dessa estratégia. O Walmart foi inigualável. Mas esse sistema é menos efi- ciente quando se trata da estocagem de alimentos frescos e o Walmart necessita manter-se no negócio de supermercado a fim de manter seu crescimento. Essa parte do negócio agora é responsável por mais da metade das vendas do Walmart. Alimentos frescos necessitam de mais atenção do lado “humano” dos sistemas. Mais trabalho humano é necessário para manter as prateleiras de alimentos frescos do que as de outros tipos de alimento ou outros produtos, assim como para certificar-se de que apenas itens frescos estejam nas gôndolas nas quantidades corretas. Isso está colocando o Walmart em uma espécie de beco sem saída. Estocar alimentos frescos é aumentar custos, mas o Walmart precisa manter seus custos baixos a fim de competir. A resposta do Walmart tem sido reduzir o número de funcionários que atendem seus clientes. Mas ter menos pessoas significa ter mais problemas com estocagem de alimentos frescos e com disponibi- lidade de produtos em outras áreas da loja, e esses problemas estão afastando os clientes. O Walmart agora busca uma solução que inclua elementos tanto de tecnologia como de “pessoal” — um novo sistema de estoque para seus alimentos frescos, bem como mudanças nos turnos de trabalho e procedi- Aumentar as vendas Formular estratégia de negócios Estabelecer níveis de mão de obra Reorganizar os �uxos e procedimentos de trabalho Implantar software de gestão de estoque de produtos frescos Estoque altamente perecível Concorrentes poderosos também competindo pelo preço Melhorar a qualidade e a disponibilidade dos produtos frescos nas gôndolas Desa�os organizacionais Sistemas de informação Soluções de negócios Pessoas Organização Tecnologia M03_LAUD_0000_01_SE_C03.indd 72 07/11/14 14:51 Capítulo 3: Conquistando vantagem competitiva com os sistemas de informação 73 mentos manuais para a estocagem desses produtos. Ainda é muito cedo para dizer se esta solução vai funcionar. Eis algumas perguntas para pensar: será que a estratégia de negócios do Walmart precisa de ajuste fino? Justifique. Por que o Walmart anda tendo tantos problemas ao perseguir esta estratégia? 3.1 Como usar os sistemas de informação para conquistar vantagem competitiva Em praticamente todos os setores podemos encontrar empresas saindo-se melhor do que outras. Quase sempre existe uma que se destaca. No setor automotivo, a Toyota é considerada uma participante de desempenho superior. No varejo on-line puro, a Amazon lidera; no off-line, a líder é o Walmart, maior varejista do planeta, conforme discutido no caso de abertura deste capítulo. Quando o assunto é música on-line, o iTunes, da Apple, é considerado o líder com mais de 60% do mercado de música para download, enquanto o setor de players de música digital é liderado pelo iPod. Se pensarmos em busca na Web, destaca-se o Google. Dizemos que as empresas que “se saem melhor” têm vantagem competitiva sobre as outras: ou possuem acesso a recursos especiais, ou são capazes de usar os recursos disponíveis de maneira mais eficiente — normalmente devido a ativos de conhecimento e informação superiores. Seja como for, elas se saem melhor em termos de crescimento da receita, lucratividade ou crescimento da produtividade (eficiência), fatores que, em última instância, traduzem-se em um valor da empresa no mercado acioná- rio superior ao da concorrência. Mas por que algumas empresas se saem melhor do que outras e como elas conseguem vantagem competitiva? Como podemos analisar uma empresa e identificar suas vantagens estratégicas? Como você pode desenvolver uma vantagem estratégica para sua própria empresa? E como os sistemas de informação contribuem para as vantagens estratégicas? Uma resposta a essas perguntas é o modelo de forças competitivas de Michael Porter. Modelo das forças coMpetitivas de porter Comprovadamente, o modelo mais usado para entender a vantagem competitiva é o modelo das for- ças competitivas de Michael Porter (ver Figura 3.1). Esse modelo fornece uma visão geral da empresa, dos seus concorrentes e de seu ambiente. Lembre-se de que, no Capítulo 2, descrevemos a importância do ambiente para as empresas e como elas dependem desse ambiente. O modelo de Porter baseia-se fundamentalmente no ambiente geral de negócios em que a empresa se insere. Nesse modelo, cinco forças competitivas determinam o destino da empresa. Concorrentes tradicionais Todas as empresas dividem o mercado com concorrentes que continuamente planejam novas e mais eficientes formas de produzir, introduzem novos produtos e serviços e tentam atrair consumidores, seja pelo desenvolvimento de suas marcas, seja pela imposição de custos de mudança. Novos entrantes no mercado Em uma economia livre, com mobilidade de recursos financeiros e de mão de obra, novas empresas estão o tempo todo entrando no mercado. Em alguns setores, as barreiras à entrada são muito baixas, enquanto em outros é bastante difícil entrar. É razoavelmente fácil, por exemplo, abrir uma pizzaria ou uma lojinha de varejo, mas é muito mais caro e difícil entrar no mercado de chips para computador, com custos de capital elevadíssimos e que exige know-how e conhecimentos difíceis de obter. Novas empresas podem desfrutar de várias vantagens: não estão “amarradas” a instalações e equipamentos antigos, geralmente empregam profissionais mais jovens que ganham menos e, às vezes, são mais ino- vadores, não estão presas a marcas antigas e desgastadas e têm mais “apetite” (mais motivação) que os ocupantes tradicionais do setor. Paradoxalmente, essas vantagens são também sua fragilidade: elas dependem de financiamento externo para adquirir novos equipamentos e instalações muitas vezes dis- pendiosos; têm uma força de trabalho menos experiente; e sua marca é pouco reconhecida. M03_LAUD_0000_01_SE_C03.indd 73 07/11/14 14:51 Sistemas de informação gerenciais74 Produtos e serviços substitutos Em praticamente todos os setores existem substitutos que os clientes podem usar caso o preço de seus produtos favoritos suba muito. Além disso, novas tecnologias estão o tempo todo criando novos substi- tutos. Até o petróleo pode ser substituído: o etanol pode substituir a gasolina nos carros; o óleo vegetal pode ser usado nos caminhões no lugar do diesel; e as energias eólica, solar ou hidroelétrica, assim como a queima do carvão, podem ser usadas para a geração industrial de eletricidade. Da mesma maneira, a telefonia por Internet pode substituir a telefonia tradicional, e as linhas residenciais de fibra óptica podem substituir as linhas de TV a cabo. Naturalmente, um serviço de música por Internet que nos permita baixar faixas para o iPod é um substituto das lojas de CDs. Quanto mais produtos e serviços substitutos houver em seu setor, menos controle sobre os preços você terá e menores serão suas margens de lucro. Clientes A lucratividade de uma empresa depende, em grande medida, de sua habilidade em atrair e reter clientes (mantendo-os, assim, distantes da concorrência) e cobrar preços altos. O poder dos clientes cresce quando eles podem mudar facilmente para os produtos e serviços de um concorrente, ou quando podem forçar uma empresa e seus concorrentes a uma guerra de preços — o que só pode ser feito em um mercado transparente, em que exista pouca diferenciação de produtos e todos os preços sejam conhecidos instantaneamente (como na Internet). Por exemplo, no mercado virtual de livros universitá- rios usados, os estudantes (clientes) podem encontrar inúmeros fornecedores de praticamente qualquer obra. Nesse caso, os clientes on-line têm um poder extraordinário sobre os vendedores de livros usados. Fornecedores O poder de mercado dos fornecedores pode ter impacto significativo nos lucros da empresa, espe- cialmente quando eles puderem elevar os preços de modo mais rápido do que ela. Quanto mais forne- cedores tiver uma empresa, maior controle poderá exercer sobre eles em termos de preço, qualidade e prazos de entrega. Por exemplo, os fabricantes de laptops quase sempre têm vários fornecedores con- correntes de componentes-chave, tais como teclados, discos rígidos e telas. estratégias de sisteMas de inforMação para lidar coM as forças coMpetitivas O que uma empresa deve fazer ao se deparar com todas essas forças competitivas? Como pode usar os sistemas de informação para contra-atacar algumas dessas forças? Como ela pode inibir substitutos e novos entrantes no mercado? Como tornar-se a empresa mais bem-sucedida em um setor em termos de lucro e preço de ações (duas medidas de sucesso)? Estratégia básica: alinhe a TI com os objetivos do negócio O princípio básico da estratégia de TI para um negócio é garantir que a tecnologia serve ao negócio, e não o contrário. Pesquisas em TI e desempenho empresarial descobriram que: (a) a empresa será mais Novos entrantes no mercado Empresa Concorrentes Produtos substitutos ClientesFornecedores Figura 3.1 Modelo das forças competitivas de Porter No modelo das forças competitivas de Porter, a posição estratégica da empresa e suas estratégias são determinadas não apenas pela competição com os concorrentes diretos tradicionais, mas também por quatro forças do ambiente setorial: novos entrantes no mercado, produtos substitutos, clientes e fornecedores. M03_LAUD_0000_01_SE_C03.indd 74 07/11/14 14:51 Capítulo 3: Conquistando vantagem competitiva com os sistemas de informação 75 lucrativa à medida que conseguir alinhar melhor a tecnologia aos objeti- vos de negócio; (b) somente cerca de um quarto das empresas consegue alinhar a TI aos negócios. Cerca de metade dos lucros da empresa pode ser oriunda do alinhamento dessa tecnologia com os negócios (Luftman, 2003; Henderson, et al., 1996). A maioria das empresas age de forma equivocada: a TI assume vida própria e não atende bem aos interesses da gerência ou dos acionistas. Em vez de os envolvidos assumirem um papel ativo no ajuste de TI à empresa, eles a ignoram, dizendo não compreender a tecnologia, e tole- ram as falhas na área como um incômodo a ser contornado. Organizações assim pagam um preço alto pelo baixo desempenho. Empresas e gerên- cias bem-sucedidas entendem o que a TI pode fazer e como ela fun- ciona, assumem um papel ativo no ajuste de sua utilização e avaliam seu impacto sobre as receitas e os lucros. Como você, na posição de gerente, alcança esse alinhamento entre TI e negócios? Nas seções seguintes discutimos algumas maneiras básicas de se fazer isso, mas veja um resumo: Identifique a estratégia e as metas de seu negócio. Transforme essas metas estratégicas em atividades e processos concretos. Defina de que maneira irá avaliar o progresso em direção às metas do negócio (ou seja, as métricas). Pergunte-se: “como a tecnologia de informação pode me ajudar a progredir rumo às metas empresariais e de que maneira ela vai apri- morar os processos e atividades do negócio?” Avalie o desempenho real. Deixe que os números falem. Vamos ver como isso funciona na prática. Existem quatro estratégias genéricas e todas elas com frequência se beneficiam dos sistemas e tec- nologias de informação: liderança em custos, diferenciação de produto, foco em nichos de mercado e intimidade com o cliente e o fornecedor. Liderança em custos Use os sistemas de informação para alcançar os mais baixos custos operacionais e os menores pre- ços. Um exemplo clássico disso é o Walmart, descrito no caso de abertura deste capítulo. Mantendo preços baixos e prateleiras bem abastecidas por meio de um lendário sistema de reposição de estoques, o Walmart tornou-se líder do varejo nos Estados Unidos. Terminais de ponto de venda registram os códigos de barra de cada item que passa pelas caixas registradoras, enviando uma transação de compra diretamente ao computador central, situado na sede do Walmart. Esse computador central coleta os pedidos de todas as lojas Walmart e os transmite aos fornecedores. Estes também podem acessar os dados de vendas e de estoque do Walmart utilizando a tecnologia Web. Como o sistema pode repor estoque com a velocidade de um raio, o Walmart não gasta muito dinheiro com a manutenção de grandes estoques de mercadorias em seus centros de distribuição. O sistema também permite que a empresa ajuste a compra de itens para cada loja a fim de atender às demandas dos clientes. Concorrentes, como a Sears, gastam 24,9% sobre suas vendas em custos indire- tos. Mas, usando sistemas para manter baixos os custos operacionais, o Walmart gasta apenas 16,6% de sua receita de vendas em custos indiretos (a média de custos operacionais no setor varejista é de 20,7% sobre as vendas). O sistema de reposição contínua do Walmart também é um exemplo de sistema de resposta efi- ciente ao cliente. Um sistema de resposta eficiente associa o comportamento do consumidor direta- mente às cadeias de distribuição, produção e suprimentos. O sistema de reposição contínua do Walmart proporciona ao consumidor essa resposta eficiente. Diferenciação de produto Use os sistemas de informação para facilitar a criação de novos produtos e serviços, ou torne sig- nificativamente mais conveniente para o cliente usar seus atuais produtos e serviços. O Google, por © B on ni e Ka m in /P ho to Ed it Supermercados e grandes lojas de varejo como o Walmart utilizam informações de venda capturadas nos caixas para determinar quais itens foram vendidos e precisam ser repostos. O sistema do Walmart de reposição contínua transmite os pedidos diretamente aos fornecedores, visando suprir os estoques. O sistema permite que o Walmart mantenha baixos custos, ajustando ainda suas mercadorias às demandas dos clientes. M03_LAUD_0000_01_SE_C03.indd 75 07/11/14 14:51 Sistemas de informação gerenciais76 exemplo, está sempre introduzindo em seu site serviços de busca novos e únicos, como o Google Maps. A Apple criou o iPod, um player de música digital portátil único, além de um serviço de música on-line também único, em que as canções podem ser compradas por valores que variam de US$ 0,69 a 1,29. A Apple continuou a inovar com seu iPhone multimídia, o tablet iPad e o iPod como player de vídeo. Fabricantes e varejistas estão usando sistemas de informação para criar produtos e serviços perso- nalizados que se ajustem a especificações precisas de clientes individuais. Por exemplo, a Nike vende tênis personalizados através do seu programa Nike iD em seu site na Web. Os clientes podem escolher o modelo, cores, materiais, solas e até mesmo um logotipo com até oito caracteres. A Nike transmite os pedidos através de seus computadores para fábricas especialmente preparadas na China e na Coreia. Os tênis têm um custo adicional de apenas cerca de 10 dólares e levam cerca de três semanas para chegar ao cliente. Essa capacidade de oferecer produtos e serviços sob medida usando os mesmos recursos de produção em massa é chamada de customização em massa. A Tabela 3.1 relaciona algumas empresas que desenvolveram produtos e serviços baseados em SI difíceis de serem copiados pela concorrência. Tabela 3.1 Novos produtos e serviços que os SI possibilitam e que oferecem vantagem competitiva. Amazon: compras com um clique A Amazon tem a patente da compra “com um clique” e a licencia para outros varejistas on-line Músicas on-line: iTunes e iPod, da Apple Um player portátil integrado possui um acervo on-line com mais de 26 milhões de músicas Customização de taco de golfe: Ping Os clientes podem escolher entre mais de um milhão de opções de tacos de golfe; um sistema sob medida envia seus tacos customizados em 48 horas Pagamento pessoa a pessoa on-line: PayPal.com Permite a transferência on-line de dinheiro entre contas bancárias individuais e entre contas bancárias e contas de cartão de crédito Foco em nichos de mercado Use os sistemas de informação para estabelecer um foco de mercado específico e atenda a esse estreito alvo melhor do que a concorrência. Os sistemas de informação apoiam essa estratégia ao produ- zir e analisar dados que permitem técnicas de venda e de marketing perfeitamente ajustadas. Os siste- mas de informação habilitam as empresas a analisar os padrões de compra, os gostos e as preferências dos clientes, de modo que elas possam lançar com eficiência campanhas de propaganda e marketing dirigidas a mercados-alvo cada vez menores. Os dados provêm de várias fontes — transações com cartões de crédito, dados demográficos, infor- mações de compra obtidas por leitores ópticos em caixas de supermercados e lojas de varejo, dados coletados quando as pessoas acessam e interagem em sites. Sofisticadas ferramentas de software podem descobrir padrões nesses grandes conjuntos de dados e, a partir deles, inferir regras a serem usadas para orientar o processo de decisão. A análise desses dados pode dar origem ao marketing individualizado, com a criação de mensagens pessoais baseadas em preferências individualizadas. Os Hotéis Hilton, por exemplo, usam um sistema de informação sobre clientes chamado OnQ, com dados detalhados acerca dos hóspedes atuais de cada unidade da rede para encontrar suas preferências e obter informações sobre o lucro que cada cliente representa. O Hilton utiliza essas informações para oferecer privilégios extras aos seus clientes lucrativos, como a possibilidade de fazer o check-out mais tarde. Os sistemas de gestão do relacionamento com clientes (CRM) atuais apresentam recursos analíticos para esse tipo de análise intensiva de dados (ver capítulos 2 e 9). Maior intimidade com cliente e o fornecedor Use os sistemas de informação para estreitar os laços com fornecedores e aumentar a proximidade com clientes. Toyota, Ford e outras montadoras usam sistemas de informação para facilitar o acesso direto dos fornecedores aos seus cronogramas de produção, permitindo que eles, inclusive, decidam como e quando entregar suprimentos às fábricas nas quais os carros são montados. Isso concede aos fornecedores mais lead-time (tempo de ressuprimento) na produção de bens. No lado do consumidor, a M03_LAUD_0000_01_SE_C03.indd 76 07/11/14 14:51 Capítulo 3: Conquistando vantagem competitiva com os sistemas de informação 77 Amazon.com acompanha as preferências dos usuários para compras de livros e de artigos de música, e pode recomendar títulos comprados por outras pessoas aos seus clientes. Vínculos sólidos com clientes e fornecedores aumentam os custos de mudança (o custo decorrente da troca de um produto ou serviço para o de um concorrente) e a lealdade a sua empresa. A Tabela 3.2 resume as estratégias competitivas que acabamos de descrever. Algumas empresas se concentram em uma dessas estratégias, mas com frequência outras seguem várias simultaneamente. O Starbucks, maior varejista no ramo de cafeterias do mundo, por exemplo, oferece cafés e bebidas espe- ciais, de alta qualidade e únicos, mas também busca competir através da redução de custo. Implantar qualquer uma dessas estratégias não é uma tarefa fácil. Mas é possível fazê-lo, como demonstram muitas empresas que evidentemente dominam seu mercado e usaram os sistemas de infor- mação para apoiar suas estratégias. Como mostrado pelos casos ao longo deste livro, para que os siste- mas de informação nos ajudem a conquistar uma vantagem competitiva é necessária uma coordenação precisa de tecnologia, organizações e pessoas. De fato, como pode ser visto em relação ao Walmart, à Apple e à Amazon, a capacidade de implantar sistemas de informação com sucesso não é igual para todos, e algumas empresas são muito melhores nisso do que outras. Tabela 3.2 Quatro estratégias competitivas básicas. estratégia descrição exemplo Liderança em custos baixos Use sistemas de informação para produzir produtos e serviços a um preço mais baixo que o da concorrência e, ao mesmo tempo, aumentar a qualidade e o nível dos serviços Walmart Diferenciação de produto Use sistemas de informação para diferenciar produtos e facilitar a criação de novos produtos e serviços Google, eBay, Apple, Starbucks Foco em nichos de mercado Use sistemas de informação para facilitar uma estratégia focada em um único nicho de mercado; especialize-se Hotéis Hilton, Harrah’s Intimidade com o cliente e o fornecedor Use sistemas de informação para desenvolver laços mais fortes com clientes e fornecedores e conquistar sua lealdade Toyota Corporation, Amazon o iMpacto da internet na vantageM coMpetitiva Com o surgimento da Internet, as forças competitivas tradicionais ainda estão atuando, mas a riva- lidade em termos de competitividade tornou-se muito mais intensa (Porter, 2001). Como a tecnologia da Internet baseia-se em padrões universais que qualquer empresa pode usar, ficou mais fácil para os rivais desencadear uma guerra de preços, assim como novos concorrentes tiveram acesso facilitado ao mercado. Uma vez que a informação está disponível para qualquer um, a Internet aumenta o poder de barganha dos clientes, que podem rapidamente encontrar na Web o fornecedor de custo mais baixo. Os lucros desabaram. A Tabela 3.3 resume alguns dos impactos potencialmente negativos da Internet nas empresas, conforme enumerados por Porter. A Internet praticamente destruiu alguns setores e impôs severas ameaças a outros tantos. Os setores de enciclopédias impressas e de agências de viagem, por exemplo, foram quase dizimados pela dispo- nibilidade de substitutos através da Internet. Da mesma forma, a Internet tem tido um impacto signifi- cativo nos setores de varejo, música, livros, corretagem, software, telecomunicações e viagens. O caso de encerramento deste capítulo fornece uma discussão detalhada sobre o impacto da Internet no setor editorial. Ao mesmo tempo, a Internet também possibilitou a criação de mercados inteiramente novos, constituindo-se no alicerce de milhares de novos produtos, serviços e modelos de negócios e pro- porcionou novas oportunidades para a criação de marcas com bases muito grandes de clientes leais. M03_LAUD_0000_01_SE_C03.indd 77 07/11/14 14:51 Sistemas de informação gerenciais78 Tabela 3.3 Impacto da Internet nas forças competitivas e na estrutura do setor. força competitiva impacto da internet Produtos ou serviços substitutos Permite que novos substitutos surjam com novas abordagens para atender necessidades e executar funções Poder de barganha dos clientes A disponibilidade de informações globais sobre preços e produtos leva o poder de barganha para o consumidor Poder de barganha dos fornecedores A Internet tende a aumentar o poder de barganha sobre os fornecedores na aquisição de produtos e serviços; entretanto, os fornecedores também podem se beneficiar das barreiras reduzidas à entrada e da eliminação de distribuidores e de outros intermediários entre eles e sua clientela Ameaças de novos entrantes A Internet reduz as barreiras à entrada nos mercados, bem como a necessidade de uma força de vendas, acesso a canais e estrutura física. Ela oferece tecnologia direcionadora do processo de negócio que torna as demais tarefas mais fáceis Posicionamento e rivalidade entre os concorrentes existentes Amplia a abrangência geográfica do mercado, aumenta o número de concorrentes e reduz as diferenças entre eles, tornando mais difícil manter as vantagens operacionais, aumentando a competição por preço Exemplos disso são Amazon, eBay, iTunes, YouTube, Facebook, Travelocity e Google. Nesse sentido, a Internet está “transformando” setores inteiros, forçando as empresas a mudar sua maneira de fazer negócios. o Modelo de cadeia de valores eMpresarial Embora o modelo de Porter seja muito útil para identificar as forças competitivas e sugerir estraté- gias genéricas, não é muito específico no que diz respeito ao que fazer exatamente e, além disso, não oferece uma metodologia a ser seguida para conquistar vantagens competitivas. Se sua meta é atingir excelência operacional, por onde começar? É nesse ponto que entra em jogo o modelo de cadeia de valores empresarial. O modelo de cadeia de valores destaca as atividades específicas da empresa nas quais as estraté- gias competitivas podem ser mais bem aplicadas (Porter, 1985) e os sistemas de informação provavel- mente causarão maior impacto. Esse modelo identifica pontos de alavancagem específicos e críticos nos quais a empresa pode usar a tecnologia da informação mais efetivamente para melhorar sua posição competitiva. Esse modelo vê a organização como uma série ou “cadeia” de atividades básicas que agregam valor aos seus produtos ou serviços. Essas atividades podem ser classificadas como atividades primárias ou de apoio (ver Figura 3.2). Atividades primárias estão mais diretamente relacionadas com a produção e a distribuição dos produtos e serviços que criam valor para o cliente. Elas incluem logística de suprimentos, operações, logística de distribuição, vendas e marketing, e serviço. A logística de suprimentos envolve receber e armazenar materiais para posterior distribuição à produção. As operações transformam as entradas em produtos acabados. A logística de distribuição compreende a armazenagem e a distribuição de produtos acabados. Vendas e marketing incluem promover e vender os produtos. A atividade de serviço compreen- de a manutenção e o conserto dos bens e serviços da empresa. Atividades de apoio possibilitam à empresa a realização das atividades primárias e consistem na infraestrutura de organização (administração e gestão), recursos humanos (recrutamento, contratação e capacitação de funcionários), tecnologia (melhoria de produtos e do processo de produção) e seleção de fornecedores (compra de insumos). Em cada estágio da cadeia de valores podemos perguntar: “como podemos utilizar os sistemas de informação para melhorar a eficiência operacional e estreitar o relacionamento com clientes e for- necedores?” Isso forçará uma análise crítica acerca de como as atividades agregadoras de valor são executadas em cada estágio e como os processos de negócio podem ser melhorados. Por exemplo, a análise da cadeia de valores indicaria se o Walmart, descrito no caso de abertura do capítulo, deve M03_LAUD_0000_01_SE_C03.indd 78 07/11/14 14:51 Capítulo 3: Conquistando vantagem competitiva com os sistemas de informação 79 aprimorar seus processos de gestão de estoques e controle de qualidade. Você também pode começar a se perguntar como usar sistemas de informação para melhorar o relacionamento com clientes e com fornecedores, os quais se situam fora da cadeia de valores da empresa, mas pertencem à sua cadeia de valores ampliada, na qual são absolutamente fundamentais ao sucesso da empresa. Nesse ponto, sistemas de gestão da cadeia de suprimentos que coordenam o fluxo de recursos dentro da empresa e sistemas de gestão de relacionamento com clientes, que fazem o “meio de campo” entre funcionários de vendas e suporte e os clientes, são duas das aplicações mais comuns de sistemas resultantes da análise da cadeia de valores da empresa. Discutiremos essas aplicações integradas com mais detalhes no Capítulo 9. O modelo de cadeia de valores da empresa também poderá levá-lo a querer comparar seus processos de negócio com os de seus concorrentes, ou com outras empresas de setores relacionados; assim poderá identificar as melhores práticas de cada setor. Chamamos de benchmarking esse processo de comparar a eficiência e a efetividade dos próprios processos de negócios com determinados padrões e, depois, medir o desempenho em relação a esses padrões. Normalmente, as melhores práticas de um setor são identificadas por empresas de consultoria, institutos de pesquisa, órgãos governamentais e associações setoriais como as soluções ou os métodos de resolução de problemas mais bem-sucedidos na consecu- ção consistente e efetiva de um objetivo organizacional. Após analisar os vários estágios da cadeia de valores de sua empresa, você poderá considerar algumas possíveis aplicações de sistemas de informação. Em seguida, com uma lista de candidatas, pode decidir qual desenvolver primeiro. Ao realizar aperfeiçoamentos em sua própria cadeia de valores que seus concorrentes podem ter desconsiderado, conquista-se vantagem competitiva, seja graças à excelência operacional ou à redução de custos, a margens de lucro maiores ou a um rela- cionamento mais estreito com os clientes e fornecedores. E, se seus concorrentes estiverem fazendo aperfeiçoamentos semelhantes, pelo menos você não vai estar em desvantagem competitiva — a pior das hipóteses! Na Seção Interativa sobre Tecnologia, podemos ver como a análise da cadeia de valores poderia ter auxiliado montadoras de automóveis a aprimorar suas estratégias competitivas. Ford, GM e outros líderes estão agregando mais valor aos seus produtos oferecendo interfaces de software e aplicativos para melhorar o desempenho dos veículos, proporcionando entretenimento e integrando-as com outros sistemas para manutenção e futuro controle de tráfego. Atividades de apoio Atividades primárias Sistemas de compra de insumos e seleção de fornecedores Administração e gerenciamento: Sistemas eletrônicos de agendamento e de mensagens Recursos humanos: Sistemas de planejamento da força de trabalho Tecnologia: Projetos assistidos por computador (CAD) Seleção de fornecedores: Sistemas computadorizados de colocação de pedidos Sistema automatizado de armaze- nagem Sistemas de usinagem assistidos por computador Sistemas computadori- zados de colocacão de pedidos Sistemas de manuten- ção de equi- pamentos Sistemas automatizados de programa- ção de expedição Sistemas de gerenciamento do relacionamento com clientes Logística de suprimentos Operações Vendas e marketing Serviço Logística de distribuição Cadeia de valores da empresa Fornecedores dos fornecedores Fornecedores Empresa Distribuidores Clientes Cadeia de valores do setor Figura 3.2 O modelo de cadeia de valores Na figura são apresentados exemplos de sistemas para ambas as atividades primárias e de apoio de uma empresa e de seus parceiros que poderiam agregar margem de valor aos produtos e serviços. M03_LAUD_0000_01_SE_C03.indd 79 07/11/14 14:51 Sistemas de informação gerenciais80 Montadoras se transforMaM eM eMpresas de software SEÇÃO INTERATIVA: TECNOLOGIA Enquanto o mercado de smartphones continua a se expandir, outro setor começou a se tornar mais “inteli- gente” pelo uso de software e aplicativos: a indústria auto- mobilística. Ford, BMW e outras empresas de automóveis estão aprimorando seus veículos através de software on-board, que melhora a experiência do cliente, e essa indústria já está desenvolvendo tecnologias que permiti- rão que os carros sejam gerenciados através da compu- tação em nuvem. As montadoras estão descobrindo que software é uma forma de agregar mais “valor” e atualização a seus pro- dutos sem ter de investir tão fortemente na produção de novos veículos. Como exemplo, a Ford Motor Company leva cerca de dois anos e meio para planejar, projetar e construir um carro novo. Projeto e produção, incluindo equipamentos de estamparia de metais e instalação de linha de montagem, devem ser finalizados muito tempo antes do carro estar pronto para deixar a linha de monta- gem. Mas as montadoras podem criar uma nova interface de software para um carro em questão de meses e atua- lizá-la novamente (e ainda muitas outras vezes) durante o ciclo de vida do produto, sem muito lead-time. Isso permite que a Ford e outras montadoras possam melho- rar significativamente a experiência de condução de seus veículos e adicionar novos recursos a eles anos depois de terem sido construídos. A Ford talvez seja a montadora que está fazendo o maior esforço para inovar através do uso de software e aplicativos. Sua interface MyFord Touch é uma tela de painel sensível ao toque disponível para alguns veí- culos selecionados que apresenta controles de navega- ção, música, integração com telefone e temperatura. A Ford atualizou essa interface e o software de sincroni- zação embutido, adicionando integração com tablets e smartphones e uma melhor resposta de voz. Em 2010, a Ford adicionou suporte ao serviço Pandora de strea- ming de música, que é muito popular entre os jovens potenciais compradores. Essa atualização permite que os motoristas conectem seus tablets e smartphones ao sistema Sync para acessar música e outros aplicativos que utilizam comandos de voz. O presidente Bill Ford Jr. tem defendido o uso de software para aliviar o congestionamento urbano, inves- tindo em tecnologias que respondem aos problemas criados pelo tráfego nas maiores cidades. Em teoria, a tecnologia poderia ajudar os carros a evitar congestio- namentos, recomendar percursos nos quais os motoris- tas se sentissem mais confortáveis, reservar vagas de estacionamento por antecedência e, possivelmente, até mesmo dirigir sozinhos. Para serem administrados dessa forma, os veículos precisam estar conectados a algum tipo de sistema cen- tral, que estaria coordenado com o transporte público e outros métodos de transporte e, para isso, os carros pre- cisam ser equipados com um software que pode moni- torar e melhorar o funcionamento do veículo até nos níveis mais básicos. Esse sistema eventual exigiria que os carros fornecessem quantidades crescentes de infor- mações para sistemas cuja finalidade seria a de minimi- zar o congestionamento. O sistema também necessitaria de um padrão da indústria, o que não existe hoje. A Ford dobrou seus investimentos em tecnologias de comuni- cação veículo a veículo e a BMW também continua a desenvolver formas para que veículos se comuniquem uns com os outros nas estradas para evitar colisões. Com a inclusão de software em seus carros, as mon- tadoras estão entrando em um território desconhecido. Elas devem agora dedicar recursos para atualização e testes de software, bem como para o estabelecimento de maneiras de fornecer softwares atualizados para seus clientes. As montadoras precisam coordenar com maior precisão seus ciclos de desenvolvimento de veículos e de software. Além disso, muitas das tecnologias incluídas nos pacotes de software de automóveis levantam as mes- mas preocupações com relação à privacidade em torno do rastreamento, que muito tem atormentado os fabri- cantes de smartphones e desenvolvedores de aplicativos. A Ford está às voltas com a melhor maneira de lan- çar atualizações de software a seus clientes. A empresa despachou pelo correio pen drives para 250 mil clientes cujos carros têm um painel de controle avançado, sen- sível a toque, que executa a interface MyFord Touch. O pen drive contém uma atualização de software que melhorará os controles de navegação, recursos de música e de telefonia, assim como a capacidade de controlar a temperatura do carro. A atualização também contém um código que aprimorará a velocidade do sistema e melhorará a interface com base em críticas comuns dos proprietários Ford. Embora a Ford diga que planeja continuar a emitir atualizações de software dessa forma, a empresa espera que seus clientes adquiram o hábito de consultar o site da Ford para verificarem por conta própria se existem atualizações de software. Apesar da maioria dos pro- prietários de carros estarem acostumados com o fato da tecnologia de seus carros permanecer constante