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SISTEMAS DE INFORMAÇÃO 
GERENCIAL 
AULA 5 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Prof. Luciano Furtado C. Francisco 
 
 
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CONVERSA INICIAL 
Prezado aluno, é um grande prazer recebê-lo nesta aula. 
Os sistemas de informação e a tecnologia se tornaram elementos 
indissociáveis. Não faz mais sentido hoje em dia existir um “sistema de 
informação manual”. A tecnologia nos permite processar dados e convertê-los 
em informações de modo muito mais rápido e preciso. 
E também temos um fato: a tecnologia evolui a todo momento. É incrível 
a velocidade da transformação tecnológica nos dias atuais. Uma tecnologia que 
hoje é considerada o “estado da arte” pode estar obsoleta daqui a dois, três, 
cinco anos. Essa obsolescência levava muito mais tempo antigamente. Por 
quantos anos o telefone fixo reinou como a tecnologia de comunicação principal? 
E a TV de tubo? O disco de vinil, os CDs e os DVDs? Os filmes fotográficos (e 
as máquinas fotográficas analógicas)? As máquinas de escrever? Todas essas 
tecnologias foram utilizadas intensamente por décadas e em pouco tempo foram 
substituídas por tecnologias digitais mais poderosas. Com a popularização da 
internet e dos smartphones, no entanto, a curva de evolução aumentou 
exponencialmente. 
E com os sistemas de informação não é diferente. As tecnologias de 
linguagens, hardware, softwares, redes de comunicação e bancos de dados 
evoluem constantemente, trazendo novas facilidades e usos dos dados e 
informações. 
Vamos conversar sobre isso nesta aula, a evolução e as tendências dos 
sistemas de informação. Algumas tendências já consolidadas, inclusive. 
Aproveite essa aula e venha conosco. Bons estudos! 
CONTEXTUALIZANDO 
Um conceito surgiu nos últimos anos e ganhou força para explicar a 
revolução da informação no nosso tempo: indústria 4.0. 
Esse termo tem a ver com a forma como as indústrias incorporaram 
mudanças tecnológicas no chão de fábrica, tais como conectividade, 
aprendizagem de máquina (machine learning), big data, inteligência artificial, 
robôs, análise de dados e outras. É a chamada fábrica autônoma, em que quase 
tudo é automatizado, as máquinas podem agendar inclusive manutenções, 
prevendo falhas e se adaptando automaticamente a situações não previstas. 
 
 
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Quais mudanças, de fato, a indústria 4.0 trouxe para o mercado? 
Podemos identificar, entre várias, a modernização da dinâmica do trabalho, 
maior sustentabilidade, mudanças na relação de consumo (colocando o cliente 
em primeiro lugar), maior customização dos produtos e um maior contato direto 
com os clientes. 
As mudanças acima, olhando em uma primeira análise, parecem 
positivas. E de fato elas são. Mas, como todo progresso, pode haver efeitos 
colaterais. 
O primeiro deles é quanto às pessoas. É preciso ser veloz nas políticas 
educacionais para capacitar a todos nessa nova realidade. Muitas funções estão 
desaparecendo, migrando para outros setores (quando os automóveis 
começaram a ser fabricados em massa, desempregou muitos cocheiros e 
ferreiros). Assim, é necessário que nos preparemos para uma realidade diferente 
daquela que muitos de nós fomos criados. 
Em segundo lugar, quanto às empresas. Aquelas que não se anteciparem 
nesse cenário irão desaparecer. As gerações mais novas simplesmente não 
concebem uma empresa sem presença digital. Portanto, para se garantir no 
mercado, essas organizações não devem esperar pela consolidação de 
tendências, mas sim já começar a usá-las. Isso não tem a ver com o porte da 
empresa, mas sim com sua postura proativa e aprendizado contínuo. Se por um 
lado a indústria 4.0 é altamente disruptiva, ela traz oportunidades para todas as 
empresas, independente de tamanho. 
Saiba mais 
Conheça mais sobre a indústria 4.0, lendo o artigo a seguir. Disponível 
em: . 
Acesso em: 1 jun. 2020. 
TEMA 1 – A REVOLUÇÃO DA INFORMAÇÃO E OS EFEITOS NA ECONOMIA 
Vamos voltar para a década de 1980 ou início dos anos 1990. Uma grande 
indústria internacional que desejasse ampliar sua atuação iria fazer uma 
pesquisa de mercado em países candidatos a receber uma fábrica. Essa 
pesquisa teria de ser feita no respectivo país, assim seus executivos teriam de 
contratar uma empresa de pesquisas deste país, viajar para lá (mais de uma vez) 
e receber o resultado desse trabalho em papel, em uma reunião presencial. 
 
 
4 
Levaria, então, mais um tempo para analisar esses dados e tomar a decisão. Um 
processo longo, que poderia durar anos. No final, se instalasse a fábrica, sua 
preocupação seria com os concorrentes locais. Contrataria uma grande 
quantidade de funcionários para a nova unidade, pois a automação ainda era 
incipiente. O mercado dessa nova fábrica seria o país em questão e alguns 
outros países para os quais poderia exportar. 
Esse cenário foi muito comum até meados dos anos 1990. Mas um fator 
mudou drasticamente essa dinâmica: a chegada da era da informação ou 
revolução da informação. 
Saiba mais 
Veja no link a seguir alguns fatos curiosos sobre a revolução tecnológica 
dos nossos tempos. Disponível em: . Acesso em: 1 jun. 2020. 
1.1 A terceira onda 
Alvin Toffler (1928-2016), professor e filósofo norte-americano, escreveu 
vários livros sobre a revolução digital, desde os anos 1970, sendo considerado 
por muitos um “vidente” porque previu alguns dos cenários que vivemos hoje. 
Um de seus livros mais conhecidos é A terceira onda, de 1980. Nele, 
Toffler chama a revolução da informação de terceira onda econômica mundial. 
As duas primeiras foram a agricultura e a indústria. Essa terceira onda, de acordo 
com o autor, faz com que a informação e a tecnologia sejam as principais forças 
da organização. Diferente da era industrial, na qual as máquinas, instalações 
físicas e produção de bens eram os fatores que determinavam a força de uma 
empresa. Toffler também cunhou os termos economia digital e capital intelectual. 
E, de fato, podemos observar isso hoje em dia. As empresas da era digital, 
e que trabalham essencialmente com informação, possuem escritórios e sedes, 
mas isso é irrelevante para seus clientes. Também o tamanho dessas sedes não 
importa. Há empresas como o Google, Airbnb, Facebook e outras cujas sedes 
são relativamente pequenas em comparação ao seu faturamento e alcance 
global. 
 
 
 
5 
1.2 Novos modelos de negócios 
A revolução da informação trouxe um enorme impacto na economia 
mundial. A internet fez com que as barreiras geográficas fossem rompidas e, 
assim, a concorrência se tornasse global. O concorrente ao lado continua sendo 
importante, mas a ele foram adicionados concorrentes globais, pelo simples fato 
de que o produto pode ser comprado na loja da esquina ou de um site da China. 
Além da compra de produtos, a tecnologia – aqui fortemente impulsionada 
pelos dispositivos móveis – trouxe novos modelos de negócios, o que reorientou 
as estratégias de mercado. Temos vários exemplos: 
• O AirBnB impactou o ramo de hotelaria; 
• O Uber transformou as atividades de transporte individual; 
• As redes sociais causaram impacto nas empresas tradicionais de mídia; 
• Agências de turismo foram impactadas pelo surgimento de sites de 
pacotes turísticos; 
• O comércio físico passou a ter a concorrência de lojas virtuais (inclusive 
estrangeiras) e sites de compra e venda entre pessoas. 
Outro fator que contribuiu para isso foi a globalização. Esse fenômeno é 
tanto político quanto econômico e começou no final dos anos 1980. Trata-se da 
queda de fronteiras, que permite um trânsito maior de pessoas e produtos entre 
nações. Politicamente, vimos o surgimento de blocos econômicos (Mercosul, 
União Europeia etc.) e maior facilidade no comércio internacional. A tecnologia 
ajudou a globalização e vice-versa.Figura 1 – Economia global 
 
Crédito: Vectormine/Shutterstock. 
 
 
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TEMA 2 – EVOLUÇÃO DOS SISTEMAS DE INFORMAÇÃO 
Uma vez que a tecnologia evolui a todo instante, os sistemas de 
informação evoluem na mesma proporção. Até a chegada da era da informação 
(anos 1980 em diante), essa evolução era mais lenta. 
Vamos entender como surgiram os sistemas de informação e como eles 
evoluíram com suas diversas gerações. 
2.1 O início dos SI 
Em abril de 1964, a IBM, uma das mais conhecidas empresas de 
tecnologia, lançou o primeiro computador de grande porte para uso geral: o 
lendário IBM/360. Essas máquinas, por seu porte e capacidades, são chamadas 
de mainframes. 
Saiba mais 
Veja no artigo a seguir a história do computador IBM/360. Disponível em: 
. Acesso em: 1 jun. 2020. 
Na mesma época a NASA – Agência Espacial Norte-Americana – em 
conjunto com a empresa Rockwell, trabalhava na montagem do foguete Saturno 
V, como parte do projeto Apollo 11, que levaria o primeiro homem à Lua em 
1969. O foguete tinha uma quantidade gigantesca de peças, assim, os 
engenheiros da NASA e da Rockwell propuseram à IBM construir um software 
para auxiliar nesse gerenciamento. “Se nós somos capazes de levar o homem à 
Lua, por que não podemos criar um programa de computador para gerenciar os 
milhões de peças que compõem o foguete?”. 
A direção da IBM aceitou o desafio e criou o primeiro sistema de 
informação usando banco de dados. O sistema recebeu um nome pouco criativo: 
IMS, sigla em inglês para Information Management System, ou Sistema de 
Gerenciamento de Informações. Foi um sistema inovador, na medida que 
permitia o armazenamento de uma grande quantidade de dados, que eram 
recuperados com grande rapidez. Um verdadeiro divisor de águas na história 
dos sistemas de informação. Foi implantado com sucesso na NASA e depois a 
IBM o transformou em um produto comercial, sendo vendido a muitas outras 
empresas, para necessidades de todo tipo. 
 
 
7 
2.2 As gerações dos SI 
Os sistemas de informação vêm evoluindo acompanhando o progresso da 
tecnologia da informação. Segundo Hirschheim e Klein (2012, p. 196), os SI 
tiveram até hoje quatro gerações, cada uma influenciou as empresas na 
condução dos negócios. Esses estágios são: 
1. “Infância”: primeira geração de SI nas empresas e dos computadores de 
grande porte (mainframe). Nessa geração, o objetivo era a automação de 
processos financeiros, contábeis e engenharia. Apenas grades empresas 
tinham computadores e equipes de TI internas que desenvolviam seus 
sistemas, devido aos altos custos de equipamentos. Aconteceu entre os 
anos 1960 e 1970. 
2. “Pré-adolescência”: fase iniciada na segunda metade da década de 1970 
e que perdura até o final dos anos 1980. Surgem os minicomputadores e 
computadores pessoais (PC). O hardware e o software ficam mais baratos 
e empresas de menor porte podem ter acesso à tecnologia. Os 
computadores pessoais começam a tomar o lugar das máquinas de 
escrever nas mesas de trabalho e se tornam itens de consumo doméstico. 
3. “Adolescência”: inicia quando se popularizam as redes corporativas de 
dados (início dos anos 1990), além de grande desenvolvimento de 
softwares, hardwares e equipamentos de telecomunicações. Surgem as 
empresas de serviços em TI, o que reduz as necessidades de equipes 
internas em muitas empresas. 
4. “Fase adulta”: começa com a abertura da internet às empresas e público 
em geral, por volta de 1994/95. A web transforma drasticamente o 
ambiente organizacional. Empresas estão em contato permanente com 
seus clientes, fornecedores e parceiros. A tecnologia passa a ser uma 
vantagem competitiva e mesmo a orientação principal da estratégia de 
muitas organizações. Surgem novos canais de interação e consumo, por 
meio das redes sociais e comércio eletrônico, consolidando o mercado 
global. Além disso, os sistemas são onipresentes, por estarem na internet. 
Os bancos de dados são armazenados em servidores diversos, 
independente de local físico, a chamada nuvem ou cloud computing 
(computação em nuvem). São criadas novas linguagens de programação 
e recursos de interface para dispositivos móveis. 
 
 
8 
Saiba mais 
O vídeo a seguir tem uma explicação bastante interessante sobre a 
computação em nuvem. Disponível em: 
. Acesso em: 1 jun. 2020. 
TEMA 3 – E-BUSINESS E E-COMMERCE 
Sem dúvida, uma das principais consequências da revolução da 
informação foi o avanço e igual evolução do e-business (negócios eletrônicos) e 
do e-commerce (comércio eletrônico). Aqui cabe uma observação: esses termos 
no cotidiano são usados para se referir às mesmas coisas, no entanto, veremos 
que são conceitos diferentes e vamos entendê-los. Também iremos ver como 
eles são um tipo de sistema de informação muito importante na atualidade. 
3.1 E-business 
Primeiro vamos à definição de e-business. Segundo Laudon e Laudon 
(2007): 
Negócios eletrônicos, ou e-business significa a realização de 
processos de negócios com a utilização da tecnologia digital, serve 
para a gestão interna, coordenação de fornecedores e parceiros, 
compra e vendas de serviços e produtos de uma empresa (...) tal 
conceito abrange as atividades que apoiam essas transações tais 
como propaganda, marketing, suporte ao cliente, segurança, entrega e 
pagamento. (Laudon; Laudon, 2007, p. 58) 
Veja, portanto, que o e-business é a realização dos processos de negócio 
da empresa – não apenas transações comerciais – utilizando os sistemas de 
informação por meio das redes digitais de dados, nesse caso a internet. O e-
business é resultado da evolução dos sistemas de informação em conjunto com 
o avanço da internet para agilizar e automatizar diversas tarefas dos processos 
das empresas. 
Em geral, esses processos são aquelas ações de retaguarda ou de apoio, 
transparentes para os clientes, mas tarefas primordiais nas operações da 
empresa. Por exemplo, um varejista envia eletronicamente a um fornecedor uma 
ordem de compra. Essa ação pode ocorrer de várias formas: por um site de 
compras do tipo B2B – Busines-To-Business (lojas virtuais restritas a empresas); 
por meio de um sistema ERP (sistema de gestão integrado), que 
automaticamente dispara um e-mail com dados do pedido ao fornecedor; por 
 
 
9 
meio de um processo de compra feito pelo varejista em um site de leilão reverso 
(que permite que potenciais fornecedores cadastrados vejam o pedido e façam 
suas propostas, o sistema posteriormente declara um vencedor do processo). 
Perceba que seja qual for a modalidade, o processo citado usou sistemas 
de informação, com auxílio da internet, conectando os atores por meio da web. 
Os sistemas de informação, dessa forma, também aproveitam as 
potencialidades da internet para agilizar os processos de negócios em 
praticamente em todas as áreas de uma empresa. Isto é ainda mais visível 
quando presenciamos desde aplicativos de mensagens de celular usados por 
colaboradores para se comunicarem entre si, com clientes e parceiros; e-mails 
como forma de comunicação oficial e formal; sistemas de informação conectados 
à internet (como no exemplo anterior); e por fim os processos diretos de compra 
e venda, o e-commerce, que vamos abordar a seguir. 
3.2 E-commerce 
Segundo Albertin (2010, p. 3), comércio eletrônico é “o uso da internet 
para a compra e venda de produtos, serviços ou informações”. Repare que o 
autor delimita o comércio eletrônico como algo que trata exclusivamente dos 
processos de compra e venda. Incluem-se aí todos os seus passos – exceto a 
entrega ou retirada do bem – desde pesquisa, seleção do fornecedor, 
informações do produto, pagamento e seleção de transportadora ou local de 
retirada. 
Logo, o e-commerce pode ser considerado um subconjunto do e-
business. Mesmo assim,poucos sistemas de informação tiveram tanto 
crescimento nas últimas décadas como o comércio eletrônico, muito em parte 
devido às suas vantagens, as quais podemos citar: 
• Nunca fecha – as lojas virtuais estão abertas 24 horas por dia, sete dias 
por semana, ao contrário das lojas físicas que fecham em determinados 
horários. 
• Número maior de fornecedores – os compradores têm à disposição uma 
quantidade bem maior de opção de vendedores, até mesmo de fora do 
país. 
• Comodidade no processo de compra – toda a jornada de compra 
(pesquisa, seleção do vendedor e compra) pode ser feita no lugar e no 
 
 
10 
momento que o cliente desejar, usando qualquer dispositivo com acesso 
à internet. 
É verdade que ainda existem alguns desafios: receio quanto à segurança, 
falta do hábito ou de familiaridade digital de alguns consumidores (especialmente 
os mais velhos) e o não acesso à internet por muitas pessoas. Contudo, esses 
desafios têm sido suplantados ao longo do tempo e cada dia mais pessoas 
entram no mundo do consumo pela internet, sendo essa uma tendência 
irreversível. 
Não apenas as pessoas físicas se beneficiam com o e-commerce. 
Empresas, órgãos de governo e outras organizações também fazem parte desse 
ecossistema. Já é comum que empresas comprem online de seus fornecedores 
e que os governos cobrem impostos e taxas de forma digital. 
Saiba mais 
Veja quais são os tipos de e-commerce no artigo a seguir. Disponível em: 
. Acesso em: 1 jun. 
2020. 
Os sistemas que operacionalizam a loja virtual são chamados de 
plataformas de e-commerce. Via de regra, eles operam na internet, acessados 
por um endereço http, em qualquer navegador. Em nosso contexto é importante 
saber que essas plataformas costumam ter muitas integrações com outros 
sistemas de informação, normalmente os sistemas de gestão (ERP, para 
processos de faturamento, fiscal, estoques e outros), de relacionamento com 
clientes (CRM), com sistemas de bancos e administradoras de cartões de crédito 
(a fim de processar pagamentos), com sistemas de transportadores (para 
geração de documentos der transporte e links de rastreamentos) e com sistemas 
de análise de risco (para verificar possibilidade de pedidos de fraudadores), além 
de outros sistemas que de alguma forma possam ter vínculo com os processos 
de compra e venda. 
TEMA 4 – CLASSIFICAÇÃO DOS SISTEMAS DE INFORMAÇÃO 
Os SI podem ser classificados por diversos critérios. Os mais utilizados 
são a abrangência e o nível decisório. No primeiro, são considerados os setores 
da empresa atendidos pelo sistema, a abrangência departamental. No segundo 
 
 
11 
critério, o sistema é classificado conforme o nível organizacional no qual ele será 
utilizado. Vamos ver essas classificações. 
4.1 Abrangência 
Nesse critério, quanto mais áreas funcionais o sistema atender, maior 
será sua abrangência e vice-versa. São três as subdivisões: 
• Sistemas departamentais: atendem especificamente às necessidades de 
um departamento. Em geral são sistemas pequenos, desenvolvidos ou 
adquiridos internamente. Como os bancos de dados desses sistemas são 
restritos ao departamento, é difícil compartilhar esses dados com outros 
setores, um obstáculo à integração de processos. 
• Sistemas integrados: são sistemas maiores, que atendem a vários 
departamentos ou até mesmo a empresa como um todo, automatizando 
os processos de produção, financeiro, contábil, marketing, vendas etc. 
São chamados normalmente de ERP, sigla em inglês de Entreprise 
Resource Planning – planejamento de recursos empresariais, em 
tradução direta. A sigla não tem a ver diretamente com o que esses 
sistemas de fato fazem; a denominação é porque os ERPs são 
“descendentes” de sistemas de chão-de-fábrica dos anos 1970 e 1980, os 
MRP. 
Saiba mais 
Conheça outras informações sobre sistemas ERP no vídeo a seguir. 
Disponível em: . Acesso em: 1 jun. 2020. 
Como o sistema ERP é integrado, existe um único banco de dados, 
facilitando a integração das informações e dos processos. Todas as áreas 
podem se beneficiar, desde os setores operacionais até a alta gestão. Isso 
ocorre porque os ERPs normalmente são estruturados em módulos 
(financeiro, contábil, RH, produção etc.). Eles também contam com 
recursos de integração com outros sistemas, como as plataformas de e-
commerce que vimos anteriormente. Por tudo isso, os ERPs se tornaram 
muito populares. Hoje temos ERPs de uma infinidade de fornecedores e 
muitos que funcionam inclusive na nuvem, sem necessidade de 
instalações. 
 
 
12 
• Sistemas interorganizacionais: são sistemas que integram várias 
empresas, portanto ultrapassam os muros da empresa. Eles são usados 
em cenários em que há um vínculo muito estreito entre empresas do 
mesmo grupo, parceiros ou fornecedores da cadeia de suprimentos. Um 
exemplo de sistema interorganizacional é o Amadeus, um sistema que 
interliga empresas do ecossistema de viagens: aeroportos, agências de 
viagens, companhias aéreas, hotéis etc. Todas as empresas que dele 
participam têm acesso às informações de voos e reservas, permitindo 
assim usar essas informações em seus sistemas internos. 
Saiba mais 
Veja no artigo a seguir mais informações sobre o Amadeus. Disponível 
em: . Acesso em: 1 jun. 2020. 
Na figura a seguir, há um resumo da classificação de sistemas quanto à 
abrangência: 
Figura 2 – SI quanto à abrangência 
 
4.2 Nível funcional 
Classificação conforme o nível organizacional em que o sistema é usado: 
operacional, tático ou estratégico. 
• Sistemas de Processamento de Transações – SPT: são aqueles sistemas 
usados pelo pessoal operacional, que registram os dados das atividades 
rotineiras da empresa: vendas, compras, folha de pagamento, estoques 
 
 
13 
etc. Um bom exemplo é o sistema utilizado pelo caixa de uma loja ou 
supermercado, onde ele registra as vendas. 
• Sistemas de Informação Gerencial – SIG: sistemas usados pelos gestores 
de nível médio ou tático. Esses sistemas coletam dados dos SPT para 
fornecer indicadores a estes gestores. Por isso eles fornecem muitos 
relatórios gerenciais. Um exemplo é um sistema de vendas, nos quais os 
gerentes podem observar o desempenho de vendedores e assim tomar 
decisões sobre o time de vendas ou os produtos. 
• Sistemas de Informações Estratégicos – SISs: são sistemas destinados à 
alta direção da empresa, para tomadas de decisões estratégicas e 
complexas, que impactam na empresa como um todo. Usam os conceitos 
de BI. São divididos em: 
a) Sistemas de Apoio à Decisão (SAD) – são soluções computacionais 
usadas para dar suporte às decisões complexas e à resolução de 
problemas; usam dados estruturados e não estruturados. Por exemplo, 
a decisão de se construir uma nova fábrica. 
b) Sistema de Apoio Executivo (SAE) – também conhecidos pela sigla 
EIS, do inglês Executive Information Systems – são sistemas 
destinados a dar informações para a gestão estratégica da 
organização; usam mais dados externos e essa é a diferença para os 
SAD. 
TEMA 5 – TENDÊNCIAS EM SI 
Quando falamos tendências, pode parecer que é algo ainda incipiente e 
objetos mais de pesquisas do que propriamente em uso efetivo. Mas não é esse 
o conceito de tendências no contexto de sistemas de informação. Trata-se de 
tecnologias que já existem, são comercializadas, mas de uso em organizações 
de maior porte. A tendência, no caso, significa que essas tecnologias de SI em 
breve serão comuns, mesmo em empresas menores. Vamos conhecê-las. 
5.1 BI – Business Intelligence 
Significa Inteligência de Negócios. O BI é um conjunto de tecnologias, 
processos e modelos que transformam os dados em informações para tomada 
 
 
14 
de decisões estratégicas. Existem softwares de BI e alguns ERPs oferecem 
módulosde BI, que funciona por meio de três pilares: 
• Coleta de dados – todas as ações da empresa geram dados que são 
organizados em bancos de dados específicos. 
• Organização e análise – os dados coletados são processados e exibidos 
em forma de gráficos, dashboards e relatórios para tomada de decisão. 
• Ação e monitoramento – os gestores tomam decisões com base nos 
dados apresentados, cadastram essas informações no BI e monitoramos 
resultados. 
O BI mede o desempenho passado para projetar o futuro. O BI é composto 
de outras tecnologias. 
5.1.1 DW - Data Warehouse 
Trata-se de um banco de dados com arquitetura especial para grandes 
volumes de dados, organizado diferente dos tipos que vimos anteriormente. O 
DW extrai dados de diversas fontes (sistemas de informação internos, internet, 
planilhas, fonte externas etc.), os armazena para posterior processamento e uso 
pelos sistemas de BI. 
5.1.2 OLAP – On-Line Analytical Processing – Processamento Analítico On-
line 
É uma tecnologia que trabalha em conjunto com o Data Warehouse, e tem 
por função analisar os dados do DW de forma ágil e interativa pelos gestores 
(usando o sistema de BI). O OLAP analisa os dados do DW dinamicamente e de 
maneira multidimensional, em múltiplas perspectivas (para se ter comparação, 
um banco de dados relacional tem apenas duas dimensões). E os exibe 
imediatamente para o usuário. 
5.1.3 Data Mining – Mineração de Dados 
O data mining é a exploração de dados, no sentido de encontrar padrões 
nesses dados. Pode usar algoritmos de aprendizagem (aprendizagem de 
máquina ou machine learning) e apresenta esse conhecimento em diversas 
formas. Em resumo, é um trabalho de teste de hipóteses usando grande 
 
 
15 
quantidade de dados, normalmente do DW. Por exemplo, o setor de marketing 
de uma empresa de serviços pode usar data mining para prever a possibilidade 
de clientes comprarem um serviço ou produto; 
Na figura abaixo, veja como todas essas tecnologias se relacionam, de 
acordo com Eleutério (2015). 
Figura 3 – Tecnologias de um sistema de BI 
 
Fonte: Eleutério, 2015, p. 157. 
TROCANDO IDEIAS 
Hoje em dia, praticamente todos os profissionais, de qualquer ramo, 
trabalham com algum tipo de sistema de informação. Os colaboradores de áreas 
operacionais costumam trabalhar apenas com os SPT. Já os demais gestores e 
funcionários de mais alto escalão trabalham (ou deveriam) com sistemas que 
privilegiam a análise estratégica. No entanto, não vemos uma ênfase em 
gestores, muitas vezes, nas estratégias, focando no operacional. Por que você 
acha que isso ainda acontece? E qual o caminho para mudar esse paradigma? 
NA PRÁTICA 
Os diretores de uma rede de supermercados perceberam que a empresa 
estava tendo uma redução preocupante nas vendas. Investiu em marketing, 
novos produtos, promoções etc., mas as vendas continuavam baixas. 
 
 
16 
No entanto, um dos diretores sugeriu que se fizesse um estudo de layout 
sugerindo que os produtos fossem dispostos de forma que os itens vendidos em 
“duplas” ficassem próximos. Assim, os clientes teriam mais chances de comprar 
mais itens “complementares” se estes estivessem mais perto uns dos outros. Foi 
feito, então, um layout de gôndolas aproximando, por exemplo, pães e presunto, 
vinhos e queijos, frutas e doces, refrigerantes e biscoitos etc., baseados no 
senso comum. Mas as vendas não se alteraram. 
Usando os conceitos de sistemas de informação, o que você sugeriria aos 
diretores para resolver o problema? 
FINALIZANDO 
Vimos nesta aula o que a revolução da informação causou na economia 
e em nossas vidas, aliados ao avanço tecnológico e dos sistemas de informação. 
Também vimos como o e-business e o e-commerce se integram a esse 
universo e sua importância nos sistemas de informação. Aprendemos também 
como os SI são classificados, quanto à abrangência e níveis funcionais. Por fim, 
vimos as tecnologias que vêm sendo tendências nos SI, fazendo com que os 
dados e informações sejam ainda mais utilizados como diferencial competitivo, 
os sistemas de BI – business intelligence (inteligência de negócios) e suas 
tecnologias associadas. 
Abraços e até a próxima! 
 
 
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REFERÊNCIAS 
ALBERTIN, A, L. Comércio eletrônico: modelo, aspectos e contribuições de 
sua aplicação. São Paulo: Atlas, 2010. 
ELEUTÉRIO, M. A. M. Sistemas de informações gerenciais na atualidade. 
Curitiba: InterSaberes, 2015. 
HIRSCHHEIM, R.; KLEIN, H. Z. A glorious and not-so-short history of the 
information systems field. Journal of Personality and Social Psychology, 
v. 13, n. 4, 2012, p. 188–235. 
LAUDON, K. C.; LAUDON, J. P. Sistemas de informação gerenciais. 
São Paulo: Pearson, 2007.

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