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Estrutura da carbamazepina A carbamazepina é quimicamente relacionada com os fármacos antidepressivos tricíclicos e, em um teste de triagem, verificou-se que inibe crises eletricamente provocadas em camundongos. Farmacológica e clinicamente, suas ações assemelham-se às da fenitoína, embora pareça ser particularmente eficaz no tratamento de crises parciais complexas (p. ex., epilepsia psicomotora). Também é usada para tratar outras afecções, tais como dor neuropática e transtorno maníaco-depressivo. Aspectos farmacocinéticos A carbamazepina é bem absorvida, porém de maneira lenta, após a administração oral. Sua meia-vida plasmática é de cerca de 30 horas quando administrada em dose única, mas é forte agente indutor de enzimas hepáticas, e a meia-vida plasmática se abrevia para cerca de 15 horas quando é administrada repetidamente. Alguns de seus metabólitos apresentam propriedades antiepilépticas. Usa-se uma preparação de liberação lenta para pacientes que apresentam efeitos adversos transitórios coincidindo com picos de concentração plasmática após doses orais. Efeitos adversos da carbamazepina Produz vários efeitos adversos que variam de sonolência, tontura e ataxia a alterações mentais e motoras mais graves.Também pode causar retenção hídrica (e, por isso, hiponatremia) e vários efeitos adversos gastrintestinais e cardiovasculares. A incidência e a intensidade desses efeitos são relativamente baixas em comparação com outros fármacos. O tratamento geralmente é iniciado com baixa dose, elevada gradualmente para evitar toxicidade relacionada com a dose. Pode ocorrer depressão intensa da medula óssea, causando neutropenia, e outras formas graves de reação de hipersensibilidade, especialmente em pessoas de origem asiática. A carbamazepina é poderoso indutor de enzimas microssômicas hepáticas e, desse modo, acelera o metabolismo de muitos outros fármacos, tais como fenitoína, contraceptivos orais, varfarina e corticosteroides, bem como dela própria. Ao iniciar o tratamento, aplica-se o oposto da estratégia de “dose de ataque”: doses baixas iniciais são gradualmente aumentadas, uma vez que, quando no início do tratamento, as enzimas metabolizadoras não estão induzidas, e mesmo as doses baixas podem causar efeitos adversos (particularmente ataxia); à medida que ocorre a indução enzimática, são necessárias doses mais elevadas para manter as concentrações plasmáticas terapêuticas. Em geral, não é aconselhável combiná-la com outros fármacos antiepilépticos, e interações com outros fármacos (p. ex., varfarina) metabolizados pelas enzimas do citocromo P450 (CYP) são comuns e clinicamente importantes. A oxcarbazepina é um profármaco metabolizado até um composto que se assemelha muito à carbamazepina, com ações semelhantes, porém menor tendência para induzir enzimas que metabolizam fármacos. Outro fármaco relacionado estruturalmente, a eslicarbazepina, pode apresentar menos efeitos sobre a metabolização de enzimas. FENITOÍNA Estrutura da fenitoína A fenitoína é o membro mais importante do grupo de compostos da hidantoína e é estruturalmente relacionada com os barbitúricos. É altamente eficaz em reduzir a intensidade e a duração de convulsões induzidas eletricamente em camundongos, embora seja ineficaz em convulsões induzidas por PTZ. Devido aos seus muitos efeitos acessórios e a um comportamento farmacocinético imprevisível, o uso da fenitoína está diminuindo. O fármaco é eficaz em várias formas de crises parciais e generalizadas, embora não em crises de ausência, que podem até piorar. Aspectos farmacocinéticos A fenitoína tem certas peculiaridades farmacocinéticas que precisam ser levadas em consideração quando usada clinicamente. É bem absorvida por via oral, e cerca de 80 a 90% do conteúdo plasmático é ligado à albumina. Outros fármacos, tais como os salicilatos, a fenilbutazona e o valproato, inibem sua ligação competitivamente. Isso eleva a concentração de fenitoína livre, mas também aumenta a depuração hepática de fenitoína, podendo potencializar ou reduzir o efeito da fenitoína de modo imprevisível. A fenitoína é metabolizada pelo sistema de oxidases de função mista hepática e eliminada principalmente como glicuronídio. Causa indução enzimática e, desse modo, aumenta a taxa de metabolismo de outros fármacos (p. ex., anticoagulantes orais). Metabolismo da fenitoína Pode ser aumentado ou competitivamente inibido por vários outros fármacos que compartilham as mesmas enzimas hepáticas. O fenobarbital produz ambos os efeitos, e como a inibição competitiva é imediata, enquanto a indução leva tempo, ele inicialmente aumenta e depois reduz a atividade farmacológica da fenitoína. O etanol tem efeito duplo semelhante. O metabolismo da fenitoína mostra a característica de saturação, o que significa que, acima da faixa de concentração plasmática terapêutica, a taxa de inativação não aumenta em proporção com a concentração plasmática. As consequências disso são as seguintes: A meia- vida plasmática (aproximadamente 20 horas) passa a ser maior à medida que aumenta a dose A concentração plasmática média do estado de equilíbrio, obtida quando um paciente recebe dose diária constante, varia sem proporção com a dose. Efeitos adversos da fenitoína Os efeitos adversos da fenitoína começam a aparecer com concentrações plasmáticas que excedam 100 mol/l e podem ser graves acima de cerca de 150 mol/l. Os efeitos adversos mais leves incluem vertigem, ataxia, cefaleia e nistagmo, mas não sedação. Em concentrações plasmáticas mais elevadas, ocorre confusão acentuada com deterioração intelectual; o aumento paradoxal da frequência das crises é uma armadilha em particular para o profissional que prescreva de maneira incauta. Esses efeitos ocorrem agudamente e são rapidamente reversíveis. É frequente a ocorrência gradual de hiperplasia das gengivas, assim como hirsutismo e feições mais grosseiras, que provavelmente resultam do aumento da secreção de andrógenos. Anemia megaloblástica, associada à alteração do metabolismo do folato, ocorre algumas vezes e pode ser corrigida administrando-se ácido fólico. Reações de hipersensibilidade, principalmente erupções (rashes), são bem comuns. A fenitoína também tem sido implicada como causa de aumento da incidência de malformações fetais em crianças que nasceram de mães epilépticas, particularmente a ocorrência de fenda palatina, associada à formação de metabólito. Ocorrem reações idiossincráticas intensas, incluindo hepatite, reações cutâneas e alterações linfocitárias neoplásicas, em pequena proporção de pacientes.