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Radiologia Forense (Virtópsia) CONCEITOS • A partir do avanço da medicina e das tecnologias, dentre elas as técnicas de imagem, • que o termo virtópsia surgiu e começou a se destacar; • O termo conhecido como “Virtopsy” é uma palavra hídrica que combina dois termos: “virtual”e “autóspia” . CONCEITOS • Essa nova técnica tem como objetivo substituir a tradicional necrópsia com abertura de cadáver por um sistema virtual de necrópsia com a elaboração de um mapa interno do cadáver através da imagem; • Antigamente, as necropsias eram utilizadas apenas para estudar o corpo humano e os órgãos internos, mas hoje em dia é utilizada para desvendar crimes da medicina legal e causas de mortes desconhecidas. CONCEITOS • Por mais que esses métodos não forneçam uma imagem real do interior do corpo, nos permitem reconstruir e verificar as regiões anatômicas e suas informações sobre possíveis trajetórias, densidade, condições fotográficas e calibrações. Tendo em vista que a necrópsia é também uma área de estudo da medicina faz-se necessário estarmos em constante atualização! Descobertas e ressignificações de outras áreas também podem contribuir para o estudo da necrópia. Como é o caso da imagenologia, que há menos de 10 anos atrás tem sido mais utilizada como ferramenta auxiliar na medicina forense. RADIOLOGIA Radiologia é o ramo ou especialidade da medicina que utiliza as radiações para a realização de diagnósticos, controle e tratamento de doenças. Ela permite a visualização de ossos, órgãos ou estruturas através do uso de radiações (sonoras, eletromagnéticas ou corpusculares), gerando desta maneira uma imagem. Nas últimas décadas foram acrescentados novos métodos de imagem como a tomografia computadorizada, a mamografia, a ultrassonografia e a ressonância magnética nuclear. Esses novos equipamentos e muitos outros avanços vieram a contribuir para tornar essa área ainda mais interessante. DESENVOLVIMENTO HISTÓRICO Ao final do século 19, mais precisamente ao cair da noite de uma sexta-feira, 8 de novembro de 1895, o Professor físico alemão, Wilhelm Conrad Röntgen, quando trabalhava em seu laboratório na Baviera, sul da Alemanha, estudando o tubo de raios catódicos, descobriu acidentalmente os raios x. Observando a fluorescência emanada de uma placa de papelão recoberta com platinocianeto de bário, na sala escura, este professor, aos cinquenta anos de idade, investigador brilhante, perfeccionista e astuto, fez uma das mais importantes descobertas científicas da humanidade. • As descargas elétricas em tubos de gás eram o grande tema das pesquisas da época e reservou, no novo prédio do Instituto que dirigia, duas salas ao fundo do grande saguão de entrada, com janelas dando para os jardins, para suas experiências neste campo; • A passagem da corrente de alta tensão através dos tubos Hittorff-Crokes causava uma luminescência muito intensa no interior do tubo e como pretendia testar a fluorescência do platinocianeto de bário que era muito fraca, cobriu cuidadosamente o tubo com papelão preto de tal maneira que a luminosidade do tubo não impedisse a visualização de outros fenômenos. Ao escurecer a sala para verificar se o tubo estava bem impermeável à luz e ligando a bobina de Rumkorff que fornecia a alta tensão para o tubo, notou uma tênue fluorescência sobre a bancada a quase um metro de distância; Como o tubo estava altamente recoberto com papel preto aquela luz não podia ser devida a reflexos e sim, que a placa de substância fluorescente emitia luz porque estava sendo atingida por algum tipo desconhecido de radiação, que originando-se no interior do tubo atravessava o invólucro opaco à luz e causava aquela fluorescência. • Fascinado por esta observação passou todo o fim de semana trancado no laboratório onde comia e dormia, e no qual, em experimentos com o material que dispunha à mão, investigou a capacidade destes raios de penetrar em corpos opacos à luz interpondo entre o tubo e a placa praticamente o que pudesse encontrar; • Sabendo que os raios catódicos sensibilizavam filmes fotográficos, investigou para saber se estes raios, que ele agora descobria, também tinham esta propriedade. • Pedaços de diferentes metais, livros, pesos de balança, sua espingarda de caça, foram um a um radiografados então; • Havendo notando que enquanto segurava os objetos entre o tubo e écran de platinocianeto de bário tinha visto a imagem dos ossos de sua mão, Rontgen decidiu investigar sobre este assunto para isto convenceu D. Bertha, sua esposa, a colocar a mão sobre um filme fotográfico em chassi de papel e ligou o tubo durante 15 minutos. O filme revelado mostrou claramente a imagem dos ossos e uma nova era na ciência estava inaugurada. RADIOLOGIA FORENSE Desde a descoberta do raio x por Wilhelm Conrad Roentgen em 1895, e apenas um ano depois dessa importante descoberta, o mesmo Roentgen descobriu que poderia ir mais além, demonstrando a presença de balas de chumbo na cabeça de uma vítima, e a partir daí a radiologia forense ou conhecida também como medicina legal, começou a ganhar o conhecimento de todos, ela foi crescendo junto com o conhecimento dos especialistas na área da medicina. Virtópsia = “ópsia” virtual. Observação virtual, ou também Autópsia Virtual ou Necrópsia Virtual; Visa auxiliar o médico legal a identificar características outrora difíceis de encontrar no cadáver. A cada nova descoberta acrescentava ainda mais na evolução dentro da medicina legal, tornando mais exatos e com menos tempo de espera pelos familiares para saber a causa morte de um parente, ou para o reconhecimento de pessoas mortas em grandes desastres, como, queda de avião ou incêndio, no qual os corpos são carbonizados e sua identificação fica praticamente impossível. Com a radiologia forense é possível fazer reconstruções de regiões estilhaçadas, verificar regiões anatômicas, obter informações sobre trajetória de projéteis, e identificar de forma mais precisa diferentes características e estilhaços no corpo de acordo com a densidade. A virtópsia consiste no uso de métodos de imagem como adjuntos da autópsia ou até mesmo substituto dessa; Uma das abordagens da virtópsia é tentar reduzir a utilização de técnicas invasivas de necrópsia; Com métodos de imagem suficientemente desenvolvidos, capazes de responder à todas as questões relativas à causa mortis, dever-se-ia evitar proceder com exames medicos legais mais invasivos. Necropsia X Virtópsia • Você acha que os métodos invasivos de necropsia deveriam ser substituídos por métodos menos invasivos? • Você teria escolhido trabalhar com necropsia caso os métodos invasivos atuais caíssem em desuso? • A virtópsia não exclui completamente a necessidade de uma autópsia, mas ajuda muito no diagnóstico; • As vezes a virtópsia é suficiente para excluir a necessidade de análises posteriores; • Contudo, caso um dia a necropsia caia em desuso em favor da virtópsia, poderemos ver casos de criminosos que tentem induzir o necropsista a não conduzir a necropsia. Como Funciona a Virtopsia A virtópsia consiste na criação de uma imagem 3D do cadáver; Na virtópsia existe a fusão de técnicas de medicina de imagem 3D e varredura de superfície 3D utilizada na indústria automobilística; A virtópsia combina metodologias de varradura e radiografia com a resolução a poderosa resolução dos computadores modernos. Equipamentos para Virtopsia Varredura de Superfície 3D por Fotogrametria; Tomografia Computadorizada post mortem (PMCT). Podendo ter biópsia guiada por PMCT; Imagem por Ressonância Magnética post mortem (PM-MRI); Preparo para a Virtopsia Antes de começar é importante lembrar que o cadáver, nesse caso, continua sendo sujo, com a possibilidade de transmissão de doenças; Para isso é extremamente necessário que se tomem as mesmas precauções que se teria em um necrotério ou tanatório. Tais medidas incluem principalmente: evitar ocontato do cadáver com o equipamento e fazer uso adequado de EPIs Preparo para a Virtopsia Preparo para a Virtopsia • Os marcadores são usados pelos processadores de computador para calibrar a varredura externa do cadáver e combiná-la com processos de imagem internos. • Depois que os marcadores são colocados pelo virtibot, ele cria um modelo 3D em cores do cadáver. Preparo para a Virtopsia • Câmera estereoscópica utilizada para captura de imagens 3D. Preparo para a Virtopsia • O local onde é feita a ressonância magnética é geralmente coberto por uma bolsa azul através do qual os raios-X podem passar facilmente, a fim de prevenir contaminação; • em seguida, o corpo é colocado na mesa deslizante do equipamento de CT, MRI e MRS. A bolsa permanecerá fechada enquanto o corpo é escaneado para manter a higiene do entorno, garantir a privacidade do cadáver e manter o corpo sem ser perturbado por qualquer pessoal não-forense na sala. Preparo para a Virtopsia Preparo para a Virtopsia • As imagens do interior e varreduras de superfície são enviadas para poderosos computadores; • Os dados são combinados e posteriormente processados com auxílio de softwares de desenho e gráficos que necessitam de computadores muito potentes para serem criados. • Em um curto intervalo de 10 minutos, imagens nítidas e detalhadas de osso e tecido são reconstruídas. Preparo para a Virtopsia • Os diferentes tipos de tecidos corporais, objetos estranhos (como balas) e as substâncias corporais absorvem os raios-X do scanner em quantidade variada; • Os diferentes níveis de absorção são processados em uma visualização 3D de diferentes cores e opacidades. • O computador pode atribuir cores diferentes à qualquer densidade, mas muitas vezes é padronizado como azul para bolsas de ar, bege para tecidos moles, vermelho para vasos sanguíneos e branco para ossos. Preparo para a Virtopsia • Um patologista tem a liberdade de descascar as camadas de pele e músculos virtuais com um clique do mouse; • Patologistas e radiologistas podem estudar em detalhes todos os padrões gerados; • As imagens podem ser manipuladas e para baixo, para cima, podem ser giradas em vários ângulos, proporcionando uma flexibilidade que está ausente na autópsia convencional. Usos da Virtópsia A radiologia é superior à autópsia na revelação de certos casos de traumatismo craniano, esquelético ou tecidual. Algumas reações forenses vitais no corpo foram diagnosticadas igualmente bem ou melhor pelo CT e MRI Resultados de estudos sobre virtópsia são promissores o suficiente para introduzir e avaliar a radiologia na ciência forense. Determinação do Tempo da Morte O tempo da morte pode ser determinado utilizando mudanças vistas no MSCT e MRI; Também pode ser determinado pela análise de imagem de metabólitos que aparecem em cada etapa da decomposição; Desta forma é possível determinar com precisão o momento da morte. Identificação de Indivíduos • Um relato de caso conta sobre a utilização da virtopsia para identificar um indivíduo. • Neste caso se fez uma análise de tomografia de um crânio não-identificado onde se comparou diversas marcas do crânio não-identificado com uma tomografia de um homem desaparecido, que havia sido feita antes do seu desaparecimento. Identificação de Indivíduos • Os procedimentos de identificação dentária geralmente incluem a comparação entre dados post mortem e ante mortem; • Pode-se utilizar o exame de DNA do osso da vítima e comparar com o de algum familiar; • Também se pode utilizar a arcada dentária, mas para isso é necessário que a vítima já tenha algum exame prévio. Identificação de Indivíduos • Os dados dentais pós-morte são obrigatórios para a identificação dentária, que é obtida principalmente por exame visual. • Mas o exame visual é muito difícil em vítimas com corpos carbonizados e cavidades orais danificadas. • • Nesses casos, a virtópsia se torna uma maneira muito rápida e confiável de obter registros post- mortem. Exame Toxicológico • A virtópsia pode ser utilizada para exame toxicológico de cadáveres, fazendo uso de marcação de substâncias presente nas drogas de abuso. • Dessa forma, é possível identificar se o indivíduo fez uso de alguma substância antes da morte Virtópsia de Acidente de Trânsito • No exame da virtópsia é possível identificar o enrijecimento de tecidos moles após o acidente; • Também é possível identificar herniações específicas surgidas em casos de acidentes graves; • Dessa forma pode ser possível substituir a autópsia, caso seja evidente na virtópsia esse tipo de acidente. Falha cardiorrespiratória de origem não traumática • Através da virtópsia é possível identificar infecções pulmonares e miocardites sem a necessidade de autópsia. • A virtópsia também pode ser mais efetiva em identificar fraturas vertebrais, o que pode excluir ou corroborar trauma na espinha por enforcamento. Casos de Enforcamento e Estrangulamento • A virtópsia pode identificar marcas de enforcamento e estrangulamento; • A virtopsia foi capaz de identificar essas marcas tão bem quanto a autopsia feita após a virtopsia. Projeção de Intensidade Máxima (MIP) ou Mínima (minIP) • Nessa técnica se faz uma análise de cada pixel de uma imagem 2D (ou voxel em imagem 3D); • Após feita a seleção do pixel ou voxel na imagem todas as outras partes com o mesmo pixel serão marcadas; • Com essa técnica é possível separar cada zona pela intensidade dos pixels. Para zonas de alta intensidade se usam os MIPs e zonas de baixa intensidade se usam os minIPs Esquerda: Osso e metal reconstruídos por MIP (Projeção de Intensidade Máxima) Direita: Renderização 3D por Volume em Tomografia Computadorizada. Morte homicida: fragmentos de ossos e metal característicos no lado de saída na lateral do crânio, onde a bala causou uma grande perda de massa encefálica e estilhaçamento do crânio. Esquerda: Osso e metal reconstruídos por MIP (Projeção de Intensidade Máxima) Direita: Renderização 3D por Volume em Tomografia Computadorizada. Morte homicida: fragmentos de ossos e metal característicos no lado de saída na lateral do crânio, onde a bala causou uma grande perda de massa encefálica e estilhaçamento do crânio.