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Imprimir INTERPRETAÇÃO DOS EXAMES RADIOLÓGICOS E TOMOGRÁFICOS 95 minutos Aula 1 - Introdução à radiogra�a e tomogra�a Aula 2 - Características radiológicas variáveis Aula 3 - Unidade de Houns�eld Aula 4 - Evolução Referências INTRODUÇÃO Estudante, seja muito bem-vindo à disciplina de Anatomia da Imagem. Teremos o prazer de começar nosso estudo descrevendo o histórico dos exames radiológicos e da tomogra�a computadorizada. A partir disso, apontaremos quais são os principais exames de imagem e como eles podem ser aplicados em diferentes situações patológicas. Para que esses conhecimentos sejam aplicados, é interessante que se conheça como ocorre o processo de formação da imagem radiológica e tomográ�ca e quais são os possíveis erros que podem ocorrer na interpretação das imagens quando o aparelho está descalibrado. Aproveite esta aula e estude para que seu conhecimento aumente cada vez mais e para que, consequentemente, consiga ajudar cada vez mais pessoas! HISTÓRICO DA RADIOLOGIA E OS PRINCIPAIS TIPOS DE EXAMES DE IMAGEM A história da radiologia inicia em 1895 quando Wilhelm Conrad Roentgen, trabalhando em uma câmara escura na Alemanha, identi�cou que uma tela, pintada com material �uorescente e localizada um pouco distante de um tubo de raios catódico que havia sido energizado, brilhava muito. Como ele não sabia classi�car esse tipo de raio, denominou-o “raio X”. Pouco tempo depois essa metodologia estava tão disseminada que se utilizavam raios-X para quase todos os tipos de exames radiológicos. Atualmente, as imagens radiográ�cas convencionais são produzidas por uma combinação de radiação ionizante e luz que atinge uma superfície fotossensível, a qual, por sua vez, produz uma linhagem latente subsequentemente processada. Com essa metodologia, havia duas desvantagens: espaço físico para armazenamento, pois havia um número crescente de �lmes, e local especí�co para sua realização, já que isso impedia a análise de outros médicos sobre o caso. A radiogra�a digital surgiu para substituir o �lme fotográ�co por placa fotossensível, que pode ser processada por um leitor eletrônico. Principais tipos de exames de imagem Radiogra�a convencional (raio-X simples): são imagens produzidas através da radiação ionizante (produção de raios X, mas sem o uso de material de contraste, como bário ou iodo). A principal vantagem é o custo, visto que é muito barato. Para que essa técnica seja desenvolvida, necessita-se de uma fonte que produza raios X, um método para gravar a imagem (cassete ou placa fotossensível) e uma maneira de processar a imagem Aula 1 INTRODUÇÃO À RADIOGRAFIA E TOMOGRAFIA Estudante, seja muito bem-vindo à disciplina de Anatomia da Imagem. Teremos o prazer de começar nosso estudo descrevendo o histórico dos exames radiológicos e da tomogra�a computadorizada. 22 minutos gravada (usando substância química ou um leitor digital). As principais desvantagens da radiogra�a convencional são a variação limitada das densidades que podem ser demonstradas e o fato de usar radiação ionizante. As cinco densidades básicas avaliadas são: ar, gordura, tecido mole ou líquido, cálcio e metal. Tomogra�a computadorizada (TC): começou a ser produzida nos anos de 1970; utiliza gantry como feixe giratório de raios X e múltiplos detectores em vários arranjos juntamente com algoritmos de computador para processar os dados, que geram imagens de qualidade diagnóstica. Um dos principais benefícios da TC é a capacidade de expandir a escala de cinza, o que permite a diferenciação de muito mais do que as cinco densidades básicas disponíveis. Ultrassonogra�a (US): os transdutores de ultrassom utilizam energia acústica acima da frequência audível pelos humanos para produzir imagens em vez de raios X, como fazem a radiogra�a convencional e a TC. Esses aparelhos são baratos e são utilizados para diagnóstico médico. Ressonância magnética (RM): utiliza a energia potencial armazenada nos átomos de hidrogênio do corpo; não é amplamente disponível e é relativamente cara. Essa técnica de imagem não utiliza radiação não ionizante e produz contraste mais alto entre os diferentes tipos de tecidos moles. Sua aplicação principal é nos exames neurológicos.Medicina nuclear: um isótopo radioativo (radioisótopo) é a forma de um elemento que emite radiação a partir de seu núcleo à medida que enfraquece. Eventualmente, o produto �nal é um isótopo não radioativo estável de outro elemento. Os radioisótopos podem ser produzidos arti�cial ou naturalmente (urânio e tório). PROCESSO DE FORMAÇÃO DE IMAGENS RADIOLÓGICAS E TOMOGRÁFICAS A radiogra�a, ou raio-X, é uma forma de radiação eletromagnética de comprimento extremamente curto. Quanto mais curto for o comprimento de uma onda de radiação eletromagnética, maior será a sua energia e, como regra, maior será a sua capacidade de penetrar em materiais variados. Os raios X são descritos como partículas ou “pacotes” de energia chamados quanta ou fótons, os quais se deslocam com a velocidade da luz. A quantidade de energia transportada para cada fóton depende do comprimento de onda da radiação. Essa energia é medida em elétron-volt, que é a quantidade de energia adquirida por um elétron ao ser acelerado ao longo de um potencial de 1 volt. Para obtenção dos raios X utilizados na radiologia diagnóstica, há necessidade de vácuo e da presença de uma grande diferença de potencial entre um cátodo e um ânodo. No tubo de raio X básico, elétrons são gerados pelo aquecimento do cátodo (�lamento) em temperatura muito elevada. Quando os elétrons colidem com o ânodo de tungstênio, são produzidos raios X. A produção das imagens de raios-X resulta da atenuação desses raios pelo material que está sendo atravessado por eles. Em geral, quanto maior for a densidade do material, isto é, o número de gramas por centímetro cúbico, maior será sua capacidade de absorver ou espalhar os raios X As imagens de tomogra�a computadorizada são geradas de maneira diferente das radiogra�as simples. Em circunstâncias habituais, os órgãos sólidos do corpo, como coração, baço, fígado e pâncreas, são considerados uniformes em termos de densidade radiográ�ca. No entanto, esses tecidos exibem alguma variação em suas propriedades químicas, sendo possível, com o uso de técnicas computadorizadas, medir essas diferenças, ampliá-las e exibi-las em tonalidades variáveis de cinza ou até mesmo a cores. Um feixe de raio X e um sistema de detecção se movimentam ao longo de um arco de 360º, irradiando o paciente com um feixe intensamente restringido. Esse procedimento permite que o sistema de detecção meça a intensidade da radiação que atravessa o paciente. Os dados derivados dessas mensurações são analisados por um sistema computadorizado que designa diferentes tonalidades de cinza. O computador reconstrói uma imagem com base em grá�cos geométricos dos locais onde essas mensurações foram obtidas. A mais recente variação de TC é realizada com o uso da tecnologia multislice helicoidal ou espiral. Em um estudo de TC clássico, são obtidas numerosas imagens contíguas para a geração de cortes que se parecem com as fatias de um pão de forma. A ressonância magnética é uma técnica não invasiva e que não utiliza a radiação ionizante. Pelos parâmetros utilizados na obtenção de imagens médicas, essa é uma tecnologia que não representa riscos signi�cativos à saúde. Ela utiliza pulsos de radiofrequência (RF) na presença de um campo magnético intenso para a produção de imagens de alta qualidade do corpo em qualquer plano. Os núcleos de qualquer átomo com número ímpar de núcleons (prótons e nêutrons) se comportam como ímãs fracos, pois se alinham em um campo magnético forte INTERPRETAÇÃO DOS EXAMES RADIOLÓGICOS Para aplicarmos os conhecimentos obtidos nos blocos anteriores, proporemos discussões de casos clínicos. • Caso 1: mulher, 30 anos, busca atendimento devido a uma dor torácica súbita com discreto esforço respiratório. No exame físico, encontrava-se discretamentetaquipneica e com redução do murmúrio vesicular na ausculta do lado direito. Foi solicitado radiogra�a de tórax. Qual o motivo que levou o médico a solicitar esse tipo de exame? De acordo com a queixa da paciente, o médico suspeitava de pneumotórax. O raio-X foi solicitado para con�rmar o diagnóstico através da presença da faixa de ar entre a parede torácica e/ou diafragma e a pleura visceral. Ela é útil quando utilizada em incidência lateral, podendo ser completada com expiração forçada. Poderia ser indicado outro tipo de exame de imagem? Até poderia, porém, devido ao custo elevado e ao tempo, não seria a estratégia mais indicada. • Caso 2: homem, 50 anos, é admitido em enfermaria de hospital com dor abdominal importante e lombalgia com aproximadamente duas semanas de duração. Relata também que apresentou febre nos últimos dias, sendo medicado com antitérmico e analgésico. Foi solicitada uma ressonância magnética pelo médico. Qual seria o motivo? A ressonância magnética é fundamental para detecção de espondilodiscite, uma infeção bacteriana que acomete os discos intervertebrais. A TC pode identi�car alterações mais precoces, porém é inferior à RM para a avaliação da medula espinhal, dos tecidos moles vizinhos e de possíveis abcessos. Nesses casos, é encontrada uma redução da intensidade do disco e dos corpos intervertebrais. Poderia ser indicado outro exame radiológico? Sim, a cintilogra�a. • Caso 3: homem, 50 anos, tabagista há 20 anos, busca atendimento em virtude de dor abdominal no quadrante superior do abdome há 48 horas, com progressiva do quadro. Chegou a apresentar de três a quatro episódios de vômito “aquoso”. Dentre os exames solicitados, a tomogra�a computadorizada detectou necrose pancreática, levando ao diagnóstico de pancreatite aguda. Por que foi solicitada a tomogra�a computadorizada (TC)? A TC de abdome é excelente para avaliação do pâncreas e serve de parâmetro para avaliação e prognóstico de complicações, como necrose, infecções e pseudocistos. Além disso, facilita a exclusão de outras possíveis causas de dor abdominal, como obstrução intestinal, infarto-mesentérico ou perfuração, coleciste ou, ainda, apendicite. Nesse caso, poderia ser utilizada também a ressonância magnética, porém, devido ao elevado custo e ao tempo gasto na realização do exame, acaba sendo preterida em relação à tomogra�a. A radiogra�a, por outro lado, é muito inespecí�ca e a ultrassonogra�a pode até ser útil para avaliação da vesícula biliar, porém não fornece dados do estado que se encontra o pâncreas, e sua realização é bem difícil em paciente geralmente com distensão abdominal. Com esses exemplos, você será capaz de compreender como é realizada a aplicação dos exames radiológicos para detecção de patologias. VÍDEO RESUMO Olá, estudante! Neste vídeo você terá a oportunidade de conhecer o histórico da radiologia bem como as características dos principais exames radiológicos que são utilizados para detecção de patologias. Você verá quão essencial é conhecer como as imagens radiológicas são formadas e as principais diferenças entre cada tipo de exame radiológico. A partir disso, será possível interpretar o tipo de exame radiológico que melhor identi�ca e diagnostica diversas patologias. Vamos lá! Saiba mais Para complementar seu estudo, sugere-se a leitura do artigo Silicosis do autor Terra Filho (2006). Com ele você compreenderá mais detalhes sobre a �siopatologia da silicose e como ela é diagnosticada. As técnicas de diagnóstico por imagem vêm se desenvolvendo cada dia mais, por isso é sempre importante se aprofundar em cada uma dessas técnicas. O artigo intitulado Imagem por ressonância magnética: princípios básicos” traz uma descrição detalhada dos princípios básicos da ressonância magnética. O artigo em português está disponível para leitura em: https://www.scielo.br/j/cr/a/mmPL6rMp5vmPCRpmYH84Kbm/?format=pdf&lang=pt Para visualizar o objeto, acesse seu material digital. Aula 2 https://www.scielo.br/j/cr/a/mmPL6rMp5vmPCRpmYH84Kbm/?format=pdf&lang=pt INTRODUÇÃO Estudante, vamos começar nosso estudo sobre as características radiológicas variáveis que podem ser encontradas nos exames de imagem, pois é através delas que será possível identi�car as possíveis patologias e o prognóstico para os tratamentos. A partir de agora, você conhecerá as diferenças entre a densidade do cálcio, das partes moles, do ar e da gordura e será capaz de comparar a utilização de �ltro mole, �ltro duro e materiais que são hiperdensos e hipodensos. Com esses referenciais bem estabelecidos, será mais fácil entender e interpretar os exames radiológicos. Aproveite esta aula e estude para que seu conhecimento aumente cada vez mais e para que, dessa forma, consiga ajudar cada vez mais pessoas. DENSIDADES VARIÁVEIS Através do exame de radiogra�a convencional, é possível identi�car cinco densidades básicas, que são organizadas pela seguinte ordem: da menos para a mais densa (mostra-se em escalas de cinza): • Ar: tom mais escuro possível de ser observado em uma radiogra�a. • Gordura: tom de cinza mais claro que o ar. • Tecidos moles ou líquidos: difícil de serem distinguidos. • Cálcio: contido em materiais endurecidos como o osso. • Metal: tom mais claro que pode ser observado em uma radiogra�a. Geralmente não são encontradas densidades metálicas no corpo humano, exceto quando se utiliza próteses de joelho ou quadril, por exemplo. Esses tipos de densidades metálicas são introduzidos arti�cialmente no corpo. Radiogra�camente, essas densidades �cam evidenciadas como: preto, cinza-preto, cinza e branco, respectivamente. O meio de contraste utilizado em conjunto com os estudos radiográ�cos é de alta radiodensidade, acima da densidade da água e abaixo da densidade do osso. Pensando nas características dessas densidades, é possível identi�car que o ar é capaz de absorver o mínimo de raios X e tem a aparência mais preta (homogênea) possível na radiogra�a convencional. A gordura é vista em um tom de cinza mais escuro nas radiogra�as convencionais do que os tecidos moles. Os líquidos e tecidos CARACTERÍSTICAS RADIOLÓGICAS VARIÁVEIS Estudante, vamos começar nosso estudo sobre as características radiológicas variáveis que podem ser encontradas nos exames de imagem, pois é através delas que será possível identi�car as possíveis patologias e o prognóstico para os tratamentos. 22 minutos moles, como sangue ou músculo, apresentam a mesma densidade nas radiogra�as convencionais, portanto quase não são distinguidos nas imagens. O cálcio é o tipo de material mais denso que ocorre naturalmente no corpo e o exemplo clássico da sua localização é o osso, pois ele absorve a maior parte dos raios X. O metal é capaz de absorver todos os raios X e tem a aparência mais branca possível, por isso a projeção de projéteis de arma de fogo é tão fácil de ser identi�cada nas radiogra�as convencionais. É importante salientar que, embora as radiogra�as convencionais sejam produzidas por radiação ionizante em doses relativamente baixas, a radiação tem potencial de produzir mutações celulares que podem levar a muitas formas de câncer e anormalidades. A tomogra�a computadorizada (TC) tem a propriedade de detectar diferenças diminutas nas densidades dos tecidos, exibindo-os em graus variados de cinza. Essas densidades da TC são medidas em unidades Houns�eld. A densidade da água recebe valor arbitrário de 1,0; a de gordura e a do gás têm valores negativos; e a óssea é muito alta. De acordo com a densidade, podemos também utilizar as seguintes terminologias para os raios X convencionais: • Ar: radiotransparente – produz cor preta. • Gordura: radiotransparente – produz cor cinza escuro. • Água: hipotransparente – produz cor cinza claro. • Osso: radiopaco – produz cor branca. • Metal: radiopaco – produz corpo branca. Na tomogra�a computadorizada, podemos utilizar as seguintes terminologias: • Hipodensa (cinza escuro – preto) 🡪 coe�ciente de atenuação baixo (água)ou negativo (ar e gordura). • Hiperdensa (branca) 🡪 coe�ciente de atenuação alto (calci�cação). • Isodensa 🡪 mesma densidade do tecido normal que o circunda. INTERPRETAÇÃO DAS IMAGENS POR TOMOGRAFIA COMPUTADORIZADA A tomogra�a computadorizada é uma técnica capaz de gerar imagens detalhadas da seção transversal de um paciente. O contraste que permite gerar as imagens é resultante da diferença na absorção do feixe de raios X em razão das características dos tecidos. Quando há maior absorção de radiação pelo tecido, há imagens mais claras, e quando a absorção for menor, haverá imagens mais escuras. No monitor, a imagem resultante é obtida matematicamente com base na quantidade de raios X detectados, dessa forma obtêm-se níveis de tons de cinza que geram contraste e diferenciação entre os variados componentes do corpo humano ou objeto de estudo. As principais aplicações desse método estão voltadas para estudos que envolvem os sistemas nervosos centrais e periféricos, o sistema digestório e o sistema musculoesquelético. O olho humano é capaz de discernir até 40.000 tons de cinza, no entanto para identi�car algo como uma única estrutura mesclada entre vários tons de cinza, é preciso que os limites de separação entre eles sejam bem de�nidos. É essa manipulação de dados que os �ltros de alta resolução fazem: eles agrupam as densidades semelhantes para tornar os limites de separação entre os tons de cinza mais de�nidos. Entretanto, os computadores não precisam desse tratamento arti�cial de dados brutos, já que eles podem medir o valor de atenuação de cada pixel individualmente a partir dos dados brutos. A escolha de um �ltro ou algoritmo de reconstrução in�uencia na resolução espacial dos exames. O resultado mostrou alterações signi�cativas, que indicam atelectasia alveolar. Além disso, também foi possível observar o padrão de opacidade em vidro fosco, o qual é de�nido como discreto aumento da densidade pulmonar sem obscurecimento dos vasos e brônquios. Pode também ter como causa o preenchimento dos espaços aéreos e/ou espessamento do interstício, sendo encontrado em processos de diversas etiologias, como em pacientes acometidos pela COVID-19. Esse padrão encontrado na TC pode ser bilateral, periférico e subpleural nos lobos inferiores. Nesse contexto, o tecnólogo em radiologia precisa saber interpretar as imagens radiológicas para que o diagnóstico seja feito corretamente. Com os conceitos bem de�nidos, chegou o momento de interpretarmos o uso de imagem através da tomogra�a: considere, então, um paciente que esteja sofrendo de tosse seca e persistente, falta de ar com dispneia proeminente, oximetria de pulso reduzida e febre intermitente. Nesse caso, o paciente buscou atendimento médico de emergência e foi-lhe solicitado um raio-X convencional. O resultado dessa imagem não evidenciou nenhuma alteração pulmonar digna de nota, mas, como o hemograma que foi solicitado revelou alterações importantes, foi solicitada uma tomogra�a computadorizada, em que foi aplicado �ltro mole (evidencia partes moles do corpo, em especial a estrutura pulmonar, os músculos, etc.). Observe a imagem a seguir (Figura 1): Figura 1 | Tomogra�a computadorizada de tórax Fonte: Rosa et al. (2020, p. 2). ANÁLISE DOS CONCEITOS EM RADIOLOGIA Para aplicarmos os conhecimentos obtidos nos blocos anteriores, proporemos discussões de casos clínicos. • Caso 1: homem, 68 anos, tabagista há 20 anos, hipertenso controlado com medicamento, busca atendimento devido a di�culdades para respirar, à dispenia e tosse produtiva (com catarro) persistente. A partir disso, foi solicitada uma radiogra�a de tórax (Figura 2). Figura 2 | Tomogra�a computadorizada de tórax Fonte: Marcos et al. (2012, p. 632). O resultado evidenciou DPOC (doença pulmonar obstrutiva crônica). Qual motivo levou o médico a solicitar esse tipo de exame? De acordo com a queixa do paciente, o médico suspeitava de DPOC; logo, o raio-X deveria evidenciar a presença de ar nos pulmões, mostrando-se radiotransparente, ou seja, preto. Na imagem obtida pelo exame, é possível identi�car trechos radiopacos importantes, o que provavelmente indica atelectasia alveolar. • Caso 2: homem, 29 anos, é admitido em enfermaria de hospital com falta de ar importante e oximetria de pulso extremamente reduzida. O paciente alega estar, há cerca de cinco dias, com tosse seca que piora consideravelmente a noite. Relatou também ter coriza há três dias. Diante disso, foi solicitado raio-X de tórax, que não evidenciou nenhuma alteração importante. O exame de RT-PCR (padrão ouro para diagnosticar COVID- 19) foi positivo. Como o quadro continuava a se agravar, o médico solicitou uma tomogra�a computadorizada. O que poderia ser observado nela? Na TC será possível observar o padrão em vidro fosco, pavimentação em mosaico e consolidações, que, apesar de inespecí�cas, geralmente apresentam distribuição torácica predominantemente bilateral, periférica ou mesmo inespecí�ca. • Caso 3: mulher, 46 anos, está há cerca de três dias sentindo uma dor de cabeça muito forte e relatou ao atendimento que está com di�culdade de movimentar os membros do lado esquerdo do corpo. O médico também identi�cou que ela estava apresentando ptose palpebral esquerda. Além disso, ela relata que sente alterações visuais repentinas, as quais se apresentam como cegueira. O médico solicitou exames de sangue e uma ressonância magnética, pois suspeitou que ela estivesse desenvolvendo um acidente vascular encefálico do tipo isquêmico (AVE isquêmico). O que pode ser observado na ressonância magnética (RM) e por que ela é tão importante para esse tipo de quadro? A RM é equivalente à tomogra�a computadorizada para detectar os tipos de acidentes vasculares encefálicos (isquêmico e hemorrágico). O exame de ressonância magnética permite avaliar com precisão áreas de penumbra que estão comprometidas e que impedem a reperfusão cerebral. O raio-X de crânio não tem sensibilidade para detectar esses tipos de alterações. • Caso 4: homem, 29 anos, trabalha como entregador de alimentos por aplicativo e acabou se acidentando durante uma das entregas. Em decorrência da queda, teve fratura exposta do fêmur. Durante o atendimento emergencial, qual exame o médico deveria solicitar a �m de detectar a extensão da lesão? Ele deveria solicitar um raio-X convencional, pois esse tipo de exame é simples e facilita a detecção de cálcio, elemento que aparecerá radiopaco nas imagens. VÍDEO RESUMO Olá, estudante! Neste vídeo você terá a oportunidade de conhecer o histórico da radiologia bem como as características dos principais exames radiológicos utilizados para detecção de patologias. Você verá quão essencial é conhecer como as imagens radiológicas são formadas e as principais diferenças entre cada tipo de exame radiológico. Com essas informações, será possível interpretar o tipo de exame radiológico que melhor identi�ca e diagnostica patologias. Vamos lá! Saiba mais Para complementar seu estudo, sugere-se a leitura do artigo Diretrizes brasileiras para o diagnóstico e tratamento da osteoporose em mulheres na pós-menopausa dos autores Radominski e colaboradores (2017). Nele você verá em detalhes como é realizado o exame de densitometria óssea para identi�car a osteoporose em mulheres e quais critérios são utilizados para esse �m. Para visualizar o objeto, acesse seu material digital. Acesse pelo link: https://bit.ly/3w3I2lt. INTRODUÇÃO Estudante, vamos começar o nosso estudo sobre os principais aspectos relacionados à utilização da unidade de Houns�eld (HU) e suas principais aplicações. Essa escala é considerada uma transformação da medida original do coe�ciente de atenuação linear para uma escala adimensional. Além disso, nesse tipo de escala, é considerada a radiodensidade da água destilada sob condições-padrão de temperatura e pressão, zero unidades Houns�eld (HU), enquanto a radiodensidade do ar é de�nida como -1000 HU. Deve-se considerar a escala entre -1000e 3000 HU. Aproveite esta aula e estude para que seu conhecimento aumente cada vez mais e para que, consequentemente, consiga ajudar cada vez mais pessoas. DEFINIÇÕES DIFERENCIADAS DE ESCALAS Para compreendermos como as escalas de Houns�eld são geradas, precisamos entender como ocorre o funcionamento dos tomógrafos. Os aparelhos de tomogra�a computadorizada (TC) surgiram na década de 1970 e propiciaram um salto exponencial nos exames de imagem médica. Com o uso de um gantry com feixe giratório de raios X e múltiplos detectores em vários arranjos (que giram de modo contínuo ao redor do paciente), junto a so�sticados algoritmos de computador para processar os dados, uma grande quantidade de imagens bidimensionais em fatias (cada uma com milímetros de espessura) pode ser formatada em múltiplos planos de imagem. O tomógrafo é conectado a um computador que processa os dados utilizando vários algoritmos para produzir imagens de qualidade diagnóstica. Uma imagem de TC é composta por matriz de milhares de pequenos quadrados denominados pixels. Um computador atribui a cada pixel um número de TC que varia de -1000 a +1000 e que é medido em unidades Houns�eld (HU). Essa nomenclatura é uma homenagem a Sir Godfrey Houns�eld, o homem ao qual se credita o desenvolvimento do primeiro tomógrafo. Aula 3 UNIDADE DE HOUNSFIELD Estudante, vamos começar o nosso estudo sobre os principais aspectos relacionados à utilização da unidade de Houns�eld (HU) e suas principais aplicações. Essa escala é considerada uma transformação da medida original do coe�ciente de atenuação linear para uma escala adimensional. 22 minutos https://bit.ly/3w3I2lt O número de TC varia de acordo com a densidade do tecido examinado e é a medida de quanto do feixe de raios X é absorvido pelos tecidos em cada ponto da imagem produzida. Por convenção, atribui-se ao ar um número de Houns�eld de -1000 HU e ao osso cerca de 400 a 600 HU (no caso da gordura, o número é de -40 a -100; no da água, é 0 e no dos tecidos moles é de 20 a 100). As imagens de TC são exibidas ou visualizadas por meio de uma faixa de números Houns�eld pré-selecionados para melhor evidenciar os tecidos que estão sendo estudados (por exemplo, de -100 a +300), e tudo que estiver dentro dessa faixa de número de TC é exibido sobre os níveis de densidade na escala de cinza disponível. Esse intervalo de densidades exibidas é chamado de janela. • Substâncias mais densas, que absorvem mais raios X, têm número elevado de TC. Diz-se que elas apresentam atenuação aumentada e são exibidas como densidade mais branca nas imagens computadorizadas. Nas radiogra�as convencionais, substâncias como metal e cálcio também parecem mais brancas e são consideradas mais densas ou opacas. • Substâncias menos densas, que absorvem menos raios X, têm número de TC baixos. Diz-se que elas apresentam atenuação diminuída e são exibidas como densidades mais escuras nas imagens de TC. Nas radiogra�as convencionais, substâncias como ar e gordura também parecem mais pretas e têm densidade diminuída (ou maior radiolucência). A tomogra�a computadorizada também pode ser “janelada” de maneira a otimizar a visibilidade dos diferentes tipos de patologias depois da obtenção. Esse benefício é denominado pós-processamento, característica em que a imagem digital, em geral, é avançada. O pós-processamento possibilita a manipulação adicional dos dados brutos para melhor demonstrar a anormalidade sem a necessidade de repetir um exame e sem expor o paciente, mais uma vez, à técnica APLICAÇÕES DA TÉCNICA DE TOMOGRAFIA COMPUTADORIZADA Por tradição, as imagens de TC eram visualizadas principalmente no plano axial. Atualmente, dada a aquisição volumétrica de dados, essas imagens podem ser exibidas em qualquer plano: axial, sagital ou coronal. Os dados volumétricos consistem em uma série de seções �nas que podem ser remontadas de modo a produzir uma reconstrução tridimensional. A renderização tridimensional de superfície e de volume pode produzir imagens de TC de uma qualidade incrivelmente realista. Um dos principais benefícios da TC, como já mencionado, é a capacidade de expandir a escala de cinza, o que possibilita diferenciar muito mais do que as cinco densidades básicas possíveis nas radiogra�as convencionais. Por causa dos elementos cada vez mais so�sticados dos detectores e da aquisição de centenas de cortes simultaneamente, os tomógrafos multislices possibilitam a obtenção rápida das imagens (da cabeça aos pés em menos de 10 segundos). Isso possibilitou o desenvolvimento de novas aplicações para a TC, como a colonoscopia virtual e a broncoscopia virtual; a TC cardíaca com escore de cálcio; e a angiogra�a coronariana por TC. Esses exames podem conter mil ou mais imagens, de modo que o método mais antigo de colocar cada imagem em �lme para estudo em um negatoscópio é impraticável, e essas imagens são quase sempre visualizadas em computadores de estações de trabalho, onde é possível estudar muitas imagens simplesmente rolando a tela. As tomogra�as computadorizadas são a base da imagem seccional e estão amplamente disponíveis, embora ainda não sejam verdadeiramente portáteis. A produção de imagens de TC requer um aparelho dispendioso, um espaço dedicado à sua instalação e um computador com um so�sticado poder de processamento. De maneira semelhante à radiogra�a convencional, os tomógrafos também usam radiação ionizante (raios X) para produzir as imagens. Sabendo dessas informações, é muito comum que haja erros de interpretação em cerca de 4% dos casos e que até 30% das alterações em exames radiológicos sejam perdidas. Os erros em radiologia contribuem para erros no diagnóstico �nal, o que gera consequências importantes para os pacientes. Os erros de percepção são aqueles que ocorrem no início da interpretação da imagem quando o radiologista “passa” os olhos pelo exame. Nesse caso, há uma anormalidade, mas ela não é vista. Interferem aí fatores como cansaço, quantidade de trabalho, rapidez com que os exames têm que ser vistos e eventuais distrações. Um fenômeno interessante que contribui para que uma alteração não seja vista é a chamada busca satisfeita (search satisfacting), o qual ocorre quando o radiologista encontra uma primeira lesão ou alteração e, então, interrompe a procura por outras alterações – que são perdidas. Os erros de interpretação, ou erros cognitivos, ocorrem quando uma alteração é vista, mas é interpretada incorretamente seja por falta de conhecimento (experiência), por informações clínicas inadequadas (incompletas), seja por diversos erros cognitivos. Isso revela que não basta enxergar uma alteração, o radiologista precisa interpretá-la e oferecer hipóteses diagnósticas. Nesse contexto, o tecnólogo em radiologia precisa saber interpretar as imagens radiológicas para que o diagnóstico seja feito corretamente. APLICAÇÃO – TABELAS DE SUBSTÂNCIAS UTILIZADAS NA RADIOLOGIA Diversas estruturas no corpo são identi�cáveis em uma radiogra�a, seja por causa de suas densidades inerentes (por exemplo, osso distinto de músculo), seja por conterem um dos materiais naturais básicos (por exemplo, ar). Contudo, considerando que a maioria das vísceras internas tem densidade próxima ou igual à da água, faz-se necessário introduzir nessas estruturas um material que delineie suas paredes, de�na a anatomia e demonstre as condições patológicas. O sulfato de bário constitui o principal contraste para os exames radiográ�cos do trato gastrointestinal (GI). O bário possui elevado peso atômico, o que resulta em considerável absorção do feixe de raios X, proporcionando um excelente contraste radiológico. Em seu preparo habitual, uma suspensão é obtida misturando-se com água o bário �namente pulverizado em agentes dispersantes. Quando administrada por via oral ou retal, o preparo proporciona um revestimento adequado do trato GI. Embora o próprio bário seja quimicamente inerte, se ocorrer extravasamento para fora do trato GI, o paciente poderásofrer uma reação desmoplásica grave. No passado, bário misturado com material fecal era considerado uma mistura rapidamente letal quando introduzida na cavidade peritoneal. O contraste à base de bário é seguro desde que o trato GI não esteja obstruído. Os agentes de contraste hidrossolúveis são utilizados predominantemente em estudos angiográ�cos, em realce do contraste em estudos de tomogra�a computadorizada, em mielogra�a, artrogra�a e urogra�a. Os agentes mais comumente utilizados são os sais de sódio ou meglumina de ácido diatriozoico ou iotal6amico em concentrações de 60 a 90%. A estrutura química comum de todos os meios de contraste hidrossolúvel é uma variante do ácido triiodobenzoico. Esses agentes são conhecidos como meios iônicos graças à sua propriedade, em solução, de se dissociarem no cátion sódio ou meglumina e no seu ânion, que contém iodo. Os agentes iônicos são muito hipertônicos, resultando em um desvio de líquido do espaço intracelular ou extracelular para o espaço intravascular ou para o lúmen do trato GI. Pacientes que estão desidratados podem sofrer mudança na viscosidade e tonicidade do sangue. Os agentes paramagnéticos são utilizados para uso intravenoso (IV) durante a obtenção de imagens por ressonância magnética. O agente mais comum é o gadolínio-ácido dietilenotriamina penta-acético (gd-DTPA). Ele foi escolhido em virtude do seu efeito no tempo de relaxamento nas sequências do exame. A quelação com DTPA impede a toxicidade intrínseca do íon Gd livre. Em doses diagnósticas, o Gd-DTPA aumenta o sinal das estruturas vasculares de maneira parecida com o efeito dos meios de contraste hidrossolúvel convencionais. O uso de compostos de Gd implica pequeno risco de reações adversas, em especial naquele paciente com história de reação a compostos iodados. No entanto, ao contrário dos meios iodados, os compostos de Gd não são nefrotóxicos, podem ser utilizados em pacientes azotêmicos e podem ser removidos por diálise. Curiosamente, meios de contraste que contêm gadolínio são ligeiramente radiodensos, podendo ser utilizados como meios de contraste em estudos de TC e angiogra�a em vez dos meios iodados. VÍDEO RESUMO Olá, estudante! Neste vídeo você terá a oportunidade de conhecer como é gerada a unidade Houns�eld nos exames de tomogra�a computadorizada e qual é sua relação com as principais escalas utilizadas nos demais exames de imagem. Com essas informações, será possível identi�car a utilização dos diferentes contrastes para de�nição especí�ca da anatomia do órgão em questão, bem como a patologia que esteja associada a ele. Vamos lá! Saiba mais Para complementar seu estudo, sugere-se a leitura do artigo Avaliação de meios de contraste submetidos à radiação ionizante dos autores Pinho e colaboradores (2009). Nesse trabalho vocês veri�carão a in�uência da radiação ionizante por raios X e raios gama sobre a estabilidade molecular de diversos meios de contraste radiológico. Para visualizar o objeto, acesse seu material digital. Acesse o texto no link: https://www.scielo.br/j/rb/a/j5vWhG6Y4TV9QF4YdySNvdj/?lang=pt INTRODUÇÃO Estudante, começaremos agora nosso estudo sobre a evolução dos tipos softwares desenvolvidos para o estudo da tomogra�a computadorizada e sobre as principais diferenças entre os tipos de aparelhos utilizados. Através dos seguintes questionamentos, você será capaz de selecionar o melhor tipo de aparelho a ser utilizado em vários tipos de exames. Qual deles é o mais adequado? Qual proporciona melhor de�nição de imagem? Quais são suas principais diferenças? Com as respostas a essas indagações, conseguiremos identi�car os melhor os softwares, bem como os tipos de tomógrafos, que podem ser classi�cados em �xos ou portáteis e móveis e que podem ser acoplados a diferentes gantrys. Aproveite esta aula e estude para que seu conhecimento aumente cada vez mais e para que, dessa forma, consiga ajudar cada vez mais pessoas. EVOLUÇÃO DOS SOFTWARES (TOMOGRAFIA COMPUTADORIZADA) A compreensão de como os softwares evoluíram para o estudo da tomogra�a computadorizada (TC) é necessária para que os exames sejam bem executados e interpretados. Em circunstâncias habituais, os órgãos sólidos do corpo (rins, fígado, baço e pâncreas) são considerados uniformes em termos de densidade radiográ�ca – como a água, que gera um aspecto cinzento nas radiogra�as convencionais. No entanto, esses tecidos exibem alguma variação em suas propriedades químicas, sendo possível, com o uso de técnicas computadorizadas, medir essas diferenças, ampliá-las e exibi-las em tonalidades de cinza ou mesmo em cores, como nos dias atuais. O procedimento de tomogra�a computadorizada permite que o sistema detecte a intensidade de radiação que atravessa o paciente. Os dados derivados dessas mensurações são analisados por um sistema computadorizado que designa diferentes tonalidades de cinza (números de TC ou unidades Houns�eld) às diferentes estruturas com base em seus coe�cientes de absorção ou atenuação. O computador reconstrói uma imagem com base em grá�cos geométricos dos locais onde essas mensurações foram obtidas. Curiosamente, embora esse sistema diagnóstico tenha sido desenvolvido nos anos 1970, a fórmula matemática para a reconstrução de imagens permanece até hoje. Aula 4 EVOLUÇÃO Estudante, começaremos agora nosso estudo sobre a evolução dos tipos softwares desenvolvidos para o estudo da tomogra�a computadorizada e sobre as principais diferenças entre os tipos de aparelhos utilizados. 22 minutos https://www.scielo.br/j/rb/a/j5vWhG6Y4TV9QF4YdySNvdj/?lang=pt A geração atual das imagens é realizada através de softwares que possibilitam a criação de laudos em tamanho real e de maneira rápida e �exível, permitindo o acesso a todos os envolvidos. O template do laudo já vem prede�nido para a impressão e isso facilita o acesso do técnico em radiologia e do médico radiologista na emissão dos laudos para o diagnóstico precoce dos pacientes. Hoje em dia é utilizado o padrão de imagens de tomogra�a computadorizada digitais, porém é necessário que haja a interoperabilidade, que é a disponibilidade para garantir a preservação das informações diagnósticas adquiridas do paciente através de gerações de softwares e hardwares de imagem. Esse sistema deve estar em conformidade com as normas ISO (International Organization for Standardization), cuja referência é o padrão DICOM (Digital Imaging and Communications in Medicine). Com a modernização do sistema, �cou muito mais prático o armazenamento, a leitura da imagem e o planejamento do tratamento do paciente. Agora o sistema de leitura não está mais restrito somente a clínicas ou a consultórios, mas, por meio de um computador portátil, ele pode ser aberto em qualquer lugar. Com isso, a leitura e interpretação das imagens podem se difundir mais facilmente pelo meio médico e acadêmico. Observando esse fato, uma série de empresas passou a desenvolver softwares com inúmeras ferramentas cada vez mais modernas, as quais buscam suprir as necessidades dos especialistas. A desvantagem é que a maioria dos programas necessita de chaves de hardware, e os valores pedidos por elas é muito elevado, pois costuma- se cobrar por número de máquinas operantes. Para alguns fornecedores, o conceito free software, isto é, a versão disponível para download, é completamente funcional e pode ser instalada sem nenhum custo adicional para o pro�ssional. DIFERENÇA ENTRE APARELHOS FIXOS E MÓVEIS PARA RADIOLOGIA Os aparelhos destinados a obter imagens radiográ�cas eram desenvolvidos inicialmente como aparelhos �xos, ou seja, que �cavam estáticos e dependentes de fonte de energia, devendo estar presentes em sala exclusiva. Os aparelhos �xos, pela própria nomenclatura, são aqueles que não podem ser retirados do local onde foram instalados, por isso necessitam de uma sala exclusiva para sua utilização, com suprimento de energia adequado, espaço para movimentação do paciente e local reservado para o técnicoem radiologia executar o controle do equipamento a distância. Esse tipo de aparelho é muito utilizado em clínicas e hospitais devido à grande demanda de exames diários. Ele pode ser preso ao chão por um pedestal ou ao teto. Nos dias atuais, um dos aparelhos de raios-X �xo mais conhecidos é o TD500HF, que apresenta certa mobilidade com ampla exposição lateral e perpendicular. O interessante desse tipo de instrumento é que ele pode ser instalado em locais com o mínimo de espaço e não requer montagens de teto ou parede. Esses equipamentos facilitam a limpeza e a instalação e tornam mais simples a operação. Além da radiogra�a convencional, muitos aparelhos radiográ�cos são construídos para realizarem outros tipos de exames, como a �uoroscopia e a planigra�a ou a tomogra�a linear. Os equipamentos móveis são muito semelhantes em recursos, mas a sua composição é diferente, já que a mesa é dispensável e os controles dos equipamentos estão �sicamente junto com a unidade geradora de radiação. Esse equipamento pode ser facilmente transportado através do sistema de rodas já embutidas na estrutura. Para a realização do exame, utiliza-se a própria maca do paciente ou a cadeira. A fonte de energia é obtida diretamente da tomada e o custo geralmente é menor do que o dos exames realizados em aparelhos �xos. A geração dos modelos Apolo D Digital apresenta tecnologia de ponta para emissão de raios X em alto desempenho e em curtíssimo intervalo de tempo e pode ser utilizada por uma variedade de técnicas radiográ�cas; além disso, apresenta vida longa e produtiva. Em salas menores, pode ser utilizado o Apolo D Arco, que apresenta fácil manuseio, movimento vertical motorizado e facilidade de posicionamento dos pacientes, visto que utiliza apenas um detector digital para as rotinas de mesa e mural. O equipamento portátil apresenta peso e capacidade de radiação ou �exibilidade melhor para a realização dos exames. Ele pode ser carregado por apenas uma pessoa através de alças, sendo facilmente transportado em ambulâncias ou em porta-malas de carros. Geralmente esses equipamentos radiografam apenas as extremidades do corpo humano e são frequentemente utilizados em exames de tórax em pacientes que estão em unidades de terapia intensiva (UTI). O baixo custo e a transportabilidade deles já fez surgir, em alguns países do hemisfério norte, um novo tipo de serviço denominado exame radiográ�co em domicílio. DOSAGEM DE RADIAÇÃO DOS APARELHOS MÓVEIS/PORTÁTEIS E FIXOS NA RADIOLOGIA Segundo a vigilância sanitária (ANVISA, 2019), as exposições ocupacionais devem ter uma dose efetiva média mensal que não excedam 20 mSv em qualquer período de cinco anos. Se a carga de trabalho for superior a 30 mA/min por semana, o operador deve manter-se atrás de uma barreira protetora com uma espessura de, pelo menos, 0,5 mm equivalentes ao chumbo. Além disso, a resolução RDC nº 330/2019 (BRASIL, 2019) relata que, em exames realizados em aparelhos �xos, o operador deve manter-se a uma distância de pelo menos dois metros do tubo e do paciente durante as exposições e posicionar-se de tal forma que nenhuma parte do corpo, incluindo extremidades, seja atingida pelo feixe primário sem estar protegida por 0,5 mm equivalente ao chumbo. Como a dose é cumulativa, devem ser tomadas medidas de biossegurança de radiação, evitando a exposição à radiação ionizante e visando, a longo prazo, o processo de divisão celular. Esse fenômeno é denominado de efeito estocástico e é de�nido como a probabilidade de ocorrência de efeitos deletérios proporcionais à dose de radiação recebida sem a existência de limiar. Assim, doses pequenas, ou seja, abaixo dos limites estabelecidos por normas e recomendações de radioproteção, podem induzir tais efeitos. Os aparelhos portáteis induzem menor quantidade de radiação do que os aparelhos �xos. Dependendo do tipo de exame, as radiogra�as podem ser bem baixas e, hoje, existem recursos para minimizar os possíveis danos oriundos das radiações ionizantes, como controle do uso de aventais plumbíferos, �lmes digitais e ultrarrápidos, aparelhos calibrados e processamento automático. Um dos grandes questionamentos existentes na área envolve a necessidade de retirar o aparelho �xo dos dentes, por exemplo, quando for realizada uma radiogra�a. A resposta para esse questionamento é “depende”, já que cada paciente deve ser avaliado pelo médico radiologista, que veri�cará as possíveis interferências no resultado do procedimento. Caso o exame de imagem seja uma ressonância magnética e o objetivo seja visualizar as estruturas de cabeça e pescoço, é necessária a retirada do aparelho ortodôntico. Caso não seja retirado, o metal pode in�uenciar o resultado e comprometer o diagnóstico �nal. Uma das possíveis consequências da quantidade elevada de radiação refere-se a lesões que podem ocorrer no corpo, como as presentes no trato gastrointestinal. Nesse caso podem ocorrer enjoos graves, vômitos e diarreia, que podem começar cerca de uma hora após a exposição a 6 Gy ou mais de radiação. Os sintomas podem levar à desidratação grave, porém tendem a desaparecer ao �nal de dois dias. Quem recebe essa quantidade de radiação padece igualmente da síndrome hematopoiética, que resulta em sangramento e infecção e aumenta o risco de morte. Depois da exposição a 6 Gy ou mais de radiação, a morte é comum. Em casos de exposição a radiações acima de 20 a 30 Gy, a chance de ocorrer a síndrome vascular cerebral é grande. As pessoas manifestam rapidamente confusão, enjoos, vômitos, diarreia sanguinolenta, tremores e choque. Em apenas algumas horas a pressão arterial diminui, sintoma acompanhado de convulsões e coma. A síndrome vascular cerebral é mortal em um período que oscila entre um ou dois dias. VÍDEO RESUMO Olá, estudante! Neste vídeo você terá a oportunidade de conhecer como são realizadas as interpretações das imagens de tomogra�a computadorizada através da utilização de diferentes tipos de softwares. Além disso, será capaz de comparar os diferentes tipos de aparelhos destinados à aquisição de imagens, como aparelhos �xos, móveis e portáteis. Vamos lá! Saiba mais Para complementar seu estudo, sugere-se a leitura do artigo Análise dos softwares para tomogra�a computadorizada de feixe cônico de interesse aos cirurgiões-dentistas da autora Ana Márcia Viana Wanzeler (2015). A partir desse texto vocês poderão avaliar e comparar os diferentes programas disponíveis gratuitamente para visualizar as imagens obtidas pela tomogra�a computadorizada. Acesso pelo link: http://revodonto.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0034- 72722015000100010. Para visualizar o objeto, acesse seu material digital. Aula 1 BRANT, W. E.; HELMS, C. A. Fundamentos de Radiologia: diagnóstico por imagem. 4. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2015. REFERÊNCIAS 7 minutos http://revodonto.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0034-72722015000100010 DUGANI, S. et al. Anatomia clínica – Integrada com exame físico e técnicas de imagem. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2017. HAGE, M. C. F. N. S.; IWASAKI, M. Imagem por ressonância magnética: princípios básicos. Ciência rural, Santa Maria, v. 39, n. 4, p. 1287-1295, 2009. Disponível em: https://www.scielo.br/j/cr/a/mmPL6rMp5vmPCRpmYH84Kbm/?format=pdf&lang=pt. Acesso em: 05 abr. 2022. MARTINI, F. H. et al. Anatomia e �siologia humana: uma abordagem visual. São Paulo: Pearson Education do Brasil, 2014. PRANDO, A.; MOREIRA, F. A. Fundamentos de Radiologia e Diagnóstico por Imagem. 2. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2014.FILHO, T. MARIO Silicose. Disponível em: https://www.scielo.br/j/jbpneu/a/9df97NqpCcC8svNRJgBTGYP/?format=pdf&lang=pt. Acesso em: 05 abr. 2022. Aula 2 BRANT, W. E.; HELMS, C. A. Fundamentos de Radiologia: diagnóstico por imagem. 4. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2015. DUGANI, S. et al. Anatomia clínica – Integrada com exame físico e técnicas de imagem. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2017. MARCOS, L. et al.Análise da radiogra�a de tórax de indivíduos com DPOC e sua correlação com os testes funcionais. Fisioter. Mov., Curitiba, v. 25, n. 3, p. 629-637, 2012. Disponível em: https://www.scielo.br/j/fm/a/8Vz79Nhn9LJysgzXwgKLNNP/?format=pdf&lang=pt. Acesso em: 05 abr. 2022. MARTINI, F. H. et al. Anatomia e �siologia humana: uma abordagem visual. São Paulo: Pearson Education do Brasil, 2014. PRANDO, A.; MOREIRA, F. A. Fundamentos de Radiologia e Diagnóstico por Imagem. 2. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2014. RADOMINSKI, S. C. et al. Diretrizes brasileiras para o diagnóstico e tratamento da osteoporose em mulheres na pós-menopausa. Revista brasileira de reumatologia, São Paulo, v. 57, n. S2, p. S452-S466, 2017. Disponível em: https://reader.elsevier.com/reader/sd/pii/S048250041730178X? token=5F61AEC6C9295248D25B569788C3DC6CF863C9674AC47A623123EA750503CABEFBAD4D36B48BEA5A0E 7ECEF21F955E49&originRegion=us-east-1&originCreation=20220318122248. Acesso em: 05 abr. 2022. ROSA, M. E. E. et al. Achados da COVID-19 identi�cados na tomogra�a computadorizada de tórax: ensaio pictórico. Einstein, São Paulo, n. 18, 2020. Disponível em: https://journal.einstein.br/article/covid-19-�ndings- identi�ed-in-chest-computed-tomography-a-pictorial-essay/. Acesso em: 05 abr. 2022. Aula 3 BRANT, W. E.; HELMS, C. A. Fundamentos de Radiologia: diagnóstico por imagem. 4. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2015. https://www.scielo.br/j/cr/a/mmPL6rMp5vmPCRpmYH84Kbm/?format=pdf&lang=pt https://www.scielo.br/j/jbpneu/a/9df97NqpCcC8svNRJgBTGYP/?format=pdf&lang=pt https://www.scielo.br/j/fm/a/8Vz79Nhn9LJysgzXwgKLNNP/?format=pdf&lang=pt https://reader.elsevier.com/reader/sd/pii/S048250041730178X?token=5F61AEC6C9295248D25B569788C3DC6CF863C9674AC47A623123EA750503CABEFBAD4D36B48BEA5A0E7ECEF21F955E49&originRegion=us-east-1&originCreation=20220318122248 https://journal.einstein.br/article/covid-19-findings-identified-in-chest-computed-tomography-a-pictorial-essay/ DUGANI, S. et al. Anatomia clínica – Integrada com exame físico e técnicas de imagem. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2017. MARTINI, F. H. et al. Anatomia e �siologia humana: uma abordagem visual. São Paulo: Pearson Education do Brasil, 2014. PINHO, K. E. P. et al. Avaliação de meios de contraste submetidos à radiação ionizante. Radiol Bras., São Paulo, v. 42, n. 5, out. 2009. Disponível em: https://www.scielo.br/j/rb/a/j5vWhG6Y4TV9QF4YdySNvdj/?lang=pt. Acesso em: 05 abr. 2022. PRANDO, A.; MOREIRA, F. A. Fundamentos de Radiologia e Diagnóstico por Imagem. 2. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2014. Aula 4 BRANT, W. E.; HELMS, C. A. Fundamentos de Radiologia: diagnóstico por imagem. 4. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2015. BRASIL. Ministério da Saúde. Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Resolução – RDC nº 330, de 20 de dezembro de 2019. Brasília: Ministério da Saúde: ANVISA, 2019. Disponível em: https://www.in.gov.br/en/web/dou/-/resolucao-rdc-n-330-de-20-de-dezembro-de-2019-235414748? inheritRedirect=true. Acesso em: 05 abr. 2022. DUGANI, S. et al. Anatomia clínica – Integrada com exame físico e técnicas de imagem. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2017. MARTINI, F. H. et al. Anatomia e �siologia humana: uma abordagem visual. São Paulo: Pearson Education do Brasil, 2014. PRANDO, A.; MOREIRA, F. A. Fundamentos de Radiologia e Diagnóstico por Imagem. 2. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2014. WANZELER, A. M. V. Análise dos softwares gratuitos para tomogra�a computadorizada de feixe cônico de interesse aos cirurgiões-dentistas. Rev. Bras. Odontol., Rio de Janeiro, v. 72, n. 1-2, 2015. Disponível em: http://revodonto.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0034-72722015000100010. Acesso em: 05 abr. 2022. https://www.scielo.br/j/rb/a/j5vWhG6Y4TV9QF4YdySNvdj/?lang=pt https://www.in.gov.br/en/web/dou/-/resolucao-rdc-n-330-de-20-de-dezembro-de-2019-235414748?inheritRedirect=true http://revodonto.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0034-72722015000100010 Imprimir INTERPRETAÇÃO DAS INCIDÊNCIAS E CORTES TOMOGRÁFICOS NOS EXAMES 92 minutos Aula 1 - Cortes Aula 2 - Graus de incidência Aula 3 - Posicionamentos Aula 4 - Reconstrução de imagens Referências INTRODUÇÃO Estudante, teremos o prazer de começar nosso estudo com a descrição dos tipos de planos identi�cados anatomicamente para a realização dos exames radiológicos, conhecimento essencial para que a interpretação dos procedimentos ocorra de maneira correta. Qualquer erro de posicionamento do paciente pode acarretar prejuízo na interpretação de eventuais patologias que poderiam deixar de ser detectadas nos exames radiológicos e, com isso, poderiam ser diagnosticadas precocemente. Além dos erros de interpretação, podem ocorrer também erros de percepção, os quais podem ser causados por distrações ou excesso de trabalho. Aproveite esta aula e estude para que seu conhecimento aumente cada vez mais e para que, dessa forma, consiga ajudar cada vez mais pessoas. PLANOS ANATÔMICOS PARA AS IMAGENS EM TOMOGRAFIA COMPUTADORIZADA O conhecimento da anatomia humana é imprescindível para o desenvolvimento de habilidades e competências do pro�ssional técnico em radiologia. Para que você compreenda a anatomia do corpo humano, é necessário conhecer da menor até a maior dimensão de seus componentes, os quais são usualmente distribuídos em níveis de organização. Os planos anatômicos podem ser divididos em três principais grupos: • Plano frontal ou coronal: é um plano orientado verticalmente e divide o corpo entre as partes anterior e posterior; essa mesma nomenclatura também é conhecida para a vida embrionária (cranial e caudal). • Plano sagital: é orientado verticalmente, porém �ca em ângulo reto com os planos coronais e divide o corpo em direita e esquerda. O plano que atravessa o centro do corpo, dividindo-o igualmente em direita e esquerda, é denominado plano sagital mediano. • Plano transversal, horizontal ou axial: divide o corpo em superior e inferior. Existem inúmeros termos usados para a descrição da posição anatômica, dentre eles, pode-se citar: anterior ou ventral, posterior ou dorsal, medial e lateral, superior e inferior. Quando se utiliza a nomenclatura anterior e posterior, refere-se às estruturas localizadas à “frente” e “atrás” do corpo. Por exemplo, os olhos são Aula 1 CORTES Estudante, teremos o prazer de começar nosso estudo com a descrição dos tipos de planos identi�cados anatomicamente para a realização dos exames radiológicos, conhecimento essencial para que a interpretação dos procedimentos ocorra de maneira correta. 21 minutos estruturas localizadas à frente, enquanto que as nádegas estão localizadas atrás. Medial e lateral referem-se ao posicionamento dos membros superiores e inferiores ou mesmo à posição interna dos órgãos. Cranial refere-se a um ponto que está na direção da cabeça; já o termo caudal refere-se ao que está na direção da cauda; esses termos são utilizados para a descrição durante o desenvolvimento embrionário. No adulto, já se usa a nomenclatura superior e inferior, respectivamente. Dois novos termos são: super�cial e profundo. Eles são utilizados para descrever as posições relativas de duas estruturas com respeito à superfície do corpo, por exemplo, o esterno é super�cial ao coração. A maioria das imagens de tomogra�a computadorizada é adquirida em um plano axial e vista como se o observador estivesse olhando a cabeça de inferior para superior (do pé da cama). Então: o lado direito do paciente está à esquerda da imagem; a margem superior da imagem está anterior. Muitos pacientes recebem contraste oral e intravenoso para diferenciar alças intestinais de outros órgãos abdominais e para avaliar a vascularidade das estruturas anatômicas normais. No caso da administração do contraste intravenoso, quanto mais precocemente as imagens são obtidas, maior a probabilidade de realce arterial. À medida que o tempo passa entre a injeção e a aquisição da imagem, uma fase venosa e uma fase de equilíbriosão também obtidas. Se demorar muito tempo, o contraste pode ser degradado pelo fígado através dos mecanismos de xenobióticos, e as imagens perderão o contraste, ou seja, a resolução de pixels necessária para distinguir imagens �siológicas das patológicas. POSICIONAMENTO ANATÔMICO NA FORMAÇÃO DAS IMAGENS RADIOLÓGICAS A partir dos conceitos obtidos sobre os planos anatômicos, é necessário associá-los com o que se pode encontrar nas imagens tomográ�cas. As imagens de tomogra�a computadorizada (TC) são obtidas através da injeção de contraste oral ou intravenoso para identi�cação de possíveis patologias. Nesse caso, se a patologia for na mão, o ideal é sentar o paciente próximo à extremidade da mesa e �etir o cotovelo até formar ângulo de 90º. Esse tipo de imagem é indicado em casos de fratura, luxação, osteoporose, osteoartrite e outros. Se for o caso de avaliar o punho, deve-se sentar o paciente próximo à extremidade da mesa e colocar o antebraço estendido e a parte posterior do punho afetado exposta, deixando sempre o cotovelo no mesmo plano horizontal. Esse tipo de imagem é obtido em caso de suspeita de fratura nos ossos do carpo, porção distal do rádio e da ulna, artrite e outros. As indicações para avaliação das imagens de TC de cotovelo são fraturas, luxações, artrite e outros. Nesse caso deve-se formar o ângulo de 90º com a mesa. Problemas no ombro podem ocorrer de acordo com falha do movimento, queda sobre a própria altura, entre outros. Para o paciente ser avaliado, é necessário ajustar o tomógrafo a �m de que ele faça o giro de rotação e, nesse caso, a medicação intravenosa passa a ser mais indicada por conta da circulação sanguínea. Para identi�cação de possíveis problemas no pé, o paciente deve estar em decúbito dorsal, �etir o joelho do lado afetado e colocar a face plantar do pé sobre o gantry. O mais indicado nesses casos é avaliar fraturas, anormalidades, presença de corpos estranhos, entre outros. Para identi�cação de patologias na perna, é necessário que o paciente esteja em decúbito lateral com o membro inferior distendido, o lado afetado para baixo e o membro oposto para trás. Depois que o radiofármaco é carreado para um tecido ou órgão do corpo, geralmente via corrente sanguínea, suas emissões radioativas permitem que seja medido e examinado usando-se um aparelho de detecção chamado gama câmara. A tomogra�a computadorizada com emissão de pósitron único (PET TC) é uma modalidade de medicina nuclear, na qual se usa a gama câmera para adquirir várias imagens bidimensionais a partir de múltiplos ângulos, as quais são então reconstruídas pelo computador em dados de con�guração tridimensional, que podem ser manipulados para produzir cortes �nos em qualquer incidência. Com essa nova possibilidade, agora leva-se menos tempo para a aquisição das imagens, desde que o plano anatômico do paciente esteja devidamente orientado. Avaliando a descrição dos planos anatômicos, pode-se dizer que eles também são aplicados nas exposições às radiogra�as convencionais, à ressonância magnética, à ultrassonogra�a e à medicina nuclear. Lembrando que cada tipo de exame deve ser indicado para o paciente, e o técnico em radiologia deve ser devidamente orientado para saber como posicionar corretamente o paciente. CONTEXTUALIZAÇÃO CLÍNICA DAS POSIÇÕES ANATÔMICAS PARA AQUISIÇÃO DAS IMAGENS RADIOLÓGICAS Para aplicarmos os conhecimentos obtidos nos blocos anteriores, proporemos discussões sobre alguns casos clínicos. • Caso 1: mulher, 80 anos, recorre ao serviço médico de saúde após queda posterior; refere dor intensa em ambos os ombros acompanhada por incapacidade funcional. Ela relata ter escorregado e caído para trás, tendo amparado a queda com o apoio das mãos no chão. Quanto ao seu histórico médico, nega ter comorbidades, como hipertensão, dilispidemias e diabetes. No exame clínico, a paciente encontrava-se com os dois membros superiores em rotação externa e ligeiramente abduzidos. No ombro direito ainda foi observado edema ou tumefação. Qual exame seria necessário para identi�cação correta da posição anatômica da paciente? O melhor seria a radiogra�a convencional. Podem ser realizadas duas posições anatômicas para essa avaliação: a primeira seria a paciente em decúbito dorsal ou ortostático, onde a pessoa estende o braço, coloca a palma da mão para cima e tenta rodar o ombro; e, na segunda posição, a paciente pode estar em pé, ou em decúbito dorsal, e pede-se para �exionar o cotovelo e abduzir o braço até formar um ângulo de 90º. Após essas duas posições, qual outro exame poderia ser solicitado para detectar a luxação da paciente? Poderia ser realizada a tomogra�a computadorizada (TC), porém esse tipo de exame é extremamente caro e, assim como a ressonância magnética, pode ser realizado após a redução da luxação para avaliar os danos causados nos músculos, ligamentos e cápsula articular. • Caso 2: mulher, 50 anos, sofreu uma queda enquanto estava caminhando, fraturou o fêmur direito e buscou atendimento. No exame clínico, identi�cou-se que a paciente se encontrava orientada e relatou que estava caindo frequentemente da própria altura durante a limpeza diária da casa. O exame de radiogra�a convencional identi�cou fratura do colo do fêmur. Após a medicação, o médico continuou o atendimento e �cou intrigado com as quedas frequentes. O que as poderia estar causando? A provável causa é a osteoporose, patologia causada pela desregulação da funcionalidade de uma célula denominada osteoclastos, presente na periferia do osso. Essa célula é responsável pela degradação de matriz óssea mineralizada, ou seja, libera enzimas que degradam a parte orgânica composta, principalmente, por �bras colágenas que liberam o cálcio �xado nelas, deixando que o osso se torne cada vez mais poroso. O motivo de essa célula degradar mais matriz do que o normal ou o esperado é que ela está ativada devido à falta ou à redução da quantidade de hormônios estrogênicos. Além desse exame de radiogra�a convencional (raio- X), qual outro poderia ser feito para quanti�car o nível de perda óssea? A densitometria óssea, pois, nesse tipo de exame, é possível quanti�car especi�camente o nível de perda óssea. Com esses exemplos, você será capaz de compreender como é realizada a aplicação dos exames radiológicos para detecção de patologias. VÍDEO RESUMO Olá, estudantes! Neste vídeo você terá a oportunidade de conhecer o histórico da radiologia, bem como as características dos principais exames radiológicos utilizados para detecção de patologias. Você verá a necessidade de conhecer como as imagens radiológicas são formadas e as principais diferenças entre cada tipo de procedimento. Com essas informações, será possível interpretar o tipo de exame radiológico que melhor identi�ca e diagnostica patologias. Vamos lá! Saiba mais Para complementar seu estudo, sugere-se a leitura do artigo Luxação glenoumeral anterior bilateral: caso clínico, dos autores Silva e colaboradores (2011). Nesse trabalho, você verá mais detalhes sobre um tipo muito comum de luxação que ocorre no ombro, denominado luxação glenoumeral, e como o conhecimento sobre a posição anatômica é essencial para o diagnóstico correto da luxação. O artigo em português está disponível para leitura em: https://doi.org/10.1590/S0102- 36162011000300016. Para visualizar o objeto, acesse seu material digital. Aula 2 GRAUS DE INCIDÊNCIA https://doi.org/10.1590/S0102-36162011000300016 INTRODUÇÃO Estudante, daremos início a nosso estudo com a descrição dos graus de incidência disponíveis para a aquisição de imagens em radiologia. Essa aplicação é importante, pois, ao conhecê-la, será possível informar o paciente sobre a posição especí�ca que deve assumir antes de iniciar as imagens. Qualquer erro de posicionamento do paciente pode desencadear erros de interpretação dos exames, levando a altos custos para o laboratório e para o paciente. Além disso, a pessoa terá que refazer o exame, acarretando maistempo para o diagnóstico correto. Aproveite esta aula e estude para que seu conhecimento aumente cada vez mais e para que, dessa forma, consiga ajudar cada vez mais pessoas. PLANOS ANATÔMICOS PARA AS IMAGENS RADIOLÓGICAS Ter o conhecimento anatômico especí�co sobre os planos e eixos é essencial para o técnico em radiologia desenvolver um excelente trabalho. Nesse contexto, continuar o estudo sobre esses planos a �m de aprender a detalhar os cortes e as posições anatômicas na hora de realizar os exames radiológicos é imprescindível para que não ocorram erros de interpretação e de diagnóstico. Para entender o sentido de eixo anatômico, é necessário conhecer o movimento do corpo humano. Os eixos anatômicos são conhecidos como linhas imaginárias que atravessam o corpo, separando-o perpendicularmente em planos que possibilitam movimento, o qual está vinculado a articulações, como as diartroses, que possibilitam amplos movimentos. O eixo anteroposterior é o que se apresenta em um sentido do anterior para o posterior e se localiza perpendicularmente ao plano frontal. Esse tipo de eixo também é conhecido como sagital e, dessa maneira, tem como movimentos possíveis a adução e a abdução. O per�l direito e esquerdo refere-se ao eixo laterolateral, o qual é também conhecido como transversal ou horizontal. Os movimentos possíveis nesse caso são �exão e extensão. As posições oblíquas e axiais são aquelas que possibilitam a investigação de campos pulmonares de estruturas moles. Para que esses eixos possam ser estabelecidos, é necessário que o indivíduo esteja em posição ortostática, ou seja, olhando para frente com a palma das mãos e a planta dos pés voltadas para frente e a cabeça erguida. Essa posição também pode ser obtida com o paciente deitado na maca, ou na mesa, durante o exame. Estudante, daremos início a nosso estudo com a descrição dos graus de incidência disponíveis para a aquisição de imagens em radiologia. Essa aplicação é importante, pois, ao conhecê-la, será possível informar o paciente sobre a posição especí�ca que deve assumir antes de iniciar as imagens. 21 minutos O eixo anteroposterior possibilita a visualização adequada de órgãos que estejam localizados na posição anterior, ou seja, antes do peritônio e posterior, que se refere aos órgãos localizados atrás do peritônio. Exemplos de órgãos localizados posteriormente são os rins e de órgãos localizados anteriormente são os genitais. O plano axial também é conhecido como transversal e pode atravessar o corpo em ângulos retos, com os planos coronais, e medianos; dessa maneira, também divide o corpo em partes superior e inferior. Esse tipo de classi�cação e posição é importante especialmente quando se estuda a osteologia e as posições anatômicas que podem ser utilizadas para a aquisição de imagens radiológicas. Existe uma diferença importante que precisa ser citada: a posição posteroanterior (PA) é adquirida quando o feixe de raios X entra pelo dorso do corpo e sai em direção à região anterior e, assim, pode ser impressa nos �lmes fotográ�cos ou salvas de maneira digital. Já a posição anteroposterior é adquirida quando o paciente permanece deitado sobre o �lme radiográ�co e o feixe de raio X entra pela região anterior do tórax. A região cerebral merece atenção especial devido à calota craniana, à massa encefálica, ao hipotálamo e à hipó�se, que estão presentes nessa região, pois qualquer incidência pode desencadear comprometimento funcional e desencadear alterações gênicas que podem culminar com o aparecimento de tumores. POSICIONAMENTO ANATÔMICO NA FORMAÇÃO DAS IMAGENS RADIOLÓGICAS UTILIZANDO DIFERENTES TÉCNICAS O posicionamento correto dos pacientes é extremamente importante para a aquisição de imagens que podem ser devidamente interpretadas. Qualquer erro de posicionamento pode desencadear erro de interpretação das imagens ou mesmo falta de diagnóstico apropriado precocemente. Sabendo que a posição anteroposterior se refere à separação do corpo entre frente e atrás, é importante que conheçamos a anatomia dessas regiões para evitar erros de interpretação. Por isso, é importante o conhecimento sobre o que são indivíduos normais, ou seja, que apresentam posição correta dos órgãos, e o que são aqueles que apresentam variação anatômica, anomalia ou monstruosidade. A variação anatômica não acarreta prejuízo funcional, apesar de apresentar diferenças morfológicas internas e/ou externas. Os exemplos mais clássicos são hipospádia (abertura da uretra masculina em posição incorreta) e sindactilia (membrana entre os dedos). As anomalias desencadeiam prejuízo funcional, ou seja, o sistema deixa de funcionar corretamente. Um exemplo clássico é a polidactilia (excesso de dedos na mão). Já as monstruosidades é toda alteração incompatível com a vida devido à morfologia e função incorreta. Exemplos desse tipo de patologia são a agenesia cerebral (falta de massa encefálica e/ou calota craniana) e gêmeos xifópagos (também conhecidos como siameses). Além disso, precisamos descrever a estratigra�a, pois nas imagens radiológicas será possível identi�car o contorno dos órgãos. A partir da pele, temos tela subcutânea, músculos, vasos sanguíneos, fáscia muscular e osso. A coluna pode executar movimento de �exão e extensão quando identi�cada pelo plano sagital; �exão lateral quando identi�cada pelo plano frontal; e movimento rotativo, pelo transverso. O ombro é capaz de executar movimento de �exão e extensão identi�cado pelo plano sagital; abdução e adução, pelo plano frontal; e rotação interna e externa, pelo plano transverso. O quadril realiza �exão e extensão (plano sagital), abdução e adução (plano frontal) e rotação interna e externa (plano transverso). O tornozelo realiza dorsi�exão e �exão plantar (plano sagital), inversão e eversão (plano frontal) e rotação interna e externa (plano transverso). A análise minuciosa dos planos anatômicos nos remete a pensar sobre como o movimento executado pelo paciente durante a realização do exame é crucial para entender por que pode ocorrer sombreamento nas imagens radiológicas. Para que esses planos sejam perfeitamente executados, precisamos conhecê-los em detalhes e como se relacionam a possíveis patologias envolvidas, por exemplo, na coluna. A escoliose é uma deformidade rotacional da coluna e das costelas e, apesar da causa ser desconhecida, já se sabe que existe uma ampla variedade de condições congênitas, neuromusculares, mesenquimais e traumáticas que podem estar associadas a ela. Esse tipo de deformidade aparece quando há rotação vertebral e curvatura lateral, o que pode levar, consecutivamente, à rotação das costelas. Associada a elas também são encontradas as cifoses e lordoses, as quais permitem que o disco vertebral, que faz o coxim, permaneça ainda mais rígido. A implicação é que, caso não diagnosticado através dos exames radiológicos e tratado precocemente, pode ocorrer perda da movimentação que pode até evoluir para paralisia. AS POSIÇÕES ANATÔMICAS PARA AQUISIÇÃO DAS IMAGENS RADIOLÓGICAS Para aplicarmos os conhecimentos obtidos nos blocos anteriores, veremos alguns casos clínicos. • Caso 1: mulher, 37 anos, recorre ao serviço médico de saúde após sentir dores muito fortes na coluna. Ela relata que as dores apareceram quando era ainda criança, momento em que foi diagnosticada com escoliose. Sabendo que a escoliose é um tipo de curvatura patológica da coluna vertebral, identi�que os principais exames que podem ser realizados para que essa paciente tenha o diagnóstico correto e possa acompanhar a evolução do tratamento. O melhor exame para identi�car a patologia seria a radiogra�a convencional. Nesse tipo de imagem, identi�ca- se que as vértebras da coluna estão em posições diferentes e que são consideradas patológicas. Além desse tipo de exame, temos a tomogra�a computadorizada; nesse caso, como a imagem é gerada corte a corte, �ca fácil identi�car onde está ocorrendo alteração na espessura do disco intervertebral.Em pacientes que sofrem de escoliose, pode-se utilizar também fotogrametria computadorizada para detecção de escoliose idiopática. Nesse caso, a análise angular de movimento e postura corporal através da aquisição de uma imagem estática, que é conhecida como fotogrametria, permite ao médico que está acompanhando a paciente quanti�car e quali�car a avaliação da postura e do movimento corporal. • Caso 2: adolescente, 12 anos, sexo feminino, estava apresentando puberdade atrasada, pescoço curto (também denominado pescoço alado) e baixa estatura em comparação à dos pais. O médico da unidade básica de saúde que a atendeu suspeitou de Síndrome de Turner, a qual faz com que ocorram dois cromossomos X; porém, um deles, o herdado do pai, não está funcional. Além do diagnóstico clínico, como o médico poderia fazer para comprovar, através de exames de imagem, que a paciente apresenta Síndrome de Turner? Pode ser realizada radiogra�a convencional, em que se identi�caria a espessura dos ossos e o seu tamanho. Com esse cenário e a associação à sintomatologia clínica da paciente, será possível identi�car que ela está apresentando alteração de crescimento e, assim, o diagnóstico poderá ser fechado. Além disso, até pode ser realizada uma tomogra�a computadorizada para identi�car os ossos longos do corpo ou uma tomogra�a de crânio para identi�car se há problemas na hipó�se que possam estar afetando o crescimento da paciente. Os tumores ósseos podem ser detectados através de radiogra�a convencional ou de tomogra�a computadorizada. Esse exame apresentará margens irregulares ao invés de uma margem sólida e uniforme, como o esperado. O técnico em radiologia é o responsável para posicionar bem o paciente para o exame e, juntamente com o médico radiologista, ajudar a laudá-lo. A con�rmação �nal da malignidade do tumor virá somente com a biópsia. Com esses exemplos você será capaz de compreender como é realizada a aplicação dos exames radiológicos para detecção de patologias. VÍDEO RESUMO Olá, estudante! Neste vídeo você terá a oportunidade de conhecer os diferentes tipos de planos e eixos anatômicos que são utilizados para posicionar melhor o paciente nos exames radiológicos e, assim, adquirir a melhor imagem para facilitar o diagnóstico e iniciar o possível tratamento do paciente. Nesse contexto, conhecer em detalhes os possíveis tipos de imagens radiológicas que podem ser obtidas e como podem ser diferenciadas é essencial para o bom diagnóstico. Vamos lá! Saiba mais Para complementar seu estudo, sugere-se a leitura do artigo Aplicação de imagens de ressonância magnética na avaliação de lesões por movimento do tornozelo. Nesse artigo, você será capaz de compreender mais detalhes sobre os fatores que in�uenciam o diagnóstico de imagens de recursos magnéticos (RM) com base no modelo de algoritmo de regressão linear. O artigo está disponível para leitura em: https://www.scielo.br/j/rbme/a/Vgks8zbSXnVZ4LLjbgcv3Gk/abstract/?format=html&lang=pt Para visualizar o objeto, acesse seu material digital. Aula 3 POSICIONAMENTOS Estudante, começaremos o estudo desta aula descrevendo o correto posicionamento do paciente para os exames radiológicos, que compreende a posição ortostática, em decúbito lateral e em decúbito ventral. https://www.scielo.br/j/rbme/a/Vgks8zbSXnVZ4LLjbgcv3Gk/abstract/?format=html&lang=pt INTRODUÇÃO Estudante, começaremos o estudo desta aula descrevendo o correto posicionamento do paciente para os exames radiológicos, que compreende a posição ortostática, em decúbito lateral e em decúbito ventral. A posição ortostática deve ocorrer em pé, como no caso dos exames de radiogra�a convencional de tórax; a em decúbito lateral permitirá identi�car os órgãos localizados lateralmente, como o baço ou mesmo os rins; já em decúbito ventral, é possível identi�car os órgãos abdominais. Aproveite esta aula e estude para que seu conhecimento aumente cada vez mais e para que, dessa forma, consiga ajudar cada vez mais pessoas. PLANOS ANATÔMICOS PARA AS IMAGENS RADIOLÓGICAS O estudo da anatomia necessita de um vocabulário clínico que de�ne posição, relação e planos de referência, bem como os sistemas do corpo humano. O estudo da anatomia pode ser conduzido pelas regiões ou pelos sistemas orgânicos do corpo. Por convenção, as descrições anatômicas do corpo humano são relacionadas com a posição anatômica dele ou também com a posição ortostática. E o que isso signi�ca? O corpo deve estar em posição ereta, com a face voltada para frente, os membros superiores devem estar junto ao corpo, com as palmas das mãos voltadas também para frente, e os membros inferiores devem estar unidos, com os pés voltados para frente. Qualquer alteração da posição descrita pode ser indicativa de alterações tensionais, caso em que pode ocorrer diminuição rápida do retorno venoso do coração, fato que pode resultar em redução do enchimento ventricular e causar diminuição do débito cardíaco e da pressão arterial. Em longo prazo, pode ser danoso para o paciente. Pacientes que estão em decúbito lateral podem estar deitados sobre o lado direito ou o esquerdo; e aqueles que estão em decúbito ventral estão deitados sobre o abdome. É comum ocorrer confusão entre os termos referenciados no posicionamento anatômico radiográ�co e a incidência radiológica. O posicionamento radiográ�co determina a posição que o paciente vai �car durante a realização do raio-X e in�uencia diretamente na perspectiva de visualização do exame, na qualidade da imagem e também na interpretação do laudo. A incidência radiológica, por sua vez, está relacionada à incidência da radiação oriunda do aparelho de raio-X ou mesmo dos demais aparelhos radiológicos. É onde a radiação entra e sai após ser direcionada para a parte do corpo a ser gravada e projetada. Qualquer erro nessas posições pode acarretar interpretações errôneas e levar ao diagnóstico incorreto ou tardio sobre as patologias. Os erros podem ser de interpretação, que ocorrem por falta de conhecimento sobre as posições anatômicas, ou podem acontecer pela pressa em entregar os resultados dos exames e pelo excesso de trabalho. Posições laterais devem permitir a observação de órgãos internos e, para isso, precisam ser bem estabelecidas. Quando é solicitada a posição em decúbito dorsal, precisa-se ter o cuidado de pedir ao paciente que esteja com o intestino o mais vazio possível, pois, caso contrário, poderá acarretar falhas na interpretação das imagens, especialmente do peritônio, que está localizado posteriormente. 22 minutos Também precisam ser levados em consideração os seguintes fatores: nitidez dos registros, ângulo de observação e densidade e proximidade entre a estrutura e o aparelho de raio-X. Hoje em dia se sabe que as imagens geradas por meio digital apresentam qualidade in�nitamente superior às que eram geradas pelos meios impressos. Nesse caso, a qualidade das imagens prejudicava muito a interpretação, problema que, hoje, não acontece mais. POSICIONAMENTO ANATÔMICO NA FORMAÇÃO DAS IMAGENS RADIOLÓGICAS UTILIZANDO DIFERENTES TÉCNICAS O posicionamento correto dos pacientes é extremamente importante para a aquisição de imagens apropriadas e de qualidade que possam ser examinadas pelos médicos para que os pacientes recebam o devido diagnóstico. Com o objetivo de padronizar a análise e interpretação das imagens radiográ�cas, existe um consenso sobre a perspectiva adotada na hora de descrever os achados do exame. A dica é sempre pensar que o paciente se encontra na posição anatômica ou ortostática e que está sendo observada de frente pelo técnico em radiologia. A posição anatômica se refere à pessoa de pé, com os braços esticados, pés retos, palmas das mãos viradas para frente e olhando para o horizonte. Partindo desse posicionamento em radiologia, �ca mais simples colocar o paciente na posição geral pedida pelo médico que solicitou o raio-X. O ortostatismo é a posição ortostática que se refere ao paciente em pé e ereto,sendo este o exemplo clássico de posição anatômica. No decúbito dorsal, o paciente encontra-se deitado sobre o dorso, ou seja, com a barriga para cima. As palavras dorso e dorsal originam-se de um corte padrão especí�co da radiologia, chamado plano médio coronal, ou linha, que divide o corpo em parte anterior e posterior. A parte anterior se refere à frente e a posterior à parte de trás. O decúbito ventral é a posição contrária ao decúbito dorsal e, nela, o paciente �ca deitado sobre o abdome. No decúbito lateral, o paciente �ca deitado sobre um dos lados do corpo, direito ou esquerdo. Além dessas, podemos encontrar outras terminologias, como Fowler. Para esse posicionamento, a mesa do aparelho de raio-X deve ser inclinada e o paciente precisa deitar-se de barriga para cima, ou seja, em decúbito dorsal, com a cabeça mais alta que os pés. Outra terminologia encontrada é a SIM, posição equivalente a um semidecúbito ventral, ou seja, o paciente �ca parcialmente deitado sobre o abdome. Exames de litotomia fazem menção à posição utilizada para exames ginecológicos, nos quais a paciente se deita com o abdome para cima, ou seja, em decúbito dorsal, e apoia as pernas no suporte do equipamento, de maneira que �quem afastadas. Em Trendelenburg, assim como no Fowler, é necessário inclinar bem a mesa do equipamento de raio-X. Em seguida, o paciente se deita em decúbito dorsal, com a cabeça mais baixa que os pés. Também é importante saber que o raio X atravessa a parte do corpo a ser examinada e é absorvido pelas estruturas anatômicas. As partículas que não foram absorvidas se chocam com uma placa sensível a elas, presente na mesa do equipamento de raio-X. Dependendo da posição radiológica, essa placa pode estar embaixo ou atrás do paciente. Quanto mais partículas atravessarem a estrutura anatômica, mais escura será a imagem. Órgãos menos densos, por exemplo, deixam passar grande parte da radiação ionizante, que se choca com a placa e queima o material fotossensível, e, por isso, aparecem escuros nas imagens radiográ�cas. Já tecidos mais densos e duros, como os ossos, absorvem a maior parte dos raios X e aparecem claros nas imagens. AS POSIÇÕES ANATÔMICAS PARA AQUISIÇÃO DAS IMAGENS RADIOLÓGICAS Para aplicarmos os conhecimentos obtidos nos blocos anteriores, veremos alguns casos clínicos a seguir. • Caso 1: mulher, 37 anos, recorre ao atendimento emergencial queixando-se de dor na face, em forma de pressão, tosse, dores fortes na cabeça, obstrução nasal e episódios de febre. Após o atendimento, foi realizada uma radiogra�a dos seios da face, que identi�cou obstrução. Frente a esse quadro, a paciente foi, então, diagnosticada com sinusite. A partir disso, re�ita e associe os sintomas que a paciente apresentou com o diagnóstico obtido. A paciente apresentou dores na face e na cabeça em virtude do excesso de produção de muco, que levou à obstrução nasal e dos seios da face. Como ela apresentou quadro febril, isso nos faz pensar em uma sinusite de origem bacteriana, sendo mais comum a do tipo Haemophilus in�uenza. Nesse contexto, qual seria o exame mais indicado para detectar uma obstrução nasal, como a sinusite? Radiogra�a convencional. • Caso 2: mulher, 38 anos, grávida de 35 semanas, buscou atendimento emergencial queixando-se de fortes contrações. Após realizado o atendimento, foi constatada a necessidade de uma cesariana. A bebê nasceu com 35 semanas, pesando 1,250 kg e com 38 cm de altura. Como não chorou ao nascer, foi feito o procedimento de reanimação respiratória juntamente com a indução de surfactante exógeno. Diante desse cenário, re�ita por que foi necessária a indução de surfactante exógeno. Foi necessário, pois, no período do nascimento, a quantidade de pneumócito II e, consequentemente, de surfactante é muito pequena e insu�ciente para manter os alvéolos pulmonares distendidos e, portanto, passíveis de realizar as trocas gasosas. Como estão fechados ou atelectasiados, aparecerão radiopacos nas imagens radiográ�cas. Para esses pacientes, podem ser realizadas também tomogra�as computadorizadas. • Caso 3: homem, 60 anos, tabagista há 30, busca atendimento queixando-se de di�culdade para respirar, tosse persistente, chiado no peito constante e perda de peso sem motivo aparente. Durante a avaliação clínica do paciente, foi sugerida a realização de uma tomogra�a que evidenciou destruição do parênquima alveolar, o que levou ao diagnóstico de en�sema. Frente a esse cenário, re�ita sobre as causas que levaram ao desenvolvimento do en�sema. A destruição do parênquima alveolar ocorreu pela perda das �bras elásticas, o que acarretou o colabamento alveolar. Um exame adicional para con�rmação do en�sema pulmonar é a espirometria. • Caso 4: homem, 29 anos, trabalhador de uma mineradora há cerca de 10, passou a apresentar um quadro de dispneia, cianose nas extremidades e di�culdade para respirar. Esse paciente buscou atendimento com essas queixas e, diante disso, foi indicada a realização de uma radiogra�a seriada de tórax, a qual constatou a presença de �brose pulmonar. A partir disso, o homem foi diagnosticado com silicose, um tipo de pneumoconiose. Tendo isso em vista, re�ita sobre o desenvolvimento da silicose no paciente. Nesse caso, pode-se dizer que ocorreu a destruição das �bras colágenas e elásticas encontradas no interstício das paredes alveolares, reduzindo a capacidade de disfunção pulmonar. Com esses exemplos você será capaz de compreender como é realizada a aplicação dos exames radiológicos para detecção de patologias. VÍDEO RESUMO Olá, estudantes! Neste vídeo você terá a oportunidade de conhecer os diferentes tipos de posições anatômicas que podem facilitar o dia a dia do técnico em radiologia no que diz respeito ao posicionamento dos pacientes para a realização dos exames radiológicos. As posições referenciadas são: anatômica ou ortostática, decúbito lateral e decúbito ventral. Nesse contexto, conhecer em detalhes os possíveis tipos de imagens radiológicas que podem ser obtidas e como podem ser diferenciadas é essencial para o bom diagnóstico. Vamos lá! Saiba mais Para complementar seu estudo, sugere-se a leitura do artigo Use of the prone position in pregnant women with COVID-19 or other health conditions, dos autores Cavalcante e colaboradores (2021). A partir desse trabalho, você será capaz de compreender mais detalhes sobre as posições de pronação executadas em pacientes com COVID-19 para tratar a síndrome do desconforto respiratório e como as tomogra�as computadorizadas foram importantes para esse diagnóstico. O artigo está disponível para leitura em: https://www.scielo.br/j/rlae/a/4LGtTD4MBndXvwFJKqfvnFQ/?format=pdf. Para visualizar o objeto, acesse seu material digital. INTRODUÇÃO Aula 4 RECONSTRUÇÃO DE IMAGENS Lorem ipsum dolor sit amet, consectetur adipiscing elit. Ut vehicula sapien metus. Aenean leo massa, aliquet vel hendrerit vitae, convallis id enim. 21 minutos https://www.scielo.br/j/rlae/a/4LGtTD4MBndXvwFJKqfvnFQ/?format=pdf Estudante, começaremos esta aula estudando como ocorre a reconstrução das imagens geradas a partir dos exames radiológicos. As metodologias utilizadas envolvem a reconstrução multiplanar (MPR), as projeções de intensidade e as inovações advindas da reconstrução 3D com a presença de softwares bem atualizados. Essa etapa dos exames radiológicos é de extrema importância tanto para o técnico em radiologia como para o médico radiologista, pois, se a reconstrução ocorrer erroneamente, todo o trabalho de interpretação �cará incorreto. Aproveite esta aula e estude para que seu conhecimento aumente cada vez mais e para que, dessa forma, consiga ajudar cada vez mais pessoas. RECONSTRUÇÃO DE IMAGENS RADIOLÓGICAS O conhecimento sobre a reconstrução das imagens radiológicas é de extrema importância para a interpretação dos exames radiológicos. O foco desse procedimento são os exames realizados através da tomogra�a computadorizada. Antigamente a quantidade de imagensera muito pequena e com pouca qualidade devido, principalmente, à limitação dos equipamentos. Por exemplo, as imagens de coração, ou mesmo as de pulmão, eram bem difíceis de realizar, o que di�cultava ainda mais o diagnóstico. Com a evolução da tecnologia dos equipamentos, passou a ser possível adquirir exames em menos tempo e com menor dose de radiação. A primeira técnica de reconstrução é a reconstrução multiplanar, seguida da projeção de intensidade máxima ou mínima (Mip/Minip) e �nalizando com a reconstrução em 3D (software). • A reconstrução multiplanar (MPR) permite a formação de imagens em diferentes orientações através de �guras já prede�nidas. As imagens formadas são de excelente qualidade e podem permitir a observação de determinada área do exame em várias direções, permitindo, assim, a melhora na qualidade do diagnóstico. O médico consegue avaliar o exame em diferentes cortes, como o coronal, o axial ou mesmo o sagital, permitindo a reconstrução tridimensional da estrutura. • Na projeção de intensidade máxima ou mínima (Mip/Minip), aplica-se a atenuação de intensidade em uma estrutura especí�ca ou em várias estruturas ao mesmo tempo e, dessa forma, permite-se a manipulação das imagens de tomogra�a. O ideal é que ocorra o realce de estruturas muito pequenas, como bronquíolos e pequenos vasos sanguíneos. Para facilitar, utiliza-se essa ferramenta nos exames de tomogra�a computadorizada, pois é um apoio importante para a localização de en�semas, cistos ou nódulos pulmonares. Também pode-se veri�car a presença de cálculos biliares e cistos biliares, além de cálculos renais (sialólito). • Reconstrução em 3D (software): são sistemas que utilizam gestão de imagens e que permitem a utilização de ferramentas auxiliares para criar uma visão tridimensional do exame. Esse tipo de software é extremamente útil na avaliação de lesões ósseas e fraturas. Outra aplicação ocorre no momento do pré-operatório para vários tipos de cirurgia, pois, com esse resultado, o médico consegue fazer uma avaliação completa das estruturas que sofrerão intervenções. Qual a importância de compreender o funcionamento dos equipamentos e o uso dessas diferentes tecnologias? É que a manipulação de imagens permite um melhor planejamento de cirurgias para que elas se tornem cada vez menos invasivas e que causem cada vez menos desconforto para o paciente. A reconstrução de imagem utiliza a retroprojeção é também um método somatório ou método de superposição linear, sendo o mais simples de se reconstruir. Esse conjunto de dados passa por processadores que precisam ser cada vez melhores e é analisado por meio de unidades grá�cas de processamento denominadas Graphic Processing Unit (GPU). Essas unidades permitem que o cálculo seja obtido mais rapidamente. RECONSTRUÇÃO ANATÔMICA NA FORMAÇÃO DAS IMAGENS RADIOLÓGICAS A tomogra�a computadorizada é um método diagnóstico que permite a geração de várias imagens de cortes anatômicos, cujo fator limitante é o contraste obtido através da absorção diferenciada dos feixes de raios X pelos tecidos do corpo humano. Assim, pode-se dizer que a imagem gerada é digital, pois necessita de um computador para o processamento adequado. Para formar as imagens a serem reconstruídas, veri�ca-se se são compostas por pixels que representam diferentes tonalidades de cinza, muito mais que os cinco padrões identi�cados na radiogra�a convencional. Elas são, dessa forma, utilizadas para o diagnóstico de doenças, para o acompanhamento de tratamento e como radioterápicos. Quando se pensa a interação entre a radiação e os tecidos vivos, pensa-se logo nos efeitos deletérios que a radiação provoca nas células, causando modi�cações no DNA das células que compõem esses tecidos e que podem levar à ocorrência de tumores. As alterações nos parâmetros de aquisição das imagens podem ocasionar uma alteração na obtenção da imagem reconstruída de forma relevante, porém há necessidade de redução dos efeitos que a radiação pode ocasionar nos tecidos e evitar erros de interpretação. Os processos de obtenção das imagens utilizam técnicas de atenuação do feixe que incide no local de interesse. No processo de projeção inversa, utiliza-se um feixe luminoso em que as incidências são realizadas em diferentes ângulos; assim, uma projeção das sombras geradas pelo objeto em vários ângulos de incidência da luz gera a imagem de corte axial do objeto. Quanto maior o número de incidências, melhor a qualidade da imagem gerada. Nos dias atuais, as imagens obtidas nos processos de tomogra�a computadorizada são do formato DICOM, sendo este o padrão de�nido para as imagens biomédicas. A única desvantagem é que esse padrão não é suportado por softwares especí�cos utilizados para a reconstrução das imagens, como Inversalius, ImageJ, Paintnet, etc., sendo necessária a conversão das imagens do formato DICOM para o TIFF, o que, naturalmente, já faz a imagem perder um pouco de sua qualidade. Como a técnica utiliza radiação ionizante, deve-se avaliar os efeitos danosos às estruturas do corpo humano, lembrando que, em crianças, os efeitos danosos são mais graves do que nos adultos. Tendo isso em vista, que tipo de efeitos danosos podem ser identi�cados? Aparecimento de tumores, retardo mental, doenças cardiovasculares, doenças digestivas, entre outras. Com essas informações, observa-se uma melhora na qualidade da avaliação do médico e na utilização dos aparelhos, uma vez que esses fatores in�uenciam diretamente o tratamento e a conduta do médico frente às patologias. Os tipos de reconstrução de imagem podem variar de acordo com o tipo de tecnologia disponível, porém sabe- se que os modelos de reconstrução 3D são os mais modernos e, portanto, acabam apresentando custo mais elevado e não acessível a todos. Inclusive, nem todos os exames precisam de reconstrução 3D. CONTEXTUALIZAÇÃO CLÍNICA DA RECONSTRUÇÃO DAS IMAGENS RADIOLÓGICAS Para aplicarmos os conhecimentos obtidos nos blocos anteriores, traremos, para discussão, alguns casos clínicos. • Caso 1: mulher, 43 anos, busca atendimento relatando perda de peso sem explicação, fraqueza, cansaço, náuseas. Queixa-se também de alterações menstruais que têm se tornado frequentes. Após realizar os exames laboratoriais e detectar alterações nos exames relacionados com os hormônios hipo�sários, o médico suspeitou que a paciente estivesse apresentando alterações na hipó�se que podem favorecer o aparecimento de tumores. Nesse contexto, qual o melhor exame para a detecção desse tipo de tumor? O melhor exame é a tomogra�a computadorizada, e o próximo desa�o é fazer a avaliação da reconstrução dessas imagens. Nesse caso, foi utilizada a técnica de reconstrução das imagens de tomogra�a computadorizada 3D, a qual permite analisar, a partir de uma posição, a interpretação de várias imagens visando à análise tridimensional. Com uma investigação bem detalhada dessas imagens, será possível diagnosticar o tumor e veri�car se é possível operar esse tumor. Esse procedimento não é invasivo. • Caso 2: mulher, 26 anos, grávida de 24 semanas, estava em uma consulta pré-natal padrão quando foi questionada sobre possíveis alterações que o feto estava apresentando nas análises ultrassonográ�cas. Nesse contexto, o médico sugere que, para sanar as dúvidas, poderia ser realizada uma tomogra�a computadorizada, porém esse procedimento é contraindicado para pacientes nessas condições. Por quê? O procedimento de tomogra�a computadorizada é excelente para pessoas em várias condições deferentes, porém não é recomendado para pacientes gestantes devido à presença de radiação ionizante, que pode desencadear alterações no DNA, levando a mutações que podem até desencadear a perda fetal ou malformações. Mesmo utilizando uma menor dose de radiação, esse tipo de exame não deve ser realizado. Outra aplicação muito comum das tomogra�as computadorizadas utilizando a reconstrução das imagens 3D é a identi�cação dos tumores ósseos, os quais desencadeiam alteraçõesna estrutura óssea e alterações na medula óssea. A reconstrução 3D pode identi�car com precisão qual célula está comprometida. Em situações em que há hepatoesplenomegalia, a reconstrução 3D pode ser extremamente útil para identi�car a extensão da lesão, o grau de comprometimento e também se é possível o tratamento para esse caso. O pâncreas é um órgão extremamente sensível à radiação ionizante, porém o exame de tomogra�a computadorizada é o único exame capaz de detectar precocemente esse tipo de tumor. Através do exame é possível determinar se o órgão poderá ou não ser alterado. A presença de tumores pancreáticos no estágio inicial não pode ser detectada, porém pacientes com tumores em estágio mais avançado podem apresentar fadiga, perda de apetite, náuseas, icterícia e urina escura. Com esses exemplos, você, estudante, será capaz de compreender como é realizada a aplicação dos exames radiológicos para detecção de patologias. VÍDEO RESUMO Olá, estudante! Neste vídeo você terá a oportunidade de conhecer os diferentes tipos de reconstrução anatômica que podem facilitar o entendimento do técnico em radiologia quanto às imagens e auxiliar o médico radiologista a diagnosticar corretamente o paciente. Nesse contexto, conhecer em detalhes os possíveis tipos de imagens radiológicas que podem ser obtidos e como podem ser diferenciados é essencial para o bom diagnóstico. Vamos lá! Saiba mais Para complementar seu estudo, sugere-se a leitura do artigo Afecções ósseas da articulação temporomandibular: protocolos em tomogra�a computadorizada. Disponível em: https://pesquisa.bvsalud.org/portal/resource/pt/biblio-873024 . Acesso em: 07 abr. 2022. Você também poderá pesquisar no artigo Alinhamento de imagens de profundidade na reconstrução 3D de objetos de forma livre, mais informações sobre os assuntos da aula: https://repositorio.unb.br/handle/10482/4989. Acesso em: 07 abr. 2022. Para visualizar o objeto, acesse seu material digital. Aula 1 BRANT, W. E.; HELMS, C. A. Fundamentos de Radiologia: diagnóstico por imagem. 4. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2015. DUGANI, S. et al. Anatomia clínica – Integrada com exame físico e técnicas de imagem. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2017. MARTINI, F. H. et al. Anatomia e �siologia humana: uma abordagem visual. São Paulo: Pearson Education do Brasil, 2014. PRANDO, A.; MOREIRA, F. A. Fundamentos de Radiologia e Diagnóstico por Imagem. 2. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2014. REFERÊNCIAS 7 minutos https://pesquisa.bvsalud.org/portal/resource/pt/biblio-873024 ttps://pesquisa.bvsalud.org/portal/resource/pt/biblio-873024 https://repositorio.unb.br/handle/10482/4989 SILVA, L. P. et al. Luxação glenoumeral anterior bilateral: caso clínico. Rev. Bras. Ortop., São Paulo, v. 46, n. 3, 2011. Disponível em: https://www.scielo.br/j/rbort/a/4ssBJCYzVzX7ZHyj474dC4g/?lang=en. Acesso em: 05 abr. 2022. Aula 2 BRANT, W. E.; HELMS, C. A. Fundamentos de Radiologia: diagnóstico por imagem. 4. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2015. DUGANI, S. et al. Anatomia clínica – Integrada com exame físico e técnicas de imagem. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2017. MARTINI, F. H. et al. Anatomia e �siologia humana: uma abordagem visual. São Paulo: Pearson Education do Brasil, 2014. PRANDO, A.; MOREIRA, F. A. Fundamentos de Radiologia e Diagnóstico por Imagem. 2. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2014. RAO, Fan. Aplicação de imagens de ressonância magnética na avaliação de lesões por movimento do tornozelo. Revista Brasileira de Medicina do Esporte , v. 27, p. 253-256, 2021. Aula 3 BRANT, W. E.; HELMS, C. A. Fundamentos de Radiologia: diagnóstico por imagem. 4. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2015. CAVALCANTE, F. M. L. et al. Use of the prone position in pregnant women with COVID-19 or other health conditions. Rev. Latino-Am. Enfermagem, [S. l.], v. 29, 2021. Disponível em: https://www.scielo.br/j/rlae/a/4LGtTD4MBndXvwFJKqfvnFQ/?format=pdf. Acesso em: 05 abr. 2022. DUGANI, S. et al. Anatomia clínica – Integrada com exame físico e técnicas de imagem. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2017. MARTINI, F. H. et al. Anatomia e �siologia humana: uma abordagem visual. São Paulo: Pearson Education do Brasil, 2014.PRANDO, A.; MOREIRA, F. A. Fundamentos de Radiologia e Diagnóstico por Imagem. 2. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2014. Aula 4 ALBUQUERQUE, Landecir Alves de. Alinhamento de imagens de profundidade na reconstrução 3D de objetos de forma livre. 2006. BRANT, W. E.; HELMS, C. A. Fundamentos de Radiologia: diagnóstico por imagem. 4. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2015. https://www.scielo.br/j/rbort/a/4ssBJCYzVzX7ZHyj474dC4g/?lang=en https://www.scielo.br/j/rlae/a/4LGtTD4MBndXvwFJKqfvnFQ/?format=pdf CAVALCANTE, F. M. L. et al. Use of the prone position in pregnant women with COVID-19 or other health conditions. Rev. Latino-Am. Enfermagem, [S. l.], v. 29, 2021. Disponível em: https://www.scielo.br/j/rlae/a/4LGtTD4MBndXvwFJKqfvnFQ/?format=pdf. Acesso em: 07 abr. 2022. DUGANI, S. et al. Anatomia clínica – Integrada com exame físico e técnicas de imagem. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2017. GAIA, Bruno Felipe; CAVALCANTI, Marcelo Gusmão Paraiso. Afecções ósseas da articulação temporomandibular: protocolos em tomogra�a computadorizada. Rev. Assoc. Paul. Cir. Dent, p. 297-302, 2005. MARTINI, F. H. et al. Anatomia e �siologia humana: uma abordagem visual. São Paulo: Pearson Education do Brasil, 2014.PRANDO, A.; MOREIRA, F. A. Fundamentos de Radiologia e Diagnóstico por Imagem. 2. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2014. https://www.scielo.br/j/rlae/a/4LGtTD4MBndXvwFJKqfvnFQ/?format=pdf Imprimir IDENTIFICAR OS OSSOS 91 minutos Aula 1 - Membros superiores Aula 2 - Membros inferiores Aula 3 - Coluna vertebral Aula 4 - Crânio e face Referências INTRODUÇÃO Começaremos nosso estudo descrevendo os principais tipos de ossos encontrados nos membros superiores. Após uma introdução sobre a composição dos ossos, veremos os principais acidentes ósseos envolvidos na formação destes ossos, mesmo sabendo que eles não apresentam características patológicas. Por �m, conheceremos as principais fraturas e lesões que podem ocorrer durante o desenvolvimento embrionário e durante toda a vida do indivíduo para compreendermos a importância deste campo de saber. Aproveite esta aula e estude para que seu conhecimento aumente cada vez e, dessa forma, consiga ajudar cada vez mais pessoas! OSSOS DO MEMBRO SUPERIOR Os membros superiores constituem o esqueleto apendicular, e cada membro superior é formado por 30 ossos que estão localizados em: • O úmero no braço. • A ulna e o rádio no antebraço. Os 8 ossos que compõem o carpo (punho), os ossos metacarpais (palma) e as 14 falanges na mão (Figura 1) Figura 1 | Mão: ossos do carpo, metacarpo e falanges Aula 1 MEMBROS SUPERIORES Começaremos nosso estudo descrevendo os principais tipos de ossos encontrados nos membros superiores. Após uma introdução sobre a composição dos ossos, veremos os principais acidentes ósseos envolvidos na formação destes ossos, mesmo sabendo que eles não apresentam características patológicas. 21 minutos Figura 2 | Radiogra�a de braço Fonte: Shutterstock. Fonte: Pixabay O úmero, ou o osso do braço, apresenta o maior comprimento do membro superior. Ele está associado distalmente ao rádio e à ulna, formando a articulação do cotovelo. Proximalmente, se liga à escápula, forma o cíngulo com o ombro e se articula com a cavidade glenoidal, possibilitando ao ombro fazer suas rotações. A ulna, por sua vez, se refere ao dedo mínimo. Ela está presente na parte medial do antebraço, e sua principal característica é possuir um comprimento maior do que o do rádio. É neste osso que encontramos o olécrano, uma proeminência protuberante no cotovelo. Paralelamente, o rádio refere-se ao polegar e está localizado na parte lateral do antebraço. O carpo (o punho móvel) é a região proximal da mão formada por oito ossos pequenosdenominados ossos carpais, que se mantêm unidos através de ligamentos altamente �brosos. As articulações entre eles são denominadas articulações intercarpais, as quais permitem apertar ou soltar um objeto. Para melhor classi�car os ossos do carpo que estão presentes na �leira proximal, temos: escafoide, semilunar, piramidal e pisiforme. Eles se articulam com as extremidades distais, tanto do rádio quanto da ulna, formando a articulação radiocarpal. Na �leira distal, encontramos: o trapézio, o trapezoide, o capitato e o hamato, sendo que o penúltimo apresenta comprimento bem maior do que o do último. A compreensão da nomenclatura é importante para entender o nome do osso – por exemplo, o hamato recebe este nome em razão de uma grande projeção em forma de gancho em sua face posterior que se articula com o capitato. O túnel do carpo (Figura 3) é uma estrutura complexa formada por músculos e ossos que se articulam e podem gerar in�amações. É composto pelo hamato, escafóide e trapézio, associado a inúmeros músculos �exores que permitem sua movimentação. Em seguida, encontramos as 14 falanges, localizadas nos cinco dedos das mãos, os quais são enumerados de I a V, começando do polegar em direção ao dedo mínimo (lateral para medial). Estes ossos são denominados metacarpais. Os dedos: indicador, dedo médio, dedo intermediário e mínimo apresentam três falanges cada – salvo o dedo polegar, que apresenta apenas duas falanges: proximal e distal. Quando observamos apenas um único osso do dedo, denominamos este osso de falange, e cada falange é constituída por uma base proximal, uma diá�se intermediária e uma cabeça distal. Figura 3 | Túnel do Carpo Fonte: Wikimedia Commons. INTERPRETAÇÃO – ACIDENTES ÓSSEOS ENCONTRADOS NOS MEMBROS SUPERIORES A partir dos conceitos obtidos em relação aos ossos que compõem os membros superiores, estudaremos os principais acidentes ósseos em cada um deles. É possível considerar inúmeras dessas irregularidades como �siológicas para executar as funções dos ossos. Vejamos o caso do úmero, principalmente em sua porção distal. O capítulo é uma espécie de protuberância localizada na porção lateral que apresenta formato arredondado (esse acidente ósseo que se articula com a cabeça do rádio). Encontramos, também, a fossa radial, uma depressão localizada na porção anterior (bem acima do capítulo), que permite �exionar o antebraço, pois se articula com o rádio. Já a fossa coronoide é uma depressão localizada na porção anterior do úmero e se associa com o processo coronoide para que o antebraço consiga ser �exionado. A fossa do olécrano é a maior depressão localizada na porção posterior e, como se associa com a ulna, permite que o antebraço seja estendido. Neste cenário, encontramos o nervo ulnar, que permite a movimentação dos dedos – é neste nervo que sentimos uma sensação de “choque” quando batemos o cotovelo. Na ulna, também são observados inúmeros processos, como, por exemplo, a incisura troclear, que é uma área enorme entre o olécrano e o processo coronoide. Esta incisura auxilia a articulação do cotovelo. A incisura radial é uma depressão localizada na porção lateral e inferior da ulna e se articula com a cabeça do rádio. Para a movimentação do músculo braquial, encontramos a tuberosidade da ulna, estrutura altamente rugosa. O rádio apresenta uma cabeça em forma de disco localizada na extremidade proximal, que se articula com o capítulo do úmero e com a incisura radial da ulna. Na porção distal da cabeça do rádio, encontramos o colo, uma área constrita que permite movimentação óssea. A tuberosidade do rádio é o ponto de inserção do tendão do músculo bíceps braquial, sendo esta uma área rugosa. Figura 4 | Radiogra�a: Rádio e Ulna Fonte: Shutterstock. É possível identi�car articulação em três pontos especí�cos: 1. Através de um tecido �broso – constituído de �bras colágenas tipo I largas e planas – conhecido como membrana interóssea, cuja função é unir as diá�ses dos dois ossos e fornecer uma área de inserção para alguns músculos mais profundos do antebraço. A ulna e o rádio se articulam nas extremidades proximal e distal diretamente, sendo que a cabeça do rádio é capaz de se articular com a incisura radial da ulna, denominada articulação radioulnar proximal. 2. Na porção distal, encontramos a cabeça da ulna articulada com a incisura ulnar do rádio, sendo esta denominada de articulação radioulnar distal. Por �m, a extremidade do rádio em sua porção distal se articula com três ossos do punho (semilunar, escafoide e piramidal) para formar a articulação radiocarpal. FRATURAS ÓSSEAS ENCONTRADAS NOS MEMBROS SUPERIORES Como vimos no bloco anterior, os acidentes ósseos são estruturas �siológicas que ocorrem nos ossos. Porém, as fraturas são patológicas e podem desencadear desgaste e deformações neles. Uma fratura é de�nida como a perda da integridade óssea devido à injúria mecânica e/ou à redução da resistência óssea. As fraturas são algumas das condições patológicas mais comuns que afetam os ossos. Os seguintes quali�cadores descrevem os tipos de fraturas e afetam o tratamento: • Simples (a pele sobrejacente está intacta). • Exposta (o osso se comunica com a superfície da pele). • Cominutiva (osso está fragmentado). • Deslocada (as extremidades do osso no local da fratura não estão alinhadas). • Estresse (uma fratura de desenvolvimento lento, que segue um período de aumento da atividade física na qual o osso é submetido a cargas repetitivas). • “Galho verde” (estende-se apenas parcialmente através do osso, comum em crianças quando os ossos são �exíveis). • Patológica (envolvendo o osso enfraquecido por uma doença subjacente, como um tumor). Figura 5 | Fratura Cominutiva Fonte: Shutterstock. Figura 6 | Fratura Deslocada Para iniciarmos a descrição de possíveis fraturas que podem comprometer a funcionalidade do osso, começaremos com a clavícula, estrutura responsável por transmitir força mecânica do membro superior para o tronco. Caso essa força ocorra de maneira excessiva, pode ocorrer uma fratura (o exemplo mais comum é cair sobre o braço estendido). Além disso, também pode ser resultante de traumatismos que ocorrem na região do tórax, como nos impactos de acidentes automobilísticos em que não se utiliza o airbag do carro. Considerando o cíngulo do membro superior, a clavícula é o osso mais acometido com as fraturas, pois as junções são muito fracas e pouco resistentes: mesmo que o impacto seja leve ou fraco, pode haver dano do plexo braquial que se encontra entre a clavícula e a segunda costela. O tratamento mais adequado, nestes casos, é o uso de tipoia para impedir a rotação lateral do braço. Figura 7 | Radiogra�a de Clavícula Fonte: Shutterstock. VÍDEO RESUMO Neste vídeo, você terá a oportunidade de conhecer o histórico da radiologia, bem como as características dos principais exames radiológicos utilizados para detecção de patologias. Você verá como é importante conhecer a formação das imagens radiológicas e as principais diferenças entre cada tipo de exame radiológico. Com essas informações, será possível interpretar o tipo de exame radiológico que melhor identi�ca e diagnostica patologias. Fonte: Shutterstock. Saiba mais Para complementar o seu estudo, faça a leitura do artigo Cotovelo �utuante em crianças, dos autores Soni et al. (2011). Por meio dele, você será capaz de compreender mais detalhes sobre a ocorrência do cotovelo �utuante, sendo essa uma lesão infrequente com potencial risco de complicações, entre elas, lesões nervosas, exposição óssea e síndrome compartimental. Para visualizar o objeto, acesse seu material digital. INTRODUÇÃO Começaremos nosso estudo descrevendo os principais ossos encontrados nos membros inferiores. Após uma introdução sobre sua composição, veremos os principais acidentes ósseos envolvidos na formação deles, mesmo que não apresentam características patológicas. Por �m, conheceremos as principais fraturas e lesões quepodem ocorrer durante o desenvolvimento embrionário e toda a vida do indivíduo para compreendermos a importância deste campo de saber. Aproveite esta aula e estude para que seu conhecimento aumente cada vez e, dessa forma, você consiga ajudar cada vez mais pessoas! OSSOS DO MEMBRO INFERIOR Os membros inferiores são compostos por 30 ossos localizados em quatro locais diferente: • Fêmur, localizado na coxa. • Patela, localizada no joelho. • Tíbia e fíbula, localizadas na perna. • Os 7 ossos tarsais no tornozelo; 5 ossos metatarsais e 14 falanges. Aula 2 MEMBROS INFERIORES Começaremos nosso estudo descrevendo os principais ossos encontrados nos membros inferiores. Após uma introdução sobre sua composição, veremos os principais acidentes ósseos envolvidos na formação deles, mesmo que não apresentam características patológicas. 20 minutos Os ossos dos membros inferiores também se relacionam entre si, assim como ocorre com os dos membros superiores. O mais proeminente deles é o fêmur (Figura 1), o mais longo que temos no corpo e um dos mais resistentes. Ele precisa se articular com a pelve, estruturando o cíngulo do membro inferior, e a sua extremidade proximal se associa com o acetábulo, o osso do quadril. Já a extremidade distal se liga ao do joelho (patela) e à tíbia (um dos ossos da perna). Como esse osso é considerado um osso longo, ele apresenta um corpo, denominado diá�se, que apresenta uma angulação medial e faz as angulações se tornarem ainda mais próximas. Se considerarmos a diferença entre os sexos, as mulheres apresentam uma angulação da diá�se femoral que permite uma pelve mais larga. Figura 1| Radiogra�a de fêmur Fonte: Shutterstock. A patela (Figura 2), encontrada no joelho, é caracterizada por um pequeno osso triangular na porção anterior da articulação. Seu formato é sesamoide, ou seja, sem formato pré-de�nido. Além disso, ele se associa com o tendão do músculo quadríceps femoral, denominado base, enquanto a extremidade oposta chama-se ápice. Figura 2 | Radiogra�a de patela Fonte: Shutterstock. A tíbia é um osso localizado na perna e está localizado em posição medial. Sua principal função é servir de sustentação. A articulação da tíbia se faz, na extremidade proximal, com o fêmur e a fíbula, e, na extremidade distal, com a fíbula e o tálus do tornozelo. A união entre tíbia e fíbula também ocorre via membrana interóssea. A fíbula encontra-se paralela à tíbia e apresenta tamanho menor do que o dela. Existe uma característica que as distingue: a fíbula não se articula com o fêmur, mas pode ajudar na estabilização da articulação do joelho. Figura 3 |Tíbia e fíbula Fonte: Shutterstock. O metatarso (Figura 5) consiste em 5 ossos metatarsais, numerados de I a V. Eles apresentam a mesma conformação que os ossos carpais das mãos. Figura 5 | Radiogra�a de metatarso Fonte: Shutterstock. O tornozelo é composto pelos ossos tarsais, um grupo de 7 ossos, incluindo tálus e calcâneo, que estão localizados posteriormente ao pé. De todos eles tarsais, o calcâneo é o mais forte. Os demais ossos são: navicular, 3 cuneiformes (lateral, intermédio e medial) e cuboide. A articulação do tornozelo é formada pelo maléolo lateral da fíbula e medial da tíbia. Figura 4 | Radiogra�a de tornozelo e pé Fonte: Shutterstock. ACIDENTES ÓSSEOS ENCONTRADOS NOS OSSOS DOS MEMBROS INFERIORES A partir dos conceitos obtidos em relação aos ossos que compõem os membros inferiores, estudaremos agora os principais acidentes ósseos em cada um deles. No fêmur, é possível identi�car vários exemplos. Na extremidade proximal, encontramos a cabeça do fêmur, que se associa ao osso do quadril, formando a articulação do quadril por meio de características anatômicas como, por exemplo, uma pequena depressão central denominada fóvea da cabeça do fêmur. O colo do fêmur é uma região mais estreita localizada posteriormente. O trocanter maior e menor é uma projeção ou protuberância associada à diá�se do fêmur. É um local interessante de ser estudado, pois serve de ponto de inserção para os tendões de alguns músculos da coxa e das nádegas. A extremidade distal do fêmur abrange os côndilos medial e lateral, os quais se articulam com os côndilos da tíbia. Os joelhos são �xos devido à presença dos ligamentos com os epicôndilos medial e lateral. Figura 6 | Membros inferiores Fonte: Shutterstock. A face articular da patela contém duas faces, sendo uma voltada para o côndilo medial e outra para o côndilo lateral do fêmur – lembre-se de que ambas as faces estão localizadas na face proximal. A patela é �xa ao ligamento, pois se prende à tuberosidade da tíbia. O ponto determinante de movimentação do joelho é caracterizado pela articulação do joelho. Ela serve de alavanca do tendão do músculo quadríceps femoral, protege o joelho e facilita a �exão deste. A tíbia é expandida em sua extremidade proximal em dois côndilos: lateral e medial. A função dos côndilos é se articularem para formar a articulação do joelho. A tíbia também apresenta uma tuberosidade reconhecida como uma crista aguda, que pode ser palpada logo abaixo da pele e é popularmente conhecida como canela. Já a face medial forma o maléolo medial, que se articula com o tálus do tornozelo. A incisura �bular se articula com a fíbula e forma uma sindesmose tibio�bular. A fíbula apresenta vários acidentes ósseos, por exemplo, a cabeça se articula com a porção inferior do côndilo lateral da tíbia e forma a articulação tibio�bular; e o maléolo lateral localiza-se na extremidade distal e apresenta formato mais triangular. Os ossos tarsais se articulam entre si. O tálus transmite cerca da metade do peso do corpo para o calcâneo, sendo o restante enviado pelos ossos tarsais. Os ossos metatarsais se articulam na extremidade proximal com os ossos cuneiformes e com o cuboide, formando as articulações tarsometatarsais. O primeiro metatarsal é mais espesso do que os outros, porque sustenta mais peso. FRATURAS ÓSSEAS ENCONTRADAS NOS MEMBROS INFERIORES Os ossos longos são os mais suscetíveis a fraturas. Logo, a região do colo do fêmur é a mais frequentemente acometida. Esses eventos são caracterizados por dor no quadril ao suportar peso, o que diminui a mobilidade do paciente. Além disso, pode haver contusões no joelho ou na área do quadril. Elas são caracterizadas como não deslocadas e deslocadas. Nas fraturas não deslocadas, o alinhamento do osso não é desestruturado e elas podem ser categorizadas por fraturas cominutiva e ruptura dos vasos retinaculares. Figura 7 | Fratura do colo do fêmur Fonte: Shutterstock. A síndrome do estresse patelofemoral, também conhecida como joelho do corredor, é uma das patologias mais vivenciadas pelos corredores. Durante a corrida, ocorrem a �exão e a extensão do joelho de maneira normal. Para isso, a patela desliza-se superior e inferiormente ao sulco dos côndilos femorais. Corredores que desenvolvem a síndrome apresentam a patela deslocando-se lateralmente, o que gera maior pressão na articulação e leva à hipersensibilidade ao redor da patela. Durante o exercício, o corredor não tem sensação de dor. Porém, após a �nalização do exercício, ela surge de maneira abrupta. A sintomatologia da síndrome pode se agravar ainda mais quando ocorre agachamento ou descida de degraus. Existem alguns fatores para o desenvolvimento da síndrome, como corridas em aclive, corrida de longa distância e uma deformidade anatômica denominada genuvalgo (joelho valgo). O enxerto ósseo consiste na retirada de um fragmento ósseo de uma região óssea com todos os seus componentes (por exemplo, o periósteo e artéria nutrícia) para repor tecido perdido em outra parte do corpo. O osso transplantado restaura a irrigação sanguínea para o local, ocorrendo cicatrização, como na fratura. Uma fonte importante para este tipo de procedimento é a fíbula, pois, mesmo após a retirada de parte do osso, o indivíduo ainda pode continuar andar, correr e pular. As fraturas metatarsais ocorremquando um peso exacerbado cai sobre o pé da pessoa. Esse tipo de fratura é muito comum em pacientes que dançam ballet. Imaginem uma bailarina dançando na ponta dos pés e de repente perde o equilíbrio? Todo o peso corporal é transmitido aos metatarsais, podendo fraturar mais de um deles. O pé plano ocorre devido ao enfraquecimento dos ligamentos e tendões na altura do arco longitudinal, que pode diminuir ou mesmo desabar. Existem algumas causas para esta condição, como, por exemplo, excesso de peso, anormalidades posturais, enfraquecimento dos tecidos de sustentação e predisposição genética. Geralmente, acabam desencadeando uma in�amação da fáscia plantar (fascite plantar), tendinite do tendão calcâneo, fratura por estresse, hálux valgo (joanete) e calosidades. VÍDEO RESUMO Neste vídeo, veremos os ossos que compõem os membros superiores, sendo eles úmero, radio, ulna, ossos do carpo e falanges. Além disso, conheceremos os principais tipos de acidentes ósseos encontrados em cada osso e as principais fraturas que podem ser identi�cadas nas imagens radiológicas. Saiba mais Para complementar seu estudo, você pode ler o artigo Aplicação de imagens de ressonância magnética na avaliação de lesões por movimento do tornozelo, escrito por Fan Rao (2021). Neste texto, há argumentos sobre a importância de conhecer detalhes sobre o per�l anatômico do joelho através de lesões avaliadas por ressonância magnética. Para visualizar o objeto, acesse seu material digital. INTRODUÇÃO Aula 3 COLUNA VERTEBRAL Começaremos nosso estudo descrevendo as principais estruturas envolvidas no lobo do crânio e da face, incluindo a composição óssea, suas interações anatômicas e os aspectos funcionais envolvidos neste processo. 21 minutos Começaremos nosso estudo descrevendo as curvaturas �siológicas da coluna vertebral, os tipos de vértebras encontradas em cada uma delas e os acidentes ósseos que permitem a movimentação e a �exibilidade da coluna. Depois, conheceremos as principais fraturas e lesões que podem ocorrer durante o desenvolvimento embrionário e durante toda a vida do indivíduo, como a escoliose, que afeta o bem-estar de quem é acometido. Aproveite esta aula para aumentar seu conhecimento e, dessa forma, ajudar cada vez mais pessoas! CURVATURAS FISIOLÓGICAS DA COLUNA VERTEBRAL A coluna vertebral, também chamada de espinha ou coluna espinhal, faz parte do esqueleto axial. Ela é a responsável por cerca de 2/5 da nossa altura, sendo composta por ossos de formato irregulares, denominados vértebras, e tecido conjuntivo especializado em auxiliar na absorção do impacto ou choque e em proteger o tecido nervoso que se encontra no seu interior. Existe uma diferença �siológica entre a coluna dos homens e das mulheres. Os primeiros apresentam uma coluna vertebral com cerca de 71 cm, enquanto, nas mulheres, a estrutura tem, aproximadamente, 61 cm. A espinha dorsal atua como uma haste �exível para promover movimentos em todas as direções: anterior, lateral e posterior, podendo, ainda, servir para rotação. As funções da coluna vertebral envolvem a proteção da medula espinal e sustentação da cabeça, além de servir como ponto de �xação para as costelas. Uma última função refere-se à inserção do cíngulo dos membros superiores e inferiores. A coluna é composta por 33 vértebras e, conforme ocorre o crescimento da criança, as últimas vértebras, sacrais e coccígeas, se fundem, resultando em 26 vértebras visíveis na coluna vertebral do adulto. A constituição é a seguinte: • 7 vértebras cervicais, localizadas na região do pescoço. • 12 vértebras torácicas, localizadas na região da cavidade torácica. • 5 vértebras lombares, que sustentam a parte inferior da coluna. • 1 vértebra sacral, composta de 5 vértebras fundidas. • 1 vértebra coccígea, composta de 4 vértebras fundidas. Figura 1| Coluna vertebral Fonte: Wikimedia Commons. As vértebras móveis são as cervicais, torácicas e lombares, enquanto as vértebras sacrais e coccígeas são imóveis. As curvaturas cervicais e lombares apresentam convexidade, enquanto as curvaturas torácicas e sacrais apresentam curvatura côncava. A função delas é aumentar a resistência, auxiliar a manutenção do equilíbrio na posição ereta, absorver choques durante corrida/caminhada e proteger as vértebras em geral. As curvaturas torácicas e sacrais são chamadas de primárias, pois mantêm a direção da curvatura original da coluna vertebral durante o desenvolvimento embrionário. Já as secundárias são conhecidas como lombares e cervicais, pois começam a se formar alguns meses após o nascimento. Espera-se que estas curvaturas já estejam plenamente desenvolvidas até os 10 anos de vida. O interessante é que as curvaturas secundárias poderão desaparecer progressivamente com o avanço da idade, podendo, inclusive, levar ao encurtamento da pessoa. São conhecidas várias condições que podem exacerbar o desvio da coluna, resultando em curvaturas anormais com inclinações laterais em demasia. São conhecidas as curvaturas anormais denominadas cifoses, lordoses e escolioses (Figura 2). Figura 2 | Escoliose TIPOS DE VÉRTEBRAS ENCONTRADAS NA COLUNA VERTEBRAL A partir dos conceitos obtidos em relação às curvaturas encontradas na coluna vertebral, temos que as vértebras são denominadas de acordo com a posição que ocupam, usando-se a letra da inicial da região que ocupa seguida do número de ordem, por exemplo, C1 (primeira vértebra cervical), T1 (primeira vértebra torácica). Existem denominações próprias para algumas vértebras, como no caso da primeira vértebra cervical, conhecida como atlas, e a CII, chamada de áxis. As vértebras variam de acordo com a região em seu tamanho, forma e detalhes. Elas consistem em corpo vertebral, arco vertebral e inúmeros processos. Corpo vertebral É a porção mais espessa da vértebra localizada anteriormente. Apresenta formato de disco. Sua função principal é sustentar o peso da vértebra. As suas faces superior e inferior apresentam rugosidade para facilitar a �xação dos discos intervertebrais que apresentam constituição cartilaginosa (facilita o armazenamento de água). A face anterior e lateral contém estruturas denominadas forames nutrícios, que são pontos de abertura para vasos e nervos de nutrição. Figura 3 | Corpo vertebral Fonte: Shutterstock. Fonte: Wikimedia Commons. Arco vertebral São formados por dois processos curtos e espessos denominados pedículos, que se projetam posteriormente e se unem para formar o arco vertebral. O arco vertebral, junto ao corpo vertebral, circunda a medula espinhal para formar o forame vertebral. Além da medula espinhal, o forame vertebral contém também o tecido adiposo, tecido conjuntivo frouxo e muita vascularização. Associando todos os canais, formamos o canal vertebral. As incisuras vertebrais se empilham e formam uma abertura entre os lados da coluna, denominada de forame intervertebral, permitindo que apenas um único nervo se associe e traga as informações apropriadas. Processos São conhecidos sete processos que apresentam sua origem no arco vertebral. O processo transverso é formado onde a lâmina e o pedículo se unem. O processo espinhoso se projeta em posição posterior, a partir da junção das lâminas. A função destes processos é permitir a �xação dos músculos. Os demais processos formam articulações com as vértebras superiores e inferiores. Os processos articulares inferiores se articulam ou associam com os dois processos superiores, as superfícies entre eles formam as faces articulares, que são devidamente revestidas por cartilagem hialina. As articulações formadas entre os corpos vertebrais e as faces articulares compõem as articulações intervertebrais. Com o avançar da idade, a coluna sofre inúmeras alterações, em especial a composição do sistema esquelético. As principais alterações observadas referem-se à redução da massa e densidade óssea, associada com a diminuição do conteúdo colagênico e mineral, tornando-os mais friáveis (porosos e passíveisde se quebrar com qualquer impacto). Além disso, as faces articulares perdem o conteúdo cartilaginoso, tornando-o mais rígido. Em seu lugar é possível observar substituição por osso na forma de espículas ou osteó�tos que podem levar ao estreitamento do canal vertebral, conhecido como estenose vertebral (Figura 4). Figura 4 | Estenose vertebral Fonte: Wikimedia Commons. ACIDENTES ÓSSEOS ENCONTRADOS NA COLUNA VERTEBRAL São observados inúmeros acidentes ósseos na coluna vertebral que facilitam o movimento e permitem a integração dela com os membros superiores e inferiores, através da formação dos cíngulos do membro superior e inferior. Entre os acidentes ósseos nas vértebras cervicais (Figura 5), encontramos os forames vertebral e transverso; processo transverso; dente do áxis (exclusivo desta vertebral); processo espinhoso. Quando observamos as demais vértebras, identi�camos a face articular do côndilo occipital e o ligamento transverso. Lembre-se de que, na cervical, o canal vertebral é menor e mais compacto. Figura 5 | Vértebras cervicais Fonte: Pixabay. As vértebras torácicas (Figura 6) apresentam o mesmo número que ocorre nas costelas, ou seja, 12 vértebras. A principal função delas é suportar o peso do tórax e a metade superior do corpo, formando a curvatura cifótica �siológica da coluna. Em termos comparativos, a principal diferença entre elas são as fóveas costais, caracterizadas por locais de articulações sinoviais entre as costelas e as vértebras. Em geral são observadas 6 fóveas para cada vértebra, sendo 4 presentes no corpo vertebral e 2 no processo transverso. Uma outra característica destas vértebras é que apresentam o corpo vertebral maior do que o das vértebras cervicais, pois é necessário sustentar muito mais peso. Porém, o forame vertebral é bem menor e, geralmente, mais arredondado. O processo transverso tende a ser mais desenvolvido, mas não possui forame transverso. Já o processo espinhoso costuma ser direcionado ou apontado quase inferiormente. Figura 6 | Vértebras torácicas Fonte: Shutterstock. As vértebras lombares (Figura 7) são as maiores vértebras encontradas na coluna, especialmente no segmento móvel. São encontradas 5 vértebras no ser humano, numeradas de L1 a L5. A função principal delas é sustentar o próprio peso. Logo, são as mais sujeitas a degeneração, especialmente por serem as maiores em tamanho. Apresentam, como curvatura �siológica, a lordose. As vértebras sacrais são fundidas no adulto e apresentam importância na osteopatia devido às suas funções estruturais. Como são fundidas, formam uma unidade indissolúvel que se associa com o tubo neural em desenvolvimento, fato que pode desencadear alterações importantes no ilíaco, útero, próstata, bexiga, reto, ovários, plexo sacral, artérias e músculos. O formato após a fusão é triangular e está inserido no osso do quadril. A parte superior se conecta com a última vértebra lombar, e, a inferior, com o osso da cauda ou cóccix. O cóccix é o menor osso da coluna e está localizado na parte mais inferior. A face superior da vértebra apresenta uma faceta elíptica que se articula com o sacro e, posteriormente, localizam-se saliências verticais denominadas de pequenos cornos do cóccix. Uma das funções principais do cóccix é servir como ponto para VÍDEO RESUMO Neste vídeo, conheceremos os ossos que compõem a coluna vertebral e suas principais inter-relações anatômicas. Também veremos os principais tipos de vértebras e suas diferenças. Por �m, entenderemos os principais acidentes ósseos encontrados nas vértebras que compõem a coluna vertebral. A compreensão destes conteúdos é de extrema importância para a leitura das imagens radiológicas. Saiba mais Para complementar seu estudo, você pode ler o artigo Desfechos hospitalares de pacientes submetidos à correção cirúrgica de escoliose neuromuscular com um protocolo hospitalar gerenciado – resultados preliminares, de Pereira et al. (2021). Neste texto, é possível compreender mais detalhes sobre o que é a escoliose, seus impactos na vida de quem possui essa condição e as principais técnicas de correção cirúrgica. anexar os músculos pélvicos, formando o diafragma pélvico. É esse diafragma que mantém os órgãos �xos na cavidade abdominal, evitando que caiam entre as pernas. Figura 7 | Vértebras lombares Fonte: Shutterstock. Para visualizar o objeto, acesse seu material digital. Aula 4 CRÂNIO E FACE INTRODUÇÃO Começaremos nosso estudo descrevendo as principais estruturas envolvidas no lobo do crânio e da face, incluindo a composição óssea, suas interações anatômicas e os aspectos funcionais envolvidos neste processo. Neste contexto, também aprenderemos sobre localização e funcionalidade óssea, além dos principais acidentes ósseos e as principais fraturas ou lesões que podem comprometer a funcionalidade da estrutura. Os ossos do crânio e da face, apesar de separados, fazem parte do esqueleto axial. Aproveite esta aula para estudar, aumentar seu conhecimento e, dessa forma, conseguir ajudar cada vez mais pessoas! OSSOS DO CRÂNIO E DA FACE O crânio e a face (Figura 1) fazem parte do esqueleto axial, compostos por 22 ossos que sustentam a cabeça (neste contexto, não são contabilizados os ossos da orelha média), os quais encontram-se posicionados na porção superior da coluna vertebral. O crânio é formado pela cavidade craniana, cuja função é proteger o encéfalo. Ela é formada por oito ossos: o frontal, dois parietais, dois temporais, occipital, esfenoide e etmoide. O osso frontal é assim chamado por estar localizado na frente ou na parte anterior do crânio, além disso, reveste o teto das órbitas e forma a maior parte do assoalho do crânio. Ao nascimento, os lados direito e esquerdo são unidos através da sutura frontal, também chamada de metópica. Normalmente, essa sutura desaparece aos 6 ou 8 anos de idade. Neste osso também é possível identi�car a presença de uma escama frontal, uma placa de osso que forma a fronte do crânio. Figura 1| Radiogra�a de crânio: per�l Começaremos nosso estudo descrevendo as principais estruturas envolvidas no lobo do crânio e da face, incluindo a composição óssea, suas interações anatômicas e os aspectos funcionais envolvidos neste processo. 22 minutos Os ossos parietais são pares e formam a parte lateral do crânio e o teto da cavidade craniana. Eles contêm inúmeras proeminências e depressões que servem para acomodar os vasos sanguíneos que suprem uma das membranas meníngeas denominada dura-máter, sendo essa formada por um tecido conjuntivo bem delicado. Os ossos temporais ocorrem em par e formam as faces inferiores e laterais do crânio. Projetando da parte inferior da escama temporal, encontramos o processo zigomático, que se articula com o processo temporal do zigomático e formam o arco zigomático. O osso occipital tende a formar a parte posterior e a maior parte da base do crânio. Na região inferior, encontramos o forame magno. Este é o ponto de conexão com o bulbo. No forame magno, também estão localizadas artérias espinais e vertebrais, e passam, juntamente, os nervos acessórios (XI). Neste osso, é possível identi�car uma protuberância occipital externa, sendo essa uma projeção proeminente na linha média. Como está logo acima do pescoço, é possível senti-la na porção posterior. O osso esfenoide está localizado na base do crânio, sendo parte fundamental do assoalho do crânio, pois é a partir dele que todos os ossos do crânio se articulam. Ele se articula anteriormente com os ossos frontal e etmoide, lateralmente com os temporais e, posteriormente, com o occipital. O osso etmoide é um osso �no e muito delicado. Apresenta aparência esponjosa, estando localizado no assoalho do crânio e localizado em posição medial às órbitas. Ele também é responsável pela composição do septo nasal, o qual é responsável por separar os lados direito e esquerdo. Neste osso também é possível identi�car a lâmina cribiforme, que repousa sobre o assoalho do crânioformando o teto da cavidade nasal. Esse osso contém os forames da lâmina cribiforme, através das quais passam os �lamentos dos nervos olfatórios. Figura 2 | Ossos do crânio Fonte: Wikimedia Commons Fonte: Pixabay. APLICAÇÕES DO CONHECIMENTO DOS OSSOS CRANIAIS O crânio é um local que deve proteger a massa encefálica de alterações causadas por pancadas ou fraturas. A calota craniana deve ser rígida o su�ciente para que essa proteção seja efetiva. Assim, quaisquer alterações merecem ser avaliadas. A equimose palpebral é a presença de uma lesão facial localizada ao redor dos olhos, mas não é causada por lesão ocular. Dependendo do trauma, pode ocorrer extravasamento de sangue e líquidos na cavidade que tendem a se acumular nas áreas mais delicadas ao redor dos olhos. Com esse extravasamento, ocorre edema, e a pele �ca com tom arroxeado. Os traumas que podem causar a equimose podem ser tanto traumatismo como procedimento cirúrgico, como cirurgia da pálpebra ou lifting facial. O osso esfenoide (Figura 3) apresenta formato de asa de borboleta. O corpo é formado por uma parte oca entre o etmoide e o occipital. O espaço no seu interior é composto pelo seio esfenoidal, cuja função é drenar para a cavidade nasal. Outra estrutura muito importante é a sela túrcica ou turca, que contém, na sua depressão, a fossa hipo�sial, onde se localiza a glândula hipó�se. Figura 3 | Osso esfenoide Fonte: Wikimedia Commons. O osso etmoide contém uma sequência de massas laterais formadas por células etmoidais que compõem os seios etmoidais. Esse conjunto forma as conchas nasais superior e média. Já o terceiro par de conchas nasais são ossos separados. As conchas são responsáveis por fazer o movimento do ar inalado, fazer movimentos espirais e entrar em contato com o muco, �cando �xo a eles. Esta ação auxilia na �ltração das partículas inaladas. As conchas superiores �cam localizadas próximas ao forame da lâmina cribiforme, onde se encontram os receptores sensitivos denominados odoríferos. Isto representa um aumento da área de superfície para a olfação. Os ossos da face mudam drasticamente durante os primeiros dois anos de vida. O encéfalo e os ossos cranianos se expandem, nasce o primeiro conjunto de dentes e irrompe os seios paranasais, que aumentam muito de tamanho. Este crescimento cessa aos 16 anos de vida. São encontrados 14 ossos da face, que incluem dois ossos nasais, duas maxilas, dois zigomáticos, uma mandíbula, dois lacrimais, dois palatinos, duas conchas nasais inferiores e o vômer. Os ossos nasais apresentam formato retangular achatado. Sua função é proteger a entrada superior da cavidade nasal, sendo ponto de �xação para os músculos faciais (ponto de repouso para óculos) – sua porção principal é composta por cartilagem. Figura 4 | Ossos da face e crânio Fonte: Shutterstock. Os processos palatinos dos ossos maxilares devem se unir durante a gestação, entre a 10ª e a 12ª semana do desenvolvimento. Porém por vários motivos, pode ocorrer falha nesta união, o que pode resultar na formação de fenda palatina. Ela pode ocorrer também de maneira incompleta. As fendas labiais envolvem a fenda no palato superior, que pode ser completa ou não. Dependendo da extensão da fenda, pode afetar a fala e a deglutição e causar otite ou até mesmo perda auditiva. Neste momento, os cirurgiões bucomaxilofaciais devem avaliar as possibilidades de fechamento da fenda paliativa, sendo que esse processo se completa entre os 12 e 18 meses. Uma possibilidade de tratamento é a prevenção através da ingestão de ácido fólico durante a gestação. SEIOS CRANIAIS E SUAS APLICAÇÕES No crânio, há muitos seios anatômicos cuja função é formar uma estrutura que pode armazenar ar, no sentido de diminuir a pressão e o peso da cabeça, ou mesmo acumular secreção quando in�amado. Os seios frontais localizam-se internamente à escama frontal. Eles também são denominados de seios paranasais, cujas mucosas são revestidas por uma camada que dá a funcionalidade do seio (Figura 5). Um problema muito comum na articulação temporomandibular é conhecido como ATM, que se caracterizada por uma dor dilacerante do tipo vaga em torno da orelha, causando hipersensibilidade da mandíbula, estalidos ao abrir e fechar a boca, além de abertura limitada, dor de cabeça crônica, sensibilidade dentária elevada e, consequentemente, desgaste anormal dos dentes. Há várias causas para esta condição, sendo elas alinhamento Figura 5 | Radiogra�a de seios frontais Fonte: Shutterstock. O osso parietal apresenta a parte mastoidea, que está localizada na porção posterior do meato acústico externo, o que direciona as ondas sonoras para dentro da orelha. Nos adultos, essa região é composta por muitas células que se comunicam com o espaço vazio da orelha, sendo estes pequenos compartimentos cheios de ar, separados do encéfalo, por �nas partículas ósseas. Quando o paciente apresenta infecção de ouvido não tratada, eles podem se espalhar por entre as células, causando um processo in�amatório intenso denominado mastoidite. incorreto dos dentes, bruxismo em excesso, trauma de cabeça ou mesmo artrite. Para melhorar a dor, pode ser aplicado gelo na região, evitar consumo de alimentos duros e administração de analgésicos e relaxantes musculares. Caso essas medidas não surtam efeito, recomenda-se intervenção cirúrgica. O septo nasal desviado ocorre quando o septo não acompanha a linha média da cavidade nasal, ocorrendo desvio para um lado. Inúmeras são as causas deste desvio de septo, como, por exemplo, um soco no nariz, que pode deslocar o septo e comprometer a cartilagem que o forma, ocorrendo um bloqueio do �uxo de ar que di�culta a respiração – esse quadro normalmente afeta o osso denominado vômer. Se o desvio for grave, pode haver comprometimento da passagem do ar, o que pode levar à infecção e in�amação, como congestão nasal, bloqueio de abertura dos seios paranasais, sinusite crônica, dores de cabeça crônicas e, até mesmo, sangramento nasal. A melhor maneira de corrigir essa condição é através de cirurgias. Figura 6 |Tomogra�a de septo nasal Fonte: Shutterstock. A sinusite é caracterizada por uma in�amação na membrana mucosa que reveste os seios paranasais, podendo ter diversas causas, dentre elas, infecção microbiana (como vírus, fungos e bactérias), reações alérgicas, pólipos nasais e desvio grave de septo. Tendo em vista que o muco tem por função bloquear a drenagem do muco para a cavidade nasal, pode haver aumento da pressão nos seios paranasais, facilitando o desenvolvimento de cefaleias. Os sintomas, neste caso, podem envolver congestão nasal, tosse, febre e anosmia (perda do olfato) temporária ou de�nitiva. VÍDEO RESUMO Neste vídeo, conheceremos os ossos que compõem o crânio e suas principais inter-relações anatômicas. Os ossos do crânio compõem o crânio e os ossos da face. Compreenderemos as relações anatômicas entre os ossos do crânio e os seios nasais. O entendimento desses conteúdos é de extrema importância para a compreensão das imagens radiológicas. Saiba mais Para complementar seu estudo, você pode ler o artigo Miosite oblíqua superior mimetiza abscesso subperiosteal em paciente com sinusite, dos autores AlKhalifah, Aloulah e Al-Faky (2021). Neste artigo você será capaz de compreender mais detalhes sobre o que é a escoliose, quais os impactos para a vida e quais as principais técnicas de correção cirúrgica Para visualizar o objeto, acesse seu material digital. Aula 1 BRANT, W. E.; HELMS, C. A. Fundamentos de Radiologia: Diagnóstico por Imagem. 4. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2015. DUGANI, S. et al. Anatomia clínica: Integrada com Exame Físico e Técnicas de Imagem. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2017. MARTINI, F. H. et al. Anatomia e �siologia humana: Uma abordagem visual. São Paulo: Pearson Education do Brasil, 2014. PRANDO, A.; MOREIRA, F. A. Fundamentos de Radiologia e Diagnóstico por Imagem. 2. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2014. SONI, J. F.et al. Cotovelo �utuante em crianças. Revista Brasileira de Ortopedia, v. 46, n. 4, p. 51-55, 2011. Disponível em: https://www.scielo.br/j/rbort/a/D4Rq4zgzvdhXVjz777JKDwn/?lang=pt. Acesso em: 07 abr. 2022. Aula 2 BRANT, W. E.; HELMS, C. A. Fundamentos de Radiologia: Diagnóstico por Imagem. 4. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2015. REFERÊNCIAS 7 minutos https://www.scielo.br/j/rbort/a/D4Rq4zgzvdhXVjz777JKDwn/?lang=pt DUGANI, S. et al. Anatomia clínica Integrada com Exame Físico e Técnicas de Imagem. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2017. MARTINI, F. H. et al. Anatomia e �siologia humana: Uma abordagem visual. São Paulo: Pearson Education do Brasil, 2014. PRANDO, A.; MOREIRA, F. A. Fundamentos de Radiologia e Diagnóstico por Imagem. 2. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2014. RAO, F. Aplicação de imagens de ressonância magnética na avaliação de lesões por movimento do tornozelo. Revista Brasileira de Medicina do Esporte, v. 27, n. 3, p. 253-256, 2021. Disponível em: https://www.scielo.br/j/rbme/a/Vgks8zbSXnVZ4LLjbgcv3Gk/?lang=en. Acesso em: 07 abr. 2022 Aula 3 BRANT, W. E.; HELMS, C. A. Fundamentos de Radiologia: Diagnóstico por Imagem. 4. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2015. DUGANI, S. et al. Anatomia clínica Integrada com Exame Físico e Técnicas de Imagem. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2017. MARTINI, F. H. et al. Anatomia e �siologia humana: Uma abordagem visual. São Paulo: Pearson Education do Brasil, 2014. PEREIRA, G. A. et al. Desfechos hospitalares de pacientes submetidos à correção cirúrgica de escoliose neuromuscular com um protocolo hospitalar gerenciado – resultados preliminares. Coluna/Columna, v. 20, n. 4, p. 249-253, 2021. Disponível em: https://www.scielo.br/j/coluna/a/VJSBXCvvnbvZtccZVVhMnkq/?lang=en. Acesso em: 07 abr. 2022. PRANDO, A.; MOREIRA, F. A. Fundamentos de Radiologia e Diagnóstico por Imagem. 2. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2014. Aula 4 ALKHALIFAH, M. I.; ALOULAH, M. O.; AL-FAKY, Y. H. Miosite oblíqua superior mimetiza abscesso subperiosteal em paciente com sinusite. Arquivos Brasileiros de Oftalmologia, v. 84, n. 5, p. 503-505, 2021. Disponível em: https://www.scielo.br/j/abo/a/dK9F6Cm8JkGFyL5qBQkb5qq/abstract/?format=html&lang=pt. Acesso em: 07 abr. 2022. BRANT, W. E.; HELMS, C. A. Fundamentos de Radiologia: Diagnóstico por Imagem, 4ª edição, Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2015. DUGANI, S. et al. Anatomia clínica Integrada com Exame Físico e Técnicas de Imagem. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2017. https://www.scielo.br/j/rbme/a/Vgks8zbSXnVZ4LLjbgcv3Gk/?lang=en https://www.scielo.br/j/coluna/a/VJSBXCvvnbvZtccZVVhMnkq/?lang=en https://www.scielo.br/j/abo/a/dK9F6Cm8JkGFyL5qBQkb5qq/abstract/?format=html&lang=pt MARTINI, F. H. et al. Anatomia e �siologia humana: Uma abordagem visual. São Paulo: Pearson Education do Brasil, 2014. PRANDO, A.; MOREIRA, F. A. Fundamentos de Radiologia e Diagnóstico por Imagem. 2. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2014. Imprimir IDENTIFICAR OS ÓRGÃOS TORÁCICOS E ABDOMINAIS 95 minutos Aula 1 - Sistema cardiovascular Aula 2 - Sistema respiratório Aula 3 - Sistema digestivo Aula 4 - Demais órgãos abdominais Referências INTRODUÇÃO Prezado estudante, temos o prazer de começar nosso estudo descrevendo a composição do sistema cardiovascular e os componentes envolvidos na circulação no adulto, comparando-a com a circulação fetal. Nesta seção, vamos focar a associação entre o sistema cardiovascular e o sistema respiratório, em especial o pulmão e o mediastino. Como o coração e os vasos são órgãos sem osso, podem ser facilmente confundidos com o sangue e serem estudados com �ltros especí�cos, como os �ltros moles, entre outros. Aproveite esta aula e estude bastante, a �m de que seu conhecimento seja ampliado e, dessa forma, você consiga ajudar mais pessoas. COMPOSIÇÃO DO SISTEMA CARDIOVASCULAR O foco da nossa aula de hoje é conhecer o sistema cardiovascular (Figura 1), que é composto de uma rede circulatória e do órgão muscular denominado coração. O coração é um órgão muscular responsável pelo bombeamento de sangue para os vasos sanguíneos, sendo capaz de contrair em torno de 100 mil vezes durante o dia todo, resultando, em média, 35 milhões de contrações em 1 ano e, ao total, 2,5 bilhões de vezes ao longo do período de vida média. Pensando em termos de circulação, o coração é responsável pelo bombeamento de sangue para os pulmões, visando a sua hematose e permitindo a entrada de oxigênio para dentro da célula e a retirada do gás carbônico. Figura 1 | Sistema cardiovascular Aula 1 SISTEMA CARDIOVASCULAR Prezado estudante, temos o prazer de começar nosso estudo descrevendo a composição do sistema cardiovascular e os componentes envolvidos na circulação no adulto, comparando-a com a circulação fetal. 22 minutos Fonte: Pixabay. Pensando em termos de potência, o coração é pequeno, sendo equivalente a uma mão fechada; já em termos de estrutura, tem, aproximadamente, 12 cm de comprimento, 9 cm de largura em ponto mais amplo e cerca de 6 cm de espessura. O seu peso varia de acordo com o sexo, sendo 250 g em mulheres adultas e 300 g para homens. O coração está posicionado sobre o diafragma, que se localiza próximo da linha mediana da cavidade torácica; ele está posicionado no mediastino, que se trata de uma região anatômica que se inicia no esterno à coluna vertebral e, também, da costela ao diafragma, além de estar localizado entre os pulmões direito e esquerdo. O coração se assemelha, morfologicamente, a um cone deitado de lado e cujo ápice é pontiagudo, formado pela ponta do ventrículo esquerdo, localizando-se sobre o diafragma. Para identi�cação correta do ápice do coração, devemos direcionar o olhar para frente, para baixo e para a esquerda. A base do coração se encontra do lado oposto ao ápice e é formada pelos dois átrios, que são as câmaras superiores do coração, sendo que o átrio esquerdo apresenta maior abrangência por conta da circulação sanguínea. É possível, também, identi�car inúmeras faces no coração, sendo elas a face esternocostal, que é profunda, e a face diafragmática, que é a parte do coração, localizada entre o ápice e a margem direita se apoiando sobre o diafragma. Além das faces, encontramos as margens: a margem direita voltada para o pulmão direito e a margem esquerda, voltada para o pulmão esquerdo. Fazendo o revestimento do coração, encontramos uma membrana, denominada pericárdio, que envolve o coração; ela restringe a movimentação do coração em relação a sua postura e à posição do mediastino, porém a contração se mantém de elevada intensidade e vigorosa. É possível encontrar dois tipos de pericárdio, o �broso e o seroso. O pericárdio �broso é composto por tecido conjuntivo inelástico, resistente, denso e irregular; ele é o responsável por impedir a hiperdistensão do coração, fornecendo proteção e ancorando esse coração ao mediastino. Já o pericárdio seroso é bem mais profundo e é formado por uma membrana mais delicada, bem como forma as membranas denominadas lâmina parietal do pericárdio seroso e lâmina visceral do pericárdio seroso. O espaço entre eles é denominado cavidade do pericárdio. POSICIONAMENTO ANATÔMICO NA FORMAÇÃO DAS IMAGENS RADIOLÓGICAS A partir dos conceitos obtidos em relação ao sistema cardiovascular, pode-se detectar, por meio de imagens radiológicas, uma pericardite, que é conhecida como in�amação do pericárdio, sendo que o tipo mais comum é o agudo, que começa abruptamente e, geralmente, está associado a uma infecção viral. Nesse sentido, é possível sentir dor torácica, que pode irradiar para o ombro, sendo essa causada por irritação do pericárdio ou mesmo atrito pericárdico. O tempo de persistência do tipo agudo é de 1 semana, aproximadamente, desde que tratada com medicamentos que induzem a redução da in�amação. Já a pericardite crônica apresenta longa duração e as complicações ocorrem gradualmente; nesse tipo, pode haver acúmulo de líquido no pericárdio, podendoser fatal, já que este comprime o coração em uma condição denominada tamponamento cardíaco. Estruturalmente, o coração é composto por quatro câmaras cardíacas (Figura 2), sendo duas câmaras atriais (direito e esquerdo – recepção de sangue) e duas câmaras ventriculares (direito e esquerdo – bombeamento do sangue). A função dos átrios é receber sangue dos vasos que retornam o sangue ao coração, denominados veias, enquanto os ventrículos ejetam o sangue do coração para vasos arteriais. É muito comum ocorrer sulcos na superfície do coração, que contém os vasos coronarianos e uma quantidade variável de gordura, sendo que eles delimitam a fronteira entre os átrios. Um sulco bem conhecido e de importância clínica é o sulco atrioventricular anterior, que é raso e se localiza na face esternocostal do coração, delimitando a fronteira externa entre os ventrículos. Figura 2 | Divisão da área cardíaca Fonte: Anatomia , papel e caneta. O átrio direito forma a margem direita do coração e recebe sangue de três veias, sendo elas: veia cava superior, veia cava inferior e seio coronário. A parede posterior do coração é lisa, enquanto a posterior é áspera, por conta das cristas musculares denominadas músculos pectíneos. Entre esses átrios, é possível identi�car o septo interatrial, que, quando está mal formado, pode desencadear um quadro de CIA – comunicação interatrial. O quadro desse septo é uma depressão denominada fossa oval, derivada do forame oval que se fechou logo após o nascimento. Para passar para o ventrículo, o sangue deve, primeiro, passar pelas 3 válvulas atrioventriculares, por isso denominada tricúspide. O ventrículo direito apresenta de 4 a 6 micrômetros de espessura e é responsável por formar a maior parte da face esternocostal. O interior do ventrículo contém uma série de cristas denominadas trabéculas cárneas, sendo que a função delas é transmitir o sistema de condução. Por meio de uma sequência, as cordas tendíneas são associadas a trabéculas cárneas, que são denominadas músculos papilares. Assim como ocorre com os átrios, no ventrículo, também é observado o septo atrioventricular, em que uma disfunção embriológica pode causar a CIV – comunicação interventricular. O caminho do sangue é ir em direção aos pulmões através do tronco pulmonar, que se divide nas artérias pulmonares direita e esquerda. CONTEXTUALIZAÇÃO CLÍNICA DAS POSIÇÕES ANATÔMICAS CARDÍACAS PARA AQUISIÇÃO DAS IMAGENS RADIOLÓGICAS Como vimos no bloco anterior, o coração é formado por 4 câmaras, sendo dois átrios e 2 ventrículos. Descrevemos, no bloco anterior, o átrio e o ventrículo direitos, agora, vamos descrever, anatomicamente, o átrio e o ventrículo esquerdos. O átrio esquerdo apresenta o mesmo tamanho do átrio direito e sua função é receber sangue dos pulmões através das veias pulmonares. Assim como ocorre com o átrio direito, o átrio esquerdo também apresenta parede lisa, enquanto a posterior é rugosa. Para o sangue ir para a próxima câmara (ventrículo esquerdo), é necessário passar pela valva atrioventricular esquerda, que é denominada valva bicúspide ou mitral. O ventrículo esquerdo é a câmara mais espessa e funcional do coração; é responsável por formar o ápice cardíaco e apresenta, basicamente, as mesmas composições do ventrículo direito, bem como ancora a valva atrioventricular esquerda. O caminho do sangue a partir dele é através da aorta ascendente da aorta, e parte desse sangue vai para as artérias coronárias, que se rami�cam da parte ascendente da aorta. É interessante salientar que, durante a vida fetal, ocorre um ducto que chamamos de temporário, ducto arterioso ou canal arterial, que tem por função desviar sangue do tronco pulmonar para a aorta. Como os pulmões, nesse caso, não são funcionantes, pouco sangue vai para eles (manutenção do desenvolvimento pulmonar), já o restante vai ser desviado para a aorta. Fisiologicamente, o ducto ou canal arterial deve fechar logo após o nascimento (em até 48h) e, no local, dar-se um ligamento conhecido como ligamento arterial, que liga o arco da aorta e o tronco pulmonar. Na circulação pós-natal, o coração funciona bombeando o sangue em dois circuitos fechados a cada contração, iniciando duas circulações bem estabelecidas: circulação sistêmica e pulmonar. O ventrículo esquerdo bombeia sangue do coração para a circulação sistêmica e recebe sangue com alto teor de oxigênio, pois recebe sangue oxigenado dos pulmões. Esse ventrículo ejeta sangue para a aorta que migra em direção às artérias sistêmicas subsequentemente, retornando ao coração por meio do caminho oposto. O lado direito bombeia sangue para a circulação pulmonar, recebendo sangue com pobre teor de oxigênio para ser direcionado às artérias pulmonares para sofrer a hematose nos pulmões. Esse sangue retorna ao coração através das veias pulmonares. A nutrição das células da camada do coração precisa de uma rede adicional de vasos, sendo ela denominada circulação coronária. Nesse contexto, são encontradas artérias coronárias e veias coronárias, e uma obstrução parcial do �uxo sanguíneo nas artérias coronárias pode desencadear diversas consequências, como isquemia miocárdica (Figura 3), sendo ela uma redução no �uxo sanguíneo para o miocárdio. Geralmente, esse bloqueio desencadeia hipóxia. A angina no peito é uma patologia que apresenta dor intensa acompanhada de isquemia miocárdica. Geralmente, é descrita como aperto forte no tórax seguida de compressão cuja dor irradia para o ombro esquerdo. Já a obstrução completa de uma artéria coronariana pode resultar em infarto agudo do miocárdio, sendo conhecida pela morte de uma área de tecido por conta da interrupção de �uxo. Figura 3 | Radiogra�a: isquemia do miocárdio Fonte: iStock. VÍDEO RESUMO Olá, estudante. Neste vídeo, você terá a oportunidade de conhecer a composição do sistema cardiovascular e suas principais características e patologias, que podem comprometer a sua funcionalidade, em especial do coração, bem como vamos detalhar a anatomia cardíaca e comparar a circulação pulmonar e sistêmica do adulto com a circulação fetal. Com essas informações, será possível interpretar o tipo de exame radiológico que melhor identi�ca e diagnostica patologias. Vamos lá! Saiba mais Para complementar o estudo, sugerimos a leitura do artigo Desempenho diagnóstico da angiotomogra�a computadorizada e de avaliação seriada da troponina cardíaca sensível em pacientes com dor torácica e risco intermediário para eventos cardiovasculares, de Soiero e colaboradores (2022). Nesse artigo, você será capaz de compreender mais detalhes de como a angiotomogra�a coronária (ATC) tem sido usada para avaliação de dor torácica, principalmente em pacientes de baixo risco (e poucos dados existem com pacientes em risco intermediário). Para visualizar o objeto, acesse seu material digital. O artigo em português está disponível para leitura em: https://abccardiol.org/wp- content/uploads/articles_xml/0066-782X-abc-20210006/0066-782X-abc-20210006.pdf. Acesso em: 13 abr. 2022. INTRODUÇÃO Prezado estudante, temos o prazer de começar nosso estudo descrevendo a composição do sistema respiratório, as principais funções desse sistema e a vascularização envolvida. Esse tecido é um tecido mole que precisa de proteção da caixa torácica, que permite a sua expansão a cada respiração (inspiração e expiração). É necessário observar que há diferença entre as vias aéreas superiores e inferiores, tanto em composição celular como estrutural, bem como conhecer a anatomia das vias áreas, pois, assim, será mais fácil identi�car as alterações que ocorrem nas imagens radiológicas. Aproveite esta aula e estude bastante, a �m de ampliar seus conhecimentos e, dessa forma, ajudar mais pessoas! COMPOSIÇÃO DO SISTEMA RESPIRATÓRIO O foco da nossa aula de hoje é conhecer o sistema respiratório. Ele é composto pelas vias aéreas superiores (nariz, faringe, laringe e traqueia) e vias aéreas inferiores (brônquios e pulmões). Podemosclassi�car o sistema respiratório, funcionalmente, em duas camadas, sendo elas a porção condutora formada por cavidades e vários tubos conectados, sendo estes intra e extrapulmonares. A função dessa porção é aquecer, �ltrar e umedecer o ar para direcioná-lo aos pulmões; já a zona respiratória está localizada no pulmão e é o local em que ocorre a hematose. Além da hematose, os pulmões ajudam a regular o pH sanguíneo, controlando a acidose respiratória ou alcalose respiratória; são capazes de sentir cheiros diferentes por meio da presença de diferentes populações celulares, como as células odoríferas; e capazes de �ltrar o ar e produzir sons vocais (Figura 1). Figura 1 | Sistema respiratório Aula 2 SISTEMA RESPIRATÓRIO Prezado estudante, temos o prazer de começar nosso estudo descrevendo a composição do sistema respiratório, as principais funções desse sistema e a vascularização envolvida. 21 minutos https://abccardiol.org/wp-content/uploads/articles_xml/0066-782X-abc-20210006/0066-782X-abc-20210006.pdf A faringe também é chamada de garganta, sendo essa um tubo em forma de funil que apresenta cerca de 13 cm de comprimento e se estende para o nível da cartilagem cricoidea, sendo essa mais inferior à laringe. Como há revestimento de musculatura esquelética, há como manter a faringe aberta ou patente, auxiliando na deglutição dos alimentos. Anatomicamente, ela é dividida em 3 porções: • Parte nasal da faringe (nasofaringe). • Parte oral da faringe (orofaringe). • Parte laríngea (laringofaríngea). A nasofaringe é composta pelo palato mole; a porção posterior é composta pela tonsila faríngea; e a orofaringe encontra-se em posição posterior à cavidade oral, estendo-se desde o palato mole até o nível do hioide, sendo possível identi�car dois pares de tonsilas: palatina e lingual. Fonte: Wikimedia Commons. Iniciando a descrição da porção condutora, encontramos o nariz, que é um órgão especializado formado por duas partes: a externa (visível) e a interna, denominada cavidade nasal. Na parte externa, encontramos osso e cartilagem que podem ser detectados nos exames de raio-x, aparecendo esbranquiçados. O principal osso é o osso nasal, e o tecido cartilaginoso compõe o septo nasal, que permite a movimentação do nariz. Na face interna, encontra-se uma grande quantidade de pelos que servem para detectar estímulos olfatórios, modi�cam de acordo com as vibrações da fala, fazendo uma ressonância do ar. A cavidade nasal é o local que está alinhado com o músculo e a túnica mucosa, e é nesse local que encontramos os cóanos. Além disso, também são observados ductos dos seios paranasais (que têm por função drenar o muco) e os ductos lacrimonasais (que têm por função drenar lágrimas). Os seios paranasais são espaços delimitados pelos ossos cranianos, sendo eles o frontal, esfenoide, etmoide e a maxila. A função principal desse seio é servir como câmara de ressonância para produção de som e produção de muco. Quando essa cavidade está preenchida por muco não drenado, isso pode resultar em processos infecciosos, em aumento da pressão craniana e dor no lobo frontal, como na sinusite. POSICIONAMENTO ANATÔMICO NA FORMAÇÃO DAS IMAGENS RADIOLÓGICAS A partir dos conceitos obtidos em relação ao sistema respiratório, continuaremos a descrição anatômica das partes da porção condutora e respiratória. A laringe é conhecida por uma pequena conexão entre a parte laríngea da faringe e a traqueia, sendo identi�cadas peças cartilaginosas (tireoidea, epiglote e cricoidea; aritenoide, cuneiforme e corniculada). São as pregas aritenoides que in�uenciam alterações na mudança e tensão das pregas vocais. A cartilagem tireoidea também é conhecida como pomo de Adão, e sua composição é duas lâminas fundidas de cartilagem hialina, que permitem a movimentação de acordo com a respiração e deglutição. Ela varia entre os sexos por conta da in�uência dos hormônios de crescimento. A epiglote atua durante a deglutição do alimento, pois a faringe se eleva para receber o alimento e a epiglote move-se para baixo, cobrindo-a. Faz-se interessante salientar que, quando pequenas partículas de fumaça, alimento ou partícula de poeira passam para a região da laringe, pode ocorrer o re�exo da tosse, na tentativa de se expelir o material inalado. Quando ocorre uma laringite ou in�amação da laringe, pode haver rouquidão, e isso ocorre devido a infecções respiratórias ou mesmo substâncias irritantes. Se esse processo continuar ativo, como por fumaça advinda do cigarro, poderá desencadear o câncer da laringe, caracterizado por rouquidão, dor ao engolir, dor que pode irradiar até a orelha. A traqueia é um tubo revestido de cartilagem hialina que proporciona �exibilidade e �rmeza; ela está localizada na porção anterior ao esôfago e se divide em brônquios, na entrada dos pulmões, sendo eles direito e esquerdo. O anel cartilaginoso está organizado em forma de C incompleto, e isso impede que a traqueia não colapse, obstruindo a passagem de ar. Nesse contexto, são caracterizadas várias condições que podem bloquear o �uxo de ar, por exemplo: quando os anéis cartilaginosos são acidentalmente esmagados, excesso de muco, aspiração de um objeto maior que o diâmetro da traqueia ou, até mesmo, um tumor canceroso. Caso a obstrução ocorra acima do nível da laringe, pode ser realizada uma traqueotomia. A partir da traqueia, ocorre a rami�cação dos brônquios, formando os brônquios principais direito e esquerdo, sendo que o direito vai para o pulmão direito, enquanto o esquerdo vai para o pulmão esquerdo. Como o direito tende a ser mais curto e largo, quando um objeto é aspirado erroneamente, pode, facilmente, alojar-se no brônquio direito. Uma característica importante é que esses brônquios também apresentam anéis incompletos cartilaginosos e um tecido mucoso que produz elevada quantidade de muco para lubri�cação da região. Entre os brônquios, ocorre a presença da carina, uma crista interna. Quando ela está altamente alargada e distorcida, pode indicar carcinoma de linfonodo, uma patologia grave que merece atenção e cuidado extremo. Figura 2 | Traqueia CONTEXTUALIZAÇÃO CLÍNICA DAS POSIÇÕES ANATÔMICAS RESPIRATÓRIAS PARA AQUISIÇÃO DAS IMAGENS RADIOLÓGICAS Como vimos no bloco anterior, a rami�cação a partir da traqueia forma os brônquios principais direito e esquerdo. A partir deles, há uma extensa rami�cação que formará os alvéolos pulmonares. Os pulmões são o local em que ocorre a hematose, ou seja, as trocas gasosas entre o meio ambiente e o organismo ocorrem dentro dos alvéolos pulmonares, que são sacos minúsculos e ocos presentes dentro dos pulmões. A aparência de esponja dos pulmões se deve aos quase 300 milhões de alvéolos presentes em cada um, que estão envolvidos por capilares pulmonares (em torno de 1.000 capilares para cada alvéolo), o que aumenta muito a superfície para a troca de gases. O que diferencia os capilares alveolares dos demais é sua capacidade de se dilatar quando os níveis de oxigênio dentro dos alvéolos �cam elevados e de se contrair em baixos níveis de oxigênio, fazendo com que o �uxo sanguíneo seja direcionado para os alvéolos com mais oxigênio. Os pulmões têm formato cônico com seu ápice na primeira costela, e sua porção inferior é côncava ampla e repousa na superfície superior do diafragma; além disso, eles são circundados pelas cavidades pleurais, que são revestidas pela pleura (membrana serosa). A pleura visceral cobre as superfícies pulmonares, já a pleura parietal reveste a superfície interna da parede torácica e, entre elas, temos a cavidade pleural. Os processos de respiração podem ser divididos em pulmonar e celular. A troca de gases (oxigênio e gás carbônico) entre o ambiente externo e todos os tecidos, de modo a atender as demandas das células, corresponde à respiração pulmonar, enquanto a respiração celular corresponde à absorção de oxigênio e liberação de gás carbônico pelas células. Qualquer tipo de variação na respiração pulmonar afeta, diretamente,os níveis de oxigênio e prejudica o seu fornecimento para os tecidos. Ou seja, uma diminuição da Fonte: iStock. concentração de oxigênio (hipóxia) pode limitar as atividades metabólicas do tecido afetado e levar à morte desse tecido. Nos casos de anóxia, o suprimento de oxigênio é totalmente interrompido e ocorre a morte das células, que é o que vemos em casos de derrames e infartos. Quando inspiramos e expiramos uma vez, completamos um ciclo respiratório, e nossa capacidade respiratória corresponde ao volume total de ar que os pulmões conseguem reter nesse processo. Essa capacidade está intimamente relacionada com a qualidade de insu�ação pulmonar e com a mecânica respiratória, o que pode estar relacionada com fatores como obstruções nas vias aéreas superiores. Mas não podemos confundir capacidade respiratória com capacidade pulmonar. A capacidade respiratória é a quantidade de ar que os pulmões conseguem reter em um ciclo respiratório, enquanto a capacidade pulmonar está relacionada com a quantidade de oxigênio transportada pela circulação sanguínea. Nesse contexto, é importante lembrar que o ar aparecerá preto/escuro nas imagens radiológicos, e quando, por algum motivo, a cavidade estiver preenchida, poderá ocorrer substituição de ar por muco, ou seja, nas imagens radiológicas, ele aparecerá esbranquiçado. VÍDEO RESUMO Olá, estudantes. Neste vídeo, você terá a oportunidade de conhecer a composição do sistema respiratório, suas principais características e patologias que podem comprometer a sua funcionalidade, em especial, a dos pulmões, bem como vamos detalhar a anatomia pulmonar e comparar os órgãos que formam a porção condutora e o pulmão, que forma a porção respiratória. Com essas informações, será possível interpretar o tipo de exame radiológico que melhor identi�ca e diagnostica patologias. Vamos lá! Saiba mais Para complementar o estudo, sugerimos a leitura do artigo Oxidative damage induced by cigarette smoke exposure in mice: impacto n lung tissue and diafragma muscle. Por meio desse artigo, você será capaz de compreender mais detalhes sobre a avaliação do dano oxidativo e o impacto nas imagens radiológicas. O artigo em português está disponível para leitura em: https://www.scielo.br/j/jbpneu/a/D3MbyFjDyBNR98DGLfVhdrH/?lang=en. Acesso em: 14 abr. 2022. Para visualizar o objeto, acesse seu material digital. Aula 3 SISTEMA DIGESTIVO https://www.scielo.br/j/jbpneu/a/D3MbyFjDyBNR98DGLfVhdrH/?lang=en INTRODUÇÃO Prezado estudante, teremos o prazer de começar nosso estudo descrevendo a composição do sistema digestório, as principais funções desse sistema e a vascularização envolvida. Esse sistema é complexo e composto por vários órgãos que apresentam morfologia diferenciada, sendo preciso atenção para diferenciá- los. A análise das patologias e seus diagnósticos são feitos por meio de diversos exames de imagem, em que é possível visualizar estruturas anormais, in�amações e presença de tumores causados por alimentos, medicamentos, estresse, entre outros. Aproveite esta aula e estude bastante, a �m de ampliar seus conhecimentos quanto à impressão desses órgãos nas imagens radiológicas e poder ajudar muitas pessoas! COMPOSIÇÃO DO SISTEMA DIGESTÓRIO O foco da nossa aula de hoje é conhecer o sistema digestório (Figura 1), que é formado por dois grupos, sendo o primeiro formado pelo canal alimentar e o segundo pelos órgãos acessórios. O canal alimentar é formado por um tubo contínuo, que inicia na boca e termina no ânus, formado por boca, faringe, esôfago, estômago, intestino delgado e grosso. Somente o tubo não é su�ciente para que o processo de digestão e absorção ocorra com sucesso, nesse caso, os órgãos acessórios são imprescindíveis, sendo eles compostos por dentes, língua, glândulas salivares, fígado, vesícula biliar e pâncreas. Figura 1 | Sistema digestório Prezado estudante, teremos o prazer de começar nosso estudo descrevendo a composição do sistema digestório, as principais funções desse sistema e a vascularização envolvida. 22 minutos Fonte: Wikipedia. O estômago é um órgão que apresenta alargamento do canal em forma de J e que se encontra diretamente abaixo ao diafragma (Figura 2). A sua função principal é servir como um movimento de mistura e propulsão que auxilia na digestão do alimento. Entre as demais funções que o estômago desempenha, temos a mistura do alimento a secreções para formar o quimo, bem como ser local de armazenamento para liberação do intestino delgado e de secretar suco gástrico composto por várias enzimas, fator intrínseco que ajuda na absorção da vitamina B12 e, também, da lipase gástrica; por �m, ele é capaz de secretar a lipase gástrica. Anatomicamente, o estômago é dividido em 4 regiões, sendo elas: cárdia, fundo, corpo e piloro. A cárdia é a região localizada entre o esôfago e a porção do fundo; a porção mais arredondada na porção superior é o fundo; já o corpo é a maior porção e localiza-se centralmente; e o piloro pode ser dividido em antro pilórico, canal pilórico e o piloro, propriamente dito, sendo que este faz contato com o duodeno. Quando o estômago está vazio, é possível observar as pregas gástricas, sendo elas aparentes na forma de rugas. A margem medial é côncava e denominada curvatura menor, enquanto a margem lateral convexa é denominada curvatura maior. Uma patologia muito comum que ocorre na região do piloro é a estenose pilórica, sendo um estreitamento do óstio pilórico que deve ser corrigido rapidamente. O sintoma mais clássico é o vômito em jato quando apertado, e é interessante salientar que, histologicamente, é possível identi�car apenas 3 regiões, sendo elas: cárdia, corpo/fundo e piloro. Figura 2 | Estômago Fonte: Wikipedia. Anatomicamente, o pâncreas está localizado na porção retroperitoneal e encontra-se em posição posterior à curvatura maior do estômago. Ele consiste em uma cabeça, corpo e cauda que estão associados ao duodeno por meio do ducto pancreático principal. A cabeça é a região que está próxima ao duodeno, o corpo é a maior região do corpo, enquanto a cauda é a região mais a�lada. O pâncreas é conhecido por ser uma glândula exócrina, responsável pela secreção das enzimas digestivas, e uma glândula endócrina, por meio da liberação dos hormônios presentes na Ilhota pancreática. São esses hormônios que auxiliam na digestão, na glicemia e na regularização da �siologia óssea. Por ser uma glândula exócrina, secretam o suco pancreático por meio de ductos denominados ductos pancreáticos e acessórios; geralmente, o ducto pancreático se une ao ducto colédoco, que tem sua procedência do fígado e da vesícula biliar e é capaz de entrar no duodeno como um ducto comum chamado ampola hepatopancreática ou mesmo pelo epônimo Ampola de Vater. POSICIONAMENTO ANATÔMICO NA FORMAÇÃO DAS IMAGENS RADIOLÓGICAS A partir dos conceitos obtidos em relação ao sistema digestório, vamos continuar aplicando os conceitos anatômicos em relação ao fígado, que é a glândula mais pesada do nosso corpo capaz de regeneração, desde que a lesão não complete 2/3 do órgão, e se encontra abaixo do diafragma, ocupando porção signi�cativa do hipocôndrio direito e algumas partes da região epigástrica da cavidade abdominopélvica. Complementando a informação, a vesícula biliar é um saco que apresenta formato de pera e se localiza na face posterior do fígado. Anatomicamente, o fígado é quase completamente revestido por peritônio visceral e dividido em dois lobos principais, lobo hepático direito maior e lobo hepático esquerdo menor, que são unidos por um ligamento denominado ligamento falciforme (resquício do desenvolvimento embrionário). É importante salientarmos que o lobo esquerdo ainda pode ser subdividido em lobo quadrado inferior e lobo caudado posterior. Além disso, são identi�cados outros ligamentos, como o ligamento redondo, que é um remanescente da veia umbilical do feto, e os ligamentos coronários direito e esquerdo. Anatomicamente, a vesículabiliar (Figura 3) é composta por uma ampla região denominada fundo da vesícula biliar, que está localizada na margem inferior do fígado, e uma região do corpo que é a parte central; além disso, o colo da vesícula biliar é a parte mais estreitada. Figura 3 | Vesícula biliar Fonte: Wikipedia. Pensando em termos de digestão e absorção, os intestinos são peças fundamentais. O intestino delgado é a primeira porção e é responsável pela digestão e absorção, e isso ocorre por meio da presença das vilosidades intestinais. Esse aumento da área de absorção e contato facilita a entrada dos nutrientes para que eles possam ser convertidos em energia na forma de adenosina trifosfato. Anatomicamente, ele apresenta cerca de 2 cm de diâmetro e seu comprimento pode chegar até 3 m na pessoa viva, bem como serpenteia a parte central da cavidade abdominal e se abre para o intestino grosso. A primeira porção é o duodeno, espaço mais curto localizado na região retroperitoneal, apresentando formato de C. Seu comprimento chega a cerca de 25 cm até se fundir com jejuno, sendo que a região jejunal é a região que ocupa cerca de 1 m de comprimento, e a maior porção é o íleo, que apresenta cerca de 2 m de comprimento, sendo essa a porção �nal que se abre no intestino grosso depois da passagem pelo óstio ileal. As principais funções do intestino delgado envolvem a mistura do quimo com as enzimas digestivas advindas do pâncreas que facilitam a absorção, além de impulsionar o quimo por meio do peristaltismo. É nessa porção que deve ocorrer a completa digestão de carboidratos, proteínas e lipídios, bem como completa a digestão dos ácidos nucleicos. Caso a digestão não ocorra adequadamente, as bactérias que estão presentes na região do cólon são responsáveis pela fermentação desses alimentos pouco digeríveis e absorvíveis denominados fodmaps. CONTEXTUALIZAÇÃO CLÍNICA DAS POSIÇÕES ANATÔMICAS DIGESTÓRIAS PARA AQUISIÇÃO DAS IMAGENS RADIOLÓGICAS Como vimos, os órgãos que compõem o sistema digestório são vários, e para �nalizar, iremos aplicar os conhecimentos anatômicos referentes ao intestino grosso, que apresenta cerca de 1 m de comprimento e inicia-se no íleo e �naliza-se no ânus. É nessa porção que encontramos a maior parte das bactérias que são responsáveis pela fermentação dos alimentos que foram fracamente digeridos/absorvidos, bem como podemos identi�car quatro regiões anatômicas, sendo elas: ceco, colo, reto e, por �m, canal anal. Esse orgão apresenta como principais funções a agitação muscular a �m de movimentar o alimento através do peristaltismo, bactérias convertendo proteínas em aminoácidos e produzindo vitaminas B e K. São capazes de absorver poucas moléculas de água, íons e vitaminas e formam as fezes. O ceco (Figura 4) é uma pequena bolsa que se encontra pendurada na porção inferior do óstio ileal, sendo esse o local de abertura do intestino delgado para o grosso. Anexa ao ceco, encontramos uma estrutura em forma de tubo altamente espirada denominada apêndice vermiforme. Uma in�amação do apêndice é denominada apendicite, sendo esta precedida da obstrução do lúmen do apêndice pelo quimo, presença de corpos estranhos, estenoses (embrionária ou não) ou mesmo dobras no próprio órgão que ocorreram durante o desenvolvimento embrionário no retorno do processo de herniação �siológica. Tal in�amação apresenta como sintomas febre alta, contagem de leucócitos elevada e neutró�lo extremamente superior ao padrão de referência. Nesse sentido, pode resultar em edema e isquemia, progredindo para gangrena. Inicialmente, começa uma dor referida próxima ao umbigo, seguido de perda de apetite, evoluindo para anorexia, náuseas e vômitos em jato. Algumas horas após, ela se torna contínua, difusa e grave, podendo se intensi�car com qualquer movimento. A melhor forma de tratamento é a apendicectomia, que é a remoção do apêndice vermiforme. Figura 4 | Ceco Fonte: Wikipedia. A região do colo é dividida em 4 porções: ascendente, transverso, descendente e sigmoide. Faz-se interessante salientar que os cólons ascendente e descendente são considerados retroperitoneais, já os cólons transverso e sigmoide não são. O reto é a porção �nal do intestino grosso e apresenta, na sua porção �nal, o canal anal. Essa porção do canal anal é denominada colunas anais, sendo ela composta por pregas longitudinais altamente vascularizadas. A abertura do canal anal é denominada ânus, havendo a necessidade, pra isso, de músculos como esfíncter interno do ânus, responsável pelo movimento involuntário, sendo ele classi�cado como músculo liso, e esfíncter externo do ânus, nesse caso, voluntário, composto por tecido muscular estriado esquelético. Para �nalizar o estudo, avaliaremos, anatomicamente, o baço, sendo ele uma estrutura oval localizada no hipocôndrio esquerdo. Sua face superior é lisa e convexa; ele é dividido em duas partes, a polpa branca, composta de tecido linfático contendo artéria central, e a polpa vermelha, composta de tecido conjuntivo frouxo. É nesse órgão que ocorre a hemocaterese. VÍDEO RESUMO Olá, estudante. Neste vídeo, você terá a oportunidade de conhecer a composição do sistema digestório, os principais órgãos e como eles se apresentam nas radiogra�as convencionais e tomogra�as, sabendo que sua composição é de tecido mole. Vamos focar suas principais características, funções e patologias que podem comprometer a sua funcionalidade, logo, com essas informações, será possível interpretar o tipo de exame radiológico que melhor identi�car e diagnosticar patologias. Vamos lá! Saiba mais Para complementar o estudo, sugerimos a leitura do artigo Transplante hepático em sarcomas embrionário indiferenciado de fígado em adultos: relato de caso. Por meio dele, você será capaz de compreender mais detalhes da patologia e como pode ser realizado o diagnóstico por meio de tomogra�a computadorizada do fígado. O artigo em português está disponível para leitura em: https://preprints.scielo.org/index.php/scielo/preprint/view/1118/1667. Acesso em: 14 abr. 2022. Para visualizar o objeto, acesse seu material digital. INTRODUÇÃO Prezado estudante, teremos o prazer de começar nosso estudo descrevendo a composição do sistema urinário e os aspectos que podem ser avaliados em exames de imagem, como radiogra�a convencional e tomogra�a computadorizada; além disso, serão enfocados os principais aspectos funcionais desse sistema e a vascularização envolvida. Durante a aula, vocês, ainda, terão a oportunidade de conhecer detalhes sobre a aorta abdominal e a veia cava inferior e como elas se inter-relacionam. Aproveite esta aula e estude bastante, a �m de ampliar seus conhecimentos de impressão desses órgãos e suas funcionalidades nas imagens radiológicas, conseguindo ajudar muitas pessoas! COMPOSIÇÃO DO SISTEMA URINÁRIO E VASOS ACESSÓRIOS O foco da primeira parte da aula é conhecer o sistema urinário (Figura 1), seus principais componentes e suas principais funções. Ao iniciarmos pela descrição anatômica, encontramos que o sistema urinário é composto de dois rins, dois ureteres, uma bexiga urinária e uma uretra. A função dele é fazer a �ltração do sangue e, dessa maneira, retornar grande parte de solutos para a corrente sanguínea. O �uido que foi liberado fará, a partir de então, parte da composição da urina, que passará pelos ureteres e será armazenada na bexiga urinária até que consiga ser eliminada pela uretra. Quanto às funções desempenhadas pelos rins, eles regulam o volume e a Aula 4 DEMAIS ÓRGÃOS ABDOMINAIS Prezado estudante, teremos o prazer de começar nosso estudo descrevendo a composição do sistema urinário e os aspectos que podem ser avaliados em exames de imagem, como radiogra�a convencional e tomogra�a computadorizada. 23 minutos https://preprints.scielo.org/index.php/scielo/preprint/view/1118/1667 composição do sangue, ajudam a regular a pressão arterial, pH sanguíneo e os níveis de glicose, bem como são responsáveis por produzir dois hormôniosimportantes, como calcitriol e eritropoietina, eliminando a urina como escória metabólica. Figura 1 | Sistema urinário Fonte: Wikipedia. Anatomicamente, os rins são órgãos pares, de aparência avermelhada e em forma de feijão. Eles estão localizados logo acima da cintura, posicionados entre o peritônio e a parede posterior do abdome; são órgãos considerados retroperitoneais e estão posicionados entre as últimas vértebras torácicas e a terceira vértebra lombar. Como estão protegidos pelas últimas costelas (XI e XII), se houver fraturas ou lesões, estas poderão causar perfuração renal, e quando o rim é lesado nessa magnitude, é incompatível com a vida. Pensando em termos de posicionamento anatômico, o rim direito está relativamente mais baixo que o rim esquerdo, e isso ocorre devido ao posicionamento do fígado. Um rim de adulto é diferente do rim de um feto ou criança. No adulto, ele mede cerca de 12 cm de comprimento, 7 cm de largura e 3 cm de espessura e o seu peso varia entre 135 e 150g. Voltada para a coluna, encontramos a margem medial, que apresenta posicionamento côncavo, e, nessa posição, encontramos o hilo renal, ao qual partem o ureter, os vasos sanguíneos, vasos linfáticos e nervos. Ao fazermos o revestimento externo, encontramos três camadas que circundam cada rim. A mais externa é uma cápsula �brosa composta de um tecido conjuntivo denso altamente contínuo; a sua função é proteger contra possíveis traumatismos e auxilia a manter a forma do rim apropriada. Internamente, encontramos uma cápsula de tecido adiposo que chamaremos de cápsula �brosa; sua função também é proteger o rim contra traumas e auxiliar no posicionamento dos rins na cavidade abdominal. Super�cialmente, encontramos a fáscia renal, composta de tecido conjuntivo denso que tem por função ancorar os rins nas estruturas que os circundam e, também, na parede abdominal. Re�etindo sobre o posicionamento renal, embriologicamente falando, pode ser identi�cada uma condição denominada nefroptose, ou seja, rim �utuante. Esse tipo de condição permite o deslocamento da posição renal, no caso, uma “queda” renal, e isso ocorre devido à falta de �xação nos órgãos adjacentes ou por conta de falta de revestimento adequado do tecido adiposo. Essa condição ocorre em pessoas que apresentam baixa constituição de tecido adiposo, ou seja, fáscia renal de�ciente, mas qual a consequência dessa condição? O ureter pode torcer e levar ao bloqueio do �uxo urinário, e como não ocorrerá �uxo urinário, ocorrerá re�uxo da urina para os tecidos renais, o que desencadeará lesões que comprometerão a sua capacidade morfológica e estrutural. POSICIONAMENTO ANATÔMICO NA FORMAÇÃO DAS IMAGENS RADIOLÓGICAS A partir dos conceitos obtidos em relação ao sistema urinário, precisamos descrever a histoarquitetura renal para entender as grandes alterações que aparecem nas imagens radiológicas. Em um corte frontal, identi�camos duas grandes regiões, uma região vermelha clara e super�cial, denominada córtex renal, e a mais interna, que apresenta coloração vermelha escura, denominada medula renal, já internamente, encontram-se as pirâmides renais. A base da pirâmide apresenta formato triangular e está voltada para o córtex renal, já o ápice se volta para o hilo renal, e, nesse caso, é chamado de papila renal. Encontramos, nessa região cortical, a zona cortical externa e zona justamedular interna, e é essa região cortical que denominamos parênquima, em que identi�camos os néfrons, que drenam todo o �ltrado glomerular para os ductos coletores. Os ductos acabam por drenar para estruturas em forma de alças, que denominamos cálices renais maiores e cálices renais menores. Em termos de quantidade, é possível observar entre 8 e 18 cálices menores e, aproximadamente, 2 ou 3 cálices maiores. A partir desses cálices, a urina �ui para a pelve renal, que seria uma grande cavidade presente na periferia das papilas; em seguida, essa mesma urina desemboca no ureter e, assim, alcança a bexiga urinária. Tendo em vista a função renal de �ltração glomerular, esta deve apresentar uma rede altamente vascularizada, e a artéria responsável por essa irrigação é a artéria renal. Em seguida, o sangue percorre as artérias segmentares, que são responsáveis pela emissão de ramos, formando as artérias interlobares, que se arquearão entre o córtex e a medula, sendo essas artérias denominadas artérias arqueadas, responsáveis pela produção de várias artérias interlobulares, que irradiam para fora, entram no córtex e emitem ramos denominados arteríolas glomerulares aferentes. Fazendo a composição glomerular, é identi�cada arteríola glomerular eferente, que é responsável por levar o sangue para fora do glomérulo. A partir do momento em que há �ltração glomerular, os capilares glomerulares eferentes, que chamaremos de arteríola reta, irrigam diferentes porções dos túbulos que compõem o néfron, que está localizado na medula renal. Nesse sentido, o segmento das veias é comum às veias interlobulares e �uem para as arqueadas, em seguida, às veias interlobares. O sangue, entãi, sai do rim por meio de uma veia renal que é única e bem característica e emerge do hilo renal, sendo responsável pelo transporte de sangue venoso. Re�etindo na circulação sanguínea, a partir do momento que o sangue sai pela artéria aorta, ele con�ui para a parte ascendente da aorta, sendo que parte dele acaba �uindo para as artérias coronárias. Assim que o sangue está na parte ascendente da aorta, ele �ui pelo arco dela e desemboca na parte descendente da aorta, que é composta pelas partes torácicas e abdominal. São esses ramos os responsáveis por irrigar todos os demais órgãos que compõem o nosso corpo. Na circulação fetal, ocorre de maneira diferente, tendo em vista que o pulmão apresenta pouca ou nenhuma função, apenas sofre maturação e desenvolvimento. O sangue, nesse sentido, é desviado do tronco pulmonar para a aorta, e o propósito do ducto arterioso é se fechar logo após o nascimento, e o remanescente dele é o ligamento arterial, que é responsável por ligar o arco da aorta e o tronco pulmonar. CONTEXTUALIZAÇÃO CLÍNICA DAS POSIÇÕES ANATÔMICAS DIGESTÓRIAS PARA AQUISIÇÃO DAS IMAGENS RADIOLÓGICAS No bloco anterior, vimos o conceito do sistema urinário e as artérias tão importantes para manter a homeostasia de todos os sistemas. Frente a isso, existem patologias que podem ser identi�cadas pela ultrassonogra�a (Figura 2), como as varizes, fazendo com que as veias se tornem dilatadas e, até mesmo, retorcidas; nesse caso mais grave, podem ser chamadas de veias varicosas, comuns no esôfago, canal anal e veias super�ciais localizadas nos membros inferiores, podendo desencadear uma dor profunda. Outra nomenclatura utilizada para esse tipo de varizes no canal anal é hemorroidas, sendo comum que haja sangramento no esôfago ou mesmo no canal anal. Figura 2 | Ultrassonogra�a das veias Fonte: Wikipedia. O retorno venoso ao coração deve ocorrer por meio das veias, sendo elas a veia cava superior e inferior, e ambas devem desembocar no átrio direito. A veia cava inferior é responsável por coletar o sangue de todos os órgãos abdominais, e essas veias precisam ter uma constituição �rme, para não se romper com qualquer fratura, e elasticidade o su�ciente para acomodar todo o sangue que passa por elas. Considerando a nomenclatura das veias, podemos considerar que elas podem ser super�ciais ou profundas. Além das veias cavas, desemboca, também no coração, o seio coronário, que recebe sangue das veias cardíacas, responsáveis por drenar o coração. O foco da nossa aula é identi�car a veia cava inferior (VCI), que é considerada a maior veia do nosso corpo e apresenta cerca de 4 cm de diâmetro. O seu início começa pela união das veias ilíacas comuns que estão atrás do peritônio, dessa maneira, passa pelo forame do diafragma e, assim, consegue entrar no átrio direito. Os órgãos responsáveis pela sua drenagem são o abdome, a pelve renal e os membros inferiores.Um ponto que merece atenção é que são essas veias que são comprimidas durante os diferentes estágios dos �nais da gestação pelo útero aumentado. Como essa compressão ocorre em grande quantidade, a tendência é que ocorram edemas, principalmente sendo nos tornozelos e nos pés, bem como a presença de veias varicosas, que tendem a ser temporárias. É interessante salientarmos que muitas pequenas veias podem desembocar na veia cava inferior, porém ela não recebe veias diretamente do sistema digestório e glândulas acessórias, como baço, pâncreas e vesícula biliar. Todo esse sangue desemboca na veia porta do fígado, que, então, é drenado pelas veias mesentéricas superior e inferior, e forma a veia hepática, e essa veia, então, é a responsável por drenar o sangue para a veia cava inferior. As veias que drenam para a veia cava inferior são: veias frênicas inferiores, veias hepáticas, veias lombares, veias suprarrenais, veias renais, veias reprodutoras ou gonadais (que podem ser as testiculares no homem e ováricas nas mulheres), veias ilíacas comuns, veias ilíacas internas e veias ilíacas externas. VÍDEO RESUMO Olá, estudantes. Neste vídeo, você terá a oportunidade de conhecer a composição do sistema urinário, sua composição morfológica (anatômica e histológica) e funcional, bem como a importância dos vasos que estão relacionados, como a aorta abdominal e suas rami�cações, assim como a veia cava inferior e a sua respectiva drenagem. Com essas informações, será possível interpretar o tipo de exame radiológico que melhor identi�car e diagnosticar patologias. Vamos lá! Saiba mais Para complementar o estudo, sugerimos a leitura do artigo Hipertensão secundária: abordagem nos cuidados de saúde primários, de Leitão (2021). A partir dele, você será capaz de compreender mais detalhes sobre como identi�car a hipertensão secundária e o papel das artérias renais no seu desenvolvimento. O artigo em português está disponível para leitura em: https://www.rpmgf.pt/ojs/index.php/rpmgf/article/view/12722. Acesso em: 14 fev. 2022. Para visualizar o objeto, acesse seu material digital. Aula 1 BRANT, W. E.; HELMS, C. A. Fundamentos de radiologia: diagnóstico por imagem. 4. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2015. DUGANI, S. et al. Anatomia clínica: integrada com exame físico e técnicas de imagem. 1. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2017. MARTINI, F. H. et al. Anatomia e �siologia humana: uma abordagem visual. São Paulo: Pearson Education do Brasil, 2014. PRANDO, A.; MOREIRA, F. A. Fundamentos de radiologia e diagnóstico por imagem. 2. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2014. REFERÊNCIAS 7 minutos https://www.rpmgf.pt/ojs/index.php/rpmgf/article/view/12722 Aula 2 BRANT, W. E.; HELMS, C. A. Fundamentos de radiologia: diagnóstico por imagem. 4. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2015. DUGANI, S. et al. Anatomia clínica: integrada com exame físico e técnicas de imagem. 1. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2017. MARTINI, F. H. et al. Anatomia e �siologia humana: uma abordagem visual. São Paulo: Pearson Education do Brasil, 2014. PRANDO, A.; MOREIRA, F. A. Fundamentos de radiologia e diagnóstico por imagem. 2. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2014. Aula 3 BRANT, W. E.; HELMS, C. A. Fundamentos de radiologia: diagnóstico por imagem. 4. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2015. DUGANI, S. et al. Anatomia clínica: integrada com exame físico e técnicas de imagem. 1. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2017. MARTINI, F. H. et al. Anatomia e �siologia humana: uma abordagem visual. São Paulo: Pearson Education do Brasil, 2014. PRANDO, A.; MOREIRA, F. A. Fundamentos de radiologia e diagnóstico por imagem. 2. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2014. Aula 4 BRANT, W. E.; HELMS, C. A. Fundamentos de radiologia: diagnóstico por imagem. 4. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2015. DUGANI, S. et al. Anatomia clínica: integrada com exame físico e técnicas de imagem. 1. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2017. MARTINI, F. H. et al. Anatomia e �siologia humana: uma abordagem visual. São Paulo: Pearson Education do Brasil, 2014. PRANDO, A.; MOREIRA, F. A. Fundamentos de radiologia e diagnóstico por imagem. 2. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2014.