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COLETA DE MATERIAS Materiais Biológicos Diversos CONCEITOS • As Ciências Forenses são um conjunto de ciências que formam o embasamento técnico-científico para estudo sistemático da prova material do Direito Penal; • As Ciências Forenses associa o estudo dos objetos e do corpo humano encontrados no local do crime, com o objetivo de determinar a origem, a dinâmica e, sempre que possível, a autoria do evento delituoso. CONCEITOS • Entre esses achados de interesse, faz-se especial apreciação aos agentes químicos, de origem inorgânica ou orgânica, que poderão produzir danos no organismo vivo; • Para isso faz-se uso da Toxicologia Forense, calcada na compreensão da aplicação do estudo dos toxicantes para elucidar procedimentos legais ou judiciais. CONCEITOS • A identificação do cadáver obtém-se através de inúmeros dados que o corpo possa fornecer, sendo possível colher elementos que contribuam para o estabelecimento da identidade; • Entre as técnicas utilizadas para identificação temos desde a antropologia forense ao estudo dos ácidos nucléicos (DNA); • É fundamental nesses processos uma correta metodologia e uso da cadeia de custódia. Cadeia de Custódia Cadeia de custódia, no contexto legal, refere-se à documentação cronológica ou histórica que registra a sequência de custódia, controle, transferência, análise e disposição de evidências físicas ou eletrônicas; o conceito também é aplicado em litígio civil - e algumas vezes mais amplamente no teste antidoping de atletas e em gerenciamento de cadeia de suprimentos, e.g. para melhorar a rastreabilidade de produtos alimentícios, ou para fornecer garantias que produtos de madeira se originaram de florestas gerenciadas sustentavelmente. O termo, às vezes, também é usado nos campos de história, história da arte e arquivos como um sinônimo para procedência (significando a cronologia da propriedade, custódia ou localização de um objeto histórico, documento ou grupo de documentos), que podem ser um fator importante na determinação de autenticidade. A completa descrição da cadeia de custódia permite a certificação da origem da amostra, sua destinação, e consequentemente, empresta ao laudo pericial, resultante de análise, credibilidade e robustez suficiente para ser admitido no elenco probatório; Além de um Protocolo de Procedimento Padrão (POP), adaptado de acordo com a dinâmica da equipe responsável, para a coleta de cadeia de custódia se utiliza protocolos da Resolução SSP – 194 de 02 de junho de 1999. Essa resolução trata sobre as diretrizes que norteiam o atendimento ao local de crime e assim como o manual da ITERPOL (2001) e do FBI (1999) demonstra preocupação em preservar o material biológico para que se possa fazer a extração de DNA; A resolução estabelece normas para coleta e exame de materiais biológicos para exame de identificação humana. A resolução considera: ➢Necessidade de normatizar serviços periciais relativos à coleta de materiais biológicos para exame de identificação humana, tanto nos locais de crime como na pessoa viva; ➢Que os procedimentos a ser seguidos pelos órgãos policiais e periciais oficiais devem estar em consonância com os ditames da legislação em vigor. ➢ Que é imprescindível a correta preservação das amostras, para não se correr o risco de contaminação e outros prejuízos; ➢Por exame de identificação humana entende-se todo e qualquer procedimento experimental biológico e bioquímico com a finalidade de estabelecer a identidade da pessoa, bem como sua inclusão ou exclusão em analises de confronto com o material colhido e aquele por ela e seus parentes fornecidos. OS DESASTRES EM MASSA • Ao falarmos de coletas de materiais biológicos humanos precisamos mensurar os eventos onde se faz necessário um grande volume de coleta de materiais; • Até o século retrasado, em geral a morte parecia apresentar-se como um fato unitário. O decesso, pouco importando sua causa jurídica, acabava com a vida de uma ou mais pessoas, todas conhecidas e fáceis de identificar. A partir da segunda metade do Século XX, temos assistido a um grande número de desastres de massa, quer naturais – vendavais, inundações, deslizamento de encostas, erupções vulcânicas, terremotos, tufões -, quer produzidos diretamente pela ação humana, como acidentes de trânsito, acidentes de aviação, naufrágios, incêndios, acidentes industriais, atentados terroristas e conflitos armados. A identificação dos restos humanos em desastres em massa permite aos familiares sobreviventes resolver as situações que resultam diretamente do óbito, bem como continuar com a vida de cada um. Um fato, contudo, é objetivo: • A documentação formal da morte requer uma identificação positiva e incontroversa, que é essencial à declaração do término legal da existência, com as implicações que acarreta, notadamente na área civil. A falta de uma declaração de óbito, na maioria dos países, resulta em sérios problemas legais para os familiares. O QUE É UM DESASTRE? Conceituação de Desastre • O desastre é um evento infortunístico que, independendo de sua gênese, surge inopino e que coloca em ação diversas equipes de trabalho que, antes de mais nada, devem integrar-se hierarquicamente; • Essa integração deve ser administrativa e funcional de modo a isolar a área, visando não prejudicar o local ou cena de crime, nem a colheita de provas ou vestígios. • Dessa forma a primeira questão a ser definida é a alçada jurisdicional referente ao caso; • Se o caso é de competência estadual, ou requer a participação federal; se a investigação exigirá especificamente a intervenção da Aeronáutica, da Marinha, ou do Exército; • Definida a competência jurisdicional, as diferentes equipes forenses deverão agir de forma integrada, e coordenadas por uma autoridade, civil ou militar, que assuma a chefia do local ou de campo. • No cenário de tragédia é que começaram a desempenhar suas funções, nos limites de sua especialidade técnico-científica, conservando provas, preservando indícios, coletando restos; • Não havendo sobreviventes, que no caso, teriam prioridade na salvação e no atendimento, as diferentes equipes, todas se atendo apenas aos restos materiais, deverão, agindo de maneira integrada, vasculhar a área de maneira organizada e em forma sucessiva: primeiro, os peritos criminais ou forenses, a seguir os médicos- legistas em conjunto com os odontolegistas. ESTRUTURAS INTACTAS Prédios, navios, aeronaves etc, vitimas intactas Naufrágio do “Bateau Mouche” no Rio de Janeiro 1988 ESTRUTURAS INTACTAS Prédios, navios, aeronaves e etc. vítimas intensamente queimadas, fragmentação e dispersão dos corpos. Edifício Joelma, em São Paulo 1974 “Eu cheguei ao prédio em torno de 8h30, e subi normalmente pelo elevador. Cheguei ao meu andar (18°) e fui até o toalete. Quando eu voltei e fui até a minha sala, uma amiga que trabalhava na mesma sala e era secretária de outro diretor me avisou que o prédio estava pegando fogo”, declarou a sobrevivente Sueli Versignassi; “Tivemos momentos de todos os tipos que você pode imaginar, desde tentar se encolher para se esconder das chamas, pois elas lambiam o teto, até usar o corpo de pessoas que já estavam mortas para nos proteger do fogo. Era o Inferno de Dante”, disse Sueli. CORPOS BOIANDO EM AGUAS ABERTAS Desastre com embarcações em rios como Amazonas. CORPOS EM ESPAÇOS ABERTOS E INTACTOS DESTRUIÇÃO PARCIAL DAS ESTRUTURAS DESTRUIÇÃO TOTAL DAS ESTRUTURAS Gerenciamento de um local de desastre • A primeira providência é estabelecer um cordão de isolamento da área que delimite, com folga, o local do desastre. Essa folga pode variar de 100 a 500 metros, dependendo das características do local de do tipo de acidente; • Deve-se estabelecer um controle de acesso a área restrita, delimitada pelo cordão de isolamento, incluindo um listagem com nomes das pessoas com acesso franqueado. Uso de crachá deve ser obrigatório ou outro distintivo de identificação dentro da árearestrita; Tais providências são necessárias para proteger as provas do desastre; Declarado oficialmente fechado pelo pessoal de segurança deverá dar-se início à procura de evidências. Gerenciamento de um desastre Os mais importantes desafios gerados por um desastre, para uma Central de Identificação, são: • Grande número de restos humanos; • Restos fragmentados, dispersos e queimados; • Dificuldade para determinar quem estava envolvido no desastre; • Obtenção de registros médicos e odontológicos significativos; • Assuntos de índole legal, jurisdicional, organizacional e política; • Documentação interna e externa e dificuldade de comunicação. Para proceder à identificação de restos humanos, praticamente de forma universal, utilizam-se quatro metodologias: • Identificação visual; • Impressões digitais ou a identificação de pegadas; • Identificação odontológica, e • Perfil do DNA. A IDENTIFICAÇÃO PELO DNA EM DESASTRES EM MASSA • Entre as técnicas utilizadas para identificação podemos fazer uso da antropologia forense até o estudo dos ácidos nucléicos; • Envolve exames radiológicos e da odontologia forense. A técnica baseia-se na comparação de radiografias, feitas em vida, com outras realizadas após a morte, exames de datiloscopia, antropométricos para identificação humana e extração e processamento do perfil genético. O processo ideal para identificação deve preencher os seguintes requisitos: unicidade, imutabilidade, praticabilidade e classificabilidade; Os elementos observados devem ser específicos a um determinado indivíduo, e diferentes quanto aos demais; Os recursos da biologia molecular são empregados quando a identificação por Odontologia Forense e Datiloscopia para o confronto. Amostra questionada ou material cadavérico A qualidade das amostras dependem diretamente do estado de conservação do cadáver. Por exemplo: • Cadáveres recentes: Sangue, ou parte do rins; • Com rigidez cadavérica ou estado inicial de putrefação: músculo cardíaco profundo; • Em estado avançado de decomposição: ossos longos, compactos, dentes molares e pré-molares íntegros; • Carbonizados: qualquer parte que estiver mais bem conservada. Quantidade e Conservação É aconselhável a não enviar grande quantidade de material como o fêmur inteiro ou toda a mandíbula; Os materiais deverão ser congelados (-20C) e livres de qualquer conservante, como formol, ou substâncias usadas para preparo do material (água oxigenada, hipoclorito de sódio ou álcool). Etapas da Análise Forense do DNA A obtenção do perfil genético compreende as seguintes etapas: • Coleta dos materiais; • Extração do DNA; • Quantificação; • Amplificação; • Analise da região estudada. O sucesso da análise do DNA vai depender do tipo de amostras colhidas e de como essas amostras tenham sido preservadas. Desse modo a técnica empregada na coleta e documentação do vestígio, bem como sua quantidade e modo como foi manuseado, embalado e preservado são pontos críticos para esse tipo de exame. Entre as técnicas de extração mais utilizadas estão: • Método Orgânico (composto de fenol-clorofórmio e utilizado para DNA de alto peso molecular); • Chelex (mais rápido e com menor risco de contaminação, apesar do custo mais elevado); • FTA paper (composto de papel absorvente de celulose com substância química que propicia rapidez na utilização); • Álcool isopropílico (mais econômico, e alternativo ao método orgânico. ANÁLISES TOXICOLÓGICAS COM FINALIDADE FORENSE • Na pericia criminal entre os achados de interesse, faz-se especial apreciação ao agentes químicos, de origem inorgânica ou orgânica, que poderão produzir danos no organismo vivo, sendo portanto, motivo de apreciação médico legal; • A Toxicologia Forense se calça na compreensão da aplicação do estudo dos toxicantes para elucidação de procedimentos legais ou judiciais; • Este conceito está relacionado com a identificação de qualquer substância que possa ter provocado a morte ou causado dano ao homem ou á sua propriedade. SELEÇÃO E COLETA DAS AMOSTRAS • A seleção apropriada, coleção e submissão dos espécimes ao laboratório são de suma importância para obtenção de resultados acurados e para a sua subsequente interpretação e utilização na adjudicação de casos forenses; • Nas mortes envolvendo o uso de vários toxicantes, necessita-se de quantidades maiores de tecidos e fluídos biológicos para que todos os procedimentos analíticos disponíveis possam ser empregados e confirmados. • Para a maioria dos toxicantes (inclusive o álcool) há diferenças significativas entre as suas concentrações sanguíneas, dependendo do horário da colheita após o óbito, local da colheita, método e volume coletado; • As amostras coletadas na cavidade cardíaca apresentam resultados mais elevados do que as de sangue periférico; • A mesma diferença se apresenta na concentração de determinadas substâncias em diferentes tecidos, como o hepático e pulmonar. • A urina é fluído biológico de grande utilidade nas analises toxicológicas por se constituir de 99% de água e apresentar poucas substâncias endógenas,Entretanto, só está disponível em 50% dos óbitos devido a relaxamento dos esfíncteres durante a morte; • Muitos fármacos e drogas de abuso são extensamente biotransformados. Apenas seus produtos são detectados em quantidades relevantes na urina e sua correlação é muito pobre. • O estômago e seu conteúdo são importantes amostras toxicológicas nas superdosagens; • A desvantagem está na variação de sua composição, que poderá ser desde um fluído aquoso até um estado semisólido, dependendo da quantidade e tipo de alimento presente. • O fígado é o mais importante órgão nas analises toxicológicas devido à grande quantidade disponível; • Pode apresentar-se muito gorduroso e entra em putrefação mais rapidamente do que o sangue, exigindo que etapas de purificação sejam incorporadas ao método analítico. • Cérebro e pulmão são matrizes interessantes nos casos de exposição a gases e substâncias voláteis; • A bile agrega valor por conter concentrações elevadas de metais, drogas ou fármacos conjugados (benzodiazepínicos e morfina); • Humor vítreo constitui-se amostra na eleição post mortem da ingestão de álcool etílico especialmente em caso de exposição ao calor e de putrefação. • Matrizes alternativas, como cabelo, unha e osso podem comprovar o uso pregresso de drogas de abuso ou exposição crônica a metais LÍQUIDOS ORGÂNICOS • É frequente em locais de ocorrências de criminais aparecerem restos de líquido orgânicos, ora formando acúmulos ou depósitos sobre objetos ora formando manchas, ora infiltrando tecidos ou outros objetos; • É obrigatório a coleta e a análise desses vestígios para submete-los a exames laboratoriais. Mancha de saliva • Em diversos crimes, principalmente de conotação sexual, podem encontrar-se manchas sobre o corpo da vítima ou sobre suas vestes; • Geralmente, no corpo, nas proximidades das mordidas; • Entre os vários métodos químicos somente dois tem interesse prático; • Sulfocianeto de potássio e amilase salivar. MANCHAS DE SANGUE • A diversos métodos que podem ser utilizados como: prova de orientação, provas de certeza, diagnóstico de espécie animal pelo sangue, tipagem sanguínea. MANCHAS DE ESPERMA • Após ataques sexuais, notadamente nos casos de atos libidinosos podem acabar em ejaculação. Se colhe o material por meio de raspagem e da mucosa da cavidade oral MÁSCARAS DESCARTÁVEIS LUVAS DESCARTÁVEIS COTONETES SWABS GAZES PAPEL FILTRO PIPETA PLÁSTICA TUBOS PLÁSTICOS PINÇAS TESOURAS BISTURI ALGODÃO ÁLCOOL ÁGUA DESTILADA SACOS PLÁSTICOS DIVERSOS ENVELOPES DE PAPEL SINALIZAÇÕES ADESIVAS PARA VESTÍGIOS MUITO OBRIGADO!!!!!