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Prévia do material em texto

Brasília-DF. 
Atendimento de emergênciA 
Pré-HosPitAlAr
Elaboração
Valéria Gonçalves de Araújo
Produção
Equipe Técnica de Avaliação, Revisão Linguística e Editoração
Sumário
APRESENTAÇÃO ................................................................................................................................. 5
ORGANIZAÇÃO DO CADERNO DE ESTUDOS E PESQUISA .................................................................... 6
INTRODUÇÃO.................................................................................................................................... 8
UNIDADE I
ATENDIMENTO PRÉ-HOSPITALAR – O QUE É, TREINAMENTO E RECRUTAMENTO ....................................... 10
CAPÍTULO 1
O QUE É ATENDIMENTO PRÉ-HOSPITALAR (APH) ....................................................................... 10
CAPÍTULO 2
RECRUTAMENTO E TREINAMENTO DE PROFISSIONAIS DE ATENDIMENTO 
PRÉ-HOSPITALAR (APH) ............................................................................................................ 13
UNIDADE II
SUPORTE BÁSICO E AVANÇADO DE VIDA – CONCEITOS E PROTOCOLOS INTERNACIONAIS ................... 16
CAPÍTULO 1
SUPORTE BÁSICO DE VIDA (SBV) .............................................................................................. 16
CAPÍTULO 2
SUPORTE AVANÇADO DE VIDA ............................................................................................... 48
UNIDADE III
ASPECTOS LEGAIS E COMPOSIÇÃO DAS AMBULÂNCIAS DO ATENDIMENTO 
PRÉ-HOSPITALAR ................................................................................................................................. 61
CAPÍTULO 1 
ASPECTOS ÉTICOS E LEGAIS ................................................................................................... 61
CAPÍTULO 2 
TIPOS DE VIATURAS E AMBULÂNCIAS NO APH .......................................................................... 66
UNIDADE IV
ATENDIMENTO PRÉ-HOSPITALAR NO BRASIL E NO MUNDO E SUAS TECNOLOGIAS ................................. 89
CAPÍTULO 1 
ATENDIMENTO PRÉ-HOSPITALAR FIXO E MÓVEL – MODELOS DAS UPA´S E SAMU NO BRASIL ..... 89
CAPÍTULO 2 
TRANSPORTE INTER-HOSPITALAR ............................................................................................ 101
CAPÍTULO 3 
ATENDIMENTO PRÉ-HOSPITALAR (APH) EM OUTROS PAÍSES: EUA, CANADÁ, INGLATERRA, FRANÇA, 
ALEMANHA, URUGUAI ........................................................................................................... 109
CAPÍTULO 4 
TECNOLOGIA APLICADA AO APH: TELECOMUNICAÇÕES, TELEMETRIA, GEOPROCESSAMENTO 112
PARA (NÃO) FINALIZAR ................................................................................................................... 115
REFERÊNCIAS ................................................................................................................................ 116
5
Apresentação
Caro aluno
A proposta editorial deste Caderno de Estudos e Pesquisa reúne elementos que se 
entendem necessários para o desenvolvimento do estudo com segurança e qualidade. 
Caracteriza-se pela atualidade, dinâmica e pertinência de seu conteúdo, bem como pela 
interatividade e modernidade de sua estrutura formal, adequadas à metodologia da 
Educação a Distância – EaD.
Pretende-se, com este material, levá-lo à reflexão e à compreensão da pluralidade dos 
conhecimentos a serem oferecidos, possibilitando-lhe ampliar conceitos específicos 
da área e atuar de forma competente e conscienciosa, como convém ao profissional 
que busca a formação continuada para vencer os desafios que a evolução científico-
tecnológica impõe ao mundo contemporâneo.
Elaborou-se a presente publicação com a intenção de torná-la subsídio valioso, de modo 
a facilitar sua caminhada na trajetória a ser percorrida tanto na vida pessoal quanto na 
profissional. Utilize-a como instrumento para seu sucesso na carreira.
Conselho Editorial
6
Organização do Caderno 
de Estudos e Pesquisa
Para facilitar seu estudo, os conteúdos são organizados em unidades, subdivididas em 
capítulos, de forma didática, objetiva e coerente. Eles serão abordados por meio de textos 
básicos, com questões para reflexão, entre outros recursos editoriais que visam a tornar 
sua leitura mais agradável. Ao final, serão indicadas, também, fontes de consulta, para 
aprofundar os estudos com leituras e pesquisas complementares.
A seguir, uma breve descrição dos ícones utilizados na organização dos Cadernos de 
Estudos e Pesquisa.
Provocação
Textos que buscam instigar o aluno a refletir sobre determinado assunto antes 
mesmo de iniciar sua leitura ou após algum trecho pertinente para o autor 
conteudista.
Para refletir
Questões inseridas no decorrer do estudo a fim de que o aluno faça uma pausa e reflita 
sobre o conteúdo estudado ou temas que o ajudem em seu raciocínio. É importante 
que ele verifique seus conhecimentos, suas experiências e seus sentimentos. As 
reflexões são o ponto de partida para a construção de suas conclusões.
Sugestão de estudo complementar
Sugestões de leituras adicionais, filmes e sites para aprofundamento do estudo, 
discussões em fóruns ou encontros presenciais quando for o caso.
Praticando
Sugestão de atividades, no decorrer das leituras, com o objetivo didático de fortalecer 
o processo de aprendizagem do aluno.
7
Atenção
Chamadas para alertar detalhes/tópicos importantes que contribuam para a 
síntese/conclusão do assunto abordado.
Saiba mais
Informações complementares para elucidar a construção das sínteses/conclusões 
sobre o assunto abordado.
Sintetizando
Trecho que busca resumir informações relevantes do conteúdo, facilitando o 
entendimento pelo aluno sobre trechos mais complexos.
Exercício de fixação
Atividades que buscam reforçar a assimilação e fixação dos períodos que o autor/
conteudista achar mais relevante em relação a aprendizagem de seu módulo (não 
há registro de menção).
Avaliação Final
Questionário com 10 questões objetivas, baseadas nos objetivos do curso, 
que visam verificar a aprendizagem do curso (há registro de menção). É a única 
atividade do curso que vale nota, ou seja, é a atividade que o aluno fará para saber 
se pode ou não receber a certificação.
Para (não) finalizar
Texto integrador, ao final do módulo, que motiva o aluno a continuar a aprendizagem 
ou estimula ponderações complementares sobre o módulo estudado.
8
Introdução
O Atendimento Pré-Hospitalar (APH) é realizado por profissionais especialmente 
treinados, socorristas, técnicos de enfermagem, enfermeiros e médicos. Atendimento 
pré-hospitalar é todo processo realizado por um socorrista fora do ambiente hospitalar, 
destinados às vítimas de trauma por acidentes de trânsito, industriais e aéreos, violência 
urbana como baleado esfaqueado, mal súbito como emergências cardiológicas e/ou 
neurológicas e distúrbios psiquiátricos visando a sua estabilização clínica e remoção 
para a unidade hospitalar adequada.
As manobras de salvamento são realizadas visando retirar vítimas de uma situação 
hostil, realizando a remoção desta para área adequada com Suporte Básico de Vida 
(SBV) ou Suporte Avançado de Vida (SAV).
A área de urgência e emergência constitui um importante componente da assistência 
à saúde, e que, em meio ao aumento da violência urbana e dos altos índices de 
acidentes nos últimos anos, tem tornado insuficiente a estrutura da rede assistencial, 
frente à sobrecarga da demanda nos serviços de urgência e emergência atualmente 
disponibilizados. 
O Ministério da Saúde, em parceria com as Secretarias de Saúde dos Estados, do Distrito 
Federal e dos Municípios, tem se empenhado no sentido de implantar um processo que 
tende aperfeiçoar o atendimento de casos desta natureza, com a criação de mecanismos 
que possam envolver a Atenção Básica à Saúde na efetiva organização e estruturação 
das redes assistenciais de urgência e emergência.
No atendimento pré-hospitalar é necessário que a viatura destinada a atenderocorrências 
esteja equipada com todo material e medicamento indispensável a oferecer assistência 
pré-hospitalar a vítima traumatizada e ainda os tripulantes estejam treinados quanto 
aos equipamentos e materiais ali existentes e as técnicas de utilização destes, tornando 
assim o atendimento ágil e eficiente.
Objetivos
 » Auxiliar os alunos na compreensão do que é o atendimento pré-hospitalar 
(APH).
 » Capacitar profissionais para o APH.
9
 » Conhecer as principais legislações referentes ao tema.
 » Capacitar profissionais para o Suporte Básico de Vida (SBV) e Suporte 
Avançado de Vida (SAV). 
10
UNIDADE I
ATENDIMENTO PRÉ-
HOSPITALAR – O QUE 
É, TREINAMENTO E 
RECRUTAMENTO
CAPÍTULO 1
O Que é Atendimento Pré-Hospitalar 
(APH)
Atendimento pré-hospitalar é todo processo feito por um socorrista fora do ambiente 
hospitalar, visando à estabilização clínica e remoção do paciente para uma unidade 
adequada.
O APH é realizado por profissionais especialmente treinados, no Brasil estes serviços 
de atendimento pré-hospitalar são na maioria realizados pelos Corpos de Bombeiros 
Militares dos estados, Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU), equipes 
de empresas particulares de emergência, equipes altamente treinadas prontas a darem 
o Suporte Básico de Vida aos traumatizados. Estes são subdivididos em equipe de 
salvamento, equipe de Suporte Básico de Vida (SBV) e equipe de Suporte Avançado de 
Vida (SAV).
Em todo o mundo existem protocolos e modelos de atendimento pré-hospitalar 
(APH), dentre todos estão em destaque os modelos Norte-americano e Francês. 
No Brasil, foi adotado um sistema misto, em que estabeleceram unidades de 
suporte básico que são tripuladas por pessoal não médico “paramédico” treinado 
em atendimento pré-hospitalar e unidades de suporte avançado, nas quais se 
encontra presente o médico.
As manobras de salvamento são realizadas visando retirar a(s) vítima(s) de 
uma situação hostil realizando a remoção desta(s) para uma área adequada 
possibilitando o atendimento de Suporte Básico de Vida (SBV), isto é, sem 
manobras médicas invasivas e/ou Suporte Avançado de Vida (SAV) (com 
manobras médicas invasivas). No Brasil, as manobras de Suporte Avançado de 
Vida (SAV) somente podem ser realizadas por médicos.
http://pt.wikipedia.org/wiki/Brasil
11
ATENDIMENTO PRÉ-HOSPITALAR – O QUE É, TREINAMENTO E RECRUTAMENTO│ UNIDADE I
O APH deve fundamentar-se na Portaria GM/MS no 2048, de 5 de novembro de 2005, 
que normatiza a equipe de atendimento de urgência e emergência, os veículos de 
Suporte Básico e Avançado de Vida e as Centrais de Regulação Médica.
O atendimento pré-hospitalar (APH) envolve as ações iniciais realizadas em curto 
espaço de tempo pela equipe de resgate no local onde ocorre o agravo à saúde, seja ele 
traumático, clínico ou psíquico, antes da chegada do paciente ao ambiente hospitalar, 
e pode influir positivamente nas taxas de morbidade e mortalidade. A assistência 
qualificada, o transporte e a chegada precoce ao hospital são fundamentais para que a 
vítima chegue ao hospital com vida. A remoção das vítimas com segurança e com suporte 
de vida até um centro de atendimento hospitalar de referência tornou-se indispensável, 
atualmente. 
O atendimento pré-hospitalar (APH) pode ser realizado através de duas modalidades 
que são:
 » suporte básico à vida, que se caracteriza por não realizar manobras 
invasivas;
 » suporte avançado à vida, que possibilita procedimentos invasivos de 
suporte ventilatório e circulatório. 
Diferente da equipe de atendimento dos serviços de resgate, como o SAMU, que tem 
treinamento específico para atuar fora do hospital em condições adversas, qualquer 
médico, independente da especialidade, pode deparar-se com uma situação de 
emergência. Salientamos que o treinamento de Suporte Básico de Vida deve ser de 
conhecimento de todos os profissionais de saúde, principalmente, do profissional 
médico, que também necessita ter conhecimentos de suporte avançado de vida, 
considerando a ética profissional e independentemente da sua especialidade, já que 
faz parte da formação básica do médico. Neste capítulo, destacaremos as diferenças do 
atendimento pré-hospitalar enfatizando a segurança e as ações médicas necessárias na 
cena até a chegada da vítima ao hospital. 
O atendimento a emergências em diversas situações pode ocorrer em diferentes locais, 
assim, o profissional, ao deparar-se com tais emergências fora do hospital, necessita ser 
capaz de avaliar sua segurança, de sua equipe e, se possível, tornar a cena segura para o 
atendimento da vítima. Para tanto, avalie os 3 “S”: 
 » Segurança. 
 » Situação. 
12
UNIDADE I │ATENDIMENTO PRÉ-HOSPITALAR – O QUE É, TREINAMENTO E RECRUTAMENTO
 » Scene (cena). 
Neste momento, preocupe-se com os seguintes fatos: Sinalize o local, jamais entre em 
uma rodovia sem estar sinalizada, você pode ser a segunda vítima. Em muitas ocorrências, 
a melhor ajuda é a sinalização adequada, considerando que, frequentemente, a 
sinalização pode salvar mais vidas. Durante o dia, utilize bandeiras, camisas, toalhas de 
cores fortes a 100m da ocorrência, sem entrar na faixa de rolamento, e, durante a noite, 
use lanternas. Nunca pare seu veículo sobre a faixa para sinalizar, pois são comuns 
outras colisões. Só entre na faixa de rolamento quando você estiver certo de que a cena 
está segura. 
Peça ajuda pelo sistema de emergência local, informe sobre a cena, número de vítimas, a 
localização exata da ocorrência e recursos necessários (incêndio, queda em ribanceiras, 
entre outros). 
Cuidado com cabos elétricos; quando houver colisões em postes, a empresa responsável 
pela eletricidade da região deve ser acionada o mais rápido possível. Não toque nos 
cabos e não tenha contato com áreas que possam conduzir eletricidade. 
Cuidado com locais de violência urbana, com vítimas de arma de fogo ou outras 
agressões. Nesse caso, o atendimento só poderá ser realizado quando os agressores não 
estiverem no local e de preferência com a chegada das forças de segurança. 
Lembre-se sempre de identificar-se, assumindo a liderança até a chegada de ajuda. 
Não retire as vítimas do local sem imobilização, a não ser que exista risco iminente de 
incêndio ou outras agressões.
Entenda a cinemática do trauma, as deformidades dos veículos, tipos de colisão, ausência 
de equipamentos de segurança, pois esses fatores ajudam na suspeita e diagnóstico das 
lesões associadas.
Utilize equipamentos de proteção individual, como luvas cirúrgicas, óculos de proteção, 
coletes refletivos. Caso você não tenha equipamentos de proteção, é necessário avaliar o 
risco. Considere a cena não segura em caso de risco pessoal, aguardando a chegada dos 
recursos necessários. 
13
CAPÍTULO 2
Recrutamento e treinamento de 
profissionais de Atendimento Pré-
Hospitalar (APH)
O treinamento do pessoal envolvido no atendimento pré-hospitalar (APH), em especial 
ao trauma, deverá ser efetuado em cursos ministrados por instituições ligadas ao 
Sistema Único de Saúde (SUS), envolvendo as escolas médicas e de enfermagem locais, 
sob coordenação das Secretarias Estaduais e Municipais de Saúde. Deverá haver um 
programa mínimo que contemple todo o conhecimento teórico e prático necessário à 
realização eficaz dos atos praticados. A aprovação dos treinados deverá obedecer ao 
critério da competência, ou seja, o aluno deverá demonstrar, na prática, em exercícios 
simulados, plena capacidade e competência para realizar os atos.
Antes de compreendermos a forma de recrutamento e treinamento dos profissionais de 
APH é necessário sabermos como se compõe o quadro de funcionários necessários para 
o atendimento de urgência-emergência tendo em vista prestar acolhimento adequado 
à vítima nos minutos seguintes do fato que ocasionou a precisão de tal atendimento.
Profissionais não provenientes da área de 
saúde
Telefonista – auxiliar de regulação
Profissional treinado para prestar atendimento telefônico aos pedidos de auxílios 
origináriosda população. Pode anotar dados básicos sobre os chamados e oferecer 
informações gerais, sendo sob supervisão direta de profissionais médicos com 
disponibilidade integral.
Condutor
Profissional habilitado a conduzir veículos de emergência e auxiliar a equipe de 
atendimento. Seu desempenho nos assuntos referentes ao manejo de paciente é 
diretamente supervisionado pelos profissionais da equipe.
14
UNIDADE I │ATENDIMENTO PRÉ-HOSPITALAR – O QUE É, TREINAMENTO E RECRUTAMENTO
Bombeiros, agentes de defesa civil e policiais
Profissionais que serão capacitados, após treinamento específico como já vimos no 
capitulo 1, a fim de prestar atendimento pré-hospitalar e credenciados para unir-se a 
guarnição de ambulância de serviço de atendimento. Intervém de forma conservadora 
(não invasiva) em seu atendimento, sob supervisão médica direta ou a distância, fazendo 
uso de equipamentos especializados.
Rádio operador
Profissional treinado para operar sistemas de radiocomunicação e realizar o controle 
operacional de uma frota de veículos de emergência.
Profissionais provenientes da área da saúde
Pessoal de enfermagem em emergências médicas
Profissionais licenciados para o atendimento pré-hospitalar e credenciados para 
agregar a guarnição de ambulâncias do atendimento de serviço pré-hospitalar. 
Realizam atendimento conservador ao paciente e sob prescrição médica podem realizar 
procedimentos, na vítima do trauma e de outras emergências médicas.
Enfermeiro
Profissional de nível superior, e habilitado para atuações de enfermagem no atendimento 
pré-hospitalar aos pacientes, além de ações como curso de capacitações dos profissionais 
do sistema e ações de supervisão e educação continuada aos mesmos. De acordo com a 
lei que regulamenta a profissão – Lei no 7.498/1986 e Decreto no 94.406/1987.
Médico
Profissional de nível superior, credenciado ao exercício da medicina pré-hospitalar, 
atuando nas áreas de regulação médica, suporte avançado de vida em ambulâncias e 
coordenação do sistema.
Para o recrutamento de tais funcionários com vista em compor a equipe, existem 
requisitos básicos que devem ser avaliados independentemente da função ou cargo, 
e que são fundamentais para o exercício de um atendimento eficaz e eficiente, sendo 
assim listamos os seguintes:
15
ATENDIMENTO PRÉ-HOSPITALAR – O QUE É, TREINAMENTO E RECRUTAMENTO│ UNIDADE I
 » disposição pessoal para a atividade;
 » equilíbrio emocional e autocontrole;
 » disposição para cumprir ações orientadas;
 » manter sigilo profissional;
 » capacidade de trabalhar em equipe;
 » treinamento em Suporte Básico de Vida. 
Sendo selecionados os profissionais se faz necessário um treinamento técnico-científico 
que visa capacitar os trabalhadores para o atendimento pré-hospitalar, tanto aqueles que 
não são da área da saúde quanto àqueles que compõem tal área. Os módulos de 
treinamento são os mesmos para todos os profissionais sendo necessários a divisão em 
conhecimentos básicos e conhecimentos avançados. É indispensável que o conteúdo do 
treinamento siga a seguinte divisão:
 » Módulos básicos: para capacitação de telefonistas, motoristas, bombeiros 
militares, policiais rodoviários e técnicos em emergências médicas. 
 » Módulos avançados: para capacitação de médicos e enfermeiros. 
 » Módulos comuns: para capacitação de todos os profissionais, contendo o 
mesmo conteúdo e carga horária.
Os módulos admitem exposições teóricas e exercícios práticos, sendo indicado o 
método didático de problematização (estudo de problemas) como modelo pedagógico 
a ser adotado. Procurando sempre alternar entre aula teórica e prática, onde serão 
desenvolvidas as habilidades dos profissionais.
https://www.youtube.com/watch?v=37UeaOAuUPw
16
UNIDADE II
SUPORTE BÁSICO 
E AVANÇADO DE 
VIDA – CONCEITOS 
E PROTOCOLOS 
INTERNACIONAIS
CAPÍTULO 1
Suporte Básico de Vida (SBV)
O início imediato de ressuscitação cardiopulmonar (RCP) em vítimas de parada 
cardiorrespiratória (PCR), mesmo que seja apenas compressões torácicas no pré-
hospitalar, contribui sensivelmente para o aumento das taxas de sobrevivência das 
vítimas de parada cardíaca.
As ações realizadas durante os minutos iniciais de atendimento a uma emergência 
são críticas em relação à sobrevivência da vítima. No Suporte Básico de Vida são 
definidas as sequências primárias de ações para salvar vidas. Por mais eficiente que 
seja o Suporte Avançado de Vida, se as ações deste não forem realizadas de maneira 
correta, será muito baixa a possibilidade de sobrevivência de uma vítima de parada 
cardiorrespiratória (PCR). 
Abordaremos neste capítulo o padrão de atendimento da Aliança Internacional dos 
Comitês de Ressuscitação com adaptações à realidade brasileira.
Sequência do suporte básico de vida do 
adulto para profissionais da saúde 
Para uma situação de parada cardiorrespiratória (PCR), podemos usar o recurso 
mnemônico “CABD primário” para descrever os passos do Suporte Básico de Vida, 
sendo que esta sigla tem o seguinte significado:
 » “C” corresponde a Checar responsividade e respiração da vítima, Chamar 
por ajuda, Checar o pulso da vítima, Compressões (30 compressões). 
17
SUPORTE BÁSICO E AVANÇADO DE VIDA – CONCEITOS E PROTOCOLOS INTERNACIONAIS│ UNIDADE II
 » Abertura das vias aéreas. 
 » Boa ventilação (2 ventilações). 
 » Desfibrilação. 
A seguir, deve realizar a sequência completa de um atendimento a uma vítima que se 
encontra em colapso súbito.
Segurança do local
Deve primeiramente avaliar a segurança do local, certificando se este é seguro para o 
socorrista e para a vítima, para não se tornas a próxima vítima. Caso o local ao esteja 
seguro primeiramente deve tornar este em um local seguro, e após o local oferecer 
segurança, prossiga o atendimento.
Avalie a responsividade e respiração da vítima
Chame a vítima tocando-a pelos ombros para avaliar a responsividade desta. Caso a 
vítima responda, identifique-se e converse com ela perguntando se precisa de ajuda que 
é o pedido formal de consentimento para prestar o socorro, pois uma pessoa gravemente 
doente ou lesada tem o direito de recusar o atendimento. Se a vítima estiver responsiva 
antes de tocá-la deverá identificar-se e em seguida pergunte se poderia ajudá-la. Quando 
há o consentimento da vítima o socorrista deve iniciar o atendimento até a chegada de 
uma equipe especializada ao local.
Caso a vítima recuse o atendimento, o socorrista deverá acionar o serviço de emergência 
e permanecer no local até a chegada deste.
Se a vítima não puder responder ou apresentar confusão, deve-se assumir que ela deseja 
o atendimento dos primeiros socorros. 
Após seguir esses passos a primeira meta do socorrista é determinar o estado geral da 
vítima. Identifique a presença de algo que possa colocar a vítima em risco de morte 
imediato, procure por sinais e sintomas que relacionam a oxigenação, circulação, 
hemorragias ou deformidades visíveis. Em toda a abordagem da vítima o socorrista 
deve estar atento à respiração efetiva, se a vítima está acordada e consciente ou sem 
resposta.
Ao observar os sinais e sintomas da vítima e realizar coleta de informações em que a 
vítima responde com coerência por meio de frase completas, deverá avaliar também a 
permeabilidade das vias aéreas e nível de consciência. 
18
UNIDADE II │SUPORTE BÁSICO E AVANÇADO DE VIDA – CONCEITOS E PROTOCOLOS INTERNACIONAIS
Os programas de treinamento de primeiros socorros estão adotando um modelo de 
entrevista simplificada, por meio de um recurso mnemônico o SAMPLE, que tem o 
objetivo direcionar o socorrista às emergências potencialmente graves, em que cada 
letra da palavra representa uma avaliação ou pergunta que deverá ser feita ao paciente.
 » Sinais e sintomas: pergunte a vítima o que ela está sentido, observe sinais 
de confusão mental, dispneia, sangramentos, palidez cutânea etc. 
 » Alergias: pergunte sobre alergias de medicamentos ou alimentos. 
 » Medicações: pergunte se faz uso de algum medicamento. 
 » Passado médico:questione a vítima se ela possui alguma doença prévia. 
 » Líquidos e alimentos: pergunte se ingeriu algo recentemente. 
 » Eventos relacionados com o trauma ou doença pré-existente: observe a 
cena e a relacione com a ocorrência, com as queixas da vítima e pergunte 
como aconteceu o incidente.
Se a vítima não responder, avalie sua respiração observando se há elevação do tórax em 
menos de 10 segundos. Caso a vítima apresente respiração, fique ao lado e aguarde para 
ver sua evolução, caso necessário chame ajuda. Se a vítima não estiver respirando ou 
estiver somente com “gasping”, chame ajuda imediatamente.
Caso o ocorrido seja em um ambiente extra-hospitalar, ligue para algum serviço local de 
emergência e se um desfibrilador automático externo – DEA estiver disponível no local, 
busque-o imediatamente. Se não estiver sozinho peça a pessoa para ligar e conseguir 
o DEA, enquanto continua o atendimento à vítima. É importante caso seja possível 
designar pessoas para realizar as funções. 
O responsável a ligar para o serviço médico de emergência deve estar preparado para 
responder as perguntas como a localização do incidente, as condições da vítima, o tipo 
de primeiros socorros que está sendo realizado etc.
Caso seja parada cardiorrespiratória (PCR) por hipóxia (trauma, afogamento, overdose 
de drogas e todas as crianças), se o socorrista estiver sozinho deve realizar cinco ciclos 
de ressuscitação cardiopulmonar (RCP) e em seguida chamar ajuda. 
Cheque o pulso da vítima em menos de 10 segundos, caso apresente pulso, aplique uma 
ventilação a cada 5 a 6 minutos, mantendo uma frequência de 10 a 12 ventilações por 
minuto, sempre checando o pulso a cada 2 minutos. Caso não detecte ou tenha dúvida 
no pulso, inicie os ciclos de compressões e ventilações.
19
SUPORTE BÁSICO E AVANÇADO DE VIDA – CONCEITOS E PROTOCOLOS INTERNACIONAIS│ UNIDADE II
Figura 1.
Fonte: I Diretriz de Ressuscitação Cardiopulmonar e Cuidados Cardiovasculares de Emergência da Sociedade 
Brasileira de Cardiologia.
Inicie ciclos de 30 compressões e 2 ventilações de acordo com demonstração acima, 
considerando que existe um dispositivo de barreira (por exemplo, máscara de bolso 
para aplicar as ventilações). Em todo paciente em parada cardíaca deve realizar 
compressões torácicas, pois estas são essenciais para promover o fluxo de sangue.
Figura 2.
Fonte: I Diretriz de Ressuscitação Cardiopulmonar e Cuidados Cardiovasculares de Emergência da Sociedade Brasileira de 
Cardiologia.
A figura acima ilustra as compressões torácicas. Estas devem ser realizadas da seguinte 
forma:
 » posicione-se ao lado da vítima e para manter melhor estabilidade 
mantenha os joelhos com certa distância um do outro;
20
UNIDADE II │SUPORTE BÁSICO E AVANÇADO DE VIDA – CONCEITOS E PROTOCOLOS INTERNACIONAIS
 » afaste-se ou, se tiver uma tesoura disponível, corte roupa da vítima que 
está sobre o tórax para deixá-la desnuda;
 » coloque a região hipotênar se uma mão sobre o esterno da vítima e a 
outra mão sobre a primeira, entrelaçando-a;
 » estenda os braços e posicione-os cerca de 90º acima da vítima;
 » comprima na frequência de, no mínimo, 100 compressões/ minuto;
 » comprima com profundidade de, no máximo 4 cm;
 » permita o retorno completo do tórax após cada compressão, sem retirar 
o contato das mãos com este;
 » minimize interrupções das compressões;
 » reveze com outro socorrista, a cada dois minutos, para evitar a fadiga e 
compressões de má qualidade.
Caso seja possível é recomendado que use equipamento que avalie a qualidade das 
compressões torácicas durante a ressuscitação cardiopulmonar (RCP), o que oferece 
um bom parâmetro para os socorristas. As manobras de ressuscitação cardiopulmonar 
(RCP) devem ser ininterruptas, exceto se a vítima se movimentar, durante a fase de 
análise do desfibrilador, na chegada da equipe de resgate, posicionamento de via aérea 
avançada ou exaustão do socorrista. 
Em caso de via aérea avançada instalada, realize compressões torácicas contínuas e 
uma ventilação a cada 6 a 8 segundos (8 a 10 ventilações por minuto).
O termo duty cycle refere ao tempo que é gasto comprimindo o tórax, como proporção 
do tempo entre o início de uma compressão e o início da próxima compressão. O fluxo de 
sangue coronariano é determinado em parte pelo duty cycle. Embora a média do duty 
cycle esteja entre 20 e 50%, resultando em adequada perfusão coronariana e cerebral, 
um duty cycle de 50% é recomendado, pois é facilmente de ser atingido com a prática. 
A abertura das vias aéreas deve ser feita somente após aplicar trinta compressões 
para que não retarde o início das compressões. As ventilações devem ser feitas em 
uma proporção de 30 compressões para 2 ventilações, com apenas 1 segundo cada, 
fornecendo a quantidade de ar suficiente para promover a elevação do tórax.
É contra indicada a hiperventilação, pois pode aumentar a pressão intratorácica e 
diminuir a pré-carga, consequentemente diminuindo o débito cardíaco e a sobrevida, 
21
SUPORTE BÁSICO E AVANÇADO DE VIDA – CONCEITOS E PROTOCOLOS INTERNACIONAIS│ UNIDADE II
podendo ainda aumentar o risco de insuflação gástrica, podendo causar regurgitação e 
aspiração.
É indicado que o socorrista utilize mecanismos de barreira para aplicar as ventilações, 
como o lenço facial com válvula antirrefluxo, máscara de bolso (pocket-mask) ou bolsa-
válvula-máscara, mesmo os estudos mostrando que a contaminação com a realização 
da ventilação boca a boca seja mínima.
Será necessária a abertura de via aérea para aplicação das ventilações, que poderá ser 
realizada com a manobra de inclinação da cabeça e elevação do queixo, e caso há suspeita 
de trauma a manobra de elevação do ângulo da mandíbula, conforme ilustrações a 
seguir. 
Figura 3. Manobra de inclinação da cabeça e elevação do queixo manobra de elevação do ângulo da 
mandíbula.
Fonte: I Diretriz de Ressuscitação Cardiopulmonar e Cuidados Cardiovasculares de Emergência da Sociedade Brasileira de 
Cardiologia.
Ventilação com lenço facial e válvula antirrefluxo 
(unidirecional)
Dispositivo descartável conforme desenho a seguir consiste em um lenço facial dotado 
de uma válvula unidirecional ao centro que impede o retorno do ar pela boca da vítima, 
dessa maneira, protegendo o socorrista. Observe atentamente os lados indicados no 
lenço (lado voltado para a vítima e lado voltado para o socorrista) e posicione a válvula 
antirrefluxo na boca da vítima. Abra a via aérea, estabilize a mandíbula tentando vedar 
o lenço facial o máximo possível na boca da vítima, pince o nariz da vítima e realize as 
ventilações.
22
UNIDADE II │SUPORTE BÁSICO E AVANÇADO DE VIDA – CONCEITOS E PROTOCOLOS INTERNACIONAIS
Figura 4. Máscara facial com válvula unidirecional.
Fonte: I Diretriz de Ressuscitação Cardiopulmonar e Cuidados Cardiovasculares de Emergência da Sociedade Brasileira de 
Cardiologia.
Ventilação com a máscara de bolso (pocket-mask) 
Esse tipo de máscara, conforme mostra desenho a seguir, envolve a boca e o nariz da 
vítima e pode ter formato redondo ou uma parte mais estreita, a qual fica voltada para 
o nariz da vítima. Uma válvula unidirecional, geralmente, acompanha a máscara e deve 
ser encaixada nesta.
Figura 5.
Fonte: I Diretriz de Ressuscitação Cardiopulmonar e Cuidados Cardiovasculares de Emergência da Sociedade Brasileira de 
Cardiologia.
Depois de posicionar a máscara de bolso na face da vítima, faça uma letra “C” com os 
dedos indicador e polegar de uma das mãos e posicione na parte superior da máscara; 
com a outra mão, posicione o polegar na parte inferior da máscara e os outros dedos 
23
SUPORTE BÁSICO E AVANÇADO DE VIDA – CONCEITOS E PROTOCOLOS INTERNACIONAIS│ UNIDADE II
na mandíbula da vítima, desse modo, vedando o máximo possível a máscara contra 
a face da vítima e certificando de não pressionar as partes moles abaixo do queixo. 
Outra técnica de vedação da “pocket-mask” é a realização do “duplo C”: com uma das 
mãos faça uma letra “C”, como já dito anteriormente; coma outra mão, faça outro “C” 
e posicione na parte inferior da máscara, ambos fazendo certa pressão para baixo a 
fim de vedar a máscara ao rosto da vítima; fique atento pois os outros dedos da mão 
que está na parte inferior da máscara devem ficar encolhidos para que não pressionem 
as partes moles abaixo do queixo, prejudicando as ventilações. Este posicionamento e 
vedação devem ser realizados rapidamente, e em seguida abra a via aérea e realize as 
ventilações. 
Veja na seguinte figura a demonstração da ventilação utilizando máscara de bolso com 
hiperextensão da cabeça.
Figura 6.
Fonte: I Diretriz de Ressuscitação Cardiopulmonar e Cuidados Cardiovasculares de Emergência da Sociedade Brasileira de 
Cardiologia.
Ventilação com bolsa-válvula-máscara
A ventilação com a bolsa-válvula-máscara deve ser utilizada na presença de dois 
socorristas, um responsável pelas compressões; e outro, por aplicar as ventilações com 
o dispositivo.
Para usar este tipo de máscara coloque uma das mãos fazendo uma letra C com o polegar 
e indicador e posicione-os acima da máscara, que caso tenho um lado mais estreito este 
deve ficar voltado para o nariz do paciente e faça pressão contra a face da vítima a fim de 
vedá-la o melhor possível. Posicione os outros três dedos na mandíbula para estabilizá-
la e abra a via aérea da vítima conforme ilustração seguinte. Pressione a bolsa durante 
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UNIDADE II │SUPORTE BÁSICO E AVANÇADO DE VIDA – CONCEITOS E PROTOCOLOS INTERNACIONAIS
1 segundo para cada ventilação. Essa quantidade no geral é suficiente para produzir 
elevação do tórax e manter oxigenação em pacientes sem respiração. 
Se disponível oxigênio complementar conecte-o na bolsa-válvula-máscara assim que 
possível, de modo que ofereça maior porcentagem de oxigênio para a vítima.
Figura 7.
Fonte: I Diretriz de Ressuscitação Cardiopulmonar e Cuidados Cardiovasculares de Emergência da Sociedade Brasileira de 
Cardiologia.
Ventilação com via aérea avançada
Quando uma via aérea avançada estiver instalada, o primeiro socorrista irá administrar 
compressões torácicas contínuas, e o segundo socorrista irá aplicar uma ventilação a 
cada 6 a 8 segundos, cerca de 8 a 10 ventilações por minuto, em vítimas de qualquer 
idade. Não se devem pausar as compressões para aplicar as ventilações, no caso de via 
aérea avançada instalada. A figura a seguir ilustra a ventilação com via aérea avançada.
Figura 8.
Fonte: I Diretriz de Ressuscitação Cardiopulmonar e Cuidados Cardiovasculares de Emergência da Sociedade Brasileira de 
Cardiologia.
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SUPORTE BÁSICO E AVANÇADO DE VIDA – CONCEITOS E PROTOCOLOS INTERNACIONAIS│ UNIDADE II
Ventilação em vítima com apenas parada 
respiratória
Uma vítima está com parada respiratória quando não respira ou respira de forma 
anormal (somente gasping), porém apresente pulso. Realize então uma ventilação a 
cada 5 a 6 segundos (aproximadamente 10 a 12 ventilações por minuto) para vítimas 
adultas. Para crianças e lactantes, aplique uma ventilação a cada 3 a 5 segundos 
(aproximadamente 12 a 20 ventilações por minuto). 
Desfibrilação
Para vítimas de Fibrilação Venticular (FV) de curta duração a desfibrilação precoce é 
o tratamento de escolha, como vítimas que apresentaram colapso súbito em ambiente 
extra-hospitalar, sendo este o principal ritmo de parada cardíaca nesses locais. 
Nos primeiros 3 a 5 minutos de uma parada cardiorrespiratória (PCR) em Fibrilação 
Ventricular (FV), o coração se encontra em ritmo de fibrilação ventricular (FV) 
grosseira, estando o coração altamente propício ao choque. Após 5 minutos de parada 
cardiorrespiratória (PCR), diminui a amplitude de fibrilação ventricular (FV) por causa 
da depleção do substrato energético miocárdico. O tempo ideal para a aplicação do 
primeiro choque compreende os primeiros 3 a 5 minutos da parada cardiorrespiratória 
(PCR) O traçado a seguir mostra uma fibrilação ventricular (FV) grosseira.
Figura 9.
Fonte: I Diretriz de Ressuscitação Cardiopulmonar e Cuidados Cardiovasculares de Emergência da Sociedade Brasileira de 
Cardiologia.
O único tratamento para parada cardiorrespiratória em fibrilação ventricular FV/
taquicardia ventricular sem pulso (TVP) é a desfibrilação precoce e esta pode ser 
realizada com um equipamento manual (somente médicos podem manusear) ou com o 
desfibrilador automático externo (DEA) (manuseado por qualquer pessoa).
O desfibrilador automático externo (DEA) é um equipamento portátil que tem a 
capacidade de interpretar ritmos cardíacos, selecionar o nível de energia e carregar 
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UNIDADE II │SUPORTE BÁSICO E AVANÇADO DE VIDA – CONCEITOS E PROTOCOLOS INTERNACIONAIS
automaticamente, cabendo ao operador apenas pressionar o botão de choque, quando 
indicado.
Quando estiver disponível o DEA, se o socorrista estiver sozinho deverá parar a 
reanimação cardiopulmonar (RCP) para conectar o aparelho e, caso tenha mais de um 
socorrista enquanto um realiza a reanimação cardiopulmonar (RCP) o outro manuseia 
o desfibrilador automático externo e será interrompida a RCP quando o (DEA) emitir 
uma frase como: “analisando o ritmo cardíaco, não toque o paciente” e/ou “choque 
recomendado, carregando, afaste-se da vítima”.
Para a correta utilização do desfibrilador devem seguir os seguintes passos: 
1. Ligue o aparelho apertando o botão ON - OFF (alguns aparelhos ligam 
automaticamente ao abrir a tampa). 
2. Conecte as pás (eletrodos) no tórax da vítima, observando o desenho 
contido nas próprias pás, mostrando o posicionamento correto destas 
conforme ilustração a seguir. 
3. Encaixe o conector das pás (eletrodos) ao aparelho. Em alguns aparelhos, 
o conector do cabo das pás já está conectado. 
Figura 10.
Fonte: I Diretriz de Ressuscitação Cardiopulmonar e Cuidados Cardiovasculares de Emergência da Sociedade Brasileira de 
Cardiologia.
São possíveis quatro posições das pás do desfibrilador, sendo que todas têm a mesma 
eficácia no tratamento de arritmias atriais e ventriculares: anterolateral, anteroposterior, 
anterior-esquerdo infraescapular, anterior-direita infraescapular.
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SUPORTE BÁSICO E AVANÇADO DE VIDA – CONCEITOS E PROTOCOLOS INTERNACIONAIS│ UNIDADE II
Quando posicionadas as pás solicite que todos se afastem e observe se há alguém 
tocando na vítima quando o DEA disser: “analisando o ritmo cardíaco, não toque no 
paciente”. 
Caso seja indicado o choque o desfibrilador dirá: “choque recomendado, afaste-se 
do paciente”. O socorrista que estiver manuseando DEA deve solicitar que todos se 
afastem, observar se realmente não há ninguém (nem ele mesmo) tocando a vítima e, 
então, pressionar o botão indicado pelo aparelho para aplicar o choque.
A ressuscitação cardiopulmonar (RCP) deve ser iniciada pelas compressões torácicas, 
imediatamente após o choque. O desfibrilador analisará a cada dois minutos o ritmo e 
poderá indicar outro choque. Caso não indique outro choque, reinicie a ressuscitação 
cardiopulmonar imediatamente, caso a vítima não retome a consciência. Caso esta 
retome a consciência o aparelho não deve ser desligado e as pás não devem ser removidas 
ou desconectadas até que o serviço médico especializado (SME) assuma o caso. 
Se não houver suspeita de trauma e a vítima já apresentar respiração normal e pulso, 
o socorrista poderá colocá-lo em posição de recuperação, conforme ilustração a seguir, 
mas deverá permanecer no local até que chegue o serviço médico especializado (SME).
Figura 11.
Fonte: I Diretriz de Ressuscitação Cardiopulmonar e Cuidados Cardiovasculares de Emergência da Sociedade Brasileira de 
Cardiologia.
Situações especiais para a utilização do DEA
 » Portador de marca-passo (MP) ou cardioversor-desfibrilador implantável: 
se estiver na região onde é indicado o local para aplicação das pás, 
afaste-as, pelo menos, 8 cm ou opte por outro posicionamento das pás 
(anteroposterior, por exemplo), pois, estando muito próximas, pode 
prejudicar a análise do ritmo pelo DEA.
28
UNIDADE II │SUPORTE BÁSICO E AVANÇADO DE VIDA – CONCEITOS E PROTOCOLOS INTERNACIONAISFigura 12.
Fonte: I Diretriz de Ressuscitação Cardiopulmonar e Cuidados Cardiovasculares de Emergência da Sociedade Brasileira de 
Cardiologia.
 » Excesso de pelos no tórax: remova o excesso de pelos, somente no local 
das pás, em geral a lâmina estará no Kit DEA, pode indica depilar com 
esparadrapo ou com as primeiras pás e depois aplicar em segundo jogo. 
 » Tórax molhado: Seque o tórax da vítima, se esta estiver sobre poça 
d’água não há problema, porém se essa poça d’água também envolver o 
socorrista, remova a vítima para outro local, o mais rápido possível.
 » Adesivos de medicamentos/hormonais: remova o adesivo se estiver no 
local em que será aplicada as pás do desfibrilador automático externo 
(DEA).
 » Crianças de 1 a 8 anos: utilize o desfibrilador automático externo (DEA) 
com pás pediátricas e/ou atenuador de carga. Se o kit DEA possuir 
somente pás de adulto, está autorizada a utilização destas, porém se o 
tórax for estreito pode ser necessária a aplicação de uma pá anteriormente 
(sobre o esterno) e outra posteriormente (entre as escápulas), para que as 
pás não se sobreponham. As pás infantis não devem ser utilizadas para 
adultos, pois o choque aplicado será insuficiente.
 » Lactentes (0 a 1 ano): um desfibrilador manual é preferível, porém se 
não estiver disponível, utilize o desfibrilador automático externo (DEA) 
com pás pediátricas e/ou atenuador de carga. Se este também não estiver 
disponível, utilize as pás de adulto, uma posicionada anteriormente (sobre 
o esterno) e a outra posteriormente (entre as escápulas); o prejuízo para 
o miocárdio é mínimo e há bons benefícios neurológicos.
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SUPORTE BÁSICO E AVANÇADO DE VIDA – CONCEITOS E PROTOCOLOS INTERNACIONAIS│ UNIDADE II
Sequência do suporte básico de vida do 
adulto para leigos
O treinamento de indivíduos leigos pode elevar a probabilidade de um espectador 
realizar a RCP e aumentar a sobrevida de uma vítima que sofreu parada cardíaca, estes 
devem ser treinados para desempenhar as instruções dadas pelo telefone pelo serviço 
médico especializado (SME).
O SME deve orientar ao leigo a realização de compressões torácicas contínuas para 
vítima não responsiva que estejam sem respiração normal. A maioria das vítimas está 
em parada cardíaca e é muito baixa a frequência de lesões sérias devido às compressões 
torácicas realizadas em vítimas que não estejam em parada cardiorrespiratória (PCR).
O maior obstáculo enfrentado pelos leigos no atendimento de uma parada cardíaca é o 
pânico para realizar ventilações boca a boca. As compressões torácicas contínuas podem 
diminuir o pânico e a hesitação de começar o atendimento. As vítimas em sua maioria 
exibem “gasping” ou respirações agônicas, e a troca de gases durante as compressões 
permite alguma oxigenação e eliminação do dióxido de carbono, sendo benéfico para a 
vítima. 
As compressões são mais importantes que as ventilações nos primeiros minutos de 
uma parada cardíaca em fibrilação ventricular (FV). Se compararmos vítimas que 
sofreram parada cardíaca extra-hospitalar e receberam compressões contínuas aos que 
não receberam nenhum atendimento de ressuscitação estas que receberam aumentam 
a sobrevida. Porém as compressões precisam ser de boa qualidade, e novos estudos 
revelam que ao realizarem compressões torácicas contínuas estas tendem a diminuir a 
qualidade ao longo do tempo. Para proporcionar compressões de boa qualidade sugere-
se que ao aplicar compressões torácicas contínuas, seja realizado o revezamento de 
socorristas a cada um minuto, ou pelo menos antes de completar dois minutos.
O atendimento realizado por um leigo a uma vítima que sofreu colapso súbito, não 
difere da sequência do realizado por um profissional de saúde.
Vejamos a seguir como deve ser a sequência do atendimento realizado por um leigo em 
um paciente adulto que se encontra caído: 
 » Confira a segurança do local.
 » Avalie a responsividade da vítima tocando-a pelos ombros e perguntando 
“Você está bem?”.
30
UNIDADE II │SUPORTE BÁSICO E AVANÇADO DE VIDA – CONCEITOS E PROTOCOLOS INTERNACIONAIS
 » Caso a vítima responda, pergunte se pode ajudar. Se a vítima não 
responder, chame ajuda ou peça a alguém para fazê-lo (ligar para o serviço 
médico especializado (SME), por exemplo SAMU – 192 e conseguir um 
desfibrilador automático externo (DEA).
 » Observe o tórax e abdome da vítima para avaliar sua respiração (em 
menos de 10 segundos).
 » Posicione as mãos e realize compressões torácicas contínuas na frequência 
de, no mínimo, 100 compressões/min, profundidade igual ou maior que 
5 cm, sempre permitindo o retorno do tórax após cada compressão. Aqui 
se aplica a mesma sequência de atendimento por profissionais de saúde.
 » Com a chegada do desfibrilador automático externo (DEA), ligue-o e siga 
as instruções (ver Desfibrilação). 
Suporte básico de vida em pediatria
A sobrevivência de crianças em parada cardiorrespiratória depende dos cuidados de 
emergências, tanto no ambiente extra-hospitalar como intra-hospitalar. 
O Retorno da Circulação Espontânea (RCE) pode estar associado à realização de 
Ressuscitação Cardiopulmonar rápida e eficaz, em ambiente hospitalar, e sobrevivência 
sem sequelas neurológicas em crianças. 
O atendimento realizado por leigos à parada respiratória extra-hospitalar pode ter 
o maior impacto na sobrevivência sem sequelas neurológicas, alcançando taxas de 
70%. A taxa de sobrevivência de crianças em parada cardiorrespiratória (PCR) súbita 
e testemunhada em ambiente extra-hospitalar, por fibrilação ventricular (FV) é de 
20% a 30%. Com esses dados podemos notar a importância do ensino de reanimação 
cardiopulmonar (RCP) para público leigo e a criação de programas de treinamento em 
atendimento em emergência nas escolas e creches.
Para melhorar a sobrevivência e a qualidade de vida pós ressuscitação, esforços devem 
ser feitos como parte de um conjunto de ações que incluem:
 » Prevenção da parada cardiopulmonar (PCR), voltada para medidas 
simples, como o uso de cadeirinhas adequadas e o posicionamento destas 
nos carros, uma vez que os eventos traumáticos são a principal causa de 
morte e sequela na pediatria a partir de um ano de idade.
31
SUPORTE BÁSICO E AVANÇADO DE VIDA – CONCEITOS E PROTOCOLOS INTERNACIONAIS│ UNIDADE II
 » Ressuscitação cardiopulmonar (RCP) precoce e de alta qualidade 
realizada por uma pessoa presente no local.
 » O rápido acionamento do sistema médico de emergência (SME), como o 
192 (SAMU), em casos de emergências clínicas, ou 193 (Bombeiros), em 
emergências associadas ao trauma.
 » Suporte Avançado de Vida eficaz, inclusive com a rápida estabilização 
e transporte para o cuidado definitivo, através do acesso à via aérea 
definitiva e uso de drogas.
 » Cuidados pós-PCR integrados: devem incluir todas as opções terapêuticas 
que permitam a recuperação neurológica.
O público pediátrico tem suas particularidades de acordo com sua faixa etária. Para 
atendimento pediátrico realizado por profissionais de saúde seguimos as definições: 
 » Bebê (lactente): indivíduo que teve alta da maternidade até 1 ano de idade.
 » Criança: de 1 ano de idade à puberdade; são sinais de puberdade, nos 
meninos, a presença de pelos no tórax ou axilas e, nas meninas, o início 
do desenvolvimento de seios. O que equivale a cerca de 10 anos de idade 
em média.
Para socorristas leigos, são dadas a seguintes definições: bebê (lactente), vítimas com 
idade até 1 ano e criança com idade entre 1 a 8 anos.
Sequência de suporte básico de vida em 
crianças para profissionais de saúde com 1 
(um) socorrista 
A sequência CABD também é adotada para Suporte Básico de Vida em pediatria 
embora a maioria das paradas cardiorrespiratórias (PCR´s) pediátricas sejam causada 
por problemas respiratórios, os dados clínicos respaldam a necessidade de ventilações 
e compressões para a ressuscitação cardiopulmonar (RCP) pediátrica. As letras 
correspondem a Checar responsividade e respiração da vítima, Chamar por ajuda, 
Checar o pulso da vítima, Compressões(30 compressões), Abertura das vias aéreas, 
Boa ventilação (2 ventilações) e Desfibrilação.
As paradas cardiorrespiratórias pediátricas são menos comuns do que em adultos e 
muitos socorristas quando ficam inseguros ou confusos nada fazem. A maioria das 
vítimas de parada cardiorrespiratória pediátrica não recebe nenhuma manobra de 
32
UNIDADE II │SUPORTE BÁSICO E AVANÇADO DE VIDA – CONCEITOS E PROTOCOLOS INTERNACIONAIS
ressuscitação cardiopulmonar (RCP) das pessoas que a testemunham. A abordagem 
C-A-B para vítimas de todas as idades foi adotada com o intuito de aumentar a chance 
e rapidez de uma pessoa executar a ressuscitação cardiopulmonar.
 No primeiro instante deve ser avaliada a segurança do local. Certifique-se se o local 
oferece segurança para você e a vítima. Caso não esteja seguro, (ex.: um prédio com 
risco de desmoronamento, uma via de trânsito), torne o local seguro (ex.: parando ou 
desviando o trânsito) ou remova a vítima para um local seguro. Se o local estiver seguro, 
prossiga o atendimento.
Avalie a responsividade e respiração da vítima 
Avalie a responsividade da criança chamando-a e tocando-a pelos ombros. Se a criança 
responder, apresente-se e converse com ela perguntando se precisa de ajuda. 
Caso a criança não responda, não fale, nem reaja de alguma forma, considere que ela 
está irresponsiva. Avalie a respiração observando se há elevação do tórax em menos de 
10 segundos ou a presença de respiração agônica (irregular ou anormal). Caso a criança 
tenha respiração, fique ao seu lado e aguarde para ver sua evolução e, se necessário, 
chame ajuda.
Chame ajuda 
Deve ser de 10 segundos o tempo necessário entre a avaliação da responsividade, 
respiração e o acionamento do serviço de emergência. 
Quando há dois socorristas, um imediatamente inicia a ressuscitação cardiopulmonar 
(RCP) e o outro acionar o serviço médico especializado (SME) e obter um desfibrilador 
externo automático (DEA), caso tenha disponível.
Sempre lembrando que a pessoa que ligar para o SME deve estar preparada para 
responder as perguntas como: localização do incidente, condições da vítima, tipo de 
primeiros socorros que está sendo realizado etc.
A maioria das causas de parada cardiorrespiratória (PCR) em lactentes e crianças é 
por hipoxemia ao invés de parada cardiorrespiratória (PCR) por fibrilação ventricular 
(FV), então, se o socorrista estiver sozinho, ele deve gritar por socorro e realizar 2 (dois) 
minutos de ressuscitação cardiopulmonar (RCP), antes de deixar a criança e ir chamar 
ajuda . 
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SUPORTE BÁSICO E AVANÇADO DE VIDA – CONCEITOS E PROTOCOLOS INTERNACIONAIS│ UNIDADE II
Em caso do colapso, síncope presenciada, que indica uma causa cardíaca, deve-se 
deixar a criança e acionar o serviço médico especializado (SME), solicitando ajuda e 
um desfibrilador automático externo.
Cheque o pulso
Verificar o pulso carotídeo ou femoral em menos de 10 segundos. Caso a vítima apresente 
pulso, aplique uma ventilação a cada 3 a 5 segundos, mantendo 12 a 20 ventilações por 
minuto. Neste caso, cheque o pulso a cada 2 minutos. Se não detectar pulso ou estiver 
com dificuldade de sentir o pulso, inicie os ciclos de compressões e ventilações. 
Inicie ciclos de 30 compressões e 2 ventilações
Para realizar as compressões o paciente deve estar em uma superfície rígida, e estas 
devem ser realizadas na metade inferior do esterno, sempre evitando o apêndice 
xifoide, com 1 ou 2 mãos. O que irá determinar a utilização de 1 ou 2 mãos é o diâmetro 
anteroposterior (AP) da vítima. As compressões devem ter profundidade de no mínimo 
1/3 do diâmetro torácico, cerca de 5 cm, deve sempre permitir o retorno total do tórax 
à sua posição inicial, após cada compressão. 
Não há dados relatados que determinam que a compressão de uma ou duas mãos 
seja a melhor. Existe estudo relatando que a utilização das duas mãos para a técnica 
de compressão torácica, em manequim criança, foi obtida pressões mais elevadas de 
compressão torácica aliadas à redução de cansaço do socorrista.
Se realizadas apenas compressões a frequência dessas deve ser de no mínimo 100/min 
e no máximo 120/min.
Em um ciclo de no máximo 18 segundos a relação de compressões/ventilações deve ser 
de 30 compressões para duas ventilações. Não deve demorar mais de 10 segundos entre 
a última compressão de um ciclo e a primeira compressão do ciclo seguinte.
Tanto para crianças quanto lactentes a ressuscitação cardiopulmonar deve incluir 
compressões ventilações, porém as compressões sempre são prioridade no atendimento 
e devem ser realizadas mesmo a ventilação sendo impossível. 
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UNIDADE II │SUPORTE BÁSICO E AVANÇADO DE VIDA – CONCEITOS E PROTOCOLOS INTERNACIONAIS
Figura 13.
 
Fonte: I Diretriz de Ressuscitação Cardiopulmonar e Cuidados Cardiovasculares de Emergência da Sociedade Brasileira de 
Cardiologia.
Ventilação
Após 30 compressões, deve-se abrir as vias aéreas e realizar 2 ventilações. 
Uma técnica correta para abertura da via aérea é inclinação da cabeça e elevação do 
queixo. Deve-se apoiar uma mão sobre a região frontal, inclinar a cabeça para trás e pôr 
2 dedos da outra mão na parte óssea mandíbula para abrir as vias aéreas. Em crianças ou 
lactentes não responsivos, a língua pode obstruir a via área e interferir nas ventilações.
É indicado que o socorrista utilize mecanismos de barreira para aplicar as ventilações, 
como o lenço facial com válvula antirrefluxo, máscara de bolso (pocket-mask) ou bolsa-
válvula-máscara, mesmo que sejam mínimas as evidências de contaminação com a 
ventilação boca a boca.
Será necessária a abertura de via aérea, independente da técnica utilizada para aplicar 
compressões, que poderá ser realizada com a manobra da inclinação da cabeça e 
elevação do queixo conforme mostra a figura.
Figura 14.
Fonte: I Diretriz de Ressuscitação Cardiopulmonar e Cuidados Cardiovasculares de Emergência da Sociedade Brasileira de 
Cardiologia.
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SUPORTE BÁSICO E AVANÇADO DE VIDA – CONCEITOS E PROTOCOLOS INTERNACIONAIS│ UNIDADE II
Caso haja suspeita de trauma, deve realizar a manobra de elevação do ângulo da 
mandíbula conforme demonstração.
Figura 15.
Fonte: I Diretriz de Ressuscitação Cardiopulmonar e Cuidados Cardiovasculares de Emergência da Sociedade Brasileira de 
Cardiologia.
Para realizar uma respiração boca a boca, deve-se pinçar as narinas e a boca sobre a 
boca da criança e realizar 1 ventilação, que produza uma discreta elevação do tórax, 
de 1 segundo de duração, assim que o tórax retorna à posição original, realizar outra 
ventilação de 1 segundo de duração, observe a figura a seguir:
Figura 16.
Fonte: I Diretriz de Ressuscitação Cardiopulmonar e Cuidados Cardiovasculares de Emergência da Sociedade Brasileira de 
Cardiologia.
Caso a ventilação não produza uma elevação do tórax da criança, é necessário que 
abra novamente as vias aéreas inclinando a cabeça e elevando o queixo e realizar outra 
ventilação a expansão torácica. As compressões não devem ser interrompidas por mais 
que 10 segundos, caso o tórax não elevar em 10 segundos, comece a comprimi-lo com 
força e rapidez novamente.
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UNIDADE II │SUPORTE BÁSICO E AVANÇADO DE VIDA – CONCEITOS E PROTOCOLOS INTERNACIONAIS
Perfusão inadequada
Em crianças e lactentes que houver pulso palpável, mas com frequência cardíaca (FC) 
menor que 60 batimentos por minuto é necessário iniciar a ressuscitação cardiopulmonar 
(RCP). Caso tenha pulso com frequência cardíaca maior que 60bpm é necessário 
reavaliar a respiração, se for detectado apneia ou gasping, manter ventilações de 12 a 
20 ventilações/minuto, 1 ventilação a cada 3 a 5 segundos. 
Se houver pulso palpável, com frequência cardíaca maior que 60bpm e a respiração 
for regular, deve-se colocar a criança em posição de recuperação lateral, conforme 
ilustração.
Figura 17.
Fonte: I Diretriz de Ressuscitação Cardiopulmonar e Cuidados Cardiovasculares de Emergência da Sociedade Brasileira de 
Cardiologia.
Sequência de suporte básico de vida em 
crianças para profissionaisde saúde com 2 
socorristas
Quando há 2 socorristas profissionais de saúde para o atendimento à ressuscitação 
cardiopulmonar (RCP), um deve realizar compressões torácicas enquanto o outro 
mantém a via aérea aberta e executa ventilações a uma proporção de 15 compressões e 
2 ventilações com mínimas interrupções nas compressões torácicas.
A sequência do atendimento inicial CABD é mantida sendo que um dos socorristas aciona 
o serviço médico especializado (SME), enquanto o outro socorrista irá checar o pulso e 
iniciar as compressões torácicas em uma relação de 30 compressões por 2 ventilações, 
até o outro socorrista retornar ao local e assuma as compressões torácicas, mantendo, 
agora, uma relação de 15 compressões/2 ventilações, mantendo as características das 
compressões eficazes.
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SUPORTE BÁSICO E AVANÇADO DE VIDA – CONCEITOS E PROTOCOLOS INTERNACIONAIS│ UNIDADE II
A cada 10 ciclos (2 minutos) de 15 compressões e 2 ventilações, deverá haver rodízio 
dos socorristas, pois sabemos que após 2 minutos, as compressões torácicas talvez não 
sejam realizadas conforme as recomendações devido à fadiga do compressor.
A execução de ventilações pode ser feita utilizando bolsa-válvula-máscara (BVM) 
quando a ressuscitação cardiopulmonar (RCP) for realizada por dois profissionais de 
saúde, veja na ilustração. O socorrista deve escolher um equipamento adequado.
Figura 18.
Fonte: I Diretriz de Ressuscitação Cardiopulmonar e Cuidados Cardiovasculares de Emergência da Sociedade Brasileira de 
Cardiologia.
Para criança, deve-se utilizar uma bolsa com capacidade de 1000 ml, ou chamado 
“ambu de adulto”. O equipamento pediátrico (450-500 ml de capacidade da bolsa) deve 
ser reservado para os lactentes ou crianças com menos de 2 anos. Se houver oxigênio 
disponível e reservatório, deve-se abrir 15 litros no fluxômetro de oxigênio para encher 
o reservatório para bolsas de 1000 ml.
O E-C é a técnica utilizada para garantir o melhor posicionamento da máscara no rosto 
da criança e evitar o escape de ar. Colocar o 3o, 4o e 5o dedos de uma mão na mandíbula, 
formando a letra E. O polegar e o indicador devem segurar a máscara no rosto da 
criança, formando a letra C, o que facilita a inclinação da cabeça para abrir as vias 
aéreas, observe a ilustração.
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UNIDADE II │SUPORTE BÁSICO E AVANÇADO DE VIDA – CONCEITOS E PROTOCOLOS INTERNACIONAIS
Figura 19.
Fonte: I Diretriz de Ressuscitação Cardiopulmonar e Cuidados Cardiovasculares de Emergência da Sociedade Brasileira de 
Cardiologia.
Aberta a via aérea, deve-se pressionar a bolsa com o volume corrente o suficiente para 
provocar uma expansão torácica de duração de 1 segundo. A recomendação é evitar 
a ventilação excessiva, e, no caso de um 3o socorrista disponível, ele pode auxiliar no 
posicionamento da máscara, evitando o extravasamento do ar.
Utilização do Desfibrilador Externo Automático (DEA) 
Um dos determinantes mais importantes da sobrevivência à parada cardiorrespiratória 
(PCR) é a utilização do desfibrilador automático externo (DEA) na parada 
cardiorrespiratória (PCR) súbita com fibrilação ventricular (FV) ou taquicardia 
ventricular (TV) sem pulso.
Desfibriladores automáticos externos são equipamentos computadorizados de operação 
simples e capazes de identificar fibrilação ventricular (FV) ou taquicardia ventricular 
(TV) sem pulso, que são os ritmos chocáveis, e administrar choques. 
Quando o desfibrilador automático externo estiver disponível, o socorrista deve 
posicioná-lo próximo do socorrista que irá operá-lo, ou acima da cabeça da criança, 
para que os 2 socorristas possam operar o equipamento. Um socorrista deve manter a 
compressão torácica até que o DEA indique que deve ser interrompida a compressão 
para análise do ritmo. 
Existem pás de adulto e pediátrica, que reduzem a carga para 50 a 70 Joules e que devem 
ser utilizadas em crianças menores de 8 anos – 25kg. Há alguns equipamentos possuem 
uma chave que reduz a carga. Alguns equipamentos reduzem a carga, utilizando pás/
eletrodos pediátricos que devem ser adquiridas separadamente. Se não houver pá 
pediátrica disponível, deve-se utilizar uma pá de adulto. 
39
SUPORTE BÁSICO E AVANÇADO DE VIDA – CONCEITOS E PROTOCOLOS INTERNACIONAIS│ UNIDADE II
As pás devem ser aplicadas no tórax da criança esta deve estar desnuda. Uma pá deve ser 
colocada no tórax superior direito, abaixo da clavícula, e a outra pá ao lado ou abaixo do 
mamilo esquerdo. Se o tórax da criança for muito pequeno e se não for possível manter 
uma distância de 3 cm de uma pá da outra, deve-se colocar uma pá na frente do tórax e 
outra na região posterior.
Figura 20.
Fonte: I Diretriz de Ressuscitação Cardiopulmonar e Cuidados Cardiovasculares de Emergência da Sociedade Brasileira de 
Cardiologia.
Caso tenha a indicação do choque o desfibrilador automático externo alertará para que 
todos se afastem da criança. Isole a vítima, antes de administrar o choque, certifique-se 
de que ninguém esteja tocando na criança, falando em voz alta e de forma visual para 
que todos se afastem. Uma vez que todos estejam afastados, o botão de Choque deverá 
ser pressionado. Se não for necessária a aplicação do choque ou após a administração 
de um choque, é preciso que reinicie as compressões torácicas imediatamente. A cada 
2 minutos, o desfibrilador irá analisar o ritmo novamente e informar se o choque está 
indicado ou não. Sempre lembrar que uma vez coladas as pás do desfibrilador, estas 
permanecem e este não será desligado até a chegada do serviço médico de emergência 
(SME), mesmo se o choque não for indicado e a criança evoluir com retorno da circulação 
espontânea.
Sequência de suporte básico de vida em 
lactentes para profissionais de saúde com 1 
socorrista
O atendimento de parada cardiorrespiratória (PCR) de lactentes, obedece a mesma 
sequência C-A-B-D de atendimento em crianças com 1 socorrista, com algumas 
alterações em suas técnicas: 
40
UNIDADE II │SUPORTE BÁSICO E AVANÇADO DE VIDA – CONCEITOS E PROTOCOLOS INTERNACIONAIS
Avaliar a responsividade e respiração
O socorrista bate na planta dos pés do lactente. Se não houver qualquer tipo de reação, 
o lactente está inconsciente. Assim, avalia-se a respiração observando se há elevação 
do tórax em menos de 10 segundos ou a presença de respiração agônica (irregular ou 
anormal). 
Acionar o serviço de emergência
O socorrista sozinho deverá iniciar a ressuscitação cardiopulmonar (RCP), por 2 minutos, 
para, depois, acionar o serviço médico de emergência (SME). Se outra pessoa estiver 
disponível, peça para ela acionar o SME. Apenas no caso da parada cardiorrespiratória 
(PCR) presenciada, deve-se levar o bebê até um telefone e acionar o serviço médico de 
emergência e pedir um desfibrilador automático externo (DEA) com pás pediátricas.
Checar o pulso
O pulso central de escolha para ser palpado, em menos de 10 segundos, deve ser o 
braquial ou femoral. Iniciar as compressões torácicas em caso da ausência de pulso.
Compressões torácicas 
Traçar uma linha imaginária nos mamilos, colocar 2 dedos logo abaixo da linha 
intermamilar e comprimir o tórax no esterno, em linha reta, numa profundidade de 1/3 
da altura anteroposterior do tórax, cerca de 4 cm, em uma velocidade de no mínimo 
100 compressões por minuto. O tórax deve retornar à sua posição normal após cada 
compressão. Com apenas um socorrista deve realizar 30 compressões para 2 ventilações. 
Figura 21.
Fonte: I Diretriz de Ressuscitação Cardiopulmonar e Cuidados Cardiovasculares de Emergência da Sociedade Brasileira de 
Cardiologia.
41
SUPORTE BÁSICO E AVANÇADO DE VIDA – CONCEITOS E PROTOCOLOS INTERNACIONAIS│ UNIDADE II
O socorrista deverá abrir a via aérea mantendo a posição de farejador, o trago da orelha 
deve estar na altura do ombro do bebê. Se o socorrista realizar uma hiperextensão, 
ele irá fechar as vias aéreas. A respiração é uma parte importante da ressuscitação 
cardiopulmonar (RCP), nesta faixa etária, se for boca a boca, a boca do socorrista deve 
englobar a bocae o nariz do bebê, evitando-se a hiperventilação e ocasionando uma 
discreta elevação do tórax, com duração de 1 segundo cada ventilação.
Sequência de suporte básico de vida em 
lactentes para profissionais de saúde com 2 
socorristas
Quando há dois socorristas para o atendimento a RCP, sendo profissionais de saúde, 
um profissional deve realizar compressões torácicas, enquanto o outro mantém a via 
aérea aberta e executa ventilações a uma razão de 15 compressões e 2 ventilações, com 
interrupções mínimas.
Compressões torácicas
Em caso de atendimento por profissional de saúde a técnica de compressão torácica 
mais indicada é envolver o tórax com as mãos e fazer compressões com os polegares 
(técnica dos dois polegares). Esta técnica produz melhor fluxo sanguíneo, resultados 
mais consistentes na profundidade, força de compressão e pode gerar pressões arteriais 
mais altas do que a técnica dos dois dedos.
O socorrista deverá colocar os 2 polegares lado a lado, sobre a metade inferior do 
esterno, devendo sempre evitar o apêndice xifoide, conforme ilustração. Em lactentes 
muito pequenos os polegares poderão sobrepor.
Envolva o tórax do bebê com as mãos e sustente suas costas com os dedos de ambas as 
mãos. Com as mãos envolvendo o tórax, deve-se usar os 2 polegares para comprimir o 
esterno 1/3 da profundidade anteroposterior do tórax, cerca de 4 cm.
As compressões devem ser administradas em um ritmo de no mínimo 100 e no máximo 
120 compressões por minuto se forem realizadas apenas compressões. Para garantir 
o retorno total do tórax deve-se soltar totalmente a pressão sobre o esterno após cada 
compressão. Deve realizar uma breve pausa a cada 15 compressões, e não poderá ser 
mais de 10 segundos, para o socorrista 1 administrar duas ventilações, e a cada 10 ciclos 
(2 minutos), os socorristas para evitar o cansaço e manter a eficácia das compressões 
devem mudar de posição.
42
UNIDADE II │SUPORTE BÁSICO E AVANÇADO DE VIDA – CONCEITOS E PROTOCOLOS INTERNACIONAIS
Figura 22.
Fonte: I Diretriz de Ressuscitação Cardiopulmonar e Cuidados Cardiovasculares de Emergência da Sociedade Brasileira de 
Cardiologia.
Abrir as vias aéreas e administrar ventilações
Para fornecer ventilações adequadas, a seleção de uma bolsa-válvula-máscara (BVM) 
de tamanho adequado é imprescindível. Deve selecionar uma máscara de tamanho 
apropriado, que cubra totalmente a boca e o nariz do bebê, deixando descobertos os 
olhos e o queixo. Em uma bolsa infantil, caso tenha oxigênio disponível, deve conectar 
10 litros de oxigênio para encher o reservatório (bolsa de 459-500 ml).
Após selecionar a bolsa e a máscara, o socorrista deve utilizar a técnica do EC para 
manter a máscara bem acoplada ao rosto do bebê, inclinar a cabeça e elevar o mento 
para abrir as vias aéreas e realizar 2 ventilações, com volume corrente o suficiente para 
provocar uma discreta elevação do tórax, de 1 segundo cada ventilação. 
A maioria dos lactentes que desenvolve parada cardiorrespiratória sofre insuficiência 
respiratória ou choque, o que diminui o teor de oxigênio no sangue, sendo assim apenas 
a aplicação de compressões torácicas para suprir de oxigênio o coração e o cérebro não 
é tão eficaz quanto à combinação de compressões mais ventilações, no entanto não é 
permitido demorar mais que 10 segundos para realizar 2 ventilações adequadas.
Utilização do DEA em lactentes
Em lactentes opte o uso de um desfibrilador manual a um desfibrilador automático 
externo para desfibrilação e, caso não tenha o desfibrilador manual disponível, use o 
DEA com atenuador de carga pediátrico. Caso não tenha nenhum dos dois disponíveis, 
use o desfibrilador automático externo sem atenuador de carga pediátrico. Mesmo as 
pás pediátricas, que vêm com um redutor de carga, em média de 50 a 70 Joules, devem 
43
SUPORTE BÁSICO E AVANÇADO DE VIDA – CONCEITOS E PROTOCOLOS INTERNACIONAIS│ UNIDADE II
ser coladas, uma na frente no tórax e outra atrás, nas costas do bebê, para que não se 
toquem. 
Podem ser usadas as pás de adulto em bebê ou em criança com menos de 8 anos 
de idade pois é melhor aplicar um choque, mesmo com carga muito superior, que o 
recomendado para o peso, do que não chocar um bebê em um ritmo chocável e perder 
a chance, com posterior deterioração para um ritmo, não chocável, ou seja, assistolia. 
Não é recomendado utilizar uma pá pediátrica no adulto. 
Ressuscitação cardiopulmonar (RCP) com via aérea 
avançada
Na ressuscitação cardiopulmonar (RCP) realizada sem via aérea avançada (boca a 
boca, boca a máscara e bolsa-valva-máscara), deve-se realizar uma relação de 30 
compressões para 2 ventilações com 1 socorrista e 15 compressões para 2 ventilações 
com 2 socorristas. 
Em caso de via aérea avançada como tubo traqueal, máscara laríngea e tubo laríngeo, 
o que está preconizado é as compressões contínuas, no mínimo 100 e no máximo 120 
compressões e 1 ventilação a cada 6 a 8 segundos, ou seja, 8 a 10 ventilações por minuto 
Reavalie o ritmo a cada 2 minutos, e para garantir uma compressão de boa qualidade e 
evitar a fadiga do compressor deve a cada reavaliação traçar o compressor. 
Atendimento a parada cardiorrespiratória (PCR) por 
público leigo
As diferenças do atendimento realizado por profissional de saúde para o leigo são: 
 » Gritar por socorro ou solicitar para um 2o socorrista acionar o serviço 
médico de emergência (SME), depois que se verifica a não responsividade 
da criança ou bebê. 
 » Para o socorrista leigo não há indicação de checar o pulso, assim, se a 
criança ou bebê não respira, a compressão torácica está indicada. 
 » A relação de 30 compressões por 2 ventilações é universal para todas as 
faixas etárias.
 » Utilizar a técnica de compressão com 2 dedos nos lactentes com 1 ou 2 
socorristas. 
44
UNIDADE II │SUPORTE BÁSICO E AVANÇADO DE VIDA – CONCEITOS E PROTOCOLOS INTERNACIONAIS
É importante ressaltar que se o socorrista leigo não souber realizar as ventilações, 
ele poderá manter somente as compressões torácicas até que o serviço médico de 
emergência (SME) chegue ao local.
Atendimento à obstrução de vias aéreas por corpo 
estranho
Para evitar acidentes com corpo estranho (CE) devem ser seguidas algumas medidas 
preventivas como:
 » Uso de brinquedos de acordo com a idade adequada da criança, o 
armazenamento correto de objetos.
As estatísticas de estudos realizados no Brasil e EUA mostram que a aspiração de um 
corpo estranho (CE) é uma causa importante de morte acidental em lactentes e crianças, 
sendo a maior concentração na faixa etária de 1 a 3 anos. Um corpo estranho) pode 
provocar obstrução da via aérea resultando em uma asfixia, que pode ser leve ou grave.
Na asfixia leve há passagem de ar, sendo assim o socorrista deve permanecer ao lado 
da criança ou bebê, deixando-o tossir para eliminar o corpo estranho. Na tentativa de 
retirada não deve estressar a criança para não provocar choro, pois poderá provocar 
uma piora na obstrução. O aconselhável é manter a calma e procurar o serviço médico 
de emergência (SME). 
Na asfixia grave, ou seja, a criança não consegue tossir, emitir sons e respirar, mas ela 
ainda está consciente e muito agitada, em função do sufocamento, deve-se:
 » Perguntar se a criança está engasgada, sentindo dificuldade para respirar.
 » Caso a criança acene com a cabeça ou movimente os braços e não conseguir 
falar ou tossir, diga-lhe que irá ajudar.
 » Realizar a manobra de Heimlich, conforme ilustração a seguir.
 » Posicionar-se atrás da criança, na altura desta, o socorrista pode ficar 
ajoelhado.
 » Abraçar a criança de modo que suas mãos fiquem na frente de seu corpo.
 » Fechar uma das mãos.
 » Colocar o lado do polegar da mão fechada contra o abdômen da criança, 
na linha média, ligeiramente acima do umbigo e bem abaixo do esterno.
45
SUPORTE BÁSICO E AVANÇADO DE VIDA – CONCEITOS E PROTOCOLOS INTERNACIONAIS│ UNIDADE II
 » Agarrar a mão fechada com a outra mão e pressionar a mão fechada 
contra o abdômen da criança, com uma compressão rápidae forte para 
cima.
 » Repetir as compressões até que o objeto seja expelido da via aérea ou a 
criança pare de responder.
 » Se a criança parar de responder, deve-se acionar o serviço médico de 
emergência e iniciar imediatamente a ressuscitação cardiopulmonar 
(RCP), pelas compressões torácicas.
Caso a criança em asfixia seja obesa e o socorrista não conseguir abraçar totalmente 
a cintura, executar compressões torácicas em vez de abdominais. Os passos serão os 
mesmos com exceção do local que irá posicionar os braços e mãos do socorrista. O 
socorrista deve colocar os braços por baixo das axilas da criança e as mãos na metade 
inferior do esterno. Puxar para trás para aplicar as compressões torácicas. 
Na asfixia grave em bebês, se este ainda estiver consciente, as manobras para remover 
o corpo estranho (CE) exigem uma combinação de golpes nas costas e compressões 
torácicas. Deve-se seguir os seguintes passos:
 » O socorrista poderá sentar-se com o bebê no colo.
 » Manter o bebê voltado para baixo, com a cabeça mais baixa do que o 
tórax, apoiado em seu antebraço.
 » Sustentar a cabeça e mandíbula do bebê com a mão, com o cuidado de 
evitar comprimir os tecidos moles da garganta do bebê. Repousar o 
antebraço do socorrista sobre a coxa para sustentar o bebê.
 » Realizar 5 golpes nas costas vigorosos, entre as escápulas do bebê, usando 
o calcanhar da mão.
 » Após os golpes costas, colocar a mão que está livre nas costas do bebê, 
apoiando a parte de trás da cabeça do bebê com a palma da mão.
 » O bebê ficará deitado entre os dois antebraços do socorrista, com a palma 
da uma mão sustentando o rosto e a mandíbula, enquanto a palma da 
outra mão sustenta a parte de trás da cabeça do bebê.
 » Virar o bebê como um todo, sustentando a cabeça e o pescoço. Manter o 
bebê voltado para cima, com o antebraço do socorrista repousado sobre a 
coxa. Manter a cabeça do bebê mais baixa do que o tronco.
46
UNIDADE II │SUPORTE BÁSICO E AVANÇADO DE VIDA – CONCEITOS E PROTOCOLOS INTERNACIONAIS
 » Aplicar 5 compressões torácicas com 2 dedos na metade inferior 
do esterno, evitando o apêndice xifoide, da mesma maneira que na 
ressuscitação cardiopulmonar (RCP). Aplicar as compressões torácicas 
à frequência aproximada de 1 por segundo, cada qual com a intenção de 
criar força suficiente para deslocar o corpo estranho. 
 » Repetir a sequência de 5 golpes nas costas e 5 compressões torácicas até 
o bebê eliminar o corpo estranho ou o bebê deixar de responder.
 » Se o bebê parar de responder, deve-se acionar o serviço médico 
de emergência (SME) e iniciar imediatamente a ressuscitação 
cardiopulmonar, pelas compressões torácicas.
Se a criança ou bebê parar de responder, interrompa as compressões abdominais, os 
golpes nas costas e compressões torácicas e coloque o bebê em uma superfície plana 
e firme e inicie imediatamente a ressuscitação cardiopulmonar (RCP). Chame ajuda e 
caso tenha um segundo socorrista este deverá chamar o serviço médico especializado 
(SME).
Inicie a RCP, pelas compressões torácicas, com uma etapa a mais, toda vez que abrir 
as vias aéreas o socorrista deve inspecionar a boca e se o corpo estranho for visível, o 
socorrista deverá tirá-lo com os dedos em forma de pinça.
Não deve ser realizada a varredura digital às cegas em nenhuma faixa, pois poderá 
empurrar o corpo estranho para a via aérea, causando mais obstrução. Caso o socorrista 
esteja sozinho após 2 minutos de ressuscitação cardiopulmonar (RCP) na sequência 
C-A-B, acionar o serviço SME, caso não ainda tenha feito.
Figura 23.
 
Fonte: I Diretriz de Ressuscitação Cardiopulmonar e Cuidados Cardiovasculares de Emergência da Sociedade Brasileira de 
Cardiologia.
47
SUPORTE BÁSICO E AVANÇADO DE VIDA – CONCEITOS E PROTOCOLOS INTERNACIONAIS│ UNIDADE II
Figura 24.
Fonte: I Diretriz de Ressuscitação Cardiopulmonar e Cuidados Cardiovasculares de Emergência da Sociedade Brasileira de 
Cardiologia.
48
CAPÍTULO 2
Suporte avançado de vida
Os principais aspectos no Suporte Avançado de Vida em Cardiologia no Adulto estão 
resumidos na sequência: 
 » Ênfase na realização das manobras de ressuscitação cardiopulmonar 
(RCP) de boa qualidade. 
 » Administração de drogas vasopressoras e antiarrítmicas não tem 
associação ao aumento das taxas de sobrevida hospitalar.
 » Caso uma via aérea avançada seja estabelecida, as compressões torácicas 
devem ser aplicadas continuamente (frequência igual ou maior que 
100 compressões/minuto), e as ventilações devem ser aplicadas com 
frequência de 8 a 10 por minuto, ou seja, 1 ventilação a cada 6 a 8 segundos. 
 » Atropina não é mais recomendada para o tratamento da parada 
cardiorrespiratória (PCR) em assistolia e atividade elétrica sem pulso 
(AESP). 
 » Ênfase na monitorização fisiológica durante a realização das manobras 
de ressuscitação cardiopulmonar (RCP), com o objetivo de otimizar a 
qualidade da RCP e como indicador de retorno da circulação espontânea 
(RCE). Assim como a capnografia quantitativa de onda durante a RCP 
é um indicador de intubação orotraqueal adequada, ela também é 
indicadora da qualidade das manobras de RCP e do RCE. 
 » Drogas cronotrópicas podem ser uma alternativa para o tratamento das 
bradicardias sintomáticas. 
 » A administração intravenosa (IV) ou intraóssea (IO) de medicamentos é 
preferível à administração endotraqueal. 
 » Os cuidados pós-parada são fundamentais e devem ser iniciados 
prontamente assim que a circulação espontânea for restabelecida.
Com o intuito de manter uma adequada oxigenação do paciente, recomenda-se o suporte 
ventilatório durante as manobras de RCP. Para as vítimas de parada cardiorrespiratória 
(PCR) em fibrilação ventricular/taquicardia ventricular (FV/TV) sem pulso e atividade 
49
SUPORTE BÁSICO E AVANÇADO DE VIDA – CONCEITOS E PROTOCOLOS INTERNACIONAIS│ UNIDADE II
elétrica sem pulso (AESP)/assistolia ventilação e compressões torácicas são medidas 
importantes.
O uso de oxigênio a 100% é razoável durante as manobras de RCP (Classe IIa, Nível 
de Evidência C), com o objetivo de aumentar a oxi-hemoglobina arterial e a oferta de 
oxigênio. Embora a exposição prolongada a 100% seja tóxica, não existem evidências 
de que ocorra toxicidade com a exposição breve, como no cenário da RCP em adultos.
O dispositivo de ventilação bolsa-válvula-máscara consiste numa bolsa autoinflável, 
uma válvula unidirecional, que impede a inalação do ar expirado, e uma máscara 
facial, que deve ser transparente para detectar a presença de vômitos e secreções. Pode 
ser utilizada acoplada a uma fonte de oxigênio. Sem o acoplamento a uma fonte de 
oxigênio, o dispositivo fornece ao paciente uma fração inspirada de oxigênio de 21% (ar 
ambiente). A ventilação com dispositivo bolsa-válvula-máscara é um método aceitável 
para a ventilação durante as manobras de RCP (Classe IIa, Nível de Evidência B), 
mas requer treinamento contínuo para seu uso adequado. Este dispositivo deve ser 
utilizado por dois socorristas. A ventilação com o dispositivo bolsa-válvula-máscara 
pode causar distensão gástrica, podendo levar a vômitos, broncoaspiração e redução 
da complacência pulmonar. Para minimizar o risco de hiperinsuflação gástrica, os 
socorristas devem fornecer um volume corrente em torno de 600 ml em 1 segundo para 
permitir a elevação do tórax do paciente.
Durante a ressuscitação cardiopulmonar, devem ser realizadas 2 ventilações após 
cada 30 compressões torácicas. Cada ventilação com este dispositivo deve ser efetuada 
durante 1 segundo, com uma pausa de 3 a 4 segundos entre uma ventilação e outra. É 
necessário que a via aérea esteja adequadamente aberta, e para isso, faz-se necessária 
a inclinação da cabeça e a elevação da mandíbula contra a máscara o que garante uma 
boa vedação. A técnica correta de inserção da máscara, com um socorrista, consiste 
em colocá-la no rosto do paciente, cobrindo a boca e o nariz; com os dedos polegar e 
indicador (formando um “C”) de uma das mãos. O reanimador trata de manter uma 
adaptaçãoadequada entre o rosto e a máscara e, com os três dedos restantes (formando 
um “E”), mantém a tração para cima da mandíbula. 
A bolsa é comprimida com a outra mão, observando-se a expansão do tórax durante 
cada ventilação. Uma técnica mais efetiva requer dois reanimadores:
 » Uma opção é utilizar ambas as mãos, mantendo a cabeça estendida e a 
máscara firmemente ao redor da boca e nariz do paciente, enquanto o 
outro usa suas duas mãos para comprimir a bolsa. 
50
UNIDADE II │SUPORTE BÁSICO E AVANÇADO DE VIDA – CONCEITOS E PROTOCOLOS INTERNACIONAIS
 » A outra opção é utilizar os indicadores e polegares de ambas as mãos, 
formando dois “Cs” para manter uma adaptação adequada da máscara 
contra a face do paciente, e os outros dois dedos de ambas as mãos 
formando dois “Es”, dessa maneira, realizando a tração para cima da 
mandíbula, enquanto o outro socorrista usa suas mãos para comprimir 
a bolsa.
Existem dispositivos auxiliares que são utilizados para manejo das vias aéreas durante 
a RCP que são: 
a. Pressão cricoide: Durante a intubação traqueal a pressão cricoide pode 
prevenir o refluxo gástrico, porém ela pode prejudicar a ventilação do 
paciente e dificultar a intubação orotraqueal, pois pode produzir uma 
deformação da cartilagem cricoide com a completa obstrução da via aérea, 
dependendo da força aplicada. O papel da pressão cricoide, durante a 
parada cardiorrespiratória (PCR) em ambiente extra e intra-hospitalar, 
não foi estudado, e seu uso rotineiro, portanto, não é recomendado. 
b. Cânula orofaríngea: A cânula orofaríngea pode ser utilizada para facilitar 
a realização de ventilações com a bolsa-válvula-máscara, visto que impede 
a obstrução da via aérea pela queda da língua. Em pacientes inconscientes 
ou em parada cardiorrespiratória (PCR) pode-se utilizá-la em associação 
a outro dispositivo ventilatório como método auxiliar a ventilação 
 » Para a escolha do tamanho adequado da cânula, posicione-a da rima bucal 
até o ângulo da mandíbula, ou até o tragus da orelha. A utilização correta 
da cânula orofaríngea faz-se a partir de sua introdução na cavidade oral 
com a concavidade voltada para cima, dirigindo sua extremidade para o 
palato duro. A seguir, executa-se um movimento de rotação de 180º sobre 
ela mesma, posicionando-a sobre a língua, conforme mostra a figura: 
Figura 25.
Fonte: I Diretriz de Ressuscitação Cardiopulmonar e Cuidados Cardiovasculares de Emergência da Sociedade Brasileira de 
Cardiologia.
51
SUPORTE BÁSICO E AVANÇADO DE VIDA – CONCEITOS E PROTOCOLOS INTERNACIONAIS│ UNIDADE II
c. Cânula nasofaríngea: A cânula nasofaríngea pode ser utilizada para 
facilitar a realização de ventilações torácicas com o dispositivo bolsa-
válvula-máscara, em pacientes com obstrução das vias aéreas ou para 
aqueles com risco de desenvolver obstrução das vias aéreas, em pacientes 
com impossibilidade de receber uma cânula orofaríngea. Sua colocação é 
recomendada por socorristas treinados. Não existem estudos publicados 
sobre a utilização deste dispositivo durante as manobras de ressuscitação 
cardiopulmonar (RCP). Na presença ou suspeita de fratura de base de 
crânio ou coagulopatia grave, deve-se optar pela cânula orofaríngea. 
 » Para a escolha do tamanho adequado, basta medir a distância entre a 
extremidade do nariz e o lobo da orelha, sendo que esta distância indica 
aproximadamente o comprimento da via aérea nasofaríngea. 
 » A técnica de inserção consiste em lubrificar a cânula e passá-la suavemente 
pela narina; se houver resistência à passagem, tenta-se pela outra narina, 
a cânula estará no local correto se estiver de acordo com a figura a seguir:
Figura 26.
 Fonte: I Diretriz de Ressuscitação Cardiopulmonar e Cuidados Cardiovasculares de Emergência da Sociedade Brasileira de 
Cardiologia.
As principais indicações de intubação orotraqueal (IOT) na emergência são: 
 » impossibilidade de fornecer uma ventilação adequada com o dispositivo 
bolsa-válvula-máscara em pacientes inconscientes, em pacientes 
comatosos ou em parada cardiorrespiratória (PCR). 
Em estudo de parada cardiorrespiratória (PCR) extra-hospitalar, os pacientes que 
foram intubados apresentaram taxa de sobrevida maior do que aqueles que não foram 
intubados. 
Em casos de parada cardiorrespiratória (PCR) intra-hospitalar por fibrilação ventricular 
(FV)/ taquicardia ventricular (TV) refratária e, principalmente, por atividade elétrica 
52
UNIDADE II │SUPORTE BÁSICO E AVANÇADO DE VIDA – CONCEITOS E PROTOCOLOS INTERNACIONAIS
sem pulso (AESP)/assistolia, a ventilação com cânula orotraqueal é o método mais 
recomendado no manejo da via aérea (Classe IIa, Nível de Evidência C).
A interrupção da realização das compressões torácicas por motivo da intubação 
orotraqueal deverá ser minimizada ao extremo, e a intubação deverá ser realizada 
somente em momento oportuno, quando não for interferir com as outras manobras de 
ressuscitação. A intubação orotraqueal é considerada o método ideal de manejo da via 
aérea durante a ressuscitação cardiopulmonar (RCP). Quando realizada por médicos 
pouco treinados, a incidência de complicações é inaceitavelmente alta. Para socorristas 
que realizam este procedimento o treinamento e retreinamento nesta habilidade são 
recomendados (Classe I, Nível de Evidência B).
Durante uma parada cardiorrespiratória (PCR), deve de preferência, o procedimento 
ser realizado sem a interrupção das compressões torácicas ou, então, com interrupção 
das compressões por até 10 segundos, para permitir a visualização das cordas vocais. Se 
a intubação inicial foi sem sucesso, uma segunda tentativa pode ser aceitável.
É necessário após a colocação da cânula traqueal, checar se o seu posicionamento está 
correto, feito inicialmente pela avaliação clínica. Esta avaliação consiste na visualização 
da expansão torácica e da condensação do tubo durante a ventilação e na ausculta em 
5 pontos: epigástrio, base pulmonar esquerda, base pulmonar direita, ápice pulmonar 
esquerdo e ápice pulmonar direito, preferencialmente, nessa ordem. Isso poderá ajudar 
a detectar precocemente uma possível intubação esofágica ou introdução excessiva do 
tubo orotraqueal, que geralmente causa intubação seletiva do brônquio fonte direito, 
gerando diminuição dos sons pulmonares do lado esquerdo do tórax. Além disso, o 
posicionamento correto do tubo deve ser confirmado com a utilização de um dispositivo. 
O mais indicado é a capnografia quantitativa (Classe I, Nível de Evidência A). Na 
ausência de capnografia quantitativa os dispositivos detectores esofágicos e detectores 
de CO2 são recomendados (Classe IIa, Nível de Evidência B).
Sempre que disponível, a capnografia com onda contínua quantitativa é recomendada 
para pacientes intubados durante o período peri-PCR. Quando as ondas quantitativas 
da capnografia são usadas em adultos, suas aplicações incluem: confirmação do 
correto posicionamento endotraqueal do tubo, controle da qualidade da ressuscitação 
cardiopulmonar (RCP) e avaliação do retorno da circulação espontânea (RCE) baseada 
nos valores da detecção de dióxido de carbono (PetCO2) ao final da expiração. 
Após o correto posicionamento do tubo, deve-se fixá-lo com fitas convencionais, 
bandagens ou com fixadores comerciais (Classe I, Nível de Evidência B)
53
SUPORTE BÁSICO E AVANÇADO DE VIDA – CONCEITOS E PROTOCOLOS INTERNACIONAIS│ UNIDADE II
Deve-se manter a ventilação e oxigenação com intervalo de uma ventilação a cada 6 a 
8 segundos, o que corresponde a 8 a 10 ventilações por minuto (Classe IIb, Nível de 
Evidência C), de maneira assíncrona às compressões torácicas, que devem ser mantidas 
em frequência igual ou superior a cem por minuto. 
Alternativas para intubação orotraqueal
Tubo esofágico traqueal (combitube) é um dispositivo que tem 2 tubos paralelos o tubo 
número 1 com cuff proximal, e um tubo número 2, com cuff distal. A intubação ocorre 
às cegas. Com isso, na maioria dos casos (mais de 90% dos casos), intuba-se o esôfago. 
Após a inserção do tubo, insufla-seprimeiro o cuff proximal com 85 ml de ar e, após, 
o cuff distal com 12 ml de ar. Conecta-se o dispositivo bolsa-válvula-máscara ao tubo 
número 1 e realiza-se a ventilação dos pulmões. Caso haja a expansão do tórax, o tubo 
foi inserido no esôfago e, portanto, deve-se manter a ventilação por este tubo. Caso 
não haja expansão do tórax ao ventilar pelo tubo número 1, o tubo foi para a traqueia; 
e, portanto, deve-se ventilar o paciente pelo tubo número 2 e observar a expansão do 
tórax. Observe a figura a seguir, quando se intuba o esôfago, ocorre um isolamento 
deste e o ar passa pelas fenestrações do tubo, ventilando os pulmões. O combitube é 
uma alternativa para manejo da via aérea em pacientes em parada cardiorrespiratória 
(PCR). Seu uso oferece vantagens similares as da intubação orotraqueal, as quais são: 
isolamento da via aérea, redução no risco de aspiração e ventilação segura Trata-se de 
uma via aérea avançada provisória. 
A taxa de sucesso com esta técnica de 85,4%. Para profissionais da área da saúde 
treinados com seu uso, o combitube é uma alternativa ao dispositivo de bolsa-válvula-
máscara (Classe IIa, Nível de Evidência C) ou para manejo da via aérea avançada como 
alternativa à intubação orotraqueal durante a parada cardiopulmonar (PCR) (Classe 
IIa, Nível de Evidência A).
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UNIDADE II │SUPORTE BÁSICO E AVANÇADO DE VIDA – CONCEITOS E PROTOCOLOS INTERNACIONAIS
Figura 27.
Fonte: I Diretriz de Ressuscitação Cardiopulmonar e Cuidados Cardiovasculares de Emergência da Sociedade Brasileira de 
Cardiologia.
Máscara laríngea
Figura 28.
 
Fonte: I Diretriz de Ressuscitação Cardiopulmonar e Cuidados Cardiovasculares de Emergência da Sociedade Brasileira de 
Cardiologia.
Ainda que a máscara laríngea não ofereça proteção absoluta das vias aéreas contra 
aspiração, a frequência desta complicação é menor do que quando a ventilação é realizada 
com dispositivo bolsa-válvula-máscara. A máscara laríngea quando comparada com a 
intubação orotraqueal, oferece ventilação equivalente. Ventilação com sucesso entre 
72 a 97% tem sido reportada durante a realização das manobras de ressuscitação 
cardiopulmonar (RCP). Para profissionais da área da saúde treinados no seu uso, a 
máscara laríngea é uma alternativa ao dispositivo bolsa-válvula-máscara (Classe IIa, 
55
SUPORTE BÁSICO E AVANÇADO DE VIDA – CONCEITOS E PROTOCOLOS INTERNACIONAIS│ UNIDADE II
Nível de Evidência B) ou à intubação orotraqueal durante a parada cardiorrespiratória 
(PCR) (Classe IIa, Nível de Evidência B). 
Tubo laríngeo
O tubo laríngeo, imagem a seguir, apresenta a vantagem, quando comparado com o 
combitube, de ser mais compacto e mais fácil de ser colocado. Quando comparado à 
intubação orotraqueal, tem a vantagem de ser mais rápido de colocar e de atingir maior 
taxa de sucesso no posicionamento. Para profissionais da área da saúde treinados 
em seu uso, o tubo laríngeo pode ser uma alternativa ao dispositivo bolsa-válvula-
máscara (Classe IIb, Nível de Evidência C) ou à intubação orotraqueal durante a parada 
cardiorrespiratória (PCR) (Classe IIb, Nível de Evidência C).
Figura 29.
Fonte: I Diretriz de Ressuscitação Cardiopulmonar e Cuidados Cardiovasculares de Emergência da Sociedade Brasileira de 
Cardiologia.
Ventilação com o uso de ventiladores
Há poucos estudos publicados que tenham avaliado o papel dos ventiladores 
automáticos no contexto da parada cardiorrespiratória (PCR). Não existem evidências 
até o momento para indicar o uso rotineiro deste método nos pacientes em parada 
cardiorrespiratória (PCR) (Classe III, Nível de Evidência C).
56
UNIDADE II │SUPORTE BÁSICO E AVANÇADO DE VIDA – CONCEITOS E PROTOCOLOS INTERNACIONAIS
Monitorização durante a Parada Cardiorrespiratória 
(PCR) 
Parâmetros mecânicos
Dispositivos mecânicos podem auxiliar a realização das manobras de reanimação 
cardiopulmonar (RCP) com boa qualidade. Estes podem ser desde dispositivos 
simples, como os metrônomos visuais ou auditivos, até mais sofisticados, como 
monitores desfibriladores que fornecem retorno da frequência, profundidade e pausa 
das compressões torácicas, todos os parâmetros em tempo real. Evidências recentes 
reforçam a possibilidade da reanimação cardiopulmonar (RCP) ser assistida por 
equipamentos como metrônomos convencionais ou softwares para telefones celulares 
com contagem de tempo, com o objetivo de promover uma reanimação cardiopulmonar 
(RCP) mais adequada. De modo semelhante, a introdução de mecanismos didáticos 
e mnemônicos durante o treinamento de socorristas também pode produzir impacto 
positivo, imediato e sustentado na boa execução das compressões torácicas. A utilização 
desses dispositivos favorece a realização de correlação da qualidade da reanimação 
cardiopulmonar (RCP) com a sobrevida dos pacientes (Classe IIa Nível de evidência B).
Parâmetros fisiológicos
O dióxido de carbono exalado no final da expiração (expressado em mmHg - PETCO2), 
detectado pela capnografia quantitativa em pacientes intubados, tem sido correlacionado 
com a qualidade da reanimação cardiopulmonar (RCP) e com retorno da circulação 
espontânea (RCE). Durante a parada cardiorrespiratória (PCR) não tratada, a produção 
de CO2 é mantida, porém não existe liberação pelos pulmões, sendo a presença de débito 
cardíaco a maior determinante da liberação do PETCO2. Os valores do PETCO2 têm 
sido correlacionados com o retorno da circulação espontânea (RCE) e com a pressão 
de perfusão coronária. Valores <10mmHg revelam pouca probabilidade de retorno da 
circulação espontânea (RCE), indicando a necessidade de melhora na qualidade da 
ressuscitação cardiopulmonar (RCP) .
Figura 30. Nível de dióxido de carbono exalado de 15mmHg - sugestivo de reanimação adequada.
Fonte: I Diretriz de Ressuscitação Cardiopulmonar e Cuidados Cardiovasculares de Emergência da Sociedade Brasileira de 
Cardiologia.
57
SUPORTE BÁSICO E AVANÇADO DE VIDA – CONCEITOS E PROTOCOLOS INTERNACIONAIS│ UNIDADE II
As mesmas evidências sugerem que, se o paciente mantiver valores baixos de PETCO2 
por longos períodos, a despeito de condições ideais de ressuscitação cardiopulmonar 
(RCP), dificilmente o retorno de circulação espontânea (RCE) será atingido. Este valor 
pode ser levado em consideração por ocasião da definição de cessação de esforços. 
Mas, se durante as manobras de ressuscitação cardiopulmonar (RCP), existe aumento 
abrupto do PETCO2 (para 35 a 40mmHg), é razoável considerar que houve retorno de 
circulação espontânea (RCE).
Figura 31. Aumento abrupto de dióxido de carbono exalado de 15 para 35mmHg sugerindo o retorno da 
circulação espontânea.
Fonte: I Diretriz de Ressuscitação Cardiopulmonar e Cuidados Cardiovasculares de Emergência da Sociedade Brasileira de 
Cardiologia.
Ainda não existem evidências da utilidade da capnografia quantitativa para os pacientes 
que não estão intubados.
A medida da pressão arterial diastólica (PAD) é outro mecanismo muito útil para 
a monitorização da ressuscitação cardiopulmonar (RCP) naqueles pacientes que 
dispõem de monitorização arterial invasiva no momento da parada cardiorrespiratória 
(PCR). Seu valor tem sido correlacionado com a pressão de perfusão coronária e 
com o retorno de circulação espontânea (RCE). Nas situações em que a pressão de 
relaxamento (diastólica) é <20mmHg, é razoável considerar melhorar a qualidade da 
RCP, melhorando as compressões torácicas e as drogas vasoativas (Classe IIb Nível 
de evidência C). Vale lembrar que a presença de dispositivos arteriais também pode 
reduzir o tempo de interrupção da ressuscitação cardiopulmonar (RCP) na checagem 
de pulso, em pacientes com atividade elétrica organizada.
Os pacientes podem possuir acesso venoso central na ocasião da parda cardiorrespiratória 
(PCR), o que pode auxiliar fornecendo alguns parâmetros de qualidade de ressuscitação 
cardiopulmonar (RCP). Saturação venosa central <30% tem sido relacionada à 
impossibilidade de atingir o retorno da circulação espontânea (RCE), sugerindo-se, 
então, que, durante a paradacardiorrespiratória (PCR), é necessário manter valores 
acima de 30% (Classe IIb Nível de evidência C). 
58
UNIDADE II │SUPORTE BÁSICO E AVANÇADO DE VIDA – CONCEITOS E PROTOCOLOS INTERNACIONAIS
Em alguns casos, é possível haver suspeita clínica quanto ao fator que possa ter 
deflagrado a parada cardiorrespiratória (PCR). Frente a isso, o uso da ecocardiografia 
transtorácica ou transesofágica pode ser considerado para o diagnóstico de causas 
específicas e tomada de decisão em situações como tamponamento cardíaco, dissecção 
de aorta e embolia pulmonar (Classe IIb Nível de evidência C). Estudos mais recentes 
têm caminhado no sentido de organizar a avaliação ultrassonográfica, realizada por 
operador treinado no cenário da PCR não arritmogênica, como sendo o único método 
subsidiário passível de ser utilizado sem comprometer a execução de uma RCP de 
qualidade e eventualmente agregando informações que possam aumentar a chance de 
sobrevida.
Dispositivos em avaliação
Com o intuito de aperfeiçoar as manobras de RCP, estão sendo desenvolvidos diversos 
dispositivos, sendo que alguns deles já possuem evidências iniciais, dessa maneira, 
sugerindo que possam ser úteis na monitorização da RCP adequada e na identificação 
do retorno da circulação espontânea (RCE). Entre estes, destaca-se como dispositivo 
promissor a aferição da saturação de hemoglobina no córtex cerebral frontal por meio 
de infravermelho (near infrared spectroscopy). Porém até o momento não dispomos 
de evidências suficientes que permitam qualquer tipo de recomendação sobre tais 
dispositivos, sendo necessário aguardar que maiores estudos sejam realizados.
Manejo da parada cardíaca
A parada cardíaca pode ser causada por quatro ritmos: fibrilação ventricular (FV), 
taquicardia ventricular sem pulso (TVSP), atividade elétrica sem pulso (AESP) e 
assistolia. A sobrevida dos pacientes depende da integração do Suporte Básico de Vida, 
do suporte avançado de vida em cardiologia (SAVC) e dos cuidados pós-ressuscitação. 
Para vítimas de fibrilação ventricular (FV)/taquicardia ventricular sem pulso (TVSP), 
a realização de ressuscitação cardiopulmonar (RCP) e desfibrilação precoce têm 
demonstrado aumento significativo da sobrevida.
Intervenções do suporte avançado de vida em cardiologia (SAVC), como medicações e 
a colocação de uma via aérea avançada precocemente, apesar de terem demonstrado 
aumento do retorno da circulação espontânea (RCE), não aumentaram a sobrevida 
hospitalar. Entretanto esses dados são provenientes de estudos publicados antes da 
ênfase na ressuscitação cardiopulmonar (RCP) de boa qualidade e dos cuidados pós-
ressuscitação, como hipotermia terapêutica e intervenções coronárias precoces em 
pacientes após o retorno da RCE.
59
SUPORTE BÁSICO E AVANÇADO DE VIDA – CONCEITOS E PROTOCOLOS INTERNACIONAIS│ UNIDADE II
Não existem evidências suficientes para recomendar o momento específico e a sequência 
de obtenção de acesso venoso e via aérea avançada. Muitas vezes, o momento destas 
intervenções depende do número de socorristas envolvidos no atendimento. O atraso 
no início da administração de vasopressores para além dos primeiros cinco minutos de 
parada cardiorrespiratória (PCR), bem como a demora em instalar via aérea avançada, 
pode estar associado a pior prognóstico. Assim, pode-se sugerir o início do uso de 
vasopressores nos primeiros dois ciclos de ressuscitação cardiopulmonar (RCP).
O socorrista, durante a tentativa de ressuscitação, deve tentar identificar a causa da 
parada cardiorrespiratória – diagnóstico diferencial. Deve-se tentar obter dados, para 
tanto, examinando o paciente ou conversando com os familiares, que permitam definir 
a possível causa e a estratégia terapêutica particularmente para as causas reversíveis de 
parada cardiorrespiratória (PCR). A maioria das causas de parada pode ser resumida 
na memorização mnemônica “cinco Hs e cinco Ts”, como podemos observar a seguir:
Quadro 1. Possíveis causas em todas as modalidades de parada cardiorrespiratória (PCR).
Hipóxia Tóxicos
Hipovolemia Tamponamento cardíaco
Hidrogênio (acidose) Tensão no tórax (pneumotórax hipertensivo) 
 Hiper/hipocalemia Trombose coronária (infarto agudo do miocárdio) 
Hipotermia Tromboembolismo pulmonar 
Fonte: Adaptado de acordo com a I Diretriz de Ressuscitação Cardiopulmonar e Cuidados Cardiovasculares de Emergência 
da Sociedade Brasileira de Cardiologia.
Tratamento da parada cardiorrespiratória 
(PCR) conforme o ritmo
Fibrilação ventricular/Taquicardia ventricular sem 
pulso 
Quando a monitorização com desfibrilador manual revela ritmo de fibrilação ventricular 
(FV)/taquicardia ventricular sem pulso (TVSP), a prioridade deve ser a desfibrilação o 
mais precoce possível, assim que disponível, uma vez que a duração da arritmia é fator 
prognóstico para o sucesso da desfibrilação, sendo máximo se a desfibrilação ocorre 
em até 10 a 30 segundos do início da fibrilação ventricular (FV), devido ao grau de 
organização do impulso elétrico. Considerando o ambiente intra-hospitalar, de modo 
ideal, a desfibrilação deve ocorrer até três minutos do início da parada cardiorrespiratória 
(PCR).
60
UNIDADE II │SUPORTE BÁSICO E AVANÇADO DE VIDA – CONCEITOS E PROTOCOLOS INTERNACIONAIS
Um socorrista carrega o desfibrilador e outro reinicia as compressões torácicas até o 
dispositivo estar pronto para desfibrilar. Realiza-se prévio aviso para todos se afastarem 
e, imediatamente após o choque, as compressões torácicas devem ser reiniciadas, 
mantendo-as continuamente por 2 minutos, ao fim dos quais, todos devem se afastar 
do paciente para que o ritmo seja reavaliado. 
Visando manter uma boa qualidade da RCP os socorristas responsáveis pelas 
compressões devem fazer rodízio. 
Nesse momento de pausa para análise do ritmo, que não deve exceder 10 segundos, os 
socorristas responsáveis pelas compressões devem fazer rodízio visando a manter a boa 
qualidade da RCP.
Ainda, durante a desfibrilação, as fontes de oxigênio devem ser desconectadas do 
paciente, mantendo o paciente ritmo chocável, ou seja, FV ou TVSP, nova desfibrilação 
deve ser aplicada, ao fim da qual, as compressões devem ser retomadas por mais um ciclo 
de dois minutos. Durante a reanimação, devem se consideradas drogas vasopressoras e 
antiarrítmicas, bem como identificar e tratar causas potencialmente reversíveis.
Retorno à circulação espontânea após Fibrilação 
Ventricular (FV) e Taquicardia Ventricular Sem Pulso 
(TVSP)
Para iniciar protocolos de cuidados pós-ressuscitação realiza-se reavaliação de exame 
clínico e monitorização de parâmetros hemodinâmicos, ventilatórios, metabólicos e 
neurológicos.
61
UNIDADE III
ASPECTOS LEGAIS E 
COMPOSIÇÃO DAS 
AMBULÂNCIAS DO 
ATENDIMENTO 
PRÉ-HOSPITALAR 
CAPÍTULO 1 
Aspectos éticos e legais
A ética é indispensável a todo profissional, porque na ação humana “o fazer” e “o agir” 
estão interligados. O fazer diz respeito à competência e à eficiência que todo profissional 
deve possuir para exercer bem a sua profissão. O agir se refere à conduta do profissional, 
ao conjunto de atitudes que deve assumir no desempenho de sua profissão.
Muitos autores definem ética profissional como um conjunto de normas de conduta 
que postas em prática no exercício de qualquer profissão, têm uma ação “reguladora” 
sobre seu desempenho, induzindo o respeito a seu semelhante quando no exercício da 
sua profissão.
A ética profissional, então, estudaria e regularia o relacionamento do profissional com 
sua clientela, visando à dignidade humana e a construção do bem-estar no contexto 
sociocultural em que exerce sua profissão. Ela atinge todas as profissões e quando 
falamos de ética profissional estamos nos referindo ao caráter normativo e até jurídico 
que regulamenta determinada profissão a partir de estatutos e códigos específicos. 
Assim, temos a ética médica, do advogado, do biólogo etc.
Acontece que, em geral, as profissões apresentam a ética firmada em questões muito 
relevantes que ultrapassam o campo profissionalem si. Questões como o aborto, 
pena de morte, sequestros, eutanásia, Aids, por exemplo, são questões morais que 
se apresentam como problemas éticos – porque pedem uma reflexão profunda – e, 
um profissional, ao se debruçar sobre elas, não o faz apenas como tal, mas como um 
pensador, um “filósofo da ciência”, ou seja, da profissão que exerce. Desta forma, a 
reflexão ética entra na moralidade de qualquer atividade profissional humana.
62
UNIDADE III │ASPECTOS LEGAIS E COMPOSIÇÃO DAS AMBULÂNCIAS DO ATENDIMENTO PRÉ-HOSPITALAR
Os assuntos éticos em relação ao modo de cuidar podem ser analisados de diferentes 
perspectivas. Os profissionais que atuam no atendimento pré-hospitalar (APH) podem 
apresentar diferentes pressupostos para decidir se uma ação é certa ou errada, muitas 
vezes, devido ao caráter de urgência. A ética leva o indivíduo a refletir, baseado em 
princípios que orientarão suas condutas e tomadas de decisões, sendo que a moral 
define-se pela necessidade do homem de instituir regras de como se deve viver, as quais 
provêm da própria sociedade.
A ética no cuidar reflete respeitar os direitos das vítimas, considerando a ameaça dos 
riscos diante de cada caso e de sua gravidade. A beneficência também é importante, 
bem como a informação e a veracidade dos fatos e do estado da pessoa.
O respeito no atendimento pré-hospitalar (APH) surge como importante alicerce ético, 
também em toda a área de saúde pressupondo-se que os profissionais vejam a vítima 
acometida de um trauma, ou de algum outro transtorno clínico, como uma pessoa que 
está sofrendo e possui seus próprios valores e estes não podem ser ignorados.
Omissão de socorro segundo o Código Penal Brasileiro
ART. 135 – Deixar de prestar assistência quando possível fazê-lo sem 
risco pessoal, à criança abandonada e extraviada, ou à pessoa inválida 
ou ferida, ao desamparo ou em grave e iminente perigo; ou não pedir, 
nesses casos o socorro da autoridade pública:
Pena – detenção de um a seis meses, ou multa. 
Parágrafo único – A pena é aumentada de metade, se da omissão resulta 
lesão corporal de natureza grave, e triplicada, se resulta a morte
Os primeiros atendimentos pré-hospitalares (APHs) no Brasil foram realizados pelos 
Bombeiros Militares atividade atribuída a estes pelo Ministério da Saúde em um 
programa de enfrentamento a emergências e traumas, a assistência à saúde nas situações 
de urgência/emergência. Esse programa foi baseado no modelo norte americano 
e visava em primeiro momento a implantação do Suporte Básico de Vida e em uma 
próxima etapa, porém não foram elaboradas medidas legais para amparar o sistema 
em todos os níveis, sendo que a implantação e continuidade do serviço de atendimento 
pré-hospitalar (APH) iniciado pelo corpo de bombeiros ficou sem o respaldo esperado 
do Ministério da Saúde. 
O Conselho Federal (e regionais) de Medicina, aproximadamente em 1997, começaram 
a questionar os serviços de atendimento pré-hospitalar prestados pelo corpo de 
bombeiros, pois tais serviços até então não possuíam embasamento legal para sua 
63
ASPECTOS LEGAIS E COMPOSIÇÃO DAS AMBULÂNCIAS DO ATENDIMENTO PRÉ-HOSPITALAR│ UNIDADE III
realização, salvo a missão constitucional dos corpos de bombeiros, porém carente de 
regulamentação. 
Esta situação levou os conselhos de medicina a editarem resoluções que culminaram 
em normatizações do Ministério da Saúde sobre o atendimento pré-hospitalar. Estas 
normatizações originaram a influência do modelo francês (SAMU), que, acabou com a 
possibilidade do serviço de APH continuar se organizando nos moldes do modelo norte 
americano, com exceção a prática do SBV.
Os primeiros Conselhos Regionais de Medicina (CRM) que editaram resoluções 
a respeito do APH foram os conselhos dos Estados do Paraná e de São Paulo. Essas 
resoluções, apenas descreviam os atos que poderiam ser praticados pelos socorristas. 
O conselho regional de medicina de Santa Catarina (CREMESC) foi o primeiro a 
normatizar o transporte de pacientes em casos de urgência/emergência por unidades 
de Suporte Básico de Vida no país com a resolução no 027/1997, e o atendimento pré-
hospitalar com a resolução n o 028/1997.
Na resolução no 028/1997 do conselho regional de medicina de Santa Catarina 
(CREMESC) tinha o médico como pilar do sistema como era utilizado no modelo 
francês, previa ainda a implantação e normatização das centrais de regulação médica.
A Resolução no 27 prevê a obrigação das pessoas jurídicas de direito público que exercem 
o atendimento pré-hospitalar serem registradas no conselho regional de medicina 
de Santa Catarina (CREMESC). Quanto aos tipos de sistemas de APH, a norma em 
questão reconhece três modelos, sendo estes o pronto atendimento móvel (sistema que 
conta apenas com socorristas em seus veículos, orientados a distância por médico), a 
emergência médica móvel (todas suas unidades possuem médicos e socorristas) e o 
misto que conta com veículos apenas com socorristas e outros apenas com médicos, 
todos orientados pelo médico regulador.
Em nível nacional a primeira norma sobre o tema foi editada pelo Conselho Federal 
de Medicina (CFM) em 1998 com a resolução no 1.529 (revogada pela Resolução no 
1.671/2003). Em 1999 foi editada a portaria no 824 de 24 de Junho de 1999 do 
Ministério da Saúde, normatizando o atendimento pré-hospitalar em todo o Brasil. A 
referida norma, seguindo as resoluções dos conselhos de medicina, define, entre outras 
coisas, que o atendimento APH é um serviço médico, sua regulação a distância deve 
ser realizada exclusivamente por médico e a central de regulação médica é o elemento 
orientador do serviço de atendimento pré-hospitalar. A Portaria no 824/MS caracteriza 
claramente um sistema centralizado na figura do profissional médico, sendo que esta 
portaria apresentou evidência abertamente corporativa, não reconhecendo a inerente 
64
UNIDADE III │ASPECTOS LEGAIS E COMPOSIÇÃO DAS AMBULÂNCIAS DO ATENDIMENTO PRÉ-HOSPITALAR
natureza multiprofissional do serviço e tão pouco demonstrando preocupação para 
além do poder corporativo.
Quanto à atuação dos enfermeiros no SAMU em 2000 o Conselho Federal de Enfermagem 
(COFEN), através da resolução no 225 possibilitou aos enfermeiros o cumprimento de 
prescrições médicas via telefone ou rádio nos casos de urgência e com a resolução no 
260 de 2001 que mais tarde foi revogada e substituída pela resolução no 290 de 2004 
o mesmo conselho incluiu o atendimento pré-hospitalar como uma das especialidades 
de enfermagem.
Em 2011, o Conselho Federal de Enfermagem (COFEN) através da resolução no 375/
COFEN/2011, determina que assistência de enfermagem nas unidades móveis de APH 
somente deve ser desenvolvida por enfermeiros. Deste modo dispõe em seu artigo 1o:
A assistência de Enfermagem em qualquer tipo de unidade móvel 
(terrestre, aérea ou marítima) destinada ao Atendimento Pré-Hospitalar 
e Inter-Hospitalar, em situações de risco conhecido ou desconhecido, 
somente deve ser desenvolvida na presença do Enfermeiro.
§ 1o A assistência de enfermagem em qualquer serviço Pré-Hospitalar, 
prestado por Técnicos e Auxiliares de Enfermagem somente poderá 
ser realizada sob a supervisão direta do Enfermeiro (CONSELHO 
FEDERAL DE ENFERMAGEM, 2011).
O Conselho Regional de Enfermagem de São Paulo através da decisão COREN/SP DIR-
01-2001 descreve a possibilidade dos militares da segurança pública daquele Estado 
exercerem o Suporte Básico de Vida, desde que treinados. 
As publicações de normas referentes ao atendimento pré-hospitalar entraram em vigor 
em 2002 com a Resolução no 2.048 do Ministério da Saúde aprovando em forma de 
anexo o regulamento técnico dos sistemas estaduais de urgência e emergência. Esta 
portaria fortalece o estabelecimento do modelo francês de atendimento, situando a 
emergência exclusivamente no âmbito das políticas de saúde e delimitando a regulação 
do sistema de urgência a exclusividade médica.
De acordo com o Conselho Federal de Farmácia, considerando a portaria no 824do MS que 
regulamenta o atendimento às urgências/emergências em nível pré-hospitalar, não fez 
referência à participação do farmacêutico nesta atividade – embora normatize veículos 
de APH e transporte inter-hospitalares de pacientes equipados com medicamentos e 
correlatos – resolve que todos os serviços e empresas que prestam/exercem atendimento 
de urgência/emergência e transporte de pacientes, deverão obrigatoriamente contar 
com assistência técnica do profissional farmacêutico. O referido conselho de acordo 
65
ASPECTOS LEGAIS E COMPOSIÇÃO DAS AMBULÂNCIAS DO ATENDIMENTO PRÉ-HOSPITALAR│ UNIDADE III
com a Resolução no 354/2000 define as seguintes atribuições do farmacêutico nas 
atividades relacionadas às urgências/emergências: 
I – participar da padronização de medicamentos e correlatos para uso 
no atendimento pré-hospitalar e hospitalar; 
II – adquirir, armazenar, dispensar e adotar procedimentos de validação 
da qualidade dos medicamentos e correlatos destinados ao atendimento 
de urgência/emergências; 
III – normatizar e/ou supervisionar os procedimentos de desinfecção 
dos materiais e equipamentos das ambulâncias; 
IV – realizar atividades educativas relacionadas ao controle da infecção 
hospitalar dirigidas aos profissionais envolvidos na manipulação de 
pacientes; 
V – controlar os medicamentos psicoativos atendendo aos preceitos 
contidos na legislação sanitária vigente; 
VI – participar das discussões relacionadas a protocolos de tratamento 
e outros relacionados ao serviço de atendimento às urgências/
emergências. 
A Portaria no 2.048/MS dispõe sobre as centrais de regulação médica, sobre o 
atendimento pré-hospitalar fixo e móvel, além do atendimento hospitalar, transferências 
e transportes inter-hospitalares e dos núcleos de educação em emergências.
Quanto às equipes que devem compor os serviços de APH a citada portaria prevê os 
profissionais oriundos da saúde e os que não fazem parte da saúde como é o caso dos 
bombeiros militares 
Finalmente em 2003 o Ministério da Saúde implanta o novo sistema do Serviço de 
Atendimento Móvel de Urgência, o SAMU, através da portaria no 1.864/MS.
66
CAPÍTULO 2 
Tipos de viaturas e ambulâncias no APH
No Suporte Avançado de Vida (SAV) foi introduzido o trombolítico que é um 
medicamento já usado para pacientes infartados, porém esta é a primeira vez que é 
introduzido no atendimento pré-hospitalar realizado pelo Serviço Móvel de Urgência 
(SAMU). O medicamento trombolítico Tenecteplase, da farmacêutica Boehringer 
Ingelheim, está disponível nos carros de transporte de vítimas graves, da equipe 
embarcação e na equipe aeromédico.
A viatura tipo A é uma ambulância destinada ao transporte de pacientes que não 
apresentam risco de morte são levados em decúbito horizontal. São utilizadas 
para remoções, remoções simples e de caráter eletivo, como realização de exames 
complementares, transporte de pacientes com dificuldade de locomoção ou casos 
sociais.
Esta deverá dispor de:
 » sinalizador óptico e acústico;
 » equipamento de radiocomunicação em contato permanente com a central 
reguladora;
 » maca com rodas; 
 » suporte para soro e oxigênio medicinal.
Esta modalidade é tripulada apenas por motorista capacitado.
A viatura tipo B é uma ambulância de Suporte Básico que é destinada ao transporte 
inter-hospitalar de pacientes sem risco de morte, e que necessitam de acompanhamento 
do profissional de saúde, por estarem com venóclise, oxigenoterapia, entre outros, e 
ao atendimento pré-hospitalar de pacientes com risco desconhecido, não classificado 
com potencial de necessitar de intervenção de um profissional de saúde no local e/ou 
durante transporte até o serviço de destino. 
Deve conter no mínimo:
 » um sinalizador óptico e acústico; 
 » equipamento de radiocomunicação fixo e móvel; 
67
ASPECTOS LEGAIS E COMPOSIÇÃO DAS AMBULÂNCIAS DO ATENDIMENTO PRÉ-HOSPITALAR│ UNIDADE III
 » maca articulada e com rodas; 
 » suporte para soro; 
 » instalação de rede de oxigênio com cilindro, válvula, manômetro em local 
de fácil visualização e régua com dupla saída; 
 » oxigênio com régua tripla (a- alimentação do respirador; b- fluxômetro e 
umidificador de oxigênio e c - aspirador tipo Venturi); 
 » manômetro e fluxômetro com máscara e chicote para oxigenação; 
 » cilindro de oxigênio portátil com válvula; 
 » maleta de urgência contendo: 
 › estetoscópio adulto e infantil;
 › ressuscitador manual adulto/infantil;
 › cânulas orofaríngeas de tamanhos variados;
 › luvas descartáveis;
 › tesoura reta com ponta romba;
 › esparadrapo;
 › esfigmomanômetro adulto/infantil;
 › ataduras de 15 cm;
 › compressas cirúrgicas estéreis;
 › pacotes de gaze estéril;
 › protetores para queimados ou eviscerados;
 › cateteres para oxigenação e aspiração de vários tamanhos; 
 › maleta de parto contendo: 
 › luvas cirúrgicas;
 › clamps umbilicais, estilete estéril para corte do cordão;
 › saco plástico para placenta;
68
UNIDADE III │ASPECTOS LEGAIS E COMPOSIÇÃO DAS AMBULÂNCIAS DO ATENDIMENTO PRÉ-HOSPITALAR
 › cobertor;
 › compressas cirúrgicas e gazes estéreis;
 › braceletes de identificação; 
 » suporte para soro; 
 » prancha curta e longa para imobilização de coluna; 
 » talas para imobilização de membros e conjunto de colares cervicais; 
 » colete imobilizador dorsal; 
 » frascos de soro fisiológico e ringer lactato; 
 » bandagens triangulares; 
 » cobertores; 
 » coletes refletivos para a tripulação; 
 » lanterna de mão; 
 » óculos;
 » máscaras;
 » aventais de proteção;
 » maletas com medicações a serem definidas em protocolos, pelos serviços. 
As ambulâncias de suporte básico que realizam também ações de salvamento deverão 
conter:
 » o material mínimo para salvamento terrestre, aquático e em alturas;
 » maleta de ferramentas;
 » extintor de pó químico seco de 0,8 Kg;
 » fitas e cones sinalizadores para isolamento de áreas devendo contar, 
ainda com compartimento isolado para a sua guarda;
 » garantindo um salão de atendimento às vítimas de, no mínimo, 8 metros 
cúbicos. 
69
ASPECTOS LEGAIS E COMPOSIÇÃO DAS AMBULÂNCIAS DO ATENDIMENTO PRÉ-HOSPITALAR│ UNIDADE III
Esta modalidade é tripulada por motorista e um técnico ou auxiliar de enfermagem, 
todos devidamente capacitados.
A viatura do tipo C é uma ambulância de resgate, este é destinado a atendimento de 
urgências pré-hospitalares de pacientes vítimas de acidentes ou pacientes clínicos em 
locais de difícil acesso, que necessitem de equipamentos de salvamento (terrestre, 
aquático e em alturas). 
Nesta deve conter: 
 » sinalizador óptico e acústico; 
 » equipamento de radiocomunicação fixo e móvel; 
 » prancha curta e longa para imobilização de coluna; 
 » talas para imobilização de membros e conjunto de colares cervicais; 
 » colete imobilizador dorsal; 
 » frascos de soro fisiológico; 
 » bandagens triangulares; 
 » cobertores; 
 » coletes refletivos para a tripulação; 
 » lanterna de mão; 
 » óculos;
 » máscaras;
 » aventais de proteção; 
 » material mínimo para salvamento terrestre, aquático e em alturas; 
 » maleta de ferramentas;
 » extintor de pó químico seco de 0,8 Kg; 
 » fitas e cones sinalizadores para isolamento de áreas. 
Se caso realizarem também o Suporte Básico de Vida, as ambulâncias de resgate deverão 
ter uma configuração que garanta:
70
UNIDADE III │ASPECTOS LEGAIS E COMPOSIÇÃO DAS AMBULÂNCIAS DO ATENDIMENTO PRÉ-HOSPITALAR
 » um salão de atendimento às vítimas de, no mínimo 8 metros cúbicos;
 » compartimento isolado para a guarda de equipamentos de salvamento e 
deverão estar equipadas com: 
 › maca articulada e com rodas; 
 › instalação de rede de oxigênio com cilindro;
 › válvula;
 › manômetro em local de fácil visualização e régua com dupla saída; 
 › oxigênio com régua tripla (a- alimentação do respirador; b- fluxômetro 
e umidificador de oxigênio e c- aspirador tipo Venturi); 
 › manômetro e fluxômetro com máscara e chicote para oxigenação; 
 › cilindro de oxigênio portátilcom válvula; 
 › maleta de emergência contendo: 
 › estetoscópio adulto e infantil; 
 › ressuscitador manual adulto/infantil, luvas descartáveis; 
 › cânulas orofaríngeas de tamanhos variados; 
 › tesoura reta com ponta romba; 
 › esparadrapo; 
 › esfigmomanômetro adulto/infantil; 
 › ataduras de 15 cm; 
 › compressas cirúrgicas estéreis; 
 › pacotes de gaze estéril; 
 › protetores para queimados ou eviscerados; 
 › cateteres para oxigenação e aspiração de vários tamanhos; 
 › maleta de parto contendo: 
 › luvas cirúrgicas; 
71
ASPECTOS LEGAIS E COMPOSIÇÃO DAS AMBULÂNCIAS DO ATENDIMENTO PRÉ-HOSPITALAR│ UNIDADE III
 › clamps umbilicais; 
 › estilete estéril para corte do cordão; 
 › saco plástico para placenta; 
 › cobertor; 
 › compressas cirúrgicas e gazes estéreis; 
 › braceletes de identificação. 
Esta modalidade de viatura é tripulada por profissionais militares, policiais rodoviários, 
bombeiros militares, e/ou outros profissionais reconhecidos pelo gestor público, 
sendo um motorista e os outros dois profissionais com capacitação e certificação em 
salvamento e Suporte Básico de Vida.
A viatura do tipo D é uma ambulância de Suporte Avançado que se destina ao 
atendimento e transporte de pacientes com risco de morte conhecido em emergências 
pré-hospitalares e/ou de transporte inter-hospitalar e que necessitam de cuidados 
médicos intensivos. 
Deve contar com:
 » um sinalizador óptico e acústico; 
 » equipamento de radiocomunicação fixo e móvel; 
 » maca com rodas e articulada; 
 » dois suportes de soro; 
 » cadeira de rodas dobrável; 
 » instalação de rede portátil de oxigênio como descrito no tipo C (é 
obrigatório que a quantidade de oxigênio permita ventilação mecânica 
por no mínimo duas horas); 
 » respirador mecânico de transporte; 
 » oxímetro não-invasivo portátil; 
 » monitor cardioversor com bateria e instalação elétrica disponível (em 
caso de frota deverá haver disponibilidade de um monitor cardioversor 
com marca-passo externo não-invasivo); 
72
UNIDADE III │ASPECTOS LEGAIS E COMPOSIÇÃO DAS AMBULÂNCIAS DO ATENDIMENTO PRÉ-HOSPITALAR
 » bomba de infusão com bateria e equipo; 
 » maleta de vias aéreas contendo: 
 › máscaras laríngeas e cânulas endotraqueais de vários tamanhos; 
 › cateteres de aspiração; 
 › adaptadores para cânulas; 
 › cateteres nasais; 
 › seringa de 20 ml; 
 › ressuscitador manual adulto/infantil com reservatório; 
 › sondas para aspiração traqueal de vários tamanhos; 
 › luvas de procedimentos; 
 › máscara para ressuscitador adulto/infantil; 
 › lidocaína geleia e “spray”; 
 › cadarços para fixação de cânula; 
 › laringoscópio infantil/adulto com conjunto de lâminas; 
 › estetoscópio; 
 › esfigmomanômetro adulto/infantil; 
 › cânulas orofaríngeas adulto/infantil; 
 › fios-guia para intubação; 
 › pinça de Magyll; 
 › bisturi descartável; 
 › cânulas para traqueostomia; 
 › material para cricotiroidostomia; 
 › conjunto de drenagem torácica; 
 › maleta de acesso venoso contendo: 
73
ASPECTOS LEGAIS E COMPOSIÇÃO DAS AMBULÂNCIAS DO ATENDIMENTO PRÉ-HOSPITALAR│ UNIDADE III
 › tala para fixação de braço; 
 › luvas estéreis; 
 › recipiente de algodão com antisséptico; 
 › pacotes de gaze estéril; 
 › esparadrapo; 
 › material para punção de vários tamanhos incluindo agulhas metálicas, 
plásticas e agulhas especiais para punção óssea; 
 › garrote; 
 › equipos de macro e microgotas; 
 › cateteres específicos para dissecção de veias, tamanho adulto/infantil; 
 › tesoura, pinça de Kocher; 
 › cortadores de soro; 
 › lâminas de bisturi; 
 › seringas de vários tamanhos; 
 › torneiras de 3 vias; 
 › equipo de infusão de 3 vias; 
 › frascos de soro fisiológico, ringer lactato e soro glicosado; 
 » caixa completa de pequena cirurgia; 
 » maleta de parto como descrito nos itens anteriores; 
 » sondas vesicais; 
 » coletores de urina; 
 » protetores para eviscerados ou queimados; 
 » espátulas de madeira; 
 » sondas nasogástricas; 
74
UNIDADE III │ASPECTOS LEGAIS E COMPOSIÇÃO DAS AMBULÂNCIAS DO ATENDIMENTO PRÉ-HOSPITALAR
 » eletrodos descartáveis; 
 » equipos para drogas fotossensíveis; 
 » equipo para bombas de infusão; 
 » circuito de respirador estéril de reserva; 
 » equipamentos de proteção à equipe de atendimento: 
 › óculos;
 › máscaras e aventais; 
 › cobertor ou filme metálico para conservação do calor do corpo; 
 › campo cirúrgico fenestrado; 
 › almotolias com antisséptico; 
 › conjunto de colares cervicais; 
 › prancha longa para imobilização da coluna. 
Para o atendimento a neonatos deverá haver pelo menos uma incubadora de transporte 
de recém-nascido com bateria e ligação à tomada, 12 volts, do veículo. A incubadora 
deve estar apoiada sobre carros com rodas devidamente fixadas quando dentro da 
ambulância e conter respirador e equipamentos adequados para recém natos. 
Os medicamentos que deverão estar disponíveis são:
 » lidocaína sem vasoconstritor; 
 » adrenalina;
 » pinefrina;
 » atropina; 
 » dopamina; 
 » aminofilina; 
 » dobutamina; 
 » hidrocortisona; 
75
ASPECTOS LEGAIS E COMPOSIÇÃO DAS AMBULÂNCIAS DO ATENDIMENTO PRÉ-HOSPITALAR│ UNIDADE III
 » glicose 50%;
 » Soros: 
 › glicosado 5%; 
 › fisiológico 0,9%; 
 › ringer lactato;
 » Psicotrópicos: 
 › hidantoína; 
 › meperidina; 
 › diazepan; 
 › midazolan;
 » Medicamentos para analgesia e anestesia: 
 › fentanil; 
 › ketalar; 
 › quelecin;
 » Outros: 
 › água destilada; 
 › metoclopramida; 
 › dipirona; 
 › hioscina; 
 › dinitrato de isossorbitol; 
 › furosemide; 
 › amiodarona; 
 › lanatosideo C. 
Esta categoria deve ser tripulada por um motorista, em médico e um enfermeiro. 
76
UNIDADE III │ASPECTOS LEGAIS E COMPOSIÇÃO DAS AMBULÂNCIAS DO ATENDIMENTO PRÉ-HOSPITALAR
A viatura do tipo E é uma aeronave de Transporte Médico de asa fixa ou rotativa e 
deve ser utilizada para transporte inter-hospitalar de pacientes e aeronave de asa 
rotativa para ações de resgate, dotada de equipamentos médicos homologados pela 
Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC). A tripulação da saúde deve ter treinamento 
específico para a função e estar certificada pela ANAC como tripulante operador de 
equipamento especial. No Brasil, somente as aeronaves militares têm autorização para 
fazer resgate de vítimas com pouso em locais não homologados. Já as transferências 
inter-hospitalares devem ser de locais homologados para outro local homologado, 
conforme normas estabelecidas pela ANAC.
Aeronaves de Asas Rotativas (Helicópteros) para atendimento pré-hospitalar móvel 
primário: 
 » Conjunto aeromédico (homologado pelo Departamento de Aviação Civil 
– DAC): 
 › maca ou incubadora; 
 › cilindro de ar comprimido e oxigênio com autonomia de pelo menos 
2 horas; 
 › régua tripla para transporte; 
 › suporte para fixação de equipamentos médicos. 
 » Equipamentos médicos fixos: 
 › respirador mecânico; 
 › monitor cardioversor com bateria; 
 › oxímetro portátil; 
 › bomba de infusão; 
 › prancha longa para imobilização de coluna; 
Equipamentos médicos móveis 
 » maleta de vias aéreas contendo: 
 › conjunto de cânulas orofaríngeas; 
 › cânulas endotraqueais de vários tamanhos; 
77
ASPECTOS LEGAIS E COMPOSIÇÃO DAS AMBULÂNCIAS DO ATENDIMENTO PRÉ-HOSPITALAR│ UNIDADE III
 › cateteres de aspiração; 
 › adaptadores para cânulas; 
 › cateteres nasais; 
 › seringa de 20 ml; 
 › ressuscitador manual adulto/infantil completo; 
 › sondas para aspiração traqueal de vários tamanhos; 
 › luvas de procedimentos; 
 › lidocaína geleia e spray; 
 › cadarços para fixação de cânula; 
 › laringoscópio infantil/adulto com conjunto de lâminas curvas e retas; 
 › estetoscópio; 
 › esfigmomanômetro adulto/infantil;
 › fios; 
 › fios-guia para intubação; 
 › pinça de Magyll; 
 › bisturi descartável; 
 › cânulas para traqueostomia; 
 › material para cricotiroidostomia; 
 › conjunto de drenagem de tórax; 
 › maleta de acesso venoso contendo: 
 › tala para fixação de braço; 
 ›luvas estéreis; 
 › recipiente de algodão com antisséptico; 
 › pacotes de gaze estéril; 
78
UNIDADE III │ASPECTOS LEGAIS E COMPOSIÇÃO DAS AMBULÂNCIAS DO ATENDIMENTO PRÉ-HOSPITALAR
 › esparadrapo; 
 › material para punção de vários tamanhos, incluindo:
 › agulhas metálicas;
 › plásticas;
 › agulhas especiais para punção óssea; 
 › garrote; 
 › equipos de macro e microgotas; 
 › cateteres específicos para dissecção de veias tamanhos adulto/infantil; 
 › tesoura; 
 › pinça de Kocher; 
 › cortadores de soro; 
 › lâminas de bisturi; 
 › seringas de vários tamanhos; 
 › torneiras de 3 vias; 
 › equipo de infusão polivias; 
 › frascos de solução salina;
 › ringer lactato;
 › solução glicosada para infusão venosa; 
 » caixa de pequena cirurgia; 
 » maleta de parto contendo: 
 › luvas cirúrgicas; 
 › clamps umbilicais; 
 › estilete estéril para corte do cordão; 
 › saco plástico para placenta; 
79
ASPECTOS LEGAIS E COMPOSIÇÃO DAS AMBULÂNCIAS DO ATENDIMENTO PRÉ-HOSPITALAR│ UNIDADE III
 › absorvente higiênico grande; 
 › cobertor ou similar para envolver o recém-nascido; 
 › compressas cirúrgicas estéreis;
 › pacotes de gases estéreis;
 › braceletes de identificação; 
 » sondas vesicais; 
 » coletores de urina; 
 » protetores para eviscerados ou queimados; 
 » espátulas de madeira; 
 » sondas nasogástricas; 
 » eletrodos descartáveis; 
 » equipos para drogas fotossensíveis; 
 » equipos para bombas de infusão; 
 » circuito de respirador estéril de reserva; 
 » cobertor ou filme metálico para conservação do calor do corpo; 
 » campo cirúrgico fenestrado; 
 » almotolias com antisséptico; 
 » conjunto de colares cervicais; 
 » equipamentos de proteção à equipe de atendimento: 
 › óculos;
 › máscaras;
 › luvas;
Outros: 
 » colete imobilizador dorsal; 
80
UNIDADE III │ASPECTOS LEGAIS E COMPOSIÇÃO DAS AMBULÂNCIAS DO ATENDIMENTO PRÉ-HOSPITALAR
 » cilindro de oxigênio portátil com válvula; 
 » manômetro e fluxômetro com máscara e chicote para oxigenação; 
 » bandagens triangulares; 
 » talas para imobilização de membros; 
 » coletes reflexivos para a tripulação; 
 » lanterna de mão; 
 » equipamentos de proteção à equipe de atendimento: 
 › óculos;
 › máscaras;
 › luvas.
As aeronaves de asas fixas (aviões) e as aeronaves de asas rotativas (helicópteros) para 
atendimento pré-hospitalar móvel secundário ou transporte inter-hospitalar:
 » Conjunto aeromédico (homologado pelo Departamento de Aviação Civil 
– DAC): 
 › maca ou incubadora; 
 › cilindro de ar comprimido e oxigênio com autonomia de pelo menos 
4 horas; 
 › régua tripla para transporte; 
 › suporte para fixação de equipamentos médicos.
Equipamentos médicos fixos: 
 » respirador mecânico; 
 » monitor cardioversor com bateria com marca-passo externo não-invasivo; 
 » oxímetro portátil; 
 » monitor de pressão não-invasiva; 
 » bomba de infusão; 
81
ASPECTOS LEGAIS E COMPOSIÇÃO DAS AMBULÂNCIAS DO ATENDIMENTO PRÉ-HOSPITALAR│ UNIDADE III
 › prancha longa para imobilização de coluna; 
 › capnógrafo. 
Equipamentos médicos móveis: 
 › maleta de vias aéreas contendo: 
 › cânulas endotraqueais de vários tamanhos; 
 › cateteres de aspiração; 
 › adaptadores para cânulas; 
 › cateteres nasais; 
 › seringa de 20 ml; 
 › ressuscitador manual adulto/infantil completo; 
 › sondas para aspiração traqueal de vários tamanhos; 
 › luvas de procedimentos; 
 › lidocaína geleia e spray; 
 › cadarços para fixação de cânula; 
 › laringoscópio infantil/adulto com conjunto de lâminas curvas e retas; 
 › estetoscópio; 
 › esfigmomanômetro adulto/infantil; 
 › cânulas orofaríngeas adulto/infantil; 
 › fios; 
 › fios-guia para intubação; 
 › pinça de Magyl; 
 › bisturi descartável; 
 › cânulas para traqueostomia; 
 › material para cricotiroidostomia; 
82
UNIDADE III │ASPECTOS LEGAIS E COMPOSIÇÃO DAS AMBULÂNCIAS DO ATENDIMENTO PRÉ-HOSPITALAR
 › conjunto de drenagem de tórax; 
 » maleta de acesso venoso contendo: 
 › tala para fixação de braço;
 › luvas estéreis;
 › recipiente de algodão com antisséptico; 
 › pacotes de gaze estéril; 
 › esparadrapo; 
 › material para punção de vários tamanhos, incluindo:
 › agulhas metálicas;
 › plásticas e agulhas especiais para punção óssea; 
 › garrote; 
 › equipos de macro e microgotas; 
 › cateteres específicos para dissecção de veias tamanhos adulto/infantil; 
 › tesoura;
 › pinça de Kocher; 
 › cortadores de soro; 
 › lâminas de bisturi; 
 › seringas de vários tamanhos; 
 › torneiras de 3 vias; 
 › equipo de infusão polivias; 
 › frascos de:
 › solução salina;
 › ringer lactato;
 › glicose para infusão venosa; 
83
ASPECTOS LEGAIS E COMPOSIÇÃO DAS AMBULÂNCIAS DO ATENDIMENTO PRÉ-HOSPITALAR│ UNIDADE III
 » caixa completa de pequena cirurgia; 
 » maleta de parto contendo: 
 › luvas cirúrgicas; 
 › clamps umbilicais; 
 › estilete estéril para corte do cordão; 
 › saco plástico para placenta;
 › absorvente higiênico grande; 
 › cobertor ou similar para envolver o recém-nascido; 
 › compressas cirúrgicas estéreis; 
 › pacotes de gases estéreis e braceletes de identificação; 
 › sondas vesicais; 
 › coletores de urina; 
 › protetores para eviscerados ou queimados; 
 › espátulas de madeira; 
 › sondas nasogástricas; 
 › eletrodos descartáveis; 
 › equipos para drogas fotossensíveis; 
 › equipos para bombas de infusão; 
 › circuito de respirador estéril de reserva; 
 › cobertor ou filme metálico para conservação do calor do corpo; 
 › campo cirúrgico fenestrado; 
 › almotolias com antisséptico; 
 › conjunto de colares cervicais. 
 » Equipamentos de proteção à equipe de atendimento: 
84
UNIDADE III │ASPECTOS LEGAIS E COMPOSIÇÃO DAS AMBULÂNCIAS DO ATENDIMENTO PRÉ-HOSPITALAR
 › óculos;
 › máscaras;
 › luvas. 
Neste grupo o suporte avançado deve conter as seguintes drogas:
 » lidocaína sem vasoconstritor; 
 » adrenalina;
 » epinefrina;
 » atropina; 
 » dopamina; 
 » aminofilina; 
 » dobutamina; 
 » hidrocortisona; glicose 50%;
 » Soros: 
 › glicosado 5%; 
 › fisiológico 0,9%; 
 › ringer lactato;
 » Psicotrópicos: 
 › hidantoína; 
 › meperidina; 
 › diazepan; 
 › midazolan;
Medicamentos para analgesia e anestesia: 
 » fentanil;
 » ketalar;
85
ASPECTOS LEGAIS E COMPOSIÇÃO DAS AMBULÂNCIAS DO ATENDIMENTO PRÉ-HOSPITALAR│ UNIDADE III
 » quelecin;
Outros: 
 » água destilada; 
 » metoclopramida; 
 » dipirona; 
 » hioscina; 
 » dinitrato de isossorbitol; 
 » furosemide; 
 » amiodarona; 
 » lanatosideo C. 
A tripulação desta deve ser um piloto, um médico e um enfermeiro.
A viatura do tipo F é uma embarcação de Transporte Médico, ou seja, um veículo 
motorizado aquaviário, destinado ao transporte por via marítima ou fluvial. Precisa 
possuir os equipamentos médicos necessários à assistência de pacientes conforme sua 
gravidade. Este veículo poderá ser equipado como indicado para as Ambulâncias de 
Tipo A, B, ou D, dependendo do tipo de assistência a ser prestada. A embarcação de 
suporte avançado deve conter:
 » lidocaína sem vasoconstritor; 
 » adrenalina, 
 » epinefrina, atropina; 
 » dopamina; 
 » aminofilina; 
 » dobutamina; 
 » hidrocortisona; 
 » glicose 50%;
 » Soros: 
86
UNIDADE III │ASPECTOS LEGAIS E COMPOSIÇÃO DAS AMBULÂNCIAS DO ATENDIMENTO PRÉ-HOSPITALAR
 › glicosado 5%; 
 › fisiológico 0,9%; 
 › ringer lactato;
 » Psicotrópicos: 
 › hidantoína; 
 › meperidina; 
 › diazepan; 
 › midazolan;
 » Medicamentos para analgesia e anestesia: 
 › fentanil, 
 › ketalar, 
 › quelecin;
Outros: 
 » água destilada; 
 » metoclopramida; 
 » dipirona; 
 » hioscina; 
 » dinitrato de isossorbitol; 
 » furosemide; 
 » amiodarona; 
 » lanatosideo C. 
Esta equipe deve ser composta 2 ou 3 profissionais, de acordo com o tipo de atendimento 
a ser realizado, contando com o condutor da embarcação e um auxiliar/técnico de 
enfermagem em casos de Suporte Básico de Vida, e um médico e um enfermeiro, em 
casos de Suporte Avançado de Vida. 
87ASPECTOS LEGAIS E COMPOSIÇÃO DAS AMBULÂNCIAS DO ATENDIMENTO PRÉ-HOSPITALAR│ UNIDADE III
Os veículos de Intervenção Rápida são também chamados de veículos leves, veículos 
rápidos ou veículos de ligação médica, e são utilizados para transporte de médicos e 
enfermeiros com equipamentos que possibilitem oferecer suporte avançado de vida nas 
ambulâncias dos tipos A, B, C e F. Tem como finalidade melhorar o tempo-resposta em 
situações com risco de morte, tanto no atendimento primário como no apoio as demais 
viaturas de suporte básico. Estas viaturas não se destinam ao embarque e transporte de 
pacientes. Portanto, o embarque da vítima é feito em uma viatura de suporte básico de 
vida, sendo o paciente atendido por médico e enfermeiro. Esta é tripulada por motorista, 
um médico e um enfermeiro. 
As motocicletas deverão dispor dos seguintes equipamentos e materiais:
 » cilindro de oxigênio de alumínio compatível com o volume do baú de 
carga ou da mochila própria para transporte; Colar cervical (P, M, G);
 » desfibrilador externo automático (DEA);
 » luvas de procedimento e estéreis;
 » ataduras;
 » compressas;
 » gazes;
 » talas de imobilização de diversos tamanhos;
 » material de venopunção (incluindo seringas e cateteres de diversos 
tamanhos); 
 » material de via aérea básica (cânula de Guedel, máscara de oxigênio com 
reservatório, cateteres de O², ressuscitador manual adulto/infantil com 
reservatório);
 » estetoscópio e esfigmomanômetro;
 » oxímetro portátil; 
 » equipamento de proteção individual completo (tanto os itens previstos 
para a área da saúde quanto os necessários para a segurança na condução 
de motocicletas).
Os medicamentos e soluções só poderão ser utilizados sob orientação do Médico 
Regulador da Central de Regulação das Urgências (SAMU) e seguindo os protocolos 
88
UNIDADE III │ASPECTOS LEGAIS E COMPOSIÇÃO DAS AMBULÂNCIAS DO ATENDIMENTO PRÉ-HOSPITALAR
que são padronizados pelo serviço, com a finalidade de propiciar o rápido início do 
atendimento no local, até a chegada de outras equipes ou conforme o que for determinado 
pela regulação médica.
Serão de uso exclusivo em intervenções do Serviço Móvel de Urgência (SAMU), as 
motocicletas sob regulação médica e deve possuir motorização com no mínimo 250 
cilindradas e ser do tipo trail. Deve ser utilizado com prioridade nas seguintes situações: 
 » intervenções nos acionamentos de unidade de suporte avançado de vida 
(USA), considerando que a motocicleta desenvolve melhor velocidade 
e conta com a agilidade necessária no trânsito para chegar antes da 
ambulância ao local onde se encontra o paciente. Assim, nos eventos 
tempo-dependentes (exemplo: infarto agudo do miocárdio, acidente 
vascular cerebral, traumatismo crânio-encefálico, dentre outras) deverão 
ser envidados esforços por parte das centrais de regulação em efetuar o 
despacho imediato da motocicleta como forma de assegurar a chegada do 
socorro no menor tempo-resposta possível, preservando-se a segurança 
do condutor da motocicleta;
 » intervenções em eventos em locais de reconhecido difícil acesso 
a veículos de urgência (ambulâncias) em razão de características 
geográficas, condições da malha viária, dentre tantas peculiaridades de 
cada Município/região de abrangência do serviço, bem como em outras 
situações desta natureza que possam ser identificadas pela regulação 
médica como motivação para utilização da motocicleta;
 » apoio nas intervenções de SBV quando for necessário auxílio direto na 
cena de mais um técnico de enfermagem para auxílio em procedimentos 
que necessitem de mais profissionais, de acordo com o julgamento da 
regulação médica (reanimação cardiopulmonar, extricação de vítimas, 
dentre outras situações do Atendimento Pré-hospitalar – APH móvel);
 » apoio nas intervenções de suporte avançado de vida quando for necessária 
a presença de mais um técnico de enfermagem na cena, a critério do 
médico regulador; 
 » demais situações de agravo à saúde da população nas quais, a critério 
do médico regulador, no uso de suas atribuições contidas na Portaria no 
2.048/GM, possa haver benefício no emprego da motocicleta, uma vez 
que a chegada desta unidade viabilizará o início de manobras de Suporte 
Básico de Vida.
89
UNIDADE IV
ATENDIMENTO 
PRÉ-HOSPITALAR 
NO BRASIL E NO 
MUNDO E SUAS 
TECNOLOGIAS
CAPÍTULO 1 
Atendimento pré-hospitalar fixo e móvel 
– modelos das UPÁ s e SAMU no Brasil
Atendimento pré-hospitalar fixo
O APH fixo é o prestado em um primeiro nível de atenção, aos portadores de quadros 
agudos, de natureza clínica, traumático e/ou psiquiátrica que leve à sofrimento sequelas 
ou morte. 
Este atendimento é prestado por um conjunto de unidades básicas de saúde, unidades 
do Programa de Saúde da Família (PSF), Programa de Agentes Comunitários de Saúde 
(PACS), ambulatórios especializados, serviços de diagnóstico e terapia, unidades não 
hospitalares de atendimento às urgências e emergências e pelos serviços de atendimento 
pré-hospitalar móvel.
O APH fixo é a assistência prestada, num primeiro nível de atenção, aos pacientes 
portadores de quadros agudos, de natureza clínica, traumática ou ainda psiquiátrica, 
que possa levar a sofrimento, sequelas ou mesmo à morte, provendo um atendimento 
e/ou transporte adequado a um serviço de saúde hierarquizado, regulado e integrante 
do Sistema Estadual de Urgência e Emergência. Este atendimento é prestado por um 
conjunto de unidades básicas de saúde, unidades do Programa de Saúde da Família (PSF), 
Programa de Agentes Comunitários de Saúde (PACS), ambulatórios especializados, 
serviços de diagnóstico e terapia, unidades não hospitalares de atendimento às urgências 
e emergências e pelos serviços de atendimento pré-hospitalar móvel, sendo que todos 
os atendimentos prestados nestas unidades estão pautados na portaria no 2048/GM de 
5 de novembro de 2002. 
90
UNIDADE IV │ATENDIMENTO PRÉ-HOSPITALAR NO BRASIL E NO MUNDO E SUAS TECNOLOGIAS
A atenção primária (Programa de Saúde da 
Família) e as Urgências Emergências
As atribuições e prerrogativas das unidades básicas de saúde e das unidades de saúde 
da família em relação ao acolhimento/atendimento das urgências de baixa gravidade/
complexidade devem ser desempenhadas por todos os municípios brasileiros, 
independentemente de estarem qualificados para atenção básica (PAB) ou básica 
ampliada (PABA).
Com a reestruturação do modelo assistencial e a implementação do Programa de saúde 
da Família é fundamental que a atenção primária e o Programa de Saúde da Família 
assumam a responsabilidade do acolhimento de pacientes com quadros agudos e 
crônicos agudizados de sua área adstrita. De acordo com o novo modelo assistencial é 
inadmissível que um paciente em acompanhamento em uma unidade básica de saúde 
em uma crise hipertensiva por exemplo, não seja acolhido na sua unidade de referência. 
Nesta unidade é possível fazer um atendimento rápido e de qualidade, com avaliação 
e readequação da terapêutica dentro da disponibilidade medicamentosa da unidade, 
pois há no prontuário sua história pregressa e atual. Caso não seja possível atendê-lo 
por falta de médico ou vagas na agenda ou outra razão qualquer, este recorre a uma 
unidade de urgência e é atendido por profissionais que na maioria das vezes possui um 
vínculo temporário com o sistema, prescreve medicamentos que não estão disponíveis 
no SUS ou de alto custo, sendo que o paciente não usará o medicamento prescrito pelo 
valor elevado e ainda deixará de usar o anteriormente prescrito que é disponível na 
unidade de saúde por acreditar que não fará mais efeito.
Todas as unidades de Atenção Básica deve ter um espaço devidamente abastecido 
com medicamentos e materiais essenciais ao primeiro atendimento/estabilização de 
urgências que ocorram nas proximidades da unidade ou em sua área de abrangência e/
ou sejam para elas encaminhadas, até a viabilização da transferência para unidade de 
maior porte, quando necessário.
Nas unidades de Saúde de sistemas municipais qualificadospara a atenção básica 
ampliada (PABA) deverão possuir área física especificamente destinada ao atendimento 
de urgências e sala para observação de pacientes até 8 horas e deve ter disponíveis os 
seguintes materiais: Ambu adulto e infantil com máscaras, jogo de cânulas de Guedel 
(adulto e infantil), sondas de aspiração, oxigênio, aspirador portátil ou fixo, material 
para punção venosa, material para curativo, material para pequenas suturas, material 
para imobilizações (colares, talas, pranchas). Medicamentos: adrenalina, água destilada, 
aminofilina, amiodarona, atropina, arometo de ipratrópio, cloreto de potássio, cloreto 
de sódio, deslanosídeo, dexametasona, diazepam, diclofenaco de sódio, dipirona, 
dobutamina, dopamina, epinefrina, escopolamina (hioscina), fenitoína, fenobarbital, 
91
ATENDIMENTO PRÉ-HOSPITALAR NO BRASIL E NO MUNDO E SUAS TECNOLOGIAS │ UNIDADE IV
furosemida, glicose, haloperidol, hidantoína, hidrocortisona, insulina, isossorbida, 
lidocaína, meperidina, midazolan, ringer lactato, soro glico-fisiologico, soro glicosado.
Unidades não hospitalares de atendimento à 
urgência e emergência
Estas Unidades devem estar habilitadas a prestar assistência correspondente ao primeiro 
nível de assistência de média complexidade e devem funcionar 24 horas. Pelas suas 
características e importância assistencial, é importante que cada município disponha 
de, pelo menos uma, destas Unidades, garantindo, assim, assistência às urgências 
com observação até 24 horas para sua própria população ou para um agrupamento de 
municípios para os quais seja referência. Esta modalidade tem estrutura intermediária 
entre as unidades básicas de saúde e unidades de saúde da família e as Unidades 
Hospitalares de Atendimento às Urgências e Emergências, com importante potencial 
de complacência da enorme demanda que hoje se dirige aos prontos-socorros, além do 
papel ordenador dos fluxos da urgência.
Estas unidades devem integrar o Sistema Estadual de Urgências Emergências e devem 
prestar atendimento resolutivo aos pacientes acometidos por quadros agudos ou 
crônicos agudizados.
Esta modalidade de atendimento tem como principais missões:
 » Atender aos usuários do SUS portadores de quadro clínico agudo de 
qualquer natureza, dentro dos limites estruturais da unidade e, em 
especial, os casos de baixa complexidade, à noite e nos finais de semana, 
quando a rede básica e o Programa de Saúde da Família não estão ativos. 
 » Descentralizar o atendimento de pacientes com quadros agudos de média 
complexidade. 
 » Dar retaguarda às unidades básicas de saúde e de saúde da família. 
 » Diminuir a sobrecarga dos hospitais de maior complexidade que hoje 
atendem esta demanda. 
 » Ser entreposto de estabilização do paciente crítico para o serviço de 
atendimento pré- hospitalar móvel.
 » Desenvolver ações de saúde através do trabalho de equipe interdisciplinar, 
sempre que necessário, com o objetivo de acolher, intervir em sua condição 
clínica e referenciar para a rede básica de saúde, para a rede especializada 
92
UNIDADE IV │ATENDIMENTO PRÉ-HOSPITALAR NO BRASIL E NO MUNDO E SUAS TECNOLOGIAS
ou para internação hospitalar, proporcionando uma continuidade do 
tratamento com impacto positivo no quadro de saúde individual e coletivo 
da população usuária (beneficiando os pacientes agudos e não agudos e 
favorecendo, pela continuidade do acompanhamento, principalmente os 
pacientes com quadros crônico-degenerativos, com a prevenção de suas 
agudizações frequentes). 
 » Articular-se com unidades hospitalares, unidades de apoio diagnóstico 
e terapêutico, e com outras instituições e serviços de saúde do sistema 
loco regional, construindo fluxos coerentes e efetivos de referência e 
contrarreferência. 
 » Ser observatório do sistema e da saúde da população, auxiliando na 
elaboração de estudos epidemiológicos e a construção de indicadores 
de saúde e de serviço que cooperem para a avaliação e planejamento da 
atenção integral às urgências, e de todo o sistema de saúde. 
Estas unidades devem manter médico e enfermeiro 24 horas para atendimento contínuo 
de clínica médica e pediátrica. Pode ainda de acordo com características epidemiológicas, 
indicadores de saúde como morbidade e mortalidade, e características da rede 
assistencial, ser ampliada a equipe com clínica cirúrgica, ortopedia e odontologia de 
urgência. Devem ainda conter laboratório de patologia clínica de urgência, radiologia, 
os equipamentos para a atenção às urgências, leitos de observação de 6 a 24 horas, além 
de acesso a transporte adequado e ligação com a rede hospitalar através da central de 
regulação médica de urgências e o serviço de atendimento pré-hospitalar móvel.
Nos casos em que tais centrais ainda não estejam estruturadas, a referência hospitalar 
bem como a retaguarda de ambulâncias de suporte básico, avançado e de transporte 
deverão ser garantidos mediante pactuação prévia, de caráter municipal ou regional.
Os medicamentos que deverão conter nesta unidade são:
 » adrenalina, água destilada, aminofilina, amiodarona, amitriptilina, 
ampicilina, atropina, bicarbonato de sódio, biperideno, brometo de 
ipratrópio, bupivacaína, captopril, carbamazepina, carvão ativado, 
cefalexina, cefalotina, cetoprofeno, clister glicerinado, clordiazepóxido, 
cloridrato de clonidina, cloridrato de hidralazina, cloreto de potássio, 
cloreto de sódio, clorpromazina, clorafenicol, codeína, complexo B 
injetável, deslanosídeo, dexametasona, diazepam, diclofenaco de sódio, 
digoxina, dipirona, enalapril, escopolamina (hioscina), fenitoína, 
fenobarbital, fenoterol bromidrato, flumazenil, furosemida, gentamicina, 
93
ATENDIMENTO PRÉ-HOSPITALAR NO BRASIL E NO MUNDO E SUAS TECNOLOGIAS │ UNIDADE IV
glicose isotônica, glicose hipertônica, gluconato de cálcio, haloperidol, 
hidrocortisona, insulina, isossorbida, lidocaína, manitol, meperidina, 
metildopa, metilergometrina, metilprednisolona, metoclopramida, 
metropolol, midazolan, nifedipina, nistatina, nitroprussiato de 
sódio, óleo mineral, omeprazol, oxacilina, paracetamol, penicilina, 
prometazina, propranolol, ranitidina, ringer lactato, sais para reidratação 
oral, salbutamol, soro glico-fisiologico, soro fisiológico, soro glicosado, 
sulfadiazina prata, sulfametoxazol + trimetoprim, sulfato de magnésio, 
tiamina (Vit. B1), tramadol, tobramicina colírio, verapamil, vitamina K.
Modelos das UPÁ s no Brasil
A Unidade de Pronto Atendimento, abreviada frequentemente como UPA, é um tipo 
de unidade hospitalar de média complexidade implantado em diferentes cidades do 
Brasil, fazendo parte do Sistema Único de Saúde – SUS.
A Política Nacional de Urgência e Emergência integrou as unidades de saúde e dividiu a 
atenção às urgências no Sistema Único de Saúde em quatro frentes. No nível da Atenção 
Básica, as Equipes de Saúde da Família (ESF) e as Unidades Básicas de Saúde (UBS) 
têm como prioridade a orientação assistencial a um número determinado de famílias 
e acolhimento das urgências de menor complexidade. O componente móvel, por meio 
do SAMU, faz a estabilização dos pacientes no local da ocorrência e o transporte seguro 
para as unidades de saúde indicadas. Já às Unidades de Pronto Atendimento (UPA´s) 
cabe o atendimento das urgências de média complexidade, e o setor de urgência dos 
hospitais realizam o atendimento das urgências de maior complexidade.
As Unidades de Pronto Atendimento 24 horas, lançadas como parte da Política Nacional 
de Urgência e Emergência (2003), funcionam como unidades intermediárias entre 
as Unidades Básicas de Saúde (UBS´s) e os hospitais, sete dias por semana e podem 
resolver grande parte das urgências e emergências, como pressão e febre alta, fraturas, 
cortes, infarto e derrame, e ajudam a desafogar os prontos-socorros, ampliando e 
melhorando o acesso dos brasileiros aos serviços de urgência no SUS.
As UPA´s inovam ao oferecer estrutura simplificada – com Raio X, eletrocardiografia, 
pediatria, laboratório de exames e leitos de observação. Nas localidadesque contam 
com as UPA´s, 97% dos casos são solucionados na própria unidade. Quando o paciente 
chega às unidades, os médicos prestam socorro, controlam o problema e detalham o 
diagnóstico. Eles analisam se é necessário encaminhar o paciente a um hospital ou 
mantê-lo em observação por 24h.
94
UNIDADE IV │ATENDIMENTO PRÉ-HOSPITALAR NO BRASIL E NO MUNDO E SUAS TECNOLOGIAS
De acordo com art. 2o da portaria no 1.601, de 7 de julho de 2011 as Unidades de Pronto 
Atendimento na rede de atenção às urgências tem as seguintes funções:
 » Funcionar 24h, inclusive feriados e pontos facultativos.
 » Acolherem os pacientes sempre que ali procurarem atendimento.
 » Implantar processo de acolhimento e classificação de risco.
 » Estabelecer e adotar o cumprimento de protocolos de acolhimento, 
atendimento clínico, de classificação de risco e de procedimentos 
administrativos conexos, atualizando-os sempre que a evolução do 
conhecimento tornar necessário.
 » Articular-se com Unidades Básicas de Saúde/Saúde da Família, SAMU 
192, unidades hospitalares, unidades de apoio diagnóstico e terapêutico 
e com outros serviços de atenção à saúde, construindo fluxos coerentes 
e efetivos de referência e contra referência e ordenando esses fluxos 
por meio de Centrais de Regulação Médica de Urgências e complexos 
reguladores instalados na região.
 » De acordo com seu porte, deverá manter equipe multiprofissional 
interdisciplinar.
 » Prestar atendimento resolutivo e qualificado aos pacientes acometidos 
por quadros agudos ou agudizados de natureza clínica, e prestar primeiro 
atendimento aos casos de natureza cirúrgica e de trauma, estabilizando 
os pacientes e realizando a investigação diagnóstica inicial, de modo a 
definir, em todos os casos, a necessidade ou não de encaminhamento a 
serviços hospitalares de maior complexidade.
 » Fornecer retaguarda às urgências atendidas pela Rede de Atenção Básica.
 » Funcionar como local de estabilização de pacientes atendidos pelo SAMU.
 » Aos casos de menor gravidade, realizar consulta médica em regime de 
pronto atendimento.
 » Aos casos demandados à unidade, realizar atendimentos e procedimentos 
médicos e de enfermagem adequados.
 » Prestar apoio diagnóstico e terapêutico ininterrupto nas 24 horas.
95
ATENDIMENTO PRÉ-HOSPITALAR NO BRASIL E NO MUNDO E SUAS TECNOLOGIAS │ UNIDADE IV
 » Para esclarecimento diagnóstico e/ou estabilização clínica, manter 
pacientes em observação, por um período de até 24h.
 » Os pacientes que não tiverem suas queixas resolvidas nas 24 horas de 
observação, encaminhá-los para internação em serviços hospitalares.
 » Prover atendimento e/ou referenciamento adequado a um serviço de 
saúde hierarquizado, regulado e integrado à Rede de Atenção às Urgências 
a partir da complexidade clínica, cirúrgica e traumática do usuário. 
 » Contrarreferenciar para os demais serviços de atenção integrantes da Rede 
de Atenção às Urgências, proporcionando continuidade ao tratamento 
com impacto positivo no quadro de saúde individual e coletivo.
 » Sempre que a gravidade/complexidade dos casos ultrapassarem a 
capacidade instalada da Unidade solicitar retaguarda técnica ao SAMU.
 » Para o bom funcionamento da unidade deve-se garantir apoio técnico e 
logístico.
Podemos classificar as Unidades de Pronto Atendimento em 3 (três) diferentes portes, 
de acordo com a população da região a ser coberta, a capacidade instalada (área física, 
número de leitos disponíveis, recursos humanos e capacidade diária de atendimentos 
médicos) e para cada porte foi instituído incentivo financeiro de investimento para 
implantação das mesmas além de despesas de custeio mensal, veja as especificações à 
seguir:
UPA Porte I: tem de ter 2 médicos, 7 leitos de observação, capacidade de atender até 
150 pacientes em 24h, área construída de 700m2 e população na área de abrangência 
de 50 mil a 100 mil habitantes. 
UPA Porte II: tem de ter 4 médicos, 11 leitos de observação, capacidade de atender até 
300 pacientes em 24h, área construída de 100m2 e população na área de abrangência 
de 100.001 mil a 200 mil habitantes. 
UPA Porte III: tem que ter 6 médicos, 15 leitos de observação, capacidade de 
atender até 450 pacientes em 24h, área construída de 1.300m2 e população na área de 
abrangência de 200.001 mil a 300 mil habitantes.
As Unidades de Pronto Atendimento 24 horas trabalham de forma integrada com o 
Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU). Ao ligar para o número 192, o 
cidadão tem acesso a uma central com profissionais de saúde que oferecem orientações 
de primeiros socorros, além de definir os cuidados adequados a cada situação. Em 
96
UNIDADE IV │ATENDIMENTO PRÉ-HOSPITALAR NO BRASIL E NO MUNDO E SUAS TECNOLOGIAS
muitos casos, o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) presta o primeiro 
atendimento e encaminha o paciente a uma UPA. Essa integração qualifica os 
atendimentos já que, ao prestar o primeiro socorro, as equipes do SAMU identificam 
a real necessidade do paciente e o encaminham, se necessário, para o serviço de saúde 
mais adequado.
SAMU no Brasil
Em 2002, com recursos do Ministério da Saúde, foram capacitados 460 profissionais 
médicos e de Enfermagem no país, para o atendimento de urgência e emergência, e no 
final do mesmo ano, houve a publicação da Portaria no 2048/GM em 5 de novembro, 
criando o Regulamento Técnico para os Sistemas Estaduais de Urgência e Emergência.
Em setembro de 2003, o Governo Federal através da Portaria no 1863/GM instituiu 
a Política Nacional de Atenção às Urgências, a ser implantada em todas as unidades 
federadas. A portaria determinou o financiamento para investimento e custeio do 
componente pré-hospitalar móvel, visando à implantação do serviço em municípios e 
regiões de todo o território brasileiro. 
O primeiro serviço do gênero no mundo foi o da França, de 1986, que faz uso da mesma 
sigla: SAMU (Service d´Aide Médicale d´Urgence), e o atendimento é considerado 
por especialistas como o melhor entre todos os países que dispõem de atendimentos 
similares.
No Brasil, o SAMU teve início através de um acordo bilateral, assinado entre o Brasil 
e a França, através de uma solicitação do Ministério da Saúde, o qual optou pelo 
modelo francês de atendimento, em que as viaturas de suporte avançado possuem 
obrigatoriamente a presença do médico, diferentemente dos moldes americanos em que 
as atividades de resgate são exercidas primariamente por profissionais paramédicos.
Existem no Brasil, diferentes modelos de atendimento às emergências, estruturados 
conforme o perfil quantitativo e qualitativo da população assistida. Todos os sistemas 
são integrados dentro de uma mesma lógica, contemplando medidas preventivas, redes 
de atendimento pré-hospitalar, serviços assistenciais hospitalares hierarquizados e 
centros de reabilitação. 
O SAMU, que atende pelo número de telefone 192, é o serviço médico móvel brasileiro 
utilizado em casos de emergência, que funciona 24 horas, com equipes de médicos, 
enfermeiros, auxiliares de enfermagem e socorristas, que atendem as ocorrências de 
natureza traumática, clínica, pediátrica, cirúrgica, gineco-obstétrica e de saúde mental 
97
ATENDIMENTO PRÉ-HOSPITALAR NO BRASIL E NO MUNDO E SUAS TECNOLOGIAS │ UNIDADE IV
da população possibilitando à vítima maiores chances de sobrevida, diminuição de 
sequelas e o transporte seguro até o local de saúde mais adequado para continuidade 
do tratamento.
O modelo de atendimento Pré-hospitalar do SAMU do Brasil é idêntico ao adotado pelo 
SAMU da França. O serviço é realizado por médicos treinados em urgência e emergência 
e, ao contrário de outros serviços, o SAMU trata no local do atendimento as lesões 
potencialmente fatais. Isto faz a diferença entre a vida e a morte de qualquer cidadão 
acometido de algum quadro de urgência e emergência. O projeto piloto do SAMU no 
Brasil aconteceu em Porto Alegre e em Ribeirão Preto. 
Os atendimentos a serem atendidos pelo SAMU/192 foi criado em 2003, inspirado em 
um modelofrancês e atende às urgências de qualquer natureza: traumática, clínica, 
pediátrica, cirúrgica, gineco-obstétrica e psiquiátrica. 
A Portaria No 1.010, de 21 de maio de 2012 redefine as diretrizes para a implantação do 
Serviço de Atendimento Móvel de Urgência e sua Central de Regulação das Urgências, 
componente da Rede de Atenção às Urgências. Segundo esta portaria a estrutura 
física será constituída por profissionais (médicos, telefonistas auxiliares de regulação 
médica e rádio-operadores) capacitados em regulação dos chamados telefônicos que 
demandam orientação e/ou atendimento de urgência, por meio de uma classificação 
e priorização das necessidades de assistência em urgência, além de ordenar o fluxo 
efetivo das referências e contrarreferências dentro de uma Rede de Atenção. 
As unidades móveis para atendimento de urgência podem ser das seguintes espécies: 
Unidade de SBV terrestre, unidade de suporte avançado de vida terrestre, equipe de 
aeromédico, equipe de embarcação, motolância e veículo de intervenção rápida (VIR). 
A Portaria no 1.473, de 18 de julho de 2013 altera a portaria no 1.010/gm/ms, de 21 de 
maio de 2012, que redefine as diretrizes para a implantação do Serviço de Atendimento 
Móvel de Urgência e sua central de regulação das urgências, componente da rede de 
atenção às urgências. De acordo esta nova portaria fica instituído incentivo financeiro 
de investimento para construção de novas Centrais de Regulação das Urgências do 
Componente SAMU ou para ampliação daquelas já existentes, na seguinte proporção:
 » municípios com até 350.000 (trezentos e cinquenta mil) habitantes – R$ 
216.000,00 (duzentos e dezesseis mil reais);
 » municípios com 350.001 (trezentos e cinquenta mil e um) a 3.000.000 
(três milhões) de habitantes – R$ 350.000,00 (trezentos e cinquenta mil 
reais); 
98
UNIDADE IV │ATENDIMENTO PRÉ-HOSPITALAR NO BRASIL E NO MUNDO E SUAS TECNOLOGIAS
 » municípios com população acima de 3.000.000 (três milhões) habitantes 
– R$ 440.000,00 (quatrocentos e quarenta mil reais).
Este incentivo não poderá ser utilizado par construção ou ampliação de centrais de 
regulação das urgências que se encontre funcionando em imóveis alugados.
Ainda de acordo com a Portaria no 1.473, de 18 de julho de 2013 fica instituído incentivo 
financeiro de custeio para manutenção das Unidades Móveis efetivamente implantadas, 
na seguinte proporção:
Unidade de Suporte Básico de Vida Terrestre:
 » Unidade habilitada – R$ 13.125,00 (treze mil e cento e vinte cinco reais)/
mês.
 » Unidade habilitada e qualificada – R$ 21.919,00 (vinte e mil e novecentos 
e dezenove reais)/ mês.
Unidade de Suporte Avançado de Vida Terrestre:
 » Unidade habilitada – R$ 38.500,00 (trinta e oito mil e quinhentos reais) 
por mês;
 » Unidade habilitada e qualificada – R$ 48.221,00 (quarenta e oito mil e 
duzentos e vinte e um reais) por mês. 
Unidade Aeromédica:
 » Unidade habilitada – R$ 38.500,00 (trinta e oito mil e quinhentos reais)/
mês;
 » Unidade habilitada e qualificada – R$ 48.221,00 (quarenta e oito mil e 
duzentos e vinte e um reais)/mês. 
Veículo de Intervenção Rápida - VIR:
 » Unidade habilitada - R$ 38.500,00 (trinta e oito mil e quinhentos reais)/
mês;
 » Unidade habilitada e qualificada – R$ 48.221,00 (quarenta e oito mil e 
duzentos e vinte e um reais)/mês.
De acordo com a Portaria GM/MS no 2.657 de 16 de dezembro de 2004 as dependências 
do SAMU deve seguir a seguintes especificações: 
99
ATENDIMENTO PRÉ-HOSPITALAR NO BRASIL E NO MUNDO E SUAS TECNOLOGIAS │ UNIDADE IV
A sala de regulação médica estruturada com as seguintes diretrizes e características: 
 » A sala de regulação deverá ser dimensionada levando-se em conta 
o tamanho da equipe e o número de postos de trabalho, conforme 
recomendações técnicas contidas na Portaria GM/MS no 2.657 de 16 
de dezembro de 2004, considerando que cada posto de trabalho utiliza 
2m² de área, projetando-se, além disso, os espaços dos corredores de 
circulação e recuos, além das portas e janelas.
 » Acesso restrito aos profissionais que nela trabalham, exceto em situações 
de ensino com prévia aprovação da coordenação.
 » Isolamento acústico, iluminação e temperatura adequadas.
 » Propiciar a integridade da conduta profissional, a imparcialidade no 
manejo dos casos e o sigilo ético-profissional das informações.
 » Sistema de telefonia com número suficiente de linhas disponíveis à 
população, número de aparelhos telefônicos e equipamento de fax 
adequados aos postos de trabalho de médicos e auxiliares de regulação.
 » Sistema de comunicação direta entre os radioperadores , as ambulâncias, 
suas bases operacionais e de estabilização, outras unidades de saúde e 
outras centrais de regulação, bem como com outros atores diretamente 
relacionados aos atendimentos móveis, como o Corpo de Bombeiros, a 
Defesa Civil, a Polícia Militar, Operadoras Privadas de Serviços Móveis 
de Urgência e outros.
 » Sistema de gravação digital contínua para registro de toda a comunicação 
efetuada por telefone e rádio, com acesso protegido, permitido apenas às 
pessoas autorizadas pela coordenação do serviço.
 » Sistema de gestão informatizado para arquivamento dos registros gerados 
pela regulação.
 » As demais dependências do SAMU de contar com:
 › Sala de equipamentos: devido ao ruído emitido pelos equipamentos 
(servidores de rede, central telefônica, no break e estabilizador), 
é recomendada a existência de uma área isolada, contígua à sala de 
regulação, onde esses equipamentos serão instalados, de forma a não 
prejudicar o ambiente de trabalho, com área mínima de 4,5m². 
100
UNIDADE IV │ATENDIMENTO PRÉ-HOSPITALAR NO BRASIL E NO MUNDO E SUAS TECNOLOGIAS
 › Banheiros contíguos ou próximos da sala de regulação.
 › Área de conforto e alimentação para a equipe.
 › Área administrativa, com espaço para a coordenação e a equipe de 
apoio do serviço.
 › Local para guarda de materiais e medicamentos controlados, conforme 
legislação em vigor. 
 › Área para esterilização de materiais, conforme normatização técnica 
da ANVISA/MS.
 › Garagem para ambulâncias.
 › Área adequada para lavagem, limpeza, desinfecção de materiais e das 
ambulâncias, respeitando as normas para o tratamento e escoamento 
da água utilizada.
 › Sinalização adequada nas saídas das ambulâncias.
 › Refeitório e cozinha.
 › Banheiros com chuveiros.
 › Alojamento para repouso das equipes.
 › Expurgo.
Para garantir tempo reposta de qualidade e racionalidade na utilização dos recursos 
móveis nos SAMU regionais ou sediados em municípios de grande extensão territorial 
deverão existir bases operacionais descentralizadas, que funcionarão como postos 
avançados para as ambulâncias e suas respectivas equipes. Nessas bases deverão ter a 
configuração mínima para abrigo, alimentação e conforto das equipes e estacionamento 
da(s) ambulância(s). Dependendo do seu tamanho e de sua localização, as bases deverão 
utilizar a infraestrutura geral da sede ou, se necessário, montar os demais espaços 
essenciais ao seu bom funcionamento, obedecidas as diretrizes gerais de infraestrutura 
física estabelecidas na Portaria GM/MS no 2.657 de 16 de dezembro de 2004.
101
CAPÍTULO 2 
Transporte inter-hospitalar
Transporte inter-hospitalar é a transferência de pacientes entre unidades não 
hospitalares ou hospitalares de atendimento às urgências, unidade de diagnóstico 
terapêutica ou outras unidades de saúde que funcionem como bases de estabilização 
para pacientes graves, de caráter público ou privado e tem como principais finalidades:
 » Transferência, sem retorno, de centros de menor para outros de maior 
complexidade: inclui os pacientes, em vários estágios de gravidade, 
que são levados para realizarem tratamento definitivo em hospitais 
especializados, permanecendo internados neles definitivamente. Nesta 
categoria são incluídos os pacientes transferidos para outras cidades.
 » Transferência, com retorno, para tratamento ou exames diagnósticos 
em centros de maior complexidade: otipo mais comum, em que o 
paciente vai a uma unidade isolada ou a outro hospital realizar um 
exame ou tratamento e retorna ao hospital de origem. O local de destino 
frequentemente não possui os recursos para manter o suporte de vida e 
o tratamento do paciente, devendo estes ser transportados junto a ele e 
mantidos até o fim do exame e/ou tratamento.
 » Transferência de pacientes politraumatizados de centros de menor 
complexidade, para onde são levados pelos sistemas de atendimento 
pré-hospitalar para estabilização, a outros de maior complexidade, para 
tratamento definitivo: este tipo é parte fundamental de um sistema 
de atendimento pré-hospitalar. Pacientes críticos podem ser levados 
temporariamente a uma unidade de menor complexidade, mas com 
capacidade de prestar suporte avançado de vida, próxima à área do 
sinistro. Após a estabilização, a vítima é transferida a um centro para seu 
tratamento definitivo. Isto permite menor tempo para o atendimento, 
liberação da equipe de socorristas e melhor manejo da distribuição de 
pacientes, evitando sobrecarregar a rede de emergência. 
Existem centrais reguladoras de urgência que são específicas para a regulação de 
transferências de pacientes entre serviços de saúde de diferentes complexidades. Em 
geral os pacientes a serem transferidos recebem um primeiro atendimento em serviços 
de saúde que não tem estrutura para diagnóstico e/ou terapêutica para dar continuidade 
102
UNIDADE IV │ATENDIMENTO PRÉ-HOSPITALAR NO BRASIL E NO MUNDO E SUAS TECNOLOGIAS
ao caso, necessitando serem transferidos para hospitais de maior complexidade, 
geralmente isto ocorre em municípios menores. 
Nem sempre são casos de urgência passíveis de regulação as solicitações recebidas 
em uma central reguladora de urgência destinada a transferências inter-hospitalares, 
sendo então necessário diferenciar inicialmente um chamado ou solicitação endereçada 
à central de um atendimento, deve-se avaliar se o caso foi efetivamente regulado pelo 
médico.
Para solicitar transferência inter-hospitalar, a solicitação deve ser realizada de médico 
para médico. Na solicitação o solicitante deve informar nome, serviço e número de 
CRM, sendo que o médico regulador avaliará a gravidade, a necessidade e as condições 
para realização da transferência antes de realizar contato com o serviço receptor.
É de responsabilidade do médico regulador avaliar se existe caracterizada uma 
necessidade de cuidado terapêutico ou diagnóstico de urgência ou emergência e se 
este o paciente corre risco de vida ou de danos orgânicos ou funcionais imediatos e 
irreparáveis, devendo sempre levar em consideração a necessidade e as condições do 
paciente e a infraestrutura do serviço de origem.
Sendo considerada como necessária a transferência, o médico regulador deve procurar 
o recurso mais adequado para o caso e o mais próximo do solicitante. Caso não haja 
necessidade o médico regulador orienta o solicitante como conduzir o caso ou utilizar 
recursos locais. Caso há dúvidas sobre o caso, devem-se consultar profissionais 
especializados nos serviços.
O médico responsável pelo paciente deverá solicitar à central de regulação a transferência 
para o paciente. O paciente não deverá ser removido em caso iminente de vida sem 
prévia e obrigatória avaliação respiratória, hemodinâmica e outras medidas urgentes 
específicas para cada caso, estabilizando-o e preparando-o para o transporte. Ao iniciar 
uma solicitação de transferência todos os recursos da unidade solicitante devem ter 
sido esgotados.
Ao solicitar transferência de um paciente, decisão estritamente médica, deve considerar 
os princípios básicos do transporte que são: não agravar o estado do paciente, garantir 
sua estabilidade e garantir transporte com rapidez e segurança. Na solicitação devem 
ser informadas ao médico regulador as reais condições do paciente e deve elaborar um 
documento de transferência que deverá acompanhar o paciente durante o transporte 
(e/ou ser enviado a Central de Regulação via fax, e-mail, ou software) e compor seu 
prontuário na unidade executante, registrando informações relativas ao atendimento 
prestado na unidade solicitante, como diagnóstico de entrada, exames realizados e as 
103
ATENDIMENTO PRÉ-HOSPITALAR NO BRASIL E NO MUNDO E SUAS TECNOLOGIAS │ UNIDADE IV
condutas terapêuticas adotadas. Este documento deverá conter o nome e CRM legíveis, 
além da assinatura do solicitante, Caso seja possível conseguir autorização escrita do 
paciente ou seu responsável para a transferência. Poderá prescindir desta autorização 
sempre que o paciente não esteja apto para fornecê-la, não esteja acompanhado de 
possível responsável ou em caso de indicação médica absoluta.
É de responsabilidade do médico solicitante a assistência ao paciente até que este seja 
recebido pelo médico da unidade responsável pelo transporte, nos casos de transferência 
em viaturas de suporte avançado de vida ou até que o paciente seja recebido pelo médico 
do serviço receptor, nos casos de transferência em viaturas de SBV ou viaturas de 
transporte simples. O início da responsabilidade do médico da viatura de transporte ou 
do médico da unidade receptora não cessa a responsabilidade de indicação e avaliação 
do profissional da unidade solicitante.
Nos casos de transporte de pacientes em Suporte Básico de Vida para unidades de 
apoio diagnóstico e terapêutico, para realização de exames ou tratamentos, se o 
paciente apresentar intercorrências de urgência, a responsabilidade pelo tratamento e 
estabilização é da unidade que está realizando o procedimento, que deverá estar apta 
para seu atendimento, no que diz respeito a medicamentos, equipamentos e recursos 
humanos capacitados. 
Nos casos de transporte de pacientes críticos para realização de procedimentos 
diagnósticos ou terapêuticos e, caso estes serviços situem-se em clínicas desvinculadas 
de unidades hospitalares, o suporte avançado de vida será de responsabilidade da 
equipe da unidade de transporte.
É proibido aos solicitantes remover pacientes sem contato prévio com a instituição/
serviço receptor seja público ou privado nos locais em que as centrais de regulação ainda 
não estejam estruturadas, e nos locais que já estão estruturadas não poderá transferir 
paciente sem contato prévio ou contrariando sua determinação.
Em transferências realizadas pelo setor privado, o serviço ou empresa solicitante deverá 
se responsabilizar pelo transporte do paciente, bem como pela garantia de recepção do 
paciente no serviço receptor.
Nos casos de operadoras de planos privados de assistência à saúde, permanece em 
vigor a legislação própria a respeito deste tema, conforme Resolução CONSU no 13, de 
4 de novembro de 1998 (BRASIL, 1998a) e eventual regulamentação posterior a ser 
estabelecida pela Agência Nacional de Saúde Suplementar.
104
UNIDADE IV │ATENDIMENTO PRÉ-HOSPITALAR NO BRASIL E NO MUNDO E SUAS TECNOLOGIAS
A equipe de transporte deverá acatar a determinação do médico regulador quanto ao 
meio de transporte e tipo de ambulância que deverá ser utilizada. 
O médico regulador deverá ser informado caso as condições clínicas do paciente 
no momento da recepção não estejam condizentes com as informações que foram 
fornecidas a ele e repassadas à equipe de transporte.
Para o transporte terrestre deverão ser utilizadas viaturas de transportes simples para 
os pacientes eletivos, em decúbito horizontal ou sentados, viaturas de suporte básico 
ou Suporte Avançado de Vida, de acordo com o julgamento e determinação do médico 
regulador, a partir da avaliação criteriosa da história clínica, gravidade e risco de cada 
paciente, estando tais viaturas, seus equipamentos, medicamentos, tripulações e demais 
normas técnicas. 
O transporte inter-hospitalar pediátrico e neonatal deverá obedecer às diretrizes 
técnicas já estabelecidas na Resolução CFM no 1.672/2003. As ambulâncias deverão 
estar equipadas com incubadora de transporte e demais equipamentos necessários ao 
adequado atendimentoneonatal e pediátrico.
Todas as intercorrências do transporte deverão ser registradas no documento do 
paciente e deverão ser repassadas juntamente com a documentação do paciente, ao 
médico do serviço receptor.
Comunicar ao médico regulador o término do transporte e conduzir a ambulância e a 
equipe de volta à sua base.
O médico receptor deverá garantir acolhimento rápido e resolutivo às solicitações 
da central de regulação médica de urgências e informar imediatamente à central de 
regulação se os recursos diagnósticos ou terapêuticos da unidade atingir seu limite 
máximo de atuação. 
É de responsabilidade ainda do médico receptor acatar a determinação do médico 
regulador sobre o encaminhamento dos pacientes que necessitem de avaliação 
ou qualquer outro recurso especializado existente na unidade, independente da 
existência de leitos vagos ou não — conceito de “vaga zero” e discutir questões técnicas 
especializadas sempre que o regulador ou médicos de unidades solicitantes de menor 
complexidade assim demandarem. Deve ainda preparar a unidade e sua equipe para o 
acolhimento rápido e eficaz dos pacientes graves, receber o paciente e sua documentação, 
dispensando a equipe de transporte, bem como a viatura e seus equipamentos o mais 
rápido possível. 
105
ATENDIMENTO PRÉ-HOSPITALAR NO BRASIL E NO MUNDO E SUAS TECNOLOGIAS │ UNIDADE IV
Caso o médico receptor detecte divergência entre os dados clínicos que foram 
comunicados quando da regulação e os observados na recepção do paciente este deverá 
comunicar à central de regulação. 
O transporte e as transferências inter-hospitalares estão regulamentados pela 
Portaria GM/MS no 2.048/2002 em seu Capítulo VI e também pela Resolução CFM no 
1.672/2003.
A regulação médica deverá seguir algumas técnicas que serão descritas a seguir:
Primeira etapa: recepção do chamado
Identificação e localização do chamado: o auxiliar de regulação faz a recepção inicial, 
realizando a identificação da chamada, que consiste em registrar:
 » A unidade solicitante.
 » Nome e CRM do médico solicitante.
Deve ainda diferenciar uma solicitação de informação. A seguir, o auxiliar de regulação 
deve passar o telefone para o médico regulador.
Segunda etapa: abordagem do caso
A abordagem dos casos endereçados às centrais de regulação das transferências inter-
hospitalares consiste em reunir a maior quantidade de dados possíveis sobre o caso, 
que podemos relacionar da seguinte forma:
 » Dados clínicos:
 › QP (Queixa principal). 
 › Sinais e sintomas associados. 
 › Sinais de gravidade. 
 › Antecedentes e fatores de risco. 
 › Exame físico e sinais vitais. 
 » Conduta inicial: medicamentos e procedimentos.
 » Exames realizados. 
106
UNIDADE IV │ATENDIMENTO PRÉ-HOSPITALAR NO BRASIL E NO MUNDO E SUAS TECNOLOGIAS
 » Evolução: alterações verificadas após a conduta inicial. 
 » Recurso solicitado para o caso. 
 » Justificativa para a solicitação. 
Após análise destas informações será definido se é necessária a transferência ou não. 
Temos ainda de ter em mente quem são nossos clientes e porque nos procuram, ou seja, 
quais os principais motivos das solicitações de transferência de um paciente. 
Gravidade do quadro clínico e disponibilidade de 
apoio diagnóstico e terapêutico no hospital
Existem casos clássicos, em que invariavelmente existe consenso quanto à gravidade 
do caso e, portanto quanto à necessidade de remoção para um hospital de maior 
complexidade. Em situações de doenças menos graves, a gravidade pode ser influenciada 
por uma série de fatores além da doença em si e das condições do paciente, como: os 
recursos de apoio existentes no local, o número de profissionais e a capacitação técnica 
do médico assistente. Alguns casos podem ser considerados de extrema gravidade num 
hospital e constituir-se num episódio corriqueiro em outro. Esse tipo de entendimento 
e o conhecimento da realidade dos hospitais da mesma região geográfica deve ser do 
domínio dos médicos, especialmente daqueles plantonistas que recebem pacientes dos 
hospitais menores, como forma de reduzir conflitos.
Incapacidade técnica do médico e/ ou desejo do 
médico
Existem situações nas quais o hospital oferece os meios essenciais para diagnóstico 
e para tratamento, mas o médico plantonista é incapaz de adotar os procedimentos 
recomendados ou não sabe como proceder e, por isso, trata de providenciar, o quanto 
antes, a transferência do paciente.
Entretanto existem situações que o hospital e os médicos possuem condições materiais e 
técnicas para prestar um adequado atendimento, mas que se trata de um quadro clínico 
ou cirúrgico que exigirá muita observação e acompanhamento ou novas condutas por 
parte do médico assistente, e principalmente, são pacientes do SUS. Nestes casos, para 
não ter pacientes complicados ou que possam vir a agravar o quadro clínico, bem como 
para não ter atividades extras desnecessárias, é possível que o médico o encaminhe a 
outro hospital, geralmente de maior complexidade, embora o caso clínico não requeira 
a transferência. É a típica situação do “mandar para frente para não me incomodar” 
107
ATENDIMENTO PRÉ-HOSPITALAR NO BRASIL E NO MUNDO E SUAS TECNOLOGIAS │ UNIDADE IV
e que certamente tende a apresentar considerável aumento dos finais de semana e 
feriados prolongados.
Solicitação dos próprios pacientes e/ou familiares
Em muitas situações de urgência/emergência, em que pese existir recursos materiais 
suficientes no hospital e um atendimento médico adequado, os pacientes desejam ser 
transferidos pelas mais variadas razões. 
Atribuições dos solicitantes:
São atribuições do Médico Assistente:
 » fazer a indicação da necessidade de transferência;
 » avaliar qual a composição da equipe médica necessária para efetuar a 
remoção, de conformidade com o estado de saúde do paciente;
 » acompanhar o paciente nos casos em que a presença do médico é 
obrigatória ou designar médico substituto, de acordo com as normas da 
instituição, utilizando o apoio da Direção Técnica/Clínica, se necessário;
 » elaborar relatório de transferência registrando “a hipótese diagnóstica”, 
os procedimentos efetuados, exames e medicações realizadas e os 
motivos da transferência; (não deve ser esquecido de assinar e de colocar 
o carimbo de identificação pessoal.
Terceira etapa: orientação técnica
Conselho Médico ou orientação técnica a um colega médico sobre a conduta a ser 
tomada para melhor estabilização do paciente antes da transferência deste ou mesmo 
para evitar a transferência.
Quarta etapa: decisão técnica
O médico regulador deve avaliar a necessidade de intervenção, decidir sobre o recurso 
disponível mais adequado a cada caso, levando em consideração: gravidade, necessidade 
de tratamento cirúrgico, os meios disponíveis, relação custo benefício, avaliação tempo-
distância. Em resumo, ele decide qual o recurso e o nível de complexidade que o caso 
exige.
108
UNIDADE IV │ATENDIMENTO PRÉ-HOSPITALAR NO BRASIL E NO MUNDO E SUAS TECNOLOGIAS
Quinta etapa: avaliação dos recursos e 
decisão gestora – aspectos técnicos éticos e 
regulamentares
Sendo constatada a necessidade de transferência, o próximo passo é a procura e/ou 
escolha do hospital referenciado para o qual o paciente será encaminhado, o que nem 
sempre se constitui em tarefa simples e rápida quando não existem muitas opções, como 
no caso de necessidade de UTI tanto adulto quanto neonatal. Diante do estabelecimento 
da necessidade de transferência, a central procura o recurso necessário dentro de sua 
grade. Em caso de dificuldade de recurso disponível, esgotadas as possibilidades de sua 
área, irá procurando recursos sucessivamente nas demais centrais.
Sexta etapa: transporte e finalização
Consiste em orientar quanto ao transporte mais adequado e checar se as condições do 
paciente correspondem ao que foi passado.
109
CAPÍTULO 3 
Atendimento pré-hospitalar (APH) em 
outros países: EUA, Canadá, Inglaterra, 
França, Alemanha, Uruguai
Os passos iniciais para a organizaçãodo serviço de emergência médica foram dados 
pelo cirurgião chefe do exército de Napoleão Bonaparte, Dominique Larrey, em 1792. 
Seu principal objetivo era evitar complicações, em especial a gangrena, nas vítimas de 
ferimento de guerra, mediante o tratamento precoce. Naquela época o procedimento 
utilizado era imobilização ou amputação, o qual ocorria nos campos de batalha e, 
frequentemente, sob fogo inimigo. Após pouco mais de dois séculos, o atendimento pré-
hospitalar sugere objetivos e princípios semelhantes ao de Larrey: Iniciar o atendimento 
precocemente, sem agravar as lesões, oferecendo suporte básico e avançado ao paciente.
Existem em todo o mundo vários protocolos e modelos de serviço de atendimento pré-
hospitalar (APH), e dentre todos estão em destaque dois modelos predominantes: O 
Anglo-americano e o Franco-alemão.
Em 1966 surge nos EUA o modelo Anglo-americano, mediante ações da National 
Highway Traffic Safety Administration e do Departament of Health and Human 
Services. Dois anos após foi criado um telefone único para emergência, o 911 que 
está disponível a 99% da população com cobertura a 96% do território americano. 
Atualmente existem inúmeros modelos de sistemas de urgência nos EUA. Dependendo 
da região, estado ou município podemos encontrar diferentes desenhos de organização. 
Encontram-se os serviços governamentais ou privados. A maioria dos serviços públicos 
é baseada no corpo de bombeiro, seguidos por bases em sedes policiais. Existem 
algumas organizações híbridas público-privadas, assim como serviços sustentados 
por hospitais. Outra maneira de categorizar os serviços norte-americanos é quanto 
aos níveis de complexidade. Este modelo baseia-se em princípios como load and go, 
hora de ouro que atua com o conceito de chegar à vítima no menor tempo possível, 
realizar manobras essenciais para estabilizá-la e removê-la o mais rápido possível a 
um hospital adequado, se possível realizando registro do ocorrido seja impresso ou 
vídeo. Os provedores de saúde neste sistema são os paramédicos, que recebem formação 
técnica, e atuam sem supervisão médica. 
Na década de 1950, quando se iniciou o desenvolvimento do modelo, os médicos 
tinham participação indireta, os quais assumiram função de elaboração e supervisão 
dos protocolos. A intervenção na cena é realizada por técnicos em emergências 
http://www.nhtsa.dot.gov/
http://www.nhtsa.dot.gov/
110
UNIDADE IV │ATENDIMENTO PRÉ-HOSPITALAR NO BRASIL E NO MUNDO E SUAS TECNOLOGIAS
médicas, os Emergency Medical Technician (EMT) e Paramedics, que atuam através 
de protocolos médicos, executando limitados procedimentos invasivos como intubação 
traqueal, desfibrilação e descompressão torácica com agulha, seguido pelo transporte 
rápido para um hospital previamente classificado como referência para aquela 
situação. Quando chegam ao hospital, a responsabilidade do atendimento é transferida 
aos médicos emergencialistas. Em geral uma vez por semana os Emergency Medical 
Technician (EMT) e paramédicos apresentam seus casos aos diretores médicos para 
auditoria e avaliação das condutas tomadas. A atuação dos médicos em campo tem sido 
ampliada nos últimos anos, que atualmente os helicópteros são tripulados com médicos 
para transporte e atendimento na cena do evento.
Do ponto de vista hospitalar há a designação dos centros de trauma, emergências 
pediátricas e outros hospitais de referência. Ainda que os EUA possuam uma longa 
história em sistemas de emergência, permanecem até hoje sob modificações constantes, 
sem definição de um melhor modelo de organização.
O modelo franco-germânico é baseado na atividade médica diretamente relacionada 
ao atendimento. Este modelo nasceu da necessidade sentida dos médicos “anestesistas 
– reanimadores”, responsáveis pelo atendimento às urgências, que começaram a sair 
nas ambulâncias, pois perceberam que tanto nos casos clínicos como no trauma, se 
medidas terapêuticas fossem tomadas no local, as chances de sobrevida e redução de 
sequelas aumentavam.
Desde o início do chamado telefônico pelo paciente a demanda é avaliada por um médico, 
denominado Médico Regulador, que é encarregado de definir a gravidade da situação e 
determinar o recurso móvel mais adequado. O primeiro nível de atenção é composto por 
ambulâncias do corpo de bombeiros com equipes treinadas a oferecer Suporte Básico de 
Vida, chamadas “VSAB”. O segundo nível é composto por ambulâncias tripuladas por 
médicos, com capacidade para suporte avançado de vida. No modelo francês, existem 
dois diferentes níveis de sala de urgência (departamentos de urgências). O primeiro 
nível, chamado “SAU” (Service Spécialisé d’Accueil et de Traitement des Urgences), 
há apenas nos hospitais onde há disponibilidade de unidades de ressuscitação, clínica 
médica, cardiologia, pediatria, anestesia, ortopedia e cobertura contínua do cirurgião. 
No segundo nível, somente algumas especialidades estão disponíveis à distância 
e, deste modo, as unidades somente estão preparadas para atendimentos de menor 
complexidade. De modo geral as emergências de hospitais universitários e grandes 
hospitais, são formadas por médicos emergencialistas e médicos residentes de diferentes 
especialidades. Ao chegar a um hospital de urgência os pacientes são submetidos a uma 
triagem realizada pela equipe de enfermagem a qual encaminha o paciente ao médico 
emergencialista. 
111
ATENDIMENTO PRÉ-HOSPITALAR NO BRASIL E NO MUNDO E SUAS TECNOLOGIAS │ UNIDADE IV
A ambulância com maior capacidade de resolução é tripulada por um médico, chamada 
de Unidade de Terapia Intensiva Móvel que tem o papel de iniciar o processo diagnóstico 
e terapêutico. O transporte do paciente para o local do tratamento definitivo se realiza 
após a discussão com a Central Reguladora, que, diante das informações de campo, 
define o serviço hospitalar mais adequado. Este modelo permite um início precoce 
de algumas medidas terapêuticas, muitas vezes fundamentais para a boa evolução do 
paciente, como ocorre frequentemente com as emergências clínicas, porém tem sido 
particularmente criticado com relação ao atendimento ao trauma, pois pouco pode ser 
feito, do ponto de vista terapêutico, na cena do acidente, e o retardo no transporte para 
o local de tratamento definitivo pode ser fatal. Atualmente este modelo é encontrado 
em diversos países além da França e Alemanha, como Espanha, Portugal, alguns países 
da África e América Latina.
O modelo Canadense possui grandes dificuldades logísticas para organização do 
atendimento de urgências, devido a ser o segundo maior país em extensão no mundo. 
Ainda que possua um sistema socializado de saúde, o atendimento pré-hospitalar tem 
a atenção promovida pelo estado ou por empresas privadas. De modo geral, o APH 
é oferecido pelas províncias, por serviços próprios ou contratados. Na maioria das 
localidades o 911 é o número de acesso do público. O financiamento do atendimento pré-
hospitalar difere entre regiões, chegando à cobertura total em alguns locais e cobrança 
particular em outras. O atendimento hospitalar, mesmo que bem estruturado por todo 
o território, pode variar de acordo com as características de cada hospital, em especial 
entre hospitais-escola ou não. Hospitais-escola oferecem atendimento por médicos 
supervisores com acesso a especialistas. Na maioria dos hospitais de médio e grande 
porte especialistas em emergências médicas oferecem atendimento. O treinamento 
das equipes, apesar de não ser padronizado em todo o país, é baseado em cursos de 
curta duração como o Advanced Trauma Life Support (ATLS), Advanced Cardiac Life 
Support (ACLS), Basic Life Support (BLS), Pediatric Advanced Life Support (PALS), 
dentre outros. O controle da atividade profissional dos médicos emergencialistas é 
realizado pela Canadian Medical Association. Os grandes conglomerados urbanos 
apresentam centros especializados com neurocirurgião ou cardiologia intervencionista, 
enquanto na zona rural a maioria das urgências é abordada por médicos de família,para posterior transferência.
O Uruguai por fazer parte do MERCOSUL faz parte da Rede de Cooperação em Urgências 
do MERCOSUL.
A proposta de Projeto de Resolução “Boas Práticas para Organização e Funcionamento 
de Serviços de Urgência e Emergência” foi regulamentada pela portaria no 354, de 10 de 
março de 2014, sendo que esta resolução define qualidades desejadas que devam reunir 
a organização e funcionamento dos serviços de urgência e emergência.
112
CAPÍTULO 4 
Tecnologia aplicada ao APH: 
telecomunicações, telemetria, 
geoprocessamento
Falar em tecnologia da informação dentro dos ambientes coorporativos hospitalares 
faz, a cada dia, parte da usualidade de gestores, médicos e pacientes. A realidade é que 
a acessibilidade, a gestão e a qualidade das informações são essenciais para os serviços 
hospitalares. Desta forma iremos tratar de importantes ferramentas para o APH, que 
sem duvida alguma reduzem o tempo de acesso a vítima, trazendo um ganho para o 
atendimento, que no caso de APH o tempo é fundamental paras os profissionais e o 
paciente.
O avanço da informática e das telecomunicações, sobretudo com o desenvolvimento 
da rede digital de serviços integrados, torna viável o uso de redes voz-dados-imagens 
no mundo médico. Essas novas tecnologias de comunicação significam a possibilidade 
de verdadeiros intercâmbios profissionais interativos entre equipes médicas distantes. 
Ainda dentro da telecomunicação no meio médico não podemos deixar te falar da 
telemedicina que se baseia nos meios e nas técnicas que possibilitam o exercício médico 
a distância. Ela facilita e complementa as qualificações médicas e o uso de equipamentos, 
com o objetivo de dar aos pacientes acesso à mesma condição de atendimento em 
qualquer ponto do território. Tais serviços são providos por profissionais da área da 
saúde, usando tecnologias de informação e de comunicação para o intercâmbio de 
informações válidas para promoção, proteção, redução de risco da doença e outros 
agravos e recuperação. Além de possibilitar uma educação de forma contínua em saúde 
de profissionais, cuidadores e outros, assim como facilitar pesquisas, avaliações e gestão 
da saúde.
Telemedicina revela-se um componente estruturante para os estabelecimentos de 
saúde, propiciando a implementação de verdadeiras redes de atendimento em que a 
noção de complementariedade se torna fonte de eficácia, qualidade e segurança.
É necessário ressaltarmos a importância da telemetria nesse ambiente de tecnologia 
e telecomunicação na área da saúde, tendo em vista que é uma parte integrante 
fundamental dos equipamentos médicos que tem por objetivo monitorar o paciente. 
Sendo assim a telemetria é uma tecnologia que permite a medição e comunicação de 
informações de interesse do operador. A palavra é de origem grega onde tele=remoto e 
metron=medida. 
113
ATENDIMENTO PRÉ-HOSPITALAR NO BRASIL E NO MUNDO E SUAS TECNOLOGIAS │ UNIDADE IV
É um sistema de monitoramento com diversas aplicações, é muito usada em indústria de 
monitoramento, normalmente funciona via transmissão cabeada até 30 metros ou sem 
fio (sinal de rádio), daí o nome telemetria, também pode ser transmitida via tele móvel, 
em interfaces próprias para transmissão de dados (GPRS e EDGE no sistema GSM e 
1xRTT no sistema CDMA) sua principal função então é monitorar canais analógicos e 
digitais em tempo real ou datalog.
De forma prática na medicina a telemetria é usada como, por exemplo, para exames 
cardiológicos, onde os transmissores de rádio são ligados ao paciente como no E.C.G 
e isto permite que possam se locomover, pois os dados são enviados ao computador 
central que recebe todos os acontecimentos das últimas 24h, além de armazenar os 
dados obtidos, tal sistema pode antever problemas e encurtar o tempo de reação. 
Ainda a telemetria permitirá concentrar os dados e ter melhor visualização da situação 
do paciente, nas localidades onde ocorrerem as emergências. A comunicação com o 
hospital permitirá ao médico da urgência verificar a situação do paciente e preparar-se 
para a sua entrada no hospital.
Ao conjunto de tecnologias de coleta, tratamento, manipulação e apresentação 
de informações espaciais voltado para um objetivo específico se dá o nome de 
Geoprocessamento, que tem como ferramenta principal o Sistema de Informação 
Geográfica – SIG, mas para que esta ferramenta funcione de forma adequada e seus 
resultados sejam os esperados é necessário que haja o armazenamento de dados que se 
deseje para que chegue ao objetivo almejado.
Podemos citar algumas formas de armazenamentos de dados, como por exemplo, a 
digitalização (processo mais utilizado para aquisição de dados já existentes), a 
fotogrametria (utilizada na geração de dados cartográficos), o sensoriamento 
remoto (oferece diversas possibilidades de extração de informações e análises 
temporais), o GPS (sistema extremamente preciso e rápido para posicionamento e 
mapeamento).
As ferramentas de geoprocessamento encontram-se em grande aplicação, pois possuir 
informações tratadas por meio de tais ferramentas representa possibilidades de redução 
de custos, aumento de eficiência, estabelecimento de conexões, redução de tempo e 
outras vantagens.
O geoprocessamento no APH se dá de forma bem prática e importante como identificando 
a localização de viaturas, passando informações, transmitindo a orientação de condutas 
e auxiliando no tratamento dos atendidos. Ainda é possível gerar bancos de dados 
e identificar locais com maior incidência de eventos traumáticos e clínicos. Estas 
informações permitem guiar políticas de saúde e de prevenção.
114
UNIDADE IV │ATENDIMENTO PRÉ-HOSPITALAR NO BRASIL E NO MUNDO E SUAS TECNOLOGIAS
A utilização de tal ferramenta otimiza ainda o tempo de atendimento das unidades de 
APH que através do equipamento poderá traçar a rota mais rápida e com menos fluxo 
até o local da solicitação, reduzindo assim os riscos a saúde do paciente que sempre 
tem o tempo em seu desfavor. Outro ponto importante é que no Brasil ainda não é 
possível disponibilizar um médico para cada ambulância e para cobrir essa deficiência 
as ferramentas de geoprocessamento podem oferecer recursos de visualização e 
registro de informações transmitidas por técnicos no local do atendimento e também 
fazer com que as instruções dos médicos das centrais de regulação cheguem ao local do 
atendimento.
A informatização e seu progresso trazem benefícios sem medidas para a medicina e 
quando se trata de APH torna-se notório a precisão que os processos informatizados 
trazem, diminuindo os riscos de erros e aumentando as possibilidades de socorro às 
vítimas que necessitem de tal atendimento.
115
Para (não) finalizar
https://www.youtube.com/watch?v=5FND2IP7vjc 
Antes de assumirem qualquer tipo de atendimento pré-hospitalar, devemos ter 
responsabilidade, ética e respeito ao próximo.
São inúmeros os relatos falta de conhecimento ou até mesmo desrespeito ao ser humano 
em situações de emergência. 
Sugiro que repensem se estão na profissão, cargo e/ou objetivo correto, e assistam a 
este vídeo proposto para que não cometam esses erros. 
Tenham sempre em mente que salvar vidas requer muita dedicação, não podemos 
desviar do foco que é o atendimento pré-hospitalar.
116
Referências
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cardiopulmonar e cuidados cardiovasculares de emergência da sociedade 
brasileira de cardiologia. Rio de Janeiro, 2013.
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117
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