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INTRODUÇÃO À PATOLOGIA 
 
HISTÓRICO DA PATOLOGIA 
 
É difícil precisar o início do interesse e da atenção da patologia pelo 
homem. Praticamente, ela é tão antiga quanto a humanidade, uma vez que essa 
sempre foi assolada por doenças e os humanos, cada um na sua época, 
procuraram entendê-las e tratá-las. 
Hipócrates (460 A.C-370 A.C.) – é considerado por muitos o “pai da 
medicina”. Líder da escola de Cós lançou a teoria dos quatro humores corporais 
(sangue, fleugma, bílis amarela e bílis negra). 
 
Figura de Hipócrates. Fonte: Wikipedia - 
https://pt.wikipedia.org/wiki/Hip%C3%B3crates#/media/Ficheiro:Hippocrates.jpg 
 
Galeno (129 D.C.-217 D.C.) – foi o médico mais importante do período 
romano, sendo o primeiro a trabalhar com estudos fisiológicos e tendo 
influenciado a medicina ocidental por mais de mil anos. 
Andreas Vesalius (1514-1564) – foi autor, em 1543, do atlas de anatomia 
De Humani Corporis Fabrica. Conseguiu refutar várias das teorias propostas por 
Galeno e que ate então, tinham plena aceitação. 
https://pt.wikipedia.org/wiki/Hip%C3%B3crates#/media/Ficheiro:Hippocrates.jpg
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Figura de Andreas Vesalius. Fonte: Wikipedia - 
https://pt.wikipedia.org/wiki/Andreas_Vesalius#/media/Ficheiro:Bruxelles_%C3
%A0_travers_les_%C3%A2ges_(1884)_(14800701083).jpg 
 
William Harvey (1578-1657) – descreveu pela primeira vez o sistema 
circulatório humano. 
Edward Jenner (1749-1823) – fez a primeira descrição da aterosclerose e 
desenvolveu a primeira vacina – contra a varíola. 
Heinrich Hermann Robert Koch (1843-1910) – foi um dos fundadores da 
microbiologia. Identificou pela primeira vez um microrganismo patogênico, o 
bacilo da tuberculose (bacilo de Koch). 
Alexander Fleming (1881-1955) – descobriu a penicilina e suas 
propriedades antibióticas, revolucionando os tratamentos contra as infecções 
causadas por microrganismos. 
 
CONCEITO DE PATOLOGIA 
 
Patologia é o estudo das doenças, entretanto, o seu conceito não abrange 
todos os aspectos das doenças. 
Aqui é necessário fazermos uma distinção entre medicina e patologia. A 
medicina se preocupa com a promoção de saúde, prevenindo, atenuando ou 
curando os sofrimentos causados pelas doenças. Já a patologia estuda as 
https://pt.wikipedia.org/wiki/Andreas_Vesalius#/media/Ficheiro:Bruxelles_%C3%A0_travers_les_%C3%A2ges_(1884)_(14800701083).jpg
https://pt.wikipedia.org/wiki/Andreas_Vesalius#/media/Ficheiro:Bruxelles_%C3%A0_travers_les_%C3%A2ges_(1884)_(14800701083).jpg
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causas das doenças, os mecanismos que as produzem e os locais onde ocorrem 
as alterações provocadas pelas doenças, sejam de ordem moleculares, 
morfológicas ou funcionais. 
 
DIVISÕES DA PATOLOGIA 
 
Etiologia: é o estudo das causas das doenças, os seus agentes causais. 
Existem duas classes de fatores etiológicos, os intrínsecos ou genéticos e os 
adquiridos, de caráter infeccioso, nutricional, químico ou físico. 
Patogênese: é o estudo dos mecanismos utilizados pelos agentes 
patogênicos para agressão ao organismo, envolvendo também a resposta das 
células ou tecidos ao agente, desde o estímulo inicial até ao final da doença. 
Anatomia patológica: é o estudo das alterações morfológicas dos tecidos 
em decorrência dos mecanismos patogênicos. 
Fisiopatologia: é o estudo das alterações funcionais no organismo, em 
decorrência das alterações morfológicas e que comprometem a homeostase e a 
morfostase. 
 
 
SAÚDE E DOENÇA 
 
É importante distinguirmos saúde de doença. Existem diferentes conceitos 
para saúde e utilizaremos o da Organização Mundial de Saúde (OMS): “Saúde 
é o estado de adaptação do organismo a ambiente físico, psíquico ou social”. 
Para melhor entendermos o conceito, introduziremos os termos morfostase 
e homeostase. O primeiro diz respeito ao equilíbrio da forma, o segundo ao 
equilíbrio da função, sendo que um implica automaticamente no outro. Portanto, 
seguindo o conceito da OMS, para termos saúde precisamos estar equilibrados 
física, psíquica e emocionalmente. Este equilíbrio advém de adaptação do 
organismo ao meio ambiente físico, mental e social. 
A doença seria o contraponto à condição de saúde, uma vez que o 
organismo estaria numa situação de falta de adaptação ao meio ambiente físico, 
mental e social, apresentando sintomas (sentindo-se mal) e sinais (com 
alterações orgânicas evidenciáveis). 
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FATORES DE RISCO E FATORES PRECIPITANTES DE DOENÇAS 
 
Fatores de risco são quaisquer situações que aumentem a probabilidade 
de ocorrência de uma doença ou agravo à saúde. Como exemplo, podemos citar 
a obesidade, o sedentarismo, o tabagismo e a pressão arterial elevada como 
fatores de risco para a doença coronariana arterial. 
Fatores precipitantes de doenças são exposições a um agente específico 
ou nocivo que podem estar associadas ao início de uma doença. Como exemplo, 
citamos a poeira, o estresse, o pólen e o exercício como fatores precipitantes de 
uma crise asmática. 
 
A CÉLULA 
 
A CÉLULA E SEUS COMPONENTES 
 
A célula é a unidade básica dos seres vivos, sendo seus principais 
componentes a membrana plasmática, o citoplasma e organelas e o núcleo. 
Membrana plasmática – também conhecida como membrana celular ou 
plasmalema, é constituída por uma bicamada fosfolipídica, segundo o modelo 
desenvolvido por Singer e Nicholson, em 1972. Segundo o modelo, a bicamada 
apresenta inúmeros fosfolipídios, cada um deles com uma cabeça hidrofílica, 
com presença de um grupo fosfato, e uma cauda hidrofóbica, que constitui a 
porção lipídica. Essa configuração constitui um verdadeiro “mosaico fluido”, 
tornando a membrana seletivamente permeável ou impermeável a diferentes 
tipos de moléculas. 
 
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Diagrama da membrana plasmática. Fonte: Wikipedia - 
https://pt.wikipedia.org/wiki/Membrana_plasm%C3%A1tica#/media/Ficheiro:Cell
_membrane_detailed_diagram_pt.svg 
 
Citoplasma – é dividido em citosol e organelas. O citosol é uma substância 
semigelatinosa, constituída por diferentes substâncias, na qual estão presentes 
as organelas celulares: ribossomos, mitocôndrias, retículo endoplasmático, 
aparelho de Golgi, lisossomos e peroxissomos. 
Os ribossomos estão envolvidos com a síntese de proteínas. 
As mitocôndrias possuem ácido desoxirribonucleico (DNA) e estão 
envolvidas com a produção de adenosina trifosfato (ATP). 
O retículo endoplasmático é o local de síntese de proteínas e lipídios, sendo 
desdobrado em retículo endoplasmático liso e retículo endoplasmático rugoso. 
O primeiro está envolvido na síntese de ácidos graxos – lipídios e o segundo na 
síntese de proteínas. 
O aparelho de Golgi tem como função principal a secreção e distribuição 
de proteínas ribossomáticas. 
Os lisossomos atuam como um sistema digestório intracelular. 
Os peroxissomos atuam na degradação de cadeias longas de ácidos 
graxos e de moléculas potencialmente tóxicas ao organismo. 
Núcleo – é o centro de controle da célula, sítio de confinamento do material 
genético – DNA (ácido desoxirribonucleico) e também de síntese de RNA (ácido 
ribonucleico). 
 
https://pt.wikipedia.org/wiki/Membrana_plasm%C3%A1tica#/media/Ficheiro:Cell_membrane_detailed_diagram_pt.svg
https://pt.wikipedia.org/wiki/Membrana_plasm%C3%A1tica#/media/Ficheiro:Cell_membrane_detailed_diagram_pt.svg
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Desenho de uma célula. Fonte: Wikipedia - 
https://pt.wikipedia.org/wiki/C%C3%A9lula_animal#/media/Ficheiro:Biological_c
ell.svg 
 
ADAPTAÇÕES CELULARES 
 
Quando submetidas a estresses fisiológicos ou estímulos patogênicos, as 
células podem ativar mecanismos de adaptação, numa tentativa de recuperar o 
equilíbrio. Essas adaptações levam tanto a uma alteração no volume celular – 
hipertrofia e hipotrofia quanto a uma alteração na taxa de divisão celular – 
hiperplasia e hipoplasia. 
Hipertrofia: é o aumento do tamanho das células, sem síntese de DNA, que 
resulta no aumento do órgão ou tecido. 
Hipotrofia:é a diminuição do tamanho das células. 
https://pt.wikipedia.org/wiki/C%C3%A9lula_animal#/media/Ficheiro:Biological_cell.svg
https://pt.wikipedia.org/wiki/C%C3%A9lula_animal#/media/Ficheiro:Biological_cell.svg
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Hiperplasia: é o aumento do número de células, em decorrência de 
aumento na taxa de divisão celular, existindo uma capacidade nas células de 
síntese de DNA. 
Hipoplasia: é a diminuição do número de células, em decorrência de 
diminuição na taxa de divisão celular. 
 
LESÕES CELULARES REVERSÍVEIS E IRREVERSÍVEIS 
 
As lesões celulares podem ser do tipo reversível ou irreversível. As do tipo 
reversível permitem a manutenção dos processos vitais da célula, ao passo que 
as do tipo irreversível levam à morte celular. 
 
CAUSAS DE LESÃO CELULAR 
 
Dentre as principais causas de lesão celular destacamos a privação de 
oxigênio, a isquemia, os agentes físicos, os agentes químicos, os agentes 
infecciosos, os mecanismos imunes, os distúrbios genéticos e os distúrbios 
nutricionais. 
A privação de oxigênio pode ser do tipo hipóxia ou anóxia. A hipóxia é uma 
redução parcial no aporte de moléculas de oxigênio à célula, já a anóxia é uma 
interrupção nesse aporte. 
Isquemia é a diminuição (hipóxia) ou interrupção (anóxia) do fornecimento 
de oxigênio aos tecidos (células) causados por obstrução de um vaso sanguíneo. 
Dentre os agentes físicos, salientamos o trauma mecânico, as variações de 
temperatura, as queimaduras, as variações repentinas de pressão atmosférica, 
a radiação solar e o choque elétrico. 
Entre os agentes químicos, citamos o álcool, o fumo, os medicamentos, os 
poluentes ambientais, os venenos, as drogas ilícitas e o oxigênio em altas 
concentrações. 
Como agentes infecciosos temos os vírus, as bactérias, os protozoários, os 
fungos e os vermes. 
Dentre os mecanismos imunes destacamos as doenças autoimunes e a 
reação anafilática. Nas doenças autoimunes, o sistema imunológico considera 
como “elementos estranhos” partes do próprio corpo, atacando-os. Já a reação 
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anafilática é uma reação alérgica grave e rápida, desencadeada pelo sistema 
imunológico em resposta à exposição de uma substância alérgena. 
Os defeitos genéticos são destacados pela anemia falciforme, uma doença 
hereditária que se caracteriza pela presença de quantidades elevadas de 
hemácias com malformação, causando anemia hemolítica. 
Entre os distúrbios nutricionais, destacamos a obesidade e a má nutrição. 
A obesidade é caracterizada pelo acúmulo de gordura corporal, que está 
associado a complicações metabólicas. Na má nutrição, há consumo abaixo ou 
além do necessário de diferentes nutrientes. 
 
MECANISMOS DE LESÃO CELULAR 
 
Dentre os mecanismos de lesão celular, apontamos a depleção do ATP, a 
lesão mitocondrial, o influxo de cálcio para o citosol e perda da homeostase do 
cálcio, o acúmulo de radicais livres derivados do oxigênio e os defeitos na 
permeabilidade das membranas. 
Depleção (redução do ATP) – ATP (adenosina trifosfato) é um nucleotídeo 
– composto rico em energia, que armazena energia em suas ligações químicas, 
utilizado no funcionamento da bomba de sódio-potássio. A bomba é uma 
proteína transmembrana, que atua no transporte de íons sódio (Na+) e potássio 
(K+) para dentro e para fora das células, contra os gradientes de concentração 
(transporte ativo) desses íons e que tem um papel importante na manutenção do 
potencial de repouso das células nervosas, musculares e cardíacas. Num padrão 
de normalidade, a bomba, a cada ciclo, coloca três íons sódio para fora da célula 
e dois íons potássio para dentro, consumindo uma molécula de ATP. Quando há 
depleção do ATP, causada por isquemia ou envenenamento, por exemplo, isso 
acarreta falta de energia, que causará falha na bomba, fazendo com que íons 
sódio e água entrem na célula e íons potássio saiam, produzindo edema 
intracelular. Sem outra alternativa para obtenção de energia (ATP), a célula inicia 
glicólise anaeróbia, que é outra maneira de obter energia, porém menos 
eficiente, lembrando que essa via de produção resulta em duas moléculas de 
ATP. A glicólise anaeróbia, além de gerar menos energia, produz substâncias 
ácidas (ácido lático e fosfatos inorgânicos) e diminui significativamente os 
depósitos de glicogênio, acarretando uma queda do pH intracelular. Na 
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sequência, há falha na bomba de cálcio, com o seu consequente acúmulo no 
interior da célula, levando a morte celular. 
Lesão mitocondrial – a falha na bomba de cálcio leva a lesão nas 
membranas da mitocôndria. 
Influxo de cálcio para o citosol e perda da homeostase do cálcio – a lesão 
celular é mediada por íons cálcio (Ca2+). A falha na bomba de cálcio faz com que 
esse se acumule no citosol, reduzindo os níveis de ATP, fosfolipases e 
endonucleases e induzindo a apoptose (morte celular programada). 
Acúmulo de radicais livres derivados do oxigênio – os radicais livres são 
átomos, moléculas ou fragmentos de moléculas com um ou mais elétrons 
desemparelhados. Um dos produtos indesejados da respiração mitocondrial são 
formas reativas do oxigênio parcialmente reduzidas. Algumas são radicais livres 
e danificam lipídios, proteínas e ácidos nucleicos. 
Defeitos na permeabilidade das membranas – as membranas, 
principalmente da célula e das mitocôndrias, perdem a permeabilidade seletiva 
quando danificadas. 
 
TIPOS DE LESÃO CELULAR 
 
As lesões celulares podem ser reversíveis ou irreversíveis. 
Nas lesões celulares reversíveis, a célula perde a homeostasia (equilíbrio), 
mas tem condições de recuperá-la. Acontecem alterações físico-químicas e 
acúmulo de substâncias no citoplasma. Como exemplo, citamos a degeneração 
hidrópica, a degeneração gordurosa e a degeneração hialina. 
Degeneração hidrópica – acúmulo de água no citoplasma, causado por 
redução da produção de ATP, agressão da membrana celular ou perda de 
eletrólitos, comprometendo a regulação do volume da célula. 
Degeneração gordurosa – acúmulo de lipídios principalmente no interior 
das células parenquimatosas do fígado, em decorrência, entre outros, de fome, 
jejum, aumento da ingestão de alimentos e aumento da secreção de hormônios, 
acarretando morte dos hepatócitos. 
Degeneração hialina – acúmulo de proteínas no citoplasma das células do 
tecido conjuntivo fibroso e da parede dos vasos. 
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Nas lesões celulares irreversíveis, a célula perde a homeostasia, mas não 
tem condições de recuperá-la, levando-a, invariavelmente, à morte celular. 
Como exemplo, temos três exemplos de lesões ao nível de núcleo celular, a 
picnose celular, a cariorréxis e a cariólise. 
Picnose celular – condensação da cromatina nuclear, levando à apoptose 
(morte celular programada). 
Cariorréxis – a cromatina nuclear se fragmenta dispersando-se de maneira 
desorganizada. 
Cariólise – dissolução completa da cromatina. 
 
MORTE CELULAR 
 
Existem dois tipos de morte celular – necrose e apoptose, seguidas de 
autólise, que é a destruição da massa celular após a morte. 
Necrose – soma das alterações morfológicas, resultante de desnaturação 
das proteínas, digestão enzimática das organelas e outros constituintes celulares 
e digestão celular, que seguem a morte celular. Apresentaremos as necroses 
coagulativa, liquefativa, caseosa, gordurosa e gangrenosa. 
Necrose coagulativa – resultante da desnaturação parcial das proteínas. 
Necrose liquefativa – ocorre morte celular seguida de autólise total. 
Necrose caseosa – combinação de necrose coagulativa com necrose 
liquefativa. 
Necrose gordurosa – ocorre após a morte do tecido adiposo. 
Necrose gangrenosa – divide-se em gangrenosa úmida, modificação da 
necrose coagulativa por ação de liquefação de bactérias e gangrenosa seca, 
com predominância de fenômenos coagulativos. 
Apoptose – é a morte celular programada, causada por fatores internos, 
sendo uma auto-programação de destruição celular, assim como um mecanismo 
de controlecelular. 
 
 
BIBLIOGRAFIA CONSULTADA 
 
ANGELO, Isabele da Costa (Org.). Patologia Geral. São Paulo: Pearson, 2016. 
 
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BRASILEIRO FILHO, Geraldo. Bogliolo: Patologia Geral. 9. ed. Rio de Janeiro: 
Guanabara Koogan, 2017. 
 
GOLDMANN, Lee.; SCHAFER, Andrew I. (Eds.) Cecil Medicina. 24. ed. Rio de 
Janeiro: Elsevier, 2014. 
 
KUMAR, Vinay; ABBAS, Abul K.; ASTER, John C. Robbins & Cotran 
Patologia: Bases Patológicas das Doenças. 9. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 
2016. 
 
STAINFIELD, C. Fisiologia Humana. 5. ed. São Paulo: Pearson, 2016.

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