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TÉCNICAS DE COMUNICAÇÃO 
AULA 1 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Prof.ª Margarete Terezinha de Andrade Costa 
 
 
2 
CONVERSA INICIAL 
As relações entre os seres humanos de todo o mundo se dão pela 
comunicação; ela é um componente imprescindível de nossa vida. A todo o 
instante estamos compartilhando informações, seja por meio da fala, de gestos, 
de um sorriso ou da escrita, pela leitura de documentos, sites, entre outros. 
 Da mesma forma, a comunicação fomenta não só a permuta de 
pensamentos, mas de cultura conhecimentos e saberes. Daí sua importância no 
âmbito pessoal e profissional. Para conhecermos mais sobre o assunto, nesta 
aula iremos estudar a comunicação e a operacionalização dos conceitos 
oriundos das teorias da comunicação. Para tal, é necessário conhecer as teorias 
de comunicação e seus elementos constitutivos; reconhecer a linguagem verbal 
e não verbal; compreender as variáveis individuais, ambientais, circunstanciais 
e de linguagem da comunicação; investigar a relação da comunicação com a 
intencionalidade discursiva; e analisar o que é texto e textualidade. Desejo que 
este trabalho seja muito prazeroso para todos! 
TEMA 1 – ELEMENTOS DA COMUNICAÇÃO 
Vamos começar analisando dois termos de origem latina: communicatio, 
que significa o ato de repartir, distribuir, tornar comum a todos; e communis, que 
significa comum, banal, algo corriqueiro compartilhado por vários. Esses termos 
deram origem à palavra comunicar; assim, basicamente ela significa partilhar, 
repartir, tornar comum; e isso é verdade, pois a comunicação é algo inerente aos 
seres humanos e nos faz mais unidos, pois nós nos comunicamos o tempo todo 
e por todos os tempos. 
A interação social se dá pela comunicação, quando estabelecemos algo 
comum com outra pessoa. Assim, podemos definir comunicação como um 
processo de intercâmbio social efetivado por meio de símbolos e mensagens 
com significação comuns. É a transmissão e recepção de informações entre as 
pessoas. Logo, a comunicação é todo processo pelo qual os seres humanos 
partilham informações. 
Para que seja efetiva, há necessidade de pelo menos duas pessoas na 
ação de comunicação, com geração de entendimento recíproco. Há também 
outros elementos básicos, que foram organizados por Roman Jakobson, um 
linguista nascido em 1896 em Moscou. Ele retoma e aprofunda estudos de 
 
 
3 
pesquisadores anteriores sobre a teoria da comunicação, e em 1960 apresenta 
em um ensaio da sistematização e classificação dos elementos da comunicação. 
Segundo o autor: 
O REMETENTE envia uma MENSAGEM ao DESTINATÁRIO. Para ser 
eficaz, a mensagem requer um CONTEXTO a que se refere (ou 
‘referente’, em outra nomenclatura algo ambígua), apreensível pelo 
destinatário, e que seja verbal ou suscetível de verbalização; um 
CÓDIGO total ou parcialmente comum ao remetente e ao destinatário 
(ou, em palavras, ao codificador e ao decodificador da mensagem); e, 
finalmente, um CONTACTO, um canal físico e uma conexão 
psicológica entre o remetente e o destinatário, que os capacite a ambos 
a entrarem e permanecerem em comunicação. Todos estes fatores 
inalienavelmente envolvidos na comunicação verbal podem ser 
esquematizados como segue (Jakobson, 2008, p. 122-123). 
Figura 1 – Esquema de comunicação de Jakobson 
 
CONTEXTO 
MENSAGEM 
REMETENTE --------------------------- DESTINATÁRIO 
CONTATO 
CÓDIGO 
 
Fonte: Elaborado com base em Jakobson, 2008, p. 123. 
Vamos analisar cada elemento apresentado por Jakobson. 
1.1 Remetente 
O remetente, ou emissor, é quem emite a mensagem; dele saem as 
ideias, pensamentos e elucubrações com um significado; pode ser uma pessoa, 
um grupo delas, uma instituição ou mesmo um suporte da mensagem, como um 
cartaz e um desenho. 
O que precisamos analisar é que o emissor, sendo uma pessoa, tem 
sentimentos, desejos e intenções. Portanto, ele emite uma mensagem com base 
no contexto em que está inserido, em um determinado tempo histórico. Tudo isso 
deve ser analisado, já que a mensagem reflete esses elementos, mesmo que de 
forma subjetiva. 
1.2 Destinatário 
O destinatário é o receptor da mensagem; é quem a lê, ouve ou sente. 
Pode ser uma pessoa, um grupo delas, ou mesmo um animal. Também é 
necessário considerar que o receptor está em um determinado contexto, em um 
 
 
4 
tempo e momento que vai influenciar como se entende a mensagem recebida. 
Com isso, é necessário considerar que a mensagem é perpassada pela situação 
em que se encontram o emissor e o receptor, sendo influenciada por ela. 
1.3 Contexto, mensagem 
O contexto, também denominado de referente, é o cenário no qual a 
mensagem é passada do emissor para o receptor; como já dissemos, ela 
influencia significativamente a forma de comunicação, pois uma mesma 
mensagem pode ter entendimentos diferenciados de acordo com o contexto em 
que é realizada. 
A mensagem é o objeto da comunicação; ela carrega o conteúdo. Aqui é 
importante ressaltar que é muito complexo pensar que a mensagem sempre terá 
o mesmo significado que o emissor deseja comunicar e que o receptor entende. 
Há vários elementos que deturpam esse caminho. Tais ocorrências são 
denominadas ruídos, mas não têm relação direta com barulho. Ruído é todo o 
episódio que atrapalha a comunicação. Assim, o barulho é um ruído, mas um 
som muito baixo que dificulte o entendimento também é. Podem ser também: 
falta de rede de celular, muita gente falando ao mesmo tempo, uso de palavras 
com sentido muito complicado e falta de interesse na comunicação. 
1.4 Contato, código 
O contato, também conhecido como canal de comunicação, é a maneira 
como a comunicação é realizada. Ela pode ser efetivada pela fala, pela escrita, 
por um e-mail; cada canal tem um código específico. 
Código é o signo compartilhado pelo emissor e receptor, tais como as 
palavras, imagens e sinais. É evidente que, para que a comunicação se realize, 
tanto o emissor quanto o receptor devem dominar o mesmo código ou sistemas 
de sinais; por exemplo, gestos, sons, códigos, indicações ou língua natural 
(língua portuguesa, inglesa, chinesa etc.). 
TEMA 2 – LINGUAGEM VERBAL E NÃO VERBAL 
 A linguagem é o sistema pelo qual os seres humanos se comunicam. Por 
meio dela é que as ideias e os sentimentos são expressados. Assim, sempre 
que houver comunicação, a linguagem é utilizada. Há vários tipos de linguagem; 
 
 
5 
ela pode ser materializada por sinais, símbolos, sons, gestos, sinais 
convencionais, entre tantos outros. Assim, linguagem é todo sistema utilizado 
para a comunicação. Nós, seres humanos, utilizamos dois tipos básicos de 
linguagem: a verbal e a não verbal. 
2.1 Linguagem verbal 
O termo verbal tem sua origem na palavra verbale, do latim, que é 
derivada do termo verbu, que signfica palavra. Assim, linguagem verbal é a 
aquela que utiliza as palavras como código de comunicação. Ela pode acontecer 
de duas formas: a escrita e a oral. 
A linguagem verbal escrita é extremamente complexa, pois exige do 
emissor a organização das ideias, de forma que, ao ler, o receptor tenha 
conhecimento exato da mensagem. Para tal, tanto o emissor quanto o receptor 
precisam dominar um código e saber fazer uso dele. Um bom exemplo são os 
sinais de pontuação, como a exclamação, que expressa o sentimento de 
surpresa. Igualmente, a língua escrita requer cuidados, pois nem sempre quem 
lê o texto está perto do emissor para esclarecer possíveis dúvidas. Muitas vezes, 
a leitura do texto é feita em tempos diferentes, e assim é preciso atentar para 
sua construção, afim de não criar dúvidas no leitor. 
A forma escrita, por sua vez, apresenta variantes. Ela pode ser formal ou 
informal, dependento da situação em que a mensagem é expressa. O importante 
é que o emissor tenha domínio das diferentes formas do uso da lingagem para 
que possa adaptá-las às diferentes situações de uso. 
A forma oral também é bastante complexa, mastraz a vantagem de poder 
ser retomada dependendo da reação do ouvinte. Ela apresenta as variações 
formal e informal, estando relacionada principalmente à imagem do emissor. 
Quando se ouve alguém falando, nós naturalmente elaboramos uma opinião 
sobre o emissor e consquentemente avaliamos a sua fala. Isso interfere 
diretamente no entendimento da mensagem. 
2.2 Linguagem não verbal 
A linguagem não verbal é aquele não utilza a palavras. Em seu lugar, são 
usados recursos visuais, tais como imagens, figuras, cores, ilustrações, sinais e 
também ruídos, como apitos e gritos. 
 
 
6 
Quando não se usa a palavra para se comunicar, ela é denominada 
comunicação não verbal, e pode ser efetivada por gestos, toques, expressões 
faciais, imagens, cores e outros sinais não linguísticos. 
Na oralidade, há uma espontaneidade que a faz mais solta, livre e criativa; 
ela é acompanhada de gestos, expressões faciais e tonalidade da voz, que 
traduzem melhor o que o falante quer dizer. 
2.3 Linguagem mista 
 A linguagem mista é a utilização da linguagem verbal e não verbal ao 
mesmo tempo 
 TEMA 3 – VARIAÇÕES LINGUÍSTICAS 
O Brasil é um país de dimensões continentais. Somos realmente um país 
muito grande, e com isso temos diferenças relevantes no uso da fala em nosso 
povo. Isso é muito bom, pois a diversidade enriquece culturalmente a todos. 
Devemos considerar que todas as diferentes formas de fala, quando atendem o 
fator de comunicação (isso é, quando são entendidas), são válidas e estão 
corretas. O preconceito linguístico deve ser combatido. No lugar de certo ou 
errado, a língua deve ser entendida como adequada ou inadequada. Falaremos 
sobre este assunto no decorrer de nossos estudos. 
Obviamente, tal variação impacta a forma como nós brasileiros falamos. 
Cada região tem características valiosas na forma de comunicação, e todas são 
preciosas e trazem valor a quem as usa. Elas podem se apresentar no 
vocabulário, na pronúncia ou no uso da gramática. 
Da mesma forma, por ser a língua um fenômeno dinâmico e sensível, há 
variações ligadas a tempo, idade do interlocutor, classe social, gênero, situação 
formal ou informal. 
3.1 Variações diatópicas, regionais ou geográficas 
As variações diatópicas são as diferenças de uma mesma língua em 
diversas localidades. A língua portuguesa, por exemplo, é usada de forma 
diferente em Portugal, e mesmo dentro do Brasil há diferenças acentuadas. É 
fácil observar as diferenças nas falas dos habitantes das várias regiões do país. 
 
 
7 
Por exemplo: abóbora e jerimum; mimosa, mexerica e bergamota, macaxeira, 
aipim, mandioca. 
3.2 Variações diafásicas ou situacionais 
 As diferentes situações de comunicação exigem adequações na fala. Tais 
variações são denominadas de diafásicas. Nós não falamos da mesma forma 
com o nosso superior no emprego e com nosso animal de estimação. Cada 
contexto comunicativo tem uma determinação formal ou informal da fala. 
A linguagem formal é considerada mais culta, e por isso mais prestigiada. 
Ela é aquela mais cuidada, utilizada em situações que exigem mais correção 
gramatical, quando não há tanta familiaridade ou intimidade entre os 
interlocutores. 
A linguagem informal, por sua vez, é utilizada em situações em que os 
interlocutores têm mais intimidade e estão mais relaxados quanto à construção 
das frases e uso de termos mais específicos. Sendo assim, é quase sempre 
rebelde à norma gramatical e ressalta o caráter oral e popular da língua. A 
linguagem é tida como coloquial, sedo usada espontânea e fluentemente pelo 
povo. 
Lembramos que interlocutores são as pessoas que participam do 
processo de interação por meio da linguagem 
3.3 Variações diastráticas ou sociais 
As variações diastráticas ou sociais são as que acontecem devido ao 
convívio dos interlocutores com determinados grupos sociais. A língua retrata as 
questões culturais, as atividades desenvolvidas, os ferramentais utilizados de 
seus usuários. São os jargões ou gírias de cada linguajar utilizado por grupos 
distintos, tais como: pescadores, surfistas, médicos, advogados, religiosos, 
criminosos, entre outros. 
A gíria é um estilo que se integra à língua popular e relaciona-se ao 
cotidiano de certos grupos sociais. O jargão é relacionado à linguagem de 
grupos profissionais 
 
 
 
8 
3.4 Variações históricas 
 A linguagem é produzida por nós, seres humanos, e se modifica com o 
passar do tempo. Portanto, ela também sofre modificações. Com o movimento 
do tempo, muitas palavras são acrescidas em nosso vocabulário, e outras não 
são mais utilizadas. Essa dinâmica acontece na língua ao longo da história. 
Muitas palavras deixam de ser utilizadas, alguns grafemas, como “ph” de 
“Pharmacia”, ou o trema em conseqüência, deixam de existir, fazendo com que 
a língua acompanhe a evolução humana. 
TEMA 4 – INTENCIONALIDADE DISCURSIVA 
Como já discutimos nesta aula, a comunicação tem a finalidade de 
transmitir uma ideia, um pensamento. Portanto, ao nos comunicamos, temos 
uma intenção, um desejo, um objetivo, que pode ser o mais variado possível. Às 
vezes a comunicação se presta somente para que sejamos vistos, sem uma 
bagagem muito interessante de conteúdo; ainda assim, pode estimular o diálogo. 
A intenção é algumas vezes explícita, isso é, está clara na mensagem; 
outras vezes ela é implícita, quando está camuflada na comunicação. Muitas 
vezes um texto traz uma informação, mas na verdade carrega outras 
informações; isso é comum na música em tempos de repreensão, como 
acontecia no Brasil na época da Ditatura Militar. Daí a importância de se fazer 
uma boa interpretação no processo comunicativo. 
4.1 Argumentação 
 Os argumentos são recursos utilizados para convencer o outro de uma 
ideia. O texto argumentativo é composto da exposição de uma tese (ideia) e de 
argumentos que a comprovam. A intencionalidade está diretamente relacionada 
com a argumentação; assim, todo texto tem alguma forma de convencimento, 
mesmo que de forma sutil. Com isso, fundamentamos a teoria de que os textos 
não são neutros, pois carregam em si uma intencionalidade da parte de quem 
os constrói. Estão impregnados de crenças, convicções, perspectivas e 
finalidades de quem os produz, influenciando assim o receptor de suas ideias. 
 
 
 
9 
4.2 Interpretação de texto 
 A interpretação de um texto está relacionada com o entendimento da sua 
intenção. Há dois níveis básico de interpretação: o primeiro é a interpretação em 
si, ou seja, entender o que foi comunicado, conhecer os termos utilizados, seguir 
a ordem das ideias, concordar ou não com o que é transmitido. O segundo 
passo, que exige um pouco mais de atenção, é perceber o que há na essência 
do que é transmitido e relacioná-lo com outros contextos próximos. Aí aparece a 
contextualização do processo e as dúvidas que a mensagem provocou. 
TEMA 5 – TEXTUALIDADE 
Um termo bastante comum precisa ser esclarecido: texto. O que é texto, 
quando ele acontece e como identificá-los são questões necessárias em nossos 
estudos. 
Texto é toda unidade linguística perceptível pela visão ou audição, e que 
comunica algo. Ele pode ser longo, com várias páginas, ou se constituir de 
apenas uma palavra ou imagem. 
O termo texto tem origem no latim textum, que significa tecido. Essa 
imagem é muito bonita, pois o texto é uma trama por meio da qual se enredam 
as palavras. Para ser texto, também é necessário que haja uma unidade 
linguística com sentido, uma estrutura organizada e principalmente a 
comunicação de ideias. O texto tem significado. 
5.1 Fatores da textualidade 
A textualidade é o que faz um texto ser um texto, ou seja, é a forma de 
organizar um texto para fazê-lo ser entendido pelo outro. Na realidade, são 
requisitos para que um texto seja entendido pelo receptor. Tais requisitos são 
divididos em fatores linguísticos e extralinguísticos. 
 
 
 
10 
Quadro 1 – FatoresNA PRÁTICA 
 Um bom exercício comunicativo é prestar atenção. Assim, comece a 
atentar no seu dia a dia como funcionam os elementos da comunicação; observe 
se o emissor está sendo claro e objetivo, e também a postura do receptor, se ele 
está atento e entendendo a mensagem transmitida. Exercite-se igualmente na 
observação das mensagens verbais e não verbais que chegam até você; note a 
frequência delas em propagandas, outdoors e outros suportes expostos 
publicamente. É muito interessante também contemplar as variações linguísticas 
das pessoas com que você convive. Aprecie as diferenças nas falas e tente 
descobrir como isso se dá. E, por fim, talvez o exercício mais importante seja 
prestar atenção na intencionalidade das mensagens recebidas. Investigue qual 
realmente é a finalidade da mensagem e como esse objetivo é colocado. Dessa 
forma, você vai ampliar o entendimento dos processos de comunicação. Boa 
pesquisa! 
Fatores 
linguísticos Coesão - Ligação entre as palavras do texto, formando uma sequência. Elementos que estabelecem elos que ligam as 
ideias no texto.
Coerência - Acontece quando as partes do texto se encaixam. 
Quando não há ideias destoantes, contraditórias ou desconexas 
no texto. 
Intertextualidade - Quando o texto apresenta implícita ou 
explicitamente outro texto em seu corpo.
Fatores 
extralinguísticos
Intencionalidade - São as intenções, explícitas ou implícitas, 
existentes na linguagem dos interlocutores que participam de 
uma situação comunicativa.
Aceitabilidade - Quando o leitor intuitivamente compreende e 
entende o que foi escrito.
Informatividade - Qualidade das informações contidas num 
texto: por quê, para quê e para quem se escreve.
Situacionalidade - Adequar um texto a uma situação, ao 
contexto.
 
 
11 
FINALIZANDO 
 Nesta aula, estudamos as bases das técnicas de comunicação. 
Retomamos os elementos da comunicação, os conceitos de linguagem verbal e 
não verbal, as variações linguísticas, a intencionalidade discursiva e, por último, 
a textualidade. Tudo isso afim de deixar claro que os processos e a organização 
da comunicação são fundamentais para o bom relacionamento com os outros, 
reforçando sempre que, para nos comunicar cada vez melhor, é necessário estar 
atento ao outro e sempre prestar atenção. 
 
 
 
12 
REFERÊNCIAS 
JAKOBSON, R. Linguística e comunicação. 23. ed. São Paulo: Cultrix, 2008. 
LUIZARI, K. R. Comunicação empresarial eficaz: como falar e escrever bem. 
Curitiba: InterSaberes, 2010. 
VALLE, M. L. E. Não erre mais: língua portuguesa nas empresas. Curitiba: 
InterSaberes, 2013. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
TÉCNICAS DE COMUNICAÇÃO 
AULA 2 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Profª Margarete Terezinha de Andrade Costa 
 
 
2 
CONVERSA INICIAL 
 Esta aula tem como foco a comunicação e a interação, por meio do uso 
de mensagens eletrônicas no universo das novas tecnologias de comunicação. 
Para tal, vamos discorrer sobre a evolução das ferramentas de colaboração e 
como se dá a construção da comunicação com as novas tecnologias. Lembrando 
que a comunicação é realizada entre seres humanos, e que as tecnologias estão 
postas para ajudar, considerando a importância do contato pessoal e humano. 
TEMA 1 – COMUNICAÇÃO E INTERAÇÃO 
Ao analisar as tendências da comunicação na sociedade da informação, 
não podemos deixar de considerar os processos da comunicação humana. 
Incluímos aqui a comunicação oral, o uso da escrita, que trouxe durabilidade à 
comunicação pela possibilidade de seu registro permanecer no tempo, e os 
avanços tecnológicos, que por sua vez trouxeram grandes mudanças sociais, 
não só em relação à comunicação, mas também no cenário mundial como um 
todo. Hoje em dia, há a possibilidade de intercomunicar-se com pessoas de 
todos os continentes em tempo real. 
1.1 Sociedade da informação 
As tecnologias de comunicação e informação têm provocado várias 
mudanças na sociedade. A reestruturação econômica, organizacional e cultural 
perpassa o desenvolvimento das tecnologias de informação e comunicação, 
também conhecidas como TICs. Por conseguinte, elas 
contribuem para modificações do cenário econômico, expansão comercial e 
transformações sociais. Estas são, por sua vez, a base da sociedade da 
informação, e o elemento central de transformação e produção de conhecimento 
social. Aqui, é preciso ter em vista que a aquisição, o armazenamento, o 
processamento e a distribuição da informação por meio de recursos tecnológicos 
são o alicerce da estrutura social, e determinam a sua evolução. Isso acontece 
de tal modo que a forma como a coletividade vive baseia-se nas evoluções das 
tecnologias de informação e comunicação, e reflete o seu desenvolvimento. Ou 
seja, quanto mais recorrente é o uso e o acesso às tecnologias, maiores são as 
possibilidades de recursos estratégicos para o desenvolvimento. 
 
 
3 
1.2 Novas tendências 
Comecemos nossas reflexões partindo do princípio de que não são as 
tecnologias de comunicação que mudam a sociedade. Trata-se do seu uso e de 
quem as manipula. Em uma sociedade capitalista, como a nossa, a busca pelo 
lucro está diretamente relacionada com a utilização, a difusão e o acesso às 
tecnologias de comunicação. Assim, não sejamos ingênuos, pensando que não 
há interesse econômicos por traz desse cenário. É certo que as tecnologias nos 
permitem escolhas, mas somos reféns dos interesses capitalistas. 
As novas tendências tecnológicas podem ser entendidas como os novos 
procedimentos, instrumentos e técnicas voltados ao processo produtivo, tendo 
como objetivo a valorização do capital; porém, elas não diminuem as diferenças 
sociais, tampouco promovem a democratização do acesso a bens culturais e 
econômicos. 
TEMA 2 – COMUNICAÇÃO E INTERAÇÃO COM MENSAGENS ELETRÔNICAS 
 A comunicação sempre acontece em determinado contexto, para melhor 
entender este processo foram desenvolvidos vários modelos dos processos 
comunicativos frente as diferentes realidades comunicacionais. Eles podem ser 
classificados como de base linear ou de informação, os modelos de base 
cibernética ou circulares, modelos de comunicação de massas, e os modelos 
culturais ou socioculturais. Vamos analisar alguns deles. 
 2.1 Comunicação linear 
A comunicação de base linear é aquela a ser realiza como uma linha reta 
entre o emissor e o receptor. Nessa categoria, há dois modelos. 
O primeiro é o modelo linear de Lasswell, em que há uma relação entre o 
emissor – canal – receptor e o efeito que a mensagem causa. O emissor é o 
responsável pela comunicação e somente o receptor reage ao processo. É um 
procedimento tradicional, e não considera a influência mútua entre os 
participantes. 
O modelo linear de Lasswell responde de forma apropriada às seguintes 
questões: Quem? Diz o quê? Através de que meio? A quem? Com que efeito? 
Esse modelo aponta que a iniciativa de um ato de comunicação é sempre do 
emissor, e que os efeitos ocorrem unicamente no receptor – quando, na verdade, 
 
 
4 
um ato comunicativo não tem início bem definido, e os emissores e receptores 
se influenciam mutuamente. 
O modelo linear de Shannon e Weaver volta-se para a mensagem, 
independentemente de como é elaborada e transformada em sinal – por meio do 
qual chegará ao receptor. Nesse modelo, a mensagem é manipulada 
tecnicamente, principalmente quando houver uma máquina como canal. 
2.2 Comunicação em rede 
A comunicação em rede está relacionada com a transferências eletrônica 
da comunicação por meio de um computador ou periférico. Há o elemento de 
feedback. Nesse molde, encontramos os seguintes modelos: 
 Modelo de Comunicação Interpessoal de Schramm, que acrescenta ao 
seu modelo linear a retroação, isso é, o feedback, e adiciona o fato de que 
a comunicação é um processo interminável, dentro do qual o emissor 
torna-se o receptor e assim consecutivamente. 
 Modelo circular de Jean Cloutier,que aponta que a comunicação é como 
um circuito, não linear, mas sim concêntrico. Nesse modelo, a linguagem 
e a mensagem são indissociáveis. 
 Modelo da comunicação de massas, que está embasado na cibernética; 
nele, ocorre comunicação mista entre o ser humano e a máquina. Assim, 
tem um caráter flexível e consequentemente mais útil e inovador. 
TEMA 3 – NOVAS TECNOLOGIAS DE COMUNICAÇÃO 
A comunicação é indissociável das relações humanas. E em nossa 
sociedade, a comunicação sofreu novos impactos, em virtude do advento das 
novas tecnologias. Prova disso é que dificilmente encontramos alguém que não 
faça uso de tecnologia para comunicar-se. A comunicação instantânea, com 
múltiplos receptores, tornou-se comum, diferentemente do que acontecia antes 
do advento da tecnologia; muda, com isso, a interação entre as pessoas 
3.1 Breve histórico da tecnologia e comunicação 
Os meios de comunicação tiveram um amplo impacto com o surgimento 
de tecnologias. Vamos começar pelo cinema, que surgiu em 1895, e trouxe 
consigo duas outras formas artísticas: o teatro e a fotografia. O mais interessante 
 
 
5 
dessa nova linguagem é que as pessoas possam assistir a peças em lugares 
distantes e tempos diferentes, o que confere fluidez e mais interação ao 
processo. Uma mudança interessante foi a utilização do cinema para as mídias, 
que deu assim um salto em seu procedimento. 
Em 1923 surgiu a televisão, levando aos lares os benefícios do cinema. 
Com isso, aumentou o número de pessoas que se utilizam desse recurso 
comunicativo – daí em diante, considerado de massa. É fácil perceber isso pelo 
número de pessoas que tem um ou mais aparelhos em suas casas. Obviamente, 
o aumento do número de telespectadores fomentou o processo de publicidade, 
que utiliza esse recurso para a divulgação de serviços e produtos. 
Na década de 1950, os computadores, antes enormes e pesados, 
começaram a diminuir e sofrer avanços tecnológicos; somente depois de 
décadas de estudos e experimentos, em 1976 surge o primeiro computador, 
similar aos que usamos atualmente. Já os computadores portáteis vieram nos 
anos 1990. Junto com a nova estrutura, que era menor e mais leve, surgiu uma 
tecnologia cada vez mais avançada, com recursos mais extensos. 
Os telefones celulares tiveram sua inserção no Brasil também nos anos 
1990, possibilitando que a comunicação fluísse mais rapidamente em diversos 
lugares. Seu avanço tecnológico é cada vez mais rápido, e confere maior 
acessibilidade às diversas formas de expressão, no mundo todo. 
A difusão da comunicação e da informação se deu a partir do ano 2000, 
quando as redes sociais virtuais foram popularizadas por meio do uso da 
internet. Esta é sem dúvidas nenhuma a forma de comunicação mais recorrente 
nas sociedades de todo o mundo. 
TEMA 4 – EVOLUÇÃO E CONJUNTO DE FERRAMENTAS DE COLABORAÇÃO 
NA INTERNET 
Dentro do processo de evolução, com conjuntos de ferramentas de 
colaboração na internet, é preciso distinguir o uso de mensagens instantâneas, 
chats, grupos, comunidades virtuais e fóruns de discussão. Todos esses 
recursos têm um foco em especial: manter as pessoas bem informadas sobre os 
assuntos da empresa, da sociedade, do mundo em que vivem. Várias são as 
tecnologias que possibilitam esse exercício; vamos analisar algumas delas. 
 
 
 
6 
4.1 Mensagens instantâneas 
 Um aspecto importantíssimo da comunicação tecnológica é que ela 
permite a troca de mensagens instantâneas, independentemente do local em 
que estejamos. Tal interação não exige a presença pessoal, pois ela pode 
acontecer por meio da tecnologia, ou por terceiros. Essa possibilidade mudou 
radicalmente os relacionamentos, pois permite a superação da relação 
espaço/tempo, até então emaranhada nas relações. 
Isso posto, devemos considerar as vantagens e desvantagens desse tipo 
de comunicação virtual. Por um lado, elas são mais baratas, não exigem 
deslocamento, não exigem contato pessoal, oferecem mais conforto, rapidez e 
qualidade. Por outro lado, facilitam o isolamento pessoal e, com isso, o 
afastamento com o outro, o que prejudica a qualidade da relação, já que uma 
reação presencial traz um feedback mais propício, viabilizando a reconstrução 
comunicacional das partes. 
4.2 Comunidades virtuais 
 Comunidades virtuais são, como o próprio nome diz, grupos nos quais as 
relações entre as pessoas se dão por meios de comunicação a distância. Estão 
presentes no dia a dia da maioria das pessoas e nas empresas em geral; há 
infinitos perfis de usuários que expressam ideias, promovem discussões, criam 
relacionamentos, trocam informações, enfim, comunicam-se. 
A postura comunicacional das pessoas nas redes sociais merece reflexão. 
Trata-se, porém, de um tema muito amplo. Inicialmente, devemos considerar que 
o ser humano precisa estabelecer relacionamentos com os outros. A integração 
virtual possibilita que os interlocutores tenham escolhas mais diversas em 
relação a como se apresentar e a como observar os participantes das 
comunidades. 
TEMA 5 – FORMAÇÃO TEÓRICA EM NOVAS TECNOLOGIAS DE 
COMUNICAÇÃO 
 Considerando a diversidade de recursos disponíveis, é imprescindível 
manter uma boa comunicação em empresas, agências e outros 
empreendimentos; assim, analisar reuniões e videoconferências, redes de 
 
 
7 
relacionamento e blogs, é extremamente necessário na formação acadêmica e 
pessoal. Uma comunicação efetiva evita o surgimento de problemas que venham 
a prejudicar as relações e, consequentemente, os resultados dos 
empreendimentos. 
5.1 Reuniões e videoconferências 
 As reuniões por videoconferências são um avanço no universo 
empresarial visto que minimizam os problemas de tempo e distância e espaço 
enfrentados em reuniões presenciais. Ela acontece pelo sistema analógico de 
produção e transmissão digitais. 
 A ideia é que as reuniões por videoconferência facilite a comunicação 
entre as partes, porém para que isso ocorra é necessário prestar atenção aos 
elementos de comunicação, os emissores precisam dominar a forma de 
comunicar-se pela tecnologia a fim de não cometer falhas no entendimento da 
mensagem transmitida; da mesma forma os receptores devem estar preparados 
para prestar atenção nos detalhes do que lhes é colocado e esclarecer as 
dúvidas da mesma maneira que em uma reunião presencial. Também deve 
haver respeito ao tempo de fala de cada participante para que todos possam 
esclarecer dúvidas e expor suas opiniões. 
5.2 Redes de relacionamento e blogs 
 As redes de relacionamento permitem que as pessoas exponham suas 
ideias e opiniões e encontrem outras pessoas que compartilhem ou refutem seus 
pensamentos. Ela permite a postagem de textos, fotos e vídeos que ajudam a 
criar interações com outras pessoas. Um item importante dessa ferramenta é 
sua amplitude, pois é possível encontrar pessoas que se relacionam com outras 
pessoas, e assim expandir infinitamente os contatos, tanto os atuais quanto os 
encontros remotos. Provamos, com isso, a importância da comunicação 
multidirecional. 
Os blogs funcionam como um mural virtual para pessoas e empresas; seu 
ambiente é aberto. Eles possibilitam que ideias, informações, produtos e 
serviços sejam compartilhados de forma rápida e eficiente. Os blogs são espaços 
virtuais nos quais podemos encontrar os mais variados assuntos e 
conhecimentos, desde a história de uma pessoa, as trajetórias de uma vida, até 
 
 
8 
as direções de uma empresa ou departamento; enfim, é um espaço de 
divulgação. 
NA PRÁTICA 
 Agora é sua vez de testar as colocações desta aula. Procure conversar 
com pessoas que viveram nas décadas de 40, 50 ou 60, como seus avós, tios e 
conhecidos, e pergunte como era a comunicação na época. Descubra como 
eram as conversas, e como eles recebiam informações de pessoas distantes. 
Faça o mesmo com pessoas da década de 70, 80; aproveite e pergunte como 
são as relações com as tecnologiasatuais, com computadores, telefones, redes 
sociais etc. Faça uma comparação das mudanças que você percebeu e do valor 
dado às relações pessoais. 
FINALIZANDO 
 Vimos nesta aula a comunicação e a interação. Sabemos que, a despeito 
das inúmeras ferramentas que facilitam a comunicação, nenhuma substitui o 
contato pessoal. Mesmo, é se necessário estudar o uso de mensagens 
eletrônicas no universo das novas tecnologias de comunicação, considerando 
uma inserção adequada no universo quem vivemos. Assim, devemos considerar 
que a comunicação, sendo efetiva para o relacionamento social, usa cada vez 
mais da tecnologia e de seus recursos para se ampliar; sua evolução é inegável, 
daí a necessidade de buscar a melhoria dos usos. Logo, é importante pensar 
nas novas tecnologias de comunicação, em sua evolução, no conjunto de 
ferramentas de colaboração na internet, e também na qualidade de nossas 
relações, considerando a forma como nos comunicamos – afinal, somos seres 
sociais, e a comunicação é essencial para a vida em sociedade. 
 
 
 
9 
REFERÊNCIAS 
FERNANDES, E. A. A evolução da comunicação impactada pela tecnologia. 
Ideias & Inovação, v. 3, n. 2, 2016. Disponível em: 
<https://periodicos.set.edu.br/index.php/ideiaseinovacao/article/view/2973/186>
. Acesso em: 18 fev. 2019. 
LÉVY, P. Cibercultura. São Paulo: Editora 34, 1999. 
LUIZARI, K. R. Comunicação empresarial eficaz: como falar e escrever bem. 
Curitiba: InterSaberes, 2010. 
MORAN, J. M. Tecnologias de comunicação e interação. Programa de 
Formação Continuada em Mídias na Educação, 2008. Disponível em 
<http://webeduc.mec.gov.br/midiaseducacao/material/introdutorio/pdf/etapa2_T
ec_com_e_interacao.pdf>. Acesso em: 18 fev. 2019. 
VALLE, M. L. E. Não erre mais: língua portuguesa nas empresas. Curitiba: 
InterSaberes, 2013. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
TÉCNICAS DE COMUNICAÇÃO 
AULA 3 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Profª Margarete Terezinha de Andrade Costa 
 
 
2 
CONVERSA INICIAL 
Nesta aula nós vamos traçar conceitos básicos de gramática da língua 
portuguesa. Escolhemos alguns tópicos considerados mais importantes na 
organização da língua. Assim, para que esse processo seja mais claro, vamos 
iniciar entendendo a lógica da acentuação das palavras, investigando as 
mudanças e o uso da língua conforme o Acordo Ortográfico, conhecendo os 
homônimos e parônimos, entendendo o correto uso dos pronomes e finalmente 
aplicando assertivamente a concordância verbal e nominal 
TEMA 1 – ACENTUAÇÃO GRÁFICA 
Afinal de contas, para que ser a acentuação das palavras? Para 
responder a essa questão, devemos lembrar que, primeiro, falamos e depois 
escrevemos, isso tanto na história da humanidade quanto em nossa própria 
história. A escrita é a representação gráfica de nossas conversas, e para que 
não haja dúvidas quanto à entonação das palavras, usamos acentuação. Muitas 
vezes acentuamos automaticamente os termos sem lembrarmos da norma, mas 
é importante conhecê-la a fim de termos parâmetros de seu uso. O processo não 
é difícil ser nos basearmos no princípio que os sinais de acentuação são usados 
somente nas três últimas sílabas e, com isso, temos basicamente somente três 
regras de acentuação 
1.1 Sílabas tônicas e átonas 
Nossa fala é realizada pela emissão de ar que passa pelas cordas vocais, 
o que produz sons, como as sílabas. Elas se dividem em dois grupos: as átonas, 
que são mais fracas, e a tônica, que é mais forte e é única na palavra. É nesta 
última que podem aparecer os sinais de acentuação. É fácil identificar a sílaba 
tônica de uma palavra quando ela é pronunciada em voz alta, gritada. Ela é a 
sílaba que se dá mais ênfase, mais entonação. 
Os sinais de acentuação são o sinal agudo (´), que indica que a sílaba é 
longa ou aberta, e o sinal circunflexo (^), para som fechado. O sinal grave (`) não 
indica sílaba tônica e é usado somente como indicativo de crase. O til (~) indica 
nasalização, e o trema (¨) só é utilizado em palavras derivadas de nomes 
próprios estrangeiros que forem grafados com trema. 
 
 
3 
Um item importante em relação à acentuação na língua portuguesa é que 
ela se dá somente nas três últimas sílabas das palavras e, assim, são 
classificadas em: 
Figura 1 – Classificação das palavras quanto à tonicidade 
 
1.2 Oxítonos, monossílabas e ditongos 
Essa regra é bem simples e fácil de gravar: as palavras que têm a última 
sílaba mais forte serão acentuadas somente se terminarem em: -A, -E, -O e -EM 
com ou sem “s”. Assim, a palavra “CA-FÉ” tem acento por ser uma oxítona 
terminada em E. 
Uma regra muito parecida é utilizada em palavras monossílabas, que são 
acentuadas quando terminadas em -A, -E e -O, com ou sem “s”. Observe que o 
“EM” sai do grupo. Veja alguns exemplos: dó, ré, fá, lá, pé, pés, pá, pás, pó, 
pós... Atenção, monossílabas terminadas em “u” não são acentuadas. 
Também recebem acento nas últimas sílabas os ditongos abertos “-EI”, “-
OI” e “-EU”, com ou sem “s”, lembrando que ditongos são duas vogais que 
sempre ficam na mesma sílaba assim como pastéis, chapéu, corrói, herói... 
1.3 Paroxítonas e proparoxítonas 
Por uma questão de lógica, todas as paroxítonas (quando a penúltima sílaba 
é a sílaba tônica) são acentuadas, menos as terminadas em -A, -E, -O e -EM 
com ou sem “s” (desde que não formem ditongos). Paroxítonas: recebem acento 
quando terminadas em: -i (s), u(s), um, uns, l, r, x, n, ão, ã. Exemplo: útil e 
afável são paroxítonas terminadas em L. 
Preste atenção: quando a palavra terminar por um ditongo, como “glória”, 
ela não termina com -A e sim com um ditongo e por isso leva acento. 
 
 
4 
A regra mais fácil é a das proparoxítonas, pois todas têm acento. Isso quer 
dizer que, quando a sílaba mais forte for a antepenúltima, sempre haverá acento, 
como exemplo a própria palavra proparoxítona, assim como médico, álibi, 
ômega... Atenção, a palavra “rubrica” é uma paroxítona, pois a sílaba mais forte 
é “bri”. 
1.4 Outros acentos 
Existe um acento que não é utilizado pela posição da sílaba tônica, mas 
sim por serem hiato (duas vogais juntas, porém em sílabas diferentes. Elas são 
separadas). Elas acontecem quando o “i” e o “u” são a segunda letra do hiato, 
quando estas letras ficam sozinhas na sílaba (somente o “s” pode acompanhar). 
Veja o exemplo: 
Na palavra saúde = sa-ú-de, o “a” e o “u” são hiatos, e a segunda letra é 
o “u”, que está sozinho na sílaba, por isso tem acento. O mesmo acontece com 
caí (ca-í), país (pa-ís), baú (ba-ú). Duas coisas precisam ser observadas: a 
primeira é que, depois do hiato, não pode haver nh. Se houver, não se usa 
acento, como no caso de rainha (ra-i-nha), tainha, bainha, moinho. A segunda é 
que, se antes do hiato houver um ditongo, também não existe acento. Essa regra 
é recente e foi determinada pelo último acordo ortográfico. Temos como exemplo 
o termo “feiura” no qual fei é um ditongo e o “u” está isolado na sílaba. Nesse 
caso, não se usa mais acento. Outros exemplos dessa natureza: baiuca, 
bocaiuva... 
Para encerrar, há alguns acentos que são diferenciais. O termo “por”, sem 
acento, é uma preposição; mas com acento “pôr” é um verbo que significa 
colocar. Também usamos acento circunflexo na terceira pessoa dos verbos ter 
e vir: ele tem e eles têm, ele vem e eles vêm. Atenção, veem é do verbo ver. 
 
 
 
5 
Quadro 1 – Resumo das regras de acentuação gráfica 
Acentuam-se Terminadas em Exemplo 
Oxítonas – última 
sílaba tônica 
-A, -E, -O, -EM 
(seguidos ou não de s) 
café, avô, parabéns, ninguém, vatapá, 
cajá, curió, maná, recém, mocotó, 
maracujá, amém... 
Oxítonas terminas 
com duas vogais com pronúncia distinta baús, Piauí, contraí-las; 
Formas verbais 
seguidas de hífen E e A abertas dá-la, qué-lo, trá-lo-ia. 
Monossílabas – uma 
sílaba -A, -E, -O (s) 
pá, vá, gás, Brás, cá, má, pé, fé, mês, sê, 
nós, pôs, xô, nó, pó, só... 
Ditongos abertos no 
final da palavra -ói,-éu, -éi 
pastéis, herói, heróis, troféu, chapéu, 
chapéus, papéis, dói, constrói... 
Paroxítonas- 
penúltima sílaba 
tônica 
 
L, N, R e X. amável, hífen, tórax, açúcar; 
ditongo oral fósseis, dóceis, úteis; 
I, U, IS e US. júri, táxis, lápis, lótus; 
UM e UNS álbum, fórum, álbuns 
Ã, ÃO, ÃS e ÃOS órfã, órgãos, acórdão. 
Hiatos- Duas vogais em sílabas separadas reúne, saúde, ruíram. 
Proparoxítonas TODAS hipótese, dicotômico, nódulo. 
TEMA 2 – ACORDO ORTOGRÁFICO 
Desde o primeiro dia de janeiro de 2016, o Brasil atendeu às normas de 
um acordo ortográfico da língua portuguesa promovido pelos países lusófonos 
(utiliza a língua portuguesa como oficial). Ele é obrigatório em todo o território 
nacional assim como nos outros oito países. 
2.1 Ortografia 
As mudanças não foram muito numerosas e atingiram aproximadamente 
somente 2% da língua no Brasil. Em relação ao alfabeto, as letras K, W e Y 
voltam a serem utilizadas. Elas foram retiradas na reforma de 1971, porém 
continuaram a ser utilizadas, assim essa modificação não é muito expressiva. A 
ordem fica assim: A B C D E F G H I J K L M N O P Q R S T U V W X Y Z. 
Em relação à acentuação gráfica, foi retirado o uso de acento nos ditongos 
“-ÉI” e “-ÓI” quando forem paroxítonas, tais como ideia, estreia e assembleia. Os 
hiatos “EE” e “OO” também não têm mais acento: voo, creem, enjoo... 
Em relação aos acentos diferenciais, não há mais o uso deles, por 
exemplo, nas palavras a seguir: pera, polo, pelo, pela e para. O sinal de trema 
não é mais empregado, somente para palavras estrangeiras e seus derivados. 
 
 
 
6 
2.2 Uso do hífen 
 Em relação ao uso do hífen, a regra geral é observar as letras que se 
encostam quando houver a formação de palavras. Se elas forem iguais, usa-se 
hífen; se forem diferentes, não se usa. Por exemplo, no caso de micro-ondas, 
usa-se o hífen por serem dois “os”. Já no caso de socioeconômico, não se usa 
por serem letras distintas. 
Quando a segunda palavra começar com “H”, sempre haverá hífen: sobre-
humano, extra-humano, Pré-história, anti-higiênico, semi-hospitalar. 
Se a segunda palavra começar com “R” ou “S” estas letras deverão ser 
dobradas assim: minissaia, biorritmo, microssistema, ultrassom, antissocial. 
Com os prefixos sub e sob, usa-se o hífen diante de palavra iniciada por “R”: 
sub-regional. Usa-se hífen diante dos prefixos “ex-”, “vice-”: ex-presidente, vice-
almirante e diante dos prefixos “pré-”, “pós-”, “pró-”: pré-escolar, pós-graduação 
TEMA 3 – HOMÔNIMOS E PARÔNIMOS 
 Em nossa língua, temos muitos termos parecidos que possuem 
significados diferentes. É importante conhecê-los para melhor fazer uso da 
língua portuguesa. Vamos começar retomando dois significados: homônimos e 
parônimos. Os homônimos são termos que têm som ou escrita iguais; já os 
parônimos são apenas parecidos. 
3.1 Homônimos: homófonos e homógrafos 
 Homófonos são palavras que têm o mesmo som, tais como concertar 
(harmonizar) e consertar (reparar); censo (recenseamento) e senso (juízo); 
acender (atear) e ascender (subir). 
 Homógrafos têm a mesma grafia e pronúncia diferentes: jogo /jogo/ 
(substantivo) e jogo /jogo/ (verbo); denúncia (substantivo) e denuncia (verbo). É 
necessário conhecer suas diferenças para fazer uso correto da língua. A seguir, 
uma lista das mais utilizadas: 
acender (pôr fogo) – ascender (subir); estrato (camada) – extrato (o que se extrai 
de); bucho (estômago) – buxo (arbusto); espiar (observar) – expiar (punir-se); 
tachar (atribuir defeito a) – taxar (fixar taxa). 
 
 
 
7 
3.2 Parônimos 
Os parônimos são palavras que são parecidas na escrita ou na pronúncia. 
É importante conhecê-los a fim de não cometer confusão no seu entendimento. 
Vejamos alguns deles: 
absolver (anistiar) e absorver (sorver); delatar (acusar) e dilatar (larguear); 
descrição (ato de descrever) e discrição (cautela); despensa (local onde se 
guardam alimentos) e dispensa (ato de dispensar); emigrar (deixar um país) e 
imigrar (entrar num país); eminente (superior) e iminente (prestes a ocorrer); 
flagrante (evidente) e fragrante (aromático); fluir (transcorrer, decorrer) e fruir 
(curtir); imergir (afundar) e emergir (vir à tona); inflação (alta dos preços) e 
infração (transgressão); mandado (ordem judicial) e mandato (procuração); 
precedente (que vem antes) e procedente (proveniente de; que possui 
fundamento); ratificar (aprovar) e retificar (corrigir); recrear (brincar) e recriar 
(criar novamente); tráfego (trânsito) e tráfico (comércio ilegal); soar (produzir 
som) e suar (transpirar) 
TEMA 4 – COLOCAÇÃO PRONOMINAL 
É muito comum observarmos o uso incorreto dos pronomes oblíquos 
átonos (me, te, se, o, a, lhe, os, as lhes, nos, vos) em nosso cotidiano. Tais 
pronomes podem aparecer de três formas distintas: próclise – antes do verbo, 
ênclise – depois do verbo e mesóclise – no meio do verbo. 
4.1 Ênclise e mesóclise 
 A ênclise pode ser considerada como regra geral da colocação 
pronominal, isto é, os pronomes oblíquos átonos vêm depois do verbo: “Dê-me 
um café” ou “Abrace-me”. Não devemos começar uma frase com um pronome 
oblíquo átono, o que é muito comum na língua falada. Assim, precisamos prestar 
bem atenção na hora de escrever ou em situações formais. 
 Quando o verbo estiver no futuro tanto do presente quanto do pretérito, 
os pronomes oblíquos átonos ficam no meio do verbo. “Dar-te-ei um café” ou 
“abraçar-te-ia”. Sua construção é relativamente fácil, basta cortar o verbo 
expresso no tempo futuro no “r” e inserir o pronome depois dele. Devemos tomar 
cuidado com os pronomes oblíquos átonos “a”, “as”, “o” e “os”: ao usá-los, 
 
 
8 
retiramos o “r” do verbo e acrescentamos “l” na frente dos pronomes. Assim: “dá-
lo-ei” ou “abraçá-lo-ei”. 
4.2 Próclise 
 A próclise é a colocação pronominal mais comum em nossa língua, aliás, 
ela é mais “forte” que as outras duas, isto é, quando houver dúvida, seu uso é 
prioritário. Ele é utilizado nos seguintes casos: 
Termos de sentido negativo (não, nunca, ninguém, jamais…): “Não me dê 
café” ou “Nunca me abrace”. Observou como os pronomes vieram para a frente 
do verbo? O mesmo acontece com os advérbios sem vírgula, que são como imãs 
que puxam o pronome: “Amanhã me darão mais café”, “Sempre nos abraçará”. 
Porém a vírgula faz com que tal atração se quebre: “Amanhã, dar-me-ão café”. 
Analise a diferença: “Aqui se trabalha” e “Aqui, trabalha-se”. 
Os pronomes relativos (que, quem, qual, onde) indefinidos (alguém, tudo, 
outros, muitos, alguns) demonstrativos (isto, isso, aquilo) também são atrativos, 
isto é, puxam o pronome para frente do verbo: “O abraço que lhe pedi”. “Ninguém 
me ouve”, “Isso nos irrita”. 
Também são atrativas as conjunções ou locuções conjuntivas 
subordinativas integrantes ou adverbiais: que, porque, se, quando, conforme, 
embora, logo que, visto que, contanto que, a fim de que, à medida que: “Embora 
o faça, sei que é errado” 
Outros casos: 
 Verbo no gerúndio precedido de palavra atrativa ou da preposição EM: 
“Saiu da sala, não nos dizendo as razões”. / “Em se plantando tudo dá”. / 
“Em se tratando de videogame, ele é um expert”. 
 Frase interrogativa, exclamativa ou optativa (expressa desejo): “Quem 
nos empresta o material?” “Quanto me custa entender o amor!” “Deus lhe 
proteja!” 
 Conjunção coordenativa aditiva ou alternativa: não só... mas também, não 
só... como também, ou... ou, ora... ora, quer... quer, seja... seja e palavra 
“só” no sentido de “somente”, “apenas” = palavra denotativa de exclusão. 
 
 
 
9 
4.3 Locuções verbais 
Em locuções verbais, isto é, quando houver dois verbos com sentido de 
uma única ação, podemos usar assim: antes ou depois do verbo principal: 
“Quero abraçar-te hoje” ou “Quero te abraçar hoje”. Se houver palavra atrativa: 
“Não te quero abraçar hoje” ou “Não quero abraçar-te hoje”. 
Se o verbo principal estiver no particípio: “Tinham-me dito que você me 
abraçaria”ou “Eu tinha-lhe falado sobre o abraço”. 
O ideal é que se preste atenção no uso da colocação pronominal em texto 
de fontes confiáveis, assim, com a prática, vamos entendendo e interiorizando o 
correto uso dos pronomes. 
TEMA 5 – CONCORDÂNCIA VERBAL E NOMINAL 
A língua, seja ela usada em diferentes lugares e por distintas pessoas 
possui uma organização formal, tem uma lógica que sustenta seu entendimento, 
e o mais interessante de tudo isso é que mesmo sem nos darmos conta, usamos 
de sua organização. Uma delas é a concordância, ela faz com que os termos da 
língua se harmonizem, combinem e façam sentido. 
5.1 Concordância verbal 
 A concordância verbal acontece quando o verbo e o sujeito de uma frase 
combinam em número (singular ou plural) e pessoa (1ª., 2ª ou 3ª.). Nós sabemos 
que o correto é: “Nós vamos” e não “Nóis vai”. Vamos estudar alguns casos: 
 Quando o verbo for impessoal, isto é, não apresentarem sujeito, deverão 
ser conjugados sempre no singular e na 3ª pessoa: “Havia muitos motivos para 
estudar”, “Faz dez anos que não a vejo”, “Chove todos os finais de semana”. 
 Com o pronome que, o sujeito concorda com o termo antecessor: “Fui eu 
que fiz” – eu fiz. Já com o pronome relativo quem, o verbo pode concordar com 
o antecessor ou ficar na 3ª pessoa do singular: “Fui eu quem fiz” ou “Fui eu quem 
fez”, as duas formas estão corretas. 
Já o verbo ser concorda com o predicativo do sujeito, assim: “Tudo é 
brincadeira” ou “Tudo são brincadeiras”. 
Observe que interessante quando o sujeito for uma expressão partitiva: 
“A maioria das pessoas saiu” ou “A maioria das pessoas saíram”. Nesse caso, 
as duas formas estão corretas. 
 
 
10 
No caso de o sujeito ser bater, dar e soar (horas), a concordância 
acontece com o numeral constituinte da oração: “Deu uma hora”, “Deram duas 
horas” 
Esses são alguns casos de concordância verbal. É importante estudar e 
pesquisar sempre para ampliar o seu uso correto. 
5.2 Concordância nominal 
A concordância nominal acontece quando o substantivo e os termos que 
o acompanham (artigo, adjetivo, pronome e numeral) combinam em gênero 
(masculino ou feminino) e em número (singular ou plural). Sabemos que o 
correto é “O companheiro perfeito” e não “A companheiro perfeitas”. 
Agora se houver um adjetivo concordando com vários substantivos, o 
adjetivo concordará com o substantivo mais próximo ou ficará no masculino 
plural: “menino e menina bonitos” ou “menino e menina bonita”. 
No caso da concordância com vários adjetivos, o substantivo ficará no 
singular se os adjetivos estiverem no singular com artigos determinantes: “o 
amigo bonito e o simpático”. 
Fique atento com os adjetivos: bastante, muito, pouco, meio, caro, barato 
e longe, pois eles concordam em gênero e número com substantivo que se 
referem. Assim, temos: “bastantes sapatos”, “muitas joias”, “poucos amigos” ... 
O termo proibido, se não houver artigo determinando o substantivo, deve 
ficar no masculino singular: “É proibido entrada sem camisa”. Agora, se houver 
artigo, ele deve concordar com a substantivo a que se refere: “É proibida a 
entrada sem camisa”. Essa regra é a mesma para as expressões é necessário, 
é preciso, é bom. 
Para terminar, é bom relembrar que a palavra menos é invariável, o que 
significa que não existe menos no feminino. 
NA PRÁTICA 
Praticar o uso correto da língua portuguesa é um exercício que exige 
muita dedicação. Assim, para que você seja um usuário proficiente, comece a 
analisar as dúvidas que aparecem para você durante o uso da língua oral e 
escrita. Preste atenção no que lhe parece estar fora das normas e busque 
esclarecê-las, tornando-se um investigador/pesquisador da correta utilização 
 
 
11 
dos preceitos de gramática. Com esse exercício, você vai se aprimorar e 
perceberá que melhorará seu uso. 
FINALIZANDO 
 Nesta aula estudamos algumas das normas da nossa língua. A intenção 
foi a de traçar conceitos básicos de gramática e mostrar que, quando procuramos 
entender e estudar os preceitos da língua portuguesa, eles não são tão difíceis, 
principalmente porque os empregamos o tempo todo. Daí buscar relacionar a 
norma com o uso é um exercício necessário quando se busca o aprofundamento 
pessoa, profissional e educacional de todo os estudantes. 
 
 
 
 
12 
REFERÊNCIAS 
GUIMARÃES, T. C. Comunicação e linguagem. São Paulo: Pearson, 2013. 
SILVA, L. A. Qualidade na comunicação escrita. Curitiba: InterSaberes, 2009. 
VALLE, M. L. E. Não erre mais: língua portuguesa nas empresas. Curitiba: 
InterSaberes, 2013. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
TÉCNICAS DE COMUNICAÇÃO 
AULA 4 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Profª Margarete Terezinha de Andrade Costa 
 
 
 
2 
CONVERSA INICIAL 
 Esta aula tem como objetivo ampliar a capacidade prática e teórica de 
utilização das técnicas de redação. Para isso, vamos estudar como implementar 
mensagens de qualidade para a obtenção de resultados na racionalização do 
fluxo de informação; assim como usar os mecanismos de coesão textual de 
forma intencional e assertivamente. 
 Sabemos que todo o texto tem uma estrutura básica a introdução, o 
desenvolvimento e a conclusão. Vamos estudar, com base nesse arcabouço, a 
adequação, a clareza, a concisão, a objetividade, a relevância na construção 
textual e verificar as conexões e termos de referências, buscando assim 
melhorar a leitura e a produção textual. 
TEMA 1 – GÊNEROS TEXTUAIS 
Alguns textos têm especificidade em situações habituais, isto é, são 
construídos com determinadas características que se repetem para situações 
próprias e, por isso, apresentam uma intencionalidade comunicativa definida. 
Eles têm objetivo claro e encaixam-se em contextos específicos, por 
exemplo, uma carta comercial. Ela tem forma, função e contexto próprio, e é 
facilmente reconhecida pelas suas propriedades. 
1.1 Exemplos de gêneros textuais 
Não há como elencar todos os tipos de gêneros textuais que existem, visto 
que eles são mutáveis e adaptáveis a diferentes situações de uso. Mesmo 
possuindo características próprias, um gênero pode, ao amoldar-se a uma 
situação de uso, transformar-se e tornar-se um novo gênero textual. 
Mesmo assim, temos gêneros textuais que têm seu uso clássico, tais 
como receita, e-mail, relato científico, entrevista, curriculum vitae, verbete de 
dicionário, bula, manual, lista de compras, entre tantas outras. Observe que cada 
gênero pode ser identificado e usado como modelo pelas suas características, 
tais como forma do uso da linguagem, estilo, tamanho... Assim, se você pretende 
escrever uma carta, nada melhor que buscar modelos de cartas para analisar 
sua estrutura. 
 
 
 
3 
1.2 Gênero e tipologia textual 
Algumas vezes, gênero e tipologia textuais são confundidos. Os gêneros, 
como já expomos, são a forma como o texto se apresenta e sua relação direta 
com a situação de uso. 
Já a tipologia está relacionada com a estrutura e aspectos linguísticos 
voltados para a forma de organizar o texto, que pode ser narrativo, descritivo, 
dissertativo e explicativo. 
É importante lembrar que o texto narrativo tem como base “contar” uma 
história. Ele apresenta um personagem realizando algum fato em um 
determinado lugar e tempo; já a descrição é uma “foto” apresentada por meio da 
palavra e pode ser a descrição de uma pessoa, lugar, sentimento... A dissertação 
é a defesa de uma ideia com apresentação de argumentos que a comprovem ou 
refutem. O texto explicativo, como o próprio nome diz, esclarece, elucida. 
Como você já deve ter percebido, os tipos textuais são a base do texto, e 
a tipologia é a situação de uso destes. 
TEMA 2 – MECANISMOS DE COESÃO TEXTUAL 
Um bom texto é aquele que encaminha o leitor para o seu entendimento. 
Para isso, é importantíssimo que o texto tenha coesão. A coesão se dá por meio 
de termos, palavras ou expressões que criam uma relação, uma lógica textual.Lembre-se que um texto não é um aglomerado de palavras, as quais se ligam 
para garantir fluxo de ideias e sequência ao texto. Um texto coeso é aquele que 
apresenta as ideias postas “amarradas”, conectadas, ligadas. Cada frase deve 
se relacionar com a anterior e com a posterior, trazendo fluidez para a leitura e 
consequentemente para o entendimento do texto. 
 A coesão, que é realizada por meio de relações linguísticas e recursos 
denominados de elementos de coesão, possibilita que uma mensagem seja 
expressa de forma eficaz, gerando, com isso, um melhor entendimento dela. 
Para se evitar que um texto fique solto, que uma frase fique sem relação com a 
anterior, por exemplo, utiliza-se a coesão textual, que permite diferentes tipos de 
encadeamento de ideias. 
 
 
 
4 
2.1 Tipos de coesão textual: referências, reiterações e substituições 
lexicais 
 A coesão por referências e reiterações acontece quando um termo se 
refere a outro no próprio texto. Ela pode acontecer com a substituição de uma 
palavra, anunciação ou retomada de frases, sequências e palavras que indicam 
conceitos e fatos. 
As substituições lexicais se dão quando um termo é trocado por outro 
dentro do texto e, com isso, se estabelece uma relação. Para isso, normalmente 
se empregam sinônimos ou repetição de palavras. 
2.2 Tipos de coesão textual: conectores e correlação 
 Para se estabelecer uma relação entre os termos, uma forma de se 
manter a coesão textual é com o uso de conectores. Os mais utilizados são as 
conjunções (por exemplo, mas, porém, contudo, todavia), preposições (por 
exemplo, até, com, de, em, perante) e advérbios (por exemplo, talvez, muito, 
sempre, nunca). 
A coesão acontece também na correta utilização dos tempos verbais de 
forma ordenada, proporcionando ao leitor uma forma lógica e linear 
TEMA 3 – ESTRUTURA TEXTUAL 
Texto não é somente um ajuntamento de palavras, pois elas também 
precisam ter sentido. Texto é qualquer forma de interagir com o outro que tenha 
sentido, o que pode ocorrer por meio de palavras escritas ou faladas 
denominadas de verbal, mas também pode ser não verbal, isto é, sem o uso de 
palavras, por desenhos, imagens, gestos, cor, sons... Todavia o texto exige uma 
estrutura para ser entendido. 
O texto tem textualidade (ou textura), que é a premissa utilizada pelo autor 
que conhece elementos, estrutura e função de texto para que seja entendido 
pelo outro interlocutor; pois a leitura e compreensão dependem da produção de 
sentido no texto. 
 
 
 
 
5 
3.1 Coerência, intencionalidade, aceitabilidade 
A coerência está relacionada com a lógica dos fatos. Assim, um texto, 
mesmo sendo ficcional, precisa ter relações não contraditórias, criando, assim, 
uma conexão cognitiva e conceitual entre o que é dito e o que é real. Para que 
haja coerência, é necessário que o texto tenha sequência e continuação lógica 
de ideias. 
Ao se criar um texto, busca-se expressar determinada intenção. que pode 
estar implícita ou velada, porém sempre existe e, ao conhecê-la, se está mais 
próximo do entendimento esperado. Da mesma forma, diferentes intenções 
mostram-se em estruturas próprias, como já vimos anteriormente nos gêneros 
textuais. Cada situação exige formas diferentes de comunicação. Por exemplo, 
se a conversa é informal, nossa tese pode ser baseada em ideias livres. Mas se 
a situação é formal, devemos usar argumentos mais sólidos e consistentes. 
Quando produzimos um texto, nossa intenção deve estar bem colocada 
para ser entendida com clareza. O sentindo da leitura é dado por meio da 
interpretação e da interação dos saberes do escritor e do leitor. Sabemos que o 
leitor pode ter um conhecimento prévio e poderá avaliar o texto com critérios 
diferentes dos nossos. 
Outro fator importante é a aceitação do texto pelo receptor. Chamamos 
de aceitabilidade quando duas ou mais pessoas estão conversando e uma 
procura compreender a outra. Um bom exemplo de aceitabilidade é quando um 
adulto busca entender o que uma criança está falando. Há um esforço de 
compreender, de colocar-se no lugar da criança, de traduzir termos e ideias que 
não estão conexas. Assim, aceitar é permitir receber algo dado ou oferecido; é 
estar de acordo ou concordar em aceitar. Em nosso caso que estudamos os 
fatores da comunicação, aceitar seria o estado de receber a mensagem que está 
sendo passada. Isso parece simples, mas não é sempre que se está aberto para 
novas ideias ou opiniões. 
Ao se ler um texto, vai se criando um juízo de valor sobre ele, e isso 
interfere no entendimento deste, pois o leitor aceita ou refuta a ideia do texto e 
de seu escritor. Normalmente apreciamos textos dos autores de que gostamos 
e temos rejeição em relação aos autores que não nos são muito simpáticos. 
Também reagimos negativamente, até mesmo antes da leitura, a autores que 
 
 
6 
tenham linhas filosóficas ou políticas muito diferentes das nossas, pois não 
concordamos com as ideias deles, com a intenção que expressam. 
A intencionalidade está ligada ao autor; enquanto a aceitabilidade, ao 
leitor. Quando esses dois elementos se enquadram, a comunicação efetiva-se 
de forma mais estruturada. 
3.2 Situacionalidade, intertextualidade, informatividade 
 Todo o texto é produzido em um determinado tempo e contexto, da 
mesma forma que a leitura do texto é realizada nas mesmas condições. Assim, 
o texto apresenta marcas que identificam sua realização que podem ser 
diferentes do momento de sua leitura. 
 A relação entre as ideias de um texto com outros textos é comum. O 
escrito busca em seus conhecimentos anteriores elementos para sua produção. 
Da mesma forma, é comum usarmos referências de outros textos em nossas 
produções e interpretações, cujas relações são denominadas de 
intertextualidade, que é a influência que um texto exerce sobre outro que o toma 
como modelo ou ponto de partida. Se analisarmos o termo inter, veremos que 
significa “relação”. Assim, fica claro que intertextualidade se refere à relação 
entre textos. 
 Para que um texto seja interessante, é necessário que ele traga 
novidades. Dessa forma, a informatividade volta-se para a quantidade de 
informações e situações novas e inesperadas para interessar o leitor. 
Informatividade, como o próprio nome diz, está relacionada com a informação. 
Nesse caso, são textos que trazem informações que ampliem os conhecimentos 
de seus receptores (leitores, ouvintes). 
 O grau de informatividade depende da finalidade da escrita, do objetivo 
do texto. Um texto infantil, por exemplo, vai abordar um assunto com informações 
diferenciadas de um texto para adultos. Seria aborrecido para um leitor ler um 
texto cuja informação ele já conheça ou que sejam de senso comum, do 
consenso geral. 
 Portanto, os conhecimentos de mundo do emissor e do receptor do texto 
vão validar a qualidade deste. Para que a comunicação se efetive plenamente, 
é necessário que a informatividade do texto seja apropriada aos seus 
interlocutores. 
 
 
7 
É importante ressaltar que sempre quando vamos ler um texto, temos uma 
expectativa, esperamos alguma coisa e preferencialmente algo novo. 
Quanto mais singulares e relevantes se constituírem as informações, 
maior o grau de informatividade do texto. O texto, dessa forma, ficará mais 
atraente ao leitor e maior será a interação. Daí, a arte de saber a medida certa, 
pois muita informação cansa, pouca informação distrai... 
TEMA 4 – QUALIDADE DA COMUNICAÇÃO 
O desejo de todo escritor é ter uma comunicação clara e eficaz. Ela não 
acontece por acaso ou de forma plena sempre que desejamos, por isso existem 
recursos que ajudam a facilidade do leitor interagir e dar significado pleno ao 
texto. Reforçando, o exercício da leitura e da escrita é o caminho mais certeiro 
para melhorar a qualidade da comunicação, seja ela escrita ou não. 
4.1 Tema e objetivo 
Toda a comunicação tem uma intenção e esta é marcada porideias 
dominantes, isto é, ideias que indiquem o que se quer ponderar e que precisam 
ser entendidas pelo receptor. Assim, o tópico da comunicação é fundamental 
para sua realização, pois um bom texto é aquele que tem claro qual é a ideia 
central e a mantém durante todo seu percurso. 
Qualquer tipo de comunicação tem um objetivo e ir direto a ele é uma 
estratégia de comunicação eficiente. Com isso se evitam distrações, uma vez 
que o entendimento é mais expressivo. 
4.2 Concretude e questionamento 
A comunicação se realiza de forma plena quando trata de tema real, 
concreto, pleno. Isso quer dizer que, mesmo se tratando de ficção, o leitor deve 
acreditar no texto. Assim, discorrer sobre acontecimentos particulares, detalhes, 
explicações, fatos e exemplos dão concretude à comunicação e possibilitam ao 
leitor criar um universo compreensivo com significados diferentes do senso 
comum, que não traz interesse. 
Quando o texto apresenta uma questão em cuja resolução o leitor se 
sente envolvido, o texto torna-se mais atraente e prende a atenção. Assim, 
 
 
8 
buscar reflexões e questionamento no texto é uma forma de realizar uma 
comunicação com mais qualidade. 
TEMA 5 – PARAGRAFAÇÃO 
O texto é divido em parágrafos, que são identificados pelo recuo na 
primeira linha do texto da margem esquerda (aproximadamente três centímetros 
ou dois dedos). Essa divisão representa a organização das ideias expostas, pois 
em cada parágrafo deve haver somente uma ideia central. Por sua vez, cada 
parágrafo deve estar ligado ao anterior e apresentar o conseguinte. Portanto, é 
importante conhecer e usar corretamente os parágrafos. 
5.1 Estrutura do parágrafo 
 Não há tamanho determinado para a construção de um parágrafo, que 
varia de acordo com o gênero textual, da mesma forma que a quantidade de 
informação varia de acordo com cada tópico tratado. Porém não se deve 
esquecer que a estrutura “introdução – desenvolvimento – conclusão” é um 
modelo assertivo dentro do parágrafo assim como no texto como um todo. Dessa 
forma, o parágrafo precisa ter, no mínimo, três linhas e o texto, três parágrafos. 
 Reforçando, cada parágrafo transita em torno de apenas uma ideia 
central, a qual deve ser esgotada nele. O parágrafo apresenta um tópico frasal, 
que é uma afirmação objetiva e concisa do assunto a ser tratado e resume o 
conteúdo desenvolvido. Portanto, o texto deve ser um todo coeso, os parágrafos 
devem estar organizados com coerência e coesa, ampliando assim a 
possibilidade de compreensão do leitor. 
5.2 Parágrafos, gêneros e tipologias textuais 
 Os diferentes gêneros textuais apresentam organização própria e, com 
isso, estruturas de parágrafos distintas. Assim, em uma receita de bolo, por 
exemplo, primeiramente se apresentam os ingredientes em forma de lista; em 
seguida, a maneira de fazer a receita em parágrafos. Em histórias em 
quadrinhos, o texto é apresentado em forma de balões, modificando totalmente 
a estrutura comum dos parágrafos. 
Já em textos de tipologia narrativa, pode haver a presença de diálogos 
diretos, que são apresentados com travessões. Assim, é importante lembrar que 
 
 
9 
cada texto é um texto e precisa ser estruturado de forma que atenda a suas 
particularidades. 
NA PRÁTICA 
 Você precisa escrever um texto. Para algumas pessoas, isso é 
relativamente fácil; já, para outras, é uma angústia. Escrever não é um dom, mas 
é uma arte que exige treino e apresenta alguns passos. Vamos fazer um 
exercício usando os elementos desta aula. O primeiro passo é buscar um texto 
que seja similar ao que você quer produzir, do mesmo gênero textual: se você 
que escrever uma carta, busque um bom exemplo dela; o mesmo se dá com um 
discurso, relatório, poesia. Em seguida, analise os elementos que compõem tal 
texto: a forma, o espaçamento, os termos. Você pode selecionar palavras ou 
termos interessantes para usar em seu texto (intertextualidade). Da mesma 
forma, observe a tipologia utilizada, se é uma narração ou uma dissertação, por 
exemplo. Agora comece a organizar o que você pretende. Escreva os tópicos ou 
ideias mais importantes sobre o assunto. Faça um esquema da melhor ordem 
de apresentação dessas ideias. Faça de forma que fique mais coerente, 
separando cada tópico em um parágrafo. Depois disso, desenvolva cada ideia 
de cada parágrafo, lembrando sempre da intenção que você quer explanar e de 
que forma esta poderá ser bem aceita pelo leitor. Lembre-se de que o texto 
precisa ter informações interessantes, que atraiam o leitor. 
 Pronto! O caminho para escrever o texto está sinalizado e possivelmente 
as primeiras experiências não vão dar um resultado maravilhoso, mas você 
deixou de ficar olhando para o vazio buscando inspiração. Um bom texto exige 
trabalho, pesquisa, dedicação e muita prática. 
FINALIZANDO 
Nesta aula apresentamos assuntos relacionados à produção textual e 
vimos a importância dos aspectos da textualidade, como a coerência, que faz 
com que o texto tenha nexo e consistência. Estudamos a coesão, que harmoniza 
o texto com ligações lógicas; discorremos sobre a intencionalidade, que é a 
matriz de todo texto; falamos sobre a informatividade como bagagem de 
informações; a intertextualidade, que relaciona textos; a aceitabilidade, a forma 
como o texto é recebido pelo leitor; a situacionalidade, ou seja, o contexto no 
 
 
10 
qual o texto acontece; e, por fim, a paragrafação. Com o domínio desses 
elementos, você melhorará sua atuação como produtor e receptor de textos 
variados. Esperamos que tenha aproveitado bem a aula, e que continue 
estudando! 
 
 
 
 
11 
REFERÊNCIAS 
DISCINI, N. Comunicação nos textos. São Paulo: Contexto, 2009. 
GUIMARÃES, T. C. Comunicação e linguagem. São Paulo: Pearson, 2013. 
SILVA, L. A. Qualidade na comunicação escrita. Curitiba: InterSaberes, 2009. 
VALLE, M. L. E. Não erre mais: língua portuguesa nas empresas. Curitiba: 
InterSaberes, 2013. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
TÉCNICAS DE COMUNICAÇÃO 
AULA 5 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Profª Margarete Terezinha de Andrade Costa 
 
 
 
2 
CONVERSA INICIAL 
Nesta aula vamos desenvolver a nossa capacidade prática e teórica de 
utilização das técnicas de redação de textos formais. Para isso, vamos conhecer 
o gênero e entender como elaborar corretamente um relatório; compreender a 
estrutura, a confecção e a organização da carta comercial e do ofício; avaliar o 
gênero e elaborar corretamente um memorando; conhecer a estrutura, a função 
e a elaboração de uma procuração; entender a necessidade, a importância e a 
organização de uma ata. Tais gêneros textuais vão nos ajudar na elaboração de 
outros textos formais, melhorando com isso a comunicação via texto escrito. 
Quando pensamos em comunicação oficial, devemos buscar referências 
normativas como modelo, assim é indicado o Manual de redação da Presidência 
da República (Brasil, 2018), que traz indicações importantes para a construção 
de textos protocolares, que usaremos de base nesta aula. 
TEMA 1 – RELATÓRIO 
O relatório é um texto que tem como característica, como o próprio nome 
diz, relatar um fato, acontecimento, procedimento ou evento qualquer. Ele 
apresenta de forma organizada e particularizada os processos analisados dentro 
de um determinado período de tempo. Por ser um texto técnico, é necessário 
escrevê-lo com clareza e precisão; objetividade; concisão; coesão e coerência; 
impessoalidade; formalidade e padronização; e uso da norma padrão. 
Principalmente, o texto deve ser inteligível e transparente para que seja 
entendido por todos que o lerem. 
1.1 Estrutura do relatório 
Como todo bom texto, o relatório exige uma organização formal; deve 
começar com a identificação de título, autor e finalidade. Em seguida, obedece 
a sequência: introdução, desenvolvimento e conclusão (é preferível o uso de 
“considerações finais”, visto que a maioria daspesquisas não se encerra em si 
mesma, e assim não possuem uma conclusão). A introdução deve deixar claro 
para o leitor qual o objetivo do texto, isto é, qual a intenção do relato, e de que 
modo foi realizado (metodologia); é interessante expressar local, período de 
observação e abrangência. No desenvolvimento, é apresentado o percurso do 
 
 
 
3 
relato de forma pormenorizada; assim, há variedades na sua elaboração – o 
importante é que o escritor organize e ordene a apresentação de ideias de forma 
que o leitor acompanhe com mais facilidade a exposição. É interessante lançar 
mão de uma organização cronológica, ou por grau de dificuldade/interesse, 
quantitativamente e/ou qualitativamente dos resultados ou setor. As 
considerações finais devem retomar os objetivos propostos na introdução e 
analisar se foram ou não foram atingidas, explicitando o porquê disso. Assim, 
fechamos a proposta do relatório. Se para a realização do relatório foram 
pesquisadas diversas fontes, elas deverão aparecer nas referências. Toda fonte 
pesquisada e citada no texto deve aparecer nas referências, lembrando que 
referências, referências bibliográficas e bibliografia são coisas diferentes. A 
primeira são as fontes pesquisadas, a segunda são as fontes em forma de livro, 
e a terceira são as fontes consultadas, mas não citadas no corpo do relato. 
1.2 Tipos de relatórios 
Muitos são os tipos de relatórios existentes, que podem ser organizados 
em dois grupos básicos: acadêmicos e profissionais. Ambos são apresentações 
de pesquisas realizadas ou na área de ensino, ou laboral; independentemente 
da função, devem obedecer às normas de ética, integridade das partes e 
principalmente veracidade das informações. 
O relatório é a organização de pontos relevantes observados durante a 
pesquisa; assim, é importante esclarecer as dúvidas durante a observação, para 
não deixar lacunas. 
TEMA 2 – CARTA COMERCIAL E OFÍCIO 
A carta comercial e o ofício têm praticamente a mesma estrutura; muda 
apenas o remetente. Como o próprio nome diz, ofício é um documento oficial, 
isto é, emitido ou direcionado a um órgão oficial. Já a carta comercial é emitida 
por empresas privadas ou comerciais entre si. Ambas têm como objetivo a 
comunicação entre diferentes órgãos, instituições, empresas e afins, seno 
utilizadas para comunicação, solicitação, requerimento, pedido, patrocínio e fins 
jurídicos. A carta comercial e do ofício são rígidas, formais, claras e objetivas; 
em determinadas administrações, os textos apresentam modelos uniformes, que 
 
 
 
4 
devem ser seguidos. Lembramos que somente um assunto deve ser tratado por 
documento. 
2.1 Organização da carta comercial e do ofício 
Habitualmente, tais documentos apresentam estrutura padronizada: 
introdução, comunicação ou desenvolvimento e conclusão. Antes da introdução, 
deve aparecer o local e a data do envio; nome, cargo e empresa do destinatário 
e assunto. 
Na introdução, é apresentado o objetivo da comunicação. Esta deve ser 
direta e clara: Informo, Solicito, Requeiro, Comunico, Confirmo. No 
desenvolvimento, o assunto é delineado, reforçando que cada assunto deve ser 
tratado em documento próprio, para que seja respondido ou resolvido 
individualmente; se houver desdobramento do assunto, deve estar em 
parágrafos distintos. Na conclusão, é assegurada a posição sobre o assunto, a 
reafirmação do pedido, e a notificação ou confirmação, deixando claro o objetivo 
do documento. No encerramento, aparece o nome e o cargo do remente e o 
nome da empresa. 
O ofício e a carta comercial devem ser concisos, isto é, devem comunicar 
o máximo de informações com o mínimo de termos, e ao mesmo tempo devem 
ser claros, isto é, devem ser compreendidos pelo leitor, sem levantar dúvidas. 
2.2 Uso dos pronomes nas correspondências oficiais 
Ao utilizar os pronomes de tratamento em correspondências oficiais, 
devemos lembrar que, mesmo eles sendo em segunda pessoa (vosso, vossa), 
o verbo sempre será conjugado em terceira pessoa. Aqui, vale a pena ressaltar 
que o uso de “vossa” é para quando estou falando com a pessoa; “sua” é quando 
estamos falando dela. Por exemplo, você está pedindo autorização à autoridade: 
“Vossa Excelência permite uma colocação...”; quando você está dizendo que a 
autoridade permitiu: “Sua Excelência permitiu uma colocação...”. 
Lembre-se que “excelência” é utilizado para: o/a Presidente da República, 
senadores(as) da república, ministros(as) de Estado, governadores(as), 
deputados(as) federais e estaduais, prefeitos(as), embaixadores(as) e cônsules. 
As demais autoridades são tratadas por “Vossa Senhoria”. 
 
 
 
5 
Não se usa os adjetivos ilustríssimo, digníssimo (pois, supõe-se que a 
dignidade é uma postura ética necessária) e doutor (somente para quem tem o 
título acadêmico). 
De acordo com o Manual de redação da Presidência da República (Brasil, 
2018, p. 21): 
É imperativa, ainda, certa formalidade de tratamento. Não se trata 
somente do correto emprego deste ou daquele pronome de tratamento 
para uma autoridade de certo nível, mais do que isso: a formalidade 
diz respeito à civilidade no próprio enfoque dado ao assunto do qual 
cuida a comunicação. 
 Assim, é necessário cuidar da formalidade em texto oficiais. 
TEMA 3 – MEMORANDO E CORREIO ELETRÔNICO (E-MAIL) 
Os avanços históricos e tecnológicos influenciam o uso da comunicação. 
Vejamos algumas mudanças: a segunda edição do Manual de Redação da 
Presidência da República, publicado em 2002, indicava três tipos de 
expedientes: o aviso que era expedido exclusivamente por Ministros de Estado, 
para autoridades de mesma hierarquia; o ofício que era expedido para e pelas 
demais autoridades; e o memorando expedido entre unidades administrativas de 
um mesmo órgão. Já na terceira edição do Manual (Brasil, 2018), ficou abolida 
aquela distinção entre eles, e passamos a utilizar o termo ofício nas três 
hipóteses. No mesmo manual, aparece o item correio eletrônico, ou e-mail, como 
prática comum nas comunicações, com mesmo valor de ofício e memorando. 
Vamos a eles. 
3.1 Memorando 
Como já visto, o memorando é um gênero textual que tem como objetivo 
informar o funcionário de um mesmo setor de forma rápida e direta. É comum 
nas comunicações internas oficiais de instituições, empresas e órgãos públicos. 
Sua característica é a objetividade, daí a preferência de seu uso em forma de 
comunicação eletrônica. Porém, em virtude de arquivamento e segurança, o uso 
da forma física também é importante e bastante utilizado. 
Vejamos a formatação desses documentos; o papel dever ser A4; a 
margem esquerda deve ter 3 cm, a direita 1,5 cm, a superior e a inferior 2 cm. 
Na primeira página, a distância do texto com a borda superior deve ser de 5 cm. 
 
 
 
6 
O texto pode ser escrito nas duas faces do papel; ainda por uma questão de 
economia, também se aceita papel reciclado. O texto deve ser apresentado em 
cor preta, aceitando-se cores em imagens. 
Aceita-se também, mas sem excessos, o negrito para destacar ideias – 
nunca em itálico, sublinhando maiúsculas ou outros recursos. Os termos 
estrangeiros devem aparecer em itálico 
3.2 Correio eletrônico (e-mail) 
É evidente que você já recebeu e enviou e-mail; ele é muito utilizado para 
comunicação pessoal e laboral. Ele é considerado um documento oficial e tem o 
mesmo valor de um ofício ou memorando. As empresas e as agências 
governamentais costumam disponibilizar um e-mail corporativo para seus 
funcionários; estes têm extensão própria (ex.: gov.br; com.br) e são facilmente 
reconhecidos. Quando da utilização, é necessário tomar alguns cuidados, visto 
que são documentos que representam uma organização; eles devem ter a 
linguagem ajustada ao seu uso. 
Lembre-se que o assunto deve resumir o objetivo do e-mail indicando a 
sua leitura. Ele deve começar com uma saudação, como em documentos oficiais: 
Prezado Senhor ou Senhora, PrezadoCoordenador, Diretor, Reitor, por exemplo 
(observe que são com iniciais maiúsculas). O texto deve ser claro, correto. Não 
é recomendado textos muito longos ou com informações desnecessárias. Não é 
recomendado fechamentos com Att., Abraços, Saudações; o texto deve seguir 
as indicações formais: “Respeitosamente”, para cargos superiores, e 
“Atenciosamente” para os demais. 
Os e-mails formais exigem uma assinatura formalizada pela empresa, que 
normalmente contém nome completo, cargo, unidade, telefone, endereço. Se 
houver necessidade de anexar algo ao e-mail, é interessante anunciar minimante 
no corpo do texto o seu conteúdo. 
Você pode utilizar o recurso de confirmação de leitura ou confirmação de 
recebimento, mas faça isso somente se for necessário, para evitar acúmulo de 
informação; também atente a o responder um e-mail que foi direcionado a um 
grupo – não há necessidade de responder a todos. É recomendado o uso da 
letra Calibri ou Carlito, tamanho 12 em preto; obviamente o texto deve ser 
sempre revisto antes do envio, não usamos abreviações ou imagens. 
 
 
 
7 
TEMA 4 – PROCURAÇÃO 
Em muitas situações diferentes, precisamos que alguém faça algo por 
nós; quando isso exigir formalidade, utilizamos procuração. É um documento 
legal e formal, que autoriza uma pessoa a agir por outra – posicionamento que 
a faz tomar a condição de representante legal, desfrutando de direitos nos 
termos do documento. Assim, por ele dar poderes às pessoas, precisa ser 
redigido corretamente. Ela pode ser um instrumento público, realizado em um 
cartório ou particular; somente o outorgante tem a assinatura reconhecida. Existe 
um movimento de desburocratização, que busca facilitar os trâmites de 
documentos, para que assim fique sempre atualizado em relação à necessidade 
ou não do reconhecimento de firma. 
4.1 Conceito e uso 
Como já adiantamos, a procuração outorga poderes de uma pessoa a 
outra. Para isso, ela utiliza redação técnica por se tratar de um documento oficial, 
mesmo apresentando-se como um instrumento particular, escrito a próprio 
punho, enquanto a pública é lavrada em livro próprio pelo tabelião e arquivada 
no cartório. 
A pessoa que concede a procuração é designada de mandante, 
constituinte ou outorgante; aquele que recebe a função é o mandatário, 
procurador ou outorgado. 
Para que não haja dúvidas, é necessário que a procuração apresente de 
forma precisa a identificação e a qualificação, tanto do outorgante, quanto do 
outorgado, assim como os poderes, a finalidade e o prazo de validade da 
procuração. Também é importante registrar na procuração o local a data e a 
assinatura dos envolvidos. 
A procuração é utilizada para vários fins; o mais comum é a utilização de 
conta bancárias, a realização de contratos de compra e venda, a participação de 
assembleias, representação na busca ou entregas de documentos, entre outros. 
4.2 Estrutura 
A procuração começa com um título, identificando-a; em seguida, 
aparecem a qualificação do outorgante e do outorgado, nome, nacionalidade, 
 
 
 
8 
estado civil, profissão, CPF e residência. Depois, são apresentados as 
finalidades e os poderes; são declarados os tipos de faculdades que são 
repassados; em seguida, vem a data e a assinatura do outorgante, reconhecida 
em cartório; e as testemunhas, se houver; elas costumam ficar à esquerda e 
abaixo da assinatura do outorgante. 
TEMA 5 – CONVOCAÇÃO E ATA 
Vamos analisar dois gêneros textuais muito utilizados em múltiplos 
setores da sociedade: a convocação e a ata. Eles estão relacionados 
diretamente com reuniões, assembleias e convenções; elas acontecem que 
houver a necessidade, de duas ou mais pessoas, de discutir algum tema ou de 
realizar alguma atividade que gere decisões, encaminhamentos, resoluções, 
entre outros. Assim, o uso desses gêneros é comum e precisa ser conhecido, 
pois há aspectos relevantes e necessários em sua construção. 
5.1 Convocação 
A convocação nada mais é que um convite para participar de algum 
evento; no entanto, ela tem um atributo de participação obrigatória, e assim há 
alguns detalhes imprescindíveis para a garantia do sucesso da comunicação. O 
documento deve apresentar assunto, objetivo, data, horário de início e término, 
pauta, tempo previsto para cada assunto e indicações de quem vai presidir o 
processo. 
É interessante enviar a convocação com antecedência, a fim de que os 
participantes possam se preparar para ela. Também deve ser amplamente 
divulgada, preferencialmente com a confirmação de recebimento dos 
convocados. 
5.2 Ata 
A ata é documento de registro de uma reunião, assembleia ou 
convocação. Ela é um relato pormenorizado dos assuntos relevantes tratados 
nesses encontros. Uma peculiaridade desse documento é que ele é assinado 
por todos os participantes. 
 
 
 
9 
Por se tratar de um documento que avaliza decisões tomadas por um 
grupo, ela deve ser lavrada de forma a evitar modificações no texto; para isso, é 
indicado um livro/ata ou a numeração e rubrica dos participantes em todas as 
páginas (se forem soltas); da mesma forma, o texto não pode apresentar rasuras 
(se houver erros, usa-se a partícula “digo”, “em tempo”), e nem espaços como 
parágrafos. 
Em relação à escrita, ela deve ser sucinta e direta; começa-se com dia, 
mês, ano e hora da reunião; os números são grafados por extenso; em seguida, 
o local e a relação, e a identificação das pessoas presentes. Em seguida, a 
declaração de quem está presidindo e secretariando o evento, que normalmente 
lê os objetivos do evento, os encaminhamentos e o tempo previsto para as 
realizações. Depois, vem o fechamento da reunião e a assinatura dos 
participantes, que são feitas linearmente; isto é, uma ao lado da outra, evitando 
assim a inserção de alguma informação diferente. Uma observação interessante 
é que a assinatura da ata é realizada depois que ela aconteça, já que ao assinar, 
o participante está concordando com o que foi deliberado. 
NA PRÁTICA 
 Muitos documentos oficiais apresentam modelos prontos que necessitam 
ser preenchidos minimamente com informações pessoais. Crie um arquivo com 
diferentes modelos de textos formais, e preencha-os com seus dados. Busque 
um modelo de relatório, carta comercial, ofício, memorando, ata e outros, e 
coloque os seus dados, preenchendo com o maior número de informações que 
você tenha. Se for o caso, crie alguns elementos; faça, por exemplo, uma ata de 
um encontro de amigos; determine objetivos das conversas, tempos, e registre 
isso de forma lúdica. Esses exercícios vão aproximar você das formas desses 
diferentes gêneros, e ao mesmo tempo facilitam na hora que você precisar 
confeccioná-los. 
FINALIZANDO 
 Esta aula teve como foco textos formais; vimos alguns gêneros 
específicos, como o relatório, a carta comercial e o ofício, o memorando, a 
procuração, a ata, entre outros. Estudamos suas diferentes funções, estruturas, 
objetivos e necessidade. Tudo isso com a intenção de aperfeiçoar a 
 
 
 
10 
comunicação escrita em situações protocolares. Com esse caminho em vista, 
esperamos que você exercite a escrita de texto, e com isso apreenda formas de 
comunicação cada vez mais aprimoradas. 
 
 
 
 
11 
REFERÊNCIAS 
BRASIL. Presidência da República. Casa Civil. Subchefia de Assuntos Jurídicos. 
Manual de redação da Presidência da República. 3. ed. rev. atual. ampl. 
Brasília: Presidência da República, 2018. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
TÉCNICAS DE COMUNICAÇÃO 
AULA 6 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Profª Margarete Terezinha de Andrade Costa 
 
 
CONVERSA INICIAL 
Emprego da Expressão Escrita e a Oralidade 
Nesta aula vamos estudar a capacidade prática e teórica de utilização das 
técnicas de expressão oral; para isso, vamos começar conhecendo e 
identificando a imagem, a reputação e a ética da comunicação, elementos 
essenciais para uma efetivar e mantera conversação de maneira eficaz. 
Também é necessário entender as melhores maneiras de apresentação 
em público, visto que no universo acadêmico e laboral é um requisito importante 
e muito exigido. Da mesma maneira, dominar as técnicas de reuniões 
presenciais e on-line, assim como as ferramentas de soluções de problemas 
para as barreiras à comunicação não podem faltar na formação de quem 
pretende usá-la como ferramenta de interação. E finalmente vamos estudar os 
procedimentos de trabalhos em equipe para a criação da comunicação de 
excelência. Esperamos que apreciem a aula e que obtenham com isso uma 
formação mais aprimorada. 
TEMA 1 – IMAGEM, REPUTAÇÃO E ÉTICA DA COMUNICAÇÃO 
No cenário capitalista atual é evidente que as relações são permeadas 
por interesses financeiros, simbólicos, organizacionais, em que a busca de lucro 
pessoal é posta. Daí a necessidade de um olhar ético frente à subjetividade da 
comunicação oral. Está utilizado no cotidiano por todos nós, tanto no papel de 
falante quanto no de ouvinte. 
1.1 Ética da comunicação 
Na área da comunicação algumas analogias com a ética são colocadas 
em destaque; entre elas podemos destacar a transparência, pois nas ações 
comunicativas é importante que fique claro as intenções de cada elemento 
envolvido; assim como a privacidade, o respeito com as informações pessoais 
deve ser levado em conta e as informações coletivas de interesse social devem 
ser divulgadas, pois nem toda informação está disponível para todos; nesse 
caminho de duplo viés cabe as relações morais. Esses e outros elementos estão 
atrelados, sem dúvida nenhuma à integridade e à moralidade dos seres 
humanos. Mas não uma moralidade do senso comum, mas sim fundada em 
 
 
3 
princípios tanto de liberdade quanto de racionalidade que se voltam para o 
respeito do indivíduo e do coletivo. 
Assim, devemos considerar a comunidade como um fator imprescindível 
entre a comunicação e a ética, é nela que as pessoas desenvolvem um ser social 
com relações com outros, que se dá principalmente por meio da comunicação. 
1.2 Imagem e reputação 
Imagem é um atributo importante na comunicação, mesmo sendo pontual 
e individual. Esse elemento transmite informações sobre um objeto, uma pessoa 
ou um local, enviando uma mensagem de quem ou o que se é. Já a reputação é 
a percepção coletiva que se tem da imagem, é sua interpretação. Assim, a 
imagem e a reputação constituem elementos que estimulam ou não o interesse, 
a vontade de manter contato e ampliar as relações. 
Dessa forma, quando se volta para a comunicação oral, é necessário 
considerar a imagem que se está passando e a reputação que se cria com ela. 
Uma conversação oral frágil demonstra insegurança, falta de conhecimento e 
outros predicados negativos. 
TEMA 2 – APRESENTAÇÃO EM PÚBLICO 
Muitas situações exigem apresentação em público e algumas pessoas 
sofrem muito com isso. Assim, é necessário estudar técnicas para falar melhor 
e principalmente convencer o outro. Vamos estudar alguns caminhos que nos 
levam à melhoria das técnicas de oratória. 
2.1 Atributos de um bom comunicador 
Todos, sem exceção, ficam nervosos em apresentações em público. Isso 
ocorre porque estamos nos expondo e correndo o risco de cometer erros na 
frente dos outros. Por sua vez, o nervosismo revela que há uma preocupação 
em buscar a assertividade, que é natural em pessoa responsáveis e envolvidas 
no que fazem. 
Portanto, antes de qualquer apresentação, é imperioso seguir alguns 
passos: primeiro, conhecer bem o assunto que será apresentado, pois é 
complicado exibir um assunto que não se domina ou fazê-lo de maneira 
improvisada; em seguida, planejar a maneira de apresentar as ideias, 
 
 
4 
preferenciamente de maneira encadeada, clara e esclarecedora para os 
ouvintes; também se faz necessário ensaiar a apresentação diversas vezes, 
buscando superar as falhas, cronometrando o tempo e melhorando em cada 
tentativa; e por último, deve-se procurar controle emocional, trabalhando com a 
autoestima, procurando apoio de pessoas positivas, cuidando da imagem 
pessoal e tendo a consciência de que ninguém é perfeito e de que falhas 
acontecem. 
 Outro ponto importante é conhecer antecipadamente o local da 
apresentação e quem serão seus ouvintes. Isso traz mais tranquilidade e evita 
surpresas desagradáveis, como espaços muito grandes ou pequenos, e 
possiblita a adequação da fala a determinado público. 
2.2 Recursos corporais 
Todos já devem ter ouvido falar que a transmissão da mensagem se dá 
mais pela imagem (aparência, postura, voz, movimentos, olhar, gestos) que o 
apresentador passa do que pelo que ele diz. Dessa maneira, é necessário refletir 
sobre os recursos corporais. 
Você também já dever ter ouvido falar que “a primeira imagem é a que 
fica”; assim, atente para a forma de se vestir. Escolher um traje mais apropriado 
para a situação reflete a preocupação do orador com o público; a adequação é 
primordial, assim, se o evento é formal o traje também deve ser; já se imperar a 
informalidade, os trajes devem acompanhar essa tendência. Obviamente a 
roupa deve ser discreta e elegante em todas as diferentes ocasiões. 
Atente para a postura, mantenha a coluna reta, o olhar no público, 
mantendo contato visual, caminhe firme e naturalmente. Inicie sua apresentação 
sem ser prepotente; se não houver atenção do público, pare e sorria de maneira 
simpática, indicando que você precisa de silêncio para começar e/ou continuar. 
Sua fisionomia indicam seu estado de espírito; mantenha um sorriso nos 
lábios, pois o bom humor é sempre a melhor estratégia de agradar; não fique de 
costas para o público e deixe as mãos à vista, não no bolso e nem nas costas. 
A voz deve ser ouvida por todos, não pode ser baixa e nem alta demais, 
o interessante é mudar o tom e dar ênfase a algumas sílabas ou termos 
importantes. O ritmo também deve ter variações, e não ser muito rápido e nem 
muito lento, pois isso cansa os ouvintes. Evite o uso de gírias, termos de baixo 
calão, chavões, frases feitas e preconceituosas. 
 
 
5 
TEMA 3 – REUNIÕES PRESENCIAIS E ON-LINE 
As reuniões são sempre necessárias e acontecem em diferentes 
situações, a fim de apresentar ideias, informações e opiniões entre seus 
participantes. Também são utilizadas para coletar informações sobre os 
processos, as operações e as implantações de projetos; contudo, elas precisam 
ser cada vez mais rápidas e assertivas, a fim de garantir maior eficiência de 
resultados. 
3.1 Reuniões presenciais 
Para que uma reunião seja produtiva, é importante organizar alguns itens 
antes de sua realização. O primeira deles é estabelecer os objetivos da reunião, 
para que todos tenham a oportunidade de se preparar. Isso feito, é necessário 
selecionar as pessoas que realmente precisam participar dela, determinar o local 
e o horário. 
Uma boa dica é sempre começar no horário estipulado, cumprimentar os 
presentes e ressaltar a importância da pontualidade – essa é uma maneira 
simpática de mostrar que as pessoas que têm o costume de se atrasar prestarão 
mais atenção aos horários. Da mesma maneira, é bom programar o tempo de 
duração de cada reunião e seguir isso o mais próximo do determinado, tomando 
cuidado com o tempo da fala. Quanto ao local, este deve ser preparado para 
receber seus convidados, em relação ao número de lugares, água, ventilação, 
silêncio, recursos tecnológicos, entre outros. 
As falas devem ser diretas, sem uso exagerado de metáforas. Todos 
devem ter oportunidade de se expressar mas também de maneira pontuada, sem 
excessos. 
3.2 Reuniões on-line 
Atualmente, o uso das tecnologias para realização de reuniões é muito 
eficiente, principalmente quando se faz necessária a participação de pessoas em 
diferentes lugares. É sempre bom ter cautela em relação à atenção dos 
participantes; assim, reuniões muito longas e com a participação de muitas 
pessoasprecisam ser rigorosamente organizadas, a fim de evitar perda de foco 
e desvios na comunicação. É interessante começar com uma rápida introdução, 
 
 
6 
apresentando os objetivos do encontro e os resultados esperados. Cuidando 
para que duas pessoas não falem ao mesmo tempo. 
Se a reunião for apenas para comunicar ou informar, indique isso em seu 
início e repasse os itens por outros meios, como carta, ofício ou e-mail, assim 
garante-se o recebimento das informações. 
TEMA 4 – BARREIRAS DA COMUNICAÇÃO 
A comunicação não se volta somente para quem fala, mas também para 
o ouvinte. Saber ouvir é um exercício que precisa ser treinado constantemente, 
pois há barreiras na comunicação que atrapalham o processo e dificultam o 
entendimento da interpretação. 
4.1 Problemas de comunicação 
A comunicação se dá quando há troca de informações entre seus 
participantes; mas algumas vezes a mensagem não é absorvida em sua 
totalidade, fragmentando seu entendimento e causando problemas. Outra vezes 
a mensagem pode ser mal interpretada e distorcida pelo seu receptor, ou até 
mesmo interrompida, sem a captação de sua totalidade. 
Tais problemas podem estar atrelados ao emissor, ao receptor, ao canal, 
ao contexto; enfim, pode acontecer em todas as instâncias do processo. Dessa 
forma, cabe prestar atenção nesses elementos, evitando falhas. 
Por exemplo, se há resistência no receptor em relação ao emissor ou à 
mensagem, esta certamente será distorcida ou mal recebida. Da mesma 
maneira, os variados tipos de preconceito atrapalham o processo, assim como 
uma postura defensiva, distrações e inibição são elementos que podem gerar 
comunicação com problemas. 
4.2 Como evitar barreiras na comunicação 
Evidentemente não há como prevenir todos os tipos de barreiras na 
comunicação, mas há como minimizá-los. A primeira maneira de fazer isso é 
estar atento ao processo, verificar as possibilidades ou não de entendimento, 
isto é, es buscar realizar a comunicação sempre da melhor maneira possível. 
Isso se dá, por exemplo, com a utilização da uma linguagem apropriada e direta, 
buscando com ela ministrar as informações de forma clara, completa e 
 
 
7 
estimulante. Para que isso se realize de maneira mais eficaz, a utilização de 
canais diferenciados é interessante, tais como exemplos ilustrativos, imagens, 
sons, e outros elementos que chamem a atenção. 
Da mesma maneira, ter uma escuta ativa amplia o processo comunicativo. 
Muitas vezes as pessoas falam sem ouvir o que outro está dizendo; ao prestar 
atenção, nós estamos colando-nos no lugar do outro e ajudando o processo 
comunicativo. Além de criar uma relação empática entre os seus participantes. 
TEMA 5 – TRABALHO EM EQUIPE 
A comunicação é a melhor ferramenta para que os trabalhos em equipes 
sejam melhores, seja em casa, seja no ambiente educacional ou no trabalho. 
Seu bom uso une o grupo, agrega valor ao trabalho de cada um, cria uma relação 
de segurança e ajuda na busca de soluções para os problemas. 
Não há necessidade, no entanto, de elencar as dificuldades que a falta de 
comunicação ou sua falha resultam no trabalho coletivo, ele é evidente e comum 
durante os procedimentos de troca. 
5.1 Organização do trabalho em grupo 
O passo mais importante em um trabalho em grupo é esclarecer o objetivo 
desse trabalho e tempo de sua execução. Em seguida, deve-se fazer a pesquisa 
sobre seu possível desenvolvimento, entender as habilidades de cada 
componente do grupo e executar a divisão de tarefas. Tudo muito simples, fácil 
e rápido... desde que haja entendimento de todos acerca de tais passos. 
 É importante determinar um líder ou vários líderes para diferentes tarefas; 
ao passar a responsabilidade para alguém, este se sente importante no grupo e 
realiza sua atividade de maneira mais prazerosa. Sempre deve-se tomar muito 
cuidado com as relações interpessoais, e discutir em grupo como lidar uns com 
os outros traz bons resultados. 
Uma dica é realizar momentos de avaliação dos processos, no qual cada 
elemento da equipe expõe suas opiniões sobre o andamento dos trabalhos. Isso 
com respeito e honestidade. Criticar uma ideia não é criticar uma pessoa – isso 
deve ser o norte das relações. 
 
 
 
8 
5.2 União e produtividade 
A ideia do trabalho em grupos é que haja troca entre os elementos na 
busca de um resultado melhor. O convívio com pessoas que pensam de maneira 
diferente agrega valor ao resultado desde que haja troca, respeito e parceria 
entre elas. Assim, o exercício de se trabalhar com o outro é uma busca constante 
de crescimento, aprendizagem e principalmente a superação das barreiras de 
comunicação; especialmente porque são poucas as pessoas que trabalham 
sozinhas. Assim, a comunicação no trabalho em equipe exige paciência, 
tolerância e respeito com os espaços, as ideias e as dificuldades dos outros e de 
nós mesmos. 
NA PRÁTICA 
Este exercício é muito interessante. Você vai preparar uma palestra para 
uma pessoa muito importante, para você mesmo. Isso, você vai se apresentar, 
exibir um projeto, defendê-lo e aprová-lo, ou não, para você mesmo. Escolha 
uma situação muito formal, elabore uma fala interessante, arrume o cenário, 
determine um tempo mínimo e máximo e apresente oralmente as suas ideias, 
gravando esse momento. Refaça quantas vezes você achar necessário, e depois 
de sua aprovação peça a um ou mais amigos para assistir e avaliar 
rigorosamente seu desempenho. 
Se as críticas forem muito severas, marque uma reunião com você mesmo 
e arrume os pontos frágeis até ficar satisfeito com o resultado. Com esse 
exercício você vai treinar apresentações orais e estará mais preparado quando 
precisar realizá-las. 
FINALIZANDO 
Estudamos nesta aula a aptidão prática e teórica de utilização das 
técnicas de expressão oral; para isso tivemos como foco a ética, a apresentação 
oral em público, como conduzir reuniões e trabalhar em equipe. A intenção desta 
aula não é esgotar tais tópicos, pelo contrário, a ideia é apontar para novos 
caminhos que sejam buscados e traçados por você a fim de exercitar e aprimorar 
o uso da palavra. 
Desejamos muitas novas boas leituras e bons estudos. 
 
 
9 
REFERÊNCIAS 
DISCINI, N. Comunicação nos textos. São Paulo: Contexto, 2009. 
GUIMARÃES, T. de C. Comunicação e linguagem. São Paulo: Pearson, 2013. 
LUIZARI, K. Comunicação empresarial eficaz: como falar e escrever bem. 
Curitiba: Intersaberes, 2012. 
PLAISANCE, P. L. Ética na comunicação: princípios para uma prática 
responsável. Porto Alegre: Artmed, 2011. 
SILVA, L. A. e. Qualidade na comunicação escrita. Curitiba: InterSaberes, 
2009. 
VALLE, M. L. E. Não erre mais: língua portuguesa nas empresas. Curitiba: 
InterSaberes, 2013. 
 
	Conversa inicial
	Emprego da Expressão Escrita e a Oralidade
	Na prática
	FINALIZANDO
	REFERÊNCIAS

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