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TÉCNICAS DE COMUNICAÇÃO AULA 1 Prof.ª Margarete Terezinha de Andrade Costa 2 CONVERSA INICIAL As relações entre os seres humanos de todo o mundo se dão pela comunicação; ela é um componente imprescindível de nossa vida. A todo o instante estamos compartilhando informações, seja por meio da fala, de gestos, de um sorriso ou da escrita, pela leitura de documentos, sites, entre outros. Da mesma forma, a comunicação fomenta não só a permuta de pensamentos, mas de cultura conhecimentos e saberes. Daí sua importância no âmbito pessoal e profissional. Para conhecermos mais sobre o assunto, nesta aula iremos estudar a comunicação e a operacionalização dos conceitos oriundos das teorias da comunicação. Para tal, é necessário conhecer as teorias de comunicação e seus elementos constitutivos; reconhecer a linguagem verbal e não verbal; compreender as variáveis individuais, ambientais, circunstanciais e de linguagem da comunicação; investigar a relação da comunicação com a intencionalidade discursiva; e analisar o que é texto e textualidade. Desejo que este trabalho seja muito prazeroso para todos! TEMA 1 – ELEMENTOS DA COMUNICAÇÃO Vamos começar analisando dois termos de origem latina: communicatio, que significa o ato de repartir, distribuir, tornar comum a todos; e communis, que significa comum, banal, algo corriqueiro compartilhado por vários. Esses termos deram origem à palavra comunicar; assim, basicamente ela significa partilhar, repartir, tornar comum; e isso é verdade, pois a comunicação é algo inerente aos seres humanos e nos faz mais unidos, pois nós nos comunicamos o tempo todo e por todos os tempos. A interação social se dá pela comunicação, quando estabelecemos algo comum com outra pessoa. Assim, podemos definir comunicação como um processo de intercâmbio social efetivado por meio de símbolos e mensagens com significação comuns. É a transmissão e recepção de informações entre as pessoas. Logo, a comunicação é todo processo pelo qual os seres humanos partilham informações. Para que seja efetiva, há necessidade de pelo menos duas pessoas na ação de comunicação, com geração de entendimento recíproco. Há também outros elementos básicos, que foram organizados por Roman Jakobson, um linguista nascido em 1896 em Moscou. Ele retoma e aprofunda estudos de 3 pesquisadores anteriores sobre a teoria da comunicação, e em 1960 apresenta em um ensaio da sistematização e classificação dos elementos da comunicação. Segundo o autor: O REMETENTE envia uma MENSAGEM ao DESTINATÁRIO. Para ser eficaz, a mensagem requer um CONTEXTO a que se refere (ou ‘referente’, em outra nomenclatura algo ambígua), apreensível pelo destinatário, e que seja verbal ou suscetível de verbalização; um CÓDIGO total ou parcialmente comum ao remetente e ao destinatário (ou, em palavras, ao codificador e ao decodificador da mensagem); e, finalmente, um CONTACTO, um canal físico e uma conexão psicológica entre o remetente e o destinatário, que os capacite a ambos a entrarem e permanecerem em comunicação. Todos estes fatores inalienavelmente envolvidos na comunicação verbal podem ser esquematizados como segue (Jakobson, 2008, p. 122-123). Figura 1 – Esquema de comunicação de Jakobson CONTEXTO MENSAGEM REMETENTE --------------------------- DESTINATÁRIO CONTATO CÓDIGO Fonte: Elaborado com base em Jakobson, 2008, p. 123. Vamos analisar cada elemento apresentado por Jakobson. 1.1 Remetente O remetente, ou emissor, é quem emite a mensagem; dele saem as ideias, pensamentos e elucubrações com um significado; pode ser uma pessoa, um grupo delas, uma instituição ou mesmo um suporte da mensagem, como um cartaz e um desenho. O que precisamos analisar é que o emissor, sendo uma pessoa, tem sentimentos, desejos e intenções. Portanto, ele emite uma mensagem com base no contexto em que está inserido, em um determinado tempo histórico. Tudo isso deve ser analisado, já que a mensagem reflete esses elementos, mesmo que de forma subjetiva. 1.2 Destinatário O destinatário é o receptor da mensagem; é quem a lê, ouve ou sente. Pode ser uma pessoa, um grupo delas, ou mesmo um animal. Também é necessário considerar que o receptor está em um determinado contexto, em um 4 tempo e momento que vai influenciar como se entende a mensagem recebida. Com isso, é necessário considerar que a mensagem é perpassada pela situação em que se encontram o emissor e o receptor, sendo influenciada por ela. 1.3 Contexto, mensagem O contexto, também denominado de referente, é o cenário no qual a mensagem é passada do emissor para o receptor; como já dissemos, ela influencia significativamente a forma de comunicação, pois uma mesma mensagem pode ter entendimentos diferenciados de acordo com o contexto em que é realizada. A mensagem é o objeto da comunicação; ela carrega o conteúdo. Aqui é importante ressaltar que é muito complexo pensar que a mensagem sempre terá o mesmo significado que o emissor deseja comunicar e que o receptor entende. Há vários elementos que deturpam esse caminho. Tais ocorrências são denominadas ruídos, mas não têm relação direta com barulho. Ruído é todo o episódio que atrapalha a comunicação. Assim, o barulho é um ruído, mas um som muito baixo que dificulte o entendimento também é. Podem ser também: falta de rede de celular, muita gente falando ao mesmo tempo, uso de palavras com sentido muito complicado e falta de interesse na comunicação. 1.4 Contato, código O contato, também conhecido como canal de comunicação, é a maneira como a comunicação é realizada. Ela pode ser efetivada pela fala, pela escrita, por um e-mail; cada canal tem um código específico. Código é o signo compartilhado pelo emissor e receptor, tais como as palavras, imagens e sinais. É evidente que, para que a comunicação se realize, tanto o emissor quanto o receptor devem dominar o mesmo código ou sistemas de sinais; por exemplo, gestos, sons, códigos, indicações ou língua natural (língua portuguesa, inglesa, chinesa etc.). TEMA 2 – LINGUAGEM VERBAL E NÃO VERBAL A linguagem é o sistema pelo qual os seres humanos se comunicam. Por meio dela é que as ideias e os sentimentos são expressados. Assim, sempre que houver comunicação, a linguagem é utilizada. Há vários tipos de linguagem; 5 ela pode ser materializada por sinais, símbolos, sons, gestos, sinais convencionais, entre tantos outros. Assim, linguagem é todo sistema utilizado para a comunicação. Nós, seres humanos, utilizamos dois tipos básicos de linguagem: a verbal e a não verbal. 2.1 Linguagem verbal O termo verbal tem sua origem na palavra verbale, do latim, que é derivada do termo verbu, que signfica palavra. Assim, linguagem verbal é a aquela que utiliza as palavras como código de comunicação. Ela pode acontecer de duas formas: a escrita e a oral. A linguagem verbal escrita é extremamente complexa, pois exige do emissor a organização das ideias, de forma que, ao ler, o receptor tenha conhecimento exato da mensagem. Para tal, tanto o emissor quanto o receptor precisam dominar um código e saber fazer uso dele. Um bom exemplo são os sinais de pontuação, como a exclamação, que expressa o sentimento de surpresa. Igualmente, a língua escrita requer cuidados, pois nem sempre quem lê o texto está perto do emissor para esclarecer possíveis dúvidas. Muitas vezes, a leitura do texto é feita em tempos diferentes, e assim é preciso atentar para sua construção, afim de não criar dúvidas no leitor. A forma escrita, por sua vez, apresenta variantes. Ela pode ser formal ou informal, dependento da situação em que a mensagem é expressa. O importante é que o emissor tenha domínio das diferentes formas do uso da lingagem para que possa adaptá-las às diferentes situações de uso. A forma oral também é bastante complexa, mastraz a vantagem de poder ser retomada dependendo da reação do ouvinte. Ela apresenta as variações formal e informal, estando relacionada principalmente à imagem do emissor. Quando se ouve alguém falando, nós naturalmente elaboramos uma opinião sobre o emissor e consquentemente avaliamos a sua fala. Isso interfere diretamente no entendimento da mensagem. 2.2 Linguagem não verbal A linguagem não verbal é aquele não utilza a palavras. Em seu lugar, são usados recursos visuais, tais como imagens, figuras, cores, ilustrações, sinais e também ruídos, como apitos e gritos. 6 Quando não se usa a palavra para se comunicar, ela é denominada comunicação não verbal, e pode ser efetivada por gestos, toques, expressões faciais, imagens, cores e outros sinais não linguísticos. Na oralidade, há uma espontaneidade que a faz mais solta, livre e criativa; ela é acompanhada de gestos, expressões faciais e tonalidade da voz, que traduzem melhor o que o falante quer dizer. 2.3 Linguagem mista A linguagem mista é a utilização da linguagem verbal e não verbal ao mesmo tempo TEMA 3 – VARIAÇÕES LINGUÍSTICAS O Brasil é um país de dimensões continentais. Somos realmente um país muito grande, e com isso temos diferenças relevantes no uso da fala em nosso povo. Isso é muito bom, pois a diversidade enriquece culturalmente a todos. Devemos considerar que todas as diferentes formas de fala, quando atendem o fator de comunicação (isso é, quando são entendidas), são válidas e estão corretas. O preconceito linguístico deve ser combatido. No lugar de certo ou errado, a língua deve ser entendida como adequada ou inadequada. Falaremos sobre este assunto no decorrer de nossos estudos. Obviamente, tal variação impacta a forma como nós brasileiros falamos. Cada região tem características valiosas na forma de comunicação, e todas são preciosas e trazem valor a quem as usa. Elas podem se apresentar no vocabulário, na pronúncia ou no uso da gramática. Da mesma forma, por ser a língua um fenômeno dinâmico e sensível, há variações ligadas a tempo, idade do interlocutor, classe social, gênero, situação formal ou informal. 3.1 Variações diatópicas, regionais ou geográficas As variações diatópicas são as diferenças de uma mesma língua em diversas localidades. A língua portuguesa, por exemplo, é usada de forma diferente em Portugal, e mesmo dentro do Brasil há diferenças acentuadas. É fácil observar as diferenças nas falas dos habitantes das várias regiões do país. 7 Por exemplo: abóbora e jerimum; mimosa, mexerica e bergamota, macaxeira, aipim, mandioca. 3.2 Variações diafásicas ou situacionais As diferentes situações de comunicação exigem adequações na fala. Tais variações são denominadas de diafásicas. Nós não falamos da mesma forma com o nosso superior no emprego e com nosso animal de estimação. Cada contexto comunicativo tem uma determinação formal ou informal da fala. A linguagem formal é considerada mais culta, e por isso mais prestigiada. Ela é aquela mais cuidada, utilizada em situações que exigem mais correção gramatical, quando não há tanta familiaridade ou intimidade entre os interlocutores. A linguagem informal, por sua vez, é utilizada em situações em que os interlocutores têm mais intimidade e estão mais relaxados quanto à construção das frases e uso de termos mais específicos. Sendo assim, é quase sempre rebelde à norma gramatical e ressalta o caráter oral e popular da língua. A linguagem é tida como coloquial, sedo usada espontânea e fluentemente pelo povo. Lembramos que interlocutores são as pessoas que participam do processo de interação por meio da linguagem 3.3 Variações diastráticas ou sociais As variações diastráticas ou sociais são as que acontecem devido ao convívio dos interlocutores com determinados grupos sociais. A língua retrata as questões culturais, as atividades desenvolvidas, os ferramentais utilizados de seus usuários. São os jargões ou gírias de cada linguajar utilizado por grupos distintos, tais como: pescadores, surfistas, médicos, advogados, religiosos, criminosos, entre outros. A gíria é um estilo que se integra à língua popular e relaciona-se ao cotidiano de certos grupos sociais. O jargão é relacionado à linguagem de grupos profissionais 8 3.4 Variações históricas A linguagem é produzida por nós, seres humanos, e se modifica com o passar do tempo. Portanto, ela também sofre modificações. Com o movimento do tempo, muitas palavras são acrescidas em nosso vocabulário, e outras não são mais utilizadas. Essa dinâmica acontece na língua ao longo da história. Muitas palavras deixam de ser utilizadas, alguns grafemas, como “ph” de “Pharmacia”, ou o trema em conseqüência, deixam de existir, fazendo com que a língua acompanhe a evolução humana. TEMA 4 – INTENCIONALIDADE DISCURSIVA Como já discutimos nesta aula, a comunicação tem a finalidade de transmitir uma ideia, um pensamento. Portanto, ao nos comunicamos, temos uma intenção, um desejo, um objetivo, que pode ser o mais variado possível. Às vezes a comunicação se presta somente para que sejamos vistos, sem uma bagagem muito interessante de conteúdo; ainda assim, pode estimular o diálogo. A intenção é algumas vezes explícita, isso é, está clara na mensagem; outras vezes ela é implícita, quando está camuflada na comunicação. Muitas vezes um texto traz uma informação, mas na verdade carrega outras informações; isso é comum na música em tempos de repreensão, como acontecia no Brasil na época da Ditatura Militar. Daí a importância de se fazer uma boa interpretação no processo comunicativo. 4.1 Argumentação Os argumentos são recursos utilizados para convencer o outro de uma ideia. O texto argumentativo é composto da exposição de uma tese (ideia) e de argumentos que a comprovam. A intencionalidade está diretamente relacionada com a argumentação; assim, todo texto tem alguma forma de convencimento, mesmo que de forma sutil. Com isso, fundamentamos a teoria de que os textos não são neutros, pois carregam em si uma intencionalidade da parte de quem os constrói. Estão impregnados de crenças, convicções, perspectivas e finalidades de quem os produz, influenciando assim o receptor de suas ideias. 9 4.2 Interpretação de texto A interpretação de um texto está relacionada com o entendimento da sua intenção. Há dois níveis básico de interpretação: o primeiro é a interpretação em si, ou seja, entender o que foi comunicado, conhecer os termos utilizados, seguir a ordem das ideias, concordar ou não com o que é transmitido. O segundo passo, que exige um pouco mais de atenção, é perceber o que há na essência do que é transmitido e relacioná-lo com outros contextos próximos. Aí aparece a contextualização do processo e as dúvidas que a mensagem provocou. TEMA 5 – TEXTUALIDADE Um termo bastante comum precisa ser esclarecido: texto. O que é texto, quando ele acontece e como identificá-los são questões necessárias em nossos estudos. Texto é toda unidade linguística perceptível pela visão ou audição, e que comunica algo. Ele pode ser longo, com várias páginas, ou se constituir de apenas uma palavra ou imagem. O termo texto tem origem no latim textum, que significa tecido. Essa imagem é muito bonita, pois o texto é uma trama por meio da qual se enredam as palavras. Para ser texto, também é necessário que haja uma unidade linguística com sentido, uma estrutura organizada e principalmente a comunicação de ideias. O texto tem significado. 5.1 Fatores da textualidade A textualidade é o que faz um texto ser um texto, ou seja, é a forma de organizar um texto para fazê-lo ser entendido pelo outro. Na realidade, são requisitos para que um texto seja entendido pelo receptor. Tais requisitos são divididos em fatores linguísticos e extralinguísticos. 10 Quadro 1 – FatoresNA PRÁTICA Um bom exercício comunicativo é prestar atenção. Assim, comece a atentar no seu dia a dia como funcionam os elementos da comunicação; observe se o emissor está sendo claro e objetivo, e também a postura do receptor, se ele está atento e entendendo a mensagem transmitida. Exercite-se igualmente na observação das mensagens verbais e não verbais que chegam até você; note a frequência delas em propagandas, outdoors e outros suportes expostos publicamente. É muito interessante também contemplar as variações linguísticas das pessoas com que você convive. Aprecie as diferenças nas falas e tente descobrir como isso se dá. E, por fim, talvez o exercício mais importante seja prestar atenção na intencionalidade das mensagens recebidas. Investigue qual realmente é a finalidade da mensagem e como esse objetivo é colocado. Dessa forma, você vai ampliar o entendimento dos processos de comunicação. Boa pesquisa! Fatores linguísticos Coesão - Ligação entre as palavras do texto, formando uma sequência. Elementos que estabelecem elos que ligam as ideias no texto. Coerência - Acontece quando as partes do texto se encaixam. Quando não há ideias destoantes, contraditórias ou desconexas no texto. Intertextualidade - Quando o texto apresenta implícita ou explicitamente outro texto em seu corpo. Fatores extralinguísticos Intencionalidade - São as intenções, explícitas ou implícitas, existentes na linguagem dos interlocutores que participam de uma situação comunicativa. Aceitabilidade - Quando o leitor intuitivamente compreende e entende o que foi escrito. Informatividade - Qualidade das informações contidas num texto: por quê, para quê e para quem se escreve. Situacionalidade - Adequar um texto a uma situação, ao contexto. 11 FINALIZANDO Nesta aula, estudamos as bases das técnicas de comunicação. Retomamos os elementos da comunicação, os conceitos de linguagem verbal e não verbal, as variações linguísticas, a intencionalidade discursiva e, por último, a textualidade. Tudo isso afim de deixar claro que os processos e a organização da comunicação são fundamentais para o bom relacionamento com os outros, reforçando sempre que, para nos comunicar cada vez melhor, é necessário estar atento ao outro e sempre prestar atenção. 12 REFERÊNCIAS JAKOBSON, R. Linguística e comunicação. 23. ed. São Paulo: Cultrix, 2008. LUIZARI, K. R. Comunicação empresarial eficaz: como falar e escrever bem. Curitiba: InterSaberes, 2010. VALLE, M. L. E. Não erre mais: língua portuguesa nas empresas. Curitiba: InterSaberes, 2013. TÉCNICAS DE COMUNICAÇÃO AULA 2 Profª Margarete Terezinha de Andrade Costa 2 CONVERSA INICIAL Esta aula tem como foco a comunicação e a interação, por meio do uso de mensagens eletrônicas no universo das novas tecnologias de comunicação. Para tal, vamos discorrer sobre a evolução das ferramentas de colaboração e como se dá a construção da comunicação com as novas tecnologias. Lembrando que a comunicação é realizada entre seres humanos, e que as tecnologias estão postas para ajudar, considerando a importância do contato pessoal e humano. TEMA 1 – COMUNICAÇÃO E INTERAÇÃO Ao analisar as tendências da comunicação na sociedade da informação, não podemos deixar de considerar os processos da comunicação humana. Incluímos aqui a comunicação oral, o uso da escrita, que trouxe durabilidade à comunicação pela possibilidade de seu registro permanecer no tempo, e os avanços tecnológicos, que por sua vez trouxeram grandes mudanças sociais, não só em relação à comunicação, mas também no cenário mundial como um todo. Hoje em dia, há a possibilidade de intercomunicar-se com pessoas de todos os continentes em tempo real. 1.1 Sociedade da informação As tecnologias de comunicação e informação têm provocado várias mudanças na sociedade. A reestruturação econômica, organizacional e cultural perpassa o desenvolvimento das tecnologias de informação e comunicação, também conhecidas como TICs. Por conseguinte, elas contribuem para modificações do cenário econômico, expansão comercial e transformações sociais. Estas são, por sua vez, a base da sociedade da informação, e o elemento central de transformação e produção de conhecimento social. Aqui, é preciso ter em vista que a aquisição, o armazenamento, o processamento e a distribuição da informação por meio de recursos tecnológicos são o alicerce da estrutura social, e determinam a sua evolução. Isso acontece de tal modo que a forma como a coletividade vive baseia-se nas evoluções das tecnologias de informação e comunicação, e reflete o seu desenvolvimento. Ou seja, quanto mais recorrente é o uso e o acesso às tecnologias, maiores são as possibilidades de recursos estratégicos para o desenvolvimento. 3 1.2 Novas tendências Comecemos nossas reflexões partindo do princípio de que não são as tecnologias de comunicação que mudam a sociedade. Trata-se do seu uso e de quem as manipula. Em uma sociedade capitalista, como a nossa, a busca pelo lucro está diretamente relacionada com a utilização, a difusão e o acesso às tecnologias de comunicação. Assim, não sejamos ingênuos, pensando que não há interesse econômicos por traz desse cenário. É certo que as tecnologias nos permitem escolhas, mas somos reféns dos interesses capitalistas. As novas tendências tecnológicas podem ser entendidas como os novos procedimentos, instrumentos e técnicas voltados ao processo produtivo, tendo como objetivo a valorização do capital; porém, elas não diminuem as diferenças sociais, tampouco promovem a democratização do acesso a bens culturais e econômicos. TEMA 2 – COMUNICAÇÃO E INTERAÇÃO COM MENSAGENS ELETRÔNICAS A comunicação sempre acontece em determinado contexto, para melhor entender este processo foram desenvolvidos vários modelos dos processos comunicativos frente as diferentes realidades comunicacionais. Eles podem ser classificados como de base linear ou de informação, os modelos de base cibernética ou circulares, modelos de comunicação de massas, e os modelos culturais ou socioculturais. Vamos analisar alguns deles. 2.1 Comunicação linear A comunicação de base linear é aquela a ser realiza como uma linha reta entre o emissor e o receptor. Nessa categoria, há dois modelos. O primeiro é o modelo linear de Lasswell, em que há uma relação entre o emissor – canal – receptor e o efeito que a mensagem causa. O emissor é o responsável pela comunicação e somente o receptor reage ao processo. É um procedimento tradicional, e não considera a influência mútua entre os participantes. O modelo linear de Lasswell responde de forma apropriada às seguintes questões: Quem? Diz o quê? Através de que meio? A quem? Com que efeito? Esse modelo aponta que a iniciativa de um ato de comunicação é sempre do emissor, e que os efeitos ocorrem unicamente no receptor – quando, na verdade, 4 um ato comunicativo não tem início bem definido, e os emissores e receptores se influenciam mutuamente. O modelo linear de Shannon e Weaver volta-se para a mensagem, independentemente de como é elaborada e transformada em sinal – por meio do qual chegará ao receptor. Nesse modelo, a mensagem é manipulada tecnicamente, principalmente quando houver uma máquina como canal. 2.2 Comunicação em rede A comunicação em rede está relacionada com a transferências eletrônica da comunicação por meio de um computador ou periférico. Há o elemento de feedback. Nesse molde, encontramos os seguintes modelos: Modelo de Comunicação Interpessoal de Schramm, que acrescenta ao seu modelo linear a retroação, isso é, o feedback, e adiciona o fato de que a comunicação é um processo interminável, dentro do qual o emissor torna-se o receptor e assim consecutivamente. Modelo circular de Jean Cloutier,que aponta que a comunicação é como um circuito, não linear, mas sim concêntrico. Nesse modelo, a linguagem e a mensagem são indissociáveis. Modelo da comunicação de massas, que está embasado na cibernética; nele, ocorre comunicação mista entre o ser humano e a máquina. Assim, tem um caráter flexível e consequentemente mais útil e inovador. TEMA 3 – NOVAS TECNOLOGIAS DE COMUNICAÇÃO A comunicação é indissociável das relações humanas. E em nossa sociedade, a comunicação sofreu novos impactos, em virtude do advento das novas tecnologias. Prova disso é que dificilmente encontramos alguém que não faça uso de tecnologia para comunicar-se. A comunicação instantânea, com múltiplos receptores, tornou-se comum, diferentemente do que acontecia antes do advento da tecnologia; muda, com isso, a interação entre as pessoas 3.1 Breve histórico da tecnologia e comunicação Os meios de comunicação tiveram um amplo impacto com o surgimento de tecnologias. Vamos começar pelo cinema, que surgiu em 1895, e trouxe consigo duas outras formas artísticas: o teatro e a fotografia. O mais interessante 5 dessa nova linguagem é que as pessoas possam assistir a peças em lugares distantes e tempos diferentes, o que confere fluidez e mais interação ao processo. Uma mudança interessante foi a utilização do cinema para as mídias, que deu assim um salto em seu procedimento. Em 1923 surgiu a televisão, levando aos lares os benefícios do cinema. Com isso, aumentou o número de pessoas que se utilizam desse recurso comunicativo – daí em diante, considerado de massa. É fácil perceber isso pelo número de pessoas que tem um ou mais aparelhos em suas casas. Obviamente, o aumento do número de telespectadores fomentou o processo de publicidade, que utiliza esse recurso para a divulgação de serviços e produtos. Na década de 1950, os computadores, antes enormes e pesados, começaram a diminuir e sofrer avanços tecnológicos; somente depois de décadas de estudos e experimentos, em 1976 surge o primeiro computador, similar aos que usamos atualmente. Já os computadores portáteis vieram nos anos 1990. Junto com a nova estrutura, que era menor e mais leve, surgiu uma tecnologia cada vez mais avançada, com recursos mais extensos. Os telefones celulares tiveram sua inserção no Brasil também nos anos 1990, possibilitando que a comunicação fluísse mais rapidamente em diversos lugares. Seu avanço tecnológico é cada vez mais rápido, e confere maior acessibilidade às diversas formas de expressão, no mundo todo. A difusão da comunicação e da informação se deu a partir do ano 2000, quando as redes sociais virtuais foram popularizadas por meio do uso da internet. Esta é sem dúvidas nenhuma a forma de comunicação mais recorrente nas sociedades de todo o mundo. TEMA 4 – EVOLUÇÃO E CONJUNTO DE FERRAMENTAS DE COLABORAÇÃO NA INTERNET Dentro do processo de evolução, com conjuntos de ferramentas de colaboração na internet, é preciso distinguir o uso de mensagens instantâneas, chats, grupos, comunidades virtuais e fóruns de discussão. Todos esses recursos têm um foco em especial: manter as pessoas bem informadas sobre os assuntos da empresa, da sociedade, do mundo em que vivem. Várias são as tecnologias que possibilitam esse exercício; vamos analisar algumas delas. 6 4.1 Mensagens instantâneas Um aspecto importantíssimo da comunicação tecnológica é que ela permite a troca de mensagens instantâneas, independentemente do local em que estejamos. Tal interação não exige a presença pessoal, pois ela pode acontecer por meio da tecnologia, ou por terceiros. Essa possibilidade mudou radicalmente os relacionamentos, pois permite a superação da relação espaço/tempo, até então emaranhada nas relações. Isso posto, devemos considerar as vantagens e desvantagens desse tipo de comunicação virtual. Por um lado, elas são mais baratas, não exigem deslocamento, não exigem contato pessoal, oferecem mais conforto, rapidez e qualidade. Por outro lado, facilitam o isolamento pessoal e, com isso, o afastamento com o outro, o que prejudica a qualidade da relação, já que uma reação presencial traz um feedback mais propício, viabilizando a reconstrução comunicacional das partes. 4.2 Comunidades virtuais Comunidades virtuais são, como o próprio nome diz, grupos nos quais as relações entre as pessoas se dão por meios de comunicação a distância. Estão presentes no dia a dia da maioria das pessoas e nas empresas em geral; há infinitos perfis de usuários que expressam ideias, promovem discussões, criam relacionamentos, trocam informações, enfim, comunicam-se. A postura comunicacional das pessoas nas redes sociais merece reflexão. Trata-se, porém, de um tema muito amplo. Inicialmente, devemos considerar que o ser humano precisa estabelecer relacionamentos com os outros. A integração virtual possibilita que os interlocutores tenham escolhas mais diversas em relação a como se apresentar e a como observar os participantes das comunidades. TEMA 5 – FORMAÇÃO TEÓRICA EM NOVAS TECNOLOGIAS DE COMUNICAÇÃO Considerando a diversidade de recursos disponíveis, é imprescindível manter uma boa comunicação em empresas, agências e outros empreendimentos; assim, analisar reuniões e videoconferências, redes de 7 relacionamento e blogs, é extremamente necessário na formação acadêmica e pessoal. Uma comunicação efetiva evita o surgimento de problemas que venham a prejudicar as relações e, consequentemente, os resultados dos empreendimentos. 5.1 Reuniões e videoconferências As reuniões por videoconferências são um avanço no universo empresarial visto que minimizam os problemas de tempo e distância e espaço enfrentados em reuniões presenciais. Ela acontece pelo sistema analógico de produção e transmissão digitais. A ideia é que as reuniões por videoconferência facilite a comunicação entre as partes, porém para que isso ocorra é necessário prestar atenção aos elementos de comunicação, os emissores precisam dominar a forma de comunicar-se pela tecnologia a fim de não cometer falhas no entendimento da mensagem transmitida; da mesma forma os receptores devem estar preparados para prestar atenção nos detalhes do que lhes é colocado e esclarecer as dúvidas da mesma maneira que em uma reunião presencial. Também deve haver respeito ao tempo de fala de cada participante para que todos possam esclarecer dúvidas e expor suas opiniões. 5.2 Redes de relacionamento e blogs As redes de relacionamento permitem que as pessoas exponham suas ideias e opiniões e encontrem outras pessoas que compartilhem ou refutem seus pensamentos. Ela permite a postagem de textos, fotos e vídeos que ajudam a criar interações com outras pessoas. Um item importante dessa ferramenta é sua amplitude, pois é possível encontrar pessoas que se relacionam com outras pessoas, e assim expandir infinitamente os contatos, tanto os atuais quanto os encontros remotos. Provamos, com isso, a importância da comunicação multidirecional. Os blogs funcionam como um mural virtual para pessoas e empresas; seu ambiente é aberto. Eles possibilitam que ideias, informações, produtos e serviços sejam compartilhados de forma rápida e eficiente. Os blogs são espaços virtuais nos quais podemos encontrar os mais variados assuntos e conhecimentos, desde a história de uma pessoa, as trajetórias de uma vida, até 8 as direções de uma empresa ou departamento; enfim, é um espaço de divulgação. NA PRÁTICA Agora é sua vez de testar as colocações desta aula. Procure conversar com pessoas que viveram nas décadas de 40, 50 ou 60, como seus avós, tios e conhecidos, e pergunte como era a comunicação na época. Descubra como eram as conversas, e como eles recebiam informações de pessoas distantes. Faça o mesmo com pessoas da década de 70, 80; aproveite e pergunte como são as relações com as tecnologiasatuais, com computadores, telefones, redes sociais etc. Faça uma comparação das mudanças que você percebeu e do valor dado às relações pessoais. FINALIZANDO Vimos nesta aula a comunicação e a interação. Sabemos que, a despeito das inúmeras ferramentas que facilitam a comunicação, nenhuma substitui o contato pessoal. Mesmo, é se necessário estudar o uso de mensagens eletrônicas no universo das novas tecnologias de comunicação, considerando uma inserção adequada no universo quem vivemos. Assim, devemos considerar que a comunicação, sendo efetiva para o relacionamento social, usa cada vez mais da tecnologia e de seus recursos para se ampliar; sua evolução é inegável, daí a necessidade de buscar a melhoria dos usos. Logo, é importante pensar nas novas tecnologias de comunicação, em sua evolução, no conjunto de ferramentas de colaboração na internet, e também na qualidade de nossas relações, considerando a forma como nos comunicamos – afinal, somos seres sociais, e a comunicação é essencial para a vida em sociedade. 9 REFERÊNCIAS FERNANDES, E. A. A evolução da comunicação impactada pela tecnologia. Ideias & Inovação, v. 3, n. 2, 2016. Disponível em: <https://periodicos.set.edu.br/index.php/ideiaseinovacao/article/view/2973/186> . Acesso em: 18 fev. 2019. LÉVY, P. Cibercultura. São Paulo: Editora 34, 1999. LUIZARI, K. R. Comunicação empresarial eficaz: como falar e escrever bem. Curitiba: InterSaberes, 2010. MORAN, J. M. Tecnologias de comunicação e interação. Programa de Formação Continuada em Mídias na Educação, 2008. Disponível em <http://webeduc.mec.gov.br/midiaseducacao/material/introdutorio/pdf/etapa2_T ec_com_e_interacao.pdf>. Acesso em: 18 fev. 2019. VALLE, M. L. E. Não erre mais: língua portuguesa nas empresas. Curitiba: InterSaberes, 2013. TÉCNICAS DE COMUNICAÇÃO AULA 3 Profª Margarete Terezinha de Andrade Costa 2 CONVERSA INICIAL Nesta aula nós vamos traçar conceitos básicos de gramática da língua portuguesa. Escolhemos alguns tópicos considerados mais importantes na organização da língua. Assim, para que esse processo seja mais claro, vamos iniciar entendendo a lógica da acentuação das palavras, investigando as mudanças e o uso da língua conforme o Acordo Ortográfico, conhecendo os homônimos e parônimos, entendendo o correto uso dos pronomes e finalmente aplicando assertivamente a concordância verbal e nominal TEMA 1 – ACENTUAÇÃO GRÁFICA Afinal de contas, para que ser a acentuação das palavras? Para responder a essa questão, devemos lembrar que, primeiro, falamos e depois escrevemos, isso tanto na história da humanidade quanto em nossa própria história. A escrita é a representação gráfica de nossas conversas, e para que não haja dúvidas quanto à entonação das palavras, usamos acentuação. Muitas vezes acentuamos automaticamente os termos sem lembrarmos da norma, mas é importante conhecê-la a fim de termos parâmetros de seu uso. O processo não é difícil ser nos basearmos no princípio que os sinais de acentuação são usados somente nas três últimas sílabas e, com isso, temos basicamente somente três regras de acentuação 1.1 Sílabas tônicas e átonas Nossa fala é realizada pela emissão de ar que passa pelas cordas vocais, o que produz sons, como as sílabas. Elas se dividem em dois grupos: as átonas, que são mais fracas, e a tônica, que é mais forte e é única na palavra. É nesta última que podem aparecer os sinais de acentuação. É fácil identificar a sílaba tônica de uma palavra quando ela é pronunciada em voz alta, gritada. Ela é a sílaba que se dá mais ênfase, mais entonação. Os sinais de acentuação são o sinal agudo (´), que indica que a sílaba é longa ou aberta, e o sinal circunflexo (^), para som fechado. O sinal grave (`) não indica sílaba tônica e é usado somente como indicativo de crase. O til (~) indica nasalização, e o trema (¨) só é utilizado em palavras derivadas de nomes próprios estrangeiros que forem grafados com trema. 3 Um item importante em relação à acentuação na língua portuguesa é que ela se dá somente nas três últimas sílabas das palavras e, assim, são classificadas em: Figura 1 – Classificação das palavras quanto à tonicidade 1.2 Oxítonos, monossílabas e ditongos Essa regra é bem simples e fácil de gravar: as palavras que têm a última sílaba mais forte serão acentuadas somente se terminarem em: -A, -E, -O e -EM com ou sem “s”. Assim, a palavra “CA-FÉ” tem acento por ser uma oxítona terminada em E. Uma regra muito parecida é utilizada em palavras monossílabas, que são acentuadas quando terminadas em -A, -E e -O, com ou sem “s”. Observe que o “EM” sai do grupo. Veja alguns exemplos: dó, ré, fá, lá, pé, pés, pá, pás, pó, pós... Atenção, monossílabas terminadas em “u” não são acentuadas. Também recebem acento nas últimas sílabas os ditongos abertos “-EI”, “- OI” e “-EU”, com ou sem “s”, lembrando que ditongos são duas vogais que sempre ficam na mesma sílaba assim como pastéis, chapéu, corrói, herói... 1.3 Paroxítonas e proparoxítonas Por uma questão de lógica, todas as paroxítonas (quando a penúltima sílaba é a sílaba tônica) são acentuadas, menos as terminadas em -A, -E, -O e -EM com ou sem “s” (desde que não formem ditongos). Paroxítonas: recebem acento quando terminadas em: -i (s), u(s), um, uns, l, r, x, n, ão, ã. Exemplo: útil e afável são paroxítonas terminadas em L. Preste atenção: quando a palavra terminar por um ditongo, como “glória”, ela não termina com -A e sim com um ditongo e por isso leva acento. 4 A regra mais fácil é a das proparoxítonas, pois todas têm acento. Isso quer dizer que, quando a sílaba mais forte for a antepenúltima, sempre haverá acento, como exemplo a própria palavra proparoxítona, assim como médico, álibi, ômega... Atenção, a palavra “rubrica” é uma paroxítona, pois a sílaba mais forte é “bri”. 1.4 Outros acentos Existe um acento que não é utilizado pela posição da sílaba tônica, mas sim por serem hiato (duas vogais juntas, porém em sílabas diferentes. Elas são separadas). Elas acontecem quando o “i” e o “u” são a segunda letra do hiato, quando estas letras ficam sozinhas na sílaba (somente o “s” pode acompanhar). Veja o exemplo: Na palavra saúde = sa-ú-de, o “a” e o “u” são hiatos, e a segunda letra é o “u”, que está sozinho na sílaba, por isso tem acento. O mesmo acontece com caí (ca-í), país (pa-ís), baú (ba-ú). Duas coisas precisam ser observadas: a primeira é que, depois do hiato, não pode haver nh. Se houver, não se usa acento, como no caso de rainha (ra-i-nha), tainha, bainha, moinho. A segunda é que, se antes do hiato houver um ditongo, também não existe acento. Essa regra é recente e foi determinada pelo último acordo ortográfico. Temos como exemplo o termo “feiura” no qual fei é um ditongo e o “u” está isolado na sílaba. Nesse caso, não se usa mais acento. Outros exemplos dessa natureza: baiuca, bocaiuva... Para encerrar, há alguns acentos que são diferenciais. O termo “por”, sem acento, é uma preposição; mas com acento “pôr” é um verbo que significa colocar. Também usamos acento circunflexo na terceira pessoa dos verbos ter e vir: ele tem e eles têm, ele vem e eles vêm. Atenção, veem é do verbo ver. 5 Quadro 1 – Resumo das regras de acentuação gráfica Acentuam-se Terminadas em Exemplo Oxítonas – última sílaba tônica -A, -E, -O, -EM (seguidos ou não de s) café, avô, parabéns, ninguém, vatapá, cajá, curió, maná, recém, mocotó, maracujá, amém... Oxítonas terminas com duas vogais com pronúncia distinta baús, Piauí, contraí-las; Formas verbais seguidas de hífen E e A abertas dá-la, qué-lo, trá-lo-ia. Monossílabas – uma sílaba -A, -E, -O (s) pá, vá, gás, Brás, cá, má, pé, fé, mês, sê, nós, pôs, xô, nó, pó, só... Ditongos abertos no final da palavra -ói,-éu, -éi pastéis, herói, heróis, troféu, chapéu, chapéus, papéis, dói, constrói... Paroxítonas- penúltima sílaba tônica L, N, R e X. amável, hífen, tórax, açúcar; ditongo oral fósseis, dóceis, úteis; I, U, IS e US. júri, táxis, lápis, lótus; UM e UNS álbum, fórum, álbuns Ã, ÃO, ÃS e ÃOS órfã, órgãos, acórdão. Hiatos- Duas vogais em sílabas separadas reúne, saúde, ruíram. Proparoxítonas TODAS hipótese, dicotômico, nódulo. TEMA 2 – ACORDO ORTOGRÁFICO Desde o primeiro dia de janeiro de 2016, o Brasil atendeu às normas de um acordo ortográfico da língua portuguesa promovido pelos países lusófonos (utiliza a língua portuguesa como oficial). Ele é obrigatório em todo o território nacional assim como nos outros oito países. 2.1 Ortografia As mudanças não foram muito numerosas e atingiram aproximadamente somente 2% da língua no Brasil. Em relação ao alfabeto, as letras K, W e Y voltam a serem utilizadas. Elas foram retiradas na reforma de 1971, porém continuaram a ser utilizadas, assim essa modificação não é muito expressiva. A ordem fica assim: A B C D E F G H I J K L M N O P Q R S T U V W X Y Z. Em relação à acentuação gráfica, foi retirado o uso de acento nos ditongos “-ÉI” e “-ÓI” quando forem paroxítonas, tais como ideia, estreia e assembleia. Os hiatos “EE” e “OO” também não têm mais acento: voo, creem, enjoo... Em relação aos acentos diferenciais, não há mais o uso deles, por exemplo, nas palavras a seguir: pera, polo, pelo, pela e para. O sinal de trema não é mais empregado, somente para palavras estrangeiras e seus derivados. 6 2.2 Uso do hífen Em relação ao uso do hífen, a regra geral é observar as letras que se encostam quando houver a formação de palavras. Se elas forem iguais, usa-se hífen; se forem diferentes, não se usa. Por exemplo, no caso de micro-ondas, usa-se o hífen por serem dois “os”. Já no caso de socioeconômico, não se usa por serem letras distintas. Quando a segunda palavra começar com “H”, sempre haverá hífen: sobre- humano, extra-humano, Pré-história, anti-higiênico, semi-hospitalar. Se a segunda palavra começar com “R” ou “S” estas letras deverão ser dobradas assim: minissaia, biorritmo, microssistema, ultrassom, antissocial. Com os prefixos sub e sob, usa-se o hífen diante de palavra iniciada por “R”: sub-regional. Usa-se hífen diante dos prefixos “ex-”, “vice-”: ex-presidente, vice- almirante e diante dos prefixos “pré-”, “pós-”, “pró-”: pré-escolar, pós-graduação TEMA 3 – HOMÔNIMOS E PARÔNIMOS Em nossa língua, temos muitos termos parecidos que possuem significados diferentes. É importante conhecê-los para melhor fazer uso da língua portuguesa. Vamos começar retomando dois significados: homônimos e parônimos. Os homônimos são termos que têm som ou escrita iguais; já os parônimos são apenas parecidos. 3.1 Homônimos: homófonos e homógrafos Homófonos são palavras que têm o mesmo som, tais como concertar (harmonizar) e consertar (reparar); censo (recenseamento) e senso (juízo); acender (atear) e ascender (subir). Homógrafos têm a mesma grafia e pronúncia diferentes: jogo /jogo/ (substantivo) e jogo /jogo/ (verbo); denúncia (substantivo) e denuncia (verbo). É necessário conhecer suas diferenças para fazer uso correto da língua. A seguir, uma lista das mais utilizadas: acender (pôr fogo) – ascender (subir); estrato (camada) – extrato (o que se extrai de); bucho (estômago) – buxo (arbusto); espiar (observar) – expiar (punir-se); tachar (atribuir defeito a) – taxar (fixar taxa). 7 3.2 Parônimos Os parônimos são palavras que são parecidas na escrita ou na pronúncia. É importante conhecê-los a fim de não cometer confusão no seu entendimento. Vejamos alguns deles: absolver (anistiar) e absorver (sorver); delatar (acusar) e dilatar (larguear); descrição (ato de descrever) e discrição (cautela); despensa (local onde se guardam alimentos) e dispensa (ato de dispensar); emigrar (deixar um país) e imigrar (entrar num país); eminente (superior) e iminente (prestes a ocorrer); flagrante (evidente) e fragrante (aromático); fluir (transcorrer, decorrer) e fruir (curtir); imergir (afundar) e emergir (vir à tona); inflação (alta dos preços) e infração (transgressão); mandado (ordem judicial) e mandato (procuração); precedente (que vem antes) e procedente (proveniente de; que possui fundamento); ratificar (aprovar) e retificar (corrigir); recrear (brincar) e recriar (criar novamente); tráfego (trânsito) e tráfico (comércio ilegal); soar (produzir som) e suar (transpirar) TEMA 4 – COLOCAÇÃO PRONOMINAL É muito comum observarmos o uso incorreto dos pronomes oblíquos átonos (me, te, se, o, a, lhe, os, as lhes, nos, vos) em nosso cotidiano. Tais pronomes podem aparecer de três formas distintas: próclise – antes do verbo, ênclise – depois do verbo e mesóclise – no meio do verbo. 4.1 Ênclise e mesóclise A ênclise pode ser considerada como regra geral da colocação pronominal, isto é, os pronomes oblíquos átonos vêm depois do verbo: “Dê-me um café” ou “Abrace-me”. Não devemos começar uma frase com um pronome oblíquo átono, o que é muito comum na língua falada. Assim, precisamos prestar bem atenção na hora de escrever ou em situações formais. Quando o verbo estiver no futuro tanto do presente quanto do pretérito, os pronomes oblíquos átonos ficam no meio do verbo. “Dar-te-ei um café” ou “abraçar-te-ia”. Sua construção é relativamente fácil, basta cortar o verbo expresso no tempo futuro no “r” e inserir o pronome depois dele. Devemos tomar cuidado com os pronomes oblíquos átonos “a”, “as”, “o” e “os”: ao usá-los, 8 retiramos o “r” do verbo e acrescentamos “l” na frente dos pronomes. Assim: “dá- lo-ei” ou “abraçá-lo-ei”. 4.2 Próclise A próclise é a colocação pronominal mais comum em nossa língua, aliás, ela é mais “forte” que as outras duas, isto é, quando houver dúvida, seu uso é prioritário. Ele é utilizado nos seguintes casos: Termos de sentido negativo (não, nunca, ninguém, jamais…): “Não me dê café” ou “Nunca me abrace”. Observou como os pronomes vieram para a frente do verbo? O mesmo acontece com os advérbios sem vírgula, que são como imãs que puxam o pronome: “Amanhã me darão mais café”, “Sempre nos abraçará”. Porém a vírgula faz com que tal atração se quebre: “Amanhã, dar-me-ão café”. Analise a diferença: “Aqui se trabalha” e “Aqui, trabalha-se”. Os pronomes relativos (que, quem, qual, onde) indefinidos (alguém, tudo, outros, muitos, alguns) demonstrativos (isto, isso, aquilo) também são atrativos, isto é, puxam o pronome para frente do verbo: “O abraço que lhe pedi”. “Ninguém me ouve”, “Isso nos irrita”. Também são atrativas as conjunções ou locuções conjuntivas subordinativas integrantes ou adverbiais: que, porque, se, quando, conforme, embora, logo que, visto que, contanto que, a fim de que, à medida que: “Embora o faça, sei que é errado” Outros casos: Verbo no gerúndio precedido de palavra atrativa ou da preposição EM: “Saiu da sala, não nos dizendo as razões”. / “Em se plantando tudo dá”. / “Em se tratando de videogame, ele é um expert”. Frase interrogativa, exclamativa ou optativa (expressa desejo): “Quem nos empresta o material?” “Quanto me custa entender o amor!” “Deus lhe proteja!” Conjunção coordenativa aditiva ou alternativa: não só... mas também, não só... como também, ou... ou, ora... ora, quer... quer, seja... seja e palavra “só” no sentido de “somente”, “apenas” = palavra denotativa de exclusão. 9 4.3 Locuções verbais Em locuções verbais, isto é, quando houver dois verbos com sentido de uma única ação, podemos usar assim: antes ou depois do verbo principal: “Quero abraçar-te hoje” ou “Quero te abraçar hoje”. Se houver palavra atrativa: “Não te quero abraçar hoje” ou “Não quero abraçar-te hoje”. Se o verbo principal estiver no particípio: “Tinham-me dito que você me abraçaria”ou “Eu tinha-lhe falado sobre o abraço”. O ideal é que se preste atenção no uso da colocação pronominal em texto de fontes confiáveis, assim, com a prática, vamos entendendo e interiorizando o correto uso dos pronomes. TEMA 5 – CONCORDÂNCIA VERBAL E NOMINAL A língua, seja ela usada em diferentes lugares e por distintas pessoas possui uma organização formal, tem uma lógica que sustenta seu entendimento, e o mais interessante de tudo isso é que mesmo sem nos darmos conta, usamos de sua organização. Uma delas é a concordância, ela faz com que os termos da língua se harmonizem, combinem e façam sentido. 5.1 Concordância verbal A concordância verbal acontece quando o verbo e o sujeito de uma frase combinam em número (singular ou plural) e pessoa (1ª., 2ª ou 3ª.). Nós sabemos que o correto é: “Nós vamos” e não “Nóis vai”. Vamos estudar alguns casos: Quando o verbo for impessoal, isto é, não apresentarem sujeito, deverão ser conjugados sempre no singular e na 3ª pessoa: “Havia muitos motivos para estudar”, “Faz dez anos que não a vejo”, “Chove todos os finais de semana”. Com o pronome que, o sujeito concorda com o termo antecessor: “Fui eu que fiz” – eu fiz. Já com o pronome relativo quem, o verbo pode concordar com o antecessor ou ficar na 3ª pessoa do singular: “Fui eu quem fiz” ou “Fui eu quem fez”, as duas formas estão corretas. Já o verbo ser concorda com o predicativo do sujeito, assim: “Tudo é brincadeira” ou “Tudo são brincadeiras”. Observe que interessante quando o sujeito for uma expressão partitiva: “A maioria das pessoas saiu” ou “A maioria das pessoas saíram”. Nesse caso, as duas formas estão corretas. 10 No caso de o sujeito ser bater, dar e soar (horas), a concordância acontece com o numeral constituinte da oração: “Deu uma hora”, “Deram duas horas” Esses são alguns casos de concordância verbal. É importante estudar e pesquisar sempre para ampliar o seu uso correto. 5.2 Concordância nominal A concordância nominal acontece quando o substantivo e os termos que o acompanham (artigo, adjetivo, pronome e numeral) combinam em gênero (masculino ou feminino) e em número (singular ou plural). Sabemos que o correto é “O companheiro perfeito” e não “A companheiro perfeitas”. Agora se houver um adjetivo concordando com vários substantivos, o adjetivo concordará com o substantivo mais próximo ou ficará no masculino plural: “menino e menina bonitos” ou “menino e menina bonita”. No caso da concordância com vários adjetivos, o substantivo ficará no singular se os adjetivos estiverem no singular com artigos determinantes: “o amigo bonito e o simpático”. Fique atento com os adjetivos: bastante, muito, pouco, meio, caro, barato e longe, pois eles concordam em gênero e número com substantivo que se referem. Assim, temos: “bastantes sapatos”, “muitas joias”, “poucos amigos” ... O termo proibido, se não houver artigo determinando o substantivo, deve ficar no masculino singular: “É proibido entrada sem camisa”. Agora, se houver artigo, ele deve concordar com a substantivo a que se refere: “É proibida a entrada sem camisa”. Essa regra é a mesma para as expressões é necessário, é preciso, é bom. Para terminar, é bom relembrar que a palavra menos é invariável, o que significa que não existe menos no feminino. NA PRÁTICA Praticar o uso correto da língua portuguesa é um exercício que exige muita dedicação. Assim, para que você seja um usuário proficiente, comece a analisar as dúvidas que aparecem para você durante o uso da língua oral e escrita. Preste atenção no que lhe parece estar fora das normas e busque esclarecê-las, tornando-se um investigador/pesquisador da correta utilização 11 dos preceitos de gramática. Com esse exercício, você vai se aprimorar e perceberá que melhorará seu uso. FINALIZANDO Nesta aula estudamos algumas das normas da nossa língua. A intenção foi a de traçar conceitos básicos de gramática e mostrar que, quando procuramos entender e estudar os preceitos da língua portuguesa, eles não são tão difíceis, principalmente porque os empregamos o tempo todo. Daí buscar relacionar a norma com o uso é um exercício necessário quando se busca o aprofundamento pessoa, profissional e educacional de todo os estudantes. 12 REFERÊNCIAS GUIMARÃES, T. C. Comunicação e linguagem. São Paulo: Pearson, 2013. SILVA, L. A. Qualidade na comunicação escrita. Curitiba: InterSaberes, 2009. VALLE, M. L. E. Não erre mais: língua portuguesa nas empresas. Curitiba: InterSaberes, 2013. TÉCNICAS DE COMUNICAÇÃO AULA 4 Profª Margarete Terezinha de Andrade Costa 2 CONVERSA INICIAL Esta aula tem como objetivo ampliar a capacidade prática e teórica de utilização das técnicas de redação. Para isso, vamos estudar como implementar mensagens de qualidade para a obtenção de resultados na racionalização do fluxo de informação; assim como usar os mecanismos de coesão textual de forma intencional e assertivamente. Sabemos que todo o texto tem uma estrutura básica a introdução, o desenvolvimento e a conclusão. Vamos estudar, com base nesse arcabouço, a adequação, a clareza, a concisão, a objetividade, a relevância na construção textual e verificar as conexões e termos de referências, buscando assim melhorar a leitura e a produção textual. TEMA 1 – GÊNEROS TEXTUAIS Alguns textos têm especificidade em situações habituais, isto é, são construídos com determinadas características que se repetem para situações próprias e, por isso, apresentam uma intencionalidade comunicativa definida. Eles têm objetivo claro e encaixam-se em contextos específicos, por exemplo, uma carta comercial. Ela tem forma, função e contexto próprio, e é facilmente reconhecida pelas suas propriedades. 1.1 Exemplos de gêneros textuais Não há como elencar todos os tipos de gêneros textuais que existem, visto que eles são mutáveis e adaptáveis a diferentes situações de uso. Mesmo possuindo características próprias, um gênero pode, ao amoldar-se a uma situação de uso, transformar-se e tornar-se um novo gênero textual. Mesmo assim, temos gêneros textuais que têm seu uso clássico, tais como receita, e-mail, relato científico, entrevista, curriculum vitae, verbete de dicionário, bula, manual, lista de compras, entre tantas outras. Observe que cada gênero pode ser identificado e usado como modelo pelas suas características, tais como forma do uso da linguagem, estilo, tamanho... Assim, se você pretende escrever uma carta, nada melhor que buscar modelos de cartas para analisar sua estrutura. 3 1.2 Gênero e tipologia textual Algumas vezes, gênero e tipologia textuais são confundidos. Os gêneros, como já expomos, são a forma como o texto se apresenta e sua relação direta com a situação de uso. Já a tipologia está relacionada com a estrutura e aspectos linguísticos voltados para a forma de organizar o texto, que pode ser narrativo, descritivo, dissertativo e explicativo. É importante lembrar que o texto narrativo tem como base “contar” uma história. Ele apresenta um personagem realizando algum fato em um determinado lugar e tempo; já a descrição é uma “foto” apresentada por meio da palavra e pode ser a descrição de uma pessoa, lugar, sentimento... A dissertação é a defesa de uma ideia com apresentação de argumentos que a comprovem ou refutem. O texto explicativo, como o próprio nome diz, esclarece, elucida. Como você já deve ter percebido, os tipos textuais são a base do texto, e a tipologia é a situação de uso destes. TEMA 2 – MECANISMOS DE COESÃO TEXTUAL Um bom texto é aquele que encaminha o leitor para o seu entendimento. Para isso, é importantíssimo que o texto tenha coesão. A coesão se dá por meio de termos, palavras ou expressões que criam uma relação, uma lógica textual.Lembre-se que um texto não é um aglomerado de palavras, as quais se ligam para garantir fluxo de ideias e sequência ao texto. Um texto coeso é aquele que apresenta as ideias postas “amarradas”, conectadas, ligadas. Cada frase deve se relacionar com a anterior e com a posterior, trazendo fluidez para a leitura e consequentemente para o entendimento do texto. A coesão, que é realizada por meio de relações linguísticas e recursos denominados de elementos de coesão, possibilita que uma mensagem seja expressa de forma eficaz, gerando, com isso, um melhor entendimento dela. Para se evitar que um texto fique solto, que uma frase fique sem relação com a anterior, por exemplo, utiliza-se a coesão textual, que permite diferentes tipos de encadeamento de ideias. 4 2.1 Tipos de coesão textual: referências, reiterações e substituições lexicais A coesão por referências e reiterações acontece quando um termo se refere a outro no próprio texto. Ela pode acontecer com a substituição de uma palavra, anunciação ou retomada de frases, sequências e palavras que indicam conceitos e fatos. As substituições lexicais se dão quando um termo é trocado por outro dentro do texto e, com isso, se estabelece uma relação. Para isso, normalmente se empregam sinônimos ou repetição de palavras. 2.2 Tipos de coesão textual: conectores e correlação Para se estabelecer uma relação entre os termos, uma forma de se manter a coesão textual é com o uso de conectores. Os mais utilizados são as conjunções (por exemplo, mas, porém, contudo, todavia), preposições (por exemplo, até, com, de, em, perante) e advérbios (por exemplo, talvez, muito, sempre, nunca). A coesão acontece também na correta utilização dos tempos verbais de forma ordenada, proporcionando ao leitor uma forma lógica e linear TEMA 3 – ESTRUTURA TEXTUAL Texto não é somente um ajuntamento de palavras, pois elas também precisam ter sentido. Texto é qualquer forma de interagir com o outro que tenha sentido, o que pode ocorrer por meio de palavras escritas ou faladas denominadas de verbal, mas também pode ser não verbal, isto é, sem o uso de palavras, por desenhos, imagens, gestos, cor, sons... Todavia o texto exige uma estrutura para ser entendido. O texto tem textualidade (ou textura), que é a premissa utilizada pelo autor que conhece elementos, estrutura e função de texto para que seja entendido pelo outro interlocutor; pois a leitura e compreensão dependem da produção de sentido no texto. 5 3.1 Coerência, intencionalidade, aceitabilidade A coerência está relacionada com a lógica dos fatos. Assim, um texto, mesmo sendo ficcional, precisa ter relações não contraditórias, criando, assim, uma conexão cognitiva e conceitual entre o que é dito e o que é real. Para que haja coerência, é necessário que o texto tenha sequência e continuação lógica de ideias. Ao se criar um texto, busca-se expressar determinada intenção. que pode estar implícita ou velada, porém sempre existe e, ao conhecê-la, se está mais próximo do entendimento esperado. Da mesma forma, diferentes intenções mostram-se em estruturas próprias, como já vimos anteriormente nos gêneros textuais. Cada situação exige formas diferentes de comunicação. Por exemplo, se a conversa é informal, nossa tese pode ser baseada em ideias livres. Mas se a situação é formal, devemos usar argumentos mais sólidos e consistentes. Quando produzimos um texto, nossa intenção deve estar bem colocada para ser entendida com clareza. O sentindo da leitura é dado por meio da interpretação e da interação dos saberes do escritor e do leitor. Sabemos que o leitor pode ter um conhecimento prévio e poderá avaliar o texto com critérios diferentes dos nossos. Outro fator importante é a aceitação do texto pelo receptor. Chamamos de aceitabilidade quando duas ou mais pessoas estão conversando e uma procura compreender a outra. Um bom exemplo de aceitabilidade é quando um adulto busca entender o que uma criança está falando. Há um esforço de compreender, de colocar-se no lugar da criança, de traduzir termos e ideias que não estão conexas. Assim, aceitar é permitir receber algo dado ou oferecido; é estar de acordo ou concordar em aceitar. Em nosso caso que estudamos os fatores da comunicação, aceitar seria o estado de receber a mensagem que está sendo passada. Isso parece simples, mas não é sempre que se está aberto para novas ideias ou opiniões. Ao se ler um texto, vai se criando um juízo de valor sobre ele, e isso interfere no entendimento deste, pois o leitor aceita ou refuta a ideia do texto e de seu escritor. Normalmente apreciamos textos dos autores de que gostamos e temos rejeição em relação aos autores que não nos são muito simpáticos. Também reagimos negativamente, até mesmo antes da leitura, a autores que 6 tenham linhas filosóficas ou políticas muito diferentes das nossas, pois não concordamos com as ideias deles, com a intenção que expressam. A intencionalidade está ligada ao autor; enquanto a aceitabilidade, ao leitor. Quando esses dois elementos se enquadram, a comunicação efetiva-se de forma mais estruturada. 3.2 Situacionalidade, intertextualidade, informatividade Todo o texto é produzido em um determinado tempo e contexto, da mesma forma que a leitura do texto é realizada nas mesmas condições. Assim, o texto apresenta marcas que identificam sua realização que podem ser diferentes do momento de sua leitura. A relação entre as ideias de um texto com outros textos é comum. O escrito busca em seus conhecimentos anteriores elementos para sua produção. Da mesma forma, é comum usarmos referências de outros textos em nossas produções e interpretações, cujas relações são denominadas de intertextualidade, que é a influência que um texto exerce sobre outro que o toma como modelo ou ponto de partida. Se analisarmos o termo inter, veremos que significa “relação”. Assim, fica claro que intertextualidade se refere à relação entre textos. Para que um texto seja interessante, é necessário que ele traga novidades. Dessa forma, a informatividade volta-se para a quantidade de informações e situações novas e inesperadas para interessar o leitor. Informatividade, como o próprio nome diz, está relacionada com a informação. Nesse caso, são textos que trazem informações que ampliem os conhecimentos de seus receptores (leitores, ouvintes). O grau de informatividade depende da finalidade da escrita, do objetivo do texto. Um texto infantil, por exemplo, vai abordar um assunto com informações diferenciadas de um texto para adultos. Seria aborrecido para um leitor ler um texto cuja informação ele já conheça ou que sejam de senso comum, do consenso geral. Portanto, os conhecimentos de mundo do emissor e do receptor do texto vão validar a qualidade deste. Para que a comunicação se efetive plenamente, é necessário que a informatividade do texto seja apropriada aos seus interlocutores. 7 É importante ressaltar que sempre quando vamos ler um texto, temos uma expectativa, esperamos alguma coisa e preferencialmente algo novo. Quanto mais singulares e relevantes se constituírem as informações, maior o grau de informatividade do texto. O texto, dessa forma, ficará mais atraente ao leitor e maior será a interação. Daí, a arte de saber a medida certa, pois muita informação cansa, pouca informação distrai... TEMA 4 – QUALIDADE DA COMUNICAÇÃO O desejo de todo escritor é ter uma comunicação clara e eficaz. Ela não acontece por acaso ou de forma plena sempre que desejamos, por isso existem recursos que ajudam a facilidade do leitor interagir e dar significado pleno ao texto. Reforçando, o exercício da leitura e da escrita é o caminho mais certeiro para melhorar a qualidade da comunicação, seja ela escrita ou não. 4.1 Tema e objetivo Toda a comunicação tem uma intenção e esta é marcada porideias dominantes, isto é, ideias que indiquem o que se quer ponderar e que precisam ser entendidas pelo receptor. Assim, o tópico da comunicação é fundamental para sua realização, pois um bom texto é aquele que tem claro qual é a ideia central e a mantém durante todo seu percurso. Qualquer tipo de comunicação tem um objetivo e ir direto a ele é uma estratégia de comunicação eficiente. Com isso se evitam distrações, uma vez que o entendimento é mais expressivo. 4.2 Concretude e questionamento A comunicação se realiza de forma plena quando trata de tema real, concreto, pleno. Isso quer dizer que, mesmo se tratando de ficção, o leitor deve acreditar no texto. Assim, discorrer sobre acontecimentos particulares, detalhes, explicações, fatos e exemplos dão concretude à comunicação e possibilitam ao leitor criar um universo compreensivo com significados diferentes do senso comum, que não traz interesse. Quando o texto apresenta uma questão em cuja resolução o leitor se sente envolvido, o texto torna-se mais atraente e prende a atenção. Assim, 8 buscar reflexões e questionamento no texto é uma forma de realizar uma comunicação com mais qualidade. TEMA 5 – PARAGRAFAÇÃO O texto é divido em parágrafos, que são identificados pelo recuo na primeira linha do texto da margem esquerda (aproximadamente três centímetros ou dois dedos). Essa divisão representa a organização das ideias expostas, pois em cada parágrafo deve haver somente uma ideia central. Por sua vez, cada parágrafo deve estar ligado ao anterior e apresentar o conseguinte. Portanto, é importante conhecer e usar corretamente os parágrafos. 5.1 Estrutura do parágrafo Não há tamanho determinado para a construção de um parágrafo, que varia de acordo com o gênero textual, da mesma forma que a quantidade de informação varia de acordo com cada tópico tratado. Porém não se deve esquecer que a estrutura “introdução – desenvolvimento – conclusão” é um modelo assertivo dentro do parágrafo assim como no texto como um todo. Dessa forma, o parágrafo precisa ter, no mínimo, três linhas e o texto, três parágrafos. Reforçando, cada parágrafo transita em torno de apenas uma ideia central, a qual deve ser esgotada nele. O parágrafo apresenta um tópico frasal, que é uma afirmação objetiva e concisa do assunto a ser tratado e resume o conteúdo desenvolvido. Portanto, o texto deve ser um todo coeso, os parágrafos devem estar organizados com coerência e coesa, ampliando assim a possibilidade de compreensão do leitor. 5.2 Parágrafos, gêneros e tipologias textuais Os diferentes gêneros textuais apresentam organização própria e, com isso, estruturas de parágrafos distintas. Assim, em uma receita de bolo, por exemplo, primeiramente se apresentam os ingredientes em forma de lista; em seguida, a maneira de fazer a receita em parágrafos. Em histórias em quadrinhos, o texto é apresentado em forma de balões, modificando totalmente a estrutura comum dos parágrafos. Já em textos de tipologia narrativa, pode haver a presença de diálogos diretos, que são apresentados com travessões. Assim, é importante lembrar que 9 cada texto é um texto e precisa ser estruturado de forma que atenda a suas particularidades. NA PRÁTICA Você precisa escrever um texto. Para algumas pessoas, isso é relativamente fácil; já, para outras, é uma angústia. Escrever não é um dom, mas é uma arte que exige treino e apresenta alguns passos. Vamos fazer um exercício usando os elementos desta aula. O primeiro passo é buscar um texto que seja similar ao que você quer produzir, do mesmo gênero textual: se você que escrever uma carta, busque um bom exemplo dela; o mesmo se dá com um discurso, relatório, poesia. Em seguida, analise os elementos que compõem tal texto: a forma, o espaçamento, os termos. Você pode selecionar palavras ou termos interessantes para usar em seu texto (intertextualidade). Da mesma forma, observe a tipologia utilizada, se é uma narração ou uma dissertação, por exemplo. Agora comece a organizar o que você pretende. Escreva os tópicos ou ideias mais importantes sobre o assunto. Faça um esquema da melhor ordem de apresentação dessas ideias. Faça de forma que fique mais coerente, separando cada tópico em um parágrafo. Depois disso, desenvolva cada ideia de cada parágrafo, lembrando sempre da intenção que você quer explanar e de que forma esta poderá ser bem aceita pelo leitor. Lembre-se de que o texto precisa ter informações interessantes, que atraiam o leitor. Pronto! O caminho para escrever o texto está sinalizado e possivelmente as primeiras experiências não vão dar um resultado maravilhoso, mas você deixou de ficar olhando para o vazio buscando inspiração. Um bom texto exige trabalho, pesquisa, dedicação e muita prática. FINALIZANDO Nesta aula apresentamos assuntos relacionados à produção textual e vimos a importância dos aspectos da textualidade, como a coerência, que faz com que o texto tenha nexo e consistência. Estudamos a coesão, que harmoniza o texto com ligações lógicas; discorremos sobre a intencionalidade, que é a matriz de todo texto; falamos sobre a informatividade como bagagem de informações; a intertextualidade, que relaciona textos; a aceitabilidade, a forma como o texto é recebido pelo leitor; a situacionalidade, ou seja, o contexto no 10 qual o texto acontece; e, por fim, a paragrafação. Com o domínio desses elementos, você melhorará sua atuação como produtor e receptor de textos variados. Esperamos que tenha aproveitado bem a aula, e que continue estudando! 11 REFERÊNCIAS DISCINI, N. Comunicação nos textos. São Paulo: Contexto, 2009. GUIMARÃES, T. C. Comunicação e linguagem. São Paulo: Pearson, 2013. SILVA, L. A. Qualidade na comunicação escrita. Curitiba: InterSaberes, 2009. VALLE, M. L. E. Não erre mais: língua portuguesa nas empresas. Curitiba: InterSaberes, 2013. TÉCNICAS DE COMUNICAÇÃO AULA 5 Profª Margarete Terezinha de Andrade Costa 2 CONVERSA INICIAL Nesta aula vamos desenvolver a nossa capacidade prática e teórica de utilização das técnicas de redação de textos formais. Para isso, vamos conhecer o gênero e entender como elaborar corretamente um relatório; compreender a estrutura, a confecção e a organização da carta comercial e do ofício; avaliar o gênero e elaborar corretamente um memorando; conhecer a estrutura, a função e a elaboração de uma procuração; entender a necessidade, a importância e a organização de uma ata. Tais gêneros textuais vão nos ajudar na elaboração de outros textos formais, melhorando com isso a comunicação via texto escrito. Quando pensamos em comunicação oficial, devemos buscar referências normativas como modelo, assim é indicado o Manual de redação da Presidência da República (Brasil, 2018), que traz indicações importantes para a construção de textos protocolares, que usaremos de base nesta aula. TEMA 1 – RELATÓRIO O relatório é um texto que tem como característica, como o próprio nome diz, relatar um fato, acontecimento, procedimento ou evento qualquer. Ele apresenta de forma organizada e particularizada os processos analisados dentro de um determinado período de tempo. Por ser um texto técnico, é necessário escrevê-lo com clareza e precisão; objetividade; concisão; coesão e coerência; impessoalidade; formalidade e padronização; e uso da norma padrão. Principalmente, o texto deve ser inteligível e transparente para que seja entendido por todos que o lerem. 1.1 Estrutura do relatório Como todo bom texto, o relatório exige uma organização formal; deve começar com a identificação de título, autor e finalidade. Em seguida, obedece a sequência: introdução, desenvolvimento e conclusão (é preferível o uso de “considerações finais”, visto que a maioria daspesquisas não se encerra em si mesma, e assim não possuem uma conclusão). A introdução deve deixar claro para o leitor qual o objetivo do texto, isto é, qual a intenção do relato, e de que modo foi realizado (metodologia); é interessante expressar local, período de observação e abrangência. No desenvolvimento, é apresentado o percurso do 3 relato de forma pormenorizada; assim, há variedades na sua elaboração – o importante é que o escritor organize e ordene a apresentação de ideias de forma que o leitor acompanhe com mais facilidade a exposição. É interessante lançar mão de uma organização cronológica, ou por grau de dificuldade/interesse, quantitativamente e/ou qualitativamente dos resultados ou setor. As considerações finais devem retomar os objetivos propostos na introdução e analisar se foram ou não foram atingidas, explicitando o porquê disso. Assim, fechamos a proposta do relatório. Se para a realização do relatório foram pesquisadas diversas fontes, elas deverão aparecer nas referências. Toda fonte pesquisada e citada no texto deve aparecer nas referências, lembrando que referências, referências bibliográficas e bibliografia são coisas diferentes. A primeira são as fontes pesquisadas, a segunda são as fontes em forma de livro, e a terceira são as fontes consultadas, mas não citadas no corpo do relato. 1.2 Tipos de relatórios Muitos são os tipos de relatórios existentes, que podem ser organizados em dois grupos básicos: acadêmicos e profissionais. Ambos são apresentações de pesquisas realizadas ou na área de ensino, ou laboral; independentemente da função, devem obedecer às normas de ética, integridade das partes e principalmente veracidade das informações. O relatório é a organização de pontos relevantes observados durante a pesquisa; assim, é importante esclarecer as dúvidas durante a observação, para não deixar lacunas. TEMA 2 – CARTA COMERCIAL E OFÍCIO A carta comercial e o ofício têm praticamente a mesma estrutura; muda apenas o remetente. Como o próprio nome diz, ofício é um documento oficial, isto é, emitido ou direcionado a um órgão oficial. Já a carta comercial é emitida por empresas privadas ou comerciais entre si. Ambas têm como objetivo a comunicação entre diferentes órgãos, instituições, empresas e afins, seno utilizadas para comunicação, solicitação, requerimento, pedido, patrocínio e fins jurídicos. A carta comercial e do ofício são rígidas, formais, claras e objetivas; em determinadas administrações, os textos apresentam modelos uniformes, que 4 devem ser seguidos. Lembramos que somente um assunto deve ser tratado por documento. 2.1 Organização da carta comercial e do ofício Habitualmente, tais documentos apresentam estrutura padronizada: introdução, comunicação ou desenvolvimento e conclusão. Antes da introdução, deve aparecer o local e a data do envio; nome, cargo e empresa do destinatário e assunto. Na introdução, é apresentado o objetivo da comunicação. Esta deve ser direta e clara: Informo, Solicito, Requeiro, Comunico, Confirmo. No desenvolvimento, o assunto é delineado, reforçando que cada assunto deve ser tratado em documento próprio, para que seja respondido ou resolvido individualmente; se houver desdobramento do assunto, deve estar em parágrafos distintos. Na conclusão, é assegurada a posição sobre o assunto, a reafirmação do pedido, e a notificação ou confirmação, deixando claro o objetivo do documento. No encerramento, aparece o nome e o cargo do remente e o nome da empresa. O ofício e a carta comercial devem ser concisos, isto é, devem comunicar o máximo de informações com o mínimo de termos, e ao mesmo tempo devem ser claros, isto é, devem ser compreendidos pelo leitor, sem levantar dúvidas. 2.2 Uso dos pronomes nas correspondências oficiais Ao utilizar os pronomes de tratamento em correspondências oficiais, devemos lembrar que, mesmo eles sendo em segunda pessoa (vosso, vossa), o verbo sempre será conjugado em terceira pessoa. Aqui, vale a pena ressaltar que o uso de “vossa” é para quando estou falando com a pessoa; “sua” é quando estamos falando dela. Por exemplo, você está pedindo autorização à autoridade: “Vossa Excelência permite uma colocação...”; quando você está dizendo que a autoridade permitiu: “Sua Excelência permitiu uma colocação...”. Lembre-se que “excelência” é utilizado para: o/a Presidente da República, senadores(as) da república, ministros(as) de Estado, governadores(as), deputados(as) federais e estaduais, prefeitos(as), embaixadores(as) e cônsules. As demais autoridades são tratadas por “Vossa Senhoria”. 5 Não se usa os adjetivos ilustríssimo, digníssimo (pois, supõe-se que a dignidade é uma postura ética necessária) e doutor (somente para quem tem o título acadêmico). De acordo com o Manual de redação da Presidência da República (Brasil, 2018, p. 21): É imperativa, ainda, certa formalidade de tratamento. Não se trata somente do correto emprego deste ou daquele pronome de tratamento para uma autoridade de certo nível, mais do que isso: a formalidade diz respeito à civilidade no próprio enfoque dado ao assunto do qual cuida a comunicação. Assim, é necessário cuidar da formalidade em texto oficiais. TEMA 3 – MEMORANDO E CORREIO ELETRÔNICO (E-MAIL) Os avanços históricos e tecnológicos influenciam o uso da comunicação. Vejamos algumas mudanças: a segunda edição do Manual de Redação da Presidência da República, publicado em 2002, indicava três tipos de expedientes: o aviso que era expedido exclusivamente por Ministros de Estado, para autoridades de mesma hierarquia; o ofício que era expedido para e pelas demais autoridades; e o memorando expedido entre unidades administrativas de um mesmo órgão. Já na terceira edição do Manual (Brasil, 2018), ficou abolida aquela distinção entre eles, e passamos a utilizar o termo ofício nas três hipóteses. No mesmo manual, aparece o item correio eletrônico, ou e-mail, como prática comum nas comunicações, com mesmo valor de ofício e memorando. Vamos a eles. 3.1 Memorando Como já visto, o memorando é um gênero textual que tem como objetivo informar o funcionário de um mesmo setor de forma rápida e direta. É comum nas comunicações internas oficiais de instituições, empresas e órgãos públicos. Sua característica é a objetividade, daí a preferência de seu uso em forma de comunicação eletrônica. Porém, em virtude de arquivamento e segurança, o uso da forma física também é importante e bastante utilizado. Vejamos a formatação desses documentos; o papel dever ser A4; a margem esquerda deve ter 3 cm, a direita 1,5 cm, a superior e a inferior 2 cm. Na primeira página, a distância do texto com a borda superior deve ser de 5 cm. 6 O texto pode ser escrito nas duas faces do papel; ainda por uma questão de economia, também se aceita papel reciclado. O texto deve ser apresentado em cor preta, aceitando-se cores em imagens. Aceita-se também, mas sem excessos, o negrito para destacar ideias – nunca em itálico, sublinhando maiúsculas ou outros recursos. Os termos estrangeiros devem aparecer em itálico 3.2 Correio eletrônico (e-mail) É evidente que você já recebeu e enviou e-mail; ele é muito utilizado para comunicação pessoal e laboral. Ele é considerado um documento oficial e tem o mesmo valor de um ofício ou memorando. As empresas e as agências governamentais costumam disponibilizar um e-mail corporativo para seus funcionários; estes têm extensão própria (ex.: gov.br; com.br) e são facilmente reconhecidos. Quando da utilização, é necessário tomar alguns cuidados, visto que são documentos que representam uma organização; eles devem ter a linguagem ajustada ao seu uso. Lembre-se que o assunto deve resumir o objetivo do e-mail indicando a sua leitura. Ele deve começar com uma saudação, como em documentos oficiais: Prezado Senhor ou Senhora, PrezadoCoordenador, Diretor, Reitor, por exemplo (observe que são com iniciais maiúsculas). O texto deve ser claro, correto. Não é recomendado textos muito longos ou com informações desnecessárias. Não é recomendado fechamentos com Att., Abraços, Saudações; o texto deve seguir as indicações formais: “Respeitosamente”, para cargos superiores, e “Atenciosamente” para os demais. Os e-mails formais exigem uma assinatura formalizada pela empresa, que normalmente contém nome completo, cargo, unidade, telefone, endereço. Se houver necessidade de anexar algo ao e-mail, é interessante anunciar minimante no corpo do texto o seu conteúdo. Você pode utilizar o recurso de confirmação de leitura ou confirmação de recebimento, mas faça isso somente se for necessário, para evitar acúmulo de informação; também atente a o responder um e-mail que foi direcionado a um grupo – não há necessidade de responder a todos. É recomendado o uso da letra Calibri ou Carlito, tamanho 12 em preto; obviamente o texto deve ser sempre revisto antes do envio, não usamos abreviações ou imagens. 7 TEMA 4 – PROCURAÇÃO Em muitas situações diferentes, precisamos que alguém faça algo por nós; quando isso exigir formalidade, utilizamos procuração. É um documento legal e formal, que autoriza uma pessoa a agir por outra – posicionamento que a faz tomar a condição de representante legal, desfrutando de direitos nos termos do documento. Assim, por ele dar poderes às pessoas, precisa ser redigido corretamente. Ela pode ser um instrumento público, realizado em um cartório ou particular; somente o outorgante tem a assinatura reconhecida. Existe um movimento de desburocratização, que busca facilitar os trâmites de documentos, para que assim fique sempre atualizado em relação à necessidade ou não do reconhecimento de firma. 4.1 Conceito e uso Como já adiantamos, a procuração outorga poderes de uma pessoa a outra. Para isso, ela utiliza redação técnica por se tratar de um documento oficial, mesmo apresentando-se como um instrumento particular, escrito a próprio punho, enquanto a pública é lavrada em livro próprio pelo tabelião e arquivada no cartório. A pessoa que concede a procuração é designada de mandante, constituinte ou outorgante; aquele que recebe a função é o mandatário, procurador ou outorgado. Para que não haja dúvidas, é necessário que a procuração apresente de forma precisa a identificação e a qualificação, tanto do outorgante, quanto do outorgado, assim como os poderes, a finalidade e o prazo de validade da procuração. Também é importante registrar na procuração o local a data e a assinatura dos envolvidos. A procuração é utilizada para vários fins; o mais comum é a utilização de conta bancárias, a realização de contratos de compra e venda, a participação de assembleias, representação na busca ou entregas de documentos, entre outros. 4.2 Estrutura A procuração começa com um título, identificando-a; em seguida, aparecem a qualificação do outorgante e do outorgado, nome, nacionalidade, 8 estado civil, profissão, CPF e residência. Depois, são apresentados as finalidades e os poderes; são declarados os tipos de faculdades que são repassados; em seguida, vem a data e a assinatura do outorgante, reconhecida em cartório; e as testemunhas, se houver; elas costumam ficar à esquerda e abaixo da assinatura do outorgante. TEMA 5 – CONVOCAÇÃO E ATA Vamos analisar dois gêneros textuais muito utilizados em múltiplos setores da sociedade: a convocação e a ata. Eles estão relacionados diretamente com reuniões, assembleias e convenções; elas acontecem que houver a necessidade, de duas ou mais pessoas, de discutir algum tema ou de realizar alguma atividade que gere decisões, encaminhamentos, resoluções, entre outros. Assim, o uso desses gêneros é comum e precisa ser conhecido, pois há aspectos relevantes e necessários em sua construção. 5.1 Convocação A convocação nada mais é que um convite para participar de algum evento; no entanto, ela tem um atributo de participação obrigatória, e assim há alguns detalhes imprescindíveis para a garantia do sucesso da comunicação. O documento deve apresentar assunto, objetivo, data, horário de início e término, pauta, tempo previsto para cada assunto e indicações de quem vai presidir o processo. É interessante enviar a convocação com antecedência, a fim de que os participantes possam se preparar para ela. Também deve ser amplamente divulgada, preferencialmente com a confirmação de recebimento dos convocados. 5.2 Ata A ata é documento de registro de uma reunião, assembleia ou convocação. Ela é um relato pormenorizado dos assuntos relevantes tratados nesses encontros. Uma peculiaridade desse documento é que ele é assinado por todos os participantes. 9 Por se tratar de um documento que avaliza decisões tomadas por um grupo, ela deve ser lavrada de forma a evitar modificações no texto; para isso, é indicado um livro/ata ou a numeração e rubrica dos participantes em todas as páginas (se forem soltas); da mesma forma, o texto não pode apresentar rasuras (se houver erros, usa-se a partícula “digo”, “em tempo”), e nem espaços como parágrafos. Em relação à escrita, ela deve ser sucinta e direta; começa-se com dia, mês, ano e hora da reunião; os números são grafados por extenso; em seguida, o local e a relação, e a identificação das pessoas presentes. Em seguida, a declaração de quem está presidindo e secretariando o evento, que normalmente lê os objetivos do evento, os encaminhamentos e o tempo previsto para as realizações. Depois, vem o fechamento da reunião e a assinatura dos participantes, que são feitas linearmente; isto é, uma ao lado da outra, evitando assim a inserção de alguma informação diferente. Uma observação interessante é que a assinatura da ata é realizada depois que ela aconteça, já que ao assinar, o participante está concordando com o que foi deliberado. NA PRÁTICA Muitos documentos oficiais apresentam modelos prontos que necessitam ser preenchidos minimamente com informações pessoais. Crie um arquivo com diferentes modelos de textos formais, e preencha-os com seus dados. Busque um modelo de relatório, carta comercial, ofício, memorando, ata e outros, e coloque os seus dados, preenchendo com o maior número de informações que você tenha. Se for o caso, crie alguns elementos; faça, por exemplo, uma ata de um encontro de amigos; determine objetivos das conversas, tempos, e registre isso de forma lúdica. Esses exercícios vão aproximar você das formas desses diferentes gêneros, e ao mesmo tempo facilitam na hora que você precisar confeccioná-los. FINALIZANDO Esta aula teve como foco textos formais; vimos alguns gêneros específicos, como o relatório, a carta comercial e o ofício, o memorando, a procuração, a ata, entre outros. Estudamos suas diferentes funções, estruturas, objetivos e necessidade. Tudo isso com a intenção de aperfeiçoar a 10 comunicação escrita em situações protocolares. Com esse caminho em vista, esperamos que você exercite a escrita de texto, e com isso apreenda formas de comunicação cada vez mais aprimoradas. 11 REFERÊNCIAS BRASIL. Presidência da República. Casa Civil. Subchefia de Assuntos Jurídicos. Manual de redação da Presidência da República. 3. ed. rev. atual. ampl. Brasília: Presidência da República, 2018. TÉCNICAS DE COMUNICAÇÃO AULA 6 Profª Margarete Terezinha de Andrade Costa CONVERSA INICIAL Emprego da Expressão Escrita e a Oralidade Nesta aula vamos estudar a capacidade prática e teórica de utilização das técnicas de expressão oral; para isso, vamos começar conhecendo e identificando a imagem, a reputação e a ética da comunicação, elementos essenciais para uma efetivar e mantera conversação de maneira eficaz. Também é necessário entender as melhores maneiras de apresentação em público, visto que no universo acadêmico e laboral é um requisito importante e muito exigido. Da mesma maneira, dominar as técnicas de reuniões presenciais e on-line, assim como as ferramentas de soluções de problemas para as barreiras à comunicação não podem faltar na formação de quem pretende usá-la como ferramenta de interação. E finalmente vamos estudar os procedimentos de trabalhos em equipe para a criação da comunicação de excelência. Esperamos que apreciem a aula e que obtenham com isso uma formação mais aprimorada. TEMA 1 – IMAGEM, REPUTAÇÃO E ÉTICA DA COMUNICAÇÃO No cenário capitalista atual é evidente que as relações são permeadas por interesses financeiros, simbólicos, organizacionais, em que a busca de lucro pessoal é posta. Daí a necessidade de um olhar ético frente à subjetividade da comunicação oral. Está utilizado no cotidiano por todos nós, tanto no papel de falante quanto no de ouvinte. 1.1 Ética da comunicação Na área da comunicação algumas analogias com a ética são colocadas em destaque; entre elas podemos destacar a transparência, pois nas ações comunicativas é importante que fique claro as intenções de cada elemento envolvido; assim como a privacidade, o respeito com as informações pessoais deve ser levado em conta e as informações coletivas de interesse social devem ser divulgadas, pois nem toda informação está disponível para todos; nesse caminho de duplo viés cabe as relações morais. Esses e outros elementos estão atrelados, sem dúvida nenhuma à integridade e à moralidade dos seres humanos. Mas não uma moralidade do senso comum, mas sim fundada em 3 princípios tanto de liberdade quanto de racionalidade que se voltam para o respeito do indivíduo e do coletivo. Assim, devemos considerar a comunidade como um fator imprescindível entre a comunicação e a ética, é nela que as pessoas desenvolvem um ser social com relações com outros, que se dá principalmente por meio da comunicação. 1.2 Imagem e reputação Imagem é um atributo importante na comunicação, mesmo sendo pontual e individual. Esse elemento transmite informações sobre um objeto, uma pessoa ou um local, enviando uma mensagem de quem ou o que se é. Já a reputação é a percepção coletiva que se tem da imagem, é sua interpretação. Assim, a imagem e a reputação constituem elementos que estimulam ou não o interesse, a vontade de manter contato e ampliar as relações. Dessa forma, quando se volta para a comunicação oral, é necessário considerar a imagem que se está passando e a reputação que se cria com ela. Uma conversação oral frágil demonstra insegurança, falta de conhecimento e outros predicados negativos. TEMA 2 – APRESENTAÇÃO EM PÚBLICO Muitas situações exigem apresentação em público e algumas pessoas sofrem muito com isso. Assim, é necessário estudar técnicas para falar melhor e principalmente convencer o outro. Vamos estudar alguns caminhos que nos levam à melhoria das técnicas de oratória. 2.1 Atributos de um bom comunicador Todos, sem exceção, ficam nervosos em apresentações em público. Isso ocorre porque estamos nos expondo e correndo o risco de cometer erros na frente dos outros. Por sua vez, o nervosismo revela que há uma preocupação em buscar a assertividade, que é natural em pessoa responsáveis e envolvidas no que fazem. Portanto, antes de qualquer apresentação, é imperioso seguir alguns passos: primeiro, conhecer bem o assunto que será apresentado, pois é complicado exibir um assunto que não se domina ou fazê-lo de maneira improvisada; em seguida, planejar a maneira de apresentar as ideias, 4 preferenciamente de maneira encadeada, clara e esclarecedora para os ouvintes; também se faz necessário ensaiar a apresentação diversas vezes, buscando superar as falhas, cronometrando o tempo e melhorando em cada tentativa; e por último, deve-se procurar controle emocional, trabalhando com a autoestima, procurando apoio de pessoas positivas, cuidando da imagem pessoal e tendo a consciência de que ninguém é perfeito e de que falhas acontecem. Outro ponto importante é conhecer antecipadamente o local da apresentação e quem serão seus ouvintes. Isso traz mais tranquilidade e evita surpresas desagradáveis, como espaços muito grandes ou pequenos, e possiblita a adequação da fala a determinado público. 2.2 Recursos corporais Todos já devem ter ouvido falar que a transmissão da mensagem se dá mais pela imagem (aparência, postura, voz, movimentos, olhar, gestos) que o apresentador passa do que pelo que ele diz. Dessa maneira, é necessário refletir sobre os recursos corporais. Você também já dever ter ouvido falar que “a primeira imagem é a que fica”; assim, atente para a forma de se vestir. Escolher um traje mais apropriado para a situação reflete a preocupação do orador com o público; a adequação é primordial, assim, se o evento é formal o traje também deve ser; já se imperar a informalidade, os trajes devem acompanhar essa tendência. Obviamente a roupa deve ser discreta e elegante em todas as diferentes ocasiões. Atente para a postura, mantenha a coluna reta, o olhar no público, mantendo contato visual, caminhe firme e naturalmente. Inicie sua apresentação sem ser prepotente; se não houver atenção do público, pare e sorria de maneira simpática, indicando que você precisa de silêncio para começar e/ou continuar. Sua fisionomia indicam seu estado de espírito; mantenha um sorriso nos lábios, pois o bom humor é sempre a melhor estratégia de agradar; não fique de costas para o público e deixe as mãos à vista, não no bolso e nem nas costas. A voz deve ser ouvida por todos, não pode ser baixa e nem alta demais, o interessante é mudar o tom e dar ênfase a algumas sílabas ou termos importantes. O ritmo também deve ter variações, e não ser muito rápido e nem muito lento, pois isso cansa os ouvintes. Evite o uso de gírias, termos de baixo calão, chavões, frases feitas e preconceituosas. 5 TEMA 3 – REUNIÕES PRESENCIAIS E ON-LINE As reuniões são sempre necessárias e acontecem em diferentes situações, a fim de apresentar ideias, informações e opiniões entre seus participantes. Também são utilizadas para coletar informações sobre os processos, as operações e as implantações de projetos; contudo, elas precisam ser cada vez mais rápidas e assertivas, a fim de garantir maior eficiência de resultados. 3.1 Reuniões presenciais Para que uma reunião seja produtiva, é importante organizar alguns itens antes de sua realização. O primeira deles é estabelecer os objetivos da reunião, para que todos tenham a oportunidade de se preparar. Isso feito, é necessário selecionar as pessoas que realmente precisam participar dela, determinar o local e o horário. Uma boa dica é sempre começar no horário estipulado, cumprimentar os presentes e ressaltar a importância da pontualidade – essa é uma maneira simpática de mostrar que as pessoas que têm o costume de se atrasar prestarão mais atenção aos horários. Da mesma maneira, é bom programar o tempo de duração de cada reunião e seguir isso o mais próximo do determinado, tomando cuidado com o tempo da fala. Quanto ao local, este deve ser preparado para receber seus convidados, em relação ao número de lugares, água, ventilação, silêncio, recursos tecnológicos, entre outros. As falas devem ser diretas, sem uso exagerado de metáforas. Todos devem ter oportunidade de se expressar mas também de maneira pontuada, sem excessos. 3.2 Reuniões on-line Atualmente, o uso das tecnologias para realização de reuniões é muito eficiente, principalmente quando se faz necessária a participação de pessoas em diferentes lugares. É sempre bom ter cautela em relação à atenção dos participantes; assim, reuniões muito longas e com a participação de muitas pessoasprecisam ser rigorosamente organizadas, a fim de evitar perda de foco e desvios na comunicação. É interessante começar com uma rápida introdução, 6 apresentando os objetivos do encontro e os resultados esperados. Cuidando para que duas pessoas não falem ao mesmo tempo. Se a reunião for apenas para comunicar ou informar, indique isso em seu início e repasse os itens por outros meios, como carta, ofício ou e-mail, assim garante-se o recebimento das informações. TEMA 4 – BARREIRAS DA COMUNICAÇÃO A comunicação não se volta somente para quem fala, mas também para o ouvinte. Saber ouvir é um exercício que precisa ser treinado constantemente, pois há barreiras na comunicação que atrapalham o processo e dificultam o entendimento da interpretação. 4.1 Problemas de comunicação A comunicação se dá quando há troca de informações entre seus participantes; mas algumas vezes a mensagem não é absorvida em sua totalidade, fragmentando seu entendimento e causando problemas. Outra vezes a mensagem pode ser mal interpretada e distorcida pelo seu receptor, ou até mesmo interrompida, sem a captação de sua totalidade. Tais problemas podem estar atrelados ao emissor, ao receptor, ao canal, ao contexto; enfim, pode acontecer em todas as instâncias do processo. Dessa forma, cabe prestar atenção nesses elementos, evitando falhas. Por exemplo, se há resistência no receptor em relação ao emissor ou à mensagem, esta certamente será distorcida ou mal recebida. Da mesma maneira, os variados tipos de preconceito atrapalham o processo, assim como uma postura defensiva, distrações e inibição são elementos que podem gerar comunicação com problemas. 4.2 Como evitar barreiras na comunicação Evidentemente não há como prevenir todos os tipos de barreiras na comunicação, mas há como minimizá-los. A primeira maneira de fazer isso é estar atento ao processo, verificar as possibilidades ou não de entendimento, isto é, es buscar realizar a comunicação sempre da melhor maneira possível. Isso se dá, por exemplo, com a utilização da uma linguagem apropriada e direta, buscando com ela ministrar as informações de forma clara, completa e 7 estimulante. Para que isso se realize de maneira mais eficaz, a utilização de canais diferenciados é interessante, tais como exemplos ilustrativos, imagens, sons, e outros elementos que chamem a atenção. Da mesma maneira, ter uma escuta ativa amplia o processo comunicativo. Muitas vezes as pessoas falam sem ouvir o que outro está dizendo; ao prestar atenção, nós estamos colando-nos no lugar do outro e ajudando o processo comunicativo. Além de criar uma relação empática entre os seus participantes. TEMA 5 – TRABALHO EM EQUIPE A comunicação é a melhor ferramenta para que os trabalhos em equipes sejam melhores, seja em casa, seja no ambiente educacional ou no trabalho. Seu bom uso une o grupo, agrega valor ao trabalho de cada um, cria uma relação de segurança e ajuda na busca de soluções para os problemas. Não há necessidade, no entanto, de elencar as dificuldades que a falta de comunicação ou sua falha resultam no trabalho coletivo, ele é evidente e comum durante os procedimentos de troca. 5.1 Organização do trabalho em grupo O passo mais importante em um trabalho em grupo é esclarecer o objetivo desse trabalho e tempo de sua execução. Em seguida, deve-se fazer a pesquisa sobre seu possível desenvolvimento, entender as habilidades de cada componente do grupo e executar a divisão de tarefas. Tudo muito simples, fácil e rápido... desde que haja entendimento de todos acerca de tais passos. É importante determinar um líder ou vários líderes para diferentes tarefas; ao passar a responsabilidade para alguém, este se sente importante no grupo e realiza sua atividade de maneira mais prazerosa. Sempre deve-se tomar muito cuidado com as relações interpessoais, e discutir em grupo como lidar uns com os outros traz bons resultados. Uma dica é realizar momentos de avaliação dos processos, no qual cada elemento da equipe expõe suas opiniões sobre o andamento dos trabalhos. Isso com respeito e honestidade. Criticar uma ideia não é criticar uma pessoa – isso deve ser o norte das relações. 8 5.2 União e produtividade A ideia do trabalho em grupos é que haja troca entre os elementos na busca de um resultado melhor. O convívio com pessoas que pensam de maneira diferente agrega valor ao resultado desde que haja troca, respeito e parceria entre elas. Assim, o exercício de se trabalhar com o outro é uma busca constante de crescimento, aprendizagem e principalmente a superação das barreiras de comunicação; especialmente porque são poucas as pessoas que trabalham sozinhas. Assim, a comunicação no trabalho em equipe exige paciência, tolerância e respeito com os espaços, as ideias e as dificuldades dos outros e de nós mesmos. NA PRÁTICA Este exercício é muito interessante. Você vai preparar uma palestra para uma pessoa muito importante, para você mesmo. Isso, você vai se apresentar, exibir um projeto, defendê-lo e aprová-lo, ou não, para você mesmo. Escolha uma situação muito formal, elabore uma fala interessante, arrume o cenário, determine um tempo mínimo e máximo e apresente oralmente as suas ideias, gravando esse momento. Refaça quantas vezes você achar necessário, e depois de sua aprovação peça a um ou mais amigos para assistir e avaliar rigorosamente seu desempenho. Se as críticas forem muito severas, marque uma reunião com você mesmo e arrume os pontos frágeis até ficar satisfeito com o resultado. Com esse exercício você vai treinar apresentações orais e estará mais preparado quando precisar realizá-las. FINALIZANDO Estudamos nesta aula a aptidão prática e teórica de utilização das técnicas de expressão oral; para isso tivemos como foco a ética, a apresentação oral em público, como conduzir reuniões e trabalhar em equipe. A intenção desta aula não é esgotar tais tópicos, pelo contrário, a ideia é apontar para novos caminhos que sejam buscados e traçados por você a fim de exercitar e aprimorar o uso da palavra. Desejamos muitas novas boas leituras e bons estudos. 9 REFERÊNCIAS DISCINI, N. Comunicação nos textos. São Paulo: Contexto, 2009. GUIMARÃES, T. de C. Comunicação e linguagem. São Paulo: Pearson, 2013. LUIZARI, K. Comunicação empresarial eficaz: como falar e escrever bem. Curitiba: Intersaberes, 2012. PLAISANCE, P. L. Ética na comunicação: princípios para uma prática responsável. Porto Alegre: Artmed, 2011. SILVA, L. A. e. Qualidade na comunicação escrita. Curitiba: InterSaberes, 2009. VALLE, M. L. E. Não erre mais: língua portuguesa nas empresas. Curitiba: InterSaberes, 2013. Conversa inicial Emprego da Expressão Escrita e a Oralidade Na prática FINALIZANDO REFERÊNCIAS