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Semiologia do trato gastrointestinal Enf ª Dndª ana laura biral Regiões abdominais 4 quadrantes ou 9 regiões relaciona-se à projeção dos órgãos abdominais 4 quadrantes: Quadrante superior direito, Quadrante inferior direito, Quadrante superior esquerdo e Quadrante inferior esquerdo Hipocôndrio direito, Região epigástrica, Hipocôndrio esquerdo, Região mesogástrica, Flanco direito, Flanco esquerdo, Região infra umbilical ou hipogástrica, Região inguinal ou fossa ilíaca direita e Região inguinal ou fossa ilíaca esquerda. Delimitação do abdômen Para a delimitação do abdômen deve-se traçar - Uma linha circular na altura da apófise espinhal da 4ª vértebra lombar (L4), cristas ilíacas anteriores e sínfise púbica - Uma linha circular na altura da junção xifoesternal e apófise espinhal da 7ª vértebra torácica (T7) Exame físico do abdômen Propedêuticas Inspeção Ausculta Percussão Palpação Inspeção do abdômen Observar pele para lesões, circulação venosa colateral superficial, hemorragias (equimoses ou hematomas, petéquias), coloração do abdômen, herniações e massas. Para pesquisar soluções de continuidade, solicitar ao paciente a deitar-se em decúbito dorsal, levante a cabeça ou as pernas. Ainda há a opção de solicitar ao paciente que sopre o dorso da mão sem deixar o ar escapar. Inspeção do abdômen Forma e volume do abdômen Normal ou atípico: Varia bastante de indivíduo para indivíduo, tendo como principal característica a simetria Globoso: globalmente aumentado e com predomínio do diâmetro anteroposterior sobre o transversal. ascite, gravidez avançada, distensão gasosa, obesidade, pneumoperitônio, obstrução intestinal, grandes tumores policísticos do ovário Em ventre de Batráquio: Aquele em que há visível predomínio do diâmetro transversal em relação ao anteroposterior. Hepatoesplenomegalia volumosa Pendular ou ptótico: vísceras pressionam a parte inferior do abdome e produzem uma protrusão, quando o paciente está em pé Abdômen em avental: acúmulo de gordura na parede abdominal, a qual pende “como um avental” sobre as coxas do paciente Abdômen escavado: retração da parede abdominal. É próprio das pessoas muito emagrecidas Forma e volume do abdomen Inspeção do abdômen Abaulamentos ou Retrações Localizadas: Abaulamentos e retrações em uma determinada região indicam alguma anormalidade, melhor investigadas com o auxílio da palpação. As principais causas são hepato ou esplenomegalia, útero grávido, tumores, retenção urinária, aneurisma de aorta abdominal e megacólon chagásico Movimentos - Movimentos respiratórios: Em condições normais, são observados no andar superior abdominal, - Pulsações: podem ser vistas e palpadas principalmente em pessoas magras ou podem relacionar-se à aneurismas de aorta abdominal - Movimentos peristálticos visíveis ou Ondas peristálticas: podem ser vistas em pessoas magras na ausência de qualquer anormalidade ou indicam obstrução em algum seguimento do tubo digestivo, devendo-se analisar a sua localização e direção Ausculta do abdômen Importante ser realizada antes da palpação e percussão, já que estas podem estimular o peristaltismo e ocultar hipoatividade intestinal Em condições normais, são audíveis ruídos de timbre agudo a cada 5 a 10 segundos, com localização variável > Ruídos hidroaéreos Podem ser ouvidos sopros, indicando lesão ou fístulas de vasos (artérias renais ou aorta abdominal) Palpação do abdômen Complementar à inspeção Modificações de textura, espessura, elasticidade, edema, frêmitos, entre outros Superficial, profunda, de órgãos e manobras especiais Palpação do abdômen > Palpação superficial * Avaliação de sensibilidade: Palpar levemente a parede abdominal. Caso o paciente refira dor (hiperestesia cutânea), pode haver comprometimento do órgão ali projetado Palpação do abdômen Palpação superficial: Pontos dolorosos * Ponto xifoidiano: Pode relacionar-se à afecções gástricas como gastrite, úlcera, neoplasias * Ponto epigástrico: Pode relacionar-se às afecções gástricas como gastrites e úlceras * Ponto cístico/biliar: ângulo formado pela reborda costal direita e a reborda externa do músculo reto abdominal. Dor aguda à compressão, que obriga o paciente a interromper a inspiração, relaciona-se à colecistite aguda (Sinal de Murphy). * Ponto apendicular/McBurney: Relaciona-se à apendicite. Dor à descompressão rápida constitui o sinal de Blumberg. * Ponto esplênico: A dor neste ponto pode relacionar-se ao infarto esplênico * Pontos ureterais: A dor nestes pontos pode relacionar-se à cólica renal Palpação do abdômen > Palpação superficial * Avaliação da resistência abdominal: Em condições normais, a resistência é a de um músculo. Quando se encontra a musculatura contraída, a primeira preocupação do examinador é diferenciar a contratura voluntária da contratura involuntária. Palpação do abdômen > Palpação superficial * Avaliação da continuidade abdominal: Identificação de diásteses e hérnias > DIÁSTESES: separação dos músculos retos, quer abaixo, quer acima da cicatriz umbilical, sendo possível insinuar um ou dois dedos entre eles. > HÉRNIAS: solução de continuidade por onde penetram uma ou mais estruturas intra-abdominais. À inspeção, observa-se uma tumefação no local Palpação do abdômen Palpação do abdômen > Palpação superficial * Pulsações: podem ser visíveis e palpáveis, ou apenas palpáveis. Dados semióticos essenciais são a localização e as características táteis das pulsações. As pulsações epigástricas podem ser a transmissão das contrações do ventrículo direito hipertrofiado ou pulsações da aorta abdominal. Palpação do abdômen * Palpação profunda: Investigam-se os órgãos contidos na cavidade abdominal e eventuais massas ou tumorações palpáveis. Em condições normais não se consegue distinguir o estômago, o duodeno, o intestino delgado, as vias biliares e os cólons ascendente e descendente, ao passo que o ceco, o transverso e o sigmoide são facilmente palpáveis. À palpação de massas, é importante reconhecer algumas características como: Localização, Forma e volume, Sensibilidade, Consistência, Mobilidade e Pulsatilidade Palpação do abdômen * Palpação do fígado Método de Mathieu (método das mãos em garra) Método Lemos-Torres (método da mão estendida) Borda do fígado perceptível à inspiração IMPORTANTE! Toda hepatomegalia é palpável, mas nem todo fígado palpável está aumentado de volume. Palpação do abdômen * Palpação da vesícula biliar: - Não palpável em condições normais - Podem acontecer alterações de volume ou consistência em casos de tumores ou tensão em casos de obstrução de ductos (colédoco ou cístico ou tumores) > Sinal de Courvoisier-Terrier: A presença de uma vesícula biliar palpável indolor associada a síndrome ictérica é sugestiva de neoplasia maligna pancreática que, na maioria das vezes, se localiza na cabeça do pâncreas. > Sinal de Muphy Palpação do abdômen * Palpação do baço: O baço normal não é palpável e apresenta mobilidade respiratória, assim como o fígado. Distância entre a reborda costal e a extremidade inferior do baço. Em geral, palpar este órgão significa que seu volume está aumentado, ou seja, há esplenomegalia Palpação do abdômen * Palpação dos rins: - Não palpável em condições normais - O paciente deve respirar tranquila e profundamente e a cada inspiração procura-se sentir sob as pontas dos dedos a descida do rim - nefroptose, tumor renal, hidronefrose, malformações congênitas Percussão do abdômen - Podem ser encontradas os seguintes tipos de sons no abdome: timpanismo, hipertimpanismo, submacicez e macicez * Timpanismo: quase todo o abdômen. Em especial no espaço de Traube * Hipertimpanismo: aumento patológico da quantidade de ar - meteorismo, na obstrução intestinal, no volvo, no pneumoperitônio * Submacicez: Menor quantidade de ar ou superposição de uma víscera maciça sobre uma alça intestinal origina o som submaciço. * A ausência de ar dá origem ao som maciço, como se observa nas áreas de projeçãodo fígado Sinal de Jobert: desaparecimento da macicez hepática, dando lugar ao timpanismo decorrente de pneumoperitônio. Percussão do abdômen * Pesquisa por ascite: Piparote Macicez móvel MORTON, Patrícia Gonce, et al. Cuidados Críticos de Enfermagem: Uma abordagem holística. 8ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2007. PORTO, C.C. Exame Clínico. 6ºed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2008. ROBBINS, S.L.; CONTRAN,R.S. Bases Patológicas das Doenças. 8ºed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2010. HARRISON, et al. Medicina Interna. 18a edição. Porto Alegre: Artmed, 2013. vl 1. IRWIN, R.S.; RIPPE, J. M. Terapia intensive. 6a Ediçao. 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