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SEMIOLOGIA DO IDOSO

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SEMIOLOGIA DO IDOSO 
Alice Vitória Barros da Silva – MEDICINA – UNISL 
 
DINÂMICA DA VIDA E MORTE NO 3º MILÊNIO 
 Aumento da extensão da vida 
 Aumento do numero de idosos 
 Familias menores e dispersas 
 Sobrevida com incapacidade 
 Medicalização da vida na velhice 
✔ A população que mais cresce proporcionalmente é a dos muitos idosos, ou seja, de 80 anos 
e mais. 
✔ Com o envelhecimento populacional, verifica-se a transição entre as principais causas de 
morbidade e mortalidade (transição nosológica), de tal modo que as doenças não 
transmissíveis e as causas externas passam a predominar sobre as doenças transmissíveis, 
pois, à medida que as pessoas alcançam idades avançadas, aumenta o risco de que elas 
adquiram doenças crônicas e desenvolvam incapacidades, acarretando importante sobrecarga 
ao sistema de saúde. 
✔ No Brasil, o que tem sido observado é uma superposição entre as duas etapas, com 
aumento das doenças cardiovasculares, responsáveis pela maioria das mortes, que se somam 
às doenças transmissíveis, ainda endêmicas ou causando epidemias, como é o caso da 
malária, da febre amarela e da dengue. 
PROCESSO DE ENVELHECIMENTO E CONCEITO DE IDOSO 
 
✔ Do ponto de vista biológico, conceitua-se o envelhecimento como um processo dinâmico e 
progressivo, no qual há modificações morfológicas, funcionais, bioquímicas e psicológicas que 
determinam perda da capacidade de adaptação do indivíduo ao meio ambiente, ocasionando 
maior vulnerabilidade e maior incidência de processos patológicos que terminam por levá-lo à 
morte. 
✔ O envelhecimento é progressivo, gradual e variável. 
ENVELHECIMENTO = VULNERABILIDADE + Variabilidade + Irreversibilidade 
 
 
ENVELHECEMOS DE FORMA IGUAL? 
✔ O processo de envelhecimento é 
progressivo, gradual e, principalmente, 
variável. O fenótipo por ele determinado é o 
resultado de fenômenos intrínsecos ao 
organismo associados a fatores ambientais, 
ao estilo de vida, às condições nutricionais e 
à ocorrência de doenças. 
✔ Desse modo, ninguém envelhece igual a 
outro da mesma espécie, mesmo que os 
seus genótipos sejam praticamente 
idênticos, como os gêmeos monozigótico. 
 
 
 
Declínio da 
Fertilidade
Aumento da 
expectativa de vida
Inversão da pirâmide 
populacional
Declínio da 
Mortalidade
 
IDOSO 
 Impossível estabelecer o momento exato em que um indivíduo se torna idoso. 
 Ninguém chega a uma determinada idade ou o processo é considerado completo 
 Ele só termina ao final da vida 
✔ OMS – idoso 65 anos ou mais, porém, países com expectativa de vida mais baixa, pode-se 
reduzir o limite para 60 anos. 
Tanto a ONU como a OMS adotam os seguintes limites cronológicos: 
■ Idosos em países de renda média ou baixa: 60 anos ou mais 
■ Idosos em países de renda alta: 65 anos ou mais 
■ Muito idosos: 80 anos ou mais 
 
 SENESCÊNCIA: Envelhecimento fisiológico 
 SENILIDADE: Envelhecimento patológico 
✔ A separação entre senescência e senilidade não é muito nítida; por isso, procura-se 
distribuir os idosos entre aqueles com envelhecimento bem-sucedido e aqueles com 
envelhecimento comum ou usual. Neste último, os fatores extrínsecos, como dieta, atividade 
física e condições psicossociais, intensificariam os efeitos do tempo sobre os órgãos e 
sistemas, ao passo que na forma de envelhecimento bem-sucedido, esses fatores extrínsecos 
não existiriam ou seus efeitos seriam de pequena importância 
 
MODIFICAÇÕES SISTÊMICAS NO IDOSO 
✔ Os idosos usam suas reservas fisiológicas para manter a homeostase. 
✔ Quando as reservas NÃO são necessárias para suprir aumento das demandas de doenças 
agudas, ocorre falência dos sistemas. 
 
ALTERAÇÕES DA CONSTITUIÇÃO CORPORAL COM O ENVELHECIMENTO 
 Diminuição da massa óssea 
 Diminuição da massa muscular (sarcopenia) 
 Redução da água intracelular 
 Aumento com redistribuição da gordura corporal, que se acumula nos omentos, 
lóbulos das orelhas, regiões paracardíaca e perirrenais 
 Diminuição do tecido celular subcutâneo dos membros e aumento no tronco 
 Aumento dos diâmetros da caixa torácica e do crânio 
 Diminuição da estatura em cerca de 1 cm por década a partir dos 40 anos, em 
decorrência da acentuação das curvaturas da coluna vertebral e do achatamento dos 
arcos dos pés e dos discos intervertebrais. 
 
✔ A imunidade celular declina, e ocorrem alterações da imunidade humoral, com aumento na 
prevalência de neoplasias e infecções e redução da resposta vacinal. Paradoxalmente, há 
maior predisposição à formação de autoanticorpos, processo conhecido como 
imunossenescência 
 
✔ DEFORMIDADE PROGRESSIVA DA COLUNA VERTEBRAL 
 
EXAME FISICO 
 
PELE E FANEROS 
• Diminuição da espessura 
• Diminuição da elasticidade da epiderme e derme 
• Alteração do colágeno 
• Diminuição das fibras elásticas 
• Rede vascular visível 
• Redução do tecido subcutâneo com rede vascular mais visível 
• Redução de número e atividade das glândulas sudoríparas e sebáceas 
• Diminuição e alteração funcional dos melanócitos 
 Melanose senil. Ocorre devido a redução dos melanocitos. 
 Púrpura senil. Ocorre devido redução da espessura da pele 
e do subcultaneo onde com pequenos traumas surgem essas manchas vermelhas e salientes. 
CONSEQUENCIAS? 
 Prejuízo na cicatrização; 
 Diminuição na tensão da pele; 
 Diminuição da capacidade proliferativa; 
 Susceptibilidade a lesões como Ulceras por Pressão; 
 Diminuição da microvasculatura; 
 Diminuição na percepção sensorial 
 Susceptibilidade a infecções. 
 Canície: esbranquecimento dos cabelos. 
 Calvície: diminuição da quantidade de bulbos capilares. 
 Onicogrifose: unhas crescem mais lentamente e se tornam espessas e curvas. 
 
SISTEMA OSTEOARTICULAR E MUSCULAR 
✔ Ocorre perda de tecido ósseo com diminuição do osso compacto e redução das laminas do 
osso trabecular. 
✔ As suturas do crânio desaparecem e o crânio perde a elasticidade. 
✔ Ocorre desgaste dos ossos maxilar e mandíbula. Observa-se anquilose das articulações 
costocondrais, fazendo com que a caixa torácica perca sua elasticidade e mobilidade. A 
espessura dos discos intervertebrais também diminui; com isso, acentuam-se as curvaturas 
da coluna vertebral, principalmente a torácica. As cartilagens articulares tornam-se mais 
delgadas e sofrem rachaduras superficiais. 
 Perda de 1 a 2% da massa muscular ao ano após a sexta década de vida. 
 SARCOPENIA: diminuição da massa e da força muscular 
 Perda de peso cerebral: 1,4 a 1,7% por década, após os 15 anos; 
 Lentificação da velocidade da condução nervosa; 
 Redução progressiva e irreversível dos neurônios; 
 Redução do tempo total de sono em decorrência da diminuição da duração e da 
frequência da fase 4 do sono não REM (aumentam-se os despertares noturnos) 
 
 
 
• Degeneração vascular amilóide; 
• Aparecimento de placas senis e degeneração neurofibrilar; 
• Comprometimento da neurotransmissão dopaminérgica e colinérgica. 
• Aparecimento de doenças: Alzheimer e Parkinson; 
 
 
 
 
 
 
• Acúmulo extracelular, em tecidos cerebrais: 
• De peptídeo beta-amiloide Depósitos de proteína TAU hiperfosforilada 
 
 
 
• Dorme cerca de 5h por noite; 
• Despertares frequentes (sono superficial); 
• Sonolência diurna, com cochilos frequentes; 
• Dorme cedo - acorda cedo; 
• Constantes queixas familiares. 
• O sistema cardiovascular sofre acentuada redução da sua capacidade funcional 
 
 
 
EXAME CLÍNICO DO IDOSO 
 
ASPECTOS PRÓPRIOS DO IDOSO 
• Tendência a ter múltiplas doenças 
• Tendência a ter doenças crônicas 
• Os sintomas da doença atual podem ser alterados por doenças preexistentes 
• As primeiras manifestações podem aparecer somente em fases avançadas 
• Doenças agudas mais graves e de recuperação mais lenta 
• Doenças com apresentação atípica 
• Deficiências funcionais que comprometem autonomia e independência 
• Maior risco de iatrogênia (sofrer