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Resumo feito por Evelyn Lopes CASTRO, Flávia Lages. Da monarquia absoluta ao Iluminismo. In_____________ História do Direito Geral e Brasil. Rio de Janeiro: Lúmen Júris, 2011. O absolutismo monárquico é marcado pela modificação no poder feudal, onde há uma centralização de poder cujo objetivo era a dominação feudal para manter os indivíduos na sua posição social. Ao mesmo tempo, o rei instituiu o aumento dos impostos para ter fluxo de recursos e conseguir formar um exército para a manutenção e centralização do seu poder através de práticas coercitivas. Um exemplo de absolutismo monárquico foi o governo de Luís XIV (Rei Sol) na França, o qual em sua citação mais famosa afirma “O Estado sou eu”, uma demonstração clássica de centralização de poder. Diante do absolutismo monárquico diversos pensadores elaboraram as suas teorias, como Maquiavel que discorreu sobre a garantia de que o rei poderia adotar qualquer ação para conquistar e assegurar o poder. Thomas Hobbes reflete sobre a teoria de que o Estado foi formado por um pacto entre os homens, para que assim fosse evitada a desordem, e um deles seria o governante. As leis desse Estado fruto do pacto seriam elaboradas conforme os desejos do rei. Porém, a teoria mais utilizada nesse contexto absolutista foi a idealizada por Jacques Bossuet, o qual expunha que a autoridade do rei emana de Deus, logo questionar a decisão do senhor seria um pecado. Certamente essa organização centralizada geraria desentendimentos e não aceitação entre os nobres e a burguesia, para isso Luís XIV convidou burgueses para ocupar os cargos de ministros e constitui uma vasta corte para os nobres. Além das mudanças na estrutura do reinado, Luís XIV também fez parta da instituição de mudanças centralizadoras no âmbito da justiça, com a formação do Código Luís; os tribunais se juntam ao tribunal do rei (antes o poder clerical coibia a centralização do poder da justiça); foram criados os tribunais de Foro (tribunais específicos para cada classe, representando um privilégio); uma pessoa presa por uma ordem régia somente poderia ser libertada por outra ordem régia. O reinado de Luís XIV deixou a população mais pobre, com uma desigualdade marcante e com a organização da sociedade baseada na distinção entre as classes. Em contraposição ao absolutismo monárquico, diversos pensadores escreveram teorias opostas as ideias desse período, estes homens ficaram conhecidos como iluministas e compõem a noção comum de que o livre pensamento e a liberdade individual seriam o caminho para a felicidade. Além disso, as leis possuiriam o papel de ordenar a sociedade e deveriam ser aplicadas a todos, trazendo a noção de cidadania e igualdade. Para haver igualdade as leis deveriam ser elaboradas pelos cidadãos ou pelos representantes por eles eleitos. A partir dessa questão surge a concepção de criação dos três poderes para terminar com o absolutismo monárquico, ideia que Montesquieu elaborou e argumenta que deveria existir o poder executivo, o poder legislativo e o poder judiciário. Ainda sobre a questão dos representantes, Rousseau defendia que o voto seria um meio de dar poder ao povo e instituir a democracia. Na perspectiva jurídica iluminista, especialmente a penal, Cesare Beccaria foi um dos pensadores que compõem a base do direito penal moderno e dos direitos individuais. As ideias de Beccaria estavam em torno das leis e das penas. As leis deveriam ser fruto de um pacto entre os homens para poder limitar a violência, por ser necessário um convívio social controlado. Ao mesmo tempo, o estabelecimento de penas para as ações criminosas buscaria desencorajar as pessoas a cometerem ações que desrespeitassem a lei, mas ainda argumentava que a prevenção seria o melhor caminho para evitar o crime. Além disso, teorizou a respeito do que hoje é conhecido como o princípio da igualdade de todos perante a lei, o crime e a pena existem se houver lei anterior que o defina (princípio da anterioridade da lei) e que a pena deveria se proporcional ao crime cometido (proporcionalidade da pena). Em relação ao processo, a tortura não deveria se um meio de conseguir a confissão do indivíduo, o qual só poderia ser considerado culpado após ser condenado no processo. Este processo deveria obedecer a regras em relação à testemunha, que deveria ser mais de uma pessoa com credibilidade, já as provas não poderiam ser interligadas umas, as outras, mas sim independentes. Além do Cesare Beccaria, também existiram outros pensadores criminalistas no contexto do Iluminismo, como o Jean-Paul Marát com a concepção de que os pobres deveriam ser instruídos; Karl F. Hommel com a discussão sobre a proporcionalidade entre pena e delito; Manuel de Lardizabal Y Uribe discorre sobre o questionamento de que as leis surgiram com o contrato social como uma forma de prevenção; Edward Livingstone aborda que o papel do sistema penitenciário seria focar na alma do indivíduo para gerar a reflexão e, em simultâneo, oferecer trabalho para que ele não fique desocupado; Antoine-Joseph-Michel Sevan trata que a pena teria que restaurar os danos gerados na sociedade e Pascoal José de Mello Freiredos Reis discute que a pena consiste em um meio de correção e separação dos indivíduos.