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NOÇÕES BÁSICAS DE 
CARTOGRAFIA, SENSORIAMENTO 
REMOTO E GEOPROCESSAMENTO
HISTÓRIA DA CARTOGRAFIA 
OS OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM 
A partir desta unidade você será capaz de:
• conhecer os primeiros mapas e sua importância histórica;
• diferenciar os tipos de representação cartográfica (globo, mapa, carta e 
planta);
• compreender a escala na cartografia;
• entender os sistemas geodésicos de referência e suas coordenadas;
• conhecer os principais sistemas de projeção cartográfica e suas aplicações;
• conhecer os principais tipos de distorções, precisão e confiabilidade 
cartográfica.
APRESENTAÇÃO
Organização
Kátia Spinelli
Manoel Ricardo 
Dourado Correia
Reitor da 
UNIASSELVI
Prof. Hermínio Kloch
Pró-Reitora do EAD
Prof.ª Francieli Stano 
Torres
Edição Gráfica 
e Revisão
UNIASSELVI
 CURSO LIVRE - NOÇÕES BÁSICAS DE CARTOGRAFIA, SENSORIAMENTO REMOTO E GEOPROCESSAMENTO
OS PRIMEIROS MAPAS 
E SUA IMPORTÂNCIA 
HISTÓRICA
.01
1 INTRODUÇÃO
História dos mapas e da Cartografia é um tema inesgotável, bastante 
amplo e complexo e confunde-se com a própria trajetória da humanidade, 
inclusive anterior à escrita.
Na história da Cartografia e da humanidade, verifica-se que os mapas 
antigos eram vistos como veículos de orientação no espaço geográfico. As 
principais características deles era a estocagem dos dados geográficos que 
serviam para análise dos lugares e de como chegar até eles. Com a evolução 
humana e também da Cartografia, os mapas passaram a ser considerados 
também como uma forma de comunicação de dados e, mais recentemente, 
como um instrumento de visualização científica (NOGUEIRA, 2009).
2 HISTÓRIA DA CARTOGRAFIA
O vocábulo CARTOGRAFIA, etimologicamente – descrição de cartas, foi 
introduzido em 1839 por Manoel Francisco de Barros e Souza de Mesquita 
de Macedo Leitão. Independentemente do significado etimológico, a sua 
concepção inicial continha a ideia do traçado de mapas. No primeiro estágio 
da evolução, o vocábulo passou a significar a arte do traçado de mapas, para 
em seguida conter a ciência, a técnica e a arte de representar a superfície 
terrestre (IBGE, 1999).
Tais documentos eram muito rudimentares, elaborados de acordo com 
as técnicas e materiais disponíveis, que avançaram rapidamente ao progresso 
atual, conhecido pelas técnicas do geoprocessamento ou geotecnologias. 
 CURSO LIVRE - NOÇÕES BÁSICAS DE CARTOGRAFIA, SENSORIAMENTO REMOTO E GEOPROCESSAMENTO
Diversos povos ocidentais e orientais, com os seus aspectos culturais 
próprios de sua sociedade, nos legaram os mais variados mapas. O mapa 
de Ga-Sur (Figura 1), possivelmente, é um dos mapas mais antigos e foi 
confeccionado pelos babilônios, talvez entre 2500 a 4500 a.C. Trata-se de 
uma pequena placa de argila cozida, com 7cm, encontrada na Mesopotâmia, 
possivelmente representando esta região, com o rio Eufrates e duas cadeias 
de montanhas circunvizinhas. Outro exemplo de mapa rudimentar, feito 
com tiras de palha e conchas, é atribuído aos indígenas das Ilhas Marshall, a 
nordeste da Austrália (Figura 2). 
FIGURA 1 - UM DOS MAPAS MAIS ANTIGOS, O MAPA DE GA-SUR, FOI 
CONFECCIONADO PELOS BABILÔNIOS
FIGURA 2 - MAPA RUDIMENTAR ATRIBUÍDO AOS INDÍGENAS DAS ILHAS 
MARSHALL
FONTE: Disponível em: <http://twixar.me/cJrT>. Acesso em: 20 mar. 2017.
FONTE: Disponível em: <http://twixar.me/cJrT>. Acesso em: 20 mar. 2017.
Os gregos tiveram também notória influência no desenvolvimento da 
cartografia ocidental. Anaximandro de Mileto, Cláudio Ptolomeu, Heródoto, 
Erastóstenes de Cirene, Hecateu de Mileto, por exemplo, foram os nomes 
mais influentes. Eles calcularam a circunferência da Terra, versaram acerca 
 CURSO LIVRE - NOÇÕES BÁSICAS DE CARTOGRAFIA, SENSORIAMENTO REMOTO E GEOPROCESSAMENTO
das projeções, fizeram um sistema geométrico-numérico para descrever os 
movimentos do céu, definiram o que conhecemos como rede geográfica 
– conjunto de linhas imaginárias formadas por paralelos e meridianos, 
utilizada para localizar qualquer ponto na superfície terrestre, bem como 
confeccionaram mapas daquela região (Figura 3). Os gregos representaram 
ainda um dos marcos da cartografia antiga, pois suas ideias influenciaram o 
mundo ocidental por muitos séculos. 
FIGURA 3 - MAPA DO MUNDO NA CONCEPÇÃO DE HECATEU DE MILETO
FONTE: Disponível em: <http://twixar.me/3yrT>. Acesso em: 20 mar. 2017.
No norte da Itál ia também foram descobertos mapas rupestres, 
representando componentes da paisagem agropastoril italiana, inclusive com 
certo grau de detalhe. 
Possivelmente, alguns mapas foram perdidos no curso da civilização. 
A Índia, por exemplo, teve poucos documentos cartográficos preservados, 
especialmente após a ocupação europeia.
Os mapas ant igos chineses demonstravam a preocupação dos 
governantes em registrar as riquezas naturais, inclusive a sua cartografia é 
pretérita à europeia. Um dos nomes respeitados no período foi o de Pei Hasiu 
(224 a 273 d.C.) e do almirante Zheng He (1371 a 1433 d.C.).
Após o período de decadência na Baixa Idade Média e baseando-se nos 
trabalhos de Ptolomeu, os cartógrafos do século XVI refinaram bastante os 
mapas da época e a cartografia ressurge a partir do belga Gerhard Mercator, 
com a invenção de uma projeção com meridianos retos e equidistantes e 
paralelos também retos, porém cada vez mais espaçados entre si na direção dos 
polos. A projeção de Mercator teve fundamental importância, já que permitiu 
introduzir outro tipo de projeção muito utilizada em cartografia, a projeção 
UTM (Universal Transversa de Mercator), de propriedade cilíndrica, transversa 
 CURSO LIVRE - NOÇÕES BÁSICAS DE CARTOGRAFIA, SENSORIAMENTO REMOTO E GEOPROCESSAMENTO
e secante. Quanto às projeções, abordaremos a posteriori as definições, os 
tipos e as principais aplicações dos sistemas de projeções cartográficas.
Nos séculos anteriores, o aperfeiçoamento da astronomia, da agrimensura 
e da geometria ofereceu conhecimentos e técnicas para a formação de uma 
verdadeira ciência cartográfica, alicerçada em cálculos complexos e rigorosos, 
tornando-a mais acurada e precisa.
3 ESCALA E TIPOS DE REPRESENTAÇÃO CARTOGRÁFICA 
(GLOBO, MAPA, CARTA E PLANTA) 
Neste momento, aludiremos aos tipos de representação cartográfica 
– globo, mapa, carta e planta – e sua relação com a escala. Neste sentido, 
Nogueira (2009) afirma que a confusão no Brasil entre as palavras mapa, carta 
e planta tem origem no uso popular de documentos cartográficos, ou seja, 
as pessoas que usavam mapas foram cristalizando ideias que acabaram por 
criar a presente situação.
Nogueira (2009) também afirma que na linguagem coloquial e em 
diversas outras áreas da ciência não ligadas diretamente à cartografia, tais 
como Medicina, Economia e Administração, também são utilizados os termos 
“mapeamento” e “mapa”. Contudo, tanto o ato de mapear quanto o produto – 
mapa – são diferentes daqueles que se conhecem da cartografia. Geralmente, 
significam uma forma de levantamento de dados e de apresentá-los, ou ainda, 
um instrumento facilitador para a compreensão da estrutura de um fenômeno 
qualquer, que pode ou não ser geográfico. 
O vocábulo mapeamento tem assumido um significado mais amplo, por 
vezes, meios de comunicação noticiam “[estão procedendo ao mapeamento 
da droga num determinado local [...]”; ou, “[o mapeamento do DNA humano 
[...]”. No entanto, na verdade, o resultado de um levantamento ou pesquisa é 
algo muito diferente dos mapas gerados na cartografia, uma vez que esses 
representam elementos selecionados do espaço geográfico, de forma reduzida, 
com simbologias, projeções e parâmetros técnicos específicos (datum , 
elipsoide de revolução, sistema de coordenadas etc.).
A palavra carta vem do latim charta, que significa papel, já a palavra 
mapa vem de mappa e significa pano. Observa-se, então, nos primórdios, que 
a diferença estava no tipo do material com o qual eram produzidos. 
Nos dias de hoje, estes termos estão ligados à escala de representação 
e fidedignidade, gerando os seguintes conceitos, conformeIBGE (1999):
 CURSO LIVRE - NOÇÕES BÁSICAS DE CARTOGRAFIA, SENSORIAMENTO REMOTO E GEOPROCESSAMENTO
O mapa é a representação no plano, normalmente em escala pequena 
(Figura 4), dos aspectos geográficos, naturais, culturais e artificiais de uma 
área tomada na superfície de uma figura planetária, delimitada por elementos 
físicos, político-administrativos, destinada aos mais variados usos, temáticos, 
culturais e ilustrativos.
Nota-se, atualmente, que a principal diferença entre o mapa e o globo 
está na superfície de representação, enquanto o mapa utiliza o plano, o globo 
emprega uma superfície esférica. 
O globo é a representação cartográfica sobre uma superfície esférica, em 
escala pequena, dos aspectos naturais e artificiais de uma figura planetária, 
com finalidade cultural e ilustrativa.
A representação da superfície da Terra por meio de globos apresenta-se 
isenta de deformações inerentes às projeções cartográficas planas, no entanto, 
o seu uso é condicionado por outros tipos de limitações, tais como:
a) O seu volume.
b) A impossibilidade prática de utilizar escalas grandes.
c) A dificuldade em realizar medições sobre a superfície.
d) O fato de a metade do planeta ser visível de uma só vez. 
Essas limitações supracitadas levam a que a utilização dos globos 
terrestres esteja, em geral, limitada aos propósitos pedagógicos ou decorativos.
A carta é a representação no plano, em escala média ou grande, dos 
aspectos artificiais e naturais de uma área tomada de uma superfície planetária, 
subdividida em folhas delimitadas por linhas convencionais – paralelos e 
meridianos – com a finalidade de possibilitar a avaliação de pormenores, com 
grau de precisão compatível com a escala.
A planta é um caso particular de carta. A representação se restringe a 
uma área muito limitada e a escala é grande, consequentemente, o número 
de detalhes é bem maior.
Geralmente, as plantas possuem escala grande (1:2.000) e representam 
uma área restrita (pequena), como um quarteirão ou um bairro, um terreno ou 
um condomínio (Figura 4). Ainda que a escala das plantas tenda a representar 
as informações do mundo real com uma maior riqueza de detalhes, ela 
restringe as dimensões da área representada.
 CURSO LIVRE - NOÇÕES BÁSICAS DE CARTOGRAFIA, SENSORIAMENTO REMOTO E GEOPROCESSAMENTO
FIGURA 4 – COMPARAÇÃO DOS FENÔMENOS DO MUNDO REAL E A CONCEPÇÃO 
CARTOGRÁFICA NA VISÃO LOCAL E NA VISÃO REGIONAL OU MAIS DISTANCIADA
FONTE: Nogueira (2009)
A finalidade básica de um mapa, carta ou planta é transmitir informações 
específicas a respeito da área cartografada para o usuário.
Entre os diversos componentes de um mapa, nota-se que a escala é 
um dos elementos fundamentais para o seu bom entendimento e uso eficaz. 
Pode-se defini-la como a relação ou proporção existente entre as distâncias 
lineares representadas em um mapa e aquelas existentes no terreno ou na 
superfície real. Elas também são apresentadas nas formas numérica, gráfica 
ou nominal (Figura 5).
FIGURA 5 – EXEMPLOS DE ESCALA NUMÉRICA (A), GRÁFICA (B) E 
NOMINAL (C)
FONTE: O autor
A escala numérica representa a relação entre os comprimentos de uma 
linha na carta e o correspondente comprimento no terreno, em forma de 
fração, na qual o numerador é sempre a unidade. Essa forma de representação 
é a maneira mais utilizada em mapas impressos. Por exemplo, 1:100.000 ou 
1/100.000. Em ambos os casos, a leitura é feita da seguinte forma: a escala é 
de um para cem mil, portanto, cada unidade medida no mapa corresponde 
a cem mil unidades na realidade, ou seja, mil metros. Com a unidade para 
numerador.
 CURSO LIVRE - NOÇÕES BÁSICAS DE CARTOGRAFIA, SENSORIAMENTO REMOTO E GEOPROCESSAMENTO
= =
= ⇒ =
1
 onde 
1
, 
D
E N
N d
d
Logo E E
D D
d
Sendo: 
E = escala
N = denominador da escala
d = distância medida na carta
D = distância real (no terreno)
No geral, as escalas numéricas têm para numerador a unidade e para 
denominador, um múltiplo de 10.
A escala nominal ou equivalente é apresentada nominalmente, por 
extenso, por uma igualdade entre o valor representado no mapa e sua 
correspondência no terreno. Exemplos: 1 cm = 20 km ou 1 cm = 50 km. Aqui 
um centímetro corresponde a 20 quilômetros, e um centímetro corresponde 
a 50 metros, respectivamente.
Quando se fala de escala numérica, relaciona-se a medidas lineares 
e indica quantas vezes foi ampliada ou reduzida uma distância. Enquanto 
se refere à superfície, usa-se a escala de área, que indica quantas vezes foi 
ampliada ou reduzida uma área.
Enquanto a distância em uma redução linear é indicada pelo denominador 
da fração, a área ficará reduzida por um número de vezes igual ao quadrado 
do denominador dessa fração.
A escala gráfica é a representação gráfica de várias distâncias do terreno 
sobre uma linha ou barra graduada com subdivisões denominadas de talões.
A posição dos segmentos à direita ou à esquerda à referência zero, 
intitula-a, respectivamente, de escala primária e de escala de fracionamento 
ou talão. O último segmento é dividido em submúltiplos da unidade escolhida, 
graduados da direita para a esquerda.
A escala gráfica nos permite realizar as transformações de dimensões 
gráficas em dimensões reais sem efetuarmos cálculos. Para sua construção, 
entretanto, torna-se necessário o emprego da escala numérica.
 CURSO LIVRE - NOÇÕES BÁSICAS DE CARTOGRAFIA, SENSORIAMENTO REMOTO E GEOPROCESSAMENTO
O seu emprego consiste nas seguintes operações:
1º) Recorre-se na carta a distância que se pretende medir (pode-se usar 
uma régua ou compasso).
2º) Transporta-se essa distância para a escala gráfica.
3º) Por fim, leia-se o resultado obtido.
Nos trabalhos com Sistemas de Informações Geográficas (SIGs), o uso 
da escala gráfica é preferível em razão da sua funcionalidade para impressão. 
Nesse sentido, tem-se que, na medida em que a escala acompanha possíveis 
distorções de ajustes de plotagem, as preocupações quanto à impressão 
tornam-se reduzidas (FITZ, 2008). Observa-se, por exemplo, as reduções de 
escala e perda gradual de detalhe entre os mapas das figuras 6, 7 e 8.
FIGURA 6 – NESTA ESCALA É POSSÍVEL NOTAR VEÍCULOS E EDIFICAÇÕES
FONTE: O autor
 CURSO LIVRE - NOÇÕES BÁSICAS DE CARTOGRAFIA, SENSORIAMENTO REMOTO E GEOPROCESSAMENTO
FIGURA 7 – NÃO É POSSÍVEL VISUALIZAR VEÍCULOS COM A REDUÇÃO DE 4 VEZES NA 
ESCALA, QUANDO COMPARADO COM O MAPA ANTERIOR
FIGURA 8 – NESTA ESCALA, 16 VEZES MENOR QUANDO COMPARADO COM OS DOIS MAPAS 
ANTERIORES, JÁ SE TORNA DIFÍCIL SEPARAR EDIFICAÇÕES
FONTE: O autor
FONTE: O autor
 CURSO LIVRE - NOÇÕES BÁSICAS DE CARTOGRAFIA, SENSORIAMENTO REMOTO E GEOPROCESSAMENTO
3.1 SISTEMAS GEODÉSICOS DE REFERÊNCIA E SUAS 
COORDENADAS
Uma das condições essenciais para quem trabalha com geoprocessamento 
diz respeito ao uso de sistemas de referência. Quando se deseja estabelecer 
uma relação entre um ponto determinado do terreno e um elipsoide 
de referência, é preciso referir-se a um sistema específico que faça esse 
relacionamento (FITZ, 2008).
As aferições das formas e dimensões da Terra realizadas ao longo dos 
séculos – atualmente de compreensão um tanto óbvia – foram motivos de 
debates exaustivos e até de violentas execuções num passado não tão remoto. 
Recentes medições realizadas levaram, portanto, à ideia de que a forma da 
Terra não seria plana, muito menos esférica, uma vez que ocorre um pequeno 
“achatamento” nos seus polos. Por conseguinte, sua forma estaria próxima à 
de um elipsoide, figura matemática cuja superfície é gerada pela rotação de 
uma elipse em torno do seu semieixo menor, utilizado como superfície de 
referência geodésica.
Vários elipsoides de revolução têm sido utilizados a partir do início do 
século XIX (Quadro 1), desde o elipsoide de Everest (1830) até o tradicional 
World Geodetic System (WGS84). A maior parte da cartografia mundial ainda 
se assenta no elipsoide internacional de Hayford. A disseminação do Sistema 
de Posicionamento Global (GPS) trouxe,por outro lado, uma importância 
acrescida ao WGS84. 
Elipsoide de referência a: eixo maior (m) b: eixo menor (m)
Everest (1830) 6.377.276 6.356.075
Puissant (1830) 6.378.858 6.356.809
Clarke (1880) 6.378.249 6.356.515
Hayford (1909) 6.378.388 6.356.912
SAD-69 (1967) 6.378.160 6.356.774
WGS72 (1972) 6.378.135 6.356.751
GRS80 (1980) 6.378.137 6.356.752
WGS84 (1984) 6.378.137 6.356.752
SIRGAS (2000) 6.378.137 6.356.752
QUADRO 1 – ELIPSOIDES DE REFERÊNCIA UTILIZADOS AO LONGO DOS ANOS
FONTE: O autor
 CURSO LIVRE - NOÇÕES BÁSICAS DE CARTOGRAFIA, SENSORIAMENTO REMOTO E GEOPROCESSAMENTO
Cada país adota um sistema de referência próprio, conforme exposto 
anteriormente. O Sistema Geodésico Brasileiro (SGB), por exemplo, é composto 
por redes de altimetria, gravimetria e planimetria. 
No SGB, o referencial de altimetria vincula-se ao geoide, superfície 
equipotencial do campo gravimétrico da Terra, aproximadamente com o nível 
médio do mar, supostamente prolongado sob os continentes.
Se a Terra fosse um corpo homogêneo e geometricamente regular, o 
geoide teria a forma de um elipsoide de revolução (Figura 9). Na realidade, 
e devido, sobretudo, à irregularidade da distribuição da massa da litosfera, 
existem diferenças significativas entre o geoide e o modelo elipsoidal da Terra 
(WGS-84), que atingem valores máximos, em altitude, da ordem dos 100m. 
Embora muito menos irregular do que a superfície da Terra, a geometria 
do geoide é demasiado complexa para que este possa ser utilizado como 
modelo geodésico da Terra, razão pela qual se utiliza o elipsoide de revolução 
(GASPAR, 2008).
FIGURA 9 – REPRESENTA-SE A TERRA COMO UM ELIPSOIDE, 
MAS NÃO COMO UMA ESFERA, DEVIDO À IRREGULARIDADE DA 
DISTRIBUIÇÃO DA SUA MASSA
FONTE: Elaborada pelo autor.
No Brasil, a superfície equipotencial coincide com a marca “zero” do marégrafo 
instalado no litoral catarinense, mais precisamente no Porto Henrique Lajes, 
localizado na cidade de Imbituba-SC. Esta marca ou referência é denominada de 
datum, o qual determina o conjunto de parâmetros que constituem a referência 
de um sistema de coordenadas geodésicas ou altimétricas. 
A altitude ortométrica é a distância vertical entre a superfície física e 
o geoide, também dependente do campo gravimétrico terrestre. Por razões 
práticas, é a modalidade de altitude utilizada em cartografia, dado ao fato de 
o geoide coincidir aproximadamente com o nível médio do mar.
No caso da altitude geodésica elipsoidal ou, simplesmente, altitude 
elipsoidal, constitui-se da distância entre um ponto da superfície física e a 
superfície elipsoidal, medida sobre a normal a esta. Quando a superfície de 
referência é o elipsoide de revolução, utiliza-se a designação de altitude 
geodésica elipsoidal ou, simplesmente, de altitude elipsoidal, conforme 
pode ser visto na Figura 10, as altitudes ortométricas e as geométricas estão 
relacionadas por: 
 CURSO LIVRE - NOÇÕES BÁSICAS DE CARTOGRAFIA, SENSORIAMENTO REMOTO E GEOPROCESSAMENTO
FIGURA 10 – SUPERFÍCIES UTILIZADAS NA CARTOGRAFIA
FONTE: O autor.
Onde:
H - altitude ortométrica;
h - altitude geométrica; e
N - ondulação do geoide.
As alt i tudes indicadas pelos receptores dos Sistemas Globais de 
Navegação por Satélite – GNSS (na sigla em inglês) são do tipo elipsoidal. Estas 
altitudes proporcionadas pelo GPS (geométrica) têm apenas um significado 
matemático e, geralmente, na cartografia e em obras de engenharia se utilizam 
das altitudes ortométricas, por possuírem um significado físico.
Assim, a al t i tude determinada pelo receptor GNSS, comumente 
denominada de GPS, não está relacionada ao nível médio do mar ou, de forma 
mais metódica, ao geoide, mas a um elipsoide de referência com dimensões 
específicas, conforme exposto anteriormente. Portanto, para um usuário 
determinar sua altitude com relação ao nível médio do mar (denominada 
ortométrica), torna-se necessário ter o valor da ondulação geoidal (N), ou 
seja, a distância entre o geoide e o elipsoide de referência (Figura 10). No 
caso dos datum globais, como o WGS84, o seu valor máximo é da ordem de 
uma centena de metros.
Para converter a altitude elipsoidal (h) obtida pelos receptores GNSS/
GPS em altitude ortométrica (H), faz-se necessário utilizar o valor da altura 
geoidal ou ondulação do geoide (N) fornecida por um modelo de ondulação 
geoidal, utilizando a seguinte expressão:
H = h – N
Existe um grande interesse por um modelo de ondulação geoidal 
brasileiro cada vez mais preciso para aplicações nas áreas de mapeamento 
e engenharia. É com este objetivo que o MAPGEO2015 foi concebido e 
produzido pelo IBGE com a colaboração da Escola Politécnica da Universidade 
 CURSO LIVRE - NOÇÕES BÁSICAS DE CARTOGRAFIA, SENSORIAMENTO REMOTO E GEOPROCESSAMENTO
de São Paulo – EPUSP. Esse modelo foi calculado com uma resolução de 5’ 
de arco no datum SIRGAS2000, compreendidos entre as latitudes de 6°N e 
35°S e entre as longitudes de 75°W e 30°W, dentro do território brasileiro.
O referencial de gravimetria do SGB dispõe de milhares de estações no 
território nacional, as quais recolhem dados da aceleração da gravidade.
O referencial planimétrico, amplamente utilizado nos levantamentos 
topográficos e nas geotecnologias, é utilizado para a definição das superfícies, 
origem e orientação do sistema de coordenadas horizontais no terreno.
O Brasil aplicou o datum Córrego Alegre até a década de 1970, tendo 
como superfície de referência o Elipsoide de Hayford (1924), que teve a sua 
origem deslocada do centro de massa da Terra para a superfície topográfica 
local, tornando-o um topocêntrico ou local (Figura 11).
Em seguida, por um breve período o Brasil conviveu com o datum 
Astro-geodésico de Chuá, sendo um ensaio para adoção do SAD-69 (Sistema 
Geodésico Sul-Americano de 1969).
O datum SAD-69 é um sistema regional e teve sua recomendação 
indicada em 1969 na XI Reunião Pan-americana de Consulta sobre Cartografia. 
Embora a reunião fosse realizada em 1969, o Brasil adotou-o oficialmente 
somente em 1979.
FIGURA 11 – SUPERFÍCIE DA TERRA IRREGULAR, E A DIFERENÇA ENTRE O DATUM LOCAL (SAD69) PARA 
O DATUM GEOCÊNTRICO (WGS84)
FONTE: O autor.
Nos dias de hoje, notadamente pela utilização massiva de receptores 
de navegação por satélite, passou-se a utilizar, no Brasil, um sistema de 
referência geocêntrico (SIRGAS 2000) similar ao WGS84 (Figura 11). Logo, 
a adoção do SIRGAS 2000 segue uma tendência atual, considerando-se as 
 CURSO LIVRE - NOÇÕES BÁSICAS DE CARTOGRAFIA, SENSORIAMENTO REMOTO E GEOPROCESSAMENTO
potencialidades dos receptores GNSS/GPS e as facilidades para a comunidade 
usuária, já que com esse sistema geocêntrico, as coordenadas obtidas com os 
receptores podem ser aplicadas diretamente aos levantamentos cartográficos, 
evitando a necessidade de transformações e integração entre os dois sistemas 
referenciais.
Esse sistema geocêntrico leva em consideração os seguintes parâmetros:
• International Terrestrial Reference System (ITRS) – Sistema Internacional 
de Referência Terrestre.
• Elipsoide de Referência: Geodetic Reference System 1980 (GRS80) – Sistema 
Geodésico de Referência de 1980:
 raio equatorial ou semieixo maior (a) = 6.378.137 m
 raio polar ou semieixo menor (b) = 6.356.752
 achatamento (
−
= 
a b
f
a
) = 1/298,257222101.
3.2 MUDANÇA DE DATUM
Um dos problemas corriqueiros na criação da base de dados de inúmeros 
projetos tem sido a coexistência de mapas e cartas topográficas em distintos 
sistemas geodésicos de referência, tais como: SAD-69, SIRGAS 2000 e o 
WGS84. Os usuários das geotecnologias e receptores de navegação por satélite 
já estão relativamente acostumados a conviver com escolhas de projeção e 
seleções de “datum” sempre que precisam realizar entrada ou importação de 
dados nas mais variadas aplicações possíveis. Além da miscelânea de dados 
de entrada com datum distintos, deve-se observar também pelos usuários que 
as coordenadas geográficas – na verdade, geodésicas – são definidas sobre 
a superfície de referênciaselecionada e que, portanto, variam de “datum” 
para “datum”. Por conseguinte, deve-se verificar em qual datum encontra-
se o mapeamento e fazer as adequações necessárias à compatibilização, 
particularmente com a difusão e uso da tecnologia GPS, uma vez que esse 
sistema utiliza os parâmetros do datum WGS 84. 
Na Figura 12, por exemplo, pode-se observar, para fins de demonstração, 
o deslocamento das vias e das ruas com relação à imagem aérea causado pela 
diferença de datum, estando a base vetorial – vias e ruas – e a base raster – 
imagem aérea –, respectivamente, no SAD-69 e SIRGAS 2000.
 CURSO LIVRE - NOÇÕES BÁSICAS DE CARTOGRAFIA, SENSORIAMENTO REMOTO E GEOPROCESSAMENTO
FIGURA 12 – A) COMPATIBILIZAÇÃO ENTRE A BASE VETORIAL (VIAS E RUAS) COM A 
BASE RASTER (IMAGEM QUICKBIRD) B) DESLOCAMENTO ENTRE BASE VETORIAL (VIAS 
E RUAS) COM A BASE RASTER (IMAGEM AÉREA) CAUSADO PELA DIFERENÇA DE DATUM
FONTE: O autor.
As diferenças entre SAD-69 e SIRGAS 2000, por exemplo, traduzem-se em 
discrepâncias de algumas dezenas de metros (Quadro 2). Essas discrepâncias 
são negligenciáveis para projetos que envolvam mapeamentos em escala 
pequena, mas são absolutamente preponderantes para escalas maiores que 
1:250.000. É o caso, por exemplo, de aplicações voltadas para planejamento 
urbano em escalas maiores.
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SIRGAS WGS84 CÓRREGO ALEGRE SAD69
Translação X +0,478 m +206,048 m +67,348 m
Translação Y +0,491 m -168,279 m -3,879 m
Translação Z -0,297 m +3,823 m +38,223 m
QUADRO 2 – PARÂMETROS DE TRANSFORMAÇÃO ENTRE OS PRINCIPAIS DATUM UTILIZADOS
FONTE: Boletim de serviço n° 1602 (suplemento) e resoluções n° 23/89 e n° 1/2005 – IBGE
Portanto, no caso de a base de dados apresentar documentos cartográficos 
e imagens de sensoriamento remoto referenciados em datum distintos, torna-
se necessário fazer a conversão para um datum comum, utilizando, por 
exemplo, sistemas computacionais que apresentem esta rotina, tais como: 
SIG, Processador digital de Imagem (PDI) etc. Este mesmo cuidado deve ser 
adotado ao se coletar dados com GPS: ou o usuário altera o datum padrão 
WGS84 do GPS para o da sua preferência nas próprias configurações do 
receptor, ou utiliza-o na configuração padrão e, posteriormente, se converte 
num sistema computacional.
3.3 SISTEMA DE REFERÊNCIA
A localização de um ponto na superfície terrestre é determinada por 
meio de um sistema de coordenadas ou de referência. Estes sistemas estão 
associados a uma superfície de referência que se aproxima do formato real da 
Terra, conforme abordado anteriormente. É o caso, por exemplo, do elipsoide 
de revolução.
Existem três tipos de sistemas de referenciamento utilizados nas ciências 
cartográficas: a) os sistemas de coordenadas planas ou retangulares – usados, 
por exemplo, nas quadrículas cartográficas; b) os sistemas de coordenadas 
cartesianas tridimensionais e, por fim; c) os sistemas de coordenadas definidos 
sobre a esfera ou o elipsoide, tais como as coordenadas geográficas e 
geodésicas.
Antes de descrever os dois sistemas mais usuais nas geotecnologias, 
o tridimensional e o esférico, torna-se necessário definir primeiramente o 
conceito de sistemas de coordenadas, que é a forma de referenciar, sem 
ambiguidade, a posição de um ponto no plano, no espaço tridimensional ou 
sobre uma superfície, por meio de ângulos e distâncias, medidos a partir de 
referências determinadas.
Gera lmente , as coordenadas esfér icas são expressas em graus 
sexagesimais, enquanto que as coordenadas cartesianas se apresentam em 
unidades métricas – quilômetro ou metro.
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O sistema de coordenadas cartesiano tridimensional 3-D é caracterizado 
por um conjunto de três eixos (X, Y e Z), ortogonais entre si. A origem 
do sistema pode coincidir com o centro de massa da Terra, denominado 
geocêntrico. As características deste sistema são as seguintes:
O eixo X é definido pela intersecção do plano do meridiano de Greenwich 
com o plano do equador, sendo positivo na direção de longitude 0°.
O eixo Y é definido pela intersecção do plano do meridiano de longitude 
90º Leste com o plano equatorial, sendo positivo na direção de longitude 90°.
O eixo Z é paralelo ao eixo de rotação da Terra e orientado positivamente 
na direção do Polo Norte.
Os sistemas de coordenadas esféricos utilizam dois ângulos (latitude e 
longitude) e uma distância à origem para referenciar as posições no espaço 
tridimensional. Os valores dos pontos localizados na superfície terrestre são 
expressos por coordenadas geográfica (definida pela vertical e a superfície 
da Terra) e geodésica (definida pela normal e a superfície de referência 
geodésica), contendo unidades de medida angular, ou seja, graus (°), minutos 
(') e segundos (’’).
Desta forma, define-se Latitude (Figura 13) como sendo o ângulo formado 
entre a vertical do lugar e o plano do equador. Quando o ângulo é formado 
entre a normal do lugar e o plano do equador tem-se a Latitude geodésica. 
Elas variam de 0° a ± 90°, sendo considerada negativa no hemisfério sul e 
positiva no hemisfério norte.
Já a Longitude (Figura 13) pode ser definida como o ângulo diedro 
(espaço entre dois semiplanos não contidos num mesmo plano com origem 
numa aresta comum) entre o plano do meridiano do lugar e o plano de um 
meridiano tomado como referência, por exemplo, o meridiano de Greenwich. 
A Longitude geodésica é determinada entre os planos dos meridianos 
geodésicos do lugar e de Greenwich. Quando o ponto estiver situado a oeste 
de Greenwich, a longitude terá valor negativo, e a leste, valor positivo. Elas 
variam de 0° a ± 180°, sendo considerada negativa a oeste de Greenwich, 
também conhecida de hemisfério ocidental.
https://pt.wikipedia.org/wiki/Semiplano
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FIGURA 13 – EXEMPLO DE VALORES DE LATITUDE E LONGITUDE
FONTE: O autor
Usa-se também a indicação do hemisfério correspondente na coordenada 
geográfica ou geodésica. Por exemplo, para latitude, o N significa que o ponto 
se localiza no hemisfério norte e o S no hemisfério sul. Para longitude, o E 
(do inglês East) significa que o ponto se localiza no hemisfério oriental e o 
W (do inglês West) no hemisfério ocidental.
Na Terra ou na esfera celeste existem os paralelos especiais (Figura 14). 
Os trópicos de Câncer, no hemisfério norte, e de Capricórnio, no hemisfério 
sul, são os paralelos de latitude igual à máxima declinação do Sol (cerca de 
23° 27' Norte e Sul).
Os círculos polares são paralelos cuja latitude é igual a 66° 33', que é o 
complemento para 90° da latitude dos trópicos. O círculo polar no hemisfério norte 
é denominado de círculo polar ártico, e o do hemisfério sul como círculo antártico. 
A malha formada pelos meridianos e paralelos de um mapa ou globo é 
denominada de rede geográfica. As principais linhas imaginárias em forma de 
círculos e semicírculos utilizadas para a indicação dos diferentes pontos da Terra 
podem ser vistas didaticamente no aplicativo Google Earth (Figuras 14, 15 e 16).
FIGURA 14 – PARALELOS ESPECIAIS - EQUADOR, TRÓPICOS DE CÂNCER E DE 
CAPRICÓRNIO – VISUALIZADOS NO APLICATIVO GOOGLE EARTH
FONTE: Captura de tela da aplicação no aplicativo Google Earth
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FIGURA 15 – MERIDIANO, ANTIMERIDIANO E CÍRCULO POLAR ÁRTICO
FIGURA 16 – MERIDIANO, ANTIMERIDIANO E CÍRCULO POLAR ANTÁRTICO VISUALIZADOS 
NO APLICATIVO GOOGLE EARTH
FONTE: Captura de tela da aplicação no aplicativo Google Earth
FONTE: Captura de tela da aplicação no aplicativo Google Earth
Nos aplicativos voltados para aplicações cartográficas, Sistema de 
Informação Geográfica (SIG) e Processamento Digital de Imagens (PDI), por 
exemplo, os sistemas de coordenadas utilizados para armazenamento e 
visualização da componente gráfica são oesférico e o cartesiano. Além disso, 
para que seja possível a correta sobreposição entre os planos de informação, 
o sistema de coordenadas deve ser comum entre os planos, bem como as 
unidades das coordenadas. Caso contrário, é necessário que se faça uma 
conversão para um sistema único.
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4 SISTEMAS DE PROJEÇÃO CARTOGRÁFICA
Desde os primeiros anos escolares, aprende-se que a latitude e a longitude 
definem a localização de objetos e pessoas sobre a superfície terrestre a 
partir de ângulos referenciados ao meridiano de Greenwich e ao paralelo do 
equador, conforme visto anteriormente. Como tal, eles constituem o sistema 
mais abrangente e conhecido de localização e sustentam uma variedade 
de formas de análise, incluindo o cálculo da distância entre pontos sobre a 
superfície curva da Terra. No entanto, muitas tecnologias para trabalhar com 
dados geográficos são inerentemente planas, incluindo mapas e cartas de 
papel impressas em épocas remotas, que evoluíram durante vários séculos 
antes do advento de dados geográficos digitais ou o próprio SIG. Por várias 
razões, muitos trabalhos em SIG ou mapas digitais lidam com uma Terra plana 
ou projetada, ainda que paguemos pelas distorções inerentes ao processo, 
consequência inevitável de torná-la plana (Figura 17).
FIGURA 17 – COMO AS CARACTERÍSTICAS TRIDIMENSIONAIS DO GLOBO SÃO 
COMPACTADAS PARA CABER SOBRE UMA SUPERFÍCIE PLANA
FONTE: O autor
As projeções cartográficas podem ser definidas como a correspondente 
matemática entre as coordenadas planas do mapa e as coordenadas esféricas 
(angulares) da Terra; ou qualquer arranjo sistemático de meridianos e 
paralelos descrevendo a superfície curva da esfera ou elipsoide em um plano. 
A representação da superfície curva sobre o plano é, indiscutivelmente, 
a alternativa mais utilizada em projeções cartográficas, pois possibilita a 
representação da topografia, geologia, pedologia, vegetação etc. de uma 
determinada região.
Especificamente, a Terra é, muitas vezes, tornada plana porque:
• O papel e/ou mapa, além de plano, podem ser facilmente manipulados, e 
ainda podem ser usados como um meio para a entrada de dados em SIG 
por escanerização ou digitalização manual e também para saída de dados 
na forma de mapa ou imagem.
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• Imagens ou matrizes são essencialmente planas, uma vez que é impossível 
cobrir uma superfície curva com quadrados iguais, sem lacunas ou 
sobreposições.
• O filme fotográfico e/ou detectores, presentes nas câmeras ou sensores 
a bordo de aeronaves e/ou satélites, são planos e ainda são amplamente 
utilizados para captar imagens da Terra.
• Quando a Terra é vista do espaço, observa-se somente uma das suas faces, 
além disso, parte do centro da imagem registrada possui mais detalhes que 
diminuem rapidamente para as bordas. Logo, para ver a Terra inteira de uma 
vez com detalhamento aproximadamente igual, ela precisa ser distorcida 
de alguma forma, e é mais conveniente torná-la plana.
• Um mapa ideal deve manter a verdadeira forma das feições representadas, 
a inalterabilidade das áreas e constantes as relações entre as distâncias 
dos pontos representados e as distâncias dos seus correspondentes. Ainda 
que existam mais de 300 maneiras diferentes de tornar plano o esferoide, 
nenhuma delas retrata precisamente essa planificação, logo, existirá sempre 
uma deformação.
• A esfera é um sólido não achatável ou não planificável. Assim, sempre que se 
achata uma esfera, necessariamente ela sofrerá alterações ou deformações. 
Como solução, os mapas podem ser empregados, já que eles podem ser 
facilmente manipulados e atendem a diferentes finalidades.
Após definir e enumerar os motivos da sua utilização, as projeções 
podem ser classificadas em função dos seguintes parâmetros: quanto ao 
método construtivo – geométrico, analítico e convencional; de acordo 
com as prioridades/feições que conservam do mundo real (equidistantes, 
equivalentes, conformes e afiláticas); o tipo da superfície de projeção – 
azimutal, cônica e cilíndrica; a forma de contato entre ela e o local mapeado 
(secante e tangencial); e as suas posições (normal, transverso e oblíquo). Além 
das principais características e classificações, serão apresentadas as principais 
projeções cartográficas adotadas no Brasil: Conforme de Gauss, a recente 
projeção Cônica Conforme de Lambert, a Universal Transversa de Mercator 
(UTM) e suas derivadas regional (RTM) e local (LTM).
No método construtivo geométrico há duas variações básicas: a projeção 
em perspectiva (Figura 18) e a pseudoperspectiva. A primeira adota um ponto 
de vista fixo, enquanto a segunda, um ponto de vista móvel. Já o analítico 
baseia-se em lei de correspondência matemática e representa a maioria das 
projeções e, finalmente, o método convencional que se fundamenta em 
princípios projetivos arbitrais.
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FIGURA 18 – PONTOS DE PROJEÇÃO PARA SISTEMAS PERSPECTIVOS
FONTE: Robinson et al. (1995)
As projeções cartográficas necessariamente distorcem a Terra, por isso é 
impossível, em princípio, a escala de qualquer mapa plano ser perfeitamente 
uniforme ou o tamanho do pixel de qualquer imagem ser perfeitamente 
constante. Porém, as projeções podem preservar certas propriedades. Duas 
dessas propriedades são particularmente importantes, embora qualquer 
projeção preserve no máximo uma delas, nunca ambas.
A conformidade assegura que as formas ou ângulos das feições na 
superfície terrestre sejam preservadas na projeção, isto é, que as escalas 
da projeção nas direções x e y sejam sempre iguais. Essa propriedade é 
importante em mapas que são usados para analisar ângulos, tal como acontece 
em navegação, onde uma linha reta ou loxodrômica traçada sobre o mapa 
tem uma orientação constante. Na projeção de Mercator (Figura 19), na qual 
os ângulos das figuras pequenas são conservados, mas as grandes áreas 
aparecerão aumentadas. Um exemplo sempre citado nos livros didáticos é o 
da Groenlândia, que aparece no planisfério construído nessa projeção, com 
superfície superior à da América do Sul, apesar de ser cerca de oito vezes 
menor. 
FIGURA 19 - NA PROJEÇÃO DE MERCATOR OS ÂNGULOS SÃO CONSERVADOS, MAS AS 
ÁREAS SÃO DISTORCIDAS
FONTE: O autor
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Na propriedade de equivalência, as áreas medidas no mapa mantêm 
a mesma proporção em relação às áreas medidas na superfície terrestre. A 
projeção equivalente de Albers, por exemplo, pode ser utilizada para o cálculo 
da área de desflorestamento de um município da Amazônia ou da cobertura 
vegetal do município de Florianópolis. A projeção de Peters (Figura 20), oposta 
à de Mercator, apresenta verdadeiramente as áreas dos países, porém as formas 
são visivelmente alteradas. Os partidários dessa projeção para o planisfério 
consideram-na politicamente mais correta e são oposicionistas à de Mercator, 
que aumenta a área dos países do hemisfério norte, predominantemente mais 
avançados econômica e culturalmente. 
FIGURA 20 - A PROJEÇÃO DE PETERS APRESENTA VERDADEIRAMENTE AS ÁREAS DOS PAÍSES, 
PORÉM AS FORMAS (ÂNGULOS) SÃO VISIVELMENTE ALTERADAS
FONTE: Wikipédia. Disponível em: <http://twixar.me/LPrT>. Acesso em: 20 mar. 2017.
As afiláticas conservam tanto os ângulos quanto as áreas. Nesses sistemas 
é dada a preferência para reduzir ambas as deformações em vez de eliminar 
uma à custa de contemplar a outra. 
Por sua vez, qualquer uma das projeções citadas anteriormente pode 
apresentar o atributo equidistante em alguma direção, nunca em todas, ou 
seja, ela conserva inalterada a relação entre os comprimentos medidos em 
certas direções com aqueles desenhados no mapa. Gemael (2002) ressalva que 
a projeção Conforme de Gauss mantém a propriedade equidistante segundoe exclusivamente no meridiano central. 
Além de suas propriedades de distorção, outra forma comum de classificar 
as projeções de mapas se dá pela analogia com um modelo físico de como 
posições na superfície plana de um mapa são relacionadas com posições na 
superfície curva da Terra. Existem três classes principais, mas note que elas 
não cobrem todas as projeções conhecidas: 
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As projeções cilíndricas, azimutais e cônicas (Figura 21), de forma análoga, 
utilizam figuras geométricas de papel (cilindro, cone e o plano) para recobrir 
a Terra parcialmente ou integralmente, em seguida as feições da Terra são 
projetadas nessas superfícies e posteriormente desenroladas. 
FIGURA 21 – AS FIGURAS GEOMÉTRICAS – CILINDRO, CONE E O PLANO - UTILIZADAS NOS SISTEMAS 
DE PROJEÇÃO E AS SUAS POSIÇÕES NORMAL, TRANSVERSO E OBLÍQUO
FONTE: O autor
Em cada caso, a orientação da projeção define a relação específica, se o 
papel é enrolado em volta do equador ou se toca em um polo. Onde o papel 
coincide com a superfície, a escala de projeção é 1, mas onde o papel está a 
alguma distância da superfície a feição projetada será maior do que é na Terra 
e não ocorrerá estiramento nem deformação. Projeções tangentes ocorrem 
quando somente um dos paralelos tem real grandeza, já as projeções secantes 
(Figura 22) ocorrem quando a superfície de projeção secciona dois paralelos 
à superfície de referência, como a Projeção Cônica Conforme de Lambert. 
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FIGURA 22 – PROJEÇÃO SECANTE OCORRE QUANDO DOIS PARALELOS CONSERVAM SUAS DIMENSÕES
FONTE: O autor
Quanto à posição da superfície de projeção em relação à superfície, 
elas podem ser normal, transverso e oblíquo (Figura 21). Embora a posição da 
superfície ocorra nos três tipos de projeções – cilíndrica, cônica e azimutal –, 
será utilizada a projeção azimutal para explicá-las: 
O aspecto normal significa que o plano de projeção é perpendicular 
ao eixo de rotação da Terra, com ponto de tangência no polo, nesse caso 
designada de projeção polar.
Para o aspecto transverso, o plano é perpendicular ao plano do equador 
(projeção equatorial).
O aspecto oblíquo acontece quando o plano da projeção não é 
perpendicular ao eixo da Terra nem perpendicular ao plano do equador.
Dois conjuntos de dados podem diferir tanto na projeção cartográfica 
quanto no datum (materialização do elipsoide de referência), portanto, 
é importante conhecer ambos para iniciar os trabalhos nos sistemas 
computacionais.
A seguir serão apresentadas as principais projeções cartográficas adotadas 
no Brasil: Conforme de Gauss, Cônica Conforme de Lambert e Universal 
Transversa de Mercator (UTM) e suas derivadas regional (RTM) e local (LTM).
4.1 PROJEÇÃO CONFORME DE GAUSS
A projeção Conforme de Gauss é também conhecida pela denominação 
de Gauss-Kruger. Geometricamente pode ser visualizada como um cilindro 
transverso tangente à Terra ao longo do Meridiano Central (MC) do fuso 
(NOGUEIRA, 2009).
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4.2 PROJEÇÃO CÔNICA CONFORME DE LAMBERT
A projeção de Lambert é uma cônica modif icada, secante cuja 
propriedade é de ortomorfismo (Figura 23). Foi criada em 1772, tendo pouco 
uso no início; contudo, hoje em dia é bastante utilizada em navegação aérea 
(GEMAEL, 2002). Ela possui as seguintes propriedades: cônica, conforme, 
analítica, secante, os meridianos são linhas retas convergentes e os paralelos 
são círculos concêntricos com centro no ponto de interseção dos meridianos.
A existência de duas linhas de contato com a superfície (dois paralelos 
padrão) nos fornece uma área maior com um baixo nível de deformação. Isto 
faz com que esta projeção seja bastante útil para regiões que se estendam na 
direção este-oeste, porém pode ser utilizada em quaisquer latitudes. A partir 
de 1962, foi adotada para a Carta Internacional do Mundo, ao Milionésimo 
(IBGE, 1999).
FIGURA 23 – MAPA DO BRASIL REPRESENTADO PELA PROJEÇÃO CÔNICA CONFORME 
DE LAMBERT
FONTE: O autor
4.3 PROJEÇÃO UNIVERSAL TRANSVERSA DE MERCATOR (UTM)
A essência do sistema UTM é uma modificação da projeção transversa de 
Mercator proposta por Gauss, a qual mais tarde foi reestruturada por Kruger 
ao estabelecer o sistema de fusos. No Brasil, ela foi adotada em 1955 pela 
diretoria do Serviço Geográfico do Exército. Suas características e aplicações 
são descritas a seguir, conforme o site do IBGE (1999):
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a) O mundo é dividido em 60 fusos, onde cada um se estende por 6º de 
longitude. Os fusos são numerados de um a sessenta começando no fuso 
180º a 174º W Gr. e continuando para este. Cada um destes fusos é gerado 
a partir de uma rotação do cilindro de forma que o meridiano de tangência 
divide o fuso em duas partes iguais de 3º de amplitude.
b) O quadriculado UTM está associado ao sistema de coordenadas plano-
retangulares, tal que um eixo coincide com a projeção do Meridiano 
Central do fuso (eixo N apontando para Norte) e o outro eixo, com o do 
equador. Assim, cada ponto do elipsoide de referência (descrito por latitude, 
longitude) estará biunivocamente associado ao terno de valores Meridiano 
Central, coordenada E e coordenada N.
c) Avaliando-se a deformação de escala em um fuso UTM (tangente), pode-
se verificar que o fator de escala é igual a 1(um) no meridiano central 
e aproximadamente igual a 1.0015 (1/666) nos extremos do fuso. Desta 
forma, atribuindo-se a um fator de escala k = 0,9996 ao meridiano central 
do sistema UTM (o que faz com que o cilindro tangente se torne secante), 
torna-se possível assegurar um padrão mais favorável de deformação em 
escala ao longo do fuso. O erro de escala fica limitado a 1/2.500 no meridiano 
central, e a 1/1030 nos extremos do fuso.
d) A cada fuso associamos um sistema cartesiano métrico de referência, 
atribuindo à origem do sistema (interseção da linha do equador com o 
meridiano central) as coordenadas 500.000 m, para contagem de coordenadas 
ao longo do equador, e 10.000.000 m ou 0 (zero) m, para contagem de 
coordenadas ao longo do meridiano central, para os hemisférios sul e norte, 
respectivamente. Isto elimina a possibilidade de ocorrência de valores 
negativos de coordenadas (Figura 24).
FIGURA 24 - ESPECIFICAÇÕES DE UM FUSO UTM – N´ É A DISTÂNCIA EM METROS À LINHA DO 
EQUADOR E E´ É A DISTÂNCIA EM METROS AO MC
FONTE: Nogueira (2009)
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e) Cada fuso deve ser prolongado até 30' sobre os fusos adjacentes, criando-se 
assim uma área de superposição de 1º de largura (Figura 25). Esta área de 
superposição serve para facilitar o trabalho de campo em certas atividades.
O sistema UTM é indicado para o mapeamento topográfico a grande 
escala, e é o Sistema de Projeção adotado para o Mapeamento Sistemático 
Brasileiro. Ele é usado entre as latitudes 84º N e 80º S, com regiões de 
predominância na extensão Norte-Sul.
O ter r i tór io bras i le i ro tem oi to fusos UTM, cuja numeração é 
25,24,23,21,20,19 e 18, conforme pode ser visto na Figura 25.
FIGURA 25 – OS OITOS FUSOS UTM QUE SÃO UTILIZADOS NO TERRITÓRIO 
BRASILEIRO
FONTE: Nogueira (2009)
As projeções Regional Transversa de Mercator (RTM) e Local Transversa 
de Mercator são modificações do sistema UTM (Tabela 1), criadas com a 
finalidade de aumentar a acurácia na representação cartográfica, cujo objetivo 
é de torná-las compatíveis com as atividades que requerem mais precisão. 
Para tal, cada fuso de 6° na projeção UTM pode ser subdividido em fusos de 
2° e 1° de amplitude, nas projeções RTM e LTM, respectivamente. Devido à 
menor amplitude de fuso, as projeções RTM e LTM passam a ter módulo de 
deformação da escala no MC de K
0
 = 0,999995.
Projeções Amplitude do fuso K
0
Distorçãono 
meridiano central
UTM 6° 0,9996 1/2.500
LTM 1° 0,999995 1/200.000
RTM 2° 0,999995 1/200.000
TABELA 1 – MODIFICAÇÕES DO SISTEMA UTM
FONTE: O autor
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Num sistema computacional (PDI, SIG etc.) não é possível manipular 
conjuntamente planos de informação situados em fusos UTM distintos, uma 
vez que cada fuso apresenta um sistema de coordenadas único, com sua 
origem definida pelo cruzamento do meridiano central do fuso e a linha 
do equador. Portanto, para que seja possível a manipulação, é necessário 
converter o sistema de coordenadas para um sistema único.
5 DISTORÇÕES, PRECISÃO E CONFIABILIDADE CARTOGRÁFICA
Para trabalhar com geotecnologias, é necessário o entendimento de 
determinadas técnicas específicas. Uma delas diz respeito ao uso de bases 
cartográficas confiáveis, o que se vincula diretamente à compreensão de 
regras básicas para essa forma de representação da realidade (FITZ, 2008).
5.1 PRECISÃO GRÁFICA 
É a menor grandeza medida no terreno, capaz de ser representada no 
mapa na referida escala.
A experiência demonstrou que a menor dimensão gráfica percebida pelo 
olho humano ou o menor comprimento gráfico que se pode representar em 
um desenho é de 1/5 de milímetro ou 0,2 mm, sendo este o erro admissível 
num mapa. Para fins de comparação, o valor de 0,2 mm é inferior à metade 
do grafite de 0,5 mm utilizado na lapiseira.
 A partir deste valor (0,2 mm), pode-se determinar o erro tolerável nas 
medições cujo desenho deve ser feito em determinada escala. O erro de 
medição permitido será calculado da seguinte forma:
Seja:
=
1
E
M
Sendo e
m
 = erro tolerável em metros
e
m
 = 0,0002 metroxM
Desta forma, o erro tolerável varia na razão direta do denominador da 
escala e inversa da escala, ou seja, quanto maior for a escala, menor será o 
erro admissível.
As feições do mundo real cujas dimensões forem menores que os valores 
dos erros de tolerância não serão representadas graficamente no mapa. Em 
muitos casos é necessário utilizar convenções cartográficas, cujos símbolos de 
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natureza pontual irão ocupar, no mapa, dimensões independentes da escala. 
No mapa da Figura 26, por exemplo, não é possível manter uma relação de 
escala com algumas feições do mapa (calçadas ou pequenas edificações), 
neste caso, a feição será representada por um símbolo de natureza pontual.
FIGURA 26 – NÃO É POSSÍVEL MANTER UMA RELAÇÃO DE ESCALA COM ALGUMAS 
FEIÇÕES DO MAPA (CALÇADAS OU PEQUENAS EDIFICAÇÕES), NESTE CASO, A FEIÇÃO SERÁ 
REPRESENTADA POR UM SÍMBOLO DE NATUREZA PONTUAL
FONTE: O autor
5.2 ESCOLHA DE ESCALAS 
Um determinado local que se queira mapear e que possua muitas feições 
de 5m de extensão, a menor escala que se deve adotar para que essas feições 
tenham representação será:
Da fórmula: e
m
 = 0,0002 metroxM; obtém-se: =
0,0002
meM
= = =
5 50.000
25.000
0,0002 2
m
M
m
A escala adotada deverá ser igual ou maior que 1:25.000, já que o erro 
prático de 0,2 mm corresponde a 5m no mundo real. Observa-se então que 
multiplicando 5 x 5.000 encontrar-se-á 25.000, ou seja, o denominador 
da escala mínima para que as feições com 5m de extensão possam ser 
representadas.
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Nos aplicativos voltados para uso da informação espacial, um plano de 
informação (PI), também denominado de layer, devidamente georreferenciado, 
pode ser exibido e manipulado em qualquer escala de visualização, inclusive 
maiores do que o seu original. Contudo, o usuário deve ficar atento, pois a 
inexistência de limite técnico não o habilita a manusear planos de informação 
em escalas muito ampliadas em relação ao original, uma vez que a escala 
de visualização no aplicativo é diferente da escala de elaboração. Como o 
erro cartográfico é função direta da escala do mapa, a ampliação da escala 
provoca igualmente a ampliação dos erros associados à escala do mapa. 
Neste sentido, é fundamental que o usuário tome conhecimento da escala 
do mapa/base original e do método utilizado na elaboração do mapeamento. 
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REFERÊNCIAS
FITZ, P. R. Cartografia básica. São Paulo: Oficina de Textos, 2008.
GASPAR, J. A. Dicionário de ciências cartográficas. Lisboa: Lidel, 2008. 
327p.
GEMAEL, C. Introdução à geodésia física. Curitiba: UFPR, 2002.
IBGE Diretoria de Geociências. Noções básicas de cartografia, Rio de 
Janeiro: IBGE 1999 (Manuais Técnicos em Geociências, nº 8, 130 p. 
<https://biblioteca.ibge.gov.br/visualizacao/livros/liv8595_v1.pdf>.
NOGUEIRA, R. E. Cartografia: representação, comunicação e visualização 
de dados espaciais. 3. ed. Ed. da UFSC, Florianópolis, 2009, 327p.
ROBINSON, A. H.; MORRISON, J. L.; MUEHCKE, P. C.; JON KIMERLING, A.; 
GUPTIL, S. C. Elements of Cartography, 6th ed. 1995.
NOÇÕES BÁSICAS DE 
CARTOGRAFIA, SENSORIAMENTO 
REMOTO E GEOPROCESSAMENTO
TIPOS DE MAPAS – 
LEITURA E INTERPRETAÇÃO
APRESENTAÇÃO
OS OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM 
A partir desta unidade você será capaz de:
• Distinguir cartografia de base da cartografia temática (mapas especializados) 
e conhecer os principais tipos de mapas;
• Apresentar os principais constituintes de um mapa temático e como 
interpretar as representações cartográficas por meio: da semiologia gráfica e 
as suas variáveis visuais; dos três métodos fundamentais de representação – 
qualitativa, ordenadas, quantitativas – e das formas de manifestação (pontual, 
linear e zonal);
• Compreender a generalização cartográfica.
Organização
Kátia Spinelli
Manoel Ricardo 
Dourado Correia
Reitor da 
UNIASSELVI
Prof. Hermínio Kloch
Pró-Reitora do EAD
Prof.ª Francieli Stano 
Torres
Edição Gráfica 
e Revisão
UNIASSELVI
 CURSO LIVRE - NOÇÕES BÁSICAS DE CARTOGRAFIA, SENSORIAMENTO REMOTO E GEOPROCESSAMENTO
.02
1 INTRODUÇÃO
Os mapas cumprem duas funções muito úteis, agindo tanto como 
mecanismos de armazenamento quanto de comunicação da informação 
geográfica. O velho ditado “uma imagem vale mais que mil palavras” expressa 
uma das inúmeras utilidades dos mapas como um meio de propagação 
e difusão da informação a ser expressa. Nesta etapa, apresentar-se-á a 
distinção entre a cartografia de base da cartografia temática e os principais 
tipos de mapas. Além disso serão apresentados os principais constituintes 
de um mapa temático e como interpretar as representações cartográficas 
por meio da semiologia gráfica e as suas variáveis visuais; dos três métodos 
fundamentais de representação – qualitativa, ordenadas, quantitativas – e das 
formas de manifestação (pontual, linear e zonal). Por fim, compreender-se-á 
a generalização cartográfica e sua relação com a escala.
2 TIPOS DE MAPAS 
Os fenômenos geográficos podem ser representados pela cartografia de 
base e pela cartografia temática (mapas especializados). 
Os mapas topográficos têm suas convenções cartográficas padronizadas, 
geralmente com simbologia normalizada, que uma vez compreendida, torna 
fácil fazer a representação ou interpretação dos dados da superfície.
Os mapas temáticos não trazem obrigatoriamente convenções fixas 
em suas origens porque sempre há uma mudança de tema com diferentes 
aspectos da realidade a serem visualizados. Justamente por representarem 
CARTOGRAFIA DE BASE, 
CARTOGRAFIA TEMÁTICA 
E OS PRINCIPAIS TIPOS 
DE MAPAS
 CURSO LIVRE - NOÇÕES BÁSICAS DE CARTOGRAFIA, SENSORIAMENTO REMOTO E GEOPROCESSAMENTO
uma enorme variação temática, fazem-se necessárias adaptações para cada 
situação. Eles não são governados por convenções pré-definidas, como nos 
mapas topográficos. 
Independentemente da obrigatoriedade das convenções, a representação 
cartográfica constitui o primor de muitos projetos obtidos pelas geotecnologias. 
Ainda que os mapas apresentem características básicas e sejam eficazes 
em resumir e comunicarum determinado resultado, eles podem variar 
drasticamente em aparência. Pelo seu aspecto, sugere-se sua presunção de 
uso. Existem mapas especializados para muitos propósitos, conforme Nogueira 
(2009): uma das funções mais importantes dos mapas é servir a necessidade 
de orientação ou mobilidade, incluindo a navegação como nos mapas 
rodoviários e topográficos. Foram essas necessidades que fizeram surgir este 
modo de representação gráfica. A evolução das atividades humanas permitiu 
diminuir o aparecimento de outros tipos de mapas, os quais são construídos 
para atender propósitos analíticos envolvendo medidas e cálculos.
Mapas formais, criados de acordo com convenções cartográficas bem 
estabelecidas, utilizados como produto de referência ou de comunicação. 
Por exemplo, os mapas da Diretoria de Serviço Geográfico (DSG) do Exército 
Brasileiro e do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Os que são usados para planejamento do meio físico servem para 
inventariar uma determinada situação presente, definem o processo de 
desenvolvimento e apresentam as propostas para uma circunstância futura. 
Como exemplo, podem-se citar mapas de suscetibilidade a deslizamentos e 
os utilizados nos planos diretores municipais. 
FIGURA 1 – MAPA DE SUSCETIBILIDADE A DESLIZAMENTOS DE UMA BACIA HIDROGRÁFICA
FONTE: O autor
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Outros são usados para reduzir volumosos dados estatísticos, ou 
então, visualizar o que de outra forma não pode ser visível; um exemplo é a 
distribuição da temperatura e da precipitação de uma determinada localidade.
FIGURA 2 – PRECIPITAÇÃO MÉDIA ANUAL DA BACIA DO ITAJAÍ
FONTE: Correia (2015)
Quando os objetivos são educacionais e voltados para aplicações diárias, 
produzem-se mapas geográficos de parede e mapas em livros e, atualmente, 
os mapas em mídia eletrônica.
Existem também os mapas transitórios ou visualizações similares a mapas, 
usados simplesmente para olhar, analisar, editar e consultar informações 
geográficas. Tem-se, como exemplo, informações de rotas exibidas num 
celular ou disponível na internet, como o Google maps.
Os mapas podem ser classificados a partir da sua função principal, ou 
então, pela semelhança no método específico utilizado para sua representação, 
tais como: o método coroplético (estabelece que a ordem crescente dos 
valores relativos agrupados em classes significativas seja transcrita por uma 
ordem visual também crescente, tendo como finalidade traduzir valores para 
as áreas); e o método isoplético ou isarítmico (ideal para representação de 
fenômenos contínuos, como a temperatura, a pressão, a partir de observações 
pontuais ou medidas obtidas em descontinuidades). Podem também ser 
subdivididos de acordo com os temas que tratam; por exemplo, mapas 
urbanos, de climas, mapas de população, mapas geológicos etc.
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FIGURA 3 - UNIDADES GEOLÓGICAS DO BAIXO VALE DA BACIA DO ITAJAÍ
FONTE: Correia (2015)
Os mapas mentais, elaborados pela mente humana, ajudam a resolver 
alguns problemas como, encontrar um caminho ou localizar algum alvo e, 
por isso, envolvem muito mais que apenas estoques de informações gráficas 
(como os mapas em papel ou em celulares e monitores). 
Mapas tangíveis referem-se aos que podem ser tocados, e mapa virtual 
refere-se àquele que apenas se torna real quando algum dispositivo possibilita 
sua visualização momentânea (pelo tempo desejado), no mais ele está 
estocado em arquivos impossível de ser observado pelos olhos humanos. 
Os mapas de referência, mapas de base ou de propósitos gerais, 
costumeiramente, mostram objetos naturais ou artificiais do meio ambiente, 
dando ênfase à localização e mostrando uma variedade de feições do 
mundo ou parte dele (vias de comunicação, corpos d'água, linhas costeiras, 
limites político-administrativos etc.). Exemplos: mapas topográficos e atlas 
geográficos.
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FIGURA 4 - PAÍSES DA AMÉRICA DO SUL E PARTE DA AMÉRICA CENTRAL E CARIBE
FONTE: Correia (2015)
Os mapas temáticos são separados em duas categorias: os qualitativos e 
os quantitativos. Os primeiros têm por objetivo principal mostrar a distribuição 
espacial ou localização de algum fenômeno geográfico. Por exemplo, uso do 
solo mostrado na figura que segue.
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FIGURA 5 – USO DO SOLO DE UMA BACIA HIDROGRÁFICA DO MUNICÍPIO DE BLUMENAU
FONTE: O autor
Os mapas quantitativos, por outro lado, mostram os aspectos espaciais 
de dados numéricos, ou seja, ilustram "quanto" de alguma coisa está presente 
na área mapeada. Para tanto, é preciso transformar dados tabulares em um 
formato especial de mapa e se obterá uma generalização dos dados originais. 
Por isso, quando o usuário requer quantidades exatas, o melhor caminho é 
o uso de tabelas ou digramas, pois o mapa temático lhe dará apenas uma 
ideia da distribuição espacial das quantidades. Por exemplo, a hipsometria é 
uma técnica de representação quantitativa da elevação de um terreno por 
meio das cores. As cores utilizadas possuem uma equivalência com a cota 
do terreno e, geralmente, se utiliza um sistema de graduação de cores.
FIGURA 6 – MAPA HIPSOMÉTRICO COM UMA REPRESENTAÇÃO QUANTITATIVA DA ELEVAÇÃO 
DE UM TERRENO POR MEIO DAS CORES DO MUNDO
FONTE: O autor
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Do ponto de vista do usuário, não é importante discutir a categoria 
dos mapas separadamente, pois para mapas temáticos diferentes podem 
ocorrer métodos idênticos, representações semelhantes ou ainda, os mesmos 
problemas de interpretação.
3 LEITURA E INTERPRETAÇÃO DE REPRESENTAÇÃO 
CARTOGRÁFICA
Os métodos de representação da cartografia temática, mundialmente 
empregados, consolidaram-se a partir de uma transformação na percepção 
de mundo operada no fim do século XVII e início do século XVIII. Deixava-se 
de lado a preocupação com o inventário e a descrição exaustiva de todos 
os objetos que podiam ser inventariados para ressaltar apenas um desses 
elementos, com objetivo a uma maior compreensão e controle do espaço. 
A partir da década de 1950, não só a cartografia como um todo, mas 
também a cartografia especializada (temática) em especial tiveram grandes 
avanços propiciados pelo progresso tecnológico e pelas pesquisas teóricas 
e experimentais.
Conforme Martinelli (2003), os mapas temáticos podem ser construídos 
levando-se em conta vár ios métodos; cada um mais apropr iado às 
características e à forma de manifestação (em pontos, em linhas, em áreas) 
dos fenômenos considerados em cada tema, seja na abordagem qualitativa, 
ordenada ou quantitativa. 
Deve-se destacar que a representação gráfica dos mapas deve ser 
monossênica, sem ambiguidade na sua apresentação, por exemplo, na figura 
a seguir, há somente uma maneira de se dizer visualmente que o hospital “A” 
atende a seis vezes mais pacientes que o hospital “B”.
FIGURA 7 – HÁ SOMENTE UMA MANEIRA DE SE DIZER VISUALMENTE QUE O 
HOSPITAL “A” ATENDE SEIS VEZES MAIS PACIENTES QUE O HOSPITAL “B”
FONTE: O autor
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Antes de abordar sobre semiologia gráfica e as suas variáveis visuais 
empregadas nos mapas; falar-se-á dos principais constituintes de um mapa 
temático, dos três métodos fundamentais de representação (qualitativa, 
ordenadas e quantitativas) e da forma de manifestação (pontual, linear e 
zonal), conforme apresentado por Martinelli (2003) e Nogueira (2009). 
O mapa temático exporá, assim, um tema, que deverá ser declarado no 
título, portanto, este, além de dizer do que se trata, deve especificar onde se 
dá o acontecimento e em que data. Deve expor, nesse sentido, o "o quê", o 
"onde?" e o "quando?".
Todo o raciocínio,reflexão e organização mental que o autor empreenderá 
acerca do tema por ele estudado serão expostos através da estruturação da 
legenda. Essa estruturação não está na realidade, mas sim no espírito do 
pesquisador, que por sua vez também tomou certa posição no modo de 
encarar tal realidade. 
Toda atenção deve ser dada a ela, pois constitui a porta de entrada para 
que o leitor ingresse no âmago do conteúdo do mapa de forma completa. 
É guia de leitura do mapa. Num primeiro contato, a legenda tem o papel 
de relacionar todos os signos empregados no mapa, indicando o que eles 
significam. 
É evidente que também a escala e a generalização não poderão faltar 
no mapa temático. Elas darão a noção clara de quantas vezes a realidade foi 
reduzida para caber no papel, exigindo, para tanto, decisões em termos de 
escolha do que incluir ou não na representação. Quanto à generalização, ela 
será abordada no final desta etapa.
Deve-se declarar também a fonte dos dados utilizados na elaboração do 
mapa temático. Por fim, as duas dimensões (X,Y) do plano identificam a posição 
do lugar. Constituem a referência. Respondem ao "onde?". Caracterizam a 
ordem geográfica: a localização de Itajaí não pode ser permutada com a de 
Florianópolis. É o domínio da cartografia topográfica. É a base cartográfica.
A fim de representar o tema, de forma pontual, linear ou zonal, seja no 
aspecto qualitativo (#), ordenado (O) ou quantitativo (Q), deve-se também 
explorar a terceira dimensão visual (Z) mediante variações visuais sensíveis 
com propriedades perceptivas compatíveis.
O aspecto qualitativo (#) responde à questão "o quê?", caracterizando 
relações de diversidade entre os conteúdos dos lugares ou conjuntos espaciais. 
O aspecto ordenado (O) responde à questão "em que ordem?", caracterizando 
relações de ordem entre os conteúdos dos lugares ou conjuntos espaciais. O 
aspecto quantitativo (Q) responde à questão "quanto?", caracterizando relações 
de proporcionalidade entre os conteúdos dos lugares ou os conjuntos espaciais.
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FIGURA 8 – ASPECTOS QUALITATIVOS, ORDENADOS E QUANTITATIVO DOS TEMAS
FONTE: Martinelli (2003)
O ponto, a linha e a área constituem os elementos gráficos básicos 
para uma representação cartográfica, e são dependentes da escala do mapa. 
Parece óbvio que os pontos representam dados pontuais, e linhas representam 
dados lineares. Entretanto, o alfabeto cartográfico permite a construção de 
uma gama de simbologia e constituem a gramática cartográfica, conforme 
descrito por Nogueira (2009): 
a) Ponto – é a mais fundamental das representações; convencionalmente 
marca a posição. Por exemplo, os pontos com tamanhos iguais denotam 
mesmo valor (por exemplo: 1000 habitantes) Figura 9a. Pontos que variam 
no tamanho representam diferentes valores para localização específica; 
pontos que variam no tamanho, considerando limites e proporcionalidade 
de pontos, podem estar representando valores de distintas áreas, como 
demonstrado na Figura 9b. Por outro lado, o valor de uma área pode ser 
decifrado pela soma dos valores dos pontos impostos numa grade regular 
sobre a área. 
FIGURA 9 – REPRESENTAÇÕES CARTOGRÁFICAS UTILIZANDO PONTOS
FONTE: Nogueira (2009)
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b) Linha – exibe a direção e a posição ; pode ser pensada como uma 
sucessão de pontos e expressam dados que podem ser interpretados como 
ocorrência linear no espaço. Por exemplo, limites, rodovias, fluxo de carros 
em determinadas rodovias (Figura 10); e também podem ser combinadas 
para representar áreas, desde que sejam arranjadas e percebidas como 
um padrão. Podem ainda representar volume, ou seja, curvas de nível ou 
hachuras do relevo.
FIGURA 10 – REPRESENTAÇÕES CARTOGRÁFICAS UTILIZANDO LINHAS
FONTE: Nogueira (2009)
c) Área – exibe extensão, direção e posição; pode ser pensada como fila de 
pontos em duas dimensões. As áreas ou zonas de interesse são simbolizadas 
com a repetição de pontos e linhas. O arranjo repetido de linhas ou pontos 
conduz à percepção de diferenças qualitativas ou quantitativas (8b) entre 
as várias áreas contíguas, desde que sejam distribuídas adequadamente. 
As variações gráficas utilizadas na cartografia temática foram identificadas 
pelo francês Jaques Bertin, ainda nos anos 1960 e denominadas por ele 
variáveis visuais as quais determinam a representação gráfica compondo uma 
linguagem bidimensional e atemporal destinada à visão humana (MARTINELLI, 
2003).
Segundo Bertin (1986) apud Nogueira (2009), existem duas abordagens 
para se estudar a representação gráfica. Uma denominada de neográfica de 
tratamento, a qual procura descobrir relações existentes entre os dados de 
uma tabela e como agrupá-los de forma a obter respostas satisfatórias às 
questões que precisam ser reformuladas. A segunda refere-se à neográfica de 
comunicação, que se preocupa com a maneira de fixar e transmitir às pessoas 
o que foi descoberto nos dados considerando as duas dimensões do plano 
(da folha de papel, ou da tela de um computador) e variando visualmente 
manchas que devem atrair a atenção do leitor. 
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Suas variações ou modulações visuais, conforme dito anteriormente, 
são denominadas variáveis visuais ou variáveis gráficas . Esta abordagem 
denominada semiologia gráfica é o tripé teórico utilizado na construção de 
mapas temáticos.
Quanto à representação cartográfica, os resultados das pesquisas da 
década de 1980, ainda são pertinentes, independentemente dos usos dos 
computadores. Em suma, as regras editadas pela semiologia para confeccionar 
mapas temáticos continuam válidas, na sua prevalência, agora condicionadas 
ao novo instrumental utilizado para tal trabalho, as geotecnologias.
O principal guia do profissional é a semiologia (variáveis visuais ou 
variáveis gráficas) associado ao bom senso para se alcançar uma boa 
representação temática, conforme Nogueira (2009):
a) Um fenômeno se traduz por um só sinal e um só.
 argila grafite areia cobre
b) Um valor forte ou fraco se traduz por um sinal forte ou fraco, respectivamente.
 0-9 10-19 
c) As variações qualitativas se traduzem pela variação da forma dos sinais.
d) As variações quantitativas se traduzem pela variação do tamanho dos sinais.
Conhecer e distinguir as características de cada variável visual – tamanho, 
valor (cinza), cor (matiz), granulação, orientação, forma e as duas dimensões 
do plano (x e y) – é importante, pois ajuda o profissional a construir mapas 
temáticos que atendem aos objetivos de comunicação (Figura 11). Apresentar-
se-á, a seguir, uma breve apresentação das principais variáveis visuais baseado 
em Bertin (1986) apud Nogueira (2009), Robinson et al. (1995), Martinelli (2003) 
e Nogueira (2009).
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FIGURA 10 – REPRESENTAÇÕES CARTOGRÁFICAS UTILIZANDO LINHAS
FONTE: Nogueira (2009)
A granulação, a cor, a orientação e a forma são ditas Variáveis de
separação , pois separam apenas os elementos da imagem. Enquanto, as 
dimensões do plano, o tamanho e o valor são chamados Variáveis de imagem, 
pois constroem imagem.
A forma é uma variável ideal para diferenciar múltiplos caracteres, como 
os dados qualitativos, quando aplicada pontual ou linearmente (Figura 12). 
Ela pode ser geométrica – círculo, quadrado ou triângulo, ou ainda irregular, 
no caso de utilizar símbolos pictóricos – árvores, avião, torre, farol etc., no 
entanto, cuidados devem ser tomados na escolha dos tamanhos, se a forma 
for geométrica, para que a seletividade seja aplicada. Nesse caso, além de 
diferenças na forma, são necessárias pequenas variações nos tamanhos 
dos sinais. Por outro lado, são poucas as formas quepodem ser facilmente 
diferenciadas, limitando o emprego dessa variável. 
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FIGURA 12 –DIFERENCIAÇÃO ENTRE MÚLTIPLOS CARACTERES (CADERNO, LÁPIS E 
BORRACHA) POR MEIO DA VARIÁVEL VISUAL FORMA. NOTA-SE QUE OS SÍMBOLOS 
APRESENTAM A MESMA COR E TAMANHO, DIFERENCIANDO-OS SOMENTE NA FORMA
FONTE: Martinelli (2003)
Diz-se que sinais ou marcas variam no tamanho se eles tiverem 
diferentes dimensões no tamanho (altura, largura) ou volume (altura, largura, 
profundidade). A variável visual tamanho é indicada para representar dados 
quantitativos, no modo de implantação pontual e linear, porque permite uma 
aproximação correta dos dados. Vide exemplo da Figura 13.
Uma diferença de tamanho pode exprimir uma proporção entre duas 
grandezas e esta é uma responsabilidade do autor do mapa. Ele deve definir 
a ordem visual de acordo com a ordem fornecida pelos dados. A legenda vai 
apenas servir para definir "verbalmente" os limites dos patamares (BERTIN, 
1986 apud NOGUEIRA, 2009).
FIGURA 13 – A DIFERENÇA DE TAMANHO ENTRE OS CÍRCULOS EXPRESSA A 
PROPORÇÃO ABSOLUTA ENTRE AS ÁREAS DOS PAÍSES
FONTE: O autor
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A variável visual valor refere-se à claridade ou escuridão de um sinal, ou 
seja, às variações de cinza considerando desde o preto ao branco. No caso 
da luz refletida por um objeto, a escala de valor é percebida como muita luz 
para altos valores e menos luz ou sombra para baixos valores. 
Assim como a variável tamanho, a variável valor é dissociativa, ou seja, 
dissocia qualquer outra variável com a qual ela pode combinar. O valor pode 
ser usado para medidas de fenômenos geográficos ordinais. Na Figura 14, o 
cinza escuro mostra quantidades maiores e enquanto mais claro, descreve 
menores quantidades, isto é, a medida hierárquica dos dados (alto, médio e 
baixo). 
FIGURA 14 – O CINZA ESCURO MOSTRA QUANTIDADES MAIORES DE RISCO DE ATINGIMENTO A 
DESLIZAMENTO E ENQUANTO MAIS CLARO, DESCREVE MENORES QUANTIDADES DE RISCO DE 
ATINGIMENTO A DESLIZAMENTO
FONTE: O autor
A variável visual valor não possibilita construir uma idéia de proporção. 
Contudo, a literatura tem mostrado que esta variável também tem sido 
empregada para descrever fenômenos geográficos na escala intervalar e 
proporcional, isto é com valores expressos na legenda.
Croma ou saturação é uma variável gráfica que se refere à quantidade 
de cor pura existente em uma cor, considerada a partir do cinza; ou seja, o 
croma de qualquer cor pode se estender do cinza, sem cor aparente, para 
a cor pura, sem cinza aparente. Assim como o valor, o croma é ordenado e 
usado da mesma forma.
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Para Bertin (1986) apud Nogueira (2009), a variável visual orientação seria 
aplicada para linhas e formas alongadas, considerando diferentes direções, 
as quais não podem passar de quatro: horizontal e vertical e inclinada em 
45º (Figura 15). No modo de implantação pontual, ela também é seletiva. 
As variações de orientação combinam bem com a variação visual tamanho, 
podendo auxiliar na ordenação dos dados.
A orientação pode substituir a variação da cor, mas exige cuidado na sua 
aplicação. Por exemplo, pode ser utilizada para construir mapas corocromáticos 
(Figura 15), ou seja, aqueles que mostram dados qualitativos. Neste caso, a 
variação na direção das linhas que preenchem as áreas é obrigatória, mas a 
distância entre elas deve ser a mesma. 
FIGURA 15 – MAPA COROCROMÁTICO COM A VARIÁVEL VISUAL ORIENTAÇÃO, 
DIFERENCIANDO OS PRINCIPAIS BIOMAS
FONTE: O autor
A variável granulação é considerada por Robinson et al. (1995) como uma 
variável visual secundária. Ela é vista como uma textura padronizada obtida a 
partir do tamanho e espaçamento das primitivas gráficas ponto e linha, para 
produzir linhas, pontos ou uma área gráfica.
A granulação (Figura 16) é seletiva porque permite separar os dados num 
mesmo plano de visibilidade. Neste caso, ela independe da forma utilizada, 
a correta granulação deve ser feita de maneira que todas tenham a mesma 
visibilidade. Entretanto, ela também pode ser ordenada ou associativa, desde 
que se escolham tramas adequadas.
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FIGURA 16 – MAPA COROPLÉTICO ONDE FORAM UTILIZADAS LINHAS PARA 
PREENCHER ÁREAS
FONTE: Nogueira (2009)
A variável visual arranjo (Figura 7), introduzida por Robinson et al. (1995), 
refere-se às diferentes formas e configurações de linhas e pontos, símbolos 
subsidiários, para a constituição de áreas. O padrão de pontos e linhas tanto 
pode ser randômico como sistemático. Da mesma maneira que a variável 
granulação, a padrão também é seletiva e, portanto, usada para mapas 
corocromáticos. No entanto, esta pode também ser ordenada quando se trata 
da construção de mapas coropléticos.
FIGURA 17 – EXEMPLO DE EMPREGO DA VARIÁVEL VISUAL-PADRÃO
FONTE: Nogueira (2009)
A cor é uma variável seletiva e fornece uma melhor seleção depois do 
tamanho e do valor, desde que se utilize a iluminação adequada. Bertin (1986) 
apud Nogueira (2009) afirmava ser contra a cor sempre que ela fosse usada 
para escamotear a incompetência ou superpor caracteres em um mapa até 
o limite do absurdo. Ele defendia a cor quando o objetivo desta era seleção 
 CURSO LIVRE - NOÇÕES BÁSICAS DE CARTOGRAFIA, SENSORIAMENTO REMOTO E GEOPROCESSAMENTO
ou separação de variáveis, o que, segundo ele, poderia ser melhor alcançada 
quando o uso de cores puras. A preocupação de Bertin procede e merece a 
devida atenção, pois os computadores e impressoras deram fácil acesso ao 
usuário de mapas para que ele faça os "seus mapas", os quais depois se tornam 
mapas de uso público. É neste caso que o problema do uso incorreto da cor 
em vez de ajudar, prejudica o ponto de tornar-se um mapa inútil.
Uma abordagem mais apropriada foi feita por Brewer (1994) apud 
Nogueira (2009), discutindo diferentes esquemas de cores a serem utilizadas 
em mapas temáticos que fazem a representação de feições zonais tais como: 
coropléticos, corocromáticos e isolinhas. A autora considera que os esquemas 
coloridos também podem ser utilizados para mapas temáticos que trazem 
símbolos pontuais ou lineares. 
As características da Radiação Eletromagnética (REM) e formação da cor 
serão discutidas na etapa sobre sensoriamento remoto.
3 GENERALIZAÇÃO CARTOGRÁFICA
Em termos geográficos, o mundo é extremamente complexo, revelando 
mais detalhes à medida que se olha de mais perto, tendendo ao infinito. Para 
construir uma representação de qualquer uma das suas partes, é necessário 
fazer escolhas sobre o que representar, em que nível de detalhe e em que 
período de tempo. Nessa perspectiva, algum grau de generalização e/ou 
simplificação nos dados geográficos é praticamente inevitável, já que a 
superfície da Terra é inimaginavelmente complexa e sua perfeita descrição 
é impossível.
A cartografia utiliza diversos elementos para contornar e minimizar tal 
problemática: as projeções cartográficas e a transformação de informações 
de uma superfície curva planetária em mapas planos; os modelos conceituais, 
campos contínuos e objetos discretos, que definem as duas visões conceituais 
dos fenômenos geográficos, mas não resolvem o problema da representação 
digital; a escala cartográfica e o modo de implementação pontual, linear 
e poligonal; a incerteza e os erros de medição e; por fim, os princípios de 
seleção e generalização propriamente ditos, objeto de análise deste tópico.
Sendo a seleção e a generalização duas importantes atitudes necessárias 
para confecções de mapas temáticos ou com propósitos gerais. A primeira 
é entendida como um processo decisório referente ao que mapear ou não 
mapear, por exemplo: a decisão de incluir ou não vias de acesso de menor 
importância num mapa de suscetibilidade a deslizamentos; ou

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