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Núcleo de Educação a Distância
R. Maria Matos, nº 345 - Loja 05
Centro, Cel. Fabriciano - MG, 35170-111
www.graduacao.faculdadeunica.com.br | 0800 724 2300
GRUPO PROMINAS DE EDUCAÇÃO.
Material Didático: Ayeska Machado
Processo Criativo: Pedro Henrique Coelho Fernandes
Diagramação: Heitor Gomes Andrade
PRESIDENTE: Valdir Valério, Diretor Executivo: Dr. Willian Ferreira, Gerente Geral: Riane Lopes, 
Gerente de Expansão: Ribana Reis, Gerente Comercial e Marketing: João Victor Nogueira
O Grupo Educacional Prominas é uma referência no cenário educacional e com ações voltadas para 
a formação de profi ssionais capazes de se destacar no mercado de trabalho.
O Grupo Prominas investe em tecnologia, inovação e conhecimento. Tudo isso é responsável por 
fomentar a expansão e consolidar a responsabilidade de promover a aprendizagem.
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Prezado(a) Pós-Graduando(a),
Seja muito bem-vindo(a) ao nosso Grupo Educacional!
Inicialmente, gostaríamos de agradecê-lo(a) pela confi ança 
em nós depositada. Temos a convicção absoluta que você não irá se 
decepcionar pela sua escolha, pois nos comprometemos a superar as 
suas expectativas.
A educação deve ser sempre o pilar para consolidação de uma 
nação soberana, democrática, crítica, refl exiva, acolhedora e integra-
dora. Além disso, a educação é a maneira mais nobre de promover a 
ascensão social e econômica da população de um país.
Durante o seu curso de graduação você teve a oportunida-
de de conhecer e estudar uma grande diversidade de conteúdos.
Foi um momento de consolidação e amadurecimento de suas escolhas
pessoais e profi ssionais.
Agora, na Pós-Graduação, as expectativas e objetivos são
outros. É o momento de você complementar a sua formação acadêmi-
ca, se atualizar, incorporar novas competências e técnicas, desenvolver 
um novo perfi l profi ssional, objetivando o aprimoramento para sua atua-
ção no concorrido mercado do trabalho. E, certamente, será um passo
importante para quem deseja ingressar como docente no ensino supe-
rior e se qualifi car ainda mais para o magistério nos demais níveis de
ensino.
E o propósito do nosso Grupo Educacional é ajudá-lo(a)
nessa jornada! Conte conosco, pois nós acreditamos em seu potencial.
Vamos juntos nessa maravilhosa viagem que é a construção de novos 
conhecimentos.
Um abraço,
Grupo Prominas - Educação e Tecnologia
Olá, acadêmico(a) do ensino a distância do Grupo Prominas! .
É um prazer tê-lo em nossa instituição! Saiba que sua escolha 
é sinal de prestígio e consideração. Quero lhe parabenizar pela dispo-
sição ao aprendizado e autodesenvolvimento. No ensino a distância é 
você quem administra o tempo de estudo. Por isso, ele exige perseve-
rança, disciplina e organização. 
Este material, bem como as outras ferramentas do curso (como 
as aulas em vídeo, atividades, fóruns, etc.), foi projetado visando a sua 
preparação nessa jornada rumo ao sucesso profi ssional. Todo conteúdo 
foi elaborado para auxiliá-lo nessa tarefa, proporcionado um estudo de 
qualidade e com foco nas exigências do mercado de trabalho.
Estude bastante e um grande abraço!
Professora Silvia Cristina da Silva
O texto abaixo das tags são informações de apoio para você ao 
longo dos seus estudos. Cada conteúdo é preprarado focando em téc-
nicas de aprendizagem que contribuem no seu processo de busca pela
conhecimento.
Cada uma dessas tags, é focada especifi cadamente em partes 
importantes dos materiais aqui apresentados. Lembre-se que, cada in-
formação obtida atráves do seu curso, será o ponto de partida rumo ao 
seu sucesso profi sisional.
A neuropsicologia é uma especialidade no campo da neurociência, que 
estuda a relação entre processos mentais e comportamentais e o cére-
bro. É um ponto de encontro entre a psicologia e a neurologia. Nos últi-
mos anos, recebeu um impulso renovado do crescente desenvolvimen-
to das ciências cognitivas (psicologia cognitiva, inteligência artifi cial, 
linguística), ciências neurobiológicas (neuroanatomia, neurofi siologia, 
neuroquímica) e a explosão tecnológica com técnicas de neuroimagem 
(em particular, ressonância magnética, tomografi a por emissão de pó-
sitrons ou PET, mapeamento cerebral e ressonância magnética funcio-
nal). Um neuropsicólogo lida com o diagnóstico e tratamento cognitivos, 
comportamentais e emocionais, que podem ser o resultado de diferen-
tes processos que afetam o funcionamento normal do cérebro.
Neuropsicologia; Neurociência; funções cognitivas; avaliação
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CAPÍTULO 01
FUNDAMENTOS HISTÓRICOS E CONCEITUAIS DA NEUROPSICOLOGIA
A historia da neuropsicologia________________________________
Apresentação do módulo __________________________________
12
10
Neuropsicologia da Criança e do Desenvolvimento: Detecção e In-
tervenção de Distúrbios em Crianças__________________________ 18
Áreas disciplinares e seus envolvimentos com as funções neurop-
sicológicas________________________________________________ 30
CAPÍTULO 02
FUNÇÕES NEUROPSICOLÓGICAS E SEUS DISTÚRBIOS - PERCEP-
ÇÃO, ATENÇÃO, MEMÓRIA, CONSCIÊNCIA
CAPÍTULO 03
NEUROPSICOLOGIA DO ENVELHECIMENTO
Recapitulando__________________________________________________ 45
A neuropsicologia geriátrica_________________________________ 49
Processos mentais_________________________________________ 38
Recapitulando_____________________________________________ 68
Considerações Finais_______________________________________ 72
Desenvolvimento na neuropsicologia da velhice________________ 53
Recapitulando__________________________________________________ 27
Fechando a Unidade_______________________________________ 73
Referências_______________________________________________ 76
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A neuropsicologia, mais frequentemente, trata pacientes com 
problemas neurológicos, que podem incluir traumatismo craniano, aci-
dente vascular cerebral, tumores cerebrais, doenças neurodegenera-
tivas, como a doença de Alzheimer, doença de Parkinson, esclerose 
múltipla, epilepsia, transtornos do desenvolvimento, como o autismo 
etc. Todas essas patologias podem apresentar alterações neuropsico-
lógicas, com perfi s cognitivos relativamente característicos. Sua detec-
ção é de suma importância para o enfrentamento de um tratamento 
adequado. Outro grupo assíduo de pacientes verifi ca-se na população 
idosa, preocupada com seus problemas de memória. Em muitos casos, 
trata-se simplesmente das mudanças normais que ocorrem no sistema 
cognitivo durante o envelhecimento, mas em outros, pode ser devido à 
presença de um transtorno cognitivo leve, ou mesmo as fases iniciais 
da demência.
Entre as mais recentes descobertas dos últimos tempos está 
a viabilidade de fazer um diagnóstico precoce da doença de Alzheimer, 
através de testes sensíveis e específi cos, que permitem maiores pos-
sibilidades de tratamento, uma vez que está provado que uma maior 
efi cácia terapêutica é obtida na fase inicial da enfermidade. Existem 
outras doençascrônicas, tais como diabetes, hipotireoidismo, lúpus 
etc., as quais são, muitas vezes, também cognitivas. Desse modo, as 
alterações de muitas desordens psiquiátricas (tais como esquizofrenia, 
depressão, transtorno bipolar, transtorno obsessivo-compulsivo etc.) 
comprometem certas funções cognitivas e, em muitos casos, merecem 
uma exploração neuropsicológica.
Particularmente, no último grupo de patologias, é onde a neu-
ropsicologia tem avançado nos últimos tempos, propondo uma mudança 
de olhar para distúrbios clássicos, tais como a esquizofrenia e a doença 
bipolar, por exemplo. Compreender a esquizofrenia como uma doença 
com défi cits em funções executivas, atenção e cognição social, envolve 
uma mudança inteira no que diz respeito à possibilidade de tratamento 
e qualidade de vida desses pacientes.
A neuropsicologia é uma disciplina que estuda a relação entre 
estruturas cerebrais, funções cognitivas (atenção, memória, linguagem, 
habilidades visuo-espaciais, funções executivas etc.) e processos emo-
cionais e comportamentais. O trabalho do neuropsicólogo, portanto, 
consiste em avaliar e reabilitar pessoas com alteração de qualquer fun-
ção cognitiva. A deterioração cognitiva está associada à várias causas, 
como:
- Envelhecimento.
- Perda cognitiva leve.
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- Demência (doença de Alzheimer, demência associada à 
doença de Parkinson, demência vascular etc.).
- Lesão cerebral adquirida (traumatismo craniano, tumor cere-
bral e doenças cerebrovasculares).
- Transtornos psíquicos.
Além disso, o neuropsicólogo pode em avaliar e reabilitar pes-
soas com alteração de qualquer função cognitiva. A Avaliação Neurop-
sicológica consiste em realizar uma entrevista inicial com o paciente e 
seu acompanhante, e na aplicação posterior de exames ao paciente. Os 
principais objetivos da avaliação são:
-Conhecer o estado do funcionamento cognitivo, comporta-
mental, emocional e funcional.
-Contribuir para o diagnóstico de patologias neurológicas que 
ocorrem com sintomas cognitivos e / ou comportamentais.
-Desenvolver programas de reabilitação neuropsicológica.
-Valorizar a evolução ao longo do tempo.
Desse modo, será visto que a Reabilitação Cognitiva consis-
te em estimular as funções cognitivas do paciente, que são afetadas 
e manter as preservadas, a fi m de alcançar a ativação dos diferentes 
sistemas cerebrais. Sendo assim, a base científi ca que justifi ca a reabi-
litação cognitiva baseia-se em fenômenos biológicos bem conhecidos, 
como a neuroplasticidade, que é a capacidade dos neurônios para se 
regenerar e estabelecer novas conexões. 
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A HISTORIA DA NEUROPSICOLOGIA
A Neuropsicologia é, fundamentalmente, uma disciplina clíni-
ca que converge entre psicologia e neurologia e estuda os efeitos de 
lesões, danos ou avarias nas estruturas do sistema nervoso central, 
causados nos processos cognitivos, no comportamento psicológico, 
emocional e individual. Esses efeitos ou défi cits podem ser provoca-
dos por traumatismo craniano, acidente vascular cerebral ou tumores 
cerebrais, doenças neurodegenerativas (esclerose múltipla, doença de 
Alzheimer, Parkinson etc.) ou distúrbios do desenvolvimento (epilepsia, 
paralisia cerebral, transtorno de défi cit de atenção, hiperatividade etc.). 
(VERDEJO, 2010)
Existem várias abordagens para essa ciência, de modo que na 
neuropsicologia clássica, a dinâmica cognitiva e a integral podem ser 
distinguidas. A neuropsicologia é um ramo de especialização que pode 
FUNDAMENTOS HISTÓRICOS
E CONCEITUAIS DA 
NEUROPSICOLOGIA
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ser alcançado após estudos universitários de graduação. Assim, a neu-
ropsicologia forma um psicólogo ou um médico (psiquiatra ou neurolo-
gista), especializados na área, que servem em ambientes acadêmicos, 
clínicos e de pesquisa e que podem avaliar os danos cerebrais de uma 
pessoa, a fi m de detectar áreas e funções anatômicas ou cognitivas 
afetadas para serem canalizadas em um programa de reabilitação neu-
ropsicológica. 
A neuropsicologia tem sua origem no trabalho de vários psicó-
logos e médicos nos séculos XIX e XX. (VERDEJO, 2010). O seu estu-
do remonta a tempos antigos, em que havia interesse em compreender 
tudo relacionado à atividade cognitiva, começando, assim, a serem for-
muladas as primeiras hipóteses, baseadas no raciocínio de observação 
e experimentação. Ao longo da história, muitas contribuições permitiram 
a consolidação da neuropsicologia como ciência. (VERDEJO, 2010)
De acordo com Verdejo (2010), para se ter uma maior com-
preensão do desenvolvimento histórico da neuropsicologia, é possível 
dividi-la em 4 partes, quais sejam: 
Período pré-clássico;
Período clássico 
Período moderno
Período contemporâneo
Em se tratando do período pré-clássico desde 1861), desde os 
tempos antigos o homem tem sido questionado sobre a localização da 
mente. Foi na Grécia, onde se teve início a primeira abordagem sobre o 
tema. O primeiro argumento foi levantado por Alemeón de Crotona (s: VI 
AC), mas 100 anos mais tarde é Hipócrates que, retomando Alemeón, 
cria um corpus, onde estão registrados os mais antigos tratados sobre 
o papel do cérebro e das imparidades cognitivas (cerca de 400 a.C9). 
(VERDEJO, 2010).
Reabilitação cognitiva é um método terapêutico para melhorar 
ou compensar os défi ces cognitivos produzidos por processos que afe-
tam o funcionamento normal do cérebro. É indicado para pessoas que 
sofreram alterações na sua capacidade de lembrar, se concentrar, pen-
sar, falar fl uentemente, raciocinar, resolver problemas, organizar, etc., 
devido a várias condições: traumatismo craniano, epilepsia, doença de 
Alzheimer, acidente vascular cerebral, esclerose múltipla, TDAH, de-
pressão, esquizofrenia etc. 
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Hipócrates menciona dois tipos de alterações: os anaudos (di-
fi culdades motoras) e os áfonos (difi culdades sensoriais). Foram vários 
os autores gregos focados em localizar a função principal da mente hu-
mana (egemonikón) e do seu produto. Muitas teorias foram elaboradas 
nesse período, como as de Ciro, que em sua obra Hominis, faz uma 
excelente exposição dos fatos: é fácil verifi car a existência de inúmeras 
controvérsias entre elas sobre a localização do alama principal. (VER-
DEJO, 2010) 
Entre as muitas abordagens, podemos concluir que existem 
dois principais locais para a mente, o primeiro é o coração, que é repre-
sentado pela tese de Aristóteles, Hipócrates e os estóicos, e o segundo 
é o cérebro, como proposto por Platão, Pitágoras e Alcmeão de Croto-
na. (VERDEJO, 2010)
No início do século XIX, Bichat, discípulo de Pinel e autor de-
cisivo na criação do modelo anatamoclínico, escreve em seu trabalho 
Recherches Physiologiques sur la Vie et la Mort: “O cérebro é certamen-
te a sede da inteligência, mas não é das paixões” (GALENO, 129-201) 
É crítico da tese de Aristóteles e dos estóicos, preferindo seguir 
as questões levantadas por Platão. Dessa forma, afi rma que encon-
tra-se no cérebro as funções psíquicas fundamentais (compreensão, 
memória, imaginação, sensibilidade e vontade), no coração, as paixões 
ou funções “irascíveis” e no fígado as funções concupiscíveis”). (VER-
DEJO, 2010)
Ao longo dos séculos XV-XIX surgiram diferentes relatórios que 
registraramuma linguagem relacionada à patologia, conforme publicado 
em: Antonio Guaneiro (s. XV), relata sobre dois pacientes afásicos, uma 
parafasia e outro com afasia não fl uida; Gerolamo Mercuriale (s XVII), 
faz a primeira descrição de um caso de alexia sem agrafi a; Joham Sch-
mit e Peter Schmit (s. (XVII), fala sobre vários pacientes afásicos com 
diferentes sintomatologias, incluindo a incapacidade de dizer o nome e 
repetí-lo. No século XVIII é conhecido o transtorno cognitivo diferente, 
especialmente verbal: anomia e jargão, incapacidade de cantar e até 
dissociação na capacidade de ler diferentes linguagens. (VERDEJO, 
2010)
Alcmeão de Crotona (s. VI aC) foi um médico e discípulo de 
Pitágoras cuja investigação incidiu sobre a origem e processamento 
de sensações. Junto com Pitágoras cria a tabela de oposições (doce/
azedo, branco/preto, grande/pequeno), que coloca em relação as sen-
sações, as cores e as magnitudes. Outra de suas contribuições foi a 
elaboração de uma teoria que supunha a alma imortal e em contínuo 
movimento circular. Alcmeón atribuiu a posse da alma dos homens às 
estrelas e identifi cou a harmonia com uma lei universal. (VERDEJO, 
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2010)
Em se tratando das contribuições de Galeno para a medicina, 
é possível destacar, de acordo com Verdejo (2010):
Ele demonstrou como vários músculos são controlados pela 
medula espinhal.
Ele identifi cou sete pares de nervos cranianos.
Ele mostrou que o cérebro é o órgão responsável pelo controle 
da voz.
Ele demonstrou as funções do rim e da bexiga.
Ele mostrou que o sangue fl ui através das artérias, e não o ar 
(como Erasístratus e Herófi lo pensavam).
Ele descobriu diferenças estruturais entre veias e artérias.
Ele descreveu as válvulas do coração.
Ele descreveu várias doenças infecciosas (como a peste dos 
anos 165-170) e sua disseminação.
Ele deu grande importância aos métodos de preservação e 
preparação de medicamentos, base da atual farmácia galênica.
Seu tratado sobre o diagnóstico dos sonhos (De Dignotione ex 
Insomnis Libellis, em latim) descreve sonhos e afi rma que esses podem 
ser um refl exo dos sofrimentos do corpo.
 Em meados do século XIX, o antropólogo francês Pierre Paul Broca 
(1824-1880) tornou-se famoso por declarar em 1861 a localização do 
centro da língua, conhecida hoje como “área de Broca” e localizado no 
terceiro giro frontal do hemisfério esquerdo. Essa descoberta foi vital 
para estabelecer a classifi cação de uma das síndromes neuropsicológi-
cas por excelência: a afasia. Na afasia de Broca, a fl uência expressiva 
é alterada, mas a compreensão permanece preservada. (VERDEJO, 
2010)
De menor conhecimento é a teoria do médico francês Marc 
Dax, que descreveu, em 1836 (portanto, 30 anos antes de Broca), um 
caso de paralisia direita associada à afasia, que ele associou a um dano 
no cérebro por acidente vascular cerebral no hemisfério esquerdo. No 
entanto, Marc Dax nunca foi reconhecido por sua grande descoberta. 
Em 1874, o médico alemão Carl Wernicke (1848-1905) descreveu a 
síndrome afásica que leva seu nome (síndrome de Wernicke) e que é 
parcialmente oposta à descrita por Broca. (VERDEJO, 2010)
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Figura 1 – Área de broca
Fonte: Elaborado pela autora (2019)
É bem verdade que a afasia de Wernicke é decorrente de uma 
lesão temporal-parietal esquerda. Nele, o entendimento é o mais alte-
rado, sendo a fl uência normal. No entanto, o conteúdo do discurso dos 
pacientes afetados por ela, também é alterado de uma forma que tem 
sido, por vezes, apelidado de “salada de palavras” (as palavras são bem 
pronunciadas, mas o seu conteúdo se encaixa apenas parcialmente à 
gramática e ao propósito comunicativo do sujeito). (VERDEJO, 2010)
Esse mesmo autor descreveu, pela primeira vez, a encefalopa-
tia que leva seu nome (síndrome de Korsakoff ), devido a um défi cit de 
tiamina, que caracteriza-se por uma síndrome confusional e amnésia. 
Um precursor das ideias de Broca foi Franz Joseph Gall (1758-1828), 
criador da frenologia, em 1802. A frenologia considerou que havia fun-
ções mentais com uma localização diferenciada no cérebro. Embora 
essa disciplina seja, atualmente, considerada uma pseudociência, por-
que sua classifi cação e localização das funções mentais não foi basea-
do em nenhuma evidência científi ca, o boom que o século XIX viveu, 
abriu o caminho para as teorias de Broca. O debate entre localizacionis-
mo e funcionalismo é demonstrado. (VERDEJO, 2010)
Um cientista muito crítico das idéias da frenologia foi Marie-
-Jean Pierre Flourens (1794-1867). Esse fi siologista francês acredita-
va que era impossível localizar as funções cerebrais com precisão, já 
que as diferentes estruturas cerebrais interagiam umas com as outras, 
criando sistemas funcionais.
Um contemporâneo de Wernicke assumiu-se como defensor 
do funcionalismo. John Hughlings Jackson (1835-1911), um médico in-
glês, criticou muito as contribuições de Broca e Wernicke; negando a 
possibilidade de que localizações neurológicas específi cas pudessem 
ser encontradas para a linguagem, por considerá-la uma capacidade 
muito complexa. O debate iniciado por Gall e Flourens e continuado por 
Jackson, entre localização e funcionalismo, durou até o século XXI e, 
ainda hoje, faz parte da atual neuropsicologia. (VERDEJO, 2010)
Mais tarde, no início do século XX, o psicólogo e médico russo 
Alexander Romanovich Luria (1902-1977) aperfeiçoou várias técnicas 
para estudar o comportamento das pessoas com lesões do sistema 
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nervoso, e completou uma bateria de testes psicológicos destinados a 
estabelecer as condições dos processos psicológicos: atenção, memó-
ria, linguagem, funções executivas, praxias (veja apraxia), gnosias (veja 
agnosia), cálculo etc. (VERDEJO, 2010).
A aplicação dessa extensa bateria pôde dar ao neurologista 
uma ideia clara da localização e extensão da lesão e, ao mesmo tempo, 
o psicólogo forneceu um relatório detalhado das difi culdades cognitivas 
do paciente. Infelizmente, a separação ocorrida, durante a Guerra Fria, 
entre os regimes liberal e comunista, bem como a difi culdade de enten-
dimento de seus trabalhos, pois estavam escritos em russo, impossibili-
tou que suas idéias alcançassem o mundo ocidental. (VERDEJO, 2010)
Durante a guerra, o século XX proporcionou à medicina e à 
psicologia oportunidades trágicas, mas importantes quanto ao estudo 
da função cerebral. A observação e a mensuração do comportamento 
de pacientes com várias lesões sofridas durante o combate permitiram 
estabelecer as áreas do cérebro que lidam com as diversas manifesta-
ções comportamentais. As feridas de guerra, geralmente por bala ou es-
tilhaços, tinham a vantagem científi ca de estarem localizadas em uma 
única área do cérebro. Isso permitiu que a relação entre localização e 
função fosse estudada com uma precisão impossível até aquele mo-
mento. (VERDEJO, 2010)
O método de lesão animal também foi utilizado, produzindo 
danos experimentais para observar mudanças de comportamento e es-
tabelecer paralelos com humanos. A Neuropsicologia, hoje, utiliza méto-
dos experimentais, como a observação clínica, e pode suportar estudos 
de imagens do cérebro (ressonância magnética, em relação de fl uxo 
de sangue, etc.) e as ciências cognitivas, como projetar esquemas de 
operação e reabilitação de funções danifi cadas ou perdidas, baseadas 
em funções preservadas. (VERDEJO, 2010)
Muito trabalho clínico ainda é feito com testes neuropsicológi-
cos. Hoje, existem várias evoluções do trabalho de Luria, na forma de 
baterias e testes neuropsicológicos como, segundo Verdejo (2010):
Bateria Halstead-ReitanPrograma Integrado de Exploração Neuropsicológica, conheci-
do como o teste de Barcelona.
Bateria Luria-Christensen
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A avaliação neuropsicológica ou neurocognitiva é um método 
diagnóstico que estuda o funcionamento do cérebro e permite que o 
médico e outros profi ssionais de saúde entendam as diferentes áreas 
e sistemas do cérebro de um paciente e possam medir as suas capaci-
dades cognitivas.
Bateria Luria-Nebraska
K-ABC
Esses instrumentos exploram, em profundidade, as diversas 
funções cognitivas e apresentam um relatório do estado em que se en-
contram. Sendo assim, os testes neuropsicológicos aplicados aos pa-
cientes, permite ao aluno colocar em prática os conhecimentos adqui-
ridos durante o desenvolvimento de seu estudo e, também, expande 
sua capacidade para a pesquisa. Assim, várias questões inerentes à 
pesquisa são levantadas e propiciam uma maior concorrência na for-
mação profi ssional. Com base no conhecimento científi co, será possível 
ao aluno aplicar corretamente os diferentes testes neuropsicológicos 
que permitem um diagnóstico claro e bem fundamentado das diversas 
desordens que podem afetar o ser humano. (VERDEJO, 2010)
NEUROPSICOLOGIA DA CRIANÇA DO DESENVOLVIMENTO: 
DETECÇÃO E INTERVENÇÃO DE DISTÚRBIOS EM CRIANÇAS
A neuropsicologia do desenvolvimento infantil aborda a relação 
entre o processo maturacional do sistema nervoso central e o comporta-
mento durante a infância; considera as variáveis de maturação, a plas-
ticidade do cérebro e o desenvolvimento durante os primeiros estágios 
do ciclo de vida, bem como projeta e adapta modelos e estratégias de 
avaliação e intervenção de distúrbios, apropriado para crianças. A neu-
ropsicologia do desenvolvimento consolidou-se, nas últimas décadas, 
pelas contribuições teóricas e aplicadas na avaliação, prevenção, de-
tecção e intervenção precoce de desordens neuropsicológicas no de-
senvolvimento infantil. (VAKIL, 2012)
No âmbito da saúde mental das crianças, as contribuições 
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da neuropsicologia infantil e neuropsicologia do desenvolvimento têm 
sido cruciais para uma abordagem integrada para doenças complexas, 
como autismo, síndrome de Asperger ou síndrome de Rett, e seus ins-
trumentos de avaliação tem sido amplamente utilizados no diagnóstico 
de desordens psicomotoras, da linguagem, das funções executivas e 
das incapacidades cognitivas, entre outras. No entanto, é importante 
notar que a ênfase na infância, especialmente na identifi cação precoce 
de alterações no desenvolvimento, deve-se, entre outros fatores, à des-
coberta do cientista Kennard. (VAKIL, 2012)
Em 1942, Kennard, para estudar a reorganização neuronal 
do sistema nervoso em macacos, desde a infância até a maturidade, 
descobriu que havia mais chance de recuperar aquela função, quando 
ocorreu à lesão em idade mais jovem. Esse princípio, de maior recupe-
ração em idade mais jovem, foi confi rmado após numerosos estudos 
com crianças. Ele foi chamado de “Princípio de Kennard” e é o incenti-
vo para o trabalho sério na prevenção e intervenção de transtornos de 
desenvolvimento e aprendizagem em crianças e adolescentes. (VAKIL, 
2012)
É bem verdade que a etiologia das lesões cerebrais na infância 
é muito variada e pode ser classifi cada de acordo com vários indicado-
res; no momento em que eles ocorrem, eles podem ser, de acordo com 
Vakil (2012): 
a) pré-natal (toxoplasmose, desnutrição intrauterina, abuso in-
trauterino, entre outros);
b) perinatal (hipóxia, mecônio etc.);
c) pós-natal (lesões na cabeça, infecções, desnutrição etc.); 
Portanto, qualquer avaliação do neurodesenvolvimento deve 
explorar completamente os antecedentes e características do desen-
volvimento integral durante a primeira infância. Daí a importância da 
avaliação em uma história médica completa, que é feita e deve ser 
complementada pela observação e análise abrangente de informações 
relativas às características e condições de desenvolvimento durante os 
primeiros anos de vida. (VAKIL, 2012)
Evidentemente, os testes e outros instrumentos de diagnósti-
co neuropsicológico do desenvolvimento infantil, ligarão as informações 
aos processos de identifi cação e avaliação para fi ns de diagnóstico. 
Vakil (2012) destaca que foram classifi cadas as principais causas de 
lesão cerebral por tipo de dano: trauma, vascular (hemorragia), doen-
ças infecciosas (meningite, toxoplasmose), distúrbios metabólicos (ga-
lactosemia) ou neurotóxicos. Esses autores destacam a importância da 
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plasticidade cerebral e da maturidade neuropsicológica na infância para 
avaliar sequelas e recuperação após a lesão. 
Em relação à caracterização de lesões cerebrais na infância, 
destaca-se que foi realizada uma pesquisa para estabelecer os perfi s 
neurocognitivos e comportamentais de distúrbios do desenvolvimento, 
e analisadas suas relações com diferentes lesões cerebrais, da infância 
até a lesão na forma adulta. Novamente, é pertinente observar a ha-
bilidade e a experiência que deve ter o avaliador de desenvolvimento 
neuropsicológico para a seleção de baterias e, especifi camente, des-
tinado às crianças e às condições socioambientais que caracterizam 
cada caso ou testes de determinada população.
A avaliação do neurodesenvolvimento da criança não é igual 
à do adulto. O autor argumenta que, embora a neuropsicologia do de-
senvolvimento, cujo objeto de estudo é o desenvolvimento de funções 
cognitivas e sua relação com a maturação do cérebro durante todo o 
ciclo de vida principal, baseia-se em técnicas de neurociência e de neu-
roimagem; enquanto a neuropsicologia infantil destaca as diferenças 
que existem na maturação do cérebro do nascimento à adolescência, 
entre meninos e meninas, entre o cérebro adulto e o cérebro em desen-
volvimento; bem como o padrão inverso observado no desenvolvimento 
da substância branca versus o da massa cinzenta. (VAKIL, 2012)
Figura 2 – Neurodesenvolvimento
Fonte: Elaborado pela autora (2019)
Na neurociência e na neuropsicologia cognitiva é necessário 
diferenciar os termos “estrutura” e “função” quando referidas ao cérebro. 
A estrutura está relacionada à anatomia e aos processos fi siológicos do 
cérebro e a função refere-se ao comportamento, aos pensamentos e às 
emoções, que certas estruturas cerebrais tornam possíveis. Nesse sen-
tido, é fundamental retornar ao conceito de Sistema Funcional exposto 
por Luria (pai da neuropsicologia) para se referir à origem dos proces-
sos psicológicos. (VAKIL, 2012)
O conceito de sistema funcional refere-se ao fato de que uma 
função ou processo psicológico não é responsável pela região espe-
cífi ca do cérebro ou grupo neuronal, mas o resultado de ligações inte-
gradas, situadas em diferentes níveis dimensionais do sistema nervoso 
central. Luria substitui o conceito de função (localizador) pelo conceito 
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de sistema funcional. Como visto aqui, o fenômeno é sufi cientemente 
complexo e, portanto, os transtornos do desenvolvimento neurológico 
são as lesões cerebrais, que são expressas como desordens neurop-
siquiátricas, cuja origem estaria relacionada a ambos com os períodos 
de desenvolvimento intrauterino e com o período sensível pós-parto. 
(VAKIL, 2012)
Note que o termo neuropsiquiatria implica um fundo complexo 
que supera o componente fi siológico e estrutural do desenvolvimento. 
Com base nos resultados de neuroimagem e análise própria da neurofi -
siologia, Vakil (2012) propõem, como um dos objetivos centrais da ava-
liação do desenvolvimentoneuropsicomotor em crianças e identifi cando 
fatores de risco biológico, difi culdades no processo de maturação e de-
tecção de lesões e distúrbios do desenvolvimento, guiando o prognós-
tico e acompanhamento de lesões e suas sequelas ao longo do tempo, 
durante o desenvolvimento infantil, porque o momento da gestação em 
que a lesão ocorre, sua gravidade e sua extensão, determinará o tipo 
de afetação funcional do indivíduo, após o nascimento e a expressão de 
distúrbios neurocognitivos e comportamentais. 
Além disso, destaca-se a importância da psicologia do desen-
volvimento para compreender a etiologia do desenvolvimento neuroló-
gico de lesão cerebral e processos de maturidade cognitiva, linguagem 
e regulação emocional, incluindo outros. Em contextos como o Brasil, 
é importante abordar a avaliação e intervenção para a realidade so-
cioeconômica do povo, para o desenvolvimento global é o resultado 
da combinação da hereditariedade biológica e fatores físicos, mas 
também fatores sociais, ambientais e especifi cidades culturais que de-
vem ser respeitadas na interpretação dos dados. São determinantes a 
compreensão de fatores associados, etiológicos e de manutenção; em 
suma, a inter-relação da informação em cada caso particular. (VAKIL, 
2012)
Esses princípios resultam em um ganho na validade ecológi-
ca de testes e procedimentos de avaliação e diagnóstico. Outro tema 
central da neuropsicologia infantil do desenvolvimento é a maturidade 
neuropsicológica. Ela é considerada o nível de organização e desenvol-
vimento maturacional, permitindo o desenvolvimento das funções cogni-
tivas e comportamentais, de acordo com a idade cronológica do sujeito, 
destacando as mudanças durante o desenvolvimento e, especialmente, 
na infância. A neuropsicologia do desenvolvimento na infância inclui o 
estudo do cérebro em desenvolvimento e os efeitos comportamentais 
em casos de lesão cerebral, bem como o desenvolvimento normal em 
relação a mais rápidas mudanças evolucionárias na infância e na vida 
adulta. (VAKIL, 2012)
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Da mesma forma, afi rma-se que o prognóstico, após as lesões 
cerebrais, na maioria dos casos, é mais favorável na infância do que 
na idade adulta, devido à plasticidade cerebral (Princípio de Kennard). 
A avaliação e a intervenção abrangente no neurodesenvolvimento da 
criança deve ter objetivos específi cos de acordo com a idade, de modo 
que respeite as taxas individuais de desenvolvimento em cada área par-
ticular de ontogenia, e reconheça a importância e a variabilidade dos 
processos adaptativos e funcionais específi cos de cada uma, identifi -
cando os fatores de risco e gerando propostas de intervenções pre-
ventivas frente às alterações encontradas, focadas não apenas na rea-
bilitação das consequências das lesões, mas também na qualifi cação 
funcional e no treinamento para melhorar a aprendizagem e a adapta-
ção da população infantil em diferentes contextos (escola, família, so-
cial). (VAKIL, 2012)
Finalmente, em relação a neuropsicologia do desenvolvimento 
e psicopatologia, Tirapu (2007) salienta a importância dos fatores de ris-
co, fatores de proteção e a prevenção de desordens do desenvolvimento, 
para diferenciar entre o desenvolvimento normal e o patológico durante 
todo o ciclo de vida, facilitando a intervenção precoce. As condições ad-
versas no ambiente uterino não produzem necessariamente resultados 
desfavoráveis, mas a combinação de fatores de risco podem produzir 
maior vulnerabilidade. A psicopatologia e a neuropsiquiatria do desen-
volvimento destacam a complexidade de múltiplos fatores de risco e 
fatores de proteção. Esses fatores são genéticos, neuroendócrinos, am-
bientais e psicossociais, e interagem com fatores adversos durante a 
gravidez: o parto, o período neonatal e durante a infância. 
Os fatores de risco têm sido vistos como causais mas, mais 
do que isso, têm contribuído para um processo dinâmico e interativo 
ao longo do tempo. Desde a abordagem inicial até o estudo do neuro-
desenvolvimento de lesões cerebrais na infância, é pertinente abordar 
algumas diretrizes para avaliação e intervenção precoce de transtornos 
de origem neuropsicológica nos primeiros anos de vida. (TIRAPU, 2007)
A neuropsicologia do desenvolvimento infantil orienta os pro-
cessos e estratégias de avaliação neuropsicológica na população in-
fantil com o objetivo de detectar e avaliar suas alterações, de acordo 
com as características diferenciais dessa etapa do ciclo vital; portanto, 
inclui aspectos evolutivos, maturacionais e de plasticidade cerebral. A 
avaliação neuropsicológica infantil envolve a identifi cação de variáveis 
biológicas e psicossociais, desde o desenvolvimento das funções psi-
cológicas superiores e está relacionada tanto ao desenvolvimento ma-
turacional do cérebro, quanto à educação, estimulação, experiências e 
oportunidades de aprendizagem. Em outras palavras, o desenvolvimen-
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to de processos psicológicos superiores modula os sistemas funcionais 
do cérebro. (TIRAPU, 2007)
Saiba mais:
Filme sobre o assunto: À Procura (The Captive) (2014)
Filme sobre o assunto: Tower (2016)
Acesse os links: https://www.youtube.com/watch?v=MllJ-
bLAW9Zc
e https://www.youtube.com/watch?v=GTzNkfgM1vE
Observação: Sobre a temática, é importante que o aluno note 
a relevância do assunto dentro do seu campo de atuação.
Como o cérebro é um órgão com muita plasticidade, ele é 
capaz de se adaptar e de se reorganizar continuamente, quando as 
exigências do ambiente o exigem, estabelecendo novos sistemas fun-
cionais a cada vez. A plasticidade cerebral está presente ao longo da 
vida, no entanto, é maior durante a infância e adolescência; embora a 
incidência e as sequelas de alterações neuropsicológicas difusas na 
infância sejam mais graves em alguns casos, pois afetam funções bási-
cas do desenvolvimento. (TIRAPU, 2007)
Os objetivos do exame neuropsicológico na infância são orien-
tados para fazer inferências sobre o funcionamento geral dos hemisfé-
rios cerebrais, especifi cando os pontos fortes e fracos de adaptação e 
o desempenho da criança, incluindo perfi s psicológicos na capacidade 
cognitiva, funções sensório-motoras e reações afetivas; o que facilita o 
desenho de planos de intervenção mais adequados às características 
intraindividuais e interindividuais. (TIRAPU, 2007)
Em sua pesquisa, o autor destaca a importância da avaliação 
neuropsicológica rigorosa e precoce para detectar problemas de apren-
dizagem e desenvolvimento contextualizados às características das 
populações avaliadas. Isso destaca a importância da avaliação multi-
dimensional e a análise de contextos para ajustar os planos de avalia-
ção e intervenção. A avaliação neuropsicológica abrangente deve incluir 
métodos quantitativos e qualitativos e a aplicação de vários instrumen-
tos e a realização de monitoramento para determinar a evolução e as 
consequências ao longo do desenvolvimento de uma lesão cerebral. 
Além disso, a avaliação neuropsicológica estuda as relações 
entre o cérebro e o comportamento e, mais especifi camente, entre os 
processos cognitivos e a função cerebral. Seu objetivo é identifi car, des-
crever e quantifi car, sempre que possível, os défi cits cognitivos e as alte-
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rações comportamentais que resultam de lesões cerebrais. Na infância, 
a etiologia dos distúrbios neuropsicológicos podem ser localizados em, 
pelo menos, dois grupos ou categorias: indivíduos com efeito especial 
de desenvolvimento maturacional e indivíduos após um desenvolvimen-
to inicial normal sofrem uma alteração em razão de acidente e surgem 
as sequelas patológicasem uma forma focal ou difusa. (TIRAPU, 2007) 
É bem verdade que o objetivo da avaliação neuropsicológica 
em crianças passa pela compreensão das funções neurocognitivas, 
suas alterações e funções preservadas após uma lesão cerebral, dirigin-
do uma análise de distúrbios e incluindo os fatores de desenvolvimento. 
A avaliação neuropsicológica das crianças tem várias fi nalidades, sendo 
a primeira delas o diagnóstico, identifi cação da população infantil com 
lesão cerebral. Em segundo lugar, visa obter um perfi l de capacidades, 
em que pontos fracos e fortes aparecerão, de acordo com as capacida-
des deterioradas, até certo ponto, e as preservadas/intactas. 
Um determinado perfi l no qual certas capacidades neuropsico-
lógicas (comportamentais e cognitivas) são seletivamente prejudicadas 
pode ser compatível com a alteração neurológica detectada. Em ter-
ceiro lugar, há o propósito educacional da avaliação neuropsicológica. 
Nesse caso, a avaliação é baseada no interesse em conhecer o per-
fi l neuropsicológico de qualquer escola, a fi m de adaptar os planos e 
estratégias de intervenção (educacional, psicológica e reabilitativa) às 
características de cada aluno. (TIRAPU, 2007)
O que importa é obter informações específi cas sobre o funcio-
namento neuropsicológico de um indivíduo nas áreas mais decisivas 
para alcançar os objetivos desejados à medida que o desenvolvimento 
progride. Em quarto lugar, a avaliação também tende a ter um propósito 
científi co; como objeto de pesquisa, permite comparar grupos entre si, 
a partir dos quais podem surgir perfi s neuropsicológicos característicos 
de alguns transtornos. Permite estabelecer aspectos básicos ou inva-
riantes de alguns distúrbios do desenvolvimento ou sua variabilidade 
interindividual. (TIRAPU, 2007)
Outras vezes, o pesquisador deve repetir a avaliação para a 
mesma população, como é o caso dos estudos longitudinais, que per-
mitirão verifi car se o prognóstico e o tratamento foram adequados. Em 
quinto lugar, a avaliação persegue fi ns de monitoramento; estudos de 
acompanhamento, em geral, têm objetivos clínicos e de pesquisa que 
permitem monitorar o curso do desenvolvimento a partir de um exame 
inicial. Assim, o monitoramento neuropsicológico permitirá identifi car as 
variações dos efeitos de uma lesão cerebral ao longo de um período 
de tempo nas habilidades e funcionamento neurocognitivos. (TIRAPU, 
2007)
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Figura 3 – Avalliação
Fonte: Elaborado pela autora (2019)
Tirapu (2007) destaca a importância do monitoramento para 
verifi car, em alguns casos, os efeitos agudos e graves das lesões ce-
rebrais; a estabilidade das sequelas ou determinar se há deterioração 
neuropsicológica de natureza duradoura ou crônica. A intervenção neu-
ropsicológica também pode ser monitorada, assim como seus efeitos 
nos diferentes distúrbios e alterações na infância.
Finalmente, no que diz respeito à avaliação neuropsicológi-
ca infantil quando se considera a idade, o nível de desenvolvimento, a 
história e o fundo, bem como a avaliação neurológica, para uma ava-
liação neuropsicológica quantitativa e qualitativa completa, enquadrada 
nas variáveis do desenvolvimento que podem afetá-lo. Isso implica des-
tacar algumas conclusões e recomendações associadas à avaliação 
neuropsicológica do desenvolvimento da criança, de acordo com Tirapu 
(2007): 
1. A avaliação deve ser global: um teste é claramente insufi -
ciente, o avaliador deve ter o conhecimento e a experiência sufi cientes 
para escolher os testes ou baterias que permitem avaliar áreas especí-
fi cas e verifi car a execução em áreas associadas e cruzadas. 
2. A primeira referência é a coleta de informações que devem 
provir de diferentes fontes, as quais podem dar testemunho da execu-
ção e do desenvolvimento global da criança: pais, cuidadores, educa-
Figura 3 – Avalliação
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dores. 
3. A avaliação inclui informação qualitativa e quantitativa; a 
análise de dados requer sólidos fundamentos teóricos e complementa-
res, com alta capacidade de observação sistemática. 
4. A formulação de diagnósticos diferenciais é uma referên-
cia necessária para a avaliação adequada, é conveniente estabelecer 
quando o resultado da execução de um fi lho (a) está relacionada com o 
retardar do desenvolvimento, a prisão de desenvolvimento temporária 
ou transitória ou um distúrbio ou imaturidade permanente de tipo neu-
ropsicológico adequado.
Em conclusão, em sociedades como a atual, em que as condi-
ções de pobreza generalizada, a desigualdade de oportunidades para 
crianças e jovens, o aumento do número de gestações em adolescen-
tes, a dinâmica familiar disfuncional e o número de fatores que afetam 
o desenvolvimento infantil, é urgente e essencial empreender ações de 
intervenção na detecção, estimulação e reabilitação de funções cogniti-
vas, emocionais e sociais que favoreçam a maturidade neuropsicológi-
ca e promovam um desenvolvimento harmonioso e funcional na infân-
cia. (TIRAPU, 2007)
O benefício para as crianças, pais, professores e, em geral, 
para a sociedade, está sufi cientemente demonstrado no trabalho de 
prevenção e promoção da saúde integral, daquele que é o maior capital 
humano: a criança. 
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QUESTÕES DE CONCURSOS
QUESTÃO 1 
Ano: 2018 Banca: FCC Órgão: Prefeitura de Macapá Prova: Psico-
logia Nível: Superior
Wallon indica que a falta de pensamento refl exivo (capacidade de 
pensar o próprio pensamento) e de tomada de posição (capacida-
de de assumir um ponto de vista) confi guram
a) a incompletude do pensamento categorial.
b) os indícios centrais da falta de sincretismo lógico
c) duas particularidades do pensamento infantil.
d) as contradições reais ou imaginárias da criança.
e) duas simbolizações que marcam a linguagem e o pensamento.
QUESTÃO 2
Ano: 2018 Banca: FCC Órgão: Prefeitura de Macapá Prova: Psico-
logia Nível: Superior
A memória é um dos processos cognitivos essenciais nos diver-
sos ciclos do desenvolvimento humano e
a) está relacionada à aquisição, formação e conservação de informa-
ções que são obtidas no cotidiano.
b) o armazenamento de informações é a última etapa no processo de 
memorização.
c) a não conservação de informações na pessoa com diagnóstico de 
Alzheimer está relacionada com falha na comunicação e recepção de 
informações.
d) a memorização de informações na criança não passa por todas as 
etapas como no caso do adolescente e do adulto.
e) o hipocampo é responsável pela recepção e seleção das informações 
que passarão pelo processo de memorização de curto prazo.
QUESTÃO 3
Ano: 2018 Banca: Quadrix Órgão: CEP Prova: Psicologia Nível: Su-
perior O neuropsicólogo russo Alexander Luria organizou o córtex 
cerebral em uma hierarquia composta por três grandes áreas fun-
cionais. A respeito dessas áreas, assinale a alternativa correta.
a) As regiões primárias possuem um papel essencialmente motor.
b) As regiões terciárias diferem das secundárias, principalmente, pela 
capacidade de integração de informações.
c) O córtex motor primário recebe comandos de regiões motoras asso-
ciativas.
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d) Uma lesão no córtex visual primário é geralmente acompanhada de 
defi cits em outras modalidades sensoriais.
e) Lesões em regiões secundárias geralmente estão associadas a de-
fi cits sensoriais.
QUESTÃO 4
Ano: 2018 Banca: Quadrix Órgão: CEP Prova: Psicologia Nível: Su-
perior Assinale a alternativa que apresenta um desdobramento fal-
so do avanço da ressonância magnética funcional.
a) maior precisão espacial paraas correlações estrutura-função
b) uso de delineamentos experimentais para a investigação das bases 
neurais dos processos cognitivos
c) investigação não invasiva do cérebro
d) acompanhamento do desfecho de tratamentos
e) possibilidade de confi rmação de diagnósticos de transtornos do de-
senvolvimento, como o TDAH
QUESTÃO 5
Ano: 2018 Banca: Quadrix Órgão: CEP Prova: Psicologia Nível: Su-
perior
A condição em que há uma falta de consciência para os estímulos 
apresentados ao lado contralesional do espaço é chamada de
a) síndrome de Balint.
b) agnosia visual.
c) heminegligência.
d) ataxia.
e) anosognosia.
QUESTÃO DISSERTATIVA – DISSERTANDO A UNIDADE
Explique o que vem a ser neuropsicologia.
TREINO INÉDITO
Assunto: Neuropsicologia
Assinale a alternativa correta a respeito da neuropsicologia.
a. Neuropsicologia é fundamentalmente disciplina clínica que converge 
entre psicologia e neurologia;
b. Neuropsicologia é fundamentalmente disciplina fi losófi ca que conver-
ge entre psicologia e neurologia;
c. Neuropsicologia é fundamentalmente disciplina prática que converge 
entre psicologia e neurologia;
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d. Neuropsicologia é fundamentalmente disciplina ética que converge 
entre psicologia e neurologia;
e. NDA
NA MÍDIA
Contribuições da neuropsicologia para a psicologia clínica e a edu-
cação
O objetivo foi estudar alguns aspectos da avaliação neuropsicológica e 
testes tradicionais aplicados individualmente a 12 sujeitos (8 a 13 anos). 
A análise qualitativa mostrou aspectos problemáticos na avaliação tra-
dicional.
Fonte: Lúcia Helena Tiosso Moretti; João Batista Martins
MORETTI, Lúcia Helena Tiosso; MARTINS, João Batista. Contribuições 
da neuropsicologia para a psicologia clínica e a educação. Psicol. Esc. 
Educ. (Impr.), Campinas , v. 1, n. 2-3, p. 67-70, 1997 .
Available from <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pi
d=S1413-85571997000100008&lng=en&nrm=iso>. access on 10 May 
2019. http://dx.doi.org/10.1590/S1413-85571997000100008.
NA PRÁTICA
A Neurobiologia da Dislexia
Os processos da fala, leitura e escrita são uma característica particular 
do ser humano. Estes processos são as formas mais elevadas da lin-
guagem, que exigem um processo linguístico anatômico e neuropsico-
lógico altamente complexo. A difi culdade de aprendizagem para as ha-
bilidades de leitura e escrita são denominadas de dislexia ou transtorno 
de leitura. Historicamente, a sua defi nição tem sido explicada por dois 
modelos: o modelo ortodoxo e o modelo de Davis.
Fonte: Anne Caroline De Brito Edir, Larissa Aves Leite Matos, Heliana 
Beatriz Barbosa Meira
Para leitura do artigo na íntegra acesso o link que está disponível em: 
http://cienciasecognicao.org/neuroemdebate/?p=1126
PARA SABER MAIS
Filme sobre o assunto: Um homem entre gigantes 
Peça de teatro: Paradinha cerebral
Acesse os links: https://youtu.be/RIJj97cs17E/
https://youtu.be/4rCk6eq4_XA
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ÁREAS DISCIPLINARES E SEU ENVOLVIMENTO COM AS FUN-
ÇÕES NEUROPSICOLÓGICAS
A psicologia é uma das mais diversas disciplinas apresentadas 
em suas opções de desempenho profi ssional, hoje desfruta de grande 
prestígio e grande demanda entre opções de estudo em diferentes uni-
versidades. Podemos encontrar um psicólogo praticamente em qual-
quer instituição em que as relações sociais são geridas e procura-se 
melhorar ou desenvolver habilidades nas pessoas, por isso podemos 
dizer que estão em qualquer contexto. Abaixo, oferecemos uma visão 
geral de suas principais áreas de trabalho. (RAMOS, 2016)
FUNÇÕES 
NEUROPSICOLÓGICAS E
SEUS DISTÚRBIOS - 
PERCEPÇÃO, ATENÇÃO,
MEMÓRIA, CONSICÊNCIA
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Psicologia clínica.
É a área em que o trabalho de um psicólogo é mais socialmente 
localizado. As funções desempenhadas nesse campo são dedicadas à 
prevenção, diagnóstico e tratamento de confl itos emocionais e/ou so-
ciais que um indivíduo possa ter. Quanto à prevenção, a equipe tra-
balhará de forma a privilegiar os recursos psicológicos do sujeito, lhe 
permitindo resolver, de forma funcional e socialmente apropriada, os 
vários problemas que possa vir a enfrentar em sua realidade imediata. 
(RAMOS, 2016)
Quanto ao diagnóstico, utilizam-se diferentes instrumentos - 
principalmente entrevistas e testes -, que permitem identifi car a carac-
terologia de um distúrbio específi co. Dessa forma, interpretações des-
providas de objetividade são evitadas, descartando e identifi cando, os 
fatores ou razões que afetam diretamente o comportamento do proble-
ma. Com relação ao tratamento, o psicólogo realiza um trabalho gradual 
que desenvolve habilidades físicas, emocionais e comportamentais que 
permitem que uma pessoa, casal ou família, tenha um melhor ajuste e 
desempenho dentro seu contexto social. (RAMOS, 2016)
Psicologia cognitiva
A psicologia cognitiva é uma escola de psicologia que lida com 
o estudo da cognição, ou seja, os processos mentais envolvidos no co-
nhecimento. Ele tem como objetivo estudar os mecanismos básicos e 
profundos pelos quais o conhecimento é produzido, a partir da percep-
ção, memória e aprendizagem, até a formação de conceitos e raciocí-
nio lógico. Por cognitivo entendemos o ato de conhecimento, em suas 
ações para armazenar, recuperar, reconhecer, compreender, organizar 
e usar as informações recebidas através dos sentidos. O interesse da 
psicologia cognitiva é duplo. (RAMOS, 2016)
Neuropsicologia é uma especialidade que pertence ao campo 
da neurociência, que estuda a relação entre processos mentais e com-
portamentais e cérebro.
O primeiro interesse é estudar como as pessoas entendem o 
mundo em que vivem e perguntar como os seres humanos tomam a 
informação sensorial recebida e a sintetizam, processam, armazenam, 
recuperam e, fi nalmente, fazem uso dela. O resultado de todo esse pro-
cessamento ativo de informação é o conhecimento funcional, no sentido 
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de que a segunda vez em que uma pessoa está em um ambiente ou 
passa por um evento, é mais seguro do que pode ocorrer em relação à 
primeira vez. (RAMOS, 2016)
A psicologia cognitiva é uma das mais recentes áreas da psi-
cologia e estuda vários processos cognitivos, tais como resolução de 
problemas, raciocínio (indutivo, dedutivo, abdutivo, analógico), percep-
ção, tomada de decisão e aquisição da linguagem. (RAMOS, 2016).
Psicologia transcultural
Essa parte da psicologia é dedicada ao estudo e comparação 
de pessoas de diferentes culturas e etnias, pois como tem sido demons-
trado ao longo do tempo, todos os homens foram infl uenciados por cer-
tos costumes, que foram passados de geração em geração. Desde o 
seu surgimento, há milhares de anos, o homem foi organizando-se, 
agrupando-se e instalando-se em determinados lugares neste planeta. 
Foi assim que os grupos étnicos foram formados. (RAMOS, 2016)
Psicologia do Desenvolvimento
Os psicólogos do desenvolvimento estudam o crescimento hu-
mano mental e físico desde o período pré-natal, passando pela infância, 
adolescência, idade adulta e chegando na velhice. Eles estão interes-
sados em padrões universais de desenvolvimento, bem como em varia-
ções culturais e individuais. (RAMOS, 2016)
Psicologia ambiental
É uma das áreas de inserção com menos anos de prática, mas 
que teve crescimento edesenvolvimento consideráveis. Os psicólogos 
que trabalham nesse campo estão interessados em determinar os efei-
tos produzidos pelo ambiente sobre o ser humano. Fatores como a po-
luição, superpopulação, espaços geográfi cos de casas e comunidades, 
condições temporárias, frio, calor, ruído e saúde são alguns dos sujeitos 
e objetos de interesse. (RAMOS, 2016)
Para a ligação que tem com outras profi ssões, como a arquite-
tura, medicina, ecologia e desenvolvimento urbano, que permite o tra-
balho interdisciplinar e o crescimento das cidades que necessitam da 
criação de novas áreas residenciais, torna-se uma área com um futuro 
promissor. 
Psicologia Evolucionária
A Psicologia Evolucionária lida com os processos de mudança 
psicológica que ocorrem nas pessoas ao longo da vida. Seus principais 
objetivos são descrever as mudanças psicológicas e tentar explicar por 
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quê elas ocorrem, bem como explicar as diferenças entre algumas pes-
soas e outras, e estabelecer as bases para diferentes tipos de interven-
ção. (RAMOS, 2016)
Psicologia Experimental
Os psicólogos experimentais conduzem pesquisas sobre pro-
cessos psicológicos básicos, incluindo aprendizagem, memória, sen-
sação, percepção, cognição, motivação e emoção. Eles estão interes-
sados em responder perguntas como: De que maneira as pessoas se 
lembram e o que as faz esquecer? Como tomamos decisões e resolve-
mos problemas? Homens e mulheres abordam problemas complexos 
de maneiras diferentes? Por que algumas pessoas são mais motivadas 
que outras? As emoções são universais? Isto é, pessoas de diferentes 
culturas experimentam as mesmas emoções em situações semelhan-
tes? Ou, ao contrário, culturas diferentes enfatizam algumas emoções e 
as descartam ou ignoram? (RAMOS, 2016)
Psicologia da saúde
Psicologia da Saúde, também tem sido chamada de medicina 
comportamental. A psicologia da saúde é vista de forma diferente de-
pendendo do observador. Entretanto, tanto a observação das diversas 
atividades em que os psicólogos da saúde estão envolvidos, como a 
revisão do respectivo referencial teórico, formam uma práxis social e 
acadêmica defi nida. É precisamente essa práxis que produz novas ope-
rações de distinção que questionam as formulações e parcelas anterio-
res do conhecimento. (RAMOS, 2016)
Figura 4 – Psicologia da saúde
Fonte: Elaborado pela autora (2019)
Figura 4 – Psicologia da saúde
Fonte: Elaborado pela autora (2019)
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A psicologia da saúde como sinônimo “medicina comportamen-
tal”, defi nição que estabelece-se como “o campo interdisciplinar que lida 
com o desenvolvimento e integração de conhecimentos e técnicas de 
ciências comportamentais e biomédicas que são relevantes para o com-
preensão da saúde e da doença, e a aplicação desse conhecimento e 
dessas técnicas à prevenção, diagnóstico, tratamento e reabilitação”. 
O modelo tradicional de abordagem da doença, propõe, como cuidado 
alternativo nos três aspectos indicados, de acordo com Ramos (2016):
1. Hábitos e estilos de vida que afetam negativamente a saúde, 
como o uso do tabaco.
2. Os efeitos fi siológicos que são uma consequência direta de 
estímulos psicossociais, como situações que produzem estresse.
3. Cumprimento de prescrições terapêuticas. A esse respeito, 
eles apontam, por exemplo, que apenas um quarto dos pacientes que 
seguiram com sucesso um tratamento de emagrecimento ou suspensão 
do tabaco ou álcool permanecem sem recaídas após um ano.
Psicologia industrial ou organizacional
Os psicólogos industriais e organizacionais (I/O) estão interes-
sados em problemas práticos, como a seleção e treinamento de pes-
soal, a melhoria da produtividade e das condições de trabalho e o im-
pacto dos computadores e automação nos trabalhadores. É possível 
determinar com antecedência quem será um vendedor ou piloto aéreo 
efi caz e quem não será? As organizações tendem a operar de maneira 
diferente na liderança feminina ou masculina? Pesquisas mostram que 
grupos de trabalho com alto moral tendem a ser mais produtivos do que 
grupos com baixo moral. (RAMOS, 2016)
Psicologia da personalidade
Psicólogos da personalidade estudam as diferenças entre os 
indivíduos em características como ansiedade, sociabilidade, auto-es-
tima, necessidade de realização e agressividade. Psicólogos nesse 
campo estão tentando determinar o que faz com que algumas pessoas 
sejam rabugentas e nervosas, enquanto outras são alegres e descon-
traídas, e por que algumas pessoas são silenciosas e cautelosas, en-
quanto outras são inquietas e impulsivas. (RAMOS, 2016)
Eles também estudam se existem diferenças consistentes en-
tre homens e mulheres, ou entre membros de diferentes grupos raciais 
e culturais, em características como: sociabilidade, ansiedade e cons-
cienciosidade. Questões atuais para os psicólogos da personalidade 
incluem: A personalidade é inata e estável ou é aprendida e sujeita à 
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mudanças? Diferentes culturas tendem a produzir diferentes “tipos de 
personalidade”?, isto é, grupos de características que geralmente ocor-
rem juntas? Qual é a melhor maneira de avaliar ou medir a personalida-
de? (RAMOS, 2016)
Psicologia Educacional
A psicologia educacional é a área da psicologia que se dedica 
ao estudo da educação humana dentro dos centros educacionais. Com-
preende, portanto, a análise das formas de aprendizagem e de ensino, 
a efi cácia das intervenções educativas, a fi m de melhorar o processo. A 
aplicação dos princípios da psicologia social para essa fi nalidade ajuda 
aquelas organizações cujo propósito é instruir. A psicologia educacional 
estuda como os alunos aprendem e se desenvolvem, às vezes, concen-
trando a atenção em subgrupos como crianças superdotadas ou aque-
les que sofrem de uma defi ciência específi ca. (RAMOS, 2016)
Nos últimos anos, a neuropsicologia recebeu um novo impulso 
a partir do crescente desenvolvimento da ciência cognitiva (psicologia 
cognitiva, inteligência artifi cial, linguística) das ciências neurobiológicas 
(neuroanatomia, neurofi siologia, neuroquímica) e técnicas de neuroima-
gem.
As atividades geralmente incluem orientação escolar e profi s-
sional, apoio psicológico-educacional, educação especial para crianças 
com defi ciências físicas ou intelectuais, super-dotados ou aprendizagem 
com defi ciência, elaboração de currículo, estratégias de aprendizagem, 
desenvolvimento de hábitos de estudo, desenvolvimento de materiais 
didáticos, consultorias e tutorias acadêmicas e pessoais, treinamento, 
escola para pais, entre outros. Os métodos geralmente utilizados pela 
psicologia educacional são os testes clínicos, observacionais, correla-
cionais, genéticos, de entrevista, projetivos e de inteligência. (RAMOS, 
2016)
Psicologia social
Os psicólogos sociais estudam o modo como as pessoas se 
infl uenciam mutuamente. Eles exploram tópicos como as primeiras im-
pressões e a atração interpessoal; a maneira pela qual as atitudes são 
formadas, mantidas ou mudadas; preconceito e persuasão; conformi-
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dade e obediência à autoridade; e se as pessoas se comportam de 
maneira diferente quando fazem parte de um grupo ou de uma multidão 
do que quando estão sozinhas.
Psicologia esportiva
A psicologia do esporte é o ramo da psicologia que estuda os 
processos psíquicos e o comportamento do homem durante a atividade 
esportiva. Essa ciência aplicada busca conhecer e otimizar as condi-
ções internas do atleta para conseguir a expressão do potencial físico, 
técnico e táticoadquirido no processo de preparação. É responsável 
por estudar os fatores psicológicos que melhoram o desempenho da 
psicologia esportiva, bem como os efeitos do exercício no ajustamento 
psicológico e no bem-estar geral. (RAMOS, 2016)
Psicología infantil
Os psicólogos infantis concentram-se em bebês e crianças. 
Eles estão interessados em temas como, se os bebês nascem com per-
sonalidades e temperamentos distintos, como as crianças adquirem a 
linguagem e desenvolvem a moral, como a forma e o tempo das dife-
renças sexuais emergem no comportamento e como avaliar mudanças 
no signifi cado e importância da amizade durante a infância. (RAMOS, 
2016)
Psicologia Forense
A psicologia forense é um ramo da psicologia jurídica que lida 
com a assistência ao processo de administração da justiça na área tri-
butária. É uma divisão da psicologia aplicada relacionada à coleta de 
análise e apresentação de evidências psicológicas para fi ns judiciais. 
Portanto, inclui uma compreensão da lógica do direito material e pro-
cessual relevante para realizar avaliações e análise psicológica-legal e 
adequadamente interagir com juízes, promotores, defensores públicos 
e outros profi ssionais do ramo. A Psicologia forense (que inclui o traba-
lho clínico em instituições correcionais, aconselhamento para advoga-
dos, servindo como testemunha especializada em julgamentos legais 
e formulação de políticas públicas em psicologia e direito). (RAMOS, 
2016)
Psicologia criminal
A Psicologia Criminal ou Criminológica é, segundo sua ética, 
o estudo da alma do sujeito criminal. Embora aqui, a psique ética seja 
usada no sentido científi co, isto é, aquelas características da persona-
lidade total do agressor e não sua alma em um sentido metafísico. A 
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psicologia criminal, ultrapassou o limite da observação individual do su-
jeito anti-social, estendendo-se a estudos de comportamento criminal e 
fatores psicológicos que infl uenciam o crime, seja individual ou coletivo. 
(RAMOS, 2016)
Figura 5 – Psicologia criminal
Fonte: Elaborado pela autora (2019)
Quatro ramos científi cos são reconhecidos pela observação 
psicológica da personalidade, segundo Serafi ni (2008):
1 - Psicologia Criminal que estuda o infrator como autor do 
crime.
2 - A Psicologia Judicial que estuda seu comportamento assim 
que é imputado de um crime.
3 - Psicologia Prisional que o estuda enquanto ele é condena-
do, expiando uma sentença de prisão.
4 - Psicologia Jurídica estuda a coordenação de noções psi-
cológicas e psicopatológicas que ocorrem na aplicação das leis penais 
sobre as condições de menores, doentes mentais, surdo-mudos, alcoo-
listas, bem como circunstâncias agravantes ou atenuantes existentes.
Psicologia do adolescente
Os psicólogos de adolescentes especializam-se nos anos que 
compõem essa etapa, incluindo a puberdade, as mudanças nas rela-
ções com os pares e os pais e a busca de identidade, que tornam esse 
período difícil para alguns jovens. (SERAFINI, 2008)
Figura 5 – Psicologia criminal
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PROCESSOS MENTAIS
Abaixo trataremos algumas defi nições a respeito dos proces-
sos mentais, que estão inseridos nas funções neuropsicológicas e seus 
distúrbios. Vejamos, de acordo com Serafi ni (2008):
Memória: Os psicólogos usam a palavra memória para refe-
rirem-se aos vários processos e estruturas envolvidas no armazena-
mento de experiências e como recuperá-las novamente. A memória é a 
função envolvida em reviver experiências passadas. É a persistência do 
passado. Consideram os processos e estruturas envolvidas no armaze-
namento de experiências e recuperam-nas novamente.
É a função psíquica de fi xar, reter, reproduzir, reconhecer e 
localizar os estados de consciência adquirido anteriormente. A maioria 
das defi nições acima fi cam como parte de experiências passadas de 
armazenamento de memória, a recuperação dessas experiências, bem 
como a sua inscrição (fi xação). Isso leva a considerar a memória como 
um sistema ativo que recebe, armazena, organiza, modifi ca e recupera 
informações. (SERAFINI, 2008)
Muitos psicólogos assumem a existência de três tipos de in-
formações: sensorial, a curto e longo prazo. A memória sensorial é o 
armazenamento inicial e momentâneo da informação; memória de curto 
prazo conserva informações entre quinze e vinte e cinco segundos; e a 
memória de longo prazo armazena informações de forma relativamente 
permanente.
Inteligência: Termo geral que se refere à habilidade ou habili-
dades envolvidas no aprendizado e no comportamento adaptativo. Há 
um desacordo considerável sobre quais habilidades mentais específi -
cas devem ser consideradas sinais de inteligência. No início de 1980, 
Sternberg e seus colegas descobriram que os especialistas e neófi tos 
descrevem uma pessoa inteligente como alguém que tem a habilidade 
prática de resolução de problemas e a capacidade verbal, incluindo a 
competência social em seus conceitos de inteligência. Muitos especia-
listas incluem, agora, a criatividade e a capacidade de se adaptar ao 
ambiente como componentes cruciais da inteligência. (SERAFINI, 2008)
O termo “função cognitiva” refere-se a processos mentais ou 
intelectuais como a capacidade de prestar atenção, lembrar, produzir e 
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compreender a linguagem, resolver problemas e tomar decisões.
Pensamento: É a manipulação de representações mentais 
de informações, envolvendo formação de conceitos, resolução de 
problemas, pensamento crítico, raciocínio e tomada de decisão. A 
representação pode ser uma palavra, uma imagem visual, som ou 
dados de qualquer outra forma. O que transforma o pensamento é a 
representação da informação de forma nova e diferente, a fi m de res-
ponder a uma pergunta, resolver um problema ou ajudar a alcançar um 
objetivo. O pensamento é individual, isto é, de cada pessoa. A função é 
produzir informações sensíveis e construir representações mais gerais 
e abstratas simbolizando e substituindo objetos e permitindo a sua ges-
tão mental, a fi m de encontrar uma resolução que excede confl itos ou 
contradições presente nos problemas. (SERAFINI, 2008) 
Percepção: A percepção não é um processo simples, ela pró-
pria é o resultado de outros processos complexos, muitos dos quais 
estão além de nossa consciência. Um dos propósitos da percepção é 
informar sobre as propriedades do ambiente que são vitais para a nossa 
sobrevivência. Outro objetivo é nos ajudar a agir em relação ao meio 
ambiente.
 Através da percepção, podemos organizar as informações re-
cebidas e interpretá-las de maneira signifi cativa. Cada pessoa percebe 
o mundo de forma diferente, porque cada um produz uma interpreta-
ção única e individual. A identifi cação da percepção como um processo 
complexo pode ser infl uenciada pelos nossos conhecimentos, memó-
rias e expectativas. Nesse sentido, a percepção é entendida como um 
estado subjetivo. Essas categorias são estabelecidas como perceptuais 
através do qual novas experiências sensoriais possa transformá-las em 
situações reconhecíveis e compreensíveis. (SERAFINI, 2008) 
Nessa perspectiva, considera-se que a percepção é o processo 
fundamental da atividade mental, e outras atividades psicológicas tais 
como a aprendizagem, a memória, o pensamento, entre outros, depen-
dem do bom funcionamento do processo de organização perceptual.
Emoções: 
As emoções, como motivos, ativam e direcionam nosso com-
portamento. Os psicólogos distinguem entre as que são compartilhados 
por pessoas em todos os lugares e as emoções secundárias, que apa-
recem em algumas culturas, mas não em todas as emoções primárias. 
Uma análise transcultural da expressãoemocional levou Paul Ekman 
e seus colegas a argumentarem que há, pelo menos, seis emoções: 
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felicidade, surpresa, tristeza, medo, desgosto e raiva. Muitos psicólogos 
adicionam amor a essa lista de emoções básicas. (SERAFINI, 2008)
A psicologia positiva está interessada em compreender uma 
das nossas emoções mais positivas: a felicidade. A felicidade é apenas 
um aspecto do bem-estar subjetivo. Para entender as raízes da felicida-
de e sentimentos de bem-estar, os pesquisadores primeiro examinaram 
eventos externos e características de demonstração gráfi ca de pessoas 
felizes. (SERAFINI, 2008)
Estímulos ambientais produzem mudanças fi siológicas no cor-
po que interpretamos como emoções. O processamento de emoções e 
respostas corporais ocorrem simultaneamente e não sucessivamente. 
A teoria cognitiva sustenta que a situação em que nos encontramos 
quando estamos ambientados (ambiente global) nos dá sinais que nos 
ajudam a interpretar o estado geral de ativação da emoção. 
Segundo pesquisas recentes, além da cognição, a expressão 
facial pode infl uenciar as emoções. Altamente ativadores interativos da 
emoção são: nervoso, sensório motor, motivacional e cognitivo. (SERA-
FINI, 2008)
Figura 6 – Psicologia positiva
Fonte: Elaborado pela autora (2019)
Linguagem: A linguagem está intimamente ligada à expres-
são e compreensão do pensamento. De acordo com Benjamin Whorf, 
padrões de pensamento são determinados pelo idioma que você fala, 
um processo chamado determinismo linguístico. É um código de sons 
ou gráfi cos que servem para a comunicação entre os seres humanos. 
A linguagem é a capacidade humana de se comunicar e 
representar a realidade através de sinais. Existem linguagens verbais 
e não verbais (cinestésico, proxêmica e outros). A linguagem, como um 
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veículo do pensamento ou à serviço do pensamento, serve para organi-
zar, categorizar, corrigir, codifi car e recuperar informações. Toda lingua-
gem é expressão de pensamentos e todo pensamento é expresso atra-
vés da linguagem. A palavra é o símbolo do permanente na infl uência 
dos fenômenos e graças a ele sua fugacidade cessa. (SERAFINI, 2008)
Em se tratando da memória de forma mais específi ca, ela é a 
capacidade de lembrar as coisas que experimentamos, imaginamos e 
aprendemos. Os relatos de pessoas com extraordinária memória geram 
muitas dúvidas. Sobre a natureza da memória: Por que algumas pes-
soas se lembram de coisas muito melhores do que outras? Eles nasce-
ram com essa habilidade ou alguém poderia aprender a lembrar? E por 
que a evocação, às vezes, é tão simples (pense na facilidade com que 
os fãs de beisebol se lembram da média de rebatidas de seus jogadores 
favoritos) e outras vezes é difícil (como quando procura as respostas de 
um exame)? 
Por que achamos tão difícil lembrar de algo que aconteceu há 
alguns meses, mas podemos nos lembrar em detalhes de algum outro 
evento que aconteceu 10, 20 ou até 30 anos atrás? Como funciona a 
memória e o que a faz falhar? (SERAFINI, 2008)
Já em relação à memória de curto prazo (MCP), destaca-se o 
trabalho de armazenar e processar brevemente as informações selecio-
nadas de registros sensoriais. As informações que atendemos entram 
na memória de curto prazo (MCP), também chamada memória primária 
e memória de trabalho. A MLP (memória a longo prazo) contém tudo 
o que estamos pensando ou o que estamos cientes a qualquer mo-
mento. A MLP não armazena apenas brevemente as informações, mas 
também as processa. (SERAFINI, 2008)
A MCP tem seus limites. Os pesquisadores descobriram que 
ela só contém informações que podem ser repetidas ou revisadas entre 
1,5 e 2 segundos, o que geralmente equivale a entre 5 e 10 informações 
separadas. Podemos processar mais informações agrupando-as em 
unidades maiores e signifi cativas, um processo chamado segmentação. 
(SERAFINI, 2008)
Em se tratando da codifi cação da informação essa pode ser 
codifi cada para armazenamento na MCP de forma fonológica (de acor-
do com o seu som), visualmente ou em termos do seu signifi cado. Os 
pesquisadores concluíram que o MCP tem maior capacidade de mate-
rial visualmente codifi cado do que de informação codifi cada fonologica-
mente. (SERAFINI, 2008)
Já a manutenção na MLP se dá através da revisão mecânica, 
ou revisão de manutenção, retemos as informações no CCM por um ou 
dois minutos, repetindo-as várias vezes. No entanto, a memorização 
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mecânica não promove a memória de longo prazo. (SERAFINI, 2008)
Já a memória de longo prazo (MLP) é mais ou menos perma-
nente e armazena tudo o que “conhecemos”. Tudo o que aprendemos 
está armazenado na memória de longo prazo: as letras de uma canção 
popular, os resultados da última eleição, o signifi cado de justiça, como 
patinar ou desenhar um rosto e o que devemos fazer amanhã às 4 da 
tarde. A memória de longo prazo pode armazenar uma grande quantida-
de de informações por muitos anos. A maioria das informações na MLP 
parece ser codifi cada em termos de signifi cado. A memória de curto e 
longo prazo trabalham juntas para explicar o efeito da posição serial, 
o fato de que quando as pessoas recebem uma lista de itens a serem 
lembrados, tendem a lembrar o primeiro e o último elementos da lista. 
(SERAFINI, 2008)
A revisão mecânica é útil para conservar informações na MLP, 
especialmente de material sem signifi cado, como números de telefone. 
Através da revisão elaborativa extraímos o signifi cado da informação e 
a vinculamos com tanto material que já está no MLP quanto possível. A 
revisão elaborativa processa os novos dados de maneira mais profunda 
e signifi cativa do que a simples repetição mecânica. A maneira como 
codifi camos o material para armazenamento no MLP afeta a facilidade 
com a qual podemos recuperá-lo mais tarde. (SERAFINI, 2008)
Sendo assim, um esquema é uma representação mental de um 
objeto ou evento armazenado na memória. Os esquemas fornecem um 
quadro de referência no qual a informação que chega é ajustada; eles 
também promovem a formação de estereótipos e a extração de inferên-
cias. (SERAFINI, 2008)
Como vimos, aprendizado e memória estão intimamente rela-
cionados, “porque o homem, no processo constante de identifi cação, 
detecção e processamento de informações, enfrenta estímulos repe-
tidamente, e a base de sua adaptação ao ambiente é sua capacidade 
de tirar proveito de experiências passadas e incorporar novas experiên-
cias, assim, há processos de aprendizagem ligados à memória, como o 
priming, habilidades e hábitos”. 
O priming é um “processo que facilita a identifi cação e a detec-
ção de informações, é um reconhecimento sem qualquer esforço parti-
cular e é uma forma de memória implícita”, da mesma forma que atua 
na aprendizagem de habilidades e hábitos em que sua aprendizagem 
é lenta, progressiva e gradual, esses procedimentos são armazenados, 
principalmente, como memória de curto prazo. Você também pode ver 
classifi cações na literatura que não nos dão maior clareza como visual, 
auditivo, tátil, verbal, não-verbal, lógico, emocional etc. (SERAFINI, 
2008)
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Essa classifi cação é praticamente infi nita e, portanto, é de pou-
ca utilidade do ponto de vista metodológico. Outros autores levantam a 
diferença entre hábito e memória, afi rmando que os hábitos nos dizem 
“como” saber e as memórias sabem “o que”, mas é claro que, qualquer 
comportamento deve ser baseado em circuitos responsáveis pela me-
mória, consciente ou inconscientemente. O

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