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MEDICINA VETERINÁRIA 
 
 
São alterações que o cadáver 
apresenta logo depois do momento da morte 
e não ocorrem no indivíduo vivo. É importante 
diferenciar essas alterações das provocadas 
pela doença em vida. Na perícia podem ser 
identificados maus tratos, envenenamentos, 
estimar a hora da morte. 
Tudo começa com a morte do animal com a 
parada cardiorrespiratória, parando também 
a circulação e diminuindo o oxigênio, glicose, 
água, etc. Assim, o animal entra em 
anaerobiose que causa acidose e libera ácido 
lático, que facilita a morte das células. A 
autólise celular é feita através de enzimas 
proteolíticas, que digerem as proteínas, que 
são a base dos tecidos e órgãos. 
Enquanto houver estoque de energia, mesmo 
que o animal tenha para cardiorrespiratória, 
a energia ainda mantém algumas células vivas 
(assim, alguns órgãos continuam funcionando 
mesmo após a morte). 
 O cérebro possui uma autólise rápida. 
Na autólise celular, há a morte das 
células e depois a invasão de bactérias para 
os tecidos (assim, vários sistemas são 
contaminados por ela. O primeiro é o sistema 
digestório, seguido do sistema respiratório e 
a pele). Quando o animal morre, essas 
bactérias invadem o sangue e os tecidos, 
iniciando o processo de decomposição ao 
acelerar a autólise. Por isso, se o animal 
morrer e não ficar disponível para fazer a 
necropsia na hora, indica-se a refrigeração 
do animal para diminuir a multiplicação das 
bactérias. Só é preciso ter cuidado para não 
congelar o cadáver, pois, o congelamento cria 
micro cristais dentro das células, rompendo-
as e danificando o a parte microscopia. O ideal 
é até 0º C. As bactérias da pele vão alterar 
a cor e textura dos tecidos e irá produzir 
gases e odores (por causa do estado 
fermentativo) através da putrefação e 
enfizema (quando o gás produzido pela 
putrefação fica preso nos tecidos formando 
bolhas). 
Os estágios de composição se dividem em: 
morte (alteração na cor, na textura da pele), 
inchaço (saída de líquidos pelos orifícios 
naturais), decomposição ativa (avanço 
bacteriano, produção de gás, putrefação e 
insetos começam a se acumular no cadáver) 
e decomposição avançada (presença de 
larvas de moscas da decomposição ativa que 
se alimentam do material em decomposição 
até a esqueletização). 
A morte somática é a morte do corpo físico. 
Porém, há células que são menos sensíveis 
que as células cerebrais e que mantém vivas 
outras células mais resistentes que ficam 
ativas mesmo após a morte. Essas células vão 
morrendo gradualmente. Ex: células renais e 
hepáticas que sobrevivem por 1 hora após a 
morte e os fibroblastos e células ósseas que 
sobrevivem por muitas horas. 
Abióticas (não modificam o cadáver): se 
dividem em imediatas (apresenta ausência de 
dor, perda de reflexos e inconsciência) e 
mediatas ou consecutivas (coagulação do 
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sangue, portanto são todas as alterações que 
acontecem após a morte, não modifica o 
cadáver e tem um estado gradual). 
Bióticas (modificam o cadáver): autólise, 
decomposição e putrefação. A putrefação dá 
uma característica para o animal chamada de 
pseudomelanose (manchas que aparecem no 
corpo do animal na coloração de azul 
esverdeado em função do sulfeto ferroso 
liberado no corpo do animal). 
Uma outra alteração cadavérica é a 
desidratação, pois o animal perde os líquidos 
corpóreas, porém, essa desidratação 
depende de fatores ambientais como a 
temperatura e o sol. Para observar é só 
puxar a pele e observar se ela volta rápida ou 
lentamente. 
Outra alteração natural é o algor mortis, que 
é o resfriamento gradual do corpo visto a 
parada do metabolismo celular e da circulação. 
Em geral se dá 3 a 4 horas após a morte 
(porém, isso é muito relativo entre as 
espécies). 
A rigor mortis é a rigidez que ocorre a pós a 
morte. A falta de ATP faz o ligamento entre 
a miosina e a actina (para a movimentação do 
músculo elas deslizam uma sobre a outra) e 
essa ligação é o que promove a rigidez. Vai 
aparecer precocemente em animais com 
caquexia, tétano, exercícios musculares. Isso 
porque o animal consumiu as suas reservas 
de glicogênio e possui pouco ATP. O 
aparecimento se dá de 2h a 4h após a morte, 
porém isso é relativo. Aparece primeiro em 
músculos involuntários como o coração. Tem 
uma duração de 12h a 24h (dependendo da 
quantidade de glicogênio, etc). 
O problema do rigor é que ele inviabiliza a 
necropsia, assim, é preciso esperar o pós-
rigor (onde há um processo autolítico onde as 
células são degradadas pelas enzimas em 
função da liberação do ácido lático e as fibras 
de actina e miosina se desprendem uma da 
outra e o cadáver volta a ter flacidez). 
A embebição pela hemoglobina é uma outra 
alteração cadavérica, onde há a ocorrência de 
manchas avermelhadas pela liberação das 
hemoglobinas através do rompimento das 
hemácias nos tecidos. Essas manchas 
vermelhas são superficiais que diminuem a 
tonalidade profundamente e não 
desaparecem com a compressão digital. É 
muito comum em doenças onde ocorre a 
hemólise, como a Babesia e anaplasma. 
Nessas doenças, a liberação da hemoglobina é 
mais forte. É mais evidente no endotélio 
vascular, endocárdio, nos grandes vasos e nos 
tecidos próximos. A embebição pela 
hemoglobina é importante para diferenciar de 
processos inflamatórios, que também causam 
manchas vermelhas. A diferença é que além 
das manchas vermelhas, o processo 
inflamatório possui edema, alteração na 
textura do tecido, morte celular, etc. 
A embebição pela bile é mais uma alteração 
cadavérica. Como a bile tem uma coloração 
amarelo-esverdeada, os tecidos atingidos 
terão essa coloração. Ela ocorre em função 
da degradação da parede da vesícula pelos 
ácidos e sais biliares, formando microfuros 
invisíveis ao olho nu que permitem o 
extravasamento da bile para os tecidos ao 
redor (duodeno, pâncreas, diafragma). É 
importante diferenciar da putrefação, que 
possui a mesma coloração. Diferencia-se pelo 
odor e textura do tecido. 
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O timpanismo é uma alteração cadavérica 
muito comum em animais herbívoros. O 
timpanismo é o acúmulo de gás em 
compartimentos (rúmen, ceco de equinos e 
ceco dos carnívoros). Esse gás é acumulado 
através da fermentação das bactérias. Como 
mesmo após a morte, as bactérias liberam os 
gases, o animal não consegue expelir o gás 
para o ambiente e ele fica acumulado em seus 
compartimentos.  Dependendo do grau de 
timpanismo, pode haver o prolapso de reto e 
cérvix onde o reto se projeta para fora 
através do ânus e no caso das fêmeas, o 
útero se projeta para fora através da vulva. 
Isso ocorre pelo grande acúmulo de gás que 
ele empurra as vísceras, que saem onde 
existem orifícios. Porém, é preciso 
diferenciar se o timpanismo ocorreu depois 
da morte (não possui alterações circulatórias) 
ou antes (onde o animal apresentará 
hiperemia e hemorragias de mucosa). 
A hipóstase cadavérica ou o livor mortis são 
manchas violáceas (tom violeta puxado para 
vinho) que desaparecem com a compressão 
digital. Isso ocorre através da força da 
gravidade que puxa o sangue para o local onde 
a posição favoreceu o animal no momento da 
morte. 
O sangramento nasal também pode ocorrer 
de forma discreta. Pode ser sanguinolenta 
devido a rupturas de vasos. O sangramento 
nasal intenso é patológico e é hemorrágico, 
não sendo uma alteração cadavérica. 
O congelamento do cristalino é importante 
pois é idêntico à catarata. Animais congelados 
apresentam essa alteração, assim, é 
necessário esperar o animal descongelar para 
a parte branca sumir, se for catarata, a 
coloração permanece. 
Fatores que influenciam nas alterações 
cadavéricas: temperatura do ambiente onde 
as bactérias se multiplicam rapidamente em 
ambientes quentes e se multiplicam 
lentamente em ambientes frios. O tamanho 
do animal também interfere, pois quanto 
maior o animal, mais alterações cadavéricas, 
pois é mais difícil resfriar seu corpo. O estado 
nutricional, onde quanto mais ATP elepossuir, 
mais demorado será seu processo de autólise 
e animais com mais gordura irão resfriar mais 
lentamente. A causa mortis também 
influencia, pois se o animal morre de infecção 
bacteriana ele terá mais bactérias e entrará 
em estado de decomposição mais 
rapidamente. E também a cobertura 
tegumentar, pois se ele possuir pelos 
grandes, muitas penas e lã vão manter o 
animal quente e acelerar sua autólise.