Direito Administrativo (40)
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Direito Administrativo (40)

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PREPARATÓRIO PARA OAB

Professor: Dr. Carlos Toledo

DISCIPLINA: DIREITO ADMINISTRATIVO

Capítulo 1 Aula 2

OS PRINCÍPIOS DO

DIREITO ADMINISTRATIVO

Coordenação: Dr. Carlos Toledo

01

Os Princípios do Direito Administrativo

"Proibida a reprodução total ou parcial, por qualquer meio ou processo, assim como a inclusão em qualquer sistema de processamento de dados. A

violação do direito autoral é crime punido com prisão e multa (art. 184 do Código Penal), sem prejuízo da busca e apreensão do

material e indenizações patrimoniais e morais cabíveis (arts. 101 a 110 da lei 9.610/98 - Lei dos Direitos Autorais).”

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A importância dos princípios

É inegável a importância do estudo e da compreensão dos princípios em toda e qualquer área do Direito.

Isso porque o Direito não se resume à lei, isto é, aos textos do chamado direito positivo. Essa é uma visão

muito limitada e equivocada do Direito.

É preciso lembrar que os textos normativos se modificam constantemente. Os princípios são mais perenes e

dão consistência e harmonia ao sistema jurídico. Do ponto de vista prático, os princípios nos dão pistas,

indícios, sobre o conteúdo provável das normas e nos ajudam também a interpretá-las, de maneira que elas

sejam coerentes entre si.

No Direito Administrativo, isso é ainda mais importante, pois não há uma codificação de normas

administrativas. As normas do Direito Administrativo estão na própria Constituição, em leis nacionais e

também em leis de cada um dos entes da Federação União, Estados, Distrito Federal e Municípios pois

todos têm competência para legislar sobre suas atividades administrativas. Além disso, existem também as

normas infra-legais: as resoluções, regulamentos, portarias, produzidas por cada uma dessas

Administrações.

A harmonização na interpretação e aplicação dessas centenas de normas de faz por meio do estudo e da

compreensão dos princípios.

Princípios explicitados na CF/88

Alguns princípios do Direito Administrativo já estão expressamente mencionados na Constituição, no

Capítulo que trata da Administração Pública. Vide o art. 37:

"Art. 37: A administração pública direta e indireta de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito

Federal e dos Municípios obedecerá aos princípios de legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade

e eficiência e, também, ao seguinte..."

Esses princípios são os mais importantes, seja porque já estão explicitados na Constituição, seja porque são

os mais utilizados na prática do Direito Administrativo. Sugestão de memorização: use a palavra LIMPE:

Princípio da legalidade

É na verdade, é um "superprincípio", visto que ele não abrange apenas o Direito Administrativo, mas todos os

ramos do Direito. Encontra-se consagrado, de modo genérico, no art. 5º da CF/88, aquele que relaciona os

Direitos Fundamentais Individuais e Coletivos:

"Art. 5º... II - ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei".

Aula 2

02

Tal dispositivo estabelece o direito de liberdade como regra fundamental da cidadania, liberdade essa que

somente pode ser limitada pela lei, isto é, pela norma editada pelo Poder Legislativo. O princípio da

legalidade é, portanto, um dos pilares do Estado de Direito, pois garante o supremo valor desse Estado: a

liberdade do cidadão. Ele também é uma conseqüência necessária da idéia de Separação de Poderes, pois

estabelece que o Poder Legislativo é o único órgão estatal que poderá inovar na ordem jurídica.

Para a Administração, porém, o princípio da legalidade tem um outro significado. Se para o cidadão ele

garante um amplo campo de liberdade, para a Administração ela significa uma trilha estreita, da qual ela

não pode se afastar. Daí que se costuma denominá-lo no Direito Administrativo de princípio da legalidade

estrita ou legalidade restrita.

Nesta linha, costuma-se dizer que a Administração não apenas deve evitar agir "contra legem"

(contrariamente à lei), "ultra legem" (além do que a lei estabelece) mas somente pode agir "secundum legem",

isto é, segundo a lei. A Administração somente pode desenvolver a atividade que a lei lhe autorizar,

especialmente quando essa atividade interferir na esfera de liberdade e nos direitos dos indivíduos.

Princípio da Impessoalidade

O princípio da impessoalidade se relaciona com a idéia de que a coisa pública (a chamada "res publica")

não se confunde com a pessoa que ocupa transitoriamente o poder.

Ele é uma conseqüência lógica de um princípio constitucional mais amplo, o princípio republicano, que vê

no povo o verdadeiro detentor da soberania e, como diz a nossa Constituição, "todo o Poder emana do

povo".

Há duas interpretações diferentes para esse princípio, ambas válidas e complementares:

1ª) A impessoalidade como um princípio que veda a associação da imagem do administrador à da entidade

por ele administrada, impedindo que ele se utilize de seu cargo para se autopromover. Cabe lembrar, ainda,

que a CF/88 tem norma expressa, condenando a promoção pessoal das autoridades e servidores públicos

(art. 37, § 1º).

2ª) Impessoalidade como dever que a Administração tem de agir com imparcialidade, sem estabelecer

diferenças entre os cidadãos. Ou seja, o governante, o administrador, não pode discriminar nem beneficiar;

não pode perseguir nem favorecer nenhum dos administrados. Trata-se, portanto, de uma decorrência de

um princípio mais amplo, o princípio da isonomia, consagrado no art. 5º, “caput” e Inciso I da CF/88.

Princípio da moralidade administrativa

A percepção de que o princípio da legalidade, apesar de sua enorme importância, não era suficiente para

garantir que o administrador público agisse sempre em prol do bem comum acabou por favorecer o

surgimento deste princípio.

"Proibida a reprodução total ou parcial, por qualquer meio ou processo, assim como a inclusão em qualquer sistema de processamento de dados. A

violação do direito autoral é crime punido com prisão e multa (art. 184 do Código Penal), sem prejuízo da busca e apreensão do

material e indenizações patrimoniais e morais cabíveis (arts. 101 a 110 da lei 9.610/98 - Lei dos Direitos Autorais).”

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Isso porque, muitas vezes, em um ato sob a aparência de legalidade, se esconde uma intenção que nada tem

a ver com a realização do interesse público.

Em razão disso, a doutrina administrativista acabou por recorrer à idéia de moralidade, como um plus, isto é,

como um algo a mais que complementa o princípio da legalidade, de maneira a garantir que a atuação da

Administração não se desvie de seu objetivo maior: a satisfação do interesse público.

Os doutrinadores tem relacionado a moralidade aos conceitos de atuação ética, honestidade, boa-fé,

lealdade e probidade. Esses conceitos nos ajudam a identificar a atuação administrativa que, sob uma capa

de aparente legalidade, acaba por ofender substancialmente o interesse público.

Nesse sentido, o princípio da moralidade tem sido muito importante para o controle dos atos da

Administração pelo Poder Judiciário. Aliás, qualquer cidadão poderá pleitear, por meio da ação popular, a

anulação dos atos que ofendam a esse princípio. (art. 5º, LXXIII).

A Constituição também determina a punição dos agentes públicos pelos atos de improbidade administrativa,

expressão que geralmente é associada à idéia de mau uso dos recursos públicos. (art. 37, § 4º da CF).

Princípio da publicidade

O administrador público atua em nome da coletividade, sua missão é zelar pelos interesses do povo. Assim,

ele é obrigado a prestar contas de suas tarefas, do modo como se utiliza dos recursos públicos. A

transparência deve ser o lema da Administração Pública.

Por essa razão, a CF/88 assegura o direito do cidadão à informação, o que faz nos incisos XXXIII e XXXIV do

artigo 5º. Todo cidadão tem o direito de conhecer as informações que a Administração possua a seu

respeito, bem como aquelas referentes ao bem-estar da