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DisciplinaIntrodução ao Direito I86.620 materiais502.642 seguidores
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é obrigatória, enquanto parte da doutrina entende 
apenas que o seja em relação ao § 1º do art. 12, nas hipóteses de ações concernentes aos 
bens imóveis situados no Brasil, afirmando que o art. 12 da LICC c.c. os arts. 314 e 316 do 
Código Bustamante, contém norma supletiva, na medida que entende permitida a 
competência estrangeira nos casos em que o réu não for domiciliado no Brasil, se a 
obrigação não tiver que ser aqui executada e nos casos em que a ação não verse sobre 
imóveis situados no território brasileiro43.
§ 1º. Só à .autoridade judiciária brasileira compete conhecer das ações, relativas a 
imóveis situados no Brasil.
O § 1º do art. 12 da LICC diz respeito não só às ações reais imobiliárias mas sim a todas as 
ações que tratem de imóveis situados no Brasil e trata-se de norma compulsória, na medida 
que impõe a competência judiciária brasileira para processar e julgar ações que versem 
sobre imóveis situados no território brasileiro, competindo a nossa justiça fazer a 
qualificação do bem e a natureza da ação intentada.
Nas hipóteses de o imóvel estar localizado em países diversos, cada Estado será 
competente para julgar ação relativa à parcela do bem que se encontrar em seu território.
No que diz respeito às ações que versem sobre bens móveis, as mesmas deverão ser 
propostas no foro do domicílio do réu (CPC, art. 94) e quando tratarem sobre bens móveis 
que venham a se deslocar após proposta a demanda, será competente o foro do domicílio 
das partes no momento em que a ação foi proposta (CPC, art. 87).
§ 2º. A autoridade judiciária brasileira cumprirá, concedido o exequatur e segundo a 
forma estabelecida pele lei brasileira, as diligências deprecadas por autoridade 
estrangeira competente, observando a lei desta, quanto ao objeto das diligências.
A previsão do § 2º do art. 12 da LICC diz respeito ao cumprimento, pela autoridade 
judiciária brasileira, das cartas e comissões rogatórias com a finalidade de investigação, e 
das diligências deprecadas pelas autoridades locais competentes, satisfazendo o que lhes 
foi requerido pela autoridade estrangeira.
As cartas rogatórias são pedidos feitos pelo juiz de um país ao de outro solicitando a 
prática de atos processuais, sem caráter executório, e subordinam-se à lei do país rogante, 
no que tange ao conteúdo ou matéria de que são objeto e, em relação ao procedimento, são 
disciplinadas conforme a lei do país do rogado. As diligências de caráter executório, como 
por exemplo arresto e seqüestro, não poderão ser objeto de carta rogatória (RTJ, 
72:659,93:517 e 103:536).
Mesmo se referindo apenas à competência em sentido estrito, poderá o juiz levantar o 
conflito de jurisdição a ser decidido na forma da lei brasileira, pois o próprio art. 17 da 
LICC impede o cumprimento de rogatória quando a mesma for ofensiva à ordem pública e 
aos bons costumes, já que os atos processuais estão sujeitos à lex fori, sendo inadmitidos 
os que atentem contra a legislação brasileira.
A carta rogatória é remetida através da via diplomática e ao Procurador-Geral da República 
é dado vista da mesma para que possa impugná-la nos casos de contrariedade da ordem 
pública, soberania nacional ou falta de autenticidade. Uma vez concedido o exequatur ou 
\u201ccumpra-se\u201d, a rogatória é enviada ao juiz da comarca onde deverá ser cumprida a 
diligência, observado o direito estrangeiro quanto ao seu objeto. Tendo sido cumprida, a 
rogatória é devolvida à justiça rogante através do Ministério da Justiça.
No que diz respeito ao tema, Maria Helena Diniz afirma que oexequatur ou sua denegação 
não produzirão coisa julgada formal, motivo pelo qual os pedidos poderão ser renovados e 
as concessões revogadas quando se perceber, por exemplo, que para processar e julgar a 
causa, apenas a justiça brasileira é competente, pois o juiz rogado poderá resolver sobre 
sua própria competência ratione materiae para o ato que se lhe atribui (Código 
Bustamante, art. 390)44.
Tendo sido concedido o exequatur à carta rogatória, não será necessária a homologação da 
sentença que vier a ser prolatada por autoridade estrangeira no mesmo processo.
Sendo indispensável para o encerramento da instrução, a carta rogatória deverá ser 
devolvida, quando requerida antes do despacho saneador, suspendendo o processo até que 
seja devolvida. Nas outras hipóteses não terá efeito suspensivo, podendo ser pronunciada 
decisão sem a devolução da carta devidamente cumprida.
Art. 13. A prova dos fatos ocorridos em país estrangeiro rege-se pela lei que nele 
vigorar, quanto ao ônus e aos meios de produzir-se, não admitindo os tribunais 
brasileiros provas que a lei brasileira desconheça.
O art. 13 da LICC diz respeito à prova dos fatos ocorridos em país estrangeiro, 
preconizando que a mesma será regida pela lei do lugar onde ocorrer (lex loci), enquanto 
que o ônus e meio de produzi-la serão regidos pela lex fori, não sendo admitida, no curso 
da ação, qualquer prova não autorizada pela lei do juiz, sob pena de contrariar o sistema da 
territorialidade da disciplina do processo.
No que diz respeito à apreciação das provas, a mesma dependerá da lei do juiz (Código 
Bustamente, art. 401), devendo o mesmo basear-se nas prescrições legais de seu país, 
averiguando:
a) a ilicitude do ato ou contrato;
b) a capacidade das pessoas que se obrigaram;
c) a observância das formas extrínsecas ou solenidades requeridas pela lei do lugar da 
celebração do ato (locus regit actum);
d) autenticidade do documento, que deverá estar traduzido no idioma usado no país da lex 
fori e legalizado pelo cônsul.
Importante ressaltar que mesmo o modo de produção de provas sendo de competência 
da lex fori, não pode-se em hipótese alguma, permitir quaisquer meios probatórios não 
autorizados pela lei do órgão judicante, ou seja, a prova do fato ocorrido no estrangeiro 
deve ser produzida por meio conhecido do direito pátrio, caso contrário não será aplicável 
por juiz local.
Art. 14. Não conhecendo a lei estrangeira, poderá o juiz exigir de quem a invoca 
prova do texto e da vigência.
Estando o magistrado diante de um caso de direito internacional privado, o mesmo deverá 
decidir se é aplicável o direito brasileiro ou o estrangeiro, e, verificando a inaplicabilidade 
da norma brasileira, determinará qual a legislação estrangeira aplicável àquele caso 
concreto. A aplicação da lei estrangeira pelo juiz pode ser dar ex officio, quando dela tenha 
conhecimento e mesmo sendo esta contra a vontade das partes.
Nos casos em que desconhecer a norma estrangeira, já que não é obrigado a conhecê-la e 
nem tem o dever de prová-la, é permitido ao juiz, pelo art. 14 da LICC, reclamar a prova 
do direito estrangeiro de quem a alega, tendo o juiz o dever de inteirar-se das normas 
mesmo quando não fornecida pelas partes.
Maria Helena Diniz, ao discorrer sobre o tema, dispõe que, a observância do direito 
estrangeiro, seja ex officio pelo juiz ou quando invocado pela parte litigante, poderá se dar 
das seguintes formas: a) o magistrado deverá aplicar a lei estrangeira, mesmo sem alegação 
e prova da parte interessada, sempre que o direito privado (lex fori) julgar competente 
aquela lei; b) se o juiz não conhecer o direito estrangeiro poderá exigir prova da parte a 
quem aproveita (CPC, art. 337); c) o interessado, sem a provocação do juiz, poderá alegar 
a lei que lhe é aplicável, propondo-se a provar sua sua existência e conteúdo e d) o órgão 
judicante poderá de ofício investigar a norma estrangeira alegada pela parte, se a prova 
apresentada não o convencer, não estando o mesmo adstrito às afirmações ou provas 
produzidas por ela.
Nos casos em que, mesmo tomando todas as providências necessárias, seja impossível 
determinar com segurança qual o direito alienígena deva ser aplicado, os juristas têm 
apontado algumas soluções, como: a) a conversão do julgamento em diligência; b) o
Devanir
Devanir fez um comentário
Quero uma resenha critica o que é direito com 30 linhas para que eu possa entender melhor
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Rinaldo
Rinaldo fez um comentário
Material não está atualizado com a Lei nº 13.655/2018
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Antonio
Antonio fez um comentário
GRATO. SERÁ DE GRANDE VALIA PARA FUTURAS ORIENTAÇÕES A ALGUNS TRABALHOS.
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