CCJ0009-WL-PA-22-T e P Narrativa Jurídica-Antigo-34115
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contra o pagamento de décimo quarto salário a deputados estaduais do Pará. Eles embolsam esse dinheiro sempre que a Assembleia 
Legislativa suspende o recesso para se reunir extraordinariamente. 
Não é a primeira vez que o STF trata do assunto: em 2007, o tribunal cassou a pensão vitalícia concedida a Zeca do PT, ex-governador do Mato Grosso do Sul, e não deve ser a 
última. Outro dia, três outros políticos que confundem mandato com emprego pediram e conseguiram receber o benefício: Ana Júlia Carepa (PT), do Pará\u37e Leonel Pavan (PSDB), de 
Santa Catarina\u37e e Roberto Requião (PMDB), do Paraná. 
Na Paraíba  - que já ostenta o desonroso título de estado que mais gasta com pessoal acima do que é permitido pela Lei de Responsabilidade Fiscal  - ganham a pensão ex -
governadores e suas viúvas. Rombo nas finanças estaduais, no momento: R$2,8 milhões por ano. Um dinheirão para um estado nordestino sem dinheiro para jogar fora. 
Não é a primeira vez que tenho a melancólica pachorra  - que o Houaiss define como "paciência embotada", e a gente fica sem saber se é virtude ou defeito - de tratar do assunto. 
Portanto, se vocês acham que já leram o que se segue, não se espantem\u37e foi aqui mesmo. Torço para perder, um dia, esse motivo para teimosa indignação. 
Mas é preciso voltar a ele de vez em quando, na esperança de que, um dia desses, a classe política brasileira tome as providências necessárias para tirar essa questão das páginas 
dos jornais e da pauta dos tribunais. Com certeza é difícil, devido aos interesses a serem contrariados, mas não deixa de ser simples na formulação. Basta que seja aprovada pelo 
Congresso e sancionada pelo presidente uma lei deixando claro o que sempre foi óbvio: mandatos políticos não são empregos públicos. 
Ocupá-los, o que ninguém faz contra a vontade  - nem mesmo em estado de dócil constrangimento  - proporciona privilégios indispensáveis, como carro oficial e diversos outros, mas 
praticamente todos (ex-presidentes da República têm direito a algumas compreensíveis exceções) desaparecem quando o mandato termina. Ou deveriam desaparecer. 
A expressão "governador aposentado" é, ou deveria ser, uma contradição em termos. O que é um jeito meio pedante de designar algo absurdo, inconcebível. 
Plano de Aula: Teoria e Prática da Narrativa Jurídica 
TEORIA E PRÁTICA DA NARRATIVA JURÍDICA
Estácio de Sá Página 2 / 2