CARDIOLOGIA 02 - Eletrocardiograma COMPLETO
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CARDIOLOGIA 02 - Eletrocardiograma COMPLETO


DisciplinaSistemas Orgânicos Integrados I477 materiais366 seguidores
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sincício atrial e ventricular. O potencial de ação se propaga de uma célula para outra 
com facilidade, através dos discos intercalados.
Por outro lado, as fibras excitatórias e condutoras contraem-se muito fracamente, pois 
apresentam poucas fibrilas contráteis de miosina (são as chamadas células P, que servem apenas 
para conduzir estúmulos); porém, exibem ritmicidade e velocidade de condução variável, formando 
um sistema excitatório que controla a ritmicidade da contração cardíaca, formando um sistema 
excitatório (sistema de condução) que controla a ritmicidade da contração cardíaca.
Arlindo Ugulino Netto \u2013 CARDIOLOGIA \u2013 MEDICINA P6 \u2013 2010.1
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Este sistema de condu‚ƒo card„aca € formado pelo nó sinusal ou 
sinuatrial (o chamado marca-passo natural do cora‚ƒo), feixes internodais 
(localizados entre os dois nodos princiais do cora‚ƒo, sendo responsveis ainda 
pela excita‚ƒo atrial), nó atrioventricular (tem a importante fun‚ƒo de retardar o 
impulso el€trico que nele chega para que os ventr„culos se encham de sangue e se 
esvaziem em tempos diferentes com rela‚ƒo aos trios), feixe de His (que conduz 
o potencial el€trico para toda a musculatura ventricular) e as fibras de Purkinje 
(ramifica‚†es do feixe de His responsveis por distribuir de forma uniforme os 
impulsos el€tricos nas paredes ventriculares). Conhecem-se, hoje, trˆs vias gerais 
de condu‚ƒo auricular: os feixes internodais anterior, m€dio e posterior (via de 
Thorel). 
Como veremos logo a seguir, nƒo existe conexƒo direta entre as fibras 
musculares atriais e ventriculares devido ao anel valvar fibroso que isola dos dois 
sinc„cios \u2013 a ‹nica forma de passagem de est„mulos se faz pelo n… AV e pelo feixe 
de His.
Emboram sejam estruturalmente semelhantes, existem diferen‚as eletrofisiol…gicas importantes entre as c€lulas que 
comp†em o n… sinusal e a c€lula muscular. 
\uf0fc As c€lulas do n… AV sƒo consideradas células de resposta rápida que, no repouso, como qualquer c€lula, apresenta seu 
interior negativo (com cerca de -60 mV) e exterior positivo. Quando € excitada, passa a receber grandes concetra‚†es de 
s…dio, que fazem com que o potencial interno da membrana fique cada vez mais positivo; at€ que mais canais de s…dio 
sejam ativados, aumentem o influxo de s…dio e debelem o potencial de a‚ƒo celular, fazendo com que a c€lula se contraia e 
envie o est„mulo nervoso. Neste momento, o potssio come‚a a deixar a c€lula no intuito de negativar a face interna da 
membrana. Isto faz com que a c€lula repolarize. Todo este mecanismo ocorre de forma automtica e rpida, da„ a 
considera‚ƒo de marca-passo card„aco ao n…do sinusal.
\uf0fc A célula de resposta lenta, por sua vez, que € representada pela fibra muscular card„aca, apresenta um potencial 
intramembranar de -50 mV. Quando excitada, o s…dio faz com que ela despolarize mais facilmente. No momento da 
repolariza‚ƒo, al€m da sa„da do potssio, ocorre a entrada de clcio (por se tratar de uma fibra muscular). Como o clcio € 
um „on positivo, a c€lula mant€m um plat‡ positivo, o que nƒo ocorre nas c€lulas de condu‚ƒo. Portanto, o „on clcio serve 
para manter a repolariza‚ƒo celular e para contra‚ƒo da pr…pria fibra muscular, at€ que o potssio e o clcio deixem a c€lula, 
repolarizando a c€lula muscular por completo.
SINCÍCIO MUSCULAR
Diferentemente de qualquer outro …rgƒo, as fibras que comp†e o cora‚ƒo devem funcionar de maneira uniforme e regulada. 
Dessa maneira, o cora‚ƒo € considerado um sinc„cio, formado por vrias c€lulas musculares card„acas, no qual as c€lulas card„acas 
estƒo inteconectadas de tal modo que, quando uma dessas c€lulas € excitada, o potencial de a‚ƒo se propaga para todas as demais, 
passando de c€lula para c€lula por toda a treli‚a de interconex†es.
Na verdade o cora‚ƒo € formado por dois sinc„cios: o sincício atrial, que forma as paredes dos dois trios, e o sincício 
ventricular, que forma as paredes dos dois ventr„culos. Os trios estƒo separados dos ventr„culos por um tecido fibroso que circunda 
as aberturas das valvas atrioventriculares (AV) entre os trios e os ventr„culos. Quando o impulso € criado no nodo sinuatrial 
(localizado no trio direito), normalmente, ele nƒo € passado diretamente para o sinc„cio ventricular. Ao contrrio, somente sƒo 
conduzidos do sinc„cio atrial para o ventricular por meio de um sistema especializado de condu‚ƒo chamado feixe AV. Essa divisƒo 
permite que os trios se contraiam pouco antes de acontecer a contra‚ƒo ventricular, o que € importante para a eficiˆncia do 
bombeamento card„aco.
ELETROFISIOLOGIA
A c€lula miocrdica em repouso (polarizada) tem elevada concentra‚ƒo de potssio, e apresenta-se negativa em rela‚ƒo ao 
meio externo que tem elevada concentra‚ƒo de s…dio.  medida que se propaga a ativa‚ƒo celular, ocorrem trocas i‡nicas e h uma 
tendˆncia progressiva da c€lula ser positiva, enquanto que o meio extracelular ficar gradativamente negativo. A c€lula totalmente 
despolarizada fica com sua polaridade invertida. A repolariza‚ƒo far com que a c€lula volte ‰s condi‚†es basais.
Uma onda progressiva de despolariza‚ƒo pode ser considerada como onda m…vel de cargas positivas. Assim, quando a onda 
positiva de despolariza‚ƒo move-se em dire‚ƒo a um eletrodo na pele (eletrodo positivo), registra-se no ECG como uma deflexƒo 
positiva (para cima). Por outro lado, quando a onda tiver sentido contrrio, ou seja, quando a onda de despolariza‚ƒo vai se afastando 
do eletrodo, tem-se uma deflexƒo negativa no ECG (Teoria do Dipolo; vide OBS3). Quando nƒo ocorrer nenhuma atividade el€trica, a 
linha fica isoel€trica, ou seja, nem positiva nem negativa.
O n…dulo sinusal localizado no trio direito € a origem do est„mulo de despolariza‚ƒo card„aca. Quando o impulso el€trico se 
difunde em ambos os trios, de forma concˆntrica, em todas as dire‚†es, produz a onda P no ECG. Assim, a onda P representa a 
atividade el€trica sendo captada pelos eletrodos exploradores sensitivos cutŠneos e, ‰ medida que essa onda de despolariza‚ƒo 
passa atrav€s dos trios, produz uma onda de contra‚ƒo atrial.
A seguir, a onda de despolariza‚ƒo dirige-se ao n…dulo atriventricular (AV), onde ocorre uma pausa de 1/10 de segundo, 
antes do impulso estimular verdadeiramente o n…dulo, o que permite que o sangue entre completamente nos ventr„culos. Este 
intervalo no grfico € representado pelo segmento PR.
Ap…s essa pausa, o impulso alcan‚a o n…dulo AV, que € um retransmissor do impulso el€trico para os ventr„culos, atrav€s do 
feixe de His, com seus ramos direito e esquerdo, e das fibras de Purkinje, tendo como consequˆncia a contra‚ƒo dos ventr„culos. 
Essa despolariza‚ƒo forma vrias ondas, chamadas de \u201ccomplexo QRS\u201d.
Existe uma pausa ap…s o complexo QRS, representado pelo segmento ST, de grande importŠncia na identifica‚ƒo de 
isquemias e, ap…s essa pausa, ocorre a repolariza‚ƒo do ventr„culo e, consequentemente, relaxamento ventricular, formando a onda 
T. A repolariza‚ƒo atrial nƒo tem expressƒo eletrocardiogrfica, pois est mascarada sob a despolariza‚ƒo ventricular que, 
eletricamente, tem uma voltagem maior em rela‚ƒo ‰ outra.
Arlindo Ugulino Netto \u2013 CARDIOLOGIA \u2013 MEDICINA P6 \u2013 2010.1
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ONDAS DE DESPOLARIZA‚ƒO E DE REPOLARIZA‚ƒO NO ECG
ONDAS DE DESPOLARIZAÇÃO
1. Como vimos, a c€lula encontra-se em repouso quando ela est 
polarizada, em que a face interna de sua membrana apresenta cargas 
negativas e a face externa cargas positivas. O potencial de membrana 
de repouso € perdido quando h um est„mulo, fazendo com que as 
cargas el€tricas se invertam: a c€lula torna-se positiva dentro e negativa 
no exterior. Veja a fibra ao lado (A), em que metade esquerda encontra-
se despolarizada e a metade direita polarizada. A corrente el€trica flui da 
rea despolarizada para a rea polarizada. O eletrodo direito est sobre 
a rea negativa e o eletrodo esquerdo sobre a rea positiva, causando 
uma diferen‚a de potencial.