A maior rede de estudos do Brasil

Grátis
142 pág.
Funcionamento das contas

Pré-visualização | Página 12 de 32

mais complexo a estimar, pois
depende de numerosos parâmetros exteriores, não domináveis pela
mutualidade.
Quando a mutualidade determinou os serviços de saúde que irá
cobrir, deve estimar, para cada um deles, o montante anual das des-
pesas em prestações. Este montante é calculado segundo a fórmula
geralmente utilizada:
= × ×
Aquando da elaboração do seu primeiro orçamento, a mutualidade
não pode basear-se senão em hipóteses, muitas vezes aleatórias,
resultantes, nomeadamente, do estudo de viabilidade e de inquéri-
tos junto das famílias e dos utilizadores das formações sanitárias.
No primeiro ano de funcionamento, essas hipóteses serão testadas e afi-
nadas, graças, nomeadamente, ao acompanhamento das actividades.
Assim, mês a mês, depois ano a ano, a mutualidade adquire cada
vez maior experiência e domínio deste título de despesas.
Número
estimado
de beneficiários
(Custo médio do
serviço – co-pagamento
a cargo dos pacientes)
Taxa
de utilização
do serviço
Despesas 
em prestações
para um serviço
A estimativa
das despesas
Parte V • A gestão provisional 183
Contudo, será sempre preciso realizar projecções para estabelecer
as suas previsões orçamentais, tendo em conta diferentes parâme-
tros, tais como:
✔ evolução do número de beneficiários;
✔ a evolução da utilização dos serviços de saúde;
✔ a evolução do a preço dos serviços de saúde e dos medica-
mentos;
✔ a inflação.
Por razão da incerteza que pesa sobre o conjunto desses parâmetros,
muitas vezes é acrescentada uma margem de segurança ao total das
despesas estimadas em prestações de doença. Esta margem é geral-
mente fixada em cerca de 10% no arranque das actividades,
podendo, depois, ser diminuída progressivamente (até 5% por exem-
plo), quando a mutualidade atingir um funcionamento estável.
No caso de um sistema de terceiro pagador, uma outra forma de ter
previsões mais seguras é prever, em colaboração com os prestado-
res de cuidados, os possíveis aumentos do preço dos cuidados no
decurso do ano. Para esse fim, um importante preliminar para a pre-
paração do orçamento anual é a negociação com os prestadores
sobre as tarifas dos diferentes serviços cobertos, o que é feito todos
os anos, no quadro da renovação dos convénios.
✔ Esta negociação permite fixar:
– quer uma tarifação fixa para todo o ano, independentemente
da inflação;
– quer modalidades de repercussão das altas de preços das tari-
fas no decurso do ano sobre as prestações facturadas à
mutualidade (prevendo por exemplo uma diferença de vários
meses na alteração das tarifas aplicadas).
Os custos de funcionamento
Este título compreende todas as despesas que entram no funciona-
mento normal da mutualidade, além das prestações de doença.
Trata-se, nomeadamente:
✔ dos salários ou abonos do pessoal;
✔ das despesas de deslocação;
✔ dos alugueres;
✔ dos fornecimentos de escritório; das despesas de manutenção
corrente.
As despesas de investimento
Os investimentos são objecto, em princípio, de um orçamento parti-
cular que respeita à sua duração de vida. No ano do investimento,
o custo de aquisição do bem será previsto no orçamento principal.
Por consequência, aparecerão nos orçamentos as despesas anuais
184 Guia de gestão das mutualidades de saúde em África
BIT/STEP
relativas a esse investimento, por exemplo, as anuidades dos
empréstimos ou os custos de manutenção.
Os custos diversos
A mutualidade pode escolher distinguir certos títulos de despesas,
tais como, os custos de formação e de animação, que, muitas
vezes, constituem actividades específicas.
As principais receitas de uma mutualidade provêm:
✔ das quotizações;
✔ dos direitos de adesão;
✔ de prestações de serviços auxiliares (transporte de doenças,
etc.);
✔ dos subsídios, doações e legados;
✔ dos produtos financeiros sobre as aplicações;
✔ de outras fontes:
– actividades promocionais (tômbolas, espectáculos culturais,
etc.);
– prestações de serviços facturados a utilizadores externos (alu-
guer de salas, material, etc.).
As quotizações
O cálculo das quotizações constitui um dos aspectos mais comple-
xos da implementação de uma mutualidade de saúde, o que deter-
minará, em grande parte, a viabilidade futura. O método de cálculo
das quotizações foi apresentado no capítulo 1 da parte 1. Não é
inútil sublinhar uma vez mais que este cálculo assenta num equilíbrio
a encontrar entre o montante da quotização e, portanto, o nível da
cobertura e a acessibilidade da mutualidade às pessoas que consti-
tuem o público-alvo.
Está última etapa consiste em apresentar, num quadro, uma síntese
de todas as estimativas de receitas e de despesas precedentemente
efectuadas. Aquele apresenta, num lado, as despesas e, no outro,
as receitas; mas deve estar equilibrado: sendo o total da coluna
“Receitas” igual ao total da coluna “Despesas”. Para atingir esse
equilíbrio, a mutualidade deverá, talvez, rever certas hipóteses de
partida: diminuição dos custos de funcionamento, aumento dos
direitos de adesão, até mesmo das quotizações, etc.
Dado poderem verificar-se despesas imprevistas no decurso do fun-
cionamento, deve ser acrescentado um montante para “imprevis-
tos”ao total das despesas provisionais.
A elaboração
do orçamento
A avaliação
das receitas
Parte V • A gestão provisional 185
186 Guia de gestão das mutualidades de saúde em África
BIT/STEP
Exemplo
A Federação dos Pescadores de la Lagune criou uma mutualidade de saúde que cobrirá a 100% os
partos nas maternidades convencionadas e a 80% as despesas de internamento nos centros de saúde
(CS) e nos hospitais civis, igualmente convencionados.
Antes de iniciar o seu primeiro exercício, os promotores da mutualidade elaboraram um orçamento pre-
visional que será submetido para aprovação à Assembleia Geral Constituinte. 
As principais bases de cálculo deste orçamento são as seguintes:
a) As receitas
� No primeiro ano, são esperados 500 aderentes. Com um número médio de 6 pessoas por
família, isso representa 3000 beneficiários.
� As quotizações
– O custo médio de um parto é estimado em 5000 UM (incluindo o acto, os cuidados ao
recém nascido e os medicamentos para a mãe e a criança). A taxa de utilização é esti-
mada em 4,5%. O prémio por beneficiário para os partos será: 5000 × 4,5% = 225 UM
/ano.
– O custo médio de um internamento num centro de saúde é de 7 000 UM. A taxa de utili-
zação é estimada em 6%. O prémio para este serviço e por beneficiário será (7 000-
-(7000 x 20%)) × 6% = 336 UM.
– O custo médio de um internamento num hospital civil é de 35 000 UM. A taxa de utiliza-
ção é estimada em 4%. O prémio por beneficiário para estes internamentos será (35 000-
(35 000 × 20%)) × 4% = 1 120 UM.
– O prémio eleva-se ao total de 225 + 336 + 1120 =1681 UM / ano / pessoa.
– A margem de segurança é fixada em 10% do prémio, ou seja: 1681 × 10% = 168 UM /
pessoa.
– O custo unitário de funcionamento é fixado à razão de 10% do prémio + a margem de
segurança, ou seja: (1681 +168) × 10% = 185 UM / ano / pessoa.
– O total eleva-se portanto a: 1681 + 168 + 185 = 2034 UM/ ano / pessoa.
– Uma margem de 5% deste total é acrescentada, tendo em vista libertar excedentes para
constituir reservas, ou seja: 2 034 × 5% = 102 UM.
– A quotização anual total será, portanto: 2 034 + 102 = 2136. É decidido arredondar
para 2150/ ano / beneficiário.
� Os direitos de adesão são fixados em 1 000 UM por aderente, ou seja, receitas previsionais
de 500 × 1 000 = 500 000 UM.
b) As despesas
� A AG Constituinte terá lugar em 5 Janeiro 2002. As adesões e o pagamento das quotiza-
ções terão lugar até ao fim de Janeiro. Os beneficiários deverão respeitar um período de
observação de quatro meses (incluindo Janeiro), antes de terem direito às prestações da
mutualidade. 
� Em função deste número de beneficiários e do período de observação, as despesas em pres-
tações previsionais serão as seguintes:
– Partos: 3 000 × 225 × 8/12 = 450 000 UM.
Parte V • A gestão provisional 187
– Internamentos no CS: 3000 × 336 × 8/12 = 672 000 UM.
– Internamentos em hospitais civis = 3000 × 1120

Crie agora seu perfil grátis para visualizar sem restrições.