RECOMENDAÇÕES PARA TERAPIA ANTI-RETROVIRAL EM ADULTOS INFECTADOS PELO HIV
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RECOMENDAÇÕES PARA TERAPIA ANTI-RETROVIRAL EM ADULTOS INFECTADOS PELO HIV


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cél/mm3 e 
freqüentes recaídas após término do tratamento es-
pecífico. Por outro lado, a leishmaniose pode também 
levar à transativação heteróloga do HIV, promovendo 
elevação transitória da carga viral, além de diminuição 
da contagem de linfócitos T-CD4+, dificultando a 
Quadro.1
Tratamento.e.acompanhamento.da.leishmaniose.visceral.em.pacientes.com.co-infecção.Leishmânia-HIV
Droga Dose Via Duração
Monitora-mento 
durante o 
tratamento
Acompanhamento 
após tratamento
Escolha
Desoxicolato de 
anfotericina B 
-1 mg/kg/d
- Dose máxima 
diária de 50 mg
EV
14 a 20 doses 
aplicadas em 
período variável 
dependendo da 
tolerância 
Diário
Mensal pelo menos 
por 6 meses
Anfotericina B 
lipossomal1
3 mg/kg/d EV 7 a 10 dias Diário
Mensal pelo menos 
por 6 meses
Alternativas
Antimoniato de N-metil 
glucamina
20 mg/kg/d de 
SbV
EV ou 
IM
30 dias
Duas vezes 
por semana 
com ênfase 
na avaliação 
da toxicidade 
pancreática
Mensal pelo menos 
por 6 meses
Isotionato de 
pentamidina
4 mg/kg/d do sal 
dias alternados
IM ou 
EV
10 a 20 aplicações Semanal Mensal por 6 meses 
Guia de Tratamento112
interpretação desses parâmetros para a decisão sobre 
o início do esquema anti-retroviral. 
Nos indivíduos co-infectados com HIV/LV, a TARV 
está indicada, mas como o início do tratamento anti-
retroviral não é emergência médica, este poderá ser 
instituído após o início do tratamento da LV, quando 
já houver melhora dos parâmetros clínicos (febre, es-
plenomegalia, por exemplo) e laboratoriais (melhora 
da citopenia, por exemplo). No entanto, a profilaxia 
primária para infecções oportunistas, especialmente 
para toxoplasmose e pneumocistose, deve ser imedia-
tamente instituída. 
À semelhança da tuberculose, a leishmaniose 
visceral pode ocorrer em indivíduos infectados pelo 
HIV ainda sem comprometimento imunológico sig-
nificativo. Esses pacientes devem ter seus parâmetros 
imunológicos e virológicos reavaliados após o término 
do tratamento, além da resolução dos sinais e sintomas 
da LV, para definir a necessidade ou não de introdução 
da TARV.
Os esquemas recomendados para o tratamento da 
LV na co-infecção pelo HIV são os mesmos utilizados 
em pacientes monoinfectados Quadro 1 . Recidivas da 
LV, após o término de um tratamento bem sucedido, 
são freqüentes. Por essa razão, profilaxia secundária 
tem sido utilizada, com relativo sucesso, especial-
mente em indivíduos com contagem de linfócitos 
T-CD4 abaixo de 200/mm³ Quadro 2 . Devido ao risco 
potencial de toxicidade e de seleção de leishmanias 
resistentes, seu uso indiscriminado deve ser evitado. 
Alguns autores recomendam a suspensão da profilaxia 
secundária, quando a contagem de linfócitos T-CD4+ 
se mantiver estável e acima de 350/mm³ durante pelo 
menos três a seis meses. Entretanto, não existe estudo 
controlado que responda a essa questão.
Quanto à escolha da TARV, os seguintes cuidados 
devem ser observados:
a) Evitar o uso de zidovudina em pacientes que apre-
sentem anemia e neutropenia;
b) O uso de tenofovir apresenta risco potencial de 
diminuição na excreção renal do antimoniato 
pentavalente (glucantime) e de aumento de nefro-
toxicidade da anfotericina B, sendo recomendado, 
sempre que possível, evitar estas associações. 
Nos casos em que a LV for diagnosticada em 
pacientes já em uso dessa associação e, quando a 
substituição dos ARV não for possível, esta deverá ser 
mantida com rigorosa monitorização da função renal 
e/ou avaliação hematológica, conforme o caso.
A anfotericina B lipossomal na LV está indicada 
nas seguintes situações: transplante renal, insuficiência 
renal, refratariedade ao desoxicolato de anfotericina 
B, toxicidade incontrolável ao desoxicolato de an-
fotericina B, rim único, sepse, diabetes mellitus, uso 
concomitante de drogas nefrotóxicas e cardiopatias 
em classe funcional III ou IV. 
QUADRO.2:.
Esquemas. recomendados.para.profilaxia. secundária.
da. leishmaniose. visceral. em. pacientes. infectados.
pelo.HIV
1. Antimoniato de N-metil glucamina 810mg/Sbv, uma vez 
por mês
2. Anfotericina B desoxicolato 1mg/kg a cada duas 
semanas ou quatro semanas
3. Anfotericina B lipossomal 3mg/kg a cada duas semanas 
ou quatro semanas
4. Isotionato de pentamidina 4mg/kg do sal a cada duas 
ou quatro semanas
Leishmaniose.Tegumentar
Na concomitância de leishmaniose tegumentar 
em pacientes infectados pelo HIV, a decisão de iniciar 
TARV seguirá os mesmos parâmetros definidos no 
capítulo 6. 
Diante de uma possível transativação heteróloga 
na vigência de LT, como manifestação clínica isolada, 
recomenda-se primeiro tratar a leishmaniose e repetir 
a avaliação laboratorial (virológica e imunológica) 
30 dias após a resolução clínica para avaliação mais 
fidedigna da indicação de TARV. 
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Recomendações para Terapia Anti-retroviral em Adultos Infectados pelo HIV 113
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Neoplasias mais freqüentes em HIV e 
aids
As neoplasias associadas à infecção pelo HIV são 
consideradas \u201cdefinidoras de aids\u201d e \u201cnão definidoras 
de aids\u201d. Entre as neoplasias definidoras de aids estão o 
sarcoma de Kaposi, os linfomas não-Hodgkin, o linfo-
ma primário do sistema nervoso central e o carcinoma 
cervical invasivo. 
Já entre as neoplasias não definidoras de aids, mas 
que se tornaram mais freqüentes nesta população, 
encontram-se as neoplasias anogenitais, o câncer de 
pulmão, o carcinoma basocelular, de células esca-
mosas, o melanoma e o câncer de Merkel na pele, o 
carcinoma de células escamosas de pescoço e cabeça, 
as neoplasias testiculares, o mieloma múltiplo e o 
câncer colo-retal.
A relação entre HIV e certos tipos de câncer ainda 
não está completamente clara; no entanto, acredita-se 
que a imunodeficiência tenha relação direta com a 
causa de algumas neoplasias, que são mais freqüentes 
em portadores do HIV, associação esta relatada tanto 
no estudo D:A:D (1) quanto no FIRST(2). 
Do ponto de vista epidemiológico, o advento da 
terapia anti-retroviral (TARV) aumentou a sobrevida 
dos portadores do HIV, resultando em um número 
cada vez maior de indivíduos com idade mais avan-
çada vivendo com HIV, expostos à sua condição 
crônico-degenerativa, o que torna o desenvolvimento 
de neoplasias, um aspecto preocupante para os que 
prestam assistência a essa população. Segundo alguns 
estudos, até 30% das mortes em portadores do HIV 
está relacionada com câncer (3). 
Na Europa e América do Norte, cerca de quatro em 
cada dez pessoas com diagnóstico de aids desenvolviam 
alguma neoplasia durante toda a sua vida; a utilização 
mais ampla de terapia anti-retroviral altamente ativa 
vem modificando esse risco (4). Enquanto a incidência 
de infecções oportunistas e de sarcoma