Logo Passei Direto
Buscar
Material
páginas com resultados encontrados.
páginas com resultados encontrados.

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Prévia do material em texto

Projecto APOIO AO DESENVOLVIMENTO DOS SISTEMAS JUDICIÁRIOS NOS PALOP (PIR PALOP II) 
Projecto 8.ACP.MTR4 – 8.ACP.TPS.123 
 
 
Workshops/mesas-redondas de apoio à revisão dos Códigos Legais dos PALOP 
2ª edição (enfoque temático: Processo penal) - Luanda, 4 a 6 de Maio de 2004 
 
 
 
Exposição do conferencista Dr. João Manuel Martins, membro da Subcomissão da 
Reforma do Processo Penal da Unidade da Reforma legislativa de Moçambique 
 
 
 
 
Revisão do Código de Processo Penal-a Experiência Moçambicana 
 
1— Legislação aplicável 
 
Para se compreender melhor o teor da revisão do Código de Processo Penal, ocorrida em 
fins do ano de 2000 e princípios de 2003, o que deu lugar ao Projecto do mencionado 
Código, há que, necessariamente, proceder-se à enunciação da respectiva legislação em 
vigor, tanto no que respeita ao período anterior à Independência, que teve lugar em 25 de 
Junho de 1975, como à época pós Independência, apontando-se, embora sumariamente, as 
principais características de tal legislação, quer codificada, quer avulsa. 
 
1) Assim, no que toca ao período anterior à Independência, há que referir os seguintes 
diplomas: 
 
A. O Código de Processo Penal de 15 de Fevereiro de 1929, que constitui o Decreto 
n°. 16 489, da mesma data, que o aprovou e publicou e o Decreto n°. 19 271, de 24 
de Janeiro de 1931, que o declarou em vigor, com modificações, não então colónias. 
Quanto ao sistema deste Código, há que referir que a sua apresentação se traduz 
num sistema simples, adoptando a divisão clássica do Código do Processo Civil. 
Apresenta-se com a seguinte sistematização: 
1 - Teoria da acção 
2 - Teoria da competência 
3 - Teoria do processo propriamente dito 
Divide-se em Livro 1 e Livro II. 
O Livro 1 subdivide-se em 2 títulos: 
O Título 1 tem 2 capítulos: 
O 1°- Das acções emergentes do crime 
O 2°- Da competência 
 O Título II regula toda a matéria da competência. 
O Livro II tem 10 títulos e regula o processo propriamente dito: 
O Titulo 1 trata dos temas seguintes: 
- Das formas do processo 
- Dos actos judiciais 
- Das nulidades e da ilegitimidade 
- Dos incidentes judiciais 
- Das excepções 
O Título II tem 8 capítulos - versa a Instrução. 
Título III tem 4 capítulos - “Acusação e Defesa”. 
Título IV tem 2 capítulos - “o Julgamento”. 
Títulos V e VI regulam-se, à parte, os processos de transgressões e sumário, por 
oferecerem aspectos diferentes dos outros processos, na acusação e no 
julgamento. 
Título VII trata dos “Processos Especiais”. 
Título VIII versa as “Execuções”. 
Título IX - “Recursos”. 
Título X - Revisão de sentenças e despachos. 
 
B. O Decreto-Lei n°. 35 007, de 13 de Outubro de 1945, tornado extensivo às então 
colónias, com alterações, pela Portaria n°. 17 076, de 20 de Março de 1959; 
C. O Decreto-Lei n°. 185/72, de 31 de Maio, posto em vigor em Moçambique em 1974, 
o qual constitui a mais extensa e importante das reformas sofridas pelo Código de 
Processo Penal, desde 1929, reforma esta que revogou alguns dos preceitos do 
Decreto-Lei n°. 35 007. 
No entanto, quanto a esta revogação, o mencionado diploma não indicou 
expressamente os preceitos cuja vigência deixou de ter lugar, pois que se limitou a 
dar nova formulação a alguns de tais preceitos; 
D. A legislação ressalvada pelo artigo 30 § 1°., do Decreto n°. 16 489, de 15 de 
Fevereiro de 1929, onde se consagra a vigência das “normas de processo penal 
contidas tios tratados e convenções internacionais”; 
E. O Decreto-Lei n°. 35 042, de 1936, relativo à antiga Polícia Judiciária, hoje Polícia 
de Investigação Criminal, nos termos do Decreto n°. 25/75, de 18 de Outubro; 
F. O Decreto n°. 417/7 1, de 29 de Setembro na parte respeitante a 
infracções de carácter criminal praticadas por menores, que constitui o 
Estatuto Jurisdicional de Menores; 
G. O Decreto-Lei n°. 26 643, de 28 de Maio de 1936, relativo à Reforma 
Prisional; e, entre outros diplomas; 
H. O Decreto-Lei n°. 28/75, de 1 de Março (Governo de Transição), que é 
relativo ao âmbito de aplicação do processo sumário, à simplificação do 
processo de transgressão, ao prazo da prescrição do procedimento 
criminal e da pena nas contravenções e ao reajustamento de 
determinadas disposições do então Código das Custas Judiciais do 
Ultramar. 
 
2) Quanto ao período pós independência, há que assinalar, entre outros: 
 
I. Os Decretos-Leis n°s. 4/75, de 16 de Agosto e n°. 35/76, de 19 de 
Outubro, respeitantes à extinção da advocacia ou solicitadoria, como 
profissões liberais, à criação do Serviço Nacional de Consulta e 
Assistência Jurídica, à qualificação dos crimes em públicos e semi-
públicos, à não permissão de constituição de assistente em qualquer 
processo-crime, ficando a acção penal a ser da exclusiva competência do 
Ministério Público, entre outras matérias; 
J. A Lei n°. 12/78, de 2 de Dezembro que constitui a Lei da Organização 
Judiciária; 
K. A Lei n°. 1 1/79, de 12 de Dezembro que extingue o Tribunal da Relação 
e cria o Tribunal Superior de Recurso; 
L. A Lei n°. 5/79, de 29 de Maio, que cria a Polícia Popular de Moçambique 
 
M. A Lei n°. 6/79, de 3 de Julho, respeitante à extinção da Procuradoria da 
República e criação da Procuradoria-geral da República; 
N. A Lei n°. 4/92, de 6 de Maio, concernente à criação dos Tribunais 
Comunitários; 
O. A Lei n°. 9/92, de 6 de Maio, que introduz alterações a formalismo 
processual penal, designadamente quanto à não obrigatoriedade da 
realização da instrução contraditória nos processos de querela, 
estipulando os casos em que pode ser requerida pelo Ministério Público, 
podendo ser ordenada pelo juiz, oficiosamente, sempre que julgue 
necessário realizar diligências complementares de prova, antes de 
receber ou rejeitar a acusação e reintroduz as figuras de assistente e de 
crime particular; 
P. A Lei n° 10/92, de 6 de Maio, que constitui a Lei Orgânica dos Tribunais 
Judiciais; 
Q. A Lei nº 2193, de 24 de Junho, que é relativa à criação dos Juízes de 
instrução criminal, fixando as respectivas competências; 
 
 
II — Determinantes da Revisão 
 
Há que referir a necessidade de adequação de uma legislação processual 
criminal aos princípios, preceitos e à própria dinâmica insertas na Constituição, 
de modo tal que o Código de Processo Penal constitua urna ferramenta útil, 
oportuna e célere para o exercício correcto e integral da justiça, quer material, 
quer formal. 
Para a revisão do Código em referência, concorreu igualmente um factor muito 
importante que se traduz nas transformações políticas, económicas, sociais e 
culturais que ocorreram após a Independência. 
A revisão do Código constituiu um corolário lógico das lamentações e 
inquietações provenientes dos práticos do Direito, em matéria criminal e 
processual criminal, designadamente dos magistrados judiciais e do Ministério 
Público, dos advogados, técnicos jurídicos e assistentes jurídicos, aos mais 
diversos graus de instância. 
É de referir-se ainda que o sistema processual penal actual não se compadece 
com o aumento substancial e frenético das actividades criminosas, da mais 
diversa natureza, desde os crimes contra a ordem e tranquilidade públicas, os 
crimes contra as pessoas, os crimes contra a propriedade, contra a economia, 
saúde pública, passando pelos crimes contra a segurança externa e interna do 
Estado, até aos crimes de corrupção, nas suas diversas modalidades, aos 
chamados crimes de colarinho branco, aos crimes relacionados com as drogas e 
substâncias psicotrópicas, entre outras. 
Finalmente, uma determinante da maior valia, para a revisão do Código de 
Processo 
Penal, traduziu-se na necessidade premente de juntar-se num único corpo de 
normas 
os diversos diplomas extravagantes, como sejam, o Decreto-Lei n°. 35 007, de 13 
de 
Outubro de 1945, o Decreto-Lei n°. 28/75, de 1 de Março, a Lei n°. 4/92, de 6 de 
Maio, a Lei n°. 9/92, de 6 de Maio, a Lei n°. 10/92, também de 6 de Maio e a Lei 
n°. 
2/93, de 24 de Junho. 
Inevitavelmente que esta unificação num único instrumento,qual seja, o 
Código de Processo Penal, trará as melhores e maiores vantagens de consulta 
para os respectivos utilizadores. 
 
 
III — Objectivos 
 
Pretende-se com a revisão do Código de Processo Penal acolher as modernas 
ideias e princípios de natureza processual penal com vista à satisfação do 
interesse público na realização da justiça, designadamente no que tange à 
prevenção e à repressão da criminalidade. 
O que se refere tem a sua incidência fundamentalmente na necessidade de uma 
maior celeridade processual, não descurando, a par disso, um valor 
extremamente importante, que se traduz na segurança jurídica, tendo como 
farol permanente a honra e dignidade do Homem, seja ofensor ou ofendido, e 
ainda a própria comunidade. 
 
 
IV — Termos de Referência 
 
Os termos de referência para a revisão do Código de Processo Penal 
apresentavam os conteúdos seguintes: 
1) Garantir, como regra, o direito à liberdade em Processo-crime 
considerando a detenção do cidadão apenas em casos excepcionais; 
2) Garantir o direito de defesa do arguido; 
3) Criar um sistema eficiente que assegure o julgamento e a punição dos 
prevaricadores e criminosos, sem embargo de se garantirem os direitos 
do ofendido ou da vítima, designadamente através da tramitação 
específica (v.g. reclamação por falta de andamento das investigações); 
4) Eleger o Princípio Acusatório como o determinante de toda a fase de 
investigação e instrução do processo conjugado com o Princípio “In 
dubio pro reo” e o “Princípio de presunção de inocência”; 
5) Simplificar ao máximo possível o formalismo processual, sem no entanto 
quebrar a segurança do Direito e as garantias de defesa do arguido; 
6) Prever a dilação dos prazos para defesa e de maneira geral para os 
restantes actos, atenta nomeadamente a realidade geográfica; 
7) Rever a Providência do “Habeas Corpus” tornando-a mais efectiva e 
permitindo a sua utilização mais generalizada; 
8) Simplificar os incidentes processuais; 
9) Prever mecanismos processuais de modo a assegurar a efectiva 
perseguição e punição dos agentes da polícia indiciados de violação dos 
Direitos Humanos, no exercício das suas funções; 
10) Ter em consideração as leis, os decretos-leis e os decretos publicados 
avulsamente no âmbito do Direito Processual Penal 
11) Inevitavelmente que esta unificação num único instrumento, qual seja, o 
Código de Processo Penal, trará as melhores e maiores vantagens de 
consulta para os respectivos utilizadores. 
 
 
V — Metodologia 
 
De acordo com os Termos de Referência, a reforma obedecia à realização de 
quatro etapas, quais sejam: 
1.ª) - Levantamento e identificação de problemas e questões 
merecedoras de alteração em conformidade com a Constituição da República de 
Moçambique e a realidade sócio-económica do País, dando lugar à feitura do 
Relatório Preliminar; 
2.ª) - Elaboração do Anteprojecto de Lei, acompanhada de 
explicações e comentários; 
3.ª) - Elaboração do Relatório Intercalar que teria corno pontos 
basilares as contribuições prestadas por especialistas durante as discussões 
relativas ao Anteprojecto; 
4.ª) - Elaboração do Projecto do novo Código de Processo Penal. 
Antes de prosseguir na análise das etapas indicadas, há que referir as posições 
orientadoras da Subcomissão da Reforma do Código de Processo Penal, que se 
traduzem em: 
a) Detectar os pontos de estrangulamento do sistema processual penal; 
b) Procurar soluções ágeis e desburocratizantes, com vista a atingir uma 
maior efectividade na tutela jurisdicional; 
c) e) Formular o anteprojecto, a ser objecto de debate; 
d) Aproveitar, tanto quanto possível, a disposição das normas existentes; 
e) Atingir o consenso nas alterações alcançadas. 
 
Relativamente à primeira etapa, procedeu-se a estudos doutrinários e de direito 
comparado, a entrevistas e seminários. 
Verificaram-se debates sérios e de uma riqueza altamente qualitativa com 
magistrados judiciais e do Ministério Pública, advogados e outras 
individualidades de reconhecida competência técnica incluindo a Polícia de 
Investigação Criminal (PIC), não só na cidade de Maputo, como nas Províncias 
de Tete e Cabo Delgado, tudo com a finalidade de obter sugestões, críticas, 
tendo como pano de fundo a democratização do processo de reforma. 
De realçar a consulta e aproveitamento da experiência de ordenamentos 
jurídicos da África do Sul, Zimbabué, Brasil, França, Espanha, Cuba, entre 
outros. 
 
Quanto à segunda etapa, que se traduziu na elaboração do anteprojecto de lei, 
acompanhado de explicações e comentários, o mesmo foi distribuído por várias 
instituições nacionais e, mais tarde, foi objecto de debate público em seminário, 
muito concorrido em quantidade e qualidade de personagens, convidados para 
o efeito, de que resultaram, como acima foi referido, contribuições muito 
valiosas. 
 
Relativamente à terceira etapa, que se traduziu na formulação do chamado 
Relatório Intercalar, este procurou analisar, na generalidade, as grandes 
questões identificadas como controversas, e especificadamente as seguintes: 
1) A adopção de duas formas de processo: 
a) Processo de Querela, aplicável às infracções de maior gravidade; 
b) Processo Sumário, aplicável às infracções penais cuja pena aplicável 
seja igual ou inferior a 3 anos, podendo, ainda, ser julgadas, nesta 
forma de processo, as infracções de maior gravidade desde que: o 
arguido o requeira, repare o dano causado e não haja dúvidas quanto 
à prática da infracção; 
2) A introdução dos institutos de mediação, injunção penal e controlo 
judiciário na fase de instrução; 
3) Atribuição ao Ministério Público de competência para a mediação e 
aplicação de injunção penal; 
4) Excluir os recursos obrigatórios por imposição legal para o Ministério 
Público por se entender que não tem sido aplicável; 
5) Atribuir competência aos tribunais comunitários de propor às partes a 
mediação e impor a injunção penal; 
6) Retirar-se ao juiz a possibilidade de poder denegar a assistência às 
diligências da instrução contraditória ao Ministério Público, ao advogado 
e ao próprio réu por se considerar que constitui um atentado ao direito 
de defesa e ao princípio do contraditório; 
Relativamente às questões postas à discussão e que foram aceites com esta ou 
aquela chamada de atenção pontual, não se teceram outros comentários. São os 
casos relativos a: 
- Eleição do Principio do Acusatório temperado com um princípio de 
investigação oficiosa; 
- A suspensão da prisão preventiva por motivo de gravidez e parto mas 
sendo necessário definir-se a duração da suspensão e sujeitar-se a 
gestante ou parturiente ao controlo judiciário e sem que isso implique a 
suspensão de instrução; 
- A atribuição de competência aos agentes da PIC para procederem a 
buscas e apreensões em casos de urgência; 
- A atribuição de competência ao juiz de instrução criminal para dirigir a 
instrução contraditória, proferir o despacho de pronúncia e impor o 
controlo judicial ao arguido; 
- A faculdade conferida a qualquer cidadão capaz para requerer a 
apresentação judicial do detido, assim como formular a petição do 
“Habeas Corpus”; 
- A extensão das causas de impedimento e suspeição ao juiz de instrução 
criminal; 
- A ampliação do número de entidades que devem ser inquiridas nas suas 
residências, propondo-se a inclusão dos lideres religiosos. 
Na especialidade, o relatório apresenta a razão de ser dos articulados que foram 
objecto de reparo, quer no parecer técnico, quer no debate público, indicando 
aqueles que serão de acolher na elaboração do projecto e quais os que esta 
subcomissão entende de rejeitar, mantendo a opção proposta pelo anteprojecto. 
 
No que toca à quarta etapa — Elaboração do Projecto de Lei, acompanhado do 
Relatório Técnico e de uma Nota Explicativa, a serem entregues ao Governo, 
referem-se, como aspectos mais marcantes e inovadores do Projecto, os 
seguintes: 
1. A introdução dos institutos de mediação, injunção penal e controlo 
judiciário na fase de instrução;1.1. A atribuição ao Ministério Público de competências para a mediação e 
aplicação da injunção penal; 
1.2. A atribuição de competências aos tribunais comunitários para propor às 
partes a mediação e impor a injunção penal; 
2. Consagração das competências da Polícia de Investigação Criminal na fase 
de instrução no projecto do Código; 
2.1. Atribuição de competências aos agentes da Polícia de Investigação 
Criminal para procederem a buscas e apreensões, visando evitar-se a 
perda ou ocultação de vestígios em casos urgentes e de flagrante delito; 
2.2. Previsão da responsabilidade das autoridades da polícia em caso de 
abusos durante a investigação. Prevê-se a denúncia do facto junto do 
Ministério Público, seguindo-se a forma de processo que se mostre 
adequada à infracção; 
3. A adopção de duas formas de processo: o processo querela aplicável às 
infracções de maior gravidade e o processo sumário para as infracções 
penais cuja pena aplicável seja igual ou inferior a 3 anos, podendo ainda ser 
julgado nesta forma de processo as infracções de maior gravidade desde que 
o arguido o requeira, repare o dano causado e não haja dúvidas quanto a 
prática de infracção; 
4. A suspensão da prisão preventiva por motivo de gravidez e parto; 
5. A atribuição de competência ao juiz de instrução criminal para dirigir a 
instrução contraditória, proferir o despacho de pronúncia e impor o controlo 
judicial ao arguido; 
6. Fixação em 16 anos da idade mínima para ser testemunha, por ser a partir 
desta idade que se é imputável criminalmente; 
7. Ampliação do número de entidades que devem ser inquiridas nas suas 
residências; 
8. Extensão das causas de impedimento e suspeição ao juiz da instrução 
criminal; 
9. Consagração na fase de julgamento da extinção e suspensão provisória do 
processo; 
10. Possibilidade de as testemunhas e declarantes prestarem os seus 
depoimentos e declarações na ausência do réu, para garantir a sua 
segurança, desde que o requeiram; 
11. Integração das competências, em matérias penal, constantes da Lei n°. 
10/92, de 6 de Maio no projecto; 
12. Adopção no projecto do controlo hierárquico, no arquivamento dos autos 
não acusados pelo Ministério Público, previsto no Decreto-Lei n°. 35 007, 
separando-se as competências de decisão de acusação exclusiva do 
Ministério Público, de soltar o arguido após validade ou não da sua prisão, 
exclusiva do poder judicial; 
13. Obrigatoriedade da presença do ofendido na audiência do julgamento, por a 
sua ausência dificultar o apuramento da verdade material; 
14. Revisão de indemnização por detenção preventiva abusiva a ser suportada 
pelo denunciante de má fé ou pelo Estado. 
 
Finalizando esta exposição, há a referir que, após a apreciação do Projecto pelo 
Conselho de Ministros, que introduziu alterações, foi o mesmo remetido à 
Assembleia da República para os devidos efeitos legais. 
 
 
Muito obrigado.

Mais conteúdos dessa disciplina