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Linfom� d� Hodgki�
1. Definição
- LH é uma neoplasia linfóide caracterizada
pela proliferação de células atípicas,
denominadas células de Reed-Sternberg
(RS), ou suas variantes, imersas em
substrato celular característico, de aspecto
inflamatório. A célula RS, ou célula
diagnóstica, é uma célula grande, com
citoplasma amplo, binucleada ou
multinucleada, com nucléolo evidente e
eosinofílico. Células mononucleadas com
nucléolos evidentes também podem estar
presentes e são chamadas células de
Hodgkin.
- Outras variantes das células RS são a célula
lacunar , presente na forma esclerose n
odular, e a célula linfocítico-histiocítica, nos
casos de predominância linfocítica nodular.
- A maioria deriva de células B do centro
germinativo e pós germinativo
→ Células Lacunares:
Células com um único núcleo multilobulado e
nucléolos pequenos. A célula encontra-se em
um espaço vazio criado pela retração do
citoplasma e circundada por linfócitos. O
citoplasma apresenta-se claro.
2. Epidemiologia
- O vírus Epstein-Barr (EBV) é
frequentemente associado ao LH,
especialmente em crianças e em indivíduos
imunossuprimidos, como os infectados pelo
HIV.
- Corresponde a um terço dos linfomas
- Pico de incidência em torno dos 30 anos
3. Etiopatogênese
- Ainda não é claro o mecanismo que leva a
alterações na aparência das células
- Uma das hipóteses indica o envolvimento do
Vírus Epstein-Barr (EBV). O EBV
encontra-se presente nas células
Reed-Sternberg em até 70% dos casos do
subtipo celularidade mista e em uma fração
menor das outras formas ‘’ clássicas’’ do LH
- Infecção por EBV, as células passam a
expressar LMP-1 (proteína latente de
membrana), há ativação do gene NFkB,
evitando a apoptose de células defeituosas (
O NFkB bloqueia as vias de sinalização de
morte celular. Ele bloqueia a capacidade do
TNF de induzir a ativação da caspase 8
(cascata apoptótica) e também ativa vários
genes atiapoptótico (p. ex., Bcl- 2)
Linfom� d� Hodgki�
4. Classificação Histológica
- A OMS divide o LH em 2 grandes grupos:
→ LH clássico: células são CD45- e
CD30/CD15+
a. Forma esclerose nodular
b. Celularidade mista
c. Depleção linfocitária
d. Rico em linfócitos
→ LH com predominância linfocitária
nodular: células indolentes, RS expressam
marcadores de células B e do antígeno
leucocitário comum CD45/CD20. Esse tipo
de linfoma não tem relação com o EBV.
5. Aspectos Morfológicos
O elemento constituinte essencial do
linfoma de Hodgkin é a célula de
Reed-Sternberg (RS)
As células de Reed- Sternberg (RS)
libera mediadores:
IL-5 estimula as células eosinofílicas
TNF-alfa e FGFb
IL-10 que inibem TCD8 e TH1
Linfom� d� Hodgki�
● LH Clássico
→ Esclerose Nodular: é o tipo histológico
mais comum. Ocorre proliferação de faixas
de tecido fibroso colagênico delimitando
nódulos celulares irregulares, formados por
linfócitos, eosinófilos, plasmócitos e células
RS, principalmente da variante lacunar.
Há maior propensão de envolver linfonodos
da cervical inferior, supraclaviculares e do
mediastino. A maioria dos pacientes são
adolescentes ou jovens adultos.
Imunofenótipo: CD15 e CD30
→ Celularidade Mista: Aspecto celular
heterogêneo, com numerosos eosinófilos,
plasmócitos, neutrófilos e macrófagos,
menor quantidade de linfócitos e grande
quantidade de células RS (clássica). É o tipo
que mais se associa com EBV. O prognóstico
geralmente é bom.
Acomete mais pacientes com idade acima
dos 50 anos.
Imunofenótipo: idêntico ao tipo esclerose
nodular CD15 e CD30
→ O tecido fibroso apresenta-se mais
difuso (em tom rosa, entre as células)
Linfom� d� Hodgki�
→ Depleção Linfocítica: É a forma menos
comum e de pior prognóstico. Caracteriza-se
por padrão reticular, com grande número de
células RS pleomórficas (formatos
diferentes) e depleção linfocitária, ou por
padrão de fibrose difusa, com grande
número de células pleomórficas, poucos
linfócitos e fibrose difusa irregular.
Acomete mais os idosos e indivíduos com
HIV.
→ Rico em linfócitos: É pouco frequente.
Histologicamente, apresenta proliferação
nodular ou difusa de linfócitos pequenos em
meio aos quais encontram-se células RS
clássicas, mas não as células L&H do LH com
predominância linfocítica nodular.
Imunofenotipagem: CD15
→ Marcação para LMP-1
● Predominância Linfocítica
- Pode ocorrer em qualquer idade, mas o pico
é na quarta década de vida. É mais
frequente em homens.
- Representa 5% dos casos de LH
- Variante linfo-histiocítica L&H das células
de RS
Linfom� d� Hodgki�
Há intensa proliferação de linfócitos
pequenos com distribuição vagamente
nodular, em meio aos quais se encontram
células linfocítico-histiocíticas (LeH).
→ L&H: Células com núcleo delicado e
multilobulado (célula em pipoca), linfócitos e
histiócitos. Eosinófilos, neutrófilos,
plasmócitos são raros ou ausentes.
Imunofenótipo: CD20 e BCL6
6. Quadro Clínico
- Linfonodos têm consistência à palpação
- Baixa motilidade
- Não há dor/sensibilidade
- O tamanho é elevado
- Pacientes com sintomas A: não há
manifestações importantes, apenas fadiga e
prurido
- Pacientes com sintomas B: febre, sudorese
noturna, perda de peso e prurido (coceira)
→ Linfoma de Hodgkin: linfadenomegalia
cervical
→ Linfoma de Hodgkin: alargamento do
mediastino por massa linfonodal
Linfom� d� Hodgki�
7. Estadiamento Clínico do LH e Linfomas não Hodgkin (Classificação Ann Arbor)
8. Tratamento
- Na maioria dos casos é uma doença curável
quando tratada adequadamente.
- O tratamento clássico é a poliquimioterapia
(quimioterapia com múltiplas drogas) com ou
sem radioterapia associada.
- O protocolo de poliquimioterapia utilizado
de rotina no INCA (2020) é denominado
ABVD.
▪ Adriamicina
▪ Bleomicina
▪ Vimblastina
▪ Dacarbazina
→ Casos avançados envolvem transplante de
medula óssea

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