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aula 4

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ed. Ministério da
Economia. Secretaria do Tesouro Nacional. Brasília, 2018, p. 102.
CRÉDITO PÚBLICO
Quando é que se faz o uso do crédito público?
Quando os recursos não são suficientes para o Estado fazer face às despesas, ele se utiliza do
crédito público. São ingressos de recursos no caixa, que geram uma dívida, que é incorporada ao
passivo do ente. Nesse caso, existe a obrigação de restituir posteriormente, acrescido de juros e
encargos. Tais recursos são decorrentes dos empréstimos públicos.
A maioria da doutrina entende que a natureza jurídica dos empréstimos públicos é contratual. Isso
porque é assinado um contrato entre as partes, com cláusulas e condições específicas.
Os empréstimos públicos podem ser classificados em forçados (obrigatórios) ou voluntários. No
primeiro, o Estado intervém por meio de seu poder de império. No Brasil, por exemplo, temos os
empréstimos compulsórios, previstos na CF/88. Já os voluntários são decorrentes de consenso entre
as partes.
É fundamental conhecer o conceito de empréstimos internos e externos. Empréstimos internos são
aqueles contratados dentro do país, seguindo as normas de direito público internas. Os empréstimos
externos são contratados com instituições internacionais, seguindo as normas do direito internacional.
DÍVIDA PÚBLICA
Uma noção importante desse tema é a dívida pública.
Trata-se de um compromisso que o Estado assume, de curto ou longo prazo, compreendendo os
juros, os encargos e a amortização do principal, para ser pago a terceiros.
A CF/88 estabelece as competências para dívida pública:
CONGRESSO NACIONAL
SENADO FEDERAL
Congresso Nacional – dispõe sobre a dívida mobiliária federal, que refere-se à dívida decorrente da
emissão de títulos públicos.
Senado Federal – dispõe sobre a dívida mobiliária dos estados, do distrito federal e dos municípios,
além de dispor da dívida consolidada de todos os entes federados. As Resoluções nº 40 e 43, de
2001, tratam sobre esses limites.
A Lei nº 4.320/64 tratou da dívida de curto prazo e da dívida de longo prazo.
De acordo com o art. 92, a dívida de curto prazo é chamada de Dívida Flutuante, compreendendo:
Os restos a pagar; os serviços da dívida a pagar (parcelas de amortização e de juros da dívida
de longo prazo).
Os depósitos (garantias recebidas para serem devolvidas posteriormente, como as cauções).
Os débitos de tesouraria (operações de crédito por antecipação da receita orçamentária – ARO,
pois seu destino é cobrir insuficiência de caixa).
A Dívida Fundada, de longo prazo, foi tratada no art. 98, da referida lei. Compreende os
compromissos com exigibilidade superior a 12 meses, contraídos para atender à insuficiência
orçamentária ou financiar obras públicas.
LRF E A DÍVIDA PÚBLICA
A Lei de Responsabilidade Fiscal atualizou alguns conceitos, inclusive para as diversas espécies de
endividamento público. Observe as definições do art. 29, da mencionada lei:
DÍVIDA PÚBLICA CONSOLIDADA OU FUNDADA
Montante total, apurado sem duplicidade, das obrigações financeiras do ente da Federação,
assumidas em virtude de leis, contratos, convênios ou tratados e da realização de operações de
crédito, para amortização em prazo superior a doze meses. As operações de crédito de prazo inferior
a doze meses, cujas receitas tenham constado do orçamento, também integram essa dívida.
DÍVIDA PÚBLICA MOBILIÁRIA
Dívida pública representada por títulos emitidos pela União, inclusive os do Banco Central do Brasil,
Estados e Municípios.
OPERAÇÃO DE CRÉDITO
Compromisso financeiro assumido em razão de mútuo, abertura de crédito, emissão e aceite de título,
aquisição financiada de bens, recebimento antecipado de valores provenientes da venda a termo de
bens e serviços, arrendamento mercantil e outras operações assemelhadas, inclusive com o uso de
derivativos financeiros. Equipara-se à operação de crédito a assunção o reconhecimento ou a
confissão de dívidas pelo ente da Federação.
CONCESSÃO DE GARANTIA
Compromisso de adimplência de obrigação financeira ou contratual assumida por ente da Federação
ou entidade a ele vinculada.
REFINANCIAMENTO DA DÍVIDA MOBILIÁRIA
Emissão de títulos para pagamento do principal acrescido da atualização monetária.
 ATENÇÃO
Será incluída na dívida pública consolidada da União a relativa à emissão de títulos de
responsabilidade do Banco Central do Brasil.
O refinanciamento do valor principal da dívida mobiliária não pode exceder, ao término de cada
exercício financeiro, o montante do final do exercício anterior, somado ao das operações de crédito
autorizadas no orçamento para este efeito e efetivamente realizadas, acrescido de atualização
monetária.
ESPECIFICIDADES DO ORÇAMENTO PÚBLICO
Neste vídeo, esclareceremos os critérios da contabilidade no reconhecimento das receitas e
despesas, bem como conceituaremos o processo da dívida pública.
VERIFICANDO O APRENDIZADO
1) O CONCEITO ORÇAMENTÁRIO DE RECEITA ESTÁ ASSOCIADO À DISPONIBILIDADE DE
RECURSOS FINANCEIROS DURANTE O EXERCÍCIO ORÇAMENTÁRIO, ENQUANTO O
CONCEITO CONTÁBIL DE RECEITA RELACIONA-SE AOS AUMENTOS NOS BENEFÍCIOS
ECONÔMICOS, DURANTE O PERÍODO CONTÁBIL, SOB A FORMA DE ENTRADA DE
RECURSOS OU AUMENTO DE ATIVOS OU DIMINUIÇÃO DE PASSIVOS, QUE RESULTEM EM
AUMENTO DO PATRIMÔNIO LÍQUIDO. EM DECORRÊNCIA DISSO, SEU RECONHECIMENTO
PODE SE DAR EM MOMENTOS DISTINTOS. TENDO EM VISTA ESSES CONCEITOS, UMA
RECEITA DE ORIGEM TRIBUTÁRIA EXEMPLIFICADA PELO IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE
DE VEÍCULOS AUTOMOTORES – IPVA DEVE SER RECONHECIDA:
A) Sob o enfoque orçamentário, quando o tributo for recolhido aos cofres da entidade competente.
B) Sob o enfoque orçamentário, quando o tributo for lançado em favor da fazenda pública.
C) Sob o enfoque patrimonial, quando o tributo for arrecadado pelos agentes competentes.
D) Sob o enfoque patrimonial, quando o tributo for lançado, a partir da identificação do sujeito
tributário e do valor devido.
E) Sob os enfoques orçamentário e patrimonial, no momento da arrecadação do tributo.
2) (FCC – 2015) NOS TERMOS DA LRF, O MONTANTE TOTAL, APURADO SEM DUPLICIDADE,
DAS OBRIGAÇÕES FINANCEIRAS DO ESTADO DO CEARÁ ASSUMIDAS EM VIRTUDE DE
CONTRATOS É DENOMINADA:
A) Dívida pública consolidada
B) Dívida pública mobiliária
C) Operação de crédito
D) Refinanciamento da dívida pública
E) Obrigações públicas consolidadas
GABARITO
1) O conceito orçamentário de receita está associado à disponibilidade de recursos financeiros
durante o exercício orçamentário, enquanto o conceito contábil de receita relaciona-se aos
aumentos nos benefícios econômicos, durante o período contábil, sob a forma de entrada de
recursos ou aumento de ativos ou diminuição de passivos, que resultem em aumento do
patrimônio líquido. Em decorrência disso, seu reconhecimento pode se dar em momentos
distintos. Tendo em vista esses conceitos, uma receita de origem tributária exemplificada pelo
Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores – IPVA deve ser reconhecida:
A alternativa "D " está correta.
O IPVA deve ser reconhecido no enfoque orçamentário no estágio da arrecadação. Já no enfoque
patrimonial, deve ser reconhecido no momento do fato gerador, que ocorre no estágio do lançamento,
de acordo com o comando da questão.
2) (FCC – 2015) Nos termos da LRF, o montante total, apurado sem duplicidade, das obrigações
financeiras do Estado do Ceará assumidas em virtude de contratos é denominada:
A alternativa "A " está correta.
A questão pede o conhecimento da definição da dívida pública consolidada ou fundada, conforme art.
29 da LRF. A lei fala das obrigações financeiras de qualquer ente da federação e o Estado do Ceará é
um deles.
CONCLUSÃO
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Neste conteúdo, compreendemos o conceito das receitas e despesas públicas, inclusive suas etapas
e particularidades. Conhecemos, também, suas respectivas origens (receitas) e seus grupos
(despesas), por meio da classificação prevista em norma.
Além disso, verificamos como a contabilidade pública compreende

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