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Fibromialgia

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REVISTA MÉDICA DA UFPR ISSN 2358-193x 
ISSN eletrônico 2447-3308 
 DOI 10.5380/rmu.v4i0 
 
Rev. Med. UFPR 4 (Supl 1) Edição especial - Setembro de 2017 3 
 
 
 
FIBROMIALGIA 
FIBROMYALGIA 
 
Mariana Lechitzki1. Orientador: Dr. Eduardo Santos Paiva2 
 
1. Residente de Clínica Médica do Hospital de Clínicas da UFPR 
2. Professor Adjunto da Disciplina de Reumatologia da UFPR e Preceptor do Ambulatório de Fibromialgia 
do Hospital de Clínicas da UFPR. 
Contato do Autor / Mail to: 
Mariana Lechitzki m_lechitzki@yahoo.com.br 
 
INTRODUÇÃO 
 
Dor, segundo a IASP- International Association for the Study of Pain- é uma experiência sensorial e emocional 
desagradável associada com atual ou potencial dano tissular ou descrita em termos de tal dano. A dor crônica frequentemente 
causa prejuízo funcional e incapacidade, estresse psicológico, ansiedade, depressão e privação de sono; atrapalha atividades 
de vida diária e relacionamentos pessoais. Apesar de ser essencialmente uma sensação, a dor tem componentes fortes 
cognitivos emocionais; está ligada a sofrimento. Dor é a principal causa de incapacidade a longo prazo e de perda de dias de 
trabalho. Pesquisa de 2010 demonstrou que 19% dos adultos nos Estados Unidos reportam constante ou frequente dor 
persistindo por pelo menos 3 meses. 
 
DEFINIÇÃO 
 
A síndrome da fibromialgia (FM) é uma condição clínica caracterizada por dor crônica generalizada geralmente 
associada a fadiga, distúrbios do sono e sintomas cognitivos. A fibromialgia é provavelmente a síndrome dolorosa central mais 
amplamente descrita. Sua prevalência é alta e no Brasil é estimada em 2,5%. 
 
FISIOPATOLOGIA 
 
A sensibilização central pode ser definida como uma resposta anormal do sistema nervoso central a estímulos 
periféricos, devido a hiperexcitabilidade neuronal no corno dorsal da medula espinhal e aumento da atividade neuronal 
espontânea (fenômeno Wind-up), além de aumento do estímulo transmitido por fibras aferentes primárias de pequeno e grande 
calibre (devido a ativação de uma variedade de nociceptores periféricos na presença de mediadores inflamatórios como 
bradicinina, serotonina, histamina, prostaglandinas e substância P). Esses eventos inapropriadamente anômalos levam a 
percepção dolorosa exagerada de um estímulo nociceptivo, como toque ou pressão (isto é, hiperalgesia). O fenômeno wind-up, 
que progressivamente aumenta a resposta dos neurônios secundários (após repetida estimulação das fibras C) é mediado por 
NMDA, cujos receptores são conhecidos como sendo estritamente relacionados a progressão para hiperexcitabilidade dos 
neurônios de segunda ordem. Não é claro se esse fenômeno é devido a sensibilização espinhal mantida pelo estímulo de 
impulsos tônicos dos tecidos, mecanismo facilitatório no cérebro ou um mecanismo anormal de facilitação descendente. A 
longo prazo esses fenômenos podem por si só levar a auto sustentação de sensibilização central sem precisar de 
estímulo.Finalmente, neurotransmissores, citocinas e quimiocinas podem também ativar células gliais e então contribuir para o 
aprimoramento secundário do fenômeno de sensibilização central. 
PROTOCOLOS CLÍNICOS 
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CLÍNICA 
O sintoma mais comum é a dor. Ela é, por definição, generalizada e distribuída não anatomicamente e percebida como 
originada em músculos ou nos ossos, raramente articular; não há detecção de distribuição estrutural ou de inervação. 
Frequentemente está associada uma constelação de sintomas como fadiga, distúrbios do sono, cefaléia e doenças como 
síndrome do intestino irritável. Há associação entre transtornos do humor e FM e tanto a depressão como a ansiedade podem 
afetar a habilidade de lidar com os eventos da vida diária. Além disso, afetam processos cognitivos e emocionais que 
dependem da vulnerabilidade e força individual. Comportamento de catastrofização tem influência significativa na percepção 
da dor e está estritamente relacionada a regiões do cérebro que medeiam atenção, antecipação ou respostas emocionais a dor. 
Pacientes com fibromialgia frequentemente relatam esquecimentos, assim como diminuição da função cognitiva, memória e 
atenção sintomas conhecidos como fibrofog . 
 
DIAGNÓSTICO 
Os critérios de 1990 da ACR para fibromialgia tinham finalidade de classificação para pesquisa e nunca se pretendeu 
usá-lo como estrito critério diagnóstico para uso na prática clínica. Esses critérios incluem que indivíduos que tem dor 
generalizada (dor no esqueleto axial, abaixo ou acima da cintura e em ambos os lados do corpo) com 11 ou mais dos 18 
possíveis tender points . Muitos indivíduos que claramente tem fibromialgia não tem dor no corpo inteiro ou podem não ter pelo 
menos 11 tender points. 
Os critérios de 2011 tinham como finalidade o uso em estudos epidemiológicos e representam um método alternativo 
para diagnosticar a fibromialgia. Os pacientes preenchem a pesquisa de sintomas que questiona a localização da dor assim 
como a presença e gravidade de fadiga, distúrbios do sono, dificuldade de memória, dores de cabeça, intestino irritável e 
problemas de humor. Esses critérios identificam a maioria dos mesmos indivíduos que fechavam critério em 1990, porém 
diagnostica muitos mais pacientes masculinos (que raramente fechavam critério por causa de números inadequados de tender 
points). O novo critério tem a vantagem de conceptualizar os sintomas principais da fibromialgia como um contínuo de 
centralizacao da dor. 
Figura 1 
 
 
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TRATAMENTO 
Fibromialgia é melhor abordada integrando tratamentos farmacológicos e não farmacológicos enquanto o paciente se 
engaja como participante ativo do processo. (Guideline EULAR- Tabela 1) 
Tabela 1 
 
SEGUIMENTO 
A ferramenta para avaliação e seguimento dos pacientes com fibromialgia é conhecido como FIQR. (Figura 2) 
Figura 2 
 
 
Grupo de avaliação do 
impacto global: somatório 
simples das 2 notas. 
Grupo de avaliação da 
função: somatório das 9 
notas é dividido por 3. 
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CONCLUSÃO 
Fibromialgia é uma doença que se manifesta por dor crônica, alterações de humor, fadiga, distúrbios do sono e é 
causa de incapacidade e de perda de dias de trabalho, além de gerar grande sofrimento. Seu manejo implica primariamente em 
medidas não farmacológica, que incluem obrigatoriamente a educação do paciente a respeito de sua patologia e o estímulo a 
atividade física. O tratamento medicamentoso adjuvante deve ser escolhido de acordo com a manifestação mais exuberante 
naquele momento da doença, abordando não apenas a dor, mas também os sintomas concomitantes que comprometem a 
qualidade de vida do indivíduo. Para avaliação da doença e da resposta do paciente ao tratamento é possível o uso de uma 
ferramenta chamada FIQR, a qual mensura o impacto da doença sobre as atividades de vida diária e o grau de desconforto 
causado pelos demais sintomas associados à Fibromialgia. 
 
REFERÊNCIAS 
1. Anwar,K. Pathophysiology of pain. Disease-a-Month 62(2016)324 329 
2. Aronoff. G. M. What Do We Know About the Pathophysiology of Chronic Pain? Implications for Treatment Considerations. Med Clin N Am 100 
(2016) 31 42 
3. Clauw D.J. Fibromyalgia, A Clinical Review. JAMA, 2014,Vol 311,Number 15:1570-1577. 
4.G. Cassisi, P. Sarzi-Puttini. Pain in fibromyalgia and related conditions. Reumatismo, 2014; 66 (1): 72-86 
5. Kravitz H.M.,Katz R.S. Fibrofog and fibromyalgia: a narrative review and implications for clinical practice. Rheumatol Int (2015) 35:1115
1125 
6. Macfarlane GJ, et al. EULAR revised recommendations for the management of fibromyalgia. Ann Rheum Dis 2016;0:1 11. 
7. Paiva E.S.,Rezende M.C. et.al.
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