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QUEDA NO IDOSO E OSTEOPOROSE

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QUEDA NO IDOSO E OSTEOPOROSE – JOÃO VICTOR REIS CAMPOS
Tutoria 3- Um copo depois de quebrado não há nada o que possa ser feito...
1. Elucidar as características da queda no Idoso (epidemiologia, fatores de risco, prevenção e consequência).
A queda pode ser definida como um evento descrito por vítima ou testemunha, em que a pessoa inadvertidamente vai de encontro ao solo ou a outro local em nível mais baixo que o anteriormente ocupado, consciente ou inconsciente, com lesão ou não. Tipos diferentes de quedas apresentam fatores de risco específicos, tornando necessária uma determinação cuidadosa de suas circunstâncias, tanto para a avaliação clínica quanto para a pesquisa epidemiológica. Nos estudos de incidência são consideradas quedas quando estas são não intencionais e resultam em contato com o solo, e não somente cair de costas em um assento, por exemplo.
Os fatores de risco e medidas preventivas associados a quedas em pessoas mais velhas, porém ativas e saudáveis, que caem porque participam de atividades vigorosas e arriscadas diferem dos indivíduos mais frágeis que caem por instabilidade. Um modo de avaliar os diferentes tipos de quedas pode utilizar o roteiro a seguir:
· Determinação da contribuição externa à queda, avaliando-se se a contribuição teria sido suficiente para derrubar alguém saudável e mais jovem;
· Investigação somente daqueles indivíduos que sofreram duas ou mais quedas;
· Classificação da intensidade de movimento no momento da queda.
Epidemiologia
A incidência de quedas aumenta com a idade e varia de acordo com a situação funcional do indivíduo. Estudos bem desenhados de base populacional e com grande número de indivíduos estimam uma incidência de 28 a 35% de quedas em indivíduos com mais de 65 anos, 35% naqueles com mais de 70 anos e 32 a 42% nos indivíduos com mais de 75 anos (Downton, 1998). Algumas evidências apontam para uma incidência de cerca de 50% em indivíduos com mais de 80 anos. Em estudo transversal recente, de base populacional, realizado com indivíduos com 65 anos ou mais morando em áreas de abrangência de unidades básicas de saúde de 41 municípios com mais de 100 mil habitantes de sete estados do Brasil, verificou-se prevalência de quedas de 34,8 entre os homens e 40,1% nas mulheres (Siqueira et al., 2007). 
Os indivíduos mais saudáveis caem com menos frequência. Aqueles que já tiveram um episódio de queda têm uma incidência maior de quedas no ano subsequente. Em estudo de Perracini e Ramos com indivíduos idosos residentes em uma comunidade do município de São Paulo, cerca de 30% disseram ter caído no ano anterior ao inquérito, e 10% afirmaram ter sofrido duas ou mais quedas (Perracini e Ramos, 2002). Outras evidências apontam que quase 60% dos idosos com história de queda no último ano sofrerão uma queda subsequente.
É mais difícil prever estimativas de pacientes institucionalizados, mas pelo menos 50% das pessoas mais velhas em instituições correm risco de quedas. A prevalência de quedas por ano nas instituições de longa permanência é maior que na comunidade. Estudo recente realizado no Rio Grande do Sul demonstrou uma prevalência de quedas entre os indivíduos mais velhos asilados de 38,3%. As quedas foram mais comuns no ambiente do asilo (62,3%), sendo o quarto o ambiente onde ocorreu o maior número de quedas (23%). Na análise ajustada, as quedas se mantiveram associadas a cor da pele branca, com os indivíduos separados e divorciados, com depressão, e maior quantidade referida de medicamentos para uso contínuo (Gonçalves et al., 2008).
Fatores de risco
	A maioria das quedas resulta da interação de fatores relacionados com o indivíduo (intrínsecos) e de fatores do ambiente (extrínsecos). Os fatores intrínsecos incluem: idade, quedas anteriores, redução da acuidade visual, tontura, distúrbios do equilíbrio e da marcha, lesões do sistema nervoso, doenças do aparelho locomotor e comprometimento dos mecanismos reguladores da pressão arterial (barorreceptores), os quais predispõem hipotensão ortostática, distúrbio cognitivo, depressão e transtornos do sono.
	Os fatores extrínsecos relacionam-se com as condições do piso (p. ex., escorregadio), iluminação inapropriada, escada com degraus altos e estreitos e sem corrimão, calçados inadequados, tapetes dobrados ou soltos, barreiras físicas, cadeira, mesa, leito, banheiro, calçados e órteses mal adaptadas. Parece haver forte relação entre a ocorrência de quedas e o uso de benzodiazepínicos, antidepressivos, antipsicóticos, anticonvulsivantes e antiarrítmicos de classe 1, entre outros. O risco de quedas também é mais alto em indivíduos com internação recente em hospital, principalmente no primeiro mês após a alta. 
	A distribuição das causas difere entre idosos institucionalizados, hospitalizados e os da comunidade. As quedas entre indivíduos que moram em instituições de longa permanência decorrem de distúrbios da marcha e do equilíbrio, vertigem e confusão mental. Uma meta-análise recente mostrou que a associação mais estreita entre quedas e a população idosa foi o histórico de quedas. Pessoas da comunidade tendem a cair por problemas no ambiente, seguidos de fraqueza e/ou distúrbios do equilíbrio e da marcha, tontura e/ou vertigem, alteração postural ou hipotensão ortostática, lesão do sistema nervoso central, síncope e outras causas. As quedas em ambiente hospitalar são 3 vezes mais comuns do que no ambiente domiciliar. Alteração do estado mental, uso de medicações (p. ex., sedativos e tranquilizantes), limitações da mobilidade, necessidade especial no uso do banheiro ou para eliminações são algumas das causas de queda entre os pacientes hospitalizados.
Causas
Fatores associados ao envelhecimento
	Um dos fatores associados ao envelhecimento que pode predispor o indivíduo a quedas é a tendência à lentidão dos mecanismos de integração central, importantes para os reflexos posturais. O envelhecimento parece reduzir a capacidade de processamento e a habilidade de dividir a atenção. Se a concentração for distraída por outra tarefa cognitiva, há recuperação mais lenta de uma perturbação postural.
Doenças específicas
▼Epilepsia. A epilepsia aumenta sua prevalência com a idade e se associa, muitas vezes, à perda de consciência. O diagnóstico pode ser difícil sem a presença de uma testemunha.
▼Doença de Parkinson. A doença de Parkinson, por seus distúrbios de marcha, postura e equilíbrio, é reconhecidamente uma causa potencial de quedas.
▼Miopatias e neuropatias periféricas. Os distúrbios motores dessa ordem que afetam principalmente os membros inferiores têm sido demonstrados como fatores de risco para quedas. As neuropatias sensoriais podem contribuir para quedas por distúrbios na informação sensorial postural.
▼Síncope cardiogênica. As arritmias cardíacas mostraram, em alguns estudos, estar associadas a aumento de risco de quedas, lesões e fraturas (Downton, 1998). Entretanto, há evidências importantes em contrário e, pela alta prevalência de arritmias em pacientes mais velhos, torna-se muitas vezes difícil e, por vezes, pouco eficiente estabelecer essa correlação. Muitas pessoas mais velhas apresentam alguma arritmia, e seu simples diagnóstico não estabelece obrigatoriamente uma relação causa/efeito. Trabalhos recentes sugerem que um número significativo de pacientes que sofre quedas pode ter arritmias precipitadas por hipersensibilidade do seio carotídeo (Downton, 1998).
▼Espondilose cervical. Há duas maneiras pelas quais essa patologia pode precipitar quedas. Em primeiro lugar, uma diminuição do estímulo proprioceptivo dos mecanorreceptores da medula espinal pode provocar sensações de tonturas leves e desequilíbrio em pacientes mais velhos. Também, a mielopatia cervical que pode decorrer da espondilose está associada à espasticidade dos membros inferiores (Downton, 1998).
▼Hidrocefalia de pressão normal ou normobárica. Essa patologia se caracteriza por distúrbio da marcha com BdS larga e pequenos passos, incontinência urinária e demência. Todos esses fatores podem precipitar quedas.
▼Demências. Os pacientes