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ÚLCERAS GENITAIS Cancro Mole, Cancroide, Cancro Venéreo, Úlcera de Ducreyi, Cancro de Ducreyi, Cavalo, Cancrela Transmissão exclusivamente sexual. 10% das pacientes com cancro mole podem estar coinfectadas pelo T. pallidum ou pelo HSV. Agente etiológico: cocobacilo Gram-negativo, Haemophilus ducreyi. Período de Incubação: 3-7 dias. O risco de infecção em um intercurso sexual é de 80%. Etiopatogenia: Múltiplas microabrasões epidérmicas durante o coito infecção. QUADRO CLÍNICO: A mulher pode ser portadora assintomática, representando um importante reservatório. A infecção acomete os homens em maiores proporções. Pápula dolorosa (que se desenvolve três a sete dias após o contágio, com halo de eritema) 48 horas depois torna-se pústula, sofre erosão úlcera (são múltiplas devido à autoinoculação). Característica da úlcera: Base amolecida, bordo irregular, contorno eritematoso e fundo irregular recoberto por exsudato necrótico amarelado com odor fétido que, quando removido, revela tecido de granulação altamente friável. A localização determina os sintomas, como disúria, dor à defecação, sangramento retal, dispareunia e corrimento vaginal. Local mais comum no homem: frênulo e o sulco balanoprepucial. Local mais comum na mulher: a fúrcula e a face interna dos pequenos e grandes lábios. Ocorre adenopatia inguinal inflamatória (bubão inguinal) em 30 a 50% dos casos, com tendência à supuração. Esta costuma ser unilateral (2/3 dos casos). Acomete quase exclusivamente indivíduos do sexo masculino (devido à anatomia da drenagem linfática). No início há adenomegalia dolorosa, que evolui para flutuação e fistulização em metade dos casos, classicamente por orifício único, exteriorizando-se um pus cremoso de cor verde com sangue. A adenopatia aparece de sete a quatorze dias após a ulceração e forma um plastrão que adere à pele em superfície e profundidade. Pode evoluir para abscessos acompanhados de episódios febris e impossibilidade de deambulação. Cancro Rollet: cancro mole + cancro duro. DIAGNÓSTICO: Clínico (múltiplas úlceras, DOLOROSAS (# do cancro duro sífilis – úlcera indolor); fundo SUJO, adenopatia que fistuliza p/ 1 orifício) – já pode fechar dx e iniciar tto (MS). Exames laboratoriais: Bacterioscopia com coloração de Gram ou Giemsa, Cultura (para identificação do Haemophilus ducreyi), PCR. TRATAMENTO: Recomendações gerais: Higiene local rigorosa para evitar a autoinoculação; Tratar o parceiro; MS: a aspiração com agulha de grosso calibre dos gânglios linfáticos regionais comprometidos pode ser indicada para alívio dos linfonodos tensos e com flutuações. Contraindica a incisão dos linfonodos. CDC: Indica a incisão dos linfonodos acometidos e contraindica a drenagem. TRATAMENTO: HERPES: É uma doença incurável causada pelo Hepes-Simplex Vírus, sendo a IST ulcerativa mais frequente, seguida pelo cancro duro. O vírus permanece no sistema neural por toda vida, permanecendo nos gânglios sensoriais após infecção primária. A sua reativação ocorre na raiz dorsal, retornando pelo nervo para a superfície da pele ou mucosa correspondente ao dermátomo de origem. Agente etiológico: HSV 1: predomina lesões orais HSV 2: predomina lesões genitais Incubação: 4 dias DIAGNÓSTICO: Exame clinico: A primoifecção é geralmente assintomática; A fase prodrômica se manifesta com sensibilidade local, prurido, mialgia e queimação no local onde as pápulas surgirão; Surgimento de pápulas eritematosas e dolorosas, as quais se tornam vesículas que coalescem; Ulceras possuem bordas lisas bem definidas, fundo limpo e não sanguinolentas, as quais formam crostas e cicatrizam Adenopatia inguinal bilateral e dolorosa, sem fistula, com frequente repercussão sistêmica (febre, mal- estar...) Em caso de infecções recorrentes (reativação do vírus), essas tendem a ocorrer com menos intensidade com o tempo. Os facilitadores para recorrência são: Febre ▪ Exposição solar ▪ Frio intenso ▪ Traumatismo ▪ Menstruação ▪ Estresse ▪ Imunodepressão ▪ Antibióticoterapia prologada Desaparece sem sequelas Recorrências diminuem com o passar do tempo; Exames laboratoriais: Citodiagnóstico de Tzank Papanicolau: demonstra inclusões virais Sorologia: anticorpos se desenvolvem após infecção primaria e permanecem por toda vida; Só tem valor se for 4 semanas após infecção; Imunoflorescência direta: pesquisa de anticorpos monoclonais com eficácia semelhante a cultura (fácil e rápido); Biopsia e cultura são mais específicos, porém não realizados rotineiramente; TRATAMENTO: A herpes é recorrente e incurável. O objetivo do tratamento é encurtar o curso da doença, diminuir intensidade e recorrência. Sintomáticos: analgésicos e anti-histaminicos Antibióticos tópicos (neomicina), em casos de infecção secundária TRATAMENTO ANTIVIRAL (ORAL): PRIMOINFECÇÃO: Aciclovir 400 mg, VO, 3x ao dia por 7 a 10 dias (MS) Fanciclovir 250 mg 3x ao dia por 7 a 10 dias Valaciclovir 1g 2x ao dia por 7 a 10 dias Obs: todos os tratamentos devem ser estendidos se não houver cura até 10 dias RECORRENTE: iniciar no primeiro dia ou nos sintomas prodrômicos o Aciclovir 400 mg VO 3x ao dia por 5 dias (MS) Fanciclovir 1g 2x ao dia por 5 dias o Valaciclovir 1g 1x ao dia por 5 dias GESTAÇÃO: Aciclovir Risco de transmissão é maior no 3º trimestre Prevenção do herpes neonatal: interrupção da gestação por cesariana em caso de lesões ativas no canal de parto Higiene local com solução fisiológica e água boricada; Uso de corticoides não é indicado;